Waiting For My Salvation
Autora: Pamy Verdan
Beta-Reader: Annie Brissow.



1

Estava em um campo com folhas caídas ao chão, estava nublado deixando o lugar escuro, parecendo noite e sentia frio, então percebi que estava apenas de short e regata. Fui caminhando, tentando achar a saída, quando vejo alguém vindo em minha direção, parei assustada:
- Olá! - Escutei uma voz masculina e suave, como se fosse música me chamando, mas não consegui ver quem era, só uma sombra.
- Quem é você? - E sem perceber enquanto eu perguntava me aproximava dele.
- Essa não é a pergunta certa. - Respondeu dando uma risadinha baixa.
- Então qual é? - E a cada segundo que se passava eu me aproximava mais dele involuntariamente, como se algo que me puxasse para ele.
- Isso eu não posso dizer. - Quando ele terminou de dizer notei o quanto estávamos próximos, mas ainda assim não conseguia ver seu rosto.
- E por que não? - E dei mais um passo ficando a poucos centímetros de distância, só conseguia ver parte de sua boca e bochecha, mas não sentia medo dele.
- Você tem que descobrir sozinha. - Disse dando um lindo sorriso torto de lado e se aproximando, acabando com a pouca distância que nos separava e eu já sentia sua respiração batendo no meu rosto e o gosto doce de seu hálito entrando em minha boca entreaberta e então senti sua boca tocar levemente a minha quando escuto alguém me chamando.
- ! Acorda minha filha, você vai acabar se atrasando para a escola de novo.
Acordo assustada com minha mãe me chamando e percebo que era apenas um sonho, mas não é a primeira vez que sonho com isso, e o que mais me intriga é que sempre acordo na mesma parte e ele parece tão real, parece que eu posso sentir o gosto em minha boca, estou ficando maluca, cada dia que passa tenho mais certeza disso. Resolvi levantar logo e tomar banho para não me atrasar de novo para escola. No banho o sonho não saia da minha cabeça, senti uma coisa estranha imaginando o que ele poderia significar.
Enquanto me vestia acabei parando os meus olhos, mesmo sem querer, em minha cicatriz na barriga, como doía ver aquela cicatriz. Coloquei rápidos a blusa, o casaco e o tênis e sai pegando minha mochila logo descendo as escadas.
- Pensei que não fosse descer e nos atrasar de novo. - Disse meu irmão .
- Não mando você me esperar. - Me virei pra ele dando um sorriso sínico - Se atrasa porque quer. - Terminei enquanto colocava suco no copo e pegava uma maçã.
-, não fale assim com seu irmão e senta pra tomar café direito. – Minha mãe disse vendo que eu já tinha tomado o suco e saia de casa mordendo a maçã.
- Ei, me espera pirralha!
- Não acordei com paciência hoje. - Andava e respondi sem nem olhar pra ele.
- Qual é a novidade? Nesses últimos 7 meses você não está com paciência para nada. para com isso, cadê aquela minha irmã alegre? - Parei bruscamente ao escutar meu apelido.
- Não me chama assim e não sei porque você me pergunta algo que já sabe. - Então o me vira para ele.
-Desculpa, esqueci que você não gosta que eu te chame assim. você é minha irmã e pessoa que eu mais amo no mundo e me dói tanto te ver assim, você sabe que ele não iria gostar nem um pouco de ter ver assim. - Quando falou sobre ele meu coração acelerou e senti uma vontade de chorar, que sempre aparecia quando falavam dele. - Por favor, não chora, desculpa, desculpa. Minha pequena, mas é a verdade, eu não aguento mais te ver assim, nossa mãe e nosso pai também não. Você não fala com mais ninguém na escola, só o e a que realmente são seus amigos e puxam papo contigo, e quando alguém sem ser eles fala com você sua resposta é monossilábica, suas notas estão baixas, nem dançar, que sempre foi sua paixão, você tem feito. Você tem que voltar a viver, você está apenas sobrevivendo a cada dia e não vivendo.
- desculpa, eu odeio fazer vocês sofrerem por minha causa, mas eu não consigo ok, e por favor, para com esse assunto e vamos para o colégio logo. - Ele apenas concordou com um aceno de cabeça e em seguida me abraçou, voltamos a caminhar em direção o colégio. Ele sabe o quanto eu sou sensível sobre esse assunto e não queria que eu começasse a chorar no meio da rua.

2

Ir para escola era uma tortura. Tantas lembranças voltam a minha mente, lembranças maravilhosas, mas que hoje me fazem sofrer um pouco. Entrei com meu irmão e como sempre acontece, todos os olhares vieram em nossa direção, mas são dois tipos: os de admiração para cima do meu irmão, por ele ser o popular e de pena com um pouco de raiva e inveja para mim. Mas já estou acostumada nem ligo mais, dei um beijo no rosto de e fui em direção a minha sala.
- ! - Quando me viro para olhar quem me chamou vejo o com a namorada , os únicos que ainda falam comigo nesse colégio.
- Oi, ! - Respondo dando um sorriso para ambos. - Vai fazer alguma coisa no sábado? Quer ir ao cinema com a gente?
- Cinema? Bem err... Ficar de vela? - Eu sempre tentava arrumar uma desculpa para não sair com eles. Mesmo eles sendo ótimas companhias nos últimos meses eu não nunca estou com vontade para sair para lugar nenhum, sem contar que eu seria uma péssima companhia.
- Sem desculpas Dona , você sabe muito que não somos um casal grude. - Retrucou .
- Verdade, e você pode chamar seu irmão, sei que ele ia amar sair com você. - Confirmou .
- Ok, ok, vou pensar, hoje é segunda, até lá tenho tempo pra pensar. - dei um sorriso desanimado.
- Por favor, faz um esforço para ir, ok? - Pediu me dando um beijo no rosto seguido de .
Então voltei para minha caminhada em direção a sala, fui direto pra minha carteira, que fica no final da sala. O sinal tocou fazendo as outras pessoas entrarem junto com o professor de redação, única matéria que ainda não sou um fracasso total, sem contar que o Robert me adora por ser a melhor na sua matéria. Minhas redações já ganharam vários prêmios no colégio.
- Bom dia! Então, hoje vamos fazer algo diferente, como a matéria está adiantada vamos fazer um jogo, brincadeira, como vocês quiserem chamar. - Bastou ele falar isso para a turma começar a comemorar fazendo barulho - Acalmem-se, vou explicar agora, vocês vão se sentar em dupla e... - Ele é interrompido com alguém batendo na porta. - Desculpa interromper professor. - Entra a secretária trazendo um garoto totalmente diferente do que eu já vi. Ele vestia uma calça jeans escura, uma regata preta com uma camisa xadrez vermelha de botão aberta por cima e um tênis escuro. Ele tinha um sorriso tímido, angelical, lindo, seu olhar era doce, como se ele não tivesse maldade nenhuma e quando me dei conta ele olhava e sorria pra mim e que todas as garotas praticamente babavam por ele - Esse aqui é o novo aluno, . Agora vou voltar para o meu trabalho. - Então, seja bem-vindo , você vai adorar o colégio. Pode se sentar, tem um lugar perto da .
- Obrigado, professor! - Ele agradeceu ainda me olhando, e essa voz, eu já escutei em algum lugar. Mais um fato de que estou ficando maluca, nunca viu o garoto, como vou ter escutado sua voz? Então ele veio e se sentou ao meu lado ainda sorrindo e me olhando, me deixando incomodada, e então se virou para olhar o professor.
- Como eu estava dizendo, vocês vão formar duplas, que eu irei escolher. - Ao terminar de dizer isso a maioria começou a reclamar, dizendo que iria acabar caindo com quem não queria e eu percebi alguns olharem para mim - Não adianta reclamar porque a intenção é vocês se conhecerem melhor, entenderam? Continuando, vocês vão conversar sobre vários assuntos, fazer perguntas que sempre tiveram curiosidade em fazer e fazendo anotações, assim no próximo mês vocês iram me entregar uma redação sobre o que vocês perceberam, aprenderam, sobre seu parceiro. Não façam perguntas nem idiotas, nem obvias e depois cada um vai ler sobre o que o outro escreveu e talvez assim aprender mais um pouco sobre si mesmo. Quero redações sérias, sem palhaçada nem querendo zoar a dupla. Vamos formar as duplas.
Eu estava pensando seriamente em pedir para não participar disso e fazer um teste, mas sei que o professor não iria aceitar, mas não estava nem um pouco afim de responder as perguntas que eu mais escuto nesses últimos 7 meses e que nunca respondi e não vai ser por um trabalho que eu vou. Assim ele começou a formar as duplas e começou o falatório de quem gostou ou não de seu parceiro e chegou a hora que ele falou meu nome.
- você irá fazer dupla com o , algum problema para os dois? - Robert me deu um sorriso que eu entendi a ideia dele, eu iria fazer dupla com a única pessoa que não sabe de nada e eu retribuo o sorriso com alivio.
- Não, professor. - Respondemos ao mesmo tempo.
- Então podem começar, se quiserem podem ir para fora, ficar no jardim. - Então as pessoas começaram a sair da sala.
- Você é a , né? Bem, como já sabe meu nome é . - Ele fala comigo e me dá um lindo sorriso torto.
- Sou!
- Já percebi que você não é de falar muito, nem ter amigos. - Confirmei com a cabeça - Bem... Duas coisas que já descobri de você e que também vai ser difícil tirar algo de você. Mas não vou começar te bombardeando com perguntas não, será que você pode me mostrar o colégio? Sabe, cheguei hoje aqui. - Assim que terminou de falar abriu um lindo sorriso.

A aula de redação não foi tão ruim como achei que fosse ser. não me fez nenhuma pergunta irritante, nem comprometedora, falou mais sobre a escola, como estava o tempo, essas coisas. Mas o que mais me surpreendeu foi o fato que eu adorei conversar com ele (mesmo que eu não falasse muito), me senti muito a vontade, coisa que faz tempo que não sentia.
O resto do dia foi normal, fiquei no meu canto como sempre. No intervalo fiquei debaixo da árvore vendo as pessoas, pensando na vida. Quando deu o horário de ir embora fui para casa sem nem esperar o , provavelmente ele deve estar nos amassos com qualquer garota por ai.
Cheguei em casa fui direto para o meu quarto, tomei um banho, coloquei uma roupa confortável, o que é sinônimo de nada lindo e fiquei deitada na cama ouvindo música. Eu adoro ficar assim, mas tem momentos que odeio, por causa das lembranças que vem a minha mente. Passo o olhar pelo quarto a procura de alguma distração, mas tudo me lembra ele até essa roupa ridícula que eu estou vestindo.

Flashback (4 anos atrás)
- , vai vestir uma roupa decente garota. - O consegue ser muito chato quando quer, qual o problema da minha roupa? Só porque é uma calça de moletom e uma camisa de banda um pouco desbotada, isso a torna indecente?
- Qual o problema com a minha roupa? - Pergunto um pouco irritada.
- Uns amigos meus vão vir para cá e você realmente quer que eu pague o mico quando ele olharem para você?
- Mico? Por que mico? - Pergunto indignada.
- Porque no colégio só tem gatas, ai eles vão te ver e depois me zoar por ter uma irmã estranha. - Quando ele terminou de falar não conseguia acreditar que meu irmão tinha me chamado de estranha.
- Por que vocês meninos de 14 anos são tão ridículos, heim? Só pensam em se mostrar e se sentir o maioral com os amigos?
- E por que você não pode ser como as garotas de 12 anos e começar a se vestir como garota, sabe, arrumar o cabelo, passar um batom?
- O que vocês tanto brigam, posso saber? - Chegou nossa mãe, era só o que faltava, aposto que ela vai ficar do lado dele.
- Mãe, é que eu falei para ela se vestir de forma decente, já que os garotos estão vindo, mas ela não me escuta.
- Verdade , tira essa roupa, coloca uma saia e uma blusinha de alça. - Não falei? Ela sempre fica do lado dele e agora o idiota fica rindo da minha cara.
- Não vou trocar de roupa, se ele tem vergonha de mim problema é dele, e que não chame mais os amigos deles pra cá. - Respondi bufando e indo para sala ver TV. Estava distraída quando a campainha toca, só escuto o gritando do quarto para eu atender. O outro fala mal de mim e ainda sobra para eu abrir a porta, mereço viu. Quando abro a porta me deparo com 3 garotos, mas um dele teve minha total atenção. Ele era alto, seu cabelo era arrumado, mas ao mesmo tempo bagunçado, usava uma calça um pouco caída, uma camisa e tinha os olhos mais lindos que eu já vi. Mas fui acordada do meu devaneio com o próprio falando comigo:
- Oi! Você deve ser a , né? Bom o está?
- Oi! Sou eu sim, ele está sim, entrem. - Eu só conseguia olhar para o de trança, nunca tinha visto um garoto tão lindo assim como ele. – Só vocês subirem a escada é a primeira porta a esquerda.
- Obrigado e gostei da camisa. - Ele agradeceu e elogiou minha camisa subindo as escadas e os outros dois apenas o olharam estranho quando ele elogiou.
End of flashback

3

De repente acordo com barulho de portas sendo batidas, meus pais e meu irmão estão em casa, então olho assustada para o relógio, cinco horas da tarde. Então minha barriga reclama de fome e lembro que não comi quando cheguei da escola. Vou ao banheiro, e depois desço para comer algo.
- Finalmente acordou bela adormecida. – sorriu para mim – Entrei no seu quarto desliguei o rádio e você nem acordou.
- Nossa, nem reparei quando o sono veio. Estou morrendo de fome.
- Filha, você comeu quando chegou da escola? – Agora ferrou de vez, minha mãe vai vim com o discurso dela que se eu ficar muito tempo sem comer vou ficar doente.
- Não mãe, e antes que você venha com seu discurso, eu peguei no sono sem querer, então não é minha culpa. – Ela apenas me lançou um olhar tipo “estou de olho em você”. Então fiz dois sanduíches e peguei um pouco de suco.
- Ficou sabendo do aluno novo? As garotas ficaram babando por ele, e ele é todo estranho, usa maquiagem.
- É o , ele é da minha sala e minha dupla no trabalho de redação.
- E ai, vocês conversaram? Como ele é?
- Para que tanta curiosidade? Ele é um garoto normal ué. – Era só o que me faltava.
- Mudando de assunto, o me falou sobre o cinema no sábado, vamos? Não quero saber de desculpas – fofoqueiro, ia inventar uma cólica ou algo do tipo.
- Por favor, não faz isso comigo, eu não sinto mais vontade nenhuma de sair, odeio estragar a felicidade dos outros. – Percebi que meus olhos estavam cheios de lágrimas e Georg me olhava com um pouco de pena.
- , eu sei disso tudo, mas você tem que tentar, não pode ficar nesse luto eterno. Tente pelo .
- Falar o nome dele é covardia. – Abaixei a cabeça sentindo as lágrimas começarem a cair e senti meu peito apertar ao lembrar dele. – Eu só estou sobrevivendo por ele. Mas eu vou pensar no cinema, ok? Agora me deixa subir. – Levantei e subi antes que ele pudesse falar alguma coisa, eu sei que ele sofre por me ver assim e falando isso, mas eu não consigo evitar. Parece que minha vida não tem mais sentido sem ele.
Cheguei ao meu quarto, deitei na cama e comecei a chorar, a dor no meu peito parecia aumentar a cada lágrima que caia, mas elas caiam sem minha permissão por que elas já estavam acostumadas a cair, caiam quase sempre que eu pensava nele ou em como estava a minha vida. Como eu queria tapar esse buraco no meu coração que parecia ficar cada vez mais fundo. A única pessoa que conseguia me fazer parar de chorar, acabar com qualquer sofrimento meu era quem estava causando tudo isso. Fiquei horas chorando até que meus olhos estavam ardendo por causa das lágrimas secas e eu finalmente peguei no sono.
Acordei com o maldito despertador tocando e senti meus olhos e corpo doendo por causa do choro de ontem. Fui tomar banho e quando me olhei no espelho vi meu estado deplorável, meu cabelo estava horrível, estava com olheiras negras e profundas e estava mais pálida que o normal, não que eu estivesse melhor nos últimos meses. Acabei de me arrumar e desci as escadas e tinha um aviso do dizendo que tinha que ir mais cedo para a escola, pegar alguém, aposto. Nem meus pais estavam em casa. Comi rápido e fui para escola, no meio do caminho ouço alguém me chamando:
- ! – Quando eu olho para trás vejo vindo na minha direção. – Bom dia! Tudo bom? – Me pergunta me dando um lindo sorriso.
- Bom dia, , tudo sim e você?
- Sim, sim, sorte te encontrar, sabe, eu estava querendo te fazer um convite.
- Convite? – Já olhei desconfiada para ele, como assim convite?
- Calma não é nada sério, é que eu estava pensando que podíamos sair juntos, como amigos claro, para conversarmos mais por causa do trabalho, porque pelo o que eu percebi, só nas aulas não vou conseguir tirar nada de você.
- Não precisamos sair, nem conversar muito, pode inventar qualquer coisa na redação.
- Bem se você não quer sair tudo bem, mas na redação eu não vou mentir e sinto que vou saber mais sobre você.
- Não é nada contra você, é que eu realmente não gosto de sair muito, um casal de amigos me chamou para sair sábado e eu vou inventar qualquer desculpa para não ir. – Espera, para que eu estou dando desculpas para ele, é só eu falar que não e acabou como sempre faço, por que eu não consigo ser grossa com ele?
- Entendi, sem problemas, entendo, se mudar de idéia só falar, mas saia mais de casa, faz bem às vezes não ficar enfurnada dentro de um quarto. Agora preciso ir à secretaria resolver algumas coisas, até daqui a pouco. – Nossa nem tinha reparado que estávamos na escola já, e por que será que eu senti certa indireta na frase dele? Realmente devo estar louca ele não sabe nada sobre mim. Olhei pelo pátio, vi que não tinha quase ninguém, quando olhei a hora vejo que ainda falta 20 minutos para começar a aula, quando não chego atrasada, chego cedo demais. Sentei embaixo da árvore encostei a cabeça no tronco e fechei os olhos para sentir um pouco o leve calor da manhã, então veio na minha mente uma das minhas lembranças:

Flashback (4 anos atrás)
Ia para escola com e ele falando no meu ouvido sobre a ultima garota que ele ficou, tenho pena das garotas que ficam com ele, são apenas mais uma na lista dele.
- Você um dia ainda vai se apaixonar e vai sofrer na mão da garota tudo o que faz as garotas sofrerem.
- Você é igual ao , nem sei por que eu ainda falo algo com vocês.
- Fala porque não aguenta ficar de boca fechada. – Falo dando uma risada – E eu lá sei quem é . – Deve ser mais um idiota como você e todos seus amigos, mas pelo menos em algo concordamos, mas claro que isso eu não falei para ele.
- é o de olhos . – Quando ele falou meu coração deu um solavanco. Que merda é essa agora? – E nem fala mal dele porque ele foi o único que não falou mal de você e ainda te defendeu dos outros meninos. – Eu tentando ignorar o outro sinal de vida do meu coração falo:
- Que lindo heim, um estranho que só falou comigo uma vez me defende e você que é meu irmão aposto que não falou nada para me defender e ainda deve ter ajudado a me zoar.
- Ajudei mesmo, mas eles estavam com razão, você é esquisita. Olha para você de calça jeans, all star todo surrado, camisa de banda, com esse lápis de olho forte e olha para as garotas da escola, de saia, blu... – Nem deixei ele terminar interropendo no meio da frase respondendo com muita raiva.
- Nem termina essa frase, idiota. – Parei, me virei para ele bufando de raiva vendo que o mesmo também parava – Olha, esse é meu estilo e não vou mudar, se você e seus amigos não gostam, fico realmente feliz por saber disso, porque assim sei eu não sou como essas garotas que vocês amam: fúteis, idiotas, burras e que se acham o centro do universo. – Nem dei tempo de dele responder, ao notar que estávamos no portão do colégio, fui andando rápido em direção a árvore que sempre sento e acabei esbarrando em um dos idiotas amigos do meu irmão. Estava ele com os outros babacas, , e umas idiotas patricinhas.
- Olha para onde anda esquisita. – Falou John o tal que eu esbarrei.
- Não sei como você pode ser irmã do . – Falou uma das vacas, ops, garotas que estavam com eles.
- Nem eu sei como posso ser irmã de um idiota que só anda com um bando de garotos ridículos e garotas acéfalas, isso se vocês sabem que significa, né. – Então reparo que tenta prender a risada na ultima frase e que me olha sério com um olhar de... arrependimento? Não, acho difícil, então volto a caminhar e escuto uma delas perguntando:
- O que é acéfala?

Sentei e fechei os olhos para tentar fazer a raiva ir embora quando escuto:
- ? – Quando abro os olhos vejo me olhando meio envergonhado. – Bem... err... Posso me sentar?
- Pode.
- Desculpe esses idiotas, eles não sabem o que falam e bem, o , ele só não sabe como lidar com você e esse seu estilo diferente, mas ele gosta de você.
- Não sabe lidar? Isso é piada, né? Os amigos dele me esculacham e ele, ao invés de me defender, também fala mal. Ele me disse que você me defendeu e o que você é meu? Nada, é a primeira vez que realmente temos uma conversa normal sem ser oi ou bom dia e você me defende.
- É, nem tenho o que dizer, ele pisou um pouco na bola. - Ele falou coçando a cabeça e dando um lindo sorriso torto que quase fez minha raiva ir embora, meu Deus o que está acontecendo comigo? – Mas não fica triste, eles só enxergam a aparência, não aceitam alguém que é diferente deles. Nós conhecemos o que? Umas 3 semanas? – Eu ri concordando – Então nesse tempo e mesmo com apenas os oi ou bom dia ou pelo pouco que o fala já vi que você é muito mais o que aparenta e eu adoraria conhecer a verdade , então, amigos? – Ele me pergunta me dando um lindo sorriso, me fazendo rir junto, e erguendo a mão para que eu pudesse apertar.
- Amigos. – Respondi apertando a mão. – Mas espera, ninguém te mandou aqui não, né? - Pergunto olhando meio desconfiada e fazendo soltar uma gargalhada.
- Não se preocupe eu vim porque eu realmente quis vir.
- Então tudo certo, e muito obrigado pela ajuda e desculpa se caso eu tenha te ofendido, sabe.
- Não se preocupe não me ofendeu e tenho que falar que adorei o acéfalas, para uma menina de 12 anos sua boca é bem afiada. – Comentou ele me fazendo dar uma gargalhada. Então nós conversamos um pouco até que o sinal tocasse.
End of flashback

4

Acordo dos meus pensamentos com o sinal tocando então vou para a aula. Chegando à sala vou em direção ao mesmo lugar de sempre e vejo que já está sentado na cadeira ao lado, ele olhava para a janela distraído, me sento ao seu lado e então ele fala comigo:
- Oi, eu ia falar contigo no jardim, mas você parecia estar pensativa que nem quis atrapalhar.
- É; eu realmente estava pensativa.
- Então fiz bem não atrapalhar. Mas o pensamento parecia bom já que você estava rindo. – Quando ele falou isso fiquei o olhando estranho. Como assim eu estava rindo? Eu nem percebi que eu estava rindo. Então ele abriu um sorriso sem mostrar os dentes.
- Pela sua cara você nem sabia que estava rindo. – Eu concordei ainda surpresa. – Mas não fique tão preocupada, não tem mal algum em rir, faz bem para a saúde, sabia. – Ele disse isso abrindo um sorriso lindo e me acabou me fazendo rir junto. Então nossa atenção é chamada com a entrada da diretora.
- Bom dia alunos. – A turma responde com certo receio “bom dia”, já que é raro a própria ir às salas falar alguma coisa. – Não precisam se preocupar, não vim dá bronca nem nada, vim dar duas boas notícias. – Quando ela falou isso alguns deram um suspiro de alivio. – A 1° é que o professor de química não irá vim. – Muitos deram murmúrios de alegria. – 2° é que terá um festival de talentos com outras escolas onde cada um poderá se inscrever nas modalidades dança, canto e atuação; podem se inscrever nas três, caso queiram. Qualquer duvida sobre o festival, como se inscrever, tem um cartaz no mural ou podem procurar a secretária. Bom agora que já dei as noticias, vocês estão liberados para passar esses dois tempos no jardim se quiserem, tenham um bom dia. – Quando ela saiu da sala começou o inferno, todo mundo falando alto e comentando sobre o festival. Eu nem esperei ninguém sair da sala, peguei minha mochila e fui caminhando para o jardim. Mas nem tinha percebido que o me seguia.
- Então vai participar? – Quando ele me perguntou eu levei um susto.
- Eu? Não mesmo, não tenho talento nenhum e você?
- Sei tocar um pouco, mas não suficiente para isso. Tem certeza que não tem talento nenhum ou não quer participar? – Não entendi porquê ele me perguntou isso, as vezes ele fala comigo como se soubesse de algo, com certa desconfiança.
- Por que essa pergunta?
- Por nada, é que você sempre evita falar com as pessoas, evita sair, então pensei que você tivesse algum talento, mas não queria participar e então mentiu. – Apesar da resposta lógica não acreditei muito nela, afinal ele pensou certo.
- Não, estou falando a verdade. – Menti. Então sentamos debaixo da árvore que eu sempre sento.
- Você realmente não vai sair com os seus amigos sábado? – Olhei para ele estranhando a pergunta.
- Não. – Respondi apenas, então ele olha para mim.
- Por que não? Queria saber o motivo de você se isolar tanto. – Aquela pergunta me pegou totalmente de surpresa, ninguém me pergunta aquilo, afinal todos sabem o motivo, então eu não sabia como responder. Vendo o meu desconforto ele disse. – Pelo que percebi é um assunto delicado, peço desculpas por me intrometer. – Então ele ficou um tempo em silêncio e eu não consegui dizer nada. Então ele bufou. – Mas é que eu não entendo como você pode abrir mão da sua vida assim. Eu percebo que você não é feliz. Eu não sei o porquê, mas nada é motivo para fazer isso. - Eu realmente não entendia porque ele estava falando tudo aquilo, nós nos conhecemos há uns dois dias e ele já fala isso para mim.
- Quem é você para falar isso para mim? Nem me conhece direito e já acha que sabe sobre mim. – Levantei revoltada e comecei a caminhar em direção ao terraço com ele me seguindo. Quando ele chegou perto suficiente disse:
- Ninguém precisa te conhecer bem para saber isso, está estampado na sua cara. E para sua informação eu sei de mais coisas do que imagina. – Parei na hora e me virei para ele, ao mesmo tempo surpresa e com raiva.
- Como assim sabe mais de mim do que imagina? O que te contaram?
- Você acha que aqui ninguém fala sobre você? Ou sobre o que aconteceu? Então está muito enganada, só não falam perto de você. – Fiquei totalmente sem reação, então quer dizer que ainda falam de mim.
- Então você deve saber a mentira, já que eles não sabem nem a metade da história. E se você acha que sabe tanto sobre mim, então para que perguntou o por que eu sou assim?
- Realmente, o que eu escutei não parece combinar com você, por isso quero saber, e também é esse o motivo de não entender o porquê é assim. – Olhei em seus olhos e vi que ele realmente parecia sincero, então fiquei mais surpresa ainda, ele queria saber a verdade da minha boca.
- Por que você quer saber tanto? Por que está tão preocupado comigo? – Eu realmente não conseguia entender o interesse dele; meus olhos começaram a arder, então me sentei na escada e comecei a chorar. abaixou ficando com os olhos na minha direção e pegou meu rosto carinhosamente com as duas mãos me fazendo olhar em seus olhos.
- Desculpa te fazer chorar, mas... é que eu quero te entender, quero te conhecer melhor. Eu sei que deve me achar um maluco por isso já que só te conheço há uns dois dias, mas eu preciso, entende? Eu tenho essa necessidade de te conhecer. – Escutei tudo olhando bem dentro de seus olhos e senti uma calma enorme e sem nem perceber já tinha parado de chorar, mas por mais que tentasse não conseguia entender.
- Eu realmente não entendo. – Ele abriu um sorriso carinhoso.
- Por enquanto, realmente, você não vai entender, mas eu te peço, na verdade te imploro, me deixe te ajudar e confie em mim. – Fiquei mais confusa ainda porque por algum misterioso motivo eu sabia que podia confiar nele. Então concordei com a cabeça. – Prometo não te pressionar mais, vou deixar você livre para se abrir quando quiser.

5

Hoje é finalmente sexta, vou poder me isolar dentro do meu quarto nesse fim de semana. Até que minha semana não foi tão ruim tirando a briga com o , o que fez com que nós ficássemos mais próximos, e ele está cumprindo a promessa e não me perguntando mais nada. Ficamos os intervalos e os tempos livres juntos e conversando, o que também tem ajudado para ambos por causa do trabalho de redação. Eu tenho me sentido muito a vontade com ele, ele me faz rir com facilidade, nunca consigo ficar para baixo e tem uma coisa nele me acalma muito, sem contar que ele tem me ajudado em algumas matérias que estou afundada; não sou burra, mas como tudo eu não tenho vontade de estudar. , e estão muito felizes com nossa aproximação, disseram que era isso que eu estava precisando, de um amigo novo, um que não me ligasse ao passado.
Ontem, falou que amanhã ele não poderia ir ao cinema, o que me deixou feliz, assim posso inventar alguma desculpa para o e a , mas como meu irmão me conhece bem e sabia que eu ia inventar algo para não ir, perguntou ao se ele poderia me acompanhar, que aceitou na hora, resultado, está me perturbando para que eu vá. Depois de tanto pensar, acabei aceitando, o que causou felicidade geral; minha mãe ficou tão feliz que disse que ia comprar um vestido para mim, exagero total.
O assunto da semana foi o festival, e eu tenho fugido do quando começam com esse assunto. Agora vou descer para tomar café e tentar mais uma fuga dele. Quando chego à cozinha vejo apenas ele, está tomando café, nossos pais já devem ter saído.
- Bom dia. – Começo a preparar meu café.
- Bom dia. , você vai participar do festival? – Dessa vez não consegui fugir.
- Sabe muito bem que não, nem sei para que pergunta.
- E por que não? Você dança maravilhosamente bem, com certeza iria ganhar. – Não entendo porque ele fica me lembrando essas coisas.
- Você sabe que eu parei de dançar. – Eu sabia que ele ia insistir nisso.
- Só não entendo porque parou, não se machucou, sempre amou dançar. Quero entender, por que parou? - O que ele queria com isso?
- Parei porque quis e acabou o assunto. – Respondi virando a cara e comendo o mais rápido possível.
- Um dia você vai perceber que é idiotice isso, o nunca iria querer isso para você. – Eu nem dei bola, ignorei ele, então ele bufou. – Vou para a escola já que não quer me responder. – E ele saiu e eu respirei fundo. Eles achavam que eu fazia isso de pirraça, mas eu não conseguia nem pensar em dançar que me lembrava dele. Acabei de comer e resolvi ir para a escola logo.

O resto da manhã foi normal. As aulas não tiveram nada de interessante, no intervalo fiquei com o . A única coisa de diferente foi que me disse que amanhã não poderia ir ao cinema, porque teria que cuidar do irmão e ela ia ajudar, mas mesmo eles não indo ainda fez questão de ir e foi apoiado pelo outros.
Chegou sábado e o cinema não foi tão ruim assim, vimos um filme de terror, fazia comentários engraçados no meio do filme, o que me fazia rir toda hora. Cada vez que conversava mais com ele eu sentia que podia confiar nele, só teve uma pessoa que conquistou minha confiança rápido assim, e isso me assustava, e muito.

Como eu odeio segunda feira, saber que tenho que voltar para aquele inferno que é o colégio. A escola foi tediosa como sempre, mas pelo menos fomos liberados mais cedo.
Quando cheguei em casa percebi que minha mãe estava na sala vendo TV e conversando com alguém, que percebo ser minha tia, quando eu ia falar que estava em casa escuto a conversa, o que me faz parar sem querer ser notada, olho para a TV e vejo que é um DVD de uma apresentação de balé minha.
- Sinto tanta falta dessa época. Ela era tão feliz, vivia rindo. – Comentou minha mãe chorando. – Mas sabe, o que mais me dói, é que parece que era o o motivo dessa alegria toda, antes deles se conhecerem ela não era tão feliz, mas pelo menos era mais do que é hoje. – Senti uma pontada, porque o que minha mãe disse é verdade, foi ele que trouxe felicidade para minha vida.
- Lilian, sinto muito dizer, mas não parece, realmente o trouxe felicidade para ela. – Comecei a chorar.
- Mas ela ainda é uma criança para viver um amor tão intenso assim. – A cada palavra dita meu coração apertava mais, e mais lágrimas caiam. Então sem que eu percebesse já estava na rua correndo.
Quando eu parei, percebi que estava no parque que sempre venho quando estou triste. Caminhei para o banco mais distante, que fica de frente para um lago. Sentei dobrando minhas pernas, abraçando-as e o choro veio mais forte. Eu sempre soube que eu fazia minha família sofrer, mas doía ver ou ouvir algo do tipo, e isso me fazia sofrer mais ainda. Então escuto alguém se aproximando e me chamando:
- ? Aconteceu alguma coisa? Por que está chorando? – nitidamente preocupado sentou ao meu lado.
- Estou chorando porque não aguento mais sofrer; fazer minha família sofrer. – O choro aumentando.
- Me fala o que é, me deixe te ajudar, por favor. – Me virei para ele, olhei seus olhos que demonstravam tanta preocupação e sinceridade, e falei.
- , eu ainda não estou preparada para contar, se importa de esperar um pouco?
- Claro que não, quando estiver pronta é só falar. – Então ele me abraça de lado.

Flashback (3 anos atrás)

Hoje é a apresentação para saber quem vai ganhar o estadual de balé, eu estou uma pilha de nervos não consigo ficar calma de forma alguma. Estava no camarim me alongando, esperando minha hora de entrar, meus pais, , meus tios, e já vieram me dar boa sorte, mas a pessoa que eu mais queria não estava aqui. Estava quase chegando minha hora e já tinha desistido de que ele viesse falar comigo, quando escuto a voz que tanto queria escutar.
- ! – Me viro e vejo ofegante sorrindo para mim e então abro um sorriso gigante. – Desculpa pequena, deu um problema em casa, ai no caminho o carro do meu pai quebra e então tive que vir correndo.
- Não precisava desse esforço todo. – Menti, pode parecer egoísta, mas ninguém pode entender o quanto eu precisava ver esse sorriso antes de me apresentar.
- Precisava sim, não ia me perdoar nunca se perdesse sua apresentação e eu sei que você ficaria chateada, não adianta negar. – Então uma das professoras me avisa que eu era a próxima. – Bem, não vou te atrapalhar, boa sorte e arrasa, heim. – Ele me abraça e dá um lindo sorriso. Isso era tudo o que eu precisava.

Ainda não consigo acreditar que eu ganhei. Quando o resultado saiu, me levantou e ficou me rodando e eu com uma felicidade que não cabia em mim. Fomos para minha casa comemorar, depois de toda a farra, me chama dizendo que tinha algo muito importante para me dizer e me leva para o quarto onde eu ensaio. Ele se senta no piano e começa a tocar a minha melodia preferida, que ele compôs para mim, melodia a qual eu já ensaiei várias vezes enquanto o próprio tocava para mim.
- O que foi , aconteceu alguma coisa? Algum problema? – Comecei a ficar preocupada, mas ele abriu um lindo sorriso e vi que não tinha nada de errado.
- Desde que eu aprendi a tocar piano, eu nunca tinha conseguido compor nada que preste, até conhecer você, então fiz essa e dei seu nome a ela. Todo mundo disse que ela é linda, alguns disseram até que é perfeita, mas na verdade eles descreveram você, porque eu me inspirei em você, eu tentei colocar você em uma música. – Quando ele falou a última frase abriu um sorriso brincalhão, e eu não conseguia acreditar nas coisas que eu estava escutando. - Mas acho que falhei, por mais que tivesse realmente tentando, você é perfeita demais para qualquer pessoa conseguir te reproduzir em uma música, um quadro, em qualquer coisa. – Nessa hora eu já estava chorando e com um sorriso enorme na boca. Então ele parou de tocar e se levantou olhando nos meus olhos; eu me perdi totalmente dentro dos lindos olhos dele, ele levantou a mão e tocou levemente meu rosto, enxugando as minhas lágrimas. – Você deve estar se perguntando o que eu quero com tudo isso, o que eu quero dizer é que você, , , se tornou peça mais que importante na minha vida. Nesse um ano que eu te conheço você me mudou completamente; demorei a perceber o que vou te falar agora, mesmo estando na minha frente o tempo todo. – Meu coração acelerou, meu estômago parecia que estava dando voltas e parei de chorar de tão nervosa que fiquei. – Pode ser que você não sinta o mesmo por mim, mas eu tenho que te dizer não consigo mais segurar, eu estou completamente apaixonado por você, eu penso em você o dia todo, você se tornou minha vida. – Eu não tenho palavras para descrever o que eu estava sentindo na hora, me ama, tudo o que eu mais queria escutar ele estava me dizendo agora. – Você não vai dizer nada? – Ele começou a ficar nervoso diante da minha momentânea paralisia. – Olha, eu sinto muito se isso não for o que você tam... – Ele começou a falar enrolado e rápido, e eu simplesmente abri um sorriso e disse.
- Também te amo . – E o que aconteceu em seguida foi o que mais tenho sonhado nesse ultimo ano. Ele abriu um sorriso enorme, se aproximou pegando meu rosto carinhosamente com as duas mãos e falou:
- , quer namorar comigo? – Eu não consegui dizer nada, então concordei com a cabeça e ele se aproximou mais ainda, seus lábios tocaram os meus delicadamente e sua língua pediu passagem facilmente cedida e começamos um beijo longo e lento.

End of flashback

6

Depois da minha conversa com voltei para casa como se nada tivesse acontecido, almocei com minha mãe e minha tia e elas não notaram nada e nem comentaram nada sobre o que estavam falando antes. Depois fui para o meu quarto tentar fazer alguns trabalhos pendentes, mas toda hora tinha que recomeçar, pois perdia a concentração.
percebeu que tinha algo de errado comigo e veio de noite falar comigo.
- Hey, aconteceu alguma coisa? – Ele abriu um sorriso doce.
- Nada, por quê? – Ele sentou na minha cama.
- Você não me engana, mamãe pode não ter percebido, mas seu sorriso na hora do almoço era forçado.
- Não aconteceu nada, só lembrei de algumas coisas. – Tentei enrolar.
- Certeza? – Ele não engoliu.
- Sim. – E abri um sorriso.
- Ok então, boa noite. – Me deu um beijo na minha testa. – Espera, antes que eu esqueça, esse está te fazendo bem, você está rindo mais, está nitidamente melhor. Estou realmente feliz por você ter feito amizade com ele. – Então ele saiu sem dar chance de eu falar algo, mas eu tenho que concordar com ele, está realmente me fazendo bem. Quando estou com ele me sinto leve, calma, feliz, não sei se é porque eu o conheci agora, mas estou feliz por ele não ter se afastado como todos fazem.

Hoje é finalmente sexta, me chamou para dar um passeio no shopping porque ele precisa comprar uma camisa nova e íamos almoçar lá, eu aceitei na hora, o que me causou espanto e ele apenas riu disso. Saímos do colégio e fomos caminhando, já que não é muito longe. Ele para escolher roupa é muito engraçado, nunca sabe o que quer. Na hora de almoçar ele insistiu em almoçar em um restaurante italiano, porque adora massas e ambos escolheram lasanha de calabresa. Na saída me deparo com algumas garotas, algumas que no passado eu chamei de acéfalas, e Karine fala o que eu mais temia.
- Olá , passeando no shopping, nossa que avanço heim, mas vejo que não está sozinha. – Fala dando um sorriso malicioso para .
- Karine, eu estou com pressa. – Comecei a ficar nervosa.
- Está nervosa? O que foi, está com medo que eu fale alguma coisa? Mas sabe eu como uma boa amiga vou dar um conselho para o . – E ela se virou para ele. – Cuidado com essa ai, ela é perigosa, provoca acidentes, acaba com vidas. Se eu fosse você ficava longe dela. O ultimo que ficou muito próximo a ela teve um destino trágico. Sabe o que me deixa com mais raiva? – Se vira para mim. - Você com esse jeitinho de garota solitária, que não liga para o que os outros acham, roubou meu de mim, se você não fosse tão olho grande para o namorado das outras, ele estaria aqui agora. – Então com um sorriso exalando maldade ela e suas amigas saem andando e eu fico paralisada onde estou, sem conseguir me mover, nem as lágrimas caiam.
- ? Está tudo bem? fala comigo. – começou a falar comigo, mas eu não consegui responder nada e sem que eu percebesse comecei a correr para sair do shopping, só parei quando avistei um parque vazio. Sentei no chão e comecei a chorar, lágrimas de dor, medo, culpa e saudade.
se sentou ao meu lado, me abraçando enquanto passava a mão no meu cabelo. Ficamos assim durante um tempo, na minha cabeça passavam várias coisas, várias lembranças, vários momentos e em nenhum momento me largou. Sabia que tinha que contar para ele a história, mas só de imaginar em falar tudo de novo meu peito doía, mas ele tinha que saber que a culpa não foi minha, precisava escutar meu lado.
- A culpa não foi minha, eu não fiz tudo aquilo que ela falou. – A frase saiu meio enrolado por causo do choro.
- Se você não quiser falar tudo bem, eu não acreditei em nada do que ela disse.
- Não, eu preciso contar, mesmo que me machuque, você precisa entender. – Sai do abraço que ele me dava e me sentei abraçando minhas pernas.
- Tem certeza?
-Tenho. – Respirei fundo e me preparei para contar. – Eu sempre fui uma garota na minha, realmente, nunca me importei sobre o que os outros diziam de mim. Sempre usei esse estilo de roupa, não que eu fosse depressiva, mas gostava de me vestir assim, sempre de preto, lápis escuro. Eu só saia desse estilo quando fazia apresentações de balé, danço desde os 5 anos, pelo menos dançava, já que parei. – Dei uma pausa para pegar mais fôlego e me olhava atentamente. – Meus amigos sempre foram o e a , antes não me dava muito bem com o , ele fazia parte do grupo dos populares, andava com Karine e mais alguns metidos e nenhum deles gostava de mim, meu irmão sempre apoiava os amigos quando eles falavam mal de mim, até que uns 4 anos atrás eu conheci o mais novo integrante do grupo e ele ao contrário de todos não falava mal de mim e tentava sempre me ajudar.
- E ele é o .
- É, o . – Mesmo ele tendo afirmado e não perguntado eu respondi. – E nós ficamos amigos, o que causou revolta no grupinho dele, e durante o primeiro ano que ficamos amigos ele acabou se afastando totalmente deles e ficando do meu lado.
- E ele namorava a Karine nessa época?
- Eles nunca namoraram, nem ficaram, mas ela sempre foi apaixonada por ele. Depois de um tempo ele me pediu em namoro, eu nunca fui tão feliz como fui nessa época. – Abri um sorriso ao lembrar dos momentos.
- Com isso todo mundo ficou com mais raiva ainda?
- Sim, alguns só faltaram me matar, mas teve uma coisa boa também, meu irmão acabou que se aproximou mais de mim, ele viu que estava sendo idiota. Com tudo isso eu não podia mais reclamar da vida, minha carreira no balé estava ótima, minhas notas estavam boas, mas como dizem: tudo o que é bom dura pouco.
- O que aconteceu então? – Esse era o ponto que mais doía, mas eu precisava falar.
– Sete meses atrás, fez 18 anos, então tirou a carteira. Tinha uma apresentação de balé que estava doida pra ir. – Meu coração começou a apertar ao lembrar da cena. – Ele pegou o carro do pai emprestado e me levou. Na volta, um caminhão avançou o sinal e bateu no carro e no lado que ele estava. – As lágrimas caiam sem parar a cada momento daquele dia relembrado, meu coração estava doendo demais.

Flashback 7 meses atrás

- , meu amor não precisa me levar.
- Claro que precisa , você quer ir nessa apresentação, agora eu tenho carteira e meu pai me emprestou o carro, então não tem problema. – Me aproximei dele colocando meus braços em volta de seu pescoço e dando um selinho demorado.
- Tem certeza? – Ele balançou a cabeça positivamente. – Você me mima demais sabia?
- Sei, mas qual o problema nisso? Você é minha namorada, eu te amo e você é a pessoa mais importante da minha vida, então eu te mimo sim. – Quando ele terminou de falar abri um enorme sorriso e fui em direção a sua boca começando um beijo profundo e demorado.
Depois me arrumar nós fomos para a apresentação. No carro, não parava de falar gracinhas, me fazendo rir o tempo todo. A apresentação foi perfeita, nem piscava o olho, o que provocou riso em , que não parava de me olhar. Ao sairmos do teatro dei uma bronca divertida nele.
- , você não parou de me olhar o tempo todo, para que você veio então?
- Ué, eu vim para te trazer e nenhum momento eu disse que vim para ver as pessoas lá dançando, sem contar que você dança muito melhor. – Ele riu me fazendo rir e me deu um beijo estalado na bochecha.
- Bobo. Quem me dera chegar ao nível deles.
- Você não vai só chegar como vai ser melhor ainda, minha pequena, você dança bem, dança com a alma, com o coração, o que te faz ser muito melhor que os outros. – Quando ele terminou de falar estava com um sorriso imenso e deu um pulo em seu colo eu comecei a beijar todo o seu rosto.
- Te amo tanto, você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Não sei o que faço da minha vida se algo acontecer com você.
- Continua a viver.
- Impossível, você é minha vida. – me olhava sério.
- Às vezes eu tenho medo do que sentimos um pelo outro, nosso amor é tão forte que às vezes não parece normal.
- Eu sei disso, mas não podemos evitar.
- Isso é verdade, vamos embora antes que seus pais me matem por chegamos muito tarde.
- Eles te amam, duvido que te matem. – Rimos.
Entramos no carro e liga o rádio, estávamos cantando alto a música quando ele para no sinal vermelho e aproveita para me dar um beijo e então ouvimos buzinas, e quando olhamos o sinal estava verde, começa a andar e o que aconteceu em seguida foi tudo muito rápido. Vimos uma luz forte no nosso rosto e o som alto de uma buzina e então uma batida violenta no carro que vira e fica de cabeça para baixo, sinto uma dor forte na barriga e vejo um pedaço do vidro perfurando – a e olho para o lado preocupada com e o vejo desacordado e com um corte profundo na cabeça, começo a ficar fraca e sonolenta devido a grande perda de sangue e a ultima coisa que eu lembro é de gritos e eu chamando por .

End of Flashback

- Se não quiser continuar não precisa, vejo como dói você falar sobre isso. – segurou minhas mãos.
- Eu não lembro de muita coisa desse momento, só lembro do desacordado e um pedaço o vidro quebrado ter entrado na minha barriga e gritos. – O choro ganhou força total e comecei a soluçar, me olhando com pena e me abraçando forte. – Quando acordei no hospital descobri que o estava em coma e continua até hoje.

Continua...


7

Depois de contar a história, fiquei chorando mais algum tempo com ainda me fazendo carinho. Eu me senti tão aliviada por ter contado tudo a ele, eu estava precisando desabafar tudo outra vez, contar para alguém totalmente de fora que não conhecesse o , nem soubesse de nada. Depois do acidente, meus pais me levaram para vários psicólogos, mas nenhum deu certo, eu ainda estava muito abalada. Mas com o era diferente, eu me sentia totalmente a vontade para falar, mesmo que ainda machucasse quando falava, a sensação de alivio que vinha em seguida é ótima. Mas eu não tenho o direito de me sentir bem.
- Vem, vou te levar para casa. – cortou o silêncio.
- Não, espera um pouco, se eu chegar assim vão perceber que tem algo de errado. - Quando terminei de falar ficamos mais um tempo em silêncio, como se ambos tivessem medo de falar e aumentar a tensão. Mas esse silêncio não durou muito.
- Sei que não é uma hora boa para falar, mas eu queria saber algo. – Levantei a cabeça e encarei seus intensos olhos castanhos e concordei com a cabeça. – O motivo de você ser tão triste, infeliz além do acidente é claro, é por se achar culpada? – Ninguém tinha conseguido perceber isso tão rápido como o percebeu.
- Sim. – Respondi apenas.
- Desculpa, mas você sabe que isso é totalmente idiota, né? – Me afastei totalmente dele e olhei para ele com a raiva começando a surgir.
- Por que idiota? Ele só pegou o carro com o pai porque EU queria ver a apresentação, se não fosse por isso ele ainda estaria aqui.
- Pelo que eu soube foi ele que teve a idéia de pegar o carro, você não pediu, sem contar que a culpa não é sua nem dele se o caminhão avançou o sinal. – estava nitidamente com raiva.
- Você realmente acha que é o primeiro a me falar isso? Pois saiba que não. – Me levantei para ir embora, eu não estava mais com raiva dele e sim confusa, ele falando isso, parece que realmente eu estou sendo idiota em me sentir culpada.
- Eu sei que não, mas estava com esperanças de que você entendesse.
- Você não sabe como é perder a pessoa que você mais ama no mundo, você tenta arrumar motivo para tudo o que aconteceu e a que eu consegui é que eu sou a culpada.
- Realmente, eu não sei como é perder alguém que se ama e nem vou, mas de uma coisa eu sei, sei não, tenho certeza: a culpa não é sua, foi coisa do destino, do acaso, sei lá do que foi a culpa, mas sua não foi. – Não entendi quando ele disse que nunca ia saber o que é perder alguém, mas resolvi perguntar depois. – E outra, você acha que o ia ficar feliz se soubesse disso?
- Não. - Abaixei a cabeça na hora de responder.
- Então porque age e pensa assim? Desperdiçar sua vida por uma culpa sem fundamento.
- A culpa é o menor dos males. – Dei uma risada sem humor. – Você nem imagina como eu me sinto vendo meu namorado em uma cama de hospital há sete meses. – As lágrimas voltaram a cair. – Dormir a cada dia sem saber se quando eu acordar ele ainda vai estar lá. Saber que a qualquer momento eu posso o perder para sempre ou o ter de volta, não ter certeza de nada. – me olhou doce e solidariamente.
- Desculpa, eu não devia ter te pressionado tanto. – Balancei a cabeça negativamente.
- Você me fez perceber que sou uma idiota por achar que o acidente é minha culpa, mas de uma coisa eu sou culpada: do sofrimento de todos a minha volta. Os pais do já desistiram dele, mês passado eles queriam desligar os aparelhos porque o médico disse que as chances dele são mínimas, mas eles não desligaram por causa de mim, eu entrei em desespero quando eles me falaram.
- Você ainda não está preparada para se despedir dele.
- E acho que nunca vou ficar. No fundo eu ainda tenho esperanças que ele acorde.
- Mas já era esperado você ter essa esperança, você o ama demais.
- Mas será que esse amor não é doentio? Até os pais deles já desistiram. – Olhei para desesperada.
- Não é doentio, seu amor por ele é grande, e pelo que percebi, lindo e puro. Não que os pais não o amem, mas talvez eles prefiram terminar logo com a dor, sofrer por alguma coisa definitiva.
- E parece que eu gosto de sofrer. – se aproximou me abraçando.
- Tudo tem a sua hora e seu motivo, tudo vai dar certo, você vai ver. – Eu realmente queria que ele estivesse certo.

Flashback (7 meses atrás)
Sinto uma luz forte em meu rosto e apenas resmungo tentando me mexer, mas sou impedida por algumas coisas presas em meus braços e uma dor forte na minha barriga e escuto alguma coisa fazendo bip ao meu lado. Tento abrir meus olhos, mas eles estão pesados demais e doem um pouco; quando finalmente consigo abrir, vejo que estou em um quarto branco, um quarto de hospital. Começo a ficar nervosa tentando me lembrar do motivo para eu estar ali, então vem na minha mente o acidente, descordado. Fico totalmente desesperada e começo a gritar por ele.
- ! ! – Duas enfermeiras entram correndo no quarto.
- Calma minha querida, você precisa ficar calma. Vou chamar o médico. – Uma fala e sai para chamar o médico enquanto a outra fica tentando me acalmar.
- Eu não preciso de médico, eu quero ver o , eu preciso ver o . Como ele está? Onde ele está? – As lágrimas começam a cair à medida que o desespero aumenta.
- Fique calma, daqui a pouco o médico chega e ele te explica tudo. – Quando ela termina de falar entra a enfermeira trazendo o médico, meus pais e o .
- Mãe, cadê o ? – Vejo que todos me olham com pena, as lágrimas caiam sem pena.
- Você não pode ficar nervosa assim, você ficou dois dias desacordada e sofreu um grave acidente, precisa ficar relaxada. – Médico começa a falar.
- Eu não vou ficar calma até falarem onde está o . Por que ninguém quer me contar? – Então penso em algo que faz meu coração dar um aperto doloroso. – Ele não... Não mor... Por favor, me digam. Olhei suplicando para minha mãe, que se aproxima e segura minha mão.
- Não minha querida, ele não morreu. – Era para eu me sentir aliviada, mas algo na voz e no olhar dela me disse que não era para eu ficar feliz. – O acidente realmente foi grave, foi muita sorte ambos estarem com vida, mas o . – Ela deu uma pausa e começou a chorar. Percebi que esse ‘mas’ ia mudar toda a minha vida. – Querida o entrou em coma. – Demorei um pouco para conseguir entender a notícia.
- Mas ele vai acordar logo, não vai?
- Realmente não sabemos, o traumatismo que ele sofreu foi muito forte, foi sorte ele ter sobrevivido. – Explicou o médico.
Fiquei um tempo sem falar nada, tentando entender o fato de que não estaria ao meu lado agora, talvez por um grande tempo ou talvez nunca mais. Todos me olhavam esperando minha reação e me olhando com pena. Olhei para e vi a dor nos olhos dele. Quando percebi que tudo era verdade, eu chorei como nunca havia chorado na minha vida, soluçando cada vez mais alto. Minha mãe, vendo o ápice de meu desespero, me abraçou tentando me reconfortar, mas nada conseguiria fazer isso, só se eu tivesse o ao meu lado de novo.
End of flashback
8

Cheguei em casa e fui direto para o banho, deixei a banheira enchendo enquanto tirava a roupa. Fiquei olhando para minha cicatriz e me lembrando da conversa com . Conversar com ele havia sido muito reconfortante, como se suas palavras tivessem um calmante e quando eu as ouvia me sentia bem, isso é ridículo eu sei, mas é a melhor forma para descrever como me sentia em relação a ele. Toda essa história com o ainda me machuca muito. Eu realmente o amo, não é um simples amor de adolescente como muitos pensaram e por isso que não consigo de forma alguma superar todo esse acidente. Como disse ao , acho que nunca vou estar pronta para me despedir dele.
Entrei na banheira mergulhando quase que totalmente só deixando meu rosto do lado de fora, tentei de todas as formas não pensar no , mas é quase impossível. Lágrimas começaram a cair, mas pela primeira vez em todos esses sete meses foi de alegria, foquei em lembranças boas que tive com ele, que posso dizer que foram várias; nossos beijos, carinhos, conversas e até nossas brigas causadas por motivos bobos. Perdi-me nessas lembranças por um tempo, revivendo tudo em minha mente.
Sai da banheira e fui comer alguma coisa e enquanto isso eu fiquei pensando nas coisas que todos me falaram. Pensei em toda tristeza que causava à minha família, amigos e a mim mesma. Será que eu realmente tinha direito de viver normalmente com o em coma? Será que eu estava sendo idiota ao agir dessa forma? Pensei em , se ele acordasse e se ele não acordasse. Tantas dúvidas vinham juntas. A conversa de mais cedo serviu para que eu compreendesse algumas coisas.
Depois de tanto pensar resolvi mudar em algumas coisas, mas não por mim, para as pessoas que me rodeiam, eu só iria ser realmente feliz quando tivesse ao meu lado, enquanto isso não acontecesse iria continuar assim nesse luto eterno, mas os outros não mereciam ficar infelizes por causa de mim, então por isso eu iria tentar mudar. Resolvi dormir e espero que amanhã eu não desista de tudo quando acordar.

Quando cheguei à escola vejo , e conversando animadamente, me aproximo deles.
- Bom dia! – Digo.
- Bom dia! – Respondem.
-Você está com uma cara diferente, aconteceu alguma coisa? – Me pergunta .
- Verdade sua carinha está mais alegre. – Concorda sorrindo.
- Andei pensando em algumas coisas e tomei algumas decisões, pode ser isso.
- Quais decisões? – pergunta me olhando desconfiado.
- Nada de mais, só algumas que devia ter tomado antes.
- ! – Escuto me chamar. – Por que você não me esperou? Quer dizer, por que você não me acordou? – Pergunta um pouco irritado.
- Eu tentei te acordar, fiquei te chamando por horas, mas você não acordava por nada, então resolvi vir logo, se não ia me atrasar. – Dei de ombros.
- Vê se da próxima vez me espera. – Falou bocejando.
- Vê se da próxima vez não chega em casa de madrugada. – Respondi dando língua, que fez abrir os olhos sonolentos assustado. – O que houve?
- Você de... Você deu língua?
- Sim e daí?
- Nada não. - Respondeu dando um sorriso.
- Doido. Vou para sala logo, tenho que terminar o dever, vem ?
- Sim. – Caminhamos em direção a sala e ouvi falar com e .
- Ela não fazia isso desde o acidente, o que deu nela?
- Ela realmente está estranha. – Falou , depois disso não consegui escutar mais nada.
Chegamos à sala, abri minha mochila pegando meu caderno para terminar meu dever. me olhava discretamente, mas eu sabia que ele estava doido para falar. Quando acabei falei.
- Vai , pode perguntar o que quer.
- Você sabe muito bem o que eu quero saber.
- Não, não aconteceu nada comigo e também não vou falar nada sobre o que estava pensando. – Olhei para ele e dei um sorriso cínico.
- Bem, não precisa falar muito para eu saber que você repensou alguns conceitos seus sobre o acidente. Provavelmente resolveu voltar a viver ou quase isso, mas não por você, por sua família e amigos. – Olhei assustada para ele.
- De que mundo você veio? – Ele me olhou de forma séria, mas ao mesmo tempo brincalhona.
- Não do mesmo que você. – Ergui uma sobrancelha indicando que não tinha entendido nada e ele apenas riu.
- É, você é doido. – Falei terminando a conversa.

No intervalo o assunto que estávamos falando no horário da entrada voltou, consegui me livrar com algumas desculpas.
Karine passou pela minha mesa dando seu típico sorriso maldoso, mas parou de rir quando viu que eu estava rindo da história que estava contando. Ficamos conversando mais um pouco até sermos interrompidos, de novo, por que chega com uma cara nada boa.
- O que aconteceu? - Pergunto preocupada e ele senta ao meu lado bufando.
- Foram uns idiotas que estão jogando piadinhas sobre você e o , dizendo que bastou chegar um garoto novo para você soltar suas asinhas e sair do luto, ou que com a chegada do o virou passado. – Para minha grande surpresa eu não estava irritada com as coisas que estavam falando, eu de certo modo já esperava que fossem falar coisas assim, mas parecia que eu era a única já que todos olhavam horrorizados para .
- Deixem falar o que quiserem. Nada do que eles falarem vai mudar minha vida, já estou acostumada a escutar coisas que não são verdade sobre mim.
- Mas isso é errado . – retrucou. – Eles não podem mexer assim com os sentimentos de uma pessoa.
- E por acaso alguma vez eles já se importaram como os outros se sentem? E quanto mais vocês ficam irritados com o que eles falam é ai mesmo que vão falar mais ainda.
- Nisso ela está certa. – concordou comigo.
- O que aconteceu com você? Depois do acidente você ficava toda preocupada quando comentavam sobre o quanto você amava o . – Percebi que quando falou na palavra acidente ele olhou para preocupado já que não sabe que eu contei tudo a .
- Não se preocupe, o já sabe de tudo. E quanto a sua pergunta, eu percebi que o que realmente importa é que eu saiba o que sinto pelo , os outros saberem ou não, não vai mudar nada a minha situação.
- Você mudou nesse fim de semana. O que te fez mudar assim? – Perguntou , que como e , estava um pouco assustado com as coisas que eu estava falando.
- Como eu já disse, eu tomei algumas decisões.
- Quais? – Perguntou .
- Isso vocês vão perceber aos poucos.

No fim da aula fiquei mais um tempo na sala para tirar uma dúvida com o professor de física, que ficou feliz com a volta do meu interesse em estudar. Recuperar minhas notas foi uma das coisas que decidi fazer. Quando tirei todas as minhas dúvidas sobre a matéria, que na verdade é idiota quando eu parei para prestar atenção, fui caminhando em direção à saída e fui parada por uma senhora, mãe de algum aluno que eu não lembro.
-Olá! Você é a , a bailarina, não é? – Me perguntou com um sorriso e não pude evitar o sentimento de saudade quando ela me chamou de bailarina.
- Sou sim, mas eu parei de dançar. – Respondi dando um sorriso sem graça.
- Parou? – Fez uma cara de surpresa. – Que pecado, você dança maravilhosamente bem, não tinha um que não percebesse como você tem futuro para isso.
- Obrigada pelos elogios. – Realmente fiquei sem graça com tudo o que ela disse. – Mas agora já não tenho certeza se danço tão bem, parei faz um tempo.
- Dançar é seu dom, você pode estar um pouco fora de forma, mas tenho certeza que ainda dança perfeitamente bem.
- Quem sabe. – Abri um sorriso educado.
- Não vou mais ocupar seu tempo, mas pensa melhor sobre parar, realmente é um pecado isso. – Ela finalizou a conversa indo embora.
Fiquei mais um tempo parada pensando em nossa conversa e tomei uma decisão que talvez eu me arrependesse totalmente no segundo seguinte. Voltei o caminho que havia feito e entrei em uma sala diferente.

- Boa tarde! Cristina, onde me inscrevo para o festival?

Flashback (2 anos atrás)
Semana que vem era o festival nacional e queria muito ganhar por isso estava ensaiando duramente todos os dias e, hoje, estava em meu estúdio em casa tentando ensaiar, mas minha cabeça estava na briga que tive com mais cedo na escola. Ele reclamou que eu quase não tinha tempo para ele e só pensava no balé e como o estresse do festival estava me dominando, acabei discutindo com ele. Havia me arrependido da briga, mas, mesmo assim, estava chateada porque ele não conseguia entender como esse festival é importante para mim, ainda mais porque quando estamos na escola e tenho tempo livre, minha atenção é toda para ele, nem com meus amigos eu falo direito, ou nos intervalos do ensaio eu sempre ligo para ele, por isso não consigo realmente entender porque ele reclamou. Continuei tentando ensaiar e minha pouca concentração foi interrompida quando bateram na porta. Mandei a pessoa entrar, mas como estava de cabeça abaixada não vi quem entrou, só ouvi a pessoa entrando e fechando a porta, então senti um perfume que me fez meu coração acelerar e rapidamente levantar a cabeça.
- Oi. – Disse timidamente.
- Oi.
- É err... Bem... Eu, é... Você... – Mesmo estando um pouco chateada não consegui resistir e ri levemente dele.
- Vai ficar gaguejando ou vai falar o que quer? – Perguntei levantando uma sobrancelha e dando um risinho. Ele abaixou a cabeça coçando a nuca, respirando fundo e abriu um sorriso torto.
- Desculpa. – Quando seus olhos bateram nos meus toda a minha raiva foi embora, odeio esse efeito que ele causa em mim. – Eu fui um idiota hoje de manhã, eu sei o quanto esse festival é importante para você e também que sempre que dá você fica comigo, mas é que em um momento de insegurança eu acabei falando aquilo sem pensar. Desculpa? – Pediu fazendo uma cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança.
- Não sei. – Menti virando a cara e fazendo bico. Ele riu percebendo que estava mentindo e se aproximou.
- O que eu posso fazer para você me desculpar?
- Vai ter que fazer muita coisa, isso vai ser difícil. – Cruzei os braços e fiz uma cara fingida e ele fez uma cara sofrida.
- Muito difícil? – Afirmei balançando a cabeça e ele se aproximou soltando meus braços e colocando em volta de seu pescoço e depois colocando suas mãos em volta da minha cintura e me puxando para ficar mais próximo dele. – Não tem como facilitar para o meu lado? – Aproximou mais seu rosto, me fazendo sentir sua respiração batendo em minha boca e com isso minhas pernas amolecerem, então neguei com a cabeça. – Certeza? – Quando ele viu que eu estava totalmente rendida acabou com a distância entre nós selando seus lábios nos meus, dando uma pequena mordida em meu lábio inferior para pedir passagem, arrepiando todo meu corpo, que rapidamente foi cedida e causando de novo todas as sensações que o beijo dele me causa e que nunca vou me cansar. Como já imaginava, não consegui ficar muito tempo brigada com ele e acho que o ensaio de hoje não vai render muito, mas eu nem ligo.

End of flashback

9

Decidi não contar para ninguém sobre o festival e pedi para secretária segredo também. Queria fazer uma surpresa para todos e por isso vou ter que dar um jeito de ensaiar quando ninguém estiver em casa. A conversa com aquela senhora trouxe uma saudade e uma vontade enorme de voltar a dançar, mas havia me informado que eu poderia desistir a qualquer hora do festival, mas iria tentar ao máximo para que isso não acontecesse.
Quando cheguei em casa, estava vendo TV e depois de comer e tomar banho corri para o computador para pesquisar alguma música, não queria dançar ópera, nem nada normal, queria uma música diferente, que significasse algo para mim. Fiquei um tempo ouvindo as músicas e criando os passos na minha mente. Estava sentindo de novo aquela ansiedade que tempos não sentia, aquele nervosismo na hora de escolher a música, decidir os passos, cada detalhe que pode mudar tudo. Estava inquieta querendo voltar a ensaiar, mas com em casa não posso ir para o estúdio e no meu quarto não é tão bom. Fiquei nessa inquietude até baterem na porta e avisar que ia sair e que nossos pais só iam chegar tarde, isso era o que eu precisava.
Depois que saiu esperei um pouco para ter certeza que ele não ia voltar e fui até o guardarroupas pegar minha roupa, me vesti e fui para o estúdio e quando abri a porta, a saudade bateu forte, estar de novo dentro daquele cômodo depois de tantos meses era, ao mesmo, tempo sufocante e reconfortante. Entrei e olhei para as barras e os espelhos, passei a mãos por eles e meus olhos começaram a se encher de lágrimas, mas eram de alegria por estar de volta. Liguei o rádio e comecei a me alongar; acabei de me alongar e arrisquei alguns passos, errei alguns, mas nada mal para quem estava meses parada. Decidi não montar a coreografia hoje, fiquei apenas dançando para matar a saudade. Às vezes, quando dava uma pirueta e me olhava no espelho, parecia que via sentado no piano me olhando e sorrindo, para minha surpresa eu fiquei feliz com isso.
Fiquei um bom tempo ensaiando e nem vi a hora passar, só reparei o que estava tarde quando escutei o barulho de carro entrando na garagem. Desliguei o rádio, arrumei a sala correndo, de forma que ninguém reparasse que eu estive ali. Corri para o meu quarto, entrei no banheiro e coloquei a roupa suada embaixo de outras de um jeito que minha mãe não achasse e fui rápido tomar banho. Quando a água morna caiu nos meus ombros e desceu pelo meu corpo foi como se levasse um peso enorme com ela, mas esse alivio não era por causa da água e sim pelas decisões que eu havia tomado. Ainda me doía um pouco pensar em todas essas mudanças, melhorar minha vida com o ainda em coma, mas eu realmente tenho esperanças que ele acorde um dia, eu sei que vai, mas eu precisava estar intacta quando ele acordasse, precisava estar com todos os pedaços no lugar, quer dizer, quase todos, um no meu coração ainda iria ficar e só seria preenchido quando ele acordasse. Fui interrompida dos meus pensando com a voz da minha mãe me chamando.

- , trouxe pizza para o jantar, vem comer. - Já estou indo mãe. – Respondi desligando o chuveiro e começando a me secar. Vesti minhas roupas e desci.
- Onde está seu irmão? – Meu pai perguntou.
- Ele saiu, mas nem sei para onde.
- Esse menino não tem jeito, vive saindo e chega tarde e não consegue acordar de manhã para a escola. – Reclamou minha mãe enquanto pegava os pratos e copos e colocava em cima da mesa.
- Deixa o menino, ele tem quase 19 anos, só está aproveitando a vida. – Respondeu meu pai me fazendo rir.
- Por isso ele continua fazendo essas coisas, você sempre acha bonito.
- Qual o sabor da pizza? – Perguntei para acabar com briga.
- Calabresa e banana. – Respondeu meu pai e me dando uma piscadela como agradecimento.

Começamos a comer quando escutamos barulho de porta sendo aberta e aparece na cozinha.
- Pizza? Cheguei na hora boa.
- Onde você estava? - Perguntou minha mãe.
- Fui à casa de um amigo jogar vídeo game.
- Lava a mão antes de comer. – Reclamou minha mãe.
- Porquinho. – Disse e ele apenas me mandou língua. Continuei comendo e me perdi pensando no que falar sobre na redação, quando ouvi vagamente falando com nosso pai.
- Pai, quando você vai me deixar tirar a carteira de motorista?
- Você sabe que isso é um assunto delicado. – Meu pai abaixou a voz, mas ainda sim eu escutei e isso me fez prestar atenção na conversa. – Ainda mais perto da . – Minha mãe concordou.
- Não se preocupem comigo, e pai dê logo essa carteira para o coitado, ele é feio, chato e burro, então precisa de algo para chamar a atenção das garotas. – Respondi dando uma risada no final, deixando os três assustados com a minha reação e resposta. se recuperou mais rápido, talvez por causa do que eu fiz de manhã e por estar falando mal dele.
- Feio, chato e burro? Olha só, eu não preciso de um carro para chamar a atenção de uma garota, elas caem aos meus pés. – Meus pais ainda me olhavam e eu percebi um sinal de sorriso no canto da boca deles.
odeia é que duvidem de sua capacidade de conquista.
- Caem aos seus pés? Faça me rir, a única coisa que te salva são seus olhos, se não fosse por isso estaria completamente ferrado.
- Nossa filho, está tão tensa assim sua situação? – Perguntou meu pai fazendo minha mãe e eu rirmos. Uma coisa que odeia. - Não escuta essa garota, ela é doida. – Respondeu começando a ficar irritado, nos fazendo rir mais ainda.
- Não me preocupe maninho, estou brincando com você. – Levantei e apertei suas bochechas. – Vou para o meu quarto, tenho que terminar um dever para amanhã.
- Não filha, espera. – Falou minha mãe. – Sábado é aniversário da avó de vocês e então lá na fazenda vai ter um almoço para comemorar, caso queiram chamar alguém pode, sua avó disse que quer a casa bem cheia.
- Ok, vou chamar os garotos. – Disse .
- Amanhã eu falo com a e o . – Não sabia se chamava o .
- Chama o também, eu e sua mãe estamos curiosos para conhecê-lo.
- Está bem, chamo o também. – Subi para o quarto, terminei meu trabalho e dormi.

Estava ensaiando quando de repente levo um susto quando vejo encostado no piano sorrindo, paro de dançar e retribuo o sorriso. Ele desencosta do piano e fala baixo.

- Você é linda! – Apenas continuei sorrindo. – Você não sabe o quanto eu te amo.
- Eu também te amo, . – Ele começou a se aproximar.
- Não importa o que aconteça comigo, prometa que vai ser feliz?
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei preocupada.
- Não, só uma pergunta aleatória, promete? – Repetiu a pergunta colando seu corpo no meu e pegando meu rosto com as duas mãos.
- Prometo. – Ele beijou meus lábios levemente pedindo passagem que foi concedida. Ficamos nós beijando até que senti uma coisa diferente, parecia que não era mais o , era um beijo diferente. Afasto-me dele e levo um susto enorme, agora era o que eu estava beijando. Ele abre os olhos e sorri falando.
- Te amo!

Acordo sentando rapidamente e extremante assustada. Não consegui entender que sonho foi aquele. Olho para o relógio e vejo que ainda é de madrugada. Despenco na cama novamente, fecho os olhos para tentar dormir, mas toda vez que fechava os olhos o sonho voltava a minha mente, e percebi que estava sem sono nenhum. Fiquei deitada na cama por um tempo e decidi me levantar logo, mesmo sendo um pouco cedo ainda.
Desço as escadas para tomar café e vejo meus pais na mesa conversando e comendo.
- Caiu da cama hoje? – Perguntou minha mãe.
- Acordei de madrugada e perdi o sono.
- Sonhou com alguma coisa? – Perguntou meu pai.
- Não, simplesmente acordei e perdi o sono. – Menti dando de ombros.
- Quer carona para escola hoje? – Perguntou ele.
- E o ?
- Ele supera ir uma vez sozinho para a escola. – Respondeu me fazendo rir e aceitei. Terminamos de comer fomos para garagem e entramos no carro.
Cheguei rápido na escola, me despedi do meu pai e entrei na escola. Havia poucas pessoas lá, fui em direção aos bancos e me sentei para fazer meus trabalhos. Nessa parte de recuperar minhas notas eu estava realmente empenhada. Estava fazendo um de química quando vejo o casal apaixonado chegar e chamo por eles.
- Qual foi o milagre de hoje? Você chegou cedo. – Brincou .
- Perdi o sono e peguei carona com o meu pai.
- Está explicado.
- Parando com as brincadeiras, tenho um convite a fazer. Sábado é aniversário da minha avó e vai ter um almoço para comemorar e estão convidados.
- Na fazenda? – Perguntou . Balancei a cabeça concordando. – Eu vou sim, lá é lindo. Vamos amor?
- Claro. Quando vamos?
- Na sexta, depois do colégio.
- Vai chamar o ?
- Vou, só ele chegar eu aviso.
ficou realmente animada, fazendo mil planos, falando sem parar e e eu só ficamos rindo, quando chega.
- Qual o motivo dessa animação toda?
- É que sábado é aniversário da minha avó e vai ter um almoço e eu chamei o casal e como minha avó mora em uma fazenda e a ama verde, ficou toda animada. – Expliquei.
- Mas lá é lindo demais, você vai amar . – Se defendeu .
- Eu?
-Sim, você também está convidado. – Falei.
- Ok, vou sim. – continuou fazendo seus planos e nos fazendo rir até o sinal tocar.

Flashback (2 anos atrás)

- Fazenda?
- É meu amor fazenda, minha avó mora em uma fazenda.
- Tem certeza que esse é o único modo de conhecê-la? – Perguntou fazendo careta.
- Ela é idosa, não pode ficar fazendo viagens longas e ela ama o verde.
- E eu odeio verde.
- Por que odeia?
- Bem, não é que eu odeie, mas é que não combino muito sabe. Aqueles bichos, mato, verde. – Fazendo de novo uma careta.
- Deixa de ser gay . – Cruzei os braços.
- Você quer que eu realmente vá? – Perguntou e eu concordei fazendo um biquinho e ele fez uma cara de torturado.
- Não faz esse biquinho, você sabe que eu não resisto. – Eu ri. – Você sabe e faz de propósito. – Sabia que havia ganhado essa. – Tudo bem, eu vou. – Ele se rendeu. Soltei uma risada, pulei em seu colo e dando um beijo.
- Você vai amar, tenho certeza amor.
- Só quero ver.
- Mal posso esperar para ver o Chico, estou com saudades deles.
- Epa, epa, epa. Quem é Chico? – Perguntou irritado e com o visível ciúme, soltei uma gargalhada.
- Relaxa amor, Chico é um cavalo, aprendi a montar nele quando era criança e sempre que eu vou à fazenda ando, é muito bom.
- Acho bom ser um cavalo.
- Agora para de birra, você vai adorar minha avó, a fazenda, tudo. – Quando ele abriu a boca para responder deu um beijo para impedi-lo de falar e deu certo, rapidinho ele esqueceu o que ia falar.

End of flashback

10

Aquele sonho não sai da minha cabeça, fiquei horas tentando entender o que ele poderia significar, tenho certeza que não foi um sonho qualquer, mas não conseguia entender. Tenho algumas ideias, mas espero realmente estar errada sobre elas. Estou na duvida se conto ou não para , esse sonho está realmente me perturbando.
O resto da manhã passou normal, com ainda fazendo planos para o fim de semana. Quando cheguei em casa, doida para poder ensaiar, minha mãe, que estava em casa, avisa que depois que eu tomasse banho ela ia querer conversar comigo. Tenho certeza que é sobre a minha atitude de ontem. Demorei o máximo possível no quarto, mesmo com a ideia de mudar ainda não estava preparada para ouvir dos outros comentários sobre a minha mudança. Desci e fui direto para cozinha almoçar e assim tentar enrolar mais um pouco, mas não deu muito certo.
- Filha, preciso conversar com você, seu pai também queria conversar, mas não estou conseguindo esperar ele chegar. – Minha mãe está visivelmente ansiosa.
- Fala mãe, é algo muito sério?
- Não, não, é só algo que eu, seu pai e percebemos ontem e ao longo dessas semanas. – Semanas? Agora eu não entendi, como assim semanas? Decidi realmente tem dois dias. Fiz uma cara confusa.
- O que?
- Para começar, ontem, enquanto comíamos pizza, você brincou com seu irmão de forma que não brincava desde o acidente, e ele comentou depois que você subiu, que ontem na escola você disse que tinha tomado algumas decisões, também brincou e até que contou para o sobre o acidente, o que de certo modo mostrou que você está superando o acidente, já que teve coragem que contar isso para ele. – Ela deu uma parada como que esperasse que eu dissesse alguma coisa, mas continuei em silêncio. Mas ainda não tinha entendido as semanas que ela tinha dito. – E também, durante essas semanas tenho reparado um brilho diferente nos seus olhos e esse brilho coincide com quando você ficou amiga do .
- O que você quer dizer com isso? – Perguntei desconfiada.
- Quero dizer que esse garoto está realmente te fazendo bem, só me lembro uma vez de ter visto esse brilho e foi quando você quando conheceu o – Olhei para ela, indignada como que ela estava dizendo. - E antes que você se revolte, não estou dizendo que você está se apaixonando por esse garoto, apesar de achar que deveria. – Essa frase ela disse bem baixinho, mas mesmo assim eu escutei e com isso aumentando minha raiva. – Estou dizendo que parece que esse garoto chegou para te ajudar, para fazer você superar o acidente e quem sabe até esquecer o , como se fosse um anjo na sua vida. – Com essa penúltima frase dita, não consegui me segurar e me levantei revoltada.
- Até concordo que o está me fazendo bem, porque realmente está, mas nem me vem com essa de ele me fazer esquecer o , porque não tem como ninguém me fazer esquecer, eu o amo e pode ir esquecendo essa história de querer que eu me apaixone pelo , entendeu?
- Filha, desculpa não foi isso o que eu quis dizer. - Tentou se desculpar, visivelmente nervosa.
- Foi sim, e agora eu vou para o quarto, perdi a fome. – Fui para o meu quarto revoltada e, sem querer, esbarrei em , que eu nem sabia que estava em casa, na porta da cozinha e que pela cara, escutou toda a conversa.
Isso era só o que me faltava, minha própria mãe querendo que eu ficasse com o , o pessoal do colégio fazer comentários maldosos nem ligo, mas minha mãe era demais. Fiquei deitada na cama tentando pensar em outra coisa quando ouvi vozes altas lá na sala e, como eu sabia que era sobre mim, sai do quarto sem fazer barulho e fiquei escondida do começo da escada para tentar escutar a conversa.
- Filho saiu sem querer, é muito eu querer que minha filha seja feliz?
- Não, não é, mas é muito você induzir que ela namore o .
- Tudo bem, posso ter exagerado, mas ele faz tão bem a ela, que... – Minha mãe não conseguiu terminar a frase porque foi interrompida pelo meu pai, que pelo tom de voz, estava totalmente confuso.
- O que está acontecendo aqui? Por que vocês estão brigando?
- É só que sua mulher resolveu conversar com sobre as mudanças dela e meio que induziu ela a namorar o .
- Poxa, eu disse que era nós dois conversarmos com ela e como você pôde falar isso para ela?
- Eu sei, mas eu não aguentei esperar, e eu falei aquilo sem querer, é o que eu realmente penso, o que eu realmente quero, mas saiu sem querer.
- Filho, não seja tão duro com sua mãe, ela só queria ajudar.
- Tudo bem mãe, entendo que você queira ver feliz novamente, todos querem, e que realmente está ajudando com tudo isso, mas você quer que ela supere um amor com outro? Ela tem que superar sozinha e não ficar sempre dependendo de um amor para ser feliz. E ela está tentando, dê uma chance para ela. E outra, eu acho quase impossível ela esquecer , vocês sabem muito bem a intensidade do amor de ambos. Não tinha uma pessoa que duvidasse do quanto eles se amavam, do quanto ela ainda o ama. E o não olha para ela dessa forma. – terminou de falar, e eu sabia que ele iria para o quarto dele, mas eu não conseguia levantar e ir para o meu, eu simplesmente abracei meus joelhos e abaixei minha cabeça, quando eu senti alguém me abraçando e falando que ia ficar tudo bem.
Depois de alguns minutos abraçados ele me ajudou a levantar e me levou para o meu quarto, ficamos deitados na cama enquanto ele me abraçava protetoramente. Eu estaria bem pior se eu não tivesse o meu irmão por perto durante esses meses. De todos, ele parece ser o que mais me entendeu, o que mais queria eu superasse, o que realmente entendeu meu sofrimento.
Durante um tempo nós dois vivíamos brigando, parecia que até nos odiávamos, mas acho que era só fase por causa do começo da adolescência. Quando eu era criança, era sempre ele que eu procurava quando eu estava com medo, quando me machucava, quando eu queria alguma ajuda e ele sempre estava ali, nunca me negava ajuda ou carinho, mesmo com a nossa pouca diferença de idade e então, quando ele entrou na adolescência e começou a me trocar por amigos e garotas, eu passei a achar que ele era como aqueles idiotas dos filmes, ai deu no que deu: intermináveis brigas. Com o meu namoro com o , acho que ele começou a perceber como estava sendo idiota comigo e me pediu desculpas pelas coisas que ele tinha me dito e feito e eu na hora aceitei, afinal ele é meu irmão, uma das pessoas que eu mais amo na vida. Sempre dizia que eu amava ele e com a mesma intensidade, só que de forma diferente e que precisava dos dois para ficar inteira. Hoje ainda brigamos, mas só a conhecida implicância entre irmãos, nunca mais brigamos como antigamente.

Flashback (12 anos atrás)

Estava caindo uma tempestade lá fora e meus pais ainda não estavam em casa, estavam presos no trabalho e nossa babá estava vendo TV. Eu estava toda encolhida debaixo da coberta, tremendo. Eu morro de medo de trovões, relâmpagos, tudo relacionado a tempestades. Estava tentando pensar em outra coisa e dormir, mas não conseguia, quando um trovão muito forte fez a casa tremer, então levantei desesperada correndo e gritando e corri para o quarto de , que pela cara parecia ter acordado com o barulho e me enfiei debaixo da coberta dele e ele, sabendo o quanto eu tenho medo, me abraçou forte e disse que nada aconteceria comigo e ficou lá me abraçando até eu pegar no sono.

End of flashback

- ? Está dormindo?
- Não.
- Esquece o que a mamãe disse, ela só quer seu bem e está meio desesperada para que você supere tudo logo e falou aquelas coisas. – Ele disse enquanto fazia carinho na minha cabeça.
- Eu sei. – Ele percebendo que eu não queria assunto, parou de falar e só ficou me fazendo carinho. Ficamos mais um tempo até que nossas barrigas deram sinais de vida e ele desceu para fazer sanduíches para nós dois, para que eu não tivesse que descer.
Comíamos em silêncio, até que ele, não aguentando mais o silêncio, disse algo.
- Silêncio é um barulho assustador. – Apenas balancei a cabeça negativamente rindo. – Sabe o que eu estava lembrando?
- Ainda não tenho o poder de ler mentes. – Respondi rindo, fazendo ele me dar um leve empurrão com o ombro, também rindo.
- Continuando, estava lembrando daquela vez que fomos para a fazenda da vó e você montou pela primeira vez no Chico sozinha.
- Aquele dia foi muito engraçado, nossos pais morrendo de medo que eu caísse e o tio Steve só ria enquanto colocava a cela e a vovó dizia que não tinha perigo, porque Chico ainda era pequeno e eu já estava craque de tanto andar com o tio.
- Você era só sorriso, ao contrário do que todos achavam, você não estava com medo, afinal você só tinha 5 anos. De toda a família você foi a mais nova a conseguir realmente andar sozinha. – Estava sendo realmente muito bom lembrar daquilo, mesmo que naquela época eu fosse novinha, eu mW lembrava de cada momento.

Flashback (11 anos atrás)

- Sério vovó? Eu vou poder andar no Chico sozinha?
- Vai sim minha lindinha. – Saí do colo da vovó e fui para a varanda contar a novidade para os meus pais.
- MÃE! PAI!
- O que houve, meu anjo? Por que esse sorriso? – Perguntou minha mãe.
- Vovó disse que eu vou andar sozinha no Chico, sem o tio Steve.
- Mas mãe não é perigoso demais para ela? Ela só tem 5 anos. – Perguntou minha mãe realmente preocupada.
- Claro que não, e o Steve vai ficar do lado dela, ela só vai estar montada sozinha.
- Mesmo assim Emma. – Falou o meu pai. – Nem o conseguiu sozinho e ele tem 7 anos.
- Cunhado, você não quer tirar esse lindo sorriso do rosto da sua filha, não é? Deixa a menina.
- Está bem, ela pode ir.
Tio Steve me pegou no colo e me levou até onde estava o Chico com todo mundo nos seguindo. Ele me colocou no chão e começou a arrumar a cela. Quando ele acabou me pegou no colo de novo e me perguntou:
- Preparada?
- Sim, sim, sim, sim. – Respondi muito animada.
- Você não está com medo, ?
- Não .
- Então vamos lá minha pequena, vou colocar você sentada e eu vou ficar do seu lado, ok? – Quando ele disse isso eu fiz um bico e reclamei.
- Mas vovó, você disse que eu ia montar sozinha.
- Mas meu amor você vai, não vai ter o tio Steve atrás de você.
- Mas eu quero ficar sozinha, sem o tio me segurando. – Cruzei os braços e aumentei o bico fazendo todos rirem.
- Assim não pode, só na idade do . – Continuei com o bico, mas descruzei os braços agarrando as rédeas, e antes que o tio Steve pudesse agarrar um pedaço, eu iniciei a corrida deixando para trás feições muito preocupadas, mesmo estando aparentemente bem em cima do cavalo, eu voltei para poder mostrar para todos que eu consigo sem o tio.
- Viu? Eu consegui. – Assim que parei minha mãe veio correndo e me tirou de cima do Chico e me abraçou apertado.
- Minha filha nunca mais faça isso, ouviu bem.
- Relaxa mana, está tudo bem com ela e devo dizer que estou realmente surpreso por ela ter conseguindo andar sozinha e tão bem logo de primeira.
- É meu filho, acho que ninguém esperava, mas essa minha neta é especial. – Minha avó abriu aquele típico sorriso de quando tem orgulho do meu neto.

End of flashback

- E eu fui zoado por muito tempo por ter demorado a conseguir.
- Relaxa , você sempre foi meio lentinho para as coisas, principalmente para as mulheres. – Zoei e ele me olhou indignado.
- Para sua informação, a senhorita está muito atrasada e eu estou quase namorando.
- Com quem? – Perguntei muito surpresa e interessada.
- Você ainda não conhece, não é do colégio.
- Então pode me contando tudo agora, como ela é, de onde ela é. – Perguntei me sentando animada na cama sorrindo e recebendo outro dele enquanto se preparava para contar tudo.
O resto do dia foi assim, me falando sobre a nova futura namorada e eu tendo de novo, depois de tanto tempo, uma agradável tarde com o meu irmão.

11

Estava indo para o colégio com o , ambos parecendo zumbis porque ficarmos até tarde conversando. Quando chegamos ao portão ele apenas me deu um beijo na testa e foi para sua sala, aposto que pensando em cochilar um pouco. Eu olhei em volta à procura dos meus amigos e avistei sentada sozinha lendo algum livro. Caminhei em sua direção e toquei em seu ombro, lhe dando um susto sem querer.
- Desculpa, não queria te assustar. – Pedi desculpas, rindo enquanto me sentava. - Sem problema, estava bem distraída.
- Percebi. Cadê o ? – Perguntei estranhando sua ausência.
- Vai faltar hoje, vai ter que ir a algum lugar com a mãe dele. – Respondeu dando de ombros. – E que cara de zumbi é essa?
- Fiquei até tarde conversando com . Em falar em conversar, vai fazer alguma coisa hoje de tarde? – Perguntei e me olhou curiosa.
- Não, por quê?
- Pensei se podia ir à sua casa para conversamos, faz tempo que não fazemos isso. – Respondi vendo um sorriso enorme abrir na boca de .
- Claro, sim, claro. – Eu levei um susto quando de repente ela me deu um abraço. – Desculpa amiga, mas é que você não tem noção do quanto é bom ouvir isso. – Terminou de falar me deixando um pouco sem graça.
- Tudo bem, então que horário posso ir?
- Vamos direto depois da escola, minha mãe vai fazer lasanha e ela vai amar se você almoçar lá. – Ela ainda estava com o sorriso enorme no rosto, o que estava me animando também e me fazendo pensar em como pude privar isso dela por tanto tempo.
- Então eu vou, só me lembra de avisar o .
- Me avisar de que? – Chegou meu irmão.
- Ué, você não ia dormir um pouco antes da aula? – Perguntei curiosa.
- Ia mesmo, mas seu livro de história misteriosamente veio parar na minha mochila. – Comentou nos fazendo rir. – Mas o que você queria avisar para mim?
- Hoje eu não vou para casa depois da aula, vou almoçar na casa da . – Respondi vendo meu irmão abrir um sorriso semelhando ao de .
- Tudo bem. Espero que se divirtam. Agora vou voltar para sala, e aqui seu livro. – Terminou de falar entregando meu livro e indo embora.
- Mudando de assunto, cadê o ? Ele não é de chegar tarde. – Comentei estranhando a falta dele.
- Verdade, mas para tudo se tem primeira vez, né? – Comentou nos fazendo rir. – Em falar em , como vai o trabalho de vocês?
- Nossa! Eu tinha me esquecido dele totalmente. – Como pude me esquecer do trabalho? Logo agora que estou tentando me tornar melhor aluna.
- Que cabecinha, heim. - Zoou – Mas você se dá tão bem com ele que deve ser fácil fazer o trabalho.
- Também acho, mas tenho que começar a pensar porque está chegando a data de entrega.
- Está curiosa para saber o que ele vai falar de você?
- Na verdade, nem um pouco. – Respondi fazendo murchar um pouco.
- Você é tão sem graça, pois saiba que eu estou morrendo de curiosidade para saber o que vão falar de mim. – Comentou me fazendo rir.
- Sua dupla é o , já é de se imaginar o que vai estar lá escrito, não tem graça. – Falei e deu língua me fazendo rir.
- Você acaba com a graça de qualquer pessoa. – Deu de ombros ainda rindo quando ouvimos o sinal bater nos fazendo levantar. – Me espera na saída para irmos para minha casa.
- Ué, não vamos nos ver no intervalo? – Perguntei estranhando.
- Hoje não, tenho que fazer uma pesquisa na biblioteca. – Respondeu fazendo uma careta.
- Ok então, até mais tarde. – Nos despedimos e fomos para nossas respectivas salas. Seria estranho estudar sem o ao meu lado, já me acostumei com a presença dele.

As primeiras aulas passaram sem nenhum problema. Prestei mais atenção nas matérias, respondi umas duas perguntas corretamente, o que já é um avanço, já que antes eu mal entendia as perguntas. Hoje o intervalo foi um tédio, e faltaram, ficou na biblioteca e meu irmão simplesmente sumiu. Semanas atrás eu amaria essa situação, ninguém me perturbando, mas hoje de forma irônica eu não quero ficar sozinha, ri da minha própria desgraça. Espero que esses 30 minutos passem rápido.
Peguei meu celular, colocando os fones e dando play sem nem olhar para música e me arrependi plenamente, tocou logo a música que eu venho tentando ao máximo evitar. A música é linda e uma das minhas preferidas, mas desde que tocou para mim no começo do nosso namoro e ela ter virado nossa música, não consigo ouvir sem lembrar dele.

The world would be a lonely place
Without the one that puts a smile on your face
So hold me 'til the sun burns out
I won't be lonely when I'm down

'Cause I've got you to make me feel stronger
When the days are rough and an hour seems much longer

I never doubted you at all
If stars collide, will you stand by and watch them fall? [by and watch them fall]
So hold me ‘til the sky is clear
And whisper words of love right into my ear


Mas covarde como eu sou, não consegui trocar de música, ela estava me lembrando de vários momentos com e pela primeira vez desde o acidente essas lembranças estavam me fazendo rir sem nenhuma ponta de dor no fundo.

I never doubted you at all
If stars collide, will you stand by and watch them fall? [by and watch them fall]
So hold me ‘til the sky is clear
And whisper words of love right into my ear

'Cause I've got you to make me feel stronger
When the days are rough and an hour seems much longer
Yeah when I got you
Oh! to make me feel better
When the nights are long they'll be easier together

Looking in your eyes
Hoping they won't cry
And even if they do
I'll be in bed so close to you
To hold you through the night
And you'll be unaware
But if you need me I'll be there

Yeah I've got you
Oh to make me feel stronger
When the days are rough and an hour seems much longer
Yeah when I got you to make me feel better
When the nights are long they'll be easier together
Oh when I've got you

Escutei a música várias vezes durante o intervalo todo e fui assistir às últimas aulas feliz de uma forma que eu não imaginaria depois de pensar tanto em e não me sinto culpada por isso, ainda o amo acima de tudo e tenho esperanças que ele vá acordar, alguma coisa me diz isso, e ainda não estou totalmente feliz, mas feliz o suficiente para não fazer as pessoas em minha volta sofrerem.
O resto da aula passou muito rápido e quando me deu conta já estava no caminho à casa da .

- Estou tão feliz com essa sua mudança. – comentou me assustando um pouco, pois não esperava que ela comentasse isso tão rápido. – E não adianta negar.
- Eu não vou negar. – Ela abriu um sorriso. – Estou mudando algumas atitudes minhas.
- Você não imagina o quanto eu fico feliz em ouvir isso, depois de tantos meses naquela escuridão é muito bom mesmo ver que resolveu voltar a viver. – Fiquei um pouco sem graça com o que ela disse.
- É, eu percebi que vocês não merecem sofrer mais. – Quando terminei de falar o sorriso de murchou.
- ! Não acredito que estou ouvindo isso. – Olhei para ela totalmente confusa. – Você está mudando por causa dos outros, mas você tem que mudar por você mesma, tem que parar de pensar nos outros e pensar mais em si mesma.
- Mas ver os outros felizes me faz um pouco mais feliz, já está sendo complicado mudar, então não me peça muito. – Tentei de alguma forma sair do assunto.
- Tudo bem, não vou brigar com você hoje. – Suspirou. – Não vou acabar com a minha animação de passar uma tarde de meninas com você depois de tanto tempo. – Apenas deu um sorriso de lado. – Mas vou comentar uma ultima coisa, o realmente está te fazendo bem. – Bufei ao me lembrar da briga com a minha mãe e me olhou um pouco assustada e confusa. – Falei alguma coisa errada?
- Não disse nada de errado, é que eu me lembrei de uma briga com a minha mãe ontem. – Me olhou como se perguntasse que briga. –Depois do almoço eu falo. – Respondi quando percebi que estávamos perto da casa dela, por que eu não moro tão perto assim da escola?
- Tudo bem. – Respondeu abridando a porta. – Mãe, temos visita! – Gritou e depois de alguns segundos sua mãe apareceu não conseguindo esconder a surpresa ao me ver. - ! Que surpresa boa te ver aqui. Como você está, querida? – Perguntou me abraçando, Alessandra é um amor de pessoa.
- Estou bem e você? – Me lembrei das broncas que recebia ao chamá-la de senhora.
- Estou ótima e muito feliz por ver você aqui. – Abriu um enorme sorriso. – Vão lavar as mãos meninas, a lasanha já está pronta. – Avisou e e eu subimos as escadas em direção ao seu quarto onde guardamos nossas mochilas. Depois de trocar de roupa e lavarmos a mão, descemos em direção à cozinha.

Quando chegamos à mesa, ela já estava toda posta. Nós sentamos, começamos a comer e ficamos conversando sobre coisas aleatórias. Alessandra estava muito animada com a min ha visita e isso me deixou realmente alegre. Acabamos de comer e nem me deu chance de falar nada, saiu me puxando para o quarto dela.
- Pode contando sobre a briga, me segurei na hora do almoço, mas agora não dá mais. – Falou toda afobada me fazendo gargalhar.
- Foi o seguinte. – Me preparei para começar a explicar. – Meus pais meio que combinaram para conversar comigo sobre essas mudanças, mas minha mãe não aguentou e veio falar comigo antes, estava indo tudo bem, até ela jogar uma indireta que eu estava meio que gostando do e que deveria namorar ele. – Vi abrir a boca, totalmente surpresa. – Então nós brigamos e o veio me defender, depois meu pai chegou e aumentou a briga, e foi isso.
- Estou chocada, nunca pensei que sua mãe fosse falar isso. – Comentou ainda surpresa.
- Nem eu.
- Tudo bem que eu já comentei com o que você e o estão muito próximos, mas é tão na cara que você gosta do e você ficar com outro garoto é totalmente impossível.
- É o que também acho. – Quando terminei de falar me lembrei do sonho e fiz uma careta rápida, mas notou.
- O que houve?
- Nada, só me lembrei de um sonho.
- O que você sonhou? Parece que você não gostou muito. – Eu precisava contar para ela, alguém tinha que me falar que é coisa da minha cabeça.
- Ontem eu sonhei... – Contei meu sonho a ela que ficou pensativa e depois riu um pouco.
- Será que você estava prevendo o que sua mãe ia falar? – Riu mais um pouco. – Relaxa amiga, foi só um sonho, nada demais. – Deu de ombros. – Então, vamos fazer o que hoje?
- Sinceramente? Não faço idéia, escolhe alguma coisa ai.
- Qualquer coisa? – Perguntou e eu balancei a cabeça afirmativamente, depois me arrependi, vendo a cara de quem vai aprontar uma dela.
- O que você quer fazer? – Perguntei assustada.
- Uma coisa que quero fazer a algum tempo. – Respondeu pegando minha mochila, a bolsa dela e me puxando. – Vamos.
- Para onde? – Estava ficando ainda mais assustada.
- Na hora você vai ver. – Então saímos do seu quarto e ela avisou sua mãe que iríamos sair. continuou me puxando para algum lugar que eu não fazia idéia. Ficamos andando por uns 10 minutos, quando ela entrou em frente uma porta onde eu lia “John’s Hair”.
- , eu não vou entrar ai, não mesmo.
- Vai sim, você precisa mudar esse cabelo. Olha para ele, está enorme, sem corte, e esse preto está sem vida. – Terminou seu discurso me puxando para dentro do salão e vi um cara com maior pinta de gay abrindo um sorriso para minha amiga.
- , minha querida! O que trás você aqui? – Perguntou enquanto abraçava .
- Oi, John. Minha amiga. – Apontou para mim. – Você precisa fazer algo urgente nesse cabelo. – Então Jonh começou a me analisar, estava ficando com vergonha da forma que ele me olhava.
- Muito comprido e não valoriza seu rosto, totalmente sem corte, com pontas duplas e ressecadas e a cor é linda, mas está meio morta, precisamos realçar isso. – Quando terminou sua analise, me olhou como se dissesse: “Não te avisei?”
- Mas eu gosto dele assim. – Respondi passando a mão nele.
- Amor, eu entendo que é difícil mudar o cabelo, mas isso significa mudança, trás coisas boas, posso te deixar mais linda ainda. – Fiquei pensando um pouco, já que eu queria mudar minha vida, por que não mudar o cabelo também?
- Tudo bem, mas nada radical. – Falei me rendendo, vendo abrir um sorriso e John bater as mãos animadamente.
- Não se preocupe, vou manter seu estilo, mas de forma mais moderna.
Então John começou seu trabalho, ver meu cabelo no chão doía um pouco, mas realmente estava na hora de mudar. Mas para aumentar ainda mais minha curiosidade John virou a cadeira e eu só poderia ver o resultado final. Depois de cortar (e muito, devo dizer) meu cabelo, ele resolveu pintar, meio que entrei em pânico, nunca pintei meu cabelo, mas ele me disse que não ia ficar nada radical. Depois de aproximadamente uma hora e meia ele finalmente acabou com meu cabelo e fazendo certo mistério virou a cadeira para que eu pudesse ver o resultado, mas pelo sorriso de John e devia estar ótimo. Então pude finalmente ver o resultado, levei um pequeno susto quando vi, não que estivesse feio, longe disso, mas é que depois de usar minha vida inteira o mesmo corte, era estranho me ver dessa forma. Meu cabelo estava um pouco abaixo do ombro, todo repicado, com uma franja torta e a cor estava um vermelho escuro, puxando para violeta. Lindo demais.

- Então querida, o que achou? – Perguntou o John.
- Eu amei, lindo demais.
- Sabia que ia amar. – Respondeu animado.
- Está mais linda ainda, amiga. – Elogiou e deu um sorriso de agradecimento.
Depois de vários e elogios e agradecimentos, fomos embora. me impediu de voltar para sua casa e me obrigou a voltar à minha para mostrar meu novo visual aos meus pais e . Confesso que estava realmente muito curiosa para saber o que eles iam falar.
Finamente chego em casa e entro, notando que tem alguém sala, quando chego lá vejo e meus pais assistindo televisão, o que me fez rir um pouco e isso chamou atenção de meu irmão, que me olhou muito surpreso.
- ? O que vo... O que é i... Meu Deus! - começou a gaguejar fazendo nossos pais me olharem surpresos também.
- Filha, o que você fez? – Perguntou minha mãe.
- Obra da , ela me obrigou a ir ao salão.
- Ficou linda, maninha. Essa cor combinou com você. – Agora me olhavam com um sorriso e cara de orgulhosos, e com isso estava ficando muito sem graça.
- Vou para o meu quarto, vou tomar banho. – Subi correndo as escadas, o ruim dessas minhas mudanças são as caras que as pessoas fazem, seria tão mais fácil se elas não me olhassem assim.

12

A cada passo que eu dava no pátio da escola uma nova pessoa virava o rosto surpreso para me olhar. Ouvia os murmurinhos e eu era o centro das atenções. Foi como se tivesse voltado há oito meses, mas - diferente de meses atrás – hoje eu estava lidando com isso tudo sozinha. foi se encontrar com a futura namorada e me deixou sozinha. Caminhava rapidamente para chegar logo na minha sala e assim fugir um pouco dos olhares, quando escuto uma voz que causou um alívio instantâneo.

- ! – me chamou.
- Finalmente alguém conhecido. – Respondi realmente aliviada e percebo que ele estava chegando com um sorriso enorme no rosto.
- Você está linda! – Elogiou e fiquei totalmente sem graça, era estranho ouvir elogios da parte dele.
- Err... Obrigada.
- Você realmente caiu de cabeça nessa de mudar.
- Isso foi obra da , acho que nunca pensaria em mudar meu cabelo.
- Ela fez bem em te fazer mudar, você está com um ar diferente, mais feliz. – Fiz uma careta. – Se você me dizer mais uma vez que está fazendo isso por causa dos outros vou ter que te dar outra bronca. – Falou brincalhão.
- Eu nem ia falar nada. – Falei assustada com cara de inocente, mas eu não ia dizer nada mesmo.
- Acho bom, porque você sabe muito bem que está fazendo isso por você também. Os outros podem não notar, mas eu sei que está se sentindo bem melhor com tudo isso, está se sentindo mais forte para suportar a ausência de . – Nunca havia reparado nisso, mas eu estava mesmo lidando melhor com toda a história de , como eu me sinto sobre tudo isso, coisas que em 8 meses não consigo conversar com meus pais, por exemplo. Sem contar que você me olha e fala coisas como se me conhecesse mais que todo mundo e pudesse olhar dentro de mim, isso me assusta. – Terminei de falar e seus olhos demonstravam felicidade, orgulho e parecia que tinha conseguido um grande prêmio. Definitivamente, esse garoto é estranho.
- Não vejo nada de estranho nisso, e seu medo deve ao fato que você não confia rápido nas pessoas e eu fui a segunda pessoa que conseguiu isso. Estou errado? – Olhei para ele com um misto de medo, surpresa e confusão.
- Você é um alien, veio aqui para estudar os seres humanos e sou a vítima, só pode ser isso. – Terminei minha frase totalmente idiota fazendo gargalhar e chamando mais atenção ainda para nós dois.
- Não sou alien. – Falou simplesmente, sem deboche ou graça por trás, como se dissesse que não gostava de chocolate.

Meus pensamentos foram interrompidos com a chegada da professora. deu um último sorriso e se virou para frente. Resolvi parar de pensar e falar essas coisas porque provavelmente ele quer rir das minhas idiotices, mas é educado demais para fazer isso. Virei para frente e comecei a prestar atenção na aula de biologia, ainda tenho que melhorar minhas notas e ficar pensando bobeiras não vai adiantar de nada.
Tirando a aula de história que escrevi tanto que acho que vou ter que enfaixar minha mão, as primeiras aulas passaram sem nenhum problema. Deu hora do intervalo, e eu fomos para mesa que sempre ficamos e vimos conversando com e . As pessoas continuavam a me olhar como se nunca tivessem me visto e aquilo estava começando a ficar irritante.

- Fazendo sucesso hoje heim, maninha. – Zoou quando chegamos à mesa.
- Pode parando. – Respondi e percebo que me olhava um pouco surpreso. – Até você, ? – Perguntei frustrada.
- Desculpa, , mas é que você está linda, é muito bom te ver assim. – Explicou com um sorriso, me deixando um pouco corada.
- Podem agradecer a mim, a idéia foi minha. – brincou, jogando os cabelos como se achasse.
- Menos, , bem menos, mas tenho que te agradecer pela idéia. – Comentou .
- Pelo amor de Deus, eu só mudei o cabelo, nada demais. – Falei frustrada e irritada.
- Desculpa, , mas não foi nada demais, mudar o cabelo mostrou que você deu um grande avanço. – Tinha que ser o para falar isso.
- Vamos mudar de assunto. , como foi com a minha futura cunhada? – Perguntei fazendo meu irmão abrir um sorriso enorme, mas com um pouco de vergonha.
- Foi normal.
- Como assim futura cunhada? – perguntou. – Está quase namorando e não fala nada?
- A que é fofoqueira, eu só ia contar quando tivesse certeza. – Respondeu me mandando língua e eu ri. – Mas vamos mudar de assunto. , você sabe tocar alguma coisa, né?
- Sei, por quê?
- Quero participar do festival, mas por enquanto a banda só tem o Brian e eu e queria arrumar mais pessoas. - Assim que a palavra festival foi tocada fiquei um pouco congelada e vi que me olhava de lado. Será que tem alguma coisa sobre mim que esse garoto não percebe? Tenho que tomar muito cuidado sobre minha inscrição no festival para ele não perceber. Falando sobre ele, tenho que ensaiar hoje sem falta.
- Também queria participar, só não me inscrevi ainda por falta de banda. – Respondeu visivelmente animado.
- Vamos ensaiar hoje, depois da aula, na casa do Brian? – Epa, meu irmão vai ensaiar na casa do amigo? Tarde livre para mim.
- Claro! E você , sabe tocar algo? – Olhei para e lembrei que ele tinha dito uma que tocava um pouco.
- Um pouco, mas não para isso e talvez eu nem esteja aqui na época do festival. – Olhei para ele surpresa.
- Como assim, ? – Todos da mesa prestavam atenção.
- É que talvez eu me mude quando acabar as aulas, perto da época do festival. – Deu de ombros.
- Vai para onde? – Quando ele falou que ia se mudar deu um aperto no peito e com ela veio a famosa sensação de perda.
- Não sei, depende de onde meu pai me mandar. – Respondeu sério, seu olhar misterioso.
- Mas dude, você entrou esse ano e já vai sair? – Perguntou .
- Isso não depende de mim, vou para onde meu pai me mandar. – Senti que estava escondendo alguma coisa. Olhei para ele questionadora e ele desviou os olhos, ele nunca havia desviado os olhos, estranho. – Mas vamos mudar de assunto. E você, , não vai participar do festival não?
- Não, não tenho talento nenhum. – Negou. – Mas pior ainda são pessoas que tem talento e não vão participar. – Sabia que ia sobrar para mim, mas ao invés de ficar com raiva, estou com vontade de rir.
- ! – Alertou .
- Não, , ela está certa. – Lá vem o meu irmão. – Também acho ridículo isso dela não dançar mais. – Para minha própria surpresa, eu não estava nem um pouco irritada.
- Não vai falar nada, ? – Perguntou .
- Não, vou deixar vocês falarem o que quiserem. – Respondi dando de ombros, para a visível surpresa de e . me olhava normal e como sempre, me olhava querendo saber o que eu realmente estou pensando.
- Por que não? – Quis saber .
- Porque não vai adiantar de nada e vamos acabar brigando, simples.
- Você está mudando tanto, por que não muda nisso também? Volte a dançar. – comentou.
- , tudo ao seu tempo. Não está sendo fácil todas essas mudanças e se ficarem me pressionando posso acabar desistindo de tudo, ainda dói, e muito. – Expliquei, vi que me analisava e os outro 3 abaixaram a cabeça.
- Desculpa , nós só queremos seu bem. – Meu irmão se desculpou.
- Eu sei, mas vamos parar desse assunto. Tudo pronto para sexta? – Mudei de assunto, era estranho fazer toda essa cena. Realmente, ainda dói fazer essas mudanças, mas eu queria fazer uma surpresa quando aparecesse no festival e se eles continuassem me pressionando ia acabar contando tudo.

Logo o intervalo acabou, os olhares continuaram. Passei a aula toda pensando na mudança de . Tem alguma coisa estranha nisso, estou sentindo alguma coisa estranha sobre tudo isso. não falou comigo nas aulas restantes, seu olhar estava longe, como se pensasse em alguma coisa muito importante, o que aumentou minha desconfiança de que tinha algo estranho. Tudo relacionado ao é misterioso. Ele nunca falou da família, no intervalo foi a primeira vez que ele tocou no pai dele, às vezes fala como se não fosse desse mundo, sempre descobre o que estou pensando ou sentindo. Tudo isso assusta um pouco, mas ao mesmo tempo sei que posso confiar nele de olhos fechados e isso me assusta ainda mais. Sei que conversar com ele não vai adiantar de nada, ele vai responder de forma enigmática e eu não vou entender nada, como sempre. Agora eu estou curiosa para ler o que ele vai falar de mim na redação, quem sabe assim eu consiga entender algo a mais. Não sei por que eu ainda fico pensando nessas coisas, parece que quanto mais eu penso mais sem sentido fica.
As aulas finalmente acabaram, vou poder ir para casa e ensaiar. Despedi-me dos meus amigos e foi para casa quase correndo. Como já esperava, não tinha ninguém em casa. Corri para o meu quarto, troquei de roupa e fui para o estúdio e hoje ia começar a criar os passos para a apresentação. Coloquei o som e os passos foram fluindo, quando me dei conta, já estava com a coreografia quase completa. Continuei dançando mais um pouco e parei antes que chegasse alguém e eu ter que parar correndo.

Sexta chegou, antes de ir para escola terminei de arrumar minha mala para ir à fazenda. Quando cheguei à escola quase fui derrubada por , que estava muito animada.
- Nem acredito que vamos para a fazenda hoje. – Falou com os olhos brilhando, me fazendo gargalhar.
- Nunca vi alguém gostar tanto de mato e verde como você. – Ela me deu língua.
- Eu gosto de estar em contato com a natureza. – Quando ela terminou de falar chegou.
- , cuidado com a sua namorada, porque quando vocês se casarem é bem capaz dela te obrigar a se mudar para alguma cidade no meio do mato de tanto que ela gosta de verde. - Zoei porque sei que não é muito fã de mato, passar um final de semana tudo bem, mas morar? Ele tem um treco.
- Fato, ela está toda animada com essa ida à fazenda, parece que nunca foi.
- Como vocês dois são sem graça. Qual o problema de estar tão animada? – Emburrou .
- Nenhum, mas isso deixa mais engraçado te zuar. – e eu rimos mais ainda com o bico que ela fez.
- Qual é a graça? – , que eu nem tinha percebido se aproximar, perguntou.
- Nenhuma , esses dois que são dois chatos e estão me zoando. – Quando tentou dar um selinho nela, ela virou a cara, fazendo eu rir mais ainda e começar a rir.
- , eles te zoam porque te amam. – entrou na brincadeira. – Mas do que vocês estão zoando ela?
- Da ida à fazenda. – Respondi ainda rindo.
- Entendi.
- Mas acabando com as brincadeiras, tudo certo para hoje? – Os três concordaram com a cabeça. – Vamos para lá de trem e meu tio vai nos pegar de caminhonete na estação. Como tem muitas pessoas, vai ser complicado todo mundo ir de carro.
- Você vai conosco ou com seus pais? – Perguntou .
-Vou com vocês.

As aulas passaram rápidas, quando nos demos conta já estávamos no trem a caminho da fazenda. Ficou , e eu conversando de um lado, e com o e os amigos dele, falando sobre o festival.
Estava feliz com essa viagem, tem algum tempo que não vou lá, a última vez foi com o . Sentia falta do colo da minha avó, a última vez que eu a vi foi depois do acidente, quando ela abriu uma exceção e saiu da fazenda para me visitar. Lembro até hoje que foi a primeira vez que eu me abri sobre o assunto.

Flashback (7 meses atrás)

Estava deitada no colo da minha avó e chorava desesperadamente. Fazia um mês que o estava em coma, um mês que minha vida havia parado.
- Meu amor, eu sei o quanto dói, mas você tem que superar. – Minha avó falava e passava a mão no meu cabelo. – Quando seu avô morreu, eu achei que minha vida tinha acabado, mas eu superei, tive ajuda de amigos e família e superei. Não ia adiantar eu ficar chorando, ele não ia voltar e sempre soube que de onde ele está, não estava gostando de me ver daquela forma.
- Essa é a questão, eu não sei se o vai voltar para mim, isso é o que mais dói. Se ele tivesse morrido. – Senti uma pontada no peito. – Ia ser definitivo, mas esse não é o caso. E o vovô estava doente, de alguma forma você já estava se preparando, mas comigo aconteceu tão rápido que às vezes ainda acho que isso é um pesadelo e quando eu acordar o vai entrar pela porta com o seu típico sorriso. – Percebi que minha avó suspirou derrotada.

End of flasback.

Fui acordada dos meus pensamentos com me chamando.
- Estava em que mundo, heim?
- Só estava pesando em algumas coisas.
- Estamos quase chegando. – bateu as mãos animadas, nos fazendo rir.

Passaram-se mais uns 20 minutos e finalmente chegamos à fazenda, não sei como as pessoas iam reagir a minha mudança, mas estou curiosa para saber.

Flashback (2 anos atrás)

Finalmente podia ver a entrada da fazenda, estava com muitas saudades da vovó e estava doida para apresentar o à ela. Quando entramos podíamos ver a vovó, meus tios e alguns primos em frente à porta da casa nos esperando. Saímos do carro e vovó veio toda animada abraçar e eu. Cumprimentei todos que estavam ali e finalmente fui apresentar , que estava um pouco sem graça.
- Vó, esse aqui é o meu namorado . – Vovó abriu um sorriso e o abraçou.
- Seja bem vindo à fazenda, e à família também. – sorriu agradecido. – Ouvi muito sobre você, mas para você ter conquistado essa garota aqui, você devia ser um menino maravilho e lindo, mas isso está na cara. – agradeceu timidamente.
- Vamos entrar, tem um bolo delicioso de laranja nos esperando. – Tio Steve falou.

Entramos e ficamos comendo enquanto conversávamos, eu não falava muita coisa, mas estava muito feliz por estar do lado de todos que eu amava.

End of Flashback

13

Estar de volta a esse lugar me dava uma enorme sensação de paz. Não sou muito fã de verde, mato, essas coisas, mas o que poderia ser melhor para se sentir bem do que sentar debaixo de uma árvore, ficar sentindo a leve brisa batendo em seu rosto, o cheiro das flores e, quem sabe, o som dos passarinhos? Essa pergunta nesse momento, para mim, parece um pouco estranha. Sei muito bem o que é melhor para me sentir realmente bem. Não vou pensar nisso, prometi a mim mesma que não iria pensar nisso, não dessa forma.
Olhei atentamente para a casa a minha frente, várias lembranças de idades diferentes vieram a minha cabeça. Não havia percebido, até estar neste lugar, como eu queria estar aqui. Olhei para a porta e por ela saiu uma mulher com a idade um pouco avançada e com o seu enorme sorriso, muito conhecido por mim. Vovó caminhou até nós com os braços abertos e, como se neles tivesse um imã, eu e corremos até eles, tentando caber os dois em seus pequenos braços.
- Como eu sinto a falta dessas duas preciosidades. – Vovó deu um beijo apertado em nossas cabeças.
- Também sentimos sua falta. – Meu irmão e eu dissemos em uníssono, causando risada em quem estava por perto.
- Agora, crianças, me deixem abraçar a desnaturada da mãe de vocês, que me abandonou aqui.
- Eu não abandonei a senhora, esses meses têm sido complicados para vir aqui. – Abaixei a cabeça sabendo que isso era por minha causa e senti o olhar de em cima de mim. – E eu deixei você em boas mãos, tenho certeza que meu irmão cuidou muito bem da senhora. – Ela olhou e sorriu para tio Steve que descia a pequena escada com a mulher e os dois filhos. Quando olhei para minha prima fiz uma careta involuntária e recebi um abraço de .
- Claro que eu cuidei. Mas você é a preferida. Sempre foi. Ela nunca ligou para minha presença. – Brincou recebendo um tapa da vó.
- Vamos mudar de assunto. Quem é esse lindo jovem? – Perguntou vovó indicando .
- Um amigo de . – Respondeu meu pai.
- Amigo? – Minha prima Ellen perguntou ironicamente. O tio olhou feio para ela e virei o rosto.
- Ellen, não fale assim. - Vovó a repreendeu.
- Falo sim. Aposto que esse é mais um namoradinho dela. Só esperou o sofrer acidente para caçar outro. – Cada palavra que ela dizia era uma facada no meu peito. Senti me abraçar protetoramente e vi tio Steve pegar no braço de minha prima com força a puxar para dentro pedindo desculpas.
- Vamos entrar? Fiz um bolo delicioso. – Vovó, sem graça, tentou mudar o ambiente, que estava tenso.
- Vou passear um pouco. – Saí do abraço de meu irmão e fui caminhando, sentindo olhares de pena sobre mim.

Caminhei até chegar ao meu local preferido da fazenda. Lá tem uma árvore solitária, mas a visão é linda. Pude ver um vale e uma linda cachoeira ao fundo. Sentei encostada no tronco. As palavras de Ellen rondavam minha cabeça. Eu realmente achei que ela fosse esquecer a nossa briga passada, mas estava redondamente enganada.
Olhei para o tronco e vi escrito “ e ” dentro de um coração. Sorri ao lembrar de quando quis escrever isso. No começo achei besteira, mas depois achei lindo e não parava de olhar.

Flashback (2 anos atrás)

- Vamos, . – Chamei o puxando pelo braço.
- Vamos aonde, ? – Sua curiosidade era visível.
- Vou te levar ao meu lugar preferido da fazenda. Vovó já apelidou de Cantinho da , de tanto que vivo lá. – Caminhamos um pouco e logo chegamos ao local.
- Nossa! Agora eu entendo porque é seu lugar preferido. Aqui é lindo. – Comentou, realmente admirado pelo local.
- Eu disse que é lindo. – Me gabei e apontei a árvore para sentarmos. sentou encostado no tronco e eu fiquei entre suas pernas apoiando minha cabeça em seu peito. Ficamos um tempo olhando a paisagem, abraçados.
- Você se imagina comigo daqui a alguns anos? – perguntou me fazendo olhar para ele.
- Sim. Imagino nós dois casando, morando em uma linda casa em Londres e com 3 filhos. – Deu uma risadinha baixa.
- Esqueceu do cachorro. – Completou. – E acho três filhos pouco. Quero uns sete. – Olhei para ele totalmente assustada. Como assim sete?
- Está doido? – Perguntei.
- Claro que não. – Riu. – Imagina que lindo um monte de zinhas e zinhos correndo pela casa.
- Eu imagino é o quão lindo vai ficar meu corpo depois de sete filhos. Três e acabou. – Respondi e fez um lindo bico. Não resisti e acabei mordendo, dando uma risada.
- Você acabou com o meu sonho. – Fingiu uma cara desolada. – Me conformo com três, mas não abro mão do cachorro e de uma piscina enorme.
- O cachorro eu deixo, mas para que uma piscina? Você conhece muito bem o frio de Londres. – Perguntei estranhando.
- Não importa. Eu quero piscina. – Fez uma cara sonhadora e olhou para o tronco. – Tive uma idéia. – Abriu um sorriso.
- Qual?
- Vamos escrever nossos nomes no tronco. – Respondeu tirando do bolso um canivete.
- Por que você trouxe um canivete?
- Não ria. – Pediu. – Você sabe que eu não gosto de mato e no caso de aparecer um bicho ou nos perdemos, sei lá. Foi o que eu pensei em trazer. – Olhei para ele tentando não rir, mas foi impossível. Ao me ver rir ele ficou sem graça e eu dei um beijo como desculpas. – Vamos escrever? – Apontei para árvore e ele deu um sorriso animado.

abriu o canivete e começou a escrever. Enquanto ele escrevia analisei cada pedaço de seu rosto concentrado. Seus lindos olhos , que sempre me mostram o que ele sente. O formato perfeito de seu nariz e boca. Demorei um pouco no último, que mostrava um lindo sorriso de canto. Pode ser coisa de apaixonada, mas como eu consegui conquistar alguém tão lindo como ele?
Desde que eu o conheci fico pensando em como a vida foi maravilhosa comigo ao me dar . Como o simples fato de olhar para ele me faz sorrir. Quando ele fica feliz ou triste eu fico junto. Em como ele tornou-se extremamente necessário em minha vida.
Depois de alguns minutos ele acabou e ficamos admirando o resultado. Ficou lindo. Voltamos a nos sentar e ele me abraçou fortemente.
- Às vezes eu não acredito que eu tenho você ao meu lado. Nunca imaginei que eu pudesse me apaixonar e amar alguém tanto como amo você. – Desabafei em meus raros momentos de demonstrar sentimentos.
- Eu também não. – Ele riu achando graça de alguma coisa e olhei para ele confusa.
- O que foi?
- Um dia desses minha mãe estava vendo um filme que mostrava um casal de adolescentes apaixonados. O garoto morria e reencarnava em um bebê. Vinte anos depois a mulher conhecia o cara, e como eles eram almas gêmeas os dois se apaixonavam. O destino deles era ficar junto, não importa o que acontecesse. – Ele riu de novo e comecei a entender o motivo dele rir.
- E você pensou que isso podia ser nosso caso? – Perguntei e ele concordou.
- É tolo, eu sei. Mas é que nosso amor é tão forte... Todo mundo nota isso. Às vezes fico pensando nisso. – Dei um selinho demorado nele. Como ele consegue ser tão fofo? – Por favor, não ri de mim.
- Eu não vou rir. Achei fofo. E você acha que seu destino vai ser bom?
- Não sei. Mas se você fizer parte dele, tenho certeza.
Abri um sorriso enorme e passou as costas de uma das mãos pelo meu rosto e eu fechei os olhos ao receber o carinho, depois ele colocou essa mão na minha nuca. Com a outra ele tocou uma cintura e me puxou para ele. Aproximou seu rosto e começou a passar o nariz pela minha bochecha, passando a distribuir pequenos beijos por onde passava, me deixando totalmente entregue a ele. Após um tempo me torturando dessa forma, ele finalmente colocou seus lábios sobre o meu e passou levemente a língua, pedindo passagem e nem pensei duas vezes dando a permissão. Começamos a nos beijar sem pressa, apenas para aproveitar o momento. Passado um tempo, apertou minha cintura levemente, me puxando para mais perto dele, o que achei que fosse impossível, e acelerou o beijo. Nossas bocas se encaixavam de forma perfeita, como se tivessem sido moldadas especialmente uma para outra. Não sei quanto tempo ficamos nos beijando, mas nunca nos cansávamos.

End of flashback

Continuei rindo lembrando-me daquele dia e senti alguém sentar ao meu lado, quando viro o rosto vejo sorrindo timidamente.
- Oi. – Ele falou e olhou para onde o coração estava. – Agora entendi o motivo do lindo sorriso que você estava. Quase desisti de falar com você quando vi você sorrindo.
- Tudo bem, só estava lembrando de algumas coisas. – Dei um sorriso sincero.
- Não queria trazer aquela confusão, desculpa.
- Não peça desculpas, não foi sua culpa. Eu que peço desculpas. – Abaixei a cabeça e comecei a brincar com a grama. – A Ellen é muito inconveniente.
- Acho que seu tio deu uma bronca nela, porque quando ela desceu as escadas estava irritada e ele pediu várias desculpas aos seus pais e a mim. está preocupado que isso prejudicasse sua visível recuperação. Então pediu que eu viesse falar com você.
- Obrigada pela preocupação e desculpa novamente. – Sorri sem graça e ele balançou a cabeça como se dissesse que tudo bem.
- Vai me contar a história? – Perguntou e balancei a cabeça que sim. Não tenho mais medo de falar o que aconteceu comigo ao e ele também merece uma explicação.
- Ellen é um ano mais velha que eu e sempre teve ciúmes de mim. Nunca entendi muito bem o motivo. Ela sempre dizia que era porque todo mundo gostava mais de mim, principalmente a vovó. Isso nunca foi verdade, todo mundo nos travava de forma igual. O que vovó dava para uma dava para a outra, para evitar isso mesmo. Sempre que eu tentava brincar com ela era ignorada, machucada ou tinha minhas bonecas estragadas. – ouvia tudo atentamente. – Mas com o tempo passei a ignorar isso e viver bem. Dois anos atrás trouxe para que todo mundo conhecesse. Ela começou a dar em cima dele e ele fingia que não reparava. Seu pai lhe chamou atenção, mas ela nem ligou...

Flashback (2 anos atrás)

Estava andando pelo corredor quando escuto vozes vindo do quarto onde e meu irmão estão hospedados.
- O que ela tem que eu não tenho, ? – Escutei a voz da minha prima e me aproximei sem fazer barulho.
- Eu amo a . – Notei que pelo tom de voz dele que ele estava irritado.
- Amar? Como você pode amar uma garota sem graça como ela? – Quando cheguei perto da porta notei que estava um pouco aberta e eles não me notavam. Ellen se aproximava de , que estava com os braços cruzados e feição irritada. – Olha para mim. Sou mil vezes melhor que ela.
- Só pelo o que você está fazendo já dá para perceber que não é. nunca seria tão baixa de dar em cima do namorado da prima. – Ellen pareceu ofendida.
- Baixa? Ela que não merece você como eu mereço. Aquela pirralha sempre consegue tudo. As melhores coisas e sem nem correr atrás. Eu corro atrás das coisas que eu realmente quero. Como eu quero você.
- Como você me quer? A única coisa que você quer é tirar tudo que é da . Você tem ciúmes das coisas que ela tem. E se ela consegue tudo sem correr atrás é porque ela merece. Se você não fosse tão invejosa você também conseguiria as coisas. Esse é seu castigo. – Ela se aproximou de e apontou um dedo na cara dele, que parecia entediado.
- Você vai pagar pelas coisas que está me dizendo. Ela vai te trocar. Vai te trocar e você vai ficar sem nada e eu vou rir de você.
- Não sei como você pode ser dessa família. Todos maravilhosos enquanto você me dá nojo.

End of flashback

- Depois me contou tudo e eu disse que havia escutado.
- Agora deu para entender porque ela disse isso. Todo mundo sabe disso?
- Não. Só o , , e agora você.
- Você se importa com as coisas que ela diz? – Perguntou preocupado.
- Não, aprendi a ignorar as merdas que ela fala. Só saí de lá para dar um tempo. Todo mundo ia ficar em cima de mim.
- Mas alguma coisa te incomodou. – Por que achei que podia esconder algo dele? – Não adianta negar.
- O que a Ellen falou me fez pensar que eu acho que nunca vou gostar de outro garoto, caso algo aconteça com o . – Tremi só de pensar nessa chance.
- , sei que você não gosta de pensar no fato que o pode... – Ele não terminou a frase, mas sabia o que ele queria dizer. – Mas existe essa possibilidade. Eu realmente espero que isso não aconteça, mas na situação que ele está você tem que começar a se preparar. – Meu coração estava doendo tanto que parecia que estavam apertando ele.
-, é impossível eu esquecer o . – Lágrimas teimosas começaram a cair. , ao notar isso, passou a mão no meu rosto para secar e me abraçou, fazendo-me colocar a minha cabeça em seu peito.
- Não estou falando para você esquecer, sei que você nunca vai esquecer. Estou querendo dizer que você tem que viver, não importa o que aconteça a ele. Talvez você sofra, mas no fim eu sei que você vai superar, tenho certeza que ele ia querer isso.
- Você acha que ele vai... Você sabe. – Não consegui terminar a frase.
- Não. Algo me diz que ele vai ficar bem. Você não merece esse sofrimento todo. – Olhei para ele, que fazia carinho na minha cabeça, e notei que ele sorria carinhosamente. – Mas mesmo assim você tem que pensar em todas as possibilidades.
- Mesmo que eu “supere”. – Fiz aspas com as mãos. – Acho que nunca vou me interessar por alguém e ninguém por mim. Acho que vou cheirar a tristeza, drama. – Ele riu da besteira que eu disse.
- Tenho certeza que não. Talvez demore para que você sinta interesse por alguém, mas alguém vai te conhecer além do seu muro e esse alguém vai te conquistar. Você não vai amar da mesma foram que ama , mas vai ser feliz.
- Dúvido.
-Você é nova, linda, inteligente, talentosa. Qualquer garoto nota isso. me contou que vários garotos da escola te olham, você que não nota. Tenho certeza que algum garoto gostaria de ter uma chance, mas sabe que seu coração é de outro e respeita. – Ele olhava misterioso.
- Já disse que você é doido? - Ele riu baixo e concordou.
Ficamos em silêncio por um tempo. Pensei no que ele me disse. Sei que ele falou sobre garotos para me animar, por isso ignorei. Só consegui pensar na esperança que eu senti quando ele falou que acreditava que ia ficar bem, eu sentia que podia acreditar. Não sei como, mas sabia que podia. Então pensei em algo que nunca havia perguntado a .
- , você já se apaixonou? – Ele olhou para mim surpreso.
- Como assim? – Perguntou um pouco assustado.
- Se apaixonar, amar, gostar de alguma garota.
- Não. – Estranhei a forma como ele disse o não. Foi como se fosse impossível para ele. – Vamos voltar? O povo pode estar preocupado. – Ele é definitivamente misterioso. Levantamos-nos e começamos a voltar.
- Você vai realmente se mudar no fim das aulas? – Concordou com a cabeça. - Seu pai não mudou de idéia?
- Agora ele tem mais certeza que nunca. – Abriu um sorriso como se escondesse algo. – Ele disse que nós... Ele vai ser mais útil em outro lugar e que já está quase terminando o que tinha que fazer aqui.
- No que ele trabalha?
- Cria, concerta coisas. – Ele riu como se risse de alguma piada interna.
- E quando ele acaba de fazer o que foi contratado ele vai embora e te leva junto.
- Basicamente isso. – Sentia uma tristeza só de imaginar ficar sem o ao meu lado.
- Vou sentir sua falta.
- Eu também. – Ele sorriu sincero para mim.

Continua!


N/A: Olá, como estão? Lembram que eu comentei que achava esse capitulo fofo demais? E ai, o que acharam?
Estou com um monte ideias para novas fics, mas sem tempo para escrever, vou acabar com as que eu estou escrevendo para começar outra. Talvez demore a postar o próximo capítulo porque travei total nele.
Leiam minha outra fic: Two Lives.
Espero que gostem desse capítulo e comentem. Adorei todos os comentários anteriores.
@pammy_vpn

Nota da beta: Cada vez eu amo mais essa fanfic *o*' quero maaaaaais!
Deixei passar alguma coisa? E-mail ou twitter.
AnnieB.