- Capítulo um
Estava frio e chuvoso neste dia, o sol parecia que nem havia chegado logo de manhã, era como se ainda não tivesse nascido. E estava em um trem que havia partido rumo a Bolton, uma cidade no interior do Reino Unido.
havia largado sua vida em Londres para ir morar com a mãe na pequena cidade, por motivos que até então ela não saberia lhe dizer. Ela estava completamente tensa com a idéia, não conhecia sua mãe muito bem, desde pequena havia sido criada por seu amoroso pai David Cronwell, que nunca havia dito para ela realmente o que fazia para sobreviver. Sempre que ela o perguntava sobre sua profissão, ele mudava de assunto. Mas nunca ligou para isso. Seus pais eram separados desde quando ela nasceu, na verdade, eles nunca tinham se casado, eles apenas haviam decidido criá-la sem precisar se casarem para isso. Mas as coisas não foram como eles imaginavam ou planejavam, conforme o tempo, eles começaram a discutir sempre e a convivência deles dois virou um inferno. Então eles decidiram não ficarem mais juntos, e o pai resolveu ficar com porque achava que sua mãe não tinha capacidade o bastante para criá-la sozinha. E desde então, não via sua mãe, ás vezes ela ligava para perguntar como estavam as coisas, às vezes elas se comunicavam através de cartas. Para , seu relacionamento com a mãe nunca passara de uma amizade, daquelas que se encontra em qualquer lugar.
estava olhando para cima fixamente, pensando em coisas do tipo "Como seriam as coisas na nova escola?". Ela se perguntava sempre como iria sobreviver não conhecendo ninguém lá; embora fosse uma pequena cidade, ela não conhecia ninguém além de sua mãe. Ela estava perplexa pela paisagem que rondava o trem em movimento, fazendo-a prestar atenção em cada detalhe da sua nova cidade. Embora ela quisesse ficar e olhar de novo aquela linda paisagem, ela não poderia, pois o trem havia parado na estação de Bolton, onde ela teria que descer porque sua mãe já estava a esperando. Sua expressão mudou quando avistou sua mãe sentada em um banco à sua espera.
- Querida! - sua mãe sorria enquanto a chamava
- Ma- mamãe! – gaguejou a menina por causa do nervoso
Elas foram o caminho todo para sua nova casa, tentando conversar, mas parecia não estar muito a fim de conversa naquele momento, então sua mãe se conteve. Seu novo quarto era rosa com uma delicada faixa que cortava as paredes rosa fazendo então a cor ser azul. Era bonito e delicado... "Mas para uma criança de cinco anos no máximo", pensava .
- ? – sua mãe a chamava
- Sim, mamãe? – respondeu
- Você precisa de alguma coisa?
- Não, mamãe... Estou bem! – havia se surpreendido com a preocupação de sua mãe para fazê-la se sentir em casa.
Quando acabou de desfazer suas malas já era noite e sua mãe estava tentando cozinhar alguma coisa para as duas. Ela não era uma boa cozinheira, mas não se sentiu no direito de criticá-la, pois estava sendo tão boa à ela quanto seu pai no momento. Depois do jantar, ela decidiu ir para seu quarto e ler um livro qualquer, ela tentava não pensar no amanhã pois ela sabia que seria difícil se enturmar em uma escola pequena. Onde se ela cometesse alguma gafe ou passasse vexame, todos iriam apontar para ela e notar como ela era diferente, talvez até estranha.
No dia seguinte, havia acordado atrasada, então não tomou seu café da manhã direito e logo correu para a escola. Ela tentava fazer amigos mentalmente, mas nada conseguia distanciar aquele frio na barriga que tomava conta dela. Chegando ao colégio, logo evitou todos os olhares e correu para a porta de entrada, ela sabia que depois de empurrar aquela pesada porta corta fogo ela estaria dentro do colégio onde estudaria durante muito tempo. enfiou a mão na sua bolsa e retirou de lá um papel amassado onde estavam anotados os seus horários de aula, então checou sua primeira aula e logo se encaminhou para uma porta grande e azul com uma pequena janela onde estava escrito "Sala de Biologia".
Já era o final de sua terceira aula quando o sinal tocou, fazendo o som alto ecoar por todos os corredores vazios da escola, avisando que era a hora do intervalo. se dirigiu até o refeitório, passando os olhos por todas as mesas, pois não sabia onde se sentar, ou com quem se sentar.
- Oi? Você é nova aqui, não é? – ouviu uma voz vinda de trás dela e uma mão que ao mesmo tempo cutucava seu ombro. Ela se virou e deparou-se com um menino de olhos penetrantes.
- Oi! Sou sim... – respondeu a menina sorrindo
- – o garoto se apresentou estendendo a mão
- Cronwell – sorriu enquanto apertava a mão do garoto
- Você já tem lugar planejado pra se sentar hoje? – perguntou
- Não, eu não tenho – se lamentava
- Então venha, sente-se comigo! – o garoto sorriu amavelmente e não pode deixar de retribuir com outro sorriso
- Claro! Se você não se importar – respondeu
- Imagina! Seria um prazer lhe apresentar aos meus amigos – sorriu enquanto andava até sua mesa, onde estavam sentados mais um menino e uma menina
- Gente, essa é Cronwell – sorriu enquanto os outros que estavam sentados fitavam
- Sou , mas você pode me chamar de – sorriu o garoto
- Sou Fowl – sorriu a menina que lhe parecia ser muito mais agradável do que as outras pessoas que ela havia visto antes andando por aí.
se sentou ao lado de , que não parava de sorrir para ela, o que fazia ela se sentir melhor.
- Você anda só com eles dois? – perguntou apontando para e que estavam brincando de misturar suas comidas
- Sim! Eles são ótimos – respondeu rindo da cena
Um silêncio tomou conta de por alguns minutos, quando finalmente algo prendeu sua atenção, algo não, alguém. Um menino , com olhos e pele muito clara passava em frente à sua mesa, fazendo o seguir com os olhos. Logo depois, passaram duas meninas em sua frente, muito parecidas por sinal, mas tremendamente encantadoras, com peles semelhantes à do menino . não conseguia desviar o olhar daquelas três pessoas que andavam em direção à uma mesa onde estava sentado um garoto, também muito branco, que parecia estar em outro mundo. Eles se sentaram e permaneceram ali durante o tempo suficiente para que tomasse coragem e perguntasse para quem eram exatamente aquelas pessoas.
- Hey, , quem são eles? – perguntou
apontando para a mesa onde se encontravam os quatro indivíduos. olhou para a mesa e logo em seguida, olhou para .
- Eles são os Stanford! – respondeu
- Eles são irmãos? Erm, porque eles não se parecem nada e... – perguntou
antes de continuar
- Eles são de mães diferentes – concluiu
- Como assim? – perguntou levantando uma das sobrancelhas
- A família deles é muito estranha, olhe... Por exemplo – respondeu enquanto apontava para o menino – Aquele é Stanford o mais velho de todos eles, e muito bonito, por sinal – sorriu – Aquelas ali são e Archibald Stanford, são gêmeas, e na minha opinião, as duas meninas mais diferentes da escola – explicou apontando para as duas meninas – E aquele ali, o do canto... É Stanford, o mais novo de todos eles... – concluiu olhando para , que estava boquiaberta.
's POV
"O lugar é bonito, mas ainda o acho muito calmo. Normal pensar isso, quem chegou de Londres há dois dias. Tem sido fácil me relacionar com a minha mãe por enquanto. A escola é melhor do que eu imaginava. As pessoas por aqui são mais simpáticas, pelo que vi. Bom, pelo menos as que vieram falar comigo. Eles são tão legais a ponto de eu nem mesmo me incomodar de fazer parte de um dos grupos dos excluídos. Aliás, tem um pequeno grupo, não muito sociável ao que vi, onde todos eles são lindos (inclusive as meninas). E excluídos da popularidade da escola. Achei estranho pessoas tão bonitas como aquelas, fazerem parte da 'sociedade excluída' da escola. Eles são muito quietos, é verdade. Mas há um certo charme nisso."
- Capítulo dois
Ao segundo dia, não conseguiu acordar no horário. A chuva estava densa e o céu cinza enquanto a menina ainda dormia. Ela estava cansada, pois havia ficado até tarde conversando com a mãe para que ela pudesse "se situar" na vida da filha com quem nunca tivera muito contato.
Emmet bateu, abriu a porta e fez um escândalo ao ver a filha ainda dormindo:
- ! – berrou a mãe fazendo a menina cair da cama, literalmente. Ela ainda estava descabelada e devia ter acabado de acordar também - Eu não acredito que você ainda está aí! Nova regra para nós duas: não ficarmos mais conversando até altas horas. Vamos que você já está atrasada!
Ela se levantou - do chão - e foi em direção ao banheiro, de onde saiu trocada alguns minutos depois. Jogou a mochila por cima do ombro e desceu as escadas correndo. Pegou a chave do carro, pôs uma torrada na boca e quando ia saindo, ouviu a voz da mãe:
- O que você pensa que está fazendo? – a menina a olhou intrigada sem saber do que ela falava – Tenho que ser uma mãe mais responsável, então quem dirige sou eu. Você ainda não tirou a carteira, não é?
Emmet tirou a chave da mão dela e saiu. saiu, segurando o riso ainda com a expressão "mais responsável" na cabeça. Desceu do carro sob a chuva, agora mais pesada que antes, e correu até a entrada da escola. Pegou o mesmo papel amassado que havia deixado na bolsa no dia anterior, onde continha seus horários. Olhou a folha onde tinha escrito:
1ª aula – Matemática – Sala 10
A letra era da recepcionista. Parou em frente à uma sala, olhou para cima e viu um dez com um zero meio deformado, como se alguém houvesse tentado arrumar algo, mas só tivesse piorado a situação.
Ignorou a placa e girou a maçaneta. Assim que a porta se abriu uns cinco centímetros, foi fechada com um barulho um pouco estrondoso. fora puxada com força pela alça da mochila para trás. E que havia sido ela que, indiretamente, fizera o barulho que acordou um professor velho dentro da sala.
Olhou para os lados e viu alguém caminhando lentamente no corredor. Era . Ele não virou para trás, para encará-la como geralmente se fazia quando se ia falar com alguém.
- Sala errada. Esse zero foi pichado pelos alunos. Sua sala é essa aqui. – ele apontou seu dedo de pele incrivelmente branca para uma sala de frente para a que ele ia entrar. – Boa aula.
Ele desapareceu fechando a porta e largando no corredor sem reação alguma. Hipnotizada ela murmurou para si mesma:
- Er... Obrigada. Pela maneira delicada que você me avisou também.
Ela correu e entrou na sala que ele havia lhe indicado. Pensou naquilo o dia todo. Ele era estranho, definitivamente. Mas se ela parasse para pensar, ele nunca tinha falado com ela. Já tinha ouvido dizerem pela escola que ele era bem frio e que geralmente não se relacionava com outras pessoas. Talvez aquilo fosse um gesto gentil ao ponto de vista dele.
Na segunda semana de aula, já se sentia mais à vontade que nos primeiros dias. Ela vinha correndo pelo corredor voltando da aula de Educação Física, pois tinha demorado no vestiário, e olhou o horário no relógio. Estava atrasada e não prestou atenção quando trombou com alguém. Alguém forte. Os livros da pessoa caíram no chão. Ela se abaixou para ajudar antes mesmo que visse quem era. Olhou para cima e reconheceu o rosto. pegou os livros e a encarou com uma cara mal-humorada.
- Vai logo. Você está atrasada. Não vai entrar na sala se não correr – Disse ele friamente. Pareceu realmente irritado com o que aconteceu. Ela o olhava quase hipnotizada. Os dois se levantaram.
- Olha, m-me desculpe. – gaguejou ela. Talvez porque estivesse nervosa ou porque ele lhe deixava sem ar, sem reação. – E-eu não tive a intenção; de verdade.
- Hm... – murmurou ele com frieza na voz – Tudo bem, eu acho.
Eles se encararam por um tempo.
- Bom, eu tenho que ir para a minha aula, então... A gente se vê – disse ela pausadamente, ainda bem tímida.
Ele não respondeu, apenas deu um leve aceno com a cabeça e seguiu seu caminho pelo corredor. Ela saiu correndo, mas chegara tarde demais e teve que ficar do lado de fora da sala. Após alguns minutos ela começou a pensar e rever todo o episódio do corredor. "Como ele sabia que eu estava atrasada para a minha aula?" Não era possível que soubesse os horários dela. Só tinham aula de química juntos. Não fazia diferença, ela não conseguia tirá-lo da cabeça; Ele era frio como ela nunca vira nenhum ser humano ser. Mas seus olhos, seus cabelos, aquele rosto; ela só se sentia boba ou até hipnotizada por ele. Imaginava como devia ser lindo o sorriso que ela nunca conseguiu ver. O sinal bateu fazendo-a despertar de todos os seus sonhos com ele. Passou-se o primeiro mês na escola nova. Ela se sentia em casa e mantinha contato com o pai sempre que podia. O convívio em algumas aulas com quebrou a parede de gelo entre eles, toda vez que ia entrar na sala 10 se lembrava do aviso e só assim conseguiu decorar qual era a sala verdadeira. Eles conversavam com menos formalidades agora, mas nada que pudesse ser chamado de diálogo.
Naquele dia, estava indo embora, quando viu em um corredor vazio. Foi falar com ele e viu Matt, capitão do time de futebol da escola, indo na mesma direção. O menino murmurou alguma coisa para provocá-lo quando passou do seu lado dando um encontrão em . Ela viu os olhos dele transbordando de raiva e que ia partir pra cima. Mas antes que ela puxasse algum assunto para tirá-lo dali o outro menino o empurrou.
o socou e eles partiram um para cima do outro. largou as coisas no chão e começou a berrar por ajuda, mas a escola era sempre vazia quando se precisava dela cheia, principalmente na saída. Então veio uma idéia na sua cabeça. Muito estúpida à primeira vista, mas a única solução. Pôs-se entre os dois e começou a tentar separá-los. fazia uma barreira na frente de para que Matt não o atingisse.
- Pára! Por favor! Você vai machucar ele! – Gritava ela. Levou um soco leve, que Matt deu na intenção de assustá-la. Mas ele acabou parando e saiu do corredor berrando para :
- Quer dizer que o estranho aí precisa da namorada pra defender ele?
Enquanto Matt saía pelo corredor, e sentavam no chão, ainda muito ofegantes. Ficaram em silêncio até conseguirem respirar novamente. encarou a parede oposta e perguntou em voz baixa:
- Você se machucou?
- Não. – respondeu ela, também em voz baixa.
- ... - ele olhou para o rosto dela, que não conseguiu retribuir o olhar – Obrigado.
- Não foi nada – disse ela dando um sorrisinho e olhando para ele. – Eu faria isso por qualquer amigo meu.
sorriu.
' POV
"Ela me olhava com curiosidade, em muito tempo não vejo uma menina assim. Creio que ela espera algo de mim, mas não consigo saber o que ela realmente quer. Nossas conversas ficaram constantes, e viraram rotina uma vez que além dos meus irmãos, apenas ela tenta se relacionar comigo."
- Capítulo três
pensava constantemente naquele menino que havia mudado sua vida de alguma forma; estava andando pelo campus do colégio pensando em sua monótona vida e no passeio que iria fazer com suas amigas nessa noite.
A menina havia chegado cedo demais para a aula, mas tarde demais para voltar para casa e descansar um pouco mais. Ela se sentou em um banco branco que estava um pouco úmido por causa da chuva que caíra durante a noite, quando por uma idéia passageira ela levantou e se colocou em pé em cima do banco, dando passos lentos sobre este, quando de longe avistou um garoto que a fitava com uma expressão que ela não conseguia decifrar. Era , que andava lentamente em sua direção, com aquele sorriso que ela só encontrara em seu rosto. Sem olhar onde pisava, acabou tropeçando e caindo de cima do banco e quando se deu conta, estava aos pés de que a olhava incrédulo.
- O-oi... Bom dia – gaguejou enquanto apertava os lábios para não rir da cena
- Oi... Ah, pra você também! – respondeu tentando se levantar
- Deixa que eu te ajudo – disse o menino enquanto a levantava como se ela fosse uma pena
- Obrigada, eu acho – respondeu fitando o chão, ela não queria olhar para ele e encontrar aqueles olhos impenetráveis a encarando. Ela o acompanhou até a sala, pois a primeira aula seria com ele como de costume. Chegando lá, ele se sentou ao seu lado, coisa que não fazia sempre, ou nunca havia feito. Ela não conseguia olhá-lo, mas ele parecia não se importar de olhar para ela, tal como estava fazendo desde que entraram na sala. Quando a aula acabou ele se levantou rápido sem olhar para os lados e nem falou nada, ele apenas saiu da sala rapidamente e ela sentiu um aperto no peito.
Faltavam uns 5 minutos para a aula acabar e estava totalmente desligada do assunto, que por sinal era um assunto importante, então o sinal tocou a fazendo levantar de sua cadeira em um pulo. Quando estava saindo da sala, encontrou e passando em frente à sua sala, por um segundo ela desejou que estivesse as seguindo, mas ele não estava. se dirigiu até o seu armário colocando seus cadernos dentro dele desajeitadamente. Quando ela sentiu algo atrás dela:
- Oi – indagou tão perto dela que ao mesmo tempo fez a menina se arrepiar
- Oi! – disse se virando para o garoto enquanto fingia não ligar para o que havia acabado de acontecer
- Você... Já vai pra casa agora? – perguntou ele sério enquanto levantava uma das sobrancelhas
- Não queria ir para casa agora... Mas sabe como é, né? Essa vida agitada que eu levo... – ironizou
- Ah... – concluiu
- Então, a gente se vê? – respondeu , mas ela não queria cortar o assunto. De jeito nenhum! Ela queria ouvir mais palavras vindas dele e mais olhares, mas ela não conseguiria prolongar a conversa. Ela fechou seu armário, e sem olhar para ele, ela se virou e começou a andar, dava passos leves e lentos.
- Hey, ! Espera! – gritou sem nem pensar
- Sim? – indagou sem se virar, se perguntando se aquilo era um sonho, ou alguma miragem diferente das outras... Aquilo não poderia estar sendo real.
- Quer... Dar uma volta comigo? – sorriu de canto, era encantador. o encarou, dirigindo seus olhos diretamente para os dele, que já estavam esperando pelos olhos dela.
- Claro... – respondeu, mas não conseguiu conter um sorriso
Ele se virou de lado para ela, a olhou de canto e sorriu amavelmente, sem dizer absolutamente nada ele começou a andar fazendo com que o seguisse. Ele olhava constantemente para os lados, e para frente.
- Sabe... Você é um pouco diferente dos outros garotos – deixou escapar. Ele a olhou e deu uma risada baixa e abafada, olhou para o chão e depois levantando seus olhos, viu fitando-o.
- Em que sentido? – ele disse desviando o olhar para frente
- Não sei! Sabe, você é totalmente reservado e só fica com seus irmãos e... – antes que terminasse hesitou
- Irmãos? O que você sabe sobre meus irmãos? – ele perguntou ainda fitando o horizonte
- O básico – respondeu sem palavras
- Me dê três exemplos do que seria o "básico" – disse enquanto a olhava e franzia a testa
- Hm... E o que eu ganho? – disse sorrindo para ele, que por sua vez rolava os olhos calmamente, como se estivesse pensando em algo
- Se você me disser o que sabe, direi se é verdade ou não – disse sem expressão. Rolavam muitos boatos sobre a família Stanford na escola, alguns que nem mesmo eles sabiam, era louco pra saber alguns dos boatos, pois ele realmente se divertia com as histórias que inventavam.
- Hm... Dois exemplos – o testou
- Certo. – ele respondeu por fim
- A primeira coisa que eu ouvi falar de vocês, foi a história de que vocês eram irmãos... Só que de mães diferentes – o olhava esperando alguma reação
- Próximo exemplo – respondeu seco
- Mas e o que eu acabei de falar? Não vale?
- Próximo exemplo. – repetiu, havia uma expressão de divertimento em seu rosto que ela não conseguia entender.
- Certo, a segunda história que eu ouvi falar sobre vocês era que... – parou, e ele a olhou e colocou as mãos dentro de seus bolsos do casaco, esperando uma resposta - Foi de que vocês são brancos assim por nunca irem à praia – ela respondeu pensativa, e ele se segurava para não rir, mas não conseguiu controlar-se
- Praia? – perguntou dando uma risada debochada
- Sim... – respondeu evitando olhar para ele
- Essa é mentira, de longe a mentira mais impossível que eu já ouvira – ele respondeu ainda rindo
- Não ria de mim, não fui eu que as inventei – ela disse com um leve tom de constrangimento em sua voz. E ele não respondeu, até que algo tomou conta de sua mente
- Você anda com quem mesmo? – ele perguntou ainda com as mãos nos bolsos
- Com a , e – disse, suas palavras saíram como num jato
- E anda se divertindo com eles? – perguntou sem olhar para a menina ao seu lado
- Claro... Eu acho que sim – nunca havia parado para pensar sobre isso
- Chegamos – disse fingindo ter ignorado a resposta dela
- Onde? – desviou o olhar dele e olhou para frente, e deparou-se com sua casa, ela estava tão envolvida na conversa que nem passou pela sua cabeça perguntar aonde iriam, ou parar para prestar atenção para onde estavam indo, ela o olhou de novo e encontrou seus olhos que faiscavam ao olhar para ela, naquele olhar ela percebera que suas pupilas eram dilatadas e tomavam quase toda a sua íris. Ela não conseguia desviar o rosto, estava totalmente hipnotizada por aqueles olhos brilhantes. Ele afastou a cabeça um pouco para trás e franziu a testa
- Você não vai entrar? – perguntou olhando para a casa, parecia estar avaliando os estados críticos da casa de
- Estou indo – ela virou a cabeça em direção à porta e andou até ela, abrindo-a, dando uma breve olhada para o garoto que estava ali parado e finalmente a fechou. Quando ela já estava dentro de casa, olhava fixamente para frente, estava ainda um pouco zonza, mas ela não se conteve, correu até a janela para vê-lo indo embora lentamente como sempre andava. Mas ao olhar pela janela, não vira nada além de árvores e uma estrada que seguia até onde ela não conseguia enxergar. Ele havia sumido em uma fração de segundo.
's POV
"O parece um bobo com aquela menina. Ela vai ser como todas as outras, no final vai fugir. Não vai agüentar sobreviver com a pressão que a nossa raça traz. Todos eles são assim..."
- Capítulo quatro
Na semana seguinte, parecia segui-la, causando surpresas cada vez mais inesperadas. Aparecia do nada, para lhe dizer um simples bom dia ou para torturá-la com aquele sorriso constante (agora) e, por incrível que parecesse, exatamente depois da aula em que ela pensava nele. Evitou pensar nas feições para que ele parasse de segui-la, mas era impossível. Chegou a pensar algumas vezes que ela estava delirando. Mas agora pareciam estar mais amigos do que ela um dia imaginou possível. Parecia até perigoso, mas ela gostava da idéia.
- – a esperava depois da aula de biologia em frente ao seu armário. – Vim te fazer uma pergunta.
Ela não conseguiu evitar o sorriso. Possíveis perguntas impossíveis de serem feitas por ele àquela hora passaram pela cabeça dela, deixando-a tonta.
- Faça – respondeu.
- Eu não vou aceitar não como resposta, ok? – disse ele com um sorriso no canto dos lábios.
- Hm... – pensou ela e antes que ela respondesse, ele fez a inesperada pergunta
- Você aceitaria ficar comigo no intervalo de hoje? – perguntou ele cordialmente, enquanto dava um sorriso misterioso.
"SIIM!" gritava ela por dentro. Quando finalmente voltou ao mundo real, ainda perdida nos olhos dele, respondeu.
- Adoraria, mas eu estou andando com um pessoal e eu não queria deixar eles sozinhos.
- Chama eles! Minha turminha vai estar lá. Se você decidir, você sabe onde a nossa mesa fica. – respondeu .
- Tudo bem. Eu vejo com eles. – ela sorriu e seguiu seu caminho.
- ! Com a turminha Stanford? – berrou .
- É! Eles são legais. Pode confiar – respondeu ela ao mesmo tempo em que pensou que nunca tinha falado com os outros Stanford. – É apenas um convite, talvez devêssemos aceitar. O que tem de mal nisso?
- A tem razão. O máximo que pode acontecer é a gente conhecer novas pessoas. – concordou .
e se entreolharam, mas por fim aceitaram. Seguiram pelo corredor até chegarem ao pátio, onde logo fora puxada pelo braço por .
- Aceitaram? – perguntou ele olhando os amigos de .
- Sim – respondeu. – Oi. Eu sou e esses são e .
Eles deram um aceno com a cabeça, ainda meio desconfiados.
- Prazer. Stanford. Amigo da .
A expressão "amigo da " fez a menina estremecer dos pés à cabeça. os guiou até sua mesa tentando puxar assunto e quebrar o gelo. Seus irmãos o esperavam, incrédulos. "Ele está exagerando" pensaram eles.
- Oi. Eles vão sentar com a gente hoje. – disse . – Esses são a , , e .
Ele parecia feliz em tentar fazer novas amizades, mas a princípio, só ele. , e pareciam ser mais anti-sociais que o irmão. fora a mais educada e fez um esforço para murmurar alguma coisa.
- Hm... Oi.
Os outros não disseram nada, só observaram a cena.
, , , , e conseguiram ter uma conversa agradável, na verdade, considerável. e não gostaram da presença, mas não conseguiram conter os risos com a palhaçada de e . Passados dois meses, ambos os grupos se soltaram mais. Não eram amigos ainda, mas nada que não pudesse ser consertado com o tempo. O pensamento de de que tudo daria certo no final foi mudado após o dia primeiro de maio. Os irmãos Stanford pareciam estar mais frios e distantes agora, com exceção de ; isso fora constatado por e já que as poucas vezes que ocorreu deles passarem o intervalo juntos no mês de abril, e sempre saíam da mesa assim que eles se sentavam, e algumas pouquíssimas vezes foram seguidos por . Mas eles preferiam ignorar. Talvez fossem problemas familiares. caminhava pelo corredor de armários e ao ir embora viu os Stanford discutindo no corredor vazio à frente. Estava atrasada para a aula de História, mas ao mesmo tempo curiosa com o que poderia ver. estava encostado na parede encarando os irmãos que estavam de frente para ele.
- Você tem noção de onde você está se metendo? Melhor, onde você está metendo a gente? – não falava alto, mas o doce timbre de sua voz soava com raiva. Uma raiva que penetrava os olhos do menino e deixava sem palavras.
- Você já parou para pensar se eles descobrirem? A União mata a gente! – dizia apavorada, mesmo tentado parecer calma. não conseguia dizer nada, ambos os lados estavam errados e certos ao mesmo tempo; só estava ali para evitar algo pior.
- Eu sei que eles não são como vocês imaginam, ok?! Não são perigosos! – berrou na defensivo, seus olhos faiscando – Ninguém vai fazer nada só porque estamos falando com a raça deles.
Raça? que estava no corredor ao lado ouvindo tudo, tentou pensar se tinha algo em comum entre ela, , e que normalmente causaria algum tipo de preconceito e que "união" seria essa. Enquanto pensava, se distraiu com a conversa (e com o resto do mundo). Assim, não notou que seu professor "preferido" vinha dando passos lentos e silenciosos atrás dela. O professor Mark, de Literatura tinha a incrível mania de aparecer no pior momento possível.
- Xeretando alunos também? Você não se contenta com o resto da diretoria mesmo não é?
Mark tinha uma raiva mortal de desde o primeiro ano de , quando a menina o ajudou a consertar um erro na sua prova, entrando na diretoria e arrombando seu armário. Era verdade que a ficha dela não era totalmente limpa (nem ao menos chegava perto), mas aquilo soou como uma provocação. Os Stanford pareceram ouvir o professor, se assustaram e saíram pelo corredor para a sua próxima aula.
Naquele dia, convidou a turma de e ela para passar o intervalo com ele e os irmãos. imaginou que ele estivesse tentando provar que aquilo que disse aos irmãos não era mentira. Ela ficou um pouco desconfiada, mas seguiu os amigos, até por não ter comentado nada com eles. Eles se sentaram à mesa e dessa vez ninguém se levantou ou disse alguma coisa desagradável. Com alguns minutos a conversa fora fluindo de uma maneira mais fácil do que costumava ser, mas pelo que observou, continuava sério e parecia mal-humorado, o que a impedia de rir muito.
Com o tempo ela também foi ficando séria e fixou seu olhar no relógio que estava na parede atrás de . Parecia estar em outro mundo quando uma guerra de comida começou entre os que ainda conversavam. Acordou de repente, quando jogou um pedaço de pizza em seu rosto com a ajuda de um garfo. Ela levou um susto.
- Seu animal! – berrou com uma cara divertida.
, e riam da cena, mas os quatro irmãos pareciam anestesiados, incrédulos, quando ela parecia ter dito algo imperdoável e absurdo. , e olhavam com raiva para , que estava em estado de choque.
- Eu não te disse? – perguntou . saiu da mesa, parecendo ser a mais irritada e, dessa vez, fazendo ficar preocupado e sair atrás dela quando foi seguido pela última irmã à mesa.
observou eles saírem do refeitório sem dizer uma palavra. ficou preocupada:
- Eu disse alguma coisa?
- N-Não. Desculpe. Eu preciso ir atrás deles.
- Não tem problema – apoiou . saiu do local e ela tentou acalmar a amiga. – eles foram educados com muita severidade, talvez achem que somos falsos como o resto da escola por dizer coisas que todos dizem.
- Não tive a intenção. Eu não sabia, juro! – se defendeu.
- Eu falo com ele depois. Eles vão entender – retrucou .
Ela não vira os Stanford naquele dia, para poder defender a amiga. E depois só fora se lembrar do assunto dois dias depois, quando viu sozinho sentado no chão em um corredor vazio. Ele estava com a cabeça apoiada nas mãos. Ela tinha quinze minutos livres antes de entrar na aula e foi falar com ele:
- Oi
- Oi – ele respondeu com uma voz rouca que a arrepiava.
- Você tá bem? – perguntou ela preocupada olhando para ele.
- Sim...
- Então por que você tá assim? Sozinho, abandonado num corredor vazio e nessa posição? – insistiu ela.
- Dor de cabeça e falta de vontade de comparecer à aula de matemática. Satisfeita? – respondeu ele com uma voz irônica. Olhando seriamente para ela.
- Nossa, que estresse! Foi só uma pergunta. Mas, já que você prefere, eu vou deixar você aqui sozinho. – respondeu ela enquanto se levantava.
- Não foi isso que eu disse! – ele berrou, se pondo de pé e a encarando. Ele viu que os olhos agora demonstravam raiva e tentou se redimir. – Olha, eu não estou num dia bom para você ficar se fazendo de vítima.
- Você falhou se estava tentando se desculpar. – disse ela. Ele suspirou impaciente.
- Desculpa te decepcionar, mas os "animais" também têm dias ruins, sabia? – ele retrucou fitando-a, imaginando que seria impossível ela saber de alguma coisa.
Ela franziu o cenho, incrédula que eles tivessem se ofendido com algo tão inofensivo.
- Você é mesmo... Inexplicável! Todos vocês são! Se ofender com uma coisa tão boba! Você conhece a , sabe que ela não ia dizer alguma coisa para ofender vocês!
- Se não seria capaz, por que fez? – ambos estavam muito irritados.
- Ela não fez nada! Não vou admitir esse seu showzinho barato.
Ele não continuou, fazendo o silêncio pressionar seus ouvidos. Ele olhou fixamente para ela e depois para a janela.
- Pensei que vocês fossem diferentes! Que pelo menos você fosse. – pela primeira vez na discussão, um deles falara baixo. dera o golpe mais baixo para nocauteá-la. Ele passou por ela, dando um leve encontrão de ombros e seguiu seu caminho.
's POV
"Eu realmente achava que eles podiam ser diferentes dos outros, não queria acreditar no que o tinha falado pra mim, eu não sei se eu exagerei mas com tudo isso acontecendo, acabei perdendo a calma."
- Capítulo cinco
andava de cabeça baixa, chutando uma pedrinha que havia encontrado no chão, ele sabia que tinha que fazer o que a União mandava, mas de algum jeito, ele não conseguia aceitar a idéia de ter que deixar de falar com .
- ? – perguntou olhando para o irmão
- Oi – respondeu o garoto desanimado
- Eu preciso conversar com você.
puxou o irmão até um banco, fazendo-o sentar enquanto ela o olhava desanimado
- Hey, escuta – disse a garota agachando em frente ao irmão, que por sua vez apenas levantou o olhar em direção de - Eu sei que você ta bravo com o fato do ter perdido a cabeça, sei que também não ajudei muito me retirando da mesa... Mas, não se deixe levar com o que o e a dizem, por favor . Você é aquele que nunca se influencia! Eu te conheço há muito tempo já, e eu nunca te vi assim, por favor, me perdoa ok? Eu só quero que você faça o que você acha que é certo, independente de nós três. – fez uma pausa para respirar e observar a reação do menino
- , ta tudo bem...
- Tem certeza? Você me perdoa? Não quero te ver assim...
- Eu vou fazer o que me mandam, não quero mais atrapalhar os planos da família, eu estaria colocando ela em perigo
- Você vai se afastar deles? – perguntou abaixando a cabeça
- Pelo bem dela – respondeu olhando para cima, fechando os olhos e soltando um suspiro. se levantou, olhou pela ultima vez o irmão
- Você que sabe, , eu sei que o que você fizer estará certo – começou a andar
- ! – gritou , fazendo a menina se virar para ele - Obrigado.
- Você tem o controle, e eu te apoio – disse ela enquanto continuava a andar.
No dia seguinte, estava sentada ao lado de . O garoto estava quieto, parecia que tinha alguma coisa o incomodando, mas ela não quis perguntar o que havia acontecido, ela achava que já tinha causado problemas demais aos amigos. E também não queria quebrar o silêncio, já era um milagre ficar calado, então ela quis desfrutar do momento único. Quando chegou, sentou-se ao lado dos dois amigos, não conseguia falar nada e nem que não havia dito uma palavra em todo o tempo em que eles estavam sentados ali. O dia passou rápido, não conseguia se concentrar nas aulas, como de costume. Mas agora sua desatenção era mais intensa, na primeira aula, não estava durante os primeiros vinte minutos da aula, estranhou, mas mesmo que ele estivesse lá, ela não poderia falar com ele. Não depois do que havia acontecido no dia passado. Faltava apenas meia hora para a aula acabar e entrou na sala, elegante como sempre. Prendendo a atenção de por longos segundos, ele se dirigiu até a mesa do professor, colocou um papel sobre a mesa e sussurrou algo que ela não conseguiu entender para ele. Aparentemente, o único lugar vazio na sala era a cadeira que se encontrava ao lado de . Quando se deu conta disso, se afundou na cadeira olhando fixamente para as mãos que estavam juntas, sobre a mesa. se sentou ao lado da garota, mas mantendo o máximo de distância possível, ele não a olhava e nem sequer percebia que ela estava ali, ou pelo menos sabia fingir muito bem. Na segunda aula, encontrou sentado ao seu lado, ele preservava o mesmo silêncio que ela encontrara hoje de manhã. No almoço eles se sentaram longe dos Stanford, quando se deu conta, não estava em sua mesa, apenas havia e que conversavam calmamente, também estava ausente. Voltando para casa, andava lentamente pelas ruas, ela não estava com vontade e nem disposição para andar, ela tinha que chegar rápido em casa, porque mais tarde do mesmo dia ela havia marcado de dar uma volta pelo centro da cidade com sua mãe. Emmet estava tão animada em sair com a filha, que tentou não demonstrar desinteresse, afinal, era a primeira vez que Emmet iria mostrar a cidade à ela. chegou em casa, fez sua lição de casa (com muito desânimo) ela sabia que havia muitas respostas erradas no questionário que o professor havia passado, mas ela não se importava. Comeu alguma coisa, tomou banho e estava pronta para sair com sua mãe. esperava impacientemente Emmet, sentada em uma das cadeiras da cozinha vazia. Ela tentava resgatar um pouco do seu ânimo, que havia desaparecido quando ela discutiu com no dia anterior. Sua mãe finalmente chegou em casa, cumprimentando a filha com um beijo no topo da cabeça Emmet avisou que só iria trocar os sapatos, pois não queria ir ao centro da cidade de salto alto de jeito nenhum, e concordou calmamente. Quando entrou no carro, sua mãe a olhava com uma expressão curiosa que ela não conseguiu decifrar.
- Você está bem? – perguntou Emmet a fitando
- Estou sim mãe... Por quê?
- Olha, se quiser, a gente adia esse passeio... Para outro dia, não tem problema – murmurou Emmet
- Não, mãe, a gente combinou hoje! A senhora estava esperando por isso a semana toda, e eu mal posso esperar – mentiu
Emmet retirou o carro da frente da casa e dirigiu em direção à cidade, no caminho elas trocaram alguns pontos de vista sobre as árvores e sobre o céu, que por sua vez tinha muitas nuvens. Chegando à cidade, saiu do carro com o menor ânimo possível, mas sempre preservando o sorriso forçado, para que sua mãe não desconfiasse que ela não queria ir. Depois de um tempo de caminhada, já estava cansada de andar e de saber sobre os monumentos históricos da cidade, a única coisa que ela havia realmente se interessado fora pelo bondinho, muito antigo por sinal, que vagava pela cidade cambaleando sobre os trilhos.
- Querida, eu vou ali naquela loja de móveis ver se tem alguma mesa de centro para a sala, a nossa mesinha de centro está totalmente acabada – disse Emmet apontando para o outro lado da rua
- Ah, claro, mãe... – retrucou
- Pode ficar aí se quiser, eu não me importo, aliás, para vocês jovens não deve ser muito divertido ver móveis em liqüidação – Emmet sorriu
- Certo – concordou , enquanto olhava sua mãe atravessando a rua e entrando na pequena loja de móveis.
estava sentada no banco onde sua mãe a deixara há mais de meia hora, e ela estava começando a ficar preocupada "Será que minha mãe se perdeu? Ora, quantos anos ela tem afinal?", pensou consigo mesma. A menina se levantou do banco olhando fixamente para o chão, quando ela levantou seu rosto, logo fitou alguma coisa... Ou melhor, alguém. Era que andava calmamente do outro lado da rua, não conseguiu se conter e correu sem olhar para os lados, em direção do garoto
- ! – gritou atravessando a rua, mas a menina não se deu conta de que aquele velho bondinho estava passando pelos trilhos em direção à ela. olhou para a garota assustado, e como num flash estava a abraçando forte. O garoto se virou de costas para o bondinho, ainda abraçando a garota fortemente. O bonde se chocou com as costas de , amassando totalmente a frente do velho bonde, por sua vez não tinha nenhum arranhão, nenhum hematoma. Ele estava ileso da batida.
' POV
"Tipo... Eu to sem palavras. Acho que aquele menino conseguiu deletar tudo que tinha dentro da minha cabeça. Hm... Ah! Lembrei, o episódio do bonde. Aquilo foi real? Ou eu estou delirando de novo? O negócio começou a fazer um barulho estranho em cima da minha cabeça, mas aquilo era tão velho! Como eu ia saber que ia cair? Eu tava gritando o nome dele porque eu realmente não conseguia mais ver o bravo comigo! Eu já tinha sido estúpida a ponto de achar que já era íntima o suficiente para fazer drama. Aliás, que drama ridículo e idiota! Eu não suportaria não ver aquele sorriso na minha direção outra vez. Não sabia como, mas eu queria me redmir com ele. Gritei seu nome e no segundo seguinte senti sua pele e seu cheiro me envolvendo num abraço, o melhor que já recebi na vida.
Abri os olhos e vi o bonde amassado na minha frente e de relance, mas ele sumiu antes de eu sequer piscar os olhos. Eu teria morrido se não fosse por ele... Chega a ser ridículo o jeito que ele me faz sentir... Espero que agora esteja tudo bem!"
- Capítulo Seis
Segunda-feira foi bem tranqüila e tentou não pressioná-lo durante a aula, mesmo dando sinais de que ainda queria sua amizade (ou pelo menos, a oportunidade de agradecer).
Ele a testava sendo grosseiro, para ter certeza do que ela queria. Mas em seu interior ele sabia que ela era diferente, não se assustara. Durante a aula de química trocaram algumas palavras sobre a matéria, mas ele ainda parecia bravo.
Por sorte, saiu atrasada da aula no intervalo e conseguiu achá-lo sozinho enquanto o refeitório lotava. Ele terminava de guardar o material e ia saindo quando ela teve coragem de chamá-lo para uma conversa:
- , espera! – ela gritou enquanto socou as coisas dentro do armário e o fechou com violência, fazendo ele se virar para fitá-la. – Olha, eu fui uma idiota agindo daquele jeito, tá legal? A última coisa que eu queria era ter te ofendido. Não precisa nem falar nada, só quero que você ouça ok?
Ele assentiu e ela continuou:
- Eu não agüento te ver assim comigo, saber que eu fiz uma grande besteira e tal... E que mesmo assim você me salvou – lembrou ela quase em um sussurro – Eu não estaria aqui hoje; se você não quiser aceitar meu pedido de desculpas, pelo menos aceita o meu eterno agradecimento. – Havia divertimento em sua voz na última frase. Mas se tornou séria rapidamente - Obrigada por ter salvado a minha vida.
O olhar dela vacilou e por um segundo ela achou que ia chorar, mas segurou; não gostava de parecer frágil ou alguma coisa do gênero. Ele deu dois passos em direção à ela para ficarem um pouco mais próximos.
- , eu achei que você fosse diferente. Me magoou ver você agir daquele jeito.
Ela sentiu um aperto no peito.
- Então por quê? Quer dizer, por que me salvou?
- Eu tava com raiva de você; não precisava deixar você morrer só por isso. – ele a olhou com cara de que aquilo era óbvio. Ele a viu se esforçar para fazer uma pergunta do tipo "Como você fez aquilo?". – Não me pergunta mais nada. Por favor.
- Obrigada de qualquer forma. Independente de como você conseguiu. – ela sorriu, fazendo-o abaixar a cabeça com timidez.
- Não foi nada.
- Então, você vai me perdoar? – perguntou ela enquanto se aproximava para olhá-lo nos olhos.
- Acho que ninguém vai morrer se eu te der mais uma chance. – ele curvou levemente os lábios, ainda um pouco tímido. Ele nunca fora um amigo importante na vida de uma pessoa, como parecia ser na dela.
- Obrigada. Era importante pra mim essa sua decisão. – Ela não se conteve e o abraçou. Ele estranhou de início e não sabia o que fazer, mas retribuiu, fechando os braços em volta dela por fim. Ela se afastou dele e sorriu – O pessoal deve estar me esperando.
- Ok. – ele estava meio rosado e a acompanhou até o pátio, onde se separaram por causa das mesas.
chegou a sua mesa mais sorridente do que na última semana. percebeu, mas não comentou nada; já sabia o que era. Ela e , tinham entrado juntos no refeitório; qualquer coisa ela perguntaria na aula de matemática.
e brincavam com bonequinhos idiotas desenhados no dedo enquanto as meninas riam.
- Oi. Você vem sempre aqui, gatinho? – dizia o bonequinho de com uma imitação ridícula de voz de galã de novela mexicana.
- Você é gay?! – perguntou incrédulo olhando para , .
- Eu não, o meu bonequinho! Dããããar! – disse
- Ah tah. – respondeu pensativo – Venho sim. Quer meu número?
O bonequinho no dedo de tinha uma vozinha aguda e irritante.
- Nossa! Como você é atrevido! – disse quando conseguiu parar de rir.
- Shiu! Não interrompe a arte! – pôs o dedo sobre a boca indicando silêncio para as duas e continuou – Quero sim. Você é muito sexy. Pega eu!
Cada palavra nova elas riam cada vez mais. as observava de sua mesa. o olhou sério:
- Você fez as pazes com ela?
- Uhum – respondeu.
Seus irmãos, exceto , pareceram não gostar muito da resposta. Mas antes que pudessem começar a discutir, o sinal bateu indicando o final do intervalo. Eles se levantaram e seguiram para a sala. teria aula de matemática com . Ao entrar na sala, o professor logo pediu para que formassem duplas.
Depois de terminarem o exercício, começou a perguntar:
- Você fez as pazes com o , né? – a amiga abriu um sorriso contagiante. retribuiu.
- Sim. Estou me sentindo bem melhor agora. – Ela pensou em contar à amiga o episódio do bonde, mas não conseguiu; preferiu deixar entre eles.
Ela fez inúmeras perguntas sobre cada detalhe da conversa e, embora tentasse não demonstrar, se sentia feliz em reviver o momento em que ela o abraçou. A aula passou bem rápido e logo teve que trocar de sala.
Sua próxima aula era de Literatura. Não tinha muita pressa de entrar na sala de Mark, mas era o jeito. Ela ignorou o ser repugnante na frente da lousa, mais conhecido como professor. Sentou-se no fundo da sala e, enquanto os outros alunos se sentavam, ligou o iPod e começou a ouvir suas músicas de cabeça baixa. Quando se lembrou de levantar a cabeça novamente, viu a pessoa que prendia sua respiração entrar na sala. Ela tirou o fone do ouvido e prestou atenção ao que o professor dizia pela primeira vez.
- Olá. Parece que você foi transferido para a nossa sala, não é mesmo, Sr. Stanford? – ele fez uma pausa – Bom, bem-vindo. Pode se sentar.
O menino passou os olhos pela sala e percebeu que só havia dois lugares disponíveis. Ao lado do nerd asmático Dave, logo na frente da sala, e atrás de , no fundo. Ele suspirou impaciente e jogou sua mala no chão e sentando-se na cadeira vazia atrás dela. Ela não o olhava mais, estava irritada com ele, afinal. "Por causa da frescura dele, e brigaram", pensou ela. Seus pensamentos foram interrompidos por Mark.
- Sr. Stanford, se não se importar, posso lhe perguntar por que foi transferido de sala? – o professor falava casualmente, mas havia desdém em sua voz.
- Não – respondeu seriamente. – Desculpe, senhor, mas eu me importo sim. Claro que pode perguntar à secretária, se desejar.
A sala se encheu de gargalhadas e, embora não quisesse, os acompanhou. Depois de alguns minutos, com a cara amarrada do professor, a aula começou. não tinha o mínimo de paciência com literatura e ficou batendo a caneta impacientemente na mesa.
- Você poderia parar, por favor? – perguntou irritada.
- Não. – Ele a olhava com raiva.
- Qual é o seu problema?! Não sei até hoje o que eu te fiz. – perguntou ela.
- Nada.
- Então por que você é tão estranho comigo? Nunca foi com a minha cara desde... – a lembrança do "animal" viera à sua cabeça – você é assim por causa de uma palavrinha inocente daquelas?
- Inocente?!
- Rá. Eu não acredito nisso. – ela balançou a cabeça negativamente, incrédula – Você tem quantos anos afinal? 17 ou 2?
- Não é da sua conta! O problema é meu ok? Agora vira pra frente que você está me incomodando.
As pessoas do fundo agora começavam a olhar os dois discutindo.
- Isso é uma ordem? – ela franziu o cenho, falava mais alto agora e parecia não acreditar no que ele dizia a cada segundo que passava. – você só pode estar brincando.
- Eu realmente odeio ter que interromper seu chilique, mas já tem gente demais olhando. – ele dizia calmamente, mas a raiva ardia em seu rosto.
- Dane-se. Olha garoto...
- Parem – o professor interrompeu. – Os dois para fora.
olhava para ela como se fosse matá-la com o olhar. Ele se levantou e saiu. Depois de alguns segundos ela saiu com raiva derrubando a cadeira em que se sentava.
Preferiu sentar no chão do que na cadeira ao lado dele. Ficaram uns dez minutos sem pronunciar uma só palavra. Até que ela pigarreou e recomeçou:
- Ok. Talvez a culpa seja minha. E-eu não queria ter xingado o seu irmão. Desculpa. – ela não o olhava.
- Não tenta se desculpar. As coisas podem piorar. – ele falava baixo demais para ser uma provocação. Sua cabeça estava baixa quando ela o olhou. Mas logo em seguida ele tornou a olhá-la e indicou a cadeira ao lado dele com a cabeça – Senta aqui. Não é agradável ficar no chão.
Ela foi se sentar ao lado dele, mas permaneceram em um inquebrável silêncio até o sinal bater novamente.
No final do dia, estava cansada e indo embora para casa quando um carro parou ao lado dela.
- Entra. Eu te levo em casa – era .
- Não precisa. Obrigada. – ela respondeu com um sorriso.
- Por favor? – ele insistiu.
- Está bem. – ela suspirou. Entrou no carro e respirou pesadamente, cansada. Ela observava a paisagem ao redor deles que ela nunca parara para prestar atenção. Bolton era realmente bonita.
- O que você está olhando? – perguntou ele
- Nada. É que eu nunca parei para observar a paisagem.
- Hm... Há males que vêm para o bem. – ele disse mais para si próprio que para ela.
- Mal? Você? Só pode estar brincando, não é?
- Talvez. – ele parecia distante
- Você só podia ser do mal se não fosse normal. Ou tivesse uma dupla personalidade ultra-secreta. – ela riu com o próprio comentário.
- E se for isso? – ele a olhou
- Aí eu terei que descobrir, certo?
- Certíssima.
- Posso? – ele a olhou intrigado – Tentar descobrir quem é você.
- Tente. – ele deu um sorriso malicioso. Parou o carro em frente à casa dela.
- Terei que fazer alguns testes. Me veja amanhã na praia. Em frente ao Becky’s Bar. Depois do almoço. – ela saiu do carro e piscou para ele.
- Ok. Até amanhã.
Ela observou o carro dele ir embora e só depois entrou em casa. O dia seguinte passou voando e ela correu para ir se encontrar com ele na praia. O dia, por sorte, estava quente. E para total surpresa dela, ele já a esperava.
- Você está atrasada. – disse ele.
- Desculpe. Vamos começar os testes?
- Claro. – ela seguiu em direção à areia, mas antes de descer, sentou-se no "calçadão", tirou o tênis e o olhou parado em pé ao lado dela. Tomou a iniciativa e desceu, sentindo a areia fria e úmida tocar seus pés.
- Você não vai descer? – ela olhou com cara de anjinho para ele.
- Não. Não gosto de areia. É uma sensação... Estranha. – estranha era a cara dele enquanto dizia.
- Eu vou mesmo ter que te forçar a descer? – ela sorria maliciosamente enquanto ele gargalhava.
- Se você conseguir – disse ele ainda rindo. Ela pegou a mão dele e o puxou de uma vez para a areia, mas nada aconteceu. Tentou puxar com mais força dessa vez, enquanto observava a paisagem, ignorando-a.
Quanto mais ela lutava para puxá-lo para baixo, usando toda sua força possível e até deixando seus dedos vermelhos, mais ele parecia não se importar, bocejando ou olhando a paisagem e as horas a cada tentativa inútil dela. Até que, por fim, a menina se sentou na areia e suspirou.
- Desisto. – disse ela enquanto pensava em "super-força".
a olhou e sorriu para ela e logo em seguida desceu ao seu encontro.
- Sem graça! – ela disse, se levantando. – Bom, vamos começar?
- Sim, senhora super forte.
"Ele lê meus pensamentos? Ou isso foi uma provocação?", pensou ela.
- Muito bem... Tire a blusa, por favor.
- Quer que eu tire a blusa? – ela assentiu – Isso é um teste? Parece algo do tipo assédio.
Ela o ignorou e por fim ele tirou a camiseta. Seu corpo era musculoso como o de estátuas de deuses gregos. Ela ficara olhando fingindo não achar grande coisa, mas estava tonta. "Por favor, respira! , respira! Não morra na frente dele. É humilhação demais." Ela tentava organizar seus pensamentos.
- Achou alguma cicatriz de nascença que mostre alguma coisa? Do tipo bem anormal? – perguntou ele, se esforçando para não rir; causara exatamente o efeito que queria.
- Erm... Não, ainda não. - ela engoliu em seco e depois abaixou a cabeça. Foi para trás observar suas costas. Se precisasse, olharia mais à vontade. Começou a olhar suas costas igualmente musculosas e sentiu o ar faltar. Observou cada detalhe de seus ombros e recomeçou a falar antes que ele concluísse algo a mais. – Por favor, abra os braços.
Ele obedeceu. Péssima escolha. Ele era perfeito; fora a única coisa que ela conseguiu concluir. Percorreu os olhos pela lateral de suas costas e voltou ao centro; desceu o olhar para um lugar mais perigoso, localizado abaixo. Quando se deu conta, tinha soltado um suspiro e ele ria.
- E aí? Achou alguma coisa?
- Hm... Parece que você não tem asas. – fora a primeira desculpa que viera a sua cabeça.
- Achou que eu tivesse asas?! – ele parecia incrédulo.
- Uma possibilidade. Bom, não temos nada de mais aqui. – se concentrou para conseguir pronunciar todas as palavras seriamente. puxou-a pelo braço, fazendo-a se virar e a encarou.
- Tem certeza? – ele perguntou sério. A menina tremeu.
- Tenho. – puxou se braço de volta e subiu de volta à calçada. Ele a seguiu, rindo.
- Falta mais alguma coisa? – perguntou ele impaciente. Mas a verdade era que estava achando divertido e talvez quisesse prolongar.
- Me deixa pensar... – de repente veio à sua mente a cena do bonde. A incrível rapidez. – Ah! Tire o tênis.
Ele se sentou ao lado dela e obedeceu. Ela fez uma cara estranha ao ver os pés dele.
- Eca! Seu pé é estranho! É sim, olha! Ele é torto! – ela apontava. Ele não agüentou, riu e ela o acompanhou.
- Quem você ta achando que é? Me traz na praia, lugar que eu odeio; manda eu tirar a blusa e o tênis, olha minha bunda e agora quer ter direito de criticar meu pé?
- Eu não olhei sua bunda! – mentiu , enquanto fazia cara de quem tinha sido ofendida. – Não acredito que você se ache tudo isso.
- Eu sou. – ele riu e a provocou – Agora fala que é mentira!
- Tchau. Eu vou para casa. – ela saiu bufando e batendo o pé.
- ! Volta aqui, eu te levo em casa – berrou
- Eu posso muito bem ir a pé, obrigada. – teimou ela.
- Eu vou ter que te forçar? – olhou ele, erguendo uma das sobrancelhas.
- Pode tentar! – ela se virou para encará-lo com desdém e cruzou os braços. Ao se aproximar dela, a jogou por cima do ombro como um saco de batatas enquanto ela lhe dava soquinhos insignificantes nas costas. Voltou-se para o carro e a colocou no banco do carona.
Ao ir para o banco do motorista, a viu pondo o cinto, com o rosto transbordando de raiva. Olhou-a e disse:
- Você disse que eu podia tentar! – seu rosto se iluminava em um sorriso cintilante.
's POV
"Cara, essa menina, , acho... Ela conseguiu me irritar, e ninguém me tira do sério. Eu fui para fora da aula por sua causa, e eu não quero repetir essa cena de novo. Eu não conheço muito bem a , mas se ela for parecida com essa daí, ele que tome cuidado."
- Capítulo sete
Atenção garotë!
Esse capítulo tem música, se você quiser deixa carregando já e boa sorte gatinha rs, quem sabe vocês se peguem nesse capítulo...: (You and me - Lifehouse)
No dia seguinte estava animado e curioso para saber o que planejava. “Você verá amanhã, será a sua segunda prova” – relembrava, essa frase parecia não sair de sua mente, ele balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos
- ? – perguntou fitando o garoto, com uma expressão indecifrável
- O-Oi...
- Nós estamos atrasados! O sinal bate daqui á dez minutos
- Desculpe, estava aqui... Pensando – ele respondeu abrindo um sorriso bobo
- Tá! Então pare de “pensar” se não nós nunca vamos chegar na escola á tempo de...
- Relaxa a gente já perdeu a primeira aula – ele interrompeu com um tom de satisfação em sua voz
- Ta! Então vamos no mínimo pra não notarem que nos atrasamos – ela respondeu rolando os olhos mas, ela também estava satisfeita por perder a sua primeira aula que seria de matemática.
Chegando na escola, eles se encaminharam para a secretaria, que era onde ficavam todos os “atrasados”. Abrindo a porta se deparou com umas cinco pessoas sentadas com um espaço “acessível” entre cada um. O banco velho e comprido da secretaria era em forma de "L" e contornava duas longas paredes. passou os olhos por toda a sala e encontrou algo que ele não tinha notado antes... E lá estava ela, de cabeça baixa como sempre. Um sorriso de alívio surgiu em seu rosto, ele não agüentaria muito tempo sem vê-la, mesmo que fosse o tempo de apenas algumas aulas, e também se sentia bem com a idéia de passar o tempo da aula com ela.
- Você está sempre atrasada?
levantou o olhar alguns centímetros mas, ela estava tão cansada que quase não teve forças para olhá-lo.
- Quase sempre – ela admitiu. Seu tom de voz estava diferente, parecia que a felicidade em ver o garoto lutava contra o seu cansaço excessivo.
- Dormiu mal essa noite? – ele adivinhou, sentando-se ao lado da garota.
- É... Um pouco... – ela encolheu os ombros
- Um pouco? – ele a olhava – Você quase não dormiu – respondeu se inclinando para frente para olhá-la melhor
- Como você...
- Quer dar uma volta? – ele a interrompeu, enquanto sorria, parecia estar rindo de uma piada interna.
- Só se essa durar mais tempo do que a última – tentou retribuir o sorriso, mas, não foi muito convincente.
- Mas eu pretendia só ir até ali fora... – ele apontou para fora
- Ah! Mas daí vai ser mais curta que a outra volta – Gabriela esperneou – Então certifique-me que você não vai sumir como da última vez... – ela murmurou olhando para os próprios pés
- Eu prometo que não farei isso de novo – ele a olhava com uma certa curiosidade indescritível em seus olhos. se levantou rapidamente, seus olhos estavam com um tom de topázio impossível de se encontrar, ele parecia estar calmo. fitou o garoto que agora estava estendendo a mão em sua direção, ela segurou a mão gelada como uma pedra e se levantou com a ajuda dele.
Parte 1 –
Ele me ajudou a levantar, e eu realmente não entendia porque ele queria ir até ali comigo, bem, não que eu não goste de andar com ele, muito pelo contrário amo caminhar ao seu lado. Dois passos até ali com ele, eu já estou feliz. Andamos até a grande porta dupla de vidro que tem na secretaria, chegando em frente a ela, ele abriu-a para mim e eu passei para o lado de fora, e lá estava o sol, sorrindo para mim. Eu fiquei ali, imóvel, até que suas mãos geladas tocaram a minha cintura me empurrando levemente e me fazendo dar uns três passos á frente.
- Se você ficar parada na porta, eu não vou poder sair, irei ficar preso aqui e a gente não vai dar uma volta – ele riu
- Desculpe – eu sorri fraco
- Já sabe para onde vai me levar hoje? Para a segunda prova? – me encarou, parado ao meu lado. Eu abri a boca para falar algo, mas, depois fechei-a de novo. Eu não tinha uma resposta.
- Ahn, acho que sim... Já tenho quase uma idéia formada – menti
- Interessante – ele olhou para frente. Ficamos ali parados por alguns segundos até que ele começou a andar lentamente. Antes que eu me desse conta ele já estava no meio do grande jardim da escola.
- Hey! Me espera – eu me ouvi dizer, corri desajeitadamente até ele, que estava me esperando parado no gramado.
Quando cheguei até ele, eu já havia caído algumas vezes e tropeçado em meus próprios pés. Antes que eu dissesse algo, ele me interrompeu.
- Eu disse que daríamos uma volta – ele me dirigiu um olhar tentador, e eu pude sentir um arrepio tomar conta de mim.
- E-eu sei... – gaguejei de nervoso, minhas mãos estavam suando, ele sorriu – Está curioso? – eu perguntei
- Sobre...? – estreitou os olhos
- A segunda prova – eu me animei.
- Claro – ele respondeu e acenou com a cabeça.
- Não senti firmeza nesse “claro” – rebati. Pude sentir seus olhos em meu rosto, então olhei para o chão, tentando não ficar vermelha.
- Você já pensou sobre mim? – continuou a andar, e eu tentei o acompanhar, mesmo ele dando passos leves eu senti dificuldade para acompanhá-lo sem tropeçar.
- Pensar sobre você? Em que sentido? – corei com a pergunta
- Em o que eu supostamente poderia ser... Tem alguma teoria?
- Você quer saber as minhas teorias? Por quê? – eu me surpreendi com a curiosidade repentina dele
- Gosto delas – parecia orgulhoso de si mesmo
- Tá... Então... – eu hesitei, tentando formular alguma teoria em minha cabeça, foi sem sucesso – Você, não caiu em algum tanque radioativo quando você era criança, não?
- Não, acho que não – ele riu
- Então... Você é algum tipo de anjo? – me senti ridícula
- To mais pra um demônio – ele bufou e rolou os olhos. Por um momento eu senti um pânico repentino, mas, ele logo sumiu quando me lembrei que eu não tinha medo dele.
- Mas, você não tem chifres... Quero dizer...
- Não disse que eu era um – ele me interrompeu, desviando o olhar para o outro lado
- Você está disposto a me explicar?
- Não, não antes das outras duas provas – ele me pareceu diferente quanto ao “claro” seco e sem graça que ele havia me dito antes
- Flores! – eu fingi que o ignorei, enquanto apontava para algumas flores que se encontravam um pouco mais á frente de onde estávamos. Eu saí andando um pouco mais rápido do que ele. Não demorou nem um segundo e ele já estava caminhando ao meu lado, me permiti em dar uma olhada em seu rosto perfeito, enquanto andávamos em silêncio, e percebi que ele estava segurando o riso. Antes que eu piscasse, ele estava parado na minha frente, me fazendo parar também. estava sorrindo, e com uma das mãos atrás das costas, quando a curiosidade me invadiu ele retirou a mão de trás das costas. Estava segurando uma flor, que em sua mão parecia tão pequena como uma formiga. Eu senti meu rosto queimar, e não consegui conter um sorriso, talvez o mais sincero que eu havia lhe dado esta manhã...
- Obrigada – eu me ouvi dizer. Estendi minha mão até a dele. Quando meus dedos tocaram nas pétalas da flor ele pousou a sua outra mão sobre a minha, prendendo levemente minha mão sobre as suas duas duras e geladas palmas. Ficamos parados, eu estava tentando imaginar no que ele estaria pensando, fazendo teorias, novas teorias.
- Desculpe – ele soltou a flor na minha mão, com movimentos rápidos, quase não pude vê-lo se movendo.
- Não tem problema... – eu disse, mas, minha voz falhou. Eu cheirei a flor, tentando não olhá-lo, ela tinha um cheiro muito agradável por sinal – Mas, como... – eu hesitei quando ouvi o som alto e estridente do sinal que vinha de dentro da escola – Hora de ir? – o olhei decepcionada, e ele acenou com a cabeça.
End parte 1 –
- Você tem que ficar de olho neles – Ethan disse baixinho sobre os ombros do irmão que observava por uma das janelas da escola e caminhando até a secretaria.
- Vou ficar – ele assentiu com a cabeça, estreitando os olhos na direção de – Vou ficar – ele repetiu um pouco mais baixo.
As primeiras aulas não agradaram muito , mas, ela já havia tido aulas piores. Ela sorriu consigo mesma, tentando se concentrar nos exercícios, ela não conseguiu nas primeiras tentativas. Quando finalmente conseguiu entrar no assunto a aula acabou. No intervalo sentou-se com , e , como de costume. Ela sentia-se bem porque a próxima aula veria que por sinal ela não encontrou no refeitório. se dirigiu até a sua sala depois do intervalo, sentando-se em seu lugar de sempre, esperando que ele chegasse, mas, ele não chegou. O professor entrou na sala e fechou a porta atrás dele.
- Bom dia classe – ele sorriu. rolou os olhos impacientemente e abaixou a cabeça esperando que a aula acabasse logo.
- Oi – uma voz famílias aos ouvidos da garota soou suavemente, a fazendoela levantar a cabeça. Era que estava sentado ao seu lado, na cadeira de .
- ? – ela parecia desconfiada – Você não tem essa aula agora... Tem? – ele riu com a pergunta.
- Não tinha... – ele se inclinou para o lado dela - Só estou aqui hoje por causa do professor, ele me obrigou a vir, para se certificar que eu iria terminar os exercícios que ele passou – ele hesitou, observando as expressões da garota – Achei que iria ficar sozinho, bem, em uma sala em que ninguém me conhecesse. Mas, vejo que agora não foi tão ruim assim... Bem, não será – ele sorriu.
Quando a aula acabou estava desanimada, ela teria que ir para casa, ou talvez se ela o achasse...
- ! – ela sussurrou, e tentou esconder um sorriso. O garoto estava encostado no batente da porta de entrada, com um olhar em sua direção. caminhou lentamente até ele, que parecia que a estava esperando á horas, mas, não havia nenhum traço de impaciência em seu rosto, estava intacto e perfeito.
- Onde você estava? – ela quis saber
- Já sabe pra onde vamos? – ele a ignorou, e ela o encarou confusa.
- Você... Quer dar uma volta pelos Alpes? – sorriu e apontou para as montanhas do lado esquerdo da larga paisagem que contornava Bolton.
- Ainda não entendi qual a finalidade disso – bufou enquanto dirigia em direção das montanhas.
- Não questione! Só dirija – riu
- Você tem certeza disso? – ele parecia desconfiado
- Claro! – ela confirmou balançando a cabeça. No mesmo instante o carro roncou.
- Vamos ter que ir a pé daqui – ele desligou o carro e saiu. Em menos de um segundo ele estava do lado do carro onde ela estava abrindo a porta.
- Por quê? – ela parecia surpresa quando saiu do carro que estava estrategicamente estacionado no canto da pista.
- Porque não quero forçar meu carro a subir tudo isso – fez um sinal com as mãos indicando a estrada de terra que começava um pouco mais á frente deles e seguia até o topo da montanha.
- Ah – tentou parecer compreensiva no tom de sua voz, mas, não foi muito convincente. Eles andaram até quase o topo da montanha, e o assunto não rendeu muito, parecia tenso, então ela evitou ao máximo tentar conversar. Ela fingiu estar interessada na paisagem que eles deixavam para trás a cada passo. avistou o topo da montanha onde havia uma árvore enorme, a grande árvore tinha grandes raízes que penetravam fundo a terra em volta. Mas, ainda parecia pequena na visão de onde estavam.
- Bem... – murmurou – me dê as chaves do seu carro – ela parou onde estava, se virando para e estendendo a mão.
- Por quê? – ele deu um quase sorriso.
- Me dê – repetiu desafiando-o.
- E se eu não quiser senhorita Cronwell? – riu, se aproximando da garota lentamente, olhando-a de cima – para parecer mais autoritário – mas, ele não parecia autoritário, e muito menos assustador –, pensava. Um sorriso apareceu em seu rosto, fazendo-o ficar mais bonito do que o “normal”
- Então terei que tirá-la de você.
- Pode tentar – ele entrou na brincadeira. A garota tentou pegar a chave que estava pendurada no apoio de cinto de sua calça, ele desviou com facilidade – Não vai ser tão fácil assim – ele riu consigo mesmo, o ignorou e continuou tentando pegar a chave, a cada tentativa ela chegava mais perto. ficou se perguntando se era ela que estava ficando mais rápida ou ele que estava deixando-a chegar mais perto das chaves. Até que ele alcançou as chaves.
- Peguei! – ela exclamou levantando a chave
- Ah não... – indagou em tom de falsa preocupação – E agora? – ele sorria
- Agora eu corro! – ela saiu correndo com a chave na mão. E ele ficou ali, parado por alguns instantes observando-a cuidadosamente, com um sorriso sincero nos lábios. Quando se moveu já havia alcançado a garota.
What day is it and in what month?
Que dia é hoje e de que mês?
This clock never seemed so alive
O relógio nunca pareceu tão vivo
I can't keep up and I can't back down
Eu não posso prosseguir e eu não posso desistir
I've been losing so much time
Tenho perdido tempo demais
- Agora, eu te peguei – ele agarrou por trás fazendo cócegas nela
- Não! Cócegas é covardia! – ela ria alto. E pela primeira vez ouviu o riso alto dele. Era uma risada tímida, suave e com certeza uma risada gostosa de se ouvir. De algum modo ela conseguiu que ele a soltasse, deu alguns passos á frente e balançou a chave, o barulho das chaves fez a olhar curioso.
‘Cause it's you and me and all of the people
Porque é você e eu e todas as pessoas
Nothing to do, nothing to lose
Com nada para fazer, nada para perder
And it's you and me and all of the people and
E é você e eu e todas as pessoas
I don't know why I can't keep my eyes off of you
E eu não sei por quê eu não consigo tirar meus olhos de você
Agora só faltavam alguns passos até a grande árvore, seguiu seu caminho até a árvore e ele a seguiu um pouco mais atrás. Parecia longo, mas, a cada passo, a cada minuto que ela andava, sentia-se bem por ele estar logo ali. Onde ela podia vê-lo, onde ela podia alcançá-lo, onde ela podia tocá-lo... Onde tudo o que ela respirava era ele, não importavam mais as árvores, a paisagem, as pedras... Nada mais, creio que só ele. Ela nem sequer saberia dizer á alguem que dia era, ou as horas. Nada mais...
All of the things that I want to say
Todas as coisas que quero dizer
Just aren't coming out right
Não estão saindo direito
I'm tripping on words, you got my head spinning
Viajando em mim mesmo, você deixou minha mente girando
I don't know where to go from here
Eu não sei pra onde ir daqui
Something about you now
Existe algo sobre você agora
I can't quite figure out
Que não consigo compreender completamente
Everything she does is beautiful
Tudo o que ela faz é bonito
Everything she does is right
Tudo o que ela faz é certo
Chegando no topo da montanha, se viu hipnotizada pela paisagem, altas montanhas que se localizavam em frente ao sol, que estava no alto do céu. Havia um rio que corria por entre duas montanhas, cortando-as pela metade dando a elas um brilho especial quando os finos raios de sol atingiam a água.
You and me and all of the people
Você e eu e todas as pessoas
With nothing to do, nothing to prove and
Com nada para fazer, nada para perder
It's you and me and all of the people and
E é você e eu e todas as pessoas e
I don't why I can't keep my eyes off of you.
Eu não sei por quê eu não consigo tirar meus olhos de você
What day is it and in what month
Que dia é e em que mês
This clock never seemed so alive!
Este relógio nunca pareceu tão vivo!
- ? – interrompeu o momento hipnotismo.
- Oi – ela indagou, tentando se lembrar o motivo de estar lá. Rapidamente se recuperou de sua fase passageira de esquecimento. por um momento a bela paisagem mas, logo de dispersou ao ouvir o barulhinho agudo que as chaves faziam quando balançadas.
- Essa é a segunda prova? – ele riu - Me fazer subir uma montanha?- mas, o barulho das chaves parecia incomodá-lo de algum modo.
- Não... – murmurou balançando as chaves, mais rápido para frente e para trás, e num impulso as jogou longe, fazendo-as sumir entre as árvores que estavam mais abaixo da íngreme ladeira coberta de verde. Ele seguiu as chaves com os olhos até elas sumirem.
- Tá doida? – ele estava cheio de falsas preocupações.
- Segunda prova... Pegue-as de volta – a garota sorriu. rolou os olhos impacientemente.
- Eu não o super man – ele riu e começou a descer pela montanha, em direção de onde ela havia jogado as chaves. Ele estava vagaroso, sem pressa nenhuma o atrapalhando.
Depois de uns quinze minutos ele voltou, com as chaves em uma de suas mãos.
- Demorou muito! – bufou enquanto se levantava do chão e olhava para o garoto. Ele chegou ao lado dela, que esperava com a mão aberta. Ele pousou as chaves sobre a sua mão – Tente ser mais rápido – ela disse e arremessou de novo as chaves, mas, dessa vez o mais longe que ela podia - Tente pegar antes de cair no chão – as palavras mal foram pronunciadas e um vento passou bruscamente ao lado dela. correu tão rápido que não foi possível vê-lo, ele apanhou as chaves antes delas caírem no chão e voltou para frente da garota.
- Foi antes de cair no chão – ele sorriu ainda animado, ele abriu a mão com as chaves para ela pegar – Jogue mais alto, o mais alto que você puder... Rumo ao horizonte – ele não havia saído da posição de corrida, estava com seu corpo inclinado para frente, seus olhos estavam rápidos. pegou as chaves, e as lançou o mais forte que podia na direção que lhe foi ordenada. Ele deu uns três passos rápidos para frente e pulou pegando a chave no ar. Fazendo uma poeira inusitada subir, deixando um círculo imenso de terra batida, funda, no chão em volta dele. E em meia respiração as chaves já estavam de volta em sua mão. Ela o olhou abruptamente, e depois voltou sua atenção no grande círculo formado no chão. se agachou, quase sentando na grama, passou seus dedos sobre onde acabava a grama e começava a terra batida, lisa, como se tivesse passado um rolo compressor alisando e amaciando a terra.
- Acho que não faço idéia de até onde o seu poder pode chegar – ela estava pasma e ele se agachou ao seu lado
- Vamos voltar? – ele sorriu amavelmente a fitando
- Vamos – ela pareceu desanimada
- Já está escurecendo... – ele apontou
- É... Acho que sim
- Se formos andando vamos chegar em casa de noite!
- Então você quer is como, então? Voando?
- Quase... – Ele sorriu malicioso
- Vo-Você tem certeza disso? – ela gaguejou enquanto a ajeitava sobre as costas
- Claro... Só vou te pedir uma coisa... – ele murmurou fitando o caminho de volta
- O quê? – ela parecia histérica
- Não me solte, de nenhum modo ouviu? Nunca. – ele deu ênfase ao nunca
- ... – ela sussurrou
- hm?
- Você não me deixará cair... Não é?! – a risada alta dele estremeceu a floresta, e então ele disparou. Ele resolveu ir por entre as árvores, só para aquilo ficar mais... Interessante. Ele passava tão rápido pelas árvores, que as paisagens pareciam ser apenas rabiscos.
- Vamos mais alto? – ele ofereceu
- O quê? – tentou parecer normal. Ele não ligou e deu um salto que alcançou um dos braços de uma das árvores.
“Morri” – ela pensou fechando os olhos, o silêncio pairou, embora nunca tenha existido entre eles. evitava falar sobre alguma coisa, mas, sobrava o som dos pés dele batendo nos galhos das árvores
- Já estamos chegando... - ele disse com um tom de divertimento em sua voz.
POV
“Ela está me surpreendendo cada dia mais, ela é excepcionalmente... Diferente.”
- Capítulo Oito
- SEEEEXTA FEIRA! – gritou estendendo a mão para tocar.
- Sexta dude! Nem acredito... Já tava na hora de uma folga – concordou dando um tapinha na mão do amigo.
- Vocês ficam felizes com pouco – disse olhando para os pés.
- Ah, vai... Sua nerd, só você mesmo pra gostar de estudar – disse balançando a cabeça.
- Hey ... É sexta, que cara é essa? – ignorou o tapa que havia levado de .
- Hm, eu não estou bem. – disse com uma mão na barriga e outra na boca.
- Vai vomitar? – perguntou se afastando um pouco.
- Acho que agora não...
- Como assim agora não? ... Você ta mesmo bem?
- Claro, claro – encolheu os ombros.
- Eu acho que eu vou te levar pra...
- Eu estou bem! – interrompeu o amigo.
- Tudo bem... – fitou o chão por alguns segundos.
- Vamos pra aula gente? – disse que agora estava ao lado de , seguida por .
- Vamos... – respondeu com um tom de desconfiança em sua voz.
- Vamos né? Fazer o que? – fez uma careta enquanto começava a andar junto com que já estava um pouco mais á frente.
- Você não vem, ? – se virou para a garota.
- Não... Eu vou ficar aqui por mais alguns minutos... Eu estou esperando alguém – respondeu ainda com uma das mãos em sua barriga.
- ? – rolou os olhos e deu um sorriso tímido e encolheu seus ombros – Claro... Nos vemos na aula, tá? Só não se atrase moçinha – O garoto sorriu e correu em direção á porta de entrada.
“Enfim sós” – pensou enquanto olhava em volta. Ela sentou-se em um dos bancos brancos da frente da escola para sua espera se tornar um pouco mais confortável.
Dez minutos se passaram e ela ainda estava esperando. “Certo... Já perdi a primeira aula.” – ela pensou se levantando e fitando a grande quantidade de árvores que haviam do outro lado da rua, todas amontoadas, uma mini-floresta como costumava chamar. E um vulto passou rápido entre as árvores, fazendo-as balançar. A criatura parou atrás de uma das árvores, parecia estar se escondendo de algo. olhou atentamente para o ponto branco que havia atrás de uma das árvores, com certeza o que havia ali não era uma pessoa... Pelo menos, não uma normal. olhou para os lados, e na rua não havia ninguém. O som do vento fez a copa das árvores balançarem de novo. deu dois passos instintivamente para frente, para poder ver melhor, quando uma pontada atingiu a sua cabeça. Uma dor de cabeça forte começou aparecer. Mas ela não tirou os olhos da criatura, a garota andou em direção ás árvores do outro lado da rua, seus olhos sempre fixos. Quando chegou ao outro lado pôde ver melhor a “coisa” que se assemelhava demais com um ser humano.
- ? – Ela chamou e um grunhido alto saiu de dentro das árvores e outra pontada a atingiu, essa mais forte do que a última, caiu no chão de joelhos, uma dor insuportável em sua cabeça a atingia agora. Ela se levantou de novo, caminhou mais para dentro das árvores, a criatura ficando cada vez mais perto, e sua cabeça quase explodindo, e então outra pontada ainda mais forte do que a última a atingiu, ela tentou ignorar dando mais alguns passos á frente, e uma última pontada a atingiu, seus joelhos tremendo agora falharam, sua visão começou a embaçar e os grunhidos que vinham do outro lado ficavam mais alto a cada segundo, e então tudo escureceu e o chão já não estava longe.
- ? Você ta acordada?
- Cala a boca ! E se ela não estiver?
- Ela tá quase abrindo os olhos , deixa de ser chata!
- Eu vou colocar vocês dois pra fora, parem com isso!
- Nossa o ta estressado hoje, não?
- , já chega!
- Certo...
- ? – perguntou segurando a mão da garota. abriu os olhos, um pouco tonta. Sua cabeça ainda, e doía muito mais do que ela já havia suportado em uma dor de cabeça normal, parecia que a cada respiração explodia uma bomba dentro dela.
- ? - a sua voz falhou e a sua cabeça doeu.
- Sim? – ele respondeu preocupadamente rápido.
- Onde estou?
- Ela acordou? Ah Graças aos céus! Obrigada meu Deus – Emmet disse correndo para o lado da cama onde a filha estava.
- Mamãe? – não conseguia ver direito pela luz branca que bloqueava sua visão.
- Estou aqui meu anjo – com a sua euforia Emmet acabou empurrando e pegando a mão da filha.
- Heeeeey! ... Desulpe – hesitou entre as desculpas.
- Mamãe, não seja rude – riu e depois afundou a sua cabeça no travesseiro.
- Oh! Desculpe meu anjo, desculpe garoto – Emmet disse olhando para .
- Onde estou, mãe? O que aconteceu? – ela perguntou fechando os olhos.
- Você está no hospital meu amor... – Emmet explicou passando a mão na testa da garota.
- Ho-hospital? Mas o que quê aconteceu? Eu não posso estar no hospital, eu não estava mal eu... – esperneava e balançava a cabeça de um lado para o outro freneticamente enquanto falava
- Calma ! – gritou
- O que houve? ENFERMEIRA, SOCORRO – se apavorou
- Calma garotos, não é nada... Ela ta meio confusa por causa dos remédios que deram pra ela na sexta... Ela já vai lembrar de tudo – Emmet explicou dando um beijo na cabeça de .
- Na sexta? – hesitou – Que dia é hoje?
- Amanhã será terça feira ... Você dormiu durante três dias inteiros! – explicou com um sorriso de divertimento no rosto.
- TRÊS DIAS?
- Sim meu amor... Agora, acalme-se você está bem agora – Emmet sorriu.
- Vamos gente, nós estamos tumultuando. O espaço já é pequeno, ta ficando ainda menor com a gente aqui, vamos deixar ela respirar um pouco – disse puxando e pelas camisetas.
- Tchau – acenou para a garota deitada na cama alta com lençóis brancos do hospital.
- Tchaaaau... – sussurrou em um ritmo engraçado sorrindo e acenando enquanto era levado indelicadamente por .
- Vou deixá-la a sós um pouquinho meu amor... Você tem que colocar seus pensamentos em dia - Emmet disse sorrindo.
- Não mãe. Não vai não, minha cabeça dói – ela disse fechando os olhos com força.
- Como você está se sentindo agora?
- Cansada... – respondeu olhando para o lado oposto de onde Emmet estava.
- Então durma meu bem. Acho que três dias não foi o suficiente – Emmet não parecia preocupada com mais nada além de . Ela fechou seus olhos de novo, mas, agora de uma forma mais sutil. E acabou pegando no sono. Emmet deu um beijo na testa de e foi silenciosamente até a porta.
estava dormindo pesado, a tempestade do lado de fora da janela, estava ficando cada vez mais forte conforme os ventos. Ela estava de volta á cena de sexta feira, diante da criatura atrás das árvores
- ? – a garota chamou.
- ... – a voz totalmente reconhecível soltou entre os dentes.
- ? Ah! Que bom te ver, estava com saudades... Agora falta só a terceira prova e você já vai poder me contar o que... – hesitou quando viu saindo de trás das árvores com seus olhos cor de sangue. Ele dirigiu seu olhar à ela e mostrou seus dentes, que estavam aterrorizantemente afiados. Ela começou a se afastar, dando passos curtos para trás. E ele a seguindo com o mesmo barulho estranho saindo de sua boca, se inclinou para frente e pulou em sua direção e um trovão a acordou.
- ? Ta tudo bem? – A mesma voz soou na escuridão do quarto.
- ? – sussurrou tentando achá-lo.
- Estou aqui. – ele respondeu indo em direção á cama.
- É você mesmo?
- Sim, sou eu – parou antes de chegar à cama.
- O que houve? – seu sussurro saiu em tom de medo.
- A gente não pode mais se ver ... – ele disse fitando o chão.
- O quê? Mas, não... Por quê?
- Eu sou um monstro – ele soltou de repente.
- Você não é um monstro... – ela hesitou – Porque está dizendo isso?
- Como não ? Olha o que eu te fiz! – seu tom de voz agora estava acusador.
- Você não me fez nada! Eu só estou com uma virose, sei lá...
- Eu não deveria estar aqui – ele olhou em direção á janela – Está tarde... Durma .
- Não irei dormir agora, me explique! – disse se ajeitando na cama.
- Não – disse severamente – Durma, por favor.
- ... Você...
- Sssssh – ele a interrompeu chegando mais perto da cama – Por favor? – seus olhos pediam junto com a sua voz. Eles se olharam por alguns instantes e Gabi fechou os olhou enquanto passava os dedos nas pontas do cabelo dela.
- Vamos querida! – Emmet dizia enquanto ajudava a entrar em casa.
- Mãe? – ela chamou já dentro de casa, sentada no sofá.
- Sim?
- Eu tenho que ficar em casa amanhã? Não posso ir à aula? – perguntou olhando por cima do encosto do sofá.
- Você pode ficar em casa se quiser... Como está a sua cabeça? – Emmet perguntou colocando a mão sobre a testa da garota.
- Orientada – ela admitiu.
- Mas, prefiro que você fique aqui amanhã – Emmet discordou.
- Mãe... Eu estou bem, deixe-me ir.
- Você nunca esteve tão a fim de ir para a escola. O que houve com você? Acho que você precisa voltar pro hospital – Emmet riu – Você pode ir amanhã, se isso te deixar mais feliz...
- Posso? – mudou seu tom de voz para um tom mais animado.
- Claro! Estudar nunca é demais, não é?
- Obrigada mãe – ela disse, levantando-se e subindo as escadas vagarosamente, rumo ao seu quarto.
POV
“Achei que tudo não estava muito certo... A não tinha voltado para a aula em alguns minutos como ela havia prometido. E não havia voltado em duas aulas também, como eu no máximo esperaria... Meus olhos vagaram preocupadamente pelo campo, e achei alguma coisa... Alguém sobre a grama. estava gelada quando eu a toquei, ela não tinha desmaiado a mais de duas horas e meia, em suas mãos, um bilhete que eu não ousei abrir... Estava endereçado á ela, somente á ela.”
Continua...
n/a: AAAAH! ME BATAM! Certo, eu esqueci de comentar na última nota que eu mudei exatamente TODAS as perguntas, então meus amores, se vocês já se confundiram, eu tenho que pedir para vocês lerem de novo. Porque mudei? Ahn, é porque a história mais para frente se enrrolava se continuasse assim... Entendem? D:
E tem mais, me sinto totalmente horrivel pela minha caixinha de comentários ter dado erro. Agora eu perdi meus comentários lindos e tudo mais... Poxa, odeio perder meus comentários T_T Então sejam boazinhas com a Is e não me matem D: Não gosto de ficar sem ler o que vocês acharam do último capítulo, poxa.
Bem, como eu disse antes, meu novo passatempo é fazer notas, embora creio que as minhas nem fiquem tão grandes. Mas acho bem divertido. Ah, quando eu escrever de mais, é só me avisarem de que isso aqui não é um blog. IS ISSO NÃO É UM BLOG!PRONTO, PAREI.
E só pra comentar, tem uma anta amazônica subindo plaquinha no meu msn. Quem ela pensa que é para subir plaquinhas escrito coisas do tipo: "Sniif", "Karen eu te amo" ou até mesmo "Créu". Ok, falou a menina que nem sobre plaquinhas, o que é totalmente mentira, porque eu simplesmente ADORO, subir plaquinhas. Mas, quem liga?
Meu Deus, minha irmã estava lendo uma fic esses dias e na nota da autora da menina, ela colocou o orkut dela, para as leitoras da fic manterem contato com ela. E quando eu e minha irmã fomos ver a página, estava lá, estampadinho o home dela D: ÓTIMO! Adoro essas pessoas que fulano fala: "Oi, me passa seu orkut?" e respondem: "Claro!" e mandam o home. HUSAHUSAHUSAHUSAUHSAHUSAHUAUHASHUASHUSAHUASHUAHUSAUHSAHUSAHUSAHUASUHASUHASUHASHUSAUHAS, certo, parei. Não, mentira, ainda não parei não HUSAHUASUHASHASHUASUHASHUSHUAS, pronto, agora acalmei.
Então, voltando ao foco... Espero que vocês me perdoem pela demora, e talz. Mas, dessa vez eu não demorei *comemoração*. Certo, tenho que acabar com isso logo, beijos :*
Hey, mas, cá entre nós, garotë... Você se pegou com ele no último capítulo? Oh! xoxo gossip girl. (podem me ignorar, é.)