The way we talk
Por Déh Alves
Betada por Táh
Capítulo 01
Era bom estar indo para casa, depois de dois anos longe da minha família e de tudo aquilo que eu amava. Passar esse tempo em Roma foi muito bom, mas nada se compara ao clima de Londres. Nada.
- Senhor, eu devo entrar com o táxi? – perguntou o motorista assim que paramos diante dos grandes portões da mansão dos .
- Sim, por favor. – assenti, vendo-o seguir o caminho. Há quanto tempo eu não via a estrutura antiga daquela casa, o ar sofisticado que aquele lugar tinha... era receptivo e agradável. Eu realmente senti falta de casa, mas não queria me lembrar dos motivos que me fizeram deixá-la. Adentrei a casa, logo sendo recebido por George, o mordomo de meu pai.
- Senhor , que bom vê-lo novamente. – saudou-me animadamente.
- É bom estar em casa de novo, George. – cumprimentei-o.
- Vou mandar que levem suas malas para seu quarto imediatamente. – retirou-se, me deixando sozinho no enorme hall da mansão. Caminhei devagar até a sala, analisando cada detalhe daquele lugar onde eu havia passado grande parte da minha vida. Tudo continuava exatamente como eu me lembrava. Idiota da minha parte pensar que algo mudaria, já que meu pai é um homem extremamente conservador.
- ! ! Você voltou! – vi a figura de Charlie correr até mim desesperadamente.
- Dude! Como você cresceu, Char! – abracei-o. Charlie é meu irmão do meio, tem 12 anos e é bastante animado, e com um talento enorme para arrumar confusões.
- Vem! O Mark tá na sala. – Charlie disse, me puxando pela mão para que eu o seguisse.
- Vai com calma! Eu acho que ainda sei onde é a sala da minha casa! – ri, seguindo-o rapidamente.
- ! – berrou Mark, pulando em cima de mim. Mark é o mais novo. Ele tem 8 anos e é tímido, porém muito esperto e o único nessa casa que percebe coisas que ninguém percebe.
- Grande Mark! Como você cresceu! – abracei-o.
- Você vai jogar vídeo game com a gente? Papai comprou o novo do Star Wars. – Mark disse animado, procurando o jogo.
- Vou sim! Mas depois, agora eu preciso tomar um banho e descansar, a viagem foi cansativa. – dei um beijo no topo de sua cabeça e segui em direção ao meu quarto.
Aquele lugar continuava com o mesmo ar agradável e relaxante que sempre teve, mas também continuava mergulhado em lembranças que eu queria esquecer. Assim que entrei em meu quarto, encontrei minhas malas postas próximas ao closet. George era mesmo eficiente.
- Help! I need somebody, help!. .. - ouvi uma voz conhecida ecoar pelo aposento, vinda do banheiro. Me aproximei lentamente da porta que estava entreaberta, observando pela fresta a pessoa que cantava Beatles. Eu não me lembro dela ter ficado tão linda desde a última vez que nós nos vimos, e também não lembro dela ser dotada de um corpo tão perfeito. O que eu estou pensando? Ouvi seus passos se aproximarem da porta, mas eu não consegui reagir, eu não consegui me mover, e em poucos segundos eu já estava sendo encarado pelos seus olhos espantados e já sentia o calor do seu corpo enrolado em uma toalha bem próximo do meu.
- Da...? – ela gaguejou, quebrando o silencio.
- Até onde eu sei, sou eu sim e esse é o meu quarto. – sorri, coçando a cabeça, sem conseguir controlar o instinto de observar seu corpo de cima a baixo. Ao olhá-la novamente nos olhos, pude sentir a palma de sua mão contra o meu rosto, fazendo o arder.
- Você ficou maluca?! – perguntei espantado.
- Não! Só você que continua o mesmo tarado pervertido. – respondeu seca. Pude ver claramente seu olhar de desprezo ao me olhar. Ela não havia esquecido. Assim como eu.
- Eu sou tarado?! Você está no meu quarto, enrolada numa toalha e eu sou o tarado? – sorri ironicamente – Você continua a mesma garota fria de sempre, não é ? – encarei-a, retribuindo o olhar de desprezo.
- Você não sabe de nada, ! NADA! – eu a vi se preparar para me dar outro tapa, mas antes que conseguisse eu segurei seu punho a centímetros do meu rosto, puxando instantaneamente seu corpo para perto do meu.
- Acredite, eu ainda sei de muita coisa sobre você. – mantive meus olhos fixos nos dela, sentindo sua respiração pesada bater em meu rosto. É, eu ainda tinha o mesmo efeito sobre ela.
- Dois anos podem mudar muito as pessoas. – vi seu olhar se desviar em direção a janela, e seu corpo ceder à mínima distância que havia entre nós.
- Realmente mudam. – toquei levemente em seu queixo, fazendo-a me encarar novamente. – Mas não mudam os sentimentos. – colei lentamente meus lábios nos dela, iniciando um beijo lento, porém cheio de saudade. As mãos dela abandonaram completamente a toalha que cobria seu corpo, posicionando-se envolta do meu pescoço, deixando que a única peça que a cobria deslizasse pelo seu corpo até o chão. Apertei minhas mãos em sua cintura trazendo-a mais para perto de mim, à medida que o beijo se tornava mais intenso. Senti sua mão tirar meu casaco rapidamente, fazendo-o tomar o mesmo caminho que a toalha, enquanto a outra arranhava minha nuca, deixando-me excitado. Guiei nossos corpos até a minha cama, deixando-a deitar-se sobre mim. Sua boca passeava pelo meu pescoço, dando leves mordidas no mesmo, e suas mãos tratavam de se livrar de minha calça. Minha ereção era bem evidente, e o desejo em nossos olhos também. Minhas mãos acariciavam seus seios, arrancando dela gemidos baixos. Desci minha mão até sua vagina, sentindo-a bastante úmida. Comecei a penetrá-la com um dedo, depois com dois. À medida que seus gemidos se tornavam mais intensos, eu a penetrava com mais força, vendo-a se contorcer cada vez mais de prazer. Suas mãos arranhavam meu peito com força, mas eu não estava me importando com as marcas. Senti-a puxar meu braço, fazendo com que eu parasse de penetrá-la no mesmo momento. Ela guiou minha mão até a sua boca, chupando lentamente os dois dedos que eu havia penetrado nela, me deixando ainda mais excitado com aquela situação. Meu membro pulsava dentro de minha boxer, e eu precisava acabar com isso, mas no momento em que eu fiz menção de retirar minha última peça de roupa, ela saiu de cima de mim.
- Mas.. o que.. tá fazendo? – perguntei, não entendendo o que estava acontecendo.
- O que fica no passado não tem motivos para fazer parte do presente. – respondeu, enrolando-se novamente na toalha, me deixando completamente sozinho e perdido em pensamentos.
Capítulo 02
- O filho fugitivo regressa! – disse meu pai, vindo em minha direção assim que entrei na sala de estar.
- Eu não fugi, pai, só fiz uma longa viagem. – abracei-o.
- É muito bom te ter de volta nessa casa! Mas me diga, como você está? Como foi Roma? – perguntou, acendendo seu charuto.
- Roma é um lugar muito bom para se esfriar a cabeça. Eu conheci alguns lugares históricos, e aproveitei para descobrir o que eu realmente queria fazer. – expliquei.
- E pelo o que se decidiu, afinal? – perguntou meu pai, interessado.
- É, , diz pro papai que você vai ser um mendigo. – disse Charlie, enquanto ligava novamente o video-game.
- Engraçadinho você, Char. – disse rindo. – Bom, eu decidi que vou seguir a sua carreira, pai. Vou te ajudar a cuidar das nossas empresas, e queria aproveitar e pedir uma vaga de estagiário lá. – respondi.
- Você não sabe como isso me alegra, meu filho! Pensei que iria seguir com aquela idéia de ser músico. Pode deixar que, assim que você se instalar devidamente aqui em Londres, eu providenciarei tudo para o início de seu estágio. – ver a alegria de meu pai com a noticia me confortava. Era bom saber que alguma vez eu fiz uma escolha certa.
- Senhor, o jantar está servido. – anunciou George.
- Obrigada, George. – disse meu pai, dirigindo-se à sala de jantar junto com Mark, Charlie e, é claro, eu.
- Layra, já viu como voltou mudado? – comentou meu pai. Layra era a nossa cozinheira. Ela e George eram irmãos e trabalhavam para nós há mais de trinta anos.
- É muito bom tê-lo novamente aqui, Senhor . – me cumprimentou.
- É muito bom poder comer a sua comida de novo, Lay. – sorri. O bom de nossa casa era que todos éramos uma família, meu pai tratava bem a todos que o serviam e eu tinha orgulho dele por isso. - Pode me trazer o molho?
- Vou pedir que tragam, Senhor. – assentiu, indo em direção à cozinha. Havia muito tempo que eu não jantava em família, há muito tempo que eu não me sentia tão em casa como agora. Mas, mesmo assim, eu ainda me questiono se voltar foi a melhor opção.
- Quem foi que pediu molho? – vi surgir na entrada da sala de jantar.
- ! Você vai jogar com a gente depois? – perguntou Mark, ignorando a pergunta que a garota havia feito.
- Vou sim pequeno, mas só se você me falar quem é o dono do molho, isso tá quente. – disse ela, fazendo careta.
- Foi o . – apontou para mim. Vi-a revirar os olhos, caminhando em seguida em minha direção, fazendo com que um clima tenso se instalasse no ambiente.
- Obrigado. – agradeci assim que ela terminou de me servir, mas fui completamente ignorado.
- ! ! Vem cá... – chamou Charlie.
- Diga, super Charlie! – sorriu, se abaixando próxima ao menino.
- É segredo... – disse, sussurrando algo em seu ouvido em seguida.
- Hm, pode deixar, eu não vou contar. – sorriu, bagunçando o cabelo de Charlie.
- A é muito legal. – disse Mark, fazendo a garota sorrir.
- Diga-me, , como anda a faculdade? – perguntou meu pai, interessado.
- Esta ótima, senhor! Agora que eu estou começando o último semestre eu já pretendo procurar um emprego melhor nessa área. – respondeu animada.
- E que área seria? – perguntei curioso.
- Fotografia. – respondeu, sem me encarar. – Senhor, se puder me dar licença, eu preciso mesmo ajudar minha mãe na cozinha. – pediu.
- Claro! Pode ir sim. – respondeu meu pai, sorrindo.
Depois do jantar o clima continuou meio tenso, pelo menos pra mim. Os meninos resolveram jogar vídeo game junto comigo e , mas, apesar de eles não notarem, nós dois sabíamos que o clima não estava nada agradável para ambos. Acho que, depois do que aconteceu, não tem como voltarmos a ser o que éramos antes. Mesmo que tivéssemos sangue de barata, não tem como.
- Bom meninos, eu vou indo. – disse a garota, se levantando.
- Já, ? Tá cedo ainda... – disse Mark, fazendo manha.
- Desculpe Mark, mas amanhã eu levanto cedo. – disse, dando um abraço nos meninos e recebendo um “boa noite” em uníssono.
- Boa noite, Senhor . – disse seca.
- Boa noite, . – respondi da mesma maneira.
Capítulo 03
Depois daquele dia ficou muito difícil encontrar com pela casa. Segundo Lay, ela estava muito ocupada com a faculdade e mal ficava em casa, o que tornava mais difícil ainda encontrá-la. Quando éramos crianças, costumávamos ficar sempre juntos. Nós crescemos juntos, tínhamos uma ligação muito forte um com o outro.
Flashback
- , acende a luz! – pediu manhosa.
- Mas , com a luz acesa não tem graça acampar. – respondi.
- Só que eu tenho medo... – disse, com a voz um pouco trêmula.
- Não se preocupe, eu vou te proteger de tudo. – disse abraçando-a.
- Você só tem 8 anos, menino! – exclamou, me encarando – Como vai me defender do bicho papão? – perguntou em um tom desafiador.
- A gente sempre dá um jeito... – respondi, acariciando seu cabelo. – Confia em mim? – perguntei, olhando-a nos olhos.
- Sempre! – sorriu, me abraçando apertado.
Flashback -
Se tudo aquilo não tivesse acontecido, se eu não tivesse sido um completo idiota com ela, talvez não estivesse ganhando a frieza dela agora, mesmo sabendo que os sentimentos dela não mudaram. Eu conheço a melhor do que ninguém, ela vai se fazer de forte até o último minuto.
- Posso entrar? – ouvi alguém bater na porta.
- Pode. – respondi.
- Charlotte! – sorri ao vê-la entrar. – Como você está? – perguntei. Lotte era minha amiga e melhor amiga da , depois de mim, claro. Nós sempre dávamos um jeito de escapar da vista grossa do meu pai para ir a festas, e foi ela que deu o maior apoio a quando tudo aconteceu.
- Eu tô ótima! me contou que você tinha voltado... – comentou.
- Não a vejo desde o dia em que eu cheguei. Acho que ela está me evitando, ou está realmente ocupada. – soltei minha respiração pesada, encarando Lotte tristemente.
- Acho que as duas opções estão corretas, afinal, não é fácil pra ela te ver depois de dois anos e não lembrar de tudo. – disse, me encarando – Ela sofreu demais com tudo aquilo, , ela...
Lotte parou no meio da frase, mudando a direção do seu olhar para a entrada do meu quarto.
- Lotte! – vi a figura de Mark e Charlie surgirem na porta do meu quarto.
- Oi pequenos! Como estão? – perguntou ela, abraçando os dois.
- Bem, a gente tava procurando a , mas a tia Lay disse que ela não tá aqui. – disse Charlie.
- Quer brincar com a gente, Lotte? – perguntou Mark.
- Desculpa pequeno, mas eu e o grandão ali precisamos conversar. – disse Lotte apontando pra mim.
- Tudo bem, então... – respondeu Mark triste, saindo do quarto junto com Charlie.
- Eles são ótimos. – comentou.
- São mesmo, e adoram a . – disse, num tom triste. – Ela nunca vai me perdoar, não é? – perguntei, já imaginando a resposta.
- Não sou a pessoa mais indicada pra dizer isso, , você tirou dela algo muito importante. – disse sincera.
- Eu sei disso, eu nunca vou me perdoar por ter feito isso com ela... – respirei fundo, tentando afastar as lembranças.
- , eu tenho que ir agora. – disse se levantando – Se servir de conselho, não fique procurando a , acho que não vai fazer bem pros dois.
Por mais que Lotte tivesse razão, eu não conseguia me afastar da . A gente nunca havia se afastado antes, mesmo quando eu tinha que viajar pra visitar minha família no interior, eu sempre dava um jeito de levá-la comigo. Na escola, nós éramos grudados, sempre haviam boatos sobre nós, ‘A filha da empregada e o filho do homem mais rico de Londres’ , mas nós nunca demos importância a nada.
Flashback
- Olha o casal mais famoso do colégio. – disse Louise se aproximando de nós.
- Lá vem a chata... – comentou , me fazendo rir.
- Me diz, , quando você vai cansar de brincar com a empregada e procurar alguém do seu nível? – perguntou Louise, olhando de cima a baixo com desprezo.
- Não preciso achar alguém do meu nível, porque eu já tenho a comigo. – disse seco. – E a não é minha empregada, é minha namorada e melhor amiga. – sorri, beijando a mão de . – Agora para de encher o saco, se tem alguém de baixo nível aqui é você.
- Gostei do que você fez. – sussurrou em meu ouvido.
- Eu disse que ia te proteger de tudo, até de gente como a Louise. – sorri, dando-lhe um selinho.
Flashback –
Eu gostava quando as coisas estavam nos seus devidos lugares. Eu gostava de quando eu tinha comigo. Mas não dá pra voltar no tempo e consertar o meu erro. Ele não tem conserto.
Capítulo 04
- , chuta pra mim, vai! – gritou Charlie. Estávamos jogando bola no jardim, enquanto esperávamos que Layra nos chamasse para almoçar.
- Pega aê! – gritei, chutando a bola pra ele e me jogando no chão.
- Cansou? – vi a figura de surgir sobre meu corpo estirado na grama.
- Um pouco, ele parecem que não cansam nunca. – disse ofegante, tampando um pouco a vista para conseguir vê-la melhor.
- O problema não é eles, e sim você que está ficando velho. – respondeu, saindo do meu campo de visão e sentando-se ao meu lado.
- Como se você fosse muito nova. – respondi, sentando-me para poder encará-la sem dificuldades, mas não obtive nenhuma resposta sobre o meu comentário. Ela apenas continuou mantendo o olhar fixo nos pequenos – Você sumiu esses dias, sabe.. – comentei.
- É, eu tava estudando. – respondeu sem ânimo.
- Fotografia, não é? Achei que você fosse fazer administração. – comentei incerto. Pelo menos há dois anos era o que ela mais queria fazer. Foi influenciada pelo meu pai.
- Muita coisa mudou, ... – suspirou, me olhando rapidamente – Porque você voltou, afinal? – perguntou, agora me olhando nos olhos.
- Eu precisava saber como você estava. Não só você, como todo mundo... – a encarei. – Mas, de todos, principalmente você. Eu senti sua falta. – me aproximei devagar dela.
- Isso soa patético vindo de você. – ela disse, esboçando um sorriso irônico. – Você quase destrói a minha vida, me tira algo que eu amo e vai embora por dois anos sem nem se dar ao trabalho de se despedir. E depois, vem dizer que voltou porque sentiu a minha falta? Não seja tão ridículo. – disse se levantando, me fazendo levantar também.
- Quando você vai parar de achar que foi a única que sofreu com tudo aquilo? Eu também sofri. Me sinto culpado até hoje, mas eu fiz o que achei que era melhor pra mim! – respondi, segurando-a levemente pelo braço.
- Esse é seu problema, ! Você só fez o que era melhor pra você, mas não pensou no que era melhor pra mim, no que eu queria! – vi seus olhos se encherem de lágrimas – Você lembra do que me disse naquela noite? Você usou meu amor por você como se fosse uma barganha. – disse com a voz trêmula.
- , pelo amor de Deus, eu não tinha noção do que estava fazendo, eu agi por impulso. – tentei me explicar, mas as palavras sumiram diante do olhar de desprezo dela.
- Você tirou de mim algo que eu amava, e nem se quer se deu ao trabalho de pensar em como eu me sentiria. Me deixou sozinha quando eu mais precisava de você. – disse, me olhando nos olhos com raiva.
- Você nunca vai me perdoar, não é? – perguntei, já sabendo a resposta.
- Você acha que realmente merece ser perdoado? – perguntou, soltando seu braço de minhas mãos e caminhando para dentro da casa, sem nem ao menos esperar pela resposta.
Por mais que eu lutasse para não admitir, tinha razão. O que eu fiz com ela não tem perdão. Eu não honrei nossa amizade e não dei valor ao nosso amor. Eu perdi tudo, e joguei tudo fora por medo.
- Ei, vocês dois! Vão lá pra dentro almoçar, depois a gente brinca mais. – fiz sinal para os garotos irem almoçar.
- Você não vem? – perguntou Charlie.
- Eu vou depois. – respondi, vendo-os correr, fazendo o mesmo caminho que havia feito alguns minutos atrás.
Caminhei devagar pelo enorme jardim da casa sem nenhuma pressa para chegar em casa, porque eu sabia que estaria lá, e encará-la agora era tudo o que eu menos queria. Pensar sobre tudo o que tinha acontecido naquela noite e depois dela mexia comigo. Querendo ou não, ela tinha razão. Eu não pensei nela em nenhum momento, em como ela iria se sentir, e depois disso eu simplesmente a deixei, sem ter a decência de me despedir.
- CARALHO, EU SOU UM MERDA! – gritei.
- Está tudo bem, filho? – vi meu pai se aproximar de mim. Estava tão perdido em pensamentos que nem ao menos percebi que ele estava chegando para o almoço.
- Sim pai, não se preocupe. – respondi, tentando parecer bem.
- , você pode ter passado dois anos fora, mas eu ainda te conheço muito bem, meu filho. – comentou enquanto adentrávamos a casa.
- Eu sei, pai, mas não é nada que você deva se preocupar. – tentei despreocupá-lo.
- Se eu não devo me preocupar com fato de você e nem ao menos se olharem, tudo bem. – me encarou confiante do que tinha dito.
- N-não... não é tão preocupante assim, nós apenas mudamos. – tentei explicar.
- Se você não quer falar, tudo bem, eu não vou ficar insistindo. Mas se precisar, seu velho pai ainda está aqui para te ouvir. – sorriu, dando dois tapinhas nas minhas costas.
- Os meninos estão almoçando? – perguntou.
- Estão sim, devem estar comendo na cozinha com a . – respondi.
- Você não vem? – perguntou.
- Vou pro meu quarto, tô sem fome. – disse, tomando meu rumo.
Capítulo 05
Senti os raios fortes da lua baterem contra o meu rosto, fazendo-me despertar. Era quase meia noite, eu havia dormido a tarde toda. Levantei-me rapidamente, indo em direção ao banheiro, tomando um banho rápido. Caminhei pela casa na esperança de encontrar alguém acordado, mas quem em sã consciência iria estar acordado àquela hora? Apenas eu. Desci rapidamente para a sala. Já que iria ficar acordado, não havia necessidade de acordar a casa inteira, certo? Observei o cômodo completamente iluminado pela luz da lua, e uma sensação de vazio invadiu meu peito. Faltava ela! Esse tempo todo que eu passei longe só me serviu para perceber que o meu lugar era aqui, ao lado dela. Caminhei lentamente até o jardim, percebendo a presença de alguém próximo a piscina.
- Insônia? – perguntei, sentando-me ao seu lado.
- É... – respondeu sem me encarar.
- Eu também, você não me deixa dormir. – sussurrei, encarando o reflexo da lua na água.
- Porque você não me deixa em paz? Porque você sempre vem me fazer sentir pior? – perguntou, com lágrimas nos olhos.
- Eu não... – encarei seu rosto, já úmido pelas lágrimas. Aquilo realmente me machucava. Não suportava ver uma mulher chorar, ainda mais se essa mulher fosse . - ...quero te fazer sentir pior, eu amo você. – disse baixo, enxugando as laárimas que caíam em seus olhos.
- Se me amasse não teria feito o que fez... – sussurrou para si mesma, mas como não havia muito barulho ali, eu pude ouvir perfeitamente.
- Não duvide do meu amor! – disse sério. – Duvide do meu caráter, mas não duvide do meu amor por você! – encarei-a – porque eu não duvido do seu. – olhei-a nos olhos, segurando seu rosto levemente.
- Depois de dois anos, você ainda acha que eu sinto algo por você? – disse irônica.
- Acho! – disse, aproximando meu rosto cada vez mais do dela.
- Não se iluda. – sussurrou, tentando não me olhar nos olhos.
- Então negue. – eu disse, encostando lentamente meus lábios nos dela. Senti sua mão envolver o meu pescoço e sua boca colar na minha, dando-me permissão para iniciar o beijo. Era um beijo calmo, com saudade. Minhas mãos apertavam levemente a sua cintura, puxando-a cada vez mais pra mim. Sua mão percorria toda a extensão dos meus braços enquanto a outra se ocupava em arranhar meu pescoço, fazendo-me arrepiar. Nos afastamos um pouco ofegantes, apenas mantendo nossos olhos fixos no olhar do outro.
- Por favor. – sussurrou. – se você realmente me ama, por favor, me deixa em paz. – disse acariciando meu rosto. – Eu já sofri demais, , não me obriga a sentir toda aquela dor de novo.
- Mas... – eu procurava palavras para não deixar que ela se fosse – Eu te amo, preciso de você.
- Estranho. – disse, com uma expressão vazia no rosto. – Dois anos atrás eu estava precisando de você e você me deixou sozinha, então por que eu deveria ficar? – me perguntou, mais uma vez me olhando com desprezo.
- Quando você vai entender que eu estava tão assustado quanto você? – disse sério. – Não foi só você que sofreu com isso, acha mesmo que eu queria te obrigar a fazer aquilo? – perguntei, mas sem dar chance para ela me responder – NÃO! – disse, aumentando um pouco meu tom de voz. – Eu não queria, porque eu te amava, . Mas eu não consegui pensar naquela época, eu fui irresponsável, impulsivo e acabei machucando você. E eu nunca vou me perdoar por isso, então não venha me dizer que está sofrendo, sentindo dor, porque você não foi a única que sofreu com aquilo tudo, ok? – respirei fundo, tentando manter a calma. Tudo bem, eu fui um filho da puta com ela, mas eu também sofri com o meu erro, merda!
- Por que foi embora? – perguntou, com a voz trêmula.
- Porque eu não ia aguentar ficar perto de você sabendo que tudo que eu receberia era o seu ódio. Isso eu não ia suportar. – disse, encarando-a nos olhos.
- Eu preciso ir. – disse se levantando.
- Espera. – disse ,puxando-a novamente, fazendo nossos corpos ficarem próximos.
- O que mais você quer? – perguntou, como se implorasse para que eu a deixasse ir.
- Um beijo. – sussurrei, deixando meu rosto novamente próximo ao dela.
- Eu não... posso. – sussurrou, saindo correndo em direção a casa, me deixando completamente sozinho. Como sempre.
Eu já não estava aguentando mais, ficar perto dela e não poder tê-la, ficar todos os dias pensando que tudo poderia ser diferente, pensar que, por um sonho idiota, eu quase acabei com a vida da pessoa que eu mais amava. Eu não fui justo com ela, nem comigo mesmo. Se arrependimento matasse eu seria o primeiro a morrer, com certeza. Caminhei de volta ao meu quarto, tomando o caminho que passaria pela casa de , que ficava no fundo da mansão. E, como eu pensei, a luz de seu quarto estava acesa. Me aproximei silenciosamente de sua janela, observando-a chorar abraçada ao travesseiro. Aquilo me matava por dentro, era apenas a prova do quão monstro eu havia sido. Nós dois sofremos com aquilo, apesar de ela não acreditar no meu sofrimento.
- Espero que um dia você possa me perdoar... – sussurrei para mim mesmo, sabendo que ela não iria me ouvir, muito menos atender meu pedido.
Capítulo 06
’s POV
Ouvi meu despertador tocar. Hora de ir ajudar minha mãe com o café da manhã. Minha cara não era das melhores, eu sentia como se um caminhão tivesse me atropelado durante a noite várias vezes. Arrastei meu corpo, com certa dificuldade, até o banheiro para minha higiene matinal, na esperança de que um bom banho conseguisse melhorar o meu estado. Saí de casa rapidamente, em direção a cozinha da mansão. Eu realmente esperava não ter nenhum contato físico ou visual com hoje.
- Bom dia, mãe. – disse sorrindo ao entrar na cozinha, esperando esconder a angústia de toda uma noite.
- Bom dia querida, dormiu bem? – perguntou, dando um beijo no meu rosto.
- Sim, sim! – respondi, tentando manter o sorriso em meu rosto. Era difícil sorrir agora que ele estava de volta, assim como era difícil sorrir quando ele se foi.
- Filha, vai preparando os pães, por favor? me pediu pra fazer. – pediu-me.
- Ah! Claro. – sorri, começando a fazer o que ela havia me pedido. havia conseguido transformar a minha vida de uma forma inexplicável, eu fui do paraíso ao inferno com ele em poucos segundos. Era difícil explicar a sensação de tê-lo tão perto de mim de novo, seria como uma montanha russa de sentimentos: ao mesmo tempo que eu o quero bem longe de mim, eu sinto que não conseguiria respirar se não o tivesse tão perto.
- Filha? – ouvi a voz de minha mãe ecoar, fazendo-me despertar de meus pensamentos.
- Desculpe-me, estava sonhando acordada. – disse, tentando parecer o mais disposta possível.
- Tudo bem, pode colocar essas torradas na mesa pra mim? – pediu, entregando-me uma cestinha com várias torradas fresquinhas.
- Já volto. – foi tudo o que respondi antes de seguir em direção à sala de jantar.
Depois de dois anos era incrível como ele ainda conseguia me decifrar, como sempre decifrou, e também como ainda era forte o efeito que ele tinha sobre mim. Mas, apesar de eu saber que o meu coração ainda batia por ele, eu não conseguia apagar as lembranças que tanto me cercavam. Porque ele havia feito aquilo comigo? Porque ele não ficou do meu lado quando eu mais precisava dele? Senti uma lágrima fria escorrer pelo meu rosto, mais uma de muitas que eu já havia derramado por ele.
- ? – ouvi a voz de Lotte quebrar o silêncio da sala de jantar.
- Tô aqui, Lotte! – disse, enxugando rapidamente a lágrima que havia caído.
- E aí, como você tá amiga? – perguntou me abraçando. O incrível de Lotte é que por mais que eu tente esconder as coisas dela, não dá.
- Tô mais ou menos, tentando me acostumar, eu acho. – disse, me referindo a .
- , nós duas sabemos que você ainda o ama, e também sabemos que o que ele fez não tem perdão, mas já se passaram dois anos, vocês estão mais maduros agora, não acha que devia tentar deixar seu coração falar mais alto? – perguntou.
- Sinceramente, eu não sei. – disse em um tom triste. – Pensar que ele me fez fazer aquilo, que ele usou meu amor por ele para me obrigar, machuca, sabe? É como se aquele não fosse o por quem eu me apaixonei. – disse sincera.
- Mas , ele sempre foi um pouco imbecil, e devia estar tão assustado quanto você. Mas agora é diferente, pensa nisso. – disse me abraçando.
- Vou pensar. – sussurrei.
- Agora me diz, o que vai vestir para a minha linda festinha hoje? – perguntou, tentando me fazer sorrir.
- Eu não tô em clima pra festa, sabia? – disse desanimada, voltando para cozinha com Lotte em meu encalço.
- Não começa, você me prometeu que ia. – disse séria. Por que mesmo eu tenho uma amiga tão teimosa?
- Tá, eu vou! – disse, dando-me por vencida. – Mas eu não vou ficar muito, porque eu tenho que terminar uns trabalhos da faculdade.
- O importante é você ir. – disse dando pulinhos de alegria. Lotte era do tipo festeira, vivia inventando festas e mais festas em sua casa que, por sinal, saiam até em capas de revistas famosas. Não sei exatamente como ficamos amigas, já que era muito raro alguém da classe social dela fazer amizade com os ‘plebeus’, mas, por outro lado, eu sempre soube que Charlotte era diferente.
Ficamos algum tempo conversando na cozinha enquanto esperávamos minha mãe terminar de servir o café da manhã para os pequenos e, é claro, pra . Foi complicado convencer Lotte a não me fazer entrar naquela sala de jantar enquanto ainda havia a presença de no local, mas acho que ela entendeu que eu não estou pronta para ficar dando de cara com ele a todo o momento.
- Vou lá falar com seu amado, tá legal? – disse se escondendo atrás do balcão da cozinha.
- Vai lá, eu não vou te matar por isso. – sorri encorajando-a.
Quando todos vão entender? Ou melhor, quando Lotte vai entender que eu não estou pronta ainda pra tratar do mesmo jeito que eu o tratava há dois anos? Era complicado, mesmo eu o amando muito, ainda haviam feridas que não tinham sido fechadas, e que talvez não fossem se fechar tão cedo.
- Filha, tá tudo bem com você? – perguntou minha mãe, ao notar o quão aérea eu estava.
- Tá sim mãe, só tô pensando nas coisas da faculdade. – respondi tentando manter a imagem de estar bem, mas na verdade eu sabia que essa máscara não ia demorar a cair.
Capítulo 07
O barulho que vinha da casa de Charlotte podia ser ouvido a três quarteirões de distância e, como eu previa, muitos fotógrafos já se encontravam na porta da mansão, fotografando todos os convidados.
- Obrigada por vir comigo, Ryan. – disse aliviada por ter a presença de um amigo ao meu lado. Ryan é o ‘peguete’ de Lotte: eles são apaixonados um pelo outro, mas nenhum dos dois tem coragem de admitir, e isso me frustra.
- Que é isso, , sabe que eu também odeio chegar nessas festas sozinho. – sorriu, descendo do carro junto comigo.
Caminhamos até a mansão com um pouco de dificuldade, os fotógrafos estavam realmente abusados naquela noite, nos cercando de todas as maneiras possíveis. Depois de quase dez minutos enfrentando a multidão, nós finalmente conseguimos entrar na mansão, mas eu sinceramente não sabia onde estava mais lotado, ali dentro ou lá fora.
- ! Você veio! – berrou Lotte, vindo me abraçar – Adorei seu vestido roxo. – sorriu.
- Você também está linda! – sorri – Olha quem eu trouxe comigo. – apontei para Ryan atrás de mim, que se encontrava envergonhado.
Deixei os pombinhos conversando e fui dar uma volta na festa para tentar encontrar alguém conhecido, mas tudo o que eu encontrei foi e uma ruiva peituda conversando bem animadamente. Senti meu estômago revirar ao vê-la quase pular em cima dele e ele não resistir. Mas o que eu podia querer? Não estávamos nem mais juntos. Passei pelo ‘casal’ rapidamente, podendo sentir o olhar de sobre mim, mas não olhei para trás, eu não queria olhar. Fui em direção ao jardim da casa, onde estavam sendo servidas as bebidas, pedi ao barman o drink mais forte que ele conseguisse preparar e o virei em um gole só. Não era do tipo que bebia, mas eu precisava espantar os pensamentos ruins da minha cabeça. Depois do terceiro drink, eu já não estava mais conseguindo me manter em órbita. Apesar de ouvir e sentir muito bem, eu não tinha mais controle nenhum sobre o meu corpo.
- Devia parar de beber tanto assim. – senti sua voz bem próxima ao meu ouvido, me fazendo arrepiar.
- E quem é você pra regular a minha vida? – perguntei, evitando qualquer contato visual com ele.
- Alguém que ama você. – disse, tirando meu drink de minhas mãos.
- Já tive muitas provas do seu amor. – disse, dando uma risada irônica. – Por que não está mais com a sua garota? – perguntei, tentando parecer não me importar.
- Esta com ciúmes? – perguntou em tom desafiador.
- Ora, não seja ridículo. – disse rindo, tentando não demonstrar que ele estava certo.
- Tudo bem então, dança comigo. – disse, me puxando para a tenda onde havia sido montada a pista de dança.
- Achei que os homens deveriam pedir antes de sair arrastando as mulheres por aí. – o encarei, com uma expressão de raiva (que não durou muito depois de ter seus olhos no meu campo de visão.)
- Você não cala a boca nunca? – perguntou, puxando meu corpo contra o dele. Uma música lenta começou a tocar, e eu? Bom, eu apenas coloquei meus braços em torno de seu pescoço, deixando-o guiar nossos corpos pelo salão. Seu perfume me entorpecia, eu não conseguia ouvir a música que tocava, nem observar as pessoas a nossa volta. Pela primeira vez em dois anos, era apenas eu e ele no mundo. Afundei meu rosto em seu pescoço, tentando guardar na mente o cheiro do perfume que eu tanto amava. Já não estava mesmo muito sã naquele momento, pelo menos uma lembrança eu queria ter. Senti seu corpo se afastar lentamente do meu, fazendo-me mais uma vez encará-lo nos olhos, me deixando completamente perdida naquele olhar.
- Eu preciso ir pra casa. – foi tudo o que eu conseguir dizer naquele momento. Tentei me afastar dele, mas minha cabeça começou a rodar assim que dei o primeiro passo.
- Acho melhor eu te levar. – disse, segurando-me pela cintura firmemente.
- Não precisa, eu tô bem. – disse tentando me soltar dele.
- Por favor. – sussurrou em meu ouvido, fazendo-me perder a pouca sanidade que eu tinha.
Não respondi, apenas deixei que ele me guiasse até seu carro, como ele queria. Talvez por efeito da bebida eu não estava conseguindo manter controle sobre minhas próprias ações, pois quando me dei conta, minha mão estava na perna de , apertando-a bem próxima a virilha.
- Desculpe. – sussurrei, tirando minha mão de onde estava. O que estava acontecendo comigo, afinal? Quanto mais eu o olhava, mais vontade tinha de sentí-lo e nenhuma vontade de resistir a seus olhares nem um pouco convidativos.
Durante todo o caminho, nos mantivemos silenciosos. O máximo que acontecia eram olhares que se encontravam, mas nenhuma palavra era dita. Meu corpo estava leve, minha cabeça estava parando de rodar, talvez o efeito do álcool estivesse finalmente passando. Mas a vontade de sentir o perfume de novamente se tornava a cada segundo mais forte.
- Chegamos. – disse, parando o carro na garagem da mansão. Fiquei encarando-o por alguns segundos, tentando fixar qualquer pensamento que me fizesse sair aquele carro, mas nada conseguia fazer meu corpo mover um músculo para longe dali.
- Obrigada pela carona. – disse em um tom baixo, tentando desviar o meu olhar dele.
- Como disse? – se aproximou de mim, para conseguir ouvir melhor o que eu havia dito.
- Obrigada... – disse, me virando para ele, dando de cara com seu rosto a milímetros do meu. Senti minhas mãos suarem frio e a minha respiração se tornar praticamente nula. Seu olhar percorria todo meu rosto, mas sempre se fixava em minha boca. Eu não fazia idéia do que estava fazendo, muito menos que consequências aquilo iria ter, mas eu me deixei levar pela sensação, colando meus lábios nos dele lentamente. O beijo começou lento, suas mãos apertavam a minha cintura, tentando puxar-me mais para perto dele. Minhas mãos logo agarraram seu cabelo, puxando com certa força, fazendo-o soltar um gemido baixo. Separei nossas bocas por alguns instantes, fazendo-o voltar a sua posição anterior. Sentei em seu colo sem me importar com nada, voltei a beijá-lo com intensidade, passando minhas mãos por dentro de sua camisa, enquanto ele se ocupava em apertar e arranhar minhas coxas.
- Preciso de você. – sussurrou em meu ouvido. Eu podia sentir seu membro pulsando dentro de sua calça, suas mãos apertavam cada vez mais meu corpo contra o dele, enquanto sua boca percorria toda a extensão do meu pescoço. Puxei meu vestido pra cima , tentando me livrar rapidamente da minha calcinha, sem sucesso. Vendo a minha falta de êxito, a rasgou com um só puxão, sorrindo maliciosamente. Deslizei minhas mãos até sua calça, desabotoando-a rapidamente, enquanto dava chupões em seu pescoço que, com certeza, deixariam marcas. Abaixei sua calça, tirando seu membro de dentro de sua boxer lentamente. Encaixei meu corpo ao dele rapidamente, sentindo-o me penetrar com força. Movimentávamos nossos corpos no mesmo ritmo, e a cada investida ele me fazia arrepiar.
- Mais... rápido... – sussurou em meu ouvido. Começei a me movimentar mais rápido em cima dele, podendo senti seu membro pulsar dentro mim. Colei minha boca em seu pescoço, tentando abafar meu gemido, sentindo-o arrepiar.
- ... – gemi seu nome baixinho em seu ouvido, aumentando ainda mais o ritmo dos meus movimentos. Não demorou muito e nós gozamos juntos. Estávamos suados, cansados e ofegantes, e eu não tinha noção do que havia acontecido ali, mas eu não estava nem um pouco preocupada em ter uma crise de consciência agora. Colei meus lábios nos dele rapidamente, afastando qualquer pensamento que pudesse estragar o momento.
- . – falou, cortando o beijo. – Você não sabe o quanto eu queria isso. – disse me dando um selinho demorado.
- Eu sei. – disse num tom baixo. Apertei meu corpo contra o dele, tentando novamente afastar os maus pensamentos da minha mente, mas tudo começava a ficar sombrio de novo.
- Tá tudo bem? – perguntou, olhando-me nos olhos com uma expressão confusa.
- Uhum. – foi tudo o que respondi antes de sair do carro sem nem ao menos olhá-lo, deixando para trás um completamente confuso.
Capítulo 08
Ouvi o barulho do meu despertador ecoar, parecia que eu estava no meio de um show de rock. Minha cabeça latejava e eu tive que fazer um esforço tremendo para desligar o aparelho em vez de tacá-lo contra a parede. Olhei em volta e tudo rodava, talvez eu não devesse ter bebido tanto ontem à noite, talvez eu não devesse nem ter bebido ontem à noite. Abracei meus joelhos, afundando meu rosto entre eles. Os pensamentos sobre a noite passada fluíam pela minha cabeça, me deixando completamente atordoada. Eu deveria odiá-lo para sempre, não é? Porque o que ele fez comigo não tem justificativa. Então por que merda eu ainda continuo o querendo perto de mim?
- , você vai se atrasar pra faculdade! – ouvi meu tio berrar da cozinha. Me apressei, tomando logo um banho para relaxar e afastar os maus pensamentos. Olhei no relógio, eram 7:30, mesmo que eu fosse muito ninja nunca chegaria a tempo na primeira aula.
- Com licença. – vi a figura de aparecer na porta. Ele tinha um olhar triste, parecia que tinham-no matado. Aquilo me doía por dentro, porque no fundo eu sabia que tinha causado aquilo. ‘Chumbo trocado’, mentalizei.
- O que quer? – perguntei, tentando não ser rude com ele.
- Bom, sua mãe disse que estava atrasada e hoje eu vou começar o meu estágio na empresa. – disse, se enrolando um pouco com as palavras.
- Seja direto. – eu disse, cortando-o.
- Bom, se ainda quiser chegar na primeira aula, eu te dou uma carona. – disse em voz baixa, sem me encarar.
- Obrigada. – sorri, pegando o meu material em cima da cama.
Durante todo o trajeto até a minha faculdade nós não trocamos nenhuma palavra, nem sobre os assuntos do passado, nem sobre a noite passada. Eu não sabia se queria esquecer, não sabia se queria de novo, eu precisava pensar e organizar a minha vida. Ele sumiu por dois anos, não podia voltar à minha vida e ir bagunçando tudo novamente.
- Obrigada pela carona. – disse, fazendo menção de sair do carro.
- ... . – gaguejou, segurando meu braço levemente.
- Diga. – meu tom de voz estava baixo, eu não conseguia encará-lo, talvez fosse medo ou talvez eu simplesmente quisesse evitar sentir de novo meu coração saltar pela garganta ao olhar nos olhos dele.
- Me perdoe por ontem. Eu não quis te importunar, nem na festa, nem nos outros dias, pode deixar que daqui pra frente eu vou me manter longe de você. – notei que suas mãos apertavam o volante do carro com muita força, estava doendo para ele dizer aquilo e estava doendo em mim, por algum motivo, ouvir.
Desci do carro sem responder a ele, eu não tinha condições disso, minha cabeça girava em torno das lembranças e também dos carinhos. Por mais que eu tivesse ódio de pelo o que ele me fez, eu simplesmente não conseguia não amá-lo. Não conseguia dizer para ele ficar, mas ao mesmo tempo não conseguia dizer para ele se afastar.
- Ei, ! – ouvi a voz de Ryan atrás de mim.
- Oi Ryan. – sorri, tentando parecer disposta.
- Nem vou perguntar se você está bem porque eu já vi que não. – disse, tentando evitar a pergunta ‘o que aconteceu’. – A Lotte está procurando por você, disse que ia te esperar na cantina.
- Vou encontrar com ela. – dei um beijo em seu rosto e caminhei em direção à cantina.
Minha cabeça estava doendo e eu nem ao menos podia dizer que era culpa da bebida, pois o efeito já havia passado há muitas horas. Eram os pensamentos, era que não me deixava em paz, seu cheiro, seu calor. Juro que podia sentir que ele me abraçava como ontem à noite, mas ao mesmo tempo eu sentia raiva, raiva de tudo o que ele me fez.
- Diz, o que aconteceu ontem? – vi a figura de Lotte sentar ao meu lado na mesa onde eu estava.
- Eu o vi com uma ruiva, me senti mal e fui beber, depois ele apareceu, me fez dançar com ele, como eu tava um pouco bêbada, ele me deu uma carona pra casa, nós transamos no carro dele e logo em seguida eu saí do carro sem dizer uma palavra pra ele. – suspirei. – Resumindo, foi isso. Hoje de manhã ele me deu uma carona pra cá e disse que vai se afastar de mim, me deixar em paz. – respirei fundo, tentando conter as lágrimas.
- Amiga, afinal de contas, o que você quer? – perguntou, me olhando ternamente.
- Eu não sei, ao mesmo tempo que eu quero ele perto, eu também quero ele longe, e-eu não sei o que fazer. – senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, desabafar com Lotte me fazia bem, mas ao mesmo tempo aumentava meu desespero por conseguir uma resposta.
- Não chore, , tudo vai ficar bem. Mas, se quer a minha opinião sincera... – me encarou docemente. – Acho que devia esquecer o que aconteceu e dar uma segunda chance ao seu coração, porque, querendo ou não, você o ama. – fiz menção de falar, mas ela me interrompeu – Eu sei que vai dizer que ele errou com você, mas isso já faz dois anos, vocês eram irresponsáveis, imaturos e não pensavam direito. – a senti enxugar minhas lágrimas que insistiam em cair, me abraçando em seguida.
- Me ajuda, Lotte. – sussurrei entre soluços.
- Eu tô aqui, amiga. – disse, acariciando a minha cabeça.
Capítulo 09
Depois do dia em que me disse que iria se afastar, nós quase não nos vimos e trocamos poucas palavras. Fazia um mês mais ou menos que estávamos nessa situação, e, por ser covarde o suficiente para não tentar mudá-la, eu curtia a minha angústia sozinha, completamente sozinha.
- , coloca na cozinha pra mim? – pediu Lotte, estendendo-me o prato de porcelana. Estávamos no apartamento de Ryan, fazendo uma pequena reunião entre amigos, já que, com o fim das primeiras provas da faculdade, nós conseguimos algum tempo livre.
- Eu atendo. – disse ao ouvi a campainha tocar. Corri até a porta, pensando que seria a pizza que estávamos esperando, mas, para minha surpresa, era e uma garota loira que eu não conhecia.
- O-o-oi ... eu não... – respirei fundo, tentando controlar as voltas que davam meu estômago. - ...sabia que você... vinha. – sorri, tentando demonstrar-me simpática, mas na verdade eu estava morrendo por dentro.
- ! Que bom que você veio! – disse Lotte, abraçando-o. – E esta é? – olhou a garota loira de cima abaixo e, pelo seu olhar, eu já sabia que comentários viriam depois.
- Esta é Melody, minha... minha... – ele buscava palavras para descrever o que ela era para ele, e mentalmente eu rezava para que não falasse a palavra ‘namorada’.
- Namorada. – respondeu a menina, com um ar superior.
- Hm, namorada. – vi os olhos de Lotte revirarem, e se eu a conhecia bem, queria estrangular a garota.
- , senta aqui, vamos beber! – disse Ryan, tentando quebrar o clima tenso que havia se instalado no lugar.
Sem dizer nada, eu subi correndo para o segundo andar, me trancando no banheiro. Eu precisava respirar, meu estômago estava dando voltas dentro do meu corpo e eu sentia que não faltava muito para eu vomitar meu coração. Namorada? Ele estava namorando? Que merda era aquela? Meus pensamentos ficaram completamente absortos, meu corpo se tornava mole, frágil e eu mal conseguia me manter em pé.
- Namorada? – ouvi a voz de Lotte vindo do corredor. Me aproximei da porta com certa dificuldade para poder ouvir melhor a conversa.
- Pelo o que eu tô vendo... sim. – agora eu ouvia a voz de e, por mais que eu não pudesse vê-lo, eu sentia que ele estava nervoso.
- E tinha que trazer essa mocoronga aqui, sabendo que a estaria aqui? – disse Lotte com um tom de raiva na voz.
- Eu achei que não teria problemas, ok? – disse – E também, não sei porque esse escândalo todo, você sabe melhor que eu que a não me ama mais! – sua voz também estava alterada, ele estava nervoso, irritado.
- Você é mesmo um idiota, , mas eu não vou ficar aqui discutindo com você. – Lotte abaixou um pouco o tom de voz, e pelo seu timbre eu podia saber que ela estava séria. – Se você acha que ela não te ama mais, pro-ble-ma seu, só não venha reclamar depois.
O silêncio se instalou no corredor, e eu não sabia se eles haviam descido ou se ainda estavam ali, e a fechadura também não me ajudava muito. Esperei mais alguns minutos dentro do banheiro e desci, tentando voltar à sala sem que ninguém me notasse.
- Você que é ? – ouvi a voz fina de Melody atrás de mim. Respirei fundo, me acalmando, afinal uma hora eu teria que conversar com ela, não é?
- . – disse baixo.
- me falou de você uma vez. – disse, me olhando com desprezo.
- Que bom. – sorri tentando parecer simpática.
- Mas me diga, você também trabalha como empregada na casa do ou você faz outro serviço? – perguntou. ‘Senhor, dai-me paciência, porque se o senhor me der força, eu juro que vou matar essa garota.’
- Ela não trabalha para o , queridinha, ela é amiga da família e muito amada pelo senhor , se quer saber. – ouvi a voz de Lotte atrás de mim, me impedindo de dar qualquer resposta.
- Engraçado, não sabia que os filhos dos empregados se misturavam com as pessoas de classe. – comentou, nos olhando com raiva.
- E eu não sabia que as putas agora se auto-intitulavam namoradas. – disse Lotte, me puxando em seguida para a cozinha, deixando a mocoronga falando sozinha.
Capítulo 10
Os dias se arrastavam lentamente para mim. Eu já não me sentia mais viva, eu já não tinha nenhum sentido a não ser estudar e ajudar a minha mãe nas tarefas da mansão. Os piores dias eram quando trazia a namorada para jantar em casa e eu era obrigada a servi-los, recebendo algumas indiretas da monstra chamada Melody.
- , pode trazer mais suco pra mim? – pediu Melody, enquanto abraçava pelo pescoço. Todos estavam na sala, menos o senhor , que já havia ido deitar. Os meninos estavam jogando vídeo game, como sempre, e e a mocoronga estavam junto com eles, ‘namorando’.
- Eu vou ao banheiro. – disse , passando por mim quando eu entrava na sala com o suco da mocréia.
- Aqui está. – entreguei-lhe o copo.
- , vem cá. – Charlie me chamou.
- Diga, pequeno. – ajoelhei-me entre ele e Mark, abraçando-os.
- Porque o tá namorando essa bruxa? – sussurrou em meu ouvido.
- Porque ele gosta dela, Char. – disse, fazendo carinho em seus cabelos. Eu sabia que os meninos não gostavam dela, eu sabia que eu não gostava dela, mas o que eu podia fazer? Querer que corresse atrás de mim pra sempre? Eu não podia, já que eu não conseguia perdoá-lo pelo o que me fez, devia ao menos deixá-lo seguir a sua vida em paz.
- , você sabe que isso não é verdade, eu sei. – sussurrou Mark. – ainda olha a sua foto, eu já vi. – o pequeno sorriu vitorioso pra mim. De certa forma aquela informação me encheu de esperanças, ao mesmo tempo que fez meu coração doer.
Assim que voltou do banheiro, eu sai da sala, deixando-os a sós. Corri para casa, me trancando em meu quarto. Me sentia idiota, desde que ele voltou, tudo o que eu fiz foi jogar na cara dele os seus erros, foi dizer o quanto ele me fez sofrer, as poucas vezes que eu permiti meu coração falar mais alto, eu consegui estragar tudo depois e agora que ele está seguindo a sua vida, que direito eu tenho de atrapalhar? Nenhum! Será que eu realmente não consigo perdoá-lo por ter sido tão infantil naquela época? Senti meu celular vibrar em cima da cômoda, me fazendo despertar de meus pensamentos.
- Alô? – atendi sem muito ânimo.
- Aposto que a mocoronga te encheu o saco de novo, não é? – perguntou Lotte do outro lado da linha.
- Acertou, mas eu preciso aguentar, minha mãe já esta de idade, não daria conta daquela casa toda sozinha. – suspirei.
- Queria poder fazer mais por você, , mas não vejo uma solução. – disse com a voz triste.
- Eu quis assim, não foi? Agora eu tenho que aguentar. – tentei convencê-la de que estava conformada com a situação, mas a Lotte é a Lotte.
- Já te dei a solução disso, pare de ficar pensando se pode ou não perdoá-lo, escuta seu coração! – encorajou-me.
- Acredite Lotte, nem meu coração sabe o que quer. – suspirei. - Preciso desligar, beijo. – desliguei o aparelho rapidamente antes que ela respondesse. Travar essa briga entre meu coração e a minha razão era uma coisa para a qual eu não estava preparada ainda. Por mais confusa e errada que eu pudesse estar, eu precisava decidir com calma o que eu queria. Perdoar o que me fez e me entregar a ele de novo, ou deixá-lo bem feliz com a sua namorada e seguir a minha vida, sem olhar pra trás.
Saí do meu quarto sem um rumo certo. Caminhar pelo jardim à noite sempre me fazia bem, sempre me ajudava a pensar. Eu já passei muitas e muitas noites ali, pensando em como me reerguer dos problemas, em como voltar a viver.
- Sem sono outra vez? – ouvi sua voz rouca soar bem próxima ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar instantaneamente.
- S-sim.. – me virei de frente pra ele, constatando o quão próximos estávamos. – Acho que você também, não? – perguntei, afastando-me aos poucos.
- Também. – disse, passando a mão pelo cabelo.
- E qual o motivo da sua insônia? – perguntei curiosa.
- Você, pra variar um pouco. – disse, esboçando um pequeno sorriso.
- Me desculpe, então. – suspirei.
- E o seu motivo? – perguntou, se aproximando novamente de mim.
- N-nenhum.. eu tava.. hm, dando uma volta só. – me afastei novamente dele, tentando manter meu coração no lugar dele e não na minha garganta.
- Queria que tudo tivesse sido diferente. – disse baixo, seu olhar se tornou triste, e sua voz fraca. – Me desculpe por não poder mudar o passado. – sussurou.
Não tive tempo de dizer nada, pois saiu andando, sem nem ao menos olhar para trás. Eu podia ter corrido até ele, eu podia tê-lo abraçado e pedido para que ele ficasse ao meu lado, nem que fosse apenas por alguns segundos, mas eu não o fiz. Eu apenas me joguei no chão, me entregando ao choro de angústia que estava destroçando meu coração.
Capítulo 11
- , quando você vai decidir o que fazer? – perguntou Lotte, enquanto caminhávamos em direção à cantina da universidade.
- Eu não sei. – suspirei. – Lotte, eu nem ao menos sei o que fazer. – a encarei triste.
- , já tem quase quatro meses que você tá nessa indecisão, e eu sei que você não está nada feliz vendo o com a mocoronga. Sem falar que você ainda tem que ficar servindo ela. – disse, mostrando indignação.
- A parte de servir eu não me importo, minha mãe e o tio George não dão conta de toda aquela casa sozinhos. – expliquei.
- E a parte de o namorar com a demônia? – perguntou.
- Temos mesmo que falar disso? – perguntei, sentando-me em umas das mesas da cantina.
- Temos! – disse, séria. – Porque eu não aguento mais você chorando pelos cantos, deprimida e com essa dúvida maldita de perdoar ou não o . – disse, respirando fundo.
- Você precisa respirar entre as frases, sabia? – sorri. – Olha, isso não é a coisa mais simples de se fazer, caramba! – disse séria. – Tá doendo vê-lo com ela, mas o que eu posso fazer? Eu não consigo perdoar, muito menos esquecer o que aconteceu. – ouvi meu celular tocar, identificando ser a minha mãe.
- Alô? – atendi.
- Filha, senhor quer que você vá até a firma dele, disse que irá te buscar na faculdade, então o espere. – disse, com a voz alegre.
- Tudo bem, beijo mãe. – desliguei o telefone, respirando fundo, tentando não pensar em como seria aquela situação.
- O que aconteceu? – perguntou Lotte, preocupada com a minha expressão.
- Senhor quer que vá na empresa e... – fechei os olhos, tentando acalmar o meu estômago, que revirava.
- E...? – fez sinal para que eu continuasse a falar.
- E... ele mandou que o viesse me buscar. – expliquei, tentando fazer minhas mãos pararem de tremer.
- , o que que foi agora? Tá com medo do ? – perguntou sem entender.
- Nã-não.. é que.. – bufei. – Tudo bem, acho que não vai ter nenhum problema em uma carona né? – disse, tentando parecer otimista, mas no fundo eu estava com medo.
As últimas aulas passaram lentamente, mas eu mal consegui me concentrar, minha cabeça estava em outro lugar, estava em . Lotte tinha razão, eu precisava me decidir, e para isso eu precisava conversar com . Mas, por algum motivo, eu não estava segura para essa conversa, não ainda.
- Sabe o que seu pai quer comigo? – perguntei a assim que entrei no carro.
- Sei, mas não vou te contar. – sorriu, fazendo suspense.
O clima dentro do carro estava tenso, nós apenas trocávamos olhares discretos, mas nenhum dos dois tinha coragem de dizer uma palavra. Na verdade, desde que havia me dito que se manteria afastado de mim, pouco temos nos falado, as palavras trocadas são por educação ou pra não deixar um clima tenso na frente de outras pessoas. Mas, entre nós, apenas silêncio, puro silêncio. Por mais tensa que eu pudesse estar com a presença de , eu ainda me perguntava o que o senhor poderia querer comigo, afinal, o que eu poderia fazer naquela empresa de Publicidade se eu nem ao menos tinha terminado meu curso?
- Pai? – chamou enquanto entrávamos na grande sala de reuniões.
- , minha queria! – sorriu senhor , vindo me abraçar.
- Senhor , que bom ver o senhor. – sorri. – Minha mãe me ligou e disse que o senhor queria falar comigo... – comentei.
- Sente-se. – disse, apontando-me a cadeira ao seu lado. – Por algum motivo, Mark encontrou seu álbum de fotografia com alguns de seus trabalhos e me mostrou. – disse encarando com um meio sorriso. – Eu me interessei pelo seu trabalho e ele se encaixa perfeitamente na campanha botânica que vamos fazer, por isso eu mandei te chamar... – começou a explicar. – Quero te contratar para fotografar a campanha. Claro que você receberá uma boa quantia pelo trabalho, sem falar no reconhecimento das fotos. – explicou.
- Isso é maravilhoso! – disse animada. – Senhor , isso vai ser... perfeito.
- Então, você aceita? – perguntou.
- É claro que eu aceito! – sorri, indo abraçá-lo. – Quando eu começo? – perguntei animada. Depois de tanta angústia que eu estava passando, tanta dúvida, pelo menos uma coisa boa pra tirar os pensamentos ruins da minha cabeça.
- Isso você resolve com o , já que ele é responsável pela campanha. – explicou. Sabe as coisas boas? Esqueçam, era bom demais para ser verdade.
- Tudo bem. – respondi tentando me manter focada no assunto. – Agora eu preciso ir, minha mãe deve estar precisando de ajuda com o Mark e com o Charlie. – sorri, me levantando.
- Eu te levo, ... . – se pronunciou, caminhando até mim. Não neguei a carona, não disse que não queria, seria inútil, porque ele insistiria até que eu aceitasse. Caminhamos até o elevador do andar em silêncio, voltamos àquela velha história de trocarmos apenas olhares.
- Que bom que você vai trabalhar com a gente, eu já estava ficando louco por não achar um fotógrafo bom em paisagens. – sorriu.
- Lembre-me de agradecer ao Mark por mexer na minha mochila. – sorri, tentando parecer bem.
- ... eu sei que prometi, mas.. – respirou fundo, me olhando nos olhos. – eu realmente preciso conversar com você. – disse, me olhando esperançoso.
- Eu.. eu.. não.. – eu procurava uma resposta. Talvez seguir o conselho de Lotte fosse a melhor opção. Mas, antes de eu poder responder, a porta do elevador se abriu, revelando a figura loira de Melody.
- Amorzinho! Eu vim te veeeer! – disse (lê-se berrou), pulando no pescoço de .
Entrei no elevador rapidamente, antes que meu estômago não aguentasse e me fizesse vomitar ali mesmo com aquela cena toda. queria conversar comigo, eu sabia que queria conversar com , mas finalmente conversar sobre o que aconteceu, sem que ocorra uma discussão, vai ser algo muito difícil.
Capítulo 12
Trabalhar com talvez fosse uma das coisas mais complicadas que eu já tive que fazer, porque mesmo que ele não quisesse, estávamos constantemente bem perto durante todo o período da tarde, todos os dias. Estressante, não? (N/a.: Sou apenas eu que não ligaria em estar numa situação assim?) Pra mim, sim. Nós não havíamos conseguido conversar, ainda mais agora que a mocoronga da Melody não largava do nem por reza, mas talvez esteja sendo melhor assim.
- Não é melhor você pegar mais o fundo? – perguntou atrás de mim.
- Não é melhor você me deixar tirar as fotos do meu jeito? – o encarei, reprovando-o pela milésima vez.
- Desculpa pessoa eu-sei-tirar-foto-melhor-que-ninguém. – disse rindo.
- Você é um otário! – ri, dando um leve soco no seu braço.
- E você é teimosa. – sorriu, me abraçando por trás e me rodando no ar – Des- culpe.. eu.. acho que não.. devia ter feito isso. – disse sem jeito, me colocando no chão.
- Er... tá tudo bem, ... sério. – tentei sorrir para confortá-lo, mas a verdade é que qualquer contato físico com ele fazia meu corpo se arrepiar e meu estômago dar múltiplas voltas.
Terminei de tirar as fotos daquele dia, acho que teríamos material suficiente para a campanha e tudo o que eu teria que fazer agora seria revelar as fotos e entregar a . Minha sorte é que com esse trabalho eu ganhei muitos pontos na faculdade, mesmo tendo perdido algumas aulas, o que me favoreceu demais, já que não teria que me preocupar tanto nos testes finais, e isso era um alívio.
- Me dá algumas horas que eu vou revelar isso e já entrego na sua sala. – disse a , entrando no quarto vermelho.
Além de tirar fotos, eu gostava de revelá-las, sempre achei um bom passatempo além de tirar fotos. Na maioria das vezes eu usava o quarto escuro da faculdade, já que na casa dos seria meio difícil de conseguir um desses, mas agora, com esse pequeno trabalho, eu ando até abusando desses equipamentos modernos.
- ? – ouvi alguém me chamar.
- ... o que você... – não consegui terminar a frase, os lábios de rapidamente se pressionaram contra os meus, iniciando um beijo intenso.
Minhas mãos agarram seu cabelo com força, apertando-o nas minhas mãos. guiou meu corpo até a bancada que ali havia, fazendo-me sentar na mesma, colocando-se entre as minhas pernas. Meus lábios desceram de sua boca até o seu pescoço, chupando-o com força, o que com certeza deixaria marcas. Suas mãos passeavam por meu corpo livremente, e quando dei por mim, minha blusa já estava no chão e minha saia estava na minha cintura. Não demorou muito e ele estava na mesma situação que eu, parcialmente nu. Suas mãos apertavam meu corpo com certa força, mordia e chupava o meu pescoço, fazendo-me soltar um gemido baixo. Minhas mãos arranhavam suas costas, puxando cada vez mais seu corpo contra o meu. Senti suas mãos lutarem para tirar meu sutiã, obtendo sucesso depois de alguns minutos, me fazendo rir. Passei minha mão sobre a sua boxer, podendo sentir seu membro pulsar dentro da mesma. Mordi meu lábio de prazer, puxando-a lentamente para baixo. Segurei seu membro com uma de minhas mãos, masturbando-o intensamente e o fazendo gemer.
- Eu... preciso ter... você... – sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar. Rapidamente suas mãos tiraram a última peça de roupa que estava no meu corpo. Ele tirou minha mão de seu membro, tirando ele mesmo a sua boxer. Apertei minhas pernas em sua cintura e ele me penetrou com força, fazendo me soltar um gemido alto de prazer. se movimentava intensamente dentro de mim, suas mãos apertavam meu corpo cada vez que suas investidas se tornavam mais fortes. Minha mão puxava seu cabelo com força, enquanto com a outra eu arranhava suas costas. Gozamos juntos, nossos corpos estavam suados, e nós estávamos ofegantes, mas mesmo assim não nos separamos, continuamos ali, abraçados, apenas sentindo um ao outro.
- Eu te amo... – sussurrou em meu ouvido.
- Eu também te amo. – disse, abraçando-o mais em mim.
Eu não sei por quanto tempo ficamos ali, e eu também não estava me importando, tudo o que eu queria naquela hora era que ele fosse meu e eu dele, só isso, mas nada.
Capítulo 13
’s POV
‘Eu também te amo’. Aquela foi a primeira vez que eu a ouvi dizer essas palavras, fazia tanto tempo que eu não via tão calma e aparentemente alegre perto de mim. Depois de transarmos e ficarmos um bom tempo apenas sentindo um ao outro, chegamos a conclusão de que ela precisava voltar ao trabalho, então eu apenas fiquei observando-a. Cada traço do seu corpo me atraia, cada sorriso que surgia em seu lábio me trazia paz, mas aos mesmo tempo me fazia sentir culpa. Como eu pude ser tão idiota e destruir tudo o que ela era? Talvez eu vá carregar essa culpa dentro de mim para sempre.
- Que foi? – perguntou, me fazendo despertar de meus pensamentos.
- Nada, tava te observando e curtindo o momento. – sorri sincero – Tem muito tempo que você não me deixa chegar tão perto de você. – a encarei.
- , por favor, não estraga o momento. Eu não quero pensar no passado, não agora. – disse, voltando sua atenção para as fotos. – Porque a Melody? – perguntou.
- Hm, o que tem ela? – perguntei sem entender.
- Porque você está com ela? – me encarou. – Lotte disse que ela não faz muito o seu tipo. – riu.
- Na verdade eu não sei, a gente começou a sair, era apenas pra... – respirei fundo antes de completar a frase, eu não queria tornar as coisas mais difíceis. - ...me divertir, depois ela veio com essa história de namorada e eu apenas deixei rolar. – expliquei.
- Entendo, então você gosta dela, não é? – perguntou. Notei que suas mãos estavam um pouco trêmulas, acho que ela se esqueceu do que eu sempre dizia a ela.
- Gosto, mas não amo, amor eu só sinto por uma pessoa. – a olhei nos olhos.
- Er... – senti seu olhar caminhar por toda a sala em busca de algo para dizer, ela com certeza estava nervosa – Ela sabe.. sobre o que aconteceu? – perguntou, com a voz trêmula.
- Ela sabe apenas que já tivemos algo, nada além disso. – expliquei. – Quer... falar sobre o que aconteceu? – perguntei, incerto.
- Eu acho melhor.. – ela não terminou a frase, o som de seu celular ecoou por toda a sala fazendo-a se assustar.
Não prestei muita atenção em sua conversa, tinha certeza que era Lotte perguntando onde ela estava. Minha cabeça dava voltas e meus pensamentos se mantinham mais uma vez confusos. Quando eu disse a que me afastaria, eu queria fazer o que era melhor para ela, e estava mais que claro que ela não estava nada bem perto de mim. Depois, naquele mesmo dia, eu conheci Melody. Eu estava em um pub, enchendo a cara, e ela se aproximou de mim. Eu não me lembro direito o que aconteceu naquela noite por conta da bebida, mas quando eu acordei estava em seu apartamento, apenas de boxer. Não sei bem porque eu continuei saindo com ela, talvez por ela me ligar insistentemente e no dia em que ela praticamente me obrigou a levá-la a reunião na casa do Ryan apresentando-se como minha namorada, eu simplesmente deixei me levar, pensei que seria bom para seguir a minha vida em frente assim como havia deixado fazer. Lotte me perguntou várias vezes se eu me arrependia disso, e eu sempre negava, mas a verdade é que eu me arrependia sim, porque o olhar de sobre mim, quando eu apresentei Melody, me fez ter a pior dor do mundo.
- ?! – senti suas mãos tocarem meu rosto, fazendo-me assustar – Você está bem? – perguntou preocupada.
- Eu... eu tô sim, só estava perdido em pensamentos. – expliquei, respirando fundo.
- Hm, tudo bem. – sorriu – Preciso ir até a casa da Lotte, pode me dar uma carona? – perguntou, fazendo a sua velha carinha de pidona.
- Claro, vamos então? – sorri, indo em direção à porta.
O caminho até a casa da Lotte foi silencioso. Na verdade, trocamos poucas palavras durante todo o trajeto. Falar com sobre o que tinha acontecido entre a gente naquela época era muito complicado, talvez mais para ela do que pra mim. Me pergunto se algum dia ela estaria pronto para falar e resolver tudo aquilo. Ouvi meu celular tocar, indicando ser Melody na bina.
- Fala, Melody. – atendi.
- Amorzinho! Eu preciso muito falar com você, é importante... – disse alegre, do outro lado da linha.
- Hm, precisa ser agora ? – perguntei desanimado.
- Sim senhor amorzinho, vem que eu tô te esperando. – respondeu, desligando o telefone.
Eu não sei o que poderia ser tão importante, porque da última vez que ela me ligou dizendo isso, era apenas para me mostrar a sua nova coleção de roupas de alguma marca que eu não lembro o nome. Dirigi rapidamente até seu apartamento. Quanto mais rápido eu terminasse isso, mais rápido iria pra casa.
- O que houve, Mel? – perguntei, entrando no apartamento assim que ela abriu a porta.
- Tenho uma surpresa pra você. – disse, me puxando para a sala.
- SURPRESA! – ouvi todos gritarem assim que entramos no local. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas estavam todos bem vestidos e ali se encontravam os pais de Melody e algumas pessoas conhecidas, mas que porra era aquela?
- Mel, o que é isso? – perguntei tentando entender.
- Nossa festa de noivado, amor! – disse sorrindo, me abraçando.
NOIVADO?!
CONTINUA
N/A: Acho que eu to me acostumando com atualizações duplas, é. Bom, eu tenho uma noticia boa, arrumei meu Word e agora posso escrever em paz \õ. Hm, sobre a fic, podem odiar a Melody, eu deixo. É sempre assim quando a gente pensa que tudo vai dar certo, o mundo desmorona né? Espero que gostem dos capítulos \õ. Quero mandar um beijo pra minha amiga Brê ;* (Oi brê *-*) que me deu várias opiniões legais sobre a fic *-* Então é isso gente, qualquer duvida sobre a fic é só adicionar no Msn (deh6@hotmail.com) ou no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=pv&uid=6654433276153909567) Beijos da Déh ;*
N/B: COMO ASSIM FESTA DE NOIVADO? Caramba, que mocréia abusada essa! Déh, não deixa eles ficarem noivos, Déh, por favoooooooooooor *-*