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Save Me.
Por:
Roberta Araujo
Beta-reader:
Lucas Esteves


Prólogo.

      Aquilo era seu sonho, era um sonho se tornando realidade. sempre foi uma menina que sempre acreditou muito em seus ideais e, principalmente, em suas metas e uma delas era ingressar na melhor faculdade de moda dos EUA. Ela era uma brasileira que sonhava em ganhar o mundo com sua criatividade – que para todos, era seu dom. Seu sonho estava prestes a se tornar realidade quando uma tia sua conversou com sua patroa e ela finalmente aceitou o fato dela ir morar em sua casa para terminar o colegial, a garota nunca havia ficado mais feliz em toda a sua vida, tudo que ela sempre sonhara estava prestes a se tornar realidade. ajeitou sua bolsa ao lado de seu corpo, suas roupas eras feitas por ela mesma, e isso a tornava diferente de todas. além de ser uma menina forte era também uma garota tímida que não levava desaforo para casa, uma garota que tinha aprendido da pior maneira a encarar a vida . Perdeu seus pais quando ainda era uma criança, tinha apenas 7 anos quando foi morar com sua avó no Brasil, todos esperavam uma garota problemática, mas não, foi firme e nunca se meteu em confusões – não que eles soubessem.

Capitulo O1 – Los Angeles.

- Tenha uma boa viagem minha filha. – minha vó falava me dando mas um daqueles abraços – tenha cuidado, não fale com estranhos e principalmente estude muito, quero ver o nome estampado por todos os lados.
- Obrigada vó, sentirei sua falta. – falei me soltando do abraço e indo até Carlos, meu vizinho.
- Sentirei sua falta me ajudando a pegar mulheres. – O abracei forte. Carolos era um homem de 30 anos que ainda não havia se casado, sempre tentávamos conquistas mulheres para ele, mas seus relacionamentos sempre acabavam em belos pares de chifres.
- Você pode me ligar quando quiser.
- Não preciso de telefone, tenho MSN. – sorri sincera.
Passageiros do voo com destino a Los Angeles, compareçam ao portão de embarque G
- É minha hora gente. – falei indo em direção ao portão de embarque – Amo vocês. – falei quase desabando em lágrimas. Eu iria para um ugar totalmente desconhecido, que praticamente só iria conhecer uma pessoa, minha tia Marta que teve que morar nos Estados Unidos quando uma família veio passar as férias aqui e se encantou com ela. Minha tia e eu mantínhamos contado constantemente, e foi quando ela me deu a notícia que sua patroa, Denise, finalmente tinha aceitado a minha ida para a sua casa para terminar o colegial. Entrei no avião já com o estômago dando piruetas, eu estava realizando meu sonho e jurei a mim mesma que agradeceria Denise até os últimos dias de minha vida, ela teve grande parte nisso, ela foi como uma fada madrinha em me ajudar a seguir meu sonho, eu não a conhecia, mas já era sua fã de carteirinha.
O vôo parecia durar uma eternidade, parecia que não iria acabar nunca. Finalmente senti a pressão do avião descendo e pousando na pista, eu estava em solo americano, um sorriso instantâneo brotou em meus lábios. Todos se levantaram de suas poltronas e desceram do avião, seguiram até o portão onde dava para pegar as malas, agradeci mentalmente por ter levado algumas roupas e apenas duas malas de tamanho razoável e as coloquei no carrinho. Respirei todo o ar do meus pulmões os soltando de um vez, era agora ou nunca, andei em passos largos até o portal de desembarque e procurei por todos os lados. Avistei uma mulher cabelos encaracolados extremamente pretos e uma mulher morena de pele clara, corri em direção as duas e as abracei forte, não contive as lágrimas.
- Muito Obrigada. – falei abraçando as duas ao mesmo tempo – Obrigada pela oportunidade.
- Claro que não , você merece isso. – Denise falou e vi ternura em seus olhos claros.- Vai ser uma experiência boa ter uma filha em casa, quando só se tem um menino.
- Você tem um filho?-perguntei começando a andar em direção ao carro.
- Sim, ele é da sua idade, mas ele não tem um pingo de juízo. – ela falou pedindo ao motorista que abrisse o porta mala do carro. – Você o conhecera em breve, aliás, vão morar na mesma casa.
- Mas eu não vou morar na casa da minha tia? – perguntei confusa.
- , o quarto que eu tenho só cabe eu e minhas coisas.
- Então eu ficarei vivendo em sua casa, Denise? – perguntei entrando no carro. .
- Sim minha filha, decidimos isso sozinhas e esquecemos de lhe avisar. Espero que não tenha problema.
- Claro que não, só achei meio estranho. – ela falou e o motorista parou o quarto em um bairro razoavelmente de classe média. Desci do carro e me maravilhei com a casa que eu vi em minha frente, era simplesmente uma casa de conto de fadas a noite também ajudava aquela casa a ficar mais linda.
- Aqui é...Lindo! – falei pegando minha mala.
- Eu sei, – ela falou passando pelo jardim – Meu marido escolheu antes de falecer.
- Desculpe, eu não sabia. – eu falei a seguindo e entrando em sua casa.
- Que isso minha filha, você não sabia. – abaixei a cabeça tímida. – Acho que você deveria descansar, deve estar cansada e já é tarde.
- Estou sim. Onde fica meu quarto?
- É o esquerdo, a segunda porta.
- Obrigada mais uma vez. – abracei as duas mais uma vez e subi ao meu quarto. Joguei-me na enorme cama que ali estava e tirei minhas botas, elas estavam me incomodando, andei pela extremidade do meu quarto e o olhei em volta, era um quarto enorme para uma pessoa tão pequena. Entrei no banheiro e me deliciei com a água do chuveiro batendo em minha nuca, me deixando relaxada a cada minuto. Vesti minha camisola e deitei-me na cama e adormeci.
Ouvi o trinco da porta sendo girado e me assustei, abri os olhos e apenas vi um vulto passando pela mesma e entrando em meu quarto, pensei um sonho ridículo e voltei a me deitar. Um peso veio pra cima de mim e eu gritei assustada.
- AHHHHH! Seu tarado,saí de cima de mim. – falei dando pequenos tapas em seu peitoral.
- Hãm?Quem é você? E o que você faz no meu quarto? – senti o cheiro forte de álcool adentrar minhas narinas e eu fiz uma careta.
- O que eu faço em seu quarto? O que diabos você faz no meu quarto?
- Olha aqui lindinha, se você tá aqui é porquê quer algo, o que você quer? Nossa, você é cheirosa – ele falou cheirando meu pescoço me fazendo arrepiar involuntariamente.
- Seu atrevido! -falei dando um tapa em sua cara e o empurrando fazendo bater a cabeça da ponta do criado-mudo e caindo no chão.
- O que está acontecendo aqui? – Denise falou entrando no quarto. – Ai meu Deus, ! – ela falou se ajoelhando ao lado do rapaz que estava desacordado. Quem era ele?

Capitulo O2 – The Ugly Truth

- Ai meu Deus!-falei descendi da cama e me ajoelhando ao lado do corpo do menino. – Desculpe, ele entrou no meu quarto e ...
- Calma , eu vou lá embaixo pegar um kit de primeiro socorros e você fica aqui, caso ele acorde.- assenti e a vi desaparecendo pela porta. Olhei para o garoto jogado ao chão e percebi sua face branca, angelical, mas com profundas olheiras debaixo de seus olhos, passei a mão de leve por seu rosto.
- O que você pensa que tá fazendo sua idiota? – ele falou sentado-se em minha frente segurando meu pulso forte.
- Você tá me machucando.- falei tentando tirar sua mão do meu pulso.
- Não foi isso que eu perguntei, minha pergunta foi: O que você pensa que está fazendo?
- Eu estava tentando te ajudar, mas preferia ver você morrendo de dor.
- Quem é você sua pirralha pra falar assim de mim?
- , muito prazer.- lhe estendi a outra mão.
- Me respeita garota.
- Respeito se conquista não é comprado.
- Olha aqui garota...- eu vi a fúria em seus olhos extremamente esverdeados com pálpebras cansadas e ao redor um vermelho bem intenso.
- , largue-a agora!- Dona Denise entrou no quarto com uma postura autoritária. Ele assim o fez, soltou meu braço e se levantou cambaleando, perguntei-me se ali seria só o efeito do álcool ou algo mais?
- Que diabos é ela?- ele falou soltando meu braço e indo até sua mãe.
- Ela é a , sobrinha da Mary.
- Pra que? Por que ela não vai pra casa da Mary.
- , ela venho pra cá pra estudar e nós achamos melhor ela ficar aqui.
- Por que você não me disse?
- Se você parasse em casa, você saberia.- ela já aumentava o tom de voz com ele.
- Ninguém me fala porra nenhuma nessa casa.- ele gritou saindo do quarto batendo a porta. Assustei-me com o barulho estrondo.
- Eu não agüento mais.- ela falou abaixando a cabeça e chorando baixinho.
- Calma Sra. – eu falei a abraçando de lado e a fazendo sentar na cama.
- Eu não agüento mais ver meu filho assim, desde a morte do pai dele, ele vem com esse comportamento de um- ela deu uma pausa, acho que o medo de continuar era maior.-viciado, drogado.
- A senhora não pode falar assim do seu filho.
- Eu sei muito bem o que eu digo minha filha, é um drogado sim.- ela me abraçou forte. Eu estava perplexa com aquilo, ainda não acreditava no que meus ouvidos acabaram de escutar, era um drogado.
- Calma Denise.- falei a abraçando.
- Não vou mais tomar seu tempo minha filha.- ela falou se levantando.
- Tudo que a senhora precisar eu vou estar aqui, alias, sou sua filha.
- Obrigada meu anjo.- ela disse a abraçando. Ela sorriu e saiu do meu quarto. Deite-me na cama me encolhendo na mesma, o medo estava me consumindo, aquilo estava acontecendo outra vez.
O medo me consumia a cada segundo, e aí que você se pergunta por que? Simplesmente pelo fato do meu pai ser um drogado. Sim, essa é pura verdade, meu pai era um drogado, um viciado, minha vida não era tão perfeita assim. Quando eu ainda era uma menina, antes mesmo de meus pais morrerem, eu presenciava a mesma cena todos os dias; meu pai chegava bêbado e completamente chapado em casa e como sempre eles brigavam e ele batia na minha mãe. Ver meu pai batendo na minha mãe era a pior coisa do mundo, eu sentia medo dele quando ele não estava chapado ou bêbado, ele tentava me abraçar, mas eu me esquivava por sentir medo dele fazer comigo o que ele fazia com minha mãe, eu chorava baixinho todas as noites e sonhava com uma família feliz desde então, um sonho que com certeza não foi realizado, já que eles morreram antes mesmo de eu ter a oportunidade de dizer o quanto os amava, adormeci profundamente. Acordei com minha tia me balançando, hoje teria escola. Levantei-me da cama indo diretamente ao banheiro e tomando um banho extremamente rápido, coloquei uma roupa simples com um casaco por cima. Desci as escadas e tomei um café rápido e fui pra escola andando mesmo. Era tudo nova, as pessoas me olhavam como se eu fosse um alienígena, não é nada estranho, alias, eu era uma novata no mundo deles.
- Ah me desculpe.- Falei recolhendo minhas coisas do chão.
- Que isso, não foi você que esbarrou em mim, fui eu.- uma voz feminina se pronunciou me fazendo a olhar.
- .- falei me levantando e estendendo a mão para ela.
- .- ela falou apertando minha mão. -Nova aqui?
- Sim, e totalmente perdida.
- Eu te ajudo.- ela falou pegando meu horário.- Bom, você esta na mesma sala que eu.
- Pelo menos alguém conhecido.
- Então, você vem de onde?
- Sou do Brasil.
- Mentira. Eu amo aquele país, dizem que os homens de lá são lindos.
- Maravilhosos.
- Então o que diabos você veio fazer aqui menina?
- Eu vim estudar, estou hospedada na casa de uma amiga da minha tia.- falei me sentando ao seu lado em uma carteira. Não demorou para o professor chegar e começar a falar um monte de baboseira, passei a aula todinha conhecendo a , foi tão simples conversar com ela parecia que nos conhecíamos há anos. O sinal tocou anunciando a chegada do recreio fomos conversando até o refeitório onde pegamos nossos lances e sentamos á mesa. Olhei em volta e logo vi a imagem daquele ser desprezível.
- Quem é aquele?- eu perguntei apontando para o indivíduo que eu ainda não sabia o nome, ela olhou para trás e logo desmanchou o sorriso.
- Ele é o , . Antes mesmo que você comece a elogiar ele, ele é um tremendo drogado.
- É, eu sei disso a mãe dele me disse.- eu olhei para que estava com um cigarro na mão e duas meninas em cada perna. Ele olhou para mim e logo desviei o olhar.
- Mas você não chegou aqui ontem?
- Sim, mas a minha tia mora na casa dele, conseqüência eu mora a metros dele.- o olhei outra vez e percebi que seu olhar ainda estava sobre mim. O sinal tocou outra vez me fazendo dar pulo da cadeira e seguir até o meu armário pegando os livros da próxima.
- Droga de armário.-alguém resmungava cravando uma briga com o armário. Olhei por trás da porta do armário e vi tentar abrir seu armário, o olhei com pena e andei em sua direção.
- Quer ajuda?-perguntei com receio, alias, por mais que ele seja um garoto normal, ele era uma das pessoas que eu mais temia no mundo; um drogado.
- Te chamei aqui garota?-ele me olhou com raiva e com os olhos terrivelmente avermelhados.
- Nossa, morra tentando abrir isso.-falei me virando para voltar a sala.
- Quem você pensa pra falar assim comigo?- ele falou me puxando pelo braço e me colocando contra o armário.
- , eu já disse.- falei baixinho já que por conta da sua aproximidade eu não conseguia respirar. O cheiro de maconha invadiu minhas narinas me fazendo com que eu fizesse uma careta involuntária. – Você deve ter esquecido já que anda todo o tempo chapado.
- Como é que é garota? Só porque é a nova protegida da minha mãe pensa que pode falar assim comigo.
- Não sou protegida dela, vim aqui estudar.- eu falei gerando sair, mais sua mão me prendeu outra vez.
- Eu ainda não terminei.
- Mas eu já.
- A conversa só termina quando eu digo.
- Desculpe, não sou seu capacho.- falei sorrindo sinicamente. Os seus olhos se enchiam de raiva com cada resposta que eu dava, eu poderia ter um trauma de drogados, mas me rebaixar pra aquele moleque insolente não, definitivamente não.
- Se fazendo de difícil, é assim que eu gosto. A ultima também se fez de difícil e acabou na minha cama uma semana depois.
- Eu prefiro morrer a acabar na sua cama.- falei entre os dentes e dando uma lhada em suas partes. Ele arqueou para trás segurando suas partes e eu aproveitei e corri o olhando contorcer de dor. Gargalhei por pouco tempo, choquei contra o que julguei ser uma pessoa caindo no chão de bunda.
- O que faz aqui senhorita? Não deveria estar em aula?- ela falou enquanto eu massageava minha bunda.
- Desculpe, eu ja estava indo pra aula.- falei indo em direção a sala.
- Espere!- ela falou e eu me virei para ela.- eu preciso de um motivo para você estar aqui sozinha.
- Ela estava comigo Dona Gertrudis.-senti minha mãos fecharem em um punho. Eu deseja descarregar toda aquela minha raiva naquele individuo.
- Sr. .- ela falou cruzando os braços.- Como sempre o senhor se metendo em confusões.
- Pra não perder o habito- ele falou se colocando ao meu lado.
- Olha senhora, eu não estava com esse indivíduo não, eu estava indo pra minha sala.
- Não mente pra ela amor.- ele falou passando os braços por meus ombros.
- Saí daqui garoto.- falei tentando me soltar.
- Amor, não faz assim.
- Me largar.
- Quietos!- ela gritou e nós nos viramos para ela. – Os dois para a diretoria.
- Mas...
- AGORA!- ela falou com uma voz autoritária. Ela nos deu passagem e nós a seguimos pelo corredor desejei ardentemente uma tatuagem dos meus cinco dedos na cara desse infeliz. Entramos na sala da diretora e logo acenou para uma das moças sentadas na secretaria, revirei os olhos imaginando que essa não passou nem uma semana para aparecer na cama dele.
- Ora, ora mal começaram as aulas e você, Sr. já esta aqui.- ela rolou os olhos até minha direção.- e você senhorita, acabou de chegar e já se rendeu aos encantos do Sr. .
- Encantos? Onde a senhora ver encantos nesse garoto? Diga-me, preciso urgentemente achá-los- falei incrédula.
- Tão engraçadinha você pirralha.
- Não me chama de pirralha.
- Eu chamo você do que eu quiser.
- Eu não dei essa intimidade.
- Vamos ali pra eu te mostrar minha intimidade.- ele disse me pegando pela cintura.
- Atrevido.- falei levando a mão a sua cara com toda a força que nem eu sabia que tinha.
- Sua va...
- Nem pense em falar isso Sr. !
- Ma ela me bateu – ele falou gritando. – você viu.
- E o senhor não precisa xingá-la,-eu ri baixinho – ela terá seu castigo. – ela falou e eu a olhei incrédula.
- Como?
- Não pensou que ia se safar dessa? Nosso colégio tem regras e você as quebrou.
- Mas foi ele, foi por culpa dele.
- Sem desculpa senhorita. – ela olhou para que ria da cena, provavelmente ela deve ter ficado com ele também. Será senhor, que eu vou ser a única que não vou cair no joguinho desse garoto. – Como tocará daqui a cindo minutos, você ficará no colégio para arrumar nossa biblioteca, colocar os livros em seus devidos lugares.
- Sim, diretora.
- E você , irá ajudá-la.
- Como?
- Você meteu ela nessa enrascada, e seremos francos, tenho certeza que você tentou agarra a senhorita e ela deve ter lhe dado uma bela joelhada em suas partes.- reprimi o riso e ele me olhou com ódio.
- Mas...
- A diferença de vocês tem que terminar assim que entram em meu colégio, se vocês se odeia em casa, vão ter que fingir que se aguentam nesse colégio. – ela deu uma pausa e o sinal soou por toda a escola – agora vão, vocês tem uma biblioteca para arrumar. – saiu da sala bufando e eu o segui.
- , – vir-me-ei para ela.
- Sim diretora?
- Tome cuidado com o , ele é ótimo rapaz, quando não esta sobre o uso de certas substancias.
- Eu tomarei diretora, na verdade eu evito ele por causa disso.
- Saiba, que para o que você precisar eu vou estar aqui.
- Obrigada diretora. – me retirei da sala seguindo até minha sala, peguei minha bolsa e foi pelo corredor tentando achar a biblioteca.
- Perdida amorzinho?! – uma voz falou ao pé do meu ouvido, fazendo um arrepio involuntário passar por minha espinha.
- Por sua culpa idiota.
- Que isso amorzinho, você vai adora ficar comigo.
- Eu não vou ficar com você, eu vou arrumar a biblioteca é diferente.
- Por quanto tempo você vai se fazer de difícil? – ele parou em minha frente.
- Por quanto tempo vai insistir com isso?
- Até você ceder.
- Então vamos ficar nisso para sempre. –falei avistando a biblioteca e seguindo em frente.
- Não dou um mês pra você desistir. – ele falou e eu continuei andando. Aquele monte de baboseira não ia me convencer, eu tenho mais o que fazer do que perder meu tempo com esse garoto, aliás, ele é uma das pessoas que eu menos quero me relacionar, quer dizer, que eu não quero ter nenhum tipo de relação. Por mais que ele estivesse brincando – isso era o que eu esperava – eu o prefiro a metros de distância de mim, ele pode ser só um garoto com medo, tentando fugir das responsabilidades da vida e para isso começou a usar drogas.


Capitulo O3 – Alone

      Ajeitei todos os livros nas prateleiras sozinha, pois o sedentário do não deu o ar da sua graça. Andei até uma das ultimas prateleiras e coloquei os livros que faltavam e pude ver meu trabalho estaca completo. Peguei minha bolsa e a coloquei nos ombros, aquele garoto era um imprestável, além de drogado um imprestável. Perfeito, tudo naquele idiota levava ao meu pai até mesmo sua aparência lembrava meu pai. Argth! Eu mereço, eu mereço!
- Hey gatinha! – um cara chamou minha atenção. – Tá a fim de se divertir?
- Não! Obrigada. – respondi apressando meu passo.
- Que isso amor, só uma. Aposto que você vai gosta. – ele tentou se aproximar, mas eu me esquivei.
- Não!
- Vem aqui garota! – ele me puxou pelo braço e eu pude ver seus olhos extremamente vermelhos com pupilas dilatadas e um ‘baseado’ na mão. O cheiro daquele negócio me fez querer vomitar. – Quanto você tem na bolsa?
- Na – Nada!
- Vou perguntar mais uma vez: O que você tem na bolsa garota? Me responde!
- Você é cheirosa. – ele cheirou meu pescoço. O medo tomou conta de mim e a vontade de correr era maior, mas o que eu poderia fazer se minhas pernas não se moviam? – Talvez a gente possa se diverti juntos.
- Me larga!
- Larga ela John! – uma voz se pronunciou e nós voltamos o olhar para o lado. Agradeci por meros segundos até ver a imagem de ao nosso lado.
- Saí , eu a vi primeiro.
- John larga ela!
- Vai fazer o que mauricinho?
- Deixa ela em paz se não vai haver consequências – ele levantou a blusa um pouco e mostrando a imagem de uma arma presa entre sua calça.
- Tudo bem. – ele me largou e saiu dando passos longos.
- Tudo bem? – ele se aproximou de mim e eu dei passos para trás.
- Fica longe de mim seu idiota! – apontei-lhe o dedo apavorada e corri o mais rápido possível para casa. Cheguei ofegante na porta de casa e respirei fundo antes de entrar, a porta se encontrava aberta e vozes exaltadas vinha lá de dentro.
- Eu não posso ir! Eu não posso voltar ao Brasil. – percebi a voz da minha tia gritar para alguns senhores que estava na sala. – ? Meu amor! – ela me abraçou forte e começou a chorar. – Eu vou voltar, eu prometo! – ela começou a ser arrastada por dois homens até a porta.
- Tia! – comecei a andar em direção a porta. – Eu vou com você!
- Não minha filha, fique aqui com Denise. Ele saberá cuidar de você. – os homens a arrastaram sem piedade porta a fora.
- Tia não! – comecei a correr, mas antes de alcançá-la senti dos braços fortes me segurar. As lagrimas começaram a rolar de meus olhos quando vi o carro se afastar pela rua e desaparecer dobrando a esquina. Agarrei a camisa do garoto em minha frente e comecei despejar lagrimas por toda a sua camisa, senti duas mãos me apertarem mais contra seu corpo e acariciar meus cabelos.
- Entrem meninos! – A voz de Denise me despertou da choradeira e me de olhar a pessoa acima.
- Tudo bem?
- Só vai ta tudo bem quando você me deixar em paz. – falei me desfazendo do abraço, limpando minhas lagrimas e entrando em casa. Sentei no sofá e pude sentir ao meu lado afundar, não precisei virar para ver quem era.
- Bom...
- Mãe, não enrola! Fala logo se não a patricinha aqui vai ter um ataque.
- Patricinha? – olhei para ele. – patricinha é o caralho, garoto.
- Nossa, a patricinha sabe falar palavrão. – ele se levantou.
- Também sei bater, quer ver? – me levantei e fiquei em sua frente.
- CHEGA! – Denise gritou nos fazendo sentar outra vez.
- Por que eles a levaram?
- Sua tia não conseguiu o visto, ela entrou ilegalmente aqui. Eu tentei arranjar um visto para ela, mas foi quase impossível, o processo era muito lento e até sair o visto dela, ela vai ter que voltar para o Brasil.
- E como eu vou ficar?
- Como nós prevíamos que isso pudesse acontecer, sua responsabilidade estar em meu nome.
- Por isso eu tô morando aqui?
- É sim, desculpe não ter lhe falado antes.
- Eu entendo, não a problema algum. – falei me levantando. – vou para o meu quarto, a escola hoje foi cansativa. Licença. – subi as escadas lentamente ainda chorando. Joguei – me na cama com tudo. Por que esse tipo de coisa só acontece comigo? Eu tenho, por algum acaso, um imã para coisa ruim ou algo parecido?
      Milhões de perguntas invadiam minha cabeça. Eu sou apenas uma adolescente querendo ser alguém na vida, querendo seguir o sonho de ser estilista, mas parece que tudo conspira contra, tudo o que eu queria era só ter meu espaço no mundo n moda, ter minha própria casa,meu próprio dinheiro, mas até agora o que eu consegui foi um quase estrupo e uma replica perfeita do meu pai.
- ? – Denise abriu a porta do meu quarto e eu rapidamente limpei as lagrimas que teimavam em cair. – Você está bem?
- Na medida do possível. – me sentei e a vi sentar na ponta da cama.
- Desculpe!
- Pelo o que?
- Por não ter lhe falado a verdade, nós...
- Não importa senhora, eu sei que vocês fizeram para o meu bem.
- Então não está chateada?
- Claro que não, admito que não vai ser fácil, mas eu vou fazer o possível para dar certo.
- Está se referindo ao ?
- Não, claro que não!
- , eu sei que meu filho não é lá essas coisas, até porque, tenho que admitir, ele lembra bastante seu pai, mas tente entender, ele está assando por uma fase difícil.
- O pai dele morreu recentemente certo?
- É, ta certo que não é motivo pra fazer o que ele faz, mas eu não sei o que aconteceu ele apenas começou a usar drogas.
- Tia, as vezes só é preciso um incentivo de amigos, ou até mesmo a vontade de esquecer dos problemas. Ele deve ter pensado que assim os problemas iam acabar, mas só fazem aumentar.
- Eu sei, eu tento entender, mas eu não consigo.
- Tia, isso não é uma coisa pra entender, você tem que aprender a conviver com isso. Uma hora ele vai perceber que ta machucando você assim e, além do mais você vai estar aqui na ora em que ele se tocar.
- eu...
- Mãe? – colocou a cabeça dentro do quarto – vem fazer comida pra mim? Tô com fome!
- Estou indo meu filho. – ela virou-se para ele que fechou a porta logo em seguida e virou-se para mim. – Tenha uma boa noite meu amor – ela beijou o todo da minha cabeça e saiu. Ajeitei- me na cama e fechei os olhos. Queria que fosse apenas um pesadelo ruim
      Atravessei o corredor quase correndo, por culpa daquele idiota eu cheguei atrasada na escola. Irritante,estúpido, idiota. Pensei enquanto sentava na carteira ao lado de alguma desconhecida. O professor entrou na sala logo em seguida começou a copiar algo no quadro, abri meu caderno e comecei a copiar lentamente.
- Srta. ? – uma voz fez com que eu levantasse a cabeça e olhasse para a porta.
- Sou eu. – respondi apreensiva.
- Me acompanhe, por favor! – me levantei e a acompanhei pelo corredor até a sala da diretoria. Perguntei-me milhões de vezes o que eu teria feito para estar indo até a sala da diretora.
- Srta. se sente, por favor! – a diretora falou logo que eu bati a sua porta. Entrei e me assustei com a imagem de sentado em uma das cadeiras. – Bom, nós temos muito que conversar.

Capitulo O4 – Reality

- Desculpe diretora, mas se estamos aqui com essas caras é porque não sabemos o por quê de estarmos aqui. – falou se esparramando no sofá.
- Sr. creio que eu que você é o mais interessado nesse assunto, eu peço que, por favor, antes de tudo você de acalme.
- Por que você me pediria calma? – ele olhou suas unhas e depois a olhou assustado. – Não me diga que...
- Sim, aconteceu. – ela abaixou a cabeça. – eu peço que antes de qualquer coisa se acalme.
- Me acalmar? – ele se aproximou da mesa. – como você me pede calma?
- Você nada pode fazer agora.
- Onde ela está?
- Hospital Dereck Clinton. – ele saiu em disparado a porta saindo o mais rápido possível. Meu olhar estava confuso, não conseguia assimilar a cena que acabara de ver em minha frente.
- O que esta acontecendo? – foram as únicas palavras que eu consegui formular na hora.
- A senhorita não sabe?
- Não, acho que eu perdi essa conversa.
- Bom, então não sabe que a Sra. esta muito doente? – minha boca abriu-se instantaneamente.
- Nã-Não, eu não sabia.
- Bom, a mãe de esta doente e as vezes ela tem essas recaídas, mas dessa vez foi serio. Ela teve uma recaída e vai precisar se tratar no exterior.
- Como assim? Ela é minha responsável, ela não pode simplesmente deixar sozinha e, além do mais, com o . – entrei em estado de pânico. Por mais que eu sentisse medo dele eu tinha Denise para me proteger, mas se ela se for eu ficaria a sós com e agora isso era o que eu menos desejava.
- eu sei que vai ser difícil cuidar de e de você, alias, você é uma adolescente não tem que ficar cuidado de um marmanjo, mas, entenda que a doença de Denise só pode ser tratada no Canadá e ela precisar ir pra lá o mais rápido possível.
- Eu entendo. – respirei bem fundo. – eu vou ao hospital, o deve estar desesperado e agora eu vou ter que me fingir de mamãe dele. – falei me levantando e indo em direção á porta.
- Sra. Araújo?
- Sim! – me virei novamente para ela.
- Ontem o lhe ajudou com a biblioteca ou você fez sozinha?
- Ele me ajudou, aliás, eu não arrumaria aquela biblioteca enorme sozinha, certo?!
- Claro. – sorri e sai pelo imenso corredor do colégio.
     Atravessei um imenso corredor branco olhando para todos os lados, o hospital estava praticamente vazio e não foi difícil achar o . Andei em sua direção e me sentei ao seu lado.
- Como ela está? – perguntei sem o olhar.
- Como você acha que ela tá?
- Em qual quarto ela está?
- O que você esta fazendo aqui? Você não é nada dela. – ele me olhou com os olhos vermelhos, não sabia se seria causada por choro ou pelo consumo de alguma droga.
- Quando ela sai do hospital? – falei o ignorando outra vez.
- Que droga! Vai embora daqui. – ele falou socando a parede.
- Não é porquê eu sou apenas uma simples sobrinha de uma empregada que eu não sei o valor de um sentimento por uma mãe, eu sei o que é perder uma mãe e aprendi a viver com isso. Agora eu quero ver como você, um garoto prepotente, mimado e idiota vai se virar sem a querida mamãezinha pra te proteger e acobertar todas as suas merdas e estupidez de um adolescente sem personalidade que por sinal não dá valor a mãe maravilhosa que tem e se esconde atrás das drogas com medo de ter uma merda de responsabilidade porque acha que assim sua vida vai melhorar. Você não sabe o quanto sua mãe te ama pra permitir que você estrague sua vida assim, porque se fosse eu no lugar dela já tinha lhe trancado numa clinica de reabilitação. – falei com todo o ódio que eu sentia dentro de mim.
- Você não sabe do que esta falando.
- Sinto lhe dizer, mas eu sei muito bem o que falo e o que estou falando.
- Sua...
- Parentes da Sra. Denise , por favor? – um homem vestido de jaleco branco apareceu com uma ficha na mão.
- Somos nós! – falei me levantando e indo em direção ao médico.
- Você é filha dela?
- Não, mas é como se fosse, ele é o filho dela. – apontei para que estava ao meu lado.
- Venham, vou lhes explicar a situação. – ele seguiu pelo extenso corredor e abriu a porta de um quarto onde podemos ver a imagem de Denise deitada em uma cama.
- Mãe! – correu em direção à mãe e a abraçou.
- Meu filho! – ela o abraçou e olhou para mim. – ! – sorri e andei em sua direção a abraçando forte. – meus dois tesouros me desculpem lhes dar tanta preocupação.
- Que isso Denise, pode nos dar preocupação de sobra.
- O medico já deve ter lhes contado certo?!
- Na verdade não. – falou confuso. – O que está acontecendo?
- Sua mãe precisa fazer um tratamento e aqui em Los Angeles não é possível então ela terá que passar uns meses fora.
- Quanto tempo mais ou menos? – perguntou interessado.
- Alguns meses, uns 7 ou 8.
- Tudo isso?
- Ela precisa fazer o tratamento e isso leva tempo até ela se recuperar por completo.
- E quando a Denise vai?
- Amanhã mesmo, já preparei os papeis da transferência. Ela precisar ir o mais rápido possível.
- E nós? – comecei um pouco apreensiva – como ficamos?
- Bom, um pode cuidar do outro. Tenho certeza que vai cuidar muito bem de você e aposto que você cuidara bem dele. Ou prefere voltar ao Brasil até eu voltar? – olhei para apreensiva. Era ficar e ser alguém na vida, ou ir embora por causa de um adolescente irresponsável.
- Eu fico, aliás, não vai ser difícil cuidar do seu filho é como cuidar de um irmão mais novo, um bebê. – ele bufou irritado.
- Vou lá fora, depois eu volto. – se retirou e eu olhei para Denise outra vez.
- Um dia vocês ainda vai namorar.
- Sinto lhe informar, mas eu não sou o tipo de garota certa para o seu filho.
- Claro que não, você é perfeita para ele. – ela me interrompeu antes que eu pudesse continuar – não tenha medo dele.
- Por que eu teria?
- Eu sei tudo sobre você, e até sei o quanto tem medo de pessoas como meu filho.
- Esta vendo, não sou o tipo do seu filho e nunca espero ser, pessoas como ele me enojam.
- Sabe, quando eu conheci seu pai ele não era desse jeito foi logo depois que seu negocio faliu que ele começou a ser um dependente químico e antes disso ele era o garoto perfeito para qualquer garota. O meu filho não é diferente, ele só está passando por uma fase difícil.
- Senhorita, você precisa sair. – o médico falou e eu assenti.
- Fique bem. – ela me abraçou forte.
- Você também, e cuide dele pra mim.
- Pode deixar. – falei saindo do quarto. Atravessei novamente o imenso corredor e não avistei , então segui meu caminho até a porta daquele imenso hospital. – Incrível!
- O que? – perguntou logo que me viu descendo as escadas do hospital, ele estava com um cigarro em sua mão e soltado fumaça pela boca.
- Sua mãe esta no hospital e você esta aqui fora se drogando, belo filho você.
- Não é da sua conta se eu sou um bom filho ou não. E isso me acalma.
- Claro, fumar é mais fácil que encarar os problemas de frente.
- Olha aqui garota – ele segurou forte em meu braço. – vê o jeito que você fala comigo, você tem que me respeitar.
- Como eu vou respeitar alguém que vive fugindo dos problemas, você é apenas um drogado qualquer.
- Você vai me pagar.
- Vai fazer o que? Vai me bater? Pelo menos tenta encostar um dedo em mim que eu vou a policia te denunciar.
- Você não faria isso. Espera um segundo, claro que você faria você fez isso com seu próprio pai.
- Você não sabe de nada seu infeliz.
- Errado amorzinha, eu sei muita coisa sobre você. – ele largou do seu braço e soltou outra vez uma fumaça pela boca. – Eu sei de tudo, sei que sua mãe era uma...
- Não ouse falar dela! – enchi minha mão para despejar em sua cara, mas deu reflexo foi mais rápido e ele me segurou pelo pulso.
- Cuida , eu não tenho medo de bater em mulher. – meus olhos se arregalaram e se encheram de água. Soltei-me dele e corri em direção ao hospital outra vez, minhas pernas vacilaram em algum momento e agradeci mentalmente por estar perto de milhões de bancos. Sentei-me e um deles e logo as lagrimas bateram no meu jeans surrado, pela primeira vez eu senti que ele não estava brincando, será mesmo que ele iria bater em mim? Será mesmo que eu deveria sentir medo dele? E por que diabos eu não o denunciava logo? Adormeci com esse pensamento.
- Senhorita, acorde! – alguém me balançava naquela cadeira dura. Abri os olhos lentamente sentindo a luz machucá-los de leve e me ajeitei sentada na cadeira.
- Sim?
- Sua mãe está saindo do hospital, achei que queria lhe dar um tchau.
- Sim, claro. Onde ela está?
- Está na ambulância, prestes s sair, seu irmão não lhe acordou?
- Não, não acordou. – me levantei da cadeira. – Obrigada por me avisar e por sinal, ele não é meu irmão. – falei saindo em direção a saída outra vez. Denise estava se despedindo do filho e logo que me viu sorriu abertamente.
- Pensei que não viria me ver. – ela falou logo que me aproximei.
- Eu estava dormido, a enfermeira me acordou. – eu a abracei – espero que você melhore, e volte logo.
- Eu também espero, não vou conseguir ficar sem meus bebês. – ela segurou cada um pela mão e as juntou dizendo: – Prometam que vão cuidar um do outro?
- Mãe...
- Prometam.
- Prometemos. – falamos ao mesmo.
- Estamos prontos, nós já vamos. – o médico falou a colocando na ambulância. Um aperto tomou conta de meu peito, ela gesticulou um 'amo vocês' antes de fecharem as portas da ambulância e ela simplesmente partir. Olhei ao meu lado, o inferno começa agora, pensei.

Capitulo O5 – Lies

- Você o que ? – praticamente gritou enquanto andávamos no corredor do colégio. – Eu não acredito que você falou aquilo pro .
- De tudo que eu te falei , você só ouviu isso?
- Não, mas você é louca de falar aquilo pra ele, se eu fosse você não confiava tanto, o não me parece aqueles caras que falam, mas não cumprem.
- Ele não teria essa coragem, aliás, ele sabe que eu posso acabar com a vidinha dele em um estalar de dedos.
- Talvez a vida dele já esteja acabada, primeiro ele perdeu o pai e agora a mãe teve que ir pra outra país e ele praticamente não tem ninguém, quer dizer, ele só tem...você.
- Não, ele só tem a ele mesmo. Só moramos na mesma casa, não somos melhores amigos e nem vamos ser.
- Mas você prometeu a Denise.
- Acho que ele já é bem grandinho para saber o que é certo e errado. E alem do mais, ele não quer minha ajuda.
- Você só fala isso porque tem medo dele.
- Que estupidez ! Quem lhe disse isso? Eu não tenho medo dele.
- , você treme só de ver ele, ou você tem medo ou você está apaixonada.
- Eu não... Aí idiota! – falei sentindo alguém esbarrar em mim. – vê se olha pra onde anda.
- Desculpa. – olhei para o lado e vi – Mas você é tão insignificante que eu não percebi a sua presença.
- A recíproca é a mesma.
- Como se isso me importasse, eu não me importo como você.
- E eu repito: a recíproca é a mesma. – vir – me – ei para ele. – as vezes eu me pergunto como sua mãe, uma mulher incrível é mãe de um garoto tão patético como você. – falei, mas logo me arrependi.
- Sr. e Srta. Araujo, para a sala os dois. – A inspetora falou e logo obedecemos. Andei em passos largos até á sala de aula e agradeci mentalmente o professor não está na presente, sentei – me ao lado de logo vendo o professor chegar e copiar algo no quadro, e mandando – nos copiar, mas eu não estava prestando a atenção. Pensei em tudo que eu havia passado para chegar aqui, minha mãe quase não deixou, mesmo minha tia morando aqui e tendo condições para me sustentar, ela achava muito perigoso e muito arriscado uma adolescente mudar de país por causa de um sonho mesmo. Mas eu não desisti, eu insisti tanto que ela então aceitou, boba fui eu em pensar que assalto era a pior coisa que podia me acontecer nessa cidade, estupidez minha em pensar que eu não viveria tudo aquilo outra vez. Eu sabia que um dia eu iria encarar uma pessoa como meu pai, mas nunca imaginei que viveria no mesmo teto de uma e teria que cuidar dela, de certa forma.
- , acorda! – libertei – me de meus pensamentos vendo estalar os dedos em minha frente.
- Oi! – falei acordando do transe. – O que foi?
- Já tocou pro recreio, nós temos que ir.
- Vai na frente, eu vou daqui a pouco.
- Você estava pensando em que? Ou melhor, em quem?
- Em ninguém. – falei me levantando.
- Pensando no ?
- Não! – respondi rápido colocando meu do dinheiro no bolso de trás.
- Não sei porque se nega a aceitar o do jeito que ele é, pode parecer estranho, mas o era um cara legal, mas logo depois do pai dele morre que ele ficou assim.
- Serio? – falei andando pelos corredores ao seu lado. – Eu não imagino ele sendo legal. Ele sempre foi tão grosso comigo, na verdade eu nunca tive a chance de conhecer ele melhor, nós nos conhecemos brigando e foi assim desde então.
- Você deveria conversar com ele, vocês não pode ficar brigando todo o tempo, vocês vão acabar se matando.
- Eu sei... Aí meu Deus! – falei colocando a mão na testa.
- O que?
e Esqueci meu celular.
- Deixa lá na sala, ninguém vai roubar.
- Não, eu prometi pra Denise e pra minha tia que iria ficar com meu celular vinte e quatro horas, não vai demorar muito eu ir buscar. – falei voltando correndo para a sala, abri a porta de uma vez e logo corri para a minha bolsa, escutei a porta bater violentamente logo que peguei meu celular na bolsa, arqueei meu corpo pra trás ficando em pé outra vez e logo senti um puxão em meu braço.
- O que você faz aqui? – perguntei assustada.
- Pensou que ia escapar de mim tão fácil, que ia me falar todas aquelas coisa, me humilhando e eu iria deixar de lado? Pensou errado! Eu te disse que isso não ia ficar barato.
- Me solta! Você ta me machucando. – falei tentando tirar sua mão de meu braço. Em vão! Ele pressionou sua mão mais forte fazendo um gemido rouco sair pela minha garganta.
- É bom que machuque mesmo, vê se você aprende a não se meter comigo.
- Eu não medo de você, você deve tá me confundindo com algum dos seus empregados ou algumas das suas ex – namoradas.
- Você não sabe o que esta falando.
- Eu sei muito bem o que estou falando, você é um idiota, drogado, fraco que na primeira oportunidade jogou sua vida fora por medo, por medo de encarar seus problemas e futuras responsabilidades de homem pela frente. Admito você pode causar medo nas pessoas, mas eu ao contrário delas tenho pena de você porque detrás dessa fama de machão você é um covarde. Covarde!
- Você não sabe nada de mim, você não sabe nada da minha vida garota.
- Não sei e nem quero saber, porque eu sei que eu vou sentir mais pena se eu soube.
- Sua... – ele levantou a mão para mim e logo fechei meus olhos tentado amenizar a dor que eu estava prestes a sentir. – eu deveria abaixar essa tua guarda, mas bater não vai ser a solução. – abri meus olhos assustada e logo senti dois braços me abraçarem forte e seus lábios serem pressionados fortemente contra o meu. Assustei – me com tal ato e logo tratei de empurrá – lo para longe, o que não adiantou muita coisa logo que seus braços me apertaram mais forte e seus lábios me fizeram abrir a boca e dar passagem para sua língua explorá – la. Tentei afastá – lo mais uma vez, mas o calor dos seus lábios fizeram – me relaxar todos os meus músculos e finalmente me entregar ao beijo. Passei minhas mãos por sua nuca agarrando seus cabelos os puxando, sua língua e explorou toda a minha boca em questão de segundos e o pior, eu estava gostando daquilo, por mais que meu cérebro falasse que não, meus instintos logo se entregaram a ele. O ar em meus pulmões eram suplicantes, separamos nossos lábios ofegantes,e eu continuei de olhos fechados. – eu disse que eu iria te acalmar.
- Eu disse pra me largar. – empurrei – o para longe fazendo com que ele se desequilibrasse e batesse a cabeça em uma das carteiras. Olhei – o desacordado no chão e logo me arrependi de tê – lo empurrado, me alhei ao seu lado no chão. – ! Acorda! Vamos , acorda! – entrei em desespero, comecei a sacudi – lo e a dar leves tapas em sua cara. Levantei – me e logo fui para o extenso corredor atrás de ajuda.
- Desculpe, eu não lhe vi. – olhei para a pessoa acima com que eu havia acabado de esbarrar e vi a imagem do professor de Historia, me levanto no pulo e disparei a falar:
- Professor o senhor precisa me ajudar.
- O que aconteceu?
- O .. Ele caiu e bateu a cabeça, agora ele esta desacordado e eu não sei o que fazer. – falei desesperada.
- Onde ele esta?
- Na sala B. – ele correu e direção a minha sala e eu corri atrás dele. Ele chegou á sala e tentou acordar , mas tudo que ele fazia parecia não fazer efeito.
- Vamos levá – lo para a enfermaria. – ele colocou em seus braços desequilibrando um pouco para o lado. O professor tinha um porte físico forte, acadêmico o suficiente para levar cambaleando para a enfermaria, admirei a coragem dele em carregar um homem daquele tamanho para o ambulatório, pois eu não conseguiria fazer tal ato.
- O que aconteceu? – a enfermeira perguntou logo que o professor colocou na maca.
- Ele caiu e bateu a cabeça – falei rápido enquanto ela preocupava algum ferimento na cabeça de .
- Bom, aparentemente ele não tem nada, apenas um galo enorme na cabeça, mas o melhor é levá – lo para casa para descansar.
- Eu posso levá – lo em meu carro.
- Eu vou com ele. – me pronunciei logo depois do professor.
- Senhorita, você foi muita brava em cuidar de seu namorado.
- Ele não é me namorado professor, nós moramos na mesma casa, somos como...irmãos.
- Então você cuidará dele certo? – a enfermeira me perguntou.
- Claro que...sim. – falei olhando para que já estava voltando ao normal.
- Onde eu estou?
- Na enfermaria do colégio, logo você ira para casa. – a enfermeira assentiu e preparou as autorizações para nós saímos mais cedo.
- A assistente da diretora me entregou suas bolsas e eu tive a liberdade de levá – las para o meu carro.
- Obrigada professor. – sorri aliviada.
- Não é nada.
- Professor acho melhor ajudá – lo a se levantar. – a enfermeira se referiu a que estava um pouco zonzo ainda. O professor o colocou em seus ombros e o carregou até o estacionamento do colégio, eu entrei primeiro e logo o professor o colocou deitado em meu colo. Um arrepio passou por toda a minha espinha logo que suas mãos tocaram as minhas e a seguraram forte.
- Parece que vocês são mais que irmãos. – o professor comentou fazendo com que eu levantasse a cabeça e o olhasse dar a partida.
- Por que?
- Você cuidou muito bem dele, se fosse outra pessoa teria o deixado no chão até o professor chegar e achá – lo para poder levá – lo para enfermaria.
- Como eu lhe disse somos como irmãos, cuidamos um do outro.
- Desculpe, mas não é isso que parece.
- E o que parece?
- Parece que você são mais, como se fossem conectados de alguma maneira, como se fossem um casal apaixonado.
- As vezes nada é o que parece.
- As vezes é exatamente o que parece, mas só que ainda não sabem. – ele falou parando o carro na frente de nossa casa. Ele saiu do carro e logo colocou apoiado seus ombros o carregando para dentro de casa, ele subiu as escadas e o colocou no quarto.
- Obrigada. – falei logo quando descíamos as escadas. – Eu não teria conseguido sozinha.
- Não foi nada, qualquer coisa é só avisar. – eu abri a porta para que ele passasse e logo desse a partida em seu quarto. Subi as escadas entrando logo no quarto de .
- O professor já foi? – ele perguntou colocando a mão na cabeça.
- Já sim, por que?
- Beleza. – ele pulou da cama e eu arregalei os olhos. – vou ligar para os meninos.
- Pêra ae, você estava fingindo.
- Estava, você deveria ter visto a sua cara de preocupada.
- Garoto você tem noção da preocupação que você me deu?
- Own amor. – ele se aproximou mim. – Você fica mais linda preocupada.
- Cafajeste! – comecei a dar leves tapas em seu peitoral. – eu deveria ter deixado você apodrecendo naquele merda de sala.
- Que isso . – ele segurou meus pulsos. – não se esqueça que você prometeu pra minha mãe.
- Eu tô fudendo pra essa promessa, você brincou com coisa seria.
- Ai , você é muito chata, eu só queria sair mais cedo do colégio.
- Arght garoto, eu te odeio! – falei me soltando dele, saindo de seu quarto batendo a porta com força.Garoto insuportável, idiota, prepotente e ridículo. Bufei impaciente enquanto saía da casa, quando mais longe, melhor.

      Olhei em meu relógio que marcava 22:30, provavelmente não estaria em casa e eu teria um pouco de paz, continuei a andar pela extensa rua do nosso bairro escutando um barulho insuportável vindo de uma das casas. Ninguém pode ter uma noite de sossego não?. Bufei impaciente percebendo que o barulho vinha de dentro da nossa casa, ele estava dando uma festa. A raiva me consumiu por inteiro e entrei em casa com tudo, esbarrei em algumas pessoas todas desconhecidas que jogavam cervejas umas nas outras, riam do vento, quase derrubavam as paredes ou quebravam as escadas quase se fundindo. Procurei por todo lugar, mas o desgraçado parecia ter desaparecido, o número de pessoas parecia aumentar a cada segundo. Eu precisa de ar então foi para a parte de trás de casa encontrando um número de pequeno de pessoas juntando carrerinhas em cima de uma mesa de vidro perto da churrasqueira, o ódio tomou conta do meu corpo quando vi quem era a próxima pessoa da fila, andei em passos largos e logo soprei todo o pó que estava em cima da mesa.
- O que diabos você fez sua louca? – ele falou tentando juntas alguns vestígios do que restava, mas tudo já tinha ido parar no chão úmido. – você viu o que você fez?
- Vi sim, e isso é só o começo. – falei virando – me de volta a casa, procurei a caixa de som e a desliguei ouvindo gemidos de reprovação de todos os presentes. Subi em cima da mesa e disse: – QUEM NÃO SAIR DAQUI AGORA, EU VOU CHAMAR A POLICIA. – em poucos minutos todos que estavam desesperados, pulavam a cerca, desciam as escadas correndo faltando alguma peça ou até mesmo sem nada, olhei em volta e vi a bagunça que estava formada, agradeci mentalmente por ter muita paciência.
- O que você fez? – perguntou incrédulo.
- Agora somos eu e você. – Falei descendo da mesa.

Capitulo O6 – World Behind My Wall

- Você é louca?
- Louca? O louco aqui é você, o médico disse que você deveria estar em repouso.
- Desde quando você se importa?
- Desde quando sua mãe me disse para cuidar de você.
- Ah, pelo o que eu saiba você estava pouco fudendo para isso.
- Mas promessa é promessa, não sou você para não cumpri – la.
- Você não sabe nada sobre promessas, você só esta aqui por dinheiro, pelo seu sonho idiota. Ou melhor, para fugir do passado que te perturba. – ele parou por um instante. – quer saber? Eu não vou mais perder meu tempo com você. Fui! – ele saiu batendo a porta, me assustei com o barulho estrondo que a mesma vez. Ele não poderia saber da verdade, não poderia.

Acordei com o sol batendo em meu rosto, olhei no relógio e já passavam das sete, me levantei lentamente, peguei a primeira roupa no guarda – roupa e segui para o banheiro. A água do chuveiro desceu por todo o meu corpo, relaxando cada músculo do meu corpo. Saí do banho, me enxuguei e logo coloquei minha roupa e desci as escadas, olhei em volta e vi jogado ao sofá, balancei a cabeça negativamente e saí em direção á porta. Eu, uma garota decidida, forte, que não leva desaforo pra casa, ficar com medo de um simples garoto prepotente,mimado e que ainda se acha o dono do mundo, um...
- Ai! – falei caindo no chão. – Ótimo! Parece que as pessoas nesse colégio não olham pra onde andam.
- Me desculpe. – olhei para cima e vi um garoto loiro de porte fisico excelente me estendeu a mão. – Mas você é que não estava olhando para frente.
- Desculpe – peguei em sua mão e ele me ajudou a levantar. – eu sou muito desastrada e estava distraída.
- Aposto que estava distraída com algo importante. – sorri sem humor.
- Nem tanto, agora é uma coisa totalmente insignificante.
- Eu sou Jack. – ele estendeu a mão para mim.
- . – eu a apertei sorrindo.
- Então, você é a garota que veio morar com a Sra. ?
- Sou sim, como você sabe?
- As noticias por aqui correm rápido, alias, ir para a diretoria no primeiro dia não é uma coisa que se conquista muito fácil.
- É, mas a culpa não foi minha.
- . – ele falou logo que entramos nos portões do colégio.
- Como...
- Todas caem aos pés dele, incrível.
- Desculpe, mas eu não sou uma dessas todas. – logo o sinal tocou anunciando o inicio da aula.
- Acho melhor você ir, alias, não queremos que você pegue outra suspensão.
- Claro. – falei começando a andar pelo corredor. – Foi um prazer Jack.
- O prazer foi meu.
- Tchau. – eu falei seguindo meu caminho até a sala.
- Srta. Araujo, esta atrasada. – o professor disse logo que entrei á sala.
- Desculpe, quase não achei a sala.
- Sente – se ao lado do Sr. .
- Como? – arregalei os olhos. – que Sr. ?
- Aquele dalí – ele apontou para qe estava deitado sobre a mesa. – vocês serão parceiros até o final do ano.
- Desde quando esse idi...ele é dessa sala?
- Desde sempre, mas ele sempre matava aula. Agora vá, antes que eu lhe mande para a diretoria. – engoli o seco e comecei a andar em passos lentos até a bancada. Carma, macumba, colocaram cabeça de macaco dentro da minha bolsa, ou será um boneco de vudo dentro da minha bolsa com a forma de ? Cheguei á mesa e me sentei sem fazer nenhum barulho, enquanto o professor tentava explicar algo no quadro.
- Não vi você sair de casa. – ele falou levantando a cabeça.
- Desde quando você se importa.
- Desde que eu prometi para minha mãe cuidar de você.
- Você anda se drogando? Não responde, eu já sei a resposta.
- Eu costumo cumprir minhas promessas.
- Agora você liga? O que tomou ontem?
- Eu costumo cumprir as que eu faço para minha mãe.
- Me desculpe, mas essa você não vai, eu não precisa de cuidados, eu não sou nenhum bebê. – falei virado para o professor outra vez. Escutei o barulho de algo ser faiscado, como barulho de isqueiro e logo uma fumaça habitar minhas narinas. – , o que você esta fazendo?
- Fumando, quer? – ele falou me oferecendo o cigarro.
- Tira isso perto de mim e apaga esse negocio.
- Não!
- , apaga isso logo.
- Não! – ele soprou toda a fumaça para cima de mim.
- Me dá isso! – teu o cigarro de sua mão.
- Srta. Araujo? – escutei a voz do professor de pronunciar atras se mim, virei e dei de cara com um homem não muito contente.
- Eu posso explicar.
- Claro que sim, na diretoria.
- Mas...
- Agora! Pegue suas coisas e vá para lá, e isso fica comigo. – ele pegou o cigarro da minha mão e apontou para a porta. Peguei minhas coisas e andei até a porta, aquele idiota teria sua vez, ele pagaria por isso e não seria nada barato.

      Saí do colégio depois de um dia cansativo, tive que limpar toda a quadra do colégio. Aquele retardado me paga, com juros e sem prestações. Já estava noite quando saí do colégio, andei em passos largos até em casa, eu poderia já escutar o barulho de um som alto vindo da casa dos , respirei bem fundo, contando de um até dez. Entrei em casa esbarrando em algumas pessoas conhecidas e outras não, subi as escadas lentamente e vendo o corredor cheio de pessoas tentando se fundir, entrei em meu quarto e logo o ódio subiu a minha cabeça. estava aos beijos com uma garota desconhecida, olhei em volta do meu quarto e logo vi uma garrafa de cerveja ao meu lado, andei até a cama e despejei todo o líquido em cima dos dois.
- Ai! – a garota rapidamente pulou da cama e olhou em minha direção. – Você é...
- Louca? Você ainda não viu nada. Saí daqui antes que eu arrebente você. – ela pegou a blusa que estava no chão e saiu do quarto.
- O que você vai fazer? – sorri cínica e saí do quarto, desci as escadas e fui em direção a caixa de som desligando tudo escutando barulho de reprovação.
- A POLICIA TA BATENDO AQUI EM 5 MINUTOS! – eu me divertia com a situação, todos eles tentando sair de uma porta pequena ou pelas janelas, mas logo meu sorriso desapareceu quando um nada contente apareceu na sala. – Desculpa, mas essa casa não é um bordel. – desci da mesa e passei direto para a escada, mas me segurou forte pelo braço. – Me larga! Você tá me machucando.
- Bom que machuque mesmo pra você aprender a não querer mandar na minha casa.
- Desculpe, mas a casa não é sua, é da sua mãe.
- Em conseqüência; minha.
- Eu tenho pena de você, você pensa que é muita coisa, mas você não é nada. Só um drogado patético.
- Melhor ser drogado do que alcoólatra. – engoli o seco. Como ele sabia disso? Meus olhos se arregalaram e um nó se formou em minha garganta. – que foi? Achou que eu não sabia sobre o seu passado tenebroso?
- Você não sabe de nada.
- Não meu amor, eu sei muito mais do que você pensa. – ele apertou mais forte meu braço ouvindo um gemido de reprovação. – principalmente do seu pai, já que ele como você mesmo me chama : um drogado patético.
- Você...
- Eu ainda não terminei, alias não posso esquecer do mais importante. – ele parou um segundo. – uma mãe alcoólatra que se matou na primeira oportunidade.
- CALA A BOCA! Não fala dela assim! – falei em um tom mais alto.
- Por que? Porque estou falando a verdade.
- Você não sabe nada de mim,você não sabe nada da minha mãe.
- Sei o bastante, pra saber também que a filha dela não é nada diferente, como foi viver numa clinica de reabilitação?
- Você me dá nojo.
- Nossa ela ta com raivinha. Por quê? Porque finalmente essa sua mascara de santa caiu? Você fala de mim, mas não é nada diferente de mim, mas pelo menos meu pai não se matou por ter medo de encarar a vida.
- CALA A BOCA! – juntei todo o ódio que sentia dentro de mim e enchi a mão em sua cara fazendo com que ele se afastasse de mim. Em um reflexo rápido sua mão forte voou em minha cara fazendo com que eu caísse ao chão, massageei o local onde ele havia me dado um tapa e o olhei assustada, as lagrimas deslizaram por meu rosto.
- eu... – me levantei bruscamente e logo corri escada acima me trancando em meu quarto. Deslizei pela porta e logo comecei a chorar, por que isso só acontece comigo? – escutei batidas na porta. – , abre a porta! Vamos conversar. – sua voz era arrependida. – , por favor! – batidas mais forte na porta fizeram com que eu fechasse os olhos tentado amenizar a dor.
- VAI EMBORA DAQUI! EU NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS! – gritei com toda a força que eu não tenho. Aquilo tinha sido a gota d’agua.


Nota do Beta: Quaisquer erros encontrados na fanfic devem ser notoficados via lucaas.sp@gmail.com.