
Por:Dreka
Beta-Reader: Carol Silver
CAPÍTULO I
Sinal fechado, trânsito parado.
É, essas simples palavras faziam questão de transformar o meu dia, que era pra ser perfeito, em um tremendo caos.
Meus olhos passaram do sinaleiro para o painel do carro, que indicava a hora. "Putz, vou me atrasar!", foi o que pensei na hora, mas logo o pensamento se esvaneceu, quando me deparei com o brilho prateado que vinha de um dos meus dedos.
Um sorriso malicioso se esboçou em meus lábios, relembrando as tantas vezes que haviam sido tocados e apaixonadamente saboreados pelo homem com o qual, naquele dia, completava três lindos e maravilhosos anos de namoro.
Três anos.
Pode ser considerado um intervalo de tempo extremamente pequeno, e é. Mas quando se trata de uma vida construída ao lado de outra pessoa, já podemos considerar isso como uma grande vitória, não?
Enfim, quando a gente se conheceu, eu jamais imaginei que duraria tanto tempo. Mas conforme os dias foram passando eu tive a absoluta certeza de que ele seria meu para sempre.
Pode parecer um puta egoísmo da minha parte falar algo do tipo, mas sabe aquela sensação maravilhosa que a gente sente quando está perto daquela pessoa? Aquele friozinho na barriga que a gente sente só de ouvir o nome da mesma? E sabe aquela vontade insaciável de passar o resto de sua vida junto dela? Pois bem, é assim que eu me sinto quando estamos juntos. E uma série de fatores me leva a crer que fomos mesmo feitos um para o outro.
Exemplos? Aí vão:
Primeiro, nascemos no mesmo dia.
Tá, isso não é um fator lá muito convincente, né? Mas me diz se não é super fofo poder comemorar uma data tão importante e especial como era ao lado de quem se ama?
Tudo bem, comemorar por comemorar, todo mundo pode fazer, mas só o fato de saber que ela está comemorando a mesma coisa, dividindo o momento contigo é mais fofo ainda.
E por mais que seja bobo, a gente sempre acaba reparando nas datas, afinal.
Segundo, somos completamente diferentes.
Não combinamos em absolutamente nada. Seja em relação a comida, gosto musical, preferências estéticas, hobbies... Nada mesmo. Mas os opostos se atraem certo?
Perfeito.
Terceiro, nos damos bem com as mesmas pessoas.
Temos os mesmos melhores amigos e podemos sair todos juntos. Lindos, alegres e saltitantes, e sem a implicância da galera. E olha que quando a galera implica é melhor sair de perto...
E quarto, nós nos amamos e estamos muito felizes juntos.
Fator melhor que esse último? Não existe.
Oh, já ia me esquecendo... Eu sou a , e como se chama esse homem que roubou meu coração sem dó nem piedade?
.
CAPÍTULO II
- Bden?! - falei um tanto surpresa.
Sim, meu melhor amigo. Sempre odiei o modo como ele invadia meu apartamento "do além". Na verdade, ele até poderia invadir, mas isso era completamente irrelevante quando eu acabava de sair do banho (ainda de roupão) dando de cara com ele estirado em meu sofá. Folgado!
- Aham, eu mesmo!
Também sempre odiei quando ele me olhava com aquela cara, como se estivesse supondo que eu amava a cena: Brendon Urie estirado no meu sofá com flores em mãos.
- Eu... Eu decidi dar uma passada pra ver se você está precisando de algo, sei lá...
- Ah, Bden, qual é? Conta outra!
Brendon nunca me enganou. Sempre que está em casa - quando não está em turnê com os meninos - invade o meu apartamento "pra ver se eu preciso de algo". Isso porque ele mora aqui do lado, imagina se morasse a milhas de distância.
Aí, volta e meia ele vem até aqui me pentelhar, mas essa é a primeira vez que ele me pega numa situação como essa.
Ele simplesmente sorriu, olhou nos meus olhos e veio ao meu encontro. Eu continuei o encarando com aquela minha cara de cu. Dica, ela nunca falha. Então ele simplesmente pegou as flores e me entregou.
- Hm, parabéns pelos três anos!
Awn, que guti! Às vezes nem o próprio contava os meses direito, e ele havia se lembrado. Muita fofura de sua parte tenho de admitir.
Agora sim, depois daquela, ficava impossível de manter a cara de cu e ficar brava com aquela praga. Eu fico de cara comigo mesma. Ou com ele. Tanto faz.
Meus olhos percorreram as flores - agora em minhas mãos -, cheirei-as e logo abri os braços para aconchegar Bden. Eu posso reclamar que ele é pentelho e que não me deixa em paz, que ele me inferniza e que às vezes quer ser meu pai, mas sinceramente, eu amo essa praguinha. E não sei o que seria da minha vida sem a amizade dele.
Ainda bem que os meninos não estavam em turnê, e passariam uns tempos em casa antes de botar o pé na estrada e recomeçar a vida corrida. Assim, eu tinha mais tempo com Brendon... E com os meninos.
No fundo, estava torcendo para que eles não me empurrassem (de novo!) aqueles malditos CD's, porque eu odeio.
Não que eu os odeie, de odiar, é mais um não suportar. Os caras são meus amigos. Eles são talentosos, eu admito. Mas aquelas músicas deles não me entram na cabeça. Eu simplesmente não me identifico.
Parei de me focar naquele pensamento avulso e larguei Brendon para poder mirar seus olhos.
- Ah, Bden, são realmente lindas. Nem sei o que dizer...
- Bem, eu me contento com uma palavra só. Ou até mesmo três, se preferir.
Pensei caquinha. E com esse ser humano, meu amor, não se perde uma oportunidade.
- Huummm... Vem me foder? - putaria verbal com Brendon Urie? Adoro.
- UAU! Claro, com prazer. - ele respondeu imediatamente e soltou aquele sorriso malicioso.
Cedemos ao riso.
Aquele homem não tomava jeito e sempre arrumava uma maneira de me desvirtuar junto. Com ele sempre foi assim, um assediando o outro verbalmente, era divertido.
Brendon não era Brendon sem ter uma palavra sacana na ponta da língua. Essa era sua marca registrada, assim posso dizer.
- Ah, seu bobo. Não era pra você me responder com mais que quatro palavras.
- Mas não foram quatro, foram três. O "uau" não fez parte da resposta, foi apenas a reação imediata a proposta. Mas se quiser, eu posso repetir apenas as três que importam. Tudo de acordo com a preferência, meu bem.
- Não estava falando disso. Você, pela primeira vez na vida, podia, sei lá... Ignorar o que eu disse. Você está se acostumando muito mal, mocinho. Muito mal!
- Mas eu acho digno que você complete as minhas putarias e vice-versa, sabe né? - ele gesticulou e riu em seguida.
- Talvez. Mas eu ainda acho que a resposta que você deveria ter me dado...
- Era apenas 'Claro, com prazer.'? - ele me interrompeu rapidamente.
- NÃO! - ri e ele fez o mesmo - Você deveria ter dito ', meu bem', como você sempre me chama né? Ou logo 'eu me referia a outras palavras, tais como: Obrigada, ou Bden, muito obrigada.' Simples!
- Haha! Só pra você mesmo que eu diria algo do tipo.
- Ah Bden, nem liga. Eu já me acostumei com o seu vocabulário moderno!
- Nem vem, que foi você quem começou.
Que lindo, agora a culpa era minha? Eu também sempre odiei quando ele se fazia de vítima! Mas, pensando bem, eu tinha começado aquilo mesmo.
Mas que seja. Quem se importa?
- Tá bem, tá bem... - bufei - Muito obrigada pelas flores, elas realmente mudarão minha vida daqui pra frente.
- É, eu sei. Sempre tenho as melhores idéias e te entrego presentes decisivos.
Porra! Ele sempre me deixou sem palavras. Sempre odiei esse ato de egudismo dele também. Eu deveria é escrever um livro: "As dez coisas que eu odeio em Bden". Mas essas dez coisas se tornariam cem, e as cem se tornariam mil. Então, é melhor queimar o arquivo.
- Convencido!
- Sincero.
- Modesto.
- Realista, meu bem. Apenas realista.
- Que seja!
- Ah, e não se esqueça do humilde.
Nem comento. Ele riu da minha cara, como de costume, e eu novamente não consegui manter a cara de cu e tive que rir, quebrando o clima de pura discórdia com um belo apertão nas bochechas de Bden. Cara, eu sempre adorei fazer isso! As bochechas dele são tão... tão... são tão flácidas. E ele é tão gentil em não reclamar. Ele até diz que adora! Não sei se adora mesmo ou se só diz isso pra manter a amizade, mas eu prefiro acreditar na primeira hipótese.
Ajeitei as flores em um vaso no meio da minha sala. Elas ficaram realmente perfeitas ali.
Como Brendon já era de casa, foi logo invadindo o resto do apartamento. Ora estava na cozinha, ora na sala novamente. Ficava zanzando de lá pra cá enquanto eu me vestia em meu quarto.
- E o Pinto? - ele foi logo perguntando.
[FLASHBACK]
Setembro de 2002.
Mais uma tarde começava e Bden, Ryan, e eu estávamos indo ao encontro de Spencer, Jon e suas respectivas garotas para zoarmos por aí como de costume. Afinal, éramos apenas adolescentes indefesos e loucos por sexo, drogas e rock'n'roll.
Após uma pequena pausa no Burger King para apanharmos milk-shake e fritas, acabamos parados no sinaleiro, onde havia um frango mascote fazendo propaganda do novo hambúrguer de frango do BK.
Bden e Ryan se mataram de rir ao vê-lo. Eu olhei pra , perguntando o que estava acontecendo e ela me respondeu com um sinal de negativo com a cabeça. Estávamos boiando.
- Eu não acredito que ele fez isso! - Brendon falava entre risos.
- Eu disse, Bren. Eu disse! Ele tá desesperado por dinheiro. - Ryan não conseguia conter o riso.
Não me arrisquei a perguntar na hora o que estava acontecendo. Os meninos estavam ocupados demais rindo, e Ryan parecia desesperado procurando uma vaga pra parar. Rolei os olhos e me concentrei em meu delicioso milk-shake.
Ryan finalmente encontrou uma vaga, estacionou e desceu rapidamente do carro com Brendon.
- Vamos nessa, .
Larguei tudo no banco e fomos atrás dos garotos. Estávamos prestes a ver algo que não podíamos perder.
Fazia um puta sol naquela tarde e nós andávamos em direção ao homem-frango com as mãos sobre os olhos. Quem era aquele? E por que era tão engraçado assim? A ponto de ter de descer do carro para conferir com os próprios olhos? Eu ainda estava boiando, eu simplesmente odeio quando sou deixada de lado. Principalmente quando é pelos que se julgam meus melhores amigos.
- Steven!
Bden cutucou o homem-frango por trás, que virou num instante e se mostrou completamente espantado. Então, ele tinha um nome.
- Vaaai, arranca logo essa coisa bagacenta da cabeça, mané!
Foi a vez de Ryan se manifestar. Eu só observava a cena, o cara arrancou a cabeça de frango e se mostrou ser um garoto, jovem, assim como nós. Esboçou um sorriso amarelo nos lábios e disse calmamente entre os dentes:
- Oi...
- Ah, cara, eu não creio que tu fez isso. Eu jurava que tu tava blefando! - Bden parecia não acreditar.
- Mas eu disse que precisava de dinheiro... - o menino-frango tentava se explicar.
- Gente, pra quê todo esse drama? É só um... um... é só um... frango.
Afastei-me, tornando todos os olhares para a minha pessoa.
- Bem, eu sou um frango bebê. Comecei ontem.
sorriu e eu retribui. Ai, aqueles olhos azuis... Olhando diretamente pra mim.
- Ora, então é um pinto! - Bden não perdeu a piada.
Quase me matei de rir com a pérola que ele soltara. Mas o momento valeu as gargalhadas. E o apelido, que por alguma infelicidade do destino, tornou-se vitalício.
[/FLASHBACK]
- Ele vai bem, obrigada. Vou encontrá-lo no hall em vinte minutos, por isso preciso me apressar!
Dei costas a Bden, deixando-o na sala e terminando de me vestir no meu quarto. Eu podia escutar seus passinhos pra lá e pra cá percorrendo a sala.
- Bden, e a Nancy? - perguntei entre a abertura do vestido e o ar.
- Não tô mais com ela...
Ele não precisava nem ter dito, eu pude perceber o tom de insegurança em sua voz antes mesmo que ele completasse a frase.
Galinha! Cachorro! Safado! Sem vergonha!
Nunca conseguiu parar um mês sequer com a mesma garota. Então, a única coisa que faltava era dizer que...
- ... tô com a Brittany agora. - o tom de insegurança aumentou.
É, eu temia que esse fosse mesmo o final da frase. Há dois anos ele fica nesse troca-troca com as duas. Ora está com Nancy, ora com Brittany. Elas deveriam tomar vergonha na cara e deixar o Bden em paz!
Eu sei como é, e a chance de dar uns pegas (ou levar um créu do) no Brendon Urie fica onde? A-PRO-VEI-TA-DO-RAS!
- Eu não acredito, Bden! E vai ficar nessa até quando? Nesse troca-troca? Toma vergonha nessa sua cara, homem!
Invadi a sala toda descabelada, puxando o vestido pra baixo.
- Depois o Buzznet faz enquetes do tipo "Com quem Brendon Urie deve ficar?", por ser o único solteiro da banda, você acha que é pura intromissão. E PIOR, - frisei - ainda tem que se deparar com a opção Ryan Ross ganhando em disparada!
- Nem vem, que eu bem sei que a senhorita contribuiu para que a opção Ryan ganhasse em disparada.
Oops!... Confesso que, quando vi essa enquete no ar, eu bem que votei no Ryan mesmo. Mas não foi por mal, todo mundo sabe das putarias entre os dois. Além de que não teria como eu fazer sozinha todos os cinquenta e poucos por cento do resultado, logo, eu não fui a única.
Quando Brendon e Ryan souberam em quem eu tinha votado apenas riram. Já a não gostou nada da história... Se ela já ficou furiosa apenas de saber que o Ryan era uma das opções, imagina a reação dela quando soube que eu votei nele.
- Olha, mas foi por... por... por... - gaguejei - por... por falta de opção! Ou queria que eu tivesse votado no Zac Efron? Ou na Hillary Duff?
Bden não respondeu, só sorriu malicioso. Após essa reação, subentende-se que eu fiz bem votando no Ryan. Ótimo!
- Ótimo!
Até parece que ele lê os meus pensamentos.
- ÓTIMO. - respondi, acabando com o assunto e voltando pro quarto.
- Mas e aí?
O folgado veio atrás de mim e já foi apoiando o ombro no caixilho da porta.
- Aonde você e o Pinto vão hoje à noite?
- Pinto não! Já disse que isso é feio!
- Mas você gosta... - ele deu aquele sorriso malicioso.
- BDEN!
- Mas que menina mais maliciosa e pervertida! Eu estava me referindo ao apelidinho do .
- Uhum, sei. - falei desconfiada.
- Mas então, aonde vão?
- Ai que bonitinho, rimou! Fala de novo?
- Não. - ele fez cara de 'me convença'.
- Por que não? - fiz cara de criança pidona. Nunca falha!
- Já disse que não!
É, dessa vez não funcionou, droga. Ele tá fazendo doce. Só pode.
- Ah, Bden...
Agarrei-me ao seu braço direito, o balançando devagar e reforçando a cara de criança pidona. Numa dessas, vai que funciona?
- Não. - ele fez bico. Caralho, já apelou pra provocação.
- Por favor...
- ...
Ele veio se aproximando gradativamente de mim e falando num tom de completa fofura, até se colocar numa distância boa de mim. Daria certo, afinal?
- Você quer me escutar falando rimar, não é mesmo?
Eu fiz que sim com a cabeça.
Não disse que a minha carinha de criança pidona não falha? Sou expert no assunto, meu bem!
- Então escute o nosso CD! Lá tem um montão de rimas e você pode me escutar rimando quantas vezes quiser!
DROGA! Ele disse esse finalzinho todo com voz de criancinha. Bden FDP! Depois dessa eu fiquei até sem resposta.
- Mas então, onde vão? Você ainda não me respondeu mocinha.
Ele sorriu, piscou, e voltou pra porta. Sorri de volta.
- Não sei.
Virei-me e voltei a me arrumar.
- Como assim não sabe? Tanto suspense pra nada?
- Eu não fiz suspense. Você que mudou de assunto. E eu não sei não sabendo, ué! Ele disse que era surpresa.
- Ah tá, agora sim.
- Chato!
- Pentelha!
- Praga!
- Tonga!
- Morfético!
- Besta!
- Convencido!
- Mentirosa!
- Metido!
- Mimada!
- Te odeio!
- Te amo!
- Ah Bden, não vale. Estragou a brincadeira!
- Oxe, eu juro que esperava pelo menos um 'eu também'. Mas tudo bem, eu supero. Se esse é o jeito que você trata os seus amigos...
- Brendon, menos. Por favor, bem menos, tá?
Mas ele continuou com a cara de menino desolado. AFF, não consigo ver meus amigos assim, mesmo que seja só chantagem emocional. Me pega no ponto fraco.
- Ah, vem aqui, vem! - estendi as mãos e o puxei num abraço - Te amo, pestinha - esfreguei minhas mãos em seus cabelos, como se estivesse fazendo cafuné, sabe?
Larguei-o rapidamente assim que escutamos a presença de outro ser, tossindo em meio a nossa presença.
era quem estava parado junto a porta de meu quarto assistindo a cena.
- Amor? Como você entrou aqui? - esbocei um sorriso nos lábios e corri abraçá-lo.
- Você se atrasou e não aparecia lá embaixo. A porta estava aberta... - ele me aconchegou em seus braços e deu-me um beijo carinhoso nos lábios.
- Pinto! - foi a vez de Bden cumprimentá-lo carinhosamente.
- Cadelo!
retribuiu o cumprimento. Acho que virou modinha usar nome de animal como apelido de gente, só pode.
Apesar de que cadelo nem é uma palavra de verdade. queria algo exótico e que descrevesse a personalidade de Brendon, cachorro seria perfeito, mas como não era exótico o suficiente, ficou cadelo mesmo.
- Não quero estragar a festa. Mas nós já estamos muito atrasados.
- Meu Deus, olha que horas são!
Espantei-me quando vi o horário que o relógio marcava. Não me admiro com a atitude de de vir me buscar. O que eram vinte minutos com Bden acabaram se tornando sessenta!
Nem havia percebido a hora passar, então, era melhor apressar-me.
- Bem, sendo assim, eu já vou embora. Amanhã a gente se fala!
Bendon sorriu e saiu do quarto, e em seguida do apartamento, sendo seguido por mim e .
- Até mais, Bden! - beijei seu rosto.
- Tchau, Cadelo! - o abraçou e deu uns tapinhas em suas costas.
- Tenham uma boa noite! - ele sorriu e entrou no apartamento vizinho, o seu.
CAPÍTULO III
Meu coração acelerava a cada instante. Eu podia sentir minha respiração fluindo e meus olhos brilhando feito diamante. Fiquei completamente estática ao me deparar com o real motivo do engasgo na taça de champagne. Isso certamente seria cômico, se não fosse lindo.
Levei a taça à altura de meus olhos, verificando se aquilo que eu acabara de ver não era apenar ilusão dos mesmos.
sorriu, tomou a taça das minhas mãos, e com o auxílio de um garfo, retirou o anel dali de dentro, permitindo-me enxergar melhor seu brilho reluzente.
- Se me permite...
Ele disse tomando minha mão direita para si e retirando a aliança prateada do dedo. Logo em seguida, pediu minha mão esquerda, e eu, sem relutância alguma, a cedi a ele.
Cuidadosamente, segurou o anel de diamantes e o colocou vagarosamente em meu dedo, enquanto falava:
- Sabe, Giu...
Eu percebi que ele media cada palavra, tentando utilizar somente as mais adequadas para me dizer algo. Embora eu já tivesse noção do que ele estava tentando dizer, eu não estragaria aquele momento por nada nesse mundo.
- De um tempo pra cá, eu venho pensando muito em como seriam nossas vidas daqui pra frente. Antes, eu tinha algumas dúvidas, mas agora eu tenho absoluta certeza de que só serei feliz e completo com você ao meu lado.
Seu olhar se desviou de meus dedos e foi de encontro aos meus olhos. Ele estava nervoso. Um pouco inseguro, talvez, mas parecia extremamente confiante.
- Você sabe que eu te amo mais que tudo nesse mundo. E quero ficar contigo até o fim de meus dias. Até meu último suspiro... - ele fez uma breve pausa - Casa comigo?
Estava mesmo acontecendo.
Eu não podia acreditar.
Eu só podia estar sonhando.
Tudo era perfeito demais pra ser real, e bom demais para não ser aproveitado intensamente. Eu me senti a mulher mais feliz do mundo! Recebi o pedido de casamento perfeito da pessoa mais indicada a fazê-lo!
Se só de olhar o brilho reluzente na taça me deixou boquiaberta, imagine após escutar essas doces palavras vindas do homem que amava? Simplesmente fiquei mais boba ainda, paralisada de emoção, e sem conseguir proferir som algum. Saída? Deixar o coração falar mais alto. Na hora de responder positivamente um pedido assim se dispensa qualquer tipo de cerimônia.
A felicidade de era visivelmente transcrita em seus olhos, e seu rosto expunha completamente sua grande satisfação. Ele arrastou sua cadeira o, mas perto de mim que pôde e eu segurei seu rosto com ambas as mãos, enquanto ele colava nossas testas e mantinha olhos nos olhos, até que me envolveu em um beijo calmo, quente e intenso.
Voltávamos pra casa conversando sobre planos para o futuro, ambos ansiando a vida matrimonial. Até que ele parou num bosque qualquer.
- Amor, por que parou?
Estava tão escuro... E não fazia a menor idéia do que ele queria naquele lugar.
- Meu bem, você não pensou que a noite já havia terminado, pensou? - ele tirou o cinto e desceu do carro.
Na verdade eu pensei... Mas a curiosidade pelos reais motivos que fizeram me trazer até o bosque falaram muito mais alto e praticamente me obrigaram a omitir esse fato.
Ele abriu a porta do passageiro e estendeu a mão.
- Senhorita. - fez reverência.
Que coisa mais linda! Fofo, educado, perfeito, carinhoso, romântico lindo e meu!
Fomos então caminhando abraçados pelo bosque escuro sob a luz da lua. Até parecia uma cena de filme romântico, sabe? Pouco antes do tal do ilustre "final feliz".
Mas o cenário não me era estranho. Digo, nós, eu e o , o e eu, já estivemos ali antes. Ele mesmo percebeu que eu havia começado a reconhecer o local.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO! - falei desacreditada.
- Sim! - ele riu da minha cara.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO, VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!
Aceleramos o ritmo de nossos passos juntos, desatamos nossas mãos e começarmos a caminhar rapidamente entre as árvores procurando por algo. Após alguns minutos de pura batida - revistando as árvores - e correria, finalmente encontramos.
- !
Parei e olhei para o meu lado direito e me deparei com a imagem de parado em frente a uma árvore que estava rodeada de flores. Ele mantinha a ponta dos dedos sobre o tronco da mesma.
Aproximei-me gradativamente dele e esbocei um leve sorriso ao sentir meus olhos percorrendo a escrita gravada: Giulianna & forever, envoltos em um rabisco que supostamente deveria ser um coração.
[FLASHBACK]
Fevereiro de 2005.
- Pára, ! PÁRA!
Não conseguia parar de rir e era incapaz de conseguir identificar o que me incomodava mais: as mãos de apalpando bruscamente a minha barriga me fazendo cócegas ou o peso de seu corpo sobre mim na grama verde.
Ele acabou cedendo e se deitou ao meu lado. Ficou brincando com meus dedinhos enquanto eu ainda ria. E muito.
- Heeeey... - ele se levantou um pouco da grama, se apoiando em cima de seus braços. Examinou-me de cima abaixo com os olhos.
- Chega de rir, né, mocinha?
Retirou uma mecha de cabelo de cima dos meus olhos e me beijou.
É, infelizmente tive que concordar com ele. Chega de rir em um momento como esse. Fácil calar a minha boca, não?
Nossos lábios se separaram com um estalo. Ele mantinha uma de suas mãos em meu rosto, acariciando-me carinhosamente. Então se levantou e me puxou pra cima consigo. Ambos os corpos ficaram na posição vertical e ele segurou minhas mãos.
- Sabe... - começou a falar.
- O que? - fiz um esforço para que ele me olhasse dentro dos olhos.
- Bem, eu estava aguardando um momento especial e mais adequado pra isso, mas como todos os momentos que passo com você têm se tornado, de fato, especiais, não vejo motivo para continuar te enrolando. E quanto a 'adequado', bom, eu acho esse momento mais do que apropriado, não?
Eu ri. Não estava entendendo onde ele queria chegar com aquele papo. Apenas mantinha meus olhos fixos em , aguardando o final daquele discurso. Ele percorria ansiosamente as vestes atrás de algo. Encontrou uma caixinha bem pequena, na qual caberia um objeto extremamente pequeno.
- Olha... - ele encarava a caixinha sem desviar o olhar - Já faz muito tempo que a gente vêm se pegando, e que a gente vem ficando e ficando... E o meu sentimento vem só aumentando e aumentando... - ele escolhia as palavras com cuidado - Há muito tempo eu venho pensando em oficializar isso, mas nunca tive coragem. Medo de levar um pé, talvez. Só que eu não aguento mais. - ele me olhou nos olhos e abriu a pequena caixinha, revelando um par de alianças - Namora comigo?
Quê?
Naquele momento, desejei que alguém me beliscasse, e estava torcendo para que eu sentisse muita (mas muita!) dor, pra que eu tivesse a confirmação de que aquilo tudo era real.
Explodi de felicidade por dentro, e estva prestes a colocar tudo isso pra fora.
Caralho, será que alguém tinha noção do que estava acontecendo? O , a pessoa mais incrível de todo esse mundo estava me pedindo em namoro! Não! Não era você. Era eu. Só eu!
Mas é óbvio que eu aceitaria. Não jogaria fora aquele momento, mas nunca nessa vida.
- Siiiiim! - falei meio descontrolada.
Eu o agarrei e começamos a pular em círculo feito dois bobinhos apaixonados e levemente perturbados pelo sentimento que nos deixa completamente bobos e totalmente hipnotizados: o amor.
Nos olhamos, pulamos mais um pouco, nos beijamos, colocamos nosso parzinho de alianças e aí uma idéia fantástica brotou na minha cabeça.
- , você tem uma faca?
- Ficou louca, menina? Claro que não! Pra quê quer uma faca?
- Pra arrancar seu fígado e vender no mercado negro, que tal?
- Também não precisa falar assim, né? - ele fez cara de criança desapontada.
- Ah amor, desculpa... - fui logo o abraçando e soltando um beijinho em cima do bico de manha que fez.
- Tenho um canivete, serve?
- Perfeito!
Soltei-o para deixá-lo ir ao pé da árvore, onde estavam nossas mochilas, e apanhar o canivete.
- Tá, e pra mim? - perguntei observando o canivete solitário em sua mão.
- O que? Pra você?
- Ora, temos que escrever juntos!
- Mas escrever o que?
- Ah, esquece. Deixa que eu escrevo com meu alicate de tirar cutícula mesmo. - o peguei em minha mochila - Mas já vou logo avisando, se eu estragar meu alicate... - apontei o alicate para o seu rosto e ele arregalou os olhos, se afastando assustado.
- Eu te mato!
- Calma garota. É só um alicate. - ele arriscou.
- Como assim só um alicate? Fique o senhor sabendo que é esse alicate que vai salvar as nossas vidas nesse momento. - a cada palavra que eu dizia, me aproximava mais de , que se preocupava em se afastar de mim.
- Você me dá medo, sabia?
Tentei ficar firme, mas o riso foi mais forte que eu. Já não conseguia mais manter minha expressão séria, muito menos segurar o alicate ameaçadoramente na cara de .
- Vixi, tarde demais, meu amor! - abaixei o alicate - Quando você ficar rico e a gente casar, não vai ser com um alicate que eu vou te matar pra colocar as mãos no seu dinheiro!
- É mesmo? E quem disse que eu vou me casar com você? - ele disse num tom desafiador.
- Eu estou dizendo. Sei que não resistirá ao meu charme. E mais cedo ou mais tarde acabará cedendo e descobrindo que eu sou a garota certa pra você. Daí não vai ter como escapar. Então, virá com um lindo anel de diamantes dentro de uma taça de champagne me pedindo em casamento.
- E certamente a senhorita gostaria disso, não?
- Fala sério. Eu iria AMAR! Seria o pedido de casamento perfeito, ok? Adoro romantismo retrô, fato!
- Então fique a senhora sabendo que serei eu esse seu romancista retrô com quem tanto sonha.
- Ah, você? E quem disse que eu vou me casar com você? - retribuí o tom desafiador. Toma essa, !
- Então é assim, né?
- Assim o que? Você que começou, uai. Não tenho culpa, amor. E vamos cortar essa de casamento e escrever logo!
Fomos saltitando alegremente pra mais perto da árvore e começamos a escrever. Ele escrevia enquanto eu escrevia logo em baixo.
Após terminar os nomes, ele escreveu o & entre eles enquanto eu escrevia forever. Em seguida, contornou tudo com um coração.
PLEC! Meu alicate acabara de quebrar.
Fiquei paralisada e antes mesmo que pudesse falar alguma coisa, se manifestou:
- Calma amor, eu te compro outro!
[FLASHBACK]
Passei minhas mãos sobre o entalhe.
- Bem, você ainda está me devendo um alicate. - comecei a rir - Já faz três anos.
Balancei três dedinhos da mão esquerda, inclusive o envolto pelo anel.
- Puxa, não era bem o que eu esperava ouvir. Mas entenderei como ", eu amo você!". - Ele sorriu e me beijou.
CAPÍTULO IV
Já haviam passado alguns minutos, e o telefone ainda estava chamando. Aquele tututu do vindo do outro lado da linha já estava me deixando com dor de cabeça.
- Atende logo... - resmunguei.
Se ao menos Brendon estivesse em casa, eu poderia ter ido ao apartamento vizinho atrás dele e poupar meus ouvidos de escutar aquele barulho irritante.
Houveram mais algumas tentativas até que, finalmente, eu pudesse escutar o que queria.
- Alô?!
- Brendon, caralho! Que demora filha da puta foi essa? Estou tentando te ligar há horas...
Nem dei chances para Brendon falar, fui logo dando bronca, e assim que terminei, comecei a contar a respeito da noite anterior. Tudo de uma vez só, sem respirar, e sem deixar Brendon falar qualquer coisa.
Aquele assunto era um tanto... Urgente. E eu precisava contar pra alguém que estava noiva.
Extrema necessidade, eu diria.
Era tão bom escutar a voz dele e saber que pelo menos alguém se importava... Não, calúnia! A também se importava. Mas, melhor amigo por melhor amiga, os dois se importam e me aturam, e fim.
O importante é que eu fiz um breve resumo de tudo que tinha vivenciado noite passada.
Após longos minutos, Bden me interrompeu entre risos.
- É, eu sei. Ele me disse que faria isso.
Mil maneiras de estragar uma novidade. Ele bem podia escrever a respeito do assunto.
- Ah, mas você já sabia? - havia um tom carregado de decepção em minha voz.
- Uhum. Ele me pediu algumas sugestões, idéias... Sabe como é, né? Gente experiente, carismática que nem eu. Ele soube aonde devia procurar ajuda. Menino de bom gosto, eu diria.
Lá me vem ele com esse ataque de egudagem aguda. Ah Deus, dê-me paciência.
- E por quais motivos o senhor não me informou?
- , se liga! Imagina se eu tivesse te contado a respeito da surpresa? Não seria mais surpresa. A minha grande língua estragaria a sua noite perfeita e não teria a mínima graça vivenciá-la.
- É, pensando bem, teria sido um lixo mesmo. Foi bom ter guardado a sua língua. Mas de qualquer forma, estragou a novidade!
- Como assim estraguei a novidade?
- Falando que já sabia, ué. Cortou toda a minha empolgação.
- Mas eu escutei a história toda. Você já tinha me contado tudo.
- Mas não tinha me empolgado o suficiente.
- Mas eu só falei a verdade... - ele disse com voz de cachorro sem dono.
- Que seja, Brendon. Estragou e PONTO! E onde é que você tá?
- Eu tô na Starbucks com o Spencer. E você? Eu bati logo cedo no seu apartamento e você não atendeu.
- Err... Onde é que tu acha que eu tô? Na casa do Pinto, ué. - ele riu - O que foi?
- Nada. É... - ele riu novamente - só achei meio estranho, sabe, ouvir você chamando o de Pinto.
- Eu disse Pinto? - me espantei.
- Sim, disse.
- Claro que não! Eu não disse Pinto!
- Olha aí, falou de volta!
Caralho, ele não parava de rir. Mas eu podia jurar que não disse Pinto. Até porque eu acho muito feio chamar o assim.
- Ah, eu não disse... Ah, desculpa, não era pra falar...
- Nem esquenta, não tem nada demais.
- Mas eu não falei. Sério. Não lembro.
- Tá bom, não falou. Eu inventei. Afff...
- Tá bom, inventou. Não falei. Fim. Viu...
- O quê?
- Eu vou desligar. Ainda tenho que tomar banho.
- Ah, mas então me espera! Eu posso tomar banho com você, se quiser!
- Bden. - eu ri, ele também.
- E o , cadê?
- Faz uns trinta minutos que ele saiu daqui.
- Nossa, eu não sabia que o Burger King abria aos domingos.
- Haha! Pra sua informação, ele largou do Burger King faz um tempo já. E o BK abre aos domingos, sim. Ele ia passar no mercado pra comprar sei lá o que. A chegou aqui em casa antes mesmo de mim, a menina é ligeira e, enfim, vou desligar, sem te convidar pra vir tomar banho comigo. Mas quem sabe, outro dia talvez... Você passa na minha casa, gato!
Com o tempo, você aprende que contrariar Bden e fazer de tudo para que ele pare de dar uma de tarado pra cima de você só faz com que ele o faça ainda mais. Foi assim com o Peter, acreditem! Eles mal tinham se conhecido e o Brendon ficava arrastando as asinhas pra cima do gostoso baixista do FOB, e quanto mais ele mandava o Bden parar, mais ele continuava. Até que ele correspondeu e Brendon enfim se aquietou. Mas sinceramente, tanto eu quanto o , estávamos vendo a hora que os dois iam se pegar e Bden ia se assumir gay.
Tá, não é pra tanto, mas é melhor dar trela.
Depois de desligar o telefone, ficou me dando sermão por falar demais. Mas é o de menos. Ficamos ali conversando durante horas, só colocando a fofoca em dia.
ficou pasma com tudo o que eu contei pra ela. Tudo estava tão fresco na minha memória... Parecia que eu ainda podia sentir cada toque de , e ainda escutar cada palavra do mesmo.
Eu tinha milhões de planos com o , e não via a hora de poder colocá-los em prática.
O telefone atrapalhou a nossa falação completamente. Isso me deixou um pouco irritada.
- Alô! - atendi mal-humorada - Ah, oi amor... - mordi meu lábio inferior para conter o riso, pude escutar o Oops! da há alguns metros.
Desliguei.
Sai correndo em direção a repetindo seu nome freneticamente.
- O que foi, guria?
- A-DI-VI-NHA! - fiz pose.
- Quê? Fala logo, mulher! - ela ficou ali de pé, esperando a resposta.
- Qual parte do A-DI-VI-NHA você não entendeu?
- Ah, sei lá. Pára de drama, porra!
- Olha a boca! Mas então... - comecei enrolando.
- Fala logo, pô!
Parecia que alguém estava com TPM.
- Vai me apressar, é? Também não conto mais nada.
- Então não conte. - ela cruzou os braços.
- Que seja. Não vou falar NADA, ok? NA-DA!
- Feito. Vou embora então. - ela descruzou os braços e foi caminhando em direção à porta.
Droga perdi.
- NÃÃÃÃOOO! NÃÃÃÃÃO! Espera, espera, eu conto!
Ela deu aquele sorriso malandro que eu simplesmente ODEIO e me pediu pra prosseguir.
- Então, o acabou de me ligar...
- ra?
- Hahá.
- Desculpe. - ela riu. Que ódio, odeio quando não me levam a sério. - Prossiga.
- Como eu ia dizendo - exagerei na calma, olhando nos olhos da - o me disse que aquela boate nova vai inaugurar hoje, e ele e os meninos vão nos buscar dentro de uma hora.
- Nossa, mas já abriu? - ela parecia completamente espantada.
- Claro, né, flor? Senão não iríamos pra lá hoje.
- Não me chame de flor!
Tá, eu tinha me esquecido desse detalhe. O ex dela a chamava assim. E esse é o modo como ele chama a atual. Coisa besta, porém foda. Imagina que teu namorado te chama de... Ah sim, Gnominha (meu ex me chamava assim) e depois que vocês terminam, ele arruma outra vagaba qualquer e começa a chamá-la de Gnominha também. Cara, isso é ridículo! Apelidinhos fofos são coisas íntimas do casal, e não algo que deve ser partilhado com a primeira vagaba que aparece pra ocupar o seu lugar.
- Que seja. Tinha me esquecido.
- Tudo bem. Mas onde eles estão?
- Tá todo mundo no Spen. E o foi pra lá. Daí ele descobriu essa boate que inaugura hoje, e nós vamos todos.
- Nós quem?
- Como assim quem? Quem você acha que vai? A galera de sempre, uai. - usei meus dedos como material de apoio - O Bden, O
, o Pency, o Ry, o Jon, a Hailey, a Cassie, você e eu. Ah, e a Brittany.
- Quê? A Brittany vai?
- Sim. O Bden a convidou. Não esperava que ele fosse sozinho, né?
- Tinha que ser o Bren mesmo. Mas ele bem que poderia ir sozinho, uai. Seria até bem melhor pras solteironas lá. O Brendon podia pegar geral. - ela me deu uma bundada.
- Aaaiii... Mas veja bem, meu amour, Bden solteiro e sozinho é um problema pra humanidade. Ainda mais se a gente vai numa boate entupida de groupies e mulheres loucas pra pegar alguém.
- Isso quando não são ambas as características na mesma mulher.
- Vixi, piorou! Mas seria problemático de qualquer jeito. Com ou sem Brittany, ele vai pegar geral mesmo. Além do mais, homem solteiro, bonito, rico, gostoso, inteligente, engraçado, simpático, pervo...
- Minha filha, se toca! Só o fato dele ser Brendon Urie já é motivo pra que elas se joguem nele. Não iriam nem querer saber se ele é mesmo tudo isso que você falou. Muito menos se ele é solteiro e está sozinho.
É, ela está certa. Mas não dando em cima do tá tudo certo. Ainda bem que ele é um [i]João Ninguém[/i], assim nenhuma vagaba se atira pra cima dele.
e eu corremos pra nos arrumarmos, pois tínhamos pouco tempo pra isso, já que em menos de uma hora os meninos chegariam. Um tempo injusto, eu diria, pra que duas moças fiquem lindas, maravilhosas e impecáveis. Se bem que a gente não precisa de muito pra chegar lá, já que já fomos concebidas com tal característica.
Conseguimos nos aprontarmos dentro do tempo proposto. Nós conseguíamos ser rápidas, quando queríamos.
Como era pra irmos todos juntos, dividimo-nos da seguinte forma: Hailey, h, Ry e Brittany foram no carro de Pency enquanto eu, Bden, Jon e Cassie fomos sob os comandos de .
Como eu estava no banco da frente, fiz questão de administrar a rádio.
Para minha felicidade (e infelicidade de ) estava tocando Neighbors, do TAI.
Sempre gostei muito da banda e tinha uma paixão secreta por Beckett, então, assim que percebi qual era a música que estava começando, meio que surtei, e acionei a galera para cantar junto comigo.
Todos entraram na cantoria, exceto .
ntamente com a voz de William, nós fazíamos um coro perfeito: They should have shown up
Should have shown up by now, they should have shown up by now, and with a knock at the door
the knock at the door as it goes...
Mas quem acabou se empolgando geral na cantoria foi Brendon, fazendo com que todos os olhares fossem atraídos diretamente para ele e que todas as bocas parassem de emitir som.
- WOOOOAAAH, WOOOOAAAH... WELL NOW EVERYBODY’S LOSING CONTROL!
Por que será que ele se empolgou, né? Só que a música não caiu bem na voz dele. Prefiro o Beckett.
Bden ficou vermelho-roxo quando percebeu que todos no carro estavam estáticos, apenas o observando. Todos riram dele e ninguém mais conseguiu cantar.
Fomos cantando alegremente até chegarmos à boate. Ambos os carros chegaram juntos, já que um seguia o outro.
- É aqui? - Cassie perguntou.
- Claro que sim. - respondeu, tirando o cinto e descendo do carro.
- Rainbow Star... - li.
- Gostei do nome! - Bden se manifestou sem ser requisitado. Ele sempre tem que marcar presença.
- Hey, vocês não vão ficar parados aí dentro, vão?
abriu a porta do carro, fazendo todos se movimentarem, e em segundos estávamos todos na rua.
A boate era completamente exótica. Haviam algumas luzes coloridas que ficavam piscando e bem junto a porta dois seguranças gigantes controlavam a entrada do local.
- Vocês estão todos juntos? - um dos dois gigantes perguntou, apontando cada um dos cinco casaizinhos.
- Claro que sim. - olhou pro segurança com cara de 'duh, qual o problema?'.
O homem apenas riu e recolheu o dinheiro calado, nos entregou as entradas e em seguida, nos guiou para um pequeno corredorzinho que levava a entrada da boate.
- US$20 por cabeça? Espero que valha a pena pagar tudo isso mesmo. Porque a boate nem é grande coisa pra cobrar tudo isso!
- Deixa de ser mão-de-vaca, falou entre os dentes.
Falei mesmo, e ainda ganhei um olhar estranho do cara. Entramos a passos acelerados, antes que os seguranças mudassem de idéia e nos colocassem na rua. Seguimos o corredor estreito e mal iluminado até encontrarmos outra porta com outro segurança, que por sua vez, recolheu as entradas e as partiu no meio, como no cinema, abrindo a porta para que entrássemos.
- UAU! - exclamei assim que meus olhos viram a beleza do local.
Se por fora a boate já era uma coisa extremamente exótica, por dentro, pense em algo três vezes mais! Totalmente estranha, diferente, simplesmente... EXÓTICA. E a imprensa estava lá pra cobrir, mesmo não sendo um evento muito grande ou importante, os paparazzi estavam ali perdidos.
O lugar tinha dois andares, e a escadaria que os ligava tinha forma de espiral, e era toda decorada com panos coloridos, tais quais as cores do arco-íris que representavam a boate.
No andar inferior, tinha duas pistas principais e mais duas secundárias. O bar ficava no canto direito, isolado de toda música, barulho e alvoroço. Anyway, a boate era simplesmente GIGANTE!
Outra coisa bem interessante que tinha no andar de baixo eram os seis cilindros espalhados pelas extremidades do lugar. Dentro de cada um tinha duas dançarinas que dançavam de forma sensual e ao mesmo tempo obscena.
Já o andar superior era uma área completamente restrita e a pessoa tinha que ser VIP pra acessar a área, ou seja, tivemos de nos contentar com o andar de baixo mesmo.
Todo mundo se dispersou para garantir uma maior privacidade a cada casal. Spencer e Hailey foram para o bar, junto com Ryan e . Aqueles dois não se largam NUNCA mesmo. Já Jon e Cassie, Brittany e Bden e eu e nos embrenhamos em meio a multidão, em direções opostas. e eu ficamos ali durante algum tempo, cercados pelo povo e completamente absorvidos pela música, dançando conforme a batida. ora nos agarrando, ora conversando gritando e rindo.
- EU TÔ COM SEDE! - berrei no ouvido dele.
- O QUÊ?
Tive de fazer leitura labial pra entender. O barulho já estava afetando os nossos ouvidos.
- EEEEUUUU ESTOOOOOU COM SEEEEDEEE!
- EU TAMBÉM! VIU, ESPERE AQUI. EU VOU BUSCAR ALGO PRA GENTE BEBER.
Eu fiz sinal de positivo com a cabeça enquanto se misturava na multidão, em direção ao bar.
- ESPERE E NÃO SAIA DAÍ! - ele repetiu berrando.
Continuei me movimentando conforme o ritmo, apenas observando meu noivo de longe. Senti um cutucão e me virei pra ver quem era e o que queria.
- BRITTANY?
- , VOCÊ VIU O BRENDON POR AÍ? ELE DISSE QUE IA PEGAR UMA BEBIDA E SUMIU!
Ah safado! Já arrumou uma forma de se livrar da pobre garota e aproveitar a liberdade.
- AH SIM, VI SIM! ELE ESTAVA COM O NO BAR. VÁ LÁ QUE VOCÊ O ENCONTRA!
Ela sorriu, completamente agradecida e caminhou até o bar. Não quero nem ver sua reação quando descobrir que eu menti. Oops!
Virei de costas e comecei a dançar novamente, só parando quando dedos voltaram a me cutucar. Já me virei falando:
- AH BRITTANY, SE ELE NÃO TA LÁ É PORQUE... - me espantei e calei - OI!?
Era uma mulher que parecia muito simpática e era muito bonita.
- É, DESCULPA INCOMODAR, MAS, EU TE VI SOZINHA... QUER COMPANHIA PRA DANÇAR?
- AH NÃO. MUITO OBRIGADA, EU JÁ ESTOU ACOMPANHADA. - respondi sorrindo.
A mulher simplesmente sorriu e acenou. Ela só não parecia simpática, como tinha a qualidade.
Esperei mais um pouco dançando ali naquele mesmo metro quadrado até cansar de esperar por com a bebida. Ele estava demorando demais e eu simplesmente não queria ficar parada ali. Fui abrindo caminho no meio do povo em direção ao bar quando vi um rosto conhecido passar na minha frente.
- BDEN! - ele olhou pra mim.
- NOSSA, FINALMENTE TE ENCONTREI!
- HEY, ONDE VOCÊ TAVA? POR QUE LARGOU A BRITTANY SOZINHA?
Eu nem pude terminar de fazer as perguntas. Eu tinha várias elaboradas em minha cabeça e todas elas queriam uma resposta.
- TEMOS QUE SAIR DAQUI AGORA MESMO! - ele me arrastava até o bar, ignorando todas as minhas perguntas.
- COMO ASSIM? AQUI TÁ TÃO BOM. POR QUE TEMOS DE IR?
- POR QUÊ?
Ele respondeu num tom completamente indignado, como se quisesse dizer 'E você ainda tem a coragem de perguntar?'.
CAPÍTULO V
Bden continuava me puxando em direção ao bar sem ao menos me explicar o que estava acontecendo. Eu ainda reclamava muito, e podia perceber que ele estava se controlando para não me mandar calar a boca.
Quando finalmente chegamos até o resto da galera notei que todos riam muito, exceto Brendon, que não estava com uma cara muito agradável.
- Agora que estamos todos aqui, já podemos ir embora! – Spencer falou entre risos e puxando a mão de Hailey.
- Na-na-ni-na-não! – Balancei meu dedo indicador próximo aos olhos de Spencer. – Agora vocês vão me contar que diabos aconteceu aqui pra todo mundo querer ir embora! – Cruzei os braços e olhei diretamente de Spencer para Hailey, e de Hailey para Bden.
- Nã... Obrigada, meu amor, mas não quero que ninguém saia por aí pegando o que é seu por direito! – falou envolvendo um dos braços pela minha cintura e me puxando para longe do local enquanto ria.
- COMO É QUE É?
Fiquei estática, será que alguma baranga tinha arrastado asinhas pra ?
Desvencilhei-me de suas mãos e voltei pra perto da galera, ou eles me contavam o que tinha acontecido ou alguém não sairia vivo dali.
- Assim... – pela primeira vez na rodinha, Bden resolveu abrir a boca e me contar algo. – Olha ali no cantinho, meu amor... – ele envolveu um braço pelo meu pescoço e foi girando meu corpo para que eu pudesse observar com precisão cada local que ele apontava. – Ali... – eu olhava de queixo caído – e ali... – por fim, ele soltou um riso sarcástico.
Todos se matavam de rir ao ver a cara que eu estava fazendo.
- E pior, nem queira que eu te conte o que vi na área vip – pude perceber que nesse momento, Bden corou.
- Bden, isso daqui é uma...
- BOATE GAY! – Ryan completou antes mesmo que eu pudesse terminar a frase.
- , caralho... Você nos trouxe a uma boate gay?!
Não creio, olha só o tipo de lugar que meu noivo me leva, por favor, lembre-me de nunca mais sair por aí com esse louco, antes que ele queira me levar a um puteiro.
- Não... e pior – ele frisou – tive que agüentar um homem que pegou no meu pau e me chamou pra trepar! – Bden estava roxo de vergonha, e a cada palavra que ele proferia o povo ria ainda mais.
- BDEN, ELE PEGOU NO SEU P...! – não consegui terminar a frase de tanto que ria, eu já estava quase perdendo o fôlego. Bden apenas me encarou com um olhar de desaprovação.
- Tá, mas um paparazzo me reconheceu e começou a seguir, imaginem o que será de mim se isso vazar? Já até estou lendo as manchetes dos jornais: – nessa ele conseguiu se superar, será que ele esperava sair no New York Times? – BRENDON URIE É FLAGRADO EM UMA BOATE GAY. Já pararam pra pensar no escândalo? Por isso temos de sair daqui, porque se ele me pega, Pinto...
- Hey, não olhe assim pra mim, eu realmente não tive culpa. Eu lá ia saber que a tal Rainbow Star era uma boate gay? E também ninguém mandou você ir cheirar na área vip! – falou ao ver Brendon fuzilá-lo com os olhos.
- Mas vocês também, hein?! Se embrenharam no meio da multidão e se esqueceram do mundo, né? – falava enquanto olhava de para mim, e de mim para .
- Como assim? – perguntei, calando o riso.
- Nós procuramos vocês por toda parte assim que ficamos sabendo do ocorrido com Bden... – Cassie comentou e começou a rir, Brendon já estava querendo um saco para colocar em sua cabeça, a galera não esqueceria daquilo tão cedo! – Desculpe. – Ela sorriu amarelo pra Bden e continuou a falar. – Então, depois que descobrimos que... Vocês sabem, né? – ela gesticulou com as mãos – A gente meio que ficou com medo desse povo, e fomos procurá-los com alguém do mesmo sexo, pelo menos pra disfarçar e evitar futuros assédios.
- E como vocês fizeram essa tal busca? – perguntei.
- Simples: eu fui com a Hailey,e a foi com a Brittany.
- Eu fui com o Ryan, e o Spencer foi com o Jon. – Brendon completou. – Mas, perdi o Ryan no caminho, e tive que te encontrar sozinho, e agora estamos aqui.
- Cara, como que a gente não percebeu isso antes? Tava super na cara, meu! – comentei.
- Pelo menos agora já sabemos aonde vieram parar todos os homens lindos do mundo... – soltou esse feliz comentário fazendo com que todas as mulheres rissem e que ela ganhasse um olhar mortal de Ryan.
Meu, fiquei de cara, nunca tinha visto tanto homem lindo em toda a minha vida... Um puta desperdício. Antes todo gay fosse feio, hunf! Assim não ficaria de cara com a quantidade de gente bonita naquela boate.
Fomos nos afastando do bar gradativamente e caminhando rapidamente em direção a porta.
- E aí gato, rola? – um morenão de 2m de altura parou na frente de Bden fazendo-o dar um pulo de susto. Todos nos olhamos e ficamos boquiabertos, observando a situação. Fiquei mais de cara ainda, quando meus olhos se depararam com o local aonde a mão do homem se depositava: a bunda de Brendon.
- Ui – Brendon retirou rapidamente a mão do homem de sua bunda e ficou espantado ao ver quem era –, você de novo?
- De novo? – sussurrei para , que fez cara de ‘não sei’.
- Pois é, gato, mundo pequeno... – ele sorriu maliciosamente para Bden passando a língua na ponta de seus lábios.
Bden ficou paralisado, apenas disparou em falar:
- Ah, me desculpa... Gato! Mas eu... eu... – em ato de puro desespero, ele puxou Ryan para si e voltou a falar – Eu já estou acompanhado! – ele disse em um tom completamente firme; quem ouviu Bden falar, poderia jurar que ele estava assumindo algo com Ryan ali mesmo.
- Está? – perguntou.
- Está? – foi a vez de Brittany se meter.
- Estou?! – Ryan espantou-se.
- Né, amor? – Brendon puxou Ryan ainda mais perto de si e olhou diretamente nos olhos de Ry piscando freneticamente os olhinhos.
- É... Est... Estou! – com alguma dificuldade Ry falou. Ou ele não queria se assumir, ou estava com medo de , ou realmente estava constrangido com tal situação, o que era mais provável.
- Ai, é uma pena... – o homem fez bico e brincou com a pontinha do cabelo de Bden – um bofe tão lindo desses... – ele encarou Brendon novamente e lhe entregou um pequeno papelzinho – Mas se mudar de idéia... Me liga, gato! – ele piscou e se retirou.
No mesmo instante que o tal carinha fez isso, todo mundo se partia de rir, menos e Brittany, que pareciam não estar gostando num um pouco do ocorrido. Brendon e Ryan estavam paralisados e extremamente roxos de vergonha.
- Erm... Bren... – Ry cutucou-o – ...acho que já pode me soltar.
- Eita, desculpa... – Brendon corou, mas pelo menos ele largou!
- Ah, Brendon, se empolgou, né? – Jon piscou e brincou, o que o fez ganhar um olhar ameaçador de Brendon.
- Caralho, Cadelo, o que é isso na sua mão? – apontou para o papelzinho que o homem tinha entregado a Brendon. Eu segurava minha barriga de tanto rir, e todos faziam o mesmo.
- Sei lá – Bden deu de ombros, guardou o papelzinho no bolso de sua camisa e não abriu mais a boca.
- Gente, é melhor irmos embora... – ele parou – antes... que... o Brendon mude de idéia, vá atrás do bofe e o percamos de vista. – Ryan provocou e caiu na gargalhada.
- NOOOOOSSAAAAAAAAAA! – eu, escandalosa, apontei para Bden e comecei a gargalhar ainda mais alto.
Risos inacabados.
Eu estava prevendo a hora em que Brendon agradecesse Ryan pela idéia maravilhosa de abandonar o local, até ele terminar a frase.
- Ah, não, Ry... Se preocupa, não... – naquela mesma hora, todo mundo parou de rir ao ver Brendon se aproximando cada vez mais de Ryan e com um tom irônico em sua voz. – ...eu prefiro bofes mais inocentes, certinhos e magrinhos... – chegou tão perto que todos poderiam jurar que ele ia beijá-lo – Assim como você! Não é mesmo, amor?
Caralho, o Bden é meu ídolo. O Ryan ficou com uma cara de taxo, mas com uma cara de taxo, que eu daria tudo pra que meus olhos funcionassem como câmeras, para que eu pudesse registrar, e jamais esquecer, aquela expressão de desconforto de Ry. O Bden é extremamente foda, e é exatamente por esse motivo que vocês devem me lembrar de nunca arranjar briga com ele... ainda mais quando se tem platéia.
Nesse mesmo instante, todos voltaram a gargalhar. Ryan já estava roxo, e ficou ainda mais roxo quando Bren balbuciou algumas coisas em seu ouvido, deu-lhe um beijinho no pescoço e se afastou ainda rindo.
Ryan ficou boquiaberto, e com certeza não sabia o que dizer.
O Bden me dá medo, é sério.
- Errr... Qual é, Brendon? Eu tava brincando... – Ry disse baixinho.
- Mas que foi engraçado, foi! – puxou Ryan ainda rindo. Mas todos tiveram que concordar com ela, afinal, não é todo dia que se pode presenciar algo desse tipo; e se chegou ao ponto da concordar, é sinal de que realmente havia sido engraçado, já que ela odiava o fato do povo comentar a suposta existência de Rydon.
Deixamos o local ainda aos risos e comentando o ocorrido.
- Então você e o Cadelo ficam aqui! – estacionou o carro em frente ao prédio em que eu e Brendon residíamos.
Descemos acompanhados de Frango, que nos levou até a portaria.
- Tchau, amor... – abracei-o e roubei um beijinho estalado – Boa noite... – roubei outro – ...dorme bem... – e mais outro – amo você! – e pra finalizar, outro.
Ele retribuiu, e disse algo parecido em meus ouvidos. Assim que nos soltamos, Brendon se despediu de , que foi embora assim que Bden e eu entramos no elevador.
- Cara, tô morta! – falei entre gemidos e retirando as sandálias de meus pés e segurando entre meus dedos.
- Mas também, pra que você me sai com um salto desse tamanho? – Bden parecia estar completamente indignado com o tamanho do meu salto, e a finura do mesmo.
- Ah, Brendon, cala a boca. Se você fosse mulher, saberia muito bem o porquê de usar essas coisas, ok? – encostei-me em uma das paredes do elevador.
Bden apenas riu, e quando a porta se abriu, me pegou no colo e saiu correndo em direção a meu apartamento.
Nem tive tempo de resistir, e mesmo que eu o tivesse, duvido muito que relutaria um pouco, pois estava cansada demais e a única coisa que eu fazia era rir.
- Bebeu hoje, mulher? – ele me colocou no chão e me encarou com um ar de dúvida.
- Pior que não, nem deu tempo, sabe...? Na verdade nem água, porque quando o foi buscar algo pra gente tomar ele sumiu, e foi aí que você apareceu! Mas por pouco não fui assediada por uma lésbica. – falei enquanto procurava a chave para abrir a porta, Bden começou a rir.
- Pelo menos ninguém chegou tacando a mão em você duas vezes, né? – ele tentou mostrar-me que seu lado era bem pior que o meu.
Eu já estava pirando das idéias e ele ainda me fala um treco desses... Novamente não consegui fazer nada apenas rir.
- Mas, enfim... Da onde saiu aquele morenão, e por que tu largou a Brittany sozinha por lá, hein? – Uma pergunta que eu já deveria ter feito há muito, mas não tive oportunidade.
- Não, não... Eu não larguei a Brittany, ok? – ele tentou se defender.
- Ah, não, imagina... A coitada só disse que você foi buscar bebida e nunca mais apareceu... – falei em um tom irônico.
- Calma, apressadinha. Foi assim: eu realmente busquei a bebida, mas no meio do caminho, quando eu estava voltando com a mesma, eu fiquei olhando para aquela escada que ligava os dois andares, e decidi subir e ver o que tinha de tanto na área vip, e eram coisas que eu prefiro não comentar se quer saber! Daí apareceu aquele carinha lá... Pegou em certos lugares que eu não gostei e me fez propostas absurdamente tentadoras... – nesse mesmo instante ele fez uma cara extremamente pervertida e mordeu o canto da boca, eu só dei um soquinho no braço dele lançando um olhar de total desaprovação. – Ai! – ele resmungou.
- Olha, Bden, eu posso não ir muito com a cara da Brittany... Na verdade, eu não fui com a cara de nenhuma daquelas duas e do todas as suas outras peguetes... E você sabe muito bem disso... – nesse instante Bden riu, afinal, ele sabia que aquilo era a mais pura verdade. – E tanto sabe que entre Brittany e Nancy, eu sou muito mais a Nancy, ok? Mas isso não me impede de me importar com você, e querer que fique bem com a Brittany agora, e pare de galinhagens e não a magoe. Tá, eu posso não a conhecer direito, mas com certeza ela tem sofrido muito nesses últimos anos que você não se decide... É foda, sabe? E se você não pretende ficar com nenhuma das duas... Por favor, não continue sustentando isso... Porque cansa, e você pode acabar sozinho... – nessa hora, eu já segurava a chave em minhas mãos e brincava com a mesma entre meus dedos.
- Olha , eu entendo sua preocupação... Mas, não precisa. Porque... eu gosto das duas. E isso é uma puta cachorragem da minha parte, eu sei, você me lembra disso 24 horas por dia, mas eu não sei o que fazer. E uma coisa eu posso lhe garantir: o motivo que me fez voltar com a Brittany agora, é muito mais forte do que uma simples necessidade de trocar de peguete, como foi nas outras vezes. Eu posso estar um pouco distante, mas é passageiro, eu sei que é. Porque ainda ta muito recente pra mim, sabe? E a Nancy também não me deixa em paz, ela me liga o tempo inteiro e... eu só quero ficar bem com a BFunk agora. Eu tô gostando dela de verdade. Acredite em mim quando digo isso e, se for pra ter de passar o resto da minha vida ao lado de alguém tem de ser... – ele se atrapalhou nas palavras e olhou para os próprios pés.
- Tem de ser... – ajudei-o.
- Tem de ser a Brittany ou a Nancy.
- E eu acredito. Você sabe que eu sempre acreditei em você. E pode ter certeza que eu estou torcendo pra que dessa vez dê certo, assim como estive de todas as outras vezes. E um dia eu vou escutar você falando que ama uma mulher! – eu ri – Será algo meio que inédito, até porque você nunca usa muito coisas do tipo...
- Eu posso ser cadelo... Mas você jamais me verá iludindo uma mulher, ou falando pra ela algo que não saiu do fundo do meu coração.
- É por isso que eu me orgulho de você... – puxei-o para um abraço. - Brendon Urie finalmente tomando jeito? – falei junto a seu ouvido, o que o fez me largar para ter espaço para rir. – Pagarei pau pro resto da minha vida, pra mulher que um dia conseguir te prender!
- Sei lá... Alguém um dia será capaz disso sabe, mas eu acho meio impossível.
- O que é isso, homem? Pára de duvidar da sua capacidade, ok? E já que você ta de verdade com a Brittany agora, faça o favor de encarar esse relacionamento com tudo!
- Farei o máximo... – ele riu e se afastou em direção a sua porta, assim acenando pra mim.
- Espero! – mandei beijinhos e desejei-lhe uma boa noite enquanto entrava.
Bem, Bden é uma pessoa completamente maravilhosa, e realmente, eu espero que ele leve a sério esse relacionamento com a Brittany... O mais difícil não é duvidar na capacidade de Brendon amar alguém, e sim a capacidade daquelas duas levarem um homem a sério, o que é completamente impossível. É muito mais fácil elas acabarem com a vida de Brendon, do que Brendon acabar com a vida das duas. Acho que é por isso que eu nunca fiz questão de conhecê-las e nem faço. Mas, não posso negar que eu fiquei feliz e aliviada com tudo que Brendon havia me falado, há muito não conversava nada sério com ele, e podem ter certeza que foi algo completamente produtivo.
Já com a cabeça no travesseiro, me recordei de quando falei com Brendon pela primeira vez, e da súbita vontade que tive de agarrá-lo quando isso aconteceu.
[FLASHBACK]
Outubro de 1999.
Os vizinhos estavam comemorando seu anivrsário de casamento. Como minha mãe era super amiga da senhora Urie, praticamente me obrigou a usar um vestidinho cor-de-rosa, floridinho e cheio de babados, para que eu pudesse ficar vestida adequadamente para a ocasião, afinal, seria uma grande festa e ela pouco se importava com o fato de que eu simplesmente odiava usar qualquer roupa adequada para qualquer situação formal.
Eu até estava animada com a festa, a única coisa que me incomodava era aquele tecido horroroso grudado em meu corpo, em outras palavras, completamente desconfortável.
- Você está parecendo uma princesinha! – uma integrante da ‘panelinha’ da minha mãe soltou essa assim que me viu entrando no salão. Aff!
Eu estava me sentindo uma palhaça com aquela roupa ridícula, já minha mãe... Nem comento. Exibia-me para todas as suas amigas como se eu fosse seu bibelozinho, e se enchia de orgulho toda vez que alguém soltava um elogio brega e barato pra cima de mim.
Todos ficavam boquiabertos com aquele meu visual, até porque ele era algo completamente inédito, pois sempre fui uma menina “largadinha” ,sabe? Que nunca fez questão alguma de se arrumar ou que se importou muito com a aparência.
O arrependimento bateu no peito, assim que Grace soltou a frase do dia: “TÁ VIRANDO MOCINHA!”
Mas foi o básico.
Em um ponto da festa, começou a tocar música, e todos os jovenzinhos e crianças estavam dançando no meio do salão, inclusive todos os cinco filhos de Grace.
- Vai lá dançar, filha! – minha mãe tentava de todas as formas possíveis me empurrar para o meio do salão e fazer com que eu esquecesse por alguns segundos aquela porra de vestido e fosse me divertir.
Apenas olhei para minha mãe com uma cara de ‘saicu’ e disse “Corta essa!”, cruzei meus braços e me afundei na cadeira observando todos a minha volta.
Minha mãe reclamou baixinho e foi falar com a senhora Urie. Dentro de alguns minutos, seu filho mais novo, Brendon, se aproximou de mim e sentou-se na cadeira que estava do meu lado sem falar nem uma palavra sequer. Eu me ajeitei na cadeira e continuei olhando pro povo dançando.
- Festa chata, né? – ele arriscou.
- Chata? Não... Só fica quando se tem de usar um jardim em seu corpo... – ainda olhava pro nada, ele riu.
- Sou Brendon! – ele finalmente olhou pra mim, e com um aperto de mãos, deixou de ser um estranho (pelo menos aparentemente).
- É... Eu sei... – olhei para ele e ri.
- Pra você ver como ser popular é foda! – ele encheu o peito de orgulho ao dizer isso, eu simplesmente rolei os olhos, ele percebeu minha atitude.
-Ah, e você? Não vai se apresentar, não?
- Talvez... – entortei meu lábio e voltei a olhar para o povo, como se estivesse fazendo pouco caso de sua presença. Ele riu novamente.
- Então, ao menos, pode me dar a honra de me conceder essa dança? – o garoto pôs-se em pé e fez reverência. Fala sério, aonde ele arrumou aquela educação toda?
- EU? - olhei-o assustada.
- Claro, né... – ele fez uma cara de ‘alô-ou, isso é óbvio, babe’ – Não espera que eu convide uma dessas velhas, né?
- Não sei, ué... Vai que você prefere uma dança mais experiente?
- Eu prefiro a mais nova, acredite. Odeio ter de admitir que uma pessoa seja melhor do que eu em algo! – Aff, como uma pessoa conseguia se achar tanto? É muito egoísmo pra uma pessoa só. E pior que ele fala isso todo cheio de si.
- Ah, depois dessa, pode esquecer, guri! Por que você não vai sozinho já que está tão doido pra dançar assim?
- Porque sozinho... – ele parou por alguns instantes ao perceber que a música tinha mudado, e agora, Livin’ la Vida Loca contagiava todas as pessoas do salão. A expressão do garoto mudou por completo. Eu simplesmente adorava Ricky Martin, e com certeza, por seu semblante, Brendon também curtia muito.
She's into superstitions
Black cats and voodoo dolls
I feel a premonition
That girl's gonna make me fall
She's into new sensations
New kicks and candle light
She's got a new addiction
For every day and night
- Ah, não! Agora, ou eu te arrasto lá pro meio, ou conto porque não! – Brendon me puxou, e caminhou praticamente me arrastando para o meio do povo.
Aquele menino era um rebolador profissional! Dançava a música exatamente como Ricky e queria que eu dançasse também. Confesso que como grande fã do senhor Martin, é claro que eu sabia os passinhos e tal, mas era impossível eu rebolar daquela forma, com certeza Bden não havia exagerado quando havia se sentido o todo poderoso há alguns minutos.
She'll make you take your clothes off
And go dancing in the rain
She'll make you live the crazy life
Or she'll take away your pain
Like a bullet to your brain
Quando me dei conta, o povo que estava dançando já não estava mais dançando, e sim, haviam feito uma rodinha a nossa volta e estavam batendo palminhas conforme o compasso da música para nos dar apoio. Naquele momento, senti minhas bochechas corarem, Bden balbuciou algumas palavras em meu ouvido, encorajando-me. Não sei por que, mas naquele momento, uma vontade repentina de agarrá-lo tomou conta de mim.
Upside inside out
She's living la Vida Loca
She'll push and pull you down
Living la Vida Loca
Her lips are devil red
And her skins the color moca
She will wear you out
Living la Vida Loca
Living la Vida Loca
She's living la Vida Loca
- ! – falei do nada.
- Hã? – Brendon se assustou.
- Meu nome... – sorri amarelo e Bden sorriu.
Deixei a vergonha de lado, e algo mais inédito do que uma usando vestido aconteceu, me preocupei mais em me divertir do que com o mico que pagaria. Não posso negar que sempre fui a exceção da humanidade. Com certeza eu deveria ser uma pessoa perturbada. Por isso, quando minha mãe viu aquela cena, ficou toda sorridente, e se juntou a rodinha para acompanhar com palmas o compasso e eu pude ouvir de longe alguns comentários do tipo “Minha filha, minha filha!” toda orgulhosa.
Brendon e eu ríamos feito hienas, mas mesmo assim, não paramos de dançar. Quando a música acabou, uma chuva de aplausos percorreu todo o centro do salão. Eu só olhava para o povo, ainda meio envergonhada, já Brendon, parecia que tinha nascido para controlar o público, pois já estava fazendo reverência e agradecendo os aplausos. Só ri com aquela cena e me distanciei do meio da multidão acompanhava por Bden.
Sentei novamente na mesa e catei uma garrafa de água.
- Me dáááááá! - Bden catou com tudo a garrafa que estava em minhas mãos e se atirou em uma cadeira a meu lado.
Eu fiquei o observando sugar a garrafa, e novamente a vontade de agarrá-lo tomou conta de mim, mas logo foi esquecida.
[/FLASHBACK]
Continua...