You’ll Be
Por Amanda Moreira
Beta: Táh



POV

“Hey dudes, será que dava pra gente bater um papo?” – eu estava meio nervoso em conversar sobre isso com os caras. A casa não era apenas minha e eu precisava que eles aceitassem, mas era importante pra mim que desse certo. Eu sentia muitas saudades da minha melhor amiga e, quando soube que ela viria para Londres estudar, foi a melhor notícia que eu poderia receber.
“Diz aí, cara.” – , que estava todo jogado no sofá vendo a grande disputa de e no vídeo game.
, você tá roubando, seu retardado!”
“Você que não sabe jogar, dude!”
“Será que dá pra prestar atenção aqui? Estou tentando falar!” – chamei a atenção deles, que me olharam revirando os olhos. Qual é, o assunto era importante.
“Diz aí, estressadinho.” – disse, largando o controle e me olhando – “ estava roubando mesmo”
“Não estava não” – começou de novo.
“Dá pra prestar atenção, porra?” – gritei com eles, que me olharam com os olhos arregalados.
“Cala boca vocês dois, deixa o falar logo.” – interferiu, por isso eu amava esse cara.
“Fala aí, dude.” – disse se jogando no sofá também.
“Seguinte, o assunto é sério!” – respirei fundo e encarrei eles – “Além de ser super importante pra mim, então prestem atenção!”
“Fala logo, !”
“Vocês se lembram da ? Minha melhor amiga, que mora no Brasil?”
“A gostosa?” – disse, e , que estava ao lado dele, lhe deu um peteleco no ouvido.
“Olha o respeito.” – brinquei segurando o riso, ela era gostosa mesmo – “Essa mesmo.”
“O que tem a gostosa?” – disse de novo e recebeu outro peteleco, mas agora de – “Ok, ok, o que tem a ?”
“Ela está vindo morar aqui em Londres para estudar, isso não é o máximo?”
“E?” – pediu, fazendo um gesto com as mãos para eu continuar.
“E que é o seguinte” – era melhor falar tudo de uma vez – “A gente não precisa de alguém que cozinhe bem?” – começou a rir que nem um demente.
“Você quer colocar sua amiga gostosa... Digo, a , pra cozinhar pra gente?”
“Seria uma troca de favores!”
“Troca de favores?” – pediu, sentando-se melhor no sofá – “Como assim?”
“Bom, ela precisa de um lugar para morar, a gente precisa de alguém que cozinhe bem, temos um quarto vago, ela é minha melhor amiga...”
“E gostosa” – disse, fazendo um gesto com as mãos e eu taquei o controle da televisão nele.
“Deixa eu ver se entendi” – disse, me olhando – “Tu quer que ela venha morar com a gente?”
“Bem, sim!” – sorri animado. Ah, qual é. Melhor ela aqui do que em um lugar sozinha.
Eles começaram a se olhar e falar ao mesmo tempo. Eu escutava apenas uns “Ela é gostosa” do e uns “Comida boa” do . Eles ficaram em silêncio de repente e me olharam.
“Ela pode vir!” – quem disse foi , sorridente.
“Hey dudes, eu amo vocês!” – eu falei, super feliz, pulando em cima deles.
“Sai pra lá cara, sou homem!” – sempre engraçadinho.
“E quando é que ela chega?” – foi quem pediu, os caras pareciam realmente animados. Seria bom ter alguém do sexo feminino em casa. Seria bom ter a aqui.

POV

Eu lembrava vagamente dessa tal . era fissurado nela, eram algo como melhores amigos desde sempre. Quando conhecemos , antes do McFLY existir, ele havia recém chegado do Brasil. Sim, ele é brasileiro. Ele vivia falando ao telefone em português com essa tal . Os caras e eu aprendemos algumas palavras, como “Oi, tudo bem” e “Tchau”, apenas essas coisas básicas. Quando veio com esse papo dela vir morar conosco eu fiquei meio arredio, porque fala sério, é uma garota morando com a gente. Não que façamos orgias e essas coisas aqui em casa, mas somos homens, temos nossos costumes e uma das regras para ela vir morar aqui seria que não deixaríamos de nos comportar como sempre fazíamos. O pior é que , a anta, foi nos avisar que a garota estava chegando um dia antes, ou seja, o quarto que ela ficaria estava uma zona, porque era onde deixávamos toda nossa bagunça. Passamos o dia inteiro arrumando o quarto. Até que ficou maneiro. conhecia bem os gostos de . Acho que ela gostaria e, de tanto falarem dela, eu estava curioso pra conhecê-la. apenas sabia dizer o quão divertida e simpática, e bonita, inteligente, carinhosa, meiga e muitas outras qualidades ela era, que eu realmente desconfiava se podia existir alguém com tantas coisas boas assim. E não era apenas eu que estava desse jeito, e pareciam até mais animados do que para a chegada dela. Fomos dormir super tarde naquele dia, mas tudo estava pronto. chegaria no outro dia de manhã, apenas iria buscá-la, os dudes e eu ficaríamos em casa esperando e coçando o saco, porque depois sairíamos todos para almoçar. Estar de férias é tão bom, principalmente depois de uma turnê por toda a Europa. Dois meses de férias era o que merecíamos.

“Tô indo buscar a valeu?” – apareceu na cozinha, onde eu estava tomando café sozinho.
“Vai lá, brother!” – acenei brevemente com a mão para ele, mas para falar a verdade tinha algo revirando dentro de mim, como se fosse ansiedade por conhecer ela.
“Acorda os caras antes de eu voltar, pelo menos hoje eles podem se comportar direito” – ele disse, deixando o copo vazio onde antes bebia suco.
“Vai tranquilo, eles vão estar apresentáveis para a mademoiselle
“Bom, até daqui a pouco.” – ele deu um tapinha nas minhas costas.
“Até, dude!”

Era melhor eu ir acordar aquelas duas antas, e então esperar a tão famosa perfeitinha do chegar. E porque essa merda de sensação não passava? Já estava me irritando.

POV

Quando o piloto disse que tínhamos autorização para pousar meu estômago revirou. Não por medo - o que eu mais adorava em voar era a decolagem e o pouso - mas eu sentia que aqui era o meu lugar. Deixar todos os meus amigos, familiares, e tudo que eu já havia conquistado para trás não foi uma decisão fácil a se tomar, mas eu sabia que era o correto, sabia que algo muito bom me esperava, e eu correria atrás para que tudo desse certo. Senti o leve impacto do avião contra o solo e sorri. Finalmente eu estava aqui. Estava morrendo de saudades de Douglas, aquele cabeçudo. Fazia quatro anos que eu não o via, aquele demente havia ido me visitar apenas uma vez e dois anos depois de chegar aqui. Pois é, agora ele era famoso e eu podia me gabar que era melhor amiga do Mcguy mais fofo do universo, claro, escondendo minha fascinação pelo . Mas disso ninguém precisa ficar sabendo, já que vai ser meu segredinho. Eu tinha tudo do McFLY, tudo autografado por todos, direto desse país gelado que me encantava. E agora? Eu ia morar com os Mcguys, tipo assim, tem coisa mais perfeita pra uma fã? Acho que não! Acho que era por isso meu estômago estava dando sinal de vida. Cara, eu ia conhecer o McFLY, mesmo não sendo aquele tipo de fã maluca, porra eu ia conhecer o McFLY e morar com eles. Um arrepio passou por todo o meu corpo quando eu passei pela imigração, claro que sem problema nenhum, eu tinha dupla cidadania. Mas foi um arrepio bom, e eu sabia que isso era um bom sinal de que eu havia feito a escolha certa pra minha vida, a segunda escolha certa, porque ser formada em não é para qualquer um não. Peguei minhas duas malas gigantes e com excesso de peso e fui em direção ao saguão, nem precisei procurar muito já que certo loiro estava rodeado de garotas e autografando alguma coisa. Sorri, ele estava tão lindo, eu sentia tantas saudades dele. sempre fora meu melhor amigo, desde o primeiro ano na escolinha. Lembro até hoje do menininho que sorriu pra mim e pediu se podia brincar comigo. Como se me vendo, ele levantou o rosto e eu vi o sorriso lindo que ele tinha se abrir. Ele disse alguma coisa para as garotas que seguiram ele com o olhar, assim que ele veio correndo em minha direção e me apertou em um abraço de urso, me levantando do chão.

“Pequena, que saudades de você, sua poia!” – ele me apertava, sua voz saia sorridente e ele me disse no português perfeito.
“Não mais do que eu, cabeçudo!” – eu disse, também sorrindo, e ele me colocou no chão me olhando com os olhos esverdeados que eu tanto gostava.
“Caraca, como você cresceu, não parecia tão bonita assim nas fotos.” – ele me soltou e pegou uma de minhas malas.
“Eu sou linda de qualquer jeito, !” – me gabei brincando.
“Convencida” – ele falou enquanto me guiava para fora do aeroporto, e eu agradeci por ser verão aqui, pois minha roupa não serviria para um inverno da Inglaterra já que eu estava de calça jeans, blusinha regata e um all star – “Os caras estão loucos pra te conhecer! Acho que você vai gostar do trabalho que fizemos no seu quarto.”
“Oh my God!” – eu disse fingindo ser uma fã louca, ele me olhou sorrindo – “Eu vou conhecer os gatos do McFLY!” – me abanei fingidamente e ele gargalhou.
“Vai, mas o mais gato você já conhece!”
“Depois eu que sou a convencida!” – ralhei com ele.

Fomos o caminho todo conversando e contando as novidades. Contei do meu namoro terminado com Rafael, que por acaso ele não gostava nada. Eu curtia o Rafa, não que eu o amasse, mas ele me fazia bem. Então, com a minha vinda, o melhor foi terminar, eu não sei o que pode acontecer aqui e não quero estar presa assim como não queria que ele se sentisse preso comigo. Nem preciso dizer que festejou como um louco, preciso? Ele me contou como estavam as coisas na banda e de como ele estava feliz em participar disso tudo. Me contou que agora ele e os “guys” estavam de férias por dois meses inteiros e que aproveitaríamos muito esse tempo. Uns trinta minutos depois eu o vi parando em frente a um grande portão que logo foi aberto e entrando com o nada maravilhoso carro dele. De repente me senti muito nervosa, minhas mãos começaram a soar e minha respiração ficou agitada.

“Você parece nervosa, pequena.” – ele desligou o carro e virou para mim sorrindo.
“Eu?” – minha voz saiu esganiçada e eu o olhei com uma careta no rosto.
“Relaxa , os dudes são legais. Eles não vão te morder ou algo assim!”
“Eu espero...” – murmurei apenas para mim, mas parece que escutou já que soltou uma gargalhada estrondosa.
“Sabe o melhor disso?” – ele disse assim que estávamos quase na frente da grande porta branca da casa e eu o olhei com cara de “o que?”, então ele continuou ainda sorrindo – “A gente vai poder falar qualquer coisa pelas costas deles em português que os caras não vão entender nada!”
“Você não presta, !” – eu disse, mas gargalhei junto dele, isso seria até bom por um lado.
“Eu sei que você se amarrou na idéia, te conheço bem !” – eu revirei os olhos, não tão mais nervosa – “Bem vinda ao seu novo lar!” – abriu a porta e me puxou para dentro. Acho que não preciso dizer que tudo era extremamente lindo e a cara deles, não é?! – “Hey dudes, chegamos!” – ele gritou, já falando em inglês novamente.

Ele nem bem terminou de gritar, e apareceram na nossa frente na sala de estar. Me segurei para não dar um ataque histérico. Eu sei que disse que não era uma fã maluca, mas eu estava dividindo o cômodo com praticamente todos os Mcguys. Eu sorri envergonhada, com me abraçando pelos ombros e disse timidamente.

“Oi!” – eu continuava com o sorriso no rosto, podia ser tímida, mas não era antipática.

O que eu nunca esperava aconteceu no segundo seguinte. e dispararam para cima de mim me abraçando e beijando todo o meu rosto. gargalhava ao meu lado provavelmente da minha cara, mas isso não importava. e haviam me ganhado naquele momento. E eu sabia que seríamos grandes amigos.
“Estou louco pra provar da sua comida!” – disse, eu ri do peteleco que ele levou a seguir de .
“Larga mão de ser assim, dude.” – veio para o meu lado e me abraçou como antes fazia – “Então, ... posso te chamar de , não é?”
“Claro que sim, .” – eu respondi
“Então, , solteira?” – eu gargalhei e pulou em cima de o tirando do meu lado.
“Seu gay.” – disse enquanto tentava chutar , que gargalhava alto.
“Eu estava brincando.” – disse para , que bufou e tacou algo não identificável no amigo – “Eu estava brincando, .” – ele falou, agora olhando para mim.
“Sem problemas.” – respondi me segurando para pedir onde estava .
“Onde está o ?” - pediu enquanto sentava-se ao meu lado.
“No quarto dele, disse que já estava descendo, mas...” – não pôde terminar de falar, pois no mesmo minuto um todo lindo e sorridente apareceu na sala.
“Mas, já está aqui!” – ele concluiu o que falava e olhou para mim, acho que vou desmaiar – “Você deve ser .” – ele caminhou até mim e estendeu a mão.
“Exatamente.” – eu sorri mordendo o lábio inferior, coisa que eu fazia quando estava nervosa – “Prazer em te conhecer.” – falei, apertando a mão dele.
“O prazer é todo meu.” – já disse como eu sou fascinada pelo ?
“Seja bem vinda.” – ele disse, e me puxou para um abraço apertado.
“Obrigada.” – eu murmurei, um pouco tonta pela aproximação.

Definitivamente, eu havia feito a escolha certa.

POV

Vou confessar. Eu estava nervoso, por isso não desci junto com os caras. O porquê de eu estar nervoso? Nem mesmo eu sabia. Aquela sensação no estômago havia piorado, eu pensei que poderia ser algo que eu comi ontem, mas não tinha comido nada de estranho. Então o que me restava? Admitir que eu estava nervoso e com aquela sensação por causa da chegada da . Mas mesmo assim eu não sabia o porquê. Eu estava na ponta da escada, escutei e lá em baixo, escutei a voz dela e meu coração deu um salto.Que porra era essa? Então escutei o que disse, qual é, oferecido do caralho. A garota nem chegou direito e ele já se jogando pra cima dela. pediu por mim, foi aí que eu percebi que não havia um motivo para eu estar ali escondido, desci as escadas em segundos, sentindo meu sorriso crescer cada vez mais quando eu olhei para quem estava ao lado de . Ela era linda. Seu cabelo e seus olhos brilhavam. Mas o que mais era lindo, sem dúvida nenhuma, era o sorriso. Fui até ela tentando ser o mais normal possível, mas não me aguentei, tive que puxá-la para um abraço e o choque que eu recebi a hora que nossos corpos se juntaram foi incrível. Ela tinha um cheiro tão bom, uma pele tão macia.

“Hey, quem aqui está com fome?” – perguntou, me olhando de um jeito estranho – “ e não precisam responder!” – ele apressou-se a dizer, e eu ri da cara que fez.
“Ué, por que dude?” – pediu, mas era muito retardado mesmo.
“Porque vocês dois sempre estão com fome!” – revirou os olhos e eu vi a compreensão passar pelos olhos de . E por que eu não parava de olhá-la? – “Tá com fome, pequena?” – todos olhamos para ela, que ganhou uma cor rosada nas bochechas. foi o único que riu disso, eu, por outro lado, achei a coisa mais linda do mundo – “Ficou envergonhadinha, é?” – ele disse em português, e eu me cocei para perguntar o que tinha sido, mas me segurei.
“Um pouco!” – ela disse dando um tapa no braço dele, que gargalhou mais ainda.
“Isso é uma resposta para as duas perguntas?” – ele disse, novamente em português, e aquilo estava me irritando, eu não entendia porra nenhuma.
“Qual é, falem em inglês, fazendo o favor!” – pediu emburrado.
“Também concordo.” – me olhou e corou novamente, eu e minha língua grande.
“Apenas preciso falar uma coisinha em português com o aqui ok?” – ela olhou para gente e logo se virou para – “Vai te foder, seu filho de uma puta!” – eu não entendi nada, e parece que os caras também não já que olhamos para ela com cara de idiotas. Bom, todos não, já que a olhava com os olhos arregalados, a boca aberta, resumindo, a olhava como um retardado – “Alguém podia me mostrar meu quarto? Eu queria tomar um banho antes de comer!” – ela virou-se novamente para nós e sorriu como antes.
“Eu te mostro.” – logo se ofereceu a abraçando pelo ombro e indo com ela em direção as escadas.
“Eu vou pegar suas malas.” – disse saindo porta a fora, ficando apenas eu e , que ainda estava na mesma posição.
“Hey dude, o que foi que ela disse?” – ele ainda continuava parado, o cara tinha congelado no lugar – “...” – estralei os dedos na frente dele chamando sua atenção.
“Cara...” – ele começou e parecia inconformado, mas um sorriso dançava em sua boca – “ Ela mandou eu me foder e me chamou de filho da puta.”
“Como é que é?” – eu gargalhei alto. Quer dizer que a perfeitinha do tinha uma boca bem sujinha – “E o que foi que você disse pra ela te dizer isso?” – jogando verde que se colhe maduro, ja escutaram esse ditado?
“Ela me paga, aquela praga!” – ele ainda sorrindo correu escadas a cima, ok, me deixou no vácuo. Que droga de língua, porque não podiam falar em inglês? Me joguei no sofá entediado e puto da vida. Por que eles tinham que ficar falando em português? Vi entrar arrastando duas malas gigantes.
“Bem que você podia ajudar aqui, não acha, ?” – ele parou atrás de mim no sofá e cutucou minha cabeça.
“Você quis ir buscar as malas, você sobe com as malas!” – dei um sorrisinho debochado para ele, que me deu um tapa na cabeça – “Hey!”
“Isso é pra você aprender a não ser debochado, seu mal educado!” – disse e puxou as duas malas escada acima, bom pelo menos ele estava tentando.
“Me dá uma aqui, seu tapado!” – levantei em um pulo pegando uma das malas – “Tu é muito burro hein , não conseguiu pensar que era subir com uma de cada vez?”
“Vai se ferrar.”

Chegamos a frente da porta do quarto dela, que estava aberta e que ficava bem na frente do meu quarto. Entramos e eu vi tentando pegá-la, enquanto ela se escondia atrás de .

“O que aconteceu?” – pediu rindo, e já gargalhava, assim como e .
“Vou lavar a boca dela com sabão!” – disse ofegante, ainda tentando passar por para pegá-la.
“Como?” – eu pedi rindo.
“Me salvem, por favor...” – ela pediu sorridente, correndo para meu lado e se escondendo atrás de mim, sendo seguida por .
“Você vai pagar, mocinha, sua boca suja!” – ele disse, agora tentando passar por mim, que não deixava.
“Eu me redimo, retiro o que disse, .” – falou, se agarrando a minha cintura, quando conseguiu agarrar o braço dela.
“O que?” – pediu, caindo na cama, que agora era dela, de tanto rir. “Não acredito que você me chamou desse apelido mogol, .”
“Epa lá.” – ela disse, soltando-se de mim e indo para a frente de , apontando o dedo na cara dele. Quase que eu a puxei de volta sentindo falta dos braços dela em volta de mim – “ não!”
cara de boboca!”

pulou em cima de e os dois caíram no chão, começando a se bater. Eu olhei para os guys, que tinham parado de rir assim como eu. Quando estávamos prestes a separar a briga, os dois começaram a rir que nem idiotas, deitando-se lado a lado no carpete bege do quarto. Ok, alguém aqui pode explicar?

POV

Decidimos que não sairíamos para almoçar fora, já que tinham sido vinte e quatro horas de viagem até ali. pediu pizzas e eu me encarreguei de pegar as bebidas. Estava na enorme cozinha pegando os copos, as cervejas e refrigerantes quando vejo o cara dos meus sonhos entrando, me fazendo lembrar que eu havia me aproveitado dele o abraçando na hora da minha “briga” com . Qual é, eu não sou de ferro. Daria tudo para ficar com . Tudo mesmo. Ele olhou para mim e abriu aquele sorriso que matava qualquer uma.

“Vim te ajudar com as coisas, os caras estão arrumando lá fora pra gente comer.” – ele disse ainda sorrindo e parou do outro lado da bancada que cortava a cozinha. Sorri pra ele também.
“Ok, você pode ir levando esses copos.” – eu disse, colocando de dois em dois copos na sua frente. Ele assentiu com a cabeça, mas ficou em silêncio pegando os copos e saindo.
“Paz e amor?” – eu levei um susto quando ouvi a voz dele atrás de mim, ele foi rápido.
“Puta merda!” – soltei um palavrão em português e franziu a testa, segurando um sorriso.
“Te assustei?” – ele se afastou um pouco de mim, dando espaço para eu me virar.
“Um pouco” – fiz uma careta, sorrindo.
“Desculpa...” – ele coçou a nuca e mordeu o lábio inferior – “Mas então, paz e amor?” – fiz uma cara de que não estava entendendo e ele sorriu novamente, mas agora pegou minha mão direita fazendo com que a palma ficasse virada para cima, então passou a ponta dos dedos no meu pulso por cima de minha tatuagem me causando arrepios, e foi aí que eu entendi.
“Ah...” – eu murmurei sentindo os dedos dele passarem por ali – “Eu gosto.” – foi apenas o que eu disse.
“Maneira.” – disse, largando minha mão ao lado do meu corpo, e eu quase gritei para ele pegá-la de novo – “Quer que eu leve mais alguma coisa?”
“Hum... Pode ir levando as garrafinhas de cerveja.” – por que ele me olhava desse jeito? Eu estava prestes a ter um AVC. Desviei o olhar do dele e mirei as garrafinhas ao meu lado – “O resto eu consigo levar.”
“Ok!” – eu o vi levantando uma das mãos e então afagar minha cabeça. Se não fosse ele fazendo isso juro que me sentiria um cachorro. Eu sorri para ele, que simplesmente pegou as garrafinhas, equilibrando tudo nos braços, e saiu, me deixando que nem uma idiota olhando para a saída.

Peguei o resto das coisas e fui para o fundo da casa, dando de cara com um jardim de inverno e uma gigante piscina. A temperatura estava tão gostosa ali dentro. Fui até os guys, que já estavam sentados em volta de uma mesa redonda feita em madeira. Coloquei o restante das coisas ali e me sentei no colo de .

“Ai, sua gorda.” – ele resmungou, dando um tapa na minha coxa, que estava aparecendo pela saia jeans que eu usava.
“Agora vai ter que aguentar.” – deixei todo meu peso cair sobre ele, que riu, me abraçando pela cintura – “Então, estavam falando sobre o que?” – pedi interessada, já me sentindo super em casa com os quatro.
“Você não vai querer saber!” – disse, e eu juro que o vi ficando vermelho.
“O estava dizendo como você é gostosa.” – entregou o amigo, que arregalou os olhos para ele, eu ri com a cena.
“Sério?” – fiz uma careta rindo, eu não me achava nada gostosa. Meu olhar foi parar em , que olhava descaradamente para minhas pernas – “Me passa uma cerveja .” – ele subiu os olhos devagar até chegar aos meus olhos e sorriu, me passando uma cerveja.
“Você tem mais alguma tatuagem além do símbolo do “peace and love”?” – ele pediu ainda sorrindo, e apertou minha cintura mais forte, mas eu não dei atenção.
“Você tem tatuagem?” – pediu, parecendo surpreso com aquilo.
“Três, na verdade.” – quem respondeu as duas perguntas ao mesmo tempo foi , enquanto se divertia encostando a garrafa gelada nos meus braços descobertos.
.” – reclamei, tentando me esquivar, e ele parou.
“Três onde?” – pediu interessado, mas rindo.
“Essa.” – levantei a mão direita mostrando meu pulso com o símbolo muito conhecido nos anos sessenta e setenta – “Uma no pescoço.” – afastei o cabelo e mostrei minhas três estrelinhas pretas logo abaixo da orelha – “E outra secreta” – ri.
“Secreta?” – pediu interessado e com um sorriso que eu conhecia muito bem no rosto: malícia.
“Aham.” – balancei a cabeça.
“Só eu vi essa tatuagem, claro, além do tatuador.” – se gabou, beliscando minha barriga. Olhei para , coisa que estava virando meu vício, e vi um vinco se formar na testa dele.
“Na verdade, Rafa também viu, .” – cortei o barato dele piscando para e , que estavam na minha frente.
“Como que é?” – ele deu um pulo quase me derrubando de seu colo.
“Quem é Rafa?” – pediu, ainda com o vinco na testa.
“Ui.” – ouvi dizendo, enquanto gargalhava, provavelmente de , que estava dando um chilique.
“Rafael.” – olhei para , ignorando que resmungava alguma coisa – “Meu ex-namorado.” – dei de ombros como se não importasse. O que realmente era verdade, Rafael era passado.
“Então é uma tatuagem íntima?” – perguntou, fazendo uma cara sofrida.
“Meio íntima.” – abaixei minha cabeça sentindo minhas bochechas esquentarem um pouco.
“Como assim aquele idiota viu, ?” – me deu outro beliscão, e que doeu de verdade.
“Ai , doeu.” – eu reclamei, passando a mão pelo local e levantando do colo dele – “E qual o problema, nós éramos namorados!” – puxou minha mão, me fazendo sentar no colo dele e me fazendo rir, ele era um amor.
“Eu pensei... Eu pensei que...” – ele começou a gaguejar, e os garotos e eu olhamos para ele esperando a conclusão da frase.
“Pensou que eu era virgem?” – disse na lata o fazendo olhar para mim. Eu não tinha vergonha de falar sobre sexo, isso era algo que um dia aconteceria com todo mundo, era a coisa mais natural.
“E não é?” – ele olhou para mim, espantado.
.” – eu comecei falando devagar – “Eu vou fazer vinte e dois anos, você queria que eu me guardasse pro casamento?”
“Ia ser um pecado.” – comentou atrás de mim e eu dei-lhe um tabefe, rindo.
“Cala a boca, animal!” – falou, ele parecia irritado?
“Com o Rafael, ?” – disse, fazendo careta de nojo e me olhando.
“Ui, olha o ciúmes...” – ralhou, e eu sussurrei um “não piora” para ele.
“Eu não vou ficar falando da minha vida sexual para quatro marmanjos!”
“Mas eu quero saber!” – ele insistiu, bravo, e eu sabia que se não falasse ele ficaria emburrado comigo por no mínimo um mês.
“O que você quer saber, pai?” – disse irônica, bufando e com um bico no rosto.
“Quando, com quem, como aconteceu, onde e...”
“Que exagero, , deixa ela!” – me defendeu, e era impressão minha ou ele não queria saber?
“Deixa ele, . sempre foi assim.” – revirei os olhos, olhando brevemente para , que deu de ombros, e eu percebi que ele estava incomodado – “Pra sua informação,” – voltei a olhar séria para no mesmo momento em que a campainha tocou. Provavelmente eram as pizzas, escutei dizer rápido que iria atender, parecia que não queria escutar mesmo – “Foi com dezoito anos, com o Matheus, na minha casa, na minha cama e foi muito bom!” – ele tinha irritado a pessoa errada.
“COM QUEM?” – ele gritou e eu não dei bola.
“Hey , eu adoro você cantando She Falls Asleep!” – mudei totalmente de assunto, saindo do colo de . Puxei uma cadeira para o meio dos dois e me sentei ali, engatando uma conversa muito animada, ignorando totalmente , que bufava.

POV

Primeiro, what a hell está acontecendo comigo? Essa garota não está aqui a nem vinte e quatro horas e eu já estou doido para beijá-la. Ok, eu só posso estar ficando louco. Segundo, que papo foi esse de tatuagem “meio íntima” que ela tem e que só tinha visto? Ou ele pensava que fosse assim. Terceiro, estávamos em um papo sobre com quantos caras ele foi pra cama? Não, obrigado, essa eu passo. Fiquei realmente incomodado e nem sei o motivo. Essa garota deve ter alguma coisa que me deixou drogado, só pode. Dei graças quando a campainha tocou, eu daria qualquer coisa pra não ter que escutar a resposta dela e depois ficar pensando naquilo por um bom tempo, se bem me conheço. Sem falar que eu iria ficar pensando coisas que, bem, acredito que não gostaria nada, nada. Peguei as pizzas, enrolei um pouco na cozinha. Quando espiei e a vi sentando no meio de e , ignorando por completo, eu decidi que poderia voltar, dando graças a Deus por ela não estar no colo do e nem do . Qual é, haviam colos mais confortáveis do que o deles, tipo assim, o meu. Cheguei com as pizzas, que logo foram devoradas. Coitada, pela cara de ela ficou um pouco assustada com os quatro mortos de fome atacando a comida. Depois de comer até sentir vontade de vomitar, beber até dizer chega, conhecer muito mais sobre ela, nos divertimos na piscina, o que me fez quase ter um AVC quando eu a vi de biquíni. Se esses eram os biquínis brasileiros, eu queria morar eternamente em uma praia. Brasileira, óbvio. Enfim, ela era uma companhia muito boa, divertida, simpática, tímida, inteligente, bonita, linda, tinha um corpo que me fazia ter pensamentos impróprios. Tinha que concordar agora com , ela era perfeita.
Aquelas duas semanas que se passaram foram ótimas. Estávamos cada vez mais próximos, e eu sentia que eu era o mais especial pra ela, de um jeito diferente de como era. Era pra mim que ela corria quando precisava de ajuda com alguma coisa, quando queria fazer compras, quando queria assistir um filme dramalhão, quando não tinha sono e ficava me atormentando até conseguir dormir. tinha conquistado, em apenas duas semanas, um lugar muito mais que especial em mim, algo que eu nunca havia sentido antes eu sentia com ela por perto agora. Devo admitir que não gostava muito disso, mas fazer o que. Era quinta de madrugada, e aquela noite havia sido muito divertida. havia insistido em cozinhar no lugar dela, que, vamos combinar, cozinhava divinamente. Então lá foi fazer um gororoba que até tinha um gosto muito bom. Bebemos, comemos, assistimos o filme E.T. por pura insistência minha, mas por incrível que pareça eu não conseguia dormir, rolava para todos os lados na cama e o sono não vinha, a única coisa que vinha na minha cabeça era o sorriso dela e a minha vontade de beijá-la. Levantei, tentando não fazer barulho. Talvez um copo de água refrescasse minha mente. Abri a porta do meu quarto devagar e a fechei do mesmo modo, porém, quando ia começar a caminhar em direção as escadas, escutei um barulho muito estranho vindo do quarto de . Me aproximei da porta, pensando se verificava ou não, escutei o barulho novamente. Parecia alguém passando mal. Girei a maçaneta e coloquei a cabeça para dentro.

!” – a chamei baixinho, vendo que não havia ninguém na cama e a luz do banheiro dela estava acessa. Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim – “, está tudo bem?” – disse um pouco mais alto, andando devagar até a porta do banheiro, que estava aberta.
” – escutei a voz dela baixinho, e logo após o mesmo barulho, ela estava gorfando com o rosto dentro do sanitário.
“Hey, está tudo bem?” – me apressei até ela, segurando seus cabelos e tentando não olhar para o estrago.
“Acho que eu vou morrer.” – ela choramingou, caindo para trás como se estivesse muito cansada. Olhei para seu rosto, ela estava amarela e cheia de suor.
“Ninguém vai morrer aqui.” – eu dei um sorriso, tentando animá-la, e vi um pequeno sorrisinho dançar em seus lábios. Ajudei-a a se levantar, e enquanto ela escovava os dentes e lavava o rosto eu dava descarga – “O que aconteceu?” – fui até ela, parando atrás de seu corpo e a segurando pela cintura.
“Nunca mais deixe cozinhar, por favor.” – ela murmurou, encostando a cabeça contra mim, e eu senti o corpo dela todo mole.
“Quer se deitar?” – sussurrei perto de seu ouvido e a vi mover a cabeça concordando. Antes que ela pudesse andar, peguei-a no colo como um bebê indo em direção ao quarto. Ela passou os braços em volta do meu pescoço e descansou a cabeça em mim.
“Obrigada .” – ela murmurou, arrumando-se na cama onde eu a havia posto. “Não tem de quê!” – sorri levemente, a cobrindo. Dei um beijo na testa dela e comecei a caminhar em direção a porta.
.”
“Sim.” – sorri pela forma como ela havia me olhado.
“Fica aqui comigo.” – a escutei dizer baixinho e levantar o braço esquerdo em minha direção. Andei até ela, entrelaçando nossos dedos e me deitando ao seu lado – “Obrigada.” – ela disse com um pequeno sorriso nos lábios, aproximando-se mais de mim.
“Dorme bem, eu estou aqui.” – sussurrei, me aconchegando em baixo das cobertas e a trazendo para mais perto, logo me deixando vencer pelo sono que felizmente resolveu dar as caras.
Acordei me sentindo extremamente bem. Senti um peso em meu peito e quando abaixei a cabeça me deparei com dormindo ali. Ela parecia bem. Não resisti e acariciei os cabelos compridos dela. Sai com cuidado de baixo dela para não acordá-la, dando um beijo em sua testa antes de ir em direção ao meu quarto. Acho que demorei uns vinte minutos entre banho e escovar os dentes. Quando desci para tomar café encontrei os caras todos comendo que nem umas dragas.

“Bom dia.” – disse, abrindo a geladeira e pegando o que eu queria.
“Bom dia.” – escutei todos falando ao mesmo tempo e me sentei em um dos banquinhos altos livres ali, começando a preparar meu café.
Ninguém disse nada, todos éramos meio lerdos de manhã. Eu já estava na minha segunda torrada quando a escutei entrando na cozinha, com cara de sono, pálida e com uma camiseta que provavelmente era de .

“Bom dia meninos.” – ela murmurou, vindo para o meu lado, me abraçando pela cintura assim que me alcançou e encostando a cabeça no meu peito. Automaticamente eu a abracei também e dei um beijo em seus cabelos.
“Estou ficando com ciúmes de vocês dois.” – disse, se fazendo – “Oh, meu Deus, estou sendo trocado pelo .” – ele deitou a cabeça na mesa fazendo drama, conseguindo arrancar uma risadinha de .
“Não torra , a não está muito bem.” – eu disse, a aconchegando mais perto e sentindo que o corpo dela ainda estava um pouco mole.
“Não está?” – imediatamente levantou-se de onde estava e veio para o outro lado dela, a abraçando – “O que você tem?”
deu de ombros.
“Aquela gororoba do a fez passar mal a noite inteira.”
“Não era gororoba!” – disse, se defendendo e também vindo em direção dela.
“Cara de gororoba tinha, mas estava muito bom.” – disse de boca cheia.
“Quer que eu faça alguma coisa pra você?” – voltou a atenção para ela, a puxando dos meus braços e a fazendo sentar em um dos banquinhos – “Não quer voltar a se deitar?”
“Eu estou bem.” – ela disse com a voz baixinha e encostou-se de novo em mim, como estava sentada ao meu lado – “Só parece que dançaram sapateado no meu estômago a noite inteira, mas eu estou bem.” – ela deu um sorrisinho para ele e logo depois olhou para mim, sorrindo.
“Quer um chá?” – pediu – “Também só sei fazer isso.” – ele riu e assentiu com a cabeça, roubando um pedaço da minha torrada que estava em cima da mesa.
“Isso é meu, mocinha.” “Não vai negar comida para uma enferma, vai?” – não, eu não negaria. Eu não negaria nada que ela me pedisse.

POV

“Não sei se vou, dudes.” – escutei falando na cozinha enquanto eu chegava na mesma. Já se passavam das sete da noite e eu fui mimada o dia inteiro. Apesar de que meu estômago estar gritando por comida, já que aqueles quatro não me deixaram comer nada além de bolacha de água e sal. Ou seja, tinha tomado uns trinta litros de chá e comido umas três mil bolachas. Que merda, aquelas coisas não sustentam. A única coisa boa mesmo foi ficar sendo mimada, isso eu não reclamo. Principalmente pelo , que ficou comigo o dia inteiro. Ele fica tão fofo preocupadinho. Nem tinha dado tempo de eu agradecer por ele ter ficado comigo – no bom sentindo, infelizmente – noite passada, mas eu ainda faria isso, quero dizer, agradeceria. Entrei na cozinha e fui direto me escorar em que era o único sentado.

“Não sabe se vai onde?” – pedi me intrometendo, era enxerida mesmo.
“Em um pub do centro, mas parece que esse cabeçudo não quer ir!” – respondeu fazendo carinho no meu cabelo, ele era tão querido.
“Só vou se a for.” – ele disse, abrindo a geladeira e pegando uma cerveja dali.
“Me tirem dessa.” – respondi logo – “Vão vocês quatro, se divirtam e me deixem quietinha aqui no meu dia de doença.”
“Dramalhona.” – resmungou ao meu lado, me dando um tapa fraquinho na cabeça. Aproveitei que estava entrando bem na hora na cozinha.
.” – eu disse, estendendo o “a”, fazendo manha – “O me bateu!” – fiz bico e olhei pro , me fingindo de brava.
“Por que não me chamou, , eu ajudava!” – ele falou, gargalhando junto com os outros dois que estavam ali.
“Era pra você me defender, idiota.” – mostrei o dedo do meio pra ele, que riu mais ainda e deu um beijo na minha cabeça assim que passou por mim.
“Mas voltando ao assunto.” – disse – “ Vamos, não vamos? Qual é, hoje é sexta feira!” – ele fez bico.
“Eu já disse que estou fora, hoje não quero sair, mas vocês vão!” – mirei os três que estavam ali, sabendo que iria de qualquer jeito, mesmo não estando ali presente.
“Sem essa.” – dessa vez quem falou foi , que tinha uma long neck em mãos – “Também não estou afim de sair hoje, além do que, alguém precisa ficar com a .”
“Sem essa você!” – eu logo disse. Não queria que ele perdesse a noite por minha causa, e também estava louca por uma pizza e ele ali não deixaria eu comer. O que? Eu tinha passado o dia a bolacha de água e sal, esqueceram? – “Sério, não quero que vocês percam um dia das tão queridas férias por minha culpa, eu vou ficar bem.” – olhei para os três, sorria concordando, parecia que estava de acordo também, pois fez um bico, mas sorriu, já parecia irredutível – “Juro, nem sinto mais nada!”

Saco, saco, saco, saco. Adeus pizza e coca-cola. não iria e pra ajudar apoiava ainda. Saco! Àquelas horas antes deles saírem passaram relativamente rápido. Eu estava no sofá gigante da sala pintando minhas unhas de vermelho puta, quando escutei a manada descendo as escadas. Eram umas nove da noite já.

, estamos indo, ok?” – disse em português, e eu sabia que era só pra irritar os meninos e principalmente , que odiava quando a gente conversava em português.
“Inglês, por favor!” – eu não disse? disse dando um pedala em , que riu e devolveu o carinho. Eles se amavam.
“Divirtam-se, meninos.” – desviei o olhar das minhas unhas e olhei para eles, que estavam muito gatos – “Uau, acho que mudei de ideia, vou junto e botar inveja em todas as garotas de lá, já que vou estar com os mais gatos!” – dei uma piscadinha quando terminei a frase e eles riram.
“Tchau.” – veio até mim e me deu um breve beijo na testa seguido de e , que fizeram o mesmo.
“Não esperem a gente.” – gritou antes de sair.
“Como se nós fossemos!” – revirou os olhos e caiu ao meu lado, pegando o controle remoto que estava ao meu lado e mudando de canal.
“Hey, eu estava assistindo!” – reclamei, fechando o esmalte, já que havia terminado de pintar, e pegando o óleo secante.
“Estava nada.” – tudo bem que não estava prestando muita atenção, mas eu estava ali primeiro.
“Chato.” – disse em português só pra irritá-lo, que me beliscou.
“Inglês, por favor.” – ele repetiu o que havia dito uns minutos antes, rindo.
“Eu disse, chato!” – fechei o óleo secante, colocando todas as coisas que usei em cima da mesa de centro e logo mostrando a língua para ele, que me beliscou de novo.

Ficamos em silêncio prestando atenção na televisão, onde passava X-Factor. Tinha cada coisa que aparecia lá, dava até vergonha de assistir de tão bizarro que certas pessoas eram. Minha barriga deu sinal de vida, mostrando que as bolachas já tinham sido digeridas a muito tempo. Olhei para , pensando se ele deixaria comer uma pizza bem suculenta ou se me faria comer uma sopa chocha.

.” – eu chamei a atenção dele, que me olhou desconfiado, pois eu estava fazendo manha.
“Lá vem coisa.” – ele voltou a atenção para a televisão de novo – “O que você quer, coisinha?”
“Pizza?” – eu falei, como se fizesse uma pergunta.
“Como?” – ele me olhou sorrindo e com as sobrancelhas arqueadas.
“Por favor , meu estômago está no dedão do pé, se eu vir chá e bolacha de água e sal na minha frente eu vou ter um colapso, e olha que eu sou viciada em chá!” – eu disse séria, mass logo fiz minha melhor cara de pidona – “Por favor, vamos pedir uma pizza, por favor, por favor!”
“Você não está grávida nem nada do tipo, né?!”
“Vai a merda , só se for do divino Espírito Santo!” – dei um tapa nele e me levantei – “Se você não quer problema seu, eu vou comer pizza.” – peguei o telefone sem fio ao lado do sofá e me dirigi até a cozinha, pegando um dos folhetos de alguma pizzaria que estava grudado na geladeira.
“Olha que estresse dá ruga, ” – e não é que a praga veio atrás? apareceu ao meu lado e tirou o papel da minha mão.
“Devolve, eu quero pedir pizza!” – resmunguei tentando pegar o papel.
“Eu vou pedir.” – ele disse, sorrindo – “Ou você acha que com esse seu inglês alguém vai entender alguma coisa que você falar?” – ele me olhava sério, mas eu via o sorriso sacana que ele tinha escondido atrás daquilo.
“Nem vou te responder, e eu quero pizza de calabresa.” – exigi e sai da cozinha voltando para a sala, quem sabe um filme não caia bem.
“Prontinho madame, sua pizza chega daqui meia hora.” – vi caindo todo espalhado no sofá novamente.
“O que acha de assistirmos um filme?” – me virei para ele e sorri.
“Depende qual, não tô a fim de assistir nenhum dramalhão, por favor.” – ele fez cara de choro e eu ri concordando com a cabeça.
“Que tal esse?” – pedi, depois de uns minutos olhando a enorme coleção que eles tinham – “Show de Vizinha?” – mostrei o DVD para ele, que concordou.

Umas duas horas depois, muitos pedaços de pizza, muito refrigerante para nós dois – não quis beber álcool – o filme estava acabando. Estávamos sentados no chão, estava encostado no sofá e eu estava praticamente deitada em cima dele no meio de suas pernas. Mais alguns minutos e o filme acabou. Não que eu tivesse prestado muita atenção com ora fazendo carinho nos meus cabelos, ora no meu braço, ora na minha cintura, mas enfim. Senti ele se mexendo e então percebi que o filme já havia acabado. Levantei meio a contra gosto, queria ficar grudada nele por muito tempo ainda. Vi-o indo até o DVD e desligando tudo, deixando apenas a televisão funcionando em algum canal que nem me dei o trabalho de olhar. Joguei-me no sofá esparramada e fechei os olhos.

“Com sono?” – abri os olhos ao perceber a voz de perto do meu ouvido, e me dei de cara com ele sentado ao meu lado no chão com o rosto escorado bem ao lado de minha cabeça.
“Na verdade não, acho que mais preguiça.” – falei baixinho, fechando os olhos novamente enquanto ele fazia carinho no meu cabelo. Era tão bom sentí-lo assim, pertinho de mim, me tocando. Eu sabia há tempos que era apaixonada por ele, antes pensei que fosse só coisa de fã, mas esse tempo que estou aqui me confirmou que não era paixão de fã que eu sentia. Sorri ao sentir como ele era carinhoso comigo. Senti a respiração dele mais perto do meu rosto e a mão dele parar de me acariciar, foi aí que eu senti um beijo delicado bem perto de minha orelha. Eu não podia acreditar. Mordi o lábio para evitar qualquer som sair dali e senti outro beijo, agora mais molhado, no mesmo lugar.

POV

Eu não estava me aguentando, tocá-la já não era o bastante, eu precisava de mais, eu precisava sentir os lábios dela. Eu podia estar fazendo a maior burrada da minha vida, podia estar estragando o que tinha com ela com isso, podia estar estragando minha amizade com , mas eu precisava daquilo. Dei outro beijo como o primeiro, só que mais molhado, mais demorado. Enquanto uma das minhas mãos continuava nos cabelos dela, a outra já estava na cintura fininha coberta apenas pela camisa fina. Movi minha boca para o lóbulo de sua orelha e dei uma mordidinha ali, vendo a reação que eu causava nela. Senti uma das mãos dela vindo em direção ao meu cabelo, agarrando-os ali, e a outra ir de encontro com a outra minha em sua cintura. Voltei a distribuir beijos molhados pelo local, indo até o queixo e voltando para a orelha. cheirava tão bem. Sentia ela apertando cada vez mais meu cabelo e arranhar meu braço com a outra mão, aquilo estava bom, mas eu queria sentir o gosto dela, eu queria sentir a língua dela. Me afastei um pouco, chamando a atenção dela, que me encarou com os olhos esmeraldas escuros e brilhantes. Sorri para ela, que sorriu em retorno, e eu me senti aquecido com aquele sorriso que sempre me deixava bem. Sem nos separar muito, deitei ao seu lado no sofá, sem nunca deixar que nossos olhares de desprendessem. Passei uma mão por sua cintura, acariciando o local, e a vi sorrindo mais ainda. Fui me aproximando lentamente de seu rosto, seus olhos brilhavam tanto que eu os podia ficar admirando para o resto de minha vida. O inevitável aconteceu, nossas bocas encostaram-se e foi a melhor sensação que eu senti. passou os braços por meu pescoço, acariciando minha nuca e puxando meu cabelo cada vez que o beijo ganhava velocidade e intensidade. Ela tinha um gosto ótimo, um gosto melhor do que eu poderia imaginar. O beijo dela era muito bom. Não sei quanto tempo ficamos com as bocas grudadas, com as mãos explorando os corpos, quando vi alguém me cutucava, foi então que percebi que ainda estávamos no sofá. deitada em meu peito enquanto eu a abraçava. Escutei alguém me chamando e quando olhei vi parado em nossa frente.

“Dude, o que vocês estão fazendo dormindo no sofá?” – ele disse sussurrando, provavelmente para não acordar .
“Acho que pegamos no sono...” – respondi ainda me situando onde estávamos – “Que horas são cara?”
“Três da manhã dude, vai pra cama que eu levo a .” – ele me deu um tapinha no ombro, como falando para eu levantar, já que eu estava sentado em frente ao corpo dela.
“Pode deixar que eu a levo!” – disse levantando, me olhou de um jeito estranho e eu sabia que ele desconfiava.
“Dude... Vocês...” – ele começou, mas eu não dei tempo dele terminar de falar.
“Me deixa levar ela pra cima, depois a gente conversa, você já tirou meu sono mesmo.” – ele concordou com a cabeça enquanto eu pegava no colo e subia as escadas. Deitei ela na cama com cuidado e lhe dei um selinho demorado. Aquela noite tinha sido especial, assim como era para mim em tão pouco tempo. Eu não era mais um moleque que fugia de sentimentos, não sabia o que sentia por ela, mas não custava descobrir. E descobrir com ela seria melhor ainda. Voltei para a sala e encontrei sentado em uma das poltronas que ali havia, com um copo de água em mãos. Sentei no outro sofá e vi que ele me encarava. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele abriu a boca.

“Dude... Vocês transaram?” – eu não sabia se ele estava bravo, mas cara feia pra mim é fome. E como assim transaram?
“Você tá louco, ?” – eu disse, arqueando a sobrancelha – “Obvio que não!”
“Mas...” – ele parecia confuso agora, cara, estava bêbado ou o que?
“A gente se beijou.” – falei de uma vez e esperei a reação dele, era melhor contar logo mesmo sabendo os ciúmes que ele sentia dela.
“Beijaram?” – ele parecia espantado.
“O que, preferia que tivéssemos transado?”
“Cala a boca, ” – ele disse sério – “Como assim se beijaram, dude? É a minha !”
“Sua?” – que papinho era aquele?
“Você entendeu o que eu quis dizer, cara, eu não vou deixar você brincar com ela. Somos amigos, mas a vem muito antes que nossa amizade!” – ele disse sério, e eu nunca tinha visto assim.
, presta atenção.” – eu suspirei – “Eu realmente gosto dela, e se ela quiser a gente pode tentar alguma coisa. Você me conhece dude, sabe que eu não sou mais aquele moleque do começo da banda!” – disse tudo de uma vez, e quando vi o idiota estava rindo – “Tá rindo do que imbecil?”
tá apaixonadinho.” – ele cantarolou e eu revirei os olhos, não me aguentando e rindo junto com ele. Quem sabe não era verdade.
“Vai se ferrar, seu gay.” – ataquei o controle que estava ao meu lado, mas o idiota se desviou.
“Ui, ficou bravo.” – ele se fez de gay e levantou ainda rindo – “Eu vou ir dormir que ganho mais, a noite foi cansativa.”
“Quem foi dessa vez?” – me joguei no sofá deitando.
“Adivinha quem é que está pegando Frankie do The Saturdays?!”

Capítulo 2

POV

Quando abri os olhos, demorei uns bons minutos até perceber que estava embaixo do meu edredom quentinho no meu lindo quarto. Como eu vim parar aqui já era muito pra minha cabeça, porque eu não faço a mínima idéia. A última coisa que lembro foi de estar... Oh my God, eu e o nos beijamos, eu e o nos beijamos, ok, Oh my God, eu fiquei com e Oh my God, eu sou apaixonada por ! Peguei meu celular ao lado da cama no bidê e vi que ainda eram nove da manhã, e todos aqueles preguiçosos provavelmente ainda estariam dormindo. Levantei, me livrando das roupas ainda no quarto e indo em direção ao banheiro, precisava de um banho para acordar. A água morninha caindo sobre meu corpo estava deliciosa, as lembranças da noite passada vieram na minha cabeça e não pude conter o sorriso, parecia tudo um sonho. foi tão perfeito, o beijo dele é tão perfeito. Terminei de tomar banho em meio a pensamentos, e não vou negar que estava muito, mas muito feliz. Coloquei um shorts jeans curto, uma baby look pink e minhas havaianas brancas, incrível como mesmo sendo março estava insuportavelmente quente para ser Inglaterra. Dei um jeito no meu cabelo molhado e desci as escadas toda contente e morrendo de fome. Cheguei ao último degrau e me assustei ao ver dormindo no sofá, ele estava todo torto e um pouco de sol batia em seu rosto. Eu não sabia bem qual seria a reação dele hoje depois do beijo, mas esperaria ele puxar assunto ou falar alguma coisa, eu não me pronunciaria. Por isso achei melhor deixá-lo ali, ignorando minha vontade de ir até lá e acordá-lo. Fui para a cozinha mexendo no meu celular. Depois de mandar uma mensagem pra , minha melhor amiga no Brasil, decidi preparar café para todos. Fiz café tirando uma xícara para mim e deixando o resto na cafeteira, arrumei a mesa da cozinha com tudo que se tem direito. Depois fiz umas torradas e arrumei um pouco de cereal pra mim. Meu estômago já gritava por comida. Sentei em um dos bancos altos e comecei a atacá-la, lendo uma revista que estava jogada ali em cima da bancada. Estava entretida vendo as fofocas sobre a vida dos famosos e comendo quando senti alguém entrando na cozinha. tinha a cara amassada e os olhos pequeninos, demonstrando que ele havia acabado de acordar e que não tinha dormido o bastante.
“Bom dia, amor.” – eu disse em português, quando ele se sentava ao meu lado coçando o olho e me dava um beijo na cabeça – “Acordou tão cedo por que?”
“Perdi o sono, esse calor dos infernos...” – ele resmungou, encostando-se a mim, que passei um dos meus braços pelo pescoço dele e comecei a fazer carinho em seu cabelo revoltado – “Não estou mais acostumado com esse calor, por favor, cadê a Inglaterra de antigamente?” – eu ri de seu mau humor matinal.
“Está com fome?” – perguntei, vendo-o assentir – “Café com torradas?” – ele assentiu de novo e eu ri da manha que ele fazia quando acordava. nunca mudaria.
Logo ele já estava comendo, enquanto eu continuava entretida com a revista e com meu copo de suco de maçã que, por sinal, é uma delicia.
“Nem vou perguntar como foi sua noite.” – ele quebrou o silêncio, chamando minha atenção. Nós continuávamos falando em português.
“Hãn?”
“Encontrei você e o dormindo agarrados ontem no sofá da sala.” – ele me olhava com um sorrisinho sacana no rosto.
...”
“Nem esquenta, ok? Só não quero que você se machuque, mas já tive um papo com o e...” – ele o que?
“Você o que?” – eu arregalei os olhos quase gritando, mas antes que ele pudesse falar alguma coisa a outra parte da história entrava na cozinha, com a cara amassada mais linda do mundo.
“Inglês, por favor, quantas vezes eu ainda vou ter que pedir isso?” – eu estava congelada no lugar – “Bom dia cara.” – o vi vindo para nosso lado e dando um tapa na cabeça de , que revidou com uma cotovelada. Vi-o me olhar e sorrir, eu quase desmaiei com aquele sorriso – “Bom dia, .” – ele se aproximou mais de mim e deu um beijo no meu pescoço, fazendo uma corrente passar por todo meu corpo.
“Bom dia.” – eu murmurei, meio perdida ainda na conversa com .
“Cara, que dor nas minhas costas.” – disse após se sentar em um dos bancos.
“Ninguém mandou dormir no sofá.” – eu disse, voltando ao normal e rindo enquanto fazia um cafuné nos cabelos dele – “Está com fome?”
“Morrendo de fome. E eu não teria dormido no sofá se seu querido amigo não tivesse me acordado da primeira vez, pelo menos não sozinho!” – ele falava, enquanto eu levantei e fui pegar um pouco de café e algumas torradas para ele, pois o resto que tinha na mesa já tinha sido atacado. E juro que quase morri quando escutei a frase completa.
“Claro, isso é verdade, não é, ?” – ok, essa era a hora que eu saía correndo.
“Larga mão de ser babaca, seu idiota!” – antes que eu pudesse falar, respondeu por mim.
e não estão em casa?” – resolvi mudar de assunto antes que aquilo piorasse.
estava com alguma garota que eu não conhecia ontem, provavelmente dormiu com ela, e também.” – respondeu, revirando os olhos.
“Hum...” – foi tudo que saiu da minha boca, eu queria um buraco pra me enfiar, juro, por que eu estava me sentindo assim? Levantei meu olhar e vi que me olhava sorrindo enquanto mastigava, dei um sorriso pra ele, me sentindo realmente incomodada de estar no meio daqueles dois – “, me empresta seu notebook?”
“Pra que?” – ele deixou a xícara em cima da mesa e me olhou, com um sorriso debochado no rosto. Eu conhecia aquele sorriso, ele sabia que eu estava desconfortável.
– “MSN, amigos, essas coisas, sabe, além do que você prometeu, mas ainda não me levou pra comprar o meu.”
“Sabe o que é, linda, não vai dar!” – aquela cara de santo dele não me enganava, principalmente com esse sorriso debochado que eu tenho vontade de arrancar com a faca da cara dele.
“E porque não?” – voltei a me sentar e olhei pra ele debochada.
“Porque não, tenho coisas pra fazer, sabe como é!” – cretino de uma figa.
“Eu te empresto o meu, .” – escutei falando e desviei meu olhar mortal de , me virando pra única pessoa querida presente ali.
“Sério?” – ele assentiu com a cabeça.
“Problema resolvido!” – cantarolou ao meu lado, que raiva que eu estava dele.
“Cala a boca, energúmeno.” – fiz um gesto com a mão, o ignorando.
“Tá bravinha...”
“Então...” – disse, prevendo que eu ia pular em cima de – “Claro que eu te empresto, só preciso achar o cabo dele porque está sem bateria, mas deve estar por algum lado do meu quarto.”
“Feito, então.” – sorri e me levantei, esbarrando propositalmente em , que me olhou torto – “Quando você terminar seu café, pode ser?”
“Claro, mas eu já acabei.” – ele disse, tomando um último gole e levantando-se – “Vamos lá no meu quarto pegar.”
“Olha, olha vocês dois!” – disse, segurando o riso.
“Cara, vai à merda!” – foi que respondeu, dando um pedala nele, com a mão que procurou a minha.

POV

Não sei porque ela estava tão estranha. Acho que estava com vergonha. Bem, pelo menos eu queria que fosse vergonha, não arrependimento do que aconteceu noite passada. Com nossas mãos entrelaçadas eu a puxei até meu quarto, entrando e logo fechando a porta atrás da gente. Ela continuava quieta e olhava para todos os lados, menos para onde eu estava.
“Vou procurar o cabo pra você.” – soltei da mão dela e a olhei – “Fica à vontade, ok?”
“Não quer ajuda?” – ela virou o olhar para mim, mas ao ver que eu a olhava logo desviou – “Hum... Tudo bem que não sei onde as coisas ficam aqui no seu quarto, mas...”
“Relaxa, .” – sorri, fazendo um afago no braço dela e percebi que ela reagiu ao toque. Eu me referia a tudo, ela não precisava ficar daquele jeito pelo beijo, se ela não quisesse nada ninguém a obrigaria – “Acho que eu o perdi no meio do meu closet, relaxa que eu já acho.”
“Ok.” – ela murmurou, e foi em direção a um mural com fotos que eu tinha no quarto.

Depois de revirar o closet, finalmente achei o bendito cabo. Não sei como ele foi parar na minha gaveta de meias, mas o importante é que eu o havia encontrado. Voltei para o quarto e encontrei-a sentada na minha cama, segurando meu travesseiro no colo.
“Achei.” – falei para chamar a atenção e acho que consegui, pois ela deu um pulo e jogou o travesseiro do outro lado da cama – “Hey, calma.” – eu sorri e fui em direção a ela, tínhamos que conversar, eu não podia ficar com a essa dúvida – “Gostou do meu travesseiro?” – pedi risonho, sentando-me ao seu lado e a vendo morder o lábio e corar.
“Não.” – ela fez uma cara estranha e me olhou – “Só peguei ele na mão, nada de mais.”
“Certeza?”
“Como você é chato, hein .” – ela revirou os olhos e finalmente olhou nos meus, sorrindo – “Muito chato.”
“Então porque não assume que estava sentindo meu delicioso cheiro no travesseiro?” – eu disse, brincando, mas do nada ela ficou absurdamente vermelha e arregalou os olhos.
“Você viu?” – ela disse, sussurrando – “Ai meu Deus, que vergonha.” – escondeu o rosto entre as mãos após ter se entregado, porque eu não havia visto nada.
“Hey, eu não vi nada, você que se entregou agora.” – eu ri e puxei suas mãos que tampavam o rosto, trazendo o rosto dela para cima – “Você fica linda toda vermelhinha.” – fiz um carinho na bochecha dela, satisfeito por ter seu olhar nos meus olhos.
...” – ela começou, mas eu não a deixaria terminar a frase.
“Você esta arrependida por ontem?”
“O que?” – ela arregalou os olhos e eu vi um sorriso nascer em sua boca e ir até seus olhos suspirou e me olhou diretamente de novo – “Estou envergonhada, pronto.”
“E posso saber o porquê da vergonha? Nós somos livres e desimpedidos, isso não é algo normal que acontece?”
“Não estou com vergonha pelo aconteceu, e sim pelo que provavelmente foi falar com você, eu realmente espero que ele não tenha lhe dito nada do tipo: Como assim dude, é minha e bla bla bla”. – ela revirou os olhos e eu gargalhei – “Ta rindo do que, demente?”
“Vocês se conhecem muito bem, não é?!”
“Um pouco.” – ela fez pouco caso e foi minha vez de revirar os olhos.
“Você disse exatamente as palavras dele.”
“É, talvez a gente se conheça bastantinho!” – ela segurou um riso, mas eu o vi dançar em seus lábios.
“Bastantinho?” – eu imitei-a e aproximei os rostos – “E se o que aconteceu ontem se repetisse?” - sorriu e eu vi que tinha carta verde com ela.
“Aí eu ia querer que se repetisse mais e mais vezes.” – ela murmurou, alternando olhares entre meus olhos e minha boca, assim como eu fazia.
Não esperei mais nada, grudei nossas bocas em mais um beijo como da noite passada. Porem com uma pitadinha a mais. Era a segunda vez que eu a beijava, mas podia dizer que ficava melhor a cada nova vez. Ela envolveu os braços em volta do meu pescoço, aproximando mais os corpos, e eu a abracei pelas costas, fazendo um carinho ali e a apertando forte. Senti os dedos dela mexerem nos meus cabelos, aquilo era maravilhoso.
Ficamos de chamego por não sei quanto tempo, por mim ficaríamos ali o dia inteiro nos beijando, nos conhecendo melhor, mas quem nos trouxe a realidade foi . Não é que ela preferia o notebook a ficar ali comigo? Bufei exageradamente quando ela disse que tinha que falar com não sei quem no MSN. Por que ela não podia fazer isso depois, de preferência em um horário no qual eu não estivesse em casa? Não era egoísmo, eu só queria ficar com ela.
“Nem faz essa cara de cachorro abandonado, , assim não vale!” – ela já estava em pé com meu notebook e o cabo em mãos. Será que eu podia voltar com minha palavra?
“Você vai me trocar por um computador, quer que eu fique como?”
“Nem vou demorar tanto assim, e aposto que você tem coisas pra fazer, não tem? Tipo ajudar os guys a fazer alguma coisa que eu não sei, mas que vocês estavam conversando ontem?”
“Vai logo, vai, também depois não quero saber se você quiser beijo.” – ela riu e me mandou um beijo pelo ar, logo saindo do quarto.
Qual é, cadê meu beijo de verdade? Decidi que não ia ganhar nada ficando deitado naquela cama, levantei e fui pro meu banho. Eu realmente tinha coisas pra fazer com os caras.

POV

Eu não podia estar mais feliz. Eu estava ficando com , do McFLY, minha paixão platônica. Eu precisava conversar com minhas amigas – lê-se – sobre isso. Corri pro meu quarto, que ficava logo em frente ao de , e logo liguei o notebook dele. Mesmo me corroendo por dentro para futricar em tudo quanto era pasta e afins, eu precisava urgentemente conversar com minha melhor amiga. Conectei o MSN ao mesmo tempo em que entrava no Orkut e no meu Twitter, que estava totalmente abandonado há um bom tempo. Assim que o MSN conectou, três janelinhas já se abriram. Eu estava morrendo de saudades disso. Deixei os outros dois sites fazendo login e abri a primeira janelinha que piscava.

diz:
AMIIIIIIIIIIIIIIIIIGA *-*
diz:
Gata, que saudades que eu estou de vc! Como vc tá?
diz:
Tô bem, tirando as saudades e a curiosidade, me conte sobre o AGORA, bruaca!

Deixei ela ali tendo os ataques dela antes de responder e abri outra janelinha que piscava.

Rafael McAllen diz:
Psiu!

Eu ri, ele sempre me chamava pra uma conversa assim, mesmo antes de namorarmos, e nunca mudava.

diz:
Rafa *--* como vc tá?

Deixei ele ali e fui pra terceira janela, pro meu azar, porque preferia ignorar aquela ali.

diz:
, querida, soube que vc está em Londres!
diz:
Oi , pois é. Morando com o . Olha, desculpa, entrei rapidinho e tenho que sair, a gente se fala! Tchau.

Bloqueei a vaca. era uma ridícula que vivia dando em cima de qualquer namorado ou ficante que eu tinha. Sem contar nos amigos - que o diga. Bem, ignorando a vaca, voltei a conversar com a e o Rafa, que saudades que eu sentia deles. porque era minha melhor amiga e eu não sabia como estava conseguindo sem ela, e Rafa porque, bem, ele foi meu namorado por um bom tempo. Três anos não se jogam no lixo assim. Só sei que perdi a hora entretida com eles, não sabia o que eles faziam acordados tão cedo, já que eram três horas de diferença, mas foi bom matar as saudades, ficar por dentro dos assuntos, conversar besteira. Já eram meio dia e dez, já tinha saído e eu tinha me esquecido completamente de outras coisas. Continuava conversando com Rafa e rindo muito das doideras que meus amigos faziam e eu não podia ver por estar aqui. Estava tendo um ataque de risos quando senti um peso na cama ao meu lado, pois estava de bruços na mesma. Olhei para o lado e dei de cara com um me olhando todo meigo.
“Hora do almoço, mocinha.” – ele disse, mordendo minha bochecha enquanto eu fazia uma careta.
“Eu esqueci completamente, desculpa!” – me apressei em dizer que estava descendo e já faria o almoço – “Vou apenas dar tchau aqui e já desço pra preparar algo.”
“Nem esquenta, pedimos comida chinesa. Por hoje você teve uma folga!” – ele falou, se apoiando de lado na cama e olhando para a tela do notebook, onde estava maximizada a página da conversa com Rafa – “Se divertindo?” – perguntou, rindo.
“Muito, e também matando as saudades.” – sorri pra ele e digitei que tinha que sair para Rafa.
“Quem é?” – ele pediu, e eu vi que ele olhava para a foto da exibição de Rafa, uma foto minha e dele – “Você está bonita nessa foto. Bem, você sempre está bonita.” – eu sorri em retribuição.
“Esse é o Rafa.” – mordi meu lábio inferior e terminei de dar tchau para ele.
“Seu ex namorado.” – ele afirmou, e eu me chutei por ter contado isso.
“Yep! Vamos comer? Bateu uma fome enorme agora e eu amo chinês.” – fechei tudo e levantei num pulo, estendendo a mão para ele, que a pegou e levantou.
“Vamos logo antes que aquelas dragas comam tudo.”
“Se o tocar na minha comida ele morre!” – fiz uma cara de assassina e me abracei nele pela cintura.
“Então é melhor ir preparando as armas.” – eu lhe dei a língua e em troca ganhei um selinho demorado. era um amor, e me apaixonar ainda mais por ele não seria nada difícil.


CONTINUA...

Nota da autora: Oiii amores. Bom, primeiro eu queria agradecer muito e muito por tooooodos os comentários que me animaram e foram muito construtivos. E seguindo a pedidos e dicas de muitas de vocês, a fic agora esta com os guys moveis. Então você vai poder ter seu romance com o seu predileto *----* Minha primeira fanfic Mcfly, mas minha milionésima estória criada, da um nervoso em pensar que às vezes eu possa estar escrevendo merda, mas vocês me deram muita expectativa com os comentários e espero que a cada atualização mais e mais do mesmo ocorra. Queria agradecer a Talita linda, minha beta-reader, apenas pelo motivo de betar a ‘You’ll Be’ *.* e a todas vocês por lerem, a resposta que se ganha em troca do que se escreve é magia pura! Sigam-me no twitter amores e digam que são daqui que eu sigo vocês também, @mandakm bem, é isso até a próxima atualização! Aguardo os comentários. Beijos baby’s :**