POV
Por Sah
Beta: Táh



Risadas, sim, muitas risadas. Era tudo o que se podia ouvir da sala e de todos os outros cômodos da residência dos . Todo aquele escândalo vinha de um dos quartos no final do grande corredor branco.
- Eu não acredito que você fez isso, ! Coitado do garoto! Tudo bem que ele apronta de vez em quando... Mas você está passando dos limites! – , uma garota de 18 anos, cabelos cacheados e escuros dizia em meio a risadas. Era difícil manter-se séria após ouvir aquilo.
- Coitado? Como assim coitado? Eu não acredito que você está defendendo aquele babaca, ! – disse séria, parecia um pouco irritada com a atitude da amiga - E eu não estou passando dos limites! Foi só uma brincadeirinha boba... – A garota disse um pouco mais calma, antes de arremessar uma almofada em , que se esquivou. A almofada passou pela garota e esbarrou em um abajur, que se quebrou em vários pedaços ao cair no chão. levou a mão até a boca ao ver a expressão de pavor no rosto de .
-Olha o que você fez! Quebrou meu abajur de pônei rosa! Eu gostava tanto dele! – disse um pouco chorosa, tentando inutilmente juntar as peças quebradas.
- Eu que fiz?! Foi você que tentou me matar com uma almofada, !
nem pôde responder, já que a porta do quarto se abriu, revelando um furioso do outro lado. levantou-se sem jeito devido ao susto e subitamente ficou séria.
- Isso é jeito de entrar no quarto da sua querida irmãzinha, ? – perguntou em um tom de superioridade, deixando o irmão ainda mais irritado.
- Querida irmãzinha... – disse irônico, passando as mãos apressadamente nos cabelos loiros, deixando-os ainda mais bagunçados – Será que vocês podem parar com todo esse escândalo? Eu e os caras estamos tentando compor algumas músicas, mas com vocês berrando feito hienas loucas fica complicado! – Ele disse o final da frase rindo, havia voltado ao normal.
não era bravo, pelo contrário. costumava dizer que ele era um fofo. Mas, quando o assunto era sua banda, o McFLY, ele tinha uns ataques de raiva que em questão de minutos passavam. A relação dele com a irmã era bem... normal. Se davam bem, estavam sempre se ajudando, dando conselhos e fazendo piadas que só os dois entendiam. Claro que sempre rolavam algumas discussões, mas nada fora do normal. Nunca conseguiam passar mais de um dia sem se falar.
- Desculpa, ... A culpa não foi da . Era eu quem estava rindo. – disse quebrando o silêncio e ficando levemente corada.
- Tudo bem, . Desculpa por ter dito que você é uma hiena louca, não foi bem a minha intenção. – disse sorrindo de um jeito fofo e riu abertamente.
- Tá bom, . Agora cai fora que isso é conversa de meninas ok? Não incluem gays como você! – dizia rindo, enquanto empurrava o irmão para fora do quarto.
- Aiiiii, amiga! Eu queria taanto ficar fofocando com vocês! Adoooro um babado! – disse de um jeito bastante afetado, arrancando ainda mais risadas das garotas –Ah, mais uma coisinha... – Ele disse, agora de forma normal.
- Fala, seu mala! – disse com as mãos na barriga, já estava sentindo dores de tanto rir.
- Esqueci de avisar que a campainha estava tocando, acho que a amiga de vocês chegou. – disse, dando de ombros e voltando para seu quarto, onde estavam os outros garotos.
nem pensou duas vezes, correu pra fora do quarto, desceu as escadas rapidamente e abriu a porta.
- Amiiiiiga! – disse ofegante abraçando .
- Achei que tinha me abandonado aqui do lado de fora! – disse divertida, saindo do abraço da amiga e entrando na casa.
- ! – Dessa vez foi quem pulou no pescoço da garota de forma desajeitada, fazendo com que as duas quase caíssem no chão.
- Pelo menos fui bem recebida. – dizia enquanto subiam para o quarto de .
Antes de chegarem no quarto, uma porta um pouco aberta chamou a atenção das garotas. Era o quarto de , onde os garotos estavam compondo.
- Dude, o que você acha de ‘I waanna put my haaands on her skiiin’ (eu quero colocar as minhas mãos em sua pele). – cantarolou com uma cara realmente depravada, fazendo os garotos rirem. sentiu todos os pelos do seu corpo se arrepiarem com a expressão nada inocente do garoto. Elas os observavam pelo lado de fora. Estavam um pouco amontoadas, tentando se esconder. Os garotos certamente as expulsariam se vissem que estavam espionando.
- Fica calma, ! Não morre! – disse em um sussurro, tentando controlar o riso, e apenas lançou um olhar mortal para amiga, que logo parou com a brincadeira.
- “Underneath the cloothes that you’re iiiin” ( por baixo das roupas que você está usando). – Desta vez foi quem cantou, fazendo uma cara muito parecida com a de e passando os dedos pelos mamilos. Todos riram novamente.
- Fica calma, ! Não morre! – Foi quem sussurrou, rindo, e deu de ombros.
- Eu tenho namorado, sabia? – A garota disse também sussurrando.
- Nem vem, ! Você não me engana... – disse com um sorriso debochado.
- Dá pra vocês ficarem quietas? Eu tô tentando ouvir! – disse irritada, de um jeito nada discreto, fazendo com que as garotas se desequilibrassem com o susto e caíssem no meio do corredor.
- Parabéns, . – disse irônica, batendo palmas para amiga.
Antes que pudesse responder, os garotos já estavam parados em frente a elas rindo e observando a cena. choramingava de dor, havia caído sobre o braço da amiga e o local doía um pouco. levantava-se calmamente, como se nada tivesse acontecido, ao contrário de que se apressou em ficar de pé e arrumou sua roupa que estava um pouco amassada.
- Deu pra ficar escutando conversa atrás da porta, ? – perguntou sério, olhando nos olhos da garota – Ninguém nunca lhe avisou que isso não é nada educado? – Ele continuou no mesmo tom.
- Para a sua informação, garoto, eu não estava escutando nenhuma conversa. Aliás, eu nunca perderia meu tempo ouvindo o que você tem a dizer. Nada que venha de você pode me interessar. – Ela disse com autoridade, sustentando o olhar do garoto. Antes que pudesse se defender, puxou as amigas para seu quarto, batendo a porta e deixando um garoto furioso parado no corredor.
Tudo aquilo era realmente muito confuso, e sempre fora assim. conhecia desde que eram pequenas. Seus pais eram muito amigos, então elas cresceram praticamente juntas. considerava um irmão, e ele pensava o mesmo a respeito dela. Tudo ia muito bem, até que resolveu montar uma banda com , seu melhor amigo. Na verdade, o nome do garoto era , . Alto, cabelos um pouco ondulados e muito bonito. e eram bem parecidos, os dois eram muito engraçados, gostavam de tocar guitarra e cantavam incrivelmente bem. , , e andaram juntos por um ano, mais ou menos. Eram inseparáveis, amigos de verdade. As coisas só começaram a mudar quando convidou para a banda. , alto, cabelos escuros, corpo bem definido e era um ótimo . Perfeito para a banda. achava um cara legal, seria bom ter mais um amigo, pena que não pensava assim. Ninguém sabe direito o motivo, mas e tiveram o exato oposto do tal ‘amor a primeira vista’. O que aconteceu pode até ser chamado de ‘ódio a primeira vista’. Os dois não conseguiam se ver sem que ofensas, críticas e deboches fossem ditos de maneira ofensiva. Era um sentimento recíproco de pura implicância.

*Start Flashback*

- Hey! ! – vinha correndo, chamando a garota.
- Hu?
- Ih! Que cara de desgosto! – Ele fez careta. – Vim te chamar pra conhecer o carinha que o encontrou pra banda! Vem. – Antes que ela pudesse pensar, ele já estava a arrastando para o tal lugar, sendo seguida por .
- Tcharam! – mostrou o rapaz como se mostrasse um carro novo ou uma mágica – , . , . , . , . – apontava o dedo de um para o outro e fazia uma cara estranha.
- Hey... bem vindo! – olhou para o garoto e estendeu-lhe a mão.
- Obrigado. E você, sua mal educada, não vai me dar oi? – Olhou para a outra que estava parada o olhando de cima a baixo.
- Não. – A garota apenas respondeu e virou-se de costas, mirando o caminho que faria naquele momento. E pôs-se a andar, mas não percebeu que estava sendo seguida.
- Digo eu então! – Ele parou na sua frente, interrompendo sua passagem. – OI! – Ele disse com um sorriso gigante, de orelha a orelha - Eu sou o .
- Ok. Prazer. Agora sai da frente.
- Saio se você me der um sorriso.
- Você é chato assim sempre ou me enganei? – Ela disse ironicamente, empurrando o garoto para o lado e seguindo seu caminho.

*End Flashback*

Todos acharam que aquilo logo passaria, mas estavam errados. e nunca se entenderam, o que acabou por distanciar um pouco o grupo. , e passaram a andar sem as garotas. E continuavam a procura de um para banda. e continuavam a andar juntas, agora acompanhadas por . Conheceram-na na escola, pele branca, cabelos escuros e bem lisos. Um pouco distraída, mas bem divertida. As três agora eram inseparáveis. Depois de uns três meses procurando, os garotos finalmente encontraram o . , cabelos claros, um pouco mais baixo que os outros, e um pouco mais novo também. Na opinião de , ele tinha os olhos mais lindos e mais brilhantes do mundo. Desajeitado e um pouco tímido, era o que faltava no McFLY. Todos se encontravam com alguma frequência na casa de e , os garotos para compor e ensaiar ou ficar sem fazer nada mesmo; e as garotas para fofocar, é claro. Os atritos entre e , vulgo ‘casal ódio mortal’, eram bem frequentes. Os dois sempre davam um ‘showzinho’ que terminava com meninas de um lado e meninos de outro. Complicado, realmente complicado.

No quarto de , a própria narrava para tudo que havia contado para momentos antes. As outras duas ouviam com atenção e controlava a risada. Não queria ser chamada de hiena de novo.
- Eu não acredito que você fez isso, ! – disse de um jeito bem maternal – Cortar o cabelo dele enquanto ele dormia, quebrar algumas baquetas, mandar bilhetes anônimos dizendo o quanto ele era lindo e maravilhoso só para ver ele se achando e depois poder dizer que os bilhetes haviam sido entregues para pessoa errada e que na verdade ele era um perdedor, tudo isso podia ser até um pouco engraçado, mas dessa vez você passou dos limites. – concluiu séria. revirou os olhos. “Fala sério, foi engraçado, claro que foi! Ver ele totalmente humilhado na frente daquela loira aguada, ah foi sim! Tudo bem que ver ele realmente triste me partiu o coração... O que é isso ?! Sentindo pena daquele babaca? Não,não!” A garota foi tirada de seus pensamentos por , que agora parecia estar preocupada com a situação, não estava rindo como antes.
- Ai ... Quem sabe se ele começasse a namorar aquela garota do bar, como é mesmo o nome dela? – fez uma cara confusa, como se tentasse lembrar da noite anterior.
- Izzy. – Foi quem respondeu, e rolou os olhos ao ouvir aquele nome.
- Então... – continuou – Talvez, se o começasse a namorar a Izzy, ele desistiria de ficar implicando com você e tudo ficaria bem. – Concluiu a garota, sonhadora. Queria mesmo que seus amigos se acertassem.
- É , mas depois do que a fez, é capaz dele querer vê-la morta. Nem sei como ele não te atacou lá no corredor. Se fosse eu teria te dado uma voadora na nuca. – disse calmamente, levantando-se da cama e observando a mobilia do quarto.
pareceu confusa com tudo o que ouvira das amigas. Pela primeira vez, ela estava pensando realmente em sua atitude na noite anterior. Por que ficou tão indignada ao ver com outra garota? Por que ficou com tanta raiva ao vê-lo abraçado àquela loira aguada?! E a forma como ele ria pra ela...

*Start Flashback*

Era uma noite linda. Estava um pouco frio e uma brisa leve bagunçava os cabelos das três garotas que estavam indo em direção ao Trix Pub. Era lá que encontrariam os garotos. O lugar era simples, uma decoração estranha em tons de preto, roxo e cinza. Tinha também um palco em uma das extremidades do local, onde sempre aconteciam apresentações de bandas locais e até de algumas mais famosas. Mas o real atrativo do Trix, sem dúvida, eram os coquetéis . Os melhores do mundo, na opinião dos garotos. Talvez fosse por isso que eles insistiram tanto em ir pra lá, e as meninas acabaram concordando.
- Não sei porque fazer tanto escândalo pelos coquetéis se no fim eles sempre acabam bebendo cerveja. – comentou confusa, observando os garotos mais a frente. deu um tapa fraco na cabeça da amiga, que reclamou de dor. sempre fora dramática, era fato.
- Amores da minha vida, amo vocês, mas vou trocá-las pelo meu namorado. – disse de um jeito formal e cômico, se afastando das amigas e indo abraçar Jason. Eles se conheceram na escola e namoravam há mais ou menos três meses. achava que aquilo não ia durar muito tempo, era uma daquelas garotas divertidas que sempre é notada quando chega nos lugares, fala com todo mundo e é bem simpática. Ok, nem sempre ela é simpática, apenas na maioria das vezes. Já Jason é um típico garoto popular, não se mistura com qualquer um, apenas com quem ele acha que ‘merece’ sua companhia, e isso não incluía , e muito menos o McFLY. Por isso que não acreditava no futuro do namoro. Achava que sua amiga logo perceberia que Jason é só mais um daqueles otários com rostinhos bonitos. Sem contar que e tinham certeza de que tinha uma quedinha pela amiga, e por mais que negasse, elas sabiam que o sentimento era recíproco.
As duas viram a amiga se afastar e foi quem quebrou o silêncio.
- ! - A garota de cabelos cacheados gritou antes de dar um abraço apertado no amigo.
- Finalmente vocês chegaram! Qual foi? Não vai me dizer que tiveram problemas com o secador de cabelos de novo! – falou meio gritando, pelo visto já estava bem alegre, digamos assim.
- Para, dude! Isso foi gay! – disse divertido, e corou.
- Pequena! – disse empolgado, abraçando . ‘Ok, respira dona ! É só um abraço normal do , afinal, ele te vê apenas como amiga, AMIGA! Porque é isso que vocês são, AMIGOS! Mas que mania irritante! Por que diabos ele tem que ficar me chamando de pequena?! Tudo bem que eu sou baixinha e tenho essa cara de pirralha apesar de já ter 18 anos, mas isso não significa...’ foi interrompida pela mesma voz que falara anteriormente.
- , tá tudo bem? – perguntou, visivelmente preocupado. A garota parecia pálida, com um olhar perdido...
- Aham...- Foi tudo que ela conseguiu responder antes de receber um abraço de .
cumprimentava os meninos também, demorando mais em , que dizia estar com saudades dela. Eles eram grandes amigos, e um estava sempre preocupado com o outro. Era bonita a relação deles.
- O que a tem? – perguntou, ainda preocupado.
- Ué, vai saber... É a , . Ninguém nunca vai entender o que ela tem. – disse, dando de ombros. Fingia não saber, mas no fundo tinha certeza que a amiga sentia alguma coisa por . Estranho era ela nunca ter dito nada, afinal, eram melhores amigas! Ela já tinha que ter falado.
se destraiu por alguns segundos, alguma coisa estava errada. Alguma coisa estava faltando. Lançou um olhar significativo para , que não entendeu nada.
- Amiga, tem alguma coisa errada. – sussurrou para que só ouvisse.
- Bebeu? Não tem não. Tá tudo normal! – Respondeu a garota, olhando ao redor. – O mesmo Trix com sua decoração esquisita de sempre, a se pegando com Jason, dançando engraçado, mais preocupado com as moscas do ambiente do que com os amigos, segurando duas cervejas sabe-se lá por que... – Ela dizia enquanto apontava para as cenas que eram sempre comuns. – Espera um pouco! – Ela disse de subto, como se de repente tudo fizesse sentido. – ! – Não houve resposta. – ! – Dessa vez ela berrou para que ele ouvisse.
- Heeeey! – Ele disse empolgado.
- Cadê o ? – perguntou antes de piscar para .
Com um movimento rápido, puxou para longe de e dos outros meninos.
- O que foi, sua doida? Eu descobri do que você estava sentindo falta! – disse com um sorriso orgulhoso no rosto.
- Eu não estou sentindo falta do ! – disse realmente irritada –Eu não posso estar sentindo falta dele... - A última frase ela disse num sussurro, mais pra ela ouvir do que para a amiga.
- Ah... então não sei. – disse, decepcionada –Agora deixa isso pra lá e vamos dançar! – Disse, puxando para a pista de dança que ficava no meio do local.
- Não, não. Vai indo que eu já te encontro. – respondeu se soltando da amiga. Ainda estava confusa, precisava pensar.
- Ok. – disse animada antes de sumir entre as pessoas.
estava atordoada. Por que diabos estava sentindo falta de ? Ah, era óbvio! Não estava sentindo falta dele. Apenas estranhou que ele não estava com os garotos, afinal, eles estavam sempre juntos. Era isso. Sorriu satisfeita com seus pensamentos e foi até o bar. Pediu um coquetel e finalmente entendeu por que todo mundo gostava tanto daquilo, era bom! Bebeu rápido e pediu outro antes de voltar para onde os meninos estavam.
- Irmãziiiiiiinha! – gritou e riu.
- Fala, seu bêbado! – Respondeu a garota, se aproximando do irmão.
- Vocês sumiram antes que eu pudesse responder! – disse, um pouco triste – está lá, olha! – apontou para um canto. não acreditou no que viu, não podia ser. Sua visão ficou um pouco embaralhada e não tinha como ser pelos coquetéis, só havia tomado dois! Ela respirou fundo algumas vezes antes de se afastar do irmão e ir rapidamente em direção ao bar onde estava antes. Pediu mais um coquetel e continuou observando aquela cena, estava com nojo daquilo.
No outro lado do Trix, abraçava carinhosamente uma garota loira de cabelos lisos. Ela era muito bonita, mas na opinião de era uma loira azeda com cara de roupa amassada, terrível. A garota envolvia o pescoço de com seus braços e os dois pareciam conversar sobre algo muito interessante, pois ambos estavam rindo. estava achando tudo aquilo ridículo! ‘Por que ele tá rindo?! Devia estar chorando desesperadamente com aquele filhote de monstro perneta abraçado nele. Que palhaçada.’ Ela pensava enquanto bebia o que parecia ser o quarto coquetel. precisava fazer alguma coisa, não podia deixar se divertir com aquela loira oxigenada, não mesmo. Por mais que parecesse um pensamento realmente egoísta, ela achava que não podia deixar as coisas assim.
- É isso! – exclamou, orgulhosa, antes de terminar o quinto coquetel e partir em direção ao canto escuro do Trix. Estava um pouco tonta e acabou esbarrando em algumas pessoas pelo caminho. – Droga! Agora eu sei por que os meninos optam pela cerveja, essa porcaria de coquetel derruba qualquer um! – Disse irritada para si mesmo. Quando estava perto o suficiente do casalzinho ridículo, ela sorriu maliciosa. Seria perfeito.
- ! Eu não acredito nisso! – o olhava com uma cara assustadoramente triste, estava quase chorando.
- ? – se assustou e sua voz saiu um pouco abafada. O que diabos ela estava fazendo ali? Izzy, a garota loira, observava a cena, também assustada.
- Como você pôde ? – Ela sentiu as lágrimas em seus olhos – Eu te amava tanto! A gente passou momentos incríveis juntos! Ontem à noite você disse que me amava! Por que você mentiu pra mim? Se não me queria mais era só dizer... Não precisava ficar se agarrando com uma loira por aí! – praticamente vomitou as palavras, sua voz estava meio embolada devido ao nível de álcool que tinha ingerido, mas a cena foi perfeita, como o planejado.
Izzy havia se afastado de e o olhava com um olhar de desprezo de dar medo. , por outro lado, estava mais confuso do que nunca. Só podia ser um pesadelo. ‘ chorando dizendo que me amava? E que diabos de noite passada ela está falando? Certamente lembraria de uma noite com , digo...’ saiu de seus pensamentos ao ouvir a voz de Izzy, que até agora estava quieta.
- Eu não acredito que você foi capaz de fazer uma coisa tão baixa com essa garota, ! – Izzy parecia decepcionada – Achei que você fosse um cara legal, mas estava errada. Você é exatamente como todos os outros idiotas que eu conheço. Tenho nojo de você, . – Foi com essas palavras que a garota loira deixou um extremamente abalado e confuso. Izzy deixou o Trix pisando firme, sem olhar pra trás. passou as mãos pelo rosto e pelo cabelo, como se tentasse acordar de um pesadelo, estava meio atordoado com tudo aquilo. Virou-se para encarar . Queria uma explicação para tudo aquilo, precisava de uma explicação.
Seus olhos encontraram os da garota, que subitamente havia parado de chorar e agora tinha uma expressão calma, como se nada tivesse acontecido. achou que estava bêbado, era a única explicação. viu encará-la como se implorasse por uma resposta. E riu, na verdade gargalhou, antes de dizer:
- Eu deveria mesmo trabalhar na novela das oito, você não acha? Aqui está a sua vingança, . Da próxima vez pense duas vezes antes de jogar minhas roupas recém lavadas no lixo orgânico, seu idiota. – disse tudo calmamente com um ar de deboche, e deixou inconformado, parado, com um olhar perdido... Chegava a dar pena.
Só agora havia percebido que muitas pessoas ao redor estavam paradas, observando a cena. Sentiu o sangue ferver, estava com raiva, muita raiva. Aquilo tinha ido longe demais. Tudo bem que eles estavam sempre implicando um com o outro, mas não podia interferir na felicidade do garoto dessa maneira. Ele nunca tinha feito nada para humilhá-la. Estava se sentindo mal, um pouco tonto. Izzy iria odiar ele. Justo agora que ele tinha encontrado uma garota tão legal... não tinha esse direito. Foi com um sentimento de quem queria vingança que deixou o Trix naquela noite. Não falou com ninguém, apenas foi embora.
parecia feliz e aproveitou o restante da noite com , , e . Algumas vezes, aparecia ofegante e desaparecia novamente. Ninguém soube do acontecido, achavam que e Izzy tinham ido para um lugar mais reservado, se é que você me entende.

*End Flashback*

- Amiga, AMIGA! – sacudia os braços na frente de , que apenas balançou a cabeça como se acordasse de um sonho.
- Credo, não assusta a gente assim! Você ficou aí parada do nada... O que foi? – perguntou, mas antes que a outra respondesse a porta do quarto se abriu com violência, fazendo com que todas dessem um pulo com o susto.
- Tão achando que meu quarto é feira?! Já tá virando rotina entrarem sem bater na... – ia dizendo irritada, mas foi interrompida pelo irmão.
- Eu não acredito que você fez isso, ! – praticamente gritou, estava bravo, e dessa vez parecia que ia demorar para ele voltar ao normal – Você foi longe demais com o ! Eu não acredito que ele só nos contou agora... – caminhava pelo quarto sem desviar o olhar da irmã.
- Foi só uma brincadeirinha, ... – falou em um fio de voz, sentia-se um pouco envergonhada.
- Não, , não foi! Eu não pensei que você fosse capaz de fazer algo assim. – saiu do quarto realmente bravo com a irmã. Tudo que se ouviu foi a porta da casa ser batida com força. desabou na cama. As palavras de haviam atingido a garota, ela parecia triste.
- Onde ele foi? – perguntou para e , que também tinham entrado no quarto, mas estavam em silêncio.
- Provavelmente foi atrás do ... Ele nos contou tudo quando voltamos para o quarto e foi embora, logo depois veio pra cá e o resto vocês sabem. – media as palavras ao mesmo tempo que tentava explicar a situação – Acho que eu vou atrás deles, está nervoso...
- É, vai, quando meu irmão fica nervoso ele é um perigo. – disse com um meio sorriso, interrompendo .
- , você vem comigo? – disse antes de sair do quarto – Eu não quero ir sozinho.
A última fala de fez todos no quarto rirem e ele corou um pouco.
- Vai lá, ! Seja homem! – disse, encorajando o amigo – Vou ficar aqui com a . – estava preocupado com a amiga, sabia que ela iria querer conversar, ele a conhecia muito bem. sorriu, queria muito o apoio do seu melhor amigo, precisava falar com . fez uma cara de choro, como se tivesse sido trocado, e todos riram novamente.
- Vamos, bebezão. – disse, levantando-se da cama onde estava e indo em direção ao garoto –Eu vou com você pra você não se perder, não tem problema, né amiga? – sorriu para como se pedisse autorização para sair. sorriu e piscou discretamente para , que revirou os olhos e empurrou para fora do quarto e depois para fora da casa, deixando no quarto apenas , e uma visivelmente abalada.
- Agora me explica. Por que diabos você fez isso? – deitou a cabeça da amiga em seu colo.
- Não sei. Não pensei em nada na hora. Quando vi a cena, sei lá... foi como se aqueles cinco coquetéis tivessem se tornado uns vinte e eu tivesse perdido meu chão e o céu estivesse caindo e... - e olhavam, com muita curiosidade e estranhamento, para a amiga que relatava o fato com cara de paisagem – Não sei como foi acontecer, só sei que lembrei das minhas roupas no lixo e daí vi a loira beijando ele e não sei mais. - Desabafou, por fim.
Nem nem conseguiram pronunciar uma palavra em resposta à confissão da garota, que agora deixara uma única e solitária lágrima escorrer pelo rosto. Ela sabia que podia confiar nos dois, mas sabia, também, que em algum momento aquela frase chegaria aos ouvidos de . Acima de tudo, porém, pensava em como podia ter magoado o garoto. Tudo bem que eles não eram exatamente ‘amigos’, mas tinha um sentimento no mínimo ‘estranho’ por ele.

*Start Flashback*

- Hey, my big boy! – tirou os olhos do livro, vendo o irmão entrar no quarto – Já vai? – Referiu-se à viagem de férias que ele ia fazer com os meninos da banda.
- Vou, mas tenho uma notícia para você. – pensou antes de dizer, imaginou a reação da irmã – Como suas amigas foram viajaram também, e você tem aquela prova na segunda e você vai ficar sozinha em casa... ham... o vai vir ficar com você aqui. – Disse, por fim, em um supetão e de olhos fechados para não ver sua expressão.
- Como assim? , eu sei me cuidar sozinha! Eu não preciso de babá! E além do mais, eu não vou conseguir estudar pra prova com esse ogro aqui!
- Bom, manina, esse é um problema que você tem que resolver com ele! Porque eu estou de saída. – Ia dizendo, levantando-se da cama e dirigindo-se para a porta – Ah! E nem adianta você tentar expulsar ele daqui! Porque o apartamento dele ta sendo reformado e ele não tem para onde ir, então é por isso que ele não vai viajar com a gente e vai ficar aqui cuidando da minha querida irmãzinha. – Terminou, fechando a porta e saindo rapidamente para que a ela não o alcançasse.
ficou com muita raiva, mas como o irmão tinha dito, não tinha para onde ir, era inevitável. Não ia deixar o garoto do lado de fora da casa, certo? Resolveu não pensar mais e voltou sua atenção para o livro. Algum tempo depois, ouviu a porta abrir.
- Com licença, cara leitora. – entrou debochando da menina e já sentando na cama.
- Que tu qué, ô folgado?
- Ih! Só vim avisar que o jantar está pronto. – Respondeu, arqueando a sobrancelha.
- Não creio que você fez comida pra mim? – fez cara de espanto, largou o livro e levantou-se – Vamos então?
Os dois jantaram enquanto conversavam coisas banais e sem sentido. Falavam coisas sobre as quais não queriam falar. terminou largou seu prato na pia e foi para a sala, onde deitou no fofo carpete verde oliva, rodeada de almofadas. Começou a pensar em toda aquela situação, ela e sozinhos em casa, pela primeira vez, e de bem, ‘pelo menos por enquanto’, pensou.
- Um beijo pelos seus pensamentos. – Viu o garoto dizer, já deitando ao seu lado.
- Eu não quero um beijo seu, . – Ela não queria dizer isso, mas a força do costume falou mais alto.
Ficaram olhando para o teto por alguns minutos sem trocar uma palavra. Apenas ouviam a respiração do outro. Num impulso, rolou e parou em cima de .
– Quer sim que eu sei. - Assustada, ela só conseguia olhar nos belos olhos daquele garoto, e dizia para si ‘ quero, quero sim!’. Quando viu, estava aproximando sua boca a dele ‘ Não! Eu não posso querer’, e desistiu.
- , o que você está fazendo? – sussurrou como se houvesse mais alguém na casa.
- Não sei.

*Pause Flashback*

Lá fora, atravessou a rua e sentou no banco da pracinha onde eles costumavam brincar quando eram crianças.
- , você quer conversar? – apenas sentou ao lado do amigo e viu um sinal negativo com a cabeça – Tudo bem. Mas vou ficar aqui com você, caso você resolva se jogar em baixo de um carro, e para eu não entrar e não jogar minha irmã em baixo de um carro. – Falou meio engraçado.
chegou junto com , mas viram a expressão de e o sinal de que não era pra falar nada, por isso sentaram-se no meio fio da calçada e apenas trocavam olhares.
- Sabe o que eu não entendo? – Começou , depois de alguns dolorosos minutos em silêncio – Não havia motivo para ela fazer isso. Ela sempre me renegou, sempre me humilhou.
- Mas você sempre fez isso com ela também, dude. – precisou interromper o amigo.
- Sim, sempre fiz. Mas nunca atingi os sentimentos dela.
- Você que pensa. – pensou alto.
- Se atingi, ela nunca me disse nada! Pô, a gente se conhece há muito tempo, já tivemos o suficiente pra ela me dizer o que pensa! Mas não chegar a esse ponto! Sabe ela se eu não estava realmente gostando da Izzy?
- Você, em algum momento, já disse pra ela o que você pensa? Ou como você se sente? – perguntou, tentado defender a amiga.
- Já, , e muitas vezes. Vocês nunca souberam, mas nós já tivemos alguns bons momentos durante esses anos. Alguns que eu não preciso comentar, uma vez que o irmão dela está aqui. – soltou no ar e se intrigou – Enfim, alguns momentos que talvez nenhum de vocês reconhecessem a gente. E eles foram simplesmente maravilhosos. Duraram poucos, porque sempre que um de nós tentava uma reconciliação, o outro falava ou fazia alguma coisa pra estragar tudo. – Falava enquanto se perdia em pensamentos.
- ? Alou? Momentos, que momentos? – chamou atenção do garoto.
- Ham... Nada... Nada não. Quer saber, vou pra casa. Não quero mais falar dessa mala que é a sua irmã, . – sorriu falsamente e saiu, deixando seus amigos intrigados.
- Alguém entendeu? Porque eu não!
- Acho que foi por isso que ele foi pra casa, . – respondeu, rindo do amigo.
Depois de um silêncio maléfico se instalar entre os amigos, levantou-se e foi conversar com a irmã. Estava curioso para descobrir que momentos eram aqueles. Entrou no quarto e deparou-se com no colo de .
- Hey, , vamos ali um instante? – o chamou, piscando um olho para ele.
- Qual foi seu motivo? Por que? Qual a necessidade? Você não sabe o que fez com o , ele disse coisas estranhas lá em baixo, muito estranhas e.... – falava mas não estava ouvindo, ela ainda estava tentando entender sua atitude, como podia explicar para alguém? Só conseguia lembrar dos coquetéis, da loira e da expressão de . – e disse que vocês tiveram bons momentos, mas que ele não ia falar porque eu estava ali, do que ele estava falando, hein? , você está me ouvindo?
- Ouvindo eu tô, mas não tô prestando atenção. Mas me faz um favor? Muda de assunto que eu não quero mais falar nesse babaca. – disse com o olhar fixo no irmão, que parecia não entender nada e, como assunto nenhum parecia caber naquele momento, ele deu um beijo no topo da cabeça da irmã e saiu do quarto.
não sabia o que estava sentindo, não sabia explicar o por quê daquele sentimento. Ficava cogitando possibilidades para todas as reações e, de tanto pensar, adormeceu.

Atirado no sofá de seu apartamento com uma garrafa de cerveja na mão, não sabia porque estava tão magoado com a situação, afinal ‘Izzy era só mais uma’, pensou. Lembrou dos momentos que passaram juntos, um, em particular.

*Restart Flashback*

- Então sai de cima! – disse, colocando a mão no peito do garoto.
- Não. Eu não quero, você não quer. – respondeu sussurrando em seu ouvido, enquanto passava a mão delicadamente pelo corpo dela.
Sabiam que aquilo era errado. Na cabeça deles, pelo menos, era. Ou melhor, em um lado da cabeça deles, porque o outro queria aquilo, e muito, eles só não admitiam. Enquanto encostavam o rosto no do outro, as mãos passeavam pelos corpos livremente. Os olhos fechados comprovavam a tese de que ambos queriam. Entre uma carícia e outra, ouvia-se apenas a respiração deles. aproximou seu rosto ainda mais do dela.
- . – Sussurrou em tom de clemência.
- Shiiii. Não fala nada. – Respondeu no mesmo tom e encostou seus lábios nos dela, com sua língua pedindo licença para entrar. Foi um beijo longo, pausado, com necessidade um do outro. Aquele era o primeiro sinal de que algo estava errado entre eles. Seus lábios se separaram e os olhos se abriram para encarar o rosto do outro. Ficaram ali, em uma árdua troca de olhares. Em silêncio absoluto. Qualquer um que entrasse entrar naquela sala teria medo de dizer uma palavra. Ela sentia borboletas em seu estômago, sentiu seu ar ir embora e teimar em voltar. Ele sentiu como se tivesse descoberto ouro no porão de casa.

*End Flashback*

Capítulo 2

Um mês se passou e ninguém soube direito o que tinha acontecido. e simplesmente não se falavam mais. Tudo bem que isso era comum, muito comum, talvez. E além do mais, não estavam tendo a oportunidade, uma vez que as malditas provas finais dela estavam chegando. Dela e das amigas, por isso não tinham mais noitadas na casa de , nem nos bares. Os meninos se reuníam no apartamento de para compor e beber.
- Ah! Eu desisto disso! – jogou o caderno longe – Eu não entendo nada de química!
- Sabe, eu só fico feliz com uma coisa nessa situação toda. – tirou os olhos do seu livro. – Depois das provas vem o baile! – Seus olhos brilhavam tanto quanto diamante ao falar do baile. Ia dar o que falar.
- Ok! Deixe o baile para depois da prova! – interrompeu a felicidade da amiga - Vem cá que eu te ensino química orgânica, . [n/a: HAHAHAH! PELO MENOS NA FIC EU TENHO QUE SER ESTUDIOSA]
Elas estavam estudando bastante, e tinham ‘se mudado’ pra casa de pra poderem estudar com mais calma. Afinal, nenhuma delas queria pegar provão e ter que estudar nas férias! Elas queriam era se livrar mesmo daquilo logo! Apesar de bem concentrada nos estudos, sempre pensava em coisas que não queria, digo, em alguém que não queria.

- A-C-A-B-O-U! – saiu gritando do colégio e jogando suas folhas pro ar.
- Sua louca! Você nem sabe se passou ainda!
- XÔXÔXÔXÔ com essa frase pra lá! Eu passei sim, tá dona !
- Preciso de um banho de piscina! Preciso ver gente! Preciso sair! Preciso do BAAAAAAAILEEEE! – cantarolou a última palavra – Mas antes, vamos juntar as folhas que a tansa jogou no chão antes que o coordenador resolva nos deixar na detenção por “sujar as dependências da escola”. – concluiu debochando.

As três estavam sentadas no pátio aguardando o portão abrir pra elas, finalmente, irem embora da escola. Estavam muito felizes, falavam alto, riam, gesticulavam, nada impediria aquela felicidade. No dia seguinte era o tão esperado evento, e elas esperavam mais por ele do que pelo príncipe encantado de suas vidas. Ok, nem tanto assim.
- Hey, ham, meninas... – passava a mão pelos cabelos, visivelmente nervoso.
- ziiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho. – pulou nos braços do amigo, já imaginando seu nervosismo.
deu um beijo e sussurrou em seu ouvido.
– Eu quero convidar a pro baile, será que ela aceita? – A amiga deu um sorrisinho e não respondeu nada.
- , eu quero te mostrar meu vestido, preciso de uma opinião sobre a sandália. – disse, piscando para e já puxando a outra, que não estava entendendo nada. fez cara de ofendida mas, logo viu o rapaz sentar ao seu lado e imaginou a armação.
- Ham...er... eu estava pensando, sabe...
- Você pensa, ? - o interrompeu em uma vã tentativa de espantar o nervosismo.
- Penso sim, ta! E pra provar, eu pensei uma coisa muito genial. – Abriu um sorrisão. – Eu não... er.... não tenho par para o baile amanhã... e... hum... não vi você falar nada sobre nenhum outro garoto, e ....
- , direto ao ponto, por favor. – Era estraga prazeres demais para o romantismo do cara.
- Você quer ir ao baile comigo amanhã? – Ele respondeu disparado e de olhos fechados. Ao não obter resposta, fez beiço, e ao abrir os olhos recebeu um beijinho na bochecha e viu a garota levantar e ir embora – Vou considerar isso um sim! – Gritou, vendo-a se afastar. Ficou mais um tempo sentado ali, sem acreditar, até que seu celular vibrou no bolso.

‘Às oito amanhã,
Não se atrase!
xx


- Alô? – atendeu ao telefone de casa. – Mãe! Que saudade! Como está tudo aí no Brasil? Ahm... sim.... claro, eu aviso! Nossa, que bom! Eles se amam tanto né? Pra quando? Ok. Vocês vêm uma semana antes? Certo! Vou arrumar a casa então. – disse, engraçado - Ok, mãe, tenho que ir, vou ao baile de formatura da . Beijo. Te Amo. – desligou e saiu para buscar Poulet, sua, er... acompanhante.
- Vaaaaamos, dude! Que lerdeza toda é essa? – já estava impaciente, andando de um lado para o outro. Faltava só os dois. já tinha ido buscar Kathlin, sua nova peguete. E , Poulet. – Eu ainda tenho que pegar a na casa da e a Izzy mora do outro lado da cidade, dude!
- Calma cara, são sete e quinze! – desceu as escadas e, ao chegar perto do amigo, disse - Assim você vai estragar tudo! – Deu tapinhas no ombro do amigo e continuou a se arrumar.

As três estavam se arrumando na casa de e quando o celular de começou a tocar : “Cause you're hot then you're cold , You're yes then you're no, You're in and you're out, You're up and you're down” . Ela dançava até que resolveu atender.
- AAALÔÔÔ? – cantaroulou . – Hu? Quanto tempo? Ok? Sabe onde é, né? Ok. Estarei pronta. – desligou e olhou para as amigas com uma cara estranha – O Jason. Ele disse que vai se atrasar. Todo esse vestido vermelho curtérrimo, essa sandália altíssima, pra ele se atrasar? Fala sério! - Sentou na cama emburrada, observando as outras terminarem.
- Então, , você vai mesmo com o carinha da outra turma? – perguntou, depois de alguns minutos, sentando na cama para calçar a sandália.
- O ‘carinha’ – deu ênfase na palavra - Chama-se Steve. – Falou, olhando sua imagem no espelho – E sim. Eu vou. - Encostou-se no batente da porta e disse com cara triste – Ele foi o único que me convidou. E além do mais... – continuou indo em direção ao banheiro novamente – Eu não ia ficar de vela a noite inteira, não é mesmo? - Deu uma pausa para respirar e concluir a maquiagem – Estou pronta. Vamos descer e esperar lá em baixo no jardim?
Assim que fecharam a porta da frente encontraram Jason esperando , que entrou no carro dele e se foi. Steve estacionou em frente à casa logo em seguida, mas não ia deixar esperando sozinha, então ficou ali com ela enquanto o rapaz esperava dentro do carro.

- , aquela ali... é ... a ? - apontou ao ver a garota na frente da casa com , conversando encostadas em um carro.
- Hum... é ... acho que é sim... U A U! - O amigo respondeu e levou um tapa na cabeça – Doeu, dude! – mudou sua expressão e saiu do carro para encontrar as meninas.
- Vocês estão demais! – disse olhando e . Deu um beijo na amiga e a viu entrar no outro carro – Vamos? – Olhou para , estendendo seu braço para que ela o pegasse. Estava boquiaberto. A menina usava um vestidinho tomara- que –caia lilás um pouco acima do joelho com uma sandália prata, e estava incrivelmente linda! ‘tomara que caia’ pensou, e riu do próprio pensamento.
- Fala, . – cumprimentou o outro que estava no carro.
- Onde ela foi? – Ignorou a fala da amiga e disparou contra ela, com cara de espanto.
- Pro mesmo lugar que nós, ué. – Ela respondeu, ríspida.
- Quem era naquele carro?
- Não te interessa, , agora vamos de uma vez!
Ficaram em silêncio absoluto até que ela o cortou ao meio.
, onde estamos indo? O baile é para o outro lado.
- Vamos buscar Izzy. – falou receoso.
- COMO ASSIM? , eu não acredito.... – Ela o repreendeu, e ele baixou a cabeça sem responder nada.

Assim que chegaram, avistaram , e suas respectivas acompanhantes em uma mesa no meio do salão e juntaram-se a eles. As meninas pareciam ter um assunto muito interessante, por sinal, enquanto os dois olhavam a mulherada do local - discretamente, é claro. O salão estava iluminado apenas por luzes suspensas em tons de lilás, roxo e azul. No teto haviam malhas esticadas em forma de desenhos bonitinhos, dando um ar pueril e agradável ao ambiente. Do lado de fora havia um jardim imenso com uma grama tão verde (?) onde almofadas e pufes estavam acomodados. As músicas que tocavam estavam agitando o baile, poucas eram as pessoas sentadas.
- , cadê a sua irmã? – perguntou, olhando para a porta.
- Ué, e eu que vou saber? Ela é grandinha, sabe? – respondeu, já sem saco de ouvir essa pergunta – Desencana , , cuida da sua garota aí.
- Ela te falou com quem ela... – ignorou a resposta do outro, mas nem terminou a frase porque viu a garota entrando de mãos dadas com um cara. Estava com um vestido curto, preto de alcinhas, simples, mas linda.
- Olá! – Disse, sentando-se ao lado do rapaz na mesma mesa que os amigos – Esse é o Steve.
Todos o cumprimentaram e continuaram a conversar. ainda não havia notado a presença de Izzy na mesa, até que lançou um olhar em direção à garota. Sentiu suas pernas tremerem. Não sabia porquê, mas sabia que não ficaria ali muito tempo – Ste, vamos dançar?
O baile continuava animado, pelo menos pra maioria das pessoas. Tinha gente se pegando, tinha gente dançando, tinha gente bebendo, mas também tinha gente sentado com cara de bunda. Nesse caso, era uma mesa em especial, onde só estavam , , , , e .
- Vou procurar Jason. – se levantou e foi saindo, seguida por . - E eu Poulet. – Sorriu ao lado da garota.
Depois de andarem por todo o lado de dentro da festa e perguntarem para todos os conhecidos, resolveram ir para o jardim, onde os enxergaram conversando. Mas quando aproximaram-se puderam ouvir Jason falar.
– Eu não gosto dos amigos dela, sabe? Eles são muito idiotas. Aquele então,... Ops... esqueci que ele é seu namorado. – Jason deu uma risada abafada e a garota respondeu.
- Namorado? Hahahaha! é o tipo escadaria, sabe? Ascensão? Ele é o tipo de cara que as garotas só ficam pra elevar seu status. Ele é bonitinho, os amigos dele também são e eles tem uma banda, né? – Riu vitoriosa.
e se entreolharam, incrédulos do que ouviam. Ela ia partir pra cima de Jason quando a puxou em direção à festa novamente, e parou somente quando encontrou a pista de dança, a abraçando e começando a dançar sem nem ao menos perguntar se ela queria. A garota estava sem entender nada, mas, no fim, nem queria entender mesmo. Quando deram por si estavam com seus lábios mais que colados.
- , olha lá! – , que até então estava agarrado a Izzy, apontou para a pista.
- ÓUM! Eu sempre soube! Eu sempre soube disso! Quando a souber ela vai pular e gritar dizendo que sabia! – ia dizendo, mas ninguém a escutava, a não ser , que ria da situação e beijava o pescoço da garota.
- Bom, já venho, Izzy. – disse, se desfazendo dos braços dela, que fazia bico.

já tinha bebido demais. Steve estava ao seu lado tentando, inutilmente, fazê-la parar de beber. estava voltando do banheiro quando viu a cena e foi averiguar.
- Hey Steve, porque você está com essa cara? – chegou, dando dois tapinhas no ombro do cara.
- Ham... Eu me afastei por um minuto, e quando voltei encontrei-a aqui no bar, íntima do garçom e, segundo ele, já perdeu as contas de quantos desses ela tomou. – Disse, apontando para um copo com um líquido transparente, que, pelo estado dela, não era água.
coçou a cabeça e depois de pensar, disse:
- Steve, pode deixar comigo agora então, eu a conheço desde criança, sei o que vai fazer isso passar. - Na verdade ele nunca a tinha visto daquele jeito. A única vez que chegou perto disso foi o dia do pub, mas ela estava ‘alegre’ e não assim, quase em transe. Não tinha idéia do que fazer. E Steve menos ainda.
- Bom, então você a leva pra casa? Ok. Diz que eu ligo pra ela amanhã pra saber como ela está. – Steve deu beijo na bochecha da menina e saiu.
- Aham, pode deixar que eu não vou avisar. – O outro disse, ainda sorrindo, quando o rapaz já estava longe.
tentou conversar com , mas ela não dizia coisa com coisa e pedia insistentemente outro copo daquele ‘líquido bom’. Se a visse naquele estado a mataria assim que ela estivesse sóbria, e mataria Steve por tê-la deixado beber. Então, levou-a para fora discretamente e ligou para o celular de , pedindo para este encontrá-lo.
- , ham... eu não posso deixar o vê-la assim. Me empresta seu carro pra eu levá-la pra minha casa. – dizia confuso, passava a mãos nos cabelos enquanto olhava a garota sentada num banco balançando as pernas como criança e murmurando algumas coisas. mais que imediatamente jogou as chaves pro amigo e ajudou-o a colocá-la no carro.
– Só não deixa ela vomitar, dude!
- Cala a boca, ! – deu um pedala no amigo e disse, antes de partir: – Avisa a e não deixa o saber.

entrou com no colo, colocou-a no sofá e sentou-se a sua frente, pensando no que faria com aquela menina.
- Porque você levou ela? – levantou a cabeça na mesma hora ao ouvir a garota se pronunciar de forma enrolada por causa da bebida.
- Vem, vou te dar um banho pra ver se passa. - Ele a pegou novamente no colo e a colocou em baixo do chuveiro, ligando a água gelada enquanto ela gritava – Sai, seu idiota! Tá gelada!
- Ninguém mandou beber! Agora vai tomar banho gelado! – dizia, enquanto a segurava com força e observava seu corpo todo molhado com aquele vestido preto colado. Abanou o ar, tentando afastar aqueles pensamentos, e desligou o chuveiro.
Levou para seu quarto, tirou o vestido que ela usava e ia a secando delicadamente. Aquele corpo... Pegou uma camiseta e uma boxer no armário e a vestiu. Colocou a garota na sua cama e cobriu-a com carinho. Ficou sentado na cama, olhando-a fechar os olhos de vagar. Deu um beijo na sua testa e sussurrou:
– Doidinha!
Quando estava levantando para sair do quarto, ela o chamou.
- ?
- Oi, princesa? – Respondeu, sentando-se novamente na cama.
- Eu te amo. – Ela disse de olhos fechados, e ele sentiu uma pontada no peito.
- Eu também! – ele acariciou o rosto dela – Agora dorme. – terminou, falando mais baixinho.
Saiu do quarto e se atirou no sofá. Mas que diabos estava acontecendo? estava na sua cama, bêbada, e dizendo que o amava. E pior! Ele a chamou de princesa e disse que também a amava! Por que aquela sensação estranha surgiu? E por que ela tinha que ser tão bonita? Até ontem eles se implicavam, brigavam, por que isso agora?
Os pensamentos de foram interrompidos pelo toque de seu celular.

‘Ela está bem?
O tá tendo um faniquito querendo saber onde ela está!
Dê noticias.
xx

respondeu a mensagem, tirou a roupa que estava, vestiu apenas uma boxer e jogou-se no sofá, assistindo um filme qualquer. Estava incrédulo com o que estava acontecendo. Acabou por adormecer.

Era madrugada alta quando um barulho vindo da cozinha o acordou. Foi até lá e viu sentada na bancada do armário com um copo na mão.
- Desculpe, te acordei, né?! – Disse ela, falando baixinho, e viu ele fazer uma cara estranha.
- Você está se sentindo bem? – se encostou na porta enquanto observava a garota de cabeça baixa.
- Minha cabeça dói. Que horas são?
- Cinco e meia, eu acho.
- O que eu estava fazendo na sua cama? Er... Vestida assim?
- Você não lembra? – perguntou, chegando mais perto dela, e a viu balançar a cabeça em sinal negativo – De nada? – Ela negou novamente.
Estavam perigosamente perto agora. Ela ainda estava sentada na bancada e ele estava em pé, no meio de suas pernas. O nariz de passeava pela bochecha dela e a fazia sorrir. Ela passava as mãos pelos cabelos do garoto. Seus lábios se encostaram e a língua de pediu passagem. Era um beijo doce, calmo. Ele fazia carinho em suas costas, até que ela desceu a mão até a barra da boxer que ele estava e ficou brincando com o elástico, deixando o garoto ainda mais excitado.
- ... – cortou o beijo, já ofegante, e a olhou com cara de espanto.
- Eu quero, . Eu preciso de você. – Disse ela, ao pé do ouvido do garoto, e voltou a beijá-lo. então a pegou pela cintura e a levou para o quarto, deitando-a delicadamente na cama e ficando em cima dela. Continuaram a se beijar, desta vez com mais vontade, mais voracidade. Eles estavam tão fundidos um no outro que não havia espaço nenhum entre eles. Nada os separaria naquele momento. Ele levantou a camiseta que ela vestia e a jogou no chão, passou a beijar seu colo com carinho e vontade. Foi descendo a mão até a boxer e a deixou completamente nua. Ela não pensou duas vezes e fez o mesmo com a dele.
– Estamos quites. – Disse ofegante no ouvido do garoto, fazendo-o pirar. Cada toque dele a fazia arrepiar. Chegaram ao ápice juntos, e a felicidade explodia dentro de ambos.

acordou sozinho na cama. Procurou por todo o apartamento, mas não a achou. Viu que na porta havia um bilhete.

“Fui pra casa para o não pirar.
Preferi não acordar você.
Obs: Foi a melhor noite da minha vida.”


Capítulo 3

Para , tinha sumido com Steve. Somente e souberam do ocorrido, mas sem os detalhes e o fato principal, é claro. e não haviam se falado, um clima estranho tinha se instalado entre eles. Estavam confusos e felizes, era a chance que tinham de se acertar por vez. Mas não foi o que aconteceu.
tinha contado para a irmã da ligação da mãe. Ava, a tia deles, iria se casar e a festa seria em sua casa. As semanas passaram rápido até o dia em que as garotas descobriram que foram aceitas na mesma faculdade. Aquele era um ótimo motivo para eles comemorarem. Todos foram ao Trix Pub para celebrar a nova fase.
- Hoje não vou beber! – disse, fazendo os amigos rirem.
- Eu não vou deixar! – O irmão respondeu, dando um gole na quinta cerveja!
- Um brinde! – convocou os amigos – Um brinde à nossa amizade!
Todos brindaram, gritaram e foram dançar.
- Hey, a gente pode conversar? – Sentiu uma voz sussurrar em seu ouvido.
- Hum...a... er.... acho que sim.
e sentaram-se numa mesa no canto escuro do Pub e ele começou.
- Por que você fugiu de mim?
- Eu? Quando?
- Aquela noite? Da minha casa? Eu acordei depois de uma noite linda e não te encontrei.
- Eu não fugi. Eu só fui embora pro meu irmão não ter um troço.
- Hum... E durante esse mês todo? Por que não falou comigo? – Ele perguntou, olhando nos olhos dela.
- Eu... Eu não sei. – respondeu sem olhá-lo – Eu estou confusa.
- Então é isso? - Ele disse, levantando um pouco a voz. – A gente passa uma noite maravilhosa juntos, você some no dia seguinte, passa um mês sem falar comigo e agora me diz que está confusa? Se você estava confusa, por que não veio conversar comigo?
- Desculpa. – Ela baixou a cabeça e ficou sem reação nenhuma.
- Então é só isso que você tem pra me dizer? – Ele perguntou, e quando viu a garota afirmar com a cabeça, levantou e saiu.
‘Ele é de lua’ pensou triste. Após algumas latinhas de refrigerante ela precisava ir ao banheiro. Deu uma ajeitada no cabelo, se olhou no espelho e saiu. Ao passar pelo bar, ouviu uma voz conhecida e olhou. Deparou-se com jogando charme para uma garota. Ficou paralisada, olhando fixamente, até que ele a notou.
- ! –Ela apenas o olhava com tristeza e, sem saber o que fazer, saiu do bar e foi pra casa.
entrou no quarto procurando por . Ouviu o barulho do chuveiro e resolveu esperar. Sentou na cama e ficou observando o quarto da garota, quando viu uma foto estranha e antiga, da qual ele não lembrava, no mural da garota. Foi até lá para ter certeza, para ver melhor. Na foto estava ele segurando no colo, estavam muito felizes, pelo menos pareciam. Ela estava agarrada ao pescoço dele e ele estava usando uma bermuda vermelha que ela tinha lhe dado. Sim, agora sim ele lembrava bem daquele dia. Tinha sido um dos únicos dias da vida deles que viveram as vinte e quatro horas em paz e ‘de bem’.
- ! Sai do meu quarto agora! Sua mãe não te deu educação nenhuma? – Estava apenas enrolada na toalha e com os cabelos molhados soltos pelo colo.
ficou sem reação nenhuma, ficou apenas observando as pernas desnudas da garota. Ouvia-a gritar e esbravejar, mas não conseguia desviar os olhos do corpo dela , ‘aquela toalha parecia tão grande, poderia cair e..’
- , eu estou falando com você! Tá me ouvindo? – Tirou-o de seu transe.
- Ham... er – Passou as mãos pelos cabelos em sinal de nervosismo, não sabia o que dizer, nem porque estava ali, e muito menos lembrava-se da sua fúria.
- Se não tem nada pra me dizer, dá licença que eu quero me vestir. – Disse, apontando a porta e indo em direção ao roupeiro.
- Não! É que... eu vim falar com você. Sobre... – Não sabia o que dizer, mas não queria ir embora dali. Sentou na cama da garota com a foto deles na mão – Lembra desse dia? – Perguntou nostálgico olhando para a foto – A gente estava tão feliz.
- , eu não tô te reconhecendo! Há meia hora você estava com outra garota, e agora tá aí, falando do passado, todo estranho. – estava meio confusa.
- Você lembra? – perguntou novamente.
- Lembro, . – respondeu sem perceber que um sorriso surgia em seus lábios – Fui eu quem te deu essa bermuda. – Sentou-se ao lado do garoto – Depois que o tirou a foto você me atirou na piscina. – Riu ao lembrar – Mas porque você está aqui? – Perguntou, mudando o assunto.
largou a foto em cima do criado mudo ao lado da cama e respondeu-lhe sério.
- Eu vim pra perguntar uma coisa. Na verdade pra ouvir de você, pra ouvir você me dizer o porquê de tudo isso. Cada vez que eu me decido, você atrapalha? Você disse que estava confusa e eu decidi te deixar de vez, então.
- E o que eu fiz dessa vez? Heim? Eu não fiz absolutamente nada!
- Dessa vez bastou seu olhar. – baixou os olhos e falou baixinho.
- , não estou te entendendo. A gente passou uma noite linda. Foi a melhor noite da minha vida. Foi a primeira. – Fitou o chão – É normal que eu fique confusa. Eu sou confusa!
- Pri... pri... primeira? – perguntou, boquiaberto.
- Ué, por que o espanto?
-É que você sempre andou com muito meninos e... sempre tinha namorado.... – Disse, tentando explicar mais para si mesmo do que para a garota.
- E? Sim, eu sempre estava ‘andando’ com alguém! Mas eu nunca estava ‘dando’. Pra você ver, né , como funcionam as coisas. Você sempre tirando conclusões precipitadas, nunca dando valor.
- Eu posso mudar! Eu juro que eu dou meu melhor para mudar! – Falou, segurando com força os braços da garota, fazendo com que ela ficasse bem próxima dele. – Eu te juro!
- Não importa, , nada vai ser normal entre a gente! Nunca! Agora sai do meu quarto!
Antes de sair, a olhou nos olhos e desabafou, decepcionado.
– Eu tentei! Você consegue transformar as coisas! Esse era pra ser um momento legal e de reconciliação.
Ao ouvir a porta bater, se atirou na cama e começou a chorar. Não deu dez minutos e o irmão entrou no quarto.
- Mana?
- , sai daqui! Quero ficar sozinha. – Respondeu sem tirar a cara do travesseiro.
- Ok, mas.. você não recebeu o de toalha, né, ?
- , eu não recebi ele assim! Eu saí do banho e ele já estava aqui bisbilhotando minhas coisas. Agora sai.
apenas concordou, deu um beijo na testa da irmã e saiu do quarto. Ela nunca falava com ele daquela maneira. Mais tarde conversaria com ela, quando os ânimos se acalmassem. Pelo modo como saiu da casa, a conversa não devia ter sido muito animadora.
adormeceu chorando. Estava triste. Aquele era pra ser um momento feliz e ela estragou tudo! Teve um pesadelo ruim e acordou no meio da noite. Assustada, ela levantou para ir até a cozinha e pegar um copo de água, mas ao levantar viu um papel no chão, deviam ter posto por baixo da porta.

‘Eu nunca quis que tudo terminasse desse jeito,
Mas você tem um gênio!
Eu jurei pra você que eu faria meu melhor para mudar, e você disse que não importava.
Agora eu te vejo por um outro ponto de vista.
Pra falar a verdade, eu não sei por que diabos me apaixonei por você.
E eu nunca desejaria para alguém se sentir do jeito que eu me sinto.

Quando te procurei no bar, queria te contar que fui convidado para trabalhar como produtor de uma banda em New York. Eu estava disposto a esquecer isso e ficar aqui com você.

Que consegue transformar o céu mais azul em cinza. Será um sinal do Céu, me mostrando o caminho? Isso era mesmo pra acontecer?
Pode ter certeza, Eu estou melhor sem você. Agora eu sei.
E não ouse tentar fazer tudo dar certo,
Porque eu estarei pronto para brigar, é.’

reconheceu a caligrafia de naquele bilhete e entrou em pânico. O que ela tinha feito? E porque diabos ele foi pra NY? Voltou para a cama, pegou o celular e ligou para , iria pedir desculpas. ‘E não ouse tentar fazer tudo dar certo’, lembrou. Deixou chamar mesmo assim. Mas ele não a atendeu. Encostou-se na parede e escorregou por ela até chegar no chão. Sim, mais uma vez ela tinha estragado tudo!
estava sentada na cama, segurando um pedaço de papel e uma foto em suas mãos. Olhava fixamente para a foto e para o papel, lia e deixava as lágrimas escorrerem por seu rosto livremente, olhava para a foto novamente e balançava a cabeça, ‘como pude deixar chegar a esse ponto?’ perguntava a si mesmo enquanto ali, na sua frente, lia o bilhete escrito por antes de partir. Ligou o rádio em uma estação qualquer. Pegou aquela caixa que guardava em baixo da cama, caixa esta que ninguém sabia da existência, nem de seu conteúdo. Sentou-se no tapete com a caixa entre as pernas. Hesitou em tirar a tampa, fechou os olhos e uma lágrima caiu, novamente. Por fim, acabou por tirá-la. Um cheiro estranho tomou conta do ar. Sim, aquele era o cheiro do perfume de . Tirou um pedaço de pano branco com esse cheiro. ‘esse pedaço foi uma camiseta, um dia.’ Sorriu ao lembrar como aquilo foi parar ali. Olhou um bolinho de fotos, pegou e foi analisando uma por uma. Como, por tanto tempo, pôde esconder de si mesmo a verdade que estava bem a sua frente? Como conseguiu esconder dele? A maioria das fotos era dos dois, algumas eram da galera, mas em todas estavam os dois, e sempre felizes. Isso não significa dizer que estavam bem um com o outro, mas estavam felizes, um ao lado do outro, se é que entende o que quero dizer. Entre duas fotos encontrou uma flor seca e chorou compulsivamente ao lembrar daquele último dia de aula da sexta série.

*Start Flashback*

- Ei! Sah! Espera! – Gritava , correndo atrás da garota – Me desculpa. – Disse ao alcançá-la.
- Você acabou de me humilhar na frente de todos os meus amigos, ! Como posso te desculpar?
- Assim. – baixou a cabeça e estendeu a mão com uma pequena florzinha branca que encontrara pelo caminho. – Assim você me perdoa?
Sem responder nada, a menina só pegou a flor, deu um beijinho rápido no rosto dele e foi embora. Ele sorriu satisfeito e voltou para junto dos amigos.

*End Flashback*

Fechou a caixa e a colocou no lugar, embaixo da cama. Ficou ali, de olhos fechados, sentada no tapete lilás, agarrada nas pernas, com a cabeça na parede e chorando. Era muito difícil descobrir aquele sentimento que ficou mascarado por tantos anos. Mas era muito mais difícil que admitir aquele sentimento.
Ouviu baterem na porta, mas preferiu não abrir os olhos, continuou ali, na mesma posição.
- Vai ficar aí pra sempre? – entrou no quarto da irmã e sentou na sua frente, mas não respondeu nem abriu os olhos – Você precisa continuar a vida! Não é porque ele foi embora que você precisa morrer, ou se trancar num quarto, ou virar freira e fazer voto de castidade.
- , - começou, sem mover um músculo – você não tem condições de dizer o que eu devo ou não fazer, nem eu tenho condições de sair daqui. – pausa dramática – Então me deixa aqui quietinha que quando der fome eu desço pra comer, quando eu começar a feder, eu vou tomar um banho, e quando, por fim, eu tiver vontade de recomeçar, eu volto pra vida, ok? – Falou a última frase em tom de deboche. O irmão apenas levantou e, antes de sair do quarto, disse – Lembre-se que a mamãe e o papai chegam depois de amanhã. Não seria legal eles chegarem e ver você assim. Ah, a mandou avisar que as aulas na faculdade começam amanhã.
O irmão tinha razão, seus pais não poderiam ver ela daquele jeito. Iria sair do quarto. Mas não ia ser hoje. Depois de muito tempo cansou daquela posição, levantou-se, tomou um banho e foi deitar. Há alguns dias ela não sabia o que era comida de verdade, vivia da comida que, eventualmente, alguém misteriosamente deixava na porta de seu quarto. Mas não estava nem aí para comida ou para qualquer outra coisa. Ela só se arrependia de tudo que tinha feito durante tanto tempo. “Você faz o céu mais azul se transformar em cinza”, lembrava da frase e pensava o quão ruim ela poderia ter sido. “Eu jurei para você que eu faria o meu melhor pra mudar”, ele realmente iria mudar? E porque ele mudaria? Fazia muitas perguntas para si e não respondia nenhuma delas. Deitada, olhando para o teto, começou a cantar baixinho a música que tocava no rádio.

‘my spirit's sleeping somewhere cold’
(Meu espirito dorme em algum lugar frio,)
‘until you find it there and lead it back home.’
(até que você o encontre e o leve de volta pra casa.)
Now that I know what I'm without
(Agora que eu sei o que eu não tenho)
you can't just leave me.
(Você não pode simplesmente me deixar.)


Não conseguia acostumar-se com aquilo. Descobriu que gostava de alguém no momento em que ficou sem ele.

All of this time
(Todo esse tempo)
I can't believe I couldn't see
(Eu não consigo acreditar que eu não pude ver)
Kept in the dark
(Me mantive no escuro)
but you were there in front of me
(mas você estava lá na minha frente)
I've been sleeping a one thousand years it seems.
(Eu tenho dormido há 1000 anos, parece.)


Era incrível como a música podia entrar em sua mente e traduzir o que estava lá dentro.

Don't let me die here
(Não me deixe morrer aqui)
There must be something more
(Deve haver algo a mais.)
Bring me to life.
(Traga-me para a vida)
I've been living a lie
(Eu tenho vivido uma mentira)
There's nothing inside
(Não há nada lá dentro)
Bring me to life.
(traga-me para a vida)


Era como se a Amy Lee cantasse os sentimentos de . Adormeceu antes da música acabar.
No dia seguinte levantou-se e tomou banho. Decidiu descer e tomar café com o irmão.
- Bom dia. – Ela disse ao vê-lo sentado na cozinha.
- Hey! Que bom que você desceu. Voce não está com uma cara muito boa! – Ele disse, e a irmã fez uma careta.
- É... não estou me sentindo muito bem... Estou meio enjoada.
– E nem deveria estar se sentindo bem. Depois de quase um mês trancada no quarto...
- ! - Ela o repreendeu.
- Sorry. – Disse ele, dando um beijo na testa dela.
- Ai! Acho que nem vou na aula. – Disse, abaixando a cabeça.
- Claro que vai sim! Vou ligar pra vir te buscar.
Nem deu tempo da irmã responder e ele já tinha saído da cozinha. Então ela tomou um copo de leite e subiu para pegar a bolsa. Estava ansiosa, mas ao mesmo tempo queria ficar em casa. Já tinha sido muito difícil sair do quarto.
- A chegou - disse , sentando na cama da irmã. – O que é isso? – pegou o bilhete de e começou a ler. – Então foi por isso que você se trancou aqui?
Ao observar o olhar incrédulo do irmão, ela apenas baixou a cabeça e saiu.
- Você resolveu sair do quarto! – disse, abraçando a amiga.
- Hey! – respondeu, cabisbaixa.
- Ih! Que cara, você está bem?
- Só estou um pouco enjoada. Mas vamos antes que eu desista.
O caminho que percorreram até a faculdade foi feito em completo silêncio e, ao chegar no campus da faculdade, cada uma foi pra o seu prédio.
queria falar com . Ligou para o celular dele antes de entrar na sala, mas mais uma vez ele não atendeu.
- DROGA! – gritou antes de entrar na sala. Nada de útil. Aliás, que primeiro dia de aula em qualquer lugar do mundo tem alguma utilidade?
No intervalo das aulas, , e se encontraram para conversar. Contar da sua nova turma e blá blá blá. Antes de voltar, tentou mais uma vez falar com . Precisava ouvir a voz dele. Só que ele não atendeu. Sentiu aquele enjôo novamente. Foi até o banheiro para molhar o rosto, passou água na nuca, mas nada que aliviasse aquela sensação ruim. Estava mais branca que papel. Viu que não faria sentido ficar ali, já que não ia prestar atenção em nada que fosse dito na aula, então resolveu ir para casa.

Capítulo 4

- Alô? – atendeu a ligação daquele número desconhecido com péssima vontade.
- Sr. ? – Dizia uma voz feminina também desconhecida.
- Sim, quem fala?
- Meu nome é Mariah e eu sou paramédica. – Dizia a mulher calmamente, deixando o garoto assustado – Você conhece uma garota , de pele e cabelos ... – Ela começou a descrever, e caiu sentado, imaginando o que estava por vir.
- . – Murmurou.
- Oi? – Mariah perguntou – O que o Sr. disse?
- Essa garota... ela tem uma tatuagem de estrela com um F, dentro? – Ele perguntou, torcendo para que ela dissesse não, mas pra sua infelicidade ela disse que sim – . É o nome dela.
- Bom, Sr., alguém a encontrou desmaiada na rua e ligou para emergência. Como ela está sem documentos, ligamos para a última pessoa pra quem ela ligou, o senhor. Estamos a caminho do hospital, poderia avisar algum familiar?
- O QUE? – gritou, entrando em pânico – Desmaiada? Pra que hospital estão levando ela?
- Saint Francisco. – respondeu a moça.
- Sim. Obrigada. – desligou apavorado, como assim desmaiada no meio da rua?

- ! ! Cadê a ? – gritava no telefone, ainda tinha alguma esperança de que fosse um engano.
- ? – perguntou, estranhando a ligação do amigo - Ela foi pra faculdade. – respondeu, afastando o aparelho do ouvido tamanho o grito do amigo. – Por...
- VAI PRO SAINT FRANCISO AGORA! AGORA, !– desligou o telefone, deixando o amigo preocupado.
entrou no carro e foi para o hospital. No caminho, ligou para para ele ir pra lá também.
- Eu procuro por . – Disse , chegando à recepção do hospital.
- Deixe-me ver, senhor. – uma senhora já de bastante idade respondeu - Hum... Sim... Sim... É, uma garota deu entrada hoje, trazida pelos paramédicos, Mariah disse que o nome dela é .
- Paramédicos? Mariah? – perguntava, confuso.
- Sim, ela está lá dentro, aguarde um minuto, por favor. Assim que ela vier lhe explica, senhor. Enquanto isso, será necessário preencher essa ficha de entrada no hospital.
O relógio parecia andar para trás, a tal da médica demorava demais. Viu chegar e sentar ao seu lado com cara de ponto de interrogação.
- Só sei que ela chegou aqui trazida por paramédicos. – ia dizendo para quando seu celular tocou – Oi? ? Hum... Sim.. sei... , é que ela... tá aqui no hospital... eu não sei o que houve... o me ligou e me mandou vir pra cá. Sim... te espero. – desligou.
- O ?
- É , o ! – viu uma moça de jaleco passando e foi atrás dela.
– Ei! Ei! Enfermeira. – chamou.
- Sim?
- Eu quero ver minha irmã! – Ele disse desesperado – Eu estou aqui há mais de duas horas esperando!
- Vou ver o que posso fazer. – A moça entrou em uma sala e voltou logo em seguida – Sr..?
- . .
- Ok. Sr. , ela está sob medicação agora. Ainda não descobrimos o motivo do desmaio. Não poderá vê-la agora. Amanhã pela manhã creio que ela estará bem para recebê-lo. – A enfermeira informou e deixou desnorteado – Por que não vai para casa descansar?
Por que diabos enfermeiras e médicos sempre falam isso? Como se ir pra casa diminuiria a angustia pra ver a irmã. Vã esperança! Era óbvio que ele não arredaria o pé dali!
- ! – e vieram correndo em direção a ele – O que houve?
- Encontraram-na desmaiada na rua, ligaram pro , ele me ligou e eu estou aqui, esperando pra entrar. Mas a enfermeira disse que só vou poder amanhã. – sentou e apoiou a mão na cabeça. A noite seria longa.
- Pro ? – As duas amigas perguntaram em coro.
- É. – fez uma cara esquisita – Eu também não entendi.
- , você vai fazer um buraco no chão!
- A tem razão, dude, para de andar pra lá e pra cá que tá até fazendo vento na gente!

Assim que amanheceu, uma enfermeira veio chamar para ver a irmã.
- ! – ele entrou no quarto, sorrindo ao vê-la acordada – Como você está? O que aconteceu?
- Estou bem... eu acho. – Não conseguiu segurar o choro ao ver o irmão entrar no quarto. A enfermeira que estava ali saiu, deixando-os a sós.
- Você está chorando por que? – sentou ao lado da irmã e segurou sua mão.
- Hoje de manhã o médico trouxe meus exames e... – tentava ao máximo se controlar - ... desculpa! – Ela disse, já em soluços, e o irmão ficou sem entendeu nada – É que... eu... eu tô grávida. – Pensou se continuava e preferiu não esconder – Do . - Disse por fim, e deixou que o choro tomasse conta de si.
ficou sem reação nenhuma, não sabia o que dizer. A enfermeira voltou a entrar no quarto e disse, ao ver o estado da garota:
- Ela não pode se alterar, por favor. – Indicou a porta pedindo para sair. A única ação que teve foi apertar bem forte a mão da irmã. Deu um beijo em sua testa e foi em direção à porta.
- ! – chamou, antes que o irmão saísse, e ele voltou a olhá-la - Eu não quero que ninguém saiba, pelo menos por enquanto!
– Ok. Tudo vai ficar bem. Eu prometo. – A abraçou forte e saiu do quarto.
Foi andando pelo corredor do hospital sem saber como reagir. Ao encontrar os amigos, coçou a cabeça enquanto e o enchiam de perguntas. sentou e enfiou a cabeça entre as mãos, e disse sem ter certeza. – Ela... hum... ela está bem. Foi só um susto.
- Susto. Sei. – duvidou. – Quando ela sai daqui?
- Amanhã, eu acho.
Aquele dia estava passando muito devagar. não sabia o que diria aos pais quando eles chegassem. Sabia que ouviria que ele tinha sido um irresponsável, não tinha cuidado como deveria da irmã e blá blá blá. O médico de o chamou para explicar a situação.
- Boa tarde, Sr. , sente-se, por favor. – o médico apontou a cadeira de seu consultório – Sou o Dr. Gwinuve, sou o ginecologista de plantão. – apenas o olhava com um ar de medo – Sua irmã tem uma anemia muito forte para um primeiro mês de gestação. Como ela ainda é uma adolescente, peço-lhe que tome alguns cuidados na alimentação dela.
- Sim, senhor. Devo ter algum cuidado a mais?
- Bem, pra falar a verdade, não vi o namorado dela por aqui. – O Dr. Disse, pensativo. – Esse é o momento que o psicológico dela não pode atrapalhar, pode ser muito ruim pra ela e principalmente para o bebê.
ria por dentro, mas era um riso de nervoso. Despediu-se do médico e foi ao encontro dos amigos.
- Vamos pra casa. Passamos o dia todo aqui. Daqui a pouco eu volto, só vou para tomar um banho e trocar de roupa.
, que acabara de chegar, levou e para casa enquanto levava .
Ao entrar em casa, deparou-se com e Izzy sentados no sofá. Esqueceu que o amigo tinha uma cópia da chave.
-Hey, dude, como ela está? – disse, entrando na cozinha enquanto largava o copo na pia.
- Está bem. O disse que não foi nada, só um desmaio. E você? Como está?
-É... vou levando. Tenho uma coisa pra contar, mas não é o momento. – Disse, apontando a cabeça na direção da garota que estava no sofá.
- E o que ela ta fazendo aqui mesmo?
- Isso faz parte do que tenho pra contar.
- Hu. Ok, então. – deu de ombros. – Vou ver o , ele tava nervoso.
voltou para o sofá enquanto o amigo subia as escadas da casa. sequer tinha falado com ele.
- Dude, fecha a porta. – disse, sentando na cama. entrou no quarto e fez o que o outro pediu.
- Você tá bem? – Perguntou, fazendo uma careta ao ver a expressão triste do amigo.
- Senta aí. Eu preciso te contar. – não tinha certeza se contaria, mas precisava dividir com alguém – Eu sei que ela não vai se importar, você é o melhor amigo dela, e...
- Fala logo, ! – disse depois de um tempo que deu antes de falar.
- Ela ta grávida do ! – Estava realmente abalado – E ela não quer que ninguém saiba.
- E ele está aqui com a Izzy. – disse, como se completasse a frase do amigo – Ele disse que tem alguma coisa pra nos contar, mas que não é o momento e talz. – dizia, fazendo pouco caso.
- Vamos descer. Vou comer algo e voltar para o hospital. – disse, abrindo a porta do quarto e indo em direção à escada junto de . Ainda puderam ver Izzy pegando a bolsa de cima do sofá e saindo, avisando que não demoraria a voltar.

acordou ao ouvir a porta se abrir e alguém entrar no quarto. Estava tudo escuro, mas ainda assim pôde reconhecer Izzy parada ao pé da cama. Seria aquilo um pesadelo, ou quem sabe ainda estava sob efeito dos remédios?
- Então, querida, lembra de mim? – A voz da garota soava calma, era como se ela fosse uma amiga ou algo assim. Definitivamente, tinha que ser um pesadelo.
- O que você está fazendo aqui? Cadê o ?- apoiou-se nos cotovelos na cama para enxergar melhor a garota em sua frente. Mentalmente, rezava para que aquilo fosse apenas uma ilusão.
- Ih, calminha aí, meu bem. Você não pode se alterar, ou vai prejudicar esse bebê. – Izzy pousou a mão na barriga de , que sentiu vontade de voar na cabeça da loira à sua frente e arrancar todo aquele cabelo oxigenado. O que diabos ela estava fazendo ali? Como sabia da gravidez? É, aquilo não era um pesadelo.
- Tira a mão de mim! Vai embora! – Sua voz saiu de forma estridente, quase desesperada. Não podia ser verdade. De onde aquela garota havia saído? E o , ele não era louco o suficiente para ter contado isso a ela.
sentiu sua cabeça doer e levou uma das mãos até a testa em uma tentativa frustrada de que tudo voltasse ao normal, sem dor, sem Izzy.
- Hey, hey, hey. Parece que a garota inocente injustiçada que eu conheci no Trix não foi tão injustiçada assim... E certamente inocente você não é. – Izzy olhou diretamente para a barriga de e sorriu irônica.
A garota na cama já não aguentava mais tudo aquilo, com uma das mãos ainda sobre a testa e em uma voz fraca, ela disse – Vai embora, por favor...
- É claro que vou embora, não é como se eu gostasse da sua companhia... Mas antes eu preciso te dizer o porquê de eu estar aqui. – Izzy desta vez pareceu contida, até um pouco receosa.
- Ok. Fala logo e sai daqui. – se deu por vencida, só desejava que tudo aquilo acabasse logo.
Izzy levantou a mão direita e mostrou para a garota.
– Você sabe o que é isto? – ao ver a cara de ‘não faço questão’ da que estava deitada, ela continuou – É um anel de noivado, querida. Que o me deu. – Ela deu ênfase na última frase, falando de forma simples, como quem conta algo rotineiro.
- O QUE? – gritou. Aquela informação foi como um tapa na cara, um soco no estômago ou algo assim. Aquilo só podia ser palhaçada. Izzy só deveria estar almejando uma vaga no circo.
- Calma. É natural um homem assumir um relacionamento quando vai ser papai. – Dessa vez Izzy colocou a mão sobre sua própria barriga e continuou radiante – Eu estou grávida do . Vamos nos casar. Ele até comprou um apartamento em NY para morarmos juntos, sabia? – a loira falava de forma alegre e cínica, enquanto a olhava incrédula – Ele está muito bem no trabalho dele, está ganhando muito dinheiro. Está feliz ao meu lado. Não ouse tentar atrapalhar isso. – Disse, cerrando os dentes e dando lugar a uma expressão um tanto ameaçadora – Porque eu acabo contigo! – Apontou o dedo na cara da garota e terminou – Ele te largou pra ir morar comigo. Pra ser feliz comigo. Porque ele me ama! E nós vamos ter um filho lindo! Não vai ser porque você ficou grávida que ele vai voltar! Ele te odeia! Eu demorei muito tempo para fazê-lo esquecer o ódio que sentia por você, e não é agora que isso vai mudar, fedelha! – Izzy perdeu o controle inicial e já estava gritando, quando uma enfermeira entrou no quarto dizendo que ela não deveria estar ali e pedindo para que ela se retirasse -Você está avisada! – A garota disse, se recompondo, antes de passar pela porta.
precisou piscar várias vezes para ter certeza de que aquilo tinha realmente acontecido. Enquanto a enfermeira media a pressão dela e fazia alguns testes, ela pensava no que aquela coisa oxigenada estava fazendo ali. E porque a odiaria tanto a ponta de casar com outra. A garota sentiu as lágrimas descerem por seu rosto de forma lenta, até que não conseguiu conter aquela confusão de sentimentos e chorou de verdade. Ela havia tirado forças sabe-se lá de onde para se conter na frente da loira, mas ela não podia se segurar mais. A enfermeira notou o desespero da garota, e tentou consolá-la, mas o que a mulher não sabia era que, naquele momento, nada poderia consolar .
- Calma querida. Com o tempo tudo se ajeita. – viu a garota fungar e continuou – Sua pressão subiu demais. Vou ter que te dar um remédio para se acalmar, isso é perigoso no seu caso. – A mulher saiu e voltou logo em seguida com uma bandeja cheia de seringas – Vai doer um pouquinho. – Avisou, pegando uma delas – Você vai dormir agora e esquecer isso, está bem? Amanhã alguém virá ver você e, se tudo estiver bem, você será liberada.
sentiu suas pálpebras pesadas, queria dormir, mas queria esquecer o que havia ocorrido e o que Izzy havia lhe dito. Como assim ele ia se casar? E com outra! Não era nesse momento em que ele descobria que a amava de verdade e eles viveriam felizes para sempre? Que ela teria seu final feliz de princesa? De desenho animado?
Algumas cenas lhe passavam na mente como um filme. Via a tristeza no rosto de ao sair de seu quarto pela última vez. Lembrou do que ele havia escrito. ’E não ouse tentar fazer tudo dar certo’, nem se houvesse algo a mais? ‘Pode ter certeza, Eu estou melhor sem você’. É, talvez. Doía tanto aquilo. Estava nervosa, era como se nada do que fizesse fosse capaz de melhorar a situação, muito menos resolvê-la. Acabou por ser vencida pelo peso das pálpebras e adormeceu. Na manhã seguinte, acordou com a luz do sol em seu rosto. Olhou para o lado e viu uma figura conhecida.
- Mãe. – Chamou baixinho.
- Querida. – Aproximou-se da filha. – Como você está se sentindo?
- Ah. Agora eu estou bem. Nem sei pra quê duas noites aqui.
- Que bom. Você tem algo pra me dizer? – Martha, a mãe da garota, sorriu para ela, encorajando-a a contar.
- Como se você já não soubesse, né mãe?
- Claro, oras! Como é que eu não ia saber? Seu irmão não quis me contar, então tive que interrogar o médico. – Disse sorrindo.
- Mãe, você não vale nada! – riram. – E o papai? – perguntou com receio.
- Está em casa. Achei que ele fosse morrer do coração. Mas sabe que não? – disse surpresa.
- Não? Digo, ele não surtou nem nada?
- Ah, no início ele disse que era irresponsabilidade e que você ficaria de castigo os nove meses, que iria obrigar o rapaz a casar e coisas desse tipo, mas então o conversou com ele, e ... Aparentemente ele está de casamento marcado, e... você não quer que ele saiba. – olhou a expressão da filha e preferiu não continuar a falar em – Então, depois que conversou com ele, ele começou a dizer que vai ser menino pra ele poder ensinar a jogar futebol e pegar mulheres. E que, se ele não for passar as férias com a gente no Brasil, ele te deserda! Mas que ainda assim você precisa ouvir poucas e boas.
contou para a mãe toda a história com , desde a cena no bar até o fim do baile e o desfecho em seu quarto. Falou da ‘visita’ que recebera na noite anterior e de como se sentia em relação a tudo, recebendo, claro, o colo da mãe. Assim que Dr. Gwinuve, o médico, entrou no quarto, fez os exames de rotina para liberá-la, a encheu de recomendações, deu um sermão sobre como ela deveria se comportar e se alimentar agora, e então a liberou para ir pra casa.
- . – começou enquanto Martha dirigia o carro – Acho que eu preciso te dizer uma coisa. – Passou a mão pelos cabelos em sinal de nervosismo.
- Ah meu deus. É muito importante? Não pode ser, tipo... amanhã? – Estava com medo do que iria ouvir.
- Não. Acho que não. – a olhou sério e, vendo que ela assentia com a cabeça, ele concluiu rápido – O está lá em casa. Com a Izzy.
apenas o olhava incrédula. O que ele estava fazendo ali? E por que não foi até o hospital? Lembrou-se do porquê estava no hospital, deduziu então que, seja lá qual for o motivo por ele não ter ido, era ótimo. Não queria chegar em casa e ter que olhar os dois juntos. Tipo, ‘COMO ASSIM? VOCÊ DEVERIA ESTAR COMIGO E NÃO COM ESSA BARANGA?’ Mas era como se ela não tivesse nem forças para brigar. Sabia que ele estava feliz, e estragar isso era tudo que ela menos queria. Se Izzy o fazia bem, o que ela poderia fazer?

Quando chegou em casa, foi recebida pelos amigos e pelo pai, que estava visivelmente nervoso, mas apenas a abraçou. e estavam esperando para receberem a amiga quando ela apontou para as escadas. Seu olhar havia se cruzado com o de , uma sensação estranha tomou conta de si, como se ele soubesse de alguma coisa, mas não era possível.
Já em seu quarto, tirou aquela roupa fedendo a hospital para entrar no banho quando ouviu as duas amigas entrarem no quarto logo atrás.
- Hum, deixa eu ver se eu entendi. – Estavam sentada no chão do banheiro enquanto tomava banho – Você...er...transou com o . Daí descobriu que é apaixonada por ele. – ia dizendo e ela apenas respondia com ‘uhum’ e ‘aham’ – Então ele vai embora e te deixa este bilhetinho aqui. ‘Você faz o céu mais azul se transformar em cinza’ UAU! Dramático ele.
- , não debocha do cara!- soltou um risinho abafado.
- Aí, porque ele foi, você se tranca nesse quarto de merda por um mês e quando sai descobre que está grávida. E agora?
- Agora vem a parte que vocês não sabem. – Respondeu dessa vez, fazendo as duas a olharem surpresa. Enrolou-se na toalha e foi para o quarto, sendo seguida pelas amigas. Enquanto procurava uma roupa disse: - A Izzy também está grávida dele, eles estão noivos e vão se casar, morar juntos e ser felizes. - Deu ênfase a palavra também.
- CASAR? – gritou.
- Shiii! Sua louca! Fala baixo. – repreendeu – É, casar. – Vestiu um short jeans e uma T-shirt branca.
- E como você sabe de tudo isso?
- Ah, , ela esteve lá no hospital ontem, me falou um monte de coisas. Me ameaçou.
- Ameaçou? Como assim? – olhava a amiga sem acreditar no que ouvia.
- Hum, bem. – Sentou na cama – Disse que ela custou muito a fazer ele me esquecer, e que isso não ia mudar, mas que se eu tentasse alguma coisa ela acabaria comigo.
- , o que ela pode fazer contra você? Tipo, Nada! - dizia como se fosse algo óbvio.
- Eu sei. Mas eu não quero estragar a felicidade dele. Se ele está tão feliz assim, já está com a vida feita. Quem sou eu pra fazer alguma coisa?
- Como você é burra, amiga! Você é nada mais nada menos que a ...- foi interrompida pela porta que se abria – Ah, , você.
- Ih, acho que não sou bem vindo aqui. – soltou um risinho – Vocês podem nos dar licença um minutinho? – Pediu e viu as garotas saírem do quarto – Como você está? – Voltou-se para a que estava sentada na cama e o fez também.
- Muito bem, obrigada. - Era só o que estava faltando naquele momento. Como não iria contar pra ele? – E você?
- Também. Er... O que aconteceu? Digo, pra você ir pro hospital?
- Anemia. – Falou incerta, mas secamente. Um silêncio tomou conta do quarto. Ficou assustador. Entreolhavam-se. O que ele estava fazendo ali mesmo? Hora de tirar a dúvida – O que você está fazendo aqui?
- Não te contaram? – a olhou surpreso quando ela negou com a cabeça – Quando te acharam na rua, ligaram pra mim.
- E por que diabos pra você, e não pro meu irmão, ou pra ? – perguntou irônica.
- Porque ninguém é vidente nesse mundo, garota, você não tinha documentos, e eu fui a última pessoa pra quem você ligou. – Disse irritado.
- Tentei ligar, você quis dizer, né?
- Ué. O que você queria comigo? Me incomodar? Não sou obrigado a atender. – sentiu aquela frase como uma facada no peito.
- Como você sabia que era eu? Quando te ligaram?
- Sua tatuagem. – Apontou para o pulso da garota.
- Ainda não respondeu por que está aqui, . – sua voz saiu ríspida, após algum tempo de silêncio.
- Você ainda pergunta? – agora tinha um semblante triste – Eu fiquei preocupado.
- Preocupado por quê, ué? Alguns minutos antes eu só queria incomodar, não é mesmo?
- Foi por isso. Você podia querer ajuda, ou sei lá, qualquer coisa do tipo. – Agora ele estava confuso.
- , sai daqui, vai.
- Não. Eu não quero ir. Quero ficar aqui.
- Você não pode ficar aqui. Tem que voltar com a sua noivinha pra NY. – Levantou-se da cama e foi e direção à janela. Era demais – Tem que voltar pro seu emprego, seu apartamento. – Nem ela acreditava nas palavras que dizia.
a olhou com estranhamento.
– Como você sabe?
- Notícias correm, . E rápido.
- Estou vendo.
olhava pela janela, sentia seu coração ser esmagado, ela podia simplesmente sentar ali e contar toda a verdade e eles seriam felizes. Mas ela não faria isso.
- Bom, vou descer. Nos vemos no casamento? – Perguntou receoso, e a viu concordar sem sequer se virar.
Casamento. Tinha até esquecido desse detalhe. Ao ouvir a porta bater, se jogou na cama, não queria passar por aquilo de novo. Não podia sentir aquilo novamente.
Dois dias se passaram muito rápido. Felizmente, tinha ido para a casa de com aquela loira oxigenada. A casa estava cheia de parentes e amigos, gente rindo alto e bebendo por todos os cantos. Ava e Mercius formavam um casal tão bonito. Foram feitos um para o outro.
observava o casal de tios ali cumprimentando todos após o ‘sim’, era tão bonito ver que, quando o amor e recíproco, a felicidade é certa. Via as pessoas com sorrisos de orelha a orelha, era ela a única pessoa que não estava feliz ali? Digo, estava feliz pelos tios, mas não por ela. Como poderia estar feliz? Da onde estava sentada podia ver um casal encostado na árvore, sabia muito bem quem eram, mas preferia não acreditar no que seus olhos teimavam em mostrar: Izzy encostada na árvore com à sua frente que, por sinal, fazia carinho em sua barriga e sorria bobo. Era triste ver aquilo. Mas o ápice foi quando ela o abraçou e sorriu cínica na direção de .
- Ok, é demais pra mim! – Olhou pra , que estava ao seu lado agarrada em – Vou entrar.
murmurou algo parecido com ‘uhum’ e nem viu que a outra já estava longe. No caminho, percebeu outro casal juntinho. e conversavam ao pé da escada, hum, digamos que muito intimamente. A amiga parecia estar tão concentrada no que os lábios do rapaz diziam, então preferiu não interromper aquele momento e foi para seu quarto.
‘Nada melhor que uma festa na casa pra disfarçar seus males interiores’ Falou sozinha. ‘há! Cara, eu amo minha mãe!’ pegou aquele pote transparente com tampa branca que dizia em letras grandes “Nutella ” e em letras um pouquinho menores, fazendo a alegria da garota “contém 5 Litros”. [n/a: bem que podia existir mesmo, né?] ‘Mudei de idéia. Nada melhor que isso pra esquecer as coisas!’
Ela não estava louca. Ainda não, pelo menos. A música alta a permitia conversar consigo em voz alta sem que os outros percebessem. ‘Haaaam. Esse aqui!’ Ergue uma caixinha de DVD para o alto como se levantasse um troféu. ‘The Ugly Truth! Não é o momento para chorar! Vamos sorrir com esse Deus grego!’ colocou o filme e jogou-se na cama com o pote de nutella e uma colher. ‘Dude, como esse Gerad Butler é lindo! Puta que pariu!’
- , o que você está fazendo aqui? – entrou no quarto depois de meia hora.
- Amando o Sr. Mike Chadway. – Disse, colocando mais uma colherada na boca – Digo, assistindo “A verdade nua e crua”.
- De novo. – rolou os olhos. – E posso saber o que isso está fazendo aqui com você? – apontou para o balde de nutella.
- Hum... está me fazendo companhia.- Ironia mode on.
-Você só pode estar louca, né? Pensei que Dr. Gwinuve tivesse proibido você de comer porcarias.
- Ah, ! Me deixa vai! Você não estava mesmo acreditando eu ia esperar nove messes pra comer isso, não é? – Falou, com o sorriso mais meigo do mundo em seu rosto.
- Sua irresponsável! É irresponsabilidade atrás de irresponsabilidade, ! Que coisa!
- , não precisa brigar comigo. – Deu pause no filme e olhou o irmão, com uma expressão triste no rosto – Eu já pedi desculpas.
- Como se suas desculpas consertassem seu erro! Pô!
- Que erro? – apareceu na porta com olhar curioso e olhou assustada para .
- Nada, , sai daqui. – o olhou ríspido e ele saiu dali sem dizer mais nada.
- Olha, ... – Seu tom de voz agora era mais calmo – Eu acho que você está fazendo uma besteira muito grande não contando pra ele.
- Eu sei!- baixou a cabeça.
- Ele tem o direito dele, sabe? Imagina como ele vai se sentir quando descobrir. Sim, porque um dia ele vai descobrir.
- Eu prefiro nem pensar nisso, . Mas no momento ele já está se preocupando com os direitos dele em relação a outra pessoa. – Disse, e viu uma expressão de dúvida no rosto do irmão - Você já sabe que a izzy também está grávida? E que eles vão se casar?
- O QUE? – gritou.
- Pois é, eu tive essa mesma reação.
apenas saiu do quarto batendo pé, aparentemente estava furioso. preferiu não pensar no que o irmão havia lhe dito, nunca descobriria nada. Esperava, pelo menos. Voltou a assistir ao filme.

- ! - gritou, vendo o amigo entrar na cozinha.
- Oi . – disse seco.
- Você é louco?
-Não que eu saiba. Por que? – respondeu irônico.
- Você vai se casar?
- Ah. – cara de paisagem. – Vou. O que ser louco te a ver com isso?
A vontade de era jogar toda a verdade na cara de . Mas ele não podia fazer isso.
- Amorziiiiiiiinho! – Izzy entrou gritando e foi se pendurar no pescoço de , que fez uma cara de poucos amigos. – Você me abandonou! – Izzy fez bico.
- Ah! Me poupe! Que nojo, dude! Esse filhote de cruz credo! – falou e saiu do recinto, deixando Izzy embasbacada e um risonho.
Quando acabou o filme, resolveu descer e fazer um social, afinal, já tinha sido bastante deseducado da parte dela ter ignorado a festa e ido assistir um filme! Quando chegou ao andar de baixo, porém, viu que restavam poucas pessoas por ali. e haviam sumido, e coincidentemente (ou não), e também. e Izzy não estavam ali, ainda bem. estava deitado no sofá com a cabeça no colo da mãe enquanto recebia um cafuné.
- Que inveja! – Disse, chegando mais perto e rindo da cara de prazer que o irmão fazia – Também quero colinho! – riu.
Sentou-se na companhia dos pais e dos parentes que ainda estavam por ali, estavam debatendo sobre algo importantemente sem sentido. Já era tarde e ela estava cansada. Cansada de não fazer nada, ok. Mas cansada mesmo assim.

Acordou com alguém fazendo carinho em seu rosto.
- ! – Assustou-se ao ver o rosto do rapaz tão perto ao dela.
- Bom dia, ! – ele tinha a cara mais doce.
- O que você está fazendo aqui? – esfregou os olhos para ter certeza de que não sonhava.
- Bem, eu vim me despedir. – agora tinha um semblante triste – Não queria ir embora sem falar com você. De novo.
- Muito gentil de sua parte. – Debochou.
-Hey! – repreendeu-a.
-Ok. Desculpe. – Disse e os dois riram. Era assim que ela queria que fosse. Acordar todos os dias com ele a seu lado, e seu rosto ser a primeira coisa que ela enxergaria na manhã. Sentiu uma tristeza tomar conta de seu corpo. Sabia que, a partir do momento que ele saísse por aquela porta, poderia nunca mais o ter. Lembrou então do que Izzy havia lhe dito ‘ele me ama’, ‘Ele te odeia!’. Era difícil admitir, mas estava o entregando de bandeja para outra mulher. Só esperava que ela o fizesse feliz.
- Er... Então... Tchau. – Ele disse se levantando.
- . – Chamou-o.
-Sim? – Ele parou na porta para olhá-la.
-Seja feliz, ok? – Não era aquilo que ela queria dizer. Mas foi o que saiu.
- Você também. – Sua voz saíra com tom de decepção.
Assim que ele saiu do quarto, sentiu uma espada atravessar-lhe o peito. Mas agora estava feito. Não adiantaria nada voltar a trás. Já tinha tomado sua decisão. Ou não. Ainda dava tempo. Saiu correndo em direção a porta, desceu as escadas e viu que todos estavam do lado de fora da casa.
- ! – Gritou vendo-o entrar no carro.
- Oi? – Ele disse meio dentro meio fora do veículo.
- Eu preciso te contar uma coisa antes de você ir.
- Fale então. – Ele disse, saindo de vez do carro.
- NADA DISSO! Vamos perder o avião, amorzinho. – Izzy gritou para ele – Além do mais, nada do que ela diga vai ser importante, bebê.
- , fala logo, senão perco o vôo. – pediu.
- ... – tentou encontrar uma forma de dizer aquilo, mas antes que conseguisse Izzy a interrompeu.
- , vamos embora de uma vez. Essa mosca morta não quer que você vá embora, é isso. SÓ ISSO. Vamos perder o vôo e você vai se atrasar pra sua reunião com a banda, ou você esqueceu? - A voz de Izzy soava cínica e arrogante.
- Caramba, é verdade. Bom , não dá pra esperar. Tchau. – voltou a entrar no carro e ligou o motor.
- Espera! Você precisa ouvir! – Ela gritou novamente, mas ele não a ouviu. Deu partida no carro e foi embora.
sentou na grama em frente a casa com o rosto entre as mãos. Ela tentara, não é mesmo? Foi amparada pelo irmão que estava assistindo tudo.
- Ele vai se arrepender, . – bem que tentou confortá-la – Um dia ele vai se arrepender por não ter te escutado.
- , agora eu quer mais é que ele nunca saiba! – Disse, enxugando as lágrimas – Eu tinha tomado uma decisão, ele jamais saberia, não contaria nem sob tortura. Mas por um impulso, por uma bobice, eu ia contar. Eu ia estragar tudo. Imagina se ele duvidasse, se ele não acreditasse e mim? Ia ser horrível. Mas não... ele preferiu não ouvir. Ele preferiu ir pra vida dele, com as coisas que ele QUER na vida dele. E eu não faço parte desse desejo. Então, agora vai ser melhor assim. Ele não vai ficar sabendo e ponto.- levantou sob os olhares do irmão e continuou – Pelo menos você tá aqui comigo! Assim vai ser mais fácil.
- Eu também acho. – levantou-se também e ambos entraram na casa.



Capítulo 5

andava de um lado para o outro, preocupada. não chegava nunca com aqueles dois. Ele havia saído com Henry e Johny cedo da manhã para levá-los ao parque, mas já era mais de meio dia e eles não apareciam e não atendia o telefone. Odiava isso no irmão, tinha telefone pra quê, caramba? Nunca atendia. Ouviu a capainha tocar e, num movimento súbito, abriu a porta.
- Ah, são vocês! – Disse, sem disfarçar a cara de decepção.
- Boa tarde pra você também, amiga. – riu, imaginava qual seria o problema.
- Desculpe.
- Hey, o não voltou ainda? – entrou, dando beijinhos na que estava de pé em frente a porta, e a viu negar com a cabeça – É por isso esse seu mau humor? – perguntou, com medo de apanhar.
- AH, , vai te catar! – Riu, bateu a porta e voltou pro sofá.
- , seus filhos estão com o , relaxa.- veio da cozinha com cervejas na mão e sentou-se no sofá ao seu lado – Daqui a pouco eles estão por aqui.
A verdade era que ela não precisava realmente se preocupar. Os meninos estavam com , e ele era ótimo com eles. Digo, daria um bom pai. Se ele estivesse interessado nisso. Mas não era o caso, uma vez que ele tinha uma banda com seus melhores amigos, e filho agora não estava em questão, já lhe bastavam os sobrinhos. Sim, é isso mesmo. , , e formavam uma banda de Pop/Rock muito conhecida em Londres. Seu nome era “The Guy’s”.
Quando foi embora, não deixou somente para trás, deixou seus amigos e sua bandinha de garagem para se tornar um empresário de uma banda famosa em NY. O que ele não imaginava era que a bandinha de garagem ia ficar famosa SEM ele. Enquanto sua banda, era, digamos, apenas conhecida. Mas nem por isso ele voltou. Na real ele não viera pra Londres desde que se mudou, nem de passagem ele veio. Isso, de certa forma, deixava um pouco aliviada. Sabia que a qualquer momento ele poderia aparecer ali e dar uma volta na vida dela. Sim, ela sabia disso. E sim, ela temia isso. Por quê? Ah, só porque Henry tinha a cara dele? E Johny seus trejeitos? Não. Os dois eram a exata cópia do . No momento que o dito cujo olhasse para os meninos, saberia. Pelo menos era o que lhe dizia todos os dias. Não só ele, mas os que sabiam quem era o pai. Por falar nisso, essa parte da história foi bem complicada. Todos queriam saber por quê uma adolescente de 19 anos estava grávida sem sequer ter um namorado. As más línguas falaram até em vadiagem. Elas falavam de tudo, na verdade. O período da gravidez teria sido horrível se ela não tivesse seus amigos e seu irmão junto. Teria sim, imagine como é ruim ficar ouvindo pessoas cochichando e apontando quando você passa? E você sabe exatamente sobre o que elas estão falando? Quando os meninos nasceram, bem que tentou se mudar para o Brasil com eles, ir morar com os pais, certamente seria muito bom naquele momento. E nunca os descobriria. Por razões legais, porém, ela ficou na Inglaterra. Às vezes se pegava pensando nele como pai. Pai de um filho de Izzy.
Só de pensar nela, já sentia um mal estar percorrer seu corpo. Aquela zinha! Quando eles se casaram, ela usava um vestido lindo e exibia uma barriguinha, segundo , mas nem isso a deixou bonita. estava um Deus, segundo ela, também. É claro que não tinha ido. Por motivos óbvios. Jamais iria ao casamento dele com OUTRA mulher que não fosse ela, e mesmo que fosse, também já tinha aquela barriguinha que não era tão “inha” assim, imagina a cena! tinha ido só por obrigação. Desde que foi embora, ele havia alimentado um ódio do amigo. Talvez por todas as vezes que viu a irmã chorar sozinha no quarto, ou pelas vezes que viu nos sobrinhos o “amigo”, ou também pelo primeiro dia na escolhinha.

*Start Flashback*

- Hey, meus amores, estão contentes?- arrumava o uniforme dos filhos.
- Humhu! – Henry balançou a cabeça e o irmão fechou a cara.
- Eu não!
- Por que não, Johny? – sentou-se na frente do garotinho que tinha os braços cruzados no peito e fazia cara de mau.
- Porque não, mãe! – Ele respondeu resmungando. Tinha apenas três anos e já falavam direitinho.
- Não nega que é filho do pai dele, heim?! – entrou no quarto e viu a cara de poucos amigos da irmã.
- Haha, engraçadinho.
- Vem cá, meu garotão. – puxou o sobrinho mal humorado – Vai ser legal! – Então ele puxou Henry – Vou estar com vocês lá!
- E a mamãe? – Johny perguntou, ainda bravo.
- Também vai, né, mamãe? – olhou para , que estava sentada no chão os observando. Sabia que ela deveria trabalhar. Mas ela não negaria isso aos filhos de forma alguma.
- Sim! É claro que eu vou! – levantou e começou a pular e a gritar enquanto dizia: - Nós vamos conhecer amiguinhos novos! – Falava como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. (E é né?) E fazia os filhos rir.
- E vai ter um monte de gatinhas lá! – falou empolgado e viu o olhar reprovador de em cima dele – Ok, ok. Vamos! - Levantaram-se e foram para a creche.
- Tio, o que são gatinhas? – Henry perguntava, já sentado em sua cadeirinha no carro.
- Viu o que você fez? – olhou pra , indignada – Agora responde, né?!
- São meninas bonitas. – Ele respondeu rindo, e o garotinho fez cara de que não tinha entendido mesmo assim.
- Vocês são a mãe e o pai? – A professora recepcionou e na entrada da escolhinha, e cada um estava com um dos meninos no colo.
- Não, não. – soltou Johny no chão – Sou tio dos meninos. – deu um sorrisinho amarelo. também soltou Henry e olhou triste para . Aqueles eram os momentos mais difíceis. A mulher percebeu a situação e não falou mais nada.

Houve várias brincadeiras de entrosamento entre as crianças e os pais (e tio), e, na hora de ir embora, Johny não queria ir de jeito nenhum, fez prometer que o levaria no dia seguinte.
- , deixa que eu dou banho nos dois. Vai fazer nosso jantar. – Ele parecia ter percebido a tristeza da garota.
Ela apenas murmurou um ‘uhum’ e foi em direção à cozinha.
- Tio, por que você não é meu pai? – Henry perguntou enquanto brincava com a espuma dentro da banheira.
- É! Por quê? – Johny concordou com o irmão.
A princípio, ficou sem reação àquela pergunta, mas ela devia ser respondida, certo?
– Bom, porque eu sou o tio! Se fosse pai, não seria tio! Não é mesmo? – Falou a primeira coisa que lhe veio em mente, mas os dois ficaram-no olhando com cara de interrogação.
- E quem é o pai? – Johny perguntou, com cara de que não sabia o significado da palavra pai.
- Hum... bem... er... o pai... amm... – Ele definitivamente não sabia o que dizer. – Ah! Não quero conversar! Quero brincar! Vou entrar aí com vocês! – Ele jogou espuma nos meninos e tirou a roupa pra entrar com eles. Divertiram-se demais. Nenhum dos dois voltou a perguntar aquilo. Não naquele dia.

*End Flashback*

sempre foi muito amigo de . Era médico, jovem, bonito, e . Foi ele quem fez o pré natal e o parto dos meninos. Há alguns anos ele tinha ido fazer a faculdade e a pós em Dublin, e assim que voltou, sua primeira paciente o fez reencontrar velhos amigos.
e ficaram tão íntimos que acabava sempre rolando “algo a mais”, se é que me entende. Até o dia em que eles começaram a namorar. Com total apoio de todos. Além do mais, ele amava Henry e Johny como se fossem seus filhos. E quase eram, né? Ele os viu nascer, literalmente. Bem, essa aproximação fez com que o convidasse a entrar pra banda. E ele aceitou, claro. Simples assim. Era muito bom no que fazia. Digo, em tudo. Era bom médico, bom , bom namorado e, principalmente, bom amigo.

- Mãããããããããããe! - Despertou de seus pensamentos ao ouvir aquele grito invadir a sala.
- Hey, meus amores! Que sujeira, hein?! - Olhou para , que parecia mais sujo que as crianças – Vocês demoraram!
- Ah maninha, relaxa! Eles estavam se divertindo tanto que eu fiquei com pena de trazê-los de volta.
- Hum... vai dar banho neles agora? Depois precisamos combinar sobre o almoço de amanhã.
- Falando nele, o almoço tá pronto? – fez cara de faminto e depois riu – Ok, ok. Vou dar banho neles e já descemo. – Dizia, a caminho da escada.
- Viu? Seu filhos estão inteirinhos!
- Ah, , quando tu tiver os teus, tu vais entender.
- Tiver o quê? – perguntou, chegando junto delas.
- Filhos, .
- Ih! Nesse momento eu me retiro do recinto? Filhos? Não... já basta o Henry e o Johny nessa nossa grande família, né amor? – Deu risada – Vou ajudar o com eles, falando nisso. – Deu um beijo no topo da cabeça de e saiu.
- , que almoço que tem amanhã? – perguntou depois de um tempo.
- Ah, o quer “desopilar” a vida e hum... comemorar os dois anos do primeiro show da banda.
- Ah sim! Como me esqueci disso? O fala o tempo todo que “os dois anos estão chegando e eu nem acredito”. – Imitou a voz de e as duas riram – E falando em “desopilar a vida”, tu vais hoje à noite?
- Não sei ainda. É provável que não. Não queria deixar os meninos em casa.
- Mas tem a Lucy. Ela fica com eles. – Lucy era a vizinha que viu e crescerem e sempre ficava com os meninos.
- Mas... a que horas é o show mesmo? – Disse, dando-se por vencida.
- Não sei, mas é cedo. Vamos, amiga! Você nunca negou uma festa! Nem depois que eles nasceram!
- Ah! Não sei! Eu penso nisso mais tarde!
- Mãe, o tio jogou água no tio lá no banheiro! – Johny apontou pra , que tinha uma expressão de criança culpada.
- É! E o tio jogou nele de volta!- Henry apoiou o irmão.
- Meu Deus! Será que somos as únicas adultas nessa casa? – olhou pra , que só ria - Garanto que encharcaram todo o banheiro! – Disse, com as mãos na cintura.
- A gente secou! – e disseram juntos e caíram na risada.
- Mãe, tô com fome! – Johny colocou a mão na barriga.
- Vamos almoçar então, né? – pegou o filho no colo e foi pra cozinha, seguida dos amigos e Henry.
- Amor, a não quer ir no show! Prontofalei! – disse para , recebendo um olhar reprovador da outra.
- Mas por quê? – Ele olhou pra ela, incrédulo.
- É, por quê? - reforçou.
- Por causa dos dois. – respondeu antes da amiga.
- Ah ! Leva eles! O show é cedo, eles vivem pedindo pra ir assistir a gente! – pediu.
- , como eu vou cuidar de duas crianças no meio do bar lotado? Com aquelas fã enlouquecidas? Elas vão matar meus filhos!
- Ah, ! Deixa de ser chata! Eu e a vamos estar lá, a gente ajuda com eles.
- E vocês ficam na área reservada, né? – colaborou.
- É. Tá decidido. Vocês vão e pronto! – falou, colocando uma garfada na boca.
- Mas e se eu não quiser ir? Vocês vão me arrastar?
- Não. Você fica em casa chupando o dedo e a gente leva o Henry e o Johny. Que tal, meninos? – perguntou e os dois festejaram.
- Tá bom então, né? – Deu-se por vencida e o assunto encerrou.

Xx

- , que tal esse vestido? – entrava no quarto de .
- Muito curto!
- ! Eu não tenho mais idade pra ser controlada, certo?- Repreendeu o irmão e ajudou-o com as mangas da camisa.
- Eles já estão prontos?
- Sim, estão lá em baixo esperando a gente descer. Eles não perdem essa mania de ficar usando as mesmas roupas, mas com cores diferentes!
- É genético, meu amor! – debochou da irmã. - Ah, vai te catar! Desce de uma vez, vou terminar de me arrumar. – Saiu do quarto do irmão e foi em direção ao seu, ainda precisava dar uma ajeitada no cabelo e fazer uma maquiagem básica. Usava um vestido verde musgo sem alças, bem preso ao busto e solto a partir dele. Não era tão curto, é que era exagerado. Resolveu deixar os cabelos soltos, era mais natural.
Ao descer, encontrou no sofá com os meninos. Ambos de calça jeans e tênis, com uma camisa social de mangas compridas dobradas até o cotovelo. Johny vestia uma preta e Henry uma vermelha. Que mania!
- Vamos?
Aquele lugar estava realmente lotado e não estava com muita paciência para ficar conversando com as fãs enlouquecidas.
- Hey, grandão! – apertou as bochechas de Henry.
- Hey, tio! – O garoto pulou no colo da mãe.
- E você ,garanhão? – falou com Johny, que se ria todo no colo de Ana.
- Iou, tio! – Johny arrancou gargalhadas de todos que estavam por ali.
- Ah, ! Olha o que você fez com meu filho! Tá falando como um mano do gueto! - estava indignada.
- Ah! Cala boca! – repreendeu a amiga, que fez bico.

Foram para a área VIP, onde havia mesas reservadas.
- Só tu mesmo pra me arrastar até aqui.
- Ah, ! São os meninos ali, sabe? É seu irmão! Seus dois amigos! E seu namorado! Como tu não viria? – falava como se aquilo fosse óbvio (e era, né?) e fez a amiga “lembrar” que tinha esquecido o próprio namorado. Fazia uns dias que não falava com ele.
- Tá bom! Tá bom! Estou aqui, não estou? Chega de sermão! – Respondeu, emburrada.

Era tão bom ouvir as músicas deles. Não eram uma banda famosa, mas eram bons e tinham muitas fãs! E elas cantavam enlouquecidamente com os pulmões cada simples trecho das músicas. Era incrível assistir aquilo.
- Mãe.- Johny puxou a manga de sua blusa.
- Fala, meu amor.
- Quero ir no banheiro.
- Vamos lá então. – Levantou-se e aproximou-se de Henry – Vamos no banheiro, quer ir também? – Ao que o garoto negou enquanto balançava a cabeça e as pernas no ritmo da música – Amiga, fica de olho nele pra mim? – Perguntava, enquanto Johny a puxava choroso – Calma filho, estamos indo já!
- Tô apertado, mãe! – Disse bravo.
pegou o filho no colo e foi para o maldito banheiro.
- No de menina não, mãe!
Estava o ajudando a fechar o zíper da calça quando ouviu uma voz estridentemente conhecida. Não! Não podia ser ela! Saiu do banheiro às pressas com Johny no colo. Mas não dizem que a pressa é inimiga da perfeição? Ela esbarrou em alguém ao sair. Não, não foi alguém, foi . Sim, ela esbarrou em .
- ?! - Ele perguntou surpreso.
- ? – Ela reagiu da mesma forma e ele soltou um risinho ao ver perceber que ambos tinham uma cara de espanto – O que você está fazendo aqui? – Ainda estava incrédula.
- Estou esperando a Izzy. – Sim, então tinha sido mesmo a voz de Izzy que ela ouvira lá dentro. – E esse rapazinho, quem é? – Perguntou, fazendo cócegas no garoto, que respondeu rindo alto:
- Meu nome é Johny!
não esperava por aquilo. Não pensava que encontraria tão cedo. Não mesmo! Muito menos com sua mulher.
- Tchau ! – Saiu sem nem esperar que ele dissesse uma palavra sequer. Foi ao encontro das amigas, pegou sua bolsa e chamou Henry.
- Vem, filho, vamos embora.
- Ah, mãe! Eu quero ficar! – Ele disse, quase chorando.
- Mas já? – perguntou.
- É, . Vamos Henry! – Falou um pouco nervosa, e o garoto apenas a acompanhou.
- Mas o que aconteceu, ? – perguntou, mas não obteve resposta. Só viu Johny levantar os braços e entortar a boca, como quem diz “também não sei!”.

- Mãe, eu queria ficar lá com o tio ! – Henry disse quando eles desciam do táxi para entrar em casa.
- Eu sei, meu amor. Mas já está tarde e, além do mais, daqui a pouco ele está em casa, tá? – Tentou ser o mais convincente possível, os filhos não precisavam pagar o preço, certo?
- Eu posso esperar ele acordado?
- Hum... depois de tomar banho e comer alguma coisa, posso pensar no seu caso...

O garoto fez uma expressão divertida, e então banhou os dois e deu janta. Sabia que nenhum deles aguentaria esperar acordado. E estava lá, provavelmente eles demorariam muito mais para voltar. Quando estava jogada no sofá da sala enquanto os filhos assistiam algo como Toy Story na televisão, seu celular tocou. Eram duas mensagens.

“Hey lindinha, porque saiu correndo?
Nem conseguimos nos ver! Está tudo bem?
Xx


Sorriu ao lembrar do quão carinhoso o namorado costuma ser. Era tão atencioso!

“ Não acredito! Quando vi a sua cara de quem
viu fantasmas fiquei puta. Mas quando o vi entendi.
Se precisar,é só ligar!
Xx


A noite não terminara ali. Aquele encontro lhe renderia muitos pensamentos. Muitos medos! Seu pesadelos viriam a tona. Ótimo!
- Alô? – Tentou espantar aquilo da mente.
- ! – disse preocupado – Você tá bem? Depois que eu o vi entendi tudo. Ele não tinha o direito e...
- , fica calmo. Eu tô bem. – mentiu – Só fiquei nervosa quando o vi e não soube reagir. Preferi vir pra casa. E ele tem todo o direito né?! O bar é público.
- Ele podia ter avisado. – sua voz saiu indignada e instalou um silêncio – Quer que eu vá pra aí?
- Quero. – Fez voz de criança. Seria bom ele ficar com ela ali. Era uma ótima companhia.
- Estou indo!
Alguns minutos depois ele já estava ali. Ajudou a colocar Henry e Johny na cama e, depois de tomarem banho, deitaram-se na cama.
- Ele não devia estar aqui. – falou com a cara enterrada no peito do garoto.
- Eu sei. – olhava o nada enquanto acariciava os cabelos dela – Todo mundo ficou surpreso quando ele apareceu ali. O então, nem preciso falar. Quase deu na cara dele. – soltou um risinho - Mas o impediu. – falou divertido e a fez rir – Ele insistiu em saber quem era a criança em seu colo.
- Ninguém contou a ele, né?
- Até o momento que eu saí de lá, não. Mas eu tive a impressão de que o pularia no pescoço dele cuspindo toda a verdade a qualquer momento.
- Sempre tive medo da reação dele quando se encontrassem. Ele parece mais ressentido que eu.
- Como vai ser se ele vier amanhã?
pensou, pensou, pensou e pensou em todas as possibilidades de fugir daquele almoço. Ir para bem longe. Não, mandar para bem longe com aquela loira de farmácia.
- Eu não quer vê-lo, ! – colocou as mãos no rosto.
- É inevitável, . Você sabe! – Disse, acariciando suas mãos.
- Eu sei! Mas eu não quero.
- Amanhã a gente pensa, tá? Quando a gente, acordar decidimos o que fazer. - Ela balançou a cabeça afirmativamente e voltou a deitar ao lado do rapaz, que a abraçava com carinho.



Capítulo 6

abriu os olhos ao ouvir vozes. Viu sentado na cama conversando baixinho com Henry.
- Viu, ó! Ela acordou! – Henry disse, botando a língua para .
- Bom dia, meus amores!
- Vamos pra piscina, mamãe?
- Vai descendo que eu já vou, tá? – Deu um beijo no rosto do garotinho – Mas me espera pra entrar! - e o viu sair correndo – E agora? – Olhou para com os olhos cheios de lágrimas.
- Vem cá. – Puxou-a para perto – Eu sei que já disse isso, mas você sabe que uma hora ou outra vai ter que fazer isso, né? Digo, não vai poder esconder esses dois dele pra sempre! - Depois de um longo suspiro, levantou-se, deu um beijo no namorado e entrou no banheiro.
“Ah meus deus! E agora?” sentou no chão do banheiro com a mente em turbilhão. “O que eu vou fazer? Não, o que ele vai fazer? Só digo ‘olá , esses são seus dois filhos?’ NÃO! Se ele puder não ficar sabendo, eu agradeço. Mas é direito dele, certo? Certíssimo, mas não vai! Não vai! E não vai!” Entrou no banho, deixou que a água quente caísse por seu corpo. Aquela sensação de estar prestes a se jogar num precipício não era agradável, e a água a fazia esquecer um pouco daquilo. Fechou os olhos e deixou que algumas lágrimas de desespero percorressem seu rosto, talvez houvesse mais motivos para se preocupar. A felicidade dos filhos? Seria justo com eles privar-lhes de ter um pai? Mesmo que um merda de pai? Valeria a pena correr o risco de piorar a situação? O fato daquele sentimento chamado amor ainda estar guardado dentro dela era preocupante. Mesmo que adormecido e ferido pela mágoa e ressentimento, estava lá. É. Era muito motivo para se preocupar.
- ? – Ouviu a aquela voz amiga e sorriu instantaneamente – Tu tá bem?
- ! Que bom que você tá aqui.
- É né... eu também faço parte dessa comemoração. Se não fosse por nós, esse primeiro show não teria saído! – divertiu a amiga, mas logo sua voz saiu em tom receoso – Você sabe quem está lá embaixo, não é?
voltou a fechar os olhos e fez um sinal positivo com a cabeça.
- E sabe que a mulher dele está junto, não sabe? – continuou, e ela repetiu o gesto, dizendo debochada:
- No mínimo o filhote deles está junto e brincando com os meus filhos! – Puxou a toalha e começou a se secar, quando viu a expressão nervosa que a amiga tinha no rosto – O que foi, mulher de Deus? Pra que essa cara?
- , cala a boca e vem aqui. – conduziu-a até o quarto e sentaram-se na cama. – Não existe “filhote” nenhum.
- Como não, ? Tu mesmo disse que ela já tinha barriga no casamento.
- E tinha. Ele... – simplesmente não conseguia falar.
-, tu tá me assustando.
- ... o bebê... ele... ele nasceu morto. – falou triste.
- Como assim nasceu morto?
- Sei lá, ! Nasceu morto e pronto.
- Calma amiga. Você tá nervosa. O que aconteceu?
- Ontem, depois que você foi embora, o me chamou e ficou me fazendo muitas perguntas sobre quem era o garotinho que estava lá e, quando eu perguntei onde estava o filho dele, ele ficou muito abalado e me contou. Aí agora, quando ele chegou e viu os dois correndo no jardim com o , ele abraçou a Izzy e disse “ Será que nosso filho seria lindo assim?”, e ela respondeu “ Não. Nosso filho seria muito mais!”. Eu vi tudo. Foi muito ruim pra mim ver isso, . Ela sabe de tudo todo esse tempo, e ela esconde isso dele! Como ela consegue viver com isso?
- Amiga, as pessoas más pagam o preço por serem más. Algumas nem sentem muito.
- Só pode ter sido castigo!
- É! Isso aí!
- Mas me diz, decidiu o que vai fazer?
- Ah, amiga, vou deixar rolar por enquanto. De repente ele vai embora logo e não desconfia.
- E se não for?
- Não sei, . Já tô fazendo o maior esforço pra sair desse quarto e olhar pra cara dele. Pra sequer ficar no mesmo ambiente que ele sem levantar suspeitas.
- Ok. Falamos disso depois, certo? Agora temos que nos concentrar e fazer dar certo.
As duas começaram a rir e levantou-se para trocar de roupa.
- Tá muito quente? Muito frio? – disse, olhando para o armário.
- Depende. Muito quente para roupas de lã e muito frio para andar pelada por aí. – disse, rindo da sua própria frase.
- Hum... e para este biquíni roxo com esse vestidinho lilás? – mostrava as roupas como se tivesse uma decisão difícil.
- Contando que eu tô de biquíni preto, esse shorts jeans que é seu, por sinal, e essa blusa preta que você me deu... - fez uma expressão pensativa - Acho que está ótimo!
Decidida, e vestida a roupa, penteava os cabelos quando ouviram uma gritaria, e entrou correndo no quarto.
-!
- Que foi, ? Que gritaria toda é essa lá em baixo? E porque você está todo molhado? – perguntou assustada.
- , o Henry se afogou. – disse ofegante, e passou correndo por ele. Ao chegar no jardim, viu uma cena de cortar o coração. Henry estava enrolado em uma toalha, chorando muito, no colo de , que também estava muito molhado, por sinal. Sim, ele mesmo.
- Henry! – Disse, chegando perto do filho.
- Mamãe! – O garotinho desesperado agarrou o pescoço dela com força.
- O que houve, meu amor? – Disse, pegando-o no colo, mas ele não conseguia responder, só chorava e soluçava.
olhou para , que parecia muito desnorteado, e repetiu a pergunta.
- O que aconteceu, ?
- Eu não sei... – passou a mão pelos cabelos – Eu estava vindo lá de dentro e vi ele ali, e pulei. – disse, meio nervoso.
Ela virou as costas e saiu andando com o filho, que agora soluçava baixinho, no colo. Ao passar por , perguntou :
- Cadê o Johny?
- Tá lá dentro brincando com o . Ouvi essa gritaria toda e vim ver o que era. O que aconteceu?
- Pede pro explicar. E pede pro subir.
- Como assim? – ficou com uma expressão confusa, mas a irmã não respondeu, apenas subiu as escadas e foi para o quarto.
- Pronto meu filho. Vamos tirar essa roupa molhada e tomar um banho gostoso de banheira? – Perguntou, e o viu negar com a cabeça – Ué, por que, meu amor?
- Banheira não. – o pequeno respondeu entre soluços
- Tá bom então. Vamos só trocar de roupa, tá?- Olhou para o filho, que assentiu com a cabeça.
tirou a roupa molhada do menino, secou-o e colocou roupas secas.
- Quer me contar o que aconteceu? – colocou-o, deitado na cama.
- Eu não sei, mamãe.
- Como não sabe, filho? - Ela perguntou e o menino voltou a chorar – Henry, não precisa chorar, eu não vou brigar contigo.
- Eu tava caminhando naquela coisa azul, em volta da piscina, e caí.
- E não tinha ninguém lá com você?
- Só aquela tia.
- Que tia?
- Aquela que tem cabelo amarelo.
“Izzy” pensou e bufou.
- Mas agora já passou, tá? – Passou a mão pelos cabelos do filho e ele fechou os olhos. Ficou ali acariciando o cabelo do menino, que agora parecia mais sereno.
- ? – olhou imediatamente para a porta de seu quarto quando ouviu.
- Oi.
- Como ele está? – chegou perto da cama.
- Está bem, agora.
- Que bom. – ele olhava para o garoto com uma cara estranha – Você chamou ele de Henry, né? – perguntou, e a viu balançar a cabeça como se fosse óbvio – Mas não era Johny? – falou confuso.
- , Johny é o irmão dele. – respondeu sem desviar o olhar.
- Mas eles são iguais.
- . – ela olhou pra ele com cara de poucos amigos – Se for só isso, você pode descer e nos deixar em paz?
Ele sentou ao lado do garoto na cama com cuidado e, depois de um tempo em silêncio, perguntou:
- Ele contou o que aconteceu?
- Ele tava caminhando na borda da piscina e caiu.
- Mas ele tava sozinho, lá?
Ela pensou duas vezes antes de responder, mas olhou pra ele e disse bem séria:
- Não. A Izzy estava lá.
- A Izzy?
- Sim. – Respondeu seca, e o viu levantar e sair.
- Amor?
- !
- O me contou o que aconteceu. Ele tá bem?
- Sim.
- Por que o saiu daqui com uma cara enfurecida?
- Eu contei que a mulher dele deixou meu filho cair na piscina e não fez nada.
- O quê?
- É. Isso mesmo. – Ficaram um pouco em silencio e puderem ouvir vozes altas vindas do primeiro andar.
- Como foi esse reencontro? – sentou ao lado dela na cama e pegou sua mão.
- Não consegui raciocinar ainda. Parei quando vi meu filho no colo dele. Ele tentando acalmar o Henry, e ele tava bem nervoso. Foi desconcertante.
- Eu imagino. Você pediu pro me chamar?
- Sim, pra você dar uma olhada nele. Será que precisa levar pro hospital?
- Deixa eu ver.
levantou e deixou que o namorado cuidasse do menino. As vozes altas continuavam no andar de baixo. Parecia que tinha alguém discutindo.
- Ele tá bem, . Agora é só cuidar pra ver se vai mudar alguma coisa, aí tem que levar no pediatra, tá? – Ele chegou perto e abraçou-a com carinho – Vamos descer? Seu outro filho quer saber o que está acontecendo.
pôs um lençol sobre o filho, apagou a luz do quarto e desceu com .
- Mãe! – Johny veio correndo e pulou nela.
- Oi meu pequeno.
- Cadê o mano?
- Tá dormindo lá em cima. Viu porque não pode ficar lá sem a mamãe? – O menino apenas balançou a cabeça serelepe.
- Vou voltar pra brincar com o tio , pode?
- Pode meu amor.
- Tô com fome, .
- Daqui a pouco sai o almoço, . Vem, vamos lá com as pessoas.
Sentaram-se no sofá na companhia dos amigos, enquanto dedilhava alguma coisa no violão.
- ! – gritou da cozinha.
- Eu? – respondeu sem se mexer.
- Tira essa bunda gorda do sofá e vem ajudar no almoço! - A amiga gritou e fez todos na sala rirem.
- Eu vou antes que ela venha atrás de mim com uma faca! – falou baixinho para só os que estavam próximos ouvissem.
- Tu ouviu o que ele disse? – perguntava baixo para .
- Ouvi em partes, eu estava quase dentro daquele armário procurando a pimenta.
- Quem ouviu o que quem falou? – entrou na cozinha, se intrometendo na conversa das amigas.
- O que o falou. Como está o Henry? – perguntou, temperando o strogonof.
- Tá bem, dormindo agora. O que o falou? – perguntou, provando a comida que estava na panela.
- Ué, muito interessada? – provocou a amiga e recebeu um olhar reprovador.
- Eu não sei o que aconteceu direito. – começou, sentando no balcão de frente para a amiga, que sentava ao seu lado – Ele desceu as escadas chamando pela Izzy.
- E ele tava bem irritado. – Interrompeu .
- É, bem nervoso. Ela veio lá da rua, onde ela tava bem deitada na espreguiçadeira, com um copo de cerveja na mão...
- E com o sorriso mais cínico do mundo. – completou, novamente, , fazendo as outras duas rirem.
- É verdade, e põe cínico nisso. Bem, ele começou a gritar com ela, dizendo que ela era uma irresponsável, que ela era má e não tinha esse direito, que podia ter acontecido alguma coisa muito ruim a ele. – fez uma pausa.
- E daí?
- E daí, , que ele disse uma coisa terrível. – respondeu.
- E que coisa terrível que ele disse pra aquela vaca loira que ela não tenha merecido? – olhou séria pra amiga.
- Ele disse que talvez Deus tenha tido razão em ter tirado o filho deles, porque ela seria uma péssima mãe. – respondeu, e fez com que o queixo de caísse.
- É, realmente é terrível, mas é a mais pura verdade. – respondeu meio seca depois de alguns segundos.
- Ai ! Coitada dela. O que ela te fez?
- Como assim, ? Coitada? Tadinha, o que será que ela fez? Não bastasse ela esconder do marido dela que ele tem dois filhos, ela quase matou um deles!
- HÃ? – e perguntaram juntas, olhando sérias para a amiga. suspirou fundo e respondeu.
- Ela estava lá quando o Henry caiu na piscina. E não fez nada quando viu ele se afogando.
Nenhuma das três disse uma palavra no que se seguiu. ficou olhando pro chão e as outras duas se entreolhando. Por um bom tempo o silêncio predominou, até que entrou na cozinha aos berros com Johny no colo.
- EU QUERO COMIDA! – gritou.
- É! EU TAMBÉM! – Johny seguiu.
- Eita, temos mais um bebê na casa! – foi até os meninos.
- Está quase pronto. Mais cinco minutinhos e já vai estar na mesa, ok?
- OOOOOOOOKAY! – os dois gritaram juntos e saíram da cozinha.
- O que aconteceu depois que eles discutiram? – olhou para , que separava pratos e talheres.
- Ele saiu batendo a porta e ela foi atrás.
- Que morram! – pegou os pratos da mão da amiga e foi pôr a mesa.
Alguns minutos depois estavam todos almoçando. propôs um brinde e começou a falar:
- Bem, eu queria agradecer a todos vocês por estarem comigo desde sempre. Por me apoiarem sempre que precisei, por estarem sempre com a banda. Um agradecimento especial eu queria fazer pra , bem, acho que eu posso falar né? – olhou para os lado e fez todos rirem, inclusive a irmã – Mana, obrigado por ter me dado esses dois presentes, eles não são meus filhos, mas são como se fossem. Eles me ensinaram tudo que eu ainda não sabia, e com certeza, me ensinaram que o simples é, na maioria das vezes, muito mais gostoso. Eles transformaram a minha vida, me trouxeram uma responsabilidade que não era minha, mas que eu peguei pra mim como se fosse a coisa mais importante do mundo. E... bem... obrigado mesmo por ter me mostrado como se reerguer depois de um tombo. Mesmo quieta lá no seu canto, sofrendo sozinha, tentando não passar isso nem pra mim nem pros meninos, a gente sempre soube o que tava acontecendo, e sabia o motivo. Mas a dor era só sua. Hum... Acho que esses anos de amizade, de banda, de vida, foram excepcionais. É maravilhoso ter amigos assim como vocês. Ter uma família assim como vocês. Porque sem isso, eu acho que hoje nós não estaríamos aqui. Nem tendo duas quase formandas... – apontou pra e – Nem uma banda... – apontou para si e para os meninos – Nem duas crianças. – olhou para Johny, que não prestava atenção no que ele dizia – Enfim, não seríamos nada. Não teríamos dado o primeiro passo. O primeiro show. E eu nem acredito que hoje faz dois anos! A nós!
Assim que terminou de falar eles brindaram. limpou as lágrimas que teimavam em cair por seu rosto. Não era o momento de chorar.
Todos no clima de festa, emoção e felicidade. , claro, era uma exceção. Não podia estar feliz com aquela situação. Estava contente pelo irmão e pelos amigos, pela banda em si. Mas sua vida, naquele momento, não era digna de felicidade. Ela poderia desmoronar a qualquer momento sem aviso prévio. Aí sim, seria o inferno.
e foram escalados para lavar a louça. Foi, digamos, no mínimo, engraçado. Era água, espuma, e pratos voando.
- Nunca mais deixo duas crianças lavarem a louça na minha casa! – disse, rindo ao ver a bagunça que os amigos faziam.
- Na próxima é você que lava, então! – disse, o fazendo rir.
- Mãe, por que o tio tem que lavar a louça? Ele não pode ir brincar comigo?
- Porque tem, meu amor, um dia você vai crescer e vai ter que lavar a louça também! – colocou o filho no colo e ele fez careta ao ouvir o que ela dizia.
- Quando o mano vai acordar?
- Hum... não sei. Deixa ele dormir, ele tá dodói.
-Ah! – Johny fez beiço e deitou no colo da mãe.
- Olha quem tá descendo! – gritou, assustando o menino que quase dormia.
- Mano!
descia com Henry nos braços. O menino tinha o rosto todo amassado do travesseiro.
- Hey, meu pequeno. Dormiu bem? – perguntou ao o menino, que respondeu com a cabeça.
- Tô com fome, mãe!
- Novidade, hein?! – Ela pegou a mão do garoto e levou-o para a cozinha, sendo seguida por Johny e .
- Não nega, né? – observava os meninos que estava na mesa da cozinha conversando sobre algum muito animado.
- Nega o quê? – pareceu sair dos seus pensamentos ao ouvir o namorado.
- Que são filhos do pai deles. – Respondeu meio rindo. Ao que ela fechou a cara olhando pra porta.
- E quem é o pai deles? – Aquela pergunta soou como uma facada no coração. Não podia ser possível. Ninguém precisava daquilo, certo?
- Ai , como você é indelicado, meu amor. – Izzy chegou atrás dele o abraçando. Agora o circo estava completo, com direito a palhaços e tudo.
- É , como você é indelicado. – enfatizou a frase, com uma dose de ironia.
- Você cala a boca, Izzy. – olhou pra ela, que fez beiço.
- É, sai daqui, não era nem pra você estar dentro da minha casa. - perdeu o controle e recebeu olhares de todos que estavam na cozinha.
- Calminha aí, essa casa não é só sua. – Izzy usou seu tom mais superior.
- Não? É do meu irmão também? Tenho certeza que ele não vai se importar se eu te pôr pra fora daqui pelos cabelos. – Cada palavra saía com um ódio que dava medo.
- Calma, . – chegou na frente da namorada, que estava tremendo.
- , o que houve pra você ficar assim, tão nervosa? – chegou perto dela.
- E você, sai daqui também. Você nunca devia ter voltado! – Agora foi a vez de a defender – Pega essa vagabunda, - apontou pra Izzy, que ainda estava estática na porta – e some daqui. – A essa altura já estavam todos assistindo a cena.
- O que é isso? Vai defender a princesa agora? – pareceu se ofender.
- Vou, ela é minha namorada e vocês não são bem vindos aqui.
- Fale por você, e não pelo dono da casa! – reprimiu-o.
- Então deixe que o dono da casa fale, . – entrou na cozinha – Você não é bem vindo aqui! – Todos, inclusive , olharam para , que estava realmente bravo e com uma expressão muito séria.
- O quê? – perguntou atônito.
- Você ouviu , FORA! – gritou e fez com que os sobrinhos começassem a chorar.
virou as costas e, a cada passo que ele dava para fora da cozinha e, posteriormente, da casa, fazia estremecer. Não sabia ao certo se era de alívio, por ele estar indo embora novamente e não atormentar seus pensamentos e sonhos nunca mais, ou por ele estar indo embora novamente, deixando-a para trás com seus dois filhos e o amor que ainda sente por ele, mesmo que negasse. Enfim, o que era fato era que ele estava indo embora novamente da casa. Não se sabia o que ele iria fazer da porta pra fora. Podia acabar com o casamento dele e voltar a ser o -mala-sem-alça de sempre, e não esse homem prepotente em quem ele se tornou. Talvez realmente fosse bom que ele voltasse pro mundinho dele, se lá ele era feliz, né? O que ele queria aqui, incomodando quem estava tão bem?
- Calma, meus amores! – Ela tentava, em vão, acalmar os filhos que soluçavam e fritavam.
- Ah, , desculpa.
- O tio não quis brigar, viu? – Olhou para o irmão, que parecia muito embaraçado.
- É! É! Eu tava brincando o com tio .
Enquanto os tentavam acalmar as duas crianças, e se entreolhavam, como sempre, e cochichavam de vez em quando. saiu da cozinha acompanhado de e .
- Eu fiz mal? – sentou no sofá.
- Eu teria feito o mesmo! – sentou-se também.
- E perdi o controle. – Apoiou os cotovelos no joelho e a cabeça nas mãos.
- Calma, dude. Você só a defendeu de algo que a faz mal. – disse, olhando sério para o outro.
Depois do ocorrido, cada um foi pra sua casa, exceto , que ficou ali com a namorada. Ela precisava dele mais do que nunca.
- Eles já dormiram? – perguntou ao ver a irmã descendo e sentando ao lado de no sofá.
- Sim, enquanto eu não respondi o porquê de todo mundo estar brigando eles não descansaram. – Disse, suspirando alto.
- E o que você disse? – O irmão a olhou espantado.
- Que era tudo uma brincadeira. Não era uma briga.
- Eles acreditaram? – perguntou, no mesmo tom de antes.
- O Henry sim, mas o Johny...
- Normal!
- Sabe o que o Henry disse, ? – baixou o olhar e o irmão a olhou preocupado – Que aquele tio era legal, e que você não podia brigar com ele. E que ele tem que vir brincar com ele um dia. – Disse, engolindo a seco e permitindo que o silêncio tomasse conta da sala.
Aquele dia tinha sido cheio. Tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Tantos confrontos com a mesma pessoa, e justo aquela que não devia nem estar ali. Não devia ter voltado e feito tudo dar a volta. E Henry. Ele tinha que tornar tudo mais difícil? Ele tinha que odiar o . Ele não podia ser legal com aquele crápula. Definitivamente, seria muito difícil. Os tempos que estão por vir serão complicados, muito complicados.


CONTINUA...

N/A: Meninas, primeiramente eu queria pedir mil desculpas para vocês. Culpa toda minha, eu sei. Eu passei por alguns problemas pessoais bem chatos. Mas agora estou de volta e prometo melhorar a freqüência de atualizações de POV. Quero bastantes comentários, heim! Nem que seja para me xingar bastante pela demora, ou pela história. E me desculpem mais uma vez.
Beijos!