Midnight Highway
Por Júlia Rubio
Cap. 1-
{tempo: passado/presente}
era uma garota feliz. Era o tipo de garota que todas do colégio queriam ser e todos queria ter.
Super-popular, era amiga das garotas mais legais e ficava com os caras mais bonitos.
Definitivamente, uma garota MUITO feliz. Mais isso estava para mudar.
••••
Estava em mais uma das quase rotineiras festas na casa de algum amigo da escola. Naquele momento, não importava mais de quem era a casa, onde ela estava localizada, nada importava. Era mais um dos maravilhosos momentos que ela costumava ter com seu namorado, Luke Arciero.
Todo momento em que eles ficavam sozinhos, parecia acontecer com mágica.
Era como aqueles relacionamentos de filmes adolescentes, onde um adivinha o pensamento do outro, e quando a personagem principal se encontra com o mocinho, o mundo ao redor parece parar.
- Luke... - Ela conseguiu falar entre os gemidos. Luke estava por cima dela, que estava deitada na cama. Estavam na cama de alguém que agora ela não fazia a mínima idéia de quem era. Talvez ela soubesse antes, mas agora, entorpecida pela bebida, não consegui mais se lembrar. E nem queria!
Ele beijava seu pescoço e arranhava suas costas devagar, com as unhas curtas esmaltadas de preto.
Agora se beijavam ardentemente, estava só de roupas íntimas e Luke apenas de boxers. De repente, Luke parou, e falou, arfante:
- .
- Sim? - Ela perguntou curiosa, olhando para ele. Não era o tipo de garoto que interrompia momentos quentes para conversar.
- Você me ama? – Ele perguntou, romântico. achou estranho, afinal eles não eram do tipo de casal que se chamava de “amorzinho” e dizia “eu te amo” todo santo dia. Não que não se amassem, mas demonstravam isso de... uma outra maneira.
- Que pergunta é essa, Luke?! - Ela disse, rindo.
- Qual é, eu quero saber se minha namorada me ama, é pedir demais? - Ele disse e riu junto.
- Não, Luke, eu não te amo. Eu só namoro com você porque você é popular no colégio... e porque eu tenho dó de você! – Ela disse, convincente.
Ele gargalhou.
- Pena de mim? Você?!
- É!... - disse, enquanto se aproximava do belo rosto do garoto. Ela sentiu seu perfume e pareceu flutuar. Ele deu um risinho e a beijou.
Luke e estavam juntos há 6 meses e eram muito felizes juntos. É claro que várias garotas davam em cima dele, porque, afinal, ele era muito gato. Mas nem se preocupava com isso, pois sabia que ele a amava muito e nunca a trairia. Mas o que preocupava ela, era o fato de que Luke era ex-namorado de Annelise, uma guria toda fresca do colégio que simplesmente odiava . Ok, também tinha ódio mortal por ela, mas isso não convinha aos fatos (?).
- ! - Luke disse, de repente.
- De novo? - Ela perguntou, fingindo-se de indignada.
- Há-ha-há - Ele riu cínico. – É que eu tive uma idéia! Mas se você não quiser ouvir... – Ele disse, acertando-a em seu ponto-fraco. Sabia que ela era super curiosa.
- Fala logo, Luke!
- Tá, calma... É que eu queria... Sabe, eu tenho uma... uma espécie de fantasia sexual.
– Fantasia... Sexual? - Ela disse, gargalhando.
-É! Tipo assim... - Ele se aproximou para contar à ela sua ‘fantasia erótica’. Ela gostou da idéia e topou.
Minutos depois, estava parada no meio do vasto quarto, na frente da cama. Praticamente nua, apenas de calcinha; seus braços estavam cruzados na frente de seus seios. Uma venda escura e grossa cobria seus olhos. Já sem um dos sentidos – a visão-, ela tentou aproveitar os outros. Ouviu a suave voz do namorado dizendo para não se mexer. Sorriu.
De repente, sentiu um vento gelado percorrer seu corpo. Imaginou que Luke tivesse aberto uma janela.
- Luke? - Chamou, em vão.
Depois de alguns instantes, ouviu uma risadinha. Foi em um tom bem baixo, mas
ela percebeu. E percebeu também o tom de deboche na risadinha.
Luke não teria dado risada dela! Ou teria?
- Luke? - chamou baixo.
De repente, ouviu a pior voz que existia (na opinião dela, é claro.):
A gargalhada hiper estridente de Annelise.
Sentindo-se traída e envergonhada, ficou sem saber o que fazer. Estava lá, seminua e com os olhos vendados na frente de Annelise, aquela vadia! tentou se mexer, mas seu corpo não obedecia. Suas pernas começaram a pesar e ela sentiu que poderia desabar bem ali. Mas como o mico seria maior ainda, ela agüentou firme, em pé. Devagar, levou uma das mãos até a faixa e começou a subi-la, até que ela ficasse totalmente em cima de sua cabeça e sua visão fosse destampada. Assim que o fez, arrependeu-se: Ao invés de ver Luke e Annelise parados á sua frente, ela viu a escola toda em sua frente, segurando o riso e apontando para ela.
Seus olhos percorreram os rostos de todas aquelas pessoas, que estavam com expressões cômicas, e de repente ela se tocou de como odiava essa gente. Mais o seu ódio por nenhum deles poderia superar o que ela estava sentindo por Luke e aquela vadiazinha ao seu lado (leia-se: Annelise).
- Uaaau, você parece mais ainda com uma vaca quando esta pelada, !- Riu Annelise, colocando uma mecha de seus longos cabelos encaracolados atrás da orelha.
não sabia o que fazer, nem teve coragem de olhar para o rosto de Luke. Mas ela deveria ter olhado.
Cap.2-
{tempo: passado}
não poderia mais agüentar ver a cara de Luke toda manhã, então resolveu achar uma solução para isso. Foi até a diretoria do colégio e pediu à coordenadora para mudá-la de período.
Explicou que não dava mais para estudar de manhã, que era preferível o período da tarde, inventou algumas desculpas mais e a trouxa aceitou.
Hoje era o primeiro dia de na... Escola nova? Bem, era praticamente isso, afinal não veria mais as mesmas pessoas que estava acostumada a ver. A não ser na saída deles e chegada dela no colégio. Mas isso não importava muito, afinal.
•••
chegou à escola se sentindo estranha. Odiava primeiro dia de aula. Ainda mais em ‘escola nova’! Tudo bem, ela detestava qualquer dia que continha aula, preferia os fins de semana. Não nesse momento, porque seus finais de semana eram perfeitos ao lado de Luke... Agora não eram mais.
{tempo:presente}
De repente, sentiu uma dor aguda em seu ombro direito, alguém havia esbarrado nela.
- Outch!- O garoto que havia – sem querer - trombado com ela disse.
- Ahn... Desculpe!- disse e, esfregando o ombro, começou a se afastar do garoto.
- Ei, espera!- Ele falou, correndo para alcançá-la. – Você está bem? - O garoto aparentava ser simpático, concluiu .
- Estou sim, obrigada. – olhou para o garoto parado em sua frente; ele parecia meio idiota, na verdade. - E você? - Acrescentou.
- Estou bem! - Ele disse feliz. - Ah, sou , prazer.
- , prazer! – Ela entrou no clima.
Ficaram se encarando e sorrindo um para o outro, até que interrompeu o ‘momento-alegria’ dos dois.
- E então... Você é nova aqui, não é?
- Na verdade... Eu estudava no período da manhã, mas eu...
- AH! Então você é , certo? – Ele interrompeu de novo.
Pensamento de :
‘Que merda, odeio quando as pessoas me conhecem sem ao menos me conhecer de verdade. Hã, isso fez sentido? Pára, , você está falando consigo mesma, logo, logo vão achar que você é louca.
Não vão achar nada, afinal ninguém está lendo os seus pensamentos, você não deve dar satisfações à ninguém e... Merda, vou falar com o garoto, quem sabe paro de falar comigo mesma.’
Pensamento de off.
- Erm... Sou.
-Ah, então eu já sei quem você é! - De repente, olhou para trás e deu um ‘tchauzinho’ para alguém. – Hm... Você já tem algum amigo neste período?
- Você é o único que eu conheço. – Ela respondeu, olhando para os tênis dele. Eram bem bonitos.
- E você está no 2º ano do médio, certo?
- Sim.
- Então vem, vou te apresentar à uma amiga minha! - O garoto pegou na mão dela e começou a puxá-la na direção dos jardins laterais da escola – aquele era um dos maiores colégios da cidade.
- Mas, ...,br>
- Hey, me chame de , ok? Só a minha mãe me chama de . E quando está brava!
- Ok!
e chegaram até um dos bancos do belo jardim e reparou que ele estava quase vazio – como sempre.
Aquele era o lugar preferido de Luke e , quando eles queriam um pouco de... Privacidade. Era o lugar que ela mais gostava na escola; talvez o único.
caminhou até a fonte central do Jardim, ainda segurando na mão de .
- Ray!- Ele berrou para cumprimentar uma garota que estava alguns metros à sua frente. Assim que ouviu a voz dele, a garota olhou em sua direção e pode reparar em como ela era bonita.
Tinha a pele pálida e seus cabelos, louro-acobreados, caíam perfeitamente sob seus ombros. Os olhos dela eram claros, e estavam muito bem delineados de preto; mas, às vezes, sua franja muito bem cortada os tampava.
- ! - Ela sorriu. Seus dentes eram muito retos e brancos, o que combinava com o resto de toda sua forma física. (?)
Ele correu até ela e eles se abraçaram; depois a levantou no ar e a girou, bem como os príncipes faziam com as princesas antigamente. Bem, foi com isso que assemelhou a cena.
- E essa aí, quem é? - Ela perguntou. notou um tom de desdém em sua voz, mas foi só impressão.
- É , já te falei dela, lembra!?- disse como se a garota em questão ao menos estivesse ali, mas um minuto depois ficou extremamente vermelho e começou a bagunçar os cabelos com a mão.
- Não ligue, o pode ser bem idiota quando quer... às vezes ele se esquece de que não existimos apenas eu e ele no mundo. Mas você se acostuma. - A garota disse e não pôde deixar de reparar que ela tinha um sotaque bem forte. - A propósito, Sou Rayssa Loverdos.
- Prazer, .
- Então... Vocês ouviram o sinal? Vamos, não quero me atrasar para a aula!- disse, pegando na mão das duas garotas e as puxando até o prédio.
Cap.3-
As aulas já haviam acabado; , e Rayssa estavam caminhando e conversando, enquanto não chegavam em casa.
Os três tinham ficado conversando o dia inteiro e viram que tinham realmente muito em comum.
- E então, ... Conta mais sobre você! - Rayssa falou, chutando uma pedrinha que estava em sua frente.
- Hum, o que posso falar? Minha vida é normal, não tem de muito importante...
- Mentira! - A garota cortou-a. - Eu já fiquei sabendo por certas pessoas... - ela olhou discretamente para - que você era super popular no período da manhã e ainda era namorada de Luke Arciero...
- Sim, é verdade. Mas eu gostaria de não tocar nesse assunto... O Luke. Eu acho que não estou... Pronta para isso.
- Claro, a gente não vai falar sobre isso, . - falou, colocando a mão no ombro dela - Até porque tem muitos assuntos mais interessantes para se conversar!
Os três ainda caminhavam pela estrada cercada de casas idênticas. O sol estava alto no céu, mas o vento gelado ainda os incomodava.
- Mas e aí, você vai para casa agora? - Rayssa perguntou.
- Eu não queria, na verdade... Mas não tenho outra opção! - A garota respondeu, colocando as mãos nos bolsos da calça do uniforme.
- É claro que tem!- falou animado - Eu e a Ray estamos indo para a minha casa agora. Se você quiser, pode ficar conosco!
- Own, sério? - Ela perguntou olhando para os dois, que confirmaram com a cabeça - Mas... E os seus pais, , eles não vão achar ruim?
O garoto olhou para como se ela tivesse acabado de cometer um erro. Por um instante, pensou que ele ia gritar com ela, mas pelo contrário, ele baixou a cabeça e saiu pisando forte, com as mãos fechadas, como se quisesse socar algo.
- O quê eu disse? - perguntou para Rayssa, preocupada.
-Nada, , nada... é que o tem... Um tipo de problema com os pais, saca?
- Acho que sim. Se tiver algo que eu possa fazer, eu...
- Se eu fosse você, iria lá, pedir desculpas. Ele sabe que você não fez nada de mais, afinal você não sabia. Mas mesmo assim isso mexe muito com ele, sabe?
- Claro, eu entendo. - E, dizendo isso, foi até onde estava – sentado em um banco a alguns metros delas duas.
- ?
Ele olhou para ela, uma lágrima molhava seu rosto. sentiu uma estranha vontade de enxugá-la, abraçá-lo e dizer que estava tudo bem.
- , me desculpe.
- Tudo bem, . Eu quem fui um idiota, não é? Às vezes não consigo controlar minha idiotice, acho que preciso de remédios.
riu e se sentou ao lado dele. Rayssa chegou pouco depois, sorrindo para os dois.
- Vamos? - Ela ofereceu o braço para os dois amigos, que aceitaram e os três voltaram a nadar pela pequena estrada.
- Afinal, onde é que fica a sua casa? Minhas pernas já estão doendo! - reclamou, massageando a coxa com as mãos; depois de dez minutos caminhando. - E estou com fome!
- Clama, já estamos chegando! - riu dela.
-AEEEEEEEE! - Rayssa gritou, e começou a saltitar na direção da casa que imaginou ser a de .
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