White Lies
Autora: Taly
Beta-Reader: Mah
Capítulo 01
Como de costume, estava atrasada. E por mais que eu estivesse habituado com isso, eu ficava angustiado. Todas as vezes. Sentado na minha carteira rotineira ao fundo, eu tinha uma visão privilegiada de todos que saíam e entravam. O professor Luiggi já estava impaciente com os alunos, que conversavam alto sem dar a mínima atenção ao homem inquieto.
- SILÊNCIO! - Gritou ele numa explosão, a paciência esvaindo-se. Todos finalmente se aquietaram emburrados. Era a última semana de aula, afinal. O professor não poderia esperar muita produtividade nesse tempo.
E então eu avistei a esperada figura esbaforida parada na porta.
- Licença professor Mário. Quero dizer Luiggi. - Brincou ela, arrancando gargalhadas de toda a sala. O professor assentiu com a cara fechada, ainda segurando uma pasta vinho entre o braço.
finalmente entrou, esquivando-se das carteiras até sentar-se à minha frente. Ela olhou por cima do ombro e sorriu para mim, dando um bom dia sussurrado. Respondi o cumprimento, mas não fui ouvido devido à voz alta do professor.
- Tenho duas notícias. - Anunciou ele. - Uma boa, e uma nem tanto.
Todos suspiraram pesadamente em conjunto.
- A má notícia é que eu preparei uma prova surpresa para hoje. - Ótimo! Tudo que eu precisava. Uma prova surpresa de química. E que coisa boa ele via nisso?
- A boa notícia é que esta é a última prova para o encerramento do ano.
Certo, que venha a última prova então. Enquanto o professor entregava as folhas para a segunda fileira, se virou de frente para mim animadamente, um sorriso enorme estampado em seu rosto. Era impossível não sorrir também.
- Você não vai acreditar o que aconteceu agora pouco! - Ela disse chacoalhando as mãos com ansiedade, o sorriso permanecendo.
- O que você andou aprontando ? - Perguntei semicerrando os olhos numa cara desconfiada.
- Hey! Eu não apronto nada, tá? - Ela deu de língua fazendo uma cara emburrada. - Você sabe... - Ela girou o dedo indicador por cima da cabeça num círculo, indicando uma auréola inexistente e o meigo olhar forçado.
- Quem não te conhece que te compre capeta. - Murmurei, rindo logo em seguida.
era minha melhor amiga desde os 12 anos. Nos conhecemos na escola mesmo, quando a professora-elefante de matemática decidiu nos unir em um trabalho em dupla na segunda semana de aula. Ambos éramos novatos na escola, então nos unimos facilmente. E seguiu-se assim por mais cinco anos. Eu realmente gosto dela. Nós conversamos todos os dias, ainda que nos finais de semana e feriados. Eu costumava a tratar como irmã. Mas de uns dois meses pra cá, eu tenho sentido alguma coisa além da amizade. No começo me odiei por estar apaixonado por ela. Como era possível depois de tantas coisas que vivenciamos? São cinco anos , e não apenas cinco dias! Porém fui aceitando o fato, visto que o sentimento não se desgrudava de mim. O pior de tudo vem agora: ela não sabe e, além de tudo, eu tenho namorada.
Notei que a prova já havia começado, e a folha estava bem na minha frente. Escrevi meu nome completo, número e série lentamente, sem coragem de olhar o conteúdo da prova. Quando o fiz, era exatamente como eu havia imaginado: eu não sabia nada. Certo, eu fazia alguma idéia de três das dez questões. Me concentrei em fazer as que eu achava que estavam certas. Assinalei com cuidado após fazer os cálculos. Pulei então para as questões mortais. 01 - Escreva a fórmula estrutural dos seguintes compostos: a) 2,t2,4-trimetilpentano; b) 2-metilbuta-1,3-dieno. Que língua é essa meu Deus? To precisando de uma intervenção divina aqui!
Ouvi meu nome num sussurro. , aproveitando-se da deixa do professor que assinava uma lista na mesa, passou-me uma pequena bolinha de papel. Abri cuidadosamente por entre minhas pernas.
'911! Não sei nada, tem noção? NADA! Diz que sabe alguma coisa florzinha.'
Ri baixo, anotando mentalmente que deveria bater nela mais tarde por me chamar assim. Mas é claro, me fez lembrar do dia em que surgiu o assunto.
Era mais uma tarde no Starbucks. Estava frio e tomava um capuccino. Eu a acompanhava num chocolate quente. Estávamos conversando sobre a infância, quando ainda não tínhamos responsabilidades e era só chorar que ganhávamos algo. Ela enfim comentou que amava Power Puff Girls (Meninas Super Poderosas), e que uma vez até cortara o próprio cabelo para se tornar igual à Lindinha. Indaguei perguntando o porquê de ela gostar tanto da mais frágil e fofa. Comentei que se eu fosse uma das PPG eu com certeza seria a Florzinha, argumentando que ela era autêntica e tinha voz de autoridade. caiu na gargalhada, seus olhos até lacrimejaram de tanto rir. É claro que eu ri junto, mas ainda estava confuso. Após sua crise de riso, ainda recuperando o fôlego, ela confessou que ficou me imaginando com a roupa da Florzinha e seus longos cabelos ruivos. E assim o 'apelido carinhoso' pegou.
Dispensei o flashback, concentrando-me em responder o bilhete da garota. Escrevi lentamente, ainda pensando nas palavras.
'E qual a novidade nisso, hun? Você não presta . Não sei se tá certo, mas é tudo que eu consegui fazer. A questão 3 é a B, a 4 é a D e a questão 9 é ácido etanóico e ácido carboxílico. E só. Não pense que isso vai ser de graça. '
Amassei novamente o papel, dando uma breve olhada no professor, que continuava a escrever em sua mesa. Passei discretamente a bolinha para . Me concentrei novamente na questão um, mas não demorou cinco minutos e eu já estava recebendo outro papel amassado.
'A dois é acíclica, heterogênea, normal, saturada. A questão 6 é a C, a 7 é a B e a 10 é a C. Consegui pegar com o Steph. Isso que dá ser bonita! Vê se aprende comigo florzinha. Ficou me devendo uma ainda, haha. Te vejo daqui a pouco.'
Um inevitável sorriso surgira em meu rosto. Marquei as questões assim como descrito no bilhete, confiante nas respostas. Steph era um nerd e, assim como eu, apaixonado por . Isso não me preocupava, afinal ele cheirava a remédio e sua enorme pinta na testa deixava claro que era desprovido de beleza.
Acenei com a mão para o professor, que agora já vigiava a turma com mais cautela. Ele fez um sinal com a mão, indicando sua mesa abarrotada de papéis. Andei até a frente da sala, deixando minha prova em cima de sua pasta vermelha. Steph e mais uma garota baixinha fizeram o mesmo, saindo da sala. Os acompanhei, aguardando no banco ao lado do bebedouro há poucos metros da classe.
Peguei o celular no bolso traseiro da calça, e ele indicava uma nova mensagem há alguns minutos atrás.
'Desculpa ter te deixado irritado ontem bebê. Prometo que não vou fazer de novo! Me perdoa amorzinho? Te amo muito viu? Beijinhos. '
Rolei os olhos. Valeu . Por pouco não escorreu mel do meu celular!
e eu temos discutido muito nos últimos meses. Na maior parte das vezes, a culpa é minha por ficar irritado facilmente com ela. Seu rosto, que antes me parecia delicado e macio, agora era imagem dos meus pesadelos. Sua voz, antes agradável e suave, agora me parecia enjoativa.
Eu me sinto muito culpado por isso, sinto pena dela. Afinal, a culpa não é sua se meu coração idiota decidiu se apaixonar por outra de repente. Eu não tinha coragem de chegar e dizer a verdade. sempre me amou incondicionalmente - as vezes até demais - e sempre foi o tipo de garota que todos desejavam. Menos eu. Não pelos dois últimos meses.
O que me doía era saber que uma hora ou outra eu ia ter de contar a verdade. Mas, pior do que isso, era arriscar minha chance com . Saber que, de alguma forma, eu poderia a perder pra sempre. Apenas o fato de existir essa possibilidade me deixava com um nó na garganta.
Quando decidi não pensar mais nisso, a garota dos meus pensamentos estava em minha frente.
- De nada. - Brincou ela apertando meu nariz.
- Obrigado Miss Universo. – Agradeci me levantando para acompanhá-la até seu armário.
Ela estava com um sorriso radiante. Não que isso não fosse comum, mas estava além do normal.
- O que tem de tão bom assim para me contar?
- Ah ! Você não vai acreditar! - Disse ela, dando pulinhos de alegria com as mãos unidas na altura do pescoço. - Sabe quem me convidou pro baile? Ahn, ahn?
- Ah meu Deus, quer dizer que liberaram os alunos da sala especial para ir ao baile? - Perguntei fingindo espanto. Para não deixar dúvidas, a sala especial é aonde ficam os deficientes mentais e crianças 'especiais'. me deu um soco razoavelmente fraco no braço.
- É , liberaram. Você finalmente vai poder ir ao baile esse ano! - Rebateu ela dando de língua, sua expressão divertida. - Mas sério, não vai mesmo querer saber?
Assenti receoso. Sim, diga o nome do infeliz para eu enforcá-lo! Perdeu o amor à vida, só pode.
- Chase Smithers. - Declarou ela, sílaba por sílaba.
- Espera... Chase Smithers? - Perguntei surpreso com nervosismo em minha voz. - Chase?
Para minha decepção, ela assentiu positivamente com a cabeça. Chase era mais um dos populares do time de futebol, os cabelos dourados e os olhos azuis. Fazia cada alma feminina suspirar conforme passava. Seu histórico de garotas também não deixava a desejar - tinha todas que queria, na hora em que quisesse.
E então o jogo estava ganho para ele, não havia como competir.
Por que diabos ele havia escolhido justo ela?
Capítulo 02
Era o último dia que eu a veria antes das férias de verão. O pior dia, não só por isso, mas porque ela estaria lá acompanhada de um outro alguém. Se fosse por minha vontade, eu não iria. Mas não me perdoaria por nada nesse mundo se eu não a levasse. Eu havia tentado de tudo - inventei mil desculpas para não ir - mas ela batia o pé.
E então, lá estava eu, dirigindo em direção a casa dela, com a angústia que me envolvia desde a tarde. O som alto do carro tocava Swichfoot, e eu acompanhava a música tentando relaxar por um momento. Parei em frente à mansão de , buzinando duas vezes. Esperei pacientemente com um cotovelo apoiado na porta.
A garota finalmente saiu pelo portão, desfilando com seu vestido roxo até entrar no carro. O cheiro de seu perfume enjoativo inundou o carro e me fez torcer o nariz.
- Oi meu bebê. - Ela cumprimentou, seguido de um selinho rápido. - Você ficou uma graça assim! Quero dizer, você é lindo de qualquer jeito, né? - Ela riu com sua risada fanhosa, me dando um aperto na bochecha. Smoking não é um dos meus trajes sociais favoritos, me incomodava um pouco usar gravata borboleta e era gay demais para o meu gosto.
- Obrigado. Você também está linda. - Dei um meio sorriso sincero, fazendo a curva na esquina de sua casa. realmente era bonita, e eu tinha sorte de tê-la. Pena que não era ela que eu queria.
- Você tá surdo? – Ela resmungou depois de um tempo, abaixando o som até ficar apenas um sussurro.
- Hey, não dá pra ouvir nada agora! – Murmurei, aumentando um pouco.
- Como você é teimoso amorzinho. - Ela disse desligando o som. - Pronto, resolvido.
Parei no sinal vermelho, e a olhei feio pela atitude. Travei o maxilar, me obrigando a ficar calado - do contrário, ela sairia voando pela janela com o carro a 140km/h.
Finalmente, depois de alguns minutos em total silêncio, parei em uma das vagas do estacionamento do colégio, não muito longe do salão onde estava sendo o baile. Andei em silêncio pelo estacionamento, segurando a mão de , que sorriu ao ver as luzes do lugar.
Entramos no ginásio, agora inteiro enfeitado com flores e panos nas cores azul e dourado. Mesas estavam espalhadas por todo o lugar, deixando apenas um enorme espaço vazio no centro, onde alguns casais já dançavam animadamente sob um globo de espelho. Mais a frente, avistava-se um DJ num pequeno palco.
Sentamos em uma mesa com alguns amigos e eu logo comecei a procurá-la. Meus olhos rondavam todo o ambiente, mas eu não a via. A angústia agora parecia ter se duplicado e minhas mãos suavam. Até que por fim, para meu desespero, a encontrei, onde eu menos queria: nos braços de Chase. Ele a segurava com uma mão em sua cintura, e outra mão ocupada com uma cerveja. também bebia, dando pequenos goles. Percebi o quanto ela estava linda - mais do que de costume - com seu vestido preto. Estavam cercados pelos amigos do garoto - amigos que também eram populares e desejados no colégio. Ela estava feliz, o que me deixou com um aperto no peito. Ela estava tagarelando sobre isso a semana inteira, e seu sonho finalmente estava se tornando realidade.
De repente, Chase a puxou para um beijo. Pude sentir a dor se espalhando em meu corpo. Pedi licença a e me arrastei até o banheiro, com a esperança de que aquela dor passasse. O banheiro estava vazio, com apenas um rapaz saindo de lá. Apoiei minhas mãos separadamente na pia de mármore e me encarei no espelho. Como eu pude deixar que isso acontecesse? Como eu pude me apaixonar pela minha melhor amiga? E, pior ainda, como eu não pude ao menos dizer a ela que eu a amava mais que tudo? Implorar agora era tarde demais. Tudo o que me restava era a dor - a dor de não tê-la comigo. Ainda não satisfeito, saí do banheiro com raiva de mim mesmo.
Como se não fosse o suficiente, agora eles estavam dançando uma música lenta no meio do ginásio. Me deixava nervoso o fato de que ele estava tão perto de , colado em seu corpo perfeito.
Andei decididamente até a mesa onde eu estava há poucos minutos atrás e peguei a mão de , que estava distraída conversando.
- Vamos dançar? – Perguntei, fazendo sinal com a cabeça para a pista.
A conduzi até ficarmos não muito distante do casal que estava em minha mente. Envolvi a cintura de com meus braços, imitando o restante dos alunos ali presentes, acompanhando o leve ritmo da música. Meus olhos não desgrudavam de , que ria ao ouvir o que Chase sussurrava em seu ouvido. A música estava chegando ao fim, e minha chance era agora. Abracei a namorada a minha frente, e pedi licença novamente. Andei em direção aos dois, meus joelhos quase vacilando.
- Chase, se importa? - Pedi tocando o ombro da garota. Ele assentiu, não muito contente, e sussurrou algo para , que gargalhou.
- Tá aproveitando mesmo, hun? – Comentei, pondo as mãos em sua cintura.
- Ele é o máximo ! – Ela disse, o forte hálito de cerveja em sua boca.
- Quantas garrafas você bebeu? - Perguntei franzindo o cenho.
- Sei lá, umas duas, três... dez... Não sei...
Engoli seco. A festa mal começara e ela já estava assim. Na verdade, nunca havia a visto bêbada, o que fez com que a dor em meu peito voltasse.
- Quem vai te levar pra casa ? - Perguntei preocupado. Chase também estava bebendo, e isto não era um bom sinal.
- O Chase, é claro.
- Mas ele também está bebendo que nem você! Pode deixar que eu te levo.
- Não, o Chase vai me levar. – Ela respondeu decidida.
É duro discutir com bêbado.
A música lenta agora estava sendo substituída por uma mais agitada. Tirei uma das mãos de sua cintura e aproximei meu rosto de seu ouvido.
- Me promete uma coisa?
Ela assentiu.
- Por favor , tenha cuidado. Você é muito importante pra mim, mais do que imagina. Então, não faça nada de estúpido essa noite, não se precipite com esse cara. Veja bem no que está se metendo antes de tomar alguma decisão.
Ela recuou o rosto, e de repente me deu um tapa forte na bochecha.
- Eu sei muito bem me cuidar sozinha ! Não venha dar uma de pai pra cima de mim! – Ela ordenou, apontando o dedo indicador na minha cara.
- Mas eu... - Comecei, quando ela se virou de costas e andou em direção oposta à minha. Tentei agarrar seu braço, mas não consegui alcançá-la.
E segundos depois ela estava nos braços de Chase novamente.
A festa parecia durar uma eternidade. Passei o resto da noite ouvindo fofocas que e suas amigas comentavam, tentando me concentrar em algo. Mas nada parecia tão importante quanto a garota descontrolada do outro lado do salão, visivelmente bêbada. Meus olhos não desgrudaram de sua mesa, e eu observava cada movimento seu. A idéia de arrancá-la a força daquele lugar passava constantemente em minha cabeça. me pediu a chave do carro, alegando que esquecera seu celular no banco. Vendo uma grande oportunidade de sair, a pressionei para irmos embora, mas ela insistia em ficar para conversar mais. Decidi, então, ir pegar seu celular eu mesmo, por dois motivos: primeiro, eu não arriscaria deixar o carro em suas mãos e - não seria tão difícil - ela aprontar algo desagradável, como riscar propositalmente meu CD do Swichfoot; e segundo, eu precisava sair daquele lugar.
Lá fora, o cheiro de cigarro era insuportável. Havia ao menos seis rapazes e duas garotas fumando. Coloquei a mão sob o nariz, tentando não respirar enquanto passava por ali. Não demorou muito e eu já estava em meu carro, procurando pelo celular da namorada. O banco estava vazio. Procurei no porta-luvas e, se estivesse ali, seria impossível achá-lo no meio dos meus milhares de CDs. Vasculhei o chão do carro, até que finalmente o encontrei jogado debaixo do banco. Guardei-o no bolso, trancando o carro. Pensei no caminho de volta ao ginásio, em como é desatenta e não dá valor aos seus pertences materiais. Não há problema algum em ter um pai milionário que te dá tudo o que quer, mas era injusto desvalorizar suas coisas, quando há milhões de pessoas no mundo passando necessidade.
Minha reflexão foi interrompida por uma conversa que vinha por de trás de um conversível amarelo, onde três rapazes estavam encostados com suas cervejas em mãos.
- Cara, o Chase realmente conseguiu. Que merda, não to afim de pagar 50 dólares assim pra ele. - Um deles resmungou, em seguida dando um grande gole em sua cerveja.
- A aposta foi 50 dólares e uma caixa de cerveja, pra piorar. - O outro lembrou. Me encostei no carro ao lado, dobrando um pouco os joelhos para me esconder e apenas escutar.
- Se acalmem idiotas. - O terceiro falou, dando um tapa na cabeça dos dois. - Só pra lembrar vocês, ele ainda tem que mostrar o vídeo amanhã. Se ele realmente conseguiu comê-la, aí sim ele leva os 250 dólares e as cinco caixas de cerveja.
Naquele momento pude sentir meu sangue subindo para a cabeça. Fechei os olhos, ainda processando o que estava acontecendo. Fechei as mãos num punho e travei o maxilar, tentando conter a raiva, sem sucesso.
- Mas ele é um idiota sortudo mesmo! Não imaginei que ela ia ceder tão fácil. - O terceiro continuou após terminar sua cerveja, rindo. - Aquela garota é gostosa pra caramba, eu tava quase aproveitando que ela tava bêbada e agarrando ela também. - Os três riram.
Minha raiva aumentava a cada palavra que ele pronunciava. E eu não ia deixar barato assim.
Andei em passos largos até onde os babacas se encontravam. Ao me verem, seus olhos quase saltaram para fora. Agarrei violentamente o paletó de um deles no peito, que me olhava assustado.
- O que você disse da , hun? - Perguntei entre dentes. - Nunca mais fale dela desse jeito, ela não é um objeto qualquer pra você usar! E fique sabendo que eu não vou deixar que esse cara ganhe a aposta!
Um moreno do meu lado riu. Olhei para ele, franzindo o cenho.
- Dude, tarde demais. - Ele declarou ainda rindo. Soltei o paletó do garoto, me virando para o moreno.
- Como assim? - Minha voz saiu trêmula.
- Ele acabou de levá-la.
- Levá-la... pra onde? - Perguntei, meus joelhos vacilaram e minha respiração estava irregular, quase parada.
- Não sei, acho que pra um motel, dude. - Ele disse simplesmente, como se fosse comum. - Sabe pra que serve um motel, ou quer que eu te explique?
- Ligue pra ele. - Ordenei, ignorando sua pergunta. - Agora!
Ele arregalou os olhos e imediatamente pegou o celular no bolso. Mexeu em algumas teclas atrapalhadamente, e logo colocou no ouvido.
- Chase? - Perguntou, o nervosismo em sua voz. - Dude, aonde você tá? Fala logo, idiota! Tem um cara bravo aqui.
- Me deixe falar com ele. - Eu disse, estendendo a mão para pegar o celular. - Diga logo aonde você está ou eu mesmo te acho e acabo com você!
O telefone ficou mudo. Depois de alguns segundos ouvi uma risada, e eu a reconheci. realmente estava com ele. E então desligou.
Joguei o celular no chão, sem pensar, correndo para o ginásio. Cortei entre as pessoas que me olhavam assustadas, até chegar na mesa de . Agarrei meu celular ao lado de sua bolsa, e corri a lista de chamadas recente. O número de era o segundo. Liguei, na esperança de que ela atendesse e me dissesse que estava tudo bem, que ela estava segura em sua casa, que ele havia desistido. Mas tudo o que consegui foi 'deixar um recado após o sinal'.
Continua...
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