Cap. 1

Ela passou a mão pelos cabelos e roupas, buscando qualquer vestígio de imperfeição. Não encontrou nenhum. Suas mãos suavam sem parar e ela nem prestava mais atenção à voz de Hayley Williams, que ainda saía dos fones do iPod.

- ! – Ela ouviu uma voz feminina chamando-a. A senhora que aparentava uns 600 anos de idade sorria simpática e fez sinal para que a garota entrasse na sala. Ela o fez.
- Bom dia! – sorriu para a mulher, sentando-se de frente para ela, que escreveu algo no computador e empurrou o teclado, virando-se para a menina e voltando a exibir seus dentes.
- Então... . – Ela encarou a menina por sobre os óculos. – Por que essa escolha?
- Bom, eu realmente quero ir para Londres, mas preciso de um lugar para ficar e um emprego, pelo menos por enquanto. Então, eu pensei: eu gosto de crianças, tenho paciência... Seria uma oportunidade de juntar o útil ao agradável. – Ela sorriu perfeitamente, assim como já havia ensaiado várias vezes diante do espelho.
- Certo, certo... – A senhora voltou a digitar algo no computador. – Idade?
- 17.
- Profissão... Estudante. – Ela mesma respondeu por , antes que ela pudesse dizer algo.
- Você pretende fazer o que enquanto trabalha?
- Faculdade. Quero fazer psicologia.
- Hum... – A mulher – que até agora não havia se apresentado – coçou o queixo, interessada. – Curioso. Você não me parece uma... psicóloga.
- Isso é por que eu ainda não me formei. – A menina tentou fazer piada, mas parou de rir ao perceber o sorriso amarelo no rosto da entrevistadora que, aparentemente, não havia entendido o trocadilho. Esses velhos de hoje em dia!
- Ok, srta. ! – A mulher bateu de leve na mesa, levantando e encaminhando-a até a porta. – Você embarca amanhã de manhã.
sorriu, feliz e aliviada.
- Ok! A que horas é o vôo?
- Vôo?! – A senhora riu, batendo na própria barriga. – Ônibus! Esteja na rodoviária às 5:00, por favor.
- 5:00?! – A menina perguntou mais alto do que esperava, já que algumas pessoas que estavam na sala de espera a encararam assustadas. Ela sorriu, sem graça. – Ok, então. Obrigada.

A velha sorriu adorável e chamou qualquer outra menina sardenta que queria sair daquele fim de mundo que era Glastonbury. Londres sempre fora seu maior sonho e agora ela o realizaria.
Abriu as pesadas portas da agência de empregos e sentiu o vento frio cortar sua pele. Ela apertou o sobretudo ao corpo e caminhou em direção a sua casa, ouvindo seu iPod e deliciando seu último dia na cidade.

abriu os olhos e encarou o teto por um segundo. Virou-se e bateu no despertador mais forte do que esperava, já que o indefeso relógio voou longe. Ela se arrastou até o banheiro e tomou um banho. Vestiu a roupa que já estava separada, já que todo o resto estava na mala. Abriu a porta do quarto e desceu as escadas. Percebeu que ainda estava um pouco escuro e aquilo a animou de alguma maneira. Louca.

- Bom dia, querida! – Sua mãe a cumprimentou quando a menina chegou à cozinha, sentando-se e pegando seu pão.
- Bom dia, mamãe.

As duas comeram e conversaram. Ela percebia que, por mais feliz que estivesse, sua mãe sustentava um olhar triste e cheio de saudades da filha. Seu pai havia falecido há dois anos e desde então eram só elas duas. Eram amigas, eram companheiras. Eram mãe e filha de verdade.

- Vou sentir saudades, meu anjo. – A Sra. abraçou a filha, fechando os olhos.
- Mãe, você pode ir me visitar sempre que quiser! E eu também! Não fica assim, ok? – tentou animá-la, enxugando suas lágrimas, que insistiam em cair, mas que não manchavam seu sorriso orgulhoso.
- Eu amo você.
- Eu também, mãe! Muito. – respondeu, já caminhando pela rua. Sentiu os olhos de sua mãe sobre suas costas, mas não se virou para encará-los novamente. Só enfiou os fones no ouvido e passou a andar encarando o par de all stars surrados.

O ônibus não demorara a chegar. Ela guardou a mala e acomodou-se em uma poltrona com janela. As pessoas provavelmente acharam que tinha lepra, já que ninguém se atreveu a sentar-se ao lado dela. Aquilo não incomodou a menina, que aproveitou o espaço em dobro.
- Londres! – A voz cansada e entediada do motorista disse ao microfone. Vários passageiros se levantaram, incluindo ela. Desceu do ônibus e pegou sua mala.

Agora ela estava na capital do país, com um endereço na mão e 665 libras que havia juntado nos últimos três meses cortando grama de todos os vizinhos. Respirou fundo e fechou os olhos, preparando-se para o próximo passo.

- Táxi! – A garota estendeu o braço, fazendo sinal para que o carro parasse.
- Para onde? – O senhor do banco da frente perguntou.
- Quem sabe? – Ela riu, entregando-lhe o papel. O homem assentiu e sorriu, engatando a marcha e seguindo em frente.

O carro parou em frente a uma grande casa verde clara. As janelas eram de cedro e tinha um enorme jardim colorido. Não tinha muros e aquilo a lembrou dos filmes americanos.

- Obrigada. – Ela agradeceu, entregando-lhe o dinheiro, sem tirar os olhos do seu futuro local de trabalho.

Seguiu até a porta e encarou mais uma vez as paredes. Encostou o dedo na campainha, mas antes que pudesse apertá-la a porta se abriu.

- Me deixa em paz, que saco! – Um garoto que parecia ter a idade dela saiu da casa, passando direto, como se não estivesse ali. Ela franziu o cenho, virando-se para encarar o menino andando rápido pela rua. Estava com seus pensamentos perdidos em quando sua mãe disse ter medo de que ela fosse para a casa de um serial killer.
- Ahn... – Ela ouviu, virando-se novamente para a porta. – Boa tarde! – Uma mulher que aparentava a idade de sua mãe sorriu. Estava bem arrumada. – Você deve ser a , certo?
- Exato. – Ela sorriu.
- Bom, prazer. Eu sou Martha, a mãe do Bernard.
- Ahn, claro! Mas... – Ela apontou na direção que o garoto havia seguido. - ...aquele não é o Bern...
- Oh, não! – Martha riu, sacudindo as mãos. - Entre, vou te apresentar a ele.

a obedeceu. Sentiu o queixo mais pesado ao ver o quão linda era a casa por dentro. Bem decorada e arejada. Olhou para uma foto onde podia ver Martha, o garoto revolto com a vida, um menininho que devia ter uns seis anos e um homem que beirava a idade de Martha.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Viu o tal garotinho descer correndo as escadas, com Martha seguindo-o. Ele parou na frente de e a olhou de cima a baixo. A menina agachou, ficando da altura dele.
- Você é o Bernard, certo? – Ele assentiu. – Eu sou sua nova babá, .
- Você é feia. – O menino disse, cruzando os braços.
- Bernard! – A mãe o repreendeu.
- E você é mais. – respondeu, fazendo-o rir. Os dois deram língua um para o outro e riram mais.
Martha sorriu aliviada. – Fico feliz que vocês estejam se dando bem. Bom, , o Albert deve chegar daqui a uma hora. O Bernard pode te levar pra conhecer a casa até que ele chegue para o jantar.
- Claro! – A menina sorriu satisfeita, dando a mão ao pequeno Bern, que a arrastou escada acima mostrando os milhares de quartos da mansão.

- ! Bernard! – Os dois ouviram a voz aguda de Martha os gritarem. – O jantar tá pronto!

As duas crianças desceram correndo as escadas.

- Querido, - Martha passou a mão ao redor da cintura do homem um pouco mais alto que ela – essa é a . A nova babá do Bern.
- Bem vinda! – Albert sorriu grande, abrindo os braços em sinal de alegria. – Espero que você goste da família !
- Já gostei! – Ela disse e todos riram.
- Bom, eu to morreeendo de fome! – Albert anunciou. – Vamos comer?
- Apoio total. – disse e os quatro se sentaram. Logo uma empregada chegou e serviu o prato de todos eles. Era algo com carneiro e batatas que a menina não conseguia distinguir, mas sabia que era bom.
Os três ficaram batendo papo sobre a cidade, enquanto o pequeno comia os pedaços que a mais nova babá cortava, quando ouviram a porta bater.

Cap. 2

- De novo não... – Martha resmungou, levantando-se.
- Onde você tava? – Eles puderam ouvi-la da sala.
- Não interessa, mãe! – escutou uma voz nova. Um garoto. – Vocês são preocupados demais...
- PREOCUPADOS DEMAIS?! Você passou o dia fora de casa! Não disse aonde ia nem nada!
- Ai, mãe! Londres ainda não é o Cazaquistão, não! Calma! – O tal menino não parecia ligar. As vozes se aproximavam.
- Calma nada!
- Mãe, não enche!
- Não fala nesse tom comigo! Temos uma nova hóspede e é assim que você a recebe?! – Martha perguntou e pôde vê-los entrar na sala de jantar. Era o menino que havia voado por ela mais cedo.
Ele tinha o cabelo levemente bagunçado. Vestia uma bermuda bege e uma camisa pólo azul marinho.
- Oi. – Ela murmurou para ele, se levantando.
- E aí? – Ele sorriu. Era aquele sorriso e ela sentiu as pernas moles. Riu. Ela tinha a péssima mania de rir quando estava nervosa. Uma risada estranha, parecida com um latido.
- Eu sou o . – Ele parecia mais legal agora do que antes.
- . – Ela se apresentou, botando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Eu sou a babá nova do seu... Irmão?
- Exato. – Ele riu.
- Bom, - A voz de Albert os interrompeu. – , a Ashley ligou. Pediu pra você ligar de volta. – Ele se levantou e a mesma empregada veio tirar a mesa.
- Argh, o que ela quer dessa vez? – O garoto perguntou mais para si mesmo e subiu as escadas.
- Vou tomar um banho! – Martha disse, se espreguiçando. – , será que você pode dar um banho no Bern? Depois tá liberada pra sair se quiser.
- Ok. – A menina respondeu e se virou para o pequeno. – Vamos pro chuveiro, garotão! – Ela o pegou no colo, e ele gargalhou alto.

estava no quarto. Havia acabado de tomar um banho e não tinha planos para a noite, já que não conhecia ninguém. Resolvera assistir seu bom e velho DVD preferido, 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você. Martha havia dito que tudo bem se ela usasse o telão, então o plano era pipoca e filme.
A toalha ainda enrolada nos cabelos molhados. Ela vestiu a calça do moletom cinza e uma blusa rosa das Meninas Super Poderosas. Ouviu alguém bater na porta. Abriu.
- Erm... – a olhou de cima a baixo, se segurando para não rir e ela corou. – Será que a gente podia conversar um segundo?
- Claro. – respondeu, logo após quase morrer engasgada. Ele entrou e a menina fechou a porta atrás de si.
- Então...
- Então... – a imitou e os dois riram. – Olha, eu sei que você é nova aqui, então... Eu queria falar isso antes de a minha mãe começar a encher a sua cabeça de bobagem.
- Hum.
- Bom, você já deve ter percebido que ela e eu... nós não nos damos muito bem quando o assunto é a minha diversão. – Ele parou para confirmar se ela havia entendido e a garota assentiu em resposta. – Ela vai te pedir pra tomar conta de mim, como se eu tivesse a idade do Bern e não 18 anos.
- E é assim que você age? – Ela perguntou inocente, se arrependendo assim que percebeu o olhar dele sobre ela.
- Não cabe a você julgar, né.
- Claro que não! – Ela balançou as mãos, tímida. – Eu não quis dizer... Eu só...
- Nervosa? – riu, fazendo-a se calar.
- Não.
- Então... Bom, eu espero que nós tenhamos um trato.
- Que trato? – arqueou a sobrancelha. Ela amava tratos. Ela amava regras. Não havia diversão se não houvesse uma a quebrar, certo?
- Você não me enche como se fosse marionete da minha mãe e eu...
- Você... O que eu ganho em troca?
se aproximou dela, que gelou. Perto demais. Uma mão na cintura da garota e a outra em sua bochecha. – Eu não infernizo a sua vida. – Ele se afastou, sorrindo de lado.
pareceu assustada por um segundo, assim como ele havia planejado, mas no segundo seguinte ela sorriu assim como ele.
- Será que é você mesmo que vai fazer isso?
Ele pareceu sem ação. Como assim o plano estava falhando?! A menina abriu a porta do quarto, fazendo sinal para que ele saísse e ele o fez.

- Ah, cala a boca! – disse para o amigo no telefone.
- Cala a boca nada! Ficou doidinho com a babá nova! – Ele ouviu a gargalhada de .
- Você fala isso por que não viu ela, .
- Ela é assim, é?!
- Não, po. To falando que você não viu como ela fica bobinha perto de mim. Ta caidinha! – se metidava.
- Ah, claro! Você nem se acha, né, !
- Você vai ver!
- E aí? Festinha hoje?
- Nada... – Ele pareceu desanimado. – Minha mãe quase pariu mais um zinho aqui quando eu cheguei em casa. Acho melhor ficar aqui mesmo.
- Ahn, ok. Bom, a Ash me ligou hoje atrás de você.
- Ai, não agüento mais essa menina, ! Fica me ligando de dois em dois segundos.
- Ela é sua namorada.
- Não, não é. Ela é minha ficante, peguete... Brotinho. – riu alto do outro lado da linha. – Tanto faz. Ela não precisa ficar me ligando o tempo todo.
- Se ela não ligasse, você ia reclamar em dobro, acredite.
- Por quê? A não ta dando conta, não?
- Ah, vai procurar uma babá, vai! – disse, desligando na cara do menino que riu desesperadamente por mil anos.

- , eu e o Albert vamos dar um saída... Aproveitar a sexta à noite. Só pra você saber e ficar de olho no Bern. Ele já ta dormindo, é só pra avisar mesmo. – Martha disse, descendo as escadas e sendo seguida pelo marido. Os dois muito bem arrumados.
- Ok, Martha. Boa noite, então!
- Bom filme aí! – Albert apontou para o telão que exibia os trailers.
- Obrigada. – A menina sorriu e os viu deixar a casa.
Era só ela, a pipoca e o filme. Bernard estava dormindo, assim como os outros empregados da casa. provavelmente estava ensaiando, já que ela ouvia uma música alta vinda do quarto do menino. Deduziu que ele tinha uma banda. Ela pegou o controle e apertou play. O filme começou e ela se acomodou no sofá, enfiando um punhado de pipoca na boca.
- E aí? – Ela viu chegando e sentando-se ao seu lado no sofá. Levantou as sobrancelhas sem acreditar que aquele idiota estragaria sua noite.
- Não vou contar nada pra sua mãe, mas eu não me...
- Eu não vou sair. – Ele disse em meio a uma risada gostosa. – Vim ver o que você tava fazendo.
o encarou desconfiada. Era o primeiro dia de trabalho e aquilo já representava problemas.
- Vou ver um filme.
- Que filme? – Ele pegou a capa do DVD.
- 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você. – A garota respondeu e riu ao vê-lo fazer careta.
- Tive uma idéia muito melhor. – disse, levantando-se do sofá e subindo as escadas. Ela pensou em dar play novamente, mas parou ao vê-lo voltar com uma caixa de DVD na mão.
- Festival de The OC! Gosta?
- Tá de brincadeira?! AMO! – Ela saltou na direção dele, pegando o DVD. – Não acrediiiito! Ainda não vi esse!
- Sério?
- Eu sou APAIXONADA.
- Eu também! – pareceu realmente surpreso.
- Queria me casar com Seth Cohen! – A menina riu.
- Bom, então quer ver comigo?
- ÓBVIO! Vou pegar mais pipoca. – saiu andando em direção à cozinha.
- Ok. Vou te ajudar e trazer os refrigerantes. – a seguiu e os dois começaram uma animada conversa sobre a série.


acordou no sofá. Olhou o relógio e viu que ainda era muito cedo – ou tarde, interprete como quiser -, e todos deviam estar dormindo. Olhou para o tapete no chão e viu dormindo. O garoto dormia com a boca levemente aberta e ela se pegou rindo. Levantou e levou os copos e tigelas de pipoca para a cozinha.
- ! – Ela tentava acorda-lo numa mistura de sussurro e grito. – Acorda!
O garoto abriu os olhos perdido e olhou ao redor, perguntando-se que diabos estaria fazendo no chão da sala. Encarou-a de volta e se lembrou.
- Vai pro quarto, vem! – Ela o puxou pela mão e os dois subiram as escadas em silêncio. o guiava, já que ele estava mais dormindo que acordado. Abriu a porta do quarto dele.
- Entra.
- Não, calma aí. – segurou-a pelo braço. – Aqui. – Ele entrou no quarto, fazendo-a segui-lo.
- Que foi? – A menina perguntou, confusa, vendo-o se deitar na cama.
- Quero um beijo de boa noite. – Ele esticou a bochecha.
- Menino, vai dormir vai! – disse, rindo e se virando para sair do quarto. Pôde vê-lo piscar para ela, fechando os olhos logo depois.

Cap. 3

- Bom dia, flor do meu dia! – sorriu ao ver o pequeno Bernard entrar na cozinha com cara de sono.
Já fazia quase uma semana que ela havia chegado à Londres e os dois estavam se dando muito bem, assim como todos os outros. Ela e haviam se aproximado consideravelmente e a garota havia presenciado muitas das brigas dele com a mãe.
- Bom dia. – Ele respondeu com sua natural dificuldade de falar decentemente.
- Panquecas?
Ele assentiu sorrindo e sentou-se na mesa, deixando seus pezinhos pendurados na cadeira.
- . – A chamou de repente. – O que é vagabunda?
- Por que? – Ela pareceu assustada.
- Por que eu ouvi a Ash te chamando disso ontem de noite. Ela e o tavam brigando. – Explicou.
arregalou os olhos.
- E o que mais eles falaram?
- A Ash disse que não agüentava mais ouvir piadinhas do Danni sobre a sua vagabunda. Você tem uma?
- Não, um dia eu te explico, meu amor. Agora come. – Ela pôs o prato na mesa, com as panquecas já cortadas.
Algum tempo de silêncio se passou e os dois ouviram uma voz familiar e sonolenta.
- Oi, galera. – entrou de boxers e abriu a geladeira, pegando a caixa de suco de laranja e bebendo no gargalo.
- Oi, ! – Bern ficou animado. – Eu contei pra ela!
- O que? – O mais velho o encarou com uma expressão de interrogação.
se segurou para não desmaiar ao ver o menino coçar a nuca, os cabelos desarrumados.
- Que a Ash disse que a tem uma vagabunda.
cuspiu um pouco do suco que estava em sua boca, fazendo com que o irmão tivesse uma crise de riso, deixando sair um pouco de leite pelo nariz.
- Não, ela não... , a Ashley não... Quer dizer, ela quis, mas... – O garoto tropeçava nas próprias palavras.
- Tudo bem, . Não ligo pra ser motivo de piadas do seu amiguinho, nem pra o que sua namorada pensa de mim. Isso é problema seu. Eu só não quero que nada afete o meu trabalho, por que isso foi realmente difícil de conseguir.
- Eu entendo, mas...
- , se você gosta de sair de fazer babaquices com os seus amigos, tudo bem. Só não me meta no meio das suas burrices.
saiu da cozinha, subindo as escadas em direção ao quarto.
- Seu fedelho idiota! – deu um pedala na cabeça de Bern. – Vai cuidar dos seus carrinhos antes que eu arranque todas as rodas de novo!
Bernard se levantou da mesa, catando cada carrinho seu pela casa.

- Fala sério! Não acredito que ela ligou pra isso! – disse. Ele, , e conversavam mais do que ensaiavam. Estavam na casa do , montando novas músicas e se preparando para o próximo show do McFLY.
- Claro que ligou, né! – deu sua opinião. – Você não gostaria que te chamassem de vagabunda.
- Não se você continuasse comigo, docinho. – Ele respondeu com a voz afeminada e jogou um beijo para o garoto.
- Ah, chega da babá por hoje! – disse, levantando os braços. Festinha hoje na casa da Ash.
- Ué. Vocês não tinham brigado por causa da ? – estranhou.
- Você realmente acha que aquela garota consegue fazer uma festa sem o aqui?
- Ah, esqueci. – disse e os quatro riram.
- Mas, cara! – os interrompeu. – Você não tava de castigo?
- Fala sério, é só pular a janela pelo telhado e voltar antes da minha mãe acordar.
- E se alguém ver?
- Ninguém vê. Os empregados já sabem que têm que ficar de bico fechado e meus pais têm um sono mais pesado que o .
- E a ? – perguntou.
- Bom... Ela não fala nada não.
- Eu espero, por que se você for pego, seus pais vão ligar pros meus e aí quem me ferra sou eu. – advertiu. – Nem sei por que eu vou nessa droga.
- Eu sei. – disse. – Você sabe ?
- Sei. Você sabe ?
- Sei. Mas acho que esqueci... Por que mesmo? – fingiu coçar a cabeça e e gritaram juntos:
- !

- , chega! – disse, rindo. – Você não vai morrer só de assistir um ensaio.
Apertaram a campainha da casa de . Por um segundo ninguém apareceu, mas logo ouviram as risadas altas dos garotos e um descabelado e um pouco atrapalhado abriu a porta.
- Oi! – Ele e disseram ao mesmo tempo quando se viram, ficando sem graça logo depois.
- Oi também, . – falou, estalando os dedos entre os dois e rindo.
As duas meninas entraram na casa, seguindo o menino, que desceu uma escada até onde supostamente era o porão. Lá estavam os outros, com seus respectivos instrumentos.
- Hey! – sorriu, dando um estalinho na namorada.
- E aí? O que temos de novo? – perguntou, sorrindo largo.
- Eu escrevi uma música! – disse, entregando um papel às meninas. – A letra tá aí, então acompanha.
Os garotos começaram a tocar uns novos acordes.

Some people laugh
Some people cry
Some people live
Some people die

Some people run
Right into the fire
Some people hide
Their every desire

But we are the lovers
If you don't believe me
Then just look into my eyes
'cause the heart never lies

Some people fight
Some people fall
Others pretend
They don't care at all

If you want to fight
I'll stand right beside you
The day that you fall
I'll be right behind you

To pick up the pieces
If you don't believe me
Just look into my eyes
'cause the heart never lies

Whoa x2

Another year over
And we're still together
It's not always easy
But I'm here forever

Yeah we are the lovers
I know you believe me
When you look into my eyes
Because the heart never lies

'cause the heart never lies
Because the heart never lies


- E aí? – perguntou. Os olhos ansiosos sobre as meninas.
- LIN-DA. – disse, depois de um ou dois segundos em estado de choque. – Não sabia que meu namorado tinha esse poder!
- Esse e muitos outros. – disse, piscando e jogando um beijo para a garota, o que fez com que todos morressem de rir.
- Galera, alguém quer? – perguntou, tirando um maço de cigarros do bolso.
- Ninguém mais fuma aqui, . – disse e viu todos assentirem concordando.
- Vocês são um bando de patetas. – disse rindo, com o cigarro entre os lábios, enquanto o acendia.
- E aí? Festinha hoje na casa da Ash. Tão sabendo? – perguntou, não podendo evitar olhar diretamente para .
- Claro! – Ele respondeu, sorrindo. – Que horas vocês vão?
- A hora que o me buscar. – respondeu antes da amiga, lançando um olhar para .
- 22:00.
- Combinado então! – concordou, sorrindo como sempre.
- Então o aqui só chega às 23:00. – O garoto disse rindo. – Só quando a festa estiver bombando.
- Cala a boca, . A gente te busca na sua casa 22:15. E se você se atrasar, NÃO VAI. – deixou claro e viu o amigo mandar um dedo do meio, descendo as escadas rindo. Ouviram o barulho da porta batendo.

Cap. 4

- ! – Martha chamou a babá no quarto. – Eu e o Albert vamos a uma festa hoje à noite.
A garota não precisava ter escutado aquilo. Havia deduzido por si só ao ver o incrível longo verde esmeralda que a patroa usava.
- Ok. Eu boto o Bern na cama.
- Obrigada, querida. Não devemos voltar cedo, então é só ficar de olho no meu bebê. – Martha sorriu largo, fazendo-a rir – Ah! Quase esqueci! – Ela abaixou o tom de voz – Eu sei que vai parecer um abuso, mas, por favor, não deixa o sair. Ele anda me preocupando muito ultimamente...
- Tudo bem. – sorriu.
- Bom, então nós já vamos. O Albert já ta me esperando no carro. Boa noite, querida! – A mulher deu seu melhor sorriso, saindo do quarto e descendo as escadas.

Algum tempo depois de a patroa já ter saído, desceu as escadas. Sentou-se no sofá e fechou os olhos, imaginando que filme assistir, quando a porta da casa se abriu e a garota saltou num susto. Olhou para trás.
- Te assustei? – perguntou rindo.
- Quase me matou.
- Não morre assim tão cedo! Vai me deixar sozinho com o projeto de ? – O garoto riu, sentando-se ao lado dela.
- Claro. Se eu fizesse isso, você provavelmente transformaria a casa em um prostíbulo.
jogou a cabeça para trás, rindo e a menina percebeu o quão fofo ele era daquele jeito. Balançou a cabeça, afastando os pensamentos.
- Ia ser demais! Já sei até o nome!
- Qual?
- Mil e Uma Noites! – Ele disse, levantando as mãos em gesto de animação.
- Que clichê, ! – riu alto – Algo como Uma Noite Mais Que Mil ia ficar bem melhor.
- Noooossa! Ta entendo mais disso do que eu, hein! – O garoto apontou o dedo para ela, que se levantou, indo até a cozinha. Os dois gargalhavam.
- Divirta-se no seu lugar imaginário! – A menina gritou da cozinha e o ouviu rir mais.
- Que horas são? – Ele perguntou da sala, já subindo alguns degraus.
Ela olhou o relógio.
- 21:30!
assentiu, mesmo sabendo que ela não veria, e subiu correndo as escadas, indo logo se arrumar.

- Po, garoto lezado! – não parava de repetir. Ela, , , e estavam no carro de , estacionados em frente à casa de .
- Eu disse que isso ia dar problema... – disse pela qüinquagésima vez.
- Será que ele levou a sério o negócio de chegar 23:00?! – coçou a cabeça, mas parou ao sentir o olhar de cala-a-boca-claro-que-não de todos sobre ele.
- Só resta esperar... – disse, se jogando contra o banco, em um suspiro.

não parava de pensar em arranjar um jeito de sair sem que o visse. Ela já estava vendo o tal filme na sala há anos, mas parecia que nunca acabaria. Ouviu o celular tocar.
- Alô?
- ! Desce logo! A festa já deve ta bombando! – Ele ouviu a voz de do outro lado da linha.
- Não dá pra sair! A ta lá na sala.
- Ah, que droga! Po, sai logo daí! A babá não pode fazer nada. – O amigo disse. – Desce. – desligou.
enfiou o celular no bolso e abriu a porta do quarto. Ainda ouvia a voz de galã do ator do filme da garota. Desceu as escadas em silêncio, mas quando botou o pé no chão do primeiro andar.
- , aonde você pensa que vai? – perguntou ainda com os olhos no telão, que tinha a imagem pausada. – Sério, cara, sua mãe disse que você não pode sair.
- Mas você não tem nada com isso. Você é a babá do Bern, não minha.
- É, mas ela me pediu pra não te deixar sair. Se você for, vai acabar sobrando pra mim. – Ela respondeu, se levantando e se pondo na frente da porta. caminhou até ficar de frente para ela.
- Sai da minha frente, eu to falando sério. Você não vai me fazer perder essa festa.
- Você acha que eu to brincando?! Eu não vou te deixar ir, garoto. Se você quer acabar com seu fígado de tanto beber e se alimentar de nicotina o problema é seu, desde que eu não esteja envolvida na sua armaçãozinha idiota.
O garoto riu. Sarcasmo era de uso exclusivo dos . – A babá ta fazendo um ótimo trabalho, hein! – Ele bateu palmas. – Mas você tem que aplicar isso com o Bernard, não comigo. Eu sou um garoto grande. – Ele completou, se aproximando dela. A menina parou de respirar ao sentir as mãos dele em sua cintura.
De uma hora para outra as pernas dela perderam a força e ela se perguntou como mesmo se soletrava pernas. Sentiu os lábios dele pressionados contra os seus por algum tempo.
- Agora que você já me proporcionou um segundo de diversão, deixa eu acabar de curtir minha noite. – a puxou pela cintura, tirando-a da sua frente e saindo da casa.
ficou um segundo em choque, mas depois saiu correndo atrás dele. – VOLTA AQUI AGORA, GAROTO! AGORA! – Ela gritava, mas o menino a ignorava. Pôde vê-lo entrando no carro que ela sabia que era de , um dos garotos da banda. Parou um táxi.
- Segue aquele carro! Seeeegue! – Ela gritou para o motorista que a olhou horrorizado. – Anda logo! – Completou, ao sentir o carro acelerando.
Viu o carro de estacionar em frente à uma casa tão grande quanto a de , de onde vinha música alta, pessoas loucas que usavam roupas que ela costumava chamar de ‘de baixo’ e um forte cheiro de álcool que ela podia sentir desde a esquina.
- Pode parar, obrigada! – A garota pediu, descendo a alguns metros da casa. Foi caminhando até casa e o som de música eletrônica ficava cada vez mais alta. Parou em frente ao jardim, onde estavam vários adolescentes bêbados. Entrou na casa. A sala estava cheia e mal se podia andar. Olhou ao redor, procurando por algum rosto conhecido, mas não via ninguém.
- E aaaaaaaí, gatiiiiiinha! – Um garoto loiro surgiu na frente dela. Tinha tomates no lugar dos olhos. – É ce gooooosta di voooooodka? – Ele falou enrolado. o encarou por um segundo, perguntando-se por que pessoas como aquele ser insistiam em nascer, mas depois seguiu em frente. Saiu, indo em direção ao jardim de trás, onde viu um palco improvisado. Pulou ao ver que e montavam os instrumentos e caminhou – lê-se voou – em direção a eles.
- ! – Ela gritou. – Você vai voltar comigo pra casa AGORA.
olhou de para , depois para de novo, que parecia surpreso ao vê-la ali.
- Não, vão vou. Você não é minha mãe. Eu vou ficar e fazer o meu show. E, como eu já te disse, terminar o que você começou lá em casa. – Ele lhe lançou um olhar cheio de más intenções, mas se arrependeu ao ver a cara de raiva que a garota fez. assistia a tudo, assim como e , que haviam chegado.
- EU é que vou terminar o que eu comecei em casa, e é AGORA. – A garota pulou em , dando socos no braço e no peito do menino, que não sabia se ria ou se continuava com sua cara de babaca.
- Pára com isso, sua louca! Sai daqui! – Ele gritava, segurando os pulsos da menina. – Hey, Stuart! – Chamou o mesmo menino dos olhos de tomate. – A minha amiga aqui tá procurando o tipo de diversão que você pode dar. – Ele piscou para Stuart, que a olhou de cima a baixo com um olhar um tanto quanto tarado.
- Vaaaamox lá, gatiiiiiiinha! – Ele a puxou pelo braço, fazendo-a perder no meio da multidão. Os dois se afastavam cada vez mais do palco.
- Não, Stuart, me solta! – tentava falar mais alto que a música, mas isso parecia mais difícil que fazer a Terra girar ao contrário. Ele dançava no ritmo da música. Soltou a pulso dela, que olhou em volta – tentando dar uma volta – em busca de .
- Boa noite, galera! – Ela ouviu a voz de cumprimentar a todos. – Nós somos o McFLY! Quero ver muita animação! – Ele fazia as pessoas gritarem cada vez mais, principalmente umas garotas com saias modelo cintinho. Eles então começaram a tocar uma música que ela já havia escutado cantarolar algumas vezes.
- ! ! – tentava chamá-lo. Malditas sejam as caixas de som. O garoto revirou os olhos ao vê-la, mas logo voltou a concentração à musica.
Viu duas meninas se aproximarem – Você é a ? – uma delas perguntou. Ela assentiu e as duas sorriram.
- Eu sou a e essa é a . – A outra se apresentou. – Olha, o pediu pra gente te levar pra casa.
- Eu não vou embora sem ele.
- A gente promete que vai levá-lo pra casa assim que o show acabar.
- Nem pensar! – não aceitava. – Ele vai voltar agora! Ele é um abusado! Acha que pode sair agarrando as pessoas por aí?! TÁ LOUCO, NÉ!
As meninas se entreolharam, confusas, e riram depois. – Ele te agarrou?! – perguntou e viu corar.
- Ele é um idiota.
- Por isso que ele tava todo estranho no carro. – disse, rindo.
- Ele tava estranho no carro? – esqueceu o porquê de estar ali, sorrindo de lado com o pensamento de ter mexido com .
- Tava. Tava tipo você agora. – respondeu, fazendo a amiga rir.
- É isso aí! Essa aqui se chama That Girl! – Elas olharam para o palco, onde falava. olhou ao redor, procurando por algo para jogar nele. Não encontrando, optou pela sandália.
- DROGA! – Ela gritou, levando as mãos à boca, ao ver cair no chão.
- ! – gritou, repreedendo-a.
- Desculpa! Aimeudeus! Me leva lá atrás, me leva! – A babá berrou e foi puxada pelas duas meninas até atrás do palco, onde havia bem menos pessoas. Viu , , e . Os três amigos tentando reanimar o garoto, que estava mais inconsciente que acordado.
- AIMEUDEUS. – Ela se ajoelhou ao lado dele. – , desculpa! AIJESUS! Eu não quis fazer isso.
- ... – tentava falar, mas aquilo parecia difícil demais para ele.
- Você que jogou isso nele?! – levantou a sandália da menina, que tirou-a da mão dele. gargalhou alto.
- Garota, você sabe como domar um , hein!
- Não é pra fazer piadinha, ! – gritou.
- Desculpa, ! Gente, alguém trás um pano com água? – A menina pediu, recebendo-o logo depois.
- Vamos levar ele pra casa da piscina, que tá vazia. – disse. e levantaram o garoto, levando-o apoiado nos ombros.
Chegando lá, deitaram-no na cama.
- ! , fala comigo! – tentava chamá-lo, enquanto passava o pano pela testa do garoto, que havia cortado de leve, mas sangrava bastante.
- Babá, você... você quer me ma... matar? – Ele tentou falar e já parecia melhor.
- Não, foi sem querer!
- , você arremessou uma sandália de salto fino na cabeça dele no meio do show. Não foi sem querer. – disse, inocentemente, mas se arrependeu ao receber o olhar de cala-a-boca-idiota dos outros.
- , desculpa. Foi sem querer, eu juro. Só queria te levar pra casa.
- Sério? Por que parece que você queria me levar pro hospital! – Ele já conseguia falar bem melhor, mas optou por gritar.
- Você é um ingrato!
- Chega de confusão por hoje, gente! – disse. – , você leva eles em casa?
- Levo né. – O garoto se levantou, e os outros dois o seguiram, entrando no carro.

Após um longo tempo em silêncio, tomou a palavra.
- Eu disse pra você não sair.
- Comentário desnecessário da garota do interior. – disse, sem tirar os olhos da rua. Os dois o ignoraram.
- E eu disse que isso não era problema seu.
- Comentário desnecessário do garoto mimado. – Novamente, disse.
- Claro que era! Eu não quero ser demitida, se você não sabe.
- Comentário super necessário da menina estudiosa e responsável. – O amigo inconveniente que era falou, recebendo um olhar mortal de .
- Como se o que eu faço fosse culpa sua!
- Comentário super necessário do garoto que agüenta as conseqüências de suas ações. – recebeu um olhar mortal, desta vez vindo de .
- Ah, cala a boca!
- Vem calar!
- Comentário infantil dos dois bebês.
- Cala a boca, ! – e gritaram ao mesmo tempo. O carro parou e os dois desceram.
- Nem agradecem a carona... – comentou para si, dando partida.
e se olharam.
- É bom você torcer pros seus pais não estarem em casa, por que se estiverem...
- Se estiverem o que?! – O garoto disse, levantando o queixo como em um daqueles duelos de rappers americanos. – Você vai me beijar de novo?!
- Eu não te beijei! Você que é um louco tarado!
- Ah, é! Esqueci que eu beijo sozinho. Você não tem nada a ver com isso, né?!
- Se você falar isso pros seus pais eu juro que ACABO com você! – A menina ameaçou. Os dois caminhavam até a porta.
- Por que eu diria que beijei a babá jequinha do interior?!
- Se eu sou isso, então por que você ficou todo estranho no carro, hein? – Ela provocou e o garoto parou de andar.
- Quem te disse isso?
- Tenho minhas fontes, idiota! – sorriu vitoriosa.
- Você tem é falta de noção, isso sim! Eu posso ficar com a garota que eu quiser, e você ta longe de ser ela. – respondeu.
- Ah, me poupe, ok, ?! Minha dose de você por hoje acabou. – Ela se virou, abrindo a porta de casa e sendo seguida por ele.
- Uma explicação dos dois. JÁ. – Martha disse, sentada ao lado do marido no sofá.
olhou para , que revirou os olhos e passou direto pelos pais.
- Pede pra garota perfeitinha e responsável. Cansei disso. – Ele disse, já subindo as escadas e deixando uma assustada e sem ação na sala.
- Calma, eu posso explicar.

Cap. 5

girava na cama. Por mais frio que pudesse estar à noite, ele sentia calor e não havia ar condicionado que mudasse a situação. Os lençóis já haviam se tornado órgãos vitais dele. O garoto se sentou na cama e deixou que algumas lembranças daquela noite tomassem conta dele. Sua cabeça ainda doía e tinha um curativo. Lembrou-se do ensaio, do beijo, do carro. Da sandália e seu respectivo salto. Levou a mão até o machucado e franziu o cenho, se levantando e cambaleando até a porta. Abrindo-a, deu de cara com o corredor escuro e comprido. Ele procurou por qualquer indício de companhia, mas estava definitivamente deserto. O garoto seguiu em frente, se apoiando nas paredes, até tocar o corrimão e descer lentamente as escadas.
Ao chegar ao andar de baixo, viu a luz da cozinha acesa e uma de pijamas bebendo água.
- AH! – Ela gritou ao vê-lo – Quer me matar de susto, seu louco?!
- Quero é beber água. De preferência, sem lembrar que você ta morando na mesma casa que eu.
- Ótimo.
- Ótimo. – Ele disse, abrindo a geladeira e pegando a garrafa de água. Encheu seu copo e sentou-se de frente para ela. Após um ou dois goles quebrou o silêncio.
- O que você disse pra eles? – Ele perguntou, tentando fingir que encarava o fundo do copo.
- Disse a verdade, ué. – deu de ombros e riu ao ver a cara que ele fez, quase cuspindo o que havia engolido. Provavelmente, se perguntando por que na face da terra ela diria que ele a havia beijado. – Tirando a parte... bom, uma parte. – Ela finalizou e pôde ver o alívio tomar conta dele.
- E o que aconteceu?
- Comigo? Nada.
- Eu sei. – disse, tomando mais um gole. – Comigo.
- Ué, eu não sei. Os pais são seus, não meus. – A menina deu de ombros novamente. – Mas eu tentei aliviar um pouco a sua barra.
sorriu de lado.
- Sério? – Ela assentiu. – O que você fez?
- Bom, eu omiti a parte do álcool e cigarro... – A garota respondeu e ele balançou a cabeça, indicando que entendia tudo. – E eu espero que você omita a parte da sandália voando em meio a multidão. – Ela mordeu o lábio inferior, esperando por uma reação.
- Justo. – O garoto balançou o copo – Mas o que eu vou falar?! Eu to com um machucado na cabeça.
- Eu inventei que você tropeçou num fio e bateu a cabeça na quininha do palco.
- Ta, ta. Trato feito. – concordou, estendendo a mão para , que a apertou. De repente os dois deram um pulo, com o celular da menina, que começou a tocar.
- Eu já volto. – Ela se levantou, mas ele pôde ouvir uma parte do que ela disse. – Alan, eu já disse pra você PARAR de me ligar! Eu... – Ela sumiu na escuridão da varanda.
O menino olhou para o relógio. 3:56. Quem ligaria para ela às 3:56 da manhã?! Com certeza, ele não precisava saber. Bebeu o resto de água e botou o copo na pia.
Ele poderia não precisar saber.
Isso não indicaria que ele não quisesse descobrir.

Os raios de sol já entravam fortes pelas janelas e ela mal conseguia abrir os olhos pela claridade. Deduziu que já era tarde. se levantou, trocou de roupa – vestindo os jeans de sempre – e saiu do quarto.
Já podia ouvir a voz de Martha vinda da sala de jantar. estava sentado ao lado da mãe e o pai provavelmente já teria ido trabalhar.
- Não me interessa, Poynter! O senhor NÃO vai mais a festa nenhuma até o fim das férias!
- Mas mãe! – O garoto tentava se defender.
- Não, não e NÃO! – A mãe disse, enfiando um pedaço de torrada na boca. Sorriu ao ver chegar e se sentar de frente para .
- Bom dia.
- Bom dia, querida! – Martha a cumprimentou, animada. – Eu queria mesmo falar com você.
A garota sorriu, pegando uma torrada e passando uma geléia vermelha qualquer, que ela deduziu ser de morango.
- Eu sei que você veio pra cá estudar e que é seu sonho ser psicóloga e blá. – A Sra. Poynter gesticulava rápido. – Por isso eu te fiz uma surpresa.
olhou a mãe de rabo de olho, arqueando a sobrancelha.
- Te matriculei na mesma escola que o ! Vocês vão poder fazer o último ano da escola juntos! – A mulher comemorou, mas estranhou ao ver o filho cuspir o suco de maçã no prato. – Tudo bem, filho?
- Aham, eu só... engasguei. – Ele lançou um olhar para a menina, que retribuiu.
- Como eu ia dizendo, as aulas começam daqui a uma semana. Se prepare, querida!
- Nossa, eu... – gaguejava. Os olhos cheios d’água. – Eu não sei como agradecer, Martha. Sério.
- Que isso, meu amor! Você se tornou muito especial nesse último mês. Com certeza vai fazer por merecer.
- Muuuuito obrigada! – Ela se levantou e abraçou a mulher.
- Não se preocupe! – Ela se afastou da garota. – Agora eu vou dar uma saída e só devo voltar mais pro final da tarde. Eu e a associação estamos organizando uma festa. Sabe, pelo final do verão e inicio de ano letivo.
- Mesmo? – , que havia ficado calado durante toda a conversa, se meteu. – Quando?
- No próximo fim de semana. O último antes das aulas.
- Eu vou poder ir? – O garoto perguntou, desenhando um Bob Esponja com a ponta da faca no resto de geléia do prato.
- SÓ nessa. – A mãe disse, levantando o dedo. – Agora eu vou indo, senão eu chego atrasada! Beijinhos!
Ela saiu pela porta da frente. e ficaram um tempo em silêncio. Ela comia e ele se concentrava em sua arte no prato, dessa vez desenhando a pequena sereia.
- Então... Como é a sua escola? – A garota tentou puxar assunto, mas ele só lançou-lhe um olhar e voltou ao prato. – Ela é grande? – insistiu.
- , eu realmente não quero falar com você agora. A gente já resolveu o que tinha pra resolver ontem à noite, quando você saiu e me deixou com cara de babaca pra falar no telefone com um inconveniente qualquer que te ligou 3:56 da manhã.
riu de lado. – Você não viu a hora mesmo, viu?
O garoto bufou, tentando disfarçar o quão sem graça ele estava. – Isso importa tanto assim?! – Ele parecia bravo e passou as mãos pelo cabelo, nervoso. A menina parou de sorrir.
- , presta atenção. – Ela pegou a mão dele por cima da mesa e o fez olhar-lhe nos olhos. – Eu e você moramos juntos. E isso vai continuar por muito tempo. E agora tem isso de estudarmos juntos. Não adianta, eu não vou embora por que você é um mimado que vive mentindo pros pais e acabando coma própria vida. Então, se é pra estar com você, eu quero que seja tudo numa boa. Não vai melhorar muito se a gente viver brigando.
Ele a encarou por mais um tempo e sorriu, se entregando. Ela fez o mesmo.
- Eu sabia que você ia se render. – se levantou, pegando seu prato e o dele, e indo na direção da cozinha. Parou na porta. – E pra saciar sua curiosidade, era o meu ex no telefone. – Ela entrou.
O garoto olhou para a direção que ela havia seguido e voltou a olhar para a mesa, agora sem seus desenhos. Então ela tinha um ex. Que vivia ligando.
Aquilo não era bom pros planos dele.

Cap. 6

- , cala a boca. – não cansava de repetir. Ela, o namorado, , e estavam esperando chegar. Estavam na casa de , que havia sugerido uma reuniãozinha já que os pais haviam viajado.
- Cala a boca nada! – replicou. – Não agüento mais esperar esse lezado. Daqui a pouco eu vou pra casa.
- Vai nada! – disse – Eu fiz o maior sacrifício pra conseguir sair de casa hoje. Minha mãe ta me enchendo o saco essa semana, mas pelo menos com a festa de sábado ela fica distraída com alguma coisa além de estragar a minha diversão.
- Ai, Poynter! – falou sem tirar os olhos da mão de entrelaçada com a sua. Ela brincava com os dedos dele. – Sua mãe é um doce, você que é louco. Fica aí dando corda pra o que o Stuart diz, aí fuma, enche a cara...
O garoto bufou e se levantou do chão. – Vou ao banheiro.
- Não nos mate! – gritou e gargalhou ao ver a cara do amigo. O garoto caminhou até a porta e entrou, fechando-a atrás de si. Ele se olhou no espelho e pegou o celular do bolso novamente. Viu se tinha alguma chamada perdida dela. Nada. Era estranho, já que ele tinha certeza que ela o havia visto sair de casa. O plano era que ligasse, preocupada ou estressada, mas que ela ligasse.
- Você ta louco, Poynter? – Ele apontou com o indicador para o espelho, mirando os próprios olhos. – Você é louco, né? Aquela babá é uma abusada, sem sal e nojentinha. Você só quis PRO VO CAR. Agora você vai – Ele abriu o celular – ligar para a Ash e chamar ela pra ir na festa sábado com você. – falava enquanto discava o celular da garota. Depois de um tempo chamando, ele ouviu a voz aguda dela.
- Alô?
- Alô, Ash?! – Ele pôde ouvir a própria voz desesperada. Ela riu.
- Oi, ! Quanto tempo! Ta tudo bem?
- Quer ir à festa de sábado comigo? – quase gritou, ignorando a pergunta falsa/simpática de Ashley.
- Claro! – A voz da menina pareceu animada. – Você me busca às 20:00?
- Não, não! – O garoto mais uma vez falou mais alto do que esperava. Ele girava dentro do banheiro. – Mais cedo! Posso te buscar 16:00?
- 16:00?! A festa só começa 19:00!
- Não tem problema! Eu quero te levar pra... pra... passear pela cidade!
- Eu moro aqui! Você não precisa me levar pra passear, !
- Que seja! 16:00, ok? Beijos!
Ele desligou antes mesmo de ouvir a resposta da garota. Encostou na pia e jogou água no rosto.
- Você ainda vai me agradecer por isso. – Novamente, encarava a própria imagem no espelho.

, , e brincavam de qualquer coisa idiota quando voltou para a sala.
- Po, ta tão mal assim? Tava berrando lá dentro. – comentou, fazendo todos rirem. Poynter nem mesmo se deu ao trabalho de levantar seu dedo preferido para o amigo, sentando-se no sofá.
- Cadê aquela bicha do ?
- Disse que tava chegando. – respondeu quando a porta da frente bateu e um suado e apressado entrou na casa.
- Foi mal o atraso, galera. Eu tava meio... – Ele tentava se explicar. puxou a gola branca da blusa pólo dele, rindo e apontando para uma pequena macha de batom.
- Já entendemos tudo.
O garoto riu, sem graça e convencido ao mesmo tempo.
- Então, vamos à festinha?! – se levantou, esfregando as mãos e indo até a cozinha.

Bernard parecia não se cansar daquele desenho estúpido no qual uma esponja homossexual com uma voz estranha se agarrava com uma estrela do mar – gigante, levando em consideração que as duas tinham a mesma altura. E ainda diziam que aquilo era infantil! Para aquilo era pornografia disfarçada!
- Bern, - ela o chamou, bocejando – já ta na hora, né? Vamos dormir. Se sua mãe sabe que você ainda não ta na cama ela me mata...
- Mas o ainda não chegou! – A criança tentou protestar.
- O seu irmão ta de castigo, ele ta em casa... – Ela mentiu, fingindo não saber de nada. O garoto cruzou os braços e emburrou a cara. – Nem adianta! Vem, vamos que eu vou te botar na cama!
Ele sorriu sapeca. – No colo!
estendeu os braços, revirando os olhos. – Você ainda vai me fazer andar igual a sua avó, seu ingrato! Eu te alimento, te dou banho, te entretenho e você ainda me faz isso! – A menina reclamou mais para si do que para ele e os dois subiram as escadas.

- Não, não! – Ela gritava e ria ao mesmo tempo em que tentava se desvencilhar de um par de braços desconhecidos. – Me laaarga!
A pessoa fazia cócegas na menina, que gargalhava alto. Ela não sabia onde estava, só podia ver a neve. Tudo era neve.
- Você acha isso divertido agora? – Uma voz que ela não identificava disse – Mas não vai ser assim pra sempre, você sabe.
De repente ela parou de achar graça na brincadeira. Reparou que a pessoa levava uma garrafa de vidro na mão. Ainda não via seu rosto.
- Mas eu não vou embora, você quer que eu fique. Você sente a minha falta, não é?

- NÃO, NÃO, NÃO! ALAN, VAI EMBORA! – ouviu a voz de assim que chegou em casa. Subiu correndo as escadas e entrou no quarto sem bater na porta.
- , ta tudo bem? – Ele perguntou, acendendo a luz. A menina tentava abrir os olhos com dificuldade, devido à luz, ao mesmo tempo em que olhava ao redor. se aproximou, sentando-se na cama. – Calma.
- Não, ! Eu vi, eu tenho certeza que era o Alan! Eu vi a garrafa na mão, e ele... ele sempre bebe... Se eu juntar tudo... ERA ELE! Era ele, ! – falava coisas sem sentido.
- Calma, ! Não tem ninguém aqui, foi só um pesadelo. – Ele a abraçou e a garota escondeu o rosto em seu peito. – Ta tudo bem... – O menino sussurrou no ouvido dela, que soluçava um pouco. – Eu to aqui, ok?
Ela assentiu com a cabeça, ainda sem mostrar o rosto. Ele o levantou pelo queixo.
- Ta comigo, ta com Deus. – O garoto disse, fazendo-a rir de leve. – Ta rindo de que, hein?! – Fingiu indignação.
- Você é incrível! – Ela exclamou, ainda rindo um pouco. Os dois ficaram um tempo se encarando em silêncio, com sorrisos tímidos em seus rostos. De repente, ela sentiu se aproximando. Ele fechou os olhos, pousando a mão na bochecha ainda úmida de lágrimas dela...
- ? – se afastou rapidamente. – Você bebeu? – Perguntou, ao sentir o hálito de álcool do menino. Seu sorriso se transformou em uma cara confusa.
- Um pouco, eu tava na casa do...
- Sai daqui. – Ela o interrompeu. O menino a encarou, mais confuso ainda. – Amanhã a gente conversa, mas, por favor, sai daqui. – A garota pediu, já se enfiando de baixo das cobertas.
Sem escolha, ele deu de ombros, apagou a luz e fechou a porta atrás de si, sustentando um olhar triste e cheio de duvidas.

Cap. 7

- Ai, eu não acredito nisso! – acordou com a voz da mãe. – Liga pro Buffet e arma um BARRACO! – Martha berrava ao telefone.
O garoto se levantou. Vestia sua boxer e tinha os cabelos totalmente desarrumados. Abriu a porta do quarto, dando de cara com a mulher e seu celular.
- Ah, querido, você acordou! – Ela sorriu docemente. – Desce e come, e vai arranjar o que fazer na casa de algum dos meninos da banda.
- Eu to sendo expulso da minha própria casa? No primeiro minuto do meu dia? – Ele pareceu estupefato. Ela sorriu.
- EXATAMENTE!
O garoto bufou, se arrastando até o andar de baixo. Foi em direção à sala de jantar, mas voltou ao reparar que no lugar das torradas com geléia havia painéis e bolas. – Nem comer...- Ele foi até a cozinha. Deserta, graças. Ele puxou uma das cadeiras e pegou um pacote de biscoitos do armário. Comia em silêncio quando viu uma garota descabelada e com cara de sono entrar.
- Bom dia. – fez questão de NÃO sorrir.
murmurou algo como resposta. Ela tirou uma de suas mãos de dentro do moletom, - de uma maneira que o menino não entendia, já que com aquele casaco enorme ela parecia mais uma aleijada – estendendo-a para ele. O garoto entendeu o recado. Pegou a mão dela e a apertou, sorrindo fofo.
- Tudo bem, . Mesmo. Eu não fiquei chateado.
A garota o encarou como se fosse retardado.
- Eu quero um biscoito.
revirou os olhos, entregando o pacote para ela. – Você não tem nada pra me dizer não?
abaixou seus olhos e ficou em silêncio, esperando que ele mudasse de assunto.
- , você acordou aos berros e prantos ontem. – O garoto a olhou nos olhos. – Eu não to te acusando de nada, só quero te ajudar, assim como você tem feito comigo. Se você quiser conversar com alguém, aqui estou eu! – Sorriu.
Ela resistiu por um tempo, mas acabou sorrindo também. – Obrigada, Poynter... Eu... – Sentiu a primeira lágrima escorrer.
- Minha mãe me expulsou de casa e suponho que tenha feito o mesmo com você, né?
- É! – Ela riu.
- Então... Eu vou pra casa do . Se você quiser, pode vir comigo. Aí a gente conversa no caminho.
assentiu. – Eu vou trocar de roupa e te encontro ali fora, ok?
- Ok.

A menina estava sentada no segundo degrau da escadinha em frente a porta, quando chegou, sentando-se ao seu lado. Ele olhou para ela e os dois sorriram. Ficaram um tempo em silêncio.
- Seu cadarço é assim tão divertido? – Ele perguntou, desamarrando o tênis de , que riu.
- É. Meu passatempo favorito.
- Sério?
- É! Tipo, sabe aquela tarde de domingo tediosa que não tem nenhum filme bom na TV e que sua mãe não te deixa nem ir na esquina comer meio sanduíche? Então, a solução ta nos seus pés! – Ela deu um sorriso forçado e os dois riram.
Mais um silêncio super divertido tomou conta.
- Hey, babá. – chamou baixinho, fazendo-a olhar para ele – Vamos indo?
A menina assentiu, se levantando e tirando qualquer vestígio de terra dos jeans. Eles caminharam lado a lado em silêncio até o portão.
- Então... – Novamente, Poynter quebrou o silêncio – você quer me contar?
Ela assentiu. – Sim, né. – Encarou-o por um segundo e o garoto balançou a cabeça, encorajando-a. – Bom, o Alan...

- Ahn, , pára de palhaaaaçada! – gritou, jogada no sofá da casa do garoto, onde , e também estavam. Eles queriam que fosse fazer o almoço, mas o menino se recusava, afirmando não ‘saber cozinhar como a mãezinha de vocês, bando de babacas’.
- , você sabe o que aconteceu na ultima vez que o tentou, né? – lembrou.
o encarou. – O quê?
- Ele cuspiu na panela.
- Babaca, seu filho de uma égua prenha, fofoqueiro. – elogiou o amigo, enviando-lhe um sinal amável com o dedo do meio.
- Mas entããããããão, zinho, meu amor. – fez bico para o namorado.
- Droga, odeio vocês. Menos a . – Ele (in)felizmente se rendeu, indo até a cozinha.
- Garota, você tem que me ensinar esse truque do biquinho, por que ele sempre dá certo! – disse, levando um leve empurrão do namorado.
Ouviram a campainha tocar.
- Com sorte, é a Sam. – se levantou, indo alegre atender a porta. Seu sorriso se desfez. – Na pior onda de azar, é o .
entrou, sendo seguido por . Todos sorriram, simpáticos, para a menina.
- Hey, babá da sandália de salto! – falou, aparecendo rapidamente na porta da cozinha, para ver quem era.
- Por que você achou que a Tam viria aqui, ? – perguntou.
- Não sei. E não é a TamMY – ele deu ênfase na silaba que faltava -, é a Sam.
- Que seja, você quase reveza.
- Eu? Que isso! – disse, fingindo indignação, com um sorrisinho convencido no canto da boca.
- A gente vai comer agora. Querem? – perguntou, simpática.
- Hey! – O namorado gritou da cozinha – EU to cozinhando! E se eu não quiser cozinhar pra eles?!
- Aí eu faço o biquinho de novo!
- Ah, ta. – voltou ao fogão.
- Entãããããão... – puxou o assunto – Animados pra festa?
- Ah, claro! – disse, irônico – Um bando de mauricinho da escola, nossos pais controlando a bebida... Uh, uma beleza.
- Cala a boca, Poynter. Você que não sabe aproveitar uma festa. – rebateu.
- E como você aproveita? No final você nem lembra dos nomes das garotas que você pega.
- Não! Mas eu lembro dos números.
- Oi? – não entendeu e explicou:
- O , pra não esquecer das meninas que fica, dá um número pra cada uma, entendeu?
- Nossa. – A babá fez uma careta – Qual foi o maior número que você já fez?
O menino sorriu convencido, encheu o peito. – 57.
- Tem certeza que nenhuma era cega? – brincou, fazendo todos gargalharem, com exceção do .
- HAHA, BOZINHA.
- Ahn, mas sério agora, eu acho que essa festa vai ser o máximo. – disse.
Todos começaram uma discussão sobre o evento, menos , que parecia ter deixado suas cordas vocais em Glastonbury.
- Hey, garota do salto – chamou – Não ta animada não?
- Eu não vou.
- OI?! – O coro de vozes surpresas perguntou, incluindo , que ouvia a conversa toda da cozinha.
- Ah, não vai ter ninguém que eu conheça, além de vocês... Fora que, é meio abuso, né? Já tem a história das aulas... E eu não tenho nem um vestido nem nada.
- Nem vem, garota! – disse. – Só desculpa! O vestido eu e a damos um jeito. Você tem que ir!
A menina olhou para , que pareceu um pouco nervoso, coçando a nuca e desviando o olhar.
- Hum... Bom, ta. Se for eu...
- AAAAAAH! – As duas amigas gritaram juntas, animadas. – Vem, eu vou te mostrar os vestidos que tem lá em casa! – Elas a arrastaram porta a fora.
- Garotos, vocês buscam a gente na casa da , ok? – Uma delas gritou, já da escada.
- Não, eu... – tentou responder, mas elas já estavam longe, arrastando e mexendo em seus cabelos sem parar. – Droga.
- Que foi, dude? – chegou na sala, com seu prato na mão. se levantou, indo até a cozinha fazer o seu.
- Eu marquei de ir com a Ash...
- Que vacilo! E a babá? – perguntou.
- Eu posso ir com ela! – disse, chegando novamente à sala. sorriu falsamente, mostrando o dedo do meio.
- Ah, cara, tenta dar uma enrolada na Ash...
- Não dá... Eu fiquei de passar na casa dela 16h.
- Tipo... – olhou no relógio – Daqui a 40min?!
- É.
- Você ta ferrado. – riu e os outros dois esfomeados foram em direção à cozinha.

Cap. 8

- Não, esse não! – disse, tirando o 20º vestido de que vestia.
- Garota, você não gosta de nenhum! – riu e a amiga olhava para a babá coçando o queixo.
- Na verdade... – , que tinha uma cara pensativa e o olhar passando por , falou – Eu acho que tenho a coisa perfeita.
- Ah, e você só mostra mil anos depois! – riu.
- Larga de ser ingrata, sua capiau! – A amiga respondeu, rindo. – Já volto.
- Será que fica bom?
- Quando essa menina tem essas idéias, - respondeu – SEMPRE fica ótimo!
As duas sorriram animadas e viram a outra voltando com um cabide na mão. Ela abriu o zíper da capa, exibindo um longo azul marinho. – Veste.
Os olhos das três brilharam e a menina botou o vestido.
- PERFEITA. – falou, boquiaberta.
A garota se olhou no espelho e sorriu ao se ver usando aquilo. O vestido tinha um decote até o meio das costas e amarrava na nuca, tendo alguns detalhes de cristal Svairovisk.
- Você ta LINDA, menina! Ah! – pareceu se lembrar de alguma coisa. Se perdeu por um segundo no closet, voltando com um par de sandálias prateadas de salto fino. – a.
as calçou e se virou para as duas, sorrindo e esperando uma reação. As meninas se entreolharam.
- É esse. ESSE.

Ela sorria abertamente para o espelho e balançava os cabelos loiros de cinco em cinco segundos. Estava retocando o batom vermelho quando o celular tocou.
- Alô? – Ashley ouviu a voz de do outro lado da linha e sorriu.
- Poynter! Eu to pronta!
- E eu... Eu... To aqui embaixo! – A garota olhou pela janela e acenou. – É.
- Vou descer, um segundo. – Ela desligou o celular, deu mais uma olhada no espelho e sorriu satisfeita.
Desceu as escadas tomando cuidado para que o salto da sandália não agarrasse na barra do vestido vermelho de seda. pareceu surpresa assim que a viu.
- Nossa! Você ta... – Ele buscou a palavra certa dentro de sua mente, mas só encontrou uma – VERMELHA!
Ash sorriu, tentando descobrir se aquilo era de fato um elogio. Ou se ao menos era sincero.
- Bom... Pra onde vamos?

sorriu pela qüinquagésima vez para as amigas, franzindo o cenho, como se perguntasse se realmente estava tudo perfeito. Ela estava mais nervosa que nunca. sorriu.
- Tudo perfeito! – fez joinha com a mão e abriu a porta. As três deram de cara com , e sorrindo.
- UAU. – olhou a namorada de cima a baixo.
- Menos, ok? – Ela ficou tímida.
- Bom, vamos? – perguntou.
franziu a testa, em dúvida. – E o Poynter?
Os três garotos se entreolharam, procurando pela resposta certa. lançou um olhar ameaçador para o namorado, que deu de ombros.
- , ele... – começou.
- Teve que ir ao... – tentou terminar.
- Dentista? – concluiu o pensamento.
- Onde ele está? – A garota perguntou, parecendo realmente brava.
- Ele... – .
- ONDE ELE ESTÁ?
- Elefoicomaash.
- , se você não falar como uma pessoa NORMAL eu vou te socar por mais que a tente me impedir.
- Ele foi com a Ash.
O queixo dela caiu. A menina fez força pára levantá-lo, mas ele parecia mais pesado que uma bigorna. –ELE O QUE?!
- Desculpa, babá, a gente... – tentava se desculpar.
Ela forçou um sorriso vitorioso. Tinha raiva.
- Não, ! Ta tudo bem! Você vai ser um acompanhante perfeito! – Ela lhe estendeu o braço. – Vamos?

Cap. 9

Relato da Noite Mais Trágica da Minha Vida, por Poynter

Cara, quando eu cheguei lá, de braço dado com a Ash, a primeira coisa que eu pensei foi: eu espero que não tenha chegado, por que senão eu sou um garoto morto e minha mãe nem mesmo vai poder culpar o maço de cigarros que ela encontrou no meu quarto na semana passada por isso. Sério.
Ta, deixemos os meus sentimentos totalmente másculos de lado e voltemos nossa atenção à festa. Por mais que eu ache que Martha Poynter devesse focar o empenho dela em alguma coisa mais útil, eu tenho que admitir: a festa tava LINDA. Ta, esse ‘LINDA’ ficou meio gay. Vou riscar isso no final. Sério, nem sei por que eu to escrevendo esta droga. Acho que só por que quando eu ficar famoso as revistas vão pagar milhões por esse rabisco. É óbvio – ‘óbvio’. Ta aí outra palavra super gay. ‘Super’ também. – que eu vou ser trilionário e não vou precisar de nenhum centavo daqueles sanguessugas. Desculpa, eu fugi do assunto ‘festa’. Eu tenho DDA, sabe? Distúrbio de Déficit de Atenção. Sempre foi um problema isso. Eu lembro que na segunda série um pirralho chamado Diogo Não Sei O Quê me perguntou se eu tinha esquecido meu cérebro no banheiro. Aquilo me traumatizou. Por isso que eu bebo hoje em dia. Minha mãe devia culpar o tal fedelho, não a mim. Desculpa, fiz de novo. Agora, cada vez que eu fugir do assunto Noite dos Horrores vocês – sim, vocês editores de fofoca! – vão me pagar 15 mil libras a menos, ok? Mas enfim...
A festa tava DEMAIS. Quando você entrava, logo dava de cara com a palavra ‘Hollywood’ no gramado. Com as letras iguais ao original, sabe? Aquele no meio daquela montanha verde. Bem, o local tinha a parte do salão e uma parte aberta, o tal gramado, que era por onde as pessoas entravam. Havia também vários quadrados espalhados, formando uma Mini Calçada da Fama. Luzes coloridas, canapés de recheios que ninguém sabe o que são, taças de mais de um metro de altura. Aquela história toda, sabe? As mulheres de longo, os homens de smoking. Sim, eu estava de smoking.
Bom, foi bem nessa parte em que eu tava me xingando por ter me enfiado naquela fantasia de pingüim em dia de outono que eu ouvi a voz da Ash.
- Ah! Ali! Os garotos! – Ela largou o meu braço e foi correndo até onde , e estavam.
- Vocês chegaram. – Eu sorri, agradecendo a tudo e todos por não ver aquela babá assassina ali.
- E nós também. – Ouvi a voz de e me virei para ver e ao lado dela. Dude, nessa hora meu queixo cavou um buraco naquela graminha falsa. Ela tava LINDA. E dessa vez NINGUÉM pode dizer que ‘linda’ é uma palavra gay, por que não tem outra pra descrever. Linda. O vestido dela não era o mais caro e bonito da festa, era como todos os outros; os cabelos estavam presos num coque mal feito, um penteado legal, mas do mesmo estilo do de metade das outras garotas; a jóia não tinha nenhum diamante daquele azul igual ao do Titanic, era uma corrente de prata fina com um pingente de turquesa; falando a verdade, eu não vi nada como um monte de garotos olhando pra ela, como se ela fosse a Julia Roberts nem nada. Ela estava normal para muitos dos de sexo masculino que estavam lá, mas tinha uma coisa nela que não me deixava tirar os olhos daquela garota: o sorriso. Sinceramente, eu já tinha visto a mais feliz mil vezes mais. E ela nem estava sorrindo de lado, do jeito que eu gostava. Eu não sei o que era até hoje, só sei que eu nunca mais vi o sorriso dela como antes de novo. Dali em diante aquele era O sorriso.
- Oi. – Eu gaguejei para elas.
- Ah, você veio? – perguntou cínica, parando de sorrir logo em seguida. – Isso REALMENTE não vai estragar a minha noite. Sabe por quê?! – Ela botou o dedo no meu peito. – Por que eu vou dançar até cair e to acompanhada pelo melhor... – Ela olhou para onde estava e o viu agarrado na cintura de uma ruiva qualquer, com a boca perdida em algum lugar por ali – Eu... Eu não preciso de companhia masculina pra me divertir. – Ela voltou a sorrir e eu tentei agarrar seu braço, mas ela desviou. – E NÃO chega perto de mim. – A babá se virou e saiu andando com , e .
Eu vi o chegando perto de mim. Ele falou baixinho, de modo que Ash, que estava olhando àquilo tudo sem entender nada, não pudesse ouvir.
- Segue o meu conselho: NÃO chega perto dela. A babá hoje tem mais que uma sandália de salto como arma.
Ele apontou para mim com as duas mãos, como se estivesse atirando, e fez um ‘tsc’ com a boca. Uma onomatopéia banal.
- Me deseje boa sorte. – Eu ignorei aquela encenação de quinta do e dei a volta, pegando Ashley pela mão e a levando para dentro do salão.

É incrível o poder que uma tinta vermelha tem sobre um homem. Sério, o não desgrudava daquela ruivinha. Eu tava dançando com a Ash quando olhei pro lado e vi os dois quase se engolindo.
- To com sede. – A Ashley disse, olhando pra mim com cara de pidona. Eu sorri e fui buscar alguma coisa no bar.
- Uma tônica com vodca, por favor. Duas. – Eu pedi ao barman que assentiu, indo preparar a bebida. Olhei pro lado e vi , , , e a Sra. Babá Responsável Estressada.
- Hey, Poynter! – O me cumprimentou quando eu me aproximei. Pude ver a revirando os olhos, mas achei melhor ignorar.
- Então... Aproveitando muito? – Eu perguntei.
Todos sorriram, assentindo, menos , que riu irônica. – Mais que nunca. Eu a encarei um tempo mas, mais uma vez, resolvi fingir que não a havia escutado.
- Cara, sua mãe deve ter se matado pra fazer essa festa, hein. – comentou. Eu olhei pra onde ela estava e sorri satisfeito. Ela merecia aquilo, de verdade.
- Com certeza. Eu e a babá até fomos expulsos de casa por isso hoje, né? – Dei uma leve cotovelada nela, rindo, mas ela me encarou séria e eu fiquei meio sem graça.
- To amando essa festa! – disse olhando ao redor – Que horas vocês tocam?
- Daqui a pouco. – O respondeu.
- Quero só ver a gente fazer o desgrudar da acompanhante dele, né. – Eu disse rindo.
- A acompanhante dele é, supostamente, a , . – falou, inocente. Nessa hora eu quis cavar um buraco e me enfiar dentro. Só não fiz isso por que se eu estragasse aquele gramadinho perfeito eu acho que a Dona Martha me matava.
- Sério? – Me fiz de bobo.
- Sério! – Ela respondeu cínica, descruzando os braços. – Por que, sabe, o garoto com quem eu viria não me disse que viria com a peguetezinha dele, então eu acabei sobrando pro que, bom, ali está.
- , desculpa, eu... – Parei de falar ao sentir meu rosto quente do tapa que eu tinha levado. Cheguei até a derramar um pouco da tônica da Ash.
- Não gasta seu tempo, Poynter. – A garota saiu andando que nem uma louca e eu perdi ela de vista no meio daquele bando de engravatado.
- Vem. – puxou a amiga pelo braço e as duas foram atrás da babá enfurecida. Cara, eu não entendo por que essas garotas se estressam tanto por causa de uma festa.
- Dude, ela ta realmente brava com você. Eu disse. – falou.
- Cara, tudo isso por que eu não vim com ela?!
- Sei lá, deve ser. – deu de ombros – A disse que ela ficou super decepcionada.
- Foi sacanagem mesmo, eu sei. – Eu disse, humilde que sou, assumindo minha culpa dos fatos.
- Vai atrás dela, né! – O disse.
- Se eu soubesse pra onde elas foram. – Eu dei de ombros e levei dois pedalas.
- Onde as meninas vão quando estão felizes ou tristes, sozinhas ou acompanhadas, enfurecidas ou amáveis?! – deu um sorriso que deveria iluminar minha mente e me fazer flutuar até a resposta. Ainda assim não entendi bulhufas.
- Não sei.
- BANHEIRO, LEZADO! – Os dois gritaram, fazendo um casal de idosos caquéticos nos olhar.
- Ah... – Eu sorri forçado e ‘atirei’ nele com o dedo, piscando um olho. Saí correndo até a porta do banheiro feminino.

- Ele é um idiota! Esquece isso e vai dançar, menina! – Ouvi a voz de vinda de lá. Encostei o ouvido na porta. Eu sei, não é certo ouvir a conversa atrás da porta, mas não é minha culpa! Eu não podia entrar lá – era o que dizia aquela plaquinha com uma bonequinha vestindo um triangulo -, se eu pudesse, entraria.
- Argh, eu ODEIO esse menino! – A babá enfurecida disse. – ODEIO.
- , calma. – a acalmou – Ele nem merece isso, você sabe.
- Eu sei... – Ouvi um soluço. Ah, ela tava chorando?! Pelo que tudo indicava, sim. – Ele é um idiota! De lua, sabe? Às vezes é um amor, assiste filme comigo... E depois nem olha na minha cara ou faz essas babaquices.
- Mas amiga, você tem que aprender a fazer o mesmo, sabe? – Alguém disse. Naquele momento eu tava focado em . – Se ele sabe te deixar inseguro, você também sabe.
- Eu concordo com a . Lembra, amiga, de como ele ficou no carro naquele dia da festa?! E depois a gente descobriu: foi só por que ele tinha te beijado. – Nota mental: ASSASSINAR da maneira mais fria e brutal possível, sem que o faça o mesmo comigo depois.
- É, e não é do feitio do Poynter ficar mexidinho quando beija uma garota. – Nota mental²: Afogar na privada por me acusar de estar ‘mexidinho’. Quem fica ‘mexidinho’ é gay dançando salsa.
- Ah, eu quero que ele MORRA. – meio que berrou. Pela voz eu percebia que ela tava chorando o suficiente pra matar as três afogadas trancadas naquele cubículo. Olhando pelo lado positivo, eu não teria que assassinar minhas duas melhores amigas depois. – Ele é um covarde.
Um silêncio dominou por um segundo. A babá fungou e voltou a falar:
- Ele é um covarde.
Mais um silêncio. Outra fungada.
- ARGH, ELE É O MAIOR COVARDE DO MUNDO. ELE NÃO TEM CORAGEM DE DIZER O QUE SENTE E AINDA FAZ ISSO COMIGO! COVARDE! – A voz se aproximou. – COVARDE! – Mais próxima – COVAR... ?!
Ela abriu a porta e eu fiquei com uma cara de taxo imensa. Me bateu um medo. Não de que ela brigasse comigo, mas de que ela pudesse ir embora. De Londres, não da festa.
- Diz que você chegou agora. – Ela disse, enxugando as lágrimas. Eu fiquei quieto, sem ação. Olhei pra e , que estavam tão surpresas e sem ação quanto eu.
- , eu... Eu...
- Eu odeio você. – Ela falou, me empurrando e passando direto por mim. Eu encarei os pés, envergonhado.
- Golpe baixo. – disse e passou direto também, provavelmente indo procurar a babá. Olhei pra .
- Ai, , você é um babaca, hein. – Ela sussurrou e me deu um abraço apertado. Talvez a tivesse que morrer sozinha.

- Não, , já disse, dude! – gritou pela milésima vez. Já estava na metade da festa, eu não tinha nem ligado Ash a ley desde o último acontecimento e ninguém sabia da babá. Nem , que tinha corrido a festa inteira atrás dela. Eu estava bem... nervoso.
- PO, CARA! COMO ASSIM?! NINGUÉM SOME! – Berrei, me jogando sentado no gramado. Abrindo um parêntese aqui: depois minha mãe me MATOU por ter sujado a calça cara que ela tinha alugado de terra.
- Levanta daí, garoto. – tentou me levantar, mas eu não deixei. – Levanta! Você não vai encontrar a se continuar sentado na grama!
Levantei.
- Vamos nos separar. – falou. – Cada um procura em um lugar, esse clube é imenso.
- Ta. – Eu saí correndo antes mesmo que alguém pudesse dizer ‘acheia’.
Rodei aquele salão inteiro e nada. Vi a Ash uma vez, mas fugi. Ela tava sentada no colo do Stuart, e os dois estavam cantando YMCA bem alto, então deduzi que estavam bêbados. Senti inveja, depois passou.
Bom, enquanto eu pensava se me juntava a eles e dançava com os bracinhos pro ar olhei pra frente e vi a resposta para todas as perguntas do mundo, a solução para os problemas da África, a paz da guerra no Afeganistão, a igualdade social, o fim da violência no Rio de Janeiro – seja lá onde isso fique -, a Amazônia sendo preservada, as pessoas dando as mãos, os EUA parando de egoísmo e Cuba e a China deixando as pessoas terem computadores em casa: uma porta pra uma varanda que resultava em uma piscina com um pequeno jardim. Desertos! Saí e senti o choque térmico. A devia estar sentindo frio lá. Ta, parei. Ela é a babá, não é bebê. Caaaaaara! Será que pensaram quando criaram as palavras BABÁ e BEBÊ?! Entendeu?! B + A/E + B + A/E. Legal, né? Acabei de perceber. Ta, voltando à história. Eu não me lembro muito bem de umas partes daí em diante, por que eu tive que beber algumas taças de champanhe pra tomar coragem de ir lá. Tenho uma confissão: medo de escuro. Não me julguem, eu sou um menino indefeso, sozinho. Chega dos meus comentários, preciso aprender a me focar num assunto. Eu apertei o smoking, tentando me proteger do frio, e dei alguns passos. Já não podia mais ouvir YMCA, que ainda tocava lá dentro.
- ! – Eu gritei. Ninguém me respondeu – não que eu tenha escutado. – ! Me respondiiiii!
Dei mais alguns passos, mas não percebi um mero detalhe, uma coisa indesejada e pequena: a piscina. Antes que eu pudesse soletrar YMCA, já tava lá dentro, cheio de cloro nos olhos, sem conseguir nadar direito. Eu lembro que tava muito frio e eu sentia MUITA falta de oxigênio. Senti um par de braços finos e – só aparentemente – fracos me envolver e me carregar até em cima.
apoiou meus braços na borda e fez o mesmo. Nós dois estávamos ofegantes, ainda dentro da piscina.
- Poynter, - um suspiro – eu vou te matar!
- , ! Dixculpa puuurrrrr ter vindo com a AAAAx.
- Você ta bêbado e me fez pular nessa piscina. E eu já disse que odeio você.
- Eu precisu txiiiii dizer uma coiiiiiiiisa! – Eu vi ela indo até a escada e fui atrás. – É muuuuuuuuinto importaaaaaante!
Ela saiu da piscina e eu fiz o mesmo. Os dois batendo queixo, tremendo de frio.
- , eu... – Eu me manti sóbrio por um momento, juntando muita coragem. – Eu amo você.
Ficamos um tempo em silêncio, sem ação, até que ela riu. RIU. RIU. Sim, riu. Eu quis me matar.
- , você nem sabe o que ta falando. Você ta bêbado.
- Não, eu... – Fui interrompido.
- Você nada! Você nem sabe o que é isso, sabe?! Parece que é louco, às vezes eu me sinto perto de uma pessoa incrível quando to com você, mas... mas às vezes é como se eu tivesse com um louco, bêbado, fumante aloprado... Egoísta, que age em função dos outros, que vive me decepcionando. Esse é esse você que ta dizendo que me ama agora. – Ela apontou pra mim com cara de desdém e eu me senti um cão. – Eu não me preocupo com o Carinhoso, ele sabe o que é amar. Mas, VOCÊ?! – Riu de novo – Você não sabe. Quando você aprender, vem falar comigo. Talvez eu te escute.
Ela me olhou de cima a baixo com um olhar de nojo e eu me senti a pior pessoa do mundo. Depois a babá passou por mim e se perdeu na multidão de pessoas dentro do salão.
Eu fiz uma coisa que eu nunca pensei que faria na minha vida: sentei na grama e comecei a chorar. MUITO. Novamente, minha mãe morreria pelas calças. Eu era aquilo? Eu fazia aquilo? Cara, que droga.
Senti mais um par de braços me puxar pra cima e dei de cara com um preocupado.
- Dude, que que você fez?! Você ta todo molhado.
- ... – Eu disse entre soluços. Deus, eu tava chorando MUITO! – Ela não acredita... Ela foi embora?
- Chega de festa por hoje, Poynter. Você não sabe nem beber. – Ele riu, mesmo sabendo que NÃO TINHA GRAÇA, e eu vi mais dois vultos que eu chamei de e .
Eu não sabia beber também. Essa não era a única coisa que eu, aparentemente, não sabia fazer. Vomitei – literalmente – com aquela idéia que me fazia sentir um monstro, ter nojo de mim: Poynter não sabia amar.

Fim do Relato da Noite Mais Trágica da Minha Vida, por Poynter

Cap. 10

ouviu o despertador e sentiu a cabeça doer. Ainda estava mal pelo sábado anterior. Desde os últimos acontecimentos, não olhava na cara do pobre garoto. Se recusou a abrir os olhos, mas acabou cedendo já que aquele relógio de pilha vagabundo e insistente não parava de apitar. O menino pegou o despertador e levantou o braço, mas parou ao lembrar que seria o milésimo despertador espatifado na parede e que ele levaria um sermão sobre vandalismo de seu pai. Se levantou, tomou um banho e antes de se dar conta, já estava descendo as escadas e indo em direção à sala de jantar. Quando eu digo ‘antes de se dar conta’, eu falo literalmente, já que o pobre garoto estava agindo vegetativamente desde a festa.
- Bom dia, querido! – Martha disse quando viu o filho mais velho sentar à mesa. Ele lançou um olhar à , mas ela ria, limpando a boca de Bern, como se ele nem estivesse lá.
- Bom dia. – respondeu, não tão empolgado.
- E então, querida. – Albert falou, se virando para e sorrindo. – Empolgada com o primeiro dia de aula?
Ela sorriu de volta.
- Demais! Eu realmente não sei como agr...
Martha chacoalhou as mãos no ar, fazendo sinal para que ela parasse de falar. – Não, querida! Eu já disse que não tem que agradecer nada! É quase uma obrigação nossa. É um prazer.
A garota sorriu sincera.
- Bom, vamos? O motorista já ta esperando vocês dois lá fora. – Albert disse. – E eu vou pro trabalho daqui a uns... – Olhou no relógio. – 10min.
se levantou da mesa e fez o mesmo. – Tchau!
- Tchau, queridos! Bom primeiro dia de aula! – Os pais do menino gritaram enquanto a porta da frente batia atrás deles.
- Bom dia! – Fredrico, o motorista, sorriu, cumprimentando-os. Os dois sorriram para ele e entraram no carro.
se sentou em uma janela e o garoto na outra. Durante cerca de 10min os dois ficaram em silêncio, vendo as casas enormes e lindas da rua de ficarem para trás enquanto as lojas e prédios se erguiam a frente deles.
- . – disse baixinho, mesmo sem esperar uma resposta. A menina não tirou os olhos do vidro, como se não tivesse escutado nada. Ele baixou os olhos para as mãos trêmulas e mordeu o lábio inferior. – Eu só queria te pedir desculpas. – Ele parou e encarou a menina, desta vez esperando uma reação. Nada. Continuou. – Se eu pudesse voltar atrás... Eu não teria ido pra festa com a Ash, não se eu soubesse que era tão importante assim pra vo...
Ela o interrompeu com uma gargalhada sarcástica e sentiu os olhos de Fredrico sobre ela pelo retrovisor. – Poynter, você realmente acha que o problema foi não ter um par pra ir à festa?! Não, NÃO FOI. O problema é você com essa sua mania estúpida de ignorar os sentimentos das pessoas. Você não pensou que... ARGH, que pudesse me magoar?! Que pudesse magoar a própria Ash?! E, e... E você ainda sai por aí beijando os outros ou... ou quase beijando e depois me deixa com cara de tacho, perdida?! Você acha isso certo. E depois ainda vem me falar de amor, Poynter! Amor! Você não deve nem saber soletrar amor! – Ela começou a se sentir perdida com as palavras, mas elas insistiam em sair sem autorização. – Argh, você não sabe NADA SOBRE O AMOR! Se você fosse... sei lá, escrever um cartão! Que cor você usaria pra escrever essa palavra?
a encarou sem entender nada. Até um segundo atrás ela se recusava a olhar na cara dele e no seguinte queria um cartão?!
- Azul.
riu novamente. – Você é um idiota, ! IDIOTA!
Coincidente e surpreendentemente o carro parou e a garota saiu, batendo forte a porta atrás de si. Ele se jogou no estofado.
- Argh, ela me confunde. Qual o problema com azul? – Ele dizia a si mesmo quando ouviu a voz de Fredrico, que o observava pelo retrovisor.
- Vermelho, Sr. Poynter.
ergueu os olhos e os baixou novamente, perturbado.
- Obrigado, Fredrico. Até mais. – Ele saiu do carro, se arrastando até a porta da escola.

- Bom dia, amiga! – gritou sorridente ao ver se aproximar. Ela e estavam conversando no pátio da escola, onde todos os alunos costumavam ficar antes e depois das aulas.
- Bom?! BOM?! Ótimo dia! – Ela respondeu, irônica.
- Nossa, o que houve? – perguntou.
- Houve que o estúpido do veio me pedir desculpas.
- Isso não era pra ser bom?! – falou, confusa, acenando para duas meninas conhecidas que passaram.
- Pediu desculpas por ter ido à festa com a Ash! Ele acha que eu sou fútil o bastante pra ligar pra uma festa?! Me poupe.
- Não acredito nisso. – exclamou e as três foram caminhando até a porta de entrada da escola.
- Ele não entende, cara! Argh! Ele acha que pode confundir as pessoas, que pode agir de um jeito e depois de outro e tudo vai continuar bem!
- Não fica assim, babá. Sinceramente, vocês têm que conversar. – falou quando parou de repente.
- Concordo. Bom, minha primeira aula é aqui. Biologia. – Ela sorriu, entrando no laboratório logo atrás de duas meninas, um nerd e um grupo de líderes de torcida que pintavam com o pobre coitado.
- Cara! – parou de repente. – Eu não sei minhas aulas, e agora?!
- Calma, menina. Vai na secretaria que eles te dão um papel com a tabela de aulas. Eu vou indo. Minha primeira é Artes, no outro prédio. Beijinho! – saiu correndo, jogando beijinhos no ar.
A menina olhou ao redor e se viu perdida em meio a alguns alunos desconhecidos. A maioria das pessoas já estava nas salas, deixando os corredores praticamente desertos. caminhou devagar, observando algumas das aulas que já estavam começando, enquanto procurava a secretaria. Depois de alguns minutos ela estava mais absorta nas aulas alheias no que na própria busca pela secretaria.
- DROGA! – Uma voz masculina gritou e ela se viu no chão, rodeada por livros. – Você não olha por onde anda não, garota?!
Ela reconheceu aqueles cabelos loiros e o olhar meio perdido. Stuart.
- Erm, desculpe.
- Babaca. – O garoto murmurou enquanto arrumava a pilha de livros. Ela se levantou, agradecendo aos céus por estar bem em frente à secretaria. Abriu a porta e sentiu um leve frio devido ao forte ar condicionado. Viu uma mulher de cabelos grisalhos sentada mexendo em alguns papéis.
- Erm... – Ela leu o crachá. Sra. Mistund. – Sra. Mistund.
A mulher levantou o olhar e a observou de cima a baixo. – Bom dia. – Sorriu de maneira interrogativa.
- Eu sou nova aqui e queria pegar meus horários.
- Claro! Seu nome, por favor, querida.
- .
A mulher parou de mexer nos papéis e a encarou novamente, sorrindo, desta vez mais largo.
- Ah, a Sra. Poynter nos falou muito bem de você!
sorriu, sem graça. – Brigada.
Um silêncio dominou a sala por alguns segundos até que a secretária entregou o papel à menina.
- Aqui, a grade de horários e a senha com o número do seu armário. Sua primeira aula é... Geografia. Se o professor reclamar pelo atraso, entregue esse passe a ele, ok? Boa aula!
- Obrigada. – Ela puxou a pesada porta de madeira e se sentiu quente, novamente no corredor, que desta vez estava totalmente deserto. ‘Sala de Geografia – 339.’

chegou em frente a sala. Tentou esticar o corpo, afim de ver um pouco da turma pela janelinha de vidro, mas era alta demais. Respirou fundo e abriu a porta, dando de cara com um bando de rostos desconhecidos. A turma inteira parou para encará-la.
- Pois não? – O professor, que aparentava ter pouco mais de 30 anos, perguntou.
- Eu... É... Sou nova aqui. Tava pegando meus horários.
- Claro. A Sra. Mistund te entregou um passe?
A garota assentiu e entregou o pequeno papel ao professor. – Qual o seu nome?
- .
- Bom, pode se sentar. – Ele indicou a única cadeira vazia: no meio da sala.
Ela se arrastou até a cadeira, tirando a bolsa que atravessava o corpo dos ombros. sentiu algo espetar sua bunda ao se sentar e um grupo de garotos, que devia ser os populares, riu alto. Ela reconheceu a risada de Stuart. No impulso, ela pulo para frente e acabou batendo a boca na mesa.
- Droga! – A garota tentou gritar quando sentiu o dente bater na gengiva e uma possa de sangue se formar na língua. Ela levantou correndo e saiu da sala. Quando estava no meio do corredor se lembrou que não sabia onde era a enfermaria. Olhou para o lado e viu a porta do banheiro feminino, entrando. A menina abriu a torneira e cuspiu o sangue. Quando abaixou o rosto, viu a blusa toda manchada e pegou um pouco de papel para esfregar.
- Ai... – resmungou ao olhar a boca no espelho, esticando um pouco o lábio inferior. A droga do sangue não estancava e ela desconfiou estar com diabetes adolescente, se é que isso existia. Ouviu o sinal bater e pegou a grade da bolsa, ainda com a mão na boca. Biologia. Essa sala ela sabia onde era, já que havia levado até a porta. Pegou a bolsa com uma mão só e saiu do banheiro quando ouviu o celular tocar. ‘Alan.’
- Não, Alan. Não agora. – Ela disse para si, apertando a tecla end e indo em direção ao laboratório.

Cap. 11

chegou em casa e correu para o quarto. O trajeto de volta da escola havia sido em completo silêncio entre ela e e sua boca ainda doía muito. Depois de ela ter chegado na sala de Biologia, agradeceu aos céus que estava na mesma turma e a levou até a enfermaria.
- , o almoço ta pronto! – Ela ouviu a voz de . A primeira vez desde a discussão da manhã, já que eles não se falaram no intervalo. Ela largou a bolsa em cima da cama e desceu as escadas.
Os dois se sentaram em silêncio.
- Nancy, cadê a Martha e o Bern? – A menina perguntou à copeira.
- Ah, querida! Esqueci de dizer! – A mulher bateu com a mão na própria testa. – Eles saíram pra comprar uns brinquedos novos e por que o little Bern ia à casa de um amiguinho.
- Ahn.
Então seriam ela e naquela mesa. Bom, calma, . Só um almoço, um almoço. Ta, esquece a calma, ela estava morrendo por dentro. E ele mais ainda.
- Então... – Ele tentou puxar assunto.
- Não faz isso, Poynter.
Ele a encarou confuso por um momento, enquanto a garota mexia na comida sem a menor vontade de ingerir aquilo. Ignorou.
- Então... – Repitiu e ela revirou os olhos. – Machucou a boca?
Silêncio.
- Eu te fiz uma pergunta, .
- Você não ta vendo que sim?! – Ela perguntou, grossa e irritada. voltou sua atenção à comida. Dois segundos em silêncio.
- Você não vai melhorar nada assim. – Ele murmurou.
- , eu não tenho que melhorar nada! Quem fez a besteira aqui foi você, isso é um problema seu! Argh! – Ela empurrou o prato e se levantou, indo na direção da escada.
- Cara, que droga. – O menino largou o garfo e encarou o prato, como se soluções e respostas pudessem brotar das batatas.
De repente, ouviu uma música e levantou o olhar, dando de cara com o celular da babá. Pegou-o. ‘Alan.’ Pensou por um instante mas acabou agindo no impulso.
- Alô?
- Alô, quem é? – Uma voz masculina perguntou do outro lado da linha.
- .
- Quem?! É do celular da ?
- É, é o... um amigo dela.
- Hum, é o namorado dela. Avisa que...
- Ex. – o corrigiu.
- Quê?!
- Você é o EX namorado dela.
- Olha aqui, quem você pensa que é, garoto?! Da vida dela cuido EU.
- Não, da vida dela quem cuida é ELA e mais ninguém.
- Cala a boca, seu babaca. Deixa ela saber que voc... – O garoto não pôde terminar de ouvir, já que alguém havia pego o celular.
- Da minha vida, Poynter, cuido EU e não você, exatamente como você disse. – disse, saindo de casa, ainda com o telefone na mão.
Apertou o casaco contra si ao sentir o frio e deu alguns passos, discando um número.
- Não, não, não! – Ela falou para si, apertando end.
O poder de um termina onde começa a liberdade do outro, e a dela já estava esperando tempo demais para começar.

- Não acredito nisso, ! – gritou ao ver toda a pipoca que havia na casa espalhada pelo chão.
- Foi sem querer, eu fiquei tensa!
- Tensa com O QUÊ?!
- Ai, toda essa pipoca na minha mão... É muita responsabilidade, muita pressão. – A garota respondeu balançando as mãos sem parar.
- Vou fingir que não ouvi isso pro seu próprio bem.
A campainha da casa de tocou e a menina foi atender.
- OOOOOOOOOLÁ! – Ela sorriu ao ver . A amiga fez o mesmo.
- Oi, gente! Posso entrar?
abriu mais a porta, fazendo sinal para que a menina entrasse. Ela se jogou no sofá, suspirando.
- O que o fez? – perguntou.
- Dessa vez o problema não foi o Poynter.
As duas meninas a encararam confusas, até que captou a mensagem.
- Não. – Ela balbuciou. – Não é o que eu to...
- Ele saiu da reabilitação e desde então não pára de me ligar.
- E você só diz isso pra gente agora?! Qual é o seu problema?! – praticamente gritou.
- Eu to com medo de ele vir pra cá, gente. Todo mundo lá em Glastonbury sabe que eu vim pra Londres, ele vai acabar descobrindo. Fora que minha mãe acha que ele é um anjo, que ele não bebe nem nada, que foi maldade minha terminar com ele. Isso por que ela nunca foi a uma festa com ele.
- Você acha que...
- Eu não duvido nada. – respondeu rápido.
- Mas será que ele... Ele tentaria alguma coisa? – perguntou receosa e recebeu um olhar amedrontado de .
- Não, acho que não. O máximo que ele vai fazer é gritar comigo, dizer que me ama, aquele blábláblá todo. Esses meninos acham que amar é fácil assim.
olhou para a menina.
- Você não compra o com o Alan compara?
gelou por dentro.
Ela sabia que e Alan eram pessoas diferentes, e que não era um bêbado louco como o ex-namorado. O problema é que com o que ela viveu com Alan, acabou criando um sistema de autodefesa que ela não podia controlar. Não importa o que acontecesse, ela sempre estava de guarda alta. Ela tinha medo.
Mas tinha mais medo ainda de admitir isso.
- Claro que não! Eu só... me preocupo com me machucar, sabe?
- Sei... – disse baixinho e pegou a mão da amiga. – Você tem medo.
Medo. Ela odiava aquela palavra.
- Não tenho não!
riu, franzindo o cenho.
- Bom, vamos mudar de assunto, né? , vai pegar pipoca pra gente!
- Não sei que pipoca, né. Você jogou tudo no chão! Vou pegar Coca. – Ela se levantou do sofá e foi caminhando até a cozinha. pegou o controle da TV e a ligou.
- As pessoas corajosas só existem por que elas têm medo, . – disse sem tirar os olhos da televisão. A menina a encarou, duvidosa. – Se o medo não existisse, não teria coragem. O que ela venceria?! – Ela sorriu e voltou a prestar atenção na TV, deixando uma confusa absorta em pensamentos.
Talvez ela fosse realmente corajosa e não houvesse problema de admitir que tinha medo. Talvez ela pudesse provar sua coragem vencendo o medo. Ela correria o risco de se machucar mais, mas venceria o medo dos riscos também.
Talvez ela pudesse provar que não tinha medo de ter medo.
Alguém um dia disse que quem tem coragem não finge.

Continua...

N/A: ‘Quem tem coragem não finge – Rodox’ pra quem quiser baixar. HAOEIUHEAOI eu tava ouvindo quando escrevi essa ultima frase (:
Bom, gostaram? Eu espero que sim, né. To tãããão animada com essa fic, cara *-* escrevo toda hora. AHEOIEAIA
Aguardo por comentários, ok? Beijos (L)

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