
- você está me escutando? – perguntou me encarando. Olhei para ela acordando do meu transe.
- Me desculpa estava pensando. – me encontrava sentada em um dos bancos no pátio da escola relembrando o que acontecera na noite em que beijei Danny, há exatamente duas semanas atrás. Depois disso mal nos falávamos, evitávamos contatos físicos, olho nos olhos ou qualquer outra coisa que deixássemos tensos e nos fizéssemos lembrar daquela noite. Estávamos fugindo, isso era um fato, porém era melhor do que encarar o que estava acontecendo. Olhei para a minha amiga fingindo curiosidade e sorri fraco.
- Tudo bem. Mas a novidade que eu estava tentando te falar é que o Nick está de volta para a cidade! – disse eufórica e eu quase engasguei com a minha própria saliva.
Como assim ele está voltando? Há dois anos ele foi embora da cidade porque seus pais estavam se separando e ele fora com a mãe morar no Texas. Nós éramos grandes amigos, quase inseparáveis, diga-se de passagem, uma amizade colorida, e quando recebi a noticia de sua mudança senti o chão se abrir sob meus pés. Eu gostava muito dele, mas não o amava. Nós ficávamos juntos quando estávamos carentes, mas eu achava que era só isso até que antes de ir embora ele me confessara o que sentia e prometeu que voltaria um dia para mim. Entrou dentro do ônibus dizendo um “eu te amo”. E eu? Bom, eu permaneci calada e assustada olhando-o com espanto. Como todo o tempo em que estávamos juntos não desconfiei? Peguei-me pensando aquilo durante meses até que resolvi deixar quieto, pois suas cartas pararam de chegar e os telefonemas cessaram. Atribui ao fato de que ele tinha outra vida e não se importaria mais com os antigos amigos e um amor de infância encontrando em outra garota o que eu não poderia dar. Mas saber do retorno dele me deixara especialmente feliz naquele dia e me fizera esquecer o que estava me deixando confusa e me fizera questionar se ele estava voltando por mim como prometera.
- Mas como ele não me avisou?
- Porque ele não conseguiu falar com você. Desde ontem que ele tenta ligar no seu celular, mas parece que alguém se esqueceu de que tem um.
- Quando que você ficou sabendo disso? – perguntei ignorando a indireta.
- Logo depois que você foi embora da casa do Tom.
- E porque não me contou?
- Porque ele queria te contar, mas como percebeu que era quase impossível te localizar ele me pediu que a avisasse.
- E quando vamos vê-lo?
- Hoje! Provavelmente chegou de viagem hoje cedo e me disse que depois viria aqui fazer sua matrícula de novo e passaria para nos ver. – dei um grito de felicidade e abri um sorriso de orelha a orelha.
- Nossa que felicidade é essa, ? – perguntou Harry que se aproximava da roda junto com seus amigos, incluindo Danny que não me olhava apenas fitava o chão.
- Um amigo nosso está voltando pra cidade. – dei de ombros.
- Amigo ? – fingiu uma tosse. – Só se for uma amizade colorida, vocês viviam se agarrando.
- ! – gritei corando.
- Quer dizer que nosso amigo Danny tem um concorrente? – Dougie riu batendo no ombro do outro que me olhava com uma das sobrancelhas erguida.
- Ele estudava aqui? – perguntou Tom curioso.
- Sim... Mas faz dois anos que ele se mudou. Talvez vocês nem se lembre.
- Mas mudando de assunto vocês vão a minha casa hoje de novo para continuar o que estávamos fazendo ontem?
- Que parte Fletcher? A de compor ou a de vagabundear? – perguntou rindo. Danny me olhava sorrindo como se aquela frase “continuar o que estávamos fazendo” o tivesse lembrado do que me dissera na noite do beijo e o animado. Ignorei como sempre e evitei expressar emoções tamborilando meus dedos na prancha gasta do meu skate.
- As duas coisas. Vocês vão? Só temos mais duas semanas para terminar.
- Por mim tudo bem. – dei de ombros e todos os outros concordaram com a cabeça e eu fiz o mesmo rezando para que o Danny não cumprisse o que dissera, de continuar aquela conversa. Eu não queria tocar naquele assunto ou lembrá-lo e muito menos ficar trancada em um cômodo sozinha com ele. Ah Deus, se isso não valesse nota eu mandaria tudo para o espaço!
Estávamos todos na saída da escola e eu me mantinha calada, apenas respondendo o que era perguntado diretamente a mim com palavras monossilábicas. Estava tão ansiosa para vê-lo que não tinha vontade de nada somente esperar que as horas passassem rápido. Olhava para o céu, encostada no muro, um pouco afastada do grupo e agradeci mentalmente que eles, e principalmente Danny, não vieram falar comigo. Quando dei por mim braços masculinos me enlaçavam pela cintura, surpreendendo-me e eu dei um grito assustada chamando a atenção de todos a minha frente. De primeira achei que fosse Danny, mas quando o vi me olhar espantado e ao mesmo tempo raivoso, descartei a idéia e tentei me virar para saber quem se atrevia a me agarrar. Quando me virei encontrei um par de olhos castanhos me fitando, um sorriso encantador nos lábios mostrando a fileira de dentes perfeitos, os cabelos cacheados voando conforme a brisa batia e aqueles braços fortes que ainda me envolviam em um abraço reconfortante me fazendo lembrar como ele era lindo. Em um momento de excitação o abracei o mais forte que pude e soltei um gritinho de pura felicidade sorrindo como nunca.
- Nick! Como senti saudades! – disse enterrando meu rosto na curva de seu pescoço sentindo aquele perfume que eu tanto sentira e me fazia falta.
- Eu também senti... Você não sabe o quanto! – não queria soltá-lo, mas sabia que as outras queriam matar a saudades tanto quanto eu. O soltei relutante sorrindo para ele que me retribuiu com um beijo na testa. Quando dei espaço para as outras, percebi um olhar furioso sobre mim e tentei não olhá-lo em vão, pois no segundo seguinte estava encarando Danny que não prestava atenção nos cochichos dos amigos, que provavelmente falavam de Nick. Danny parecia tenso, uma das mãos fechadas em punho e um olhar que me fez tremer da cabeça aos pés. Desviei o olhar e voltei minha atenção para o meu amigo que sorria para todas, mas não deixava de me olhar e quando nossos olhares se encontravam eu sorria. Assim que todas o abraçou ele caminhou, com as outras em seu encalço, para perto de mim.
- Vocês não vão nos apresentar? – perguntou depois de pigarrear chamando nossa atenção.
- Ah claro! Bom esse é Nick. Nick esses são Danny, Harry, Dougie, Tom e . – apresentou apontando para cada um. – os garotos trocaram aperto de mãos, mas percebi que Danny foi o mais hesitante de todos e permanecia sério.
- Você já fez sua matricula, Nick? – questionou uma toda sorridente e percebi que Tom não gostou muito do que viu.
- Acabei de fazer. O mais chato é que talvez eu não fique na mesma classe que vocês. Mas estou sabendo do festival que vai ter aqui, cheguei a tempo de ver uma festa decente nessa escola e claro rever amigos inesquecíveis. – riu divertido e me lançou um olhar que eu tentei ignorar, mas sabia que ele algum dia iria tocar naquele assunto. Agora teria duas pessoas a evitar.
- Mas porque você voltou para a cidade? Pelo que eu saiba você adorava o Texas. – perguntei curiosa.
- Decidi voltar a morar com o meu pai. Sentia falta dele e de vocês também. – ele falava sem deixar de me fitar e quando o ouviu dizer aquilo fazia gestos e ria como se dissesse “Eu sabia!”. Percebi novamente que Danny se controlava para não bater em Nick e que aquilo não fazia sentido. Danny era um malandro de primeira, não se importava com muitas coisas e pessoas e só trocamos um beijo o que não deveria ter significado nada para ele. Então por que ele estava agindo daquela maneira?
- É bom ter você de volta! – comentei e ele me abraçou tão forte como se aquilo fosse matar as saudades de uma só vez.
- Bom preciso ir. Tenho que terminar de arrumar as minhas coisas, mas vamos combinar de sair e recuperar o tempo perdido.
- Claro! – disse eufórica e as outras concordaram. Ele abraçou todas, acenou para os garotos e me deu um beijo na testa despedindo-se com um dos seus sorrisos iluminados no rosto.
- Vamos para a minha casa? – Tom nos chamou a atenção assim que Nick foi embora com uma expressão séria como a de Danny.
- Vamos sim. – respondi. Pelo jeito nem Tom estava se dando bem com Nick e o motivo era óbvio: .
Passamos a tarde compondo e Danny falava pouco comigo, dizia o necessário para me ajudar. O caderno a minha frente todo rabiscado, poucas palavras sobraram e minha cabeça começava a latejar. Joguei minha cabeça para trás suspirando fortemente. Fiquei minutos olhando o teto branco. Danny continuava sentado na cama dedilhando no violão sem se importar com meu momentâneo mal estar. Eu não agüentava mais olhar para aquela folha, já estava enjoada daquilo e de ficar naquele silêncio irritante. Levantei-me da cadeira e caminhei até a porta e quando estava preste a colocar meu pé pra fora ouvi uma voz me chamar, a voz rouca de Danny pronunciar o meu nome perceptivelmente irritado.
- Aonde você vai?
- Ao banheiro, preciso de ar... Não estou me sentindo bem. Há horas que eu olho para esse caderno, já to de saco cheio!
- Vamos dar por encerrado hoje então. – disse dando de ombros e eu fiz o mesmo saindo do quarto e correndo para o banheiro. Quando sai de lá voltei para o quarto e não o encontrei. Peguei minha bolsa e coloquei meu material dentro dela, desci as escadas dando de cara com Tom e que estavam sentados em um sofá assistindo TV, Dougie e conversando em um canto, Harry, , e comiam sentados no chão. Nem sinal de Danny, mas aquilo pouco me importava. Joguei minha bolsa no canto da sala e sentei ao lado de e roubei um pedaço do bolo que Harry comia.
- Hey! Isso era meu! – reclamou Harry tirando o resto do meu campo de visão.
- Era, disse bem. – sorrimos e ele me abraçou. A principio eu não gostava de Harry, por causa daquela pinta de garanhão machista, mas depois fui o conhecendo melhor e uma forte ligação se estabeleceu entre nós, eu o considerava como um irmão e sei que ele tinha o mesmo sentimento por mim. Talvez por que somos filhos únicos e temos algumas coisas em comum, fora as nossas manias iguais. E ele nesses dias andava me ajudando com a musica muito mais que Danny.
- Vocês parecem irmãos juntos. – comentou me fazendo gargalhar e todos me olharem de forma interrogativa.
- Pois era o que eu estava pensando agora. Eu considero o Harry como um irmão. É estranho, mas é o que sinto.
- Eu digo o mesmo. – ele disse depositando um beijo no alto da minha cabeça. – Apesar de que você não parecia gostar de mim no primeiro dia.
- E não gostei mesmo, aquele seu jeito todo mandão se achando a ultima bolacha do pacote. E pra completar dando em cima da minha amiga descaradamente. – sorri pra que retribuiu envergonhada. Harry fingiu uma cara de ofendido – Me da mais um pedaço de bolo? – pedi manhosa com a cabeça encostada no peito de Harry e uma das mãos esticada para pegar o bolo que ele escondia.
- Porque você não vai à cozinha e pega um pedaço pra você gulosa?
- Eu não sou gulosa, apenas uma pessoa faminta. E já que você me nega um pedacinho o jeito é me levantar daqui e ir pra cozinha me arrastando e pegar. – dramatizei, fato.
- Exagerada! Depois de todos esses elogios não te ajudo em mais nada.
- Malvado! – mostrei a língua fazendo-o rir.
Levantei-me e fui até a cozinha sem olhar pra nada. Corri para o fogão e peguei um pedaço de bolo e quando me virei, enfiando um enorme pedaço na boca, encontrei Danny sentado na mesa com as duas mãos sob a cabeça bagunçando os cabelos. Parecia cansado e irritado. Sentei-me em uma cadeira ao seu lado e foi então que ele pareceu notar minha presença e me encarou com o olhar perdido. Meu coração deu um salto dentro do peito. Eu estava começando a ficar preocupada, nunca o vira daquele jeito. O que estaria deixando-o daquela maneira?
- Você está se sentindo bem? – coloquei uma das mãos que estava livre nas suas assim que as vi espalmada na mesa, mas quando cheguei a tocar ele as retirou com rapidez me surpreendendo e então recolhi as minhas e as repousei no colo.
- Como se isso te importasse! – resmungou ríspido me fazendo sentir uma sensação péssima.
- Claro que me importo... – o ouvi soltar uma risada irônica. – Eu só queria te ajudar, mas parece que não sou bem vinda. – disse me levantando. Estava me sentindo uma idiota por querer ajudá-lo. No fundo sabia que seria tratada daquele jeito. Sai da cozinha e voltei a sentar do lado de Harry. Fiquei olhando para o bolo que ainda estava em minha mão sentindo meu estomago revirar e a vontade de comer desaparecer.
- Vai ficar encarando esse bolo por mais quanto tempo? – me olhava rindo.
- Perdi a vontade de comer...
- Pois então me dê, não vamos desperdiçar. – comentou divertido. Dei a ele o pedaço e sorri tristonha. Aquela preocupação idiota estava me matando.
- O que foi pequena? – questionou Harry baixinho quando os outros três iniciaram uma conversa própria.
- Nada, só estou cansada. Acho que vou pra casa.
- Tem certeza? – perguntou preocupado e aquilo enterneceu meu coração.
- Tenho Harry.
- Espera. Eu vou pedir para o Danny te levar. – me interrompeu quando fiz a menção de levantar.
- Não! – gritei e ele me olhou espantando então prossegui mais baixo. – Quer dizer, não precisa. Eu chamo um táxi ou ligo para a minha mãe não se preocupa. – implorei e Harry desconfiou. Mas não disse nada apenas balançou a cabeça concordando. O beijei na bochecha, despedi-me dos outros que conversavam animadamente ou assistiam a TV. Não fui à cozinha me despedir de Danny, sabia que ele queria ficar sozinho e o que eu menos desejava era ser tratada mal de novo. Não esperei muito tempo por minha mãe que foi me buscar, pois estava nas redondezas. Já fazia algum tempo que não tinha uma conversa decente com ela, mas decidi que aquele não seria um momento propício, pelo menos pra mim, começar uma.
Estava trancada em meu quarto, deitada na cama olhando para o teto sem conseguir conciliar o sono – o que se tornou constante nas ultimas semanas, ou melhor, dizendo desde que eu conhecera Daniel Jones. Minha cabeça girava e a cada vez que me lembrava do beijo sentia um misto de sentimentos me invadirem, mas no segundo seguinte desaparecer para dar espaço à outra lembrança onde ele fora rude comigo, usara palavras ríspidas e um olhar frio.
Despertei quando ouvi o celular tocar, me estiquei na cama e o peguei no criado mudo. Olhei para o visor e vi o nome dele escrito enquanto o celular apitava em minhas mãos. Meu coração falhou por um momento e fiquei indecisa entre atender ou não, acabei decidindo por atendê-lo.
- Alô?
- Erm... eu te acordei? – perguntou confuso.
- Não, estava acordada ainda... – olhei para meu reló de cabeceira que marcava meia noite.
- Me desculpa pela maneira que eu te tratei. – direto e decidido.
- Quem diria Daniel Jones me pedindo desculpas! – falei irônica e ele suspirou descontente.
- Eu mereço! Porém estou tentando... Eu não queria te tratar daquele jeito, mas eu to confuso. Você me deixa confuso! Nunca me senti tão idiota, atrapalhado e bobo na minha vida e você consegue me deixar assim. – desabafou dizendo tudo de uma vez.
- Eu não sei o que dizer... – na verdade eu sabia, mas não queria confessar que sentia o mesmo. Talvez por orgulho.
- Só me faz um favor? – suplicou.
- Claro! – respondi de imediato, me repreendendo logo depois por estar agindo de novo de forma impulsiva.
- Posso ir te ver? – perguntou hesitante.
- Agora? – me espantei com o pedido.
- É. Não consigo dormir e preciso te ver. – será que aquele era o mesmo Daniel que eu conhecia? Pois não parecia aquele garoto mandão, prepotente e terrivelmente perigoso.
- Você só pode estar louco! – exclamei incrédula. – E eu ainda mais por aceitar... – disse baixo, mas ele ouviu. Ouvi uma risada baixa. É você está sendo fraca novamente. Mas quem liga pra isso? - Anda pega um papel e anota o meu endereço.
Não demorou muito e ele já estava subindo para a minha janela. Danny fazia aquilo com tanta tranqüilidade que parecia estar acostumado a escalar janelas alheias. Quando a alcançou o ajudei a entrar com certa dificuldade. Ele ficou parado a minha frente, me olhando com um sorriso de canto irresistível nos lábios. O silêncio se prolongou por muito tempo me deixando sem graça.
- Afinal de contas por que queria me ver? – perguntei quebrando o silêncio.
- Porque eu precisava... – se aproximou de mim que recuei. Sentei na beirada da cama e o vi fazer o mesmo.
- O que está acontecendo? Quero dizer, você não costuma se comportar assim.
- E eu não sei... – esticou uma de suas mãos pegando a minha que estava no colo e seus dedos entrelaçaram com os meus. Esse simples gesto fez meu coração acelerar. Olhei nossas mãos e depois seus olhos azuis.
- O que você quer de mim? – minha voz saiu falha e me reprovei por isso.
- É isso que quero descobrir. – a mão que estava livre pousou espalmada em meu pescoço e o polegar fazia movimentos circulares na bochecha me fazendo corar e sentir os pêlos da nuca arrepiar. Seu rosto se aproximou do meu encostando os lábios e a sua língua delicadamente pediu passagem que logo foi cedida. Aquela altura eu sentia meu corpo eletrificado e uma onda de calor me invadir. Nossas línguas brincavam enquanto as mãos dele desciam para a minha cintura apertando-a com força e fazendo um gemido involuntário sair entre dentes. Danny mordeu meu lábio inferior, mas não demorou muito para que retomasse o beijo de maneira voluptuosa. Suas mãos apertavam por debaixo da minha blusa com força arrancando por vezes suspiros de puro prazer. O enlacei pelo pescoço e acariciei sua nuca. Logo o beijo foi se tornando mais calmo e seus braços me apertarem contra seu corpo. Partimos o beijo com vários selinhos.
- Posso dormir com você? – sussurrou em meu ouvido e eu estremeci pensando na possibilidade. – Apenas dormir. Prometo que não farei nada que não quiser. – sorriu malicioso me arrancando uma risada baixa.
- Pedindo desse jeito eu deixo!
- Não tem perigo de alguém nos encontrar? – perguntou se afastando um pouco para me olhar nos olhos.
- Não eu durmo de porta fechada. Vai deita logo antes que eu desista. – ele sorriu quase infantil. O vi deitar e fiz o mesmo sendo abraçada em seguida pela cintura. Fiquei olhando-o, estudando cada traço do seu rosto e ele parecia fazer o mesmo.
- Eu não esperava sentir tudo isso em tão pouco tempo. Nem sei ao certo o que é que estou sentindo! – confessei e ele sorriu balançando a cabeça.
- Eu sei... É estranho! – sorrimos juntos. Ficamos em um silêncio por algum tempo até que me lembrei do ronco de motor que escutei quando ele chegara e fiquei preocupada de que meus pais percebessem o que estava acontecendo.
- Qual dos carros ou motos você veio hoje? – ele pareceu estranhar a pergunta.
- Por quê?
- Porque meus pais vão estranhar um conversível ou uma moto caríssima parada em frente a nossa casa. – ele riu com a minha preocupação e eu dei um leve tapa em seu ombro. – Não ria de mim.
- Eu estacionei do outro lado da rua. Eles vão achar que é algum visitante em uma das casas vizinhas.
- Mas qual você escolheu hoje? – perguntei curiosa.
- A BMW. – ele ria quando me abraçou e depositou um beijo nos meus lábios e permaneceu assim por longos minutos até que eu parti o beijo.
- Algum dia você me deixa andar em um deles? – questionei manhosa.
- Se você prometer não destruí-los eu deixo.
Ficar perto dele estava me fazendo me sentir bem, uma sensação estranha, mas boa. Repousei minha cabeça em seu peito enquanto ele fazia carinho em minha cabeça, senti meus olhos quererem fechar, porém queria aproveitar mais aquele momento. Forcei minhas pálpebras a ficarem abertas em vão, pois logo estavam fechadas e o sono tomava conta do meu corpo amolecido.
- Durma bem. – sussurrou em meu ouvido.
- Promete que quando amanhecer você vai estar aqui? – perguntei ainda de olhos fechados.
- Prometo. – o ouvi sorrir.
Acordei com uma forte luz do sol no rosto que invadia meu quarto pelas frestas da janela. Abri os olhos vagarosamente e quando meus olhos se acostumaram com a claridade pude vê-lo dormindo serenamente. Sua expressão era a de mais profunda calma e sua respiração quente era regular. Por um instinto senti minhas mãos avançarem até seu rosto e com os dedos tracejarem sua pele, fazendo o contorno do rosto com delicadeza sentindo a textura e a temperatura quente. Seus olhos abriram lentamente e quando finalmente os azuis perceberam que eu estava junto dele um sorriso brotou em seus lábios. Retirei minhas mãos sentindo um forte rubor tomar conta de meu rosto e baixei os olhos tentando evitar os dele. Seus dedos pegaram o meu queixo e com firmeza levantou o meu rosto na altura do dele. Quando encontrei seus olhos eles transpareciam doçura e carinho. Meu coração batia desenfreadamente, uma felicidade cresceu em meu peito e tive certeza naquele momento que não o desprezava, mas que o sentimento que a cada minuto ao lado dele crescia era muito maior e melhor. Porém não conseguia distingui-lo ou tinha medo de fazê-lo pela grandiosidade que emanava.
Percebi seu rosto se aproximar do meu e seus lábios macios roçarem os meus. Não passou disso, mas foi até melhor que qualquer outro. Senti ondas elétricas percorrem meu corpo e meus olhos se fecharem para apreciar o momento e guardá-lo na memória. A magia se apagou quando batidas na porta nos sobressaltaram.
- acorda! Não vai querer chegar atrasada na escola de novo! – minha mãe gritou do outro lado e, alguns segundos depois eu pude ouvir seus passos soarem pelo corredor em direção à escada.
- É melhor levantarmos... – olhei em seus olhos e como não demonstrou reação alguma fiz menção de levantar quando fui impedida por suas mãos em meu braço. Lancei um olhar interrogativo e foi então que percebi em seu olhar que nós dois estávamos com medo de tudo aquilo. Sabíamos que era algo bom, mas algo assustador, arrebatador e incontrolável que crescia dentro de nós sem reservas. Como em um dia estávamos em conflitos e no outro aos beijos? Era difícil de absorver isso tudo em tão pouco tempo. Esse medo estava refletido em seus olhos e vi o mesmo no meu refletido nos dele.
- Nós não temos que contar isso a ninguém não é mesmo? – ele mais suplicava do que perguntava. Mas a quem eu queria enganar? Também não queria ter que explicar a nossa súbita mudança de sentimentos, não agora. Era muito melhor esperar.
- Não precisamos... É melhor deixar do jeito que está.
Com as mãos no bolso da calça, andando despreocupadamente pela rua pensei em como tudo havia mudado de uma forma mais que de repente. Minha cabeça girava tentando achar explicações que não existiam. Eu prometera a ele que não falaria nada a ninguém e eu cumpriria, pois também era o que eu queria. Não conseguia definir o que sentia e explicar as explosões de emoções em meu peito e os desejos insaciáveis por ele era algo impossível. A cada passo que eu dava menos entendia. Balancei a cabeça a fim de espantar os pensamentos e me concentrar em algo muito mais complicado: a volta de Nick. O que me perturbava era o fato de ele ainda estar apaixonado por mim, mas eu rezava para que isso não passasse de suposição, pois se não eu teria que lhe falar que nada era como antes. Meu coração estava apertado com a possibilidade de fazê-lo sofrer, afinal de contas ele era o meu melhor amigo e não me merecia. Estava tão concentrada que não percebi que já estava a um passo de entrar na escola e um rosto conhecido sorriu pra mim com esplendor. Aquele sorriso fez meu coração saltar do peito e um sorriso se estender pelo meu rosto sem permissão. Aproximei-me dos meus amigos e cumprimentei a todos timidamente evitando corar quando o encarasse o que foi totalmente em vão quando avistei seus olhos azuis. Sentei-me ao lado de e que me olharam interrogativas e eu simplesmente dei de ombros. O olhei novamente, mas seu sorriso desapareceu com uma rapidez que me fez perguntar o que o havia aborrecido. Não demorou muito para que eu visse o motivo da súbita mudança de humor. Nick se aproximava animado, os braços estendidos para que correu para seus braços, porém seus olhos continuavam fixos em mim me deixando sem graça.
- Olá! – cumprimentou a todos com simpatia. – Tudo bem pequena? – dessa vez direcionou a pergunta a mim.
- Que bom que você está de volta. – respondi sinceramente abraçando-o.
Peguei um graveto caído no chão rodando entre meus dedos tentando imitar os movimentos que Harry fazia com suas baquetas e ele me olhou divertido girando ainda mais rápido entre seus dedos me desafiando a fazer o mesmo. Mostrei a língua e voltei minha atenção para que continuava abraçada com Nick que conversava com . pigarreou observando-a e ela num movimento rápido se desvencilhou como se fosse obrigada a dar algum tipo de explicação para o garoto a sua frente. Será que todas nós continuaríamos a nos envolver com aqueles garotos?
Todos estavam estranhando nossa aproximação com os populares e muitos faziam comentários maldosos. Nós não nos importávamos. Mas uma coisa aqueles desocupados tinham razão. O que os fizera se aproximar de garotas que nunca antes tiveram os holofotes sobre si como as populares? Sophie e suas amigas odiava nos ver sempre ao lado deles e muitas vezes até eu me sentia no lugar errado com as pessoas certas. E era somente por causa deles que eu suportava aqueles olhares e comentários idiotas.
- Daqui a pouco elas vão vir sem roupa alguma cobrindo o corpo. – comentou fazendo todos rirem. Olhei para ver de quem ela falava e me deparei com Sophie adentrando a escola em sua minissaia rosa e o uniforme amarrado ao lado deixando a mostra sua barriga. As amigas tentavam imitá-la, exceto duas que pareciam não se encaixar naquele grupinho de vacas. Lauren e Sam eram duas garotas meigas e carinhosas que nunca se importaram com toda aquela palhaçada de popularidade, porém quando Sophie percebeu que elas poderiam roubar a atenção que pousava sobre ela durante anos as acolheu em seu grupinho de merda. E desde então estão freqüentando esse mundinho de futilidades. Mas o porquê delas nunca desistirem daquilo era óbvio. Elas tinham privilégios e estavam acostumadas a viver sendo sombra de outras pessoas.
Sophie passou mexendo em seus longos cabelos loiros rindo de alguma coisa que uma outra garota – que eu não fazia questão de lembrar o nome – dizia. Danny olhava para as pernas da garota com desejo e um meio sorriso surgiu em seus lábios. Com um só movimento taquei o graveto que segurava até então em sua direção acertando seu ombro. Ele me fitou com seu melhor olhar cafajeste sorrindo e me mandou um beijo no ar. Mostrei o dedo do meio irritada, fuzilando-o com o olhar. Sam passou em seguida ao lado de Lauren, ambas de calça jeans completamente diferente das outras que faziam questão de mostrar o que pudesse e nos cumprimentou. Retribui com um sorriso enviesado, mas assim que elas sumiram de vista fechei a cara sentindo uma sensação nova me dominar. Danny era um conquistador e eu sabia disso, porém vê-lo encarando uma outra garota, que não fosse eu, com desejo me fez sentir uma dor aguda no peito. Meu sangue borbulhava prestes a explodir na veia. Talvez aquilo fosse ciúme, não sei ao certo, mas era algo muito ruim de sentir.
Passei todas as aulas distraída, não conseguindo pensar em outra coisa a não ser em Danny e seu insuperável instinto predador. Desde o principio eu sabia que ele era assim, mas agora que eu estava tendo algum tipo de relacionamento com ele – que eu não sabia definir qual – era diferente. E um pensamento me martelava. Ele se contentaria comigo apenas ou eu como suspeitava era apenas um joguinho? Em uma atitude cansada pedi permissão para sair da sala de aula alegando uma forte dor de cabeça. Ao invés de ir à enfermaria caminhei sem rumo olhando fixamente para o chão e quando dei por mim um braço me puxou com força para uma sala desocupada trancando a porta logo em seguida. Olhei atônita para a pessoa e encontrei aquele que me tirava meu fôlego com facilidade me encarar pacientemente.
- O que você pensa que está fazendo? – perguntei tentando ser ríspida, mas minha voz falhou no fim quando o senti bem próximo e sua respiração quente tocava minha pele em um carinho.
- O que você acha?
Seus lábios tocaram meu pescoço beijando com avidez subindo o caminho até a minha boca e antes que ele selasse-as me esquivei encarando seus olhos com certa relutância. Suas mãos me seguravam com firmeza pela cintura me impossibilitando de separar os corpos grudados.
- Por que você não procura a Sophie? Aposto que ela pode te dar o que quiser. – murmurei raivosa.
- Está com ciúmes? – sorriu largamente com os olhos brilhando.
- Claro que não! Eu nunca... – eu tentava articular algum tipo de resposta, mas ele percebeu minha hesitação e com um só movimento selou nossos lábios. Ofeguei relutante a principio, entretanto quando senti sua língua pedir passagem com tanta delicadeza me deixei ser vencida pelas sensações boas que me assolavam somente por estar ao lado dele. Entreabri os lábios sentindo sua língua procurar pela minha numa dança sensual e as borboletas voavam em meu estomago. Uma felicidade transbordava pelos poros do meu corpo enquanto minhas mãos enlaçavam seu pescoço e as dele apertava minha cintura com força e a outra segurava meus cabelos puxando-os para cima. Gemidos de puro prazer escapavam de nossas bocas sem permissão.
A cada minuto que se passava o clima esquentava e nossas roupas apenas atrapalhavam. Eu queria sentir sua pele quente contra a minha, era um desejo quase insuportável. Porém quando senti seus dedos habilmente descerem até a barra da minha blusa e a puxarem pra cima minha mente me alertou do perigo. Com certa dificuldade parti o beijo separando os corpos. Passei as mãos pelo cabelo nervosamente enquanto ele colocava as suas dentro dos bolsos da calça.
- Rápido demais, não é? – confirmei com a cabeça.
Vê-lo se controlar por minha causa aqueceu meu coração. Afinal de contas ele não era tão cafajeste como eu pensava. O abracei forte e ele retribuiu da mesma forma. Ficamos em silêncio escutando apenas nossas respirações antes ofegantes se normalizarem aos poucos e o coração ainda acelerado dos dois.
- Digamos que esse não é um bom lugar pra se apressar as coisas. – ele riu do meu comentário e um meio sorriso se formou no meu rosto. Danny suspirou mexendo em meus cabelos e quando estava visivelmente melhores segurou na minha mão entrelaçando-as e me puxou para fora da sala. Quando saímos percebemos o fluxo de alunos que saiam da sala de aula em direção a saída. Esse era o bom de estar perto dele, eu nunca via o tempo passar. Ao avistarmos nossos amigos me separei dele. veio correndo na minha direção com meu material na mão e antes que pudesse me entregar tropeçou em seus próprios pés. Com sorte ela conseguiu se equilibrar e todos os outros riam atrás dela. Eu e Danny tivemos que nos segurar.
- Bando de idiotas! Nem pra me ajudar vocês servem! – gritou irritada.
- Calma ! – disse pegando meu material.
- Você ta melhor ? – perguntou Tom preocupado. Mas uma vez me surpreendi com aqueles garotos. Então pouco tempo nos aproximamos de tal maneira que não conseguíamos mais viver sem a companhia do outro. E às vezes nos pegávamos pensando como vivemos todo esse tempo sem essa amizade.
- To sim branquelo. Obrigada! – sorri largamente.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa ? – perguntou Nick, um pouco desesperado, que se aproximava no exato momento. Danny não pareceu gostar muito, pois o senti se retesar todo ao meu lado.
- Não aconteceu nada. Eu estava com dor de cabeça, mas passou.
- Quer que eu te leve pra casa? – mas uma vez Nick estava sendo gentil e senti meu coração afundar dentro do peito.
- Não ela não vai pra casa. Ela vai comigo para a casa do Tom terminar de compor as musicas comigo. – Danny disse de maneira rude me assustando. Nunca o havia visto agir de tal maneira. Ele estava mesmo com ciúmes de mim? Sorri envaidecida.
- Credo Danny! Ta com ciúmes é? – brincou e riu ao seu lado.
- Não! Claro que não!
- Finjo que acredito e você finge que me engana.
- Vamos parar de papo furado que agente tem muita coisa pra fazer hoje.
- Ta virando um menino responsável Judd? – falou dando leves tapinhas em suas costas.
- Sempre fui... O que foi? – perguntou quando todos nós olhamos para ele e eu fingi um engasgo fazendo todos caírem na gargalhada.
- Esquece Harry.
A letra da musica já estava pronta e agora era tudo por conta dos garotos que tinham apenas que se preocupar com as melodias. Aquela tarde estava especialmente linda. Acho que é porque meu humor estava bom e vocês sabem muito bem o motivo dela. E esse motivo estava bem a minha frente apenas de bermuda e meias, sentado no chão discutindo alguma coisa com os outros garotos sobre as musicas. De vez em quando seus olhos pousavam sobre mim e eu sorria de lado disfarçando para que os outros não vissem a nossa repentina intimidade.
- Vocês já têm fantasia? – perguntou saboreando um grande pote de sorvete.
- Fantasia? – perguntei totalmente aluada.
- Acorda ! O festival é a fantasia. Vai me dizer que você não leu todo o panfleto?
- Vocês sabem como ela é distraída. Pedir pra que ela perceba alguma coisa só se for relacionada ao Jones. – fulminei com o olhar. Eu não era tão distraída assim! Era? O que tinha de mal não ter lido todo aquele bendito panfleto?
- Ô o Fletcher vai secar desse jeito! – comentou e eu olhei para a menina que praticamente babava olhando para o garoto que como todos os outros estava sem camisa, sentado na roda.
- O que tem eu?
- Nada branquelo! – respondi quando percebi que minha amiga estava sem graça.
Ele me olhou arqueando uma sobrancelha para depois encarar que mais parecia um tomate de tão vermelha. O sorriso de Tom se alargou no rosto e percebi um brilho especial em seus olhos. E opa! estava com uma expressão esquisita... Digamos apaixonada! Mas minha amiga estava apaixonada? Pelo Tom? Eu preciso saber o que ta acontecendo urgentemente com essa garota, ou melhor, com os dois. Por que não me passou despercebido o clima que rolou enquanto eles mantinham o contato visual.
- Eu to falando com você cabeção – disse dando um pedala na minha cabeça.
- Ai seu brutamontes! Doeu! – resmunguei massageando o local dolorido. – Aonde você tava? – olhei para o garoto que se sentava em um sofá e só então percebi que todos tinham parado o que faziam e prestavam atenção na nossa conversa.
- Bom, resolvendo algumas coisas da banda...
- Você conseguiu ? – questionou um Dougie afobado.
- Foi difícil, muito mesmo...
- O que ele conseguiu? – mais uma vez o garoto foi interrompido, mas dessa vez por .
- Se me deixarem falar talvez vocês entendam. – pigarreou antes de prosseguir. – Há dias que eu venho tentando negociar com o dono de um pub pra que os garotos toquem lá. Ontem o homem com o qual eu estava negociando me chamou para uma reunião para hoje depois da escola. Eu estava lá até agora e... – parou propositalmente querendo fazer suspense, mas a única coisa que conseguiu foi um monte de almofadas voando em sua direção. – Ô povo estressado! Nem sabem brincar. No final de contas nós conseguimos e vocês vão tocar uma semana antes do festival da escola.
Os meninos começaram a comemorar entre si e nós meninas também, mas logo eles vieram nos abraçar eufóricos. Pulei nos braços de Tom que me apertou forte, depois foi à vez de Dougie e Harry me abraçarem ao mesmo tempo e aquilo foi uma tremenda sacanagem, pois os dois sem camisa se esfregando em mim foi tipo assim: Pura perdição! Quando os dois me soltaram fiquei olhando a alegria e as risadas histéricas que predominava aquele grupo de adolescentes e foi então que senti braços fortes me enlaçarem pela cintura e me levantarem no ar rodando em seguida. Gritei sorrindo sabendo que era Danny quem me abraçava de forma afetuosa. Essa cena não passou despercebida pelas meninas, mas eu estava me lixando para o que elas pensassem sobre isso. Eu estava nos braços dele, sentindo sua presença e isso sim era importante naquele momento.
- Parabéns! – sussurrei em seu ouvido depois de sentir o chão sob meus pés. No segundo seguinte ele abraçava que sem querer chutou ao pular no colo de Danny.
- ! – gritou assustada.
- Desculpa amiga. – preocupada correu até a outra, mas Tom foi rápido e já examinava de alto a baixo. Olhei sugestiva para Harry, ao meu lado, e ele deu de ombros também não entendendo aquela repentina intimidade dos dois. Estava tão absorta em minhas teses sobre o casal, a minha frente, que me assustei com o meu celular vibrando, dentro da calça, tocando uma musica extremamente ridícula. Todos me olharam risonhos e eu dei dedo enquanto com a outra mão eu pegava o celular. Atendi sem nem ao menos ver quem era, mas se eu tivesse visto talvez não tivesse atendido.
- Alô?
- ? Você ta podendo falar? – Nick meu melhor amigo e nos últimos dias meu carrapato, disse visivelmente hesitante. Eu sei que é maldade pensar assim, mas aquele grude todo estava me cansando.
- To sim... Pode falar. – falei saindo da sala indo para a cozinha e recebi um olhar nada agradável de Danny que provavelmente estava desconfiado com quem eu estava falando.
- Será que você poderia vir aqui em casa... Erm, pra sei lá agente fazer alguma coisa juntos. – sua voz estava muito ansiosa. Não, eu não estava a fim de falar com ele. E aquele não era o melhor momento pra se reviver um passado distante.
- Não vai dar Nick. Desculpe. Eu to aqui fazendo aquelas musicas pro festival. – ouvi um suspiro frustrado. Eu não queria lhe dar esperanças, mas também não queria magoá-lo e o pior de tudo é que eu não sabia agir de forma de que nenhuma das duas coisas acontecesse.
- Tudo bem. Agente combina um outro dia.
- Desculpa mesmo. Até amanhã na escola.
- Até. – desliguei antes que eu me sentisse mais culpada do que já estava.
Debrucei-me na bancada fria com os cotovelos e apoiei minha cabeça nas mãos evitando que uma forte dor de cabeça surgisse. Por que era tão difícil agir da maneira certa? Eu não poderia evitá-lo por muito tempo, ele acabaria percebendo e consequentemente ele ficaria chateado comigo. Mas se eu continuasse agindo de maneira parcial ele sentiria um fio de esperança e não seria nada agradável para Danny que já não ia com a cara dele. Portanto, eu teria que achar uma forma mais agradável – se é que isso é possível – para dizer tudo aquilo que Nick precisava saber. Que ele não era o dono do meu coração.
Estava tão absorta nos meus pensamentos que não percebi que tinha companhia e que ela me observava atentamente. Depois de alguns minutos inalei seu perfume e sorri instantaneamente olhando-o. Danny estava parado na porta da cozinha com os braços cruzados na altura do peito e sua expressão era neutra, o que me dificultava demais para descobrir o que se passava na sua cabeça. Ele andou vagarosamente na minha direção e me enlaçou por trás depositando um beijo no meu pescoço. Arrepiei com o toque de seus lábios quentes e macios. Meu sorriso se alargou só pelo simples fato de tê-lo do meu lado.
- Era aquela mosca de padaria, não era? – perguntou sussurrando no meu ouvido. Tentei achar algum resquício de raiva na sua voz, mas nada parecido com isso. E eu cheguei a ficar frustrada por ele não estar sentindo ciúmes de mim.
- Danny que apelido é esse que você deu pro Nick! – reclamei contendo a risada. Virei-me para olhá-lo nos olhos e quando o fiz me senti zonza pela intensidade com a qual eles me encaravam. Se na voz não havia nada que denunciasse que ele estava contrariado, seus olhos faziam por si só. Não sei se ficava feliz ou se temia por uma possível briga. Sou estranha? Concordo.
- Era sim, mas...
- Ótimo. O que ele queria? – me soltou ficando a dois passos de distância de mim. Se eu soubesse que aquilo iria acontecer não teria dito a verdade mesmo que ele continuasse desconfiado.
- Conversar comigo só isso. – disse me aproximando dele que recuou.
- Só conversar? Essa é boa! – falou debochado. Ah qual é a dele? Pra cima de mim não!
- Daniel você acha que eu estou mentindo? Eu não sou igual a aquelas garotas que você está acostumado a dar em cima. Eu sei me dar o respeito. – cuspi as palavras, irada. Quem ele pensava que eu era?
Acho que eu mexi a onça com a vara curta, porque seu olhar chispava ódio. Pronto, lá vamos nós ter um barraco de primeira.
- Te garanto que você não é melhor que elas. – o escutei incrédula. Minhas faces pegaram fogo de tanta raiva que eu estava sentindo e meus olhos se encheram de lágrimas.
Quando dei por mim minha mão ia de encontro ao seu rosto deixando lá a marca dos meus cinco dedos. Ele me olhou com os olhos arregalados. Fiquei com medo de sua reação. E quando achei que levaria o troco o senti me agarrar novamente pela cintura e me beijar com fúria. Seus lábios não eram nenhum pouco gentis e sua língua procurava pela minha com astúcia. A principio não correspondi surpresa com a sua atitude, porém eu sabia que essa resistência não duraria muito. Daniel era algo que eu não conseguiria resistir nem em mil anos. Ofeguei resignada e correspondi ao beijo selvagem. Levei meus braços em volta do seu pescoço e as minhas mãos entrelaçaram seu cabelo puxando-o com força. Ele pareceu gostar, pois um gemido escapou de sua boca.
Nossas bocas pareciam insaciáveis. As mãos de Danny que estavam pousadas em cima da minha cintura a apertavam com força me fazendo suspirar entre o beijo. Seus lábios deslizaram para o meu pescoço e colo distribuindo beijos por onde passavam. Ele sabia como me deixar louca, fato.
O puxei de volta para cima capturando seus lábios com os meus querendo provar mais do seu gosto. Eu poderia ficar pra sempre com ele assim. Se eu pudesse ficaria, mas as palavras dele me magoaram muito e não era tão fácil assim de esquecê-las mesmo que seja com o irresistível beijo dele. Quando nos faltava o ar partimos o beijo com vários selinhos e nos encaramos nos olhos. Ele sabia que tinha errado começando com aquela discussão e aquilo estava estampado em seu rosto.
- Me desculpa... – sua voz era baixa, mas mesmo assim eu escutei claramente e sabia por seus olhos que era um pedido sincero. O abracei sussurrando em seu ouvido “Mas que isso não se repita” depositando um beijo em sua bochecha logo em seguida.
Quando fui embora me despedi de todos e Danny enquanto me abraçava sussurrou em meu ouvido “Deixe a janela aberta”, apenas concordei com a cabeça já me sentindo entusiasmada. Olhei para o reló ao lado da minha cama que marcavam meia-noite. Nunca me senti tão ansiosa na minha vida, nem quando ganhei minha primeira boneca. Meu estomago embrulhava e minhas mãos estralava os nós dos dedos de tanto era o meu nervosismo para que ele chegasse logo. Foi quando escutei um barulho lá fora e corri para a janela. Vi Danny escalar a janela com a mesma facilidade da primeira vez e pular com destreza para dentro sem precisar da minha ajuda. O olhei sorridente e ele me retribuiu. Suas mãos me puxaram de encontro aos seu corpo colando-os. Seu hálito de cigarro e menta bateu no meu rosto me tirando todo o ar que eu tinha no pulmão.
- Andou fumando? – perguntei entre divertida e repreensiva.
- Estava ansioso demais. – deu de ombros.
Sorri alegre por saber que ele também se sentia igual a mim. Seus lábios pressionaram contra os meus mantendo apenas aquele contanto inocente que foi muito melhor que qualquer outro naquele momento. Sorri partindo o beijo e o puxei para sentar na minha cama. Ele parecia nervoso e me dava a impressão de que queria falar algo. Suas mãos passavam com insistência pelo cabelo e eu já sabia que quando ele o fazia era porque estava nervoso ou apenas ansioso.
- O que foi? – peguei sua mão entre as minhas e ele as entrelaçou.
- É só que eu não gosto dessa sua amizade com o Nick. Não sei, eu não me importo quando você está perto dos caras, mas com ele é diferente...
- Ciúmes? – perguntei tentando entender todo aquele mal estar entre os dois.
- É mais do que isso. É um pressentimento.
- Bota na sua cabeça Danny ele é apenas um amigo. Ele nunca faria nada pra me magoar. – falei mansa olhando em seus imensos olhos azuis.
- Aí é que tá. Já faz tanto tempo que você não o vê que ele pode ter mudado. Não é muito difícil de acontecer assim. Mas vamos parar de falar naquele moleque e tratar da nossa vida. – sorriu maroto. O olhei com um sorriso enviesado e senti seus braços quentes me envolverem puxando para mais perto dele e o choque dos corpos se grudando fizeram meu corpo todo tremer. Enlacei meus braços envolta do seu pescoço emaranhando minhas mãos em seu cabelo. Novamente nossos lábios voltaram a se tocar naquela noite e sua língua com sutileza pedia passagem para a sua. Entreabri os lábios me deixando dominar pela situação. Suas mãos estavam indecisas entre passear por minhas costas ou apertar minha cintura com força. Tudo em nós parecia moldado perfeitamente para o outro. E tudo nele me atraia como um imã. Chegava a me sentir dependente dos seus carinhos. E me sentia feliz por isso. Quando partimos o beijo estávamos deitados na cama e ele ao meu lado me puxou para si como se fosse possível diminuir a ínfima distancia que ainda existia entre nós. Encostei meu nariz na curva de seu pescoço inalando seu perfume inebriante. A partir daquele momento entendi que o meu lugar era ao lado dele. Nada mais me faria tão feliz quanto Daniel Jones e meu coração deu um salto no peito quando o constatei. Eu pertencia a ele de uma forma assustadora, mas boa.
Final de semana era a melhor coisa que já foi inventada. Nada de escola, de professores pegando no seu pé e o mais perfeito de tudo, diversão garantida na casa dos amigos. Estava combinado de sairmos ou até mesmo ficarmos na casa de alguém apenas curtindo a vida. Mas antes eu teria que passar na casa da que me ligara mais cedo pedindo que eu fosse lá com certa urgência. Nem pensei duas vezes e me troquei correndo, pois ela estava estranha quando falara comigo. Fiquei receosa e por isso andava o mais depressa que eu conseguia. Ao chegar ela me recebeu com um sorriso de canto e me levou até o seu quarto onde ninguém poderia nos interromper. Sentei a sua frente na cama e seus olhos pareciam um pouco assustados.
- O que aconteceu ? - perguntei cautelosa.
- Eu nem sei como te falar isso... – seus olhos ficaram marejados e ela lutava bravamente contra as lágrimas.
- Calma! Conta quando você estiver se sentindo melhor.
- Eu preciso contar antes que eu exploda de vez. – esperei enquanto ela visivelmente se recompunha.
’s P.O.V
Eu não estava bem tanto por dentro como por fora. Mas eu me sentiria melhor quando contasse o que estava me afligindo. poderia pensar que era uma grande besteira da minha parte, porém eram os meus reais sentimentos por ele. Ajeitei-me na cama e a olhei nos olhos. Flashes do que acontecera invadiram minha mente me impossibilitando de falar. Afinal de contas o que ele tinha na cabeça?
- Eu não te contei antes porque achava um pouco complicado demais pra explicar o que estava acontecendo. Mas agora me arrependo de não ter divido isso com alguém. Talvez não tivesse sido tão difícil descobrir o que eu descobri. – pausei recuperando um pouco do fôlego. – Eu e Harry estávamos juntos desde aquele dia da praia. – seus olhos se arregalaram instantaneamente, mas não parei e a agradeci por não me interromper. – Quando você e o Jones me deixaram em casa, Harry apareceu de surpresa me chamando para sair. Não vi mal algum naquilo e fomos dar uma volta pela cidade. Paramos em uma sorveteria e mais a tarde fomos ver o por do sol juntos. Aquele momento foi tão romântico... Coisa que eu nunca achei que ele fosse capaz. Harry Judd romântico? É difícil de acreditar.
riu e eu não me contive sorrindo também. Era mesmo inacreditável, mas eu estava nas nuvens e nada nos impediu de fazer o que fizemos e eu não me arrependia de tê-lo feito.
- Foi quando ele me beijou. Eu me assustei a principio, mas confesso que gostei e muito. Desde então nos encontrávamos as escondidas, porque se nós que estávamos envolvidos não sabíamos o que exatamente estava acontecendo o que dirá vocês de fora. Seria complicado demais... – balançou a cabeça e ela parecia realmente me entender. – Mas nessa semana ele andou estranho comigo, mal me olhava nos olhos. E aquilo me machucou e muito. Ele me evitava como a uma praga. – senti minha garganta se fechar e meus olhos arderem, mas eu não choraria. Não por ELE. – E ontem eu descobri o porquê de tal tratamento. Ele estava com outra. OUTRA . – me desesperei e acabei gritando. Respirei pesadamente tentando ao máximo prosseguir. – Harry sempre me disse que nenhuma mulher era igual a mim e que eu seria a única que o faria feliz com toda a certeza. Enquanto eu, idiota, acreditava em cada palavra dele, ele se divertia as minhas costas. Harry e o Jones são iguais. Com aquele jeito prepotente e conquistador como se nada fosse superior a eles. – percebi que o rosto dela se contorceu em reprovação ou até mesmo em dor, mas não me importei até porque ela nunca teve nada com ele então não precisava se preocupar com quem ele se envolvia.
Lágrimas sufocadas, até em então, me venceram e desceram por minha face em um rastro de fraqueza. Eu não queria chorar ainda mais se fosse por alguém que não merecia nada de mim. Eu sentia nojo dele e de todos que fossem da mesma laia. me abraçou forte e eu afundei meu rosto em seu ombro chorando convulsivamente. Prometi a mim mesma que ninguém me faria sofrer mais e que eu esqueceria Harry mesmo que isso fosse a ultima coisa que eu tivesse que fazer.
’s P.O.V
Eu estava surpresa com aquela revelação e o seu comentário sobre o Danny me machucara. Porque por mais que eu gostasse dele e estivesse curtindo nosso momento juntos não podia negar que eles eram exatamente iguais. E aquele antigo medo voltou a me assolar. Eu seria mais uma para ele assim como a minha amiga fora para o Harry. Estava na natureza deles não se prenderem a alguém. Senti meu coração falhar a cada batimento e a dor da minha amiga se tornou a minha.
A abracei mais forte não me importando com as lágrimas que molhavam minha blusa. Eu só queria consolá-la e ver aquele sorriso iluminado que sempre estava estampado em seu rosto. Vê-la chorar não era uma das coisas mais agradáveis. Eu poderia chorar a qualquer momento, mas eu tinha que ser forte por ela. aos poucos se acalmou se afastando de mim e limpando as lagrimas teimosas que insistiam em escorrer por seus olhos.
- Você não acha melhor ficarmos aqui e fazermos um programa feminino ao invés de passar na casa do Dougie. – comentei me lembrando do nosso compromisso daquela tarde.
- Eu não vou parar a minha vida por causa dele e muito menos deixar de ver aqueles que não tenham nada a ver com aquele maldito. – sua voz continha fúria e eu me assustei com a sua expressão colérica. Nunca a tinha visto daquele jeito, mas me orgulhei com sua capacidade de superação. Se fosse comigo nem sairia de casa e evitaria Danny de todas as formas possíveis.
- Você tem certeza?
- Absoluta. – assim que o disse seus olhos brilharam de uma maneira esquisita, mas não me questionei sobre isso. Ela se levantou e foi para o banheiro tentar disfarçar que não chorara aplicando pouca maquiagem no rosto o que foi suficiente para deixá-la mais linda. vestia uma calça jeans skinny, um moletom azul e uma sapatilha preta de bico redondo. Já eu estava vestindo o mesmo tipo de calça só que o meu moletom era preto com o escrito GAP na frente em branco e para finalizar nos pés um All Star branco. Meus cabelos estavam soltos e apenas uma presilha segurava a franja. Os cabelos de estavam levemente cacheados caindo como uma cascata sobre seus ombros. Estávamos simples, porém bonitas.
Saímos conversando amenidades e pude perceber seu semblante se modificar aos poucos para uma mais alegre. Só esperava que continuasse assim quando ela encontrasse Harry. Andávamos despreocupadas pela rua e às vezes até exagerávamos aumentando algum decibéis nossa voz. Quando chegamos à casa de Dougie – sim, porque Tom alegou que nos encontrávamos todas às vezes em sua casa e tínhamos que mudar um pouco – apertei a campanhia aguardando pacientemente enquanto um vento frio batia em nós sem piedade. Escutamos um barulho e logo depois Dougie resmungando algum xingamento. Provavelmente ele tinha derrubado algo. Rimos quando ele abriu a porta e nos deixou passar revelando vários cacos de vidro, do que era antes um vaso, no meio do corredor.
- Deixa ai depois eu limpo. – disse despreocupado. Adentramos a casa reparando em cada objeto. Não era tão grande quanto à casa de Tom, mas ainda sim era grande. Sua sala era espaçosa e os móveis eram de cores neutras contrastando com os objetos coloridos. Sentados nos sofás estavam , e Tom. No chão jogando videogame estava Danny e Harry. Procurei por , mas nem sinal de que ela estava naquele ambiente ou até mesmo na casa.
- Cadê a ? – perguntei para Dougie que se jogava no sofá ao lado de que disfarçou um sorriso.
- Na cozinha fazendo alguma gororoba.
- Quem tá fazendo gororoba? – disse nervosa aparecendo na porta com uma colher de pau na mão ameaçando o garoto.
- Ninguém! – respondeu com medo do olhar assassino que a garota lhe lançava. Como meus amigos eram bobos.
passou reto e Harry a observou fazer o caminho até a cozinha cumprimentando todos menos ele. Seu rosto não me parecia de um cafajeste que acabara de aprontar, mas sim de um apaixonado extremamente triste. Sua expressão me passava que algo estava errado e que o que ele mais queria era contar o que o estava sufocando. Ninguém ali pareceu perceber. Talvez pelo fato de que eu era a única a saber do romance que eles tiveram. Sentei-me ao lado dele quando o mesmo jogou seu controle para que assumiu o posto cheio de si, alegando que ganharia com as mãos nas costas.
- Que cara é essa meu príncipe? – perguntei apertando levemente sua bochecha. Harry sorriu tristemente balançando a cabeça negativamente. Se ele fosse me contar não seria ali perto de todos os seus amigos. Num rompante me levantei puxando-o junto e levando para fora da casa rumo ao lindo jardim.
- O que você ta fazendo sua louca? – sentei num banco perto de um roseiral e ele fez o mesmo me olhando com as sobrancelhas erguida.
- Eu sei que você não está bem Harry. Eu vejo isso em seus olhos. – disse seriamente. Ele fez uma careta indicando que aquela conversa era a que ele mais evitava.
- É complicado .
- Você traiu a ... – seus olhos arregalaram surpresos por eu estar sabendo de seu segredo. – meu contou. Agora o que mais me intriga é o porquê você o fez? Você pode ser um garanhão convicto, mas não um desumano que não se importa com os sentimentos dos outros.
- Eu tive que fazer isso. , eu não sou a melhor pessoa pra ela. Você me conhece e sabe que eu não sou o tipo de homem que me prende a uma só. Dos caras só o Tom sonha em namorar. Aquele viado. – seu sorriso ainda sim era vago.
- E fazendo isso você se sentiu melhor? Conseguiu o que queria? Porque a única coisa que você conseguiu foi o desprezo de . – seus ombros caíram sobre si e seu corpo todo ficou rígido. Ele tinha feito tudo sem pensar e estava pagando o preço de seus atos. – Pra que existe dialogo né Judd? Você poderia ter conversado e exposto tudo o que você sentia. Ela tentaria te entender.
- Se ponha no meu lugar ! Eu estava me prendendo a ela. Eu que nunca fui de ninguém e sempre do mundo estava dependendo de alguém cada vez mais. Todos já estavam me questionando por não estar mais correndo atrás de um rabo de saia...
- E desde quando você se importa com a opinião dos outros? – perguntei indignada.
- Eu só... – sua mãos passaram por seu cabelo e desceram para o rosto ficando por lá em um ato desesperado. – Às vezes eu paro pra pensar no que eu fiz e não consigo entender o que me levou a desistir de algo que me fazia bem. Eu nunca tinha me sentido tão bem quanto eu estava sentindo ao lado dela. me fazia feliz. E agora sem ela parece que eu perdi o chão. Mas o Danny disse que a vida não é feita de apenas uma mulher e que deveríamos curtir com várias. E eu partilhava dessa idéia de que mulher alguma nos faria desistir de nossas vidas.
Ele estava desabafando e aquilo claramente o estava fazendo melhor. Mas a mim só machucava. Escutar que o Danny não prestava de meus dois melhores amigos no mesmo dia estava mexendo comigo mais do que deveria. Meu peito estava fundando cada vez mais, percebendo que aquela era a minha dura realidade.
- Eu não sei o que sinto por ela, mas é mais forte do que eu. Eu não deveria ter feito o que fiz só para afastá-la.
- Deveria ter pensado nisso antes. – ouvi a voz de minha amiga se aproximar de nós e Harry levantou a cabeça rapidamente encontrando os olhos inexpressivos de . – Você poderia nós deixar a sós ? – concordei com a cabeça saindo do jardim e adentrando novamente a casa. Passei reto olhando para o chão e analisando cada palavra de Harry e sobre o Danny. Entrei na cozinha e sentei em uma cadeira e apoiei meus braços na mesa colocando minha cabeça entre as mãos. me olhou enquanto mexia em uma panela. Sorri forçadamente evitando-a.
- Você está bem? – ouvi-a perguntar. Balancei a cabeça afirmativamente. – Pois não parece. – senti que as lágrimas começavam a se formar em meus olhos, mas eu não podia me deixar abalar por aquilo.
- Não é nada...
- Já ta pronto?! – gritou Tom entrando na cozinha e me livrando de um interrogatório. O agradeci mentalmente. – To morrendo de fome. – ele tentou roubar um fio de macarrão que escorria na pia e estapeou sua mão furiosa.
- Ainda não seu esfomeado. Agora já pra fora da cozinha. – Fletcher fez um bico fofo e se aproximou dele ficando a milímetros de seu rosto. Olhei espantada. Eles iriam se beijar! Tom a parou e ela olhou para mim e depois voltou para as panelas fingindo prestar total atenção nelas enquanto Tom sem graça saiu da cozinha.
- O que foi isso? – ela continuava de costas pra mim. – não finja que nada aconteceu!
Seus ombros antes rígidos se soltaram com um suspiro resignado dela. se virou para mim e caminhou sem vontade para a mesa sentando-se a minha frente. Ela me olhou pensativa como se tivesse escolhendo as palavras.
- Eu e Tom estamos juntos! – disse por fim sem rodeios.
O que estava acontecendo com todas nós? Estávamos nos envolvendo com aqueles garotos e não contamos uma para a outra. Eu não podia julgá-las. Eu estava fazendo o mesmo por medo das avalanches de sentimentos que Danny me fazia sentir. Por esse motivo eu as entendia. Mas eu não estava em condições de revelar o meu segredo. Não agora. Não era o momento certo e eu sentia isso. Não era o meu momento. As minhas duvidas cresceram dentro do peito, porém eu tinha uma única certeza solitária que crescia aos poucos: eu não podia me deixar envolver mais por aquele garoto que poderia me machucar como Harry fizera com . tinha sorte por ter se apaixonado por Tom que era mais romântico e tinha opiniões contrária a dos amigos sobre relacionamento e mulheres. Suspirei olhando para o rosto de minha amiga, que antes eu não percebera, mas analisando com mais calma agora, continha alegria em cada expressão e seus olhos brilhavam de uma forma diferente, talvez apaixonada. Não pude evitar um sorriso por ver que minha amiga estava feliz.
- Não faz muito tempo que estamos juntos. Tudo começou quando fomos compor aquelas musicas. Todos os dias perto dele, e somente com ele, foi o suficiente pra sentir várias coisas ao mesmo tempo e só comprovei que estava apaixonada quando ele me beijou. Foi o beijo mais perfeito da minha vida. Parecia que todo o tempo eu só estive esperando por ele e agora que encontrei não consigo mais viver sem. Porém eu tinha medo de contar pra vocês. Afinal de contas você e o Danny não se dão muito bem, e Harry ultimamente andam se estranhando e as outras também são meio reticentes com eles, por isso que achei que vocês não entenderiam o que eu sentia.
- Mas nós te entenderíamos, ou melhor, tentaríamos. Você sabe que nós faríamos tudo por você. E a única coisa que pediríamos em troca era a sua felicidade. – ela sorriu de lado expressando alivio. Era isso, estávamos definitiva e irremediavelmente interligadas com esses garotos.
- Eu sei... – eu me levantei e fui até ela abraçando-a com força. – Me desculpa! – sussurrou em meu ouvido. – Me de só mais um tempo pra contar pra outras.
- Você que decide quando contar eu não vou te pressionar. – sorri me separando dela. – E quando essa gororoba vai ficar pronta? – zombei quando um sorriso maroto.
- Gororoba o cac...! – reclamou com os olhos semi-cerrados tapando a boca para não falar o que não devia voltando para o fogão. Corri para ajudá-la. – Obrigada! – murmurou cortando um tomate.
- Que isso! É pra isso que serve as amigas! Conta comigo sempre.
Todos comemos no mais absoluto silêncio. O clima entre alguns estava pesado demais para que a alegria de outros influenciasse no ambiente. Várias vezes durante a refeição lancei olhares para Danny estudando cada feição dele. Seus olhos naquele dia estavam sonolentos devido à hora que ele fora embora da minha casa, mas mesmo assim existia algo ali que eu não conseguia decifrar. Numa das vezes que o encarava Danny percebeu e me olhou de volta sorrindo de canto e piscando ao mesmo tempo. Meu rosto pegou fogo, e provavelmente estava vermelho por ter sido pega em flagra. conversava com animadamente como se só existisse os dois ali na mesa. Tom me evitava desde o ocorrido na cozinha. ria das caretas de desespero do paquera/ficante/namorado/ou-sei-lá-o-que. mantinha uma expressão neutra e Harry melhorara a sua depois da conversa com ela no jardim. O que será que eles falaram um para o outro? Dougie e se mantinham calados como eu e Danny. E foi assim até terminarmos de comer. Os meninos se ofereceram para lavar a louça. Mas se arrependeram quando viram a montanha que empilhara na pia. Mesmo protestando eles tiveram que lavar sendo ameaçados por nós garotas. Quando os garotos terminaram de arrumar tudo se juntaram a nós que estávamos jogando videogame.
- Daqui a algumas horas nós vamos ter que ir pro pub passar o som. – avisou .
É mesmo! Eu havia me esquecido que era naquela noite que eles se apresentariam. Fiquei curiosa para saber que musica eles tocariam.
- Qual musicas vocês estão pensando em tocar? – perguntou .
- Duas antigas nossas: Five Colours in Her Hair e Broccoli. E uma cover do Queen: Don’t Stop Me Now... – respondeu Dougie animado.
- Vocês poderiam tocar a que o Danny acabou de compor. – aconselhou . Os três concordaram e Danny como se tivesse sido acordado de um transe o encarou com olhos arregalados.
- O que? Não, acho melhor não...
- Por que não? Ela é ótima! E todos concordaram Danny. – o garoto me olhou e depois abaixou seus olhos para as suas mãos.
- Ok. – murmurou desanimado. Por que ele queria esconder uma musica? E aquele olhar que ele me lançara significara alguma coisa. Mas o que?
Cada um foi para a sua casa se preparar para a apresentação da banda naquela noite, na qual o nome para nós, garotas, ainda era um mistério. Os garotos nos diziam para ter um pouco mais de paciência que naquela mesma noite nós saberíamos. ficara de buscar todas nós em nossas casas se responsabilizando por cada uma para os nossos pais.
Chegando em casa fiquei por horas, trancada, dentro do banheiro tomando um banho relaxante. Sai enrolada em uma toalha indo direto para o meu closet e procurando algo que realmente me agradasse. Optei por um vestido long-tee branco com uma estampa de um laço na cor preta que começava acima do busto e terminava na barra do vestido. Era uma das poucas roupas que caia como uma luva em meu corpo. Assim que o ajeitei calcei minha bota marrom de cano alto sem salto nos pés. Parei em frente ao espelho aplicando uma maquiagem leve em meu rosto. Graças ao babyliss deixei meus cabelos levemente cacheados e para combinar com o meu estilo romântico coloquei uma boina de tricô cor de rosa na cabeça. Ouvi uma buzina soar do lado de fora. Peguei minha bolsa e celular correndo em direção ao carro.
- Eu fui à primeira? – perguntei depositando um beijo na bochecha do garoto depois de me ajeitar no banco do carona.
- Só pelo fato de que você é a mais rápida para se arrumar. – sorriu prestando atenção nas ruas que àquela hora, pelo no menos, nos condomínios, estavam meio desertas.
- Você deu sorte hoje meu caro. – rimos. ligou o rádio do carro e uma musica de uma banda que para mim era desconhecida começou a soar.
A próxima foi a que saiu da sua casa toda saltitante rumo ao conversível do garoto, que convenhamos, era lindo. A garota estava esplêndida usando uma saia de cintura alta preta que terminava no meio das suas coxas, uma blusa de cetim por dentro, uma meia calça preta e nos pés uma plataforma de bico redondo também preto. Nos cabelos apenas uma presilha prendia sua franja para trás enquanto o resto caia como uma cascata por seus ombros.
- Olá xuxu! – cumprimentou apertando minhas bochechas.
- O Dougie que se cuide! – rimos do comentário de que novamente rumava para a casa de mais uma garota.
- E aí macacada! - gritou entrando na parte de detrás e se sentando ao lado de que cantava uma musica esquisita da rádio. em seu estilo básico, mas elegante optara por uma regata branca, um colar grande cor-de-rosa que dava uma harmonia as cores sóbrias de suas roupas, jeans skinny, scarpin rosa e um blazer preto. Ela por sua vez prendera os cabelos em um rabo de cavalo.
- Vocês podiam morar uma perto da outra. Assim facilitava o meu trabalho. – reclamou o garoto com um bico enorme.
- Já ta acabando. Só falta mais duas! – exclamei no exato momento em que parávamos em frente à casa de que gritava com alguém que estava dentro da casa, provavelmente seus pais, enquanto andava serelepe. Ela me parecia mais feliz, talvez aquela conversa tivesse surtido efeitos bons nos dois. Observei-a e aprovei a roupa que ela usava: um vestido balonê verde tomara que caia com uma fita amarrada na cintura deixando o laço para trás e scarpin preto. Duas mechas de cada lado do seu cabelo – que estava com as pontas onduladas - foram presas atrás por uma presilha delicada.
- Você deixou a por ultimo de propósito não é ? – zombou sendo balançada por ao ritmo de mais uma musica estranha. Esse povo tem gostos duvidosos pra musicas.
Percebi que o garoto corava e ele disfarçava enquanto dirigia com cautela. Quando paramos em frente da ultima casa da rua, andava distraída para o carro e a olhava com uma expressão boba no rosto. Ela em um estilo femme fatale usava um vestido que ia até o meio das coxas na cor preto e branco, um sapato verniz de salto alto na cor vermelha. Os cabelos cacheados preso em um coque desarrumado, e uma presilha dourada em formato de rosa adornava acima da orelha. Todas estavam realmente maravilhosas cada uma a sua maneira, mas tinha sua atenção voltada para apenas uma garota e nem preciso dizer de quem se tratava. Por mais que alguns relacionamentos demorassem a aflorar eles acabariam acontecendo de uma forma ou de outra. Não importasse o tempo, o lugar e como simplesmente aconteceria. Eu não me importava com nada que não fosse o Danny e o que eu mais desejava era estar ao lado dele apoiando-o nesse momento tão importante.
Adentramos o recinto super lotado e os meninos estavam sentados em uma mesa distante de todos conversando animadamente. Na mesa havia várias garrafas de cervejas – algumas já vazias – espalhadas e um cinzeiro já lotado de bituca de cigarro. Realmente eles estavam ansiosos. Harry foi o primeiro a nos perceber e seu olhar passou por nós procurando apenas uma pessoa em especial e quando a olhei ela tinha as maçãs do rosto levemente coradas, mas ainda com a cabeça erguida. Dougie e Tom nos olharam com a boca aberta. Este sorriu e o outro assoviou gargalhando. lhes mandou um beijo e piscou. Eu apenas ri sentindo meu rosto pegar fogo ao ver o olhar sedutor e maroto de Danny em cima de mim. Perdi o fôlego quando o vi se levantar da poltrona dando espaço para as outras passarem e deixando apenas um lugar vago para mim, ao seu lado. Ele vestia uma calça jeans preta, uma camisa branca, uma jaqueta preta com o colarinho virado pra cima, um tênis também preto com apenas uma tarja branca embaixo e um cachecol da cor bege enrolado em seu pescoço de maneira desleixada. Os cabelos estavam irritantemente lindos, do jeito que eu mais gostava, em seu estilo desarrumado/arrumado. Sorri de lado quando o vi passear seus olhos por meu corpo. Ao lado dele eu me sentia desejada e a mulher mais bonita do mundo, mas ao mesmo tempo eu me sentia insegura por estar exatamente ao lado dele. Confuso? Imagina!
Danny a cada segundo me encarava de canto de olhos, sua boca estava vermelha de tanto que ele pressionava seus dentes nela, seus dedos tamborilavam impacientes na mesa e o barulho que aquele ato produzia estava me irritando. Peguei sua mão segurando-a com força tentando passar calma pra ele. Desviei meus olhos para o seu que me encaravam surpresos. Ele devia estar pensando em como estava sendo intima demais na frente de todos os meus amigos, mas cada um estava cuidando de sua vida e mesmo que eles estivessem prestando atenção em nós eu faria aquilo. Meus lábios se puxaram em um sorriso involuntário – era sempre assim quando estava com ele – e sussurrei um “Vai dar tudo certo.” Como num passo de mágica ele se acalmou. Seus ombros antes retesados relaxaram e um sorriso, mesmo que tímido, surgiu em seu rosto iluminado pela luz fosca do ambiente. Prendi a respiração quando percebi aquela imagem perfeita tão próxima do meu rosto. Danny estava a milímetros de mim e qualquer um poderia ver, mas eu estava gostando da reação que seu hálito quente, batendo em minha boca, provocava em mim. Ele beijou a ponta do meu nariz depois de se certificar que ninguém estava nos olhando. Meu sorriso se alargou e a famosas e adoráveis borboletas alvoroçaram em minha barriga destroçando tudo pelo caminho. Mesmo que eu pegasse meu skate e descesse uma ladeira com toda a velocidade que eu pudesse não superaria a adrenalina que eu sentia quando estava com ele. Era tudo muito perfeito.
De repente todo o local ficou em silencio e eu me assustei olhando para o homem, no centro da pista, que tinha luzes refletidas em si, com um microfone na mão. Era a hora e Danny apertou minha mão quando percebeu do que se tratava.
- Gostaria de apresentar uma banda que promete ser a grande revelação de Londres e quem sabe do mundo. McFly! – o homem anunciou. Nós meninas olhamos para cada um dos garotos aprovando o nome que eles deram e sabíamos perfeitamente que eles haviam se inspirado em um dos filmes preferido deles: o “Back to the Future”.
Antes que ele subisse no palco, me levantei ficando perto dele o abraçando com força e sussurrando em seu ouvido palavras encorajadoras. O soltei depois de depositar um beijo em sua bochecha e sentei de novo no banco olhando os quatros seguirem um pouco nervosos para o palco do pub. Cada um se posicionou em seu lugar catando seus respectivos instrumentos. Danny tinha presença de palco e isso era perceptível. Com um sorriso ajeitou sua guitarra e se aproximou do microfone com firmeza não deixando transparecer sua insegurança.
- Boa noite! – sua voz era animada e suas mãos faziam gestos exagerados. – Quem ta animado ai? – algumas pessoas gritaram e outras assoviaram. Nós meninas entramos na brincadeira e gritamos loucamente. – Ótimo! Então vamos nos divertir!
Não demorou muito e eles começaram a tocar Five Colours In Her Hair animadamente, pulando e instigando a platéia se movimentar conforme a música e estava tendo sucesso, pois quando passaram para Broccoli todos ali mesmo não sabendo cantar mostravam sua empolgação e o quanto àquela banda era boa. A minha ansiedade só aumentava para saber qual era a musica que Danny estava receoso em cantar naquela noite e foi quando Don’t Stop Now acabou agucei os meus ouvidos esperando Tom anuncia-la.
- Agora vamos tocar uma musica que tem muito significado para o nosso amigo Jones que a compôs há pouco tempo. – disse o garoto batendo nas costas do amigo. – Ela se chama I’ve Got You!
Prendi a respiração e observei Danny ficar, pela primeira vez, corado, mas mesmo assim não perdeu a sua pose e confiança. A melodia da musica começou a soar por todo o ambiente e por alguma razão me levantei e caminhei até onde algumas pessoas assistiam ao show.
The world would be a lonely place
(O mundo seria um lugar solitário)
Without the one that puts a smile on your face
(Sem aquela que põe um sorriso no seu rosto)
So hold me 'til the sun burns out
(Então me abrace até o sol se apagar)
I won't be lonely when I'm down
(Eu não estarei solitário quando estiver para baixo)
'Cause I've got you to make me feel stronger
(Porque eu tenho você para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Eu tinha a incrível sensação de que ele fizera pra mim. De que ele cantava pra mim. Meu coração pulsava dentro de mim, batia tanto que parecia querer quebrar os meus ossos. Meu estomago se revirou em um bolo, mas mesmo assim eu estava com um imenso sorriso idiota no rosto que por nada do mundo iria sair de lá. Até por que ele estava olhando pra mim. Aqueles grandes e transparentes olhos azuis me encaravam com certo receio e sua testa estava vincada em uma expressão preocupada, mas quando decifrou a minha um brilho quase descomunal tomou conta de seu rosto e o sorriso maroto – que era sua marca registrada – se apresentou de maneira mais contida dessa vez, porém estava lá do jeito que eu gostava.
I never doubted you at all
(Eu nunca duvidei de você de forma alguma)
If stars collide, will you stand by and watch them fall?
(Se as estrelas colidirem você esperará para vê-las cair?)
So hold me ‘til the sky is clear
(Então, abrace-me até o céu ficar limpo)
And whisper words of love right into my ear
(E sussurre palavras de amor bem no meu ouvido)
'Cause I've got you to make me feel stronger
(Porque eu tenho você para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Yeah, when I’ve got you
(Sim, quando eu tenho você)
Oh! To make me feel better
(Oh! Para me fazer me sentir melhor)
When the nights are long they'll be easier together
(Quando as noites são longas, elas serão mais fáceis juntos)
Looking in your eyes
(Olhando em seus olhos)
Hoping they won't cry
(Esperando que eles não chorem)
And even if they do
(E mesmo se você chorar)
I'll be in bed so close to you
(Eu vou estar na cama tão perto de você)
To hold you through the night
(Para te abraçar pela noite)
And you'll be unaware
(E você vai estar inconsciente)
But if you need me I'll be there
(Mas se precisar de mim, eu estarei lá)
A partir daquele momento eu percebi que era dele, mesmo que eu não soubesse o quanto ele me dominava e até que ponto ele me faria sofrer. Apenas era dele e de mais ninguém. Mas por mais que eu desejasse Daniel Jones nunca seria meu. Tentei não pensar mais a fundo naquele assunto, pois aquela musica estava no topo da minha lista de favoritas. E ela estava me trazendo uma sensação ótima que nunca antes eu havia experimentado. O que mais eu descobriria com aquele garoto? Meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu as impedi de cair. Não podia perder tempo com esses tipos de coisa quando que o que eu mais queria era escutar e vê-lo.
Yeah I've got you... Oh! to make me feel stronger
(Eu tenho você... Oh! Para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Yeah when I got you to make me feel better
(Sim, Quando eu tenho você para me fazer me sentir melhor)
When the nights are long they'll be easier together
(Quando as noites são longas elas serão mais fáceis juntos)
Oh when I've got you
(Quando eu tenho você)
Logo depois que o som da musica acabou foi substituída por uma explosão de aplausos vinda da platéia. Várias pessoas se amontoaram envolta deles dando calorosos discursos de como eles tinham talento e um futuro brilhante. Eu não me movi do lugar e muito menos deixei de fitá-lo. Quando os garotos saíram do meio daquela pequena multidão caminharam exultantes para junto de nós. correu e pulou nos braços de Tom que a correspondeu com um abraço agradecido. hesitante andou até Harry que continha em sua expressão uma pitada de esperança. Os dois se abraçaram e vi que os olhos dele fechavam enquanto afagava os cabelos da garota. Ela por sua vez sussurrava palavras em seu ouvido que eram escutadas com atenção por ele. abraçava Danny e eu corri para os braços abertos de Dougie que me apertaram fortemente.
- Parabéns! – praticamente gritei em seu ouvido. – Aliás adorei o nome da banda. – acrescentei quando olhei para os outros.
- Sabia que vocês iriam gostar. – me soltou e correu para depois de depositar um beijo em minha testa.
Olhei para o lado e Tom veio me abraçar e depois Harry que me pareceu distante, porém feliz. Quando este me soltou olhei para Danny que me olhava também. Mordi o lábio observando-o se aproximar de mim e me enlaçar pela cintura. Seu corpo quente e suado entrando em contato com o meu fazendo uma corrente elétrica me percorrer. Encostei minha boca em seu ouvido sussurrando:
- Amei a musica! – não precisei falar mais nada para que ele entendesse do que eu estava falando. Um suspiro escapou de sua boca e seus olhos brilharam de excitação. Seu hálito quente batendo em meu pescoço foi o suficiente para me deixar arrepiada e inconscientemente apertei minhas mãos em seus braços com força demonstrando o quanto aquilo estava me torturando. Por que tocá-lo sem realmente poder senti-lo como eu queria estava me matando. Beijei sua bochecha e me afastei antes que eu fizesse algo que desse oportunidade para que os outros suspeitassem de que algo estivesse acontecendo entre nós dois.
Dougie me abraçava gritando palavras sem nexo e seu cheiro de álcool misturado com o de cigarro era muito forte e me fazia torcer o nariz quando o sentia. ria descontroladamente vendo o quanto eu estava sofrendo com o garoto. Olhei de esguelha para Danny que mantinha seus olhos fixos em uma garota que estava sentada na mesa de frente a nossa, com as pernas torneadas à mostra. E aquele maldito cafajeste estava se deliciando com a visão tanto que passava a língua pelos lábios insistentemente, entre uma tragada e outra de seu cigarro; e piscava para a garota que mexia nos longos cabelos ruivos sorrindo abertamente com aquele flerte descarado. A minha paciência estava se esgotando, tanto com Dougie, que parecia não ter um pingo de noção de que era perigoso me importunar quando algo me incomodava. Quanto com Danny, que no caso era o que estava me incomodando com a sua audácia. Acho que se tocou que ela deveria tirar Dougie de cima de mim antes que o garoto saísse desfigurado daquele pub. Ela se levantou arrastando-o e ele ria sem razão alguma. Ela dizia palavras que pareciam diverti-lo enquanto o levava para algum canto longe de mim.
Olhei para onde Danny estava sentado, mas a cadeira que ele ocupava estava vazia e não havia nenhum sinal de que ele estaria por perto. Meu coração começou a se afundar dentro do peito e o ritmo a falhar. Não precisei olhar mais uma vez para constatar que a garota ruiva também havia sumido.
Uma dor imensa tomou conta de mim ao mesmo tempo em que me sentia uma idiota. Quero dizer, eu tive esperanças - tolas, devo acrescentar - de que ele seria só meu. Idiota, isso sim que eu sou. Porque depois de ter sido advertida, mesmo que indiretamente, por minhas amigas, a fagulha de esperança ardia em mim, entretanto naquele momento ela teria que morrer assim como tudo o que eu sentia por ele. “Mas e se ele tivesse sumido por outro motivo e aquela mulher por coincidência também?” Gritava o meu coração. Como alegria de pobre dura pouco e a minha razão era sempre a que acertava, eu os vi saindo de um canto mais reservado do pub juntos. Danny estava descabelado e os lábios inchados. Ele puxava a garota pela mão para fora do lugar. Imbecil, mil vezes imbecil!
Minha garganta instantaneamente se fechou ao mesmo tempo em que meus olhos ardiam com as lágrimas que se acumulavam. Olhei para que estava sentada não muito longe de mim, perdida em pensamentos e mexendo em seu copo com desinteresse. Pelo visto a noite não estava sendo boa pra nenhuma das duas. Pensei em como ela tinha reagido quando soube da traição de Harry. simplesmente passara por cima de tudo se mostrando forte e decidida. Então por que eu seria tão fraca a ponto de chorar? Contive qualquer ímpeto que eu tive de fazê-lo. Era assim que tinha que ser, não é mesmo?
Bom, estava bem óbvio que algum dia isso iria aconteceria. Mas não me deixou de surpreender.
Eu não queria e não agüentaria ficar ali nem por mais um minuto. Não sabendo que Danny estaria em qualquer outro lugar com outra garota que não fosse eu.
- ? – chamei-a e ela me olhou interrogativa.
- Podemos ir embora? – sua sobrancelha se arqueou e algo em meu semblante a fez concordar.
Nós duas não tínhamos carro e os únicos que estavam conosco e podiam nos levar embora seriam os meninos. Danny, definitivamente, estava descartado. Dougie estava sem condições para andar quanto mais para dirigir. Tom e sumiram então o único que nos sobrava era Harry. Ele, assim como , estava distraído, bebendo no bar, sentado em um banquinho sozinho. Pela expressão que a minha amiga ela chegara à mesma conclusão que eu e não estava gostando nada daquilo. Senti-me péssima por fazê-la aturar Harry, mas eu precisava sair dali. Eu tinha o direito de ser pelo menos uma vez na vida egoísta.
- Tudo bem. – ela meneou a cabeça mostrando que aqueles breves minutos que eles passariam juntos não a afetariam.
passou por cima de seu orgulho e foi chamar o garoto enquanto eu os esperava do lado de fora.
Senti o vento cortante da noite assim que atravessei a grande porta do pub. Para me proteger abracei-me esfregando as mãos pelo braço mesmo sabendo que aquilo seria inútil. Mirei o céu cinzento, impaciente. As nuvens encobriam a beleza que uma noite estrelada tinha, mas aquilo não era mais frustrante do que aquela espera toda. Suspirei pesadamente e olhei para os lados a tempo de ver o carro de Danny sair do estacionamento a toda velocidade derrapando assim que virou em uma rua.
- Vamos? – gritou Harry. Vi que tanto ele como estavam preocupados comigo. Corri em sua direção entrando no banco detrás enquanto se acomodava no do carona.
- Desculpa te tirar daqui. – falei culpada para o garoto.
- Não foi nada... Já deu o que tinha que dar. – deu de ombros olhando para o trânsito.
Minha mente vagueou o caminho todo até a minha casa. quis descer e ficar comigo, mesmo não sabendo o motivo da minha angustia. Mas antes que ela o fizesse a impedi alegando que o que eu mais queria era ficar sozinha. Meio a contra gosto ela foi embora com Harry logo depois que entrei em casa.
Meus pais haviam saído naquela noite para uma daquelas festas chatas de família e pra eles não terem voltado até agora ou a festa está realmente muito boa – o que eu acho bem difícil – ou eles resolveram se hospedar na casa de algum parente com medo de voltarem pra casa àquela hora da noite. Isso era bom pra mim que teria um pouco de paz.
A casa estava um breu total e o silêncio era interrompido apenas pelo barulho do meu sapato batendo no soalho da escada. Adentrei meu quarto e corri para o banheiro. Parei em frente ao espelho me encarando. Meus olhos estavam vermelhos e cheios de lágrimas, as maçãs do rosto era colorida pelo sangue que fluía com rapidez pelo local. Minha aparência não era nada boa.
Tirei toda a roupa com rapidez me enfiando debaixo do jato d’água quente que aos poucos relaxaram os meus músculos retesados. Quando minha pele já estava enrugada sai do banheiro com a toalha enrolada no corpo. Liguei o som, deixando tocar o CD que estava no aparelho, na tentativa de me distrair de qualquer pensamento que se relacionasse a ele.
Coloquei um shortinho e uma blusa qualquer para dormir. Não dei importância quando escutei algo bater na minha janela fechada, porém escutei com atenção quando o barulho se tornava constante e mais forte. Consultei o relógio que marcava quatro horas da manhã. Caminhei devagar até onde vinha o barulho e foi quando eu vi o que o causava. Meu coração disparou. Ele me vira olhando-o pelo vidro. Um sorriso apareceu em seu rosto, mas eu continuava séria. Fechei a cortina e me deitei na cama tentando ao máximo me concentrar apenas na melodia que saia das caixas de som enquanto ele continuava a jogar pedrinhas.
Depois de alguns minutos o barulho cessou e então respirei aliviada esperando que ele tivesse mesmo desistido de falar comigo. Mas, ao invés disso, meu celular começou a tocar e quando o peguei, sentando-me na cama, olhei pra o nome na tela enfurecida com aquela insistência toda.
O que afinal de contas ele queria comigo? A ruiva não tinha dado conta do recado? Mordi o lábio, indecisa se deveria atendê-lo ou não e antes mesmo que eu desse conta do que estava fazendo já havia atendido dizendo um “Alô” irritado.
- Não adianta se esconder, eu te vi! Para de criancice e abre logo essa janela. – ele ordenou com sua voz alterada e eu soltei uma risada debochada.
- Não! – resmunguei simplesmente e desliguei o telefone na cara dele com uma risada triunfante. Provavelmente ele iria embora espumando de raiva com a minha petulância. Mas eu não ligava para o que ele pensava sobre mim.
Encostei minha cabeça no travesseiro apreciando o começo de uma nova música. Enquanto eu fitava o teto com descaso, escutei um estrondo no andar de baixo, porém não me levantei para ver o que era. Poderiam ser os meus pais chegando. Mas e se eles fossem mesmo dormir fora? Então, o melhor seria me levantar e ver o que quem provocara o barulho.
Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude o vi parado no batente da minha porta com os braços cruzados na altura do peito me encarando com intensidade. Minha veias bombearam adrenalina para o meu coração que disparou em um ritmo violento. Danny estava perfeitamente lindo. Mas a visão dele saindo de mãos dadas com aquela garota anuviou minha mente.
- Sai da minha casa! – gritei me levantando de um salto da cama mantendo uma certa distância dele. – Você não tem o direito de invadir o meu quarto desse jeito!
Seus olhos eram intensos e um sorriso malicioso brincava em seus lábios ao me analisar dos pés a cabeça. Uma onda de arrepios me percorreu e senti minhas faces pegarem fogo, tanto de vergonha quanto de raiva. Mas que porra ele estava fazendo aqui? Como ele conseguira entrar?
Ele riu de maneira grogue e se aproximou de mim lentamente, me torturando com seu delicioso perfume. A cada passo que ele dava era mais um que eu recuava. Quando senti minhas costas se chocarem com a parede fria me encolhi na vã tentativa de me proteger dele.
Prendi minha respiração evitando me deixar influenciar por seu cheiro. Danny me prendeu entre seus braços, cada um de um lado do meu corpo e se aproximou prensando os corpos me fazendo ofegar com a sua abrupta aproximação. Seu rosto estava perigosamente próximo, seu nariz encostava-se no meu; e sua respiração batia contra a minha boca provocando uma das melhores sensações que eu jamais sentira antes. Eu estava me deixando levar pelo momento. Estava esquecendo o que ele fizera e isso não era o certo. Eu tinha que me despertar daquele transe.
Foi com muito esforço que recuperei todo o meu autocontrole e o empurrei antes que ele selasse os lábios. Danny se mostrou confuso com a minha reação e sua mão foi direto para a nuca a esfregando enquanto tentava entender o que havia acontecido.
- O que foi?
- Eu é que te pergunto! Você tem algum problema?! – sibilei.
- Não estou te entendendo...
- Não se faça de desentendido! Você sabe muito bem do que eu estou falando!
- Não, eu não sei. – sua irritação era evidente na voz.
- Deixa de ser cínico. Eu te vi saindo do pub acompanhado com uma garota depois de sair de um canto escuro fazendo sei lá o que com ela!
- Ah aquilo... – seus olhos se abaixaram para o chão. Ele queria compaixão? A ultima coisa que ele conseguiria de mim seria compaixão.
- É, aquilo! Você acha que eu sou algum tipo de trouxa? Eu não vou ser mais uma na sua lista Jones. Disso você pode ter certeza.
- me escuta. Aquilo não foi nada de importante. – Danny tentou se aproximar, porém eu recuei o fazendo suspirar resignado e se manter no lugar.
- Você em algum momento parou para pensar em como eu me sentiria vendo-o sair com outra garota? Eu me sinto enganada! Ah claro! Deve ter sido por isso que você não queria que eu contasse pra alguém sobre nós dois. Você não queria se prender a alguém. É isso não é? – balancei a cabeça incrédula enquanto todas as peças se encaixavam perfeitamente.
Então todo o tempo em que ele quis esconder que estávamos juntos era apenas um truque? E pensar que estava brava com Harry que a traíra por medo do que estava sentindo. Danny por sua vez saíra com outra apenas por diversão! Meu coração transbordava ódio.
- , por favor... – ele me segurou forte pelos braços me chacoalhando como se com aquilo ele pudesse me fazer entender algo totalmente inexplicável.
Senti nojo quando ele me tocou e o pior de tudo era que eu ainda gostava dele. Lágrimas se acumularem em meus olhos e saltaram sem a minha permissão. Danny as enxugou com o seu polegar massageando minha bochecha. Eu o queria longe de mim, mas meu coração não suportaria.
- Sai da minha casa! – minha voz saiu em um silvo. Repeti várias vezes em minha mente de que eu estava fazendo a coisa certa. – Sai!
Danny me olhou e eu o encarei de volta ainda chorando. Um gemido baixo escapou de sua boca e depois ele se foi levando com ele o meu coração.
Escutei a porta do andar de baixo bater com força e eu apenas me deixei cair pesadamente em minha cama soluçando enquanto o choro se intensificava. Gritei o mais forte que pude contra o travesseiro. A dor me dilacerava, mas era necessário ou me machucaria ainda mais.
Aquela definitivamente não foi a minha noite. Depois de horas chorando por alguém que não merecia, me remexi na cama por longos minutos e quando finalmente dormi, um pesadelo me atormentou me despertando. Mas agora analisando com calma não passava de cenas sem nexo.
Com grande dificuldade abri os olhos inchados de tanto chorar e me sentei na cama sentindo minha cabeça latejar. Friccionei as têmporas com força e suspirei quando vi de que nada adiantaria. Peguei meu celular e constatei que haviam 15 chamadas não atendidas. Algumas de Harry e , mas a maioria de Danny. Será que não fora o suficiente tudo o que eu havia dito na noite anterior? Será que ele não entendia que eu não queria mais vê-lo. Apesar de que esse era um desejo impossível. Nós nos veríamos na escola e ainda tinha aquela maldita apresentação no sábado com a banda dele.
Bufei nervosa e levantei-me caminhando para o banheiro enquanto dava um nó frouxo no cabelo. Tomei um banho rápido e vesti um moletom qualquer. Desci as escadas me arrastando e caminhei em direção ao sofá me jogando nele. Como eu queria que aquele dia acabasse logo. Eu sentia uma sensação de angustia no peito e as horas com certeza não me ajudariam em nada.
Confesso que não sei quanto tempo fiquei ali olhando para o teto, - e mais precisamente revendo cada minuto que passei com Danny - mas só voltei para a realidade quando me dei conta de que a campanhia tocava sem parar. Alguém queria quebrá-la e conseguiria se não parasse logo com toda aquela insistência.
Abri a porta e qual foi a minha surpresa Tom estava parado em frente a minha porta e logo atrás vinha uma toda desajeitada correndo em nossa direção.
- Oi, podemos entrar? – perguntou o garoto gentilmente com um sorriso no rosto.
Dei espaço e fechei a porta assim que eles se sentaram no sofá grande. Juntei-me a eles não me sentindo à vontade para fingir que estava bem. Eu não queria ter que mentir pra eles o que eu realmente sentia naquele momento.
- O que você estava fazendo? – questionou enquanto ligava a televisão e zapeava os canais.
- Nada. Eu estava deitada pensando na vida.
- Cadê seus pais? – foi à vez de Tom perguntar analisando minha expressão com preocupação e foi então que sua testa franziu e uma lufada de ar passou por sua boca entreaberta. – Você está bem? – disse passando seus dedos frios por baixo do meu olho onde estava roxo pelas olheiras.
Por que Tom tinha que ser tão observador? Não podia ter feito igual à ? Ela até agora não me notara e estava mais entretida com algum seriado que passava na televisão que nem escutou o comentário dele.
- Estou bem, só dormi pouco essa noite.
Não era mentira eu só omiti alguns fatos, mas algo em mim não o convenceu. Ele se levantou e me puxou para a cozinha me sentando em uma cadeira mais próxima da dele.
- Foi o Danny, não foi? – por um instante senti meu coração paralisar e depois com um suspiro pesado ele acelerou muito mais rápido que o normal. Era sempre assim quando escutava seu nome e não seria diferente agora.
- Como? – tentei articular algo decente, mas nada que fosse de muito útil minha mente processava. – Não, não...
- ! Acho que todo mundo já percebeu que vocês dois tem, ou tiveram alguma coisa. Por que algo em vocês mudou radicalmente nesse meio tempo em que nos aproximamos.
- Tom eu...
O que seria melhor? Contar a verdade ou continuar escondendo? Mas a única coisa que eu consegui fazer e que já se tornou rotina na minha vidinha medíocre foi chorar. Como bom amigo que Tom era me abraçou me passando um pouco do calor humano que eu tanto precisava. Minhas lágrimas encharcavam a camiseta do garoto e foi nesse estado que nos encontrou na cozinha e se juntou nesse abraço acariciando meus cabelos desgrenhados.
Nunca imaginei que Tom seria a pessoa que fosse me ver chorar por Danny, mas foi com ele que eu me senti a vontade para desabafar e por incrível que pareça eu estava me sentindo protegida. continuava a fazer carinho sem saber o que estava acontecendo. Meu choro demorou a cessar, mas quando o fez me desvencilhei de Tom enxugando as ultimas lágrimas que eu derramaria por alguém.
- Desculpe Tom...
- Não precisa se desculpar. – disse com um sorriso paternal nos lábios. – Você precisava disso. Se não quiser nos contar vamos entender. – completou secando uma lágrima teimosa em meu rosto.
Olhei-os por alguns segundos e sabia que eles seriam as pessoas certas a escutarem o que eu tinha a dizer. Afinal de contas, eles se encontravam as escondidas como eu e Danny.
Contei tudo resumidamente desde o dia em que conheci Danny até o ocorrido da noite anterior. Eles me escutaram com atenção, comentando nas horas certas. foi a que mais se surpreendeu com as atitudes de Danny, ao contrário de Tom que conhecia perfeitamente o amigo tem.
- O Danny às vezes não sabe que pra tudo se tem um limite. No caso dele já se esgotou há muito tempo. – disse Tom reprovando-o como se o outro estivesse ali com a gente.
- Você gosta dele ? – questionou me olhando fixamente.
Por mais que eu mentisse, ela descobriria, até porque meus olhos sempre transpareciam o que eu sentia.
- Muito. Mas eu não posso suportar a idéia de ser mais uma. – meus dedos faziam desenhos abstratos na mesa e eu evitava olhá-los. Sabia o quanto eles sentiam pena de mim por ter caído na lábia de Danny.
- O que você estava pensando em fazer hoje? – perguntou Tom repentinamente.
Franzi a testa tentando entender o porquê da mudança de assunto foi quando a minha ficha caiu. É claro que eles queriam me tirar daquela fossa e não me deixariam sozinha nem por um segundo. Não que eu não soubesse que isso aconteceria, mas era tão bom saber que nessas horas podíamos contar com os amigos.
Passamos a tarde assistindo filmes, comendo pipocas – entre outras bobagens – e quando já havia anoitecido me despedi dos meus amigos com um sorriso bem mais animado. Durante toda à tarde não pensei uma única vez em Danny. Mas foi só eu ficar sozinha que ele tomou conta dos pensamentos e foi com grande esforço que o espantei correndo para o meu quarto.
Meus pais chegaram logo depois do horário do almoço, mas ficaram no segundo andar para não nos atrapalhar. Agora eles deveriam já estar dormindo ou pretendiam ir.
Tomei um longo banho e coloquei uma camisola fresca para logo depois me jogar em minha cama. Nos últimos tempos não tinha tido tempo para os meus pais. Eu deveria me envergonhar por isso já que nesse final de semana me recusei a viajar com eles para aquela tal festa só para poder ver os meus amigos se apresentarem. Eu não me arrependia, não mesmo. Mas eu estava tão afastada de tudo – principalmente dos estudos – por causa de Danny que no final das contas eu me enganara feio em acreditar que ele seria só meu.
Meus olhos estavam prestes a se fechar quando um barulho me assustou. Pulei da cama ao ouvir novamente e não precisei de muito tempo para perceber o que estava acontecendo.
Caminhei para a janela e o vi atirando pedrinhas em direção a minha janela novamente. Ele não desistia nunca? Abri a grande janela e o fitei com os lábios crispados enquanto os deles continha um sorriso sedutor.
- O que faz aqui? – perguntei baixo para não chamar a atenção dos meus pais, mas foi o suficiente para que ele escutasse perfeitamente.
- Nós precisamos conversar.
- Não! Eu já ouvi suas explicações e você me ouviu muito bem quando te disse que não queria mais te ver.
- ! – gritou quando viu que eu fecharia a janela e num reflexo peguei a primeira coisa que vi e joguei em sua direção sibilando um “Cala a boca! Vai acabar acordando os meus pais!”. Só depois que ouvi a risada de Danny que eu fui ver o que havia jogado. Minhas maçãs do rosto com certeza ganharam uma cor bem avermelhada. Por que diabos eu não olhara antes de jogar? Hein?! Eu havia jogado um sutiã! Um sutiã! Dá pra acreditar? Como se isso fosse machucá-lo. Rá! Eu odeio o Danny e tudo o que ele me faz passar!
- Devolve isso agora!
- Eu sempre recebi lembranças das garotas com quem sai, mas um sutiã é a primeira vez. – sua risada adquiriu uma oitava a mais.
- Se você não calar essa boca agora eu juro que taco algo que faça você perder a consciência. – rosnei semi-cerrando os olhos.
- Isso aqui vai ficar comigo! – disse colocando o meu melhor e mais bonito sutiã dentro do bolso da sua calça. Dude era o meu sutiã preferido! Eu juro que na primeira oportunidade que eu tiver mato esse garoto lentamente.
- Daniel Jones me devolve isso agora!
- Não. – disse simplesmente. Respirei profundamente antes de completar: - Que seja! Faça bom proveito. – antes de fechar a janela o escutei respondendo um “Pode ter certeza!”. Bufei e me joguei na cama demorando a cair no sono. Como aquele garoto me irritava!
Nota da autora: E aí? Tudo sussa na montanha russa?
O que vocês andam fazendo de bom? Espero que todos estejam de férias e aproveitando muitoooo! Eu acabei de fazer as minhas provas não faz muito tempo e só comecei a aproveitar as minhas agora.
Enfim, eu sei que minha atualização demorou um pouquinho, mas peço desculpas e espero compensar com essa atualização dupla.
Ah! Quero agradecer todas as leitoras novas e as que já liam pelo carinho! Fico super empolgada com os seus comentários! Juro que fiquei super emocionada!
Bom, falando desse capítulo: eu devo confessar que ele já estava pronto há muitooooo tempo, mas dei uma modificada bem básica nele baseada numa critica construtiva que recebi esses dias. Vocês sabem que podem criticar e elogiar é só não ofender que está tudo certo. ;)
Neste capítulo o seu Guy aprontou e feio. Menino mal. E você toma a decisão de que não quer mais ficar com ele. Como estão se sentindo? Não me matem juro que isso foi pra uma boa causa. A parte que eu mais gosto desse capítulo é o final em que você joga o sutiã em cima dele. Enquanto eu escrevia ria muito com as idéias que surgiam na minha cabeça. Sou louca e sem noção, eu sei, podem falar.
Espero que tenham gostado da atualização. Ah! Enquanto eu escrevia esse capítulo eu escutava a música You Should Know By Now e Chills In The Evening. Se quiserem escutá-las enquanto lêem vai ser legal. Mas elas eu vou colocar mais pra frente em outro capítulos. Enfim, beijos pra todos e espero mais comentários!
Respondendo aos comentários:
Cris M., Rhai, Sibele, Gigica: Sejam bem vindas e espero que esteja gostando dessa humilde fic! *-*
Dany Martins: eu não pretendo abandonar essa fic, não! A ultima coisa que gostaria de fazer é deixar ela sem um fim. Pode ficas sossegada hehehehe
: Olha quem apareceu aqui!!! Quem te vê falando assim até parece que te obriguei a comentar! Obrigada por ler tudo o que eu te mando acho que se não fosse por você e a estaria perdida! Hehehehe
Obrigada de verdade!
Mel: Que bom que você gostou espero que tenha gostado do capítulo e gostado da música que eu escolhi pro capítulo.
Nath: Você acha mesmo ele perfeito? Que bom! Espero que continue lendo e gostando.
LaryAkú: Adorooooo! Eu fiz mesmo você imaginar o Danny desse jeito? Agora até me subiu um calor... kkkk /tá parei. Que bom que gostou, de verdade mesmo, um elogio desses vindo de você é super demais. Nem sei como te agradecer por ter vindo aqui ler. Espero que continue lendo hein?!
Bom, vou parando por aqui antes que a minha n/a fique maior que a atualização. Continuem lendo porque vão vir mais coisas interessantes ainda pela frente. Essa história está longe de acabar.
Beijos! *-*
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Fic’s que eu indico:
Now you’re in, you can’t get out [http://www.fanficaddiction.com.br/fics/n/nowyoureinyoucantgetout.html]
Memory Lost [http://www.fanficaddiction.com.br/fics/m/memorylost.html]
Nota da Beta: Desculpem-me pela demora! Foi tudo culpa minha, gente! Podem me bater se quiserem -N Mas enfim, espero que tenham gostado da att, porque eu adorei! :)