
Prólogo
“Eu te amo.”
“Não posso forçar alguém a me amar!“
“Diga que vai voltar... Eu não suporto viver longe de você por muito tempo!“
“Eu estive exatos 16 anos amando você, e não vai ser agora que eu vou desistir!“
“Diga que me odeia! Diga que não me suporta, que é melhor do que ver você com outra pessoa!“
“Se algum dia tudo voltar a tona, eu não pensarei duas vezes em lutar por nós.“
Cap. 01: “It hurts me so much, it hurts me so much”.
“!” Ouvi uma voz doce chamar meu nome. Não sabia de quem era, mas podia perceber que era de origem masculina. Olhei a minha volta e pude perceber que estava na praia. À beira do mar, eu sentia que minha saia começava a molhar nas pontas, pelas ondas rasas que alcançavam a areia. “!” Eu ouvi novamente. Mas que coisa, quem é que insistia em chamar-me e nem sequer aparecer! Eu começava a procurar pelo dono daquela voz doce, e quando me virei para trás para procurá-lo, ele estava ali. Parado, de frente pra mim, com um sorriso no rosto que me fazia involuntariamente vibrar.
“?” Perguntei confusa “O que você faz aqui?... O que nós fazemos aqui?!”.
Ele, nada disse. Simplesmente sorriu mais ainda, como se o fato da minha pessoa estar totalmente confusa fosse algo extraordinariamente lindo.
“Estamos aqui porque eu percebi...” corou levemente, porém, deu seguimento à suas palavras. E, olhando nos meus olhos , ele segurou a minha mão e disse , com convicção:
“Porque eu percebi que eu te amo e que nada valerá minha vida se eu não tiver você comigo.”
Eu não sabia o que dizer. Não conseguia pensar em algo realmente bom o suficiente em resposta às palavras de . E quando fui tentar dizer alguma coisa...
“, eu...”
“Shh... Não fale nada. Não preciso de palavras quando eu tenho você.” Tocando o meu queixo de leve, o segurou com precisão e levou o meu rosto em direção a sua boca, e quando finalmente um beijo aconteceria...
“SENHORITA ! ACORDE JÁ, E RESPONDA A QUESTÃO NÚMERO DOIS DA PÁGINA 5 DA APOSTILA!”
Me levantei levando um dos maiores sustos que já recebi na vida. Olhei para os lados e percebi que estava na sala de aula. Na aula da professora de Geometria, o que tornava totalmente compreensível o fato de eu ter adormecido.
Voltou a encarar a professora com a maior cara de não-sei-o-que-fazer e quando provavelmente a professora iria deslanchar um baita sermão em mim, fui salva pelo gongo.
“A resposta é -5, professora.” Disse uma voz, familiar demais, pra mim. Me virei pra trás ao encarar um sorridente pra mim. Aquele tal sorriso que me fazia vibrar. Ai não. Aquilo não estava certo...
“Certo.” A professora olhou de rabo de olho pra mim como se dissesse que eu era uma perdida pela vida em geometrias. Ligo muito. Não. “Mais alguém teve uma resposta diferente do Sr. ?”.
A turma permaneceu em silêncio, e a professora deduziu que não houve respostas diferentes da de . Até porque, era bem provável que só tenha feito os exercícios, acho que odiar Geometria era algo em comum naquela classe. [n/a : Pelo menos na minha escola toda é assim *-*]
•Na hora do Recreio•
Eu andava com as mãos no bolso do meu hoodie, meio distraída, e acabei levando um susto quando chegou quase que pulando nas minhas costas.
“Hey, eu pedi pra que você me esperasse!” Ouvi meu amigo falar.
“Ah, desculpa, , é que eu to meio desligada hoje.” Terminei a frase sorrindo forçadamente.
“Dormiu tarde de novo pensando na vida?” Ele perguntou olhando pro meu rosto.
Às vezes ficava abismada como ele podia saber tanto de mim... E ao mesmo tempo tão pouco.
“Exatamente.” Respondi rindo dos meus próprios pensamentos noturnos antes de dormir.
“E ah, a propósito, obrigada por me salvar da bruxa da professora de geometria!“ Acrescentei, me lembrando da cara feia que a professora me deu anteriormente.
“Ah, que isso, de nada, minha linda.” Ele respondeu beijando minha testa.
Se ele não tivesse bagunçado meu cabelo e prestado atenção na feição que fiz, perceberia quão corada fiquei, porém, em questões de segundos, meu rosto mudou de cor: de roxo de vergonha, foi pra vermelho de raiva. [n/a : Roxo de vergonha, não existe, mas é que vermelho serve tanto pra raiva e pra vergonha que eu escolhi logo o roxo *-*]
“, SEU VIADO, NÃO BAGUNÇA MEU CABELO!” Protestei, batendo no braço do garoto.
“Ai cruzes. Como se seu cabelo fosse ruim, né? ” Ele disse fingindo fechar a cara pra mim.
“, meu cabelo precisa de exatos 50 minutos para ficar arrumado.” Respondi parecendo estar com raiva dele.
Ele parou de andar ao meu lado e simplesmente soltou uma gargalhada gostosa. Não entendi a graça, mas fiquei fitando o garoto durante todo o processo “engraçado”. O jeito dele de gargalhar, o modo como eu não conseguia ficar chateada com ele mesmo que ele me zoasse com tudo, se ele simplesmente gargalhasse daquela maneira, muita coisa já estaria perdoada. Era uma junção de magias e feitiços romanticamente hilários.
parou de rir, colocando a mão na barriga e dizia, me abraçando:
“Ai, , só você mesmo, cara. Sempre me fazendo rir mesmo que meu dia não dê motivos para isso”.
“Disponha.“ Disse sem raciocinar direito, ao perceber o que ele tinha acabado de dizer.
“Eu amo você, pequena.”
Tentei esconder as borboletas no estômago que senti quando ele proferiu essas palavras, mas logo logo consegui mantê-las no lugar.
“Você é a minha melhor amiga, sabe que sempre pode contar comigo, né?!” Ele virou pra mim sorrindo.
“Claro, . Melhores amigos... Sempre os melhores.”
Por que aquilo não soava nada convincente pra mim? Por que, de certa forma, eu não me conformava com o fato de eu ter me apaixonado pelo meu melhor amigo? Por que eu era obrigada a passar por tal situação? Não ter controle do meu coração, tudo bem, mas isso parecia tão injusto, e só piorava quando ele, de forma inocente, me lembrava de que, da parte dele, era só uma amizade. A melhor amizade, porém, nada mais do que isso. E ainda sim eu me perguntava o porquê de amar uma das únicas pessoas que nunca seriam capazes de tratar-me como antes se soubesse o que eu sentia. Life’s a bitch. So are you, .
Depois de longos dois tempos de biologia e um de física, o sinal da escola anunciava o fim daquele dia escolar. Eu, que ainda não havia esquecido do sonho, das palavras de , e de todos os sentimentos que sentia por ele, acabei saindo sozinha da escola, andando calmamente, quase sem rumo, como se não quisesse falar com ninguém, o que de fato, era verdade. Não queria falar com ninguém, aquele assunto me deixava cansada, exausta, indignada, pois exigia muita compreensão e, como resultado, nunca conseguira respostas e sim, mais perguntas. Até já cheguei a me culpar por estar gostando de .
“Aonde eu estava com a cabeça quando comecei a reparar nas simples coisas que ele faz?” ME pegava pensando sobre isso, indignada comigo mesma.
Do meu fone de ouvido, conectado ao ipod, saía os primeiros acordes de “Ironic”, da cantora Alanis Morissette:
“An old man turned ninety eight
(Um velho fez noventa e oito anos)
He won the lottery and died the next day
(Ele ganhou na loteria e morreu no dia seguinte.)
It's a black fly in your Chardonnay
(É uma mosca preta no seu Chardonnay)
It's a death row pardon two minutes too late
(É um perdão para o corredor da morte, 2 minutos atrasado demais.)
And isn't it ironic? Don't you think?
(E não é irônico? Você não acha?)
“!” Ouvi alguém gritar seu nome. Mesmo com o fone no ouvido, mesmo estando de costas, e mesmo estando avoada pensando na vida, eu sabia muito bem quem chamara meu nome. Me virei de costas e deparei-me com um arfando, meio vermelho por ter corrido e sorridente.
“Oi, .“ Respondi, observando-o tomar fôlego, apoiando suas mãos em seus joelhos e logo em seguida, se erguer novamente para falar comigo.
“Cara, por que você não me esperou? A gente sempre vai pra casa juntos...“ Começávamos a caminhar lado a lado agora.
“Ah, , me desculpe, é que eu não dormi direito ontem e estou um pouco estressada.“ Eu disse isso chutando algumas pedrinhas pelo caminho.
“Cara... Você ‘ta chateada comigo?” Ele perguntou olhando pra mim e parando de andar.
It's like rain on your wedding day
(É como chuva no dia do seu casamento)
It's a free ride when you've already paid
(É uma volta grátis quando você já tinha pagado)
It's the good advice that you just didn't take
(É o bom conselho que você simplesmente não aceitou)
And who would've thought...It figures
(E quem teria imaginado... Isso torna-se importante...)
“Quê?!“ Perguntei o olhando parado.
“Você tá chateada comigo?! Foi algo que eu disse, foi algo que eu fiz ou deixei de fazer? Porque se foi, me desculpa, eu não...“
“Você não fez nada, .” Respondi uma certa seriedade ao falar o nome dele. "Sou eu quem estou estressada por problemas bobos, porém, que me irritam, mas... Tudo vai ficar bem, você não me estressou nem nada, tá tudo bem entre a gente, ok?“ Terminei, tentando dar um sorriso que parecesse ser espontâneo para que acreditasse em mim, afinal, ele não tinha feito nada, era eu quem tinha meus próprios problemas. E difícil é saber que seu melhor amigo era o meu maior problema.
“Quer falar sobre seus problemas?” Ele me perguntou preocupado.
“Não, , obrigada, mas são coisas banais, nada que dois litros de vodka e um Johnny Depp da vida não resolvam meu problema.” Falei rindo da minha própria solução para tal caso.
“Dois litros de vodka apoiados, mas Johnny Depp?” Ele perguntou rindo da minha cara confusa. “Não poderia ser alguém melhorzinho, não? Já lhe falei pra você mudar esse seu gosto por homens tão estranhos...“ Ele concluiu sem ponto de vista fazendo uma cara de sábio.
Não se pôde definir se a boca de foi mais rápido que a própria razão, e de seus lábios, brotaram as palavras:
“Acho que você não deveria falar do meu gosto de homens, pois você está nele.“ Eu disse, ficando completamente vermelha depois de me dar conta do que realmente tinha dito.
“É o quê?” Ele perguntou rindo.
Comecei a me chutar “mentalmente” . “Sua idiota, só fala merda, cara! Pensa, agora, como é que tu vai sair dessa?”
“, o que tu disse?” Ele insistiu perguntando, ainda rindo do que eu tinha falado anteriormente. “Eu faço o seu tipo?” E começou a rir um pouco mais, de forma meio estranha.
“É né, , você faz o meu tipo e porcos voam! Por favor, né?! To brincando com você, é só pra você não se atrever a falar mal do meu gosto para homens.” Decidi mentir. Dei um sorriso meio sem graça/forçado/pseudo cativante para ele e prossegui meu caminho com ele a meu lado, meio que quieto demais. “?” Perguntei olhando pra ele.
“Poxa, magoei agora.” Ele disse fazendo bico. “Eu sou gordo como um porco e não to voando, sinal que você me odeia.”
Eu comecei a rir desconcertadamente. Simplesmente pulei nas costas do meu amigo, e fiquei como cavalinho , ainda rindo e falei:
“Eu amo você, seu besta.” E comecei a bagunçar o cabelo dele. Me dá um desconto? Vai, eu mereço. Ou não. Droga.
“CARA, MEU CABELO! PÁRA AGOOORA.” Ele protestava.
“Não, viu como é bom bagunçar a cabeleira da sua amiguinha? Agora agüenta, bocó!” Repondi bagunçando mais ainda seu cabelo.
“Se você não parar, eu vou começar a rodar com você nas costas. E você vai se arrepender.” Ele ameaçou.
“Só tenta fazer isso, antes de você chegar na metade da primeira volta do rodopio, você já vai ficar parecendo uma piriquita.” Eu disse fazendo um olhar macabro.
“Então, tá, não diga que não avisei.“ Ele disse calmamente.
“Eu te odeio, .“ Choraminguei, passando a mão de leve na região glútea. Aquilo doeu, cara!
“Eu avisei pra não mexer no meu cabelo.” Ele disse rindo.
“Mas rodar a ponto de cair de bunda no chão no meio da rua é injusto.” Eu disse tentando parecer muito ofendida. “Vamos discutir nossa relação.” Completei a frase rindo.
“OH NÃO, FLORENTINA MARGARIDA JOSENILDA ROSENILDA DOS CURRAIS, NÃO ME ABANDONE.” Ele gritou pulando em mim, quase fazendo um montinho de dois se eu não tivesse me equilibrado.
“Cara, que nome foi esse?” Questionei, realmente achando a mentezinha do meu melhor um amigo um tanto... produtiva, digamos assim.
“Nomezinho especial, gatinha.” Ele disse rindo.
“Claro. Você é patético.“ Eu disse lixando a unha mentalmente.
“Eu sou o quê?” Ele perguntou fazendo cara de triste.
“Você é...” Quando eu estava prestes a repetir, Elise, uma amiga nossa em comum, mais de () do que de minha, veio correndo gritando o nome dele, causando um certo ciúmes em mim, admito. Ah, qual é? Eu tava tendo um ótimo momento com meu amigo, sem me preocupar com nada, daí chega a Lis e meio que acaba com tudo? Revolta, revolta...
“!” Elise gritou, pulando em cima de . [n/a: Qual é desse povo de ficar pulando um no outro Oõ]
“ELISE!” Ele disse abraçando-a. “Tudo bem, chuchu?” Ele perguntou sorrindo.
“Tudo. Oi, .” Ela me cumprimentou.
“Olá, Lis.” Respondi pra ela meio sem graça.
“Tudo bom com vocês?” Elise perguntou.
“Uhum.” Eu disse friamente. Odiava agir assim com ela. Oh, céus, por quê?
“Sim, tudo bem, tchutchuquinha.” respondeu apertando a bochecha de Elise.
“Pára, .’’ Ela respondeu fingindo dor.
só riu de Elise e continuou a apertar as bochechas da menina.
Eu fui meio que me perdendo ali, percebendo que o sorriso dele era diferente com Elise. Eu sabia que alguma coisa entre os dois existia, mas nada ainda rolara, e eu não sabia porque. Decidi ir, aos poucos, caminhando para minha casa, longe deles, dos sorrisos mais iluminados de ao ver Elise, da idéia de que ele preferiria Elise à mim mesma, da dor em si... Era demais pra eu simplesmente ficar e assistir. E quando estava andando mais um pouco, senti meu braço sendo puxado, e quando virei, encarei abraçado com Elise, ambos olhando pra mim, antes dele perguntar:
“Aonde vai?”
“Pra casa. Te falei que tava com muito sono, não falei?” Respondi sorrindo falsamente.
“Mas...” Ele foi cortado pelas palavras que saíam da minha boca, querendo e anseando que sua dona saísse dali.
“To indo, ok? Mais tarde nos falamos. Bye, Lis, beijos.” Eu disse, me distanciando.
“Tchau, amor.” Despediu-se Elise, ainda não entendo muito a minha ação. E eu entendia por completo?
Chegando em casa, simplesmente joguei a mochila no chão do quarto, deitei-me na cama, aproveitando que mamãe estaria trabalhando, então não ouviria reclamações para não jogar a mochila em qualquer lugar. Por que era tão difícil viver mesmo?
Cap. 02: He was all I dream about, the guy i couldn't live without.
Então, era um fato. Eu estava perdida, louca, insanamente apaixonada pelo meu melhor amigo. E, desde que tive esta incrível conclusão – há mais ou menos 15 dias -, eu venho evitando minha proximidade com ele e com Elise. Eu precisava de um tempo pra mim, precisava aprender a lhe dar com o sofrimento e, pelo menos forçar um sorriso ao vê-lo com ela. Ele não estava exatamente com ela, não daquele jeito. Porém, era o que ele aparentemente queria. Seus olhos brilhavam diferentemente quando ele olhava pra ela. E isso acontecia com ela, e não comigo. Ponto pra ela; mesmo que não fosse intencional, eu poderia dizer que ele estava a fim dela. E eu, a idiota aqui, só babando por um cara que não me vê nada além de uma amizade de barriga. Então, evitar era preciso. Não que eu ficasse exatamente o tempo todo longe dele, mas eu falava menos, sorria menos. Resumindo: eu era menos eu quando estava perto dele. Eu era uma razão em pessoa, não me permitia sorrir totalmente, porque da mesma facilidade de sorrir, surgiria a facilidade de ficar triste toda vez que eu o visse no mesmo local em que ela estivesse. Eu precisava de um ar.
Ok, estava eu, pensando. Se eu precisava de um ar, o que me faria ficar em casa numa sexta-feira à noite? Pois é, vários de vocês diriam coisas como: “nada, porque hoje vai bombar!” ou algo do tipo. Pois bem, e o que acontece quando você está apaixonada pelo seu melhor amigo e uma de suas amigas parece ser a menina que ele quer? Calma que ainda não é tudo. E o que fazer quando você tem que fingir que sorri pros dois toda vez que os vê juntos, fingir até pra si mesma que nada está acontecendo, que está tudo bem e que é perfeitamente normal você gostar do seu melhor amigo e ele estar com uma garota legal que não seja você, porém que ele merece ser feliz? ‘Ta, ele não está com ela, mas eu sinto que ele quer estar ao lado dela. E, eu sinto a mesma coisa vindo dela.
Ok, nota mental: suicidar-me cortando meus pulsos com folhas de bananeira, fato. Mas daí, você me pergunta: "O que que isso tem a ver com a p*rra da sexta-feira, cara?". Pois é. Seria super hiper mega legal você evitando seu amigo, ou pelo menos tentando evitar sofrimento pra si mesma, mas parece que até mesmo seu melhor amigo não te ajuda.
"Alô, vadia louca! Atende esse telefeone! É o !"
Toque personalizado. No primeiro dia em que ganhei esse celular - que mais parecia imprimir, scanear e ser um laptop -, o roubou de mim, gravou um toque só dele e colocou como toque personalizado, só quando ele me liga. Essa "incrível" gravação me dá nos nervos, e ele cortaria as minhas bolas se eu tirar esse toque. [N/A: sim, ter um pênis invisível é normal :B]
"Alô." Eu respondi sem muito esforço. Naquela tarde, eu havia dormido e não tive sonhos muito bons a meu favor. Só ao favor de . Nos tais sonhos, ele estava namorando Elise. E eu, bom, forçando um sorriso em meus lábios. Argh, por que, por que, por quê?!
"Chuchuzinha da vida do !" Ele respondeu de uma maneira brincalhona. Ele não complica as coisas pra mim?
"Oi, ." Eu respondi, tentando impedir que a tristeza maior alcançasse minha voz.
"O que houve?!" O tom brincalhão de antes foi rapidamente substituído por um tom de preocupação e aflição. Eu conhecia meu amigo, por mais que odiasse tanto que ele também me conhecesse tão bem.
Eu, como boa atriz que sou (pelo menos em esconder sentimentos), tratei de mudar repentinamente a minha voz.
"O que houve com o quê, xuxu?! ‘To bem." Como eu sou mentirosa.
"... Sério, cara, que que aconteceu? Sua voz parecia meio triste ant..." Eu o cortei rapidamente.
", eu to bem, cara. Relaxa, você tá com essa neura de que eu to mal, que to isso e que eu to aquilo desde não sei quando. Você tá bem, cara?" Já dizia Lord Valdemort, inverta sempre o jogo. [n/a : Ele nunca disse isso, sou eu que sou bundona mesmo :D].
"Não tente escapar das minhas perguntas me perguntando a mesma coisa que eu quero saber. Você tá estranha, . Eu te conheço desde..."
Cortar as falas dele virou um hábito, admito. Eu suspirei. Talvez disfarçar/mentir sobre meus sentimentos não seria uma boa idéia. Pelo menos dizer que nada de errado estava acontecendo comigo era pior do que dizer qualquer outra coisa, porque ele me conhecia, e ficaria magoado comigo por mentir sobre mim desse jeito. E magoá-lo é simplesmente algo que eu não suportaria fazer. Mas algo na minha voz não seguiu muito a linha de pensamento “não magoar o ”.
"Desde quando éramos pequenos; desde dezesseis anos atrás... É, , eu sei disso. E daí, você não pode entender que às vezes as pessoas gostam de manter certos assuntos para si mesmas, e só algumas vezes, nem gostariam de comentar com o melhor amigo ? Você nunca esteve nesse tipo de situação?" Eu falei já meio sem paciência.
De repente, houve um suspiro do outro lado da linha. E, de repente, mas não mais que de repente, isso me surpreendeu. sempre foi muito intenso quando estava sobre pressões emocionais, e, se me perguntassem o que ele faria agora, eu diria que ele começaria a justificar, a falar um monte de coisas pra dizer que eu realmente estava estranha. Porém, não com esse repentino suspiro. E isso me acordou.
Por que eu estava tratando-o com raiva? É normal que eu me sinta com raiva, porém, nem ao menos para eu... disfarçar isso? Quer dizer, não ser tão grossa, só dizer que é algo pessoal e que vai logo passar. Disfarçar não parecia tão ruim, vendo desse ponto...
Após ele ter suspirado, houve-se um longo tempo até que se ouvisse a voz dele novamente:
"Já estive sim. E foi horrível não poder te contar. E eu compreendo que você não queira falar o que está lhe aborrecendo, mas... Eu só queria que isso não parecesse tanto que é minha culpa." Ele desabafou da maneira mais sincera que eu poderia ouvir. E acredite, isso doeu em mim.
"..." Eu gemi em meio a desespero. Eu não queria que ele pensasse que a culpa era dele, apesar de que fosse a mais pura verdade. Mas não era intencional, ele não faria nada que fosse pra me magoar. Se ele pelo menos me visse com outros olhos... Mas não, estamos falando dele, de , o cara que sempre é muito gentil com todos - e principalmente, todas -, que vive trocando de “pares de mãos femininos” - popularmente dito, namoradas, ficantes, etc -, mas que nunca muda sua melhor amiga. Porque, pra ele, ela é simplesmente a melhor amiga, e nada mais. E o mais incrível é saber que a melhor amiga daria tudo pra ser um temporário par de mãos grudados às mãos dele e ser considerada mais do que sempre foi. É tudo tão complexo!
Quando eu estava prestes a “tentar” explicá-lo o que estava acontecendo (não sendo totalmente sincera, obviamente), a campainha tocou. Salva pelo gongo.
", eu tenho que ir. A campainha tocou, tem visita aqui. Depois a gente se fala." Eu disse antes do meu fôlego acabar, descendo as escadas em direção à porta.
"Ok, eu te ligo depois, então." Ele disse, com a voz inalterada.
"Ok, ligue sim."
"Ah, e só mais uma coisa..." Ele acrescentou.
"O quê?" Eu respondi abrindo a porta. A surpresa no meu rosto era visivelmente assustadora.
"Bú." Ele disse desligando o telefone.
"...?" Eu ainda balbuciei, fechando o flip do celular.
"Meu nome. Se importa se conversarmos pessoalmente? Prometo que não vai demorar." Ele assegurou-me com um meio sorriso no rosto.
"Cla-Claro. Entre..." Eu disse, dando espaço pra que ele pudesse entrar.
Sentados na varanda, onde sempre sentávamos desde nossos longos 16 anos de amizade, um clima não muito agradável se formou na atmosfera, fazendo me sentir desconfortável. Então, começou:
", eu não vou dar voltas, nem sermões nem nada. Como eu disse, serei breve, e o assunto é você. Eu sei que, por mais que você me diga que está tudo bem, eu sei que não está. Algo dentro de você está mudando, ou te chateia, incomoda. Eu não sei o que é, mas você tem agido estranhamente não só hoje, mas sim há umas duas semanas. E eu juro que não quero complicar nem tornar nada mais difícil pra você com essa conversa... Mas eu não tive escolhas, ok? Eu estou preocupado com você, parece que a minha presença não está te fazendo bem. E isso é novo pra mim, você sabe que nós nunca passamos por isso durante tanto tempo sendo amigos. E isso me preocupa assustadoramente, pois uma das poucas coisas que eu não suportaria viver sem... é você. A sua amizade, a nossa amizade. É importante demais pra mim."
Juro que se ele não tivesse mencionado o termo ''amizade" no final, se ele só tivesse parado no "você", eu teria ficado radiante. Mas as coisas não são tão fáceis, e essa é a minha vida, do jeito que tem que ser, e encará-la é a melhor maneira de seguir em frente. Mesmo que doa tanto.
"" eu disse, segurando as mãos dele, e olhando em seus olhos profundamente, obtendo o tipo de atenção que eu queria. "Eu nunca, nunca irei permitir que algo fique entre nós, ok?! Você é uma das pessoas mais importantes pra mim, a nossa amizade também é muito significativa pra mim... Mas agora, eu to passando por um certo tipo de... fase, que não me permite ser muito clara com ninguém. E eu acredito que guardando isso só pra mim, vai ser melhor. E eu sei que essas semanas eu estive meia... deslocada, afastada de você, mas é o tempo que eu preciso pra mim mesma, pra me compreender melhor, pra poder superar essa tal fase que está sendo um porre.'' Eu terminei minha fala mal ensaiada fazendo uma careta, o que fez brotar um sorriso torto no rosto de . Porém, o sorriso só ficou mesmo nos lábios, o sentimento não alcançou sua fisionomia por inteiro.
"Eu só espero que essa tal fase não demore muito a passar, ." Ele disse, mantendo o contato visual que tanto me fazia vibrar por dentro.
"E por favor, " ele continuou "pelo menos me diga o que você está passando, assim, superficialmente, no assunto... Do que se trata?"
"De fato, se trata.. " Eu procurava as palavras certas, procurando manter meu super-duper-novo-ultra-intergalático segredo a salvo, mas também, contar o suficiente pra que eu não contasse nenhuma mentira para ele. "Se trata de adolescência. Coração batendo mais forte, mão suando... Você entende." Eu disse fazendo uma carranca, sabe, não tinha muito compaixão pelo sentimento que me fazia cheirar mal. [n/a: não exatamente Oo]
olhou pra mim de um jeito engraçado, tipo aqueles bichinhos japoneses que entortam a cabecinha pro lado, fazem carinha e olhinhos de gatinho do Shrek pra dizer fofamente que não compreenderam tão bem a tal mensagem que lhes foi passada. Eu ri da cara dele por um breve segundo, mas logo fui interrompida por um par de olhos arregalados e mil perguntas vindo dele:
"Você ‘ta falando sério? Tipo assim, minha pequenina xuxuzinha tá..."
"Não comente, ." Eu disse, sentindo minhas bochechas pegarem fogo com o cometário dele.
"Mas como assim não comentar?" Ele disse fazendo gestos exorbitantes com as mãos. [n/a: que vocabulário bonito ;D]
"Ah, , já é difícil lhe dar com isso, eu não queria estar... você-sabe-o-que, mas simplesmente aconteceu." Eu disse, querendo terminar aquele assunto mais rápido do que um peido.
"Ah! A minha pequena tá apaixonada!" Legal, ele disse com todas as palavras, letras, pingos de 'i's e acentos gráficos que eu tanto prezei evitar mencionar. Viado-da-porra.
"!" Eu choraminguei, colocando as mãos no meu rosto, já cansada de falar daquilo. Me deixava cansada.
"Aah!" Ele exclamou, me puxando pra um abraço, que mais pareceu um colo pra mim, pois eu fiquei posicionada com a cabeça embaixo de seu queixo, ainda com as mãos no rosto, mas ainda com a bunda no chão.
"Sabe, agora você está virando uma mocinha, ." Ele disse dando pequenos tapinhas no meu braço. Esses tapinhas me fizeram lembrar da minha avó. Espantei o pensamento idoso, me concentrando em apenas não ficar muito vermelha de vergonha pelo comentário do , nem me deixar levar pelo atrito e/ou momento, e fazer algo em que fosse comprometer a minha amizade com ele. Melhor ser amigos do que nada.
"Pra sua informação, ... Eu já sou mocinha há 5 anos." Eu disse, roendo falsamente a minha unha só pra não olhar pra cima e me deparar com aqueles olhos intensos e atenciosos que ele tinha.
"Eca. Eca, eca, eca. Mil ecas!" Ele disse, fingindo se tremer, como se aquilo lhe desse vertigem.
"Ora, como se você não soubesse disso." Eu respondi, parando de roer falsamente a minha unha e aproveitando aquele momento, junto à ele. Pra poder sentir melhor o seu perfume, o seu calor, e até mesmo os queridos tapinhas idosos que ele dava no meu braço.
"Tá certo, mas querendo matar a minha curiosidade... Quem é o sortudo?"
Eu juro, juro que naquela hora eu nem sequer fazia idéia de como inspirar e expirar. Como assim, eu tinha prometido à mim mesma não mentir pra ele, porém não dizer nada que pudesse comprometer o meu segredo. Como assim isso foi tão difícil de ser cumprido?
"Ah, ... É um cara aí..." Eu disse, fixando minha vista em um ponto qualquer, que não me pedisse muito esforço pra disfarçar a dor e a verdade para .
"Um cara aí. Beleza, um cara eu sei que é, né, bobona? Mas não pode ser qualquer cara, pra minha melhor amiga, tem que ser O cara, ok?! Agora me fala quem é!" Ele disse, brincando com um fio do meu cabelo, achando aquilo super divertido.
"Ele não gosta de mim." Eu respondi fechando meus olhos, pra evitar que a dor aumentasse ao dizer tais palavras. E, mesmo de olhos fechados, eu pude sentir os olhos dele em mim, mas ainda sim, mantive meus olhos fechados e prossegui com a minha resposta. "Ele não gosta de mim, ele nem imagina que eu gosto dele. Ele mal olha pra mim como eu gostaria que olhasse. Não vai dar certo, e é por isso que eu vou esquecê-lo em breve." Eu terminei minha “sentença”, reabrindo meus olhos, agora tão sérios quanto minha fala anterior.
"... Como assim ele não gosta de você?" Ele parecia incrédulo com aquilo. "Que tipo de idiota não gostaria de uma menina como a minha melhor amiga? Ele merece mil tapas na cara." Ele disse, parecendo ofendido pelo fato do garoto que eu gosto não gostar de mim. Ah, se eu pudesse, eu daria os mil tapas nele. Ponto pra mim: fazer trocadilhos e ter um humor negro a ponto de brincar com minhas dores e amores. Céus, eu preciso de Jesus na minha vida. E tenho dito.
"... Já é difícil demais ter que agüentar o fato de eu gostar de uma pessoa que não gosta de mim do jeito que eu gosto dela. Portanto, não vamos mais falar sobre isso, ok?" Eu me virei, olhando pra cima e encontrando os olhos intensos e infinitamente bonitos dele, olhando carinhosamente pra mim, e como uma afirmação, ele simplesmente balançou a cabeça, e disse pra mim:
"Tudo vai dar certo, ok? Você tem a mim pra te encher o saco, e quando menos perceber, não vai estar mais gostando desse imbecil." Ele fez uma careta e beijou o topo da minha cabeça, num gesto respeitoso e protetor. Eu não consegui evitar meu sorriso, e logo acrescentei minha gratidão:
"Brigada, . E você sempre poderá contar comigo também, ok?" Eu ofereci minha singela amizade como uma forma de troca justa. E ainda continuei o diálogo, mudando de assunto, para meu próprio bem. "E aí, você tem novidades? Deve ter alguma coisa que eu não saiba, nem que seja besteira!" Eu disse, saindo do colo/abraço dele. Não me agüentaria muito tempo ali. Sentindo o cheiro dele tão de perto.
"Ah!" Ele exclamou, fazendo uma cara de surpresa/fascinada estilo bonequinhos japoneses quando estão felizes e logo disse: [n/a: que mania de bonequinhos japoneses ¬¬']
"Cara, você sabe que eu tava tentando montar uma banda há, assim, mil anos, né?" ele disse, dando ênfase ao “né”, porque se eu esquecesse, eu levava uma moca, tinha certeza!
"Claro, lembro sim! Só que faltava..." Ele me interrompeu.
"Faltava o !" Ele disse me dando um tremendo susto.
"É." Eu juro que tava ficando com medo dele.
"Daí, estávamos eu, e à procura de um , né?! E assim, todos os meus amigos sabiam dessa procura. Aí, iluminando nosso caminho, apareceu o Zack, um cara do terceiro ano, mais amigo do do que meu, e disse que ele tinha um conhecido que tocava muito bem. Daí conversa vai, conversa vem, o entrou em contato com esse conhecido, , e..." Ele fez cara de mistério triunfante, parecendo dono de circo.
"Ele entrou pra banda? " Eu “deduzi” incrivelmente com minha força do pensamento de mutante nível 5. [n/a: wtf G_G ?]
"Exatamente!" Ele disse fazendo alarde por qualquer coisa referente ao McFly estando inteiro. Ai, Deus do céu.
''Iupi!" Eu levantei meus braços em forma de entusiasmo, sorrindo meio forçado. De fato, eu não ligava muito pra banda do , mas sabia que isso era importante pra ele, então, de vez em quando, dizer que estou entusiasmada com a banda seria bom. Mas não posso negar que esteja feliz por ele, pois é uma coisa que meu melhor amigo - e a minha atual/primeira paixão - desde sempre quis, e acredito que agora vai.
"Você me broxa, cara." Ele disse, cruzando os braços.
Ok, isso poderia ser entendido de duas formas: uma, para o meu lado melhor amiga do , que no caso ignoraria e daria mil tapas nele, e a outra pro meu lado is all I need, que se sente não-bonita o suficiente pra fazê-lo tremer por mim como homem. É, tudo tá muito bom.
"Desculpa. Prometo me animar agora." Eu falei, fazendo umas dancinhas estranhas com os braços. A sobrancelha esquerda de ergueu-se, apontando o quão estranha eu era. Mas ele gostava de mim mesmo assim.
"Anime-se, porque amanhã, a gente vai ter o nosso primeiro oficial super-intergalático ensaio da banda!" Ele disse, limpando lágrimas falsas dos olhos. Dessa vez eu fui legal o suficiente pra sorrir verdadeiramente. Ele tava feliz, entusiasmado de que finalmente o McFly tava tendo chances de se formar. "E você vai estar lá, ." Ele terminou de falar. Eu continuei na minha, já conhecia os meninos mesmo. E o tal do novo deve ser do estilo dos meninos, tudo bem, então.
"Ok. Local, horário, comida?" Eu perguntei, sendo claro, a terceira opção, a mais importante.
Ele bateu palminhas no ar, todo alegre e me disse que o ensaio aconteceria na casa de , depois da escola, eles iam direto pra lá, e daí pediriam uma pizza. O que no caso, foi o que mais me animou pra ir pra lá. Quê? Vai dizer que não é importante?!
Passei o resto da tarde conversando com o e só fui me dar conta de que tinha escurecido quando mamãe chegou em casa e acendeu a luz da varanda. Pra minha surpresa, já era de noite. Quando eu estou com ele, obviamente o tempo passa rápido. Não sei se é pelo fato das nossas conversas serem só sobre assuntos banais, porém, divertidos, ou se é pelo jeito como a gente se trata.. Ou se é pelo maldito sentimento de amor/paixão que eu sinto por ele.
Meus pensamentos filosoficamente românticos foram interrompidos por um alô da parte de minha mãe.
"Olá, pombinhos." Ela disse, beijando a testa de cada um.
Uma nota mental: minha mãe insistia na possibilidade de que eu e éramos namorados. Tá, então já são o próprio , a Lis e a minha mãe complicando a minha vida.
Eu bufei.
"Mãe!" Eu reclamei, batendo com a mão na testa.
"O quê?!" Ela protestou incrédula . "Não é como se fosse segredo." Ela comentou saindo da varanda. "Qualquer coisa vocês me gritem, não façam nada que eu faria." E desapareceu subindo as escadas. Eu fiquei meio “quê?”, e o idiota do começou a rir da minha situação. Eu mandei um olhar mortal pra ele e ele simplesmente indagou:
"O quê?! É engraçado ver isso."
"É, é super lindo ver minha mãe falando gírias antigas pra mim e pra você. E ainda por cima nos ver com outros olhos. É estranho demais. " Eu respondi, me referindo à minha mãe ser total estranha.
"O que é estranho, ela ver isso ou nós dois namorarmos?" Ele perguntou, curiosamente.
"Minha mãe." Eu respondi, querendo acabar com aquele assunto logo.
"Mas eu sou perdidamente apaixonado por você, Lady Marmalade." Ele fez uma cara de Romeu sem Julieta, fazendo gestos exacerbados com as mãos, pra dar mais ênfase no que ele disse. Era zoação; eu me fodo.
Ponto pra ele.
Eu simplesmente bufei, e deixei rolar a noite. Acabou que eu fiquei assistindo Rei Leão com ele e a mamãe fez pipoca. Quando eram umas onze ele foi embora da minha casa, porque no dia seguinte, era dia de índio/branco/estudantemalhumorado. E, também, teria o ensaio do McFly. Aquele dia prometia... fim total aos meus ouvidos.
Cap 03: A little too ironic.
É, de fato, acordar não é comigo, rolar pela cama pra espantar o sono também não é algo muito viável, porque, baseada nas minhas próprias experiências, você tem grande chance de cair no sono novamente, e, quando sua mãe percebe que você está a dormir (de novo), as chances dela gritar e você tomar um susto, cair de bunda no chão e xingar mentalmente todos os palavrões que você conhece, são bem grandes.
Tudo bem... Tem muita gente pior, vamos lá. Ser otimista às sete da manhã deve ter alguma coisa boa em troca. Se olhando no espelho do banheiro, você se depara: a única coisa boa que tem em você acordar às sete... É você não acordar as seis. Como? Bem simples, você olha seu reflexo e percebe que é fato: você não foi feita pra acordar cedo, especialmente quando as suas olheiras estão fazendo com que você pareça uma coadjuvante de um filme de vampiros. Ponto pra... Quem mesmo?! Que seja, o ponto não vai pra você.
"Filha! Desperta dos teus sonhos. Já são sete e vinte, caralh... "
"Estou aqui, mãe!'' Eu disse, gritando quase na cara dela, porque pra ouvir palavrões de manhã, acho que só minha mãe mesmo.
"Mas tu demora, hein, pretinha?!" Como se já não bastasse meus singelos 15 minutos na frente do espelho - tentando esconder os dois anéis negros em volta dos meus olhos, a bunda doendo, o cabelo não me ajudando -, ainda tinha que ouvir da minha mãe que eu era da Uganda. Tá, eu não tenho nada contra as pessoas de melanina aguçada, mas eu senti que o sentido da palavra "pretinha" incluía algo mais do que simplesmente a cor. Estamos falando da minha mãe, espere qualquer coisa.
Já saindo de casa, não deu nem tempo de tomar um café direito, então, eu simplesmente saí com uma maçã na boca, a mochila nas costas, o player quase caindo das minhas mãos, mas consegui sair de casa.
Como eu estava super-duper-intergalaticamente atrasada, eu olhei para o ponto de ônibus na frente do meu condomínio... e olhei de volta para a minha bicicleta que eu morria de medo de andar na rua com ela. Mas eu tava atrasada, e o engarrafamento a essa hora não era nada agradável, a não ser que eu quisesse chegar na escola de noite. Então, estava decidido. Era a bicicleta.
Tudo bem que, pra alguém que não andava de bicicleta há mais de mil anos, eu estava indo super bem em não atropelar ninguém. Consegui desviar das pessoas, dos obstáculos e me manter próxima calçada, mas me diga: praticamente, na porta da escola, a maldita velhinha com sacolas da Hortifrutti tinha que aparecer? Afinal, quem, por Santo Deus, acorda sete horas da manhã numa cidade grande pra comprar frutas na Horti-Frutti? E não venha dizer que era por ser dona de casa, porque, se ela quisesse podia pedir para que as sacolinhas lhe fossem entregues em casa! Mas não, não mesmo, e sabe por quê? Simplesmente, pra que eu desviasse da querida (sinta a ironia) velhinha, e fosse parar direto no "estacionamento" de bicicletas da escola. Isso seria até então, magnífico, se eu não batesse com tanta força, caísse da bicicleta, e, como em um jogo de dominós, todas que caíssem batiam nas outras, até... Até toda escola olhar pra santa pessoa que havia feito isso. Foi algo ensaiado, eu quase pudia jurar que foi ensaiado, não só porque eu pude presenciar, mas também porque meus ouvidos de gavião puderam facilmente detectar o som, ou melhor, o estrondo de várias risadas, e , em poucos segundos, adivinha? A escola toda estava rindo de mim.
Acredito que, para minha sorte (ou azar), ao me levantar, eu me deparei com sangue. É, melhor do que isso não poderia ficar. E, me sentindo mais palhaça do que nunca, lá fui eu, sorrindo, cantando e acenando pra todos, com o joelho sangrando - maldita hora que escolhi ir de short -, agradecendo à todos como se aquilo fosse um espetáculo cobrado, e, como se fosse mesmo, todos começaram a me aplaudir. Caramba, isso que é apoio ! Ou talvez só estejam sacaneando com a minha cara. E sabe do que mais? Eu não ligo, nenhum dos rostos na multidão que me cercava me incomodava com a ironia dos olhos, e nenhum destes rostos era importante pra mim. Até que eu conseguisse, de fato, me caminhar pra área da enfermaria, e, na porta, eu encontrasse um rosto cujo eu me importava completamente. E adivinha? Nenhum traço de ironia nos olhos, somente... meu porto seguro secreto, que ninguém poderia roubar de mim, nem mesmo o prório.
"!" Eu fingi chorar, levantando os braços na direção dele, e andando com uma certa dificuldade, mas eu chegava lá. E você não vai acreditar! O pilantra começou a rir! Como se risse de mim. Me bateu uma raiva, não, uma raiva não! Um ódio... Não! Pior do que isso... Foi ira divina! Como assim? No posto de melhor amigo - mesmo ele não sabendo que o vejo somente desse jeito - ele tem o dever de me fazer sentir melhor depois da escola toda rir de mim ! Mas não, ele vem e começa rir de mim, enquanto tudo que eu preciso é que ele me ajude porque aquela porcaria de machucado tava começando a doer - excluindo o fato de que poderia manchar minha meia de sangue. É hora de aniquilar um melhor amigo.
Eu fiz uma cara sacana, dei um sorriso de é-né-seu-felha-da-pura-e-bela-mãe-tu-vai-ver-só e comecei a andar em direção à enfermaria, porém, o mais longe possível dele.
Mas como o ser esperto (e com dois joelhos intactos) que o era, ele deu uma risada, andando para me alcançar, e quando finalmente estava perto de mim, puxou meu braço, fazendo-me encará-lo sem vontade.
Eu fiz uma cara de tédio quando olhei diretamente pro rosto dele, como se pudesse dizer "Oi, só pra constar, meu joelho tá sangrando e eu preciso cuidar dele". Espero que ele tenha compreendido a mensagem.
", desfaz essa cara." Ele disse sorrindo. Incrível! Depois dele ter rido de mim, me magoando profundamente, me usar como ícone de comicidade, ele ainda dá uma de mandão, achando que eu vou ser assim, de fácil acesso?
Eu fui teimosa e levantei uma sobrancelha pra ele. E o que ele fez? Ele riu novamente. De mim, a última dos moicanos! Eu ignorei o senhor "risadinha-total-com-dor-anal" e prossegui com a minha pequena maratona à porta da enfermaria. Faltavam uns cinco passos, e eu, brasileira do jeito que era, não desistiria nunca.
", pára de bobeira, eu só estava rindo." Eu ouvi uma voz atrás de mim me seguir. Ouvir voz lhe seguir, olha que padrão eu consegui chegar.
"Riu de mim!" Eu exclamei. Estava total redonda e absolutamente magoada com ele... Ok, mentira, eu faço cena mesmo.
Minha mão foi puxada, me fazendo rodar um pouquinho, pra que eu encarasse-o, novamente.
"Perdão, Lady Marmalade, eu prometo, sobre a glória de meu reino, que não irei mais rir de você." Ele fez uma reverência exagerada, ergueu a cabeça pra ver minha expressão, e mexeu as sobrancelhas rapidamente, estilo "pimpão", e eu não consegui segurar o riso. Sim, desisti de toda a armagura de meu coração, agora eu sou a prometida de Carlos Daniel, e agora expulsarei a usurpadora que tomou meu lugar e tá, eu já parei.
Entramos na enfermaria, e a tia-dona-enfermeira nos olhou com uma cara de "o-que-vocês-querem?". Com um sorriso memorável, eu simplesmente dei um bom dia com gosto.
"Bom dia, enfermeira. Eu meio que caí de bicicleta aqui na escola, e ralei meu joelho..."
Já de pronto, ela levantou da cadeira, abandonou seu jornalzinho precário de R$0,50 centavos e me mandou sentar na maca.
Enquanto ela fazia o curativo cuidadosamente, eu apertava meu lábio inferior, de vez enquando soltando uns "ai’s" e "ui’s", ora de dor, ora de nervoso, mesmo.
"Prontinho, . Agora cuide-se e tome cuidado com as bicicletas, ok?" Ela me disse, dando um pequeno sorriso. É, ela era legal, afinal.
"Obrigada." Eu respondi, descendo da maca com um meio sorriso no rosto.
"Como castigo por ter rido de mim, você vai me levar nas costas!" Eu disse, pulando em . Ele riu. "Cara, tu dormiu com o Bozo, é? Só consegue rir!" Eu disse, fazendo a enfermeira rir, enquanto preenchia uns formulários à mesa.
"É, eu to todo gozadinho hoje." Ele falou, um pouco alto demais, me fazendo rir e dar um tapa no braço dele.
"Garoto! A gente ainda tá na enfermaria!" Eu avisei-o, olhando pra enfermeira, que ria mais ainda do que ele havia dito.
"Não seja por isso!" E com um sorriso de galã, saiu da enfermaria, comigo nas costas, e volta-e-meia, me rodando, me metendo muito medo!
Ao me entregar na sala, bagunçou meu cabelo, me fazendo bufar.
"Sai daqui, bundão!" Eu disse, dando um tapa na área traseira dele.
"Poxa, eu te levo nas costas da enfermaria até a sua sala e é isso que você me dá? Um xingamento e um tapa na bunda?!"
"Vai logo antes que eu bata mais!" Eu disse, fazendo uma careta que o fez rir.
"Até logo, xuxu!" Ele beijou minha testa, e saiu andando em direção à sala dele. Ai, meu coração!
Depois dos queridos tempos de química, artes e geografia, respectivamente, veio o recreio, graças à Deus, porque eu tava morrendo de fome. Logo depois, dois tempos, eu disse, dois tempos inteiros e seguidos de biologia, observando a vida monótona dos protozoários. Sério, esse professor me irrita! E ainda por cima, com o último tempo, química veio me assustar com suas fórmulas pertubadoramente grandes. Ao bater o sinal, eu juro que quase ouvi o canto dos anjos abençoados.
Como se eu soubesse, eu ouvi um assovio, aparentemente me chamando, e eu sabia que era o . Virei sorridente pra ele, que corria pra me alcançar.
"Vadia, é agora que a gente vai ensaiar. Vamos?"
"Yeah, baby." Eu disse, imitando Joey Tribianni, do Friends, o melhor seriado ever, ok? "Mas só mais uma coisa..." Eu disse, puxando a orelha de .
"O quê?!" Ele disse, fazendo uma cara de dor.
"Não me chame de vadia, seu ser réprobo condenado à danação!" Eu exclamei, utilizando do bom e do melhor do meu vocabulário. Eu sei falar bem quando quero. E sim, eu roubei essa fala de algum lugar, pra ser mais precisa, do vagabundo do meu irmão. Tá, tudo bem que ele tá na faculdade, tá trabalhando, mas ele, mesmo assim, é um grande vagabundo. Não me pergunte o porquê.
Mas retornando ao meu amigo apaixonante, ficou com uma cara de cão sem dono, e, logo depois que soltei sua orelha, ele disse:
"Desculpe, novamente, Lady Marmalade."
"Você sabe como as pessoas dessa escola são... E é bem capaz que tenha gente que acredite quando você me chama de vadia." Eu falei, dando um meio-abraço nele, pra que o pobre cão arrependido com o rabo entre as patas tivesse um singelo sorriso no rosto. É, funcionou.
"Entendo." Ele disse, fazendo uma cara de assustado que me fez rir. "Posso te chamar de Pear Annia?" Ele disse, fazendo uma cara de pimpão.
"Se eu soubesse o que significa!" Eu respondi, tentando decifrar aquilo.
"Fale rápido que entenderás." Ele disse, me empurrando pra sair do portão do colégio.
"Pear Ânnia.. Pear... Anha... Peranha... PIRANHA!" Eu gritei, quando ainda estávamos perto o suficiente do meu colégio religioso.
fez uma cara de que ia gargalhar quando a diretora, que antes conversava com o porteiro, me ouviu falando isso, me dando um olhar assassino. Sorte que eu fingi que não fui eu, e saí andando pra longe da escola o mais rápido possível! Com , no meu compasso!
", ainda falta muito?" Eu perguntei como uma criança mimada.
", pára de agir que nem pentelha, você sabe muito bem onde fica a casa do ." Ele disse, me fazendo fechar a cara.
"Sim, mas faz muito tempo que eu não vou lá, com todas as paradas que tenho feito!"
", a gente tá virando a esquina da casa dele." Ele me alertou enquanto apontava pra casa de muro bege, com um pequeno jardim, adoravelmente florido com pequenas margaridas se formando. Se eu conheço o , ele deve estar sempre p. da vida com a mãe dele, porque pra ele deve ser super-duper-gay!
"Ding Dong", escutamos quando eu toquei a campainha.
", atende a porta!" Ouviu-se a voz de gritar.
"Seu inútil, abre e veja quem é!" exclamou, ainda dentro de casa, ainda fazendo eu e o esperarmos. É, esses são grandes amigos.
Ao abrir a porta, foi logo pulando no colo de , gritando:
"AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH, É A MINHA BICHONA!"
E o que eu fiz? Eu comecei a gargalhar daquilo tudo, vendo desviando das tentativas duvidosas de .
", porra, sai de cima, a gente tem visita!"
Opa, peraí, se ele não tivesse visita, ele agiria como? Duvidoso, hein, ?
, ao olhar pro lado de , me viu rindo à veras da situação, e sorriu, exclamando:
"Ah, , não é uma visita, é a , poxa. Se dissesse pra mim que desejaria mais respeito e sigilo sobre nossa relação na frente dela, era mais fácil, não acha?"
", você fumou maconha ou deu o cu?" perguntou olhando com cara de assustado pro amigo.
"Eu fumo maconha pelo cu." Ele disse antes de me cumprimentar com um singelo abraço de tamanduá, bagunçando meu cabelo. Sério, eu ainda mato um.
" !" exclamou. "Perdão pelo ataque nem-um-pouco-gay que eu dei na frente do ... É que, você sabe, sentimentos não podem ser controlados." terminou a frase fazendo cara de ator de novela mexicana.
"Claro, , eu compreendo, perfeitamente." E como eu entendia!
"Tudo bem, meninas." deu um ênfase no 'meninas' "Mas, sem querer interromper o papo, nós temos um ensaio a fazer, então, vamos logo, entrando!"
Dito isso, foi meio que me empurrando pra dentro da casa, e só me deixou livre pra eu mesma me movimentar quando eu estava sentada no sofá. Amigão você, !
ligou a televisão, e não permitia que um canal ficasse no ar nem cinco segundos, ele passava compulsivamente, dominando o controle remoto mais do que a própria respiração! Moleque estranho.
", quem é?" Ouvimos a voz de ecoar das escadas, e logo, o respondeu.
"É o e a !" gritou, fazendo um dos meus tímpanos pedirem arrêgo. É, ele estava ao meu lado.
"AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!" suspirou, descendo as escadas com uma toalha na cabeça, sem camisa, e com uma samba-canção xadrez. Whoa, quando e como o cresceu?
"Oi!" Eu disse, levantando do sofá pra dar um abraço no . Fazia mil anos que eu não o via desde que ele mudara de colégio!
O cumprimentei cordialmente, dois bejinhos na bochecha, um soquinho no braço e uma careta sapeca. Depois de , é um dos caras que eu mais amava na vida, ele sempre ficava do meu lado enquanto eu batia no e me apoiava quando eu ameaçava o a arrancar os braços do boneco do Superman dele. Isso é que é amizade, pô!
riu com a minha careta e bagunçou meu cabelo. Qual era o problema desses jovens, afinal? Preciso eu arranjar uma maneira de tortura pra que eles entendam que sou MENINA, e mereço respeito e não gosto de ter o cabelo bagunçado!
", querido, bagunce meu cabelo que eu lhe penduro pelo seu pênis no ventilador de teto, ligo-o e só desligo quando você disser 'Tenho amor ao meu órgão sexual e nunca mais repito isso, cara '. Em tailandês." Eu sentenciei a morte dele, conseguindo alguns olhares assustados de e .
"Eu também gosto muito de você, xuxua!" Ele respondeu, sorrindo falsamente, e encaminhando-nos para o sofá. Sim, ainda estávamos abraçados de lado. Eu disse que ele me amava!
"Que honra, ver a de novo, eu senti saudades!" exclamou rindo da careta que dei.
"É, , ela agora é pop e só anda com o porque os dois namoram secretamente. Isso me chateia, eles escondem de nós o total romance! E olha que somos amigos de infância!" comentou, falsamente incrédulo, me fazendo olhar pra cara dele que nem vaca abestada quando sente a dor do parto. apenas levantou a sobrancelha direita, olhando pros dois bobocas com cara de "WTF", acompanhada de uma interessante fala de :
"Sabe, eu sempre soube que esses dois iam acabar juntos. O jeito que a batia no quando criança... não me enganava!" Ele terminou a frase, se achando total oráculo. Até quase o chamei pra saber qual seria o novo filme do Keanu Reeves, mas deixei meu sarcasmo pra depois, agora eu tinha que bater em dois cretinos.
"Gente, vocês são doidos, a está namorando!"
"Ela tá?!" perguntou.
"Sim, com o , duth" respondeu.
"Não, idiota, ela tá namorando com o Johnny Depp." fez uma cara de loser pro . E eu? Fiquei naquela do tipo "Senhor, me tire desse hospício musical."
"Enfim, gente." Eu comecei. "Eu gostaria que vocês falassem menos da minha vida amorosa com o Deppzinho, e agissem mais, tipo, não ia ter um... ensaio?" Eu perguntei, e, pra parecer um pouco mais esnobe, só faltava eu lixar a unha.
"Sim, sim, de fato, temos mesmo!" disse, se levantando e se dirigindo para o que parecia um porão. É, eles devem ensaiar ali.
"Mas temos que esperar o dude chegar, cara." alertou.
"Sim, enquanto isso, vamos afinando os instrumentos, pra não perder tempo." disse, já descendo as escadas pro porão.
"Ok, então vamos." O meigo do disse, desligando a tv, e dando um pulo por trás do sofá.
"E eu vou... arranjar algo pra comer, porque eu to com fome!" Eu disse, indo em direção à cozinha, procurando alguma coisa que prestasse. Lembre-se: esta é a casa de , galera.
E quando eu ia pegar o pão pra fazer sanduíche enquanto comia uma meia-maçã, tocaram a campainha. "Ótimo, deve ser o novo componente da banda, e ele é um retardatário!" Eu pensei, enquanto gritava um "já vai", caminhando em direção a porta.
Coloquei a maçã na boca, o pão na mão esquerda e abri a porta com a mão direita, e fui logo falando:
"Olá!" Eu disse abrindo a porta, até olhar e reparar quem era.
"Olá, eu sou..." Ele interrompeu a fala dele até perceber quem eu era. "?" Ele perguntou abismado.
"?!" Eu perguntei, minha voz mais abafada pela minha surpresa do que pela maçã na minha boca. Meu deus, era o , mesmo? O ?
Cap 04: ‘Cause we all look in the same in the dark.
"... É você, mesmo?! ?!" Ele dizia. Suas palavras ecoando na minha mente como uma voz distante. Eu não podia acreditar que o , era o ! Quero dizer: eu mal podia acreditar que o -novo-integrante-da-banda-do-meu-melhor-amigo era o mesmo -que-eu-conheci.
Eu acordei do meu transe, e logo tratei de responder, primeiramente, retirando a maõ da boca.
"S-sim! , !" Eu forcei um sorriso. Na verdade, pra ser sincera, não me trazia boas recordações. Não que ele fosse uma má pessoa! É que simplesmente ele "aconteceu" na minha vida de uma maneira, momento e causa errados.
Ele abriu um sorriso gigantesco nos lábios; largou tudo o que estava em suas mãos, e adentrou a casa me abraçando apertadamente, dizendo coisas que eu me surpreendi. Sério, eu me surpreendi.
"Que saudade, minha pequena!" Ele aparentava estar sinceramente feliz por eu estar ali.
Eu decidi não ficar que nem uma zumbi sem fazer nada. Afinal, eu gostava da pessoa que ele era, por mais que ele me trouxesse má lembranças! Retribuí o abraço e disse:
"Ah, eu também estava com saudades, xuxu!" Eu falei, sem ter realmente certeza se minhas palavras eram 100% verdade. A minha história com o é um pouco complicada, e intensa. Bem intensa. E eu não sabia o que eu sentia naquele momento, muito menos saberia se estava com saudades!
Enquanto eu pensava sobre isso, finalizava o abraço me levantando um pouco pra cima, antes de me deixar no chão. Ao me observar de cima em baixo, ele descansou seu olhar no meu rosto, e, com um grande sorriso, perguntou:
"Como é que você está? Faz tanto tempo que eu não te vejo!" Ele disse, demonstrando verdade em suas palavras, o que de certa forma, me assustou um pouco.
"E-eu to bem, ! Quero dizer, depois de quatro anos, tem muita coisa que aconteceu, né?!" Eu terminei, soltando uma risada gentil, o que o fez rir e dizer:
"É, né, . Claro que aconteceu dentre esses quatros anos. Nós crescemos! Você está melhor do que eu imaginava!"
"E isso é uma coisa boa ou ruim?" Eu perguntei, mantendo um sorriso surpreso no rosto e um medo da resposta dele dentro de mim. Por que medo? Vai me entender.
"É claro que é uma coisa boa, pequena! Mas na personalidade, você não mudou nada, continua lerdinha!"
Ele disse, e adivinha o que ele fez? Dou um doce pra quem adivinhar. Ele bagunçou meu cabelo! É, isso mesmo. Até as pessoas que nós não vemos há anos têm essa mania estranha-pseudo-legal-que-desarruma-totalmente-meu-cabelo-que-dá-vontade-de-matar-e-rir-com-as-mãos-na-cintura-só-de-raiva!
"Tira a mão do meu cabelo." Eu disse em meio de risadas, abaixando minha cabeça e desviando da mão dele, até meu cabelinho estar longe do ataque do .
Ele me olhou com medo e surpresa, como se eu fosse capaz de bater e matá-lo. Se ele continuasse bagunçando meu cabelo, bem, talvez ele tivesse ao que temer mesmo. Ok, mentira.
"Bom, quer dizer que você é o novo mcgay, digo, integrante da banda?" Eu perguntei sorrindo e rindo disfarçadamente pelo pequeno trocadilho.
"Sim, eu sou o novo mcgay. Na verdade, antes eu nem era mc, mas como você sabe, né, a vida muda, baranga!" Ele fez um gesto exagerado e pra lá de gay, me fez imaginá-lo fazendo comercial da Loreál Elseve! Imagine-o, jogando aquele olhar 51, digo, 43, dando uma olhada estratégica pra câmera e dizendo "Porque você vale muito.", manda um beijo.
Sim, minha imaginação é fértil o suficiente, e tudo isso me fez rir descontroladamente, até minha querida barriguinha começava a doer. Mas a minha risada foi interrompida por uma voz atrás de mim.
", do que você tá rindo e cadê o... " ia aparecendo na sala, com uma cara de dúvida ao me ver rindo. Não, ele estava com uma cara de dúvida por me ver rindo junto com . Isso sim o fez ficar com cara de criança de 4 anos quando quer saber de onde veio.
"Hey, ." disse, educadamente, acenando para o meu melhor amigo, que ainda estava com uma cara de dúvida de me tirar risos.
Depois de um silêncio incômodo, eu decidi falar.
", o falou com você." Eu , caridosamente, fui tirar meu amigo daquele transe no qual ele se prendia.
"Ah, o-oi, , desculpe, eu estou um pouco... hm, surpreso!" Ele assumiu sua surpresa, fazendo com que a criança com dúvida ali no meio fosse .
"Surpreso? Nós não tínhamos marcado hoje, o ensaio?" , o confuso, perguntou.
"N-não, não foi isso, é que... Ah, esquece, eu to meio mongol hoje!"
Só hoje?
"Claro, , como se nos outros dias você fosse muito normal, né?" Eu caçoei do meu branquelo estranhamente duvidoso, enquanto arrancava umas risadas de , que ainda estava na porta. Ai, que educação que eu recebi, minha gente, mereço o prêmio nobel, né? "!" Eu exclamei. "Perdão, querido estranho, eu tava tão surpresa em te rever que esqueci de mandar você entrar!"
"Estranho, é?! Poxa, obrigado, me senti tão bem agora." Tá, ele pode ser estranho, mas adora um sarcasmo. Eu esqueci que ele tinha isso.
"Ora, pare de reclamar e se assuma, digo, vamos entrando. Afinal, ainda temos um ensaio a fazer, e eu ainda to com fome, portanto, vá descendo que eu ainda vou preparar um super-duper-mega-carpado-triplo-sanduba pra comer!" Eu terminei de falar, empurrando com suas coisas para dentro de casa, e pensando nos tais ingredientes que usaria no meu querido sanduba. Eu tava com fome, algo contra?
"É logo aqui no porão?" perguntou.
"Sim, sim, vá descendo, que eu já to indo." Eu respondi. Como assim "que eu já to indo"? Como se ele precisasse de minha permissão pra ensaiar com a banda dele! Eu, hein?! Onde eu tava com a cabeça?
"Eu vou pegar algo pra comer, também." disse, seguindo na minha direção, para a cozinha. Ok, se eu não conhecesse meu amigo tão bem, diria que quer me dizer/perguntar/fofocar algo. Duvidoso, diria Nietzsche. Muito duvidoso.
"Ok, desembucha." Eu disse, abrindo meu saquinho de pão. Rapaz, é pão integral! Já falei que sou uma pessoa muito saudável? Mentira, não sou muito saudável, mas gosto de prezar meu corpinho com pequenas coisas, como pão integral! Tá, é verdade que eu fico feliz com poucas coisas, não repare.
"Como você sabe que eu quero perguntar algo?!" me perguntou abismado. Eu simplesmente ri.
"Te conheço desde quando suas bolas eram de gude, querido." Tudo bem, eu não precisava me expressar desse jeito.
"Menos, . Você podia dizer de outra forma que me conhece há muito tempo." Ele disse, fazendo uma careta, e eu aposto que ele estava lembrando quando a gente tomava banho pelado na piscininha de meio centímetro, tá, um pouco mais que isso, que a gente dividia nos fins-de-semana com churrasco das nossas famílias. Ah... Boa época aquela que eu não era apaixonada pelo meu melhor amigo e a facilidade de vê-lo com outra garota (lê-se: com as minhas barbies) não me incomodava tanto.
"Tá, , fala logo." Eu disse, pegando salame na geladeira. Pode ver que eu sou bem íntima dos meninos, não é? Educação mandou lembranças.
"Tipo, você conhece o ?" Ele perguntou, retornando sua cara ao estado dúvida-de-criança que o dominara há pouco. Eu o olhei com um olhar mortal.
", como assim 'você conhece o '? Você não se lembra?" Eu perguntei com uma cara de raiva. Pois é, que melhor amigo é esse que não sabe da minha vida? Vou dar um chute bem no meio do...
"Ué, eu não lembro." disse simplesmente, me fazendo bufar. E lá fui eu contar a história toda pro meu pseudo-melhor-amigo.
"Vamos lá" Eu disse. "Lembra-te, há quatro anos, nas férias do mesmo ano em que meus pais se separaram, e eles acharam que eu não estava totalmente bem com a separação deles?" Eu perguntei, desejando que pelo menos isso ele se lembrasse.
"Claro, lembro sim, de fato, eles estavam certos, você não estava totalmente bem com a separação deles." até mesmo opinou no meu passado. Ok, não vou torturá-lo tanto assim, só ele lembra e sabe o quão mal fiquei realmente quando passei por aquela experiência.
"Enfim, lembra também que naquele mesmo ano teve aquela febre de acampamento de verão? Que mais parecia colônia de férias?" Eu disse, me lembrando o quanto tinha odiado aquele lugar à primeira vista.
"Lembro." Ele disse, somente, respondendo á minha pergunta, parecendo ainda não se lembrar.
"Ok, você definitivamente não lembra, vamos lá. Eu estava mal naquela época, porém, o acampamento me surpreendeu, pois lá eu fiz amizades que ainda mantenho até hoje, e essas mesmas amizades me ajudaram a superar o lance de divórico dos meus pais. E foi uma amizade, digamos assim, a mais especial. Naquele verão, eu... eu meio que me apaixonei por ele, porque ele foi a única pessoa que não foi hipócrita de só perguntar: "O que houve?!". E sim, me dar apoio e dizer que era normal eu sentir raiva, ódio, tristeza, de tudo que estava acontecendo. Só ele sabia realmente o que se estava se passando comigo, porque, há um tempo, ele havia passado pelo mesmo processo que eu. Então, mais do que tudo e todos, sempre esteve ao meu lado , enquanto estive no acampamento, e fazia questão de me ver sorrindo, e nem sequer deixou que lágrimas brotassem dos meus olhos. Perto dele, realmente, era difícil que eu tivesse vontade de chorar, pois ele sempre foi muito engraçado e até mesmo lerdo de uma maneira cômica que me fazia esquecer dos meus problemas. A lerdeza dele se transformou em sabedoria, quando ele me abriu os olhos pra seguinte situação: que meus pais poderiam estar se separando, porém, eles continuariam sendo meus pais, incondicionalmente. E é verdade, meus pais se gostam, mas como amigos, e ainda são meus pais, estando juntos ou não. Eles tinham que pensar na felicidade deles, porque eu nunca seria egoísta o suficiente, a ponto de obrigar meus pais a morarem juntos quando a sua felicidade não se encontrava um no outro. Só que, nessa dele me dar apoio e tal... Eu acabei me apaixonando por ele." Eu assumi, colocando queijo no meu sanduba, e tendo a certeza que estava escutando, de fato, até se recordando do fato, provando isso através da sua própria fala.
"Então, eu acho que me lembro dessa parte. Parece que você tinha uma amiga lá, né, xuxua?" perguntou.
"Sim. " Eu continuei a história pra ele. "E parece que estava mais interessada nela do que em mim. Apesar dele ter sido um ótimo amigo, ele foi um péssimo ícone de garoto pra mim, pois ficar com uma amiga não é exatamente a melhor maneira de eu ser feliz com o cara que eu gosto!" Eu exclamei, lembrando da vontade que eu tive há quatro anos de simplesmente voltar pra casa e nunca mais olhar na cara do novamente.
"..." disse, de uma maneira melancólica, que me fez olhá-lo, o que me fez perceber: a história estava se repetindo, só que agora, o triângulo era eu, ... e Lis. É, minhas amigas me dão mais trabalho do que eu preciso.
"O que foi, ? Não dá pra dizer que ele foi um ótimo garoto pra mim, não, nem tente defendê-lo!" Eu avisei-o, com direito a levantar um dedo indicador sujo na ponta de catchup, na direção dele. Lambi meu dedo e segui colocando presunto no meu sanduba. É, esse aí vai ficar delícia!
", ele não teve culpa. Pra ele, vocês só eram amigos. Ele não é adivinha, não saberia se você gostava dele se você não disse pra ninguém!" E eu me lembro que essas foram as exatas palavras que me disse há exatos quatro anos. Que merda, meu amigo é evoluído!
"Ele deve saber muito bem da persuação que ele causa nas pessoas. Não é possível que ele seja tão amigo e tão idiota ao mesmo tempo!" Eu disse, ainda com raiva do . Mágoa do passado não faz bem, causa rugas! Decidi respirar fundo antes que isso me causasse linhas de preucapação permanente no meu lindo rostinho.
"Ele não é adivinha, cara. Deixa de ser teimosa, e trate de esquecer essa história, já que agora, você já não gosta mais dele, tem até outro na história, não é mesmo?" perguntou, com um meio sorriso no rosto.
Ah, que vontade de dizer que a história simplesmente mudou os personagens!
"Claro, de fato, a história é totalmente diferente agora!" Eu usei um pouco mais de ironia do que devia, que fez logo despertar pro exato modo irônico que usei.
"Ela está se repetindo? O cara que você gosta tá ficando com uma amiga sua?" Ele me perguntou, sinceramente, curioso demais pro meu gosto.
"Não, eu to falando que realmente a história é diferente. O garoto simplesmente não gosta de mim. Agora, se ele tá ficando com uma amiga minha ou não, isso já são outros quinhentos!" Eu mandei. Ah, se ele compreendesse essa indireta! Mas pra isso, meu segredo deveria ter que ser revelado, então, é melhor ficar na dúvida entre o rolo da Lis com ele do que ele sabendo que eu gosto dele. Que coisa difícil de se viver, hein?!
"Então, relaxa. agora é passado, vocês são simplesmente amigos, e isso é o bastante pra que você não querer matá-lo, né?!" exigiu mais do que perguntou, e eu simplesmente afirmei com a cabeça. "Agora vamos, que eu tenho um ensaio pra fazer!" exclamou, me empurrando pra fora da cozinha.
"Calma aí, amiguinho!" Eu dei um grito tão macho, que eu acho que ele se assustou com a minha quantidade repentina de testosterona no sangue e resolveu levantar as mãos no ar como se rendesse a qualquer coisa que eu dissesse. "Meu sanduba!" Eu disse, pegando o suculento sanduba que tanto demorei pra fazer. Dei uma última olhada mortal pro e me virei em direção ao porão. Juro que consegui ouvir sussurrar qualquer coisa parecida com "doida", mas eu estava com fome demais pra matar meu melhor amigo.
"Ok, ok, precisamos mandar um cover, pelo menos, né?!" disse, fazendo um bico, e conseqüentemente, fazendo todos pensarem sobre o assunto.
"Pois é, o nosso repertório, primeiramente, vai se resumir a covers, porque ainda não temos nenhuma música. , você compõe?!" perguntou.
"Cara... ", ele fez uma cara de dor. "Eu tenho mais facilidade em compor melodia do que fazer as letras, porque geralmente, quando escrevo alguma coisa, sai uma bosta." Ele terminou de se auto-flagelar e coçou a cabeça fazendo uma cara serelepe pro grupo. É, eu esqueci também o quão fofo ele era fazendo caretas. Ponto pra você, !
"Por que vocês não tocam Beatles?!" , a intrusa perguntou.
"Xuxua, a gente já vai tocar, só precisamos de mais algumas músicas pra fechar um repertório nem que seja de dez músicas, pra arredondar." respondeu, finalizando sua fala com uma típica piscadela. Ok, agora é ponto pro . [n/a: se fosse jogo de strip poker, haha, a principal estaria ferrada, tá calei :X]
"Tá, e quantas músicas tem até agora?" Perguntou , novamente. Sim, eu me surpreendi, ele realmente está levando a sério! A única coisa que ele leva a sério na vida era comida e videogame.
"Bom, temos: 'She loves you', 'Help', 'I wanna hold your hand', e 'All my loving'." terminou de ler o papel do repertório, enumerando no dedo quais as músicas que tinham, e se decepcionou ao ver nem sua mão direita cheia.
"Ok, caras, então, a gente só tem Beatles nas mãos. Acho que seria mais fácil fecharmos um repertório de cinco, ensaiarmos, pra depois partir pra um repertório mais longo." disse, gesticulando com as mãos.
"Mas cinco músicas é muito pouco... Vocês não querem preencher mais esse espaço, não?" perguntou, fazendo uma cara de dor ao ouvir a possibilidade de fechar um repertório com cinco músicas, apenas.
"Caras," interveio, "é importante nós levarmos um som que não é nosso, mas que seja clássico, pelo menos no início, para que, com o tempo, quando nós já estivermos levando o nosso repertório. E Beatles é a melhor opção. Todo mundo gosta, todos os públicos, jovens, crianças, pais, avós. Todos curtem, o que vai nos favorecer e muito. Então, eu sugiro que começamos com esse repertório pequeno, mas bem ensaiado, e depois, a gente preenche com mais um cover, e depois, com cinco músicas próprias. Eu já cansei de fazer letras com a ", eu juro que vi um sorriso brotar no canto dos lábios do , o que me fez sorrir também. "E, como o disse, ele é bom em compor melodias, então, e , os imprestáveis, não serão tão imprestáveis assim e nos ajudarão. E é assim que o Mcfly vai ao sucesso. Concordam?" Ele terminou seu discurso espontaneamente forjado [n/a: adoro essa comunidade ! POSAKOSPAKPOAS' u.u], e tendo um "YEAH" em conjunto do grupo, e um little "yeah" fininho meu, que saiu tão engraçado que todos acabaram rindo. Eu queria fazer drama, mas o sorriso de , acompanhado de uma língua pra mim, me fez rir. Dois pontos pra ele já, e olha que nem faz um dia que ele está aqui.
Cap 05: Way more than just a summercamp.
Depois de ouvi-los tocar, eu realmente levei mais a sério o McFly. Quer dizer, de fato, todos ali tinham seu dom; cada um tinha intimidade com seu respectivo instrumento e, acho que pelo fato deles se demonstrarem aptos à levar a sério a banda com tão pouco tempo de vida, eu podia vê-los fazendo sucesso, podia vê-los desencadeando um som único, um som ímpar... o som do McFly. É, depois de dizer palavras tão bonitas, vocês podem me chamar de groupie agora. Mas assim, super sério, eu não acreditava que o fosse tão bom. Quero dizer, ele nunca demonstrou seu dom inteiramente pra mim. [n/a: isso soou pervertido, crianças, vão já para o quarto x.x brinks :B]
E acredito que foi por isso mesmo que eu me surpreendi tanto. Por outro lado, também era muito bom. Na verdade, todos ali eram! Com as outras tentativas do McFly dar certo, tipo, antes de na banda, a banda sempre parecia meio incompleta, por isso eu não levava mais tão a sério que esse ramo desse certo, mas parece que dessa vez, deu mais do que certo! Dava pra perceber que a vocação deles eram com a banda, fazendo sucesso, e recebendo calcinhas no meio da cara! Ok, o terceiro ítem é super opcional, ignorem. Mas, enfim concluindo meus pensamentos...
"Cara, a banda tá muito legal!" Eu disse, com meus olhos de desenho japonês super brilhantes, cegando todos no porão.
"Sério?!" perguntou com um lindo sorriso. Tá, isso não é justo, nem que fosse o próprio WANDO fazendo cover de Frank Aguiar, eu diria que a banda estaria fueda, só por causa do singelo-maravilhoso-master-sorriso de pra mim, dica.
"Seríssimo! Eu compraria o cd - de cover - de vocês, se estivesse à venda. Seria o tipo de banda que eu seria fã." Eu assumi com um sorriso bobo pra todos, não me deixando focar só no , apesar de ser a minha única vontade no momento, abafa.
"Cara, a própria elogiou; se ela elogiou, eu acho que deveríamos levar a sério esse, hm... elogio!" comentou pro resto da banda, o que fez com que a minha indagação surgisse.
"Como assim? Eu sempre elogiei vocês!" Eu falei, meio incucada com que o pequeno tinha dito.
"Hmm, nem sempre, . Nas nossas últimas tentativas, você era assim, digamos, bem sincera." admitiu, dando um meio sorriso.
"Tá, eu fui grossa com vocês, mas vocês pediram a verdade e, e... e eu estou passando por uma fase hormonal." Eu decidi dar a velha desculpa que a minha mãe dá quando ela é grossa comigo. [n/a: baseado em fatos reais, acredite!]
"Tá tudo bem , pequena. Agora que eu entrei na banda, você não precisa ser mais grossa. Não freqüentemente, né?!" riu de si mesmo, fazendo todos rirem, menos eu, que fiz drama (que novidade!).
"Valeu pela parte 'me-toca', gatinho." Eu agradeci pelo tapa na cara sentimental dele, acompanhado de um joínha e uma cara de besta, costume de ser palhaça dá nisso.
"Hey, preta, fique assim não! Eu tava zoando." , , , faz tempo que você não convive comigo, não é mesmo?! Desaprendeu que eu não vivo sem meus dramas.
"Ela sabe muito bem. Ela só se faz de Gata Borralheira porque nossas piadinhas acabam com o sapatinho de cristal dela!" disse, piscando pro como um alerta do tipo: "Relaxa, man, você está comigo, tá com Deus", o que me fez bufar.
"Olha, nem sua metáfora infantil me comove mais, . Eu só faço uns dramas agora porque faz tempo que o não vê isso" Eu falei, esfregando as mãos como um movimento sapeca e uma caretinha à la diabinho do msn, que fez o próprio rir.
"Eu sei muito bem, cara. A pode ter crescido fisicamente, mas mentalmente, continua a garotinha que eu conheci no acampamento." terminou sua fala sorrindo pro , o que me causou uma leve impressão de desapontamento falso. Como assim eu continuo sendo a mesma garotinha?
Ah, é hoje que um Mcguy morre!
"Você já conhecia a ?" perguntou, arregalando tanto seus olhos que eu quase pude vê-los saindo do globo ocular. Filme de terror, tragam a pipoca.
"Já. Num acampamento de verão, há uns quatro anos." respondeu somente com seus lábios se movendo num pequeno sorriso, ainda sim, sem mostrar os dentes.
"Cara, que mundo pequeno!" exclamou, achando o máximo o fato de eu já conhecer o novo carinha do McFly. Ahn, creio que ele não acharia o máximo como a minha história com era complicada.
"Bom, gente, o papo tá bom, mas eu tenho que puxar meu bonde. " Eu disse, levantando do puff em que estava a um segundo atrás, e estalando minhas costas. Me espreguicei da melhor forma possível pra estalar logo tudo de uma vez, que os meninos até levaram um susto. Eu ri da cara deles, e antes de terminar minha sessão auto-flagelação-de-estalar-as-costas, eu pude ver o olhar de , observando meu corpo, de cima em baixo, o que me fez olhar pra mim mesma, e perceber que a minha blusa havia levantado um pouco. Rapidamente, eu a ajeitei no devido lugar, dei um sorriso para todos, e corei ao ver sorrindo de volta pra mim. Tá, isso foi muito estranho, mas vou fingir que sou cegueta-sentimental, e ignorar isso.
"Por que você já vai?" perguntou.
"Ahn, amanhã tem escola, já são seis horas... Eu sei que não é tarde, mas eu não parei em casa hoje, to cansadinha, e adivinha?!" Fiz uma cara engraçada que fez rir e logo deduzir a tal façanha demonstrada pelas minhas caretas.
"Tá com fome!" Ele disse, rindo de olhos fechados, o que me fez babar por severos segundos. Nota mental: comprar um babador da Polishop, ou até quem sabe, um próprio Balde da Marca Tigre (pra não pagar mico, ahn, ahn, entendeu ?) toda vez que estiver perto do .
Logo meu momento baba-ovo foi cortado por uma risada alta... do .
"Ela tá sempre com fome, cara ?" Ele perguntou, obviamente caçoando de mim, ou sua pergunta era uma curiosidade intrometida e mal educada demais pro meu gosto.
Tomei um susto quando um coro respondeu por mim.
"SEMPRE!" Os três meninos disseram em uníssono, o que me deu até um pequeno susto, e olhá-los com cara de vítima-de-serial-killer.
"Estar com vocês me dá mais medo do que fome." Eu assumi, colocando uma mecha do meu cabelo pra trás. Quando eu fico me sentindo observada, eu mexo no meu cabelo compulsivamente, e, esse caso, não era uma exceção. Eu acho que vocês estão com medo, por causa da minha fome, não é? Pois é, mas eu sou estranha, esqueci de comentar. Caso vocês já tenham percebido, o aviso postergado foi desnecessário. Mas é brincadeira, de fato, eu tinha conseguido passar três horas sem comer nada no ensaio dos meninos, isso é um recorde!
"Eu tive uma idéia!" disse do nada, fingindo coçar uma barba estilo à la Gandalf, o Cinzento, que me fez rir. Ele sorriu pra mim e mandou uma língua, e logo virou pro povo todo, dizendo: "Por que a gente não vai a pizzaria?"
"Cara, eu to com fome, eu topo." Disse , roendo a unha. Mas que pessoa estranha, geralmente o povo roe unha quando tá nervoso, ou quando tem vício, mas ele nunca teve essa mania. Tá, é verdade, eu preciso visitar meus amigos com mais freqüências, pelo menos os meninos, pois eu sempre disse que os conhecia até de cuecas trocadas. Devo honrar tal fala!
"Também tá me batendo uma fome..." disse, fazendo careta e colocando a mão na barriga, como se estivesse acariciando Gertrudes, a Lombriga Doméstica de .
"Beleza, então, aonde a gente vai comer?" Eu perguntei, já que os outros só ficavam concordando sobre a fome em conjunto. Sim, amor coletivo é muito lindo, mas não quando eu to com fome. Que foi?
"Vamos ao Domino's, é a pizzaria mais perto daqui, logo, vocês não morrerão de fome." disse sorrindo, sendo um tanto legal com a gente ao pensar sobre a pizzaria mais próxima.
"Tá, então vamos logo, a Gertrudes precisa ser alimentada." Eu disse, já saindo do porão, e sabendo que havia deixado o McFly inteiro sem entender a minha piada. Melhor assim, ou não.
"Mas é claro que o Delonge é muito melhor que o Hoppus cantando no Blink, cara !" discutia sobre melhor vocalista para o Blink 182, junto com , que stava abismado pela opinião dele ser diferente da sua. Estávamos entrando na Domino's, quando soltou a piada do dia.
"Cara, que isso, a voz do Delonge é voz de pato rouco caipira que acaba de eliminar uma hemorróida da cara do presidente!"
Eu parei de andar e comecei a rir sem parar, da piada que tinha acabado de ouvir. Sério, eu não ria tanto assim desde quando "Todo mundo em pânico III " tinha sido lançado! Mas como eu sou a lerda que sou, eu acabei tropeçando num degrauzinho safado que tem na entrada, e se não fosse por me segurando, eu ia me estabacar tão bonito na frente de todos da pizzaria. Eu ainda ria da piada dele, então imagine a cena, eu entrando na pizzaria com os meninos, rindo que nem uma bêbada, com o me segurando pela cintura (vou fingir que ele não passou as mãos dos meus braços pra minha cintura). É, eu ia ouvir comentários quase inaudíveis sobre como eu era nova pra beber daquele jeito. Meros mortais, mal sabem da minha evolução espiritual... Parei.
", você tá bem?" perguntou, perto do meu ouvido, ainda com as mãos na minha cintura, o que me causou um pequeno arrepio. Whoa, eu esqueci que meus amigos podem ser bem, hmm, atraentes quando querem.
"Aham, to bem." Eu sorri, fazendo um joinha e uma careta sapeca, vendo que ele sorriu à minha careta, e soltou minha cintura, e me empurrou com a cabeça nas minhas costas.
"Então vamos, eu to com fome, caramba!" Ah, meus amigos são tão adoráveis comigo.
Sentados à mesa, estávamos conversando animadamente, entrosados em um assunto onde todos tínhamos em comum: música.
Falamos do rock mais leve até o mais pesado, e descobri que os quatro meninos não tinham muito amor pelo rock pesado. Ah, eu tinha, às vezes era bom escutar Slipknot quando estava com raiva. Me ajudava a arrumar meu quarto.
Até que, quando a pizza chegou, se instalou um silêncio; apenas o movimento de garfos e facas famintos contra o prato. Aqueles meninos juntos eram um monstro! E olha que eu me achava faminta da Etiópia, mas não! Só os quatro sozinhos comeram cinco pizzas gigantes! Não foi uma pizza, nem três, foram CINCO pizzas: portuguesa, quatro queijos, calabresa, frango com catupiry e uma pizza de alho.
QUEM, POR DEUS, COME PIZZA DE ALHO? SÓ SE FOR PRA FICAR COM BAFO HORRÍVEL DEPOIS ! [n/a: Perdão à quem gosta de pizza de alho ae, mas o bafo é horrível x.x']
E eu lá, comi metade de uma pizza gigante, de calabresa, na minha, quietinha, e quando não aguentei os outros pedaços, adivinha? Eles comeram por mim! A essa altura, eu já pensava que na barriga de cada um deveria ter uma Senhora Gertrudes com sua família!
Depois que nós acabamos com a dispensa da pizzaria, os meninos decidiram passar lá na sorveteria do Tio Sam. Sim, a sorveteria se chamava Tio Sam. Estranho, né?! Dane-se. Os sorvetes de lá eram três B's: bom, bonito e barato.
"Eba! Eba! Eba! Eba! Eba! Vou tomar sorvete!" Eu dizia, um tanto quanto animada pra pedir meu singelo banana split!
"Garota, você não tem fundo!" disse, rindo de mim, ao nos sentarmos na mesinha do canto da sorveteria.
"Cara, quem é você pra falar de mim? Comeu uma pizza gigante inteira, mais alguns pedaços da pizza gigante que eu não agüentei, vai tomar, provavelmente, um sorvete maior do que você, e ainda fala que quem não tem fundo sou eu ? Que injusto!" Eu disse, procurando a garçonete com os olhos. Eu realmente queria tomar uma banana split.
"Mas então, pequena! Me fala como você tá, o que tem feito... Nós ainda não tivemos tempo pra colocar o papo em dia !" disse, parecendo estar realmente interessado no que na minha pacata vida poderia ter de novo pra ele.
"Ah, cara, eu to bem, estudando numa escola onde só tem garotas fúteis e meninos metidos por fazerem parte do time de futebol..." Eu disse, brincando com meus dedos. Eu sou autista?
"Sério?!" Ele perguntou fazendo uma careta, que me fez rir levemente.
"Não, também tem os losers, que são o grupo que mais se encaixa comigo. Mentira, eu sou vencedora. Mas não me envolvo muito com o povo de lá, não. Falo com todos, desde os mais populares até os nerds que se excitam ao ver um projeto de química a ser feito." Eu falei, sorrindo abertamente, quando a garçonete apareceu na nossa mesa.
"Boa noite, o que vão querer?" Ela perguntou com um simples sorriso no rosto. Aparentava estar cansada, e percebi que com aqueles sapatos que ela usava, realmente, qualquer uma estaria cansada de tanto andar em cima deles.
"Banana Split!" Eu disse, levantando o braço, parecendo aluna obediente do maternal quando a professora faz a chamada.
"Sorvete de abacate na taça, com direito a cereja, paçoca, M&M's, e cobertura de caramelo" disse, sorrindo como uma criança. Todos olharam pra ele com uma cara de "Da onde você saiu, inferno ?!", o que o fez indagar: "Que foi? Eu gosto de sorvete de abacate, ok?!" Ele disse, ficando de cara fechada por uns singelos segundos, mas sorriu quando a garçonete riu da careta dele.
"Ok, uma Banana Split, um sorvete de abacate com cereja, paçoca, M&M's e cobertura de caramelo – eu senti que ela segurou uma risada -, mais o quê?" Ela perguntou, levando o olhar pros outros três retardatários na mesa.
"O mesmo que ele pediu, mas o sorvete é de creme" disse, dando uns leves tapinhas nas costas do , como se dissesse "pobre criança".
"Uma Banana Split, também" e disseram, quase em coro, o que fez um olhar pra cara do outro e rirem de si mesmos.
A garçonete deu uma leve gargalhada pra nós, e disse que já já traria os sorvetes.
"Você dizia...?" perguntou, olhando com uma cara de Sherlock Holmes pra mim, o que me fez rir. De novo.
"Ah, que eu falo com todos, mas não me envolvo muito com ninguém, ainda não achei meu grupinho certo, mas também não faço muito jus à isso não. Eu tenho o me enchendo o tempo todo!" Eu respondi, mexendo de leve no cabelo de , fazendo quase um cafuné. O mesmo virou pra mim e pra , nos olhou com os olhos cerrados e perguntou:
"O que falam de mim, seres estranhos?!"
"O quão gay você é." Eu disse, dando um sorriso irônico pra ele.
Ele fez uma cara de tédio, pegou a minha mão que estava repousada na cabeça dele, e a mordeu, sem mais nem menos.
"Ai, seu canibal!" Eu disse, chacoalhando pra ver se a pequena mordida dele não fizesse nenhuma potada de dor.
riu da minha cara e me abraçou apertado, de lado, e tascou um beijo demorado na minha bochecha; o que me fez corar, de leve.
"Te amo, bitch!" Ele terminou com a sessão de me torturar sentimentalmente, e remexeu de leve meu cabelo. Não bagunçou (dessa vez). Ele virou pro outro lado, olhando pro , e fazendo aquele sinal do tipo "Ela fica p*ta da vida quando faço isso", e soltou uma risada alta quando fez um sinal do tipo "Vou fazer também". Que legal, meus amigos conspiram contra mim.
Conversa vai, conversa vem, eu e colocamos o assunto em dia, e descobri que o safado está morando na cidade, e que vai estudar na mesma escola que a minha! Achei isso super duper foda! Ah, parece que ele já estava procurando há um bom tempo uma banda, mas nenhuma tinha parecido ser a certa, até ele encontrar o McFly. Também disse que estava solteiro, e pretendia ficar assim, porque a última relação dele, durou um ano e meio, e, após tanto tempo, descobriu que a menina havia o traído, causando a separação do casal. Nossa, quando eu fiquei sabendo disso, me lembrei na hora do acampamento, quando ele ficou com a minha amiga de lá. Parece que tudo que vai volta, né?
E bom, ele também ficou sabendo que eu tocava um pouco de guitarra, mas que preferia violão, que os meus pais estão separados e felizes - o que já não me incomoda como antes, na época do acampamento -, e.. ele ficou super feliz quando soube que eu não tinha mais problemas com meus pais, por eles estarem divorciados.
"Também pudera, né, ? Se passou algum tempinho desde que a gente se falou pela última vez, já era tempo de eu compreender os fatos e aceitá-los do jeito que são." Eu falei, dando uma bocada no meu sorvete, que já estava quase acabando.
"É mesmo. Você amadureceu, pequena!" Ele exclamou, fazendo uma dancinha da vitória, o que me fez tacar uma bolinha de guardanapo na cara dele, por ele ser tão bobo.
"Não esculacha, eu cresci e to melhor assim, você mesmo confirmou isso pra mim!" Eu disse, fazendo biquinho (lê-se, bico de criança quando não consegue o que quer).
"Ah, não faz essa cara. Tu cresceste mesmo, cara. Aposto que teu namorado sente orgulho de te ter." Ele disse, sendo a vez dele de abocanhar o sorvete.
NAMORADO? O quer me matar de rir, né?
Eu não consegui parar de rir. Esse moleque só falava besteira! Namorado? Eu só teria namorado quando Jesus, descesse do seu plano muito elevado e dissesse "Ok, agora você sai do castigo. Toma o Johnny Depp pra você."
"Que foi?" perguntou com cara de assustado, provavelmente tentando saber o que que foi que ele disse pra ser tão engraçado. Parei de rir quando percebi que ele não enxergaria por si mesmo.
"Eu? Namorado? , se liga, ninguém se sentiria atraído por mim. Eu sou aquela típica menina que é vista por todos os homens como irmã, ou até mesmo, um garoto com seios." Eu disse, realmente parando pra pensar sobre a forma como os meninos me viam. Eu não dispertava mesmo alguma coisa em nenhum menino que conhecesse? Nossa, que fim de carreira! Vou abrir uma padaria, pra não depender da minha beleza pra sobreviver.
"Que mentira, aposto que você só fala isso porque nunca realmente reparou em algum menino que te interessasse o suficiente pra que você notasse o jeito como ele te olha." Whoa, esse menino incorporou quem? Buda, o cara mais sábio – pra mim?
As palavras dele me atingiram como um tornado, bagunçando todos os meus pensamentos, mas eu sabia que uma coisa era certa: eu havia encontrado um garoto que me chamasse a atenção, por ser lindo, atraente, amigo, simpático, carinhoso. E eu notei sim, a maneira como ele me olha, e não aguentei notar essa maneira nem por três dias, pois eu sabia que pra ele, eu era apenas a pequena e doce , que vive com fome, e que não é uma mulher aos olhos dele. E isso, era como receber mil facadas nos meus pontos vitais, e ainda sim, permanecer viva, só pra sentir a dor. [n/a: vou vender essas idéias filosóficas amorosas amarguradas pro evanescence, assim eu fico rica :D]
"Hmm... Er, já volto." Eu disse, me levantando da mesa e indo ao banheiro, sentindo os olhares de todos os quatro pesando em cima de mim, provavelmente sem enteder o porquê de eu ter agido dessa forma, de repente. Eu sei que saí da mesa de uma maneira estranha, mas se eu permanecesse lá, provavelmente não agüentaria conter lágrimas que, por todas as noites, ultimamente, têm persistido em cair dos meus olhos.
Cheguei ao banheiro, corri pro primeiro compartimento que vi, fechei a porta, tranquei-a rapidamente, sentei em cima da tampa do vaso, e , com meus pés em cima da mesma, apoiei meus braços em meus joelhos, e deixei que as lágrimas rolassem. Era estranho a maneira como o humor mudava, porque a exato um minuto atrás, eu estava sorrindo, e rindo das gracinhas que o fazia, e mesmo assim, quando ele disse aquelas palavras, que , como intenção, queriam me reconfortar (eu tinha noção disso), mas que tiveram o efeito contrário, me fez perceber, que se pelo menos eu quisesse por perto, não teria muitas chances de ser da forma como eu o anseiava. E isso, me doía demais.
Não pude conter mais as lágrimas, e, ali, eu chorei. Chorei por tudo. Chorei de raiva, por só me apaixonar por pessoas que não me vêem como eu as vejo; chorei de raiva por essas pessoas não me vêem do jeito que eu quero que elas vejam; chorei por eu me sentir tão sozinha mesmo estando perto dos melhores amigos que já pude ter; chorei por não me sentir completa e insatisfeita, mesmo tendo tão mais do que o necessário pra viver, e finalmente: chorei de angústia, por pensar que ao sair do banheiro, a minha cara estaria vermelha, e eu não saberia como disfarçar, não na frente.. dele. Chorei por . Chorei por ele. Chorei, pela primeira vez, por me colocar no lugar dele. De ver a amiga dele assim, e não saber o que fazer pra acalmá-la. De fato, não ter a idéia certa dentro do campo de pensamento dele, pra poder me acalmar.
Quando éramos pequenos, aliás, quando éramos nós mesmos antes de eu me apaixonar por ele, quando eu chorava por outros motivos, só o abraço dele já me acalmava... Suas mãos, mesmo aparentando ser pesadas e grandes pra mim, se tornavam gentis e leves ao tocar o meu cabelo e sussurrar pra mim que tudo daria certo. E eu me sentia bem com isso, não importava qual fosse o problema, ele sempre me fazia me sentir bem. E foi aí que eu me choquei com a realidade, e senti medo do que estava por vir: dessa vez não será o toque macio das mãos de , ou nem seu abraço caloroso que vai me acalmar. Não nessas circunstâncias. "Já era hora de sentir medo do seu próprio coração", um pensamento como este correu pela minha mente, me fazendo rir levemente. Até chorando no banheiro da sorveteria do Tio Sam, eu sabia como contornar a situação. Ou pelo menos fingia que sabia, afinal, as piadas irônicas têm de servir pra alguma coisa.
Decidi levantar, abrir a porta do banheiro e encarar a vida. Se não me amasse como eu o amava, bom, eu iria sofrer, mas iria superar, como dizia minha mãe, nada melhor do que um dia após o outro.
Cap 06: They just don't care.
Acho que só podia ter uma coisa ruim em não estar acostumada a chorar tanto: esconder os olhos inchados e o rosto vermelho logo após o choro. Eu fiquei no banheiro durante uns dez minutos pra ter uma aparência levemente boa. Também, lavando o rosto mais de mil vezes, aquilo tinha que funcionar. Sendo a menina prevenida que sou, tirei o pó de arroz da minha mochila (lembrem-se: eu ainda não havia passado em casa pra deixá-la lá), passei rapidamente, sem exacerbar, deixando meu rosto em um melhor estado. Passei o lápis preto de leve, pra não deixar que meus olhos fizessem o par perfeito com meu nariz, ainda (um pouco) vermelho do choro.
"Ok, saia de cabeça erguida, sorria bastante, e não deixe o olhar dentro dos seus olhos, ele percebe de longe quando você chora." Sussurrei pra mim mesma, antes de puxar a porta do banheiro.
Ao me aproximar da mesa, eu percebi que todos os rostos estavam com uma feição de preocupação, por eu ter me retirado da mesa daquele jeito, anteriormente.
Eu simplesmente esbocei um sorriso (o melhor que eu pude, no momento), já sentando à mesa, onde todos relaxaram seus rostos. Porém, eu percebi que um deles, ainda não sorria totalmente, aparentando não acreditar no meu sorriso. Por incrível que pareça, realmente me assustou, pois, quem depois de tanto tempo consegue perceber que eu não estou interamente bem, simplesmente pelos sorrisos que eu dou, ou deixo de dar?
"Tá tudo bem, ?!" perguntou, olhando pra mim curiosamente. Vamos lá, recapitulando as aulas de teatro, um dois três.
"Claro, tá tudo bem, eu só ..." Pensa, pensa, pensa (momento Jimmy Neutron), vamos, alguma coisa que me fizesse sair da mesa daquele jeito e.. AHÁ! "Eu tive a indesejada visita do Tio Chico." Falei, dando de ombros, com o meu inconsciente ainda gritando comigo, dentro da minha mente: "SUA IDIOTA, NÃO TINHA ALGO MELHOR PRA DIZER, NÃO?! ERA MAIS FÁCIL FALAR QUE O JOHNNY DEPP TE LIGOU PRA MARCAR UM ENCONTRO!"
Tá beleza, além de ter uma parte do meu cérebro gritando comigo mesma, eu pude ouvir alguns risinhos sendo contidos, e um coro de "ECA! QUE NOJO!" se instalou na mesa, me fazendo sorrir sem graça, e encarar o guardanapo amassado na minha frente. Não, eu não queria olhar pra ninguém, fingir sem olhar já era difícil o bastante.
"Pelo menos você não está grávida." disse, erguendo suas sobrancelhas num movimento rápido, me fazendo rir debochadamente dele e falar:
"Como se isso pudesse acontecer de alguma forma!" Eu rolei meus olhos ao imaginar-me grávida sem nem mesmo ter pretendentes. Seria cômico se não fosse trágico.
"Quer dizer que aquela noite juntos não significou nada pra você?!" perguntou, obviamente zoando com a minha cara, fingindo estar incrédulo com o que eu disse.
"Mas eu..." Tentei falar, sendo cortada pelo Little .
"Hey, como assim vocês dois juntos?! E quanto à nós, ?! E quanto à nós?!" Ele perguntou, visivelmente fingido, exacerbando em movimentos manuais, apontando pra mim e pra si mesmo rapidamente.
Eu arregalei meus olhos, e dei uma risada desconfortável, puxando fôlego pra falar de novo, quando interviu na história, reclamando também de algo que nunca existiu.
", , nem tentem, ok?! A sabe muito bem à quem escolher, e esse alguém sou eu! A não ser que nosso caso amoroso de anos não signifique nada pra você, amorzinho!" Ele pronunciou outra blasfêmia, me jogando um olhar falso-mortal, o que me fez rir de tudo aquilo.
Olhei para , sentado à cadeira, na minha frente, do outro lado da mesa, apontei pra ele, e disse:
"Vamos, tem algo a falar, também?"
"Viva a visita do Tio Chico!" Ele disse sorrindo, o que fez com que todos na mesa rissem, acabando com aquele teatro onde minha personagem era putona.
"Nunca pensei que a tivesse mudado tanto." disse, enquanto nós cinco caminhávamos para o carro de no estacionamento da sorveteria.
"Eu nunca mudei, eu só não estou igual ao que conhece, não tente me entender" Eu cantarolei uma letra do NxZero famosinha, fazendo uma cara de dor, interpretando a letra. O que fez com que soltasse uma gargalhada alta, já abrindo a porta do carro.
" putona." disse quando já estávamos entrando no carro.
"Repete isso que você nunca mais prova da fruta" disse, sentado-se no banco da frente, junto com dirigindo. Opa, agora que notei, super legal, de um lado, eu no meio, e no canto esquerdo. Putz, que menina de sorte eu sou!
"Eu não sou putona, sou a garota mais puritana que vocês conhecem, agora me respeitem e vão ler o salmo 23!" Eu ordenei com minha alma muito cristã, e todos riram da minha cara. Vacilões, nunca me levam a sério.
deu carona à todos nós; , que não morava muito longe da sorveteria, sendo também caminho pra casa do , ficou pouco tempo na frente. O que fez perguntar à nós três , no banco de trás, quem seria o próximo a sair, o que no caso, seria eu e (morávamos no mesmo condomínio, lembra-se?), e como o mesmo estava na ponta esquerda, ele saiu da parte de trás, e sentou-se na frente com , começando um assunto o qual não pude ouvir, pois interveio na hora com uma pergunta curiosa pra cima de mim.
"Vocês moram no mesmo condomínio?"
"Sim - eu respondi sorrindo levemente –, há dezesseis anos eu o aturo." Terminei minha resposta fazendo uma cara de tortura, e ouvi uma voz no banco da frente me atormentar.
"Eu ouvi isso." disse, fazendo todos no carro rirem.
"A propósito – , a curiosa -, onde você está morando?!" Eu perguntei.
"Eu to morando na Rua Parkinson. [n/a: notem a minha criatividade -.-]" Ele respondeu fazendo uma cara de nerd total.
"Espera aí.. É a Parkinson que..." De novo fui interrompida pela pessoa sentada no banco passageiro da frente.
"Sim, , é a Parkinson, duas ruas depois da rua do condomínio." respondeu antes que eu pudesse concluir minha resolução genial de que a Parkinson "do " era a Parkinson de duas ruas atrás da rua do condomínio.
"Ah, então quando eu não aguentar mais o mundo a minha volta nem as pessoas do condomínio, eu já sei pra onde correr." Eu brinquei, fazendo rir e responder à minha brincadeira.
"Claro, fique à vontade, lá você sempre será muito bem-vinda, porque até hoje, minha mãe fala de você, sendo que te viu umas três vezes no máximo, né?! Na época do acampamento..."
"Verdade! Como é que a tia tá?" Eu perguntei, fazia tempo que não pensava na mãe de . Fazia tempo que eu não pensava nem a menos em !
"Ela está bem, e vai ficar histérica quando eu falar que reencontrei você, ainda mais morando tão perto." Ele respondeu rindo , provavelmente pensando no estado em que a mãe dele se encontraria ao me ver.
"Ah, cara, eu prometo visitá-la em breve, ela sempre, quero dizer, nas prováveis três vezes, foi muito legal comigo." Eu disse sorrindo verdadeiramente.
"Ela vai adorar!" exclamou, ainda sorrindo.
Uma semana havia se passado desde que eu havia ido ao ensaio do McFly. Conseqüentemente uma semana havia se passado desde que eu havia reencontrado . E quase todos os dias depois da aula, McFly e , a intrometida, reuniam-se na casa de , para um ensaio de quatro horas. Depois passavam na pizzaria, que de vez em quando era substituída por algum cachorro quente que tinha perto da casa de , porém, no final do dia, era sempre no Tio Sam que nossa sobremesa era servida, e essa, não era substituída por nada.
e eu nos falávamos cada vez mais, estávamos nos aproximando e descobrindo um no outro uma amizade gigantesca, repleta de tapas, pedalas, piadas e uma confiança em crescimento.
E foi numa dessas famosas e alegres noites, quando eu conversava animadamente com sobre a visita que eu daria à casa dele, (e à mãe dele) que eu mal sabia o que me esperava.
No banco de trás do carro do , estava eu e , no banco da frente, se encontrava (no banco de passageiro) e dirigindo o carro, estava . já havia sido "entregue" à sua casa, e naquele momento, levava eu e o para casa.
Na frente, o dono do carro dirigia cantarolando a música antiga que soava do rádio do carro, que, junto com , mais pareciam um casal apaixonado – a música era romântica – lembrando das antigas lembranças.
"Ah, mas eu me lembro de uns relances da época do acampamento,eu tenho uma memória meio fraca, admito." Dizia pra mim, o que me fez rir.
"Ah, cara, mas foi uma época legal..." Eu dizia lembrando das brincadeiras que nos eram dadas.
"Ah, claro, no final, foi aquela choradeira... Eu fiquei realmente triste porque não ia ter mais notícias de você." Ele comentou, rindo de si mesmo. " Não é que não teríamos notícias de um do outro! Ainda mantemos contato, mas, não era a mesma coisa..." Ele continuou sua fala.
"A gente manteve o contato até quando pode." Dei de ombros.
"É, mas poderíamos ter mantido. Não só eu e você, mas também como com todos os outros." Ele agora mantinha o olhar longe de tudo.
"Eu sei, mas sei lá, às vezes, não dá. Ou às vezes o destino nos prega uma surpresa, como essa!" Eu disse, apontando pro , que sorriu abertamente com o meu comentário.
"É, quem sabe, não é?! Minha mãe talvez estivesse certa em perguntar tanto de você a quatro anos atrás..."
"Como assim?" Eu perguntei.
"Porque de todas as pessoas do acampamento, a única que reencontrei foi você." Ele disse sorrindo.
"Ah, sim... É, você também foi a única pessoa..." Eu disse, pensando alto.
"Naquela época, ela achava que eu gostava de você." Ele disse, olhando pra janela. Eu fiz uma cara de incompreenssão, e ele virou o rosto pra mim, rindo da minha cara e murmurou: "Minha mãe. Ela achava que eu gostava de você...Por isso essa fissura toda!" Ele disse, corando um pouco , enquanto eu estava um tomate vermelhinho de tanta vergonha.
"Ela estava um pouquinho enganada, não ?!" , perguntou na frente, chamando a atenção de mim e de , para ele, e consequentemente, intervindo/interrompendo a nossa conversa. Como assim, ele estava ouvindo nossa conversa? Fofoqueiro.
"Desculpa, eu não entendi." assumiu sua dúvida ao comentário de .
"Não era exatamente na que você estava interessado, não é mesmo?" Ele disse, sorrindo para , que tinha agora os olhos meio surpresos, seguidos de uma careta sem graça. E eu fui esclarecer melhor as coisas.
"Sim, ele sabe da história, que você ficou com a minha amiga." Eu disse sorrindo forçadamente. Já te disse que minhas amigas me dão mais trabalho do que preciso? Pois é, digo novamente.
deu de ombros e comentou:
"Naquela época eu gostava de meninas como trocava minhas cuecas."
"De três em três semanas." , comentou, fazendo com que todo mundo ali risse, quebrando um pouco o gelo.
"Cara, que vacilo, era segredo!" fingiu estar chateado com , o que nos fez rir novamente. "Mas enfim, sim, eu tava ficando com sua amiga, e a minha mãe pensando que eu gostava de você. Eu não era fácil." disse, rindo um pouco de si mesmo. Eu decidi esquecer um pouco daquela época, e comentar sobre as loucuras da minha mãe, seus pensamentos e companhia.
"Que coisa, né?! Mães são assim mesmo, minha mãe pensa.." E lá fui interrompida novamente por .
"Que eu e a namoramos." disse olhando pra sorrindo sarcasticamente. Não entendi o sorriso. Sério mesmo. E eu nem ia comentar sobre a fissura da minha mãe achar que eu e o namorávamos, eu ia dizer que a minha mãe comia tomates porque dizem que faz bem pra próstrata. E minha mãe é FÊMEA!
Percebeu como eu anseava por uma mudança drástica de assunto, não é mesmo? Mas, em resposta ao sorrisinho galanteador-sensual-total de , sorriu de volta pra o mesmo, respondendo.
"É, se a não tivesse me dito anteriormente que está solteira, eu provavelmente teria pensado a mesma coisa que a mãe dela!" afirmou com a cabeça pra , que deu um sorrisinho, aparentemente bonitinho, mas pra quem o conhece há tempos, como eu, diria que naquele sorriso continha um pouco de força pra ser feito, quase sem muita vontade... Meu Deus! Estaria com... Não, não pode ser... Mas... Será? ? Com ciúmes? Não! Impossível! Ele teria ciúmes se meu nome fosse Lis, mas não, sou e... POR QUE ESSE BENDITO SER TÁ COM CIÚMES? Precisava saber disso, isso se realmente ele estivesse com ciúmes...
"Mas ao contrário de mim, está namorando!" Eu disse, sorrindo , de forma triunfante por dentro, tentando, de qualquer maneira, saber o que havia entre ele e Lis.
"Eu estou?" Ele perguntou à mim com os olhos cerrados de dúvida e uma ponta de suspeita pela minha afirmação.
"Ué, você não estava..." Quando eu provavelmente arrancaria alguma coisa, alguém muito esperto interrompe.
"Namorando comigo?" perguntou, fazendo gracinhas. E ali, eu não pude mais continuar com as perguntas incisivas por perder minha coragem... Mas eu sei que sobre isso, iria me perguntar mais cedo ou mais tarde, se eu não respondesse no carro.
"Com quem, ?" perguntou, novamente, com os olhos falsamente brilhantes pra cima de mim, através do retrovisor, o que me fez devolver o olhar sarcástico pra ele.
"Jurava que você estava namorando com a Jessy."Eu enrolei, lembrando do rolo dele mais longo, de quatro meses, que durou o final das aulas mais as férias de verão inteiro.
", eu não cheguei a namorar com ela, ela só foi minha ficante. Sem contar que isso aconteceu no verão passado. Faz uns três meses já." Ele respondeu , fazendo uma cara de "What the fuck?!" pra mim, ainda sim, pelo retrovisor, o que me fez ser cínica, e responder, dando de ombros.
"Ficante por quatro meses?! Uau, que ficada, hein?!" comentou com uma cara de surpreso por considerar quatro meses uma ficada. E ainda me zoou. "E você, como amiga, devia ficar mais atenta ao tempo cronológico!" comentou rindo pra mim.
"Eu devo estar com a cabeça longe mesmo. Acho que pelo fato de ter sido o rolo mais longo que já teve, eu achei que ele gostaria de ter mantido, sei lá, parecia que valia a pena." Eu terminei de falar, olhando pro , ignorando sua piadinha temporal, e até mesmo buscando um certo tipo de apoio.
"Não é? Afinal, algo que dura um bom tempo, deve ser porque vale à pena, não é, ?!" Perguntei, sorridente, o que o fez retribuir o sorriso, e responder à minha "enquete".
"Claro, minhas próprias experiências apoiam sua idéia, ." Ele disse, provavelmente se referindo ao tal namoro de um ano e meio com a bitchana que o traiu. Pobre , deve ter sofrido tanto, deixa que eu te curo! Brincadeira.
"É, mas não foi o que aconteceu com a Jessy, e ponto final." finalizou nossa conversinha graciosamente perigosa, desviando o olhar do meu, olhando pra fora da janela. Olhei para , que, ao me ver olhá-lo, sorriu pra mim. Eu dei de ombros, me referindo à atitude de , e ri junto com .
Não demorou menos do que alguns minutos até nos deixar no condomínio, onde me despedi com os famosos dois beijinhos no rosto do e do , acompanhados de um aceno da minha parte e da parte de , esperando o carro desaparecer da nossa visão, até adentrarmos no condomínio.
Seguimos em silêncio a caminhada (do nosso condomínio de oito blocos) até a minha casa. Ele me deixaria lá em casa, caso minha mãe estivesse enlouquecendo por eu ainda não ter chego em casa às dez e meia da noite. Apesar de estar cedo, e eu ter avisado pra mamãe que chegaria tarde por causa do ensaio do McFly, ela se preocupava com tudo, e apesar dos outros dias eu ter voltado mais cedo, naquele dia eu havia extrapolado um pouquinho demais, contando que no outro dia eu teria aula. Então, pra evitar algo pior, me deixaria em casa, como sempre fez ao longo dos anos. Mas o ar entre nós estava desconfortável, a pouca luz que vinha do poste iluminava a silhueta que era na escuridão da noite com suas mãos no bolso da calça três números maior do que ele. O mesmo seguia cabisbaixo, com seus olhos fixados nas pequenas pedras que seus sapatos teimavam em chutar.
Olhei pra mim mesma, e me vi com um pouco de frio demais, tentando me aquecer com os braços, porém tentar me aquecer era inútil contra meu short jeans preto azulado, e minha blusa roxa de manga curta, sem contar com o ventinho sapeca que insistia em bater contra meu corpo. Mas pelo menos minha roupa estava combinando. Não é? "Dane-se a combinação", pensei comigo mesmo. Do que adianta a moda quando você está com frio?
Meus pensamentos foram interrompidos por duas mãos, cada uma em um ombro meu, depositando um casaco, enorme pra mim, porém aconchegante e quentinho.
"Não precisava, já estamos chegando ao meu bloco." Eu respondi, me sentindo ainda mais desconfortável falando num clima como aquele que tinha se estabelecido entre eu e .
Vi o mesmo dar de ombros, e murmurar as palavras: "Você tava com frio."
"Mesmo assim, obrigada." Eu respondi, sendo monossilabicamente agradecida por ele.
Depois de alguns passos, eu ouvi a voz de ecoar do meu lado, numa simples palavra.
"Desculpe."
Eu não compreendi, olhei pra ele com a dúvida nos meus olhos, e lhe perguntei:
"Desculpas? Pelo o quê?"
Ele me olhou com um meio sorriso, depois voltou seu olhar para os pés, que agora, se encontravam parados, como eu e ele estávamos agora. Parados.
"Por ter sido chato, por me intrometer na conversa entre você e ... Desculpa."
"Ah. Por isso. Hm, desculpa por mencionar sobre Jessy." Eu assumi, pisei na bola, sei lá pelo que eles passaram, mas tocou o coração de o suficiente pra deixar algumas marquinhas, aparentemente.
"Eu meio que pedi por isso." Ele fez uma careta, que me fez rir de leve. "Me desculpa mesmo?" Ele insistiu.
"Ah, tudo bem, mas... - não me contive! – Por que fez isso? Era como se você estivesse dando uma de irmão super-protetor, e eu e só estávamos conversando..."
"Talvez estivesse agindo como um irmão super-protetor mesmo, . Eu não sei o que deu em mim, mas se de alguma forma atrapalhou você e ..."
", do que você tá falando?" Eu perguntei.
"Ora, vamos! Eu não sou tão idiota de não perceber que ele tava te chavecando, ." Ele disse com um meio sorriso no rosto.
"CHAVECANDO? Que termo é esse, ?" Eu ri descontroladamente com aquela expressão ridícula que ele tinha usado. Em que ano ele vivia? Anos 80?
"Pior do que a minha expressão antiquada é você não perceber que o estava te dando mole. A semana inteira!" Ele disse, fazendo uma cara esnobe.
"Ele? Me dando mole? Conta outra, !" Eu respondi, dando um tapa de leve no braço dele.
", ele falou que a mãe dele te amava. Disse coisas doces e meigas – agora fazia caras e bocas ao se referir com 'doces e meigas' -, só faltava falar que tinha um casamento à espera de vocês dois." Ele disse, rolando os olhos.
", o só é educado. Ele é uma pessoa de alto-astral, só isso, e depois de tanto tempo sem vê-lo, nós estávamos colocando o assunto em dia. Só isso." Eu disse, sendo sincera. Sei lá, não achei que estava me dando mole nem nada. Foi aí que me toquei: e se ele estivesse? Mas, e daí se ele estivesse? Por que o agiu daquele jeito?
", acredite, eu sou homem, reconheço a linguagem da minha própria espécie." Ele disse, fazendo cara de galanteador, como se fosse um orgulho entender o que o dizia.
"Tá, digamos que ele estivesse me dando mole. E daí?" Eu perguntei, cruzando os braços, olhando pra ele com uma sobrancelha levantada, dando um toque especial na indagação.
"N-Nada, ué." Ele respondeu rápido demais pra quem não se importava com a situação.
"Tá, então você agiu daquele jeito super estranho.. de graça? Por nada? Vamos, , você consegue uma desculpa melhor que essa." Eu disse dando uma risada chique, quase à lá Paola Bratcho.
Eu olhei pra ele, esperando que a resposta viesse. Ele ainda tinha as mãos no bolso, porém, agora, olhava pra cima, pro céu mergulhado num azul escuro, quase preto, onde as estrelas brilhantes se destacavam na imensidão.
Eu o ouvi respirar fundo, olhar pro chão novamente, com um sorriso forçado no rosto, dizendo as seguintes palavras:
", entenda! Eu lhe tenho como minha melhor amiga, não quero te ver sofrer... Você já sofre mesmo por aquele babaca que não gosta de você como você gosta dele, e outra, não me parece o melhor cara com quem você se pode relacionar."
" – eu balbuciei incrédula –, eu fico agradecida por você se preocupar com o fato de eu não sofrer e tal, mas a dor é inevitável e o sofrimento é opcional. E eu optei por não sofrer por ele. Por mais que isso seja difícil. O garoto de quem gosto, não por . Se ele não gosta de mim como eu gosto dele, azar o dele, tem alguém que possa gostar. E se o for este alguém? Bom, quem sabe ele não mereça uma chance? Você mal o conhece pra dizer se ele é um bom sujeito ou não." Eu respondi, já me chateando com o fato dele mal conhecer o e já o julgar dessa forma.
", o cara te magoou a quatro anos atrás. Ele ficou com uma amiga sua enquanto você estava desamparada com o divórcio dos seus pais, e ainda por cima gostando dele. Por que você acha que vai ser diferente dessa vez?" Ele perguntou olhando sério pra mim, aparentando estar chateado por eu ter defendido anteriormente.
"Olha, sinceramente, eu não estou entendo o porquê desta discussão! Eu nem sei se ele tava me dando mole mesmo! Estamos falando de coisas que possivelmente podem acontecer ou não, compreende?! Mas, se de fato, você esteja certo sobre ele estar interessado em mim, vai ser muito mais diferente, simplesmente pelo fato dele saber dos meus sentimentos, por ele estar interessado em mim, e não em uma amiga minha, e pelo fato de estarmos mais amadurecidos!" Eu respondi, dando ênfase na parte da amiga, e deixando minha mochila no chão, pra observar melhor o que estava querendo dizer com aquilo tudo, que não passava mais do que confusão pra mim!
"Ah! Mas você é ingênua mesmo! E se ele só quiser brincar com você, como vai ser? Pra quem você vai correr quando ele estiver com outra, quem sabe, estiver com uma outra amiga sua, como fez no passado? Quem vai ter que aguentar seus choros, hm? Eu!" Ele disse, já fazendo alguns gestos exagerados com as mãos, parecendo estar verdadeiramente irritado com aquilo.
"Urgh, ! Eu não estou apaixonada por ele, você fala como se eu tivesse amando o ! Se liga, cara, já pensou que talvez, se ele quiser só brincar comigo, que eu também só queira brincar com ele? Eu não sinto absolutamente nada por ele, ainda mais estando apaixonada por outro cara! E, se eu estivesse gostando dele e ele brincasse comigo, é o seu dever como melhor amigo, aguentar meus choros, porque eu aguento os seus!" Terminei de dizer, apontando o dedo pra ele, o que o fez olhar com raiva pra mim. Aquele olhar me assustou de tal maneira que eu fiz forças pra esconder as minhas lágrimas, que agora, já tinham vontade de pular dos meus olhos.
"ELE NÃO PRESTA!" gritou, jogando sua mochila no chão, de raiva.
"A JESSY TAMBÉM NÃO PRESTAVA, E NEM POR ISSO EU A JULGUEI! - minha vez de gritar. – E sabe por quê, ?! Por que eu não a julguei? Porque você estava feliz com ela, porque eu confiei nas suas palavras, quando você disse que ela valia a pena, mas, nem mesmo depois, na festa do Matt, dela ter se demonstrado obviamente infiel a você, nem sequer uma vez eu disse que ela não prestava, por ter respeito à você e confiar na sua palavra!" Na altura do campeonato, estávamos brigando feio, um jogando na cara do outro as próprias mágoas, o que não resultava em nada.
Depois de ter dito as palavras que disse, eu peguei minha mochila, ainda mantendo aquele contato visual aborrecido com , e colocando a mochila nas costas, já não segurando as lágrimas atrás dos meus olhos, eu disse as minhas últimas palavras para ele, pelo menos naquela noite: "Sempre haverá pessoas com a qual você não se dará bem, ou até mesmo não vá com a sua cara, mesmo que você a conheça por uma semana, como é no caso do . Mas essas mesmas pessoas podem ser importantes pra quem é importante pra você." Eu apontei, com a cabeça, para , o que o fez desviar do meu olhar por alguns segundos. Porém, logo voltou para o local de origem, quando eu terminei minha fala, apontando pra ele: "Lembre-se disso quando for julgar alguém novamente."
Sair de lá correndo era algo quase esperado, ou então, seria capaz de escutar meus soluços, o que pra mim já seria mais do que humilhante. Não olhei pra trás, não queria encarar o rosto dele, não naquele momento. Ao chegar em casa, ainda aguentaria mais.
"Cheguei, mãe." Eu disse, colocando a chave em cima da escrivaninha, e fechando a porta.
"Onde é que você estava?" Ela me perguntou com aquela voz já áspera pra cima de mim.
"Eu estava no ensaio da banda do ." Eu respondi, monossilábica, tirando meu tênis.
"E o ensaio durou a tarde toda?" Ela perguntou, com raiva.
"Durou. Eu saí do colégio, fui direto pra casa do , passei quatro horas vendo os meninos ensaiarem, depois todos nós fomos pra Domino's e de lá, fomos pra sorveteria do Tio Sam, voltamos agora, e cá estou, sã e salva."
"Você deveria ter me ligado pra dizer que não chegaria tão cedo!" Ela começou a alterar sua voz. Ah, eu não estava bem mesmo. Então, não me segurei quando olhei ela nos olhos, quando ela pôde ver as minhas lágrimas, e se assustou um pouco com a minha feição.
"Mãe! - eu disse, sorrindo sarcasticamente. - Obviamente essas lágrimas indicam que eu não estou bem, então serei breve! Eu lhe avisei ontem que iria pro ensaio do , lhe avisei hoje de manhã, deixei um bilhete em cima da mesa dizendo que não chegaria cedo, ou seja, NÃO HÁ MOTIVOS PRA VOCÊ BRIGAR COMIGO, OK?! Se você está com seus problemas e se esqueceu de que eu não chegaria tão cedo hoje, já não é minha culpa, eu avisei, não? Eu sinto muito se cheguei mais tarde do que imaginava, não era minha intenção te preocupar, mas agora, eu não to muito bem, então, eu vo pro banheiro tomar meu banho, vestir meu pijama e dormir, ok?"
"Hum." Foi tudo o que ela disse, ainda chocada por eu estar chorando.
Digamos assim, eu não sou muito de chorar na frente dos outros, de fato, não sou muito de chegar em casa chorando, e acho que foi isso que a assustou a ponto de ficar tranquila depois do que eu disse pra ela. Se ela não estivesse chocada, me daria um esporro total, tenho certeza! Mas, como eu já tinha brigado com o meu melhor amigo, mal ligava pro que estava acontecendo à minha volta.
Nunca briguei tão feio com ele, de gritar e trocar olhares ofensivos daquele jeito. É claro, sempre tiveram aquelas típicas briguinhas, mas nunca uma que eu tivesse que gritar na cara dele... Isso me deprimia.
Enquanto a água no chuveiro caía sobre minha cabeça, a minha testa estava encostada na parede, enquanto eu só conseguia pensar nas palavras de ecoando na minha mente, lembrando também das palavras que eu disse à ele, ecoando mais forte do que as dele. Eu fui muito grossa? Deveria eu ter compreendido que por trás daquela briga, só se encontrava um preocupado comigo, querendo que eu não sofra mais? E o ? O que poderia dizer sobre ele? Ele realmente estava me dando mole? E se estivesse, eu deveria retribuir? Mas eu gosto do ... sendo que o mesmo parece estar de graça com a minha amiga, então, porque não me envolver com o ? Já que sentimentos não podem estar envolvidos, o que faria mal estar com ?
Todo esse interrogatório estava me deixando enjoada, então, decidi terminar meu banho. Vesti meu pijama, e logo estava debaixo dos cobertores da minha cama. Ouvindo meu mp3, a música do The Red Jumpsuit Apparatus ecoava nos meus ouvidos, ao som de "Cat and Mouse", e a única parte que fazia mais sentido para a mim, era o refrão.
"Am I supposed to be happy?
(Eu deveria ser feliz?)
All I ever wanted it comes with a price
(Tudo que eu sempre quis vem com um preço)
Am I supposed to be happy?
(Eu deveria ser feliz?)
All I ever wanted it comes with a price
(Tudo que eu sempre quis vem com um preço)
You said, you said that you would die for me
(Você disse, você disse que morreria por mim)"
Ao olhar pras minhas roupas jogadas, eu pude perceber o casaco de jogado em cima da minha cadeira do computador. Eu não aguentei, e persisti a chorar, mesmo depois de ter achado que o banho ajudaria em algo. Engano meu... E, ouvindo aquela música de novo, e de novo, eu adormeci, tendo a noção de que os próximos dias seguintes seriam duros. Muito duros.
Cap. 07: “We all look like we feel”.
Acordei com uma dor de cabeça maldita! Ah, por que, Deus, por que existe dor de cabeça? Só pra complicar a minha vida e me sentir pior em relação a minha briga com o . Só pode!
"Filhinha..." Minha mãe me mexia devagar e levemente, o que foi uma surpresa pra mim, já que já estou acostumada a levantar aos berros com ela!
"Mãe?!" Perguntei, confusa pela maneira como ela me acordou.
"Oi, meu amor." Minha mãe sussurrou, com um leve sorriso nos lábios. Ok, definitivamente ela tomou seu remédio hoje. Ou está saindo com Johnny Depp e ainda não me contou, porque eu provavelmente iria ficar muito fula da vida. Sério mesmo!
"Bom dia, mãe." Eu decidi me sentar na cama, e me espreguicei, até olhar para o relógio e ver que horas eram. "MÃE, SÃO OITO E MEIA! POR QUE VOCÊ NÃO ME ACORDOU?!" Eu exclamei, descabelada, tentando inutilmente levantar da cama, pra ver se ainda conseguia pegar o segundo tempo na escola.
"Negativo, mocinha. Hoje você fica em casa." Minha mãe me disse, me colocando na cama novamente. Tá, essa eu não entendi.
"Mãe. Me fala a verdade: você tá saindo com o Johnny, não está?" Eu estava pronta pro pior.
"Johnny?!" Ela perguntou, confusa.
"Johnny Depp, mãe. O amor da minha vida." Eu comentei, incrédula por ela não saber de cara de que Johnny eu estava me referindo.
"Ah, sim. Quero dizer, não, filha, nem que eu quisesse. É meio impossível, sabe? Questões sociais, culturais e de patamar!"
Tá. Me lembrem disso um dia: é um pouco mais difícil ter um caso com alguém famoso, por mais que você goste muito dele. Devidamente anotado mentalmente. Hm...
"Tá, então... Você teve um aumento no salário!" Eu perguntei. Ela estava estranhamente feliz.
"Bem que eu queria, mas... Não." Ela disse, ainda sorrindo.
"Tá grávida?!" Eu perguntei ficando sem suspeitas pra aquele estado em que minha mãe se encontrava.
"Por Deus, menina ! Um filho agora e você ficaria muito mais do que sem sua mesada! Iria ter que dividir muita coisa!" Mamãe exclamou. Tá, essa é a minha verdadeira mãe. Ufa, achei que a tinha perdido pro lado rosa da força.
"Tá, desisto. Por que você não me acordou aos berros pra eu ir pra escola? Por que você está estranhamente feliz? E, por Deus, por que você está toda carinhosa comigo? Eu não tenho dinheiro, já aviso logo!" Eu disse, me prevenindo para pior.
"Não quero seu dinheiro, se quisesse, eu mesmo cortava sua mesada, mocinha !" Minha mãe disse, se sentindo minha madrasta e eu, a gata borralheira.
"Então, me diz, o que que houve?!" Eu perguntei, já não me agüentando de curiosidade.
"Bom, filha – minha mãe pegou na minha mão –, eu admito que não tenho sido a mais compreensiva das pessoas com você. A adolescência é uma fase muito, muito difícil, tecnicamente, é a transição da fase infantil pra adulta, como você sabe. Mas há uma diferença muito grande entre você saber disso... E você passar por isso. Eu passei, e lembro que minha mãe não foi lá muito compreensiva... E eu não quero que a história se repita com você, filha. Por mais que você tenha sido grossa comigo ontem, mocinha!" Ela terminou de falar me dando uma leve bronca, como de costume.
"Ah, mãe, eu... " Eu tentava dizer alguma coisa sensata, porque minha mãe finalmente estava sendo compreensiva comigo. Que orgulho! "Eu sinto muito por ter sido grossa com você, mas... não era minha intenção. E eu não estava muito bem ontem, então, eu meio que acabei descontando em você. Me desculpa?!" Eu perguntei, realmente me sentindo mal por ter sido grossa com ela.
"Não, filha. Eu é que gostaria de lhe pedir perdão, pois eu..." E eu a interrompi com um abraço.
"Mãe, estamos quites, ok? Tá tudo bem agora."
"Entre nós sim. Mas com você... " Ela colocava uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. "Acho que não. Você não parece bem. O que houve?" Ela perguntou, parecendo estar realmente preocupada comigo.
Como se essa pergunta fosse um botão que minha mãe apertou pra que a resposta desejada fosse dita, eu contei tudo pra ela. Bem, não tudo, quer dizer, não falei que gostava do , e, sim, falei da chegada de em diante. Até a briga que tive com .
"Eu vejo o todo o dia agora, durante a hora da escola, até à noite, quando o McFly, depois de ensaiar, come na Domino's, ou no cachorro-quente perto da casa do , e depois, vamos ao Tio Sam."
"A sorveteria." Mamãe disse.
"Sim. E, por mais estranho que pareça, eu não sinto que o esteja me dando mole, o que o afirma que ele esteja fazendo. Eu acho que entre eu e o só está desenvolvendo uma amizade gigante. Acho que só. Mas, mesmo que o esteja com outras intenções comigo, o que o tem a ver com isso, sabe? Eu não compreendo, é como se ele estivesse..."
"Com ciúmes." Mamãe terminou a frase pra mim.
"É! E isso é estranho, sabe? Porque, sei lá, o é um amor de pessoa, sabe? Ele é uma pessoa super legal, bonito, gente fina e tal... Não há motivos pra ele estar com ciúmes." Eu disse, tomando um gole do copo d'água que estava na minha cabeceira, e lixando minha unha mentalmente.
"A não ser que o esteja apaixonado por você." Mamãe disse naturalmente.
Eu juro. Eu juro que essa não era a minha intenção. Mas eu cuspi toda água que estava em minha boca. A minha sorte é que, eu mirei pro lado, molhando o chão do meu quarto. Bom, antes o chão do que a cara da minha mãe. Imagina, ela lá me ajudando na moral, querendo o meu bem, e quando ela aparentemente acha a solução – ou o motivo – para que esteja agindo daquela forma estranha, e eu simplesmente, cuspo na cara dela. Água. Seria o ponto alto do meu dia e a minha iria virar um Belzebu e ia comer meu c...
"Filha, você tá bem?!" Minha mãe perguntou, interrompendo meu tormento mental.
"To bem. " Eu disse, ainda tossindo um pouco, engasgada com a água que eu quase engoli. "Mas, mãe... Sério, o ... apaixonado... por mim? Eu não acho e..."
"Por que não?" Mamãe perguntou, parecendo ser a dona da verdade. "Me dê uma única boa razão pra que ele não esteja apaixonado por você?!"
E aí foi que eu parei pra pensar. É, vamos lá, vamos ser realistas: eu não era nenhuma tribufu, eu era, ou melhor, eu sou bonita! Sou inteligente (na maioria das vezes), tenho um bom gosto musical, e sou a melhor amiga dele!
Realmente, o que eu não tenho pra que ele se apaixone por mim? Ah, é mesmo! Eu lembrei-me agora: eu não sou a Elise. Eu não me chamo Elise, e por mais que eu seja uma boa garota pro , não é a mim que ele quer. Não é pra mim que ele lança olhares de como se me quisesse, não é pra mim que ele sorri de um jeito especial. Enfim... Não é a mim que ele quer. Porque se quisesse, eu com certeza já teria percebido. E não é só pelo fato de conhecê-lo há dezesseis anos, e, sim, porque eu, acidentalmente, me apaixonei por ele, e toda garota em sã consciência apaixonada, repara em tudo o que o menino faz. Pelo menos repara o suficiente pra saber se ele também sente o mesmo por você. É, essa conversa com a minha mãe estava indo bem até que eu deprimi com a minha conclusão.
"Mãe, " eu disse, olhando pra baixo, "eu não sou a garota por quem o está apaixonado. só está agindo como se fosse um irmão. Só isso. Sendo super protetor."
"Pode ser, " minha mãe deu de ombros, "ou pode ser que ele realmente goste de você, e você simplesmente não quer ver isso. Ou não consegue. Agora, os motivos pra não ver, isso eu não sei."
"Mãe, " eu disse, respirando fundo. Aquilo não estava fácil, "eu tenho quase certeza de que ele não gosta de mim nem nada disso. Não dessa forma. Ele gosta da Lis. Elise, sabe? Aquela menina que mora aqui no condomínio?" Eu perguntei, ansiando que aquele assunto terminasse e mamãe se desse por convencida.
"Ah, sim, conheço. Boa menina. Mas você é melhor." Minha mãe disse sorrindo. Ah, mães...
"Obrigada, mãe, " eu disse, rindo, "mas ela é uma garota legal pro . Ele merece ser feliz, sabe? Se ele realmente gostar dela, e ela dele, eu espero que eles sejam felizes, sabe?" Eu disse, dando um pequeno sorriso.
"Olha, " minha mãe disse, fazendo sinal positivo com a cabeça, "pra alguém da sua idade pensar desta maneira... É realmente de dar orgulho!" Ela disse sorrindo.
"Obrigada, mãe." Eu disse, devolvendo o sorriso. Mas mamãe não tinha terminado sua frase. "Principalmente quando você gosta do da maneira que gosta." Ela disse, me olhando de um jeito suspeito. E eu perdi meu fôlego.
Era isso.
Minha mãe sabia que eu gostava do .
Um arrepio de medo desceu pela minha espinha.
Ou era aquela pizza que estava fazendo efeito em forma de gases.
"Mãe," eu disse rindo nervosamente, "eu gosto muito do . Qualquer pessoa que goste da pessoa com quem convive vai querer o bem e a felicidade da mesma, não acha?" Eu perguntei, tentando desconversar.
"Sim, acho e concordo com você. E ainda acrescento: é mais belo ainda ver que você mesmo estando apaixonada por ele, ainda quer que ele seja feliz. Mesmo que não seja ao seu lado."
Ok, dez a zero pra minha mãe, e QUEM FOI QUE DISSE PRA ELA? HEIN? Tá, beleza. Não tem problema dela saber, contanto que ela não dê de maneira nenhuma com a língua nos dentes, tá tudo certo. Mas mesmo assim, eu não sou uma pessoa que tem os segredos descobertos tão facilmente!
Ai, ai, ai... Meu atestado de óbito está pronto? Ok, causa da morte: derrame emocional.
"Apa... " Eu nem conseguia mencionar a palavra direito. "Apaixo... APAIXONADA?" Eu olhei com cara de pavão [n/a: como é a cara de um pavão o.o ?] pra minha mãe, que simplesmente riu da minha cara, e se explicou.
Pois bem, a situação explicada pela minha querida mamis era que: mamãe sabia que eu gostava de . Quer dizer, ela sabia que eu gostava do DAQUELE JEITO, o que me deixava levemente (lê-se, totalmente) sem graça com a situação. Tá, eu sou uma filha desnaturada que se sente ameaçada quando a mãe sabe que eu gosto do meu-desde-sempre-melhor-amigo. Mesmo sabendo que minha mãe não faria nada do que pudesse me prejudicar, eu não gosto mesmo da idéia de que uma pessoa além de mim sabendo dos meus sentimentos pelo . Oh, shit, diria a Fergie.
"Mas, mãe, " eu intervi, "você tem que me prometer, eu disse PROMETER, mãe! Prometer, to promess, prometame, pro..."
"Eu compreendi que é o verbo prometer o qual você se refere, filha." Minha mãe disse, rolando os olhos pra mim, provavelmente já sabendo do que pediria.
"Me prometa. " Eu disse, segurando fortemente as mãos dela, e a olhando seriamente. "Me prometa que esse segredo não escapa daqui. Você não sabe o quanto eu tenho lutado pra que esse segredo não saia simplesmente na forma de palavras pela minha própria boca. Então, você não sabe de nada, pra ninguém, certo? Ninguém, mãe. Sem exceções!" Eu disse, temendo pela vida.
"Filhinha, " minha mãe disse sorrindo. Ah, droga, odeio isso, por mais que ela seja simpática, ainda parece que não leva a sério meus pedidos. "Eu prometo, pelo ar que entra e sai dos meus pulmões, que este segredo vai ficar apenas comigo até quando você disser que eu possa explanar para a Globo News e Cia, ok?"
O que eu podia fazer além de acreditar e confiar nela?! Simplesmente me foquei no fato em que mamãe realmente é alguém que posso confiar. Afinal, é uma das únicas pessoas que morreria por mim. Pelo menos é a maioria das coisas inexplicáveis porém heróicas entre o vínculo materno. E esquecer de que mamãe não era a melhor das confidentes, mas... Bem, ela era minha mãe, certo? CERTO? Ai, Deus.
Minha mãe me deu um beijo na testa, logo depois de ter me explicado que não tinha me chamado pra ir pra escola por que... Bem, porque ela viu o estado em que eu tinha chegado em nossa casa na noite anterior, e, como ela juntou as peças e etc, de alguma forma, descobriu que tinha a ver com o . Segundo ela, ela o viu andar muito devagar hoje de manhã pra quem não queria se atrasar pra aula. Tá, ele devia estar esperando por mim, eu presumi - minha mãe tinha certeza. Mas isso não significa nada. Ele poderia muito bem estar querendo o casaco dele de volta. Maldito capitalista por quem eu me apaixonei!
Resumindo: mamis me deu o dia livre. Sem ensaios pra assistir, sem aulas a freqüentar, sem caminhadas pra casa com o melhor amigo pra se fazer. Ela me deu o dia livre pra que eu refletisse sobre tudo, porque, obviamente, a teoria dela de que eu estava muito confusa com tudo só se concretizou depois de eu falar tudo pra ela - desde as perguntas que me rodeavam e todas as coisas que o me disse. Quanto mais eu procurava por respostas, mais perguntas me apareciam. Sabe... Não é justo!
Tentando seguir os conselhos da minha mãe, que eu precisava, hm, como ela disse? Ah, sim, "espairecer" é a palavra. Rebuscado, não?! Achei chique. Mas enfim, "espairecendo" totalmente minha querida vidinha, eu, pra começar o dia, tomei um banho quente e demorado, pra ver se tentava, temporariamente, esquecer de tudo. Depois, como mamãe teve que trabalhar, eu decidi que era hora de resgatar meus antigos não-tão-antigos CD's, e acabei colocando Fall Out Boy. RA-PAZ! Fazia tempo que eu não escutava!
Algum espírito malvado dono de casa tomou conta de mim, que eu decidi mudar algumas coisas no meu quarto. Sabe, a posição da cama, e tal. Feng Shui, tenho certeza que o espírito tinha um toque de Feng Shui. Pra você ver como eu estava decidida a tentar esquecer aquele assunto. Do , eu quero dizer. Pelo menos no dia, né?
Depois de escolher decididamente que a cama ficaria meio colada do lado esquerdo da parede do meu quarto, ao lado dos pôsteres do Blink 182, do Silverchair e etc, eu percebi que tinha feito um bom trabalho. Fisicamente, pelo quarto, e mentalmente, por mim mesma, pois fiquei exatamente duas horas sem nem ao menos pestanejar sobre o assunto que envolvia eu e . E . Isso é, se realmente estivesse envolvido. Se estivesse certo. Ok, isto é confuso, portanto, parti em direção pra cozinha, já que já passava da uma da tarde, e eu tinha que ter meu rango.
Quando o microondas avisou que a lasanha quatro queijos – babei totalmente – estava pronta, a campainha tocou. Da casa me refiro, pois a do microondas já havia tocado.
E foi nesse momento que meu coração disparou. E se fosse ? E se ele quisesse conversar? E se ele ainda estivesse chateado pelas coisas que eu disse? E se ele quisesse se desculpar pela briga? E se ele quisesse me culpar pela briga? E se isso tudo fosse um engano, e ele só quisesse a porcaria do casaco dele? E se...
Meus pensamentos foram interrompidos pela campainha tocando pela segunda vez. Fall Out Boy ainda estava tocando alto, então eu baixei, mas ainda dava pra escutar os acordes de "Seven Minutes To Heaven", quando eu abri a porta, me surpreendo quem estava diante de mim.
Não era o atrás do seu casaco ou quaisquer assuntos que ele quisesse tratar comigo. Porque não era o na porta. E sim o . Ok, isso me surpreendeu, admito, mas logo, meus pensamentos foram interrompidos pelo sorriso avassalador e a voz penetrante de .
"! " Ele exclamou , parecendo feliz em me ver. "Menina, por que você faltou à aula hoje? Senti sua falta!" Ele parecia bem sincero, e, admito, gostei disso! Gostei de pelo menos alguém se preocupar, sentir minha falta. Mesmo que estivesse certo se só quisesse brincar comigo.
"Ah, , coisas aconteceram e... " Eu me vi sendo mal educada, conversando com um amigo que veio me visitar direto da saída da escola, e eu o deixo na porta? "AI, MEU DEUS! Putz, eu preciso urgentemente de aulas de bons modos, desculpa, ! Entra, por favor, eu... AI, MINHA LASANHA! Entra e fecha a porta, por favor!" Eu disse, correndo pra cozinha - escutando uma risada abafada de , o que me fez sorrir - indo tirar a lasanha do microondas, pra não deixar ficar no microondas. Eu lembrei que limpei aquilo tudo com tanto zelo há... um mês. Vai que a lasanha explode e suja tudo? Sim, eu sou neurótica!
"Prontinho!" Eu exclamei, colocando a lasanha numa travessinha e colocando em cima da mesa, na sala, enquanto me olhava curiosamente.
", " ele parecia assustado, "você sabe cozinhar?!" Ele perguntou, parecendo realmente assustado com a minha pseudo capacidade de cozinhar. Eu podia mentir e enaltecer o meu eu, não podia? Mas não o fiz, respondendo a , enquanto pegava os talheres:
"Não muito, a lasanha estava congelada, daí eu esquentei no microondas. " Eu disse sorrindo pra . "Quer se juntar a mim?" Eu perguntei, apontando pra lasanha. sorriu abertamente e disse:
"Prometo que não vou ser o monstro esfomeado que você costuma ver na Domino's!"
"Claro, claro, agora me ajuda com os pratos e o refrigerante!" Eu disse, indo pra cozinha e sendo seguida por .
Sentados à mesa, me falou como as aulas foram um saco, como de costume, e como ele estava entediado sem a minha presença pra fofocar sobre o povo da escola. Bom, digamos assim que, por mais que eu não me envolvesse muito com o povo da escola, não quer dizer que eu não fale deles.
Estávamos conversando sobre os ensaios do McFly – e como o iria chegar atrasado ao tal ensaio, mas o mesmo disse que valia a pena, pois a lasanha estava realmente boa – e eu estava tomando o último gole de guaraná do meu copinho, quando perguntou:
"Ok, agora me diga o verdadeiro motivo de você ter faltado à escola hoje." Ele disse, realmente interessado. Eu quase fui capaz de cuspir o guaraná na cara do pobre coitado, mas fiz uma força sobrenatural pra engolir aquele líquido gaseificado e pensar em uma boa resposta que não fosse a verdade.
"Já não disse, ? Minha mãe esqueceu do despertador, e eu acabei dormindo demais." Eu disse, ainda sob o efeito do gás do refrigerante, sendo até um pouco difícil de respirar sem deixar os olhos encherem de lágrimas.
"E eu não acredito em você." Ele disse, sorrindo.
"Por quê? Já disse, eu dormi demais, homem!" Eu disse, mexendo o garfo no prato vazio.
pegou o garfo da minha mão, puxou meu pulso, fazendo com que eu o olhasse surpresa, e, calmamente, ele disse:
", não minta pra mim. O que houve? Eu sei que algo aconteceu." Ele disse, ainda olhando diretamente nos meus olhos, o que me fez corar por dentro. Baixei meus olhos na altura do prato, largou meu pulso, mas, ainda assim, olhava pra mim seriamente.
Eu demorei um longo período pra me lembrar apenas de respirar. Depois de respirar fundo o suficiente pra manter a calma, ainda olhando para o prato, eu perguntei a ele:
"Como você tem tanta certeza ?!" Ele riu, e explicou como se fosse a coisa mais simples do mundo.
"Vamos, você é do tipo de pessoa que pode ser diferente e etc, mas é uma boa aluna. O máximo que você é capaz, é de faltar o primeiro tempo de aula. E, além disso... " Ele disse, com seu sorriso subitamente desmanchando dos lábios. "Eu percebi como o estava. Hoje, no caso. Ele estava quieto demais, silencioso demais, desligado demais. Eu não sabia por que, mas quando perguntei sobre você a ele, ele automaticamente tratou de tentar se explicar, gaguejando mais do que o Jar Jar Binks, do Star Wars. Sério, eu sabia, naquele momento, que o motivo pra ele estar tão avoado hoje... era você. E, tentei juntar algumas coisas, mas não consegui. Você não foi à aula, e foi, mas parecia que era só o corpo dele que estava lá. Ou vocês brigaram, ou alguém da família de alguém morreu. O que, obviamente, eu torço pra ser a primeira opção." disse, ansiando por um alívio, que logo lhe foi concedido.
", " eu disse rindo, "eu e o ... Nós brigamos, mas fique tranqüilo, ninguém das nossas famílias morreu!" Eu exclamei rindo do pensamento dramático do que, em resposta, deu de ombros.
"Vai entender vocês dois... Eu só conheço o há uma semana. E você... Bem, eu venho conhecendo a madura há uma semana também. Pessoas mudam."
"Algumas coisas nunca mudam, ." Eu disse, voando mentalmente, na briga que tive com o ontem.
", " ele disse, olhando pra mim sério, "eu não quero saber porque você e ele brigaram. Não é do meu dever saber das brigas entre você e o . Mas eu não posso evitar ficar preocupado quando isso afeta de uma maneira meio... digamos assim, intensa, na sua vida, de modo que faça você infeliz, entende? Eu posso ter te reencontrado há pouco tempo, mas você ainda é minha pequena." Ele disse, com um sorriso no canto do rosto, o que me fez automaticamente sorrir também.
"Obrigada, , " eu disse, realmente agradecida por ele se preocupar, "mas eu não quero falar muito da briga, nem o motivo, nem nada que tenha a ver comigo e o sobre ontem à noite. Mas o básico é que... Eu nunca tinha brigado com o a ponto de dar gritos com ele, sabe?" Eu disse, fazendo uma careta de dor, o qual respondeu com um aceno com a cabeça, dizendo por isso, que eu prosseguisse com o assunto. Ou o resumo dele. "Isso meio que me deprimiu, porque eu e ele sempre fomos muito unidos. E muito sinceros um com o outro, sem ter necessidade de gritar, nem brigar tão feio quanto ontem. Eu cheguei aos prantos em casa, minha mãe até ia me dar um bronca por voltar tarde do ensaio do McFly, mas quando me viu naquele estado, ficou simplesmente... pasma. Daí, " eu disse, mexendo no cabelo, desconfortável por falar sobre a briga de ontem (que tinha como motivo, o ) com o , "eu tava tentando esquecer... E chegou hoje de manhã, minha mãe não me acordou, eu conversei com ela e etc... E ela disse que não tinha me acordado, pra eu ter um tempo só pra mim, compreende?" Eu terminei minha fala, fazendo uma careta.
"E eu vim interromper com a minha curiosidade idiota." bateu na própria testa. "Desculpa, ." Ele disse, se desculpando. Eu ri novamente.
"Não, ... Você, de certa forma, foi meu psicólogo, eu desabafei pelo menos uma parte de tudo. Obrigada." Eu disse sorrindo pra ele, que me devolveu o sorriso. É, ele estava subindo no meu conceito. O sorriso, não o . Brincadeira.
Depois de termos almoçado, e lavado a louça (diga-se de passagem, lavado também a cozinha toda, porque ficou naquela brincadeirinha do 'Ahá, te taquei água, ma OE, Sílvio' que acabou me molhando toda, o desgraçado só teve o cabelo molhado), sentou-se ao sofá – me fazendo sentar também – foi até sua mochila e me entregou seu fichário. E eu fiquei olhando com cara de "Não obrigada, eu já tenho o meu", e, como ele percebeu a confusão em meus olhos, ele soltou o ar de seus pulmões mais alto do que o necessário, o que fez com que o tal ar viesse facilmente "tocar" meu rosto docemente.
Estava numa temperatura estável. Nem quente, nem frio. O ar, me refiro. Aquilo me fez corar, pois eu estava reparando na temperatura que o ar saído dos pulmões de estavam. Uau, eu preciso, preciso rapidamente aprender a lhe dar com essas situações, e me focar nos fatos, e não ter viagens mentais como a de reparar na temperatura do ar que sai dos pulmões de . Preciso mesmo.
", " ele disse, abrindo o fichário pra mim, "aqui estão as matérias de hoje. E os deveres de casa anotados também. Trouxe-os pra você, pra que não ficasse boiando nas aulas quando os professores falassem da matéria nova." Ele disse, sorrindo. Novidade, não?
"Uau. " Eu disse, pegando o fichário do colo dele, dando uma olhada nas matérias. "Que menino aplicado, matéria copiada, dever de casa anotado... É... " Eu disse, acenando positivamente com a cabeça, fazendo cara de gênia. "Se continuar assim, você passa de ano!" Eu terminei, rindo de mim mesma, com também rindo, logo antes de dizer:
"Não, não, copiar a matéria e anotar dever de casa não é sinônimo de passar de ano letivo." Ele fez uma cara de dor, e eu perguntei com a mesma cara:
"Química?"
"Física. Que coisa chata, cara! Pra que eu vou querer saber se um cara chega na frente do outro com a fórmula maldita lá que o professor explica, se eu posso saber quem vai chegar na frente, simplesmente observando acontecer?" Ele disse, fazendo uma cara de tédio, que me fez rir.
"Não, " eu disse, ponderando nas palavras, "o que realmente é chato é química, chuchu!" Eu exclamei, lembrando da minha última prova, e de sua nota nada agradável. "Entalpia das reações exotérmicas e endotérmicas. PRA QUE DIABOS EU PRECISO DISSO?" Eu quase explodi de raiva. Realmente odiava química, ainda mais com a professora que não sabia explicar. "É muito mais fácil fazer sucesso no teatro, ou viver na aba do McFly quando vocês fizerem sucesso! É vida e aposentadoria garantida!" Eu terminei, piscando pra e me sentindo totalmente pilantra sobre o plano de vida de viver na aba do McFly. fez uma cara fingida de como estivesse indignado, e logo disse pra mim:
"Quer dizer que você vai viver aos nossos custos?" Ele perguntou, ainda "indignado".
"É!" Eu disse, fazendo uma cara estilo 'sou Renata, a ingrata'. [n/a: Desculpa ae às Renatas xD]
"Ah, então, já que você vai viver na nossa aba, " ele disse, pegando o fichário dele de volta e fechando-o, "você não vai precisar passar de ano, vai? Da próxima vez quando você faltar eu nem copio. Viu? Fui tentar ser legal, copiar e entregar pra você não ficar que nem barata tonta, e olha o que eu ganho?! Uma parasita, vivendo sob o que eu ganharei como rockstar. Francamente, , nunca pensei que..." E eu o interrompi , colocando a mão na boca e rindo demais das coisas que ele dizia.
"Chega, de drama, ! Me dá logo esse fichário que eu copio, seu bobo!" Eu disse pegando o fichário dele com a mão esquerda, enquanto a direita ainda estava na boca dele. "Se você sofreu tanto pra copiar pra que eu não ficasse sem matéria, eu copio e não vivo sob a aba do McFly, ok?"
"MmmummHmmm." Ele tentou dizer. E eu boiei totalmente.
"O que você disse? Desculpa, , eu não consigo ouvi-lo. Fale mais alto." Eu perguntei, ainda com a mão na boca dele, claro, zoando com a cara dele, enquanto o mesmo cruzava os braços, entediado pela brincadeirinha "sem-graça" – pelo menos pra ele – que eu estava fazendo.
"MummummMmmHmm!" Ele disse, ou pelo menos tentou de novo, mas parecia estar de saco cheio daquilo, então, ainda rindo, eu tirei a mão da boca dele. "Muito, muito engraçado, ." Ele estava com uma tremenda cara de tédio, e, vendo isso, eu apertei as bochechas dele, ainda rindo, e disse:
"Ah, Little , não fique assim, a tia estava brincando com você."
"Sem graça." Ele disse, fechando a mochila dele.
"Se você estivesse realmente incomodado com a brincadeira, teria utilizado seu braço e tirado minha mão da sua boca." Eu respondi, tentando parecer triunfante.
"Ou eu só estava esperando você perceber o quão infantil a brincadeira era, porque eu acredito que seu QI seja maior do que uma criança de cinco anos. Estava enganado." Ele disse, rindo debochadamente de mim, enquanto eu dava um pequeno soco no braço dele, que gemeu em resposta. "Bruta !" Ele disse, fazendo bico e massageando o lugar onde meu punho havia atingido-o. Eu ri novamente sobre o comentário dele, e disse numa voz infantil:
"Desculpa, tio, mas crianças de cinco anos não tem noção de brincadeiras ." A-há, eu sou foda, um a zero pra mim!
Depois que eu disse isso, olhou pra mim com uma cara, um tanto... pervertida. E assumiu, rindo:
"Não, . Você não é uma criança de cinco anos. É isso que quer ouvir ?"
O que eu pude fazer além de corar? Quer dizer, o cara deu uma sacada legal em mim! E ainda estávamos sozinhos na minha casa! Oh, my God, eu preciso despachar o daqui. Imagina se alguém vê e pensa coisa errada?
"Muito feliz em ouvir, xeneo." Eu disse, com uma voz enjoada, que o fez rir, e já levantando ele disse:
"É, muito bom estar aqui com você, , e saber que você está bem, MAS... " Ele disse, já levantando e se encaminhando pra porta. "Eu tenho um ensaio a fazer. Você vai passar lá mais tarde, não vai?" Ele perguntou, esperançoso, acompanhando com o olhar, eu me levantar do sofá e seguir para a porta.
"Hm... É. Hm... Não, ." Eu falei, deixando um olhar triste pairar no chão, olhando para os meus pés descalços. Eu preciso aprender a andar de chinelo pela casa. Acho que sou natureba demais. Ou simplesmente sou sem educação. Ou eu penso demais nesses pequenos detalhes que não tem muita importância. Acertei o pensamento dessa vez? É, acho que sim.
"Ah, vamos, . Você já está de cabeça fria, o também... Eu tenho certeza que ambos estão arrependidos do que disseram... Ou apenas tristes por brigarem tão feio pela primeira vez. Você está chateada com ele?" Ele perguntou, segurando minha mão. Notei que, naquele dia, tinha segurado minha mão umas três vezes. E admito, pra uma pessoa que não ganha nem dá muito carinho, eu me senti bem tendo minha mão segurada pela mão de .
"Não. Sim. Bem, eu... eu não sei, , sério... Ainda está cedo pra estar num mesmo ambiente que o . Deixe as coisas esfriarem um pouco mais, daí eu decido quando eu apareço por lá."
"Mas, , " disse, ainda segurando minha mão, "você vai estar no mesmo ambiente com o , na escola. Evitar não é muito bom."
"Nesse caso, da escola, " eu disse, olhando ainda pro chão, "é inevitável. Eu tenho que ir pra escola, e ele também. E tem mais pessoas naquele espaço enorme onde fica nossa escola. E, evitar agora, é bom sim. Esperar as coisas esfriarem. Pode ser até que você não ache certo evitar e tudo mais, mas... É o que eu me sinto mais segura a fazer, entende?" Eu perguntei, levantando a cabeça, e meus olhos atingiram à altura dos olhos de , que olhava pra mim compreensivelmente. Com um sorriso, ele disse:
"Ok, . Eu te entendo. Prometo não te perturbar mais com isso. Mas, você vai amanhã a aula, e sem desculpas, mocinha! Nem que eu tenha que ligar pro seu celular seis e meia da manhã pra você acordar e ir pra aula, está entendido isso?" Ele disse, apontando o dedo da outra mão na minha direção.
"Entendido, Senhor ." Eu disse, batendo continência com a outra mão livre.
O engraçado da situação é que eu me sinto mais leve quando estou com . E ele segurando minha mão comprova e intensifica ainda mais o fato. Te juro.
riu da minha piada, como sempre, e, curiosamente olhou pras nossas mãos juntas. Disso, ele parou e ficou olhando por um tempo. E foi nesse momento que eu mais desejei ser Jean Grey pra ler seus pensamentos. Ou até mesmo Doutor Xavier. Mas acho que não gostaria de segurar a mão do líder paraplégico dos X-men.
Espantei mais um pensamento idiota, quando soltou minha mão, e, sorridente, se despediu de mim com um abraço, dizendo:
"Se cuida, pequena. E amanhã a gente se vê."
"A gente se vê." Eu repeti o sufixo da sua frase, e, com já saindo da minha casa, ele pausou por um momento, me olhou profundamente e disse:
"Eu vou esperar, ."
Confesso que não entendi bulhufas, mas o sorriso dele, calmo e sincero, subitamente me parecia tão... tão lindo. Não é porque o tem uma beleza realmente encantadora, mas me refiro a beleza do sorriso dele, de como a expressão facial dele caiu perfeitamente na maneira como seus olhos refletiam carinho na minha direção.
Não pude deixar de sorrir abobalhadamente na direção dele, e dizer:
"Eu não faço a mínima idéia do que você está dizendo, mas se diz, eu acredito em você. Seja no que for."
Já se distanciando, ele riu, e deu de ombros.
"Um dia você vai compreender. Agora, ainda, não é o momento. E obrigada por acreditar em mim, pequena." E, com um sinal feito pela sua cabeça, me cumprimentou, e sumiu da minha visão, desaparecendo no corredor da escada.
Fechei a porta rapidamente e corri para a cozinha, na qual a janela dava de cara para a rua, por onde estaria saindo daqui a alguns momentos. E foi quando aconteceu. Eu fiquei lá, que nem Dona Florinda esperando o Professor Girafales passar.
Quando a figura de apareceu, descendo a rua do meu condomínio, eu não sei como, mas ele simplesmente olhou pra trás, obviamente me procurando com o olhar. E quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu abertamente. Eu ri da situação, era como se a gente tivesse combinado. Ele acenou com a mão dele, e eu com a minha - ainda rindo da situação.
Quando ele finalmente alcançou o portão, eu fechei a janela da cozinha, me direcionando para o meu quarto, e, desabando na minha cama, suspirei. E não foi um suspiro de cansaço. Foi um suspiro à lá comedia romântica. Ou até mesmo estilo "faço parte do elenco de Romeu e Julieta sim, e daí?".
Assumo que fiquei meio surpresa com a facilidade de suspiros que despertava em mim. Mas o que posso fazer? O cara é legal comigo, se preocupa e tal, me deu apoio quando precisei, e ainda segura a minha mão porque ele quer, e não porque estamos rezando em uma missa nem nada disso. Ele realmente segura a minha mão porque ele quer! E um mínimo detalhe: tudo isso em uma semana. Bom, agora, uma semana e um dia, mas você compreendeu meu pensamento. Eu espero.
É, espero, pois sou confusa. É, você já sabe disso, mas quem não é confusa às vezes?! Omitindo o fato de que quase sempre sou confusa, mas, claro, até Bono Vox (o vocalista do U2 – a banda irlandesa mais foda) tivera seus momentos de hipocrisia. Até a mais pura jóia pode ser corrompida pelo lado negativo do ser humano. É, nota mental: eu preciso parar de assistir Inuyasha.
Desenho japonês, caso você não saiba. É, eu curto animês. Já mencionei que a minha primeira paixão foi o Shiriu, de dragão? Aquele carinha com uma tatuagem de dragão nas costas e cabelo incrivelmente longo e liso para a época em que eu assistia Cavaleiros do Zodíaco? Então, ele mesmo.
Mudando um pouco de assunto (lê-se: totalmente), eu estava pensando no que dissera sobre querer brincar comigo e etc. Bom, o fato era que: eu era uma menina apaixonada pelo melhor amigo, que se importava comigo à beça, mas nunca consegui descobrir o que ele realmente sente por mim (depois daquela conversa com a minha mãe, então, a confusão dominou minha mente. Mães... Por que são tão espertas?). Mas daí eu me lembro da Lis. É, a Lis. Aquela que eu adoraria chamar de um nome bem feio que eu lembro ter aprendido no C.A., graças ao vocabulário muito rico do , enquanto o mesmo xingava a professora de religião por ter tirado o game-boy dele enquanto o mesmo deveria estar respondendo ao questionário de "Como ser um bom católico aos olhos de Jesus".
Sério, é incrível a quantidade de crianças que fazem catequese porque os pais mandam. Claro, existem suas exceções, mas, geralmente a criança faz por causa dos pais, ou porque querem provar aquela coisa estranha chamada de hóstia, e que sabor aquilo tem. Tenho quase certeza de que foi por causa disso que fez a catequese. Afinal, ele me disse. Eu não fiz. Perder meu sábado era sagrado (que coisa irônica, perder o sábado na catequese e utilizar a palavra sagrado, não?), mesmo pra uma criança de sete anos, como era na época.
Mas enfim, como eu dizia, eu gostaria muito de chamar Lis daquele nome bem feio que ouvi sair da boca de no C.A. Mas como poderia chamá-la de tal coisa? Quero dizer, a garota é uma @#$!&%!@$# de uma pessoa educada. Era simpática, engraçada, bonita, inteligente. E o pior: me considerava sua amiga. E eu, antes de gostar de , também a considerava. De fato, ainda considero, mas não muito. Sabe como é, é meio difícil considerar 100% uma pessoa amiga sendo que a mesma pode tirar de você o cara que você ama. Não que eu deseje mal a ela, mas cada um no seu quadrado. A vida me ensinou a lutar pelo que é meu, sabe? [n/a:Charlie Brown Jr.]
Mas então, eu pensei, pensei, pensei e cheguei a uma conclusão: pensar cansa. Há-há. Além dessa admirável conclusão, eu pensei que não seria má idéia ter algo mais com . Afinal, se ele realmente quisesse só brincar, eu não sairia magoada nem nada, porque eu gosto do . Mas foi quando uma situação me ocorreu, mentalmente, claro.
E se eu deixasse de amar (DAQUELE JEITO) e me apaixonasse por enquanto ficasse ou qualquer coisa parecida com ele? Sim, daí seria a madeira mamoré das galáxias (isso pra não mencionar o órgão reprodutor masculino de uma forma bruta).
Bem, e se eu continuasse gostando do e gostasse também do , enquanto a gente "brincava"? Porque eu tinha a plena noção de que uma pessoa é capaz de amar duas pessoas ao mesmo tempo. [n/a: Afinal, eu li a série toda de "Crepúsculo"u.u IHWEEHUIEWHWIE, parei u.u
E agora?
Foi quando eu estava voltando do mercadinho em frente ao meu condomínio, pois tinha ido comprar o bendito refrigerante que a minha mãe pediu – diga-se de passagem, era um guaraná 'Convenção', por ser mais barato – que o destino bateu à minha porta. Quando eu estava esperando uma bendita alma aparecer e abrir o portão, pois eu havia esquecido a chave em casa, logo quem foi aparecer?
Bem, não era o . Nem o . Nem Johnny Depp. Era a Lis. "Jesus te ama" era tudo o que ficava em uma parte da minha mente enquanto a outra parte ficava xingando o bendito momento que eu decidi comprar o refrigerante. Nota mental: fazer o que minha mãe pede logo de imediato. Não deixe pra depois.
"!" Ela exclamou, parecendo feliz em me ver. Que pena que não era recíproco. "Como você tá, amor?" Ela perguntou, ainda segurando o portão pra mim.
"Lis!" Eu fingi o mesmo entusiamo dela. "Eu to bem, chuchu, e você?" Perguntei, não tendo lá muito interesse pela resposta.
"Ah, tô indo, né?! Cabeça erguida sempre." Ela disse, dando um pequeno sorriso. Isso pareceu uma fala de alguém que estava na vala e tentava ver o lado bom da vida. É, todos nós sangramos igualmente.
"Idem! " Eu havia me sentindo muito mais confortável ao ver que a injustiça não era só feita sobre a minha pessoa , mesmo vendo o que as criancinhas da África passam diariamente. "Mas e aí, o que você conta?!" Perguntei, tentando parecer imparcial, mas de fato, querendo saber se ela e ... você sabe. Eu não consigo pronunciar, me dá vertigem. Frescura aparente, mas dói, tá?
"Nada, ... Só a escola que continua um saco, mas... Não é novidade, não é mesmo? " Ela mais afirmou do que perguntou. "E, você, o que conta?"
"Nada, também." Eu disse, somente, honestamente desapontada por ela não abrir o bico sobre o e ela. Talvez porque não tivesse nada pra falar. Ou talvez porque ela fosse mais de guardar as coisas pra ela do que pensei.
"Menina, deixa eu perguntar... " Ela disse, segurando meu braço pra que eu saísse do portão, pois tinha gente atrás de mim querendo passar. "Você sabe se o tá bem?" Ela perguntou, visivelmente assustada. Opa, aquilo não era um bom sinal.
"Acho que sim. Por quê?" Perguntei, sinceramente ansiosa pela resposta.
"Nada, só que eu o vi hoje, de fato, há alguns minutos. Ele chegou do ensaio, parecia desligado, se eu não tivesse acenado na frente do rosto dele, ele não pararia pra falar comigo. Te juro." Ela afirmou com a cabeça. "E, como pensei, assim, que você e ele são melhores amigos, achei que você deveria saber se estava tudo bem com ele."
Pronto. Era isso de que precisava. Eu tinha que falar com o . Mas eu tinha coragem?
"Não sei de nada, Lis." Eu disse, já querendo ir embora, e inventando uma desculpa pra isso. "Olha, não que eu não adoraria falar mais contigo agora, mas eu realmente preciso agitar umas coisas lá em casa. Conversamos outro dia?" Perguntei, educadamente.
"Ah, sim, claro, ." Ela respondeu, sorrindo pra mim.
Devolvi o sorriso, me despedi dela, e fui quase que correndo pra casa entregar o refrigerante e avisar pra minha mãe que iria à casa do . Tinha que acertar as coisas.
E foi exatamente quando eu abri a porta pra sair de casa, lá estava ele. Parado e pronto pra apertar a campainha quando eu já estava abrindo-a.
Ele me olhou surpreso, ligeiramente assustado. E acho que nossos olhares foram recíprocos.
"." Eu sussurrei.
"." Ele sussurrou, com a voz realmente fraca.
Era a hora.
Cap. 08: “Make Trade Fair”.
"?!" Eu perguntei, ainda muito surpresa.
"..." Ele disse, olhando pra baixo, desviando do meu olhar.
"?!" Eu ainda perguntei, muito surpresa - o que fez soltar uma risada abafada e desconfortável -, mas como se ele sentisse saudade disso, ele respondeu:
"Oi, ." Ele disse, se recompondo, olhando pra mim com um meio sorriso. Bom, ele estava falando o meu nome. Já é um começo... Né?
"Hm, desculpe, desculpe," eu disse, dando passagem pra ele entrar, "entra, ." Eu disse, corando e olhando pra baixo. Também estava com vergonha de encará-lo.
"Filha, quem é que... " Minha mãe entrava na sala com as mãos secando num pano de prato quando viu . "Ah. Oi, ." Minha mãe cumprimentou-o com um sorriso, o que o fez retribuir o gesto.
"Oi, tia." Ele disse, dando o mesmo meio sorriso que havia me dado anteriormente.
"Hm... Ok, se precisarem de mim," mamãe disse, já entrando na cozinha, "estarei aqui." E desapareceu com um sorriso no rosto.
"Ok, mãe." Eu disse, ainda me sentindo corada por estar na presença do .
"Hm, então, quer alguma coisa pra beber? Ou comer?" Eu perguntei, tentando quebrar o gelo.
"Ah, não, valeu, eu comi no ." Ele respondeu sorrindo.
Eu comecei a caminhar para a varanda, sentindo que seguia meus passos. Era bem óbvio que conversaríamos sobre o que havia acontecido no dia anterior, então, se fosse pra conversar, que fosse num lugar onde eu me sinta confortável.
"Ué, desde quando tem comida na casa do ?" Eu perguntei, já sentando no chão.
"Eu disse que eu comi na casa dele, " ele também se sentava, com as famosas perninhas de chinês, "não que na casa dele tivesse comida para comer." Ele terminou a frase rindo, ainda desconfortável. Era bem óbvio que ele estava se esforçando ao máximo pra fazer com que tudo parecesse simples. Só que nada é tão simples quando se trata de alguma coisa que valha a pena. [n/a: CACETE, FILOSOFEI >:D, tá, parei ._.']
"Ah!" Eu disse, rindo um pouco. "Então você levou comida de casa? Agora tá explicado!"
"Comprei um salgado qualquer na rua e levei pra lá." Ele disse, olhando para o all star preto dele, surrado.
"Ah, sim." Eu disse, olhando pros meus pés descalços.
Foi quando uma coisa estranha aconteceu...
"Olha , eu queria..."
"Eu vim aqui porque..."
E nós dois dissemos isso, em uníssono, o que fez com que nós dois nos olhássemos nos olhos, pela primeira vez naquele dia, e, logo em seguida, soltássemos uma gargalhada que estava sufocada pelo ar desconfortável que pairava sobre nós.
"," eu disse, ainda olhando pra baixo, "me desculpa. Eu..." E minha fala foi cortada por uma voz aveludada e doce. A voz de .
"Não." Ele disse, olhando pra mim (não que eu ainda olhasse pra ele, pois eu continuava olhando para chão, mas sabia que ele estava olhando pra mim). "Eu é que tenho que pedir desculpas." Ele disse, com um tom de arrependimento na voz.
"Você?!" Eu perguntei, levantando minha cabeça para encará-lo, ainda surpresa. Pois é, eu estava surpresa! Como assim? Eu disse tantas coisas horríveis pra ele, até mencionei na Jessy (a não-mencionável Jessy) na nossa briga, coisa que eu nunca faria se não quisesse que meu melhor amigo – e conseqüentemente, o amor da minha vida – ficasse magoado por causa das minhas palavras.
De novo, a tal voz aveludada interrompeu meus pensamentos, falando coisas que pareciam inexplicáveis aos meus ouvidos:
"Sim. Eu preciso lhe pedir desculpas. Você tem toda razão, ." Ele dizia, agora, pegando na minha mão e olhando intensamente pra mim, o que me fez ruborizar. Tipo, em um único dia, dois garotos – sendo os mesmos o amor da minha vida e o meu amigo gatinho que conheço há tempos que supostamente sente algo por mim – quiseram realmente segurar a minha mão.
E não foi só isso, eles realmente não se sentiam mal por segurar a minha mão! Não estávamos numa missa nem nada, nada que os forçasse a segurar minha mão e desejar-me a paz de Cristo, sabe? Não mesmo, os dois seguraram a minha mão e se sentiram bem com isso! Claro, não melhor do que eu me senti, mas, até Johnny Depp teve seus dias negros ficando doidão enquanto Winona Ryder assaltava lojas de conveniência. Não que isso tenha lhe prejudicado de alguma maneira nas filmagens de "Edward – Mãos de Tesoura", porque, além de tudo, esse filme foi um dos melhores do Johnny. A não ser, é claro, que você o tenha adorado em "A Fantástica Fábrica de Chocolate" ou em "Piratas do Caribe". Porque até eu me derreti por ele em "Piratas do Caribe". Sejamos sinceras, eu me derreto pelo Johnny de qualquer maneira.
Mas, Deppzinho a parte, o lance era que e – e – seguraram minha mão porque quiseram! Tudo bem que o estava segurando-a porque ele estava me pedindo perdão, mas, ignorando este pequeno detalhe, os dois seguraram a minha mão! Agora eu entendo perfeitamente John Lennon e suas letras que antes, na minha opinião, tão ridículas, agora, tão sensatas! [n/a: Me referindo à música "I wanna hold your hand". Sabe, aquela que o Lennon e o McCartney ficam "I wanna hold your haaaaaaand ? e blah blah blah, você sabe u.u . Até seu pai sabe G_G'. Não sabe ?! Seu/sua Sem cultura. Eu hein u.u IUEWHIUHWEUI brincadeira :B]
Meus pensamentos das letras sentimentais de Beatles foram novamente interrompidos por outra palavra saindo dos lábios rubros de :
"Então..." Ele disse, olhando meio envergonhado pra mim. "Eu peço desculpas, sabe?! Porque assim, não é da minha conta com quem você fica ou deixa de ficar. Ou namorar, que seja. Não é da minha conta." Ele deu de ombros, brincando com os dedos da minha mão. "E se não é da minha conta, eu não deveria ter dito todas aquelas coisas que disse pra você ontem." Ele balbuciou, ainda envergonhado, voltando seu olhar para o all star. "É só que..." Ele levantou a cabeça rapidamente pra olhar a paisagem da varanda. "Eu não quero te ver magoada por causa de ninguém, entende?" Ele assumiu sua preocupação, franzindo a testa, por causa do reflexo do pôr-do-sol em seu rosto.
"Ah, ..." Eu disse, indo abraçá-lo, mal contendo as lágrimas atrás dos meus olhos, mas ainda sim, elas não caíram de imediato. [n/a: Pois eu aprendi com a Fergie que meninas crescidas não choram u.u IUHWEUHWEHUIE] "E eu aprecio muito que você se importe tanto comigo a ponto de brigar comigo por causa disso." Eu disse, com meu queixo em cima do seu ombro. E ali, eu tive a certeza de que poderia viver assim pra sempre. Oh, Dear God, eu preciso de um quentão pra me segurar !
"Eu sei, , mas..." Ele disse, envolvendo seus braços em volta de mim, me abraçando de volta. "Eu errei, não percebe? Além de ter me intrometido em um assunto que não tem nada a ver comigo... Eu falei mal do , sabe? E eu não deveria ter feito isso, porque, por mais que eu queira te proteger de tudo, o não é uma pessoa ruim. E você tem toda a razão, eu julguei o , falei que ele não prestava e tudo mais... Mas não é verdade." Ele disse, se afastando um pouco pra olhar nos meus olhos.
"Não é verdade." Eu concordei com ele, olhando pra ele, querendo me afogar naquele olhar profundo que ele me dava.
"Não é." Ele disse, desviando seu olhar pra baixo e afrouxando seus braços em volta de mim. Mas que saco, o abraço estava acabando. "E eu sempre soube disso. Eu não poderia julgá-lo, nem nada, ainda mais porque ele não é nada do que eu disse. Ele é super legal e etc, e vocês se conhecem há um tempão, sem contar que..." Ele disse, ruborizando, de repente, para a minha surpresa. Como eu já estava sentada, pois havia voltado do abraço, eu o olhei curiosamente, e balbuciei num volume em que só ele escutaria:
"Sem contar o quê?!" Eu perguntei, realmente ansiosa pela resposta. Que foi o que mais me surpreendeu naquele final de tarde.
"Sem contar que você fica mais alegre na presença dele." Ele disse, finalmente depositando seus olhos sobre mim. Mas eu não prestei atenção no seu olhar, pois estava ocupada demais no meu singelo estado de choque/confusão sobre o que acabara de falar. Estava tão desnorteada que a única coisa que consegui dizer foi:
"Hã?!"
"Você fica mais alegre na presença de ." Ele afirmou, sorrindo com uma certa dificuldade. "Ele te faz bem, não percebe? Quero dizer, ele, depois de mim é claro, é o cara que mais te faz rir e tal. Não que você não se sinta à vontade com os outros... Mas com o , especialmente com ele, é diferente." Ele disse, olhando pra mim como se quisesse decifrar um enigma.
"Diferente como?!" Eu ainda estava desnorteada pela novíssima – e muito boa – atenção que o tinha quando eu e estávamos no mesmo ambiente.
"Não consigo explicar direito." Ele assumiu, colocando a mão esquerda no queixo, enquanto a outra fazia movimentos correspondentes ao seu pensamento. "Vocês realmente se conhecem há muito tempo. Agem como se um período de quatro anos fosse simplesmente quatro horas entre vocês. É como se vocês nunca ficassem sem se ver durante o verdadeiro tempo que se passou. A amizade de vocês é tão natural quanto a nossa. E isso, eu admito, me assusta." Ele disse, olhando pra mim com um pequeno sorriso no rosto. Meu Deus, o tava com medo do tomar o lugar dele de melhor amigo? É isso mesmo?
"Então, o que você está me dizendo," eu falei, olhando para cima, como se minha tela de pensamentos estivesse bem acima da minha cabeça, "é que a minha amizade com o é tão natural e intensa, que você tem medo dele roubar seu lugar no meu coração?" Eu perguntei, achando aquele pensamento do estupidamente ridículo. Apesar de eu pensar quase a mesma coisa sobre eu e a Lis.
"Mais ou menos isso." Ele disse, assumindo sua opinião. "Tirando o fato de que ele quer colocar a língua dele nos seus lábios, é claro." Ele terminou de dizer, rolando os olhos.
"!" Eu disse, ainda muito surpresa com aquela confissão dele. "Isso é absolutamente ridículo da sua parte!" Eu exclamei, fazendo com que me olhasse surpreso. Acho que ridículo era a última palavra que ele esperava que eu dissesse. "Você é meu melhor amigo há 16 anos! Ninguém vai roubar seu lugar!" Eu disse, fazendo uma cara de "dãr, não é óbvio?", o que fez rir, um pouco, pelo menos.
"Eu sei, eu posso parecer meio idiota, pensando assim..." Ele assumiu sua idiotice, coçando sua nuca.
"MEIO?!" Eu exclamei. "Totalmente idiota, senhor !" Eu disse, colocando o dedo na cara dele e a mão na cintura. Oi, meu nome é Kaísha com K. "Fique sabendo que não há nem possibilidades remotas de alguém nesta face da Terra substituir o lugar que o senhor ocupa in my heart!" Eu terminei, indignada por ele pensar que o – logo o – fosse roubar o top top top de amizade que o tem estado durante tantos anos.
"Ah, isso é bom!" Ele disse, sorrindo, verdadeiramente pela primeira vez desde que nos encontramos na minha porta. "E eu quero que você saiba que a recíproca é verdadeira!" Ele disse, querendo parecer todo triunfante. Eu ri daquilo. Mas eu me toquei que ainda faltava a parte que eu deveria me explicar. Mas antes que eu começasse a falar, interveio:
"Mas, sério, . Eu não sei o que pode acontecer entre você e o , mas o fato é: seja lá o que for, que te faça feliz. E, por favor, perdoe-me pela minha enorme e vazia cabeça de bagre. Por ser tão idiota ao ponto de brigar com você, que era a última coisa que eu pretendia fazer, quando a intenção era protegê-la do mal." Eu tive quase toda a certeza de que ele se referia ao com a palavra 'mal', mas logo tirei essa idéia da cabeça, vendo que deveria responder a .
"Tudo bem, . Eu te perdôo. Mas não julgue as pessoas novamente só porque você pretende me proteger do mal. E eu também peço desculpas por ter mencionado a Jessy. Eu não deveria ter feito isso em primeiro lugar. Eu sei que sempre que se fala no nome dela, você se sente magoado e tal, e eu, como sua melhor amiga, não deveria..." Eu fui interrompida pela fala de .
"Mas eu mereci." Ele disse, olhando pra mim com uma pequena e singela cara de dor. "Eu realmente mereci, . Não gosto que mencionem 'Jessy' porque... Bom, porque me lembra que eu fui um corno por mais de três meses, quando pensava que aquela vez seria A vez pra mim." Ele disse, fazendo uma cara de tédio. "Mas da mesma maneira que eu pensava isso, ela pensava totalmente diferente, estando com mil caras ao mesmo tempo em que estava comigo. Finalmente eu percebi que ela não era nada do que eu pensava. Dói falar dela porque eu realmente gostei dela. Mas me enganei profundamente. E a decepção, por mais forte que ela fosse, não mata, ensina a viver. E é com esse pensamento que eu nunca mais penso na Jessy como um desperdício, e sim como uma aprendizagem."
"Que é...?" Eu perguntei, curiosa como ele tinha tanto auto-controle em não xingar uma !#$@!, sendo a única coisa que ela realmente era.
"Saiba mais com quem você se relaciona. Aprenda a distinguir pessoas de pessoas. Eu aprendi e é por isso que demorei a encontrar uma pessoa especial." Ele disse, olhando pra longe, com o azul do céu já se tornando azul escuro, com a caída da noite.
"Você já encontrou alguém especial?" Eu perguntei, sentindo que meu coração estava prestes a se quebrar apenas com algumas palavras que logo, logo sairiam da boca de .
"Eu acho que sim." Ele disse as palavras que tornariam minha vida um inferno dali pra frente. "Mas não acho que ela me veja desse jeito, entende?! Assim, do mesmo jeito que eu a vejo. E o mais engraçado, é que eu percebi isso há pouco tempo." Ele terminou de dizer algumas 'curiosidades' sobre encontrar a garota certa pra ele. Mas eu não me importava nem ouvia o que ele dizia, pois eu senti o chão sumir abaixo dos meus pés depois que eu pensei que essa menina era a Lis. Afinal, tudo se encaixava: há pouco tempo, ele começou a agir diferente com ela, como se quisesse alguma coisa a mais do que amizade (pelo menos a forma como ele a olha é diferente da forma como ele me olha); o fato dele estar muito mais apegado a ela do que nunca esteve antes... E outras coisas que passavam como um filme na minha cabeça. Um filme que só parou de passar no momento que eu ouvi ele dizer:
"? ? Você está me ouvindo?"
"Hã?" Eu perguntei, olhando pra ele. "Ah, oi, desculpa, eu viajei aqui." Eu disse, forçando um sorriso.
"Ah. Tá. Mas enfim, é isso, eu acho que ela não sente a mesma coisa que eu. Mas não tem problema, eu espero o tempo que for." Ele disse, querendo parecer herói por esperar por uma garota que aparentemente não queria nada com ele. Vai sonhando, a Lis baba por ele e nem disfarça!
Então era fato: meu melhor amigo (e o cara por quem estou apaixonada) gosta de uma 'amiga' minha, que, por incrível que pareça, me considera uma grande amiga. Como se nada fosse melhor do que isso. E isso é super legal. Não.
Peraí, isso é muita injustiça para com a minha pessoa! Eu gosto do cara, estou sempre por perto quando ele precisa – e olha que 16 anos não é pouco! - dou apoio pra banda dele, ajudo-o de todas as formas possíveis, e o que ganho em troca? Um sorrisinho de agradecimento e a bomba de que ele gosta de outra garota – que, coincidentemente, é uma amiga minha?
AI, MEU DEUS, só falando todos os palavrões em cinco línguas diferentes pra soltar um terço da raiva que eu tava sentindo na hora. CADÊ O QUANDO PRECISO DELE?
Eu sei, eu sei, eu estava somente brincando. Não podemos pensar nos meninos como objetos. Por mais que eu me sinta exatamente um objeto usado pelo , não é legal se rebaixar ao mesmo nível.
Mas tudo bem. Ei! Não é a pior coisa do mundo quando você descobre que o amor da sua vida – e melhor amigo – está apaixonado por uma amiga sua – e acreditando que a mesma é a garota certa pra ele! Claro que não é a pior coisa do mundo!
A pior coisa do mundo é você gostar do seu melhor amigo, quando ele gosta de uma amiga sua, e ele ainda demonstra sua insegurança de que ela não goste dele do mesmo jeito, quando está na cara que a menina baba e beija o chão onde ele pisa. E, pra melhorar a situação, seu amigo decide lhe dizer que gosta dela especialmente um dia depois em que o mesmo brigou com você, agiu com ciúmes, fazendo você ter esperanças remotas de que ele sentisse o mesmo por você.
Ah, o amor é uma droga. Pena que em cada esquina tem um viciado que se droga nele.
Tá certo que, primeiramente, ele – o seu melhor amigo – não disse com todas as palavras que a pessoa de quem ele gosta seja exatamente sua amiga. Ele não disse com todas as letras, mas é quase como brincar de mímica de filme e você ter que fazer a mímica do filme Matrix. Se esquivando de balas, até o Gumercindo da vendinha em frente da sua casa vai saber que aquele filme é o Matrix. AI, INFERNO!
Tentando – eu disse tentando – parecer normal, eu simplesmente sorri forçadamente – e como! - com a confissão de que o coração de já tinha dona.
"Bom, ." Eu disse, com a cara feliz mais falsa do mundo. "Eu espero que você realmente consiga ser feliz." E foi somente isso que consegui dizer. O resto é história.
"Obrigada, ." Ele respondeu, sorridente. "Também espero a mesma coisa pra você."
E eu esperava mesmo. Mesmo, eu esperava mesmo que o que me desejava realmente acontecesse comigo. Mesmo que eu tivesse que esquecê-lo como o amor da minha vida. E só pensar nele como o melhor amigo. Porque é exatamente assim que tem que ser. Afinal, a dor é inevitável, o sofrimento? Opcional, e ali, sentada com ele, eu optava por não sofrer. Será que eu conseguiria?
Capítulo 9: Your gravity is making me dizzy.
Naquela noite não consegui dormir nadinha. Nada mesmo. Bem, talvez eu seja um pouco exagerada, mas dormi muito pouco pra alguém como eu, que preza pela paz de espírito através do sono, ter dormido tão pouco como dormi. Motivo? Simplesmente pelo fato de ficar relembrando da conversa que tive com o .
Era muito estranho, porque uma parte de mim estava muito feliz de que eu e ele tivéssemos feito as pazes e tal – sim, isso é bom – porém, outra parte de mim não conseguia parar de pensar no que ele havia dito sobre ter encontrado a garota certa pra ele.
Eu não conseguia desviar meus pensamentos pra alguma outra coisa que não fosse isso. O que estava me irritando profundamente.
Veja, não é muito legal quando você, depois de duas horas deitada na cama tentando dormir, não pára de pensar em tal assunto.
As palavras exatas de ecoavam em minha mente, até quando eu pensava em assuntos pra distração, como na baixa do dólar. DO DÓLAR! Como isso pode influenciar nos meus pensamentos? Fácil, pense na baixa do dólar, depois, falando em baixas, você fala em como suas esperanças foram reduzidas a quase nada por simples palavras ditas pelo seu melhor amigo, por quem você está apaixonada. Ah, que delícia... Não!
E foi exatamente por falta de capacidade e de controlar meus pensamentos que na manhã seguinte, minha mãe acordou-me aos berros (parece que o episódio do dia anterior fora simplesmente um espírito muito bom que tinha tomado controle do corpo de minha mãe) dizendo que eu estava atrasada e etc. Bem, é a rotina, não?
Tomar banho correndo, comer uma maçã no caminho da escola e restritamente NÃO pegar a bicicleta e ir pra escola correndo – já comentei sobre o trânsito infernal de manhã? - porque, eu estava atrasada, mas nem tanto quanto da vez que eu capotei com a bicicleta por causa da bendita velhinha com a sacolinha do Hortifrutti. Sim, ainda guardo rancor da "senhora". E senhora não é bem a palavra que eu queria dizer, mas, enfim...
Cheguei à escola a tempo de ouvir o sinal bater; o que era quase um milagre como o Papa gostar de rock n' roll, mas tudo bem.
Quando estava entrando no prédio do ensino médio, eu ouvi o assovio tipicamente que me dava. Me virei rapidamente pra vê-lo ao lado de . Uau, os dois sorrindo pra mim e eu, ali, parada, com uma visão muito além do que simplesmente meus dois amigos da escola. Eu vi, o cara de quem eu gosto, e, ao lado dele, um cara de quem já gostei – que, aparentemente quer algo mais do que amizade comigo, depois de quatro anos sem vê-lo – e isso me fez abrir meus olhos mais do que de costume. Pelo menos na parte da manhã.
Não sei como, mas os dois perceberam meus olhos arregalados – por causa dos meus incessantes e estranhos pensamentos e conclusões sobre a minha vida – que logo, quando ambos estavam perto o suficiente, disse:
"Tá tudo bem?"
"O que houve?" Eu ouvi prolongar a pergunta de . Saindo do transe, eu vos respondi sorridente:
"Han? Ah, tá tudo bem, é que é só meio que engraçado ver vocês dois juntos. Procurando por mim, quero dizer, " disfarça, gatinha, disfarça, "porque eu não me relaciono abertamente com todo mundo."
"E nem deveria, você poderia pegar alguma DST." respondeu, rindo da própria piadinha sem graça com graça (sem graça, porque falava de mim, com graça porque eu poderia usá-la mais tarde com alguma pessoa), que me fez rolar os olhos e fingir uma risada, em resposta ao 'gozadinho' do :
"Tá todo engraçadinho, dormiu com o Palhaço Bozo?"
"Não sei se o nome dele era Bozo, mas que grande palhaço ele era... Enorme." Ele disse, fazendo uma cara de safado. Tá, às vezes ele tinha uns ataques homossexuais. Mentalmente anotado.
"Bom, xuxua, só vim lhe dizer que não te esperei hoje de manhã porque você tava muito atrasada e eu tinha que chegar cedo na escola, pra resolver umas paradas da banda com o ." disse, dando um pequeno tapa no ombro do .
"Ah, tudo bem. Se você me esperasse, não conseguiria conversar com o gay, digo, ." Respondi, fazendo uma careta pelo fato de eu sempre chegar atrasada na escola.
"Bom, senhoras e senhores, se não se importam, eu tenho uma "boa" aula de Química agora." falou, fazendo as aspas ao mencionar boa.
"E eu também." disse sorrindo com cara de tédio. "Mal posso esperar pra professora me dar bronca por eu não saber fazer a Equação de Clayperon. Fantástico!"
"Vão logo! " Eu disse rindo. "Mas antes de ir, me digam: hoje vai ter ensaio?" Eu perguntei, porque queria compensar indo ao ensaio do dia, por não ter ido ao dia anterior. Mentira, eu queria mesmo era averiguar melhor o que estava havendo. Sobre o , quero dizer. Aquela coisa toda dele sentir algo por mim? Então, isso mesmo.
"Aham. " disse sorrindo. "E você vai, né? Vamos sair direto da escola."
"Talvez... Quem sabe." Eu balbuciei, fazendo um mistério, o que fez rolar os olhos e dizer:
"Só não vá se atrasar, tchutchuquinha. Eu sei que você mal consegue ficar um dia inteiro longe de mim, o que isso quer dizer que sim, você vai ao ensaio pra me ver tocar e babar por mim. Fato."
Tá, ele podia estar brincando, mas era tudo verdade, me fazendo corar rapidamente no momento, e retrucar para :
"Só porque você se achou o rei da cocada preta, você quebrou a cara, querido amigo. De agora em diante só vou aos ensaios pra ver os outros dois bundões e cnversar com meu novo-melhor-amigo aqui, – o homossexual." Terminei de dizer, sorrindo abertamente pro , que me olhou com uma cara de desdém e disse:
"Homossexual? Algo contra, baranga?" E, fazendo gestos exagerados com as mãos – típico de Vera Verão – ele ficou lá, se insinuando e saindo do armário, assumindo sua escolha sexual.
"Nada não. " Eu disse, colocando minha mãos no ar. "Nada contra, Judith."
"Judith?!" fez uma carranca pelo seu codinome ser tão feio. Ué, ele que escolhe de que lado fica, e ainda se decepciona com o nome? Quem disse que a vida era fácil, hermano?
"Vamos, . " disse, empurrando pra fora dali. "A gente se vê no recreio, bitchana. Até lá." terminou de se despedir, piscando pra mim.
"Até, bitchano." Eu acenei, me esforçando muito pra mover meus pés, que pareciam estar grudados no chão como o piso estava ao cimento.
Eu entrei na sala, pedindo desculpas para a professora de Literatura, que me deu um sorriso agradável e sussurrou:
"Só não repita seu atraso, Senhorita ."
Eu acenei com a cabeça, positivamente, me sentando no canto esquerdo da sala, no fundão, onde não precisava fazer contato com ninguém – pelo menos não naquela aula – e pra pensar em paz em tudo que estava acontecendo, que, pra costume, não me deixava dormir, muito menos me concentrar no Modernismo que a professora explicava no quadro.
Estava sentada, me contorcendo pra não pegar meu Ipod e escutar minhas musiquinhas, quando ouvi a professora falar dos principais escritores da época.
"No Modernismo, na primeira fase, temos como principais escritores, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Particularmente, meu gosto se torna maior quando se é mencionado às obras de Manuel Bandeira. 'Estrela da Manhã' me fascinou pela primeira vez que li, mas, pra vocês terem uma noção dos textos de Bandeira, leiam silenciosamente o poema 'Vou-me embora pra Pasárgada' e alguns trechos de outros poemas do mesmo autor. E respondam às questões da página 37, sem pestanejar, ouviram? Dez minutinhos pra isso tudo, queridos."
Como eu estava sem muita coisa pra fazer, e como eu gostava de ler, decidi fazer o exercício – sim, porque geralmente espero a professora corrigir pra que eu copie – e, pode parecer estranho, mas eu gostei de ter lido o poema de Pasárgada, mas o que mais me chamou atenção, foi em um exercício que pedia pra comparar dois textos. O primeiro, eu literalmente babei quando li:
"Mulher, Irmã, escuta-me: não ames.
Quando a teus pés um homem terno e curvo
Jurar amor, chorar pranto de sangue.
Não creias, não mulher, ele engana!
As lágrimas são gal da mentira
E o juramento manto da perfídia."
(Joaquim M. de Macedo)
Babei e admito, afinal, o que, por Deus, significava perfídia? Perguntei pra professora e ela me disse que era infidelidade, traição. Uau! Vou começar a ler mais disso só pra deixar o boiando quando eu me o acusasse de falso amor:
"VOCÊ USOU MEUS SENTIMENTOS! ABUSOU DE MINHA ALMA, ROMEU! DISSESTE QUE ME AMAVAS, E AGORA? VOCÊ SE TORNOU A PURA PERFÍDIA EM PESSOA!"
E foi pensando em como chique meu vocabulário ficaria quando eu sentenciasse a morte de , que uma menina ao meu lado riu. Eu virei pra ver o porquê dela estar rindo. Ela estava lendo alguma coisa na nossa apostila de literatura, e rindo graciosamente. Olhei mais de perto e vi que ela lia o segundo texto, que eu ainda não havia lido. Decidi averiguar se ela era desprovida de inteligência (no caso, ler o que ela lia, e ver se ela estava rindo por algo bobo, aprovando minha teoria da inteligência dela) e li o que estava escrito, e me surpreendi:
"Teresa, se algum sujeito bancar o
sentimental em cima de você
e te jurar uma paixão do tamanho de um bonde,
se ele chorar
se ele se ajoelhar
se ele se rasgar todo
não acredita não Teresa
é lágrima de cinema
é tapeação
CAI FORA."
(Manuel Bandeira)
O 'cai fora' no final me fez rir descontroladamente, o que atraiu alguns olhares mal encarados na minha direção. Porém, a mesma menina riu me vendo rir e disse:
"Foi o segundo texto, não foi?" Eu acenei com a cabeça, ainda rindo daquilo. E me dei conta de que a menina não era tão desprovida de inteligência assim. Talvez nós fôssemos idiotas por rir pela raiva contida nas palavras de Manuel Bandeira (e eu não duvido de que eu fosse um pouco idiota), mas pouco me importei com o fato de parecer idiota, e perguntei pra menina:
"Qual é o seu nome?"
Ela sorriu educadamente e respondeu:
"." Ela estendeu a mão pra que eu a cumprimentasse. "Mas pode me chamar de . E o seu?"
"." Eu respondi, sorrindo e cumprimentando-a. "Mas pode me chamar de . No caso 'pode me chamar' seria algo como 'me chame, por favor, de '. Eu imploro." Eu terminei de cumprimentá-la, rindo da minha própria fala, o que a fez rir comigo. "Estranho, mas nunca te vi por aqui antes. Você é nova?!" Eu perguntei. Se tivesse alguém como a na escola, eu já teria percebido, simplesmente por ela não aparentar ser uma metaleira metida, nem uma funkeira sem noção ou uma garota de torcida correndo atrás do time de futebol com um brilho de framboesa comprado na Avon com o cartão de crédito do papai. Fim de carreira.
Ela pareceu ruborizar com a minha pergunta e disse:
"Na verdade, eu estudo aqui há dois anos." E riu.
Com licença, mais alguém sabe onde tem avestruzes por aqui? Porque eu gostaria muito de me juntar a eles pra pôr minha cabeça dentro de um buraco até que o meu KING KONG – porque mico era um apelido muito bonzinho pro que eu tinha passado – passasse de vez, e que minha cara não parecesse um pimentão. Só isso.
"Ui!" Eu disse, batendo na testa. "Perdão, mas eu realmente sou avoada. Nunca presto atenção nas pessoas da escola. Porque, geralmente, elas são tão..." E me cortou, porém, completando minha frase.
"Superficiais? Sem noção? Idiotas? Materialistas que não tem nenhum ponto crítico acerca da vida?"
"Eu ia dizer 'sem graça', mas você disse melhor." Eu respondi, rindo da forma como ela havia completado minha frase anteriormente.
"Ah, eu te entendo. É meio difícil você encontrar pessoas que valem a pena ter uma amizade. E nesse colégio, foi a primeira coisa que percebi desde que me mudei da América do Sul pra cá, há dois anos." Ela dizia sua história, fazendo uma careta ao mencionar da sua antiga casa. "Lá, todos eram muito unidos, não tinha essa coisa de 'tribos' e etc, ninguém olhava torto pra ninguém. Não como é aqui, entende?" Ela perguntou, olhando pra sala, passando os olhos devagar em todos que ali estavam.
"Eu sei." Eu disse, olhando pra sala também. "São poucas as pessoas com quem você pode contar e," eu me toquei do que ela havia dito, "você disse América do Sul?" Eu a olhava com os olhos bem abertos pra quem ainda estava com sono. "Morava em que país?"
Ela riu da minha cara, e eu não a culpo, geralmente, de manhã, eu costumo ser uma piada com meu cabelo difícil de arrumar, com a cara não-amassada, porém, com a testa gritando pra todos "TO COM SONO, ENCHE A TUA MÃE", e minhas atitudes revolucionárias – como quase atropelar uma velhinha na frente da escola com a sua bicicleta mais velha do que a própria vítima da Hortifrutti – e meu querido e surrado all star. Ah, e tem o fato de eu só andar com o . E o , quando ele vem pra escola. E agora o , (que, aparentemente, estava na mesma sala de química que o estava.) o amante do Bozo. Só o que era idiota o suficiente pra não estudar na mesma escola.
"Bom, eu nasci aqui mesmo em Londres, mas fui morar no Brasil quando eu tinha dois anos. Meu pai é brasileiro, e minha mãe, inglesa. Daí, mamãe se mudou pro Brasil com o papai quando eu completei dois anos. Todo ano eu vinha pra cá, pra matar a saudade da família paterna que eu tinha, mas isso mudou quando fiz meus 14 anos. Meus pais decidiram se mudar pra cá, porque as coisas, economicamente falando, estariam melhores pra eles. Seria fácil se adaptar e conseguir emprego aqui, pelo fato de minha avó paterna conhecer muita gente que pagaria muito bem pelo currículo dos meus pais. E bom, eu sinto saudades do pessoal do Brasil, porque aqui, as pessoas são muito mais frias, e nos olham com um olhar de desdém, o que não me agrada nenhum pouco." Ela disse, fechando o punho na forma de um soco, como se quisesse socar alguém preconceituoso. "Mas eu me adapto rápido à mudanças. E cá estou, há dois anos estudando nessa escola, e você foi uma das únicas pessoas que não me olhou torto e que não perguntou pelo meu nome só pra que eu, sei lá, pegasse um lápis seu que estava caído no chão, ou coisas assim." Ela deu de ombros, finalizando sua 'pequena' história de vida, olhando pras unhas, enquanto eu processava toda aquela vida metade londrina, metade brasileira que ela tinha. Mas estava mais injuriada pelo fato dela não ter muito amigos a lado dela. Ela era tão legal, e, se ela não tinha amigos, era só pelo fato dela ter morado no Brasil? To bege, admito.
"Hm..." Eu disse, piscando algumas vezes antes de falar. "Cara, sua vida é agitada mesmo, hein?! Eu mal saí do Estado pra fazer um passeio de escola quando tinha 12 anos, e você já morou no Brasil! Que maneiro!"
"Ah, é maneiro sim," ela dava de ombros, "mas não é tão legal quando você tem que se despedir dos seus amigos, sabe? Você não tem certeza de quando será a próxima vez que vai revê-los, e isso é chato, porque eu tenho amigos lá desde que eu tinha dois anos. Foi muito ruim sair de lá pra vir morar aqui, quando, durante dois anos, eu fiz pouquíssimos amigos. E isso é muito chato." Ela assumiu sua impaciência diante das pessoas que ela olhava na sala. Seria desnecessário se eu mencionasse que ela só olhava pras pessoas superficiais que antes eu havia comentado, não é?
"Mas," eu disse, olhando relutante pra ela, "você pode visitá-los, quando puder, não é?" Perguntei, me referindo às amizades do Brasil.
"Só quando dá, porque as férias daqui não são no mesmo tempo que as férias de lá. É complicado, mas sempre que dá, eu vou pra lá." Ela terminou as frase, sorrindo, provavelmente lembrando das queridas amizades que teve que abandonar por causa de Londres.
"Mas olha," eu disse, sorrindo pra ela, "eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas nessa escola, eu não sou tão idiota quanto a maioria! Também existem exceções, sabe? Não sei se você já viu, mas eu sempre estou andando com um garoto, não muito alto, nem muito baixo, branquinho, de cabelos , olhos claros... Sabe de quem falo?" Perguntei, obviamente, me referindo ao .
"Ah, acho que sei sim. Vocês vivem grudados. Não teve um dia que ele te trouxe pra sala com você pendurada nas costas dele?" Ela perguntou, fazendo uma cara curiosa, e, segurando o riso pra não me deixar sem graça, aposto.
"Ahn, foi." Eu respondi, já ficando vermelha. "Ele se chama . É uma das exceções desse colégio. Ele é super legal." Eu respondi, sorridente.
"Ah, ele aparenta ser legal mesmo. Ele é seu namorado?" Ele indagou, e eu, automaticamente, encarnei a Pimenta Chili, corando mais do que quando estava por perto.
pareceu perceber minha situação, e logo, riu, tentando quebrar o gelo, e falou:
"Desculpe, eu sei, não é da minha conta, eu não deveria ter perguntado sobre isso e..."
"Não, não tem problema. É que todo mundo acha que eu e ele somos namorados. Mas de fato, somos somente melhores amigos." Eu balbuciei, fingindo um sorriso singelo no rosto, querendo arrancar todas as coisas que eu guardava dentro de mim que me lembrava de , que me fazia amá-lo cada vez mais, e, conseqüentemente, sofrer cada vez mais. Ainda mais agora, que ele estava gostando de Lis. Pelo menos era pra Lis que os sinais apontavam.
"Ah, eu entendo. Bom, deve ser difícil manter uma amizade assim. Vocês parecem tão... sei lá, conectados. É estranho vê-los somente como amigos." Ela analisou, levantando uma sobrancelha enquanto pensava sobre o caso.
"É, todos dizem isso, mas somos melhores amigos e é isso aí." Eu disse, fazendo joinha e continuando a frase que eu deveria terminar. "Mas como eu dizia, tem também o , que quando vem pra escola, anda com a gente. E agora, tem um aluno novo, porém, já era nosso amigo, pelo menos meu, de algum tempo, o ." Eu disse, gesticulando rápido, receando de que ela não estivesse seguindo minha linha de pensamento, porém, me enganei quando as palavras soaram, vindo dela:
"Ah, eu acho que sei, sim. Parecem ser gente boa. Povo brincalhão, não é?!" Ela questionou, fazendo uma careta engraçada, o que me fez rir levemente.
"É, um pouco mongolóide também, mas são gente boa. Na hora do recreio eu lhes apresento." Eu sorri, pensando no fato de que eu, finalmente teria uma amizade feminina, que , por muito tempo, eu não sabia o que era. "Mas tem algum problema? Quero dizer, eu só ando com meninos. Bom, pelo menos aqui na escola. No condomínio onde eu moro, eu até simpatizo com algumas meninas," lembrei-me de Lis na hora, e espantei o pensamento, me focando em conversar com , "mas aqui, só meninos." Eu terminei, pensando se seria algum problema pra ela, que simplesmente acenou a cabeça negativamente, e sorriu em resposta.
"Claro que não! Eu não tenho problema nenhum em ter amigos homens. Aqui na escola, eu me dou com um grupinho engraçado de nerds, mas eu só ando mesmo com a primeira amizade que fiz aqui há dois anos – a . Mas ela só gosta que a chamem de ." terminou de dizer, rolando os olhos, e rindo em seguida, o que me fez sorrir, pensando que, talvez, eu me encaixasse em um grupo feminino, e que não precisaria dividir as minhas coisas somente com meninos, e, com a minha mãe, que era a verdadeira – e única – amiga que eu tinha durante minha (nada mole) adolescência. O fato era que, antes, como qualquer menina (criança), eu andava com meninas e meninos, numa proporção igual e tal. Mas depois do que eu havia passado com o no acampamento, eu meio que desisti ou deixei de lado algumas amizades femininas que eu tinha – principalmente a menina que havia ficado com o – e quando eu me dei conta de que eu faria amizades femininas mais cedo ou mais tarde, decidi desistir dessa bobeira de só andar com meninos. Até que, eu encontrei a Lis. E deu no que deu. Daí, quando eu percebi que é de quase certeza que goste – ou esteja apaixonado – por Lis, eu meio que decidi ficar longe de meninas que pudessem ser minhas amigas e me dar trabalho. Mais do que preciso. Antes eu só andar com meninos do que eu ter amigas que ficam com os garotos que eu gosto, não?
Mas como o "Caso " está mais sem solução do que qualquer outra coisa, porque não me tornar amiga da ? E da tal , também? Eu podia aproveitar, agora que me sentia 'derrotada' no amor. Eu merecia, também, depois de tanto tempo convivendo com meninos, e arrotos, e gírias masculinas adolescentes... Acho que eu queria amizades femininas mais do que eu poderia dizer. Acho que a palavra certa seria 'necessitar' dessas amizades.
Afinal, o que eu sabia sobre garotos? Que eles simplesmente se interessam mais por minhas colegas e amigas do que por mim? E é só isso. É, eu ia me dar uma chance. Pior do que isso não poderia ficar. Ou eu pelo menos achava.
"GATCHEEEEENHA!" Eu ouvi alguém gritar ao longe. Só por curiosidade, eu olhei – porque elogios (mesmo de brincadeira) não eram comumente direcionados a mim. E eu vi vindo na minha direção, com conversando com atrás do mesmo, há alguns metros de distância. Sorri para , que estava ao meu lado olhando para os meninos de forma curiosa. Cutuquei seu braço e disse:
"Esses são os meninos."
E antes que ela pudesse piscar, os três estavam na nossa frente, me olhando abismados, claro, por estar andando com uma menina. É, eu causo efeito, quando digo que não tinha muita amiga, eu não tava brincando.
"Meninos," eu disse, me divertindo com as caretas espantadas dos meus amigos, "essa aqui é a . , esses são , e . As pessoas mais imprestáveis do mundo, porém, as pessoas mais necessárias. Na minha vida, pelo menos. Se bem que o só pensa em comer, então, seria só o e o ." Eu terminei de dizer, refletindo pelo porque do comer tanto, mas logo fui acordada por um peteleco vindo do mesmo, que dizia, de cara emburrada (lê-se, falsa cara emburrada):
"Eu penso em videogames e na banda também. Ah, é, e garotas." Ele terminou de dizer, sorrindo, como se fosse super-duper-inter-galaticamente satisfatório pensar em garotas. Bom, pelo menos pra ele, deve ser.
Fui despertada novamente de minhas viagens mentais pela risada da , que apertou a mão de cada um do meu grupo de amizade, e disse, sorridente:
" me falou muito de vocês."
"Não posso dizer o mesmo." respondeu, fazendo uma careta. "O que é de me surpreender por três motivos. Um, " ele fez 'um' com a mão, olhando pra , "porque eu conheço essa pimpolha desde que eu nasci, somos melhores amigos desde então, logo... Ela devia ter me contado, porque, como melhor amigo, eu devo saber de tudo o que acontece com a xuxua. Dois, " mais um dedo levantado na mão de , "porque desde que eu a conheço, ela não apresentou nenhuma amiga pra nós. Até porque ela não costuma ter amigas. Tá, tiveram suas exceções, mas ela sempre andou com meninos, a questão é: ela só tem AMIGOS. E a terceira razão é que... " Ele dizia, olhando pro seu terceiro dedo erguido na mão. "Tá, não tem uma terceira razão, mas as duas já estão de bom tamanho." Ele terminou de dizer, guardando a mão no bolso, sorrindo pra mim.
"Eu sei," eu disse, me encaminhando pra uma mesinha no refeitório, fazendo com que todos me seguissem, "que eu não costumo ter amigas. Ainda mais aqui, quero dizer, olhem esse lugar! É raro quando a gente encontra uma menina que não tenha algumas peças faltando na cachola!" Apontei pra cabeça com uma cara indignada, arrancando risadas de todos. "E eu não falei da antes, porque eu a conheci hoje, na aula de literatura. Estranho como eu sou desligada e não tinha percebido que ela estuda aqui há dois anos." Terminei de dizer, ficando um pouco sem graça por ser tão desligada.
"Normal, . Afinal, seus neurônios estão em falta. É tudo normal, normal, não se deixe levar pelo que as pessoas dizem do quanto estranha você é! Saiba que elas têm total razão, mas mesmo assim, não as deixe atingir a sua cabecinha porque você é..."
Dei um pedala na cabeça do , que o fez gemer em dor, massagear o lugar e me olhar incrédulo, enquanto sussurrava a última palavra da sua inacabada frase:
"... especial." Ele franziu a testa, e fez bico. "Nunca mais te elogio também!"
"Poxa, se isso fosse um elogio," eu disse, fazendo caretas exageradas, "do que você seria capaz de falar quando quisesse me xingar?"
"É só te chamar de , ué." respondeu, fazendo uma cara como se tivesse prendendo o riso. Me virei de costas e o ignorei, juntamente com seu comentário ridiculamente sem graça com graça (eu vou utilizar essa piadinha contra ele mais tarde), fingindo entrar num papo muito cativante com , sobre: como eu odiava o novo integrante da banda dele. somente riu de mim, mas logo sua fisionomia mudou, de engraçada, pra uma cara de sorriso forçado. Sorriso que só eu sabia decifrar. Ele dava esse tipo de sorriso quando se sentia desconfortável com alguma coisa, ou quando não queria ser inconveniente, sendo simplesmente educado.
Quando estava prestes a perguntar discretamente sobre o porquê do sorriso forçado dele, fui surpreendida por dois braços me abraçando apertadamente, e uma voz ecoou no ambiente, que dizia:
"! Eu tava brincando, minha flor! Não me ignora!"
Logo percebi o porquê do estar desconfortável. Era por causa da ação de . Meu melhor amigo ainda não confiava totalmente no meu novo/antigo amigo. Bom, achei melhor dar uma trégua pro , afinal, ele ainda não tinha tido tempo pra absorver a idéia de que não há o que temer, se tratando do . Mas algo me dizia que ele ia ter um trabalhinho pra se desfazer dessa idéia.
Foi tendo esses pensamentos, que eu me arrepiei quando as mãos de , antes nos meus ombros, desceram pra minha cintura. Me arrepiei novamente – e de forma mais intensa, se me permite acrescentar – quando o queixo dele pousou no meu ombro, e sua voz não estava mais alta como antes. Também, pudera! Ele podia sussurrar que eu ouviria perfeitamente bem, com aquela distância – se é que existisse uma – entre nós.
"Vamos." Ele disse, e eu pude sentir o sorriso em sua voz. "Me desculpa? Eu tava só brincando, não me ignora, vai."
Tantos pensamentos e acontecimentos sendo processados, que eu nem pude disfarçar o desespero e a surpresa depositados excessivamente em minha voz. Com uma risada abafada, eu olhei pro , que me observava com o mesmo sorriso forçado, e, perante aquele episódio todo, eu simplesmente passei uma mecha de cabelo que estava na minha cara, pra atrás da orelha, rindo sem graça, e, dizendo, antes que meu fôlego acabasse:
"Tudo bem, , não precisa se preocupar, eu também só tava brincando."
E como se não bastasse, ele tirou o queixo do meu ombro, para que pudesse me encarar de um ângulo melhor [n/a: Não pensem besteiras, leitores u.u UHEWUIWEHIUWEUEWI], e, eu pude ver do canto do meu olho, que ele estava sorrindo. Então, ele disse:
"Mesmo?!" Ainda sorridente - o que me matava, pois o sorriso dele era simplesmente... de me faltar o ar.
"Mesmo, mesmo." Eu disse, olhando pra ele, dando um sorriso meio infantil, querendo quebrar um pouco o gelo – e a tensão – que se encontrava no ar.
"Então me dá um beijo pra selar nossas pazes." Ele balbuciou, ainda sorridente, e eu o olhei com a cara mais assustada que eu podia aparentar naquele momento. Ele percebeu isso, e me olhou maroto, rindo da minha cara. O que ele estava achando de engraçado ali?
"Vamos, , pára de ser teimosa." Ele respondeu a minha fisionomia nada relaxada, e estufou a bochecha esquerda, insinuando que era um beijo na bochecha. Por um segundo, eu deixei minha expressão facial relaxar, mas mudando rapidamente pra uma expressão mais alegre, afinal, eu pensei besteira, e acho que sou muito grata pela besteira ter ficado apenas em minha mente.
Ri mais uma vez com a cara de , com aquela bochecha estufada, e quando dei por mim, já tinha forçado meus lábios na pele dele, que se diga só de passagem, estava bem quentinha e com cheirinho de um perfume que eu não sabia dizer qual era, só poderia afirmar que era muito bom.
Eu gargalhei alto quando ele soltou o ar da boca, fazendo um barulho engraçado. Acho que e acharam tão engraçado quanto eu, pois riram da situação. Apenas continuava desconfortável. E eu mal conseguia segurar as palavras que queriam sair da minha mente num pulo, e perguntar por que ele estava em um estado tão deplorável de agonia!
Se eu não soubesse que ele gostava da Lis, teriam apenas duas opções: ou ele era gay, ou ele estava dando uma de irmão/melhor amigo super-duper protetor - o que estava já enchendo a minha paciência, que, sejamos sinceras, não é lá a paciência que o Dalai Lama cultuava.
Capítulo 10: And I would be there every time you need me.
"Então, está a fim de ir ao nosso ensaio?" Ouvi a voz de soar audível o suficiente pra saber que ele direcionava a pergunta a , minha futura-mais-nova-amiga.
"Ah, dependendo do horário e do local... Eu posso ligar pra minha mãe pra avisar." Ela respondeu sorridente.
Estávamos todos sentados à mesa, comendo calmamente nossos distintos lanchinhos. Você sabe, precisamos comer pra ficar fortinhos, pra ficar fortinhos, e crescer. E crescer. [/música da Eliana – infância influente]. Eu estava dividindo meu trakinas com o , que, em troca, me ofereceu a coca dele [n/a: TRAKINAS COM COCA-COLA *-*].
comia animadamente seu cachorro-quente, mas ainda resmungava da tirania da tia da cantina de somente ceder um sachê de maionese e um de catchup. comia seu doritos e conversava ao mesmo tempo com todos, o que fazia com que muitos dissessem: "Come de boca fechada!". Mas ele simplesmente ria, fazendo com que pedacinhos de biscoito de nacho voassem pra todos os cantos. Alguém tem guarda-chuva?
E simplesmente comia seu terceiro pacote de Ruffles (vulgo: a batata da onda), enquanto ria das palhaçadas de . Resumindo? Apenas três pessoas capazes de manter uma conversa madura.
"O ensaio vai ser na casa do ." conversava animadamente com . "E nós vamos direto pra casa dele quando as aulas acabarem. Você acha que se falar com sua mãe, ela vai deixar ?"
"Bom," fazia uma cara pensativa, "a vai? Porque, seria difícil ela me deixar ir à casa de alguém que ela não conhece, onde só terão meninos. Não que eu veja algum problema nisso, mas minha mãe é meio neurótica com isso."
"Não, xuxu." Eu disse, terminando de dar uma bicada na coca do . "Ela tá certa. Você acabou de conhecer a gente, até eu ia ficar com o pé atrás de ir ao ensaio da banda do . Porque, sejamos sinceras, a aparência do meu amigo aqui não é lá muito de se passar confiança." Eu terminei de dizer, bagunçando o cabelo dele, numa brincadeira amigável.
Só tive chances de escutar bufando, antes de ser atacada pelas mãos do mesmo, me enchendo de cosquinhas na barriga.
"NÃO!" Eu gritei, porque eu, quando se tratava de cosquinhas, era mais sensível do que patricinha quando quebra unha.
"Você quer que eu pare, é?!" perguntou, obviamente curtindo com a minha cara, mas eu estava muito ocupada tentando fugir dele. Ouvi a risada de soar alto perto de nós, e resolvi pegar fôlego pra implorar por minha vida.
"PÁ-RA, , P-PÁRA." Eu tentava pedir, em vão.
"Desculpa," ele ria com , "mas eu não sou uma pessoa de se passar confiança, logo, eu não sou confiável, não presto. Portanto, eu não paro."
"P-POR FAVOOR!" Eu implorava, já não segurando minhas gargalhadas.
"Você não parece em agonia o suficiente, madame." Ele dizia, entre as risadas que saíam de sua garganta.
Eu juro. Eu não queria. Mas foi exatamente o que aconteceu. Eu olhei pra garrafa de 600 ml de coca na minha frente. Ela olhou pra mim, me dando o maior mole. não ia parar tão cedo. Então eu fiz o que fiz.
"PUTA QUE PARIU!" Foi o que conseguiu gritar, quando ele se deu conta de que eu havia jogado a coca-cola nele. O que eu podia fazer? Eu odiava as cosquinhas, por me deixar vulnerável... E a coca era a minha última saída. Então, eu peguei a garrafinha na maior agilidade, levantei da mesa rapidamente, fazendo com que ele me soltasse de suas terríveis e agonizantes mãos-de-cosquinhas [n/a: Meu deus, que maldade u.u], e taquei a coca-cola nele. Pelo menos não foi o conteúdo todo, mas eu tinha certeza que ele ia pro ensaio cheirando a coca-cola. Pelo menos sua cabeça estava ensopada, e sua blusa, um pouco manchada na barriga, que fez com que a blusa dele grudasse no tanquinho escondido que ele guardava pra depois do casamento. Não.
Sorte dele que foi ágil o suficiente pra deixar a coca escorrer da cabeleira antes que sua blusa inteira fosse deteriorada como Hiroshima e Nagasaki na Guerra do Pacífico. [n/a: Tive teste de história essa semana. Não me julguem u.u]
"Você não queria me soltar!" Eu disse, com minhas mãos no ar, mas instintivamente afastada de o suficiente pra que ele não revidasse em mim o meu ato.
"Tudo bem." disse, limpando sua cara com um guardanapo, sendo zoado por e , que riam e apontavam pra ele, enquanto o mesmo se enxugava. "Sem ressentimentos. Pode ficar tranqüila, porque vingança é um prato que se come frio, cara ." Ele terminou de falar, me mandando um olhar mortal, e depois, gargalhou maleficamente, se dirigindo para o banheiro masculino.
"Cara," dizia, olhando pra mim, "você é malvada, girl. Casa comigo?" E desatou a rir, provavelmente lembrando da situação "nada" hilária do . riu junto com , o que me fez rir de volta.
"Só caso se na nossa casa tiver comida boa." Eu respondi, falando com uma falsa cara séria, quando gargalhou alto e disse:
"Se considere casada, mademoseille." E fez uma reverência exagerada, que foi interrompida pelo Sr. Sinal-que-finaliza-o-intervalo.
"Então, , vai com a até a casa dela, deixa todos os telefones possíveis que a mãe dela pedir, e quando puderem, apareçam o mais rápido que conseguirem, na casa do . Entendido?" perguntava, olhando pra mim e pra enquanto a cambada toda da escola saía as pressas. Fugir da escola é quase como preso fugindo do Carandiru. Um luxo!
"Entendi, querido professor." Eu disse com uma voz infantil, batendo continência. riu, mas simplesmente sorriu maleficamente (de novo) e disse:
"Nada de zoar com a minha cara, se não quiser que sua penalidade de vingança aumente, é claro." Ele disse, com seus olhos cheios de malícia. Eu estremeci com aquilo.
"Deus, cuide de mim, eu dou sempre um real na hora do dízimo!" Eu disse, rindo da cara dele de loser. Ou seria eu a loser com a minha pseudo-super-proteção-divina?
"Claro, claro." Se eu pudesse ouvir os pensamentos de , provavelmente naquele momento seria: "Que menina estranha!" Ele não estava lá muito errado, sabe?
"Bom, então vamos, ! Antes que o me chame de estranha, seus pensamentos estão tão sólidos que estão ecoando fortemente em minha áurea espiritual." Eu disse, dando uma de Mãe Diná.
"Eu estava treinando pra que eles ficassem fortes o suficiente, deixando desnecessária minha comunicação contigo." disse, sorrindo que nem um idiota que responde às questões de geometria. (Considerando o fato que foi assim que ele me salvou do sermão da professora da mesma matéria, há um tempo, só porque eu estava meditando – lê-se, dormindo.)
"Pois é, galera," disse, segurando o riso entre nós, "vamos logo senão a gente não chega hoje na casa do... , não é?" Ela perguntou, tentando lembrar o nome ao máximo do único integrante do McFly que ela ainda não conhecia.
"Sim, sim, zinho. Bom, vamos mesmo, xuxua!" Eu disse, pendurando minha mochila nas costas, e soltando um beijo no ar pro .
"Até logo, bitchano !" Eu acenei, e segui meu caminho com a xuxua.
Pra quem vai a pé pra escola, até que a mora bem perto da mesma.
Chegando a casa dela, foi até engraçado, porque a mãe dela ficou uns cinco minutos olhando pra minha cara com uma expressão de espanto.
"Mamãe está acostumada somente com a presença da e dos grupinhos de nerd aqui em casa..." me explicava. "Por isso ela está meio chocada. Mas não ligue, logo ela vai começar a falar que nem uma matraca. Espero que não se importe." E terminou com sua pequena explicação, soltando uma pequena risada.
"Prazer, tia. Me chamo ." Eu falei, deixando minha mão a amostra pra que ela a apertasse, em forma de cumprimento.
"O-oi, minha filha!" A tia, mãe-da-, respondeu alegremente, limpando a mão em seu inseparável pano de prato (ele se encontrava pendurado na cintura dela) e apertando a minha mão, conforme a sociedade nos ensinou a como cumprimentar as pessoas. Pelo menos em Londres.
"Bom, mãe," disse, com uma cara pidona, "agora que você já conhece a , eu queria te pedir uma coisa..."
"Ah, eu sabia!" A mãe exclamava, rolando os olhos. Cara, que legal, ela rolava s olhos como uma adolescente! "Sempre que você faz essa cara, é pra pedir alguma coisa. Fale logo."
"Bem, é que eu conheci a hoje, na minha aula de literatura, e eu conheci os amigos dela. Eles têm uma banda, e me chamaram pra assistir o ensaio deles. Posso?" E assim, ela fez a cara mais forçada de gatinho-do-Shrek possível, com seus lhos tão brilhantes e grandes que eu tinha certeza que sairiam do globo ocular a qualquer instante.
"Hm, você disse meninos?" A mãe de questionou, dando ênfase na palavra 'meninos'. "Filha, você acabou de conhecê-los, eu não acho que..."
"Por favor, mãe !" agora usava uma cara que eu nunca tinha visto antes! Era uma junção de gatinho-do-Shrek com olhinhos-de-desenhos-japoneses! Incrível. Vou pedir pra ela me ensinar!
"Olha, tia," eu intervi, pois vi que a colega ali não tinha mais nenhuma carta na manga de hipnotismo. Ela lutou até o fim, "eu posso lhe garantir que não há nenhum mal em assistir o ensaio dos meninos. Eu estarei lá, e o meu melhor amigo é dessa banda. Ele é mais confiável do que um cachorro, tia, apesar da palavra 'cachorro' não ser a melhor das alternativas pra se igualar meu amigo, porque pode ser utilizada de forma negativa e agressiva. Mas esquecendo um pouco de cachorros," eu me chutava mentalmente por falar tanto, "eu posso lhe dar todos os telefones de contato que tem naquela casa, e de todas as pessoas que estarão lá, se isso for lhe fazer sentir-se mais calma. Então, o que me diz?" Eu perguntei, sorridente da maneira mais Celso Portiolli que eu podia ficar, criando expectativas de que talvez a Tia-Mãe-Da- a deixaria ir.
"Eu não acredito!" bufava a meu lado.
"Calma, xuxua, é assim mesmo. Pensa, poderia ser pior..." Eu tentava consolar, mas fui interrompida pela ira da minha mais nova amiga.
"Pior do que meu irmão ir neste ensaio? Meu irmão tem 18 anos, mas tem idade mental da metade da metade!"
Confesso que me perdi quando ela disse metade da metade, tanto que ela ficou resmungando por uns dez minutos enquanto eu estava perdida nos meus cálculos matemáticos. Hm, metade da metade? Dezoito dividido por dois dá nove e...
"!" me parou, olhando assustada pra mim. "Você tá me ouvindo?"
"Só um momento." Eu dizia, já tinha resolvido metade da questão, não era agora que eu ia desistir! "Qual é a metade de nove?" Eu perguntei, olhando pros meus dedos, já pronta pra calcular.
"Quatro e meio. Por quê?" Ela perguntou, mas antes que eu pudesse responder, ela desatou a rir muito alto dentro de seu quarto, que era onde estávamos, esperando o irmão dela sair do banho, pra que ele fosse conosco ao ensaio.
"!" Ela exclamou, ficando vermelha que nem um pimentão. "Eu não acredito nisso!" Ela ria entre as palavras, portanto, note a dificuldade de entender o que ela dizia. Mais cedo ou mais tarde eu iria ativar minha leitura de pensamentos à la Jean Grey no nível de mutação 5 só pra entender o que a dizia. Sem exageros. "Você tava calculando a idade mental do meu irmão?!" Ela mais riu do perguntou, e isso me deixou meio emburrada, sabe. Porque assim, não era minha culpa se eu era hiperativa mentalmente, eu simplesmente levava as coisas ao pé-da-letra de vez em quando, se algo era muito mais interessante do que as coisas que aconteciam na minha vida.
"Você só fica resmungando, . Relaxa, cara, é só teu irmão. Já pensou se sua mãe estivesse no lugar dele? Se sua mãe fosse assistir ao ensaio conosco?" E antes que eu pudesse terminar de falar 'conosco', ficou branca, do nada, como se o pimentão que ela havia encarnado tivesse perdido a cor.
"Não!" Ela disse, num sussurro. "Se ela fosse, ia ser o "ó" do borogodó! Vai meu irmão mesmo. Que, de fato, vou gritar com ele agora, porque senão, a gente não sai daqui hoje. Já volto, ."
Eu acenei com a cabeça, ainda pensando seriamente nas expressões do dia-a-dia. Eu estava muito lerda naquele dia, confesso, mas, por que diabos as pessoas falam o "ó" do borogodó? Só por que tem vogal ''o'' em demasia? Porque se fosse assim, eu poderia dizer muito bem que a ida da mãe da seria o "x" de Xuxa foi a Xexênia lavar sua xoxo...
"Tá, mãe, já sei!" Fui interrompida mentalmente por . "Vamos, ? Adam já saiu do banho, tá se arrumando rapidinho. Vamos esperar lá embaixo, pra gente não perder nem um minuto a mais."
"Ok, xuxua." Eu disse, seguindo para a porta, sem ter chances de terminar meu pensamento. O que eu não sabia dizer se era uma coisa boa ou não.
"ADAM!" exclamava do pé da escada, bufando pelas ventas. "EU NÃO VOU FALAR DE NOVO!" Já era a terceira vez que ela gritava o nome do irmão em dez minutos. Dá um tempo pro cara colocar as cuecas, pô!
"Já tô indo, já tô indo!" Eu pude ouvir uma voz masculina e aveludada soar no alto a escada. Quando me virei pra vê-lo, fiquei uns cinco segundos fora do ar, te juro. O irmão da parecia ter saído de uma capa de revista de roupas íntimas pra homens. Sério, ele tinha o cabelo preto molhado e um pouco bagunçado na altura dos olhos, que mais pareciam duas bilhas azuis, iluminando qualquer coisa que estivesse na direção daqueles faróis oculares. A blusa branca e lisa que ele vestia deixava a amostra os bíceps muito bem cuidados que ele tinha. Certamente, ele fazia algum esporte físico, ou algo do tipo. Resumindo? O cara era um cavaleiro de ouro! [n/a: E eu sou sua Atena *u* !]
"," disse, com um pequeno sorriso no rosto, "este é o meu irmão com a idade de quatro anos e meio, mentalmente, como lhe falei. Adam, essa é a ."
"Prazer." Eu respondi com um aceno e um sorriso tímido na direção dele.
"Olá." Ele disse, mostrando sua perfeita arcada dentária. "Sou o Adam, e meu QI é um pouco mais elevado do que 20." Ele respondeu, fazendo uma cara de tédio, olhando em direção à irmã. Ótimo! Lindo, simpático e expressivo fisicamente! Vou pra pasárgada com ele, porque lá, eu sou amiga do rei! Brincadeira! Sem saber como agir perto de e já é um sufoco, mais um, eu não sei como sobreviveria!
No caminho para a casa do , deu pra perceber que estava mais ansiosa do que bebê pra hora da papinha, pra assistir o ensaio dos meninos. E Adam ria das coisas engraçadas que sua irmã dizia sobre como conheceu a mim e as meus amigos.
"É de se notar," Adam dizia, rindo da , "que a não é a pessoa mais rápida no mundo, em termos de pensamentos, só de saber que ela é a sua mais nova amiga, ."
"Ei!" Eu disse, apontando um dedo na direção dele. "Eu posso não estar muito rápida hoje, mas eu entendo quando me chamam, usando eufemismo, de lerda, mocinho!" Há! Quem era a lerda agora? Era só não comentar que eu estava mais entretida em saber a metade da metade de 18 do que das reclamações intermináveis de sobre como era injusto ela ter que ir ao ensaio com o irmão dela. Se bem que pra mim não era sacrifício nenhum. Ora, porque será?
" não está muito rápida hoje." comentou. "Mas mesmo assim, foi capaz de encher a cara do melhor amigo de coca-cola, hoje, na hora do recreio." Ah, pronto. Agora o irmão dela vai pensar que eu sou a maníaca da coca-cola. Porque Guaraná Kuat é muito melhor. É da Amazônia.
"Por que fez isso?" Adam perguntou, rindo em minha direção. E quando eu fui tomar fôlego pra dizer, foi mais rápida, e respondeu a pergunta do irmão, porém, respondeu com mentiras:
"A é drogada." Ela disse, segurando riso. Eu olhei espantada com a fala dela, da mesma maneira que Adam olhou pra mim como se eu fosse a personagem principal do filme "Aos Treze".
"Eu não sou drogada." Eu fiz cara de tédio ao olhar pra . "O estava fazendo cosquinhas em mim, e eu odeio isso. Eu pedi pra ele parar, mas ele não o fez, e bem... eu tive que tomar alguma medida perante a tal situação." Eu usei do meu melhor vocabulário pra que os dois (lê-se: Adam) não pensassem que eu simplesmente era lerda. Apesar de quase sempre agir com lerdeza.
"Ah sim. Menina radical." Adam riu com a minha atitude "super-punk-rock" contra o meu melhor amigo.
"Hm, nem tanto." Eu disse, me lembrando da queda de bicicleta que sofri há algum tempinho.
"Não quero nem perguntar o porquê!" Adam respondeu, provavelmente pensando mais alguma loucura sobre minha pessoa. Contanto que a loucura envolva a mim e à ele numa viagem ao Caribe com duas passagens somente de ida, eu não me importava. Tá, parei.
"Só espero que esse ensaio termine logo. Acompanhar a irmãzinha e os amiguinhos num pseudo-ensaio não é lá muito divertido." Adam disse, provavelmente se achando muito mais velho com a diferença de dois anos entre a irmã e ele.
"Você pode se arrepender de dizer isso, Senhor Eu-sou-muito-mais-velho-e-maduro-do-que-a-minha-irmã-e-seus-amiguinhos-pirralhos." Eu respondi, fazendo uma careta exagerada para o Adam, que só riu do meu comentário, e, balançando a cabeça negativamente, ele disse:
"Não quis ofender, donzela."
"Meu Deus. 'Donzela?'" Eu perguntei, rindo dele. "De que século você é? De Henrique VIII?"
"Um dia a gente marca uma hora e eu te mostro." Ele disse, com toda a malícia contida em suas palavras, e, suas bilhas azuis, observaram meu rosto, como se esperassem uma resposta tão boa quanto a dele. Quem sabe a contagem de séculos poderia ser mais interessante com a presença de Adam – e com sua irrecusável malícia – comigo?
Antes que eu pudesse dizer algo – se é que eu sabia o que dizer –, foi mais rápida e respondeu seriamente:
"Cala a boca, Adam. Quando você aprender em como chegar em uma mulher, talvez a pense no seu caso." Uau, dez a zero a pequenina irmã não tão pequenina assim. "Já estamos chegando, ?" perguntou, ansiosa para ver o ensaio.
"Mais um quarteirão." Eu respondi. ", você é a fim de ter uma banda, ou algo do tipo?"
"Sim!" Ela respondeu, com um sorriso capaz de rasgar a boca. Seria engraçado, ela seria inimiga do Batman. Coringa, a versão feminina. "Mas eu estou mais pra ver a banda do que qualquer coisa. Eu sempre fui muito fã de bandas de rock em geral, mas minha mãe nunca deixou-me ir à um show ou algo assim. Logo, um ensaio deve ser, pelo menos, algo parecido como um show, né?!"
"Mais ou menos isso." Eu respondi, feliz de saber que uma coisa tão simples ao meu ver, era algo realmente gratificante pra .
"Finalmente vocês chegaram!" dizia, abrindo a porta da casa de .
"Oi pra você também, ." Eu disse, fazendo uma cara de sorriso forçado, que fez com que o mesmo risse de mim.
"Oi, pequena." Ele me cumprimentou, beijando o topo de minha cabeça.
Eu sorri, e pedi que e seu irmão entrassem e se sentissem à vontade. Detalhe para o fato de que a casa não era minha. Educação mandou lembranças.
Quando todos na sala viram nossa presença, sorriram, com exceção do , que estava com uma cara de que como tivesse visto um cometa passar. Ignorei a cara dele, e logo fui dizendo:
"Bom, minha gente. Pra aqueles que conhecem e os que não conhecem... Essa é , minha colega da escola, e esse é seu irmão, Adam. A mãe de só deixou-a vir se ele viesse também, então... Deu nisso." Eu respondi sorrindo. ", Adam. Esses são , , e . Juntos, eles formam a futura sensação do verão: McFly!" Eu terminei de falar, apontando pra banda, que ria do meu comentário.
", você já conhecia os três retardados, digo, integrantes da banda," eu completei, sorridente, "mas o , não. É o único idiota que não estuda na nossa escola, mas a gente gosta dele mesmo assim. , seja educado na frente da nossa amiga. Ela não precisa saber dos podres logo no primeiro dia que nos conhece." Eu ri de mim mesma, recebendo um olhar fulminante do dono da casa, mas que logo se iluminou quando pousou o olhar sobre minha colega.
"Totalmente um frisson." Eu murmurei, sorridente, olhando para , que cumprimentava com uma reverência exagerada, fazendo-a rir.
"Um o quê?!" , que agora estava ao meu lado, perguntava-me sobre a estranha palavra que eu tinha dito.
"Um frisson. Um tremor de atração intensa." Eu respondi, dando de ombros.
"Onde você aprendeu isso?" parecia estar assustado com meu 'alto' nível de linguagem estrangeira.
"Digamos assim, que eu gostei muito do Livro 'A Garota Americana' ." Sussurrei contente, enquanto via que , e Adam engataram rapidamente num assunto 'não muito' comum ali: Música.
E foi durante essa conversa que eu observava dos três meninos, que todos, chamados por , fomos para o porão da casa, pra assistir o tal ensaio.
Quando todos já estavam com seus respectivos instrumentos, pigarreou antes de falar:
"Senhoras, Senhores e... ," ele disse, rindo da cara do amigo, que lhe mandara o dedo do meio em resposta, "vocês acabam de entrar em um hospício musical. A gente pensa que faz música, e, bom, música é o que tocaremos pra vocês. Sintam-se à vontade, embora a casa seja do . E escutem nossas músicas. Apesar de não termos nenhuma própria. Ainda."
"Começa com qual?" perguntou, animado pela pequena platéia que o assistia.
"Vai 'She loves you', né?" perguntou - mais pedindo do que perguntando, pra falar a verdade.
"Beleza, então. Um, dois. Um e dois e..."
estava irrequieta ao meu lado. Particularmente falando, eu acho que ela se entusiasmou mais com a presença do único McGuy, que ela ainda não tinha conhecido. Pelos olhares abobalhados que ela dava na direção de , ficou claro que valeu a pena esperar.
Adam estava curtindo o ensaio. Pra quem disse que seria um saco acompanhar a irmãzinha e os amiguinhos em um ensaio, ele estava mais animado do que o esperado. Talvez ele gostasse de Beatles também. Até quem não gosta, canta junto.
E eu, estava ali. Sentada, vendo meus garotos crescerem. Evoluírem, não só musicalmente, mas fisicamente, e mentalmente. Com exceção de alguns momentos em que os quatro agiam como crianças de 7 anos, eles estavam amadurecendo. Chorei mentalmente ao pensar que eu também estava nesse processo de amadurecimento. Quer dizer, alguns poucos anos a mais e eu sou dona do meu próprio nariz! Quem diria que esse dia ia chegar! Desde pequena, só sonhava em ter 18 anos pra poder ir pra Hollywood, invadir algum cenário de filme onde o meu querido Depp estaria, e assim, a minha alma gêmea do estrelato olharia pra mim... Eu diria: "Oh, Johnny", e ele diria: "Não fala nada, gata." Daí nós correríamos para o motel mais próximo e...
"SEXO!" Ouvi exclamar. "A nossa primeira música oficial tem que falar de sexo!" É, ignorem meu comentário de que eles estão amadurecendo mentalmente.
levou um pedala de cada um da banda, arrancando gargalhadas da "platéia" que os assistiam. Daí que eu percebi que eles já tinham terminado de tocar "She loves you".
O ensaio passou rápido, e ao longo dele, eu pude perceber que o repertório dos meninos tinha ficado maior. Antes, quando só tinha Beatles, como "She loves you"; "I wanna hold your hand"; "Help" e "All my loving", agora tinha "And I love her", dos Beatles; "Don't stop me now" e "Crazy Little Thing Called Love" do Queens, e, pra finalizar, "Pinball Wizard" do The Who.
Eu não me lembro de escutá-los tocar tão bem esses covers. Tudo bem que eles já tinham me dito que iriam aumentar o repertório. E tudo bem que eu já havia os visto tocando essas músicas. Mas elas estavam realmente boas! Não é aquele tipo de cover que você força um sorriso e diz que tá bom, só pra agradar seus amigos. Realmente estava bom! Se eles continuassem assim, eu não tinha dúvidas que eles seriam bons o suficiente para, em pouco tempo, fazer parte da fama, e ser a tal futura sensação do verão, como eu tinha dito anteriormente.
Depois que eles finalizaram o ensaio, eu fiquei brincando com o instrumento do , enquanto tentava dar alguns palpites do que eu poderia tocar pra que ele tocasse junto. correu para o lado de , quando ela perguntou se ele poderia ensiná-la a tocar algo, e Adam e se encarregaram de pedir as pizzas e preparar os filmes que assistiríamos. Obviamente, teria uma sessão pipoca na casa do . Não que ele se importasse com isso, de fato, eu acho que ele seria capaz de fazer tudo pra manter a ao lado dele por mais tempo possível do que o tempo de ensaio oferecia. E a situação com não era muito diferente, se é que você me entende.
Acabei tocando "That Thing You Do” do The Wonders, porque era a coisa mais fácil que eu tinha capacidade pra tocar. Não me julgue mal, eu simplesmente nasci pra viver na aba do McFly. Vai dizer que isso não era boa vida?
"A pizza chegou!" Foi só comentar, que o porão ficou vazio. Tá, não ficou totalmente vazio, eu estava saindo de lá. Mas me parou.
"?" Ele me chamou, guardando seu caderno de letras de músicas dentro da sua mochila.
"Sim?!" Eu respondi.
"Qual é a desse Adam?" Ele perguntou, olhando pra mim com a testa franzida.
Eu ponderei um minuto, pensando porque ele estava me perguntando aquilo.
"Como assim, ?" Eu realmente estava perdida.
"É que ele chegou aqui como se ele fosse muita coisa, já conversando com o e o como se eles fossem velhos amigos dele. Ele é metido assim?" Ele indagou.
"Tá com ciúmes, ?" Eu perguntei, sentindo um sorriso desabrochar em meus lábios. "Ou você tá com medo que o Adam tome seu lugar?"
"Há-Há-Há." estava sendo irônico. "Não importa quem apareça pros meus amigos, eu nunca serei substituído. Você mesma me disse isso, lembra?" Ele retrucou, sorrindo um sorriso galanteador na minha direção.
"Hm, isso é verdade. Mas o Adam é legal, cara. Ele gostou de vocês, eu acho. Ele não é metido. Em demasia, creio eu. Acho que, convivendo conosco, ele vai ficar igualzinho a vocês. Tirando o fato de que ele é um Deus, é claro. Só espero que ele não coma como vocês." Eu assumi meu medo da fome de Adam, mas também assumi a beleza dele, sorrindo/babando ao pensar nele com uma tanga, mas meus pensamentos foram interrompidos pela fala de :
"O QUÊ?!" Ele parecia estar perplexo com o que eu disse.
"Ué, é algum pecado eu querer que ele não aja como vocês quando está com fome?!" Eu questionei pasma.
"Não, não me refiro a isso. " fazia gestos negativos com as mãos. Ele estava nervoso. "Você disse que ele é um Deus?" Agora era real. Eu finalmente veria um par de olhos sair do globo ocular. Tragam a pipoca!
"Hm, sim. Ele é lindo, ." Eu assumi, piscando levemente na direção dele. Tudo bem que ele era homem, mas, como assim ele não detectou os detalhes de Adam? Ou pelo menos, como assim ele não detectou um pouquinho só que fosse da beleza de modelo estilo comercial do perfume da Carolina Herrera For Men 212? Tô bege.
"Você acha ele lindo? MEU DEUS, VOCÊ BATEU COM A CABEÇA?" estava prestes a surtar. Chamem a carrocinha: provável acesso de raiva; espumando pela boca.
"Xuxu," eu disse, respirando fundo pra não mandar ele pra um lugar não tão legal quanto Pasárgada, "eu acho ele lindo. Mas o problema é de quem? Meu, não é?" tentou falar novamente, mas eu o interrompi. "Então, deixa isso de lado, e vamos logo, antes que a pizza acabe. Chega de papo por hoje. Cegueta." Eu segurei o riso antes de sair do porão.
Ao chegar à sala, estava uma bagunça só: e disputavam o pedaço de pizza que tinha mais calabresa; estava com seus olhos brilhando – literalmente – toda vez que sorria, enquanto comentava sobre como gostaria de ir à um show do Green Day; e Adam estava sentado na cadeira da sala, com um pedaço de pizza na mão e uma cerveja aos seus pés, assistindo um jogo qualquer de futebol. Pelo que pude notar, ele comia educadamente, sem mastigar de boca aberta, nem parecer um esfomeado da Etiópia. Pelo menos isso.
Depois de uma hora a pizza já tinha acabado, tinha gente jogada no tapete da sala, e um quase-casal mais entretido em disfarçar os olhares que se davam um a outro do que realmente assistindo Star Wars.
"Vou à cozinha pegar coca-cola, alguém quer alguma coisa?!" Eu perguntei, ingenuamente na minha educação, sendo mutilada verbalmente por um coro que parecia mais ensaiado do que as negonas de igreja evangélica dos EUA.
"Coca-cola." Foi o que pude ouvir.
"Eu vou contigo, xuxua." disse, levantando do sofá, onde e Adam trocavam algum comentário sobre o sabre de luz do Anakin. Genial.
Antes que eu pudesse entrar na cozinha, foi logo perguntando:
"Sério? Ele? Lindo? Pelo amor de Deus, !" Ele rolava os olhos, enquanto pegava os copos.
", qual é o problema em eu achá-lo lindo? Não é como se eu estivesse te castrando, é?" Eu indaguei, já cansada de ouvir meu melhor amigo reclamar do meu gosto. Eu, hein?! Que homem chiclete! Gruda mais do que super-bonder!
colocou as mãos nos seus países baixos, e fez uma cara de desespero, me respondendo quase que automaticamente:
"Não, não a mim. Deixa o Júnior em paz, ele nunca te incomodou. O que é uma coisa boa. Eu acho. Argh!" Ele fez uma cara de nojo ao pensar uma coisa que eu provavelmente não acharia muito legal. Ou eu acharia legal até demais. É, eu preciso me desapaixonar.
"Então, esquece isso, xuxu." Eu respondi, pegando a coca da geladeira, e distribuindo pelos copos.
"Eu posso até esquecer isso," ele disse, depois de um tempo, olhando de uma maneira meio tarada pros copos de coca cola, que já estavam cheios, "mas coca-cola me lembra de uma coisa que você está me devendo..." Então, sem nem pensar, ele olhou pra mim com a maior cara de psicopata que ele podia me dar. Fodeu.
"NÃO!" Eu gritei, já querendo sair pelo outro lado da cozinha, mas já estava mais perto de mim do que eu podia estar mais perto da porta. Ele ria maleficamente, como se fosse roubar a minha alma. Tá legal. "Não, Zinho. Não, não, meu amorzinho, por favor, escuta a tia , você não me deu..."
"Diga olá para a Coca." foi tudo o que eu consegui ouvir antes de sentir o líquido gelado e gaseificado do refrigerante atingir minha cabeça.
"AAH!" Eu gritei quando me olhei no reflexo da panela de pressão do . Em poucos segundos, a cozinha estava cheia de olhos curiosos sobre mim. Mas quando viram o que aconteceu, todos começaram a rir. Ótimos amigos.
"!" Eu gritei, fula da vida. Ah, minha camisa lilás, como ele pôde? "Minha blusinha lilás. Seu cretino, volta aqui!" Eu fui atrás dele como vampiro vai atrás de sangue, mas logo fui impedida por dois braços fortes me segurando e a voz de ecoando em meu ouvido:
"Alto lá, . Ele está no direito dele. Vamos, se desfaz dessa raiva e vai se limpar." Ele estava rindo! Aquele outro cretino! Eu preciso do meu Depp! Eu o quero agora! Só ele ou muita terapia vai me fazer superar o caso da blusinha linda lilás ferrada por um copo de coca-cola.
Eu respirei, contei até dez, me soltei do e fui pro banheiro. Quando subia as escadas, pude ver a cabeça de , vermelha de tanto rir, na porta da cozinha. Eu apontei pra minha mira e disse:
"Espere por coisa muito pior, . A blusinha lilás era uma das minhas melhores blusas. Se ela ficar danificada..." Eu disse, subindo as escadas, olhando maleficamente pra ele. "Você ainda gosta muito do seu cd do Blink, não?" Cheguei ao andar de cima, mas é claro, não sem ver a cara de desespero do .
"?" perguntava, batendo na porta, e colocando sua cabeça pra dentro do quarto do .
Eu estava vestida com uma camisa antiga dele, – do , não do – do Led Zeppelin, mas não ligava. Até porque ela só estava velha. E não cheirava à gordura de pizza, nem a cigarros, nem a cerveja, o que era um milagre, vindo do dono da casa.
"Entra, xuxu." Eu disse, prendendo meu cabelo num coque enquanto me observava na frente do espelho.
"O estrago foi muito grande?" perguntou, fazendo uma cara de dor.
"Não muito. Acho que vou mandar a minha blusa pro lavar, só porque ela realmente era uma das minhas preferidas. Mas tudo bem. Eu acho que mereci. Não estou tão zangada assim!" Eu respondi, rindo da cara do , enquanto ajeitava melhor a blusa do .
"Ah. Bom, você ainda me confunde com isso." disse, sentando-se na cama do .
"Como assim?!" Eu perguntei, não entendendo o que ele tinha dito, obviamente.
"Sua relação com o , me refiro. Sei lá, vocês brigam, mas fazem as pazes, e se falam normalmente depois disso. A amizade de vocês é bem forte. Acho que vocês são amigos demais pra se odiarem. Pelo menos por causa de uma blusa." disse, prendendo o riso.
Eu fiz uma careta, olhando pro através do espelho, enquanto eu pegava meu lápis de olho preto na bolsa. Eu não vivia sem ele.
"Vocês se conhecem há quanto tempo?" Ele questionou, curioso.
"Dezesseis anos." Eu respondi, sem ligar muito do porquê ele perguntar isso.
"E vocês sempre foram amigos?" Indagou.
"Hm, a minha família conhece a família dele antes da gente nascer. Logo, é uma amizade de barriga." Eu falei, passando o lápis no meu olho esquerdo.
"Ah, sim. Mas no caso, vocês sempre foram só amigos?" Hm, tá. Ele enrolou até me perguntar isso. Eu entendi. Me virei na direção dele, observando-o com suspeita.
"Por que quer saber disso?" Eu levantei uma sobrancelha enquanto perguntava.
"Ah, nada, ué. Só curiosidade." Ele balbuciou, dando de ombros, sorrindo levemente.
"Sim," eu o olhei com muita mais suspeita, antes de me virar de volta para o espelho, "sempre fomos só amigos." Eu respondi, direcionando a ponta do lápis na direção do meu olho direito.
"Ah, tá. Mas me diz: há quanto tempo você vem gostando dele?" Ele perguntou, e eu deixei meu lápis cair, não vendo nada além do meu reflexo pasmo no espelho, e a cara de esperando por uma resposta na direção do que seria meu olhar. Mas eu não olhei.
Eu não podia.
Eu não conseguia...
Capítulo 11: But you're never happy with what you've got.
"Então," disse, apoiando seus cotovelos em seus joelhos enquanto me olhava, "vai me responder ou não?"
"Não entendo o que você quer dizer." Eu simplesmente disse, apanhando o lápis do chão, tampei-o e o guardei na minha mochila, implorando por tudo que era mais sagrado para que não falasse mais sobre aquele assunto. Mas isso não ia acontecer.
"Ora, vamos, !" Ele exclamou, batendo as mãos no joelho, em seu estado elétrico. "Você pode tentar enganar muita gente, mas eu sei que você gosta dele muito mais do que simples amigos. E eu posso dizer que isso ocorreu no meio tempo em que a gente se despediu do acampamento até o momento em que eu te reencontrei."
Eu estava pasma. Pasma como ele observava tudo a sua volta, a ponto de perceber meus sentimentos por . Que, visivelmente, era o único idiota que não via que eu gostava dele. Estava começando a pensar que seria uma boa idéia se ele soubesse do que eu sentia, assim, eu não precisaria esconder mais de ninguém, e viveria em paz. Parcialmente.
Como eu permaneci calada, ainda muito chocada com as palavras de , o mesmo deu continuação ao seu pequeno discurso, me tirando do transe, para prestar atenção somente no que ele dizia.
"Olha, eu só estou perguntando isso... porque eu quero te ajudar."
Naquele momento, eu me virei em direção a , para observar a expressão em seu rosto. Logo, me deparei com uma face sincera e com certa dose de dor. Eu não entendi, mas isso não me impediu de perguntar:
"Me ajudar?!" Eu praticamente cuspi as palavras.
"Bem... Sim. Porque eu sei que isso não é nada fácil. Gostar do seu melhor amigo e ele nem fazer idéia. Não gosto nem de imaginar por quanto tempo você ficou guardando isso só pra você. Doloroso é apenas a primeira palavra do que você passa realmente."
Eu o olhei com uma cara sínica, com se o acusasse de algo. Nem eu sabia o porquê, mas eu estava brava com ele. Acredito que foi pelo fato de eu ter lutado tanto pra manter aquilo em segredo, e, – que estava de volta há praticamente duas ou três semanas – simplesmente ''desvendou'' meu enigma, quando eu tentei arduamente escondê-lo.
Ou talvez fosse porque a mesma pessoa que queria me ajudar no presente, foi a mesma pessoa que me fez sofrer há quatro anos por ter ficado com uma amiga minha - o que me fez ser muito mais do que cautelosa na hora de fazer amizades femininas, onde somente quatro anos mais tarde eu fui tentar novamente. De verdade.
Ou talvez fossem as duas coisas juntas, misturadas ao medo do meu segredo ser revelado, do sentimento de raiva que estava começando a aflorar em mim, de sentir que minha mente estava com uma carga de pensamentos muito maior do que ela poderia agüentar; o que me faria perder o controle a qualquer momento.
Mas eu tentei me manter ereta, ou pelo menos passar a imagem de que ainda estava de pé – e bem – para o , sem deixar de usar aquele olhar cínico que mencionei anteriormente, o que o fez dizer:
", por favor..." Ele implorou. "Não me olha assim. Não me olha como se eu fosse o culpado de tudo. Porque você sabe que eu não sou. Eu não mencionaria esse assunto se eu não soubesse o quão mal ele pode lhe fazer, se você simplesmente agüentar isso sozinha. Me deixa ajudar. Por favor."
"Ajudar como?" Minha voz saiu um pouco esganiçada, devido ao misto de sentimentos no interior de mim, que já começava a transparecer.
"Eu ainda não sei como..." Ele parecia esconder alguma coisa, com a cara um pouco ruborizada, como se tivesse vergonha do que pensava. "Mas eu sei que quero que você conte comigo quando não estiver bem por causa... dele." Ele disse, baixando a cabeça, mantendo seu olhar no chão.
Eu respirei fundo. Ele só está querendo ajudar, uma voz ecoou na minha mente, mais alta do que qualquer pensamento que já tive. Provavelmente, a tal voz era minha consciência. Eu caminhei até a cama, sentei-me ao lado dele, e encostei minha cabeça em seu ombro. Fiquei assim por uns cinco minutos até que o mar de sentimentos se acalmasse dentro de mim. Feito isso, foi só questão de ganhar coragem o suficiente pra dizer o que eu queria:
"Eu gosto dele desde um pouco antes de você retornar. Eu gostaria de falar pra ele, mas dói só de pensar em como isso é difícil e na grande possibilidade de acabar com a nossa amizade. E disso, eu não me perdoaria nunca." Terminei antes de processar tudo o que havia acontecido.
"Entendo." Ele disse, fazendo carinho na minha cabeça, com a voz meio triste.
"Foi muito fácil?" Eu perguntei, me afastando um pouco de seu ombro, pra poder olhá-lo melhor.
"Hmm?!" Ele ficou confuso.
"Perceber meus sentimentos." Eu murmurei, olhando-o com certa apreensão no meu interior.
"Não sei," ele dava de ombros enquanto um pequeno sorriso aparecia em seus lábios, "acho que fica mais fácil, pra nós, homens apaixonados, percebemos qualquer coisa de diferente nas nossas garotas." Ele disse tão naturalmente como andar nu numa praia de nudismo.
Eu juro, que se eu não tivesse sentada, a probabilidade de eu capotar naquele momento era, digamos assim, bem grande.
"O QUÊ?" Foi tudo que eu consegui perguntar, me afastando um pouco mais dele, ainda não acreditando no que eu havia ouvido. Nota mental: comprar cotonetes melhores.
Ele simplesmente riu da minha reação. Eu senti inveja. Ele disse tão naturalmente as palavras que rasgavam na minha garganta toda vez que eu pensava em me declarar para o . E ali estava dizendo que estava apaixonado por mim. Na maior paz. Que raiva!
"Não exatamente apaixonado," ele disse, corando levemente, "mas eu sei que gosto de você um pouco demais. Mais do que uma amiga. Eu gosto muito de você, ." Ele finalmente assumiu seus sentimentos, olhando calmamente pra mim, porém, sério o bastante pra que eu acreditasse no que ele falava.
"É assim que você pretende me ajudar?" Minha voz subiu uma oitava do que costumava ser, ficando mais aguda do que Mariah Carey quando canta "We Belong Together". "Dizer que gosta de mim mais do que uma amiga, quando você sabe que eu gosto de outra pessoa, e ainda sim, sabe que eu vou ficar mal pra caramba toda vez que eu ver você novamente? Por que eu simplesmente odeio magoar meus amigos?" Eu perguntei, levantando da cama, fula da vida com aquilo tudo.
"Não, não, , por favor," ele disse, segurando meus braços, já de pé sem nem que eu percebesse, "não foi essa a intenção. Me deixe explicar. Por favor. Sente-se." Ele disse, suplicante. Eu sentei, só porque ainda queria saber o que ele tinha pra falar. "Quando eu disse pra você que eu não sabia como te ajudar... Eu menti." E aí, eu vi aquela mesma cara ruborizada quando ele tinha me oferecido ajuda anteriormente. "Na verdade, seria mais uma relação mútua." Ele balbuciou, ficando muito vermelho. Algo o deixava com vergonha, obviamente. Agora o que poderia ser?
"Relação mútua?" Eu indaguei, pensando muito rápido. "Geralmente relação mútua é quando ambos se ajudam, mas nesta conversa, ela tem um sentido mais de .." Eu não consegui terminar a frase. Porque eu sabia onde queria chegar. Mas antes que eu ficasse master-fula com ele por ter pensado isso, ele se apressou em dizer:
"Calma. Eu ainda não acabei. Relação mútua. Sim, no caso, eu gostaria que você me desse uma chance... Pra te provar que talvez eu possa te fazer... esquecê-lo." Ele dizia, visivelmente triste simplesmente por pensar em . "Isso é, se você quiser esquecê-lo. Mas lembre-se de que, até agora, você nunca teve um momento verdadeiramente feliz com o da maneira que você o quer. Você só tem sofrido. Eu sei como é." Ele terminou de dizer, olhando cautelosamente pra mim.
"Você sabe como é?!" Eu perguntei, louca de raiva.
"Sim, eu..." Mas eu não o deixei terminar. Era a minha vez.
"Você acha que sabe como é?! Você não tem noção , ! Você quer namorar ou qualquer coisa do tipo comigo..." Interrompida por ele. Um a um.
"Namorar." Ele sussurrou, ainda olhando pra mim.
"Que seja!" Eu respondi, jogando as mãos pra qualquer canto, pra expressar o meu 'que seja' melhor do que ninguém. "Quer ter compromisso comigo sabendo que eu gosto de outra pessoa, que, de fato, é alguém da sua banda! E ainda me diz que sabe como eu me sinto?!" Eu estava indignada. E como. Mas isso não me parou de falar. "Não sei se você se lembra, caro amigo, mas, há quatro anos," sim, eu ia falar pra ele, "eu estava no maior sufoco por causa da separação dos meus pais. Você me compreendia, porque você passou por isso também! E quando eu comecei a gostar de você naquela época, o que você fez?!" Eu o olhei, sorrindo sarcasticamente. "Ficou com a minha melhor amiga da época!" Mentira, ela era uma amiga, mas não a melhor. "Você sabe o quanto eu pedi pra Deus pra que aquela tortura acabasse? Sabe o quanto eu pedi pra que o acampamento acabasse, pra que eu fosse embora e em paz pra casa, longe de você, longe do sofrimento, longe de tudo que me fizesse ficar triste?!" Eu já aumentava o volume da minha voz, tendo a certeza de que daqui há alguns momentos, alguém estaria na porta do quarto perguntando o que estava acontecendo.
"Não sei como você ficou. Tenho uma ligeira idéia do que foi. Mas não sei completamente como foi. Eu sinto muito." Ele simplesmente disse, mas a dor em sua cara era óbvia. E isso não era tudo: ele não estava surpreso.
"Mas você sabia que eu gostava de você," eu disse chocada, "e mesmo assim, ficou com ela!" Eu gritei, sem saber distinguir se estava num estado de ira, ou insanidade. Ou talvez os dois.
", não!" Ele disse, de repente, muito preocupado. "Naquela época, eu não sabia... Eu vim saber agora, quando voltei a te encontrar. No carro, quando estava deixando você e em casa, quando vocês brigaram, lembra? Quando o disse: 'Não era exatamente na que você estava interessado, não é mesmo?'. Eu pensei muito naquilo, relembrei dos mínimos detalhes daquela época e... Cheguei a conclusão de que você gostava de mim naquela época. Eu quis me matar quando descobri isso, . Eu quis. Porque seria muito menos doloroso do que a dor do arrependimento, ou da lerdeza de não ter percebido o quão especial você é, ou era, naquela época. E agora, eu estou aqui, gostando de você, e vendo você sofrer por alguém que não faz a mínima noção dos seus sentimentos, te magoando sem nem saber." Ele respondeu, desesperado pra que eu acreditasse na explicação dele. Confesso que fiquei surpresa por ele ter dito as exatas palavras de , naquele dia, no carro.
"Não adianta, ." Eu disse, de repente, com a maior calma do mundo. "Não vou querer estar com alguém que me magoou antes, e que facilmente pode me magoar agora." Falei, referindo-me ao fato dele ter ficado com uma amiga minha antes enquanto eu gostava dele. Quem me garantia que ele não me magoaria dessa vez?
"Agora é diferente, ! Pelo amor de Deus, tente entender! Há quatro anos eu era um moleque! Eu não sabia de nada com nada! Eu não sabia o que era gostar de alguém... Como eu sei agora." Eu pude ver que os olhos dele brilhavam estranhamente agora. "Por favor, me dê uma chance de te fazer feliz. Eu sei que posso. Eu sei. Eu sei que você pode ser feliz comigo. É só tentar. Não vai lhe custar nada, e eu nunca farei algo que vai te magoar, porque qualquer coisa que te atinge, pode atingir a mim. Logo, magoar você, seria tolice da minha parte. Por favor." Ele pediu, e quando eu responderia algo, nossa conversa-briga foi interrompida por um preocupado, entrando bruscamente no quarto, olhando pra nós com uma cara assustada, dizendo:
"O que está acontecendo aqui?" A voz dele soou como um comando.
"Na-nada, , é só que..."
"," chamou, e quando me virei para olhá-lo, descobri que o estranho brilho em seus olhos, eram as lágrimas que ele, inutilmente, tentava esconder, porém, que agora já desciam molhando sua bela e triste face, "me responde." Aquilo era muito mais do que suplicar. Mas eu não podia responder agora, eu não tinha estruturas – nem cabeça – para lhe dar com aquilo no momento.
"Não posso." Eu dizia, desviando o olhar dele pro chão, não queria encará-lo. "Não posso. Você me magoou muito no passado. Eu não quero falar disso agora. Não, não posso. Nem quero. Tchau, ." Eu disse, segurando minhas lágrimas, passando pela porta correndo, sem nem sequer olhar pra cara do .
"!" Eu pude ouvir, enquanto descia as escadas, a voz de . Não evitei em me virar pra trás e olhá-lo por uma última vez naquela noite. "Eu posso ter feito bobagens, posso ter te magoado. Mas nada muda o fato, de que, por quem você sofre agora, não é minha culpa. Pense bem no que vai me dizer. Com carinho. Por favor, eu..." E a voz que se ouvia agora, era a minha:
"!" Eu gritei chorando. "Pode levar o Adam e pra casa mais tarde? Eu não vou poder acompanhá-los. Por favor?" Eu pedi, já não tendo muito controle sobre o choro, pois o nó em minha garganta queria sair de lá, estrondando num som de apelo, pra que aquilo tudo simplesmente parasse.
"Nós vamos com você, ." disse, pegando a mão de Adam e chamando , que, com um olhar pra ela, afirmou com a cabeça, pegando as chaves e vindo em minha direção.
"Obrigada." Foi tudo o que consegui sussurrar, antes que me abraçasse como se me conhecesse por décadas, como se soubesse do porque que eu chorava. Ela mal sabia que estava me protegendo de qualquer coisa que poderia me machucar com seu simples ato de amizade. Alguém não envolvido naquela confusão. A primeira amiga. Agora eu poderia dizer. Sem medo ou receios, pois eu simplesmente sabia que ela estaria lá por mim.
"Eu vou com vo..." Antes que pudesse terminar a frase, eu gritei.
"NÃO!" Faltava muito pouco pra que o nó saísse de seu lugar de origem. "Não, por favor, não, eu não quero, eu não..."
"Tá tudo bem, . Vamos, vamos. não vai com a gente, ok? Vamos, vamos." disse, me puxando levemente pra porta do carro de , já aberta, pronto pra me receber.
Sentada no banco de trás, com a cabeça encostada no vidro, eu pude ver um perplexo do lado de fora da casa, olhando pra dentro do carro, procurando meu olhar, como se dissesse "por quê?!". Ao encontrar meu rosto, o significado do seu olhar aumentou demasiadamente, o que fez com que, ao invés de respondê-lo, eu simplesmente chorasse mais por tudo aquilo.
"Quer ir pra casa?" Adam sussurrou, do banco de passageiro da frente, enquanto dirigia em silêncio, de vez em quando, procurando o olhar de através do retrovisor, como se pedisse por respostas do meu estado.
"Não." Eu disse, fracamente, sem tirar meus olhos da janela.
"Ainda tá cedo. Oito e meia. Quer tomar sorvete?" perguntou, tentando um sorriso - o que eu não conseguia fazer naquele momento.
"Obrigada, , mas não. , se importa se formos pra sua casa?" Eu perguntei, ainda sentindo meu coração bater forte e magoado com tudo que havia acontecido.
"Claro que não!" Ela respondeu, olhando pra mim. "Vamos lá pra casa. Mamãe adorou você. Quer dormir por lá?" Era difícil de acreditar que eu havia conhecido no mesmo dia em que ela me perguntara se eu queria dormir na casa dela. Não acontece freqüentemente.
"Obrigada, xuxua," eu respondi, tentando parecer agradecida, já que meus sorrisos não funcionavam no momento, "mas eu só quero ficar um tempinho em algum lugar que não seja a minha casa, " porque tudo lá me faria chorar, lembrar e, conseqüentemente, , "onde eu possa, pelo menos, processar os acontecimentos." Respondi sinceramente.
"Fique à vontade, então." Ela completou sorridente.
(Narrador em 3ª pessoa - On)
"." chamava o amigo. "!"
"Fala, ." respondeu, sem nenhum ânimo na voz.
"Cara, você vai ficar aqui na varanda, de pé, parado, por mais quanto tempo? Já se passou meia hora desde que ela foi pra casa!" dizia preocupado com o amigo.
"Eu não sei por que ela não quis que eu fosse com ela. Tava tudo tão bem!" encarava o nada, sem entender absolutamente... nada.
"Sei lá, cara, vai que ela precisa de um tempo só pra ela." deu de ombros.
"Ela não é assim. Ela sempre vem a mim quando alguma coisa acontece." Ele tentava entender.
"Teve alguma vez que ela não foi até você?" perguntou, analisando o caso com .
"Bem," tentava lembrar, até que o fez, "há alguns dias: a vez em que eu e ela brigamos."
"Isso porque você estava envolvido nessa briga, logo, ela não vai correr pra você e contar." verificou, 'sabiamente'.
"Espere," olhou pro amigo, surpreso, "você tá certo! Ela não quer me ver porque a briga tem alguma coisa a ver comigo!" E, depois de alguns segundos, ele gritou: ''!" E foi entrando na casa, querendo, subitamente, socar o novo integrante da banda.
estava sentado no sofá, olhando para o chão, desanimado, até que o pegou pela gola da camisa, perguntando sem cerimônias:
"O que você disse a ela? Han?! Sobre o que vocês conversaram?! Fala! Não fica olhando pra minha cara como se não soubesse do que eu falo! Me diz! O que você tava conversando com ela?" Ele perguntava, sem paciência.
Ao contrário de , estava calmo. Sem reação, pra falar a verdade. Mas isso não quer dizer que ele não o respondeu como devia:
"Nada do que você deva saber."
fechou o punho, mas antes que pudesse fazer alguma coisa, interveio, e, segurando a mão dele, disse:
", vai com calma. Todos nós estamos preocupados com ela, mas não é brigando que as coisas vão se resolver."
"Mas, !" exclamou, soltando . "Foi conversando com esse idiota que ela começou a chorar! E eles estavam falando de mim, eu sei disso! Porque, se não estivessem, ela viria até a mim! Ele a magoou!"
Como se ligasse uma máquina, foi acionado pelas últimas palavras de , e, ficando com muita raiva, começou a falar:
"Eu a magoei?! Vê se você se olha no espelho antes de falar de mim, ! Se liga! Você acha que toda vez que ela precisar de alguma coisa, ela vai estar sempre correndo atrás de você? Eu não sei se você percebeu, mas ela está fazendo amigos agora, ou seja, nem sempre ela vai correr atrás de você. Até porque, se ela é esperta como estimo que seja, ela não vai atrás de apoio de uma pessoa como você, que faz cagadas e mais cagadas, e acha que com uma simples conversa, tá tudo perdoado. Ela não é assim. Portanto, trate-a como ela merece. Você diz que eu a magoei. Bem, caro amigo, nem se eu quisesse, eu não ia chegar nem a metade de como você a magoa todo dia, e nem nota que faz isso. Melhores amigos o caramba! Se ela chora agora, fique sabendo que é tudo culpa sua!" pressionou rapidamente o dedo indicador no ombro de , fazendo-o olhar pro lugar onde havia encostado. "Que raiva de você! Cego! Vê se te manca e presta atenção no que faz, imbecil!" E com tais palavras, se mandou da casa de , deixando um assustado e um muito, muito confuso.
(Narrador em 3ª pessoa - Off)
"Não, tia, tô bem, sério." sorria desconfortável com tanta coisa sendo oferecida pra ele pela mãe de . Ou eu deveria dizer futura sogrinha? Porque e , obviamente, tava na cara que ia rolar. Só precisavam de uma desculpa qualquer pra se pegarem. Tipo, um convite como: "vamos marcar um dia pra gente tomar algo sem álcool, bem leve, tipo um banho", que aí rolava.
Tá, se eu dissesse que é bem óbvio que eu queria fugir do assunto – e dos meus pensamentos – sobre o que havia acontecido na casa do , acho que ninguém acharia o contrário.
Depois que a mãe de retirou-se do quarto, deixando uma certa calma em , se me permite dizer, a dona do quarto me perguntou:
"Então, , o que houve?"
E eu devia responder. Observei o quarto, e estava , Adam e me olhando atentamente, prontos pra ouvir uma pequena história. Havia muita gente naquele quarto. Eu conseguiria?
"... Se você não se importa..." Eu fiz um sinal com a cabeça, olhando para Adam e timidamente, fazendo com que ela entendesse mais rápido do que pensei.
"Ah!" Ela disse, levantando rápido até a porta. "Meninos, por favor, sejam cavaleiros, pois nós teremos uma conversa de mulher pra mulher agora."
Eu vi Adam segurar o riso quando a irmã disse 'de mulher pra mulher', mas em seguida, levou dois olhares mortais, vindo de mim e de , e logo se apressou em andar até a porta.
"Eu vou querer saber o resumo disso. Não gastei gasolina por nada." disse, brincando comigo, beijando o topo de minha cabeça.
"Pode deixar, zão!" Eu me aproximei pra sussurrar a próxima frase. "Pode deixar que eu não vou tomar muito o tempo da sua preciosa ." Eu respondi, rindo um pouco, da cara dele, que estava mais vermelha do que pimentão.
", não seja teimoso, deixe a conversar comigo um pouco." disse, encostada no batente da porta de seu quarto.
deu uma última olhada pra mim como se pedisse pra que eu não contasse pra ninguém. Como se os olhares dele pra ela já não fossem óbvios o bastante. Tá certo.
se 'despediu' de com um singelo "falo com você depois", e uma olhada significativa de ambos foi trocada. Hm, que meloso.
"Então," disse sentando-se ao meu lado, "desembuche, xuxu."
Respirei fundo, pensando na grande história que teria que contar. E assim, comecei. Comentei sobre tudo: desde quando eu gostava do (daqueeele jeito), quando o chegou, quando ele começou a despertar suspiros demais em mim, quando me disse que gostava de uma menina – obviamente, a Lis – até o acontecimento do dia, quando – difícil de acreditar – se declarou pra mim, me fazendo aquela tal proposta, que me deixou no estado que eu me encontrava no momento.
"Cara," disse, impactada, como se eu tivesse dito que Hogwarts existia, "que foda!"
Ah, claro. Porque a situação que me faz sofrer mais do que criança quando vai arrancar o dente pela primeira vez, é simplesmente... foda. Não!
", por favor! Foda é a última coisa que essa situação é!" Eu exclamei, querendo colocar um pouco de juízo na cabeça daquela criatura.
"Não do jeito que eu vejo." Ela disse com os olhos brilhando de entusiasmo. "Veja comigo: você gosta do seu melhor amigo, certo?" Eu acenei com a cabeça positivamente, com medo da conclusão da história na cabeça dela. "E você diz que tem quase certeza absoluta que ele gosta de uma amiga sua, certo?"
"Colega." Eu disse, já não falava direito com Lis mesmo. E não falaria o melhor de mim mesmo que eu tentasse muito. Melhor me afastar do que bancar a hipócrita, cheio de sorrisinhos falsos pra ela quando na verdade eu quero fazer coisas com ela não tão legais, como... ser amiga, digamos assim.
"Certo, colega. E agora, de volta à sua vida, você tem , uma paixonite/amor de criança que você teve há quatro anos. No caso, a mesma história se repete com o agora. Correto?"
"Sim." Até agora, ela parecia sã.
"Só que tem uma diferença: o garotinho que você gostou no passado, agora já entrou em fase de se tornar um homem. E você, uma mulher. E o cara que você gosta, também. Se você acha que não tem chances nenhuma com o , por ele gostar de uma pessoa que, segundo você, gosta dele também... O que há de errado em dizer 'sim' para o ?" perguntou, pensativa.
"Meu Deus, !" Eu a chamei pelo nome, não acreditando no que ela dizia. "Eu não vou nem responder essa pergunta!"
"É óbvio que você não vai responder essa pergunta. Porque você não tem argumentos contra a minha teoria. Não há motivos pra não ficar com o . Você simplesmente tá com medo. Simples." Ela respondeu, cruzando os braços, parecendo triunfante.
Pensei em Jesus pra não deserdar a minha-nova-amiga-dona-da-casa, peguei um bom fôlego, e mandei:
"Tá bom. Quer motivos? Ok. Medo? Do quê? Não há. É que simplesmente, se eu ficar com o , eu vou estar o usando, porque eu estarei pensando em outra pessoa, e não nele. E isso não é justo. Porque eu ainda amo o . E eu não sinto que esse amor vai embora tão rápido." Eu respondi me sentindo triste pelas palavras que saíam da minha boca.
", acorda," dizia, olhando pra mim seriamente, "muitos casais hoje em dia estão juntos, porque tentaram, ué! Se deram uma chance. E mais: não é como se o fosse a melhor pessoa do mundo, mas o cara é um bom partido! Tirando o fato de que eu o conheci hoje, mas pelo que você me fala, ele é uma pessoa legal. Como ele mesmo disse, agora ele está mudado, compreende? Você nunca vai saber se realmente vai estar usando-o, se você não tentar, vai?"
"Eu sei que ele é uma ótima pessoa, que está mudado e tal... Mas eu vou me sentir mal. Eu vou me sentir como se estivesse usando-o." Respondi, sinceramente.
"Quantas vezes isso lhe aconteceu? Digo, sentir que estava usando alguém pensando em outra pessoa?"
"Algumas vezes." Falei, me sentindo um pouco estranha.
"Hm... E quantas vezes as pessoas que você diz ter 'usado' se pareciam com ou eram o ?"
"Nenhuma." Exalei um pouco surpresa com a pergunta dela. "Mas eu não sei, ... Não me sinto muito segura..."
"Tá, ." Ela disse um pouco estressada. "Então me diz: o que você vai fazer não ficando com o ? Vendo o e a Lis ficarem juntos, construir uma história juntos, enquanto você chupa dedo, chorando milhões e milhões de lágrimas por não ter quem queria, enquanto o está lá, pronto pra um sinal seu, e você só na agonia e tristeza?"
"Bom," dei de ombros, "é uma opção." Disse, amargamente.
"AH NÃO!" Ela exclamou, furiosa com minhas palavras. "Não, senhora! Uma opção? Pelo amor da mãe do guarda, ! Você não é a bosta do cavalo do bandido, cara! Você não merece sofrer! Me pergunto quantas vezes você provavelmente já pediu a Deus que esse sofrimento acabasse. E quando Deus decide lhe conceder esse pedido, você joga fora, porque sofrer é uma opção, e você opta por ela? Não é justo nem certo! Você merece ser feliz. Merece tentar. Se você não for ficar com o pra dar-lhe uma chance," ela disse , segurando minha mão enquanto me observava calmamente, porém séria, "dê a chance a si mesma. E não a despreze. Você merece tentar."
"Você acabou comigo." Eu respondi, faltando muito pouco pra não pegar um caderninho e escrever o pequeno discurso da .
Ela riu em seguida, me dando um pedala. Hm, já virou íntima, como podem perceber.
"Mas é sério, xuxua. Reflita: o tá lá, correndo atrás da garota dele... E o tá aí, de braços abertos pra você, se declarou e tudo, e, detalhe: ele sabe do risco que ele está correndo e mesmo assim, quer tentar. Sinal de que você vale a pena, né? Seja feliz."
"Brigada." Eu disse, dando um meio sorriso, deixando as lágrimas rolarem soltas pelo meu rosto.
"Eu sei que isso não são lágrimas, é perfume de cebola que você teima em usar." disse, vindo me abraçar.
"Odeio esse perfume!" Eu disse, enquanto minhas lágrimas molhavam a manga da blusa dela.
"Tá ok, senhorita. Mas agora, levanta o astral, limpa esse rostinho bonito, porque, como diz a Fergie, meninas crescidas não choram!" E deu uma piscadela na minha direção, o que me fez rir. Ela se levantou em direção à porta, mas segurei seu braço. Afinal, não podia deixar de perguntar:
"Você acha que vai sair imune dessa, ?" Eu perguntei, já zoando com o sobrenome dela.
"Quê?!" Ela perguntou, arregalando os olhos em surpresa.
"É, não pensa que vai sair assim sem responder as minhas perguntinhas, não, xuxua! Troca justa! Eu te contei dos meus casos, agora você me conta o que tá rolando entre você e o Senhor , posso saber?" Perguntei, com um sorriso galanteador, enquanto assistia virar um pimentão.
Ela se sentou na cama, amarrou o cabelo em um coque, ajeitou as sobrancelhas e me encarou. Respirando fundo e disse:
"Ok, ok, eu posso dizer, eu posso dizer numa boa. Não é tão sério assim, é só um garoto. É só um garoto... Um garoto... O mais perfeito deles! Ai, ai, ai!" Ela exclamou, se jogando na cama, suspirando alegre.
"Aah! Eu sabia! Me conta tudo, pilantra!" Eu disse, tacando uma almofada nela.
"Ah, cara, sei lá..." Ela disse, fingindo se importar com os detalhes da almofada pra não me encarar. "Quando eu fui falar com ele pela primeira vez, ele foi todo meigo, fez aquela reverência toda... E, durante o ensaio, depois de vários olhares na minha direção, ele mandou uma piscadela pra mim, sabe?" Ela especulava, enquanto ficava cada vez mais vermelha e sorridente. "Aquele estilo do tipo: vou olhar pra ver se ela tá olhando. Ah, ele é muito fofo! E quando o ensaio terminou, eu quis tocar no instrumento dele..."
"Você é rápida." Eu disse, fazendo uma cara sapeca, levando uma almofadada na cara de presente.
"Olha o respeito, eu sou puritana!" Ela disse, ficando muito, muito vermelha. "Ou pelo menos gosto de me iludir." Ela piscou mais do que devia pra alguém que falou com toda certeza a frase anterior. "Bem, isso não importa, continuando... Ele me mostrou algumas coisas fáceis de tocar, mas eu não dei a mínima, eu só olhava pra ele, sabe? O jeitinho dele atencioso com a música, como ele se esforçava pra parecer que tocava bem... Ah, sei lá. Depois a gente conversou sobre bandas, e eu falei que queria muito ir à um show do Green Day, mas a minha mãe não deixa. Conversamos muito sobre música, ele gosta de coisas muito boas! Cara, ele curte Pink Floyd, se não fosse pela aparência, eu me apaixonaria pela personalidade, mas ele é o pacote perfeito! Enfim..." Ela falava rápido demais, mas eu compreendia. Ou simplesmente tentava. "Daí, quando fomos assistir o filme, ele sentou do meu lado." Ela batia palminhas, de tão entusiasmada. "E quando as luzes apagaram, ele fez a típica manobra do bocejo, se espreguiçando e colocando o braço em cima do sofá, atrás de mim. Tá, foi bem clássico, não foi brega!" Ela avisou, com um olhar mortal pra qualquer comentário negativo que eu fizesse sobre a manobra de . Não que eu tivesse nenhum, pois estava mais ocupada tentando entender o que ela dizia em tempo real. "Enfim, daí , quando começou aquela mesma guerra estelar de todos os filmes de Star Wars, eu comecei a ficar com medo do Darth Vader, e comecei a me encolher. viu como eu estava, e segurou minha mão, sussurrando no meu ouvido: "Fica tranqüila, eu to aqui contigo." E COMO EU SABIA DISSO! Se me perguntassem qual era o meu nome, eu ia dizer " ", porque era a única coisa que estava na minha mente naquele momento. Estava mais embasbacada e hipnotizada pelo olhar do do que as ameaças malignas de Vader ao Obi Wan."
"Rolou uma troca de olhares intensa?" Eu perguntei, querendo que trouxessem uma pipoca pra mim, pois aquela história tava ficando boa!
"Aham!" Ela disse fazendo umas dancinhas de vitória. "A gente ficou se olhando no olho por uns oito segundos!"
"Uau!" Eu disse sendo irônica. "Tempão, hein?!"
"Conta no relógio olhando pros olhos do pra ver se não é uma eternidade?" Ela resmungou, cruzando os braços.
"Outch!" Eu levei a mão à barriga, como se tivesse levado um soco no estômago. E realmente tinha. "Essa doeu, mocinha!"
"Não mexe com quem tá quieto!"
"Tá, tá, mas continua! E aí, e aí?" Perguntei, feliz e entusiasmada com a nova aventura sexual da . Brincadeira, pessoal!
"Ah, sim, sim! Depois do contato visual, ele olhou pra minha boca, pra minha boca!" apontava pros lábios, super sorridentes agora. "E eu pude sentir que estava fazendo o mesmo. Pude sentir também que o braço dele, que devia estar no sofá, tinha me envolvido um pouco. Daí, ele me forçou um pouco contra ele, com a mão no meu ombro."
"E...?" Cu-ri-o-si-da-de. Eis o que eu tinha.
"E daí que quando alguma coisa aconteceria, você foi e perguntou em alto e bom tom, quem queria Coca-Cola, fazendo com que eu e ele saltássemos a um metro de distância um do outro, pedindo a maldita coca o quanto antes, pra combater o calor. Por sua culpa eu nunca vou saber o que poderia ter acontecido. Cavala!" fingiu chorar afundando a cara no travesseiro dela.
"Oh, my God!" Eu exclamei, um pouco alto demais. "DESCULPA, DESCULPA, DESCULPA!" Desespero de ter interrompido uma história de amor. "!" Eu a abracei, sentindo remorso. "Perdão, xuxua! Ai, eu sou uma cavala!" Minha vez de afundar a cara no travesseiro.
"Tudo bem, !" Ela disse rindo. "Esses poucos momentos são legais de lembrar, sabe? Ir devagar também tem sua graça..."
Com cara de sonhadora, começou a pensar, e eu seria capaz de sair correndo pelada na rua cantando "Cara Caramba Cara Cara Ô", se ela não estivesse pensando no . Pois é.
Com os pensamentos em como eu agiria perante a situação toda, me perdi durante um tempo indeterminado. Fui acordada por , que me deu um pedala e disse:
", vamos logo, o deve estar morrendo de tédio no quarto do meu irmão."
"Impossível." Eu sussurrei pensando no Adam e, automaticamente, babando.
"O quê que você disse?" Perguntou , abrindo a porta do quarto.
"É possível." Eu respondi, seguindo-a, e agradecendo mentalmente pro cara lá de cima por não ter ouvido direito. Ufa!
Capítulo 12: Take these chances, we'll make it somehow.
"Cara," Adam parecia refletir, enquanto esperava se despedir de , "o que eles tanto conversam? Só se conheceram hoje e já estão num papo assim? Alguma coisa tá rolando." Uau, que menino esperto você é, Adam!
"Algumas pessoas se dão melhor do que outras, mesmo se conhecendo por algumas horas." Eu murmurei, olhando pro meu all star todo ferrado, mas pensando em como eu iria encarar e amanhã, na escola.
Ao invés de um, dois. Isso é legal. Não.
Meus pensamentos foram interrompidos por Adam, que dissera algo particularmente curioso.
"Ainda não consigo acreditar direito no que você disse."
"Sobre...?" Eu perguntei, obviamente, pois eu perdia conta de quantas coisas inacreditáveis eu falava. A começar pelos meus estranhos pensamentos e a minha estranha hiperatividade mental. Quase sempre estou por fora, espiritualmente. E mentalmente.
"Sobre o caso de hoje." Ele respondeu, fazendo uma cara como se fosse óbvio o que ele dizia. "Você gosta de alguém que não gosta de você, "eu não disse que era o , nem pra Adam, nem pro , "e que está interessado em uma amiga sua, enquanto um cara legal como o tá querendo uma parada séria contigo, porque realmente gosta de você, e ainda por cima você esculacha seu melhor amigo na frente do povo todo. Você é maluca." Ele terminou de falar, balançando a cabeça negativamente.
"Não sou maluca, Adam. Maluca seria eu se eu lhe chamasse de maluco, sem saber direito sobre sua história amorosa com alguém, e ainda por cima, te conhecer ainda hoje. Isso sim é ser maluco." Eu mandei, olhando pra ele com uma sagacidade estilo Sherlock.
"Então eu sou maluco." Ele disse rindo. "Seria mais fácil se você me dissesse que eu era maluco por simplesmente dar minha opinião sobre sua vida. Desculpa, não pensava que você ficasse ofendida tão facilmente."
"Não fico." Respondi, apreciando o vento que acariciava meu rosto. "É só que você não sabe de quem eu gosto. E nem sabe meus motivos pra não ficar com o . Não sabe dos meus motivos, nem me conhece o suficiente pra entender a mim. Compreende? É bem simples."
"Desculpe." Ele parecia sincero, e respeitoso diante da minha explicação. Sem nenhum rastro de deboche, nem nada. Gostei disso.
"Tudo bem, Adam, já disse que não fico chateada à toa!" Falei, dando um pequeno soquinho no ombro dele, pra quebrar o gelo. E não o ombro dele.
"Você é legal." Adam admitiu, com um meio sorriso, e um olhar distante.
"É. Você também não é tão mal assim. Se tiver um pouco de humildade, melhora." Dei de ombros enquanto ria, fazendo-o rir também. Adam, não meu ombro.
"Você sofre pelo cara, não é?" Ele indagou, falando de quem eu gosto. Falando de .
"Bastante." Assumi, olhando pra lua que iluminava nossa conversa.
"Então, porque não tentar com ?" Ouvi a voz dele soar mais como se quisesse me ajudar. E talvez, quisesse mesmo.
"Você quer saber demais, não quer não, senhor metido?" Perguntei levantando uma sobrancelha em sua direção.
"Você disse que eu não conheço você nem seus motivos o suficiente pra tirar uma conclusão. Agora eu quero entender você e suas razões. É pecado?" Ele me olhou, mostrando seus dentes perfeitamente brancos enquanto sorria um sorriso serelepe.
Pecado é você sorrir desse jeito pra mim, quando estou nesse estado, amorzinho, foi o que deu vontade de responder pra ele. Mas simplesmente respirei fundo, pensando no que poderia dar errado se eu contasse meus motivos para Adam. Afinal, até o próprio sabia das minhas razões. Achei que Adam deveria saber. Merecia, ele tentava ajudar.
"Eu não quero usá-lo." Sussurrei, chutando uma pedrinha perto do meu calçado esculachado.
"Se ele mesmo não se importa, se assume os riscos pra te namorar," ele argumentou com as mãos no bolso da calça jeans azul-escura que modelava perfeitamente seu corpo de Zeus, "por que você tem que se importar? Você merece ser feliz, sofrer não é viver. Só de vez em quando, pra aprender um pouquinho como viver. Entende?"
Palmas para o senhor filosófico. Vou anotar essa no meu caderninho.
"Eu vou pensar." Respondi, fechando meus olhos e estalando meu pescoço. Percebi que estava cansada. "Posso perguntar uma coisa?" Sussurrei, ainda de olhos fechados, sentindo o vento bagunçar alguns fios de cabelos do meu rabo-de-cavalo.
"À vontade, madame." Poderia jurar que ele já estava pegando as manias dos rapazes.
"Por que você se importa?" Eu falei, abrindo meus olhos e olhando diretamente na direção de Adam, que simplesmente sorriu em resposta.
"Sinceramente?" Ele fez uma carranca, como se segurasse o riso. "Até eu desconheço da resposta pra sua pergunta." Ele respondeu, parecendo dizer a verdade. Apesar de soltar uma pequena risada, que eu, particularmente, chamaria-a de nervosa. "Bom," ele disse, depois de refletir por um tempo, "por estar acostumado a ver coisas muito mais complexas acontecer... Eu acho que você simplesmente não enxerga que a felicidade bate à sua porta. Não da forma nítida, como eu vejo."
Me pareceu estranho Adam falar daquele jeito, como se já tivesse visto coisas muito piores e mais complicadas do que eu. Porque ele realmente aparenta ser o tipo de cara que freqüenta o primeiro período da faculdade que fica perto de casa, e, que quando não tem aula, vai pra algum lugar se divertir. Resumindo? Total vagabundo. Não totalmente, mas você entendeu.
"Me diga uma delas." As palavras saíram da minha boca antes que eu me desse conta do que realmente tinha dito.
"Do quê?!" Adam perguntou confuso.
"De suas experiências, aparentemente, mais complexas que as minhas." Respondi, interessada na resposta.
"Hm," ele suspirou antes de continuar, "não acho que seja o dia nem o momento apropriado pra isso. Quando tudo estiver mais tranqüilo, eu conto." Misterioso Adam mode on.
"Seu nome vai aumentar." Brinquei, enquanto via se despedir com um beijo no rosto de . "Antes eram Sr. Metido, agora vai ser: Sr. Metido Complexo Misterioso."
Foi bom ouvir Adam rir verdadeiramente com uma piada tão sem-graça quanto a minha, mas, ei! Ainda bem que eu não vou viver de minhas piadas pra viver.
"Mas é sério," avisei, vendo que andava devagar nas nossas direções, com um sorriso estampado no rosto, "vou cobrar esse dia. Quero saber da sua vida, sou curiosa e fofoqueira. Beijos." Eu disse, indo me despedir do irmão de com os famosos dois beijinhos no rosto e um singelo abraço. "Quando tudo estiver mais tranqüilo?" Perguntei, antes de seguir , que já abria a porta do carro pra ele. O cavalheirismo morreu, e tenho dito.
"Quando tudo estiver mais tranqüilo." Adam repetiu minha fala, com um sorriso no rosto.
Devolvi o sorriso, me sentindo um pouco mais tranqüila, graças a presença de meus dois novos amigos.
Entrei no carro, colocando meu cinto de segurança, e, antes do carro dar a partida, olhei pra fora da janela, acenando pros donos da casa. Adam devolveu o aceno com sua mão direita, enquanto a esquerda permanecia no bolso da sua calça jeans. acenava, mas não era pra mim. Seus olhos estavam em , enquanto o mesmo acenava da mesma forma abobalhada que ela. Ora, novidade.
Quando o carro começou a andar, revirei meus olhos e ri, pensando em como o dia tinha sido um misto de loucuras e surpresas. Fiquei pensando em quanta coisa tinha acontecido em ao menos um dia, até o momento que falou:
"Prontinho, xuxua. Está entregue."
Assustei-me, percebendo que estava em frente ao meu condomínio. Olhei em volta, mas tudo estava tranqüilo. No meu condomínio, quero dizer, porque, geralmente, fica cheio de crianças correndo e brincando de qualquer brincadeira que eu provavelmente não sentia saudades dos machucados que elas me promoviam. É.
"Valeu, ." Disse, soltando o cinto de segurança. "Valeu mesmo." Agradeci, me referindo à tudo que ele fez, sem pensar duas vezes em me ajudar. Abracei-o antes de sair, fazendo-o abraçar-me de volta. Eu tinha os melhores amigos.
"Que nada! Você sabe que pode contar comigo sempre que precisar. Só não conte com dinheiro, porque eu não tenho onde cair morto." Ele respondeu, sorridente, o que me fez rir, depois de termos saído do abraço.
"Pode deixar, eu sei como retribuir o favor. Amanhã eu tenho aula de literatura." Falei, abrindo a porta, com um pequeno sorriso no rosto.
"E o quê que tem?" indagou, se abaixando na altura do volante pra que pudesse observar meu rosto.
" também tem literatura amanhã." Respondi, dando uma piscadela, fechando a porta do carro, acenando pra , de costas pra ele. Porque eu não precisava me virar pra ver a cara de felicidade que ele teria estampada no rosto.
Queria eu ter motivo pra tanta felicidade, pensei comigo mesma. Até que acabei pensando no que Adam havia me dito há alguns momentos. Sobre a felicidade bater à minha porta e eu simplesmente não enxergar isso. Estranho era o modo como todo mundo via a proposta de como uma felicidade. Porque não é dele que eu gosto. Ainda. Eu acho. Confusão total.
Cheguei em casa sentindo um pouco de dor de cabeça, pelos esforços de tentar compreender o que acontecia na minha própria vida.
"Filha!" Minha mãe exclamou enquanto eu deixava minha chave em cima da mesa. "Você não sabe o que aconteceu! Lembra da filha da nossa antiga vizinha? A que tinha sua idade?"
"Lembro." Eu disse, sem me importar com a conversa.
"Então. Ela tá grávida. Acredita, filha?! Só 16 anos com uma criança pra criar. Crianças fazendo crianças. O que vai ser dessa geração...?"
"Pois é." Eu respondi, não querendo entrar numa conversa profunda sobre as exceções da minha geração.
"Tá tudo bem, filha?" Mamãe me perguntou, notando minhas falas monossilábicas.
"Aham, tudo bem. Bom, mãe, eu vou deixar as coisas aqui, tomar um banho rápido e descer, ok?" Perguntei, tirando minha mochila das costas, enquanto mamãe se preparava pra discutir.
"Mas, minha filha, essa hora?" Ela interrogou, olhando pra mim com cara assustada, preocupada. Ah, eu adoro minha mãe.
"Mãe, são nove e trinta e sete." Respondi, piscando devagar, mal acreditando no visor do meu celular.
"Você chegou cedo." Ela disse, reparando na novidade do horário. "Tem certeza de que tá tudo bem?"
Hm... Não, mãe, não tá tudo bem. O garoto que eu amo é meu melhor amigo e gosta de uma colega/amiga minha, e é óbvio que ela também gosta dele, e eu sofro muito por isso. Mas como não é só isso, um garoto que conheci e de quem gostei há quatro anos naquele acampamento de verão que você e papai decidiram me deixar, logo depois da separação de vocês, agora voltou, está na banda do garoto que eu gosto, e adivinha?! O novo integrante da banda me disse hoje que sabe que eu gosto do meu melhor amigo, mas disse que, se eu desse uma chance pra ele, ele tentaria me fazer esquecer de . Você sabe, o meu melhor amigo, há 16 anos, sabe? Aquele que, graças a junção da nossa família com a dele, nós somos amigos desde barriga. Pois é, esse mesmo. Hm, posso descer agora?, minha vontade de simplesmente vomitar todas aquelas palavras pra minha mãe estava me matando. Mas ao invés disso, eu disse, simplesmente:
"Sim, tudo beleza, Creusa." BELEZA, CREUSA? Ai, Meu Deus, tudo tá péssimo.
"Ok, então." Mamãe afirmou, ligando a televisão, se preparando pra assistir qualquer filme que a fizesse esquecer-se dos problemas do dia-a-dia. "Tome seu banho e desça."
"Valeu, mãe." Agradeci, por ela ter deixado. E por não persistir no assunto do "tem certeza de que tá tudo bem?".
"O estará lá embaixo?" Ela me surpreendeu com a pergunta. Hm, ok, esqueça que eu agradeci por não persistir naquele assunto. Mamãe sabe agir indiretamente quando quer saber de alguma coisa. E ela quer saber o que aconteceu comigo, porque, obviamente, ela sabe que alguma coisa aconteceu. E ela obviamente sabe que tem a ver com o . Por que mães são tão videntes sobre a nossa vida?
"Ah," balbuciei, antes de me virar pra ela, "não sei, eu voltei mais cedo do ensaio, como pode ver. Enfim, vou tomar meu banho, se alguém ligar, anote o recado, Isaura." Eu brinquei, indo para o meu quarto arrumar uma roupa pra eu descer, mas não antes de ouvir minha mãe gritar:
"É, eu to virando escrava mesmo!" Mães. Ah, mães.
Eu ri ao comentário dela e fui pro meu quarto. Lá, deixei minha mochila em um canto, coloquei meu celular em cima da escrivaninha e abri meu armário. Como eu ia descer, e estava uma noite meio fria (ainda mais pra alguém que vai descer logo depois de tomar um banho quentinho), eu escolhi minha bermuda jeans, uma blusa de mangas que modelava a parte do meu corpo, da cintura pra cima, e um hoodie preto da hurley.
Ao entrar no chuveiro, eu deixei que toda a água caísse sobre minha cabeça, desejando que todos os meus pensamentos complicados descessem pelo ralo. Deixei que cada pingo que atingia minha cabeça, me relaxasse mais um pouco, porque do que eu mais precisava era estar relaxada pra encarar toda a situação que se chama 'minha vida' . E eu tinha certeza que, assim que eu saísse do chuveiro, os pensamentos sobre todos os acontecimentos marcantes e recentes na minha vida iriam me atingir com força total. E eu não podia amarelar, porque afinal, se tratava da minha felicidade. Não é de qualquer pessoa, se tratava simplesmente... da pessoa mais importante do mundo. Eu. Porque sem mim, eu não vivo. Interessante, não?
Egoísmo a parte, é bem racional essa coisa de eu ser a pessoa mais importante da minha vida. Porque eu sou a única pessoa que tenho certeza de que sempre estará comigo. E era isso, o amor-próprio faz com que as pessoas ao seu redor lhe amem também. Só não abuse na dose de amor-próprio, você pode se gabar demais. E isso não seria legal, porque pessoas metidas não são legais. Com exceção do Morgan Freeman, porque ele pode. Ah, e a Madonna também, porque ela virou um tabu mundial. Não que eu me orgulharia de me vestir com um colã roxo aos 50 anos tentando fazer sucesso com um cd onde eu imito onomatopéias do telefone. Ring ring ring, does the telephone, não é realmente a melhor frase que eu teria pra colocar em uma faixa de cd. Não faria sentido. A não ser que eu fosse a Madonna. Porque eu seria a Madonna e ninguém questionaria isso. Eis o nexo do sucesso. Pois é. Nota mental: escutar mais vezes "Like a Virgin". Hm... Não.
Canções de virgens à parte, eu já fechava o zíper do meu hoodie quando mamãe entrou no quarto e disse:
"Lembre-se que vão dar dez horas. Meia hora lá embaixo."
"Uma hora." Eu sussurrei pegando meu iPod.
"Quarenta e cinco minutos." Ela disse quase fechando a porta.
"Uma hora, mãe." Eu segurei a porta, antes que ela saísse. "Por favor! Eu não vou sair do condomínio, eu vou ficar aqui. E amanhã, o primeiro tempo de aula é vago."
"Vago?" Ela indagou, levantando uma sobrancelha.
"Aula de SOE - Sistema de Orientação e Educação. Como se eu já não soubesse demais sobre como agir perante às loucuras do mundo." Sorri levemente, enquanto mamãe confirmava com a cabeça, já saindo do quarto.
"Tudo bem, mas eu quero você aqui onze horas. Entendeu?"
"Yes, sir." Respondi, batendo continência.
A coisa mais agradável que poderia existir no meu condomínio é o balancinho. Hm, eu não dei exatamente um nome pra ele, mas desde que o criaram, eu o freqüento sempre quando não me sinto muito bem. Antigamente, eu ia por ir, porque era bom. Mas, ultimamente, sem ter muito tempo, eu vou sempre que não me sinto bem.
Estranho é saber porque eu fico por mais de uma hora me balançando ali, escutando minhas músicas, sem querer que ninguém me pertube. Eu acho que isso me relaxa. Pelo menos é ali que eu penso em todos os sonhos que quero realizar. Acho que sonhar me deixa mais tranqüila. Acho que sonhar me mantém um pouco mais calma com tanta dose de realidade.
Sentei-me no balanço, colocando o fone em meus ouvidos, esperando a música começar a soar neles. E foi assim que Five Times August começou a entrar em meus pensamentos.
I don't need this when everyone is telling me something else.
(Eu não preciso disso quando todos estão me dizendo qualquer outra coisa.)
It's so confusing 'cause I don't know who's right or wrong,
(É tão confuso porque eu não sei quem está certo ou errado,)
Are you right or wrong?
(Você está certo ou errado ?)
Confusão dominava minha mente. Eu já não sabia equilibrar, não sabia distinguir o que era certo e errado, não sabia o que era razão e emoção. A letra da música fazia tanto sentido. Percebi que, com tanta coisa acontecendo e tão pouco tempo pra processar, eu sequer tive tempo para pensar no que eu achava de tudo aquilo, no que eu pensava em qual medida tomar perante a tal situação. Pessoas me dizendo, me aconselhando, é muito bom. Mas não adianta de nada, se eu não souber o que eu quero. O que eu acho certo sobre isso.
I don't know how everyone can care for just themselves.
(Eu não sei como como todos podem se importar apenas com eles mesmos.)
From all they're losing , they'll never know what's right or wrong,
(De tudo que estão perdendo, eles nunca saberão o que certo ou errado,)
And I'm right, not wrong.
(E eu estou certo, e não errado.)
Minha mente foi invadida com a imagem de procurando por meu olhar no jardim de . Ele também estava muito confuso, ainda mais por não saber porque eu não o queria por perto. Seria difícil explicar para ele sem mencionar tudo o que eu sentia por ele. E o medo de perder a amizade dele por causa de todos esses problemas era a coisa que mais me assustava e o que mais me preocupava no momento. Uma lágrima solitária escorreu sobre meu rosto, causada pelo medo de perder .
But I'm not saying I'm the greatest thing beneath the sun,
(Mas não estou dizendo que sou a melhor coisa abaixo do sol,)
I only say things so you won't make the same mistakes,
(Eu só digo coisas para que você não cometa os mesmos erros,)
I'll do what it takes
(E eu o farei custe o que custar)
Fechei meus olhos, a fim de deixar com que o vento que bagunçava meu cabelo molhado, tirando toda aquela confusão da minha cabeça. Ou pelo menos, que me fizesse tomar a decisão que fosse o que eu queria, sem deixar que a amizade entre mim e acabasse.
Sweet temptations die for a good time, and you wonder why.
(Doces tentações morrem por um bom tempo, e eu me pergunto o porque.)
Swinging yourself on by in my mind, I wish that I
(Balançando você mesma em minha mente, eu gostaria que eu)
Could see how you are now
(Pudesse ver como você está agora)
De olhos fechados, eu pude sentir que no balancinho, um peso a mais se instalou. Eu estava cansada demais para abrir meus olhos, mas, provavelmente, deveria ser uma criança. Já estava acostumada a ser interrompida na minha terapia por crianças pedindo pra sentarem no brinquedo e balançarem. Ignorando a presença alheia, senti que o balancinho começou a tomar movimentos, pra frente e pra trás, fazendo com que o vento bagunçasse mais o meu cabelo, mas também, que acariciasse o meu rosto, o que me fez sentir mais relaxada. O vento me relaxa.
And it's a sad life, watching everybody live it wrong.
(E é uma vida triste, vendo todos viverem-na erradamente)
It's so pathetic on why hell it has to be the way we are.
(É tão patético em como tem que ser do jeito que somos.)
Por que tem que ser do jeito que somos? Por que é necessário sofrer tanto por amor, se o que só queremos é um pouco de felicidade em nossas patéticas e simples vidas? Quanto mais eu refletia, mais perguntas sem respostas eu conseguia... E o pior era que, quando eu conseguia as respostas, as perguntas mudavam. Evoluíam. Transmutavam. E o vento persistia em acariciar meu rosto, levando as lágrimas, que desciam facilmente dos meus olhos, ainda fechados.
But you don't need this, everyone is telling you something else.
(Mas você não precisa disso, todos falando pra você qualquer outra coisa.)
It's so confusing, you never know what's right or wrong,
(É tão confuso, você nunca sabe quem está certo ou errado,)
But I'm right - not wrong.
(Mas eu estou certo - não errado.)
O balancinho começou a ficar mais rápido. O vento já não acariciava meu rosto, e sim, se forçava contra ele. Meu cabelo, já não dançava com o vento, e sim, simplesmente se debatia contra o mesmo. Pra aumentar tanto a velocidade do brinquedo, não era uma criança. Foi quando eu abri meus olhos molhados e salgados pelas lágrimas e, através deles, enxerguei .
Sweet temptations die for a good time, and you wonder why.
(Doces tentações morrem por um bom tempo, e eu me pergunto o porque.)
Swinging yourself on by in my mind, I wish that I
(Balançando você mesma em minha mente, eu gostaria que eu)
Could see how you are now
(Pudesse ver como você está agora)
Não me assustei ao vê-lo sentado no banco do brinquedo, na minha frente. De fato, eu até sentia que ele estaria ali. sempre está por perto quando eu menos espero. É tão irônico.
Eu não me assustei com a presença dele, por saber que ele estaria ali, assim como ele sempre está presente quando eu menos espero. Mas o é assim. Quando você pensa que ele não sabe de alguma coisa, ele sabe. Quando você pensa que ele não viu alguma coisa, ele viu. Quando você pensa que ele não ama alguém... Ele ama. E é por isso que fazia total sentido ele amar Lis e não a mim. Seria cômico se não fosse trágico.
So turn it up, give it all you want, remember things that you forgot,
(Então comece, dê tudo que quiser, lembre-se de coisas que você esqueceu,)
Now throw them away
(Agora jogue fora)
Live or die, the sun will rise, the ocean tide will save it all for another day
(Viva ou morra, o sol irá nascer, a maré do oceano salvará tudo por mais um outro dia).
me olhava sem nenhuma menção de que fosse dizer alguma coisa. Da mesma maneira que eu o olhava. Era recíproco. No olhar dele não tinha nenhuma daquela confusão, nem tormento, nem nada que tinha da última vez que eu o tinha visto. O olhar dele simplesmente... me olhava. Como se quisesse saber o que passava em minha cabeça. Da mesma maneira que eu queria saber o que se passava na dele. Era recíproco. O vento bagunçava os cabelos dele, que simplesmente se debatiam contra o vento. Da mesma maneira que meu amor por ele se debatia com o fato dele amar outra pessoa. Ele não me amava como eu o amava, mas... Ele me amava. E era recíproco. Porque, pra cada regra, existe uma exceção.
Sweet temptations die for a good time, and you wonder why.
(Doces tentações morrem por um bom tempo, e eu me pergunto o porque.)
Swinging yourself on by in my mind, I wish that I
(Balançando você mesma em minha mente, eu gostaria que eu)
Could see how you are now
(Pudesse ver como você está agora)
"Swinging yourself on by in my mind..." Cantei, ainda olhando nos olhos de , tirando os fones de meus ouvidos e desligando o iPod, preparada pra notar qualquer mudança na maneira em que ele se encontrava no momento.
"And I wish that I ... Could see how you are now." finalizou, colocando suas mãos no bolso de seu casaco azul-marinho, ainda olhando pra mim.
O silêncio se instalou entre nós. Apenas nossos olhares se encontrando no meio de tantos pensamentos que se misturavam, porém, permaneciam os mesmos.
"Eu realmente gostaria de ver como você estava agora." quebrou o silêncio, fazendo com que meus pensamentos se reduzissem a nada, e se transformassem em atenção ao que ele dizia.
Ver como eu estava? Eu podia acreditar que ele estivesse uma pilha de nervos, querendo saber dos mínimos detalhes sobre a conversa que tive com , porque eu saí chorando da casa de , porque eu não o queria por perto. Mas não processava ainda o fato que ele simplesmente quisesse ver como eu estaria naquele momento. Assim como na música que ainda ecoava em minha mente, e seu significado mais do que expressivo.
"Você é imprevisível." Sussurrei, me perdendo aos poucos nos olhos do cara que eu amava.
"Digo-lhe o mesmo." Ele respondeu, no mesmo volume, retribuindo o olhar.
Respirei fundo, criando coragem, pois é claro que falaríamos do episódio decorrido anteriormente.
"Tenho perguntas a lhe fazer." Mais uma vez, quebrou o silêncio entre nós, apoiando os cotovelos no joelho e, olhando pra mim.
"Eu também tenho." Respondi, olhando, pela primeira vez, para algo que não fosse : pro meu tênis. "Quantas em mente?" Perguntei, lembrando a mim mesma de respirar, quando o clímax da situação chegasse. E eu sentia chegando.
"Umas... cinco." Respondeu, fazendo uma cara pensante.
"Então é isso. Você me faz cinco perguntas... E eu te faço cinco perguntas." Concluí, dando um pequeno sorriso.
"Ok. Alternando a vez?" Ele indagou, coçando a sua testa. Subitamente pensei na Lis e na sua pseudo-fidelidade com o namoro-não-assumido deles. Se é que existia um. Eu sei, eu sei. Mas vocês entenderam, né? Quero dizer... Tava crescendo chifre, mané. Ok, eu parei.
"Pode ser." Respondi, antes que meus pensamentos me impedissem de perguntar as cinco coisas mais secretas do meu melhor amigo. Porque, até melhores amigos, escondem coisas um do outro. Como, por exemplo: amar o mesmo e viver calada, como eu.
"Posso começar?" Perguntei, antes que ele pegasse fôlego o suficiente e começasse antes que eu.
"À vontade, madame." Ele sorriu, mas não estava muito confortável com tudo aquilo. Nem eu estava. Mas era uma maneira de reconciliação.
"Por que tem tanta raiva do ?" Perguntei, olhando diretamente nos olhos dele, que refletiam a total surpresa, causada pela minha pergunta. Eu podia ter certeza, e não estaria errada: ele não esperava essa pergunta.
"Porque ele te magoou no passado," sussurrou enquanto olhava para o chão, "e eu não acredito que isso vá mudar, só porque agora vocês estão mais... amadurecidos." Ele finalmente olhou novamente nos meus olhos, parecendo estar decidido sobre o que falava.
"Ok, eu vou falar sobre isso depois, senão perderemos o ritmo das perguntas. Sua vez." Eu respondi entediada com a falta de confiança do sobre .
"Por que não me queria por perto?" Ele perguntou, e eu pude ver a dor em seus olhos. Eu o havia magoado, e isso não era nada legal.
"Você me faria contar de tudo que eu e o tínhamos conversado e, conseqüentemente, me faria lembrar tudo e sofrer um pouco mais. E era a única coisa que eu não queria fazer no momento."
"Por mais que faça sentido, eu não acredito." Ele respondeu, cheio de si.
"Como?!" Eu indaguei, não acreditando muito bem no que ele havia dito.
"Faz sentido e eu iria te forçar a me falar o que tinha acontecido, mas... Mas não acredito que tenha sido só isso."
"Você não precisa acreditar." Sussurrei, olhando séria pra ele. "Fatos são fatos, crendo você neles ou não."
"Certo, , eu não vou discutir isso. Você sempre tem que estar certa."
"Que bom que você sabe." Alfinetei antes de perguntar. "Posso fazer minha próxima pergunta?"
"À vontade." Respondeu, sem sentimentos.
"O que te faria confiar no ?"
"Oh, não, eu confio nele. Eu só não confio nele em relação a você, é diferente."
Hm, ok. E cadê o nexo da sua resposta, por favor?
"Falaram sobre mim?" indagou, obviamente sobre a conversa entre eu e .
"A conversa não era sobre você." Respondi friamente.
"Você não respondeu minha pergunta." Ele rebateu, na mesma frieza.
"Citado, porém, nada que mudasse alguma coisa." Omiti fatos, não menti. Certo? Ora, vamos, quem nunca omitiu fatos, que atire a primeira pedra! "Como você quer que a sua banda dê certo se você não confia no totalmente?"
"Contanto que você não esteja relacionada na maioria dos assuntos da banda, a nossa carreira vai fluir naturalmente." Era incrível como ele parecia sereno, normal e leve, respondendo minha pergunta, enquanto eu estava tensa, nervosa e ansiosa com aquele pequeno jogo de "passa-e-repassa".
"Você tá gostando do ?" perguntou na cara dura.
"Não, não é dele de quem eu gosto. Porque você tá agindo dessa forma toda protetora?" Perguntei, sem esperar reações.
"Porque é isso que os amigos fazem quando querem zelar pelo bem do outro. Há possibilidades de você gostar dele, e esquecer o outro?"
O QUE ELE ESTAVA FAZENDO?
"Eu espero que sim." Dei de ombros. "Ele quer o meu bem. E eu quero ser feliz. Se você entende o que eu digo."
"Compreendo perfeitamente." Pude sentir o desdém na voz dele, e realmente, não entendi porque ele agia assim. Mas, como a minha próxima pergunta seria a última, eu perguntei com cautela.
"Você não está zelando pelo meu bem. Se amigos fizessem isso, então, minha mãe e os meninos o fariam. faria se ela me conhecesse há mais tempo. Mas só você está nessa neura de não gostar nem confiar no . Responda-me com sinceridade: por que você está sendo tão imaturo em relação a isso? Você não é assim."
"Eu já te disse: eu não tô agindo de modo imaturo. É normal que, como melhor amigo, eu me importe mais com você do que a maioria. Eu ainda não confio nele. Se antes ele te magoou, nada impede dele fazer novamente. Nada me garante que vai ser diferente agora. Que vai mudar agora."
"Já mudou, ." Eu o olhei com certa descrença. "Ele está mais amadurecido agora. E eu também. Seja o que tiver entre nós, não há motivos pra você não gostar dele. Já falei pra você não o julgá-lo dessa maneira. Você não o conhece o suficiente, portanto, pare com essa imaturidade." Respondi, rispidamente.
"E você o conhece? O quê? Um mês? Um pouco menos do que dois meses? Ah é, você o conhece muito bem!" , o rancoroso.
"Conheço mais do que você! O conheço o suficiente pra saber que ele não é nada do que você pensa. Pare já com isso e confie um pouco no fato de que as coisas possam dar certo, e que ninguém precisa sair machucado."
"Como você quer que eu acredite que ele não te magoará se numa simples conversa você já saiu chorando, não me queria por perto e, tudo isso, por culpa dessa conversa que você teve com ele?! Como você quer que eu acredite que você não vai sair machucada?!"
"Esta já é a sua última pergunta?" Perguntei, sem me deixar levar pelos sentimentos e tentar ser racional.
"Não, não é. Eu quero saber sobre o que vocês conversaram." Ele respondeu, com um pouco de raiva em suas palavras.
"Isso não é da sua conta!" Rebati com a mesma raiva dele.
"É da minha conta a partir do momento que atinge você." Ele respondeu sério, porém, com um certo aspecto de que, a qualquer momento, iria me atacar se eu não dissesse o que ele queria saber.
"Certo." Respirei fundo, procurando manter a calma. "Ele sabe que eu estou gostando de outra pessoa. E se abriu pra mim. No bom sentido" Joguei uma piadinha pra quebrar o gelo, mas só fez rolar os olhos em resposta.
"Se abriu sentimentalmente?" Ele falou, fazendo um movimento giratório com a mão, como se quisesse que eu chegasse ao clímax da situação.
"Ele disse que está gostando de mim.'' Praticamente cuspi as palavras, com medo da reação de .
"Tá, e você acreditou nele?" Ele perguntou, com desdém nas suas palavras, o que me irritou.
"Por que eu não deveria acreditar nele?" Falei um pouco mais alto do que deveria pra alguém que supostamente estava fazendo e respondendo perguntas.
"Perdão, eu esqueço que só eu me lembro do que ele te fez sofrer no passado." Mais e mais desdém. Aquilo estava me deixando irritada.
"Você nem se lembrava dessa história quando me perguntou de onde eu o conhecia!" Raiva, raiva e raiva. Uh, e lá vem minha gastrite nervosa.
"Eu sabia da história, só não sabia que ele era o que tinha te magoado!" apontou com raiva pra mim. Ah não! Eu senti meu incrível Hulk subir pelas veias, e mandei:
"Por que é tão difícil acreditar que alguém simplesmente pode se apaixonar por mim, ? Se uma pessoa legal ainda não surgiu pra você, problema é seu! Só porque seus antigos relacionamentos,"eu fiz questão de dar ênfase ao 'antigos', me referindo à Jessy, "não deram certo, não venha jogar seu pessimismo pra cima de mim." Me levantei do brinquedo, sentindo a raiva sair pelas minhas ventas.
", espera. E não quis dizer isso, por favor..." Senti segurar meu pulso, e senti que estaria prestes a lhe dar um soco. Mas minha mão iria doer, então, eu me lembrei de respirar, contar até dez e pensei que acalmar a mim mesma não seria uma má idéia. E deu certo.
"Olha, ," eu disse, tentando prolongar à calma, "você pode querer o meu bem... Mas você tá agindo de uma forma muito estranha. A gente tem brigado especialmente por causa desse seu jeito estranho. Um ciúme estranho... Então, até que você saiba controlar isso a gente conversa, tá? Até lá..." E saí andando, sentindo-me estranhamente triste, da maneira como minhas palavras pareciam despedida, e logo, descobri que eu não queria me despedir. Mas, como eu poderia conviver com aquilo tudo, com o meu melhor amigo agindo daquela forma totalmente estranha? Meus pensamentos foram interrompidos pelo protagonista deles.
"!" tinha em sua voz uma certa súplica. "Eu, eu só..." Ele gaguejava mais do que uma criança que estava aprendendo a soletrar paralelepípedo. "Eu só quero o seu bem. Por favor, não me leve a mal, eu... Eu... Eu sei que tenho agindo meio estranho, mas é que é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e... E eu... Tenho medo que nesse tempo algo ocorra com você e... e eu não..."
"Nada vai acontecer a mim, ." O olhei cansada, com a voz trêmula, sentindo a calma desvair e, vendo daquele jeito, pude sentir aquela tristeza me atingir em cheio, sentindo lágrimas chegando a meus olhos. "Meta isso na sua cabeça. E você não vai me perder, antes que diga isso. Não precisa agir assim. Dá um tempo nisso tudo, por favor. Eu só... eu só quero que a gente pare de brigar." E aí, eu abri meu berreiro.
Fechei meus olhos com tanta força, que chegaram a arder. Meus soluços ecoaram tão altos, que quase não reconheci a mim mesma. Minhas mãos foram parar no meu rosto, porque, de alguma maneira, eu não queria que me vissem chorar. Mas eu estava momentaneamente tola. Aquele era o . Por mais que ele estivesse agindo de uma forma super protetora - e muito estranha, diga-se de passagem -, ele ainda era meu melhor amigo.
Senti os braços de apertar-se contra o meu gélido e trêmulo corpo e, sem pensar duas vezes, o abracei, deixando minhas lágrimas molharem seu casaco. Minha voz embargada saiu como um uivo de choro quando tentei falar algo, mas, mesmo assim, creio que entendeu:
"Eu só quero o meu melhor amigo de volta. Eu tô tão cansada de brigar. Cansada! Eu só quero nossa amizade, sem brigas, de volta."
"Tudo vai ficar bem, ok?" Senti meu rosto ser segurado pelas mãos quentes e acolhedoras do meu melhor amigo. Com meus olhos cheios d'água, ainda pude ver o rosto de dizer pra mim. "Eu te prometo isso. Tudo vai ficar bem. Nossa amizade vai vencer qualquer coisa, ok?"
Confirmei com a cabeça, voltando para o abraço de , querendo acreditar plenamente nas palavras dele. Mas os fatos simplesmente me faziam cair na realidade: a partir do momento em que eu decidisse o que fazer sobre a escolha de , pelo menos alguma amizade ali estaria sujeita a sérios problemas. E eu não sabia se seria capaz de arcar com uma situação tão comprometedora como aquela.
Capítulo 13: Stay with me, this is what I need, please?!
Acordei me sentindo estranhamente bem. Olhei em volta e percebi que estava na minha cama. Meu relógio ainda não tinha despertado, mas estava próximo das sete. Desativei o despertador e sentei na cama, me espreguiçando lentamente, sentindo minhas costas estalarem até o final da coluna.
"Outch!" Sussurrei já levantando e indo em direção ao banheiro, pra tomar aquele banho, e desejando começar o dia um pouco melhor dos que eu estava tendo ultimamente.
Sentindo o sabão percorrer toda a extremidade do meu braço esquerdo, comecei a pensar na noite anterior. Na noite em que eu e conversamos depois de tanta confusão. Acho que no final de tudo, nós ficamos bem. Mas a idéia de que aquela estabilidade seria temporária estava me matando. Acho que no fundo, eu sabia que, querendo ou não, as coisas pra mim estavam prestes a mudar. E, consequentemente, afetaria aos mais próximos de mim, mais o que mais me preocupava era a minha amizade do . Como ela ficaria?
Estávamos brigando sem antes mesmo de alguma coisa entre eu e rolar. Imagine como seria se rolasse... Mas eu também não posso deixar de viver a minha vida porque o tem esse ciúmes ou medo excessivo toda vez que um cara chegar em mim. Até porque eu não ajo da mesma maneira quando ele está próximo de Lis. Não é? É.
Eu estava querendo me decidir. Tentava mesmo. Mas o perigo que a minha amizade com poderia correr estava realmente me matando. E foi aí que me surgiu o seguinte pensamento: "Eu só posso estar com medo do que possa acontecer com essa amizade.. Porque de fato eu já me decidi."
Parei na hora de me ensaboar, e senti o sabão escorregar da minha mão. Não me abaixei para pegá-lo, pois ainda estava em choque em como aquele pensamento me atingiu. O mais chocante... é que era verdade. A minha amizade com só poderia correr riscos... Se eu aceitasse a proposta de . E se, de fato, eu estava com medo do que poderia acontecer com ela (a amizade), logo, eu já tinha me decidido. A única coisa que me prendia de ainda não "realizar" o pensamento, era . Eu não ficaria com por causa de . Por medo do que poderia acontecer à uma relação que existe há tanto tempo.
Mas, espere! Se esta relação existe há tanto tempo, obviamente, alguma estrutura ela tem, se ela foi construída e baseada na sinceridade, confiança e bem-estar do outro. sempre quis meu bem. E comigo não era diferente. Mas, e se eu estivesse bem com ? Afinal, mal é o que não me causaria se eu dissesse sim a ele... E, bom, tecnicamente, eu estaria bem, e não poderia falar nada. Então, resumindo, não seria loucura ficar com , se eu estivesse bem e provasse pra que ele não tinha o que temer. E rezar pra que ele parasse com aquela neura de que o me magoaria, até porque, não era por ele por quem eu estava apaixonada. O que eu não sabia dizer se era bom ou ruim.
Fiquei pensando nisso até que fui acordada quando chegava na escola, por uma pulante.
", !" Ela gritou meu nome, enquanto trazia consigo uma menina mais ou menos da mesma altura dela, também sorridente.
"Bom dia, ." A cumprimentei educadamente, enquanto a mesma, começava a falar, toda esbaforida.
"Essa aqui é a , de quem tanto lhe falei. , essa é , a menina que conheci ontem na aula de literatura."
"Oi, ." Respondi, sorridente, e com um aceno tímido com a cabeça, enquanto a vi fazer o mesmo, ao perguntar:
"Tudo bom, ?"
Eu realmente pensei antes de responder, mas finalmente tive uma pequena lucidez de volta a minha mente.
"Tudo bem e com você?"
"Tudo beleza, tirando o fato de que agora eu terei aula de química... Tudo ótimo." Eu pude sentir a ironia nas palavras dela, e dali eu soube que com ela eu me daria bem.
"Que pedreira, logo no primeiro tempo de aula!" Eu comentei, sentindo minha cabeça começar a ter pensamentos completamente diferentes de qualquer coisa que estivesse ligada a educação. Eu não podia negar, eu estava ansiosa e apreensiva de encontrar o . Ao mesmo tempo que eu queria falar logo com ele, eu não queria falar, pois ainda não tinha certeza da minha escolha. Só de pensar em como isso poderia afetar a minha amizade com o , eu ficava com dor de cabeça. Mas eu não podia deixar de viver minha vida por causa dele! Além de não ser certo, era injusto! Eu não ia deixar de seguir minha vida por causa do meu melhor amigo, por mais que eu o amasse tanto, até porque, ele não deixou de conversar e se aproximar mais e mais de Lis, por mais que eu me afastasse. Quero dizer, ele é cego ou o quê?
"?!" me chamou, me acordando dos pensamentos. Dei um sorriso tímido, respondendo-a logo me seguida:
"Perdão, eu estou com a cabeça longe." Assumi, dando um sorriso meio culpado na direção dela e de .
"Deve estar pensando em garotos." disse, fazendo uma cara engraçada e apontando pra mim, como se eu estivesse pensando coisas eróticas sobre algum homem muito gato. Admito que seria melhor do que os pensamentos que eu estava tendo ultimamente.
"Ela deve estar pensando no Depp." disse, rolando os olhos e rindo logo em seguida, o que me fez rir, porque, definitivamente, seria bem melhor pensar no Depp do que nas coisas que eu pensava.
"Não posso enganar ninguém, né?" Respondi, dando de ombros. "Até porque convenhamos, antes ele do que qualquer tribufu da vida."
"Faz sentido, mas eu prefiro Justin Timberlake." [n/a: Oi, essa aqui vai pra Natchameba o/, te amo bichana :D]
"Ah, vai, , me mostra sua sexy back, gatinha." disse, dando um pequeno empurrão com o cotovelo em , que começou a rir e a cantarolar a música do seu... divo.
"Dirty baaaaaaaaaaabe, you see these shackles baby, I'm your slaaaaaaaave!" estava se empolgando, era um fato. O que me surpreendeu foi ter continuado a cantar.
"I'll let you whip me if I misbehaaaaaaaaave ." imitou a voz finérrima do Justin, e eu era a única que estava me sentindo normal no recinto... O que é novidade pra mim.
Um silêncio se instalou, e as duas olharam pra mim de uma maneira que me fez até negar.
"Ah não," respondi, negando com a minha cabeça, "eu não canto isso. Me mande cantar YMCA, mas isso não."
" não acabe com o momento, vamos!" me repreendeu, me lançando um olhar de reprovação, como se eu fosse uma criança de cinco anos no auge da vida que não queria tomar banho. "Você até sabe a letra!"
Como ela sabia que eu sabia a letra? Culpa do Timberlake maldito que põe essas músicas que parecem grudar nas nossas mentes pior do que cera na hora da depenação, digo, depilação.
Rolei meus olhos em resposta, mas logo cantarolei o que elas queriam.
"It's just that no one makes me feel this way."
As meninas deram um curto gritinho de aprovação, o que me fez rir.
"Cara, o que tá acontecendo contigo?" Eu pude ouvir a voz de ecoar atrás de mim, e eu simplesmente, congelei. "Cantando Justin Timberlake? Pô, , demorei anos pra reeducar musicalmente a minha xuxua e você me faz isso?"
, que tentou disfarçar a preocupação de ter me visto pálida, deu um sorriso e comentou:
"Ela está aprendendo coisas boas, relaxa, . Sua garotinha está crescida, pode deixá-la conosco sem problemas, agora." Opa! Alguém mais sentiu uma mensagem subliminar aí? Porque eu senti, falo mesmo!
"Er," comentei, prendendo vontade de rir da indireta mais direta que havia dado, "eu acho melhor nós irmos seguindo para as nossas devidas salas, já vai bater o sinal." Comentei, posicionando melhor minha mochila em minhas costas.
Os outros afirmaram com a cabeça, e, como se eu tivesse previsto, o sinal tocou. Fui indo pra sala, mas antes, me perguntou:
"Na hora do recreio, posso falar com você? É sobre um esboço de uma música que você escreveu há muito tempo e me deu, porque não tinha idéias como continuar."
"Ah, claro, pode sim." Eu mal me lembrava do tal esboço, já cansei de escrever letras de músicas com ele. Até mesmo na época que eu gostava do . Puts, cansei mesmo de escrever letras com ele!
"Então tá, xuxu, agora me deixe ir, preciso traçar meu futuro." Ele se despediu com um beijo demorado na minha bochecha.
"Tchau, ." Dei um abraço de lado e um sorriso levemente feliz saiu de meus lábios
.
"Tchau, ." Ele piscou, e, rapidamente, sumiu na multidão que se mexia nos corredores da escola.
Antes de entrar na minha sala, quando a maioria dos alunos já tinham ido para as suas devidas aulas, eu ouvi um barulho de armário se fechando, e quando fui ver, olhava fixamente pra mim, a severos metros de distância, mas era como se ele só visse a mim.
Percebi que fazia o mesmo, olhando-o como se só existisse ele. Eu não entendi seu olhar. Não além de ansiedade, é claro. Mas é óbvio que ele estaria ansioso. Pela minha resposta.
Soltei um sorriso e um aceno tímido na direção dele. O mesmo repetiu minhas ações, e quando ele deu um passo em minha direção, ouvi alguém chamar meu nome.
"Senhorita ," a professora de literatura chamou, "queira entrar, por favor? O modernismo não pode esperar."
"Claro, professora." Respondi, xingando mentalmente a professora de todos os nomes modernos que eu sabia. Apesar dela ser legal, ela tinha estragado um... momento, digamos assim. Acenei para como despedida, e ele piscou e entrou em sua sala. Assim, como um suspiro, ele sumiu diante do meu campo de vista. E, imitando a rapidez de , eu adentrei na sala, avistando e me esperando com um lugar vazio entre elas. Sorri verdadeiramente como não fazia muito tempo, e me sentei.
"Queridos alunos," a professora chamou a todos na sala, "para que vocês se adaptem melhor no assunto literário de hoje, e, até mesmo cedendo o pedido de alguns de seus colegas, eu gostaria que vocês se reunissem em grupos de três ou quatro alunos, para ler e fazer os exercícios da página 56 a 60 da apostila. Interajam com seu grupo, discutam, debatam sobre o assunto, mas nada de conversas paralelas, ok?"
Nada mais se foi dito, só se ouvia as carteiras se movendo de encontro as outras, fazendo pequenas rodinhas na sala toda. Eu, e fizemos o nosso próprio grupo, mas de moderno, só tinha o papo, porque a preguiça de fazer os exercícios era maior que qualquer coisa. Até porque a necessidade de falar era nítida, o que significava apenas uma coisa:
"Minhas caras," disse, "babados 's pra vocês."
" já sabe?" Perguntei, com uma cara pervertida na direção de .
"Fiz questão de contar tudo antes de você chegar." respondeu, com um olhar totalmente feliz. Ai, meu Deus, essa aí já tá na rede de Afrodite.
"O que vocês falaram ontem, antes de eu ir embora?" Perguntei, super alegre. Ué, se a minha vida amorosa não estava decidida, eu poderia ficar pelo menos feliz pela minha mais nova amiga. Não é?
"Nada demais, só coisas da tecnologia." comentou, fazendo uma cara boba. Não daria nada pra dizer que ela estaria pensando no . Céus! Aja estômago pra tanto amor repentino como esse.
"Tecnologia tipo...? Celular?" Perguntei, já pensando que era rápido. Bem rápido.
"Tipo, msn, myspace e etc. Depois ficamos jogando conversa fora, e ele me prometeu que me levaria num show do Green Day, mas com uma condição." Ela fez cara de mistério.
"Diga, diga!" Eu tava ansiosa por ela, ok?!
"Que eu aceitasse ir com ele à festa."
"Festa?" Perguntei, sem entender muito bem o que rolava ali.
"Bom, enquanto você conversava com ," fez uma cara de dor, " me falou sobre a festa que um amigo dele vai dar na casa dele, sexta feira que vem, daqui uma semana. Parece que esse amigo quer que o McFly toque nessa festa." Ela respondeu, parecendo empolgada pelo tal evento.
" não me disse nada sobre isso. Quer dizer, nem ele, nem ninguém da banda." Deixei transparecer a minha indignação um pouco mais do que o necessário, mas logo me acalmei quando me explicou o porquê.
" não disse nada pra ninguém ainda. Ele contaria logo depois que você e descessem. Mas, parece que isso nem deu pra acontecer. Ele vai contar pra banda hoje, no ensaio." Ela terminou sua explicação com um leve sorriso no rosto, o que me fez retribuir a ação, porém, as palavras de foram diferentes:
"Isso se tiver um ensaio, né?!"
"Por que não haveria?" Eu perguntei, franzindo o cenho.
"Bom," ela tentou explicar, "acho que e estão meio... desentendidos, não? Quer dizer, pelo que me disse hoje de manhã..."
"O que houve entre eles?!" Indaguei, duvidosa.
"Bom..."
E assim me contou que, quando chegou à escola, avistou , querendo saber se haveria ensaio à tarde. O menino fez uma cara triste, disse que não sabia se a banda se reuniria, e lhe delatou sobre o desentendimento de e na noite passada, coisa que meu melhor amigo não mencionou ontem, o que me deixou bem... digamos assim, chateada.
"Eu não acredito que o não me disse isso." Respondi, batendo com força demais em minha mesa, me arrependendo imediatamente disso, chacoalhando a mão e assoprando-a, pra ver se a dor passava.
"Calma, ," interveio, com um pequeno sorriso no rosto, "eu não conheço o ... Na verdade, não conheço nenhum desses novos gatos dos quais você e tanto mencionam, mas eu acho que ele deve ter bons motivos para não ter feito isso ainda. Ou estava com a cabeça cheia demais... Sei lá, o modo como você fala dele é tão bom que eu não acho que ele deixou de contar de propósito."
"Quando eu falei do pra você?" Indaguei, super surpresa.
"Er," fez uma cara de culpada, o que era bem verdade, "acho que a culpa é minha, . Eu meio que resumi a história toda pra ela não ficar perdida. Desculpa, eu não sabia que você não queria que eu contasse."
"Bem... " Cocei a cabeleira, pensando em alguma coisa boa pra falar, mas acho que saiu naturalmente e de uma forma melhor do que eu esperava o que se passava em minha mente. "Acho que já está feito. Não há porque ficar brava. É só que é estranho, eu nunca fui muito de ter amigas, e, assim em menos de três dias, vocês duas terem se tornado uma boa companhia pra mim. E sabendo assim, das coisas principais que acontecem em minha vida. É bem chocante. Eu só preciso de um tempo pra me acostumar com isso." Assumi, me sentindo bem em ter dito tais palavras.
"Ah, ... É estranho pra mim também, eu tava tão acostumada com a mesmice da vida, do cotidiano, e do nada, você chega e as coisas dão uma boa mudada. É cedo pra falar, eu sei, mas... O ..." não conseguiu terminar sua frase. Mas acho que sua cara de apaixonada já explicava o bastante e descartava o fim da fala.
Soltei uma risada cativante, fazendo minhas duas mais novas amigas rirem.
"Agora só falta a ." Sussurrei pra , mas ouviu mesmo assim, apontando pra mim com uma cara de inquisidora do tempo de Joana D'arc.
"Eu ouvi isso!" Ela exclamou, escondendo sua risada nas palavras. "Mas eu quero conhecer esses quatro... Tão fazendo muito ‘auê’ na vida de vocês pro meu gosto. Não é possível que seja tão... Caliente assim!" Ela terminou de dizer, abanando-se.
"Sabe, o tá solteiro," comentei, assoviando com cara de serelepe, "e eu acho que ele gostaria de você... Por mais que eu tenha acabado de te conhecer."
"É fato, meninas" disse, com os olhos de pícara sonhadora, "hoje precisa ter um ensaio, muito sério isso!"
"Concordo." se juntou a sua amiga, e eu fiquei olhando pra elas com cara de glúteo flácido (o popular, bunda mole), antes de dizer:
"Alô!" Resmunguei, com movimentos manuais exagerados, fazendo com que elas prestassem atenção em mim. "Eu ainda tenho que dar uma resposta à proposta de !"
"Quem manda você querer fugir." rebateu, rindo maleficamente, o que me fez imaginá-la com rabo, chifre e tridente. Seria maléfico se não fosse sexy.
"Não quero fugir," assumi, respirando cansada, "é só que é mais difícil do que eu pensava."
"Você quer ficar com ele?" perguntou. Eu congelei.
"Assim," eu tentava arranjar palavras que explicassem corretamente o que eu sentia, mas, estava difícil, "eu gosto do , ele é uma ótima pessoa e tudo mais, mas a verdade é que..."
"Ele não é quem você quer." e responderam ao mesmo tempo, o que me assustou um pouco.
"Bom... é." Por fim, respondi, me sentindo um pouco culpada por não retribuir os sentimentos de .
"," chamou-me, fazendo com que eu prestasse atenção nela, "sentimentos, os verdadeiros, que nós sentimos pulsar em nossos corpos a cada vez que nosso coração bate... Eles não nascem do dia pra noite. No mínimo, você tem que gostar da companhia da pessoa, ou tem que gostar de alguma coisa nela que te agrada... Eu acho que, com o , as coisas podem dar certo, se você der uma chance, sabe?!"
"Não acho que dê certo, ," falei, colocando minha cabeça entre minhas mãos, "porque, eu sinto que estarei enganando-o e... Cara, sei lá, eu sei que o que mais me prende de aceitar a proposta dele... é a minha amizade com ."
"Por quê?" perguntou.
"Porque desde que o chegou, o tem estado muito estranho, muito ciumento, e a gente tem brigado muito, cara. Não era assim. Agora, vocês pensem comigo: se antes de eu ter qualquer envolvimento," corei ao dizer a palavra, "com o , eu e o já brigamos assim, imagine como será quando eu tiver alguma coisa com o !" Levantei minha cabeça para olhar pras duas meninas que se encontravam à minha frente, me olhando com pena. Ótimo, eu era uma coitada.
Depois de um tempo, sem obter nenhuma resposta, eu gemi pela ausência de soluções para o meu problema, deixando minha testa bater na mesa. Um pouco forte demais, se quer saber.
"Ai!" Exalei, massageando minha testa, fazendo as meninas rirem. Olhei pras duas com uma cara amarrada, mas elas não conseguiam parar de rir. Bufei com o pensamento: "Tá no inferno? Abraça o capeta", e me juntei às risadas.
"Mas, sério, ," me deu um peteleco na cabeça, porque eu estava com ela deitada na mesa, "vamos supor que você diga não ao . A amizade de você e o fica legal e tal, até que surja outra pessoa pra você. Aí você vai dizer não pro cara também, porque você quer preservar a amizade do . Resumo da história: ele pode namorar e ter seus mil relacionamentos, mas você não pode?"
"Manda ele pastar." disse, revoltada. Eu ri da cara dela, e fiz uma cara de dor. Elas estavam certas.
"Então... o que devo fazer?!" Perguntei, sem mais opções em minha cabeça.
"Siga seu coração." disse, sorridente.
"Ok, nem tanto, já que o coração dela pertence ao amigo trapalhão." disse, se referindo à . "Eu acho que você poderia dar uma chance ao , e conversar seriamente com o . Afinal, você precisa viver, cara! Se ele ainda não percebeu que você tem a sua própria vida e seus direitos até mesmo de errar na vida amorosa..."
"Azar o dele." completou a frase de .
"A questão é: se você compreende quando ele tem os rolos dele lá, então, ele também tem que compreender, sabe? O que vai volta. E você não pode pagar o pato por causa da imaturidade ou da falta de compreensão dele. É a sua vida, e não a dele."
"Difícil fazer isso, sabe? Porque eu me importo mais com ele do que como uma simples amiga. Meu lado apaixonado fala muito alto nessas horas..." Assumi minha fraqueza, respirando fundo, querendo agradar aos dois lados... Ou aos dois meninos da minha vida.
"Pois então trate de segurá-lo," interveio, segura de si, "porque uma coisa é você ser fiel à um amor correspondido. Outra coisa é você não viver porque seu melhor amigo é ciumento demais."
"Sabe, ," disse, depois de dar um longo suspiro, "ela tem razão. Por mais que seja uma realidade dura... Ela tem razão."
"Sabe o que é o pior?" Eu disse, levantando minha cabeça, e apoiando-a entre minhas mãos. "É que eu sei que vocês têm razão. E poxa, eu mereço viver um pouco, né?! Se o propôs aquilo, sabendo que eu não gosto dele do jeito que gosto do , é porque ele sabe o quão difícil será se acostumar com isso. Mas ele é uma ótima pessoa, e eu acho que deveria dar uma chance mesmo. É, vocês tem razão, eu vou dar uma chance mesmo!"
O sinal bateu na exata hora que a minha fala acabou. Empolguei-me demais, levantando excessivamente rápido, resultando num pequeno tombo no meio da sala. Ainda bem que a bunda amorteceu. Ou não.
Depois de sofridos e esperados dois tempos de geometria, o sinal do recreio bateu, deixando que vários alunos saíssem correndo da sala como o diabo foge da cruz. Atormenta-me o porquê de eu não estar surpresa com este fato. É.
Como de praxe, fui me guiando para as famosas mesinhas nas quais todos os recreios eu me encontrava, e, seguida por e , consegui avistar e já sentados numa mesa onde nós três cabíamos perfeitamente. Até que eu me toquei. . Oh, meu Deus, a bendita proposta.
Bom, eu só tentei me manter calma, respirar devagar, porque, de fato, a resposta eu já sabia. Não sabia? Sabia, claro que eu sabia. Era tão óbvio quanto macaco gostar de banana. A não ser que eu seja uma macaca que prefira maçã. Ai, meu Deus, concentração, !
Sim, a escolha já havia sido feita, era só saber como isso começaria e...
Mas era esse o problema. Eu não queria que fosse assim logo de cara. Era isso. Eu queria dar uma chance pro , mas não logo depois de eu ter brigado com o , eu queria que a atmosfera estivesse melhor... Ufa, era só isso. Por que diabos eu demorei tanto pra me entender? Nenhum ponto pra mim, fato.
Minhas contagens de pontos idiotas feito na cabeça foram interrompidas por uma feliz:
"Bom fia, flores do dia!" Que menina alegre, meu pai.
"Oi, ." e disseram com um sorriso.
"Bom dia, meninos." Sussurrei, sentando-me na mesa meio cabisbaixa.
"!" me deu um abraço exageradamente apertado. "Ô coisinha tão bonitinha do... ? Droga, a música não fez sentido com meu nome!" Reclamava , o desapontado.
", , ," respondi, retribuindo um abraço, "obrigada por quebrar minhas costelas, honey."
"Disponha." Ele disse, com um meio sorriso no rosto, como se soubesse de tudo que estava acontecendo. Talvez ele soubesse mesmo. Ah, cara, eu amo meus amigos.
Retribuí o sorriso com um beijo na testa do rapaz, e baguncei levemente seu cabelo. Se eles podem, eu posso, ok?
"Depois reclama quando bagunçam o seu cabelo." respondeu, ajeitando sua cabeleira com uma leve cara de tédio.
"Gente, essa é a . , esses são e ." disse, apontando pra cada um dos meninos.
"Oi, " disse, com um aceno.
"Olá." Ela respondeu, docemente.
"Prazer, madame, me chamo , , ao seu dispor." Mal pude avistar e ele já estava beijando a mão de , com uma reverência do século XVIII. Que menino audacioso, merece uns tapas e...
"Encantada, 007!" retrucou, com a mesma reverência, e... Eles não se tocam que isso é muito... ridículo? Porém engraçado, admito.
Mas antes que eu pudesse simplesmente rir ou dizer alguma coisa daqueles dois, uma voz me chamou atenção:
"Oi, ." Oh, meu Deus. .
"Hey, boy!" Vire-me para olhá-lo melhor, e, nossa, que olhar é esse? pareceu até mais maduro! "T-tudo bem?" Quase me engasguei com o próprio ar.
"Tudo indo, mas eu tenho certeza que as coisas vão melhorar." E foi exatamente nessa parte que seu sorriso me ganhou. Não foi pelos dentes, ou por eles fazerem um conjunto perfeito com seu rosto, nem nada disso. Foi simplesmente o sorriso que eu precisava pra saber que ele sabia que eu precisava de tempo. E ele me daria isso. AH, CARA, AS COISAS ESTÃO MELHORANDO! "E você, está melhor?" Percebi a preocupação em sua voz, que de choque com meus sentimentos, me fez fazer o que não planejava.
"," eu disse, com o meu queixo apoiado em seu ombro. Sim, eu o havia abraçado, "eu sei que as coisas pra mim vão melhorar. Mas agora, nada vai muito bem pra ficar parcialmente feliz. Pelo menos essa história toda está em minha mente desde que começou, e eu não consigo um tempo sequer de descanso."
"Relaxe." me interrompeu, com seus braços em volta de minha cintura, e com suas mãos unidas no final, como se eu pudesse a qualquer minuto fugir. Mas eu senti que não faria isso. Ele estava me abraçando ternamente, eu podia ver.
Continuando seu diálogo, ele também repousou seu queixo em meu ombro, e um leve arrepio desceu à minha espinha, quando ele me disse:
"Eu não sei como fazer as coisas ficarem mais fáceis pra você, mas se for isso o que te deixará melhor, eu o farei. Tratarei de saber das mínimas coisas e o farei. Eu gosto de você demais pra não te ver sorrindo." Senti que uma de suas mãos alcançaram meu cabelo e, pela primeira vez, um mcguy não estava bagunçando-o, nem remexendo. Estava fazendo um carinho. Um doce e gentil carinho.
Tirei meu queixo de seu ombro para que o enxergasse melhor, e do meu cabelo, sua mão passou para meu rosto, tocando-o levemente, até que seus dedos começavam a limpar as poucas lágrimas que caíam dos meus olhos. Fechei os mesmos, ao sentir o toque das mãos de acariciando meu rosto.
Em um momento, eu estava sentido seu toque em meu rosto, e, no outro, a mesma mão passou rapidamente para a minha nuca e, num impulso, nossos lábios se colidiram, como em um selinho bem demorado.
A boca do . A respiração do . A mão do . . Tinha alguma coisa que eu não conseguia pensar sem ser o ?
Eu não tentei sair do beijo. Ele também não. Eu estava gostando. E ele também. Mas eu não sei por que eu pressionei minha mão contra o ombro dele, e, num instante, ele me soltou.
Respiração. Ansiedade. Vontade de beijar. Olhos nos olhos. A ficha caiu: um beijo.
Examinei seu rosto por severos segundos. Seus olhos estavam bem abertos, como se aquilo fosse um susto, ou ele tivesse medo de algo. Seus lábios estavam levemente vermelhos, com a pressão do pseudo beijo, ou beijo de verdade, que seja, como quiser chamar.
E eu? Eu estava sorrindo, cara! Eu estava sorrindo! Como já não fazia há muito tempo...
Meus pensamentos foram interrompidos pela voz de :
"," ele pedia com as mãos em forma de 'acalme-se, please', "por favor, me desculpa! Eu não..."
"Desculpa pelo quê?" Indaguei, estranhamente.
"Por ter... Ahn... Te beijado?" Ele respondeu, em dúvida.
"Desculpa nada, . Do que você vai se desculpar? Você não queria me beijar?" Essa história de ser desejada por alguém não era nada mal.
"Não! Quer dizer, claro que sim, mas eu não..." Que menino confuso!
"," coloquei meu dedo sobre seus lábios pra que ele fizesse silêncio. , a audaciosa chegou. Traga-me o champgne. "Basta. Você queria me beijar, e me beijou, pronto. E eu não fiz nada pra parar você. Eu poderia, mas não o fiz. Porque de fato..." E ele completou-me.
"Você também queria." E, de repente, ele abriu um sorriso enorme que me fez até rir do par de seu sorriso com sua cara infantil.
"Sim, admito que sim." Mal eu havia terminado a frase, e ele já havia me abraçado fortemente de novo.
"Isso quer dizer que você aceita?" Ô-oh. Não exatamente, er... Alguém explica pra ele? Tá, tá, eu sei, droga.
"," – sussurrei, saindo do abraço, "se nos beijamos? Sim. Se eu aceito? Bom, parcialmente. Assim, eu aceito ficar com você..."
"Namorar." Ele me retificou, que menino de postura séria, da até pra apresentar pra família! Não. Ainda não.
"Namorar," admito que disse a palavra com um pouco de esforço, "mas eu não estou preparada pra já sair namorando com você. Eu ainda preciso de um tempo pra processar isso tudo, e tal. Mas não vai demorar muito até que eu esteja pronta, só preciso de um pouco de tempo... Compreende?"
"Você quer dizer," , o pensador. Faria mais sentido se ele se chamasse Gabriel. Não. "Que você aceita namorar comigo, mas que precisa de um tempo pra processar tudo isso, e que depois desse tempo, que não será muito," ele fez 'não' com a mão, "você namorará comigo?" Mil anos depois, a pessoa entendeu, obrigada aos neurônios, se não tivesse só um ali dentro, mas tudo bem. To ficando irônica demais.
Coitado, isso é difícil pra entender. E eu também sou lerda. Droga, não posso falar mal da lerdeza dele sem me atingir. Nota mental: procurar um novo ponto fraco dele.
"Exatamente." Respondi, saindo dos meus arquivos de notas mentais.
"Mas você vai me avisar, não vai?" Ele fez uma carinha tão fofa de cachorro sem dono, que eu lhe acariciei a bochecha, e com um sorriso, lhe disse:
"Claro que vou, bobinho. Eu não vou te abandonar. Sou louca mas nem tanto."
"Que ótimo!" Ele exclamou, sorridente. "E eu também não vou te deixar. Não mesmo."
Um abraço foi-se divido entre nós dois, e quando eu pude ver, ninguém estava na mesa junto à nós. Procurei, observando atentamente ao grupo e, numa mesa bem distante de nós, estava , , e... . estava provavelmente dizendo algo engraçada enquanto as duas se matavam de rir. não parava de olhar pra mim e pra .
", eu..."
"Vá falar com o . Pode ir, sem problemas." Como ele sabia que eu ia falar com o ?
"Ele quer uma ajuda com uma letra de música aí..." Achei legal dizer o porquê.
"Ah, tudo bem. Pode ir, em você eu confio." Ele respondeu, com uma gargalhada gostosa. Assim como ele. [n/a: Sintam a ambigüidade de "Assim como ele". Eu também, uh, danada, -n rs]
"Ok, tchutchucão." Respondi, dando-lhe um beijo na bochecha. "Você não vai pra aquela mesa de lá?" Apontei para a mesa onde o povo se encontrava.
"Quero ficar mais um pouquinho aqui. Depois eu vou, prometo." Que sorriso, que sorriso!
"Ok, mas não fique muito tempo sozinho! Até mais." Me despedi com um aceno, já caminhando pra outra mesa.
Chegando lá, meus amigos me surpreenderam.
"Hmmmmmmm, danadinha!" E desataram a rir da minha cara de assustada. Menos , é claro, que só estava a sorrir levemente.
"Vocês beberam vodca de novo ou o quê?" Indaguei, rindo de leve.
"A gente que bebe, mas é você que tá com essa carinha feliz aí." respondeu, dando de ombros, com um sorriso malvado no rosto. Sacanagem, eu só tava um pouco alegre, ok?
"Que seja, parem de me atazanar!" Dei uma de Kaísha com K, e me dirigi para o lado de .
"Xuxuzão?" Chamei-o, com as mãos na cintura.
"Diga, pentelhinha." Ele respondeu, ligeiramente frio, com as mãos no bolso, um caderno debaixo do braço direito e os olhos me analisando.
"Vamos criar uma música ou não?" Disse, cheia de autoridade.
"Estava a sua espera." Ele respondeu, com seu sorriso desaparecendo de seus lábios. Ele levantou, caminhando para o gramado da escola, sendo seguido por mim.
"Eu tava conversando com o ." Respondi, simplesmente.
"Eu vi." Monossilábico .
"Não vai me perguntar o quê?" Indaguei, surpresa com suas poucas palavras.
"Não, da última vez que eu fiz isso a gente brigou. E eu lhe prometi que tudo ia dar certo. Eu tenho que fazer por onde pra cumprir essa promessa." Ele explicou, com paciência e um pouco de desânimo.
"Ah, sim. Compreendo." Foi somente o que eu pude dizer.
"Mas se você quiser me contar, estarei a ouvidos." Ele falou, brincalhão.
"Tudo bem. Não houve nada, a gente só conversou e tal."
"Sobre a proposta?!" Ele perguntou, sentando-se no gramado.
"É." Respondi, tímida.
"Você vai aceitar, não vai?" Ele questionou exatamente o que eu tinha medo que ele questionasse.
"Em parte, sim." Falei, honestamente.
"Parte dessa decisão foi influenciada pelas nossas brigas?" Era a primeira vez que ele olhava diretamente nos meus olhos.
"Nem um pouco." E era verdade. "O que acontece entre nós não tem nada a ver com o possível namoro entre eu e . São duas coisas completamente diferentes."
"Porém, são paralelas." Ele disse, olhando pra frente, para o nada.
"A única coisa que temo no caso de namorar o é o fim da nossa amizade, . E a questão toda é que você tem que compreender que é direito meu escolher ou aceitar alguém pra mim. Até porque, nos seus relacionamentos, eu não briguei nem nada quando você decidia namorar ou ficar com alguém. Agora é sua vez de me deixar viver." Um peso das minhas costas foi tirado. Eu só precisava falar.
"Ok então. Você tem toda a razão, . Você precisa aprender a tomar suas decisões sozinha, e não sou eu que vou viver sua vida por você. Me perdoe. Você está livre agora." Tais palavras me acertaram como uma flecha, em cheio. Eu acho que, no fundo, eu gostava do fato dele se preocupar tanto comigo. Mas não era certo. Afinal, não era isso que você queria? Pois bem, cabeça erguida, você já fez sua escolha, o já lhe deixou ir. Viva, . Viva, era o que eu dizia pra mim mesma.
"Obrigada, . Por me compreender." Foi tudo o que saiu dos meus lábios.
"Eu sempre o farei, pentelhinha." Um estranho abraço de lado aconteceu entre eu e ele. Sorri por saber que pelo menos, a amizade dele eu teria.
"Ok, vamos parando com o sentimentalismo, porque nós temos uma música a escrever!" Respondi, cheia de si.
"Certo, xuxua, certo."
"Não tem sido os melhores dias,
Desde que ele se foi e me deixou confusa
Porque eu tenho parado de funcionar, sim eu tenho babe."
"Lembra disso, ?!" perguntou, analisando o pedaço de papel, já muito envelhecido, que eu havia lhe entregado há quatro anos.
"Lembro. Escrevi na época que eu tinha a paixão infantil por ." Quanto tempo, não?
"Bom, me diga como você se sentiu naquela época."
"Trocada. Traída. Desinteressante. Apenas uma amiguinha pra quem eu gostava." A última parte era exatamente como eu me sentia perante ao .
"Entendo. Você se importa se eu passar pro inglês?" Ele indagou, com o caderno aberto e o lápis em seus dedos.
"Oh não, claro que não, vá em frente. Eu lhe dei esse esboço, você é o dono dele agora. Na verdade, você é o dono dele há quatro anos." Respondi, rindo.
"Ok, então. Então eu posso incluir meus sentimentos aqui também?" Ele perguntou, sorrindo livremente.
"Se não for assim, a música não será nossa e sim só minha, não é?"
"Em parte, sim."
"Então, vamos lá." Roubei o lápis da mão dele, já passando pro inglês.
"Pelo menos duas estrofes já foram criadas, né?" Concluí, enquanto eu e o voltávamos pra sala. Recreio havia durado tão pouco e mesmo assim tanto!
"É mesmo. Eu vou criar o refrão e as outras estrofes em casa. Pode deixar que a autoria vai ser nossa, eu não vou roubar!" Ele disse, feliz.
"Hoje vai ter ensaio?"
"Vai, pô. No mesmo lugar, na mesma hora. Você vai?"
"Não. Eu preciso ficar um tempinho sozinha. Pra mim mesma. Entende?" Assumi, fazendo cara de dor.
"Perfeitamente. Mas a gente vai sentir sua falta lá. Não demore com esse tempinho pra si mesma, ok?" Ele respondeu, mexendo de leve no meu cabelo.
", pelas barbas do profeta, deixa essa mania de bagunçar meu cabelo, cara! Me faz sentir criança!" Expliquei dando um tapa de leve na mão dele.
"Você não é mais criança. Você é uma quase mulher agora." Ele disse, piscando, brincalhão. Mas era verdade, eu estava virando uma mulher. Que responsabilidade, mãe, me acode!
"Você me dá medo às vezes." Falei, me direcionando pra minha sala.
"Você sempre me dá medo." Ele respondeu, puxando graciosamente uma gordurinha da minha barriga. Eu hein.
Naquele dia eu não fui ao ensaio. Fiquei em casa, mas e foram. ficaria naquele: "Oh, , please " e ficaria rindo das gracinhas de . E ele a conquistaria mais cedo ou mais tarde, falei.
De fato, achei melhor permanecer um pouco afastada da banda. Ok, um pouco afastada de e . Agora que as coisas estavam certas, o que me faltava era tempo pra entender aquilo tudo. E de fato, o tempo passou. Nem tanto, se quer saber. Uma semana havia se passado. Aquela semana inteira eu não tinha ido ao ensaio, o que, estranhamente, me fez bem. Acho que estou aprendendo mais de mim. Gosto de ficar sozinha. E não sou solitária! Isso é que é bom.
havia me dito que, depois que a banda ficou sabendo da festa na qual ela iria tocar, os quatro meninos andaram se empenhando muito com as músicas, os covers, e que finalmente conseguiram fazer três músicas novas! Eu fiquei tão feliz por eles, fiquei mais feliz ainda por saber que a minha ausência não tava atrapalhando ninguém. Pelo menos o McFly tava indo bem, o que já era 50% da minha preocupação indo embora. Ela também mencionou que quase sempre Adam comparecia aos ensaios também. E que tinha perguntado de mim. Desculpa, gatinho, sou compromissada e, tá parei.
O que me preocupou foi o fato de e , nos primeiros dias após 'a briguinha' deles, não estarem se falando muito, mas acho que com o dia do mini show deles chegando, eles esqueceram isso. 70% da minha preocupação foi embora. 20% era sobre mim e e os 10% era de , quando meu tempo acabasse e eu aceitasse o namoro com , por mais que meu melhor amigo tenha dito que estaria tudo bem, eu não achava que tudo ia ficar bem, mas, no destino eu teria que confiar.
Era sexta de manhã, e mal cheguei no colégio, fui surpreendida por um pulante:
"É HOJE! É HOJE! É HOJE!" Ele exclamou, me levantando no colo. Eu hein, que menino feliz.
"YEEEEEEEEY" Respondi, rindo mais de mim do que de qualquer coisa.
Ele riu em resposta, e me colocou no chão, sem tirar as mãos da minha cintura. Minhas mãos estavam em volta do seu pescoço e eu podia ver meu reflexo nos seus olhos.
Aos poucos, minhas mãos foram deslizando de sua nuca, da mesma maneira que seus braços se separavam da minha cintura. Tempo e espaço. Eu não precisava explicar. Ele entendia. Já bastava.
"Dormiu bem?" Ele perguntou, colocando as mãos nos bolsos de seu casaco.
"Sim," e era verdade, "e você?" Educadamente, retribuí a pergunta.
"Otimamente bem." Ele respondeu, bem feliz.
"Uau!" Indaguei enquanto nos dirigíamos pras mesinhas esperar o sinal bater pra ir pras salas. "Posso saber o por quê?"
"Sonhei que hoje meu motivo de sorrir não será só a banda." Ele explicou-me, com uma cara de esperto no rosto. Me perguntei por quê.
"Que bom, então!" Falei, tentando saber se eu e pensávamos sobre o mesmo motivo da alegria dele – além da banda – do dia.
"!" exclamou da mesa, sentada com e .
"Oie!" Falei, ao chegar na mesa.
"Olá, sexy back!" disse, rindo da minha cara. Oh God, ela ainda lembrava que eu sabia dessa letra.
"Bom dia, senhorita ." Respondi, me sentindo rainha.
"Golpe baixo." respondeu, rindo.
"O quê? É verdade, se hoje a não vai pra festa comigo ou com a , é por causa do senhor !" Respondi, falsamente indignada.
"Er, , sobre isso..." começou a falar, e quando olhei pra ela, estava rindo.
"Ah, tá brincando!" Exclamei apontando pra eles dois. "Vocês também tão no processo de arroz?" Acho que fui sincera demais, os dois ficaram vermelhos na hora.
"Arroz?!" perguntou.
"É, gruda mas não fica." Falei, fazendo a mão de trocadilho.
"Faz sentido." Ele concluiu, roendo sua unha.
"Então, ," deu continuação a sua fala, "o me perguntou se podia me levar hoje à festa. Eu disse que talvez, se você não se importasse." Claro que não, eu não sou empata foda, dã.
"Tudo bem, eu vou..." E fui interrompida.
"Comigo." disse, me surpreendendo. Todos olharam surpresos para ele, inclusive eu. Mas eu não queria negar a proposta, então, eu...
"Ok então. Que horas a festa começa?" Questionei, pensando no que vestir.
"Bom, começa às nove, mas eu estarei lá a tarde toda, pra montar os instrumentos, passagem de som, o mini palco e tal. De lá eu te busco e volto. Eu vou estar com o carro do meu pai. Umas nove e meia tá bom?"
"Como mulher gosta de se atrasar, então, sim, está ótimo!" Respondi, gargalhando.
"Ok então, little princess." Ele respondeu, oferecendo a mão pra fechar o 'acordo'. Dei um tapa na mão e um pedala nele, que gemeu em dor. Nem foi tão forte assim, bebê chorão. "Sua grossa!" Ele choramingou, massageando a nuca.
"Sou enorme, brincadeira. , tá doendo mesmo?" Abaixei a cabeça pra olhar pra ele, que me puxou pra um abraço de tamanduá, dizendo:
"Não me bata nunca mais mocinha. Assim eu não bagunço seu cabelo." E quando eu senti que era isso o que ele faria, eu gritei:
"OK!" Temendo pela vida. "Deixa meu cabelo em paz, por favor, !" Pedi com cara de cachorro sem dono.
"Boa menina! " Me senti um cãozinho quando respondeu por , rindo de mim, óbvio.
"Fica quieto aí, senhor ladrão de amigas pra companhia de festas!" Meu cabelo, minha vida, sim ou não? Parei.
" tá rude." respondeu, rindo.
"Não mexe com o cabelo dela, aviso, cão perigoso!" mandou a piadinha, fazendo todos rirem. Simplesmente lixei minha unha mentalmente, e o papo terminou com o sinal, que salvou meus amigos da minha provável matança. Jason o estripador mode on.
Os três primeiros tempos passaram tão rápido como um piscar de olhos. Vai ver porque no primeiro tempo eu dormi e nos outros, fofoquei sobre a festa, que, por sinal, estava sendo comentada por muita gente. É, parece que McFly ia ficar famoso depois daquela noite.
"E aí, preparada pra ser conhecida como a groupie oficial do McFly?!" me perguntou, enquanto eu me sentava à mesa. e ainda não haviam chegado. também não. E nunca chega na hora certa.
", se liga, uma das três músicas de você tem a minha autoria. Groupie é o que a vai matar quando um monte cair aos seus pés." Falei, rindo de mim.
"Você acha mesmo?!" Ele perguntou esperançoso.
"Sim, acho que vão ter várias garotas peitudas e com piercings em lugares sugestivos gritando seu nome daqui há um ano, mais ou menos. Quando o McFly for famoso." Comecei a imaginar e ter medo o futuro.
"Não me refiro às groupies," ele parecia estar tímido, "me refiro à ."
Ô-oh.
"Sobre ela matar as groupies?!" Perguntei, sem ter certeza.
"É." Ele disse, extremamente tímido.
"Por que você quer tanto saber?" Levantei a minha sobrancelha durante a pergunta, suspeitando de alguma coisa.
"Só... curiosidade." Ele estava ficando nervoso.
", me diz uma coisa, " virei pra ele séria dessa vez, com os olhos forçados, como se quisesse enxergar alguma coisa. E de fato, eu queria, "você não convidou a simplesmente porque ela é bonitinha e porque você só quer mais um caso de verão, certo?"
"Sei lá, , do que você tá falando? Você é tão estranha e..." Interromper é uma benção. Ainda mais quando ele tava mais nervoso perante ao meu questionamento do que pra apresentar trabalho de história, fato.
"Oh, my God!" Exclamei, olhando de olhos bem abertos pra ele. "Você tá gostando dela?" Indaguei, ainda chocada.
"Shh!" Ele fez sinal de silêncio com a mão. "Não precisa espalhar pra escola inteira, ." , o preocupado com sua reputação.
"Sorry!" Fiz uma cara de dor ao perceber que realmente tinha falado um pouco alto.
"E bom, não sei se é exatamente gostar e tal, mas é que, assim... Eu simpatizei muito com ela, sabe? É estranho, geralmente com uma garota, eu chego logo com as minhas falas de pegador, e pronto. Isso quando essa menina não é você, porque você é como minha irmã. E quando essa menina é a , que, vamos combinar, tá na cara que tá a fim do até de baixo d'água. E ele também. E tipo, eu não vejo a como outra coisa a não ser uma irmã, como você. É claro que a minha amizade contigo é maior e tal, mas, é assim que me sinto. Agora, com a , é muito estranho, !" Ele estava desesperado, dava até pra ver a consciência dele gritando por ajuda nas palavras do mesmo. "Eu não a vejo como irmã, mas não a vejo mesmo como uma garota pra ficar e pronto, acabou. Sei lá, eu gosto de mim quando eu tô com ela. Eu gosto de estar perto dela. O assunto flui quando eu tô com ela, e flui naturalmente, a gente fala cada bobagem e..."
"Ela é muito legal pra ser qualquer uma pra você." Concluí, com um meio sorriso no rosto.
"Uhum. Muito mesmo. Eu acho que não seria capaz de me envolver na moral e simplesmente... acabar e ponto. O que me dá mais medo, é que eu tenho esse sentimento todo dentro de mim, mas eu a conheço há apenas uma semana!" estava tão acostumado com a galinhagem, e chega a desbancando geral. Eu acho que, no tudo no tudo, não foi coincidência conhecer a , afinal.
", chuchu, isso é tão normal. Pra se apaixonar por mim ou simplesmente gostar de alguém, leva-se tão pouco tempo. Num momento você está achando aquela pessoa super legal, e no outro, você não quer que ela vá embora nunca. E, dependendo do seu desespero, até cria motivos pra ficar mais tempo perto dela." Era o que eu fazia.
"Bom, isso de fato, aconteceu. Ontem, eu chamei a pra tomar um ar enquanto a se despedia do . A despedida deles é quase uma vida pra acabar. Então eu fiquei conversando com ela, enquanto o , o e o Adam conversavam sobre um assunto qualquer. Se fosse qualquer outra garota, eu provavelmente estaria no trio que estava conversando do que simplesmente sozinho com ela. E foi quando eu a convidei pra ir à festa comigo. Ah, desculpa por isso, aliás." estava tão fofo dizendo seus sentimentos pela pseudo Timberlake, que eu nem liguei pelo fato de não ir com ela e ir com o . Bom, eu devia ficar até feliz, porque, entre a e o , amizades duradoura, homens a parte! Eu sei, tô ficando devassa.
"Tudo bem, . Vai ficar tudo bem. E, sabe, eu acho, que ela é uma pessoa meio tímida pra isso também, mas, se você investir das maneiras certas hoje à noite, eu acho que rola." Falei, sincera.
"Sério?!" Meu Deus, mais um pouco e eu infarto.
"Sim," eu disse, chegando pro lado, com medo do meu amigo, "tipo, enquanto você estiver tocando dá uma moral pra ela, tipo, umas olhadas significativas, umas piscadelas, e tal. E quando você não estiver tocando, chame-a pra dançar, seja cavalheiro. Eu acho que ela vai se amarrar." , conselheira amorosa.
"Vou me lembrar disso hoje." disse, mais gravando as coisas que eu disse do que conversando comigo.
"Vai lembrar do quê?" Naquele exato momento, chegou a musa inspiradora do , junto com a srta .
olhou pra mim em desespero, e eu dei uma gargalhada, antes de dizer:
"De não esquecer da mais nova música deles. Sabe, tem essa tendência de esquecer e errar no meio da música, na hora do show." Expliquei, rindo muito por dentro, e vendo um aliviado concordar silenciosamente ao meu lado.
"Ah, isso seria horrível." comentou, abrindo seu pacote de biscoitos salgados. "BATATA!" A menina ficava feliz com tudo, Meu Deus.
"Meus bibelôs!" Ouvi a voz de atrás de mim, e logo me virei para encará-lo. "É hoje, é hoje!" Ele dizia, e quando nossos olhares se encontraram, um sorriso abriu-se em seu rosto, seguido de um abraço. "Minha pentelhinha, é hoje!"
"Eu sei, zinho, estou feliz por você e pelos outros." Assumi, honestamente.
"E você sabe que além da nossa música, mais duas estarão no ar?" Ele disse, saindo do abraço, fazendo uma dança muito, muito estranha.
"Não." Eu não sabia se prestava atenção nas palavras ou na dancinha ridícula da vitória dele.
"Pois devia. Mas essas, vocês todas," ele exclamou, apontando pra mim e pras meninas, "ficarão sabendo, hoje à noite." Ele estava muito, muito empolgado.
"Que legal!" Respondi, rindo de mim.
"Ah, essa noite promete." Ele disse, sorridente demais pro meu gosto. Eu hein! Estranhei ainda mais quando ele me olhou de uma maneira como se soubesse de algo e eu não. Hm, deixa pra lá. É o .
Mais outros tempos se passaram, e, quando eu pude perceber, já estava em casa, olhando pro meu armário. Estava com uma séria dúvida entre um vestido – que era roxo até o final da parte do busto, e, dessa área pra baixo, era lilás – e entre uma calça skinny, all star preto e uma blusa branca que ficava na altura do meu ombro, com um "rock n' roll" gigante na parte da frente, com letras pretas, em destaque. A blusa ia até um palmo meu, da cintura pra baixo. Cobria minha bunda, e eu me sentia bem com isso, porque com aquela calça... tinha que pensar duas vezes.
Era tremenda a dúvida, por um lado, eu estava toda bonitinha com o vestido, de saltinho prata, bonitinho, enquanto no outro eu estava mais a vontade. Chamei a minha própria estilista:
"MÃE!" Gritei da porta do quarto.
"Diga, prole." Ela disse, chegando um tempo depois, comendo uma maçã, com uma revista na mão.
"Socorro, dicas de moda pra ontem." Avisei.
"Quanto tempo você tem?" Ela perguntou, ainda desinteressada.
"São 9 horas, o vem me buscar daqui a meia hora e tudo o que eu fiz até agora foi tomar banho." 24 horas é tão pouco pra um dia.
"Whoa!" Ela comentou, sentando-se à minha cama. "Ok, tem que ser rápida. Qual é a dúvida?"
"Isso e isso." Apontei pro vestido e pro outro conjunto blusa + calça pra ela. "O vestido com o salto e o conjunto com o all star."
"Com o que você vai se sentir mais confortável?" Mamãe sempre sabe das coisas.
"Com o conjunto." Disse, sem pensar.
"Então vá com ele." Ela respondeu, feliz.
"Mas e o vestido? Não tá mais bonito?" Perguntei, receosa.
"Você quer dizer 'Está mais normal e mais belo pra quem vê'?" Mamãe sempre sabia das coisas, dois votos.
"É." Assumi, bufando. "Vou com o conjunto e dane-se quem não gostar." Falei, guardando o vestido.
"Isso mesmo. Agora apresse-se, que daqui a pouco o príncipe chega. Eu tô tão doida pra conhecer meu genrinho!" Ela falou, ansiosa.
"Você já parou com a idéia maluca do seu genrinho ser o ?" Perguntei, colocando a calça.
"Bom, vocês estavam brigando muito. Mas se algo ainda não rolou entre vocês, vai rolar. Eu não sei, é difícil de dizer, vocês são complicados. Bom, pensamentos positivos pra você, curta, porque a noite é uma criança, e faça o que eu digo, não o que eu faço." E assim, mamãe saiu do quarto.
Nove meia em ponto e eu estava terminando de passar o brilho nos lábios, quando a campainha tocou. Pontual, ponto positivo. Como eu disse que ficaria mais confortável, eu estava com aquele conjunto, e com uma maquiagem de leve no rosto. Lápis preto, um pouco de blush, brilho e ponto. Ah, e é claro, o perfume, fato.
Desci as escadas cantarolando uma das músicas mais famosas do Kiss:
"I wanna rock n' roll all night, and party everyday!"
"Alguém aí tá feliz e... deixa quieto." Mamãe disse, sorrindo.
"Boba!" [n/a: Renatika BOOOOOOOOOOOOOBA KSPSOAKPAS' tchamo, shushureba o/]
Abri a porta, e encontrei um muito, muito bem arrumado. Ou ele tava muito, muito lindo? Ó, dúvida cruel. Com uma camisa dos Rolling Stones azul marinha, um tipo de paletó preto, e uma calça jeans escura, larga demais pra se manter na cintura. Pra que o cinto? Ele era bonito, admito, mas, desnecessário.
"Hey, ." Cumprimentei-o, sorridente.
"Uau," ele disse, me olhando, "você está absolutamente... linda!" Ok, por essa sinceridade, eu não esperava.
"Er, hm... " Difícil respirar com o elogio imprevisto. "Obrigada, você também."
"Obrigada." Ele retribuiu, feliz.
"Entre, entre, eu só vou pegar meu casaco." Eu falei, dando espaço pra ele entrar.
Subi as escadas correndo rapidamente, enquanto podia ouvir minha mãe falar com ele. Oh God, pega esse casaco logo!
"Então, você e minha filha estão namorando em segredo ou o quê?" Pude ouvir quando estava na metade da escada.
"Mamãe!" Repreendi, descendo os últimos degraus.
"Eu só tava querendo saber, ok?" Ela de desculpou, cruzando os braços.
"Ok, mãe, bye." Respondi, jogando um beijo pra ela.
"Tchau, querida, cuide-se. E, , não a deixe bêbada." Mães...
"Chega, mãe." Falei fazendo sinal de um corte na garganta, e abrindo a porta. "Não espere por mim." Sempre quis falar isso.
"Ok, tchau, ." Ela ria.
"Até mais, tia." Ele despediu-se, sorridente. Mãe é um bicho esquisito, mas legal.
Capítulo 14: Is it my imagination, or do you feel good?
"Desculpe por isso." Falei enquanto colocava o cinto, já na poltrona de passageiro do carro de . Ou do pai dele, né?
"Pelo quê?" Ele perguntou, abrindo o porta-luvas, mexendo em alguns cd's, provavelmente procurando um deles.
"Por minha mãe ser tão... mãe." Terminei, rolando os olhos e rindo. Ele também riu, e, logo após, exclamou:
"Quer saber?! Escolha um cd aí, o que mais te agradar. Você é a dama." Que menino educado.
"Hm, ok... Beatles, Blink, Queen e... Alanis Morrisette?!" Não era possível.
"O quê que tem? Eu gosto da voz dela, me acalma." Ele disse, dando a partida no carro.
"Uh, tenho que colocar o cd dela. Head over feet, pode ser?" Perguntei, sorridente.
"À vontade, madame. Já disse, você é a dama, seu pedido é uma ordem." riu ao proferir as palavras, enquanto dirigia em direção à casa onde a festa aconteceria.
"Ok, então, beije meus pés." Eu brinquei, fazendo cara de Cleópatra quando foi picada pela cobra, enquanto a música começava a soar.
I had no choice but to hear you
(Eu não tive escolha a não ser ouvir você,)
You stated your case time and again
(Você explicou seu caso várias vezes,)
I thought about it
(Eu refleti sobre isso...)
You treat me like I'm a princess
(Você me trata como se eu fosse uma princesa,)
I'm not used to liking that
(Não estou acostumada a gostar disso.)
You ask how my day was
(Você pergunta como foi meu dia...)
"Aposto que você tomou banho, e, desculpa lhe desapontar, mas não o farei, madame. Mas posso beijar algum outro lugar seu..."
"Como o quê?" Perguntei, me fazendo de João-sem-braço, me virando pra ele.
seguiu para o acostamento, parou o carro e deu um breve sorriso. Virou-se pra mim, num movimento gracioso, e com seus olhos em formas de faróis pra mim, ele me observou, com uma expressão que eu não conseguia entender. De repente, ele começou a se aproximar de mim mais do que eu podia perceber, ficando a poucos centímetros de meu rosto. Eu podia sentir sua respiração calma alcançar meu rosto, quente pela timidez inesperada.
You've already won me over in spite of me
(Você já me conquistou apesar de mim,)
And don't be alarmed if I fall head over feet
(E não fique alarmado se eu cair de cabeça para baixo,)
And don't be surprised if I love you for all that you are
(E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é.)
I couldn't help it
(Eu não poderia evitar,)
It's all your fault
(É tudo culpa sua...)
A mão dele se soltou do volante, até chegar em meu rosto. Eu tentava enxergar seu olhar sem parecer uma idiota, mas era impossível. Seus dedos começaram a passear por cada ponto da minha face, delicadamente.
"O que está fazendo?" Perguntei, com dificuldades para olhá-lo.
"Memorizando seus traços... Eu quero que essa noite seja lembrada com o rosto que mais quero ver durante muito tempo, sorrindo pra mim."
"Você me deixa sem graça..." Comentei, sorrindo de leve.
"I couldn't help it, it's all your fault..." cantarolou essa parte pra mim, olhando fixamente pros meus lábios. Deu um longo suspiro, cujo ar veio parar em meu rosto, novamente. Sua mão estagnou em meu ombro, deslizando calmamente para a minha nuca.
Your love is thick and it swallowed me whole
(Seu amor é abundante e me absorveu inteira,)
You're so much braver than I gave you credit for
(Você é muito mais valente do que eu te dava crédito,)
That's not lip service
(Isso não é falso elogio...)
You've already won me over in spite of me
(Você já me conquistou apesar de mim,)
And don't be alarmed if I fall head over feet
(E não fique alarmado se eu cair de cabeça para baixo,)
And don't be surprised if I love you for all that you are
(E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é.)
I couldn't help it
(Eu não poderia evitar,)
It's all your fault
(É tudo culpa sua...)
Meus olhos foram se fechando automaticamente, e eu podia sentir sua respiração mais próxima a cada instante. E quando eu senti que seus lábios estavam prestes a se tocar com os meus, ele passou direto, me dando um beijo no canto da minha boca. Ele realmente desviou dos meus lábios. Como ele conseguia? Quero dizer, se fosse eu, já teria ido há muito tempo. Pra mim, a carne é fraca.
You are the bearer of unconditional things
(Você é o portador de coisas incondicionais,)
You held your breath and the door for me
(Você segurava sua respiração e a porta para mim.)
Thanks for your patience
(Obrigada pela sua paciência...)
You're the best listener that I've ever met
(Você é o melhor ouvinte que eu já encontrei.)
You're my best friend
(Você é o meu melhor amigo,)
Best friend with benefits
(Melhor amigo com vantagens).
What took me so long
(O que me segurou por tanto tempo?)
Depois disso, ele se afastou um pouco de mim, acariciando a parte lateral do meu pescoço com seu dedão, me observando com cautela. Eu respirava com certa dificuldade, afinal, com tanta proximidade, e depois de todas as coisas que ele havia dito, difícil era manter meu batimento cardíaco abaixo do 100.
I've never felt this healthy before
(Eu nunca senti tão saudável assim antes,)
I've never wanted something rational
(Eu nunca quis algo racional.)
I am aware now
(Estou ciente agora,)
I am aware now
(Estou ciente agora...)
You've already won me over in spite of me
(Você já me conquistou apesar de mim,)
And don't be alarmed if I fall head over feet
(E não fique alarmado se eu cair de cabeça para baixo,)
And don't be surprised if I love you for all that you are
(E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é.)
I couldn't help it
(Eu não poderia evitar,)
It's all your fault
(É tudo culpa sua...)
Ao acabar a música, num sorriso triste, sussurrou mais pra si do que pra mim:
"Quando for à hora, ela te dirá, amigo. Ela te dirá..." E assim, sua mão abandonou minha nuca, e seu corpo voltou para o lugar de origem. Dando a partida no carro, ele voltou à estrada.
", meu caro!" gritou, já um pouco 'alto', indo na direção de , sendo seguido por . "Quanto tempo, meu amigo!"
"Hey, , tudo bem, minha doçura?" dizia, dando um abraço nele, e perguntando em voz baixa pra . "O que você deu pra ele?"
"Eu nada, a culpa é do Adam!" se desculpou e apontou para o irmão de , que estava num canto reservado, tomando sua cerveja, rindo de alguma coisa que algum outro bêbado disse a ele. Esses pseudo-grupinhos me deixavam irritadas.
"E como você deixou, ?" Argumentei, olhando pra ele com a cara fechada. "Vocês vão tocar daqui a pouco, ele não pode se apresentar nesse estado!"
"Unidos, jamais serão vencidos." começou a cantar uma antiga brincadeira infantil. "PRA FRENTE, PRA TRÁS, ASSIM É BOM DEMAIS." Ele começava a imitar as cheerleaders do colégio, arrancando risadas de muita gente. "PRO LADO, PRO OUTRO ASSIM É MUITO POUCO!"
"Eu só fui buscar a e quando voltei, ele já tava assim." se explicou. Rolei os olhos, e em seguida, levando o pra cozinha, eu disse:
"Ok, , já entendemos, você está feliz hoje."
"Sim, muito! Você viu como a tá linda? Assim, você também tá muito hot, , mas ela, tá demais! Eu falei que ela era meu xuxuzinho encantado e ela riu! Daí, antes eu tava nervoso pelo show, fiquei mais nervoso ainda com ela, porque, se ela riu do que eu disse, ela deve me achar patético, mas mais nervoso do que eu estava, eu não poderia ficar, então eu encontrei o Adam e ele disse que era melhor beber. Então, aqui estou, quanto mais bêbado, menos nervoso fico, não é?!" Ele disse, felicitado.
"E quanto mais você bebe, menos fígado você tem. Vamos tomar um café, ou comer alguma coisa doce, vamos?!"
"Não sei aonde tem doce, mas eu quero doce. Eu quero!" Parece que deram mais do que cerveja pra aquela criança.
"O amigo do disse que tem doce na mesa, daí eu fui pegar." apareceu na cozinha, com um prato repleto de coisas doces, despertando a vontade dentro de .
"DOCE! DOCE! DOCE!" E foi comer.
"Já volto." Eu disse, me dirigindo para a porta da cozinha.
"Vai aonde?" perguntou, sentando-se na bancada.
"Vou procurar o culpado disso pra cuidar do ." Respondi, já saindo do recinto.
Andei de volta à sala, com uma barulheira de música alta, procurando Adam. Quando o encontrei, ele estava falando com uma menina com poucos pudores, digamos assim.
"Adam," chamei-o, tirando do xaveco, como dizia , "pode vir aqui um instante?"
"!" Ele disse, me observando de cima a baixo. "Está linda, menina! Deixe-me apresentar..." Ele disse, fazendo esforço pra lembrar o nome da garota, tinha certeza. Ela completou sua fala com uma certa raiva.
"Kelly."
"Kelly, certo! Falamos juntos, não é?" Ele tentou consertar sua falha, mas ela simplesmente rolou os olhos, e saiu andando, deixando um Adam não muito agradável pro meu lado.
"Ok, que seja muito importante, porque eu perdi um broto daqueles e..."
"Se liga, Adam!" O cortei, antes dele terminar de falar. "A garota é muito vadia, você consegue uma dessas fácil, agora conseguir um outro componente pro McFly essa noite, não consegue não." , a revoltada.
"Como assim?!" Ele indagou, confuso.
" está bêbado, por sua causa e daqui a pouco eles vão tocar. Ele está na cozinha comendo uns doces pra ver se melhora, agora trate de ir até lá e fique ao lado dele até que ele se sinta bem."
"Mas eu..." Interrompi.
"Agora, Adam." Adoro meus olhares pseudo-mortais, fazem qualquer um agir como eu quero por medo, admito.
"Certo, mas só porque você realmente está gata." Ele disse, piscando e seguindo pra cozinha.
"Eu sou, caro amigo." Revoltada estava, revoltada fiquei e ainda mandei respostas do tipo. Saí andando pro jardim, e encontrei , e no meio do caminho.
"!" gritou, me abraçando. "Você tá linda, gata!"
"Obrigada," respondi, rindo de leve, "você também está." E estava mesmo, botas bico fino preto, calça jeans escura e uma blusa verde-escura realçava os olhos dela. estava logo atrás, babando também. E eu sei que a também tava babando, afinal, o cara tava com uma blusa social preta, uma gravata cinza, uma calça jeans também escura, e um all star branco. Ele estava bem hot, sem zoar.
", babará por ti hoje!" disse, só pra que eu ouvisse, enquanto a gente se cumprimentava. Dei uma gargalhada alta, e brinquei também.
"O também não tem do que não babar." E falava sério! Ela tava com uma calça jeans clara, um saltinho básico e uma blusa tomara-que-caia lilás.
"Obrigada." Ela havia ficado tímida. "Ele falou que eu era o xuxuzinho encantado dele, eu ri tanto!"
"É, você o deixa bem nervoso, foi um dos motivos pelo qual ele bebeu... Mas ele já deve estar melhor e..."
"Ele tá bêbado?!" Ela perguntou assustada. "Por minha causa?!"
"Você o deixa nervoso, aí o Adam chegou e disse pra ele relaxar e beber... Longa história, visite-o na cozinha." Resumi, esperta.
"Ok, , se quiser vir ou não, você tá com o , fica aí então." Sem nexo total, mas eu entendi, .
"Ok." respondeu, sem entender muito.
"Bom, gente, e eu vou procurar pelo..."
"!" Alguém havia me chamado. Quando me virei pra ver quem era, não era . Nem . Era... Lis.
"Lis, oi!" Surpresa, surpresa, surpresa. Eu havia esquecido totalmente dela, esqueci que talvez estivesse no maior xaveco com ela.
"Como você tá, amor? Tá ótima, pelo visto!" Ela exclamou, apontando pra mim.
"Obrigada, Lis." Respondi, colocando um fio de cabelo meu pra trás da orelha. "Você também está muito bonita." Um vestido branco que deixava os seios dela maiores do que são, falo mesmo. E aquele sapato de salto com aquelas pedrinhas brilhando? Coisa de ano novo. Alô, se liga, é uma festa!
"Bom, então, feliz em ver a McFly finalmente tocando?" Blábláblá.
"Claro, tinha que ver essa honra! E você?" Às vezes eu odiava a educação que eu tinha.
"Também, né? O me chamou e tal, daí ele me trouxe pra cá há algum tempinho atrás..."
"E cadê ele?" Meu melhor amigo, perguntei por perguntar, hm.
"Presente." O próprio aparecia por trás de mim, me dando um susto.
"O-Oi, ." Até gaguejei, com aquela proximidade toda.
"," ele disse, sorrindo abertamente, "você tá linda." Ai meu coração, ai meu coração!
"Você também, ." Aquilo era tortura! Ele também tava com um tipo de paletó, só que com finas listras brancas numa imensidão preta, com uma camisa do Queen azul, uma calça larga nele, como sempre, e um adidas branco. O cabelo dele tava cuidadosamente arrumado, com um aspecto de rebelde; eu não sabia dizer como. E sua toquinha verde, a toquinha que eu dei pra ele quando tava aprendendo a tricotar!
O primeiro trabalho bem feito que eu tinha conseguido terminar, ele estava usando na primeira vez que o McFly ia tocar... Cara, que lindo.
"Bom, você e Lis já se conhecem, é claro." Ele seguiu em frente colocando uma mão na cintura dela, abraçando-a meio que de lado. Ela apoio a cabeça no ombro dele e deu um breve sorriso. Forcei o máximo que pude a sorrir, e disse:
"Quando vocês vão se apresentar?" Curta e grossa, com um sorrisinho forçado na cara.
"Daqui uns quinze minutos." Ele respondeu sorrindo.
"Ok, estarei lá." Falei, segurando minha raiva interna.
"Na primeira fila?" Ele perguntou, e eu percebi que ele aproximou o corpo de Lis mais do dele, ainda com a mão na cintura dela. Calma, calma, respira, ele não é nada além do que seu amigo.
"Sim, o me pediu e você não me perdoaria, certo?" Droga, eu sei provocar, não me agüento.
"Você vai estar lá na frente por mim ou por ele?" O sorriso em seu rosto desapareceu, e a sua outra mão fechou-se, não me pergunte o porquê.
"Pelos dois, , pelos dois. E além do mais, você não terá só a mim lá na frente." Respondi, apontando pra Lis, sorridente. Mais sarcástica, impossível.
"É verdade, lindinho, eu vou estar lá." Ela respondeu, melosa demais, fofinha demais, perfeitinha demais pro meu gosto. Argh, se controla, .
"É verdade, não é mesmo?!" Ele disse, relaxando sua mão.
"Da mesma forma, eu estarei torcendo pelos dois. Então, eu vou procurar o , ele deve estar mofando cuidando do ."
"O que o tem?" perguntou.
"Bêbado. A essa hora já deve estar melhor."
"Hm, ok, então. Vá lá procurar... o ." Ironia disse: "Oi, gata. Quer teclar?".
"Vou mesmo. E espero que vocês dois curtam muito," dei ênfase no muito, "muito mesmo essa festa. Boa sorte, ."
"Pra ti também, ." Lis, a boazinha.
"O mesmo pra você." Os olhos deles me observavam, sem nenhuma expressão. Credo.
"Obrigada." Já saí andando, mas dei meia volta e disse: "Ah, a propósito... Gostei da toca." Ahá, classe.
"Ela me dará sorte." Escutei, mas fingi que não escutei, seguindo meu caminho, pra encontrar o .
" tá ficando com ela, é fato. Eu que sou idiota. Ele me deixou ir, não deixou? Eu tenho mais é que chegar e ficar com o mesmo. Mas... argh." Eu pensava nisso sem parar, e quando dei por mim, eu estava na beira da piscina, olhando atentamente pra água, mergulhada em pensamentos confusos. Eu já tinha feito minha escolha, então por que aquilo ainda mexia tanto comigo?
"Dói em você vê-la com outra, porque você ainda tem sentimentos por ele, ." Ouvi a voz de soar atrás de mim, e quando me virei pra olhá-lo, ele me abraçou, de forma que minha cabeça ficou encostada em se peito. Respirei fundo, porque ele respondeu exatamente o que eu não queria ouvir, mas que insistia em perguntar.
"Dói, . Não é que eu não goste de você, mas..."
"Shhh." Ele disse, balançando levemente seu corpo, pra frente e pra trás, numa forma de me acalmar. "Eu não pedi pra você parar de gostar dele do dia pro outro, pedi?"
"Não..." Respondi tristemente. "Mas é que..."
"Nada mais deve ser dito, então." Ele me interrompeu, acariciando meu braço com seu dedão. "Eu só pedi pra você me dar uma chance, que eu vou tentar fazer você esquecer o . Eu não to exigindo nada de você, foi só uma proposta. Se você não quiser, eu entenderei e..."
"Não, ." Eu o interrompi dessa vez, segurando sua mão, pra que ele prestasse atenção. "Eu quero. É só esperar mais um pouquinho, te prometo."
"Eu sei, não precisa prometer... Eu acredito em você." Ele falou simplesmente, me deixando um pouco mais feliz.
"Obrigada," sussurrei, olhando pra ele, seriamente, "por tudo."
"Bom..." Ele respondeu, acariciando meu rosto, olhando nos meus olhos, com um sorriso doce. "É um prazer."
Ficamos nos olhando por um curto espaço de tempo, porque fomos interrompidos por um arfando.
"Cara," ele disse, se apoiando com as mãos nos joelhos, "por onde você esteve? Já está quase na hora da gente se apresentar!"
"Nossa, calma." disse, olhando assustado pra ele. "O não viria aqui pra me dizer?"
"Cara, ele tá estranho." comentou, coçando a cabeleira. "Ele foi até a porta da cozinha, avistou vocês, deu meia volta e me disse pra chamar vocês. Ele não queria interromper nada." Estranho, muito estranho.
"Bom, que seja." Eu disse, me levantando, com uma certa raiva do . "Tá quase na hora mesmo, então, levanta, ." Eu disse, oferecendo minha mão. Ele sorriu, pegou na minha mão, levantou-se e nós três seguimos para o local.
"Boa sorte, ." Ouvi falar, com uma voz meiga (lê-se: apaixonada), enquanto eu descia do mini-palco pra ficar na primeira fila.
"Com você aqui, a sorte é garantida, minha linda." Pude ver piscar pra , enquanto ela morria de amores.
"Vamos, ..." chamou, rindo da cara dela, babando totalmente por ele, e ele por ela.
Depois de todos terem se desejado boa sorte ali, eu, , e... Lis – é difícil dizer o nome – estávamos na primeira fila, olhando pros meninos, ansiosos, nervosos... Tudo que se podia imaginar.
O dono da festa, já muito bêbado, chegou ao microfone e agradeceu ao McFly por estar ali – pelo menos ele não tava sendo grosseiro – agradeceu à um monte de gente, e de repente, saiu dali gritando McFly pra todo canto. Alguns olhares a mais, outros a menos, e de repente, ouvi a voz de no microfone:
"Bom, gente, é a primeira vez que nos apresentamos. Gostaríamos que vocês curtissem nosso som e, bom, essa música eu compus há um tempo, fruto de uma relação que me deu chifres!" Ouviu-se um monte de gente gritando, rindo, fazendo a zona. "Eu sei, eu sei, me chamem de corno, mas, que seja, essa aqui se chama Nothing."
Everything she says to me is nothing
(Tudo que ela diz pra mim significada nada)
Even words of sympathy mean Nothing
(Mesmo palavras de compaixão significam nada)
Im feeling down and i hate the sound of nothing
(Estou me sentindo abatido e eu odeio o som do nada)
What's the point in hanging around for Nothing?
(Qual o propósito de dar voltas por nada?)
And i can't remember falling in love with you
(E eu não consigo lembrar de ter me apaixonado por você)
This is agony
(Essa agonia)
and you know you're putting me through
(E você sabe pelo que está me fazendo passar)
this is misery
(Esse sofrimento)
Taking every memory
(Levando toda memória)
Just tell me why this misery won't go away
(Apenas me diga por que esse sofrimento não vai embora)
How can we carry on this way?
(Como podemos continuar dessa forma?)
"Deixaram marcas no pobre coração do , hein, ?" comentou rindo.
"Tadinho, a garota meteu chifre nele, nem comenta. Agora, a música fará sucesso e ela se sentirá arrependida, rá!" Respondi sorridente.
"E você estará sendo mais amada por ela do que ela jamais foi." comentou, piscando pra mim.
I'm finding it hard to hold a conversation
(Eu acho difícil manter uma conversa)
I'm being with this just in agrovation
(E estar com ela é só uma irritação)
I can stay but i haven't got the patience
(Eu poderia ficar mas eu não tenho a paciência)
I'm sick of pathetic explanations
(Estou cheio de suas patéticas explicações)
That's why i forgot falling in love with you
(É por isso que eu esqueci de que havia me apaixonado por você)
This is agony
(Essa agonia)
and you know you're putting me through this misery
(E você sabe pelo que está me fazendo passar, esse sofrimento)
Taking every memory
(Levando toda memória)
Just tell me why this misery won't go away
(Apenas me diga por que esse sofrimento não vai embora)
How can we carry on this way?
(Como podemos continuar dessa forma?)
Apesar da letra ser um pouco revoltada (lê-se: muito), o ritmo da música era gostoso, e todos ali dentro estavam curtindo McFly. Acho que, de repente, eu havia incorporado a mãezona, aquela que viu aquilo crescer diante dos seus olhos, já fazendo um grande sucesso. Eu realmente esperava que a banda conseguisse ter uma carreira muito boa.
Olhei cuidadosamente pra todos os quatro. estava concentrado, mas, sempre que podia, procurava o olhar de na multidão. E, quando encontrava, um sorriso se abria nos lábios dele, e no dela também. , nervoso, tocava cuidadosamente, prestando atenção a cada movimento que fazia em seu instrumento, mas, de vez em quando, fazia caras e bocas, se animando totalmente. estava cantando alegremente a letra da música, e qualquer um que olhasse podia dizer que ele estava feliz. Já , era um caso a parte. Ele estava muito tenso, não estava se soltando nem nada quando é o que mais faz quando toca. Comecei a prestar mais atenção nele, e, quando vi, ele só cantava a parte "This misery, taking every memory, Just Tell me why this misery won't go away, How can we carry on this way?". O resto da música, ele estava concentradíssimo no que fazia. Ele nem cantava junto o resto. Acho que se ele fizesse qualquer outra coisa, ele erraria música. Isso porque ele estava com alguma outra coisa em mente, eu sabia disso.
You'll never bring me down
(Você nunca vai me abater)
Cos I'm far above you
(Porque eu estou muito acima de você)
You think you're strong
(Você pensa que é forte)
But you're nothing to me
(Mas você é nada pra mim agora)
And i hope you will be happy
(E eu espero que você seja feliz)
This time around
(Por agora)
And i can't remember falling in love with you
(E eu não consigo lembrar de ter me apaixonado por você)
This is agony
(Essa agonia)
and you know you're putting me through
(E você sabe pelo que está me fazendo passar)
this is misery
(Esse sofrimento)
Taking every memory
(Levando toda memória)
Just tell me why this misery won't go away
(Apenas me diga por que esse sofrimento não vai embora)
How can we carry on this way?
(Como podemos continuar dessa forma?)
No final, pude perceber que finalmente tirou os olhos do seu instrumento, pra cantar aquele pedaço que ele só cantava, e olhou para... mim. Forcei os músculos da minha testa em forma de desentendimento, afinal, eu não entendi porque ele estava cantando aquilo pra mim.
Todos aplaudiram ao final da música, as meninas gritando, mas, continuei com meu olhar sobre , da mesma maneira que ele continuava a olhar pra mim, sem expressão, até que me disse ao pé do ouvido:
", disfarça. Essa olhada tá ficando crítica, daqui a pouco o nota." Rapidamente, olhei pra ela, como se tivesse levado um susto.
"Ele cantou a última parte pra mim, você viu?"
"Nem notei, cara." É claro, tava prestando atenção no .
"Ah, ok." Disse, somente, voltando meu olhar pro palco, sem olhar para .
Outras músicas foram tocadas, algumas dos Beatles, como 'She loves you' ; 'I wanna hold your hand' e 'Crazy Little thing called love'do Queen. Houve uma música nova que eles tocaram, e os mesmos disseram que e que fizeram a tal música, que se chamava Met This Girl. Bom, é claro, que a música foi feita pra e pra , dã. Elas nem se sentiram felizes com isso, enquanto ambos tocavam com os olhos vidrados nas meninas.
Eu estava tomando um gole de alguma coisa que a estava bebendo, quando vi suspirar devagar, chegando ao microfone, pedindo e chamando a atenção de todos:
"Bom gente, pra finalizar, eu gostaria de agradecer pela animação e pela forma como vocês receberam o McFly. Sério mesmo, isso significa muito pra nós. Mas, agora, eu gostaria de dedicar essa música especialmente à minha... melhor amiga, ." Ele realmente tinha apontando pra mim, sorridente, enquanto eu ficava vermelha. Socorro, sou tímida! "Por ter me dado o início da próxima música que a gente vai tocar. Mudei um pouquinho, mas, espero que goste, xuxua."
Os primeiros acordes começaram a soar, e na letra e melodia da música, eu prestei atenção.
It hasn't been the best of days,
(Não tem sido os melhores dias,)
Since she drove off and left me standing in a haze
(Desde que ela se foi e me deixou confuso)
Because I've been so out of order
(Porque eu tenho parado de funcionar,)
Yes I have babe
(Sim eu tenho babe,)
My new found love showed up and blew her out the water
(Meu novo amor apareceu e a surpreendeu)
Olhando para , ele estava um pouco nervoso, mas parecia que cada palavra daquela canção, ele cantava pra mim. Virei-me pra olhar o , e tive o mesmo resultado. Parecia que os dois cantavam aquilo pra mim, quer dizer, eles olhavam pra mim enquanto tocavam e cantavam a música, e eu estava... confusa, sem saber o que fazer. Aparentemente, viu meu desespero e me chamou:
"..." E com dificuldades, eu olhei pra ela.
"E-Essa música..." Eu falei, olhando pra ela, e pra , que percebeu a minha cara de assustada. "É a música que o fez comigo. Antes ela era só algumas frases sobre como eu me sentia quando gostava do , na época do acampamento."
Elas me olharam com caras de quem entendia a situação.
And its so not easy (I know she'll say),
(E não é tão fácil (Eu sei que ela dirá),)
I'm sleazy (I love the way),
(Eu sou desonesto (Eu amo o jeito),)
You please me.
(Que você me agrada)
I can't believe I found,
(Eu não acredito que eu encontrei,)
The girl who turned my life around.
(A garota que mudou minha vida.)
She suddenly came onto me,
(Ela de repente veio até mim,)
Pin me down on the ground.
(Me prendeu no chão)
I could have pushed away,
(Eu podia ter afastado,)
But I didn't know what she'd say,
(Mas eu não sabia o que ela diria,)
But I'm glad I'm not the guy who turned her down.
(Mas eu estou feliz que eu não sou o cara que a dispensou)
cantava essa parte de olhos bem abertos, em minha direção, enquanto tinha seus olhos de vez em quando fechados, e quando os abria, olhava pra mim com um olhar de quem queria me dizer exatamente aquelas palavras da canção. Assim como .
Acho que percebeu isso e sussurrou meio incerta:
"É impressão minha ou os dois estão..."
"Cantando pra você?" completou, com uma cara descrente e meio abobalhada.
"Eu acho... " eu disse, olhando pros meus pés, "que sim." Respondi apenas, olhando pro rosto de ambos, sem saber o que fazer.
"Bom, os dois aparentemente estão felizes por não ser o cara que te dispensou."
"Sendo que os dois te dispensaram. Em diferentes tempos, mas..." comentou, pensante.
"Se for pra ver desse jeito," falei, com medo das minhas próprias palavras, "o canta pra mim referindo-se estar feliz por não ser... o ... na época do acampamento."
"E diz estar feliz por não ser o ," disse, com uma cara meio chocada, "nos dias atuais."
"Oh, meu Deus." tirou as palavras da minha boca.
"Preciso de uma bebida. Forte." Eu disse, e logo me entregou o que ela bebia, o que eu não fazia idéia. Um, dois, três goles grandes e rápidos pra dentro, e eu já estava tonta.
I cut my social life in two,
(Eu corto minha vida social em duas, )
I quit my city job so I can be here with you.
(Eu me demito do meu emprego para poder ficar aqui com você.)
My friends say I'm a fool in love,
(Meus amigos dizem que sou um bobo apaixonado,)
But I'm not babe,
(Mas eu não sou babe,)
It's worth my while because you're what my dreams are made of.
(Isso vale a pena porque meus sonhos são feitos de você)
Cos you look like (A beauty queen)
(Porque você se parece com (uma rainha da beleza))
Sucked in by (Your tractor beam)
(Atraído pela (sua máquina de atração))
You know I
(Você sabe que eu)
"Minha rainha da beleza." comentou, mandando beijinho, o que me fez rir. Pelo menos ser irônica comigo mesmo me ajuda a rir. E a bebida também.
"Eu fiz essa parte com o . Da rainha. Ah, cara... tô boba." Comentei, dando um longo gole naquilo que já descia com facilidade na minha garganta.
"E bêbada." falou, rindo. Eu não tava bêbada, só... alegre. Pô, cara, eu sou fraca pra bebida, mas nem tanto. O refrão ia se repetir e com ele, eu comecei a cantar junto, pelo menos o que eu achava que conhecia, tentando convencer a mim mesma que as partes apaixonadas daquela música feitas praticamente por , não eram pra mim. Até porque, se eu acreditasse que eram pra mim, eu sabia que mais tarde, eu iria sofrer um bocado.
I can't believe I found,
(Eu não acredito que eu encontrei,)
The girl who turned my life around.
(A garota que mudou minha vida.)
She suddenly came onto me,
(Ela de repente veio até mim,)
Pin me down on the ground.
(Me prendeu no chão)
I could have pushed away,
(Eu podia ter afastado,)
But I didn't know what she'd say,
(Mas eu não sabia o que ela diria,)
But I'm glad I'm not the guy who turned her down.
(Mas eu estou feliz que eu não sou o cara que a dispensou)
"Eles dois me dispensaram, como podem ambos estar felizes?" Exclamei, rindo de mim mesma. Já era o segundo copo que eu tomava, aproveitei que alguém tava servindo e o copo já tava na metade. Ok, um pouco mais de alegre eu estava.
"Relaxa, gatinha, relaxa." me avisou, apontando pro meu copo.
"Eu tô bem cara." Dei um outro gole e de repente, já não havia mais bebida. Ah, que triste.
"Vou pegar mais." Avisei, andando numa direção que eu acreditava ser a cozinha, mas me puxou de volta:
", dá um tempinho, depois você pega, ok? Não bebe tão rápido assim."
"É, xuxua," comentou, com um sorriso, "veja como o é bonitinho, cheio de vergonha." Ela apontou e eu me virei pro palco. Realmente, estava muito nervoso. Ri da postura dele e até gritei:
"Vai, !"
O mesmo tomou um susto com o meu repentino grito de animação, e sorriu sem graça, mas logo se derreteu quando seus olhos bateram em . Eu vi que ele ficou severos segundos parado olhando pra ela, com um olhar meio determinado. De repente, ele apontou pra ele num breve espaço de tempo, e, com a música, ele cantou a parte que estava por vir:
Years go by (As the years go by)
(Anos passam (enquanto os anos passam))
I wonder why (I start to wonder why)
(Eu me pergunto por quê (Eu começo a me perguntar por quê))
She had come to me (Bah da bah bah)
(Ela tinha que vir até mim (Bah da bah bah))
So glad that she met me (Bah da bah bah)
(Tão feliz que ela me conheceu (Bah da bah bah))
And life without you baby, just don't know where I would be
(E vida sem você baby não sei aonde eu estaria)
"Também lembro disso." Comentei, até porque eu lembrava mesmo. Outra parte feita com o . O observei tocar calmamente seu instrumento, e me mandar um sorriso como se aquela música o deixasse realmente feliz. Eu sorri de volta pra ele, não deixando que meu sentimento pelo mesmo falasse mais alto. Afinal, eu tinha um coração e uma promessa em minhas mãos. Agora, não eram só meus sentimentos que poderiam sair magoados, mas sim, os de . Tentei me manter séria, e de repente, lembrei da nossa pequena... falta de comunicação, se assim pode ser dito, que ocorreu anteriormente, na presença de Lis. E falando no demônio...
"Ai, , que música linda, parabéns!" Ouvi sua voz soar atrás de mim. Aonde ela tinha ido? Da onde ela tinha surgido? E quando ela tinha saído do meu lado que eu nem notei?
"Ah, poxa, não fui só eu," comentei rindo, "foi o seu ficante de hoje também." Opa, falei demais. Ou será que não?!
"Ficante?!" Ela riu ao falar disso. " só me vê como uma amiga, ."
"Hm, sei não, hein?" O que tinha naquela bebida que tava me fazendo falar tudo? "Talvez você esteja errada, mas... E o que ele é pra você?" Perguntei desconfiada.
"Bom, digamos que se ele quisesse alguma coisa comigo, eu não negaria." Ela respondeu, tímida.
"Bom, então, eu torço por vocês. Boa sorte." Falei, olhando pra frente e fixando meu olhar em , feliz em saber que eu era pelo menos alguém pra ele. Não, naquela hora eu não iria deixar que aquele sentimento por me atingisse de forma avassaladora. Não naquela noite. Não mesmo.
I can't believe I found,
(Eu não acredito que eu encontrei,)
The girl who turned my life around.
(A garota que mudou minha vida.)
She suddenly came onto me,
(Ela de repente veio até mim,)
Pin me down on the ground.
(Me prendeu no chão)
I could have pushed away,
(Eu podia ter afastado,)
But I didn't know what she'd say,
(Mas eu não sabia o que ela diria,)
But I'm glad I'm not the guy who turned her down.
(Mas eu estou feliz que eu não sou o cara que a dispensou)
Yeah I'm glad I'm not the guy who turned her down.
(Sim, eu estou feliz que eu não sou o cara que a dispensou)
Yeah I'm glad I'm not the guy who turned her down.
(Sim, eu estou feliz que eu não sou o cara que a dispensou)
Fim da música, mais e mais aplausos. De repente, tudo aconteceu bem devagar, era como se eu visse tudo de outro lugar. rapidamente guardou suas coisas, e, num piscar de olhos ele havia sumido. Eu tentei falar com os outros, mas eles estavam lotados de gente em volta. Decidi pegar a bebida que havia me dado anteriormente, então fui até a cozinha. Enchi meu copo, dei um longo gole, e estava ótimo! Então, foi quando eu estava saindo da cozinha, no canto da casa, do lado do relógio que eu vi o que meus olhos não conseguiam acreditar: e Lis, se pegando. As mãos dele subindo e descendo nas costas dela, enquanto as mãos dela puxavam levemente os cabelos dele, enquanto seus lábios estavam tão unidos quantos seus corpos. Foi como se tivessem arrancado meu coração e ele ainda pulsasse. Aquilo doía, e como doía. Mas não tanto quanto pensei. Eu simplesmente parei, os olhei, sentindo a dor penetrar em meu eu, suspirei fundo o bastante pra me lembrar de respirar. Encarei meu copo de bebida, e de repente, algo estava pingando nele. Quando fui ver de onde vinha, me assustei. Eu havia tocado meu rosto, e ele estava molhado com as minhas lágrimas que eu nem percebi que caíam. Realmente, é irônico isso, eu chorar sem perceber. Falando em irônico, a música que começou a tocar das caixas de som era uma versão meio dançante de "Ironic". Estava bem no refrão, quando eu enxuguei meu rosto calmamente, virei todo o conteúdo que tinha dentro daquele copo. O taquei num canto qualquer, e segui meu caminho a quem eu esperava estar rodeado de garotas sem pudor. O que realmente estava. Mas eu não liguei.
"Com licença, com licença, gente importante passando." Eu dizia enquanto empurrava um monte de garotas à minha frente - ouvindo umas reclamarem e me mandarem ir a lugares não tão legais quanto Pasárgada – até chegar na pessoa que eu queria.
"!" parecia feliz em me ver. "E aí, gostou da apresentação?" Eu o olhei, tentando jogar uma sensualidade que eu nem sabia que tinha, e, com um sorriso, eu respondi:
"É, eu gostei sim." E, de repente, só me vi jogando os braços em volta de seu pescoço, e meus lábios se unindo com os dele, como se eu tivesse sede daquilo. Na mesma hora ele correspondeu, suas mãos agarraram minha cintura com força, enquanto eu jogava meu corpo mais e mais contra o dele. Nossas línguas começaram a traçar caminhos desconhecidos por nós mesmos, na frente de todo mundo. Não que eu me importasse naquele momento, pelo contrário: estava bem feliz de estar fazendo aquilo.
partiu o beijo com um selinho demorado, e, com suas mãos acariciando minhas costas, ele perguntou:
"Então, isso quer dizer que você já está pronta?"
"Isso quer dizer que eu já estou pronta." Foi o que saiu de minha boca antes que a mesma se colidisse com a dele, fazendo disso, um beijo, que fazia mais outro beijo, e outro, e mais um... E, da maneira que ele me tocava, como ele beijava, como ele me tratava, eu só conseguia ouvir, no fundo dos meus pensamentos, que ele estava certo ao cantar a melhor parte da música deles.
And I'm glad I'm not the guy who turned her down."
Capítulo 15: It turned out so right, for strangers in the night.
Extraordinariamente louco. Era o que eu poderia definir do dia em que o McFly se apresentou pela primeira vez. Quero dizer, parem pra pensar: eu estava – a palavra ainda tinha dificuldades de sair da minha boca – namorando com o . É, pra esquecer o , mas, eu tava namorando. Afinal, aquele beijo entre eu e ele, começado por mim, digamos de passagem, quis dizer um sim à proposta dele. Então... Era isso.
Que estranho. Mais estranho ainda foi quando acordei no dia seguinte...
"Ok, ok. Pode deixar, querido, eu te ligo quando ela acordar. Ok, tchau." Escutei a voz de minha mãe por algum lugar perto. Respirei fundo, abri meus olhos e senti a claridade praticamente cegá-los. Fechei rapidamente, aproveitando pra tomar forças e levantar. Ou pelo menos sentar na cama.
"Boa tarde, flor da tarde." Tarde?
"Mãe," falei, abrindo os olhos devagar e olhando pro relógio da minha cabeceira, que apontava 14:15. "Uau. Meu Deus!" Exclamei quando vi o quão tarde era.
"É, querida, eu não sei o que você fez ou bebeu pra te dar tanta canseira..." Ela respondeu, balançando meu celular. "Mas já é a terceira vez que eu atendo o seu celular. A primeira vez foi o meu genro..."
"Genro?" Eu perguntei, olhando pra ela, ainda meio grogue de sono.
"." Ela falou, rindo. Bom, eu não sei se ela já sabia, mas, ela estava certa em chamá-lo assim.
"Ah, tá. E quem mais?" Questionei, colocando as mãos na cabeça, sentido uma enxaqueca vindo depressa.
"A segunda foi a , parece que é uma amiguinha sua que eu ainda não conheço, e agora o ligou de novo. É melhor ligar pra ambos."
"Ok, pode deixar." Eu disse, jogando meu corpo na cama novamente, tentando lembrar da noite passada.
Mamãe deixou o quarto, me dando algum tempo sozinha. Respirei fundo, pensando nas coisas que eu conseguia me lembrar do dia anterior, mas só alguns flashes apareciam. Por causa dessa minha admirável capacidade de lembrar o que eu havia feito na noite anterior, decidi ligar para primeiro. Peguei meu celular, e procurei por seu nome na agenda, já apertando 'send'. Chamou uma, duas, três vezes. Na quarta ela atendeu.
"!" Ela exclamou do outro lado da linha. "Caramba, menina, como você dorme ! Ou como você bebe..." Ela comentou, rindo. E olha que eu ainda não havia dito nenhuma palavra.
"Bom dia pra você também, ." Falei, coçando meu olho. "Eu estou perfeitamente bem, obrigada por perguntar."
"Há-há-há." Ela forçou uma risada, obviamente, irônica. "Eu já ia perguntar como você estava. Tá de ressaca?"
"Não, ainda... Eu acho. Enfim, eu preciso de uma ajuda sua." E era verdade.
"Fale aí."
"Eu não me lembro do que aconteceu ontem depois de eu ter ficando com o . Tá, que da parte principal, eu já sei, eu aceitei ficar com o e agora eu estou namorando, o que é bem estranho, porque até algumas horas atrás eu não estava e..." Fui interrompida por uma risada estrondosa de .
", respira, cara! Você bebeu um pouco demais, ficou com o e ele cuidou de você, até que você estava quase dormindo no colo dele. Então decidimos lavar seu rosto e dar alguma doce pra você comer, pra cortar o efeito, sabe? Até porque você não podia chegar em casa sendo carregada. Seria adeus às suas saídas." Uau, que menina prendada.
"Bom," eu especulei, coçando a cabeleira, pensante. Eu, não a cabeleira. "Eu acho que você tem razão. Mas enfim, continue, estou me lembrando agora."
"Daí nada, depois que você ficou um pouco melhor, decidimos levar você pra casa e ir embora. Já passava das duas da manhã quando saímos de lá. Foi o seguinte: disse que ia te levar pra casa, eu disse que ia junto, então, o veio comigo. disse que se eu quisesse, ela viria junto, mas a cara do de dor por ter ouvido isso foi tão grande que eu disse pra ela ficar, até porque era o que ela queria escutar, aquela safada. Enfim, então viemos eu, o , o e você no carro do . Só isso." Não, não era só isso. Tava faltando alguma coisa aí.
"Ah, sim. Ah, é, e o Adam?" Perguntei, dando voltas no assunto.
"Sei lá! Aquele palerma chegou seis horas da manhã aqui, sem que meus pais ficassem sabendo! Ele deve ter afogado o ganso com alguma qualquer, tenho certeza disso. Bom, pelo menos ele não veio no carro com a gente. Seria o saco ficar com uma vela que ainda por cima teria orgulho disso diante da irmãzinha dele." Ela comentou, bufando depois, me fazendo rir.
"Entendo, xuxu. Mas o Adam é uma pessoa legal... E é um rapaz íntegro e... " Eu pensava nos adjetivos internos, porque os externos, estavam na ponta da minha língua. O quê que é? Eu namoro mas não estou morta. "De boa índole." Terminei, respirando fundo. Ele sabia tirar o fôlego só nos pensamentos.
"Ah, que seja, ele é um palerma. Mas no fundo no fundo é legal. Não fale isso pra ele." Ela avisou-me, prendendo o riso.
"Certo, irmãzinha legal. Então, agora eu estou namorando. estava sóbrio também, né?" A lei de comer pela beirada até você chegar aonde quer.
"Aham, ele bebeu um pouco, mas parou quando viu que você tava um pouco alegre demais."
"Ah sim." Respondi, sem ter mais o que perguntar. Quer dizer, sem ter mais perguntas pra rodear na parte em que eu queria chegar.
"?" Ela me chamou, depois de alguns segundos de silêncio.
"Sim?!" Respondi, atenta.
"Me pergunte sobre o que você quer perguntar. Não tem problema." Acho que eu tenho que aprender a enrolar as pessoas.
"Bom..." Respirei fundo, antes de dar continuidade ao assunto. "E o ?"
"Ele estava lá, né?! Curtindo a noite dele, mas de uma forma estranha. Ele virava as bebidas quase que num gole só. Parecia que ele tinha raiva de alguma coisa." Raiva?
"," eu parei pra pensar, "ele estava com raiva? Ele deveria estar feliz, isso sim!" Comentei, ainda sem acreditar no que eu havia ouvido.
"Como assim, ?" Ela questionou, parecendo estar perdida, tanto quanto eu em relação ao que ela disse.
"Ele ficou com a Lis. Eu vi com meus próprios olhos. Eles estavam ficando perto do relógio daquela casa. Eles estavam juntos. E, pelo que me conste, era isso que ele queria desde que eu..." As palavras sumiram da minha boca, e uma certa dorzinha no íntimo de mim começou a palpitar, como meu coração.
"Desde que... ?" fez menção pra que eu continuasse. Era difícil.
"Desde que eu comecei a gostar dele e parei pra notar tudo que significava e envolvia ." Falei, me sentindo triste.
"Calma, , calma..." pôde sentir minha tristeza pela maneira como minha voz soou pelo telefone, aposto. "Você deve se focar nas coisas agora. Você não disse que ele ficou com a Lis, e não disse que era isso que ele queria há um bom tempo? Então, se ele está com ela, o que significa a felicidade dele, agora é hora de você se importar mais com uma outra pessoinha envolvida."
"." Falei, entristecendo-me mais ainda.
"Exatamente. Você tem um namorado agora. Tudo bem que ele sabe de seus sentimentos, mas isso não é motivo pra você fazê-lo sofrer de cara. Tente ao máximo ser feliz com ele. Se dê uma chance. Não pode ser tão ruim. Ainda mais com o . Não pode ser mesmo." Senti malícia quando ela mencionou o nome dele, e dei uma risada alta. realmente era uma boa pessoa.
"Obrigada, . Eu sei o que devo fazer e o que não devo. É só que eu não entendi o fato do estar com raiva de alguma coisa e beber tanto. Só isso." Isso tudo!
"Você acha que ele está bravo com você?"
"Sabe, talvez ele possa estar. Mas conversamos antes sobre isso, e ele me parecia ter entendido que eu tinha o direito de me envolver com outras pessoas, sem ele ter medo de perder o lugar no meu coração. Ele me... libertou, se assim posso dizer."
"Então, eu acho que você não precisa 'encucar' com isso. Ele deveria estar com raiva de outra coisa. Relaxa, que agora, seus problemas finalmente estão indo embora."
"É, você tem razão. Obrigada, . Mesmo, de coração." Falei, sincera.
"Disponha da pamonha." Ela se auto-flagelou verbalmente. Alô?
"Agora pára de me enrolar e me conta da sua noite com o , danada!" Falei, rindo, e fazendo-a rir também. Pelo menos aqueles dois TINHAM que ter dado certo na noite anterior.
"Ai, , foi tão lindo!" Ela falou, e eu ouvi através da linha, alguma coisa caindo, mas sendo abafada. "Outch!" Ela comentou, parecendo ter dor.
"O que foi?" Perguntei, levantando a sobrancelha.
"É que eu me joguei na cama forte demais, e acabei batendo com força na parede, e o bichinho da prateleira que fica em cima, acabou caindo na minha cabeça." Ela explicou, rindo.
"Enfim, ," falei, depois de ter rido, "prossiga com a história. Tim-tim por tim-tim."
"Bom," ela começou, "primeiro, ele veio me pegar aqui em casa, super pontual e tal, mas eu esqueci que tínhamos combinado de dar uma carona pro palerma do Adam, aquele Tocha Humana que não se manca."
"Tadinho, !" Comentei, rindo do apelido de Adam. "Ele só quer zelar o bem da irmãzinha dele!"
"Eu não zelava" eu senti a ênfase no verbo, "por ele enquanto o mesmo ficava de pegação com as meninas. E olha que a única coisa que foi fazer é me buscar pra ir à festa!"
"Ok, ok, querida. Prossiga."
"Enfim, ficamos naquele papo chato, em que só o Adam falava, o tentava ser educado e eu rolava os olhos de tédio." Eu ri imaginando a cena, despertando indignação da parte de . "Não ria, ok? Você tem sorte de não ter um irmão."
"Eu tenho coisa pior. Eu tenho o ." Falei, risonha.
"É mesmo. Mas então, chegamos lá, Adam viu meninas e deu no pé. Safado! E eu fui ajudar o a arrumar as coisas na parte dele, pro show. Ele me agradeceu e tal, disse que não precisava, mas eu falei que insistia, era uma troca justa: ele me levava, eu o ajudava. E quando eu declarei isso, ele lançou-me um olhar do tipo 'não acredito que você disse isso', sabe?"
"Uhum, uhum. E o que ele disse?" Perguntei, ansiosa.
"Ele ficou um tempo olhando pro meu rosto, e falou, bem próximo a mim, abre aspas:" ri nessa parte, admito. "'Quando se trata de você, não há dessa de troca justa. Se eu faço, é pra agradar.' Assim mesmo, cara. Eu quase babei o chão todo e fiz um tsunami se eu não tivesse controle da minha boca! " Ri mais ainda das expressões de e falei:
"Continue, danada."
"Daí, um idiota qualquer chamou o , e eu acabei indo pegar alguma bebida e ficar perto do carro dele. Eu já tava ficando frustrada, todo mundo parecia gostar de nos interromper!" A pobre menina apaixonada comentou, e eu ri, lembrando que até eu interrompi, anteriormente.
"É, entendo bem essa gente..." Falei, lembrando do dia que singelamente, fui culpada por alguma coisa entre os dois não terem acontecido.
"Enfim, daí eu fiquei lá bebendo quieta no meu canto, nem a nem o haviam chegado, o muito menos, você e o deviam estar chegando e meu irmão deveria estar se atracando com alguma garota qualquer aí... Daí, uns quinze minutos depois o apareceu, fora da casa, arfando, procurando alguém com o olhar, mas eu não pude ver pra onde ele foi, porque no exato momento, um cara meio bêbado chegou em mim, me dando mó susto. Ele se aproximou demais e disse perto do meu ouvido 'por que eu estava sozinha'. Ele era bonitinho e tal, mas eu não senti nada por ele, então me afastei e disse, educadamente, que não estava sozinha... Ou pelo menos eu pensava assim, né? Daí esse cara se aproximou novamente e, já colocando a mão na minha cintura, falou assim mesmo: 'Se você não está sozinha, cadê seu macho?'. Assim mesmo, , meu macho!"
Ri alto quando ouvi a ênfase que ela deu no 'macho'.
"E aí?"
"E aí que na exata hora, o chegou por trás de mim, pegando o pulso do sujeito com toda a raiva e força do mundo, e tirando da minha cintura, fazendo o cara meio que gritar de dor. Na verdade, nem sei como, mas acho que o pegou bem no pulso do maluco e afundou o dedão na veia. Isso dói pra cacete! O Adam fazia isso comigo quando pequena, eu quase chorava de dor..."
"?" Chamei-a, segurando o riso. "Foco, querida."
"Ah sim, claro." Ela disse, parecendo se lembrar de contar a história. "Então o soltou a mão do tarado. O mesmo a balançou como se quisesse que a dor passasse. Olhei pro quando sua mão abraçou minha cintura, e pude ver que ele sorriu, contente de ter machucado o rapaz. Eu ri daquilo, mas não na hora. Daí o cara reclamou da violência, e o disse, abre aspas:" o efeito de risadas de 'abre aspas' nunca passaria, "'O macho dela está aqui. Agora vaza, antes que eu afunde sua cabeça na piscina.' Aí eu o repreendi, ele estava sendo extremo. Daí ele olhou pra mim com um olhar de tédio e disse: 'Tá bom, tá bom. Na areia, então.' O pode ser uma comédia quando quer." Ela terminou de contar e eu me matei rindo, imaginando a cena.
"Ok, ok, mas continue." Falei, ansiosa pelo fim da conversa, queria saber se tinha rolado ou não.
"Ah, aí eu agradeci por ele ter me defendido, e ele rolou os olhos, com cara de tédio. Daí eu perguntei o que ele foi fazer logo que chegamos, e ele disse que foi falar com o dono da festa pra saber que horas o show começaria. Só que o mesmo tava bêbado demais, então até eles acertarem a hora, durou aquilo tudo. Aí eu balancei a cabeça, entendendo o que ele dizia, e ele se desculpou por ter me deixado sozinha... Achei tão fofo, que acabei sorrindo pra ele, como se eu não ligasse mesmo. Daí ele segurou meu rosto e acariciou minha bochecha, e quando provavelmente um beijo ia acontecer, me aparece o bêbado, pulando em cima da gente. Resumo da ópera: não conseguimos mais ficar sozinhos, e parece que desistimos de ficar à sós na festa. Depois do show, que você bebeu e começou a ficar com o , e o com a Lis, aparentemente, eu fui dançar com o , mas nada demais aconteceu. Mas a gente dançou juntinho. Ai, ai, ai!" Ela me fazia rir, cara, era um fato!
"Ai, meu Deus! E aí?!"
"E aí que depois de ter deixado você em casa, o acabou voltando pra festa, porque o carro do ainda estava lá, com o instrumento e as coisas dele no carro."
"Então, vocês vieram me deixar em casa à toa?" Perguntei, meio perdida.
"À toa não, né, mocinha? Eu só não acho que sua mãe gostaria de ver que você voltou meio sonolenta nas mãos do , somente, né?" Ah, sim. Ela era esperta.
"Entendi. Prossiga." Falei, a fim dela terminar a história.
"Então, o colocou as coisas dentro do carro, e me levou pra casa. Adam ficou por lá porque estava muito ocupado dando em cima de uma garota lá. Então, o foi me deixar em casa. O caminho todo foi conversando sobre coisas banais e tal, sobre o show, como ele estava nervoso e tal..."
"Coisas banais, ? Se tratava do show do seu fofinho, como assim banais?" Brinquei com ela e levei na região glútea, se vocês compreendem.
"Não é que seja banal, mas não era nada que se tratasse de um atrito entre eu e ele, . Acredito que se fosse você e o Depp nos nossos lugares, você entenderia, né?" Rude, rude, rude. Não sabe brincar, não desce pro play!
"Ah, bobona." Comentei, rindo. "Mas enfim, vocês ficaram ou não?" Perguntei, já cansada de ser enrolada.
"Ele estacionou o carro em frente à minha casa. Foi engraçado, porque eu não queria ir embora, e aposto que ele não queria que eu abrisse a porta. Então foi mais ou menos assim: 'Chegamos.' Aí eu disse: 'É, tô entregue.' E sorri. Ele me olhou profundamente e se virou pra mim, sorridente, porém nervoso. Eu perguntei o que havia acontecido, e ele falou assim mesmo: 'Não é nada. É que eu descobri que desde o início, as coisas entre nós foram interrompidas, por um motivo maior. Eu não acho que poderia ser tão especial se ocorresse nas ocasiões que tivemos chances... Não como agora. Eu realmente gosto de você, e se fosse pra escolher quando ficar com você, em todas as oportunidades que tivemos, eu diria, agora."
"Ah! E aí?" Questionei, boba com as palavras do .
"E daí que eu sorri de orelha e respondi: 'Que assim seja!' e..."
"E ... ?" Fiz menção dela continuar a história.
"Te conto depois dos comercias." Ela respondeu, se sentindo esperta com sua piadinha piegas.
"Você ficou com ele... Não ficou?!" Se ela não me dissesse que sim, eu faria caquinhos e a chingaria de...
"Minha querida... " Ela falou, extasiada. "Não fui eu quem o beijou, nem foi ele quem me beijou..."
"Foram os dois juntos! Ai, ai, ai!" Respondi, me sentindo um tanto ''.
"Aham, aham!" Ela gritava, tão doida quanto eu. "A gente ficou lá, e tal..." Senti que ela prendeu o riso no 'e tal' e falei:
"E TAL, NÉ, DANADA? E TAL!" Não seguramos a risada nem um segundo a mais, e desatamos a rir. Depois do acesso de riso, ela tinha me dito que seu mais novo ficante disse que queria a galera toda reunida na casa dele, pra comemorar o sucesso do McFly no seu primeiro show. Sei, sucesso, na minha época isso se chamava desculpa pra pegar a ficante, mas enfim...
Como meu celular já tinha seus créditos bem gastos, graças à minha querida e apaixonada amiga, , liguei para o do telefone de casa, e o mesmo atendeu depois de três chamadas. Ou depois de três 'tuuu's, como preferir.
"Alô?" Ouvi sua voz soar do outro lado da linha.
"?!" Chamei-o, insegura.
"!" Ele exclamou, parecendo feliz em saber que era eu. "Cara, como você está? Você dormiu bem? Precisa de alguma coisa? Sua mãe brigou com você por algum motivo? Nunca mais me deixe preocupado desse jeito, eu achava que você tinha entrado em coma alcoólico, porque eu já tinha ligado duas vezes e você seguia dormindo e..." O interrompi, rindo da preocupação dele.
", respira!" Tentei acalmá-lo, ao meio de risadas. "Calma, relaxa! Respondendo as suas perguntas, eu estou bem, sim; dormi bem; só preciso de um remédio pra dor de cabeça e um bom banho; não, minha mãe não brigou comigo e, desculpe, não o preocuparei mais dessa forma. Satisfeito?" Terminei de falar, sorridente.
"Muito, princesa. Está de ressaca?" Droga, ele nunca mais me deixaria beber.
"Não, só com uma dorzinha leve de cabeça, nada demais. Nada que um remédio, comida e banho não resolvam."
"Hm, comida é? Ok, então, eu tenho uma proposta a lhe fazer." Ele declarou, parecendo sagaz.
"Diga, Mr. Bond." Falei, risonha.
"Sou Bond. Bond cama."
"É o quê?" Eu desatei a rir com aquela piadinha, daí lembrei que realmente existe um filme do Mike Myers assim. Er, foco, .
"Achei que você fosse rir mesmo." Ele comentou, rindo de leve. "Mas enfim, já que você acordou na hora do almoço, e o que precisa é de um banho e um remédio... Eu quero te levar pra almoçar." O quê?! Engasguei na minha própria saliva, e tossi alto o bastante pra deixá-lo preocupado. "Tá tudo bem? ?"
"Tá sim." Eu respondi, um pouco rouca. "É que eu tenho essa virtude de engasgar na minha própria saliva. Não ria. Não ria. Não ria. Ok, pode rir." E o mesmo o fez. Depois que ele riu e me zoou o suficiente pra satisfazer sua vontade, ele tornou a me perguntar:
"E então, almoço, eu e você, sim ou não?"
"Uau, melhor que essa, só o 'já era ou já foi, gata'." Comentei, rindo.
"Não fuja do assunto, ." Ele falou, com uma voz meio sombria de Darth Vader. Só faltava ele dizer pra eu me juntar ao lado negro da força.
"Eu acho que sim. Tudo bem. Aonde a gente se encontra?" Questionei, me sentindo singela.
"Eu vou aí te buscar. Pode ser?" Ui, ui, ui. Gostei disso.
"Claro, que horas?"
"Quantas horas você precisa pra se arrumar e ter seu querido banho? Não necessariamente nessa ordem, claro." Ele comentou, e eu senti um sorriso se formar em meus lábios, involuntariamente.
"Vem me buscar daqui uma hora e alguns quebradinhos?" Perguntei, fazendo voz de criança, que o fez rir.
"Uma hora e meia, fechado?"
"Isso, isso!" Fiz voz de criança feliz e ele riu mais ainda.
"Ok, então, neném, daqui a pouco a gente se vê."
"Ok, então." Um silêncio ficou entre nós, e, de repente, o ouvi chamar meu nome, meio inseguro.
"?!"
"Sim, ?" Respondi, atenta.
"Nós estamos namorando... Não estamos?"
"Esse era o combinado, não era?" Falei, a fim de acabar com qualquer insegurança da parte dele. Afinal, ele já havia feito muito por mim, estava na hora que eu fizesse por ele também. Até porque, não era de meu interesse vê-lo dessa forma por minha causa. Era do meu interesse, sim, vê-lo feliz. E eu me esforçaria ao máximo pra fazê-lo feliz, porque, indiretamente, eu estaria feliz.
"Não, quero dizer, é claro que era, mas... É que você bebeu ontem, e eu não sei se você realmente tinha noção da seriedade do que uma ficada entre nós significava, perante ao nosso acordo." Pude sentir o medo e o nervoso através de sua voz.
"Eu estava ciente ontem e estou ciente agora... Namorado." Falei, sorridente. Senti que mudou totalmente de humor, e, embalando na brincadeira, respondeu:
"Ok, então, namorada." Ele deu ênfase ao adjetivo. "Te vejo daqui a pouco. Não é só você que precisa de um banho."
"Ih, vou logo avisando, não gosto de homens que só tomam banho aos sábados, ok?" Eu avisei, divertida.
"Há-há-há. Super engraçado, mocinha. Agora vá tomar seu banho, porque eu ainda preciso escolher minha roupa, amiga!" Ele fez voz de gay, me fazendo rir.
"Ok, ok. Faça tudo direitinho aí, darling."
"Então tá certo, honey. Vou lá banhar-me."
"All right. Até mais, bicha." Falei, rindo.
"Em breve eu te mostro a bicha." Ui, danado!
"Estarei esperando. Beijos, Bond cama."
"Beijos, Amy Winehouse."
"Ei! Eu entendi essa, valeu?"
"Tchau." Ele desligou, rindo. Vadio.
"Mãe!" Gritei, subindo as escadas até o quarto dela.
"Diga, filhote." Ela respondeu, levantando os olhos do livro dela, quando apareci na porta de seu quarto.
"Vou sair com o , ok?!" Mandei a letra, sem preparar terreno nem nada. Ela me olhou com um sorriso no rosto e respondeu:
"Vão aonde?"
"Não sei." Respondi, sincera. "Eu só liguei pra ele e ele me chamou pra sair, pra comer alguma coisa, já que eu acordei tão tarde. Daí eu só iria tomar banho, e ele daqui a pouco estaria passando aqui pra me buscar. Tudo bem?"
Ela olhou pra mim, deu outro sorriso malicioso em minha direção, e perguntou:
"Qual é a de vocês, filha? Na boa, vocês são só amigos ou o quê?" Pronto. Ela também mandou a letra, sem preparar terreno nem nada.
"Olha, mãe," eu cocei a nuca, analisando as minhas palavras, "a gente está se conhecendo melhor, porque antes éramos muito novos e tal, se você analisar a situação, nós temos uma boa intimidade que nos permite ter uma relação altamente agradável, sem contar que..."
"Filha," mamãe me interrompeu, levantando a sobrancelha direita, "pára de me enrolar." Droga. Mães são fogo.
"Bom... " Suspirei fundo, e me dei por vencida. "Começamos a namorar ontem." Falei, sem mais rodeios.
"Hm, agora chegamos a resposta que eu queria!" Ela falou, fazendo uma cara de triunfante. "Mas me diga: e o ?"
"Mãe... " Eu respondi, encostando no batente da porta. "Não é porque eu gosto dele que eu sou obrigada a viver esperando-o sentir alguma coisa por mim, sem me estressar com toda garota que ele ficar, nem com toda namoradinha que ele tiver. Eu decidi viver minha vida." Respondi, honestamente.
"Querida," ela disse, fechando o livro, "não é problema nenhum você querer seguir sua vida. É problema quando você se envolve com alguém que você não gosta, e assumir compromisso com essa mesma pessoa, deixando-a vulnerável demais. E eu sei que magoar é a última coisa que você deseja para o ."
"Você tem toda razão, mãe... Ou pelo menos teria, se não fosse um único detalhe: sabe dos meus sentimentos. Ele sabe que eu gosto de . Ele me pediu em namoro sabendo disso, querendo que eu desse uma chance para ele." Expliquei, observando a reação de minha mãe.
"Dar uma chance como? Ele quer namorar com você pra saber se é capaz de fazer uma garota esquecer um amor, é isso?" Ela constatou, falando de uma forma meio banalizada.
"Não, não é assim. Ele gosta de mim, quer namorar comigo e quer uma chance, porque ele acredita que é capaz de me fazer esquecer o , e gostar dele. Eu aceitei."
"O problema, minha filha, não é ele tentar te fazer esquecer outra pessoa... O problema é você não acreditar nisso da forma como ele o faz. Você sabe que pode machucá-lo, não sabe? Sabe que você pode se machucar, não sabe?"
"Olha, mãe, honestamente, eu sei dos riscos... Eu simplesmente não ligo mais. Eu estive tão desesperadamente querendo não sofrer mais pelo , que qualquer pessoa que me faça rir e me faça sentir bem, como o faz, já é muita coisa. Eu não acredito da forma que ele acredita, que pode me fazer gostar dele, mas eu apenas acredito, e já é um bom começo." Assumi meus pensamentos, com a sinceridade ligada no mais alto nível possível.
"O quão bom ele pode ser pra você?" Ela questionou, atenta ao que eu dizia.
"Ele é carinhoso, ele me ouve, ele me entende, ele é atencioso, ele é brincalhão... Ele gosta de mim, e soube dos meus sentimentos me observando por apenas duas semanas. O que eu poderia querer mais?" Indaguei, expressivamente.
"O ." Ela respondeu, com um meio sorriso, me dando um chute na bunda. Mental, é claro. Mamãe:10. :0.
"Me refiro de coisas e pessoas que estejam ao meu alcance, mãe." Falei, rolando os olhos.
"Por quê? Você não acha que o está ao seu alcance? Filha, não é difícil encontrar a pessoa certa pra você, e que ela goste tanto de você quanto você dela! A vida não é difícil; somos nós que a complicamos. Você já cogitou, alguma vez que fosse, declarar-se para o ?" Ela me perguntou, e eu quase morri com os engasgos constantes de minha própria saliva.
"Claro que não, mãe. Isso porque eu sei que ele não gosta de mim. Evitar o mico e situações estranhas e embaraçosas. Já ouviu falar nisso?"
"Que seja. Só não sei de onde você tira tanta certeza que ele não gosta de você." Aí eu tive que responder com todos os acentos e pingos nos 'i's.
"Mãe, quando você gosta de alguém, você repara em tudo que a pessoa faz, e eu já reparei no tratamento que o dá pra mim e no tratamento que dá pras outras pessoas. Simplesmente não passa de um tratamento fraternal, diferente com a Lis. Eles estão ficando, ficaram ontem na festa, e aposto que ele deve estar muito feliz com isso. Se eu gosto dele, eu só quer a felicidade dele, independente de eu estar ao seu lado ou não! Agora, eu também quero viver, e a melhor oportunidade que me apareceu, foi o . Compreende agora?"
"Totalmente." Ela assumiu, apontando pra mim. "Essa Lis que você mencionou, é aquela menina Elise, que mora aqui?"
"Exatamente." Respondi, com tédio.
"Mas aquela menina é tão meiguinha." E lá foi minha mãe elogiar a criança... "Mas é só isso que ela é. Espere!" Ela se virou pra mim, com os olhos meio arregalados. " preferiu aquele projeto de mulher a você, , minha filha e a coisa mais linda do mundo, que futuramente arrasará os locais mais badalados mundialmente e intergalaticamente?!" Mamãe estava pegando minhas gírias, sim ou claro?
"Aparentemente sim..." Falei, meio triste com aquilo, mas minha querida progenitora tratou de me deixar mais feliz:
"Ah, é? Quem ele pensa que é?! Eu vou dar uns bons óculos pra aquele garoto enxergar o broto que ele está perdendo, e tô falando sério! Até Johnny Depp concordaria comigo, querida, mas tudo bem. Agora vá tomar seu banho, se trocar, fica cheirosa e glamorosa pra quem te dá valor."
"Quê?!" Eu indaguei, meio com medo e meio com surpresa, pra ela.
"O que está esperando?" Ela questionou, levantando-se da cama e me empurrando pro banheiro. "Lave-se, use os shampoos, condicionadores, quero vê-la de tirar o fôlego. O meu genrinho não pode esperar. Ai, meu Deus, eu tenho um genro! " Só agora que ela foi perceber. Genial, mãe, genial. "Ai, meu Deus, vocês estão mantendo relações sexuais, minha filha? Pelo amor de Deus, se já, me diz que você foi à ginecologista antes, pra garantir que estava tudo bem e que usou camisinha, e... " Ela falava separando minha toalha enquanto eu enlouquecia com suas palavras protetoras e reveladoras demais. "Pílulas, querida! Não queremos que interrompa sua adolescência e..."
"Chega, mulher!" Falei, tapando meus ouvidos. "Eu comecei a namorar ontem, cara. Relaxa, se eu sentir que isso vai acontecer, eu... falo com você antes. Agora me deixa tomar meu banho, mãe!"
"Ok, ok. Ai, que fofinho! Minha filhinha tá namorando. Preciso comprar camisinhas, sabe-se lá se..." Mamãe continuou sonhando enquanto fechava a porta do banheiro, me traumatizando para sempre com aquela conversa. Ok, eu sou dramática. Ou pelo menos tenho o mal de novela Mexicana. É. Enfim.
Eu estava passando meu gloss quando a campainha tocou. Eu sabia que era o , então, dei uma última checada no espelho, peguei minha bolsa e meu casaco, e comecei a descer as escadas. Ao ouvir meus passos, , logo depois de cumprimentar minha mãe, olhou para a minha direção, e deu um sorriso agradável para mim. Retribuí sua ação assim que terminei de descer as escadas. Mamãe estava com um sorriso bobo no rosto, e eu tinha a impressão de que se não saíssemos depressa, ela começaria a dar um show de como é fofinho sua filha estar namorando.
Foi aí que eu parei pra pensar: eu deveria cumprimentar . Mas não como amigo – o que eu estava acostumada a fazer – e sim como namorado. Observei minha mãe, ela não parecia estar enciumada de nada, estava mais é feliz. Optei por dar um breve selinho nele.
"Boa tarde, ." Falei, colocando uma mão em seu ombro enquanto nossos lábios davam um rápido encontro. se surpreendeu com a minha ação. Pelo visto ele achava que eu não o cumprimentaria dessa forma na frente da minha progenitora, mas mesmo assim, ele não desviou nem nada, e retribuiu aos meus lábios. Foi algo bem suave, mas foi o suficiente pra sentir seu hálito quente e refrescante entrar em contanto com meu rosto.
"Boa tarde, Bela Adormecida." Ele brincou, sorridente.
"Bom, mãe..." Falei, já abrindo a porta e colocando meu corpo pra fora. "Você sabe com quem estou, não me espere acordada. Brincadeira!"
"Ei, volte aqui, mocinha!" Ela falou, me puxando de volta. "Me dê um beijo."
"Passei gloss, não pode ser um abraço?"
"Só encoste sua bochecha na minha e faça barulho de beijo, sua monstrenga!" Mulheres. Fiz o que ela pediu, me despedi, fazendo com que fizesse o mesmo, e fechei a porta de casa. Caminhamos silenciosamente até seu carro, ele abriu a porta pra mim num ato de cavalheirismo e eu sorri agradecida, fazendo uma careta em seguida. É, eu sou palhaça.
"Então, dormiu bem?" Ele indagou, sentando na poltrona dele.
"Como uma pedra. Ainda bem que existe remédio pra dor de cabeça." Comentei, agradecendo mentalmente ao tylenol, o herói do dia.
"Você quer dizer, ressaca, ." Ele riu e eu dei uma risada irônica, me justificando em seguida.
"Eu não fiquei de ressaca, era uma simples dor de cabeça matinal. Totalmente curável, pronto."
"Ok, Dona Teimosia... Mas, me responda uma coisa..."
"O quê?" Falei, levemente curiosa.
"Quanto tempo você acha que seu gloss leva pra secar?" Ele perguntou, dando a partida no carro.
"Não sei. Por quê?" Perguntei, perdida.
"Porque eu quero te beijar," ele simplesmente olhou pra mim, na maior cara de inocente, enquanto declarava seu desejo, "desesperadamente." Ele acrescentou, enquanto se virava totalmente pra mim. Eu o encarei, surpresa com aquela honestidade inesperada dele, e sorri, me divertindo com aquela situação.
"Sabe," respondi, tentando dar uma olhada sexy em sua direção, "eu acho que tenho um vidrinho cheio de brilho aqui na bolsa..." deu um sorriso maroto [n/a: putz, não acredito que escrevi sorriso maroto na fic PASKOSAKKSAPO' ] pra mim, e se aproximou, colocando a mão esquerda em minha nuca, enquanto seu cotovelo direito apoiava-se na minha poltrona, e disse:
"Não tenha pena de usá-lo." E me beijou, sem esperar respostas de minha parte, o que ele estava certo em fazer, até porque, a única resposta que veio de mim foi a permissão pra que sua língua adentrasse em minha boca, e vice-versa. Nada de palavras. E eu estava gostando disso. O calor de nossos corpos rapidamente fizeram do carro um forno, me fazendo sentir como um peru de natal. Vou ser honesta, mas é a primeira vez que vejo que ser ''assada'' daquele jeito, não era tão mal assim, se é que você me entende. As mãos dele seguravam a minha cintura, me puxando contra ele, aproximando nossos corpos, à proporção que eu apertava sua nuca com uma mão, enquanto a outra fazia pequenos caminhos com os dedos, em seu cabelo, bagunçando-o de leve. Minha respiração já estava falha quando a 'sessão amasso' acabou com um selinho demorado dele. Sorri quando nossos olhos se encontraram, e ele sorriu mais ainda com a minha reação. Nos afastamos e ele tirou o carro do estacionamento, dirigindo-o para a saída do condomínio. Eu poderia jurar que tinha visto o sentado no balancinho, mas, provavelmente era só minha consciência pregando uma peça em mim. Poderia ser uma pessoa parecida com ele, sei lá, do jeito que eu acordei com uma dor de cabeça possivelmente de uma ressaca, pode se esperar que até fadinha verde eu veja. É só tomar absinto, né? Enfim.
me levou ao shopping, pra ser mais precisa, ao restaurante dentro dele. Era um bom local, self-service, com algumas sobremesas gostosas. Então eu fiz meu prato, sem exageros, me assustando quando ele fez o mesmo. Me refiro, mesmo, mesmo! Sem exageros! Eu quase caí da cadeira quando vi que a quantidade de comida no prato ele era... normal.
"Que foi?" Ele perguntou, enquanto se sentava.
"Seu prato tá vazando ou o quê?" Indaguei, ainda incrédula. Ele riu alto, se ajeitou na cadeira e começou a cortar o filé.
"Deixa de ser boba, eu só sou esfomeado às vezes... Acho que como é a primeira vez que almoçamos ou comemos como namorados, eu posso ser um pouquinho mais educado." Alguém tinha uns parafusos aí? Precisava prender com força meu queixo, pois naquele momento eu tinha acabado de deslocar o mesmo. É sério! Dizer que o queixo caiu era modéstia da minha parte. é fofinho, galera. Me amarrota que eu tô passada.
"Sabe, é muito fácil gostar de você, . Eu realmente me sinto bem na sua presença. Obrigada por fazer o que você faz por mim." Agradeci, sorridente, enquanto suspirava, satisfeito com minhas palavras.
"Eu não me sinto obrigado a fazer ou falar essas coisas pra você, sabia? Elas simplesmente escorregam de minha boca. Você me faz tão bem..." Ele falou, viajando nos meus olhos, assim como eu estava fazendo com os dele. O brilho contido em seu olhar, me deixava feliz, porque, quando ele falava de mim, ou quando olhava pra mim, era aquele brilho que aparecia no olhar dele. Quase o mesmo que aparecia nos de quando ele olhava para Lis, mas é ÓBVIO que eu dou muito mais créditos pro olhar de , já que eu sou o motivo deles brilharem tanto. Sem modéstia. Eu sou humilde, valeu?
Comemos, tendo uma conversa agradável sobre os mais bêbados da noite anterior. Na segunda feira, obviamente, muitas carinhas conhecidas seriam alvo de fofoca na escola. Por mais que o dono da festa não pertencesse ao colégio, McFly fazendo show ali era sinal de penetras dentro da festa, o que era a coisa mais fácil de encontrar – e ser – naquela festa/show. Saímos do restaurante e decidimos ficar num cantinho reservado de uma das saídas do shopping, só pra... você sabe. Fazer coisas que namorados fazem. Eu acho. Droga, que confusão!
"Isso é meio estranho." Eu comentei, encostando minhas costas no peito de , vendo o sol se pôr. Agradabilíssimo, não!
"O que é estranho?" Ele perguntou, repousando seu queixo no meu ombro, causando-me um leve arrepio. Qual é? Eu já disse que a carne é fraca!
"Nós. Namorando. Tipo, agora eu tenho um namorado. Agora, quando eu for cumprimentá-lo, não vai ser como antigamente... Vai ser tipo: 'oi, amor', beijinho doce e mãozinhas dadas." Terminei de falar rindo, sentido a risada dele ecoar bem próxima ao meu pescoço.
"Não precisa ser grudento nem nada, . Não precisa chamar obrigatoriamente de amor. É só que é carinhoso, e costuma-se ser carinhoso com quem você namora. Quero dizer, mais carinhoso com a pessoa com que os demais. Mas não precisa ser meloso. Não se você não quiser. Nada de mãozinhas, nem de apelidinhos românticos, nem de..." O interrompi, virando-me pra ele.
"Eu não estou reclamando, ." Falei certa de minhas palavras. "Eu só estou comentando que não vai ser como antes. É estranho, mas é um estranho bom. É uma boa mudança. Eu não me importo de ser mais carinhosa com você do que com os meus outros amigos. Eu só tenho um namorado, e tá de bom tamanho pra eu tratá-lo como ele merece. Mãozinhas e apelidos só fazem parte, e eu não tenho nada contra usar esses aspectos no nosso namoro."
"Sério mesmo?" Ele perguntou, abrindo um sorriso de orelha a orelha.
"Mesmo, mesmo." Respondi, feliz, recebendo um beijo empolgado dele em seguida.
"Agora menos papo e mais ação, ." Ele falou, dando um tapinha na minha perna, como se pedisse pra eu levantar.
"Como assim?" Indaguei, sem entender.
" quer reunir geral na casa dele. E acho que já tá na hora da gente dar uma passadinha por lá. Não acha?"
"Ah, é vero. me falou disso. Vamos, vamos sim." Levantei-me rapidamente, dei a mão para e ri quando ele olhou para as nossas mãos dadas de uma forma bobinha e carinhosa. Ah, cara, que romance meloso legal! Eu acho.
", meu tchutchuco!" respondeu, abrindo a porta, feliz da vida. E foi só olhar pra dentro da casa pra perceber que essa alegria tinha nome e sobrenome: . Ri da cara do enquanto ele tentava se afastar dos ataques gays e encubados do , mas logo em seguida, fui puxada pra dentro da casa, pela mão de .
"Onde vocês estavam?" Ela perguntou, com cara de Jorge, o curioso. "Quero saber de tudo, tim-tim por tim-tim."
"Nada, afobada." Ri, enquanto me sentava ao lado dela no sofá. "Só fomos almoçar e passar um tempo juntos. Pra acostumar com essa idéia de namoro. Foi legal. Bem legal." Respondi, abanando a mão, como se estivesse quente. deu uma risada alta, quando apareceu da cozinha, com segurando sua cintura:
", já chegou?" Ela comentou, sorridente. Ah, mas eu sabia! Eu sabia! Aqueles dois não me enganavam. Eu podia estar bêbada, mas não estava cega!
Ok, juro que parei com meu momento 100 noção.
"Cara, eu sabia!" Falei rindo, apontando pros dois que riam sem graça. "Eu quero saber de tudo depois, detalhadamente, sua, sua, sua... sua !" O mais novo casal gargalhou, enquanto se sentavam no chão, coladinhos. Pombinhos!
"Só tá faltando a anta do ." comentou, rolando os olhos. E só foi ele comentar, que a campainha tocou. Brevemente, se uniu a todos ali, sorrindo, porém, não estava sozinho. Ele estava com a Lis. Sim, com ela, de mãos dadas! Fechei a mão de raiva e dor quando eu vi aquilo, e encostei minha cabeça no ombro de , que simplesmente segurou minha mão com mais força. Ele tinha entendido, e mesmo assim, continuava lá, ao meu lado. Putz, eu sou muito sortuda.
"Oi, gente." Lis cumprimentou, com seu sorrisinho feliz.
"Olá." Todos falaram, educadamente.
"Oi, povo." falou, olhando pra todos rapidamente, e balançou a cabeça quando me viu.
"Oi, ." Todos responderam, menos eu, que só acenei com a cabeça.
"Eu vou pegar umas bebidas... , me ajuda?" olhou pro amigo, com cara de bunda, e o me olhou com um olhar do tipo "você vai ficar bem ?" E eu simplesmente acenei, positivamente. Ele se levantou, e eu fiquei lá, sentada do lado de , meio quieta. De repente, Lis deu um selinho em e se dirigiu ao banheiro. Logo, ele veio se sentar ao meu lado, com um sorriso meio forçado.
"Então...?" Ele perguntou, olhando pra mim.
"Então...?" Eu repeti, olhando-o de volta.
"Você e o , né?" Ele comentou, como se fosse óbvio.
"Você e a Lis, né?" Repeti, rindo da cara óbvia dele.
"Só estamos nos conhecendo... Agora você e ele... Como estão?" Ele questionou, interessado demais.
"Bem, obrigada." Respondi, sarcástica, fazendo com que ele rolasse os olhos.
"Vai ficar me respondendo assim?" Ele perguntou, com cara de tédio.
"Eu não sei." Falei sincera. "Vai ficar me tratando uma hora bem e outra mal?"
"Eu não te..."
No exato momento, chegou, com duas bebidas, uma coca e uma cerveja. Ele sorriu para e para mim, e apontou pra onde estava sentado e disse:
"Se importa se eu tomar seu lugar?" o olhou com uma cara de tacho, e saiu do local, dizendo:
"Que nada, à vontade." Sarcasmo, sarcasmo.
"Tudo bem?" Meu namorado me perguntou, depois que sentou-se no chão, chamando Lis com o olhar, enquanto a mesma saía do banheiro.
"Tudo ótimo." Respondi, roubando um beijo dele. sorriu, e disse:
"Ok, então. Coca?" Ele ofereceu, e eu afirmei com a cabeça, enquanto abria a latinha e dava um gole sutil.
Depois de algumas bebidas e falatórios da parte de todo mundo, bateu na latinha de cerveja dele com uma caneta, querendo obter um som parecido com o de um garfo batendo cuidadosamente em uma taça de vidro. É, quem não tem lata, bate com a mão, já dizia uma música de Axé.
"Eu tenho uma declaração a fazer, queridos amigos." disse, se levantando, e puxando-me com ele. Todos pararam de falar pra prestar atenção no que ele tinha a dizer, mas era meio óbvio, já que ele segurava minha mão e sorria feliz. "Bom, como eu não sou muito bom em falar as coisas, nem enrolar a galera, eu vou dizer de uma vez só:" ele ergueu as nossas mãos, enquanto fazia seu mini discurso, e, num suspiro, declarou, "eu e a estamos namorando." A sala toda, antes, afundada num monólogo de , se tornou uma gritaria, pessoas felizes vindo nos abraçar, e eu só consegui sorrir com o parabéns dos meus amigos para mim. Abracei e tão forte, fiquei tão feliz por ter amigas ali, enquanto comemorava com , fazendo algum passinho estranho do Michael Jackson, aquele famoso 'Moon Walk'.
Todos estavam comemorando, quando de repente, pôde-se ouvir um barulho de vidro se chocando a alguma coisa sólida. Todos se viraram para a origem do barulho, e eu só pude ver um copo quebrado no chão, um pouco de cerveja molhando o tapete da sala de , e um , muito, muito surpreso. E foi ali que meu coração foi a boca, e meu sorriso se desmanchou. Seu olhar estava desfocado, e eu pude ver que ele não reagiria além daquele olhar por eternos segundos. Lis se aproximou dele, cochichando alguma coisa próxima ao ouvido dele, que o fez piscar rapidamente, olhar pro chão, pra Lis, e por último... pra mim. Eu queria desesperadamente que seu olhar estivesse feliz, ou pelo menos com alguma coisa cuja eu pudesse enxergar. Mas não havia nada. Só um grande e profundo... vazio.
Capítulo 16: “And it hurts, it hurts so much, to see you cry, to see you sad and blue...”
"?!" perguntou, se aproximando com cuidado. "Tá tudo bem?"
"Mas é claro que está!" Lis respondeu no lugar dele, o puxando em direção ao sofá. "É que eu fui abraçá-lo de surpresa e, sem querer, esbarrei no copo. , mil desculpas. Onde tem pá e vassoura para que eu possa tirar o vidro?"
Todos pareceram aceitar bem a idéia de que a culpada da história de menos um copo na casa de , era Lis. Enquanto foi pegar as coisas pra Lis, a mesma sentou-se ao lado de , que aparentava estar mais presente do que antes, mas ainda sim, meio perdido. Não pude dizer o que seus olhos expressavam naquela hora, porque no mesmo tempo, Lis fez o favor de meter sua adorável – e enorme – cabeça bem na frente quando roubou um beijo dele. O que me fez lembrar que ele tinha alguém para se preocupar com ele, e que esse alguém não era eu. Sim, eu sabia disso. Sabia? Sim. Então por que eu continuava, desesperadamente, a querer saber o que foi a inexpressão dos seus olhos quando ficou sabendo que eu estava namorando com o ? Meus pensamentos foram interrompidos por uma mão em minha cintura, me puxando.
"?" me chamou, sussurrando em meu ouvido. "Tá tudo bem?"
"Tá," eu sorri forçadamente, na direção dele, "tá tudo bem." Tava tudo as mil maravilhas.
"Sério mesmo?" Ele perguntou, colocando a mão em meu rosto e virando-o em sua direção, a fim de que eu olhasse em seus olhos.
"Tá tudo bem, . Foi só que eu levei um susto com o copo, e fiquei com medo de alguém se machucar ali. Vidro quando quebra se espalha por todos os lados, e pode ser..." Fui interrompida por um beijo de que, enquanto durou, me fez esquecer a expressão vazia de . Apenas momentaneamente, é claro. Mas pelo menos seu efeito foi bom o bastante pra me acalmar, e recompor a mim mesma, enquanto durou.
"Se antes não tava tudo bem, agora tá." Ele disse convencido, passando seu polegar levemente na minha bochecha, enquanto eu fazia uma careta em resposta à sua modéstia.
voltou da cozinha com a pá e a vassoura, e Lis logo se levantou, para pegar as coisas e limpar o pequeno estrago.
", me desculpe, eu fui muito desastrada!" Ela dizia enquanto juntava os cacos de vidro num pequeno amontoado no chão. "E eu acho que você precisará pegar um pano pelo menos pra tentar tirar a pequena mancha de cerveja no seu tapete."
"Relaxa, Lis." Ele falou, olhando pro tapete sem se importar muito. "O importante é que ninguém se machuque com esse vidro." respondeu, e logo depois se sentou no sofá ao lado de , começando alguma conversa qualquer com ele. olhou pra mim sugestivamente depois de olhar para , notando, provavelmente, a surpresa no meu melhor amigo, que era de longe, uma surpresa não esperada e incomum.
"Eu vou ao banheiro." Falei pra , que acenou a cabeça, sorridente, enquanto eu me levantava do sofá. Passei por , que me deu um meio sorriso, e acho que ela sabia a bagunça que a minha cabeça poderia estar. Retribuí seu sorriso, e quando olhei pra frente, eu estava prestes a passar por , que me olhava meio atônito, como se esperasse alguma reação de minha parte. Eu esbocei um sorriso rápido, sem mostrar meus dentes, e foquei meus olhos no chão, até que eu sentisse que estava em território seguro – lê-se: o banheiro.
Chegando lá, a primeira coisa que fiz foi trancar a porta e deixar-me deslizar, com as costas apoiadas na mesma, até chegar ao chão. A escuridão do banheiro não me incomodava a ponto de eu me levantar e acender a luz. Acostumei-me com o escuro à medida que eu parava pra fazer uma respiração calma e que me deixasse o suficiente tranqüila para a noite. Afinal, os lábios do não poderiam ficar ocupados com a minha boca o tempo todo. Por mais tentador que fosse.
Abracei minhas pernas e deixei minha cabeça encostada no que parecia o armário do banheiro, ainda trabalhando a respiração. Por que o sempre conseguia reações extremistas como essas? Eu mal conseguia me sentir inteira, só porque ele ficou meio perdido. Talvez ele só não esperasse que uma ficada entre eu e o numa festa significasse o namoro imediato de nós dois. Talvez ele só tenha ficado muito surpreso, só isso. E talvez ele não conseguiu controlar aquele sentimento de proteção a melhor amiga que eu sei que ele ainda tem. O sentimento, não a amiga. Bom, a amiga ele também tem. Eu acho. Pelo menos eu considero-o ainda desta maneira. Tá vendo? Isso é que dá se apaixonar por alguém tão complicado quanto o ! Ele me fazia perder todas as razões possíveis que eu tinha em mente, e ainda sim, me fazer sentir culpada por uma coisa que eu nem fiz. Bom, eu estava com meus amigos declarando com , o namoro. Nada de errado. Nada mesmo. Dentro dos limites e da situação, tudo certo. Então por que eu me sentia mal e achava que eu estava agindo errado com , magoando-o profundamente? Bom, quem sabe seja só o sentimento protetor que eu tinha por ele – bem mais aguçado do que o que ele tinha por mim, por razões óbvias (como tipo, eu amava a criatura de um modo bem mais... intenso, digamos assim, do que ela me amava) – e o meu amor por ele não ajudava muito pra que eu me acalmasse. Mas era isso que deveria ser feito. Ele tinha a Lis no momento. Ela ocupava o lugar o qual eu tanto queria, porém o que não ocupava. E ocupava o lugar que eu gostaria que ocupasse, mas as coisas não são assim, e da maneira que estavam só mostrava como é a vida. Ou pelo menos como ela estava diante das minhas decisões. Concluindo: poderia ser apenas o sentimento protetor fraternal de , e eu não precisava me preocupar com isso. Afinal, ele tava feliz com a vaquinha Lis, e por mais que me doesse vê-lo com ela, isso significava a felicidade pra ele. Então, bola pra frente, vivendo sua vida e sendo coerente nas suas ações. É. Isso mesmo. Com certeza. Então por que eu estava com vontade de chorar mesmo?
Eu acendi a luz do banheiro, fiz forças pra me levantar, e me olhei no espelho. Lá, eu pude ver meus olhos, meio molhados, por causa das lágrimas benditas. Então, eu respirei fundo, e pensei no . No nosso tão novo namoro, da maneira como ele estava feliz, da maneira como ele me tratava. A partir de tais pensamentos, decidi que não pensaria nos misteriosos motivos para as ações de . Ele estava com a Lis, não estava? Estava. Então, respirando bem fundo, e olhando no espelho, eu disse pra mim mesma:
"A partir deste momento, eu me torno Lima. namorada de e somente melhor amiga de ." Lavei meu rosto, o sequei, e encarei novamente meu reflexo. Totalmente renovado: decisão em meus olhos flamejava dos mesmos. A vontade de ser feliz no meu íntimo lutava contra a vontade de simplesmente sair correndo e perguntar o porquê de tudo que o estava fazendo, mas, num impulso, pude sentir que a vitória estava sendo dada a determinação de ser feliz. E seria assim a partir daquele momento em diante. Adeus, ; adeus, Lis; adeus, dor. Olá, ; olá, paz; olá... amor?
Abri a porta do banheiro, desliguei a luz do mesmo e segui para a sala. foi o primeiro a me ver, e num sorriso, me chamou com as mãos, pra que eu me sentasse próximo a ele. Fofura disse "olá".
"Ei, ." Respondi, chegando perto, tentando ignorando a presença do melhor amigo. Pude ver pelo canto do meu olho que assistia a cena, disfarçadamente.
"Hello, Lima." respondeu, me puxando pra ficar com minhas costas em seu peito, meio deitada no sofá. "Está melhor?" Havia alguma coisa da qual ele não sabia?
"Sim, tudo bem, eu só estava meio apertada... A coca fez efeito." Ri baixinho, mas só me olhou com os olhos cerrados. Então, num impulso, me beijou.
"Como eu disse antes..." Ele falou, rindo de leve. "Se antes não tava tudo bem, agora tá. Estando você, apertada pra ir ao banheiro ou não." Super modéstia mode on.
"Se toca, . Quem fica bem aqui, depois de beijar, é você, seu ladrão." Comentei, entrando na brincadeira dele, sorrindo.
"Ladrão?!" Ele Indagou, fingindo uma cara incrédula.
"É, porque não se fez nem vinte e quatro horas de namoro e eu já perdi a conta das vezes que você me roubou beijos, ok?" Mentira. Mas como eu disse, estava interagindo na brincadeira.
"Nossa!" Ele disse, me puxando pra mais perto dele, com as mãos na minha cintura, e seu queixo encostado no meu ombro, próximo a minha orelha. "Eu poderia protestar, dizer que isso é uma blasfêmia, até porque é verdade... Mas que homem em sã consciência, sendo seu namorado, não seria um ladrão de beijos com você assim, tão... só dele?" Ele respondeu, e mordiscou o lóbulo da minha orelha, me causando um arrepio na espinha.
", , ..." Eu respondi, rindo de leve.
", , ." Ele disse, suspirando, enquanto começava a descer as mordidas da minha orelha, pro meu pescoço. Por osmose, meus olhos foram parar em , que estava bem entretido com um beijo entre ele e Lis. Aquilo doeu em mim, mas não sei se foi a idéia de que eu teria de me acostumar com aquilo, ou pelo fato de eu estar tão decidida a ter minha intenção totalmente direcionada a , que, respirando fundo, e deixando o ar entrar em meus pulmões, eu me permiti ser forte e suportar a convivência, levando a minha mão até a nuca de , e fazendo um pequeno e lento carinho por ali. Foi quando uma das mordidas dele alcançou o limite entre meu pescoço e meu ombro que um arrepio mais intenso foi causado por razões óbvias, me provocando uma pequena e rápida tremedeira. Ouvi soltar uma risadinha baixa, parecendo apreciar os efeitos que suas carícias causavam em mim, e, prendendo a risada, eu disse:
", pára de rir, caramba." Terminei, dando um leve tapa no braço dele, e fazendo-o parar com a risadinha na hora.
"Desculpa, mas é muito bom te ver assim." Mas... Hein?
"Assim como, Zé mané?" Perguntei, virando meu rosto para olhá-lo.
"Arrepios são excitantes pra mim, . Te provocar assim é novo e bom. Muito bom." Ele disse, rindo levemente, porém, meio envergonhado, e foi a minha vez de rir. Ele bufou em resposta, e eu joguei minha cabeça pra trás, a fim de que ficasse apoiada no ombro dele, perto de seu ouvido, falando coisas que só ele ouviria.
"É excitante pra todo mundo, . Não é só porque há dois dias a gente não tinha nenhum atrito como esse que você já não tenha nos imaginado assim, com você me provocando. É tão normal como bom. Porém, estamos entre pessoas que vêem tudo que a gente faz... Isso é "sem vergonhisse" da sua parte..." Eu comentei, invertendo o jogo: distribuí beijos calmos e leves em seu pescoço, e não tardou acontecer com ele o que aconteceu comigo. Bendito seja o calor humano. Amém, Senhor!
"Você fala, fala, fala, mas no fundo é tão provocante quanto eu." Ele falou, fazendo bico.
"Essa é a tática, baby." Respondi, virando sua cabeça em minha direção, e dando-lhe um beijo. Beijo que logo foi cortado por um inquisidor:
"Ei! Chega disso, arrumem um quarto ou jogo vocês na fogueira."
"Cala a boca,