The Moment That I Live For
by: Caah R.
Beta Reader: Táh
Você sabe que todos, e eu disse todos, sem exceções, querem algo de contos de fada em suas vidas - seja um final feliz, um príncipe ou princesa encantada ou ser muito feliz não importando onde, como ou porquê -. E eu não era diferente. Mas, infelizmente, a história que estou prestes a contar não tem nada disso, pelo menos não de uma maneira convencional. Acho que talvez todos nós tenhamos um final feliz, talvez não como esperávamos, mas seria muito desperdício terminar a vida sem um final feliz, certo?
Meu nome é . Acho que você deve me conhecer, e se não conhece eu me apresento. Sou o guitarrista e vocalista de uma banda chamada McFLY, e aquilo que disse antes você pode considerar uma introdução para a história que contarei agora, a história da minha vida. Não totalmente, mas uma parte muito importante dela, uma parte que eu acho que vale a pena compartilhar.
Contarei então quando tudo começou. E, ao longo dessa história, você não achará um simples sinal de um conto de fadas – mas, como eu disse, todos nós temos um final feliz batendo na porta, apenas esperando ser notada e aberta.
1.
- Nossa, esse show foi muito bom. Parabéns, dudes. – fazia hi-5 com todos nós.
- Foi o melhor até agora, acho que nós sempre vamos melhorar.
- Gosto da sua modéstia, , tá parecendo o falando. – Harry jogou a toalha molhada em minha cabeça.
E assim nós terminamos mais um show perfeito. Eu não conseguia parar de pensar em como a sensação de estar no palco tocando para milhares de pessoas era boa. Como era gratificante ver todas aquelas expressões, toda a paixão que nossos fãs nos devolvem a cada show.
No dia seguinte teríamos mais um show, o último show da nossa turnê, e esse tinha que ser melhor que os outros, eu sabia disso. E posso adiantar que de fato foi melhor, não apenas pelo motivo que eu, você e todos pensávamos.
Nós estávamos todos nervosos, - não sei porque ainda ficamos nervosos depois de anos fazendo isso – e conversávamos no camarim antes de entrar no palco pela última vez nessa turnê. Nossa turnê acabava no Brasil, e era isso, nosso último show no Brasil. Depois iríamos embora para a Inglaterra, simples assim, no dia seguinte. Já tínhamos dado várias entrevistas, conhecido vários fãs, e já era hora de voltar para casa, não tínhamos mais o que oferecer ao Brasil.
No meio do show, eu observava a platéia enquanto o se exibia um pouco e Dougie corria pelo palco. Se você já assistiu a um show do McFLY, me viu parado na borda do palco, apenas observando e animando a platéia. Pois é, depois daquele dia eu me arrependi de ter feito isso nesse show, e fiz com muito mais atenção nos shows que seguiram, e hoje acho que foi o melhor momento da minha vida.
Eu não acredito em amor à primeira vista, não acredito em alma-gêmea. Ou pelo menos eu não acreditava. Minha guitarra estava pendurada em meu ombro, sem apoio nenhum de meus braços, e esses estavam erguidos incentivando a platéia a gritar. Eu gosto de olhar todos os rostos das primeiras filas, ver se avisto algum familiar, mas – talvez infelizmente – não foi um rosto familiar que prendeu minha atenção.
Nesse momento a guitarra pesou mais do que nunca, os meus braços tinham vontade própria, meu equilíbrio estava em todos os lugares, menos em mim.
Eu vi tudo girar e pensei que fosse vomitar. Logo depois, uma adrenalina incrível chegou aos meus ossos e eu nunca me senti tão vivo. Era minha vez de cantar, mas eu estava hipnotizado por aquele sorriso, por aqueles olhos e pelo movimento perfeitamente sincronizado com a música de seus lábios.
Eu percebi que se aproximou de mim, mas eu não olhei para ele. Quando percebi, estava sorrindo. Um sorriso patético e inútil que seria visto por milhões de pessoas e talvez não por quem eu queria. Eu estava paralisado, e sabia que isso não estava tornando o show nem um pouco melhor. Antes de avançar mais e me dizer algo eu suspirei e olhei para ele com cara de desculpas. Eu não acho que ele tenha entendido o que havia acabado de acontecer, mas ele sabia que algo tinha acontecido. E muito compreensivo ele sorriu para mim e inclinou a cabeça na direção do microfone.
Aparentemente eu não demorei muito, ele se aproximou de mim antes de perceber que algo estava errado, mas para mim haviam se passado horas. Eu achei que o show estava arruinado, que os meninos me odiariam para sempre, mas, como disse, não foi algo completamente notável para o resto do mundo.
Dizem que quando você está prestes a morrer, você vê sua vida passar diante de seus olhos como um filme, e essa foi a prova que eu precisava. Nesse momento aconteceu o completo oposto disso, minha mente ficou vazia, nada existia. Vida? Minha? Eu não sabia nem o significado dessas palavras, não sabia onde eu estava ou quem eu era, tudo o que podia ver era ela. Então, se quando você morre vê um filme de sua vida, quando você está no auge de sua vida, de sua felicidade, entende porque está aqui, ou como queria você chamar isso, tudo some, você não vê nem um filme de sua vida nem nada. Se um dia isso acontecer com você, não ignore, não pense que está tendo uma enxaqueca ou amnésia.
Depois disso o show continuou normal, como deveria ser. Eu tentei achar o rosto dela novamente, mas não foi uma operação bem sucedida. O show terminou e nós fomos para a after party. Eu não tenho certeza de quando os meninos perceberam de fato que algo estava errado, mas posso apostar alto nessa festa.
Veja, normalmente eu estaria muito animado, beberia muito, conversaria com algumas garotas e quem sabe subiria para o quarto com uma delas. Mas dessa vez eu permaneci sentado, conversando com quem se aproximasse, bebendo um copo de coca e alegando estar com uma terrível dor de cabeça. “Nossa, , que hora para ter uma dor de cabeça, hein cara?” Eu ouvia e acenava. Havia algo mais que eu poderia fazer?
Os dias se passaram, e confesso que aquele rosto não era algo que me incomodava mais depois de uma semana. Sabe, quando você não sabe nem o nome da pessoa fica mais fácil empurrar para aquele lugar bem no fundo da mente, onde você sabe que algum dia vai saltar e te engolir compensando todo o tempo sufocado.
Mas não posso deixar de mencionar que esse mesmo rosto estava presente em todos, e eu disse todos, os meus sonhos a partir daquele show. Às vezes eram sonhos em que ela subia no palco e cantava comigo, em outros nós já estávamos casando, e havia aqueles também em que, de onde ela estava, surgia um buraco negro que me sugava do palco e eu acordava assustado e suado.
Acho que devo ser grato por ter uma vida tão agitada, toda a imprensa, as sessões de fotos, entrevistas, viagens me fizeram esquecer um pouco dessa história, e caso você esteja se perguntando, eu não comentei com ninguém sobre isso. Para todos que “sabiam”, aquele dia eu tive uma terrível, horrível dor de cabeça.
Os dias continuaram a passar, mais tarde as semanas, os meses e os anos. Um ano e meio, para ser mais exato, se passou desde aquela data em particular. Mais uma turnê havia acabado e agora nós estávamos livres com apenas alguns pequenos shows aqui e ali na nossa querida Inglaterra.
Nesse final de semana nós teríamos algumas meet and greets com nossos fãs e estávamos todos muito animados.
- Nossa, faz tanto tempo que não passamos uma tarde assim com os fãs. Acho que nem sei mais como agir na frente deles. – Dougie bagunçava o cabelo, olhando no espelho seus penteados magníficos.
- Que é isso, Dougie, você não tem que fazer nada. – se aproximou.
- É cara, apenas seja você mesmo. – Harry completou.
- Ok, melhor não fazer isso, não queremos assustar nenhuma fã. – ria e Dougie mostrava a língua.
- Elas não vão assustar se eu estiver por perto.
- Qual é, ? A primeira piada que você fizer elas já vão correr pra perto de mim.
- Não não, . Esqueceu que eu sou o galã do grupo? – Harry puxava a gola de sua camisa.
- Galã do grupo... Estou me sentindo em um grupo de reabilitação.
- E olha cinco fãs correndo. AAAAAAAAAAAAH! – as imitava correndo com os dedos e todos riam.
No final, como você deve imaginar, todos estávamos nos saindo muito bem. As fãs ainda estavam entrando, mas eu já estava rodeado e dando boas risadas. Eu me levantei e andei na direção de , que estava do outro lado da sala, cumprimentando todas as meninas à minha volta.
Eu olhei na direção da porta e algo me chamou a atenção. Uma menina estava parada, parecendo perdida, sem falar com ninguém, mas ela estava de lado e eu não consegui ver o rosto dela. Resolvi me aproximar e ver se tudo estava bem, mas antes que eu pudesse chegar perto dela, Harry se aproximou e começou a falar com a garota.
Eu então segui para o outro lado, onde estava sentado com Dougie e algumas meninas, e me juntei a eles. Nós estávamos conversando e as meninas, muito simpáticas, pareciam se divertir às nossas custas.
Dougie começou a contar de um dos shows em que fizemos Harry cantar, e como você deve imaginar – porque imagino que faria o mesmo – elas quiseram ouvi-lo cantar agora. Nós o chamamos, e quando ele virou a menina perdida, aquela que estava sozinha conversando com ele, virou junto e olhou em nossa direção. No começo eu não percebi, mas alguns segundos depois eu comecei a perceber certa familiaridade naquele rosto e, depois de muito procurar em minha mente...
- Err... se vocês me derem licença meninas, eu vou até o banheiro e já volto. – eu me levantei rapidamente.
- Não demore, , deixe o número dois pra depois, você não pode perder o Harry cantando! – gritou enquanto eu me afastava, e eu não respondi.
Entrei no banheiro, fechei a porta e fiquei paralisado, olhando meu reflexo no espelho.
- Será que é... nãao. Não é possível, eu devo estar imaginando coisas. – eu cobri meu rosto com as mãos, dei um grande sorriso para o espelho e voltei.
- Aí dude, quase que você perdeu. – Dougie abanava a mão para mim.
- É, . Na verdade você foi muito rápido, você lavou a mão?
- Claro que não. – esfreguei a mão na cara de e levei um tapa em troca.
Enquanto nossa troca de carinhos continuava, Harry se aproximou com a garota atrás dele.
- Fala, o que vocês querem?
- As moças aqui... – apontava para elas – querem ouvir você cantar agora.
- Querem? Querem mesmo meninas?
- Sim, elas querem. – Dougie assentia com a cabeça.
- Desculpe, não posso agora. Estou ocupado.
- Ah é Harry, apresente-a para nós. – inclinava o pescoço e eu ficava apreensivo.
- Ah, claro. – Harry deu um passo para o lado – Essa aqui é a . , esses são , e Dougie.
- Oi meninos. – se aproximou e beijou cada um de nós, nos cumprimentando.
- Oi, . – dissemos em um coro. Mesmo que a minha voz tenha saído mais como um sussurro.
Agora eu tinha certeza, era ela. Era ela! Como? Isso não podia acontecer. Nós estávamos lá, e agora estamos aqui. Eu fiquei parado, apenas olhando para ela, lembrando daquele show, lembrando de como eu me desapontava quando olhava para minha platéia e não achava o único rosto que eu estava procurando. E agora aquele rosto estava aqui, parado em minha frente. , oh .
Ela parecia ser muito divertida, os meninos todos prestavam muita atenção em tudo que ela falava. Por isso ninguém reparou meu constante olhar em sua direção. Eles faziam perguntas animados, e ela respondia sempre sorrindo. Parecia envergonhada, e isso a deixava mais bonita. Todos riam periodicamente, mas minha expressão permanecia sempre a mesma. Eu não estava ouvindo uma palavra que estava sendo dita naquela conversa, não sabia nada além do nome dela e não fazia idéia do que eles estavam rindo.
- Não é ? ? ! – alguém bateu em minha cabeça.
- Ahn? Que foi?
- Que foi, cara? O Harry te chamou umas 200 vezes e você não respondeu.
- Ah, ahn... desculpa. Eu tava pensando em outra coisa. O que você disse?
- Nada, . Deixa pra lá, entendeu onde eu queria chegar, certo?
- Entendi. – ela disse, rindo, e eu não pude impedir um sorriso de surgir em meu rosto.
Como eu sabia que essa conversa não me levaria a lugar nenhum, eu levantei e fui conversar com outras fãs, enquanto tomava conta dos outros três.
Eu ainda me divertia e tirava muitas fotos, mas não conseguia parar de olhar em sua direção. Agora ela só estava conversando com , Dougie e Harry já estavam novamente com as outras. Os dois pareciam muito animados, conversando e fazendo gestos com as mãos.
Pouco tempo depois, passou do meu lado e deu um leve tapa no meu ombro.
- Ela é demais mesmo, cara. Você não sabe todas as coisas que temos em comum. Convidei-a pra vir amanhã de novo.
- Convidou-a? Não se convida pessoas pra uma meet and greet, .
- Ué, por que não? Eu dei o crachá pra ela. Agora ela pode entrar antes e ficar conversando com a gente! – sorriu e continuou andando.
Ótimo! Agora gostava dela, e eu era o idiota que não conseguia falar nem ouvir nada perto dela. E ela ainda voltaria no dia seguinte. Bom, pelo menos enquanto eu mantivesse distância e não conversasse com ela as coisas não poderiam ficar piores. Assim eu não saberia se ela é tão demais assim, se tem tanto em comum comigo e poderia esquecê-la.
- Oi! – eu levei um susto e joguei meu copo para cima, quase tomando um banho de coca.
- O... oi. – eu respondi.
- Tá tudo bem? – caso você não tenha imaginado, era falando comigo.
- Tá. Acho que sim. Sim, tudo bem. E você? – eu sorri, sem saber o que mais fazer.
- Tudo ótimo. Esses salgadinhos são pras fãs também?
- Ahn, acho que sim. Pode pegar, eu deixo.
- Ai, obrigada. Eu tô com uma fome, sabe, não comi o dia inteiro...
Enquanto ela falava, meu sorriso não fez menção de diminuir ou desaparecer. Ela parecia tão confortável agora, era tão amável, tão simpática. Eu estava feliz que eu voltaria a vê-la pelo menos uma vez. E percebi que não estava prestando atenção no que ela falava novamente. Balancei a cabeça e tentei me concentrar.
- Mas então, . É , certo?
- Isso mesmo.
- Soube que o falou pra você voltar amanhã.
- Sim, ele falou. Sabe, eu nunca imaginei que isso fosse acontecer quando me mudei pra cá, nem pensei na hipótese de conhecer vocês...
- Se mudou pra cá? – eu a interrompi. Não podia deixar escapar talvez a minha única chance de saber o que estava acontecendo aqui.
- Sim. Você não ouviu quando eu falei antes? Bom, você foi embora, né, tudo bem, eu conto de novo. – ela sorriu.
- Ahn, desculpa.
- Não se preocupe, . Eu sou do Brasil, mas tenho família aqui na Inglaterra. E agora que acabei a escola minha mãe concordou em me deixar passar um tempo com meus tios, e aqui estou. – ela abriu os braços e olhou para baixo depois para mim.
- E você vai passar quanto tempo aqui?
- Ainda não sei. Eu cheguei faz pouco tempo, ainda não tenho amigos nem conheço a cidade direito. Posso ir embora no final do mês, daqui seis meses, um ano.
- Eu... eu espero que você goste bastante daqui.
- Já estou gostando. – ela fez uma pequena pausa, mordendo seu sanduíche – Sabe, meus tios são muito legais, mas eu me sinto um pouco sozinha aqui. Eu tava falando com uma amiga ontem no skype e ela me avisou de hoje. Ela é obcecada por vocês e praticamente me ameaçou para vir.
- Você não queria vir?
- Na verdade eu queria, mas eu não queria vir sozinha e me sentir excluída. Eu gosto muito de vocês, ouço faz muito tempo e tal. Mas não me mataria esperar mais um pouco para tentar conhecer vocês, sem ofensas. – e foi aí que eu percebi que somente a amiga era obcecada por nós. não era como as outras fãs aqui, e por isso era tão mais fácil conversar com ela.
- Não, tudo bem, eu entendi. Mas veja, você já nos conheceu agora, e também ganhou quatro novos amigos.
- Sim, eu não me arrependo de ter vindo. E a primeira coisa que farei quando chegar em casa é ligar pra e contar tudo.
- Por que não pega um autógrafo de todos nós pra ela?
Nossa conversa continuou, infelizmente, por pouco tempo. Estava na hora de irmos embora, e eu olhei enquanto partia acenando para nós como se fôssemos todos grandes amigos.
2.
Devo dizer que o dia seguinte não foi nada fácil. Comecei a pensar que apenas conversou comigo por pena, por achar que algo estava errado mesmo.
não saía de perto dela, eu não entendia como eles tinham tanto para conversar.
E não pense que apenas porque eu não conversei com ela nesse dia, eu não ouvi nada sobre ela ou precisei me preocupar com isso. A cada cinco minutos, um dos meninos vinha e contava algo super engraçado que a disse ou alguma semelhança com cada um.
Era impressionante como ela era perfeita para todos, e como eu parecia não mudar a vida dela. Tudo bem, eu já tinha entendido, ela não era uma fã louca, insana nossa. Mas agora eu percebia que obviamente eu não era seu favorito. Talvez, se a amiga obcecada dela estivesse aqui, acho que não mudaria muito também.
O dia chegou ao fim e eu não podia estar mais agradecido. Nosso contato desse dia se resumiu a um simples sorriso dela quando me viu do outro lado da sala. Eu fui para casa sem conversar com ninguém e, como você deve imaginar, o assunto principal agora era: .
Pelo menos agora tudo estava terminado. Se ou algum outro quisesse ver a , eles podiam sair com ela e eu não precisava estar junto. Eu não contaria nada para nenhum deles, mesmo porque não havia o que contar. “, então, eu não quero que você se aproxime muito de porque foi o rosto dela que eu vi no show há mais de um ano e sonhei todas as noites desde então.” Ele riria da minha cara. As coisas estavam ótimas do jeito que estavam.
- , você vai com a gente depois da sessão de fotos? – Harry perguntou.
- Vou onde?
- Como onde, cara? O encontrou a ontem e nós vamos sair com ela hoje.
- Ah, não. Acho que vou ficar em casa, não estou me sentindo muito bem.
- Você que sabe.
Uma semana havia passado e eles ainda eram amigos. Eu sabia que me manter afastado dela não mudaria nada, mas eu não podia passar mais um dia como aquele segundo. Eu fui para casa e deitei em minha cama, jogando uma bolinha para cima e a pegando no ar.
- Entra. – eu respondi quando alguém bateu na porta – Ah, .
- , me diga o que está acontecendo.
- Que? Eu estou cansado, só isso.
- Há quanto tempo? Faz mais de uma semana que você tá assim. Eu sei que a gente reclama, mas também não é legal ficar uma semana sem ouvir piada nenhuma sua.
- Você também é um ótimo contador de piadas, .
- Olha, , se você não quiser, não precisa dizer o que está acontecendo. Mas eu não vou deixar você apodrecer aqui, venha, vamos sair com a .
Ele poderia ter dito qualquer coisa. Vamos compra doces, vamos adotar um cãozinho, vamos fazer trabalho voluntário, vamos conversar com um mendigo. Eu aceitaria. Mas ele me chamou para a única coisa que eu estava evitando, e eu tive que aceitar.
Nós fomos a um boliche, e quando chegamos já estava lá. foi correndo e abraçou a garota, dizendo que estava feliz por ela ter vindo. Eu olhava em volta, imaginando que ela não fosse me cumprimentar novamente. Eu já tinha aceitado que não teríamos uma ligação como eu esperava, ela gostava de e gostava dela, e eu... bem, eu não podia fazer nada.
- Olá, . – eu me virei rapidamente.
- Ah, oi.
- “Ah, oi”? – ela repetiu, indignada – É só isso que você vai me dizer?
- Ahn, oi ? – eu ergui uma sobrancelha.
- É, tava certo. Você tá mesmo estranho, . E eu tinha achado você legal no outro dia.
- , , . Por que você tem que ouvir só ele? E se me achou legal por que não falou comigo no dia seguinte?
- Porque você estava ocupado falando com outras 250 meninas, talvez. Não sei porque você se alterou desse jeito, não sei se percebeu, mas você foi o que menos conversou comigo aqui.
- Claro, você ta sempre atrás do . Ou ele de você.
- Eu me dei melhor com ele, você quer que eu faça o que? Que é isso , até parece que você tá com ciúmes. – ela disse e se afastou, fazendo eu me odiar completamente. Eu balancei a cabeça e me afastei.
Dougie não estava muito feliz em perder tantas vezes, e logo parou de jogar, me fazendo companhia no banco do lado. Para ele eu não estava estranho, na verdade nós nem tocamos no assunto, eu tentava ao máximo evitar isso. Ficamos apenas conversando e fazendo uma pequena guerra de ketchup e batatas enquanto os outros jogavam alegremente.
Confesso que, periodicamente, eu olhava para , ou para eles jogando, se você preferir. E muitas dessas vezes ela olhava de volta com um grande sorriso em seu rosto antes de jogar a bola e fazer mais um strike.
- Meu Deus, essa menina joga muito bem. – Dougie balançava a cabeça – Ainda bem que parei de jogar, iria perder mais ainda agora.
Eu assenti, mas não pude desgrudar os olhos dela. Eu queria ir até lá e falar com ela, eu precisava fazer isso. Eu não sabia exatamente porquê, isso não deveria acontecer, não tão rápido. Mas meu coração batia tão forte, eu o sentia em minha cabeça, em meus braços, em minhas pernas. Parecia que com uma simples tosse ele seria expelido para fora de mim, e eu não podia deixar isso acontecer, eu não queria que isso acabasse. Era bom, eu me sentia vivo novamente.
- . ? – uma mão passou na minha frente – !
- Oi, fala.
- Tava dormindo, cara?
- Err... tava. – sim, essa era uma resposta menos vergonhosa.
- O jogo deles já ta acabando, vamos esperar na lanchonete, tô com fome.
- Ahn, pode ir Dougie. Acho que vou esperar aqui, quero ver quem vai ganhar.
- Você tem alguma dúvida? tá a quase 100 pontos na frente dos dois.
- Sério? – eu pareci surpreso, demais talvez.
- Cara, você ta falando de quem?
- Ah, me desculpe Dougie, eu não tinha percebido que era tanto, só isso. Vai lá que eu já te encontro.
- Ok. – ele acenou e seguiu para a lanchonete.
Eu fiquei apenas observando enquanto eles terminavam o jogo. E claro, terminou primeiro, e após sua última jogada veio andando em minha direção.
- Gostou do jogo?
- Sim. Você... você é muito boa.
- Obrigada. – ela assoprou as unhas após esfregá-las na roupa e eu ri. – Você deveria ter jogado.
- Não, eu sou muito ruim.
- Os outros não são exatamente bons.
- Tudo bem. – nós rimos.
- Vamos pra lanchonete?
- Não vai esperar e Harry?
- Eles sabem o caminho. Vamos? – ela se levantou e estendeu a mão para mim. Eu sorri e segurei sua mão.
Eu estava sendo um idiota. Era isso! Nós nos dávamos bem, e ela era mesmo perfeita. Nós tínhamos coisas em comum assim como todos os outros, e o caminho das pistas até a lanchonete nunca pareceu tão atraente e rápido. Logo nós já víamos Dougie devorando um hambúrguer, mas parou e me segurou antes de entrarmos na lanchonete e sermos vistos por Dougie.
Ela me encostou na parede e me puxou para perto dela. Eu engoli em seco enquanto ela parecia se divertir. Olhava para os lados, segurando minha camisa pela gola, e mantendo uma distância ligeiramente desconfortável para mim entre nós.
- Vamos esperar aqui e assustar os meninos. – ela tinha um sorriso maléfico no rosto, porém engraçado.
- Não acho que seja uma boa idéia. – eu tentei me afastar, mas ela me puxou mais para perto.
- Por quê? Será divertido!
- Ahn... Ahn... – eu não conseguia falar – ? – eu olhei para minha gola.
- Oh. Desculpa. – ela a soltou sem graça e eu pude respirar, finalmente me mudando para seu lado e encostando minha cabeça na parede, aliviado.
No dia seguinte eu fui para a casa de logo de manhã, já que ficaria o dia todo sem fazer nada. Bati na porta e quase caí para trás quando alguém a atendeu.
- Oi . Tô fazendo café da manhã. Quer?
- Ahn... não , obrigado.
- Tudo bem, entre. – ela afastou a porta e eu entrei.
- Onde tá o ?
- Deitado no sofá.
Eu segui para a sala, marchando forte, enquanto voltava para a cozinha. Avistei e parei entre ele e a TV, o encarando fixamente.
- Oi , tudo bom? Você poderia me dar licença?
- Não.
- Não tá tudo bem, ou você não pode me dar licença?
- , o que você tá fazendo? – eu segui até o sofá e me sentei ao seu lado.
- Tentando ver TV. – ele parecia desconfiado.
- Não, , a . Ela dormiu aqui?
- Sim, quando voltamos ela ficou um pouco aqui em casa e no final ficou tarde pra ela voltar pra casa. Ligou pros tios dela e dormiu aqui.
- Ah, que ótimo.
- Não entendo por que está aborrecido, . Você mal falou com ela.
- Eu falei o suficiente com ela. E não estou aborrecido.
- Não é o que me parece.
- O café tá pronto. Fiz algumas panquecas pra você também, , se quiser.
- Ahn, obrigado. Nós já estamos indo. – eu me virei pra . – Dormir com ela ? Isso já tá ficando baixo.
- Baixo? E quem disse que eu dormi com ela? Eu dormi aqui, está vendo, lençóis, travesseiro... Ela dormiu na minha cama.
- Meninos!
- Vamos tomar o café, depois conversamos. – se levantou e eu fui atrás.
- Achei que vocês não vinham mais.- ela riu – Olha meninos, eu deixei tudo preparado pra vocês, só que eu tenho que ir embora. Tinha me esquecido de um programa com a minha tia. Mas nós nos vemos depois, certo?
- Claro. – respondeu e sorriu com a boca cheia. Ela deu um beijo na testa de cada um e partiu.
Eu me perguntava como isso podia ser tão... normal para ela. Ela passou a noite na casa de e partiu na manhã seguinte como se fosse um amigo comum. Talvez nós fossemos amigos comuns para ela. Confesso que essa idéia não me animava nem um pouco, se fôssemos comuns eu não podia tirar proveito da minha fama pra fazer ela se interessar em mim, o que pelo jeito não aconteceria tão cedo.
Mais tarde os meninos chegaram e nós ficamos tocando por algumas horas. Criamos umas duas músicas novas e eu voltei para minha casa, tomei um banho e me larguei no sofá.
Ainda era de tarde quando eu peguei no sono, e agora já estava tudo escuro e a única iluminação na minha cara vinha da TV. Eu ouvi algum barulho, mas estava muito longe para eu poder identificá-lo. O barulho era persistente e eu já estava começando a ficar irritado. Levantei e percebi que era o telefone.
- Que? – eu respondi ainda esfregando os olhos
- Ahn, desculpa, eu posso ligar outra hora.
- Não, não! Eu achei que era um dos meninos, me desculpe, .
- Eu te acordei?
- Na verdade eu já estava acordado. – eu ri baixinho – Mas pode falar, .
- Na verdade eu liguei porque não estou fazendo nada aqui, então resolvi te convidar pra fazer alguma coisa. Desculpe te incomodar, mas é que, sabe, eu não tenho amigos por aqui ainda. – ela riu.
- Tudo bem, , não se preocupe. Eu também não estou fazendo nada aqui. Onde você tá pensando em ir?
- Não sei, tem aquele restaurante que o ficou falando e eu fiquei com vontade de ir. E o cinema é do lado ainda, nós podemos ver um filme. O que acha? – O ? Ótimo.
- Por mim tudo bem. Você vai gostar de lá, quer que eu passe aí?
- Não precisa, . Nos encontramos lá em... uma hora?
- Ok. Te espero na porta.
Eu não tinha na verdade do que reclamar, a gente podia não ir sozinhos, mas ela tinha me ligado. Não , nem Dougie. . Eu tinha que ficar feliz , eu estava feliz e agora tinha que me arrumar.
3.
Quando cheguei, não tinha ninguém lá, nenhum carro parado na rua e, aparentemente, o restaurante estava fechado. Será que sabia disso? Eu desci e andei até a porta, olhei dentro e tudo estava apagado. Eu não podia ir embora, então fui até o carro e esperei ou algum dos meninos.
Poucos minutos depois, eu vi descer do carro do outro lado da rua e olhar em volta a rua vazia sem saber o que fazer. Desci do carro novamente e caminhei até ela.
- ! Achei que você não tava aqui ainda e eu ficaria sozinha.
- Claro que não. – eu a abracei sem jeito – Eu fiquei com a mesma cara quando cheguei e vi tudo vazio.
- Você sabe o que aconteceu?
- Não, achei que você sabia.
- Não. – ela riu – Eu não sei.
- Quando os meninos vão chegar. Eles tão um pouco atrasados, certo?
- Meninos?
- Sim, você não falou que o te deixou com vontade?
- Falei, ué.
- Então, eles não vão vir. Ou é só o ?
- Nem o , nem ninguém. Eu liguei pra você, . Convidei você.
- Ah... – eu engasguei – Você só me convidou?
- Sim, ué. Não posso?
- Cla... claro que pode. – eu sorri involuntariamente – Mas o que nós vamos fazer agora?
- Nós podemos ir ao cinema, mas confesso que estou com fome e desapontada. Queria comer aqui.
- Hmm. Acho que sei onde podemos ir. Venha. – eu a puxei para o carro sem dizer aonde iríamos.
- Onde nós estamos indo, ?
- Espere, você vai gostar.
Dirigi por mais um tempo e parei o carro na frente de uma pizzaria.
- Gosta de pizza, certo?
- Sim, claro.
- Espere aqui, já volto. – peguei a pizza e voltei em um instante – Pronto.
- É isso?
- Claro que não.
Continuamos até um parque, onde tudo estava apagado também, mas aqui o motivo era outro. Descemos do carro e subimos um pequeno morro com a caixa de pizza e duas cocas na mão.
- Você quer que eu pegue minha blusa? Saco, eu não tenho nenhuma toalha aqui.
- Pra eu sentar? Claro que não, . Olhe a minha cara de menininha fresca, eu posso sentar na grama.
- Então ta, me desculpe. – nós rimos.
Sentamos no alto do morro e ficamos bem de frente para uma tela imensa. E embaixo havia vários carros, todos apagados e com os vidros abertos. Havia uma barraquinha com pipoca perto dos carros, mas confesso que prefiro o meu estilo de fazer isso.
- , onde você achou esse lugar?
- Sempre gostei daqui. Só que o cinema nunca tava funcionando, acho que você deu sorte. Pizza?
- Obrigada. É lindo aqui! E aposto que nossa vista é muito melhor do que os que estão lá embaixo.
- Sim, e outra, aqui nós vemos de graça.
- Como se isso fosse um problema pra você! – ela riu.
- Ah, é sempre mais divertido. – ela me empurrou com o ombro, e eu fiz o mesmo rindo.
Nós não sabíamos qual filme passaria, e confesso que até hoje não sei que filme era aquele, mas tudo parecia tão perfeito que não iríamos embora tão cedo. Eu me inclinei para trás largando o peso sobre meus braços e olhei para cima.
O céu estava completamente limpo e muito escuro, nunca o vi dessa maneira. Batia uma leve brisa um pouco fria talvez, e a lua era a única iluminação, já que a tela estava muito longe de nós. fez o mesmo que eu e ficamos os dois apenas observando o céu, aquela escura imensidão que de alguma forma fazia o contraste perfeito com a lua e as folhagens das árvores ao nosso redor.
- Acho que o filme já começou. – eu disse, sem olhar para baixo.
- Acho que sim. – disse e fechou os olhos. – Eu amei esse lugar, .
- Ele é bem melhor agora do que antes. – eu sorri sem olhar para ela.
- Ele pode ser o nosso lugar secreto. Os meninos vinham aqui com você?
- Não, eu gostava de vir sozinho.
- Bom. Agora você virá comigo.
- Como quiser. – nós rimos.
Eu nunca havia presenciado momento mais perfeito que aquele. Apenas de estar sentado e sentir o perfume de vindo com a brisa quando eu fechava os olhos me fazia sentir mais feliz do que nunca. E pensar que há mais de um ano eu a vi pela primeira vez. Naquele dia eu nunca imaginei que isso aconteceria.
- ...
- Uhn?
- Você foi no nosso show no Brasil, certo? – eu suspirei.
- Fui. Por quê?
- Eu... eu lembro de você.
- Sério? Como? – ela pareceu animada e intrigada ao mesmo tempo.
- Eu vi você na platéia. Sim, no meio de todos os outros. – travei um pouco na última frase.
levantou as sobrancelhas e sorriu.
– Imagino quantas meninas dariam a vida por isso. – disse. – E você se lembra.
- Acho que sim, né.
- Ah, claro. Que pergunta estúpida. Como você se lembra?
- Eu... eu não sei. – eu queria falar que sonhei com ela todas as noites, queria falar que vê-la naquele dia foi como achar o significado da minha vida de novo – Acho que percebi você gritando lá, e apenas lembrei de você quando nos encontramos esses dias. – sim, foi isso que eu acabei falando, me chame de idiota.
Nós ficamos lá até terminar o filme. Acabou esfriando mais, e se aconchegou em meus braços já que ambos estávamos sem casaco. A pizza terminou e nossos refrigerantes também, e nós vimos apenas o final do filme. Parecia interessante.
Eu poderia inventar mais algumas coisas para a gente fazer, poderia passar a noite toda com ela, fazendo as mais diversas coisas. Eu não me importaria, me sentiria a pessoa mais feliz do mundo.
- ... – meus pensamentos foram interrompidos.
- Uhn?
- Eu não quero parecer rude, nem quero que você ache que eu não estou gostando de hoje...
- Mas...
- Acredite, por favor, que eu não queria ir embora. Mas amanhã eu tenho que acordar cedo, muito cedo. Tenho que buscar o Matheus no aeroporto.
- Matheus?
- Sim, meu namorado.
- SEU QUEM? – eu me alterei e depois tentei me recompor – Você tem namorado? Como?
- Como? Você acha que eu não posso ter um?
- Claro que não, me desculpe, . Eu só não sabia, você nunca disse nada. E eu achava que tinha algo entre você e , talvez. – ela riu.
- Não, só acabou virando um grande amigo. E ele sabe sobre Matheus, se você tivesse conversado mais comigo antes saberia também. – eu preferia não saber.
- Eu te levo pra casa, não se preocupe. – dei um meio sorriso, tentando parecer simpático.
O caminho para a casa de foi bem silencioso, eu pretendia com que ela não reparasse que eu estava aborrecido, mas acho que foi inevitável. Eu a deixei em casa ganhando um beijo no rosto e um “obrigada pela noite perfeita”. O que vale uma noite perfeita com uma garota que namora?
Já era mais de meia noite, mas eu não podia ir para casa, após deixá-la eu fui até a casa de . Eu não podia acreditar, eles deviam estar fazendo uma pegadinha comigo. Como a podia namorar? A , a minha . Tudo bem, ela não era minha, mas eu desejava mais do que viver que ela fosse.
Cheguei na casa de e toquei a campainha incansavelmente até que apareceu descabelado e de roupão, esfregando os olhos e tentando entender o que estava acontecendo.
- Como você não me contou, ? Como vocês puderam fazer isso comigo? É mentira? Vocês estão fazendo alguma pegadinha? – eu fui entrando e apenas me seguiu com o olhar.
- Ahn... pode entrar, . – ele disse e levantou os braços – E você pode me explicar o que tá acontecendo?
Eu segui até o sofá e sentei, apoiando a cabeça nas mãos e esfregando os olhos, tentando descobrir que tudo era um pesadelo.
me seguiu e sentou ao meu lado.
- ... – eu não conseguia falar, eu tentava, mas as palavras estavam entaladas na minha garganta – A – eu levantei a cabeça e suspirei, mas não consegui continuar assim, tudo girava e eu sentia que poderia desmaiar a qualquer instante.
- O que tem ela?
- Ela... ela... ela namora, cara! – eu cuspi as palavras sem acreditar no que estava dizendo.
- Ooooh. Você não sabia?
- Eu tô com cara de quem sabia? Olha, me desculpe, mas é que eu nunca imaginei isso, eu preferiria que ela tivesse algo com você.
- Comigo?
- É eu sei vocês são grandes amigos.
- , por favor, me explique uma coisa. Por que você ta tão chocado com ela ter um namorado? – eu suspirei e olhei para ele.
- Eu não contei nada porque achei que vocês pensariam que sou idiota, quer dizer eu sou idiota, mas não preciso de alguém que faça eu me sentir mais.
- Conta logo, cara.
- Eu não sei se você lembra de um show no Brasil no qual eu vi uma menina na platéia e fiquei meio... perdido.
- Ahn... AH sei, lembro sim. E daí?
- Bom cara, a menina é... ela é a .
- O QUE? A MENINA DO SHOW É A ? COMO ASSIM, ?
- É, no dia em que a gente encontrou ela eu vi que era a mesma garota e por isso eu fiquei tão estranho e sai de perto. Por isso eu não conversei com ela, eu... eu sonhei com ela todas as noites por um ano e meio, . Você sabe o que é isso? Eu podia não lembrar mais dela, mas quando eu acordava de manhã era o rosto dela que aparecia e eu nem lembrava mais por quê. Mas quando o Harry trouxe ela e nos apresentou eu vi que era a mesma e tudo aquilo voltou.
- Nossa cara, eu não sabia que era tão sério assim. Eu achei que, sei lá, você só queria pegar ela e pronto.
- Não, nunca. Não com ela. É diferente, , isso nunca aconteceu comigo. Eu não sei o que falar, eu não sei o que fazer, não sei como agir, o que ela deve pensar de mim. E ela não me deu bola, cara. Geralmente eu teria qualquer menina que eu quisesse, mas ela não. Ela ficava atrás de você, tudo era o , o , o , e confesso que já tava começando a me irritar.
- E por que você achou que a gente iria te zoar?
- Sei lá, porque eu só a vi uma vez, é meio idiota, não é?
- Não. , tá na cara que você gosta muito dela, eu só não sei quanto, mas mesmo assim. Se a gente soubesse não teríamos feito tudo dessa maneira.
- É, mas agora não importa mais também...
- Ah é, você não disse. Como você descobriu que ela namora?
Eu contei para ele tudo que havia acontecido nesse dia desde que acordei com o barulho do telefone até quando a deixei em casa. Agora que eu estava contando e relembrando tudo, parecia mais difícil. Nossa noite foi realmente perfeita, se tudo fosse como deveria eu não poderia estar mais feliz. Era a primeira vez que eu me sentia assim com uma garota, tão confortável, tudo parecia certo e mesmo que eu não conseguisse muito bem, eu sabia que podia ser eu mesmo com ela.
- Nossa, realmente , ela não poderia escolher uma hora pior.
- E eu achava que ela não gostava muito de mim. Quando eu vi que ela tinha apenas me convidado, senti uma ponta de esperança e depois dessa noite realmente achei que algo poderia acontecer. Até esse Matheus aparecer.
- Calma cara, a gente nem sabe como ele é. Ele pode ser baixinho, sem um dente e ter mal hálito.
- Como se a fosse namorar alguém assim. Esquece, .
- Não, . Amanhã nós vamos conversar com Harry e Dougie. E olha, eu posso te dizer que eu nunca achei que ela não gostava de você. Ela apenas não é uma fã fanática, ela acabou vindo aqui por acaso, porque uma amiga doida dela implorou pra que ela viesse, e ela acabou nos conhecendo e virando nossa amiga. Ela nos trata como trataria alguém normal que se encontra na rua. Mas ela sempre comentou de você.
- Não adianta me falar disso agora.
- Olha, , temos que ser pacientes. A menina ainda não tem amigos aqui, então provavelmente continuará saindo com a gente e você terá que ser forte. E essa amiga dela, , vai vir pra cá também acho por algum tempo. Vamos esperar, ok?
- Tá bom.
- Agora tá tarde e eu tô morrendo de sono, dude. Você me acordou, eu vou arrumar as coisas no outro quarto pra você dormir. Não vai voltar pra casa assim. Venha.
No dia seguinte, depois de uma longa noite praticamente sem sono, ligou para Harry e Dougie e contamos tudo que havia acontecido. Eles ficaram muito surpresos, mas encararam melhor do que eu pensava, nenhum deles debochou de algo ou riu da minha cara.
- Nossa , e não passou pela sua cabeça comentar isso com seus amigos? – Harry coçou a cabeça.
- Eu pensei que era algo estúpido que ia passar logo.
- Passar logo? A pode ficar aqui por anos e sair com a gente...
- Isso realmente não tá ajudando, Dougie.
- Desculpa.
- É que... Eu sei que ela nunca foi minha, mas agora que eu senti como é perdê-la, eu percebi que ela é mais importante do que eu pensava.
- , não se preocupe, nós vamos bolar um plano e você vai ver que tudo vai dar certo.
- Eu espero.
Talvez se nós tivéssemos tempo para bolar um plano naquela hora as coisas saíssem diferente, mas a verdade é que pouco tempo depois volta o da porta com a e o “Matheus” (imagine minha cara de nojo). Essa garota não podia ter um timing melhor para essas coisas.
- Oi meninos. – ela sorriu, sem olhar para mim – Esse é o Matheus.
- E aí? – ele cumprimentou todos nós, e pude ver a olhar envergonhada para mim.
- Desculpa não avisar que ele vinha pra cá, mas é que imaginei que vocês não ligariam.
- Que é isso. Qualquer amigo ou afins seus são bem vindos aqui. – eu disse, com um grande sorriso talvez um pouco forçado.
- Valeu, cara. – Matheus pareceu não perceber, mas com certeza percebeu.
Antes deles chegarem, eu havia tomado uma decisão. Eu ainda tentaria conquistar . Não importa o que eu tivesse que fazer, ela perceberia que eu era o certo para ela e não esse namoradinho dela. Mas no final desse dia, depois de todas as conversas, de todos se dando bem e conversando e os encontros dos nossos olhares serem bem desconfortáveis, eu tomei outra decisão. Ela tinha um namorado? Então eu também podia arranjar uma para mim.
Depois que eles foram embora, nós quatro continuamos na sala, todos sentados no chão com sono e sem vontade de voltar para casa. Eu contei para eles meu novo plano e disse que eles não me fariam mudar de idéia. Dougie foi o primeiro a concordar com a minha decisão, Harry hesitou, mas acabou ficando do meu lado e estava aceitando tudo para me ver melhor.
Dougie arranjou uma festa no final da semana para nós e convidou e Matheus também, insistindo para ter certeza que iriam. Seria uma festa tipo as after parties que nós temos depois dos shows. Ou seja, muita gente, muita bebida e muitas fãs.
Claro que eles não recusariam uma festa dessas, pessoas famosas, entradas VIP, na Inglaterra. E eu só teria que aproveitar esse dia. Não digo que é algo fácil superar com outras garotas, mas hey, ela namorava e não me contou, eu precisava tomar alguma atitude, portanto não me julgue.
- , cara, e o seu grande plano? – Harry sentou ao meu lado, vendo que eu não estava falando com ninguém.
- Vai bem.
- Tô vendo. Quantas garotas ao seu redor! – ele deu um tapa em minhas costas e riu.
- Eu estou me preparando.
- Sei. Você vai acabar não fazendo nada.
- Claro que vou fazer!
- Quero só ver, dude.
Harry se levantou e eu fiquei sentado, olhando para minha garrafa de Heineken quando ouvi a voz de se aproximando. Eu levantei a cabeça procurando por ela, mas a multidão era muito grande e eu já estava quase em pé. “!” Eu ouvi alguém exclamar, e finalmente a achei. Ela estava rindo, girando nos braços de Matheus. Eu sabia que eles não estavam me vendo, e continuei observando, com a cara fechada e a garrafa na mão. Ao mesmo tempo que ele a puxou mais para perto a beijando, alguém se aproximou de mim.
- ?
- Oi...
- Você não lembra de mim, né?
- Err... Claro que lembro. – Não, eu não fazia idéia de quem era.
- Lembra mesmo? – ela sorriu sem graça.
- Lembro... você é a... a... Ok, desisto. – eu cocei a cabeça e sorri.
- Tudo bem, faz tempo que ficamos juntos, eu entendo. – ficamos juntos? – Meu nome é Jackie.
- Jackie... – eu estava fazendo muito esforço para me lembrar dela – Quando exatamente nós ficamos juntos?
- Hmm. Acho que faz mais ou menos um ano. Nos conhecemos na Starbucks...
- AAH!! SIM, eu me lembro! – nós não tivemos um longo relacionamento, acho que uma semana antes de nós sairmos em turnê, mas eu me lembrava de Jackie – E como você tá?
- Muito bem, na verdade. Consegui o emprego que queria naquela galeria, é aqui perto. E meu amigo Steve me chamou pra vir aqui hoje.
- Steve, conheço ele. Não sabia que era seu amigo. Mundo pequeno, não?
Eu e Jackie continuamos conversando por um bom tempo, eu sei que esse não era meu plano inicial, mas pelo menos eu já estava com outra garota. Dougie passou por nós fazendo gestos obscenos e rindo, mas apenas eu vi. E mais tarde, trouxe e Matheus para sentar com a gente e após cinco minutos foi embora.
- Essa é a Jackie. E esses são e Matheus. – eu os apresentei.
- Olá. – eles disseram.
A essa hora, eu e Jackie já estávamos em uma conversa muito interessante e não nos importamos com ali, continuamos a rir e falar sobre o que viesse em nossas mentes. No começo os dois também estavam conversando, mas após um tempo Matheus se interessou em nossa conversa e pareceu bastante incomodada.
- É que nem aquela vez, lembra ? Foi muito engraçado, eu nunca me esqueci daquela noite. – Jackie disse e riu.
- Claro que lembro. – a bebida já me fazia lembrar de tudo, ou inventar memórias necessárias.
- Ahn... – me olhou confusa – Vocês não se conheceram aqui?
- Não, nos conhecemos faz tempo. – eu respondo sorrindo.
- Sim, nós costumávamos sair juntos. – Jackie tentou explicar nossa relação.
- Ah. – disse com um sorriso forçado.
- Ai, eu amo essa música! Vem vamos dançar, . – Jackie me puxou e nós fomos.
A bebida já fazia um pouco de efeito nela também e, em poucos minutos, nós éramos o centro da festa, todos nos observavam dançando. Por uma fração de segundo eu olhei na direção de , e vi ela puxando Matheus para perto de nós.
Os dois começaram a dançar ao nosso lado, e se eu tivesse um pouco de sanidade nesse dia, teria dito que estava com ciúmes, mas não seria certo dizer isso nessas condições. Isso ainda não estava bom para mim, eu precisava de mais, então puxei Jackie e a beijei na frente de , na frente de todos. Ouvi um assobio e tive certeza que era Harry.
Abri os olhos e estava em minha cama. Teria sido um sonho? Eu apostaria nessa idéia, mas minha cabeça doía e eu ainda estava vestido. Ouvi um barulho na porta e dei um grito quando Jackie entrou no quarto.
- Desculpe , não queria te assustar. Trouxe café da manhã. E ah, aquela menina, , está lá embaixo.
- Ahn... Obrigado. O que ela tá fazendo aqui?
- Não sei, ela tá com o .
- Ah, ótimo. Você passou a noite aqui?
- Eu dormi lá embaixo, não podia deixar você sozinho. Depois do seu show no meio da festa a situação ficou feia e nós te trouxemos pra casa.
Me troquei, escovei os dentes e desci.
- , cara, você tá bem?
- Tô. O que aconteceu?
- Depois que você se pegou com a Jackie na frente de todo mundo, você andou até a mesa e dormiu, ou desmaiou.
- Ah, por isso não lembro o que aconteceu!
- Vê se da próxima vez não nos assusta assim. – sorria, balançando a cabeça. Talvez seu ciúme do dia anterior fosse efeito do álcool.
- E o Matheus?
- Foi ver umas coisas da faculdade dele, parece que vai ficar aqui por mais um tempo!
- Ah, que bom. A Jackie também. Pelo que eu me lembro nós nos divertimos muito ontem.
- Todos percebemos. – riu. – Agora vamos, cara, todos estão nos esperando, você também é bem vinda, Jackie.
- Ah, não quero incomodar vocês, eu só fiquei aqui pra ter certeza que ficaria bem.
- Obrigado! – eu disse e a abracei. – Mas você não será incômodo nenhum.
- Obrigada, mas é melhor mesmo eu ir. Você me liga depois, ?
- Pode apostar. – eu pisquei.
- Até mais. – todos se despediram.
4.
Nós apenas fomos almoçar e comentar sobre a festa do dia anterior, e agora a parecia ser oficialmente uma de nós. O único motivo dela não sair com a gente algumas vezes se chamava Matheus. “Quando eu ia imaginar que os únicos amigos que faria seriam os meninos do McFLY? Pra quê mais amigos?” ela falava.
Nesse dia, nos contou que , sua amiga, viria passar uns dias aqui também. Na verdade, antes de vir o planejado era as duas virem juntas, mas o pai de demorou um pouco mais para concordar com isso.
dizia sentir muita falta de sua amiga, mas sempre que estava em casa conversava com a menina pelo Skype para contar todas as novidades.
- Já que ela tá vindo pra cá, vou levar vocês pra minha casa pra conhecê-la.
- Quando que ela chega? – Harry perguntou.
- Ainda não sei. Mas eu estou falando hoje. Vocês vão em casa e vou ligar pra ela. – sorriu.
- Você pretende levar todos nós? – levantou uma sobrancelha.
- É, por que não?
- Nós podemos ser bastante incômodos para seus tios, não?
- Que é isso. Eles não se importam, adorariam e com certeza no dia seguinte todas as amigas da minha tia saberiam que vocês foram na casa dela. E, aliás, eles não estão lá agora.
- Não estão? Então o que estamos esperando? – Dougie fingiu levantar correndo e todos riram.
- Só deixem eu mandar uma mensagem e ver se ela tá em casa, mas ela não sabe que vocês vão junto, ok?
- Claro. – todos respondemos.
Chegamos na casa de . Era uma casa muito bonita, os tios dela tinham muito bom gosto. Logo que chegamos, todos já nos sentamos no sofá como se estivéssemos em nossa própria casa.
- Claro meninos, sintam-se em casa. – ela riu. – disse que estaria aqui me esperando, então SHHH.
ligou o computador e preparou tudo enquanto a gente conversava no sofá.
atendeu e ela nos mandou calar a boca.
- . Que saudade! Não vejo a hora de te ver! Você tá bem?
- Eu tô, e você? Você tem que vir logo mesmo pra cá.
- Tô ótima. E como tá o Matheus? Ele tá aí com você?
- Não, ele vai começar a faculdade de novo, não terei tanto tempo assim pra sair com ele agora. – Confesso que agradeci silenciosamente ao fundo da sala.
- Ah, que pena. Mas quando eu chegar aí isso não será problema. E me fala, ele tá ficando aí na casa dos seus tios com você? – eu não tinha pensado nisso, e fiquei paralisado até ouvir a resposta.
- Ele tem passado bastante tempo aqui sim... – parecia não confortável em responder essa pergunta – Meus tios geralmente não se importam que ele durma aqui. Mas ele tava num hotel e agora já foi pro campus da faculdade.
- Ah, que pena. Seus tios parecem bem simpático né?
- Sim, são. Ouça, , eu tenho uma surpresa pra você.document.write(Molly) podia ser bastante hiperativa às vezes.
- Calma, garota! – disse e riu – Não é exatamente algo pra você, eu vou te mostrar, e você poderá interagir. – me senti um brinquedo. – Pera aí.
virou a webcam para a tela do computador e nos chamou em silêncio. Todos nos posicionamos atrás dela como se posássemos para uma foto de família e ela perguntou se a garota estava preparada.
- Estou! Mas que demora, vai logo .
virou a webcam lentamente e nós não estávamos quase nos aguentando de rir imaginando a reação de . Quando ela já estava quase nos focando na imagem, disse:
- Diga oi para os meninos.
- OI, !!!!!!!!!!!!!! – dissemos em coro.
Nós esperávamos qualquer reação, um grito, ela levantar e correr, xingar a ou até a mãe dela. Mas não foi nada disso que aconteceu. Após nosso oi animado, continuou na exata mesma posição de antes, sem dizer uma palavra, sem se mexer.
- ? ! – gritava. – se mexa, faça algo, fale algo.
- É... – foi tudo que ela disse.
- Tudo bem, não se preocupe, a gente tem tempo. – Harry sorriu e apoiou o queixo na cadeira de .
- . – ela disse com a voz tremida.
- Que foi, ? – Eu disse, e a menina arregalou os olhos.meet&greet de vocês. É a .
- AAAAH. É você!! Bom você já deve ter imaginado que vai nos conhecer quando vier visitar sua amiga. – Dougie riu.
- , o que você tá fazendo? – ainda não havia mudado sua expressão.
- Eu não tô fazendo nada. Tô só te apresentando meus amigos.
- Seus... amigos. COMO VOCÊ FAZ UMA COISA DESSAS COMIGO? Eu achava que você estava exagerando quando dizia que saía sempre com eles, achei que tava delirando um pouco, embora eu gostasse das suas histórias.
- Por que eu brincaria com uma coisa dessas? Eu te falei que eles eram meus amigos e tudo mais.
- É, . Sua amiga aqui é muito simpática e sabe fazer amigos rapidamente.
- Principalmente se um deles se chamar . – eu o empurrei com o ombro.
- ? Mas você não tinha me falado do ...
- DE NINGUÉM, . EU TINHA TE FALADO QUE ME DEI BEM COM TODOS ELES, LEMBRA. – fez uma cara para , que nós apenas imaginamos. Embora nenhum de nós tenhamos ouvido o que ela ia dizer, todos jurávamos que sairia um de sua boca.
- O que você falou pra ela, ? – Dougie levantava as sobrancelhas.
- Que você é muito enxerido. Vamos, mudem de assunto.
A conversa durou bastante ainda, e todos percebemos claramente que se interessava mais por Harry. E esse não viu problema algum nisso, era o que mais comentava sobre ela quando voltamos para casa. Todos gostamos muito dela, e confesso que estávamos ansiosos para ela chegar e sair com nós e .
Não fomos embora naquele momento, insistiu para que ficássemos mais tempo em sua casa, e ninguém hesitou. Se alguém entrasse na sala naquele momento acharia que nós éramos amigos desde crianças. Todos tínhamos uma ligação forte demais para tão pouco tempo, e eu gostava muito disso.
Já eram quase dez horas da noite quando os tios de chegaram em casa, mas ainda insistiram – talvez por educação – que ficássemos mais um pouco. Era abusar demais, todos sabíamos. E como havia previsto, sua tia ficou super animada e fez questão de decorar nossos nomes para poder comentar no dia seguinte com suas amigas.
Quando estávamos saindo o telefone tocou, e era Matheus. mal se despediu. E quando saí pela porta peguei meu celular e liguei para Jackie.
- E aí? Tá afim de fazer alguma coisa agora?
- Mas são dez horas, .
- Esse não tem jeito mesmo. – Dougie dizia ao fundo.
- Ué, os melhores bares abrem agora. Vamos, eu cuido de você, vai ser divertido.
- Eu sei que vai, é que eu já tô de pijama com um balde de pipoca no colo.
- Tudo bem, você tem... meia hora pra comer essa pipoca e trocar de roupa, okay? Vou passar em casa me trocar e já passo aí.
- Tá bom, , tá bom. – ela riu e desligou.
- , você vai mesmo fazer isso? – colocou a mão em meu ombro.
- Fazer o que?
- Sair com a Jackie agora.
- Por que não?
- Se você me disser que vai sair com ela apenas porque está com vontade, eu calo a boca.
- E por que mais seria?
- Me diga você...
- ...
- ...
- Se ela tem namorado, por que eu não posso sair com a minha?
- Porque ela não é sua namorada, e nem vai ser, por favor. A menina não merece ser usada dessa maneira.
- Eu não tô usando ela.
- Verdade, é o Dougie que tá.
- Ta bom, , se é tão importante pra você. – eu peguei o celular e disquei – Alô? Jackie? Então, eu não vou mais poder passar aí, acontece que o tá com alguns problemas aqui e parece que vai passar a noite com a cara na privada. – levei um soco no ombro – É, coitado, não tá acostumado com essas coisas, bebeu demais. Ok a gente combina de novo. Tchau.
- Vou passar a noite com a cara na privada?
- Vai sim.
- Vocês podem parar? Ou eu vou amarrar os dois e deixar a noite inteira assim. – Harry esbravejou e nós fizemos cara feia, enquanto Dougie ria.
- Bom, já que não vou mais sair, acho que vou pra casa. Vejo vocês depois. – eu disse e me separei deles.
- ! – falou, mas eu não virei.
CONTINUA...