
Sweet Dreams
Autora: Bah Freitas
Beta-Reader: Sweet Caroline
“Todas as noites eu corro para minha cama com esperança de que talvez eu tenha a chance de te ver. Quando fecho meus olhos, estou fora de mim, perdida num conto de fadas. Você pode segurar minhas mãos e ser meu guia?” Sweet Dreams – Beyoncé
O livro aberto pendia sobre a cama. Minha tia costumava me encher de livros para ler sempre que ia a casa dela. Era véspera de Natal, e agora que a noite chegou, a maior parte da família estava reunida no quintal fazendo churrasco – que é a única coisa que sempre fazem nas datas especiais.
O dia havia sido bastante agradável. Era sempre bom estar perto dos meus tios e primos que moravam longe, então conseqüentemente, só os via no fim do ano. A casa estava uma verdadeira bagunça: crianças pequenas corriam e quebravam coisas, as mulheres fofocavam alto na cozinha, os tios discutiam quem era o melhor churrasqueiro e os primos estavam reunidos na sala, jogando vídeo-game. Sempre gostei desse clima de família unida.
Embora a casa estivesse abarrotada de alegria por todos os lados, algo dentro de mim esteve inquieto o dia todo, como se estivesse faltando alguma coisa e em meu peito houvesse um buraco que, de uma forma ou de outra, não parecia querer diminuir.
Havia pego um livro qualquer na prateleira, para tentar tirar o que tinha visto mais cedo naquele dia de minha cabeça. Porém, a mesma página ficou aberta por um bom tempo e eu não li nem sequer o primeiro parágrafo. Estava deitada de bruços no tapete do quarto, com o queixo apoiado nas mãos e não pensava em nada específico. Não conseguia me concentrar. E parecia que o vazio que sentia aumentava cada vez mais.
Sempre fui uma pessoa que fantasiava demais com algumas coisas, sendo já algo normal para mim, ficar horas e horas sonhando com a vida perfeita, a profissão ideal, viver viajando pelo mundo... E, principalmente, com ele.
era o meu amor platônico há algum tempo. Eu era como qualquer fã apaixonada pelo ídolo, que nutre cegas esperanças de algum dia poder estar com ele. Isso é absolutamente normal, a maioria das meninas da minha idade tem esse tipo de paixonite. Mas, algumas vezes, chego a me preocupar comigo. Casualmente, penso se essa obsessão por ele faz algum bem pra mim. O que poderia trazer de bom? É claro que se apaixonar por alguém faz você se sentir mais leve e de bem consigo mesma... Mas a decepção de amar só por você, pode quebrar seu coração em frangalhos. Normalmente, não me sentia muito mal ao ver uma foto de com a namorada, no máximo o meu peito apertava e eu ficava pra baixo por algumas horas, mas nunca passou disso... Hoje foi diferente. Ver uma foto dos dois juntos machucou meu coração de uma forma que nunca acontecera antes. Não sei se era TPM ou por ser Natal, quando todo mundo está mais sensível, mas aquilo me atingiu. E muito.
Cansada de tentar prestar atenção na leitura, fechei o livro e o guardei de volta na prateleira. Precisava encontrar uma válvula de escape mais eficiente.
Fui até a sala, onde estavam meus primos, e sentei ao lado do mais velho. Eles finalmente haviam parado de jogar vídeo-game e resolveram assistir uma maratona de Friends. Só mesmo o Joey pra acabar com qualquer clima de tristeza.
Seis episódios depois, fui para a cama com a cabeça um pouco mais fria e fiquei algum tempo olhando para o teto escuro, esperando o sono chegar. Tentativa frustrada, pois precisei apelar para a música, talvez ela consiga me fazer dormir – se bem que raramente funcionava. As melodias animadas não estavam ajudando muito, então selecionei algumas das mais calmas e busquei relaxar. Doce ironia... Por que maioria das músicas lentas sempre fala sobre amor ou desilusões amorosas? Involuntariamente, aquela sensação ruim de mais cedo voltou a me assombrar. Meus olhos se encheram de água e tentei conter as lágrimas que ameaçavam sair, mas todo o esforço foi em vão. Quando começou a tocar Early Winter da Gwen Stefani, foi como se um rio desaguasse sobre meu rosto. Tentei abafar um soluço com as mãos pra não acordar ninguém. Não me lembro de nenhuma outra vez ter chorado assim por causa de . Pensar que eu estava sendo uma tola por ficar sofrendo calada por um cara famoso, que nem sabe da minha existência e, ainda por cima, mora em outro continente, fez-me sentir pior ainda. Ele não me conhecia, tinha a vida particular dele... então por que continuar me iludindo? Era burrice!
Chorei de tristeza e frustração, até a minha cabeça doer e começar a ter dificuldades pra respirar. Cansada de me martirizar por um motivo tão bobo, joguei meu mp3 em um canto qualquer e me deitei na cama, prometendo arrumar um jeito de esquecer de qualquer maneira, doa o que doer. Estava tão exausta, que automaticamente, assim que fechei os olhos, caí no sono.
Barulho. Estava um barulho estranho na rua. A vizinhança sempre fora tão quieta, então porque parece que estavam distribuindo dinheiro lá fora? Olhei por entre as grades do portão da frente de casa e vi que o som estava vindo do edifício à frente. Curiosa em saber o que estava acontecendo, peguei meu celular e o guardei no bolso traseiro do short jeans, calcei uma rasteirinha e saí sem ao menos me olhar no espelho. Sabia que não estava em um dos meus melhores dias, então pra que me aborrecer tentando me arrumar direito? Afinal, a confusão estava perto de casa, então não devia ser nada de mais. Atravessei a rua e entrei pelo grande portão que estava aberto. Havia meninas tagarelando alto por todos os lugares e, reparando bem o lugar, percebi que era um tipo de quadra, com arquibancadas na lateral e alguns bancos compridos no centro. Andei por algum tempo, me espremendo entre as pessoas – que pareciam aumentar cada vez mais –, tentando encontrar alguém conhecido. Por sorte, encontrei , que parecia tão eufórica quanto as outras garotas.
- O que está acontecendo aqui, ? – Perguntei confusa. – Por que todo mundo parece estar aglomerado aqui?
- O quê?! Quer dizer que você não sabe? – Ela arqueou uma das sobrancelhas – , o McFly está logo ao lado da sua casa e você nem se deu conta?
Balancei a cabeça negativamente. Não consegui absorver o fato de minha banda preferida estar misteriosamente em frente à minha casa. Que inferno eles estavam fazendo aqui? Que eu saiba, nenhum show no Brasil foi divulgado por agora...
- Menina, você vai ficar aí parada de boca aberta igual uma mongol, ou vai me ajudar a procurar eles no meio dessa zona? – estalou os dedos freneticamente na frente do meu rosto.
Concordei em ajudar a procurá-los e voltamos a nos espremer no meio da multidão. Eu ficaria extremamente satisfeita se encontrasse pelo menos um dos integrantes da banda, não estava esperando muito. Se por acaso topasse com todos os quatro, seria maravilhoso, mas apenas um já me bastava. Meu coração acelerou ao pensar em que este poderia ser o . Acho que não desejaria mais nada por um bom tempo, se isso acontecesse.
Algum tempo depois, sem nenhum sucesso, informei de que precisava ir ao banheiro e deixei minha amiga por alguns minutos. Já dentro de casa, fui ao banheiro e, antes de voltar, tentei dar uma melhorada em meu cabelo e passei um brilho nos lábios. Ao voltar para a quadra, com dificuldade reencontrei sentada em uma das arquibancadas do canto esquerdo. Meus joelhos bambearam quando percebi que quem estava sentado do lado dela, era o . Olhei em volta, esperando por algum dos outros garotos, e o ar me escapou dos pulmões quando vi há, no máximo, cinco metros à minha frente, com uma menina loira, esta há uma distância segura, tentando puxar papo com ele. Por incrível que pareça, não senti ciúmes, nem quis arrancar todos os fios oxigenados da cabeça dela. A primeira coisa que me veio em mente, foi pegar o celular do bolso e tirar algumas fotos de péssima definição, fazendo o máximo para cortar a abusada. Pensei em alguma forma de chegar perto dele pra puxar papo, nem que fossem só algumas palavras. Embora fosse extremamente tímida, não poderia de forma alguma deixar essa chance única escapar. A solução logo me veio à cabeça. Autógrafos! Vou pedir pra ele autografar meus cds do McFly! Isso! Ele não poderia dizer não.
Corri o mais rápido que consegui até em casa e comecei a vasculhar em todos os cantos. Não entendi o porquê de não estar achando nada, geralmente eu guardava tudo no mesmo lugar, mas parece que meus preciosos cds tinham desaparecido! Já estava me irritando de procurar em vão, quando encontrei o Radio: Active! jogado dentro de uma gaveta. Ótimo! Seria só esse mesmo, não havia muito tempo pra procurar pelos outros.
Voltei com a mesma velocidade que parti, chegando bufante na quadra, e decepcionei-me ao perceber que o lugar havia esvaziado assustadoramente. Só havia algumas poucas meninas e nenhum dos quatro parecia ainda estar por lá. Senti um conhecido calor em meus olhos e percorri com a vista pra constatar se realmente não restara mais ninguém. Percebi que em um dos cantos do local, que havia uma pessoa sentada na quina da arquibancada e recurvada sobre si mesma. Não dava pra ver direito quem era, então me aproximei de onde ela estava. Parecia estar se sentindo mal. Ao chegar perto, reparei que esse alguém, por sorte, era , e me apressei pra tentar ajudá-lo. Sentei-me do lado dele, coloquei o cd no colo e tentei falar Inglês nitidamente para que ele me entendesse. Perguntei se estava tudo bem, encostando a mão em um dos braços dele – minhas mãos pareciam pegar fogo ao mero contato com sua pele. Ele lentamente se virou em minha direção e olhou em meus olhos. não respondeu nada, só sorriu para mim. Um sorriso meigo, que, provavelmente, me deixou vermelha. Inesperadamente, ele segurou em minha mão. Meu corpo se arrepiou e a mão que ele segurava começou a tremer quando senti o contato. Era muito surreal estar tão perto de assim. Olhei para nossas mãos entrelaçadas e dei um sorrisinho envergonhado.
- Está tudo bem... – disse ele, sonolentamente – é só dor de cabeça. Logo passa...
- Mas onde estão os outros? Por que você está aqui sozinho? – Perguntei preocupada.
- Ah, vai saber daqueles três... – deu uma risadinha humorada – nem os vi saindo. Já estava indo embora quando, de uma hora pra outra, minha cabeça começou a latejar... – Ele fez uma cara de dor e, com a mão livre, apoiou a testa e se recurvou novamente.
- Quer que eu chame alguém que...
- Não! Está tudo bem! Preocuparia os outros à toa... – disse abruptamente. – Se você tiver algum remédio, já seria de grande ajuda. – Sorriu.
- Lá em casa tem alguns comprimidos... Se você quiser ir até lá... – Dei de ombros. - É logo aqui em frente! – Disse com a voz hesitante.
concordou com a cabeça e se levantou com dificuldade, enlaçando seu braço no meu para ter algum equilíbrio para andar. Comecei a suar frio quando ele fez isso.
Enquanto atravessávamos a rua, eu olhava para todos os lados, checando se tinha alguém nos observando, mas parecia que estava deserta. Entramos em minha casa e apontei o sofá para que ele se sentasse. Fui até a cozinha pegar um copo de água e um comprimido para dor de cabeça. Quase derramei metade do copo, de tão nervosa que fiquei ao pensar que estava fraco e vulnerável no meu sofá.
Sentei-me ao seu lado e ofereci o remédio. Ele o tomou com um gole só e sorriu em agradecimento. O humor dele pareceu mudar completamente depois disso. ria abertamente e muitas vezes, me fazendo rir de sua risada. Conversamos sobre algumas coisas banais, mal vendo o tempo passar. Era incrível quanta intimidade parecíamos ter nos conhecendo há tão pouco tempo. Era como se fossemos amigos há anos, não minutos.
Algum tempo depois, pedi que ele autografasse meu cd. Ele não fez nenhuma objeção; pegou a caneta que lhe ofereci e começou a rabiscar o encarte. Em vez de só assinar um nome de qualquer jeito – como maioria dos artistas fazem –, riscou a cara dos outros integrantes e desenhou algumas figuras sem sentido. Eu deveria ter ficado furiosa por ele arruinar meu encarte, mas era o . Ele poderia fazer tudo que quisesse, que eu sempre acharia lindo. Achava graça de tudo que ele dizia, tudo sempre parecia muito fofo aos meus olhos. Estávamos tão perto um do outro, que nossos braços se roçavam uma vez ou outra e em alguns momentos, – com o consentimento dele, é claro – apoiava minha cabeça em seu ombro. Ele não fazia nenhuma objeção. A todo instante, procurava fazer de tudo para guardar isso para sempre. Respirava profundamente seu perfume amadeirado, apertava gentilmente suas mãos para guardar seu toque, e me recusava a algum dia esquecer o quando me estremecia sua respiração perto do meu rosto.
Alguns minutos de gracinhas e conversas depois, levantou uma das mãos e colocou em minha bochecha, fazendo um carinho gostoso com o polegar. Ele olhava em meus olhos com um olhar penetrante, e meu coração batia como uma bomba preste a explodir. As palavras fugiram de minha boca e, não conseguindo controlar meus impulsos, me inclinei para frente e docemente apertei meus lábios contra os dele.
não pareceu oferecer resistência e correspondeu o beijo com a mesma intensidade, foi como se o tempo parasse e tudo girasse ao redor de nós dois. Algo dentro de mim explodia de felicidade e satisfação, enquanto outra coisa me repreendia por ter feito isso. Por Deus, ele tinha namorada! O que ele devia estar pensando que eu sou? Mais uma groupie oferecida? Porém, parecia ser impossível controlar meus instintos. Eu guardei isso por tanto tempo, era um desejo tão profundo, que não dava pra evitar.
Relutantemente, afastei nossos lábios, arfando levemente, para tentar recuperar o fôlego.
- Mas você... e sua namorada? – Sussurrei com tristeza. – Não podemos fazer isso... Você não se lembra dela? – Abaixei a cabeça e olhei pra minhas mãos.
Senti que me fitava com olhos confusos, e parecia estar se forçando a lembrar de alguma coisa.
- Ah, ela... Às vezes me lembro, mas, sinceramente, sempre a vi apenas como uma amiga, alguém com quem estou só por costume... – Disse baixinho e passando os dedos lentamente por meus cabelos, com o olhar distante. – Mas o que posso fazer se, nesse exato momento, a única que me vem à cabeça é você? – Ele pôs os dedos em meu queixo e levantou meu rosto para que eu olhasse em seus olhos. Sorri e suspirei. Não sei se deveria acreditar nele... Provavelmente, não, ele poderia muito bem estar falando isso da boca pra fora, mas seus olhos me olhavam sinceros. Parecia tão certo, como se aquilo fosse para ser assim. passou o braço que estava livre por meu pescoço e puxou-me mais pra perto. Deitei a cabeça e seu peito e senti novamente seu perfume hipnotizante.
Ouvi um ruído de porta se arrastando e o ar-condicionado de repente foi desligado. Abri os olhos abruptamente e me sentei na cama com um pulo.
- Até que horas você pretende ficar dormindo, ? – Alguém disse de mau-humor.
Era a minha mãe, que voltou a fechar a porta assim que saiu do quarto. Esfreguei os olhos com a mão em punho e peguei o celular sobre a cômoda para ver as horas. Nove e vinte. Nem estava tão tarde assim... Joguei-me novamente na cama e encarei o teto branco.
Sonho. Tudo não passou de mais um sonho. Mas não foi como qualquer outro que tivera antes. Não, esse foi diferente. Tudo parecia real demais, eu podia realmente sentir, como que fisicamente, os braços dele ao meu redor, o gosto de seu beijo... Não fazia idéia que tudo era coisas da minha cabeça, até ter sido acordada. Poderia ter ficado sonhando pelo resto da minha vida, que nem me daria conta. Não foi a primeira vez que sonhara com , mas das outras vezes era como se ele fosse um figurante distante. Nem sequer conseguia “tocá-lo”, muito menos “senti-lo”.
Fiquei um pouco frustrada por meu paraíso particular ter tido um fim, mas mesmo assim, um sorriso de satisfação brotou tímido em meus lábios. Pelo menos, consegui ficar perto dele uma única vez, mesmo que tenha sido mais uma fantasia, já me deixava feliz. Acho que talvez tenha sido algum tipo de presente de Natal, um presente de alguém lá de cima... Como que para me reconfortar e me dar esperanças. Não sei o que pode ter significado, não me importo em querer entender, pois existem coisas que não têm explicação. Algo bem no fundo me dizia que não havia sido em vão, talvez realmente haja um propósito para tudo isso, afinal... ninguém sabe o que o futuro nos reserva, certo? Se for pra ser, nada pode impedir que futuramente seja.
Fim.
N/A: Finalmente minha primeira short no FFADD! Seria besteira demais falar que esperava por isso há muuuuito tempo? Finalmente tive a coragem de mandar uma das minhas idéias loucas! Bem, essa fic foi um sonho que realmente aconteceu. Não desse jeitinho que escrevi, mas foi como que baseado, entendem? Eu deveria ter mandado há muito tempo também... lá pra véspera de natal, mas eu acho que continua a mesma coisa lendo por agora também... Eu quis escrever sobre esse sonho, pensando, principalmente, nas garotas que – como eu – podem ser muito sonhadoras, e levam seus sonhos a sério demais. É como se fosse um reconforto para nós... Bem, foi um reconforto para mim. Espero, sinceramente, que você gostem. Se tiver de criticar, critiquem! Sério, eu adoro receber críticas sinceras que sejam construtivas... eu acho que elas ajudam a autora a aperfeiçoar suas estórias cada vez mais... Ah, e gostaria de agradecer à minha beta superfofa que possibilitou SD entrar no site e também à minha vest Lih, que sempre me encorajou a escrever e fez a capa superfofa da fic!
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Twitter/Formspring/Email
N/B: São duas da manhã e, sério, fico retardada, muito chata e muito sem-criatividade neste horário, portanto, me desculpem por qualquer coisa, hm. Preciso dizer que foi muito prazeroso betar esta fic? Você quase me fez chorar. Hahaha. Não choro, beijos. Enfim, eu adorei. Sério, super me fez filosofar aí. HUAHAU. Bom, é isso aí, qualquer errinho, me mandem um e-mail. Espero que tenham gostado e até a próxima. That's all folks!