Por: Dayane Oliveira
Beta-Reader:Carol Silver
Prefácio
O céu era de um cinza profundo e melancólico. A neve caiu fina quase que imperceptível.
O mundo de repente não girava e a guerra eminente estava se alongando como uma grande cobra pronta pra dar o bote a qualquer sinal de fraqueza.
Algo quente tremia ao meu lado e eu soube que minha vida estava em algum lugar da clareira pronta para morrer por mim.
A sensação de impotência me incomodou de novo, mas dessa vez uma dor aguda me atingiu, era meu coração me avisando que eu não conseguiria viver muito tempo sem ele.
Em um instante de dor um som rasgou a floresta e num segundo já não era mais eu. E eu gostei disso.
1- Adeus
Um raio de Sol entrou pela fresta do velho sótão e tocou meu rosto. Um sorriso brincou nos meus lábios, constantemente eu não sábia porque estava rindo. Abri meus olhos para observar as partículas de poeira no ar.
Mantive o hábito de fechar os olhos à noite -mesmo sabendo que não podia dormir - eu gostava do escuro e meus ouvidos se desligavam à medida que as lembranças inundavam minha mente.
A idéia de estar sonhando me agradava, fazia eu me sentir mais humana, mesmo consciente que isso era só mais uma das muitas ilusões que eu mantinha na tentativa de parecer menos um monstro.
O som do pequeno passo no primeiro degrau da longa escada me trouxe para a realidade e um arrepio passou pelas minhas costas quando a imagem do velho ancião, subindo quatro andares de escadas, se formou na minha cabeça. Um quarto de segundo se passou e eu já estava ao seu lado. Com uma mão protetora sobre seu braço, me inclinei em sua direção para beijar o topo de sua cabeça quase sem cabelos.
“Sabe que não deve subir as escadas”. - Eu o lembrei com olhos quase suplicantes.
“Eu sei, mas achei que você iria partir de novo” - suas palavras saíram de pressa e seus olhos miraram a madeira do chão.
Meu corpo ficou rígido como uma estátua e eu estava pouco consciente da presença do padre Antônio ao meu lado.
As lembranças da ultima partida lutavam por um espaço em minha cabeça.
Meu peito se moveu rapidamente como se o ar ajudasse a clarear a minha cabeça confusa e meu rosto se transformou numa máscara de dor e arrependimento.
Eu pude sentir os olhos frágeis do velho padre sobre a escultura de horror que meu corpo se transformou.
“Oh! Minha querida, não fique assim. A morte da irmã Matilde não foi culpa sua”. - As palavras saíram como um texto decorado, por serem ditas inúmeras vezes.
Ainda assim tinha tanto calor e sabedoria que descongelou meu corpo petrificado.
Três segundos inteiros tinham se passado antes que as palavras tomassem forma em minha mente. Mais que depressa decidi que não ia sofrer hoje. Sentia que era um dia especial.
“Tudo bem padre Antônio, foram só lembranças. Mas eu queria ter estado aqui quando ela mo...”
Um velho companheiro apareceu. O nó se formou em minha garganta e a palavra não saiu, apesar de estar ecoando em minha cabeça como um martelo em uma bigorna.
Eu estava ciente da morte da irmã, mas não consegui verbalizar a palavra que apunhalava meu já contorcido coração.
Outras lembranças vazaram para dentro das memórias da irmãzinha e antes que eu pudesse fazê-las concreta a voz cansada do padre entrou por meus ouvidos me puxando vigorosamente dos meus devaneios.
“Tem uma surpresa para o café da manhã!” - Padre Antônio falou numa voz divertida, provavelmente sabendo que eu ia gostar da novidade.
Puxei seu braço o mais delicadamente que pude - seu corpo já era suficientemente frágil sem a ajuda de minhas mãos de aço - e começamos a caminhar vagarosamente em direção a cozinha.
Quando a curiosidade invadiu meus pensamentos, me virei casualmente em sua direção e falei:
“Que tipo de surpresa?”
Tentei colocar um tom desconfiado, mas acho que não o convenci. Ele sabia que eu adorava surpresa. Definitivamente não era fácil sair da rotina num mosteiro.
Talvez fosse por isso que eu gostava tanto das viagens, sempre há muitas coisas pra se ver, lugares a visitar e velhos conhecidos a rever, mas já tinha uma década que eu não saía do país.
Entramos pela porta e minhas pernas congelaram com a surpresa.
Da grande janela da cozinha dava pra ver o curral e uma grande vaca comia tranqüila.
Uma risada estrondosa se desprendeu do meu peito e então encarei seu rosto com olhos de repreensão como quem olha pra uma criança suja de chocolate.
“O que foi?” - ele respondeu de pressa.
“Estou com vontade de comer carne essa semana”.
Eu continuei encarando seu rosto e disse pacientemente:
“Você não devia gastar o dinheiro dos fieis com vacas”. -Eu dei um grande suspiro, não costumava ser eu a dar bronca.
Ele fez uma cara de ofendido.
“Sabe que não faço isso”. -ele falou ainda carrancudo.
Um sorriso pretensioso tomou conta de seu rosto e com uma dose de arrogância ele falou: “Além do mais foi um presente”.
“De quem?” - Meu rosto era um misto de surpresa e curiosidade. Não havia muitas almas caridosas quanto padre Antônio gostava de pensar.
“Tem certeza que não sabe?” - Seus olhos ainda petulantes me lembraram de um nome que eu gostaria de esquecer.
Um rosnado saiu do meu peito e antes que eu pudesse explodir em palavrões e ofensas o padre se apressou em esticar um envelope.
“Dessa vez veio com um bilhete”. - Sua voz soou calma e controlada. Ele começou a andar quando percebeu que eu já tinha pego o bilhete.
Passei os olhos cautelosamente sobre o luxuoso envelope, ele carregava o pomposo brasão dos Volturi. Bufei silenciosamente fechando os olhos e passei a mão sobre o símbolo do lacre. Ele me trazia inúmeras lembranças. Nenhuma que fosse páreo para minha curiosidade.
Rapidamente rasguei o envelope e peguei o pequeno bilhete, reconhecendo a caligrafia imediatamente. A constatação me fez sorrir. Quem além dele me enviaria qualquer coisa?
Respirei fundo e li cada palavra atentamente.
Minha cara Alex,
A muito não tenho noticias suas então resolvi
mandar um pequeno lanche para que venha me visitar.
Tenho novidades sobre os clans vegetarianos da
América , sei que ainda procura um.
P.S: Ainda vejo seus olhos violeta à noite.
Por favor, venha ao meu encontro.
Marcus
Bufei impacientemente nas duas últimas frases.
O que há com ele? Nos já tivemos esse tipo de conversa antes e décadas depois ele ainda me atormentava com esses sentimentos que já deveriam ter sido esquecidos, mas essa dos clãs vegetarianos é nova. Será que ele fala serio dessa vez ou é só mais uma tentativa de me fisgar -seja como mulher ou reforço pra guarda - como se isso tivesse alguma chance de dar certo.
Eu nunca vi Marcus como um grande amante e seus 'irmãos' sempre me viram mais como um tiro pela culatra, do que uma arma de guerra.
Não me dou muito bem com autoridades e como eles nunca conseguiram me curvar, decidiram me deixar ir. Para o bem da guarda e a sanidade de Marcus.
Escutei o coração do padre Antônio perto do grande coração da vaca. Quando cheguei ao celeiro ele acariciava cuidadosamente o animal.
Sem olhar em minha direção ele murmurou pra si mesmo.
“É. Acho que vou ter que esperar pra comer carne”.
“Prefere o leite?” - Minha voz saiu quase afirmativa.
“Oh! Você está ai!” - ele se assustou e levou a mão ao peito.
Coloquei a mão na boca pra abafar uma risada.
“Então? Se afeiçoou pela vaquinha?” - Questionei.
“É difícil não pensar assim, com ela nesse estado.” - O padre fitou meu olhar confuso e arfou sem muita paciência.
Ele pousou uma mão sobre a barriga da vaca e estendeu a outra convidativamente na minha direção.
Eu dei um passo pra frente e a vaca se encolheu no canto e a risada que eu estava prendendo escapuliu do meu peito.
O padre se curvou um pouquinho em direção ao ouvido da vaca e sussurrou:
“Fique calma! Ela não vai te machucar”. - Ele me olhou com uma risadinha.
“Não prometa o que não pode cumprir”. - Eu o adverti.
Ele revirou os olhos impacientemente e esticou os frágeis dedinhos entre o espaço que nos separava, alcançando minha mão inerte. Não resisti ao seu fraco puxão e me aproximei da tensa vaca.
“Você ainda não consegue ver?” - Ele me questionou curiosamente.
Pra ser sincera não via nada além da minha sede, que crescia dentro do meu peito a essa altura.
O forte coração pulsava a minha frente e o sangue quente do animal fazia minha boca se encher de veneno, meus olhos estavam negros com a fome, já havia quatro dias que eu não me alimentava e da ultima vez não foi lá um banquete.
Se o padre Antônio não tivesse me questionando tanto eu ia ficar feliz em devorar a pobre vaca.
“Veja além da sua sede” - Ele grunhiu impaciente.
Respirar fundo não ia ajudar muito agora, então sacudi a cabeça tentando clarear a mente. Apertei os olhos me fixando na massa de carne abaixo das nossas mãos entrelaçadas.
No começo era só um zumbido baixo e rápido depois começou a tomar forma.
Um estalo sacudiu minha mente e eu puxei minha mão depressa, tomando cuidado para não quebrar a mão frágil do padre.
“Ela está prenha?” - Eu arfei.
“Está no começo, mas isso muda nossos planos, quer dizer os meus”. Ele era tão confiante que não dava pra duvidar.
“E quais são meus planos exatamente?”.
Não importa qual seria a resposta dele, sabia que era mais uma ordem que um palpite.
“Você vai se alimentar bem e seguir seu caminho”. - Revirando os olhos ele me arrastou pela cozinha.
“Acho melhor eu ficar. Vocês ainda precisam de proteção”. - Eu tentei argumentar.
“Querida você não pode salvar a todos. Essa é a tarefa de Deus e até aqui ele não deu motivos para nós duvidarmos dele, não é?” - Ele rapidamente venceu a batalha.
Ele colocou as pontas dos dedos sobre meus lábios de granito - ele já estava acostumado com a textura e a temperatura da minha pele - cessando a conversa.
Sorri gentilmente. Fechando os olhos pausei as mãos sobre seus ombros e me livrando de seus dedos dei um beijo no topo de sua careca quente.
O velhinho respirou fundo e com um pigarro interrompeu a cena comovente.
“Vamos, vamos! Tenho uma missa a fazer e você muito que comer”. - Ele inspecionou a batina e foi em direção a capela resmungando. - “Não se esqueça! Ainda quero comer carne. E traga comida pra vaca”. - Ele gritou pela distância, como se eu não pudesse ouvi-lo.
“Sentirei sua falta”. - As palavras saíram por debaixo do meu fôlego.
Ele já estava fora do meu campo de visão, mas pude ouvir um leve suspiro.
O padre Antônio não era muito dado a sentimentalismos, mas sei que ele me amava tanto quanto eu o amo. Como ele dizia, eu já deveria estar acostumada com as despedidas, já as tinha feito centenas de vezes.
Suspirei e o cheiro da vaca queimou minha garganta - o que me fez lembrar de comer -, mas antes que eu pudesse me alimentar havia muito trabalho a ser feito no convento, então decidi me apressar e começar a limpar tudo, mas antes eu tinha que comprar a comida da vaca.
2- Viagem
Mesmo sendo rápida demorou horas pra limpar todo o convento, mas modéstia à parte eu nunca tinha visto um lugar tão limpo.
Eu podia escutar o padre Antônio:
-Alex porque você é tão exagerada?- E a idéia de suas palavras me fez rir enquanto eu me limpava para ir caçar.
Já era de tarde e eu resolvi buscar a comida um pouco longe, assim estaria de noite quando eu retornasse.
Pensei em devorar uma vaca, mas a lembrança da vaquinha prenha deu um nó na minha garganta, então fui mais longe à procura de um grande rebanho de ovelhas.
Elas estavam perto da floresta e não seria difícil dizer que foram atacadas por um animal, não que isso fosse mentira. Mais que depressa saciei minha sede – até mais do que devia – e escolhi duas belas ovelhas para o padre, essa era sua segunda carne favorita.
A volta foi mais rápida apesar das duas ovelhas. O sangue me dava uma “força extra” e já era noite, queria chegar antes do padre Antônio se recolher.
Entrei na cidade cautelosa – não seria fácil explicar a cena – esperando ser rápida o suficiente para assistir a missa. Mas já tinha acabado e os fiéis estavam saindo, o que me atrasou um pouco e me fez subir pelo telhado, o que era o caminho mais longo até a cozinha, mas a distancia não importa muito quando se anda rápido.
Deixei as ovelhas na cozinha e decidi subir – como humana – as escadas. A essa altura não queria fazer nada que apresasse minha partida.
Quando passei pelo primeiro andar ouvi a voz do padre me chamar.
“Alex?! É você?” – esse murmurou.
Por Deus, às vezes eu achava que o velho tinha um ouvido melhor que o meu.
“Sim padre”. – Quando acabei de falar, já estava na porta do seu quarto, mas dessa vez ele não se assustou.
“Acenda a luz, por favor”. – Ele falou apontando a direção do interruptor.
Movi-me depressa e antes que seu braço caísse. Eu acendi a luz do pequeno quarto.
“Agora sim!” – seu sorriso enrugava toda sua cara e seus olhos miravam meu rosto. “Você não deveria ficar tanto tempo sem comer, seus olhos são belos demais para ficarem escondidos”. –s eu tom era quase uma bronca.
“Ok! Vou me lembrar disso.” – Apesar de ter certeza que minha sede não me deixaria esquecer, mas a lembrança do rosto enrugado do velho padre seria o mais forte lembrete.
“Sim. Agora vai embora e apaga essa. Alguém precisa dormir nesse lugar”. – Ele resmungou enquanto se deitava desajeitado.
Segurei uma risada e voei para meu quarto – sótão – agora me apresando. O mundo já gritava meu nome e eu tinha pouco o que pensar. Só repassava as instruções do padre: não fique sem comer, não revele seus poderes, cuidado por onde passa e um milhão de outros conselhos que eu freqüentemente desrespeitava – e o roteiro de viagem.
Decidi ir para a Austrália de avião e voltar até a Itália meio de mochileira, assim poderia rever alguns conhecidos.
A viagem durou pouco mais de sete meses, mas permaneci próxima ao mosteiro por dois meses pra me certificar de que estava tudo bem.
Quando finalmente parti para Volterra a vaquinha, a qual o padre tinha batizado de mimosa – bem original – tinha tido uma bezerrinha que ele chamou de Violet, acho que era uma homenagem. Com certeza sentiria falta de tudo por aqui, mas uma família – que não morresse – era tudo que eu queria no momento.
Eu ainda tinha que me preparar para as ofensas e lamurias de todos os Volturi, isso sim não seria tarefa fácil, mas nada que minha petulância não desse jeito – principalmente em Caius. Era sempre a mesma brincadeira de gato e rato, – eles querendo que eu fique e eu dando motivos extras para não ficar – mas dessa vez era diferente, a eminência de uma família de verdade, fazia isso tudo ser secundário.
Respirando fundo entrei pela cidade já alerta.
Não sei porque não era bem-vinda – mentira sabia muito bem – talvez fosse por ter partido o coração de Marcus ou por ter dado algumas surras na guarda, não faz diferença, isso só queria dizer que eu não vou ter uma recepção calorosa.
Já estava ao lado do chafariz da praça quando comecei a ouvir os primeiros rosnados – não eram nada convidativos. Fiquei duas vezes mais alerta, meus poderes não estavam completamente ativos – são muitas habilidades para absorver – e isso era uma enorme desvantagem pra mim no momento.
Minha posição era de defesa – a fraca luz da lua deixava os rostos contorcidos ainda mais ameaçadores. Meus poderes estavam demorando mais do que o de costume para se adaptar, minhas suspeitas eram que eu tinha ficado tempo demais com os humanos.
Eles já estavam perto demais para meu gosto, quando eu senti que estava pronta – ai nenhum deles era páreo pra mim – me forcei a sair da posição de defesa e me ajeitei numa posição bastante casual, um pouco rígida pela tensão. Abri um largo sorriso, como quem da cheque-mate num grande adversário e todos eles soltaram altos rugidos sabendo que já não tinham mais chance.
O eco dos rugidos foi interrompido pelo grave rosnado de Felix.
“Você não é bem-vinda aqui”. – Ele mais rosnou do que disse.
“Ah que isso? Não seja um mau perdedor”. – Não tinha como meu tom ser mais debochado.
Felix fez menção de avançar, mas Dimitri colocou uma mão apaziguadora em seu peito acalmando os ânimos do gorila.
“Se você veio aqui pra arrumar...” – Dimitri começou a falar.
“Não vim aqui pra arrumar nada e dessa vez tenho convite”. – Eu o interrompi impacientemente.
Tirei o envelope do bolso e o atirei na direção do imóvel Dimitri.
Ele pegou delicadamente com uma das mãos o envelope – a outra ainda estava ocupada detendo Felix – e passou os olhos cautelosamente sobre o papel.
Eu o instiguei:
“Vamos lá! Ele não morde”.
Ele bufou e olhou para Felix pelo canto dos olhos, se certificando de que ele ficaria calmo.
Felix rapidamente entendeu o recado e se endireitou numa postura menos ofensiva.
Dimitri abriu o envelope rapidamente e antes que ele pudesse ler eu o adverti.
“Não considere as duas últimas frases”.
Eu dei uma risadinha quando ele limpou a garganta sem graça.
Me certifiquei que a tensão já tinha sido diluída e caminhei confiante em direção ao castelo, mas Felix e Dimitri não se moveram um milímetro se quer. Parei a um passo de distancia dos dois grandes guarda-costas.
Revirei os olhos, impaciente, e rosnei as palavras:
“Da licença, por favor?”
Os dois travaram a mandíbula em sincronia como se não tivessem certeza do que fazer. Seus rostos eram mascaras em branco sem qualquer reação.
“Não me façam tirar vocês do caminho”. – eu concluí quando vi que eles não iam a lugar algum.
Um rosnado cresceu dentro do peito de Felix, mas antes que ele pulasse no meu pescoço, uma voz vinda da porta do castelo chamou nossa atenção.
“Vamos, parem com isso! Aro está chamando”. – Claro, era Alec – com sua voz de anjo – que estava parado impaciente esperando nossa reação.
Dimitri e Felix abriram passagem como o mar vermelho, e eu não podia deixar passar a oportunidade de zoar com a cara deles.
“Salvo pelo gongo. Se livrou de outra surra”.
Quando acabei a frase já estava a dois metros de distancia, mas pude ouvir Dimitri segurando o furioso Felix que rosnava e se debatia em minha direção.
Não pude conter a risada.
Estava a pouco mais de dois metros do pequeno Alec, quando estendi a mão num gesto de comprimento.
“Olá criança! Já faz bastante tempo que nós não nos vemos. Como vão as coisas?” – Estranhamente as palavras saíram bastante verdadeiras.
“Movimentadas!” – Ele disse sorrindo educadamente.
De todas as criaturas do castelo, Alec era o que menos me incomodava.
Ele se curvou num comprimento antiquado.
E sorrindo eu cruzei a porta em direção ao interior do castelo, sem saber direito o que esperar, mas esperança é tudo que eu tinha no momento.
3- Reencontro
Tudo parecia extremamente igual, algo na decoração era diferente, – quase um século de avanço faz isso – mas era tão ínfimo que nem parecia realmente uma mudança.
Eu conhecia cada pedra daqueles corredores e à medida que nos aproximamos da grande sala um nó apertava minha garganta.
Finalmente eu entrei na sala – com minha postura mais arrogante – e olhei cada rosto presente, absorvendo seus poderes e suas reações.
Como era eu quem estava chegando, resolvi cumprimenta a todos com um alegre “Boa noite”.
Quando o som da minha voz tocou Marcus, ele ficou rígido e depois se contorceu numa mascara de dor, mas ele não olhou pra mim, ao invés disso ficou mirando algo no chão.
Caius bufou com a expressão do ‘irmão’, mas acenou – desinteressado – em minha direção.
A guarda inteira acenou com a cabeça – eles mais pareciam cães treinados e isso me tirava do sério. Como eles podiam ser tão cegos?
Resolvi pegar leve, até porque era eu que precisava deles.
Todos no castelo evitavam falar de mim e de Marcus. Todos falam que quando um vampiro encontra sua companheira é definitivo, nós claramente éramos uma exceção a essa regra, na verdade eu era exceção a muitas regras.
Não era segredo que Marcus gostava de mim e também não era segredo que eu não correspondia, mas tirando os Volturi dava pra contar nos dedos de uma mão os vampiros que sabiam disso – e sobrava – e é claro que Aro e companhia não iam querer ver seu ilustre membro ridicularizado.
Aro interrompeu meus pensamentos – intencionalmente – com um pigarro. Aro sempre foi o mais gentil de todos eles, mas seus gestos nobres encobriam um ganancioso general, que só se interessava em recrutamento, para ele quanto mais talentos melhor e com certeza ele não media esforços para isso.
“Então minha cara Alex? O que te traz aqui?” – suas palavras eram tão casuais e amistosas que eu custei para acreditar.
“Soube de uma grande família vegetariana na América do Norte e vim saber se é uma boa idéia tentar me juntar a eles”. – falei depressa sem muita emoção.
Caius apertou os olhos, incrédulo.
“Ah! Não sei. Já faz quase um ano desde a última vez que estivemos lá”. – Aro respondeu hesitante – desde quando ele contava o tempo?
Aro falou, falou e eu entendi assim: Ah Sim! Mas você não pode se juntar a nenhum clã que não seja o nosso...blá-blá-blá-blá e toda aquela ladainha que eu já estava acostumada.
“Por que você não deixa eu dar uma olhada?” – eu perguntei já esticando a mão.
“Por que você não descansa um pouco da viagem e come alguma coisa?” – Ele falou parecendo extremamente humano.
Eu ri descrente.
“Vamos Aro! Sabe que eu tenho outras formas de saber”. – Meus olhos instantaneamente encontraram a figura de Marcus.
Aro pareceu um pouco desconcertado, talvez um pouco encabulado, mas esticou sua mão hesitante pra mim, e eu a toquei.
“Tente se concentrar nos fatos. Todos os outros pensamentos não me interessam”. – Eu atirei as palavras.
Ele inspirou fechando os olhos e deixando as imagens fluírem por sua mente.
Era tudo fantástico, os personagens, os enredos e os cenários. Tudo parecia um filme e a inveja tomou conta da minha mente.
Eles tinham tudo que eu queria. Uma família, companheiros, amigos leais e de quebra ainda tinham resistido melhor que eu aos Volturi.
Era lá que eu queria estar – quase corri para América – mas eu não podia, havia muitas coisas a esclarecer e era perigoso ir pra lá sem está preparada.
Eu não me preocupava com os vampiros, até porque eu usaria a força deles para derreta-los, – é claro que eu não faria isso – mas os transmorfos me intrigavam. Eu não sabia o que esperar e achava que a idéia de explodir num lobo era improvável.
Soltei sua mão já explodindo em gargalhadas.
Só o som dos rosnados de Caius e Jane me fizeram para de rir, mas eu não estava muito preocupada com eles, tudo era tão perfeito – inclusive os pensamentos de Aro – que eu mal pude me conter para formular as milhares de perguntas em minha mente.
Resolvi que ia pedir detalhes de todos os poderes e dos lobos primeiro, depois eu iria resolvee qual seria a melhor estratégia.
Antes que eu falasse qualquer coisa a voz de anjo – só a voz – da pequena Jane me questionou.
“Por que você não volta pro buraco de onde veio?”
Ela era sempre agressiva comigo, mas eu gostava de irritá-la. Perdi as contas de quantas vezes Aro a livrou de umas boas palmadas.
Virando-me lentamente em sua direção eu falei irônica:
“Por que você não vai brincar querida? Os adultos querem conversar”. – Eu peguei em seu ponto fraco, ela odiava ser chamada de criança.
“Sua vadia, eu vou te mostrar quem é a criança”. – Ela falou já vindo em minha direção, mas Alec a conteve.
“Deixa ela, Alec. Ta na hora de alguém lhe ensinar boas maneiras”. – Eu gritei de volta.
Ela apertou os olhos e me atacou com todo o seu poder.
Não era doloroso. Eó um ouço incomodo, como um membro dormente, mas ela sabia que ataques me tiravam do serio.
Não pensei duas vezes voei pela sala e rugi:
“Sua pirralha mimada. Agora você vai ter o que merece”.
Puxei meu braço o máximo que pude, depois o lancei com toda força contar seu lindo rosto. A parte externa da minha mão atingiu seu rosto em cheio e ela voou belos metros antes de atingir a parede.
Toda guarda reagiu se colocando em posição de ataque e eu instintivamente os acompanhei.
O doce som do tapa ainda ecoava pelos corredores, se assemelhava a duas montanhas se chocando.
Jane se recompunha já em posição de defesa, mas antes que a sala virasse uma praça de guerra, Aro interveio.
“Por favor, garotas se comportem. Alec leve sua irmã para dentro”. – Ele pediu calmo apesar da cena.
Eu me forcei a entrar num estado mais calmo, enquanto Alec arrastava Jane pra o interior do castelo.
Limpando a garganta eu perguntei:
“Então, de onde nós paramos?”
“Você ia me fazer um milhão de perguntas”. – Ele respondeu revirando os olhos.
Ele se dirigiu para o seu lugar e se acomodou no seu majestoso trono.
Quando eu ia começar as perguntas ele me interrompeu.
“Espero que não se importe se eu fizer um lanchinho”.
Bufei de raiva, ele sabia que eu me importava, mas decidi não discutir.
“Assim que o Sol nascer eu volto”. – Foi tudo que saiu antes que eu sumisse no corredor.
Segui em direção ao meu antigo quarto, por algum motivo eu sabia que ele continuava lá. Abri a porta incrédula, um século se passou e nada tinha mudado. Aparentemente eles limpavam e trocavam os lençóis constantemente, mas isso só fazia a cena ficar mais bizarra.
Fui me arrastando até a grande cama me atirei de bruços fechando os olhos, tinha esperança que minha técnica do sono funcionasse aqui, mas isso era quase impossível diante das imagens – da minha quase família – em minha cabeça.
As batidas na porta interromperam as imagens e me fizeram levantar irritadamente para atender.
Deus deve ser a Jane, a pirralha não desiste. Vou mostrar a ela o que ganha por me incomodar.
Abri a porta quase esmagando a maçaneta e antes de olhar pra cima soltei.
“Se veio aqui pra arrumar...” – Minha frase foi abruptamente interrompida quando eu encontrei os olhos nublados de Marcus.
Meu corpo congelou e eu parei de respirar, de todas as pessoas do castelo, eu achei que ele seria o último a me visitar.
Ele sorriu sem graça.
“Não vai me deixar entrar?”
Me forçando a raciocinar eu questionei:
“Marcus não acho uma boa idéia. Caius pode não gostar”. – Nem eu acreditei na minha desculpa. Desde quando eu me importava com o que Caius pensa ou deixa de pensar?
Pelo visto, nem ele.
Eu arfei um pouco, essa batalha também estava perdida.
Dei passagem pra ele, um pouco desconcertada, mas estava decidida a não deixar aquela conversa tomar rumos românticos.
“Então? Ao que devo a honra?” – As palavras saíram ácidas demais.
“A honra é sempre minha, mas dessa vez vim falar de assuntos do seu interesse”. – Ele falou confiante.
Obviou que ele não ia perder a chance de falar algo impróprio.
“Como o quê?” – Eu quase rosnei.
“Os Cullens, é claro!” – Ele agora parecia um pavão de tão confiante.
“Então Aro te mandou aqui, já que ele está ocupado?” – Eu mais afirmei do que perguntei.
“Ninguém me mandou. Só achei que você morreria de curiosidade se tivesse que esperar até de manhã”. – Ele me olhou confiante sabendo que era verdade.
Fui me sentar na cama – ele me acompanhou – pra começar a bateria de perguntas. Com certeza a noite seria longa.
“Conte-me tudo, não me esconda nada!” – Eu disse tentando fazer piada.
Ele começou bem do começo, falando de como cada um foi criado.
Eu me acostumei com seus nomes e histórias e aquela altura eu já me sentia da família, mas foi a jovem Bella que me chamou atenção. A garota sabia mesmo entrar em encrencas.
A noite foi passando e as histórias se desenrolavam como fitas, e então os relatos esbarraram nos transmorfos, esse sim era um ponto que eu queria explorar.
“E como meu talento se adapta a eles?” – Minha curiosidade vazou.
“Não sei ao certo meu. Eles são quase tão fascinantes quanto você”. – Ele rapidamente desviou o olhar sabendo que eu não ia gostar da observação.
Quando ele se deu conta já era tarde e eu dei a conversa por encerrada.
Ele suspirou e foi pra porta, mas parou lá e ficou me olhando, quando eu ia falar ele tirou algo do manto preto, um envelope, e o entregou a mim.
“Espero que seja feliz com sua nova família e se não der certo, lembre-se que eu continuo esperando”. – Ele se virou pra sair, mas parou e falou. “Não se atrase”.
Dentro do envelope havia uma passagem para Washington, marcada para as sete, o que só me dava tempo de chegar ao aeroporto.
Eu olhei – pelo que eu esperava ser a última vez – para o castelo e desejei não ter que voltar lá.
4- Bem-vinda
O avião pousou lentamente na capital dos Estados Unidos e eu estava agradecendo Marcus pela passagem de primeira classe – é sempre bom ter privacidade – e pelas dicas sobre os Cullen.
Marcus me falou bastante de Alice, eu tentava não tomar decisões, mas minha mente remoia a idéia de como eu faria pra entrar na cidade sem chamar a atenção dos lobos.
Surpreendentemente eu estava com medo de como meu talento ia se adaptar a sua estranha forma.
“Senhora! Já pode desembarcar”. – a comissária de bordo interrompeu abruptamente meus pensamentos, quase me fazendo pular do acento.
Sorri meio sem graça.
“Acho que eu cochilei”. - A desculpa saiu meio esfarrapada, mas com os óculos ela não pode ter certeza do contrario.
“Tudo bem! Isso sempre acontece”. – ela sorriu simpaticamente e foi acordar outro dorminhoco.
Levantei-me depressa, a ansiedade já explodia nessa altura, minha vontade era voar para Forks, mas eu ainda tinha um desafio pela frente. Descer a grande escada do avião sem enxergar direito.
A cidade foi ficando pra trás e eu me tornei só um vulto. A paisagem já estava clara, mas eu não tinha certeza da hora, pois o céu era de um cinza tão forte que o Sol poderia já ter nascido há horas.
Já estava bem perto dos limites da cidade, então parei para caçar, – queria chegar lá na melhor forma – mas tive que me apressar um pouco, não queria dar sorte pro azar.
Agradecendo ao Dimitri, encontrei uma trilha de lobo, não era muito fresca, mas parecia ser constante. Eles poderiam passar por aqui de novo.
Meus sentidos deram o alerta.
Eles ainda estavam um pouco longe, o que só me dava tempo de me concentrar.
Aproximando-me devagar eu estava a menos de cem metros, o vento estava a meu favor e eu podia sentir o cheiro de um lobo e da pequena meio-vampira, com certeza a pequena Renesmee e o tal Jacob Black.
Agora eu estava a uns trinta metros e já podia ver a grande silhueta do lobo debruçado sobre um animal e ao seu lado uma pequenina figura se alimentando alegremente.
Eu sorri com a cena, – já me imaginando nela – mas isso não era hora, então eu me concentrei torcendo para os poderes de Alec ainda estarem forte o suficiente.
A névoa foi caindo grossa pelo chão da floresta, ela parecia ter vida própria enquanto rastejava para a figura do grande lobo. Eu ficava mudando de idéia e repassando orações antigas enquanto ela não atingia seu alvo.
Demorou cerca de vinte segundos para a névoa cruzar a floresta e o lobo estava distraído demais para se dar conta da ameaça, quando finalmente ele se deu conta já era tarde demais.
O lobo avermelhado caiu sobre sua presa, cego, surdo e paralisado. Ele soltava pequenos grunhidos, nada que chamasse atenção dos outros, mas eu sabia que era questão de tempo até os outros perceberem algo de errado.
A pequena criatura entrou em desespero por ver seu protetor caído sem ação, ela o sacudia e chamava seu nome sem sucesso.
Era incrível vê-la. Ela tinha pouco mais de um ano, mas aparentava ter uns cinco ou seis. Era a criatura mais linda que eu já tinha visto. Seus cabelos cor de bronze eram lisos e acabavam em grandes cachos logo abaixo da cintura.
Eu avancei rápido e quando cheguei à pequena clareira, Renesmee pulou em posição de defesa – ela mais parecia um gatinho bravo – ficando entre mim e o lobo. Ela olhava para os lados procurando socorro e eu sabia que logo alguém viria, então tratei de me apressar.
“Calminha Renesmee. Eu não vim pra machucá-la”.
Uma linha grossa surgiu entre seus perfeitos olhos.
“Por favor, deixe-me explicar”. – eu implorei.
Ela relaxou um pouco, mas ainda parecia bastante desconfiada.
“O que você fez com o Jake?” – mesmo com o tom raivoso sua voz mais parecia um coral de anjos.
“Ele vai ficar bem, mas ele não me deixaria explicar”. – minha voz continuou soando implorativa.
Ela olhou para o lobo inerte pelo canto dos olhos como se confirmasse o que eu disse.
“O que você quer?” – ela grunhiu.
“É uma longa história, mas você pode me deixar mostrar”. – eu disse estendendo a mão.
“Você vai fazer como eu faço?” – ela questionou incrédula.
“Sim, mas tem que ser rápido, os outros chegarão logo”. – eu me aproximei mais um pouco.
“M-Mas como?” – as palavras quase não saíram de seus lábios perfeitos.
“Por favor, Renesmee, não temos tempo”. – agora eu realmente estava implorando.
Ela mordeu o lábio inferior – com certeza herdou essa mania da mãe – e seu rosto se contorceu em duvida e curiosidade.
Seus sentidos deveriam estar gritando para não fazer isso, mas pelo seu avanço sua curiosidade era maior.
Agora ela estava a um passo de distancia e seu olhar continuava cauteloso.
Já podia sentir as criaturas avançando pela floresta, mas agora só faltava literalmente o toque final. Fechando os olhos eu estiquei o braço pausando minha mão em sua bochecha quente.
As imagens fluíram rapidamente – eu tive dúvidas se ela estava entendendo – e seu corpo se estremecia como se ela levasse pequenos choques.
Em pouco tempo estava tudo acabado, então eu arfei abrindo os olhos e deixando minha mão cair.
Olhei para seu rosto e ele era uma linda máscara em branco, – por um segundo achei que ela estava em choque – então resolvi quebrar o silêncio.
“Então? Gostou do seu próprio veneno?” – eu disse abrindo um largo sorriso.
Ela também sorriu divertidamente, como quem anda num brinquedo legal no parque.
“Fantástico!” – isso foi tudo que ela disse antes de se atirar em meus braços.
O abraço apertado me deixou meio sem jeito, e com a cabeça enterrada na minha blusa ela disse abafadamente.
“Seja bem-vinda!”.
Minha garganta deu um nó e eu respirei fundo sentindo o cheiro de seus cabelos. Com certeza o melhor cheiro que eu já tinha sentido.
Nossos corpos entrelaçados balançaram quando os rosnados nos atingiram e eu nunca vi tantas criaturas reunidas em um só lugar.
A floresta a nossa volta estava tomada por lobos e vampiros furiosos.
Eu apertei Renesmee instintivamente em meus braços – ela despertava em mim sentimentos maternais – o que fez os rugidos se intensificarem.
Estavam todos lá. Os Cullen e os lobos, que pareciam bem divididos entre Renesmee e o Jacob, que eles não sabiam o que tinha.
Comecei a pensar em proteger Renesmee e como faria para protegê-la quando eles atacassem.
O rosto de Edward se transformou na incredulidade, pelo visto meu plano deu certo. Ele saiu da posição de ataque e todos olharam pra ele abismados.
“Esperem! Acho que ela não quer machucar a Ness” – ele disse não muito seguro, parecia que esperava uma confirmação.
Renesmee se virou pra encarar sua família, mas não se soltou dos meus braços.
Bella me encarou duramente e grunhiu entre os dentes.
“Renesmee venha já pra cá”.
Apesar da ordem ser para a criaturinha ela podia ser entendida como: “Solte minha filha”.
O corpo da criança se enrijeceu ao som do seu nome, mas antes que ela acatasse a ordem eu mostrei a ela imagens de sua família me atacando logo em seguida.
Os olhos de Edward se arregalaram e todos voltaram seus olhos para sua estranha expressão, então Renesmee se soltou de meus braços, mas segurou em minha mão confiante.
“Tudo bem pessoal ela não vai me machucar”. – sua voz de anjo cortou a tensão da clareira
“Como ela faz...” – Edward não conseguiu terminar a frase.
“Deixa ela te mostrar pai”. – ela instigou.
Ele deu um passo pra frente, mas foi interrompido por Bella.
“Edward me diga o que está acontecendo”. – ela exigiu.
Edward pousou a mão sobre o rosto de Bella e falou quase num tom hipnótico.
“Tudo bem querida, ela não vai me machucar. Eu também não estou entendendo muito, mas já vou te explicar tudo”.
Bella não podia discutir com o apelo de Edward então ela arfou num sinal de desistência.
Eu podia ter pensado: “Não tenha tanta certeza”, mas isso não me ajudaria muito, ao invés disso resolvi encorajá-lo pensando: “Vamos lá eu não poderia fazer nada com vocês”, o que também era uma mentira deslavada, mas era a mais certa.
Edward se aproximou lentamente e todos redobraram a atenção. Ele esticou a mão esperando meu toque, eu me concentrei nas imagens que explicassem a história sem muitos rodeios, mas eu evitei mostrar meus poderes – eu queria mostrar na prática – e nem meu envolvimento com o Marcus – isso até eu queria esquecer.
As imagens acabaram e ele me olhou com ar de pena, – o que me deixou com raiva – mas rapidamente ele se virou para sua família e disse:
“Está tudo bem. Ela veio em paz”.
Agora olhando pra mim ele estava pensativo, mas de novo ele falou com um pouco de pena.
“Olha a decisão não é minha. Eu tenho que perguntar ao resto da minha família.”
“Tudo bem!” – eu respondi sabendo que era tudo o que eu precisava.
4- Bem-vinda (parte dois)
Edward foi explicar tudo a sua família e fazer a pergunta que não queria calar Ela pode ficar?
Ele explicou toda a história detalhadamente e todos prestaram bastante atenção, mas a votação ainda não começou na hora, todos me davam olhares piedosos.
Renesmee começou a se sentir incomodada e eu mandei pra ela uma imagem minha dentro de um cesto de cãezinhos com toda a família Cullen em minha volta com aqueles olhares de pena.
Ela deu uma gargalhada e me mostrou a mesma imagem, agora com uma plaqueta em meu pescoço dizendo: Adote-me.
Nos duas rimos alto como se nada estivesse acontecendo e isso chamou a atenção dos outros.
Nossos risos dissiparam a pequena reunião, então Carlislie veio ao meu encontro com um ar decisivo.
Ele respirou fundo como se fosse fazer um grande discurso e soltando um pouco de ar ele falou.
“Olha eu não sei o que fazer e não posso tomar a decisão sozinho”.
Era chegada a hora de ser emotiva, então resolvi ser bem verdadeira – isso daria uma boa impressão –, mas eu não tinha escolha, não com o Edward ali.
“Bem eu vou falar um pouco em minha defesa e depois vocês decidem”. – eu logo emendei o discurso na dando chance para recusas.
“Meu nome é Alex Geheimnis e eu morava num mosteiro em Portugal. Sempre fui vegetariana e nunca matei um humano. Passei um tempo na guarda dos Volturi, mas não deu certo, obedecer cegamente não é meu forte e eu procuro uma família há muito tempo. Então eu tenho uma proposta. Vocês me deixam ficar por um período de experiência digamos e se der certo eu fico se não der eu vou embora sem problemas”.
Todos olharam para Carlislie esperando uma reação e ele deu inicio a votação.
“Querida?”
“Por mim tudo bem”. – Esme respondeu sorrindo.
“Alice?”
“Não vejo nada de errado, apesar de não estar enxergando direito”. – ela disse casualmente.
“Jazz?”
“Sim”. – ele respondeu sem emoção.
“Emmett?”
“Claro! Quem derruba um lobo assim deve servir para alguma coisa”. – ele falou entusiasmado com um largo sorriso.
A frase dele me fez lembrar o lobo furioso que eu enfrentaria.
“Rosalie?” – ele perguntou virando o rosto em sua direção.
“Tanto faz”. – ele respondeu entre os dentes.
“Edward, Bella?” – ele perguntou como se fosse uma pessoa só.
Os dois se olharam e olharam Renesmee – ela não saiu um segundo do meu lado – que pulou em meu colo gritando “Sim!”.
Tudo estava resolvido e agora eu tinha uma família. Já estava me preparando para seguir até a casa dos Cullens, quando uma voz autoritária saiu de trás das árvores.
“Não tão rápido. O que você fez com o Jacob?” – ele me perguntou sério, mas tinha um tom sóbrio.
Ele era Sam Uley em sua forma humana e eu nem tinha visto ele se transformar e sinceramente já tinha esquecido do lobo caído no chão – eu tinha mais coisa para me preocupar –, mas um incidente diplomático era tudo que eu queria evitar, ainda mais que eles eram parte da família também.
“Ele esta melhor que nós dois juntos e eu só fiz isso porque ele não me deixaria explicar”. – eu disse meio insolente, me arrependendo logo em seguida.
“Desfaça agora”. – ele ordenou e eu quase ri.
“Eu desfaço, mas segurem-no ou ele vai acabar quebrando uma perna”. – eu dei o aviso.
Renesmee me mostrou uma imagem dela dizendo Ai! Ai! Ai! Pro lobo que mais parecia um cachorrinho, eu sorri, mas não era uma boa idéia, ele podia ficar descontrolado e sem querer machucá-la.
Edward trancou a mandíbula com a idéia, mas ele sabia que era verdade.
Olhei carinhosamente para a criaturinha e disse: “Está tudo bem querida, vá ficar com sua tia Alice”.
Ela hesitou um pouco, mas foi saltitando para o lado de Alice, que a colocou em suas costas, Rosalie também ficou protetoramente ao seu lado.
Três lobos se aproximaram do monte de pelos. Bella e Edward também ficaram bem próximos esperando o mostro avermelhado acordar.
Eu acenei com a cabeça dizendo que estava pronta e eles concordaram também.
Tudo pronto e eu fechei os olhos me concentrando em dissipar a névoa que agora já estava bem fraca.
O grande lobo começou a se levantar devagar parecendo confuso e então sacudiu a cabeça como se quisesse limpar os sentidos.
Ele farejou o ar e levantou as orelhas, mas seus olhos ainda estavam perdidos, isso foi só questão de tempo, um segundo depois seus olhos encontraram a minha figura estática.
Um rugido explodiu pela floresta e seus olhos se apertaram, seu corpo inteiro tremia e o pelo de suas costas estava todo arrepiado.
Ele não demorou muito para se decidir em me atacar, então ele partiu em minha direção como um touro bravo contra o pano vermelho. O lobo nem parecia ter consciência dos seus amigos a sua volta, mas Bella se Lançou no ar e se chocou contra Jacob que caiu no chão, Edward e os outros lobos ajudaram a manter ele lá.
O lobo se debatia e rosnava, dava pra ouvir seus ossos quebrando, mas antes que ele virasse paçoca eu gritei:
“Jasper”.
Ele entendeu o recado e se concentrou no lobo fazendo algum esforço para ir depressa.
O Lobo foi se acalmando até que parou de se debater.
Renesmee se aproximou dele e todos estavam bem calmos quando ela colocou as mãos em seu focinho, ele tentou se levantar, mas caiu de novo então a pequena o abraçou e cantarolou uma música.
Black foi fechando os olhos e caiu sobre suas patas. Renesmee deu tapinhas em suas costas e falou próxima a sua orelha:
“Descanse Jake”.
Carlislie imediatamente foi ver se o garoto estava bem e o checando disse:
“Está tudo bem ele só precisa descansa um pouco. Emmett me ajude a levá-lo”.
Todos pareceram concordar – os lobos um pouco a contra gosto – e Renesmee deu passagem ao musculoso Emmett que pegou o lobo no colo o mantendo longe do rosto. Em um segundo ele desapareceu pela floresta e um a um os lobos foram sumindo, no final ficou apenas um. Ele era areia e muito menos musculoso que o marron-avermelhado, mas pude ver na mente da minha nova família que ele também era um grande amigo e seu nome era Seth.
Renesmee correu pra cima de mim pulando em meu colo – isso já estava virando um hábito – e com um grande sorriso ela falou:
“Vamos pra casa tia Alex”.
Se eu pudesse chorar estaria fazendo um acena, mas ao invés disso eu a abracei sentindo seu cheiro doce.
“Sim querida, vamos”. – eu respondi com meu rosto enterrado em seu cabelo.
A floresta ficou rapidamente para trás e eu pude ver a grande casa de vidro.
5- Explicações
Renesmee mais parecia uma mochila nas minhas costas e eu só pensava nela e no momento para evitar a mente curiosa do Edward, queria que todos tivessem a mesma reação – surpresa – e não seria justo se alguém trapaceasse.
Enfim entramos na grande sala.
Emmett se jogou no sofá acompanhado de Rosalie, Alice se sentou em uma poltrona e Jasper ficou de pé atrás dela, Bella, Carlisle e Esme se sentaram no grande sofá também, mas Edward ficou de pé e eu soube que ele seria meu interrogador.
Dei dois tapinhas na perna de Renesmee para avisar que a brincadeira tinha acabado e que era hora de falar sério, mas antes de descer ela me mostrou uma imagem de um grande cavalo castanho com olhos violeta. Eu tive que rir e Edward sorriu também – pelo visto a brincadeira estava longe de acabar – e então Renesmee voou para o colo de Alice.
Edward me olhou nos olhos e eu disse mentalmente: Pode começar.
“Fale mais sobre seu talento”.
Renesmee respondeu antes que eu tivesse chance.
“Essa é fácil. Ela tem o mesmo poder que eu e...” – ela parou de falar como se tivesse se dado conta de algo.
Ela mordeu o lábio inferior e rugas apareceram entre seus olhos e virando sua cabeça de lado ela me questionou.
“Mas o que foi aquilo com o Jacob?”.
Eu sorri educadamente e resolvi começar a falar.
“Na verdade querida, eu tenho o seu talento e o de todos aqui”.
Os queixos quase caíram e todos eles pareceram não acreditar em seus ouvidos, mas antes que eles explodissem em perguntas eu respondi.
“É o seguinte. O meu talento é absorver os talentos dos outros e às vezes eu posso aumentá-los. Ah! Posso fazer isso com os transmorfos, mas eu não sei como isso funciona com eles”.
“Como assim absorve?” – Alice falou um tom acima.
“Como isso funciona com os humanos?” – Carlisle perguntou com ar de cientista.
“Quanto tempo dura? Tem que estar perto?” – Edward deixou sua curiosidade escapar de seus pensamentos.
Eles faziam as perguntas tão rápido que eu demorei a assimilar todas.
“Wou! Calma cowboys, um de cada vez”. – eu disse alegremente quebrando a tensão.
Todos relaxaram em suas posições e pareceram mais calmos em sua anciã de saber.
Botando as perguntas em ordem na minha cabeça eu tentei responder.
“Olha, eu sei que vocês têm muitas perguntas então vou tentar explicar meus poderes melhor e vê se respondo a todos”.
Todos pareceram concordar.
“Na verdade eu não absorvo e sim copio os poderes, eu posso fazer isso com qualquer pessoa ou vampiro, mesmo que eles não tenham um talento aparente, como Esme por exemplo. Eu copio o que se tem de melhor seja inteligência, criatividade ou até instinto materno se for o caso. Com o tempo é relativo, pode ficar horas ou dias depois que eu me afasto da fonte, eu cheguei aqui com o poder de Dimitri e imobilizei o lobo com o talento do Alec”.
Quando acabei o discurso todos pareceram ter entendido como os meus poderes funcionavam, as pelas suas caras ainda tinham um milhão de perguntas a fazer o que era bem compreensível já que eu sou o brinquedinho novo.
Eu então fiz uma proposta.
“Pelo visto vocês ainda têm muitas perguntas então por que cada um não faz uma e eu respondo a todas”.
Todos concordaram prontamente e agora eles pareciam entusiasmados com a idéia.
Eu me virei para Alice para dar início a entrevista com o vampiro – ou vampira.
Ela pensou um pouco e com as mãos nas têmporas ela perguntou:
“Você está me dando dor de cabeça. Por que eu não consigo te ver?”
“Por que os poderes que eu copio não me afetam, mas eu posso usá-los em você, assim você não me vê e eu te vejo” – eu respondi um pouco alegre.
Logo depois foi a vez de Jasper.
“Você disse que pode evoluir os poderes, qual a evolução dos nossos?” – ele perguntou um pouco mais interessado.
Jasper realmente era um militar, enquanto todos os outros queriam saber o que me favorecia ele queria saber o que favorecia a ele. O cara realmente era muito esperto, não era a toa que ele era militar.
“Não são todos os poderes que evoluem, mas aqui tirando você todos os outros têm pra onde evoluir”.
Eu senti o rosto dele se decepcionar um pouco, então decidi que ia revelar o que nem ele sabia.
“Vejamos! O próximo passo para o Edward é ver todos os pensamentos das pessoas assim como Aro, mas sem precisar tocar, para Bella é transformar seu escudo em barreira física, Renesmee é projetar suas imagens a distancia e Alice é ver o futuro independente das escolhas, mas Jasper os seus talentos já são evoluídos e são muito bons”.
Jasper ficou estático como se tivesse em choque, todos o encaravam e se olhavam como se eu tivesse dito a mentira mais deslavada.
Edward repassou em sua mente toda a frase, então tomou coragem e perguntou:
“Você disse talentos no plural, mas Jasper só tem um”.
Eu encarei seus rostos e eles pareciam concordar em gênero numero e grau.
Uns eram mais compreensíveis, outros nem tanto.
“Na verdade não Edward, quanto eu falei em características como inteligência eu me dei conta do outro talento de Jasper, que é o que chamam de inteligência tática. Ela é quase instintiva, mas muito útil. Ela é tão forte que os que possuem geralmente tendem para a carreira militar e se destacam entre os outros soldados. Agente olha para eles em batalha e diz: Esses nasceram para a coisa, literalmente”. – minha fala saiu divertida e casual como se eu tivesse explicando o porquê a lua mudava de “forma”.
Todos olharam Jasper com brilho nos olhos e Alice foi lhe dar um beijo e disse sussurrando – como se ninguém pudesse ouvir.
“Parabéns meu super soldado”.
Seguramos o riso quando Jasper ficou um pouco encabulado.
Renesmee me olhava com olhos brilhantes, como uma criança quando vê a árvore de Natal, mas ela ficou impaciente com a pausa então gritou para Emmett:
“Vai tio Emmett, pergunta”.
Nós rimos de sua ansiedade e Emmett limpou a garganta para fazer sua pergunta.
“Ta nós já sabemos que você rouba nas lutas como os outros – ele disse como se listasse a pergunta. Ele pensou um pouco e soltou”. “Qual foi o poder mais estranho que você já copiou?”.
Edward bufou com a pergunta de Emmett, ele pensou: Com tantas coisas importantes ele vai perguntar logo isso.
Eu me virei para Edward e o repreendi.
“Na verdade a pergunta dele é bem interessante” – eu voltei a olhar para Emmett. - “Uma vez uma freira chegou no convento transferida, eu fiquei dez minutos com ela durante o almoço e quando eu cheguei no quarto meu coração começou a bater”.
Emmett riu tão alto que as vidraças tremeram, eu aproveitei o bom humor e o provoquei.
“A propósito senhor Emmett eu luto muito bem, obrigada. Eu defendo um mosteiro inteirinho e lá ninguém tem super poderes”.
Ele me olhou ainda descrente e falou desinteressado.
“Mas agora você vai usar os poderes do Edward”.
“Não necessariamente meu caro. Eu posso me concentrar em um poder que não me ajude em nada numa batalha” – eu disse como se isso não me interessasse também.
Emmett pulou do sofá dizendo:
“Fala serio! Isso é... Ótimo!” – ele se alongou e emendou. “Daqui à uma hora em frente de casa, eu vou caçar”.
Pelo visto os boatos eram verdadeiros, Emmett não perde uma boa briga.
Rosalie interrompeu meus pensamentos grossamente.
“Então podemos continuar?”.
Ela me dava nos nervos, mas eu ia aturar ela por enquanto, pelo menos até ser definitivo. Só que ela não ia pisar em mim, nem Aro fazia isso, não seria ela que ia começar.
Eu acenei com a cabeça a encorajando.
Ela começou:
“Se você é tão esperta e talentosa por que escolheu essa cor de lente? Não acha um pouco chamativa para uma vampira?”.
A pergunta dela seria idiota se ela tivesse se dado o trabalho de olhar em meus olhos. Qualquer humano veria que não era uma lente, ainda mais um vampiro com super visão.
Eu queria voar no pescoço dela e quebrá-lo em centenas de partes só que isso acabaria com minha nova família, então resolvi devolver na mesma moeda.
“Na verdade Rosalie – eu disse cada silaba do seu nome com um pouco mais de ênfase – eu não uso lentes de contato, meus olhos são naturalmente em tons de violeta. Ah! Eu não te contei né?! Eu também vou copiar seu talento. A beleza. Só que as transformações físicas demoram mais tempo, então amanhã eu vou te mostrar como é sua beleza evoluída”.
Todos seguraram uma gargalhada enquanto Rosalie trincava os dentes e fechava as mãos sobre os punhos.
Com muita dificuldade ela destravou a mandíbula e forçou as palavras a saírem.
“Se não se importam eu vou para meu quarto. Tenho mais o que fazer”.
Carlisle fez perguntas cientificas e perguntou se podia fazer alguns testes comigo, eu aceitei na hora, também tinha curiosidade sobre minha existência.
Bella disse que guardaria sua pergunta para depois, isso me deixou um pouco intrigada, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa o nome Volturi brincou na cabeça de Edward.
Eu quase gritei mentalmente: Depois falamos disso.
Ele concordou.
Sabendo que continuar a conversa seria perigoso, eu procurei pela mente de Emmett que por sorte já se aproximava.
“Nessie, você esta escutando algo na floresta?” – eu perguntei com ar de curiosidade.
Ela deu um salto do colo de Alice e gritou sorrindo:
“Tio Emmett!”.
6 -
À tarde já estava quase acabando quando Renesmee me arrastou para fora da casa e a visão da floresta a nossa frente, me fez pensar no Emmett.
Emmett sempre se julgava muito forte, mas ele não era muito esperto, então resolvi lembrá-lo que força sem inteligência não é muito eficaz.
Eu cocei a garganta dando inicio ao meu plano.
“Renesmee quer me ajudar a dar uma lição no Emmett?” – eu perguntei ainda olhando para a floresta.
Renesmee abriu um sorriso gigante e gritou.
“Sim!”.
Virei-me para ela e disse sussurrando.
“Então quando o ursinho vier eu vou ficar em posição de ataque e ele vai vir direto para mim, você se esconde entre as árvores e quando ele passar... Bang! Você pula nas costas dele e cheque-mate. Ok?”
Ela nem respondeu apenas sumiu entre as árvores.
Bella apertou os olhos, confusa.
“Olha eu não acho uma boa idéia. Emmett é sempre muito... Competitivo, e ele pode não perceber que é ela”.
Edward acenou com a cabeça para mim. Ele passou seus braços em volta da sua cintura e encostou seus lábios na linha da mandíbula dela e sussurrou.
“Ele ouviu tudo e esta disposto a fazer uma pelo espetáculo”.
Ela pareceu muito envolvida para argumentar, mas eu decidi lhes dá motivos para se preocupar.
“Eu acho que ela deveria treinar mais. Ela se aproximou de mim muito rápido, quer dizer eu contava com isso, mas poderia ser alguém bem pior”.
Bella e Edward trancaram suas mandíbulas na ultima palavra e seus rostos se transformaram em um misto de preocupação e culpa.
Eles realmente estavam negligenciando a segurança dela. Não é porque o Tsunami passou que não vai haver mais ondas.
Tentei quebrar a tensão dando uma dica para Nessie – eu já tinha pegado o apelido.
“Nessie cuidado com a direção do vento. Dá para sentir seu cheiro no México”.
As árvores balançaram e ela trocou de posição ficando invisível.
Não demorou mais que alguns segundos para a mente estranha de Emmett avistar minha figura no gramado.
Agora ele estava alerta esperando o grande momento da entrada triunfal da pequena criança, mas ele entrou no gramado e o salto não veio, ele continuou encenando por alguns segundos.
Vasculhei a floresta procurando pela mente de Nessie. Ela estava lá no mesmo lugar que antes, mas antes que eu pudesse perceber, uma onda de sentimentos me inundou – os poderes de Jasper estão muito bem, obrigada. Era medo misturado com frustração e vergonha.
Não pude acreditar, mas minha reação pareceu bem visível, já que Bella me perguntou desesperada.
“O que aconteceu? Onde está Renesmee?”.
Eu ouvia sua pergunta, mas não consegui formular a resposta, até porque eu não sabia direito o que estava acontecendo.
Não havia o que dizer. Eu voei para os arbustos onde ela estava e arranquei todos que me separavam dos seus sentimentos confusos. Eu sentia a presença de três vampiros preocupados atrás de mim, mas o ultimo arbusto estava voando sobre minha cabeça quando a imagem da estranha menina me paralisou.
Ela estava sentada com um braço em volta das pernas e o outro estava rabiscando linhas sem nexo no chão, seu jeans estava decorado com pequenos círculos azul-marinhos.
Meu corpo caiu sobre meus joelhos e eu estiquei a mão para tocar suas bochechas cor-de-rosa que estavam lavadas de lagrimas.
Os pensamentos passaram de presa pela minha cabeça, como carros de corrida sem uma pista para seguir ou como se eles estivessem correndo por um bolo de fios retorcidos sem qualquer conexão.
Eu não pensei direito, mas minha boca abriu e surpreendentemente saiu algum som dela.
“Oh minha querida!”.
Quase instintivamente eu passei meus braços ao redor de seu corpo contraído. Ela se entregou e passou seus braços violentamente por baixo dos meus ombros e escondeu seu rosto em meus cabelos o encaixando em meu pescoço. Isso me deixaria extremamente desconfortável, mas eu só conseguia pensar nos soluços da menina entrando pelos meus ouvidos.
Minha mente foi bombardeada pela consciência furiosa da Bella. Ela estava com muita raiva, por eu de certo modo estar roubando seu lugar e como o negocio de abrir a mente para Edward ainda estava em evolução, ela fez questão de esconder isso dele, mas na mente de Bella, Renesmee era muito mais sua que de qualquer outro, foi ela que quase morreu por isso e a matava não poder consolar sua própria filha.
Vi pelo canto dos olhos quando o rosto de Edward quase se desfez. Droga, com toda essa confusão eu me esqueci de Edward em minha cabeça e os pensamentos de Bella o atingiram em cheio como se fosse um caminhão. Em minha cabeça eu gritava desculpas para Edward, mas ele só respondeu que estava tudo bem.
Meu corpo se mexeu protetoramente e eu retirei Nessie do chão – como se ela fosse se resfriar – colocando uma mão em sua cintura e a outra atrás de sua cabeça. Ela não saiu da posição e em um segundo estávamos de pé, então ela passou suas pernas ao redor da minha cintura.
Na minha mente o aviso estava claro, mas eu ofereci Renesmee para Bella como quem passa um bebê. Bella esticou os braços apressadamente e eu afastei Nessie do meu corpo com as mãos.
Renesmee se apertou em minha volta como uma cobra e colocou suas mãos em meu pescoço passando imagens confusas e rápidas.
Tudo era tão intenso que minha cabeça começou a girar. Eram imagens sem nexo como se ela ilustrasse seus sentimentos. De repente eu perdi a noção da floresta a minha volta e isso me apavorou, me lembrei de sensações da minha vida humana e era como se eu estivesse ficando tonta, perdendo os sentidos e ai cair, mas antes que isso me acontecesse senti uma mão em minhas costas e imaginei que deveria ser Edward.
Meus olhos se abriram devagar e meus foram voltando, meu equilíbrio estava cem por cento, então eu olhei para agradecer a mão que me apoiava e para meu espanto era Emmett com uma cara muito confusa.
Procurei Edward, confusa e ele estava sendo levantado por Bella. Nossa a coisa também tinha atingido ele e pelo visto mais forte.
Bella e Emmett estavam com uma expressão indescritível, como se não acreditassem no que havia acontecido.
Edward estava recuperado agora, mas ele estava tão ligado em nossos pensamentos que foi como se fosse com ele.
Edward estava recuperado agora, mas ele estava tão ligado em nossos pensamentos que foi como se fosse com ele.
Ele pensou apressadamente: O que foi isso?
O ar saiu pesadamente de meus pulmões, então eu respondi mentalmente também: Ela está crescendo rápido. Seus sentimentos e seus poderes estão em pleno desenvolvimento.
Eu senti que Edward estava um pouco constrangido em me perguntar sobre alguma coisa. Geralmente todos faziam as perguntas para ele.
Antes que ele me perguntasse mais alguma coisa, me apressei em acalmar Renesmee, que agora soluçava alto e seus pensamentos iam da vergonha a culpa, passando pelo medo.
Dei tapinhas consoladoras em suas costas e falei com a voz mais suave que consegui.
“Tudo bem querida. Está tudo bem. Vamos para casa”.
Ela não respondeu, mas eu senti sua cabeça se mexer em meu pescoço.
Ajeitei-a em meu colo para voar até em casa e lembrei de pedir a Edward que ficasse um passo atrás para explicar o que ele entendeu para Bella, que a essa altura já estava quase tendo um troço.
Bella não me decepcionou, assim que eu voei em direção a casa ela fez menção de me seguir, mas Edward a deteve segurando seu pulso.
Ela se virou rapidamente para ele e suas palavras saíram como lanças afiadas.
“Por que Renesmee não quis que eu a pegasse? O que esta acontecendo com ela?”
“Ela está... com... vergonha! Não sei direito, mas parece medo, vergonha ou tudo junto”. – ele gaguejou um pouco para responder.
“Ela nunca sentiu esses sentimentos antes”. – Agora ele falou como se estivesse sozinho.
“Mas por que? O que aconteceu?” – ela insistiu ferozmente.
Edward demorou um pouco para responder. Ele repassou tudo em sua cabeça tentando em vão achar a resposta.
“Eu não sei direito Bella, acho que a Alex vai pedir para ela falar. Vamos pra casa”.
Eu já estava no primeiro degrau da escada quando Rosalie quase arrancou a porta da frente. Mal senti sua presença – estava entretida demais na conversa e na mente de Nessie –, mas meu corpo me alertou do perigo inesperado.
Quando eu prendi minha na figura á porta, ela já estava voando em minha direção. Pude ver silhuetas se movendo rápido demais par identificar de quem eram. Com certeza eu contava com meus sentidos para arrancar seu pescoço antes dela me tocar, mas eles me deixaram na mão pela primeira vez.
Tudo que eu consegui fazer foi apertar meus braços em volta do corpinho que eu carregava e me virar de costas para o perigo. Meu corpo não estava satisfeito, então ele se curvou em uma bola tentando manter o mínimo de seu corpo exposto ao perigo.
Os rosnados eram tão altos que eu sentia meu corpo tremer quando eles se chocavam com minhas costas e a pequena criatura em meus braços se apertou contra meu corpo tremendo também.
Tentei achar Jasper no meio da confusão, mas ele parecia tenso demais para acalmar alguém, então me concentrei muito em seus poderes para fazer isso rápido suficiente – para evitar recolher os braços – antes que alguém se arrependesse.
A onda de sentimentos saiu do meu corpo como uma avalanche, tocando primeiro Nessie depois os outros. Os rugidos foram ficando cada vez mais baixo até que pararam.
Quando finalmente consegui me levantar vi Bella, Alice e Edward no alto da escada, Esme e Emmett seguravam Rosalie, Jasper e Carlisle estavam entre os dois grupos para evitar um confronto. Não sei o que eu perdi, mas eles estavam bem dispostos a se enfrentar.
Antes que eu perdesse a concentração nas emoções eu tratei de checar Renesmee. Ela estava calma, mas seu cérebro estava derretendo de tanta culpa. Isso me deixou furiosa, então eu explodi jogando todos os estilhaços em Rosalie.
“O que há com você? Não precisa responder, isso pode esperar. O que me importa agora é o que Renesmee está sentindo e ela se culpa por você se comportar feito um cão selvagem. Me lembre de agradecer por você fazer ela se sentir melhor”.
Bella, Edward e Alice quase voaram em cima dela, mas foram interrompidos pelos meus passos na escada.
Enquanto eu subia a escada Renesmee me avisou que queria ir para casa, então eu a respondi em alto e bom som.
“Nós já estamos entrando querida”.
Todos olhavam atentos para nossos corpos subindo a escada.
Emmett e Esme tiraram Rosalie do caminho e mesmo achando que ela não me atacaria novamente, fiquei feliz por não ter que tirá-la com minhas próprias mãos.
Quando passei por ela olhei no fundo de seus olhos e pensei na imagem da Jane voando com meu tapa. Com certeza eu não ia esquecer desse ataque.
Eu entrei na sala e todos me acompanharam, cada um que passava por ela dizia algo.
“Você podia ter machucado a Nessie”.
“Seu ciúme já esta indo longe demais”.
“Eu não esperava isso de você Rose”.
Ela murchou um pouco a cada frase, a cada rosto que passava, mas os seguiu e entro na sala.
De repente todo mundo estava me cercando.
Continua...