Autora:
Beta-Reader: Annie Brissow


Prólogo

Nem sempre eu fiz a coisa certa, mas até hoje não me perdoo por aquele dia. Eu me sinto culpada, e na primeira oportunidade acabo com essa história de uma vez por todas. Só não fiz isso até hoje porque meu irmão nunca deixou, ele já devia saber que eu sou a culpada de tudo. Eu acho que ele não deixava eu fazer o que queria porque ele queria fazer com as próprias mãos. Talvez eu esteja ficando louca, mas é nisso que eu penso todos os dias quando acordo.

Cap.1

Flashback

- Mãe, eu não quero sair da festa. – eu dizia ao telefone, enquanto minha mãe queria que eu fosse embora da festa onde eu estava: com um deus grego, ui, beijando meu pescoço.
- , eu não quero saber se você quer ou não sair da festa, eu tô falando pra você vir embora agora. – ela disse brava.
- Mãe, quem vai me levar pra casa? – eu perguntei.
- , você não disse que quando quisesse ir embora sua amiga te trazia? – ela perguntou.
- Mãe, não dá. – eu olhei para onde minha amiga estava, e quase não a vi porque tinha um menino quase a comendo em um canto. – Ela tá bem... ocupada.
- , dá um jeito e vem. – ela disse, desligando. Eu ficava muito nervosa quando ela fazia isso. Ai, cara, e agora, como eu vou embora?
- E aí, gata, vai ficar? – o menino que estava beijando meu pescoço se manifestou. Eu olhei pra ele. Nossa, eu nem sabia o nome dele.
- Err... eu vou ter que ir embora. – eu disse, empurrando ele, que estava muito bêbado, e saí à procura do meu irmão, já que ele estava de carro. Quando cheguei, ele estava quase comendo uma menina, magina se não estava, né?
- . – eu disse, o cutucando, e ele me olhou com cara de poucos amigos – Você pode me levar para casa? – eu perguntei.
- Pirralha, não tá vendo que eu estou ocupado? – ele perguntou.
- Minha mãe disse que eu tenho que ir para casa agora. – eu disse.
- E o que eu tenho a ver com isso, eu não moro mais lá. – ele disse e voltou a beijar a menina.
- Tá legal, né – eu disse e sai de lá. Peguei meu celular – Mãe, não tem ninguém para me levar, sério. – eu disse, implorando pra ela me deixar ficar.
- Então eu vou te buscar. – ela disse, e eu suspirei.
- Tá legal mãe, na hora que tiver chegando me liga. – expliquei o endereço pra ela e desliguei. Não demorou muito e minha mãe me ligou. Me despedi da minha amiga, , e saí da festa. Fiquei esperando lá fora quando vi o carro do meu pai virando a esquina, só que, quando eles estavam virando, um carro descontrolado veio na direção do carro deles e bateu. No momento fiquei sem reação, mas depois comecei a chorar e quis ir em direção de onde tinha sido o acidente, mas tinha que chamar meu irmão primeiro, não ia conseguir ir lá sozinha. Entrei correndo e o procurei, tudo parecia em câmera lenta. Quando encontrei ele, eu não sabia o que falar, tinha um bolo na minha garganta, mas quando ele viu que eu estava chorando soltou a menina e me abraçou forte.
- O que foi? – ele perguntou preocupado. Eu e meu irmão sempre fomos assim, brigávamos o tempo todo, mas nas horas difíceis ou quando eu precisava dele ele sempre foi o primeiro a me ajudar, eu o amava muito.
- Liga para a ambulância. – eu consegui dizer, e ele me olhou preocupado, mas ligou. Eu o puxei para fora da festa, e quando ele viu o carro dos nossos pais capotado no meio da rua ele abaixou o telefone que estava na sua orelha e me olhou.
Foi tudo muito rápido: a ambulância chegou, um senhor veio falar com meu irmão, que estava abraçado comigo chorando.
- Vocês são o que do casal? – ele perguntou.
- Filhos. – ele respondeu.
- Sinto informar que a mãe de vocês sofreu uma batida muito forte no cérebro e não suportou. – ele disse.
- Você tá querendo dizer.... – eu não consegui terminar a frase, e meu irmão me abraçou com força.
- Eu tô querendo dizer que ela faleceu, meus pêsames. – ele disse, e eu comecei a chorar mais.
- Nós vamos levar o pai de vocês para o Hospital St. Mary. – ele disse.
- Nós vamos com vocês pra lá. – meu irmão disse, já pegando a chave do carro.
- Eu quero ir dentro da ambulância. – eu disse, já indo em direção da ambulância.
- Não, você vai comigo de carro. – ele disse, me olhando sério.
- Tá bom. – eu disse, me encolhendo com o olhar dele.
Entramos no carro dele sem falar nada. Eu chorava descontroladamente. As ruas estavam tranquilas, as pessoas em suas casas dormindo tranquilamente e eu aqui indo em direção ao hospital onde meu pai estava, e tudo por minha culpa, por eu tê-los feito irem me buscar. Que merda, agora minha mãe estava morta e eu aqui bêbada, com cheiro de cerveja e cigarro, e de quebra com um chupão no pescoço.
Chegamos ao Hospital. Enquanto meu irmão assinava uns papéis, já que ele era maior de idade, eu andava de um lado para o outro, esperando notícias do meu pai. terminou de assinar todos os papéis e se sentou em um banco, escondendo o rosto com as mãos, quando o médico entrou na sala de espera.
- Vocês são os filhos do senhor Santos? – ele perguntou.
- Sim, somos nós. – eu disse, parando de andar e olhando pra ele.
- Nós vamos ter que fazer uma cirurgia no Sr. Santos, porque ele sofreu uma grande batida. É uma cirurgia de risco, então haverá chances de ele não sobreviver. – ele disse, olhando pra nós. Concordamos. A cirurgia era cara, mas como nós éramos ricos não tivemos problemas com isso.
Depois de 6 horas esperando terminar a cirurgia, o medico saiu.
- Infelizmente, não temos boas notícias. – ele disse, e eu abracei meu irmão, chorando mais.

Cap. 2

- A cirurgia não foi tão boa quanto esperávamos, e ele está na UTI em observação. – disse o médico.
- , eu quero ficar aqui. – eu disse, e olhei para meu irmão.
- ... – não terminou de falar porque o médico o interrompeu.
- Não adianta vocês ficarem aqui, vocês não podem entrar no quarto. Pode deixar que qualquer coisa a gente avisa vocês. – ele disse, e olhou para meu irmão.
- Tá bom, qualquer coisa me liga mesmo. – disse, me abraçando e me levando para fora do hospital.
- , me desculpa. – eu disse, e comecei a chorar mais. Ele me olhou espantado.
- , você não tem culpa de nada. – ele disse, dando um beijo na minha testa e me puxando para dentro do carro.
Entramos no carro em silêncio, só dava para ouvir os soluços baixos do meu irmão e eu chorando. Chegamos em casa e todas as lembranças dos momentos em que a gente havia passados juntos vieram à tona. não foi para a casa dele e eu fui direto para o quarto dos meus pais. Tirei as minhas sandálias de salto, peguei uma camisola da minha mãe e me enrosquei na cama dos meus pais. Ela tinha o cheiro deles. Chorei muito mais do que eu achava possível, era uma dor imensa. veio até mim, tirou seu tênis e sentou na cama, colocando minha cabeça no seu colo e fazendo cafuné.
- Estamos juntos. – ele disse e se abaixou para me dar um beijo na bochecha.

Já era quase de manhã, eu e estávamos dormindo no quarto dos meus pais. O sol batia fraco dentro do quarto, pouco para já podermos distinguir as coisas no quarto. O celular de tocou, e ele colocou a mão no bolso da calça e atendeu.
- Alô! – ele disse nervoso. Estava esperando um notícia ruim e eu estava tensa esperando ele terminar de falar. Abracei o braço dele, olhando para o seu rosto.
- Tá certo, estamos indo. – ele disse, levantando da cama e desligando o celular – Eles pediram para a gente ir para o hospital.
Eu levantei, coloquei uma sandália aberta e, como eu estava com a mesma roupa que eu fui para a festa, um vestido curto preto. Coloquei uma calça, uma blusinha e uma blusa de frio e saímos.
Chegamos no hospital e o médico já estava nos esperando.
- Vamos ao meu consultório. – ele disse, e seguiu em direção a um corredor branco enorme. Chegamos em sua sala, com seu nome gravado na porta - ‘’Dr. Joseph Smith’’ -, entramos e sentamos.
- A noite foi bem tranquila, mas hoje, no começo da manhã, o pai de vocês teve uma parada cardiorrespiratória e faleceu. – quando ele disse isso eu comecei a chorar. Já não aguentava mais chorar. Peguei a mão do e apertei – Fizemos de tudo para conseguir trazê-lo de volta, todos os procedimentos possíveis, tentamos mas não adiantou. Eu sinto muito. – ele disse, e eu abracei .
cuidou de todas as papeladas, tanto as do meu pai quanto as da minha mãe.

Cap. 3

Não tínhamos uma família muito unida, então no velório só estavam eu, meu irmão, minha melhor amiga , nossa madrinha, os nossos avós e os irmãos da minha mãe, já que meu pai era filho único.
Saímos do velório e fomos para o escritório do meu pai, porque tínhamos uma reunião com o advogado da família que ia nos mostrar o testamento.
- Boa tarde! – disse Adolfo, o advogado dos nossos pais, nos cumprimentando – Meus pêsames, eu gostava muito dos pais de vocês. – ele disse.
- Eles também gostavam muito de você. – disse. Meus avós também tinham vindo.
- Obrigada! Agora vamos ler o testamento. – ele disse – Eles me entregaram há uns 3 meses. – ele pegou um papel dentro da sua pasta e começou a ler:

”Não sei como começar uma carta, ou um testamento, como acharem melhor dizer. Se vocês estão lendo isso, é certamente porque eu e o pai de vocês não estamos mais presentes em suas vidas. Agradeço por ter tido dois filhos lindos que eu amei muito. , eu e o seu pai decidimos que deixaremos a guarda da sua irmã com você, e as ações da empresa ficarão grande parte para você e um pouco para a . Como já demos de presente de 18 anos o apartamento para você, , decidimos colocar o apartamento no nome da , a casa de praia vai para os avós de vocês; os nossos pertences, como roupas, fica por conta de vocês: escolham com o que mais querem ficar, e o restante doem para um abrigo. As jóias, dividam entre si. Os estudos de vocês estão pagos até o final, e o nosso querido Adolfo, nosso advogado de confiança, depositará o que estava na nossa conta na conta de vocês, dividindo em partes iguais. Os carros serão divididos e a moto é sua, , porque você sempre a quis.

Amamos muito vocês, Mamãe e Papai xx”

Não aguentei e comecei a chorar mais.
- Sobre a guarda da , você tem a opção de recusar, e então a guarda será passada a sua avó. – Adolfo disse.
- Não, eu não quero. – disse, me abraçando, e eu beijei sua bochecha.
- Como assim, Kathy estava louca quando escreveu isso? – meu avô disse.
- Por que o senhor está falando isso? – eu perguntei.
- Nada. É porque sua mãe só deixou uma conta bilionária e a guarda de uma menina de 17 anos com um garoto de 23 anos. – ele disse, com um tom irônico.
- Esse "garoto" é seu neto. – eu disse, meio revoltada com o tom de voz que ele usou.
- Por isso mesmo que eu tô falando. – ele disse, dando um riso irônico, e saiu da sala. Quando eu ia atrás dele para discutir, me segurou.
- Não vale a pena, . – ele disse.
Agora eu entendo porque nossa família nunca foi muito unida, sempre havia brigas desse tipo. assinou os papéis da minha guarda e saímos do escritório.

Flashback off

Cap.4

Acordei com meu despertador tocando Basket Case, do Green Day. Me levantei, tomei um banho rápido e fui direto para meu guardarroupa. Peguei meu brega uniforme, uma saia curta até demais preta, uma meio arrastão que era minha, calcei meu coturno e me maquiei, como sempre, lápis preto bem forte e bastante rímel. Desci a escada e estava me esperando para me levar para Drogaescola. Passei perto dele para pegar me iPhone e fiz sinal para ele vir.
- Bom dia, né ? – ele disse, e eu olhei pra ele.
- Bom dia. – eu disse, e saí.
Entrei no carro, coloquei para tocar Going Under do Evanescence, chegamos rapidamente na escola. Eu desci do carro e acenei para . Chegando na Drogaescola pra mais um dia de tortura, vi os idiotas do time de futebol babando nas sem cérebros da torcida.
Passei por eles, que olharam para mim me secando. Apesar de eu me vestir assim, eu sou bonita. Só revirei os olhos e passei direto.
Todos comentavam sobre um novo menino que havia entrado na escola.
- Você já viu ele? – Lindsay, a burra, falou.
- Não, mas ouvi falar que ele é bem hot. – ela disse, quase tendo um... ah, deixa quieto. Menina fútil, viu. Revirei os olhos pela segunda vez e passei por elas, peguei a mochila que estava nas minhas costas e comecei a procurar a chave do meu armário, mas infelizmente esbarrei em alguém.
- Descu... – eu ia me desculpar.
- Ei garota, não olha para frente não? – ele falou rudemente comigo.
- Você que esbarrou em mim, idiota. – eu fiquei nervosa. Quem era ele para falar daquele jeito comigo?
- Nossa, a loser já conseguiu esbarrar no garoto novo. – Lindsay disse, rindo com a nojentinha da amiga dela.
- Que foi, cara? – Phill, o menino do time de futebol; pausa para náuseas; falou.
- Essa loser quase me derrubou. – o garoto disse.
- Não liga não, é só fingir que ela não existe. - Phill disse. Quando eu ia partir pra cima dele, minha amiga me puxou.
- , você falou que não ia mais brigar. – ela disse, parecia minha mãe.
- Mas , ele me provocou. E quem é aquele menino para falar daquele jeito comigo? – eu perguntei.
- O nome dele é , mas prefere ser chamado de , e agora tá no time de futebol que, por acaso, você ama, amiga. – ela disse, falando irônica e forçando um sorriso.

- HAHAHA! – eu ri forçente – Muito engraçada você.
Fomos para as nossas salas. Eu entrei e fui para minha carteira de costume, no fundo, e me sentei, colocando os pés na cadeira ao lado, porque ninguém sentava comigo.
A aula já havia começado quando alguém bateu na porta. A professora bufou, porque, dizendo ela, estava explicando algo importante, que eu por acaso não entendia. Ela foi até a porta e a abriu, revelando assim , que estava com uma das vadiazinhas das líderes de torcida. Os dois estavam descabelados e ofegantes, ela com a blusa um pouco levantada, mostrando o piercing, e com a boca vermelha.
- Desculpa o atraso, professora. – disse.
- , seu primeiro dia na escola e já está metido em orgias. – ela falou, balançando a cabeça, desaprovando – Começamos bem. Podem entrar.

Cap.5

Eles entraram e a vadiazinha se sentou em uma das primeiras carteiras ao lado da sua ‘’amiga’’, que era seu clone - fizeram as plásticas no mesmo lugar - e ficom em pé.
- Sr. , pode sentar-se ao lado da senhorita Santos. – ela disse e eu revirei os olhos. Nossa, isso já estava se tornando um hábito. Ele veio até a minha carteira e continuou em pé.
- Com licença, eu quero sentar. – ele disse, apontando para o meu pé. Agora era minha revanche.
- Ah, não sabia que o cavalo conseguia ser educado. – eu disse e tirei meu pé da cadeira. Ele sentou e me olhou.
- Olha, a gente não se ... – ele não terminou de falar porque eu o interrompi.
- Eu não quero saber de nada. Faz igual o seu amigo te disse, finge que eu não existo. – eu disse, coloquei meus fones e dormi. Acordei com a me chamando.
- , acorda. – ela disse, me balançando.
- Tô acordada. – eu disse, pegando minhas coisas e saindo.
- Nossa, que ingrata, eu vim aqui te chamar e você simplesmente é grossa. – ela disse, fazendo bico.
- O que você quer? – eu perguntei. Conhecia minha amiga: quando ela falava desse jeito, queria alguma coisa.
- Ain , eu não quero nada. – ela disse, fingindo estar brava e eu olhei para ela, levantando a sobrancelha, a desafiando.
- Tá bom, eu queria saber se posso dormir na sua casa hoje. – ela disse, olhando para mim com olhar de súplica.
- Por quê? – eu perguntei.
- Porque meus pais vão viajar e eu não quero ficar sozinha. – ela disse.
- Tá bom, vai levar a gente para almoçar. - eu disse e seus olhos brilharam. Como ela podia gostar do meu irmão daquele jeito? Eu revirei os olhos e saí.
Fui até o meu armário e peguei o meu horário. A próxima aula seria Trigonometria, nem fudendo eu ia assistir aquela aula com aquele professor mal comido. Peguei minhas coisas para o próximo horário e fui para a quadra. Sentei em um lugar escondido atrás da arquibancada e acendi um cigarro, traguei uma vez e liguei meu iPod, colocando para tocar Black in Black, do ACDC, fechei os olhos e me encostei na arquibancada. Fiquei um tempo assim, até que ouvi um barulho e olhei para o lado.
- O que você quer aqui, ?- eu perguntei.
- Só queria ver quem estava aqui. – ele disse, olhando para mim.
- Agora que viu, dá no pé. – eu disse.
- Não, aqui é um lugar público. – ele disse, e sentou ao meu lado – O que você tá ouvindo? – ele perguntou, pegando o meu fone e colocando em seu ouvido – ACDC, legal! Você tem bom gosto.
- Uhum, agora vaza. – eu disse, e ele deu um sorriso.
- Não vou sair daqui, já disse que é público. – ele disse.
- Então se você não sai, eu saio. – eu disse, peguei minhas coisas, joguei meu cigarro no chão, o apagando com meu coturno e saí pisando firme. Mas, quando eu ia saindo, o idiota se colocou na minha frente - Nossa, não dá pra você me deixar em paz não? – eu perguntei e o empurrei um pouco, já estava perdendo a paciência.
- Ei garota, por que você é assim tão nervosinha, amargurada ? – ele perguntou, e todo o filme se voltou na minha cabeça: o acidente. Não aguentei e algumas lágrimas foram derramadas.

Cap.6

- Só me deixa em paz. – eu disse, com a voz embargada, e saí correndo de lá. Me sentia culpada e angustiada. Fui para o banheiro, me sentia mal. Peguei meu canivete e fiz um corte raso no meu pulso, o que me fez sentir melhor. Era uma sensação ótima quando eu me cortava, parecia que toda angústia e toda a culpa era liberada. Eu continuava a chorar, minhas pernas estavam flácidas. Sentei em baixo da pia do banheiro para que caso alguém entrasse não me visse. Eu soluçava baixo e as lágrimas ainda rolavam pelo meu rosto.
- ! – ouvi alguém me chamar, saí de baixo da pia e fiquei em pé na frente de – O que foi? Por quê você tá chorando? – ela perguntou e olhou para o meu pulso. Não falou nada, só me abraçou, e isso fez com que eu chorasse mais – Tá tudo bem, eu estou aqui com você. – ela disse, limpando as lágrimas que insistiam em cair – Por quê você faz isso, ? Eu estou aqui, se abre comigo. – ela disse, e eu não sabia o que responder, então só voltei a abraçá-la.
- Pega isso. – ela disse, me dando uma munhequeira. Eu a peguei e coloquei no pulso.
- Vamos, a gente tem que ir para a aula. – ela disse.
- Pode indo, eu já vou indo. – eu disse. Ela concordou e me abraçou, saindo logo depois. Eu fiquei um bom tempo me encarando no espelho. Meu rosto era bonito, mas eu tentava me esconder de qualquer jeito. Eu não me interessava mais em dar em cima de garotos - não que eu não sinta uma certa animação ao ver garotos lindos, mas isso agora me parecia meio fútil. Mas isso não vem ao caso, porque eu também raramente (nunca) levo cantadas. Antigamente não era assim, eu simplesmente era uma das meninas mais bonitas do meu colégio, eu era até meio vulgar às vezes, eu dormia com meninos e nem sabia o nome deles. Isso era normal naquela época, mas agora, quase 5 meses após a morte dos meus pais, nem lembrava mais daquela de antes, a que todos os garotos do time de futebol desejavam e a que gostava dos meninos do time de futebol. Isso tudo era passado, agora eu era a que todos ignoravam. Dei uma última olhada para o espelho, peguei minhas coisas e saí do banheiro. Não ia assistir a próxima aula de jeito nenhum, então fui para o lugar que eu ia todos os dias.

ON

Queria pedir desculpas à , mas ela não saía do banheiro. Eu vi sua amiga entrar lá e depois sair com uma cara preocupada e assustada. Eu fiquei com remorso de ter falado aquelas coisas pra ela. Depois de um tempo, saiu de lá com uma cara de choro e passou direto por mim, acho que ela não me viu ou fingiu que não me viu, e eu fui atrás dela. Eu sempre fui assim, falava as coisas sem pensar e me arrependia depois. Não sei onde ela estava indo, só sei que queria saber. Ela passou pela quadra de esportes e por uma porta que eu pensava ser um depósito ou coisa do tipo, mas era uma saída dos fundos do colégio que dava para um jardim muito bem cuidado. Ela passou por ele e entrou em um tipo de mata, floresta ou algo do tipo. Eu fiquei com medo, vai que ela era daquelas meninas góticas que faziam vudu, será que ela ia fazer vudu comigo? Ela entrou e passou por lugares bem fechados, mas tinha uma trilha ali - parecia que ela ia lá bastante. Depois chegamos a um lugar aberto, e eu percebi que estávamos no fundo de um cemitério. Eu conhecia aquele cemitério, se chamava Bunhill Fields, minha Bisavó estava enterrada aqui. andou um pouco e parou perto de um túmulo. Ela se sentou e começou a chorar, ela soluçava e sussurrava coisas. Eu não conseguia ouvir, mas queria ir lá e abraçá-la. Não sei o que era aquela sensação, só sabia que eu queria ir lá e abraçá-la. Fiquei um bom tempo lá olhando pra ela, que não parava de chorar. Depois de um tempo, o celular dela tocou. Ela murmurou um ‘’merda’’ e atendeu.
- ? – ela perguntou, meio indecisa. Ela ouviu a resposta e depois respondeu – Tô saindo do colégio. Não, é que eu estava no banheiro, por isso ela não deve ter me achado. Mas já estou saindo. – ela disse, desligou o celular, pegou sua coisas e saiu de lá correndo. Eu não sabia se ia atrás dela ou se ia ver de quem era o túmulo, então decidi ir até esse. Chegando lá, vi escrito na lápide: Aqui descansam em paz Sr. e Sra. , e havia fotos dos dois. A mulher era linda, branca com a boca vermelha e olhos cor de mel, parecida com ; e o homem era simplesmente muito parecido com a também. É claro, né, eles eram os pais dela, por isso chorava tanto. Eu senti pena de .

OFF

Cap. 7

Eu corri até o colégio, depois encontrei com o e , que já estavam dentro do carro. Eu me sentei atrás e encostei a cabeça no banco do carona.
- Demorou pra vir. – disse.
- Aonde você tava? – perguntou.
- Não enche. – eu disse e coloquei meu fones de ouvido. Estava tocando My Sacrifice, do Creed. Eu amava essa música, então coloquei no máximo e relaxei. Fomos almoçar no restaurante em que costumávamos almoçar sempre.
- Bom dia! – Pierre disse, ele sempre nos atendia.
- Bom dia Pierre. Eu vou querer o de sempre. – eu disse, e ele assentiu. e pediram e ele saiu. Olhei para e , e eles riam e falavam coisa sem nexo. Eu gostaria muito que meu irmão namorasse alguém, porque depois que ele assumiu a minha guarda ele só se preocupa comigo. Eu sei que ele gosta da , mas quer evitá-la por tudo. Ele fala que é porque ela é mais nova que ele. Eu não acredito muito nisso, mas também não vou me meter na vida dele. Nossa comida chegou, comemos e eu continuei em silêncio. pagou a conta e fomos para casa. Dentro do carro, coloquei meus fones no máximo e continuei a ignorar meu irmão e , mais desta vez me chamou:
- Que foi? – eu perguntei.
- , a me disse que você se cortou de novo, isso é verdade? – ele perguntou, e eu fiquei calada - Você não acha que devia voltar àquela psicóloga?
- NÃO! – eu gritei. me olhou com o mesmo olhar que todos me olham, um olhar de pena, e eu fiquei mais irritada – Eu não vou voltar naquela clínica, não se mete na minha vida. – coloquei meus fones de volta e me encostei no encosto do banco. Chegamos no apartamento de e eu fui direto para meu quarto. Tomei banho, coloquei um moletom bem quentinho e fui me deitar, mas não consegui dormir, então decidi fazer minha lição. Fui para a sala com os meus materiais e sentei na mesinha de centro, e estavam sentados no sofá assistindo televisão e riam de alguma coisa besta que passava. Decidi parar de olhar o casal ternura e fui fazer minha tarefa, mas as risadas altas de não me deixavam concentrar. Eu contei de um até dez, mas não estava dando certo.
- DÁ PARA CALAR A BOCA? – eu gritei e me arrependi depois, mas eu não ia pedir desculpas – Eu tô tentando fazer minha lição, mas não dá com você rindo desse jeito. – eu falei para , que me olhou com surpresa.
- , olha o jeito que você fala. – disse.
- O que aconteceu, ? Por que tá falando comigo desse jeito? – perguntou. Eu não sei o que me deu, mas eu não tava muito bem. Peguei minhas coisas e fui subindo as escadas.
- Ah, pode ficar aí rindo, senhora “eu amo o irmão da minha melhor amiga”. – eu disse antes de entrar no meu quarto. Ela corou e saiu correndo para o quarto de hóspedes. ficou olhando pra ela e depois me olhou.
- , como você faz isso? – ele perguntou, e eu olhei pra ele e entrei no meu quarto.
- Não enche. – eu disse. Passou pouco tempo e ele entrou no meu quarto.
- Deixa de ser mimada, você só maltrata eu e a , você não pode fazer isso. Quem mais te apoiou no acidente e tudo foi ela, e é desse jeito que você agradece? – ele perguntou.
- Você só fala isso porque também gosta dela. – eu disse, e ele parou de falar na mesma hora.
- , não viaja, nem tentar desviar o assunto. – ele disse – Só pensa nisso um pouco. – e saiu do meu quarto.

ON

Eu nunca havia pensando na dessa maneira, como mulher. Mas ela é linda, me faz bem, é super carinhosa e me ajuda muito com relação à . Mas não, o que eu tô pensando, ela é mais nova que eu e também é amiga da minha irmã. E mesmo que não fosse isso tudo, eu não tempo para namorar... Mas, pensando bem, ela é tudo o que eu procuro. Será que eu sou apaixonado por ela como falou? Não, deixa de loucura, você tem que cuidar da .

OFF



Cap.8

ON

Tá, eu sei que peguei pesado. É, na verdade eu não sei porquê eu falei daquele jeito com a . Então decidi ir até o quarto dela.
- . – bati na porta - Posso entrar?
- Entra. – falou com a voz embargada e eu entrei. Ela estava sentada na cama com os olhos vermelhos e o rosto estava um pouco inchado. Isso me deixou mal, porque foi sempre ela que me apoiou.
- Olha , me desculpa, não queria falar daquele jeito com você. – falei e me sentei ao seu lado, e ela olhou para mim.
– Eu sei que você ficou brava porque eu falei para o no carro o que aconteceu mais cedo, mas você pegou pesado. – fungou um pouco e olhou para a colcha.
- Ei, eu não fiquei brava por você ter falado para o , ele ia descobrir de qualquer forma. Eu não sei o que me deu, eu acho que estou nervosa. – quando eu terminei de falar me veio na cabeça o rosto do idiota do – Me desculpa, eu não queria falar aquelas coisas.
- Não sei, , eu estou bastante chateada. – seus olhos se encheram de lágrimas.
- Você ficou chateada porque eu falei que você gosta do meu irmão? – olhei para ela. Ela não olhou para mim e continuou encarando a colcha que estava na cama – Olha, me desculpa por eu ter falado para ele, mas eu acho que ele também gosta de você. – ela olhou para mim e sorriu.
- Sério? – perguntou, com os olhos brilhando.
- Seríssimo, eu acho realmente que ele gosta de você, mas ele acha que é muito ocupado para namorar, que tem que cuidar de mim. – levantei da cama e olhei para ela – Mas mesmo assim, me desculpe por falar.
- Tá bom, , eu te desculpo. – me deu abraço rápido e sentou de volta.
- Obrigada. – disse, saindo do quarto – Boa noite.
Saí e fui para o quarto do meu irmão. Ele estava dormindo. Entrei no quarto e fiquei observando-o dormir. Eu tinha muito o que agradecer a ele, mas às vezes eu só o maltratava.
- Boa noite, mano. – dei um beijo na sua testa – Te amo. – me afastei e, quando já estava saindo do quarto, esbarrei na cômoda com alguns livros que caíram no chão - Droga! – falei baixo.
- Ei, o que você está fazendo? – perguntou com a voz rouca.
- Err... nada. – falei nervosa.
- Você está fazendo nada no meu quarto? – perguntou sarcasticamente e soltou uma risada.
- Não, eu vim te pedir desculpas por mais cedo. – eu suspirei.
- Já te desculpei, , eu sei que você é meio impulsiva. Só acho que devia pedir desculpas para a . - ele disse.
- Eu já falei com ela. – falei, olhando para o chão.
- Eu só não entendi porquê você falou aquilo. - ele falou, e eu levantei a sobrancelha, me fazendo de desentendida – Que a gosta de... mim.
- É porque ela gosta de você, e eu sei que você gosta dela também. – falei, enfatizando o gosta.
- Eu... não sei. – ele pareceu pensar se me contava ou não - Na verdade, eu estou confuso. – ele fez uma cara fofa e eu ri.
- É porque você pensa que é muito ocupado. – disse, olhando para ele.
- Mas eu sou. Tem a empresa e tem... você. – ele disse.
- Você sabe que não é isso. Você anda muito estressado, correndo muito depois que os nossos pais morreram. – falei, sentindo um nó na garganta, e senti minha visão ficar embaçada por causa das lágrimas.
- Vem, senta aqui. – ele falou, batendo na cama. Me sentei ao seu lado e ele me abraçou – Não fica assim. – passou a mão no meu rosto.
- Sinto falta deles. – falei e encostei a cabeça no seu ombro.
- Também. – disse, com um sorriso triste - Muita falta. - ficamos um bom tempo em silêncio.
- Posso dormir com você? – perguntei, olhando para ele.
- Pode, claro, igual antes. – disse, e dessa vez sorriu verdadeiramente. Eu costumava dormir com ele quando eu não queria dormir sozinha.
- É, igual antes. – disse, e deitamos. Abracei-o e coloquei minha cabeça no seu pescoço – ?
- Oi. – ele disse.
- Te amo. – falei.
- Te amo mais. – me deu um beijo no topo da minha cabeça, e eu dormi sentindo o perfume que sempre me acalmava, o que meu pai usava.
Acordei com me chamando.

Cap.9

- , acorda, tem que ir para aula. – me balançava.
- Acordei. – falei assustada e levantei. Ele já estava pronto, com uma blusa social azul clara com alguns botões abertos, o que o deixava com um ar sedutor; uma calça e um sapato sociais pretos. Seu cabelo estava de um jeito bagunçado lindo. Resumindo, eu entro todo dia no www.euachomeuirmãoumgato.com.br.
- Bom dia.
- Bom dia. – falou sorrindo – A já está lá embaixo tomando café, vou levar vocês para o colégio.
- Tá legal, vou tomar meu banho. – fui para meu quarto e peguei meu horrível uniforme, o colocando em cima da cama, e fui pro banheiro. Tomei um banho quente e saí enrolada na toalha. Fui até a pia e escovei meus dentes. Fui para meu quarto, coloquei meu uniforme com minha meia arrastão e um all star, passei um lápis preto nos olhos, rímel e delineador, escovei meu cabelo e desci. e estavam sentados na mesa, um ao lado do outro, os dois sem graça.
- Oi . – dei um beijo na bochecha dela.
- Bom dia, amiga. – ela disse.
- Com você eu já falei. – falei para e sentei. Tomamos café – é, antes de qualquer coisa, nós temos empregada, porque não sabe cozinhar e eu só sei fazer macarrão instantâneo.
Nós saímos e entramos no carro de . Deixei que a fosse na frente e sentei no banco do passageiro.
Chegamos ao colégio, me despedi de e nem esperei . Fui para a sala e me sentei no fundo, como sempre. Coloquei os fones e encostei na cadeira, fechando o olho. Tocava Blink 182. Senti alguém sentar ao meu lado, mas não me importei de olhar porque sabia que era o .
- Bom dia, alunos. – ouvi o Sr. Miller falar, e quase ninguém prestava atenção – Hoje vamos fazer um trabalho aqui na sala mesmo. Vão fazer duplas com o colega ao lado... – no mesmo momento olhei para o lado, e lá estava o idiota vindo com sua cadeira mais para perto de mim - ...O trabalho se chama “Íntimo e Pessoal”, vocês vão descobrir de um jeito sutil coisas que ninguém mais sabe. Não são podres, são coisas legais que mais ninguém sabe e, no final do bimestre, vocês vão apresentá-lo; pode ser em um vídeo com fotos ou lendo, usem a criatividade. – ele falou de um modo afetado, acho que ele quer soltar sua purpurina.
- Oi , vai ser nós dois. – disse, sorrindo.
- Isso eu percebi, idiota. – falei para ele.
- Só estava tentando fazer com que nos déssemos bem, pelo menos para fazer o trabalho, mas se você não quiser eu faço com outra pessoa. – disse ele, sem graça.
- Não, fica aí, eu tenho que fazer com você mesmo, senão o professor vai me colocar para fazer com o Joseph.
- Nossa, só está me usando. – ele falou.
- Que dó de você. – soltei um riso irônico – Vamos fazer logo.
Eu nem sabia como eu ia fazer isso. Eu odeio esse menino e agora eu tenho que saber do íntimo e pessoal dele. Aff, eu mereço.
- Eu sei muita coisa de você, sei que você é paranóica. – ele falou, e a minha vontade foi te bater nele.
- Você não sabe nada sobre mim. – eu falei, olhando nos seus olhos, e ele chegou mais perto de mim.
- Eu posso não saber muitas coisas de você, mas eu sei que atrás desse mau humor todo tem uma menina linda. – disse ele, mexendo no meu cabelo e olhando dentro dos meus olhos.
Nesse instante o sinal bateu e o professor se virou para a gente.
- Meninos, a aula já acabou, vocês devem seguir para a próxima aula. – foi então que saí do meu transe e o empurrei, peguei minha mochila e saí correndo. A próxima aula seria teatro - não queria ver aquele menino nem pintado de ouro e diamante, então eu peguei minhas coisas e fui para os fundos do colégio. Dessa vez não ia visitar os meus pais, fui para a praia que não fica muito longe do colégio. Cheguei lá e estava muito frio, mas não me importei, tirei meu all star e pisei na areia, era muito bom.
Fiquei um bom tempo lá, às vezes fumando, outras vezes só olhando para o mar e, depois de um tempo, vi que alguém sentou ao meu lado e, quando olhei para ver quem era, me surpreendi.


Cap. 10

- AFF! Você está me seguindo? – arqueei a sobrancelha e bufei, porque ele sorriu de um jeito que eu acho que era para ser sedutor.
- A praia é pública. – falou rindo porque eu bufei e me levantei, pegando minhas coisas – Por que você foge de mim? – segurou meu braço.
- Por que você não me deixa em paz? – eu tirei meu braço e saí.
- , por favor, eu quero ser seu... amigo. – ele pareceu medir as palavras.
- Mas eu não quero. – enfatizei o eu e saí, mas ele me alcançou novamente.
- , por favor. - ele falou, olhando nos meus olhos.
- Tá bom , tenho duas coisas para te falar. – ele concordou com a cabeça – Primeiro, para você é , e não ; e segundo, eu sei o que você quer comigo e não, eu não vou, ouve bem o que eu vou te dizer, eu nunca vou transar com você. – eu enfatizei bem o "nunca". Boa, : 1x0.
- Então é isso que você pensa de mim? Que se eu quero conversar com uma menina é porque quero transar com ela? - perguntou, sorrindo sarcasticamente.
- É assim mesmo. – falei sorrindo.
- Coitada de você, ainda é um bebê. – ele falou e saiu andando.
Que ódio desse menino! Quem é ele para me chamar de bebê? Eu o-d-e-i-o isso.
Parece que esse menino me persegue. Depois que ele saiu fui para casa. Estava afim de sair, então tomei um banho quente e me troquei. Coloquei uma blusa xadrez, uma calça skinny, meu coturno com uns toques dourados, meu Ray-Ban preto, um colar e um anel.
Liguei o som no último volume enquanto eu me maquiava, tocava Breath do Breaking Benjamin. Passei um lápis bem preto, rímel e uma sombra preta esfumaçada, peguei um dinheiro e meu celular, desliguei o som, que agora tocava outra música, e saí do meu quarto.
- Aonde vai? – meu irmão estava atrás de mim só de boxers.
- Quer me matar? – continuei a andar.
- Não adianta mudar de assunto.
- Vou sair.
- P-a-r-a onde? – perguntou.
- P-a-r-a onde não te interessa. – falei da mesma forma que ele. Odeio quando ficam me regulando.
- , não começa. – passou a mão no cabelo bagunçado.
- Tá, eu vou em uma festa. – suspirei impaciente.
- Que festa? Onde? – perguntou.
- Não sei. – abri a porta e saí – Qualquer coisa tô com o celular. – falei antes de fechar a porta e depois saí andando.

Cap.11

Não sabia para onde eu iria, mas tinha um pub no final da rua que parecia bem legal. Cheguei no pub e, depois de um tempo, entrei na fila. Estava um pouco grande para meio de semana, mas foi rápido. Quando entrei, fui direto para o bar.
- Boa noite, quero o que você tiver de mais forte. – falei para o barman, que me olhou com malícia.
- Você não devia beber assim. – falou, mas se virou para pegar minha bebida.
- Não enche. – sentei no banco que havia lá.
- Nervosa, adoro garotas nervosas. – falou, e eu revirei os olhos.
- Pois eu não gosto de homem, meu negocio é mulher, sabe como é, né? – falei só para ele parar de me encher, e ele me olhou sorrindo.
- Mas eu posso fazer você passar a gostar. – me entregou minha bebida.
- Tá legal, eu gosto de homem, mas não quero nada com você. – falei rispidamente e saí para a pista de dança. Estava tocando uma música agitada. Dei um gole na minha bebida, é... nossa, aquilo era forte mesmo. Comecei a dançar e fechei os olhos para sentir a música. Fiquei um tempo dançando assim, quando senti uma mão na minha cintura.
- Saia antes que você leve um chute nos seus órgãos genitais. – tirei a mão dele da minha cintura, mas senti seus lábios no meu pescoço e depois na minha orelha.
- Sempre arrogante, é assim que eu gosto. – falou, e eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
- Você. – falei e me virei de frente para ele, colocando minha mão em sua nuca.
- Eu – ele deu uma risada baixa e beijou meu pescoço – Sentiu saudades, proibida?
Chamava-me de proibida porque falava que ninguém podia me ter. E quem é ele ? Ele é meu eterno ficante. Nós éramos como namorados, só que a gente podia ficar com outras pessoas; porém, sempre que nos encontrávamos ficávamos juntos. Eu sentia ciúmes dele e ele de mim, pelo menos quando estávamos juntos.
- Claro que sim, Henry. – falei, e bebi mais um pouco da minha bebida.
- Você não devia beber assim. – colocou a mão em cima da minha, que estava no copo.
- É a segunda vez que escuto isso. – sorri e o puxei para um beijo intenso. Ficamos nos beijando e dançando por muito tempo, mas a noite estava muito parada.
- Henry, você não trouxe nenhuma parada contigo não? – perguntei, colocando a mão no bolso de trás da sua calça.
- Não, , mas eu tenho um amigo que tem. – falou, e eu sorri – Vem, vamos lá. – pegou minha mão e me levou para um canto da boate, onde estava um cara.
- E aí, TJ, essa é minha mina, . – falou, e eu acenei com a cabeça.
- Gata ela. – falou e levantou – Prazer. – piscou para mim.
- Tem como arrumar uma das boas para ela? – Henry perguntou, e ele retirou do bolso um saquinho com um pó branco.
Henry arrumou na mesa e eu comecei a cheirar. Aquela sensação era boa demais, me deixava muito... livre. Ficamos a noite inteira conversando e rindo de coisas que não faziam sentido, e eu não estava me sentindo bem.



Cap. 12

- Vou ao banheiro. – estava sentada no colo de Henry e, quando fui levantar, fiquei tonta e caí de volta no colo dele.
- Deixa de ser fraca. – me deu um tapa na bunda e eu ri, uma risada escandalosa.
- Eu consigo. – falei e me levantei, ainda meia tonta. Fui cambaleando até a porta do banheiro, mas, antes de entrar, eu me desequilibrei e ia caindo no chão, mas alguém me pegou antes que eu fosse de encontro com o chão.
- Me larga. – falei, e empurrei a mão que me segurava.
- Só estou tentando te ajudar – reconheci aquela voz. Não, não podia ser. Meu estômago começou a revirar.
- Preciso ir ao banheiro. – falei, já sentindo a bile subir.
- Não, você precisa sair daqui. – falou, me puxando para fora do pub.
- Não vou a lugar nenhum com você, Daniel. – puxei meu braço.
- Você vai sim. – pegou meu braço e me puxou. Eu estava tão fraca que ele conseguiu me puxar para fora do pub.
Chegando lá fora, ele me sentou em um banco que havia ali, me deitou em seu colo e tirou minha touca. Ficou algum tempo mexendo em meu cabelo, depois ele se levantou, me colocou deitada apenas no banco e saiu. Fiquei me perguntando aonde ele havia ido, mas, de repente, ele voltou com um copo de água e molhou o meu rosto, o que melhorou o meu estado. Ninguém nunca havia cuidado de mim daquele jeito, a não ser meu irmão. Depois que meus pais morreram, eu me senti tão indefesa, mas ao mesmo tempo tão protegida... Como aquele garoto que eu odiava estava fazendo aquilo por mim? O que ele iria ganhar com aquilo? Se ele estava achando que com isso ia me levar para cama, estava muito enganado. Eu estava tonta mas sabia muito bem o que estava fazendo. Ele se agachou ao meu lado.
- Por que você faz isso? Queria te entender. – falou, olhando nos meus olhos.
Quando me falou isso, lembrei das coisas que aconteceram comigo, inclusive o acidente, e meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Quando ele viu que eu poderia chorar a qualquer momento, começou a passar a mão no meu cabelo. Depois de algum tempo, umas das líderes de torcida chegou.
- Aí está você, ! Mas o que você está fazendo com essa loser? – perguntou, olhando para mim e pegando no braço de , puxando-o – Vamos, , deixa essa idiota aí.
- Primeiro: ela não é loser. Segundo: você é que é uma desmiolada que só fala de roupas; e terceiro: arruma uma carona porque eu vou levar a pra casa.
- Como assim? – eu e a sem cérebro falamos juntas.
- Você.... – apontou para mim – ...fica quieta e você... – apontou para a loira – Vai embora. – e ela foi embora.
- Quem você pensa que é para me mandar ficar quieta? – tentei levantar, mais a bebida subiu rápido.
- Sou a pessoa que vai te levar em casa. – falou, me pegando no colo.
- Me larga. – falei pausadamente, e ele olhou e deu um sorriso de lado.
- Não. – falou, e eu comecei a bater nele, mas depois de um tempo desisti. Chegamos no carro dele e ele me colocou no chão, destravando o carro.
- Entra.
- Claro que não, você tá doido? – olhei para ele, tentando passar toda a raiva que eu estava.
- , não se faz de difícil e entra logo na porra do carro. – falou, nervoso.
- Já disse que não vou entrar. – cruzei os braços.
- Já que não entra por bem, entra por mal. – pegou na minha cabeça e me abaixou, colocando-me dentro do carro.
- Porra, te odeio – bati no carro.
- Respeita meu carro, menina. – falou sorrindo – Onde é sua casa?
- No final da rua, no prédio cinza. – encostei minha cabeça no vidro gelado e aquilo ajudou a não vomitar no carro dele. Se bem que se eu vomitasse...

Cap.13

Chegamos na porta do meu prédio. Eu abri a porta e fui para a portaria, mas foi atrás de mim.
- Nem obrigada? – perguntou, olhando para mim.
- Não, foi você quem quis me trazer. – continuei tentando andar, mas ainda estava muito ruim: estava vendo tudo embaçado, e pareceu que estava tudo tão engraçado... comecei a rir e cambaleei.
- Vou te levar em casa. – falou, me pegando no colo, e tudo se fechou, ficou tudo escuro.
- Quem é você? – ouvi de longe a voz de Adam.
- Sou da escola dela, achei-a num pub e estava muito ruim, então resolvi trazê-la para casa.
- Como você sabia chegar aqui? – perguntou a voz, de novo, longe.
- Ela me disse enquanto estava acordada onde era o prédio, e o apartamento eu perguntei para o porteiro.
- Você pode levá-la para o quarto?
- Posso. – senti passos e depois senti meu colchão macio.
- Obrigada...
- , ou , como preferir. – falou, e eu abri os olhos.
- Obrigada, . – falou, e deu um tapinha nas costas dele – Acordou?
- Não tá vendo? – falei ríspida, e tentei puxar o ar que me faltava.
- Vou indo nessa. – falou.
- Fala obrigada para ele, . – Adam disse.
- Não, foi ele quem quis me trazer. – falei, e olhei para .
- Não precisa, já me acostumei. – falou, e eu mandei o dedo do meio para ele. Ele sorriu e saiu.
- Eu não sei o que eu faço com você. – Adam passou a mão pelo cabelo bagunçado.
- Não começa com o sermão, eu já sei decor. – deitei a cabeça no travesseiro e coloquei o edredom por cima da cabeça.
- Já sei o que eu vou fazer. – me puxou pelos pés, me pegou no colo e tirou minha roupa, me deixando só de calcinha e sutiã, e depois me colocou embaixo do chuveiro, debaixo da água gelada.
- Seu puto! Desliga isso. – falei, engolindo água. Estava com falta de ar e tentava sair debaixo do chuveiro, mas ele me segurava. Depois de um tempo lutando, ele me soltou e eu saí. Ele me deu uma toalha e eu me sequei, estava com um ódio mortal dele. Eu não conseguia andar nem um passo que eu tropeçava, sei que derrubei muitas coisas quando fui me apoiar na pia.
- Vem, vou te levar. –Adam falou, chegando perto de mim e pegando no meu braço.
- Não, me larga. – falei, empurrando ele com um braço, mas me desequilibrei e caí. Senti uma dor latejante na minha cabeça e desmaiei.

ON

Meu deus! Peguei a no colo e coloquei-a em cima da cama, ela estava molhada e tinha acabado de bater com a cabeça na quina da pia, sua cabeça sangrava por causa de um corte pequeno.
- , acorda. – sacudi ela levemente, mas ela continuava desmaiada, estava de calcinha e sutiã e bastante molhada, certamente com frio.
Peguei uma calcinha na sua gaveta e tirei a que ela vestia e também tirei o sutiã. Nossa como ela me dá trabalho. Vesti a calcinha seca nela e vesti seu moletom que sempre usava para dormir, a cobri, sai do seu quarto e fui para sala ver se me acalmava um pouco, mas quando cheguei na sala, o telefone tocou, eu atendi.
- Pronto. – falei e eu ouvi muito barulho do outro lado da linha.
- ? – a pessoa falou com a voz embolada.
- Não, é o irmão dela.
- Ah, me desculpa, aqui é o Henry, namo... Amigo dela. É que ela saiu da boate sem avisar, queria saber se ela está bem. – odeio essa cara, sempre quando ele aparecia dava problema.
- Está bem sim, mas eu quero que você nunca mais ligue para ela. - desliguei o telefone antes mesmo de ele falar alguma coisa.
Ela havia encontrado ele de novo, então? Então é por isso que ela está assim, ela deve ter usado drogas de novo. Meu Deus, o que eu faço? Será que vou ter que interna ela?

Cap.14

Flashback On

Fazia uma semana que meus pais haviam falecido, chorava todos os dias, ela quase não comia e só respondia coisas monossílabas e eu estava preocupado, hoje foi o primeiro dia que ela saiu de casa, saiu cedo, eu nem havia acordado e já esta tarde e ela não chegou, já são 22:00 e nada dela aparecer... 22:30 ouvi um barulho de chave na porta, sai da sala e fui em direção a porta estava com uma xícara de café na mão, mas quando a porta se abriu a xícara caiu no chão quebrando, era , tinha pintado o cabelo e estava com uma roupa estranha, o cabelo dela estava todo preto com algumas mechas azuis e ela estava vestida toda de preto. Sai uma menina loira e de vestido rosa e agora chega assim...
- Oi, maninho. – ela falou me dando um beijo na bochecha e o cheiro de álcool invadiu minhas narinas.
- Onde você estava? – segurei seu braço e ela virou para mim com uma cara que fiquei com medo.
- Eu não devo mais explicação da minha vida para você, para onde eu vou, para onde eu estou indo, não vou falar mais nada para você, e agora me solta. – Ela se soltou de mim e foi em direção às escadas, quando chegou ao terceiro degrau ela virou para mim e completou – A partir de hoje eu não te devo mais explicação da minha vida. - foi subir a escada mais cambaleou e caiu, corri até ela e peguei-a, que estava no chão rindo. Foi ai que o inferno começou.

Flashback Of

Depois desse dia descobri drogas no quarto dela. Olhei no relógio, 01:30 da manhã e estou sem sono. Liguei a televisão e fiquei esperando o sono bater.

OF

Acordei com a luz batendo no meu rosto e meu despertador tocando, me levantei e senti uma dor forte em minha cabeça, passei a mão onde estava doendo e tinha um caroço, me lembrei de ontem, quando cai no banheiro, eu estava com outra roupa e até com outra calcinha, deve ter sido que me trocou. Fui para o banheiro, fiz minha higiene matinal e tomei banho, coloquei minha roupa intima e peguei meu uniforme do colégio, vesti um colete preto de feixe na frente e meu cotorno, peguei as coisas e desci.
- Oi. – falei para que estava tomando café.
- Bom dia. Precisamos conversar. – falou me olhando.
- Nem começa logo de manhã. – falei tomando meu suco de cacau e comendo um pedaço de um misto quente
- Tá bom, vamos conversar depois da sua aula. – falou e levantou – Vou te levar e buscar.
- Eu ainda estou comendo. – olhei para ele, que já pegava as chaves do carro.
- Vai comendo no caminho. – falou ríspido e foi em direção a porta.
- Tá legal. – peguei meu misto, minha mochila e coloquei meu fone, fomos o caminho inteiro calados (como sempre), chegamos ao colégio, eu sai do carro sem falar nada e ele abriu a janela do passageiro,
- Não se atrasa. – falou e antes que eu pudesse mandar ele ir para algum lugar muito feio, ele arrancou com o carro.
Quando entrei eu vi um garoto sorrindo na minha direção, olhei para trás para ver se tinha alguém atrás de mim, mas não havia ninguém.
- Bom dia, . – falou aumentando o sorriso, se é que isso era possível.
- O que você quer, ? – passei direto por ele.
- Só quero saber se você ficou legal ontem. – eu parei instantaneamente, me virei para ele e apontei com o dedo.
- Não pense que só porque EU deixei você me levar em casa a gente se conhece e que você pode vir aqui e falar comigo. – continuei andando, mas depois me virei para ele novamente – E se você contar isso para alguém eu arranco suas bolas.
- Ai! – ele segurou onde eu havia ameaçado e sorriu – Também te amo. – ele fingiu que me mandou um beijo pelo ar e eu revirei os olhos e mandei o dedo do meio para ele.
- Vai te fuder.
Fui em direção a minha aula, que era Artes, entrei na sala e me sentei em frente a um cavalete que havia um quadro, não era sempre que tínhamos aulas de artes com pinturas de verdade, na maioria das vezes era mais teoria, a professora entrou depois de uns minutos que eu havia entrado e começou a explicar o que devia ser feito.

Cap. 15

- Bom dia alunos, hoje vamos expressar as coisas em que queremos para nosso futuro. – falou sorrindo – Temos um aluno novato? - Ela procurou o novato com os olhos e um garoto levantou a mão ao meu lado – Ai está você, pode se apresentar?
- Claro. – falou sorrindo – Eu me chamo Thomas , mas prefiro que me chamem de , eu e meus dois irmãos nos mudamos para a cidade ontem.
- Bem vindos. – sorriu para ele – Então alunos, podem começar.
- Obrigado. – falou e começou a pintar.
Comecei a pintar meu quadro e quando já estava quase no final ouvi uma voz masculina atrás de mim, me assustei.
- Bela pintura, diferente, mas bem legal. - falou e me virei para ele, era o novato, parecia ser legal, gostei dele, então tentei ser o mais amigável possível.
- Obrigada, quis representar a morte. – falei e olhamos para minha tela.
- Legal, mas não era para representar o seu futuro? – falou concordando com um aceno de cabeça.
- Uhum. – olhei para ele com curiosidade - E você, o que pintou?
- Ah, nada de mais. – ficou vermelho instantaneamente.
- Me deixa ver? – perguntei.
- Tá legal. – falou e mostrou sua tela.
Parecia um grande teatro com um palco, cortinas vermelhas e um microfone no meio do palco.
- O que é? – franzi a testa.
- O meu sonho. – falou com os olhos brilhando e eu olhei para ele confusa – Ser famoso, ser um rockstar. – levantou a mão empolgado e eu ri. Tive que rir.
- Tá bom, né? – voltei para o meu lugar e ele olhou para mim.
- Eu não sei seu nome. – sorriu.
- . – falei simplesmente.
- Não tem apelido?
- Tenho, mas não dou intimidade para quem não conheço.
- Você é bipolar? – me olhou com surpresa.
- Não, só não gosto muito de intimidades.
- Tá bom, por enquanto te chamo de . – sorriu e eu me virei, vi que do outro lado da sala me olhava – Depois te apresento meus irmãos.
- Tá. – falei sem olhar para ele, em poucos minutos o sinal tocou, anunciando o final da aula.
- Tchau, . – falou Thomas.
- Tchau, Thomas. – falei e ele parou no mesmo momento.
- Não me chame assim, parece minha mãe.
- Então tchau, . – falei dando um sorriso cínico.
- Não pode me chamar de ? – perguntou.
- Não. – falei e sai em direção a minha sala.
As aulas foram mais chatas impossível, ficava me observando o tempo todo e aquilo já estava me irritando, sai da aula em direção ao pátio, mas uma mão me impediu de seguir em frente, eu olhei para a pessoa.
- Oi, . – Thomas falou e sorriu.
- E ae Thomas. – me virei e continuei andando.
- Percebi que ela é sua amiga mesmo . – uma voz masculina falou atrás de mim, seguida de uma risada cínica e eu me virei.
- Mas ela é minha amiga. – Thomas falou – Não é ?
- É, acho que sim. – franzi a testa e continuei andando.
- Estranha. – outra voz falou e eu me virei.
- Isso mesmo. – concordei com o menino.
- Então, esses são meus irmãos, e . – Thomas falou.
- Hum, legal.
- Ele falou bastante de você. – falou.
- Bem ou mal? – perguntei.
- Bem. – falou e riu.
- Bom, então obrigada, prazer em conhecê-los. – falei e me virei, indo para o pátio.
- Podemos passar o intervalo com você? – perguntou.
- Podem. – falei – Vocês conhecem mais alguém aqui, além de mim?
- Conhecemos um meninos, estamos tentando montar uma banda com ele.
- Legal, o que vocês tocam? – perguntei.
- A gente toca tipo cover dos Beatles, nosso som é quase igual. – falou.
- Legal, eu toco guitarra. – falei.
- Vai ter que tocar pra gente. – falou animado.
- Nem morta! – falei e o sinal tocou, anunciando o final do intervalo – Tchau.

Cap. 16

Fui para minha aula e dormi a maioria da aula, acordei novamente com a me chamando.
- Bom dia, amiga. – falou quando levantei a cabeça da carteira.
- Eae. – falei e vi que ela estava muito feliz – O que aconteceu?
- Hum... Nada! – olhou para o chão.
- Fala logo!
- Ele falou para eu não contar, mas você é minha melhor amiga.
- Conta logo! – já estava ficando nervosa.
- O me chamou para jantar, eu nem acreditei quando tocou o telefone e vi que era ele... Mas não fala nada para ele, porque se não ele pode ficar bravo porque te contei, tá?
- Tá bom, sem problemas, ainda bem que ele se tocou que não preciso de babá e que ele pode namorar em paz.
- Ah! Ele se preocupa com você porque ele te ama, err... Tipo, você acha que ele quer namorar comigo?
- Isso é só questão de tempo, meu irmão é meio loser, entende? – respondi rindo, não estava se aguentando de tanta felicidade, ela me acompanhou até minha próxima aula e foi para a sua.
A gente começou a fazer uma peça que gostei muito, já conhecia, se chamava ‘Sonho de uma noite de verão’ e meu par era o .
Sai da aula e fiquei esperando meu irmão na porta do colégio.
- Tchau, . – Thomas, e falaram em coro.
- Tchau, guys. – falei
- Quer carona? – Thomas perguntou.
- Não, meu... Tá vendo, chegou. – apontei para meu irmão.
- Ah... Tá bom então, tchau. – falou e saiu, entrei no carro e coloquei meu fone, colocando na música ‘Whoa – Paramore’ fomos para o restaurante onde sempre almoçávamos e tirou meu fone.
- Precisamos conversar. – falou sério.
- Eu estou te ouvin... - falei comendo.
- Você esta de castigo. - falou e eu ri – Do que está rindo?
- Essa piada foi boa.
- Eu estou falando sério, começando com seu Ipod, ele está confiscado. - Pegou meu Ipod desligou e guardou dentro da sua pasta.
- Você não pode fazer isso. – falei irritada.
- Sim, eu posso, tanto posso que estou fazendo, você vai começar a trabalhar lá na empresa comigo, e não vai poder sair no meio de semana, e não vou mais te dar dinheiro, você vai ter um salário e é com isso que vai comprar suas coisas, só vou te dar moradia e comida, e as contas você vai pagar, e é isso.
- , você não pode me tirar o MEU dinheiro, eu também tenho direito que os nossos pais deixaram para nos dois. – falei olhando para ele.
- Como seu tutor legal, eu já conversei com o advogado, ele entendeu a situação e você não pode mais tirar dinheiro da sua conta.
- Te odeio! – foi só isso que falei, ele já havia planejado tudo.
- Ah! Não pode trabalhar com essas roupas, você vai ser secretária de um sócio importante da empresa.
- Nem fudendo.
- Vai sim e assunto encerrado, vai começar hoje mesmo a trabalhar, vamos passar em casa e você vai escolher uma roupa decente, que eu sei que você tem.
Terminamos de almoçar e fomos para casa.
- Vai logo se arruma, você entra 13:30. – falou ríspido.
- Vai te fuder. – gritei para ele e fui para o quarto de hospedes, onde tinha um guardarroupas com minhas roupas antigas, abri e peguei um vestido rosa florido, um suéter rosa, coloquei uma meia calça preta, uma sandália de salto rosa meio verniz, um lenço rosa, umas pulseiras, uma bolsa que era da minha mãe e sai.
- Bem melhor! – falou – Só teria que tirar essas mechas azuis do seu cabelo, assim ficaria perfeita.
- Não mesmo. – falei e sai do apartamento.

Chegamos na empresa e ele me apresentou para um senhor que seria meu chefe.
Sentei na mesa onde seria a minha e foi para sua sala, depois de um tempo o elevador se abriu .
- Bom dia.
- Aqui também? - eu falei e ele olhou para mim.
- , o que você ta fazendo aqui? - perguntou surpreso.
- O que você acha ? - apontei para minha roupa e ele começou a rir.
- Você esta tão... Meiga. - falou e riu mais.
- Vai tomar... - quando ia terminar de falar o Sr. saiu da sala, como eu não percebi o sobrenome dele? Agora entendi o que estava fazendo ali, eu trabalhava para seu pai. - O que esta acontecendo aqui? - olhou para nós.
- Nada pai, é que a é minha amiga. - falou.
- Não, eu não sou. - falei e continuei a fazer o que estava fazendo antes.
- Ela é tímida. - falou e eu levantei o rosto.
- Vou te mostrar quem é tímida. – falei.
- , não quer que seu irmão saiba disso, não é? - Sr. falou em um tom de reprovação.
- Não, senhor.
- Então meu filho, o que te trás aqui?
- É conversa particular. - olhou para mim e sorriu, quando seu pai se virou para ir para dentro da sala eu sussurrei um “Vai te fuder” e ele riu, mandando um beijo.

Cap.17
ON

Entrei na sala do meu pai e me sentei.
- Nossa, essa menina e muito desaforada. – meu pai falou.
- Pai, você sabe por que ela é assim?
- não fala muito sobre isso, mas nas poucas vezes que ele comenta, diz que ela se culpa por causa da morte de seus pais. já levou ela em vários psicólogos, mas não adiantou.
- É, ela deve se sentir sozinha e não deve ter com quem contar, então não a julgue, ela é uma pessoa maravilhosa, só que com alguns problemas.
- , olhe o jeito com que fala comigo.
- Então pai, não fale dela assim. – quando terminei de falar e me virei para sair da sala do meu pai vi parada com uma expressão de choque, ela se virou e saiu correndo e eu sem pensar duas vezes fui atrás dela, ela tinha ido para o banheiro feminino, do lado de fora dava para ouvir ela chorando, então não me aguentei e entrei também, ela estava sentada no chão, eu me sentei ao seu lado e a abracei, mas como sempre ela me bateu até que ela não tivesse mais forças e então se deitou em meu colo, depois de um tempo ela parou de chorar e começou a me bater.
- Sai daqui, some da minha frente. – falou e eu a abracei mais forte, ela se levantou – Se você não sai, eu saio. – eu não a soltei, então ela me empurrou e saiu do banheiro, eu me sentei lá e me perdi em pensamento, pensei em como ela estava linda, mas ela não deixaria eu me aproximar dela, eu tinha ido até o escritório do meu pai para saber mais sobre , porque sabia que seu irmão trabalhava lá, mas eu sempre ando e paro no mesmo ponto: a morte de seus pais, mas e se eu falar com o ? Então eu fui a sua sala, chegando lá vi que ele não estava mais lá, então eu decidi ir até a casa da para conversar com ele e ver como ela estava.
O porteiro me deixou entrar porque ele havia me visto no dia que ela desmaiou. Chegando lá fiquei parado na porta, pensando se ia ou não tocar a campainha, levantei a mão para tocar a campainha, abriu a porta.
- Ah! Oi, er... , não é? O que faz aqui? A não está. – ele falou.
- Ah! Ela não está? – perguntei surpreso, pois ela não estava mais na empresa.
- Não, ela começou a trabalhar lá na empresa hoje, ela está lá ainda. Tá bom, preciso ir agora, tenho um encontro. – disse e descemos no elevador ele entrou no carro e saiu.
Mas se a não está em sua casa, onde ela está? Espera ai, onde ela costumava ficar? No cemitério. Claro, como não pensei nisso. Entrei no carro e fui até o cemitério que ficava atrás da escola, fui olhando até que vi ela sentada no tumulo de seus pais chorando e ela estava com um estilete na mão cortando seu pulso, ela começou a falar coisas como “Por que vocês não me levaram com vocês?” “Eu não agüento mais ficar aqui”. Quando eu vi ela daquele jeito senti algo que não soube explicar, nunca senti isso por ninguém, uma vontade de fazer ela se sentir bem, foi então que meus pés me levaram até onde ela estava sentada, ela pegou o estilete que estava na sua mão fazendo um corte mais fundo, peguei o estilete da sua mão e tentei fingir tranquilidade, ela olhou para mim, mas não falou nada.
- Será que vou ter que virar seu vigia? – fiz graça e me abaixei para ficar na sua altura, seu pulso sangrava muito e ela olhava fixamente para mim, ela estava pálida e respirava com dificuldade – Você está bem? – ela tentou emitir um som que não identifiquei e desmaiou, antes de ela cair no chão eu a segurei, peguei ela no colo e carreguei-a até meu carro, seu pulso não parava de sangrar, coloquei ela no banco de trás e tirei minha camisa amarrando no seu pulso.
Medi seus batimentos, estavam fracos, entrei no carro e levei-a até o hospital.
Chegando lá fui direto para a emergência, eles a levaram para uma sala e tentaram acordá-la, eles fizeram um curativo no pulso e colocaram uma faixa, e colocaram um soro na veia. Depois de um tempo ele foi acordando, foi ai que me dei conta de que não tinha avisado ao irmão de . Depois que estávamos um tempo no quarto, eu olhei para ela que, até aquele momento, não tinha falado nenhuma palavra.
- , vou ligar para seu irmão avisando. – falei indo para a porta, já que eu estava com o celular dela.
- , por favor, não liga para meu irmão avisando. – falou e olhei para ela.
- Por que não? Ele tem que saber.

OFF

Cap.18

- Por que ele vai ficar histérico, só vai dar dor de cabeça e ele vai ficar preocupado sem motivo. – ele não se convenceu e foi saindo do quarto – , por favor, eu não quero estragar a noite. Ele estava tão feliz com esse encontro. Por favor? – falei com uma voz de suplica para ele.
- Só porque hoje você está muito educada e me pediu por favor duas vezes. – falou com um sorriso de canto.
- Vai te fuder.
- Voltou a outra, sua irmã gêmea acabou de sair daqui. A bonitinha. - falou serio.
- Muito engraçado. - dei uma risada forçada.
- Tudo bem, agora você precisa descansar e eu vou ver se o médico vai te dar alta hoje. – falou, veio até mim e me deu um beijo na testa, meu coração foi a mil. Mas o que esta acontecendo comigo?
- Consegue ficar sem mim por 5 minutos?
- Até mais, e da próxima vez que me beijar você vai ficar estéril.
- Você só ameaça, já ameaçou me deixar estéril umas 20 vezes e nada. – sorriu.
- Tenta a sorte, idiota. – ele sorriu e saiu do quarto.
Eu não sei o que estava acontecendo comigo, quando me deu um beijo na testa meu corpo começou a formigar, eu não senti isso nem com o meu primeiro namorado, o que está acontecendo?
Uma enfermeira entrou no quarto e olhou o soro.
- Seu soro já está acabando. – olhou na minha ficha – Você tem que tomar outro.

ON

Eu tinha que avisar a o irmão de que ela estava no hospital comigo, peguei o celular da que estava comigo e liguei para o . Chamou algumas vezes e uma voz animada atendeu.
- Oi, .
- , é o . – falei e na mesma hora o outro lado da linha ficou quieto – Só liguei para avisar que eu estou com a no hospital, mas está tudo bem, ela estava com muita cólica, sua pressão abaixou e ela acabou desmaiando, e eu a trouxe, agora está tomando soro.
- Precisa eu ir para ai? – perguntou, agora sério.
- Não precisa, eu levo ela para casa. – falei e ele suspirou.
- Obrigado cara, te devo essa. – ele falou, agora aliviado.
- Tudo bem. – desliguei o celular e fui até o médico e ele falou que isso acontecia frequentemente, que desta vez ela havia cortado muito fundo e que quase pegou uma veia, eu falei para ele que havia falado com o irmão dela e que eu levaria para casa e ele concordou.
Fui até onde estava tomando o soro.
- Está melhor? – perguntei a ela, que estava olhando fixamente para o soro.
- Sim, estou melhor. – falou e olhou para mim.

OFF

Cap.19

Nunca havia percebido o quanto era bonito. Seus olhos azuis eram intensos e seu sorriso torto meio sínico... o que eu estava pensando?
- Você já vai ter alta. - sentou ao meu lado - Liguei para o seu irmão.
- Não acredito! Você falou que não ligaria, agora ele vai ficar preocupado a toa. - fuzilei ele com os olhos.
- Eu falei que você estava com cólica, sua pressão abaixou e você desmaiou, falei para ele que te levaria para a casa e cuidaria de você, ele agradeceu e pronto. - sorriu, aquele mesmo sorriso de canto.
- Pelo menos isso. - falei e olhei para o soro novamente, já estava acabando.
Suspirei e recostei minha cabeça.
Depois de algum tempo a enfermeira voltou, tirou o soro e falou que eu já estava liberada. Saímos do hospital e me levou até em casa, dentro do carro fomos em silêncio e eu observava a chuva que caia e escorria pelo vidro do carro, chegamos até o meu prédio e ele estacionou o carro.
- Está entregue. - falou desligando o motor do carro.
- Obrigada. - falei e me virei para sair do carro - Er... , não que entrar?
- Nossa , senti sua falta, sua irmã gêmea acabou de sair daqui. Prefiro você. - sorriu e sussurrou - Ela é má comigo! - ele fez um bico que, dá minha parte, foi bem sexy. Sai daqui, pensamento idiota!
- Tá bom, esquece. - abri a porta e sai , eu ouvi uma outra porta bater atrás de mim, cheguei ao Hall do prédio e olhei para trás, vinha um correndo da chuva.
- Você me convida e sai? - sorriu mais abertamente e eu revirei os olhos.
- Idiota! - falei e me virei para o elevador, ele veio atrás de mim.
Chegamos ao meu apartamento e entramos.
- Sinta-se à vontade, eu vou tomar um banho. - fui para o meu quarto, escolhi uma roupa confortável e segui para o banheiro, liguei o chuveiro na água quente, aquilo me relaxou e me acalmou, fiquei pensando em tudo que aconteceu hoje e porque eu convidei o para entrar, depois de um tempo, sai do banho, vesti a roupa que eu separei para eu usar e desci, fui até a sala e não havia ninguém, ouvi um barulho que veio da cozinha.
- ? - o chamei enquanto ia para a cozinha.
Cheguei à cozinha e tinha duas canecas em cima da mesa.
- O que você esta fazendo?
- Chocolate quente, minha especialidade que, modéstia a parte, é muito bom. - estendeu uma caneca para mim e pegou a outra. Fiquei olhando para a caneca, tentando entender o que estava acontecendo.
- Vai ficar só olhando? - passou por mim bebendo seu chocolate quente. Eu bebi um pouco e estava uma delicia.
Sentamos no sofá e começamos a ver um filme que passava.
- ? - me chamou.
- Fala! - olhei para ele.
- Esses dias eu sonhei com você. – sorriu.
- O que sonhou? - perguntei e voltei a olhar para a televisão.
- Que nós estávamos em uma praia e você escrevia na areia que me amava, mas era mentira, você sumiu do nada. - ele abaixou o olhar.
- Só em sonho mesmo que eu vou escrever que te amo. - eu soltei uma risada baixa, mas tive uma sensação de... Conforto, eu gostei de saber que ele havia sonhado comigo.
- , olha para mim. - fiz o que ele pediu e olhei para ele, me perdi em seus olhos - Por que você fica tão desconfortável quando falamos do acidente dos seus pais?
- Eu não quero falar sobre isso. - fiquei tensa no mesmo momento.
- Então eu posso falar? - ele perguntou e eu fiquei calada. É, acho que ele tomou aquilo como um sim, porque ele continuou falando - Eu andei pesquisando sobre o acidente dos seus pais e não encontro o motivo de você se sentir tão culpada, porque eu te vi aquele dia no cemitério e vi o quanto você se culpa.
- Eu os matei. - falei baixo, mas ele conseguiu ouvir.
- Como? Um cara bêbado perdeu o controle e bateu no carro dos seus pais, e a culpa é sua? - ele me olhou incrédulo.
- Não era para eles estarem lá. Naquele momento, se não fosse eu, eles estariam em casa e hoje estariam aqui. - meus olhos já começaram a marejar e eu olhei para ele - Acho melhor você ir embora.
Me levantei e fui em direção da porta e ele me seguiu. Chegamos à porta, eu abri e ele passou por mim, mas depois ele se virou e me encarou.
- Não faz isso com você, por favor! - ele falou e foi chegando mais perto de mim, eu parei de respirar e podia sentir sua respiração quente bater nos meus lábios e eu fechei os olhos o seu cheiro era envolvente, ele me levava ao céu. Eu não conseguia me mexer, sua mão descansou na minha cintura e eu me arrepiei, no mesmo momento que senti suas mãos me tocarem tive um choque de realidade e abri meus olhos, me afastando dele.
- Boa noite . - eu disse meia fora de orbita e fechei a porta na sua cara, meu corpo desmoronou no chão, minhas pernas fraquejaram e eu cai encostada na porta, coloquei minhas mãos no meus cabelos e puxei levemente. O que ele queria de mim? Deixar-me louca?

Continua...


Nota da autora:Siga a seta e diga que sou seu.” Me viciei nessa música. Tá legal, vocês devem querer me matar por causa dessas músicas, né? Mas eu paro juro que na próxima não tem, é que eu respiro música, ouço música 24 hras por dia, mas enfim, ameeeei os comentários, vocês são ótimas, cara amei cada comentário. Bem vindas meninas que começaram a ler agora, espero que gostem mais e mais, e não parem de ler please, o que faz as autoras felizes é as leitoras, então leiam e comentem sempre que puderem, criticas e elogios são sempre bem-vindos. Tem minha nova fic que já mandei para a beta, se quiserem ler e “A louca em Londres” e uma fic restrita, quem gosta ela tá super engraçada e eu estou escrevendo com minha amiga. Também tem minha outra fic, Obsession Me, que foi minha primeira fic aqui no site e está em andamento *--*. Se puderem dêem uma olhada lá. OBRIGADA! Ai em baixo estão meus contatos e minha outra fic se quiserem falar comigo podem me adc no MSN sem problema, ta? Adoro quando falam comigo, a minha amiga que to escrevendo a fic agora ela é uma das minhas leitoras que não comenta kkk’ beijos Leila linda. Obrigada a minha beta linda que me agüenta. Beijos Annie. Tá, vamos parar com esse discurso de presidente.
Beijos, Bê.
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Nota da beta: Deixei passar alguma coisa? E-mail ou twitter.
AnnieB.