She’s a Handsome Woman
Por:Dreka
Beta-Reader:Carol Silver



CAPÍTULO I

Sinal fechado, trânsito parado.
É, essas simples palavras faziam questão de transformar o meu dia, que era pra ser perfeito, em um tremendo caos.
Meus olhos passaram do sinaleiro para o painel do carro, que indicava a hora. "Putz, vou me atrasar!", foi o que pensei na hora, mas logo o pensamento se esvaneceu, quando me deparei com o brilho prateado que vinha de um dos meus dedos.
Um sorriso malicioso se esboçou em meus lábios, relembrando as tantas vezes que haviam sido tocados e apaixonadamente saboreados pelo homem com o qual, naquele dia, completava três lindos e maravilhosos anos de namoro.


Três anos.

Pode ser considerado um intervalo de tempo extremamente pequeno, e é. Mas quando se trata de uma vida construída ao lado de outra pessoa, já podemos considerar isso como uma grande vitória, não?
Enfim, quando a gente se conheceu, eu jamais imaginei que duraria tanto tempo. Mas conforme os dias foram passando eu tive a absoluta certeza de que ele seria meu para sempre.
Pode parecer um puta egoísmo da minha parte falar algo do tipo, mas sabe aquela sensação maravilhosa que a gente sente quando está perto daquela pessoa? Aquele friozinho na barriga que a gente sente só de ouvir o nome da mesma? E sabe aquela vontade insaciável de passar o resto de sua vida junto dela? Pois bem, é assim que eu me sinto quando estamos juntos. E uma série de fatores me leva a crer que fomos mesmo feitos um para o outro.
Exemplos? Aí vão:
Primeiro, nascemos no mesmo dia.
Tá, isso não é um fator lá muito convincente, né? Mas me diz se não é super fofo poder comemorar uma data tão importante e especial como era ao lado de quem se ama?
Tudo bem, comemorar por comemorar, todo mundo pode fazer, mas só o fato de saber que ela está comemorando a mesma coisa, dividindo o momento contigo é mais fofo ainda.
E por mais que seja bobo, a gente sempre acaba reparando nas datas, afinal.
Segundo, somos completamente diferentes.
Não combinamos em absolutamente nada. Seja em relação a comida, gosto musical, preferências estéticas, hobbies... Nada mesmo. Mas os opostos se atraem certo?
Perfeito.
Terceiro, nos damos bem com as mesmas pessoas.
Temos os mesmos melhores amigos e podemos sair todos juntos. Lindos, alegres e saltitantes, e sem a implicância da galera. E olha que quando a galera implica é melhor sair de perto...
E quarto, nós nos amamos e estamos muito felizes juntos.
Fator melhor que esse último? Não existe.
Oh, já ia me esquecendo... Eu sou a , e como se chama esse homem que roubou meu coração sem dó nem piedade?
.

CAPÍTULO II

- Bden?! - falei um tanto surpresa.
Sim, meu melhor amigo. Sempre odiei o modo como ele invadia meu apartamento "do além". Na verdade, ele até poderia invadir, mas isso era completamente irrelevante quando eu acabava de sair do banho (ainda de roupão) dando de cara com ele estirado em meu sofá. Folgado!
- Aham, eu mesmo!
Também sempre odiei quando ele me olhava com aquela cara, como se estivesse supondo que eu amava a cena: Brendon Urie estirado no meu sofá com flores em mãos.
- Eu... Eu decidi dar uma passada pra ver se você está precisando de algo, sei lá...
- Ah, Bden, qual é? Conta outra!
Brendon nunca me enganou. Sempre que está em casa - quando não está em turnê com os meninos - invade o meu apartamento "pra ver se eu preciso de algo". Isso porque ele mora aqui do lado, imagina se morasse a milhas de distância.
Aí, volta e meia ele vem até aqui me pentelhar, mas essa é a primeira vez que ele me pega numa situação como essa.
Ele simplesmente sorriu, olhou nos meus olhos e veio ao meu encontro. Eu continuei o encarando com aquela minha cara de cu. Dica, ela nunca falha. Então ele simplesmente pegou as flores e me entregou.
- Hm, parabéns pelos três anos!
Awn, que guti! Às vezes nem o próprio contava os meses direito, e ele havia se lembrado. Muita fofura de sua parte tenho de admitir.
Agora sim, depois daquela, ficava impossível de manter a cara de cu e ficar brava com aquela praga. Eu fico de cara comigo mesma. Ou com ele. Tanto faz.
Meus olhos percorreram as flores - agora em minhas mãos -, cheirei-as e logo abri os braços para aconchegar Bden. Eu posso reclamar que ele é pentelho e que não me deixa em paz, que ele me inferniza e que às vezes quer ser meu pai, mas sinceramente, eu amo essa praguinha. E não sei o que seria da minha vida sem a amizade dele.
Ainda bem que os meninos não estavam em turnê, e passariam uns tempos em casa antes de botar o pé na estrada e recomeçar a vida corrida. Assim, eu tinha mais tempo com Brendon... E com os meninos.
No fundo, estava torcendo para que eles não me empurrassem (de novo!) aqueles malditos CD's, porque eu odeio.
Não que eu os odeie, de odiar, é mais um não suportar. Os caras são meus amigos. Eles são talentosos, eu admito. Mas aquelas músicas deles não me entram na cabeça. Eu simplesmente não me identifico.
Parei de me focar naquele pensamento avulso e larguei Brendon para poder mirar seus olhos.
- Ah, Bden, são realmente lindas. Nem sei o que dizer...
- Bem, eu me contento com uma palavra só. Ou até mesmo três, se preferir.
Pensei caquinha. E com esse ser humano, meu amor, não se perde uma oportunidade.
- Huummm... Vem me foder? - putaria verbal com Brendon Urie? Adoro.
- UAU! Claro, com prazer. - ele respondeu imediatamente e soltou aquele sorriso malicioso.
Cedemos ao riso.
Aquele homem não tomava jeito e sempre arrumava uma maneira de me desvirtuar junto. Com ele sempre foi assim, um assediando o outro verbalmente, era divertido. Brendon não era Brendon sem ter uma palavra sacana na ponta da língua. Essa era sua marca registrada, assim posso dizer.
- Ah, seu bobo. Não era pra você me responder com mais que quatro palavras.
- Mas não foram quatro, foram três. O "uau" não fez parte da resposta, foi apenas a reação imediata a proposta. Mas se quiser, eu posso repetir apenas as três que importam. Tudo de acordo com a preferência, meu bem.
- Não estava falando disso. Você, pela primeira vez na vida, podia, sei lá... Ignorar o que eu disse. Você está se acostumando muito mal, mocinho. Muito mal!
- Mas eu acho digno que você complete as minhas putarias e vice-versa, sabe né? - ele gesticulou e riu em seguida.
- Talvez. Mas eu ainda acho que a resposta que você deveria ter me dado...
- Era apenas 'Claro, com prazer.'? - ele me interrompeu rapidamente.
- NÃO! - ri e ele fez o mesmo - Você deveria ter dito ', meu bem', como você sempre me chama né? Ou logo 'eu me referia a outras palavras, tais como: Obrigada, ou Bden, muito obrigada.' Simples!
- Haha! Só pra você mesmo que eu diria algo do tipo.
- Ah Bden, nem liga. Eu já me acostumei com o seu vocabulário moderno!
- Nem vem, que foi você quem começou.
Que lindo, agora a culpa era minha? Eu também sempre odiei quando ele se fazia de vítima! Mas, pensando bem, eu tinha começado aquilo mesmo.
Mas que seja. Quem se importa?
- Tá bem, tá bem... - bufei - Muito obrigada pelas flores, elas realmente mudarão minha vida daqui pra frente.
- É, eu sei. Sempre tenho as melhores idéias e te entrego presentes decisivos.
Porra! Ele sempre me deixou sem palavras. Sempre odiei esse ato de egudismo dele também. Eu deveria é escrever um livro: "As dez coisas que eu odeio em Bden". Mas essas dez coisas se tornariam cem, e as cem se tornariam mil. Então, é melhor queimar o arquivo.
- Convencido!
- Sincero.
- Modesto.
- Realista, meu bem. Apenas realista.
- Que seja!
- Ah, e não se esqueça do humilde.
Nem comento. Ele riu da minha cara, como de costume, e eu novamente não consegui manter a cara de cu e tive que rir, quebrando o clima de pura discórdia com um belo apertão nas bochechas de Bden. Cara, eu sempre adorei fazer isso! As bochechas dele são tão... tão... são tão flácidas. E ele é tão gentil em não reclamar. Ele até diz que adora! Não sei se adora mesmo ou se só diz isso pra manter a amizade, mas eu prefiro acreditar na primeira hipótese.
Ajeitei as flores em um vaso no meio da minha sala. Elas ficaram realmente perfeitas ali.
Como Brendon já era de casa, foi logo invadindo o resto do apartamento. Ora estava na cozinha, ora na sala novamente. Ficava zanzando de lá pra cá enquanto eu me vestia em meu quarto.
- E o Pinto? - ele foi logo perguntando.

[FLASHBACK]

Setembro de 2002.
Mais uma tarde começava e Bden, Ryan, e eu estávamos indo ao encontro de Spencer, Jon e suas respectivas garotas para zoarmos por aí como de costume. Afinal, éramos apenas adolescentes indefesos e loucos por sexo, drogas e rock'n'roll.
Após uma pequena pausa no Burger King para apanharmos milk-shake e fritas, acabamos parados no sinaleiro, onde havia um frango mascote fazendo propaganda do novo hambúrguer de frango do BK.
Bden e Ryan se mataram de rir ao vê-lo. Eu olhei pra , perguntando o que estava acontecendo e ela me respondeu com um sinal de negativo com a cabeça. Estávamos boiando.
- Eu não acredito que ele fez isso! - Brendon falava entre risos.
- Eu disse, Bren. Eu disse! Ele tá desesperado por dinheiro. - Ryan não conseguia conter o riso.
Não me arrisquei a perguntar na hora o que estava acontecendo. Os meninos estavam ocupados demais rindo, e Ryan parecia desesperado procurando uma vaga pra parar. Rolei os olhos e me concentrei em meu delicioso milk-shake.
Ryan finalmente encontrou uma vaga, estacionou e desceu rapidamente do carro com Brendon.
- Vamos nessa, .
Larguei tudo no banco e fomos atrás dos garotos. Estávamos prestes a ver algo que não podíamos perder.
Fazia um puta sol naquela tarde e nós andávamos em direção ao homem-frango com as mãos sobre os olhos. Quem era aquele? E por que era tão engraçado assim? A ponto de ter de descer do carro para conferir com os próprios olhos? Eu ainda estava boiando, eu simplesmente odeio quando sou deixada de lado. Principalmente quando é pelos que se julgam meus melhores amigos.
- ELTON!
Bden cutucou o homem-frango por trás, que virou num instante e se mostrou completamente espantado. Então, ele tinha um nome.
- Vaaai, arranca logo essa coisa bagacenta da cabeça, mané!
Foi a vez de Ryan se manifestar. Eu só observava a cena, o cara arrancou a cabeça de frango e se mostrou ser um garoto, jovem, assim como nós. Esboçou um sorriso amarelo nos lábios e disse calmamente entre os dentes:
- Oi...
- Ah, cara, eu não creio que tu fez isso. Eu jurava que tu tava blefando! - Bden parecia não acreditar.
- Mas eu disse que precisava de dinheiro... - o menino-frango tentava se explicar.
- Gente, pra quê todo esse drama? É só um... um... é só um... frango.
Afastei-me, tornando todos os olhares para a minha pessoa.
- Bem, eu sou um frango bebê. Comecei ontem.
sorriu e eu retribui. Ai, aqueles olhos azuis... Olhando diretamente pra mim.
- Ora, então é um pinto! - Bden não perdeu a piada.
Quase me matei de rir com a pérola que ele soltara. Mas o momento valeu as gargalhadas. E o apelido, que por alguma infelicidade do destino, tornou-se vitalício.


[/FLASHBACK]

- Ele vai bem, obrigada. Vou encontrá-lo no hall em vinte minutos, por isso preciso me apressar!
Dei costas a Bden, deixando-o na sala e terminando de me vestir no meu quarto. Eu podia escutar seus passinhos pra lá e pra cá percorrendo a sala.
- Bden, e a Nancy? - perguntei entre a abertura do vestido e o ar.
- Não tô mais com ela...
Ele não precisava nem ter dito, eu pude perceber o tom de insegurança em sua voz antes mesmo que ele completasse a frase.
Galinha! Cachorro! Safado! Sem vergonha!
Nunca conseguiu parar um mês sequer com a mesma garota. Então, a única coisa que faltava era dizer que...
- ... tô com a Brittany agora. - o tom de insegurança aumentou.
É, eu temia que esse fosse mesmo o final da frase. Há dois anos ele fica nesse troca-troca com as duas. Ora está com Nancy, ora com Brittany. Elas deveriam tomar vergonha na cara e deixar o Bden em paz!
Eu sei como é, e a chance de dar uns pegas (ou levar um créu do) no Brendon Urie fica onde? A-PRO-VEI-TA-DO-RAS!
- Eu não acredito, Bden! E vai ficar nessa até quando? Nesse troca-troca? Toma vergonha nessa sua cara, homem!
Invadi a sala toda descabelada, puxando o vestido pra baixo.
- Depois o Buzznet faz enquetes do tipo "Com quem Brendon Urie deve ficar?", por ser o único solteiro da banda, você acha que é pura intromissão. E PIOR, - frisei - ainda tem que se deparar com a opção Ryan Ross ganhando em disparada!
- Nem vem, que eu bem sei que a senhorita contribuiu para que a opção Ryan ganhasse em disparada.
Oops!... Confesso que, quando vi essa enquete no ar, eu bem que votei no Ryan mesmo. Mas não foi por mal, todo mundo sabe das putarias entre os dois. Além de que não teria como eu fazer sozinha todos os cinquenta e poucos por cento do resultado, logo, eu não fui a única.
Quando Brendon e Ryan souberam em quem eu tinha votado apenas riram. Já a não gostou nada da história... Se ela já ficou furiosa apenas de saber que o Ryan era uma das opções, imagina a reação dela quando soube que eu votei nele.
- Olha, mas foi por... por... por... - gaguejei - por... por falta de opção! Ou queria que eu tivesse votado no Zac Efron? Ou na Hillary Duff?
Bden não respondeu, só sorriu malicioso. Após essa reação, subentende-se que eu fiz bem votando no Ryan. Ótimo!
- Ótimo!
Até parece que ele lê os meus pensamentos.
- ÓTIMO. - respondi, acabando com o assunto e voltando pro quarto.
- Mas e aí?
O folgado veio atrás de mim e já foi apoiando o ombro no caixilho da porta.
- Aonde você e o Pinto vão hoje à noite?
- Pinto não! Já disse que isso é feio!
- Mas você gosta... - ele deu aquele sorriso malicioso.
- BDEN!
- Mas que menina mais maliciosa e pervertida! Eu estava me referindo ao apelidinho do .
- Uhum, sei. - falei desconfiada.
- Mas então, aonde vão?
- Ai que bonitinho, rimou! Fala de novo?
- Não. - ele fez cara de 'me convença'.
- Por que não? - fiz cara de criança pidona. Nunca falha!
- Já disse que não!
É, dessa vez não funcionou, droga. Ele tá fazendo doce. Só pode.
- Ah, Bden...
Agarrei-me ao seu braço direito, o balançando devagar e reforçando a cara de criança pidona. Numa dessas, vai que funciona?
- Não. - ele fez bico. Caralho, já apelou pra provocação.
- Por favor...
- ...
Ele veio se aproximando gradativamente de mim e falando num tom de completa fofura, até se colocar numa distância boa de mim. Daria certo, afinal?
- Você quer me escutar falando rimar, não é mesmo?
Eu fiz que sim com a cabeça.
Não disse que a minha carinha de criança pidona não falha? Sou expert no assunto, meu bem!
- Então escute o nosso CD! Lá tem um montão de rimas e você pode me escutar rimando quantas vezes quiser!
DROGA! Ele disse esse finalzinho todo com voz de criancinha. Bden FDP! Depois dessa eu fiquei até sem resposta.
- Mas então, onde vão? Você ainda não me respondeu mocinha.
Ele sorriu, piscou, e voltou pra porta. Sorri de volta.
- Não sei.
Virei-me e voltei a me arrumar.
- Como assim não sabe? Tanto suspense pra nada?
- Eu não fiz suspense. Você que mudou de assunto. E eu não sei não sabendo, ué! Ele disse que era surpresa.
- Ah tá, agora sim.
- Chato!
- Pentelha!
- Praga!
- Tonga!
- Morfético!
- Besta!
- Convencido!
- Mentirosa!
- Metido!
- Mimada!
- Te odeio!
- Te amo!
- Ah Bden, não vale. Estragou a brincadeira!
- Oxe, eu juro que esperava pelo menos um 'eu também'. Mas tudo bem, eu supero. Se esse é o jeito que você trata os seus amigos...
- Brendon, menos. Por favor, bem menos, tá?
Mas ele continuou com a cara de menino desolado. AFF, não consigo ver meus amigos assim, mesmo que seja só chantagem emocional. Me pega no ponto fraco.
- Ah, vem aqui, vem! - estendi as mãos e o puxei num abraço - Te amo, pestinha - esfreguei minhas mãos em seus cabelos, como se estivesse fazendo cafuné, sabe?
Larguei-o rapidamente assim que escutamos a presença de outro ser, tossindo em meio a nossa presença.
era quem estava parado junto a porta de meu quarto assistindo a cena.
- Amor? Como você entrou aqui? - esbocei um sorriso nos lábios e corri abraçá-lo.
- Você se atrasou e não aparecia lá embaixo. A porta estava aberta... - ele me aconchegou em seus braços e deu-me um beijo carinhoso nos lábios.
- Pinto! - foi a vez de Bden cumprimentá-lo carinhosamente.
- Cadelo!
retribuiu o cumprimento. Acho que virou modinha usar nome de animal como apelido de gente, só pode.
Apesar de que cadelo nem é uma palavra de verdade. queria algo exótico e que descrevesse a personalidade de Brendon, cachorro seria perfeito, mas como não era exótico o suficiente, ficou cadelo mesmo.
- Não quero estragar a festa. Mas nós já estamos muito atrasados.
- Meu Deus, olha que horas são!
Espantei-me quando vi o horário que o relógio marcava. Não me admiro com a atitude de de vir me buscar. O que eram vinte minutos com Bden acabaram se tornando sessenta!
Nem havia percebido a hora passar, então, era melhor apressar-me.
- Bem, sendo assim, eu já vou embora. Amanhã a gente se fala!
Bendon sorriu e saiu do quarto, e em seguida do apartamento, sendo seguido por mim e .
- Até mais, Bden! - beijei seu rosto.
- Tchau, Cadelo! - o abraçou e deu uns tapinhas em suas costas.
- Tenham uma boa noite! - ele sorriu e entrou no apartamento vizinho, o seu.

CAPÍTULO III

Meu coração acelerava a cada instante. Eu podia sentir minha respiração fluindo e meus olhos brilhando feito diamante. Fiquei completamente estática ao me deparar com o real motivo do engasgo na taça de champagne. Isso certamente seria cômico, se não fosse lindo.
Levei a taça à altura de meus olhos, verificando se aquilo que eu acabara de ver não era apenar ilusão dos mesmos.
sorriu, tomou a taça das minhas mãos, e com o auxílio de um garfo, retirou o anel dali de dentro, permitindo-me enxergar melhor seu brilho reluzente.
- Se me permite...
Ele disse tomando minha mão direita para si e retirando a aliança prateada do dedo. Logo em seguida, pediu minha mão esquerda, e eu, sem relutância alguma, a cedi a ele.
Cuidadosamente, segurou o anel de diamantes e o colocou vagarosamente em meu dedo, enquanto falava:
- Sabe, Giu...
Eu percebi que ele media cada palavra, tentando utilizar somente as mais adequadas para me dizer algo. Embora eu já tivesse noção do que ele estava tentando dizer, eu não estragaria aquele momento por nada nesse mundo.
- De um tempo pra cá, eu venho pensando muito em como seriam nossas vidas daqui pra frente. Antes, eu tinha algumas dúvidas, mas agora eu tenho absoluta certeza de que só serei feliz e completo com você ao meu lado.
Seu olhar se desviou de meus dedos e foi de encontro aos meus olhos. Ele estava nervoso. Um pouco inseguro, talvez, mas parecia extremamente confiante.
- Você sabe que eu te amo mais que tudo nesse mundo. E quero ficar contigo até o fim de meus dias. Até meu último suspiro... - ele fez uma breve pausa - Casa comigo?
Estava mesmo acontecendo.
Eu não podia acreditar.
Eu só podia estar sonhando.
Tudo era perfeito demais pra ser real, e bom demais para não ser aproveitado intensamente. Eu me senti a mulher mais feliz do mundo! Recebi o pedido de casamento perfeito da pessoa mais indicada a fazê-lo!
Se só de olhar o brilho reluzente na taça me deixou boquiaberta, imagine após escutar essas doces palavras vindas do homem que amava? Simplesmente fiquei mais boba ainda, paralisada de emoção, e sem conseguir proferir som algum. Saída? Deixar o coração falar mais alto. Na hora de responder positivamente um pedido assim se dispensa qualquer tipo de cerimônia.
A felicidade de era visivelmente transcrita em seus olhos, e seu rosto expunha completamente sua grande satisfação. Ele arrastou sua cadeira o, mas perto de mim que pôde e eu segurei seu rosto com ambas as mãos, enquanto ele colava nossas testas e mantinha olhos nos olhos, até que me envolveu em um beijo calmo, quente e intenso.
Voltávamos pra casa conversando sobre planos para o futuro, ambos ansiando a vida matrimonial. Até que ele parou num bosque qualquer.
- Amor, por que parou?
Estava tão escuro... E não fazia a menor idéia do que ele queria naquele lugar.
- Meu bem, você não pensou que a noite já havia terminado, pensou? - ele tirou o cinto e desceu do carro.
Na verdade eu pensei... Mas a curiosidade pelos reais motivos que fizeram me trazer até o bosque falaram muito mais alto e praticamente me obrigaram a omitir esse fato.
Ele abriu a porta do passageiro e estendeu a mão.
- Senhorita. - fez reverência.
Que coisa mais linda! Fofo, educado, perfeito, carinhoso, romântico lindo e meu!
Fomos então caminhando abraçados pelo bosque escuro sob a luz da lua. Até parecia uma cena de filme romântico, sabe? Pouco antes do tal do ilustre "final feliz".
Mas o cenário não me era estranho. Digo, nós, eu e o , o e eu, já estivemos ali antes. Ele mesmo percebeu que eu havia começado a reconhecer o local.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO! - falei desacreditada.
- Sim! - ele riu da minha cara.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO, VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!
Aceleramos o ritmo de nossos passos juntos, desatamos nossas mãos e começarmos a caminhar rapidamente entre as árvores procurando por algo. Após alguns minutos de pura batida - revistando as árvores - e correria, finalmente encontramos.
- !
Parei e olhei para o meu lado direito e me deparei com a imagem de parado em frente a uma árvore que estava rodeada de flores. Ele mantinha a ponta dos dedos sobre o tronco da mesma.
Aproximei-me gradativamente dele e esbocei um leve sorriso ao sentir meus olhos percorrendo a escrita gravada: Giulianna & forever, envoltos em um rabisco que supostamente deveria ser um coração.

[FLASHBACK]

Fevereiro de 2005.
- Pára, ! PÁRA!
Não conseguia parar de rir e era incapaz de conseguir identificar o que me incomodava mais: as mãos de apalpando bruscamente a minha barriga me fazendo cócegas ou o peso de seu corpo sobre mim na grama verde.
Ele acabou cedendo e se deitou ao meu lado. Ficou brincando com meus dedinhos enquanto eu ainda ria. E muito.
- Heeeey... - ele se levantou um pouco da grama, se apoiando em cima de seus braços. Examinou-me de cima abaixo com os olhos.
- Chega de rir, né, mocinha?
Retirou uma mecha de cabelo de cima dos meus olhos e me beijou.
É, infelizmente tive que concordar com ele. Chega de rir em um momento como esse. Fácil calar a minha boca, não?
Nossos lábios se separaram com um estalo. Ele mantinha uma de suas mãos em meu rosto, acariciando-me carinhosamente. Então se levantou e me puxou pra cima consigo. Ambos os corpos ficaram na posição vertical e ele segurou minhas mãos.
- Sabe... - começou a falar.
- O que? - fiz um esforço para que ele me olhasse dentro dos olhos.
- Bem, eu estava aguardando um momento especial e mais adequado pra isso, mas como todos os momentos que passo com você têm se tornado, de fato, especiais, não vejo motivo para continuar te enrolando. E quanto a 'adequado', bom, eu acho esse momento mais do que apropriado, não?
Eu ri. Não estava entendendo onde ele queria chegar com aquele papo. Apenas mantinha meus olhos fixos em , aguardando o final daquele discurso. Ele percorria ansiosamente as vestes atrás de algo. Encontrou uma caixinha bem pequena, na qual caberia um objeto extremamente pequeno.
- Olha... - ele encarava a caixinha sem desviar o olhar - Já faz muito tempo que a gente vêm se pegando, e que a gente vem ficando e ficando... E o meu sentimento vem só aumentando e aumentando... - ele escolhia as palavras com cuidado - Há muito tempo eu venho pensando em oficializar isso, mas nunca tive coragem. Medo de levar um pé, talvez. Só que eu não aguento mais. - ele me olhou nos olhos e abriu a pequena caixinha, revelando um par de alianças - Namora comigo?
Quê?
Naquele momento, desejei que alguém me beliscasse, e estava torcendo para que eu sentisse muita (mas muita!) dor, pra que eu tivesse a confirmação de que aquilo tudo era real.
Explodi de felicidade por dentro, e estva prestes a colocar tudo isso pra fora. Caralho, será que alguém tinha noção do que estava acontecendo? O , a pessoa mais incrível de todo esse mundo estava me pedindo em namoro! Não! Não era
você. Era eu. Só eu!
Mas é óbvio que eu aceitaria. Não jogaria fora aquele momento, mas nunca nessa vida.
- Siiiiim! - falei meio descontrolada.
Eu o agarrei e começamos a pular em círculo feito dois bobinhos apaixonados e levemente perturbados pelo sentimento que nos deixa completamente bobos e totalmente hipnotizados: o amor.
Nos olhamos, pulamos mais um pouco, nos beijamos, colocamos nosso parzinho de alianças e aí uma idéia fantástica brotou na minha cabeça.
- , você tem uma faca?
- Ficou louca, menina? Claro que não! Pra quê quer uma faca?
- Pra arrancar seu fígado e vender no mercado negro, que tal?
- Também não precisa falar assim, né? - ele fez cara de criança desapontada.
- Ah amor, desculpa... - fui logo o abraçando e soltando um beijinho em cima do bico de manha que fez.
- Tenho um canivete, serve?
- Perfeito!
Soltei-o para deixá-lo ir ao pé da árvore, onde estavam nossas mochilas, e apanhar o canivete.
- Tá, e pra mim? - perguntei observando o canivete solitário em sua mão.
- O que? Pra você?
- Ora, temos que escrever juntos!
- Mas escrever o que?
- Ah, esquece. Deixa que eu escrevo com meu alicate de tirar cutícula mesmo. - o peguei em minha mochila - Mas já vou logo avisando, se eu estragar meu alicate... - apontei o alicate para o seu rosto e ele arregalou os olhos, se afastando assustado.
- Eu te mato!
- Calma garota. É só um alicate. - ele arriscou.
- Como assim só um alicate? Fique o senhor sabendo que é esse alicate que vai salvar as nossas vidas nesse momento. - a cada palavra que eu dizia, me aproximava mais de , que se preocupava em se afastar de mim.
- Você me dá medo, sabia?
Tentei ficar firme, mas o riso foi mais forte que eu. Já não conseguia mais manter minha expressão séria, muito menos segurar o alicate ameaçadoramente na cara de .
- Vixi, tarde demais, meu amor! - abaixei o alicate - Quando você ficar rico e a gente casar, não vai ser com um alicate que eu vou te matar pra colocar as mãos no seu dinheiro!
- É mesmo? E quem disse que eu vou me casar com você? - ele disse num tom desafiador.
- Eu estou dizendo. Sei que não resistirá ao meu charme. E mais cedo ou mais tarde acabará cedendo e descobrindo que eu sou a garota certa pra você. Daí não vai ter como escapar. Então, virá com um lindo anel de diamantes dentro de uma taça de champagne me pedindo em casamento.
- E certamente a senhorita gostaria disso, não?
- Fala sério. Eu iria AMAR! Seria o pedido de casamento perfeito, ok? Adoro romantismo retrô, fato!
- Então fique a senhora sabendo que serei eu esse seu romancista retrô com quem tanto sonha.
- Ah, você? E quem disse que eu vou me casar com você? - retribuí o tom desafiador. Toma essa, !
- Então é assim, né?
- Assim o que? Você que começou, uai. Não tenho culpa, amor. E vamos cortar essa de casamento e escrever logo!
Fomos saltitando alegremente pra mais perto da árvore e começamos a escrever. Ele escrevia
enquanto eu escrevia logo em baixo.
Após terminar os nomes, ele escreveu o & entre eles enquanto eu escrevia forever. Em seguida, contornou tudo com um coração.
PLEC! Meu alicate acabara de quebrar.
Fiquei paralisada e antes mesmo que pudesse falar alguma coisa, se manifestou:
- Calma amor, eu te compro outro!

[FLASHBACK]

Passei minhas mãos sobre o entalhe.
- Bem, você ainda está me devendo um alicate. - comecei a rir - Já faz três anos.
Balancei três dedinhos da mão esquerda, inclusive o envolto pelo anel.
- Puxa, não era bem o que eu esperava ouvir. Mas entenderei como ", eu amo você!". - Ele sorriu e me beijou.

CAPÍTULO IV

Já haviam passado alguns minutos, e o telefone ainda estava chamando. Aquele tututu do vindo do outro lado da linha já estava me deixando com dor de cabeça.
- Atende logo... - resmunguei.
Se ao menos Brendon estivesse em casa, eu poderia ter ido ao apartamento vizinho atrás dele e poupar meus ouvidos de escutar aquele barulho irritante.
Houveram mais algumas tentativas até que, finalmente, eu pudesse escutar o que queria.
- Alô?!
- Brendon, caralho! Que demora filha da puta foi essa? Estou tentando te ligar há horas...
Nem dei chances para Brendon falar, fui logo dando bronca, e assim que terminei, comecei a contar a respeito da noite anterior. Tudo de uma vez só, sem respirar, e sem deixar Brendon falar qualquer coisa.
Aquele assunto era um tanto... Urgente. E eu precisava contar pra alguém que estava noiva.
Extrema necessidade, eu diria.
Era tão bom escutar a voz dele e saber que pelo menos alguém se importava... Não, calúnia! A também se importava. Mas, melhor amigo por melhor amiga, os dois se importam e me aturam, e fim.
O importante é que eu fiz um breve resumo de tudo que tinha vivenciado noite passada.
Após longos minutos, Bden me interrompeu entre risos.
- É, eu sei. Ele me disse que faria isso.
Mil maneiras de estragar uma novidade. Ele bem podia escrever a respeito do assunto.
- Ah, mas você já sabia? - havia um tom carregado de decepção em minha voz.
- Uhum. Ele me pediu algumas sugestões, idéias... Sabe como é, né? Gente experiente, carismática que nem eu. Ele soube aonde devia procurar ajuda. Menino de bom gosto, eu diria.
Lá me vem ele com esse ataque de egudagem aguda. Ah Deus, dê-me paciência.
- E por quais motivos o senhor não me informou?
- , se liga! Imagina se eu tivesse te contado a respeito da surpresa? Não seria mais surpresa. A minha grande língua estragaria a sua noite perfeita e não teria a mínima graça vivenciá-la.
- É, pensando bem, teria sido um lixo mesmo. Foi bom ter guardado a sua língua. Mas de qualquer forma, estragou a novidade!
- Como assim estraguei a novidade?
- Falando que já sabia, ué. Cortou toda a minha empolgação.
- Mas eu escutei a história toda. Você já tinha me contado tudo.
- Mas não tinha me empolgado o suficiente.
- Mas eu só falei a verdade... - ele disse com voz de cachorro sem dono.
- Que seja, Brendon. Estragou e PONTO! E onde é que você tá?
- Eu tô na Starbucks com o Spencer. E você? Eu bati logo cedo no seu apartamento e você não atendeu.
- Err... Onde é que tu acha que eu tô? Na casa do Pinto, ué. - ele riu - O que foi?
- Nada. É... - ele riu novamente - só achei meio estranho, sabe, ouvir você chamando o de Pinto.
- Eu disse Pinto? - me espantei.
- Sim, disse.
- Claro que não! Eu não disse Pinto!
- Olha aí, falou de volta!
Caralho, ele não parava de rir. Mas eu podia jurar que não disse Pinto. Até porque eu acho muito feio chamar o assim.
- Ah, eu não disse... Ah, desculpa, não era pra falar...
- Nem esquenta, não tem nada demais.
- Mas eu não falei. Sério. Não lembro.
- Tá bom, não falou. Eu inventei. Afff...
- Tá bom, inventou. Não falei. Fim. Viu...
- O quê?
- Eu vou desligar. Ainda tenho que tomar banho.
- Ah, mas então me espera! Eu posso tomar banho com você, se quiser!
- Bden. - eu ri, ele também.
- E o , cadê?
- Faz uns trinta minutos que ele saiu daqui.
- Nossa, eu não sabia que o Burger King abria aos domingos.
- Haha! Pra sua informação, ele largou do Burger King faz um tempo já. E o BK abre aos domingos, sim. Ele ia passar no mercado pra comprar sei lá o que. A chegou aqui em casa antes mesmo de mim, a menina é ligeira e, enfim, vou desligar, sem te convidar pra vir tomar banho comigo. Mas quem sabe, outro dia talvez... Você passa na minha casa, gato!
Com o tempo, você aprende que contrariar Bden e fazer de tudo para que ele pare de dar uma de tarado pra cima de você só faz com que ele o faça ainda mais. Foi assim com o Peter, acreditem! Eles mal tinham se conhecido e o Brendon ficava arrastando as asinhas pra cima do gostoso baixista do FOB, e quanto mais ele mandava o Bden parar, mais ele continuava. Até que ele correspondeu e Brendon enfim se aquietou. Mas sinceramente, tanto eu quanto o , estávamos vendo a hora que os dois iam se pegar e Bden ia se assumir gay.
Tá, não é pra tanto, mas é melhor dar trela.
Depois de desligar o telefone, ficou me dando sermão por falar demais. Mas é o de menos. Ficamos ali conversando durante horas, só colocando a fofoca em dia.
ficou pasma com tudo o que eu contei pra ela. Tudo estava tão fresco na minha memória... Parecia que eu ainda podia sentir cada toque de , e ainda escutar cada palavra do mesmo.
Eu tinha milhões de planos com o , e não via a hora de poder colocá-los em prática.
O telefone atrapalhou a nossa falação completamente. Isso me deixou um pouco irritada.
- Alô! - atendi mal-humorada - Ah, oi amor... - mordi meu lábio inferior para conter o riso, pude escutar o Oops! da há alguns metros.
Desliguei.
Sai correndo em direção a repetindo seu nome freneticamente.
- O que foi, guria?
- A-DI-VI-NHA! - fiz pose.
- Quê? Fala logo, mulher! - ela ficou ali de pé, esperando a resposta.
- Qual parte do A-DI-VI-NHA você não entendeu?
- Ah, sei lá. Pára de drama, porra!
- Olha a boca! Mas então... - comecei enrolando.
- Fala logo, pô!
Parecia que alguém estava com TPM.
- Vai me apressar, é? Também não conto mais nada.
- Então não conte. - ela cruzou os braços.
- Que seja. Não vou falar NADA, ok? NA-DA!
- Feito. Vou embora então. - ela descruzou os braços e foi caminhando em direção à porta.
Droga perdi.
- NÃÃÃÃOOO! NÃÃÃÃÃO! Espera, espera, eu conto!
Ela deu aquele sorriso malandro que eu simplesmente ODEIO e me pediu pra prosseguir.
- Então, o acabou de me ligar...
- ra?
- Hahá.
- Desculpe. - ela riu. Que ódio, odeio quando não me levam a sério. - Prossiga.
- Como eu ia dizendo - exagerei na calma, olhando nos olhos da - o me disse que aquela boate nova vai inaugurar hoje, e ele e os meninos vão nos buscar dentro de uma hora.
- Nossa, mas já abriu? - ela parecia completamente espantada.
- Claro, né, flor? Senão não iríamos pra lá hoje.
- Não me chame de flor!
Tá, eu tinha me esquecido desse detalhe. O ex dela a chamava assim. E esse é o modo como ele chama a atual. Coisa besta, porém foda. Imagina que teu namorado te chama de... Ah sim, Gnominha (meu ex me chamava assim) e depois que vocês terminam, ele arruma outra vagaba qualquer e começa a chamá-la de Gnominha também. Cara, isso é ridículo! Apelidinhos fofos são coisas íntimas do casal, e não algo que deve ser partilhado com a primeira vagaba que aparece pra ocupar o seu lugar.
- Que seja. Tinha me esquecido.
- Tudo bem. Mas onde eles estão?
- Tá todo mundo no Spen. E o foi pra lá. Daí ele descobriu essa boate que inaugura hoje, e nós vamos todos.
- Nós quem?
- Como assim quem? Quem você acha que vai? A galera de sempre, uai. - usei meus dedos como material de apoio - O Bden, O , o Pency, o Ry, o Jon, a Hailey, a Cassie, você e eu. Ah, e a Brittany.
- Quê? A Brittany vai?
- Sim. O Bden a convidou. Não esperava que ele fosse sozinho, né?
- Tinha que ser o Bren mesmo. Mas ele bem que poderia ir sozinho, uai. Seria até bem melhor pras solteironas lá. O Brendon podia pegar geral. - ela me deu uma bundada.
- Aaaiii... Mas veja bem, meu amour, Bden solteiro e sozinho é um problema pra humanidade. Ainda mais se a gente vai numa boate entupida de groupies e mulheres loucas pra pegar alguém.
- Isso quando não são ambas as características na mesma mulher.
- Vixi, piorou! Mas seria problemático de qualquer jeito. Com ou sem Brittany, ele vai pegar geral mesmo. Além do mais, homem solteiro, bonito, rico, gostoso, inteligente, engraçado, simpático, pervo...
- Minha filha, se toca! Só o fato dele ser Brendon Urie já é motivo pra que elas se joguem nele. Não iriam nem querer saber se ele é mesmo tudo isso que você falou. Muito menos se ele é solteiro e está sozinho.
É, ela está certa. Mas não dando em cima do tá tudo certo. Ainda bem que ele é um [i]João Ninguém[/i], assim nenhuma vagaba se atira pra cima dele.
e eu corremos pra nos arrumarmos, pois tínhamos pouco tempo pra isso, já que em menos de uma hora os meninos chegariam. Um tempo injusto, eu diria, pra que duas moças fiquem lindas, maravilhosas e impecáveis. Se bem que a gente não precisa de muito pra chegar lá, já que já fomos concebidas com tal característica.
Conseguimos nos aprontarmos dentro do tempo proposto. Nós conseguíamos ser rápidas, quando queríamos.
Como era pra irmos todos juntos, dividimo-nos da seguinte forma: Hailey, h, Ry e Brittany foram no carro de Pency enquanto eu, Bden, Jon e Cassie fomos sob os comandos de .
Como eu estava no banco da frente, fiz questão de administrar a rádio. Para minha felicidade (e infelicidade de ) estava tocando [url=http://www.4shared.com/file/27613260/7a2aad2d/The_Academy_Is_-_Neighbors.html?s=1]Neighbors, do TAI[/url].
Sempre gostei muito da banda e tinha uma paixão secreta por Beckett, então, assim que percebi qual era a música que estava começando, meio que surtei, e acionei a galera para cantar junto comigo.
Todos entraram na cantoria, exceto .
ntamente com a voz de William, nós fazíamos um coro perfeito: They should have shown up
Should have shown up by now, they should have shown up by now, and with a knock at the door the knock at the door as it goes...

Mas quem acabou se empolgando geral na cantoria foi Brendon, fazendo com que todos os olhares fossem atraídos diretamente para ele e que todas as bocas parassem de emitir som.
- WOOOOAAAH, WOOOOAAAH... WELL NOW EVERYBODY’S LOSING CONTROL!
Por que será que ele se empolgou, né? Só que a música não caiu bem na voz dele. Prefiro o Beckett.
Bden ficou vermelho-roxo quando percebeu que todos no carro estavam estáticos, apenas o observando. Todos riram dele e ninguém mais conseguiu cantar.
Fomos cantando alegremente até chegarmos à boate. Ambos os carros chegaram juntos, já que um seguia o outro.
- É aqui? - Cassie perguntou.
- Claro que sim. - respondeu, tirando o cinto e descendo do carro.
- Rainbow Star... - li.
- Gostei do nome! - Bden se manifestou sem ser requisitado. Ele sempre tem que marcar presença.
- Hey, vocês não vão ficar parados aí dentro, vão?
abriu a porta do carro, fazendo todos se movimentarem, e em segundos estávamos todos na rua.
A boate era completamente exótica. Haviam algumas luzes coloridas que ficavam piscando e bem junto a porta dois seguranças gigantes controlavam a entrada do local.
- Vocês estão todos juntos? - um dos dois gigantes perguntou, apontando cada um dos cinco casaizinhos.
- Claro que sim. - olhou pro segurança com cara de 'duh, qual o problema?'.
O homem apenas riu e recolheu o dinheiro calado, nos entregou as entradas e em seguida, nos guiou para um pequeno corredorzinho que levava a entrada da boate.
- US$20 por cabeça? Espero que valha a pena pagar tudo isso mesmo. Porque a boate nem é grande coisa pra cobrar tudo isso!
- Deixa de ser mão-de-vaca, falou entre os dentes.
Falei mesmo, e ainda ganhei um olhar estranho do cara. Entramos a passos acelerados, antes que os seguranças mudassem de idéia e nos colocassem na rua. Seguimos o corredor estreito e mal iluminado até encontrarmos outra porta com outro segurança, que por sua vez, recolheu as entradas e as partiu no meio, como no cinema, abrindo a porta para que entrássemos.
- UAU! - exclamei assim que meus olhos viram a beleza do local.
Se por fora a boate já era uma coisa extremamente exótica, por dentro, pense em algo três vezes mais! Totalmente estranha, diferente, simplesmente... EXÓTICA. E a imprensa estava lá pra cobrir, mesmo não sendo um evento muito grande ou importante, os paparazzi estavam ali perdidos.
O lugar tinha dois andares, e a escadaria que os ligava tinha forma de espiral, e era toda decorada com panos coloridos, tais quais as cores do arco-íris que representavam a boate.
No andar inferior, tinha duas pistas principais e mais duas secundárias. O bar ficava no canto direito, isolado de toda música, barulho e alvoroço. Anyway, a boate era simplesmente GIGANTE!
Outra coisa bem interessante que tinha no andar de baixo eram os seis cilindros espalhados pelas extremidades do lugar. Dentro de cada um tinha duas dançarinas que dançavam de forma sensual e ao mesmo tempo obscena.
Já o andar superior era uma área completamente restrita e a pessoa tinha que ser VIP pra acessar a área, ou seja, tivemos de nos contentar com o andar de baixo mesmo.
Todo mundo se dispersou para garantir uma maior privacidade a cada casal. Spencer e Hailey foram para o bar, junto com Ryan e . Aqueles dois não se largam NUNCA mesmo. Já Jon e Cassie, Brittany e Bden e eu e nos embrenhamos em meio a multidão, em direções opostas. e eu ficamos ali durante algum tempo, cercados pelo povo e completamente absorvidos pela música, dançando conforme a batida. ora nos agarrando, ora conversando gritando e rindo.
- EU TÔ COM SEDE! - berrei no ouvido dele.
- O QUÊ?
Tive de fazer leitura labial pra entender. O barulho já estava afetando os nossos ouvidos.
- EEEEUUUU ESTOOOOOU COM SEEEEDEEE!
- EU TAMBÉM! VIU, ESPERE AQUI. EU VOU BUSCAR ALGO PRA GENTE BEBER.
Eu fiz sinal de positivo com a cabeça enquanto se misturava na multidão, em direção ao bar.
- ESPERE E NÃO SAIA DAÍ! - ele repetiu berrando.
Continuei me movimentando conforme o ritmo, apenas observando meu noivo de longe. Senti um cutucão e me virei pra ver quem era e o que queria.
- BRITTANY?
- , VOCÊ VIU O BRENDON POR AÍ? ELE DISSE QUE IA PEGAR UMA BEBIDA E SUMIU!
Ah safado! Já arrumou uma forma de se livrar da pobre garota e aproveitar a liberdade.
- AH SIM, VI SIM! ELE ESTAVA COM O NO BAR. VÁ LÁ QUE VOCÊ O ENCONTRA!
Ela sorriu, completamente agradecida e caminhou até o bar. Não quero nem ver sua reação quando descobrir que eu menti. Oops!
Virei de costas e comecei a dançar novamente, só parando quando dedos voltaram a me cutucar. Já me virei falando:
- AH BRITTANY, SE ELE NÃO TA LÁ É PORQUE... - me espantei e calei - OI!?
Era uma mulher que parecia muito simpática e era muito bonita.
- É, DESCULPA INCOMODAR, MAS, EU TE VI SOZINHA... QUER COMPANHIA PRA DANÇAR?
- AH NÃO. MUITO OBRIGADA, EU JÁ ESTOU ACOMPANHADA. - respondi sorrindo.
A mulher simplesmente sorriu e acenou. Ela só não parecia simpática, como tinha a qualidade.
Esperei mais um pouco dançando ali naquele mesmo metro quadrado até cansar de esperar por com a bebida. Ele estava demorando demais e eu simplesmente não queria ficar parada ali. Fui abrindo caminho no meio do povo em direção ao bar quando vi um rosto conhecido passar na minha frente.
- BDEN! - ele olhou pra mim.
- NOSSA, FINALMENTE TE ENCONTREI!
- HEY, ONDE VOCÊ TAVA? POR QUE LARGOU A BRITTANY SOZINHA?
Eu nem pude terminar de fazer as perguntas. Eu tinha várias elaboradas em minha cabeça e todas elas queriam uma resposta.
- TEMOS QUE SAIR DAQUI AGORA MESMO! - ele me arrastava até o bar, ignorando todas as minhas perguntas.
- COMO ASSIM? AQUI TÁ TÃO BOM. POR QUE TEMOS DE IR?
- POR QUÊ?
Ele respondeu num tom completamente indignado, como se quisesse dizer 'E você ainda tem a coragem de perguntar?'.

Continua...