You Should Know By Now
Autora: Thaís Fernanda
Beta-Reader: Mah
01
Parece ser um daqueles dias em que seu pai grita com você sem motivo aparente, quando seu humor já está péssimo. Acorda atrasada e mal dá tempo para você se arrumar decentemente, pelo menos para disfarçar as olheiras causadas por uma noite mal dormida. E quando não dava para piorar, seu querido pai te manda ir a pé, mesmo que isso signifique que tenha que perder uma aula. Pois esse foi o começo do meu dia, ou melhor, meu péssimo dia.
Cheguei suada, ofegante e tremendo, porém forcei para que minhas pernas me obedecessem e me fizessem o favor de seguir o caminho pelo corredor. O calor estava insuportável, a camisa do meu uniforme grudava em minha pele, minha garganta implorava por água, mas eu não podia atender aquele pedido ou poderia levar uma advertência por chegar atrasada na segunda aula. Me aproximei da porta da sala de aula e me encostei na parede ao lado, tentando em vão recuperar o fôlego. Meus pulmões pareciam rejeitar a grande quantidade de ar que eu tentava inspirar, mandando o oxigênio de volta, para fora da minha boca. Percebi que aquela luta que eu travava com meu corpo já estava perdida, e a única coisa que me restava a fazer era entrar dentro daquela sala, receber olhares desaprovando minha aparência e uma bronca que me deixaria envergonhado.
Antes de entrar respirei fundo mais uma vez, ajeitando meus cabelos que se encontrava em total desalinho e girei a maçaneta, abrindo a porta com certa dificuldade. Entrei na sala pedindo desculpas e caminhei para a minha carteira habitual dos fundos. Abri meu caderno, copiando o mais rápido que pude a matéria escrita no quadro negro. Estava tão concentrada que não percebi uma mão encostar no meu ombro, me fazendo gritar de susto. Não preciso nem dizer que todos me olharam feio e novamente pedi desculpas para logo em seguida olhar para trás e encontrar minha melhor amiga, , se divertindo com meu embaraço.
- Não cumprimenta mais os amigos? – Perguntou, reprimindo uma risada que ameaçava sair.
- Oi. – Respondi irônica. – Satisfeita? Depois nós nos falamos, tenho que terminar isso ou esse professor ranzinza vai me fazer copiar cinco páginas por sua causa.
- Tudo bem. – Disse dando de ombros. Voltei minha atenção no caderno e quando voltei a copiar, o professor apagou a lousa na parte em que eu estava copiando. Bufei estrondosamente, sentindo meu sangue todo ferver de raiva. Meu dia não podia estar sendo pior.
Senti algo pontudo cutucar meu braço e quando me virei para esbravejar com a pessoa que ousava me perturbar, vi um caderno estendido em minha direção e um sorriso iluminado direcionado à mim. Ergui uma de minhas sobrancelhas, olhando a pessoa ao meu lado que não se sentia incomodado com minha pequena análise. O garoto não dizia nada, continuava com a mão estendida me oferecendo a salvação para o meu dia, pois se o professor visse que eu não havia copiado toda a matéria na certa ele me mandaria para a direção. Peguei o livro e sorri fraco em forma de agradecimento. Voltei a minha atenção para o caderno, copiando em uma velocidade recorde, que até mesmo me surpreendeu. Olhei para o lado esperando ver aquele sorriso de novo, porém ele olhava interessado para o que o professor explicava. Mesmo assim continuei observando aquele rosto de pele macia, lábios rosados, olhos penetrantes e profundamente azuis. Nunca vi olhos tão hipnotizantes como aquele. Quando dei por mim ele também me encarava com um sorriso de canto, fazendo meu corpo tremer e eu me odiei por não conseguir pronunciar uma palavra sequer diante daquele olhar. Será que ele era real ou fruto da minha imaginação (diga-se de passagem, muito fértil)? Nunca o vi no colégio e muito menos em minha classe. Só podia ser novo. Era a única explicação para que eu não o tenha notado. Ele pigarreou chamando a minha atenção e esperou que eu dissesse algo, o que foi realmente difícil fazer com ele me encarando da cabeça aos pés.
- Obrigada! – Agradeci devolvendo o caderno, desejando que na entrega nossas mãos se encostassem, o que para a minha infelicidade não aconteceu.
O que eu estava pensando? Eu mal conhecia o garoto e já estava desejando um contato maior com ele? Meu Deus, o que está acontecendo comigo hoje? Claro que nenhuma dessas perguntas teve respostas, mas o garoto à minha frente sorria para mim.
- Foi um prazer te ajudar. – Se virou para frente, me deixando completamente sem ar ao escutar uma voz tão grave e rouca como aquela. Tem algo mais nele que me faria perder a sanidade mental? Endireitei-me na cadeira, tentando a todo custo entender as palavras do professor que mais me pareciam códigos. Meus pensamentos sempre me lembravam o sorriso daquele garoto, o que não me ajudava em nada. Quando o sinal bateu, agradeci mentalmente por finalmente sair daquela sala e não ter que fingir que estava interessada em uma aula chata. Arrumei meus materiais na mesa e sai sendo seguida por minha amiga, que tentava me acompanhar.
- Por que a pressa? – Perguntou quando eu já estava descendo as escadas em direção ao pátio.
- Nada só preciso de água. – Foi uma boa desculpa. Não era mentira, minha garganta ardia e meus lábios já estavam secos rogando por um pouco de líquido gelado.
Corri até o bebedouro mais próximo, e ao sentir o jato de água gelada ir de encontro a minha boca senti um certo alívio. Bebi quase um litro d’água e quando saciei minha sede voltei a andar em silêncio com ao lado, que não se importava em falar nada naquele momento. Mas se bem a conheço, ela estava maquinando algo e logo eu saberia o que. Sentamos em um banco próximo à cantina e permanecemos caladas, apenas observando o movimento da escola.
- Aquele garoto estava dando em cima de você. – Sabia! Ela tinha que estar pensando baboseiras.
- Não estava não. – Resmunguei sem olhá-la.
- deixa de ser tonta, ele estava te secando e você nem percebeu.
- Cala boca ! – Novamente o silêncio, só que desta vez estava me incomodando, até que eu resolvi quebrá-lo, e pelo menos dar resposta a uma das minhas perguntas.
- Ele é novo? – Perguntei agora a olhando e esperando ansiosamente por uma resposta.
- Sim. – Respondeu rindo. – Ele foi apresentado na primeira aula. – Esperei que ela prosseguisse, mas propositalmente ela não disse nada, talvez testando até que ponto ia minha curiosidade por aquele garoto.
- Qual o nome dele? – Cai na armadilha, mas que se dane, eu estava mesmo curiosa.
- Daniel Jones, veio de uma cidade grande perto de Londres. – Dessa vez apenas murmurei algo sem nexo, e voltei a olhar para o pátio onde vários grupos se juntavam em rodas e foi ai que me lembrei das outras.
- Cadê a , e ?
- Mataram aula. Segundo elas, estava um ótimo dia para praia. – Riu mexendo em seu Iphone.
- Realmente. Depois de tantos dias fazendo frio, merecemos um pouco de sol. Mas por que você não foi com elas? – Eu amava o frio, mas o sol às vezes era bom e tirava um pouco daquele cenário depressivo que nuvens cinzentas, chuva e neve deixavam.
- Porque eu tenho uma amiga que nunca acorda no horário e que chegou atrasada. E como eu sou legal, não queria deixá-la sozinha na escola.
- Ah que meigo! – Gritei com voz de bebê chamando a atenção de todos à minha volta, e corei instantaneamente, abaixando meu tom de voz quando prossegui. – Depois da aula podemos ir. O que acha?
- Ótimo! Vamos almoçar em minha casa e depois vamos. Combinado?
- Combinado.
Olhei para os lados e meu coração falhou por um instante, quando encontraram um par de olhos me encarando. E meu Deus, que olhos! O garoto sorriu como da primeira vez e eu retribui com um sorriso fraco, totalmente tímida. Ele percebeu e sorriu de maneira mais provocativa, e depois voltou o olhar para alguns meninos que conversavam com ele. Eu estranhei ao ver quem eram os seus amigos.
- Aqueles não são os garotos problemas da escola? – Apontei para o grupo de forma discreta. olhou para onde eu estava apontando e confirmou com a cabeça.
- Por que quer saber? – Perguntou desconfiada.
- Por nada. Acho que vou ao banheiro. Vai ficar?
- Vou, pode ir. Te espero aqui. – Colocou fones no ouvido e eu escutei uma música alta sair do aparelho, aparentemente novo, dela.
Andei vagarosamente em direção ao banheiro e entrei, me encostando na parede quando constatei que estava sozinha, sentindo o piso gelado contra as minhas costas. Respirei fundo tentando colocar meus pensamentos em ordem. Por que ele me encarava daquele jeito como se já me conhecesse? Por que diabos estava andando com aqueles garotos que sempre arrumavam problemas, e ainda por cima eram os populares da escola? E por que ele me causava arrepios? Mais perguntas sem respostas e isso já estava me irritando. Fui até a pia e joguei água gelada em meu rosto, tentando amenizar o estado deprimente em que me encontrava. Me enxuguei e sai do banheiro sem pressa, mas uma mão em meu ombro me fez virar bruscamente de frente para a pessoa, e quando a reconheci soltei um longo suspiro esperando que ele me dissesse o que queria.
- Desculpa te assustar, mas sua pulseira caiu. – Ele abriu uma mão à minha frente, mostrando uma pulseira de ouro da qual eu tinha um grande apreço. Peguei, olhando-o com a testa franzida.
- Aonde caiu? – Perguntei, disfarçando a minha desconfiança de que a companhia com aqueles garotos mal encarados já estivesse surtindo efeito.
- No chão perto de onde você estava sentada. – Deu de ombros.
- Obrigada. – Ia me virar quando uma pergunta, sem eu nem mesmo perceber, saiu da minha boca. – Você anda me seguindo? – Ele gargalhou jogando a cabeça para trás, tirando o resto de fôlego que me restava em meus pobres pulmões. Por que ele tinha que ser tão perfeito?
- Não estou. Apenas observei que quando você se levantou deixou algo cair, e como fui o único a perceber, não me custava nada lhe entregar.
- Obrigada. – Respondi sem graça.
- Você já me disse isso.
- Desculpa. – Senti meu rosto pegar fogo, provavelmente estava vermelha de vergonha. Baixei os olhos para meus pés e o senti ir embora, mas seu perfume ficou impregnado em minhas roupas. Aquele cheiro era bom, muito bom mesmo; e já estava me viciando a cada vez que ele entrava por minhas narinas e se alojava em meu pulmão. Estava começando a ficar louca. Como um garoto podia mexer tanto comigo sendo que o conheci há algumas horas? Era improvável, porém não impossível.
As outras aulas passaram rápido; e eu evitava olhá-lo, mesmo que algumas vezes eu tivesse que morder meu lábio com força para não cair em tentação. e eu fomos para a sua casa e pedimos pizza, já que a mãe dela estava trabalhando e estávamos com preguiça de cozinhar. Comemos com calma e quando terminamos, nos arrumamos e fomos para a praia a pé, já que ficava perto da casa dela.
Realmente eu precisava de ar puro, cheiro de mar e sentir a areia quente sob os meus pés. Sentei sob uma toalha estendida na areia, observando correr para a água e dar um mergulho perfeito emergindo do outro lado com um sorriso estampado no rosto. Sorri ao ver a felicidade quase infantil dela. Peguei meu Iphone de dentro da minha mochila, e enquanto colocava os fones no ouvido, escolhi uma música agitada que me fizesse esquecer aquela loucura que fora meu dia. Deitei apreciando os raios de sol batendo em meu rosto e sorri sozinha brincando com a areia ao meu lado. De repente senti um cheiro gostoso invadir meu nariz e logo reconheci, me levantando assustada e procurando da onde vinha. Quando encontrei o vi com os mesmos garotos da hora do intervalo, apenas de bermuda deixando seu peitoral definido à mostra, o que me fez sentir uma onda de prazer percorrer meu corpo. Minha língua umedecia meus lábios enquanto meus olhos passeavam por aquele corpo perfeito e num impulso tentei me esconder em minha toalha. Me sentia feia, me sentia inferior e não podia competir com as mulheres lindas que passavam desfilando os corpos esbeltos. Fiz de tudo para ignorar sua presença, e por incrível que pareça, estava conseguindo. voltou do mar e sentou-se ao meu lado, me molhando ao balançar os cabelos.
- Não vai nadar? – Perguntou intrigada, pois eu era uma das mais animadas para cair no mar.
- Depois. – Sorri amarelo, fingindo uma cara animada.
- Vamos agora. – Me surpreendi quando ela se levantou em um pulo e me puxou, jogando a toalha que me cobria perto da minha mochila.
Não consegui detê-la e quando percebi já estava com os pés na água gelada do mar. Meu olhar percorreu toda a extensão da praia à procura de uma pessoa e quando o achei, meus olhos se encontraram com os dele que me olhava divertido e... Desejoso? Não sei e não queria saber. Agora que ele já tinha me visto, o jeito era ficar o mais fundo no mar e cobrir meu corpo com a água, o que não seria muito difícil. me seguiu jogando água em meus cabelos e eu reclamava sem parar.
- A água esta gelada sua louca! – Esbravejei.
- Deixa de ser fresca! – Ela parou de falar e percebi que ela ria.
- O que foi?
- Olha quem está vindo. – Olhei para onde ela apontava, e encontrei quatro garotos vindo em nossa direção. Minha vontade foi de sair correndo e me embrulhar naquela toalha de novo, mas a única coisa que consegui fazer foi sorrir que nem uma idiota.
- Olá garotas! – Cumprimentou um dos garotos. Ele era bonito, muito bonito pra dizer a verdade, e seu sorriso era encantador, mas na minha humilde opinião, nada comparado ao Daniel.
- Oi. – respondeu simpática, me fazendo olhá-la com a testa franzida. A minha adorada amiga me cutucou a fim de me fazer dizer algo, mesmo que fosse um palavrão.
- Olá. – Disse em um sussurro.
- Estão se divertindo muito? – Perguntou um deles que eu reconheci de imediato. Seu nome era Harry, e era o mais encrenqueiro e sedutor de todos. O olhar dele naquele momento pousava em cima do corpo da minha amiga que não se mostrava incomodada, e sim feliz.
- Estamos e vocês? – percebeu que eu não responderia, pois estava hipnotizada pelo olhar de Daniel que me encarava sedutoramente. Aprendeu com o mestre, pois Harry não ficava pra trás no quesito sedução e ao contrário de mim, se deliciava com o momento. Danny continha nos olhos um brilho e, algumas vezes, olhava o meu busto me deixando envergonhada.
- Agora estamos. – Respondeu o cafajeste (e, diga-se de passagem, gostoso) do Harry, deixando transparente o seu desejo. – Vocês querem beber algo?
- Queremos. – Novamente respondeu antes mesmo que eu pudesse protestar. Fiquei boquiaberta quando ela aceitou. Será que ela era mais louca que eu?
- Nos acompanhe. – Disse um dos garotos que permaneceu calado até então, observando o jogo de sedução dos dois amigos, no qual apenas um saia vencedor.
Eu e pegamos nossas coisas antes de segui-los, e ficamos bem atrás deles, apenas observando a paisagem. Pelo menos era o que eu fazia antes de um braço pousar em meu ombro e eu olhar assustada para a pessoa.
- O que você quer? – Perguntei quase grosseiramente.
- Te acompanhar. – Respondeu Daniel sorrindo daquela maneira angelical.
- Não precisa, eu sei andar. – Mas por que diabos eu estava sendo grossa com ele mesmo?
- Garotinha educada hein?! – Disse rindo e percebi que ria da minha atitude. Quando ela se viu abraçada por Harry, seu sorriso, como o meu, sumiu dando lugar a uma cara de desespero. O motivo não era o mesmo que o meu, porém pude adivinhar que o seu desespero provinha do medo de falar alguma bobagem e Harry se desinteressar dela. Ao contrário de mim que era o simples fato de estar perto demais de Danny. Quando a olhei, seus olhos pediam ajuda e eu apenas ri fazendo me olhar feio e mostrar o dedo irritada. Daniel soltou uma gargalhada ao ver a cena e eu apenas apreciei o momento, escutando com prazer àquela risada gostosa perto do meu ouvido.
- Eu ainda não sei seu nome. – Me olhou, voltando a ficar sério.
- .
- E você não quer saber o meu? – Perguntou depois de esperar longos minutos.
- Não. – Ele me olhou espantado. – Eu já sei. – O garoto apenas sorriu aliviado.
Caminhamos por um longo tempo, até nos aproximarmos de dois carros conversíveis e eu olhei atônita para aquelas duas máquinas à minha frente. Era o meu sonho andar em um carro daqueles, Daniel percebeu meu deslumbramento e minha cara quase infantil.
- Você nunca tinha visto um desses antes? – Perguntou incrédulo, me fazendo parecer uma jeca.
- Não, quero dizer, eu já vi apenas pela TV. – Respondi sincera e ele sorriu de maneira maliciosa e um frio percorreu toda a minha espinha. – Que carros são esses?
- Uma BMW 5 Series e Aston Martin V8 Vantage. – Fiz cara de que entendia do assunto, mas pela risada abafada dele previ que não fui muito convincente. - Quem sabe um dia eu te leve para passear. – Sussurrou em meu ouvido e os cabelos da minha nuca arrepiaram. Eu iria desmaiar se ele continuasse com aquilo. Minhas pernas quase não suportavam o peso do meu corpo de tanto que eu tremia em seus braços.
Vi um dos garotos abrir a porta do carro e pegar algumas garrafas de cerveja de dentro de uma caixa térmica e entregar uma para cada um. Daniel me soltou e o calor que ele proporcionava em meu corpo sumiu com ele.
- Dougie, eu quero a mais gelada. – Exigiu ele para o garoto que entregava as garrafas.
- Então vem você escolher. – Respondeu divertido.
- Vai tomar também? – Perguntou o garoto da covinha, me estendendo uma. Eu não era muito de ingerir bebidas alcoólicas, mas aquela me parecia atrativa e iria diminuir o calor que eu estava sentindo. Apenas sorri para ele e a peguei.
- Como você se chama? – Perguntei para o garoto que apenas me observava abrir com certa dificuldade a tampa.
- Thomas, mas pode me chamar de Tom. – Disse em um tom simpático, abrindo com um só movimento a minha garrafa e piscando em seguida. Pelo menos um deles era mais acessível e menos arrogante.
- Esses carros são de quem? – Apontei para os automóveis à frente, que ainda me deixavam em estado de euforia.
- Do Danny. Ele nos emprestou para vir pra praia. – Disse indiferente. Eu engasguei com o líquido que estava descendo por minha garganta. O garoto ria da minha ingenuidade, e com aquela covinha maravilhosa à mostra foi para perto dos amigos. Eu olhei para o lado e parecia se divertir conversando com Harry e não seria eu que estragaria o momento, mesmo achando que aquele garoto não valia a pena. Resolvi me sentar mais à frente na areia, sozinha com os meus pensamentos, que mais pareciam um amontoado de idéias incessantes. Não durou nem cinco minutos meu momento solitário, e o perfume dele invadiu o meu nariz e o calor da presença dele se fez presente. Ergui a cabeça na direção do cheiro e o encontrei em pé atrás de mim, me olhando de um jeito esquisito que não consegui definir.
- O que está fazendo aqui isolada? – Perguntou, sentando-se ao meu lado. Eu senti um pouco de irritação em sua voz, mas deixei passar. Dei um longo gole na cerveja, pois aquela proximidade dos corpos aumentou ainda mais o calor que eu sentia.
- Pensando. – Dei de ombros, sentindo o líquido gelado descer pela minha garganta e uma leve tontura em minha cabeça por ter bebido uma grande quantidade em poucos segundos.
- Calminha aí, isso não é água. – Riu percebendo a minha inexperiência com bebidas, mas na verdade eu queria que aquele calor e os tremores passassem e quem sabe uma bebida não me ajudaria? – Você quer ir à minha casa mais tarde? – Levantei a sobrancelha desconfiada, e ele riu prosseguindo com uma explicação. - Vamos continuar a beber por lá, e sua amiga disse que iria se você fosse.
- Eu... – Parei para pensar, e simplesmente não podia ficar mais nem um minuto com ele, ou cometeria loucuras pioradas pela quantidade de álcool circulando pelo meu sangue. Mas não era só isso, meus pais me matariam se eu chegasse mais tarde em dia de semana com aulas normais e, portanto, eu recusaria com veemência. Porém quando eu olhei aqueles olhos azuis quase disse um sim inconsciente. Me controlei e tentei não olhá-lo nos olhos, ou eu acabaria aceitando o convite. – Não posso, gostaria muito de ir, mas não posso.
- Tudo bem, sua amiga vai ter que se conformar. – Epa! Isso é chantagem emocional, mas eu não cairia nessa.
- Se ela quiser ir, ela que vá sozinha.
- Abusada como sempre, mas eu gosto disso. – Sussurrou no meu ouvido, arrepiando até o ultimo fio do meu cabelo. Como eu me odeio!
- Eu vou ir embora. – Disse me levantando em um salto e tenho quase certeza que minhas maçãs do rosto estavam vermelhas, pois sentia todo o sangue do meu corpo fluir para aquela região.
- Eu te levo. – Falou me seguindo.
- Não precisa.
- Mas eu vou te levar. – Enquanto eu pegava as minhas coisas, ele conversava com Harry e , que formou um enorme beiço pra mim. Ela pegou suas coisas também, e logo depois estávamos no carro de Danny - a Ferrari - em direção à casa de primeiro, já que era mais perto da praia.
O caminho todo até a casa dela foi feito em silêncio. Quando me despedi apenas pronunciei um “desculpa” sussurrado, para somente ela entender. Assim que fechou a porta da casa, Danny arrancou com o carro rumo à minha. Não fiz questão de falar, mas ele se mostrava incomodado com o silêncio. Batucava no volante nervoso e sua boca estava fechada em uma linha reta - o que o deixava mais lindo -, uma clara evidência de incomodo. Ele percebeu o meu olhar nele e sorriu. Eu me virei para a janela, esperando até que minhas bochechas parassem de queimar. De repente ouvi uma música invadir o carro, e reconheci a minha banda favorita tocar uma música que eu simplesmente amava. Reprimi um gritinho histérico, porque se não além de ingênua, ele me acharia uma louca desvairada por gritar só por causa de uma banda, mas eu era assim, fato.
Os meus dedos acompanhavam o ritmo batendo na perna. Ele me olhou de soslaio, e percebi que ele umedecia os lábios enquanto um sorriso angelical se formava em seu rosto.
Kings of Leon – Use Somebody (Sugiro que você ouça a música enquanto lê esse trecho. Para escutá-la, basta clicar no play e esperar alguns segundos que a música já começa).
I've been roaming around
(Eu venho perambulando por aí)
Always looking down and all I see
(Sempre menosprezando e tudo o que eu vejo)
Painted faces, build the faces I can't reach
(Caras pintadas construindo lugares que eu não consigo alcançar)
You know that I can use somebody
(Você sabe que eu poderia usar alguém)
Someone like you, and all you know, and how you speak
(Alguém como você, e tudo o que você sabe, e como você fala)
Countless lovers under cover of the street
(Vem como amantes escondidos na rua)
You know that I can use somebody
(Você sabe que eu poderia usar alguém)
Someone like you
(Alguém como você)
Eu me sentia estranhamente bem ali com ele. Meu coração disparava a cada movimento dele em minha direção, mas também falhava quando nossos olhares se encontravam. Os pêlos da minha nuca arrepiavam a cada toque dele ocasional quando trocava de marchas, os tremores percorriam por toda a extensão do meu corpo quando o via apenas de bermuda como agora, e ele parecia gostar de me provocar. Eu nunca havia sentido algo igual antes, porém agora sentia por alguém que conheci em poucas horas.
Off in the night, while you live it up, I'm off to sleep
(Pela noite, enquanto você vive eu estou dormindo)
Waging wars to shape the poet and the beat
(Guerras que dão formas ao poeta e à batida)
I hope it's gonna make you notice
(Espero que isso faça você reparar)
Someone like me
(Alguém como eu)
Someone like me, somebody
(Alguém como eu, alguém)
I've been roaming around,
(Eu venho perambulando por aí)
Always looking down at all I see
(Sempre olhando para baixo e tudo o que eu vejo)
- Chegamos. – Avisou assim que o carro estacionou em frente à minha casa e eu, que estava presa em devaneios, assustei quando ouvi sua voz me despertar.
- Obrigada. – Sorri para ele e saltei do carro quase que correndo. Eu sabia que era cedo demais para que ele tentasse algo e eu me assustaria se ele o fizesse, mas confesso que esperava e desejava que ele tentasse. Enquanto minhas mãos lutavam com a fechadura, ouvi seu carro dar um ronco estrondoso e depois sumir na rua.
Abri a porta de casa e corri para o meu quarto e fiquei por lá o resto da tarde e a noite, sem sair pra nada. Minha mãe às vezes tentava me fazer sair, porém eu precisava de um tempo sozinha e pensar no que estava acontecendo comigo, achar uma explicação; e a única que eu poderia atribuir para o meu comportamento era os hormônios em ebulição da juventude. Tinha que ser isso!
02
No outro dia, levantei apressada assim que o despertador tocou. Corri para o banheiro e me arrumei com mais calma. Desci com a mochila nas costa e tomei meu café da manhã rapidamente. Eu esperava ganhar uma carona do meu pai, mas como sempre ele já havia saído. Naquele dia não estava a fim de ir a pé por isso peguei meu skate, meu companheiro de quase todas as horas. Eu adorava andar nele, pois dava a sensação de liberdade, velocidade e adrenalina. Peguei o ipod dentro da minha mochila, coloquei em uma música qualquer, dei um nó frouxo no cabelo e passeei pelas ruas, despreocupada. Olhei para o céu a minha frente e vi o sol brilhar em seu esplendor. Apertei os olhos tentando me acostumar com tamanha claridade, e voltei meus olhos para a rua deserta prestando atenção no meu trajeto. Faltando uma quadra para chegar à escola, um carro passou zunindo por mim e eu olhei para o ocupante do automóvel que sorria malicioso, sem me encarar. Além de gostoso era um tremendo de um exibicionista.
Entrei na escola, com o skate em mãos, encontrando minhas amigas animadas e sorridentes. Me aproximei acenando e me sentei em um banco ao lado do delas, continue escutando as músicas e nenhuma delas pareceu se incomodar comigo, por estar isolada. Minhas mãos estavam espalmadas em minhas pernas e com os dedos batucava no ritmo da musica em demonstração de nervosismo. Passei longos minutos assim e não percebi que me chamava só fui me dar conta quando ela me cutucou no ombro.
- Vamos? O sinal bateu. – Sorriu.
- Vamos! – Guardei o aparelho dentro da minha mochila e as segui sem pronunciar palavra alguma.
- O que você tem? – Perguntou aparentemente preocupada.
- Nada... Eu apenas estou pensando. – Sorri para confirmar o que eu dissera e ela deu de ombros.
- A nos contou o que aconteceu ontem. Como eu queria estar junto!
- Quem mandou matar aula. – Provoquei.
- Eu daria tudo pra ter conhecido o menino da covinha.
- O Tom? – Perguntei estranhando o interesse dela. – Por quê? Eles são uns arruaceiros e ainda por cima populares, o que diminuiria nossas chances com eles. Apesar de que esse é o mais sociável e legal deles.
- A me disse também que o aluno novo que se juntou com eles está interessado em você.
- Ela ta imaginando coisas! – Bufei entrando na sala e sentando na mesma carteira de sempre. Joguei minha bolsa no chão e meu skate ao lado. Dessa vez estava rodeada por minhas amigas e achei que estaria livre dele. Achei. Pois minutos depois o vi sentar na minha frente com uma cara tremendamente risonha.
- É esse o menino novo? – Perguntou e todas me olharam esperando alguma resposta. Bando de curiosas!
- É. – Cochichei para que ele não ouvisse. – Não vejo nada demais nele. – Ouvi uma risada debochada vir dele e estremeci. Será que ele me ouviu? Que seja! Ele não era muita coisa mesmo. Era? Ah esquece!
- Eu achei bonito. – sorriu, o analisando e riu.
- Não é de se jogar fora, mas eu prefiro o outro que é cheio de tatuagens.
- O Dougie? – perguntou espantada.
- Vocês querem falar baixo! Se vocês não perceberam um deles está na nossa frente. – Repreendi a todas, séria. Virei pra frente emburrada e acabei me assustando quando vi um par de olhos azuis me encarando.
- Estou vendo que suas amigas estão bem interessadas nos meus amigos. – Vi um meio sorriso se formar em seus lábios e meu coração foi à lua e voltou. – Você foi a única que não disse de qual de nós gostava. – Ouvi uma risada histérica atrás de mim e resmunguei algo sem nexo. Todas elas provavelmente estavam se divertindo com a minha situação nada agradável.
- De nenhum. – Respondi ríspida.
- Tem certeza?
- Absoluta. – Como eu queria dizer que era ele, mas o garoto que já era metido se tornaria insuportável.
- Sinto que você não diz a verdade. – Mordeu o lábio inferior e eu apenas observei, desejando aquela boca na minha.
- E desde quando você é adivinha? – Ele gargalhou alto e eu agradeci pelo professor ainda não ter aparecido na classe ou estaria encrencada. – Por que será que você não consegue me deixar em paz? – Senti sua mão pegar a minha e num movimento rápido ele a levou até sua boca, depositando um beijo que sinceramente me surpreendeu. Com um último sorriso ele virou-se para frente a tempo de ver o professor adentrar a sala e começar a distribuir folhetos de algum evento da escola.
- O que foi aquilo? – Perguntou impressionada.
- Ele tá afim de você . – Decretou .
- Parem de falar asneiras! – Retruquei, pegando o papel que o professor me estendia.
- Não acredito! Uma festa nessa escola! – Exclamou .
- Um pequeno aviso sobre essa festa. – Começou o professor, quando terminou de distribuir. – Todos vocês terão que ajudar a organizar, pois valerá nota. Eu dividirei as classes em grupo, porém juntarei um grupo daqui com algum de outra classe, pois vocês terão muito trabalho pela frente.
- Só espero que esse professor não nos coloque em alguma coisa terrível.
- Vou rezar pra que não seja a limpeza.
- Quando saberemos em que grupo estamos? – Perguntou uma menina loira e baixinha, conhecida por ser a favorita de todos os professores.
- Hoje mesmo. Enquanto vocês terminam os exercícios da aula passada eu termino de formar os grupos.
Eu fiz sem ser interrompida, o que eu agradeci mentalmente, e Danny parecia bem concentrado nos dele. Faltando pouco para a aula terminar, o professor foi dizendo os grupos e as funções que exerceriam na festa, fomos quase as últimas, mas não menos importante (claro!).
- , , , , e Daniel se juntarão com Thomas, Dougie, Harry e da outra sala. – Eu quase me afundei na cadeira quando ele se virou pra mim com um sorriso quase assustador. – Vocês ficarão encarregados com da música, como eu sei que os garotos têm uma banda, eu pediria que as meninas composse algo ou apenas ajudassem no som.
- Mas professor já que eles estão bem familiarizados com música, por que o senhor os deixa nisso e nos coloca em alguma outra coisa? – Perguntei desesperada.
- Primeiro porque eu quis, segundo porque eles me pediram para juntar vocês com eles porque disseram que eram boas em escrever canções e terceiro, vocês querem ficar com a limpeza?
- Não, claro que não! – Respondeu rapidamente .
- Por que vocês pediram para ele nos juntar com vocês? – Olhei para o garoto a minha frente quase com fúria. - Porque pelo que eu saiba ninguém aqui compôs uma música na vida.
- Idéia do Harry. Talvez seja porque ele gostou da sua amiga. – Olhei para que instantaneamente ficou vermelha e eu ri.
- Como conseguiu que o professor fizesse o que vocês pediram?
- Dissemos que vocês sabiam compor e seria melhor para nós só nos preocuparmos apenas com a melodia, e lógico, nosso amigo é o favorito desse professor, que faz tudo o que ele pede.
- Mas o problema é: nós não sabemos. – falou como se aquilo ainda não fosse óbvio o bastante.
- Não se preocupem, nós ajudamos vocês.
- Mas eu não acho isso certo. Vai ficar praticamente tudo para vocês fazerem. – Reclamei inconformada.
- Vocês vão ver, acabarão fazendo mais coisas do que imaginam.
- Espero mesmo.
- Ela sempre foi assim? – Perguntou ele para as minhas amigas, apontando para mim, enquanto todos nós esperávamos o professor da aula seguinte e riu.
- Acho que ela piorou de uns tempos pra cá. – Eu apenas revirei os olhos ignorando-os.
No fim da aula estávamos todos na saída da escola, resolvendo como faríamos para nos encontrar e fazer logo aquelas canções.
- Pode ser na minha casa. – Tom ofereceu. – Lá é espaçosa e os instrumentos estão todos lá.
- Em falar nisso eu tenho uma séria duvida. Vocês já se conheciam? – Perguntei apontando de Danny para eles, e Tom balançou a cabeça confirmando. – Mas o Daniel...
- Me chame de Danny. Odeio quando me chamam assim. – Reclamou pra mim.
- O Daniel – ele bufou com a minha teimosia, mas deixou passar - mudou-se pra cá há pouco tempo, não foi? – Novamente eles confirmaram.
- Mas nós já o conhecíamos, portanto a nossa banda já estava formada antes mesmo da mudança dele pra cá. – Explicou Dougie.
- E como faziam pra ensaiar? – Perguntou olhando encantada para o garoto.
- Ele sempre passava os finais de semana aqui na cidade.
- Porém vim morar aqui sozinho para me dedicar mais a banda.
- E você está morando com quem?
- Por enquanto na casa do Tom.
- Cara como vocês perguntam! – Exclamou Harry rindo.
- Curiosidade.
- Quando começamos a compor? – Perguntei, tentando voltar ao assunto inicial.
- Já temos algumas prontas que Danny e Tom compuseram. Mas se quiserem, cada uma de vocês faz uma com cada um de nós ajudando-as.
- Combinado, mas e esse tal de onde está ele?
- Faltou, mas nós o avisamos.
- Ele também é da banda?
- Não, mas nos ajuda a divulgar.
- Quando podemos ir à sua casa Tom? – fez um esforço perceptível pra não gaguejar.
- Amanhã depois da aula, pode ser?
- Claro. Agora vamos porque eu to morrendo de fome. – Reclamei passando a mão na barriga.
- Querem carona? – Dougie ofereceu apontando seu carro do outro lado da rua, que era bem menor que o do Danny.
- Não, obrigada. – Disse apontando meu skate. – Prefiro ir com o meu companheiro. - As outras também recusaram a carona agradecendo em seguida.
- Eu nunca imaginei a andando nisso! – Comentou Harry.
- Muito menos eu! Pelo menos ela tem bom gosto. – Riu Dougie da minha careta.
- Bom já que vocês não querem a carona, nós já vamos. – Danny deu de ombros e foi embora com os outros se amontoado no carro.
- Nossa ainda bem que não aceitamos, ou teríamos que ir no colo de alguém. – Disse espantada, enquanto eles se apertavam no carro e me olhou provocativa.
- E você acha que ela não gostaria de ir no colo do Danny?
- O que eu fiz pra merecer isso? – Levantei os braços olhando para o céu. Todas riram.
Passei a tarde toda fazendo as tarefas escolares, estava exausta e não tinha mais animo pra mais nada. Já tinha tomado banho e não tinha apetite, só de pensar que eu passaria uma tarde inteira ao lado de Danny refreando os meus sentimentos confusos, me deixava desanimada. Deitada na minha cama esperei o sono vir, mas nem sinal de que algo me faria dormir. Rolei pela cama por horas e quando dei por mim escutei meu celular tocar e sem muita pressa me estiquei, pegando o aparelho na mesinha ao lado. Olhei no visor e não reconheci o número. Resolvi atender e descobrir quem era.
- Alô?
- ? – Perguntou uma voz grave e rouca, muito conhecida por mim. Senti o sangue fugir do meu rosto e os cabelos da minha nuca arrepiarem.
- Sou eu... É você Danny?
- Nossa reconheceu a minha voz? – Riu malicioso. - Quer dizer que não sou tão insignificante assim pra você. – “E não é mesmo!”.
- Como conseguiu o meu número de celular? – Perguntei, tentando manter a firmeza na voz.
- O Harry tinha o da , e eu pedi pra que ele arranjasse o seu com ela.
- Traidora! – Ouvi minha voz dizer sem permissão, e uma risada gostosa do outro lado da linha ser ouvida em seguida. – Mas me diga o que você quer?
- Ouvir sua voz. – Acho que tremi toda, mas sabia que ele estava debochando.
- Conta outra. Qual o real motivo?
- Só te liguei pra avisar que você vai compor as músicas comigo.
- Não sei se considero isso como sorte ou azar. – Disse irônica. – Quem ficou com quem no final das contas?
- Eu e você; Harry e ...
- Tinha que ser! – Ri de uma maneira solta que me surpreendeu.
- e Tom; Dougie e ; e . – Disse rindo também.
- Calma! Vocês colocaram cada uma com quem elas disseram que gostava e o único que me restou foi você. Que legal. Por que não me colocaram com o ?
- Porque eu escolhi você. – Agora sim eu tenho certeza que meu corpo todo tremeu.
- Ok. Agora que eu não tenho mais escolha e me restou você, pode desligar, pois seu recado está dado.
- Como sempre abusada. Mas você tem razão amanhã tem aula e você precisa dormir cedo.
- Só eu? E você garoto?
- Não tenho problemas com sono. Boa noite e sonhe comigo. – Riu sedutor.
- Vai esperando! Boa noite. – Desliguei o celular e repousei a cabeça no travesseiro, depois que devolvi o celular para o lugar de antes. Agora o sono veio como um trovão e meus olhos pesaram e em poucos minutos estava dormindo como um bebê.
03
Mais uma vez atrasada para a aula e eu corria que nem uma louca. Só que dessa vez, por causa da minha pressa, esqueci do meu precioso skate que seria muito útil na luta contra o tempo. Novamente chegaria à escola soada, descabelada e a aparência deprimente. Ótimo! Quando é que eu vou aprender a escutar a droga do despertador quando ele tocar? De repente escutei um barulho assustador e quando olhei para trás vi uma moto me seguindo. Apreensiva, voltei minha atenção para a rua, evitando tropeçar. A moto continuava a me seguir e eu começava a ficar apavorada, foi quando ela parou ao meu lado e a pessoa que a guiava tirou o capacete revelando o rosto mais que perfeito à minha frente.
- Daniel? – Coloquei a mão na boca, reprimindo um grito histérico e suspirei aliviada por ser ele e não um qualquer.
- Surpresa? – Ele riu da minha cara e eu senti meu sangue ferver. – Quer carona?
- Não precisa, eu posso continuar o caminho sozinha e a pé.
- Deixa de ser teimosa! – Disse ele, pela primeira vez irritado. – Você não vai chegar à primeira aula, nem que corresse o seu máximo.
- Mas você tem um segundo capacete ai? – Perguntei assustada com a reação dele.
- Não, mas são poucas quadras até a escola. E você só precisa se segurar com força. Anda sobe! – Ele me entregou o capacete dele e eu com medo não retruquei, coloquei na cabeça e subi com certa dificuldade. Minhas mãos entrelaçaram a cintura dele, abraçando-o tão forte que achei que o sufocaria ou no mínimo esmagaria seus ossos. Mas ele riu e voltou a acelerar a moto, ganhando velocidade com apenas um arranque. Eu vi tudo à minha volta como um borrão, preferi fechar meus olhos e evitar a todo custo que meu estômago não botasse tudo o que eu comi para fora. O vento batia em meu rosto e meus cabelos estavam voando conforme a brisa passava. Até que estava sendo boa aquela experiência. O perfume dele invadia meu nariz, me fazendo suspirar e o calor do corpo dele de encontro ao meu, trazendo algo inexplicável pra dentro de mim.
- Chegamos! – O ouvi dizer instantes depois. Desci com a ajuda dele, que mantinha o rosto fechado em uma cara séria.
- Obrigada e me desculpe pela grosseria. – Sorri pra ele, que não conseguiu evitar uma risada.
Entrei na escola com Danny me seguindo. O olhei enquanto arrumava meus cabelos. Percebi que todas as garotas paravam o que estavam fazendo apenas para olhá-lo, ele às vezes sorria para algumas. Não deixei de notar também que seu olhar sempre procurava pelo meu, que recusava sustentar por muito tempo a intensidade de quando estavam na mesma direção.
- Olá meninas! – Eu disse cumprimentando a todas. Danny apenas acenou com a cabeça, procurando seus amigos.
- Nos procurando Jones? – Se aproximou Dougie com os outros, dando um tapa fraco nas costas do amigo e ele apenas confirmou, não proferindo uma palavra sequer.
- Achei que não chegaria a tempo para a primeira aula. – Proferiu pra mim.
- Nem eu. – Dei de ombros, sentando-me ao lado de que encarava Tom. Olhei para o garoto que a encarava também e eu resolvi fazer uma boa ação. – Sente-se aqui Tom, eu sento... – Olhei para os lados e vi um único lugar vago entre Danny e Dougie. – Ali! – Apontei um pouco receosa. Tom riu e sentou-se ao lado de , que mais parecia um tomate de tão vermelha que estava. Sentei-me entre os dois que riam do meu desconforto.
- Que foi? – Perguntei irritada.
- Nada!
- Chega pra lá Jones! Eu não sou tão pequena assim. – Reclamei empurrando-o com o corpo. Ele riu, me mostrando sua fileira de dentes brancos todo provocativo.
- Gorda!
- Gorda é o cac...
- Epa! Vamos parando por ai. – Exclamou um garoto que se aproximava de nós. Olhei tentando reconhecê-lo. Deveria ser o tal de .
- Meninas, esse é o nosso amigo . – Apresentou Dougie e o outro garoto sorriu galanteador e pousou seus olhos em uma única pessoa que pareceu agradá-lo muito. E essa pessoa estava corada até a raiz do cabelo. e pareciam perdidos em um mundinho só deles. Que tipo de tática esses garotos tinham que conseguia nos prender a eles tão facilmente?
- Prazer em conhecê-las! – disse sentando-se em um banco vago.
- Dougie sai pra lá! Você tá suado! - Exclamei quando senti seu braço melado de suor encostar em mim. O menino pareceu gostar de alguma idéia que o ocorreu no momento; e quando fui perceber, ele já estava me abraçando.
- Que nojo! Mantenha-se o mais afastado possível. – Disse fazendo cara de nojo.
- A é? – Afastou a cabeça para me olhar e seu sorriso era malicioso. E novamente ele estava maquinando algo. Antes que eu pudesse fazer algo, ele piscou para Danny, que me segurou enquanto o amigo passava todo seu suor no meu rosto. Ouvi as vozes das meninas reclamando de nojo e os meninos rindo de mim.
- SE VOCÊ TIVER AMOR AOS DENTES PARE AGORA! – Gritei entre risos e caretas. Ele ainda ria quando parou e Danny me soltou. – Você também está na minha lista negra Jones. – Apontei para Danny, que me encarou de olhos arregalados, fingindo-se de inocente.
- Nunca te ouvi me chamar pelo apelido, . – Retrucou manhoso. Achei graça daquela cena e gargalhei.
- Porque eu não vejo necessidade para fazê-lo e quando eu o fizer significa a minha falta de sanidade mental. – Ele me olhou, fazendo bico. – Eu só não te chamo pelo apelido, pois ainda não temos intimidade o suficiente.
- Opa! Se for esse o caso, eu resolvo num minuto.
- Cala boca garoto! – Seu sorriso de canto estava presente em seu rosto e se aproximou de mim, com uma expressão maliciosa e eu fui me afastando até que cai com o tronco no colo de Dougie, que sorriu me olhando com a cabeça apoiada em seu colo.
- Acho que ela me prefere dude! – Todos riram. Danny apenas me ajudou a levantar, um pouco contrariado e divertido com a situação. Sophie – uma das garotas mais populares da escola - passou atraindo olhares de todos os garotos da roda, junto de sua amiga Lauren. A primeira jogou os longos cabelos loiros para trás, piscando para Danny que esboçou um sorriso malicioso. Já Lauren se contentou em apenas observar o jogo de sedução da amiga, colocando uma mecha do seu cabelo preto atrás da orelha. As duas eram lindas, mas enquanto uma era atirada, a outra era mais tímida.
- Eu vou subir! – Declarei levantando-me. Não suportaria aquela cena ridícula na minha frente. Como ele podia depois de tentar me beijar – mesmo que de brincadeira – ficar jogando charme pra cima daquela piranha?
Quase sai correndo, mas me contive a andar a passos largos, para não dar a entender que estava tão afetada assim com o acontecido. Senti que estava sendo seguida e olhei para trás e encontrei em meu encalço. Provavelmente as outras ficaram mais um pouco até o terceiro sinal, conversando idiotices com os garotos.
- O que foi que aconteceu? – Meu sangue pulsava com tanta intensidade nas veias que podia jurar que estouraria a qualquer momento. Estava nervosa e precisava me desabafar e quem melhor que , a mais sensata das meninas?
- Eu não sei o que está acontecendo comigo... – Passei as mãos no cabelo em demonstração de nervosismo. Continuei andando, olhando para os corredores, menos para ela. – Eu me sinto estranha quando estou com ele.
- Com o Danny?
- Sim. Ele me deixa irritada, me tira do sério com uma facilidade, mas também me faz sorrir, me faz sentir vergonha e... É estranho! – Reclamei olhando-a nos olhos assim que nos sentamos nas nossas devidas carteiras. Para o meu alívio, não havia ninguém na sala.
- Será que isso não é paixão? – Perguntou entre séria e divertida.
- Claro que não! Não faz nem dois dias que nos conhecemos. – Disse desesperada.
- Conhece as palavras: amor à primeira vista?
- Conheço, mas não acredito. Isso só existe em livros de romances e eu não vivo um conto de fadas e sim a realidade. E além do mais, ele convive com aqueles garotos problemas.
- Não seja preconceituosa, você nunca foi disso! – Exclamou incrédula.
- É, eu sei.
- Você só está tentando achar uma desculpa pra algo que ou é inexplicável, ou é o óbvio e só você não quer ver.
- Eu prefiro a primeira opção. – Sorri, tentando aliviar a tensão que se instalava entre nós duas.
- Seria muito fácil escolher. Mas pense com calma e tente descobrir.
- Mais do que estou pensando é impossível! Acho que meus neurônios estão pifando.
- Você consegue. – Sorriu, e em um gesto de conforto segurou em minha mão com força, para logo depois desviar seus olhos para os alunos que entravam na sala. Daniel e as meninas foram os últimos a adentrar.
- Vocês estão ansiosas para assistir a aula de química? – Questionou Daniel debochado.
- E se eu estiver, o que você tem haver com isso? – Retruquei, sentindo a irritação borbulhar em meu sangue. Não pelo comentário, mas por me imaginar apaixonada por ele.
- Nada estressada. – Tá bom, agora exagerei e senti pena do modo como o tratei.
- Desculpa... – Respondi baixo, mas não o bastante para que ele não escutasse.
- Quem diria, me pedindo desculpas? E olha que é a segunda vez. Esse momento vou guardar na memória pra sempre! – Ele sorriu.
- Vai ser a segunda e última vez que você me escuta dizendo isso.
- Espero que não... – Aproximando sua boca do lóbulo da minha orelha, sussurrou malicioso e seu hálito quente batia em meu pescoço me fazendo tremer com facilidade. – Você ainda vai me pedir mais do que desculpas, vai me implorar por mais quando conseguir provar do que eu sou capaz de fazer. – Senti até o último fio de cabelo arrepiar, meu coração gelar para depois acelerar e as famosas borboletas dando sinais em minha barriga.
-... – Tentei articular algo, mas minha boca abria e fechava várias vezes. Respirei fundo e tentei colocar firmeza em minha voz. – Vai sonhando! – Ele se afastou sorrindo, duvidando de que eu seria capaz de recusá-lo.
- Que garoto petulante! – Disse alto para que ele ouvisse e caisse na real de que eu não estava afim dele.
04
Mais uma manhã maçante se passou e já estava na hora de irmos para a casa de Tom, que não ficava muito longe da minha. Preferi passar primeiro em casa, comer algo e trocar o uniforme para depois ir pra lá. Optei por uma blusinha de alça, um jeans, um all star e, por precaução, um casaco caso a noite fizesse frio, nunca se sabe com o clima londrino. Especialmente quando este é sempre nublado. Deixei um recado na geladeira avisando a minha mãe meu paradeiro e que eu chegaria mais tarde em casa. Peguei minha bolsa e meu celular, verificando o horário. Andei sem muita pressa pelas ruas e quando cheguei à porta da casa dele, percebi que estava adiantada. Toquei a campainha e logo fui atendida pelo dono da casa, que sorriu simpaticamente e com um gesto me fez entrar.
- Pelo o que vejo só eu cheguei. – Olhei para a sala e fiquei impressionada como era organizada e luxuosa. Dois sofás de cor creme, um tapete persa, uma mesinha de centro de mogno, uma estante também mogno, uma TV de plasma, um som estéreo de ultima geração, CDs e DVD's organizados em uma prateleira, quadros de paisagens, um lustre sofisticado e, para completar, um vaso de rosas vermelhas em cima da mesinha. Fiquei realmente impressionada e tentei imaginar os outros cômodos.
- O Danny também está aqui.
- Se quiser que eu volte mais tarde, não me importo... – O que eu mais queria era não ter a oportunidade de ficar sozinha com Daniel.
- Não precisa. Se junte a nós lá em cima. Estávamos ensaiando uma musica enquanto esperávamos.
Um pouco envergonhada, subi as escadas de madeira seguindo Tom, que entrou em um corredor cheio de portas até pararmos na última, da onde saia um som de violão. Uma melodia romântica era tocada e uma voz masculina cantava baixo, mas era o suficiente para que eu ouvisse quando Tom abriu a porta. Dei de cara com Danny, que sentado no chão, dedilhava o violão compenetrado na música. Ele parecia cantar com emoção como se aquilo que dissesse fosse a sua verdade. Nem percebeu a nossa presença e eu apenas o escutava com o coração acelerado. Era a música mais bonita que eu já ouvira. Era o garoto mais bonito e irresistível que eu jamais vi antes.
Mcfly – Not Alone
And I, I get on the train on my own
Yeah, My tired radio keeps playin' tired songs
And I know that’s there's not long to go, oh
And all i wanna do is just go home
'Cause I'm not alone (no, no, no)
But I'm not alone (no, no, no)
Quando ele nos percebeu, parou de tocar assustado, mais pela minha presença do que com qualquer outra coisa. Ele me olhava e eu quase perdi a fala, mas eu queria ouvir aquela música, queria ouvi-la inteira, eu precisava. Meus pés involuntariamente andaram em sua direção e eu me agachei à sua frente com um sorriso estampado no rosto.
- Continua, por favor! – Pedi para logo em seguida me sentar à sua frente e esperar que ele prosseguisse, e foi o que ele fez com um enorme sorriso no rosto. Percebi que ele tocava do começo a música, como se tivesse lido o meu pensamento e para me agradar o atendera de bom grado. Fiquei exultante.
Life is getting harder day by day
(A vida tem ficado difícil dia após dia)
And I, I don't know what to do what to say, yeah
(E eu, eu não sei o que fazer, o que falar, sim)
And my mind is growing weak every step I take
(E minha mente está enfraquecendo a cada passo que eu dou)
It's uncontrolable now they think I'm fake Yeah
(É incontrolável, agora eles pensam que sou uma farsa)
'Cause I'm not alone (no, no, no)
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone (no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
I'm not alone
(Eu não estou sozinho)
And I, I get on the train on my own
(E eu, eu pego o trem sozinho)
Yeah, My tired radio keeps playin' tired songs
(Sim, meu rádio cansado continua tocando músicas cansadas)
And I know that’s there's not long to go, oh
(E eu sei que não falta muito para chegar)
And all I wanna do is just go home
(Tudo que eu quero é apenas ir pra casa)
Ele me olhava com ternura, carinho e... Paixão? Não, era muito mais do que isso, mas eu não queria saber, queria apenas ouvir aquela musica que tanto me fascinara. A voz aveludada e rouca dele soava pelas paredes do ambiente fazendo com que tudo ali ganhasse vida e cor. Eu não conseguia mais controlar as batidas do meu coração, um frio percorreu minha espinha quando nossos olhares se encontraram e quando os desviou de mim os fechei para poder sentir e guardar aquela sensação boa que eu estava sentindo e só ele me fazia sentir naquele momento.
'Cause I'm not alone (no, no, no)
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone (no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
People rip me for the clothes, I wear, yeah yeah
(As pessoas me criticam pelas roupas que eu visto, sim, sim)
Every day seems to be the same
(Todo dia parece o mesmo)
They just swear, yeah
(Eles apenas falam palavrões, sim)
They just don't care
(Eles apenas não se importam)
'Cause I'm not alone (no, no, no)
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone (no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone Yeah, Yeah
(Mas eu não estou sozinho)
But I'm not alone
(Mas eu não estou sozinho)
Quando a música terminou, Danny continuou encarando o violão e eu percebi que não estava sozinha no cômodo com ele. Finalmente percebi que Tom também estava lá e nos olhava com uma sobrancelha erguida, sentado em um dos baquinhos que estava por ali. Eu não sabia o que falar, por isso resolvi ficar calada, mas nem foi preciso evitá-lo por muito tempo, pois logo em seguida ouvi vozes subindo as escadas, e quando olhei vi que Tom entrava novamente no quarto com o pessoal que faltava. Eu nem havia percebido que ele saíra e muito menos escutei a campainha tocar. Realmente eu estava hipnotizada por aquele garoto.
Seus olhos finalmente desviaram-se do violão para pousar em mim e eu sorri agradecida, recebendo um outro de volta.
- E ai pessoal, vamos começar? – Perguntou Harry apressado, percebendo o clima.
- Claro!
- Nossa , você tá empolgada hein?!
- Vamos ficar todos aqui compondo as músicas? – Questionou .
- Não. Cada um vai pra um quarto com o seu par ou para a sala, cozinha, tanto faz, mas todo mundo no mesmo ambiente vai ser impossível, ou isso aqui vai virar uma bagunça.
- Dougie, olha pra mim. – disse séria apontando um dedo pra cara dele que a olhava assustado. – Se você tentar algo eu juro que te mato, mas primeiro te faço sofrer por perder seu querido amigo aí de baixo. – Apontou dessa vez para a parte entre as pernas dele, que logo fez uma cara de dor só de imaginar.
- Até parece que ela não vai gostar se ele tentar. – Sussurrou pra mim e eu gargalhei.
- Eu escutei . – Disse fulminando a amiga com o olhar. – Agora promete Dougie.
- Eu prometo o que você quiser tchutchuca!
- Tchuchuca?! Que brega! – Todos riram.
- Da onde você tirou essa expressão chula Poynter?
- Sei lá! Ouvi em algum lugar, não lembro aonde, e gostei... – Deu de ombros e deu um tapa em sua própria testa.
- Cada um pegando o seu par e procurando um quarto vago. Anda! – Mandou , se manifestando pela primeira vez.
- Isso não me soou bem. - Olhei sugestiva para o garoto da covinha. Todos ali presentes riram do tom rosado que o garoto adquirira no mesmo instante que percebeu a ambigüidade de sua frase.
- Vamos Dougie, antes que eu me arrependa de ter concordado de fazer par com você. – Ela o pegou pelo braço, correndo para fora do quarto. O mais hilário foi a cara tarada que o garoto fazia.
- Vamos ? – Disse em pé atrás de mim, bem perto do meu ouvido. Juro que eu fiquei que nem gelatina. Apenas confirmei com a cabeça, seguindo para fora do cômodo e andando no corredor do lado oposto do que estávamos. Entramos em um quarto. Olhei ao redor analisando o local, uma cama king size com colchas impecavelmente brancas, um closet, uma portinha do outro lado que provavelmente deveria ser o banheiro, uma porta de vidro de correr que dava para a sacada, uma mesinha, um computador de última geração, uma mesinha de cabeceira de madeira e uma das paredes do quarto era azul enquanto as outras eram brancas. Definitivamente eu me sentia à vontade naquela casa!
- Esse é o meu quarto, quer dizer, o quarto que o Tom me emprestou. – Ele falou, sentando-se na cama.
- O Tom é trilhardário e eu não sabia? – Perguntei incrédula. Aquela casa era enorme, os dois quartos em que estive eram enormes, tudo ali era de última geração, luxuoso e caríssimo. Danny riu e me olhava admirado com a minha simplicidade. Peguei a cadeira da escrivaninha e me sentei, tentando manter a distância, pois estávamos sozinhos e isso era muito perigoso para mim. – Por onde começamos?
- Você vindo pra mais perto ou não teremos como fazer algo decente. – Bufei e levantei caminhando até a cama, sentando-me nela do lado oposto. – Mais perto ou não vou ver o que você vai escrever. – Danny se esticou e me puxou pela cintura, fazendo com que eu ficasse quase encostada nele. Tirei meus tênis para não sujar a cama e ele fez o mesmo, esticamos as pernas e eu peguei minha bolsa sacando um caderno e uma caneta de dentro dela.
- Eu não sei nem como começar uma música, acho que isso não vai dar certo. – Comentei desesperada, olhando para a página em branco à minha frente.
- Escreva aquilo que vem no seu coração.
- Você que escreveu aquela que estava tocando? – Perguntei curiosa.
- Sim.
- É linda! Acho que uma das melhores que ouvi. – Sorri sincera.
- Você toca algo? – Perguntou, depois de alguns minutos de silêncio.
- Sei... Quer dizer eu sabia tocar violão. Mas não era boa. – Confessei envergonhada. Ele tocava tão bem, que perto dele eu parecia tocar algo horripilante e desafinado.
- Nunca a imaginei tocando.
- Você não conheceu nada ainda. – Ele riu e piscou. - Eu aprendi mais ou menos com 10 anos, mas não fui pra frente porque era difícil e minha paciência era curta.
- Se quiser eu te ensino. – Dei de ombros pensando na possibilidade. - Canta?
- No chuveiro. – Ele soltou uma gargalhada alta e gostosa, um som agradável para os meus tímpanos.
- Tenta. – Eu o olhei com a testa enrugada e os olhos arregalados.
- Como?!
- Cante algo. Só para que eu tenha noção de como é sua voz.
- Não, isso é humilhante! Minha voz não chega nem aos pés da sua. – Falei rápido e sem pensar.
- Anda logo! – Disse confiante e me desafiando com o olhar. Eu odiava ser desafiada, pois sempre acabava entrando no jogo e fazendo o que me pediam.
- Inteira?
- Se quiser... Espera! Eu vou pegar o violão. – Ele desceu da cama, saiu do quarto e minutos depois voltou com o objeto nas mãos. Pulou em cima da cama fofa, voltando a ficar do meu lado como antes. Puxei uma lufada de ar para os meus pulmões, tentando me acalmar e ser o mais razoável possível para não passar vergonha. – Você toca! – Disse me entregando o violão. Toda a autoconfiança que eu reuni, foi para o ralo quando o ouvi dizer isso.
- Eu acho que...
- Você consegue! – Peguei o violão estendido em minha direção, e tentei puxar pela memória uma das músicas que eu sabia de cor tocar. Perfeito! A minha música preferida! Que agora era a minha segunda preferida, pois a primeira era a do Danny.
Comecei a tocar meio insegura, mas conforme eu dedilhava o violão e as notas ficavam claras em minha cabeça, criei uma autoconfiança que aumentou quando olhei seus olhos.
Avril Lavigne – Don’t Tell Me
You held my hand and walked me home I know
(Você segurou a minha mão e me levou até em casa, eu sei)
While you gave me that kiss it was something like this it made me go (ooh ohh)
(Por que você me deu aquele beijo foi algo assim e me fez ir oh oh)
You wiped my tears, got rid of all my fears
(Você enxugou as minhas lágrimas, me livrou de todos os meus medos)
Why did you have to go?
(Por que você teve de ir embora?)
Guess it wasn't enough to take up some of my love
(Acho que não foi o suficiente para ganhar um pouco do meu amor)
Guys are so hard to trust
(Porque você é muito difícil de confiar)
Did I not tell you that I'm not like that girl?
(Eu não te disse que eu não sou que nem aquela garota?)
The one who gives it all away
(Aquela que se entrega toda?)
Did you think that I was gonna give it up to you, this time?
(Você achava que eu ia me entregar a você dessa vez?)
Did you think that it was something I was gonna do and cry?
(Você achava que isso era algo que eu ia fazer e chorar?)
Don't try to tell me what to do,
(Não tente me dizer o que fazer)
Don’t try to tell me what to say,
(Não tente me dizer o que falar)
Your better off that way
(Você é melhor desse jeito)
Fiz menção de parar, mas com um gesto ele mandou que eu prosseguisse e observei por breves segundos aqueles olhos azuis que me davam forças. Voltei os olhos para o violão, tocando de maneira mais confiante. Até que não estava tão ruim assim, só precisaria de um pouco mais de prática. Quem sabe o Danny me ensinando eu melhorasse e... Espera! Eu estava pensando mesmo em pedir ajuda pra ele? Meu Deus, eu nunca cogitei a idéia de voltar a tocar e naquele momento estava fazendo exatamente isso. O que está acontecendo comigo?
Don't think that your charm and the fact that your arm is now around my neck
(Não pense que o seu charme e o fato de que o seu braço está agora em volta do meu pescoço)
Will get you in my pants
(Vai te trazer pra dentro das minhas calças)
I'll have to kick your ass and make you never forget
(Eu terei que chutar o seu traseiro e te fazer nunca mais esquecer)
I'm gonna ask you to stop
(Eu irei te dizer pra parar)
Thought I liked you a lot, but I'm really upset
(Pensei que eu gostasse muito de você, mas eu estou realmente irritada)
Get out of my head get off of my bed yeah that’s what I said
(Então saia da minha cabeça, caia fora da minha cama sim, foi o que eu disse!)
Did I not tell you that I'm not like that girl, the one who throws it all away?
(Eu não te disse que eu não sou que nem aquela garota aquela que se entrega toda?)
Did you think that I was gonna give it up to you, this time?
(Você achava que eu ia me entregar a você dessa vez?)
Did you think that it was something I was gonna do and cry?
(Você achava que isso era algo que eu ia fazer e chorar?)
Don't try to tell me what to do
(Não tente me dizer o que fazer)
Don’t try to tell me what to say
(Não tente me dizer o que falar)
Your better off that way
(Você é melhor desse jeito)
This guilt trip that you put me on won't, mess me up
(Essa viagem de culpa que você me colocou, não vai me enlouquecer)
I've done no wrong
(Eu não fiz nada de errado)
Any thoughts of you and me have gone away
(Qualquer pensamento de você e eu, foram embora)
I'm better off alone anyway
(Eu estou bem melhor sozinha mesmo)
Eu estava tão envergonhada e ele não dizia nada, a expectativa crescia em meu peito e uma única palavra passava em minha cabeça: fracasso.
- Você foi ótima! – Disse finalmente, tirando um grande peso do meu coração. – Mas precisa melhorar o canto e treinar um pouco mais o violão, mas isso só se quiser virar profissional, porque se não quiser, não há necessidade.
- Obrigada... Eu acho. – Ele riu e pegou o violão do meu colo, colocando-o no chão.
- Vamos começar?
- E como se começa? – Eu ri nervosa.
Ficamos horas tentando encaixar frases sem nexo, que saiam da minha cabeça e eram melhoradas por Danny. Estava me sentindo ótima e patética ao mesmo tempo. Riamos de coisas sem sentidos, tirávamos sarro da cara do outro. Parecíamos melhores amigos de infância e isso me deixou à vontade, melhor do que ficar o tempo todo constrangida de algo que eu tenha dito e que possivelmente possa ser mal interpretado por ele.
- Vamos ver o que temos por enquanto. – Ele pegou o papel e começou a ler. – “You don't have to have money to make it in this world. You don't have to be skinny baby if you wanna be my girl. Oh you just got to be happy but sometimes that's hard so just remember to smile, smile, smile and that's a good enough start”. (Você não tem que ter dinheiro para viver nesse mundo, você não tem que ser magra, baby se quer ser minha garota. Oh você só tem que ser feliz, mas às vezes isso é difícil. Só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir e isso é um começo bom o suficiente.)
- Eu achei que nem faríamos a primeira linha, e temos já um bom pedaço. Estou impressionada. – Comentei, pegando o papel dele e relendo.
- É melhor acabarmos por hoje. – Falou, levantando-se da cama e eu fiz o mesmo olhando para o relógio. Como as horas passaram rapidamente! Já estava quase para anoitecer e eu nem percebi. – Vamos ver o que os outros estão aprontando.
Procuramos por todos os cômodos do andar de cima e nenhuma alma viva se manifestava. Descemos as escadas e vimos todos na sala bebendo, conversando e jogando vídeo game. Eu andei até as minhas amigas com um bico enorme no rosto, ouvindo minha barriga roncar.
- Que bico é esse? – Perguntou enquanto eu sentava ao lado dela e do Harry.
- Fome! – Disse passando a mão na barriga quando ela novamente roncou. – Você ouviu? Foi muito alto!
- Eu não ouvi, mas também to com fome. – Respondeu Harry, colocando uma de suas mãos em meu ombro.
- Tom, o que tem pra comer? – Gritou enquanto apertava com força os botões do controle. – SAI DOUGIE! VOCÊ TÁ ME FAZENDO PERDER!
- Cara ela é estressada quando tá perdendo...?
- Também olha contra quem ela tá jogando. Comigo ela sempre vai perder. – Disse um vitorioso, fazendo uma dançinha ridícula no meio da sala e o olhava risonha e as faces rosadas. Mais uma apaixonada?
- Vamos pedir uma pizza! Quem quer pizza? – Perguntou Danny. Todos levantaram as mãos e ele pegou o celular para fazer os pedidos. – Quais os sabores?
- Calabresa!
- Quatro queijos!
- Presunto e queijo...
- Qualquer uma...
- Existe esse sabor?
- Eu também quero Calabresa!
Disse todos ao mesmo tempo.
- Quem pediu o que, porque eu não entendi nada! – Danny reclamou rindo.
Horas depois, estávamos espalhados pela sala; cada um em seu canto, deitado olhando pro nada, outros assistindo TV ou apenas conversando. Todos ignoravam os trovões que davam um claro sinal de que em breve choveria. Caixas vazias de pizza estavam amontoadas num canto da sala, latinhas de refrigerante e cerveja espalhadas junto. Cansada de olhar para o teto, levantei-me e catei todo o lixo, tentando equilibrá-lo nos braços; quando uma alma bondosa resolveu me ajudar, tirando quase metade do que eu tinha em mãos. Olhei para o meu salvador, e lá estava Danny, todo prestativo com um sorriso no rosto e nada cobrindo o seu peitoral, o que me fez ir ao delírio.
Fui para a cozinha com as mãos tremendo, mal dando conta de segurar as poucas caixas. Joguei-as no lixo e andei apressada até a geladeira. Fiquei olhando por alguns (muitos) minutos para ela, a fim de me recompor. Peguei a jarra de água, levei até a pia e despejei o conteúdo dentro do copo. Tomei de um só gole, sentindo o liquido gelado descer por minha garganta. Logo depois, devolvi o copo para a pia, suspirando. Olhei para o lado esperando estar sozinha na cozinha, porém encontrei Danny encostado no batente da porta com os braços cruzados, me olhando com os lábios repuxados em um sorriso.
- O que foi? – Perguntei permanecendo onde estava.
- Nada, só estava te olhando.
- E o que tem nisso de interessante? – Ele riu desafiador, aproximando-se em passos lentos. Não tinha como fugir, e mesmo que eu tentasse, facilmente ele me encurralaria. Encostei-me na parede, como se ela fosse abrir um buraco a qualquer momento e me livrar daquela situação, porém o vi perto demais e suas mãos em volta de meu corpo, me prendendo ali. Suas mãos estavam espalmadas na parede, enquanto as minhas estavam em seu peito, evitando algum tipo de contato maior que aquele. Eu já sentia a sua respiração bem próxima do meu rosto e os seus olhos azuis me hipnotizar.
- Você se menospreza demais. – Sussurrou em meu ouvido, mordendo o lóbulo em seguida. Meu corpo todo correspondeu àquele ato. Minhas pernas já não sustentavam o peso do meu corpo, as famosas borboletas passeavam por minha barriga, o frio na espinha era constante e uma enorme vontade de provar o gosto do seu beijo tomou conta de mim. Mas ao invés de tudo o que eu esperava que acontecesse, o vi me soltar e sair da cozinha sorrindo cinicamente. Eu sabia que na verdade ele estava rindo da maneira como brincara comigo e eu gostara. Eu fui fraca demais! Cai no seu joguinho, como ele esperava. Eu não seria mais uma em sua lista! Não mesmo.
- Burra... – Sussurrei para mim mesma. Eu não podia deixá-lo brincar assim comigo!
Fui até a sala com cara de poucos amigos, sentei em um sofá, recostei a cabeça no encosto, fechei os olhos puxando uma lufada de ar para os meus pulmões, na tentativa de que isso fosse organizar as minhas idéias, porém elas continuavam a rodar e sempre paravam no mesmo ponto: os olhos azuis e sedutores de Daniel.
O melhor que eu tinha a fazer era me afastar dele, e pôr minhas idéias em ordem naquela noite, antes de enfrentá-lo de novo; e isso significava ir embora o mais rápido daquela casa. Levantei-me do sofá, peguei minha bolsa, despedi-me de todos alegando uma forte dor de cabeça e sai da casa o mais rápido que pude sem olhar para trás.
- Você está fugindo? – Perguntou uma voz inconfundível assim que coloquei os pés na calçada. Peguei meu celular e disquei o número de casa. Olhei de soslaio para o lado e encontrei Danny me olhando furioso. Furioso? Eu é que tinha que ficar daquele jeito! Fora ele quem me provocara e me deixara falando sozinha como uma idiota. Percebi alguns pingos de chuva cair, mas não me importei.
- Só estou tentando ir pra casa. – Pausei quando ouvi a voz da minha mãe do outro lado da linha. – Alô? Você pode vir me buscar? O endereço está no recado que eu deixei na geladeira... Estou esperando. – Cinco minutos e eu estaria longe dele e dos meus sentimentos confusos. Guardei o celular no bolso e suspirei profundamente, desejando que aquilo não estivesse acontecendo. Olhei para o céu cinzento, e um relâmpago cortou o céu. O vento gelado sem piedade me rondava, me fazendo tremer. Apertei o casaco que eu levara, prevendo a mudança de clima, contra o corpo e passei a olhar as ruas na tentativa de ignorá-lo, mas sabia que ele não se daria por vencido tão facilmente. Não demorou muito para que a chuva começasse a engrossar, ensopando as minhas roupas, mas como disse antes, eu não estava me importando contanto que aquilo me fizesse sentir melhor.
- Eu te levo...
- Se não percebeu, alguém já vem me buscar!
- E você vai ficar esperando aqui? – Não respondi, e muito menos ousei olhá-lo, tamanha era a minha raiva. – Por que você sempre tem que ser difícil? – Parei de olhar a rua e o encarei furiosa.
- Afinal de contas o que você quer comigo? – Meus olhos imploravam por respostas, e eu via isso refletido em seus azuis profundo. – Você o tempo todo me provoca, me faz sentir coisas estranhas e depois finge que isso é natural...
- A única coisa que eu quero, é que você cometa loucuras uma vez na sua vida. Se arrisque! – Ele me olhava com tal intensidade, que me senti despida.
- Como o que?! Entregar-me a essa loucura, ou melhor, me entregar a você? Nunca! O tempo todo você só queria isso, não é? Queria que eu fosse mais uma. – Senti um ódio surdo tomar conta de mim, me impossibilitando de ver as coisas com clareza. – Eu sempre soube que você não era alguém em quem eu podia confiar. Você... – Eu falava sem parar, e quando me dei por mim, fui virada com brutalidade e no instante seguinte senti seus lábios macios tocarem os meus. Sua língua com delicadeza me pedia passagem, eu cedi entreabrindo os lábios e sentindo a língua dele procurar pela minha, sedenta de paixão. Instintivamente fechei os olhos, enlacei seu pescoço com meus braços e correspondi ao beijo voluptuosamente. Eu estava correspondendo? Que tipo de poder ele tinha sobre mim?
Suspirei inconformada comigo. Fiquei surpresa de como eu esperava por aquele momento ansiosamente. As gotas de chuva, que escorriam por nossos rostos, morriam no exato momento que chegavam em nossas bocas, se misturando ao beijo, dando um sabor irresistível e provocante. Eu queria continuar ali, parar o tempo, mas eu sabia que uma hora teríamos que nos encarar, porém eu iria aproveitar enquanto durasse. Tudo à minha volta era ínfimo, perto do que eu estava sentindo, e o que eu mais desejava era tê-lo cada vez mais perto, como se aquilo fosse possível. Partimos o beijo quando nos faltava o ar, e eu não conseguia olhá-lo diretamente nos olhos, por isso abaixei a cabeça. Eu estava ofegante e provavelmente corada, pois eu sentia minhas bochechas queimarem. Meus cabelos pingavam, minhas roupas estavam encharcadas e, no meu íntimo, eu estava entre exultante e confusa, este não era novidade, mas quanto a estar feliz por beijá-lo, era algo muito mais complexo.
- ... – Sua voz estava rouca e falha, mas pude ouvi-lo perfeitamente. Não quis olhá-lo, não estava pronta. Porém, ele com os dedos em meu queixo, levantou a minha cabeça na altura da dele e com firmeza a segurou. – Eu...
Mal ele começou a falar, e ouvi uma buzina irritante e insistente nos interromper; olhei para o lado e vi minha mãe me chamar. Olhei novamente para ele, que suspirou frustrado, e não pude deixar de ficar descontente com isso também.
- Vai lá. Quem sabe algum dia não terminamos essa conversa? – Sorriu fraco e me soltou. Não pensei duas vezes e corri para o carro do outro lado da rua. Entrei e, minutos depois, vi sua imagem se afastar conforme o carro andava. Ao invés de entrar, ele continuava lá, encarando o automóvel se distanciar sem mover um só músculo. Assim que o veículo virou a esquina, voltei a olhar para frente e me afundei no banco, fechando os olhos e desejando que minha mãe permanecesse calada e me deixasse sozinha com as minhas idéias.
Continua...
N/A: Nossa eu fiquei tão feliz quando vi a minha fic no site! Minha garganta doeu tanto de gritar, pulei que nem macaca pela casa e liguei pra Gabi avisando pra ela e puxa ela comentou, foi à primeira! Tá tô falando demais. Espero que vocês estejam gostando. Tô torcendo pra que a minha história esteja agradando nem que seja um pouco. Estou me esforçando muito pra que ela seja boa.
N/B: Era pra ter sido att antes, mas eu tive alguns probleminhas e atrasei o prazo :S Desculpa Thais, isso não vai acontecer de novo. Qualquer erro, me manda um e-mail: mah_ffadd@hotmail.com