You Should Know By Now
Autora: Thaís Fernanda | Beta-Reader: Lizzie

01


Parece ser um daqueles dias em que seu pai grita com você sem motivo aparente, quando seu humor já está péssimo. Acorda atrasada e mal dá tempo para você se arrumar decentemente, pelo menos para disfarçar as olheiras causadas por uma noite mal dormida. E quando não dava para piorar, seu querido pai te manda ir a pé, mesmo que isso signifique que tenha que perder uma aula. Pois esse foi o começo do meu dia, ou melhor, meu péssimo dia.
Cheguei suada, ofegante e tremendo, porém forcei para que minhas pernas me obedecessem e me fizessem o favor de seguir o caminho pelo corredor. O calor estava insuportável, a camisa do meu uniforme grudava em minha pele, minha garganta implorava por água, mas eu não podia atender aquele pedido ou poderia levar uma advertência por chegar atrasada na segunda aula. Me aproximei da porta da sala de aula e me encostei na parede ao lado, tentando em vão recuperar o fôlego. Meus pulmões pareciam rejeitar a grande quantidade de ar que eu tentava inspirar, mandando o oxigênio de volta, para fora da minha boca. Percebi que aquela luta que eu travava com meu corpo já estava perdida, e a única coisa que me restava a fazer era entrar dentro daquela sala, receber olhares desaprovando minha aparência e uma bronca que me deixaria envergonhado.
Antes de entrar respirei fundo mais uma vez, ajeitando meus cabelos que se encontrava em total desalinho e girei a maçaneta, abrindo a porta com certa dificuldade. Entrei na sala pedindo desculpas e caminhei para a minha carteira habitual dos fundos. Abri meu caderno, copiando o mais rápido que pude a matéria escrita no quadro negro. Estava tão concentrada que não percebi uma mão encostar no meu ombro, me fazendo gritar de susto. Não preciso nem dizer que todos me olharam feio e novamente pedi desculpas para logo em seguida olhar para trás e encontrar minha melhor amiga, , se divertindo com meu embaraço.
- Não cumprimenta mais os amigos? – Perguntou, reprimindo uma risada que ameaçava sair.
- Oi. – Respondi irônica. – Satisfeita? Depois nós nos falamos, tenho que terminar isso ou esse professor ranzinza vai me fazer copiar cinco páginas por sua causa.
- Tudo bem. – Disse dando de ombros. Voltei minha atenção no caderno e quando voltei a copiar, o professor apagou a lousa na parte em que eu estava copiando. Bufei estrondosamente, sentindo meu sangue todo ferver de raiva. Meu dia não podia estar sendo pior.
Senti algo pontudo cutucar meu braço e quando me virei para esbravejar com a pessoa que ousava me perturbar, vi um caderno estendido em minha direção e um sorriso iluminado direcionado à mim. Ergui uma de minhas sobrancelhas, olhando a pessoa ao meu lado que não se sentia incomodado com minha pequena análise. O garoto não dizia nada, continuava com a mão estendida me oferecendo a salvação para o meu dia, pois se o professor visse que eu não havia copiado toda a matéria na certa ele me mandaria para a direção. Peguei o livro e sorri fraco em forma de agradecimento. Voltei a minha atenção para o caderno, copiando em uma velocidade recorde, que até mesmo me surpreendeu. Olhei para o lado esperando ver aquele sorriso de novo, porém ele olhava interessado para o que o professor explicava. Mesmo assim continuei observando aquele rosto de pele macia, lábios rosados, olhos penetrantes e profundamente azuis. Nunca vi olhos tão hipnotizantes como aquele. Quando dei por mim ele também me encarava com um sorriso de canto, fazendo meu corpo tremer e eu me odiei por não conseguir pronunciar uma palavra sequer diante daquele olhar. Será que ele era real ou fruto da minha imaginação (diga-se de passagem, muito fértil)? Nunca o vi no colégio e muito menos em minha classe. Só podia ser novo. Era a única explicação para que eu não o tenha notado. Ele pigarreou chamando a minha atenção e esperou que eu dissesse algo, o que foi realmente difícil fazer com ele me encarando da cabeça aos pés.
- Obrigada! – Agradeci devolvendo o caderno, desejando que na entrega nossas mãos se encostassem, o que para a minha infelicidade não aconteceu.
O que eu estava pensando? Eu mal conhecia o garoto e já estava desejando um contato maior com ele? Meu Deus, o que está acontecendo comigo hoje? Claro que nenhuma dessas perguntas teve respostas, mas o garoto à minha frente sorria para mim.
- Foi um prazer te ajudar. – Se virou para frente, me deixando completamente sem ar ao escutar uma voz tão grave e rouca como aquela. Tem algo mais nele que me faria perder a sanidade mental? Endireitei-me na cadeira, tentando a todo custo entender as palavras do professor que mais me pareciam códigos. Meus pensamentos sempre me lembravam o sorriso daquele garoto, o que não me ajudava em nada. Quando o sinal bateu, agradeci mentalmente por finalmente sair daquela sala e não ter que fingir que estava interessada em uma aula chata. Arrumei meus materiais na mesa e sai sendo seguida por minha amiga, que tentava me acompanhar.
- Por que a pressa? – Perguntou quando eu já estava descendo as escadas em direção ao pátio.
- Nada só preciso de água. – Foi uma boa desculpa. Não era mentira, minha garganta ardia e meus lábios já estavam secos rogando por um pouco de líquido gelado.
Corri até o bebedouro mais próximo, e ao sentir o jato de água gelada ir de encontro a minha boca senti um certo alívio. Bebi quase um litro d’água e quando saciei minha sede voltei a andar em silêncio com ao lado, que não se importava em falar nada naquele momento. Mas se bem a conheço, ela estava maquinando algo e logo eu saberia o que. Sentamos em um banco próximo à cantina e permanecemos caladas, apenas observando o movimento da escola.
- Aquele garoto estava dando em cima de você. – Sabia! Ela tinha que estar pensando baboseiras.
- Não estava não. – Resmunguei sem olhá-la.
- deixa de ser tonta, ele estava te secando e você nem percebeu.
- Cala boca ! – Novamente o silêncio, só que desta vez estava me incomodando, até que eu resolvi quebrá-lo, e pelo menos dar resposta a uma das minhas perguntas.
- Ele é novo? – Perguntei agora a olhando e esperando ansiosamente por uma resposta.
- Sim. – Respondeu rindo. – Ele foi apresentado na primeira aula. – Esperei que ela prosseguisse, mas propositalmente ela não disse nada, talvez testando até que ponto ia minha curiosidade por aquele garoto.
- Qual o nome dele? – Cai na armadilha, mas que se dane, eu estava mesmo curiosa.
- Daniel Jones, veio de uma cidade grande perto de Londres. – Dessa vez apenas murmurei algo sem nexo, e voltei a olhar para o pátio onde vários grupos se juntavam em rodas e foi ai que me lembrei das outras.
- Cadê a , e ?
- Mataram aula. Segundo elas, estava um ótimo dia para praia. – Riu mexendo em seu Iphone.
- Realmente. Depois de tantos dias fazendo frio, merecemos um pouco de sol. Mas por que você não foi com elas? – Eu amava o frio, mas o sol às vezes era bom e tirava um pouco daquele cenário depressivo que nuvens cinzentas, chuva e neve deixavam.
- Porque eu tenho uma amiga que nunca acorda no horário e que chegou atrasada. E como eu sou legal, não queria deixá-la sozinha na escola.
- Ah que meigo! – Gritei com voz de bebê chamando a atenção de todos à minha volta, e corei instantaneamente, abaixando meu tom de voz quando prossegui. – Depois da aula podemos ir. O que acha?
- Ótimo! Vamos almoçar em minha casa e depois vamos. Combinado?
- Combinado.
Olhei para os lados e meu coração falhou por um instante, quando encontraram um par de olhos me encarando. E meu Deus, que olhos! O garoto sorriu como da primeira vez e eu retribui com um sorriso fraco, totalmente tímida. Ele percebeu e sorriu de maneira mais provocativa, e depois voltou o olhar para alguns meninos que conversavam com ele. Eu estranhei ao ver quem eram os seus amigos.
- Aqueles não são os garotos problemas da escola? – Apontei para o grupo de forma discreta. olhou para onde eu estava apontando e confirmou com a cabeça.
- Por que quer saber? – Perguntou desconfiada.
- Por nada. Acho que vou ao banheiro. Vai ficar?
- Vou, pode ir. Te espero aqui. – Colocou fones no ouvido e eu escutei uma música alta sair do aparelho, aparentemente novo, dela.
Andei vagarosamente em direção ao banheiro e entrei, me encostando na parede quando constatei que estava sozinha, sentindo o piso gelado contra as minhas costas. Respirei fundo tentando colocar meus pensamentos em ordem. Por que ele me encarava daquele jeito como se já me conhecesse? Por que diabos estava andando com aqueles garotos que sempre arrumavam problemas, e ainda por cima eram os populares da escola? E por que ele me causava arrepios? Mais perguntas sem respostas e isso já estava me irritando. Fui até a pia e joguei água gelada em meu rosto, tentando amenizar o estado deprimente em que me encontrava. Me enxuguei e sai do banheiro sem pressa, mas uma mão em meu ombro me fez virar bruscamente de frente para a pessoa, e quando a reconheci soltei um longo suspiro esperando que ele me dissesse o que queria.
- Desculpa te assustar, mas sua pulseira caiu. – Ele abriu uma mão à minha frente, mostrando uma pulseira de ouro da qual eu tinha um grande apreço. Peguei, olhando-o com a testa franzida.
- Aonde caiu? – Perguntei, disfarçando a minha desconfiança de que a companhia com aqueles garotos mal encarados já estivesse surtindo efeito.
- No chão perto de onde você estava sentada. – Deu de ombros.
- Obrigada. – Ia me virar quando uma pergunta, sem eu nem mesmo perceber, saiu da minha boca. – Você anda me seguindo? – Ele gargalhou jogando a cabeça para trás, tirando o resto de fôlego que me restava em meus pobres pulmões. Por que ele tinha que ser tão perfeito?
- Não estou. Apenas observei que quando você se levantou deixou algo cair, e como fui o único a perceber, não me custava nada lhe entregar.
- Obrigada. – Respondi sem graça.
- Você já me disse isso.
- Desculpa. – Senti meu rosto pegar fogo, provavelmente estava vermelha de vergonha. Baixei os olhos para meus pés e o senti ir embora, mas seu perfume ficou impregnado em minhas roupas. Aquele cheiro era bom, muito bom mesmo; e já estava me viciando a cada vez que ele entrava por minhas narinas e se alojava em meu pulmão. Estava começando a ficar louca. Como um garoto podia mexer tanto comigo sendo que o conheci há algumas horas? Era improvável, porém não impossível.

As outras aulas passaram rápido; e eu evitava olhá-lo, mesmo que algumas vezes eu tivesse que morder meu lábio com força para não cair em tentação. e eu fomos para a sua casa e pedimos pizza, já que a mãe dela estava trabalhando e estávamos com preguiça de cozinhar. Comemos com calma e quando terminamos, nos arrumamos e fomos para a praia a pé, já que ficava perto da casa dela.
Realmente eu precisava de ar puro, cheiro de mar e sentir a areia quente sob os meus pés. Sentei sob uma toalha estendida na areia, observando correr para a água e dar um mergulho perfeito emergindo do outro lado com um sorriso estampado no rosto. Sorri ao ver a felicidade quase infantil dela. Peguei meu Iphone de dentro da minha mochila, e enquanto colocava os fones no ouvido, escolhi uma música agitada que me fizesse esquecer aquela loucura que fora meu dia. Deitei apreciando os raios de sol batendo em meu rosto e sorri sozinha brincando com a areia ao meu lado. De repente senti um cheiro gostoso invadir meu nariz e logo reconheci, me levantando assustada e procurando da onde vinha. Quando encontrei o vi com os mesmos garotos da hora do intervalo, apenas de bermuda deixando seu peitoral definido à mostra, o que me fez sentir uma onda de prazer percorrer meu corpo. Minha língua umedecia meus lábios enquanto meus olhos passeavam por aquele corpo perfeito e num impulso tentei me esconder em minha toalha. Me sentia feia, me sentia inferior e não podia competir com as mulheres lindas que passavam desfilando os corpos esbeltos. Fiz de tudo para ignorar sua presença, e por incrível que pareça, estava conseguindo. voltou do mar e sentou-se ao meu lado, me molhando ao balançar os cabelos.
- Não vai nadar? – Perguntou intrigada, pois eu era uma das mais animadas para cair no mar.
- Depois. – Sorri amarelo, fingindo uma cara animada.
- Vamos agora. – Me surpreendi quando ela se levantou em um pulo e me puxou, jogando a toalha que me cobria perto da minha mochila.
Não consegui detê-la e quando percebi já estava com os pés na água gelada do mar. Meu olhar percorreu toda a extensão da praia à procura de uma pessoa e quando o achei, meus olhos se encontraram com os dele que me olhava divertido e... Desejoso? Não sei e não queria saber. Agora que ele já tinha me visto, o jeito era ficar o mais fundo no mar e cobrir meu corpo com a água, o que não seria muito difícil. me seguiu jogando água em meus cabelos e eu reclamava sem parar.
- A água esta gelada sua louca! – Esbravejei.
- Deixa de ser fresca! – Ela parou de falar e percebi que ela ria.
- O que foi?
- Olha quem está vindo. – Olhei para onde ela apontava, e encontrei quatro garotos vindo em nossa direção. Minha vontade foi de sair correndo e me embrulhar naquela toalha de novo, mas a única coisa que consegui fazer foi sorrir que nem uma idiota.
- Olá garotas! – Cumprimentou um dos garotos. Ele era bonito, muito bonito pra dizer a verdade, e seu sorriso era encantador, mas na minha humilde opinião, nada comparado ao Daniel.
- Oi. – respondeu simpática, me fazendo olhá-la com a testa franzida. A minha adorada amiga me cutucou a fim de me fazer dizer algo, mesmo que fosse um palavrão.
- Olá. – Disse em um sussurro.
- Estão se divertindo muito? – Perguntou um deles que eu reconheci de imediato. Seu nome era Harry, e era o mais encrenqueiro e sedutor de todos. O olhar dele naquele momento pousava em cima do corpo da minha amiga que não se mostrava incomodada, e sim feliz.
- Estamos e vocês? – percebeu que eu não responderia, pois estava hipnotizada pelo olhar de Daniel que me encarava sedutoramente. Aprendeu com o mestre, pois Harry não ficava pra trás no quesito sedução e ao contrário de mim, se deliciava com o momento. Danny continha nos olhos um brilho e, algumas vezes, olhava o meu busto me deixando envergonhada.
- Agora estamos. – Respondeu o cafajeste (e, diga-se de passagem, gostoso) do Harry, deixando transparente o seu desejo. – Vocês querem beber algo?
- Queremos. – Novamente respondeu antes mesmo que eu pudesse protestar. Fiquei boquiaberta quando ela aceitou. Será que ela era mais louca que eu?
- Nos acompanhe. – Disse um dos garotos que permaneceu calado até então, observando o jogo de sedução dos dois amigos, no qual apenas um saia vencedor.
Eu e pegamos nossas coisas antes de segui-los, e ficamos bem atrás deles, apenas observando a paisagem. Pelo menos era o que eu fazia antes de um braço pousar em meu ombro e eu olhar assustada para a pessoa.
- O que você quer? – Perguntei quase grosseiramente.
- Te acompanhar. – Respondeu Daniel sorrindo daquela maneira angelical.
- Não precisa, eu sei andar. – Mas por que diabos eu estava sendo grossa com ele mesmo?
- Garotinha educada hein?! – Disse rindo e percebi que ria da minha atitude. Quando ela se viu abraçada por Harry, seu sorriso, como o meu, sumiu dando lugar a uma cara de desespero. O motivo não era o mesmo que o meu, porém pude adivinhar que o seu desespero provinha do medo de falar alguma bobagem e Harry se desinteressar dela. Ao contrário de mim que era o simples fato de estar perto demais de Danny. Quando a olhei, seus olhos pediam ajuda e eu apenas ri fazendo me olhar feio e mostrar o dedo irritada. Daniel soltou uma gargalhada ao ver a cena e eu apenas apreciei o momento, escutando com prazer àquela risada gostosa perto do meu ouvido.
- Eu ainda não sei seu nome. – Me olhou, voltando a ficar sério.
- .
- E você não quer saber o meu? – Perguntou depois de esperar longos minutos.
- Não. – Ele me olhou espantado. – Eu já sei. – O garoto apenas sorriu aliviado.
Caminhamos por um longo tempo, até nos aproximarmos de dois carros conversíveis e eu olhei atônita para aquelas duas máquinas à minha frente. Era o meu sonho andar em um carro daqueles, Daniel percebeu meu deslumbramento e minha cara quase infantil.
- Você nunca tinha visto um desses antes? – Perguntou incrédulo, me fazendo parecer uma jeca.
- Não, quero dizer, eu já vi apenas pela TV. – Respondi sincera e ele sorriu de maneira maliciosa e um frio percorreu toda a minha espinha. – Que carros são esses?
- Uma BMW 5 Series e Aston Martin V8 Vantage. – Fiz cara de que entendia do assunto, mas pela risada abafada dele previ que não fui muito convincente. - Quem sabe um dia eu te leve para passear. – Sussurrou em meu ouvido e os cabelos da minha nuca arrepiaram. Eu iria desmaiar se ele continuasse com aquilo. Minhas pernas quase não suportavam o peso do meu corpo de tanto que eu tremia em seus braços.
Vi um dos garotos abrir a porta do carro e pegar algumas garrafas de cerveja de dentro de uma caixa térmica e entregar uma para cada um. Daniel me soltou e o calor que ele proporcionava em meu corpo sumiu com ele.
- Dougie, eu quero a mais gelada. – Exigiu ele para o garoto que entregava as garrafas.
- Então vem você escolher. – Respondeu divertido.
- Vai tomar também? – Perguntou o garoto da covinha, me estendendo uma. Eu não era muito de ingerir bebidas alcoólicas, mas aquela me parecia atrativa e iria diminuir o calor que eu estava sentindo. Apenas sorri para ele e a peguei.
- Como você se chama? – Perguntei para o garoto que apenas me observava abrir com certa dificuldade a tampa.
- Thomas, mas pode me chamar de Tom. – Disse em um tom simpático, abrindo com um só movimento a minha garrafa e piscando em seguida. Pelo menos um deles era mais acessível e menos arrogante.
- Esses carros são de quem? – Apontei para os automóveis à frente, que ainda me deixavam em estado de euforia.
- Do Danny. Ele nos emprestou para vir pra praia. – Disse indiferente. Eu engasguei com o líquido que estava descendo por minha garganta. O garoto ria da minha ingenuidade, e com aquela covinha maravilhosa à mostra foi para perto dos amigos. Eu olhei para o lado e parecia se divertir conversando com Harry e não seria eu que estragaria o momento, mesmo achando que aquele garoto não valia a pena. Resolvi me sentar mais à frente na areia, sozinha com os meus pensamentos, que mais pareciam um amontoado de idéias incessantes. Não durou nem cinco minutos meu momento solitário, e o perfume dele invadiu o meu nariz e o calor da presença dele se fez presente. Ergui a cabeça na direção do cheiro e o encontrei em pé atrás de mim, me olhando de um jeito esquisito que não consegui definir.
- O que está fazendo aqui isolada? – Perguntou, sentando-se ao meu lado. Eu senti um pouco de irritação em sua voz, mas deixei passar. Dei um longo gole na cerveja, pois aquela proximidade dos corpos aumentou ainda mais o calor que eu sentia.
- Pensando. – Dei de ombros, sentindo o líquido gelado descer pela minha garganta e uma leve tontura em minha cabeça por ter bebido uma grande quantidade em poucos segundos.
- Calminha aí, isso não é água. – Riu percebendo a minha inexperiência com bebidas, mas na verdade eu queria que aquele calor e os tremores passassem e quem sabe uma bebida não me ajudaria? – Você quer ir à minha casa mais tarde? – Levantei a sobrancelha desconfiada, e ele riu prosseguindo com uma explicação. - Vamos continuar a beber por lá, e sua amiga disse que iria se você fosse.
- Eu... – Parei para pensar, e simplesmente não podia ficar mais nem um minuto com ele, ou cometeria loucuras pioradas pela quantidade de álcool circulando pelo meu sangue. Mas não era só isso, meus pais me matariam se eu chegasse mais tarde em dia de semana com aulas normais e, portanto, eu recusaria com veemência. Porém quando eu olhei aqueles olhos azuis quase disse um sim inconsciente. Me controlei e tentei não olhá-lo nos olhos, ou eu acabaria aceitando o convite. – Não posso, gostaria muito de ir, mas não posso.
- Tudo bem, sua amiga vai ter que se conformar. – Epa! Isso é chantagem emocional, mas eu não cairia nessa.
- Se ela quiser ir, ela que vá sozinha.
- Abusada como sempre, mas eu gosto disso. – Sussurrou no meu ouvido, arrepiando até o ultimo fio do meu cabelo. Como eu me odeio!
- Eu vou ir embora. – Disse me levantando em um salto e tenho quase certeza que minhas maçãs do rosto estavam vermelhas, pois sentia todo o sangue do meu corpo fluir para aquela região.
- Eu te levo. – Falou me seguindo.
- Não precisa.
- Mas eu vou te levar. – Enquanto eu pegava as minhas coisas, ele conversava com Harry e , que formou um enorme beiço pra mim. Ela pegou suas coisas também, e logo depois estávamos no carro de Danny - a Ferrari - em direção à casa de primeiro, já que era mais perto da praia.
O caminho todo até a casa dela foi feito em silêncio. Quando me despedi apenas pronunciei um “desculpa” sussurrado, para somente ela entender. Assim que fechou a porta da casa, Danny arrancou com o carro rumo à minha. Não fiz questão de falar, mas ele se mostrava incomodado com o silêncio. Batucava no volante nervoso e sua boca estava fechada em uma linha reta - o que o deixava mais lindo -, uma clara evidência de incomodo. Ele percebeu o meu olhar nele e sorriu. Eu me virei para a janela, esperando até que minhas bochechas parassem de queimar. De repente ouvi uma música invadir o carro, e reconheci a minha banda favorita tocar uma música que eu simplesmente amava. Reprimi um gritinho histérico, porque se não além de ingênua, ele me acharia uma louca desvairada por gritar só por causa de uma banda, mas eu era assim, fato.
Os meus dedos acompanhavam o ritmo batendo na perna. Ele me olhou de soslaio, e percebi que ele umedecia os lábios enquanto um sorriso angelical se formava em seu rosto.

Kings of Leon – Use Somebody (Sugiro que você ouça a música enquanto lê esse trecho. Para escutá-la, basta clicar no play e esperar alguns segundos que a música já começa).


I've been roaming around
(Eu venho perambulando por aí)
Always looking down and all I see
(Sempre menosprezando e tudo o que eu vejo)
Painted faces, build the faces I can't reach
(Caras pintadas construindo lugares que eu não consigo alcançar)
You know that I can use somebody
(Você sabe que eu poderia usar alguém)
Someone like you, and all you know, and how you speak
(Alguém como você, e tudo o que você sabe, e como você fala)
Countless lovers under cover of the street
(Vem como amantes escondidos na rua)
You know that I can use somebody
(Você sabe que eu poderia usar alguém)
Someone like you
(Alguém como você)

Eu me sentia estranhamente bem ali com ele. Meu coração disparava a cada movimento dele em minha direção, mas também falhava quando nossos olhares se encontravam. Os pêlos da minha nuca arrepiavam a cada toque dele ocasional quando trocava de marchas, os tremores percorriam por toda a extensão do meu corpo quando o via apenas de bermuda como agora, e ele parecia gostar de me provocar. Eu nunca havia sentido algo igual antes, porém agora sentia por alguém que conheci em poucas horas.

Off in the night, while you live it up, I'm off to sleep
(Pela noite, enquanto você vive eu estou dormindo)
Waging wars to shape the poet and the beat
(Guerras que dão formas ao poeta e à batida)
I hope it's gonna make you notice
(Espero que isso faça você reparar)
Someone like me
(Alguém como eu)
Someone like me, somebody
(Alguém como eu, alguém)
I've been roaming around,
(Eu venho perambulando por aí)
Always looking down at all I see
(Sempre olhando para baixo e tudo o que eu vejo)

- Chegamos. – Avisou assim que o carro estacionou em frente à minha casa e eu, que estava presa em devaneios, assustei quando ouvi sua voz me despertar.
- Obrigada. – Sorri para ele e saltei do carro quase que correndo. Eu sabia que era cedo demais para que ele tentasse algo e eu me assustaria se ele o fizesse, mas confesso que esperava e desejava que ele tentasse. Enquanto minhas mãos lutavam com a fechadura, ouvi seu carro dar um ronco estrondoso e depois sumir na rua.
Abri a porta de casa e corri para o meu quarto e fiquei por lá o resto da tarde e a noite, sem sair pra nada. Minha mãe às vezes tentava me fazer sair, porém eu precisava de um tempo sozinha e pensar no que estava acontecendo comigo, achar uma explicação; e a única que eu poderia atribuir para o meu comportamento era os hormônios em ebulição da juventude. Tinha que ser isso!

02


No outro dia, levantei apressada assim que o despertador tocou. Corri para o banheiro e me arrumei com mais calma. Desci com a mochila nas costa e tomei meu café da manhã rapidamente. Eu esperava ganhar uma carona do meu pai, mas como sempre ele já havia saído. Naquele dia não estava a fim de ir a pé por isso peguei meu skate, meu companheiro de quase todas as horas. Eu adorava andar nele, pois dava a sensação de liberdade, velocidade e adrenalina. Peguei o ipod dentro da minha mochila, coloquei em uma música qualquer, dei um nó frouxo no cabelo e passeei pelas ruas, despreocupada. Olhei para o céu a minha frente e vi o sol brilhar em seu esplendor. Apertei os olhos tentando me acostumar com tamanha claridade, e voltei meus olhos para a rua deserta prestando atenção no meu trajeto. Faltando uma quadra para chegar à escola, um carro passou zunindo por mim e eu olhei para o ocupante do automóvel que sorria malicioso, sem me encarar. Além de gostoso era um tremendo de um exibicionista.
Entrei na escola, com o skate em mãos, encontrando minhas amigas animadas e sorridentes. Me aproximei acenando e me sentei em um banco ao lado do delas, continue escutando as músicas e nenhuma delas pareceu se incomodar comigo, por estar isolada. Minhas mãos estavam espalmadas em minhas pernas e com os dedos batucava no ritmo da musica em demonstração de nervosismo. Passei longos minutos assim e não percebi que me chamava só fui me dar conta quando ela me cutucou no ombro.
- Vamos? O sinal bateu. – Sorriu.
- Vamos! – Guardei o aparelho dentro da minha mochila e as segui sem pronunciar palavra alguma.
- O que você tem? – Perguntou aparentemente preocupada.
- Nada... Eu apenas estou pensando. – Sorri para confirmar o que eu dissera e ela deu de ombros.
- A nos contou o que aconteceu ontem. Como eu queria estar junto!
- Quem mandou matar aula. – Provoquei.
- Eu daria tudo pra ter conhecido o menino da covinha.
- O Tom? – Perguntei estranhando o interesse dela. – Por quê? Eles são uns arruaceiros e ainda por cima populares, o que diminuiria nossas chances com eles. Apesar de que esse é o mais sociável e legal deles.
- A me disse também que o aluno novo que se juntou com eles está interessado em você.
- Ela tá imaginando coisas! – Bufei entrando na sala e sentando na mesma carteira de sempre. Joguei minha bolsa no chão e meu skate ao lado. Dessa vez estava rodeada por minhas amigas e achei que estaria livre dele. Achei. Pois minutos depois o vi sentar na minha frente com uma cara tremendamente risonha.
- É esse o menino novo? – Perguntou e todas me olharam esperando alguma resposta. Bando de curiosas!
- É. – Cochichei para que ele não ouvisse. – Não vejo nada demais nele. – Ouvi uma risada debochada vir dele e estremeci. Será que ele me ouviu? Que seja! Ele não era muita coisa mesmo. Era? Ah esquece!
- Eu achei bonito. – sorriu, o analisando e riu.
- Não é de se jogar fora, mas eu prefiro o outro que é cheio de tatuagens.
- O Dougie? – perguntou espantada.
- Vocês querem falar baixo! Se vocês não perceberam um deles está na nossa frente. – Repreendi a todas, séria. Virei pra frente emburrada e acabei me assustando quando vi um par de olhos azuis me encarando.
- Estou vendo que suas amigas estão bem interessadas nos meus amigos. – Vi um meio sorriso se formar em seus lábios e meu coração foi à lua e voltou. – Você foi a única que não disse de qual de nós gostava. – Ouvi uma risada histérica atrás de mim e resmunguei algo sem nexo. Todas elas provavelmente estavam se divertindo com a minha situação nada agradável.
- De nenhum. – Respondi ríspida.
- Tem certeza?
- Absoluta. – Como eu queria dizer que era ele, mas o garoto que já era metido se tornaria insuportável.
- Sinto que você não diz a verdade. – Mordeu o lábio inferior e eu apenas observei, desejando aquela boca na minha.
- E desde quando você é adivinha? – Ele gargalhou alto e eu agradeci pelo professor ainda não ter aparecido na classe ou estaria encrencada. – Por que será que você não consegue me deixar em paz? – Senti sua mão pegar a minha e num movimento rápido ele a levou até sua boca, depositando um beijo que sinceramente me surpreendeu. Com um último sorriso ele virou-se para frente a tempo de ver o professor adentrar a sala e começar a distribuir folhetos de algum evento da escola.
- O que foi aquilo? – Perguntou impressionada.
- Ele tá afim de você . – Decretou .
- Parem de falar asneiras! – Retruquei, pegando o papel que o professor me estendia.
- Não acredito! Uma festa nessa escola! – Exclamou .
- Um pequeno aviso sobre essa festa. – Começou o professor, quando terminou de distribuir. – Todos vocês terão que ajudar a organizar, pois valerá nota. Eu dividirei as classes em grupo, porém juntarei um grupo daqui com algum de outra classe, pois vocês terão muito trabalho pela frente.
- Só espero que esse professor não nos coloque em alguma coisa terrível.
- Vou rezar pra que não seja a limpeza.
- Quando saberemos em que grupo estamos? – Perguntou uma menina loira e baixinha, conhecida por ser a favorita de todos os professores.
- Hoje mesmo. Enquanto vocês terminam os exercícios da aula passada eu termino de formar os grupos.
Eu fiz sem ser interrompida, o que eu agradeci mentalmente, e Danny parecia bem concentrado nos dele. Faltando pouco para a aula terminar, o professor foi dizendo os grupos e as funções que exerceriam na festa, fomos quase as últimas, mas não menos importante (claro!).
- , , , , e Daniel se juntarão com Thomas, Dougie, Harry e da outra sala. – Eu quase me afundei na cadeira quando ele se virou pra mim com um sorriso quase assustador. – Vocês ficarão encarregados com da música, como eu sei que os garotos têm uma banda, eu pediria que as meninas composse algo ou apenas ajudassem no som.
- Mas professor já que eles estão bem familiarizados com música, por que o senhor os deixa nisso e nos coloca em alguma outra coisa? – Perguntei desesperada.
- Primeiro porque eu quis, segundo porque eles me pediram para juntar vocês com eles porque disseram que eram boas em escrever canções e terceiro, vocês querem ficar com a limpeza?
- Não, claro que não! – Respondeu rapidamente .
- Por que vocês pediram para ele nos juntar com vocês? – Olhei para o garoto a minha frente quase com fúria. - Porque pelo que eu saiba ninguém aqui compôs uma música na vida.
- Idéia do Harry. Talvez seja porque ele gostou da sua amiga. – Olhei para que instantaneamente ficou vermelha e eu ri.
- Como conseguiu que o professor fizesse o que vocês pediram?
- Dissemos que vocês sabiam compor e seria melhor para nós só nos preocuparmos apenas com a melodia, e lógico, nosso amigo é o favorito desse professor, que faz tudo o que ele pede.
- Mas o problema é: nós não sabemos. – falou como se aquilo ainda não fosse óbvio o bastante.
- Não se preocupem, nós ajudamos vocês.
- Mas eu não acho isso certo. Vai ficar praticamente tudo para vocês fazerem. – Reclamei inconformada.
- Vocês vão ver, acabarão fazendo mais coisas do que imaginam.
- Espero mesmo.
- Ela sempre foi assim? – Perguntou ele para as minhas amigas, apontando para mim, enquanto todos nós esperávamos o professor da aula seguinte e riu.
- Acho que ela piorou de uns tempos pra cá. – Eu apenas revirei os olhos ignorando-os.

No fim da aula estávamos todos na saída da escola, resolvendo como faríamos para nos encontrar e fazer logo aquelas canções.
- Pode ser na minha casa. – Tom ofereceu. – Lá é espaçosa e os instrumentos estão todos lá.
- Em falar nisso eu tenho uma séria duvida. Vocês já se conheciam? – Perguntei apontando de Danny para eles, e Tom balançou a cabeça confirmando. – Mas o Daniel...
- Me chame de Danny. Odeio quando me chamam assim. – Reclamou pra mim.
- O Daniel – ele bufou com a minha teimosia, mas deixou passar - mudou-se pra cá há pouco tempo, não foi? – Novamente eles confirmaram.
- Mas nós já o conhecíamos, portanto a nossa banda já estava formada antes mesmo da mudança dele pra cá. – Explicou Dougie.
- E como faziam pra ensaiar? – Perguntou olhando encantada para o garoto.
- Ele sempre passava os finais de semana aqui na cidade.
- Porém vim morar aqui sozinho para me dedicar mais a banda.
- E você está morando com quem?
- Por enquanto na casa do Tom.
- Cara como vocês perguntam! – Exclamou Harry rindo.
- Curiosidade.
- Quando começamos a compor? – Perguntei, tentando voltar ao assunto inicial.
- Já temos algumas prontas que Danny e Tom compuseram. Mas se quiserem, cada uma de vocês faz uma com cada um de nós ajudando-as.
- Combinado, mas e esse tal de onde está ele?
- Faltou, mas nós o avisamos.
- Ele também é da banda?
- Não, mas nos ajuda a divulgar.
- Quando podemos ir à sua casa Tom? – fez um esforço perceptível pra não gaguejar.
- Amanhã depois da aula, pode ser?
- Claro. Agora vamos porque eu to morrendo de fome. – Reclamei passando a mão na barriga.
- Querem carona? – Dougie ofereceu apontando seu carro do outro lado da rua, que era bem menor que o do Danny.
- Não, obrigada. – Disse apontando meu skate. – Prefiro ir com o meu companheiro. - As outras também recusaram a carona agradecendo em seguida.
- Eu nunca imaginei a andando nisso! – Comentou Harry.
- Muito menos eu! Pelo menos ela tem bom gosto. – Riu Dougie da minha careta.
- Bom já que vocês não querem a carona, nós já vamos. – Danny deu de ombros e foi embora com os outros se amontoado no carro.
- Nossa ainda bem que não aceitamos, ou teríamos que ir no colo de alguém. – Disse espantada, enquanto eles se apertavam no carro e me olhou provocativa.
- E você acha que ela não gostaria de ir no colo do Danny?
- O que eu fiz pra merecer isso? – Levantei os braços olhando para o céu. Todas riram.

Passei a tarde toda fazendo as tarefas escolares, estava exausta e não tinha mais animo pra mais nada. Já tinha tomado banho e não tinha apetite, só de pensar que eu passaria uma tarde inteira ao lado de Danny refreando os meus sentimentos confusos, me deixava desanimada. Deitada na minha cama esperei o sono vir, mas nem sinal de que algo me faria dormir. Rolei pela cama por horas e quando dei por mim escutei meu celular tocar e sem muita pressa me estiquei, pegando o aparelho na mesinha ao lado. Olhei no visor e não reconheci o número. Resolvi atender e descobrir quem era.
- Alô?
- ? – Perguntou uma voz grave e rouca, muito conhecida por mim. Senti o sangue fugir do meu rosto e os cabelos da minha nuca arrepiarem.
- Sou eu... É você Danny?
- Nossa reconheceu a minha voz? – Riu malicioso. - Quer dizer que não sou tão insignificante assim pra você. – “E não é mesmo!”.
- Como conseguiu o meu número de celular? – Perguntei, tentando manter a firmeza na voz.
- O Harry tinha o da , e eu pedi pra que ele arranjasse o seu com ela.
- Traidora! – Ouvi minha voz dizer sem permissão, e uma risada gostosa do outro lado da linha ser ouvida em seguida. – Mas me diga o que você quer?
- Ouvir sua voz. – Acho que tremi toda, mas sabia que ele estava debochando.
- Conta outra. Qual o real motivo?
- Só te liguei pra avisar que você vai compor as músicas comigo.
- Não sei se considero isso como sorte ou azar. – Disse irônica. – Quem ficou com quem no final das contas?
- Eu e você; Harry e ...
- Tinha que ser! – Ri de uma maneira solta que me surpreendeu.
- e Tom; Dougie e ; e . – Disse rindo também.
- Calma! Vocês colocaram cada uma com quem elas disseram que gostava e o único que me restou foi você. Que legal. Por que não me colocaram com o ?
- Porque eu escolhi você. – Agora sim eu tenho certeza que meu corpo todo tremeu.
- Ok. Agora que eu não tenho mais escolha e me restou você, pode desligar, pois seu recado está dado.
- Como sempre abusada. Mas você tem razão amanhã tem aula e você precisa dormir cedo.
- Só eu? E você garoto?
- Não tenho problemas com sono. Boa noite e sonhe comigo. – Riu sedutor.
- Vai esperando! Boa noite. – Desliguei o celular e repousei a cabeça no travesseiro, depois que devolvi o celular para o lugar de antes. Agora o sono veio como um trovão e meus olhos pesaram e em poucos minutos estava dormindo como um bebê.

03


Mais uma vez atrasada para a aula e eu corria que nem uma louca. Só que dessa vez, por causa da minha pressa, esqueci do meu precioso skate que seria muito útil na luta contra o tempo. Novamente chegaria à escola soada, descabelada e a aparência deprimente. Ótimo! Quando é que eu vou aprender a escutar a droga do despertador quando ele tocar? De repente escutei um barulho assustador e quando olhei para trás vi uma moto me seguindo. Apreensiva, voltei minha atenção para a rua, evitando tropeçar. A moto continuava a me seguir e eu começava a ficar apavorada, foi quando ela parou ao meu lado e a pessoa que a guiava tirou o capacete revelando o rosto mais que perfeito à minha frente.
- Daniel? – Coloquei a mão na boca, reprimindo um grito histérico e suspirei aliviada por ser ele e não um qualquer.
- Surpresa? – Ele riu da minha cara e eu senti meu sangue ferver. – Quer carona?
- Não precisa, eu posso continuar o caminho sozinha e a pé.
- Deixa de ser teimosa! – Disse ele, pela primeira vez irritado. – Você não vai chegar à primeira aula, nem que corresse o seu máximo.
- Mas você tem um segundo capacete ai? – Perguntei assustada com a reação dele.
- Não, mas são poucas quadras até a escola. E você só precisa se segurar com força. Anda sobe! – Ele me entregou o capacete dele e eu com medo não retruquei, coloquei na cabeça e subi com certa dificuldade. Minhas mãos entrelaçaram a cintura dele, abraçando-o tão forte que achei que o sufocaria ou no mínimo esmagaria seus ossos. Mas ele riu e voltou a acelerar a moto, ganhando velocidade com apenas um arranque. Eu vi tudo à minha volta como um borrão, preferi fechar meus olhos e evitar a todo custo que meu estômago não botasse tudo o que eu comi para fora. O vento batia em meu rosto e meus cabelos estavam voando conforme a brisa passava. Até que estava sendo boa aquela experiência. O perfume dele invadia meu nariz, me fazendo suspirar e o calor do corpo dele de encontro ao meu, trazendo algo inexplicável pra dentro de mim.
- Chegamos! – O ouvi dizer instantes depois. Desci com a ajuda dele, que mantinha o rosto fechado em uma cara séria.
- Obrigada e me desculpe pela grosseria. – Sorri pra ele, que não conseguiu evitar uma risada.
Entrei na escola com Danny me seguindo. O olhei enquanto arrumava meus cabelos. Percebi que todas as garotas paravam o que estavam fazendo apenas para olhá-lo, ele às vezes sorria para algumas. Não deixei de notar também que seu olhar sempre procurava pelo meu, que recusava sustentar por muito tempo a intensidade de quando estavam na mesma direção.
- Olá meninas! – Eu disse cumprimentando a todas. Danny apenas acenou com a cabeça, procurando seus amigos.
- Nos procurando Jones? – Se aproximou Dougie com os outros, dando um tapa fraco nas costas do amigo e ele apenas confirmou, não proferindo uma palavra sequer.
- Achei que não chegaria a tempo para a primeira aula. – Proferiu pra mim.
- Nem eu. – Dei de ombros, sentando-me ao lado de que encarava Tom. Olhei para o garoto que a encarava também e eu resolvi fazer uma boa ação. – Sente-se aqui Tom, eu sento... – Olhei para os lados e vi um único lugar vago entre Danny e Dougie. – Ali! – Apontei um pouco receosa. Tom riu e sentou-se ao lado de , que mais parecia um tomate de tão vermelha que estava. Sentei-me entre os dois que riam do meu desconforto.
- Que foi? – Perguntei irritada.
- Nada!
- Chega pra lá Jones! Eu não sou tão pequena assim. – Reclamei empurrando-o com o corpo. Ele riu, me mostrando sua fileira de dentes brancos todo provocativo.
- Gorda!
- Gorda é o cac...
- Epa! Vamos parando por ai. – Exclamou um garoto que se aproximava de nós. Olhei tentando reconhecê-lo. Deveria ser o tal de .
- Meninas, esse é o nosso amigo . – Apresentou Dougie e o outro garoto sorriu galanteador e pousou seus olhos em uma única pessoa que pareceu agradá-lo muito. E essa pessoa estava corada até a raiz do cabelo. e pareciam perdidos em um mundinho só deles. Que tipo de tática esses garotos tinham que conseguia nos prender a eles tão facilmente?
- Prazer em conhecê-las! – disse sentando-se em um banco vago.
- Dougie sai pra lá! Você tá suado! - Exclamei quando senti seu braço melado de suor encostar em mim. O menino pareceu gostar de alguma idéia que o ocorreu no momento; e quando fui perceber, ele já estava me abraçando.
- Que nojo! Mantenha-se o mais afastado possível. – Disse fazendo cara de nojo.
- A é? – Afastou a cabeça para me olhar e seu sorriso era malicioso. E novamente ele estava maquinando algo. Antes que eu pudesse fazer algo, ele piscou para Danny, que me segurou enquanto o amigo passava todo seu suor no meu rosto. Ouvi as vozes das meninas reclamando de nojo e os meninos rindo de mim.
- SE VOCÊ TIVER AMOR AOS DENTES PARE AGORA! – Gritei entre risos e caretas. Ele ainda ria quando parou e Danny me soltou. – Você também está na minha lista negra Jones. – Apontei para Danny, que me encarou de olhos arregalados, fingindo-se de inocente.
- Nunca te ouvi me chamar pelo apelido, . – Retrucou manhoso. Achei graça daquela cena e gargalhei.
- Porque eu não vejo necessidade para fazê-lo e quando eu o fizer significa a minha falta de sanidade mental. – Ele me olhou, fazendo bico. – Eu só não te chamo pelo apelido, pois ainda não temos intimidade o suficiente.
- Opa! Se for esse o caso, eu resolvo num minuto.
- Cala boca garoto! – Seu sorriso de canto estava presente em seu rosto e se aproximou de mim, com uma expressão maliciosa e eu fui me afastando até que cai com o tronco no colo de Dougie, que sorriu me olhando com a cabeça apoiada em seu colo.
- Acho que ela me prefere dude! – Todos riram. Danny apenas me ajudou a levantar, um pouco contrariado e divertido com a situação. Sophie – uma das garotas mais populares da escola - passou atraindo olhares de todos os garotos da roda, junto de sua amiga Lauren. A primeira jogou os longos cabelos loiros para trás, piscando para Danny que esboçou um sorriso malicioso. Já Lauren se contentou em apenas observar o jogo de sedução da amiga, colocando uma mecha do seu cabelo preto atrás da orelha. As duas eram lindas, mas enquanto uma era atirada, a outra era mais tímida.
- Eu vou subir! – Declarei levantando-me. Não suportaria aquela cena ridícula na minha frente. Como ele podia depois de tentar me beijar – mesmo que de brincadeira – ficar jogando charme pra cima daquela piranha?
Quase sai correndo, mas me contive a andar a passos largos, para não dar a entender que estava tão afetada assim com o acontecido. Senti que estava sendo seguida e olhei para trás e encontrei em meu encalço. Provavelmente as outras ficaram mais um pouco até o terceiro sinal, conversando idiotices com os garotos.
- O que foi que aconteceu? – Meu sangue pulsava com tanta intensidade nas veias que podia jurar que estouraria a qualquer momento. Estava nervosa e precisava me desabafar e quem melhor que , a mais sensata das meninas?
- Eu não sei o que está acontecendo comigo... – Passei as mãos no cabelo em demonstração de nervosismo. Continuei andando, olhando para os corredores, menos para ela. – Eu me sinto estranha quando estou com ele.
- Com o Danny?
- Sim. Ele me deixa irritada, me tira do sério com uma facilidade, mas também me faz sorrir, me faz sentir vergonha e... É estranho! – Reclamei olhando-a nos olhos assim que nos sentamos nas nossas devidas carteiras. Para o meu alívio, não havia ninguém na sala.
- Será que isso não é paixão? – Perguntou entre séria e divertida.
- Claro que não! Não faz nem dois dias que nos conhecemos. – Disse desesperada.
- Conhece as palavras: amor à primeira vista?
- Conheço, mas não acredito. Isso só existe em livros de romances e eu não vivo um conto de fadas e sim a realidade. E além do mais, ele convive com aqueles garotos problemas.
- Não seja preconceituosa, você nunca foi disso! – Exclamou incrédula.
- É, eu sei.
- Você só está tentando achar uma desculpa pra algo que ou é inexplicável, ou é o óbvio e só você não quer ver.
- Eu prefiro a primeira opção. – Sorri, tentando aliviar a tensão que se instalava entre nós duas.
- Seria muito fácil escolher. Mas pense com calma e tente descobrir.
- Mais do que estou pensando é impossível! Acho que meus neurônios estão pifando.
- Você consegue. – Sorriu, e em um gesto de conforto segurou em minha mão com força, para logo depois desviar seus olhos para os alunos que entravam na sala. Daniel e as meninas foram os últimos a adentrar.
- Vocês estão ansiosas para assistir a aula de química? – Questionou Daniel debochado.
- E se eu estiver, o que você tem haver com isso? – Retruquei, sentindo a irritação borbulhar em meu sangue. Não pelo comentário, mas por me imaginar apaixonada por ele.
- Nada estressada. – Tá bom, agora exagerei e senti pena do modo como o tratei.
- Desculpa... – Respondi baixo, mas não o bastante para que ele não escutasse.
- Quem diria, me pedindo desculpas? E olha que é a segunda vez. Esse momento vou guardar na memória pra sempre! – Ele sorriu.
- Vai ser a segunda e última vez que você me escuta dizendo isso.
- Espero que não... – Aproximando sua boca do lóbulo da minha orelha, sussurrou malicioso e seu hálito quente batia em meu pescoço me fazendo tremer com facilidade. – Você ainda vai me pedir mais do que desculpas, vai me implorar por mais quando conseguir provar do que eu sou capaz de fazer. – Senti até o último fio de cabelo arrepiar, meu coração gelar para depois acelerar e as famosas borboletas dando sinais em minha barriga.
-... – Tentei articular algo, mas minha boca abria e fechava várias vezes. Respirei fundo e tentei colocar firmeza em minha voz. – Vai sonhando! – Ele se afastou sorrindo, duvidando de que eu seria capaz de recusá-lo.
- Que garoto petulante! – Disse alto para que ele ouvisse e caisse na real de que eu não estava afim dele.

04


Mais uma manhã maçante se passou e já estava na hora de irmos para a casa de Tom, que não ficava muito longe da minha. Preferi passar primeiro em casa, comer algo e trocar o uniforme para depois ir pra lá. Optei por uma blusinha de alça, um jeans, um all star e, por precaução, um casaco caso a noite fizesse frio, nunca se sabe com o clima londrino. Especialmente quando este é sempre nublado. Deixei um recado na geladeira avisando a minha mãe meu paradeiro e que eu chegaria mais tarde em casa. Peguei minha bolsa e meu celular, verificando o horário. Andei sem muita pressa pelas ruas e quando cheguei à porta da casa dele, percebi que estava adiantada. Toquei a campainha e logo fui atendida pelo dono da casa, que sorriu simpaticamente e com um gesto me fez entrar.
- Pelo o que vejo só eu cheguei. – Olhei para a sala e fiquei impressionada como era organizada e luxuosa. Dois sofás de cor creme, um tapete persa, uma mesinha de centro de mogno, uma estante também mogno, uma TV de plasma, um som estéreo de ultima geração, CDs e DVD's organizados em uma prateleira, quadros de paisagens, um lustre sofisticado e, para completar, um vaso de rosas vermelhas em cima da mesinha. Fiquei realmente impressionada e tentei imaginar os outros cômodos.
- O Danny também está aqui.
- Se quiser que eu volte mais tarde, não me importo... – O que eu mais queria era não ter a oportunidade de ficar sozinha com Daniel.
- Não precisa. Se junte a nós lá em cima. Estávamos ensaiando uma musica enquanto esperávamos.
Um pouco envergonhada, subi as escadas de madeira seguindo Tom, que entrou em um corredor cheio de portas até pararmos na última, da onde saia um som de violão. Uma melodia romântica era tocada e uma voz masculina cantava baixo, mas era o suficiente para que eu ouvisse quando Tom abriu a porta. Dei de cara com Danny, que sentado no chão, dedilhava o violão compenetrado na música. Ele parecia cantar com emoção como se aquilo que dissesse fosse a sua verdade. Nem percebeu a nossa presença e eu apenas o escutava com o coração acelerado. Era a música mais bonita que eu já ouvira. Era o garoto mais bonito e irresistível que eu jamais vi antes.

Mcfly – Not Alone


And I, I get on the train on my own
Yeah, My tired radio keeps playin' tired songs
And I know that’s there's not long to go, oh
And all i wanna do is just go home

'Cause I'm not alone (no, no, no)
But I'm not alone (no, no, no)


Quando ele nos percebeu, parou de tocar assustado, mais pela minha presença do que com qualquer outra coisa. Ele me olhava e eu quase perdi a fala, mas eu queria ouvir aquela música, queria ouvi-la inteira, eu precisava. Meus pés involuntariamente andaram em sua direção e eu me agachei à sua frente com um sorriso estampado no rosto.
- Continua, por favor! – Pedi para logo em seguida me sentar à sua frente e esperar que ele prosseguisse, e foi o que ele fez com um enorme sorriso no rosto. Percebi que ele tocava do começo a música, como se tivesse lido o meu pensamento e para me agradar o atendera de bom grado. Fiquei exultante.

Life is getting harder day by day
(A vida tem ficado difícil dia após dia)
And I, I don't know what to do what to say, yeah
(E eu, eu não sei o que fazer, o que falar, sim)
And my mind is growing weak every step I take
(E minha mente está enfraquecendo a cada passo que eu dou)
It's uncontrolable now they think I'm fake Yeah
(É incontrolável, agora eles pensam que sou uma farsa)
'Cause I'm not alone (no, no, no)
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone (no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
I'm not alone
(Eu não estou sozinho)
And I, I get on the train on my own
(E eu, eu pego o trem sozinho)
Yeah, My tired radio keeps playin' tired songs
(Sim, meu rádio cansado continua tocando músicas cansadas)
And I know that’s there's not long to go, oh
(E eu sei que não falta muito para chegar)
And all I wanna do is just go home
(Tudo que eu quero é apenas ir pra casa)

Ele me olhava com ternura, carinho e... Paixão? Não, era muito mais do que isso, mas eu não queria saber, queria apenas ouvir aquela musica que tanto me fascinara. A voz aveludada e rouca dele soava pelas paredes do ambiente fazendo com que tudo ali ganhasse vida e cor. Eu não conseguia mais controlar as batidas do meu coração, um frio percorreu minha espinha quando nossos olhares se encontraram e quando os desviou de mim os fechei para poder sentir e guardar aquela sensação boa que eu estava sentindo e só ele me fazia sentir naquele momento.

'Cause I'm not alone (no, no, no)
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone (no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
People rip me for the clothes, I wear, yeah yeah
(As pessoas me criticam pelas roupas que eu visto, sim, sim)
Every day seems to be the same
(Todo dia parece o mesmo)
They just swear, yeah
(Eles apenas falam palavrões, sim)
They just don't care
(Eles apenas não se importam)
'Cause I'm not alone (no, no, no)
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone (no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone Yeah, Yeah
(Mas eu não estou sozinho)
But I'm not alone
(Mas eu não estou sozinho)

Quando a música terminou, Danny continuou encarando o violão e eu percebi que não estava sozinha no cômodo com ele. Finalmente percebi que Tom também estava lá e nos olhava com uma sobrancelha erguida, sentado em um dos baquinhos que estava por ali. Eu não sabia o que falar, por isso resolvi ficar calada, mas nem foi preciso evitá-lo por muito tempo, pois logo em seguida ouvi vozes subindo as escadas, e quando olhei vi que Tom entrava novamente no quarto com o pessoal que faltava. Eu nem havia percebido que ele saíra e muito menos escutei a campainha tocar. Realmente eu estava hipnotizada por aquele garoto.
Seus olhos finalmente desviaram-se do violão para pousar em mim e eu sorri agradecida, recebendo um outro de volta.
- E ai pessoal, vamos começar? – Perguntou Harry apressado, percebendo o clima.
- Claro!
- Nossa , você tá empolgada hein?!
- Vamos ficar todos aqui compondo as músicas? – Questionou .
- Não. Cada um vai pra um quarto com o seu par ou para a sala, cozinha, tanto faz, mas todo mundo no mesmo ambiente vai ser impossível, ou isso aqui vai virar uma bagunça.
- Dougie, olha pra mim. – disse séria apontando um dedo pra cara dele que a olhava assustado. – Se você tentar algo eu juro que te mato, mas primeiro te faço sofrer por perder seu querido amigo aí de baixo. – Apontou dessa vez para a parte entre as pernas dele, que logo fez uma cara de dor só de imaginar.
- Até parece que ela não vai gostar se ele tentar. – Sussurrou pra mim e eu gargalhei.
- Eu escutei . – Disse fulminando a amiga com o olhar. – Agora promete Dougie.
- Eu prometo o que você quiser tchutchuca!
- Tchuchuca?! Que brega! – Todos riram.
- Da onde você tirou essa expressão chula Poynter?
- Sei lá! Ouvi em algum lugar, não lembro aonde, e gostei... – Deu de ombros e deu um tapa em sua própria testa.
- Cada um pegando o seu par e procurando um quarto vago. Anda! – Mandou , se manifestando pela primeira vez.
- Isso não me soou bem. - Olhei sugestiva para o garoto da covinha. Todos ali presentes riram do tom rosado que o garoto adquirira no mesmo instante que percebeu a ambigüidade de sua frase.
- Vamos Dougie, antes que eu me arrependa de ter concordado de fazer par com você. – Ela o pegou pelo braço, correndo para fora do quarto. O mais hilário foi a cara tarada que o garoto fazia.
- Vamos ? – Disse em pé atrás de mim, bem perto do meu ouvido. Juro que eu fiquei que nem gelatina. Apenas confirmei com a cabeça, seguindo para fora do cômodo e andando no corredor do lado oposto do que estávamos. Entramos em um quarto. Olhei ao redor analisando o local, uma cama king size com colchas impecavelmente brancas, um closet, uma portinha do outro lado que provavelmente deveria ser o banheiro, uma porta de vidro de correr que dava para a sacada, uma mesinha, um computador de última geração, uma mesinha de cabeceira de madeira e uma das paredes do quarto era azul enquanto as outras eram brancas. Definitivamente eu me sentia à vontade naquela casa!
- Esse é o meu quarto, quer dizer, o quarto que o Tom me emprestou. – Ele falou, sentando-se na cama.
- O Tom é trilhardário e eu não sabia? – Perguntei incrédula. Aquela casa era enorme, os dois quartos em que estive eram enormes, tudo ali era de última geração, luxuoso e caríssimo. Danny riu e me olhava admirado com a minha simplicidade. Peguei a cadeira da escrivaninha e me sentei, tentando manter a distância, pois estávamos sozinhos e isso era muito perigoso para mim. – Por onde começamos?
- Você vindo pra mais perto ou não teremos como fazer algo decente. – Bufei e levantei caminhando até a cama, sentando-me nela do lado oposto. – Mais perto ou não vou ver o que você vai escrever. – Danny se esticou e me puxou pela cintura, fazendo com que eu ficasse quase encostada nele. Tirei meus tênis para não sujar a cama e ele fez o mesmo, esticamos as pernas e eu peguei minha bolsa sacando um caderno e uma caneta de dentro dela.
- Eu não sei nem como começar uma música, acho que isso não vai dar certo. – Comentei desesperada, olhando para a página em branco à minha frente.
- Escreva aquilo que vem no seu coração.
- Você que escreveu aquela que estava tocando? – Perguntei curiosa.
- Sim.
- É linda! Acho que uma das melhores que ouvi. – Sorri sincera.
- Você toca algo? – Perguntou, depois de alguns minutos de silêncio.
- Sei... Quer dizer eu sabia tocar violão. Mas não era boa. – Confessei envergonhada. Ele tocava tão bem, que perto dele eu parecia tocar algo horripilante e desafinado.
- Nunca a imaginei tocando.
- Você não conheceu nada ainda. – Ele riu e piscou. - Eu aprendi mais ou menos com 10 anos, mas não fui pra frente porque era difícil e minha paciência era curta.
- Se quiser eu te ensino. – Dei de ombros pensando na possibilidade. - Canta?
- No chuveiro. – Ele soltou uma gargalhada alta e gostosa, um som agradável para os meus tímpanos.
- Tenta. – Eu o olhei com a testa enrugada e os olhos arregalados.
- Como?!
- Cante algo. Só para que eu tenha noção de como é sua voz.
- Não, isso é humilhante! Minha voz não chega nem aos pés da sua. – Falei rápido e sem pensar.
- Anda logo! – Disse confiante e me desafiando com o olhar. Eu odiava ser desafiada, pois sempre acabava entrando no jogo e fazendo o que me pediam.
- Inteira?
- Se quiser... Espera! Eu vou pegar o violão. – Ele desceu da cama, saiu do quarto e minutos depois voltou com o objeto nas mãos. Pulou em cima da cama fofa, voltando a ficar do meu lado como antes. Puxei uma lufada de ar para os meus pulmões, tentando me acalmar e ser o mais razoável possível para não passar vergonha. – Você toca! – Disse me entregando o violão. Toda a autoconfiança que eu reuni, foi para o ralo quando o ouvi dizer isso.
- Eu acho que...
- Você consegue! – Peguei o violão estendido em minha direção, e tentei puxar pela memória uma das músicas que eu sabia de cor tocar. Perfeito! A minha música preferida! Que agora era a minha segunda preferida, pois a primeira era a do Danny.
Comecei a tocar meio insegura, mas conforme eu dedilhava o violão e as notas ficavam claras em minha cabeça, criei uma autoconfiança que aumentou quando olhei seus olhos.

Avril Lavigne – Don’t Tell Me



You held my hand and walked me home I know
(Você segurou a minha mão e me levou até em casa, eu sei)
While you gave me that kiss it was something like this it made me go (ooh ohh)
(Por que você me deu aquele beijo foi algo assim e me fez ir oh oh)
You wiped my tears, got rid of all my fears
(Você enxugou as minhas lágrimas, me livrou de todos os meus medos)
Why did you have to go?
(Por que você teve de ir embora?)
Guess it wasn't enough to take up some of my love
(Acho que não foi o suficiente para ganhar um pouco do meu amor)
Guys are so hard to trust
(Porque você é muito difícil de confiar)
Did I not tell you that I'm not like that girl?
(Eu não te disse que eu não sou que nem aquela garota?)
The one who gives it all away
(Aquela que se entrega toda?)
Did you think that I was gonna give it up to you, this time?
(Você achava que eu ia me entregar a você dessa vez?)
Did you think that it was something I was gonna do and cry?
(Você achava que isso era algo que eu ia fazer e chorar?)
Don't try to tell me what to do,
(Não tente me dizer o que fazer)
Don’t try to tell me what to say,
(Não tente me dizer o que falar)
Your better off that way
(Você é melhor desse jeito)

Fiz menção de parar, mas com um gesto ele mandou que eu prosseguisse e observei por breves segundos aqueles olhos azuis que me davam forças. Voltei os olhos para o violão, tocando de maneira mais confiante. Até que não estava tão ruim assim, só precisaria de um pouco mais de prática. Quem sabe o Danny me ensinando eu melhorasse e... Espera! Eu estava pensando mesmo em pedir ajuda pra ele? Meu Deus, eu nunca cogitei a idéia de voltar a tocar e naquele momento estava fazendo exatamente isso. O que está acontecendo comigo?

Don't think that your charm and the fact that your arm is now around my neck
(Não pense que o seu charme e o fato de que o seu braço está agora em volta do meu pescoço)
Will get you in my pants
(Vai te trazer pra dentro das minhas calças)
I'll have to kick your ass and make you never forget
(Eu terei que chutar o seu traseiro e te fazer nunca mais esquecer)
I'm gonna ask you to stop
(Eu irei te dizer pra parar)
Thought I liked you a lot, but I'm really upset
(Pensei que eu gostasse muito de você, mas eu estou realmente irritada)
Get out of my head get off of my bed yeah that’s what I said
(Então saia da minha cabeça, caia fora da minha cama sim, foi o que eu disse!)
Did I not tell you that I'm not like that girl, the one who throws it all away?
(Eu não te disse que eu não sou que nem aquela garota aquela que se entrega toda?)
Did you think that I was gonna give it up to you, this time?
(Você achava que eu ia me entregar a você dessa vez?)
Did you think that it was something I was gonna do and cry?
(Você achava que isso era algo que eu ia fazer e chorar?)
Don't try to tell me what to do
(Não tente me dizer o que fazer)
Don’t try to tell me what to say
(Não tente me dizer o que falar)
Your better off that way
(Você é melhor desse jeito)
This guilt trip that you put me on won't, mess me up
(Essa viagem de culpa que você me colocou, não vai me enlouquecer)
I've done no wrong
(Eu não fiz nada de errado)
Any thoughts of you and me have gone away
(Qualquer pensamento de você e eu, foram embora)
I'm better off alone anyway
(Eu estou bem melhor sozinha mesmo)

Eu estava tão envergonhada e ele não dizia nada, a expectativa crescia em meu peito e uma única palavra passava em minha cabeça: fracasso.
- Você foi ótima! – Disse finalmente, tirando um grande peso do meu coração. – Mas precisa melhorar o canto e treinar um pouco mais o violão, mas isso só se quiser virar profissional, porque se não quiser, não há necessidade.
- Obrigada... Eu acho. – Ele riu e pegou o violão do meu colo, colocando-o no chão.
- Vamos começar?
- E como se começa? – Eu ri nervosa.

Ficamos horas tentando encaixar frases sem nexo, que saiam da minha cabeça e eram melhoradas por Danny. Estava me sentindo ótima e patética ao mesmo tempo. Riamos de coisas sem sentidos, tirávamos sarro da cara do outro. Parecíamos melhores amigos de infância e isso me deixou à vontade, melhor do que ficar o tempo todo constrangida de algo que eu tenha dito e que possivelmente possa ser mal interpretado por ele.
- Vamos ver o que temos por enquanto. – Ele pegou o papel e começou a ler. – “You don't have to have money to make it in this world. You don't have to be skinny baby if you wanna be my girl. Oh you just got to be happy but sometimes that's hard so just remember to smile, smile, smile and that's a good enough start”. (Você não tem que ter dinheiro para viver nesse mundo, você não tem que ser magra, baby se quer ser minha garota. Oh você só tem que ser feliz, mas às vezes isso é difícil. Só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir e isso é um começo bom o suficiente.)
- Eu achei que nem faríamos a primeira linha, e temos já um bom pedaço. Estou impressionada. – Comentei, pegando o papel dele e relendo.
- É melhor acabarmos por hoje. – Falou, levantando-se da cama e eu fiz o mesmo olhando para o relógio. Como as horas passaram rapidamente! Já estava quase para anoitecer e eu nem percebi. – Vamos ver o que os outros estão aprontando.
Procuramos por todos os cômodos do andar de cima e nenhuma alma viva se manifestava. Descemos as escadas e vimos todos na sala bebendo, conversando e jogando vídeo game. Eu andei até as minhas amigas com um bico enorme no rosto, ouvindo minha barriga roncar.
- Que bico é esse? – Perguntou enquanto eu sentava ao lado dela e do Harry.
- Fome! – Disse passando a mão na barriga quando ela novamente roncou. – Você ouviu? Foi muito alto!
- Eu não ouvi, mas também to com fome. – Respondeu Harry, colocando uma de suas mãos em meu ombro.
- Tom, o que tem pra comer? – Gritou enquanto apertava com força os botões do controle. – SAI DOUGIE! VOCÊ TÁ ME FAZENDO PERDER!
- Cara ela é estressada quando tá perdendo...?
- Também olha contra quem ela tá jogando. Comigo ela sempre vai perder. – Disse um vitorioso, fazendo uma dançinha ridícula no meio da sala e o olhava risonha e as faces rosadas. Mais uma apaixonada?
- Vamos pedir uma pizza! Quem quer pizza? – Perguntou Danny. Todos levantaram as mãos e ele pegou o celular para fazer os pedidos. – Quais os sabores?
- Calabresa!
- Quatro queijos!
- Presunto e queijo...
- Qualquer uma...
- Existe esse sabor?
- Eu também quero Calabresa!
Disse todos ao mesmo tempo.
- Quem pediu o que, porque eu não entendi nada! – Danny reclamou rindo.

Horas depois, estávamos espalhados pela sala; cada um em seu canto, deitado olhando pro nada, outros assistindo TV ou apenas conversando. Todos ignoravam os trovões que davam um claro sinal de que em breve choveria. Caixas vazias de pizza estavam amontoadas num canto da sala, latinhas de refrigerante e cerveja espalhadas junto. Cansada de olhar para o teto, levantei-me e catei todo o lixo, tentando equilibrá-lo nos braços; quando uma alma bondosa resolveu me ajudar, tirando quase metade do que eu tinha em mãos. Olhei para o meu salvador, e lá estava Danny, todo prestativo com um sorriso no rosto e nada cobrindo o seu peitoral, o que me fez ir ao delírio.
Fui para a cozinha com as mãos tremendo, mal dando conta de segurar as poucas caixas. Joguei-as no lixo e andei apressada até a geladeira. Fiquei olhando por alguns (muitos) minutos para ela, a fim de me recompor. Peguei a jarra de água, levei até a pia e despejei o conteúdo dentro do copo. Tomei de um só gole, sentindo o liquido gelado descer por minha garganta. Logo depois, devolvi o copo para a pia, suspirando. Olhei para o lado esperando estar sozinha na cozinha, porém encontrei Danny encostado no batente da porta com os braços cruzados, me olhando com os lábios repuxados em um sorriso.
- O que foi? – Perguntei permanecendo onde estava.
- Nada, só estava te olhando.
- E o que tem nisso de interessante? – Ele riu desafiador, aproximando-se em passos lentos. Não tinha como fugir, e mesmo que eu tentasse, facilmente ele me encurralaria. Encostei-me na parede, como se ela fosse abrir um buraco a qualquer momento e me livrar daquela situação, porém o vi perto demais e suas mãos em volta de meu corpo, me prendendo ali. Suas mãos estavam espalmadas na parede, enquanto as minhas estavam em seu peito, evitando algum tipo de contato maior que aquele. Eu já sentia a sua respiração bem próxima do meu rosto e os seus olhos azuis me hipnotizar.
- Você se menospreza demais. – Sussurrou em meu ouvido, mordendo o lóbulo em seguida. Meu corpo todo correspondeu àquele ato. Minhas pernas já não sustentavam o peso do meu corpo, as famosas borboletas passeavam por minha barriga, o frio na espinha era constante e uma enorme vontade de provar o gosto do seu beijo tomou conta de mim. Mas ao invés de tudo o que eu esperava que acontecesse, o vi me soltar e sair da cozinha sorrindo cinicamente. Eu sabia que na verdade ele estava rindo da maneira como brincara comigo e eu gostara. Eu fui fraca demais! Cai no seu joguinho, como ele esperava. Eu não seria mais uma em sua lista! Não mesmo.
- Burra... – Sussurrei para mim mesma. Eu não podia deixá-lo brincar assim comigo!
Fui até a sala com cara de poucos amigos, sentei em um sofá, recostei a cabeça no encosto, fechei os olhos puxando uma lufada de ar para os meus pulmões, na tentativa de que isso fosse organizar as minhas idéias, porém elas continuavam a rodar e sempre paravam no mesmo ponto: os olhos azuis e sedutores de Daniel.
O melhor que eu tinha a fazer era me afastar dele, e pôr minhas idéias em ordem naquela noite, antes de enfrentá-lo de novo; e isso significava ir embora o mais rápido daquela casa. Levantei-me do sofá, peguei minha bolsa, despedi-me de todos alegando uma forte dor de cabeça e sai da casa o mais rápido que pude sem olhar para trás.
- Você está fugindo? – Perguntou uma voz inconfundível assim que coloquei os pés na calçada. Peguei meu celular e disquei o número de casa. Olhei de soslaio para o lado e encontrei Danny me olhando furioso. Furioso? Eu é que tinha que ficar daquele jeito! Fora ele quem me provocara e me deixara falando sozinha como uma idiota. Percebi alguns pingos de chuva cair, mas não me importei.
- Só estou tentando ir pra casa. – Pausei quando ouvi a voz da minha mãe do outro lado da linha. – Alô? Você pode vir me buscar? O endereço está no recado que eu deixei na geladeira... Estou esperando. – Cinco minutos e eu estaria longe dele e dos meus sentimentos confusos. Guardei o celular no bolso e suspirei profundamente, desejando que aquilo não estivesse acontecendo. Olhei para o céu cinzento, e um relâmpago cortou o céu. O vento gelado sem piedade me rondava, me fazendo tremer. Apertei o casaco que eu levara, prevendo a mudança de clima, contra o corpo e passei a olhar as ruas na tentativa de ignorá-lo, mas sabia que ele não se daria por vencido tão facilmente. Não demorou muito para que a chuva começasse a engrossar, ensopando as minhas roupas, mas como disse antes, eu não estava me importando contanto que aquilo me fizesse sentir melhor.
- Eu te levo...
- Se não percebeu, alguém já vem me buscar!
- E você vai ficar esperando aqui? – Não respondi, e muito menos ousei olhá-lo, tamanha era a minha raiva. – Por que você sempre tem que ser difícil? – Parei de olhar a rua e o encarei furiosa.
- Afinal de contas o que você quer comigo? – Meus olhos imploravam por respostas, e eu via isso refletido em seus azuis profundo. – Você o tempo todo me provoca, me faz sentir coisas estranhas e depois finge que isso é natural...
- A única coisa que eu quero, é que você cometa loucuras uma vez na sua vida. Se arrisque! – Ele me olhava com tal intensidade, que me senti despida.
- Como o que?! Entregar-me a essa loucura, ou melhor, me entregar a você? Nunca! O tempo todo você só queria isso, não é? Queria que eu fosse mais uma. – Senti um ódio surdo tomar conta de mim, me impossibilitando de ver as coisas com clareza. – Eu sempre soube que você não era alguém em quem eu podia confiar. Você... – Eu falava sem parar, e quando me dei por mim, fui virada com brutalidade e no instante seguinte senti seus lábios macios tocarem os meus. Sua língua com delicadeza me pedia passagem, eu cedi entreabrindo os lábios e sentindo a língua dele procurar pela minha, sedenta de paixão. Instintivamente fechei os olhos, enlacei seu pescoço com meus braços e correspondi ao beijo voluptuosamente. Eu estava correspondendo? Que tipo de poder ele tinha sobre mim?
Suspirei inconformada comigo. Fiquei surpresa de como eu esperava por aquele momento ansiosamente. As gotas de chuva, que escorriam por nossos rostos, morriam no exato momento que chegavam em nossas bocas, se misturando ao beijo, dando um sabor irresistível e provocante. Eu queria continuar ali, parar o tempo, mas eu sabia que uma hora teríamos que nos encarar, porém eu iria aproveitar enquanto durasse. Tudo à minha volta era ínfimo, perto do que eu estava sentindo, e o que eu mais desejava era tê-lo cada vez mais perto, como se aquilo fosse possível. Partimos o beijo quando nos faltava o ar, e eu não conseguia olhá-lo diretamente nos olhos, por isso abaixei a cabeça. Eu estava ofegante e provavelmente corada, pois eu sentia minhas bochechas queimarem. Meus cabelos pingavam, minhas roupas estavam encharcadas e, no meu íntimo, eu estava entre exultante e confusa, este não era novidade, mas quanto a estar feliz por beijá-lo, era algo muito mais complexo.
- ... – Sua voz estava rouca e falha, mas pude ouvi-lo perfeitamente. Não quis olhá-lo, não estava pronta. Porém, ele com os dedos em meu queixo, levantou a minha cabeça na altura da dele e com firmeza a segurou. – Eu...
Mal ele começou a falar, e ouvi uma buzina irritante e insistente nos interromper; olhei para o lado e vi minha mãe me chamar. Olhei novamente para ele, que suspirou frustrado, e não pude deixar de ficar descontente com isso também.
- Vai lá. Quem sabe algum dia não terminamos essa conversa? – Sorriu fraco e me soltou. Não pensei duas vezes e corri para o carro do outro lado da rua. Entrei e, minutos depois, vi sua imagem se afastar conforme o carro andava. Ao invés de entrar, ele continuava lá, encarando o automóvel se distanciar sem mover um só músculo. Assim que o veículo virou a esquina, voltei a olhar para frente e me afundei no banco, fechando os olhos e desejando que minha mãe permanecesse calada e me deixasse sozinha com as minhas idéias.


05

- você está me escutando? – perguntou me encarando. Olhei para ela acordando do meu transe.
- Me desculpa estava pensando. – me encontrava sentada em um dos bancos no pátio da escola relembrando o que acontecera na noite em que beijei Danny, há exatamente duas semanas atrás. Depois disso mal nos falávamos, evitávamos contatos físicos, olho nos olhos ou qualquer outra coisa que deixássemos tensos e nos fizéssemos lembrar daquela noite. Estávamos fugindo, isso era um fato, porém era melhor do que encarar o que estava acontecendo. Olhei para a minha amiga fingindo curiosidade e sorri fraco.
- Tudo bem. Mas a novidade que eu estava tentando te falar é que o Nick está de volta para a cidade! – disse eufórica e eu quase engasguei com a minha própria saliva.
Como assim ele está voltando? Há dois anos ele foi embora da cidade porque seus pais estavam se separando e ele fora com a mãe morar no Texas. Nós éramos grandes amigos, quase inseparáveis, diga-se de passagem, uma amizade colorida, e quando recebi a noticia de sua mudança senti o chão se abrir sob meus pés. Eu gostava muito dele, mas não o amava. Nós ficávamos juntos quando estávamos carentes, mas eu achava que era só isso até que antes de ir embora ele me confessara o que sentia e prometeu que voltaria um dia para mim. Entrou dentro do ônibus dizendo um “eu te amo”. E eu? Bom, eu permaneci calada e assustada olhando-o com espanto. Como todo o tempo em que estávamos juntos não desconfiei? Peguei-me pensando aquilo durante meses até que resolvi deixar quieto, pois suas cartas pararam de chegar e os telefonemas cessaram. Atribui ao fato de que ele tinha outra vida e não se importaria mais com os antigos amigos e um amor de infância encontrando em outra garota o que eu não poderia dar. Mas saber do retorno dele me deixara especialmente feliz naquele dia e me fizera esquecer o que estava me deixando confusa e me fizera questionar se ele estava voltando por mim como prometera.
- Mas como ele não me avisou?
- Porque ele não conseguiu falar com você. Desde ontem que ele tenta ligar no seu celular, mas parece que alguém se esqueceu de que tem um.
- Quando que você ficou sabendo disso? – perguntei ignorando a indireta.
- Logo depois que você foi embora da casa do Tom.
- E porque não me contou?
- Porque ele queria te contar, mas como percebeu que era quase impossível te localizar ele me pediu que a avisasse.
- E quando vamos vê-lo?
- Hoje! Provavelmente chegou de viagem hoje cedo e me disse que depois viria aqui fazer sua matrícula de novo e passaria para nos ver. – dei um grito de felicidade e abri um sorriso de orelha a orelha.
- Nossa que felicidade é essa, ? – perguntou Harry que se aproximava da roda junto com seus amigos, incluindo Danny que não me olhava apenas fitava o chão.
- Um amigo nosso está voltando pra cidade. – dei de ombros.
- Amigo ? – fingiu uma tosse. – Só se for uma amizade colorida, vocês viviam se agarrando.
- ! – gritei corando.
- Quer dizer que nosso amigo Danny tem um concorrente? – Dougie riu batendo no ombro do outro que me olhava com uma das sobrancelhas erguida.
- Ele estudava aqui? – perguntou Tom curioso.
- Sim... Mas faz dois anos que ele se mudou. Talvez vocês nem se lembre.
- Mas mudando de assunto vocês vão a minha casa hoje de novo para continuar o que estávamos fazendo ontem?
- Que parte Fletcher? A de compor ou a de vagabundear? – perguntou rindo. Danny me olhava sorrindo como se aquela frase “continuar o que estávamos fazendo” o tivesse lembrado do que me dissera na noite do beijo e o animado. Ignorei como sempre e evitei expressar emoções tamborilando meus dedos na prancha gasta do meu skate.
- As duas coisas. Vocês vão? Só temos mais duas semanas para terminar.
- Por mim tudo bem. – dei de ombros e todos os outros concordaram com a cabeça e eu fiz o mesmo rezando para que o Danny não cumprisse o que dissera, de continuar aquela conversa. Eu não queria tocar naquele assunto ou lembrá-lo e muito menos ficar trancada em um cômodo sozinha com ele. Ah Deus, se isso não valesse nota eu mandaria tudo para o espaço!

Estávamos todos na saída da escola e eu me mantinha calada, apenas respondendo o que era perguntado diretamente a mim com palavras monossilábicas. Estava tão ansiosa para vê-lo que não tinha vontade de nada somente esperar que as horas passassem rápido. Olhava para o céu, encostada no muro, um pouco afastada do grupo e agradeci mentalmente que eles, e principalmente Danny, não vieram falar comigo. Quando dei por mim braços masculinos me enlaçavam pela cintura, surpreendendo-me e eu dei um grito assustada chamando a atenção de todos a minha frente. De primeira achei que fosse Danny, mas quando o vi me olhar espantado e ao mesmo tempo raivoso, descartei a idéia e tentei me virar para saber quem se atrevia a me agarrar. Quando me virei encontrei um par de olhos castanhos me fitando, um sorriso encantador nos lábios mostrando a fileira de dentes perfeitos, os cabelos cacheados voando conforme a brisa batia e aqueles braços fortes que ainda me envolviam em um abraço reconfortante me fazendo lembrar como ele era lindo. Em um momento de excitação o abracei o mais forte que pude e soltei um gritinho de pura felicidade sorrindo como nunca.
- Nick! Como senti saudades! – disse enterrando meu rosto na curva de seu pescoço sentindo aquele perfume que eu tanto sentira e me fazia falta.
- Eu também senti... Você não sabe o quanto! – não queria soltá-lo, mas sabia que as outras queriam matar a saudades tanto quanto eu. O soltei relutante sorrindo para ele que me retribuiu com um beijo na testa. Quando dei espaço para as outras, percebi um olhar furioso sobre mim e tentei não olhá-lo em vão, pois no segundo seguinte estava encarando Danny que não prestava atenção nos cochichos dos amigos, que provavelmente falavam de Nick. Danny parecia tenso, uma das mãos fechadas em punho e um olhar que me fez tremer da cabeça aos pés. Desviei o olhar e voltei minha atenção para o meu amigo que sorria para todas, mas não deixava de me olhar e quando nossos olhares se encontravam eu sorria. Assim que todas o abraçou ele caminhou, com as outras em seu encalço, para perto de mim.
- Vocês não vão nos apresentar? – perguntou depois de pigarrear chamando nossa atenção.
- Ah claro! Bom esse é Nick. Nick esses são Danny, Harry, Dougie, Tom e . – apresentou apontando para cada um. – os garotos trocaram aperto de mãos, mas percebi que Danny foi o mais hesitante de todos e permanecia sério.
- Você já fez sua matricula, Nick? – questionou uma toda sorridente e percebi que Tom não gostou muito do que viu.
- Acabei de fazer. O mais chato é que talvez eu não fique na mesma classe que vocês. Mas estou sabendo do festival que vai ter aqui, cheguei a tempo de ver uma festa decente nessa escola e claro rever amigos inesquecíveis. – riu divertido e me lançou um olhar que eu tentei ignorar, mas sabia que ele algum dia iria tocar naquele assunto. Agora teria duas pessoas a evitar.
- Mas porque você voltou para a cidade? Pelo que eu saiba você adorava o Texas. – perguntei curiosa.
- Decidi voltar a morar com o meu pai. Sentia falta dele e de vocês também. – ele falava sem deixar de me fitar e quando o ouviu dizer aquilo fazia gestos e ria como se dissesse “Eu sabia!”. Percebi novamente que Danny se controlava para não bater em Nick e que aquilo não fazia sentido. Danny era um malandro de primeira, não se importava com muitas coisas e pessoas e só trocamos um beijo o que não deveria ter significado nada para ele. Então por que ele estava agindo daquela maneira?
- É bom ter você de volta! – comentei e ele me abraçou tão forte como se aquilo fosse matar as saudades de uma só vez.
- Bom preciso ir. Tenho que terminar de arrumar as minhas coisas, mas vamos combinar de sair e recuperar o tempo perdido.
- Claro! – disse eufórica e as outras concordaram. Ele abraçou todas, acenou para os garotos e me deu um beijo na testa despedindo-se com um dos seus sorrisos iluminados no rosto.
- Vamos para a minha casa? – Tom nos chamou a atenção assim que Nick foi embora com uma expressão séria como a de Danny.
- Vamos sim. – respondi. Pelo jeito nem Tom estava se dando bem com Nick e o motivo era óbvio: .

Passamos a tarde compondo e Danny falava pouco comigo, dizia o necessário para me ajudar. O caderno a minha frente todo rabiscado, poucas palavras sobraram e minha cabeça começava a latejar. Joguei minha cabeça para trás suspirando fortemente. Fiquei minutos olhando o teto branco. Danny continuava sentado na cama dedilhando no violão sem se importar com meu momentâneo mal estar. Eu não agüentava mais olhar para aquela folha, já estava enjoada daquilo e de ficar naquele silêncio irritante. Levantei-me da cadeira e caminhei até a porta e quando estava preste a colocar meu pé pra fora ouvi uma voz me chamar, a voz rouca de Danny pronunciar o meu nome perceptivelmente irritado.
- Aonde você vai?
- Ao banheiro, preciso de ar... Não estou me sentindo bem. Há horas que eu olho para esse caderno, já to de saco cheio!
- Vamos dar por encerrado hoje então. – disse dando de ombros e eu fiz o mesmo saindo do quarto e correndo para o banheiro. Quando sai de lá voltei para o quarto e não o encontrei. Peguei minha bolsa e coloquei meu material dentro dela, desci as escadas dando de cara com Tom e que estavam sentados em um sofá assistindo TV, Dougie e conversando em um canto, Harry, , e comiam sentados no chão. Nem sinal de Danny, mas aquilo pouco me importava. Joguei minha bolsa no canto da sala e sentei ao lado de e roubei um pedaço do bolo que Harry comia.
- Hey! Isso era meu! – reclamou Harry tirando o resto do meu campo de visão.
- Era, disse bem. – sorrimos e ele me abraçou. A principio eu não gostava de Harry, por causa daquela pinta de garanhão machista, mas depois fui o conhecendo melhor e uma forte ligação se estabeleceu entre nós, eu o considerava como um irmão e sei que ele tinha o mesmo sentimento por mim. Talvez por que somos filhos únicos e temos algumas coisas em comum, fora as nossas manias iguais. E ele nesses dias andava me ajudando com a musica muito mais que Danny.
- Vocês parecem irmãos juntos. – comentou me fazendo gargalhar e todos me olharem de forma interrogativa.
- Pois era o que eu estava pensando agora. Eu considero o Harry como um irmão. É estranho, mas é o que sinto.
- Eu digo o mesmo. – ele disse depositando um beijo no alto da minha cabeça. – Apesar de que você não parecia gostar de mim no primeiro dia.
- E não gostei mesmo, aquele seu jeito todo mandão se achando a ultima bolacha do pacote. E pra completar dando em cima da minha amiga descaradamente. – sorri pra que retribuiu envergonhada. Harry fingiu uma cara de ofendido – Me da mais um pedaço de bolo? – pedi manhosa com a cabeça encostada no peito de Harry e uma das mãos esticada para pegar o bolo que ele escondia.
- Porque você não vai à cozinha e pega um pedaço pra você gulosa?
- Eu não sou gulosa, apenas uma pessoa faminta. E já que você me nega um pedacinho o jeito é me levantar daqui e ir pra cozinha me arrastando e pegar. – dramatizei, fato.
- Exagerada! Depois de todos esses elogios não te ajudo em mais nada.
- Malvado! – mostrei a língua fazendo-o rir.
Levantei-me e fui até a cozinha sem olhar pra nada. Corri para o fogão e peguei um pedaço de bolo e quando me virei, enfiando um enorme pedaço na boca, encontrei Danny sentado na mesa com as duas mãos sob a cabeça bagunçando os cabelos. Parecia cansado e irritado. Sentei-me em uma cadeira ao seu lado e foi então que ele pareceu notar minha presença e me encarou com o olhar perdido. Meu coração deu um salto dentro do peito. Eu estava começando a ficar preocupada, nunca o vira daquele jeito. O que estaria deixando-o daquela maneira?
- Você está se sentindo bem? – coloquei uma das mãos que estava livre nas suas assim que as vi espalmada na mesa, mas quando cheguei a tocar ele as retirou com rapidez me surpreendendo e então recolhi as minhas e as repousei no colo.
- Como se isso te importasse! – resmungou ríspido me fazendo sentir uma sensação péssima.
- Claro que me importo... – o ouvi soltar uma risada irônica. – Eu só queria te ajudar, mas parece que não sou bem vinda. – disse me levantando. Estava me sentindo uma idiota por querer ajudá-lo. No fundo sabia que seria tratada daquele jeito. Sai da cozinha e voltei a sentar do lado de Harry. Fiquei olhando para o bolo que ainda estava em minha mão sentindo meu estomago revirar e a vontade de comer desaparecer.
- Vai ficar encarando esse bolo por mais quanto tempo? – me olhava rindo.
- Perdi a vontade de comer...
- Pois então me dê, não vamos desperdiçar. – comentou divertido. Dei a ele o pedaço e sorri tristonha. Aquela preocupação idiota estava me matando.
- O que foi pequena? – questionou Harry baixinho quando os outros três iniciaram uma conversa própria.
- Nada, só estou cansada. Acho que vou pra casa.
- Tem certeza? – perguntou preocupado e aquilo enterneceu meu coração.
- Tenho Harry.
- Espera. Eu vou pedir para o Danny te levar. – me interrompeu quando fiz a menção de levantar.
- Não! – gritei e ele me olhou espantando então prossegui mais baixo. – Quer dizer, não precisa. Eu chamo um táxi ou ligo para a minha mãe não se preocupa. – implorei e Harry desconfiou. Mas não disse nada apenas balançou a cabeça concordando. O beijei na bochecha, despedi-me dos outros que conversavam animadamente ou assistiam a TV. Não fui à cozinha me despedir de Danny, sabia que ele queria ficar sozinho e o que eu menos desejava era ser tratada mal de novo. Não esperei muito tempo por minha mãe que foi me buscar, pois estava nas redondezas. Já fazia algum tempo que não tinha uma conversa decente com ela, mas decidi que aquele não seria um momento propício, pelo menos pra mim, começar uma.

Estava trancada em meu quarto, deitada na cama olhando para o teto sem conseguir conciliar o sono – o que se tornou constante nas ultimas semanas, ou melhor, dizendo desde que eu conhecera Daniel Jones. Minha cabeça girava e a cada vez que me lembrava do beijo sentia um misto de sentimentos me invadirem, mas no segundo seguinte desaparecer para dar espaço à outra lembrança onde ele fora rude comigo, usara palavras ríspidas e um olhar frio.
Despertei quando ouvi o celular tocar, me estiquei na cama e o peguei no criado mudo. Olhei para o visor e vi o nome dele escrito enquanto o celular apitava em minhas mãos. Meu coração falhou por um momento e fiquei indecisa entre atender ou não, acabei decidindo por atendê-lo.
- Alô?
- Erm... eu te acordei? – perguntou confuso.
- Não, estava acordada ainda... – olhei para meu reló de cabeceira que marcava meia noite.
- Me desculpa pela maneira que eu te tratei. – direto e decidido.
- Quem diria Daniel Jones me pedindo desculpas! – falei irônica e ele suspirou descontente.
- Eu mereço! Porém estou tentando... Eu não queria te tratar daquele jeito, mas eu to confuso. Você me deixa confuso! Nunca me senti tão idiota, atrapalhado e bobo na minha vida e você consegue me deixar assim. – desabafou dizendo tudo de uma vez.
- Eu não sei o que dizer... – na verdade eu sabia, mas não queria confessar que sentia o mesmo. Talvez por orgulho.
- Só me faz um favor? – suplicou.
- Claro! – respondi de imediato, me repreendendo logo depois por estar agindo de novo de forma impulsiva.
- Posso ir te ver? – perguntou hesitante.
- Agora? – me espantei com o pedido.
- É. Não consigo dormir e preciso te ver. – será que aquele era o mesmo Daniel que eu conhecia? Pois não parecia aquele garoto mandão, prepotente e terrivelmente perigoso.
- Você só pode estar louco! – exclamei incrédula. – E eu ainda mais por aceitar... – disse baixo, mas ele ouviu. Ouvi uma risada baixa. É você está sendo fraca novamente. Mas quem liga pra isso? - Anda pega um papel e anota o meu endereço.

Não demorou muito e ele já estava subindo para a minha janela. Danny fazia aquilo com tanta tranqüilidade que parecia estar acostumado a escalar janelas alheias. Quando a alcançou o ajudei a entrar com certa dificuldade. Ele ficou parado a minha frente, me olhando com um sorriso de canto irresistível nos lábios. O silêncio se prolongou por muito tempo me deixando sem graça.
- Afinal de contas por que queria me ver? – perguntei quebrando o silêncio.
- Porque eu precisava... – se aproximou de mim que recuei. Sentei na beirada da cama e o vi fazer o mesmo.
- O que está acontecendo? Quero dizer, você não costuma se comportar assim.
- E eu não sei... – esticou uma de suas mãos pegando a minha que estava no colo e seus dedos entrelaçaram com os meus. Esse simples gesto fez meu coração acelerar. Olhei nossas mãos e depois seus olhos azuis.
- O que você quer de mim? – minha voz saiu falha e me reprovei por isso.
- É isso que quero descobrir. – a mão que estava livre pousou espalmada em meu pescoço e o polegar fazia movimentos circulares na bochecha me fazendo corar e sentir os pêlos da nuca arrepiar. Seu rosto se aproximou do meu encostando os lábios e a sua língua delicadamente pediu passagem que logo foi cedida. Aquela altura eu sentia meu corpo eletrificado e uma onda de calor me invadir. Nossas línguas brincavam enquanto as mãos dele desciam para a minha cintura apertando-a com força e fazendo um gemido involuntário sair entre dentes. Danny mordeu meu lábio inferior, mas não demorou muito para que retomasse o beijo de maneira voluptuosa. Suas mãos apertavam por debaixo da minha blusa com força arrancando por vezes suspiros de puro prazer. O enlacei pelo pescoço e acariciei sua nuca. Logo o beijo foi se tornando mais calmo e seus braços me apertarem contra seu corpo. Partimos o beijo com vários selinhos.
- Posso dormir com você? – sussurrou em meu ouvido e eu estremeci pensando na possibilidade. – Apenas dormir. Prometo que não farei nada que não quiser. – sorriu malicioso me arrancando uma risada baixa.
- Pedindo desse jeito eu deixo!
- Não tem perigo de alguém nos encontrar? – perguntou se afastando um pouco para me olhar nos olhos.
- Não eu durmo de porta fechada. Vai deita logo antes que eu desista. – ele sorriu quase infantil. O vi deitar e fiz o mesmo sendo abraçada em seguida pela cintura. Fiquei olhando-o, estudando cada traço do seu rosto e ele parecia fazer o mesmo.
- Eu não esperava sentir tudo isso em tão pouco tempo. Nem sei ao certo o que é que estou sentindo! – confessei e ele sorriu balançando a cabeça.
- Eu sei... É estranho! – sorrimos juntos. Ficamos em um silêncio por algum tempo até que me lembrei do ronco de motor que escutei quando ele chegara e fiquei preocupada de que meus pais percebessem o que estava acontecendo.
- Qual dos carros ou motos você veio hoje? – ele pareceu estranhar a pergunta.
- Por quê?
- Porque meus pais vão estranhar um conversível ou uma moto caríssima parada em frente a nossa casa. – ele riu com a minha preocupação e eu dei um leve tapa em seu ombro. – Não ria de mim.
- Eu estacionei do outro lado da rua. Eles vão achar que é algum visitante em uma das casas vizinhas.
- Mas qual você escolheu hoje? – perguntei curiosa.
- A BMW. – ele ria quando me abraçou e depositou um beijo nos meus lábios e permaneceu assim por longos minutos até que eu parti o beijo.
- Algum dia você me deixa andar em um deles? – questionei manhosa.
- Se você prometer não destruí-los eu deixo.
Ficar perto dele estava me fazendo me sentir bem, uma sensação estranha, mas boa. Repousei minha cabeça em seu peito enquanto ele fazia carinho em minha cabeça, senti meus olhos quererem fechar, porém queria aproveitar mais aquele momento. Forcei minhas pálpebras a ficarem abertas em vão, pois logo estavam fechadas e o sono tomava conta do meu corpo amolecido.
- Durma bem. – sussurrou em meu ouvido.
- Promete que quando amanhecer você vai estar aqui? – perguntei ainda de olhos fechados.
- Prometo. – o ouvi sorrir.

Acordei com uma forte luz do sol no rosto que invadia meu quarto pelas frestas da janela. Abri os olhos vagarosamente e quando meus olhos se acostumaram com a claridade pude vê-lo dormindo serenamente. Sua expressão era a de mais profunda calma e sua respiração quente era regular. Por um instinto senti minhas mãos avançarem até seu rosto e com os dedos tracejarem sua pele, fazendo o contorno do rosto com delicadeza sentindo a textura e a temperatura quente. Seus olhos abriram lentamente e quando finalmente os azuis perceberam que eu estava junto dele um sorriso brotou em seus lábios. Retirei minhas mãos sentindo um forte rubor tomar conta de meu rosto e baixei os olhos tentando evitar os dele. Seus dedos pegaram o meu queixo e com firmeza levantou o meu rosto na altura do dele. Quando encontrei seus olhos eles transpareciam doçura e carinho. Meu coração batia desenfreadamente, uma felicidade cresceu em meu peito e tive certeza naquele momento que não o desprezava, mas que o sentimento que a cada minuto ao lado dele crescia era muito maior e melhor. Porém não conseguia distingui-lo ou tinha medo de fazê-lo pela grandiosidade que emanava.
Percebi seu rosto se aproximar do meu e seus lábios macios roçarem os meus. Não passou disso, mas foi até melhor que qualquer outro. Senti ondas elétricas percorrem meu corpo e meus olhos se fecharem para apreciar o momento e guardá-lo na memória. A magia se apagou quando batidas na porta nos sobressaltaram.
- acorda! Não vai querer chegar atrasada na escola de novo! – minha mãe gritou do outro lado e, alguns segundos depois eu pude ouvir seus passos soarem pelo corredor em direção à escada.
- É melhor levantarmos... – olhei em seus olhos e como não demonstrou reação alguma fiz menção de levantar quando fui impedida por suas mãos em meu braço. Lancei um olhar interrogativo e foi então que percebi em seu olhar que nós dois estávamos com medo de tudo aquilo. Sabíamos que era algo bom, mas algo assustador, arrebatador e incontrolável que crescia dentro de nós sem reservas. Como em um dia estávamos em conflitos e no outro aos beijos? Era difícil de absorver isso tudo em tão pouco tempo. Esse medo estava refletido em seus olhos e vi o mesmo no meu refletido nos dele.
- Nós não temos que contar isso a ninguém não é mesmo? – ele mais suplicava do que perguntava. Mas a quem eu queria enganar? Também não queria ter que explicar a nossa súbita mudança de sentimentos, não agora. Era muito melhor esperar.
- Não precisamos... É melhor deixar do jeito que está.

06

Com as mãos no bolso da calça, andando despreocupadamente pela rua pensei em como tudo havia mudado de uma forma mais que de repente. Minha cabeça girava tentando achar explicações que não existiam. Eu prometera a ele que não falaria nada a ninguém e eu cumpriria, pois também era o que eu queria. Não conseguia definir o que sentia e explicar as explosões de emoções em meu peito e os desejos insaciáveis por ele era algo impossível. A cada passo que eu dava menos entendia. Balancei a cabeça a fim de espantar os pensamentos e me concentrar em algo muito mais complicado: a volta de Nick. O que me perturbava era o fato de ele ainda estar apaixonado por mim, mas eu rezava para que isso não passasse de suposição, pois se não eu teria que lhe falar que nada era como antes. Meu coração estava apertado com a possibilidade de fazê-lo sofrer, afinal de contas ele era o meu melhor amigo e não me merecia. Estava tão concentrada que não percebi que já estava a um passo de entrar na escola e um rosto conhecido sorriu pra mim com esplendor. Aquele sorriso fez meu coração saltar do peito e um sorriso se estender pelo meu rosto sem permissão. Aproximei-me dos meus amigos e cumprimentei a todos timidamente evitando corar quando o encarasse o que foi totalmente em vão quando avistei seus olhos azuis. Sentei-me ao lado de e que me olharam interrogativas e eu simplesmente dei de ombros. O olhei novamente, mas seu sorriso desapareceu com uma rapidez que me fez perguntar o que o havia aborrecido. Não demorou muito para que eu visse o motivo da súbita mudança de humor. Nick se aproximava animado, os braços estendidos para que correu para seus braços, porém seus olhos continuavam fixos em mim me deixando sem graça.
- Olá! – cumprimentou a todos com simpatia. – Tudo bem pequena? – dessa vez direcionou a pergunta a mim.
- Que bom que você está de volta. – respondi sinceramente abraçando-o.
Peguei um graveto caído no chão rodando entre meus dedos tentando imitar os movimentos que Harry fazia com suas baquetas e ele me olhou divertido girando ainda mais rápido entre seus dedos me desafiando a fazer o mesmo. Mostrei a língua e voltei minha atenção para que continuava abraçada com Nick que conversava com . pigarreou observando-a e ela num movimento rápido se desvencilhou como se fosse obrigada a dar algum tipo de explicação para o garoto a sua frente. Será que todas nós continuaríamos a nos envolver com aqueles garotos?
Todos estavam estranhando nossa aproximação com os populares e muitos faziam comentários maldosos. Nós não nos importávamos. Mas uma coisa aqueles desocupados tinham razão. O que os fizera se aproximar de garotas que nunca antes tiveram os holofotes sobre si como as populares? Sophie e suas amigas odiava nos ver sempre ao lado deles e muitas vezes até eu me sentia no lugar errado com as pessoas certas. E era somente por causa deles que eu suportava aqueles olhares e comentários idiotas.
- Daqui a pouco elas vão vir sem roupa alguma cobrindo o corpo. – comentou fazendo todos rirem. Olhei para ver de quem ela falava e me deparei com Sophie adentrando a escola em sua minissaia rosa e o uniforme amarrado ao lado deixando a mostra sua barriga. As amigas tentavam imitá-la, exceto duas que pareciam não se encaixar naquele grupinho de vacas. Lauren e Sam eram duas garotas meigas e carinhosas que nunca se importaram com toda aquela palhaçada de popularidade, porém quando Sophie percebeu que elas poderiam roubar a atenção que pousava sobre ela durante anos as acolheu em seu grupinho de merda. E desde então estão freqüentando esse mundinho de futilidades. Mas o porquê delas nunca desistirem daquilo era óbvio. Elas tinham privilégios e estavam acostumadas a viver sendo sombra de outras pessoas.
Sophie passou mexendo em seus longos cabelos loiros rindo de alguma coisa que uma outra garota – que eu não fazia questão de lembrar o nome – dizia. Danny olhava para as pernas da garota com desejo e um meio sorriso surgiu em seus lábios. Com um só movimento taquei o graveto que segurava até então em sua direção acertando seu ombro. Ele me fitou com seu melhor olhar cafajeste sorrindo e me mandou um beijo no ar. Mostrei o dedo do meio irritada, fuzilando-o com o olhar. Sam passou em seguida ao lado de Lauren, ambas de calça jeans completamente diferente das outras que faziam questão de mostrar o que pudesse e nos cumprimentou. Retribui com um sorriso enviesado, mas assim que elas sumiram de vista fechei a cara sentindo uma sensação nova me dominar. Danny era um conquistador e eu sabia disso, porém vê-lo encarando uma outra garota, que não fosse eu, com desejo me fez sentir uma dor aguda no peito. Meu sangue borbulhava prestes a explodir na veia. Talvez aquilo fosse ciúme, não sei ao certo, mas era algo muito ruim de sentir.

Passei todas as aulas distraída, não conseguindo pensar em outra coisa a não ser em Danny e seu insuperável instinto predador. Desde o principio eu sabia que ele era assim, mas agora que eu estava tendo algum tipo de relacionamento com ele – que eu não sabia definir qual – era diferente. E um pensamento me martelava. Ele se contentaria comigo apenas ou eu como suspeitava era apenas um joguinho? Em uma atitude cansada pedi permissão para sair da sala de aula alegando uma forte dor de cabeça. Ao invés de ir à enfermaria caminhei sem rumo olhando fixamente para o chão e quando dei por mim um braço me puxou com força para uma sala desocupada trancando a porta logo em seguida. Olhei atônita para a pessoa e encontrei aquele que me tirava meu fôlego com facilidade me encarar pacientemente.
- O que você pensa que está fazendo? – perguntei tentando ser ríspida, mas minha voz falhou no fim quando o senti bem próximo e sua respiração quente tocava minha pele em um carinho.
- O que você acha?
Seus lábios tocaram meu pescoço beijando com avidez subindo o caminho até a minha boca e antes que ele selasse-as me esquivei encarando seus olhos com certa relutância. Suas mãos me seguravam com firmeza pela cintura me impossibilitando de separar os corpos grudados.
- Por que você não procura a Sophie? Aposto que ela pode te dar o que quiser. – murmurei raivosa.
- Está com ciúmes? – sorriu largamente com os olhos brilhando.
- Claro que não! Eu nunca... – eu tentava articular algum tipo de resposta, mas ele percebeu minha hesitação e com um só movimento selou nossos lábios. Ofeguei relutante a principio, entretanto quando senti sua língua pedir passagem com tanta delicadeza me deixei ser vencida pelas sensações boas que me assolavam somente por estar ao lado dele. Entreabri os lábios sentindo sua língua procurar pela minha numa dança sensual e as borboletas voavam em meu estomago. Uma felicidade transbordava pelos poros do meu corpo enquanto minhas mãos enlaçavam seu pescoço e as dele apertava minha cintura com força e a outra segurava meus cabelos puxando-os para cima. Gemidos de puro prazer escapavam de nossas bocas sem permissão.
A cada minuto que se passava o clima esquentava e nossas roupas apenas atrapalhavam. Eu queria sentir sua pele quente contra a minha, era um desejo quase insuportável. Porém quando senti seus dedos habilmente descerem até a barra da minha blusa e a puxarem pra cima minha mente me alertou do perigo. Com certa dificuldade parti o beijo separando os corpos. Passei as mãos pelo cabelo nervosamente enquanto ele colocava as suas dentro dos bolsos da calça.
- Rápido demais, não é? – confirmei com a cabeça.
Vê-lo se controlar por minha causa aqueceu meu coração. Afinal de contas ele não era tão cafajeste como eu pensava. O abracei forte e ele retribuiu da mesma forma. Ficamos em silêncio escutando apenas nossas respirações antes ofegantes se normalizarem aos poucos e o coração ainda acelerado dos dois.
- Digamos que esse não é um bom lugar pra se apressar as coisas. – ele riu do meu comentário e um meio sorriso se formou no meu rosto. Danny suspirou mexendo em meus cabelos e quando estava visivelmente melhores segurou na minha mão entrelaçando-as e me puxou para fora da sala. Quando saímos percebemos o fluxo de alunos que saiam da sala de aula em direção a saída. Esse era o bom de estar perto dele, eu nunca via o tempo passar. Ao avistarmos nossos amigos me separei dele. veio correndo na minha direção com meu material na mão e antes que pudesse me entregar tropeçou em seus próprios pés. Com sorte ela conseguiu se equilibrar e todos os outros riam atrás dela. Eu e Danny tivemos que nos segurar.
- Bando de idiotas! Nem pra me ajudar vocês servem! – gritou irritada.
- Calma ! – disse pegando meu material.
- Você ta melhor ? – perguntou Tom preocupado. Mas uma vez me surpreendi com aqueles garotos. Então pouco tempo nos aproximamos de tal maneira que não conseguíamos mais viver sem a companhia do outro. E às vezes nos pegávamos pensando como vivemos todo esse tempo sem essa amizade.
- To sim branquelo. Obrigada! – sorri largamente.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa ? – perguntou Nick, um pouco desesperado, que se aproximava no exato momento. Danny não pareceu gostar muito, pois o senti se retesar todo ao meu lado.
- Não aconteceu nada. Eu estava com dor de cabeça, mas passou.
- Quer que eu te leve pra casa? – mas uma vez Nick estava sendo gentil e senti meu coração afundar dentro do peito.
- Não ela não vai pra casa. Ela vai comigo para a casa do Tom terminar de compor as musicas comigo. – Danny disse de maneira rude me assustando. Nunca o havia visto agir de tal maneira. Ele estava mesmo com ciúmes de mim? Sorri envaidecida.
- Credo Danny! Ta com ciúmes é? – brincou e riu ao seu lado.
- Não! Claro que não!
- Finjo que acredito e você finge que me engana.
- Vamos parar de papo furado que agente tem muita coisa pra fazer hoje.
- Ta virando um menino responsável Judd? – falou dando leves tapinhas em suas costas.
- Sempre fui... O que foi? – perguntou quando todos nós olhamos para ele e eu fingi um engasgo fazendo todos caírem na gargalhada.
- Esquece Harry.

A letra da musica já estava pronta e agora era tudo por conta dos garotos que tinham apenas que se preocupar com as melodias. Aquela tarde estava especialmente linda. Acho que é porque meu humor estava bom e vocês sabem muito bem o motivo dela. E esse motivo estava bem a minha frente apenas de bermuda e meias, sentado no chão discutindo alguma coisa com os outros garotos sobre as musicas. De vez em quando seus olhos pousavam sobre mim e eu sorria de lado disfarçando para que os outros não vissem a nossa repentina intimidade.
- Vocês já têm fantasia? – perguntou saboreando um grande pote de sorvete.
- Fantasia? – perguntei totalmente aluada.
- Acorda ! O festival é a fantasia. Vai me dizer que você não leu todo o panfleto?
- Vocês sabem como ela é distraída. Pedir pra que ela perceba alguma coisa só se for relacionada ao Jones. – fulminei com o olhar. Eu não era tão distraída assim! Era? O que tinha de mal não ter lido todo aquele bendito panfleto?
- Ô o Fletcher vai secar desse jeito! – comentou e eu olhei para a menina que praticamente babava olhando para o garoto que como todos os outros estava sem camisa, sentado na roda.
- O que tem eu?
- Nada branquelo! – respondi quando percebi que minha amiga estava sem graça.
Ele me olhou arqueando uma sobrancelha para depois encarar que mais parecia um tomate de tão vermelha. O sorriso de Tom se alargou no rosto e percebi um brilho especial em seus olhos. E opa! estava com uma expressão esquisita... Digamos apaixonada! Mas minha amiga estava apaixonada? Pelo Tom? Eu preciso saber o que ta acontecendo urgentemente com essa garota, ou melhor, com os dois. Por que não me passou despercebido o clima que rolou enquanto eles mantinham o contato visual.
- Eu to falando com você cabeção – disse dando um pedala na minha cabeça.
- Ai seu brutamontes! Doeu! – resmunguei massageando o local dolorido. – Aonde você tava? – olhei para o garoto que se sentava em um sofá e só então percebi que todos tinham parado o que faziam e prestavam atenção na nossa conversa.
- Bom, resolvendo algumas coisas da banda...
- Você conseguiu ? – questionou um Dougie afobado.
- Foi difícil, muito mesmo...
- O que ele conseguiu? – mais uma vez o garoto foi interrompido, mas dessa vez por .
- Se me deixarem falar talvez vocês entendam. – pigarreou antes de prosseguir. – Há dias que eu venho tentando negociar com o dono de um pub pra que os garotos toquem lá. Ontem o homem com o qual eu estava negociando me chamou para uma reunião para hoje depois da escola. Eu estava lá até agora e... – parou propositalmente querendo fazer suspense, mas a única coisa que conseguiu foi um monte de almofadas voando em sua direção. – Ô povo estressado! Nem sabem brincar. No final de contas nós conseguimos e vocês vão tocar uma semana antes do festival da escola.
Os meninos começaram a comemorar entre si e nós meninas também, mas logo eles vieram nos abraçar eufóricos. Pulei nos braços de Tom que me apertou forte, depois foi à vez de Dougie e Harry me abraçarem ao mesmo tempo e aquilo foi uma tremenda sacanagem, pois os dois sem camisa se esfregando em mim foi tipo assim: Pura perdição! Quando os dois me soltaram fiquei olhando a alegria e as risadas histéricas que predominava aquele grupo de adolescentes e foi então que senti braços fortes me enlaçarem pela cintura e me levantarem no ar rodando em seguida. Gritei sorrindo sabendo que era Danny quem me abraçava de forma afetuosa. Essa cena não passou despercebida pelas meninas, mas eu estava me lixando para o que elas pensassem sobre isso. Eu estava nos braços dele, sentindo sua presença e isso sim era importante naquele momento.
- Parabéns! – sussurrei em seu ouvido depois de sentir o chão sob meus pés. No segundo seguinte ele abraçava que sem querer chutou ao pular no colo de Danny.
- ! – gritou assustada.
- Desculpa amiga. – preocupada correu até a outra, mas Tom foi rápido e já examinava de alto a baixo. Olhei sugestiva para Harry, ao meu lado, e ele deu de ombros também não entendendo aquela repentina intimidade dos dois. Estava tão absorta em minhas teses sobre o casal, a minha frente, que me assustei com o meu celular vibrando, dentro da calça, tocando uma musica extremamente ridícula. Todos me olharam risonhos e eu dei dedo enquanto com a outra mão eu pegava o celular. Atendi sem nem ao menos ver quem era, mas se eu tivesse visto talvez não tivesse atendido.
- Alô?
- ? Você ta podendo falar? – Nick meu melhor amigo e nos últimos dias meu carrapato, disse visivelmente hesitante. Eu sei que é maldade pensar assim, mas aquele grude todo estava me cansando.
- To sim... Pode falar. – falei saindo da sala indo para a cozinha e recebi um olhar nada agradável de Danny que provavelmente estava desconfiado com quem eu estava falando.
- Será que você poderia vir aqui em casa... Erm, pra sei lá agente fazer alguma coisa juntos. – sua voz estava muito ansiosa. Não, eu não estava a fim de falar com ele. E aquele não era o melhor momento pra se reviver um passado distante.
- Não vai dar Nick. Desculpe. Eu to aqui fazendo aquelas musicas pro festival. – ouvi um suspiro frustrado. Eu não queria lhe dar esperanças, mas também não queria magoá-lo e o pior de tudo é que eu não sabia agir de forma de que nenhuma das duas coisas acontecesse.
- Tudo bem. Agente combina um outro dia.
- Desculpa mesmo. Até amanhã na escola.
- Até. – desliguei antes que eu me sentisse mais culpada do que já estava.
Debrucei-me na bancada fria com os cotovelos e apoiei minha cabeça nas mãos evitando que uma forte dor de cabeça surgisse. Por que era tão difícil agir da maneira certa? Eu não poderia evitá-lo por muito tempo, ele acabaria percebendo e consequentemente ele ficaria chateado comigo. Mas se eu continuasse agindo de maneira parcial ele sentiria um fio de esperança e não seria nada agradável para Danny que já não ia com a cara dele. Portanto, eu teria que achar uma forma mais agradável – se é que isso é possível – para dizer tudo aquilo que Nick precisava saber. Que ele não era o dono do meu coração.
Estava tão absorta nos meus pensamentos que não percebi que tinha companhia e que ela me observava atentamente. Depois de alguns minutos inalei seu perfume e sorri instantaneamente olhando-o. Danny estava parado na porta da cozinha com os braços cruzados na altura do peito e sua expressão era neutra, o que me dificultava demais para descobrir o que se passava na sua cabeça. Ele andou vagarosamente na minha direção e me enlaçou por trás depositando um beijo no meu pescoço. Arrepiei com o toque de seus lábios quentes e macios. Meu sorriso se alargou só pelo simples fato de tê-lo do meu lado.
- Era aquela mosca de padaria, não era? – perguntou sussurrando no meu ouvido. Tentei achar algum resquício de raiva na sua voz, mas nada parecido com isso. E eu cheguei a ficar frustrada por ele não estar sentindo ciúmes de mim.
- Danny que apelido é esse que você deu pro Nick! – reclamei contendo a risada. Virei-me para olhá-lo nos olhos e quando o fiz me senti zonza pela intensidade com a qual eles me encaravam. Se na voz não havia nada que denunciasse que ele estava contrariado, seus olhos faziam por si só. Não sei se ficava feliz ou se temia por uma possível briga. Sou estranha? Concordo.
- Era sim, mas...
- Ótimo. O que ele queria? – me soltou ficando a dois passos de distância de mim. Se eu soubesse que aquilo iria acontecer não teria dito a verdade mesmo que ele continuasse desconfiado.
- Conversar comigo só isso. – disse me aproximando dele que recuou.
- Só conversar? Essa é boa! – falou debochado. Ah qual é a dele? Pra cima de mim não!
- Daniel você acha que eu estou mentindo? Eu não sou igual a aquelas garotas que você está acostumado a dar em cima. Eu sei me dar o respeito. – cuspi as palavras, irada. Quem ele pensava que eu era?
Acho que eu mexi a onça com a vara curta, porque seu olhar chispava ódio. Pronto, lá vamos nós ter um barraco de primeira.
- Te garanto que você não é melhor que elas. – o escutei incrédula. Minhas faces pegaram fogo de tanta raiva que eu estava sentindo e meus olhos se encheram de lágrimas.
Quando dei por mim minha mão ia de encontro ao seu rosto deixando lá a marca dos meus cinco dedos. Ele me olhou com os olhos arregalados. Fiquei com medo de sua reação. E quando achei que levaria o troco o senti me agarrar novamente pela cintura e me beijar com fúria. Seus lábios não eram nenhum pouco gentis e sua língua procurava pela minha com astúcia. A principio não correspondi surpresa com a sua atitude, porém eu sabia que essa resistência não duraria muito. Daniel era algo que eu não conseguiria resistir nem em mil anos. Ofeguei resignada e correspondi ao beijo selvagem. Levei meus braços em volta do seu pescoço e as minhas mãos entrelaçaram seu cabelo puxando-o com força. Ele pareceu gostar, pois um gemido escapou de sua boca.
Nossas bocas pareciam insaciáveis. As mãos de Danny que estavam pousadas em cima da minha cintura a apertavam com força me fazendo suspirar entre o beijo. Seus lábios deslizaram para o meu pescoço e colo distribuindo beijos por onde passavam. Ele sabia como me deixar louca, fato.
O puxei de volta para cima capturando seus lábios com os meus querendo provar mais do seu gosto. Eu poderia ficar pra sempre com ele assim. Se eu pudesse ficaria, mas as palavras dele me magoaram muito e não era tão fácil assim de esquecê-las mesmo que seja com o irresistível beijo dele. Quando nos faltava o ar partimos o beijo com vários selinhos e nos encaramos nos olhos. Ele sabia que tinha errado começando com aquela discussão e aquilo estava estampado em seu rosto.
- Me desculpa... – sua voz era baixa, mas mesmo assim eu escutei claramente e sabia por seus olhos que era um pedido sincero. O abracei sussurrando em seu ouvido “Mas que isso não se repita” depositando um beijo em sua bochecha logo em seguida.

Quando fui embora me despedi de todos e Danny enquanto me abraçava sussurrou em meu ouvido “Deixe a janela aberta”, apenas concordei com a cabeça já me sentindo entusiasmada. Olhei para o reló ao lado da minha cama que marcavam meia-noite. Nunca me senti tão ansiosa na minha vida, nem quando ganhei minha primeira boneca. Meu estomago embrulhava e minhas mãos estralava os nós dos dedos de tanto era o meu nervosismo para que ele chegasse logo. Foi quando escutei um barulho lá fora e corri para a janela. Vi Danny escalar a janela com a mesma facilidade da primeira vez e pular com destreza para dentro sem precisar da minha ajuda. O olhei sorridente e ele me retribuiu. Suas mãos me puxaram de encontro aos seu corpo colando-os. Seu hálito de cigarro e menta bateu no meu rosto me tirando todo o ar que eu tinha no pulmão.
- Andou fumando? – perguntei entre divertida e repreensiva.
- Estava ansioso demais. – deu de ombros.
Sorri alegre por saber que ele também se sentia igual a mim. Seus lábios pressionaram contra os meus mantendo apenas aquele contanto inocente que foi muito melhor que qualquer outro naquele momento. Sorri partindo o beijo e o puxei para sentar na minha cama. Ele parecia nervoso e me dava a impressão de que queria falar algo. Suas mãos passavam com insistência pelo cabelo e eu já sabia que quando ele o fazia era porque estava nervoso ou apenas ansioso.
- O que foi? – peguei sua mão entre as minhas e ele as entrelaçou.
- É só que eu não gosto dessa sua amizade com o Nick. Não sei, eu não me importo quando você está perto dos caras, mas com ele é diferente...
- Ciúmes? – perguntei tentando entender todo aquele mal estar entre os dois.
- É mais do que isso. É um pressentimento.
- Bota na sua cabeça Danny ele é apenas um amigo. Ele nunca faria nada pra me magoar. – falei mansa olhando em seus imensos olhos azuis.
- Aí é que tá. Já faz tanto tempo que você não o vê que ele pode ter mudado. Não é muito difícil de acontecer assim. Mas vamos parar de falar naquele moleque e tratar da nossa vida. – sorriu maroto. O olhei com um sorriso enviesado e senti seus braços quentes me envolverem puxando para mais perto dele e o choque dos corpos se grudando fizeram meu corpo todo tremer. Enlacei meus braços envolta do seu pescoço emaranhando minhas mãos em seu cabelo. Novamente nossos lábios voltaram a se tocar naquela noite e sua língua com sutileza pedia passagem para a sua. Entreabri os lábios me deixando dominar pela situação. Suas mãos estavam indecisas entre passear por minhas costas ou apertar minha cintura com força. Tudo em nós parecia moldado perfeitamente para o outro. E tudo nele me atraia como um imã. Chegava a me sentir dependente dos seus carinhos. E me sentia feliz por isso. Quando partimos o beijo estávamos deitados na cama e ele ao meu lado me puxou para si como se fosse possível diminuir a ínfima distancia que ainda existia entre nós. Encostei meu nariz na curva de seu pescoço inalando seu perfume inebriante. A partir daquele momento entendi que o meu lugar era ao lado dele. Nada mais me faria tão feliz quanto Daniel Jones e meu coração deu um salto no peito quando o constatei. Eu pertencia a ele de uma forma assustadora, mas boa.

07

Final de semana era a melhor coisa que já foi inventada. Nada de escola, de professores pegando no seu pé e o mais perfeito de tudo, diversão garantida na casa dos amigos. Estava combinado de sairmos ou até mesmo ficarmos na casa de alguém apenas curtindo a vida. Mas antes eu teria que passar na casa da que me ligara mais cedo pedindo que eu fosse lá com certa urgência. Nem pensei duas vezes e me troquei correndo, pois ela estava estranha quando falara comigo. Fiquei receosa e por isso andava o mais depressa que eu conseguia. Ao chegar ela me recebeu com um sorriso de canto e me levou até o seu quarto onde ninguém poderia nos interromper. Sentei a sua frente na cama e seus olhos pareciam um pouco assustados.
- O que aconteceu ? - perguntei cautelosa.
- Eu nem sei como te falar isso... – seus olhos ficaram marejados e ela lutava bravamente contra as lágrimas.
- Calma! Conta quando você estiver se sentindo melhor.
- Eu preciso contar antes que eu exploda de vez. – esperei enquanto ela visivelmente se recompunha.

’s P.O.V

Eu não estava bem tanto por dentro como por fora. Mas eu me sentiria melhor quando contasse o que estava me afligindo. poderia pensar que era uma grande besteira da minha parte, porém eram os meus reais sentimentos por ele. Ajeitei-me na cama e a olhei nos olhos. Flashes do que acontecera invadiram minha mente me impossibilitando de falar. Afinal de contas o que ele tinha na cabeça?
- Eu não te contei antes porque achava um pouco complicado demais pra explicar o que estava acontecendo. Mas agora me arrependo de não ter divido isso com alguém. Talvez não tivesse sido tão difícil descobrir o que eu descobri. – pausei recuperando um pouco do fôlego. – Eu e Harry estávamos juntos desde aquele dia da praia. – seus olhos se arregalaram instantaneamente, mas não parei e a agradeci por não me interromper. – Quando você e o Jones me deixaram em casa, Harry apareceu de surpresa me chamando para sair. Não vi mal algum naquilo e fomos dar uma volta pela cidade. Paramos em uma sorveteria e mais a tarde fomos ver o por do sol juntos. Aquele momento foi tão romântico... Coisa que eu nunca achei que ele fosse capaz. Harry Judd romântico? É difícil de acreditar.
riu e eu não me contive sorrindo também. Era mesmo inacreditável, mas eu estava nas nuvens e nada nos impediu de fazer o que fizemos e eu não me arrependia de tê-lo feito.
- Foi quando ele me beijou. Eu me assustei a principio, mas confesso que gostei e muito. Desde então nos encontrávamos as escondidas, porque se nós que estávamos envolvidos não sabíamos o que exatamente estava acontecendo o que dirá vocês de fora. Seria complicado demais... – balançou a cabeça e ela parecia realmente me entender. – Mas nessa semana ele andou estranho comigo, mal me olhava nos olhos. E aquilo me machucou e muito. Ele me evitava como a uma praga. – senti minha garganta se fechar e meus olhos arderem, mas eu não choraria. Não por ELE. – E ontem eu descobri o porquê de tal tratamento. Ele estava com outra. OUTRA . – me desesperei e acabei gritando. Respirei pesadamente tentando ao máximo prosseguir. – Harry sempre me disse que nenhuma mulher era igual a mim e que eu seria a única que o faria feliz com toda a certeza. Enquanto eu, idiota, acreditava em cada palavra dele, ele se divertia as minhas costas. Harry e o Jones são iguais. Com aquele jeito prepotente e conquistador como se nada fosse superior a eles. – percebi que o rosto dela se contorceu em reprovação ou até mesmo em dor, mas não me importei até porque ela nunca teve nada com ele então não precisava se preocupar com quem ele se envolvia.
Lágrimas sufocadas, até em então, me venceram e desceram por minha face em um rastro de fraqueza. Eu não queria chorar ainda mais se fosse por alguém que não merecia nada de mim. Eu sentia nojo dele e de todos que fossem da mesma laia. me abraçou forte e eu afundei meu rosto em seu ombro chorando convulsivamente. Prometi a mim mesma que ninguém me faria sofrer mais e que eu esqueceria Harry mesmo que isso fosse a ultima coisa que eu tivesse que fazer.

’s P.O.V

Eu estava surpresa com aquela revelação e o seu comentário sobre o Danny me machucara. Porque por mais que eu gostasse dele e estivesse curtindo nosso momento juntos não podia negar que eles eram exatamente iguais. E aquele antigo medo voltou a me assolar. Eu seria mais uma para ele assim como a minha amiga fora para o Harry. Estava na natureza deles não se prenderem a alguém. Senti meu coração falhar a cada batimento e a dor da minha amiga se tornou a minha.
A abracei mais forte não me importando com as lágrimas que molhavam minha blusa. Eu só queria consolá-la e ver aquele sorriso iluminado que sempre estava estampado em seu rosto. Vê-la chorar não era uma das coisas mais agradáveis. Eu poderia chorar a qualquer momento, mas eu tinha que ser forte por ela. aos poucos se acalmou se afastando de mim e limpando as lagrimas teimosas que insistiam em escorrer por seus olhos.
- Você não acha melhor ficarmos aqui e fazermos um programa feminino ao invés de passar na casa do Dougie. – comentei me lembrando do nosso compromisso daquela tarde.
- Eu não vou parar a minha vida por causa dele e muito menos deixar de ver aqueles que não tenham nada a ver com aquele maldito. – sua voz continha fúria e eu me assustei com a sua expressão colérica. Nunca a tinha visto daquele jeito, mas me orgulhei com sua capacidade de superação. Se fosse comigo nem sairia de casa e evitaria Danny de todas as formas possíveis.
- Você tem certeza?
- Absoluta. – assim que o disse seus olhos brilharam de uma maneira esquisita, mas não me questionei sobre isso. Ela se levantou e foi para o banheiro tentar disfarçar que não chorara aplicando pouca maquiagem no rosto o que foi suficiente para deixá-la mais linda. vestia uma calça jeans skinny, um moletom azul e uma sapatilha preta de bico redondo. Já eu estava vestindo o mesmo tipo de calça só que o meu moletom era preto com o escrito GAP na frente em branco e para finalizar nos pés um All Star branco. Meus cabelos estavam soltos e apenas uma presilha segurava a franja. Os cabelos de estavam levemente cacheados caindo como uma cascata sobre seus ombros. Estávamos simples, porém bonitas.
Saímos conversando amenidades e pude perceber seu semblante se modificar aos poucos para uma mais alegre. Só esperava que continuasse assim quando ela encontrasse Harry. Andávamos despreocupadas pela rua e às vezes até exagerávamos aumentando algum decibéis nossa voz. Quando chegamos à casa de Dougie – sim, porque Tom alegou que nos encontrávamos todas às vezes em sua casa e tínhamos que mudar um pouco – apertei a campanhia aguardando pacientemente enquanto um vento frio batia em nós sem piedade. Escutamos um barulho e logo depois Dougie resmungando algum xingamento. Provavelmente ele tinha derrubado algo. Rimos quando ele abriu a porta e nos deixou passar revelando vários cacos de vidro, do que era antes um vaso, no meio do corredor.
- Deixa ai depois eu limpo. – disse despreocupado. Adentramos a casa reparando em cada objeto. Não era tão grande quanto à casa de Tom, mas ainda sim era grande. Sua sala era espaçosa e os móveis eram de cores neutras contrastando com os objetos coloridos. Sentados nos sofás estavam , e Tom. No chão jogando videogame estava Danny e Harry. Procurei por , mas nem sinal de que ela estava naquele ambiente ou até mesmo na casa.
- Cadê a ? – perguntei para Dougie que se jogava no sofá ao lado de que disfarçou um sorriso.
- Na cozinha fazendo alguma gororoba.
- Quem tá fazendo gororoba? – disse nervosa aparecendo na porta com uma colher de pau na mão ameaçando o garoto.
- Ninguém! – respondeu com medo do olhar assassino que a garota lhe lançava. Como meus amigos eram bobos.
passou reto e Harry a observou fazer o caminho até a cozinha cumprimentando todos menos ele. Seu rosto não me parecia de um cafajeste que acabara de aprontar, mas sim de um apaixonado extremamente triste. Sua expressão me passava que algo estava errado e que o que ele mais queria era contar o que o estava sufocando. Ninguém ali pareceu perceber. Talvez pelo fato de que eu era a única a saber do romance que eles tiveram. Sentei-me ao lado dele quando o mesmo jogou seu controle para que assumiu o posto cheio de si, alegando que ganharia com as mãos nas costas.
- Que cara é essa meu príncipe? – perguntei apertando levemente sua bochecha. Harry sorriu tristemente balançando a cabeça negativamente. Se ele fosse me contar não seria ali perto de todos os seus amigos. Num rompante me levantei puxando-o junto e levando para fora da casa rumo ao lindo jardim.
- O que você ta fazendo sua louca? – sentei num banco perto de um roseiral e ele fez o mesmo me olhando com as sobrancelhas erguida.
- Eu sei que você não está bem Harry. Eu vejo isso em seus olhos. – disse seriamente. Ele fez uma careta indicando que aquela conversa era a que ele mais evitava.
- É complicado .
- Você traiu a ... – seus olhos arregalaram surpresos por eu estar sabendo de seu segredo. – meu contou. Agora o que mais me intriga é o porquê você o fez? Você pode ser um garanhão convicto, mas não um desumano que não se importa com os sentimentos dos outros.
- Eu tive que fazer isso. , eu não sou a melhor pessoa pra ela. Você me conhece e sabe que eu não sou o tipo de homem que me prende a uma só. Dos caras só o Tom sonha em namorar. Aquele viado. – seu sorriso ainda sim era vago.
- E fazendo isso você se sentiu melhor? Conseguiu o que queria? Porque a única coisa que você conseguiu foi o desprezo de . – seus ombros caíram sobre si e seu corpo todo ficou rígido. Ele tinha feito tudo sem pensar e estava pagando o preço de seus atos. – Pra que existe dialogo né Judd? Você poderia ter conversado e exposto tudo o que você sentia. Ela tentaria te entender.
- Se ponha no meu lugar ! Eu estava me prendendo a ela. Eu que nunca fui de ninguém e sempre do mundo estava dependendo de alguém cada vez mais. Todos já estavam me questionando por não estar mais correndo atrás de um rabo de saia...
- E desde quando você se importa com a opinião dos outros? – perguntei indignada.
- Eu só... – sua mãos passaram por seu cabelo e desceram para o rosto ficando por lá em um ato desesperado. – Às vezes eu paro pra pensar no que eu fiz e não consigo entender o que me levou a desistir de algo que me fazia bem. Eu nunca tinha me sentido tão bem quanto eu estava sentindo ao lado dela. me fazia feliz. E agora sem ela parece que eu perdi o chão. Mas o Danny disse que a vida não é feita de apenas uma mulher e que deveríamos curtir com várias. E eu partilhava dessa idéia de que mulher alguma nos faria desistir de nossas vidas.
Ele estava desabafando e aquilo claramente o estava fazendo melhor. Mas a mim só machucava. Escutar que o Danny não prestava de meus dois melhores amigos no mesmo dia estava mexendo comigo mais do que deveria. Meu peito estava fundando cada vez mais, percebendo que aquela era a minha dura realidade.
- Eu não sei o que sinto por ela, mas é mais forte do que eu. Eu não deveria ter feito o que fiz só para afastá-la.
- Deveria ter pensado nisso antes. – ouvi a voz de minha amiga se aproximar de nós e Harry levantou a cabeça rapidamente encontrando os olhos inexpressivos de . – Você poderia nós deixar a sós ? – concordei com a cabeça saindo do jardim e adentrando novamente a casa. Passei reto olhando para o chão e analisando cada palavra de Harry e sobre o Danny. Entrei na cozinha e sentei em uma cadeira e apoiei meus braços na mesa colocando minha cabeça entre as mãos. me olhou enquanto mexia em uma panela. Sorri forçadamente evitando-a.
- Você está bem? – ouvi-a perguntar. Balancei a cabeça afirmativamente. – Pois não parece. – senti que as lágrimas começavam a se formar em meus olhos, mas eu não podia me deixar abalar por aquilo.
- Não é nada...
- Já ta pronto?! – gritou Tom entrando na cozinha e me livrando de um interrogatório. O agradeci mentalmente. – To morrendo de fome. – ele tentou roubar um fio de macarrão que escorria na pia e estapeou sua mão furiosa.
- Ainda não seu esfomeado. Agora já pra fora da cozinha. – Fletcher fez um bico fofo e se aproximou dele ficando a milímetros de seu rosto. Olhei espantada. Eles iriam se beijar! Tom a parou e ela olhou para mim e depois voltou para as panelas fingindo prestar total atenção nelas enquanto Tom sem graça saiu da cozinha.
- O que foi isso? – ela continuava de costas pra mim. – não finja que nada aconteceu!
Seus ombros antes rígidos se soltaram com um suspiro resignado dela. se virou para mim e caminhou sem vontade para a mesa sentando-se a minha frente. Ela me olhou pensativa como se tivesse escolhendo as palavras.
- Eu e Tom estamos juntos! – disse por fim sem rodeios.
O que estava acontecendo com todas nós? Estávamos nos envolvendo com aqueles garotos e não contamos uma para a outra. Eu não podia julgá-las. Eu estava fazendo o mesmo por medo das avalanches de sentimentos que Danny me fazia sentir. Por esse motivo eu as entendia. Mas eu não estava em condições de revelar o meu segredo. Não agora. Não era o momento certo e eu sentia isso. Não era o meu momento. As minhas duvidas cresceram dentro do peito, porém eu tinha uma única certeza solitária que crescia aos poucos: eu não podia me deixar envolver mais por aquele garoto que poderia me machucar como Harry fizera com . tinha sorte por ter se apaixonado por Tom que era mais romântico e tinha opiniões contrária a dos amigos sobre relacionamento e mulheres. Suspirei olhando para o rosto de minha amiga, que antes eu não percebera, mas analisando com mais calma agora, continha alegria em cada expressão e seus olhos brilhavam de uma forma diferente, talvez apaixonada. Não pude evitar um sorriso por ver que minha amiga estava feliz.
- Não faz muito tempo que estamos juntos. Tudo começou quando fomos compor aquelas musicas. Todos os dias perto dele, e somente com ele, foi o suficiente pra sentir várias coisas ao mesmo tempo e só comprovei que estava apaixonada quando ele me beijou. Foi o beijo mais perfeito da minha vida. Parecia que todo o tempo eu só estive esperando por ele e agora que encontrei não consigo mais viver sem. Porém eu tinha medo de contar pra vocês. Afinal de contas você e o Danny não se dão muito bem, e Harry ultimamente andam se estranhando e as outras também são meio reticentes com eles, por isso que achei que vocês não entenderiam o que eu sentia.
- Mas nós te entenderíamos, ou melhor, tentaríamos. Você sabe que nós faríamos tudo por você. E a única coisa que pediríamos em troca era a sua felicidade. – ela sorriu de lado expressando alivio. Era isso, estávamos definitiva e irremediavelmente interligadas com esses garotos.
- Eu sei... – eu me levantei e fui até ela abraçando-a com força. – Me desculpa! – sussurrou em meu ouvido. – Me de só mais um tempo pra contar pra outras.
- Você que decide quando contar eu não vou te pressionar. – sorri me separando dela. – E quando essa gororoba vai ficar pronta? – zombei quando um sorriso maroto.
- Gororoba o cac...! – reclamou com os olhos semi-cerrados tapando a boca para não falar o que não devia voltando para o fogão. Corri para ajudá-la. – Obrigada! – murmurou cortando um tomate.
- Que isso! É pra isso que serve as amigas! Conta comigo sempre.

Todos comemos no mais absoluto silêncio. O clima entre alguns estava pesado demais para que a alegria de outros influenciasse no ambiente. Várias vezes durante a refeição lancei olhares para Danny estudando cada feição dele. Seus olhos naquele dia estavam sonolentos devido à hora que ele fora embora da minha casa, mas mesmo assim existia algo ali que eu não conseguia decifrar. Numa das vezes que o encarava Danny percebeu e me olhou de volta sorrindo de canto e piscando ao mesmo tempo. Meu rosto pegou fogo, e provavelmente estava vermelho por ter sido pega em flagra. conversava com animadamente como se só existisse os dois ali na mesa. Tom me evitava desde o ocorrido na cozinha. ria das caretas de desespero do paquera/ficante/namorado/ou-sei-lá-o-que. mantinha uma expressão neutra e Harry melhorara a sua depois da conversa com ela no jardim. O que será que eles falaram um para o outro? Dougie e se mantinham calados como eu e Danny. E foi assim até terminarmos de comer. Os meninos se ofereceram para lavar a louça. Mas se arrependeram quando viram a montanha que empilhara na pia. Mesmo protestando eles tiveram que lavar sendo ameaçados por nós garotas. Quando os garotos terminaram de arrumar tudo se juntaram a nós que estávamos jogando videogame.
- Daqui a algumas horas nós vamos ter que ir pro pub passar o som. – avisou .
É mesmo! Eu havia me esquecido que era naquela noite que eles se apresentariam. Fiquei curiosa para saber que musica eles tocariam.
- Qual musicas vocês estão pensando em tocar? – perguntou .
- Duas antigas nossas: Five Colours in Her Hair e Broccoli. E uma cover do Queen: Don’t Stop Me Now... – respondeu Dougie animado.
- Vocês poderiam tocar a que o Danny acabou de compor. – aconselhou . Os três concordaram e Danny como se tivesse sido acordado de um transe o encarou com olhos arregalados.
- O que? Não, acho melhor não...
- Por que não? Ela é ótima! E todos concordaram Danny. – o garoto me olhou e depois abaixou seus olhos para as suas mãos.
- Ok. – murmurou desanimado. Por que ele queria esconder uma musica? E aquele olhar que ele me lançara significara alguma coisa. Mas o que?



08

Cada um foi para a sua casa se preparar para a apresentação da banda naquela noite, na qual o nome para nós, garotas, ainda era um mistério. Os garotos nos diziam para ter um pouco mais de paciência que naquela mesma noite nós saberíamos. ficara de buscar todas nós em nossas casas se responsabilizando por cada uma para os nossos pais.
Chegando em casa fiquei por horas, trancada, dentro do banheiro tomando um banho relaxante. Sai enrolada em uma toalha indo direto para o meu closet e procurando algo que realmente me agradasse. Optei por um vestido long-tee branco com uma estampa de um laço na cor preta que começava acima do busto e terminava na barra do vestido. Era uma das poucas roupas que caia como uma luva em meu corpo. Assim que o ajeitei calcei minha bota marrom de cano alto sem salto nos pés. Parei em frente ao espelho aplicando uma maquiagem leve em meu rosto. Graças ao babyliss deixei meus cabelos levemente cacheados e para combinar com o meu estilo romântico coloquei uma boina de tricô cor de rosa na cabeça. Ouvi uma buzina soar do lado de fora. Peguei minha bolsa e celular correndo em direção ao carro.
- Eu fui à primeira? – perguntei depositando um beijo na bochecha do garoto depois de me ajeitar no banco do carona.
- Só pelo fato de que você é a mais rápida para se arrumar. – sorriu prestando atenção nas ruas que àquela hora, pelo no menos, nos condomínios, estavam meio desertas.
- Você deu sorte hoje meu caro. – rimos. ligou o rádio do carro e uma musica de uma banda que para mim era desconhecida começou a soar.
A próxima foi a que saiu da sua casa toda saltitante rumo ao conversível do garoto, que convenhamos, era lindo. A garota estava esplêndida usando uma saia de cintura alta preta que terminava no meio das suas coxas, uma blusa de cetim por dentro, uma meia calça preta e nos pés uma plataforma de bico redondo também preto. Nos cabelos apenas uma presilha prendia sua franja para trás enquanto o resto caia como uma cascata por seus ombros.
- Olá xuxu! – cumprimentou apertando minhas bochechas.
- O Dougie que se cuide! – rimos do comentário de que novamente rumava para a casa de mais uma garota.
- E aí macacada! - gritou entrando na parte de detrás e se sentando ao lado de que cantava uma musica esquisita da rádio. em seu estilo básico, mas elegante optara por uma regata branca, um colar grande cor-de-rosa que dava uma harmonia as cores sóbrias de suas roupas, jeans skinny, scarpin rosa e um blazer preto. Ela por sua vez prendera os cabelos em um rabo de cavalo.
- Vocês podiam morar uma perto da outra. Assim facilitava o meu trabalho. – reclamou o garoto com um bico enorme.
- Já ta acabando. Só falta mais duas! – exclamei no exato momento em que parávamos em frente à casa de que gritava com alguém que estava dentro da casa, provavelmente seus pais, enquanto andava serelepe. Ela me parecia mais feliz, talvez aquela conversa tivesse surtido efeitos bons nos dois. Observei-a e aprovei a roupa que ela usava: um vestido balonê verde tomara que caia com uma fita amarrada na cintura deixando o laço para trás e scarpin preto. Duas mechas de cada lado do seu cabelo – que estava com as pontas onduladas - foram presas atrás por uma presilha delicada.
- Você deixou a por ultimo de propósito não é ? – zombou sendo balançada por ao ritmo de mais uma musica estranha. Esse povo tem gostos duvidosos pra musicas.
Percebi que o garoto corava e ele disfarçava enquanto dirigia com cautela. Quando paramos em frente da ultima casa da rua, andava distraída para o carro e a olhava com uma expressão boba no rosto. Ela em um estilo femme fatale usava um vestido que ia até o meio das coxas na cor preto e branco, um sapato verniz de salto alto na cor vermelha. Os cabelos cacheados preso em um coque desarrumado, e uma presilha dourada em formato de rosa adornava acima da orelha. Todas estavam realmente maravilhosas cada uma a sua maneira, mas tinha sua atenção voltada para apenas uma garota e nem preciso dizer de quem se tratava. Por mais que alguns relacionamentos demorassem a aflorar eles acabariam acontecendo de uma forma ou de outra. Não importasse o tempo, o lugar e como simplesmente aconteceria. Eu não me importava com nada que não fosse o Danny e o que eu mais desejava era estar ao lado dele apoiando-o nesse momento tão importante.

Adentramos o recinto super lotado e os meninos estavam sentados em uma mesa distante de todos conversando animadamente. Na mesa havia várias garrafas de cervejas – algumas já vazias – espalhadas e um cinzeiro já lotado de bituca de cigarro. Realmente eles estavam ansiosos. Harry foi o primeiro a nos perceber e seu olhar passou por nós procurando apenas uma pessoa em especial e quando a olhei ela tinha as maçãs do rosto levemente coradas, mas ainda com a cabeça erguida. Dougie e Tom nos olharam com a boca aberta. Este sorriu e o outro assoviou gargalhando. lhes mandou um beijo e piscou. Eu apenas ri sentindo meu rosto pegar fogo ao ver o olhar sedutor e maroto de Danny em cima de mim. Perdi o fôlego quando o vi se levantar da poltrona dando espaço para as outras passarem e deixando apenas um lugar vago para mim, ao seu lado. Ele vestia uma calça jeans preta, uma camisa branca, uma jaqueta preta com o colarinho virado pra cima, um tênis também preto com apenas uma tarja branca embaixo e um cachecol da cor bege enrolado em seu pescoço de maneira desleixada. Os cabelos estavam irritantemente lindos, do jeito que eu mais gostava, em seu estilo desarrumado/arrumado. Sorri de lado quando o vi passear seus olhos por meu corpo. Ao lado dele eu me sentia desejada e a mulher mais bonita do mundo, mas ao mesmo tempo eu me sentia insegura por estar exatamente ao lado dele. Confuso? Imagina!
Danny a cada segundo me encarava de canto de olhos, sua boca estava vermelha de tanto que ele pressionava seus dentes nela, seus dedos tamborilavam impacientes na mesa e o barulho que aquele ato produzia estava me irritando. Peguei sua mão segurando-a com força tentando passar calma pra ele. Desviei meus olhos para o seu que me encaravam surpresos. Ele devia estar pensando em como estava sendo intima demais na frente de todos os meus amigos, mas cada um estava cuidando de sua vida e mesmo que eles estivessem prestando atenção em nós eu faria aquilo. Meus lábios se puxaram em um sorriso involuntário – era sempre assim quando estava com ele – e sussurrei um “Vai dar tudo certo.” Como num passo de mágica ele se acalmou. Seus ombros antes retesados relaxaram e um sorriso, mesmo que tímido, surgiu em seu rosto iluminado pela luz fosca do ambiente. Prendi a respiração quando percebi aquela imagem perfeita tão próxima do meu rosto. Danny estava a milímetros de mim e qualquer um poderia ver, mas eu estava gostando da reação que seu hálito quente, batendo em minha boca, provocava em mim. Ele beijou a ponta do meu nariz depois de se certificar que ninguém estava nos olhando. Meu sorriso se alargou e a famosas e adoráveis borboletas alvoroçaram em minha barriga destroçando tudo pelo caminho. Mesmo que eu pegasse meu skate e descesse uma ladeira com toda a velocidade que eu pudesse não superaria a adrenalina que eu sentia quando estava com ele. Era tudo muito perfeito.
De repente todo o local ficou em silencio e eu me assustei olhando para o homem, no centro da pista, que tinha luzes refletidas em si, com um microfone na mão. Era a hora e Danny apertou minha mão quando percebeu do que se tratava.
- Gostaria de apresentar uma banda que promete ser a grande revelação de Londres e quem sabe do mundo. McFly! – o homem anunciou. Nós meninas olhamos para cada um dos garotos aprovando o nome que eles deram e sabíamos perfeitamente que eles haviam se inspirado em um dos filmes preferido deles: o “Back to the Future”.
Antes que ele subisse no palco, me levantei ficando perto dele o abraçando com força e sussurrando em seu ouvido palavras encorajadoras. O soltei depois de depositar um beijo em sua bochecha e sentei de novo no banco olhando os quatros seguirem um pouco nervosos para o palco do pub. Cada um se posicionou em seu lugar catando seus respectivos instrumentos. Danny tinha presença de palco e isso era perceptível. Com um sorriso ajeitou sua guitarra e se aproximou do microfone com firmeza não deixando transparecer sua insegurança.
- Boa noite! – sua voz era animada e suas mãos faziam gestos exagerados. – Quem ta animado ai? – algumas pessoas gritaram e outras assoviaram. Nós meninas entramos na brincadeira e gritamos loucamente. – Ótimo! Então vamos nos divertir!
Não demorou muito e eles começaram a tocar Five Colours In Her Hair animadamente, pulando e instigando a platéia se movimentar conforme a música e estava tendo sucesso, pois quando passaram para Broccoli todos ali mesmo não sabendo cantar mostravam sua empolgação e o quanto àquela banda era boa. A minha ansiedade só aumentava para saber qual era a musica que Danny estava receoso em cantar naquela noite e foi quando Don’t Stop Now acabou agucei os meus ouvidos esperando Tom anuncia-la.
- Agora vamos tocar uma musica que tem muito significado para o nosso amigo Jones que a compôs há pouco tempo. – disse o garoto batendo nas costas do amigo. – Ela se chama I’ve Got You!
Prendi a respiração e observei Danny ficar, pela primeira vez, corado, mas mesmo assim não perdeu a sua pose e confiança. A melodia da musica começou a soar por todo o ambiente e por alguma razão me levantei e caminhei até onde algumas pessoas assistiam ao show.

I've Got You - McFLY

The world would be a lonely place
(O mundo seria um lugar solitário)
Without the one that puts a smile on your face
(Sem aquela que põe um sorriso no seu rosto)
So hold me 'til the sun burns out
(Então me abrace até o sol se apagar)
I won't be lonely when I'm down
(Eu não estarei solitário quando estiver para baixo)

'Cause I've got you to make me feel stronger
(Porque eu tenho você para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)

Eu tinha a incrível sensação de que ele fizera pra mim. De que ele cantava pra mim. Meu coração pulsava dentro de mim, batia tanto que parecia querer quebrar os meus ossos. Meu estomago se revirou em um bolo, mas mesmo assim eu estava com um imenso sorriso idiota no rosto que por nada do mundo iria sair de lá. Até por que ele estava olhando pra mim. Aqueles grandes e transparentes olhos azuis me encaravam com certo receio e sua testa estava vincada em uma expressão preocupada, mas quando decifrou a minha um brilho quase descomunal tomou conta de seu rosto e o sorriso maroto – que era sua marca registrada – se apresentou de maneira mais contida dessa vez, porém estava lá do jeito que eu gostava.

I never doubted you at all
(Eu nunca duvidei de você de forma alguma)
If stars collide, will you stand by and watch them fall?
(Se as estrelas colidirem você esperará para vê-las cair?)
So hold me ‘til the sky is clear
(Então, abrace-me até o céu ficar limpo)
And whisper words of love right into my ear
(E sussurre palavras de amor bem no meu ouvido)

'Cause I've got you to make me feel stronger
(Porque eu tenho você para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Yeah, when I’ve got you
(Sim, quando eu tenho você)
Oh! To make me feel better
(Oh! Para me fazer me sentir melhor)
When the nights are long they'll be easier together
(Quando as noites são longas, elas serão mais fáceis juntos)

Looking in your eyes
(Olhando em seus olhos)
Hoping they won't cry
(Esperando que eles não chorem)
And even if they do
(E mesmo se você chorar)
I'll be in bed so close to you
(Eu vou estar na cama tão perto de você)
To hold you through the night
(Para te abraçar pela noite)
And you'll be unaware
(E você vai estar inconsciente)
But if you need me I'll be there
(Mas se precisar de mim, eu estarei lá)

A partir daquele momento eu percebi que era dele, mesmo que eu não soubesse o quanto ele me dominava e até que ponto ele me faria sofrer. Apenas era dele e de mais ninguém. Mas por mais que eu desejasse Daniel Jones nunca seria meu. Tentei não pensar mais a fundo naquele assunto, pois aquela musica estava no topo da minha lista de favoritas. E ela estava me trazendo uma sensação ótima que nunca antes eu havia experimentado. O que mais eu descobriria com aquele garoto? Meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu as impedi de cair. Não podia perder tempo com esses tipos de coisa quando que o que eu mais queria era escutar e vê-lo.

Yeah I've got you... Oh! to make me feel stronger
(Eu tenho você... Oh! Para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Yeah when I got you to make me feel better
(Sim, Quando eu tenho você para me fazer me sentir melhor)
When the nights are long they'll be easier together
(Quando as noites são longas elas serão mais fáceis juntos)
Oh when I've got you
(Quando eu tenho você)

Logo depois que o som da musica acabou foi substituída por uma explosão de aplausos vinda da platéia. Várias pessoas se amontoaram envolta deles dando calorosos discursos de como eles tinham talento e um futuro brilhante. Eu não me movi do lugar e muito menos deixei de fitá-lo. Quando os garotos saíram do meio daquela pequena multidão caminharam exultantes para junto de nós. correu e pulou nos braços de Tom que a correspondeu com um abraço agradecido. hesitante andou até Harry que continha em sua expressão uma pitada de esperança. Os dois se abraçaram e vi que os olhos dele fechavam enquanto afagava os cabelos da garota. Ela por sua vez sussurrava palavras em seu ouvido que eram escutadas com atenção por ele. abraçava Danny e eu corri para os braços abertos de Dougie que me apertaram fortemente.
- Parabéns! – praticamente gritei em seu ouvido. – Aliás adorei o nome da banda. – acrescentei quando olhei para os outros.
- Sabia que vocês iriam gostar. – me soltou e correu para depois de depositar um beijo em minha testa.
Olhei para o lado e Tom veio me abraçar e depois Harry que me pareceu distante, porém feliz. Quando este me soltou olhei para Danny que me olhava também. Mordi o lábio observando-o se aproximar de mim e me enlaçar pela cintura. Seu corpo quente e suado entrando em contato com o meu fazendo uma corrente elétrica me percorrer. Encostei minha boca em seu ouvido sussurrando:
- Amei a musica! – não precisei falar mais nada para que ele entendesse do que eu estava falando. Um suspiro escapou de sua boca e seus olhos brilharam de excitação. Seu hálito quente batendo em meu pescoço foi o suficiente para me deixar arrepiada e inconscientemente apertei minhas mãos em seus braços com força demonstrando o quanto aquilo estava me torturando. Por que tocá-lo sem realmente poder senti-lo como eu queria estava me matando. Beijei sua bochecha e me afastei antes que eu fizesse algo que desse oportunidade para que os outros suspeitassem de que algo estivesse acontecendo entre nós dois.

09

Dougie me abraçava gritando palavras sem nexo e seu cheiro de álcool misturado com o de cigarro era muito forte e me fazia torcer o nariz quando o sentia. ria descontroladamente vendo o quanto eu estava sofrendo com o garoto. Olhei de esguelha para Danny que mantinha seus olhos fixos em uma garota que estava sentada na mesa de frente a nossa, com as pernas torneadas à mostra. E aquele maldito cafajeste estava se deliciando com a visão tanto que passava a língua pelos lábios insistentemente, entre uma tragada e outra de seu cigarro; e piscava para a garota que mexia nos longos cabelos ruivos sorrindo abertamente com aquele flerte descarado. A minha paciência estava se esgotando, tanto com Dougie, que parecia não ter um pingo de noção de que era perigoso me importunar quando algo me incomodava. Quanto com Danny, que no caso era o que estava me incomodando com a sua audácia. Acho que se tocou que ela deveria tirar Dougie de cima de mim antes que o garoto saísse desfigurado daquele pub. Ela se levantou arrastando-o e ele ria sem razão alguma. Ela dizia palavras que pareciam diverti-lo enquanto o levava para algum canto longe de mim.
Olhei para onde Danny estava sentado, mas a cadeira que ele ocupava estava vazia e não havia nenhum sinal de que ele estaria por perto. Meu coração começou a se afundar dentro do peito e o ritmo a falhar. Não precisei olhar mais uma vez para constatar que a garota ruiva também havia sumido.
Uma dor imensa tomou conta de mim ao mesmo tempo em que me sentia uma idiota. Quero dizer, eu tive esperanças - tolas, devo acrescentar - de que ele seria só meu. Idiota, isso sim que eu sou. Porque depois de ter sido advertida, mesmo que indiretamente, por minhas amigas, a fagulha de esperança ardia em mim, entretanto naquele momento ela teria que morrer assim como tudo o que eu sentia por ele. “Mas e se ele tivesse sumido por outro motivo e aquela mulher por coincidência também?” Gritava o meu coração. Como alegria de pobre dura pouco e a minha razão era sempre a que acertava, eu os vi saindo de um canto mais reservado do pub juntos. Danny estava descabelado e os lábios inchados. Ele puxava a garota pela mão para fora do lugar. Imbecil, mil vezes imbecil!
Minha garganta instantaneamente se fechou ao mesmo tempo em que meus olhos ardiam com as lágrimas que se acumulavam. Olhei para que estava sentada não muito longe de mim, perdida em pensamentos e mexendo em seu copo com desinteresse. Pelo visto a noite não estava sendo boa pra nenhuma das duas. Pensei em como ela tinha reagido quando soube da traição de Harry. simplesmente passara por cima de tudo se mostrando forte e decidida. Então por que eu seria tão fraca a ponto de chorar? Contive qualquer ímpeto que eu tive de fazê-lo. Era assim que tinha que ser, não é mesmo?
Bom, estava bem óbvio que algum dia isso iria aconteceria. Mas não me deixou de surpreender.
Eu não queria e não agüentaria ficar ali nem por mais um minuto. Não sabendo que Danny estaria em qualquer outro lugar com outra garota que não fosse eu.
- ? – chamei-a e ela me olhou interrogativa.
- Podemos ir embora? – sua sobrancelha se arqueou e algo em meu semblante a fez concordar.
Nós duas não tínhamos carro e os únicos que estavam conosco e podiam nos levar embora seriam os meninos. Danny, definitivamente, estava descartado. Dougie estava sem condições para andar quanto mais para dirigir. Tom e sumiram então o único que nos sobrava era Harry. Ele, assim como , estava distraído, bebendo no bar, sentado em um banquinho sozinho. Pela expressão que a minha amiga ela chegara à mesma conclusão que eu e não estava gostando nada daquilo. Senti-me péssima por fazê-la aturar Harry, mas eu precisava sair dali. Eu tinha o direito de ser pelo menos uma vez na vida egoísta.
- Tudo bem. – ela meneou a cabeça mostrando que aqueles breves minutos que eles passariam juntos não a afetariam.
passou por cima de seu orgulho e foi chamar o garoto enquanto eu os esperava do lado de fora.
Senti o vento cortante da noite assim que atravessei a grande porta do pub. Para me proteger abracei-me esfregando as mãos pelo braço mesmo sabendo que aquilo seria inútil. Mirei o céu cinzento, impaciente. As nuvens encobriam a beleza que uma noite estrelada tinha, mas aquilo não era mais frustrante do que aquela espera toda. Suspirei pesadamente e olhei para os lados a tempo de ver o carro de Danny sair do estacionamento a toda velocidade derrapando assim que virou em uma rua.
- Vamos? – gritou Harry. Vi que tanto ele como estavam preocupados comigo. Corri em sua direção entrando no banco detrás enquanto se acomodava no do carona.
- Desculpa te tirar daqui. – falei culpada para o garoto.
- Não foi nada... Já deu o que tinha que dar. – deu de ombros olhando para o trânsito.
Minha mente vagueou o caminho todo até a minha casa. quis descer e ficar comigo, mesmo não sabendo o motivo da minha angustia. Mas antes que ela o fizesse a impedi alegando que o que eu mais queria era ficar sozinha. Meio a contra gosto ela foi embora com Harry logo depois que entrei em casa.
Meus pais haviam saído naquela noite para uma daquelas festas chatas de família e pra eles não terem voltado até agora ou a festa está realmente muito boa – o que eu acho bem difícil – ou eles resolveram se hospedar na casa de algum parente com medo de voltarem pra casa àquela hora da noite. Isso era bom pra mim que teria um pouco de paz.
A casa estava um breu total e o silêncio era interrompido apenas pelo barulho do meu sapato batendo no soalho da escada. Adentrei meu quarto e corri para o banheiro. Parei em frente ao espelho me encarando. Meus olhos estavam vermelhos e cheios de lágrimas, as maçãs do rosto era colorida pelo sangue que fluía com rapidez pelo local. Minha aparência não era nada boa.
Tirei toda a roupa com rapidez me enfiando debaixo do jato d’água quente que aos poucos relaxaram os meus músculos retesados. Quando minha pele já estava enrugada sai do banheiro com a toalha enrolada no corpo. Liguei o som, deixando tocar o CD que estava no aparelho, na tentativa de me distrair de qualquer pensamento que se relacionasse a ele.
Coloquei um shortinho e uma blusa qualquer para dormir. Não dei importância quando escutei algo bater na minha janela fechada, porém escutei com atenção quando o barulho se tornava constante e mais forte. Consultei o relógio que marcava quatro horas da manhã. Caminhei devagar até onde vinha o barulho e foi quando eu vi o que o causava. Meu coração disparou. Ele me vira olhando-o pelo vidro. Um sorriso apareceu em seu rosto, mas eu continuava séria. Fechei a cortina e me deitei na cama tentando ao máximo me concentrar apenas na melodia que saia das caixas de som enquanto ele continuava a jogar pedrinhas.
Depois de alguns minutos o barulho cessou e então respirei aliviada esperando que ele tivesse mesmo desistido de falar comigo. Mas, ao invés disso, meu celular começou a tocar e quando o peguei, sentando-me na cama, olhei pra o nome na tela enfurecida com aquela insistência toda.
O que afinal de contas ele queria comigo? A ruiva não tinha dado conta do recado? Mordi o lábio, indecisa se deveria atendê-lo ou não e antes mesmo que eu desse conta do que estava fazendo já havia atendido dizendo um “Alô” irritado.
- Não adianta se esconder, eu te vi! Para de criancice e abre logo essa janela. – ele ordenou com sua voz alterada e eu soltei uma risada debochada.
- Não! – resmunguei simplesmente e desliguei o telefone na cara dele com uma risada triunfante. Provavelmente ele iria embora espumando de raiva com a minha petulância. Mas eu não ligava para o que ele pensava sobre mim.
Encostei minha cabeça no travesseiro apreciando o começo de uma nova música. Enquanto eu fitava o teto com descaso, escutei um estrondo no andar de baixo, porém não me levantei para ver o que era. Poderiam ser os meus pais chegando. Mas e se eles fossem mesmo dormir fora? Então, o melhor seria me levantar e ver o que quem provocara o barulho.
Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude o vi parado no batente da minha porta com os braços cruzados na altura do peito me encarando com intensidade. Minha veias bombearam adrenalina para o meu coração que disparou em um ritmo violento. Danny estava perfeitamente lindo. Mas a visão dele saindo de mãos dadas com aquela garota anuviou minha mente.
- Sai da minha casa! – gritei me levantando de um salto da cama mantendo uma certa distância dele. – Você não tem o direito de invadir o meu quarto desse jeito!
Seus olhos eram intensos e um sorriso malicioso brincava em seus lábios ao me analisar dos pés a cabeça. Uma onda de arrepios me percorreu e senti minhas faces pegarem fogo, tanto de vergonha quanto de raiva. Mas que porra ele estava fazendo aqui? Como ele conseguira entrar?
Ele riu de maneira grogue e se aproximou de mim lentamente, me torturando com seu delicioso perfume. A cada passo que ele dava era mais um que eu recuava. Quando senti minhas costas se chocarem com a parede fria me encolhi na vã tentativa de me proteger dele.
Prendi minha respiração evitando me deixar influenciar por seu cheiro. Danny me prendeu entre seus braços, cada um de um lado do meu corpo e se aproximou prensando os corpos me fazendo ofegar com a sua abrupta aproximação. Seu rosto estava perigosamente próximo, seu nariz encostava-se no meu; e sua respiração batia contra a minha boca provocando uma das melhores sensações que eu jamais sentira antes. Eu estava me deixando levar pelo momento. Estava esquecendo o que ele fizera e isso não era o certo. Eu tinha que me despertar daquele transe.
Foi com muito esforço que recuperei todo o meu autocontrole e o empurrei antes que ele selasse os lábios. Danny se mostrou confuso com a minha reação e sua mão foi direto para a nuca a esfregando enquanto tentava entender o que havia acontecido.
- O que foi?
- Eu é que te pergunto! Você tem algum problema?! – sibilei.
- Não estou te entendendo...
- Não se faça de desentendido! Você sabe muito bem do que eu estou falando!
- Não, eu não sei. – sua irritação era evidente na voz.
- Deixa de ser cínico. Eu te vi saindo do pub acompanhado com uma garota depois de sair de um canto escuro fazendo sei lá o que com ela!
- Ah aquilo... – seus olhos se abaixaram para o chão. Ele queria compaixão? A ultima coisa que ele conseguiria de mim seria compaixão.
- É, aquilo! Você acha que eu sou algum tipo de trouxa? Eu não vou ser mais uma na sua lista Jones. Disso você pode ter certeza.
- me escuta. Aquilo não foi nada de importante. – Danny tentou se aproximar, porém eu recuei o fazendo suspirar resignado e se manter no lugar.
- Você em algum momento parou para pensar em como eu me sentiria vendo-o sair com outra garota? Eu me sinto enganada! Ah claro! Deve ter sido por isso que você não queria que eu contasse pra alguém sobre nós dois. Você não queria se prender a alguém. É isso não é? – balancei a cabeça incrédula enquanto todas as peças se encaixavam perfeitamente.
Então todo o tempo em que ele quis esconder que estávamos juntos era apenas um truque? E pensar que estava brava com Harry que a traíra por medo do que estava sentindo. Danny por sua vez saíra com outra apenas por diversão! Meu coração transbordava ódio.
- , por favor... – ele me segurou forte pelos braços me chacoalhando como se com aquilo ele pudesse me fazer entender algo totalmente inexplicável.
Senti nojo quando ele me tocou e o pior de tudo era que eu ainda gostava dele. Lágrimas se acumularem em meus olhos e saltaram sem a minha permissão. Danny as enxugou com o seu polegar massageando minha bochecha. Eu o queria longe de mim, mas meu coração não suportaria.
- Sai da minha casa! – minha voz saiu em um silvo. Repeti várias vezes em minha mente de que eu estava fazendo a coisa certa. – Sai!
Danny me olhou e eu o encarei de volta ainda chorando. Um gemido baixo escapou de sua boca e depois ele se foi levando com ele o meu coração.
Escutei a porta do andar de baixo bater com força e eu apenas me deixei cair pesadamente em minha cama soluçando enquanto o choro se intensificava. Gritei o mais forte que pude contra o travesseiro. A dor me dilacerava, mas era necessário ou me machucaria ainda mais.

Aquela definitivamente não foi a minha noite. Depois de horas chorando por alguém que não merecia, me remexi na cama por longos minutos e quando finalmente dormi, um pesadelo me atormentou me despertando. Mas agora analisando com calma não passava de cenas sem nexo.
Com grande dificuldade abri os olhos inchados de tanto chorar e me sentei na cama sentindo minha cabeça latejar. Friccionei as têmporas com força e suspirei quando vi de que nada adiantaria. Peguei meu celular e constatei que haviam 15 chamadas não atendidas. Algumas de Harry e , mas a maioria de Danny. Será que não fora o suficiente tudo o que eu havia dito na noite anterior? Será que ele não entendia que eu não queria mais vê-lo. Apesar de que esse era um desejo impossível. Nós nos veríamos na escola e ainda tinha aquela maldita apresentação no sábado com a banda dele.
Bufei nervosa e levantei-me caminhando para o banheiro enquanto dava um nó frouxo no cabelo. Tomei um banho rápido e vesti um moletom qualquer. Desci as escadas me arrastando e caminhei em direção ao sofá me jogando nele. Como eu queria que aquele dia acabasse logo. Eu sentia uma sensação de angustia no peito e as horas com certeza não me ajudariam em nada.
Confesso que não sei quanto tempo fiquei ali olhando para o teto, - e mais precisamente revendo cada minuto que passei com Danny - mas só voltei para a realidade quando me dei conta de que a campanhia tocava sem parar. Alguém queria quebrá-la e conseguiria se não parasse logo com toda aquela insistência.
Abri a porta e qual foi a minha surpresa Tom estava parado em frente a minha porta e logo atrás vinha uma toda desajeitada correndo em nossa direção.
- Oi, podemos entrar? – perguntou o garoto gentilmente com um sorriso no rosto.
Dei espaço e fechei a porta assim que eles se sentaram no sofá grande. Juntei-me a eles não me sentindo à vontade para fingir que estava bem. Eu não queria ter que mentir pra eles o que eu realmente sentia naquele momento.
- O que você estava fazendo? – questionou enquanto ligava a televisão e zapeava os canais.
- Nada. Eu estava deitada pensando na vida.
- Cadê seus pais? – foi à vez de Tom perguntar analisando minha expressão com preocupação e foi então que sua testa franziu e uma lufada de ar passou por sua boca entreaberta. – Você está bem? – disse passando seus dedos frios por baixo do meu olho onde estava roxo pelas olheiras.
Por que Tom tinha que ser tão observador? Não podia ter feito igual à ? Ela até agora não me notara e estava mais entretida com algum seriado que passava na televisão que nem escutou o comentário dele.
- Estou bem, só dormi pouco essa noite.
Não era mentira eu só omiti alguns fatos, mas algo em mim não o convenceu. Ele se levantou e me puxou para a cozinha me sentando em uma cadeira mais próxima da dele.
- Foi o Danny, não foi? – por um instante senti meu coração paralisar e depois com um suspiro pesado ele acelerou muito mais rápido que o normal. Era sempre assim quando escutava seu nome e não seria diferente agora.
- Como? – tentei articular algo decente, mas nada que fosse de muito útil minha mente processava. – Não, não...
- ! Acho que todo mundo já percebeu que vocês dois tem, ou tiveram alguma coisa. Por que algo em vocês mudou radicalmente nesse meio tempo em que nos aproximamos.
- Tom eu...
O que seria melhor? Contar a verdade ou continuar escondendo? Mas a única coisa que eu consegui fazer e que já se tornou rotina na minha vidinha medíocre foi chorar. Como bom amigo que Tom era me abraçou me passando um pouco do calor humano que eu tanto precisava. Minhas lágrimas encharcavam a camiseta do garoto e foi nesse estado que nos encontrou na cozinha e se juntou nesse abraço acariciando meus cabelos desgrenhados.
Nunca imaginei que Tom seria a pessoa que fosse me ver chorar por Danny, mas foi com ele que eu me senti a vontade para desabafar e por incrível que pareça eu estava me sentindo protegida. continuava a fazer carinho sem saber o que estava acontecendo. Meu choro demorou a cessar, mas quando o fez me desvencilhei de Tom enxugando as ultimas lágrimas que eu derramaria por alguém.
- Desculpe Tom...
- Não precisa se desculpar. – disse com um sorriso paternal nos lábios. – Você precisava disso. Se não quiser nos contar vamos entender. – completou secando uma lágrima teimosa em meu rosto.
Olhei-os por alguns segundos e sabia que eles seriam as pessoas certas a escutarem o que eu tinha a dizer. Afinal de contas, eles se encontravam as escondidas como eu e Danny.
Contei tudo resumidamente desde o dia em que conheci Danny até o ocorrido da noite anterior. Eles me escutaram com atenção, comentando nas horas certas. foi a que mais se surpreendeu com as atitudes de Danny, ao contrário de Tom que conhecia perfeitamente o amigo tem.
- O Danny às vezes não sabe que pra tudo se tem um limite. No caso dele já se esgotou há muito tempo. – disse Tom reprovando-o como se o outro estivesse ali com a gente.
- Você gosta dele ? – questionou me olhando fixamente.
Por mais que eu mentisse, ela descobriria, até porque meus olhos sempre transpareciam o que eu sentia.
- Muito. Mas eu não posso suportar a idéia de ser mais uma. – meus dedos faziam desenhos abstratos na mesa e eu evitava olhá-los. Sabia o quanto eles sentiam pena de mim por ter caído na lábia de Danny.
- O que você estava pensando em fazer hoje? – perguntou Tom repentinamente.
Franzi a testa tentando entender o porquê da mudança de assunto foi quando a minha ficha caiu. É claro que eles queriam me tirar daquela fossa e não me deixariam sozinha nem por um segundo. Não que eu não soubesse que isso aconteceria, mas era tão bom saber que nessas horas podíamos contar com os amigos.

Passamos a tarde assistindo filmes, comendo pipocas – entre outras bobagens – e quando já havia anoitecido me despedi dos meus amigos com um sorriso bem mais animado. Durante toda à tarde não pensei uma única vez em Danny. Mas foi só eu ficar sozinha que ele tomou conta dos pensamentos e foi com grande esforço que o espantei correndo para o meu quarto.
Meus pais chegaram logo depois do horário do almoço, mas ficaram no segundo andar para não nos atrapalhar. Agora eles deveriam já estar dormindo ou pretendiam ir.
Tomei um longo banho e coloquei uma camisola fresca para logo depois me jogar em minha cama. Nos últimos tempos não tinha tido tempo para os meus pais. Eu deveria me envergonhar por isso já que nesse final de semana me recusei a viajar com eles para aquela tal festa só para poder ver os meus amigos se apresentarem. Eu não me arrependia, não mesmo. Mas eu estava tão afastada de tudo – principalmente dos estudos – por causa de Danny que no final das contas eu me enganara feio em acreditar que ele seria só meu.
Meus olhos estavam prestes a se fechar quando um barulho me assustou. Pulei da cama ao ouvir novamente e não precisei de muito tempo para perceber o que estava acontecendo.
Caminhei para a janela e o vi atirando pedrinhas em direção a minha janela novamente. Ele não desistia nunca? Abri a grande janela e o fitei com os lábios crispados enquanto os deles continha um sorriso sedutor.
- O que faz aqui? – perguntei baixo para não chamar a atenção dos meus pais, mas foi o suficiente para que ele escutasse perfeitamente.
- Nós precisamos conversar.
- Não! Eu já ouvi suas explicações e você me ouviu muito bem quando te disse que não queria mais te ver.
- ! – gritou quando viu que eu fecharia a janela e num reflexo peguei a primeira coisa que vi e joguei em sua direção sibilando um “Cala a boca! Vai acabar acordando os meus pais!”. Só depois que ouvi a risada de Danny que eu fui ver o que havia jogado. Minhas maçãs do rosto com certeza ganharam uma cor bem avermelhada. Por que diabos eu não olhara antes de jogar? Hein?! Eu havia jogado um sutiã! Um sutiã! Dá pra acreditar? Como se isso fosse machucá-lo. Rá! Eu odeio o Danny e tudo o que ele me faz passar!
- Devolve isso agora!
- Eu sempre recebi lembranças das garotas com quem sai, mas um sutiã é a primeira vez. – sua risada adquiriu uma oitava a mais.
- Se você não calar essa boca agora eu juro que taco algo que faça você perder a consciência. – rosnei semi-cerrando os olhos.
- Isso aqui vai ficar comigo! – disse colocando o meu melhor e mais bonito sutiã dentro do bolso da sua calça. Dude era o meu sutiã preferido! Eu juro que na primeira oportunidade que eu tiver mato esse garoto lentamente.
- Daniel Jones me devolve isso agora!
- Não. – disse simplesmente. Respirei profundamente antes de completar: - Que seja! Faça bom proveito. – antes de fechar a janela o escutei respondendo um “Pode ter certeza!”. Bufei e me joguei na cama demorando a cair no sono. Como aquele garoto me irritava!



10


Já estava sentada na minha carteira habitual na sala de biologia, lendo a apostila da matéria enquanto esperava a sala de aula se encher e o professor aparecer. Hoje, diferente dos outros dias, eu havia chegado mais cedo pra não ter que ficar no mesmo ambiente que Danny e fingir que nada havia acontecido entre nós dois. Até porque eu só conseguia pensar no quanto eu odiava tudo o que Daniel me fez sentir e isso já era o bastante pra me fazer me odiar por não ter seguido a droga da minha razão que sempre me alertou quanto ao tipo de pessoa com a qual estava me envolvendo.
Eu deveria aprender depois dessa a ouvir mais os meus instintos que me alertaram sobre o fim do nosso relacionamento – se é que posso chamar o que tivemos de relacionamento – um tanto quanto patético.
Enfim, como sempre suspeitei, eu saí mal nessa história toda.
Felizmente a minha parceira naquela aula era Sam – sim a amiga de Sophie – e ela pelo menos não me importunava como as outras do seu grupo.
Porque Sophie e seu bando pareciam gostar de fazer isso. Bom, eu não sabia como nós duas fomos escolhidas para ser uma dupla naquela aula, mas era melhor ela do que alguém como o Daniel ou a Sophie.
Qualquer pessoa era melhor que os dois!
Aos poucos os alunos foram entrando e por último vieram os meus amigos. Sam, que estava conversando com suas amigas no corredor, entrou com pressa e se sentou em seu lugar - ao meu lado - e com a cabeça fez um breve aceno de cumprimento para mim.
vanna) me olhou sugestiva enquanto as outras me olhavam questionadoras por ter chegado cedo à escola – o que não era o meu normal – e não ter ficado com elas no local de sempre antes de entrar pra classe.
Daniel por sua vez apenas me deu um sorriso cínico e eu virei o rosto em resposta não querendo imaginar o que ele fizera com o meu sutiã. Afinal, vindo de Daniel Jones boa coisa não seria.
O professor atrapalhado como sempre corrigiu os exercícios da semana passada, revisou a matéria do dia e deixou novos exercícios para se começar em sala de aula e terminar em casa. Como se eu já não tivesse um monte de tarefas acumuladas!
Estava resolvendo alguns exercícios quando Sam se virou pra mim. Senti que ela queria falar algo só não sabia como. Virei-me para garota também e a fitei esperando com paciência o que ela tinha pra dizer.
- Aquele garoto... O Danny está te olhando desde que entrou na sala. – um risinho baixo escapou de sua boca e sua mão alisou os cabelos longos e cacheados de cor de bronze com certa timidez.
Não consegui evitar e o olhei. Daniel estava me encarando descaradamente e não parecia preocupado com o que o professor faria se o visse não fazendo a atividade proposta.
– Ele parece bastante interessado em você. Aposto que muitas garotas dessa sala gostariam de estar no seu lugar.
- Você se inclui nisso? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Confesso que ele é muito bonito, mas não faz o meu tipo.
- Então quem faria? – me acomodei melhor na cadeira para conversar. Até que estava interessante a conversa, bem melhor do que tentar resolver aqueles exercícios difíceis.
Era até engraçado perceber que depois de tanto tempo que sentávamos juntas finalmente estávamos tendo uma conversa decente.
- Eu... – ela parou para pensar enquanto suas bochechas adquiriam um tom rosado. – Seu amigo Nick, por exemplo, faz o meu tipo. Ele é perfeito em todos os sentidos. Não que eu esteja interessada nele, só pra esclarecer. – ela se apressou em explicar e aquilo mostrou exatamente o contrário do que ela tentava me convencer.
Se Sam está realmente interessada no Nick isso quer dizer que ela pelo menos pretendia conquistá-lo e assim, provavelmente, ele esqueceria toda a história – se é que ele ainda pensa nisso – de que me ama. Seria uma ótima pra mim e...
- Mas o problema é que o Nick gosta de outra garota. Isso ‘tá escrito na testa dele! Bem, e eu desconfio de quem seja. – ela pigarreou tentando não dar emoção a voz totalmente chorosa. - Quero dizer, quando ele me chamou pra sair ficou falando a noite inteira de que estava muito chateado com você por não tê-lo chamado para a apresentação da banda dos meninos. E eu achando que ele estivesse me convidando pra sair por estar interessado em mim. – falou de uma só vez me bombardeando com aquele amontoado de informações.
Abri a boca atordoada.
Sam e Nick saíram juntos? Nick ficou o tempo todo falando de mim enquanto estavam os dois juntos? Isso não era nada bom! Nada bom mesmo.
- Você já o conhecia? – dentre tantas outras coisas que eu poderia ter perguntado fiz aquela que menos me incomodava.
- Eu estou no mesmo grupo que ele na organização do festival. – a garota me respondeu um pouco contrariada pela falta de atenção que eu dei ao assunto. Seus olhos me fitaram sem brilho. – Você gosta dele?
- Gosto, mas não do jeito que você imagina. Ele sempre foi o meu melhor amigo e nunca vai passar disso.
Respondi exatamente o que eu sempre soube, mesmo quando ficávamos juntos apenas por carência.
Sam pareceu se animar e um sorriso contagiante brotou em seus lábios.
- Por que a gente nunca conversou antes?
- Não sei. – dei de ombros. – Mas foi bom ter a certeza de que você é bem diferente da Sophie. – dei um meio sorriso e voltei minha concentração para o livro.
Mas antes dei uma ultima olhada em Daniel e ele estava na mesma posição de antes. Com o corpo meio virado pra trás me fitando como se quisesse adivinhar todos os meus pensamentos.

Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, ajeitei a mochila nas costas e joguei o skate no chão pousando o pé em cima dele.
Como eu queria que aqueles olhos azuis parassem de me encarar. Desde aquela aula de biologia que Daniel me olhava de uma maneira que eu não conseguia decifrar. E não foi diferente agora que estávamos fora da escola.
Ele me parecia tão distante em pensamentos, mas mesmo assim tão presente nos meus.
Nem por um segundo deixei de lembrar de cada momento ao seu lado e de como aproveitei cada segundo. Mas cada célula do meu corpo dizia que era pouco perto do que eu realmente queria. Eu sentia falta dos seus beijos - embora fosse pouco o tempo que estamos longe um do outro -, toques e, principalmente, do seu perfume inebriante. Mas aquilo simplesmente não poderia ser mais meu, nem que eu quisesse.
Eu não poderia e não me deixaria cair naquela rede de sentimentos novamente. Era assustadoramente perigoso pra mim e pra minha sanidade mental. E foi exatamente por esses motivos e por ainda não me sentir segura para ficar ao lado dele que recusei o convite do pessoal que planejavam passar à tarde toda na casa do Tom.
Aleguei que tinha um compromisso com a minha mãe ao qual não poderia adiar. Não que seja mentira, porque eu nas últimas semanas estava em falta com ela e planejava passar pelo menos uma tarde da minha longa vida aproveitando o que tinha de melhor na face da terra (Lê-se: colo de mãe).
- Tem certeza mesmo que não vai nem aparecer um pouco por lá à tarde? – perguntou Dougie tentando pegar a latinha de Coca-cola que nanda) segurava e ela deu um tapa forte na mão dele.
- Tenho sim, nanico. – Dougie mostrou a língua descontente com o apelido e eu ri. – Então, vejo vocês amanhã, certo? – eles afirmaram com a cabeça.
Posso jurar que vi uma pontada de decepção passar pelo rosto de Daniel, mas não dei importância pra isso. Eu poderia estar imaginando coisas.
Dei um breve aceno pra todos e saí em disparada em cima do skate. Senti o vento gelado de Londres bater sem piedade no meu rosto enquanto descia por uma ladeira em uma velocidade incrível - arriscando uma manobra ou outra no percurso - e a adrenalina pulsando em minhas veias. Aquele era o melhor jeito de se esquecer de tudo e todos; e, no meu caso, principalmente um ser chamado Daniel Jones.

Passei uma tarde incrivelmente agradável com minha mãe que adorou cada demonstração de afeto espontâneo que eu dava. Que mãe não gosta? E eu estava sensível demais para o meu gosto. Minha mãe percebeu, mas como ela me conhece mais do que qualquer pessoa sabe muito bem que o meu forte não é desabafar então ela tentou me confortar de algum outro jeito que ela achou que fosse ser suficiente para me distrair. Assim era bem melhor do que expor, como eu fizera com Tom, todos os meus sentimentos.
Assim que anoiteceu subi para meu quarto e aniquilei todas as tarefas que eu tinha acumulado nas últimas semanas. Quando terminei tomei um banho e vesti minha camisola.
Ao invés de me deitar ou sentar em frente ao computador como eu sempre fazia, me postei em frente à janela esperando vê-lo ali, em pé no gramado, jogando pedrinhas na janela. Mas ainda era cedo. Ele normalmente aparecia quando já era madrugada e não corria o risco de ser pego. Era bem a cara de Danny gostar de coisas perigosas que incluía obstáculos no caminho e...
Eu estava mesmo esperando-o?
Eu deveria estar fazendo alguma coisa de útil, qualquer coisa que não fosse pensando nele! Mas mesmo com aquele alerta interno eu continuei parada olhando fixamente para além da janela esperando ansiosamente que ele aparecesse logo.
Os minutos foram passando e nenhum sinal dele. Minhas esperanças estavam se esvaindo quando vi uma luz crescendo conforme se aproximava mais da casa. Depois de algum tempo que distingui ser um farol de uma moto. Uma moto preta. A moto de Daniel.
Me xinguei mentalmente de fraca ao sentir meu coração batendo descompassadamente contra o peito e um frio percorrer minha espinha ao vê-lo vestindo preto. Como eu adorava homens vestidos de preto. Era tão sexy.
Seu olhar me parecia um pouco cansado, mas ainda sim um sorriso maroto brincava em seus lábios. Ele se agachou perto de uma árvore pegando algumas pedrinhas. Quando se endireitou analisou-as como se estivesse se questionando se aquilo era o que ele queria. Como se tudo o que ele estivesse fazendo por mim fosse em vão. Mas no minuto seguinte um brilho passou por seu rosto esmagando qualquer incerteza.
Uma falha no meu batimento cardíaco e tive a impressão de que meu pobre coração pararia de vez.
Sua mão foi para trás e quando ele mirou para a janela seus olhos se arregalaram. Seu braço caiu ao lado do corpo e todas as pedras que ele segurava escorregaram de sua mão.
Ele não acreditava que eu estava ali, estática, o observando. Talvez ele estivesse imaginado que eu não estava dando a mínima para o que ele vinha fazendo. Eu definitivamente queria demonstrar isso, mas estava sendo amolecida por aqueles atos. Cada vez mais estava me sentindo propensa a perdoá-lo. Mas eu não deveria e meu orgulho era muito mais forte do que tudo naquele momento.
Seu sorriso aumentou o triplo de tamanho. Daniel não me pediu para entrar como das outras vezes, apenas sentou-se debaixo daquela árvore me olhando de onde ele estava. Percebi que ele sacava de um dos bolsos da calça um maço de cigarros.
O que diabos ele estava pensando? Ele iria ficar ali à noite toda? O jeito como ele se ajeitou no chão e estava se portando me indicava que se ele quisesse ficaria ali por toda a eternidade enquanto eu não saísse do meu casulo.
Saí sorrateiramente de casa caminhando a passos curtos até Daniel. Aproximei-me dele e sentei-me ao seu lado sem ao menos direcionar os olhos para ele, apenas sentia sua presença e seu delicioso perfume, escutando sua respiração. Ele não disse nenhuma palavra e parecia não se importar com o silêncio.
Quando arrisquei olhá-lo, a primeira coisa que me chamou a atenção foi sua camisa rasgada no braço e, por ali, em sua pele descoberta havia um corte por onde escorria o sangue. Olhei para seu rosto, espantada, com a testa franzida e vi que sua boca estava rachada com um corte, mas naquela região o sangue já estava seco.
Continuei analisando e dessa vez eu estava entre suas pernas, de frente pra ele, com as mãos em seu rosto. Não demorei muito para achar outro corte acima de sua sobrancelha.
Afinal o que havia acontecido com ele?
Fui acometida por uma forte pontada de preocupação e me senti no dever de cuidar dele.
- Quem fez isso com você?
Daniel apenas me olhou com descaso e quando fiz menção de encostar o dedo em uma ferida ele se afastou e se retraiu com expressão de dor.
– O que aconteceu? – insisti me sentindo impotente.
Minha voz saiu estrangulada pelo desespero. Talvez fosse pelo silêncio em que ele persistia em manter.
Sem saber o que fazer o obriguei a me olhar. Senti um nó se formar em minha garganta pelo simples fato de vê-lo naquele estado.
- Daniel, pelo amor de Deus, me responde!
Alterei minha voz algumas oitavas a mais me xingando mentalmente por isso em seguida. Se alguém nos ouvisse estaríamos literalmente ferrados.
- Não foi nada, ...
- Como nada?! Olha só pra você todo machucado! – exclamei revoltada.
- Não se preocupe, eu estou bem. – sua voz saiu falha e tremida.
- Como não me preocupar? Você me aparece todo machucado na minha casa e quer que eu faça o quê?
- Se eu soubesse disso não teria vindo. – resmungou se levantando.
Fiz o mesmo fulminando-o com o olhar.
- Mas veio! Agora você vai entrar comigo que eu vou dar um jeito nisso.
- Não, eu...
- Não adianta! Você vem comigo e ponto.
Daniel soltou uma risada baixa e me seguiu para dentro de casa, mais precisamente para a cozinha, onde eu poderia cuidar dele melhor.
- Como isso foi acontecer?
Danny bufou resignado e sentou-se na cadeira que indiquei e continuou em silêncio até que me aproximei com a caixinha de primeiro socorros.
- Brigas de bar. Sabe como é... – deu de ombros não se importando nem um pouco com aquilo. Eu o olhei com a testa franzida.
- Não, eu não sei como é. Mas me diga qual foi o motivo?
- Nenhum que eu me lembre. - disse fazendo uma careta quando sentiu o remédio entrar em contato com um de seus ferimentos.
- Você só pode ‘tá brincando com a minha cara! – reclamei indignada soando quase infantil e ele riu baixinho segurando um gemido de dor. – Que idiotice!
- Quando se está bêbado e alguém começa a te provocar é nisso que dá. – apontou para seu rosto. – Naquela hora me pareceu ser o certo. – balancei a cabeça negativamente.
- Acho que nunca vou entender os homens.
Daniel explodiu em uma gargalhada gostosa e num reflexo tapei sua boca com a mão, mas quando o vi reclamando de dor a retirei rápido me desculpando em seguida.
Retornei aos cuidados necessários evitando olhá-lo.
Senti seus olhos em mim e minhas bochechas começaram a queimar em um reflexo.
- O certo seria eu dizer que nós homens nunca vamos entender as mulheres, porque isso já é um fato comprovado. – respondeu debochado e eu revirei os olhos.
- Você não me parece bêbado agora. – comentei tentando mudar o assunto.
- Agora não. – eu abria a boca para mais uma pergunta e ele me calou antes que eu pudesse verbalizar. – Chega de perguntas. – disse autoritário.
- Só mais uma, por favor. – me senti idiota por dizer aquilo, mas eu precisava saber uma coisa.
- Tudo bem, mas não prometo responder.
Que seja! Eu não tinha nada a perder perguntando. Era só uma curiosidade.
- Porque me procurou?
O ouvi suspirar pesadamente e eu me concentrei ao máximo na minha tarefa.
Passei um algodão com o remédio em seus lábios e senti seu hálito quente – e ainda com cheiro de álcool - sair como uma lufada forte tocando minha pele e me arrepiando inteira.
“Eu não posso corar, eu não posso corar...”, repetia essa frase mentalmente várias vezes.
- Porque a primeira pessoa que me veio à cabeça foi você.
- Ah, claro...
O que eu esperava ouvir? Que ele se sentia arrependido por tudo o que fez, que me amava, não parava de pensar em mim e por isso venho me procurar?
Até parece que vivo em uma novela mexicana!
Drama puro com uma pitada de uma doce ilusão. Resumindo uma garota patética e romântica até o ultimo fio de cabelo achando que fosse algo na vida de alguém.
Eu às vezes me acho ridícula por pensar essas coisas sem noção.
Abaixei a cabeça suspirando baixo e senti seus dedos frios tocarem meu queixo e levantar a minha cabeça na altura da sua focalizando meus olhos. Não saberia definir o brilho que encontrei nos seus e nem queria. Eu tinha medo do que eu pudesse descobrir.
Era algo desconhecido pra mim e mesmo que eu tentasse descobrir acabaria me afogando em seus olhos azuis; e nada seria mais difícil do que sair deles.
Percebi que seus lábios se puxaram em um sorriso enquanto seu polegar acariciava meu rosto com delicadeza. Prendi todo o ar nos meus pulmões e uma corrente fria percorreu minha espinha. Fechei os olhos apreciando o contato que querendo ou não eu sentia saudades. Para a minha infelicidade aquela maldita saudade estava me enlouquecendo.
- Obrigado. – murmurou baixo e depositou um beijo em minha testa. Adquirindo um tom entre brincalhão e sedutor completou: - Poderíamos subir ao seu quarto e relembrar os bons tempos. O que acha?
Prendi um riso histérico, que ameaçava sair, mordendo os lábios.
Eu desejava ter ouvido por detrás de todo aquele ar provocativo um pouco de seriedade, transmitindo que ele gostaria mesmo que aquilo acontecesse. Mas por outro lado o meu orgulho ferido gritava para que ele fosse embora o quanto antes.
Danny se levantou da cadeira, colocou as mãos dentro do bolso da calça e se afastou de mim alguns centímetros como se estivesse me protegendo de algo, provavelmente dele. Ou tivesse percebido o quanto estava hesitante em relação a nós dois.
- É melhor você ir embora.
Não sei como disse aquilo, mas minha voz soou clara e firme até demais perto do caos que se encontrava minha cabeça. Ela parecia prestes a explodir e eu precisava urgentemente ficar sozinha.
Meus olhos ardiam, meu corpo implorava por seus toques e meus nervos estavam em frangalhos.
Sempre estar tentando me convencer de que o melhor para nós era estarmos separados enquanto meu coração falava o contrário era uma tarefa bem difícil de completar. Mas eu não podia mais me deixar levar por minhas ilusões.
Era doloroso demais me decepcionar com alguém e eu não queria sofrer de novo. E bom, descobrir que Daniel era uma pessoa misteriosa não ajudava em absolutamente nada. Que dizer, isso me assustava. Desde que eu o conheci, Danny nunca disse nada sobre a família, amigos e esses tipos de coisas que ele, provavelmente, tinha na outra cidade em que vivia antes de vir pra cá.
Era frustrante não saber de nada da vida dele e me fazia imaginar o porquê dele não tocar no assunto.
- Até amanhã .
Ele falou quebrando o silêncio que se instalara e me trazendo de volta para o momento. Sua voz me pareceu pela primeira vez desde que o conheci insegura, e aquilo me fragilizou.
- Até... – sussurrei duvidando que ele houvesse escutado, pois Danny já havia saído porta a fora e era engolido pela escuridão.
Mais uma vez naquela noite suspirei e guardei os remédios, que estavam espalhados na mesa, dentro da caixinha. Meus olhos pareciam pesar uma tonelada e meu corpo implorava por descanso. Estava cansada de tudo e principalmente de negar os meus sentimentos.
Minha cabeça começava a latejar e antes que eu passasse uma noite em claro por causa disso, corri para meu quarto e me enfiei debaixo das cobertas tentando a qualquer custo esvaziar minha mente. Não demorou muito para que eu estivesse em um sono pesado sem sonhos como eu preferia. Antes isso do que sonhar com Danny.

11



Aquele era o dia. O dia do festival e eu estava muito nervosa.
Os meninos tocariam as músicas que fizemos e queríamos que tudo saísse perfeito. O primeiro e o mais importante dos motivos desse nervosismo era pela nota que ganharíamos com isso. E segundo porque queríamos impressionar, afinal de contas era a primeira festa que aquela escola dava, então teria que ser no mínimo decente.
Os meninos combinaram de ir cedo pra escola, apenas para arrumar os instrumentos e passar o som. Nós, garotas, ficamos encarregadas de digitar a letra e mandar impresso para o nosso “querido” professor que estava organizando toda aquela parafernália. Depois iríamos nos arrumar, o que tomaria quase que a tarde inteira, já que quando nos juntávamos, mais falávamos do que realmente nos arrumávamos.
Mas naquele momento eu estava estirada na cama, lendo “Marcada” enquanto esperava as meninas chegarem já que a minha casa foi a escolhida para todo o nosso ritual de embelezamento.
Enfim, apesar do livro ser realmente muito bom eu lia a mesma frase mais de uma vez e mesmo assim não conseguia entender o que ela estava dizendo. Tudo porque minha mente estava divagando sobre tudo e sobre nada onde só girava em torno de Daniel todo machucado.
Um frio percorria a minha espinha a cada vez que me lembrava disso. Os tremores pioravam ainda mais quando imaginava que poderia ter sido pior. Daniel não me parecia ser uma pessoa sensata e quando bebia isso o deixava mais imbecil ainda.
Como uma pessoa pode começar uma briga sem saber o motivo? Isso é insano!
Meus pensamentos foram interrompidos quando escutei meu celular tocar um ringtone escandaloso. Nota mental: trocar aquela música ridícula antes que eu seja alvo de piadas. Ah! E claro, manter meu celular bem distante das mãozinhas intrusas da nanda) pra que ela não tenha chances alguma de colocar aquele tipo de toque novamente.
Estiquei-me para pegar o aparelho na mesinha de cabeceira e olhei no visor vendo o nome “Nick” piscar nele. Puxei todo o ar a minha volta para os meus pulmões me preparando para o que viria, pois uma hora ou outra ele tocaria no assunto “nós” e eu não teria como evitar.
- Alô? – falei assim que atendi.
- E ai , como vai?
Nick começou reticente e foi aí que percebi que a tal conversa aconteceria. Era sempre assim que ele costumava começar conversas sérias.
- Bem e você?
- Estou bem... Animada para o festival?
Ele iria enrolar até quando? Esse era o meu amigo Nick. Sempre dando voltas e mais voltas para depois chegar onde quer.
- Acho que a palavra que melhor definiria é nervosa. – escutei sua risada soar do outro lado.
Talvez ele tenha imaginado o bico que eu estava fazendo. Eu sempre fazia isso. Era algo tão infantil e tão meu. Nick me conhecia tão bem, melhor do que eu mesma, que chegava a ser estranho.
Ao ouvir um suspiro pesado vindo dele me sentei na cama e deixei o livro jogado nela me concentrando para as perguntas que viriam.
- Você sabe que temos que conversar, não sabe? – sua voz adquiriu um tom mais grave.
- Sei, mas acho que seria melhor se fosse pessoalmente e não por telefone.
- Claro... Talvez hoje no festival. O que acha? Se bem que quando você está com esses seus novos amigos você me evita como uma praga.
Não era exatamente por causa dos garotos. Mas sim, eu o evitava. Tive vontade de falar isso, mas mordi os lábios antes que a frase escapasse de minha boca.
- Hoje à noite no festival. – falei sem emoção.
Escutei barulho de passos subindo as escadas da minha casa e de risadas escandalosas se aproximando.
- Nick, me desculpe preciso desligar. As meninas acabaram de chegar.
- Tudo bem, até a noite. – despediu-se e ao contrário de mim ele parecia animado.
- Até...
Desliguei o celular vendo todas as minhas amigas invadindo meu quarto alvoroçadas. Mesmo tentando disfarçar ao máximo eu estava perdida, desligada do mundo e vanna) percebeu.
Ela sempre percebia.
- Posso saber por que você está com essa cara?
Ela perguntou cautelosa, aproximando-se de mim e sentando-se na cama ao meu lado enquanto as outras jogavam suas malas em qualquer lugar, abrindo-as e mostrando as fantasias que haviam trazido.
- Nada...
- Ninguém tem nada com essa cara. – disse nanda) mais atenta a nossa conversa do que eu imaginava.
A garota estava se olhando no espelho com um vestido esquisito - que eu não consegui encaixar em nenhuma das fantasias que eu conhecia - em frente ao seu corpo, porém seus olhos agora me encaravam com seriedade.
- Nick me ligou. Quer conversar comigo.
- E isso é ruim? – questionou passando creme em seu rosto. – Hey nanda)! Eu disse que seria a primeira a entrar no banheiro. – resmungou em seguida batendo na porta fechada e a outra do outro lado ria alto.
Dei de ombros e vanna) me olhou sabendo o quanto eu não queria ter aquela conversa.
- Não sei... Mas garanto que não vai ser fácil.
- Claro, como se ter Nick aos seus pés fosse fácil. Ele é lindo, carinhoso, cheiroso e gosta muito de você. – enumerou bela) sonhadora. – quer parar de bater na porra dessa porta?! Já to me estressando! – gritou autoritária fazendo a outra parar e voltar para a sua mochila com um bico enorme nos lábios.
As palavras de bela) ficaram martelando na minha cabeça.
O problema eram exatamente as intermináveis qualidades que Nick colecionava e o tanto que ele gostava de mim. Isso tudo tornava difícil o fato de ter que rejeitá-lo. Fechei os olhos e uma cena em especial tomou conta da minha cabeça.

“- Nick? – perguntei entrando em seu quarto.
O menino saia de seu banheiro com os cabelos molhados e enquanto andava em minha direção vestia sua camisa. Olhei ao meu redor e todas as coisas em seu quarto já não estavam ali e havia apenas uma mala do lado da porta bem perto de onde eu estava. Aquilo fez meu coração desacelerar, quase parar.
Nick, meu melhor amigo, estava indo embora e eu nada podia fazer.
- Olá! – cumprimentou com um beijo em minha testa.
- Sua mãe disse que eu podia entrar. – disse um pouco sem graça.
Eu ainda não estava acostumada com o Nick crescido e muito mais bonito de que quando era um moleque e brincávamos juntos no quintal de casa.
Bem, eu posso não gostar dele como ele gosta de mim, mas cega eu não sou! E o que é bonito é pra se apreciar, não é mesmo?
- Você faz o que quiser. Essa é a sua casa também. – sorriu para mim e eu retribuí. - Vamos? Só falta essa mala para colocar no carro. – apontou para a mala que eu vira antes e completou: - Combinei de encontrar com os outros na rodoviária.
Acenei com a cabeça afirmativamente.
Nick e eu éramos muito próximos e ele tinha outros amigos além de mim, mas era bem difícil ele me trocar por eles. E, bem, além de Nick eu tenho outras amigas. O garoto diferente de mim conseguiu se enturmar com as minhas amigas enquanto eu não me dei tão bem assim com os seus.
O garoto é bem carismático e por isso conseguia se relacionar fácil com qualquer pessoa que quisesse diferente de mim.
Peguei a mala e Nick tentou me impedir, mas o calei com um olhar e saí arrastando-a até o carro.
No caminho todo até a rodoviária dentro do carro não conversamos. Até porque era difícil falar de despedidas depois de tantos anos juntos. Eu não queria pensar nisso. Não agora.
A mãe de Nick tagarelava por nós dois e às vezes murmurávamos algumas coisas sem nexo só para não deixá-la no vácuo. Ela até percebia o quanto estávamos ausentes, mas não deixava a peteca cair e continuava a falar sobre assuntos aleatórios. Nunca deixando o silêncio se instalar.
Ao chegarmos, todos os nossos amigos estavam lá nos esperando. Nick os cumprimentou e eu apenas sorri de onde estava com as garotas. Enquanto esperávamos, ele conversava com todos animadamente nem parecia que estava indo embora e me deixando.
Eu sentia um caroço se formar na minha garganta. Eu não queria que ele fosse. Era difícil demais lidar com isso. Parecia definitivo, que nunca mais eu iria vê-lo.
Tentei não pensar naquilo ou iria chorar ali, na frente de todos, e eu já havia chorado demais na noite passada.
Não demorou muito para que o ônibus dele chegasse. O garoto se despediu de todos me deixando por último.
Senti as lágrimas saltarem de meus olhos sem permissão (é, não teve jeito) assim que o abracei. Quando me soltei dele um de seus dedos acariciou a minha bochecha limpando as lágrimas com uma expressão séria no rosto. E depois com delicadeza se aproximou de mim, dessa vez capturando meus lábios em um beijo urgente.
Essa não era a primeira vez que nos beijávamos, mas seria a última. Mesmo tendo nos beijado tantas vezes eu nunca sentira minhas pernas bambas, o corpo todo tremer, meu coração acelerar ou qualquer coisa desse tipo. Nem com Nick nem com qualquer outro garoto, mas ainda sim era bom sentir seu gosto. E, também, eu tinha um carinho imenso por ele, ou seja, isso tinha muito mais valor de que todas essas baboseiras que só iríamos encontrar em livros.
Com um selinho Nick partiu o beijo e antes de entrar no ônibus sussurrou em meu ouvido um “Eu te amo” me surpreendendo com sua declaração. Continuei com a expressão de surpresa mesmo depois que o enorme automóvel se foi.
Nick me amava e tinha ido embora. Suspirei baixinho e segui as minhas amigas para fora da rodoviária com os pensamentos a mil, não prestando atenção na conversa que puxara.”


- você não vai escolher uma fantasia?
Olhei meio aturdida para bela) que dançava ao som de Shakira enquanto separava a sua maquiagem da das outras.
- Vou sim... A nanda) ‘tá no banheiro ainda? – perguntei com a testa franzida.
-‘Tá. A se irritou e foi para o banheiro no quarto dos hóspedes. E tudo isso enquanto você sonhava acordada.
Escutei a risada de vanna) do outro lado do quarto e direcionei meus olhos pra lá a encontrando com um grande sorriso bobo no rosto enquanto falava ao telefone. Eu não escutara o aparelho de som do meu quarto ser ligado quanto menos um celular ter tocado e não tinha a mínima idéia de quanto tempo passei fora de órbita.
- É o Tom com ela no celular. – informou bela) revirando os olhos e eu a olhei surpresa. – É, ela me contou... Quer dizer, pra todas nós. Confesso que fiquei chateada por ela ter nos escondido isso e por também ter contado primeiro pra você, mas pelo menos está feliz e é isso que importa, não?
- É sim...
- Sabe que eu sempre achei que eles formariam um belo casal? – disse nanda) saindo do banheiro enrolada em uma toalha.
bela) passou correndo para entrar murmurando um “A vai te matar” e depois se direcionando a mim acrescentou “É melhor você se apressar”.
- Quem forma um belo casal? – irrompeu o quarto também de toalha e olhou para nanda) indignada.
- O quê? Eu demoro pra ficar perfeita!
- E você , não vai se arrumar? – questionou ignorando nanda).
- Ainda não escolhi a minha fantasia. – e agora o olhar de indignação que antes era direcionado a nanda) fulminou em mim.
Ah qual é? Com tantas coisas na cabeça a última na qual eu pensaria seria escolher algo pra vestir.
- Nós temos que chegar cedo pra ajudar os meninos em algo ou vão achar que não fizemos nada. E você sabe o quanto eu preciso de nota, certo? – resmungou.
Ela sempre ficava em recuperação em pelo menos uma matéria e suas férias eram adiadas por isso. Até que nos últimos tempos ela deu um rumo na vida e começou a estudar ao invés de deixar tudo pra última hora.
- Se você acha nada ficar compondo músicas com aqueles tapados então nem quero imaginar se tivéssemos que fazer mais coisas.
- Vai dizer que você não gostou de ficar sozinha com o Poynter? – provocou vanna) jogando seu celular na cama.
Eu disfarcei o riso enquanto procurava as fantasias que minha mãe trouxera de uma loja, a fim de escolher uma pra mim. Imaginei a careta que nanda) deveria estar fazendo e aquilo foi o suficiente para eu gargalhar.
- Decerto você não gostou de ter ficado com o Tom, né dona vanna)? Até porque agora vocês dois estão juntos. E você para de rir! – ordenou para mim que segurei ao máximo não conseguindo e levando as outras a risada também.
Só as minhas amigas para me fazerem rir.

Tomei meu banho assim que bela) desocupou meu banheiro e quando saí as garotas estavam cada uma em uma etapa do nosso embelezamento. Pelo menos vanna), como eu, estava saindo do banho.
Sequei meu cabelo e deixei as pontas levemente onduladas. Assim que terminei passei o secador para . Vesti a minha fantasia de policial, que me fazia me sentir sensual nela, nada muito vulgar (pelo menos pra mim).
Fiquei ao lado de dividindo o enorme espelho enquanto me maquiava. Apliquei rímel nos cílios, uma sombra clara nos olhos - nada muito forte pra não carregar - passei blush e nos lábios gloss. Não demorei muito para ficar pronta como as outras.
Por curiosidade passei os olhos por minhas amigas e pude reconhecer as fantasias que cada uma vestia. era a Lara Croft com direito a tudo. Seu cabelo estava preso em uma trança embutida com apenas uma mecha da franja caída no rosto. As roupas e acessórios eram iguais aos que Angelina Jolie usava nos filmes, exceto é claro a arma que era falsa.
vanna) era a Batgirl com aquelas roupas de couro colando ao corpo e o chicote em mãos. Tive a leve impressão de que ela havia combinado sua fantasia com Tom. nanda) era a Vampira do X-Men e eu ainda iria perguntar a ela como conseguira fazer aquela mecha branca tão perfeitamente em seu cabelo.
Até porque ela era uma pessoa que adorava o cabelo e fazia de tudo para ele ficar perfeito. nanda) não seria louca ao ponto de danificá-lo.
Por fim, bela) era a mais angelical de todas nós, vestida de fada com seu vestido branco e as asas, que tinham várias nuances de azul e rosa bebê, nas costas.
Coloquei o quepe na cabeça sem bagunçar o cabelo e peguei as chaves do carro do meu pai. Em pouca vezes, como esta, ele abria uma exceção e me dava o carro para sair.
Bom, já que estávamos indo pra uma festa, consequentemente voltaríamos tarde, por isso meu pai não nos queria voltando com qualquer um ou muito menos ter que acordar de madrugada só para nos buscar. Fora que o carro dele era grande e cabíamos nós todas sem nos espremer.
Meu pai, assim como os das meninas, ainda não nos autorizou a ter um carro próprio, mesmo tendo tirado a carta de motorista. Mas minha mãe, como era boa em persuadir, estava tentando convencê-lo de que seria uma boa me dar um carro. Mesmo que seja usado, eu não me importo nem um pouco se ele estiver caindo aos pedaços, contanto que ande e seja meu.
Eu torcia para que ela conseguisse. Não que eu não gostasse de andar de skate, porque eu amo, mas um carro é sempre útil.
Em poucos minutos estava estacionando em frente à escola. Saltamos do carro e eu olhava boquiaberta a fachada da escola. A decoração estava simplesmente incrível e eu tentava imaginar como estaria lá dentro. Quando entramos na quadra pude perceber que toda a decoração era a combinação de laranja e branco. Os tecidos dependurados no teto e as bexigas eram dessas cores assim como as toalhas das mesas.
Num canto o DJ animava a festa e um pouco mais distante, um pequeno palco havia sido montado onde os instrumentos da banda dos meninos estavam só esperando a hora da apresentação.
No meio da quadra havia uma pista improvisada onde as luzes do globo giratório e de todas aquelas parafernálias que eles usavam em boate, ou sei lá o quê, iluminava em parte todo o local escuro. Eu estava tão deslumbrada com tudo que nem percebi que praticamente me rebocava com ela até uma mesa bem no canto, quase a última perto da parede onde nada perturbaria ali. Nenhuma pessoa passando nem tentando escutar a conversa.
Quando acordei da análise que eu fazia do ambiente percebi que havia quatro pessoas sentadas na mesa. Soltei uma risada ao reconhecer Tom vestido de Batman. Sabia que vanna) iria fazer algo do tipo. Era a cara dela.
estava vestido de Coringa e mantinha um sorriso bem sarcástico no rosto, não sei por que, mas me pareceu que ele queria se parecer com o Heath Ledger interpretando o personagem. Não me convenceu em nada.
Logo avistei Harry vestido de Príncipe e posso garantir que ele estava simplesmente lindo. Se ele não tivesse a eu juro que o agarrava ali mesmo.
Pulei os olhos para Dougie e tive vontade de gargalhar. Não porque ele tava feio, mas era engraçado ver o Mário Bros bem na sua frente. Achei no mínimo muito fofo como ele ficou na fantasia. E, além de tudo, combinava muito bem com seu apelido recém adquirido de nanico.
Tentei me demorar mais um pouco no garoto antes de olhar para Danny, mas antes que eu me desse conta estava ofegando e o motivo era ele. Daniel estava vestido de Fantasma da Ópera e eu não tinha palavras para descrevê-lo. Talvez perfeito se encaixasse melhor. Cumprimentei a todos e sorri fraco para ele a distância.
- Legal a sua idéia Dougie. - comentou bela) assim que todos nos sentamos nas mesas que os meninos haviam juntado para caber todos ali.
- Obrigado.
- Na minha humilde opinião, o Dougie ‘tá fofo. O melhor. – ri da careta que os outros fizeram quando falei e do peito estufado de Dougie a cada elogio que recebia.
- Vocês estão lindas. – Tom elogiou sorrindo e abraçou vanna) de lado. Os dois sentados nas cadeiras a minha frente.
- Quer receber elogios também, Fletcher? – disse cutucando o garoto loiro do seu lado.
- Nossa ninguém mais pode elogiar uma garota que agora significa que quer algo em troca? – Tom fingia indignação muito mal e não durou muito sua pose, pois logo ele estava rindo assim como todos nós.
Olhei para Danny de relance e senti seus olhos queimarem sobre mim. Eles eram tão intensos, quentes e vibrantes que senti o meu corpo todo tremer sem qualquer toque dele. Imaginei quando ele o fizesse. Provavelmente, eu explodiria em mil pedacinhos enquanto todos os pêlos arrepiariam e meu coração faria uma festa dentro do peito.
Desviei os olhos temendo me deixar levar por pensamentos tolos. Eu só o havia ajudado na noite anterior e nada mudara entre nós. Não mesmo.
- Ah qual é , me devolve isso! – gritou tentando pegar o chicote de vanna) que ele estava usando para provocá-la.
- Aposto que ela planeja pegar isso emprestado com a e usar mais tarde com alguém. Que tal o Harry hein? Ele tá um gato. – ela riu sem graça enquanto o tentava chicotear o garoto que deu um murro fraco no braço do amigo.
- Seu bicha. – resmungou Harry sorrindo.
- Vamos parar com essa boiolice? – resmungou Danny quando viu tentando beijar Harry enquanto o mesmo a todo custo tentava se desvencilhar.
- Eu tenho vergonha de vocês.
- Tem nada nanda). Se não você já estaria bem longe de nós o que significa longe de mim também e isso você não quer. Traduzindo: você não vive sem mim. – Dougie disse tudo de uma vez só sem perder o fôlego sorrindo.
Foi só impressão minha ou foi uma indireta pra nanda)?
Ele usou um tom tão estranho para o padrão dele. Mas em se tratando de Dougie tudo era possível.
Olhei distraída para a pista de dança lotada de pessoas se chacoalhando no ritmo da música e notei que era My Love do Justin Timberlake que tocava.
Levantei com um sorriso no rosto puxando uma igualmente animada bela) e caminhei para o meio da pista. vanna), e nanda) nos seguiram. Era a nossa música preferida e não deixaríamos passar a oportunidade de dançarmos ela todas juntas como quando fazíamos em festas de pijamas. Os meninos se sentiram excluídos e é claro pularam da cadeira para ir atrás de nós.
- Eu amo essa batida! – gritou vanna).
- Eu amo o Justin! – gritei e elas sorriram confirmando com a cabeça.
- Todas nós... Desculpa, mas você vai ter que aprender a dividir. – brincou bela).
Justin era pura perdição, mas já que ele era meio que inalcançável eu me contento com os que estão por perto. Pra dizer a verdade os meus amigos não ficavam pra trás no quesito beleza. Eles eram perdições também!
Não precisei de muito para me deixar levar pela batida, era até fácil pra mim quando eu sentia meu sangue pulsando nas minhas veias rápido demais. Soltei meu corpo dançando no ritmo da música e aquilo era bom, muito bom. Meus pés se mexiam voluntariamente sem eu precisar comandá-los.
Senti uma presença atrás de mim e mãos fortes me envolverem por trás. Não vi necessidades de verificar quem era, pois pelo seu perfume eu o reconheceria até de olhos vendados.
Danny me acompanhou nos passos e um riso maléfico escapou de sua boca já que ele me sentiu estremecer sob suas mãos quando nossos corpos se mexeram sensualmente.
Dessa vez eu era guiada por ele, uma de suas mãos apertava a minha cintura com força. Mordi os lábios evitando que um gemido escapasse por eles. Fechei os olhos quando seus dedos roçaram minha pele desnuda do ombro e delicadamente afastou meu cabelo para o outro lado.
Seus lábios quentes tocaram minha pele do pescoço beijando-o avidamente e eu suspirei aprovando o contato. Novamente tive de me controlar para não deixar transparecer o quanto estava gostando daquilo. Mas eu não prometera que ele nunca mais tocaria em mim? Ultimamente eu andava fazendo promessas que no fim eu não cumpria.
Entreabri os lábios sem ar e a todo custo tentei desanuviar minha mente, porém antes que eu recuperasse todo o meu bom senso Danny me contornou ficando de frente pra mim e selou seus lábios aos meus. Não aprofundou o beijo apenas, os manteve juntos. Ele se afastou atônito e depois saiu caminhando calmamente para longe da minha vista. Olhei boquiaberta para o espaço vazio a minha frente onde segundos atrás ele estivera. Minha boca formigava assim como todo o meu corpo. Mas que droga!
- vem pra cá! – gritou nanda) acenando para mim assim que me viu parada longe deles.
Bufei estrondosamente irritada comigo e me juntei a eles. Mas antes que eu pudesse me deixar envolver de novo pela música vi um Drácula abraçando . Assim que ele cumprimentou as outras meninas carinhosamente e os garotos com um breve aceno de cabeça, se virou pra mim e foi aí que pude reconhecê-lo, mesmo que isso fosse uma tarefa difícil sob a luz fraca do local. Nick estava muito bonito e seus olhos castanhos me fitavam animados e eu sabia bem o porquê. O garoto se aproximou de mim me abraçando apertado e depois depositando um beijo na minha testa. Seu sorriso sempre presente no rosto se alargou ainda mais.
- Você está linda, !
- Obrigada. – agradeci envergonhada.
- Nós podemos conversar?
Já? Eu mal cheguei!
Parece que a vida gostava de me dar uma pancada atrás da outra. ‘Tá exagerei, fui dramática demais, mas as coisas pra mim agora só acontecem assim, uma atrás da outra.
Percebi que eu estava sendo observada por um par de olhos azuis. Vasculhei o local atentamente e o encontrei não muito distante me olhando com cara amarrada.
- Podemos. Vamos lá pra fora.
Nick e eu caminhamos em silêncio para o lado de fora da escola e nos sentamos em um banco que havia debaixo de uma árvore no jardim. Ele se virou para mim, segurou uma de minhas mãos com carinho e fixou seus olhos nos meus com atenção estudando cada traço do meu rosto. Mordi os lábios numa demonstração de nervosismo e ansiedade pelo o que estava por vir, acho até que uma pontada de medo me paralisava um pouco.
O que quer que nós conversássemos ali eu tinha certeza de que nossa amizade não ficaria abalada.

12


- Nós somos amigos há tanto tempo... – ele hesitou talvez porque estivesse procurando as palavras certas a dizer. – Não achei que teria mudado tanto assim quando eu voltasse. Você anda distante, até mesmo fria comigo. As coisas não eram assim . Você não era assim! Eu não conheço mais a amiga que eu deixei pra trás. Aquela que eu conhecia era uma garota tímida, alegre e gostava de passar as tardes comigo. Agora essa nova prefere me evitar a dizer aquilo o que a está perturbando.
Nunca havia olhado por essa perspectiva. Pelo ponto de vista dele. E agora o fazendo eu vi o quanto havia sido egoísta. Se nós tivéssemos conversado desde o dia em que ele chegara talvez estivéssemos curtindo aquela festa juntos como os bons amigos que éramos. Mas eu tentando não magoá-lo acabei o fazendo mesmo assim. Meu coração despencou dentro do peito. Olhei para seus olhos castanhos envergonhada de mim mesma.
- Me desculpa. Eu estava com medo de te machucar. As coisas mudaram um pouco, não são mais como eram antes. Você ficou dois anos fora!
- Mas você não acha que eu merecia saber o que você realmente sente em relação a mim? Eu não só voltei pelo que eu sinto por você, mas também pela nossa amizade. Eu sinto falta dela e por esse laço forte eu suportaria tudo, até mesmo ter que te ver com outro. Eu gosto demais de você.
- Eu sei que agi como uma idiota...
- você não foi uma idiota, apenas errou nas suas escolhas tentando me proteger de si mesma. Você sempre foi assim. Não é algo que eu possa mudar – deu de ombros.
Suspirei olhando para o céu tentando organizar as idéias na cabeça. Como eu queria correspondê-lo. Gostar dele do jeito que ele gostava de mim.
- Não achei que fosse voltar. Pensei que nunca mais te veria. Você sabe o quanto doeu naquela época te ver partindo e quando você voltou tive medo. Medo por você não ser mais a mesma pessoa e ter me esquecido. Ou medo por você ainda me amar. Eu fiquei surpresa quando me disse que me amava antes de partir. Eu não imaginava... Você nem me deu tempo de reagir. Talvez se tivesse me dito antes...
- Nada teria mudado, mas de certa forma te entendo. Querendo ou não eu te entendo. – seu rosto sério aos poucos foi ganhando um pouco do brilho e um sorriso brotou em seus lábios. Um sorriso mínimo, mas ainda sim um sorriso. Retribui sentindo um calor brotar na minha barriga enquanto a mão de Nick escorregou sorrateiramente para perto da minha entrelaçando-as. – Eu gosto muito de você , e apesar de tudo, mesmo que nós não estejamos juntos eu ainda quero a nossa amizade, porque ela é mais forte que tudo.
- Ah Nick! Você não sabe o quanto esperei por ouvir isso! Você é o meu melhor amigo e nada nesse mundo vai me fazer gostar menos de você.
O abracei forte recostando minha cabeça em seu peito escutando seu coração acelerar. Como eu pude ficar todo esse tempo sem o meu amigo?
Depois de alguns minutos em silêncio o escutei pronunciar meio sem jeito:
- Sabe que nesse tempo em que você só ligava pra esses amigos novos eu me aproximei de uma garota. – me afastei um pouco para olhá-lo nos olhos arqueando uma das sobrancelhas.
- Futura pretendente?
- Não! Você sabe que ainda não dá...
- É eu sei...
Não sei por que, mas aquilo era estranho. Quero dizer, saber que Nick podia ter outra pessoa além de mim. Eu sei, isso soou tão egoísta!
- Ela é uma garota legal, meiga e simpática. Ficou do meu lado quando certa garota estava me dando uma fria e não me convidava pra nenhum de seus programas com os amigos novos.
- Eu me rendo. Totalmente culpada! – disse levantando os braços. Depois voltei à antiga posição sorrindo e vendo o sorriso dele aumentar. Sua mão que estava desocupada foi até a minha cabeça afagando levemente em um breve carinho. – Mas quem é ela?
- A Sam. A garota é diferente daquelas com quem ela anda.
- Eu sei. Ela e a Lauren são o extremo oposto da Sophie.
Nick me olhou balançando a cabeça concordando comigo.
- Parece que Sophie não quer mais a amizade das duas.
- Por quê? – perguntei estranhando aquilo. Sophie prezava a união da sua horda e não seria por qualquer coisa que expulsaria alguém.
- Em uma discussão que elas tiveram a Sam te defendeu enquanto a outra te ofendia. Eu presenciei tudo. A coisa foi bem feia. Sophie nem se importou que eu estivesse escutando tudo. Ela sabe que somos amigos, mas mesmo assim ela continuou.
- A Sophie fala mal de mim? Por qual motivo? Nunca fiz nada a ela!
Cara, essa garota ‘tá precisando levar umas boas bofetadas naquela cara azeda. Como uma pessoa pode ser tão estúpida?
Eu nunca gostei dela e agora muito menos. Por outro lado, eu estava feliz por saber que Sam me defendera mesmo não me conhecendo direito. E por ter me defendido e ido contra a opinião de Sophie a fazia ser uma pessoa melhor do que eu imaginava. Era boa demais para ter companhias como Sophie e sua corja. Eu teria que me lembrar de mais tarde agradecê-la por isso.
- Até que enfim achei vocês! – gritou nanda) vindo em nossa direção acompanhada de Dougie e vanna).
- Bem que a me disse que vocês estariam aqui. – Dougie disse nos encarando atravessado.
Seu olhar foi de nossas mãos entrelaçadas ao meu rosto e depois para o rosto de Nick. Em seguida sua posição passou para uma possessiva postando-se ao lado de nanda).
Qual é o problema dele? Até parece que eu devo satisfações pra alguém.
Talvez ele soubesse que eu tivera algo com Danny e estava tentando manter Nick longe de mim, ou uma possibilidade remota, mas não impossível, é que Dougie esteja com ciúmes de nanda) com meu amigo, como Tom e estavam há alguns dias atrás.
- Vamos logo! Os meninos já vão se apresentar. E o Dougie disse que quer a presença dos amigos lá na frente do palco. – nanda) sorria abertamente e enquanto dizia se agarrou em Dougie o abraçando de lado.
- Nossa, me sinto privilegiada.
- Vamos logo porque eu to curiosa pra ver como eles vão se sair com as nossas canções. – vanna) disse se remexendo e me puxando do banco.
Levantei-me, arrastando Nick comigo que percebeu o comportamento hostil de Dougie, mas não deu muita importância pra isso. E não era pra dar. Nick não precisava ser o saco de pancadas daqueles garotos.
Nós andamos lentamente até dentro da escola e de lá Dougie correu para junto de seus amigos. Assim que conseguimos nos enfiar no meio da confusão que se formara quando todos souberam que a hora da apresentação chegara, respirei com dificuldade. Não era nada fácil respirar no meio de todas aquelas pessoas.
Aos poucos consegui ficar na frente do palco, de cara com os meninos. Eles se posicionavam cada qual em seu lugar com seus instrumentos. Observei que Danny passava a mão no cabelo a todo momento. Ele estava nervoso, assim como os outros, igual ao dia em que eles se apresentaram naquele pub. Achei até fofo ver que eles ainda se sentiam inseguros e queriam a todo custo agradar.
Na posição que eu estava dava para ver perfeitamente todos eles e apesar de toda a insegurança eles estavam entusiasmados e ao mesmo tempo com medo de fazer feio. Mas eles nunca faziam feio. Eles cantavam e tocavam muito bem!
e bela) estavam ao meu lado e um pouco mais adiante na mesma fileira de corpos estavam Lauren e Sam cochichando. Assim que Sam encontrou meus olhos eu a cumprimentei com um aceno de cabeça e a chamei para mais perto. Um pouco receosa ela veio de encontro a nós e sorriu assim como Lauren timidamente.
- Fiquei sabendo que foram vocês juntamente com os meninos que fizeram as músicas. – disse Lauren.
- Foi sim...
E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa Tom pegou o microfone e apresentou cada integrante da banda. Depois com algumas palavras animou os estudantes e alguns professores que se juntaram em frente ao palco para vê-los.
- Para começar eu escolhi a música que vanna) e eu compomos juntos. Espero que vocês gostem, já que ela retrata todo o amor que sinto por essa garota.
vanna) estava vermelha e os olhos cheios de lágrimas.
– Essa é a All About You! – o garoto disse jogando um beijo no ar para a namorada que sorria abertamente.
vanna) depois que começou a namorar Tom estava tão mais radiante! Esse estado de espírito só melhorou quando, finalmente, contou para todas nós que ela estava se envolvendo com ele. Agora ela podia viver essa paixão com liberdade sem medo de que alguém descobrisse. E eu não canso de me dizer que a vanna) é uma garota de sorte.
Quando a melodia cessou, Harry pegou o microfone que tinha em sua bateria e seus olhos focalizaram enquanto criava coragem de falar na frente de todas aquelas pessoas.
- Essa música é de composição da e garanto que é a melhor de todas. Sem desmerecer as outras, é claro! – Harry respirou fundo e completou: - espero que você perdoe as idiotices que eu cometi. Agora pra vocês Do Ya.
abriu um sorriso retribuindo o que o garoto mantinha no rosto. Mesmo se fazendo de difícil a minha amiga ainda gostava dele e com toda certeza um dia eles vão voltar a ficar juntos.
Harry estava tentando se desculpar e era isso que importava. O seu arrependimento era o suficiente. Minha amiga encantada pela forma como ele tocava na bateria cantava a letra tão conhecida por ela e às vezes gritava até ficar sem ar. Harry estava mesmo disposto a se desculpar e isso tinha que ser levado em conta. Se não perdoasse Harry logo acabaria perdendo ele.
Dougie foi o próximo a apresentar a sua música e com gritos disse que foi uma das melhores composições que ele já vira e que nanda) tinha sucesso no ramo. Eu ri juntamente com as outras. Com um sorriso enorme no rosto começaram a tocar Transylvania.
Pulamos assim como os outros alunos que assistiam gritando e/ou aplaudindo entusiasticamente. Assim que o último acorde soou, Danny agarrou seu microfone e me olhou fixamente como se tivesse só nós dois ali. Ele conseguia transformar tudo a sua volta e naquele momento eu estava hipnotizada por seus olhos. E foi assim que ele me deu os créditos pela letra assim como Tom fizera com vanna). Depois começou a tocar Smile sem deixar de me fitar.

You don't have to have money
(Você não tem que ter dinheiro)
To make it in this world
(Para viver nesse mundo)
You don't have to be skinny baby
(Você não tem que ser magra, baby)
If you wanna be my girl
(Se quer ser minha garota)
Oh you just got to be happy
(Oh você só tem que ser feliz)
But sometimes that's hard
(Mas às vezes isso é difícil)
So just remember to smile, smile, smile
(Só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir)
And that's a good enough start
(E isso é um começo bom o suficiente)

So if you ain't good looking
(Então se você não é bonita,)
Don't you let it get you down
(Não deixe isso te deixar triste)
And if your love life ain't cooking baby
(E se a sua vida amorosa não vai bem, baby)
There will be more fish around
(Vai ter mais peixe por aí)
Oh you just got to stay happy
(Oh você só tem que se manter feliz,)
So put away that frown
(Então deixe de lado aquela cara franzida)
Just remember to smile, smile, smile
(Então só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir)
Come on and show us your teeth
(Vamos lá, nos mostre seus dentes)
And what you've got underneath
(E o que você tem por dentro)

Não pude e nem quis desviar o olhar. Eu sussurrava cada palavra daquela música e sorria bobamente. Danny continha uma expressão entre sorridente e cansada. Ele parecia um pouco triste, mas eu não deveria estar me preocupando com isso. Ultimamente eu só tenho feito isso, me preocupar com ele. Balancei a cabeça afastando tais pensamentos e me concentrei unicamente no garoto a minha frente que fazia meu coração saltitar.

Cause everyone's got trouble
(Porque todo mundo tem problemas)
That's the way the story goes
(É assim que a história vai)
You don't need to get in trouble baby
(Você não tem que se meter em encrenca, baby)
To see what's underneath your nose
(Para ver o que está de baixo do seu nariz)
Oh cause if you’re feeling happy
(Oh porque se está se sentindo feliz)
That's the place to let it show
(É esse o jeito de mostrar)
So just remeber to, smile, smile, smile
(Então só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir)
So everybody knows
(Para que todo mundo saiba)
And it will make things so much better
(E isso vai tornar as coisas bem melhores)
When you're feeling alone
(Quando está se sentindo pra baixo)
So just remember to smile, smile smile
(Só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir)
Come on and show us your teeth and what you've got underneath
(Vamos lá, nos mostre seus dentes e o que você tem por dentro)
And just remeber to: Smile, smile, smile
(E só se lembre de sorrir, sorrir, sorrir)
Smile, smile, smile and turn the world around
(Sorrir, sorrir, sorrir e gire o mundo)

A música acabou e com ela se quebrou o nosso contato visual. subiu ao palco e fez piada sobre ele não ser da banda e ter uma música para tocar. Os meninos ficaram de plano de fundo, pois agora seria quem cantaria sua canção. Ele piscou para bela) e disse palavras meigas para ela. Anunciou a No Worries com um grito que empolgou a todos.
Nem preciso dizer que estávamos descabeladas e roucas ao fim do show perfeito que os garotos fizeram. Não escondi a minha felicidade quando eles desceram, depois de agradecerem a todos por terem participado e dado atenção a eles, e vieram até nós com enormes sorrisos. Abracei a todos dizendo palavras eufóricas e recebendo beijos em troca.
- Eu nem acredito que deu tudo certo. – disse Harry um pouco mais relaxado.
- Foi tudo perfeito! – gritou bela).
- Cara nunca mais eu canto. Minha perna ‘tá bamba até agora. – reclamou parecendo um pouco trêmulo.
- Com o tempo você se acostuma.
- Não acredita no Fletcher não. Antes de entrar ele reclamou da mesma coisa que você.
- Mentiroso! Era você, Dougie, quem estava reclamando. Quase vomitou! – declarou Tom indignado. nanda) retorceu o nariz com nojo.
- Crianças, calem a boca! – mandou Danny rindo.
Meus amigos eram um bando de crianças pirracentas que não sabiam se comportar direito, mas mesmo assim eu os amava. Independente das confusões ou dos desentendimentos que nos metêssemos, estaríamos sempre juntos não importasse qual fosse o desfecho.

13



- Cala boca ! – nanda) gritou de forma escandalosa.
- Bebeu quantas, nanda)?
- Não enche Dougie. Você não é meu pai pra me regular. – respondeu rispidamente a garota.
Eu tentei dizer alguma coisa para acalmar os ânimos, mas me puxava para prestar atenção no que ela dizia.
- A gente tem que levar a letra das músicas impressa pro professor logo e eu não to a fim de ficar procurando aquele chato.
- E quando é que você ‘tá disposta pra algo? – se intrometeu vanna) recebendo um dedo do meio em resposta.
- E o que eu tenho a ver com isso? – perguntei sabendo o favor que elas me pediriam. Tentei formular uma desculpa.
- Você podia levar pra ele. A nanda) tá bêbada, então sem chances alguma de ir. Eu preciso cuidar dela antes que ela cometa alguma besteira...
- E eu... Eu preciso ajudar. Você sabe como a não dá conta.
- Bonito. – falei irônica. – Quer dizer que sobra pra mim a tarefa? – elas concordaram com a cabeça. – E os meninos? Qual a desculpa deles?
- Ah vai você! O Tom e o Danny sumiram e os outros tão na mesma situação que a .
- Aproveita e leva a também. – a garota olhou para nós sem entender.
- Vai com a levar as folhas das músicas? – pediu meigamente.
- Tudo bem.
- Você tinha que ser prestativa assim . – mostrei o dedo pra ela que semicerrou os olhos.
- O que eu ganho com isso?
- Nossa eterna gratidão. – respondeu vanna) me entregando uma pasta com as folhas dentro. – Agora vai. – rolei os olhos e sai bufando com bela) em meu encalço.
Procurei por todos os lugares da quadra e nada daquele professor. Avistei uma das professoras que alguns minutos atrás conversava com ele e caminhei em sua direção para perguntá-la onde eu poderia encontrá-lo.
- Olá! – a mulher se virou para mim e abriu um sorriso. – A senhora sabe onde o professor Davis está?
- Ele disse que precisava pegar algo na sala dos professores. Por que querida? Precisa de algo?
- Eu preciso entregar isso pra ele. – mostrei a pasta pra mulher e ela acenou compreendendo.
- Vai lá que você o encontra.
- Obrigada. – me virei e caminhei até a porta que dava para o corredor de sala de aulas e da dos professores que ficava ao lado da arquibancada. bela) estava quieta e isso estava me incomodando muito. O silêncio pode ser assustador às vezes.
Sem que eu me desse conta se juntou a nós, abraçando a minha amiga possessivamente.
- Onde vocês estão indo?
- Entregar as músicas pro professor Davis. – respondeu bela) animada e sorridente e eu a olhei com a sobrancelha arqueada.
Não era ela que até agora estava praticamente muda e avoada?
- Por que essa cara ? – me abraçou também ficando no meio de nós duas.
- Nada. Eu só não gosto desse silêncio que ‘tá aqui. – olhei para o corredor a minha frente em um breu total. A música da quadra não chegava ali já que a parede abafava o som.
- Fora o medo de escuro que ela tem. – dedurou bela). Semicerrei os olhos fulminando-a.
- Eu não tenho medo de escuro!
- Então porque ‘tá tremendo? – questionou zombeteiro mostrando minha mão trêmula e suada.
- Para com isso vocês dois! – reclamei puxando minha mão e a enxugando na saia do meu vestido.
Os dois caíram na gargalhada e eu resmunguei algo sem sentido.
Chegamos à sala dos professores e encontramos o senhor Davis irritado enquanto vasculhava alguma coisa no meio de suas papeladas. pigarreou chamando a atenção do homem que nos olhou incomodado.
- O que vocês fazem aqui?
- Vim entregar as cópias das músicas que o senhor pediu. – me aproximei da mesa dele e estiquei o braço entregando-o a folha.
Ele me olhou indiferente e pegou rispidamente tacando a pasta em qualquer lugar de sua mesa. Aquilo me fez sentir uma pontada de raiva brotar, mas antes que eu dissesse qualquer coisa para aquele careca idiota, bela) me puxou para fora da sala e me arrastou pro corredor.
- Vamos !
- Você viu o que ele fez com o nosso trabalho? – disse indignada.
- Nós vimos, mas se tentássemos qualquer coisa iríamos nos dar mal. Ele é professor e nós meros alunos.
Um pouco mais calma nos aproximamos da mesa onde só estavam sentados Harry, nanda), Tom e vanna). Sentei-me ao lado de Harry que me abraçou bagunçando meu cabelo. Mostrei a língua sorrindo e encostei minha cabeça em seu peito.
Enquanto isso, e bela) contavam para os outros como o professor Davis nos tratara. nanda) como estava bêbada nem ligava para o que estava acontecendo a sua volta, tanto que no meio da conversa se levantou e foi para o meio da pista. Tom e Harry fizeram caretas e vanna) tinha a expressão de quem estava irritada e não era pra menos. Nós, meninas, nunca nos demos bem com aquele homenzinho careca.
A tensão durou poucos minutos. Depois cada um estava entretido em uma coisa diferente. Nick se aproximou com Lauren e Sam em seu encalço.
- Hey Nick! Onde você se meteu? – perguntei pedindo com um gesto de mão que eles se sentassem à mesa.
- Vendo o movimento... – respondeu dando de ombros.
Assim que eles se acomodaram a minha frente nanda) apareceu tropeçando nos seus próprios pés com um Dougie rindo atrás dela.
- Do que você tanto ri?
- De nada lindinha. – disse o garoto piscando para ela.
- Você acha que esses dois vão ficar juntos? – perguntou Harry sussurrando no meu ouvido.
- Quem sabe. Talvez sim.
Dei de ombros e voltei a olhar para a pista de dança ignorando o casal que continuava a discutir. Encontrei Danny e Sophie dançando no meio de toda aquela multidão. A garota parecia querer se fundir com o garoto.
Será que essa menina nunca ouviu falar que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço?
Senti uma pontada no coração quando vi que Danny a tratava com carinho e olhava fixamente para os seus lábios. Harry apertou meu braço quando percebeu onde meus olhos estavam. Eu o olhei interrogativa tentando ver em sua fisionomia algo que me dissesse que ele sabia algo sobre Danny e eu.
- A sua cara já diz tudo. – ele disse simplesmente e eu virei o rosto envergonhada.
Olhei para o casal novamente e me arrependi quando os vi trocando caricias.
Mordi o canto da boca desviando o olhar encontrando os de vanna) sobre mim como se pudesse me confortar daquele jeito. Eu sorri mostrando que estava bem, mas assim como Harry, ela não acreditou.
se aproximava da mesa com duas garrafas d’água na mão e uma delas ela deu para vanna).
- Toma. – disse me dando um copo no qual ela despejara o líquido.
- Obrigada. – peguei o copo sorvendo um pouco depressa demais quase engasgando.
Tentei focalizar Dougie e nanda) que discutiam fervorosamente, mas não conseguia nem absorver uma única palavra que eles diziam.
- Você quer dar uma volta ? – perguntou Nick preocupado.
- Não, eu estou bem. Sério.
- Vocês querem parar de brigar? – gritou nervosa para Dougie e nanda) e os dois se calaram na hora. – Assim está bem melhor.
Não sei por que, mas naquele momento eu gargalhei como há muito eu não fazia levando os outros comigo. Logo nossa mesa inteira estava rindo de uma coisa que nem ao menos era tão engraçada assim. Depois que eu digo que todos nós estamos precisando de um psicólogo ninguém acredita.
Foi naquele momento que eu esqueci que o Jones existia e tudo a minha volta só se resumia em meus amigos. Não ficamos por muito tempo sentados naquela mesa. Fui puxada por e nanda) para a pista de dança onde um ringtone animado tocava.
Arrastei comigo também Sam e Lauren no intuito de enturmá-las com as minhas amigas. E não foi tão difícil assim. Depois de algumas batidas eletrônicas e algumas (muitas) bebidas alcoólicas nós estávamos nos divertindo como nunca.
Todos os meninos, exceto Danny, se juntaram a nós. Tom e vanna) se agarravam, Dougie e nanda) pararam de brigar e dançavam juntos; Harry, e Nick dançavam e até estavam mais simpáticos com meu antigo e melhor amigo. , bela) e eu falávamos bobagens e escutávamos coisas absurdas sobre o bando de Sophie que Sam e Lauren nos contavam.
Assim foi quase toda a noite. As músicas agitadas foram substituídas pelas mais calmas e românticas. Ficaram os casais na pista. tirou bela) para dançar aproveitando o embalo de Tom e vanna). Dougie um pouco hesitante fez o mesmo com nanda). Nick tentou fazer o mesmo comigo, mas eu não aceitei, ainda com medo do que ele poderia pensar se caso eu aceitasse.
Então ele virou-se para Sam e a chamou para dançar. A garota aceitou toda feliz. Harry galanteador chamou também, que a princípio se fez de difícil, mas não demorou muito para puxá-lo com ela para o meio da pista e dançarem com os rostos colados.
Lauren disse que iria se sentar à mesa comigo e foi o que fizemos. Mas quando estávamos engatando uma conversa sobre sapatos um garoto ruivo se aproximou e a chamou para dançar. Ela ficou corada e seus olhos brilharam de excitação e então a mão do garoto segurou a dela e a levou para um canto mais reservado onde dançaram com mais privacidade e conversaram ao pé do ouvido.
No final das contas eu estava sozinha naquela mesa olhando todos os meus amigos dançando ao som de uma melodia lenta. Tentei até procurar Danny no meio daquelas pessoas, mas nenhum sinal dele. Dei-me por vencida e passei a brincar com o copo de batida que eu tinha entre as mãos.
Distrai-me por alguns minutos com aquilo quando senti uma respiração quente próxima ao meu pescoço. Fechei os olhos apreciando minha doce imaginação querendo me pregar uma peça. O cheiro que só ele tinha invadiu meus pulmões sem permissão me embriagando. Como se aquela alucinação de sentidos não fosse suficiente seus lábios macios tocaram meu pescoço em um beijo agradável e cálido.
Suspirei baixinho sentindo as borboletas em minha barriga fazerem a festa e meu coração aquecido disparar contra meu peito.
- Você sentiu saudades disso tanto quanto eu? – escutei sua voz grave me perguntar perto do meu ouvido.
Olhei assustada para o lado percebendo que aquela voz era real demais para ser apenas uma ilusão da minha cabeça. Dei de cara com ele bem próximo de mim, a sua boca a milímetros da minha e seus olhos azuis ardentes queimavam os meus com sua intensidade.
Abri a boca e a fechei várias vezes surpresa. Danny não deveria estar com Sophie? Onde será que ela se metera? Por que ele estava ali comigo?
Ri comigo mesma. Nenhuma de minhas perguntas em relação aquele garoto foram respondidas até agora, por que agora eu teria respostas para essas?
Tentei me afastar um pouco, mas Danny segurou meu rosto com suas mãos grandes e se aproximou lentamente grudando os nossos lábios como ele fizera no começo daquela noite, mas dessa vez ele aprofundou o beijo pedindo passagem para a sua língua sedenta. Resisti o máximo que pude, mas eu estava vulnerável a ele e faria tudo o que meu coração quisesse naquele momento. Por isso, correspondi ao beijo percebendo que era inútil lutar contra os meus sentimentos.
Daniel não parecia se importar se alguém nos veria juntos. No entanto, ninguém estava ligando para nós dois. Afinal de contas cada um tinha seus próprios problemas e paixões para nos perceberem ali.
Entrelacei meus dedos em seu cabelo bagunçando-o. Meu corpo todo pegava fogo e eu não conseguia controlá-lo. Lágrimas começaram a brotar em meus olhos, meu nariz ardia e um bolo se formara em minha garganta.
Não sei o motivo pelo qual eu estava sentindo aquela vontade repentina de chorar, mas eu sei que o vazio que antes havia no meu peito fora preenchido por algo muito bom que eu não saberia denominar o que era. Talvez tenha sido aquele beijo ou talvez a vontade imensa de dizer que eu sentia saudades dele. Tanta que me fizera chorar.
Mas se eu admitisse o quanto ele se tornara importante para mim estaria sendo fraca e não era o que eu queria. Danny me transformara tanto que eu nem percebera. Mas não importava o que ele fizesse eu não passava de mais uma. Esse pensamento chegava a me machucar como uma facada enfiada no peito.
Aproximei mais seu corpo do meu e ele acelerou o beijo tornando-o mais caloroso ainda. Suas mãos desceram do meu rosto para os meus ombros percorrendo o caminho da lateral do meu corpo até chegarem a minha cintura e apertá-la com força. Ofeguei no beijo quando uma de suas mãos apertou minha coxa. Mordi o seu lábio inferior e Danny soltou um gemido baixo junto de um sorriso de lado.
Separei-me dele e o fitei inexpressiva tentando resolver o caos que se instalara dentro da minha cabeça e coração. Seus dedos acariciaram minha bochecha com delicadeza.
- Você é tão linda. – disse me olhando sério.
Sorri inconscientemente. Ele levantou-se ficando de frente pra mim e estendeu uma mão em minha direção dizendo com sua voz rouca:
– Quer dançar comigo? – o olhei aturdida.
Onde ele queria chegar com aquilo?
Aceitei o convite e me levantei no exato momento que começava a tocar White Horse da Taylor Swift.

Say you're sorry
That face of an angel comes out
Just when you need it to.
As I paced back and forth
All this time cause
I honestly believed in you.
Holding on
The days drag on
Stupid girl I should've known, I should've known.


Danny me puxou para a pista, me virou para ele colocando suas mãos na base das minhas costas e colou nossos corpos. O típico sorriso descontraído estava presente em seu rosto, mas um brilho incomum que nunca antes eu percebi ter visto em seu olhar estava presente em sua íris azul. Encostei minha cabeça em seu peito inalando seu perfume daquela vez sem medo de que ele percebesse. Escutei um suspiro vindo dele e um sorriso tímido apareceu em meus lábios. Meu coração acelerou dando voltas em meu peito e minhas pernas fraquejavam a cada toque de seus dedos em mim.

I'm not a princess.
This ain't a fairytale.
I'm not the one you sweep off her feet,
Lead her up the stairwell.
This ain't Hollywood, this is a small town.
I was a dreamer before you went and let me down.
Now it's too late for you and your white horse to come around.


Não sei por que aceitei o convite, mas me sentia estranhamente bem ao seu lado ao mesmo tempo em que me esquecia das coisas que ele já me fizera.
Apreciei o momento escutando vagamente a música que fazia o plano de fundo daquela cena. Os braços de Danny se estreitaram a minha volta me guiando na dança. Levantei a cabeça para encará-lo e quando o fiz me senti ligeiramente tonta ao encontrar seus olhos vibrantes fixos em mim e constatar que havia algo que ele tentava esconder por trás daquela fachada. Talvez fosse um Danny diferente que ele não deixaria sair tão facilmente.
Eu gostava e muito dele, mesmo não sendo o meu príncipe em um cavalo branco vindo me resgatar. Danny estava longe de ser um príncipe e nossa história um conto de fadas. Acho que no final não havia nada para nós dois além da dor, pois um de nós sairia machucado e nesse caso – como eu já havia constatado há muito tempo – seria eu. Então por que continuar tentando algo que não tinha futuro? Quem sabe nós gostássemos de sofrer.

Baby I was naïve, got lost in your eyes,
I never really had a chance.
My mistake, I didn't know to be in love
You had to fight to have the upper hand
I had so many dreams about you and me.
Happy endings, now I know...

I'm not a princess.
This ain't a fairytale.
I'm not the one you sweep off her feet,
Lead her up the stairwell.
This ain't Hollywood, this is a small town.
I was a dreamer before you went and let me down.
Now it’s too late for you and your white horse to come around.

A única coisa boa nisso era que quando eu estava ao seu lado nada me importava tudo se tornava ínfimo. Algumas coisas adquiriam brilho e cores apenas para dar contraste à beleza dele. Afundei meu rosto em seu peito e me senti ainda mais à vontade.
Mesmo Danny não sendo a pessoa certa pra mim, ele sempre iria me atrair de um jeito que outro jamais vai poder. Nem mesmo meu melhor amigo de infância que se dizia apaixonado por mim.

And there you are on your knees.
Begging for forgiveness, begging for me.
Just like I always wanted but, I'm so sorry.

Cause I'm not your princess.
This ain't a fairytale.
I'm gonna find someone some day, who might actually treat me well.
This is a big world.
That was a small town, there in my rearview mirror disappearing now.
And it's too late for you and your white horse
Now it's too late for you and your white horse to catch me now.
Try and catch me now
It's too late to catch me now


Danny parecia gostar da minha pequena transe já que quando o tive em foco novamente seu sorriso era ainda mais largo. Mordi o lábio inferior aproveitando daquele momento doce e prazeroso.
A música estava no fim quando uma voz aguda e fina chamava por ele. A princípio era tão vaga que parecia ter vindo de muito longe, mas quanto mais o chamado era insistente mais ele se tornava irritante. Até que chegou ao ponto de me desvencilhar dele para olhar a criatura que ousava nos interromper. Encontrei uma Sophie impaciente batendo o salto alto no chão. Suas mãos estavam na cintura enquanto sua voz perfurava meus tímpanos.
- Danny, eu estou te esperando há horas no carro! Você disse que me levaria em casa! – ela dizia com sua voz em um gritinho quase histérico.
- Eu te mandei esperar no carro, não foi? – rebateu ele como se estivesse dando uma ordem ao um cachorrinho desobediente.
A cena me fez ter vontade de rir ao mesmo tempo em que me dava vontade de vomitar.
- Sim, mas... – ela tentou me fuzilando com os olhos.
Acho que se Sophie tivesse como me matar daquele jeito ela o faria com prazer.
- Então era lá que você devia estar.
- Danny! – reclamou com seu tom mais enjoado.
Eu os olhava sem saber o que fazer. Danny estava com sua pose mais autoritária enquanto uma mão sua segurava meu braço me mantendo ao seu lado contra a minha vontade. Porque se não fosse por isso eu já teria fugido dali. Sophie praticamente se rastejava aos pés dele para conseguir migalhas de sua atenção. Aquilo era humilhante e muito incomum daquela garota.
- Vai pra lá, ou você vai voltar a pé pra sua casa.
A garota bufou ruidosamente batendo os pés com força rumando para fora da escola. Olhei para Danny magoada e indignada assim que seus olhos encontraram os meus. Ele deu de ombros como se aquilo fosse normal pra ele, porque pra mim era o fim do mundo. Puxei meu braço com força soltando-o do aperto forte das mãos dele. Balancei a cabeça negativamente murmurando palavrões.
- Hey calma! – disse em uma voz melosa e atípica dele.
- Calma o “escambau”! Vai embora, pega aquela idiota da Sophie e some da minha vida. Ah! Aproveita pra no caminho bater com o carro. Talvez eu tenha sorte e você...
- Você sentiria a minha falta caso isso acontecesse.
- Como você é presunçoso. Você não faria tanta falta assim. – ele riu na minha cara como se eu tivesse dito alguma insanidade. – Idiota.
Caminhei nervosa para perto de minhas amigas sabendo que ele havia ido encontrar Sophie para que os dois fossem para a casa dela. Só de imaginar o que eles poderiam fazer juntos meu estômago embrulhava e dava um giro de 360° graus. Se caso ele aparecesse na minha janela naquela noite Daniel Jones podia se considerar um homem morto.
As meninas reclamaram um pouco quando eu disse que já era hora de ir embora, mas logo se despediram dos meninos que também estavam indo. Olhei para o relógio do celular pela décima vez enquanto elas ficavam fazendo charme para eles. Era três horas da manhã e elas ainda estavam animadas. Céus! Eu ainda teria que aturar aquilo a noite inteira já que as meninas dormiriam em minha casa.
Acenei de longe para os meninos assim que minhas amigas resolveram entrar no carro.
- Dougie reclamou que você ficou estranha de repente. – comentou nanda) colocando o cinto quando eu liguei o carro.
- Eu? Estranha? Impressão dele – olhei para frente tentando ao máximo prestar atenção no trânsito e assim que consegui uma brecha entrei na fila de carros que saíam da escola.
- Eu também achei. Você ficou tão séria...
- Já disse que não foi nada nanda).
Usei meu tom mais meigo e até arrisquei um sorriso que por sinal a convenceu já que a garota deu de ombros e se virou comentando a maravilhosa noite que ela tivera. Tirei o quepe que me incomodava e o joguei no chão do banco do passageiro nos pés de que não se importou.
Não demorou muito e estávamos em minha casa. Havia colchões espalhados pelo meu quarto pronto para as garotas dormirem. Provavelmente minha mãe antes de dormir arrumou tudo.
Mesmo com um quarto de hóspedes ao lado elas não gostavam de se separar. Alegavam que não teria graça posar na casa de alguém sendo que cada uma ficaria em um canto da casa. E era assim todas às vezes que elas iam pra minha.
Coloquei meu pijama e me desviei de vanna) e bela) que dividiam o mesmo colchão até chegar à minha cama. Sem querer pisei no pé de que resmungou e eu murmurei um “Desculpa” baixinho já que a hora não nos permitia falar mais alto. Isso me fez lembrar da vez em que Danny e eu conversávamos aos sussurros naquele quarto com medo de acordar meus pais. Eu estava torcendo pra que aquela noite ele não aparecesse e ficasse jogando pedrinhas na minha janela ou eu teria que explicar muitas coisas para as minhas amigas, exceto vanna) que sabia de tudo, é claro.
Mas é óbvio que Danny não apareceria já que ele tinha a companhia de Sophie pela noite toda. Virei de lado na cama e apaguei a luz ignorando a pontada que eu sentia no peito.
Eu ouvi uma conversa ou outra durante alguns minutos, mas logo as vozes foram se extinguindo até que o silêncio reinou no quarto. Pelo menos não demorou tanto assim pra que elas pegassem no sono como eu imaginei. Mas eu ainda continuava acordada pensando em besteiras como sempre, porque pensar em Daniel Jones nunca era muito produtivo já que eu não conseguia chegar a uma conclusão no final.
Olhei para o teto analisando cada buraquinho, rachaduras e até mesmo o desenho do gesso enquanto eu esperava pelo sono. Não conseguir dormir me tirava do sério e isso me agoniava. Mas eu até que estava um pouco atenta naquela noite. Talvez fosse pelo medo de que ele acabasse aparecendo uma hora ou outra. Levantei da cama silenciosamente e caminhei até a janela evitando pisar nos colchões que estavam estirados no chão ocupando quase todo o espaço do quarto.
Afastei a cortina olhando para o lado de fora e vi a grande bola branca acinzentada no céu, chamada lua, refletindo sua luz na árvore que Danny costumava sentar perto e nada vi além da grama e algumas folhas secas caídas ao redor. Não imaginei o quanto aquilo fosse ser frustrante, mas eu preferia ter que dar explicações para as meninas caso elas nos pegassem do que ter que imaginar ele beijando Sophie. Aquilo era demais pra mim e exigia um tremendo esforço pra que eu expulsasse aquela imagem da cabeça.
Acho que passei longos minutos esperando que algum movimento denunciasse sua presença do lado de fora, pois quando me dei conta, a lua começava a dar espaço para o sol que tentava nascer no meio de tantas nuvens escuras.
Inspirei profundamente. O sono não vinha, Danny não aparecia, e eu não queria ficar pensando em como ele poderia estar se divertindo com a outra. Definitivamente isso não me faria bem.
Olhei para o lado e vi meu skate jogado no canto perto da escrivaninha. Já que eu não conseguiria, mesmo que eu quisesse pegar no sono nada que uma volta não me ajudasse. Fui até meu armário, peguei um moletom qualquer e o vesti. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e peguei meu querido companheiro que ultimamente andava esquecido.
Saí do quarto e da casa sem fazer barulho e fui recebida por uma rajada de vento cortante do lado de fora. Analisei a rua assim que fechei o portão atrás de mim. Não havia carros e àquela hora da manhã não teria uma alma viva sequer andando por ali. Deslizei da calçada para o concreto da rua em cima da prancha gasta pegando velocidade aos poucos. Escutei um ronco de motor um pouco atrás, mas ignorei sabendo que eu não estava atrapalhando a passagem de nenhum automóvel. Talvez fosse alguém chegando de alguma festa. Seria pouco provável que alguém estivesse saindo.
Senti algumas gotas de chuva cair em mim, mas não me importei nenhum um pouco. Isso me fez lembrar de Danny. Da vez em que nós estávamos debaixo de uma chuva, como aquela, a princípio calma, mas que aos poucos aumentava sua intensidade, em um minuto brigando, como sempre, e no seguinte nos beijando. Nosso primeiro beijo.
Aquele beijo estava guardado na minha memória, por mais que eu tentasse esquecer seu gosto ainda estava guardado. Toda a adrenalina que eu sentia naquele momento andando com o skate era muito pouca perto da que eu senti e sentia todas as vezes que ele me beijava.
Os meus sentimentos por Daniel não eram mais os mesmos de quando nos conhecemos. Agora eram muito mais fortes e, por incrível que pareça, mesmo com as burradas que ele cometia as quais sempre me deixava magoada, se tornava algo que eu não estava pronta para admitir para mim mesma antes e que agora eu via com clareza. Não tinha mais como negar que eu o amava. Não era mais uma atração boba e fugaz que acabaria com o tempo. Era muito mais complexo e incrível.
Chegar a essa conclusão teria me resolvido tantos problemas antes. Eu não teria me envolvido com ele por saber que seria perigoso pra mim. No entanto, eu estava em frangalhos mental e emocionalmente. Mas tentava não deixar isso transparecer fisicamente.
Continuei ganhando velocidade com as roupas empapadas pela água da chuva torrencial. Respirei profundamente e sem que eu me desse conta estava quase chegando a uma praça que havia a poucos quarteirões da minha casa. Era um lugar agradável fora o balanço que eu adorava quando era criança.
Antes de chegar à calçada desci do skate e o peguei caminhando para o balanço com sua tinta vermelha descascada e me sentei nele. Deixei o skate na grama ao meu lado e dei impulso com as pernas para balançar.
- Você ‘tá parecendo uma criança. – uma voz rouca e risonha disse muito próxima de mim e eu me assustei.

14



Olhei para o lado e o encontrei com os cabelos pingando como o meu, o rosto sério, os olhos azuis refletiam admiração, suas mãos estavam dentro do bolso da calça ensopada assim como o resto da sua vestimenta. Mordi os lábios o vendo pela primeira vez desde que eu descobrira que o amava. Não que antes fosse menos importante, mas agora meu coração estava prestes a sair pela boca enquanto uma excitação pela sua presença me dominava. Porém minha razão me alertava. Uma sirene era ligada quando ele se aproximava. Danny passara a noite com Sophie e aquela sensação de pontada no peito estragava tudo o que poderia ser um sonho. O ciúme era algo tão forte e obsessivo que eu mal conseguia controlá-lo.
Danny se aproximou e sentou-se em um balanço ao meu lado. Não disse uma palavra e nem eu fiz questão de dizer. Ficamos um ao lado do outro escutando nossas respirações, apreciando a chuva que deixara de ser incômoda para se tornar nossa companheira naquele momento e eu podia escutar o zumbido que meu coração provocava. Minhas bochechas pegaram fogo só de imaginar que ele estaria escutando meu pobre coração desesperado dentro do peito.
Mordi meu lábio mais uma vez arriscando um olhar em sua direção e foi com surpresa que encontrei os seus focados em mim. Nós sustentamos o olhar por algum tempo e foi ele dessa vez quem desviou. Pela primeira vez desde que eu o conhecera ele parecia inseguro. Aquilo me surpreendeu, mas nada muito relevante já que com ele nada era muito real e/ou confiável.
Sua cabeça agora estava direcionada para frente onde uma grande árvore de cerejeira deixava cair suas frágeis folhas rosa no chão onde haviam várias outras sendo esmagadas pelas grossas gotas de água formando um cenário inacreditavelmente lindo. Aquela era uma das árvores que eu achava mais bonita, fora o charme que dava a pequena pracinha.
O silêncio aos poucos foi se tornando mais incômodo e o que era agradável se tornou tenso. Não sei se foi o fato de estar pensando constantemente em Danny e Sophie ou se foi só a repentina mudança de postura daquele garoto ao meu lado. Como se já não bastassem as inúmeras vezes em que eu me peguei pensando o que o fazia diferentes dos outros pra que eu me apaixonasse perdidamente por ele. Resolvi falar mesmo que contra a minha vontade no assunto mais repugnante que me deixara raivosa.
- Pra você estar aqui à uma hora dessas é porque a noite com Sophie não foi uma das melhores – escutei seu riso anasalado.
- Digamos que ela não é uma das melhores pessoas pra se manter uma conversa.
- E desde quando Daniel Jones vai atrás de uma mulher por causa de uma simples conversa? – usei todo o meu sarcasmo naquela frase.
A chuva antes muito forte agora diminuía aos poucos.
- É você tem razão. Eu não era assim... – disse ele mais pra si mesmo do que pra mim.
Aquilo seria uma confissão de que ele estava mudando?
- Eu me pergunto uma coisa. Por que você cismou comigo? – olhei para ele que continuava a olhar pra frente. Dei de ombros. Seria melhor falar com ele sem sentir um par de olhos me analisando. – Quero dizer, tem muitas outras garotas que ficariam com você numa boa. ‘Tá, nós ficamos algum tempo, mas isso não significou nada pra você, não é mesmo? – suspirei tentando achar uma lógica no meu monólogo. – E quando eu estava praticamente aos seus pés você me chutou como seu eu fosse um nada, ou melhor, um brinquedo que de tanto ter sido usado se tornou descartável. Porque é assim que eu me senti.
Corei ao perceber que estava me expondo. Expondo os meus sentimentos pra ele. A pessoa que menos se importou e menos se importará com os meus sentimentos.
- As coisas nem sempre são como a gente quer.
- E o que isso tem a ver com o que eu tô dizendo? – perguntei indignada com sua resposta sem nexo.
- Eu não sou como você imaginou. Em nenhum momento te prometi ser seu pra sempre. Pelo contrário, eu sou o que sou e deixei bem claro que eu não mudaria, nem mesmo por você.
- Se você tivesse deixado claro desde o principio nós não estaríamos tendo essa conversa hoje. – senti meu sangue borbulhar dentro do peito junto de uma dor aguda no peito. Ele estava tentando jogar a culpa toda em cima de mim, mas eu não me sentiria culpada. Não mesmo. – Você é inacreditável! De tudo que eu esperava ouvir de você não superou essa sua frase idiota. Você Daniel, é a pessoa mais egoísta e prepotente que eu conheço. Sempre olhando pro seu próprio umbigo. Pensando somente no seu prazer e de mais ninguém. Você já parou pra pensar que existe alguém mais além de você nesse mundo? A vida não se resume só nas suas vontades. Ela é muito mais que isso.
- Eu até posso ser tudo isso, mas ainda sim você gosta de mim.
Só não explodi de raiva porque sua voz tinha um timbre diferente. Uma incerteza pairava em cada palavra. Danny não estava certo do que dizia, não estava convicto do que eu sentia por ele.
Isso era bom, não era?
- Eu gosto daquele Danny que escalava até a minha janela e me fazia me sentir a garota mais especial, mais bonita e atraente do mundo – meus olhos estavam marejados, mas engoli a vontade de chorar tentando deixar a raiva fluir por cada poro do meu corpo, assim seria muito mais fácil dizer o que eu havia preparado mentalmente, muito antes de descobrir que ele era o único garoto que eu gostara e prossegui: - Mas pra você eu não passei de um passatempo. Sempre fui um nada pra você, não é mesmo? Uma diversão com o prazo de validade vencido. E quer saber de uma coisa? Você não é assim tão importante pra mim! – gritei a úultima frase sentindo a minha garganta doer como se espinhos estivessem a atravessando. Ignorei o bolo que se formava na boca do meu estômago e prossegui com a voz em um silvo: - Eu só não peço pra você sumir da minha vida porque temos amigos em comum. Porque do contrário Danny, você seria a última pessoa que eu iria querer ver. Mas me faça um grande favor, me poupe da sua presença o máximo possível.
Me levantei de um salto do balanço, catei o meu skate e corri em direção a rua que me levava de volta pra casa. Danny não me seguiu. Antes que eu virasse a esquina ouvi o ronco de sua moto indo na direção contrária. Eu estava com raiva, muita raiva e acima de tudo com o coração aos pedaços. Não fora uma decisão fácil. Tudo naquele momento estava me sufocando, mas eu não choraria. Não mais e não por ele. Seria uma tolice ficar choramingando pelos cantos por Danny.
Um breve sorriso frustrado e indignado surgiu no meu rosto até que ele se transformou em uma risada histérica. Definitivamente eu estava ficando louca e a culpa era toda de Daniel Jones.

Daniel’s POV

Eu gosto demais daquela garota, mas parecia que todas as minhas tentativas de demonstrar isso não eram suficientes. Ficar debaixo de sua janela quase todas as noites esperando um pouco da sua atenção não contava como sendo uma pra ela.
era uma pessoa difícil de impressionar e isso eu demorei um pouco pra perceber. Se eu fizesse isso com qualquer outra garota no segundo seguinte eu seria perdoado até pelos pecados que eu iria cometer. Sempre foi assim com qualquer outra garota, mas , a garota que me tirava do sério, estava deixando bem claro que era muito diferente das mulheres com as quais já me envolvi. E toda a dificuldade em conquistá-la me instigava cada vez mais.
Era interessante ganhá-la aos poucos do que ganhar de mão beijada. Tá que nos últimos dias eu estava regredindo quanto a isso e confesso que cometi algumas burradas que a magoara, mas nada imperdoável. Ela tinha que perceber que era a única que mexia comigo como nenhuma outra conseguira até agora.
Não era nenhum bicho de sete cabeças me perdoar, era?
Todos os dias convivendo com ela eu descobria algo novo. O modo como ela mordia os lábios quando estava nervosa era tentador. Seus olhos sempre tão iluminados e o seu sorriso tão cativante me atraiam como um imã. Nossas brigas eram até excitantes, mas nada comparado as nossas reconciliações regadas a muitos beijos e caricias sensuais que me levavam a loucura. Porém, ultimamente vivemos mais sob brigas do que sob as reconciliações e isso me desgastava.
Ela era importante pra mim e eu estava a afastando. Se eu não tomasse cuidado ela correria para os braços daquele amigo sonso dela, o Nick. Aquele carinha sim me irritava profundamente. Tão prestativo, amigo, companheiro e muitas outras qualidades insuportáveis que ele possuía. Outra coisa que me irrita nele é a falta de desconfiomêtro. Será que ele não tem noção que sempre aparece nas horas erradas? Se não tem, então é melhor ele passar a ter antes que eu desfigure aquele rosto cínico.
Às vezes eu penso que talvez essa antipatia que eu nutro pelo Nick se deve ao fato de que ele praticamente babava quando estava perto de . Era irritante ver como ele gostava dela. Nick era o meu oposto, era certinho em tudo o que fazia, até demais se é preciso acrescentar, e faria de tudo pra não machucar . Mas eu o definia melhor em algumas simples palavras: mosca de padaria. Ele não largaria a tão facilmente e eu estava ciente disso. Ele me disse isso com os olhos quando percebeu que eu e ela estávamos juntos. Ou eu estaria imaginando. Não importa, ele não me agrada e ponto.
Mas voltando ao assunto - porque aquele idiota não me importa nem um pouco -; observei-a correndo pra longe de mim enquanto os fracos pingos de chuva me atingiam e eu sussurrei para mim mesmo um: “Porra, será que você não percebe que eu gosto de você, garota?”. Deveria ter gritado isso pra que ficasse mais claro pra aquela teimosa.
Subi em minha moto e corri na direção contrária da dela. Precisava pensar e principalmente esquecer que só tornava a minha vida em uma completa loucura.
Sem perceber eu estava numa velocidade acima da do normal a caminho da casa de Tom – de onde eu já deveria ter saído. Eu não gosto de aproveitar da hospitalidade dos outros, mas eu não conseguia encontrar uma casa pra mim e nos últimos dias eu esquecera completamente da minha busca por uma. Tom me dizia que eu podia ficar lá por quanto tempo eu quisesse e eu fui ficando. Me acomodei de vez, mas poxa a comida da mãe dele é a melhor do mundo.
Enfim, acho melhor eu voltar as minhas procuras por algo decente e habitável antes que Tom se irrite comigo e me expulse de lá. Até porque ele não agüenta mais me ouvindo falar de . Ela é o assunto mais freqüente entre nós dois. Eu contei pra ele o nosso envolvimento e fiquei sabendo que ela também havia contado antes de mim, mas que ele já desconfiava de tudo, só teve certeza quando ouviu a confissão dela.
Fico me perguntando pra quantas pessoas mais ela contou? Quantas pessoas sabiam que eu era um verdadeiro cretino?
Bom, até meus pais sabiam que eu não era uma flor de pessoa e exatamente por esse motivo que eu saíra de casa. Não só pela banda como eu havia falado, mas também porque eu sempre estava metido em encrencas, menosprezando as regras que me eram impostas e, por isso, consequentemente, envergonhava a minha família. Pra eles era sempre mais importante a reputação do que o filho.
Meu comportamento deliquente e rebelde era um pouco culpa daqueles dois que se diziam meus pais. A única pessoa daquela família que realmente me fazia falta era minha irmã, Vicky, que me ligava todos os dias pra me contar as novidades. Pelo que ela me disse as garotas da minha antiga escola morriam de saudades de mim (fazer o que né?), que ela estava namorando com um tal de Dylan e que minha mãe morria de saudades, mas sobre o meu pai nunca havia nada e eu sempre sentia que se formava uma lacuna em branco na minha vida quando se tratava dele.
Meu pai não dava o braço a torcer quanto a minha saída de casa - o que eu fizera pensando em minha irmã que estava sendo atingida indiretamente por tudo que eu aprontava - e não dava a mínima pra mim. A única coisa que ele fazia era depositar regularmente todo o mês uma boa quantia de dinheiro em minha conta bancária e verificava se eu não estava aprontando algo que pudesse atingir seu precioso status social.
Nunca entendi como minha mãe que sempre fora uma mulher gentil e carinhosa, que nunca nos deixara faltar nada e vivia para administrar a família se casara com um homem manipulador, frio e rude. Mas ela deveria ter seus motivos e é claro que nisso poderíamos incluir a influência dessa vida baseada em futilidades, amizades falsas e relacionamentos arranjados por negócios e fortuna. Para concluir, eu tinha uma família desequilibrada, sedenta por dinheiro onde só se salvava eu e minha irmã que não ligávamos pra nada disso, apenas aproveitávamos o que tínhamos; e, finalmente, uma garota que entrara na minha vida sem aviso prévio, a primeira que se importara realmente comigo e que não me dava chances.
Estacionei minha grande moto na vaga destinada a mim. Abri a grande porta trabalhada de madeira da casa dos Fletcher e assim que dei o primeiro passo para adentrar a casa pisei em algo que soltou um barulho parecido com um miado.
Mas desde quando o tapete no hall da casa miava?
Olhei pra baixo e vi um gato peludo, pequeno e frágil; e foi ai que senti um estalo em minha cabeça. Era o gato que dera para Tom, pelo simples fato de que achara bonitinho o felino. Agora a pequena bola de pêlos se chamava Marvin e era o mais novo membro daquela família da qual eu participava pelo tempo em que estava hospedado ali. Soltei uma risada anasalada enquanto me abaixava e acariciava a criatura que rosnou manhoso gostando de ter um pouco de atenção. Levantei-me e andei até a escada me encontrando com a Sra. Fletcher no caminho.
- Olá Danny! – cumprimentou-me animada e depois sua testa se vincou olhando-me atentamente. – Você estava na chuva? Algum problema querido?
- Estava andando de moto e acabei pegando chuva no caminho. Só isso.
- Melhor você trocar de roupa antes que pegue uma gripe – acenei com a cabeça afirmativamente.
- O Tom está em casa?
- Está tocando piano – sorriu com os olhos brilhando. O maior orgulho daquela mulher era ver o filho tocando, principalmente quando era aquele instrumento em especial.
- Vou subir – disse pulando os degraus de dois em dois.
Entrei em meu quarto, trancando a porta e depois tirando as roupas molhadas, tacando-as em qualquer canto do banheiro. Me enfiei debaixo da ducha quente e fiquei longos minutos pensando nos últimos acontecimentos.
Sophie era uma garota extremamente gostosa, mas não tinha nada de conteúdo. Era entediante e chata.
Depois da festa na escola eu a levei para casa e tentei puxar conversa todo o caminho e também quando chegamos a sua casa vazia. Uma reação bem atípica de mim só pra deixar claro. Daniel Jones tentando puxar conversa com uma garota antes de ir pra cama com ela? Nunca! E, no entanto, isso aconteceu. Mas ela sempre me interrompia para um beijo ou caricias bem vulgares se é que vocês me entendem. Tentei a todo custo levar aquilo adiante e tirar da minha cabeça, mas nenhuma das duas coisas aconteceu. Foi muito frustrante, principalmente quando eu estava tentando transar com uma pensando em outra. Eu não conseguiria mesmo que eu quisesse. Estava de cabeça cheia.
Não agüentei ficar nem mais dois minutos olhando pra cara de Sophie. Fui embora na primeira chance que tive e corri com a moto pelas ruas vazias e eu tinha um trajeto em mente. A casa de .
Quando cheguei em frente à sua casa ela estava saindo sorrateiramente com o skate em mãos e eu a observei de longe. Ela parecia muito distraída, presa em seus próprios pensamentos para me notar a alguns metros dela. A segui um pouco de longe com medo de que ela me escutasse. A minha moto era bem silenciosa, mas quando em velocidade era um pouco barulhenta. No momento que achei que perderia ela de vista acelerei um pouco e... Opa! Foi mais uma burrada pra minha enorme lista.
O motor deu um ronco consideravelmente alto. Meu coração acelerou e tive a certeza de que eu estava encrencado. Porém ela não olhou pra trás, continuou seu trajeto até um parque perto que eu vira algumas vezes lotados de crianças, mas que se encontrava vazia no momento.
Bom, o resto vocês sabem. Eu me aproximei dela achando linda a forma quase infantil a qual ela se balançava. Durante toda a conversa não agüentei olhá-la nos olhos sabendo que eu encontraria acusação pelas coisas que fiz. Na única vez que me arrisquei olhar encontrei suas orbes cativantes me olhando de uma maneira intensa e assustadoramente triste. Escutei suas palavras sentindo-as atravessar meu peito como uma faca. Sabia que a estava magoando, mas era muito pior ouvindo tudo de sua boca.
Tentei limpar o máximo que pude, debaixo daquela água quente, todos os vestígios de culpa ou qualquer outro sentimento que eu não estava acostumado.
Não consegui.
Desisti saindo do banheiro com os dedos enrugados, vesti a primeira roupa que eu achei em meu guarda-roupa e me encaminhei para sala onde o piano daquele projeto de músico estava. Encontrei Tom concentrado em algumas notas, sentado em seu banquinho afogado em papéis.
- E aí dude, compondo? – sentei-me na poltrona no canto da sala encarando-o.
- Tentando... – disse se virando pra mim e largando tudo o que fazia. – Até agora na casa de Sophie?
Seu olhar era reprovador e eu o entendia. Semanas falando de uma garota pra depois na seguinte ficar com outra totalmente diferente da que você quer. Tom sempre tem razão e às vezes eu odeio isso nele. Ele me faz ver coisas que eu não quero.
- Não... Estava tendo uma conversa com a .
- E como foi? – perguntou verdadeiramente interessado.
- Difícil. Você não tem noção de como. Falei algumas coisas que me arrependo agora, mas escutei outras que eu já deveria ter ouvido há muito tempo.
- Espero que a tenha te feito ver o quanto ela está mal nisso tudo.
- Como se ela fosse a única vitima. Não me olha assim! Ok, ela fez pior do que isso. Eu meio que me senti um monstro se é que você me entende. E pra fechar com chave de ouro ela decretou que me odeia e só vai suportar a minha presença porque temos amigos em comum.
- Você fez por merecer – deu de ombros.
- Hey! Você está tentando me ajudar ou me botar pra baixo? Amigos geralmente ficam do nosso lado em qualquer circunstância e não ao contrário.
- Só quando eles estão com a razão. O que não é o seu caso Jones.
Bufei.
- Eu sei que estou errado e blá blá blá, mas eu tô tentando me redimir, ok?
- Como? Importunando a garota todo santo dia? Aparecendo debaixo da janela dela feito uma assombração? Belo jeito Danny. Até eu fico comovido – disse debochado.
- Cara quem tem você como amigo nem precisa de inimigo – disse me afundando na poltrona.
Quê isso?! Esse garoto ‘tá a fim de me deixar mal mesmo.
- Olha, essa é uma maneira até que interessante de demonstrar o que quer que seja sobre os seus sentimentos – disse ele gesticulando com as mãos de forma espalhafatosa. - Mas quando você está na escola sua personalidade muda. Você vira outro Danny e até esquece da existência dela. Do que adianta tudo isso se no minuto seguinte você a faz pensar que foi apenas uma encenação?
Eu tenho algumas teorias de que o Fletcher anda lendo muito livro de auto-ajuda. Não é possível que um garoto saiba tanto assim sobre sentimentos femininos. Então isso me levava a duas conclusões: Ou ele era gay, ou era um bom observador. Eu quero acreditar que seja a segunda opção para o meu próprio bem.
- Danny eu vou te dar apenas um conselho e presta bem atenção. Você tem de repensar alguns dos seus atos antes que você a perca de vez e depois de nada vai adiantar você vir choramingar pra mim que eu não vou ouvir. Vou fazer questão de dizer um alto e sonoro “Eu avisei!”.
- Já te disse o quanto você é chato? – ele balançou a cabeça negativamente. – Tom Fletcher você é um chato de marca maior. Mas que está me ajudando pra caramba. Obrigado – ele riu.
- Ah! Eu liguei pra e ela está pensando em fazer algo hoje. O que acha?
- Não tô a fim de sair, não.
- Vou chamar todo mundo pra vir pra cá à tarde.
- Fazer o que?
- O que agente sabe fazer de melhor. Nada – ele riu de sua própria piada e eu ri quando ele se engasgou com a própria saliva.
- Dude eu já to cansado de fazer programas com o pessoal aqui. Não que eu não goste. Não é isso – acrescentei rapidamente antes que ele se sentisse ofendido. – Mas é que cansa. Por que nós não saímos pra variar um pouco? Qual é? Antes delas nós não passávamos um final de semana dentro de casa!
- Você tem razão. – Tom estava pensativo. – Mas então aonde nós vamos?
- Não sei cara. A cabeça pensante daqui é você.
- Você se lembra daquela cachoeira que achamos por acaso em uma cidadezinha não muito longe?
- Não muito longe? Cara você só pode estar brincando! Aquilo lá fica no meio do nada. Mas pode ser uma boa idéia. Duas horas de viagem não mata ninguém.
- É, podemos faltar amanhã da escola se for preciso.
- E você acha que elas aceitariam?
- Talvez... Bom, de qualquer forma vou ligar pra e ver o que ela pensa sobre isso – disse ele se levantando do banquinho e sacando seu celular do bolso.
- Vou pro meu quarto tentar dormir um pouco. Quando vocês tiverem tudo resolvido me avisa.
Sai da sala ouvindo Tom murmurar um “Ok” e logo depois começar uma conversa animada com sua namorada. Fui pro meu quarto praticamente me arrastando pelo corredor e me joguei na cama. Peguei no sono antes mesmo de me ajeitar nela. Mas uma coisa eu tive em mente: ter de volta a todo custo de novo pra mim seria meu plano.

Continua...

 



Nota da autora (28/02/11): Olá! Tudo beleza? Como vai começo das aulas de vocês? O meu está mais do que atarefado! Ainda mais esse ano que o estágio na faculdade é obrigatório. Mas não pensem que eu vou abandonar a fic porque isso é a ultima coisa na qual eu penso!
Essa foi uma pequena atualização pra não deixar vocês por muito mais tempo curiosas. Fico feliz que os comentários estejam crescendo cada vez mais e que vocês estejam gostando da história.
Bom, muitas de vocês acertaram. A pessoa que foi atrás de você é o Danny. E para surpresa de todo mundo (até minha que quando vi já estava escrevendo!) POV do Danny! Vão ter mais pontos de vista do garoto pela frente. Isso é claro, se vocês aprovarem.
Tenho duas partes favoritas neste capítulo. A primeira é a que você diz tudo o que sempre quis na cara do Danny e a segunda é o Tom sendo bem franco e dando seus conselhos para o amigo. Foi hilário escrever isso. O que acharam de Tom conselheiro? E do seu desabafo? Quero saber também a opinião de vocês sobre o nosso Jones na fic.
Vamos as respostas dos comentários:
FAQ:
Maysa Góis e Thaisa:
Aqui a atualização da fic! *-* Como eu disse, não vou abandonar essa fic não! Fiquem tranqüilas.
Jéh: Não está muito longe deles se acertarem, mas antes eles terão de passar algumas coisas juntos para finalmente perceberem as mudanças que aconteceram na relação deles e, principalmente, no sentimento que um tinha pelo outro. Basicamente ainda tem algumas coisas para acontecer.
Thaisa: Respondendo seu ultimo comentário heheheh Então você acertou é o Danny sim! E agora o que o você acha do ponto de vista dele nessa história? Awn! *-* Que bom que você tem a minha fic como a sua preferida! Me sinto feliz quando ouço isso.
Juu: Que bom que está gostando! Eu gosto de fazer as minhas leitoras sofrerem um pouquinho! kkkk

Agora respondo comentários feitos a partir do dia 01/02, ok?
Obrigada a todas vocês! E um bom Carnaval para quem curte! Porque eu não gosto. Nada contra, mas prefiro assistir Supernatural, TVD e essas coisas a ter que ver escola de samba desfilar... heheheheh
Beijos.

Vou deixar os seguintes links para contato:
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Fic’s que eu indico:
Now you’re in, you can’t get out [http://www.fanficaddiction.com.br/fics/n/nowyoureinyoucantgetout.html]
Memory Lost [http://www.fanficaddiction.com.br/fics/m/memorylost.html]



n/b: Deixei passar alguma coisa? Let me know!