Not-Sweet Couple Tale




Capítulo 1



Ela jogou a última foto do álbum no fogo. E, enquanto via as chamas queimando seu passado, deixou que as lágrimas que tinha passado a tarde toda segurando escorressem livre pelo seu rosto claro. Esfregou desesperadamente as mãos no rosto impedindo que mais lágrimas caíssem. Resmungou alguma coisa inaudível – talvez algum palavrão - antes de levantar debilmente, se equilibrando no precário sofá. Sentiu tudo rodar e levou a mão à cabeça, tentando se manter em pé – não tinha comido nada. Não precisava cair também para se sentir ainda mais miserável. Percebeu a bagunça que sua pequena sala estava. Ela nem conseguia mais se lembrar como ela tinha conseguido fazer uma bagunça num lugar tão minúsculo como aquele. Praticamente se arrastou até o único quarto daquele apartamento tão pequeno, que estava num estado tão deplorável quanto a sala.
- Eu realmente preciso dar um jeito nisso. – ela falou baixo, mas num tom perfeitamente audível.
Andou pela confusão que o quarto estava, desviando vez ou outra de algumas roupas que ela havia tirado da mala, parando perto de uma de suas bolsas largadas na lateral da cama. Suspirou olhando a desordem que ela mesma havia feito enquanto tentava apagar tudo o que lhe tinha acontecido.
Contornou tudo isso e parou em frente ao espelho do armário vazio. Olhou seu reflexo e viu dois fundos olhos verdes lhe olhando de volta. Esquadrinhou seu rosto, que estava mais pálido e magro como nunca pensou que pudesse ficar, não gostou nada do que viu. Olhou seus cabelos que antes eram de um loiro intenso e agora estavam opacos e sem vida com quase três dedos de raiz castanha aparecendo.
Parecia para ela que tudo o que tinha acontecido, tudo o que tinha lhe forçado deixar para trás sua pequena cidade, tinha acontecido numa outra vida. Que não tinha sido na vida dela, que tudo tinha acontecido.
Ela queria não ter vivido que viveu.
Tirou, com violência, o anel do dedo médio da mão esquerda, tentando não pensar no dia que ele havia lhe dado ele. Olhou dentro e leu o que havia gravado há três longos anos atrás: John, para sempre.
E com uma urgência que ela não sabia que tinha, atirou a última recordação de seu frustrado namoro pela janela. Ela já tinha sofrido muito mais que seus poucos anos mereciam.

- CORTA! – um homem de cabelo cumprido gritou – Você foi fantástica, .
- Pelo amor de Deus, mas que cena longa! – a garota loira resmungou saindo do cenário – ! Cadê a minha água com gás? – gritou impaciente.
– Eu falei que era para estar aqui quando eu acabasse de gravar.
- Aqui. – uma garota morena chegou correndo até a outra estendendo uma garrafa – Não estava conseguindo encontrar a marca que você queria. – sorriu.
- Muito obrigada. – sorriu de volta – Não sei o que seria de mim sem você. – bebeu um grande gole da água.
- Você tem meia hora, mais ou menos, . – uma mulher com um fone falou – E essa cena ficou ótima.
- Obrigada. – sorriu, começando a andar e desviando dos fios espalhados pelo chão – Vou estar no meu camarim, se precisarem de mim. Ela já estava a meio caminho quando escutou um grande barulho de algo caindo. Revirou os olhos imaginando o que a tinha derrubado dessa vez.
- , o que você arrumou agora? – virou e deu de cara com a garota lhe estendendo o roupão azul.
- O que? Eu não fiz nada! Só peguei o seu roupão. – falou sem entender nada.
- Então quem fez esse barulho todo?
- Foi mal! – gritaram – Eu não vi! Estava distraída. – ela virou e viu uma garota alta de cabelo cacheado levantando as mãos e pedindo desculpas para quem quer que escutasse. Olhou atentamente um refletor caído no chão, calculou que deveria ser esse a origem do barulho.
- ! – ela disse voltando para perto da amiga – Não posso deixar você sozinha um minuto sequer? – segurou no braço da outra – Você tem certeza que sabe o que está fazendo aqui?
- Srta. Hensley, - o cabeludo começou, olhando feio para a outra, que continuava pedindo desculpas pelo estrago – eu acho que a sua amiga está tendo problema em se adaptar...
- Não precisa se preocupar, Max. – sorriu, começando a rebocar a garota para longe do homem, que parecia ser o diretor – Eu vou dar um jeito nela.
- ! – parou ao lado delas – Pensei que você não fosse vir para a gravação de hoje.
- Eu me enrolei com as datas. Pensei que a minha cena fosse ser gravada amanhã.
- Eu já te falei que você precisa de uma secretária. – comentou amarrando o roupão.
- Para que exatamente?
- Se você tivesse alguém como a para tomar conta da sua agenda, você não viveria enrolada dessa forma.
- Como se a fizesse isso direito. – a outra a olhou enfezada – Estou falando sério.
- A nunca perdeu uma pré-estréia na vida, está bem, Walsh? – a olhou com as mãos na cintura – Eu estou junto da desde que ela começou a fazer propaganda, e cuido da carreira dela desde que ela tinha dezoito anos. Está bem?
- Então você é um bebê que precisa que tomem conta o tempo todo? – perguntou num tom jocoso para a outra.
- Se você não tem ninguém que se preocupa com você, eu não posso fazer nada. – deu de ombros – Não posso fazer nada se a minha prima gosta de fazer isso.
- Eu já disse que você é muito metida? – perguntou vendo a outra abrir a porta.
- Não recentemente. – entrou, mas não fechou a porta – , fale para o imbecil do diretor que eu não agüento mais esse meu cabelo colorido. E que se ele não fizer alguma coisa para gravar a segunda parte logo, eu vou acabar chegando aqui com o cabelo totalmente preto. E não vai ter viva alma que vai fazer com que eu mude de idéia.
- Vou ver o que posso fazer, - respondeu, anotando alguma coisa na prancheta que carregava - porque é bem capaz que ela faça isso mesmo. – completou baixo, saindo de perto da porta com a a seguindo perguntando quanto seria a pré-estréia do filme que a tinha feito.
Fechou completamente a porta, passando a mão pelo cabelo descolorido mais uma vez. Não estava mais agüentando esse tom horroroso que tinham mandando que ela pintasse. Estava dando um grande trabalho para arrumá-lo para as festas que ela constantemente ia.
Talvez o que estivesse a irritando era essa vida que ela vinha levando. Já nem lembrava mais quando foi a última vez que viu seus pais, pior mesmo é tentar lembrar de alguma folga prolongada que tenha tirado. Pensou que talvez fosse quando foi até o Caribe com o seu último namorado, levando em conta que eles já tinham terminado há mais de um ano...
Abriu os olhos devagar, depois de passar as mãos por eles e espalhar a maquiagem para todos os cantos. Quem sabe a conseguia marcar na agenda dela um dia para ela não fazer absolutamente nada e ficar em casa dormindo o dia todo? Ela agradeceria se ela conseguisse isso.
Já tinha dado um passo em direção a sua cadeira quando avistou alguém sentado nela. Não reconheceu aquele homem alto e , que balançava a cabeça – ele tinha uns fones coloridos nos ouvidos. Chegou devagar perto dele e tirou os fones, ele virou o rosto na direção dela. Ela encarou os olhos do rapaz.
- Quem é você? – perguntou confusa – E o que você está fazendo no meu camarim?
- No seu camarim? – ele olhou em volta – Tem certeza que é seu? Me falaram que era meu.
- Você sabe ler? – perguntou no tom tão característico dela.
- É claro que eu sei ler, garota. – respondeu impaciente.
- Então vá do lado de fora e leia o nome que aparece na porta. – ela falou num tom que deixava claro que não queria ser contrariada.
Ele resmungou mais um pouco, antes de levantar muito contrariado, largando o ipod na mesa. Caminhou reto até a porta a abrindo logo em seguida. Deu uma olhada na garota de roupão azul com seu jeans escuro aparecendo e seu cabelo duma cor esquisita, tentando lembrar porque o rosto dela era tão familiar a ele.
- Hensley. Sim, e daí? – virou para a garota de braço cruzado.
- E você sabe quem ela é? – o olhou de sobrancelhas levantadas, fazendo com que ele arregalasse os olhos.
- Não, não me diga que você é a Hensley?
- Agora a grande pergunta é, QUEM, MERDA, É VOCÊ? – gritou, começando a se exaltar.
- , algum problema? – abriu a porta rápido completamente desesperada com o grito da outra. Só que o rapaz estava parado perto da porta e ela acabou fazendo com que ela batesse nele.
- Merda! – exclamou, esfregando a lateral do braço – Mas o que foi isso? – a garota morena só deu uma olhada rápida nele antes de voltar a sua atenção a outra.
- Aconteceu alguma coisa? Escutei você gritando, não achou suas frutas? Ou então, o camarim ficou frio demais para você... – tornou a olhar o garoto – Quem é você? – parou com as bochechas ficando vermelhas – Me desculpe, . Vou falar para a produção que você não quer ser interrompida nos próximos minutos. – ia saindo sem olhar para nenhum dos dois.
- Não é nada disso, . – falou revirando os olhos – Se eu estivesse dormindo com ele, você seria a primeira a saber. – falou impaciente.
- Se vocês não estão juntos, o que você está fazendo aqui? – alguém bateu na porta assim que o rapaz abriu a boca.
- Posso entrar? – meteu a cabeça – , a está... Ah, está. , a Liz está pedindo a sua ajuda, parece que um cantor que ia participar de um programa no outro estúdio sumiu... – olhou para o outro ocupante da sala – Ah, oi.
- , do que você está falando? – perguntou – E eu não posso sair daqui a agora, o camarim da foi invadido por um fã outra vez. – resmungou alguma coisa olhando para o rapaz – Estou de dizendo, essa equipe de segurança fica relaxada cada vez mais.
- Eu não sou fã dela coisa nenhuma! Eu até posso ter visto um ou dois filmes dela, mas não é por isso que eu vou ficar por aí invadindo camarins de divas malucas.
- Quem é diva maluca, garoto?
- ? – falou depois que acabou de entrar – Você é mesmo ?
- ? – repetiu, o olhando melhor – Meu Deus, é ele mesmo!
- Ele mesmo quem?
- A Liz está louca atrás de você, rapaz. – falou agarrando o braço dele – A sua entrevista vai começar em poucos minutos.
- É ele que ela está procurando? Como é que você veio parar no meu camarim?
- Eu me perdi, e eu achei que tinha sido nesse que tinham me mandado esperar. – falou olhando em volta – Não sei como eu não percebi que não era aqui.
- Algum problema com a decoração dele? – resmungou, colocando as mãos na cintura.
- Não, nenhum problema. – riu – Nenhum problema com a decoração, se esse camarim for para uma garota.
- Não tem problema algum com o meu camarim, está bem, ? – suas bochechas começaram a se tingirem de um vermelho perigoso, que suas amigas já conheciam.
- Acho que isso aqui já deu. – olhou para ela – , leve o Sr. até a Liz de uma vez, antes que ela nos acuse de estarmos o escondendo. E você, , está na hora de você começar a se arrumar.
- Não faço nada enquanto ele não sair daqui! – falou de um jeito infantil.
- , acho melhor vocês irem logo de uma vez. Aproveita e fala para o Allan que a vai demorar uns... – a olhou – trinta minutos para voltar.
- Ele não vai ficar nada contente com isso. – agarrou mais uma vez o braço do garoto – Você vem comigo, então.
- Da próxima vez que for entrar no camarim dos outros, vê se pelo menos confere o nome antes. – berrou – Se é que você sabe ler, realmente.
- Bem que as pessoas sempre falaram que você era muito geniosa e chata, mas eu nunca acreditei. – ele retrucou, fazendo com que a parasse com a mão na maçaneta, temendo que alguma coisa mais grave acontecesse – Sempre achei que eles estavam exagerando muito, - a outra levantou o nariz - mas eu acabo de perceber que estavam falando exatamente a verdade.
- Você deve acreditar mais no que os outros falam. – ela disse presunçosa, como ser chamada de chata e geniosa fosse algo muito bom.
- , acho que agora já deu, não é mesmo? – a olhou impaciente.
- Não fale como se a culpa fosse minha, foi esse ser que entrou no meu camarim sem ter sido convidado! – ela exclamou de uma forma estridente.
- Queria nunca ter, sequer, pisado no mesmo recinto que você, garota.
- Olha aqui, seu cantorzinho de meia tigela, eu tenho nome, e não gosto que as pessoas fiquem me chamando de “garota”. O último que fez isso, nunca mais gravou uma propaganda de supositórios na vida!
- Pois fique você sabendo, garota, que eu não faço propagandas de supositórios. E se você acha que eu vou ter medo de uma ameaça dessas, você tem que começar a rever seus conceitos. – bufou.
- Tirem ele daqui, imediatamente! – apontou para fora.
- Acho que essa é a nossa deixa. – agarrou o braço dele com mais força e o rebocou para fora – E eu sou muito boa com deixas, tanto quando ela é boa em cumprir suas ameaças.
- O que foi isso, exatamente?
- Eu não quero nunca mais ter que olhar para aquele idiota!

Jogou a bolsa no sofá, arrancou os sapatos os largando no meio do corredor, entrou meio cambaleante no quarto e se jogou de costa no colchão alto. Afofou o travesseiro, o colocou por cima do outro, ainda lembrou de tirar as meias e abrir a calça jeans antes de fechar os olhos e entrar num estágio profundo de sono.
Abriu os olhos. Os fechou no segundo seguinte. Colocou as mãos na frente deles, tentando tapar a claridade. Virou de barriga para baixo e bufou, amaldiçoando o idiota que estava ligando para ela tão cedo desse jeito.
- Eu realmente espero que você saiba o que está fazendo. – atendeu ao telefone.
- Não adianta falar com esse tom comigo, mocinha, eu já me acostumei. – ela bufou – E nem é tão cedo assim.
- Para você duas horas da tarde não é cedo, . – falou de olhos fechados.
- Duas horas da tarde não é cedo, . E outra coisa, só para constar, já passa das três.
- Por que você me ligou tão cedo? Pensei que não fosse gravar hoje. – conferiu o calendário que mantinha perto da cama.
- E não vai, pelo menos não o seu seriado. – ela parou – Parece que a garota que ia fazer um papel em quebrou a perna, ou algo assim, e não vai fazer a participação mais...
- E eu com isso?
- Você vai fazer a participação. – bufou antes de responder.
- Não, eu não vou.
- Vai, porque já está tudo ajeitado. O carro da emissora vai passar para te pegar dentro de alguns minutos.
- Mas eu nem sei minhas falas ainda. – a garota falou, levantando da cama.
- Você decora no caminho. Agora se apresse, você só tem quarenta minutos.
- Eu não posso ir no meu carro? – falou fazendo biquinho, mesmo sabendo que a outra não podia vê-lo.
- , você não pode dirigir ainda. E nem adianta usar esse tom comigo. – a outra falou num tom sério – Você tinha que ter lembrado disso quando pegou o carro depois de ter bebido daquele jeito.
- Que seja. – bufou, fazendo um coque com o seu longo cabelo – E onde está o script?
- Ainda está comigo, eu te dou no caminho. E, ah, vista alguma coisa decente, está bem?

- Quando eu falei que era para você vestir alguma coisa decente, eu estava me referindo a uma blusa mais fechada e uma calça jeans. – resmungou assim que viu a garota abrindo a porta do carro e entrando – E não uma camiseta de alça fina e uma calça jeans apertada.
- Pelo menos eu estou com de jeans. – a outra falou contente dando uma mordida na sua grande maçã verde – E o que a está fazendo sentada aqui também? – olhou para a outra a sua frente.
- Nada em especial. – deu de ombros.
- E como você pretende entrar no set de gravação?
- Não basta ser amiga da grande Hensley? – falou num tom de deboche – Porque é assim que as pessoas estão entrando nas boates mais badaladas do momento.
- Usando meu nome? – deu de ombros – Não posso fazer nada.
- E vai ser assim que ela vai entrar, realmente.
- Porque você quer tanto ir ver dois garotos matando gente morta, afinal de conta?
- Em que mundo você vive, ? – falou aturdida – O é um gato!
- Eu prefiro mais o . – deu de ombros.
- Certo então. – olhou a amiga – , me dê o roteiro.

- Eu vou ter que beijar esse garoto?
- Vai. – respondeu sem tirar os olhos do papel que lia – E, por favor, não espalhe por aí que ele tem mau hálito, como você disse daquele outro ator.
- Ele tinha mau hálito. – a outra rolou os olhos – Ele é pelo menos bonitinho?
- Quem você vai beijar? – perguntou tentou ler o roteiro de cabeça para baixo.
- O . – respondeu indiferente, ainda correndo os olhos pelo papel.
- Por que você sempre beija os mais bonitos? – se afundou na cadeira.
- Porque isso está nos contratos dela. – respondeu – Só trocar saliva com atores bem apessoados.
- Alguém viu o meu marca-texto? – perguntou abrindo a bolsa e começando a procurar – Mas o que é isso? – perguntou, tirando da bolsa um Ipod com fones verdes presos a ele.
- Será que você pode ir mais rápido? – bateu no ombro do motorista – Ela tem um horário a cumprir. – falou irritada - Comprou Ipod novo?
- Não é meu.
- Não? – a olhou – Pensei que fosse.
- Onde você achou?
- Na mesa do seu camarim ontem. – a outra a olhou confusa – Eu juntei tudo e coloquei na sua bolsa quando estávamos saindo. Pensei que fosse seu, algo novo que você tinha ganhado de alguém.
- , tudo o que eu ganho passa por suas mãos antes. – ela olhou mais atentamente – Quando você achou isso?
- De madrugada, quando estávamos indo embora.
- Definitivamente, eu não coloquei isso lá.
- Oh, meu Deus! Será que isso é uma bomba? – falou aterrorizada.
- Por que alguém mandaria uma bomba para mim?
- Eu me lembro de ter escutado enquanto esperava para gravar a minha cena. – comentou.
- Isso não foi logo depois do incidente com aquele rapaz? – não esperou as duas confirmarem – Merda, isso é dele.
- Dele quem?
- Do , .
- E por que isso foi parar na sua bolsa?
- Porque ele esqueceu em cima da minha penteadeira. – respondeu, começando a entender o que tinha acontecido.
- E o que isso estava fazendo lá? – perguntou, a vendo guardar mais uma vez o Ipod na bolsa.
- Porque ele quer me deixar maluca.



Capítulo 2 -



Olhou atentamente o local que o carro tinha parado, sem entender muito bem o que elas estavam fazendo ali. Resmungou um pouco, antes de colocar os óculos escuros, cobrindo seus olhos verdes. Tentou lembrar qual era sua primeira fala, e tudo que veio na sua mente foi que ia passar o episódio quase todo gritando.
Ela esperava que a garganta dela agüentasse até o final do dia. Porque ainda precisaria dela, vivia dela, para falar a verdade.
- Você vai continuar andando ou vai ficar parada? – parou, colocando os braços na cintura – O que aconteceu, ?
- Estou tentando lembrar as minhas falas. – respondeu apertando os olhos – Só consigo lembrar de falar alguma coisa como: “Não sei como isso aconteceu”.- a outra balançou a cabeça, continuando a andar, deixando que ela achasse o caminho sozinha.
- Você não vai me esperar?
Saiu correndo, tentando ver onde a prima ia. Passou por um Impala preto de placa KAZ 2Y5, mas não deu muita atenção a ele, estava mais preocupada em não se perder, como sempre acontecia quando se distanciava da .
- ...pensei que a série fosse gravada no Canadá. – ela escutou falando para assim que parou perto delas.
- Era. – respondeu, vendo a olhar de cenho franzido – Mas não faço a mínima idéia de porquê esse episódio vai ser gravado aqui.
- Eles decidiram, contenção de despesas. – alguém falou nas costas das duas.
- E como é que você sabe disso? – falou sem se virar, num tom um pouco mal educado.
- Bem... Porque eu participo da série. – ela se virou – Para ser mais exato, eu faço um dos personagens principais. – sorriu.
- Ah. – as bochechas dela ficaram vermelhas.
- . – sorriu estendendo a mão. - Sullivan. – meio sem jeito ela apertou - Ah, sim. Essas são Walsh e Hensley. – apontou para as duas, mas o rapaz não prestou muita atenção – E a é que vai substituir a... – olhou nos seus papéis, só para desviar dos olhos dele – Camille Tenney. – completou.
- Ah, certo. – olhou rápido para a menina loira.
- Ah, que bom que você já chegou, querida. – uma mulher alta e de cabelos curtos parou perto delas, mas se dirigindo a – Que bom que você não tinha mais compromissos! Nem sei quem íamos chamar assim tão em cima da hora. – abraçou a garota.
- Sullivan, secretária pessoal da . – se meteu no meio das duas, estendendo a mão para a mulher – E você quem é?
- Susan Stuart. – apertou a mão dela, a balançando fortemente – E quem é você? – perguntou, apontando para a terceira garota, enquanto o continuava olhando a .
- Ninguém. – respondeu rápido.
- Será que não tinha problema a minha amiga assistir a gravação? – falou num tom calmo – Ela é atriz também e...
- Nós já estamos com o quadro todo completo para hoje. – conferiu os papéis que carregava – Mas se ela deixar o nome e o telefone do agente dela, na primeira vaga podemos chamá-la para um teste. Não temos o costume de fazer isso, mas como ela é sua amiga podemos abrir uma exceção.
- Não, a senhora não entendeu. Eu só quero assistir a gravação de hoje mesmo... – completou.

- ISSO NÃO É JUSTO! E NÃO VOU CALAR A BOCA COISA NENHUMA! – viraram o rosto na direção da garota que gritava um pouco longe deles – EU FALEI QUE EU IA INDICAR A GAROTA QUE IA ME SUBSTITUIR! EU! E O QUE FOI QUE VOCÊS FIZERAM? IGNORARAM COMPLETAMENTE ISSO!
- Camille, não foi culpa nossa, isso veio de cima, da cúpula do estúdio. – um homem careca tentava a acalmar – Não podemos fazer nada...
- E quem é essa tal garota?
- Essa atriz está começando agora, mas já tem a sua própria série. Ela já gravou até mesmo o piloto.
- Ela tem uma série só dela? – levantou as duas sobrancelhas, incrédula – Quantos anos essa garota tem? Trinta e três?
- Sim, a série vai estrear no próximo verão. E não, ela não tem trinta e três, ela tem vinte e um. – revirou os olhos.
- Cadê ela? – ela falou olhando para os lados – Cadê essa atriz tão fantástica que você tanto fala? Eu não estou vendo ela em lugar nenhum!

- , pelo amor de Deus, não faça nada! – falou baixo, tentando impedir que ela fosse falar com a outra atriz.
- Eu não vou falar nada, eu apenas quero escutar o que ela tem para falar de mim. - Você sabe o que as pessoas falam de você.
- Eu sei disso, só quero saber o que essa Camille pensa sobre mim. Sabe, a sua opinião própria. – voltou a atenção para a garota mais uma vez.
- Ela sempre age desse modo? – perguntou baixo para .
- O tempo todo. – o olhou – Mas não queira ver como ela fica quando fica irritada. Não é uma coisa muito agradável. – balançou a cabeça desolada e ele sorriu.
- E você toma conta dela?
- Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

- Camille, será que você consegue manter a calma durante alguns segundos? Parar de gritar seria uma boa também. – um rapaz resmungou entediado, sentando ao lado dela.
- Como é que você quer que eu mantenha a calma, se eles entregaram o meu papel para uma atriz qualquer?
- Olha só, eu não entendo muito de televisão nem nada, mas algo me diz que essa garota não é uma atriz qualquer.
- Como é que você pode saber disso, ? – estreitou os olhos na direção dele.
- Camille, você não escutou o que o Johnny falou? Ela tem até mesmo sua própria série!
- E você escutou o que ele disse sobre a idade dela?
, ela tem apenas vinte e um!
- E qual é o problema com isso?
- O problema é que eu tenho vinte e seis e nunca tive a minha própria série! Ela deve ter dormido com o diretor, só pode ter sido isso. – o outro revirou os olhos.

- Ah, diz que você ta tirando uma com a minha cara. – resmungou – Diz que aquele ali, sentado ao lado dela não é quem eu estou pensando.
- Não é aquele cantor que invadiu o seu camarim ontem? – perguntou olhando atentamente para ele – Como é mesmo o nome dele?
- . – falou caminhando em direção a ele.
- ? – ele perguntou confuso – O que você está fazendo aqui?
- Isso não é da sua conta. – respondeu empinando o nariz.
- Hensley? – Camille perguntou – Você é realmente Hensley?
- Bem, da última vez que eu chequei os meus documentos, esse ainda era o meu nome. – respondeu presunçosa – E por mais que as pessoas falem, esse é o meu nome.
- O que você está fazendo aqui? – ele tornou a perguntar.
- Nada que lhe interesse.
- Muito adulta você. – ele falou sorrindo e ela o ignorou.
- Camille Tenney, certo? – a outra confirmou – Prazer, eu vou substituir você no episódio de hoje. – a outra parou com a mão a meio caminho de apertar a da .
- Você? É você que vai me substituir? – perguntou incrédula, com as bochechas meio vermelhas – Não sabia que você fazia esse tipo de papel. – perguntou se recompondo rapidamente.
- Eu faço qualquer papel que eu me propor a fazer. – deu uma olhada rápida para a perna imobilizada da outra – O que foi que aconteceu com a sua perna?
- Tropecei num buraco.
- Quer dizer que você vai fazer o papel que era da Cam? – perguntou divertido, tinha resolvido ver até onde conseguia irritar essa garota metida – Será que você vai conseguir isso?
- O que você está fazendo aqui, afinal? Pensei que os programas de calouros fossem gravados num outro estúdio.
- Ai, essa doeu. – segurou a barriga, como se ela estivesse doendo.
- Acho que Hollywood está perdendo um grande ator. – falou balançando a cabeça – O que você está fazendo aqui, afinal?
- Não é da sua conta. – respondeu imitando o tom dela.
- Não sabia que era um costume seu sair por aí invadindo estúdios.
- Não, não é costume meu.
- Então você só faz isso por hobbie?
- Também, mas principalmente porque gosto de perturbar jovens atrizes. – sorriu e a outra bufou.
- De onde vocês se conhecem? – Camille perguntou, olhando de um para o outro com o semblante fechado.
- Ah, já vi tudo. – revirou os olhos.
v - Já viu o que, ? – falou o apelido dela devagar.
- Quem te deu o direito de me chamar assim?
- Ué? Não foi você mesmo? – franziu o cenho.
- Você é um completo idiota mesmo, . Não sei como as pessoas podem gostar das suas músicas. – balançou a cabeça e foi saindo de perto deles, com o cabelo balançando na suas costas.
- Do mesmo jeito que eu não consigo entender porque as pessoas gostam tanto de você. – ele gritou quando ela já estava numa boa distância. Ela sorriu de um jeito estranho, um sorriso que sua prima já conhecia muito bem.
- Nem pense nisso. – falou desesperada.
- Ela vai fazer merda, não vai? – sibilou para a outra.
- Lá vamos nós mais uma vez. – levantou o rosto, se recusando a ver aquilo.
- O que ela vai fazer? – perguntou confuso.
- Espere e verá. – respondeu.
- . – falou virando e voltando até ele – Lembrei de uma coisa. – abriu a bolsa e tirou de lá um Ipod com fones verdes – Você esqueceu isso comigo. – entregou a ele.
- ! – Camille gritou arrancando o objeto da mão dele – Como é que isso ficou com ela?


***


“Enquanto a sua ex, amarga a contratação de Hensley (21) para o papel que seria dela, (28) foi visto na madrugada de ontem na companhia de uma morena misteriosa. Fontes dizem que o relacionamento de quase três meses com a atriz Camille Tenney (26) terminou depois que ela torceu o pé logo após assinar a participação num episódio de ‘’ que acabou gravando semana passada. Amigos próximos do casal falam que eles continuam amigos, mas que estão dando um tempo para reverem suas prioridades... ”

- Eu juro por Deus que quero morrer sua amiga. – resmungou jogando o jornal para o lado.
- Não foi minha culpa, de verdade. – de ombros – Foi ele que começou essa briga toda.
- Mas foi você que continuou. – falou sem olhar a prima – Quantas vezes eu já não te falei que é para você parar de fazer isso? – cruzou os braços, colocando o jornal debaixo dele – Quantos relacionamentos mais você vai perturbar para finalmente aprender?
- Se você continuar prestando atenção na nossa conversa, eu juro, você não vai mais precisar vir trabalhar amanhã. – falou no tom tão característico dela, para a maquiadora.
- Eu não estava prestando atenção, Srta. Hensley. Agora feche os olhos, por favor. – falou segurando um pincel.
- E eu não destruo relacionamentos, . – falou de olhos fechados, enquanto a mulher passava uma sombra branca nela.
- Então me responda, o que aconteceu com o relacionamento do Michael Burrows com aquela modelo britânica?
- Nada que tenha sido minha culpa. – respondeu com um sorrisinho de lado.
- Você nunca vai admitir, não é mesmo?
- Não sei porque você ainda tenta, - comentou, enquanto também era maquiada – você sabe que ela é assim mesmo.
- Eu prometi a sua mãe que ia cuidar de você...
- E você cuida, . Ai! Cuidado com isso, garota! – olhou feio pelo espelho para a cabeleleira – Ele pode estar com uma cor esquisita, mas continua sendo o meu cabelo.
- Eu desisto! – afundou na cadeira ao lado delas, e se escondeu atrás do jornal.
- Você quer ver uma coisa? – só mexeu os lábios na direção da , você vai ligar para o ?
- Se eu vou ligar para quem? – abaixou o jornal.
- Para o . – sorriu quando viu as bochechas da outra ficarem vermelhas.
- E porque eu faria uma coisa dessas?
- Simplesmente porque você... quer?
- E quem disse que eu quero falar com ele?
- , - disse num tom bondoso – eu te conheço muito bem para saber quando você quer sair com um rapaz.
- Eu não quero. – voltou a se esconder atrás do jornal – Saiu uma nota sobre o seu filme. “O novo filme do diretor Jon Richards, que vai estrear semana que vem, recebeu agradáveis criticas do grupo... – correu o dedo sobre a notícia - Aplausos, sobretudo, para a atriz Hensley que foi descoberta pelo próprio Jon. É visível o avanço nas técnicas dela, diz o diretor...”
- Cinco, quatro,... – e começaram a contar nos dedos – três, dois, um...
- Até porque ele nem deve mais lembrar de mim. – falou abaixando mais uma vez o jornal – Do que vocês estão rindo?
- De nada, , nada. – respondeu rindo.
- E outra, eu nem tenho o telefone dele.
- Por que você não disse isso antes? – falou feliz – Se é esse é o único problema, - abriu a bolsa e tirou um papel de dentro da agenda abarrotada de coisas – não será mais.
- O que é isso? – pegou o papel que ela estendeu, vendo uns números escritos.
- O telefone dele.
- Dele quem? – olhou confusa para ela.
- De quem mais pode ser se não do ?
- , como é que você conseguiu o telefone dele? – perguntou tirando a maquiadora da frente com um aceno de mão.
- Conseguindo, oras. – virou na cadeira – Estão te chamando. – apontou para o diretor.
- Vocês estão prontas?
- Só mais um segundo. – a maquiadora falou, acabando de passar mais um pouco de pó na .
- Ela já está bem.

Três e cinqüenta e cinco da manhã e ela ainda não tinha conseguido dormir. E, talvez, pelo andar da carruagem, não consiga tão cedo. Virou para o outro lado, olhando pela janela de seu apartamento e não viu janela alguma acesa. Desistiu de ficar remexendo na cama.
Virou ao contrário, batendo os pés no encosto. Ligou a tv que acendeu num canal de novelas que ela estava vendo antes de começar a tentar dormir. Bufou, estava passando televendas. E da última vez que checou, não precisava de um ‘incrível aparelho que faz com que você perca dez centímetros de barriga em apenas uma hora’.
Foi trocando de canal, passando pelas reprises antigas de ‘Friends’, viu um pedaço da cena da Britney em ‘How I met your mother’, um filme esquisito e mais um pouco de vendas. Acabou parando na MTV.
Tinha realmente muito tempo que ela não via bons vídeos.
- Ah, pelo amor de Deus! Até aqui você me persegue? – rolou os olhos, vendo um mais jovem tocando num bar com uma camisa de manga azul e o maldito microfone que ela tanto gostava.
- Por que você está em todo canto que eu olho?


***


Colocou a bolsa em cima da mesa e se acomodou melhor na cadeira. Sorriu para a amiga, sentada na sua frente, e para a prima do seu lado. Começou a reclamar de tantas coisas sem sentido, que cinco minutos depois não sabia mais do que estava falando.
- Ah! Vocês nem sabem da maior! – falou com os olhos brilhando.
- Eu ainda não consegui decidir se esse olhar é pior do que aqueles que ela dá quando está armando alguma coisa. – falou bebendo um pouco do seu milkshake de morango.
- Vocês sabem a Sra. Miller? A minha vizinha? Então, a gatinha dela deu cria ontem. – sorriu mais um pouco – E adivinhem só? Ela me deu um filhote!
- Definitivamente eu tenho medo desse olhar. – revirou os olhos – E porque essa felicidade toda?
- , será que você não entende? Eu sempre quis ter um gatinho! Vocês têm que vê-lo, é a coisinha mais linda do mundo. Ele é cinza, com uns pedaços brancos e é tão pequenino. – suspirou feliz.
- Macho? – a outra balançou a cabeça – E você já tem um nome para ele?
- Não pergunta, , não pergunta.
- Jet Li! – respondeu parecendo muito contente com isso.
- Jet Li? – a encarou – Você está querendo dizer Jet Li, o ator?
- É. – sorriu mais uma vez – Não é um ótimo nome para gato?
- Mas eu detesto o Jet Li! Ele mata as pessoas! E outra, vocês já o viram falar mais do que três falas num filme inteiro? – balançou a cabeça – Não, eu não gosto desse nome. Eu vou chamar o seu gato de Jack Chan. Eu gosto do Jack Chan.
- Se ela vai o chamar assim, eu vou chamar de Obi-Wan. – falou séria.
- Mas assim ele vai ter desvio de personalidade! E quando eu o chamar de Jet Li, vai acabar não me respondendo.
- , acorda. Ele não vai te atender mesmo.
- Sai daqui, . Você nem mesmo gosta de gatos. – cruzou os braços.
- Ah, finalmente te encontrei. – um rapaz alto parou perto da sorrindo.
- Eu te falei que estaria aqui. – sorriu para ele, que deu um abraço nela.
- Com licença. – puxou uma cadeira vazia da mesa vizinha e sentou ao lado dela – Eu sei disso, mas você não podia ter escolhido um restaurante mais fácil de achar não? – sorriu mais uma vez.
- Eu acho que perdi alguma coisa. – olhou de um para o outro parecendo bastante confusa – Desde quando vocês estão nessa intimidade toda?
- O que?
- , desde quando você fala com o dessa forma?
- Ah, bem... A gente está saindo. – respondeu como quem não quer nada.
- Saindo? Vocês dois? – parecia assustada.
- Desde quando?
- Desde que você participou da gravação do seriado dele. – sorriu.
- E como é que foi isso, sua maluca? – parecia cada vez mais confusa.
- Eu cheguei para ele e perguntei se ele não queria tomar um drink comigo depois. – ele deu uma grande gargalhada lembrando – Você sabe, eu e ele, ele e eu...
- Poupe-me, . – revirou os olhos.
- Foi você que perguntou.



Capítulo 3



- Onde você estava? – olhou enfezada para a prima.
- Presa num engarrafamento que não tinha mais tamanho. O trânsito estava péssimo. – colocou a enorme bolsa na mesa ao lado da garota.
- Eu já te falei que tem um apartamento vago no meu prédio.
- E morar perto de você e da ? Só se eu fosse maluca.
- Nos vivemos muito bem no mesmo prédio.
- Porque vocês são duas loucas. E vocês não conseguem nem mesmo morar no mesmo andar.
- Ta, ta. – fez um gesto de pouco caso com as mãos – Eu não quero mais falar sobre isso.
- E quando é que você quer falar de algo que não te agrade? – colocou as frutas na cesta perto dela.
- Esses morangos não estão frescos. – falou sem tirar os olhos do texto que lia.
- Como... – os cheirou – Como é que você sabe disso?
- Tenho um olfato privilegiando. E não role os olhos enquanto eu falo.
- Ah, não! Você está de mau humor. – levantou as mãos para o céu, clamando por paciência – É melhor avisar o Max que ele vai ter um dia longo hoje. – começou a ir em direção a porta. - Eu pintei meu cabelo. – anunciou.
- Você fez o que? – parou com a mão na maçaneta da porta – Por favor, não me diga que você fez isso.
- Fiz. – respondeu virando as páginas – Não agüentava mais aquela cor horrorosa e acabei pintando ontem a noite.
- É por isso que você está se escondendo aqui? – virou a cadeira dela com violência para frente e constatou que eles não estavam mais com a raiz castanha, e sim completamente loiros avermelhados.
- Eu tinha certeza que você ia acabar fazendo merda. – balançou a cabeça.
- Tanto faz. – ela se afundou na cadeira.
- Acho que nem preciso mais avisar o Max, ele provavelmente já sabe do dia complicado que terá.

- E você sabe que dia é hoje? – virou na cadeira de repente, sorrindo de um jeito não condizente com o mau-humor de segundos atrás.
- O que? Esqueci alguma coisa? – correu e abriu a agenda – Não é aniversário do seu irmão e nem de ninguém da sua família, muito menos...
- Tem exatamente vinte dias que eu não vejo o infeliz do !
- Mas hein?
- É, tem vinte dias que eu não vejo aquele imbecil! – os olhos dela brilharam de um jeito idiota – Você não sente? Não sente a áurea que fica quando ele some desse jeito?
- , você viu de novo a Mm. Constine?
- Não, é claro que não! Você não falou que não era para eu vê-la nunca mais?
- Falando em agenda. – mudou de assunto – Você já arrumou suas malas? Vamos viajar amanhã pela manhã.
- Não precisa se preocupar está tudo arrumado. – sorriu e voltou a decorar suas falas.

- Você colocou a minha escova de dente na mala? – parou – Acho que não peguei o meu remédio também.
- Eu juro que um dia vou aprender que nunca posso confiar em você, quando você fala que a sua mala está pronta. – cruzou as pernas bufando.
- Afinal, como é o nome do músico? – perguntou, desistindo de procurar na sua bolsa o seu remédio.
- Não faço a mínima idéia. – balançou a cabeça.
- Como você não sabe?
- Não sabendo. Eles não me disseram.
- E como é que você espera que eu grave um clipe com um cantor que nem mesmo sei o nome? – a outra deu de ombros.
- A única coisa que sei que é um grande cantor e que eles queriam fazer mistério quanto ao nome.
- Como é que você me convenceu de fazer isso?
- Só para lembrar: foi você que quis fazer esse clipe, disse que era o seu sonho de consumo.
- Não era para você ter concordado!
- Francamente, . – bufou, virando o rosto para o outro lado enquanto uma garota chegava perto da e pedia seu autógrafo.
- Eu já te falei que você devia retornar a ligação dele. – comentou casualmente alguns segundos depois, lixando as unhas.
- Eu tenho certeza que aquilo foi um engano.
- Um engano no seu celular?
- Só queria saber como que ele conseguiu o meu número. – falou olhando o painel de embarque e desembarque.
- Com força de vontade? – a olhou.
- Espera só um segundo. – tirou o celular do bolso – Alô?
- ?
- , o que foi?
- Eu preciso da sua ajuda. E preciso muito. – fungou alto.
- Você está chorando? – tapou o telefone – Eu te disse que ela era alérgica ao seu gato e que não era uma boa ela ficar tomando conta dele.
- Eu não sou alérgica ao Obi-Wan, não é nada disso. Eu só preciso urgentemente da sua ajuda. É um caso de vida ou morte.
- O que foi que aconteceu? – abaixou o tom – Alguma coisa com o Jack Chan?
- Eu estou do seu lado e escuto muito bem, . – falou impaciente – É alguma coisa com o Jet Li?
- Não, esse gato infeliz está muito bem, muito melhor que eu. – respirou fundo tentando parar de chorar – É que eu recebi essa proposta, e ela é muito boa, muito boa mesmo. Acho até que vai fazer a minha carreira decolar, mesmo eu ainda não entendendo o que estou fazendo aqui. Só que eu não consigo compreender muito bem o contrato. Você sabe, eu sempre tive problemas para entendê-los. Só que esse é particularmente confuso, é cheio de letrinhas pequenas e miúdas, com uma série de restrições e penalidades. E eu preciso assiná-lo, só que eu estou com medo de me meter em encrencas depois, porque, obviamente, eu não vou entender uma linha sequer do que está escrito e depois vou acabar me fudendo...
- O que ela está falando? – perguntou baixo.
- Não estou conseguindo entender. Ela está falando muito rápido e está fungando muito.
- ...E ele disse que isso vai ser muito importante para a minha carreira, só que eu não faço idéia de onde é que ele se meteu. – parou para tomar fôlego – Eu preciso assinar, , e só você pode me ajudar.
- Certo, assim que eu voltar vou na sua casa ver isso.
- Não, você não entendeu. Preciso que seja hoje...
- Eu não vou demorar, a vai gravar um clipe para um cantor e em três, quatro dias no máximo, estamos de volta.
- ! Eu preciso levar esse contrato assinado AMANHÃ! Entendeu o quer que eu desenhe?
- Amanhã? Não pode ser, eles nunca dão contratos... Quando você recebeu esse contrato, ?
- Vinte dias atrás.
- E SÓ AGORA VOCÊ ME PEDE AJUDA? PORRA, ! Eu estou indo para aí. – bateu o telefone e virou para a .
- Você vai me abandonar? – fez bico.
- Você consegue sobreviver sem mim por quatro dias.
- Você vai encontrar comigo depois que resolver isso para a ?
- Não acho que vá dar. – abaixou e pegou suas bolsas – Vou aproveitar para resolver algumas coisas que ainda não tive tempo. Como por exemplo, ir no seu advogado saber quando você vai poder voltar a dirigir e convencer o seu antigo agente a não te processar. – levantou a fitando seriamente.
- Mas ... – falou cantando.
- , comporte-se. E pelo amor que você diz ter por mim, não se meta em encrencas! Se você for processada antes dos 25 por mais alguém, eu largo você e vou tomar conta da carreira da Miley Cyrus.
- Você não faria isso comigo. – respondeu depois de fazer uma careta.
- Você acha? – levantou as duas sobrancelhas.
- Eu vou me comportar.
- Acho bom mesmo. Se eu receber uma ligaçãozinha que seja de alguém da produção desse clipe reclamando do seu comportamento, você está frita.
- Eu sou uma boa menina, na maior parte do tempo. E eu nem me meto em encrencas, elas que, geralmente, são atraídas para mim. – disse sorrindo.
- Eu estou te avisando, .

“Última chama para o vôo 258 com destino a Miami, Florida. Embarque no portão G. Última chamada para o...”

- Seu vôo.
- Me diz uma coisa, porque esse imbecil desse músico, não grava esse clipe aqui em Los Angeles?
- Você vai entrar no vôo ou vai perdê-lo como sempre acaba acontecendo?
- Eu já disse que você é uma pessoa muito estressada? – deu língua para ela.


****


- Eu estou muito contente de estar aqui. – sorriu – Sempre tive vontade de participar de um clipe.
- É uma honra para a gente a ter aqui, fazendo parte da nossa equipe. – sorriu par a garota.
- Mas tem uma coisa que a minha secretária não soube dizer, quem é esse misterioso cantor? – olhou sorrindo para as pessoas a sua frente.
- Olá, meu amor!
Ela virou devagar, implorando para que não fosse quem ela estava achando que era. Mas era. Lá estava ele parado de braços abertos, metido num grande boné verde e numa camiseta azul, sorrindo como se eles fossem grandes amigos que não se viam há muito tempo. Ela abaixou os olhos, os apertando para evitar chorar de raiva.
- Ficou até sem palavras, não é mesmo ? – chegou perto dela e a abraçou, como se eles fossem amigos de longa data. Ela manteve os braços ao longo do corpo.
- Isso é jeito de cumprimentar as pessoas? – ele sorriu, iluminando ainda mais seus olhos .
- Mas que merda você está fazendo aqui?
- Você já reparou que toda vez que a gente se encontra, essa é a primeira coisa que você fala? – passou o braço sobre os ombros dela e começou a guiá-la em direção a entrada do hotel – Talvez esteja na hora de mudarmos isso. Que tal algo como... – olhou para cima, fingindo pensar – tudo bem com você, ? – fez voz de falsete.
- O que, porra, você está fazendo aqui? – perguntou estancando no hall de entrada.
- Posso pegar sua bolsa, madame? – um rapaz vestido um uniforme azul e vermelho perguntou sorridente.
- Some daqui. – ela disse irritada e o rapaz saiu quase correndo.
- Você não deve falar desse jeito com as pessoas, você pode acabar magoando-as.
- Isso é algum tipo de teste, não é mesmo? – olhou para os lados – Daqui a pouco a vai aparecer e dizer que eu passei nesse teste bizarro que ela fez?
- Lamento dizer isso, mas... – fez uma cara como se estivesse realmente triste – não, não é. - Então quer dizer que você... Por favor, que não seja isso!
- Pelo jeito você já percebeu! – abriu um grande sorriso – Você vai ser a grande estrela do meu clipe! – as pessoas em volta deles deram risadinhas nada contidas – Você vai ter a honra de trabalhar comigo, não é demais?
- Eu vou dizer o que é. – bufou, engolindo o palavrão que ia falar – Eu vou para casa.
- Não, você não vai. – ela o olhou – Não vai porque você assinou um contrato e você tem que cumpri-lo.
- Eu não sabia que era você, porque se eu soubesse, nunca teria assinado essa porra. Isso foi propaganda enganosa! – berrou.
- Não, não foi. E não grite, ninguém precisa escutar a nossa conversa.
- Foi propaganda enganosa sim! Porque me falaram que eu ia gravar junto com um grande cantor, e não com você.
- Você sabe mesmo como ferir meus sentimentos, garota.
- Não me chame de garota! – bateu o pé no chão.
- Acho melhor você descansar, - o sorriso dele não murchou um segundo que fosse – porque teremos um dia bem cheio amanhã. – deu um beijo na bochecha dela.
- Em que andar você está? – perguntou limpando o lugar que ele tinha beijado, fazendo uma careta.
- No 14°...
- Ótimo. – virou para o recepcionista – Eu quero o 18°. – falou firme – Eu me recuso a dormir no mesmo andar que você.
- Mas você não tem outra alternativa, esse andar foi reservado para a equipe do clipe.
- Ah, não! Ah, não! Por que essas coisas só acontecem comigo?

- Mas ... Você não entendeu... – falou baixo. - , você é ou não é uma atriz?
- Sou, mas o negócio não é esse...
- Você é ou não é? – repetiu impaciente.
- Você não entende, não é? Você não pode entender. – colocou a mão no rosto e sacudiu a cabeça.
- O que você falou? Eu não estou conseguindo escutar nada do que você está falando. Por que você está falando tão baixo assim?
- Porque eu não quero que ele me encontre. – abriu uma pequena fresta da porta e olhou para fora, só para ter certeza que ele não estava por perto.
- Você não quer que quem te encontre? – franziu o cenho.
- Ele! – respondeu impaciente – E não me faça gritar mais, daqui a pouco ele abre a porta e me encontra.
- Você está se escondendo dessa pessoa?
- Eu estou num armário. – olhou mais uma vez lá para fora – Ai, meu Deus! Ele está no corredor!
- Quem está no corredor, ? – falou começando a ficar preocupada com a prima.
- O !
- ? E o que ele está fazendo no corredor... – arregalou os olhos – Não me diga que... Ele... Cacete! Ele é o cantor misterioso?
- É! - a voz dela saiu estridente – Então você entende o meu desespero, não é mesmo?
- Entendo você estar se escondendo dele porque não gosta dele, mas qual é o problema com a sua roupa?
- Eu não posso gravar desse jeito!
- , você é ou não é uma profissional?
- Eu tinha certeza que você estava aqui! – abriu a porta e ela deu um passo para trás caindo por cima das coisas que tinham lá – Tudo bem com você? – ele a puxou, e dessa vez ela teve que se segurar nos ombros dele para não cair no chão.
- Eu não vou usar essa roupa. – disse o mais séria que pode, passando a mão pela longa saia pregueada.
- Lamento, mas esse é o seu figurino. – tentou não rir da cara que ela fez.
Ela o mandou para um lugar não muito educado e saiu pisando duro para o mais longe que pode dele. Virou para trás antes de entrar no camarim e bater a porta, e o encontrou rindo. Com certeza estava achando engraçado vê-la vestida daquele jeito. Maria Chiquinha no topo da cabeça, uma longa saia pregueada vermelha, uma blusa de botão bege, sapatos boneca e meia calça grossa branca.
Bufou ainda mais se jogando na cadeira de frente para o espelho, detestou ainda mais aquele figurino. Maldita hora que ela havia posto os olhos em cima dele. Maldita hora!

Ele levantou a gola da jaqueta verde e branco, com um imenso tigre atrás. Sorriu de lado para as garotas vestidas de animadoras de torcida paradas perto dele. Caminhou o mais devagar que conseguiu pelo grande pátio. Mexeu no cabelo preto de uma das animadoras, fazendo com que as outras a olhassem enfezada. Piscou para uma garota, de Maria Chiquinha, que estava sentada sozinha.
As bochechas da menina ficaram intensamente vermelhas, enquanto olhava para ter certeza que era com ela mesmo. Sorriu de volta e ele tornou a piscar, fazendo com que ela derramasse o grande copo de refrigerante na frente da blusa impecavelmente branca.
Ela levantou de um pulo, olhando da blusa manchada para o rapaz de jaqueta. Passou o guardanapo, mas tudo que conseguiu foi espalhar ainda mais a mancha.

- CORTA! ÓTIMO! FICOU MUITO BOM! – o diretor gritou – venha aqui um segundo.
- Arre! Será que alguém pode vir aqui me ajudar com isso? – a menina de Maria Chiquinha gritou e uma mulher segurando um roupão chegou correndo ao lado dela – Eu me recuso a gravar essa cena mais uma vez. E esse não é do mesmo tipo que eu costumo usar! Eu falei que eu sou alérgica a esse material!
- O que é isso, ? – falou voltando para perto dela – O que é gravar quatro vezes a mesma cena?
- Você fala isso porque tudo o que tem que fazer é levantar a gola da sua jaqueta, sorrir para aquelas modelos e piscar para mim. – falou contanto nos dedos – Bem menos do que eu. - Você, apenas, se suja, .
- Tente fazer isso quatro vezes seguidas para ver uma coisa. – saiu pisando duro em direção ao seu camarim – Eu espero que minha cesta de frutas já tenha chegado. – ela gritou para ninguém em especifico.
- Essa garota é realmente um doce.
- Você tem que ver quando ela está irritada. – falou sorrindo – Aí sim você vai ver o que é doçura.

Ela sentou na frente do rádio e trocou de música. Virou a capa do cd e conferiu se era essa mesma a música que ela queria ouvir. Tirou o encarte e começou a passar as folhas uma por uma.
Fez uma careta para duas das fotos, leu a letra da música que estava escutando e gostou. Se surpreendeu quando percebeu que quase todas as músicas tinham sido escritas por ele. Percebeu que ele agradecia principalmente mãe dele, os irmãos, alguns amigos antigos e até mesmo ao seu cachorro. Riu um pouco quando leu a pouca vergonha – censurada, é claro – que ele havia escrito.
- Olha só isso... Você está escutando meu cd. – pegou o encarte da mão dela e conferiu o que já tinha percebido antes mesmo de entrar.
- E? – ela virou de frente para ele, o encarando de braços cruzados.
- E, nada. Estou apenas surpreso com isso. – se apoiou nos braços da cadeira, chegando perto dela – Pensei que você não gostasse de mim.
- E continuo não gostando. Mas você está me pagando, então o mínimo que eu podia fazer era escutar o seu cd. – o empurrou com os pés, fazendo com que ele caísse sentado na bancada. - Já te falaram que você é uma pessoa bem educada? – ele falou sarcasticamente.
- Já, mas você pode repetir, eu não me importo com isso. – levantou e virou de costas para ele, começando a desamarrar o roupão.
- Se você quiser, eu posso ter dar os meus cds antigos, autografados até.
- Não, muito obrigada. Não estou precisando de dinheiro ainda. – fez com que o roupão deslizasse pelos seus ombros.
- Você já está indo para o hotel? – ele perguntou acompanhando os movimentos que ela fazia.
- Não é da sua conta. – começou a desabotoar a camisa, mas parou quando já tinha aberto metade dela – Você não vai sair? Eu preciso trocar de roupa. – o encarou.
- Não estou com muita vontade. – ele comentou, olhando rapidamente para o sutiã claro da garota – Você pode continuar fazendo o que você estava fazendo. – sorriu.
- Dê o fora! – abriu a porta e apontou para fora.
- Eu vou, mas só porque você está pedindo tão delicadamente. – passou e deu um beijo na bochecha dela, piscando em seguida.
- Idiota! – ela grunhiu, batendo a porta.



Capítulo 4



Amarrou a canga na cintura, olhando no espelho como tinha ficado. Uma merda, como todos as outras roupas que ela já havia vestido nas gravações do maldito clipe dele.
Resmungou vendo seu enorme maiô preto sem graça. Ficou pensando como alguém podia usar aquilo realmente. Nem dava para pegar sol nem nada! As costas eram completamente cobertas, a pessoa saia da praia do mesmo jeito que tinha chegado antes.
- Já te falaram que preto é, definitivamente, a sua cor? – perguntou, sentado numa cadeira com seu nome, assim que ela saiu do trailer.
- Não, talvez você devesse falar isso para o Pablo. – ela falou parando perto dele – Meu estilista, acho que ele vai gostar muito de você. Sabe, ele é chegado a s altos.
- Não, estilistas não fazem muito a minha praia.
- Ah, entendo. – sorriu – Você prefere os cabeleireiros.
- Não, não sou chegado em homens.
- Meu Deus! Você gosta de mulheres? – fingiu que estava chocada – Se você não me dissesse eu não descobriria nunca!
- Agora eu entendo porque você é atriz. – ele levantou – Você não tem muito senso de humor. – apertou a bochecha dela e foi para a praia.

Passou a mão pelo rabo alto, balançando a cabeça tristemente. Cruzou as pernas, olhando para onde ele estava sentado ao lado da chefe das líderes de torcida.
Ele se acomodou melhor na canga, passando o braço pelo ombro dela, que fechou os olhos sorrindo cada vez mais. Ele se inclinou e falou alguma coisa no ouvido dela, deixando suas bochechas coradas. Se inclinou mais uma vez na direção dela, mas antes que ele pudesse beijá-la, a garota de rabo de cavalo passou correndo perto deles espalhando areia para todos os lado. Quando estava a alguns passos deles, tropeçou nos seus próprios pés e caiu de cara na areia.
Levantou o rosto com areia até dentro da sua boca e olhou para o casal perto que ria muito.
Levantou o mais dignamente que conseguiu e continuou andando. Quando já estava quase saindo do campo de visão deles, percebeu que tinha esquecido a canga. Teve que voltar e pegá-la.

- ÓTIMO! ÓTIMO! – falou tirando os fones do ouvido - MAS AGORA VAMOS FAZER AO CONTRÁRIO, COMO TÍNHAMOS PENSADO ANTES PARA VER COMO FICA. Drica, vá secar a . – a mulher morena passou correndo por ele, segurando uma grande toalha branca.
- Por Deus! Como alguém usa uma coisa dessas? – falou pegando a toalha e passando no rosto – Alguém arrumou a água que eu pedi? E eu acho que eu preciso de mais maquiagem aqui. – espirrou – Caraca, tem areia até dentro do meu nariz!
- Você vai acabar ficando velha mais rápido assim. – comentou enquanto a garota que estava ao seu lado levantava.
- Porque você não toma conta só da sua vida?
- Seu rosto está todo vermelho. E tem areia no seu cabelo. – passou a mão pelo topo da cabeça dela.
- Muito obrigada, mas eu consigo fazer isso sozinha. – tirou a mão dele de lá.
- Eu só estava tentando ajudar.
- Não precisa. – resmungou alguma coisa que ele não escutou – A caraca, eu vou ficar com a barriga toda branca! Mas que tamanho de maiô! – olhou a parte de trás, que cobria quase toda sua bunda.
- E qual é o problema com isso?
- Eu vou ficar toda branca! E eu não gosto de ficar branca! – colocou o roupão que lhe estendiam.
- O seu biquíni não te deixa branca?
- Não, não deixa!
- Como não deixa? – perguntou, começando a se interessar com aquela conversa. Ela o olhou atentamente antes de se inclinar para responder.
- Porque eu não uso a parte de cima do meu biquíni. – saiu de perto dele.
- Quando você vai tornar a pegar sol? – ela fingiu que não escutou.

Desligou o chuveiro, mas não saiu do box. Estava tão bom ali que ela pensou em ficar lá dentro o resto da noite. Estava se sentindo tão cansada, nunca pensou que gravar um clipe cansasse tanto assim. Talvez fosse culpa do , que parecia estar adorando irritá-la.
Se enrolou na toalha e saiu do banheiro, com o cabelo pingando atrás dela. Começou a cantarolar uma canção que lhe veio a mente, sem saber bem ao certo onde tinha escutado. Abriu a mala que estava em cima da cama e tirou de lá sua camisola, colocou na cama. Voltou a olhar a bolsa atrás de seus cremes. Tirou sua necessaire e de lá tirou o creme para as pernas e braços, e um para o rosto e mãos. Já estava começando a se preparar para passar quando a campainha tocou.
Franziu o cenho, tentando lembrar se havia pedido algo.
- Sim? – abriu a porta.
- Que bom que você não está dormindo ainda. – sorriu.
- O que você está fazendo aqui, ? – ela perguntou, apertando mais o nó da toalha.
- Trouxe o jantar, querida. – mostrou duas caixas que carregava – Espero que você goste de comida japonesa. – se acomodou na cama – Você não vem?
- Por que você trouxe o jantar?
- Porque estava lá no meu quarto entediado, então eu pensei: hei, será que a já dormiu? Então eu pedi a comida e vim para cá. – sorriu – Acho bom você vir logo, porque eu realmente gosto disso.
- Quem te disse que eu vou comer com você?
- Pare de bancar a chata e venha comer logo. – ele a olhou – Do que você está com medo? - De você, do que mais seria?
- Você... Você não precisa ter medo de mim, . – sorriu e ela achou a reação dele bem esquisita.
- Está bem, eu já entendi o que está acontecendo aqui. – riu, mesmo não achando a situação engraçada – Eu não vou dormir com você, .
- Mas eu não quero dormir com você. – respondeu, num tom entediado, enchendo a boca de macarrão depois – Eu não quero comer sozinho, apenas isso.
- E por que você apareceu aqui no meu quarto? – ele a olhou atentamente.
- Quer saber? Você está certa, eu não precisava ter cruzado o corredor todo só para ter companhia, podia ter batido na porta ao lado da minha. Com certeza tem alguém mais educado lá. – levantou – E é isso mesmo que eu vou fazer. – pegou as duas caixas e começou a sair.
- Não foi isso que eu quis dizer. – ela falou antes dele sair por completo.
- Não foi? – virou, já com metade do corpo para fora, tentando reprimir um sorriso – O que você quis dizer então?
- Eu... Eu... – olhou para os lados, meio desconfortável – Isso está mesmo bom?
- Você vai adorar! – voltou para o quarto e sentou na cama – Só uma pergunta: você vai continuar enrolada nessa toalha? Porque desse jeito parece que você quer dormir comigo. – apontou com o rashi para ela.
- Mas o que? Seu idiota!

- Vamos, atenda esse telefone... Vamos atenda... Vamos...
- Algum problema? – ele se sentou ao lado dela.
- Pelo amor de Deus, ! Quem te ensinou a andar tão devagar desse jeito?
- Ninguém em especial. – encostou na cadeira e colocou as mãos no bolso – O que você está fazendo?
- Você não tinha que gravar uma cena do seu clipe, onde a minha presença, graças ao bom Deus, não era necessária? – perguntou ainda mexendo no celular.
- Tinha. – ele tentou ver o aparelho na mão dela, mas ela o escondeu o melhor que conseguiu na mão.
- Então o que você está fazendo aqui, torrando o seu saco?
- Apenas torrando o seu saco? – ele respondeu sarcasticamente.
- Então será que você pode fazer isso em outro lugar? Porque eu estou um pouco ocupada aqui.
- Vai ficar bastante complicado eu ir “torrar o seu saco” num outro lugar.
- Quer dar o fora daqui, ?
- Não. – ele se acomodou melhor e continuou olhando para ela.
- Babaca. – xingou, mas continuou mexendo no aparelho – Mas porque merda você não atende o telefone, ?
- Será que é porque ela não quer? – ela lhe lançou um olhar mortal – É uma opção!
- Se você não atender, com quem eu vou gritar? – perguntou olhando para o telefone – Ah! Com a ! Por que eu não pensei nisso antes? Ela nunca está fazendo nada!

Sorriu para a garota e a beijou lentamente, fazendo com que ela colocasse as mãos por dentro do cabelo dele. Ele tirou as mãos da nuca dela e desceu para a barra da blusa dela, as enfiando por dentro dela.
Sentou um pouco melhor, de frente para ele, o sentindo descer os beijos pelo pescoço dela. Puxou o cabelo dele, fazendo com que ele voltasse a beijá-la nos lábios.
Tirou a camisa dele, a jogando ao lado do sofá. Empurrou com pé para longe...
- Exatamente o que é isso? – ele perguntou sem tirar as mãos de dentro da blusa dela, já quase tocando o sutiã.
- Deixa isso para lá e só me beija. – fez o que ela estava pedindo.
- Mas esse barulho está me irritando. – ela o olhou.
- E você não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, ? – ela parou – Espera um segundo, isso parece o meu celular. – jogou o corpo sobre o dele e o pegou em cima da mesa do outro lado.
- Você precisa atender agora?
- Não posso fazer nada. – o beijou, e antes que ele conseguisse aprofundá-lo, ela já tinha chegado para trás – Aquela produtora ficou de me ligar. – arrumou o cabelo cacheado atrás da orelha.
- Para que você está arrumando o cabelo, ? – ele perguntou divertido.
- Alô? – ela usou o tom mais profissional que conseguiu.
- Que bom que você atendeu! Eu não sabia mais para quem ligar! – o tom dela estava desesperado.
- ? Ah, pelo amor do Luke Skywalker! – a olhou confuso – Por que, merda, você está me ligando justo agora?
- Eu precisava falar com você! E preciso desesperadamente!
- E não podia ser depois?
- Minha vida está um completo inferno! Estou metida numa grande merda, que não foi culpa minha, de forma alguma! Por mais que eu possa pensar que tenha sido. – a olhou rindo – Não é culpa minha se um cantor maluco cisma comigo e me coloca no clipe dele vestida como uma nerd. E eu não tenho culpa se ele é egocêntrico, e acha que o mundo gira em torno do umbigo dele!
- Como é que é?
- E também não tenho culpa se eu não li o contrato direito, isso nem é minha função! Afinal, para que eu pago a , no fim das contas? Era ela que tinha que ter lido o contrato, e percebido a possível confusão que ele ia me meter. Eu não posso sair por aí gravando papéis de nerds. E a minha carreira? Se eu nunca mais for chamada para outro filme por causa desse clipe, o que eu vou fazer para comer? E pior, como eu vou alimentar o Jet Li? – perguntou horrorizada.
- Será que você consegue respirar um pouco antes de continuar falando? É que eu não estou entendendo nem metade do que você está falando.
- Eu acho que isso tudo é culpa daquela propaganda de pasta de dente que eu fiz quando criança. Porque, definitivamente, não é culpa dos trocentos editoriais para a Vogue que eu fiz. Não pode ser, de forma alguma...
- CHEGA! EU NÃO ESTOU ENTENDENDO NADA, !
- Ai. – ela se encolheu no sofá – Não precisa falar assim comigo.
- Por Luke! O que está acontecendo com você aí em Miami? E comece a dar espaços entre as palavras, e respirar também ajuda.
- Você não quer que eu repita tudo o que eu acabei de falar não, né?
- Não, um resumo bem resumido já ajuda.
- . - Tudo bem, agora eu quero um pouco mais de informações.
- é o cantor para qual eu estou trabalhando.
- Ah, já entendi. – gemeu.

Sentou na cadeira de frente para o espelho, com o seu longo vestido salmão pregueado. Bufou enquanto esperava a cabeleireira ir pegar o aplique que ela ia usar nessa última cena. Viu pelo o espelho ela voltar com o aplique da franja na mão e colocar perto do cabelo dela, para ver se a cor combinava. Sorriu satisfeita assim que acabou de arrumar no cabelo da garota.
- Realmente parece que eu tenho franjinha. – balançou a cabeça, conferindo se o cabelo estava bem preso – É, até que ficou bem legal.
- A já está pronta?
- Sim, ela já foi maquiada e eu acabei de colocar o aplique no cabelo dela. – sorriu. - Você já sabe como vai ser essa cena, não é mesmo?
- Sei, não precisa se preocupar. – abaixou e pegou o sapato branco de salto pequeno e o calçou.
- Você realmente é muito devagar, . – falou assim que ela parou ao lado dele.
- O que fizeram no seu cabelo? – olhou para frente do cabelo dele que estava todo para cima.
- Gostou? – ele passou a mão nele.
- Não, deixou você ainda mais feio. – saiu de perto dele.
Ele sorriu, a vendo parar na marcação dela. Logo depois a cena começou a ser gravada. E na sua deixa, ele parou ao lado dela, que o olhou como se estivesse admirando um grande deus, ou algo assim. Ele sorriu de lado, abaixando para falar alguma coisa para ela.
- Não é que você ficou fantástica no papel da nerd? – ele sussurrou, perto do ouvido dela. Ela sorriu de volta, como se ele houvesse falado alguma coisa muito legal para ela.
- Vai à merda, . – sibilou.
- Não, lá não é um lugar muito agradável. – sorriu mais uma vez.
- O seu repertório de resposta é muito vasto, realmente. – abaixou a cabeça a balançando.
- Eu não posso complicar muito minhas respostas, porque você pode não entendê-las. – sorriu mais uma vez e foi para perto de uma garota de tomara-que-caia e a tirou para dançar.
- Você é um completo idiota.
- Quem é que tem um repertório limitado agora? – foi para o meio do salão e começou a dançar.
- Babaca. – sibilou sílaba por sílaba para que ele entendesse da distância que estava.
- Gostosa. – ele falou do mesmo jeito.
Ela levantou, deu dois passos e tropeçou no salto minúsculo. Acabou por se afundar na cadeira perto de uma das saídas do salão.
- Estúpido.
- Maravilhosa. – sorriu.
- Lesado. – sibilou com um pouco mais de raiva.
- Delícia. – o sorriso dele aumentou.
- O que é que você pensa que está fazendo, ? – ela levantou e foi até o meio do salão e bateu no ombro dele.
- Dançando, o que você pensou que eu estivesse fazendo? Plantando bananeira?
- Você bebeu ou só está tentando me irritar? – agarrou no braço dele.
- Eu estava apenas admirando a sua estonteante beleza. – a olhou de cima a baixo, com um sorriso debochado.
- Você tem algum problema com a minha roupa? – colocou a mão na cintura.
- O que vocês estão fazendo? – o diretor perguntou enfezado.
- Eu te falei que era para você contratar a outra garota. – fitou o diretor – Pelo menos ela tinha seios mais bonitos. – olhou o decote inexistente dela.
- O que você quer dizer com isso? – ela cruzou os braços sobre o colo.
- Se bem que para o personagem ela ser feinha desse jeito ajuda. – falou esnobe.
- Mas o que? – arregalou os olhos – Arre! – saiu pisando duro em direção ao seu camarim – EU ME DEMITO!
- Você não pode se demitir, amor. – sorriu vitorioso.
- Então eu acho melhor você achar um jeito de me demitir! – bateu a porta.



Capítulo 5



- Oi? – perguntou confuso.
- Hãn? – parou de puxar a cadeira.
- Será que o recepcionista nos colocou na mesma mesa? – olhou em volta.
- Ele indicou para você a mesa quinze? – perguntou, olhando o número da mesa.
ficou parada atrás da cadeira, tamborilando os dedos no encosto, enquanto olhava ao redor e ponderava o que fazer. Viu vários casais dividindo a mesma que a sua frente: grande o suficiente para duas pessoas, com a toalha de mesa num xadrez vermelho e branco engraçado tipicamente italiano, assim como o restaurante.
- ? – a chamou, fazendo-a tomar um susto com a proximidade que tinham.
- Ai! – exclamou.
- Senta. – pediu gentilmente, puxando a cadeira.

- O que está acontecendo?
- Eu não sei... – resmungou - Olha você, . – o cutucou.
- Eles estão sentando.
- Eu quero ver. – apareceu com os olhos por cima do cardápio.
- Se você ia ver no final, por que me perguntou? – perguntou, afundando mais o boné na cabeça e ajeitando os óculos de grau.
- Ah, ele puxou a cadeira para ela. – suspirou, enrolando o cabelo vermelho berrante da peruca no dedo.
- Você não gosta que eu puxe a sua cadeira. – encarou-a.
- Você nunca se ofereceu. – ela rebateu.
- Ofereci, sim!
- Não, você não fez isso nem no nosso primeiro encontro.
- Eu ainda estava assustado pelo fato de você ter me chamado para sair e não sabia muito bem como agir com você. – se defendeu.
- Você teve outras oportunidades e nunca tentou fazer...
- Alô? – balançou a mão – Discutir a relação aqui não, valeu?

- Você quer beber alguma coisa? – perguntou.
- Não, é que... – mordeu o lábio.
- Você está esperando alguém?
- Na verdade, estou...
- Desculpa, então. – ameaçou se levantar.
- Não, você pode ficar.
- Mas o seu namorado não vai se importar?
- Não. – ela riu – Eu estou esperando a e a .
- Então, você não tem namorado? – perguntou, sorrindo maroto.
- Não. – respondeu, levemente corada – E você?
- Eu o que?
- Tem namorada? – perguntou, mexendo no quardanapo a sua frente.
- Não. – respondeu, sentando-se mais relaxado.
- Uhn, é que eu não quero ser mal educada... – disse mais vermelha ainda – É que esse é um restaurante bem romântico... e bem, se você não tem namorada...
- Já que você tocou no assunto. – olhou ao redor, onde casais se beijavam – Eu não sei o que o esperava que nós fizéssemos aqui.
- Ele está saindo com a . – comentou.
- É, eu sei. – a encarou, brincando com os talheres entres os dedos.

- Caraca, caraca, caraca... – ficava vermelho – Caraca, caraca! Caraca mesmo!
- Abana porque ele vai passar mal. – falou.
- O que aconteceu? – perguntou, o abanando com o cardápio no qual se escondia antes.
- Ele está muito nervoso... – riu – Caraca!
- Ele não consegue falar outra coisa, não? – tirou uma mecha do cabelo extremamente loiro do ombro, levando junto a ponta da faixa que usava como arco.
- Olha isso! – falou, e se virou para onde ele apontava, abaixando os óculos de Sol que usava.
- A gente devia ter pegado uma mesa mais próxima a deles. – reclamou. – Não dá para ouvir o que eles falam! E a está vermelha!
- E qual é o problema?
- Isso quer dizer que ela está nervosa, e você sabe como ela é quando está nervosa.
- Ela faz merda... – sussurrou.
- Vocês vão querer alguma coisa? – o garçom perguntou.
- Que você saia da minha frente. – sorriu sarcástica.
- Desejam alguma coisa? – tornou a perguntar.
- Que você saia daqui. – repetiu, e o garçom revirou os olhos.
- Se a gente pedir alguma coisa, você sai da nossa frente? – o fitou com desdém.
- Saio.
- Então, traga duas águas sem gás e uma com. – ordenou, abanando a mão, o expulsando – Ah, eu odeio que revirem os olhos para mim. – completou, antes dele se afastar.
- Da próxima vez que eu mandar o parar de pegar meu Ipod sem avisar, vou pedir para você fazer isso, . Talvez ele obedeça. – comentou.

- Vocês desejam fazer o seu pedido agora? – o garçom parou ao lado deles.
- Não sei... – olhou para – Você quer?
- Se você quiser. – continuou brincando com os talheres.
- Acho que vamos esperar mais um pouco então. – sorriu, e o garçom saiu.
- Então, você gosta do seriado? – perguntou.
- Qual dos? – perguntou, distraída – ? – deu um grande sorriso, e ele retribuiu, sem graça.
- Assisto quando posso, consegui ver quase toda a segunda temporada. – respondeu, parando bruscamente. – E agora, como vai ser? – arregalou os olhos.
- Eu não posso comentar sobre novas temporadas.
- Por que?
- Porque está no meu contrato. – sorriu.
- Eu sei como é isso...
- Mas, se você quiser... – ele se inclinou na sua direção.
- Sim, eu quero. – inclinou-se também, segurando a mão do rapaz, que estava sobre a mesa.
– Eu posso revelar que tudo vai dar certo... Ou não. – sorriu ladino.
- Ah, isso não vale... – ela bufou.
- Ah, sim. – ele segurou sua mão.

- Ah, não! – gemeu.
- Ah, não, o que? – perguntou.
- Puta merda, puta merda, puta merda! – resmungou, se escondendo atrás do menu.
- Eles estão olhando para cá? – se encolheu um pouco.
- Puta merda!
- Puta merda, o que? – pôs o celular sobre a mesa.
- Não pode estar acontecendo... Agora não!
- Agora não, o que, caramba? – perguntou.
- ? – parou, fitando-a de cenho franzido.
- Ah, não! – pegou o cardápio da mão da amiga, escondendo-se – Puta merda!
- , meu amor, como você está? – sorriu, mostrando todos os dentes.
- Some daqui agora! – sussurrou entre dentes para ele.
- Que isso, meu amor, não me trate desse jeito. – falou num tom de voz alto.
- Quer calar essa maldita boca?
- Ela está olhando para cá. – sibilou.
- Quem? – ele olhou em volta.
- Cala a boca. – o puxou, fazendo com que ele caísse sentado ao seu lado.
- Ela está realmente olhando para cá!
- O que vamos fazer? – perguntou.
trocou um olhar assustado com a amiga, que não durou nem um segundo. E ao mesmo tempo em que ela agarrava o e o beijava intensamente, abraçava o , escondendo a cabeça no peito dele.
- Ela ainda está olhando para cá? – perguntou baixo.
- Ela quem? – perguntou ainda a abraçando, mas levantando a cabeça tentado achar quem ela estava falando.
- Abaixa essa sua enorme cabeça. – colocou a cabeça dele em seu ombro, fazendo um meio cafuné.

- Aquela mesa está realmente empolgada. – riu, indicando com a cabeça uma mesa no canto.
- É, aquele dois estão quase se comendo. – riu – E os dois parecem estar fazendo as pazes.
- Parece que aqui realmente é um bom lugar para casais. – falou, acariciando o topo da mão dela.
- Acho que sim. – sorriu bobamente.
- Acho que nós devíamos vir aqui mais vezes. – comentou a olhando.
- Chamaram? – o garçom perguntou aparecendo do nada ao lado deles.
- Não. – respondeu ríspido.
- Acho melhor ligar para a , ela já devia ter chegado. – disse puxando a mão e procurando o celular dentro da bolsa.
- Agora eu realmente não quero mais nada. – resmungou.

- Você quer me soltar agora ou prefere continuar apreciando o aroma do meu perfume? – sussurrou ao pé de seu ouvido.
- Sai para lá! – o empurrou, e ele gargalhou.
- Que barulho é esse? – perguntou, soltando-se de .
- , por que o seu celular está dançando em cima da mesa? – perguntou vendo o aparelho piscando, vibrando e tocando.
- Ah, merda! – o agarrou – Ah, merda! – choramingou, e olhou o visor por cima do ombro dela.
- Quem é ?
- Ah merda! – gemeu – Desliga isso.
- Eu não consigo!
- Como você não consegue desligar a porra de um celular? – perguntou, o pegando e tentando desligar – Mas que merda! Qual é o problema com ele?
- Me dá isso aqui! – arrancou da mão dele.
- Ela está começando a olhar em volta. – falou tentando se esconder atrás de .
- Isso não está acontecendo, isso não está acontecendo! – escondeu o rosto no peito do , que a abraçou.
- Se vocês quiserem se agarrar agora eu agradeço. – falou arrancando o celular da mão da garota e voltando a abraçar a – Vou acabar com essa porra, logo de uma vez. E eu acho melhor vocês me explicarem direitinho no que eu estou me metendo. – e o aparelho parou de tocar quando ele arrancou a bateria.

- Ela atendeu? – perguntou, a vendo fitar confusa o seu celular.
- Não... – respondeu devagar – Que estranho, eu juro que tive a impressão de a ter ouvido atendendo, mas... Estava uma confusão do outro lado. – levantou o olhar e o encarou.
- Pode ser que ela estivesse no carro ou algo assim.
- É, pode ser...
- Por que você não deixa isso para lá?
- Não seria melhor eu tentar ligar para ela mais uma vez? Ou quem sabe, seja melhor tentar logo para a . – já estava discando, mas segurou na mão dela.
- Não se preocupe, . Elas já devem estar a caminho. Possivelmente, devem estar até mesmo com o .
- Mas eu estou preocupada, você não imagina o que aquelas duas são capazes de aprontar quando estão juntas.
- , as esqueça pelo menos por enquanto. – sorriu, e ela sorriu de volta.

- Por mais que você tenha seios não tão bonitos, até que você fica pegável com esse cabelo. – piscou, e bufou, o empurrando.
- Eles são namorados? – perguntou.
- Até onde eu saiba, eles se odeiam. – respondeu os fitando.
- Você realmente vai negar que não ficou com saudades de mim?
- Para você ver. – cruzou os braços.
- Mas você ficou um mês inteiro sem colocar os olhos em mim.
- Acho que esse foi o melhor mês da minha vida!
- Não minta para mim, querida. – beijou a bochecha dela – Eu sei que você não consegue ficar muito tempo longe de mim.
- Por mim, eu nunca mais, sequer, ouviria falar de você. – cruzou os braços, virando para o lado oposto dele.
- Não acho que você conseguiria. – falou perto do ouvido dela – Nem acho que você fosse querer de verdade ficar muito tempo longe de mim. – beijou o pescoço dela.
- Seu... Seu... – começou a dar tapas no braço dele – Eu te odeio! ODEIO!
- Calma, calma, ! – ele se encolhia, enquanto ela sentava a mão em seu ombro – Isso dói.
- Mas é para doer! – as pessoas já estavam olhando para eles – Essa é a real intenção!
- Você tem uma mão muito pesada para uma garota, .
- Não façam isso! – tentou segurar a mão dela – As pessoas estão olhando, daqui a pouco a também vai olhar para cá...
- Não adianta mais. – comentou, olhando para alguém atrás dos dois.
- ? ? – perguntou as encarando – ? – franziu ainda mais o cenho – ?

- PELO AMOR DE DEUS! COMO É QUE VOCÊS FAZEM UMA COISA DESSAS? EU NUNCA ACHEI QUE VOCÊS PUDESSEM FAZER ISSO! FRANCAMENTE, ! - bufou – E EU QUE ACHAVA QUE VOCÊ, , DAVA UM POUCO MAIS DE BOM SENSO A !
- Também não é para tanto.
- NÃO É PARA TANTO, ? VOCÊS MARCARAM COMIGO E NÃO APARECEM!
As duas, que estavam sentadas no sofá encolhidas como se estivessem recebendo uma bronca da mãe, se encolheram um pouco mais com o tom que a usava. Enquanto isso, estava sentado despreocupadamente do outro lado com o na ponta, que parecia mais interessado em mexer no seu celular do que em escutar a bronca da garota.
- Eu nunca pensei que vocês pudessem fazer isso. – balançou a cabeça, voltando a andar pela sala do apartamento da – O que vocês pretendiam, exatamente, com isso?
- Que você e o passassem algum tempo sozinhos. – respondeu, apontando para o garoto parado atrás dela, que tentava prender o riso.
- Vocês o que? – as bochechas dela ficaram vermelhas – Eu espero que vocês nunca mais façam uma coisa dessas. E ainda por cima, metem o pobre do no meio. Eu só não entendi o que o estava fazendo lá.
- Nada, como sempre. – o olhou enfezada – Não era para ele ter aparecido, mas como ele não queria calar a boca, eu tive que fazê-lo sentar, para ver se assim ele conseguia ficar quieto.
- Se eu não me engano, foi por causa dos seus gritos que eu descobri vocês. – colocou a mão na cintura.
- Só porque ele é um enxerido. – fechou a cara.
- Foi você que não quis admitir logo de uma vez que não consegue ficar muito tempo longe de mim. – sorriu.
- Ora, seu...
- , - falou firme – você quer falar mais alguma coisa?
Ele que estava sentado numa cadeira, a olhou atentamente, antes de sorrir de um jeito diferente. Levantou e parou perto dela, mas não de frente para os outros sentados, e sim para ela.
- Você quer almoçar comigo amanhã?


Capítulo 6


Conferiu se não estava muito adiantado. Talvez fosse melhor esperar dar a hora exata que eles tinham combinado, pode ser que ela acabasse pensando que ele estava desesperado para vê-la. O que, definitivamente, não era o caso.
Resolveu tocar a campainha logo de uma vez, não queria ficar sentado no corredor dela por quase quinze minutos. Passou a mão pelo cabelo, impedindo que eles caíssem pelo seu olho assim que escutou passos apressados lá dentro.
- Já vai.
Estampou o melhor sorriso que tinha e esperou.
E continuou esperando pelos cinco minutos seguintes. Já estava começando a ficar preocupado. Tornou a tocar a campainha.
- Eu já disse que já vou. Esse povo não consegue esperar nem dois minutos.
Ele achou desnecessário falar que não eram dois minutos, e sim seis.
- Pronto, pronto, desesperado. – abriu a porta – Ah, é você? – passou a mão no cabelo, rezando para que ele estivesse no lugar.
- Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou inclinado a cabeça e percebendo que ela estava descalça.
- Só a minha comida que não queria ficar do jeito certo. Mas isso não é nada demais. Você vai ficar parado aí ou vai entrar, ? – sorriu.
- Você está linda. – se inclinou e a beijou.
- Levando em consideração que o meu cabelo deve está todo bagunçado. – balançou a cabeça, fazendo com que alguns fios cacheados batessem na lateral do seu rosto.
- Eu não acho que esteja. – a beijou mais uma vez e entregou a garrafa que estava segurando.
- Hummm, o que você trouxe? – sorriu.
- Não sei ao certo, o rapaz da loja falou que, como eu não sabia qual seria o jantar, esse seria a melhor pedida. – a seguiu até a cozinha.
- Não, você não vai entrar aqui. – colocou a mão no peito dele.
- Mas porque não? – espiou por cima do ombro dela – Tem alguma coisa aí que eu não possa ver?
- Tem, uma bagunça generalizada. – o empurrou – Você espera, quietinho, na sala.
- Mas ... – passou a mão pela cintura dela – Prefiro ficar lá dentro com você... É muito mais agradável.
- Nada disso. – sorriu, o beijando mais uma vez – E nem adianta fazer a sua famosa carinha de cachorro que caiu da mudança. Eu não caio nela mais.
- Tão rápido assim? – colocou o rosto perto do dela.
- Sim, tão rápido assim.
- Nem tive chance de usá-la mais de duas vezes com você. – ela revirou os olhos divertida.
- Sabe de uma coisa que eu acabei de perceber? – ele negou – Você é o sonho de consumo de toda garota, seja alta ou baixa. – passou as mãos pelo ombro dele.
- E por que eu seria?
- Porque, não importa o tamanho do salto que usarmos, não tem condição de ficarmos mais altas que você. – ela ficou na ponta do pé para beijar a ponta do nariz dele.
- Você está certa.
- Eu sei disso. – ele sorriu a fitando.
- Talvez eu seja sonho de consumo de alguma garota realmente.
- Pode até que seja, mas no momento, você só pode realizar os meus sonhos. – piscou e ele riu.
- E qual é o seu desejo no momento? – a beijou.
- Que você sente naquele sofá e me deixe acabar de fazer o nosso maravilhoso jantar.
- Bem, e se eu não fizer isso? – levantou as duas sobrancelhas.
- Você estará por sua conta e risco. – o beijou mais intensamente – Eu não demoro. – se soltou e saiu correndo para a cozinha.

- Exatamente por que tem uma mancha no teto? – ele perguntou deixando de encará-lo e olhando para a garota que acabava de vir da cozinha.
- Sabe... – ela começou com um sorriso sapeca estampado no rosto – as coisa não saíram conforme planejadas, então... se você quiser, podemos ligar para o restaurante e pedir a comida.
- O que foi que aconteceu? – riu.
- Não vamos entrar em detalhes. O que você prefere? – se aproximou dele – Comida japonesa ou italiana? – levantou os cardápios.
- Japonesa?
- Italiana. – afirmou pegando o telefone.

- Então, já que vamos ter que esperar quarenta minutos... – sorriu maroto.
- O que? – ela reprimiu uma risada.
- Nada não. – ele desconversou – Só pensei que você fosse gostar de conversar um pouco comigo... – disse, puxando-a pela mão.
- , você não presta. – ela riu, deixando-se ser guiada até o sofá – Mas continua sendo o sonho de consumo de toda garota. – sussurrou quando ele dedicou especial atenção ao seu pescoço.
- Você já disse isso. – subiu para sua orelha – Mas pode repetir se quiser. – deixou seu rosto rente ao dela, sorrindo.
- Se você merecer... – ameaçou morder seu lábio, porém parou a milímetros de distância – Eu posso até pensar no seu caso.
sorriu ladina, espalmando sua mão no peito de , empurrando-o até que caísse no sofá. Ele se deitou e, em seguida, ela sentou sobre ele, beijando-lhe intensamente. Começou a desabotoar a camisa dele, provocando-o com pequenas mordidas nos locais expostos. Sorriu sapeca quando conseguiu fazê-lo rir nervoso com uma mordida excepcionalmente forte.
a puxou pela nuca, beijando-a com ferocidade enquanto descia a zíper do seu vestido até a metade. Abaixou uma das alças, roçando seus lábios na pele macia da garota, que se contorcia com os movimentos que ele fazia com as mãos que subiam lentamente por baixo do vestido.

- To entrando. – um vulto loiro abriu a porta e saiu entrando.
- Hein? – soltou a garota e olhou para quem estava entrando.
- Você vai comigo, .
- ? O que você está fazendo aqui? – ela perguntou arrumando a roupa.
- Eu preciso que você esteja pronta em trinta minutos, porque o carro da produção vai passar para nos pegar. – foi para dentro do quarto – Você tem alguma roupa decente?
- O que está acontecendo? – foi atrás dela.
- Não, essa você usou no lançamento daquele perfume. – jogou um vestido para trás – Nem esse, porque eu o acho muito feio. Esse não fica muito bom em você, e esse você fica parecendo uma freira. Esse é comportado demais, esse muito curto... – ia falando e jogando vários vestidos para fora do armário.
- Para onde você vai?
- Nós vamos, você quer dizer. – continuou procurando, quase entrando dentro do armário.
- E por que você está com essa idéia equivocada que eu vou com você a Deus-sabe-onde? – cruzou os braços.
- Porque você não vai me deixar passar por isso sozinha. Você não pode estar achando que pode fazer isso. – levantou um vestido rosa o olhando, mas logo o descartou fazendo uma careta.
- Será que você pode parar de bagunçar o meu armário um segundo, e me olhar?
- , a gente não tem um segundo. – virou – Eu ainda preciso terminar de me maquiar. E preciso achar alguma coisa que você ainda não tenha usado. – parou e encarou o vestido de alças finas, que descia com um certo volume.
- O que foi? Algum problema com a minha roupa?
- Onde você arrumou esse vestido vermelho? – perguntou, ainda o analisando.
- Ele não é lindo? – rodou – Comprei mais cedo...
- Não é lá a oitava maravilha do mundo, mas está ótimo. Vá se maquiar que daqui a pouco eu volto. – começou a sair, mas a outra a segurou pelo braço.
- ! Você não está entendendo! Eu não posso sair com você no momento, eu estou meio ocupada... – as bochechas ficaram vermelhas.
- Ocupada? Você não pode ficar ocupada depois, não? Porque, no momento, eu preciso muito de você.
- Mas ... – olhou para a sala onde o estava largado no sofá bufando – Para onde você vai?
- Tenho uma festa para ir. – bufou, parando em frente ao espelho e passando a mão pelo vestido pink – Você acha que essa roupa está boa? – virou de lado, olhando atentamente para o vestido frente única.
- Está ótimo. – franziu o cenho – Pensei que você não gostasse de muito desse vestido.
- E não gosto. – arrumou o decote – Mas esse é o mais decotado que eu tinha.
- Porque eu estou com a impressão de que não vou gostar da resposta? – falou baixo – Que festa é essa que você vai?
- É a festa de lançamento do clipe do . – a olhou – Por isso que eu preciso, desesperadamente, que você vá. Eu não posso encontrá-lo sozinha mais uma vez.
- E a ?
- Sumiu! Deve está em algum lugar com o . – revirou os olhos – Agora vá acabar de se arrumar que já perdemos muito tempo.
- , eu não posso ir. – a seguiu, já que ela estava saindo do quarto.
- Você não tem uma outra opção, . Eu preciso muito que você vá. Não quero encontrá-lo sozinha. Você precisa fazer isso para mim. – a olhou.
- ... – olhou para o , que apenas deu de ombros – Você vai ficar me devendo.
- Ótimo! – foi em direção a porta, mas tropeçou no pé do , e parou parecendo que só agora tinha o visto ali – Ah, você pode ir também, se quiser, . – bateu a porta.
- Como é que ela entrou aqui? – ele perguntou, cruzando os braços.
- Ela tem a chave... – respondeu sem jeito – Me desculpa, ela não é assim sempre, não na maioria do tempo, mas é que ela precisa da minha ajuda...
- Acho melhor você pegar essa chave de volta, não quero que isso torne a acontecer. – levantou – É bastante embaraçoso. – a beijou – Vou ficar esperando você acabar.
- Você vai comigo?
- Já que aparentemente não vamos mais jantar, só resta isso.

Sorriu para o diretor do clipe, que estava mais ao longe falando com um dos ajudantes dele. Correu o olhar pela sala e reconheceu algumas pessoas que tinham gravado com ela, principalmente os modelos. Sorriu para mais meia dúzia de pessoas que ela nunca tinha visto antes na vida. Continuou olhando em volta, rezando para não encontrá-lo.
- Está bem cheio, não? – perguntou olhando em volta.
- Não se preocupe, a imprensa não vai ter acesso às fotos dessa festa. – falou, sem nem ao menos olhá-la.
- Ela sempre tem acesso a esse tipo de fotos, .
- Mas não dessa festa. Você viu o tamanho dos armários que estavam parados na porta? – a olhou – Mesmo que algum repórter queira entrar, não conseguirá.
- De quem é essa casa?
- Não faço a mínima idéia. – passou a mão pelo rabo alto que havia feito no cabelo mais cedo.
- E como é que você vai a uma festa na casa de alguém que você nem ao menos sabe de quem é?
- Indo. – a olhou espantada – Isso é mais uma coisa que você precisa aprender logo, . Nunca pergunte demais, você pode acabar escutando o que não quer.
- Ou vendo. – resmungou, pegando uma bebida que o garçom oferecia.
- Caramba! Isso está muito quente! – colocou a bebida na bandeja mais uma vez depois de dar um gole – Volte na cozinha e me traga alguma coisa com a temperatura mais condizente com uma bebida. E não demore, estou com sede. – o garçom murmurou alguma coisa que os outros não entenderam e começou a sair.
- E cuidado com o que fala, rapaz. Minha paciência pode acabar se esgotando. E isso é uma coisa que você não quer ver acontecendo. Principalmente se você quiser continuar trabalhando.
- Você realmente devia ser mais educada com as pessoas, .
- Eu não faço a mínima questão de ser. – voltou a olhar para os lados.
- Por que você está olhando tanto em volta, está procurando alguém? – também olhou em volta.
- Não quero ver o .
- Você o está procurando, porque não quer o ver? Isso não é muito confuso?
- A sua amiga é confusa, .
- Porque assim quando eu o ver, vou saber para onde não devo olhar.
- Ah, justamente. – revirou os olhos – Isso faz ainda mais sentido.
Olhou para grande parte da sala até o encontrar, do outro lado, parado conversando com um rapaz loiro mais alto que ele com uma barbicha muito esquisita. Revirou os olhos, ela esperava nunca mais ter que o ver realmente.
Mas, já que ela estava aqui...
- Eu vou beijá-lo.
- Você vai fazer o que? – franziu o cenho na direção dela.
- Beijá-lo. – arrumou o vestido, puxando um pouco mais o decote.
- Eu acho que perdi alguma coisa. – perguntou confusa – E você pretende beijar quem?
apenas se limitou a pegar a bebida que o mesmo garçom de antes lhe oferecia e dar uma grande golada no liquido azul. Depois entregou ao , que pegou de cenho franzido o copo quase vazio. Saiu de perto deles andando rápido e em questão de segundos estava ao lado dele.
- . – segurou o braço dele.
Mordeu o lábio inferior, olhando para o casaco amarelo listrado dele e para a camisa preta, na fração de segundos que precedia ele virar e olhá-la. Estava achando que essa fração de segundos estava demorando muito. Mas logo ele a olhou e sorriu.
- Belo decote, . – piscou.
Ela não deu muita atenção ao que ele falou. Só o agarrou, apertando seus braços, e grudando seu corpo no dele. E então, antes que ele pudesse entender o que ela estava fazendo, ela grudou sua boca na dele.
Ficou na ponta dos pés e passou as mãos pelos ombros dele, aumentando o ritmo do beijo. Enquanto ele colocava uma mão no meio das costas dela, a trazendo para mais perto, e a outra segurava a sua cintura. Mesmo ele querendo colocá-la noutro lugar. Ela enfiou a mão pelo meio do cabelo dele, ao mesmo tempo em que enfiava a outra um pouco para dentro da camisa dele pela gola.
Ela jogou a cabeça para trás no segundo que sentiu o ar parar de circular pelos seus pulmões. Ele foi com a cabeça na direção dela, com a intenção de beijá-la mais uma vez, só que ela rapidamente se desvencilhou dos braços dele.
- ? – ele a chamou.
Ela saiu de perto dele, passando a mão pela lateral do vestido e depois pelo cabelo que tinha alguns fios saindo do rabo. Ela teria que ir ao banheiro tentar dar um jeito neles depois.
- O que foi isso? – perguntou assim que ela parou ao lado deles.
- Isso o que? – perguntou sem parar de olhar dentro da bolsa que a carregava – Você não trouxe batom?
- . – arrancou a bolsa da mão dela – O que foi isso?
- Isso foi você sendo má educada e tirando a bolsa da minha mão.
- Você não a pediu emprestada de qualquer maneira. – deu de ombros – O que foi aquilo? – apontou para o do outro lado que conversava parecendo ligeiramente assustado com o outro cara – O que foi aquele beijo?
- Um beijo, o que mais pode ser? Ah! Sabia que ia acabar encontrando. – sorriu satisfeita consigo mesma, levantando um batom.
- Eu sei que aquilo foi um beijo, - rolou os olhos - o que eu quero saber...
- Você não beija o ? – a olhou confusa – Se você não o beija, o que era aquilo que vocês estavam fazendo no seu sofá quando eu cheguei?
- Eu não estou falando disso. – falou com as bochechas vermelhas, e o resmungou alguma coisa sobre pegar algo para eles beberem – Se ele acabar terminando comigo por conta das suas indiscrições, você vai ver uma coisa. - agarrou o braço dela, a sacudindo levemente, falando entre dentes.
- Se ele terminar com você por causa disso, é porque não gosta o suficiente de você.
- Acho que seria mais porque não atura o suficiente você. – falou de cara amarrada.
- Pois ele deve se acostumar com isso. As pessoas quando começam a namorar, saem não só com os defeitos e as qualidades da outra pessoa, mas também com seus amigos e parentes...
- Eu nunca ouvi falar numa besteira tão grande antes.
- ...E como eu sou sua melhor amiga desde do maternal e o melhor representante da sua família aqui em Los Angeles... – ela continuava falando enquanto a outra balançava a cabeça.
- Isso não faz o menor sentido, .
- Bem, só estou repetindo o que sempre ouvi as pessoas falarem sobre relacionamento. Porque você sabe, eu nunca tive um relacionamento que durasse tempo bastante para chegar nesse ponto.
- E eu nem ao menos sei o que a gente tem. – falou baixo.
- Como é? Vocês não estão namorando?
- Pára de falar, ele está voltando. – sorriu para o rapaz que estava voltando com dois copos com uma bebida amarela.
- Bem... – começou os vendo sorrindo um para o outro – Eu tenho a impressão que sobrei. Eu vou ali ver se arranjo... – corou levemente – Já volto. – saiu de perto deles, sumindo logo no meio das pessoas.

- Eu sempre soube que você queria me beijar. – falou a abraçando por trás.
- Eu apenas fiz o que você estava querendo fazer e não tinha coragem, desde que me conheceu. Agora será que você pode me soltar?
- Você sabe, - a virou de frente para ele, ainda a mantendo bem presa – podíamos ir dar uma volta pela casa, ela é bem grande e eu tenho certeza que encontraríamos um lugar mais calmo e tranqüilo para ficarmos sozinhos.
- Eu e você? Ao mesmo tempo? Não, muito obrigada. Prefiro ficar sozinha. – se soltou dos braços dele e voltou a andar. Ele ficou parado durante alguns segundos.
- Por que você me beijou? – fez a pergunta que queria tanto fazer.
- Porque me deu vontade. – respondeu sem se virar.
- Isso não é uma resposta muito clara. – falou dando um meio sorriso.
- O que você quer que eu fale, exatamente? – virou e o encarou.
- O motivo que te levou a me beijar daquele jeito na frente de todo mundo.
- Não tive um “motivo” para fazer isso. Eu apenas quis provar que não sou tão feia como você vem falando. – ele sorriu - Por que você está com essa cara?
- Você queria me beijar. Confesse de uma vez. – deu um sorriso de lado, e ela teve que se controlar para não ir lá fazer ele parar de sorrir daquele jeito.
- Eu não queria te beijar, eu apenas te beijei. Simples desse jeito.
- Bem... – caminhou até ela com as mãos no bolso – Você devia querer de alguma forma que aquilo acontecesse.
- Eu não posso te beijar somente? Tenho que ter feito isso porque queria também?
- Faz mais sentindo assim. – sorriu.
- Eu não disse que era para ter sentido. – ele a olhou sorrindo, e por algum motivo que ela desconhecia, quis beijá-lo mais uma vez – Beijos, na maioria das vezes, não fazem sentido.
- Podem não fazer sentido para ambas as partes, mas para um pelo menos, tem que fazer. – chegou um pouco mais perto, ainda com o sorriso estampado no rosto.
- Por que mesmo que estamos tendo essa conversa?
- Você vai mesmo continuar se negando a falar a verdade?
- Mas que raio de verdade é essa que você quer tanto que eu fale?
- Que você estava maluca para me beijar. – sorriu, e ela desviou o rosto.
- Eu só te beijei porque queria que você visse que eu não era feia como você vem dizendo.
- Eu nunca acreditei que você era uma garota feia, realmente. Até porque você sabe o quanto é bonita.
- Então por que falou aquilo sobre meus seios? – virou rápido o rosto.
- Que eles não eram bonitos? – olhou para o decote do vestido dela – Talvez porque eu queria vê-los de perto. – ela bufou.
- Você um completo idiota mesmo.
- E você não consegue me xingar de outra coisa? – ela estava começando a detestar aquele sorriso idiota dele.
- Você quer de saber de uma coisa? – colocou a mão no braço dele.
- É algum desejo secreto teu?
- Eu nunca me arrependi de algo tão rápido assim, mas eu adoraria que a idéia de ter beijar não tivesse sequer passado pela minha mente. – o soltou e foi em direção ao jardim.


Capítulo 7


- É verdade o que andam falando por aí? – ele parou de andar para escutar o que tinham lhe perguntado.
- Depende, o que estão falando?
- Que você está de namorada nova?
- Eu acabei de lançar mais um clipe e minha música está no topo das paradas, e é sobre isso que você pergunta? – resmungou parecendo irritado com aquilo.
- Como é, ! – um outro repórter perguntou.
- Todo mundo sabe que você não se importa de falar sobre isso.
- Não me importo quando vocês fazem as perguntas certas, não quando ficam torrando a minha paciência quando estou saindo do hotel.
- Você vai dizer, então, que os boatos não são verdadeiros?
- Não vou responder mais nada sobre isso. – fez um sinal para que seu segurança começasse a abrir caminho pelos repórteres, para que ele conseguisse finalmente chegar no carro.
- Quanto tempo essa turnê vai durar? – alguém perguntou no meio da pequena multidão que estava se formando.
- De dois a três meses. – ele respondeu entregando um pedaço de papel assinado para uma garota.
- É verdade que você vai cantar na Eslovênia?
- De onde você tirou isso?
- E no Japão?
- No Japão sim, na Eslovênia não. – respondeu sorrindo para uma fã.
- É verdade que você está saindo com a Hensley? – ele parou a meio caminho de entrar no carro.
- Se eu estou saindo com quem? – virou e olhou para a repórter.
- Você tem sido visto constantemente com a atriz Hensley. É namoro?
- Ela acabou de gravar o meu clipe, deve ser por isso que estão nos vendo juntos em todo canto. Mesmo eu não estando junto dela tantas vezes assim.
- Mas não é verdade que foi por causa dela que terminou o seu relacionamento com Camille Tenney? – outro perguntou.
- O fim do meu relacionamento não tem nada haver com a .
- Chega, ele não vai mais falar sobre sua vida pessoal. – um homem alto resmungou – Se vocês quiserem saber mais alguma coisa sobre o clipe que a Srta. Hensley participou...
- É verdade ou não que vocês estão se vendo?
- Certo, agora chega. Eu já disse que ele não vai mais ficar dando infor...
- Estamos. – ele respondeu com um sorriso de lado, entrando no carro logo de uma vez.


- ARRRRREEE! EU NÃO ACREDITO QUE ELE FEZ ISSO!
- Gritar não vai adiantar nada, .
- Vai adiantar para extravasar a minha irritação, ! Como é que ele pode fazer uma coisa dessas?
- Pense direitinho, em algum momento que vocês estiveram juntos, você confessou secretamente para ele que era o seu sonho dourado que ele dissesse para imprensa que vocês eram dois pombinhos apaixonados?
- Se você não tem como ajudar, , não complique ainda mais a situação. – ela voltou a andar de um lado para o outro.
- Sim? – falou ao telefone – Não, ela não pode falar no momento. Mas você pode falar comigo se quiser. Eu não tenho nada a declarar sobre esse assunto. – bateu o telefone.
- As pessoas não se cansam que querer saber disso não?
- Espere só mais alguns dias, , logo será a sua vez.
- Minha vez de que, ?
- A sua vez de ficar na mira da imprensar. Sabe, não é mole namorar um grande ator, falo por experiência própria.
- Um grande ator?... Ah, caramba!
- Pois é, bem vinda ao mundo onde nada fica escondido.
- Alô. Não, ela não está namorando o . Não, eles não são amigos, tão pouco. – bateu o telefone – Vigésimo quinto telefonema, e se não me falha a memória, esse cara já ligou antes.
- Não é melhor ela ir até eles falando que isso tudo era uma grande mentira, e que ele estava apensa tirando sarro com eles?
- E você acha, realmente, que isso vai adiantar?
- Meu seriado estréia em vinte dias, e esse povo só sabe perguntar sobre minha suposta vida amorosa com o ? – bufou.
- Alô? Acho bom você não estar querendo saber sobre a e o . Caraca! Não, eles não estão juntos. Quer que eu soletre para você entender? – bateu o telefone mais uma vez.
- Por que eu estou com a impressão que vai ser desse jeito até que umas de vocês diga que isso não passou de uma brincadeira deles?
- Alô. Você mais uma vez? Você está surdo ou o que? Não, ela não quer te dar uma exclusiva... Mas que nojo! Duvido que ela queira isso tão pouco! – bateu o telefone – Me lembre de não deixar que ninguém do ‘Hot News’ participe de suas coletivas.
- Você não quer que eu realmente lembre disso, não é?
- Acho melhor eu anotar na minha agenda. – revirou os olhos, pegando a agenda e anotando nela – Isso está começando a me irritar profundamente.
- Está começando a te irritar? – a olhou – Pois eu já passei do estagio de “começar” muito tempo atrás.
- Porra, se você que me perguntar sobre a vida amorosa da ...
- Para que eu ia querer saber sobre a vida amorosa dela, ?
- Eu não sei, talvez porque você seja um repórter atrás de algum furo jornalístico? – continuou no tom irritado.
- Eu não sou um jornalista atrás de furo algum. – ele riu do outro lado.
- Espera só um segundo, como é que você sabe o meu nome?
- , é o .
- Ahhh... – as bochechas dela ficaram vermelhas – Por que eu sempre falo com você nesse tom?
- Você deve estar tão acostumada em falar assim, que nem percebe.
- Deve ser...
- Mas de qualquer maneira eu devia ter me identificado antes.
- Eu que não reconheci a sua voz... Ando tão cheia de coisa para fazer, agora que o seriado da vai mesmo estrear. E para completar, o fala uma coisa dessas para vários jornalistas. É de matar, realmente.
- Acho que você precisa descansar.
- Era tudo o que eu mais queria no momento, mas não posso nem ao menos sonhar com isso.
- Droga, só porque eu ia te chamar para comer alguma coisa mais tarde...
- Não posso mesmo. Não tem condição deu deixar a sozinha agora. Ela não ia saber o que fazer.
- Você não vai abandona-la, vai apenas descansar.
- Não posso mesmo, . – as duas a olharam.
- Se você não estiver descansada, como é que você vai conseguir agüentar a sua prima? – ela olhou para a garota pensando – E o já me falou que ela tem um ritmo forte. Na falta de palavra melhor. – riu.
- Toda semana acontece alguma coisa diferente na vida dessa garota, mas nessas últimas as coisas pioraram. – ela falou depois de parar de rir.
- Mais um motivo para você aceitar o meu convite.
- Não sei, .
- , eu queria muito te ver mais algumas vezes antes de viajar para o Canadá.
- Quando você vai?
- Em uma semana, no máximo. – ela suspirou.
- Não vamos demorar, mesmo?
- Não, ficaremos só o tempo que você quiser.
- Certo, eu acho. – ela sorriu.
- Posso passar aí daqui a pouco?
- Você está falando em sair agora?
- Não exatamente agora, mas daqui alguns minutos.

- Você já reparou na cara que o seu gato fica quando está parado? – perguntou, desviando a atenção da amiga para o gato que estava deitado numa grande pata laranja no canto da sala.
- Ele fica com cara de gato que não tem nada para fazer. – olhou confusa para a amiga – Nada mais que isso.
- Não, ele fica com uma cara engraçada. – o olhou – Mais engraçada do que o normal, eu quero dizer.
- Não fale assim do Jet Li, . Ele é um bichinho bonzinho. – foi até o bicho e o pegou no colo.
- Não traga esse animal para cá, .
- Ele não vai fazer mal algum a você. Ele, inclusive, tem mais medo de você, do que você dele.
- Não levo muita fé nisso, não. – olhou torto para ele – Olha só a cara dele.
- Você diz essa cara avoada? – a outra afirmou – É claro que ele fica assim, ele deve ter algum tipo de distúrbio de personalidade ou algo assim. Não deve nem ao menos saber ao certo quem é, já que vocês o ficam chamando de vários nomes diferentes.
- Eu não gosto do nome que você escolheu. – tirou a pata do gato de perto dela – Por que até o seu animal é esquisito, ?

- Eu não agüento mais isso! – esbravejou assim que colocou o telefone no gancho e ele tocou mais uma vez – Merda, o que é? – falou ainda mais mal educada – Ah, tia. – estendeu o telefone para a – É sua mãe.
- Alô, mãe?
- , que história é essa desse rapaz que é músico aparecer na tv falando que é seu namorado? Por que eu e o seu pai não ficamos sabendo de nada?
- Mamãe, não é bem assim...
- E você sabe o que eu e seu pai achamos sobre músicos...
- Mãe, eu sou atriz e a senhora não gosta que eu namore músicos?
- Você sabe o que pensamos sobre esses músicos, eles são todos tatuados e viciados. E para o nosso gosto, você não seria atriz.
- Mãe, o não é viciado.
- Mas tem tatuagens, dá para ver que ele tem só de olhar para ele.
- Pelo amor de Deus, mãe. Não é nada disso!
- E por que sempre ficamos sabendo sobre seus relacionamentos pela tv, ? O país inteiro sabe sobre seus namoros antes mesmo que seus pais e o seu irmão.
- Mãe, eu não estou saindo com ele.
- Então por que aquele rapaz falou aquilo na tv?
- Ele falou na tv?
- Falou, está passando em quase todos os canais.
- Filho da puta! – apertou os olhos, ficando cada vez mais com raiva dele – , liga a televisão, parece que aquele louco está falando que somos namorados.
- Olha como você fala, . – a mãe a repreendeu – E será que tem como você falar com esses jornalistas para parar de ligar para minha casa, perguntando sobre vocês dois?
- Eles estão ligando? – perguntou sentando no sofá, assistindo o falar para alguns jornalistas que eles estava saindo.
- Não sei como eles podem descobrir o meu telefone. Ora, eu não moro nem ao menos perto de você! Francamente, eu moro da Filadélfia!

- Ela mandou um beijo para mim? – perguntou assim que ela colocou o telefone no lugar.
- Não, ela nem tocou no seu nome. – falou ainda com os olhos vidrados na tv – Eu juro que mato esse desgraçado.
- Viu? Eu te disse que desde que ela me pegou agarrando seu primo, ela nunca gostou de mim do mesmo jeito. – riu, mesmo não prestando total atenção ao que ela falava.
- Deve ter alguma coisa haver também com aquele rapaz com um bastão enfiado no nariz que você levou na minha casa uma vez.
- Não fique assim. – tomou o controle da mão dela e trocou de canal – Não vai adiantar nada você ficar o vendo falar, não vai mudar nada.
- Eu sei disso. – levantou e saiu da sala, sendo seguida pelo gato – Você também o acha um idiota, não é Jet Li? – sorriu e abaixou o pegando no colo, fazendo carinho atrás da sua orelha.
- Se ele não fosse um completo babaca, as coisas até que poderiam ser um pouco diferentes. – falou baixo, perto da orelha do gato – Por que ele tem que ser desse jeito? – levantou o corpo rapidamente – Mas o que eu estou falando? – olhou para o lado, esperando que a não tivesse escutado as idiotices que estava falando.
Entrou no quarto, largando o gato no chão, que foi se esconder dentro de uma mochila velha dela que tinha elegido como lar temporário até que ela comprasse outra cama para ele.
Pegou umas roupas que a empregada havia pegado na lavanderia e deu uma conferida se estavam passadas do jeito que ela gostava. Abriu o armário tentando achar um lugar para guardá-las lá dentro. Não gostava muito que sua empregada fizesse isso, ela quase sempre misturava seus vestidos de festa com os outros mais comuns.
Sentou na beirada da cama analisando seu armário abarrotado de roupas, talvez ela devesse mandar o que não usava mais para uma de suas primas lá na Filadélfia. Ou quem sabe ela devesse apenas deixar como estava.
- Idiota. – resmungou olhando para o vestido pink – Não sei como alguém pode ser tão idiota e ao mesmo tempo tão... – a voz morreu antes que ela verbalizasse o que tinha pensado – O que está acontecendo comigo?
O gato miou alto a olhando com seus olhos intensamente amarelo. Ela o olhou de volta, enquanto ele continuava miando cada vez mais alto. Ele pulou de dentro da mochila e começou a arranhar a porta da cômoda dela.
- Não tem nada para você aí, Jet Li. E não adianta me olhar com essa cara.
- ! – entrou de um rompante no quarto – Você está vendo tv? – olhou para o aparelho e sorriu aliviada quando con