Stop The Wedding!
Autora: Lary F.
Beta-Reader: Carolis
George abriu a janela de seu escritório a tempo de ver atravessar, correndo, a avenida em direção ao prédio. George sentou-se e deu uma risada curta. Ele adorava e tinha aquela baixinha como uma filha. era uma mulher especial, trabalhava na coluna de casamentos e não acreditava nem um pouco nas lindas frases que escrevia em seu artigo. Bem, isso era o que ela dizia, mas George sabia que era bem o contrário. era romântica como toda mulher, talvez até mais, afinal ela era a melhor colunista sobre assuntos sentimentais que ele já conhecera. Ele virou um pouco a cadeira vendo entrar no Jornal com um sorriso tímido enquanto Fred, da técnica, lhe fazia um elogio. Esse era outro ponto que George não entendia. Olhou para a garota mais uma vez reparando nos cabelos presos em um coque, ela vestia uma camisa branca com mangas dobradas, uma calça jeans simples e sapatos de salto baixo. Mesmo simples, o charme de era inegável, seus olhos sempre brilhantes e seu sorriso eram sempre fascinantes. Então, por que nunca tinha companhia masculina a tiracolo?
Ele deixaria para pensar nisso mais tarde, pois naquele momento, entrara em sua sala atendendo o seu chamado.
- George! Bom Dia! Como estão Violet e as meninas? - perguntou ela sentando-se.
- Bem. Elas estão sempre lindas. - Ele respondeu tocando distraidamente o porta-retrato com a foto de sua esposa e suas filhas - Falando nisso, Violet a convidou para um almoço, neste domingo. Faz tempo que não almoça em casa!
- Tem razão! Mas, o que tem pra mim hoje?
- Uma ocasião que te impossibilitará de almoçar em casa este domingo. Sinto Muito!
- Vamos Logo! Fale de quem é o casamento!
- Sophie Bearwood e .
George pôde jurar que o sorriso brincalhão que tinha no rosto se apagara imediatamente após dizer o nome de . Mas rapidamente ela se recuperou e estampou outro sorriso, porém ele notou que os olhos dela já não brilhavam como em geral faziam quando sorria.
- E quando é?
- Bem... A festa de noivado é hoje e em uma semana é o casamento. - ele disse avaliando suas palavras.
- Duas semanas? - ela quase gritou - Esta garota está grávida?
- Como adivinhou? - ele riu e ela simplesmente deu de ombros - Muito bem, a família fará a cerimônia e a recepção em sua casa de campo.
- Não! A casa de campo, não! - ela sussurrou para si mesma, mas George ouviu e não pôde deixar de ficar curioso em relação ao porquê daquelas reações de à família .
- Bem, as fotos e a matéria têm que estar na minha mesa na segunda pela manhã. - apenas assentiu e já se levantou. - Espere, não disse ainda a maior surpresa! Você passará uma semana com os e a Srta. Bearwood para escrever a matéria. - ela estava pálida, mais que o comum e George ainda completou - Na casa de campo.
se sentou de uma vez segurando a cabeça com uma expressão um pouco assustada. George serviu-lhe um copo de água que ela bebeu pacientemente, parecendo muito nervosa.
- Está tudo bem? - George perguntou.
- Sim, estou... Bem. - ela disse como um robô - Eu tenho que ir agora, George, adiantar algumas coisas em relação aos outros casamentos para me dedicar ao casamento de .
- Tem certeza de que está bem?
- Absoluta. - ela deu um sorriso fraco e saiu da sala em direção à mesa.
Não podia ser verdade. se casaria. Se casaria com outra mulher.
Quando escolheu a profissão de jornalista decidiu pela parte de colunas sociais já que tinha medo do perigo e de novos desafios. Mas agora lá estava ela com o seu maior desafio na sua frente. E um desafio relativamente grande, deveria acrescentar. Apesar de tudo, não era uma covarde. Ela faria essa maldita matéria, passaria uma semana na casa de campo e não daria mínima a . Com sorte, talvez ele nem a reconhecesse.
sentou-se na cadeira ligando o computador e verificando a agenda, não pensaria em , pensaria neste casamento apenas como mais um, de tantos que já reportara. Mas não conseguia parar de imaginar se ele ainda conservava aqueles cabelos rebeldes que sempre caiam desarrumados sobre os olhos, fazendo com que ele erguesse a mão, jogando-os para trás, num gesto charmoso que quase matava de taquicardia.
Terminou de revisar a matéria que entregaria a George e parou por um instante olhando para as fotos que havia tirado dos noivos. já poderia ter sido promovida para outra seção há muito tempo, mas seu lado romântico não permitia que ela saísse de lá, já que noticiava tantos casamentos imaginando-se no lugar da noiva, com um maravilhoso vestido branco, entrando na igreja acompanhada de seu pai, olhando o noivo escolhido e amado. Era essa fantasia que a impelia a continuar no mesmo lugar. Respirou fundo e enviou por e-mail a matéria para George. Tinha que tirar da cabeça, mas uma pequena voz em sua cabeça a lembrava de que em dez anos nunca conseguira passar um dia completo sem pensar nele e no que ele fazia. Era loucura ignorar o fato de que ela ainda o amava.
- Kate, avise George que passarei o resto do dia em casa. Não estou me sentindo muito bem. - ela avisou uma colega e pegou sua bolsa saindo em seguida. Assim que saiu do prédio, em que situava o jornal, foi andando em direção a sua casa, mas parou no meio do caminho ao ver um elegante vestido preto em uma vitrine. Não resistiu. O vestido era lindo. De alças largas e um pouco justo, o que a deixara deslumbrante. Sabia que preto era uma das cores que menos gostava, exatamente por isso o vestido a encantara tanto. Tinha inúmeros vestidos em casa, mas tinha que estar perfeita para encarar o seu antigo e único amor.
- Possuímos este modelo em azul também. - disse a vendedora sorridente.
Não. Azul não era uma possibilidade. Era a cor favorita de , e com certeza, Sophie estaria vestindo um vestido azul sem alças que realçaria seus olhos enquanto estaria com um terno azul marinho e uma gravata combinado com o vestido de Sophie.
Rindo de sua própria ironia, não pôde deixar de imaginar como estaria o homem. Ela tinha certeza de que ele continuava lindo como o adolescente.
Em casa, ela se preparou para o fatídico encontro. Estava pronta para encará-lo e ignorá-lo. Tinha de ser profissional e não lembrar nem por um segundo as palavras que lhe dissera.
Deu um último retoque no batom e apanhou a bolsa contendo o gravador e o bloquinho de notas que sempre carregava consigo. Lembrando-se mais uma vez que aquele era um trabalho como qualquer outro, fechou a porta de seu apartamento. O único amor que deveria estar presente era o dos noivos que noticiaria. E invejaria.
Assim que deu as chaves do carro a um dos manobristas na frente da mansão , o seu coração começou a disparar. Por Deus, que ela não sofresse um ataque cardíaco na porta dos s. Respirou fundo e se repreendeu por ser tão tola.
- Seu nome. - disse uma mulher alta parada na porta.
- .
- A jornalista? Por aqui, senhorita. - ela disse apontando a entrada.
A música era boa, por isso se acalmou um pouco enquanto seguia o longo corredor que a levaria ao salão, onde aconteceria a festa de noivado.
O salão era realmente lindo, todo decorado em branco e prata. A decoração era com certeza muito cara e as taças de champanhe cheias, que circulavam em bandejas, mostravam isso. Assim como os castiçais, as mesas e tudo ao redor dela. tirou o gravador do bolso e começou suas anotações.
- Srta. ? - chamou alguém às suas costas.
se virou e teve certeza assim que a viu. Aquela era Sophie Bearwood, a futura senhora . Aquela era a mulher que escolhera para ele. Os cabelos platinados, os olhos perfeitamente maquiados e o vestido azul royal que lhe caia perfeitamente eram prova de que só podia ser ela. Além disso, o ventre proeminente já facilitava um pouco o reconhecimento.
- Srta. Bearwood. - cumprimentou estendendo a mão à moça que olhou-a com altivez - Meus parabéns!
- Obrigada, quero que a minha matéria saia perfeita, para isso quero que passe cada instante comigo para poder noticiar tudo. Além disso, quero que escreva como formamos um casal magnífico e como sou uma noiva doce, coisas do gênero.
apenas encarou a garota sem saber o que dizer. Como uma pessoa podia ser tão prepotente? Ela até pensou em responder algo, mas o viu.
Ele. . Caminhava em sua direção fazendo seu coração palpitar mais forte. Ao contrário do que pensara, ele vestia um terno preto, com a camisa azul e uma gravata da cor do terno e parecia mais lindo que nunca. Conservava o sorriso travesso e os olhos brilhantes, agora, mesclado com as feições mais másculas. se tornara um homem maravilhoso. Ele parou ao lado de Sophie e a abraçou colocando uma de suas mãos no ventre da noiva com carinho.
- , meu amor, essa é a jornalista que fará a cobertura do nosso casamento. Já lhe fiz algumas recomendações. Querida, esse é , meu noivo e amor, essa é... Como é mesmo seu nome?
- . .
Os olhos de se arregalaram, ele fora até a noiva para ver mais de perto a mulher com quem ela conversava e ter certeza de que seus olhos não estavam enganados. Ele jurara ter visto , mesmo depois de dez anos ele tinha o rosto dela gravado em si. E não estava enganado. Aquela era . A mesma que o deixara com o coração partido há uma década.
- Meus parabéns, Sr. . - cumprimentou. No mesmo instante alguém chamou Sophie e se desculpando, a loura partiu deixando-os sozinhos. Mais uma vez se obrigou a ser profissional - Tenho certeza de que a matéria será magnífica. O senhor tem algum ponto a esclarecer antes de eu começar? "Algum que sua linda noiva não tenha esclarecido." acrescentou ela em pensamento.
levantou o gravador e o olhou nos olhos. Tê-lo assim tão próximo podendo sentir o seu perfume a estava enlouquecendo. Era impossível amar alguém tanto assim depois de tanto tempo.
- Tem um ponto sim, . - ele disse num tom glacial que partiu novamente o coração dela - Volte de onde quer que tenha vindo. Nós já dissemos um ao outro tudo o que havia a ser dito, dez anos atrás.
- Está me mandando embora?
- Ora, . Está sendo mal-educado com a srta. ? - recriminou vindo na direção deles e dirigindo um sorriso fascinante para .
- Não, imagine Sra. ! - disse se afastando de - Ele é muito educado. Quase um gentleman.
- Oh! Quanta amabilidade, srta. . - a voz dele continha o mesmo sarcasmo que a de segundos antes - Me deixa até encabulado!
- Onde está Sophie? Tenho mais uma dúvida sobre a matéria a esclarecer com ela. E por falar nisso, tenho que lhe informar, Sra. , que não poderei aceitar o convite para permanecer esta semana em sua casa de campo. Sinto muito.
colocou as duas mãos sobre a boca e a olhou com certo desespero.
- Mas por quê?
- Tenho que terminar algumas matérias e não poderei me afastar da cidade.
- Ora! Pode resolver tudo isso na casa de campo. Lá é muito moderno e poderá enviar suas matérias por e-mail para seu chefe, - abriu a boca para tentar outra desculpa, mas completou:- E não aceitarei recusas, . Posso chamá-la assim, não é?
- Claro, Sra. . Mas não posso aceitar o convite...
- Vamos lá, Srta. . Será um prazer inenarrável hospedá-la em nossa casa de campo.
olhou para encarando-o por alguns segundos se lembrando do velho namorado. Com certeza esse homem frio e sarcástico nascera depois de suas palavras à beira do rio da casa de campo. Aquele não era o mesmo que amara. Era melhor não aceitar aquele convite. Não conseguiria encarar e a sua noiva por uma semana, imaginando que, aquela mulher ao lado dele poderia ser ela, mas não era. Abriu a boca para recusar, mas lembrou-se mais uma vez de que, naquela noite, devia ser profissional. Então respondeu-lhes com um sorriso:
- Tudo bem então. Mas só poderei ir em três dias. Tenho que acertar algumas coisas por aqui, primeiro. Mas garanto que na segunda feira, logo pela manhã estarei na casa de campo, Sra. .
- Que maravilhoso! Mas me chame de , querida. Afinal, seremos muito próximas depois dessa semana. – o tom de voz usado por foi estranho, até mesmo para , mas tanto ele quanto decidiram não comentar nada.
pediu licença e se afastou na direção de Sophie acertando mais alguns detalhes com a futura esposa de . Desligou o gravador e se afastou amaldiçoando tudo e todos mentalmente por estar naquele lugar. Caminhou até uma saída lateral, chegando lá, tirou um cigarro de dentro da bolsa e o acendeu com prazer.
Deu uma longa tragada sentindo um pouco do estresse abandoná-la. Fumar era um hábito terrível, mas não conseguia deixá-lo. Era sua válvula de escape, cada vez que se irritava acendia um cigarro e se sentia bem melhor. Cigarros melhoravam e muito sua tendência homicida, que, naquele momento estava altíssima graças a uma loura grávida. Apoiou-se na parede e começou a tragar vagarosamente. Sentiu que estava realmente se acalmando.
- Hábito saudável, hein? – alguém comentou.
- Sarcasmo é a pior forma de humor. A mais baixa delas. - comentou em resposta, já sabia que era , sentia-o se aproximar e não era nem pelo perfume. Era mais pelo fato de que, em dez anos, a ligação entre eles não diminuíra nada. Tragou mais uma vez, odiando a si mesma tanto por não largar o vício quanto por não esquecer . - O que quer?
- Quero que vá embora. Quero que se afaste de mim. Eu já sofri o suficiente, não sofrerei novamente.
- Eu não irei embora. Finja que não estou aqui, me trate apenas como uma jornalista que está fazendo a cobertura do seu casamento com a doce e gentil Sophie Bearwood.
- Sarcasmo é a forma mais baixa de humor, não é mesmo? - ele rebateu - Você pensa que é tão simples assim? É só eu ver os seus olhos e me lembro de cada uma de suas palavras. - ele abaixou a cabeça e fixou o olhar no chão - Eu deveria te odiar, .
- Então odeie. - ela disse mesmo sabendo que aquelas palavras a machucavam profundamente. Sempre se odiara por dizer tudo aquilo a , mas fizera o certo quando as dissera. - Será mais fácil para nós assim.
- . Eu não pude te odiar em dez anos. Como conseguirei em uma semana? - ela deu um passo na direção dele que a encarou, mas ela não fez mais nenhum movimento. Apenas lhe deu as costas e entrou novamente no salão. Jogando o cigarro no chão e o apagando, desejou nunca ter conhecido .
Quatro horas mais tarde, ela abria a porta de seu apartamento. Fora uma longa noite e por muitas vezes pensara que não conseguiria terminá-la. Fora angustiante ver abraçar e beijar Sophie, enquanto a jornalista sorria tolamente fingindo que estava tudo bem. E só de pensar nisso novamente a angústia a machucava. Abriu a bolsa a procura de um cigarro e se lembrou que havia fumado o maço inteiro naquela noite. tinha razão, aquele era um hábito terrível.
Pensou em buscar outro maço de cigarros, mas estava muito cansada para até mesmo pensar em se levantar do sofá onde se jogara quando chegou em casa. Duas horas depois, ouviu seu celular tocar e despertou de uma vez. Atendeu e a voz de George a fez sorrir, a despeito de toda a sua trágica situação.
- Olá minha jornalista favorita! E a matéria do noivado de ? - olhou no relógio e viu que já eram oito horas.
- Acordei agora, George. Me dê mais uma hora e meia e eu entrego a matéria por e-mail. Tudo bem?
- Claro! Na verdade, nem estou com tanta pressa assim. Queria saber se está tudo bem com você?
- Está tudo... Maravilhoso! Não poderia estar mais perfeito. - disse sem esconder uma pontada de ironia.
- , será que se esqueceu que fui eu quem lhe ensinei a ser irônica e sei muito bem como usar esse tom? Não quer me contar o que está acontecendo?
- Talvez uma outra hora. Tenho que terminar sua matéria agora. - ela fechou os olhos e se despediu de George desligando o celular e se levantando logo em seguida. Pegou uma xícara de café da cafeteira elétrica, que estava programada, e se sentou em frente ao computador ligando o gravador e escutando sua voz dizendo comentários irônicos a respeito da festa de . Esforçou-se para esquecer por alguns instantes dele e de seu sorriso perfeito e se concentrar na matéria em sua frente.
Após digitar a última frase e enviar a matéria. Ela se levantou e foi em direção ao banheiro. Por que justamente agora que quase nem se lembrava mais de , ele tinha que voltar? E junto com ele, as lembranças que se empenhara em esquecer e que agora, a atingiam novamente com a velocidade e a força de um raio.
olhou em volta e bocejou. Fechou os olhos novamente e apoiou a cabeça no travesseiro. Bebera demais na noite passada e agora enfrentava uma ressaca violenta. . Era tudo culpa dela. Por que ela voltara para sua vida? Justamente agora que estava tudo bem, que quase a esquecera completamente. Agora que seria pai.
Lembrou-se então da noite passada. Ela estava linda com aquele vestido preto. Tinha certeza de que a escolha da cor fora proposital. Ela sabia o quanto ele não gostava daquela cor. Na verdade ele gostava de qualquer cor, estando no corpo de . E ele tinha de acrescentar que o corpo dela se desenvolvera muito bem nesses dez anos. Lembrou-se que ela sempre ficara linda de azul, daí o motivo de ser azul, sua cor favorita. Sophie estava de azul na noite anterior, mas nem de longe estava tão linda como .
Dez anos não lhe permitiram esquecê-la, muito menos odiá-la por tudo o que ela lhe dissera. Tinha certeza de que iria amá-la mais que qualquer pessoa no mundo. O alerta do celular tocou lembrando-o que deveria encontrar Sophie na loja de presentes para escolherem a lista de presentes. Outra coisa tediosa que Sophie fazia questão de que ele participasse. Se dependesse dele faria apenas uma cerimônia no cartório e pronto. Apenas para que ele pudesse registrar o seu filho como um legítimo. Mas Sophie fazia questão de tantas coisinhas que para não faziam a menor diferença. Levantando-se a contragosto foi tomar banho para se encontrar com a futura esposa.
terminou de pentear os longos cabelos em um rabo de cavalo e correu para o carro. Aceitara o convite de para ajudá-la a preparar a lista de presentes. Vinte minutos depois, descia do carro na porta da loja. Entrou e viu Sophie e paradas a sua espera. As três foram até a seção de móveis e estava o tempo todo conversando animadamente com enquanto Sophie se queixava da demora de .
- Como ficou a matéria sobre o meu noivado? Espero que tenha ficado muito boa. E as fotos? Como eu estava? Parecia uma noiva doce e radiante?
- Ficou tudo perfeito! Você verá amanhã quando a matéria sair no jornal.
- Você falou bastante sobre mim? – a garota perguntou de novo com a sua voz irritante.
- Acho que não falei o suficiente. Estou pensando em uma entrevista exclusiva com a noiva do ano. A futura esposa de . - falou sem esconder uma ponta de ironia. E a tola Sophie bateu palmas animada. Como ela não conseguia reconhecer o sarcasmo presente nas palavras de ? Em cinco anos trabalhando na seção de casamentos nunca conhecera uma noiva tão irritante e egocêntrica quanto Sophie. E conhecera muitas noivas!
Enquanto andava entre os móveis com as duas, chegou à conclusão de que talvez Sophie não fosse a pior noiva que conhecera. O problema com Sophie era o noivo. tinha certeza de que, se o noivo fosse qualquer outro, ela não estaria ali naquele instante com um sorriso falso estampado no rosto e fingindo apreciar tudo o que Sophie escolhia.
- ! – gritou a loura correndo pela loja até o noivo que a abraçou carinhosamente e fez um carinho de leve na sua barriga. Para evitar as lágrimas, fingiu que apreciava uma mesa horrível que Sophie tinha escolhido. Sabia que não deveria amá-lo tanto assim, mas era praticamente impossível. Quando viu que e Sophie já haviam parado com a cena romântica, ela parou de fingir e voltou para onde todos estavam.
- Olá, sr. . Como vai? - ela perguntou com educação. Queria ir embora, não imaginara que seria tão difícil ver com outra.
- Muito bem, srta. . - Bem-educado era pouco para naquele momento.
Por mais de uma vez, se perguntou se chegaria ao final da semana. Tinha certeza de que seria difícil para ela ver o casamento, mas de certa forma seria bom, pois veria que não poderia mais ser seu e esqueceria de vez essa paixão maluca. Andando ao lado de fingiu sorrisos e expressões contentes. Sim, seria uma longa semana.
parou olhando um lustre, fingindo que o analisava, mas só conseguia pensar em . Ela estava o deixando louco. Ele perdia a razão apenas de ficar perto dela. Viu Sophie se aproximando e abraçou a noiva com carinho. O que queria mesmo era abraçar a bela mulher de jeans e camiseta verde que conversava educadamente com sua mãe.
- Amor, convidei para ir comigo à prova do vestido. Ela aceitou e ainda fará uma entrevista exclusiva comigo. Não é perfeito?
- Claro que é, Sophie. Isso significa que não preciso ir com você.
- Claro que precisa, amor. - ele tentou explicar a tradição do noivo não poder ver o vestido de noiva. - É muito importante ter sua presença, querido.
- Tudo bem então. - ele sorriu olhando para o ventre da noiva. - Você não está cansada, querida?
- Cansada? Por quê? - apontou para a barriga dela e ela o olhou entendo - Oh! O bebê, claro! Eu não estou cansada, amor.
Sorrindo mais uma vez, virou levemente a cabeça para ver que falava no telefone com um homem, pelo que ele podia ouvir. Se aproximou mais para escutar a conversa e saber quem era o tal homem e o que ele significava para ela.
- Não George. - ela dizia - Só na semana que vem. Sim, tenho certeza de que ficarei linda no vestido azul. Seu bobinho. - ela riu contente enquanto falava - Vejo você domingo depois do casamento. Passo aí para jantarmos juntos. Sim, sei que você me ama. Vou me cuidar, prometo. Beijos, tchau.
Assim que ela se virou ele deu um beijo na cabeça de Sophie. Então, tinha um homem a sua espera e o nome dele era George. Pois bem, que ela ficasse com ele. E com uma força incrível, as memórias do dia em que ela lhe dissera adeus voltaram e ele lembrou nitidamente das palavras e do rosto dela naquele momento tão cruel.
- Tenho que ir, agora. - ele a ouviu dizer - Tchau . Te encontro na casa de campo depois de amanhã - deu dois beijinhos no rosto da jornalista - Sophie, te encontro às dez, amanhã para a entrevista. - A loura suspirou encantada e se despediu de - Bem, até depois de amanhã, sr. .
- Até, srta. - disse - Deixe-me levá-la até o seu carro.
- Não é necessário.
- Eu insisto. - O tom de voz que usou não permitiu a discordar. Apenas seguiu-o até a saída para o estacionamento.
- Diga logo, . Ainda tenho que passar no jornal.
- Quero que traga o seu namorado George ao casamento - ele viu o rosto dela assumir um ar surpreso. Então, presumiu que estava certo. - E quem sabe, levá-lo para passar esses dias conosco na casa de campo. Ele sentirá sua falta se passar muito tempo longe. Além disso, a árvore torta estará disponível para vocês.
sentiu-se corar de tanta raiva. No começo achara divertido ver pensar que ela namorava George, mas sua raiva a consumiu quando ele fez aquela alusão ao passado deles. Aquela árvore era o ponto de encontro deles, fora aonde os dois trocaram as primeiras juras de amor e os primeiros beijos. Fora aonde ela descobrira o verdadeiro amor.
- Ora, . E o banco à beira do lago? Estará disponível? - ela não se sentiu nem um pouco melhor ao ver os olhos dele se escurecerem com a dureza de suas palavras. E abrindo a porta do carro completou: - George é apenas meu chefe, é casado e tem duas filhas. É um grande amigo. Não que o que eu faça ainda seja de sua conta.
Depois de dizer isso entrou no carro e dirigiu até o quarteirão seguinte onde estacionou e acendeu um cigarro sentindo a nicotina acalmar seu sistema nervoso. Mal disse mais uma vez e deixou as lágrimas escorrerem enquanto tragava mais furiosamente.
"Como ela consegue me ferir com tanta facilidade?", ele se perguntou mais uma vez, enquanto voltava para dentro da loja.
- Essa será a pior semana da minha vida. - disseram os dois ao mesmo tempo.
E mal sabiam que era apenas o começo.
Às dez e ponto, abriu a porta da elegante loja “Noivas e Buquês”. Imediatamente viu Sophie, e . Ela estranhou que ele estivesse lá. Afinal, ele não conhecia a tradição?
Decidiu-se por fazer uma entrevista rápida para ir logo preparar as malas e a paciência para passar uma semana com os s. Sophie a cumprimentou de longe enquanto veio em sua direção.
- Olá . - ela cumprimentou contente. Mas o seu humor real estava absolutamente longe disso. - Seu filho não conhece a tradição? Não tem medo do azar dedicado aos noivos que vêem o vestido de noiva antes da hora?
- Sophie fez tanta questão! - respondeu somente e teve a impressão de que talvez nora e sogra não fossem tão amigas assim.
As três mulheres caminharam até um manequim vestido com um belo modelo clássico sem alças. começou a entrevista ignorando . Fez algumas perguntas sobre a infância e a adolescência da mulher, enquanto uma sorridente vendedora mostrava incríveis vestidos a Sophie que fazia caretas para todos eles.
continuou com a entrevista, mas não prestou atenção em metade do que a noiva respondia, ainda bem que o gravador estava ligado. Ou a matéria seria um fiasco.
- Oh, meu Deus! É esse! Tem de ser esse vestido! - gritou apontando para um vestido de alças finas e decote profundo com a cauda mais longa que já havia visto. A vendedora assustada entregou o vestido a Sophie que olhou para pedindo a opinião dele. O homem apenas assentiu e a empolgada noiva foi com até o provador para poder experimentar.
- Com medo de mim, ? - ele perguntou quando se afastou indo em direção aos maravilhosos véus que estava na vitrine.
- Imagine, . - a voz dela era sarcástica e podia sentí-lo observando-a enquanto estava de costas.
Sophie logo voltou e tirou a máquina fotográfica de dentro da bolsa. Fotografou a loura e observou que andou até a noiva e deu-lhe um beijo na testa.
- Você está linda, querida. Será a noiva mais linda de todas, não é srta. ?
- Com certeza. - ela concordou sem nenhum pingo de entusiasmo.
- Tem alguns detalhes a serem ajustados, srta. Bearwood. O vestido só poderá ser entregue na quinta feira. – a vendedora avisou.
- Como assim? Meu vestido não pode ser entregue na quinta feira. Levarei meu vestido hoje. - Sophie gritou com a mulher fazendo ter ainda mais vontade de esmagar a loura.
- Não há nada que se possa fazer? - perguntou a assustada vendedora.
- Bem, ela pode ficar em pé com o vestido enquanto nossas costureiras ajustam em seu corpo.
- Não posso fazer isso, estou grávida. Não ficarei em pé por sei lá quanto tempo. A não ser que... - Sophie encarou que a encarou de volta sem entender nada. Andou até a jornalista e parou ao lado dela. - Eu sabia! Temos a mesma altura! Você poderia provar o vestido enquanto as costureiras fazem os ajustes. Não? - Com todos na loja olhando para tudo o que ela pode fazer foi ir com Sophie até o provador.
Minutos depois, Sophie estava de volta à sala e no provador mirando sua imagem no espelho. Desejou estar naquele vestido para valer e não apenas para ajudar Sophie. Queria estar vestida de noiva e ver esperando-a no altar com aquele mesmo sorriso que ele estampava ao encontrá-la dez anos atrás. Mas sabia que era pedir demais.
- Está pronta, ? - perguntou tirando-a do transe.
- Claro! Vamos logo, pois ainda tenho que terminar a entrevista. - saiu do provador e subiu num pequeno palco onde imediatamente duas costureiras começaram o trabalho. - Podemos continuar a entrevista, Sophie?
A loura sorriu e com o gravador na mão, a jornalista continuou a entrevista do ponto onde havia parado.
olhou para mais uma vez. Sophie ficara encantadora de noiva, mas não conseguira fazer seu coração disparar como conseguira ao sair daquele provador com o vestido de noiva em seu corpo. Ele se permitiu imaginar tudo o que poderia ter acontecido depois daquele dia em que ela lhe dissera adeus se ela não o tivesse deixado. Com certeza, estaria vendo de noiva como estava vendo naquele momento, mas ela estaria de noiva pronta para se casar com ele. Provavelmente já teriam um belo filho e não poderiam estar mais felizes. Mas não era isso o que acontecia no momento. Via sorrir vestida com aquele vestido deslumbrante e tinha que admitir que ele se casaria em cinco dias e depois disso tudo o que teria de seriam lembranças.
observou o filho atentamente. nunca conseguira disfarçar muito bem as emoções. E com certeza ele estava tentando a todo custo disfarçar o encantamento que sentia pela bela jornalista vestida de noiva. Ele não podia negar. Estava perdidamente apaixonado por aquela mulher. Aliás, sempre estivera.
Duas horas depois, voltava do provador vestida com jeans e camiseta, enquanto o vestido era entregue em uma caixa branca à Sophie que dava pulinhos eufóricos ao redor da caixa. Suas pernas estavam doloridas e seu coração estava pesado. Era tão complicado ver e Sophie juntos como se fossem um casal feliz. Mais complicado ainda era ainda ter coragem para suportar tudo aquilo. Deveria desistir, mas não faria isso. podia ter inúmeros defeitos, mas fraqueza e covardia não estavam entre eles. Se despediu de todos na loja e entrou no carro. Aquele era apenas o começo. No dia seguinte as onze e meia tinha de estar na casa de campo conforme combinara com . E o mais doloroso não seria apenas ver e Sophie agindo como o casal perfeito, o pior era ter de passar quatro dias em um lugar onde cada canto tinha uma lembrança, tanto alegres quanto dolorosas.
Ao chegar em casa, jogou a bolsa no sofá e colocou o gravador e a câmera ao lado do computador. Tomou um relaxante banho de espumas e fumou outro cigarro. Sentia todo o seu corpo dolorido e fechou os olhos para relaxar um pouco mais.
Devia ter até cochilado quando ouviu a campainha tocar. Colocou um roupão depressa e caminhou para a porta. Nem se deu ao trabalho de ver quem era e a abriu.
- eu... - fechou a porta antes que pudesse dizer mais alguma coisa. - abre! Eu quero conversar com você. - ele disse encostando a cabeça na porta - Por favor, eu... Não te agradeci ainda pelo que fez a Sophie.
- Pronto. Já agradeceu, pode ir embora agora. - disse ela abrindo e fechando a porta logo em seguida, mas ele colocou o pé no batente impedindo-a de fechá-la novamente.
- Temos que conversar . - ela fechou os olhos, cansada - Você acha que é simples ficar dez anos sem nem ao menos ver você e de repente ter que conviver com você durante uma semana inteira?
- Eu sei que não é fácil. Também está sendo complicado para mim.
abriu a porta de uma vez e a abraçou com toda a força que foi capaz. Ele sentiu o perfume dela e fechou os olhos lembrando os bons momentos dos dois.
- Senti tanto a sua falta. A dor de não poder ter você foi pior que a de suas palavras. - ele sussurrou perto do ouvido dela.
Ela o afastou o suficiente para tocar o rosto dele com carinho, o viu inclinar o rosto em sua mão e fechar os olhos. Tantos anos e acontecimentos ficaram para trás naquele momento. Ele foi se aproximando até seu nariz tocar o dela, e tudo o que pôde fazer foi fechar os olhos ao sentir os lábios dele nos seus.
O beijo foi calmo e suave. Assim como dez anos atrás.
- , eu... - ele disse se afastando - Eu... Por Favor, me diga que ainda me ama. Volta pra mim, diga que sente o mesmo que eu. - Ele segurou a mão dela e colocou-a em seu peito a fazendo sentir as batidas descompassadas. - Eu desistirei de tudo por você. Eu não posso me casar com Sophie, não posso iludi-la. Eu amo e sempre amei você. Diga que voltará para mim!
A testa dele estava encostada na dela e se sentiu mais leve depois daquelas palavras. era a mulher da vida dele, era incoerente se casar com outra.
- Não posso. - ela disse. - Volte para sua noiva e para o seu filho e me esqueça, .
Novamente com os mesmos olhos escurecidos de tristeza, a encarou. Arriscara o coração novamente àquela mulher e mais uma vez, como há dez anos, ela o quebrara.
apontou a porta, esperando que ele fosse embora.
- Já disse tudo o que havia para ser dito, . Adeus.
Lentamente ele andou até a porta e encarou-a mais uma vez antes de ir. Assim que ele já estava fora do apartamento ela fechou a porta e se deixou escorregar por ela com as lágrimas nublando os olhos. Era a segunda vez que abria mão de . E usou as mesmas palavras que usara dez anos antes. As mantinha frescas na memória. agora tinha um filho, uma criança precisava de todo o amor de um pai e não podia privar essa criança, que ainda nem havia chegado ao mundo, da presença do pai. Seria melhor assim.
apertou o botão do elevador com raiva. devia ter aquelas palavras decoradas ou escritas no seu livro de cabeceira. Era a segunda vez que as escutava e jurava que dessa vez seria a última. Todo o amor que tinha por ela devia ser esquecido. Em cinco dias ele teria uma esposa e um filho. Tinha de esquecê-la. estava certa, admitiu enquanto entrava no elevador apertado.
O dia amanheceu azul e limpo ignorando a tristeza dos dois corações partidos. juntou os pertences mais importantes em uma mochila e levou a mala até a porta.
Terminando de pentear o cabelo disse a si mesma em frente ao espelho:
- Boa sorte, . Vai precisar.
E imediatamente ouviu a buzina do carro que mandara para buscá-la. Observou o motorista colocar sua única mala no porta-malas e entrou no carro com o coração acelerado. Não queria ver novamente, mas teria de vê-lo o dia inteiro pelo resto da semana e ainda por cima no local onde se encontraram pela primeira vez.
Nem percebera que tinha dormido até o motorista chamá-la. Deu um sorriso fraco e pegando a bolsa desceu do carro admirando a vista da bela entrada da casa de campo.
- querida. Sempre pontual! - disse assim que a viu. Com outro sorriso fraco, a acompanhou enquanto a mulher mostrava a casa e fazia alguns comentários a respeito da organização da cerimônia, das empresas que trabalhariam no evento e outras coisas. - Venha conhecer seu quarto, querida.
A mulher a conduziu até o segundo andar onde lhe mostrou um quarto decorado de azul e creme onde se sentiu acolhida, andou até a janela admirando o ambiente e sentiu lágrimas nos olhos quando viu a vista. Sua janela ficava bem em frente ao banco à beira do lago. O mesmo banco onde anos atrás, se despedira de .
- É lindo, . Adorei, muito obrigada.
A mulher deixou-a para que relaxasse e descansasse antes do almoço. E assim que ouviu a porta se fechar se permitiu chorar mais uma vez, ao olhar para o lago se lembrando de um certo dia.
#Flashback#
estava sentada no banco, que ficava a beira do lago, nervosa. Ela tentava a todo instante se convencer de que o que estava fazendo era o certo. Ela sentiu a boca de em seu pescoço e deu um risinho baixo. Ele conhecia seu ponto fraco.
- Meu amor, tenho uma coisa muito importante para te falar.
- Eu também, .
rira da seriedade dela e pedira para falar primeiro. concordara e ele pegara em uma de suas mãos que estavam totalmente suadas de tanto nervosismo.
- , eu sei que já te disse inúmeras vezes que eu te amo. E eu quero que esse nosso amor não seja mais um caso secreto. - ele se abaixou ainda segurando a sua mão - Eu quero que seja minha namorada, .
- Eu... Não posso. - ela observou a expressão feliz dele, se tornar decepcionada e o seu peito doeu mais forte. Levantou-se do banco onde estava sentada e soltou sua mão da dele. - Sinto muito, . Não posso.
viu os olhos dele se escurecerem tristes e seu coração ficou ainda mais pesado. Se odiando ela andou na direção oposta à casa de campo.
- Só me diz por que ! Por que você não pode ficar comigo? Por que me iludiu dizendo que me amava?
Ela não se virou. Não tinha coragem para tanto. Não conseguiria ver chorar.
- Já disse tudo o que havia para ser dito. - deu mais um passo e virou para trás o encarando uma última vez. - Adeus, .
E olhando ela se afastar em silêncio, sentiu uma parte de seu coração ir embora junto com ela.
#Fim do Flashback#
- Tudo bem, ?
- Claro, Sophie.
- Você pareceu estar longe agora. Está acontecendo algo?
- Não, Não se preocupe só estou pensando em alguns problemas da empresa. - Sophie lhe deu um leve cutucão na barriga.
- Seu bobinho! Não pense em trabalho agora. Essa é a semana de nosso casamento. Você só pode pensar em nós dois.
"Mas só consigo pensar em !" Pensou e abraçou Sophie com mais força se obrigando a tirar de sua mente de uma vez por todas. Mas sabia que nem em mil anos a imagem da jornalista sairia de sua memória.
- Vamos descansar antes de almoçar. - disse a Sophie caminhando em direção à casa.
O quarto de Sophie era o primeiro do corredor do segundo andar. A decoração dele era toda em cor de rosa, e não achara pertinente deixar e Sophie no mesmo quarto, pois causaria ainda mais comentários do que já haviam com aquele casamento às pressas. O quarto de era o último do corredor e infelizmente tinha vista para o lago. Ele ocupava aquele quarto desde a primeira vez que visitara a casa de campo. Após deixar Sophie em sua porta foi pelo longo corredor para o seu quarto, mas no caminho escutou uma música estranha. Parecia vir do quarto azul. Andou vagarosamente até a porta que estava entreaberta e viu deitada na cama escutando a música hipnótica que ele escutara no corredor.
Seria muito mais difícil do que ele imaginara esquecer . Ainda mais com a presença dela assim.
- Algum problema, filho?
- Não, mãe. Está tudo em ordem. - ele disse sem se virar para a mãe e continuou o longo corredor até seu quarto.
- Esse garoto é realmente um ! - disse para si mesma enquanto observava o filho bater a porta do quarto com força. - Mas dará o braço a torcer um dia e esse dia está próximo!
E sem dizer mais nada saiu da frente do quarto da jornalista e seguiu para a cozinha para ver como estava saindo o almoço.
Quando todos se sentaram na mesa da sala de jantar, o almoço pôde ser servido. Sophie foi a última a descer alegando que havia dormido demais.
- Isso vem acontecendo muito ultimamente. Deve ser por causa da gravidez.
abraçou a esposa com carinho e o mordomo começou a servir. deu um sorriso sincero ao notar que o menu do almoço era strogonoff. O seu prato preferido.
Comeram conversando educadamente. Nenhum assunto fora da organização do casamento foi introduzido por nenhum da mesa. Após o cafezinho, pediu para mostrar a área a Sophie e . Na hora inventou algo urgente para entregar à redação do jornal por e-mail e se levantou saindo da mesa.
Conhecia a área toda de cor. Seus pais moravam ali antes e ela conhecia a reserva onde a casa de campo ficava. Um dia fora um pouco mais além. Para perto do lago e encontrara . Se encantou com o lindo garoto de olhos expressivos e ele acabou se apaixonando por ela. Nascera um amor lindo entre os dois. Mas que sabiamente terminou. Ela e não deveriam ficar juntos. Eram diferentes demais. Ela não era rica como ele e sabia muito bem como terminavam relacionamentos assim. Sua mãe e seu pai eram um caso de sorte. Um dos raros casais que continuaram juntos apesar da pressão dos pais de sua mãe para terminar.
decidira que não deixaria que ninguém interferisse no relacionamento entre ela e e antes que alguém fizesse isso, ela mesma terminara. Fez isso pensando que seria mais fácil para eles no futuro e se enganou.
não saía de sua cabeça um instante sequer.
O dia passou rápido e antes de dormir, foi até a sacada observar as estrelas. Era disso que sentia falta na cidade: o ar livre. Na cidade mal conseguia vê-las e no campo elas apareciam sempre esplendorosas.
- É tão lindo!
- Sim! Sempre é! - escutou dizendo atrás de si.
- ? O que faz aqui?
- Minha mãe me mandou ver se não precisava de mais nada. Queria que a hóspede principal dela estivesse maravilhosamente instalada.
- Ironia é...
- ...a forma mais baixa de humor. Já sei disso! - ele riu.
- Por favor, vá embora! - ela disse em voz baixa sentindo que se ele permanecesse ali ela poderia não resistir mais.
- Está com medo? Você tem medo de mim? Ou medo de sucumbir? - ela apontou para a saída e ele deu uma risada seca - Já estou indo embora, . Na verdade, nem sei por que minha mãe mandou que eu viesse ver se você está bem instalada. Você deveria estar é bem longe daqui.
- Sinto muito , teremos que ser amiguinhos ou pelo menos bem educados um com o outro, até sexta.
- Ironia é a forma mais baixa de humor, Srta. .
Após essas palavras ele fechou a porta e não pôde ver a expressão tola no rosto dela. Nunca deixaria de amar aquele homem.
No dia seguinte, a organização para o casamento foi bem corrida. corria de um lado para o outro com o gravador na mão fazendo anotações e corrigindo detalhes que poderiam ser usados mais tarde na matéria.
se preocupava com os assuntos da empresa que estavam um pouco acumulados desde que recebera a fatídica noticia de que Sophie estava grávida. Preparar tudo e ajudar na organização com a sua noiva e sua mãe estava lhe tomando muito tempo e não podia deixar de lado a empresa.
Sophie e estavam sempre discutindo pontos sobre a organização e a decoração. quase já não conseguia mais esconder que odiava a criatura irritante que se casaria com o seu filho.
Mais uma vez o dia passou rápido e trancara a porta do quarto para evitar que viesse lhe fazer outra visita, pois a última já lhe causara sonhos bem estranhos em que eles se casavam e aproveitavam a lua de mel.
O dia anterior ao casamento amanheceu tumultuado. Os convidados já começavam a chegar e entre eles os pais de Sophie que mostravam claramente de quem a filha tinha herdado tanta arrogância e egocentrismo. se recolhera no escritório usando de pretexto a empresa, mas na verdade não queria encarar que transitava pela casa inteira com aquele gravador irritante. Na verdade ele não queria ter que resistir a ela novamente. Em cada minuto em que estavam juntos ele sentia o desejo de jogá-la no colo e fugir para bem longe com ela. Mas apesar de tudo, ele era um homem responsável e estava lá pelo filho que Sophie esperava.
À noite sua mãe resolveu servir um conhaque no terraço e participou com um sorriso no rosto. Ele conhecia aquele sorriso e sabia que ele era falso. Ela já não suportava mais ouvir as reclamações de Sophie e sua mãe, que tinha a voz mais aguda que já ouvira.
olhou para o rosto da Sra. Bearwood e desejou poder assassinar a mulher a sua frente. Faziam mais de trinta minutos que a mulher falava sem parar sobre ser importante na alta sociedade e ela temia dormir no meio daquele monólogo da Sra. Bearwood.
Deu um bocejo e se desculpou dizendo que iria dormir.
- Oh! venha comigo até o meu quarto que quero lhe mostrar as duas cores de sombra que pretendo usar e quero que você me ajude a escolher qual ficará melhor nas fotos.
Contendo um suspiro impaciente, seguiu a loura até o quarto. Ajudou-a e foi até o seu. Estava tão cansada que apenas deitou na cama e dormiu de imediato.
não deveria entrar no quarto de , mas a viu dormir calçada e resolveu deixá-la mais confortável. Tirou os tênis dela e a cobriu. Ele olhou para os lábios dela e não resistiu ao impulso. Deu-lhe um leve beijo em sua boca que se aninhando mais aos cobertores chamou o nome dele.
Com um sorriso bobo, saiu do quarto. Ela o queria, mas não admitiria. Pena que era tarde demais. Aquela era a sua última noite solteiro. No dia seguinte, ele seria um senhor casado e pai. E teria de esquecer a bela mulher que fora e ainda era a única que conseguia fazê-lo sentir o amor.
Ao acordar, decidiu fazer uma introdução na matéria e procurou seu gravador. Não encontrou-o e resolveu tomar banho antes de procurar novamente. Depois do banho procurou novamente, mas ainda não achava. Foi quando se lembrou que o esquecera no quarto de Sophie.
Bateu duas vezes na porta do quarto da futura noiva e ela abriu com um sorriso cativante.
- Oh! Olá !
- Olá, Sophie! Eu só queria saber se por acaso não esqueci o meu gravador aqui ontem?
- Só um instante, querida. - alguns minutos depois Sophie voltou com o seu gravador na mão. agradeceu e voltou para o seu quarto onde se preparou para o casamento. Era cedo ainda quando ficou pronta, então resolveu começar a matéria ligando o gravador. Escutou a voz de Sophie e prestou atenção no que a voz dela dizia:
- Claro que vai dar certo, mamãe! nem desconfia que esse filho não é dele. E quando descobrir, já serei a dona da empresa e Sra. . Nem em sonho os vão querer um escândalo envolvendo o nome deles.
A boca de se abriu de uma vez. Sophie estava grávida de outro e se casaria com por dinheiro. Ela não podia deixar que isso acontecesse. Amava e não deixaria que aquela loura o enganasse.
Desceu correndo as escadas até a pequena capela onde estava. Chamou-a e pediu para conversarem em particular. As duas foram até o escritório de e fechou a porta.
- Muito bem, . Me diga o que você tem de tão importante a me dizer.
- O filho que Sophie espera não é de .
- Como é? - ligou o gravador e a mulher ouviu a declaração de Sophie. - Oh! Meu Deus! - disse com a mão sobre a boca totalmente surpresa. - Pressentimento de mãe não falha, querida. Eu já sabia que havia algo de errado com Sophie e é exatamente por isso que está aqui.
- Não entendi.
- Eu sei que ama , . E meu filho a ama também. Faz dez anos que não vejo mais um sorriso no rosto de meu filho. Não sei o que aconteceu entre vocês naquela época, mas sei que você levou um pedaço dele com você. Um pedaço que está mais do que na hora de devolver, creio eu.
- A senhora acha?
- Sim. Vocês se amam. Fazem um casal tão bonito, devem ficar juntos. , como foi que não percebeu? Eu poderia ter escolhido qualquer outra jornalista para fazer esta matéria sobre o casamento de , mas escolhi você. Eu já tinha o pressentimento de que você seria a futura Sra. desde que a vi há dez anos.
- Obrigada. Mas, antes de mais nada temos logo que contar a tudo isso.
- O que vocês tem a me contar? - perguntou abrindo a porta no mesmo instante em que fechou a boca.
- É muito importante . Por favor, espero que não reaja de forma exagerada. - disse com seu tom maternal.
e a mãe dele contaram a ele o que acontecia e não esboçou nenhuma reação. Apenas olhou pela janela e passou a mão pelos cabelos do mesmo jeito que um dia fez se apaixonar.
- E então, o que vai fazer ?
- Me casar. - ele disse simplesmente.
As duas mulheres encararam o homem como se ele estivesse maluco.
- Já está quase na hora do casamento. Não queremos um escândalo para a família como Sophie bem disse. E a maioria dos convidados já chegou. O que tenho a fazer é me casar.
- Mas, ... Sophie... – protestou com o coração batendo freneticamente.
- Quem disse que eu vou me casar com Sophie? - perguntou olhando fundo nos olhos de . deu um sorriso encantador e se afastou deixando os jovens na frente da janela.
- ... Eu...
- Não Diga nada, . Dessa vez você não me dirá adeus e não dará desculpas para o que está sentindo. Eu sei que você me ama também. Então assuma de uma vez esse amor e vamos recomeçar de onde paramos.
- eu me casarei com você. - ela cortou.
- E tenho certeza de que tudo será como antes e... O que você disse?
- Que me casarei com você! Porém temos que pegar o meu vestido de noiva que está no corpo de Sophie.
- Para quê? Você está maravilhosa neste vestido. - riu e a puxou, subindo as escadas para o segundo andar seguido de sua mãe.
Uma hora depois, Sophie e a família Bearwood saia em silêncio em um carro escuro pela saída lateral da casa de campo da família .
Os Bearwood também não queriam um escândalo e quando mostrou a eles como podia ser vingativo e mostrar a gravação de para a alta sociedade tão exaltada pela Sra. Bearwood, a arrogante família concordou em sair em silêncio da casa de campo e da vida dos s.
estava nervosa. Como tudo pudera se resolver daquela maneira? Não acreditava que se casaria com !
Ele também estava muito nervoso. Estava com medo de desistir em cima da hora. Sua mãe lhe dissera que ela era a noiva mais linda que ele já havia visto e ele não duvidava nem um pouco disso, ela era linda de qualquer forma e devia estar ainda mais exuberante vestida de noiva.
Quando a viu entrando na igreja, teve de concordar com sua mãe.
A campainha da casa de George tocou e ele se levantou do chão onde brincava com suas filhas.
- ! - cumprimentou ele ao vê-la parada na porta. E então um rapaz saiu de trás dela e a abraçou com carinho.
- Vim para o jantar que combinamos, George. - ela riu da expressão surpresa do chefe e completou - E trouxe um convidado se não se importa.
- Oh! Não! Entrem.
George abriu a porta e andou até o casal parado no meio da sala. Olhando interrogativamente para , viu Violet chegar da cozinha e se surpreender com a presença daquele belo moço abraçado a .
- Olá Violet! - cumprimentou .
- Olá! - disse a mulher um tanto surpresa.
- Oh! George não poderei entregar a matéria sobre o casamento de Sophie Bearwood e .
- Não? Por quê? – perguntou o editor assustado por não ter a matéria que pedira.
- Por que se casou com . - disse sorrindo.
George se aproximou da esposa e admirou . Tinha certeza de que chegara ao coração do mistério que envolvia os
e sua jornalista favorita.
Fim
N/a: Fofíssimos do meu coração, eu quero agradecer a todos que
me ajudam a escrever essas coisas que são tão especiais para mim. (aka:fanfics).
Mari, Line, Nalis e todo o povo que sempre está comigo quando eu mais preciso.
Eu amo dividir esses momentos com vocês, então muito obrigada a você também que
está lendo essa fic! Valeu de coração! Bem, acho que tenho que mandar uma beijoka
pro Lu e acho que é tudo. Eu não gosto muito dessa fic, então se você também não
gostar, me avise, ok?! Beijokas. (@Laryzza)
Lary F.