
Por:Alice Mesquita
Beta-Reader:Carol Silver
Capítulo 1
Bom dia querido diário virtual. Hoje é o último dia de escola e logo depois começará a tão esperada férias de verão de todos nós! Eu to tão ansiosa pra isso! Principalmente porque nessas, eu e minha família e mais outra parte da família que mora em algum lugar muito distante até mesmo pra se achar no mapa, também vai estar lá! Tudo bem que a finalidade real é ir para o casamento da irmã caçula do meu pai que está casando com o irmão do meio da minha mãe. Pois é, vai gente dos dois lados da família, aquilo ali vai lotar. E adivinha? Eu vou ta lá!
Meu pai tem mais cinco irmãos fora ele, minha avó deve ter feito por encomenda, três filhos e três filhas; já minha mãe é a mais nova de três irmão, os outros dois são homens, o mais velho eu só o vi uma vez na vida, e foi numa foto. Ele é um cara com um sorriso lindo, um cabelo perfeito, um olhar que “ai ai ai”, mas vive enclausurado dentro de um laboratório porque tem o cérebro que o governo pediu aos céus. O mais novo, o que vai se casar, ele é muito fofinho também, só o vejo por fotos e quando ele liga pra cá. Digo que ele é fofo não só porque também é bem bonitinho, mas porque o rosto dele parece de uma criança inocente que pode ser enganado facilmente além de quando liga, ele sempre dizer que olha minha fotos na internet e que a cada dia estou mais linda! E não, eu não publico minhas fotos pra quem quiser digitar “ ” no Google achar, eu tenho um fotolog, é bem diferente.
Bem, chegamos à escola e minha mãe já está reclamando porque não largo meu iPhone. Mas sem ele, eu lhe deixaria na mão e logo deixaria minha vida mão! Isso não seria inteligente, já que quem deixa sua vida pra lá, provavelmente está freqüentando um psiquiatra e tentando se livrar da depressão. Minha mãe vem com cada uma...
O Eric hoje está lindo! Tudo bem que eu falei a mesma coisa ontem, mas hoje ele está diferente, com cara de férias de verão! – risos - me acenou assim que entrei, ela hoje está na cadeira na frente da minha, só que ao contrário de mim, ela ouve o que a orientadora fala, e eu, bem, eu to digitando isso aqui. Ops! Vou lhe guardar antes que tenha minhas adoráveis férias adiadas pelo serviço escolar de educação. (SEE).
Nossa! Esse último dia de aula foi perfeito! A escola distribuiu sorvete, pipoca e algodão doce, tudo de graça! E tinha até um DJ da hora lá na quadra coberta. Que colégio faz isso? O meeeu! Por isso só tive tempo de acessar você agora. Já é de noite e todos estão lá embaixo, na sala, assistindo vídeo-aula de gírias do Havaí – gargalhadas baixinhas. Quero aprender a surfar lá, pelo menos voltarei pra escola sabendo algo novo interessante e que vai me forçar a ensiná-la, mas tudo bem. Boa noite preciso estar disposta amanhã. Beijinhos beijinhos e até breve!
Eu já disse que o avião está cheio de gente desconhecida, mas que minha mãe conhece? E todos da minha idade estão com algo eletrônico em mãos e/ou ouvidos, então acabei fazendo o mesmo? Thiago, meu irmão mais novo, está com a cabeça encostada no meu ombro, dormindo como um anjinho, enquanto mamãe e papai estão conversando por leitura labial e mímica com as pessoas conhecidas aos olhos deles. Enquanto como batata frita e me pergunto o que fazer em XXXX horas de vôo.
Vou tirar umas fotos pra postar no meu fotolog e receber mais alguns comentários que aumentam meu ego, esperando sempre o do tio Charlie.
Nunca pensei que minha família fosse tão grande, mas pelo que me consta, a lista de convidados está enorme. Tio Charlie deve ser bem rico pra bancar um casamento tão grandioso e em um lugar tão caro. Espero receber bem em minha carreira de policial ou bombeiro, ainda não sei bem o que vou fazer da vida. Ops! Thiago, meu irmão mais novo, acabou de acordar, ele está meio impaciente com o vôo direto, mas tudo bem, eu mesma estou também. Já compus, já escrevi histórias em quadrinho pro Thiago ler, já joguei alguns joguinhos bacanas que tem por aqui no iPhone, e nada da gente chegar, e já decidi só tirar meu glúteo dessa poltrona ou pra ir ao banheiro ou quando chegarmos ao Havaí!
Nossa mãe! Não sabia que tinha um primo, sobrinho ou qualquer outro tipo de parentesco tão bonito assim! Estou começando a rever minha idéia de não me comunicar com ninguém dentro do avião... Calma , que comportamento é esse? Deve ser o vôo que está causando isso... Vou ver se consigo conversar por e-mail com .
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De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Como está tudo por aí?
Ooooi minha linda, minha deusa, minha chata! ¬¬’ Aqui está literalmente um saco, tirando a parte que tem um ser muito lindo dentro desse avião, mas não sei se ele faz parte da família ou não, não vi nenhuma tentativa de comunicação com ele por parte de minha mãe que está louca se comunicando com todo mundo. Como está aí? Beijos, beijos.
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Faz oito horas que estou numa cadeira e sei que ainda faltam mais cinco para dar uma paradinha em Los Angeles, trocar de avião e seguir direto para Honolulu, capital do Havaí, e minha bunda está literalmente quadrada, vou no banheiro, quem sabe esbarro com alguém pra conversar por lá.
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De: moscanasopa@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: Ocupada vendo a grama crescer
Ooi sua gorda feia monstruosa!! Quer me fazer inveja? Eu colocaria minha bunda num cubo de gelo pra ela ficar quadrada e congelada ao mesmo tempo só para estar viajando pro Havaí! E ainda com um gatxenho no vôo? Já foi falar com ele? Qual o nome? Conte-me tu-do! Quero idade, CPF, data de nascimento, e atestado médico! Hahahaha
Por aqui eu realmente estou muitíssimo ocupada vendo a grama crescer, algo bem mais legal do que ir pro Havaí, foi mal. Assim que puder me mande outro e-mail contando as novidades! Beijos, beijos! Agora preciso ir! Vou fazer o primeiro programação de três horas nas férias: comprar as comidas do mês com a minha mãe... ¬¬’
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De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Cubos de gelo? Kkkkk
Comprar comida... realmente gostaria de fazer isso! Hahaha Agora já estou no vôo que vai de Los Angeles até Honolulu. Logo depois que te mandei o último e-mail fui ao banheiro, quando estava voltando de lá, o garoto lindo estava indo para lá (ele faz xixi demais... e_e ) e então eu esbarrei nele (de propósito, tudo bem).
- Ops! Desculpa! – Falei em seguida ao esbarro.
- Não tem problema... até eu já to desnorteado com tanto tempo de viagem!
- Pois é, nunca pensei que ir ao Havaí fosse tão cansativo...
- Primeira vez que você vai? – Perguntou o garoto com um sorriso lindo e perfeito.
- Sim, sim! E você? – Falei sorrindo também, mesmo meu sorriso não sendo perfeito.
- Também! Na verdade eu nem iria se não fosse um casamento que vai ter lá.
- Jura? Acho que estamos indo para o mesmo casamento! – Falei sorrindo ainda mais.
- Minha mãe é a melhor amiga da noiva...
- Meu pai é irmão da noiva e minha mãe irmã do noivo...
- Nossa! Que massa! Será que minha mãe conhece a sua?
- Não sei... se conhece, já se falaram por...
- Mímica e leitura labial? – Falou ele me interrompendo e logo depois riu.
- Exatamente! – Falei também rindo.
- Qual o seu nome? – Perguntou-me ele.
- e o seu?
-
– falou estendendo a mão para apertar a minha
- – Falei enquanto sorria e apertava sua mão.
- Bem, então até o Havaí! Eu realmente preciso ir no banheiro agora! – falou Josh sem jeito.
- Tudo bem! – Falei rindo – Tem e-mail? Algo que se comunique enquanto não chegamos lá?
- _@e-mail.com! Tudo maiúsculo! – Falou ele enquanto entrava rapidamente no banheiro.
E agora, após lhe mandar esse gracioso e-mail, irei conversar com o garoto lindo do avião e que não é da minha família... haha
Beijos beijos, a grama já cresceu algum centímetro?
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De: @e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Oi! Tudo bem?
Oi! Tudo bem? Ainda desnorteado com o vôo?
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De: _@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: sem assunto
Tudo sim! E ctg? Um pouco desnorteado ainda. Kkkk.... Minha mãe falou que conhece a sua! Hey! Minha irmã vai usar o laptop agora, vou aproveitar pra dormir, depois a gente se fala, abraços.
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De: @e-mail.com
Para:_@e-mail.com
Assunto: Sério?
Nossa! Que legal elas se conhecerem! Tudo bem comigo, tirando a bunda quadrada... hahaha. Sua irmã tem quantos anos? Tenho um irmãozinho de seis anos. Okaay, bom soninho, até o Havaí! Beijos beijos.
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De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Falei com ele!!
Mandei um e-mail e ele é menos simpático virtualmente que pessoalmente, trocou só um e-mail comigo... deve ser metido só porque é bonitinho. Não tenho o que fazer aqui, nem grama tem pra eu olhar crescer...
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De: moscanasopa@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: Me poupe...
Nem eu seria simpática depois de mais de quinze horas seguidas de vôo, provavelmente eu estaria vomitando... Enfim, se ele é simpático pessoalmente, deve ser simpático normalmente, se ele for metido, deixa ele pra lá, odeio esses garotos que se acham a AIDS que matou Cazuza. A grama cresceu um milímetro, e comprei muita comida, morra de inveja! Amanhã vou sair com , e acho que dessa vez só eu e ele. Não é só você que está se dando bem... beijos beijos gata! Vou jantar e ver prison break! Baixei mais episódios!!
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De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Vai, me abandona!
Tudo bem, aqui no avião não tem prison break, só tem um filme muito do estranho haha. Vou ficar brincando de adedonha com Thiago, só faltam mais três horas de vôo mesmo. E sabe o que farei depois enquanto você ainda está vendo prison break? Vou receber colares de flores havaianas dançando “ula-ula”, vou tirar uma foto bem família e isso tudo pra lhe matar de inveja ¬¬’ Muhahahahaha (risada hiper maléfica).
Beijos beijos gata! Só te respondo depois que dormir bastante agora.
Capítulo 2
Bom dia querido, adorável, esplêndido e maravilhoso diário! Nossa! Dormi tão bem que acordei e fui logo confirmar se não era um sonho. Todo mundo que vai para o casamento, está num mesmo hotel, cada um reservou seus quartos, claro que meu tio não pagou para todos ficarem aqui, mas combinamos de todos reservarem quartos no mesmo hotel. A vista daqui é simplesmente perfeita! E tem muitos turistas também! Mamãe e papai ficaram em um quarto e eu e Thiago ficamos em outro. Dá pra deixar o quarto totalmente bagunçado que eles nem vão se importar, até porque tem serviço de quarto! Acabei de me arrumar e estou indo para a piscina, só chegar meu e-mail antes. Fui!
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De: sopanamosca@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: Você tá perdendo prison break
Tá incrível o seriado! Enfim, me fazer inveja? Haha! Tente! *louca para ver as fotos* eu to caindo de sono, coloquei aquela máscara de pepino pra ver se fico sem olheiras e panz, afinal, amanhã vou sair né? Enquanto você vai estar de babá do Thiago hahaha – sim, sou muito má. Me conte as novidades!
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Fechei o e-mail, respirei fundo e fui escolher qual dos cinco biquínis eu iria usar no primeiro dia no Havaí. Resolvi usar o branco com flores pretas, que a parte de baixo é estilo um shortinho e todo preto, com um cintinho branco básico. Coloquei minha saia de piscina branca, peguei minha toalha rosa escura e saí do quarto deixando Thiago dormindo lá, sonhando com os anjinhos. Enquanto andava até o elevador, prendi meu cabelo num rabo de cavalo.
- Bom dia, área da piscina, por favor.
- Bom dia senhorita! O que faz acordada tão cedo? – Falou uma voz familiar.
- Como? - Perguntei enquanto terminava de amarrar meu cabelo e olhava pra trás – Oi ! Que surpresa! Nem te vi! Foi mal!
- Tudo bem, você tava empolgada examinando formigas no chão – falou rindo.
- Verdade, são bem interessantes – falei irônica.
- Também to indo pra piscina, não vou perder tanto tempo aqui só dormindo.
- Verdade! Quero aprender a surfar!
- Você não sabe surfar?
- Se eu quero aprender... – e então chegamos no andar da piscina.
A piscina era enorme, estava ensolarado, mas não daquele sol que torra seu cérebro, um sol bom pra se sair de casa. Enfim, o Havaí era o lugar mais legal que eu já tinha ido. Coloquei meus óculos escuros numa mesa, junto com a saia e deixei as sandálias no chão. Enquanto isso já tinha mergulhado no seu estilo “bola de canhão” na piscina, sem nem se molhar no chuveirão antes. Após me molhar, andei vagarosamente até a borda da piscina, sentei, e depois pulei dentro. A água estava realmente muito boa! Não ia ficar atrás do o tempo todo, se ele fosse convencido, aí é que iria ficar se achando mais ainda.
- Tá procurando alguém? – falou uma voz um pouco rouca no meu ouvido.
- Oi? – Virei assustada para trás.
- Caracaa!! Me desculpa! Te confundi com minha prima! Foi mal mesmo!
- Erm... – só consegui falar isso e depois comecei a rir. O menino era tão, mas tão lindo! Tinha uma pele bronzeada do sol havaiano, olhos penetrantes, e a voz rouca que me matava.
- Olha, não sou nenhum tarado ou psicopata, tudo bem? – Falou olhando em meus olhos.
- Tudo bem, acredito na história da prima. – Falei rindo muito.
- Que bom! E então? Sua pele ainda não tá nem um pouco bronzeada, acabou de chegar?
- Sim, sim! Cheguei hoje de madrugada, ainda não me acostumei muito com o fuso horário daqui.
- Em três dias você se acostuma, quando chegar da piscina, praia, caminhadas, vai direto dormir de cansada, garanto. – Falou sorrindo enquanto mantinha os olhos um pouco fechados devido ao sol.
- Espero que sim! Você também vai para o casamento?
- Claro, acho que todos que estão aqui, vão para esse casamento. O noivo é um dos políticos mais populares daqui e a noiva uma ambientalista e tanto!
- Sério? Bom saber, os dois são meus tios – Falei sorrindo. Era impossível não sorrir ao olhar para ele.
- Seus tios? – Falou quase gritando – Caraca! Então você deve ser podre de rica também em? - Falou se aproximando mais, com cara de segundas intenções.
- Sou da parte pobre da família... – Falei rindo e murchei a boca em sinal de tristeza.
- Ah! Então não quero mais saber de você! – Falou rindo – Qual o seu nome?
- , e o seu?
- , prazer. – Falou dando dois beijinhos na bochecha. – Eu estou aqui faz duas semanas, mas já conheço bastante coisa, conheci dois garotos que moram por aqui, mas que também vão para o casamento, eles geralmente ficam surfando na praia.
- O mar daqui não é muito violento? – Perguntei fazendo cara de medo.
- Não, com o tempo você consegue se ligar na prancha e fica tudo limpeza! Hey! Agora to indo ali, acho que encontrei minha prima verdadeira! Vai almoçar aqui na piscina?
- Erm... Vou, vou sim!
- Então até o almoço! A gente se esbarra. – Falou sorrindo e logo depois saiu nadando.
Tudo bem, eu não estava preparada pra isso. Fiquei um pouco abobalhada depois que ele saiu, até que do nada o aparece atrás de mim, jogando água.
- Acorda Cinderela! – Falou sorrindo.
- É a Bela Adormecida que dorme muito...
- Erm... legal. – falou sarcástico.
- Besta! – Falei rindo e joguei água nele.
- Pensei que você não conhecesse ninguém aqui...
- E não conheço, alem dos meus pais e meu irmão, e agora você, claro.
- E aquele garoto?
- Me espionando caro? – Falei com voz de Sherlock Holmes – Também não conheço, ele me confundiu com a prima dele e depois começamos a conversar, ele conhece uns surfistas! E acho que sabe surfar!
- Grande coisa, também sei. – Falou olhando para – Hey! Vamos dar uma olhada nas pranchas de surfe, quem sabe conseguimos alugar por um preço barato! – Falou enquanto me puxava pela mão.
- Caalmaa! Tenho que me enxugar antes! – Falei rindo.
Saímos rápido da piscina, me enxuguei, depois ele se enxugou com minha toalha e fomos correndo até a praia, para perto das pranchas de surfe. Mas como eu sou muito sortuda mesmo, o carinha estava fechando a loja bem na hora, e mesmo o insistindo muito para que ele alugasse para a gente devolver no outro dia, não houve conversa.
- Que saco! Cara antipático! – Falou se sentando na areia da praia.
- Calma meu jovem, ainda temos um bom tempo para surfar! – Falei sorrindo enquanto dava três tapinhas no ombro dele.
- Verdade... Mas agora não tem mais nada para fazermos...
- A gente pode esperar até dar a hora do almoço aqui, ou ir andar por aí para tentar conhecer mais as coisas...
- Se a gente sair por aí sem rumo, acaba se perdendo – Falou me olhando sério.
- Você tá com medo de se perder comigo em algum lugar deserto da ilha? – Falei segurando o riso.
- Não, estou com medo dos animais que você vai espantar com essa sua cara pervertida. - Falou ele rindo enquanto se deitava colocando as mãos atrás da cabeça.
- Cara pervertida? Eu tava brincando, tudo bem?
- Sei, sei... você não consegue resistir a mim e fica aí me secando com esse olhar pervertido...
- Pervertido é seu passado! – Falei dando um tapão na barriga dele, e logo depois me levantei e fui para a área da piscina.
Admito que nesse momento esperei que ele se levantasse, viesse correndo atrás de mim e me pedisse desculpas, mas o folgado continuou deitado e de olhos fechados, com um sorriso sínico na cara. Deitei numa daquelas espreguiçadeiras maravilhosas, passei um pouco de protetor e fechei os olhos para relaxar. De repente sinto um rio de água sendo jogado em cima de mim. Abro os olhos assustada e quem eu vejo bem em minha frente? O .
- Seu louco! O que você acha que tá fazendo? – Perguntei histérica enquanto tirava os óculos escuros do rosto.
- Estou salvando suas férias. – Falou ele gargalhando enquanto me olhava.
- Salvando minhas férias, você quer dizer fazendo você morrer afogada ou pegar uma pneumonia? – Falei enquanto levantava preparada para espancá-lo.
- Eu... não... – Tentava falar enquanto não parava de rir. – Você está deitada aí a pelo menos quatro horas!
- Eu? Eu dormir? – falei assustada.
- E Como! Passei pra almoçar e te vi aí, mas pensei que você tava sem fome, até que voltei agora e você continuava aí se torrando, te balancei e vi que você tava dormindo! – Falou ainda rindo.
- E daí que eu dormi? Nunca dormiu de cansado não? – Falei o encarando.
- Já... mas eu nunca fiquei vermelho só na parte da frente do corpo, com uma marca branca de óculos na cara e outra do braço passando na testa – mal acabou de falar e estava rindo.
- NÃO! Não acredito! – Soltei um grito histérico até ele tapar minha boca.
- Você tá louca? Vão achar que estou te fazendo mal criatura. Vem! Te levo em segurança para o seu quarto.
- Todo mundo vai ver meu rosto assim... – Falei quase chorando.
- Vem aqui! – Falou ele tirando a camisa e colocando em mim – Assim... espera, deixa a cabeça parada em um lugar! Assim, agora pra cá... pronto!
- Eu to parecendo um trombadinha que enrola a camisa na cabeça pra não ser reconhecido...
- Não... você tá parecendo uma ninja, é mais fácil de encarar assim... – Falou segurando o riso.
- Vai na minha frente que me escondo nas suas costas...
- Eu mereço... minutos atrás tava quase me soqueando, sou uma pessoa tão boa...
- Um anjo! Agora anda!
Fui andando com o rosto encostado nas costas dele até chegarmos no elevador, ele claro, ficou o tempo todo fazendo brincadeirinhas sem graça de “socorro! Tem uma ninja prendendo meus pulsos!” Enquanto escondia as mãos nas costas. Depois ele me acompanhou até meu quarto e entrou lá comigo, e ficou vendo tevê com Thiago (que ainda não tinha saído do quarto) enquanto eu tomava banho.
- Eu prefiro ele com dez anos do que com quinze! – Falou .
- Também acho! – Falou Thiago.
- Quem? – Olhei surpresa.
- O Ben 10 né, dã! – Falaram os dois em conjunto.
- Aaah.... claro, como não pensei nele antes... – Falei rindo. – To muito feia?
- Sim. – Falaram em conjunto novamente.
- Obrigada... Como faço agora?
- Tive uma idéia! – Falou , empolgado – Acorda cedo amanhã, que é a hora que tem pouca gente na piscina, passa bastante protetor no corpo exceto na parte que tá branca, aí vai bronzear ela e não o resto! – E logo depois sorrio satisfeito.
- Não sei o que seria de mim sem você! – Falei irônica.
- Quando tiver uma idéia melhor, me avisa... – Falou me olhando de lado.
- Como vou sair pra jantar hoje, com o rosto assim? – Falei me olhando no espelho.
- Ativa o modo ninja-trombadinha ué! – Falou , rindo.
- Vai te catar! – Falei segurando o riso.
- Espera todo mundo ir dormir, e depois vai ué! – falou Thiago inocentemente – Se quiser, eu vou com você pra te defender.
- Onw meu amor, não precisa... – Falei o abraçando – Tive uma idéia melhor!
- Qual? – perguntaram os dois.
- , você pode ir numa loja de maquiagem lá embaixo e comprar um base pra mim? Uma escura, nesse número aqui, acho que vai ficar da mesma cor se eu caprichar na maquiagem!! – Falei animada.
- Eeeu?? – Gargalhou – Olha minha cara de quem vai comprar maquiagem.
- Por favor?
- Não.
- Por favorzinho?
- Não.
- Realizo dois desejos que você quiser?
- Sua tarada... ainda tentando me beijar... cinco desejos!
- Dois e ponto.
- Vai morrer de fome aí.
- Três.
- Fechado! Vamos Thiago! Temos compras a fazer!
- Êpa! Meu irmão não vai com você!
- Mas eu quero ir... – falou Thiago me olhando.
- Okay, vá logo. Voltem rápido.
-
- Então, quero uma pasta que se passa no rosto e deixa ele parecendo bronzeado.
- Não dá para o senhor explicar melhor? – Perguntou a vendedora.
- Eu fui pra piscina hoje, e tem umas partes que não bronzearam, eu quero um treco que eu passe nessa parte e fique da mesma cor da que bronzeou.
- Uma base?
- Isso! – Falou Thiago.
- Você vai usar base? – Perguntou a vendedora assustada.
- Não! está lá no nosso quarto esperando a maquiagem. – Falou Thiago.
- É nossa mãe, não estamos fazendo nada proibido... A senhorita poderia dar logo a base? – Falou enquanto olhava para os lados – Nesse número aqui.
- Tem certeza? Existe uma nova linha com brilho, que deixa o resultado mais real e duradouro... – Falou a vendedora olhando o papel.
- Minha filha, me dê o que deixar uma pessoa bronzeada sem levar sol! – Falou olhando para trás – Tarde demais! – escondeu o rosto.
- ? Pensei que estava no quarto.
- Não mãe, dei uma passadinha aqui antes...
- Mas aqui só vende maquiagem...
- Sério? Não tinha percebido! – Falou surpreso.
- Aqui está senhor, essa base é exatamente como pediu, aparentar estar bronzeado!
- ? Seu bronzeado é falso? Onde você esteve o dia todo? – Perguntou sua mãe.
- Não mãe, não é falso, eu estava na praia. Não é pra mim...
- E pra quem é?
- Pra , ela está lá no nosso quarto esperando. – Falou Thiago.
- E QUEM É ESSA... ?
- Minha irmã.
- Vem Thiago! E NÃO MÃE, EU NÃO TO FAZENDO NADA DE ERRADO! ELA É SUBRINHA DOS NOIVOS!
-
- Demoraram tanto... – Falei enquanto lixava as unhas.
- Minha mãe me viu comprando maquiagem!
- Qual o problema de ser metrossexual? – Falei rindo.
- Muito engraçada você! – Falou ele jogando a base em cima de mim.
- Obrigada!
- De nada! To indo pro meu quarto, hoje a noite vai ser longa pensando nos meus três desejos... – Falou me olhando assustadoramente.
- Há! Não tenho medo de você!
- Pois deveria... Tchau Thiago!
Capítulo 3
Passei a base nas partes claras do rosto e deu um efeito incrível! Primeiro homem que vi que sabia comprar uma maquiagem perfeita fiquei até impressionada. Depois coloquei um vestidinho verde simples com uma sapatilha branca e desci para o jantar junto com o Thiago, minha mãe e meu pai que já estavam nos esperando na porta do quarto.
O salão do jantar estava lindo, eu realmente estava me sentindo naqueles filmes de princesa, que vem um mordomo e segura sua mão enquanto você desce da carruagem, estava tudo tão perfeitamente brilhoso e iluminado... Até que, há! Peguei você! Até que nada. Sim, exatamente nada estragou minha bela visão do jantar.
Sentamos em uma mesa e dez minutos depois aparece ninguém, ninguém menos, do que o cara que tinha feito minhas férias ficarem perfeitas: o tio Charlie!
- Que saudades de vocês! Só deu pra passar aqui agora, e Letícia ainda está brigando com o alfaiate por causa das vestidos das daminhas – Falou tio Charlie rindo.
- Charlie! Pensei que nunca mais fosse lhe ver seu levado! – Falou mamãe se levantando e o abraçando.
- Parabéns amigo! Noiva melhor não podia escolher! – Falou meu pai rindo e dando uns tapões nas costas dele. Eu tive medo.
- Obrigado! Escolhi a mulher certa mesmo! – Falou tio Charlie enquanto tentava voltar a respirar normalmente – E você, não me diga que já é minha sobrinha ? – Falou abrindo os braços para um abraço.
- Sou eu sim! – Foi a primeira resposta que consegui pensar e fui abraçá-lo beem apertado.
v
- E quem é esse pequeno? Não me digam que Thiago já está desse tamanho! A última foto que recebi dele, ele tinha dois anos! – Falou e logo depois segurou Thiago no alto como se estivesse examinando uma peça de mármore. Me segurei pra não rir da cara que o Thiago fez. – Posso jantar com vocês?
- Mas é claro, venha! Sente-se aqui! – Falou mamãe.
E foi aí que eu não consegui comer muito bem. Fora o tio Charlie ficar perguntando milhões de coisas, as quais eu respondia pela mamãe porque eu tava realmente muito empolgada, depois de um tempo (digamos cinco minutos), quase todo o salão do hotel foi apertar a mão dele, sinceramente, era mais fácil ele ter contratado alguém para apertar as mãos, deu pra perceber que no final do jantar ele já não conseguia movimentar nenhuma das duas. Deu pena do coitado, mas é a vida... Quando meu querido tio foi embora, mamãe sumiu com papai (hum...) e eu fui mostrar a piscina ao Thiago que não parava de pular até chegar lá.
- Então, amanhã você quer vir comigo? – Perguntei.
- Quero! Você vai fazer o que o falou é?
- Shiiiiu, não conte pra ele...
- Não contar o que pra quem? – Perguntou uma voz. Será que existe curso pra chegar de mansinho e aparecer do nada por aqui?
- Deixa de ser... – Falei enquanto me virava para ver quem era – Oi!
- Oi! Você me assustou agora! – Falou rindo.
- Ah! Desculpa! Pensei que fosse outra pessoa...
- Oi! – Falou Thiago.
- Você nem foi almoçar hoje, fiquei esperando te ver por lá!
- Oi! – Thiago.
- A foi, fiquei me bronzeando um pouco – Falei rindo sem graça, enquanto empurrava o Thiago para trás de mim.
- To vendo! Você realmente se bronzeou hoje! Eu sei que você quer ficar com uma pele igual a minha, mas vai com calma garota! – Falou rindo e logo depois deu um tapinha no meu ombro.
- Aaaai! Ui ui ui! Tá ardendo do sol sabe? – Falei enquanto fazia uma cara horrível de dor.
- Oooi! – Falou Thiago, ou pelo menos tentou, enquanto eu olhava séria pra ele.
- Seu irmão?
- Quem? Ele? É sim!
- Sou sim! Oi!
- Oi! E ae cara! Tá pegando muita boyzinha por aqui? – Perguntou enquanto fazia um “toca aqui” com Thiago.
- Não, ainda não entrei na piscina, mas amanhã ela vai pegar minhas boiasinhas. – Logo que ele acabou de falar, o fez uma cara de “to no lugar errado?” e eu comecei a rir e tive que explicar né.
- Pois é, como você ainda não nada muito bem, vou pegar umas bóias pra você!
- Aaaaah... – falou e começou a rir – De que horas você vem amanhã?
- De manhã bem cedinho pra ninguém ver! – Falou Thiago sorridente – E eu venho pra proteger ela!
- ... – .
- Às 11h eu estou aqui! Pode apostar, de manhã cedinho vamos pra praia, e é pra mamãe e papai não verem, porque não deixam a gente ir pra praia sem passar protetor... e... então, tenho que ir dormir agora! – Sorriso amarelo – até amanhã! Beijos! – Falei e puxei o Thiago comigo até o quarto.
- Poxa! Queria ir primeiro pra a piscina! – Falou Thiago se sentando emburrado na cama.
- A gente vai primeiro pra piscina...
- Você mentiu?
- Não, eu consertei seu erro. Se nós vamos cedinho pra ninguém saber, você não pode contar isso a ninguém, Thiago.
- Aaaaaaah... mas ele não é seu amigo?
- Quem dera... Enfim, mas é assim que as coisas são. Se o segredo é meu e seu, ninguém mais pode saber.
- Temos um segredo? – Falou Thiago surpreso.
- Temos Thiago, temos.
- Legal! Vou falar pro papai que eu e você temos um segredo! Ele vai gostar!
- Não precisa falar a ninguém que temos um segredo, afinal, é um SEGREDO!
- Mas... qual a graça se ninguém pode saber?
- Essa é a graça. Conseguir manter a boca fechada, quem contar pra alguém primeiro vai ter que comer um saquinho de passas inteiro. – Falei com ar de aposta.
- Eu to dentro! – falou Thiago e logo depois “passou um flash” na boca com os dedos.
- É disso que eu to falando! – falei e comecei a rir.
No outro dia acordei às 8h e acordei o Thiago também, tomamos banho e fomos direto pra piscina, dessa vez não passei base, claro. Aderi a idéia do protetor do , ele não vai ficar sabendo disso. Mergulhei na piscina que estava praticamente vazia. Fora eu e Thiago só tinham mais três pessoas: pai, mãe e filha pequena.
Tentei ficar o maior tempo possível com o rosto virado para cima, pro lado do sol. As vezes tampava a maior parte bronzeada do rosto que conseguia com as mãos, quem visse essa cena de fora me chamaria de louca, mas eu sempre dava uma olhadinha para ver se tinha chegado mais alguém. Não pensei que fosse me divertir tanto com meu irmão mais novo, mas foi hilário! Aproveitei pra ensiná-lo a nadar um pouco, acho que ele vai aprender rápido.
- Hey man! – Falou uma voz vinda da borda.
- Oi!- Falou Thiago acenando enquanto eu imaginava como chegar até a cadeira que estavam as coisas e colocar o boné pra pelo menos tapar a marca do braço.
- Oi ! Você por aqui, que surpresa! Pensei que estaria na praia! – falei.
- Estou indo pra lá agora, não quer ir comigo? Acho que vou surfar um pouco.
- Nossa! Adoraria! Vai indo na frente que já te alcanço!
- Posso esperar!
- Não, imagina! Não precisa fazer mesmo isso! Vou dar banho no Thiago ainda! – Mal acabei de falar e tive que olhar séria pro Thiago enquanto o fazia uma cara estranha.
- Então tá! – Falou .
- Temos mais um segredo? Eu sei tomar banho sozinho...
- A cada segundo você fica mais esperto garoto! Não deixa dúvidas de que é meu irmão! – Falei rindo.
- Posso ir pra a praia com você?
- Ham... – Durante esse “ham” pensei em milhões de coisas, inclusive de que meu irmão seria uma vela e não agüentaria guardar segredo pro meu pai de como eu não parava de secar meu novo amiguinho. – É melhor você ir pro quarto, você não trouxe seu wii?
- Trouxe... mas queria surfar...
- Só depois que aprender a nadar.
- Ta bom. – Falou Thiago emburrado, morri de pena, mas é a vida.
-
- Você veio! – Falou sorrindo.
- Olha eu aqui! – Falei com cara de idiota.
- To vendo! – Falou meio “tenso” – Vamos lá onde a galera tá.
- Tá!
- Alooohaaaaa! – Falaram dois garotos a alguns metros de distância entre nós.
- Mahalo nui loa! – Respondeu enquanto eu fazia cara de “preciso comprar um dicionário”.
- Quem é essa? – Falou um dos garotos olhando para mim.
- Uma amiga que também vai pro casamento, é sobrinha dos noivos.
- Meu nome é , e o seu?
- ! – Falei sorrindo. O garoto era tão simpático e tinha um sorriso tão fofinho também, o cabelo estava bem bagunçado devido ao vento forte, o que o deixava muito mais fofo.
- Aloha! Sou ! Prazer em conhecê-la também! – Falou o outro garoto enquanto apertava minha mão.
- E então galera, vamos surfar? – Falou .
- Espera! Falta chegar mais algumas garotas que convidei! – Falou com um sorriso de galã velho da novela das oito.
- Você e essa mania de chamar garotas pra surfar... – Falou – Elas geralmente só fazem cair da prancha e atrapalham o tráfego. – Juro que meus olhos arregalados após ele falar isso foram totalmente espontâneos.
- Não fica com medo , é normal... – Falou sorrindo. Nhaa eu poderia pular nele e começar a apertá-lo até ele explodir. Erm... Acho que preciso rever minhas demonstrações de afeto...
- Ah! Eu sei! Mas eu nem sei surfar sabe? Então se alguém não me ensinar – Olhada estratégica para o - fico só olhando mesmo... – Murchei a boca num sinal de tristeza.
- Pelo menos você tem consciência... – Falou sorrindo.
- Também adorei te conhecer! – Falei rindo e todos riram em seguida.
Como o esperado, chegaram mais garotas. Mais cinco garotas, me senti numa caça ao surfista gatinho. Preferi ficar sentada na areia torcendo pra eles enquanto a maioria fazia exatamente o que o falou: Ficavam caindo direto da prancha, isso quando conseguiam subir, era hilário. Mas duas realmente sabiam surfar, realmente me deu inveja enquanto olhava manobras perfeitas que elas faziam, se a temporada de caça ainda estivesse aberta, eu não teria chance alguma perto delas...
Depois de passar mais protetor nas partes bronzeadas e ficar acenando para os três garotos, eu resolvi levantar e voltar para o quarto, tomar banho e ficar descansando até o jantar, afinal, nem tinha almoçado porque fiquei na praia.
Depois de um longo e demorado e perfeito banho, me arrumei para o jantar e acordei Thiago para que ele fosse tomar banho também. Então deitei na cama e relaxei um pouco.
- Você passou o dia dentro do quarto mesmo? – Perguntei quando o vi sair do banheiro.
- Não o dia todo! Depois do almoço eu fui aprender a nadar, pra depois surfar!
- Você entrou na piscina SOZINHO, Thiago? Você sabe que não pode! Você poderia ter se afogado! – Falei histérica.
- Eu sei... não entrei sozinho.
- Ufa! O papai entrou com você?
- Também... Papai, mamãe e .
- O que o estava fazendo com você na piscina?
- Ele me viu no almoço e perguntou onde você tava, aí eu falei, porque num era segredo, aí ele sorriu, aí eu falei que não fui porque não sabia nadar, aí ele disse que ia me ensinar a nada e depois a surfar! – Falou Thiago e logo depois sorriu.
- Ele realmente não tem mais o que fazer? – Falei rindo.
- Não sei, hoje de noite vamos treinar mais, preciso estar bem disposto – falou enquanto secava o cabelo com a toalha. – Ah sim! Mamãe disse que não é pra você sair amanhã, é o dia que as mulheres vão provar roupas.
- Roupas?
- Do casamento... Os homens vão para um lado, e as mulheres para outro. Desculpa, dessa vez não posso ficar com você, te protegendo.
- Nossa! Já tinha me esquecido do casamento!
- Sabia que eu vou levar as alianças junto com uma menina?
- Sério? Que lindo! Mas acho que quem vai segurar as alianças é a garota...
- É sim! Eu vou ficar do lado dela pra proteger ela e as alianças, mas não fique com ciúmes, é só por essa noite. – falou sorrindo, estava se achando o incrível hulk.
- Tudo bem... Vou checar meus e-mails agora, depois conversamos mais. – Falei enquanto pegava o laptop.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: Esquece mesmo dos pobres!!
Eu sei que o Havaí deve ser muito louco, cheio de gente linda com sorrisos lindos, um hotel super maravilhoso com gente que limpa suas bagunças, mas... EU EXISTO TÁ?
Me mande as fotos oras, eu estou morrendo de tédio aqui. Sabe minha saída com o ? A irmã mais nova dele tava lá. Eu praticamente fiquei de babá enquanto ele comentava de como está legal a banda dele e de que logo logo eles vão fazer um show. Valeu a pena porque foi praticamente: uma tarde de babá por ingresso vip! Hahaha, próxima vez que não tiver nada em troca, juro que esgano a guria, ô garotinha capeta viu? E o garoto do avião? Tem falado ainda com ele ou o banheiro fica muito longe do seu quarto? Haha. Beijos, Beijos, me responda sua ingrata!
-
De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Não lhe esqueci minha diva
Hahahahhaha! É que realmente andei me ocupando com coisas muito importantes, como praia, piscina, piscina, praia, surfe, surfistas... hohohoho. Continuo falando com o garoto do Avião, e não, ele não tem uma tara por banheiros, foi uma conclusão precipitada. Não tirei fotos ainda. Sabe aquelas havaianas dançando e colocando colares de flores ao redor de seu pescoço? Só nos filmes de Hollywood. Aqui, se você quiser receber esse serviço quando sair do avião, tem de ir por determinada companhia e aí a coisa fica bem mais cara. Tive um pequeno problema com o bronzeado mas acho que com mais um dia soluciono. Amanhã vou provar minha roupa de daminha, to hiper ansiosa! Conheci três surfistas gatinhos. Depois te conto mais sobre eles. Agora to morrendo de sono e vou tentar descansar um pouco até a hora do jantar. Se der, hoje de noite tiro algumas fotos do local pra te mandar. Beijos Beijos gata!
-
Capítulo 4
Na hora do jantar, eu e Thiago descemos e sentamos numa mesa junto com mamãe e papai. apareceu do nada lá e sentou ao lado do Thiago. Os dois começaram a conversar sobre todo tipo de desenho animado e sobre como o Thiago aprendia rápido e estava progredindo nas aulas de natação. Mamãe e papai só faltaram beijar os pés dele por estar ensinando seu filhinho amado a nadar. Eu não falei muita coisa, o parecia estar me ignorando, mal olhava pra mim. Até que resolvi eu mesma puxar conversa.
- Hey! Você disse que podia me ensinar a surfar, mas só liga pro Thiago!
- Pensei que você já tinha conseguido professor, não conseguiu? – Falou surpreso.
- Não né! Vou esperar por você pra me ensinar! – Falei tentando não olhar pra a cara do meu pai.
- Então amanhã cedo a gente vai na praia e alugar umas pranchas. – Falou ele baixinho.
- Tudo certo! – Confirmei com o polegar e depois ri. Ele falava como se meus pais não pudessem saber. Foi engraçado.
- ? – Perguntou a voz vinda do além.
- Oi !
- Quando terminar de jantar pode dar uma passada lá na piscina? Se seus pais não se importarem, é claro.
- Ah! Tudo bem, passo sim, até lá! – Falei e logo depois olhei para meu pai que fazia cara de poucos amigos, enquanto minha mãe me acenava com um legal positivo.
- Então até lá! – Falou ele acenando – Vai surfar amanhã ?
- De tarde! A gente se encontra na praia de tarde!
- Tá beleza então! Até lá! Aloha!
- Mahalo! – Respondeu .
- O que significa mahalo? – Perguntei.
- Não sei o que significa direito, é como um “obrigado”, quando falam aloha, você sempre responde mahalo. E se o aloha for muito empolgado, responde mahalo nui loa, que é quase um “muito obrigado”, mais ou menos isso! Hehe – Respondeu empolgado.
- Nossa! Que interessante! Como você aprendeu isso? – Perguntou minha mãe.
- Com uns surfistas nativos mesmo.
- Interessante... Amor – Falou mamãe olhando pro meu pai – Vamos sair por aí falando aloha-mahalo pra todo mundo – e fez sinalzinho de “maneiro” com as mãos.
- Ai mãe... me mata mesmo... – falei rindo e todos na mesa começaram a rir da encenação da mamãe.
Depois de jantar, ainda fiquei um pouco na mesa conversando com o , que parecia mais empolgado depois que viu que eu não recusei seus dotes como surfista. Depois fui no banheiro e ajeitei um pouco a cara de “acabei de me empanturrar e mal consigo andar” e logo depois fui para a área da piscina, me encontrar com o . Chegando lá, tinham mais duas garotas com ele, as duas que sabiam surfar, e o e o .
- Oi ! Desculpa fazer vocês esperarem.
- Que nada! Viemos te pedir desculpas, realmente deve ser chato ficar só olhando a galera surfar. Foi mal.
- Que nada... – Falei sem graça.
- Que tal a gente recompensar te convidando pra ir no bar-karaokê que tem aqui perto? – Falou .
- É, a gente vai caminhando pela praia, vai ser legal, vamos? – Perguntou .
- Se não for perigoso...
- Perigoso é falar com esse menino aí! – Falou uma das surfistas apontando pro e rindo – Se você já faz isso, não tem perigo andar pela praia.
- Então tudo bem, vamos! – Falei rindo.
Caminhamos durante uns vinte minutos pela praia até que chegamos ao bar-karaokê. Ficava um pouco longe do hotel mesmo. Ao chegarmos lá o local parecia alegre e confortável, as poltronas eram vermelhas e as mesas de madeira, com um palco na frente e um microfone e um violão ligados a uma caixa de som enorme. Assim que chegamos vimos uma mulher jovem e loira cantando e tocando violão, até que ela tocava bem, mas cantar... Isso inspirou o a cantar. Então logo depois que a loira saiu, ele e o pularam no palco. foi direto ao microfone enquanto segurou o violão e começou a testar a afinação. Se olharam, deram um sorriso e então começou a cantar Hawaii dos Strokes, de repente, estávamos eu, as garotas e o cantando da nossa mesa junto com eles.
Hawaii-EH!-OOohhoohhohh!!
We got it made
(Conseguimos feito)
Ohhhh!!
yes I know
(Sim eu sei)
Can we GO
(Podemos ir)
by plane or boat
(de avião ou de barco)
Ohhhhhh!!
Logo depois que a música terminou, os outros garotos se juntaram a nós, e começamos a rir e comentar da cara do povo, apesar da maioria também ter cantado conosco, naquele lugar era todo mundo muito alegre e pronto pra diversão.
- O que você acha? Canto bem? – Perguntou-me enquanto abria uma cerveja.
- Muuuito bem! Quase me apaixono – Falei rindo.
- Já se apaixonou. – Falou ele enquanto piscava. Eu apenas ri e terminei de tomar minha água.
- Tem certeza que não quer cerveja? – Perguntou-me .
- Tenho, obrigada. Só tomo suco ou água. – Falei e depois sorri.
Conversamos e rimos muito, depois resolvemos dançar enquanto um cantor de verdade estava ocupando o karaokê. Acabei fazendo dupla com o , que por sinal dança muito bem. Até claro, ele tomar alguns goles de bebida não reconhecida por mim e começar a dançar conga, macarena e depois ula comigo. Apesar da vergonha e rosto totalmente vermelho, deu pra me divertir bastante. Até que voltamos todos para o hotel e eu entrei meio que silenciosamente no quarto, já que eram praticamente 3h da manhã.
O sol batia no meu rosto, mas não era aquele sol que queima, mas sim um sol bom de se despertar. Abri os olhos e enxerguei um par de pernas em minha frente, logo depois o corpo se abaixou e me deu bom dia. Era o e seus lindos olhos. Levantei depressa e esfreguei os olhos para ver se não estava dormindo. Era verdade.
- O que você faz aqui? – Perguntei surpresa.
- Vim ver se tava tudo bem com você e te chamar pra sair. Quer aprender a surfar comigo?
- Estou ótima! Obrigada. Poxa, prometi ao que aprenderia com ele – Fiz cara triste.
- Você não pode ter dois professores? – Perguntou sorrindo.
- Acho que posso... – Falei sorrindo enquanto ele se sentava em minha cama.
- Não me divertia tanto quanto me diverti ontem. Você dança conga muito bem! – Falou e logo depois riu.
- Não me lembre disso! – Falei rindo. Até que ele se aproximou de meu rosto, de meu ouvido e sussurrou
- ACORDE IMEDIATAMENTE!!!
- Hããã...? – Falei enquanto abria os olhos e via minha mãe tirando o cobertor de cima de mim enquanto me olhava furiosa. O sol quente entrava pela janela e me cegava, enquanto eu tentava encontrar o no meio daquela bagunça.
- Estão todos te esperando lá embaixo e você aqui dando uma de estrela! Já tomamos café da manhã e você não acordou ainda? O que você quer que a irmã de seu pai pense sobre nós? Levante-se já e tem cinco minutos para tomar banho!
- Mas mãe! Isso é praticamente impossível! Cinco minutos eu levo pra entrar no Box!
- Cinco minutos ou você está de castigo a partir do momento que pisarmos no Brasil!
Saí correndo até o banheiro e tropeçando em minhas roupas que estavam no chão. Nunca tomei um banho tão rápido! Acho que o sabonete passava pelo meu corpo numa velocidade mais rápida do que a que o parafuso atingiu o capacete do Massa. A diferença é que isso o levou para o hospital, no meu caso, me salvaria de um castigo. Saí do banheiro enrolada numa toalha, abri o armário e tirei o vestido mais prático de se vestir, coloquei um top de academia já que foi a primeira coisa que vi na frente, por cima o vestido, calcei minha sapatilha branca que já estava largada no chão e olhei para minha mãe enquanto penteava os cabelos.
- Você ainda tem trinta segundos para pentear esse cabelo.
- Mãe!
- Nem venha. Você vai ser uma das daminhas, não pode se atrasar!
- Quanto tempo estamos atrasadas?
- Estou descendo, vamos!
Larguei o pente em cima da cama e saí correndo atrás da mamãe. Ao passarmos pelo salão, o e o estavam conversando. Acenei para os dois. O acenou normalmente e falou “aloha”, retribui com um “mahalo” e sorri. O ao olhar meu estado, riu e bocejou num sinal de que também estava com sono. Mamãe pegou um táxi e chegamos em dez minutos no local onde os vestidos seriam provados. Pelo menos no táxi sobrou tempo pra respirar.
- Dra. ! – Falou minha tia enquanto abraçava a mamãe.
- Oi futura Sra. ! – Falou mamãe a abraçando.
- E quem é essa? , de quem o Charlie tanto fala?
- Sim! Prazer! – Falei sorrindo e abraçando-a.
- Falei que não precisava chegar tão cedo...
- Não, se é uma das daminhas, tem a responsabilidade de chegar cedo. – Falou mamãe sorrindo.
- O alfaiate chega em vinte minutos no máximo! Podem sentar por ali enquanto espero as outras garotas.
- Obrigada querida. – Falou mamãe sorrindo. – vamos .
- Vinte minutos? Eu tomei banho mais rápido do que o Ronaldo-gordo se separou da bocareli e ainda tínhamos vinte minutos SÓ para o alfaiate chegar! Fora o que ele vai ter que preparar até nos atender!
- Eu mandei você falar?
- Mãe! Você sabe que tá errada!
- Mais um piu e seu pai fica sabendo a que horas chegou ontem. Pensa que não tenho acesso a câmera do corredor do seu quarto? – Depois dessa ameaça eu preferi ficar calada, ouvindo música no iPhone. Aproveitei para mandar as fotos que havia tirado no bar para a .
-
De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Fotos com os gateeenhos!
Oi gata! A noite ontem foi ótimaa! Dancei horrores com o . Tem uma foto que coloquei o nome de cada um com as setinhas, pra você saber de quem eu to falando, quando eu falar. Tirei foto da praia ainda e tudo mais. Aaah! Acho que estou apaixonada pela fofura de um garoto. Me belisca! Haha! Como estão as férias? Me responda!
-
- ?
- Eu!
- O alfaiate lhe espera.
- Okay. – Guardei o iPhone e fui me enrolar num pano e receber algumas furadas. Me senti o próprio boneco de vodu. Senti o iPhone vibrar e fiquei impaciente pra que terminasse minha parte de atuação estátua. Assim que me livraram, fui olhar meu e-mail.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: Estou no caribe com o Johnny Deep
Você ainda me pergunta como estão minhas férias? É lógico que o Deep não me deixa em paz e está me enlouquecendo aqui, só nesse tempinho de te mandar o e-mail ele já tá me puxando pela mão enquanto a beija. Ganhei um anel de brilhantes lindo dele, acredita? To até emocionada. Achei uma ilusão tão boa quanto sua realidade? D= Nossa! Que frustrante está presa nessa casa enquanto você tá presa e cheia de gatos maravilhosos numa ilha! Terminei de ver todos os episódios disponíveis para download de Prison break. O não me ligou mais, ainda esperando meu ingresso vip. Como é seu vestido? A noiva escolheu vestidos bregas para só ELA se destacar como acontece nos filmes? Hahahaha queria te ver com esse vestido em forma de bolo enquanto acena para os surfistas gatinhos. Já aprendeu a surfar? E meu amigo do banheiro? Não o vi em nenhuma foto. Beijosmeliga gata!
- E ae filhinha! – Falou mamãe num estilo super “mano do gueto”.
- A senhora muda de humor tão rápido... – Falei olhando-a assustada.
- Só me estresso quando o que planejo não sai exatamente como planejei, se é que deu pra entender. – Falou realmente parecendo confusa sobre o que acabara de dizer.
- E aí? O vestido é bonito?
- Nem prestei muita atenção mãe, estava ansiosa pra ler o e-mail que me mandou, vou até respondê-lo agora! – Falei e comecei a digitar.
- E a cor? É um rosa “cheguei, pirei e abalei”? ou um azul “mamãe quero ser fofa”?
- Imagino que o Deep de...ve ser real...men...te engraçado... – Falei um pouco baixo enquanto digitava, dando a entender que eu não queria papo, ainda estava chateada pela forma como me acordou pela manhã.
- Não acredito que vou ter de ir lá dentro ver como esse vestido vai ser! Vai filhinha, te pago um sorvete!
- Se o show for quando eu estiver aí, peça um para mim tam...bém. Depois te falo do ves...ti...do, mamãe tá im...pli...can...do...
- É assim que minha filha feminina preferida me trata?
- Sem drama mãe... – falei olhando-a e logo depois voltei a escrever. – Não, não é em forma de bolo, isso eu posso ga...rantir – Abaixei um pouco mais o tom da voz – Seu amigo do banheiro está vivo, acho que sim né.
- Vai filhinha! Me conta! Não me ignora!
- Mas esquece ele! Tem um garoto encantador me dando a maior bola. Você precisa ver como ele me olha, e como ele anda, nossa! O bronzeado havaiano dele é de tirar o fôlego! Aque...la pele quase dou...rada... – Ouvi uma respiração abafada. – OI! – foi um “oi” tão empolgado e meu sorriso saiu mais esticado que a pele da Vera Fisher. Cliquei para ir para a página inicial do iPhone sem pensar duas vezes.
- Oi! Desculpa! Não queria escutar! – Falou enquanto sorria e coçava a cabeça. Não, não eram piolhos.
- Você escutou? – Perguntei assustada.
- Eu? Hã? Não! Você estava falando muito baixo, não deu pra ouvir! – Falou rindo.
- Aaah... Nada demais! Estava falando dos peixinhos dourados que vi por aqui! – Falei novamente com o sorriso plastificado.
- Entendo... – Falou com um sorriso tão “eu quero ser galã”, igual o do José Mayer.
- Erm... O que você faz aqui? Esse espaço não é só para MULHERES senhor espião? – Falei tentando distrair.
- Minha mãe esqueceu a bolsa dela comigo, aí vim trazer! – Falou rindo.
- Hum... entendo... Então, tenho que achar minha mãe, até mais! – Falei e saí andando rápido até o primeiro local escondido por ali.
-
De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Eu sou tão tapada!
Estava te mandando um e-mail e falando ao mesmo tempo! Mas foi pra expulsar a mamãe do meu lado! Não a vi saindo e o ficando no lugar dela! Ele escutou praticamente tudo!! Sim, a parte que eu falava sobre o ser lindo, gostoso, ter uma pele linda e gostosa e bronzeada! Ai não acredito! Ele me olhou com aquele sorriso “eu te pego fácil” sabe? E agora? Não queria que ele achasse que to afim dele, até porque não citei o nome do em nada, e as características podem ser atribuídas a ele também. Vou me esconder com o alfaiate e depois te conto como é o vestido! Falei que tava falando dos peixes dourados! Mas nem sei se por aqui tem esse peixe! –morre- Como está com o Deep? Me dê notícias se forem se casar. Beijos da sua atual zumbi.
Capítulo 5
Passei boa parte da tarde dentro dos provadores, mesmo depois que o foi embora. Uma vez lá dentro, dificilmente aquelas pessoas com mãos de agulha lhe deixam sair até que o vestido entre como uma pluma, e depois do zíper fechado lhe aperte como um quebra nozes, lembrando que EU seria a noz. Depois que eu e mamãe terminamos todos os ajustes, já era hora do jantar, e minha tia nos levou num restaurante podre de chique em algum lugar do Havaí. Depois de me empanturrar de comida (sim, na frente de familiares não preciso ter educação e ficar comendo pouco haha), voltamos para o hotel, e enfim pude entrar no elevador, até que uma mão o impediu de fechar.
- Oi! Você aqui! – Falei.
- Oi.
- E aí? Como foi o dia?
- Bom.
- Ensinou o Thiago a nadar? – Perguntei sorrindo, ele não parecia muito simpático.
- Ensinei. Ele se lembra de comparecer às aulas.
- Hum... Ai santa amora azul! Me desculpa! Eu juro que hoje de manhã, enquanto estava sonhando, lembrei que você ia me ensinar a surfar! – Falei desesperada – Mas você sabe, tive que provar o vestido hoje, você mesmo foi provar sua roupa também! – Mal acabei de falar e ele começou a rir – O que tem de tão engraçado?
- Que você é pervertida, me seca e ta doida pra ganhar um beijo meu, eu já sabia, agora você ta até sonhando comigo? Que bonitinha... – falou enquanto apertava minhas bochechas.
- Deixa de ser idiota! Você nem no sonho tava!
- Claro, eu acredito... – falou rindo.
- Não estava mesmo! – fiquei de costas para a entrada do elevador, ficando de frente para ele e apontando o dedo em sua cara – Só comentei sobre, mas o garoto do meu sonho era lindo, simpático, divertido, fofo e tinha uma pele lindamente bronzeada com o sol do Havaí!
- Uau! Andou sonhando comigo? – Falou sorrindo.
- O que? – falei olhando para trás e logo depois dando passagem para o entrar no elevador.
- Ta subindo. – Falou .
- Ah! Então espero o próximo! Boa noite. – Falou e deu uma piscadela pra mim.
- COMO VOCÊ NÃO ME AVISOU QUE ELE ESTAVA ATRÁS DE MIM?
- Não deu tempo, você tava empolgada demais dizendo como eu NÃO sou lindo, simpático, divertido, fofo e como minha pele é ainda muito branca pra ser atraente.
- Não é bem assim... – E então ele começou a rir novamente.
- Claro que não! Eu sou real! E sou lindo, simpático, gosto de te irritar e não sou nem um pouco fofo, até porque isso seria bem gay.
- Não seria nada! O não é nem um pouco gay! – Falei rindo enquanto batia devagar nele.
- Então você realmente sonhou com o ? – Perguntou ele sério.
- Foi ué! Aah... você não acredita na confusão que teve, acredita que o , apareceu bem quando tava mandando um... – Fui interrompida com um de seus dedos indicadores em minha boca.
- Shiiiu... – Ele sussurrou. Só consegui ficar parada o olhando.
- Mas... – enfim falei
- Shiiiu... você terá que passar o dia do casamento inteiro como minha acompanhante e dando atenção somente a mim.
- Mas EM? Estrela Dalva... até parece .
- Você não entendeu... Isso é um desejo.
- Nem que fosse uma ordem!
- É muito tapada mesmo... Vou formular o pedido... E eu ainda tentando ser romântico. Meu primeiro desejo é que você seja minha ESCRAVA, COMCUBINA ou seja lá o que for, durante o dia inteiro do casamento, da meia noite até a próxima meia noite. Entendeu?
- Seu cretino! Depois eu que quero te beijar! – Falei espantada.
- Não que eu queira ficar do seu lado, só que você vai ter que pegar bebida, comida pra mim, se eu te mandar levar um recado para alguma garota na festa você também vai ter que levar, essas coisas que só um escravo faria, ta ligada? – Falou ele enquanto ria.
- Você é pior que um vilão de novela mexicana!
- Eu sou pior que o pica-pau! Muhahahahaha.
- POR QUE JUSTO NO DIA DO CASAMENTO?
- Porque... ops! Chegou meu andar, amanhã a gente se fala! Aluguei as pranchas hoje já! É só ir buscar.
- Amanhã você não me escapa!
- Pervertida... – Falou e saiu rindo.
- Pervertido é seu presente! Seu abusador de meninas inocentes! – Depois que falei isso o cara que fica apertando o andar no elevador me olhou assustado, eu expliquei pra ele que era um apelido carinhoso, longa história.
-
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Para: @e-mail.com
Assunto: Peixes dourados? Boa campeã!
Eu também não sei onde esse peixe bronzeado existe. Acredita que o Eric está namorando? Fiquei frustrada o dia inteiro por causa dessa notícia – té parece... há’
Na hora do jantar o apareceu aqui e me trouxe o ingresso vip, pedi um pra você, não quero ficar largada naquele show, você vai comigo né? Ele deu umas indiretas tãão diretas que até fiquei sem jeito hoho. No momento estou tentando zerar God of War, é tãão difícil! Isso é pra você ver como minhas férias estão legais. disse que amanhã vem pra cá, ele vai ficar lendo o detonado do jogo enquanto tento zerar... (aprenda a conquistar garotos comigo, beijos). O realmente parece ser um cara legal... ta, ele é lindo. Quero uma foto do meu amigo tarado por banheiro de avião, você me falou tão bem dele na primeira vez que ainda tenho uma tara por ele. Que o Deep não leia isso, ele morre de ciúmes sabe? Agora tenho que ir, Deep e sua mania de me fazer massagem a essa hora da noite. Hahaha Beijos gata! Se cuida!
-
De: @e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Eric? Quem é esse?
Haha! Com tanta gente linda por aqui eu não estou MESMO pensando no Eric. Claro que vou contigo! Ia até pedir um pra mim mesmo... ainda bem que leu meu pensamento, o pedido estava no e-mail que não chegou. Quero saber TU-DO que ele falou entendeu? Até mesmo se ele tiver comentado sobre ter orégano no seu dente (já que ele chegou na hora do jantar). Seu amigo tarado por banheiro é um idiota! Sim, eu esqueci de falar que devo três desejos pra ele, e o seu primeiro foi que eu fosse sua escrava no dia do casamento! Mato aquele verme! Não dá pra tirar uma foto dele, ele vai me chamar de tarada pervertida pela milionésima vez se fizer isso. Boa sorte com esses jogos de vídeo-game, pelo menos sei que o Thiago vai gostar ainda mais de você e seus novos dotes. Boa massagem! Hahaha manda um beijo pro Deep. Fui gata! To cansadíssima!
PS: O vestido é lindo! A noiva não tem medo de ser ofuscada pelas daminhas, até porque ela também é linda e o vestido dela então, nem se comenta.
-
Desmaiei na cama, é sério, mal vi o Thiago chegar. Só Deus e o sabem onde aquele garoto ficou depois da aula de natação. Lembro que tive sonhos bons, mas não lembro como foram. Isso é horrível. Odeio quando não lembro o que sonhei. Olhei para a cama do lado e lá estava Thiago dormindo calmamente. Olhei para o chão, depois para a janela. Ainda estava cedo, o nem deveria estar na piscina ainda. E ele merecia o castigo de ficar esperando por mim durante muito tempo até que resolvesse aparecer. Puxei um lençol para me cobrir completamente, até que ouvi fortes batidas na porta do quarto. Me levantei cansada. O que a mamãe queria a essa hora? O vestido tinha ficado perfeito...
- Credo! – Falou .
- Que foi?
- Você... é assustadora quando acorda.
- Vai te catar! Não ta cedo demais pra começar a surfar?
- Não pra você... mais tarde a praia enche de surfista e é a hora de sairmos de lá pra ninguém se machucar.
- Mas eu to com tanto sono... – falei tirando a remela dos olhos.
- Você nunca vai conseguir um namorado assim... que nojenta. – Falou enquanto entrava no quarto e se jogava na minha cama – Vou esperar você tomar banho.
- Hã?
- Vai dizer que também não toma banho? – Falou me olhando sério.
- Claro que eu tomo banho! E eu não tiraria remela nem apareceria sem escovar os dentes na frente de um garoto que ME INTERESSASSE, tudo bem?
- Aham... Meu nome é mogli, o rei da floresta!
- Mogli é o menino lobo, Rei leão que é o rei da floresta...
- Ham... legal!
- Você não teve infância!
- Tive melhor que a sua! E vai tomar banho cebolinha!
- Mentira né?
- Essa é! Eu sei que é o cascão, calma, não sou tão ruim assim com nomes... – Falou sorrindo.
- Vou tomar banho! – falei enquanto ria dele.
Depois que terminei o banho, eu e saímos e fomos até o tio das pranchas, as pegamos e fomos surfar. Ele disse que eu tinha muita sorte, o mar estava para principiantes pouco dotados de capacidade mental e física. Eu soquei ele, mas acabei batendo a mão na prancha, no lugar de acertá-lo, então tive que ficar calada sobre ser incapacidade, já que nem um murro consigo dar direito. Surfamos durante um bom tempo, não sabia se tínhamos chegado tão cedo na praia, ou se eu me cansava muito rápido, mas enfim, é a vida.
- Vamos lá! Já disse, pra você é melhor começar com a mão direita puxando a água com força.
- A água me vence! Não adianta! – falei com voz de choro.
- Você é muito mole, isso sim! Vem aqui – Falou ele puxando minha prancha e eu conseqüentemente.
- Que foi? – falei com voz de zumbi.
- Se senta na prancha, que eu vou me sentar com você.
- Não vamos cair os dois na água? – falei desconfiada.
- Não! Você é magra demais pra isso acontecer.
- Morra!
- Também te amo. – Falou rindo.
- Fica repetindo assim não que até fico sem jeito – Falei fingindo vergonha.
- Desculpa amor... não quis te envergonhar – Falou rindo e logo depois subiu na prancha.
- Agora você tem que fazer assim com os braços, entendeu?
- Mas eu não tenho que ficar deitada?
- Se deita no espaço que restou, deixando as pernas na água mesmo, por enquanto a gente aprende só a parte dos braços.
- Assim? – falei enquanto fazia o que ele dissera.
- Não... Assim... – Falou ele enquanto colocava suas mãos por cima dos meus braços e os movimentava.
- E sempre nessa posição?
- Não, só hoje você vai me ter tocando meu tórax malhado em suas costas.
- Idiota! – Falei rindo – Você que ta se aproveitando de mim!
- Você não me atrai, se contente com a dura verdade.
- Então é como se tivesse uma garota em minhas costas? – Perguntei tentando o olhar. Tentativa frustrada de virar a cabeça 360º, lembrar de deixar isso para a menina do exorcista mesmo.
- Você não me atrair não significa que eu seja gay, ta ligado?
- To ligada sim... – Falei rindo.
- Aprendeu como faz? – Falou ele enquanto movimentava meus braços.
- Aprendi sim capitão! Próxima tarefa?
- Que próxima o que? Vai ficar fazendo esse movimento até eu ter certeza que você consegue fazê-lo sem eu ter que subir na prancha. – falou e logo depois desceu de minha prancha.
- Você é um professor muito mal... – Falei fazendo o movimento.
- Está melhorando... acho que no fundo era tudo carência... – falou e logo depois que recebeu uma rajada de água jogada por mim, começou a rir.
- Você é MUITO implicante! – falei rindo.
- Vai treinando aí que vou mergulhar um pouco, mas to aqui perto, qualquer coisa grita e o super vem te salvar! – Fez pose de super-homem.
- Ta, adeus super ! – Falei enquanto fazia o maldito movimento com os braços.
Passei mais algum tempo naquele movimento e depois me joguei da prancha e fui assustar o . Eu consegui! Ele pensou que tivesse algum bicho o puxando pela perna, foi engraçado. Depois quando os primeiros sinais de surfistas chegando na área apareceu, eu e ele saímos do mar e fomos tomar uma água de coco na área da piscina do hotel. Tentei ver se avistava o , mas nenhum sinal dele, deve ter chegado tarde na noite passada. O me recomendou ler a biografia de um surfista aí para ganhar paixão pelo esporte e treinar com mais vontade. Então precisava encontrar uma livraria ou biblioteca pela cidade. Poderia falar com o pra ele falar com os garotos nativos daqui, mas não estava nem um pouco afim de esbarrar com o . Então eu e o subimos até meu quarto. Ele para levar Thiago até a área da piscina para a aula de natação, coitado, não sei como não cansa. E eu para tomar banho e tentar achar uma livraria antes da hora do almoço. Pedi ao moço da recepção que chamasse um táxi pra mim e colocasse na conta de meu pai. O taxista era tão animado, começou a me falar a quanto tempo estava morando no Havaí, e tudo mais, em alguns minutos eu já estava sabendo até em que rua ele morava, foi hilário, acho que tenho uma cara de pessoa confiável. Será? (Olhos brilhando).
Estava na livraria, dando uma olhada nos livros teens, enquanto pensava em que sessão ficavam os livros de surf, na de esportes talvez, mas queria passar um tempo lendo algo que não fosse esportivo. Quando estava mais ou menos na página vinte de um livro chamado “minhas férias no Havaí”, o iphone começou a tocar, e para minha surpresa era me ligando.
- Amiga! Que saudades de você! – Falei assim que atendi o telefone.
- Também to morrendo de saudades! Conta rápido como foi essa história do pensar que você ta afim dele e não do , não entendi quase nada do e-mail.
- Eu to pagando interurbano né? – falei um pouco alto.
- Ta sim! Por isso mandei contar rápido.
- Ai meu pai me mata! Enfim, resumindo mesmo ele acha que eu to afim dele.
- Por que amor? Porque ele acha que é lindo como o ?
- Não só lindo, mas também fofo, simpático e com um bronze lindo, da mesma forma – Acabei de falar isso e o apareceu saindo de um dos corredores cheios de livros. – Oh my gosh...
- Oi! – Falou ele com uma cara que tinha escutado “tudo”, mas ele só tinha ouvido a última frase.
- , vou ter que desligar, o apareceu aqui. Tchau, beijos gata.
- Tchau né... – Falou desligando.
- Então... Você fala de mim pra suas amigas? – Falou ele com um sorriso que não mostra os dentes.
- Não! Você entendeu errado! – Falei rindo sem graça.
- Ham... Veio comprar esse livro?
- Na verdade vim comprar um de surf...
- Mas você não sabe surfar... Olha, não precisa saber de surf só pra conversar comigo, quero dizer, com os surfistas daqui, dá pra falar de outras coisas.
- Eu sei. Hehe, mas é que eu quero mesmo aprender surf sabe? Não é por ninguém, é por mim mesma. – falei sorrindo.
- Entendo... então, o casamento é depois de amanhã em?
- Pois é... vai ser tão lindo, meus dois tios se casando! Andei pesquisando, o filho deles será meu primo-irmão ou prima-irmã.
- Poxa! Que legal! – falou sorrindo.
- Pois é...
-...
- Então, tenho que voltar pro hotel, chegar lá pra almoçar com minha família.
- Uma garota de família... difícil encontrar uma assim hoje em dia...
- Pois é, em? – Falei rindo sem graça – Agora já vou! Beijos, até mais!
- Hey! Posso te dar uma carona na minha lambreta!
- Lambreta? – Olhei séria.
- Vamos! Não precisa ter medo! – Falou ele me puxando pelo braço.
E lá fui eu de lambreta até o hotel. Ele conhecia muita gente de lá, acenava pra quase todo mundo enquanto eu o mandava manter as duas mãos naquela aspirante a moto. Depois de alguns minutos chegamos ao hotel e fui direto para o salão de almoço sentar perto de minha família. O não estava lá. Não que ele tivesse que estar, mas bem, tudo bem, melhor comer. Faltava quase dois dias para o casamento. Já que a festa ia começar de tarde e só terminava de madrugada provavelmente. Mas a cerimônia com a entrada da noiva, madrinhas e daminhas vestidas apropriadamente só acontecia à noite.
Depois do almoço Thiago teria aula de natação com , então resolvi entrar na piscina com eles dois.
- Parabéns! Você já está nadando bem melhor! – Falei aplaudindo meu irmão.
- Daqui a pouco já posso surfar! – Gritou ele.
- , nunca pensei que você fosse tão bom professor!
- Eu sei, eu sei... por isso você aprende comigo. – Falou com ar convencido, mas segurando para não rir.
- Coitado... mais iludido que o Júnior achando que alguém lembraria dele depois que largasse a Sandy [n/a: agora que vieram sacar de que jr. Tava falando né? Haha bixinho].
- Sou realista. – Falou e então piscou.
- Tarado... – Falei cantando. Ele apenas riu.
Fiquei um pouco mais na piscina e depois o cansaço bateu a porta, resolvi ir para o quarto dormir um pouco. Peguei o elevador e quando ele estava quase fechando, uma mão o abriu.
- Oi! – Falei.
- Ufa! Cheguei a tempo.
- Gritava pra eu segurar né – falei rindo.
- Que nada! Tava muito longe. Como você tá?
- Bem, e você ?
- Bem melhor agora – Falou e piscou.
- Que bom que você fica melhor depois que corre e chega suado no elevador. – Falei a frase inteira sem respirar. Foi a primeira coisa que consegui pensar e que não deixasse o clima estranho.
- Nossa! – falou ele e depois começou a rir. – Hey! E aí, já encontrou algum cara legal por aqui?
- Tirando você? – Nossa mãe. Se ele soubesse as facas que estava enfiando em meu pâncreas por ter dito isso... – Você... o , o e o ? Mais nenhum, por quê? Algum pra me apresentar? – Hora de disfarçar garota, sorriso esticado.
- Claro que não! Veja se vou arrumar mais concorrentes! – Falou rindo.
- ...
- ... – e seu sorriso colgate total 12.
- Como você é engraçado! – Falei finalmente e comecei a rir.
- Não queria ter sido... – Falou ele me olhando. Senti que ele poderia se aproximar a qualquer momento. Até que a porta do elevador abriu e era o andar dele. Pelo amor doentil do fantasma da ópera! Porque essa porta teve que abrir?
- Então... Tchau? – Falei sem graça.
- Até de noite no jantar. – Falou e sorriu. Eu sorri junto, é claro.
Tomei um banho bem demorado, como não fazia havia algum tempo. Peguei meu iphone enquanto deitava na cama.
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De: moscanasopa@e-mail.com
Para: @e-mail.com
Assunto: Três desejos? Hum...
Sei onde essa história vai parar... foi com três desejos que eu e o Deep começamos nosso caso e agora já estamos noivos! Hahaha Sim, você será a madrinha, nem se preocupe. É sério, preciso para de me iludir, credo. TU-DO? Ai foi tanta coisa que nem lembro direito. Tá, lembro da maioria, mas você sabe, preciso contar interpretando, é mais legal. E não, não tinha orégano no meu dente. Daqui a pouco preciso ir, ele me ligou dizendo que estava a caminho para detonarmos no God of War! Hahahaha, sou uma deusa. ?Como uma deeusaa... você me faz bem ? Ou é fascina? Tanto faz. de escrava? Ai como eu queria ver isso! A cada notícia sua adoro mais o garoto da privada, posso ficar com ele no lugar do Deep? Sim, estou trocando um impossível por um que existe. Thiago me ama, fato. E quando ele crescer você pode me descongelar que eu caso com ele. O Deep mandou outro, disse que te espera no nosso casamento. Tire fotos nesse maldito casamento! Nem que seja engraxando o sapato de seu amo! Hahahaha. Beijos gata sensual, até mais.
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De: _@e-maill.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Suas interpretações são divinas
Sério, morro de rir com elas. Vale a pena esperar então. Três desejos e vocês estão noivos? Parabééns gataa! Mas tenho certeza que o primeiro não foi “seja minha escrava de limpar o chão e comer o pão que o diabo amassou no dia que você usará o sapatinho de cristal”. Como foi o jogo? Acho que terei muitas fotos, inclusive com seu garoto da privada, já que estarei a noite toda com ele. ¬¬’
Seremos cunhadas depois de seu casamento com meu irmão. Haha, você será uma cunhada estranha. Brincadeeeira hahahaah.
Menina nem te conto! Aconteceu uma enoooorme confusão e agora não só o acha que to afim dele, mas o e o também! Explico quando chegar no Brasil, história looonga garota. E não sei bem como desfazer o entendido, você sabe como fico sem saber o que falar quando me flertam. E se esses garotos sabem alguma coisa, é como flertar. Verei o no jantar hoje. Tá, ele não me convidou pra jantar, mas foi quase isso. Um “te vejo no jantar” é praticamente um convite, não? Me deseje sorte. Quase sai um beijos hoje no elevador. Ui ui. Sabe o ? (o garoto da privada). Ele está sendo um fofo ensinando o Thiago a nadar e me ensinando a surfar. Sinto falta dele nas minhas costas... Não, você não leu isso... Depois explico melhor, lembre da amiga que tem e não tire conclusões precipitadas. Estou cansada, levar sol demais cansa. Vou dormir um pouco agora para à noite estar disposta. Beijos gata, saudades. Com você aqui isso seria SHOW!
PS: Ansiosa para que chegue de noite.
Capítulo 6
A noite veio rápido, talvez porque eu estava dormindo e não vi o tempo passar, mas tudo bem. Fui acordada com Thiago me cutucando, dizendo que o papel higiênico tinha acabado.
- O que você fez com o papel? – Falei de mal humor.
- Experiências.
- Que experiências? – Falei ainda na mesma posição que acordara, só havia aberto os olhos.
- Não dá pra explicar, é muito complexo.
- Quando você aprendeu a falar complexo? – Falei tirando o lençol de cima de mim.
- Na tevê.
- Deve ter mais papel no armário. Vou buscar pra você. – Falei e me levantei, indo em direção ao banheiro, Thiago apenas me seguiu. – THIAGO DO CÉU!! Não querendo acabar com suas expectativas de se tornar um grande inventor, mas NUNCA, entendeu? NUNCA mais tente enrolar os móveis do banheiro com papel higiênico!
- Queria criar pias e privadas fofas quando se tocasse...
- Você tá sentindo seu glúteo doer quando senta na privada? – Perguntei zombeteira.
- Glúteo?
- Seu traseiro...
- Não! Mas queria maaais conforto. Não ficou legal?
- Não Thiago, quando quiser conforto, vá para a cama.
- Poxa... Queria ser como Phineas e Ferb.
- Aquilo é desenho Thiago...
- Bau ti Ca bau au – Ele falou com uma voz que pedia perdão e os olhinhos do gatinho do shrek, não podia resistir. A continuação seria “falou o meu amor, Bau au au, meu coração bateu”.
- Tudo bem... vem cá – Falei abrindo os braços e então o abracei. – Só te dou o papel higiênico quando limpar essa bagunça, e não, eu não vou te ajudar. Muahahahaha.
- Como você é má... – Falou ele enquanto começava a desenrolar o papel.
- Sou pior que o pica pau! – Falei gargalhando maleficamente. E depois comecei a rir lembrando de como o tinha feito comigo, pena que não sabia rir como o pica pau.
- Você quer sair comigo, o e a irmã dele hoje? Ele disse que vamos num lugar maneiro.
- Mamãe deixou? Depende do que acontecer no jantar hoje... – Falei sorrindo.
- Deixou. A gente vai jantar lá. Ele disse que depois me ajuda a procurar vacalos.
- Cavalos Thiago, cavalos. Já falei milhões de vezes. No jantar? Então não vai dar, hoje vou comer no hotel mesmo.
- Poxa... sabia que a irmã dele é bem legal? Brinquei com ela hoje.
- Que meigo... ah! Falar em legal, mandou um oi pra você.
- Manda outro pra ela. Terminei!
E então ouvimos a porta bater fortemente. Thiago correu para abrir, e era o .
- Hey! Tá pronto? – Perguntou ele.
- To sim. disse que não quer ir.
- Tem certeza que vai perder de ver cavalos? – Perguntou-me sorrindo. Ele usava uma bermuda florida e uma camisa branca, com uma outra azul por cima, aberta. E apoiava um de seus braços no canto da porta.
- Nem com toda essa pose de galã você vai me convencer... – Falei rindo.
- Não sabe o que está perdendo!
- Imagino... cadê sua irmãzinha? – Perguntei.
- Tá lá embaixo esperando a gente. Vamos Thiago?
- Vamoooos!! – Falou Thiago saindo correndo desembestado.
- Bye bye pra vocês. – Falei acenando.
- Até amanhã. – Falou .
- Amanhã?
- Cedinho... surf...
- Aaaah bom! Claro! Até!
Depois que saíram, vi que não faltava muito tempo para a hora do jantar. Abri o armário e comecei a escolher uma roupa perfeita, mas que não dissesse “Oi! Demorei um ano escolhendo essa roupa!”. Demorei um pouco no banho e mais ainda me arrumando, tentando não parecer tão arrumada, é claro. Que confusão. Desci para o salão antes da hora que costumava descer. Então fui andar um pouco pelo hotel, não conhecia praticamente nada ali.
- Procurando alguém senhorita? – Falou uma voz atrás de mim. Tenho que me lembrar onde fica o curso de aparecer do nada, quem sabe não faço umas aulinhas.
- Oi...? – Falei virando-me – Tiiiio Charliee! Você por aqui! O que faz aqui?
- Vim ver sua mãe, mas não vou jantar, minhas mãos não aguentam mais um jantar. – Falou e logo depois riu, comecei a rir junto e concordei.
- Vão ficar conversando na piscina ou já conversaram? Porque daqui a pouco começa o jantar...
- Vamos jantar fora. Sua mãe disse que provavelmente você e Thiago iriam sair com os filhos de uma amiga dela, por isso fiz reserva só para quatro.
- Não tem problema tio! Eu marquei com uns amigos aqui do hotel pra jantar com eles hoje aqui mesmo, por isso não fui com Thiago. – Falei sorrindo.
- Tem certeza que não tem problema? – Perguntou preocupado.
- Tenho certeza absoluta! – Falei com um sorriso enorme de grande.
- Então tudo bem, antes de você ir embora, estou lhe devendo um jantar em um restaurante caro! Pra você e pro Thiago. – Falou rindo.
- Imagina... – Falei sem graça. Do nada a “graça” voltou – É só vir buscar a gente! – Sorri. Repara se eu ia perder de jantar num lugar podre de chique e ainda mais no Havaí.
- Vou falar com sua mãe ali, até mais. – Falou e me deu um beijo na testa. Ah se tio Charlie não fosse meu tio, não tivesse noivo, e não fosse tão mais velho que eu...
Continuei com minha caminhada pelo hotel até que decidi ir para o salão de jantar. Chegando lá, avistei o numa mesa, sozinho. Sorri por dentro e então fui até lá.
- Oi! – Falou ele sorridente como sempre.
- Oi! Posso me sentar?
- Claro.
- Meus pais saíram pra jantar fora com o Thiago, meu irmão, posso jantar aqui? – Fiz cara de pidona.
- Só se for pra ontem! – Falou sorrindo. – Você está linda...
- Eu? Magina, me arrumei tão rápido que nem deu tempo de me olhar no espelho.
- Sério? - E então começou a rir. – Então você fica bem de qualquer jeito.
- Não quando acordo... pode apostar.
- Duvido!
- É sério!
- Não deve ser mesmo!
- O mesmo falou!
- O dorme no seu quarto? – Falou espantado.
- Nããão! – Comecei a rir – Um dia desses ele foi lá cedinho só.
- Ah... que susto! – Falou rindo também.
- Você está meio quieto, o que houve? – Perguntei.
- Acho que to afim de uma menina. – Sim, nesse momento eu engoli seco.
- Sério? Nossa! Que bom! – Falei rindo de nervosa. Ui ui guenta coração.
- Que bom nada! – Falou rindo. – Não sei se ela já gosta de outro garoto ou é difícil mesmo, nem to saindo tanto com outras garotas pra ver se impressiono ela, e nada.
- Não precisa impressionar... – Falei sorrindo.
- Espero que não... – Ele sorriu junto.
- ...
- ....
- Erm...
- Hey! Você... – E fomos interrompidos com o grito do e do chamando pelo . Legal! Não sabia que ele tinha chamado os amiguinhos nativos dele para nosso encontro, não precisava de testemunhas pra me pedir em casamento. Parei.
- E ae moleque! – Falou ele enquanto apertava as mãos dos garotos.
- Oi! – Falei acenando como uma diva.
- Ooooi! – Falaram os dois em conjunto.
- Sentem aí! Vocês podiam ter aparecido um pouco mais tarde né? Mortos de fome... – Falou rindo. Eu apenas corei.
- A gente só veio por causa da , se toca moleque! – Falou rindo.
- Or! Sinto-me lisonjeada! – Falei colocando uma mão na testa e virando a cabeça para trás, bem estilo novela mexicana. Então todos começaram a rir.
- Realmente... a gente já tava com saudades de você – Falou com um sorriso na face. Juro que tava difícil conversar com meu rosto e mandá-lo não corar. Pior que a desculpa do peixinho dourado seria dizer: Não estou envergonhada, o vermelho é do sol que peguei hoje. Tá bom, e a torcida do Corinthians ia concordar. Té parece...
O Jantar finalmente estava servido, e então fomos todos comer. Apesar de algumas indiretas discretas vindas do e do , deu pra perceber o quanto eram legais. Foi bem divertido apesar de não termos saído do hotel. Ri demais com a palhaçada deles, e o dizendo que eu danço muito mal, ri horrores.
- ? – Falou .
- Oi?
- A gente conseguiu aquela parada... não é muito longe daqui. – Falou .
- Sério? – Falou ele empolgado. Okay iam me levar pra sair e não tinha mais nenhuma garota... ia ficar do lado do , pelo menos ele não ficava mandando indiretas que me deixavam vermelha.
- Aham. Mas vai ter que pegar uma moto, não cabe todo mundo na minha lambreta. – Falou fazendo uma cara de “é claro que não cabe”.
- Não tem problema, eu pago o Táxi! – Falou ele rindo.
- Que bom, porque eu não ia dividir mesmo – Falou rindo.
- Você tá doidinho... – Falou .
- Que nada. As ondas difíceis são as que instigam mais a gente a surfar nelas, é ou não é? – Falou se levantando.
- Isso aew irmão! É nós na fita! – Falou também se levantando.
- Fita não, fita é coisa do passado, É nós no DVD mô véi! – Falou se levantando e rindo. Então me levantei também né, pra não dar uma de excluída.
- Foi ótimo jantar contigo, até amanhã! – Falou me dando dois beijinhos na bochecha.
- Até! – Falei sorrindo. – Okay, eu não sabia surfar e estava fora do programa deles. Puf.
- Até o dia do casamento – Falou piscando.
- Até... – Falei entre os dentes, quase num gemido.
- Te vejo por aí! – Falou enquanto beijava minha mão.
- Claro, nos vemos! – Falei sem graça.
Depois que os meninos saíram, fui na praia andar um pouco, tudo bem que sempre ficava de olho para ver se de onde estava ainda conseguia ver o hotel. Me perder no Havaí não era uma idéia muito boa. Pensei em ligar pra , mas lembrei que podia ficar de castigo se gastasse demais com ligações. Então sentei na areia, bem de frente para o mar e suas ondas incríveis. Realmente de noite elas ficavam mais violentas, mas eram lindas de qualquer forma. Comecei a lembrar de meus amigos no Brasil, estava falando mais só com a , sentia falta dos outros. Depois imaginei o que e as crianças estariam fazendo àquela hora. Se tinham conseguido encontrar os tais “vacalos” e comecei a rir. era uma pessoa bem legal, apesar de viver implicando comigo. Mas às vezes, mesmo implicando era engraçado. Lembrei dele me ensinando a surfar, bixinho, tem que ter muita paciência comigo. Então lembrei do , que também me tratava muito bem, e diferente do , ele não era nem um pouco implicante. Perto dele eu sempre estava rindo e me divertindo. E vi seu lado sério também, preocupado porque possivelmente gosta de mim, e se não fossem os nativos-mamãe-quero-aparecer, ele teria se declarado, possivelmente. Faltou pouco pra eu dizer: “não precisa se esforçar, tô fácil, fácil. Hoho”. Mas já que ele me considera difícil, é melhor né? Sei lá. Só tenho que deixar mais claro pra ele que eu não gosto do . Que eu e o somos apenas amigos. Mas isso vai ser bem difícil, principalmente enquanto estiver de escrava no casamento. Mas darei um jeito de explicar ao sobre minha escravidão, ele entenderá.
Andei de volta até o hotel e sentei numa espreguiçadeira na área da piscina. Peguei meu iphone e fui olhar meus e-mails. ainda não tinha respondido. Hum... O jogo com o estava mesmo bom... Pensei e comecei a rir. Será que Thiago já tinha voltado e eu não vi? Já tinham se passado três horas desde que tinha terminado o jantar. Eu realmente não estava com sono. Não tinha pra quê voltar no quarto, a menos que fosse pra ficar vendo tevê até que o chegasse. Quer dizer, o Thiago. Então foi isso que fiz. E agora estou eu aqui, sentada na cama, com a tevê ligada, vendo a previsão do tempo, por sinal, e aproveitei meu tempo livre pra atualizar você, meu diário fofo da mãe. Bem, por hoje é isso. Até próximas notícias picantes, xoxo. Haha.
Capítulo 7
Tinha terminado de tomar banho quando a porta do quarto abriu. Me enxuguei rápido e vesti o pijama da mesma forma. Saí do banheiro ainda esperando recebê-los.
- Cadê o ? – perguntei.
- Tá indo pro quarto dele. – Falou Thiago bocejando.
- Hum... ele não quis entrar?
- Não, ele continuou no elevador... vou dormir – Falou e logo depois se deitou.
- Que irresponsável, deixar uma criança entrar sozinha em seu quarto... – Falei por alto.
– Como foi a noite? – Perguntei curiosa.
- Muito boa. Mas não deu tempo de ver os vacalos, o lugar era no reino tão, tão distante...
- Minha noite foi ruim, sabe? Tirando o jantar, depois fiquei num tédio incrível.
- ... eu quero dormir... – Falou Thiago e logo depois se cobriu por completo.
- Tá bom, criança chata. – Falei e fui me deitar. Eu não estava com sono, e tinha que descontar minha noite perdida, uma semana depois do casamento nós já voltaríamos para o Brasil, meu pai não tinha tanta grana assim pra pagar hotel pro mês todo. E ficar na casa de meus tios era uma idéia que ainda não tinha saído da mente de meus pais para os ouvidos de meus tios.
Hora de incomodar o . Pensei. Sim, porque se eu fosse ao quarto do perturbá-lo a essa hora, ele poderia me achar louca e ficar irritado, adeus minhas chances com ele. Como não tinha nada a perder com , resolvi irritá-lo. Coloquei meu casaco e peguei o elevador subindo para o andar dele enquanto me preparava para uma boa atuação. Respirei fundo e bati a porta.
- O que você tá fazendo aqui? – Perguntou ele enquanto passava a toalha no cabelo. Ele estava de bermuda, sem camisa, descalço e o cabelo bagunçado. – Pode parar de me secar? – Perguntou ele assustado.
- Eu só estou achando incrível você está assim e não sentir frio – Falei com cara de poucos amigos.
- Sei... – Ele começou a rir.
- ! Cadê o Thiago? – Perguntei séria.
- Como? Deixei ele no andar do quarto, ele sabe onde fica o quarto... – Falou ele jogando a toalha na cama.
- Como você não levou ele até o quarto? Onde tá meu irmão? – Falei tentando parecer preocupada.
- Pode perguntar pra minha irmã quando ela sair do banho, ele estava com a gente até pouco tempo...
- Não quero saber da sua irmã! Quero saber do meu irmão! – Acho que eu realmente parecia furiosa. O pegou um casaco e uma lanterna que estavam em cima de um criado-mudo e saiu correndo, me puxando pela mão.
- Aqui na área da piscina ele não tá também, não inventou de nadar sozinho. – Falou .
- Ainda bem... – Falei enquanto me concentrava para não rir.
- Você não acha melhor nos separarmos? – Perguntou ele preocupado.
- Não, se a gente se perder, daí serão três perdidos.
- Verdade.
- Será que ele se perdeu na mata atrás do hotel? MAS COMO ELE PODIA CHEGAR LÁ? SÓ SE ELE PULASSE O MURO OU ABRISSE A PORTA SÓ PRA FUNCIONÁRIOS!! – Falou já num estágio de desespero, já tínhamos rodado o hotel inteiro.
- Calma ... calma... – Falei o olhando, eu realmente estava começando a ficar com medo do que ele faria comigo se soubesse que era uma mentira. Já pensou? Acorda besta! Pegadinha do malandro! Eu ia levar um soco na cara, isso sim, e ele ainda tinha mais dois desejos para usar contra mim... Não, definitivamente não contaria.
- Seu irmão se perdeu e você parece mais calma que eu! – Falou ele olhando pra área da floresta.
- Alguém tem que manter a calma por aqui... – Falei o olhando.
- Vamos! – Falou me puxando em direção para a floresta.
- Hey seu louco! Não podemos pular esse muro!
- Isso é que dá construir muros baixos, pule também! – Falou ele já do outro lado.
- , não tem nenhuma cadeira aqui perto, o Thiago não conseguiria subir o muro sem uma cadeira.
- Vai que um funcionário tirou! – Não sabia se essa era a hora pra declarar a pegadinha, então decidi pular o muro com ele.
Nunca o tinha visto tão preocupado. Ele até tinha esquecido da minha presença ali, só ficava gritando o nome do Thiago o tempo todo e virando a lanterna para todos os lados. O frio estava ficando cada vez mais forte na mata. Hora de declarar a pegadinha e sofrer as consequências...
- .... –Falei já com a voz triste.
- Eu sei.
- Não, não sabe... – Falei enquanto me aproximava.
- Eu sei, a gente tá perdido.
- O QUEEEEEEEE? – Nem eu mesma queria ter visto minha cara quando perguntei isso.
- Calma, fique calma! Amanhã a gente segue o cheiro de maresia ou de comida do hotel! – Falou ele me olhando nos olhos.
- Ai santa amora azul! – Falei enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas – Como eu sou idiota! Estúpida! Estúpida! – Falei dando tapas em minha cabeça.
- Calma, não é culpa sua. É culpa minha! Eu não sabia que ele não ia pro quarto do hotel! Fique calma! – Falou ele enquanto me envolvia em seus braços e me apertava forte. – Vai dar tudo certo. – Falou enquanto alisava minhas costas.
- Não , eu sou a culpada, não sei nem como falar, sou tão idiota! – Falei ainda chorando de desespero enquanto afundava a cabeça em seu ombro.
- Você pode até ser idiota, mas não é a culpada! – Falou ele ainda me abraçando.
- Sou sim ! – hora da pegadinha do malandro ser revelada. – O Thiago está lá no quarto, eu só queria arrumar o que fazer antes do sono chegar, então criei essa história! – Falei tudo rápido e de uma vez. Será que essa era a hora que eu deveria começar a correr com medo não da floresta, mas sim dele? Erm...
- O QUEEEEEEEE? – Falou ele me soltando.
- Ain me desculpa! Agora que a gente tá perdido eu sei que foi idiotice minha!
- VOCÊ TÁ LOOUCA SUA DEMENTE? EU TO AQUI DE BERMUDA, CASACO E DESCALÇO NUMA MATA QUE EU NUM SEI NEM QUE TIPO DE BICHO TEM, TO ME CAGANDO DE FRIO E TUDO ISSO POR QUE VOCÊ NUM TAVA AFIM DE DORMIR?????????
- Calma , calma. – Falei tentando enxugar as lágrimas. Acho que chorar não comoveria ele.
- Sabe o que você merece? – Perguntou ele irritado – Sabe?
- Não, não sei. Algo muito e muito e muito malévolo?
- Isso! – Falou ele me dando um pedala que minha cabeça foi pra frente.
- Aaaaaai isso dói! – Falei passando a mão na cabeça.
- Isso porque você é mulher, se você fosse um homem a gente ia sair rolando por essa ladeira abaixo!
- Você prefere rolar com homens do que com mulheres? – Perguntei sem perceber o que estava falando, enquanto ainda alisava minha cabeça. A pergunta saiu tão natural...
- ... – Ele apenas me olhava sério. Como se aquela não fosse hora para piadas. De repente, se virou, ficando de costas para mim, e começou a gargalhar.
- Que bom que a raiva está passando... – Falei sorrindo para suas costas.
- Quem disse que tá passando? – Perguntou ele se virando com um olhar mortal. Sim, não confundindo mortal com fatal, era mortal mesmo.
- Me perdoa... por favor! – Falava enquanto andava o seguindo. – Para onde estamos indo?
- Para um local sem árvores.
- Mas... se chover, a gente vai se molhar...
- Olha minha cara de preocupação com seu cabelo...
- To falando de ficar gripado seu... – E então grunhi, não podia xingá-lo depois de tudo que fiz.
- Num local sem muita mata, tem menos bicho, isso é um pouco bom pra alguém que tá de BERMUDA e DESCALÇO, sabe?
- Ah tá... desculpa... – Falei e então fiquei calada até encontrarmos o tal lugar exatamente como ele descreveu. Ele se sentou e então sentei ao seu lado.
- A vista daqui é linda! – Falei.
- É sim, dá pra ver boa parte da cidade!
- Nunca tinha visto assim... – Falei encantada.
- Não? Do meu quarto da pra ver, mas a visão daqui é bem mais ampla.
- Sério? Do meu quarto dá pra ver a área da piscina e a praia, mas não o lado da praia que a gente geralmente fica...
- Hum... Quando a gente ver a praia de novo, vou te afogar nela... – Falou ele sério e logo depois me olhou sorrindo.
- Eu deveria ter medo de estar sentada ao lado de um psicopata? – Falei com um olhar risonho.
- Talvez... – Falou e logo depois começou a rir. – Tá com frio?
- Um pouco... – Falei enquanto abraçava minhas pernas e passava as mãos por elas para aquecê-las.
- Toma... – Falou ele tirando o casaco e jogando em mim.
- NÃO! Tá louco? Vou ficar com pijama e casacos enquanto você ficará semi-nu? Não, não, jamais. – Falei jogando o casaco de volta para ele.
- Fique com o casaco e ponto. – Falou ele enquanto passava o casaco por minhas costas.
- Obrigada... – Falei o olhando.
- De nada... – Falou ele enquanto se deitava e virava, ficando de costa pra mim.
- Ainda tá com raiva? – Perguntei com a voz murcha.
- E eu consigo ficar com raiva de você?
- ... – Apenas sorri e deitei escondendo a cabeça atrás das costas dele.
- Você não está aquecida o suficiente não? Ainda tem que me dar cabeçada a noite toda? – Perguntou de olhos fechados.
- Eu fico com medo de dormir longe de você nesse lugar que eu num sei nem que bicho tem. Pelo menos você é um bicho conhecido... – Falei enquanto tirava o casaco dele e o cobria.
- Hum... – Falou ele enquanto vestia o casaco. Acho que tinha sido vencido pelo frio. Adeus cavalheirismo... haha.
- Desculpa. – Falei e afundei a cabeça em suas costas.
Poderia dizer eu que foi hiper difícil dormir. Mas já estávamos bem cansados e com os pés doendo, então não sei direito a hora que o dormiu, mas eu dormi rapidinho. Acordei com o sol em meus olhos e quando olhei para o lado o ainda estava dormindo, então acordei ele pra irmos de volta pro hotel. Mas não fomos de imediato.
- Vai! Vai! Vai! Só mais uma vez! – Falava .
- Nhuuuum...
- AAAAAAAAAAAAAH! – Gritou ele.
- Dramático! Pronto, tá vendo? – mostrei o espinho que estava preso em seu pé direito.
- Tá vendo o tamanho? Eu disse que esse era grande! – Falou ele com cara de dor. – Hey! O que você tá fazendo? – Olhou-me com cara de nojo.
- Colocando saliva pra estancar o sangue. – Falei enquanto passava a mão que tinha colocado na boca, no pé dele. – Minha avó dizia que dava certo.
- Nojenta! – Falou ele puxando o pé. – Eca... e nem tá sangrando tanto assim...
- Claro, eu estanquei – Falei com cara de quem sabia do que tava falando.
- Aham... Claro, dona saliva milagrosa.
- Minha saliva é potência! – Falei rindo.
- Ontem mordi minha língua ó! – Falou ele apontando pra língua.
- Criança... e eu com isso?
- ... – Ele me olhou com um olhar pervertido pela primeira vez, e depois começou a rir.
- Aaaaaaah! Eu não vou te beijar! Seu pervertido! – Falei batendo nele. Ele apenas ria enquanto se protegia dos tapas.
Depois de nosso pequeno momento de “estapeamento”, nos levantamos e voltamos para a mata, procurando o cheiro do mar ou da comida do hotel. Pudemos enxergar nossas próprias pegadas na terra, então ficou bem mais fácil. viu a planta com espinhos que ele provavelmente pisara e então me mandou emprestar a sandália a ele, e começou a “sandalear” a planta até a pobre ficar totalmente acabada. Segundo ele, foi o melhor momento de vingança dos últimos tempos. Eu nunca ri tanto. Até que depois de andarmos uns cinco metros, vimos a verdadeira culpada pelos três espinhos encontrados em seu pé. Era um espaço só com plantas rasteiras e com alguns espinhos, não muitos. E era só um pedacinho mesmo, pouco mais de um metro. Então eu tirei as sandálias, ele as calçou, mesmo sendo pequenas para seus pés, e então me colocou nos braços e foi andando meio que de ponta de pé (para a parte do pé que passava da sandália não tocar no chão) até acabar as plantas rasteiras. Depois continuamos nossa jornada. Chegamos ao muro e por sorte não tinha ninguém ainda na piscina. Provavelmente era hora do café da manhã. Pulamos o muro e corremos para o elevador. O ascensorista [n/a: pedi ajuda pros universitários e descobri como chama esse cara ha’] nos olhou estranho e depois continuou com seu serviço.
- Foi uma aventura em tanto! – Falou rindo.
- Foi sim! Espero que Thiago ainda não tenha acordado ou que não tenham ido me procurar! – Falei rindo.
- Ui! Tan Dan Dan Dan... Vai ficar de castigo!
- Se eu ficar, você também vai! – Falei rindo.
- Vou nada, minha irmã não é fofoqueira!
- Ai, Thiago é, e muito! – Falei recuperando o fôlego.
- Ele é um bom menino... – Falou também parando pra recuperar o fôlego. Então chegou no meu andar.
- Até mais... – Falei sorrindo
- Até... sem aulas de surf por hoje, meus pés não agüentariam – Falou rindo.
- Tudo bem professor! – Falei e saí do elevador, indo direto para o quarto.
Cheguei e Thiago não estava, fui direto tomar banho. Só de lembrar da noite na floresta, começava a rir. Tinha me divertido demais. Ainda bem que tinha me desculpado, ele era um bom amigo...
Minhas costas e pés ainda estavam doendo. Estava literalmente toda quebrada. Deitei na cama e liguei a tevê pra ficar vendo filme. Seria legal o aparecer e dizer que iria alugar minha tevê, imagino os comentários dele vendo filme, seriam hilários. Até que a porta bateu. Me levantei num pulo e fui abrir.
- Ooi!! –Falei animada.
- Oi! – Falou sorrindo. – Não desceu pra tomar café... – Falou.
- Ah foi! Tive uma noite cansativa! – Falei.
- Você e o ? – Perguntou-me ele.
- Como?
- O também não apareceu pro café.
- Erm... é que ele ficou me ensinando surf até mais tarde, mas foi só isso, ele me observava da areia mesmo, por isso acho que fiquei até mais cansada que ele. – Falei com o sorriso esticado.
- Hum... – Falou pensativo. – Vou falar com o .
- O que? Por que? Espera! – Falei rápido.
- Não se preocupe, só estou indo atrás do que quero. E não, não é o – falou ele rindo e logo depois foi pegar o elevador.
- Ótimo. – Falei e fechei a porta. Era mais fácil ele falar diretamente comigo, não? Ou ele tinha que ver se tava afim de mim pra só depois falar comigo? Que menino lerdo. Pensei irritada. Voltei a me deitar e ver filme.
Acordei com Thiago me chamando para almoçar. Abri os olhos e pensei se não tinha sido tudo um sonho. Mas meu corpo ainda estava dolorido, então tinha sido verdade. Coloquei uma roupa melhor, escovei os dentes, prendi o cabelo e desci para almoçar. Estava realmente faminta. O não estava no salão almoçando, ou dormia ou deveria ter ido comer fora. Quem estava lá era com as duas surfistas daquele dia. Só que elas pareciam hóspedes, talvez realmente estivessem hospedadas aqui. Quando me viu, ele acenou e me chamou para sentar com eles, mas fiz sinal de positivo com a mão e falei que tinha que almoçar com minha família. Bah! Como teria alguma chance com ele assim? Começava a ver que só faltavam quase uma semana no Havaí, então se eu queria algo pra contar pra , era bom começar a agir. Falar na ... Resolvi abrir o meu e-mail logo depois de almoçar.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: COMO É QUE É??
O , garoto da privada, em suas costas? Como assim senhorita ? Que pouca vergonha é essa? Me conte tudo! ¬¬’
E ainda sente falta? Perdeu a noção do perigo mesmo... hahaha sério, to MUITO curiosa. Nossa! Agora são três pensando que você é afim deles? Que garota mais popular... Não são quatro não? O ensinando Thiago a nadar... sei quais são as intenções desse garoto... hahahaha.
Pra desfazer o desentendido você faz assim olha: Oi e ! Tudo bom? To afim do , belê? Simples assim... =D
Como foi o jantar? Tinha luz de velas? Ele foi romântico? *olhos brilham* Parei. Eu não contaria isso como um convite para jantar, mas tudo bem... Sim, eu sou super realista [/esqueça meu caso com Deep quando falar em ser realista].
MENTIIRA QUE VOCÊ TÁ APRENDENDO A SURFAR! Vai ter que me ensinar quando chegar aqui! Digo logo! Aí eu posso ensinar pro , sabe? Hoho (6)
Falar no ... Foi ótimo nosso jogo. Hoje vamos ver um cineminha esperto, sabe? Acho que sua amiga aqui vai começar a namorar antes que você pegue o ... sim, porque você já sabe pelo menos se esse garoto mora no mesmo estado que a gente? Ou ele é tão maravilhosamente maravilhoso que vale a pena passar uma semana com ele e depois sofrer porque não o vê mais? Sim, falta uma semana pra você voltar, certo? Ou decidiram passar mais tempo? Beijos, beijos. Saudades de você, sua gosma nojenta.
-
De: _@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Calma criatura...
... Ele estava me ensinando a surfar, aí pra eu aprender mais FACILMENTE, segurou meus braços e fez o movimento que eu deveria fazer, ficando assim, com o abdômen em minhas costas. SÓ ISSO, viu? Hum hum, pervertida... E foi um momento de carência, não sinto falta nada. Kkkkkkkkkkkkk
O ? Não... acho que não. Ele é legal mesmo sabe, acho que não faz isso com segundas intenções...
Muito simples o seu jeito de descomplicar tudo, aí eu também chego na frente do e falo: “ Joguei um coco na ladeira, e aí? Rola ou não rola?” é? Hahahahha criança esperta...
O Jantar foi divertido, mas e também estavam lá. Aff, veeelas.
Nossa... me acorda mesmo! Meu pai tá pensando em passar mais tempo por aqui okay? Eles só estão pensando uma forma sutil de dizer aos meus tios “já que vocês vão passar a lua de mel na Europa, podem emprestar a casa pra a gente até o fim das férias?”. Bem, se isso acontecer, não vai dar pra ir no show do , desculpa =/
E bem, acho que o vale a pena sim... você quer o que? Que eu pense demais no futuro e que chegue aí solteira, sem nada bom pra contar enquanto você tá namorando? Rum rum ¬¬’
TOO SIIM!! É PURA VERDADE! Quando chegar aí te ensino! É meio complicado, mas é a vida...
agora tenho que ir, procurar o que fazer de legal hoje de tarde. Beijos, beijos.
-
Coloquei um maiô preto e um shortinho preto colado, me virei para Thiago e perguntei se estava parecendo com uma surfista. Ele virou a mão para um lado e para o outro, num sinal de mais ou menos. Virei de volta para o espelho e então saí para a praia. Thiago tinha decidido passar a tarde jogando vídeo-game. Andei um pouco até avistar o tio da barraca de surf. Aluguei uma prancha e fui treinar sozinha, apenas repetir os movimentos ensinados pelo .
- Quer ajuda? – Perguntou-me uma voz familiar.
- Hã? – Falei olhando para trás. – Oi ! – Falei sem graça.
- Oi! Está aprendendo ainda em?
- Pois é... só que meu professor não vem hoje, vou ter que ficar repetindo esses movimentos até meus braços caírem! – Falei e depois ri um pouco.
- Se quiser posso te ensinar!
- Nãão... não precisa, pode ir surfar com seus amigos.
- Que nada! Vai ser bom te ensinar! Que tal aprender como subir na prancha?
- Nossa! Acho que você não teria paciência. – Falei rindo.
- Pode apostar que sim, é até bom levar muito tempo mesmo... – Falou ele me olhando. Santa amora azul me proteja.
- Erm... então tá né!
- Bem, primeiro vamos treinar na areia, beleza?
- Okay... – Falei com voz desanimada.
realmente era muito atencioso. E ao contrário do que pensei, ao analisar sua personalidade, ele era bem tranqüilo, se estressou pouquíssimas vezes comigo, mas quando eu via que a paciência tava curta, era só porque a risada dele saia diferente, quase num tom de deboche, então brigava com ele e nós dois começávamos a rir. Fiquei envergonhada a maior parte do tempo, vários surfistas passando por ali e me vendo treinando toda destrambelhada, alguns até riam de mim, e o em vez de ficar do meu lado, não, ele olhava pro surfista com aquela cara de “é a vida”. Mas nos rendeu boas conversas.
- Então, eu queria mesmo é ser famoso, sair por aí tocando numa banda, sabe?
- Sei sim... daí acabou virando surfista? – Falei rindo.
- Não! Eu surfo desde que aprendi a nadar, desde guri mesmo.
- Mas você toca algum instrumento?
- Harpa.
- Harpa? Nossa, legal. – Falei surpresa.
- É onda! – Falou ele sorrindo. – Ainda não toco nenhum, mas quando aprender, te envio um e-mail avisando, pode ser?
- hum... tudo bem. – Falei sorrindo.
- Agora vai!
- yaaaa! – E então “subi” na prancha.
- Tá errado! Assim você só vai conseguir engolir água! Falou ele rindo.
- Aaain eu falei que era difícil!
- Não, não é. Olhe pra mim. Assiiiiiim! – E então ele ficou em pé numa facilidade incrível.
- Vou ter que fazer ioga pra ganhar equilíbrio e malhar perna desse jeito...
- Você é dramática demais... – Falou ele coçando a cabeça.
- yyyyyaaaaaaa! – tentei levantar com mais estilo, para animá-lo. Até que eu consegui levantar do jeito certo, o problema foi continuar em pé. Em um segundo eu caí no chão.
- Parabéns! Tá quase lá! Agora é só se alimentar bem pra conseguir ficar em pé! – Falou rindo – Como dizia minha avó, saco vazio não pára em pé. – E então começamos a rir.
Repeti o movimento mais algumas vezes, depois ele disse que podíamos ir para o mar, já que meu problema agora era só equilíbrio, e se eu passasse mais tempo caindo na terra, amanhã não conseguiria andar de tão machucada. No mar foi bem mais legal, quando caia, era até bom, ajudava a refrescar o corpo. Tudo bem que no mar foi mais fácil para ele se aproveitar, dizendo me segurar quando eu caia. Mas de qualquer forma sabia que ele estava querendo ser agradável. E se eu já não tivesse decidido que queria o , eu poderia até olhá-lo com bons olhos...
A tarde passou rápido demais com ele, até que estava escurecendo, quando decidimos sair do mar, nossos dedos já estavam engelhados, e os olhos vermelhos. É, era hora de sair do mar.
- Você aprende rápido – Falou ele passando a mão no cabelo e jogando a água pra cima de mim.
- Eeeeew! – Falei rindo. – Ah! Valeu! Eu sei que tem que ter paciência, mas você acha que até o fim da semana que vem, eu já consigo surfar pelo menos alguma coisa?
- Ham... até o fim da semana que vem? Você poderia aprender a fazer bolo num tempo desses.... – falou ele rindo.
- Hey! Assim também não em? Me humilha mas não tanto! – Falei fazendo bico.
- Tipo, o normal seria aprender em um ano mais ou menos... Pra você eu diria um ano e meio, quem sabe – Falou rindo. – Brincadeira, mas aprender a surfar em uma semana, acho que é meio difícil. Até porque não pode viver na água, vai desidratar assim...
- Poxa... Queria voltar para o Brasil sabendo surfar! – Falei triste.
- Você vai saber alguma coisa de surfar... acho que com mais um dia você já se mantém de pé numa prancha!
- Emocionante... – Falei irônica enquanto cruzava os braços.
- Deixa de ser emburrada... – Falou ele enquanto se aproximava e bagunçava a parte de cima do meu cabelo.
- Puf – Bufei e depois ri. – Fiquei cansada, preciso de um bom banho. – Falei ajeitando meu cabelo.
- Banho? Agora? Nada disso!
- COMO? Mais treinamento? – Falei soltando os braços e fazendo cara de defunta.
- Sim... uma parte bem importante dele por sinal. Quer pegar um ônibus ou ir andando?
- É perto ou longe? – Perguntei fazendo careta.
- Pra mim é perto, mas com você deve tá cansada, eu sugiro um ônibus.
- Então vamos de ônibus! – Falei levantando os braços, animada.
Andamos um pouco até a parada mais próxima, a maioria dos ônibus que passavam eram de turismo, esperamos um bocadinho. Deu pra conhecer mais da vida do . Depois pegamos o ônibus e umas três ou quatro paradas depois, nós descemos. Ele foi andando ao meu lado, mas sem segurar em minha mão ou me puxar pela mão, como faria o . Entramos numa lanchonete cujas paredes eram feitas de madeira, ou pelo menos aparentavam ser. Tinha um balcão, também de madeira, mas com a parte de cima feita de bambu, e as mesas e bancos eram feitos de bambu. Havia pranchas de surf com vários tipos de desenhos penduradas na parede.
- Então é aqui que quem é bom de surf se reúne? – Perguntei olhando o ambiente.
- Pois é... mas também vem alguns turista, ficam tirando foto em cada canto da parede, é engraçado.
- Deve ser... adoro rir dos turistas que vão pro Brasil, todos com aquele chapeuzinho de vovô, e a pele albina, albina. – Falei e eu e ele começamos a rir.
- Pode ser, mas eu ainda saiu ganhando! Tem uns que quando não estão com chapeuzinho de vovô, estão com colares de flores artificiais, e a pele vermelha que só um tomate!
- Aaaaaah seu sortudo! Sempre quis apreciar peles vermelhas! – Falei irônica e rindo.
- Eu sei, eu sei, é pra poucos, se contente com o pouco que tem. Há!
- Nossa , você é tão legal! – Falei rindo.
- Eu sei ser legal quando quero... – Falou ele colocando uma mecha do meu cabelo para trás.
- Erm... – Eu apenas sorri tímida, enquanto pensava o que faria se ele tentasse me beijar. Não, caratê infelizmente não estava na lista.
- Então, quer beber e comer o que? – Perguntou ele quando me viu corar.
- Hum... Um x-burguer duplo, batata frita, e 500ml de Milk shake!
- Nossa! – Falou ele espantado. – Então... vou lá pedir e já volto.
- Tá bom! – Falei sorrindo. O local era muito aconchegante, batia um vento frio e gostoso, mas não muito forte, não chegava a derrubar nada no local e nem espalhar poeira. E eu nem estava preocupada se meu cabelo tava duro de tanto sal, o também não parecia estar ligando, já devia estar acostumado. É... seria uma boa tocar no cabelo dele e confirmar se era duro! \o/ Não. Parei.
- Cheguei! Já já tubarão trás!
- Tubarão?
- É! O filho do dono! E garçom daqui! – Falou ele rindo.
- Aaah... – Falei e comecei a rir.
- Você sempre come tanto assim?
- Acho que hoje estou com mais fome... – Falei com um olhar misterioso.
- Hum... Se não agüentar tudo, pode me dar que como!
- Pode deixar capitão! – Falei rindo. – ô louco meu!
- O que foi? – Falou ele assustado com minha interpretação “Faustão”
- Esqueci que não trouxe dinheiro! Não tinha como levar dinheiro, sabe? Ia mergulhar...
- Que nada! – Falou ele rindo – E você acha mesmo que eu trouxe? O meu também estaria todo molhado!
- Erm... Aqui tem muito prato? – Perguntei com cara de secretária do lar que acabou de fazer a faxina e o guri vomitou na sala, pisou no vômito e saiu correndo pela casa fugindo do cachorro que também pisou no vômito.
- Pior que tem. Tem noites que só vou sair quando Fecha, de tanto prato que tem pra lavar... – Falou ele coçando a cabeça.
- Mentira né?
- Olha o lado positivo! Somos dois, durará a metade do tempo! – Falou sorrindo.
- Oh gosh... dá pra cancelar o pedido?
- Não... – Falou ele enquanto virava a boca um pouco pro lado. E logo depois começou a rir. – Não precisa pagar agora. Como vem muito surfista aqui, a maioria tem conta. A gente dá a grana a ele quando quiser, e ele vai anotando lá quanto gastou e descontando. Se sobrar pouco pra um lanche, não tem problema, o que ficou faltando é pago quando a gente dá a grana de novo...
- Aaaaaah seu louco! E eu ainda acreditei que teria de lavar prato! – Falei quase gritando – Ufa... estou mais aliviada! – Falei rindo.
- Você precisava ver sua cara de secretária do lar que acabou de fazer a faxina e o guri vomitou na sala, pisou no vômito e saiu correndo pela casa fugindo do cachorro que também pisou no vômito. – Sim, a frase dita mais acima foi totalmente roubada do e sua mente criativa.
- Eca.
- Aqui! Bom apetite! – Falou Tubarão. Tenso. Ele era altíssimo, moreno, o cabelo liso batendo nos ombros, e bastante musculoso, com uma tatuagem de dragão no braço esquerdo.
- Valeu meu chapa! – Falou pegando a bandeja.
Comi tanto que saí envergada de lá. Sem exageros. só fazia rir da minha cara, apesar de ter ficado um pouco preocupado se eu conseguia andar... Eu ria, mas a barriga doía um pouco. Pegamos um ônibus e fomos conversando e alisando nossas barrigas até chegar na parada mais próxima do hotel. Tudo bem que o só começou com a brincadeira de alisar barriga porque viu que eu precisava dar uma ajudinha para meus movimentos peristálticos. Hahaha. Bichinho foi um fofo se fazendo de caminhoneiro rabugento, com o palito de dente na boca, a camisa levantada, e alisando o bucho. Cena hilária admito. Então tive de imitá-lo para ver se conseguia ganhar a tal brincadeira. E não, não soltei gases, or or, sou uma lady, claro.
Depois que descemos do ônibus, andamos até o hotel, acompanhou-me até a porta de meu quarto, e então se despediu me dando um beijo na testa. Foi uma noite bem legal. Entrei no quarto sorrindo e morrendo de vontade de tomar banho e tirar aquele maiô de mim. Thiago não estava no quarto, olhei pela janela e o vi na piscina, treinando com . Observei os dois por um momento e depois fui tomar banho.
Agora estou eu aqui, linda e cheirosa, com cabelos macios de tanto colocar condicionador pra tirar o efeito devastador do mar e sol. veio trazer Thiago até a porta dessa vez, acenei para ele e expliquei como eu tinha contado a história pro , ele falou que tava tudo certo, que ninguém desconfiara de nada, e então se despediu me dando um beijo na bochecha. Foi estranho um beijo na bochecha vindo do , mas tudo bem. Acho que por hoje é isso. Não quero ler meu e-mail se não terei de responder agora, e estou bem cansada pra isso. Amanhã é o dia do casamento. Boa noite, adorável diário. Beijos, Beijos.
-
Sábado, 00h03
Lembrete: matar amanhã assim que acordar e recobrar meus sentidos.
Capítulo 8 – Início da escravidão.
Não sei bem que horas eram quando escutei fortes batidas na porta. Olhei para o lado e Thiago ainda estava dormindo. Por experiências passadas, sabia que ele não acordaria apenas com batidas na porta. Então o jeito era me levantar. Tirei as remelas dos olhos enquanto caminhava até a porta.
- Bom dia... – Falei abrindo a porta.
- Bom dia! Dormiu bem? – Falou .
- Estava dormindo até alguém bater minha porta...
- Legal. Você tem cinco minutos pra se arrumar pra irmos surfar.
- Hãã? – Falei ainda sonolenta.
- Essa é a melhor hora pra aprender a surfar, já falei.
- Ah sim! Mas o disse que eu demoraria bem um ano pra aprender...
- E só por isso vai desistir? Quando voltar pra casa, você procura um lugar pra continuar aprendendo...
- Assim não tem graça, o que vou ensinar pra minha amiga? – Perguntei fazendo bico.
- Dá pra ensinar como subir numa prancha, e se o casamento não fosse hoje, te mostrava como é bom apreciar o pôr do sol em cima de uma prancha.
- Ai, ai... tudo bem – Falei indo me arrumar.
- Não demora muito no banho!
- Não vou tomar banho, já tomei ontem antes de dormir...
- Erm... – Falou ele me olhando estranho. Eu fiz uma careta e entrei no banheiro enquanto ele se deitava em minha cama. Coloquei um biquíni com a parte de baixo estilo shortinho, azul dessa vez, e por cima da parte de cima do biquíni, coloquei uma blusinha preta. Escovei os dentes, arrumei o cabelo, lavei o rosto e saí do banheiro. estava deitado em minha cama, todo coberto por meu lençol. Folgado.
- Acooorda Maria bonita! Levanta pra tomar café! – Falei cantando enquanto puxava o lençol de cima dele.
- Jáá? – Falou ele esfregando os olhos, né que ele tinha cochilado mesmo.
- É. Sou rápida! – Falei sorrindo - Vamos?
- Vamos! – Falou ele pulando da cama.
Chegamos à praia e pegamos as pranchas, falei pra ele que tinha que treinar me manter em pé na prancha, já que já havia me ensinado como subir e panz. Ele não me pareceu muito feliz em saber que tinha outro professor, mas falei que não tinha sido idéia minha e que não tinha como recusar. Ele foi surfar, se amostrando, enquanto eu tentava me manter em pé naquela coisa. Depois ele voltou e começou a rir de mim toda vez que levava um tombo. Eu já tinha até ralado minha canela em uma das quedas. Ai ai, estava quase desistindo de minha vida de surfista. Até que começou a me dar dicas de como me equilibrar. Saímos do mar e fomos fazer um tipo do ioga, mais máscula, e na areia.
- Os grandes ninjas conseguem fazer isso de um modo bem fácil. – Falou se concentrando enquanto ficava em pé com uma perna só.
- Eu sei que você adora uma coisa ninja, mas eu não sou ninja! – Falei quase caindo enquanto tentava ficar com uma perna só.
- Aaaaah uuuuuuuum.... – falou ele prendendo o riso.
- Aaaaaah li baba!! – Falei me concentrando.
- E os quarenta ladrões de coração uuuuuuun! – Falou ele concentrado.
- Eles eram ladrões, e não traficantes de órgão uuuuuuuuuun...
- Vá se catar aaaa uuuun...
- Vá você aaaa êêw...
- Perdi a concentração – Falou ele rindo e colocando o outro pé no chão.
- Eu sou a vencedora! – Falei pulando e rindo.
- É nada! Você não consegue nem se concentrar! Da onde veio esse “aaaaew”? – Falou rindo.
- Combinava mais com “você” do que “AA uun” ué! – Falei rindo também.
- Você é louca. Vamos voltar pro mar. Agora vê se ficar em pé!
- Tá bom capitão, tá bom... – Falei com voz cansada.
Demoramos mais algum tempo no mar. Com o tempo, consegui me manter em pé na prancha, tudo bem que não tinha nenhuma onda macabra me testando, mas já foi um grande avanço. Até consegui fazer uma dancinha da vitória tosca, sem tirar o pé do lugar, enquanto matava de rir.
Mais uma vez, nos primeiros sinais de surfistas experientes, nós saímos da praia.
Dessa vez devolvemos as pranchas para o tio e começamos a caminhar pela areia, ele disse que tinha achado uma livraria boa e não muito longe dali.
Talvez o não muito longe dele não seja igual ao meu. É, definitivamente não era. Andamos... E andamos... E andamos mais um pouco. Acho que a livraria ficava além do reino tão, tão distante.
- Chegamos? – Perguntei cansada.
- Ainda não... Você é mole demais. – Falou ele andando ao meu lado.
- Não é sua perna que está arranhada...
- Ta doendo muito? – Perguntou-me.
- É... um pouco, na verdade tá ardendo, porque bateu muita areia...
- Então vem! – Falou ele apontando para as costas.
- Hã? – Falei parando de andar.
- Sobe! – Falou e se acocorou para que eu subisse.
- Sério? Não vai me chamar de gorda, pesada quando eu subi, vai? – Falei séria.
- Não, não. Eu só to fazendo isso pra tentar chegar lá antes da hora do casamento.
- Hum... tudo bem. Vamos! – Falei subindo em suas costas.
- Você... – Falou ele.
- Eu o que?
- Nem é tão pesada. É leve até. – Falou rindo.
- A bom... rum. – Falei e comecei a rir.
Depois de minha carruagem não muito confortável andar mais alguns metros, nós finalmente chegamos na livraria além do tão tão distante. Era enorme! Bem maior do que a outra que tinha ido. E era muito linda. Tanto por fora quanto por dentro. Fiquei de boca aberta. foi para um lado, olhar uns CDs enquanto eu fui para a sessão de esportes. E coragem garota! Lá fui eu procurar a tal biografia. Procurei em alguns lugares, puxei livros pro lado para poder ler o título de outros, e nada de encontrar. Até que finalmente o avistei, um pouco em cima, mas dava para pegar ficando de ponta de pé. Então estiquei meus braços e pernas, e quando estava quase pegando... uma mão maior que a minha o pegou antes. Virei para trás com cara de poucos amigos.
- Oi! Peguei seu livro? – Perguntou-me um garoto alto, loiro e de cabelos de anjinho.
- Pois é... e pegou bem mais fácil que eu! – Falei e ri.
- A lei dos mais fortes! – Falou rindo. – Você surfa há quanto tempo? – Perguntou olhando para o arranhão em minha perna.
- Ainda estou aprendendo... Mas não é tão difícil assim. – Falei com cara de “eu sou poderosa há.”
- Que bom que você não acha. Vai participar do campeonato ou não?
- Campeonato? Quando?
- Semana que vem. Tem ainda mais turista por aqui justamente por causa do campeonato de surf.
- Hum... acho que se for, vou só olhar – Falei sorrindo.
- Você é bem legal garota. – Falou ele sorrindo e se aproximando.
- Obrigada... – falei sem graça e me afastando, respeite o perímetro de distância onw.
- Está sozinha aqui? – Falou se aproximando mais. Nesse momento fui mais pra trás, mas pimba! Tinha uma estante cheia de livros e não tinha mais para onde ir. Quando olhei para frente, pensando em como escapar, seus braços já estavam apoiados na estante, sem me deixar fugir. Manhê! Me saaalva! É, era isso que eu estava gritando por dentro, enquanto por fora eu sorria, adoravelmente.
- Na verdade... – Falei enquanto ele se aproximava mais, virei meu rosto mas ele acompanhou. – Desculpa, mas eu... – Falei quando do nada ele segurou minhas mãos, que nesse momento estavam bem na frente da minha cara tentando mostrá-lo que estava invadindo meu território.
- Calma, é só um beijinho, eu sei que você tá querendo, não se faça de tímida. – Foi ele falar isso para eu sentir uma imensa vontade de mostrá-lo que ele não era nem um projeto do vírus aidético que matou o cazuza!
- Olha aqui meu bem! – Falei irritada enquanto ele segurava minhas mão e se aproximava. Seus lábios estavam a um centímetro dos meus quando senti um pingo de saliva, baba, ou algo do tipo bater em meu queixo. Não, ele não era um cachorro babão.
apareceu do além dando um soco na cara dele.
– Aaaah! – Gritei.
- O QUE VOCÊ ACHA QUE TÁ FAZENDO SEU MERDA?! – Perguntou o guri com cara de anjinho, mas que de anjinho não tinha nada.
- PENSE DUAS VEZES ANTES DE MECHER COM A GAROTA DE ALGUÉM! PRINCIPALMENTE QUANDO ESSE ALGUÉM FOR EU! – Falou enquanto segurava-o pela camisa com uma mão e com a outra numa posição de “Oê vou te socar!”
- ! Não bata nele! – Falei assustada.
- Sua garota? Essa vadia tava louca pra ser beijada!
- ACABA COM ELE !! – Gritei furiosa. Nem precisava eu ter gritado, assim que o garoto acabou de falar, meteu um soco no nariz dele e depois o jogou no chão.
- MEU NARIIIZ! – Gritou o boy.
- Só assim faz uma plástica e ajeita de vez! – Falei irritada.
- VÁ... – Ia falar quando o olhou com uma cara de vilão de novela das oito.
- Vamos! – Falou me puxando para seu lado e passando uma das mãos pelas minhas costas até a cintura. Enfim, me abraçando de lado. Então olhei pra trás, mostrei um dedo não muito legal para o guri e abracei o de lado também.
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- Que garoto estúpido! Quem ele pensa que é pra falar assim de mim?! – Falava furiosa enquanto caminhávamos.
- Deve ser um desses burguesinhos filhos d’uma égua! – Falou mais calmo, olhando para trás pra ter certeza de que ele não estava vindo atrás de nós.
- Ainda bem que você apareceu na hora certa! – Falei o agradecendo.
- De nada... ainda bem mesmo. – Falou ele rindo.
- E aí amor, o que faremos agora? – Perguntei rindo enquanto o olhava.
- Hã? – Perguntou ele sério, me olhando.
- Ué! Eu sou sua garota! Haha! Aonde vamos? Adorei a encenação, pareceu mesmo que somos namorados! – Falei rindo.
- Criança... era pra parecer. E não saia do meu lado até ficarmos mais longe daqui.
- Sim senhor, capitão! – Falei fazendo reverência.
- Olha! Pra você! – Falou estendendo um pacote.
- É o livro?
- Não... você estava na sessão do livro, era pra VOCÊ ter comprado, né? – falou irônico.
- Tinha um tarado lá, sabe?
- Eu sei... só gosto de te irritar – Falou rindo.
- Vou abrir! – Falei soltando uma mão de seus ombros para ter as duas livres.
- Abra! Espero que goste. – Falou me olhando abrir o pacote.
- Ooonw que coisa fofa! Que meigo ! Obrigada! – Falei me esticando para dar um beijo em sua bochecha. Era um chaveirinho com uma prancha de surf branca com desenhos na cor preto e rosa.
- De nada... – Falou feliz. – A cor é porque você é muito patricinha.
- Eu? Patricinha? Nem sou! Você mesmo viu que sou um pouco relaxada...
- Quando dei um murro no nariz dele, a primeira coisa que você pensou foi em plástica... – Falou rindo.
- Isso não significa que sou patricinha! Só mostra que tenho uma mente rápida e atualizada! – Falei rindo.
- Tá bom... qual o nome dele mesmo? – Perguntou.
- The flash?
- Isso mesmo!
- Aha! Nossos pensamentos se conectaram! – Falei e estufei o peito enquanto ele me olhava.
- Já estamos longe o suficiente, sai! – Falou ele parando de me abraçar e se afastando um pouco.
- Como você é agradável ... – Falei guardando meu presente.
- Você, que não consegue parar de me agarrar. – Falou rindo.
- Eu? Mas olha, quem foi que veio me abraçar hoje... sabe o que eu acho? – Perguntei sapeca.
- O que? - Perguntou me olhando de lado.
- Que no fim era tudo carência... – Falei e nós dois começamos a rir.
Andamos mais um pouco. Não, andamos mais um muito. Queria que minha carruagem se oferecesse para levar-me novamente, mas ele não o fez. Hora de acordar, a escrava era eu. E quando lembrei-me disso, lembrei que até aquele momento ele não tinha feito nenhum pedido. Tudo bem que já estava passando o dia com ele, que era o pedido original, mas isso não era esforço nenhum. Triste admitir, mas a cada dia ou hora, eu gostava mais da presença dele. Apesar do seu jeito irritante, ele me fazia rir, e muito.
Chegamos no hotel e fomos direto sentar nas espreguiçadeiras, estávamos bem cansados de tanto andar. Acho que no fundo, no fundo, não havia pego um ônibus porque não sabia muito bem onde ele nos levaria. Ele era turista, assim como eu. Não era como sair com , que já tinha vindo para o Havaí algumas vezes, e nem como os nativos, é claro. No meio do caminho, apareceram nossas mães, furiosas. Estávamos atrasados para nos arrumarmos para o casamento que começaria às duas horas da tarde. E mesmo não sendo a parte principal, ainda assim teríamos que estar bem vestidos, pois o local estaria cheio de políticos, doutores e alguns famosos lá do Havaí. Era uma roupa para o dia. Mas uma roupa escolhida exatamente para tal ocasião. Todos sabiam disso.
- ! QUE DEMORA É ESSA NO BANHO? – Gritou mamãe.
- Já to saindo! Calma! – Falei enquanto examinava meu corte. Não estava tão feio assim.
- Vá logo! Sua roupa já está em cima da cama! E Thiago ainda não tomou banho.
- Já saí... – Falei saindo do banheiro.
- O QUE É ISSO EM SUA PERNA? – Gritou mamãe.
- É um pequeno arranhão mãe...
- Isso não estava aí quando você provou o vestido!
- Fiz ele hoje, calma... a senhora deve estar mais estressada que a noiva! – Falei secando meu cabelo com outra toalha.
- Como você vai usar seu primeiro vestido? Ele não é longo como o de daminha!
- Ou eu deixo o corte ao ar livre, ou coloco um curativo, ninguém vai me matar porque eu me machuquei...
- Vai ficar FEIO! Sabe o que é isso?
- Sei mãe... calma.
- Se arrume e arrume seu irmão! Vou falar sobre isso com seu pai! Você anda saindo demais por aí sem nos avisar.
- Tchau. – Falei séria. O que eu menos queria era me estressar no dia do casamento de meu tio preferido.
Olhei para o meu corte, olhei para o vestido. Corte. Vestido. Vestido. Corte. Erm... Era melhor fazer um curativo ou passar base? Acho que a base não ia adiantar muito... Mas nem sangue tava saindo, o corte realmente era mais um arranhão, super superficial... Base nas pernas num ia ser legal, o sol ia derretê-la toda. Ninguém vai reparar... em vez de ir de salto, vou com uma rasteirinha vermelha. É, dá pra continuar elegante e não chama atenção para minhas pernas. O vestido era meio colorido, mas não um colorido feio, um colorido maravilhoso, e tinha bastante vermelho. E batia acima do joelho, era fofo. Me desenrolei da toalha e comecei a me arrumar. Quando Thiago terminou o banho, eu já estava terminando a maquiagem.
- Espera só um pouco Thiago... – Falei enquanto passava lápis de olho. Prefiro o lápis do que delineador porque é mais seco, não escorre pelo rosto e me força a começar a fazer a maquiagem tudo de novo. Mas claro, o lápis tem que ser bem escuro.
- Eu já to me arrumando! – Falou Thiago enquanto vestia-se.
- Onw... já é um hominho – Falei enquanto sorria no espelho.
- Sou sim! Mas... de noite eu preciso de ajuda, não sei colocar gravata...
- De noite eu te ajudo! Pode deixar! – Falei terminando de me maquiar. – virei para Thiago, e coloquei as duas mãos nos quadris, fazendo pose. – Que tal estou?
- Está linda! Por que você num faz o penteado de princesa? – Perguntou enquanto sentava-se na cama para calçar o sapato.
- Hum... Ficaria melhor? Vou testar. – Falei começando a fazer uma pequena trança no lado direito. O penteado de princesa é basicamente duas tranças pequenas, uma em cada lado do cabelo, depois puxa as duas para trás e prende com uma presilha. Coloquei esse nome porque quase toda princesa usava esse penteado... A diferença é que muitas trocam a trança por laquê, o cabelo fica durinho e só com as partes do lado pra trás sô.
- Eu gosto dele... – Falou Thiago terminando de se calçar. Ficou em pé e abriu os braços. – Estou flashquer?
- Está gatéérrimo Thiago! – Falei rindo. Ele sempre fala “flashquer” no lugar de fashion. – E eu? Fiquei bem assim?
- Ficou sim! Gatéérrima ! – E começamos a rir.
- Acho que já é hora de descer né? Mamãe está estresse puro. – Falei.
- Acho melhor sim... ela quase me matou porque num sabia onde você tava... – Falou Thiago relembrando acena. Depois fez uma cara de medo. Era impossível não rir.
- Então vamos logo! Casamento! Aí vamos nós! – Falei fazendo pose de mosqueteiro junto com Thiago.
Assim que chegamos ao térreo, avistamos mamãe e papai. Papai estava com aquela cara de quem já tinha recebido muita reclamação, mas nos olhou querendo rir. A gente sempre comentava que mamãe se estressava muito com eventos importantes. Imagina se meu tio do laboratório decidisse se casar? Quero nem pensar...
- Vamos? – Perguntou papai.
- Vamos! – Falamos todos.
Capítulo 9 – Casamento, início.
A primeira parte do casamento aconteceria em um clube, ao ar livre. Era lindo o local. Com a pressa de mamãe, fomos um dos primeiros a chegar. Mas os noivos já estavam lá. Tentei avistar algum dos meninos, ou até mesmo as surfistas hóspedes, dava para conversar com elas e não ficar sozinha. Thiago teria a irmã do para brincar, então fiquei despreocupada. Ninguém havia chegado. Então depois de cumprimentar meus tios, desejar felicidades e tudo mais me sentei à mesa.
Alguns minutos depois e aquele lugar começou a encher. A maioria das pessoas estava bem vestida, como esperado. E muitos de roupa clara, mas ninguém de branco, só a noiva. Quer por sinal, estava com um vestido lindo, estilo Grécia antiga. Meu tio vestia uma bermuda branca e uma camisa social de manga curta também branca. Assim que vi os dois de branco lembrei-me daquela piadinha “Mamãe, porque as mulheres casam de branco? – Porque é o dia mais feliz da vida delas... – Então porque os homens casam de preto? – FAIL!” hahaha.
Minha mãe começou a falar com todos, acabei me levantando e a seguindo, fui apresentada a todos, ou quase todos os meus parentes que vieram de longe. A maioria eu já conhecia, pois saíram do Brasil quando eu já não era mais um bebê, mas tinha até primo de 3º grau. Tinha uma parte da minha família beem bonita, como não avistei esse povo no hotel? Minhas mãos foram apertadas quinhentas mil vezes se brincar – não, não tinha tanta gente assim, isso foi uma hipérbole – E meus ouvidos já estavam entupidos de tantos beijinhos no ar. Claro, porque ninguém iria deixar marca de batom e nem lambuzar a bochecha dos outros com gloss. Depois de tantos cumprimentos, sentei-me na mesa reservada para nós. Avistei papai e Thiago de longe e o pobre estava sofrendo mais que eu. Os homens o levantavam no braço e rodavam-no ou o sacolejavam, e as mulheres geralmente apertavam suas bochechas. Era muito engraçado de longe, mas imagino o pesadelo que era de perto.
- Tentando fugir de mim? – Perguntou-me enquanto sentava-se ficando de frente pra mim.
- Não... Imagina se eu faria isso caro amo. – Falei com um sorriso sínico na face.
- Sarcástica – Falou ele sério.
- Eu? Jamais! Muahahahaha – E então começamos a rir.
- Quer conhecer o local? Parece bem grande isso aqui.
- Ham... Vamos! – Falei levantando-me
- Mas antes... Vai pegar o suco pra mim. – falou sorrindo. – Te espero aqui.
- Você tinha que estragar né? – Falei o olhando de lado.
Lá vou eu! Lá vou eu! Fui pegar o suquinho do . A banda começou a tocar e a música se confundia com o barulho das vozes das pessoas conversando. Tinha gente de toda idade, de bebês a anciãos, o ambiente estava realmente confortável, apesar de todo o barulho. Tinha crianças na piscina de bolinhas, outras no pula-pula. Muita gente jogando xadrez ou dominó. Parecia que todos estavam se divertindo. Consegui achar um garçom com o suco e pequei dois. Andei até minha mesa e me esperava sorrindo.
- Olha aí seu suco! – Falei o entregando.
- Hum... parece bom. Vamos! – Falou engolindo o suco de vez e se levantando.
- Agora vai ter que me esperar tomar meu suco! – Falei bufando.
- Tudo bem senhorita... – Falou ele me esperando em pé.
Terminei o suco e fomos andar. Avistamos a galere do mal e fomos sentar junto com eles. A galera do mal lê-se: , , , e as duas surfistas que eu não sei o nome. E para minha surpresa... [/ironia] eles falavam de surf. Do campeonato mais especificamente. Eu olhava para cada pessoa que falava, tentando acompanhar. Mas era muito difícil, principalmente porque começaram a falar que manobra era melhor fazer pra garantir uma vaga para a próxima etapa, e a única coisa que eu sabia o nome era “subir na prancha” e ponto. Acho que reparou meu sorriso sem graça quando falavam qualquer coisa, eu não tinha o que falar, então apenas sorria enquanto tentava entender algo. me olhou e eu o olhei e fiz uma cara de “é né” enquanto virava a boca um pouco pro lado. Ele sorriu enquanto dava uma risada baixa e passou uma das mãos na nuca, pensando.
- E ae moçada! Bora jogar uno ou dominó? – Falou ele num tom bem animado, de repente.
- Hã? – Todos olharam pra ele, eu segurava o riso.
- É! Não quero pensar nessa competição, me deixa mais nervoso. Vamos relaxar hoje! – Falou e esticou os braços os colocando atrás da cabeça enquanto relaxava o corpo na cadeira.
- Você é louco... – Falou uma das surfistas, uma com o cabelo longo e castanho claro, mas algumas partes meio loiras devido ao sol, ela era linda. Fiquei esperando que desse um fora nela, ou fosse irônico, sarcástico ou implicante como era comigo, mas não, ele não fez nada. Ô raiva da murrinha. [n/a: murrinha = criação morta, carniça.]
- Então, quem vai até a mesa de jogos pegar o dominó? – Perguntou enquanto fazia uma cara de que não seria ele.
- Eu quase não era convidado pro casamento... não contem comigo. – Falou enquanto relaxava na cadeira.
- Eu posso ir pegar! – Falou a outra surfista, de cabelos completamente loiros, lisos e batendo no ombro, num corte repicado. Outra deusa grega.
- Não! Deixa que ela pega! – Falou olhando pra mim.
- O que? – Falei olhando séria pra ele. Aquilo já era abusar demais da minha boa vontade, ele já estava me humilhando na frente dos outros! E só tinha ido comprar uma base pra mim!
- É... vai pegar o dominó pra a gente! – Falou ele sorrindo. Acho que todos notaram uma faísca de fogo saindo do meu olhar. Ficaram todos parados, olhando pra a gente.
- Tudo bem , seu desejo é uma ordem. – Falei sorrindo sínico enquanto me levantava de vez.
- Fica aí ! – Falou sorrindo. – Eu vou, calma...
- Eu vou com você ! Alguém quer alguma bebida não alcoólica? – Perguntou a surfista loira. Naquele momento eu soube que poderia amedrontar pessoas só com um olhar e um sorriso. Haha. Bichinhos...
- Não, obrigado! – Falamos todos.
- Era pra você ter ido buscar... – Falou me olhando sério, mas com um pouco de medo.
- Então , por que você não seria convidado? – Perguntei ignorando . Ele apenas bufou.
- Aaah... longa história, mas tipo, minha mãe trabalha com sua tia, só que uma vez eu infligi as regras, fui surfar num lugar onde elas estavam fazendo uma pesquisa sobre a flora marinha naquele local, aí já viu né, acho que sua tia não vai muito com minha cara. – Falou ele e logo depois riu.
- Claro... porque você é um bom garoto... – Falei rindo junto.
Até os outros dois voltarem, fiquei conversando com , recebendo as indiretas dele, enquanto e a surfista de cabelos longos conversavam, e de vez em quando falava algo na conversa deles dois. Estava borbulhando de alegria por dentro, só de vê-lo sobrar. Muahahahaha.
e a surfista voltaram, trouxeram uno e dominó, para não terem que voltar lá, caso cansássemos de um dos dois jogos. Começamos jogando uno, já que tinha bastante jogadores. de repente apoiou seu pé em cima do meu, que também estava esticado embaixo da mesa. Ele estava sentado de frente pra mim, mas quando o olhei, ele pareceu não se importar com o que acabara de fazer. Então puxei meus pés e coloquei por cima dos dele. Então ele riu baixo, quase um sorriso, mas não tirou os olhos das cartas. Eu sorri junto, mas voltando a olhar para minhas cartas.
Toda vez que inventavam de colocar a carta nove, eu sempre pegava uma carta a mais, já que o que pega a carta é quem coloca a mão sobre o baralho por último, e adivinha? Eu sempre tava concentrada demais no meu jogo para olhar pro baralho principal. Depois de um tempo, toda vez que ia colocar a carta nove, mexia os pés, pra me alertar, então assim que ele colocava, minha mão já estava em cima da dele. Pelo menos escapei algumas vezes. Seria isso um pedido de desculpa? Huum... haha.
Depois guardamos as cartas e fomos jogar dominó. Separamos por dupla, e o que ficou sozinho, quando fosse a vez de jogar escolheria qualquer jogador que estava fora. também parecia estar me ajudando, incrível como sempre as peças que ele jogava, favoreciam meu jogo. Ou tínhamos o mesmo jogo, ou ele estava me ajudando, até que a resposta veio.
- Po ! Assim não dá! No começo eu duvidei! Mas você tá ajudando a ! – Falou dando um pedala em .
- Mentira né? – Perguntou a surfista de cabelo comprido.
- Eeeeu? Ajudando ela? – Falou apontando pra mim – Eu mesmo não. – Falou e começou a rir.
- Você é do meu time ow! – Falou colocando as peças na mesa e rindo.
- Que sorte temos! Estamos sendo ajudadas! – Falou a surfista rindo e me olhando. Então começamos a rir.
- Obrigada ! – Falei rindo e logo depois sorri para ele. Ele sorriu de volta. Foi quase um “eu te desculpo” seguido de um “obrigado”. Nossa comunicação por olhares era bem prática.
Depois os surfistas realmente decidiram voltar a se preocupar com o campeonato, então se levantou, e perguntou se eu não tinha que ver o Thiago, confirmei e nós dois começamos a andar pelo local.
- E sua perna? – Perguntou.
- Está legal, foi só um arranhão... – falei e sorri.
- Tem certeza?
- Sim, sim. – Falei fazendo um positivo com o polegar.
- Desculpa.
- Hã?
- Desculpa pelo o que fiz hoje... acho que abusei um pouco do poder, em? – Falou enquanto passava a mão pelo cabelo, o bagunçando.
- Está desculpado, sem problemas – Falei rindo e comecei a ajeitar seu cabelo. Ele abaixou a cabeça para me ajudar.
- Que bom, fiquei preocupado... – Falou. Chegamos num local com pouca gente, então sentamos na grama pra conversar mais, avistávamos a praia de lá, mas vista de cima, as ondas estava bem altas. Houve um momento de silêncio, mas algo estava me incomodando, então tomei coragem para falar.
- Hey! Posso te perguntar algo?
- Pode... – Falou me olhando curioso.
- Por que quando aquela garota do cabelo longo te chamou de doido, você não fez nada? Ficou calado?
- Isso te irritou? – Falou ele rindo.
- Não... nhem... é que, você é implicante sabe? E ficou calado!
- Eu não sou implicante! – Falou rindo ainda mais. Mas tinha algo diferente em seu olhar.
- É sim, só não foi com ela. Você... – então senti um aperto no coração. – gosta dela?
- Gosto. – Falou ele sério.
- Haam... – algo estranho começou a se passar dentro de mim. Será que eu tinha comido algo estragado? Meu estômago estava se embrulhando.
- Mas como amigo, não como namorado. – Falou me olhando.
- Ah! – Falei e suspirei, aquilo tinha me aliviado, não sabia porquê.
- E... eu só sou irritante com você. Porque acho engraçado o jeito como você fica quando tá irritada. Claro que o jeito como você ficou quando te mandei buscar o dominó não foi nada legal, por isso vi que tinha exagerado, e fiquei com medo que você não me desculpasse. – Falou e logo depois mudou o olhar, estava me olhando e passou a olhar a praia.
- É difícil não te desculpar... Sabe, é tão legal conversar com você, e você não ficou com raiva quando te fiz entrar na mata, nem quando o me ensinou a ficar em pé na prancha, e até me protegeu daquele tarado da biblioteca. – Falei e comecei a rir – Você realmente tem uma mão forte...
- É pra poucos... – Falou rindo. Ainda olhando o mar.
- Hey!
- Oi?
- Você é o único garoto que eu ainda não vi com nenhuma outra garota... Assim, e vivem jogando indireta pra mim, mas eu já os vi na praia com garotas, também já vi, mas até ele dizer que estava gostando de uma... E bem, você desde que chegou, não fala com nenhuma garota além de mim e aquelas duas surfistas, e pelo o que eu vi, não saiu beijando nenhuma delas. – Mal falei e ele começou a rir.
- Anda me observando é?
- Você vive na minha cola, é difícil não notar! – Falei rindo.
- E você? Também não te vi beijando nenhum garoto. Desistiu do foi?
- Eu? Nãão... acho que hoje de noite me declaro pra ele. – Falei piscando.
- Sério?
- Não né! Olha minha cara de quem sai se declarando. – Então começamos a rir, mas não escandalosamente, apenas rindo um pouco.
- Eu também gosto de uma garota. Acho que não valeria perder tempo com outras, se a única que realmente chamou minha atenção foi ela.
- Ham... Então por que não fala com ela? – Perguntei o olhando.
- Como assim? – Falou rindo.
- Assim, você é bonito sabe? Quer dizer... não que eu te ache bonito, mas a maioria acha, então não seria tão difícil ela aceitar sair com você! – Falei e comecei a olhar para o mar. Chamá-lo de bonito, de onde eu tinha tirado essa idéia? ... você merecia uns beliscões por isso. Tudo bem parei com o masoquismo. Ele sorriu e olhou para céu, colocando o corpo para trás e apoiando as duas mãos no chão.
- Não é tão fácil assim... – Falou.
Ficamos um tempo em silêncio. Ele olhando o céu, e eu olhando as fortes ondas do mar. Nunca pensei que pudesse passar tanto tempo ao lado dele sem ficar irritada ou sem falar algo que o irritasse. Ele parecia viajar em seus pensamentos, e eu, bem, eu realmente estava tentando decifrá-los, olhando-o com o canto dos olhos. Mas era inútil. Sua fisionomia não mudava. Ele continuava sério, mas com um semblante calmo, tranqüilo, como que nada naquele momento pudesse o fazer voltar de seus pensamentos. Até que num ímpeto, ele deixou a coluna ereta e olhou-me com um sorriso magnificamente lindo e perfeito e radiante e... parei, acho que to muito carente esses dias, que horror. Enfim, ele me olhou sorrindo, então falou:
- Olha, daqui a pouco o sol se põe, não quer arriscar subir numa prancha pra ver?
- Não... minha mãe me mataria. Quando o sol se pôr, eu tenho que achá-la. É hora de ir para o local com cabeleireiros e maquiadores... – Falei e murchei a boca, eu realmente gostaria de poder ir.
- Aaaah sim... verdade, ainda tem a segunda parte do casamento... Ter que ficar igual a um pingüim. – Falou fazendo uma careta.
- Você consegue super ! – Falei rindo.
- Não sei... isso é uma tarefa muito difícil pra mim... – Falou fazendo cara de sofrido.
- Hey! – Falei colocando uma mão em seu ombro. – Eu confio em você!
Então nós dois começamos a rir. Ficamos observando o mar, e de vez em quando falávamos uma ou outra coisa. Até que o sol se pôs. Do local que estávamos, pareceu mais lindo do que costumava ser. Então nos levantamos e nos despedimos, ele foi para a mesa da galera e eu fui procurar minha mãe.
Capítulo 10 – Casamento, meio.
Aquele local parecia mais uma fábrica de modelos. Eram três cabeleireiros e três maquiadores, quando uma se levantava da cadeira, do cabeleireiro, ia direto para a do maquiador, e as outras enquanto aguardavam, se dividiam nas manicures ou conversavam sobre como esse com certeza seria o casamento do ano. Aquela vida de madame não era pra mim. Quer dizer, luxo e conforto, quem não quer? Mas... eu quero ter conversas muito além das fúteis que elas tinham. Só sabiam falar da roupa, maquiagem, estoura o limite de cartões, qual marido era mais rico e mais liberal. Nossa! Muito cansativo!
Enquanto aguardava minha vez de ir ajeitar o cabelo e esperava minhas unhas secarem, resolvi responder o e-mail da . Já que ficar ouvindo conversa ali não era a melhor opção. Peguei meu iphone e estava preparada para começar a usá-lo quando alguém sentou ao meu lado. Virei o rosto para ver quem era e deparei-me com a surfista de cabelos longos.
- Oi! Te vi aqui sozinha e resolvi me juntar, tudo bem? – Falou amigável.
- Ham... tudo sim! – falei sorrindo. – A conversa das mulheres daqui...
- É, não é nem um pouco agradável, finalmente encontrei alguém legal pra conversar – Falou ela me interrompendo.
- Pode ter certeza! Nossa, elas não tem muito assunto em mente! – Falei baixo e nós duas começamos a rir. Ela era realmente muito bonita. E a olhando assim, de roupão, cabelos molhados, porém penteados e unhas bem feitas, sabe, cuidada, e não com os cabelos molhados da água do mar, a costumeira roupa de surfista e dedos engelhados, ela parecia ainda mais bonita.
- Eu ia até te perguntar, você e o sumiram, pra onde foram?
- Ah! A gente foi andar um pouco, conhecer melhor o lugar. – Falei sorrindo. O que ela queria com o ?
- Ah! É que queria falar umas coisas com ele, mas não consegui achá-lo.
- Bem, quando nos despedimos ele foi até a mesa que vocês estavam...
- Foi? – Perguntou surpresa. – Então devo ter saído antes dele chegar lá, minha mãe me puxou pra vir aqui me arrumar. – Falou e deu uma risadinha baixa.
- Aaah... mas acho que no casamento você o encontra! – Falei olhando minhas unhas.
- Com certeza! – Falou sorrindo. – Hey! Tenho que ir ali acho que é minha vez de ajeitar as madeixas. – Falou e logo depois acenou um “bye bye”.
- Tchau! – Falei acenando. Enquanto ela saía, me perguntava o que estaria querendo com o . Bem, deveria ser algo sobre o torneio de surf, provavelmente. Não tinha o que se preocupar. Erm... por que eu me preocuparia? Me dei um beliscão pra acordar para a realidade enquanto me segurava para não me fazer a pergunta clássica.
Bem, hora de mandar o e-mail. Espero não ser atrapalhada de novo. Pensava enquanto lançava um olhar fatal para a surfista que agora estava de olhos fechados enquanto ajeitavam seu cabelo num penteado maravilhoso.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: O casamento já começou?
Você não respondeu meu outro e-mail, sabe? A coisa aí tá tão boa é? Me diz se o casamento começou! Fotos! Quero fotos!
Beijos gata, saudades.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Velas... Que velas!
Queria ter umas velas bonitas assim perto de mim... haha! Eu e estamos mais próximos sabe? Acho que dessa vez consigo algo. Tá, ele pode não ser um surfista lindo, mas você sabe que eu gosto dele faz muito tempo. Ai amiga, queria você aqui pra me ajudar com tudo isso. Não sei se me declaro, se espero uma iniciativa dele... e aí? O que você acha melhor? Amanhã vamos sair, ele nem me disse pra onde. Ou será que fui eu que esqueci de perguntar? Erm... não lembro. Enfim, to um pouco nervosa. Mas deve ser besteira né? Já saímos tanto juntos e nada aconteceu... bleh!
Como está com o ? Fizeram algo depois do jantar? Beijos beijos, me conte tudo gata sortuda *O*
-
De: 123@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: E aew! Tudo bom?
Ei menina! Quanto tempo não? Nunca mais te vi essas férias... geralmente te via na casa da . Como você tá?
Beijão, saudade.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Com que roupa
Que eu vou? Você não pode fazer isso comigo... já faz mais de um dia que não me responde! Vamos tomar sorvete hoje (sábado) com a turma e na segunda vamos sair. Preciso de roupa para os dois dias. DÁ PARA A SENHORITA ME AJUDAR? Obrigada *---* [nervosamodeoff]
-
De: 123@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: URGENTE
Foi mal atrapalhar suas férias , mas é que eu tenho um assunto meio urgente. Espero que você responda logo. Então, é... bem, como eu digo? Quer dizer... esquece. Não! Então, como você tá? Tá curtindo muito aí? Beijão!
-
De: 123@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: URGENTE (o certo)
Eu to afim da e chamei-a pra sair, e acho que lá vou pedir ela em namoro. Então, qual o local que ela gosta de ir? Sabe algo que ela goste de comer? E bem, se ela for afim de outro cara... não importa, vou arriscar. É isso. É meio idiota, mas eu não sei muito o que fazer. Você a conhece... as vezes é imprevisível.
-
De: 123@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: URGENTE (foi mal)
É... mas sério, você não acha que eu vá levar um fora, acha? É que eu já gosto dela faz um tempo... esquece. Acha ou não?
-
De: 123@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: ESQUECI DE FALAR
Ei! Não conta dos e-mails pra ela viu? Vou parecer muito idiota assim! Mas é que você é minha amiga... eu sou seu amigo... vocês são melhores amigas... só queria a opinião de alguém próximo a ela. E não dava pra perguntar ao pai ou mãe dela neh ¬¬’ hehe.
-
Erm... Preciso falar que primeiramente me assustei com a quantidade de e-mails e depois morri de rir deles? E que tava achando aquele nervosismo dos dois muito fofo? Nhah! Minha vontade era esmagar o iphone de tanta fofura! Mas ele tinha sido muito caro, então apertei meu roupão enquanto sorria. Hora de responder. Primeiro pensei em ser um pouco malvada e aumentar o nervosismo dos dois, mas depois ri sozinha e percebi que teria de responder mais e-mails e eu não teria tempo para isso. Não pelo menos essa noite.
- ! Cabelo! – Falou a mulher que estava nos arrumando. Oh gosh! Justo agora?
Sentei em uma das cadeiras e uma mulher de uns trinta anos começou a mexer no meu cabelo, o analisando. E depois começou a puxá-lo para um lado e pro outro, prender algumas partes, colocar grampo em outras, alisar ainda outras, bobs e mais bobs, nossa! Era melhor fechar os olhos mesmo. Quando ela terminou, estava eu com boa parte dos cabelos em bobs, e sendo puxada pelas mãos até a cadeira de maquiagem.
Fechar os olhos novamente. Não, abrir. Fechar. Abrir. Enfim, seguir as ordens.
- Seu nome querida? – Perguntou-me outra mulher.
- . – Falei ainda meio aterrorizada.
- VESTIDO DE ! – Gritou para alguém que estava lá dentro com os vestidos e a noiva. – Sente-se aí. Já sabe a daminha que será? – Eu realmente estava com medo de dizer não, mas era o jeito...
- Não... – Falei com medo.
- Irá segurar a cauda do vestido da noiva. As crianças são responsáveis pelas alianças e flores, e vocês maiores segurarão o vestido da noiva. Terá uma cadeira branca com seu nome bordado em dourado que indicará onde deve sentar-se.
- Tudo bem... Deu pra entender tudo. – Falei sorrindo amarelo. Acho que no fundo ela me culpava por não ter chegado para os ensaios do casamento...
- Seus passos devem acompanhar os da noiva! Não esqueça! – Falou e logo depois voltou-se para a área que os vestidos estavam.
Como parecia ter outras mulheres, garotas e menininhas na fila do vestido, daria para mandar ao menos um e-mail enquanto esperava o meu.
-
De: _@e-mail.com
Para: 123@e-mail.com
Assunto: Obrigada por se
Preocupar tanto com minhas férias! Hahahaaha! Brincadeira. Bem, minhas férias estão ótimas. Sério. Estou curtindo muito sim. As suas também parecem estar boas em? Você e a ? Não creio... nunca suspeitaria.
1º - Respira garoto... calma.
2º - Segundo ela, o primeiro encontro ideal seria fazer algo divertido (parque, ou andar de bike, ou patinar no gelo, enfim, você escolhe isso), depois ir num restaurante legal (legal não quer dizer necessariamente caro), e depois caminhar na praia enquanto conversam (finja que eu não disse da parte de que podem de repente começar a caminhar de mãos dadas, até porque eu não disse nada disso).
3º - Eu não sei se você vai levar um fora ou não... Mas bem, estou te ajudando né? Hehe. Ela é meio imprevisível sim.
4º - E último, CLARO que eu não iria falar do e-mail pra ela.
5º - Não, agora esse é o último. BOOA SORTEE!!
Beijos, beijos.
-
Acho que não falei demais né? Quer dizer... só tinha contado o encontro dos sonhos, se ela não ficasse sabendo que EU tinha contado, ela acharia que ele era o cara perfeito e tudo mais. E no fim das contas era um ótimo partido sim. A diferença é que eu o considero meu genro e futuro marido da . Haha. E nem falei sobre ela ser doida por ele. Se eu falasse que ele não levaria um fora, bem, aí sim ela teria motivos pra ficar com raiva. Acho que o e-mail não conteve erros... É, fiz certo.
- ! – Gritou a mulher.
- Sim! Senhora! Aqui, senhora! – Falei rápido. Sério, não era minha idéia fazer graça, mas acho que ela não gostou muito.
- Seu vestido! – Falou estendendo a roupa. Nossa! Já tinha esquecido como meu vestido era lindo e arrasante! Tomara que caia “vermelho-mãe-eu-to-aqui!”, longo, agarrado ao tórax e mais solto a partir do quadril.
- Nossa... – Falei ainda admirando-o. – Obrigada!
- Sua sandália está aqui, e a bolsa aqui. – Falou e entregou-me.
- Nossa! Tudo combina tão bem! – Falei feliz.
- Eu sei... Sou a estilista. – Falou a mulher e depois saiu sorrindo. Nheem! Coloquei o vestido com a ajuda de outra garota que estava lá. Subi o flash do vestido dela e ela fez o mesmo com o meu. Uma mulher apareceu para calçar nossas sandálias, e outra para tirar os bobs de nossos cabelos e ajeitá-los, deixando-os no ponto final. O penteado estava realmente lindo. Depois sentamos numa sala com tevê para esperar até a hora de a noiva ter que estar no local. Ainda bem que minha tia não era de fazer ninguém esperar, então provavelmente ela não atrasaria tanto. Pelo menos me sobrou tempo pra responder o e-mail de e acalmá-la.
-
De: _@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: CALMA CRIATURA!
Calma amor... expira...inspira... respira... isso. Vou dividir isso por partes, a segunda é a que fala de você, bjs.
Parte 1
Tá bom... sou uma sortuda de ter velas bonitas, mas continuam sendo velas. Se bem que são bem legais sabe? Sei lá... eu e saímos um dia desses, ele é muito gente fina.
Eu e não fizemos nada após o jantar, ele saiu pra surfar e eu fiquei sem nada pra fazer. Até que... decidi incomodar , e fiz uma loucura. Sério. Não sei o que eu tava pensando. Mas a gente acabou se perdendo na mata. Foi horrível e ao mesmo tempo engraçado. Não sei explicar, no fundo, no fundo, mas não tão fundo, eu gostei.
Parte 2
FIQUE CALMA! não é nenhum Tom Cruise da vida, nem um ! Há! –parei.
Primeiro, não se declare. Com certeza ele vai te levar para um bom lugar, ele é um bom garoto, e nosso amigo faz um tempo já. Segundo, vista como você sempre se veste. Tá bom, se você combinasse a saia branca com a blusinha fofa verde claro, aquela que é uma batinha e colocasse uma rasteirinha também ia ficar legal. E pra o passeio usa ou short ou calça jeans, você não sabe se onde ele vai te levar tem muito ou pouco vento né? Mostrar a calcinha assim num rola, gata. Kkkkkkkkkkkkk. Bem é isso, acho que a limousine chegou, beijos, beijos. Te amo.
-
[N/A: Pra quem quiser ouvir a música que terá e não só ler, ta aqui o link, não durará tanto tempo assim, mas é que com a música traz mais emoção neh? *.* hahahaha. Lembrando que a hora de parar a música fica com vocês, só aviso a hora do play =P]
Entramos na limousine prata e em poucos minutos chegamos ao local. Para TU-DO! Sério. Aquilo tava perfeito demais. Grama, pétalas de rosas jogadas na grama, uma entrada cheia de flores para a noiva passar por ela. Cadeiras brancas lindérrimas de um lado e do outro, convidados todos sentadinhos esperando minha tia, e o principal: Meu tio lá na frente fazendo cara de homem mais feliz e sortudo do mundo! Oh my gosh eu quase morro de tanta fofura. Descemos do veículo (me recuso a chamar aquilo de carro), e depois minha tia desceu. Como meu avô por parte de pai já morreu, o irmão mais velho de meu pai foi quem a acompanhou. E lá vou eu e as outras garotas, todas cheias de glamour, segurando o vestido dela. Estiquei um pouco a cabeça para o lado e pude ver Thiago lá na frente, andando ao lado de uma menininha. Ele estava MUITO gato, orgulho da gut-gut.
Tan Dan ran ran... Tan Dan ran ran... Taaaaaan daaaaan taaan ran ran ran e por aí vai, tá, me empolguei. Acho que eu tava sorrindo mais que a miss simpatia enquanto carregava aquela cauda. Passinhos lerdos pra frente e aos poucos lá estava eu sentando na cadeira com meu nome bordado. Ficava bem ao lado da cadeira onde a surfista dos cabelos longos estava. A outra surfista não tinha sido daminha. O pastor falou, o carinha do cartório falou também, e finalmente chegou a hora dos votos. Sério, adoro essa hora. É o momento que você sabe se a frase do noivo é pega da internet ou criada por ele mesmo. E se a noiva também é criativa ao ponto de não escolher uma música que lembre os dois, apenas.
- Eu, Charlie, prometo te amar, te respeitar, e te aturar –risos- durante todos os dias da minha vida, já que provavelmente eu morro antes que você – risos tímidos. Prometo também estar sempre ao seu lado para qualquer situação, boa ou ruim, fácil ou difícil, inclusive quando essa situação ocorrer na cozinha, numa tentativa de cozinhar – e todos riram. Prometi tudo isso, mas não seria necessário, porque você sabe que meu amor por você vai além de promessas. – Ooooonw, sim isso foi um coro de mulheres mentalmente chamando meu tio de fofo. Enquanto minha tia sorria envergonhada.
- Eu, Allana, prometo te amar, te respeitar, e apoiar em tudo o que fores fazer. Prometo lhe ajudar a crescer mais e mais, tanto profissionalmente quando em pequenas coisas. Prometo estar sempre ao seu lado, nas horas boas e ruins, nos momentos bons e de dificuldade, sempre, sempre e sempre eu estarei lá para estender minha mão para você, mesmo ela sendo pequena – risos de nervosismo. Quero que você saiba que naquele dia, na maternidade, no nascimento da , quando ti vi, pensei: Esse vai ser meu marido! – e todo mundo riu, inclusive ela – E quando começamos a namorar, percebi que você era uma pessoa ainda mais especial do que eu imaginava. E a cada dia, não importa como esse dia foi, eu durmo com a certeza que não poderia ter escolhido pessoa melhor para casar. Afinal, a única coisa que não pude escolher, foi te amar – pausa crítica – porque isso foi inevitável, quando menos esperei, estava apaixonada pelo genro do meu irmão – risos. Eu te amo, - lágrimas escorrendo na face – eu te amo, e sempre vou te amar – chorando de felicidade.
E então tio Charlie fez seu papel de homem romântico e apaixonado e a beijou, em seguida a levantando nos braços enquanto ainda se beijavam e todos aplaudiam e outros gritavam “uhuuuull! Dale Charlie!”. Sério, eu nunca choro em casamento, mas esse até tinha me emocionado bastante. Olhei para o lado e a surfista (ainda tenho que descobrir o nome dela) estava enxugando as lágrimas. Foi tudo tão lindo.
Minha tia saiu seguida de todos os olhares e depois fomos todos caminhando até a área da recepção, que era bem próximo dali, muito bem organizo, com tochas e tudo, até dava para ver algumas pessoas famintas olhando pro lado da comida. Tsc, tsc, tsc...
Andei um pouco procurando uma mesa para sentar. Seria chato passar a noite com meus pais e Thiago numa mesa. Então fiquei me esticando pra ver se achava a “galere”. Andei, andei, procurei e andei mais um pouco até que avistei o . Parei e fiquei o observando. Sério, ele tava MUITO gato! Olhei um pouco mais para o lado e vi o , , e . Todos muito, mais muito lindos mesmo! O que um terno e uma gravata e cabelos penteados não fazem com alguém, não? Haha. Comecei a caminhar em direção à mesa que eles estavam sentando. Até que me viu e acenou. Andei mais depressa e cheguei à mesa.
- Boa noite gente! – Falei sorrindo.
- Boa noite ! – Falou sorrindo e acenando.
- Nossa... a cada dia você parece ser mais linda! – Falou de boca aberta. Ai que cantadinha chula, viu? Vou te contar...
- Obrigada! – Falei sorrindo pra não rir. – Todos vocês também estão muito lindos!
- Obrigado! – Falaram todos, exceto , que falou “eu sei” e logo depois sorriu pra mim.
- Convencido...
- Realista. – Falou e depois todos riram.
- Galeeera! Agora é a hora da dança da noiva! , dança comigo? – Falou a surfista de cabelo longo.
- Danço... – Falou rindo.
- Heey ! – Chegou a outra surfista, a de cabelo mais curto, gritando.
- , dança comigo? – Pára tu-do! O que eu tinha acabado de falar? O que foi aquilo? Nem ele mesmo acreditou! Ficou me olhando com uma cara de “é sério?”.
- É sério? – perguntou.
- Erm... – engoli seco, sem graça, sem saber o que falar.
- Dança comigo? – Perguntou a surfista, chegando à mesa.
- Já vou dançar com a , desculpa. – Falou se levantando e pegando minha mão. Eu continuava paralisada sem saber por que tinha falado aquilo. Então ela foi dançar com mesmo. começou a dançar com outra garota lá, que não conhecia, pra não ficar sozinho na mesa.
- Você me chamando pra dançar? – Falou me olhando enquanto segurava uma mão minha e a outra colocava em minha cintura.
- É que tinha algo importante pra falar com você... – Falei sorrindo, enquanto colocava a mão que me sobrara livre, em seu ombro.
- O que?
- Acredita que esqueci? – ele riu. – É sério! Espera! Vou tentar lembrar!
- Tente... – Falou se aproximando mais. E então começou a tocar From this moment on, da Shania Twain. Nunca tinha ouvido aquela música, mas acho que ela foi feita para casamentos, muito linda. Gamei.
- Deixa eu ouvir a música enquanto tento lembrar... – Falei sorrindo. Começamos a dançar lento, como todos estavam fazendo. Ele não olhava pra mim, dançava olhando para o horizonte, e o pensamento parecia estar longe. Enquanto eu mantinha meus olhos em seus ombros, e pensava numa desculpa legal. – ? – Falei finalmente.
- Oi? – Falou voltando do espaço sideral.
- Nada...
- Louca... – Falou e nós dois rimos. Então ele me puxou delicadamente para mais perto, deixando com que nossos rostos se tocassem de lado. Senti seu cheiro inebriante e fechei os olhos. Sua respiração quente fazia um pequeno barulho em meus ouvidos, enquanto eu tentava entender aquele momento. A música então mudou e muitos casais trocaram, mas nós continuamos naquela posição, eu já havia passado meus braços por cima de seus ombros, enquanto ele me abraçava pela cintura. [n/a: acho que seria legal dar play na música agora hihi] Tentei umas três vezes falar algo, mas minha boca abria e não saia som algum. A segunda música tocada foi Every little thing she does is Magic, do The Police. Foi quando finalmente falou, quer dizer, sussurrou, quer dizer, cantou baixinho junto com a música.
- Though I've tried before to tell her (Embora eu tenha tentado dizer a ela) of the feelings I have for her in my heart
(o que sinto por ela no meu coração), every time that I come near her (Cada vez que eu me aproximo dela)
I just lose my nerve (Eu apenas perco minha coragem). – E então nesse momento eu engoli seco. Eu não sabia se aquilo era pra mim ou ele apenas gostava da música, eu realmente estava confusa. Até que nossos rostos se desgrudaram e ficamos nos olhando, enquanto a música ainda tocava.
Every little thing she does is magic
(Cada coisinha que ela faz é mágica)
Everything she does just turns me on
(Tudo que ela faz me excita).
Eu não sei se foi o momento, a carência ou a melodia e letra da música, mas eu sentia algo muito, mas muito estranho no meu estômago. Ele embrulhava todo, e não era cólica – eu acho – nem dor de estômago e nem vontade de vomitar – Não seria legal vomitar na cara do .
Foi então que senti seu nariz passar pelo meu, como sua pele sentindo a minha, fechei os olhos e nossos lábios se encontraram. Abri um pouco meus lábios, quando de repente escutei gritos do e os lábios do já não estavam mais juntos aos meus. Abri meus olhos assustada e receosa.
- ! Olha aquele doido! – Falou olhando para a mesa e apontando pro , enquanto puxava pela mão. Ele realmente não parecia ter visto que tinha atrapalhado algo. Ou se viu, e o fez de propósito, era um ótimo ator. me olhou por um momento e eu o encarei. Então ele puxou a mão que o estava segurando, olhei aquela cena e fiquei tão, mas tão nervosa que virei as costas para ele e saí andando, okay, andando meio bem rápido até um lugar com uma máquina que fazia bolhas de sabão, onde Thiago estava.
- ! – Gritou e eu não virei para trás. Ouvi passos atrás de mim e fiquei ainda mais nervosa. O que eu ia falar? Desculpa, foi carência, mas eu to mesmo é afim do ?
- ? – Falou me puxando pelo braço, me fazendo ficar de frente para ele.
- Oi! – Falei sorrindo.
- O que foi? Você saiu apressada, eu fiz algo errado? – Perguntava com cara de cachorro sem dono.
- Não... – Falei rindo nervoso – É que lembrei que Thiago tem que tomar um remédio agora, e o remédio está comigo, então lembrei e saí rápido para procurá-lo! – Mentir nunca me pareceu tão fácil.
- Hum... que susto você me deu garota! – Falou rindo. – Posso ir com você, pra não deixar nenhum tarado te pegar! – Falou piscando.
- Não precisa... é só eu tacar esse salto na cabeça dele que num instante ele tem um traumatismo craniano – Falei levantando um pouco o vestido para ele poder ver o tamanho do salto, e nós dois rimos.
- Então tudo bem... você que sabe. – Falou piscando e logo depois acenou indo embora.
Eu sei que é muito infantil de minha parte não querer encarar os fatos, mas eu não consigo entender se gosto dele ou não. Assim, eu não saio por aí esperando meu príncipe encantado cair bem na minha frente, até porque isso seria estranho, um louco caindo na minha frente... eu teria medo, isso sim. Haha. Mas bem, eu preciso pensar no que falar a ele. Afinal, o que ele pensaria de mim? “Oi , eu gosto do , mas se você me der um beijo, um selinho na verdade, eu fico na sua!” De jeito maneira! Eu sempre falei que tava afim do , e do nada mudar de idéia? É bem capaz de depois ele vir me dizer qualquer gracinha. Céus! Como a vida ficou complicada de uma hora para outra. Estou aqui respirando sabão em formato de bolha, enquanto Thiago ri animadamente com as outras crianças. Pelo menos tenho algo pra fazer... escrever em você. Falar em você, nunca te dei um nome “caro diário”. Oh gosh... Adeus! caminha em minha direção. Xoxo.
Capítulo 11 – Casamento, Fim.
- Oi Thiago! – Falou se aproximando sem me olhar.
- ! – Falou Thiago acenando enquanto fazia mais bolhas. – Quer brincar comigo?
- Não sei... , vai buscar um refrigerante pra mim enquanto brinco com Thiago. –Falou ainda sem me olhar.
- Co-Como? – Perguntei.
- Três desejos... dia do casamento… isso te lembra algo? – Perguntou sarcástico.
- Claro. – Falei ainda sem entender o que ele queria ali e saí para pegar o refrigerante.
Comecei a andar e observar as pessoas, de vez em quando alguém me parava e perguntava “Nossa! É você a filha da Sra. ? São idênticas!” e eu sorria simpática. Tinha mais parentes ali do que imaginava. Avistei a mesa onde tinha algumas bebidas, mais fácil que sair atrás de um garçom. Muita gente ainda estava dançando. Comecei a andar em direção à mesa, até que uma mão segurou a minha.
- !
- Oi! – Falei um pouco surpresa.
- Quer dançar? – Perguntou-me .
- É que estava indo pegar uma bebida... – Falei murchando a boca.
- Vai depois, essa música tem um ritmo legal, você parece meio tensa, é bom pra relaxar. Seu irmão já tomou o remédio?
- Hã? Ah sim! Já tomou sim! – Falei sorrindo enquanto era arrastada para o local onde todos dançavam.
Então começou a tocar “Dance with me tonight”, do The Wonders. Realmente era animada. Sabe aquelas músicas que você ouve e dá vontade de dançar? Pois é...
Já falei que dançava bem? Acho que já... Pois é, ele dançava. Ele segurou minhas duas mãos e ficou puxando uma pra frente e outra pra trás, estilo música dos anos 60. Comecei a rir e ajudá-lo no movimento, parecíamos duas crianças, sem se importar com o que o povo que estava ao nosso lado iria pensar. Ele segurou só uma de minhas mãos e me rodou umas duas vezes, depois puxou-me e ficou meio que me abraçando por trás até que me soltou e dei um giro, ia desequilibrando, quando senti suas mãos puxarem as minhas e voltamos a dançar. Nessa hora eu realmente tinha esquecido do refrigerante. Estava rindo muito, e o pior foi que os adultos que nos olhavam, pra não ficar de fora da “era jovem” começaram a dançar naquele estilo. De repente, fez um sinal para os homens irem pra um lado e as mulheres para outro. Eu e ele ficamos na frente da turma, então ele tirou o paletó, ficando de colete e começou a andar de forma sedutora em minha direção, e uma trupe de homens atrás dele. Então comecei a andar, levantando um pouco meu vestido e passando um pé para um lado e outro para o outro, uma “andada dançante”, ele estendeu sua mão e cantou junto com a música: “Come on, pretty baby, won't you dance with me? (Vamos lá menina linda, você não quer dançar comigo?). Comecei a rir e segurei sua mão, até que todas as mulheres fizeram o mesmo e cada um voltou a dançar do jeito que queria com seu par. Me senti a atriz principal de um filme, foi ótimo! E hilário ao mesmo tempo. Achei fofíssimo um casal de velhinhos que estava lá e fez igual a nós. Muito lindinhos. Até que a música terminou e eu já estava ofegante.
- Nossa... acho que sou mesmo muito sedentária... – Falei rindo.
- É sim... num agüenta uma música mais agitada! – Falou rindo. – Mais uma?
Posso pedir pra banda tocar outra animada! – Falou sorrindo empolgado.
- Quer acabar comigo? – Falei rindo.
- Refrigerante? – Perguntou um garçom até muito gatinho. Sim, foi aí que meus olhos arregalaram e eu lembrei do tal refrigerante.
- Sim! Um por favor! – Falei me matando por dentro.
- O que houve? – Perguntou me olhando.
- Esqueci que tinha que pegar o refrigerante! E não é pra mim sabe? A pessoa deve estar esperando! – Falei esticando os lábios numa cara de “to ferrada”. E começou a rir.
– Tchau ! Até eu te ver de novo por aqui! Ainda temos que dançar mais! – Falei enquanto andava acenava.
Puxei o vestido com a mão que me sobrava livre, para assim poder andar mais rápido sem medo de cair. Até que uma mão segura meu braço e um pouco de refrigerante cai no chão.
- Desculpa! – Falou enquanto verificava se não tinha me molhado.
- Não, tudo bem, não me molhei! – Falei sorrindo sem graça.
- Te vi ali dançando com ... – Falou passando a mão pela nuca.
- Viu? Oh gosh... que vergonha! – Falei rindo.
- Vergonha? Você dança muito bem! – Falou rindo também.
- Sei, sei...
- Dança comigo?
- Agora? Eu tenho que levar… - Falei enquanto ele tirava o refrigerante de minha mão e colocava na bandeja de um garçom que passava na hora.
- Deixa isso pra depois. – Falou sorrindo e me puxou para dançar.
- , é que eu realmente estou um pouco apressada... – Falei enquanto dançávamos uma música lenta.
- Seja lá pra quem for esse refrigerante, eu explico pra a pessoa depois porque você se atrasou.
- Acho que não vai ser tão fácil... – Falei enquanto fazia uma careta que ele não via.
- ...
- Oi? – Falei enquanto subia suas mãos que estavam abaixando mais que o normal.
- Você já deve ter percebido, mas... – Falou passando a me olhar.
- REFRIGERANTE! Achei outro, até mais ! – Falei me soltando de suas mãos e indo atrás do garçom. Nossa! Que desculpa, falei rindo por dentro.
Peguei o refrigerante, o garçom me olhou de cima a baixo e deu uma piscadela. Dei um sorrisinho tímido e me virei, procurando saber em que local eu estava e aonde ficava a máquina de bolhas, não tinha percebido que aquele espaço era realmente grande... Comecei a procurar coisas e mesas familiares, até que encontrei. Andei um pouco, ainda segurando o vestido, mas não tão rápido para o refrigerante não cair, até que uma mão pára em cima de meu ombro. MEU IRMÃO VELHO! Isso já tá virando modinha. ¬¬’ Pensei comigo mesma e me virei pra ver quem era.
- ! – Falei sorrindo.
- Oi! – Falou rindo com minha cara de surpresa.
- Erm... oi! – Falei com uma cara de “você vai falar algo, não?”
- Ah sim! Queria falar contigo uma coisa séria.
- Pode falar... – Falei um pouco preocupada enquanto olhava o refrigerante em minhas mãos.
- Eu to afim de uma garota, mas muito afim mesmo, como nunca fiquei antes. – E então engoli seco. É.
- Sei...
- Só que ela não é o tipo de garota que eu consiga sorrir, dizer que to afim e ela já tá na minha.
- Sério? E aquilo sobre ela gostar de outro, é verdade?
- Não, não. Acho que não. – Falou rindo. – Mas se for, vou lutar por ela.
- Que fofo... – Falei o admirando.
- Então eu queria sua ajuda, pra sei lá, como eu chego nela? – Falou tímido.
- Como assim? – Perguntei nervosa.
- Tipo, você conhece ela. É aquela surfista de cabelo longo... – Falou sem graça. PÁRA TUDO! Não era eu a diva luxo que ele tava afim? Comecei a rir por dentro. Nossa senhora, como eu tinha sido estúpida!
- Então... você gosta mesmo dela? – Perguntei o olhando.
- Sim. Ela chegou na mesma semana que você, eu sei que passou pouco tempo pra eu dizer que to louco por ela, mas sei lá... ela meche comigo. – Falou e logo depois riu.
- Entendo... – Falei rindo. – Como posso te ajudar? – Sério, por incrível que pareça, eu não estava incomodada com aquilo. Sei lá, só pensei “que pena que não sou eu, mas fazer o que”. Da última vez que um garoto que tava afim de mim me pediu ajuda para namorar com , foi na primeira série do fundamental, e eu bati nele por isso.
- Eu não sei o que falo pra ela, como falar. – Falou realmente angustiado.
- Diz que a ama e que não sabe o que tá acontecendo, mas que gosta muito dela.
- Não é tão simples...
- É sim...
- Não é não...
- Segura, vou encenar, sempre funcionar – Falei rindo enquanto ele pegava o copo de refrigerante.
- Então, eu não sei bem como te falar... – Falei passando a mão nos cabelos, como geralmente os garotos fazem, riu, parecendo entender – Mas desde que eu te vi eu fiquei afim de você, só que depois, quando nos aproximamos mais, vi que não era apenas atração física, eu me encantei com você de uma forma que jamais aconteceu, não sei te explicar, eu só... – Então fui interrompida por um vulto passando rápido e ríspido por mim. Olhei para o lado e era . Congelei. Será que ele tinha escutado algo? Ele parou, se virou e olhou para o copo de refrigerante que segurava, olhou para ele e para mim e continuou andando.
- ! – Gritei e corri até ele, puxando sua mão. Ele não se virou.
- O que você quer? – Perguntou sério.
- Não é o que... – E então fui interrompida pelo seu olhar assassino, me fitando.
- Não se preocupe comigo, você acha mesmo que aquele projeto de beijo significou algo pra mim? Só me senti excitado por você ser minha escrava hoje, e essa coisa de pegar escrava rolava muito antigamente, sabe? – Falou e depois começou a rir da minha cara.
- Como... assim? – Perguntei confusa.
- Você realmente não entendeu? – Perguntou me olhando sarcástico.
- Talvez eu não queira acreditar, é diferente...
- Não se preocupe comigo, você estava se declarando aí, continue. – Depois diminuiu o som da voz – Ele não precisa ficar sabendo do que aconteceu... – E então soltou-se de minha mão bruscamente e saiu andando rápido. Não conseguia me mover. O que ele acabara de falar? Minha respiração começou a ficar rápida, e meu pulmão tentava expandir-se, mas aquele vestido sufocante não deixava. Senti que meus olhos se encheriam de lágrimas quando a mão do repousou sobre meu ombro.
- O que foi isso? – Perguntou-me confuso.
- Nada, esquece. – Falei desanimada, mentalmente mandando nenhuma lágrima inventar de cair. Ele achou mesmo que depois daquilo eu seria capaz de me declarar pro ?
Que idiota!
- Ele não tá muito longe... ainda dá pra vê-lo, dá tempo de alcançá-lo... – Olhei para e ele apenas sorriu para mim, como se me entendesse. Sorri de volta, apoiei uma de minhas mãos em seu ombro e com a outra tirei minhas sandálias de salto. Sorri mais uma vez para ele e saí correndo enquanto também levantava um pouco meu vestido.
- ! – Gritei mas ele não se virou. Então ele parou ao lado das surfistas e depois saiu com a de cabelo longo. Como assim? O que ele pensou estar fazendo? Continuei andando mais rápido e então cheguei perto da surfista de cabelo curto.
- Para onde eles foram? – Perguntei séria.
- Foram surfar... – Falou ela me olhando assustada.
- Surfar? A essa hora da noite? – Perguntei incrédula.
- Sim. Ela já tinha pedido umas aulas a ele há muito tempo, mas ele sempre dizia que estava ocupado te ensinando, daí ele perguntou se ela não queria ir agora. Sabe, pra ela que já é boa no surf, não é tão perigoso assim surfar à noite... – Falou me olhando de cima a baixo. Or raiva da cebola! Que garotinha estúpida.
- Okay, obrigada. – Falei ainda séria.
- Algo importante? Posso dar o recado próxima vês que vê-los por aí.
- Não, nada demais. Bye bye. – Falei saindo furiosa dali.
Hahaha. , me amar? Não sei como acreditei ser possível isso. Então o beijo realmente não tinha importado nada pra ele? Hahahahahaha. Estúpido! Que garoto estúpido! Meu estômago estava embrulhando mais que antes, senti minha respiração pesada, e uma vontade imensa de gritar ser abafada. Olhei para os lados e ninguém conhecido. Então continuei andando, até sair da área do casamento e chegar à praia. Atravessei uma pista, o concreto estava frio, eu não conseguia conter as lágrimas em minha face. Senti a areia da praia em meus pés e fui caminhando até perto do mar, depois sentei, sem me preocupar em sujar o vestido. Abracei minhas pernas e comecei a encarar as ondas no mar. Por que aquilo estava acontecendo? Quando foi que eu passei a me preocupar com o que sentia por mim? As falas dele não paravam de repetir em minha mente. “você acha mesmo que aquele projeto de beijo significou algo pra mim?”, era a frase mais dolorosa que já escutara em minha vida. Bem, pelo menos até agora, ainda sou nova, talvez escute coisa pior por aí.
Passei as mãos em meu rosto, tentando enxugar as lágrimas que insistiam em cair, enquanto, no fundo, sentia uma vontade imensa de avistar os dois surfando, bem em minha frente, apesar de saber que aquilo me magoaria mais, mas imaginava que ele levaria um tombo, eu riria e ele caminharia até mim e me pediria desculpas, então nós dois nos beijaríamos e dessa vez, pra valer. Então a frase repetiu novamente, “você acha mesmo que aquele projeto de beijo significou algo pra mim?”.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! – coloquei minhas mãos tapando minha boca para abafar o som enquanto gritava. Tinha que me sentir menos sufocada por tudo aquilo. Até que uma mão me abraça de lado e depois um corpo senta-se ao meu lado.
- ? – Falei o olhando enquanto enxugava minhas lágrimas, morrendo de vergonha.
- Boa noite. – Falou sorrindo.
- Boa... – Falei sorrindo triste.
- O que aconteceu? – Perguntou preocupado.
- Nada demais... confundi um pouco as coisas e agora me acho uma tremenda estúpida – Falei enquanto chorava e ria ao mesmo tempo.
- Com ? – Perguntou me olhando.
- É... mas sabe, nada demais, ele só acabou de sair com uma garota e eu pensei por uns segundos que ele fosse afim de mim... – Falei olhando o mar.
- Alguns segundos? – perguntou arqueando uma sobrancelha.
- É... antes só o considerava um amigo e nada mais...
- Entendo... com quem ele saiu? – Então me lembrei que era com a garota que ele estava afim, erm... eu podia estar muito machucada, mas não queria que o também ficasse assim, então era melhor não contar nada.
- Com uma garota da festa, não lembro direito. – Falei sorrindo.
- Hum... não pensei que ele fosse de fazer isso. – Falou sério, num tom de decepção.
- É a vida. – Falei sorrindo.
As lágrimas não desciam mais. Então ficamos lá, abraçados por um tempo, sentindo o vento bagunçar nossos cabelos... Tá, mentira, o dele tava bagunçando, o meu não saia do lugar de tanto laquê. Apesar de perto, abraçados, estávamos distantes em nossos pensamentos. Daria um pirulito pra saber o que pensava. E eu, bem, eu estava pensando numa forma rápida de esquecer o , agora que tinha percebido –da forma mais difícil- que gostava dele como mais que um amigo. Eu não iria ficar me lamentando por aí... ? Se lamentar por causa de um surfista metido a besta? Hahahaha! To pagando pra ver! Jamais, never, nunca, baby! –Parei. O correto seria fingir que nada daquilo tinha acontecido. Isso, conseguir falar com ele sem querer esganá-lo. E dar um jeito de avisar ao pra tomar mais cuidado sobre a garota, no fundo ele estava certo, ela realmente gostava de outro garoto. Mas por que diachos logo do ? Tenho mais uma pessoa pra esganar em mente.
De repente, senti o braço do parar de abraçar-me. Ele então se levantou e estendeu a mão para que me levantasse.
- Já é bem tarde, vamos voltar? – Falou sorrindo.
- Vamos! – Falei me levantando enquanto apoiava-me em sua mão. – ...
- Oi
- Tem algo te incomodando né? O que é? – Perguntei aflita.
- O campeonato. – Falou rindo.
- Mentira né? – Falei rindo também.
- Não... é que pra a gente chegar aqui, passamos por outras fases antes, e essa é a decisiva, afinal, estamos no Havaí! – Falou levantando as mãos num sinal de “somos os reis por ter chegado até aqui”.
- Entendo... – Falei rindo. – Mas fica tranqüilo, você é bom no que faz! – Falei piscando.
- Espero que você esteja certa! – Falou piscando também.
Então voltamos ao local do casamento e ainda tinha muita gente dançando, outras comendo e outras ainda bebendo ou bêbadas, estava engraçada a situação. Me despedi do e fui para a mesa dos meus pais. Meu pai estava dormindo debruçado sobre a mesa, enquanto Thiago tinha juntado duas cadeiras e estava esticado nelas, com a cabeça no colo de meu pai. Mamãe? Bem, a Sra. Mesquita tinha sumido do mapa. Deveria estar tagarelando por aí. Sentei na última cadeira livre na mesa e abaixei a cabeça, colocando-a em cima de meus dois braços que estavam cruzados sobre a mesa.
Algum tempo se passou e senti mãos acariciando minhas costas. Abri os olhos e era mamãe me acordando. Quando ela não está de mal humor, sempre nos acorda fazendo carinho, é ótimo. Então papai também se levantou, segurou Thiago nos braços e fomos até o táxi que nos levaria até o hotel. A última coisa que lembro é de mamãe reclamando por eu ter sujado o vestido de areia e depois dela descendo o flash e eu me jogando na cama e me cobrindo sem vestir pijama mesmo.
Capítulo 12
Acordei era exatamente uma e vinte da tarde. Morrendo de fome. Thiago estava tomando banho. Me descobri e percebi que estava de lingerie vermelha, ainda. Meu cabelo estava duro que nem pedra, e meu pescoço doendo, por ter dormido de mau jeito. Só me faltava tropeçar e quebrar o nariz. Erm... não, isso não aconteceu.
Esperei Thiago sair do banho e fui tomar o meu, passei séculos deitada naquela banheira que pretendia não usar. Mesmo que banheiras sejam chiques, as de hotéis são tão... sei lá, você nunca sabe quem foi a última pessoa a colocar suas banhas lá. Mesmo que elas sempre sejam limpas após o hóspede sair. Haha. Depois me olhei no espelho e passei as mãos peles meus cabelos... sentindo que não estavam mais duros de laquê. Me encarei. “você acha mesmo que aquele projeto de beijo significou algo pra mim?”. Gay! É isso que ele é. Só pode. Haha. Tentava me convencer que não levara um fora, enquanto meu estômago embrulhava e meu pulmão parecia ficar maior, me fazendo sentir uma dor no peito. Eu? Levar um fora? Hahahahahaha. Hilário isso! Que piada boa! Hahahaha. Até que dei um tapa em minha cara. Eu tava ficando louca! E agora eu riu ao lembrar dessa cena. Fechei os olhos e lavei o rosto. Olhei para a roupa pendura e me vesti. Saí do banheiro penteando o cabelo, enquanto Thiago via tevê.
- Vai comer agora? – Perguntou-me.
- Acho que sim... também ta com fome?
- Muita... – Falou passando a mão na barriga.
- Então vamos pedir uma comida divina e colocar na conta do papai! – Falei sorrindo.
- Isso não é mau?
- Isso é um segredo. – Falei passando um flash invisível na boca.
- Aaaah...
- Vamos?
- Vamos! Tenho que ir logo! vai me ensinar a surfar hoje! – falou sorridente. Enquanto eu tentava manter o sorriso. É, não tinha segundas intenções nenhuma em ser legal com Thiago. Eu tenho três garotos... quer dizer, dois agora, querendo ficar comigo e vou ligar pro que o josh fala? Haha. Até parece que ele não conhece .
Descemos para o salão e algumas pessoas estavam terminando de comer, então eu e Thiago nos sentamos e pedimos um bom prato de comida, mas não muito caro, pra não ficarmos de castigo. Ficarmos lê-se, eu ficar. Já que Thiago seria considerado inocente demais para cometer tal crime. Depois do almoço, fui para a área da piscina, já que provavelmente aprenderia a surfar na praia.
- Hey ! – Gritou .
- Oi! – Falei animada por vê-lo só.
- Melhorou?
- Sim, sim. Muito. – Falei sorrindo.
- Seu irmão foi na praia?
- Foi sim, você parece nervoso... ainda a competição?
- Pois é... queria surfar hoje, mas me disseram que não era legal, era melhor relaxar – Falou sorrindo lindamente.
- Sei como é...
- que é louco, ta surfando desde ontem. E agora disse que vai ensinar um guri a surfar também. – Falou fazendo uma cara de “ele é idiota.”
- Problema dele se acha que agüenta, não?
- É né... Acho que ele tava tentando ganhar o tempo perdido, enquanto a gente tava treinando, ele ficava com você. – Falou me olhando sério. Eu apenas revirei os olhos enquanto lembrava daquela maldita frase.
- Ele não gosta de mim, nem venha.
- Você tem certeza?
- Você não ouviu o que ele me disse...
- Você que sabe, mas todo mundo zuava ele... dizendo que ele tava perdido, não tinha mais volta. – Falou rindo.
- Ele é um ótimo ator então.
- Você é tão rancorosa...
- As vezes. – Falei sorrindo.
- Céus! Eu preciso relaxar! – Falou sentando-se numa espreguiçadeira, ao meu lado.
- Precisa mesmo! – Falei rindo, enquanto via entrar na área da piscina. – Aceita uma massagem? – Perguntei sorrindo.
- Você sabe fazer? – Perguntou surpreso.
- Não muito né, mas... acho que ajuda em algo.
- Se quiser! – Falou se virando. Acho que não tinha visto ali. Hoho.
Me aproximei mais dele e comecei a massagear seus ombros, ele realmente estava muito tenso. Parecia pedra aquilo, e eu tentando amolecer. Ele só fazia “aaaah” e ria, dizendo que parecia mais que eu estava batendo carne pro almoço. Comecei a rir junto, até que parou na nossa frente, quer dizer, na frente do , me olhou por um tempo, como se estivesse longe em seus pensamentos. Depois quando o encarei ele desviou o olhar para .
- Você conseguiu aquela prancha que te falei? – Perguntou.
- Ele falou de me dá a resposta hoje, só pode naquele modelo mesmo?
- Sim... ela surfa melhor naquele, é melhor não arriscar.
- Entendo... quem mandou você levá-la pra muito longe? A prancha quebrar perto do dia da competição é difícil. Ela ta bem?
- Ta sim. To tentando deixá-la relaxar, mas ta difícil. – Falou coçando a cabeça.
- Quer que eu ajude? – Falou com um olhar pervertido. Enquanto claro, meus olhos apenas acompanhavam a conversa sobre a garota que atualmente eu mais odiava e esses dois estavam de quatro por ela.
- Não... não precisa – Falou com uma cara de tédio e depois riu um pouco. Então os dois começaram a rir, se lembrando de algo que eu não sabia o que era. Glub glub, nem boiando eu tava mais, já tava afundando.
- Eita gente! Tenho que ir ali! Já volto! – Falou e saiu voando de nossa frente. Não literalmente, é claro.
me olhou sério enquanto matinha meus olhos baixos. Não conseguia o encarar. Era um pouco difícil pra mim. Até que ele se sentou ao meu lado.
- Eu sou tão idiota. – Falou como se fosse para o vento.
- É sim. – Falei deitando-me.
- Por que você diz isso? – Perguntou me olhando.
- Você realmente não sabe por quê? – Perguntei com desdém.
- Erm... eu não comi bosta de cigano pra adivinhar... – Falou sorrindo.
- Você é sempre tão cínico assim? – Perguntei o olhando séria.
- Cínico? Você, me chamando de cínico? – Ele riu incrédulo.
- Você acha mesmo que não é? – Falei me levantando.
- A única cínica aqui é você! – Falou também se levantando. E então eu comecei a rir, de desdém.
- Eu? Cínica?! Faça-me o favor !
- É só você pedir duquesa... – Falou sorrindo cínico. Arg!
- Suma da minha frente antes que eu queira arrancar meus olhos para nunca mais ter que olhar na sua cara!
- Então você que não quer olhar na minha cara? – Falou rindo ainda mais alto.
- Por que você não vai se agarrar com qualquer outra pessoa aí no lugar de ficar me irritando? – Falei alto também.
- Eu realmente sou idiota... – Falou.
- Isso eu já sabia...
- Perder meu tempo com você, tsc. – E então saiu. Verme idiota. PERDER tempo comigo? Ele ganhou os dias mais felizes da vidinha medíocre dele enquanto estava comigo, me irritando, seja lá o que for. Aaaaaaarg raiva daquele idiota metido a surfista.
Saí da área da piscina e fui caminhando até a praia, já que tinha caminhado para dentro do hotel. Chegando lá avistei , e , conversando algo que eu já podia adivinhar. O campeonato.
- Lá vem minha melhor dançarina! – Falou sorrindo.
- Nossa... não me iluda – Falei sorrindo para ele.
- Você nem dançou comigo... – Falou fazendo uma cara triste.
- Não deu tempo... – Falei fazendo bico.
- Hey! Onde estão as fotos que tiramos na sua câmera? – Perguntou .
- Estão na câmera ainda, tem umas no iphone e outras na câmera, se me der um pendrive, te passo todas que você aparece. – Falei sorrindo, sou muito eficiente, beijos.
- Pode ser! Quer ir no cinema hoje com a gente? Aí lá te dou o pendrive!
- Isso! Vem ! – Falou . - só assim, alguém de fora da competição, nos ajuda a relaxar!
- Ham... pode ser. Aquela pessoa vai? – Perguntei olhando para .
- Não, ele não vai. – Falou rindo.
- Ótimo! Vamos! Preciso relaxar a mente!
- Pode relaxar comigo... – Falou com um olhar “sedução pura”.
- Acho que comigo, afinal, você ainda me deve uma dança – Falou rindo.
- Ajudo todos a relaxar... pronto. – Falei sorrindo.
- Oê! Orgia não! – Falou e logo depois lhe dei um tapa no ombro, enquanto todos ríamos.
Passei mais um tempo conversando com os garotos, até que decidiram almoçar fora e depois ir para o cinema. foi para sua casa buscar o pendrive e se encontraria no restaurante com a gente, aquele mesmo que eu pensei que teria de lavar os pratos. foi para seu quarto, pegar o pendrive e câmera digital dele, nunca vi garoto pra tirar tanta foto! E Eu e fomos para a área do hotel onde tinha umas mesinhas de pedra e grama no chão, um lugar bem confortável.
Sentei em cima de uma das mesas, enquanto sentou numa cadeira. Não me sentia muito confortável sozinha com ele, mas tudo bem, qualquer coisa, teria de pensar num bom fora.
- ?
- Oi?
- Você vai com minha cara?
- Como? Vou sim! Claro que vou! – Falei o olhando.
- Que bom! Pensei que você não gostasse muito de mim.
- Por que isso ? – Perguntei com pena.
- Sei lá! Você mal me deu atenção, e até com já saiu.
- Mas minha saída com nem foi planejada, você deve saber.
- Eu sei... Mas... nada contra minha pessoa né? – Perguntou rindo.
- Não, nada contra! – Falei rindo. – Quer dizer, contato que você não tente me beijar...
- Sim, senhora! – Falou e nós dois rimos juntos. – Você toca algum instrumento?
- Não... tava tentando aprender violão, mas meus dedos doem. E você? Toca?
- Não, ainda não. Eu e estamos pensando em aprender algo, e formar um grupo. Se o morasse aqui, seria até fácil, ele já toca e compõe. Ele e o .
- iria querer o sucesso só pra ele, tsc. – Falei e ele deu uma risadinha tímida.
- É mesmo, vocês não estão grudados hoje...
- Hein? Eu nunca estive grudada com ele!
- A maior parte do tempo sim...
- Bem, então agora não ficarei mais. – Falei sorrindo.
Então chegou e nós três fomos até o restaurante, quando chegamos, já estava nos esperando lá. Acenou e sorrio ao nos ver. Ficamos conversando sobre como seria legal se eles montassem uma banda, quem sabe não dava certo, e tudo mais. parecia tão empolgado que mal conseguia se focar no prato de comida em sua frente.
Pedimos um grande peixe, arroz e salada. Aqueles três juntos são de dar medo.
- Eu não acho que consiga ficar com ela até ir embora! – Falou rindo.
- Claro que não! Ela é muito difícil, e além do mais, ela já te deu três foras, ! – Falou enquanto colocava mais comida na boca.
- Vocês agora deram pra contar quantos foras eu já levei foi? – Falou rindo.
- Calma , eu acho que você tem grandes chances com a garota... – Falei dando-lhe dois tapinhas no ombro, confortando-o enquanto ria.
- Até tu Brutos? – E todos riram – Vou provar a vocês quem é , o rei da cocada preta!
- Aham... e eu sou a rainha do milho... – Falei sarcástica.
- Hey, hey, vamos fazer uma festinha lá no milharal? – Perguntou com um olhar pervertido.
- Tocaram fogo... desculpa, só sobrou eu – Falei com voz triste.
- Pelo menos sobrou o que me importava. – Falou me olhando.
- Te sai min! – Falou dando-lhe um pedala. E todos começamos a rir mais uma vez. Lembrar de agradecer ao por me salvar do olhar pervertido do .
Terminamos de comer e fomos todos caminhando até a parada mais próxima. É claro que caminhar para aqueles meninos é sinônimo de andar pulando ou fazendo qualquer barulho que faça as pessoas olharem esquisito pra nossa cara. Mas como e conheciam muita gente MESMO por ali, eu nunca ouvi tanto “aloha” e “mahalo” na minha vida como naquela caminhada até a parada de ônibus.
Chegamos ao cinema e e foram comprar nossas entradas. Eu e ficamos lá, observando os filmes em cartaz e vendo qual realmente valeria à pena gastar dinheiro para ver. Estávamos empolgados comentando sobre Sherlock Holmes quando de repente uma voz feminina familiar chamou pelo .
- ! – É, ela chamou né.
- Oi! – Falou se virando para ver quem era, e eu me virando junto com ele. Para melhorar meu dia magnífico, estava a surfista de cabelos longos e o , um ao ladinho do outro. Ela linda como sempre e ele parecendo feliz, até me ver e o sorriso desaparecer, assim como o meu desapareceu.
- O que fazem aqui? Não sabia que vinham! – Falou .
- A gente resolveu vir, o estava muito tenso hoje, ele precisa relaxar para o campeonato de amanhã, assim como eu também preciso. – Falou sorrindo.
- Que coincidência! A gente veio fazer a mesma coisa! – Falava enquanto eu e apenas nos encarávamos. A situação estava BEM tensa. Parecia que aquele que mudasse o olhar primeiro, admitiria derrota.
- Entendo... E o ? Veio só vocês dois?
- Quem dera... está na bilheteria com o , comprando os ingressos, a fila está meio grande, quem sabe se vocês chegarem rápido não consegue que ele compre o de vocês?
- Nossa! É mesmo! Vem comigo ou vai ficar aí ? – Perguntou a surfista.
- ...
- ?
- ...
- !!
- Hã? Ah! Vou com você! Não quero atrapalhar o casal. – Falou me olhando e saiu.
- Pelo amor do god! Que garoto irritante! – Falei virando de costas. apenas ria.
Alguns minutos depois, , , surfista e voltaram com os ingressos em mãos. Nos deram os nossos e todos entramos no cinema. Sentamos na seguinte ordem: , surfista, , eu, e . Por que diabos o tinha que sentar bem ao meu lado? Que seja, fingi não me incomodar com aquilo, ele também não parecia estar se importando muito.
O filme começou e mais ou menos pelo meio dele a pipoca já havia acabado. nem sequer olhava para o lado, não que eu conseguisse ver. E abriu suas pernas de uma forma que tocasse nas minhas, a situação estava ficando realmente desconfortável. Até que fez aquele famoso “espreguiçamento” e colocou suas mãos passando por mim. Nessa hora olhou para o lado, fitando , que apenas sorriu. O Filme passou mais um pouco e eu fingi não me importar com um braço passando por mim, até que se inclinou para meu lado e me chamou. Quando olhei para ele, nossos rostos estavam mais perto do que eu esperava, e ele me olhava com um sorriso tímido.
Senti uma mão em meu braço, me puxando. Oh gosh! Estava eu sendo abduzida? Erm... voltando ao mundo real, era . Quando me virei para olhá-lo ele pareceu não se incomodar e pediu pra trocar de lugar comigo. Como eu realmente estava meio aturdida, não pensei duas vezes antes de balançar a cabeça num sinal positivo. E então mudamos de lugar. Acho que não gostou muito da idéia.
Durante o restante do filme, eu não conseguia pensar em outra coisa senão o que o fizera. Ele estava ao lado da surfista, a garota que estava aos seus pés e provavelmente ele estava pegando, e quando o dá um sinal de vida ele troca de lugar comigo, pra impedir? Impossível não sorrir para o nada enquanto pensava isso. Então aquele beijo não significou nada mesmo? Ham, ham? , eu posso ser muito idiota por ainda pensar em você, mas não sou cega. E então um sorriso malicioso surgiu em minha face. Olhei para suas pernas, que estavam esticadas e apoiadas na cadeira da frente, então tirei minha sandália e coloquei minhas pernas por cima das suas.
- Posso? – Perguntei o olhando com uma cara inocente.
- Por que não? – Falou ele parecendo assustado, enquanto olhava para minhas pernas por cima das dele e olhava para mim. Então fechou os olhos e depois os abriu e voltou a olhar para o filme. Mas só de ver que ele estava morrendo por dentro aquilo já me fazia sorrir, festejar, soltar fogos de alegria por dentro. MUhahahahaha.
Mas infelizmente ele pareceu notar minha provocação. Comofas? Garotos não são tão espertos assim, não até onde eu saiba. Tá, não tenho PHD em garotologia, mas dá pra entendê-los de um modo geral. Enfim, Ele me olhou por um tempo e depois apoiou seu braço no braço da cadeira, o problema é que o meu já estava lá.
- Posso? – Perguntou me olhando, com um sorriso no canto da face.
- Por que não? – Falei o fitando. Claro que quando lembro disso agora, morro de rir, parecíamos duas crianças briguentas.
O filme continuava, mas a única coisa que eu conseguia me concentrar era em como estávamos um tão perto do outro. Já tínhamos estado antes, mas dessa vez era diferente. Meu coração batia de forma diferente só por ter uma parte de sua pele atritando com a minha, fazendo o calor de seu corpo ser transferido para o meu, mesmo que em pequena quantidade. E aquela sensação de um provocando o outro, oh gosh! Aquilo me fazia “borbulhas de alegria” (?). Nossa, que brega. É, eu to brega hoje. Péssimo isso.
Quando o filme acabou, demoramos alguns demorados segundos para criarmos coragem de nos separar. Até que tirei meus pés de cima dos dele, e na mesma hora ele tirou seu braço que estava colado ao meu. A surfista precisava ir ao banheiro, então fomos todos com ela. Todos entraram, exceto eu. Que fiquei lá com cara de paisagem enquanto todo mundo me perguntava se eu estava na fila para o banheiro.
Então saiu do banheiro masculino e me olhou, ali, sozinha. E sorriu para mim. Como sou uma garota educada, sorri de volta e acenei. Então ele se aproximou. E se aproximou meeeesmo sabe? Ficou super perto.
- ? – Perguntei assustada.
- Shiiiu... – Falou selando seus lábios aos meus. Então começou a me beijar. Tudo bem, admito a culpa, ninguém consegue ser beijada se não beijar também, mas foi por um segundo que eu cedi tá? Afinal, seus lábios eram realmente cativantes. Ele passou a língua pelos meus lábios, procurando passagem, até que eu senti um aperto no coração e abri os olhos, o afastando com as mãos.
- ... desculpa... – Falei baixo, olhando para o chão. Ele apenas passava sua mão pelo meu rosto, me olhando, enquanto a outra estava apoiada na parede, me “prendendo”. – Eu... – E então ele me beijou novamente. Só que dessa vez um selinho, apenas puxando meu lábio inferior, depois começou a beijar meu pescoço. Eu adorava conversar com o , mas, aquilo estava realmente me incomodando, eu só conseguia pensar “e se o ver isso?”. Mesmo não tendo nada com o , essa preocupação estranha me perturbava, então empurrei com força, passando a mão pelo meus pescoço, quase que limpando-o.
- Desculpa... – Falou me olhando. – Eu realmente me sinto muito atraído por você .
- Eu... bem, você é lindo . – Falei e sorri sem graça. – Mas... algo tá acontecendo comigo, e eu não sei explicar, eu realmente nunca senti algo assim antes por alguém...
- Você está apaixonada?
- Talvez...
- É recíproco?
- Não sei. Como falei, estou confusa.
- Posso te ajudar a esquecer... – Falou me olhando.
- E aew gente! – Falou chegando, seguido do e do . Eu engoli seco.
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De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: EU TO NAMORANDO VELHO!!!
Lembra que eu dizia que se nada desse certo ia virar freira? Pois é, meus pêsames pro padre. Eu to namorando, eu to namorando! Aaaaah! E eu e meu namorado zeramos God of War. Hahahahaha. Desculpa, mas eu tenho que contar tudo, “exatamente” como foi.
Primeiro ele me levou a um parque de diversão *.* (Ainda bem que fui de short), nos divertimos BASTANTE lá. Ele é ótimo na mira e ganhei dois ursinhos, não tão grandes, mas vindo dele, qualquer coisa é linda. Depois fomos andando até uma praça um pouco perto do parque enquanto comíamos algodão doce. Até que na praça Grudou um pouco de algodão no meu cabelo, ele foi tirar e acabou acariciando minha face e me puxando pela nuca e o resto você já sabe né? Hoho (6). Depois eu comentei do beijinho doce dele (foi impulso, eu não faria isso, você sabe (?)) E enquanto eu me matava por dentro, ele ria e me beijava mais, dizendo que adorava meu jeito de ser *---------* -morri,bjs. Então depois fomos caminhar na praia durante muuuito tempo, até minha mãe ligar e ele ter que ir me deixar em casa. Nossa! Foi tipo, PERFEITO. *-------* tinha que te contar *O*
Agora, indo para a parte chata, que é a sua vida (brincadeira kkkkkkkk), Na mata né? Haam... sei o que vocês estavam fazendo no matagal (6) kkkkkkkkkkkkkkkkkk , você anda me surpreendendo a cada dia. –parei, não me mate- Esse é muito devagar viu? Sei não... (não precisa falar que eu e demoramos anos,bjs.).
é legal? Hum... São todos gatos mesmo, decida-se amor. E me conte TU-DO. Fotos? Sim, quero fotos. Beeeijos gata! Morrendo de saudades de ti!
Capítulo 13
-
De: _@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Parte chata é? ¬¬’
HsuhsushushsuhUSH UHquhUHSUHkjskajskjksjksjaksaosdc,olsb (sim, isso foi uma risada ‘-‘ tão variando tanto hoje em dia, por que não posso criar a minha?-q).Aaaaaaaaaaaaah Pára TU-DO!! Você tá namorando?? Aaai não acredito!! Pensei que ia desencalhar (me imaginando uma baleia, credo.) primeiro que você D= Nossa! To tãão feliz por você! Sério! Você num faz idéia! Aprovo total o , você sabe, e fazem um casal lindo, meus parabéééns gata! Muita felicidade, sorte, purpurina, gliter e cola colorida nesse namoro *O* (?) Ah! Como está o Deep? Se divorciaram ou ele ainda é apenas um amante? Kkkkkkkkkkkkkk (aposto que você até esqueceu da existência dele).
Agora, indo para a parte chata que é a minha vida (mai teco ¬¬’)... Nós fizemos horroreees no matagal (6) nem te conto, proibido para menores de 18 [/mentira]. Gata, nem te conto, tá afim de uma guria aí, uma metida >.<” (?), e parece que também tá afim dela, enfim, fiquei na merda (?). Preciso de uma opinião sua... Me ajuda? *sorriso brilhante* Vocêsabequeeunãomeapaixonofácilassim mas algo aconteceu e eu acho que estou afim (sim, porque falando apaixonada eu me sinto ridícula, comofas?) do ... Só que aquele pedaço de pentelho falou uma coisa ridícula após me beijar (levei um fora Oê \o/), mas eu sinto (é, só sinto mesmo) que ele gosta de mim... aaaaarg raiva daquele imbecil >.<” vou atrás ou deixo ele vir atrás se quiser? Pego o ou não pego? Aquele outro, , também tá afim, mas... entre a cruz e a espada eu prefiro o , que é muito gente fina. Me ajuda? Obrigada. O e-mail chegou bem quando estava escrevendo no diário, vou voltar a escrever. Beijos, beijos, boa noite. Te lovu com U.
-
Depois que todos saíram do banheiro, decidimos ir para um parque, com poucos brinquedos que divertissem pessoas de nossa idade, mas que segundo , dava pra se divertir bastante. Fomos todos de ônibus, dessa vez fui ao lado de , que ficou me falando de cada parte da cidade que o ônibus parava.
Chegando ao parque, tivemos que enfrentar uma fila imeeeensa, cheia de gente (lê-se: crianças) pulando de alegria. Aquilo só lembrou-me Thiago. Depois que os ingressos foram finalmente comprados, subimos todos na montanha russa, pequena, porém amedrontadora. O que dava medo não era seu tamanho nem o número de voltas, já que isso não se via muito, mas sim a adrenalina de subir numa montanha russa já velha, sem saber se aqueles parafusos não soltariam e seu carrinho sairia voando por aí. Isso sim era emoção! Lembrar de não confiar mais em garotos que queiram me levar para parques “emocionantes”. Apertei o cinto e respirei fundo. Será que era a hora perfeita para arrepender-me de meus pecados?
- ! Minha proteção não tá travando! – Falei desesperada.
- O que? – Falou rindo ao olhar minha cara.
- , querido, é sério! Tem algo errado aqui! – Falei sacolejando a proteção que deveria estar imóvel por cima de meu tórax.
- Caraca! É mesmo! Moço!! A gente tá sem proteção aqui! – Gritou olhando para trás assustado.
- O que aconteceu? – Perguntou que estava no carrinho de trás.
- Minha proteção não tá protegendo!!! – Gritei desesperada numa tentativa de fazer o carinha responsável pelo brinquedo me ouvir.
- Não dá pra eu sair pra chamá-lo! Minha proteção tá pegando! To preso aqui já . – Falou me olhando sério.
- Então eu vou! – Falei levantando a proteção. Só que o carrinho começou a andar na mesma hora. – Heeeeeey!! Para isso! – Gritei desesperada.
- Abaixa isso ! – Gritou pra mim enquanto ele mesmo abaixava.
- De que adianta abaixar se não vai me proteger? Não tá pegando!! Não percebeu? – Falei sacolejando a proteção em desespero, enquanto o carrinho subia para depois descer num ângulo que me faria voar para frente e logo depois tinha um loop que terminaria de me matar caso a descida não o fizesse.
- Tenta segurar com força! – Falou segurando minha proteção.
- Meu amor, meu divo luxo, você não tá entendendo? Eu seguro com força, beleza, mas se minha mão for pra frente, o que vai segurar a droga da proteção? Vai mão e corpo todo pra frente! – Gritei com ele.
- Eu vou te ajudar a segurar, calma! – Falou . – O problema é que de lado não dá!
- Ai santa amora azul!! É hoje que eu morro! – Falei ainda tentando encontrar uma solução diante de mil pensamentos que me passavam pela mente. Então senti a proteção tocar meu tórax. Olhei para trás e me olhou com um sorriso no canto do rosto. Ele tinha feito alguma macumba braba pra conseguir tirar quase metade do corpo da proteção e esticar os braços, alcançando a parte de cima de minha proteção e a segurando com força. – Obrigada – Falei o olhando com dificuldade.
- De nada. Agora tenta se manter firme aí na frente também. – Falou me olhando preocupado. – , segura o máximo que você puder aí de lado.
- Pode deixar.
- E você ? Com essa proteção, você tá desprotegido assim! – Falei ainda tentando o olhar.
- Não tem problema. Fecha os olhos – Falou calmamente.
- O que? – Perguntei e olhei para frente. – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! Santa amora azul me transforme num avatar ou numa coisinha fofa azul mas não me deixe morreer!! – Falei enquanto mantinha meus olhos fechados e segurava forte a proteção, sentido-a escapar e voltar com os empurrões do e do .
Alguns segundos e a emoção passou, o carrinho andou lento até a saída, e então abri meus olhos. Saí ainda assustada daquele local, nem tinha fôlego pra brigar com o carinha, e disse que achava que não adiantaria muito, que depois ele viria falar com o gerente geral.
- Você tá bem? – Perguntou levantando meu rosto com sua mão.
- Ham? Ah... estou sim! Muito obrigada por não me deixar morrer! – Falei sorrindo aliviada.
- Já falei, você que não aprende. Eu sou o super ! – Falou e depois deu um sorriso colgate total 12.
- Claro super , obrigada mesmo! – Falei o olhando nos olhos, morrendo de vontade de agradecer abraçando, mas me contive.
- Vamos na máquina de dança? – Perguntou a surfista animada.
- Vamos! – Falou a puxando pela mão. E lá fomos nós naquela maquininha de dança.
Os únicos que dançaram foram , a surfista e . , eu e ficamos apenas olhando e torcendo para algum deles. Até que depois decidimos ir na roda gigante. puxou a surfista pela mão e entrou sozinho com ela num carrinho, olhando para e sorrindo esticado. pareceu ignorar aquela cena. E eu também tentei ignorar completamente. Não pelo , mas sim pela cara do . Então subimos nós quatro que sobramos. Sentei ao lado do , ficando de frente para e ao seu lado estava .
- Não vejo graça nesses brinquedos. – Falou esticando um braço por trás de e tentando olhar para o carrinho que estava.
- Claro, você num tá sozinho com uma garota. – Falou me olhando. Enquanto eu tentava não corar.
- Da mesma forma. Qual a graça? Isso roda devagar demais! – Falou olhando para o céu.
- Essa é a intenção de quando se está com alguém... pelo menos é o tempo e a velocidade mínima dessa coisa que eu aproveito quando trago alguém pra cá. – Falou – Fora que ninguém lá embaixo vê o que acontece aqui. – Continuou com um sorriso pervertido na face.
- Obrigada por aumentarem meu conhecimento sobre o que se passa na mente de garotos. É, não me importo mesmo de nunca mais me iludir achando que vocês nunca têm segundas intenções... – Falei revirando os olhos, enquanto os três começavam a rir.
Então nosso passeio no brinquedo mais lerdo da noite terminou, e logo depois entramos em mais uns três brinquedos. Mais agitados. Em um deles fiquei tão tonta que tive de sair logo e passar um tempo sentada, para não vomitar. Até que teve a brilhante idéia de comprar pistolinhas pequenas de água. Cada um pegou uma e encheu e continuamos a caminhar enquanto a segurávamos. Até, claro, espirrar água na cara do , que espirrou de volta nele, que quando foi devolver acabou batendo no , que jogou, mas sua péssima mira fez acertar minha cara, que fui devolver e ele desviou, então bateu na surfista (foi mau, hoho) e assim começou nossa brincadeirinha de jogar água um no outro. Quando menos esperava me vi numa situação hilária, digna de ser guardada. Num parque infantil, nós seis, os mais velhos do parque tirando os pais e avós que levavam as crianças, correndo, um fugindo do outro, enquanto tentávamos molhar quem do grupo estivesse em nossa frente.
Alguns minutos depois de muita correria e risadas, me deparei sem munição. Oh Gosh! Tinha que achar um banheiro com pia para recarregar a arma! Continuei correndo até que avistei a entrada que dava para a entrada dos banheiros, masculino e feminino. Quando virei a parede que dava nas entradas, tombei de frente com , que parecia bem posicionado para um ataque surpresa. E começou a me molhar enquanto eu gritava e o estapeava, dizendo que era injusto, já que não tinha munição.
- Você não é párea para o super ! Muhahahaha – Falou espirrando água em mim.
- Tá bom! Já entendi! – Falei rindo enquanto tirava a água de meu rosto, mesmo ele jogando mais.
- Não vou gastar toda munição com você. Muita sorte a sua... – Falou me olhando.
- Tá né! Então para de espirrar isso em mim! – Falei.
- Não to espirrando nada... – Falou e então nós dois olhamos para cima.
- Oh gosh... vai chover! – Falei olhando o céu.
- Já tá chovendo... – Respondeu revirando os olhos.
- Não, tá chuviscando, é diferente! – Falei sorrindo. E então foi como praga, começou a cair um toró (temporal) bem em cima de nós. Tá, em cima do parque inteiro.
- Vem! Entra aqui! – Falou me puxando para o banheiro.
- seu louco! Isso é o banheiro masculino!
- Não tem ninguém aqui! – Falou trancando a porta.
- ? – Falei o olhando de lado.
- Que foi? – Falou tirando a camisa.
- ...?
- Pode tirar a sua, não me importo. – Falou sacolejando sua camisa no ar para secá-la.
- Erm, obrigada... Mas não, eu me importo. – Falei sorrindo falso.
- Você que sabe. - Falou rindo.
- O que é isso no seu...? – Falei e ao mesmo tempo percebi do que era aquela marca roxa no tórax dele. O modo como ele ficou na montanha-russa, seguido de todo o impulso que jogava nosso corpo para frente naquele carrinho, com certeza havia o machucado bastante. Ele não tinha falado para ninguém.
- Não precisa se preocupar, uns dias e sai. Sério. – Falou sorrindo e logo depois voltou a sacolejar a camisa. Então sorri agradecendo.
- Sabe, ? – Perguntei indo me olhar no espelho.
- O que?
- Não adianta tirar a camisa... você não me atrai, se contente com este fato. – Falei com um sorriso cínico na face. Enquanto demonstrava preocupar-me exclusivamente com meu cabelo.
- Então é como se fôssemos dois homens num banheiro masculino? – Falou dando a entender que iria abaixar as calças para usar o mictório.
- Não me atrair por você não significa que eu seja lésbica, tá ligado? – Falei sorrindo sarcástica enquanto o olhava pelo espelho. – Nem ouse fazer isso. – Falei séria.
- Você decora tudo o que eu falo garota? – Falou tirando a mão das calças e gargalhando.
- Só um pouco. – Falei rindo. Enquanto me virava para ele.
- Sua blusa está suja de molho de cachorro-quente. – Falou apontando.
- Onde?
- Aqui. – Falou se aproximando e tocando na parte de trás.
- Daaaanosse! Pra mim eu uso a coluna vertebral pra comer! – Falei rindo.
- Erm... isso eu não sei... mas quando esbarrou em você, não foi de propósito.
- Não? – Perguntei o olhando séria.
- Não... eu sei que você se acha demais né, deve ter achado que foi, mas ele caiu mesmo, e na hora melou sua blusa de molho, mas ele fez sinal pra ninguém avisar, pra você não tentar matá-lo. – Falou rindo.
- Nãão!! Eu andei esse tempo todo com a blusa suja? – Falei tentando olhar o sujo pelo espelho.
- Erm... Foi! – Falou sorrindo.
- Me dá sua blusa! – Falei esticando a mão.
- Erm... sua louca! Querendo cheirar meu suor! – Falou rindo enquanto estendia a camisa.
- Vira de costas, eu não toco na porta desses banheiros públicos e ainda mais masculino, só Deus sabe o quão sujas devem ser.
- Vai logo... – Falou se virando de costas enquanto tirava minha blusa e vestia a dele. - Vai logo com isso, não vou sair daqui sem camisa.
- Calma... – Falei colocando minha blusa embaixo da torneira e esfregando, para tirar o excesso.
- Já terminou?
- Não.
- E agora?
- Não.
- Agora sim né?
- Não.
- Hum... E agora?
- Pronto! – Falei me virando e me deparando com ele bem atrás de mim. Ficamos nos olhando por um tempo, enquanto minha mão com a blusa tocava seu tórax. Pareceu séculos o tempo que ficamos nos olhando. Queria desviar o olhar, mas ao mesmo tempo não queria. Nossos olhos continuavam fixos, olhando um para o outro. Até que se inclinou um pouco e passou a mão em meu rosto, tirando uma mecha de cabelo molhado que estava lá. Desceu a mão até meu pescoço enquanto nossos rostos estavam incrivelmente perto. Até que... ouvimos fortes batidas na porta e era e perguntando se estávamos lá dentro.
- Tem um sujo aqui! – Falou fingindo tirar algo inexistente de meu pescoço e se afastando rapidamente de mim, enquanto virava de costas e eu tirava sua camisa, vestindo a minha.
- Toma! – Falei jogando sua camisa para ele.
- Estamos sim! Vou abrir! – Gritou colocando a camisa e abrindo a porta, enquanto eu me posicionava num local bem distante dele.
- O que vocês estão fazendo trancados aí? – Perguntou me olhando.
- Nos protegendo da chuva? – Perguntei inocente.
- E por que trancar a porta? – Perguntou nos olhando, tentando encontrar alguma prova de algum crime.
- Pra não tumultuar, se não ia acabar vomitando em cima de todo mundo, do jeito que é. – Falou apontando pra mim, como se dissesse “problemática”.
- Também te amo... – Falei irônica, revirando os olhos.
- Eu sei. – Falou sorrindo.
Então os dois garotos parecem acreditar duvidando, se é que dá para entender, na nossa história. Encontramos e a surfista na cantina, nos esperando, e pegamos um ônibus de volta ao hotel. Quando estávamos todos entrando, e a surfista pegaram outro caminho, indo para a praia, para treinar para a competição do dia seguinte, ou algo do tipo. Os ouvi combinando algo no ônibus, porém não pensei que fosse ainda aquela noite. ainda ficou um tempo me encarando, como se esperasse uma resposta rápida tanto sobre a cena no banheiro como sobre seu pedido para ficar comigo. Tudo bem que meus dias no Havaí já estavam acabando (?) mas também não era assim... Aquela pressão toda realmente me incomodava.
Cheguei ao quarto e Thiago estava jogando vídeo-game, acenei para ele e fui tomar banho e vestir o pijama. Deitei na cama e fechei os olhos, tentando dormir. Porém, por mais que insistisse, os pensamentos não paravam de vir. Tanto o que estava acontecendo comigo e com , como a proposta do . Eu estava confusa, bem confusa. Não em saber QUEM eu queria, porque isso tinha ficado bem óbvio pra mim, mas saber se não seria mais fácil usar um, para esquecer do outro. Que seja. Decidi não me perturbar mais com isso, então levantei da cama num salto e sentei no chão para jogar com Thiago.
- Aaah muleque! Eu sou demais! – Falei levantando um braço enquanto fazia uma dancinha tosca, sentada mesmo.
- Sorte de principiante... – Falou Thiago um pouco triste.
- Você sempre fala isso... – Falei fazendo careta.
- Mas.... mas é porque eu venço de todo mundo!
- Mas não vence de mim! Lero-lero!
- Venço siiiiiiiiiiim! – Falou colocando as mãos no quadril e fazendo cara do “poderoso chefão” (?)
- Isso foi um convite para uma revanche? – Falei levantando uma sobrancelha.
- Sim, sim, foi sim! – Falou ele enquanto colocava “retry” no jogo.
- Aaaaaaaah Thiagooo! Não apele tanto assim! – Falei dando o máximo de mim.
- Hahahaha agora você vai ver quem é o mestre!!
- É???? Não te dou sorvete amanhã!
- Você num ia me dar mesmo!
- Eu... eu ia (?)
- Ia?
- Não... hoho
- Sabia. Eu sou muito esperto.
- Ahaam.... minha coisa esperta fooofaaa! – Falei largando o controle e abraçando-o (lê-se apertando-o, esmangando-o).
- Aaaaaaah vou morrer sem aaaaaaaar!!!
- Coisa fofa da guti-guti!!!
- Só porque eu tava ganhaaaaaaaandoo! – Falou ele ainda sendo apertado.
- Que nada Thiago! – Falei e comecei a rir.
- Você perdeu.
- Eu? Eu nada deu empate.
- Deu nada! Eu... eu tava na sua frente!
- Eu só deixo você ser o campeão dos campeões se fizer massagem nos meus pés...
- Eu não.
- Vaaai amoooreco da ...
- Não... você não sabe perder...
- E se eu te der um sorvete e admitir derrota?
- Na frente de todo mundo?
- É... na frente de todo mundo (?)
- Então tá!
Me joguei na cama e Thiago começou a massagear meus pés, ele era um ótimo massageador, principalmente porque as mãozinhas dele ainda eram pequenas e até delicadas. Consegui relaxar bastante não só com a massagem, mas ouvindo como tinha sido o dia dele. Ri bastante dele contando que viu um menino na idade dele, querendo bater numa menina de mesma idade, daí ele foi lá defender e deu um soco no menino, mas a perna dele ainda tava doendo do chute que levou. Hahahahaha, Estou ensinando meu irmão a ser um cavalheiro ele será aqueles guris que as garotas moorreeem por eles. Ai, ai... vai fazer pouco.
Não percebi muito bem a hora que dormi, mas Thiago já estava deitado em sua cama, apenas tagarelando algo enquanto eu apenas respondia “aham, uhum...”. Morrendo de cansaso e de sono.
Capítulo 14 – Dia da competição.
Eram oito horas da manhã quando senti o sol fulminar meus olhos, mesmo eles estando fechados. Cobri meu rosto com o travesseiro, mas não adiantou muito. Decidi levantar-me, e me arrumar para ver se ainda tinha café ou eu teria que pedir algo no bar de novo.
Enquanto penteava minhas madeixas, lembrei que era hoje (tá, agora são quase meia noite, mas isso não vem ao caso) o dia da competição de surf. E tinha me avisado que estaria na competição de hoje, e eu lhe prometi torcida garantida... preguiça de ir à praia com esse sol horrendo. Procurei um boné e lá fui eu!
Peguei um táxi e cheguei à parte da praia que teria a competição, que estava... cinco vezes mais cheia que o normal? É, acho que era isso mesmo. Comecei a andar por lá, pedindo licença para as pessoas, até que consegui avistar o , que parecia procurar alguém enquanto ficava na ponta dos pés. Andei mais um pouco e acenei para ele, que me acenou de volta sorrindo. Quando cheguei até ele, deu para ver que , e a surfista de cabelo curto também estavam lá, só que um pouco mais para frente.
Foi então que depois ficamos todos juntos.
- Nem sinal de vida deles? – Perguntou .
- Nenhum... – Respondeu .
- Será que ela desistiu? – Perguntou a surfista.
- Não é possível... ela treinou tanto! – Falou .
- Vocês já tentaram ligar para... – Tentei falar, mas fui interrompida.
- JÁ! – Responderam todos me olhando.
- Vocês estão falando da surfista, a outra – falei olhando para a de cabelos curtos – né?
- Exatamente. Ela e o ainda não deram as caras por aqui! Eles saíram de manhã do hotel pra treinar e não voltaram mais! - Falou parecendo realmente preocupado. Enquanto eu, bem, eu dei quinhentos mil murros e depois enforquei o em meus pensamentos por ele ser tão... ridículo? Ou canalha? Não sei um bom adjetivo no momento, a raiva ainda me consome um pouco. Tsc.
Alguns minutos se passaram e a competição enfim começou. Parecia que só eu estava incomodada com aquele sol me torrando até a alma, mas tudo bem, com o clima de preocupação que me rondava, não ousaria abrir a boca para comentar nada.
- Vou procurá-los! – Falou parando de andar em círculos.
- Você tá louco? E se não chegar a tempo pra a SUA competição? – Falou .
- E se aconteceu algo realmente grave? Ela não faltaria assim, do nada! – Replicou .
- Calma gente! Eles vão ter que aparecer, se não aparecerem, os únicos culpados serão eles mesmos! – Eu ia terminar minha frase com um “de estarem se agarrando nessa hora”, mas os olhares que recebi já foram suficientes para me calar a boca.
- Eu vou! – Falou .
- Oi geeeeeeeente! – Gritou a surfista de cabelos compridos. Ela vinha seguida do .
Patéticos. Aaaaaarg. Senti meu coração ser esfaqueado quando ele me olhou, mas por fora parecia que nada acontecia, claro. Sou diva luxo, beijos.
- FINALMENTE! – Gritou .
- Fui pegar a prancha boa antes. – Falou a surfista chegando mais perto.
- E aew, o cara liberou? – Perguntou .
- Liberou, foi até fácil. – Respondeu .
Então um carinha lá anunciou a segunda parte da competição feminina, que era a que as duas surfistas participariam. Elas pareciam muito nervosas, e claro, todos os garotos ficaram dando conselho de manobras, as mandando respirarem, dizendo o quanto eram magníficas! Deusas! Em cima de uma prancha e blá blá blá... Eu só consegui dizer “vocês conseguem!”. Não que tenha algo contra elas, mas a raiva que tinha por uma estar saindo com o , depois que eu descubro que gosto dele, bem, não consigo explicar (?). As duas saíram “correndo” enquanto nós parávamos num local que desse para vê-las sem sermos atrapalhados. Porque ao contrário de filmes americanos que tem pouco dinheiro para figurantes, ali tinha muito! E tava mais cheio do que nos filmes.
As duas começaram muito bem... Tá, parei. Quem sou eu para comentar? Mas foi isso que o cara que anunciava as coisas da competição falou. Falou que todas as quatro começaram muito bem. Só que de lá, só sairia uma vencedora. Empates eram incrivelmente difíceis nessa altura do campeonato. Elas estavam esperando a onda certa chegar (?) até que todas começaram a nadar em direção a onda, levantaram e pimba! Começaram a surfar, daquele tipo de surf que só se vê em comercial de verão ou do globo esporte [n/a: lembrem-me de cobrar por fazer comercial].
Todos estavam com os olhares fixos nas garotas. Até que, no momento em que todas viraram a prancha para um lado, a surfista de cabelos longos pareceu não conseguir virar. “Toma!” (ou se preferir, Chuuuupa), foi a primeira coisa que pensei. Mas depois me arrependi, quando a vi ser engolida pela onda por não fazer a manobra certa. Ela caiu com prancha e tudo, e a prancha pareceu bater em sua cabeça, formaria um calo enorme! A competição continuou normalmente, até que a surfista embolou com mais uma onda que veio e foi quando todos (inclusive eu que não entendo muito) perceberam que ela provavelmente tinha desmaiado, pois não se movia. Seu corpo afundou enquanto a prancha continuava presa em seus pés, cujo direito estava ainda acima da água, passando por cima da prancha, como se estivesse preso. Depois de olhar a cena, a primeira coisa que vi foi uma rápida, mas rápida mesmo, olhada entre e .
Os dois saíram correndo em disparada para o mar. Enquanto anunciaram no microfone que as surfistas restantes não precisavam fazer mais manobra alguma, os pontos seriam dados pela qualidade naquela, pois perceberam algo estranho acontecendo com a que caiu. e nadavam numa velocidade incrível! Ambos desesperados. Até que a levantou nos braços enquanto desatava seu pé da prancha. Assim que terminou, saiu nadando segurando a surfista e nadava rapidamente trazendo a prancha.
chegou pouco antes de à areia, e assim que chegou ao raso, segurou a surfista nos braços e saiu correndo para a areia, deitou-a no chão e o empurrou. Começando a fazer a respiração boca-a-boca. Enquanto todos, inclusive , apenas observavam a cena.
Depois de algum tempo de respiração, a surfista tossiu um pouco, jogando a água para fora. E abriu os olhos, parecendo confusa. Depois colocou a mão na cabeça e se encolheu na areia. A surfista de cabelos curtos chegou correndo para falar com ela. Só escutei ela falar que tinha perdido a competição, mas não era culpa dela, a prancha prendeu no seu pé, não entendi direito o que ela explicou. Mas chorava bastante. e a abraçavam e diziam que estava tudo bem, que sabiam que ela era boa, que era a primeira falha dela durante o campeonato e tudo mais. Ela pediu para voltar ao hotel, então os três se levantaram. Porém, ela mandou, é, mandou; ficar, pois ele teria competição, e nenhum argumento do lhe foi suficiente para que ela permitisse ele parar a competição ali.
- Vença por mim! No meu lugar... – Falou a surfista sorrindo.
- ... – apenas a olhava, com um olhar triste e preocupado ao mesmo tempo. e ela saíram abraçados de lado, mas na verdade ele a carregava, ela andava mancando. Não entendia muito bem porquê a competição do não era no mesmo dia da do , mas tudo bem. Algo como ele já estar na etapa mais avançada ainda, por isso a competição só seria depois.
Esperamos mais algumas etapas da competição feminina, então , e participariam. Estavam todos bem nervosos. Quando anunciaram, e saíram correndo na frente, enquanto se virou para olhar-me, e se aproximou.
- Você acredita que eu possa vencer? – Perguntou me encarando.
- Erm... Claro que sim! Você é capaz! – Falei sorrindo.
- Eu vencer, significa e perderem, você deve saber...
- , eu estou torcendo para os três, vou ficar feliz e abraçar aquele que vencer, independente de quem for. - Falei séria.
- Abraçar é? – Falou levantando uma sobrancelha.
- Vai embora! – Falei rindo. Então ele saiu correndo para sua posição.
Alguns minutinhos depois e estavam todos dentro da água. Surfando. Eu apenas observava e imaginava como aqueles seres conseguiam se equilibrar em cima daquilo. Depois que você tenta, passa a valorizá-los. Haha. A competição estava ou pelo menos parecia aos meus olhos, bastante acirrada. As manobras eram praticamente iguais, poucas eram feitas com maior perfeição. E a dos três garotos, como treinavam juntos, eram iguaaais! Gooosh! Como os jurados decidiriam aquilo? Empate? Nhunffas....
Os outros surfistas já haviam sido descartados, com certeza, um até caiu da prancha, mas não desmaiou nem nada, hehe. Até que depois de “algunas cositas más”, todos saíram do mar para esperar o resultado. PS: a surfista de cabelo curto havia ganhado aquela etapa da competição feminina.
Assim que saiu do mar, entregou sua prancha para segurar e saiu correndo para o hotel, acenou dando “tchau” para mim. Alguns minutos depois, e o ganhador foi anunciado. Era . Ele vibrou de tanta alegria enquanto apertava sua mão, admitindo a derrota. Depois se virou alegremente para mim enquanto eu estava pulando e batendo palminhas, ele veio correndo em minha direção e abraçou-me, me girando enquanto gritava de alegria. Eu apenas ria.
Depois voltamos rápido para o hotel, mas a surfista estava no hospital, apenas alguns exames para ter certeza que nada sério havia acontecido. e foram para o hospital na lambreta, enquanto eu fui almoçar e depois fui direto para meu quarto. Tomei banho e depois fiquei pensando no ... na surfista... no ... na surfista...no que ainda parecia estar disposto... e por fim do , que parecia ter desistido, mas sabia que a hora que quisesse, ele estaria disposto, claro, afinal, ele é homem. Haha.
Olhei pela janela e avistei Thiago na piscina, brincando com algumas crianças, ou brigando, não entendi bem o que estava acontecendo ali, já que onde estava ficava realmente alto. Peguei minha câmera e transferi todas as fotos que tinha para o laptop e depois passei para um pendrive, pra ficar bem seguro. Coloquei uma música bem alta para tocar enquanto pulava e dançava, tudo para não pensar o que não queria pensar e em quem não queria pensar.
Pulei tanto que fiquei cansada, então me joguei na cama, peguei o iphone que estava carregando, e fui ver meus e-mails. Legal, meus tios estavam em lua de mel, acho que meus pais tinham decidido fazer uma também, e todos os amigos que fiz aqui estavam no hospital.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Obrigada pela
Purpurina e gliter *--* vão ajudar com certeza (?) kkkkkkkkkkkkkkkk. Caracaa espero que nosso namoro duree!! Eu gosto tanto dele ;-; você sabe. Aaaaaah o Deep? Haha, ainda estamos juntos baby, ele não tem ciúmes kkkkkkkkkkkkkkk.(Sim, já tinha esquecido da existência dele).Paaaaaaara TU-DO!! O garoto do banheiro falou o que após te beijar? Nem sabia desse beijos! Não acredito! Estou começando a não gostar mais dele! Aaaah que gay! O que ele falou? O que essa menina tem em? mel nos lábios é? Aff! Até o bofe tá afim dela? Or, or. Bem, como você acha que o gosta de você? O que ele te falou pós-beijo criatura????? *desespero mode on* Sabe? Se ele não tiver afim, peeega o amor, mostra a ele que “se tu não quer, tem quem queira” já dizia alguma música! E outra, ele vai ficar arrasado porque a bofa “dele” já tem outro. MUahahahahhaha. Por isso que não entendo garotos. >.<” depois dizem que as complicadas somos nós, até parece ¬¬’ aff. Beijos amor, fique beem...
-
De: _@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Atóóron o Deep
Anexo: Fotos casório.
Não ter ciúmes, em? hahahaha. Só você mesmo...Coloquei algumas (muitas) fotos aí para você ver. Tentei não olhar para elas, principalmente a que tiraram enquanto eu e dançávamos *chora*, parei. Erm... realmente tá querendo ficar comigo. Mas nossa! Vou me sentir super mal me aproveitando dele (?). Ou não? Aaaaaaaah como estou confusaaa! Não vi ele beijando a guria! E se eu ainda tiver alguma chance e depois que pegar o elas sumirem? Sim, porque ele ficou todo “tenso” só de nossos braços e pernas se tocarem no cinema, ele eu digo o . Eu não quero lembrar do que ele me falou, mas praticamente ele me beijou só por beijar mesmo. E , bem, também me beijou, no banheiro do shop, mas nossas línguas não fizeram malhação juntas, mas quaaase fizeraam. Eu o empurrei antes que alguém visse a cena. Onw onw estou tão confusaa! Agora estão todos no hospital cuidando da surfista de cabelo longo! Vou chorar! Beijoos, saudades de você!
-
Capítulo 15
Depois de mandar meus e-mails e escrever no diário, acabei dormindo o restante da tarde e emendando com a noite. Era a forma mais fácil de não pensar em ninguém, mesmo que sonhasse com eles, eu estaria inconsciente quando o fizesse.
Acordei com o rosto amassado e com a marca do lençol. Massageei até que a marca saísse e eu pudesse descer para jantar. Quando cheguei ao salão, , e a surfista de cabelos longos estavam sentados juntos, numa mesa. Quando me viu, acenou para que eu fosse sentar com eles, mas fiz uma careta e indiquei que tinha que sentar com minha família. Ele pareceu entender. E a surfista fez uma carinha triste, rum, cara de pau. continuou com a mesma cara de paisagem que estava fazendo ultimamente quando me via, como se eu pouco importasse para ele.
- ... Por que não quer mais me ensinar a surfar? – Perguntou Thiago enquanto comia, fazendo carinha triste.
- Ele deve estar ocupado com outras coisas Thiago, eu não sei da vida dele... – Respondi tentando não parecer ríspida.
- Mas, ele me prometeu! Ele até começou a me ensinar com uma prancha menor!
- Mas agora ele não tá podendo, Thiago.
- Mas... você num já aprendeu?
- Não, eu não sei de nada...
- Já aprendi a nadar! Quero aprender a surfar! – Falou irritado.
- Se irrita não... você está parecendo aqueles garotinhos mimados, te ensinei a ser assim? – Falei séria.
- Não... mas...
- Sem “mas” Thiago! Amanhã ou depois ele te ensina! Sem pressa!
- A gente já vai embora no domingo!
- Dá tempo de aprender daqui pra lá.
- Não dá nada, você num aprendeu!
- Mas você é inteligente, aprende.
- Você também é.
- Não para esse tipo de coisa...
- ... – E então finalmente a “discussão” acabou.
Depois do jantar, eu e Thiago fomos para a área da piscina, ficar conversando besteira, de como tinha sido o dia dele, enquanto balançávamos nossos pés na piscina. Ele falou que tinha discutido mesmo com uns garotos, mas ele era forte, para eu não me preocupar. Hahaha. Até que senti que alguém estava atrás de mim, virei a cabeça para trás e vi o . Ali, parado. Sem ninguém ao seu lado. Me olhando. Arregalei os olhos e voltei a olhar para a piscina.
- Thiago! Pode me deixar sozinho com sua irmã? – Perguntou .
- Você não me ensinou a surfar ainda... – Falou Thiago numa chantagem.
- Eu te ensino amanhã! Prometo!
- Vai ensinar nada...
- Thiago, vai pro quarto. – Falei o olhando, pedindo com carinho.
- Tudo bem... – Falou com a cabeça para baixo.
- Tudo bom? – Perguntou-me .
- Sim, e com você? – Perguntei ainda olhando a piscina, enquanto ele sentava ao meu lado.
- Bem também.
- Hum...
- ...
- ...
- O que aconteceu com a gente em? – perguntou me olhando.
- Eu não sei, talvez eu não seja madura o suficiente. – Falei e ri debochada.
- Como assim?
- Será que não estou preparada para ser beijada e saber que não significou nada mesmo? Bem, talvez não...
- Ah!
- Pois é... Mas, não se preocupa – Falei e o olhei sorrindo, mesmo que o sorriso não fosse verdadeiro. – Está tudo bem agora!
- Desculpa.
- Hum? – Falei surpresa.
- É, eu fiquei muito irritado naquela hora, pensei que você tivesse dado a coca para o ... e que tinha esquecido do meu pedido... – Falou abaixando a cabeça.
- Aaaaah... não acredito! – Falei rindo.
- Pois é.
- Só isso? – Perguntei me referindo a suposta “declaração”.
- É. – Falou me olhando. – Fui falar com o e ele me explicou tudo.
- Tudo, TUDO?? – Perguntei.
- Sim... tudo, TUDO!
- Oh gosh... tudo até aonde? – Perguntei lembrando-me da parte que me consolou na praia.
- Até a parte da declaração não ser uma declaração. – Falou me olhando nos olhos.
- Ah... que bom... – Falei sorrindo, enquanto o olhava.
- ...
- ?
- ? – Perguntamos na mesma hora.
- Fala você primeiro! – Falamos juntos e começamos a rir. Ele havia se aproximado mais, nossos ombros já se tocavam.
- Eu não sei como... – Ele começou, a voz fraca, eu apenas o olhava. Enquanto o nervosismo aumentava. – Sabe quando você não é tímido ou não tão tímido assim, mas na frente de uma pessoa fica? Ou quando você acha que pode falar o que quiser, mas na frente daquela pessoa não sabe o que falar?
- Sei... – Respondi com a voz fraca.
- Então... ran ran! – Falou pigarreando, tentando manter a voz firme. – Esquece. – Falou e colocou uma de suas mãos em minha nuca, acariciando-a, enquanto mantinha seus olhos nos meus. Me virei mais para o lado e passei uma de minhas mãos por trás de sua cabeça, passando por seu cabelo. Nós dois sorrimos de lado e nos beijamos. Assim que nossos lábios se tocaram, senti como se um choque daqueles quando você bate o cotovelo em algum lugar, passasse por todo o meu corpo, até a pontinha do dedão do pé.
Nossos lábios se abriram na mesma hora, mesmo não querendo, estávamos em sintonia. Senti seu braço livre me envolver, puxando-me para mais perto, então o ajudei, colocando minha outra mão em sua nuca, nos aproximando mais, enquanto aprofundávamos o beijo. Não sei quanto tempo aquilo durou, mas foi o necessário para deixar meu coração batendo violentamente contra meu tórax. Nossos lábios se separaram e nós dois sorrimos, de satisfação, enquanto nossas testas se tocavam. Poderia passar horas sentindo aquilo, o simples toque de nossos corpos já me eletrizava por dentro.
Então nos separamos um pouco e ficamos olhando um para o outro. Com um sorriso no canto da boca.
- Por que demoramos tanto para fazer isso? – Perguntou , soltando um riso tímido.
- Não sei... talvez sejamos muito teimosos... – Falei sorrindo.
- Você que é. – Falou sério.
- Nheem.... – E então rimos juntos. – Eu tinha razão, o que você me disse depois daquele beijo...
- Desculpa mesmo, fiquei irritado...
- Com ciúmes, admita. – Falei rindo.
- Irritado...
- Tem certeza?
- Só um pouquinho assim de ciúmes – Falou mostrando com o dedo.
- Sei... – Falei rindo. – Mas... não posso nem reclamar. Morri de ciúmes hoje quando você foi levar a garota no hospital!
- Como assim? – Perguntou ele sério, meio risonho.
- Sabe, era pra você ter pedido pra a amiga dela levá-la! Vocês garotos não entendem que nós morremos de ciúmes, pelo menos nesse tipo de situação?
- Você tá falando sério?
- Claro!
- Então você acha que eu teria que deixá-la naquele estado só para você não ficar com ciúmes e só pra ficar com você? – Perguntou sério. Erm... sua fisionomia começava a mudar.
- Não deixá-la naquele estado! Mas tinha muita gente para ajudá-la! E você parecia tão preocupado, tão quanto o ! E como assim SÓ para ficar comigo? – Perguntei o olhando.
- Você é bem diferente de como pensava... – Falou com uma voz decepcionada e se levantou.
- Hey! Dá pra me escutar? – Falei me levantando e indo atrás dele.
- Você já falou o suficiente, não acha?
- Que droga! Por que você sempre fica irritado? CLARO que não era pra deixar a guria morrer! Só comentei que fiquei com ciúmes, tudo bem?!
- Por isso não apareceu no hospital, né?
- Também! Mas também porque não tinha como ir!
- E você ainda afirma?
- Quer que eu passe a mentir? Porque se quiser é só pedir! Aah como você é irritante! Leva a garota pro hospital! Pra onde você quiser, tudo bem? Eu falo uma coisa e você aumenta mil vezes!
- CLARO! Parece que você só pensa em si mesma!
- Quem sabe alguém aqui tem que pensar um pouco em mim, não? Porque tudo que eu falo e faço é errado! Será que eu SEMPRE ERRO droga?
- Não dá pra discutir com você, no seu mundo, você sempre é a vítima! Pode apostar que não adianta quantas vezes você ficar com ciúmes dela, eu SEMPRE vou correr para ajudá-la! Ela é tão importante pra mim quanto você, quer saber? Pode ser até mais! – Falou gritando.
- Hahahaha, faça-me o favor , quem está se fazendo de vítima agora? Sério? Por que você está aqui então? Vai logo atrás dela garoto! Me deixa!
- É. Vou mesmo! Aproveita e vai procurar o ! Qual é? Não gostou do beijo dele? – Perguntou me encarando.
- Como... assim? – Perguntei confusa.
- É, eu vi. Só que fiquei calado, na minha.
- Então você também deve ter visto quando eu o empurrei!
- Vi. Mas e daí? Deixou ele te beijar! Depois fica com ciúmes porque...
- E você não me fala nada que viu? – Perguntei.
- Ia adiantar de que? Quer saber? Que se dane, já perdi tempo demais discutindo com você. – Falou e saiu andando rápido.
Garotinho idiota... Pensei. Por que toda vez algo tem que dar errado bem quando eu fico feliz ao lado dele? Que irritação toda é essa só por causa da surfista? Hahaha. Estúpido! Morra afogado amanhã na sua competição! É. Isso mesmo.
Olhei para a piscina, a piscina olhou para mim. Então mergulhei de roupa nela, sem me preocupar se alguém reclamaria ou não. Comecei a nadar por baixo d’água até que meu oxigênio acabasse completamente. Subia, recuperava o fôlego e afundava novamente. Nadava rápido sentindo a água passar por meu corpo, enquanto causava uma dor no pulmão, por falta de oxigênio, tentava esquecer o aperto, a dor, que estava realmente no coração. Não sei bem quanto tempo passei na piscina, afundando, recuperando o ar e mergulhando novamente. Mas me ajudou bastante a não ficar pensando no a cada segundo.
Saí da piscina e estava tremendo de frio. Legal, não havia trazido toalha alguma, e a que estava com Thiago, ele levara quando foi para o quarto. Lá vou eu aparecer na recepção toda molhada e molhando tudo, acho que vão querer me matar, que legal [/não]. Sentei numa espreguiçadeira e encolhi o corpo, tremendo de frio, enquanto esperava um pouco de água escorrer do corpo, para não molhar muito o hotel. Estava decidida a não deixar uma lágrima sequer cair por causa de um garoto como o . Minha mãe dizia que no momento da raiva, falávamos até o que não queríamos, mas... falar que ela poderia até ser mais importante para ele do que eu? Toda fala, mesmo que sem pensar, tem um fundo de verdade. Mesmo que eu não quisesse acreditar nisso naquele momento.
Depois de alguns minutos, levantei-me e fui direto para o quarto. Já era tarde da noite. Entrei no banheiro e passei um bom tempo na banheira, afundando minha cabeça em meio a tanta espuma. Terminei de arrumar-me e fiquei um bom tempo vendo tevê. Deu meia noite e Thiago não chegou ao quarto. Desci na recepção e perguntei por ele, a moça falou que não tinha o visto. Estava andando apressada pelo hotel, quando esbarrei com e .
- Vocês viram o Thiago? – Perguntei preocupada.
- Não... ele estava na praia comigo, mas disse que estava voltando pro hotel, depois disso não o vi mais. – Falou .
- ! Você não viu o Thiago? – Perguntei aflita.
- Essa brincadeira de novo? – Falou sério e depois riu sarcástico.
Olhei séria para ele e corri para a área da piscina, ele também não estava lá. Fui até a parte que dava para ver a praia e fiquei tentando o avistar por ali, quem sabe não tinha voltado, ou estava perdido do hotel. É. Poderia ter se perdido. Saí correndo do hotel para a praia, caminhando para o lado que sempre íamos, e que ele sempre nos via indo. Lá estava ele. Parado olhando o mar. Longe de onde eu estava, mas reconheceria aquele tico de gente de qualquer lugar. Ele então subiu uma prancha de surf e entrou no mar a arrastando.
- THIAGOOOOO!! – Gritei correndo até ele. Acho que por estarmos muito longe ele não escutou. Corria desesperada enquanto o via entrar no mar e tentar se equilibrar com a prancha. As ondas estavam incrivelmente violentas, como acontecia todas as noites. A prancha boiava enquanto via Thiago ser engolido por uma onda, enquanto mexia os braços, tentando nadar. Enquanto corria o mais depressa possível, as lágrimas escorriam em minha face. Nunca tinha sentido aquilo antes. Entrei no mar e mergulhei, nadando em sua direção, enquanto as ondas me jogavam para trás e depois me puxavam mais para o fundo. Mas parecia que naquele momento nada poderia me impedir de chegar até ele. Meu irmão dependia de mim, e não seria eu que o deixaria na mão. Nadava rápido e com força nos braços, tentando vencer as ondas enquanto entrava água em minha boca.
– THIAGOOO!! – Gritei novamente enquanto esticava minha mão para puxar a sua, ele ainda parecia estar um pouco acordado, me olhou feliz e estendeu sua mão, segurando a minha. O puxei para perto de mim e o abracei com toda força que tinha enquanto mais uma onda nos engolia. Tentei achar a prancha para nos apoiarmos nela, mas era inútil, já estávamos longe demais dela.
Thiago começou a tossir água e eu o abracei firme, dizendo que iria ficar tudo bem. Ele estava desesperado, começou a me abraçar pelo pescoço, mas com muita força.
- Calma Thiago, por favor, solta meu pescoço, você não vai se afogar, eu estou aqui, só não consigo respirar direito assim! – Falava enquanto tentava nadar sem mergulhar.
- EU NÃO QUERO MORRER!! – Gritava Thiago enquanto chorava e me enforcava sem perceber.
- Thiago! Solta meu pescoço! Eu não vou deixar você morrer!! Com você segurando aí, não dá para nadar! Se eu tentar nadar nessa situação aí sim vou te afogar! – Falei e depois soltei uma de minhas mãos dele para tirar as suas de meu pescoço. Tentativa frustrada, quando tirei a mão, ele me apertou ainda mais. Fomos engolido por mais uma onda.
Abri os olhos e vi o rosto do junto ao meu, me olhando preocupado. Tentei levantar, mas minha cabeça tombou para trás, porém, antes que caísse, me segurou em seus braços.
- Thiago! – Gritei - Cadê meu irmão? – Perguntei começando a chorar e olhando para os lados.
- Está mais pra lá, com o , tá vendo? – Falou , calmo enquanto apontava para o local.
- Eu preciso vê-lo! – Falei me levantando, mesmo que ainda tonta.
- Vem comigo! – Falou me segurando de lado. Chegamos juntos deles e Thiago já estava acordado, com uma carinha de cansado e doente ao mesmo tempo, estava levando algumas broncas do .
- Meu amor você tá bem! – Falei o abraçando.
- Desculpa , desculpa eu ter te enforcado! – Falou Thiago me abraçando, ainda fraco.
- Nunca mais faça isso, entendeu?! Você quer que eu morra? – Falava o abraçando cada vez mais forte, enquanto chorava, mas agora de alegria.
- É melhor levarmos vocês dois para o hospital. – Falou enquanto olhava para , que confirmava com a cabeça.
Passamos um tempo no hospital, tomando soro diretamente na veia. Eu já estava impaciente, reclamando com a enfermeira que não precisava passar duas horas lá naquela cama, enquanto Thiago dormia numa cama ao lado da minha. e ficaram na recepção, não podiam entrar no quarto conosco, para não lotar.
Algum tempo depois e acho que o remédio colocado num tubinho que levava até minha veia, fez efeito, comecei a ver as paredes embaçadas, a vista escureceu e a última coisa que vi, foi entrando no quarto, depois apaguei. Desmaiei, dormi, não sei bem a intenção do remédio, só sei que tudo escureceu.
Capítulo 16
Acordei as duas e alguma coisa da tarde. Thiago não estava mais no quarto. Fechei os olhos e estiquei os braços e pernas, me espreguiçando. Puxei o lençol de cima de mim e levantei-me depressa. Meu corpo parecia totalmente relaxado. Apesar de eu não lembrar como havia chegado até meu quarto. Como estava com a mesma roupa que entrara no mar, presumi que os meninos me trouxeram, logo, não teriam coragem de trocar minha roupa. Que bom que eles tinham juízo perfeito.
Tomei banho e arrumei-me para descer e ver se ainda tinha almoço. Abri a porta do quarto e me deparei com bem em minha frente, sorrindo, lindo como sempre. Ao seu lado estava Thiago, com roupa de piscina e enrolado numa toalha.
- Oi! – Falei acenando assustada.
- Oi! – Falou me olhando, um olhar de pena.
- Já foram nadar hoje? – Perguntei olhando para Thiago.
- Foi... o que me chamou. – Falou Thiago me olhando, sem saber se levaria uma bronca ou não.
- É. Ele era e é um ótimo aluno de natação, parar de nadar por trauma não ia ser nada legal, então fui tirar, ou não deixar ficar, trauma com água. Até fomos na praia, mas ele ainda não entrou. Temos que continuar. – Falou sorrindo.
- Ah! Isso é ótimo Thiago! Aproveite que está disposto a te ajudar. – Falei sorrindo para , que sorriu de volta, passando a mão pelos cabelos.
- Tá bom! – Falou Thiago sorrindo e me abraçando.
- Você já almoçou? – Perguntei olhando para Thiago.
- Já sim. Com a mamãe e o papai. – Falou com uma voz desconfiada.
- Eu ainda não. – Falou com um sorriso no canto da boca. Juro que ia perguntar o motivo daquele tom de voz do Thiago, mas depois desse “convite” para almoçarmos juntos, eu resolvi deixar para outra hora.
- Vai almoçar agora? – Falei o olhando.
- Vamos. – Falou fazendo um “toca aew” com Thiago, que depois entrou no quarto enquanto se virava e caminhava em direção ao elevador. Calcei as sandálias rápido e saí correndo em sua direção.
- Me espera égua! – Falei o alcançando.
- Égua? - Falou me olhando de lado.
- Erm... ignore meu égua, quando o uso é tipo “droga”. Entende? – falei sorrindo amarelo.
- Então me chamou de droga?
- Ai ... Você...
- Eu sei que sou viciante! – Falou antes que eu terminasse a frase, e me olhou com um olhar pervertido.
- Nossaa... muito. – Falei irônica.
- Admita. – Falou entrando no elevador.
- Não já admiti? – Falei rindo, ficando ao seu lado.
- Admita de verdade.
- Não costumo mentir. – Falei segurando o riso. Com cara de deboche.
- Você estava sendo irônica...
- Eu sei! Haha! Mas você pediu para falar a verdade. Logo, é o mesmo que pedir que eu admita que você NÃO é viciante. – Falei olhando a porta do elevador, querendo rir.
- Você é muito chata.
- Não mais do que você. – Falei então a porta do elevador abriu e nós dois saímos juntos e sentamos numa mesa para dois, no restaurante do hotel.
- Você vai ficar gorda comendo assim... – Falou colocando o garfo em meu prato e roubando minha comida.
- Onw! Arranja uma desculpa melhor para ser ladrão! – Falei dando uma tapa em sua mão.
- Você é muito pão dura! Erm... existe pão dura ou fala pão duro mesmo? – Falou enfiando comida na boca.
- Erm... sei lá! Vê se eu tenho cara de professor Pasquale! – Falei roubando comida de seu prato.
- Hey! Depois eu sou o ladrão!
- Ladrão que rouba de ladrão, tem cem anos de perdão! Muhahahaha! Nunca ouviu? – Falei o olhando e levantando uma sobrancelha.
- Hum... essa foi boa. – Falou colocando a mão no queixo.
- Eu sei. Eu sou toda boa meu bem. – Falei e logo depois ri.
- Toda, toda. – Falou me olhando e depois riu também. As vezes a risada serve para disfarçar uma verdade que não quer ser contada. Já dizia... eu (?). Hoho.
- Eu sei, eu sei... não fala assim que encabula. – Falei colocando as mãos no rosto, como se fosse corar de vergonha.
- Hahaha! Você não presta! – Falou rindo e batendo seu pé no meu, por baixo da mesa.
- Ai! Isso é minha canela velho! – Falei colocando a mão em minha perna.
- Eita! Num era pra ser forte assim não. – Falou prendendo o riso e parecendo preocupado ao mesmo tempo.
- Nem pra flertar alguém você serve... – Falei rindo enquanto massageava minha perna e logo depois a largava de volta no chão.
- Tem certeza? – Falou segurando uma de minhas mãos enquanto levantava uma sobrancelha.
- O que temos para hoje gatinho? – Falei encenando.
- No cardápio? Bem, se você estiver nele, já sei o que pedir. – Falou com voz de galã.
- Ula-la! Não faz assim que eu gamo. – Falei segurando o riso.
- Eu não sei se é a hora para falar, mas... – Falou encenando também.
- Fale! Fale! – Falei colocando a mão que me sobrava livre na testa e jogando o corpo para trás, num falso desespero.
- Você deve estar exausta! – Perguntou me olhando com cara “sequiciê”.
- Não... Por que? – Perguntei pensativa.
- Porque você andou nos meus pensamentos o dia inteiro. – Falou levantando as sobrancelhas enquanto eu gargalhava virando o corpo para trás.
- Ótimaa!! Não faz assim que eu gamo. – Falei ainda rindo.
- Eu sei, eu sei. – Falou rindo junto.
- E você, comeu sucrilhos hoje? – Perguntei o olhando atraente.
- Não... por que? – Perguntou curioso.
- Porque você despertou o tigre em mim! *Grrrrrrr * - Falei fazendo garrinha de tigre com a mão que não estava colada com a dele. Então ele começou a gargalhar e eu a rir.
- Não conhecia essa! – Falou .
- Eu sei, eu sei, minhas cantadas são as melhores! Erm... quer dizer, as melhores das piores! – Falei rindo.
- Deu pra perceber, você me venceu em piores cantadas! – Falou me olhando.
- Sou demais, beijos. – Falei sorrindo.
- Hey! A gente tá vendo se vai num show hoje! – Falou soltando sua mão da minha.
- Show? Hum... de que? – Perguntei curiosa.
- Nem sei, viu? Uma banda cover aí. Mas tá ficando famosa, e como é num clube que geralmente só vai turista ou quem quer pegar turista, vai ser bom e lotado.
- Hum...
- A gente tá vendo se vai hoje pra eu relaxar, minha prova no surf é amanhã. Eu contra e mais um aí.
- Nossa... Que malz competir contra amigos, né? Mas... eu torço por você! – Falei sorrindo.
- É ruim mesmo. Mas... bora combinar que eu e nem somos tão amigos assim né? – Falou rindo. – Vou vencer dele. Obrigado pela torcida!
- De nada. – Falei sorrindo. Que o não escutasse isso.
Eu não tinha certeza do que estava acontecendo entre mim e , mas eu sabia que o que eu tinha falado antes dele se irritar, não tinha mais importância. Não naquele momento. Talvez fosse por eu ter quase morrido afogada. Talvez ele estivesse com peninha de mim e por isso decidiu não me irritar mais. Não sei... mas aquela volta da nossa amizade, apesar de repentina, era ótima! Finalmente poderia aproveitar mais tempo com ele, principalmente agora que quando estava ao seu lado sentia vontade de não sair mais. Aproveitava cada momento de sua distração para poder apreciar seus traços, já que não o fazia quando tentava enfiar em minha mente que o era o que eu queria.
Nos levantamos da mesa e cada um colocou um chiclete na boca, para não precisar subir ao quarto para escovar os dentes. Nojento, eu sei, mas quem nunca fez isso? Haha. Tínhamos acabado de sair do hotel, andava em minha frente e eu apenas o seguia enquanto admirava sua beleza traseira, erm... até que ele se virou para mim, fazendo com que eu parasse, assustada, onde estava. Me olhou por um breve momento e logo depois caminhou em minha direção e me abraçou forte, como nunca havia me abraçado antes, nem mesmo quando nos perdemos na mata.
- ? – Perguntei assustada, abraçando-o levemente só para não manter meus braços esticados para baixo.
- Eu... tive tanto medo que você morresse. – falou ainda me abraçando.
- ...
- Tanto medo de te perder.
- ... eu...
- Me desculpa por não ter acreditado em você. Se não fosse o mandando eu deixar de ser idiota, talvez nem tivesse chegado a tempo. Quando te vi dentro do mar, eu... eu não pensei em mais nada além de que era um idiota, e que nunca me perdoaria se você não saísse viva e bem de lá.
- Não tem problema, você tinha razão em duvidar... – Falei o abraçando forte. E acariciando suas costas, enquanto escondia minha cabeça em seu ombro.
- Amigos novamente? – Perguntou. Sim, minha vontade foi perguntar “Meu velho! Quando você pretende ser mais que um amigo?” Mas aí lembrei que a surfista filha duma égua estava na parada também.
- Com certeza! – Falei sorrindo enquanto soltávamos o abraço e nos olhávamos.
- Agora vem! Tenho que comprar teu ingresso antes que esgote! – Falou me puxando pela mão e andando rápido.
- Lembre-se que suas pernas são maiores que as minhaas!! Não corre tanto! – Falei sendo puxada.
- Haha! Foi mal! – Falou olhando para trás sorrindo. E que sorriso...
Pegamos um táxi e fomos até o local onde vendia os ingressos. abriu sua rica carteira cheia de grana enquanto eu procurava minhas migalhas para pagar ao menos metade do ingresso. Depois de tudo resolvido, fomos até uma locadora. deveria encontrar em algum lugar dali e de lá iriam para a casa do , ver um filme qualquer, tudo para distrair a mente e não ficar pensando na tal competição.
Chegamos à locadora e fomos direto para a sessão de ação, não sei porquê. Depois passamos pela de comédia, comédia romântica, terror, romance, e... não, não entramos na sessão para adultos. Hoho.
- criatura, eu sei que temos todo o tempo do mundo, mas dá pra apressar? – Falei segurando “Diário de uma paixão” na mão.
- Calma... Todo mundo já locou os melhores! – Falou procurando na sessão de terror.
- Já falei que esse filme é muito bom!
- Eu não vou levar filme de romance pra ver contigo e mais três machos.
- Que preconceito é esse? Ta com medo de chorar na frente da gente é? – Falei rindo.
- Vamos levar “A órfã”! – Falou puxando o filme da prateleira.
- Já falei que não vejo terror...
- Também não vejo romance. – Falou me encarando.
- Então vamos ver comédia! – Falei sorrindo e caminhando em pulinhos de volta a sessão de comédia.
- Vai lá campeã! Escolhe um filme daí que ninguém nunca viu.
- “A Proposta”? – Perguntei.
- Já vi.
- Gostou?
- É... é legal – Falou rindo.
- Sabia.
Passamos mais alguns minutos até que decidimos levar três filmes. Um terror, uma comédia e um romance. Chegamos no balcão e o tio japonês simpático nos olhou tristonho e disse que já estavam locados. Voltamos, escolhemos outros e já estavam locados. Fizemos isso mais três vezes até que o tio nos ofereceu um filme bom, segundo ele, e que não estava locado (o principal!).
- De volta para o futuro? – Perguntei olhando a capa.
- É em preto e branco? – Perguntou com preconceito.
- A capa é colorida idiota, então é colorido. – Falei sem paciência.
- Desculpa ela tio, é TPM... – Falou batendo a capinha do filme na minha cabeça.
- Então... vão levar? – Perguntou o tio japa simpático.
- Vamos! – Falei sorrindo esticado enquanto pagava pelo filme.
Caminhamos nos empurrando e nos batendo (tá, só eu batia, apenas me empurrava ou ria da minha cara) até o local que havia combinado com o .
- Finalmente! Foram fabricar o filme, foi? – Perguntou desencostando de uma parede.
- aqui, muito lerda... – Respondeu .
- Lerdo é você! A gente locou “De volta para o futuro”, tá bom? – Falei.
- Tá... acho que já ouvi falar desse filme... – Falou pensativo. – De qualquer forma, vamos ver!
Então saímos caminhando enquanto Sr. lobo não vinha-parei. Andamos um pouco e chegamos à casa do , que estava a nossa espera, deitado, largado em sua cama. Se levantou assim que me viu, mostrando surpresa.
- Não sabia que você vinha! – Falou saltando da cama.
- Nem eu... – Falei sorrindo tímida.
- Ela não tinha nada legal pra fazer hoje mesmo. – Falou se jogando na cama.
- Que liberdade é essa mô véi? – Perguntou o olhando.
- Foi mal amor, mas é que num resisto a sua cama. – Falou com uma voz BEM gay.
- Espera até as visitas saírem, gatinho. – Falou piscando enquanto eu e nos olhávamos e começávamos a rir.
- Cadê o ? – Perguntei despreocupada.
- Aproveitando a vida, ele num tem competição amanhã. – Respondeu olhando sínico para .
- Eu não entendo essas olhadas de vocês, mas imagino que seja com alguma garota. – Falei rindo e matando mentalmente.
Colocamos o filme e todos sentaram na cama do . Apesar de não ter mais ninguém na casa, a tevê da sala estava quebrada, logo, teríamos de ver no quarto dele mesmo. O filme era bem legal, e os garotos não paravam de comentar o tempo todo. Depois que terminou, Eu e fomos fazer pipoca, e quando voltamos o filme estava novamente passando, do começo. E os garotos viram aquele “bendito” filme três vezes seguidas. Enquanto eu comia ou dormia na cama do .
- Hey dorminhoca! – Falou uma voz conhecida em meu ouvido, enquanto uma mão me balançava.
- Hãã...? – Perguntei abrindo os olhos, sonolenta.
- Acorda. A gente vai voltar pro hotel e se arrumar pra ir no show. – Falou com o rosto bem próximo ao meu.
- Aaah... tá bom. – Falei me espreguiçando.
- Você dorme demais... – Falou se levantando da cama.
- Onde estão os garotos? – Falei levantando também.
- Estão na cozinha, lavando os pratos.
- Mas EM? – Perguntei esfregando os olhos.
- É... nós sujamos, tem que lavar né.
- Ain, quero filhos assim.
- Arruma um marido antes, aí depois tu pensa em filho – falou me dando um pedala.
- Ain! – Falei fazendo bico.
- Fresca.
- Fresco.
- Olha que não, em?
- Não sei...
- Tá duvidando? – Falou me olhando nos olhos.
- Tô. – Falei o provocando.
- Finalmente acordou! – Falou chegando ao quarto. Ai, ai... estraga prazeres.
- Acordei! – Falei sorrindo, matando ele por dentro.
- A gente se encontra no local do show mesmo ou no hotel? – Perguntou .
- No show mesmo, se for pro hotel só vou gastar mais dinheiro. sabe onde fica.
Voltamos para o hotel e cada um foi para seu quarto. Sentei na cama e fiquei tentando lembrar de todas as roupas que tinha levado para a viagem, e conseguir decidir qual usar para ir ao show. Thiago não estava no quarto. Aquele moleque estava ficando cada vez mais independente, eu em.
Levantei da cama, tomei um demorado banho e depois coloquei um vestidinho preto. Preso no busto e depois todo solto. Não tão longo, nem tão curto. Composto. Coloquei uma sandália preta com um saltinho básico e depois fui me maquiar. Estava colocando os brincos quando bateu na porta. Dava para identificar sua batida de qualquer lugar. Ele sempre quase esmurrava a porta.
- Calma criatura mórbida... – Falei abrindo a porta e me deparando com um lindo e arrumado em minha frente. Ele usava uma calça Jeans escuro e uma camisa social preta e listrada (de leve), de mangas curtas, e um tênis esportivo preto. Enfim, muito gato. E não estava tão formal, afinal, iríamos para um show.
- Você já tá pronta? – Falou me olhando. Me secando na verdade, mas acho que ele não percebeu ou não conseguiu controlar o movimento de seus olhos.
- Seca muito não, amor. – Falei sorrindo e saindo do quarto. – Vamos?
- Vamos. – Falou voltando ao normal. – E eu não tava te secando.
- Não? – Falei sorrindo sapeca.
- Não... tava imaginando como você vai pular com esse salto...
- É show de pular?
- É, criatura mórbida.
- Mas o salto tá baixo...
- Você que sabe.
- Você tava me secando, o salto foi uma desculpa.
- Você que sabe.
- Vai te catar.
- Você que sabe.
- Eu vou te bater.
- Você que sabe.
- ! – Falei o batendo.
- Não me bate onw! – Falou rindo da minha cara.
- Você me irrita.
- Já falei. Gosto de te irritar.
- Você é tão chato...
- Eu ainda tenho dois desejos, não pense que esqueci.
- Aff...
- Também te amo.
- Eu sei.
- Haha! Convencida.
- Realista amor, realista. – Então ele ficou calado. Achamos no local onde ficavam vários táxis e entramos em um. Chegamos nós três ao local do show e avistamos e .
Estávamos dançando divertidamente com a banda pouco conhecida que tocava lá. Claro que eu tentava criar mais um braço e conseguir dançar com os três garotos ao mesmo tempo, mas brotamento me pareceu ser impossível para humanos. Meu professor de biologia deveria me aplaudir por essa conclusão em meio a um show.
Fui para o bar junto com o , pegar garrafinhas de água para todos. Mas claro, como nada é perfeito, no meio do caminho tropecei no que parecia ser um pé e caí de frente no chão. Me levantando com aquela cara de “ninguém viu” e olhei para , que segurava o riso.
- Nem andar direito você consegue. – Falou rindo quando chegamos ao balcão.
- O local está muito cheio. – Falei séria, birrenta.
- Nem por isso eu caí... – Falou cantando.
- Você é mais alto que eu... – Falei cantando.
- Pede logo as águas vai! – Falou rindo.
- Tá... – Falei pedindo as águas e entregando o dinheiro que tínhamos reunido.
- Hey! Acho que já sei qual vai ser meu segundo desejo...
- Contanto que não seja trabalho sexu...
- Sua louca! – Falou assustado. Erm... acho que eu estava mesmo um pouco louquinha.
- Ai que vergonha! Eu não falei isso! – Falei cobrindo o rosto com as mãos.
- Você é louca! – Falou rindo. – Eu quero... tan tan tan tan...
- Fala logo, que suspense!
- Tá vendo a banda ali? – Falou apontando.
- Claro né, por sinal estamos no show dela. – Falei com voz de “dã”.
- Tá vendo a escada que sobe pro palco ali? – Falou apontando para a escada.
- To... – Respondi preocupada.
- Como a banda não é famosa, não tem quinhentos seguranças, nem uma barra que divida o palco da galera... – Falou sorrindo enquanto arquitetava seu plano maligno.
- Compreendo... – Falei ainda não entendendo.
- É o seguinte, você vai invadir o palco, virar de costas para a galera e começar a rebolar, dançar de forma bem louca.
- MAS EEEEEEEEM? Haha! CREIA! – Falei em tom de deboche.
- Eu to falando sério. – Falou sorrindo sínico.
- Você JURA que eu farei isso só porque você me comprou uma maquiagem?
- Porque eu te livrei de ficar ainda mais marcada pelo sol, porque eu te escondi atrás de mim pra ninguém ver tua cara, porque eu dei a idéia brilhante de como tirar a marca, sim, eu te vi se bronzeando na piscina de manhã, porque eu fui comprar a maquiagem pra você, e porque você me fez ter três espinhos enfiados no pé enquanto andava numa mata. Sim, essa última parte só foi pra aumentar seu peso na consciência.
- Você é tão perverso... – Falei o fitando, irritada.
- Sou pior que o pica-pau, já falei.
- Tenho que beber antes de fazer isso... – Falei séria.
- Você não bebe só suco?
- É. Droga! Nem nisso me dou bem! – Falei com cara de choro.
- Eu sei que você não vai chorar... então, vamos logo! To louco pra te ver dançar! – Falou piscando.
- Morra seu verme! – Falei me levantando e jogando as garrafas d’água para ele.
- E lá vou eu ver de camarote! – Falou rindo enquanto corria para que eu não lhe batesse.
- Criança chata... – Falei bufando.
E lá fui eu, toda linda, toda cheia de graça. Andando de cabeça baixa, morrendo de vergonha até o palco. Olhei para a escada, que me encarou. Olhei para que me olhava com uma cara de “eu confio em você”. Eu não sabia porque mesmo eu tinha concordado de alguma forma com aquilo, mas resolvi encarar e cumprir com minha palavra. Respirei fundo e subi as escadas rapidamente. O vocalista me olhou assustado. Não sei se porque eu tinha invadido o palco ou porque ele nunca imaginou que já estava tão famoso ao ponto de invadirem um palco onde estava. Enfim... Dei “oi” e um sorrisinho tímido e fiquei de costas para as pessoas, enquanto o vocalista tentava cantar e me olhava assustado ao mesmo tempo. Comecei a dançar macarena, e depois a dançar alguma coisa muito estranha, mas que me fazia rebolar, enquanto alguns me vaiavam e outros morriam de rir. Até que pulou no palco e me puxou pela mão, me fazendo descer com ele. O segurança que ficava na entrada parecia estar chegando ao palco. me puxou para a entrada do banheiro e ficamos lá, escondidos, até o segurança passar.
- Céus! Que vergonha! – falei cobrindo o rosto.
- Você dança muito bem. – Falou rindo.
- Você é tão mau seu cretino! – Falei batendo nele.
- Calma, calma, você vai voltar pro Brasil e ninguém aqui vai mais lembrar de você! – Falou rindo e dando tapinhas em minha cabeça.
- E se filmaram do celular e colocarem no youtube? – Perguntei levantando a cabeça, assustada.
- E... aí lascou!
- !! EU VOU TE MATAR! – Gritei o espancando.
- Calma! Vão nos achar!
- Se eu aparecer na internet eu lhe capo! Está me entendendo?! Capo! – Falei o estapeando.
- Calma! Calma! – Falou se livrando dos tapas e logo depois segurou meus dois braços, me prendendo na parede. – Eu mandei você ficar calma... – Falou sussurrando.
- Quebre todos os celulares com câmera aqui, aí eu fico calma... – Falei o encarando.
- Você é tão engraçada com raiva... – Falou abaixando a cabeça e rindo.
- Você é tão idiota.
- O que diachos foi aquilo? – Chegou perguntando.
- O que deu em você, ? – Perguntou me olhando.
- Culpa do ! – Falei apontando para ele.
- MINHA? – Falou segurando para não rir, e me soltando. Erm...
- ? – Perguntou .
- Foi uma aposta que a gente fez, ela só tá cumprindo a parte dela...
- Ele poderia ter pedido outra coisa! Ele é mau! – Falei parecendo uma criança mimada.
- Vocês dois vão acabar se matando qualquer dia desses... – Falou com um olhar reprovador para .
- Que nada! – Falou sorrindo para ele.
- Vem ! – Falou me puxando pela mão.
- Você vai com ele? – Perguntou me encarando. Emr... tenso. E agora? Que menino implicante, e queijudo! O que ele queria de mim? Amora azul venha aqui me dizer o que!
- Erm... – Falei pensativa.
- Não, ela vem comigo! – Falou me olhando.
- É, vou com . – Falei séria.
- Sério? – Perguntaram e ao mesmo tempo.
- É, ué! Não posso? – Perguntei levantando uma sobrancelha.
- Já vai tarde... – Respondeu .
- Você que sabe. – Falou .
Então eu e saímos do local do show. sabia que aquela situação seria bem difícil para mim. Apesar de eu nunca ter falado nada a ele, ele parecia bem ligado em tudo que estava acontecendo, ou então toda a situação estava escrita em nossas testas, nós que não queríamos admitir. Estávamos andando até o ponto de ônibus mais próximo quando o nos alcançou e disse que voltaria conosco. não pareceu se incomodar com aquilo, finalmente estava conseguindo me sentir mais confortável ao seu lado. Sem me preocupar em pensar numa boa desculpa ou num bom fora.
Descemos perto do hotel e foi me deixar na porta do quarto. Ele pareceu querer conversar, para ver se eu estava bem ou algo do tipo, mas eu tinha ficado BEM envergonhada com tudo aquilo, então sorri tímido e fechei a porta na cara dele. Sim, literalmente. Ouvi um “ai” assim que fechei a porta. Erm... espero não ter deformado o nariz dele!
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Atóóron um casório...
Minha filha! Que deuses gregos são esses?? Que o não me ouça/leia isso, mas seus bofes são liiiiiindoos! Escândalos! E poxa vida, desculpa, mas seu garoto da privada é muito gato! Todos são né, fazer o que... a vida é tão boa com você ;-;
As fotos saíram lindas! Nem parece você! O que maquiagem não faz! (zoooa) Mas você estava simplesmente linda! É. E sem brincadeira, que local chique e lindo e perfeito foi esse do casamento?? Me apresenta tua parte rica da família onw! Hahaha.
Teu bofe da privada é muito gay mesmo viu!? Não gostou do beijo? Era só por beijar? Manda ele ir catar coquinho na Sibéria amor. Pega o . É, pega mermo!!
Me passa o e-mail do garoto da privada pra eu ensinar a ele quem manda aqui?? –não.
Hahahaha. Mas fique bem, viu amor? Não precisa se descabelar por causa de um garoto idiota. Tem mais dois te querendo. Enfim, está te mandando um beijo e um valeu. Por que “valeu” senhorita? Anda conversando o que com meu namorado? ¬¬’ hahaha. Brinks, te amo. Beijos beijos, diva luxo.
-
De: _@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Notícias quente! Ui (6)
Pegay o . Pegay o e não, eu não sou uma vadia. Vamos por ordem.
1 – O me beijou e isso eu já te falei (?), não, não teve outro beijo depois daquele.
2 – e eu nos beijamos, mas depois brigamos, aí eu e Thiago quase morremos afogados e ele pareceu esquecer da discussão, estamos de bem de novo.
3 – Não, estarmos de bem não significa dizer que estamos juntos.
4 – Caaaalma.... Eu e Thiago estamos bem. Não morremos \o/ Quando chegar aí te conto tudo diretinho.
5 – Sim, eu ainda quero “agarrar” o . Eu queeroo eleee!
6 – Não, não vou pegar o .
7 – O percebeu estar fora da parada (?)
8 – parece não se ligar mais na surfista, acho que ele a deixou para o .
9 – Acabei de pagar o maior mico da minha vida. Invadi o palco num show que fui. Tudo culpa do , ele fez seu segundo desejo a ser realizado ¬¬’
10 – Eu vou jogar vídeo-game com Thiago agora enquanto tento esquecer o que aconteceu hoje ‘-‘.
PS: Não tenho segredos com seu namorado <3 hahaha.
Beijos, beijos gata minha! Te lovu com u. Até mais.
-
Capítulo 17
Acordei com o sol em meu rosto. Puxei o travesseiro, escondendo a face. Mas Thiago pareceu perceber que eu já havia acordado. Começou a pular em cima de minha cama. Me lembrando que lhe devia um sorvete.
- Thiago... É de manhã, no mínimo é hora de tomar o café-da-manhã e não de tomar sorvete... – Falei ainda sonolenta.
- Mas você nunca fica aqui no hotel! Se não for agora, você sai depois! – Falou ainda pulando em minha cama. No fundo, ele tinha razão.
- Tudo bem... me rendo. Espera só eu tomar banho. – Falei levantando e pegando as coisas para levar ao banheiro.
Desci o elevador escutando os sabores de sorvete que Thiago iria pedir. E infelizmente teria de ser do meu dinheiro, já estava calculando quanto gastaria e quanto me sobraria. O ruim de hotel chique é esse, você pede um cafezinho, vem metade da xícara e custa cinco vezes mais-q. Estávamos passando em frente ao salão que fazíamos as refeições, pegando um caminho mais curto para a área da piscina. Até que minha mãe fez sinal para pararmos.
- Oi mãe! Faz tempo que não te vejo! – Falei sorrindo, pensando em pedir dinheiro pro sorvete.
- Pois é, por onde você tem andando?
- Por... aqui?
- Não seja sínica ! – Falou minha mãe num tom elevado, aquilo me dava medo.
- O que eu fiz, mãe? – Perguntei assustada, enquanto Thiago abaixava a cabeça.
- O QUE VOCÊ NÃO FEZ!! O que você pensa que está fazendo deixando seu irmão solto por aí!???
- Como? Olha ele aqui do meu lado! – Falei em legítima defesa.
- Não se faça de idiota ! – Falou mamãe com um olhar que provavelmente estava me matando.
- O que eu fiz mãe? – Falei encolhendo meu corpo enquanto era puxada à força pelo braço, enquanto todos presentes no salão olhavam a cena, e eu morria de vergonha.
- Mãe! Que escândalo é esse na frente de todo mundo? – Perguntei baixo. Estávamos na área da piscina.
- Eu deveria lhe bater aqui mesmo! Você sabe que seu pai tem problemas de pressão! Você sabe o que aconteceria se seu irmão morresse? SABE? – Falou me olhando furiosa.
- Hã? – Perguntei com medo.
- Nós sabemos que vocês quase morreram afogados! COMO VOCÊ DEIXA SEU IRMÃO SAIR DO QUARTO DE NOITE E IR PARA A PRAIA???
- Mãe! Ele falou que ia tomar banho!
- E onde você estava? Em? Se agarrando com algum desses garotos que você não pára de sair, não é? – Perguntou praticamente afirmando.
- Não mãe, eu não estava me agarrando com ninguém.
- Você pensa que a vida é fácil?! Se você engravidar, eu não vou cuidar de filho de ninguém! Vai ter que trabalhar pra se sustentar! Você acha que eu e seu pai lhe tivemos em vão? Quem você acha que é para deixar seu irmão morrer? Se você não liga pra sua vida, se importe ao menos com a dele! – Falou apertando meu braço.
- JÁ CHEGA! SE VOCÊ ACHA QUE SUA FILHA É DO TIPO QUE SAI ENGRAVIDANDO OU SEJA LÁ O QUE FOR QUE VOCÊ IMAGINA QUE EU FAÇO POR AÍ, É PORQUE VOCÊ NÃO ME CONHECE!!! E DÁ PRÓXIMA VEZ QUE LEMBRAR DE DEIXAR UM FILHO NÃO MORRER, LEMBRE QUE VOCÊ PARIU DOIS! – Falei furiosa enquanto puxava meu braço de sua mão, e saia andando rápido. Olhei meu braço e ele estava vermelho.
Andava rápido até a praia, quando meu pai me parou no meio do caminho e perguntou o que estava acontecendo. Meus olhos estavam vermelhos, ardendo e cheios de lágrimas. O olhei séria e virei o rosto. Continuei andando.
Estava andando a um bom tempo e não sabia mais em que parte da praia eu estava, só sabia que se quisesse achar o hotel, era só dar meia volta e voltar a andar reto. Minha mãe as vezes me tira do sério. Não importa o que eu faça de bom, se houve alguma falha, ela cria mil e uma coisas para eu ser a pior pessoa do mundo. ENGRAVIDAR? Pelo amor da santa amora azul! Eu nem querendo usar um garoto pra esquecer o outro, estou! Quando mais sair me agarrando com 500. Isso me deixa furiosa. Precisava distrair. Andei até meus pés pedirem descanso. Sentei-me na areia da praia e fiquei lá por um bom tempo, até o sol começar a esquentar e dar meio dia no relógio. Prendi o cabelo num rabo de cavalo e comecei a andar de volta pelo caminho que havia feito.
- Filha, precisamos conversar. – Falou meu pai assim que cheguei ao hotel.
- Ficou me esperando?
- Sim. Vamos almoçar?
- To sem fome.
- Sua mãe e o Thiago já almoçaram. Será só nós dois...
- Pai, eu to sem cabeça pra comer... – Falei passando as mãos na testa, tirando o suor que todo aquele sol havia causado. Já eram duas da tarde.
- Por favor . Você conhece sua mãe, ela se irrita rápido. Ela ficou louca quando soube que vocês dois quase morriam afogados...
- Corrija, ela ficou louca quando soube que THIAGO quase morria afogado. Sim, porque se eu engravidar, morrer ou me...
- Calma filha, já falei com ela. Ela está muito arrependida do que falou.
- Ela sempre se arrepende. Assim é fácil demais.
- Dê só mais essa chance pra ela...
- Eu já cansei, pai. Já cansei!
- Ela provavelmente está entrando na menopausa, você deve saber como é difícil toda essa coisa de hormônios...
- Sempre essa tal menopausa, quando que vai parar completamente, em? Não vejo a hora... – Falei revirando os olhos.
- Não fique com raiva. A convenci a confiar em você. A gente te deixará continuar saindo para onde quiser enquanto tivermos no Havaí.
- Sério? – Perguntei sem nem saber que minhas saídas corriam o risco de serem cortadas.
- Sim. – Falou papai sorrindo.
- Obrigada pai. – Falei o abraçando.
- De nada querida. – Falou me dando um beijo na testa.
- Vou para o quarto, tomar um banho. – Falei me distanciando.
- Ah! ? – Falou papai enquanto também saía.
- Oi? – Perguntei parando por um momento.
- Seu castigo é não passarmos o resto das férias no Havaí. Seu tio havia oferecido a casa para nós, mas vamos recusar. – E então saiu rápido de cena, como se soubesse que haveria um terremoto de nervos ali.
Fechei os olhos por um momento e depois os abri. Para não dar uma de louca, parada de olhos fechados no meio do hotel. É, eu ainda tentava ser normal. Caminhei até o local de vendas de alimentos diversos, e antes de chegar, pude ver e a surfista de cabelos longos gargalhando. Estavam a sós. Olhei a cena e soltei uma risada frustrada. Dei meia volta e peguei o elevador para ir pro quarto.
Tomei um banho demorado, enquanto Thiago apenas se escondia de mim, embaixo de seu cobertor. Me arrumei e deitei na cama.
- Não vou te matar. – Falei séria, mas me esforçando para não parecer irritada.
- Eu não sabia que era um segredo...
- Eu sei Thiago, eu sei.
- Você tá muito, muito brava? Ou só um pouquinho? – Perguntou colocando só a cabeça para fora do cobertor.
- Não estou brava. Já falei. – Falei fechando os olhos e colocando as mãos por trás da cabeça.
- Tá sim...
- ...
- Você ainda vai ser minha irmã? – Perguntou preocupado.
- Como? – Perguntei sem poder deixar de rir.
- Se você e a mamãe brigam, e você sair de casa, você ainda vai ser minha irmã? – Falou saindo por completo do coberto e indo me abraçar em minha cama. – Eu não quero que você deixe de ser minha irmã!
- Oonw meu amor, eu sempre vou ser sua irmã! – Falei o abraçando. – Não precisa chorar!! – Falei enquanto meus olhos enchiam de lágrimas.
- Você promete? – Perguntou me olhando, tentando parar de chorar.
- Prometo, prometo sim! – Falei o abraçando forte, enquanto com a outra mão o ajudava a enxugar as lágrimas.
Descemos e eu fui pagar um sorvete para ele, na área da piscina. Estávamos conversando sobre ele manter as aulas de natação quando voltássemos para o Brasil. Até que avistei a surfista (sim, a de cabelos longos) deitada numa espreguiçadeira, descansando, e voltando com água de coco para ela, enquanto a mesma tentava aprender alguma música no violão, e ele tentava ensiná-la. Os dois rindo juntos.
- ? – Chamou-me Thiago.
- Oi! Vamos, vamos tomar o sorvete! – Falei tentando sorrir, por mais que ver aquela cena me doesse.
Estávamos conversando sobre os amiguinhos da escola dele, e os amiguinhos de minha escola, enquanto tomávamos sorvete. E que sorvetes deliciosos, diga-se de passagem. Ao terminarmos, íamos voltando para o quarto. e a surfista continuavam ensaiando a música. E para minha alegria (lê-se: infelicidade) a surfista nos viu, e acenou com a mão para que fôssemos até eles.
- ! Há quanto tempo! – Falou sorrindo.
- Oi! Está melhor? – Falei olhando para sua perna engessada.
- Estou, tirando esse pequeno acidente aqui. – Falou rindo.
- Nem nos chamou para tomar sorvete, né? – Falou me olhando, sorrindo. Que cara de pau.
- Poxa, estava devendo ao Thiago, não deu tempo. – Falei sorrindo murcho.
- O que foi aquilo com sua mãe hoje pela manhã? – Perguntou a surfista.
- Ficamos preocupados, vimos ela te puxando com força pelo braço... – Falou , olhando para a marca vermelha que ainda estava em meu braço.
- Por conta do afogamento. – Falei virando a boca de lado.
- Você quer que eu vá falar com ela? Afinal, a culpa é minha. Por não ter ensinado Thiago a surfar antes... – Falou colocando a tampa numa caneta. Dei uma rápida olhada, ele a estava usando para fazer desenhos no gesso da surfista.
- Não, não precisa. – Falei séria. – Cadê o ? - Perguntei como quem não quer nada.
- Não sei. – Respondeu , simplesmente.
- Está com , ajudando relaxar para o campeonato de hoje.
- Hoje é o dia do campeonato? Nossa! Já havia esquecido! – Falei pensativa.
- É sim... você vai? – Perguntou-me .
- Se der, sim.
- Oras! Por que não daria? Vamos! Me ajude a torcer pelo ! Começa às seis horas da noite! – Falou a surfista sorrindo. Que cena patética. Eu dando uma de idiota no meio do casalzinho... aquilo me matava. De raiva de mim mesma, e eu mesmo tempo de nojo.
- Vou ver se apareço por lá sim! – Falei sorrindo, finalmente.
- Você sabe chegar sozinha? – Perguntou .
- Acho que sim. Bem gente, foi ótimo ver vocês, mas tenho que ir, não posso mais ficar andando por aí com minha mãe me vigiando. – Falei sorrindo sínico e então saí.
- Você nem falou que eu ganhei de você no jogo... – Comentou Thiago, receoso.
- Esse é seu castigo por ter contado sobre o afogamento...
- Tudo bem...
Chegamos ao quarto e Thiago foi ver tevê, enquanto eu matava o em pensamento. Sim, ele e a surfista. Era uma ótima terapia. Até que resolvi parar meu momento psicopata e ir checar meus e-mails.
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: COMO ASSIM???
v
Minha linda, você quer me matar do coração, quer? Quase morreram afogados? Não faça isso comigo ;-; preciso de vocês dois em minha humilde vidinha <3
Então você decidiu mesmo pelo garoto da privada? Nossa... Tudo bem, não pegue o . Haha. To vendo que meus conselhos não são muito seguidos por aqui, né? ¬¬’
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Tem foto disso neh? De você no palco? Noossaaaaaaaaa... num digo que adoro esse garoto da privada! Hahahaha (apesar de ainda está brava com ele). O Deep está impaciente, me chamando para ver tevê com ele, sabe como é neh, carente demais... e_e’ hahaha
Beijos beijos gata.
PS: Que BOM que você não tem segredos com meu namorado ¬¬’ <3 hsuhsushsu.
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De: _@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Eu sei que você
Não vive sem mim. <3 hahahaha. Calma, não morremos, estamos bem. Sem crises. Não quero mais lembrar desse assunto, porque isso me lembra minha mãe, e lembrar minha mãe, me deixa irritada, EH. Estava eu tentando ouvir a voz do coração, até descobrir que o desgraçado do não tem um. Comolidar? É, eu vou pegar o . Estou pouco me lixando para o agora. >.<”
Bem... eu espero MESMO que não tenha fotos nem vídeo disso ‘-‘ Sério, morreria mais ainda de vergonha.
Vai logo para os braços do Deep! Hahaahha (onde foi para o ?)
Beijos, gata.
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De:123@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Valeeu!! S2
Então né. Valeu pelas dicas. Acho que fiz direitinho, e agora sou seu cunhado, segundo . Kkk... E valeu por não contar a ela que te perguntei aquelas paradas. Qualquer coisa, tamo aew! \,,/
-
De: _@e-mail.com
Para: 123@e-mail.com
Assunto: Tamojunto!
Hahaha. Não se preocupe... e de nada! Não foi nada mesmo, vocês formam um casal lindo <3 Beijos, beijos.
-
Terminei de ler os e-mails e responder. Olhei algumas fotos do casamento, coloquei algumas no fotolog, respondi comentários do povinho que tava comentando de eu ser uma sortuda e que estava passando as férias num lugar lindo, com gente linda, enfim. Olhei no relógio e eram seis e meia da noite. Sorri para mim mesma. Eu poderia perder meu tempo pensando numa boa desculpa para dar ao ou ao , mas... eu iria embora dali em poucos dias mesmo. já tinha deixado claro de quem ele gostava. De que de mim, só queria amizade e me fazer pagar mico. Tentava esquecer aquele maldito beijo na piscina. Mas não conseguia. Se não fosse por ele, teria certeza que não queria nada comigo, mas... Por que diachos ele me beijaria então? Eu odiava me fazer aquelas perguntas, mas era inevitável. Não sabia o porquê, só sabia que a cada hora, a cada noite que se passava, eu pensava mais e mais nele. Por mais que ele não merecesse, eu continuava a pensar. Era impossível, impossível evitar.
Thiago havia descido para jantar com nossos pais, e eu pedi para trazerem a comida no quarto. Não queria ter que olhar para a cara de minha mãe. Estava jantando e vendo tevê, quando bateram na porta do quarto.
- ? – Falei surpresa.
- Oi! – Falou sorrindo. – Posso entrar?
- Entra! – Falei saindo de frente da porta.
- Você nem foi ver a competição hoje...
- Não deu pra ir... sabe como é, minha mãe me vigiando, não sei andar sozinha por aqui... – Falei enquanto pensava em outras boas desculpas.
- Tem certeza que foi isso? – Perguntou me olhando.
- Claro que sim! – Falei rindo. – O que mais seria?
- Não sei, você e o têm uma relação um tanto quanto estranha.
- Na verdade não. Não temos relação nenhuma, essa é a questão. – Falei sorrindo.
- Sabia!
- Sabia o que? – Perguntei assustada com seu grito.
- Você está com raiva dele! – Falou rindo. – Por que dessa vez? Pelo negócio do show?
- Eu não estou com raiva dele. – Falei rindo. É, eu estava com raiva dele. – Aaaah, que nada! Aquele negócio do show foi um pedido, que eu tava devendo, jamais ficaria irritada por isso!
- Então por que foi? – Insistiu.
- Não se intrometa no que não te importa! – Falei cruzando os braços, e depois rindo. Sim, rir é a melhor maneira de dar um fora sutil.
- Você que sabe... birrenta! – Falou rindo. – Hey! Vamos fazer um luau hoje, que tal aparecer?
- Se der, eu vou. – Falei sorrindo.
- Não adianta querer evitá-lo para sempre. Aproveite seus últimos dias no Havaí. – Falou me olhando sério.
- Em que parte da praia? – Perguntei sem ânimo.
- Aquela perto da barraquinha do tio que aluga pranchas.
- Sei... se der eu vou.
- Se der não. Vá. – Falou sorrindo e depois me beijou no rosto e saiu do quarto, dizendo que ia organizar as coisas para o luau.
Passei um bom tempo escolhendo uma roupa legal de se ir à praia de noite. Uma bonita, mas que não fosse tão arrumada. Enfim, que eu me arrumasse mas não parecesse que passei horas me preocupando com isso. A surfista era bonita sim, mas e daí? Eu sou muito mais. É. Se eu não achar, quem achará?
Caminhei até onde a galere estava. ainda não havia chegado. Mas até mesmo a surfista de cabelo curto estava lá. E a surfista de cabelo longo, mesmo de gesso, estava firme e forte sentada num tronco, com o violão em mãos.
- ! – Gritou , parecendo feliz por eu ter ido.
- Cheguei! – Falei acenando.
- Senta aqui! – Falou afastando para que sentasse ao seu lado. apenas acenou para mim.
Sentei ao lado do , e começamos a conversar. Sabia que ele queria aproveitar a ausência do para ficar comigo. E eu estava preparada para ceder. Mas , vidente.com, pareceu perceber, e ressurgiu o nome do do nada.
- O nem veio, né?- Falou desanimado.
- Ele deve estar irritado...
- O que aconteceu? – Perguntei ansiosa.
- Ele achou que você fosse vê-lo, ficou te esperando até o último momento. – Falou .
- Foi? – Perguntei. Juro que não queria sorrir de alegria, mas foi inevitável.
- Ele não se irritaria por isso, você sabe , ele ficou irritado porque perdeu a competição.
- Nossa! Você ganhou ? – Perguntei o olhando.
- Não, ganhou outro carinha aí. Mas... não me importa, contanto que eu ganhe outra coisa. – Falou me olhando nos olhos. Eu sorri sem graça.
- Bem gente, posso cantar agora uma música que ninguém conhece? Já que já cantamos tantas conhecidas? – Perguntou a surfista de cabelo longo.
- Qual? – Perguntou .
- Uma que o fez para uma garota, ele estava me ensinando a tocar hoje. Aprendi a cantar, posso? – Perguntou me olhando.
- Por que não? – Falei sorrindo. Caaaaante a música que ele fez para você! Isso, aproveite e morra engasgada!
- Então vou começar! – Falou começando com a melodia no violão, enquanto a surfista de cabelo curto e balançavam o corpo no ritmo.
- Tirei férias no havaí e não sabia o que fazer
"curtir o sol e o mar, deitar na areia limpa e bronzear"
Sentei naquele avião e estava impaciente.
Até que vi uma senhorita cochilando.
E durante horas ela não saia de minha mente
1,2,3,4 e por aí vai
Perdi a conta de quantas vezes nos esbarramos
Ela mexeu comigo de um jeito que ninguém conseguiu
Ela sorriu pra mim como ninguém conseguiu
Eu adoro o jeito como ela sorri e logo depois fica séria
Eu adoro o jeito como fica irritada com as pequenas coisas
lá, lá, lá, lá
lá, lá, lá, lá
Essas são minhas férias no havaí
sentir seu corpo tão junto ao meu
Só não quero que isso morra aqui
Fico tão ridículo cantando como um romeu
Não sei como dizê-la o que sinto agora
O jeito como ela tenta me beijar
Fazendo gracinhas e me conquistando a cada hora
É engraçado, eu sei, ela não consegue evitar
Hey garota! Eu sei que você está aí
Procurei músicas dos beatles e Bon Jovi
mas nenhuma conseguiu dizer o que sinto por você
Talvez o aerosmith tenha acertado
"Não quero perder um sorriso
Não quero perder um beijo
Bom, eu só quero ficar com você
Aqui com você, apenas assim"
lá, lá, lá, lá
lá, lá,lá, lá
Essas são minhas férias no havaí
sentir seu corpo tão junto ao meu
Só não quero que isso morra aqui
Fico tão ridículo cantando como um romeu
E não importa se você é a cinderela
a bela adormecida ou a branca de neve
Não me importa de que conto de fadas você faz parte
eu só quero ter certeza que também estou nele
nele com você, só com você
Porque garota, eu não preciso de nenhum modelo
Eu não preciso de alguém igual a mim
Eu não preciso de alguém que sempre concorde
Eu preciso de alguém pra mim
Alguém pra mim como você
lá, lá, lá, lá
lá, lá,lá, lá
Essas são minhas férias no havaí
sentir seu corpo tão junto ao meu
Só não quero que isso morra aqui
Fico tão ridículo cantando como um romeu
sentir seu corpo tão junto ao meu
mas não quero que isso morra aqui
Fico tão ridículo cantando como um romeu...
Enquanto ela cantava, jogava pequenas olhadas para mim. também o fazia, com um sorriso enorme no rosto. parecia surpreso, sem acreditar no que ouvia, e às vezes também me olhava. Eu não precisava de uma confirmação. Eu não precisava de um empurrão. Eu sabia, sabia que aquela música era pra mim. ISSO MESMO! Eu sou a garota irritante! Eu posso implicar o quanto for, ele pode me chamar de chata! Contanto que o nome chata esteja na música...
Meus olhos brilhavam à medida que ia ouvindo a letra. Ri na parte do conto de fadas, ele nunca acertava um. Eu sabia o que fazer, só não sabia como fazer.
- Ele deve estar no quarto a essa hora. – Falou a surfista de cabelos longos.
- Obrigada. – Falei sorrindo e me levantei, indo em direção ao hotel. A última coisa que pensei antes de sair dali, foi: “Sinto muito , não deu.”
Capítulo 18
Comecei a andar rapidamente até a área do hotel. Não conseguia pensar em outra coisa senão ver logo o e abraçá-lo forte. Cheguei à recepção e parei na hora. Me perguntava o que mesmo eu estava pensando em falar quando o visse. Fiquei parada enquanto passavam vários pensamentos em minha mente, até que vi um vulto passar por mim, e depois de um tempo meu cérebro lerdo conseguiu me avisar que era o vulto do , saí correndo em sua direção e pedi para ele manter a porta do elevador aberta, me deixando entrar.
- Onde está o ascensorista? – Perguntei sentindo a falta do carinha. Erm... não, não era essa a primeira coisa que eu pensei em falar quando o visse. Com certeza.
- Sei lá. Deve estar jantando. – Falou indiferente.
- ESPERA! – Gritou uma voz lá fora e uma mão apareceu, impedindo que o elevador fechasse.
- ? – Perguntei assustada, assim que o vi entrar no elevador.
- Eu mesmo! – Pareceu surpreso ao ver ao meu lado. Mas entrou mesmo assim no elevador.
- O que você tá fazendo aqui? – Perguntei o olhando. – Assim, nada contra, mas... nem hospedado aqui você fica...
- Estou indo para seu quarto. – Falou me olhando, sorrindo.
- Ótimo, menos um número pra apertar. – Falou apertando o meu e o seu andar.
- Mas EM, santa Tereza? – Perguntei assustada
- Você sabe... – Falou .
- Não amor, eu não sei. – Falei assustada. Quem ele pensa que é pra dizer que vai entrar no meu quarto e EU sei?
- Me dê só uma chance. – Falou me olhando.
- Agora lascou, não sou obrigado a ouvir isso. – Falou apertando freneticamente o botão para a porta do elevador abrir.
- , você sabe o que eu vim fazer aqui, não sabe? – Perguntei aflita.
- Sei... mas...
- POR QUE ESSA PORCARIA DE PORTA NÃO ABRE? – Gritou .
- Erm... Quem sabe se porque não estamos em andar algum? – Falei irônica, e logo depois sentimos o elevador parar.
- O que você fez? – Perguntou encarando .
- Nada, você tá aqui, viu o que eu fiz!
- Ai, falta de ar! Falta de ar! – Falei me abanando. Elevador parado? Só Deus sabe em que andar? Com dois bofes que se odeiam? Ô santa amora azul, me proteja!
- Seu imbecil! Você quebrou o elevador! – Gritou .
- Imbecil é a mãe! Eu só apertei os botões, isso não quebraria o elevador! – Gritou .
- Calma gente, ninguém aqui é imbecil... – Falei tentando promover a paz.
- Calada! – Gritaram os dois.
- Maaas eeeeeem? Calada? CALADA? Pra mim eu sou cachorra! – Falei revirando o dedo indicador pra lá e pra cá.
- Desculpa . – Falou .
- Se a carapuça serviu... – Falou sínico. E na mesma hora lhe deu um soco na cara, próximo à maçã do rosto.
- SEU FILHO DA P..... Oooooooooooooooaaaaaaaw! – Gritou .
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah saaaaaaaaaaaantaa amooorinhaaaa azuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuul! – Gritei.
- Que Poaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!! – Gritou . Enquanto o Elevador caia e suas luzes piscavam sem parar.
As luzes enfim apagaram completamente e nós três gritamos mais ainda. Eu só conseguia gritar que iria morrer, o mandava o calar a boca e vice versa, os dois não paravam de se xingar enquanto eu pensava em me arrepender de meus pecados. Até que o elevador estancou, quando respirei, pensando estar salva, ele voltou a cair de novo. Senti o tecido de uma camisa próximo a mim, e então me agarrei a ele. Puxando-o com as duas mãos e enfiando a cara num espaço entre. Deveria estar cheirando a axila de um dos dois, erm... mas tudo bem, o desespero estava maior. O elevador parou e as luzes começaram a piscar novamente. Abri os olhos e olhei para cima, pra ver em quem eu estava agarrada.
- Oi...? – Falei sem graça ao olhar a cara do e do de “WTF?” enquanto eu segurava com cada mão a camisa de um, fazendo-os ficarem um ao lado do outro, enquanto eu provavelmente estava com a cabeça enfiada entre seus braços. Os soltei e eles se separaram novamente.
- QUEM VOCÊ ACHA QUE É PRA ME DAR UM SOCO? – Gritou numa posição de que revidaria.
- O QUE VOCÊ ACHA QUE É PRA FALAR ASSIM COM ELA? VOCÊ SABE PORQUE ELA PEGOU ESSE ELEVADOR? SABE? – Gritava .
- Não , não! – Falei rápido. – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! – Gritei enquanto o elevador caía a toda velocidade novamente. Dessa vez, antes de começar a orar eu me perguntei “Quantas drogas de andar esse hotel tem mesmo? E em qual estávamos quando essa droga começou a cair?”. Até que o elevador tombou e nós três fomos jogados para cima e logo depois caímos no chão do elevador.
- Ai minha bunda! – Gritei sem me importar com a presença deles ali.
- Sai de cima de mim! – Gritou empurrando o corpo do . Minha visão noturna estava começando a funcionar.
- Gente, vocês conseguem me ver? – Perguntei abanando o ar.
- Sim. – Responderam os dois.
- O que foi isso que aconteceu? – Perguntou , indo sentar mais próximo a mim.
- Você acha que se algum de nós soubéssemos, ainda estaríamos sentados aqui sem fazer nada? – Falou passando a mão na parte de trás da coxa.
- Será que o ar acaba? – Pensei alto.
- Nem brinca. – Falou .
- , desculpa não ter ido te ver hoje... – Falei tentando o olhar, no meio do escuro.
- Eu realmente pensei que você fosse... ficou com raiva por causa do segundo pedido?
- Não, não. Aconteceram umas coisas...
- É sempre bom lembrar que tem três pessoas nesse elevador. – Falou .
- Ah claro, desculpa. – Falei revirando os olhos.
- Que coisas? – Perguntou interessado.
- TPM. – Respondi seca. Erm... não, eu não tava batendo bem da cabeça.
- Você fica muito irritada, é? – Perguntou-me .
- Fico mais sentimental, mas tudo bem. – Respondi rindo.
- É tão estranho isso né? – Falou pensativo.
- Pois é cara... eu já terminei um namoro porque não sabia que ela não tava na TPM... – Falou .
- Que ela ESTAVA, não? – O corrigi rindo.
- Não, que ela NÃO estava. – Falou rindo. – Pensei que aquele estresse todo era TPM, até me dizerem que era impossível TPM durar quase um mês.” – Falou assustado, lembrando do namoro. E então eu e começamos a rir.
- Você é louco . – Falei rindo.
- Me dê uma chance...
- Por que você num deixa ela em paz? – Perguntou irritado, se aproximando de mim. Ótimo. Aquela cena estava perfeita. Eu no meio de dois garotos que estavam se matando por mim. Ai ai ai ui ui. Nem queria. Haha, eu sou péssima, admito. Mas quem não gostaria de estar no meu lugar? Hohohoho.
- Por que você não passa a tratá-la melhor? – Perguntou o fitando.
- E o que eu fiz pra ela? O que você sabe da nossa vida? – Falou já se irritando.
- O que eu sei? O que eu sei? Hahaha! – Falou .
- Que tal OS DOIS calarem a boca? – Falei sorrindo sínico, e logo depois olhei para . – Quem sabe ninguém aqui quer ter segredos ou falas reveladas, sim?
- Eu só estou pedindo uma chance... – Falou .
- Porque em vez de uma chance você num vai... – Ia falar até que eu o interrompi.
- ASSIM NÃO DÁ! Vocês nunca calam a boca, velho! – Gritei. E depois olhei para cada um, para ver se eles não resolveriam se juntar contra mim e me matar.
- Desculpa. – Falou .
- Ele fica te flertando na minha frente! – Falou .
- E o que você tem com isso? Você só faz brigar com a criatura! – Retrucou .
- Quem sabe eu não tenho motivos? – Falou me olhando, enquanto eu olhava com cara de tédio para uma das paredes do elevador, tentando ver alguma coisa no meio daquele escuro.
- Você acha que ela não já estaria comigo se não fosse por você? – Perguntou .
- DÁ PRA CALAREM A BOCA OU TÁ DIFÍCIL? – Gritei saindo de perto dos dois, indo me encolher em posição fetal num canto amassado.
Algum tempo se passou e nós três ficamos em silêncio. havia curvado as pernas e apoiado os cotovelos nela, abaixando a cabeça para apoiar nas mãos. estava encostado em uma quina do elevador, me olhando, mas quando eu resolvia olhá-lo, desviava o olhar. O ambiente começou a ficar frio, e nós começamos a esfregar as mãos para nos aquecermos.
- Toma! – Falou estendendo seu casaco para mim.
- Não precisa. – Falei sem o olhar. Mas ele me ignorou e jogou o casaco em cima de mim.
- Desculpa. – Falou com voz de cachorro pedindo abrigo. – Acho que naquele dia, na piscina, eu fui muito rude com você, né? – Falou me olhando.
- Bem, eu não sei o que falar. Mas com certeza não passa pela minha cabeça te beijar mais, já que toda vez que isso acontece, você fala algo que me machuca... – Falei pensativa enquanto vestia seu casaco.
- Desculpa. Eu... sou tão idiota. – Falou engolindo seco. – Mas você também sempre dá motivos... – Falou me olhando.
- Você sempre confunde as coisas, é diferente...
- Dá pra vocês pararem com essa discussão de casal enquanto eu estiver aqui? – Falou enquanto tentava esticar as pernas.
- Por que você sempre se intromete, em? – Perguntou o olhando.
- Será que é porque eu só corro atrás dela enquanto você dá coice e não sei por que ela ainda pensa em você?
- Desisto. É... fala mesmo. Não me importo de ter minha vida e meus pensamentos revelados <3 – Falei irônica enquanto esticava as pernas. É, diferentemente dos garotos, eu conseguia esticar minhas pernas lá dentro.
- Desculpa, mas me irrita te ver assim por causa desse idiota.
- Por que você não vai pegar outra garota e não a deixa em paz? – Falou indo sentar-se ao meu lado.
- O que você tá fazendo aqui? – Perguntei o olhando de lado.
- Te protegendo desse tarado! – Falou com cara idiota.
- Seu humor muda tão rápido... – Falei o olhando assustada.
- Certas coisas me animaram hoje! – Falou sorrindo.
- Imagino... – Falei me encolhendo enquanto matava em pensamento.
- Acho que deveríamos tentar sair daqui... – Falou se levantando e tentando empurrar a parte de cima do elevador.
- Criatura mórbida, essas cenas acontecem em filme de terror, e geralmente aparece outro elevador pra te esmagar nessas horas! – Falei o olhando assustada.
- Nessa linha só tem um elevador, – Falou se levantando também.
- Subo eu ou sobe você? – Perguntou para .
- Me dá um apoio que eu subo.
E então conseguiram abrir a tampa de cima, e subiu. Pelo menos conseguimos enxergar as luzes vindas de cada andar. Pela brecha das portas. começou a gritar por socorro, e logo depois alguém gritou de volta, dizendo que já haviam percebido o problema e já estavam tentando resolver. Começaram a conversar algo, enquanto ouvíamos os pais tentando falar, mas sendo impedidos de chegarem muito perto.
- Por que você não me dá uma única chance? – Falou se aproximando de mim, e passando uma de suas mãos pelo meu rosto. Aproveitando que estava lá em cima, tentando se comunicar.
- , eu já falei, não dá...
- É porque moramos muito longe? É porque você já vai embora? Acho que não sabemos quando vamos nos ver novamente, deveríamos aproveitar. – Falou se aproximando.
- Não é essa a questão , você sabe com quem estou encantada...
- Você nem sabe se ele te quer, fica perdendo tempo com ele...
- Você ouviu a música, não ouviu? – Falei o fitando, séria.
- Quem garante se ele não já desistiu de você, e a música não foi feita antes? – Perguntou me olhando.
- Sobe lá! Seus pais querem falar com você! – Falou descendo e tirando o de perto de mim, enquanto aquela pergunta me causava um pouco de dúvida.
- Você tá bem? – Falou se aproximando.
- Sim, estou... – Falei olhando o tempo.
- Acho que seus pais daqui a pouco conseguem passar para falar com você. – Falou me olhando.
- Me ajuda a subir?
- Claro. – Falou rindo fraco.
- Você fica melhor assim, sorrindo. – Falei o olhando.
- Eu fico melhor assim, com você perto de mim. – Falou se aproximando mais, enquanto colocava uma de suas mãos em minha nuca.
- ... – Falei abaixando a cabeça.
- Eu prometo que não vamos discutir dessa vez. – Falou levantando meu rosto.
- Já falei com eles! – Falou voltando e puxando para trás.
- Você não viu que atrapalhou algo NÃO? – Falou pra ele, como se quisesse o matar.
- Algo? Não, não. – Falou sorrindo sínico. Enquanto eu ainda observava os dois, discutindo por mim. Não sabia se ficava nervosa com a situação ou se gostava daquilo.
- Vem , vou te ajudar a subir. – Falou .
- Obrigada. – Falei indo em sua direção. Então ele subiu com a ajuda do , e logo depois me levantou nos braços e terminou de me puxar, lá de cima. Estava me sentindo uma inútil. Não, eu não precisava daquilo tudo pra conseguir subir.
- ! – Gritou Thiago.
- Amore! – Gritei para ele enquanto dava pulinhos.
- Calma aí com esses pulos! – Falou com medo.
- Acho que do chão a gente não passa. – Falei rindo.
- Verdade... – Falou rindo junto.
- Você tá bem? – Perguntou Thiago.
- Se machucou filha? – Perguntou papai.
- ! Você tá bem filha? Me desculpe pelo que falei! – Falou mamãe chorando.
- Sim gente, eu to ótima! Só arranhei o braço, mas nada demais.
- Tá muito frio aí? – Perguntou papai.
- Sim, mas to de casaco. – Falei olhando para e sorrindo.
- Eles disseram que vão te tirar o mais rápido possível daí! – Gritou mamãe.
- Que bom! Tem previsão?
- Acho que amanhã pela manhã, filha. – Respondeu papai.
- Nossa, vou ter que dormir aqui. – Falei com voz de “que saco”.
- Filha, estão nos mandando sair, fique bem! – Gritou papai.
- Xaaaau! – Falou Thiago.
Depois que saíram, me olhou sorrindo, vendo minha felicidade. Até que nos chamou e nós dois tivemos que descer. Fechamos a tampa do elevador, para que nada caísse em cima de nós, e sentamos cada um em uma quina, como antes. Mas dessa vez não parava de me olhar. E não, ele não desviava nem se eu o encarasse.
- Eu fiz uma música pra você. – Falou , numa voz baixa.
- Fez? – Perguntei fingindo não saber.
- É, ela já ouviu. – Falou , com voz de tédio.
- Já?
- Já. Hoje, na praia. – Falei sorrindo sem mostrar os dentes.
- Mari cantou hoje. – Falou .
- Mari? Eu falei pra ela não mostrar a ninguém! A gente só tava ensaiando! – Falou parecendo irritado, mas na verdade estava com vergonha.
- Ficou linda. – Falei sorrindo.
- Valeu. – Falou sem graça.
- To com sono, mas não consigo dormir nesse aperto... – Comentou .
- Somos dois.
- Somos três. – Falei. – Que tal brincarmos de algo? – Falei enquanto pensava em alguma brincadeira.
E então começamos a brincar de adedonha, “nome, lugar e objeto”, e tantas outras coisas que se podia brincar usando só a mente e a voz. Até que alguém, não lembro quem, juro, deu a brilhante idéia de brincarmos de verdade ou consequência, e como já estávamos bêbados de sono, os outros dois resolveram aceitar a proposta.
- Veeeeeerdade! – Falei encostando minha cabeça na parede. Eu não ficava no meu estado normal quando estava com sono. Queria me ver bêbada sem álcool? Bastava me deixar com muito, mas muito sono.
- É verdade que... que você me pegaria numa boa se não fosse o ? – Perguntou , enquanto bocejava.
- É, é. Você é tão atraente. – Falei me acomodando no chão. Enquanto giravam a sandália novamente.
- Situação! – Gritou .
- Você está sozinho numa ilha deserta e muito, muito fria, quem você escolheria pra lhe aquecer? – Perguntei.
- Você? – Falou me olhando.
- Verdade, verdade, eu sei que sou muuuuito quente. – Falei sem pensar, enquanto meu cérebro me mandava dormir.
- Pode vir quente que eu to fervendo! – Falou rindo, e logo depois se aproximou mais de mim.
- Eu vou dormir, não agüento mais. – Falou se virando, parecendo não se importar com chegar muito perto de mim.
- , você não sabe, aprendi outra cantada péssima! – Falei rindo ao lembrar.
- Pode me cantar, eu sei que você tá morrendo de vontade.
- Idiota – Falei rindo. – É assim... se você fosse um ventilador, eu te ligava no três (6) – E foi eu acabar de falar e nós dois começamos a rir.
- Muito boa! Mas... que tal a gente brincar de nuvem agora? – Perguntou me olhando sério, prendendo o riso.
- Nuvem? Como é? – Perguntei curiosa.
- Eu fico nu e você vem. – Falou e logo depois eu lhe dei um tapa, e começamos a rir.
- Eu to com sono... – Falei me jogando em cima dele. Tudo bem, mesmo bêbada de sono eu sabia muito bem o que eu estava fazendo, mas acabei me aproveitando né. Hoho.
- Eu já falei que a cada dia que passa eu me encanto mais com você? – Falou me olhando, enquanto eu apoiava minha cabeça em seu peitoral.
- Que bom , que bom. Eu to assim, tão gostando tanto de você, não sei explicar. – Falei fechando os olhos.
- Não quero perder um momento ao seu lado. – Falou mexendo em meu cabelo.
- Nem eu. – Falei levantando o corpo, enquanto ele se abaixava, se aproximando mais.
- Sem brigas dessa vez. – Falou e sorriu de lado. Então selamos nossos lábios, enquanto eu me ajeitava no chão, para meu corpo não cair e acabar com o beijo.
Ele me envolvia em seus braços, enquanto eu passava os meus por seu pescoço, o trazendo para mais perto. Até que ele começou a dar beijos em minha face, enquanto segurava minha nuca com certa força, até que voltamos a selar os lábios novamente e a intensificar o beijo. Mas enquanto nos empolgávamos, sem querer, chutei o de leve, o que o fez acordar e virar para o nosso lado, falando algo incompreensível, enquanto eu me separava do antes que ele visse, para não o magoar. apenas o mandava dormir, afinal, ele estava meio sonâmbulo.
- Acho melhor também dormirmos. – Falei sem graça.
- Você que sabe. – Falou rindo, parecendo ter perdido o sono. Então ele me puxou para que eu apoiasse minha cabeça em seu ombro, o usando de travesseiro, então me encolhi no chão, e depois de algum muito tempo pensando no que havia acontecido, sorri para mim mesma e desmaiei de sono.
No outro dia acordamos com marteladas mais próximas a nós, ao abri os olhos, a primeira coisa que pude ver foi a tampa do elevador sendo puxada, e um homem desconhecido acenando para nós. Os garotos acordaram na mesma hora que eu, então nós três fomos levados para o andar de cima enquanto os profissionais de macacão amarelo desciam para tentar concertar algo que para mim parecia sem concerto.
- Tem certeza que todos estão bem? – Perguntava o gerente do hotel.
- Sim estamos, obrigada. – Falei sorrindo, enquanto mostrava só um ferimento no braço.
- Avisamos seus pais agora, eles já devem estar a caminho.
- ! – Gritou a mãe dele e a surfista de cabelos longos, ambas correndo de braços abertos. O que aquela égua tava fazendo ali mesmo? amor, cadê você e seu galho de corno?
- Oi gente... – Falou sem graça. É isso mesmo, tava passando a me respeitar. Bom garoto. Haha.
- Fiquei tão preocupada filhinho! – Falou a Sra. o apertando, enquanto eu e segurávamos o riso.
- Minha amorinha cheia de mel e doce de leite!! – Chegou a mãe do gritando e correndo pelo salão do hotel. Nem eu sabia que ele era tão doce assim, erm.
- Menos mãe, menos... – Falou corando.
- ! – Chegou Thiago correndo e pulando em meus braços, enquanto eu me esforçava para segurá-lo. Mamãe e papai chegavam atrás dele, vindo me abraçar também, e sim, me fazendo passar vergonha também.
- Minha filha no meio de dois machos a noite inteira! – Falou papai fazendo drama.
- A gente cuidou direitinho dela! – Falou acenando com o polegar.
- Meu docinho de framboesa não faria nada maldoso com sua filhinha! – Falou a mãe de enquanto nós ríamos.
- Nem se quisesse. – Falou o olhando, com um olhar vitorioso.
- Perdi algo? – Perguntou , me olhando. Enquanto todos os pais olhavam para mim também.
- Não , não perdeu nada. Você sabe como é... – Falei sorrindo amarelo. E papai pareceu orgulhoso da filha que tinha.
Depois de algum tempo, subimos cada um para seu devido quarto, e voltou para casa com sua mãe. Tomei um longo e demorado banho, e logo depois me joguei na cama e peguei meu iphone, fui olhar as páginas na internet de algumas pessoas, só pra manter-me atualizada sobre a vida alheia, depois olhei e postei no fotolog, até que decidi olhar meus e-mails, para não deixar em apuros. Hehe. Minhas férias no Havaí estavam terminando, meu tempo para ficar perto dos garotos, mais precisamente do , também. Eu não sei o que fazer e como lidar com o tempo que tenho. Três dias, contando com hoje, podem ser pouco ou o suficiente, depende de como eu os aproveito. Infelizmente estou cansada demais para optar por não dormir assim que ler meus e-mails, mas logo que acordar, vou atrás do , não vou ficar esperando ele aparecer por aqui, como fiz todo esse tempo.
Capítulo 19
-
De: moscanasopa@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Garootaa! Cadê você??
Menina nem te conto, paguei um mico tão lindo ontem. É. Com ninguém mais, ninguém menos que o Deep –parei. Foi com meu love bofe luxo, o . Tínhamos marcado dele me ajudar com as tarefas do curso de alemão, já que você sabe que eu odeio, e ele é tipo... um gênio? Enfim, ele foi almoçar em casa (falei na cara que aqui tava faltando comida porque minha mãe não fez a feira do mês, pois é, depois que consigo namorar com ele, viro cara de pau total hahaha) e depois viria pra cá pra poder me ensinar.
- Mãe! Eu to com fome! – Gritei abrindo a geladeira.
- Ai , não deu tempo, se vire! Estou indo para o dentista, de lá compro algo pra você e seu namorado comerem.
- Você vai me deixar SOZINHA com meu namorado aqui em casa? – Gritei assustada.
- Eu deveria ter medo de você, vocês ou só dele? – Perguntou mamãe aparecendo na cozinha para beber um copo d’água.
- Geralmente sabe, as mães e pais não deixam os namorados sozinhos, para eles não fazerem besteira.
- Você pretende engravidar?
- Não. – Falei assustada.
- Então está tudo bem. Seu pai só não pode saber. Eu confio na filha que tenho. – Falou mamãe pegando a bolsa e saindo de casa. Sim, que minha mãe era diferente das outras, eu já tinha notado, mas nossa... me senti tão não cuidada pelos pais, foi triste.
Acabei pegando uma comida de algum dia que estava lá na geladeira, dentro de um potinho. Coloquei no microondas e depois joguei em um prato. Arrumei de forma que parecesse algo extremamente apetitoso. No fim, ficou parecendo comestível. Terminei de comer e fui tomar banho, claro, tenho que receber meu bofe-divo-inteligente bem limpinha e cheirosinha né. Hoho. Me arrumei de forma que não parecesse que eu tinha pensado ontem na roupa simples que usaria hoje. Ajeitei o cabelo, mas sem fazer penteados, claro, ele ficaria convencido demais se visse que estava me arrumando para ele. O calor estava forte, acho que por ter chovido a manhã inteira. Agora estava abafado e calorento. Odeio o efeito estufa. Vou fugir para o campo-n. Fui para a sala e vi que meus cd’s estavam tipo... uma bagunça? Então fui os organizar, e acabei achando meus cd’s de Sandy e Júnior (parte negra da infância, ou seria KLB a parte negra? Haha enfim.) e fiquei com tanta, mas tanta vontade de recordar o tempo que éramos uma dupla. e . Fala sério, a gente arrasava no “vai ter que rebolar”, tinha rebolation antigamente e a gente nem sabia haha.
- Oooow! A gente dá certo!! Lá lá lá lá! Vira pra lá! Vira pra cá! – Estava eu cantando e dançando loucamente, pensando na orgia que é essa música, até que a campainha tocou e eu virei com tudo pra trás, olhando para a porta. – QUEM É? – Gritei.
- Sou eu amor! – Gritou do outro lado.
- Já vou! – Falei abaixando o volume, enquanto sentia movimentos estranhos em meu abdômen. Começar a dançar depois de comer não é muito legal. Ajeitei o cabelo com as mãos enquanto caminhava até a porta.
- Me atrasei? – Perguntou se abaixando um pouco para me beijar.
- Que nada, estava ouvindo umas músicas... – Então começou a tocar “Quando eu encontrar um amor pra mim, tem que ser bonzinho, eu só quero assim. Tem que ter respeito, me querer demais, tem que ser perfeito ou mais”
- Pensando em mim, amor? – Perguntou , risonho, Enquanto parecia reconhecer quem estava cantando.
- Ridículo! – Falei rindo. – Claro... – Então ouvi um “eu conto pra mamãe! E pro papai! Banana pra você ye ye ye yeeeeeeeee!!!” – Que não. Estava separando umas para a festa infantil da minha priminha... – Falei sem graça, andando rápido até o som para desligar aquilo.
- Não precisa desligar, eu sei que me apaixonei por uma criança. – Falou tirando uma com a minha cara.
- Nossa amor... isso foi um tanto quanto pedófilo. – Falei o olhando esperta.
- Banana pra você, yee yee yee! –Falou Cantando e me olhando.
- O QUEEEEEEEEE?? – Falei me levantando com a mão na cintura.
- É não amooor! – Falou rindo enquanto corria pra me abraçar e me dar beijinhos na nuca.
- Repete, só repete pra você ver. – Falei fingindo estar irritada.
- Eu amo você ye ye yeee! - Falou sussurrando em meu ouvido.
- Eu sei, eu sei. – Falei arrepiando, sem graça. Até que meu estômago embrulhou mais, e tive um sexto sentido horrível.
- Que foi amor? – Perguntou enquanto eu me soltava de seus braços.
- Lembrei que preciso achar o celular da minha mãe antes dela voltarmeesperaaqui! – Falei rápido e então saí correndo para o quarto de mamãe, que era suíte (com banheiro dentro) e tranquei a porta. Tanto do quarto quanto do banheiro. E sabe o que aconteceu neh? Acho que coloquei aquele potinho de almoço todo fora, só pode. Tomei um banho rápido, passei mais perfume e saí poderosa de lá.
- Achou? – Perguntou-me já com os livros abertos e espalhados pela mesa.
- O que?
- O celular da sua mãe.
- Ah! Achei. Deixei em cima da cama dela, pra ela ver. – Falei sem graça, enquanto me sentava a seu lado.
- Preparada?
- Sempre.
Então começamos a estudar, e eu estava de saco cheio daquelas tarefas de férias. Deveria ter parado o curso durante as férias. Culpa do que ficou dizendo que quanto mais cedo eu terminasse, mais cedo me livraria. Sim, até um jumento sabe que essa afirmação está correta, mas nossa... nas férias? Ninguém merece. Então meu estômago ou intestino, como queira, começou a avisar-me do perigo novamente.
- Vou ligar pro meu pai pedindo comida. – Falei e me levantei.
E de novo.
- Falar com a no telefone, marquei o horário de ligação.
E mais uma vez.
- Vou arrumar as roupas do guarda-roupa da minha mãe. – Sério, eu já tava fraca e sem desculpas.
Então tomei um banho demorado dessa vez, pra descansar e caso tivesse outra crise, já estar no banheiro. Então me arrumei novamente e fui para a sala. Sentei e abaixei a cabeça na mesa.
- Você tá bem? – Perguntou preocupado.
- Não. – Falei sem forças.
- O que você tem?
- Não vou falar. – Falei abraçando minha barriga.
- Cólica? – Falou sem graça. Nossa, por que eu não fingi ser cólica menstrual antes em?
- Exato. – Falei gemendo.
- Quer que te compre remédio? – Perguntou acariciando meu cabelo. Mas eu precisava mesmo era me hidratar.
- Quero água de coco, compra? – Perguntei virando o rosto para o olhar.
- Claro. – Falou sorrindo enquanto se levantava. – Uma pergunta, a gente tá sozinho ou é impressão minha?
- Estamos. – Falei morrendo.
- Bom... – Falou rindo e depois saiu.
Andei até o som, o liguei, e deitei no sofá, enquanto me encolhia em posição fetal e gemia baixinho. Tenho uma incrível teoria, que se você estiver sentindo muita dor, e começar a gemer, a dor diminui, vai saber. Então depois de um tempão a porta abriu e olhei para trás, era .
- Sandy e Júnior. Sabia. – Falou Entrando e fechando a porta.
- Você demorou... – Falei desfalecida.
- Tive que ir à praia, aqui perto não vende coco.
- VOCÊ ANDOU ATÉ A PRAIA???? – Perguntei incrédula.
- Andei... você parece tão mal, não ia voltar sem os cocos neh, só são sete quarteirões daqui...
- Só sete quarteirões imensos... louco. – Falei o olhando.
- Ai ai... adoro minha namorada, outras me chamariam de meu herói. – Falou revirando os olhos.
- Ai amor, desculpa! Você é meu herói sim! Só não me levanto pra te agarrar porque estou fraca. – Falei mandando beijinho pra ele.
- Sem problemas. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé! – Falou Sentando no sofá, e rindo. Então depois abriu um coco pra mim e eu fiquei lá, tomando, enquanto ele falava em alemão e eu tentava traduzir algumas coisas. Claro, a maioria foi ele cantando Sandy e Jr. Em alemão, com o ritmo era fácil adivinhar o que ele estava falando. Não sei se foi o coco, a cantoria ou o alemão, mas acabei dormindo. E dormi legal, viu?
Então comecei a ouvir um som distante, me revirei para um lado e para o outro, então meu cérebro me avisou que meu namorado estava em casa, e eu estava deitada, e não era no sofá. Abri os olhos e o vi em frente ao computador, e eu, deitada em minha cama.
- Amor? – Falei sem graça.
- Acordou a margarida! – Falou sem me olhar, enquanto apertava freneticamente duas teclas.
- Desculpa te dar todo esse trabalho... – Falei já me sentindo melhor.
- Que nada! Você nem é tão pesada, foi fácil te carregar. – Falou ainda concentrado no PC.
- O que você tá fazendo, em?
- Jogando um jogo massa, quer me ajudar? Eu aperto “x” enquanto você aperta “enter.”
- Não, obrigada. - Falei rindo. – Minha mãe já chegou?
- Ela ligou avisando que ia atrasar, e me pediu pra cuidar de você até ela chegar.
- Isso faz quanto tempo? – Perguntei olhando o céu, já estava anoitecendo.
- Nem lembro. Antes de eu começar a jogar...
- Então logo depois que eu dormi? Faz um tempão! Já deve estar chegando...
- Não. Eu te deitei aí, cantei pra você, fiquei te olhando, lavei a louça, organizei seus cd’s e depois vim jogar. – Falou apertando mais rápido as teclas.
- Sério? – Perguntei o olhando.
- Foi. Minha namorada me abandonou, então fiquei procurando o que fazer. – Falou.
- Adoro sua hiperatividade... – Falei feliz por alguém ter levado a louça pra mim.
- Só fiz porque foi pra você, é diferente. – Falou com um sorriso na face.
- Tudo bem, você venceu. – Falei me juntando a ele no PC. - Eu aperto enter?
- Sim. – Falou rindo. E então começamos a jogar o joguinho sem sentido. Durante um bom tempo.
já me tratava bem desde que éramos amigos, mas seu cuidado comigo aumentou ainda mais depois que começamos a namorar. Era incrível como não deixava de me ligar uma só noite, sempre que eu lhe pedia algo, fazia o máximo para poder realizar, e claro, eu não abusava de sua boa vontade, pelo contrário, já que ele estava me tratando tão bem, também fazia questão de tratá-lo bem, de sempre tentar fazer favores que ele me pedisse, até mesmo o simples pedido de estudar alemão com ele nas férias, mesmo eu odiando esse curso, queria mesmo era aprender francês. Às vezes ficava com medo de tantos mimos, algumas pessoas dizem que isso se chama peso na consciência, mas sabe, mesmo se passássemos uma semana nos vendo direto (lê-se: sem ele ter tempo de me trair) ele continuava carinhoso, então era dele. E eu, fala sério, adoro um mimo. Quem não gosta? Haha.
Então depois que ganhamos o jogo, nos olhamos, sorrimos e rimos.
- Vamos para a sala. – Falei rindo, enquanto sabia bem os pensamentos dele.
- Que mente poluída amor... – Falou rindo, enquanto era puxado por mim.
- A sua, né?
- A minha não, a sua. Eu sentei na cama pra descansar, calma, não ia te agarrar e assinar o contrato pro meu enterro. Sei bem como meu sogro é.
- Que bom que sabe... – Falei rindo, então me joguei no sofá. – Filme?
- Só se for um que a gente já tenha visto. – Falou me olhando.
- Então tá. – levantei e coloquei “Alvim e os esquilinhos” no DVD. Caso minha mãe chegasse, não estávamos de jeito maneira nos beijando, estávamos vendo o filme, é.
Eu não preciso dizer o que aconteceu durante o filme né? Tudo bem, eu digo... O boy descobriu que Alvim e seus amiguinhos falavam! É... e eles ficaram famosos! Hahaha-parei. Calma, a gente também viu o filme, e rimos de umas partes bem idiotas. E conversamos sobre a vida e temas variados, um namoro só na base do beijo não sobrevive.
Até que mamãe chegou com nosso jantar, e por incrível que pareça, era algo saudável. Acho que quando ela falou com , ele deve ter dito que eu tava mal da barriga. Pedir água de coco dizendo que era cólica não foi uma boa... garota esperta.
Jantamos e então mamãe começou a expulsar lá de casa, dizendo que já estava tarde demais para ele ainda estar lá. Eu não digo que ela não é normal? Me deixa sozinha com o garoto a tarde inteira, e de noite o expulsa.
Enfim... E você gata, como está? Já pegou o ? Estou me divertindo hiper aqui com minha desidratação vergonhosa. Atóóroon um perigon. Haha. Conte-me TU-DO. Exatamente tudo ;) Beijos beijos, te lovo.
-
Capítulo 20
Não consegui dormir muito, acordei antes da hora do almoço, então me arrumei, para ir almoçar com meus pais, que estavam lá no meu quarto esperando-me acordar. Fizeram um curativo escandaloso em meu braço e depois descemos para o salão. Era sexta, e eu iria embora no domingo. Procurei o por lá, mas não o encontrei. Almocei normalmente, sem muita fome. Na verdade fome eu tinha, só que minha vontade de encontrá-lo era ainda maior, portanto, comi depressa.
- Assim você vai engasgar... – Falou papai me olhando assustado.
- Coma mais devagar , é melhor... – Falou mamãe me olhando.
- É uma competição? – Perguntou Thiago.
- É que eu to sem muita fome mesmo, e comer rápido eu sempre comi... – Falei tentando parecer o mais sincera possível – E não meu amor, não é uma competição – Falei rindo para Thiago.
- Droga. – Respondeu-me decepcionado.
- Terminei! Posso sair para aproveitar meus últimos dias por aqui?
- Você está machucada... – Falou papai parecendo preocupado.
- Pai, é um arranhão no braço... Nem precisava de curativo pra falar a verdade...
- Pode ir querida, só não volte muito tarde. – Falou mamãe com uma naturalidade de quem ainda queria se desculpar. Mas sabe como é essas coisas de família, você acaba perdoando rápido as pessoas, ou pelo menos tenta.
- Obrigada. – Falei e me levantei depressa da mesa.
Saí e fui à busca de meu belo cavaleiro da armadura de prata- Parei. Fui atrás do traste do mesmo. Tudo bem que eu queria aquele traste pra mim, mas isso não vem muito ao caso. Andei naturalmente pela área da piscina, e comecei a ouvir meu nome sendo gritado de alguma das janelas daquele imenso hotel, até que olho para cima e está acenando loucamente para mim, enquanto várias pessoas de boa índole olhavam para nós assustados, então para aquela cena parar, acenei de volta pra ele, se segurando para não rir e não estragar minha pose de pessoa normal.
- Você está indo para a praia? – Gritou da janela.
- Sim! Na verdade estou procurando o ! – Gritei de volta.
- Ele deve estar na praia! Quem estava querendo falar com você era o !
- Jura? – Gritei e logo depois não me preocupei de disfarçar a careta que havia feito, afinal, acho que de uma distância tão grande ele não conseguiria reconhecer.
- Sim! Me ligou perguntando se você ainda tava no hotel!
- A bom! E o que você falou?
- Que sim! Aí ele pediu pra eu não te deixar sair daqui, que ele já tava chegando!
- Então esse papo todo foi só para me prender aqui? – Gritei com um tom mais severo.
- Exatamente! – Falou sorrindo e logo depois fechou a janela.
- Cachorro! – Bufei para mim mesma.
Olhei para os lados, me sentindo num filme daqueles de ação, suspense, ou seja lá o nome do que lhe dá muita adrenalina. Nenhum sinal do , ainda estava em vantagem. Saí andando atenta, até onde seria o salão do hotel e logo depois a saída, mas mal cheguei no salão, pude avistar a cabeleira do apontando na escada de entrada do hotel. Engoli seco. Voltei nas pontas dos pés para a área da piscina, olhei para um lado, para o outro, para trás, e cada vez entrava mais naquele bendito hotel, então saí correndo para a área do chuveirão.
- Ótimo. Aqui ele não vem. – sussurrei para mim mesma enquanto torcia para que ninguém quisesse se molhar naquela hora.
- Você não me pega! Eu vou ganhar!! Leru leru! – Gritava uma voz fina e aguda de criança do sexo feminino, e a voz vinha em minha direção. Eu apenas pensei: É, eu não quero te pegar, leru-leru.
- Quem for pra piscina por último é a mulher do Michael Jackson! – Gritou outra voz fina. Isso gatinhas, corram pra piscina e pra bem longe de mim e do Michael.
-Êpa! – Gritei ao ser empurrada por três garotinhas. Sim, no feminino porque eram apenas projetos de gente.
- Hahahahahahaha – Foi a única coisa que consegui entender até uma delas abrir o chuveirão de vez.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – Meu grito.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – Grito delas.
- O que vocês acham que estão fazeeendooo?? – desesperada, à beira de um ataque de nervos.
- Vamos pular na piscina, quem tá no chuveirão é pra se molhar! – Falou um projeto de gente metido a adulta.
- Eu vou esmagar seus olhos e depois comê-los com molho de pimenta! – Falei pausadamente com toda minha fúria.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – Gritaram e saíram correndo para a piscina. É, talvez eu saiba ser má.
- Oh gosh! Como vou sair daqui assim? – Falei com voz de choro.
- Está tu... ? – Perguntou assustado.
- Erm... Oi! – Falei sorrindo amarelo enquanto abria esticava os braços, e logo depois passava a mão em meu rosto, para tirar a água que ainda incomodava.
- Vai para a piscina com essa roupa mesmo? – Perguntou parecendo confuso.
- Na verdade eu acabei de sair de lá... agora vou para meu quarto me trocar... hehe.
- Vou com você! – Falou decidido.
- Te ilude santa Maria! – Falei rodando o dedo.
- Como?
- Eu vou me trocar sozinha, oras, oras, seu tarado...
- Eu vou te esperar se trocar pra podermos conversar... – Falou revirando os olhos, e logo depois soltou uma risada.
- Erm... tem certeza? – Falei com o tom de voz que dizia “eu não quero conversar” com todas as letras, mas ele pareceu não entender, ou então apenas ignorou.
- Tenho.
- Então tá. Me espere aqui, não levo garotos para meu quarto quando meu irmão menor não está lá.
- Como você sabe que ele não está lá?
- Por que por acaso ele é uma daquelas crianças saltitantes na piscina... – Falei apontando.
- Aaaaah...
- Boa garoto... – Falei piscando e nós dois rimos, apesar da situação está um tanto quanto tensa.
- Então eu te espero aqui. Vai logo! – Falou e eu saí acenando e andando rápido, enquanto claro, pensava em algumas formas de tortura para fazer com o .
Tomei hiper rápido, só pra meu cabelo não ficar todo bagunçado e enfim, só pra dizer que tomei banho e não só me enxuguei, como era minha vontade. Coloquei uma roupa qualquer (não, não foi um daqueles shorts folgados com aquelas camisas que mais parecem vestidos, sim, aquelas que você usa para dormir, foi uma roupa qualquer, mas arrumada até) e saí correndo para a área da piscina.
- Cá estou senhor. – Falei sorrindo agradável.
- Foi rápida! – Falou olhando-me.
- Sempre sou.
- Nem sempre.
- Como sabes?
- Observando...
- Talvez não quisesse...
- Talvez sim.
- Talvez não é certeza.
- Certamente, mas se a sua certeza fosse a minha certeza?
- Então não diríamos talvez, e não falaríamos com medo das palavras.
- Prefere falar normal?
- O que seria seu normal?
- Eu gosto de você. E eu sei que já te falei isso antes, eu sei que você gosta de outro, mas eu não me importo. Eu não dormirei bem se deixar você voltar para seu país achando que eu só queria me divertir com você, eu não dormiria bem deixando você voltar sem saber que eu tentei e tentei ficar com você, te ter comigo. Sentir que quando você me beija, não está pensando nele, nem se preocupando se ele verá ou não. Eu quero que você acredite em mim. Você pode achar que não, mas dá para se apaixonar por alguém em poucos dias sim. Naquele dia que fomos ver filmes na minha casa, sua risada, sua cara de enjoada por vermos a mesma coisa tantas vezes, eu não parei de pensar nisso durante a noite inteira. E então todos os momentos que eu pudesse estar com você, fazia o possível para estar. Talvez em ambientes que eu não quisesse ir, eu ia, só porque me falavam que você estaria lá...
- , me desculpa... – Falei o olhando aflita.
- Por favor... me dê uma chance, uma única chance. Quando você e o voltarem, vocês ficam juntos em seu país, mas aqui, agora, durante esses dois dias que faltam, fique comigo...
- Eu não posso. Não posso te enganar assim. Não posso fazer isso com o . Você acha mesmo que ele me perdoaria? Que ficaríamos juntos se eu ficasse com você aqui?
– Falei e ri sarcástica. – Me desculpe , eu não posso fazer isso.
- Nada do que eu falei teve importância pra você?
- Sim, teve. E muita. Não é sempre que um garoto tem a coragem de declarar seus sentimentos como você tem, e eu admiro muito isso em você. Mas por favor, se você gosta de mim, pense em como eu sofro com essa situação.
- Mas eu te quero tanto...
- Apenas pense.
Falei o saí andando, um pouco rápido, admito. Passei pelo salão principal e desci à praia. ficou lá, parado, não me seguiu. O vento estava forte e bagunçava meu cabelo; como eu adorava aquela sensação de liberdade, mesmo que soubesse que era efêmera. Caminhei mais um pouco, até que avistei dois braços acenando para mim, era o , feliz da vida vindo em minha direção.
- Oi... – Falei sorrindo, ainda um pouco sem graça.
- Você está bem? – Perguntou-me preocupado.
- Sim, sim! Estou ótima! – Falei sorrindo mais esticado.
- O foi falar com você, né?
- Foi...
- Falei que não adiantava! O que ele te falou? – Falou parecendo um pouco irritado.
- Só se declarou, , não precisa se preocupar! – Falei rindo de sua expressão.
- Acho bom. – Falou sério.
- Hey! Sem querer ser chata, mas você viu o por aí? Queria conversar com ele...
- Conversar, né? Sei, sei... – Falou olhando-me pervertido.
- Péssimo! – Falei rindo sem graça. – É conversar sim!
- Entendo... haha! Eu o vi na praia, quando estava andando... acho que se afastando um pouco mais do hotel você o avista, pode continuar seguindo na direção que estava.
- OK! Obrigada! – Falei e saí acenando, enquanto corria dando pulinhos.
Eu queria vê-lo. Queria poder abraçá-lo forte. Queria poder ser irritada por ele. Eu queria, queria estar com ele. Estava andando olhando para a água que ia e vinha para a areia, às vezes pulando algumas ondinhas, outras vezes deixando tocar meus pés. Até que ouvi risadas altas, e olhei para frente assustada. Meu corpo paralisou, não podia acreditar na cena que via. A surfista loira estava nas costas do , sendo carregada por ele enquanto os dois riam juntos. Engoli seco, e acredite se quiser, o único pensamento que veio em minha mente foi chamá-lo de canalha, até minha criatividade sumira naquele momento. Os dois me viram, e creio que notaram meu olhos cheios de lágrimas. Lágrimas de raiva, de muita raiva. Me virei depressa e comecei a correr, mesmo sabendo que a única fazendo papel de idiota ali era eu. Porém, melhor ser uma idiota que corre, do que uma idiota que fica parada chorando.
- ! – Ouvi o grito do e corri com muito mais vontade. Comecei a ouvir seus passos fortes logo atrás de mim, correndo para me alcançar. Entrei no mar para que ele desistisse de me alcançar.
- Pare de vir atrás de mim! – Gritei e então mergulhei.
- Deixe de ser infantil! O que você tem!? – Gritou mergulhando junto. Okay, tentativa frustrada de fazê-lo parar. Pelo menos as lágrimas se confundiriam com a água do mar, talvez não desse para perceber que eu estava chorando, enquanto isso ganhava tempo para tentar parar.
- Já disse pra me deixar! Que droga!
- Vem aqui! – Falou alcançando meu braço e me puxando. – O que você tem? Por que essa cara? – Perguntou sério.
- Deixe de ser hipócrita! Você se declara pra mim num dia e no outro faz isso e pergunta o que eu tenho? – Falei o olhando com toda raiva que percorria minhas veias.
- Isso o que? – Perguntou assustado.
- Fica se agarrando por aí com aquela surfista metida a santinha! – Gritei enquanto tentava soltar minha mão, mas ele me segurava com força.
- Que surfista? A Mari?
- Não meu amor, minha MÃE! – Falei irônica.
- Você tá falando da Mari ou não? – Perguntou gritando enquanto sacudia meu braço.
- ESTOU! E DÁ PRA PARAR? TÁ ME MACHUCANDO! – Gritei irritada, então ele me soltou e começou a gargalhar. – Muito bem, ria mesmo de mim! – Falei fria e comecei a andar, tentando voltar para a parte só com areia.
- Hey sua teimosa! – Falou então me puxou novamente.
- Já falei pra me deixar . – O olhei séria.
- Eu não acredito... então todo esse tempo de ciúmes... – E então voltou a rir.
- Idiota! – Falei dando um tapa em seu peitoral.
- Ela é minha IRMÃ sua coisinha! – Falou me olhando sério.
- Hahahaha vai mentir pra outra! Vai dizer que ela é freira também!
- Eu não estou mentindo, estou falando sério. Ela é minha irmã! – Falou me puxando para mais perto e passando uma de suas mãos por minha cintura, enquanto colocava a outra em minha nuca, passando os dedos em meus cabelos. Seu toque me inebriava, mas não poderia deixar que ele percebesse.
- Não acredito em você.
- Terei que te fazer acreditar?
- Sua irmãzinha é pequena!
- Só porque o Thiago é ela também tem que ser? – Pergunta crítica. Passei alguns segundos tentando pensar se alguma vez eu já tinha visto a “irmãzinha” dele, então antes que eu chegasse a uma conclusão, ele me puxou pela nuca e beijou-me. E beijou-me, beijou-me até que ficássemos sem fôlego, e finalmente me soltou. Enquanto eu o olhava ainda um pouco tonta, tentando me recompor, e sem saber o que falar, sem saber se deveria lhe bater eu sorrir. Então ele colocou suas mãos em meu rosto, acariciando, puxou delicadamente minha cabeça e beijou-me a testa, e depois a têmpora, e foi dando vários selinhos em minha face, enquanto mantinha meus olhos fechados, acreditando que tudo aquilo poderia ser um sonho, mas tendo a certeza de que não era. – Hey sua garotinha teimosa... você já deveria saber desde o começo, desde muito tempo... que eu só gosto de você, só quero estar com você, e só tenho olhos para você.
- Não poderia adivinhar... fora que sua irmã é linda... – Falei tentando arranjar desculpas para meu mico lindão.
- Falar que minha irmã é linda é pleonasmo... tsc, dizer que é minha irmã já subentende-se que tem que ser linda. – Falou rindo e voltou a beijar-me.
- Convencido! – Falei entre o beijo, enquanto lhe dava um tapinha e ríamos juntos.
Depois que saímos do mar, ainda ficamos abraçados na areia, conversando, trocando beijos, talvez para recuperar o tempo que perdemos com briguinhas bestas, se é que era possível. Pensamos também em meu tempo que estava acabando. Não que eu fosse morrer ou coisa do tipo... mas a cada hora meus dias no Havaí iam terminando, diminuindo cada vez mais. Voltamos para o hotel abraçados, encontramos e Mari na entrada, conversando abraçados, e tive que esconder meu rosto para não morrer de vergonha, enquanto só fazia rir, e os dois não entendiam nada. Tentei fazê-lo prometer que não contaria nada, mas ele não prometeu, o que já era de se esperar do adorável . Com certeza me faria algum tipo de chantagem... puff.
Tomamos banho, cada um em seus respectivos quartos, claro, e depois descemos para jantar no salão. Jantamos eu e ele numa mesa para casal, eu nem queria ver a cara do meu pai, mas pelo que o falava, estava de dar medo. E agora cá estou eu morrendo de sono, escrevendo em você diário lindo, cheiroso e sensual... Só sei de uma coisa: Estou muito, mas muito, mas muito feliz hoje. Mesmo com tantos micos ou contratempos, hoje foi um dia esperado há muito por mim.
XOXO =*
Capítulo 21
[N/a: Então gatinhas e divas da minha vida *-* Que tal colocar esse vídeo pra carregar? Juro que aviso a hora de dar play ]
O dia estava nublado, acordei com uma frente fria entrando embaixo de meu cobertor. É, esqueci de fechar a janela. Abri os olhos e murmurei um xingamento para a janela, pobrezinha, não tinha culpa. Olhei para a cama do Thiago e ele não parecia se incomodar com o friozinho que fazia, então tive que me levantar para fechar a (maldita) bendita janela. Logo depois me joguei na cama novamente e me cobri com o lençol, até que a porta começou a receber fortes batidas. Era ele. Bem, nenhum outro ser desse hotel sabia ser tão delicado com a porta quanto ele.
- Já vou! – Gritei animada, apesar de ter acabado de acordar, e corri para o banheiro, pra me olhar no espelho, tirar remela, passar as mãos nos cabelos e dar um jeitinho, treinei umas três caras de sono diferentes até achar a que não me deixasse com cara de joelho amassado nem de tacho. – Bom dia ... ?
- Rápido ! Você ainda tá de camisola? – Falou parecendo preocupado.
- Erm... o deveria ter me convidado para algo que não me convidou? – Perguntei com cara de anta de galocha.
- Não! O tá morrendo lá embaixo! Você não ouviu o vuco-vuco não? Está todo mundo socorrendo ele lá, a criatura está largada no chão do salão principal, gritando de dor! Acho que é crise de apêndice! – Falou preocupado e aflito.
- Não creio! POR QUE NINGUÉM ME ACORDOU ANTES?
- Erm... é que a gente só conseguiu sentir sua falta agora... e que também ele gritou seu nome e procurou por você lá, sabe como é a dependência dele...
- ! Pare de brincar com isso! Vamos! – Falei fechando a porta e caminhando em direção ao elevador.
- Heeeeey! – Falou puxando minha mão – Tudo bem que você tá preocupada, mas os paramédicos já chegaram e o hotel não precisa ver você vestida assim... que tal trocar de roupa?
- Eu preciso vê-lo rápido! – Falei séria, o encarando.
- Vá se trocar... eu garanto que ele não morre nesse tempo.
- Idiota. Não brinque com esse tipo de coisa. – Falei séria e entrei no quarto para me trocar. Nunca me vesti tão rápido na vida. Peguei as primeiras peças de roupa que vi na frente, escovei os dentes rapidamente e saí do quarto.
- Já? – Perguntou assustado.
- Já. – Falei séria e corri até o elevador, apenas me seguiu.
Meu coração pulsava numa velocidade que parecia que iria sair de meu tórax, sentia um enorme desconforto me corroer o equilíbrio, enquanto me olhava sério, e às vezes abaixava a cabeça. O elevador parecia brincar com o tempo, demorando, alongando a espera e a vontade de vê-lo logo. O tempo sem vê-lo era o suficiente para me deixar ainda mais aflita a cada andar do ponteiro de segundos do relógio. Ele precisava de mim, ele havia gritado meu nome, eu precisava olhá-lo logo.
Assim que a porta do elevador abriu saí correndo para o salão principal do hotel, onde não havia ninguém além da Mari, que me olhava aflita.
- Onde está ele? – Perguntei freando em sua frente.
- Acabou de sair. A ambulância ainda deve estar lá fora, meus pais foram com ele, não tinha espaço pra mim.
- Obrigada. – Falei e saí correndo, na esperança de alcançar a ambulância. Desci as escadas de entrada do hotel com uma velocidade incalculável. A respiração cada vez mais rápida, ofegante. Lá estava ele. Em pé, sorrindo e segurando seu violão. Durante alguns segundos eu ainda me perguntei sobre o apêndice, mas depois minha esperta mente informou-me que provavelmente era tudo mentira. O som de algumas notas começou a sair daquele violão, e pôs-se a cantar. [N/a: Hora de dar play no vídeo e ler aqui. Esperem o boy começar a cantar, é que ele se apresenta antes...]
I love you one, two, three shooby-doo
(Eu te amo uma, duas, três shooby-doo)
I love you four, that's more than I can afford
(Eu te amo quatro, isso é mais do que eu posso pagar)
and I can tell someday that I'm gonna say the truth
(e eu posso dizer, algum dia eu direi a verdade)
I love you five
(Eu te amo cinco)
I've been walking around trying to figure out
(Eu tenho andado por aí tentando entender)
why I am feeling all the feelings that I'm feeling now
(Porque eu estou sentindo tudo isso que estou sentindo agora)
and I got more on my mind
(E eu tenho mais na minha mente)
than I have got on my plate
(Do que eu tenho no meu prato)
[n/a: não me perguntem se ele morre de fome-q]
I love you one, two, three shooby-doo
(Eu te amo uma, duas, três shooby-doo)
I love you four, that's more than I can afford
(Eu te amo quatro, isso é mais do que eu posso pagar)
and I can tell someday that I'm gonna say the truth
(E eu posso dizer, algum dia eu direi a verdade)
I love you five times more than any boy from before
(Eu te amo cinco vezes mais que qualquer garoto de antes)
'cause all they really cared about was whether you put out
(Porque tudo que eles realmente ligavam era sobre como você era por fora)
and I truly believe
(E eu realmente acredito)
that this love could be
(Que esse amor pode ser)
and I can count five times off the top of my head
(E eu posso contar cinco vezes no meu máximo)
where I sucked it it 'cause you were hanging with him
(Onde eu fiquei irritado com isso, porque você está saindo com ele)
and I (got something?) to say
(E eu (tenho alguma coisa?) para dizer)
I love you all the same
(Eu te amo tudo igual)
I love you one, two, three shooby-doo
(Eu te amo uma, duas, três shooby-doo)
I love you four, that's more than I can afford
(Eu te amo quatro, isso é mais que posso pagar)
and I can tell someday that I'm gonna say the truth
(E eu posso dizer, algum dia eu direi a verdade)
I love you...
(Eu te amo...)
I love you one, two, three shooby-doo
(Eu te amo uma, duas, três shooby-doo)
I love you four, that's more than I can afford
(Eu te amo quatro, isso é mais que eu posso pagar)
and I can tell someday that I'm gonna say the truth
(E eu posso dizer, algum dia eu direi a verdade)
I love you five
(Eu te amo cinco)
I love you five
I love you five
A música terminou, e o que eu, ele e todos esperavam é que eu saísse correndo para abraçá-lo, mas simplesmente fiquei intacta, sem movimento algum, apenas com os olhos cheios de lágrimas. Então percebendo que eu não conseguia sair do lugar, colocou o violão no chão e correu em minha direção e me abraçando forte.
- Obrigada. – falei finalmente.
- Você não tem o que agradecer... Já falei que quero ficar com você.
- Isso foi tão lindo! Não sei o que falar.
- Eu sei. – Terminou a fala e selou nossos lábios, passando sua mão por minha nuca e aprofundando nosso beijo, enquanto quem estava em volta aplaudia. Então nós dois começamos a sorrir juntos e separamos os lábios.
- Gosto muito de você. – Sussurrei o olhando.
- Eu sei. – Falou com o sorriso que me matava.
- Convencido... – Falei corando.
- Eu sei que depois de te irritar tanto, fica meio estranho falar isso, mas...
- Eu sei. – Falei sorrindo.
- Você não me deixou terminar... – Falou fazendo cara de desapontado.
- Então termine...
- Você é mais que apenas uma garota bonita...
- O que?
- Adoro quando você fica irritada... – Falou rindo. – Você, é a garota que eu imagina não existir, que imaginava ser possível encontrar somente em músicas. Eu sei que a gente mal se conhece, mas passamos tantos dias juntos, e eu gosto tanto de você... Me prometa que quando voltarmos, você ainda vai querer sair comigo...
- Seria impossível não prometer algo assim... – Falei e nos abraçamos forte.
- Preparada? – Perguntou sorrindo.
- Para...?
- Vamos sair! Vem! – Falou e me puxou pela mão. Saímos correndo pela praia, enquanto eu gritava o perguntando para onde estávamos indo.
Eu chegarmos em certo ponto, havia uma bicicleta, e ele me mandou subir. Era uma daquelas duplas, em que os dois pedalam. Então ficamos lá pedalando, enquanto ele me contava piadas idiotas, me fazendo rir. Deixamos a bicicleta presa em um local cheio delas e ele me puxou novamente pelo braço, até que chegamos em um tio que alugava pequenos barcos, aqueles que cabem quatro pessoas no máximo, e então entramos eu e nele.
- Você sabe remar? – Perguntei com medo.
- Não... mas a gente aprende. – Falou empolgado.
- ! Eu não quero me afogar de novo! – Falei me segurando firme na madeira do barco.
- Eu não vou deixar você se afogar...
- Espero...
- Toma! – Falou jogando um remo pra mim.
- Mas EM? – Olhei assustada.
- Você vai ter que me ajudar...
- ... a gente vai se perder... – Olhei com um sorriso forçado de propósito.
- Espera... – falou e ficou em pé, andando em minha direção, enquanto o barco começava a balançar bastante.
- Ai santa amorinha azul! Para com isso! Eu to com medo! – Então senti seus braços envolta de mim.
- Agora você está segura. – Sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar. – Vamos remar juntos.
- O-obrigada. – Falei sorrindo tímido.
- De nada. – Falou rindo de mim.
- Chato.
- Linda.
- Eu sei.
- Sabe nada...
- Olha que sei...
- Convencida...
- Hey!
- Ham? – Então roubei um selinho seu.
- haha! Vitória minha.
- Foi minha... eu ganhei o beijo.
- Dos dois.
- É, dos dois. – Falou sorrindo.
- A gente tá indo pra que margem? – Perguntei ao perceber que estávamos no meio do rio, lago, seja lá o que era aquilo.
- Erm... no momento a gente tá parado porque meus braços fortes e sarados cansaram de remar...
- Que legal... sabia que isso não ia funcionar.
- Hey! Sabia que isso é comida de jacaré? – Falou pegando umas algas verdes.
- Deixa de mentir...
- É sério. Pelo menos meu pai me falou quando eu era pequeno.
- E por que teria comida de jacaré por aqui?
- Porque tem jacarés por aqui? – Perguntou irônico, como se a resposta fosse óbvia.
- Hilário você! – Ri nervoso.
- Que risada foi essa?
- Você está dizendo que estamos parados no meio de águas que podem ter jacarés E QUER QUE EU FIQUE CAAALMAA??
- ...
- ?
- Eu... eu to com medo.
- Rema. – Falei séria e ele assentiu com a cabeça. Começou a remar, mas por conta do nervosismo não conseguiu sair do lugar. Começamos a olhar para as algas e a ficar mais nervosos. Então sentimos o barco começar a andar, como se algo mais forte que nós nos puxasse devagar para apenas um lado. E não era correnteza nenhuma.
- Eu vou morreeeeeeeeer! – Gritou me abraçando por trás.
- Eu não quero morreeeer!- Gritei chorando e apertando as pernas do .
- Vou tentar remar de lá! – Falou se levantando.
- Não! Não sai de perto de mim! – Gritei me levantando, para o manter no lugar.
- O que é isso? Ah! Ah!
- Não! Não!
Splaaaaash. (sim, isso foi a onomatopéia de nós dois caindo na água verde e cheia de algas).
Comecei a gritar desesperada, então me puxou pelo braço e começou a nadar rápido e desengonçado para a margem mais próxima. Eu só fazia gritar e bater as pernas. Bem, acho que as batidas das minhas pernas ajudaram a chegarmos mais rápido... ou não. Erm... enfim, conseguimos chegar na margem, e depois de me jogar para cima da terra, subiu e nós dois engatinhamos um pouco mais até pararmos para olhar se tinha um jacaré ou crocodilo enorme querendo nos comer. Para nossa surpresa, nada vinha, e o barco estava parado novamente. Olhamos um para o outro, e depois olhamos para a água, esperando uma criatura malvada sair de lá para nos atacar. Então vimos o tio dos barcos gritar e acenar com os dois braços para nós.
- VOCÊS ESTÃO BEEM??
- ESTAMOS! – Gritamos de volta.
- FIQUEM AÍ QUE VOU BUSCÁ-LOS!
- CUIDADO! TEM CROCODILOS AQUI! – Então ele nos olhou sério por um instante e depois começou a rir.
- ... tem certeza que aquilo é comida de jacaré? – Perguntei percebendo o papel de idiota que estávamos fazendo.
- Tenho! Ele tá rindo da nossa desgraça!
- NÃO EXISTE JACARÉS OU CROCODILOS POR AQUI! NESSE LAGO SÓ TEM PEIXES!
- MAS NÓS VIMOS COMIDA DE CROCODILOS! – Gritou .
- BOM PASSEIO! – Falou o tio e foi sentar e beber seu refrigerante. Enquanto eu e nos olhávamos com cara de bunda, sem entender absolutamente nada.
- Bem... pelo menos a gente parou na margem certa! – Falou sorrindo amarelo.
- Certa pra que? – Falei tirando comida de jacaré da minha blusa.
- Desculpa... hoje era pra ser perfeito...
- Tudo bem . Pensa pelo lado positivo... se isso não for comida para jacaré, teremos um bom motivo para rir, e se for, ainda assim teremos uma boa história pra contar, e um bom tio pra denunciar. – Falei e nós dois começamos a rir.
Então ele se levantou e depois estendeu a mão para que eu me levantasse. Ficamos andando e abanando nossas camisas para que secasse um pouco. não parava de pedir-me desculpas, deu até pena, tão fofinho se desculpando! Okay, parei. Mas ele é lindo, e ainda fofo, comolidar? Parei. Juro. Enfim querido diário sem nome... Continuamos andando até chegarmos a uma cachoeira linda! Com águas cristalinas, peixinhos pequenos e sem nenhum sinal de comida de jacaré. Tirou sua camisa e estendeu num galho baixo de uma das árvores ali presentes. Que por sinal, eram muitas, mas na área do rio tinham menos, apenas o necessário para criar sombra. No restante do caminho tinham bastante árvores, e apenas uma trilha nos guiando para onde ir.
- Pode tirar sua blusa também... – Falou parecendo sem segundas intenções.
- Claro, senhor pervertido... até parece.
- hahahaha! Você que sabe! Vou tirar meu tênis... Cadê...
- Cadê minha sandália? – Gritei ao perceber-me com apenas uma.
- Será que caiu no lago? – Perguntou preocupado.
- Provavelmente... – Falei triste.
- Posso ir buscar se...
- ! Não precisa... vou descalça mesmo... lembra do dia que te enganei sobre Thiago ter sumido? Então, você também estava descalço... – Falei sem graça.
- Verdade... Então vou te deixar descalça mesmo. – Falou rindo e logo que tirou o tênis se jogou no rio. Depois nadou até a pedra que eu estava sentada. – Você não vem?
- Ham... a água está mesmo boa? – Perguntei fazendo charme.
- Muito. – Falou sorrindo para mim.
- Então tudo bem. – Falei sorrindo e entrei com cuidado na água. Estava realmente ótima; então mergulhei para molhar meu cabelo, aproveitando para ajeitá-lo. Ao levantar, fui surpreendida com o me beijando. Coloquei uma mão em suas costas, e a outra em seu cabelo, puxando um pouco mais à medida que a intensidade do beijo aumentava. Ele passava uma de suas mãos por minhas costas, enquanto a outra em minha nuca o ajudava a orientar meu rosto conforme o dele. Enquanto nos beijávamos, algumas vezes saíamos do lugar por falta de equilíbrio, até que em uma dessas vezes, caímos na água e começamos a rir. Rir e respirar, já que ambos estávamos ficando sem fôlego já.
- Erm... nossa! – Falei finalmente. apenas riu sem graça, enquanto nos levantávamos. – Ainda bem que fiquei de blusa.
- Seria como estar de biquíni, e eu não faria nada. – Falou parecendo ofendido.
- Desculpa, eu sei. – Falei sem graça, o abraçando.
- Até parece que sou um tarado louco...
- Oonw desculpa! Falei brincando...
- Ahaam...
- Quer que eu tire?
- Não, você tem medo de mim.
- Não tenho! Olha! – Falei tirando a blusa e ficando com meu sutiã fashion, preto com ovelhinhas brancas sorridentes.
- Você está linda. – Falou me olhando. (aham...)
- Tarado! – Gritei o batendo com minha blusa.
- Ai! Ai! – Falou rindo e ao mesmo tempo tentando se proteger dos tapas. – Isso dói! A blusa tá molhada! Parece mais chicote!
- É para você aprender! Toma! – Falei jogando a blusa mais uma vez nele, então ele virou-se e segurou meu braço. – Jos... – fui interrompida por mais um beijo seu. Um beijo gentil, porém com paixão. Um beijo delicado, mas que nos aproximava, dava lugar ao magnetismo que nos ligava.
- Te amo... – Falou ainda próximo a mim. Eu apenas o abracei. Preferia não falar as três palavras tão rápido, talvez elas tivessem mais significado para mim do que para outras pessoas.
- Também gosto de você... – Falei o abraçando. – vou estender minha blusa, pra ver se ela seca... se bem que com o sutiã molhado vai dar no mesmo...
- Então tira também... – Falou e logo depois começou a rir, enquanto recebia mais tapas.
- Pervertido demais, tsc. – Falei rindo e saí do rio.
- Quando eu estiver no Brasil, você vai me procurar?
- Vou, no Google, se não tiver seu nome lá, já era. – Falei sorrindo.
- Você vai me procurar no Google? – Perguntou me olhando de lado.
- Como mais te procuraria? Se eu anunciar no jornal, você olha?
- Não, não recebo jornal...
- Temos um problema...
- Pensarei numa solução. – Falou pensativo.
- Nenhum trabalho é impossível para o super !
- claro que não! – Respondeu fazendo pose de herói. Eu apenas ri.
Ficamos mais um tempo no rio, até que começamos a sentir fome, então decidimos que era hora de sair daquele rio antes que nossos dedinhos ficassem ainda mais engelhados. Tiramos nossas blusas das árvores e fui para trás de uma árvore enorme que tinha lá, enquanto ele ficava de costas para mim e via se ninguém passava pelo local. Tirei o sutiã e coloquei a blusa, observando se não ficava aparecendo nada. Pelo menos a blusa era folgada... Bem, eu ainda era nova e graças ao bom Deus o efeito da gravidade ainda não havia atingido meu corpo. Então andamos pela trilha até um local com um restaurante que parecia ser feito de madeira. Entramos e pedimos uns frutos do mar legal que tinham no cardápio.
- ... sem querer ser chata, mas já sendo... como vamos pagar? Porque você não é daqui, logo, não tem conta em restaurantes conhecidos... – Falei colocando uma mecha do cabelo para trás.
- Já paguei. Sabe... desde a bicicleta, já tava tudo pago... Eu sabia que a gente ia entrar no rio, então não trouxe dinheiro...
- Aaaaaaaah... – falei rindo. – Como vamos voltar, se nossa canoa ficou no meio do lago?
- A gente continua seguindo a trilha, ela desce e para perto do local onde o tio dos barcos fica, aí de lá a gente pega a bicicleta e volta para o hotel.
- Que garoto esperto... você pensou em tudo! – Falei orgulhosa, e ele estufou o peito.
- Claro. Tinha que ser perfeito.
- Está sendo. Só por estar com você, já está sendo.
Então depois de almoçar, continuamos pela trilha, quando percebi que meu sutiã estava apenas úmido, pude parar de o esconder entre as mãos e fui atrás de uma árvore para colocá-lo. Eram duas horas da tarde quando chegamos ao fim da trilha e pegamos a bicicleta novamente. Pedalamos um pouco, mas como estávamos mortos de tanto andar, decidimos parar na livraria enorme – Sim, aquela onde o garoto tentou me agarrar – e fomos ver uns livros. Lemos um pouco “O Diário de Um Banana” e rimos juntos. tentou nos desenhar no mesmo estilo dos desenhos que tinham no livro. Até que deu certo. Me desenhou como escrava, mas com ele beijando minhas mãos. Ficou fofo. Estávamos saindo quando ele disse que precisava beber um pouco mais de água para hidratar, e iria comprar uma garrafinha. Então fiquei soltando a bicicleta. Até que ele apareceu com um pacote nas mãos.
- Para você.
- Pra mim?
- Sim! Pode abrir!
- Aaaah não creio!! Você não desistiu? – Falei rindo enquanto tirava o livro do surfista que ele me indicara.
- Não! Você aprenderá a surfar! Bem, se você quiser, é claro... – Falou passando a mão por trás da cabeça.
- Claro que eu quero! Obrigada! – Falei sorrindo maroto.
- Bem, quer ir ao cinema?
- Bem... querer eu quero, mas a gente poderia voltar ao hotel pra tomar um banho antes?
- Pode sim! – Falou rindo.
Voltamos a pedalar e pedalar até devolvermos a bike e irmos andando. Fomos para nossos quartos e tomei um banho ótimo, apesar de um pouco rápido, para sobrar mais tempo pra escolher uma boa roupa e maquiagem básica, enfim...
O filme começou e passou um de seus braços por mim, me abraçando de lado, enquanto eu ia para mais perto dele. E o filme estava legal, mas era ainda mais atraente do que o que passava naquela tela enorme numa sala enorme e escura, porém esse ser atraente não parecia estar preocupado em me beijar... pelo contrário, estava mais empolgado com o filme do que as crianças que estavam ao nosso redor. Sim, era desenho animado. Sim, escolhi desenho animado justamente pensando que ele não iria querer prestar atenção no filme. Sim, eu fiquei na lama...
- Hahahaha! Nunca tinha visto algo tão engraçado assim! – Gargalhava .
- Ai! Eu também não! – Falei rindo. Depois da minha tentativa frustrada de ganhar beijinhos, ver o filme tinha sido minha única alternativa. Pelo menos o filme era realmente engraçado.
- Ainda bem que você escolheu esse! Eu tava querendo vê-lo! Adoro desenho! – Falou sorrindo feliz.
- Que bom ... que bom! – Falei rindo, não mais do filme, mas sim dele. Hehe.
- Tá com fome?
- Hum... um pouco, e você?
- Também! Vou te levar pra comer!
- No mesmo local de sempre? - Perguntei sorrindo.
- Não, na praia dessa vez.
- Na praia? – Perguntei levantando uma sobrancelha, ou ao menos tentando.
- É... tem um lugar lá que a comida é simples e ótima! Você vai gostar.
- Claro! Combina comigo... – Falei colocando a ponta da língua pra fora e mordendo.
- Simples e ótima? – Perguntou sarcástico – Sonha! – Falou rindo.
- COMO SENHOR ?????? – Falei o olhando com uma cara furiosa.
- Ainda mais é surda... – Falou enquanto eu segurava o riso e ameaçava batê-lo – Como é que eu ainda pude me apaixonar por você, em?
- Seu besta... – Falei sem jeito.
- Vamos comer ou não? – Perguntou, um pouco sem graça também.
- Vamos!
O local era arejado – claro, era na praia, dã – e a iluminação era perfeita. pediu um sanduíche grandão para dividir para nós dois. Ele disse que era a especialidade daquela barraca, então aceitei.
- Então ela disse: Não! Você que é o macaco!
- hahahahahahaha! É, acho que conseguiu ser ainda mais sem graça que a minha. – Falei parando de rir e depois rindo por ter sido tão sem graça a piada.
- Eu sou o mestre nesse tipo de coisa! – Falou se achando.
- Convencido... mas eu lhe perdoou, só por hoje. – Falei sorrindo.
- Claro, amanhã você não tá mais aqui. – Falou e logo em seguida ambos ficamos em silêncio. Dei uma mordida no sanduíche e fiz um barulho com a boca, para amenizar o clima tenso.
- Então, já fez as malas? – Perguntou-me .
- Ainda não... preciso voltar de umas dez horas no máximo para poder organizar tudo...
- E vocês vão de que horas?
- De manhã cedo... saímos do hotel umas seis horas, o vôo sai às sete. – Falei murchando a boca.
- Entendo... Então ainda temos cerca de duas horas. Quer dizer, menos, porque quero chegar antes no hotel para poder ver o Thiago.
- Haam... e porque você não acorda amanhã mais cedo, tipo umas cinco horas, pra a gente poder se despedir melhor?
- Não gosto de despedidas. – Falou simplesmente. Eu fiquei um pouco muito perplexa com aquela resposta. Ele não iria se despedir de mim no dia seguinte, não sabia o que pensar, havia sido tão... curto e grosso?
- Tudo bem. – Falei seca.
-Você entende?
- Tento entender. – Sorri forçado.
- É que eu não gosto mesmo. Não me sinto bem...
- Tudo bem, eu não sei como é, mas vou tentar entender... – Falei me conformando com a situação.
- Vem aqui! – Falou me puxando para perto dele.
- Erm... não tive escolha neh! – Falei rindo.
- Não mesmo! – Falou e passou sua mão por meu rosto, parando embaixo de meu queixo e puxando devagar, para um beijo, um longo beijo.
Ela me beijava com calma, mas ao mesmo tempo como se cada um daqueles beijos fosse o nosso último. Por mais que aquele sentimento de saudade quisesse invadir-me antecipadamente, eu não queria deixá-lo tomar conta de mim. Não ali, não com ele. Eu precisava senti-lo naquele momento, eu precisava daqueles beijos e braços. Eu precisava dele.
Às nove e meia pegamos um táxi para voltar ao hotel. Por acaso, ou não, meus pais estavam na recepção terminando de ajeitar os pagamentos das comidas que pegamos no frigobar e bóias que o Thiago usou, etc. Acenaram para nós, então eu e subimos para o quarto.
- ! – Gritou Thiago me abraçando.
- Oi meu amor! – Falei o pegando no braço com muito esforço.
- Oi cunhado! – Gritou ao ver .
- Cala a boca Thiago! – Falei rápido, morrendo de vergonha. – Onde você aprendeu a falar cunhado?
- Com a mamãe! – Falou sorrindo.
- Oi cunhadinho... – Falou rindo.
- Oi!!
- Então vocês vão me abandonar amanhã, né? – Perguntou parecendo triste.
- Ham? – Falou Thiago sem entender nada.
- Vocês voltam pro Brasil amanhã?
- Sim! Você também?
- Não... eu vou ficar mais um pouco aqui...
- Que coisa. A vai chorar!
- Vou... demai – Falei zombeteira.
- Eu sei que vai. – Falou piscando pra mim.
- Convenciiido... – Falei rindo.
- Eu tenho quinze minutos para jogar vídeo game com você!
- Só quinze?
- Não reclama Thiago... – Falei o olhando de lado.
- Tudo bem... – Falou indo colocar o jogo.
Os dois ficaram jogando por um bom tempo, então aproveitei para começar a recolher minhas coisas que estavam no banheiro, deixando apenas um sabonete líquido para usar no banho antes de viajar. Às dez e meia minha mãe ligou para o quarto nos mandando dormir. Olhei para , que me olhou e falei que era hora de ele ir.
- Então... até algum dia Thiago! – Falou apertando as pequeninas mãos de meu irmãozinho.
- Até! – Falou sorrindo feliz.
- Eu te acompanho até a porta. – Falei sorrindo.
- Okay. – Falou abrindo a porta. – Você pode me acompanhar até o elevador?
- Posso. Thiago, já volto.
- Vou sentir sua falta... – Falou chegando em frente ao elevador.
- Eu tam... – Ia falar mas fui interrompida por ele me empurrando contra a parede e me beijando intensamente. Beijei seu pescoço enquanto ele me acariciava e também me beijava. Até que ambos lembramos que estávamos nos pegando no corredor de um hotel.
- Desculpe. – Falou ofegante.
- Tudo bem... – Falei recuperando o fôlego.
- Meu último pedido...
- Ham?
- Eu tenho três desejos, lembra? Só fiz dois. – Falou rindo.
- Ah sim! – Falei rindo – Contando que eu possa realizá-lo...
- Você pode.
- Pois peça...
Capítulo 22
[N/a: E aew gatíssima! Que tal colocar uma música para carregar? Prometo que aviso a hora de dar play! =* All My Only Dreams – The Wonders]
Ele me olhou por um momento, como se pensasse numa maneira fácil de falar o que desejava. O encarei, levantando uma das sobrancelhas e depois rindo um pouco.
- E então, vai falar ou não? – Perguntei quebrando o clima “tenso”.
- Bem... – Falou colocando as mãos dentro do bolso. – Você pode ir comigo até meu quarto?
- Como? – Falei piscando os dois olhos duas vezes, de susto.
- Preciso pegar algo que esqueci lá, só depois posso te falar...
- Minha mãe tem acesso à câmera desse corredor, se eu entrar com você nesse elevador a uma hora dessas ela vai querer me matar...
- E no dia da floresta? Que a gente dormiu lá? – Perguntou me olhando confuso.
- Bem... Realmente... Acho que ela não está olhando mais a câmera, ou ela mentiu sobre isso só pra me assustar... – Falei pensativa.
- Acho que ela mentiu. – Falou rindo e comecei a rir com ele.
- E então?
- O que?
- Vai ou não vai?
- Pra onde?
- Comigo pro meu quarto. – Falou como se fosse óbvio. Como assim eu no quarto dele? Pra mim tinha escrito na minha testa algo como “Pegável” ou “Meleveprasuacamaseupervertido”. Não, não tinha nada disso na minha testa. Enquanto eu pensava em todas essas teorias, o elevador chegou. – E então, vamos?
- ... eu realmente preciso dormir, amanhã acordo cedo, sabe como é... – Falei sem graça.
- É seu último dia comigo e você tá com preguiça? – Falou me olhando de lado.
- Não é bem preg... – Ia falar quando fui interrompida por ele me puxando pelo braço para dentro do elevador. – ! – Gritei o olhando séria.
- É rapidinho, vai! – Falou se encostando em um dos lados do elevador, enquanto me olhava fixamente. Rapidinho? Rapidinho? Como assim algo rapidinho? Tudo bem que eu não esperava que ele quisesse fazer nada comigo, mas se tá afim, que não fosse “rapidinho” né meu amor?
- Como assim rapidinho? – Perguntei incrédula.
- Como assim “Como assim rapidinho”? – Perguntou confuso.
- Como assim “Como assim ‘Como assim rapidinho’ ”?
- Que seja... Chegamos ao andar. Vem! – Falou me puxando pelo braço, enquanto eu o seguia, ou era arrastada, como preferir. Paramos na porta de seu quarto, ele me olhou e a abriu, olhou para o quarto que deu para notar que estava um pouco bagunçado e me falou para esperar um pouco. Eu realmente não sabia se esperava ou se ia embora dali e nunca mais olhava na cara dele. Fiquei andando em círculos, tentando chegar a uma solução, até que a porta do quarto abre e ele sai de lá, e a fecha novamente. Eu apenas o encarei, com um sorriso fraco na face.
- Pronto. – Falou sorrindo. – Preparada para realizar meu terceiro e último pedido?
- Bem, sabe, como eu disse, se eu puder, sabe, se estiver ao meu alcance, sabe, porque, bem... – Okay, eu estava mais nervosa que Robinho da seleção brasileira tava de um holandês da vida, sim, o que ele só faltou engolir a cabeça.
- Já falei que você pode. – Falou me olhando sorrindo, mas ao mesmo tempo confuso com minha reação.
- Tá. Peça.
- Você...
- Eu...
- Pode...
- Posso...?
- Estica a mão.
- Mas em?
- Estica e pronto.
- Assim? – Falei esticando como se fosse apertar sua mão.
- Não, assim! – Falou colocando minha mão pra cima, como para segurar algo. – Agora feche os olhos.
- ...
- Você confia em mim? – Perguntou com uma voz que CLARO que eu diria que confiava, mesmo que por dentro estivesse chamando-o de pervertido.
- Confio... – Falei fechando os olhos e abaixando a cabeça, assentindo minha derrota diante de sua fofura. Senti algo ser colocado em minha mão. Era algo que eu já conhecia o formato, mas como estava um pouco aflita com a situação, não pude reconhecer. – Já posso abrir meus olhos? – Perguntei.
- Pode. – Falou rindo
- Hã? Ufa ...– Falei olhando para o iphone em minha mão.
- É, é para você levá-lo. – Falou com um sorriso esticado de orelha a orelha.
- ... – Falei sem graça. Presente de gente rica é outra coisa, vai saber... – Eu já tenho um iphone, não preciso de outro, você não precisava gastar isso comigo... – Falei sem jeito.
- Claro que eu não comprei isso pra tu! Não estão distribuindo de graça por aí... – Falou meio pensativo.
- Sempre romântico... – Falei e depois nós dois rimos.
- A propósito... por que “ufa”?
- Hã? – falei sem jeito.
- O que você pensou que fosse?
- Sei lá! Você me trazendo pra seu quarto a essa hora da noite... vai saber...
- Como sempre, MUITO pervertida! – Falou rindo de minha cara.
- Claro que não! Qualquer pessoa normal pensaria isso! – falei defendendo-me.
- Não, não. Só alguém com sua mente pensaria isso! – Falou ainda rindo, eu apenas o olhei malvadamente, e então aos poucos ele foi parando de rir e pôde continuar a falar. - Bem, é meu iphone, e hoje quando nós falamos sobre nos encontrar no Brasil e percebemos não ter idéia de como nos encontraríamos, pensei e enquanto estávamos juntos achei essa solução! Eu sei, só o Super seria capaz de pensar em algo assim! – disse rindo, com um tom tristonho na voz, então continuou – Você leva, pelo menos terei como te ligar, e uma boa desculpa para te procurar, afinal, como já disse, iphone não é distribuído de graça por aqui, quanto mais no Brasil... – Falou e novamente rimos, mas já num clima não muito legal, pois nós dois sabíamos que talvez aquele iphone seria a última lembrança que teria dele.
- Mas... , isso é meio caro para você ficar me dando assim...
- Mas eu quero. E vamos, não é tãão absurdamente caro assim. Eu acho que você vale mais que isso, você não acha?
- CLARO que eu acho né! – Falei rindo. – Tenho mesmo que levar?
- Bem, esse é meu último desejo... está a seu alcance?
- Sim. Eu levo. – Falei sorrindo e então o abracei forte. – Sentirei sua falta, até mesmo falta de você me irritando.
- Eu sei. Você não consegue resistir a mim. – Falou rindo e me abraçando muito forte. – Eu sentirei MUITO a sua falta. Falta da sua risada, falta da sua cara emburrada, falta de segurar sua mão, e até mesmo falta de você me olhando pervertidamente.
- Pervertido é você! – Falei dando um tapa em suas costas, então nós dois rimos juntos, e logo depois ficamos em silêncio, apenas aproveitando o abraço.
- Bem, você tem que ir...
- Verdade... – Falei murchando a boca.
- Até... algum dia.
- Até. – Falei e saí em direção ao elevador, que ainda estava parado no mesmo andar. me puxou pela mão e me deu um último beijo. Então nos olhamos novamente e eu andei um pouco que correndo até o elevador, para ele não fechar.
Thiago Estava tentando arrumar sua mala, todo complicado sem conseguir colocar o que tinha antes mais o que ele havia comprado por lá, que não era tanta coisa assim, mas para a pequena mala dele, era sim. Eu mal tinha tido tempo de comprar por lá, não lembrava mesmo como havia gastado o dinheiro que recebi, já que os garotos pareciam sempre muito cavalheiros e na maioria das vezes pagavam tudo pra mim.
- Quer ajuda meu amor? Meu pingo de ouro melado no mel...
- Eca! – Falou Fazendo careta.
- Eu te elogiando e você fala eca... – Falei rindo e me abaixei ao seu lado para o ajudar.
Passei cerca de meia hora terminando a mala do Thiago, depois ele deitou e eu fui terminar de arrumar a minha. Creio que gastei cerca de meia hora também. Um de meus grandes dotes era fazer malas (que BOM...). Meu recorde foi numa viagem que passaria uma semana fora, arrumei a mala em dez minutos. Tudo bem que chegando lá eu tive que usar apetrechos de outra malas, mas... quem liga?
Malas prontas. O quarto parecia quase muito arrumado, muito vazio. Fechei os olhos e por incrível que pareça, dormi rápido. Achei que ficaria minutos ou horas pensando em tudo que tinha passado naquela ilha, todas as pessoas que havia conhecido, os amigos feitos, as risadas e choros, exatamente tudo. Mas não, eu dormi. Creio que por conta do longo dia que havia tido com . É, era por conta disso.
Acordei com o despertador que havia colocado no dia anterior tocando. Não queria acordar. Não queria acordar e descobrir que tudo fora um sonho em uma ilha muito distante de onde vivia. Ouvi Thiago se levantar e ir tomar banho. Ótimo, isso me daria mais alguns minutos na cama macia do hotel. Me cobri completamente com o cobertor, mas meu pequeno irmão nunca pareceu tomar um banho tão rápido.Era minha vez. Tomei banho e arrumei-me depressa. Tomamos o café da manhã no hotel e depois fomos direto para o Táxi que nos esperava. Meu iphone, pente, perfume e outras pequenas coisas estavam na minha pequena mala de mão, mas o iphone do estava no bolso de minha calça. A todo instante desejava que ele começasse a tocar, seria o me ligando. Mas bem, isso não aconteceu, pelo menos não até agora, que já estou no Brasil. ¬¬’ Continuando... Entramos no avião com a cara e a coragem para mais muitas e muitas horas de vôo. Na metade da viagem decidi olhar meus e-mails, creio que abandonei um pouco minha diva enquanto estava lá. Hehe.
-
De: mandy_@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Por acaso você teve a coragem
De me esquecer? Achei que teria milhões de e-mails seus reclamando comigo, e quando entro aqui não tem nada! T__T Fui abandonada D= Só porque você tá namorando, sabia que isso iria acontecer! Você me trocando pelo ! Não creio!
Tá bom, parei de drama. Estou sentada a horas... já dormi, já acordei e já dormi de novo, não consigo mais dormi... minha bunda está novamente quadrada e estou morrendo de tédio! Me diga que você está aí, preparada para ler meus e-mails T_T
Beijos gata, te amo.
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De: moscanasopa@e-mail.com
Para: mandy_@e-mail.com
Assunto: Voltandoo???
Ai que lindo! Você tá voltando! Não te abandonei gata! É que estava ajudando meu namorado gato a arrumar algumas coisas pro show deles, bem, pelo menos apoio moral eu to dando! Hehehehe. Desculpa, jamais lhe esquecerei X_X eu sei que foi você que falou meu encontro dos sonhos para ele... Sim, ele me contou. Isso foi bom porque se algum dia nós terminarmos (espero que não) eu vou poder culpá-la por me desiludir de meu conto de fadas perfeito ‘-‘ sim, isso foi pra te deixar com peso na consciência *--*
Hahahahahaha! Eu estou aqui sim. To divulgando o show na internet, pra ver se mais gente vai \o/\o/\o/
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De: mandy_@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Que namorada mais
Eficiente... sushsuhsushsuh Assim o não te larga mesmo! o/
Obrigada, mas sua tentativa será frustrada, vocês nunca se separarão ( pelo menos eu, e creio que você e ele também esperamos por isso).
Me conte as novidades! As minhas eu conto quando chegar aí! São muuuuuuuitas!
Mas sabe, estou com o iphone do –morre-
Espera, vamos trocar de avião, se demorar a responder já sabe o porquê.
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De: moscanasopa@e-mail.com
Para: mandy_@e-mail.com
Assunto: Não sabia que você
Era ladra O_O” hahahaha Roubou o iphone do garoto? Mas por que? Você não já tem um? Se não me engano no último e-mail que recebi você me falava sobre ele ter um coração de pedra, não? QUERO SABER TUDOOO! AAAAAAAAH! ESTOU MUITO CURIOSA! NÃO ME MATE! T__T – Parei com a crise D=
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De: mandy_@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: Ainda bem que
Parou com a crise O,O” Já estava me assustando, sério. Hsuhsushshsush
Ai, calma... já falei que te conto tudo quando chegar aí! É muuuuuita coisa! E preciso fazer toda uma interpretação, você sabe. XD Agora me conta VOCÊ, como tá aí?
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De: _@e-mail.com
Para: mandy@e-mail.com
Assunto: Sem Assunto
Oi! Bom dia! Se você ler isso enquanto está viajando. Sinto sua falta. Nenhuma porta para esmurrar de manhã cedo, ninguém para ensinar a nadar, ninguém para ficar olhando no salão de refeição... Sinto falta de meu iphone também. Está cuidando bem dele? Kkkkkkkkkkk. Não sei quando volto para o Brasil... Pelo menos no iphone tem muitas fotos minhas, acho que isso saciará sua mente pervertida. Kkk....
Não olhe para nenhum outro garoto nesse avião, para não correr o risco de se apaixonar por ele e_e’ A bateria do laptop está acabando e eu realmente não sei onde está o carregador, então tenho que ir terminando por aqui... =( Fique bem, boa viagem. Abraços.
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De: mandy_@e-mail.com
Para: _@e-mail.com
Assunto: Booooom diaa *O*
Bom dia meu caro! Bem, estou viajando e estou lendo isso, sua telepatia está funcionando bem. Bom sinal. Ooonw também sinto sua falta, falta do hotel, do havia em si. Queria estar aí. Mais por você do que pelo local, pode ter certeza. Não olharei para nenhum outro no avião, você deveria confiar em mim Oo’ credo. Quer dizer, olharei sim! ¬¬’ Pro Thiago *---* shuhsushsuhushsu Como está aí? Vocês farão algo hoje? O que?
Dormiu logo ontem ou não conseguiu parar de pensar em mim? Kkkkkkk eu sei que sou perfeita, beijos. xD
PS¹: Aprendi a ser modesta com você.
PS²: PERVERTIDO É SEU PASSADO!
Beijos açucarados e melados de mel =* Te gosto.
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De: mandy_@e-mail.com
Para: moscanasopa@e-mail.com
Assunto: ELE ME MANDOU UM E-MAIL
O me mandou um e-mail! \o/ Aê ia ô! *rebola* coloquei “te gosto” no fim Oo’ Depois que enviei foi que vi que estava estranho... quem coloca “te gosto” no fim? QUEM FALA “TE GOSTO”? Ai ai... e_e’ Estou esperando a resposta dele, te envio quando receber *---*
-
Agora estou eu cá em meu quarto. Faz três dias que cheguei ao Brasil e não me ligou, também não respondeu meu último e-mail. Fico meio irritada com essa situação... mas procuro entender, vai ver ainda não deu tempo, bem, minha mente já deu conta de criar várias histórias mirabolantes para a explicação disso, eu fico com as melhores, com as que me “iludem”, se é que posso assim dizer. Estou cansada, semana que vem é o show do , e depois na semana seguinte ao show as aulas voltam. Amanhã encontrarei com outras amigas/amigos/colegas e afins para ir num parque daqui. Claro que vou ficar segurando vela né... quem liga... ;-;
Enfim meu caro diário, de volta ao Brasil, de volta à realidade... Boa noite, até amanhã. Xoxo, .
Booooa noite! Bem, hoje o dia foi bom, o parque com a galere foi legal, não fiquei segurando vela como imaginei, tinha muita gente lá para conversar hohohoho. Passei oito dias (é, quase uma semana) sem escrever porque realmente não tinha muitas novidades para contar. Ou vai ver tinha, mas é que sem o Havaí, a praia e os garotos, as histórias perdem a graça. D= Então decidi sair dessa depressão e aceitar que o que tive no Havaí foi um lance rápido com um garoto legal e que me deu um iphone o qual eu olhava todas as noites todos as manhãs, assim que acordava, para ver se havia perdido alguma ligação enquanto dormia.
e eu havíamos marcado dela vir para minha casa hoje, escolheríamos juntas uma roupa legal para ir ao show, fazer hidratação, pintar unhas, uma massagear a outra, esse tipo de coisa super empolgante e relaxante para se fazer, e o melhor: não gastaríamos nada! Descobri que havia deixado boa parte de minha mesada em casa, para não gastar, já que tinha de pagar umas roupas que comprei no cartão da , enfim... o dia prometia.
- Então eu estava andando com o pelo shopping e Eric apareceu agarrado com Vanessa, acredita? – Falou fazendo cara de quem estava em choque.
- Mas ele não estava namorando uma garota de outro colégio? – Perguntei surpresa.
- Estava meu bem, estava. Já terminaram! E olha que era o maior agarrado, não durou nem um mês! Agora tá se agarrando com Vanessa, coitada, vai levar gaia!
- Não creeeeeeioo.... estou pretérita mais que perfeita! Passada, passada! – Falei lixando as unhas do pé de , enquanto ela fazia o mesmo com as minhas.
- E eu? Nem escutei o que o falava, fiquei só prestando atenção naqueles dois. Se bem que ela não é boa coisa também né? É bem fácil que ele leve gaia primeiro! Hahahaha!
- Realmente... segundo boatos, ela é que nem corrimão de rodoviária, todo mundo passa a mão!
- Gente do céu! E olha que quando eles nos viram e vieram falar com a gente, ela ainda teve a audácia de perguntar como andava o namoro, e meio que secou o , ficou perguntando da banda dele e tudo!
- Mentira, né? – Falei agora passando acetona para remover o esmalte já desgastado que havia ali.
- Verdade minha diva! Olhe, ela que não ouse chegar perto do meu bofe, se não arranco os olhos dela, esmago numa moedeira, coloco pimenta em cima e entrego para os porcos comerem, depois pego a caca do porco e enterro numa terra distante, jogo sal na terra para ela ficar implantável e depois toco foogo pra ter certeza que não sobrou nada! – Falou rodando a lixa.
- Pode apostar que eu te ajudo, gata! Eu arranco as vísceras! Muahahahaha! – Falei maleficamente e nós duas começamos a rir.
- Terminei suas unhas, não quer que eu pinte mesmo né?
- Não, não. Passa só base na dos pés, fica legal. – Falei pegando um esmalte rosa claro – E você? Quer que eu pinte desse rosa? Parece com o que estava antes.
- Não, não... só base também.
E então depois de muita fofoca, terminamos de fazer as unhas, era hora da hidratação. No fim, estávamos belas. Touca na cabeça, máscara azul no rosto, a cera esquentando e as unhas das mãos, ainda não pintadas.
- ! CADÊ VOCÊ???? – Gritou mamãe. O grito parecia vir da sala.
- Espero que não tenha nenhum estranho lá embaixo... acabamos de colocar a máscara, não vou tirar. – Falei olhando para a saída do quarto com desdém.
- É melhor você ir antes que ela venha te buscar, não quero ser vista assim. – Falou fazendo cara de susto.
- Tudo bem... me espere. – Falei e desci correndo pela escada. – Oi mãe.
- Se arrumando?
- Não, to vendo se viro um avatar! – Falei e sorri amarelo, ela não entendeu a ironia e me ignorou, hehe.
- Preciso que você me ajude a arrastar essa mesa para onde está a fruteira, e a fruteira para cá. Será que nós duas conseguimos ou é melhor chamar ?
- Nós conseguimos mãe! Vamos! – Falei esticando os braços e estralando os dedos. Então depois de algum muito esforço, já que a mesa era de madeira pura, ou seja, meio pesada, e tivemos que tirar algumas frutas da fruteira para que ela ficasse mais leve, nós finalmente conseguimos. – Já posso ir? – Perguntei animada para voltar ao quarto.
- Pode. Obrigada! – Falou sorridente.
Saí correndo para o quarto, ao abrir a porta estava com o iphone do nas mãos.
- Alguém ligou? Era o ? – Perguntei sorrindo animada.
- Não... era uma garota perguntando por ele, falei que ele não tinha voltado, deveria estar se agarrando com o namorado.
- NamoradO? – Perguntei confusa.
- É, eu inventei que ele tinha se assumido gay. – Falou simplesmente.
- Você é louca? – Perguntei histérica.
- Mandy! Sério, ele não te manda e-mails, não te liga, e todos os dias, todas as horas você fica com esse iphone idiota nas mãos, não sei que milagre você saiu do quarto e o deixou aqui! Agora mais essa dessa garota ligando perguntando por ele! Ele não te merece! Não mesmo! – Falou parecendo irritada.
- Mas... vai ver ele esqueceu o número!
- Do próprio celular?
- Qual era o nome da garota? – Perguntei, poderia ser sua irmã.
- Lorelai. Isso não é nome de brasileira. E sim, ela falava inglês. – Após ela falar isso eu abaixei a cabeça. Todas as minhas expectativas desapareceram. Não havia mais razão para me iludir, para esperar ligações. Será que o que passamos havia sido tão curto para ele que já dera tempo de sair se agarrando com outras? Eu não sabia o que pensar. Tentei disfarçar a tristeza, sorrindo e gargalhando por qualquer coisa. Não gostava que me vissem em um momento de fraqueza. Apesar de ser um tanto quanto frágil, precisava mostrar-me forte, sempre.
dormiu aqui e passou a sexta comigo, iríamos juntas para o show. não poderia ir conosco, já que deveria estar mais cedo no local, para organizar os instrumentos junto com sua banda. Era meu último programa das férias, meu último dever a cumprir. Talvez, aposentar o diário depois disso. Pelo menos terminaria de forma correta, sem deixar algo pendente. Depois cheguei à conclusão de que ficar lamentando-me por aí não é algo que eu me orgulhe em fazer, então manterei o diário, assim como minha rotina, minhas aventuras e tudo estará registrado, mesmo que os maus momentos.
Chegamos ao local do show e rapidamente fui abandonada. foi passando na frente das pessoas, querendo chegar o mais perto possível do palco, para apreciar seu bem de perto. Olhei em volta e tinha bastante gente, creio que os meninos fizeram um ótimo trabalho de marketing! Hahahaha! Minha vontade era voltar para casa e ficar xingando em pensamento, pegar um martelo e detonar o iphone dele, ou melhor! Vendê-lo pela internet! Mas por mais que eu quisesse me vingar, sabia que isso só era mais uma forma de meu subconsciente pensar nele. Eu não conseguia evitar.
Estava parada enquanto várias pessoas dançavam a minha volta, já havia recusado três pedidos de garotos que queriam ficar comigo. Então, em meio a tantos pensamentos, senti uma mão segurando meu braço com força. Inicialmente fiquei assustada, logo depois uma alegria e esperança arrebatadoras invadiram-me o corpo. Olhei sorrindo para trás.
- Oi! – Falei ainda sorrindo, sem entender nada, enquanto milhares de pensamentos passavam em minha mente.
- Te achei!
- Nunca poderia imaginar que te encontraria aqui!
- Nem eu! – Falou sorrindo maroto.
- É que o namorado da minha amiga toca na banda! – Falei sem graça.
- Eu sei... ela é da nossa sala. – Falou como um “dã”.
- Verdade, Eric, você sabe. – Falei sorrindo forçado.
- Então, vamos dançar! – Falou me puxando pelo braço e colando seu corpo com o meu.
- Eric, eu realmente estou sem vontade. – Falei o afastando.
- Vamos! Uma dança não mata! – Falou tentando me fazer dançar, enquanto eu permanecia parada.
- Eu realmente não estou com humor para isso...
- Tem certeza? – Falou se aproximando mais, quase beijando-me, o que me fez afastar a cabeça para trás, já que meu corpo estava preso por ele.
- E a Vanessa? Não está aqui? – Perguntei sorrindo sem graça, tentando me livrar de seus braços.
- Você soube? – Então começou a rir – Terminamos, ela era só para curtir. Com você pode ser diferente. – Falou e deu uma piscadela. Observei aquela cena e só puder ter mais nojo dos homens... todos tão cretinos. Eric era o garoto mais bonito da sala, mas havia descoberto seu lado galinha. Do não precisava (nem queria) lembrar. Desejei que minha amiga, observando seu namorado tocar, não tivesse o mesmo azar que eu, talvez alguns poucos prestassem para algo. [N/a: Podem dar play na música *--*]
Virei meu rosto de lado, enquanto escutava a música que tocava, eu não sabia porque agia daquele jeito, mas sentia repulsa dele.
- Preciso ir. – Falei e tentei soltar-me dele. – Com licença, por favor. – Falei séria.
- Prometo que não vai se arrepender. – Falou ainda tentando conseguir algo.
- Eu preciso ir. Este é o fim da minha história. Você conhece pessoas, gosta de pessoas, mas nem sempre poderá ficar com essas pessoas. No seu caso, serei uma garota que recusou ficar com você, e espero, sinceramente, que não seja a única. – Falei e logo depois sorri, soltando-me dele.
- Espere aqui! Qual o seu problema!? – Falou puxando-me novamente pelo braço, e com força dessa vez.
- O problema é que ela está acompanhada. – Falou uma voz que fazia minha respiração acelerar e falhar ao mesmo tempo. Não podia ser, eu estava surtando.
- Quem é você? – Perguntou Eric irritado, enquanto aquela mão macia voltava a tocar meus ombros depois de tanto tempo. Eu apenas fiquei intacta.
- Sou , o namorado dela, algum problema por aqui? Por que se tiver, podemos resolver lá fora. – Falou pegando forte no braço do Eric e o tirando do meu.
- Que seja! – Respondeu irritado e saiu de perto de nós. Eu ainda olhava para frente, não havia conseguido olhar para seus olhos, não acreditava que ele estava lá. Eu realmente deveria estar louca.
- Não vai me olhar? – Perguntou aquela voz zombeteira que me tirava do sério, mas ao mesmo tempo me enlouquecia.
- Não...quero... quer dizer.. por que... como, quer dizer, assim, o que você tá fazendo aqui? – Perguntei enfim, ainda atordoada.
- Estou aqui para te ver. – sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar.
- Como você saberia que eu estava aqui? – Perguntei finalmente o olhando, ainda confusa.
- Lá do Havaí não conseguia sinal para ligar para cá, então assim que voltei, ontem, te liguei e quem atendeu foi sua amiga. Ela me falou que vocês estariam aqui hoje, então decidi vir, e pedi para que ela guardasse segredo, pela sua reação acho que ela conseguiu! – Falou rindo.
- Conseguiu... ah! Se conseguiu! Aquela vaca... – Falei enquanto olhava para perto do palco com um olhar maléfico.
- Que agressividade... – Falou assustado.
- Desculpe. – Falei e depois ri, de felicidade. Ele encostou sua testa na minha, nós dois fechamos os olhos, como que sentindo a presença um do outro, então começou a cantar com a música que tocava.
- And when I close my eyes
(E quando eu fechar os meus olhos)
You'll be right by my side
(Você estará bem ao meu lado)
If I could have just one request
(Se eu pudesse fazer apenas um pedido)
Stay with me girl, I confess
(Fique comigo garota, eu confessarei)
All my only dreams
(Todos os meus únicos sonhos)
- Eu... – Ia falar algo até ser interrompida com seu beijo e suas mãos em minha volta.
- Quer me namorar? – Perguntou ainda de olhos fechados.
- Como poderia dizer não? – Respondi sorrindo, enquanto o puxava para mais um beijo.
Talvez a ligação tivesse acontecido no momento certo para que o nosso momento fosse perfeito. Eu não queria mais sair dali, não queria mais sair de perto dele, o nosso beijo parecia não ter fim, e era isso o que eu mais desejava. Que nós continuássemos juntos, sempre. Se eu pudesse fazer apenas um pedido, seria: Fique comigo garoto, não só hoje, mas amanhã e depois, e depois. And I confess all my only dreams.
FIM
Nota da Autora:
Infelizmente chegamos ao fim, minha divas! Quero agradecer os comentários e o apoio de todas vocês! Além de agradecer principalmente a paciência de muitas, que continuaram fieis, esperando as tão demoradas atualizações. Essa foi a primeira história grande que escrevi, e que consegui terminar. Adorei dividir esse momento com vocês, sinto como se fôssemos uma família *--* Família Três Garotos para uma Garota! *O* - PAREI! JURO. Kkkkkkkkkkk! Eu pensei nisso e falei: que meerda... mas aí decidi escrever aqui, para vocês rirem junto comigo da porcaria que falei *---* hahahaha! Espero que o fim tenha agradado a todas! Eu particularmente gostei, sabe? – nemseacha- haha. Creio que não só eu, mas todas nós vamos sentir falta de nosso garotinho irritante, que não bate, mas esmurra uma porta, que não sabe simplesmente segurar na mão, mas sim, puxar pela mão; Iremos sentir falta de surfistas gatos, de diversão, de piadas idiotas, de romance, brigas e todo o resto que fiz com tanto carinho, observando sempre se estava as agradando. Algumas pessoas pediram uma segunda parte, mas infelizmente estou bem ocupada, então, se vocês realmente quiserem, posso voltar com a segunda parte só ano que vem, se passar no vestibular esse ano –morre.
Mas calma! Voltarei logo menos com uma short fic, que estou escrevendo a pedido de uma amiga, creio que gostarão, estou amando o principal *--* - PAREI. Hahahaha.
Agradecimento:
Quero agradecer a você, que leu, comentou, me deu total apoio para continuar escrevendo a fic. A você que disse que amou meu jeito de escrever *--*. A você que pediu para ter uma segunda parte. A você que disse que essa era sua fic preferida. A você que essa foi a primeira fic que leu. A você que ficava perguntando “cadê a att?” “morreu?” hahaha. A você que fazia um comentário que me rendia boas risadas na frente do computador. Enfim, a todas vocês e se tiver algum garoto lendo isso, a todos vocês, que leram, comentaram e me apoiaram! Vocês são o último biscoito do pacote, gente! Hahahaha.
E um agradecimento especial para minha beta diva luxo, né? Sempre betando rápido e de forma ótima! Obrigada beta diva luxo *--* Espero sempre entregar minhas fics em suas mãos! Hahahaha.
Comentário Necessário:
Preciso dizer que ri HORRORES ao saber que boa parte de vocês achavam que eu estava grávida? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Nossaaaa! Isso me rendeu ótimas risadas. Como assim, eu, grávida? Oo’ ô loko meu! Geeente, pra quem ainda não sabe, eu NÃO ESTOU GRÁVIDA! Kkkkk! A guria tinha o mesmo nome que eu Oo’ vai saber... Isso com certeza entrará nas recordações dos bons momentos que tivemos aqui. Juntamente com as ameaças de morte, claro. ;* kkkkk...
Enfim, essa “n/a” tá enorme O_O” Chegamos ao fim... até da N/a xD
Beijos açucarados e melados de mel. @alice_mesquita
Outras Fics da Autora:
Dear Bobbie
Nossa história
Nota da Beta: Ai caramba! Eu não consigo acreditar que essa fic chegou ao fim. Essa foi uma das primeiras fics que eu comecei a betar no FFADD e sem duvida uma das mais favoritas. Ri muito com ela e me diverti demais betando.
Alice, nossa autora diva, parabéns por seu trabalho de uma fic tão bem feita! Desejo muuuito sucesso ai pra ti e suas futuras fics, e vai ser um prazer cuidar delas! Haha.
E eu que te agradeço por ter me escolhido pra betar Três Garotos para uma Garota!
É isso galera, agora é com vocês.
Comentem muito porque nossa autora e a fic super merecem né?
xoxo, Silver