Contatos, baby!


Prólogo
Eu nunca fui como todas as outras. Aí você olha pra mim e fala "Claro que ninguém é igual a ninguém", é, eu sei, estraga-prazeres. Mas o que quero realmente dizer é que eu sempre me senti diferente... "Todo mundo se sente diferente, dã". Novamente, eu sei. Obrigada por falar. Mas a questão é que eu sempre me achei peculiar. Sabe, sempre tive orgulho de ser diferente e tentava ser igual à todo mundo. Deprimente, certo? Certo. Deprimente. Mas o que posso fazer se eu sei que o meu amor pelos caras do McFly era tão grande a ponto de eu fazer tudo para conquistá-lo, e não agir como uma fã. "Aham, tá, se você visse o McFly você não ia espernear, gritar e chorar. Aham, acredito." Certo, pessoinha implicante, eu não iria espernear e gritar por que a emoção de vê-los, as noites chorando ouvindo as músicas e assistindo os vídeos me martelariam. Se eu fizesse um papel de fã, eu seria apenas uma fã, e nunca seria nada para ele. "E você tá falando que eu sou só uma fã?". Exato. E você é só uma fã porque você escolheu ser assim. E para mim, vê-los, ganhar uma tapinha na mão, um autógrafo, não é, de longe, o bastante.
E todo mundo sabe que quem se apaixona pelos McGuys, conseqüentemente se apaixona pelos Dorks e Ex-Busteds. É algo com os britânicos, sabe? "Sei! Com certeza!". Então, recentemente, eu, uma pessoa que sempre gostei de Busted e Son of Dork, conheci um outro lado de . Não pessoalmente, claro. Apenas por vídeos. E é mais que o bastante para se apaixonar, certo (vide McFly)? E esse rapaz me fez querer mais da vida, com suas músicas e vídeos engraçadinhos (todas nós sabemos como eles podem ser) e isso me tocou profundamente. E ainda mantive meu pensamento de não ser apenas uma fã. Então, se um dia eu esbarrar com o na rua eu vou ser uma pessoa normal, e não uma fã.


Prólogo 2
Cara, eu estou cansado das fãs loucas. Sério. Eu sou legal, sou gostoso, estou na moda, mas, dude, essa vida de famoso tá foda. Mesmo ultimamente que a gente anda desativado, cara, esbarrar com uma fã andando na rua, voltando da padaria, sabe... "Oh my God! Oh my God! It’s him! ! Oh, God!". Eu adorava isso. É legal, cá entre nós, é muito legal. Pra pegar gatas… Isso sim é bom! Mas... Eu to voltando da padaria, pelo amor de Deus! Dude, chega até ser bom pro meu ego, eu sair com minhas calças de Back to de Future, e um moletom da rusty na rua, de chinelos, (Eu moro ao lado de uma padaria, não vou me arrumar, qual é!) e duas adolescentes te pararem pra dizer que você é gostoso. Mas tudo tem um limite. Eu queria me acalmar um pouco. Ficar fora da bagunça. Relaxar.


Cap 1

- Bom dia, flor do dia! – atendi o celular ainda dormindo e me deparei com um feliz com sua voz irritantemente alegre
- O que você quer? – falei me segurando pra não mandar ele tomar no cu.
- Adoro quando você tá de bom humor assim! – Eu conseguia ouví-lo dando risadinhas agudas. É um veado. Se pudesse quebrar o celular de alguém, seria do , celularzinho inconveniente.
- Fala logo o que você quer, caralho! – dei um berro irritado.
- Relaxa, dude. Só to ligando pra te avisar que o ensaio vai ser às três aí no seu apartamento.
- Dude, já falei que aqui não tá dando, o síndico do prédio mudou e agora ele é o velho da frente.
- Porra, dude, então onde é que a gente vai passar o som? Tamos precisando ensaiar um pouco.
- Tem o quê? 2 meses? – perguntei sentando na cama e esfregando o rosto. unia a banda, cara, ele é sempre todo preocupado, pra que a gente fique junto e faça tudo certinho.
- É quase isso. Mas e aí?
- Porra, acho que os pais do viajaram, a bateria já tá lá mesmo, vamos chegar lá.
- Por mim tá tranqüilo. Você liga pra ele, ou eu? – é muito responsável.
- Ligar? – gargalhei alto no telefone – A gente chega lá com os instrumentos que tão faltando e vamos montar o boteco.
- Mas e se os pais dele já tiverem voltado?
- Aí fudeu, então vamos logo.
- Porra, , você sabe que eu não me amarro em fazer as coisas assim de qualquer jeito. – Chegava até ser bonitinho (de um jeito totalmente heterossexual) quando ele era todo preocupado desse jeito.
- Esquenta não, , no final dá tudo certo, se não deu é por que não chegou o final ainda.
- Putz, , falou como um veado de mão cheia! – soltou uma gargalhada alta do outro lado do telefone.
- E você parece que entende bem disso, né, dude?
- Sai fora! – eu ria enquanto ele mudava o tom de voz novamente para o de um cara preocupado – Vou ligar pro e pro então, falou?
- Falou porra nenhuma, vem pra cá que a gente passa lá pra pegar eles.
- Mas e se eles não estiverem em casa?
- Há! Fala sério, ! Se o não tá em casa, ele tá na casa do , e se o não tá em casa, ele tá na lanchonete com o , porra.
- Fechou, então, to passando aí daqui a pouco!
- Vem com seu carro, aí você larga ele aqui e na volta você pega ele de novo.
- Qual é, , não é assim que se faz não, tem que pegar em casa e levar em casa. – soltou sua voz mais fina. Às vezes eu acho que ele imita um veado muito bem, bem até demais.

Agarrei o celular e joguei no bolso das minhas calças de Back to the Future e coloquei uma camisa do The Who com um chinelo. Olhei as horas e eram 2:25PM, filho da puta do ia me avisar do ensaio meia hora antes. Desci o elevador e dei os 8 passos que eram até a padaria.
- E aí, tá saindo uma fornada agora? – sentei no banco do balcão e falei com uma senhora de touca e óculos de fundo de garrafa
- Só daqui a 5 minutinhos!
- Tem como tirar 5 aí pro melhor cliente, não? – falei dando uma piscada pra velha.
- Querido, só daqui a 5 minutos. – ela falou sorrindo mais uma vez e indo até a ponta do balcão passar o paninho. Mas eu não queria pão só daqui a 5 minutinhos, eu queria pão pra agora.
- Poxa, tia, tira só 5 pãezinhos pra mim, vai, essa hora aqui tá vazio, não custa nada... Vai? – dei um sorriso que só sabia fazer. E eu sou .
- Tá bem, tá bem, só um segundinho. – qual é o problema das pessoas em falar "inho"? Segundinho, minutinho, caralhinho! Por que no diminutivo? O tempo vai diminuir se chamar de "inho"? É ofender a minha inteligência. Mas tá tudo certo porque a velha já vinha trazendo os pães para a minha pessoa. Com um sorriso e um rostinho bonito, só falta ter jogo de cintura. O que não é o meu caso. Eu sou foda, o que posso dizer?
Fui até o caixa no fim do balcão e dei de cara com uma menina de seus 16 anos com duas tranças no cabelo e aparelhos chamativos.
- Cin-cinco pa-pães?
- É. – Sorri para a menina que me olhava com os olhos arregalados e a boca quase babando.
- São 4 dólares... – mal ouvi a voz da menina quando ela falou e puxei 5 dólares do bolso da calça colorida.
- Fique com o troco. – falei pegando os pães e virando as costas.
- Mas... É ? ? – sofri quando ouvi isso. Acho que já falei que estou cansado de fãs loucas atrás de mim.
- É... Eu mesmo. Valeu aí, hein. - Todos os dias que eu vim nessa padaria nunca teve essa menina aí, era sempre a velhinha no balcão e um velho no caixa. Acho que o vovô foi tirar férias e vovó chamou a neta pra ajudar. Aposto que amanhã ela vai tá aí de novo. Foda, todos os dias ela vai puxar assunto, e eu vou educadamente respondê-la, claro, papo com uma adolescente é meu sonho de consumo. Isso foi o que nós chamamos de sarcasmo. Eu sou um cara da lei, tirando detalhes da minha vida passada. Eu respeito as filhas dos outros que tem menos de 18 anos. 17 e alguns meses serve também.
Subi no elevador e notei o síndico encostado na própria porta me observando. O cara era um velho de seus 50 e poucos anos com um bigode preto cobrindo o seu lábio de cima.
- O aluguel está em dia, Mr. ?
- Tá, sim, senhor, pode conferir o registro. – falei dando um sorrisinho irônico. Tava pago sim.
- Pode ter certeza que eu vou conferir. – ele moveu umas de suas tatuiras, ops, sobrancelhas.
- Aham. – entrei e bati a porta sem um tchau. Eu penso assim, se uma pessoa me trata de um jeito, eu vou tratá-la assim também. É uma boa filosofia.
- E aí, minha puta! – abriu a porta já entrando e berrando. O cara acha que tá em casa.
- Ou, meu irmão, como é que você vai entrando na casa dos outros desse jeito?
- Só na sua, minha vadia. – O ultimamente anda com a mania de me chamar com esses apelidos ofensivos à mulheres. Engraçado que ele conhece todos. Bicha. – Bora?
- Vou tomar café.
- Porra, , isso não é mais hora de tomar café, não, a gente vai chegar lá tarde!
- Calma, aê. É rápido! Vai passando manteiga aí nos pães que eu vou lá trocar de roupa.
- , foi legal de sua parte comprar pão para a banda toda. – falou abrindo o saco.
- Isso é pra mim, .
- E pra mim?
- Você sabe onde tá o que é seu – fiz um movimento que prefiro não citar. sentou na cadeira rindo e eu fui pro quarto colocar uma calça. Calcei meus all star e encontrei-o já com a porta aberta segurando o saco de pão.

Depois de termos passado na casa do e do de surpresa e os arrastarmos até o carro, fomos direto para a casa do , que era a mais distante e a melhor pro ensaio. Era tipo aqueles bairros onde todas as casas são iguais e têm aquela garagem enorme.
- ! Festinha surpresa! – pulou no colo de , que o agarrou sem dificuldade nenhuma. Mas logo e tentaram fazer com que ele os segurasse também, e o que deu foram os 4 no chão. Eu não resisti àquela cena e tive que terminar aquele montinho pulando em cima deles. Era sempre assim quando nos encontrávamos, meio veadagem, mas são meus amigos, é legal zoar com eles.
- E ao que se deve essa honra? – perguntou tirando a perna de de cima dele e ficando em pé. Eu já estava em pé, claro, não sou de me agarrar com homem por muito tempo.
- Nós queremos dar continuidade a essa banda. – falou levantando num salto e jogando-se no sofá de .
- Achei que nós já estivéssemos fazendo isso.
- Não, uma banda é ensaio, convivência e trabalho em grupo. – falou ligando a tv.
- E então, o que vai ser? – falou arrancando o controle da mão dele e mudando os canais
- Vai ser um ensaio! – falei arrancando o controle da mão de e desligando a tv. – Todo mundo pra garagem, cambada! – berrei e os caras foram. Eu tenho moral, é só pra quem pode.
Tocamos a tarde toda. Ou o que restava dela. E eu me senti ótimo, apenas tocar, tocar sem precisar ser simpático com o público, tocar sem ser julgado, tocar sem precisar me conter. Eu sempre me solto quando chegam algumas músicas. E isso já causou algumas quedas em palco e alguns fios enrolados na perna. Mas mesmo assim a sensação é maravilhosa.
Já eram umas 7 horas quando resolvemos parar senão provavelmente os instrumentos quebrariam por muito uso. Ordenei (isso aí) a para pegar o meu carro e comprar umas cervejas e o encomendou 2 pizzas. Não tenho do que reclamar dos meus amigos. Não são capachos. Talvez o , mas só um pouco. Mas meus amigos são meus colegas de banda e meus amigos de rock. A gente sempre fazia essas reuniões. Cerveja e pizza combinam demais.
Depois que o chegou, nós comemos as pizzas e bebemos até acabar a última gota de álcool da casa. Ultimamente eu estou me contendo com as bebidas, agora que eu to com carro e to responsável por esse bando de vagabundo, não posso ficar sendo imprudente. Mas bebi bastante e continuava legal. O reclamava de tontura e o parecia que tinha cheirado alguma coisa de tão elétrico que tava. O embolava as falas algumas horas, mas eu e o estávamos legais. Rindo do , claro. Como não rir de um cara correndo ao redor da mesa com uma garrafa de leite? É, leite. O bom e velho .
- Porra, a gente podia ir pra um rock hoje. – falou estendendo o "hoje" por alguns segundos.
- Com o desse jeito? – apontou pro cara que subia as escadas e pegava a escova de dentes, aí ele deixava a escova de dentes, subia e pegava a pasta, aí deixava a pasta e subia mais uma vez pra enxaguar a boca, e depois subiu de novo para levar a pasta e a escova. Me admirei quando ele levou os dois de uma vez. Quando ele parou no pé da escada de novo ele bateu a mão na testa como se tivesse esquecido alguma coisa lá em cima voltou a subir. Por que o tava escovando os dentes ninguém sabia. E ninguém sabia por que ele tinha uma escova de dentes na casa do . E acho melhor ficar sem saber. Tenho medo de certas coisas.
- É, porra, é só ninguém beber mais, tá todo mundo tranqüilão já. – Eu falei apontando pro dessa vez, que tropeçou no sofá e na mesa ao mesmo tempo, o engraçado é que a distancia do sofá e da mesa é de um metro e meio.
- Era até uma boa, né. Pra distrair. – falou segurando o que caía mais uma vez.
- Mas e o ? – o perguntou mais uma vez, ele não gosta muito de sair pra rock assim, ele não sabe dançar. Patético, né?
- Dá café que ele melhora, , até parece que esqueceu! – falou dando um tapa na cabeça do cara.
Após o ter bebido 1 litro de café, ele já tava acordando de novo, e o já tava mais relaxado, o trocou de roupa e a gente foi pra um pub legal que tem por aqui. É, a gente não trocou de roupa, a gente foi suado do ensaio da tarde toda. Isso aí, porra, somos homens, meu desodorante é cheiroso, eu suo perfume, e eu fico bem de qualquer jeito, sacou?
O pub tinha o nome de Open e a gente costumava ir com o Harry Judd antes dele namorar. Aí a gente tava se encontrando com o Danny Jones e a namorada dele direto por lá, dois baladeiros quando junta dá festa todo dia. O bom de lá é que não entra qualquer um. Todo mundo já ouviu falar de Gossip Girl? Não é coisa de bicha, é uma série muito massa comparada às que estão fazendo por aí, ok? Então, em Gossip Girl tem os Upper East Side de New York. Aqui em Londres é algo mais ou menos assim. Não existe essa de gritaria de fã. Isso é ótimo pra mim.
Nós chegamos lá e a fila parecia que ia virar a esquina. O foi na frente e passamos pelos seguranças em fila, sem sermos barrados. Contatos, ok? Alguns vaiaram e alguns gritaram "É o Son of Dork!", depois disso o barulho dos gritos foi abafado pela música dance que estourava nossos ouvidos. achou uma mesa pra gente sentar e o já foi falando.
- A gente combinou que não ia mais beber hoje, não foi? – De novo o ar preocupado dele.
- É, já tá todo mundo legal, vamos curtir a noite sem arrumar confusão, ok? – falei me levantando. – A regra de hoje é a mesma, só cabe mais 3 pessoas no carro. – quando eu digo pessoas quero dizer gostosas, sentadas no colo. – Quem conseguir companhia pra noite traz pra essa mesa e se agarra aqui até a hora de ir embora, ok?
- Sim, papai! – berrou.
- Quem dera você que seu pai fosse legal e gostoso que nem eu! – Falei já saindo de perto da mesa e seguindo para o bar. Eu não ia beber, ok? Eu tava indo procurar uma gostosa e o melhor lugar é o bar.
Fui procurando caminho pelo meio da multidão e esbarrei com a namorada do Danny Jones dançando alegremente com umas três garotas.
- Fala aí, garota, cadê seu macho? – É, eu não lembro o nome dela de jeito nenhum.
- Tem que acordar cedo! – Ela falou perto do meu ouvido sem parar de dançar.
- E ele sabe que você tá aqui? – falei rindo, mas em tom sério.
- Claro que sabe! E eu sei que você vai ligar pra ele, então vai lá! – ela riu e me deus as costas voltando a dançar com suas amigas. Dei uma olhada nas amigas e eram bonitas, mas sendo amigas da namorada do Danny eu não podia só levar pra casa.
- Alô, Danny? – falei tentando abafar minha voz no celular.
- Fala, , que barulheira é essa aí?
- To aqui no pub, hein, sua namorada tá aí contigo?
- Porra, , pode relaxar, dude, eu to sabendo que ela tá aí. Ela foi com as amigas dela.
- Porra, Jones, valeu então, dude.
- Eu que digo valeu! Falou que eu tenho que acordar cedo pra ir pra gravadora, beleza?
- Beleza! Falou! – Desliguei o telefone. Pode ser meio intrometido de minha parte, mas eu tenho que fazer esse tipo de coisa. Eu não consigo ver meus amigos sofrerem. Pode me chamar de veado, mas tem coisa que eu não deixo acontecer. Eu sou um bom amigo, porra.
Voltei a cavar meu caminho até o bar e sentei pedindo uma coca. O cara me olhou com cara estranha estranhando o pedido. Normal. Aqui o pessoal bebe pra caralho. Girei no balcão e olhei uma moça sozinha, era até bem bonita, tinhas cabelos ruivos e usava uma roupa que eu só consegui olhar pro seu decote.
- Boa noite. – eu me sentei ao lado dela.
- Boa noite - ela olhou pra mim e cruzou os braços achando que os homens não sabem que isso deixa o peito mais estufado. – Tá sozinho? – ela perguntou chegando muito perto do meu ouvido.
- Só se você quiser. – Joguei logo essa de cara e ela sorriu, fingindo que era tímida. Eu tenho boas respostas.
- E agora?
- E agora você tem três opções: ficar me olhando, levantar e sair de perto, ou me dar um beijo. – Ela sorriu virando o resto que tinha em seu copo, o que era não consegui identificar.
- To em dúvida entre te dar um beijo e ficar te olhando... Já te disseram que você é lindo? – Sorri e a puxei para um beijo. Eu sei, eu sou foda. Eu troquei 3 frases e já to pegando.
- Vamos pra um lugar mais reservado?
- Aonde?
- Se você quiser, na minha casa. – Falei dando mais um beijo e puxando os cabelos de sua nuca. Sabe, você tem que deixar parecer que ela que manda. Tem que saber certas coisas.
- Eu tenho uma amiga aqui, ela foi ao banheiro e já volta. Será que você não tem um amigo, não? – A minha noite e a de alguém já tava garantida. Alguns minutos depois, eu ainda dava vários agarros nela ali no bar e a amiga dela chegou.
- E aí? – Ela olhou pra mim e olhou pra amiga.
- Vamos ali. – Saí andando esperando as duas virem atrás de mim. Eu não agarro a mão de ninguém. Nem no meio da multidão. Sentei na mesa e peguei o jogando um copinho debaixo da mesa.
- Porra, tava bebendo, né, filho da puta! – Berrei.
- Foi só essa! – ele falou colocando as mãos pra cima.
- Quer se dar bem? – Mostrei as duas tentando me achar no meio da multidão.
- Não gostei muito dela não. Sabe que eu prefiro as loiras.
- Vou dar pro então, que ele tá logo ali levando um corte. E o e o ?
- Eu vi o indo no banheiro e o tava agarrando uma mulher lá perto da entrada.
- Será que ele leva pra casa? – falei rindo.
- Leva não, dude, você conhece ele! – Nesse momento vi se jogar na cadeira e as duas meninas chegaram atrás de mim.
- Quase não te acho nessa multidão! – a ruiva berrou no meu ouvido. Balancei a cabeça e apontei o para a amiga dela, a menina sentou no colo do cara e deu um beijo nele logo de cara.
- Dude, mudei de idéia, se eu soubesse que ela era agitada desse jeito eu ia mesmo sendo morena! – falou no meu ouvido e eu gargalhei. Foi ao bar tomar mais uma e eu relevei porque o cara não ia levar ninguém pra casa. Ficamos mais uma hora sentados lá e as minas já tavam ficando agitadas (interprete o agitada como achar melhor). Mandei elas esperarem e fui atrás do e , que estavam juntos olhando umas gatas dançarem. Logo depois vi , e as duas gatas vindo atrás de mim e fiz sinal para eles irem pra saída, mandei e saírem também e dei uma ultima olhada no lugar. Hoje tava bem agitado. Achei a namorada do Jones com os olhos e vi um cara chegando perto dela. Fiquei observando enquanto ele tentava dançar mais perto dela. Peguei o celular na mão pronto pra ligar pro Danny quando ela deu um empurrão nele e se afastou de vez do cara puxando as duas amigas pelo braço pra longe dele, que desistiu. Saí do Pub. Eu tinha que parar pra ver o que ia acontecer. Já falei, sou um bom amigo, não consigo evitar.

A manhã tava meio nublada quando olhei pela janela. Me espreguicei e vi cabelos ruivos entrecobertos pelo meu edredom, peguei meu celular e olhei as horas. 1:47PM. Vesti uma boxer preta e saí do quarto batendo forte a porta. Não, eu não tava puto nem nada, só queria acordar a mina pra ela ver que tava na hora de ir embora. Fui até a sala e vi o sair do banheiro com cara de sono e o cabelo em pé. Eu fiz um sinal de 'Shh' pra ele quando vi deitado no chão. Cutuquei que dormia numa poltrona e apontei pro . Fiz sinal de 1, 2 ,3 e nós três pulamos em cima dele. Ele levantou puto e foi pro banheiro. Nós três gargalhamos e eu vi o bater na porta do outro quarto.
- , acorda aí, sua mãe ligou dizendo que tá chegando e mandou você lavar a louça! – Ri demais quando ouvi isso e alguns segundo depois ouvi uma garota falar "você mora com a sua mãe?" e mais alguns segundos ela saiu porta afora vestindo uma saia e sutiã segurando um pedaço de pano na mão, saindo do apartamento. se jogou no sofá rindo comigo.
- Porra, você é foda, ! Que caralho! A mina tá achando que eu sou um otário! – eu e ainda ríamos pra caralho.
- Lavar a louça deu um toque especial! – gargalhei alto. Logo vi uma menina ruiva sair meio apreensiva.
- Cadê Josy? – ela perguntou passando as mãos no cabelo.
- Saiu quando descobriu que a mãe desse cara aí ta chegando e mandou ele lavar a louça e varrer a casa. – apontou pro e eu segurei o riso.
- Que tal você me ajudar? – se aproximou da garota e eu não contive a risada quando ela franziu a sobrancelha e saiu correndo do apartamento. Ficamos rindo por alguns longos minutos até o apontar para o que dormia sentado. Nesse momento o saiu do banheiro com os cabelos molhados. Eu mais uma vez fiz sinal de 1, 2 ,3 e todos nós pulamos em cima dele, que obviamente amaldiçoou até a nossa quinta geração. Tirando as dores de cabeça de vez em quando, essas eram as melhores partes das nossas reuniões. Espantar as minas. O faz cada cara de pidão que cada uma tem uma reação diferente. Um dia o disse que a minha esposa tava chegando de viagem, pra garota que dormiu comigo e eu pedi ajuda pra arrumar a casa. O pior de tudo foi que ninguém soube o que fazer quando ela disse que sim. Aí o já falou logo "Ah, que bom, então começa pelo banheiro!". Foi a conta pra ela arregalar os olhos e sair do apartamento correndo. Já tinha passado das duas e dei uma ligada pro Jones.
- Fala aê, , acabou de acordar, né, sacana?
- Claro, porra, senão não seria eu!
- Mas e aí, vigiou minha namorada lá ontem, né?
- Porra, eu tenho que fazer esse tipo de coisa, né.
- Relaxa, , ela você não precisa vigiar não! Ela tá de boa.
- Eu vi isso ontem, dude, ela deu um corte num cara que tava querendo se esfregar nela.
- Tá vendo? Ela me falou, dude. Relaxa aê. Mas valeu de novo.
- Falou então, Jones! – Desliguei e os caras já tavam indo embora.
- Porra, , você me mandou deixar o carro pra na volta os caras tudo pedirem carona, né, seu filho da puta! – ele falou tacando uma almofada em mim, que já tinha me jogado no sofá.
- Claro, dude! Você acha que eu vou sair a essa hora da madrugada pra levar marmanjo pra casa? Tá louco! – Os caras deram tchau e eu coloquei a calça de Back to The Future e uma camisa do Blink e fui à padaria novamente.
- Chegou na hora de uma fornada quentinha! – a velha falou colocando 5 pães no saco. – Querido, desculpa perguntar, mas você não tem outra roupa não? – ela falou em tom de segredo e eu gargalhei alto.
- É que eu durmo com essa roupa.
- E você sai na rua de pijamas? – ela arregalou os olhos e eu ri por dentro.
- É, pois é. Valeu. – Fui até o caixa e a menina das tranças estava lá novamente. Ela quase derrubou todo o moedeiro quando me viu. Eu sei que eu sou foda. Ninguém precisa falar.
- São 4 dólares.
- Valeu. – dei uma nota de 5 – Fica com o troco – e virei as costas esperando ela falar alguma coisa. Ela não falou nada. Fui pra casa e dei de cara com o velho da taruira, ops, sobrancelha.
- Boa tarde. Mr. .
- Boa tarde.
- Noite agitada?
- Aham – e fui entrando novamente no meu apartamento.
- Vi que tinham 6 pessoas a mais em sua casa hoje.
- É. – porra, esse cara tá me vigiando?
- Sabe que não pode sublocar, não sabe?
- Sei, eles eram meus hospedes. – e bati a porta. Porra de velho chato. Moro sozinho e ainda tem uma desgraça dessas me vigiando.

O resto da tarde passou que eu nem vi, fiquei assistindo MTV e só me desliguei da tv quando o chegou lá em casa.
- Dude, você não vai tomar banho, não? – dei um tapa na testa me lembrando que esqueci de tomar banho ontem... Não deu tempo, sacou? – Bora comer um hambúrguer lá no McDonald's?
- Bora, só vou jogar uma água no corpo e a gente vai, fica aí assistindo tv, dude.
- Jogar água no corpo não, tomar banho. Direito! – dei um sorriso malicioso.
- Você não quer me mostrar como é, não? – deu uma gargalhada e eu fui tomar meu banho.
Demorei uns 20 minutos no banho. Era foda aquela sensação da água quente batendo no seu corpo. É uma cidade fria. Muito fria. Mas aquela água quente é foda. Faz você esquecer de tudo. Terminei meu banho e saí do banheiro e o trocou de canal rápido.
- Tava assistindo pornô, né, filho da puta! – arranquei o controle da mão dele.
- É. Tava sim! – ele falou agitado tentando pegar o controle de volta.
- Ó! Não se aproxima muito não porque essa toalha tá caindo, hein! – falei e ele se afastou. Trouxa. Cliquei o botão de voltar o canal e estava passando Moulin Rouge. O musical. – Duuude! Você tava assistindo um musical? – virou o rosto e eu não contive a gargalhada. – ... Você tá chorando? – gargalhei mais alto ainda.
- Não! Caiu um cisco no meu olho! – ele passou a mão pelo olhos esfregando-os.
- Nos dois? – perguntei ainda rindo.
- Aham!
- Ah, essa é ótima! Os caras vão adorar saber disso, ! - corri para o quarto enquanto ele berrava que não estava chorando.
Alguns minutos depois eu saí do quarto perfumado e vestindo uma camisa social salmão. Tá pensando que eu to muito arrumado pra ir numa lanchonete, né? Eu to querendo ir no pub hoje de novo.
- Pra que essa produção toda, - falou olhando para as roupas que usava, uma calça e uma camisa do Beatles. Joguei para ele uma camisa azul social.
- Veste aí. Hoje nós vamos no pub de novo.
- Ontem a gente foi que nem um bando de marginal e hoje a gente vai assim?
- Pois é. Hoje eu quero mais diversão.
- A diversão de ontem pra mim tava legal.
- A gente tem que conquistar primeiro! Ontem você não falou nada com a mulher e ela te beijou, eu troquei 3 frases com a vagabunda e ela ainda me ofereceu a amiga! Essas mulheres tão muito fáceis, porra.
- Sua bicha, por que você ta reclamando tanto, porra?
- Porque eu quero mais do que uma transa. – falei sem pensar.
- Eu quero só uma transa e por mim tá ótimo. – Quando me dei conta do que tinha falado, parei pra pensar. Fomos pro carro e eu fui dirigindo até a casa do sem falar nada. Não se enganem, eu e o estamos numa boa. Eu que não queria conversar mesmo. Fiquei pensando no que tinha falado. Eu não queria mesmo só uma transa? Porra, eu sou homem, eu tenho que querer só transa. Mas acho que eu estou ficando cansado dessa vida de vagabundo e de espantar mulher de casa. De vez em quando é bom você parar.
- Então... O e o não vão, não, ok? – falou meio apreensivo. Me senti mal. O cara é um bom amigo. Ele sempre quer me ajudar.
- Beleza. – Fui frio, não consegui evitar. – Liga pro Jones aí.


Cap 2

- Bom dia, flor do dia! – gritei para que ainda dormia na minha cama.
- Que horas são?
- Agora são 9:30.
- Eu dormi o dia todo? – se levantou da cama num salto.
- Não, sonsa, da manhã! – fez uma cara de desespero que eu não consegui conter o riso.
- O quê? Que desgraça! Por que você tá me acordando a essa hora, sua vadia!? – ela perguntou jogando a cara no travesseiro.
- Sabe, , essas palavras machucam... - fiz um biquinho e a menina pulou em cima mim.
- Você sabe que você é a minha vadia! – ela me deu um beijo na bochecha e eu sorri. – Mas sério, por que desgraça a gente tá acordada essa hora? – ela perguntou levantando-se e vestindo um moletom, meu, por sinal. Espalhada ela, né?
- Você lembra o que a gente fez ontem?
- A gente foi no pub.
- E você lembra quem nós conhecemos lá?
- A namorada do Danny Jones!
- Isso! Então eu não sonhei! Graças a Deus. – A é bem estranha em alguns momentos.
- God! Não acredito que eu conheci a Olívia! – ela falava se jogando na cama.
- É, querida, cuidado pra não gozar, hein. – Falei saindo do quarto e indo pra cozinha. Logo uma veio correndo atrás de mim. Eu ri enquanto ela me olhava com sua cara feia. A cara feia dela era como a cara feia de um poodlezinho micro toy, era fofa (de um jeito totalmente heterossexual).
Ontem eu e a conseguimos entrar em um dos pubs mais fodas da cidade. No Open só vai artista e todo mundo que é rico e bonito o bastante para entrar. Ontem eu falei para a o que eu pensava sobre ser apenas um fã normal e ela concordou comigo, aí nós resolvemos que não íamos para a fila. Resolvemos que só chegaríamos e tentaríamos entrar. ficou impressionada quando conseguimos entrar numa boa. É só andar que nem artista, sabe, não agir que nem uma idiota.
Lá dentro vimos a Olívia dançando sozinha na pista, eu perguntei pra se era ela mesma.
Começamos a dançar e em um segundo estávamos as três dançando juntas. Tá aí uma mulher bem baladeira. Mas uma coisa devo dizer, ela é fiel. Espantou todos os caras de perto dela, mesmo que o namorado dela muito perfeito não estivesse lá. Teve uma hora que ela pegou o número do meu celular e perguntou meu nome, e perguntei o dela me fazendo de sonsa, claro e pedi o número do celular dela. Pronto, amigas de infância.
- E a senhorita acha que eu não vi seus olhinhos brilhando para a Olívia, né? – falou num tom de magoada e deu uma risada alta.
- Querida, você sabe que eu sou só sua! – e eu passamos o dia nos embonecando. Sim ,senhora. Nos embonecando. Sabe máscara no rosto, hidratação no cabelo, fazer as unhas e uma sessão de Gossip Girl. Eu sei que é pra patricinha, mas o que posso fazer? É contagiante! E o Chuck Bass é tão gostoso! Quase tão gostoso quanto o .
Mas para que estávamos nos embonecando? Você pergunta-me e eu respondo-lhe! Nós iríamos na Open hoje de novo. Quando for umas 7 horas eu vou ligar para a Olívia e chamá-la para ir novamente. Pra isso que eu peguei o telefone, sacou? Ontem um cara cumprimentou ela e esse cara parecia tremendamente com o . Mas aí eu pensei "O é mais amigo do Tom, acho que ele não a conheceria". Mas se o cara era tremendamente parecido, quase igual ao tão gostoso Dork eu não podia perder a chance conhecê-lo, certo? Errado. Eu estou indo para a Open hoje para encontrar o verdadeiro , afinal Londres não é tão grande assim e hoje é sábado! Então, tudo pode acontecer. E se eu não encontrar com o , eu vou me conformar com um dos McGuys, o que estiver disponível, sem ser o Danny Jones, claro, não podemos perder o contato da Olívia de forma alguma. Aí se não tiver nenhum Dork, nenhum Mcguy eu vou procurar um Matt ou um Charlie, mas se os dois não estiverem lá também, aí sim, eu recorro à cópia quase idêntica do James.
Então, já eram 6:56 da noite. Eu e a já estávamos com os cabelos de chapinha e babyliss nas pontas (Claro!), a maquiagem já estava perfeita. Eu maquiei a e ela me maquiou.
Devíamos abrir um salão juntas. As roupas perfeitas já estavam separadinhas em cima da cama e eu sentei na cama com à minha frente.
- Tá chamando! – sussurrei e logo alguém atendeu do outro lado da linha, era uma voz masculina. Senti meu corpo inteiro arrepiar quando reconheci a voz de vários gritos maravilhosos e tiradores de fôlego, não falei nada, para não se alvoroçar.
- Alô? Tem alguém aí?
- Oi! Esse é o celular da Olívia, certo? – Usei minha voz mais normal o possível sentindo meu corpo estremecer.
- É sim, pera aê. – bem a cara dele. Confirmação completa. Eu estava ao telefone com Danny Jones! - Alô? – e agora estava com Olívia. Droga.
- Oi! Olívia, sou eu a , de ontem no pub, lembra?
- Ah sim! Ei, fofa, como você está? – ela falava empolgada e eu me recuperava lentamente por ter falado com Danny.
- Eu estou ótima, querida, e você?
- To bem, sabe, com o gatinho aqui! – E que gatinho querida, põe gato nisso, é uma gataria inteira!
- Que ótimo! Escuta, eu queria te chamar pra ir lá no pub de novo, sabe como é, sábado à noite e eu e a sem nada pra fazer, acredita! – falei como se ela fosse minha última opção.
- Hum, eu vou ver com o Danny, e já já eu te retorno, ok?
- Tá certo, querida! Beijos!
- Beijos
- ...
- E aí? – ela falou meio que quicando na cama.
- , eu acabei de falar com o Danny Jones no telefone. – eu vi essa menina perder o chão.
Sabe nos desenhos quando o olho do desenho salta pra fora? O dela foi igualzinho! De repente a cama começou a balançar e estava fora de si. Devo dizer que as frases a seguir foi o que aconteceu em seguida. Agradeça-me por poupá-las de longos 10 minutos com a gritando. Eu não gritei. Tá bom... Só um pouco. Bem pouco.
- Você falou com o Danny Jones! Gooood! Mas e aí?
- Ele não sabe atender o telefone. Ele é todo desajeitado e não é educadinho sabe, a caaara dele! – após ditas essas nobre palavras (caham!) o telefone começou a vibrar.
- ATENDEE! - berrou no meu ouvido.
- Não... Deixa tocar mais um pouco – falei me sentindo uma maníaca. - Alô?
- ! Sou eu, Olívia.
- Oi querida, e aí?
- Olha fofa, eu falei com o gatinho e ele odiou a idéia de ter que ficar sobrando enquanto eu ficava fofocando com minhas amigas, bobinho ele, né?
- Ahaha, demais! – falei adiantando o assunto.
- Então, eu disse que ele podia levar uns amigos dele, certo?
- Claro, por mim, e pela , tudo ótimo!
- Ai que bom, fiquei com medo de você não querer!
- Que é isso, imagina! Ele pode levar quem ele quiser, e você também!
- Ah então tá, a gente se encontra lá na frente então?
- Ah sim com certeza.
- Se encontrar lá dentro não tem como, né!
- É ! Sem ser agarrada por aqueles tarados, né!
- Mas lá não tem muito disso, sabe. Acho que aquele cara entrou de penetra por que lá o publico é selecionado!
- Ah sim, eu não vou muito lá sabe, mas agora vou passar a ir... Com você né, fofa!
- Claro, querida. Então, o que me diz às... 9 lá na porta?
- Perfeito! Beijos!
- Beijos
- ...
- Sim?
- O gatinho dela vai levar os amiguinhos! – novamente, poupando-te de alguns longos minutos.
- A gente precisa comer alguma coisa! A gente vai ter que beber pra não passar por losers!
- Certo, certo, e bebendo, mesmo que pouco, de estômago vazio a gente passa mal.
- Entãão?
- Então vamos comer! – Eu e corremos pra cozinha tomando o maior cuidado do mundo pra não quebrar as unhas ou bagunçar o cabelo. Chegando lá, já foi logo pegando o pote de salada de frutas.
- , amor da minha vida!
- Sim, paixão?
- Nada de frutas.
- Por quê? Fruta deixa cheiro e gosto bom, e é saudável.
- Sim, muito saudável, e fruta agita seu estômago e o incita a fazer a digestão, você não quer ter problemas em um banheiro, em um pub, com o McFly, certo? – me olhou com uma cara assustada.
- É, não. Nada de frutas.
- O que devemos então? – parei um pouco para pensar. E então me veio na cabeça. – MIOJO!
- O quê? Miojo? Não...
- Sim! Energia, precisamos de energia, a gente vai pedir carona no final do rock.
- Vamos pedir carona? Nãoo! Existem estrupadores por aí, fofa!
- Nós vamos pedir carona aos Mcguys, fofa.
- Ahhhh, bom! Aí pode. – ela sorriu como uma criança feliz. – Entãão...
- Miojo será! – As duas crianças alegres fizeram e comeram os miojos, eram 7:45 quando terminamos de comer. – Olha, , o pub é meio longe daqui, então nós temos que sair daqui pelo menos 8:20, tá?
- Porraaaaa!! 40 minutos até o pub?
- A gente vai à pé. Pra na volta a gente pedir carona.
- Mas... E o os saltos?
- Ninguém vai ver que eles vão gastar um pouquinho.
- Mas as nossas pernas vão doer!
- Eu não acho que você vai sentir dor nenhuma quando vir os Mcguys!
- É, faz sentido.
- Entãão...?
- Então nós vamos encontrar com o Mcguys!
9:05 e nós estávamos paradas em frente ao pub, uma fila enorme seguia encostada na parede. respirava rápido por causa da emoção (ou seria o cansaço?) e se apoiava em mim, quando vinha um carro, nós fazíamos pose. Uma hora um carro azul marinho parou na frente do pub e eu vi Olívia sair do banco de carona. Sorrimos como se tivéssemos acabado de ver uma parente querida. Saindo do de trás, veio Harry Judd. Sim, ele, Harry-sobancelha-sexy-Judd. Aham! E sua namorada Izzy logo depois.
- Eii, fofas! – Olívia nos abraçou ao mesmo tempo. Não disse? Amigas de infância! É só você dançar num rock com uma menina e você já tem sua companheira de rock. – Tudo bem com vocês? Como vocês vieram?
- Pegamos um táxi! – Respondi rápido.
- O que? Táxi? Que perigo! Principalmente nesses lados de cá! Na volta vocês vão vir com a gente! – Ela falou sempre sorrindo e em tom de mandona!
- E então, cadê o seu boy? – perguntou
- Foi estacionar o carro e já vem, vamos esperar ele aqui fora. Mas e aí, me conta, gostou do lugar?
- Muito bom, e já vi que os seguranças selecionam mesmo quem entra e quem sai, né?
- Ah sim, mas a gente entra fácil, sabe como é, vips! – ela falou rindo – Que mal educada que eu sou! Gente, esse é o Harry e essa é a Izzy, namorada dele! – Eu e cumprimentamos os dois e eu discretamente sorrindo perguntei.
- Ei, você não é aquele guitarrista daquela banda... McFly! – me deu um chute na canela e eu sorri mais ainda.
- Na verdade eu sou o baterista, mas quase você acertou!
- Ah sim, desculpa! Eu gosto mais de um som antigo.
- É? Tipo o quê? – Nesse momento eu sorri para ele.
- Beatles.
- Você gosta dos Beatles? Difícil encontrar alguém por aqui que goste, todo mundo fala que são muito velhos e caretas! – Danny se intrometeu na conversa, mas eu não to reclamando, nem um pouco.
- O quê? Que absurdo! É a única banda antiga com som novo! – se pronunciou e eu não via a hora disso acontecer.
- Mas então, gente, vamos entrar? Hoje eu quero dançar muuuiito! – Olívia falou puxando a corda e nós fomos atrás. Ouvi Danny comentar algo " me ligou ontem e falou que você tava aqui, eu falei com ele que sabia..." Depois disso não ouvi mais nada e amaldiçoei o som do lugar que estourava seus tímpanos. Então aquele cara não era a cópia do . Era o , eu o vi de pertinho, Olhei para , que se sentia uma pessoa famosa. Ela nao me falou, eu conheço ela, de fato. Sei ler os olhos dela. O lugar estava lotado, mais lotado que na noite anterior, seria difícil achar uma mesa. Subimos uma escada que saía da pista de dança e chegamos na área de mesas, todas estavam ocupadas. Dei um sorriso mentalmente e olhei para as pessoas dançando. Menos de um minuto depois, estávamos todos nos sentando.
- Como eles conseguiram uma mesa? – perguntou tão avoada quanto eu.
- McFly, sabe! – Izzy falou meio que em uma gargalhada.
Era difícil conversar com o som alto, mas aqui e o bar era o melhor lugar para conversar.
Difícil mesmo era na pista de dança. Olívia e foram dançar, eu ia também, mas Izzy tinha simpatizado comigo e pediu para eu ficar um pouco com ela. Conversamos e ela era até bastante legal, mas só sabia falar do Harry Judd. O que não é problema nenhum, claro, mas você, amando o Harry, ouvir a namorada dele falar certas coisas que você desejaria fazer com Harry Judd chega até ser um incômodo.
- E quando ele me pede massagem na mão! Ai, eu não agüento! – ela falava do problema no pulso que Harry sempre se queixava. – Mas o que posso fazer? É o ganha pão dele, né! - gargalhamos juntas e o Danny perguntou se queríamos alguma coisa pra beber, Olívia pediu um Sex on the Beach e eu pedi um Cuba Libre. Danny e Harry saíram para buscar e nós continuamos conversando.
- Mas vem cá, o McFly tem mais duas pessoas, certo? – falei com a esperança dela dizer que o Dougie Triple X Poynter e Tom Covinha Fletcher estivessem vindo.
- Tom nunca gostou dessas coisas! Ele é mais de caseiro, sabe! Muito fofo! E a Gio também não gosta de sair, o Dougie tá com a mãe, ela disse que desde que casou eles não passaram muito tempo juntos e ela tem sentido muita falta disso, agora ele tá lá com a mãe, também, outro fofo, né?
- Ah, com certeza, desistir de uma noitada com os amigos pra ficar com a mãe é definitivamente muuuiito fofo! – Não demorou para Danny e Harry chegarem trazendo nossas bebidas e nós 4 engatamos uma conversa sobre o Queen, é o que temos em comum, afinal, eles são da alta sociedade e eu não.
Danny pegou o celular que vibrava loucamente em seu bolso.
- Fala, ! – senti meu corpo estremecer inteiro, era ele. – O quê? Você tá aqui, dude? – mais uma vez minha espinha gelou, eu tentava sorrir para Izzy e Harry e prestar atenção em Danny ao mesmo tempo. – Como é que é? Ela dispensou o cara? E ele não desistiu? Calma aí! – Danny levantou e olhou para a pista de dança. – Já te achei, fica aí e me espera pra gente intervir! – entregou o celular a Izzy e tirou as pulseiras de seu braço. – Dude, tem um cara que não tá deixando a Olívia em paz, o tá lá pronto pro ataque, mas ele só tá com o , vamos lá agora. – Vi Harry tirar um cordão e entregar o celular pra Izzy.
- Vamos. Fiquem aqui e não saiam, entendeu? – ele olhou para mim e autoritário, o que me fez sorrir por dentro, claro, dude, é o Harry Judd. – Se a gente sair, vocês correm lá pra fora, certo?
- E a ? – perguntei preocupada, do jeito que eles falaram, ia rolar tiroteio.
- Ela tá segura se ela tá com a Olívia, ok? – Vi Harry dar um selinho em Izzy e descer as escadas correndo com Danny.
- Vamos ficar olhando daqui de cima! – Izzy se ajoelhou na cadeira e se apoiou na muretinha, fiz o mesmo. – Olha eles ali! – ela apontou pra Danny e Harry que passavam no meio da multidão rapidamente, empurrando todo mundo. – E olha o e o ali! – Virei o rosto o mais rápido que pude para olhar de longe. Estava lindo. Perfeito. Não consegui falar, e acho que também não respirei. Ele estava simplesmente lindo com aquela camisa social rosa. Perfeito. Novamente.
Logo avistei Olívia e e um cara que segurava a mão de Olívia e tentava agarrá-la, se coloca na frente e tentava puxar o braço de Olívia, mas o cara não largava. é uma ótima amiga, mesmo com alguém que acabou de conhecer. Não sei quantas vezes ela livrou minha cara.
Já fingimos que somos lésbicas e um monte de coisa.
No momento seguinte vi Danny Jones puxar o ombro do cara e dar um soco, tropeçou e caiu. Perdi ela de vista.


Cap 3

Quando Danny meteu o soco na cara do descarado, vi um negão alto se aproximar e dar um soco nele, dei uma olhada ao redor e o público tinha se afastado, vi Olívia segurando a mão de uma menina que estava jogada no chão. Mas não é hora pra isso. Avistei 2 caras se aproximarem de Danny perigosamente e era minha vez de entrar nessa. É aquilo de antes, cara, com meus amigos, ninguém mexe. Dei um soco em um e em outro e vi o cara que tava dando em cima da Olívia levantar e derrubar Harry. Foi aí que rolou a maior pancadaria. Eu dava soco em todo mundo que chegava perto do Harry e do Danny, eu vi eles baterem também e apanharem. Do nada surgiu o que há menos de 15 minutos estava encostado em uma parede quase comendo uma menina. Meu garoto, aprendeu com o mestre. derrubou o negão e eu já nem via mais em quem tava batendo. Tomei dois socos na boca. Quando pisquei meus olhos novamente vi os seguranças tentarem passar pela multidão. Danny, puxou de cima do negão e nós quatro corremos em direção à saído do pub. Quando já estávamos fora, eu comecei a gargalhar, mas o dudes não pararam de correr. Eles sabiam que os se seguranças vissem quem éramos nunca mais poderíamos voltar aqui, continuamos correndo até o Danny parar com as mãos no joelho. Harry deitou no capô de um carro azul marinho que eu reconheci sendo o do Danny, e encostou na porta e nos olhamos. Rimos. Gargalhamos.
- Caralho, dude. – tentava falava ofegante e entre risadas.
- Vocês me metem em cada uma! – dei um berro junto de várias risadas, Danny tirou a camisa e colocou as mãos no bolso.
- Caralho, a chave do carro tá com a Izzy.
- Esquenta não, daqui a pouco elas tão chegando aí... – Harry tentava parar de rir.
- Dude, nunca bati tanto numa briga! – falei arrancando a camisa também e sentando no chão, junto com que já estava no chão.
- É? Bateu e apanhou viu, ! – Danny falou e eu senti meus lábios arderem.
- Caralho, aquele filho da puta rasgou minha boca. – vociferei fingindo que não sentia dor e senti o sangue escorrer pelo meu queixo, apoiei a camisa e ficamos sentados e calados por alguns minutos, tentando descansar.
- Ô ... – Harry falou quase como num gemido.
- Que que foi, dude? – falei de olhos fechados.
- Você não disse que o tava contigo? – parei pra pensar.
- Porra, é mesmo! O tava comigo! Será que aquele veado correu da porrada?
- Então ele correu da porrada pra arranjar coisa melhor! – apontou pro quarteirão e eu vi carregando uma menina, com Olívia, Izzy e outra menina atrás.
- Porra, , você correu da briga, seu veado! – berrei segurando a camisa na boca.
- Foi mal aí, dudes, mas uma dama precisava da minha atenção! – falou olhando fixamente nos olhos da menina que ainda estava no seu colo, Harry levantou e abraçou Izzy, que ficou fazendo massagem em sua mão, e ele colocou ela sentada no capô. – Ela torceu o pé.
- Aquele idiota que tava tentando agarrar a Olívia me derrubou na hora que o Danny bateu nele – ela falou ficando um pouco corada. Era bem bonita e menina. se deu bem hoje.
- Amor, eu machuquei minha cabeça – Danny falou fazendo biquinho e passando mão na testa. Dei uma risada e Olívia se aproximou dele.
- Amor, muito legal isso que você fez hoje, tá? Aliás, muito obrigada, , Harry e . – se aproximou dela e ficou olhando para ela com cara de mau. – E a você também, né, ! Ajudou a ! Muito legal, gente.
- É, vai que aquele negão cai em cima dela! – a amiga da Olívia que até então estava calada falou e eu sorri, só então percebi que ela também era bonita. Mais bonita que a tal da .
- Mas então, Olívia, você não vai apresentar e sua amiga acidentada e a sua amiga que não tá acidentada, não? – perguntou na maior cara de pau do mundo e a "amiga que não tava acidentada" se aproximou da .
- Desculpe! Bom, a "acidentada" – ela fez sinal de aspas com a mão – é a , mas eu tenho certeza que o já conhece ela – ela falou gargalhando. Menininha sorridente, né? – E essa é a . – A tal sorriu mostrando uma arcada dentaria perfeita. É, eu gosto de dentes. Acho legal. Mas não vou fazer Odonto. Não insista. – Esses são , e , do Son of Dork. – amaldiçoei a Olívia por dizer essa última parte.
- Son of Dork é aquela banda né... Que fala de boybands? – falou e eu me impressionei, essas garotas não nos conheciam. Claro, deve ser por isso que elas são amigas do McFly. Eles nunca ficariam amigos assim de fãs loucas.
- É, somos nós. – falei tirando a camisa da boca e me levantando do chão.
- Cara, olha sua boca! Você tá todo ensangüentado! – a do sorriso bonito, , falou. Não esqueci o nome dela. Inédito. Olhei para a camisa e me dei conta que uma camisa que um dia foi salmão estava completamente vermelha, e em meu queixo ainda escorria sangue. – Você vai precisar levar ponto. Tem que ficar pressionando. – ela se aproximou, tirou a camisa da minha mão e apertou contra meus lábios. Eu dei um meio que gemido. Mas não foi de dor, ok? – Eu sei que dói, mas é melhor do que você precisar repor esse sangue ou morrer de hemorragia, ok? – ela falou com um olhar autoritário e eu senti vontade de rir.
- Então a gente tem que levar a e o pro hospital! – Izzy falou pegando a chave do carro e enfiando na porta, entregando algumas pulseiras e um celular pro Danny.
- Vamos fazer assim, vocês tão machucados? – perguntou e eu ia falar alguma coisa, mas a menina apertava a camisa da minha boca.
- Eu to tranqüilo, só ralei a mão. – Harry falou – Mas o Danny bateu a cabeça.
- Ah, mas não tem problema! A cabeça dele levando batida é capaz de ficar melhor! – arranquei a camisa da boca e falei quase gargalhando. Eu não podia perder a chance de zoar o Jones, né?
- Ô, rapaz! Deixa eu apertar isso aqui, vai! – ela enfiou metade da camisa dentro da minha boca deu um sorrisinho.
- Olha! O ta recebendo ordem de mulher! – O Jones falou sendo todo idiota. Claro. É o Jones!
- Que fofo, ! – Harry fez um voz fofinha e eu tentei falar, mas ela não deixou novamente, sorrindo com seus dentes perfeitos e sarcásticos.
- Dudes, não tem por que todo mundo passar a noite enfrentando o SUS do hospital, né, faz assim, o Danny, Olívia, Harry e Izzy vão pra casa e eu levo eles pro hospital no carro do . – Não era uma idéia ruim, mas eu tenho certeza que ele só fez isso pra dar idéia na tal da , tá muito assanhadinho, to quase deixando de achar que ele é viado! Tentei falar alguma coisa e recebi um olhar de reprovação da menina que já se achava minha mãe. Então apontei para o , que tava dormindo encostado no carro.
- Era a hora perfeita para um montinho, . – falou meio que decepcionado.
Realmente, era a hora perfeita. Pena que estávamos todos muito machucados para um montinho no meio da rua.
- Deixa que a gente leva o em casa, tadinho. – Izzy cutucou o que acordou com um pulo. Eu ri internamente, já que não podia rir externamente.
- Então vamos logo, porque o tá sangrando já tem um tempo. – falou e eu a olhei nos olhos, não foi minha intenção, mas quando ela percebeu ela corou um pouco. Juro que não foi minha intenção em deixar a menina sem graça. Mas achei legal ela se preocupar tanto assim comigo. A gente se despediu dos caras e abraçou Izzy e Olívia, que mandaram um beijo para . pegou a no colo tratando-a com o maior cuidado do mundo e me entregou a camisa.
- Aperta isso na boca, viu? – foi abrir a porta do meu carro para colocá-la dentro.
Povo espalhado, né? Já tão se achando íntimas de mim. Quero ver é outro tipo de intimidade.
Não entendi por que o se ofereceu pra levar a menina no hospital. Ele nunca quis passar imagem ruim para as minas que ele come, mas porra, passar por tudo isso só pra comer uma garota, e o pior, me colocar na jogada também. Não é o veado que eu conheço.
O carro do McFly já tinha saído e eu caminhava para o carro olhando o ajeitar a tal da no banco do carona.
- Me dá a chave, . – falei estendendo a mão.
- Não, senhor, você não vai dirigir, você também tá "acidentado". – Aquela estava começando a me irritar. Pra mandar alguém tomar no cu não precisa de muito.
- Aham, me dá a chave logo, . – falei sem dar muita importância para a menina, que deveria estar soltando fogo pela boca. Eu podia comer ela mais tarde, mas ela não ia mandar em mim.
- Não, dude, ela tá certa, deixa que eu dirijo. – falou já sentando no banco do motorista e batendo a porta. É, tá todo mundo começando a me irritar.
- Porra, , você dirige que nem um filho da puta, sai daí! – berrei batendo no vidro.
- Vai atrás! – ele berrou de dentro do carro. Olhei pra trás e vi a tal da abrir a porta e me olhar com raiva.
- Entra aí logo. – fiz uma careta e entrei na desgraça do carro, ela entrou logo atrás de mim e ligou o motor – Tudo bem com o seu pé, ?
- Tá, sim. Tá só inchado.
- É, que nem das outras vezes, aí você não engessava e precisava usar muleta depois por 2 meses. Pode ter certeza que hoje você só sai daquele hospital com esse pé engessado, viu. – falou e e riram juntos olhando um para a cara do outro. Era impressão minha ou essa era autoritária com todo mundo? Porra, menina chata. – E por que você não tá apertando essa boca, ? – ela falou mais uma vez arrancando a camisa da minha mão e chegando muito perto de mim para apertar. Senti seu perfume, era doce. E bom, muito bom.
- É, , tem que ficar apertando! – falou entre risadas com a e eu repeti varias vezes mentalmente que o que é dele tava guardado.
Foram longos 55 minutos até o hospital. , e conversaram o caminho todo, e eu não pude falar nada. Fiquei então olhando para o que estava mais fácil de ser visto. A tal e autoritária que conversava animadamente como se fosse melhor amiga do . Ela tinha um pequeno pontinho perto de sua orelha, como um sinal. Percebi também que boca tem um formato perfeito, como se fosse desenhada. Claro que ela era gostosa, mas alguém tão mandona assim provavelmente na cama iria tentar me dizer o que fazer. Não vou dormir com ela. Nem se ela quiser, o que é muito provável. Talvez eu dê uns agarros nela. Mas só porque a boca e o sorriso dela são muito bonitos.
No hospital nem tinha muita gente, mas eu fiquei meio constrangido de entrar lá sem camisa.
Não demorou para sermos atendidos e foi acompanhar a enquanto ela engessava a perna e eu e o fomos mandados pra uma salinha onde eu ia levar ponto. Não demorou muito e um médico chegou.
- Tá feio isso. – ele falou muito calmo jogando um negócio em cima que fez arder pra caralho.
- Ele levou dois socos no mesmo lugar.
- O certo a fazer é pressionar pra você não perder muito sangue. Os lábios podem até matar se muito tempo com hemorragia. – ele falou como se fosse o cara mais calmo do mundo, já enfiando uma agulha na minha bochecha, era anestesia. Porra, eu sou homem, mas não imortal.
- Tá vendo, . – falou em tom de deboche e eu o fuzilei com o olhar. Menos de 5 minutos depois o médico já tinha terminado de costurar.
- Volta daqui uns 3 dias pra tirar os pontos. Tenta não abrir muito a boca senão estica e rompe os pontos.E saiu da sala deixando a gente com cara de otário.
- Dude, ele é muito relaxado. Chega a ser sinistro. - falei sentindo a anestesia passar. Não era frescura, tinha começado a doer, porra. – olhava pros pés. – Dude.
- Ham?
- Eu te conheço. Fala que que foi aí?
- Nada, porra.
- Sei. Qual é, , você tá muito estranho com essa mina aí, você ta tratando ela como se fosse uma princesa, dude, se tudo isso for pra comer ela, ela vai começar a te seguir.
- Porra, dude, não é pra comer ela! – ele falou irritado.
- E por que esse estresse todo? – falei sentindo a dor na boca aumentar mais e mais.
- Nada. – ele falou emburrado como uma criança.
- Qual é, ? Esqueceu com quem você tá falando? Porra você sabe que pode falar qualquer coisa comigo!
- Mas eu não quero falar, valeu?
- Porra, eu não vou te zoar não, dude. É o que? Você tá com alguma DST? – falei contendo o riso e o olhando sério.
- Tá louco, ! Vai jogar praga na mãe do Danny, dude!
- Relaxa, , to brincando com você. – Parei de rir e levantei, ficando frente a frente com ele. – Agora fala. Eu sou seu amigo, estive sempre do seu lado e você sempre esteve do meu. Qual é o drama? – falei colocando uma das mãos no ombro dele. Mas era tudo verdade (de um jeito totalmente heterossexual). Nós somos amigos já tem algum tempo e eu posso confiar minha vida nele, e mesmo chamando ele de veado, eu sei que ele não é. Falei.
- Cara... É aquela menina.
- A .
- Como você sabe?
- Você não ia tratar uma menina assim só pra comer ela. Mas o que tem ela?
- Ela é diferente, sei lá. Eu gostei dela.
- E qual é o problema nisso?
- Porra, dude, eu nunca fiquei na moral com ninguém, nem você!
- Pois é, pra tudo tem uma primeira vez! Tá na hora da sua!
- E quando vai ser a sua?
- O quê? Tá louco? Nunca! – nós dois rimos. De novo, eu ando muito sorridente esses dias. – E por que você não faz o seu movimento?
- Eu não sei como eu vou continuar, sacou. Conquistar eu sei, mas manter eu não sei.
- E como é que você vai aprender se não tentar, dude?
- Porra, . Valeu, dude. – notei que o ficou meio sem graça de me dar um abraço.
Pra isso ele tem vergonha, mas pras veadagens que ele faz não tem vergonha que segure! Então puxei ele pra um abraço.
- E aí, vai ficar aí me agarrando ou vai lá tentar conquistar a mina? – eu sorri e saímos da sala, na recepção as duas meninas já estavam esperando pela gente. A tal da estava com um gesso que ia até o joelho e conversava com ela animadamente.
- E aí? Vamos? – chegou e sentou-se ao lado da . – Onde é que vocês moram?
- Na saída de Chelsea.
- Caralho! – eu falei – Vocês moram na puta que pariu!
- É, e é perigoso passar lá de noite.
- Mas nós estamos com dois jovens e fortes homens, quem teria a audácia de encostar em nós? – falou explodindo sarcasmo pelos ouvidos.
- Somos, jovens, fortes e homens, mas não somos imortais, ok?
- Tá bom. – ela falou com seu sorrisinho de deboche irritantemente bonito.
- Vamos fazer assim, vocês ficam lá em casa essa noite, amanhã de manhã quando o estiver indo pra casa ele dá um desvio enooooorme e leva vocês, tudo bem pra vocês?
- Não sei... - falou meio apreensiva. Claro, até eu estaria por ficar na casa de dois caras que eu não conheço com o pé quebrado, né, porra.
- Pensa pelo lado bom, , eles vão fazer tudo que você quiser, afinal, você não pode andar, sabe? – falou dando uma piscadinha pra , sorrindo. Eu realmente não queria que a fosse lá pra casa, mas eu queria ajudar o , então tive que chamar as duas.
- Então acho sim.
- Combinado, então. – ela falou sempre sorrindo ironicamente – Ah, e ... sua boca ficou uma gracinha. – e deu uma risadinha abafada. Olhei no reflexo de um carro e realmente. Tava uma desgraça, parecia que eu tinha dado uns agarros em duas plantas carnívoras ao mesmo tempo. Que merda. É uma merda sim, meu rostinho perfeito com uma imperfeição. Desgraça.
- A propósito, , achei muito legal da sua parte ligar pro Danny e perguntar o que fazer com o cara. – falou sentada no banco da frente e ainda dirigia. Filho da puta.
- É, porra, a namorada não é minha, eu tenho que perguntar o que eu faço. Ontem eu liguei pra ele pra falar que ela tava no pub e ele disse que já sabia, eu sempre faço isso, se eu vejo namorada de amigo meu por aí à toa, eu dou uma ligada pra garantir que ele tá sabendo e tá deixando. Não vou arriscar deixar nenhum dos meus amigos levar chifre, sacou?
- Nossa, , todo preocupado com seus amigos. Isso é muito legal da sua parte. – olhei para que estava sentada do meu lado. Foi a primeira vez que senti sinceridade em seu tom de voz em vez de deboche ou autoritarismo.
- Eu sei que eles fariam a mesma coisa comigo. – falei dando um pedala em .
- Claro! Faríamos sim, mas até você arranjar uma namorada a gente não move um dedo – elefalou entre gargalhadas e eu dei mais um pedala em sua cabeça.
- Você nunca namorou, ? – virou pra trás e olhou pra rapidamente.
- É. – o resto da viagem ninguém mais conversou. Foram muitos acontecimentos naquela noite. Eu tava cansado. Mas também tava com fome. E eu não durmo com fome.
- Sabe... eu queria ser educada e talz, mas, não tem como não falar. – ela respirou fundo e eu a olhei fazer isso calmamente, até perceber que a olhava fixamente e então olhei para a paisagem do lado de fora do carro. – Eu estou com fome. – virei a cabeça rapidamente para ela.
- Graças a Deus alguém falou alguma coisa! – olhou pra trás com os olhos arregalados como se reprovasse a atitude de , dei um sorriso. – pára em algum lugar aí!
- Porra, são 4 da manhã, as paradas só ficam abertas até às 3. Na sua casa não tem nada pra comer, não?
- Pronto, não.
- Mas tem pra fazer? – perguntou.
- Tipo o quê?
- Presunto.
- Tem.
- Queijo?
- Tem.
- Creme de leite?
- É um negocio que parece leite condensado?
- Mais ou menos.
- Eu tenho, eu comprei achando que era leite condensado.
- Mas é sonso mesmo, né! – pronto, a voltou. – Tem carne moída?
- Tem, tá congelada que eu comprei pra fazer um macarrão e não fiz.
- Tem massa de lasanha?
- O que é isso?
- É tipo macarrão só que em vez de ser cordinha é como se fosse um tablete.
- Eu vi um negocio desse rodando o armário lá da cozinha. E o que você vai fazer?
- Lasanha.
- Que nem a da minha mãe?
- Não, quem nem da minha.
- E é boa?
- Você vai provar. – Subimos de elevador e o colocou sentada ao lado dele no sofá.
Ele ligou a tv e ficou assistindo alguns clipes que passam de madrugada e puxando assunto com ela.
- Eu vou tomar um banho, beleza?
- Ah, toma aqui, irresponsável, por você ela ficava lá mesmo. – E jogou a camisa nsangüentada na minha cara.
- Delicada você, né?
- Bastante. – ela riu alto, e não foi uma risada debochada. Ela entrou na cozinha, que é ao lado da porta de entrada e eu atravessei a sala para ir ao banheiro tomar um banho. Lavei meu rosto com dificuldade já que minha boca tava doendo que nem uma porra. Terminei o banho e vesti apenas uma boxer. É. Eu não me importo se elas vão ver meu peitoral fantástico que elas já estão vendo desde que chegamos no carro e minhas coxas gostosas. Não ligo, sacou? Saí do banheiro e fui na sala.
Foi incrível, eu me assustei e tentei não fazer barulho, estava beijando a . Sim, só beijando! Eu nunca vi ele fazer isso! Esse cara se apaixonou perdidamente! A mão dele tava na própria coxa e ela segurava ele por suas bochechas. Caminhei lentamente e nas pontas dos pés para não incomodar ninguém e fui até a cozinha e fechei a porta.
- Por que você fechou? – perguntou sentada na pia.
- Por que você tá aí parada sem fazer nada?
- Ta no forno. Mas por que você fechou a porta?
- Acho que você precisa ver com os próprios olhos. – ela franziu a sobrancelha e pulou da pia abrindo um pouco da porta, colocando um pouco da cabeça pra fora espiando o que tinha na sala. Um segundo depois ela colocu a cabeça pra dentro rapidamente e ela começou a pular pela cozinha tentando fazer silêncio e abafar os gritinhos. Eu não resisti àquela cena, eu tinha que rir, na verdade, gargalhar. Imagina a correndo pela cozinha com a mão na boca toda saltitante! Eu tinha que rir, e ri, demais.
- Eiii, o que está acontecendo aqui? – e abriram a porta da cozinha e eu estava sentado no chão rindo e a ainda pulava.
- Entra aqui agora, ! – puxou o pra dentro da cozinha e bateu a porta. Eu e nos olhamos e corremos pra porta pra colocar nossos ouvidos. A única coisa que deu pra ouvir foi o berro que ela deu.
- da Silva Sauro! – depois só podíamos ouvir sussurros, mas não dava pra entender.
Então era a minha vez de fazer a mesma coisa que a fez.
- , que beijo foi aquele! – falei olhando o corar. É, ele ficou vermelho! Sem noção. Muuuuitos acontecimentos essa noite.
- Ah... A gente tava conversando... Aí... Rolou, sabe... – ele abaixou a cabeça e eu abri um sorriso abraçando e tirando o cara do chão.
- Você beijou uma menina sem encostar um dedo nela! – segurei seus ombros e dei uma olhada significativa para ele. – Eu estou tão orgulhoso de você! – ele deu algumas risadas.
- Que cheiro bom é esse?
- É a comida da .
- Putz... Tá cheirando, viu. – minha barriga, que eu já tinha esquecido até então, começou a mexer, tinha um alien ali dentro, e esse alien estava faminto. – ! – eu abri a porta e encontrei as duas sentadas no sofá conversando. – Eu to com fome! – berrei alto.
- Já ta pronto, coloca a mesa, . - Quê? Como assim?
- Ô baixinha, você não manda em mim não, sacou? – falei me aproximando e colocando as mãos na cintura.
- , é melhor você colocar essa mesa, logo, viu? – ela falou com aquele mesmo tom autoritário que eu já conhecia como se fosse amigo de infância.
- Eu... - nesse momento eu parei. Todos me chamam de ou de , mas ninguém me chamou de pra ela saber que esse era meu nome do meio. – Como você sabe meu nome? – vi os olhos dela arregalarem e ela olhar pra em desespero, não entendi essa reação.
- Eu e a temos uma confissão a fazer. – ela falou meio constrangida. – Mas antes pega os pratos e talheres e eu conto na mesa. – então eu fui pegar os pratos e talheres. Não porque ela mandou, mas por que eu estava curioso. Juro! Quando todos sentamos na mesa, começou, olhando para .
- Eu e a mentimos para vocês. – eu apoiei o braço na mesa e pus a observar o rosto dela, achei outra pintinha, no pescoço, como um sinal. – Nós já conhecíamos vocês. – Como? – Nós na verdade...
- Espera! – Berrei – Vocês por acaso vão revelar que são serial killers? Porque se for isso, eu devo dizer que o tá se apaixonando por uma assassina, e isso meu amigo, não é saudável.
- Porra, !
- Você tá se apaixonando por mim? – o encarou então eu percebi a merda que tinha feito.
Idiota. O . E eu também.
- Eu.. To... Não... Não sei... Mas posso. – ele falou a última frase com convicção e eu e observamos os olhos dela brilhar.
- Então. Vou falar de uma vez, já que vocês tão apaixonados. Eu e na verdade somos fãs, de McFly, Busted e Son of Dork. Este último principalmente.
- Jura? – eu falei meio encucado. - Vocês não parecem que são nossas fãs.
- Mas somos, na verdade. Nos controlamos por esse tempo todinho.
- Mesmo do lado do Harry Judd, Danny e talz?
- É.
- Então estar aqui com a gente é como... Sei lá, um desejo realizado?
- Mais ou menos isso.
- Hum... E quem é o favorito de vocês?
- Ahm?
- Ah, qual é. Todo mundo sabe que vocês têm favoritos! O Dougie normalmente ganha do McFly e do Son Of Dork eu não sei direito como são os gráficos.
- Bom, o da , caso alguém não tenha notado, é o .
- Ahh! Que surpresa! – e sorriram. – E o seu?
- Hein?
- Quem é o seu favorito?
- Eu? Eu não tenho! – ela falou sentando na cadeira e pegando uma faca – Então vamos comer!
- Mentiraa! – berrou sem se levantar, porque... Porque você sabe, né.
- ... – ela falou em tom de ameaça e eu contive uma gargalhada.
- , é pro seu bem! – ela deu uma pausa e olhou para mim. É, pra mim. – O favorito dela é você, . Você é o fundo de tela do computador dela. Você ta no nick do msn dela em frase "Eu quero muuuito o ". – devo dizer que eu fiquei constrangido e não soube onde enfiar minha cara.
- Então para você, é como se fosse natal? – é claro que o palhaço tinha que fazer uma piadinha, ela riu. Com seus dentes bonitos e seu sinal no pescoço.
- E por que vocês não se comportaram como fãs? Sabe... Pedir autógrafo... Tirar foto.
- Porque eu tenho uma teoria de que se você se comporta como uma coisa, você será apenas essa coisa. E eu não gostaria de ser apenas uma fã. Se eu fosse, hoje a Olívia estaria com raiva da gente porque a gente gosta de McFly e é uma daquelas fãs tresloucadas por aí, eu com certeza não estaria sentada na mesa com o cara mais foda. – ela colocou a mão na boca como se tivesse falado demais. Fofo. Não devo mentir e dizer que não gostei que ela é minha fã. Saber que você é o fundo de tela de alguém é algo importante. – Mas eu tenho outra coisa a dizer – ela novamente se pronunciou. – Agora são 5:23 da manhã, e eu ainda to com fome, então se me permitem, eu vou comer.


Cap 4

Eu tava morrendo de fome e de constrangimento. A desgraça da me faz pagar esse mico na frente de ! Putz eu tava indo tão bem! Sendo debochada com ele, irônica, sarcástica, e eu cozinhei pra ele! Cara! Como a estraga o sonho assim! Eu não vou mais conseguir ser debochada com ele mais! Vou ficar com vergonha de tudo que ele falar comigo. E agora ele tá comendo com um sorriso de deboche pra mim. Igual ao que eu fazia! E eu não consigo nem olhar pra ele mais!
- , você vai ficar toda tímida agora, é? – ele puxou assunto só pra ser chato.
- Eu não to... Tímida. – falei engasgando um pouco. Idiota. Eu estrago tudo. Só sei pagar mico!
- , cadê seu deboche? To com saudade dele. – ele tá fazendo isso pra me irritar.
- Eu te dei ele todinho, seu palhaço. – finalmente consegui falar alguma coisa inteligente.
Cara... Eu fiz comida pro , e to comendo lasanha com ele às 6 da manhã. Ok, a beijou o e eu não sei em que pé eles estão. – Sabe, , você gostaria de ficar mais com a ? – minha vez de te ferrar amiga, mas eu to fazendo isso pra te ajudar. Ela engasgou com que eu falei e começou a bater no próprio peito.
- Você tá bem, ? - perguntou antes de me responder e ela fez que sim com a cabeça, eu tinha certeza que ela estava tão ansiosa por essa resposta assim como eu. – Olha, eu gostei muito dela, e essa parada de ser fã não atrapalha em nada pra mim. – quase os olhos de saltam pra fora e ela meteu mais uma garfada na boca. – Eu acho que eu gostaria de ficar mais com ela. Mas eu não sei o que ela acha por isso. – no mesmo momento tentou mastigar a comida mais rápido.
- Eu acho que ela gosta dessa idéia também, . – falei rindo da situação da garota engasgada.
- Que bonito! – falou e minha espinha gelou. Droga. – , quer seu deboche de volta? Ainda tem bastante aqui pra você.
- Obrigada, eu já produzi mais. – falei sorrindo. Mas tenho certeza que errei no sorriso.
- Quero te perguntar uma coisa, por que que você foi tão má comigo quando a gente se conheceu?
- Quando ela tá nervosa ela fica debochada! – berrou assim que acabou de engolir.
- Sabe, , eu acho sinceramente que você devia pegar sua cabeça e amarrar uma bomba junto. – sorri pra .
- Ah, tipo agora? – falava. Ele tava tentando me irritar, eu consigo ver na cara dele. Ele tá fazendo de propósito, mas eu não posso entrar no jogo dele. – , fica nervosa não. – ele roubou meu sorriso debochado e agora está o usando contra mim! Como pode ser tão filho da puta!
- Ah, querido, eu não to nervosa não. – falei devagar e alto como se falasse com um retardado, ele fechou a cara por um segundo.
- Olha, você pegou o deboche de volta! – ele berrou sorrindo se servindo de mais lasanha.
- Que nada, querido, tá todinho com você ainda, esse eu produzi agora. – ele riu e eu ri com ele.
- Muito legal esse nosso joguinho.
- É também to achando. – respondi dando a ultima garfada. – Mas agora vamos falar sério. A gente chegou, todo mundo foi se agarrar ou tomar um banho pra relaxar e eu fui me fuder na cozinha. Todo mundo comeu, repetiu, se satisfez. E eu to aqui esperando alguém falar alguma coisa... Ninguém vai elogiar não?
- Tá maravilhosaa!
- Tá perfeita!
- Sua mãe não faz melhor!
- Nem a minha!
- Agora está bem melhor. Obrigada. – sorri e peguei o prato levando pra cozinha e colocando na pia. – E lamento dizer mas eu não vou lavar a louça. Aliás, não lamento não! – parei perto de e falei carinhosamente. – , onde você guarda a roupa de cama?
- No armário que tem no meu quarto.
- Ah sim... E seu quarto tem chave? - Perguntei assim... como quem não quer nada, sabe.
- Tem, tá na porta.
- É? Valeu, tchau. – Corri pro quarto de e me tranquei. Logo depois ouvi as batidas na porta.
- Ei, , abre a porta! Eu vou dormir aí agora!
- Ah, não vai não, querido, se você dorme aqui é por que esse quarto é o melhor. E se você não se importa eu vou trocar os lençóis de cama porque eu não quero dormir cheirando às vagabundas que você já trouxe pra cá, viu. – ele ficou calado por alguns segundos.
- Por quê? Senão fica com ciúme? – filho da puta! Ele com certeza falou rindo! Ele tá fazendo isso pra me torturar até que eu diga que sou louca por ele!
- Também, , e também por que eu sou limpinha. – foi a melhor resposta que eu pude arranjar, não me culpe.
- Dorme no quarto com o , vai.
- E a ?
- Ela dorme na cama e vocês no chão.
- Não, ! Abre aí que eu vou colocar a pra dormir com você.
- Você não vai me sacanear não, né? – Falei passando a mão na cama já forrada enrolando a suja num canto.
- Vou não, agora abre. – girei a chave a porta foi aberta com tudo e eu quase cai! entrou batendo a porta e trancando com a chave.
- ! Vai dormir com o !
- O já deitou na cama com a e pegou no sono lá mesmo!
- É querido, mas comigo você não vai dormir, sabia? É uma cama de solteiro!
- Eu sei, então ou dorme comigo ou dorme no chão. - Ele se deitou na cama num canto e fez sinal para que eu deitasse com ele. Eu fui. Eu não tinha opção. – Então, aposto que você já deve ter sonhado um monte de vezes em dormir comigo, né? – dei um tapa no braço dele e virei as costas pra ele.
- Boa noite, !
- Boa noite, . – fechei meus olhos e não me lembro de ter parado pra pensar em nada. Eram 7 horas da manhã cara, a noite foi longa, mas foi perfeita. Não consigo imaginar em um jeito melhor de conhecer o . E ele é tudo aquilo que eu achava que era. Ele se acha mais do que eu pensava... Mas cá entre nós, que ele nunca saiba disso, ele se acha, mas é ele é. Ouvi o barulho da televisão e acordei, me mexi com cuidado e olhei pro lado, ainda estava lá. Dormindo como um bebê. Liiindo bebê. Olhei pra ele alguns segundo e fui me levantar, no maior silêncio que pude fazer, mas meu pé enroscou no lençol e eu cai no chão, fazendo barulho.
- Tá tudo bem, aí, cara? – eu vi um com os olhos quase fechados levantar depressa e me olhar estatelada no chão.
- É... To bem... Tava tentando não te acordar.
- Inutilmente, né.
- Desculpa.
- E aí, como você dormiu? – ele perguntou se espreguiçando. Eu levantei do chão e sentei na cama olhando ele se espreguiçar, com sua boxer. É. Simm! Só com a boxer.
- Bem... E você? – ele então abriu os olhos e sentou ao meu lado na cama.
- Tranqüilo... – ele falou calado por alguns segundos. - Você sabe que você ta só de sutiã, né? – ele falou apontando para o meu peito e então eu me lembrei. Eu tinha tirado a blusa no meio da noite porque tava me sufocando. É, eu estou sentada na cama do , só de sutiã e não demos sequer um beijo. Isso sim é deprimente.
- Droga. – puxei o lençol rapidamente para cima do meu corpo.
- Agora eu já vi, você não precisa mais esconder. – É uma boa teoria... Então vesti minha blusa. – Você tem idéia da hora?
- Calma aê... são 4:53PM.
- Caralho! A gente dormiu até às 5 da tarde! – ele falou assustado, até eu me assustei também.- É o meu recorde!
- Foi a companhia, sabe! – falei tentando quebrar o gelo.
- É, queria olhar menos pra cara debochada dela e por isso dormi o máximo que pude.
- Sabe, isso foi cruel. Estou magoada. – Fiz bico e cruzei os braços. Mulher tem que fazer o charminho sabe. – AH, tadinha, dela! – ele me abraçou rapidamente e se dirigiu à porta.
- Ei, você não vai arrumar a cama, não?
- Pra quê? Eu vou dormir ai hoje! Vou arrumar pra bagunçar de novo? – E saiu do quarto me deixando com um sorriso bobo no rosto. É, bobo sim. Cara eu tinha acabado de dormir, apenas dormir com . Então, bobo é pouco pro meu sorriso. Tinha que ser mais como um sorriso retardado.
Fui à sala e e estavam assistindo Gossip Girl. Vi um sentar no sofá rapidamente.
- O que aconteceu? – ele perguntou todo animado.
- Esse é o episódio do Thanksgiving, aí eles colocam cenas do ano passado e Serena tava bêbada.
- Que foda! – berrou encarando a televisão. Eu não agüentei.
- O quê? assiste Gossip Girl?
- Se assiste? Ele é viciado! – berrou e jogou uma almofada nele, não é bonitinho com vergonha?
- Não, porra, eu não gosto, eu assisto porque não tem nada melhor passando.
- Aham, , aham! – ri e ele ficou mais algum tempo tentando se explicar, não é uma gracinha? – Tá bom, , já deu pra sacar, viu. Só tava fazendo hora com sua cara, pode relaxar.
A gente ficou assistindo Gossip Girl e logo depois passou Supernatural. Já eram 7 horas e a berrou.
- , nós temos que ir pra casa! São sete da noite! – eu ia respondê-la, mas não deixou.
- Tá vendo! Já tá tarde pra vocês irem pra puta que pariu, vão ter que ficar aqui de novo! – achei fofo ele tentando fazer com que a ficasse mais com ele, em vez de pedir, né? Não entendo os homens, seria tão mais fácil se eles dissessem o que querem.
- Mas a gente trabalha amanhã!
- Você tá com o pé machucado, você não pode ir trabalhar. – falei cínica e arregalou os olhos.
- Mas você não tá machucada! – ela falou.
- Mas mesmo assim é tarde pra ir. Amanhã o te leva pra sua casa e depois pro seu trabalho.
- Ô , como é que você assume compromisso no meu lugar? – ele perguntou com uma cara emburrada. Mas de mentira claro, aquilo ali é descarado demais!
- Porra, ! – tentou se comunicar com os olhos, mas era melhor ele ter falado, por que todo mundo entendeu do mesmo jeito.
- Tá, que horas você trabalha?
- Eu vou às 9.
- Da noite? Porra, mas você é guarda noturno?
- Não, esperto, da manhã.
- Sério?
- Sério, . As pessoas que não têm bandas precisam de comida, e para comprar comida precisa de dinheiro ,e pra ter dinheiro você precisa trabalhar. Acredite ou não, mais da metade do planeta acorda às 6.
- Você foi debochada, não foi? Ah, eu sabia! – ele falou fazendo gracinha. Ridículo, né? E lindo... Ai...
- Então, , você vai me levar amanhã?
- Pede por favor.
- Ah, , qual é!
- A palavrinha mágica!
- Por favor, , querido, pode me levar amanhã?
- Adorei a parte do querido.
- Era pra você não gostar, porque eu tava sendo debochada.
- Jura? Nem notei, acredita! – Ele bem idiota. Quase um retardado.
- Desculpa interromper o casal apaixonado mas eu to com fome. – falou e eu vi o fuzilar com o olhar, ri.
- Vai em algum lugar comprar lanche pra gente.
- Beleza, eu e a vamos, mas vocês vão arrumar a casa. – falou pegando no colo e saindo com ela sem falar mais nada.
- Por que arrumar a casa? Não entendi.
- Acho que é por que tá um chiqueiro, né, querido.
- Olha o querido aí novamente!
- Não enche, . Vamos fazer assim, eu limpo a cozinha, você o banheiro, e a sala a gente faz juntos, ok?
- Tá bom. Mas só por que a cozinha é maior que o banheiro. – Vi um entrar emburrado no banheiro levando um balde e uma vassoura, logo seu celular começou a tocar desesperadamente.
- ! – interrompi a cantoria dele. – Seu celular tá tocando.
- Atende aí, secretária! – ele berrou de dentro do banheiro cantando algo como "a dona aranha subiu pela parede" e eu atendi o celular.
- Celular do . – falei me sentindo meio como uma secretária na verdade.
- Alô... Er... Quem é?" – reconheci a voz de Danny do outro lado e dessa vez não dei surto.
- Aqui é a , Danny.
- Ah, tá... Eu só liguei pra saber como foram as coisas lá no hospital, . – ele falou e eu ouvi a voz de Olívia falar por trás.
- Você tá falando com a ? Ela tá no celular do ? Ela ficou pra dormir lá? E ta lá até agora? Não Creeeeioo!
- Er... , a Olívia quer falar com você.
- Ah, tá, passa pra ela.
- ! Você tá aí no até agora? Como você conseguiu? O espanta todas as garotas que ele dorme em menos de meia hora!
- Eu não dormi com ele! – falei rindo.
- Não? E por que você tá aí?
- A e o se deram bem.
- O ? Caraca, ele tá com a até agora?
- Sim, senhora. E eles vão continuar juntos.
- Juntos? Que fofo! Parece coisa de filme! - ela falou com uma voz fina. Um pouco irritante, mas ela era legal. E era namorada do Danny.
- Parece mesmo.
- Mas e você e o ? Tão segurando vela ou se deram bem?
- Tamos segurando vela.
- É, amiga, então sai dessa porque ficar de vela não rola, pega o
- Tá louuca! Que é issoo!
- Vai dizer que acha ele feio?
- Não, pô, feio não, ele é lindo, mas...
- Eu ouvi você me chamar de lindo! – abriu a porta do banheiro correndo e rindo. – Eu ouvi!
- É o se matando de gritar aí? Coloca ele no telefone.
- Ela quer falar com você. – entreguei o celular quase que num tapa de cara emburrada. olhou no fundo dos meus olhos e sorriu cinicamente. Ele realmente roubou meu deboche.
- Você acha? – ele falava no telefone olhando pra minha cara emburrada. – Ah, não sei. Quem sabe... Você tem certeza disso? Haha! – ele riu e olhou pra mim que ainda o encarava. – , um pouco de privacidade, por favor? – ele falou no maior cinismo que conseguiu e eu apertei os olhos o fuzilando. Me afastei e bati a porta da cozinha, fechando-a e começando a limpar minha parte. Na verdade eu tava puta porque eu não sabia o que eles estavam falando. E tipo, eles se conhecem há mais tempo mas ela é minha amiga! Foi um pouco de ciúmes, sim. Mas só um pouco. Limpei a cozinha toda, parede chão e móveis. Só não limpei o teto porque não alcançava, mas a raiva é uma ótima motivação quando você precisa, sabe! Já tinha passado meia hora quando eu abri a porta e sentei no sofá ao lado de , que assistia alguns clipes.
- Vai ficar de bico? – ele perguntou olhando de lado para mim.
- Não estou de bico.
- Tem certeza? – ele falou chegando mais perto apoiando a mão no próprio joelho e me encarando. Eu olhei no fundo dos olhos perfeitos dele.
- Tenho. – ele me olhou por mais alguns segundos e encostou novamente no sofá, assistindo a um clipe do Tokio Hotel. Que por sinal é ridículo. O vocalista parece uma mulher ET!
- Então tá. – passou uns 10 minutos e a gente ainda assistindo clipe calados. - e tão demorando, né?
- Vou tomar um banho. – cortei ele. Na verdade não foi minha intenção, só que eu lembrei que eu não tomo banho desde ontem, então...
- Ah. – alguns segundos se passaram e eu levantei. Fui ao quarto do peguei uma toalha verde que tinha no armário e fui ao banheiro. Não sei como estava antes, mas ele tinha caprichado. Tomei um banho de 10 minutos e saí enrolada na toalha. olhou pra trás, me viu de toalha e virou pra frente. Cínico. Fui ao quarto dele e peguei uma camiseta do Blink e umas calças de Back to the Future super largas. Vesti. Tava parecendo uma mendiga. Voltei para a sala e arregalou os olhos quando me viu com as calças.
- O que você tá fazendo com as minhas calças? – ele perguntou como se estivesse se contendo.
- Usando.
- Ninguém toca nas minhas calças.
- Sério? Então devem estar imundas!
- É... Tem umas duas semanas que eu não lavo.
- Que nojo! – corri e tirei as calças, ficando apenas com a camisa do Blink 182 que ia até o meio das minhas coxas.- você não lava roupa, não?
- De vez em quando.
- Putz! – cheirei a camisa que usava, não estava com um cheiro ruim. Graças a Deus. Sentei para assistir clipes com ele novamente. Ele em canto do sofá e eu no outro. - Também acho.
- Ahm?
- Também acho que o e a estão demorando. – ele olhou pra mim e sorriu. Eu deitei no sofá colocando a cabeça no colo dele. Alguns segundos depois como que num movimento automático ele começou a mexer nos meus cabelos molhados. Passou um clipe do Angels and Airwaves, muito ruim o clipe por sinal. A música era legal. Depois passou But It's Better If You Do, do Panic At The Disco. E propagandas. O silêncio era entorpecedor. Olhei para uma mancha no teto e por alguns segundos e fechei meus olhos. Acho que não passou muito tempo, pelo menos uns 5 minutos e os abri novamente esperando ver uma mancha no teto, mas a única coisa que vi foram seus olhos penetrantes me encarando e levando um susto ao ver meus olhos abertos. Levantei do colo dele depressa, também assustada.
- Por que estava me encarando?
- Eu... Não estava te encarando. Estava te olhando.
- Por quê?
- Porque... – ele parou alguns segundos como se escolhesse as palavras e foi interrompido por que chegou carregando , e em cima dela tinha uma enorme sacola.
- Oba, comida! – berrei e corri para pegar a sacola.
- , eu falei com o que o seu é um McCheedar especial com batata frita e guaraná.
- Obrigada, amiga! – Falei agarrando a caixinha do hambúrguer.
- É você tá mesmo com fome – falou, então levantou do sofá e foi pegar seu hambúrguer em silêncio. – Big Mac, né, dude?
- É. Valeu. – Ele falou cortando o papo, me olhou se comunicando comigo e eu a olhei de volta avisando que eu não tinha feito nada e que ele tava muito estranho.
- Mas então, posso saber por que vocês dois demoraram tanto? – perguntei quebrando o gelo.
- Ah... – vi ficando vermelha e coçando a garganta.
- A gente... Achou que como a gente não teve um primeiro encontro... Era bom ter.
- Hum... QUE FOFO! – berrei e logo em seguida dando uma mordida no meu McCheedar.
- , posso provar o seu? – finalmente falou alguma coisa e eu até estranhei essa atitude dele, ele não queria provar meu hambúrguer nada.
- Pode não. É meu. – falei autoritária.
- Ih, , é melhor você não mexer com o McCheedar dela. Ela tem muito ciúme. – ele riu colocando a mão da boca para não mostrar o pedaço do hambúrguer dele. O tá meio diferente. Ele está com um olhar estranho.
- ... Cadê o deboche que você roubou de mim? – perguntei dando um sorriso para ele, ele sorriu de volta, e foi um sorriso sincero.
- Não sei... Perdi a vontade de ser debochado.
- Eu também... – falei sem nem perceber que era mesmo verdade, e já tinham comido, então sentaram no sofá. Logo vi eles se agarrando. Tá, eles não tavam se agarrando, mas estavam se beijando e um fazendo carinho no outro. Fiquei com raiva disso. Não por ver minha melhor amiga feliz, claro que não, por Deus, ela estava ficando, quase namorando com !
Mas não sei. Tipo... ela tá no sonho dela. E eu não. Mas o que importa é que ela tá feliz, e eu não posso atrapalhar isso. Olhei o relógio e marcava 9:02. Fiquei meio incomodada com os dois se agarrando na sala e saí andando pelo apartamento, e terminou de comer e começou a me seguir.
- O que você tá fazendo?
- Te seguindo.
- Por quê?
- Porque eu não gosto de segurar vela e a única pessoa que tem aqui é você.
- E se tivesse mais alguém?
- Eu provavelmente estaria com essa pessoa. – ele riu alto e eu sorri.
- Você nunca me disse porque estava me encarando, afinal.
- Ahm? Tão me chamando lá dentro! – ele foi em direção à sala, à essa hora estávamos na cozinha.
- ! Não vai atrapalhar, não quer me responder, tudo bem! – falei rindo.
- Então tá bom! Não quero responder. – balancei a cabeça e fui em direção à uma porta que tinha na cozinha. Me deparei com uma varanda. Ou quase uma. Mas resumindo, o que quero dizer é que tinha uma linda paisagem, dava pra ver o London Eye e eu o observei durante muito tempo, com todas as suas luzes.
- Gostou?
- É maravilhoso – respondi fascinada pelas luzes da cidade.
- É mesmo. – ficamos assim alguns minutos, admirando a cidade. E eu gostei disso, sabe, era bom ter alguém perto. Mesmo que esse alguém fosse . Que continuava magnífico vestindo apenas as boxers de uma luta espacial. Muito sexy, . Sorri. - Está com frio? – ouvi sua voz quebrar o silêncio e então notei que estava toda encolhida e toda arrepiada.
- Só um pouco. – ele saiu da varanda. Então eu me sentei em uma mesa que tinha ali. Olhei a London Eye girando mais uma vez. Morri de medo ao pensar que eram 135 metros. Cara. É muito alto. Então vi vindo com o edredom e passou ele sobre mim, enrolando-me.
- Você não está com frio?
- To, mas pra entrar ai eu preciso de um convite. – ele sorriu esfregando os braços.
- Quer vir?
- Adoraria! – ele falou e entrou debaixo do edredon comigo. Estávamos enrolados já fazia algum tempo. Eu adoro o frio. É lindo. Foi esfriando mais e mais, mas eu me sentia perfeitamente protegida ali debaixo com do meu lado, estávamos bem próximos. Me arrepiei ao pensar nisso. – Ainda está com frio? – Droga, ele sentiu que eu me arrepiei.
- Não... Eu to bem. – ele me puxou para mais perto dele e me abraçou. Não vou dizer que eu não gostei.
- Porque eu te acho linda, e se eu pudesse, olhava mais pra você.
- Ahm?
- Você perguntou por que eu estava te olhando. Porque eu te acho linda e se eu pudesse, eu olhava mais pra você.
- Você tá falando sério? – olhei para os seus olhos e ele tinha uma expressão meio confusa.
- Estou. Eu te acho linda. – eu sorri. – Um pouquinho implicante...
- ! – dei um tapa nele e ele se desequilibrou dando um gritinho gay e caindo da mesa me puxando junto. Eu cai ao seu lado. (PRIMEIRO N/A: até parece que eu ia fazer ela cair em cima, né! É muito comum!)
- Ai... – deu um gemido e eu comecei a rir.
- Esse chão tá muito frio... – falei ainda deitada e olhando para o céu.
- Quer que eu te esquente?
- E como você vai fazer isso? – falei sem nem perceber o que tinha dito, estava ocupada demais, olhando para as estrelas de Londres. Rapidamente ele se dobrou para o meu lado e ficou me olhando com o braço no chão, apoiando sua cabeça.
- Posso te mostrar? – seus olhos me olhavam como se estivessem fascinados e ele estava muito próximo. MUUUIITOO próximo. E ele ainda esperava uma resposta minha.


Cap 5

- ! – A desgraça do me gritou e a se levantou rapidamente.
- Que é, puta que pariu? – me olhou meio sem graça e pegou o edredom do chão. Eu ainda estava sentado lá com cara de tacho.
- Vai começar Gossip Girl! – Como é que é? Ele interrompeu meu quase beijo por causa de Gossip Girl? Eu sei que ele tava só preocupado comigo, mas caralho! EU finalmente tomei coragem de fazer alguma coisa. Eu finalmente tava conseguindo ser legal com ela! Claro que depois que eu descobri que é louca por mim as coisas melhoraram. Eu e a fomos pra sala e ela se sentou no sofá enrolada no edredom.
- , posso deitar aí com você? – perguntou se arrastando pelo sofá e passando por cima do como se ele fosse apenas uma montanhinha. Ri ao ver a cena dele sendo esmagado.
- Não quer que eu pegue um edredom e você se enrola comigo, não? – falou e eu meio que agradeci a Deus por isso. Tinha esfriado demais e era claro que o inverno tava chegando. Meu apartamento tem calefação interna, sim, mas o frio de Londres é de foder quando quer.
- É... Acho que essa idéia é melhor.
- Então sai de cima de mim, amor. – olhou pra , olhou pra e o me olhou como se estivesse desesperado.
- , você não tomou banho, né? Vamos, eu te ajudo com essa sua perna! – descobriu-se do edredom e apoiou-se na amiga, e as duas quicaram. É. Quicaram até o banheiro. as observou e quando ouviu o click da tranca da porta, ele saltou do sofá e segurou meus olhos em desespero.
- Caralho! O que eu to fazendo? , me ajuda!
- Calma! – berrei tirando suas mãos de mim e sacudindo ele.
- É muita pressão! Eu conheci ela ontem e já to chamando de amor! Não posso! Ela vai achar que eu to sufocando ela e fazendo pressão! Ela vai querer que a gente termine isso! Isso que a gente não sabe como é! Ela vai terminar, eu sei que vai! Caralho eu sou muito burro! , por que você deixa eu fazer coisas assim, seu filho da puta?!
- Caralho, , cala esse caralho dessa boca, porra! – berrei jogando ele no sofá com força. Ele quicou no sofá e caiu no chão. Eu segurei o riso, eu estava numa situação de moral naquela hora, eu não podia rir senão eu perderia o fio da meada. – Dude, relaxa! Você quer apostar que elas tão no banheiro pulando de felicidade por causa disso? – falei em uma altura mais baixa para que as duas no banheiro não ouvissem – E mesmo se não estiverem, cara, você correu um risco. É isso aí. Na próxima você já vai saber o que você não deve fazer.
- Cara, mas eu gosto dela!
- Sério?
- Porra, eu não quero sair de perto dela de jeito nenhum! Eu to curtindo demais ficar com ela. Chamar ela de amor vai fazer ela achar que eu to sufocando ela.
- Claro que não! Ela pode querer te chamar de amor ou te chamar de não muda nada, uma palavra não é nada!
- É sim, dude, eu já vi na tv! Amor é uma palavra muito forte!
- Dude... Se você quiser eu chamo a de amor, aí a gente vai transformar isso numa coisa normal e você vai poder chamar ela assim quantas vezes quiser e não vai mais passar vergonha. Tá bom? – É, é o quanto eu amo meus amigos. E eu não sou uma bicha!
- Cara, você faria mesmo isso por mim? – ele perguntou se aproximando.
- Eu faria qualquer coisa por você , você é meu melhor amigo, dude.
- Abraço rápido nada homossexual ou aperto de mão totalmente macho?
- Abraço nada homossexual. – Esse abraço parecia mais um soco, ele só batia o peito em mim e dava um tapinha nas minhas costas. Eu não sou veado. Nem ele. Mas nós somos amigos e nos gostamos.
pegou um edredom pra ele e deitou no sofá, ocupando o espaço onde as pessoas sentariam, mas eu não briguei com ele por isso, apenas peguei umas almofadas e joguei no chão, colocando a cabeça. É, tem carpete aqui em casa. 10 minutos o click da porta se fez mais uma vez e ela abriu, estava usando uma camisa minha, claro, e essa era uma das poucas camisas minhas que não tinha uma banda na frente. Era apenas uma camisa azul com o nome Hurley escrito em amarelo.
- , amor, deita aqui comigo pra deixar o casal ficar junto? – olhei para de rabo de olho e vi um sorriso.
- Pensei que você não ia convidar! – ela esfregou as mãos e pulou pra debaixo do edredom enquanto entrava debaixo do outro edredom com .
- Tudo bem? – perguntou e eu vi a menina sorrir sinceramente e dar um selinho nele. Senti um pouco de inveja. Mas não muita. Porra, eu não quero me amarrar.
Ficamos assistindo Gossip Girl e não estava passando mais nada na televisão. Eu sugeri um filme, mas o falou que tinha levado minha caixinha de filmes pra casa dele. Aquela puta. Cata tudo que é meu. E nem avisa!
- Então o que vamos fazer?
- Dormir, são 11 horas. – falou apontando pro relógio.
- Mas a gente dormiu sete horas ontem, a gente não vai dormir agora. – eu falei ainda deitado no chão.
- Vamos brincar de Stop? – se levantou depressa e nos olhou com uma cara feliz.
- Ah, ! – falou rindo e colocando a mão no rosto.
- Ah, gente! Vamos! Poxa não custa nada! É diversão!
- Ok. – respondeu sentando ao lado de . ainda estava sentada no chão, roubando meu edredom toda sorridente. Com seus dentes perfeitos.
- ? – Ela me olhou e fez meio que um biquinho. Não se diz não quando alguém faz um biquinho assim. É cruel.
- Tá bom!
- Ótimo! Onde tem papel e caneta pra todo mundo? – ela perguntou e eu sorri.
- Não tem, então quem não achar o que escrever... – e todos ficaram olhando pra minha cara esperando eu terminar de falar, eu olhei pros lados e sorri – Então é melhor achar! – levantei e saí correndo pela casa procurando alguma coisa.
Vi entrar no banheiro e continuava sentada enquanto revirava as estantes. Eu fui pra quarto, abri minhas gavetas, e achei um caderninho com letras de músicas. Esse caderno eu não podia mostrar pra ninguém, arranquei 4 folhas e procurei um lápis ou caneta, achei uma caneta sem tampa e um lápis de cor vermelha. Olhei pra trás e entrou no meu quarto abrindo meu guarda roupas e mexendo lá dentro.
- Você tá bem folgada, sabia, menina? – ela virou pra trás e sorriu pra mim ainda procurando - Você me deve uma resposta.
- Ham? – ela não olhou pra trás.
- Eu te respondi. Quando você me perguntou eu te respondi. – então eu vi ela parar de procurar e continuar virada para o armário. – Se não quiser, não precisa. Mas seria bom... Se você respondesse. – eu encarava a silhueta de suas costas e só então notei como a camiseta do Blink ficava curta nela. E ficava linda nela. Acho que com um saco de batata ela continuaria bonita. Acho que isso é o que se chama fazer pressão... Errado, . Muito errado. Mas eu já comecei. Vou até o fim.
- Er... ...
- Sim?
- Eu... Não quero te responder... – Óóótimo, ! Parabéns! Ela não quer te responder é a mesma coisa que ela não querer ferir seus sentimentos, mas a resposta é não. Parabéns, . Muito bom de sua parte. – Agora. Acho que não é a melhor hora. Mas isso não significa que não vou te responder. – ouvi atentamente e passei a mão no cabelo.
- Toma, o papel e um lápis. Vamos pra lá. – Falei e saí do quarto. Na sala disse que só achou um lápis de olho debaixo da cama dele e que devia ser de alguma das meninas que ele já comeu. Eu fui embaixo da estante e enfiei a mão, puxando de lá um lápis de tabuada (lembra desses?).
- Como você sabia que aí tinha um lápis?
- Eu derrubei há um tempo e fiquei com preguiça de pegar. Toma as folhas, vamos jogar.
- Se alguém escreveu a mesma coisa que você só conta 5, se só você escreveu alguma coisa conta 10 pontos. – falou.
- E quem perder?
- Ah... Sei lá, o ganhador manda o perdedor fazer alguma coisa. – Começamos a jogar. E eu ganhei a primeira. Vou te poupar dos vários "serve Wonderland como lugar?"; "Um figer é um tipo de tiger!". Então eu mandei o dar um selinho na , eu sou legal, pô! E então a começou a ganhar, e ganhar, e ganhar, e só o perdia. De repente o ganhou e eu acho que ela trocou de folhas com ele só pra ele ganhar.
- , você perdeu! – ele berrou colocando dedo na minha cara. – Agora... Você vai ter que.... Hum... Deixe–me pensar – ele é filho da puta. Eu fui legal com ele e ele vai ferrar comigo. – Um selinho na . – Como é que é?
- Ham... Tá... – levantei do chão, dei o selinho e sentei no chão de novo. Estranhei que ele mandou isso. Estranhei demais até.
- Por que você mandou isso? – A perguntou. Com certeza ela tava pensando a mesma coisa que eu.
- Eu acho que esses dois tem que se resolver sozinhos. – fechei a cara constrangido e vi que tinha arregalado os olhos. A brincadeira pareceu perder a graça. Só jogamos mais uma e paramos. então levantou e pegou o edredom.
- Eu já vou dormir porque amanha eu trabalho... E ainda vou ter que levar esporro do chefe porque a não tá lá.
- Vai nada... Fala com ele que eu me demiti, vai... cansei.
- Você é foda, viu, .
- Eu arranjo outro, você sabe.
- É... acho melhor a gente começar a se ajustar ao horário normal como todo mundo. – falou e pegou no colo, levando para o quarto e batendo a porta. Eu e a ficamos sozinhos na sala. Eu tinha que fazer alguma coisa pra quebrar o gelo.
- Então, vai dormir comigo de novo? – ela sorriu meio desanimada e foi em direção ao quarto. Eu fui ao banheiro e tomei um banho quente de pelo menos uns 15 minutos. É aquela sensação de que não existe nada melhor no mundo. Um banho quente melhora tudo. Saí e fui pro quarto, a luz já estava apagada e só consegui ver onde pisava graças a luz que vinha de fora. Vi a silhueta de deitada na cama, encolhida com o edredom até a cintura.
Dei um matrix e entrei debaixo do edredom sem fazer muito movimento ou barulho, cobri a até o pescoço e fiquei encarando a sua nuca.
Ela tinha uma nuca bonita. Eu sei que não existem nucas feias porque não tem o que ver em nucas, mas a dela era bonita. Descobri outra pinta, bem escondida pelo seu cabelo. Sua pele parecia ser macia e eu quase a toquei. Mas não. Eu não sou um pervertido. Eu não poderia fazer isso. Fechei os olhos. Vi em minha cabeça quando ela veio correndo com a Olívia, sorri ao lembrar do seu tom autoritário enfiando a camisa dentro da minha boca.
- . – abri os olhos e me encarava, eu conseguia ver o brilho dos seus apenas. – Está acordado?
- Sim. – respondi sem me mover com medo de estragar a proximidade entre nós.
- Estou me divertindo muito aqui com vocês. – encarei o brilho do seu olhar e sorri internamente.
- Claro, né, pra você isso aqui é como o quê? Disneylândia? – eu tive que fazer isso. É bom demais zoar os outros.
- Eu sabia! Você não ia perder a chance! Se perdesse, não seria você! – ela falou me dando um tapinha e virando as costas. – Boa noite, .
- Boa noite, . – Falei, fechando os olhos.

**

- Er... Então, vocês levam a lá em casa mais tarde... Okay? – eu observava enquanto ela via se estava tudo dentro na bolsinha de festa.
- Tem certeza que não quer que eu te leve em casa pra você trocar de roupa?
- Não, não dá tempo. – Ela parou de olhar para a bolsinha e me encarou. – Obrigada pela hospitalidade, .
- Que é isso... Tudo pelo bem do mais novo casal de Londres, certo? – falei tentando ser engraçado. Inutilmente, já percebi.
- É... Então... Cuida da , dá comida pra ela direitinho. Ok?
- Isso é trabalho do , o meu é vigiar para eles não fazerem neném. – ela deu uma gargalhada e saiu do carro, batendo a porta e abaixando a cabeça na altura da janela.
- Então, tchau... Foi um... prazer.
- Não se diz que foi um prazer depois de passar dois dias com a pessoa, .
- Ah... Mas... Eu não sabia o que dizer...
- Não precisa dizer nada. Você também é muito legal, . – Ela sorriu, sim, com seus dentes perfeitamente retos e brancos. Vi o sinal no pescoço. E o vento jogava os cabelos no seu rosto, não de um jeito bonito. Na verdade de um jeito muito desajeitado. Mas eu achei engraçado. E logo ela entrou no prédio. Eu me senti um idiota por ficar olhando ela entrar. Pra ter certeza de que ela foi entregue certinho. Ridículo. , você está se tornando um cara muito patético.
Pelo menos não estou que nem o . Faz dois dias que ele mal fala comigo! Antes ele me ligava todo dia, mais precisamente às 2:20 para eu acordar. É, eu odiava, mas eu me acostumei, ok?
Quando eu voltei pra casa, o e a já tinham acordado. Eles levaram a sério aquela parada de se ajustar ao fuso horário normal de Londres, e não ao nosso. pediu um copo de água e o , que não levanta pra porra nenhuma, levantou e pegou. Estou feliz por não estar patético que nem o . Pelo menos eu tenho vontade própria. Não to dizendo que a controla ele não, ela é muito gente fina, mas que ele é um cachorrinho, é.
O dia foi uma desgraça. Como acordamos cedo, só passava desenho. No almoço, o desceu na padaria pra comprar uns miojos e fez pra nós três de boa vontade. Eu não movi um dedo o dia todo. A não ser pra levantar do chão pra pegar o controle ao lado de porque ele tava ocupado demais para pegar.
Não é por nada não, mas ser vela é uma desgraça. Antes tinha a para fazer companhia, agora eu estou sozinho. Literalmente sozinho. , você está se tornando um idiota. É, eu sou uma cara que gosta de dramas, ok?
Quando deu umas 5 horas da tarde, a falou que precisava ir embora. O todo preocupado, claro, senão não seria o , teve que ter certeza que a já estaria em casa para atender às necessidades da garota. Ele se ofereceu para levá-la e eu, mais uma vez, não precisei mover um dedo. Era uma segunda feira e eu estava puto da vida. Não tinha absolutamente nada para fazer. Hoje não vai passar Gossip Girl nem Supernatural. Eu basicamente estou fodido. Veja a que ponto cheguei. Estou rodando o apartamento. Eu lavei a louça do almoço. É! Eu lavei. Eu sei! É coisa de veado! É coisa de gay! De uma porra louca travesti que faz programas apenas com homens! Eu tenho vergonha de falar isso! Eu estava procurando alguma coisa pra limpar! Eu que nunca limpo minha casa e um dia qualquer chamo uma diarista, mas só por que o banheiro tá fedendo!
- Que foi?
- Por que o mau-humor, ? Eu já vou voltar pra ficar aí com você, amor.
- Não mente pra mim, , eu sei que você agora não é mais só meu. Você agora é propriedade exclusiva da .
- Tá, mas quando ela não tá perto eu sou só seu.
- Vamos tocar?
- Ham? Porra, ... Juntos? Estranho isso, hein.
- Passa aqui pra me pegar, eu preciso ensaiar.
- Qual é o problema, ? Você nem riu da minha piadinha homossexual...
- To entendiado, porra. Quero fazer alguma coisa. Passa aqui pra me pegar que eu vou ligar pras duas bichas pra elas encontrarem a gente lá.
- Tá legal... Mas você sabe que você tá estranho...
- Tchau. – desliguei o telefone sem ao menos esperar um retorno. Não, porra, eu não fiquei estressado de repente, valeu?
- ?
- Oi, , e aí? Ficou com saudade já?
- Não. Vai pra casa do .
- Por quê?
- Vamos pular de pára-quedas. Porra, , vamos ensaiar.
- Agora?
- Não, amanhã, claro que é agora, porra.
- Tá, foi mal. To indo pra lá então, avisa pro que eu vou passar na casa dele. – desliguei o telefone mais uma vez sem me despedir. E disquei o número do que não atendia de jeito nenhum.
- , vai pra casa do , vai rolar um ensaio.
- Oba, vou levar as cervejas.
- Beleza, leva 4 caixas. Hoje eu vou encher a cara.
Passei a mão no rosto inquieto. Me joguei no sofá. Eu estava elétrico e não sabia o que fazer. Que desgraça.
- , porra, rola um ensaio agora?
- Porra, agora? Eu to com um mina aqui...
- Ah, vai se foder, . Manda a mina pra casa, já comeu ela o fim de semana todo. Dá uma folga pra ela! Daqui a pouco eu e os caras vamos chegar aí, ok?
- Tá, mas que milagre é esse que você me ligou dessa vez?
- Eu to sem nada pra fazer.
- Porra, então aquela mina amiga da namorada do Danny mexeu contigo mesmo, hein.
- Tá louco? Quem tá apaixonado aqui é o . Trouxe a mina pra cá depois do hospital e já começou a pegar ela. Tão se dando bem pra caralho. Acho que até rola um namoro.
- Caralho, dude, sério? O namorando? Tá aí, é inédito isso.
- Pois é. E eu fiquei só na espera queimando minha mão de vela. A , amiga da , dormiu comigo as duas noites e não rolou nada.
- O quê? Não creio. , você tá perdendo seu mel. Cuidado, hein.
- O pior não é nem isso. Ela é fã.
- Fã? Tipo as outras?
- Não, porra, diferente. Ela é fã, tipo, CD, foto, tudo; mas na nossa frente ela parece que é uma pessoa normal.
- Porra, se for isso mesmo, essa mina é massa, . Por que mesmo que você não pegou ela?
- Nem eu sei... – parei pra pensar e deixei o telefone cair no chão sem ao menos me importar.
Deixei falando sozinho até ele desistir e desligar o telefone. Deitei no sofá mais uma vez e parei pra pensar nesse fim de semana. Por que eu não beijei ela? Porra, eu devia ter parado de perguntar e já ter puxado! Eu perguntei duas vezes. A primeira a desgraça do apareceu. A segunda ela disse que não era hora pra isso, então significa que tem uma hora pra isso? E qual seria essa hora? Porra, por que essas meninas inteligentes não podem ser simples que nem as dos rocks?
Porque senão você não se interessaria, , seu estúpido.

Cap 6

Eu estava deitada na minha cama pronta para dormir, eram 11 horas, e a me gritou.
- ! Eu queria água!
- Eu não sou sua escrava não, ! – berrei, me levantando e indo a cozinha. Peguei uma jarra de água e um copo e coloquei do lado da cama da dela. – Quer um pinico aqui também, madame?
- Poxa, , fica com raiva de mim não... – ela fez biquinho, e, realmente, não tem como ficar com raiva.
- Não to com raiva de você.
- Eu sei... De quem você tá com raiva, ?
- Ninguém.
- Aham... , você sabe que você é transparente pra mim. O que foi?
- Nada, . Agora boa noite. – dei um beijo em sua testa e fui para a minha cama. Tá, ela saca as coisas. Mas como se diz pra uma amiga que você tá com inveja que ela tá vivendo o sonho dela com o ídolo dela e você não? E o pior de tudo. Por culpa sua. Quando chegou em casa, ela falou em como o é fofo, carinhoso, e como ele fez tudo pra ela o dia todo e como ele é romântico, e que ele nunca teve uma namorada mas que se ele quiser ela tá livre porque ele conquistou ela de jeito. Eu sorri e balancei a cabeça. Eu sei que parece meio egoísta, mas com que cara eu poderia ficar feliz por ela quando eu estou sem o que eu quero por minha culpa?
Ele me perguntou novamente. E eu disse que não era hora pra isso. Como assim não é hora pra isso? Existe hora pra isso? E qual seria? Um momento em que estivéssemos sozinhos tipo aquele? Um momento onde nada poderia nos interromper como aquele? Porra, a gente dormiu duas noites juntos e ele nem encostou a mão em mim. Tá, é sinal que ele me respeita, mas também é sinal que ele não me quer. Mas como ele poderia não te querer se ele te fez aquela pergunta quando vocês estavam deitados no chão? Mas porra, se ele me quisesse, ele teria parado a essa distância de mim pra me perguntar se eu quero? Ele é homem! Ele não se importa se eu quero ou não! Ele me pega, me beija e todo mundo fica feliz. Mas não, ele foi perguntar se eu queria! Mas que pergunta! Ele não sabe que eu sou louca por ele? Claro que sabe! A falou e eu tava do lado. Morrendo de vergonha, mas tava! E eu culpo ele! Ele é o idiota da pergunta!
Mas a culpa não é dele. Eu sei, a , sabe, todo mundo sabe. A culpa é minha. Eu não respondi quando ele me deu a segunda oportunidade.
Mas poxa... ele tá machucado.
Isso não é desculpa, . É.... Eu sei. A culpa é minha, eu sou a idiota. Agora eu vou vê-lo apenas no casamento da e do e ele vai olhar e dizer "Ei, você não é aquela ?", aí eu vou balançar a cabeça cheia de esperança com um sim e ele vai dizer "Olha, amor, é ela que eu te falei, a menina que impediu que eu sangrasse até a morte!", e pronto. Fudeu. Triste? Não. Deprimente. Essa sim é a palavra certa. Tá legal, eu gosto de drama, sim, ok?
A semana passou e eu na verdade nem notei direito. Eu apenas trabalhei, me esforcei ao maximo, escrevi relatórios, refiz os relatórios antigos, eu estava chegando em casa às nove da noite. E ainda quando eu chegava, a falava que o ligou e que ele não veio hoje porque tava ensaiando. Com . O meu . Não querida, ele não é seu. Ok.
- ! – Caralho, quando é que essa criança fica boa do pé?
- Que foi? – Perguntei chegando na sala.
- Tenho duas coisas pra falar com você. Amanhã o vai passar aqui pra me levar pro hospital pra tirar o gesso, e como é sábado, você podia vir, aí quem sabe a gente não ia no cinema e tal.
- É... Eu não saí de casa a semana toda, pode ser uma boa... Mas eu posso chamar a Olívia pra encontrar com a gente lá? Porque tipo... Você sabe, né... Vela...
- Claro que pode, .
- E qual é a outra coisa?
- Senta aí.
- O que foi?
- Senta aí, porra. – me sentei assustada. – A gente tem que conversar.
- O que foi?
- O que tá acontecendo com você?
- Comigo? Por quê?
- Larga de ser sonsa, eu to namorando com o , mas eu não peguei a burrice dele pra mim, não. Eu quero saber qual é o seu problema. Por que diabos você tá tão empenhada em trabalhar.
- Então já é namoro?
- Ah... Não sei... Acho que sim, porque ele me liga sempre que tá como celular na mão, faz tudo que pode pra me agradar... Epa!
- Que ótimo, ! Beijo! – Levantei apressada e corri para o banheiro e ainda ouvi os berros da . É... Foi maldade isso, distrair ela... Mas vocês tão vendo como ela tá... Ela tenta não falar dele, mas é quase impossível... Eu não a culpo. Quando eu saí do banho, percebi que ela tinha desistido de tentar falar comigo. Eu tenho certeza que ela sabia o que era, mas não queria admitir. Mas é isso. Acordei às nove da manhã com a montada em cima de mim.
- Baby! Acorda! O vai vir buscar a gente às 11!
- Ah, não... – coloquei o travesseiro na cara.
- , honey, levanta! – ela arrancou o edredom de cima da minha pessoa. Folgada ela. Nós tomamos de café salada frutas. Sim, só isso. O ia levar a gente pra almoçar. Às onze um carro parou na porta de casa e eu não reconheci o carro. É... Eu queria ver o carro do . Na verdade eu esperava o carro do . Mas não foi o carro dele e nem ele. Tá tudo ok.
- Oi, amor! – saltou do carro e pegou no colo a girando e a levando para o carro. – Oi, , como foi a semana? – ele meu deu um beijo na bochecha e abriu a porta do carro pra mim. Eu achei legal. se deu bem. Diferente do .
- Foi normal... – me lançou um olhar fuzilador.
- Amor, conta pra daquele dia lá na casa do .
- Ah! , lembra quando eu acidentalmente chamei a de amor e vocês duas se olharam e correram pro banheiro? – lembrei da cena em que eu arrastava a menina e sua perna pro banheiro.
- Lembro. Foi meio... er... Constrangedor.
- É! Você não tem idéia! Quando vocês correram pro banheiro eu entrei em pânico. Eu comecei a desesperar! Foi ridículo! Mas o me acalmou falando que ia chamar todo mundo de amor pra parecer que já é costume.
- Mal sabiam eles que aqui no banheiro eu tava quicando de felicidade, lembra ?
- O fez isso?
- Fez... Por isso que ele te chamou de amor e te chamou pra ficar debaixo do edredom com ele.
- Que legal da parte dele... – Por que que essa desgraça tinha que ser tão legal? Alguns minutos depois nós chegamos ao hospital e eu liguei pra Olívia enquanto a tirava o gesso.
- Alô?
- Olívia? Sou eu, a !
- Hey, baby! Onde você andou a semana toda?
- Trabalhando... sabe como é!
- Minha vida também anda uma loucura! O Danny tava numa loja comprando roupa e tiraram fotos dele com a atendente conversando sabe, aí tá todo mundo dizendo que ele me chifrou! Tá horrível!
- Nossa, baby, que droga! Que tal tirar uma folga dessa vida de famosa e almoçar com os pobres mortais? – eu já tava bem íntima dela... Ela é bem legal.
- Claro! Onde?
- Vamos no Pizza Hut!
- Os caras adoram o Pizza Hut! O e a se importam se eu levar os caras?
- Claro que não!
- Okay, baby, até daqui a pouco!
- Beijos! – Assim que desliguei o celular, e saíam de um sala e a menina andava meio curvada. – Nossa, , você ta é feia andando encurvada assim sabia?
- Você é feia todo dia, ! – ela me deu uma língua
- Chega, vocês duas, as duas são lindas! – pegou na mão de e nós fomos em direção ao estacionamento. – , ligou pra Olívia?
- Acabei de ligar, ela vai levar os caras, tem problema?
- Claro que não, mas já que os caras vão, eu tenho que ligar para as outras putas, sabe como é o ciúme, né!
- Vou ter que te dividir com mais ainda, amor?
- Vai, amor, mas só um pouquinho, viu?
- Iiih! Amor, vamo parar com a frescura? – eu berrei entrando no meio dos dois e fazendo-os rir. Eu tava brincando gente! Mas toda brincadeira tem um fundinho de verdade...
- ? Puta número 1! Bora no Pizza Hut almoçar? Os caras vão também... Aquelas putas do McFly! Aham... Beleza... Vai lá agora! – desligou o celular e entrou no carro. – , liga pro aí? – e me entregou o celular. fez uma careta e o gargalhou dando a ré no carro.
- Ham... ... Eu não conheço o ...
- Mas liga!
- Ham... Tá...
- Alô?
- ? Er... Eu sou a , a namorada do – comecei a gargalhar silenciosamente enquanto a tentava arrancar meu cérebro fora e o a impedia rindo também. – Então, a gente vai lá comer uma pizza no Pizza Hut com os caras do McFly e ele pediu pra eu ligar pra você já que ele tá dirigindo. Ah... sim... Tem como você ligar pro e falar com ele pra ir também? Ah... Fim de semana na casa da avó? Que fofo da parte dele... Éé! Então, a gente se encontra lá? Ok, é, ele tá namorando, é, eu consegui fisgar ele! Hahaha! Então... Até lá! Beijo!
- , você tem talento para ligações, sabia?
- Não tem nada! – fechou a cara mais uma vez e eu e rimos
- , liga pro agora.
- Pro ? – olhou pra trás e fez um sinal de se fudeu. O que ela quis dizer com isso eu não entendi – Liga, !
- Tá... – começou a chamar incansavelmente e eu comecei a suar frio.
- Que desgraça foi agora? – ele respondeu bem agressivo e eu fiquei meio sem graça. Tá bom, beeem sem graça.
- Er... tá desculpa... Eu ligo outra hora...
- ? Desculpa, eu achei que era o !
- Ah...
- Ham... Tudo bem?
- Tudo... E você?
- Também...
- Ham... O , a , o , o , Olívia, os caras do McFly... Eu... Nós vamos almoçar lá no Pizza Hut... O quer saber se você não quer vir...
- Almoço no Hut com os caras?
- E a ... E a Olivia... E eu...
- Ah... Sim. Vou, claro. Encontro vocês lá?
- Aham...
- Ok.
- Tchau...
- Tchau...
- Cara, o que foi isso? – perguntou assim que ouviu a batida do celular fehcando.
- Como assim?
- Cara, vocês dois se deram tão bem no sábado, no domingo vocês já tavam meio assim, e agora tão desse jeito... Qual é o problema com vocês dois? Brigaram?
- Ham? Brigar? Não... Não...
- Porra, o só anda de mal humor, ta mandando todo mundo tomar no cu e você deixou de ser autoritária e debochada e legal do jeito que era... Nós dois somos os melhores amigos de vocês dois e queremos saber o que tá acontecendo. Eu já perguntei pro e ele quase me bateu então agora estou perguntando para você. Que desgraça aconteceu?
- Graças a Deus você falou isso, amor. Eu to tentando conversar com ela, mas é impossível. Tá na hora de você falar o que merda tá acontecendo. – Eu encostei no banco me jogando e pensei, pensei muito e resolvi falar. É. Na frente do e tudo. Eu falei que minha melhor tava muito feliz e eu não conseguia ficar feliz por ela. Falei que o me perguntou duas vezes e as duas vezes eu corri. Falei que a culpa disso é só minha. E eles não tiveram nada pra falar sobre isso. A me perdoou por não estar feliz por ela porque diz ela que eu só vou ficar feliz quando eu conseguir o meu final. Mas ainda assim. Não estava tudo bem para mim.


Cap 7

A tinha acabado de me ligar, eu estava nervoso. Não consegui ser debochado. Não consegui ser legal. Se ela tinha pensado na possibilidade de me responder, ela mudou de idéia assim que desligou o celular. As coisas estavam muito diferentes com a gente. Nem parecia que a gente tava se divertindo pra caralho segurando vela pro casal do ano.
Peguei um moletom da Hurley verde escuro e vesti umas calças jeans. Calcei um All Star amarelado de sujo. Celular, carteira, chave... tudo aqui. Saí do apartamento e o velho me encarava. Parece que ele sabe a hora que eu vou sair. Ele me ouve girando a maçaneta e corre pra me esperar.
- Acordado à essa hora?
- É, vou sair com meus amigos.
- Cuidado, a rua anda perigosa. Não se sabe que tipos de malandros moram logo do lado, certo, Sr. ?
- Não me enche hoje não. – Dessa vez eu falei. A porta do elevador fechou e o velho tinha cerrado os olhos. É a última das minhas preocupações. Essa semana ensaiamos quase todos os dias. Já temos o cd, já temos fãs, mas a gente nunca faz um show.
Eu já estava chegando no Pizza Hut e um carro parou do meu lado num sinal. Olhei para dentro do carro e Danny dirigia com Olívia sentada no banco do carona, vi Dougie, Harry e a namorada dele sentados no banco de trás. Assim que me viu, o Dougie colocou a bunda pra fora da janela. Agradável ele, não? Fomos então "juntos" à lanchonete. Quando estacionamos, notei o carro do parado. E o descia de um táxi.
- Porra, , podia ter me trazido!
- E eu lá sou seu motorista? – entramos juntos no lugar e numa mesa enorme, no canto, lá estavam , e . Ela parecia estar mais bonita do que quando estava lá em casa. Nos aproximamos e os três levantaram. Dei uma batidinha nas costas do , me aproximei da e dei um beijo em sua bochecha e abracei a , dando um beijo de leve na bochecha. Não posso dizer que não gostei. Foi um ótimo abraço. Todos que chegavam cumprimentavam os três.
- Então você é a menina que laçou o ? – Dougie chegava, eu tinha esquecido que ele ainda não as conhecia. Observei Dougie se aproximar de e abraçá-la, engraçado que todos falam que ele é tímido. – E você é amiga dela? – sorriu e Dougie a cumprimentou com um beijo na bochecha.
- Essa é a e essa é a . – Izzy falava enquanto Olívia correu para sentar-se ao lado de . Odiei-a por isso. Era uma mesa oval, sentaram-se todos e eu acabei ficando muito longe da , do outro lado da mesa. , , , Olívia, Danny, Harry, Izzy, , eu e o Dougie. Alguns minutos depois, também chegou e sentou-se ao meu lado.
- Bom, já que foi o que convidou todo mundo, ele que vai pagar a conta. – Harry falou alto para que todos ouvissem e geral bateu palma. É... O se fodeu.
- O quê? Tá louco! Eu só pago pra minha namorada e o resto que se foda! – berrou rindo e dando um selinho na .
- Já que ele paga para a namorada, o Danny pra Olívia e o Harry pra Izzy, eu não posso deixar a pagar também, não. – Dougie falou e a menina sorriu tímida. Ela devia ser fã de McFly também. Ou não.
- E aí, Dougie, e o seu namoro? Firme e forte? – perguntei. É. Eu sou um filho da puta.
- Mais pra lá do que pra cá... O que a gente tem não é muito sério, não.
- É, Poynter, mesmo assim você ja tem a sua, deixa a pra quem tá sozinho! – berrou dando uma piscada pra .
- E quem disse que eu quero vocês? – berrou rindo e todos fizeram um "Uhh".
- E quem é que você quer, hein, ? – o mais uma vez falou e olhei para a sua cara, ela me encarou por meio segundo.
- Claro que eu quero o , gente! O menino é prendado! Até lava banheiro! – Eu sorri, ela estava tentando quebrar o clima ruim entre a gente. Eu gostei disso.
- O quê? O lavou o banheiro? Não acredito! – falou
- Desde que conheceu a , o tá um cara mudado. – Danny disse pegando o cardápio.
- Claro! Até eu ficava balançado se uma menina enfiasse uma camisa ensangüentada na minha boca! – Harry falou e todos riram, eu e nos olhamos e rimos ao lembrar da situação.
- Mas, dudes, olha pra ! Não tem nem como não mudar por ela, né! – falei entrando na brincadeira. Ela tava tentando quebrar o gelo, eu tinha que ajudá-la. Logo todos fizeram um "Ah", e o sorriu pra mim batendo palmas.
- Mas agora, depois dessa declaração – Vi o falar e fiquei curioso –, vocês não vão dar nem um beijinho? – todos começaram a gritar, nós éramos uma mesa muito barulhenta. Mas não tinha muitas pessoas no local. Eu amaldiçoei e agradeci o sem saber se o que ele tinha feito era bom ou ruim. Olhei nos olhos e ela sorriu.
- E aí, ? O que vai ser? Se você não quer, tem gente na fila! – Dougie falou e eu desejei que sua família morresse. Tá, mentira, a irmã dele é gostosa. Não desejei a morte de ninguém, mas fiquei puto pra caralho com o Poynter. Tava na cara que ele queria a .
- Eu não faço nada que ela não queira! – todo mundo mais uma vez vaiou.
- : o respeitador! – Danny berrou enquanto sua namorada se matava de rir da situação. apenas sorria e às vezes dava uma risada. Ela parecia bem entrosada com todo mundo.
- e respeito numa mesma frase só é possível quando tem um "não tem" no meio!! – Harry falou cheio da graça.
- Mas e o beijo? Estamos esperando o show! – berrou no meu pé de ouvido!
- Se vocês quiserem, eu beijo minha namorada! – falou, acho que na intenção de me ajudar.
- Nãão! Você já assumiu que tá namorando, é o que nunca namorou. Será que se amarra? – falou e então uma garçonete chegou.
- O que vão querer?
- Ainda não decidimos, sai fora que a gente ta tentando juntar um casal! – falou e todo mundo riu enquanto a garçonete, provavelmente puta da vida, saía.
- Porra, , por que você mandou ela embora, era até bonitinha! – falou e todo mundo desgraçou a rir novamente, notei a Olívia falar alguma coisa no ouvido de e ela rir.
- Mas e aí, , qual vai ser? - Dougie fazia pressão, ele com certeza queria pegar a , o cara não se satisfaz com nada. Já tem a Louise e quer a . Idiota.
- Já falei, eu não faço nada que ela não queira! – berrei rindo e olhando pra . , que estava calada até então, falou:
- Não seja por isso, ela quer! Só falta sua atitude! – berrou me deixando vermelho, encarou a amiga assustada.
- O quê? Palavra da melhor amiga! Qual é, , depois dessa você vai ficar olhando? – Harry falou e eu me levantei. Todos ficaram em absoluto silêncio e a me encarava sem expressão nenhuma. Eu não consegui decifrar se era um sorriso ou se era uma cara assustada. Eu ia fazer uma tentativa. Agora não dava mais pra esperar e nem pra desistir. Todos ainda me olhavam esperando alguma coisa, eu me vi preso. Sabe aquela poltrona redonda onde cabe um monte de gente? Eu tava exatamente no meio, no lugar mais longe da ponta e ia ter que pular muita gente. Subi na mesa rapidamente e parei em pé dela encarando .
Eu tinha tirado os pontos na quarta, hoje já era sábado, minha boca estava com uma cicatriz, mas já estava melhor.
Eu tinha escovado os dentes hoje? Tinha... Eu comi alguma coisa com cheiro? Não... Só o pão da velha do lado, chupei alguma bala? Sim, graças aos Deuses. Eu sempre tenho um Halls preto no carro. Eu fico nervoso aí eu chupo toda hora no trânsito.
Então, eu ainda tava em pé em cima da mesa. Todo mundo no Pizza Hut me encarava e eu encarava a . Eu não sabia o que fazer. Não conseguia decifrar o olhar dela, não conseguia me mover direito. Mas eu não ia ficar ali, em cima de uma mesa, no Pizza Hut. Então eu desci e parei ao lado dela. Virei sua cadeira para mim rapidamente e ela arregalou os olhos assustada.
- Eu achava que a gente tava brincando... Ele vai mesmo fazer isso? – ouvi sussurrar e me perguntei: Eu vou mesmo fazer isso?
Aproximei meu rosto do dela e a encarei por mais alguns segundos. Não foi o beijo em si. Foi o momento.
Segurei seu rosto com as mãos e toquei nossos lábios. Apenas isso. Apenas um toque de lábios durante alguns segundos antes que todo mundo começasse a gritar. Sério. Todos no Pizza Hut gritaram. Eu me afastei dela levemente e a olhei nos olhos por meio segundo antes de olhar ao redor.
estava com as mãos na boca. gritava junto com os outros caras e eu consegui ouvir um "Aê, !". Dougie batia palmas, mas não parecia animado. Olívia e Izzy comentavam o ocorrido dando risadinha. O Pizza Hut inteiro batia palmas. Inclusive a garçonete puta da vida. Olhei então para a e ela me encarou séria por alguns segundos. Senti um frio na barriga. Ela não gostou. Os segundos passaram e ela apertou os lábios e sorriu abraçando minha cintura já que eu estava em pé ao seu lado.
Foi como tirar um carro das minhas costas.
Puxei uma cadeira e sentei ao lado dela. E só então nós pedimos.
O resultado foi 6 pizzas tamanho família. Uma de peperonni, uma de quatro queijos, uma de atum (é, atum) e 3 de calabresa. A cerveja também foi bastante, foram 6 litros, mas eu, , Danny e Izzy não bebemos. Não, eu não sou frouxo. Eu estava dirigindo, ok? A conta deu 278,40 dólares.
- Bom, já comi, já bebi, é hora de ir embora! – Harry falou levantando da mesa.
- Boa sorte aí com a conta, dude. – Danny falou com o , que começou a reclamar. Olhamos uns na cara dos outros e começamos a correr. Eu, Danny, Harry, , , e Dougie correndo para fora do estabelecimento. Agora tente imaginar o correndo atrás desse bando de macho gritando "paguem a conta". Meio sinistro, certo? Ambigüidade estranha. Ainda rindo, nós voltamos pro Pizza Hut onde só estavam as mulheres. Eu tirei 60 dólares do bolso e joguei na mesa. deu 50, deu 40, Harry jogou na mesa mais 40, Danny também jogou 40 dólares e Dougie jogou 50. Eu não me importo de pagar mais. São meus amigos. Todos nos despedimos calorosa e viadamente. É. Eles são estranhos. - Dude, leva a em casa que eu vou levar essas duas putas aqui. – falou piscando e apontando para e .
- Ham... Tá. – e mandaram beijos entrando no carro de . olhou para mim e sorriu. Com seus dentes perfeitos. É.
- Vamos? – Andei com ela até o carro e abri a porta para ela entrar. Sou um cavalheiro, o que posso dizer?
- Er... Foi corajoso o que você fez lá dentro... – ela puxou assunto quando eu liguei o motor.
- É? Eu fiquei nervoso...
- É... Correndo o risco de ser rejeitado na frente de todos os seus amigos...
- É... Eu fiquei com medo disso. – Então eu me preocupei. - Mas... Você só me beijou e sorriu por causa disso?
- Você acha isso?
- Pelo que você falou, parece. – Droga, já tinha virado uma discussão, eu não tinha me alterado nem ela, mas tava na cara que era uma discussão.
- Pois então eu falo. Não foi por isso, .
- Por que foi então? – Dei graças aos deuses que ela havia falado nisso.
- Primeiro me diz se você fez aquilo apenas pela pressão de seus amigos. – Realmente... poderia parecer isso. Fiquei sem graça por deixá-la pensar isso.
- Eu fiz o que fiz porque eu queria há quase uma semana.
- Que estranho.
- O quê? - Ham, onde você mora?
- Chelsea, Rua 9.
- É... Chelsea.
- Você sabe que Chelsea é um bairro bom, certo? – lembrei quando elas estavam lá em casa e nós dissemos que não poderíamos levá-las em casa porque já era tarde e elas moravam num bairro perigoso.
- Eu sei... o também sabe. – Sorri mais uma vez. Eu estava sorrindo muito aquele dia. Diferentemente do resto da semana. Mas não era por causa dela. Eu na estou me apaixonando. Mas ela é uma garota legal. – Então... Onde você trabalha?
- Na verdade, eu trabalho com um promoter de shows.
- Sério, legal, você deve ter autógrafos com um monte de gente famosa.
- Algumas pessoas. Tem gente que se recusa a dar autógrafo porque já tem que agüentar um monte de gente do lado de fora e ainda sorrir. Quando eles estão nos bastidores eles gostam de sossego.
- Que droga.
- É... Bastante.
- E você ajuda esse cara aí como?
- Eu sou meio que uma secretária dele. Eu tenho que fazer tudo dar certo pra ele levar o nome, entende?
- Então você é promoter.
- É... Bastante.
- E você já fez shows de quem conhecido? - Scorpions? The Scorpions é massa.
- Na verdade não tem o “The” e eles odeiam quando alguém fala assim. O nome mesmo é Scorpions e só.
- Deixa eu adivinhar, você chamou eles de “The”.
- É... Bastante. Até o cara que tem cara de maconhado me corrigir e eu passar a maior vergonha.
- Uhh, mas você também, hein! Que burra achar que é com o “the”.
- Ah, eu? Você também chamou!
- Eu? Eu nego! – ela me deu um tapa no braço e nos rimos por algum tempo. O silêncio começou a ficar insuportável e coloquei uma musica para animar as coisas. O cd do The click Five começou a tocar com I Think we’re alone now. Uma música beeem inconveniente para duas pessoas que estão sem graça.
- Eu gosto dessa banda.
- Calma ai, de quantas bandas você gosta?
- Olha, um monte, mas no meu ipod tem Plus 44, The click five, Scorpions, Sugarcult...
- Porra, e você tem pôsteres deles no quarto também?
- O quê? Não! ... Você por acaso está com ciúmes por que eu ouço outras bandas além de Son of Dork?
- O quê? Não! Que é isso... Tá louca!
- Aham... . Eu ouço muitas bandas além de Son of Dork. Eu ouço New found Glory, eu ouvia Blink, eu ouço My chemical Romance...
- Hum...
- E ouço McFly também, sabia?
- O quê? Você ouve McFly?? – perguntei com raiva e vi ela gargalhar.
- ! Olha só pra você! Você tá puto por que eu disse que eu escuto outras bandas além da sua!
- Mas e a exclusividade?
- Exclusividade de banda? Existe isso? – eu tinha parado o carro no farol e agora a encarava. – . – ela me olhou. – Você também gosta de todas essas bandas que eu falei.
- Gosto nada. – falei como uma criança birrenta.
- Gosta sim... , o que dá pra saber sobre você na internet, eu sei, e eu sei que você gosta dessas bandas, eu sei que você começou a tocar cedo, eu sei que você é um gênio escrevendo musicas...
- E do vocalista dos Scorpions, o que você sabe?
- Eu sei uma coisa sobre os Scorpions: que eles tem 36 anos de banda.
- E o que mais?
- E só.
- E o que você sabe sobre o McFly?
- Muita coisa.
- Ta vendo!
- , eu não te devo exclusividade de banda! Coloca na sua cabeça que eu posso gostar de um monte de banda ao mesmo tempo!
- E quem é seu favorito do McFly?
- O quê? Por que você tá fazendo isso?
- Quem é?
- Que merda, , eu não sou sua namorada! Eu não te devo exclusividade de banda e eu adoro o McFly se você quer saber! Agora larga mão de ser idiota! Você me deu um selinho de alguns segundos! Eu não to te chifrando porque a gente não tem nada! – Ela tava sendo idiota, não eu. Eu só queria saber quem ela gostava mais, se era eu ou o McFly. – Você se tornou um idiota.
- Chegamos na sua rua. Qual é sua casa?
- O prédio verde. – Parei o carro e notei um prédio de uns 4 andares e ela desceu do carro. – Obrigada pela carona super agradável, . – Olha aí! O deboche! Não senti saudades dele. Olhei ela dar a volta no carro e entrar pelo portão do prédio sem olhar pra trás. Dei partida e segui para minha casa. Quando subi pelo elevador, dei de cara com o síndico. Mais uma vez.
- Anda estressado, Mr. ?
- Bastante, então me deixa em paz, entendeu? – bati a porta com força e me joguei no sofá colocando as mãos no rosto.

Cap 8

Idiota, é isso. É um idiota! Eu devia ter dado mole pro Dougie! Isso sim, é o único do McFly que tá solteiro (mais ou menos), é lindo que dói minha perna, é gostosinho, tem um cabelo legal, é o famoso Triple X. Eu devia ter dado papo pra ele, afinal, desde que meu grupo de amigos se expandiu aos Mcguys e aos Dorks eu devia expandir também meu círculo de namorados! Ele tava me dando mole, mas o acha que eu não percebi quando ele falou da Louise só pra irritar o Dougie. É. Definitivamente, o é um idiota.
Já tinha uns 15 minutos que eu havia chegado em casa quando e abriram a porta. Eu estava só de shortinho e uma blusa.
- , eu não to com roupa pra visita!
- Ah, , eu já te vi com a camisa do , não tem problema te ver assim, não. E além do mais, eu só tenho olhos para minha ex-acidentada – deu um selinho na e os dois se jogaram no sofá ao meu lado me olhando.
- Que foi?
- E aí?
- Vocês estão namorando? – e perguntaram animados.
- Não... E nem vamos...
- Ahm? Por que não? – perguntou.
- É! Por que não? – Os dois agora só podiam ser contados como uma dupla. Era incrível.
- Porque não... – falei levantando do sofá e indo até a cozinha. Não demorou e os dois já estavam parados me olhando assim que eu bati a porta da geladeira.
- O que aconteceu?
- Você não quer namorar com ele? – perguntou. – Engraçado que eles só falavam com frases iguais ou parecidas e entre uma e outra não me davam tempo para responder.
- Não é esse o problema.
- Você não gostou do beijo dele, né? – perguntou e incrivelmente não falou nada. Peguei uma colher e fui para a sala segurando um pote de iogurte e um saco de cereais.
- Tá bom, eu conto o que aconteceu. Mas sentem os dois aí, não quero carinhas de cachorrinhos, nem nada tipo "tadinha...", entenderam? – Os dois fizeram que sim com a cabeça e sentaram do meu lado. – Estávamos no carro e ele colocou The Click Five para tocar.
- Ah, eu adoro as musicas deles!
- Eu também. Aí eu falei isso e ele ficou toco enciumado. Aí eu falei que eu gostava de mais algumas bandas incluindo mcFly e ele ficou todo possessivo e cheio de ciúmes porque eu disse que tenho as musicas deles no meu iPod!
- Assim, do nada? - perguntou.
- É. Do nada. Eu acho que ele queria algum tipo de exclusividade de banda, sabe? Tipo, como ele é meu favorito, eu só posso ouvir as músicas da banda dele e se ouvir qualquer outra banda, eu estou chifrando-o, sabe?
- Mas isso é uma idiotice! – falou enquanto eu notei abraçá-la.
- Eu sei, e eu falei isso, chamei ele de idiota e tudo, e saí do carro.
- Fez certo, , o cara agiu como um otário! – me apoiou e eu fiquei feliz por isso. Tipo, se eles dissessem que eu tava errada eu ia ficar louca aqui por que eu tenho certeza que eu to certa. Como assim eu não posso ouvir música de outras bandas? Eu tenho que ficar restrita a apenas o Son of Dork? Ele agiu como idiota. Eu estava certa e ele estava errado.
Mas isso não me fez sentir melhor. Descobrir que o cara que você tá a fim é um idiota não é uma coisa legal. E é por isso que eu estou com um pote de iogurte com cereais. Não estou em depressão. Só pra deixar claro. Mas quando esse tipo de coisa bate aquela vontade de comer uma coisa gostosa e ficar jogada no sofá o dia todo.
- Eu vou falar com ele. - falou levantando do sofá.
- Não. Não vai não. Eu não quero que você fale com ele, você não tem que dar esporro nele pra ele ver que está errado. Você tem que deixar ele descobrir sozinho, ele já tá crescidinho pra isso.
- Olha, . Você que sabe. Mas hoje não se preocupa que você não vai ficar em casa.
- , eu realmente não quero sair.
- Mas você vai sair, sim! Como não? Nós vamos na Open hoje, né, amor? – berrou e eu senti meus ouvidos explodirem.
- É. E a senhorita vai com a gente. Então, amores, estejam prontas às nove, certo? – fez que sim com a cabeça e deu um selinho no namorado, que saiu e bateu a porta. Logo olhou pra mim.
- Iogurte com cereal? foi realmente um idiota, né, baby?
- Bastante.
- Mas então vamos dançar muito hoje e você deixa isso pra lá.
- Não é assim, . É o meu sonho que eu vou ter que deixar para lá.
- Eu sei, baby. Mas calma. Dá tempo pro tempo.
- Mas vocês não me dão tempo.
- Eu sei, mas nós não vamos pra uma boate com o McFly e você vai ficar aqui.

Morguei o resto da tarde. Comendo cereais e iogurte enquanto assistia um filme de amor. Por quê que o mocinho sempre morre no final? É pra fazer você chorar? Porque já conseguiu três vezes! Quando o iogurte acabou eu amaldiçoei a por não ter feito compra e resolvi levantar. Eram 7 da noite e a menina ainda tava dormindo. Dei uma travesseirada nela e mandei ela levantar o seu belo rabo e começar a se arrumar. Quando estava de toalha, pronta para ir para o banho, meu celular tocou.
- Hey, fofa, só estou me certificando que você e o seu love vão encontrar com a gente lá no pub. - Bom... Eu vou, mas eu não tenho love nenhum.
- Mas e o ? - Era tudo brincadeira. – menti... É.
- Era? Parecia de verdade! Mas bem que vocês dois fazem um casal legal! Bom... Mas não vem ao caso! Já que você tá solteira... Eu não ia te falar não, mas o Dougie Poynter te achou linda... Você percebeu que ele queria puxar papo com você, né?
- Jura? Nem notei...
- Ele tava meio apreensivo por causa dos caras e tal, mas já que você está solteira, vou deixar ele sabendo desse fato, certo? – pensei alguns segundo e cheguei à conclusão que eu realmente não tenho nada a perder, afinal, o me deu um selinho e só.
- Certo.
- Ok, querida, te vejo lá! – Olívia desligou o celular e eu senti minha consciência pesar um pouco. Mas não tenho motivo para isso. Eu não tinha nada com o , eu tinha só um enorme desejo de tornar aquele selinho um beijo profundo. Mas isso não vai dar, aí quem sabe eu faço isso com o Poynter?
se arrumou e eu já estava pronta, apenas terminava minha maquiagem.
- Eu acho que vou de rasteirinha...
- O que? Pra um pub? Tá loca, baby? – ela berrou comigo e pegou um dos meus saltos no armário. – Pode tratar de calçar esse aí, e essa blusa simples aí você vai trocar por aquela azul decotada que eu sou doida pra catar.
- , eu sei me vestir, viu?
- Tá, mas hoje você não tá fazendo direito, então deixa que eu faço. E adianta aí que o já ta chegando. – então o interfone tocou – Ele chegou, troca a blusa aí rapidinho, vai. – fiz o que ela mandou e descemos as escadas. Quando chegamos lá fora eu dei de cara com o e seu carro, e o no dele esperando a gente.
- , vai com o pra ele não ir sozinho, a gente veio com os dois porque a gente vai passar pra pegar os dudes.
- Ham... Você vai pegar quem? – perguntei pro meio que ignorando o que ficava olhando para minhas pernas.
- O vai pegar o , e . E eu vou pegar o Poynter já que o Fletcher vai com o Jones hoje também.
- Então eu vou com você mesmo, já que o outro carro vai ficar cheio. – passou a mão na cabeça e olhou para . Notei fazer um "humpf" com a boca e entrar no carro. Eu fiz o mesmo.
Logo estávamos parados na frente de um prédio e o Dougie descia as escadas. O ficou de encontrar com a gente lá. Não comigo, com eles.
- ! Não esperava te encontrar aqui, achei que você estaria com o .
- É... Eu to com a minha amiga mesmo...
- E o namorado não vai não?
- Na verdade eu e ele não estamos namorando, não... Foi tudo uma... Brincadeira. – me fuzilou com os olhos e eu vi fechar a cara.
- Não? Achei que tinham se dado bem...
- Nos damos... Somos muito amigos. Mas só amigos. – Acho que ficou feliz por eu não ter contado a verdade. Afinal, era amigo dele, seja idiota ou não.
- Ham... Eu e a Louise resolvemos dar um fim nisso hoje à tarde. – ele falou meio tímido.
- Por quê?
- Eu não gostava dela e nem ela de mim... Na verdade ela dizia que eu era um péssimo namorado... – ele ainda sorria tímido.
- Mas você fazia tudo que ela mandava! Até eu ia achar ruim! – começou a se entrosar na conversa.
- Ih, , você não pode falar nada, não, porque você acha que eu não sei, mas você faz tudo que a manda, viu! – falei e Dougie riu.
- Tudo que eu mando, não tudo que eu peço! – falou. Nós viemos conversando animadamente no carro e eu grudei no braço do Dougie na hora que entramos para não me perder. Eu senti que ele ficou meio sem graça com isso. É garoto tímido.
Logo chegamos em uma mesa onde Olívia, Danny, Harry, Izzy, Tom e Gio estavam.
- Ei, Dougie, namorada nova? – Tom falou e Dougie sorriu sem graça.
- Não, dude... essa é a , ela é amiga da namorada do .
- Iiih, Dougie, você é o que menos conhece ela! Tom, ela é minha amiga também e é muito querida por todo mundo, ok?
- Hey, dude, essa é a amiga da , , minha namorada.
- Cara! Nem acredito! Não consigo me acostumar com isso que o tá namorando.
- Nem a gente! – Harry falou abraçando a Izzy.
- E cadê as minhas putas? – Danny perguntou e Olívia deu um tapinha nele por falar desse jeito. Eu, , e Dougie já tínhamos sentado.
- O já vem com o , e .
- Ah, esqueci que ele é motorista! – Harry falou e nós todos rimos.
- E o que que vocês tão falando de mim, aí, hein, Jones? – vinha seguido pelos outros Dorks, senti minha espinha gelar e Dougie olhou para mim nesse momento. Acho que ele não percebeu.
- Hey, dude! Tudo certo? – cumprimentou todo mundo e os outros também. Olívia então me chamou para dançar, eu chamei a , a Izzy e a Gio. não quis ir.
Já devia fazer uma hora que estávamos dançando lá embaixo na pista e e se juntaram a nós. Começamos então a fazer rodinha em volta do que rebolava até o chão como um bicha ou então fazia passos de 50 anos atrás. Ele era um péssimo dançarino, isso eu tenho que admitir.
Logo vi Harry e juntar a Izzy para dançar e Danny abraçar Olívia por trás se balançando com ela. Gio subiu e deve ter sentado na mesa com Tom. Então fizemos uma rodinha. Só então percebi que e tinham se juntado a nós. Estava bem divertido até começar uma música lenta e Dougie me chamar para dançar.
- Será que você poderia me ensinar a dançar lento? – Dougie se aproximou e falou bem próximo ao meu ouvido.
- Desculpa aí, Poynter, mas a vai dançar comigo agora. – falou se colocando na frente de Dougie. Olhei para trás e pedi meio que um socorro a que veio correndo.
- Nada disso, eu tenho que dançar com a melhor amiga da minha namorada também! – abraçou a mim e a ao mesmo tempo e logo o puxou. Não sei o que eles conversaram. Eu temi uma briga novamente e preferi ir ao bar tomar alguma coisa. Atravessei a pista de dança com um drink na mão e subi as escadas para nossa mesa. Lá estavam Olívia, Danny, Tom e Gio. Engatei uma conversa animada com Gio e Tom enquanto Olívia e Danny namoravam e conversamos sobre comida. Parece que eles dois adoram a cozinha. Eu tenho meus dotes, cedidos carinhosamente pela minha mãe. Então chegou ao meu lado.
- Hey... Vamos conversar?
- E já to aqui conversando, , entra na conversa aqui? – falei sorrindo e tentando ser o mais simpática possível para aquela situação. Gio e Tom sorriram.
- Ahm... Claro! – ele sentou-se ao meu lado.
- Então, Tom, eu ouvi que você escreveu 10 number ones, isso é sério? – falei tentando desesperadamente me concentrar em outra coisa a não ser a boca com uma cicatriz.
- É. Incrível, né? Eu nem acredito também... 3 pro Busted e 7 pro McFly.
- Cara, isso é incrível! – falei sorrindo enquanto me encarava. – E vocês namoram há quanto tempo?
- 5 anos, né, Gi?
- É, 5 anos maravilhosos. Engordei muitos quilos por causa desse rapaz cozinhando, sabia? – nós 4 rimos e ficamos por um bom tempo conversando. Logo a mesa estava cheia novamente e todos pediam bebidas. então me cutucou e se aproximou do meu ouvido.
- Vamos lá fora conversar?
- A gente tá conversando aqui, .
- Haha, muito legal o seu deboche, mas eu não tava com saudade dele. É serio.
- Você ainda vai fazer um drama por que eu gosto de ouvir McFly?
- Será que a gente pode conversar lá fora? – eu sorri o mais falso que pude e me levantei.
- Vou no banheiro! ! Me ajuda a passar porque nessa multidão, dá até medo!
- É mesmo! Hoje tá mais cheio do que nunca. Eu também quero ir ao banheiro. – Descemos juntos a escada e fomos para fora do pub.
- Então, , qual é o problema? É porque eu tava dançando ao som de uma música que você não fez? Me desculpa por isso.
- Será que dá pra você parar de ser debochada um pouco? – ele falava colocando a mão na cabeça, estava angustiado. Dava para ver claramente. Ele andava de um lado para o outro e sacudia os braços.
- Fala logo o que foi, .
- Me matou ver você com o Poynter. – estranhei ao ouvir estas palavras. Então comecei a ficar nervosa também.
- Como assim?
- É ciúme, tá legal? – ele falou como se estivesse mais admitindo para ele do que para mim.
- Por que você tá com ciúme de mim, ?
- Porque eu não parei de pensar em você essa semana.
- E o que foi aquilo no carro?
- Você tem pôsteres de quem mais no seu quarto?
- Como assim?
- Droga... – ele abaixou a cabeça. – Às vezes eu esqueço que você não tá na minha cabeça. – eu sorri pelo comentário. – Eu explico. Sua amiga disse que você tem pôsteres meus no seu quarto.
- Tinha... Eu tirei há uns dois anos. Mas não deixei de ser sua fã, ainda acho você um gênio escrevendo músicas.
- Então, eu achava que quando você dizia que gostava de uma banda era porque você gostava do mesmo jeito que você gostava de mim, aí eu ia ser só mais um.
- Então... O que você está dizendo mesmo?
- Que eu fiquei com muito ciúme. Mas que seu gosto musical é muito bom e eu ouço praticamente as mesmas bandas.
- E não tem nada a me dizer?
- Desculpa por ter feito aquilo no carro. – sorri ao ouvir isso. Senti muita vontade de agarrá-lo e beijá-lo, mas pensei novamente. E é melhor não. – Então.. Estamos bem?
- Sim, estamos.
- Ninguém perguntou por que não estávamos juntos essa noite, não?
- Perguntaram, eu disse que aquilo no almoço foi tudo uma brincadeira.
- Você não contou a verdade?
- Só pro e pra .
- O me mandou tomar no cu hoje. Eu fiquei sem entender o porquê, mas acho que agora já sei.
- É... – o silêncio invadiu o espaço de uns 2 metros entre nós dois. – Ahm... Vamos entrar?
- Espera... E nós?
- Não sei...
- Então, o que fazemos?
- Na verdade... Não fazemos nada... – Falei. Eu e nos dirigimos novamente para dentro e não nos falamos mais diretamente pelo resto da noite.
Eu sei, eu também me odeio. Mas será que é certo eu ter alguma coisa com ele? Pelo que vi, parecia um déjà vu do meu outro namoro, o qual eu não podia cumprimentar quem eu conheço, o qual eu não podia ter amigas, o qual eu não podia fazer o que queria. É, não era um namoro legal e todos os dias que dou graças a Deus que eu me livrei disso. Mas voltando ao . A questão é que eu prefiro continuar com a impressão de um cara maravilhoso que fez um show e me pediu desculpas depois. Não, eu não sou idiota. O resto da noite, eu e ele mal nos falamos, o clima na mesa era maravilhoso, com os meninos fazendo bagunça e fazendo viadagem não tem como não se divertir.
- Ei, ... – Dougie me seguiu quando eu fui ao banheiro de verdade.
- Ei, Dougie, banheiro também?
- Na verdade eu queria trocar uma palavrinha com você...
- Ahm... Ok, o que foi?
- Eu conversei com a Olívia.
- Uh...- é, tinha esquecido disso.
- Olha... Eu... Muito tímido... E fazer isso pra mim... É muito difícil... – Acho que o Poynter só é timido quando ele realmente se importa com o que a pessoa acha. Por isso ele tava tão saidinho lá no Hut.
- ARMA! - Ouvi alguém gritar e, de repente, o que já era uma loucura, virou uma loucura de pânico. As pessoas começaram a correr de um lado pro outro e não dava pra ver nada. Olhei para a mesa lá em cima e todos se mexiam agitadamente, perdi a de vista quando Dougie me puxou para um canto.
- A gente tem que sair daqui! – ele falou meio sem saber o que fazer. Eu me joguei na parede ao lado dele e foi então que tive uma visão melhor: Vi um cara alto e moreno segurando uma arma, tipo um revolver, ele apontava para cima e olhava para os lados confuso, como se estivesse procurando o alvo. Dougie me puxou pela multidão e então ouvimos um tiro. Minha espinha gelou e minha mão se perdeu da de Dougie, vi seu cabelo e tentei alcançá-lo inutilmente, as pessoas estavam desesperadas, não deixavam ninguém passar. Não achei mais o cabelo dele, na verdade, me vi perdida em um mar de pessoas e não conseguia ficar parada. De repente, todos ao meu redor abaixaram-se e eu olhei para a parede onde uma mulher chorava desesperadamente e não estava abaixada. Olhei para o outro lado e vi o mesmo homem alto e moreno com a arma apontada na direção dela. Eu estava na linha de fogo. Não consegui me mover. Todo mundo pode achar ridículo, mas experimente ter uma arma apontada em sua direção e digam-me se são capazes de fazer algum movimento. Eu realmente não consegui me mover. A única coisa que eu enxergava com clareza era o cano da arma, o resto era apenas borrão. As pessoas corriam abaixadas e eu não conseguia identificar rostos. Não consegui mais nem identificar o rosto do cara da arma. Tudo era apenas um borrão.
Quem acorda de manhã sem querer ir para o trabalho, ou sem querer ir para a escola? Algum dia, você vai se sentir diferente. Algum dia você não vai querer ir, mas você não vai querer ir com um pressentimento. De quê? Ninguém sabe. Mas o seu dia, nesse dia, será diferente.
Minha garganta estava seca e foi então que me lembrei do gosto de iogurte com cereais, lembrei o gosto de batata fritas e o desejo que me deu de comer algumas naquele momento.
Um tiro me livrou de meus pensamentos e a parede estava furada perto da mulher. Ele tinha errado. A minha visão já estava mais clara, mas eu ainda não conseguia me mover, ele fez um movimento para recarregar a arma e eu o olhava atentamente. Cada movimento, cada segundo passando como uma hora.
- ! – Foi só então que desviei meu olhar do cano da arma e mesmo com toda barulheira escutei a voz que mais queria escutar.

Cap 9

Ela parecia não conseguir se mover, olhei seu rosto encarando a arma e ela parecia apenas curiosa. Não estava assustada, estava apenas observando a arma. Olhei para trás e vi os seguranças tentando passar pela multidão. Mas claro que ninguém ia deixá-los passar. Corri até a e agarrei sua mão o mais rápido que pude, passando pelo meio da multidão e puxei para dentro do banheiro feminino onde algumas mulheres estavam nervosas e comiam as próprias unhas tentando adivinhar o que estaria acontecendo lá fora.
- Você é louca? Por que você ficou parada lá? – eu a segurei pelos ombros e a encostei na parede. É claro que delicadamente.
- Ele vai matá-la...
- Ele ia TE matar!
- Ela vai morrer! A gente não pode deixar! – Ela berrava como se estivesse em um concurso de boa samaritana e parecia em transe.
- , a gente não pode fazer nada!
- Então VOCÊ não faça nada! – ela falou decidida e saiu do banheiro, se desvencilhando das minhas mãos. A observei pular o balcão do bar e pegar a garrafa mais grossa que tinha achado. A mina é louca. Definitivamente. O cara da arma se aproximou mais da mulher na parede e só então eu olhei para sua cara. Terror. Não há palavra melhor para descrever. Eu também ficaria com essa cara se eu tivesse um arma apontada para mim. Voltei meus olhos para e ela estava atrás do cara da arma segurando uma garrafa. Até parece que a garota é retardada! Ela não pensa nos riscos! Ele pode levar uma na cabeça e mesmo assim atirar, ele pode levar uma na cabeça e não desmaiar e querer atirar nela, ele pode se virar na hora e dar um tiro nela. Caralho. Preciso fazer alguma coisa!

**

Me aproximei devagar segurando a garrafa. O lugar ainda estava cheio. Todos ainda corriam, mas eu não estava mais imóvel. Eu estava atrás da arma agora. Não sei que santo bateu em mim, realmente não sei, mas não posso o deixar matá-la. E ele vai matá-la. Realmente não faço idéia do santo, mas espero que seja um bem poderoso, porque não tem chance de eu lutar com esse cara e não levar um tiro. É. Eu também acho que eu tenho algum problema mental muito grande. Eu realmente não tenho idéia do que eu to fazendo com essa desgraça dessa garrafa na mão. Não sei o que eu to fazendo atrás desse cara... Que merda. Que idiota. Eu podia ter ficado em casa. Ou então eu podia ter deixado o me beijar lá fora. Ou então ter beijado ele! Mas não. Eu tenho que me fazer de difícil. Se eu tivesse beijado ele, nós estaríamos lá fora, encostados em um carro nos curtindo. Mas não. Eu sou muito idiota mesmo.
Então eu bati a garrafa na cabeça dele.
Newsflash! A garrafa não quebrou, nem ele desmaiou. Tomei no cu. A próxima coisa que fiquei sabendo era que ele tava com a arma em mim agora. Olhei por trás dele e a mulher aproveitou a situação e correu. É... Eu fui ajudar ela e ela correu. Isso. Tomei no cu de novo. Essa história de boa samaritana tá me fodendo.
Fechei os olhos. Eu já sabia o que estava pra acontecer. E eu não tava pronta. Eu tinha muitos arrependimentos. Só de cara: não ter dado um beijo que preste no . E comer batata frita. Eu amo batatas fritas.
Foi então que notei que aquilo estava demorando demais. Abri meus olhos e lá estava ele.
Lá estava , com apenas o bico de uma garrafa na mão, olhei para o chão e lá estava o cara. E lá estava o meu ... Ele me salvou.
- Você é louca, garota? – ele mais uma vez me balançava pelos ombros e eu apenas sorria.
- Você me salvou...
- Ham? O quê? Não.
- Salvou sim...
- Salvei nada!
- Que lindo, ... – falei com meu sorriso mais fofo e vi ele corar todo sem graça. Ele me salvou. Lindo...
- Vamos sair daqui, vai, vamos. – ele agarrou minha mão entrelaçando-a com a sua e indo em direção a saída. Olhei para o rosto dele e pude notar um meio sorriso.
me levou em casa junto com a e levou os outros. Não nos falamos mais. Mas acho que agora tava tudo bem entre a gente. O Dougie falou comigo assim que saímos, ele disse que foi levado pela multidão e pediu muitas desculpas por ter me deixado. Supõe-se que ele deixou a conversa para depois também.
- , eu tenho duas coisinhas pra te dizer...
- O que você fez de errado, ? – perguntei encarando-a com um cara de "vou te matar"
- Olha... Tipo... Você disse que o te pediu desculpas então eu dei seu telefone pra ele, sabe...
- !
- Mas poxa, se vocês são amigos, vocês têm que ter o número de celular do outro!
- Tá, e qual é a outra coisa?
- Que ele te mandou uma mensagem. – Pulei do sofá e arranquei o celular da mão dela.

"Tinha que ser você pra impedir um assassinato com 5 mil testemunhas, né? Me liga. Beijos."

- O quê? Fala?
- Nada! – bati a porta do quarto e esperei um tempo pra ligar. É, eu tava me fazendo de desinteressada.
- Alô?
- ? Você pediu pra eu te ligar...
- É! Olha, tá passando um filme legal no cinema, o que acha de ir comigo amanhã?
- Ham... Só nós dois?
- Se você quiser a gente chama o pessoal...
- Ham... Então chama quem você quiser...
- Ah... Então... Vou chamar o , então... tá?
- Tá...
- Mas eu tenho que te falar a verdade.
- Que foi?
- Na verdade eu não queria que ninguém mais fosse.
- Ham?
- Eu queria ficar sozinho com você.
- Tipo... Um encontro?
- Se você quiser...
- Er... Ham... Sim...
- Então... Amanhã?
- Acho que sim...
- Passo aí às 8... Tá?
- Ham... Tá.
- Faz um favor?
- O quê?
- Larga o deboche e o sarcasmo em casa, só traz um pouquinho de ironia pra você entender as minhas piadas?
- Você é muito besta, .
- É... Eu to sabendo.
- Então...
- Então até amanhã...
- Certo...
- Tchau.
- Tchau... - Certo... Eu tenho um encontro com o ? Uhhh... Isso sim. não pode ficar sabendo disso. Não mesmo.
- ! – droga!
- Oi, , querida. – abri a porta com o meu melhor e mais cínico sorriso.
- Você tem um encontro com o !
- Eu? Eu não!
- Tem sim! Sua mentirosa! Falsa! Traíra!
- Caralho, , como é que você descobriu? Anda ouvindo por trás da porta, é?
- Também. Mas o me ligou falando que o ligou pra ele falando que tinha te chamado pra sair! E amém vocês dois vão se encontrar e se apaixonar, e se amar e...
- Cala a boca, ! – Puta que pariu. Tenho que me lembrar de falar com o para ele encontrar um novo melhor amigo, porque com esse aí, tudo que ele falar vai passar pela namorada e vir direto pra mim... Mas se bem que não é má idéia saber tudo que o fala de mim.
- Barata!! – berrou pulando em cima da cama e eu pulei logo depois.
- Ela tá na parede!! – berrei como uma retardada. Momento paty!
- Não! Ela tá no chão!
- , eu to olhando pra ela e ela ta na parede!
- Eu também!
- SÃO DUAS!
- São três!
- Olha no abajur!
- Aiiiii!!
Acho que esse foi um dos piores momentos da minha vida. Não, quando uma arma estava apontada na minha direção duas vezes não foi o pior momento da minha vida. É. Eu odeio baratas. Todos odeiam baratas. Eu devo dizer que o que veio após esse surto foram duas meninas correndo em direção à sala e encontrando mais algumas baratas. E mais uma vez essas meninas correram para o banheiro. Onde teriam mais duas baratas. E de novo elas correram, mas dessa vez pra fora do apartamento.
- Eu estou me sentindo suja!! – ouvi falar passando a mão pelos braços enquanto estávamos na porta do síndico.
- Eu estou sentindo um monte delas passearem por mim!!
- Meninas! O que fazem aqui na minha porta vestidas desse jeito?? – só então notamos que o síndico já tinha aberto a porta e que a estava de shortinho e uma blusa sem sutiã e eu estava só de sutiã com um short de babydoll. É. De sutiã. Na frente do síndico.
- BARATAS! – berramos.
- Muitas!
- Milhares!
- A família barateando tudo!!
E mais um vez o resultado disso foi um síndico indo ao nosso apartamento conferir e sair correndo de lá.
- Realmente. Muitas baratas. Precisamos de um dedetizador.
- Mas isso leva uns 3 dias, né?
- Provavelmente. E vocês teriam que ficar num hotel.
- Hotel? Você sabe quanto é a diaria num hotel decente?
- Eu pago o dedetizador!
- Aí fica melhor.
- Vocês têm onde ficar?
- A gente se vira.

Depois de uma briga pra entrar e pegar o celular que eu joguei na cama quando vi a primeira barata eu liguei pra Olívia.
- Baby, a gente não tá parando em casa! Não vai dar.
Sim, amigona. Pra Izzy nem rola, não há intimidade o bastante. Nem pro Dougie, que eu estou com raiva por ter me largado lá.
- A gente pode ficar lá na...
- Não.
- Mas ...
- Não.
- , nós temos contatos, baby.
- E daí?
- Daí que nós vamos usar os nossos contatos, baby!
E então ela ligou pro . Mas sabe qual é a nova? A mãe dele vai viajar e não confia a casa na mão do filho. Lindo isso, certo? Família feliz. Quer saber o que mais é lindo? Ele vai ficar na casa do . Quer saber o que é mais lindo ainda? A gente vai ter que ficar lá também.
- Acho que estou tendo um déjà vu de um certo fim de semana.
- Tirando que não é fim de semana, você não está como pé torcido.
- É, mas a parte que nós ficamos apenas com a roupa do corpo lá é verdade. – É. Todas as nossas roupas foram mandadas para a lavanderia. Sabe... Por causa delas, as baratas.
- Esqueci desse pequeno detalhe. – Sorri ao lembrar que ele me elogiou quando eu vestia apenas uma camisa dele e quando ele me viu apenas de sutiã. Novamente lembrando do fato de eu ter estado na cama do , dormindo com ele e não ter tido nem uma troca de calor coporal.
- Mas , esse pode ser o primeiro encontro perfeito! Que dura três dias!
- Não, , não há primeiro encontro que dure três dias. Principalmente se vamos dividir o mesmo espaço por tanto tempo. – Duuuude, isso vai ser feio.

Cap 10

Certo, eu estava na casa do , eu estava ficando com ele, a e o estavam transando no quarto ao lado e nós estávamos um olhando pra cara do outro.
Situação meio embaraçosa, assim devo dizer. Então eu levantei e fui até a sacola preta da , puxei uma calcinha, uma saia e uma blusa.
- Ham... O que você tá fazendo?
- Ah, eu vou me arrumar pra ir pro trabalho.
- Ah...
- Ham... ... Você quer me levar e me buscar?
- Maria gasolina você, hein. – ele falou pegando o controle da tv.
- Não sou, não! – taquei a primeira coisa que vi na cara dele. – Eu só não gosto de andar a pé, e já que você tá com tanta má vontade, eu pego suas chaves e vou sozinha, viu.
- Háá! Não mesmo, ninguém dirige o meu carro. E outra... É claro que eu vou te levar, depois de você me jogar uma calcinha dessa como presente. – ele levantou minha calcinha vermelha minúscula no ar.
- Não, !
- Agora já era, essa é minha. Acha outra! – ele falou colocando a calcinha no bolso. Tem como ser mais fofo e mais tarado ao mesmo tempo? Certo. Mas eu tenho certeza que ele cata uma calcinha de todas que ele come. Ridículo.
Mas ele ainda não me comeu. Ainda. Droga. Nem vai! Se é pra guardar uma calcinha minha, não vai. Droga.
- Me dá, . – falei fechando a cara e mexendo no saco. Acho que ele percebeu, e logo me jogou a calcinha. Peguei as coisas e fui ao banheiro. Saí cerca de uns 20 minutos depois com os cabelos molhados e fui até a cozinha, ainda estava assistindo tv. Peguei um pote no armário e enchi de cereais.
- Que foi, hein? – ele me abraçou por trás e suspirei. Foi fofo.
- Nada... Amor... - puta que pariu. – ...
- Eu ouvi isso. – ele falou com um sorriso maroto.
- Ah, então não temos necessidade de falar sobre isso, certo? – parei tudo que estava fazendo e voltei para o banheiro, batendo a porta e sentando no chão. Idiota. Você não quer nada com ele, ele não quer nada com você, e você chama ele de amor? Porra, você tem problemas! Cacete.
A porta do banheiro se abriu de repente e entrou, sentando do meu lado.
- Que foi, hein?
- Nada, . – coloquei uma entonação no ''.
- Sabe... . – ele sorriu e consequentemente eu sorri. É assim, sabe, um sorriso dele e eu caio. – Você tá meio estranha, mas não tem problema, não, tá? – ele pegou minha mão e beijou. - Vamos lá assistir uns clipes antes que você tenha que ir pro trabalho? – fiz que sim com a cabeça e saímos do banheiro de mãos dadas, deitei no seu colo e ele ficou embaraçando meu cabelo. Filho da puta. Ele anda muito fofo ultimamente. Ou sou eu que ando carente. Culpo as baratas. Matem as baratas. Mas nada de bomba nuclear. As filhas da puta sobrevivem a bombas nucleares.
Quase dormi no colo dele. De fato, era muito bom receber esse carinho todo. Mas o não namora. Todos falam. Ele não namora. E eu acabei de terminar aquele namoro possessivo. Não é bom namorar muito cedo. Eu não quero. Pelo menos não com o . Ele é muito... inexperiente nessas coisas de namoro. Fofo, mas inexperiente.
- ! Eu tenho que ir trabalhar! - levantei rápido olhando que já eram 2:50.
- Ah, é mesmo, vamos que eu te levo!
- Não. Fica aí e eu vou. Depois eu volto.
- Por que você não quer que eu te leve?
- Não quero incomodar.
- Então tá, faz o que você quer. – ele fez uma cara de poucos amigos e me jogou a chave. – Falou. – e se jogou no sofá o mais frio que ele conseguia. Tava claro isso. , você é uma idiota. Enorme habilidade de fuder com tudo! Tava tudo lindo, aí você chama ele de amor. Tava tudo lindo de novo e você teima em querer ir sozinha. Fode com tudo de novo. Idiota.
Em vez de me jogar no colo dele lascar-lhe um beijo, a palhaça aqui agarrou a bolsa em cima da mesa e saiu do apartamento. Ridícula.
Fui para o prédio do qual trabalho e meu chefe, Robert Adams, parecia que ia ter um colapso. Fui à minha mesa e peguei uma aspirina extra forte com um gole de água.
- Boa tarde, Rob. – entrei na sala trazendo meu melhor sorriso e entregando-lhe a água e a aspirina.
- Como adivinhou? Boa tarde, . – Robert era um coroa de seus 40 e poucos anos, mas mesmo assim ainda era "inteiro", tinha olhos cinzas vibrantes e sempre trazia na boca um cigarro.
- Qual é o problema de hoje?
- Estou tentando produzir um show pequeno.
- Um show pequeno? Por quê?
- Aproxima mais os fãs e seus ídolos.
- Ah, é uma boa idéia. Mas e qual é o problema?
- Feche a porta, por favor. – Fiz o que ele pediu e me sentei na cadeira à sua frente. – Eu não agüento mais.
- O quê? A pressão de ter tudo pronto no dia? Você sabe que você dá conta de tudo!
- Não, eu não dou conta. Você dá! R.A. é uma enganação. Esse andar inteiro me pertence. E eu sou um completo ignorante no assunto.
- Que isso! Você é super bem sucedido!
- Querida, você não vê? Você faz tudo. Esse andar devia ser seu. Essa agência devia ser sua.
- O que quer dizer? – encarei seus olhos cinza tentando entender onde ele queria chegar.
- Eu não planejei nada. Na verdade acabei de pensar nisso. Quão longe é a Austrália?
- Olha... é longe.
- Eu vou para lá.
- Fazer shows lá?
- Não. Viver lá.
- Como assim? – arregalei meus olhos temendo pelo meu emprego.
Mas o que na verdade aconteceu foi que ele desistiu da vida de empresário. Ele me disse que não agüentava mais ser incompetente como promoter.
A boa e basicamente ótima noticia foi que ele decidiu que eu devia ser promoter. Mas aí eu falei que eu não tenho dinheiro para começar um próprio negocio. A parte ótima da notícia foi que ele resolveu mudar tudo. Eu era a chefe. Ele era a parte anônima. Simplificando: ele me colocou no lugar dele e ele seria como um sócio, dono de 49%, mas eu faria tudo (como sempre fiz), apenas seria reconhecida. A empresa não mudaria o nome por que já era famosa com esse nome, mas então ele decidiu acrescentar um . Tipo R.A. and . Gostou? É. Eu era a chefe agora. Aí você pensa "Como um cara ia simplesmente dar uma empresa pra ela?" ele não deu, na verdade, o trato foi que a empresa teria um desconto para mim e eu peguei um dinheiro que tinha guardado no banco para pagar. Bonito isso? É, isso sim é bonito. Ainda não terminei de pagar. Mas agora eu to fodida, sem dinheiro para ônibus, vou ficar assim por uns dias até a papelada da empresa se ajeitar e algum dinheiro começar a ser transferido para a minha conta. A tarde foi uma correria. Ele saiu do prédio assim que nossa conversa terminou. Eu tinha que organizar tudo sozinha. Mas eu já fazia tudo há algum tempo, agora eu faria dando ordem nas outras pessoas. Divertido.
Tão divertido que me esqueci de . Me esqueci do quão idiota eu fui. Esqueci da fazendo sexo selvagem, cavalar e brutal com o . Foi um ótimo dia, na verdade. Cansativo, mas ótimo.
Voltei para casa eram 7 horas da noite, fiz hora extra no meu primeiro dia como chefe. Ótimo. Abri a porta do apartamento (que nunca está destrancada) e estava tudo escuro. Estranhei. Acendi a luz e percebi que a luz do quarto do tava acesa. Bati na porta, coloquei a mão nos olhos e abri.
- ...? – ouvi falar com sono. Tirei a mão dos olhos e vi enrolado no cobertor dormindo profundamente e minha amiga sentada na cama com a coberta em cima do corpo me olhando sonolenta.
- O que aconteceu? – perguntei olhando ao redor.
- Bom... antes a gente... E agora nós estamos dormindo.
- E cadê o ? – perguntei.
- Sai daqui, . – falou me jogando uma almofada.
- , você sabe onde tá o ?
- Já olhou no quarto dele?
- Não... – saí do quarto dele e fechei a porta. Fui ao quarto do , acendi a luz e me deparei com um quarto vazio, então eu notei que aquela calça que fica jogada num canto não estava lá e os All Star sujos também tinham sumido. De duas uma: Seqüestradores pegaram o e roubaram sua roupa e seus All Star ou ele saiu. Fiquei incomodada com isso. Tirei aquela roupa apertada e peguei uma camisa do pra vestir. Ela era listrada de azul e finas listras brancas. Bonita. Fui à cozinha e peguei cereais e iogurte e me joguei no sofá. Eu gosto desse sofá. Não consegui parar de pensar onde ele teria ido. Afinal, eram sete e meia da noite e ele não tava com o carro. Olhei para a mesa e cheguei a conclusão que ele deveria ter pegado o do . Eu gosto desse sofá. É confortável. Parece que te abraça. E eu precisava de um abraço. Onde o foi?
Finalmente liguei a tv e Mtv Hits passava, de novo.
- E aí? Ele tá lá? – saiu do quarto esfregando o rosto e sentando do meu lado pegando o pote da minha mão. Cara de pau ele, não? Também acho.
- Tá não. – ele deu uma colherada nos MEUS cereais e eu peguei o pote da mão dele.
- Ele deve ter saído. – sentou ao lado do namorado e pegou o pote da minha mão.
- É.
- Fica puta, não, . – ela falou comendo MEUS cereias.
- Porra, eu não to puta! Ele só saiu de casa! Que merda! O mundo não gira ao redor dele! – explodi arrancando meu pote de cereais da mão dela e levantando do sofá.
- Eu tava falando do iogurte.
- Ham? – idiota. Eu sou terrivelmente idiota. – Eu também.
- É. Sabemos. – falou abraçando . Eu dei uma ultima colherada nos cereais e entreguei para o , fui para o quarto e me joguei na cama do . Engraçado que tudo me lembrava dele. Era a casa dele, afinal. Decidi que não estava apaixonada por ele e que não me importava aonde ele tinha ido. Sim, com força de vontade se consegue tudo. Voltei para a sala e nós começamos a assistir um filme de comédia que eu não me lembro o nome. Eram 10 horas quando o filme acabou. Eu já estava de bom humor e agora estava deitada no sofá com os olhos fechados ouvindo e cantando junto com meu mp4, e tinham ido para a cozinha fazer miojo. Incapazes de cozinhar, claro. Abri meus olhos por alguns segundos e vi a porta se abrindo. Continuei deitada e vi chegar. Ele esbarrou na porta. Jogou as chaves em cima de mesa e veio ao seu encontro. pulou em cima dele derrubando os dois. Mas não estava sorrindo. Tirei os fones de ouvido.
- Você é idiota, é? Você podia ter morrido, seu irresponsável. – foi então que percebi o quão bêbado estava , estava rindo à toa. Provavelmente estava drogado também. olhava da porta da cozinha enojada e ainda no chão ria. – Porra, ! Isso não é bom pra imagem da banda! Isso não faz bem pra você, seu idiota!
- Ahhh... Você se preocupa demais. – ele falou entre arrotos e colocou a mão na testa.
- Porra, você podia ter batido com a porra do carro e ter morrido, seu filho da puta! – o garoto andava de um lado pro outro. – Cansei de cuidar de você. Você não tem 16 anos, ! – Olhei para e ela puxou para a cozinha, fechando a porta. Eu desliguei meu mp4 calmamente e se levantou com alguma dificuldade.
- , vem aqui rapidinho? – fiz sinal para que ele me seguisse e ele veio até o banheiro. Joguei ele no box e abri o chuveiro na água gelada.
- Você é doente? – ele berrou tentando sair e eu parei na sua frente olhando séria para ele.
- Você vai ficar aí até quando eu achar que você deve.
- Não vem com sermão! – ele falava tentando parecer decidido.
- Eu não to falando nada. – falei e fechei a porta, saindo do banheiro. estava no sofá deitado no colo de e ela mexia em seus cabelos. – Dei uma refrescada na cabeça dele.
- Ele é um idiota. – ele falou ainda puto.
- Não esquenta. – falei e o puxou para o quarto. Fui na cozinha e fiz café. Uns 20 minutos depois, saía do banheiro com uma toalha na cintura. – Bebe isso aqui, faz favor.
- Não quero. – ele falou em tom de desafio.
- Tá. – Falei e fui para o quarto. Ele estava aparentando estar um pouco melhor. Logo ele apareceu no quarto segurando a caneca de café.
- O que você tá fazendo?
- Pegando roupa de cama.
- Pra quê?
- Eu vou dormir no sofá.
- Ah, qual é... ! – ele parou pra pensar o meu nome. O meu nome. Foi a conta. Peguei os lençóis e bati a porta do quarto dele. Forrei tudo bonitinho e deitei no sofá. Fechei os olhos e percebi um movimento na sala. Continuei com os olhos fechados.

Cap 11

Acordei com uma dor de cabeça filha da puta. Olhei ao redor e percebi que estava pelado. Fiz um esforço para lembrar o que tinha acontecido na noite anterior. Lembrei vagamente dos gritos do . Mas lembrei muito bem da cara da . Vi minha toalha no canto da cama e vesti uma boxer. Fui até a sala e encontrei os lençóis dela no sofá. Fui no quarto do e estava vazio. Procurei alguma chave de algum carro e percebi que todo mundo tinha saído e levado. Peguei uma camisa e fui à porta para comprar pão na padaria, então vi que a porta estava trancada. Eles me trancaram em casa. Bando de filhos da puta. Fui à cozinha e peguei iogurte. Então os cereais olharam para mim. Peguei- os. Fui para a sala e comi assistindo Tom e Jerry. Finalmente olhei no relógio e percebi que eram apenas 10 horas. Estava entediado. Eu precisava fazer alguma coisa. Arrumar a casa. Háá, te peguei! Achou mesmo que eu ia levantar do sofá pra arrumar a casa? Tá louco, né! Vi o mp4 da no canto do sofá e coloquei nos ouvidos. Logo começou a tocar um cover do New found Glory, Everything I do I do it For You. Ótimas músicas ela tinha. Fiquei deitado no sofá por alguns minutos e vi que o tédio me mataria um dia.
Então levantei. Fui para o meu quarto e catei toda roupa jogada no chão, fui para o banheiro e fiz a mesma coisa com as roupas de lá. É, eu acho que eu estava arrumando a casa mesmo. Eu tenho manias estranhas. Joguei tudo no chão da área (lê-se varanda.) Baixou o santo em mim. Eu resolvi que ia dar um jeitinho na casa.
Liguei o mp4 dela com o som e fiquei ouvindo Sugarcult numa altura extremamente elevada. Fui para o quarto do e, com muito nojo, peguei o forro de cama dele e juntei as roupas que estavam espalhadas, fechei as portas do guarda-roupa e fiz o mesmo no meu quarto. Troquei lençóis de cama, na sala, catei os vários potes de iogurte, lavei a louça. Olhei para o relógio e já eram 4:30 da tarde. Fui tomar um banho e voltei para a cozinha. Decidi que ia fazer uma macarronada.
Não entendi porque estava desse jeito. Porra, eu sou homem, eu não faço nada assim. E eu não estou fazendo isso porque estou com a consciência pesada por ter saído pra beber ontem. Que, a propósito, minha cabeça ainda dói desesperadamente. Eu saí mesmo, bebi mesmo, enchi a cara. Porra, é foda! O tava transando, eu não transo tem umas 2 semanas e eu ia ficar em casa sozinho? Tá louco!
Temperei a carne moída e o macarrão já estava cozinhando. Deitei no sofá de olho na hora. Mamãe me ensinou. A única coisa que eu aprendi a fazer foi isso. Quando terminei, fechei as janelas e me joguei no sofá. Liguei a televisão e a porta se abriu. Eu to muito veado hoje.
- Nossa. A casa tá arrumada... - Ouvi falar e continuei encarando a tv.
- Você arrumou a casa, ? – ouvi perguntar.
- Não, a diarista veio hoje.
- Ah... – entrou na cozinha. – Que é isso aqui em cima do fogão?
- Ela fez macarronada também.
- Você paga quanto pra ela? Boa pra caramba essa diarista, vou chamar ela pra ir lá em casa quando a gente voltar... – falou e eu murmurei um "hum".
- Cadê a ?
- No trabalho, ela já deve tá chegando. – bateu a porta e sentou ao meu lado no sofá. – Você sabe que eu vou te dar sermão, não sabe, ?
- E...?
- Espera, o ta vindo. – olhou para a tv como se nada tivesse acontecendo. – Amor, toma seu banho logo, que aí eu vou tomar o meu, tá?
- Toma comigo.
- Ah, amor... o tá em casa...
- A gente já fez coisa muito pior com o em casa. – ele riu malicioso e eu balancei a cabeça.
- Vai lá, amor, eu vou arrumar a mesa. – Ela deu um selinho no namorado e voltou a sentar-se ao meu lado assim que ele bateu a porta do banheiro. – Me fala que merda foi aquela.
- Que merda?
- Por que você saiu pra beber ontem?
- Por que eu quis.
- Você e a tão brigando muito. Você não percebeu não?
- Percebi.
- E por que vocês querem fazer as coisas do jeito complicado?
- Eu? Eu fui um anjo com ela e ela me tratou com a maior ignorância do mundo.
- Ela tá insegura, tá legal? Ela sabe que você não namora! E ela tem medo de se magoar de novo!
- De novo?
- Um idiota que ela namorava há 5 meses quebrou o coração dela e cuspiu em cima. Ela fica dizendo que tá cedo pra namorar de novo, mas na verdade ela tem é medo de se apaixonar e outra pessoa fazer o que esse cara fez.
- E ela vai ficar achando que todo mundo vai querer fazer isso com ela?
- Claro! Você não sabe como são as mulheres? Homens são todos iguais no nosso ponto de vista. Se um fez, todos fazem!
- Tá, mas e daí?
- , você nunca namorou, é complicado, é difícil. Você não quer o complicado. Ela não quer o complicado.
- E por que você acha que eu quero namorar com ela? Eu to ficando com ela e a gente não tem nada sério. E fica por isso mesmo.
- É isso! É desse jeito que tem que ser.
- Pois é, então fala pra sua amiguinha que por mim é desse jeito e desse jeito continua. Eu não gosto dela. Eu fico com ela.
- Então tá, . – Vi ela se levantar e ir pra cozinha voltando com alguns pratos e talheres.
- Nossa, como a casa tá arrumadinha! – Olhei para a porta e estava olhando a sala.
- Foi a diarista.
- Diarista? – ela perguntou.
- É. – Eu respondi sorrindo. É. Sorrindo. viu sair do banheiro e foi tomar banho enquanto terminava de ajeitar os pratos em cima da mesa. Eu levantei, fui por trás dela e a abracei dando um beijo em sua bochecha.
- Ahn... Oi, ... – ela falou indo para a cozinha pegar copos... – O que é isso na panela?
- Macarronada, a diarista que fez.
- Diarista, né. – Vi ela sorrir com o canto de boca e pegar quatro copos com dificuldade. Peguei dois de suas mãos e levei para a mesa.
- .
- Oi? – Sorri e a olhei.
- Você não tem outra chave de casa e a levou a sua quando saiu.
- É? Nem percebi... – me joguei no sofá e ela sentou-se ao meu lado séria.
- Como a diarista entrou pra limpar?
- Pulou a janela.
- De um prédio?
- É, ela veio pela janela do vizinho. – falei cínico e ela deu um sorriso. E novamente e vi seus dentes maravilhosos. Percebi então que havia sentido saudade desses dentes e desse sorriso. Merda.
- Você limpou a casa, ?
- Eu? Eu não, ta louca? – Falei sorrindo e cínico indo para a geladeira e pegando uma Coca-Cola.
- Você fez essa macarronada, ?
- Eu? Eu não sei cozinhar, esqueceu? – Peguei as duas panelas e coloquei em cima da mesa. – , ! Tá na mesa! – alguns segundos depois, saía do banheiro e do quarto. Sentamos na mesa e começamos a comer.
- , como é o numero dessa diarista? Vou chamar ela pra ir lá pra casa quando minha mãe voltar. Ela cozinha bem.
- É... 555- 6660
- Número sinistro esse. 666.
- É... – Falei dando uma golada na minha Coca e me encarava sorrindo. Garota esperta. Já ate sacou que o número é falso.
Conversávamos numa boa como se nada tivesse acontecido ontem. não estava mais com raiva de mim e já tinha voltado a me chamar de vadia. Normal.
Após o jantar, e ficaram lavando a louça e fecharam a porta da cozinha. provavelmente estava falando com ela. e eu ficamos assistindo o filme de terror que faltava porque amanha era dia de devolver.
Elas terminaram de lavar a louça e logo chegou na sala sentando ao meu lado e encostando em mim. Sorri com isso.
- Pode tirar desse filme. Não quero filme de terror. Não gosto de filme de terror.
- Ah, ! Que é isso, tá na metade do filme! – falou apontando pra tv.
- Por que que homem gosta tanto de ver sangue, hein?
- Porra! Mas é massa!
- Massa? Massa ver uma mulher tendo a B... cortada na faca??
- Essa foi a melhor parte! – berrei e ela colocou a mão na minha boca.
- Queria ver se passava a parte dum cara tendo o pênis cortado!
- Aí ia perder a graça. – falei assim que ela deu mole e logo ela botou a mão na minha boca de novo. O jeito de autoritária estava de volta. Ótimo.
- Já que vocês vão ficar assistindo essa porcaria, eu vou arranjar coisa melhor pra fazer! – ela saiu batendo o pé e foi ao meu quarto. Logo ela voltou com o edredom e passou na nossa frente catando seu mp4 que estava em cima da tv. Notei que ela foi pra cozinha. Ela devia estar indo para a varanda. Onde tava toda roupa suja. Ri ao lembrar disso.
- ! – Ouvi seu berro e fui até lá. Me arrependi porque tava realmente muito frio. – Você acabou com a bateria do meu mp4!
- Acabei.
- Você é louco?
- Por quê?
- Eu não posso ficar sem bateria! O que eu vou fazer agora?
- Calma. Eu coloco pra carregar e venho aqui cantar pra você, aí você não precisa ouvir música.
- Essa também é uma boa idéia... – ela falou sorrindo e me entregando o mp4. Logo eu voltei e entrei debaixo do edredom junto com ela e ficamos sentados olhando para as estrelas. De novo.
- E aí? Como foi o trabalho hoje?
- Cansativo...
- E ontem? – perguntei meio que me envergonhando por não ter condições de conversar ontem.
- Diferente...
- Por que diferente? – ela parecia estar drogada. Estava em um momento de êxtase. Como quando você fica muito cansado e quer muito fechar os olhos, mas você está olhando para uma coisa tão maravilhosa que não pode perder nem um segundo.
- Eu tenho uma empresa agora...
- Como assim, ?
- Ele desistiu de tudo. E me obrigou a comprar. Agora eu faço tudo que eu fazia antes e mando em todo mundo que eu não mandava antes...
- Que estranho... Mas que bom!
- É sim... Mas eu to sem um centavo por algumas semanas.
- Não precisa. É só você ficar aqui comigo. Aí você come da minha comida, usa o meu carro e beija a minha boca. – ela desencostou a cabeça da parede e me encarou. Parecia que todo o seu sono tinha sumido.
- Ta me chamando pra morar com você?
- Não... – falei meio tímido. – Só pra você ficar mais uns dias...
- Mas a dedetizadora entrega amanhã o apartamento.
- Mas até sair o cheiro vocês tem que ficar mais.
- Não vai dar certo assim, ...
- A conversou com você?
- Conversou, mas...
- Então pronto.
- Então pronto... – ela encostou a cabeça no meu ombro e ficamos assim por alguns minutos. – Eu to curtindo bastante isso... – falei meio sem graça, mas com toda certeza do mundo. Esperei alguns segundos e não tive reação. Me mexi um pouco e segurei seu rosto, ela tinha dormido. Sorri.
Com o maior cuidado do mundo, como se fosse uma boneca de vidro, a peguei e a levei para o quarto tentando não mexer muito. Engraçado que sempre termina assim. Eu levando ela pro quarto. Ser humano que dorme! Eu sou tão entediante assim que ela teve que dormir? Certo, sem dramas.

A luz começou a incomodar meus olhos e eu tive que esfregá-los bastante até abri-los. Me espreguicei e notei que não tinha ninguém perto de mim. Fui até a sala e não tinha ninguém. Dei um chute no quarto na porta do quarto do e não houve reação. Ninguém em casa de novo. Todo mundo adora sair e me deixar para trás. Sem comentários. Tem dois dias que eu mal vejo a luz do sol. Estou precisando tocar.
Estava muito feliz divagando até a desgraça do celular começar a tocar. Ganha chocolate quem adivinhar quem era. É. . Mas você não vai ganhar o chocolate.
- Que porra, !
- Bonito dia, hein, ?
- Bonito é o caralho!
- O meu é. O seu não é, não.
- E você lá viu meu caralho pra saber se é bonito ou não, seu viado?
- Poxa, , não finja que nunca aconteceu. Você sabe que tem que assumir seus atos! – ele falou naquela puta voz mais homossexual que ele achou. Bicha.
- Fala logo, .
- Valeu por perguntar onde eu estou. Mas eu falo assim mesmo. Eu to na empresa da .
- Fazendo o que aí?
- O nosso querido empresário resolveu fazer um show.
- Caralho, , jura? Na moral? – falei animado. Um show era tudo que precisávamos agora. Era a única coisa que faltava pra quem sabe fazermos mais sucesso. Não adianta ter músicas nas rádios se não fazemos shows.
- Na moral. Aí eu sugeri a empresa da , né. Já que agora ela é dona e faz isso bem pra caralho. Sabia que ela que fez o show do The Scorpions em Lisboa?
- Não é "The" Scorpions. É só Scorpions. Mas e como é que tão ajeitando tudo aí?
- Na verdade estamos eu e o nosso querido empresário aqui (to puxando o saco dele), os caras vão chegar daqui a pouco e a gente vai decidir isso como uma banda.
- Tranqüilo, então. To passando aí daqui a pouco... ... Cadê sua mulher?
- Procurando emprego. Ela se demitiu daqui.
Desliguei o telefone e fui tomar um banho. Eu ia ver a durante o dia! Tá, não é grande coisa, mas tipo, trabalhar com sua namo... ficante do momento deve ser muito foda. E eu sou o cliente dela, então no caso eu mando nela. Há! Essa era uma boa idéia. Vesti um moletom da Billabong vermelho e coloquei calças jeans. Meu velho e inseparável all star, carteira, chaves do carro, chaves de casa? Não, deixa tudo aberto mesmo. Celular. Pronto. É. Dei uma jogada pra trás com os cabelos molhados e sorri pra mim mesmo. Eu sou foda.
Cheguei na empresa da , mas não sabia o andar. Então eu fui perguntar.
- Oi, onde é que a... – como é o nome da empresa da ? – A... – Porra! – Onde é o lugar que promove shows? – olhei para um moça que parecia que voaria se meu hálito fosse muito forte e a brisa poderia levá-la cerca de umas 5 milhas. Tá aí, mais uma anorexica ou bulímica. Ou os dois.
- Oitavo andar. Mas mudou o dono! – ela falou antes que eu saísse. – O dono deu uma louca e resolveu passar tudo para a secretária. Com certeza tiveram um caso e ela deve ter ameaçado ele... Mas você não ouviu isso de mim! – ela colocou as mãos na boca como se estivesse falando demais. Certamente ela é daquelas que tem diarréia verbal. E a usa para difamar os outros. Eu tenho certeza que a não faria isso. Dei uma gargalhada por quão patética a mulher estava sendo. Mas não tinha acabado por aí. – Me disseram que viram com os próprios olhos que Deus deu. Cuidado lá viu. É uma devoradora de homens! – eu fechei a cara com o comentário. – Ei! Você não é o ? Aquele do Son of Dork?
- É. E aquela secretária? É minha namorada. – enchi a boca pra falar e eu vi um queixo cair. Ri com isso. EU NÃO TO NAMORANDO COM ELA! Eu não estou namorando com ela. A gente nem ficando tá. A gente fica. E eu sei que eu queria marcar um encontro, mas esse encontro não era pra gente começar a namorar. Era pra gente ter uma oportunidade de beijar na boca sem que o incomodasse. E mesmo assim não precisei do encontro, já que ela mora comigo.
Subi no elevador e ainda pude ouvir a tal da recepcionista dizer "Caraca, que mico eu paguei agora", e uma outra disse "Tá vendo! Ninguém mandou você falar demais!".
Bem feito. Não desejo mal de ninguém. Mas todo mundo tem mania de julgar e achar que sabe tudo sobre todo mundo. Eu julgo. Mas ninguém é perfeito, né? Isso me faz o quê? Um fucking hipócrita, né?
Cheguei em um andar e por uma parede de vidro vi o acenar pra mim. Cheguei na porta de vidro da sala de vidro. Não gostei. Falta privacidade. Todos já estavam lá e assim que eu bati de leve na porta e a abri, vi o Fletcher (N/A: Acho que é ele o empresário dos dorks...), , , , e o todo feliz pra mim.
- E aí, cadê ela?
- Tá em uma ligação de negócios, mas já vem em um momento! – Uma mocinha de seus 18 anos e aparelhos nos dentes falou. Eu balancei a cabeça e me sentei ao lado do . Olhei para o outro lado do vidro e vi a sentada em uma mesa grande e cheia de papéis. Ela estava nervosa e parecia estar brigando com alguém no telefone. Notei então que ela estava descalça e ri quando ela tentava alcançar o sapato com o pé. Sem sucesso. Sabe como é, pernas curtas. Ri com isso e o telefone da secretária tocou.
- Aham... - ela desligou o telefone. – Vocês gostariam de alguma coisa para beber?
- Ham... Eu quero uma cerveja. – falou e eu dei um cutucão nele.
- Só isso? – ela perguntou e eu fiz que sim a com a cabeça. – Podem entrar agora, trarei sua bebida em um instante. – Levantamos e entramos na sala eu e Flecth sentamos nas duas cadeiras em frente a mesa dela e os três panacas sentaram em um sofá encostado na parede.
- Olá, meninos. – todos sorriram e cumprimentaram a . – Você deve ser o Flecther, certo? – ela levantou-se e deu um aperto de mão nele.
- Sim, sou eu.
- Então... Vamos direto ao ponto?
- Vamos. – Flecther falou e se endireitou na cadeira. – Queremos fazer um show e queremos que você o promova.
- Ótimo. Fico feliz por terem nos escolhido.
- Tenho certeza que você vai fazer um ótimo trabalho, .
- Obrigada, . Mas então, o que vocês vão querer?
- Um show grande! – gritou e sorriu.
- É! Bem grande! – falou.
- Grande tipo... Um estádio? – ela perguntou.
- Não! – Flecth olhou feio para os meninos e eu soltei uma gargalhada. – Não estamos aí ainda, certo? Sim, grande. Mas grande tipo um palco para 4 guitarristas e um baterista no fundo.
- Estamos falando então de um show de... Hum... 5 mil a 7 mil?
- Isso. Perfeito. – falei e ela sorriu discretamente.
- E o que querem de especial? Foguetes explodindo... Telões de 20mx30m?
- Foguetes! – gritou mais uma vez.
- Foguetes? – Flecth perguntou olhando pra gente e nós dissemos em coral.
- Foguetes!
A tarde passou e eu mal notei, ficamos conversando durante muito tempo sobre como seria nosso show. E seria um puta de um show. A foi bem profissional, mas depois de tudo ajeitado, nós engatamos uma conversa divertida. Ela brincou com a gente, mas sempre de um jeito muito profissional. Achei estranho. Normalmente ela é brigona e autoritária e lá estava mansinha... fazendo nossas vontades. Gostei disso. A à minha disposição foi uma coisa divertida de se ver. E difícil também. Provavelmente nunca mais acontecerá isso.
Quando deu 6 horas, olhou o relógio e se desculpou por ter nos segurado tanto tempo. Ela e Flecth apertaram as mãos e ela nos acompanhou até a porta.
- Foi um prazer conhecê-la! – Flecth dizia entrando no elevador com os caras. e eu ficamos pra trás.
- Nossa, , toda empresária. Mulher de negócios, sua própria sala, sua própria mesa... Tá podendo mesmo, hein? – falou rindo e gargalhou na sua cara.
- Sabe como é, né, !
- Mas a gente você não engana... Eu sei muito bem que por trás dessa mulher tem uma garota louca por iogurte com cereais e que dorme olhando para a London Eye! – eu falei e ela arregalou os olhos!
- ! Não fala alto assim, não, as pessoas aqui me obedecem, têm medo de mim! – eu e o gargalhamos. Na verdade, eu estava meio sem graça de cumprimentá-la com um selinho ou algo do tipo... Até onde nós tinhamos conversado (através da ), nós não íamos ter nada sério. E um selinho no local de trabalho pode ser considerado algo sério... Então eu não sabia muito bem o que fazer. – , eu e a vamos embora hoje, aí daqui a pouco eu to indo lá na sua casa pra pegar algumas coisas minhas e da , tá?
- A não te avisou? – falou.
- Avisar o quê?
- Ela vai dormir lá em casa hoje. Minha mãe não gosta que eu fique lá quando ela viaja, aí eu fico no , mas eventualmente eu posso voltar pra casa para pegar algumas roupas ou comida, já que é pão-duro. – gargalhou gostosamente e eu ri mais do jeito dela rindo do que da piada do , que logo levou um tapa na cabeça, óbvio.
- Então... Vocês vão fazer uma noite de...
- É isso mesmo, ! SEXO! Sexo selvagem, cavalar e brutal! – falei e ela arregalou os olhos.
- Droga, , não fala assim! – ela ficou vermelha. – A não me avisou. Mal caráter.
- Só por que você fica cheia de vergonha, é? – ri.
- Mas ela pode, não pode? – praticamente implorava.
- Hum... Tá, pode. Mas eu vou dar um esporro nela. Espera. – ela chamou a secretária que parecia pular quando andava. Coitada da ... Nesse lugar só tem doido... Mas se bem que... ela também é... Ela tá no lugar certo! – Pega meu celular na minha mesa? – A secretária fez que sim com a cabeça e correu o máximo que podia para trazer o celular. Assim que ela entrou de novo e fechou a porta, e eu nos olhamos e rimos. Não tem nem como não rir, né? A pessoa é muito estranha!
- Parabéns, . Você tem muita moral! – falou e eu gargalhei ela só deu língua e colocou o aparelho perto do ouvido.
- Alô? Oi, babe! Então... depois do trabalho eu vou passar pra te pegar e a gente vai para casa, né? Os dedetizadores devem ter feito uma bagunça lá! – o telefone tava alto e nós pudemos ouvir a .
- Ham... E... bagunça... Sabe o que é, babe? É que... Eu tipo... acho que vou ficar na casa do hoje...
- Ah, tá bom, babe, você fica lá, aí quando der umas 10 horas eu te pego e a gente vai pra casa.
- Não... tipo... dormir... lá... hoje.
- Ham? Como assim?
- Ahhhhhh, ! Você já sabia!
- Sabia! E só sabia porque o comentou! Senão, se depender de você, eu não fico sabendo de porra nenhuma!
- Eu iiiiiia te avisar... - Ia porra nenhuma, você ia me deixar ligar pra policia.
- Ah, não exagera!
- Putaquepariu, ! Me fala das coisas! Que desgraça! Parece que eu não sou sua melhor amiga! Você só pensa na desgraça do seu namorado agora, esqueceu dos outros? Sem ofensas, ... – ele fez uma cara assustada e eu percebi que ela não estava mais brincando.
- O tá aí? Deixa eu falar com ele?
- Vai tomar no centrodoseucu!! – berrou desligando o telefone e colocando as mãos na cabeça. – Desculpa por isso, , desculpa mesmo... mas... Ela é outra pessoa.
- Olha, . Eu tenho que confessar que quando a gente tinha começado a namorar eu sentia um pouco de ciúmes de você com ela, então eu sei como você tá se sentindo... Me desculpa...
- Que é isso! A culpa não é sua! Não precisa pedir desculpas! É ela que é desmiolada... – o telefone na mão dela começou a piscar desesperadamente. – Atende. É pra você mesmo que ela tá ligando. – , mesmo sem querer, pegou o telefone da mão dela e saiu de perto. Eu estava como um intrometido na situação, assistindo de camarote.
- Anh... ? – a chamou e entregou o telefone. – Ela quer falar com você.
- Sério? – olhou meio que debochada e pegou o telefone. – Que é?
- Vaitomarnocuvocêsuavadia! abriu a boca pra responder e falou de novo – E outra: Desculpasuavadia!
- Ah, ...
- Calasuabocaedeixaeufalar! Escuta, desculpa pelo jeito que eu to te tratando. Eu sei, eu sei, não é certo, você é praticamente minha mãe e talz... mas você já teve um primeiro amor... você sabe como é esse sentimento... desculpa, isso não é justificativa.
- Calasuabocasuapiranha. Fala aqui com seu amor, pra mim você não precisa falar mais nada.
- Chamou de piranha é por que tá tudo bem?
- É.
- Eeeeeeeeeebaaaaaa!! tirou o celular do ouvido com um sorriso sem graça e entregou para . Ele sorriu e saiu de perto da gente falando manso.
- Er...
- Er... – ridículo. Dois idiotas sem ter o que falar.
- Situação... embaraçosa, né? – falei tentando quebrar o gelo. Por que a gente tava desse jeito?
- Bastante! – mais um silêcio constrangedor. – Então... ... Eu to meio assim de te pedir isso, sabe... É que tipo... a vai ficar com o hoje e eu vou ficar sozinha lá em casa... e eu não queria... eu não consigo... dormir sozinha.
- Ah, , não precisa pedir!
- Brigada! – ela falou como quem está aliviada.
- Você pode sim dormir no carro, ! – ri
- Ahm? – Ela me deu um tapa no ombro. – Idiota! – ela riu. – E dessa vez eu nem vou precisar dormir contigo, posso dormir na cama do . É claro que depois de desinfetar todos os cantos do quarto incluindo o teto. – ela riu sozinha e eu dei um sorriso para não deixá-la sem graça. Na verdade, eu estava pensando em outra coisa. Essa é a primeira vez que eu e a vamos ficar sozinhos no meu apartamento. Os dois, sozinhos, sem ninguém pra atrapalhar.
Não estou tendo pensamentos sugestivos! Claro que não! Porra, eu não catei ela em um pub pra comer ela assim, sacou? E nós não somos namorados para acontecer nada disso... O que é uma pena! Já que eu sou homem e... é.
- Se bem que eu gosto de dormir com você, . – falei meio que sem pensar. Mas no fundo era verdade. Uma merda que eu tenha falado isso.
- Ahhhh... – ela deu uma gargalhada cheia de constrangimento e se juntou a nós novamente.
- Entãão... Eu adoro o nosso papo animadíssimo... – falou parecendo um veado. Só pode ser bicha essa peste! – Mas eu tenho que ir pra casa e antes ainda vou passar no mercado pra comprar... coisas.
- Fala logo que você vai comprar chantilly e morango, ! – Falei dando um tapa em sua cabeça e arregalou os olhos de novo. Estranho como ela fica sem graça, né?
- Não fala, não, – os olhos dela praticamente imploravam. Então ela fechou os olhos e balançou a cabeça como se estivesse imaginando a cena. Eu ri.
- Não era bem isso nãão... Mas é uma opção. – Ele gargalhou e então deu um tapa na cabeça dele. – Então tchau, minha puta. – ele me deu um beijinho na minha bochecha que nem um veado e depois um na da . O ultimamente anda imitando um veado muito bem... Deixa para lá.
- Escuta, ... Se você quiser eu te espero e te dou uma carona, já que você vai lá pra casa mesmo.
- Já tá mesmo na hora de eu ir embora... Tenho ficado demais nesse trabalho. Pega minha bolsa, por favor? – A secretária correu até a sala de mais uma vez e pegou a bolsa. – Obrigada... To indo embora, tá? – A secretária fez que sim com a cabeça e voltou para dentro. Eu e ela caminhamos até o elevador.
- Quem te conhece nem acredita que aqui você é essa mulher de negócios...
- Eu sei... Diferente, né? Eu toda de salto, com uma saia até o joelho e blusas sociais... Pra mim é muito estranho...
- Estranho é pra mim que só te vejo usando uma camisa ou só de sutiã!
- ! – ela me deu um tapa no ombro e se desequilibrou. Tombando para cima de mim.
- Não consegue se manter longe de mim, né? – falei me aproximando lentamente de sua boca. Ela parecia também não querer desviar. Faltavam poucos milímetros para nossas bocas se encostarem.
- Câmeras! – ela se colocou de pé de novo e ajeitou a roupa, e eu fiquei com cara de tacho.
- É.
- Adivinha o que eu vou comer quando chegar em casa? – a criança já estava se sentindo em casa, achando que era dela.
- Iogurte com cereais, e eu vou roubar de você.
- E eu vou tentar pegar de volta.
- E eu vou correr até o quarto e vou te agarrar.
- Acho que não quero mais iogurte com cereais. – ela falou confiante e eu me fiz de ofendido. – Sabe, ... desde sábado, lá no pub... desde o ocorrido com o cara da arma e talz, eu fiquei com vontade de comer batata frita...
- , você quer que eu pare em algum McDonald's e compre batata?
- Você faria isso? – ela fez biquinho entrando no carro.
- Claro, . – dei partida e segui procurando o McDonald's mais próximo. É, eu tava legal hoje. Passei no drive-thru e pedi uma porção extra grande de batatas fritas. Quando eu entreguei o pacote a , ela parecia uma criança feliz. Chegamos em casa e ela ainda comia as batatas compulsivamente, ri de novo.
- E aí, o que vamos fazer? – coloquei um copo de refrigerante bebi um gole e dei o resto pra ela. Certo, eu estava muito legal hoje.
- Eu vou tomar um banho, aí a gente decide, tá? – ela entrou no banheiro e uns 15 minutos depois ela saía de lá, vestindo uma camisa minha do Billy Elliot.
- Que mudança! – falei e ela sorriu. – Particularmente prefiro você assim.
- Besta... – ela sorriu e se sentou ao meu lado. – E aí, o que a gente vai fazer?
- Daqui a pouco eu te respondo. – me curvei sobre ela e dei-lhe dei um beijo. Eu estava com vontade de fazer isso já tinha um tempo. Era necessário. Comecei a intensificar o beijo cada vez mais e não tenho idéia de quanto ele durou. Mas eu tinha que parar. 2 ia ganhar vida e isso não ia dar certo. Saí de cima dela e sentei novamente no sofá. – Tá passando Gossip Girl, se você quiser assistir...
- Quero! – ela falou meio zonza ainda. Eu sei, eu causo esse efeito nas mulheres. – Mas preciso de pipoca.
- , você acabou de comer.
- Tá, mas eu preciso ter alguma coisa na boca.
- Que tal a minha língua?
- Posso mastigá-la?
- Com carinho, pode.
- Não é muito em carinho que eu estou pensando agora...
- Então não pode.
- Então pipoca.
- Tá bom... – me dei por vencido e levantei do sofá a puxando até a cozinha comigo.
- Coloca o pacote no microondas.
- Coloca você, sua preguiçosa. – Certo, eu não estava mais legal.
- Poxa, ... – ela fez o biquinho. Mas eu não fiz o que ela pediu.
- Não funciona mais! – Berrei em vitória e ela, revoltada, foi até o armário, pegou o pacote de pipoca e colocou no microondas, apertando 2:35. Logo em seguida ela pegou o refrigerante e não serviu em copo nenhum, apenas abriu e deu uma golada, sentando na pia e cruzando as pernas, afinal estava vestindo apenas uma camisa minha. Eu não agüentei vê-la naquela pose e me aproximei colocando uma mão em cada lado dela meio que a prendendo.
- Vai ficar com raiva é? – aproximei meu rosto e ela virou.
- O que você acha?
- Que é cu doce.

Cap 12

Ele estava com uma voz rouca e estava apoiado sobre mim. Ele é muito gostoso... e eu sei que ele é muito gostoso já tem um tempo. No quarto, eu me segurei e ele parou, graças a Deus, eu não tive que pedir de novo. Porque certamente eu não pediria. Agora, no sofá ele mesmo parou, se dependesse de mim não pararia nunca. Não porque eu quero, mas porque eu simplesmente não consigo me controlar.
- Não é cu doce... – falei encarando sua boca e rezando para que ele não percebesse.
- Tem certeza? – ele então roçou seus lábios nos meus levemente e eu já havia fechado meus olhos... Eu realmente não era eu mesma com ele assim.
- Tenh... – eu não conseguia completar nada... Na verdade, eu nem mandava mais em mim. Eu estava em um transe.
- Não parece que você tem tanta certeza assim. – ele ainda falava me deixando no chinelo.
- Ah, , me beija logo, que porra! – eu consegui falar alguma coisa e ele, após sorrir, me deu um beijo. E mais um... e outro, e outro. Ele intensificava o beijo cada vez mais e eu segurava sua nuca. Ele passou revezar entre minha boca e meu pescoço enquanto suas mãos levantavam a camisa que eu vestia... Isso estava passando dos limites. Mas eu não queria parar. Não mesmo.
A mão dele estava na minha barriga e a camisa estava acima da minha cintura, o que não é muito apropriado já que debaixo dessa camisa só tinha uma calcinha. Ele ainda me beijava agressivamente e eu tinha que dar um basta ou as coisas ficariam feias.
- PIIPIIPII.
- A pipoca! – me soltei dele, abaixando a camisa do Billy Eliot e correndo para o aparelho. não se movia e eu tirei a pipoca do microondas a levando para a sala. – Pega a garrafa aí. – sentei no sofá e fiquei olhando a porta da cozinha esperando-o sair por ela. Demorou alguns segundos, mas saiu meio sem graça. Eu também estava.
Ficamos assistindo o finalzinho de Gossip Girl e eu estava deitada no colo dele. A pipoca e o refri já tinham acabado. Claro.
- E agora o que vamos fazer? – perguntei sem maldade.
- Eu tenho uma idéia na cabeça. – ele deu um sorriso malicioso.
- ! Sério. O que nós vamos fazer agora?
- Eu estou falando sério! – ele riu.
- Sei.
- Se eu estivesse falando sério, você aceitaria?
- Aceitaria o quê?
- Não se faz de sonsa!
- Ahh...
- Aceitaria?
- Ahhhhh, eu não posso responder isso!
- Por que não?
- Porque se eu disser que sim, eu vou parecer fácil; se eu disser que não, vai parecer que eu não quero, nunca.
- E você quer?
- Tá vendo! Eu não posso responder.
- Tá bom. Não precisa responder.
- Obrigada. É uma situação bem difícil se você quer saber.
- Imagino... – ele fazia caras e bocas. Era óbvio que ele tava fazendo hora com a minha cara. Idiota.document.write(James), eu to falando sério! Imagina se é com você?
- Eu ia dizer que sim com certeza.
- Ahhh, ia nada.
- Ia sim, eu sou homem, eu não me importo de parecer fácil.
- Tá vendo, você acabou de confessar que se eu dissesse que sim eu ia ser fácil.
- Então você quer dizer sim?
- O quê? Não! Claro que não.
- Então é não?
- , eu já falei que não vou responder isso.
- Tá bom.
- O que nós vamos fazer agora?
- Bom, você vai ficar caladinha, e eu... – ele segurou meu rosto e me deu mais um beijo. Logo ele estava deitado sobre mim no sofá, com seu corpo pressionado no meu. A camisa que eu usava estava novamente na cintura agora, e ele passava as mãos pelas minha coxas apertando-as. Eu tirei a camisa dele. É isso mesmo, eu tirei a camisa dele. É foda confessar, mas eu queria aquilo, tá legal?
Ele beijava meu pescoço e eu me arrepiava a cada toque de suas mãos em minha barriga. Ele definitivamente estava me levando à loucura. Certo. É só me segurar... Meio impossível. Mais alguma idéia? Beijá-lo mais? É uma ótima idéia.
Eu o beijava compulsivamente e ele parecia estar tão entusiasmado quanto eu.
- , minha put... – a entraram pela porta de supetão. Eu estava com a camisa na barriga, só de calcinha, e estava em cima de mim sem camisa. Não é uma cena bem vista para quem chega. A quem eu quero enganar? Nós estávamos prestes a ir a loucura. – Acho que a gente volta mais tarde... Né, amor? – ele falou totalmente pasmo. Nunca achei que o um dia ficaria sem graça.
- Vai tomar na desgraça do centro do seu cu, ! – berrou saindo de cima de mim e se jogando no sofá ao meu lado. Eu rapidamente sentei também e ajeitei a camisa.
- Não era minha intenção cortar o clima, gente! – e entraram e pararam na nossa frente. não sabia onde enfiar a cara. Eu até acharia graça se o não estivesse com cara de quem ia matar um cara que de vez em quando é meio veado.
- , alguma vez, em toda sua vida, eu te mandei para a puta que pariu?
- Ahm... Algumas vezes...
- Eu mando de novo : CARALHO, VAI PRA PUTA QUE PARIU, SEU CORNO! – ele vestiu a camisa e se jogou no sofá esparramando-se.
- Ah, , relaxa, você vai ter chances de transar com ela um dia.
- ! – berrei arregalando os olhos. Eu tenho a melhor amiga mais filha da puta de todos os tempos.
- Afinal, que porra é que vocês estão fazendo aqui?
- É! Vocês não deviam estar fazendo sexo selvagem, cavalar e brutal em algum lugar? – me mutilou com os olhos e eu ri. Era nojento falar aquilo, mas...
- É. Devíamos. Mas acontece que eu descobri que a viagem para o Havaí que minha mãe ia fazer era só uma desculpa pra ela transar com o namorado em casa e não em um motel.
- Uhh... – fez cara de nojo.
- Então ela estava em casa esses dias todos?
- É.
- E quando você chegou?
- Eu vi um cara passando pelado segurando... adivinha!
- O que é?
- Te dou um doce se adivinhar.
- Fala o que é, porra.
- Chantilly. Mas você não vai ganhar doce.
- Putaqueopariu.
- É. Aí o cara olhou pra mim com os olhos arregalados e minha mãe parou na porta da cozinha olhando para mim. E adivinha?
- O quê?
- Adivinha.
- Putaqueopariu, !
- Ela estava com a lingerie que eu vi esses dias em uma vitrine e achei muito sexy e tentei imaginar a usando.
- Caralho...
- É. Aí, ao invés de se envergonhar por tal situação, a primeira coisa que ela falou foi " , por que diabos trouxe uma garota para dentro da minha casa?"
- Iiiih, caralho.
- É. Aí eu expliquei que ela era minha namorada e que nós viemos pegar algumas roupas pra mim porque você não anda lavando roupa e não tem mais roupa limpa.
- Ótima desculpa!
- Também achei! Pra uma situação como essa eu raciocinei até muito.
- Até eu concordo! – falou.
- Aí devidamente apresentados e depois de uma conversa constrangedora no sofá, com minha mãe de lingerie e o cara pelado com uma almofada - a qual eu costumava botar a cabeça - em cima de seus órgãos genitais, eu fui no quarto, peguei algumas roupas - se é pra mentir tem que fazer direito -, e eu e a fomos embora.
- Cara... Desculpa perguntar, mas... Como você é normal? – eu perguntei e gargalhou.
- E sobre ter mentido para você ela não falou nada?
- Eu perguntei a ela se o Havaí tava com sol e a única coisa que ela me disse foi "Eu sou sua mãe, eu ainda mando em você e não te devo satisfações."
- Uhh... essa foi dura.
- Bastante. Mas falando em duro... , como você vai? – soltou uma risadinha, eu e nos olhamos e rimos. Já o mordeu o lábio puto da vida.
- Tu és um filho da puta, .
- O que estava prestes a acontecer antes de eu chegar?
- Uh! Eu sei, eu sei! – berrou levantando a mão como uma idiota.
- Fala, .
- A resposta é... – ela parou para o suspense, idiota. – SEXO SELVAGEM, CAVALAR E BRUTAL!!
- Parabéns, a resposta está COOOORREETA!! – falava que nem um retardado e eu e nos olhávamos achando aquela situação ridícula. Detalhe: ele não encostava em mim, eu não encostava nele, estávamos mal nos olhando. Era uma situação muito constrangedora peloamordeDeus.
- Já pararam? – perguntou e o fez que sim dando aquele famoso sorrisinho idiota.
- Paramos.
- Ótimo.
- ... eu esqueci de arrumar seu quarto porque eu ia dormir lá...
- Exatamente, IA. Sorry, baby, mas você não vai mais dormir lá. Você vai dormir com seu namorado aí. – Eu olhei para o arregalando os olhos.
- Ah, desculpa! Não é namoro. É uma pegada...
- Tá, aí você me faz parecer uma vagabunda.
- Mas você sabe que você não é, né, .
- É sim. – falou e eu dei dedo. – Mas e aí, , tava gostoso o seu amasso com o ? – filhadaputaqueamãeeraumavadia!
- Ahm? O quê? TO INDO! Tão me chamando ali! – levantei e corri para a varanda fora da cozinha. O que foi uma idéia muito idiota porque eu sempre esqueço que é muito frio aqui fora. E muito lindo. Aqui sempre me acalma. Não sei por que eu amo tanto essa vista. Mas ainda era muito frio.
- ... – Olhei para trás tomando susto e vinha carregando um moletom para mim e me entregando com uma carinha de cachorrinho molhado. – Achei que você ia sentir frio...
- Acertou... Obrigada, ...

Cap 13

- Dessa vez eu preferi não trazer o edredom porque do jeito que estamos... – eu ri e ela sorriu sem graça. Eu estava tentando quebrar o gelo. Mas estava definitivamente difícil. Então eu a abracei por trás e dei um beijo em sua bochecha. – Você não quer?
- Ahm? – ela parecia fugir do assunto.
- Olha... Você não é a minha primeira garota... Não sei se você sabe, mas eu já tenho experiência de vida. Muita experiência de vida. Então... eu sei dizer quando uma pessoa quer ou não quer. E eu vejo em você que você não tem certeza disso. – eu tinha que falar alguma coisa. Eu não podia simplesmente ignorar o fato que a gente ia transar e que ela corre do assunto.
- É... Pois é...
- Pois é o quê? Você não quer, certo?
- Isso é um problema? – na verdade, é sim, tem umas semanas que eu to meio fraco no assunto, sabe. Na verdade, desde que você surgiu na minha vida eu não lucro nada.
- Claro que não! Você realmente achou que isso ia ficar entre a gente?
- Esse também é um problema... Que "a gente"? Não era só um caso?
- Sim. E é! É só modo de falar. Somos só um caso. Nada é obrigado. Tá?
- Tá...
- Então desfaz essa cara. – ela sorriu e eu lhe dei um selinho.
- Então... vamos voltar? Tá frio...
- Eu sei... vamos.- Certo. Ela acabou de dizer que não vai transar comigo e eu aceitei numa boa. O que está acontecendo comigo? Porra, eu quero transar! Que merda. O que essa garota tem na cabeça?
- Já? Logo dessa vez que a gente não ia interromper! – falou deitado no colo da .
- Ah, claro, , foi ótimo transar na varanda! – falou e eu me espantei. Era ela mesmo falando putaria?
- Pra você ter ficado desinibida assim deve ter sido gostoso mesmo! – falou e deu um dedo. Incrível que elas são tão amigas e carinhosas que nem eu e o – Falando nisso, amor, como ficou decidido a parada do show de vocês?
- Dá licença que sou eu que to produzindo e que vai ficar muito foda?
- Nossa, desculpa aí, mas você não decidiu nada lá não, viu! – Falei e ela fez bico pra mim.
- E quando é que vai ser o show?
- Daqui a dois meses.
- Por que demorado assim?
- Pra dar tempo das fãs comprarem. Vai ter primeiro, segundo e terceiro lote.
- Então meu namorado vai ficar muito famoso a ponto de não poder andar na rua, né?
- Mas você sabe que pra mim você é só mais uma, né? Então não precisa esquentar com isso.
- Creeedo, !
- To brincando, meu amor!
- Seii...
- Nossa quanto doce, cara... Eu vou até ficar enjoado!
- O seempre faz uma piadinha sem graça...
- , você vai ficar ai calada enquanto eles fazem essa putaria?
- Iiih, ... esquenta com isso não! – então ela se levantou do sofá chegou perto de mim e me deu um selinho. – Vou dormir, tá? Amanhã eu acordo cedo.
- Mas... Mas... – como assim dormir? Mas e os nossos rituais de correr atrás um do outro com iogurte, e assistir alguma coisa, e zoar o e a ...?
- Eu sou a chefe agora, tenho que chegar na hora.
- Anh... tá... – falei tentando não parecer decepcionado. E eu realmente não estava decepcionado. Por que estaria, afinal?
- Boa noite, casal. – E então eu admirei suas pernas até elas sumirem no corredor.
- Mas você sabe que eu te amo mais...
- Nada disso, eu te amo mais...
- Puta que pariu! Eu odeio todo mundo, então calem essas bocas e só abram se for pra falar comigo e não um com o outro!
- Iiih... – Eu não to estressado. Eu só não suporto ver açúcar derretido com cobertura de mel. Tá, essa foi péssima. Mas o que quero dizer é que se eu não to ganhando beijinho, ninguém ganha, sacas? Não, eu não sou egoísta. Pelo contrário. Eu sou totalmente altruísta! Sim, eu procurei no dicionário pra saber qual é o antônimo. Eu não tenho obrigação de saber essas coisas! Pois é, como eu ia dizendo, eu sou muito altruísta. Altruísmo é comigo mesmo! Eu gosto de compartilhar os meus sentimentos, saca? Tipo assim, se eu to feliz dando beijinho na boca, todo mundo tá feliz também. Mas se eu fico triste... Cara, ninguém pode estar feliz se eu estou triste, que tipo de amigos seriam esses que sorriem enquanto eu não estou feliz? Mas isso não significa que eu estou triste porque eu não to dando beijinho na boca, pra mim isso é totalmente desnecessário. E homem não fica triste! Homem fica puto! Então eu to puto por que eu não to fazendo sexo! Isso sim! Não, eu não to transando! Eu tenho mais é que ficar puto mesmo!Certo, já estou melhor.
- , você não tá com sono não? - me perguntou que nem um bicha idiota que ele é e só eu vejo.
- Não! – falei encarando a tv e apertando os botões do controle compulsivamente procurando alguma coisa pra ver.
- Então a gente tá, boa noite, ! – levantou, pegou no colo e a levou para o quarto, batendo a porta e me largando sozinho. Entendeu que tipo de amigos eu tenho? Assisti um pedaço de Missão Impossível 2 que passava na tv e me revoltei. É, eu fui dormir. Desliguei a tv e olhei para a janela. Chovia forte. Chuva é legal. Chuva anima. A quem eu quero enganar, chuva desanima, é bom para passar o dia todo debaixo do edredom.
Abri a porta do quarto com o maior cuidado do mundo pra não fazer nenhum rangido, inutilmente, claro, porque a porra da porta rangeu alto. Certo. Continuei minha jornada andando no escuro e tateando tudo até a cama com muita atenção e cuidado, tentando ao máximo não fazer barulho. Novamente, inutilmente. Se no meu quarto tivesse dezenove mil trezentas e oitenta e seis coisas, eu teria tropeçado nas dezenove mil trezentas e oitenta e seis coisas de um modo que tudo fizesse barulho. Patético, certo? Mas no meu quarto só tinha umas 20 coisas espalhadas pelo chão e só tropecei em dezenove, mas foi barulho pra caralho e uma queda filha da puta.
- , pode ligar a luz. – ouvi a voz da enquanto me contorcia de dor no chão por ter batido meu dedinho durante o campo de treinamento.
- Obrigado... - falei meio que num gemido e fui até a parede. Então eu vi as dezenove coisas que eu tropecei e me amaldiçoei por não ter arrumado o quarto. Certo, meio gay agora. – Desculpa pelo barulho.
- Eu não tava dormindo...
- E por que você não tava dormindo? – tirei a camisa e joguei em algum canto me deitando ao lado dela e a encarando.
- Sem sono...
- E por que você não foi lá me fazer companhia?
- Porque eu tinha que tentar dormir...
- Já viu que não consegue, né?
- Já... Então vamos conversar.
- Conversar o quê? - Não sei...
- Nem eu... - Estávamos sentados na cama, um olhando para do outro, e passamos por esse silêncio constrangedor que deve ter durado uns 10 minutos.
- , , desculpa incomodar... – Era o que estava parado na porta do quarto segurando a maçaneta e quebrando o silêncio constrangedor. Finalmente alguma coisa útil vinda daquele ignorante.
- Que foi?
- É que eu queria ter certeza que vocês não estavam fazendo sexo brutal. – filhodaputa.
- Alguém já te disse que você é um porco, ? – falou antes que eu pudesse mandá-lo tomar no cu de novo.
- Provavelmente. – Eu respondi dessa vez. É impossível que nunca ninguém tenha chamado o de porco. Ele é um porco. Não precisa pensar muito para perceber isso!
- Vocês dois são tão simpáticos. – ele debochou e se jogou na cama, deitando no espaço no meio da e eu. Bicha.
- Agora, fala sério, o que foi, seu viado?
- A dormiu e eu não to conseguindo dormir.
- E se a gente estivesse dormindo?
- Eu teria feito praticamente a mesma coisa de agora, só que dessa vez pulando em cima de vocês.
- Você é ridículo. – falou se deitando ao lado dele. Então eu me deitei também. Se é pra ficar olhando pro teto, que o façamos juntos.
- New Found Glory é legal. – falou admirando meu pôster no teto. Sim, eu não sou veado, eu apenas gosto das bandas que eu escuto. E eu botei no teto porque tinha um buraco que me incomodava. EU NÃO SOU VEADO!
- Também acho muito legal. – falou, mas logo ela sentou na cama. – Desculpa, , esqueci que eu só posso ouvir Son of Dork.
- Você é muito engraçadinha, sabia? É tão engraçada que eu nem tenho força pra rir. Tá vendo? Este sou eu rindo. – Emburrei a cara para ela e ela gargalhou.
- Falando nisso... putaqueopariu, hein, ? Que droga foi essa?
- Foi o passado. Esquece isso, porra. – Eu estava meio envergonhado com isso. Mas só meio.
- Que putaria é essa aqui? – entrou no quarto esfregando o olho e se deparando comigo deitado ao lado do e a do outro lado. Realmente, pra quem olha é muito estranho.
- Eu estou mandando a sair tem um tempão pra eu poder ficar com o e ela não vai embora! – falou me abraçando. Ele é muito veado, cara. Como é possível? – Perdeu o sono, amor?
- Perdi. – veio e se apertou ao lado , obrigando todo mundo a ficar de lado, o que não deixou o e eu numa situação confortável. Pelo menos pra mim, né? Do jeito que ele é veado, deve tá amando ficar esfregando aquele negócio dele em minha bunda. Aquela puta.
- To vendo que tá todo mundo fodido pra dormir hoje, né? – Falei sentando e encostando as costas na cabeceira.
- E aí, o que a gente vai fazer pra dormir? – falou fechando os olhos e sorrindo. Belos dentes.
- Não sei, mas se for pra ficar e decidir, sai pra lá e deixa eu ficar com a minha namorada! – deu um empurrão em , que levantou da cama para não cair e logo em seguida deu um tapa no . Certíssima, bate mesmo, ele é um veado. se sentou na cama e o deitou entre suas pernas. Então eu sorri para e ela deu a volta para deitar nas minhas.
- E então, o que vamos fazer? – eu perguntei acariciando os cabelos extremamente macios de , que fechava os olhos lentamente.
- Por mim a gente fica aqui... – falou em meio a um bocejo e eu sorri. encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.
- , amanhã tem ensaio.
- Tem?
- Tem.
- Onde?
- Casa do , que tal?
- Não acho legal.
- Por que não?
- Os pais dele já chegaram de viagem.
- É mesmo, né?
- Então onde?
- Vamos falar com o Fletch para conseguir uma sala de estúdio para gente.
- Porra, mas sala de estúdio é só pra gravar cd. E a gente já gravou o nosso.
- Mas ele consegue, é só a gente desligar os aparelhos da sala, na verdade não vai gastar nada.
- Eu ligo pra ele mais tarde, então.
- Amanhã, você quer dizer, né?
- É, na verdade, hoje, mas mais tarde.
- Pra quem estava sem sono... – e dormiam profundamente e eu vi um bocejando. – Ótimo, vou conversar sozinho agora. Ou não, acho que eu vou conversar com Deus, já que ninguém me dá atenção. – cri cri cri – Ahh, vão se fuder.

Cap 14

Abri meus olhos lentamente e me espreguicei até virar e dar de cara com um babando em uma perna. Pulei da cama assustada e vi que a estava arreganhada e o estava no meio de suas pernas, os dois em sono profundo. Olhei ao redor à procura do e não o achei. Fui até a sala e lá estava ele deitado no sofá encolhido, com frio. Liiiindoo! Parecia um bebê! Como não apaixonar mais? Certo. Voltei até o quarto, peguei o edredon que estava joagdo no chão (já que a e o usavam o calor um do outro para se aquecer), e o levei para o , cobrindo-o como um bebê.
- Anh? – ele acordou bocejando e me olhando com aqueles olhos maravilhosamente perfeitos.
- Bom dia... – me aproximei e dei um selinho em sua testa. Claro, eu não daria um beijo na boca dele, eu não sou doida, sacas? Melhor continuar achando que ele é maravilhoso e não fede nem tem bafo. Achei meu celular! Horas... horas... desbloqueia, cacete! HORAS! 10:14... CARALHO! A essa altura do campeonato, já estava sentado e olhava minha expressão mudar drasticamente de "Bom dia..." para "CARALHO, EU TO ATRASADA!".
- Atrasou, né? – ele perguntou com simplicidade.
- Atrasei! – Eu comecei a correr pelo apartamento catando as minhas coisas e murmurando um "droga, putaqueopariu, caralho, cacete, pica, pica bem grande, chovendo pica..."
- ... – então eu tenho que juntar minhas coisas que ficaram aqui por três dias e estão em todos os cantos para levar pro trabalho, do trabalho eu vou pra casa, que já deve tá sem cheiro de inseticida. - ... – Não vai dar tempo de tomar café nem tomar banho, então eu visto essa blusa que eu usei antes de ontem e essa calça preta. Isso, calma. - ... – eu mando aquela menina me trazer alguns Donut's e fica tudo certo. No almoço, pra compensar, eu almoço às duas da tarde e peço um fast-food gordurento, então eu vou ficar até as nove e voltar pra casa depois? Nove é tarde pra eu ir de ônibus... o metro até que dá, mas é foda... - !
- O QUE FOI, CACETE?
- Você acordou de TPM, né? – que dia é hoje? Eita, tá chegando. Mas quem é ele pra falar da minha TPM?
- NÃO!
- ... escuta, você é sua própria chefe. Você pode chegar a hora que você quiser. – por que o que ele tá falando faz sentido? – Você é como a rainha lá do seu trabalho, você não se adianta, os outros que se atrasaram. Você não se atrasa, os outros que chegaram cedo!
- Tá bom, , você me convenceu, e só por causa disso depois que você escovar esses dentes bem escovadinhos, ganha um beijinho. – ele riu e eu sorri. Então comecei a catar minhas roupas tranqüilamente e jogar tudo no sofá onde antes estava sentado, sim, ele foi escovar os dentes. Depois de jogar o edredon que estava na sala em cima do casal que usufruía da nossa cama (sim, minha e do ) na maior cara de pau, fui então tomar meu banho, o parecia que tinha sumido. Acho que ele não escovou os dentes só pra me enganar. Lindos 10 minutos esbanjando a água quente do e depois alguns longos minutos na frente do espelho ajeitando o cabelo.
Já estava pronta, minha sacola de roupas já estava do lado da porta toda bonitinha com tudo dentro, eu já estava me sentindo toda sexy com uma saia bege até o joelho justíssima e uma camisa social branca com os primeiros botões abertos. Tá certo, eu sou gostosa, e você? Mas certo, cadê o ? A curiosidade bateu e eu realmente fiquei pensando onde ele estaria, olhei o relogio e eram 11 horas redondo. Vou tentar chegar to trabalho antes do meio dia. E então o entrou pela porta segurando uma sacola de plástico com o semblante do McDonald's.
- Você está dentro da minha cabeça? – eu perguntei correndo até a cozinha para pegar o refrigerante.
- Você queria comer isso?
- Eu tinha planejado na minha cabeça que iria comer isso! Um fast-food bem gordurento.
- Acho que eu sou vidente então.
- A cada dia que passa eu começo a achar que você não é tão implicante assim.
- Tá certo, eu tenho culpa no cartório. Eu não fiz isso de graça.
- Como assim?
- Você disse que só por te lembrar que você era a chefe e era que nem a rainha, eu ganharia um beijinho, então eu pensei “Se só com isso eu ganho beijinho, imagine trazendo o almoço dela?”.
- !
- Brincadeiira!
- Comida? Eu senti cheiro de comida? – estava na porta da sala encarando a sacola que estava na mão do como se fosse um zumbi de Resident Evil literalmente morto de sede por sangue. Tá, viajei.
- Isso é cheiro de McDonald's... – chegava na sala com os braços esticados e os olhos fechados. Realmente parecendo um zumbi.
- , salva a comida e me deixei aqui.
- Eu não posso deixá-la.
- Você sabe que o McDonald's é mais importante. Vá, e salve o meu McCheddar.
- Ele vai sempre lembrar de você.
A gente viaja muito. Já saquei. Mas então, nós comemos os nossos McDonald's muito felizes. Principalmente eu. Eu sou tarada por McDonald's, caso ninguém tenha notado. Sério. Eu sou literalmente, no sentido da palavra, tarada por McDonalds'.
Maaaas então, eram onze e meia e eu tinha que ir pra chegar lá antes do meio dia.
- ...
- Que foi? É agora que você vai me pagar meu beijinho?
- Ahm... pode ser parcelado?
- Tem juros.
- Eita.
- É, comigo é assim.
- Me leva?
- Pro motel? Na hora!
- , pro trabalho, gênio.
- Tenho direito a o que mais?
- A mais um beijinho.
- Mas somando com o primeiro beijinho, com o almoço e com a levada, isso tudo dá sexo cavalar, brutal, selvagem e insano.
- Então eu pago seu beijinho agora, te dou uma mordida pelo almoço e a levada a gente decide quando você me levar.
- Vocês dois me enojam. – falou e eu levantei meu simpático dedo para ela.
- Vocês estavam assim até ontem. – eu falei ainda com meu sorriso estampado no rosto e com meu dedinho fazendo altos movimentos para ela.
- E eu sei por que eles não estão assim ainda. ELES NÃO ESCOVARAM OS DENTES! – berrou fazendo uma dancinha patética e eu desgracei a gargalhar.
- Sim, e por isso não estamos nos pegando. – falou com superioridade.
- , cala a sua boca! Vocês perderam nessa! – ainda pulava ridiculamente e eu peguei a chave do carro.
- Ótimo papo, caras, to indo, beijinhos. - Peguei minha bolsa e saí correndo até o elevador, onde logo veio um desesperado atrás de mim.
- Você realmente achava que eu ia te deixar sair com meu carro assim numa boa?
- O quê que tem?
- Nada, mas eu tinha que vir junto pra cobrar o que você me deve. – Então é, claro, ele se aproximou perigosamente de mim. Me enlaçando pela cintura e me encostou na parede. – Como você vai fugir dessa vez? Esse elevador não tem câmera. - Ele percebeu meu arrepio e minha falta de ação. Putz, como é que ele me saca tão bem? Não preciso nem comentar que ele me levou nas nuvens com aquele beijo tão... . Ele podia ser um fodido, que não sabe porra nenhuma da vida, que não sabe tocar, cantar, dançar, mas beijando desse jeito ele com certeza daria um jeito de ser famoso. O cara é foda. Tipo, vocês não tão entendendo o que eu to falando, cara. Ele finalizou o beijo com um mordida no meu lábio inferior e se afastou, encostando na parede e encarando a porta que abria meio segundo depois do beijo ter terminado. Eu ainda estava sem ação e tentei me recuperar rapidamente e acompanhar seus passos, inutilmente, claro. Porque acabei esbarrando com tudo que estava no caminho até o carro e deixando minha sacola cair 3 vezes.
- Tudo bem aí? – ele perguntou batendo a porta do carro e ligando a ignição.
- Tudo... – falei totalmente sem graça.
- Escolhe um cd aí.
- Tem certeza? Eu posso colocar o cd do Son of Dork se você quiser... – falei olhando cínica para ele que mordeu os lábios.
- Tá vendo? – ele fez uma cara séria. – Eu estou sem forças para rir da sua piada. Eu estou rindo internamente. Não parece, mas acredite, estou quase tendo um ataque dentro de mim.
- Você é tãão cínico, .
- Aprendi com a melhor.
- Ah, que é isso... modéstia parte. – então comecei a revirar o guarda cd dele. E cá entre nós, eu sabia que ele tinha um gosto musical muito bom, já que foi ele que me levou a escutar algumas bandas que eu acabei descobrindo serem maravilhosas. Mas eu não sabia que nós éramos iguais relacionado a música. Ele não tinha um cd do Mcfly, ou do Busted, claro, isso seria patético, mas Sugarcult, New found Glory, All time Low, Mayday Parade, Plain White T’s, Panic!, Paramore, We The Kings, Yellowcard... todas as bandas que eu amo e já cansei de ouvir ele tinha os cds. Até mesmo Blink, que jaz para sempre em nossa memória, e ele, como um bom fã, perseguiu-os com Box Car Racer, Plus 44 e Angels and Airwaves.
- Queixo caído para você.
- É? Por quê?
- Seus cds. Só do bom e do melhor.
- Quer algum emprestado?
- Na verdade, não, eu tenho todos.
- Nossa, desculpa. Mas e aí, o que vai ser?
- All Time Low.
- Ótima escolha, .
- Obrigada. – Coloquei para tocar o cd e foui direto na música Dear Maria, Count me In.
Não conversamos. Não por estarmos sem graça nem nada. Apenas estávamos... aproveitando o momento. Ouvindo Alex falando sobre sua amiga que virou stripper. Não era muito romântico, mas era interessante. O clima de Londres estava ameno e nós sentíamos apenas uma brisa fria. O trânsito, miraculosamente, estava rápido.
- Sabe... eu vou ensaiar hoje.
- Eu ouvi você e o falando.
- Ah, então você estava acordada e me deixou falar sozinho de propósito?
- Eu estava com preguiça de falar...
- Sei.
- Mas então... você dizia que tinha ensaio.
- É, e a gente provavelmente vai sair de lá tarde.
- Isso é você querendo me oferecer uma carona?
- Isso sou eu querendo te oferecer uma carona pra poder cobrar a levada, aí aproveita e acumula com a buscada e aí você já sabe... sexo cavalar, brutal e selvagem.
- E o elevador foi o quê?
- Foi pelo almoço e pelo primeiro beijinho.
- A gente pensa no caso.
- Isso é um talvez pra sexo cavalar?
- Isso é um talvez pra mais um do jeito do elevador.
- Ahh...
- E eu não vou pra sua casa, não, eu vou pra minha, senão não tem motivo pra eu tá pagando aluguel, né?
- Tá bom, mas só por que eu já cansei da sua cara.
- Mentira.
- É verdade. Eu não agüento mais olhar pra você.
- Ah, é? Então tá. Não vou pra sua casa nem no fim de semana.
- Vou parar ali pra comprar champanhe, tá?
- Você é mau caráter.
- Você também.
- Sou nada.
- É sim.
- Chegamos, vai embora logo.
- Vai me levar em casa na volta?
- Vou ter direito a sexo?
- Não.
- Então eu não venho te buscar.
- Então tá.
- To brincando, eu venho.
- Então tá.
- Que horas?
- Me liga a hora que você tiver saindo do estúdio.
- Tá bom. Você pode me ligar também, sabia?
- ... e aquele nosso primeiro encontro?
- Acho que já tivemos ele.
- Que estranho, né?
- Demais.
- Então tchau.
- Tchau.
- Eu não vou te beijar.
- Eu é que não vou aí te dar um beijo.
- Então fica assim.
- Então tá. – segurei a porta e a abri, mas logo ele me puxou para mais uma viagem nas nuvens e vendo tudo lá de baixo. Putaqueopariu, como ele beija bem.
- Tchau.
- Tchau. – dessa vez eu fui. Mas tava tudo bem. Tava tudo lindo na verdade.
Cap 15

- O que vamos fazer esse fim de semana?
- A mesma coisa que fazemos nos outros, Pink. Tentar conquistar o pub.
- Extremamente gay, .
- Percebi. Apaga isso.
- Onde você tá?
- To indo buscar a .
- Dirigindo e falando no telefone, ? Feio, hein.
- Se uma puta não agüentasse ficar dois minutos longe de mim, eu não estaria falando no telefone e dirigindo. Puta que o pariu, , a gente acabou de passar 5 horas juntos com mais 3 marmanjos suando feito porcos, você é assim tão dependente do meu mel?
-Não só do seu mel como do seu...
- Enorme talento, certo, ?
- Eu ia dizer do seu enorme e suculento pênis, mas talento também serve.
- Você é veado, cara.
- Eu sei, a é só fachada.
- Brincando com sentimento de meninas inocentes? Feio, hein...
- Ela era inocente, hoje não é mais. Eu suguei a inocência dela e coloquei no meu...
- Desnecessário, !
- Tá bom, tá bom.
- Bicha.
- Ui... Mas o que vamos fazer esse fim semana?
- Pub.
- Hoje ou só amanhã?
- Hoje e provavelmente amanhã.
- Tá bom, você leva os caras e eu levo as minas.
- Isso não vale!
- Vale.
- Tá bom, tá bom. Mas você liga pros veados da nossa banda concorrente.
- V? Por que você quer que eu ligue pro V? Não tem nada a ver eles saírem com a gente, .
- Eu estou falando do McFly, estúpido.
- O Mcfly faz mais sentido de levar.
- Você é patético, .
- Você me ama, .
- Tchau, .
- Fala que me ama!
- Tchau, !
- Fala que me ama!!
- Idiota. Te odeio.
- Falou que nem um veado.
- Vai tomar no cu, .
- No meio, em cima, em baixo, ou dos ladinhos?
- Dos ladinhos.
- Tá bom, tomar o quê?
- Uísque, pra queimar.
- Ui, experiente, hein...
- Tchau, .
- Ainda não falou que me ama.
- Momento : eu te amo muitão, amiguxo!
- Esculhambou, hein.
- Sabe como é, né.
- Sei, você é viado e eu não. – e então ele desligou, ele é uma puta. Eu sei. Você sabe, todos sabemos.

- Oi, e aí? Você quer ir embora que horas?
- Oi, , eu to só terminando umas coisinhas aqui, mas até você chegar eu já terminei.
- É? Então você já terminou?
- Onde é que você tá?
- Aqui na porta.
- Então acho que eu já terminei, né?
- É assim? Eu falo e você faz?
- Não, , não é assim. Só um segundo. Que foi? Sim, é o mesmo que veio aqui aquele dia. Sua sobrinha? Sei... Vamos fazer assim, quando tiver o show deles, você vai para me dar uma ajuda lá nos bastidores e você pega o autógrafo da banda inteira, certo? Certo, agora pare de gritar, ligue para Oxley e diga que a iluminação já está fechada. Se ele discutir você já sabe, né? , oi, desculpa.
- Vou deixar você terminar de dar suas ordens para a pirralhinha feliz.
- Eu não dou ordens para ela! Você fala como se eu fosse um ditadora, e eu não sou, mas ela paga para fazer o que eu mando, né? Eu não me aproveito dela...
- Tchau, , to te esperando aqui, vê se não demora.
- Eu demoro se eu quiser.
- Não se eu to te dando carona.
- Você que ofereceu.
- Desce logo e pára de gastar meu celular.
- Tá, tá. To indo embora, tá? Não esquece da ligação do Oxley, tá tudo dentro da minha bolsa? E a agenda? Tá? Então to indo, lembre-se, ligar pro Oxley. Ahh, liga pra Kimberly também, avisa que eu quero ela comigo no show da Rihanna. Tá, beijos. Conversa comigo, .
- Essa Kimberly é bonitinha?
- Você já deu seu cu hoje?
- Pessoa simpática!
- Pára de reclamar, . Antes que você imagine, eu vou estar na porta do carro.
- Você acha que eu vou ficar conversando até você descer, é?
- Eu posso tentar, né?
- Você tá onde?
- Na recepção já.
- Mentira, onde você tá?
- Olha pro lado.
- Olhei, e você não tá aqui.
- Eu to esperando o elevador chegar. Chegou.
- Você tentou me enganar?
- Tentei não, consegui. - Você é patética.
- Sou não.
- Certo.
- Que horas são afinal?
- São 8 horas.
- Vocês ficaram ensaiando até agora?
- Não... Até às 7:30, aí a gente ficou conversando um pouco e todo mundo foi embora.
- Ahm... ?
- Sim?
- Olha pro lado.
- Você não me engana de novo.
- Será que não?
- Não.
- Então olha pro lado.
- Não vou olhar.
- Então tá, não olha. – Me virei bruscamente tomando um susto, tinha acabado de bater a porta do carro e de fechar o telefone.
- Você desligou na minha cara!
- Você não quis olhar!
- Estou magoado.
- Fica não.
- Já estou.
- O que preciso fazer pra você não ficar magoado comigo?
- Sexo cavalar, brutal e selvagem.
- E insano?
- Serve também.
- Ah, bom.
- Vai fazer?
- Não.
- Droga.
- Não desiste nunca?
- De coração?
- Você ainda tem coragem de citar seu coração falando nisso?
- Sabe como é, né...
- Sei não... e prefiro ficar sem saber.
- Então tá, mas a decisão foi sua.
- Tá, tá...
- E essa carona vai sair cara...
- Quanto?
- Sexo, cavalar e selvagem.
- Brutal não?
- Não, só uma carona não dá direito à brutal.
- Ah...
- Vai fazer?
- Não.
- Droga. Escolhe um cd.
- Eba! – Ela fez cara de criança feliz e logo pegou o meu porta cd que, cá entre nós, só tem do bom e do melhor. – Esse cd é pirata!
- Sabe como é, né... não posso ficar gastando com cd original sempre.
- E você espera que as pessoas comprem o seu cd original comprando cd pirata, ?
- Ahh... Não tinha pensado com você colocando desse jeito.
- E além do mais você tá encorajando a pirataria! É crime! Eu vou te denunciar!
- Já parou com o drama?
- Parei.
- Então tá.
- É aquele prédio ali, ó.
- Eu sei onde você mora, !
- Ah, é, da época que você tava sendo idiota.
- Você nunca vai esquecer isso?
- Um dia... talvez. – Ela abriu a porta do carro e se aproximou de mim. – Obrigada pela carona.
- O quê? Não vai me chamar pra subir?
- Eu não, vai que você me ataca e começa a querer cobrar o sexo cavalar e selvagem!
- Droga, você anda muito esperta ultimamente. Tchau, . De nada. – e dei um selinho nela. SIM, EU DEI UM SELINHO NELA. É, como namorados fazem, mas não fiz nessa intenção.
- Na verdade, , eu to brincando. Vamos subir comigo, eu odeio ficar sozinha.
- Pra quê? Sexo?
- Não, chá! Quer?
- Não serve uma Coca-Cola, não?
- É... Acho que é até melhor, né?
- Com certeza.
- Sobe comigo, então?
- A não tá em casa?
- Deve tá com o . – Então eu abri a porta do carro e fomos subindo as escadas.
- ?
- Oi?
- Você não mora no último andar, não, né?
- Não. No penúltimo.
- Não quero mais Coca-Cola, eu só quero que essas escadas acabem!
- Calma, filho, daqui a pouco acaba.
- O nunca comentou desse longo caminho, não!
- É por que ele deve ter vindo de elevador, né.
- Porra, então você tá mesmo com medo de mim?
- Não, , você não abala nem uma mosca, é porque tá quebrado mesmo. É nesse andar. – Ela me levou até uma porta com o numero 12 e nós entramos. Era pequeno, de fato. Mas era legal. Foi quando eu logo notei um enorme sofá ótimo para nos deitarmos e nos pegarmos. Opa, calma. Nada de pensamentos impuros no momento. Então eu vejo um sutiã pendurado numa cadeira. Muito organizada, claro. Ela foi até a cozinha e logo voltou com uma garrafa vazia de Coca-Cola.
- O dedetizador tomou minha Coca! – eu ri e ela parecia muito puta da vida. Meu dever, como uma boa pessoa, é tirar esse sentimento de raiva dela.
- Quem você disse que não abala nem uma mosca? – eu a joguei contra parede e grudei meu corpo no seu. Ela estava sem ação. E eu, sendo homem, estava amando isso.
- Eu... não disse na... nada! – ela tentava desesperadamente falar alguma coisa e então eu vi seu braço se arrepiar. Foi a conta pra mim. A puxei para um beijo e apertava mais meu corpo ao dela enquanto beijava seu pescoço, fazia tudo isso passando a mão por suas pernas e a segurando, já que se eu soltasse com certeza ela ia pro chão, modéstia parte, claro. – ... !
- Sim? – ela me empurrou com força e correu até o outro lado da sala encostando a testa na parede e ficando de costas pra mim. Cá entre nós, eu já estava cansando dessa situação.
- Nada...
- Nada? Então vem cá. - Eu a abracei por trás, mas me controlei e não fiz nada além de beijar o seu pescoço, ela estava solta em meus braços.
- ... Não faça isso.
- Por que não, afinal? – eu perguntei sussurrando em seu ouvido.
- Porque... não... – ela estava de olhos fechados.
- Você nem tem um motivo...
- Tá certo. Eu vou... colocar gelo em uma coca que eu tenho guardada! – ela se apressou e me largou sozinho na sala. Eu gosto da . Ela é legal, eu me dou muito bem com ela, mas eu simplesmente não consigo entender o que tem de errado com ela.
- .
- Oi? – ela colocou a cabeça pra fora da cozinha.
- Vamos conversar...
- Sobre o quê? Filmes, música...?
- Sobre a gente.
- Ahm... Er... Mas a não disse que não tem a gente?
- A tem um relacionamento que passa de amizade com você?
- Nós temos um relacionamento que passa de amizade?
- A Olívia é minha amiga e eu não faço isso com ela.
- Não era nem pra fazer isso comigo...
- E por que não?
- Porque... a gente nem tem nada!
- Mas vocês que queriam assim!
- E você nem discutiu!
- Claro que não! Eu sou homem!
- E eu sou mulher, qual é a diferença?
- Nossos órgãos sexuais são totalmente inversos um do outro.
- Eu to falando sério, !
- Você e não queriam nada mais que dois amigos que se pegam.
- A não decide nada aqui!
- E por que diabos você deixou ela decidir?
- Porque ela me conhece bem...
- E o que é tão espantoso que há pra conhecer aí?
- Não vá aí, .
- O que há de tão ruim em você que eu não posso saber? Por que afinal a gente não pode passar disso? Por que afinal você não pode ser íntima de mim?
- ... Você por acaso quer ter alguma coisa séria comigo?
- O que nós temos exatamente?
- Não sei... Nós somos amigos... que ficam. Você quer ficar direito?
- Você não quer?
- Você quer?
- Eu poderia.
- Eu...
- Vamos passar disso.
- Eu não sei se você vai querer.
- Eu to te dizendo que quero.
- Então...
- Então?
- Estamos ficando?
- Estamos. Agora por que diabo você não me deixa tocar em você?
- Ahm... , eu sei que você não tem experiência, mas a gente acabou de começar a ficar e você já faz uma pergunta dessas?
- Olha, não sei se você ainda não notou... Mas eu não gosto de joguinhos, eu não sou de drama, e talvez seja por isso que eu ainda não tive nada sério com ninguém. Não to dizendo que isso aqui é nada sério, mas isso aqui é mais que porra nenhuma, que nem era antes. Então, por que sempre que eu me aproximo você corre? Eu não mordo... forte.
- ... É complicado.
- , você tá em casa? – bateu na porta e me deu um olhar significativo, nossa conversa tinha terminado.
- Cadê sua chave, ? – Ela abriu a porta e entrou carregando as coisas dela.
- Perdi, não sei onde. Oi, ! – ela deu um sorriso malicioso e eu quase ri da cara dela.
- O te trouxe? – eu perguntei enquanto ela se jogava no sofá ao meu lado e começava a beber o copo de Coca-Cola que tinha colocado na mesinha há alguns minutos atrás.
- Não, , eu não sou maria gasolina.
- Ahaam.
- É verdade, e se vocês querem saber, eu nem com ele tava!
- E você tava onde? – perguntou se sentando numa poltrona de frente para a gente.
- Eu tava trabalhando.
- O quê?
- Sim!
- Não creio. - Tava sim. Fazendo sabe o que, ham ham ham?
- O quê?
- Secretária num estúdio!
- Sério?
- Aham! Tá... O me ajudou um pouco... Mas eu tenho um emprego!
- Que ótimo, , mas nesse, faça-me o favor de ter responsabilidade.
- Desculpa, mas não sou sócia de um grande promoter, tá?
- É só pra quem pode, né?
- Desculpa, mas meu trabalho é só tocar, tá?
- Tocar o quê? Punheta?
- ! Linguajar!
- Desculpa. Tocar o quê? Masturbação?
- Como é que você adivinhou?
- Tenho o dom.
- Nota-se! Mas o papo tá ótimo, só que eu to indo, tenho que ir pra casa tomar um banho porque a gente vai sair hoje.
- A gente quem?
- Eu, os caras, os outros caras, as namoradas dos outros caras, e a . Você vai ficar em casa, . – eu tentei quebrar o gelo entre nós.
- Em casa? Vamos só ver, viu, ?
- Então tá! – me levantei dando um beijo na bochecha da e dei um selinho na . – O pega vocês, eu tenho que pegar algumas putas. Eu mando ele vir aqui lá pelas 11, tá? Pode relaxar, , amanhã você não trabalha, é sábado.
- Eu sei, !
Voltei pra casa ao som de Plain White T’s e me joguei no sofá, ligando na mtv. Eu estava me sentindo melhor com as coisas do jeito que estavam agora entre eu e . O mais próximo que eu já cheguei a um relacionamento sério foi uma vez quando eu tinha 11 anos e beijei uma menina. Eu não era assanhado. Só era um pouco mais avançado para minha idade. Tanto psicologicamente quanto fisicamente, entendeu? Então, aí no dia seguinte essa menina sentou do meu lado e pegou na minha mão. Meus amigos gritaram com nojo e nos próximo 3 dias eu e ela andamos de mãos dadas pela escola. Um belo dia o pai dela me viu dando um beijo na mão dela (eu era um cara legal), ele foi até nós, gritou com ela e a levou pro carro. Essa foi a última vez que eu a vi. Disseram que eles mudaram para Belfast.
Depois disso nunca passou de uma noite. Ou várias noites, mas não seguidas.
Quando me dei conta da hora, já eram 10:30. Tomei um banho rápido, me arrumei e coloquei uma calça jeans com uma camisa social branca dobrada até o cotovelo e fui rumo à casa do .
- Puta numero 1, cadê a puta numero 2 e a puta numero 3? – virei-me para , que abriu a porta já pronto.
- tá terminando de se vestir e o tá na cozinha comendo.
- Porra, , você tem que ser um cara muito gente fina pra deixar duas vagabundas entrarem na sua casa assim, cara.
- É, mas é isso, eu tenho que fazer minha parte, né. Imagina as mães deles, que não têm nem um dia de folga de duas pragas como essas?
- Realmente, cara, você é uma boa pessoa. Mas faça um favor, não deixei o escovar o dente. – gargalhou e logo estávamos no carro discutindo o cd.
- Blink é Blink! – gritava do banco de trás, esfregando o cd na cara do .
- Eu sei! Mas é passado! Acabou! New Found Glory é a banda da vez!
- Para parar com a briga a gente coloca All Time Low, tá? – eu berrei para as duas piranhas pararem com o drama.
- Concorrente, ?
- Vai começar já cedo, é? Já chegamos. Lembram das recomendações, né? Hoje vocês podem trazer 3, mas ninguém vai lá pra casa. E se tiver passando mal, por mim, fica aí, valeu?
- Já sabemos, ! Olha o carro do Danny e do , vamos logo, eles já estão aí.

Avistei em uma mesa gigante, todos sentados e ao lado de Dougie conversando animadamente.
- Danny, sua piranha. – dei um high five nele e no Harry. Tom estava abraçado com a namorada e eu apertei sua mão, com Dougie eu apertei sua mão forte e não olhei na cara da , apenas me sentando ao lado dela. – Elas já estão lá dançando?
- Já, a Olívia, Izzy, e o pra proteger.
- Ah, saquei...
- E semana passada?
- Sinistra, né? - Pegaram o cara, sabia?
- É, e aí?
- O caso foi que a mulher terminou com ele e veio dançar, aí o cara viu ela dançando e ficou putaço, e como ele era do tipo de gangue, ele pegou a arma com um camarada dele que também foi preso.
- Que coisa horrível. – Gio falou e Tom sorriu abobado.
- Tá vendo, amor, é por isso que a gente nunca vai terminar. – ele deu um selinho nela e eu senti o olhar da pousar em mim; continuei na minha, largado.
- Vão beber alguma coisa?
- opa, vamos sim. – Dougie falou – Eu quero um Cosmopolitan... , você quer o quê? Drinks na minha conta hoje.
- Um Sex On The Beach. – ela falou sorrindo para Dougie.
- Traz um Cuba Libre duplo, sem coca e sem gelo, por favor. – eu falei e a mulher me olhou, enquanto o Danny caía na gargalhada.
- Então você quer um copo cheio de rum?
- Exatamente.
- Traz cerveja pra gente, por favor, e uma coca cola pra Gio. – Tom falou e o Danny ainda ria do meu pedido.
- O que você tem? – sussurrou no meu ouvido e eu a olhei sorrindo.
- Eu? Nada. To melhor que nunca. – me virei e puxei um papo com Danny. Conversamos por alguns longos minutos e logo Harry desceu para dançar. veio novamente ao meu ouvido.
- Vamos dançar?
- Não to a fim agora, não.
- Certo, então, Dougie, vamos dançar?
- Claro. – Os dois se levantaram e saíram da mesa ficando apenas eu, Danny, Tom e Gio.
- Eita.
- Que foi, Danny?
- O Dougie tá doido por ela.
- É mesmo?
- Com certeza. Eu conheço o pequeno.
- Hum...
- Vocês tão com alguma coisa?
- A gente ficou umas vezes aí, mas não é nada sério.
- Você fica puto se o Dougie tentar alguma coisa? Se for ficar eu troco uma ideia com ele.
- Não, porra. A gente não conversou sobre exclusividade nem nada.
- Monogamia é bom, mas é ruim.
- Palavras difíceis, Danny?
- É! A Olívia tá me ensinando palavras novas! – eu gargalhei e pousei meu olhar na multidão, vendo o grupinho dançando animadamente. e estavam grudados num beijo meio que dançando e Olívia, Izzy e dançavam com , Dougie e ao redor delas. Logo Dougie puxou para mais perto dele e eu apenas balançava minha cabeça com o ritmo da música. A gente não conversou sobre exclusividade nem nada, mas eu quero ver até onde ela vai. Todos nós temos direitos iguais, certo? Então eu notei o Dougie perto demais com a mão no quadril da . E ela ainda rebolava animadamente como se não fosse nada de mais. Bonito foi quando a mão dele caiu para a coxa dela e ela continuou dançando sem fazer nada. Foi aí que eu vi ele se aproximar e a puxar para um beijo.

Continua...