Too Late For Love
Autora: Lady Lala
Beta-Reader: Carolis

Prólogo 1


“Isso aí Sam, falimos.” Dean deu um chute na caixa eletrônica, xingando o mundo.
“Considerando o tempo que a gente caçou sem trabalhar, até que duramos.”
“Até que duramos? Então quer dizer que passar três anos caçando, procurando pelo pai, a Jenn ter morrido, eu ter ido pro inferno e voltado, ter aberto a porta do inferno pra nada? Pra acabar falido no meio do deserto, caçando vampira pingada?”
“Não é pingada, é só um pouco burra por roubar todos os bancos de sangue em Nevada, por ordem alfabética...”
“E morar em Nevada no meio do deserto.”
Naquele posto de gasolina só tinha um cara, lendo revista sobre mustangs, ao lado do ar condicionado. O Impala estava em outra cor, de tanta poeira. Sam e Dean estavam sentados no carro, suando. Sam com o computador no colo, internet fraca, esperando, e esperando. Dean pegou o celular.
“Pra quem você tá ligando?” Sam perguntou, mas foi ignorado.
“Bobby! Então, você sabe se essa tal de... Qual o nome dela mesmo? Isso, Midori, tá, é rica? Sim? Ótimo, tchau!” Ele desligou o celular e ligou o carro. “Uma vampira vai ser roubada em poucos.”
“Que tal não se esquecer do plano? Achar esse tal de Esseker.”
“Sem dinheiro, sem Esseker. Roubamos ela, temos os dois.” Dean acelerou, e começou a escurecer.

Prólogo 2

Eu sei que é estranho uma pessoa que você nem conhece dizer uma coisa, aparentemente, impossível. Mas afinal, quem lê algo com um título desses, provavelmente acredita em qualquer tipo de coisas estranhas. Eu sou uma vampira, e você vai conhecer a minha história.
Ser uma vampira no começo não tem muitas vantagens. Pelo menos eu não tenho boas lembranças dessa fase. Meus olhos ficaram totalmente irritados, por causa da luz. Eu não conseguia controlar a fome, nem a super audição, usada para ouvir sangue pulsando a quarteirões de distância. É nessa parte que a maioria de nós somos pego por caçadores humanos. Geralmente temos um tutor, um Sire, para cuidar de nós, que geralmente é a pessoa que nos mordeu, mas eu não tive.
Agora que eu já falei de vampiros, vamos falar de mim. Eu não sou uma pessoa legal. Não sou uma daquelas pessoas que você deveria conhecer. Não pelo fato de ser vampira, porque sabe, eu me controlo. Mas pelo meu passado. Eu fiz coisas horríveis, das quais eu nem sequer me arrependo. Justifico meus atos pelo ódio. Eu persegui a todos quem eu odiava, mas agora, é o ódio que me persegue.

Capítulo 1

Eu me tornei vampira há 67 anos. Foi numa noite como qualquer outra. A não ser pelo fato de que o vampiro que me mordeu, foi a pessoa que mais amei na vida. Eu o amei mais do que a mim mesma. Aquele dia era para ser o mais feliz da minha vida. O dia do meu casamento.
“Pode beijar a noiva.” Mitch levantou o meu véu.
Eu fechei os olhos. Iria começar a melhor fase da minha vida, em uma igreja toda decorada com o estilo gótico, bem a minha cara, decorada com rosas vermelhas e a luz de velas. Estava ventando e caindo uma tremenda tempestade lá fora. Meu querido Mitch teve a idéia de trancar as portas da frente. Agora só a porta de trás estava aberta.
Eu iria ser a nova Sra. Wodsen, era só sentir os lábios dele nos meus. Mas pelo contrário, não senti. Abri os olhos. Os lindos olhos verdes de Mitch estavam brancos, e ele sorriu para mim. Seus dentes brancos estavam estampados de fome. Os caninos chegaram a um pulo ao meu pescoço. Não doeu na hora, pois entrei em choque. Não sabia direito o que estava acontecendo. Será quê?
A minúscula família de Mitch, que estava presente ao menos, eram apenas cinco amigos, duas ex–namoradas e o pai, sorriam com seus dentes pontudos para mim. O resto da família não veio. Olhei para a minha pequena família, composta de dez pessoas, sentadas imóveis nas duas primeiras fileiras. Gritei. Eles não estava sem fazer nada, apenas olhando. Estavam mortos, envenenados pelo champagne que eu mesma servi antes da cerimônia. Minha família morreu no meu próprio casamento. Tentei recorrer ao padre, mas também era vampiro. Sangue começou a escorrer pelo meu vestido branco.
Senti raiva. Muita raiva e medo. Mas como não sentiria? Mitch, o homem que eu mais amei na vida, me traiu. Apertei o buquê e senti pequenas agulhas. Lembrei. O que amarrava o buquê era arame farpado. Estava prestes a explodir. Minhas mãos começaram a formigar. Desenrolei o arame, coloquei no pescoço dele, imitando um abraço. Agora o sangue que manchava meu vestido não era mais meu. Ele engasgou e foi o último som que ouvi daquela boca.
Mitch soltou meu pescoço e saí correndo antes de ver qualquer reação. Todos os vivos presentes se levantaram. Derrubei um castiçal de velas. Quando saí, tranquei a porta dos fundos.
A última coisa que eu vi lá de fora, toda molhada e ensangüentada, foi a igreja pegando fogo. E foi naquela noite que eu matei dez pessoas de uma vez. Foi naquela noite que tudo começou. Eu me transformei, e virei Midori, a vampira.

Capítulo 2

Cá estou eu, 67 anos depois, presa no porta-malas de dois caçadores gatíssimos. Espécie nojenta se quer saber. Eu, que agora evito ao máximo matar humanos, (afinal, eu fui uma deles) estava roubando o banco de sangue, mas os três irmãos Winchester me pegaram no ato. Eram dois contra um mais uma seringa de sangue de cadáver, que faz os vampiros desmaiar. Eu? Sem chance.
Era uma terça feira, três da manhã. Eu tinha entrado facilmente, enfartando (sem querer) a pobre recepcionista. Tipo A, B, AB. Os tipos que estavam em falta eu nunca pego. Senti o cheiro de sangue fresco pingando do outro lado dos armários. Um homem tinha acabado de cortar o meio da palma da mão. Estava de costas. Moreno e alto. Usava calça jeans e uma jaqueta. Tinha uns 28 anos. Burro, para fazer uma coisa dessas. Ou um suicida (hehe). Dei um pulo no escuro. Uma corda se esticou na frente do meu pé, e, antes mesmo que eu caísse, havia uma agulha entre o meu ombro e meu pescoço, injetando sangue de cadáver. Apaguei e acordei aqui, no porta-malas do carro deles. Um lugar pequeno e escuro cheio de estacas, armas, amuletos, facas, um alho e uma corda, em volta do meu punho e do meu tornozelo, claro. Estou contando minha história não muito feliz, para caso, se eu morrer, alguém solidário, ficar sabendo da minha história. Com uma das facas, eu me soltei, assim, todos os vampiros vão encontrá-los, caso eu precise de reforços. Se eu não morrer, é melhor eles estarem contando a história deles.
“Vocês precisam de um porta-malas maior. Sabe, eu me sinto meio desconfortável, com tantos objetos pontiagudos aqui.” eu disse, sendo irônica.
“Com o trabalho que deu para te achar, você não vai ganhar uma suíte presidencial, Midori.” disse o motorista.
“Estou em desvantagem, vocês sabem quem eu sou. Mas eu não sei quem vocês são.” aprenda desde agora: eu sou uma ótima atriz.
“Quer que eu escreva isso no seu túmulo?” continuou, ele riu, o outro não. Realmente não teve graça.
“Não, obrigada. Não pretendo morrer tão cedo. Afinal, hoje eu não vou morrer mesmo. Ah! Já que perguntou, eu quero escrito no meu túmulo - aqui jaz uma vampira que morreu de saco cheio.”
“Você é bem otimista pra quem esta na sua posição.” O passageiro disse.
“Vocês não me mataram no banco de sangue, não vão me matar agora.”
“Queremos uma coisa de você.”
“Podemos negociar.” para caçadores sem honra, essa é a frase mágica.
O carro parou. O porta-malas se abriu. Nem vi quem abriu, mas lhe dei um chute na cara. Dei um laço duplo no cara que tinha cortado a palma da mão. Ele caiu no chão. O outro foi na porrada. Dei um laço mais apertado no outro, pois ele era maior. Sou texana, nasci sabendo fazer isso. Joguei os dois sentados no porta-malas. Olhei bem para eles, os dois, realmente, eram muito bonitos. O mais alto, aparentemente mais novo, tinha um cabelo um tanto tigelinha estiloso, camisa xadrez e casaco. O mais baixo, uns anos mais velhos, pele mais clara, cabelo mais curto, corte na palma da mão, para me atrair. Não julgaria que seja um caçador, pois devia ter, mais ou menos, 25 anos. O maior não tentou me bater, creio que seja mais educado do que outro. Ia ligar para o Joey, mas não conseguia achar meu celular. Eles acordaram, atordoados.
“Viu como vocês precisam de um porta-malas maior?”
“Todos os vampiros são engraçados assim?”
“Não, só eu. Agora me digam: quem são vocês? O que querem? E qual é o preço?”
“Sam” disse o cara da esquerda, e aparentemente educado.
“Dean” disse o cara que cortou a mão, que pela voz reconheci que era o das piadas.
“Ora, ora, ora... Se não são os famosos irmãos Winchester. A que devo o prazer?”
“Queremos falar com Esseker.” Havia muito tempo que não ouvia aquele nome. Maldito seja.
“Não conheço ninguém com esse nome.”
“Eu acho que conhece sim.” respondeu Ryan.
“Bom, talvez. Mas não lembro bem agora. Talvez vocês possam ajudar com a minha memória?”
“Agora!” antes que eu pudesse dizer algo, os dois se levantaram. Estavam soltos de novo.
Provavelmente usaram a mesma faca que eu. Pularam para cima de mim. Eu rolei para o lado e fiquei de pé. Mesmo não transformada em vampiro, eu era mais forte e mais rápida que eles.
“Onde está ele?” Dean apontava uma nove na minha testa.
“Vou dizer uma coisa sobre mim. Eu não reajo muito bem a ameaças, então vamos fazer um acordo. Diga-me seu preço, que o Esseker é seu.”
“Você precisa aprender quando você está em condições de negociar, Midori.” Dean segurou mais perto a arma. Pelo olhar dele, ele iria atirar, e se fizesse, eu ficaria desacordada até o nascer do sol ali, e morrer.
“Dou-te três mil, e vocês esquecem Esseker.”
Eles se entreolharam. Dean levantou a sobrancelha, Sam respondeu virando os olhos e suspirando.
“Cinco, e te damos carona.” Disse Dean. Eu concordei.
“Que?” Sam ficou boquiaberto.
“Fechado.”
Entramos todos no carro, Sam balançava a cabeça desconcordando. Dar carona para uma vampira. Quão ruim poderia ser?
“Destino?” Dean ligou o carro.
“Las Vegas.”
O carro era um clássico Impala, preto, ótimas condições. Tinha um cheiro estranho, de roupa suja no banco de trás. Eu estava entre casacos, um laptop, saquinhos do Mcdonalds e copos de café no chão. Dean fazia toda a conversa, Sam era mais quieto. Dean estava tentando me contornar, perguntando se Esseker era um cara, um vampiro, uma pessoa, uma cidade. Mas não onde ele estava. Mas não abri o bico. Era melhor para todo mundo deixar Esseker como estava. Mortinho. Mas eu sei contornar de volta. Mudei o assunto.
“Como vocês me acharam?”
“Bom, foi difícil. Pegamos 34 assaltos a bancos de sangue no país. E eles estavam seguindo uma rota, que sempre ia à direção em Las Vegas. Mas a descrição da assaltante, sempre batia com você.” respondeu Sam, suas primeiras palavras que fugiam do pensamento. Isso é uma péssima idéia. “E, você não tem muitos amigos leais...”
“Eu sei que meus amigos não são nada leais, afinal, não são humanos que cultivam amizades, como se fossem plantas sabe, plantar, colher, regar, conversar e etc...”
“Você acabou de comparar humanos com plantas?” Sam disse me olhando pelo espelho retrovisor.
“Eu te como, não?” ele levantou a sobrancelha e perdeu o olhar pela janela. “Mas então,” voltando para o lado ativo da conversa, “Como vocês foram parar aqui, como caçadores? Por que eu ainda me espanto vendo gente perder seu tempo?”
“Longa história...”
“Me deixa adivinhar: sua família foi morta por demônios e vocês tão aí em busca de vingança?”
Eles se entreolharam, eu estava certa. Sempre estou.
“Clichê.”
“Eu não ligo. Aprendi a caçar demônios com o meu pai, e até achar ele, eu vou matar tudo que há de ruim no caminho.” Dean não estava brincando.
“Entendo. Negócio de família.”
“Afinal, é sua raça, contra a nossa.” Sam disse ofendido.
“Eu concordo, por isso não mato mais. Eu roubo sangue, e outras coisinhas mais, para me sustentar. Sabe, esse idosos cheios da grana são muito supersticiosos.”
“Não sei porque me espanto. Você é vampira e ladra.”
“Caçadora de tesouros.” eu corrigi Dean.
“Caçadora de tesouros, rica e bonita, se me permite dizer. Só falta o marido.” riu Ryan. Ele gosta mesmo é de me provocar. Mas tudo bem, caçadores são assim mesmo.
Mesmo assim, eu não respondi. Fiquei quieta o resto da viagem, remoendo o passado. Poucos minutos depois, chegamos ao endereço que eu dei (falso é óbvio, eu não ia ficar no segundo melhor hotel cassino de Las Vegas. Eu ia ficar no primeiro! Mas claro que eu não me importo em andar dois quarteirões). Saí do carro.
“Adeus.” Eu disse assim que bati a porta do carro. Entreguei o dinheiro para Sam, seus olhos verdes escuros brilhavam. “E esqueçam Esseker.”
Virei e fui embora. Com a audição aguçada pude ouvir o que eles diziam no carro no meio do transito. Só besteira, claro. Nem sei por que eu perco tempo com caras entre 19 e 30 anos. 30, especialmente.
Tá bom que eu tenho 89, mas com corpo de 21! Foi a idade em que eu virei vampira. Eu sou bonita até, pelo menos é o que os Sulivan disseram. Sou branquinha, cabelos pretos na altura da cintura, cacheados nas pontas, olhos verdes. Uso uma jaqueta jeans, uma babylook bem curtinha, branca com a boca dos rollings stones no meio, calça preta jeans skinny e sandália bico fino, vermelha. Unhas pintadas de roxo. Dois furos na orelha. Sou moderninha, comparando as da minha idade.
Cheguei ao The Bellagio Hotel Cassino. Sempre gostei de cenários de filmes. Entrei no meu quarto de 210 metros quadrados. Jantei sozinha, como de costume. Fiz a minha refeição, gelada, assim como de costume. Ai se isso vazar para a sociedade vampira. Vou ser vista como ridícula. Sangue fresco e quente, sangue gelado de saquinho e canudinho.
Alguém bateu na minha porta. Era Joe, meu melhor amigo, e também meu Sire*, já que eu matei o meu.
“Conseguiu o sangue?
“Não. Os Winchester me pegaram. E nossa! Dean Winchester é melhor do dizem. Dormi com eles, jurei que não ia fazer de novo, e eles me soltaram.
“Jura?” Ele parecia surpreso pelo nome Winchester. Ficou até um pouco pálido.
“Não.” duh! “Eles queriam saber sobre o Esseker. Paguei pela minha liberdade.”
“Ele está morto.”
“Eu sei. Eles não sabem. Caçador, ou é bonito ou é burro. Era muito óbvio pela expressão do Dean que eles precisavam de dinheiro. E eu aprendi tudo com você, meu Sire favorito.”
“E o único.”
Joey não comeu da minha comida, óbvio. Mas ao menos ele entende meu ponto de vista.
“Mi, me diga, como os Winchesters são? Eles estão bem, eles...” Joey parece que se perdeu na pergunta.
“Por que quer saber?”
“Curiosidade.”
“Sei lá. Eles estão falidos. Me soltaram e me deram carona. Mas pelo o que eu ouvi, não há um demônio que tenha fugido. O que mais durou foi Ezequiel. Eles são tão bonitos, perdendo a vida nisso, sabe?” ele fez que sim com a cabeça. “E eu peguei carona com eles num Impala quase tão velho quanto eu.”
Joey riu por uns bons minutos.
“A família deles também foi morta num incêndio, pelo demônio. E agora tão procurando pelo Esseker...” Joey levantou as sobrancelhas e mudou de assunto. Depois fomos dormir. Ele, em seu quarto, claro.

Passaram-se cinco dias. Nesse meio tempo eu roubei cinco bancos de sangue. Minha geladeira estava sinistra para padrões normais. Outra coisa sinistra era que eu não achava meu celular em lugar nenhum, o que me dava uma certa ansiedade.
Fiz ótimos negócios em Las Vegas. Aqui os amuletos da sorte são muito procurados. Mas eu não vendo amuletos comuns, e sim os que realmente funcionam. Tanto que eu acrescentei 600 mil na minha gorda conta. O único problema era que eu nao achei meu celular em lugar nenhum. Minha linha de vida social. Sem ele como eu posso mandar mensagem de texto pra Mel e pra Chuck 24-7?
Era domingo, eu tinha acabado de voltar de uma festa, e o telefone do meu quarto tocou as 04hOOmin da manhã.
“A gente te odeia.” pois é, acho que eles descobriram. Era o Dean.
“Eu também te amo Ryan.”
“É o Dean. Esseker morreu há três meses.”
“Eu sei. Mas vocês não sabiam, agora sabem. Se vocês tivessem seguido meu conselho não teriam viajado tão longe.”
Dean estava bravo. Então algo me ocorreu, eu roubava bancos em ordem alfabética, e não colocava meu telefone por aí em ordem alfabética.
“Como vocês conseguiram esse número?”

“Roubamos seu celular.” Oh, oh!
Ele o quê!? Todos os meus contatos, meu endereço, os telefones de vampiros estão la. Incluido Esseker.
“Bom, te vejo daqui a pouco.” E ele desligou o celular.
Eu ia fugir. Óbvio! Mas pra onde? Eu tinha cinco dias pra ir pra qualquer lugar! Já sei! Fui para o quarto do Joe, ele tinha bebido demais, como de costume.
“Joe! Acorda!” o cutuquei. “Joey!”
“Que é...?!” disse ele, imóvel.
“Os Winchester têm meu celular! Possivelmente descobriram sobre Esseker.”
Joe deu um pulo da cama, atordoado.
“Como?”
“Joe levanta, eu não quero ser como todos os outros vampiros e demônios que cruzaram o caminho deles.”
“E para onde vamos?
“Eu não sei!”
Ouvimos uma porta ser arrombada no quarto do lado. Era o MEU quarto.
“Joe, quanto tempo se leva para vir de Atlantic City para Las Vegas?”
“Sei lá. De avião ou de carro?”
Não importa, eles já estavam aqui. Oh drogaaa! Quando eles ligaram, eles já estavam em Las Vegas!
“Vou ligar pra segurança do hotel. Nada melhor que sua própria espécie os tirando daqui.” disse Joe, pegando o interfone. Estava mudo. “Pensando bem, acho melhor a gente ficar com o seu plano.”
“Mas e as minhas coisas?! Eles não podem roubar as minhas coisas!
“Você é muito materialista!” disse Dean pendurado na janela. Ele entrou pela janela aberta. Eu e Joe saímos correndo. Tranquei a porta do quarto do Joe.
Droga. Eu corri para porta da frente. Quando abri, lá estava Sam. Fechei. Entrei em pânico. Estava encurralada. Nunca, desde aquela noite há 67 aos, em que a única opção, era fugir. Eu nunca fujo. Eu costumo lutar... Para depois fugir.
“Se acalma,” disse Joe. “o que você faria, se você ainda fossem aqueles dias?”
“Mataria os dois.”
“Então mate! Ou você, ou eles!”
“Eu... Não posso. Eles confiaram em mim.”
Joe me abraçou. Arrependi-me pela primeira vez do que fiz. Eles foram os primeiros humanos que confiaram em mim. Quer dizer, quem é que dá carona para uma vampira?!
“Não podemos fraquejar agora, Mimi.”
Adoro quando Joe me chama de Mimi. Levantei-me. Eu não iria matá-los. Ia fazer ao estilo Midori. Negociar e sair ganhando sem que ninguém perceba (haha).
Eu fui até a porta e a abri.
“Senti saudades.”
“Sentiu nada,” disse frio, Sam “você nos fez ir até Atlantic City, para descobrir que ele já está morto. Como você dorme à noite?”
“Em lençóis de algodão egípcio. E eu disse pra vocês esquecerem Esseker.”
“No momento não queremos Esseker.” disse Dean, que arrombou a porta.
“Como não?” disse Joe saindo da cozinha. Notei que ele estava com uma faca. Joe fez uma promessa de não matar caçadores com os dentes, pois caso eles, por algum motivo não morrerem, viram vampiros, e sempre resulta em problema. Eu sinalizei que era uma ma idéia. Mas logo depois, Dean saiu correndo e pulou para cima de Joe, que desmaiou com o sangue de cadáver que Dean injetou, no pulo.
“Ele estava armado.” disse Dean ofegante, se levantando.
Sam entrou, me pegou pelo braço.
“Senta aí.” E me jogou sentada no sofá.
“Qual é o problema de vocês?!”
Eles se sentaram nas patronas armados com seringas. Como eu pude deixar isso chegar a este ponto?!
“Além de descobrir que o Esseker está morto, descobrimos algo mais.”
“Tipo o quê?
O fim do mundo? Eu ganhei na loteria? Eu sou a rainha dos vampiros? Sou a miss Vampire desse ano e não as nojentas das Drei- Krönen? Não tem mais nenhum caçador atrás de mim? O anti - Cristo veio? O presidente dos Estados Unidos virou vampiro? Hehe, até que seria bem doido. Legal, mas doido.
Os três se olharam. A notícia pelo menos para eles, não era nada boa. Bom, mas e se for boa para mim?
“Um cara de Atlantic City, pediu para te buscar. O nome dele era Mitch Wodsen.”


Capítulo 3

“Como... Assim?” disse bem baixinho, quase para mim mesma.
“Ele voltou e está te procurando. Ele nos pagou uma grana, agora vamos te levar... Lá!” Dean indicou com a cabeça e com uma seringa entre seus dedos.
“Impossível!” eu gaguegei. “ Eu não vou, e você não pode me levar inconsciente até Atlantic City.”
“Quer apostar?” Dean deu um passo a adiante.
“Eu achei que vocês tivessem ido atrás de Esseker. Como vocês encontraram ele? VIVO?”
“Como assim?” Sam perguntou.
“Há 67 anos eu o matei.” Dean riu alto.
“Você viu ele morto?” Dean perguntou levantando a sobrancelha. Não respondi.
Me senti muito idiota para responder que não, eu nunca vi o que aconteceu naquela igreja desde do momento que eu saí e tranquei a porta.
“Espera aí, vamos recaptular isso. Vocês me pegam no banco, vão até Atlantic City no endereço que estava no meu celular, que vocês me roubaram, encontram um vampiro que diz ser Mitch Wodsen, E AINDA ACREDITAM?”
Minhas mãos formigavam ao pensar o que seria pior: ter Mitch ou Esseker de volta.
“Sim. Por que nós já vimos os dois,” Sam foi interrompido pelos gemidos de dor Joey, quase acordando.
“Mitch, até onde eu sei morreu há 67 anos. E se eu for com vocês, eu vou morrer.” Dei uma pausa, eu tremia dos pés à cabeça. “Eu não vou. Diga pra ele se quiser me ver, que venha me pegar.” se ele conseguir, eu pensei.
“Ô moça, a gente não é garoto de recado. A gente é garoto de entrega.”


Joey se levanta com esforço e se apoiando na mobília.
“Ai caralho, isso dói.” ele disse.
Tudo o que eu conseguia pensar era: Agora ele vai dar um pau neles!
Eu me levantei do sofá, e gritei para ele tudo o que eles tinham me contado. Saiu meio atropelado, e não tenho certeza se ele entendeu, pois não pareceu surpreso, ou com medo, mas muito pelo contrário.
“Você devia ir.”
Aquelas palavras cortaram minha garganta como um guilhotina. Ele nunca diria isso. Ele sabe o que vai acontecer comigo se eu encontrá-lo? Olhei profundamente desapontada para ele. Seus olhos castanhos desviaram dos meus, brilhando com a luz da lua que entrava pela janela da sala. Ele era mais alto que eu, maior e mais forte, com cabelo preto e curto. Eu fechei os olhos e respirei fundo. A ânsia de Joey gritou. Ele sabia o que ia acontecer. Quando abri meus olhos brancos de novo, era vampira. E quando me tranformo, não me responzabilizo pelos meus atos.

Chutei o rosto de Sam e joguei Dean contra o biombo de vidro, que infelizmente quebrou.
“Midori, NÃO!” Joey gritou. O que ele estava fazendo? Protegendo os Winchester? Ele só podia estar de brincadeira.
Dean se levantou e jogou um garfo de prata em direção a Joey, que ficou preso pelo pescoço, contra a parede.
“BATMAAAN!” ele cantarilou.
O garfo estava tão bem preso, que ele mal podia respirar. Transformado, ele seria mais rápido e mais forte, mas quando ele tentou se transformar, um símbolo brilhou no talher e ele continuou o mesmo. Garfo de Sol. Nunca tinha visto um antes. Eles impedem a transformação completa. Espero que eles só tenham um, daqueles.
Agora sobrava Dean desarmado e Sam com uma seringa e corredo em minha direção. Eu pulei para o teto, grundando pés e mãos, porém, calculei errado: Sam era alto. Ele levantou o braço, e a agulha entrou acima do meu umbigo. Eu cai do teto, pernas fracas. Ele só conseguiu injetar muito pouco. Eu me levantei e arranquei a seringa de mim, despejando todo o líquido no chão. Eu olhei para o Sam, encuralado entre mim e a porta. Dean pegou a faca ao lado de Joey e a jogou para Sam. Eu a chutei alto, no ar. A faca sim, grudou na parede. Eu agarrei o braço de Sam ainda no ar, e mais rápido do que ele poderia ver, pulei para trás dele, e encostei meus lábios em seu pescoço. Ele era quentinho, e seu coração pulsava forte e rápido, com medo.
Dean congelou, pálido. Um movimento brusco, e Sam era meu novo amigo.
“Muito bem, com calma agora...” Eu estava ofegante e a tentação de morder Sam era intensa. “ Mitch disse mais uma coisa, que você vai querer ouvir... Agora passa o Sammy pra cá, e eu te conto.” Dean falou baixinho.
“Mentira.” Eu murmurei, raspando os dentes em sua pele macia.
“Não é mentira.” Sam disse. “Ele disse que tinha algo que te pertencia.”
“Tipo o que?” eu mordi de levinho Sam, que a esse ponto nem respirava. Esse era o jogo mais legal que eu já tinha jogado na minha vida inteira. Não deixaria ele sair tão cedo. Levantei meu rosto até a orelha dele e mordisquei. Por um momento jurei que ele gostou.
“Ele disse que estava com a Emma.” Dean soltou, quase entre os dentes.
Eu o soltei. Fui andando de costas até a porta e saí correndo, rápida, como eu nunca corri.

1940. Lembro que chovia muito. Era uma noite de tempestades. Os hospitais naquela época de guerra não eram os mais cheios, mas fui a primeira a ser atendida. Tinha entrado em trabalho de parto a uma da madrugada. Meu querido Mitch e eu íamos ter nossa primeira filha, em segredo. Apenas a familia dele sabia, já que eu havia fugido de casa na noite em que meu pai disse que teria que casar com outro. Para o governo do hospital, eu era casada. Mas na verdade, eu ainda era noiva. Sempe achei feio mulheres entrarem na ingreja grávida. Parecia uma desculpa só para se casar, ou para se casar antes do bebê, para fofocas futuras, ninguém ter o direito de dizer que tive o bebê antes do casamento. Mas no meu caso, nós íamos nos casar de qualquer maneira, com ou sem bebê. Faltava um mês pro meu casamento e só o que eu pensava era se eu iria caber no vestido. Isso, e comecar o meu feliz para sempre. Logo.
“Vamos querida, empurre. Eu sei que você consegue. Você é forte, vamos!” Ele segurava minha mão, quase mais ansioso que eu.
Era parto natural e eu fazia toda força do mundo. Depois de cada puxada era como se eu fosse desmaiar. Era como se o ar da sala não fosse suficiente, e minha bacia quebraria ao meio. Eu empurrava, gritando, até que de repente, parou. Silêncio. Chuva caia lá fora. Em seguida, choro.
“Parabens senhora Wodsen, é uma menina.”
Como meu querido Mitch disse que seria. Uma bela menina. Foi ele que suspeitou que eu estava grávida, em primeiro lugar. Mitch, e agora, minha filha, são tudo o que eu preciso. Colocaram-na no meu peito. Enrolada numa toalha rosa com um bordado de uma rosa branca que eu mesma fiz. Ela se destacava, pequena, macia, graciosa. Perfeita.
“Oi minha criança.” eu sussurrei. Ela parou de chorar assim que ouviu minha voz, abrindo seus lindos e enormes olhos azuis.
“Já escolheu o nome, querida?” disse Mitch beijando meu cabelo.
“Sim. Emma. Emma Wodsen.”
Os médicos tiraram Emma de mim, para limpar e pesar.
“Eu estou muito orgulhosa de você.” Ele disse para mim, quase chorando, segurando meu rosto. Com o canto dos meus olhos eu vi que estavam levando Emma para outra sala. Ela começou a chorar e a ficar cada vez mais longe.
“Por que levaram-na para outra sala? Por que eles não podem limpá-la aqui?”
Mitch segurou minha mão com suas mãos frias. Eu ainda podia ouvi-la chorando. Ele sorriu para mim, e novamente beijou minha testa. Fui invadida pela exaustão.
“Já vão trazê-la. Estou orgulhoso de você. É muito corajosa.” eu ouvi um baque metálico lá fora. Meu olhos não focavam em mais nada. Emma parou de chorar, e fui invadida pelo alívio.
“Promete?” sussurei, mas adormeci antes de ouvir a resposta.
Acordei na manhã seguinte com Mitch me olhando dormir. Já era de manhã, mas nem parecia, ainda estava chovendo forte.
“Eu ainda estou orgulhoso de você.” ele acabou me acordando.
“Oi querido,” disse esfragando os olhos. “Onde está Emma?”
“Os médicos queriam te contar, mas achei melhor eu. Médicos são frios.”
Frio era o tom de voz dele. Havia algo de errado.
“Onde está Emma?” eu repeti, um pouco mais alto do que eu queria.
“Emma nasceu prematura de cinco semanas. Nasceu com problemas respiratórios.”
“Mas ela vai ficar bem, não vai?” Mitch estava calmo. Não estava chorando. Mas ele me evitava com os olhos. “Mitch. Me conte a verdade.”
“Eu...” ele mordeu os lábios. “Ela... Ela nasceu muito pequena, muito fraca. Não conseguiram fazê-la respirar direito. Ela não agüentou.”
“O que você quer…” eu não consegui terminar a sentença, já estava chorando.
Chorei como se fosse o último momento da minha vida. Minha filha havia morrido. Mitch me abraçou forte, e não chorou em nenhum momento. Ele era forte, muito mais do que eu. Amar ele me fez incrivelmente mais forte. Mas amar Emma, me fez o contrário.

“Pra onde ela foi?” disse Sam, finalmente respirando, passando a mão ao lado do pescoço, onde, momentos antes, uma vampira havia beijado.
“Só tem um jeito de saber.” Dean disse apontando para Joey, ainda preso na parede.
“Quem? Eu?” disse Joey, totalmente desligado da situação, ainda preocupado com o garfo. “Eu conheci ela ontem, pra falar a verdade.”
“Mentira!” Gritou Dean batendo na parede ao lado do rosto de Joey.
Havia algo em Joey que deixava Dean confuso, de tão familiar. Ele tirou uma seringa e encostou no braço de Joey.
“Se eu colocar esse sangue pra dentro da tua pele, você vai ficar desmaiado tempo suficiente até o sol nascer. E adeus!”
Ele não se mexeu, nem conseguia respirar.
“Se a gente perder Midori de vista, quem entregaremos para o Wodsen, é você.”
“Cemitério Molly Garden.” ele confessou.
“Clichê.” Dean murmurou, desencostando a seringa.
“Emma era a filha dela que morreu no parto há 67 anos. E Mitch era o pai. Que também era vampiro, mas ela não sabia até se casarem. Ele a transformou na igreja, depois de ter matado toda sua família. Ela ficou brava e com medo e depois matou todo mundo.”
“Isso que é casamento!” Dean suspirou.
Ele tirou o garfo do pescoço dele, e saíram atrás de Midori.

Chovia forte. Eu estava ensopada, e a grama pinicava minha perna. A lama começou a entrar nas minhas unhas. Eu cavava sem parar. Na lápide, já antiga e com manchas de musgo, quase não podia se ler: Emma Wodsen - 1940. A letra era miúda e meio apagada pelo tempo, mais ou menos como eu esperava ver dentro do caixão.
Comecei a ter visões da minha filha de todos os jeitos que eu gostaria que ela fosse. Indo na escola de maria chiquinha, saia xadrez e camisa pólo. Brincando com todas as bonecas de porcelana que eu pudesse comprar. Brincando na praia. Tomando sorvete aos sábados comigo. Adormencendo a histórias que eu contasse de noite. Me acordando cedo no dia do meu aniversário.
Eu estava tão cansada de cavar que comecei a chorar. Eu não conseguia parar, tinha que vê-la. Ver se Mitch estava de volta, e com Emma. Se tudo é uma ilusão, sonho, ou mentira. Tenho que descobrir a verdade. Cavei por uns quarentas minutos, até que dentro da minha unha entrou uma lasca de madeira. Tirei com os dentes, havia achado o caixão. Nessa exata hora, um carro entrou no cemiteiro ao longe. Arranquei a tranca do caixão. Meu coracao estava aos pulos. Abri, e estava vazio. Apenas forrado com um pano branco, agora sépia. O caixão parecia rir de mim, ali, aberto e vazio, ficando molhado pela chuva. Minha filha nunca esteve ali.
Exausta e com com sede, me sentei no buraco, na cova, que eu mesma cavei. Eu chorei tanto que meu olhos estava inchados. Minha garganta doía. A chuva fria acalmava meu rosto, lavando as lágrimas. Ele mentiu pra mim, ele me destruiu, ele me deixou sozinha. De novo. Portas do carro bateram à distância. Meu corpo estremeceu. Eles vão me ver assim, tão vulnerável, tão patética. O vulto deles apareceu na minha frente segurando um guarda chuva. Eles tentaram disfarcar o choque de ver alguém tão forte antes, tão despedaçada, agora.
“Vamos, o sol já vai nascer.” Sam disse, estentedo a mão.
Não pude pegar a mão dele, ou sequer me levantar. O caixão que eu segurava aberto estava molhado, enquanto eu afundava na lama.
“Minha filha nunca esteve aqui.” eu parei por um momento, sentindo que o ar naquele buraco não era suficiente. “Até nisso ele conseguiu. Trazer-me até o velório. No velorio de ninguém. Todos esses anos… Trazendo flores, derrubando lágrimas, pra ninguém!” eles ficaram me olhando soluçar, sem saber o que fazer. “Mas não importa. Isso é bom, não é? Ela está viva! Viva!”
Eu estendi minha mão, finalmente, saindo do buraco. Dean não colocou o guarda chuva em mim, indicando que a chuva forte iria me lavar. Eu estava com frio, e meu pijama cor de rosa da channel, estava em trapos. Dean forrou o carro com lona e me enrolou em toalhas como um burrito.
“Então, vamos ‘recaptular’ isso aqui,” Dean me imitou. “a pobre garota, graciosa e perfeita, se apaixona pelo príncipe encantado, mas o pai malvado não a deixa ser feliz, então ele vem em sua busca com um cavalo branco, engravida ela, mata a família dela e ela mata todo mundo no casamento. Esse conto de fadas, pra falar a verdade, é o melhor que eu já ouvi.”
Era pra eu dar um tapa nele, matar ele, ou ficar quieta o resto da viajem. Mas ao invés disso, eu ri e concordei. Era o melhor conto de fadas já dito. Fato.
“Eu vou pra Atlantic City com vocês.”
Sem mais uma palavra, Dean ligou o carro, pesadas gotas batendo contra a lataria do Impala. Não disse outra coisa pelo resto da viagem até Las Vegas, não muito longe. Corri para o hotel, e quando saí do meu longo banho, mais um dia ensolarado já tinha saído, então fechei todas as janelas. Sam e Dean estavam me esperando no saguão. Fiz as malas, e enchi uma geladeira térmica com sangue suficiente para quarto fartos dias. O que não coube, eu bebi compulsivamente, sentada no chão da cozinha, ao lado da geladeira. Esquecendo das lágrimas, e de Emma, e de Mitch. Joey entrou sem bater. E ao ver as malas perguntou.
“Vamos para onde, flor?” ele era irresistivelmente lindo com camisa azul aberta, camiseta branca por baixo, jeans e all star azul marinho. Ele diz ter sido mordido aos 30, mas não parecia muito mais velho que eu. Quando andávamos por aí, todos achavam que éramos um casal.
“Não vamos.” eu pausei. “Eu vou.” ele não disse nada, encostando no balcão da cozinha. “Com eles.”
Ele surtou.
“Ficou maluca?!” gritou.
“Você mesmo disse para eu ir!” eu gritei de volta. “Eu preciso ir, Joey, eu preciso.”
“Quando eu disse pra você ir, eu não quis dizer com eles.” Eu não respondi. Mas eu sabia que não conseguiria ir sozinha. Eu desistiria no meio do caminho, fugiria, trocaria de nome. De novo. “A Emma…”
“Não estava lá.” eu disse fria. “Por causa dela que eu vou.”
“Midori..” ele escorregou para o chão, sentando perto de mim. “Eu sei que eu falei pra você ir, mas pensa bem. Você não acha que ele também quer tirar essa história a limpo? Você tambem aprontou, eu já te falei um monte de vezes que...”
“EU SEI, TÁ?” eu disse mais alto do que queria. “Eu sei o que eu fiz, eu sei quantas pessoas da família dele eu matei. Nao adianta sermão agora, eles também eram minha família, e...”
“E te traíram, eu também já vi esse filme. Mas se cuida, tá legal? Eu te ensinei tudo o que você sabe, mas eu não te ensinei tudo o que eu sei.”
“Bom, é tarde demais. Eles estão lá embaixo me esperando.”
“Eu sei.” ele suspirou, colocando o braço envolta de mim, e me abraçando forte, com um beijo na testa. Seria essa a última vez que eles se veriam? “Eu sabia que alguém iria trazê-lo de volta, mas não tão cedo.”
“Joey, 67 anos se passaram. Uma vida humana inteira.”
“Ah, quase esqueci.” ele colocou a mão no bolso, e tirou um colar. “Isso é um colar, ahm, mágico.” ele tirou os longos cabelos de Midori de seu rosto triste, e olhou em seus olhos verdes. “Você vai sentir minha presença seja lá onde for. Eu sempre vou estar com você.” Ele colocou o colar no meu pescoço. Era uma corrente de ouro branco com um com pingente de coração, também de ouro branco, e um pequeno diamante no meio.
“Adorei! Obrigada Joey.” eu o abracei mais uma vez, sentindo sua respiração e seu coração bater. Espero que esse colar me dê esse sentimento pra sempre.
Ele me ajudou a colocar as malas no carrinho bagageiro no corredor. O moço das malas já estava lá. Eu entrei no elevador. Hesitei em apertar o botão. Fiquei olhando Joey do lado de fora do elevador. Ficamos em silêncio. Uma lágrima desceu pelo canto do meu olho.
“A gente vai se ver de novo.” ele colocou a mão no bolso. Fazia isso quando escondia o que estava sentindo. “Eu prometo.”
“Você nunca cumpre uma promessa.” Eu ri, limpando a lágrima com a manga da minha blusa.
Apertei o botão antes que eu levasse ele junto. A porta se fechou, como se tivesse nada entre nós, picando meu coração em confetes. No silêncio vazio do elevador descendo, minha garganta segurava um choro dolorido. Queria ouvir se ele estava chorando, rindo, fugindo, surtando, correndo atrás de mim, gritando que me ama. Agucei minha audição, mas só ouvi um murmúrio dele.
“Eu sei.”

Continua...