Platinum
Escrito por: Paat
Betado por: Marie M.



- . – A voz de minha mãe cantarolou em meu ouvido.
- Hum... – Resmunguei e procurei pelas cobertas, tiradas repentinamente.
- Hora de levantar. Escola. Animada? – Ela estava poupando as palavras, provavelmente estava se segurando para não me chutar para fora do colchão.
- Se eu disser que não, você vai me deixar dormir? – Fiquei sentada e fiz biquinho.
- Não faça isso, ! – Minha mãe falou chorosa, pulando na cama e sufocando-me em um abraço de urso.
- Mamãe... – Tentei puxar os braços dela para longe. – Não faça uma cena tão cedo.
- Não posso evitar. – Ela fungou e largou-me. – É seu último ano, você era tão pequenina... – Ela usou a mão e fez uma altura imaginária com o chão.
- Certo, você me deu um motivo para ir, último ano de tormenta. – Levantei os braços, pulei da cama e fiz uma dancinha animada.
- Eu realmente preciso de uma câmera. Mamãe, você entende que ao tomar meu celular, me impede de filmar cenas como essa? – Meu irmãozinho, Gabe, apontou para mim, e eu parei minha dança.
- Está de castigo, Gabe. – Mamãe disse séria, recuperada de seu drama, saindo de meu quarto resmungando sobre como seus filhos eram rudes.
- É, Gabe, acho que ela gostava mais de você quando era pequeno e só fazia chorar... – Levei as mãos a meu rosto, fingindo chorar. – Ah, espera, você ainda é pequeno e só faz chorar. – Abri a boca, fingindo estar surpresa.
- Engraçada você. – Ele bocejou e saiu do meu quarto. Se você quer ofender o Gabe, fale o quão baixinho e mimado ele é. Sempre funciona.
Relaxei, aproveitando o silêncio de meu quarto e pensei no que o resto do ano seria. Finalmente, daria adeus aquele colégio e poderia me dedicar a ajudar em casa. Aquilo me animou.
Alisei meu uniforme, bem passado, em cima da cama. A Academia Imperial não aceitava uniformes desarrumados, a não ser que isso fizesse parte das suas modificações. É, podíamos modificar nossos uniformes. Mas apenas os alunos de grande status faziam isso. Não era para mim, obrigada.
Tomei uma ducha rápida, e usei o secador em meus teimosos cabelos. Coloquei o uniforme bem em tempo de ouvir Gabe me chamar no andar de baixo. Coloquei a gravata de qualquer jeito e sai pulando do quarto, tentando colocar os sapatos.
- ! – Gabe chamou da base da escada. – Ande, vamos nos atrasar...
- Eu sei, eu sei... – Desci a escada rapidamente, tropeçando no final.
- Não vai tomar café? – Minha mãe perguntou do corredor.
- Eu como alguma coisa por lá, até mais tarde, mamãe. – Falei, e bati a porta atrás de mim.
- Bom dia, . – Papai me abraçou de lado e abriu a porta do carro para mim.
- Bom dia, pai. – Dei um beijo em sua bochecha e sentei-me no banco. Gabe já estava atrás, entretido com seus livros novos.
- Finalmente Gabe está estudando no mesmo prédio que você. – Papai falou, ligando o carro e eu balancei a cabeça, concordando.
- Chamar a Academia Imperial de prédio é um crime, pai. – Gabe disse, soltando um olhar cortante do banco de trás.
- Não posso evitar, você quer que eu chame como? Mansão? Palácio? Taj Mahal? – Papai brincou, rindo, o que fez Gabe revirar os olhos.
- Não ligue para ele, pai. Ele só está nervosinho, por que agora vai ser um calouro e não tem mais nenhum poder por ser do Grêmio ou algo assim. – Comentei, olhando para trás, vendo Gabe me fuzilar.
- Só espere, , eu vou fazer em um ano, o que você não fez em uma vida estudando na Academia Imperial. Já fui do Grêmio ano passado, vai ser uma questão de tempo até eu ser do Grêmio esse ano.
- Aham. Por que é muito normal alunos das classes de Bronze tornarem-se parte do Grêmio de uma hora para outra. Não, espera, Bronzes não se tornam membros do Conselho em nenhuma hora. Uma coisa é ser do Grêmio das criancinhas, Gabe, mas o prédio matriz da Academia Imperial é onde os alunos são preparados para ingressar em grandes faculdades ou assumir o negócio de seus pais. Não para brincar. Deveria se preocupar em inscrever-se nas matérias de cálculo e administração, assim, você vai poder assumir os negócios da família. E não em organizar eventos e fazer social. – Virei-me para frente, deixando Gabe me cortando com o olhar.
- Gabe, não escute sua irmã, você pode fazer o que quiser, isso inclui o Grêmio Estudantil. – Papai disse calmo, olhando para mim, me repreendendo.
Revirei os olhos. Nesse ritmo, a empresa nunca mais iria andar para frente.


A Academia Imperial era a escola para onde os famosos, políticos, ricos empresários, donos de grandes propriedades, ou qualquer família com uma conta bancária bem gorda, mandava seus herdeiros.
Éramos divididos por classes: Bronze, Prata e Ouro. Os de Bronze, a princípio, são todos os que acabaram de ingressar no colégio, podíamos passar para a classe Prata juntando pontos de bonificações ganhos dos professores, de trabalhos extras ou qualquer outra atividade realizada pelo bem do colégio. Juntar pontos o suficiente, era muito difícil. Eu estava naquele colégio desde que aprendi a escrever e até hoje estou muito longe de deixar de ser uma Bronze. Na verdade, nunca chegarei perto de sair de minha classificação, eu não sou exatamente a aluna favorita da Academia Imperial. Meu passado me condena e se há uma coisa que pessoas esnobes levam em conta, é o passado...
O outro modo de tornar-se um Prata, era ser muito rico. Todos eram muito ricos, ou tinham uma pequena fortuna, ou contatos muito bons. A maioria dos Pratas do colégio, são alunos cujos pais mandaram dinheiro para o fundo da escola. Uma nova biblioteca aqui, uma reforma nos laboratórios ali, um novo ginásio, um aumento no salário dos professores, um cardápio requintado no refeitório, tudo que era extensivo demais, era pago com o dinheiro de alguém interessado em ser Prata.
E a classe de Ouro. Bom, só existe um Ouro em todo o colégio. E só há um modo de ser Ouro. Você tem que ser muito rico, claro – como em toda classe daquele colégio, o critério básico dali era ser rico -, mas tem que ser o mais rico do colégio. Além disso, você tem que aceitar o cargo de presidente do Grêmio Estudantil.
O Grêmio da Academia Imperial é muito valorizado, não quero ser levada a mal. Mas a maioria das pessoas que estão lá, já tem um futuro muito bem garantido, já tem fama o suficiente, dinheiro o suficiente, propriedades suficientes...
O presidente do Grêmio é o líder da Academia Imperial. Ele representa os desejos dos alunos e, acredite, não há um aluno no colégio que vá contra a decisão do garoto de classe Ouro.


O carro parou e papai olhou apreensivo para Gabe e eu. Gabe murmurou qualquer coisa e correu rapidamente, provavelmente estava muito ansioso para vasculhar cada lugar.
- Precisa de alguma coisa? – Papai perguntou desconfortável.
- Não... – Puxei minha bolsa, vendo se tinha tudo lá. – Tudo aqui.
- Precisa de dinheiro? – Ele apressou-se, tirando a carteira do bolso.
- Pai. – Empurrei a mão dele de volta. – Guarde seu dinheiro, não preciso, tá?
Ele pareceu desapontado. O beijei na bochecha novamente, pulei para fora do carro e acenei. Ele se deu por vencido, sorriu para mim e foi embora.
Coloquei a mochila nas costas, ajeitei os sapatos e apertei a gravata. Definitivamente não seria mandada para a detenção no primeiro dia de aula.
Mesmo que estivesse há alguns anos estudando no “prédio” principal da Academia Imperial, eu não podia me impedir de ficar boba observando o lugar. As paredes, todas de antigos tijolos, realmente faziam do lugar um castelo digno de conto de fadas. O portão principal, diziam os boatos que era de Ouro, era enorme, e devia ter a altura da minha casa, e minha casa nunca foi pequena. A maioria dos alunos já subia as enormes escadas que levavam para dentro do colégio. Ou, melhor explicando, onde começa o colégio. Por trás do prédio principal, há outros diversos anexos interligados. A propriedade era enorme. Nós utilizávamos os anexos, o prédio principal era usado para a parte administrativa e pelo Grêmio – e claro, para impressionar os desavisados que nunca pisaram ali.
Passei pelo portão, tensa, era ali onde os assistentes observavam seu uniforme e infrações que eu poderia estar cometendo. Alegrei-me, quando o assistente interceptou um Bronze a minha frente e me ignorou enquanto eu subia as escadas. Apressei meus passos, sem correr, já que era proibido. Cruzei o arco da enorme construção e considerei-me dentro da Academia Imperial.
Procurei por algum rosto conhecido. Dando-me conta de que as maiorias dos rostos ali eram conhecidos, tendo passado a vida frequentando o lugar. Mudei o pensamento, procurando alguém que fosse uma amizade.
- . – Ouvi uma conhecida voz atrás de mim.
- ! – Joguei meus braços ao redor de minha melhor amiga. – Que bom que você já está aqui. – Falei contente, soltando-a. sempre chegava atrasada.
- Você praticamente me ameaçou de morte no telefone ontem à noite, se eu não chegasse cedo... Não quero imaginar o que você faria comigo. – respondeu em um tom sereno, mas rindo.
- Eu jamais faria algo de ruim com você... Não tão ruim. – Eu ri, pegando a mão de e a carregando comigo em direção as salas do último ano.
não relutou. Se fosse qualquer outra pessoa, ela teria o feito. Na maioria das vezes, se alguém esbarrasse nela acidentalmente, ela chutaria a bunda da pessoa o mais longe possível. E isso, após ter obrigado a pessoa a pedir desculpa. E tudo com muita classe. Nunca vi uma garota tão educada como a Meg – quando não estava chutando pessoas, claro. Ela era uma Prata. Seu uniforme trazia reluzentes botões prateados que indicavam isso. Seus pais construíram um incrível laboratório quando ainda tínhamos doze anos, desde então ela tornou-se uma Prata. A única Prata que falava com Bronzes. No caso Bronzes, lê-se: eu.
No arco que dava passagem ao resto da escola, estava a listagem com o nome de todos os alunos e suas bonificações, eu não procurava mais pelo meu. Mas pude ver o nome dos membros do Grêmio, e um pouco mais abaixo, . Ótima aluna, certo?
Atravessamos os jardins bem tratados do colégio. Durante as férias, a Academia Imperial contratava pessoas especializadas para fazer a manutenção de todos os jardins – não são poucos -, com o início das aulas, alguns alunos tornavam-se voluntários para a tarefa. A beleza do ambiente é algo que essa escola leva em conta, pessoas preocupadas com isso ganham muitos pontos.
Chegamos as salas do último ano, o corredor abarrotado de garotas histéricas falando sobre suas férias nos Alpes, em Paris, no México. Qualquer lugar que estivesse na moda. Com algum esforço, eu consegui alcançar o quadro de informações. Ninguém estava realmente interessado em saber em que sala estaria, a maioria estava ali para fazer contatos e o primeiro dia de aula era o mesmo que dizer “Hey, venham para o colégio e compartilhem dicas de hotéis e restaurantes”. Procurei pelo meu nome e o de . Estávamos na mesma sala, comemorei silenciosamente e continuei a observar o nome dos alunos que também seriam nossos colegas. Atrás de mim, o barulho parou e meus olhos chegaram ao nome mais destacado daquelas listas. Senti uma mão sobre o meu ombro e congelei. Eu sabia a razão das garotas estarem prendendo a respiração e olhando friamente para mim. Fiquei paralisada e por um momento, me esquecia de como respirar. No final da lista, estava um fato inédito. O nome do presidente estava incluso em minha sala. Jones.
- Desculpe, você poderia se mover? – A voz irritante da vice-presidente, Alisha, despertou-me.
- Ahn... – Tentei formar uma frase, a mão ainda em meu ombro. Todos olhavam para mim e meu cérebro entrava em pânico.
- Venha. – Eu escutei a voz de firme, tive a sensação de que ela empurrara a mão e puxava-me pelos ombros.
- Bronze. – Alisha falou azeda, em seu tom de desprezo.
- Você está bem? – perguntou, oferecendo-me uma latinha de refrigerante que tinha em mãos. Estávamos de volta aos jardins, deixando os olhares cortantes para trás.
- Acho que sim. – Aceitei o refrigerante, ela nunca tomava, provavelmente havia pegado por mim.
- Você estava parada. Parecia uma estátua. – Ela disse, jogando o cabelo para trás e sentando-se em um banquinho de pedra.
- Eu não sei, entrei em pânico. – Falei, abrindo a lata.
- Motivo? – estreitou os olhos, esperando uma resposta sensata.
- Hum... – Coloquei a latinha na boca, sem me preocupar com germes e coisas do tipo.
- Não me diga que você ainda está pensando nele. – subiu o tom, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam por nós.
- Não, , nossa, não. Eu sai dessa. – Eu falei, desviando o olhar, enrubescendo.
- , sério, não volte para esse buraco negro, tá? – colocou alguns fios de meu cabelo para trás e eu assenti. – Apenas aguente firme. É só um ano. O último. – Sorriu.
sabia como eu achava todo aquele lugar fútil e sem graça. Eu passara grande parte da minha vida inventando motivos para não ir ao colégio, arrumando confusão quando ia. Quando eu resolvi viver em paz o resto de minha vida escolar, era tarde demais e nenhum professor acreditava em minha “recuperação”. Nenhum acredita até hoje, até mesmo as moças que trabalham no refeitório estreitam os olhos para mim. Por meses fiquei preocupada se elas cuspiam na minha comida, como vingança por minhas pequenas peças dos tempos de vandalismo.
- Vamos. Eu não cheguei cedo para você ficar resmungando do lado de fora da sala quando nós não conseguirmos entrar. – Ela levantou, deu alguns passos e esperou por mim.
- Sim. – Eu disse.
Joguei a latinha no lixeiro, e peguei a mão dela novamente. sorriu e deixou que eu a guiasse em direção a sala.
Eu não ousaria perguntar a , pois ela provavelmente iria passar um grande sermão sobre como eu posso ser obsessiva com certas coisas. Mas eu sabia muito bem de quem era a mão sobre o meu ombro. Jones. . Nosso presidente.
Aqui vai minha confissão: se eu pudesse escolher apenas uma razão para ser do Conselho Estudantil e participar de todas essas atividades do colégio, seria ele. Minha primeira, e até hoje única, paixão: . Claro, antes eu teria que pedir para conseguir falar com ele corretamente sem me sentir assustada.
Sacudi a cabeça, eliminando esses pensamentos. Entrei na sala, a conversa se esvaiu e os olhares voltaram-se para mim. Ignorei os cochichos maldosos das garotas e sentei-me
na parte mais afastada da sala. bem ao meu lado.
Assim como dizer que a Academia Imperial é um prédio, é um erro muito grande chamar as salas de aulas de salas. Eram verdadeiros auditórios, semelhantes a teatros gregos, ou anfiteatros, bom, o nome não vem ao caso agora. Não eram tão grandes, mas seguiam a mesma idéia de meia-lua. Nossas carteiras – que eram unificadas - subiam um nível a cada fila, formando uma espécie de escada com os lugares. Lá embaixo, ficava o nosso professor. Em cada sala, havia um número fixo de alunos e uma distância mínima de aluno para aluno. Conversas não eram permitido, claro. Em outros colégios, conversar poderia ser fácil, mas devido a estrutura da sala, a acústica era muito boa, uma onomatopéia que eu soltasse do meu lugar, no alto da sala, seria escutada pelo professor na base.
- Você começou bem esse ano. – Vi aproximar-se e escolher o lugar a minha frente. – Os olhares estão quase me dando pena de você, . – piscou para mim, brincalhão. – Como vai, ? – Ele perguntou com ênfase no .
- Estava bem até agora. – Ela disse dura, não gostava que outras pessoas a chamassem de .
- O que aconteceu? – provocou.
- Cínico. – puxou a mochila, colocando-a na mesa e abaixou a cabeça.
- Depois eu que comecei bem o ano. – Estiquei-me, dando um peteleco na testa dele.
- Você vai ver, um dia eu dobro a fera. – massageou a testa, e observou .
Revirei os olhos. Há dois anos ele tentava fazer notá-lo, mas ela não era do tipo que se impressionava facilmente. Se ela quisesse ser a garota mais desejada daquele colégio, ela poderia ser. Ou talvez ela já fosse. Nunca fui muito ligada nisso. era uma amiga e isso era tudo. Provavelmente o mesmo aplique-se ao , mas ele tem suas conquistas. Mesmo dizendo que todos os seus olhos serão sempre de . Sorri. Seria divertido ver os dois juntos.
Observei uma movimentação formando-se nas primeiras fileiras, só para notar que já se encontrava sentado. Ao seu lado, estava o tesoureiro, e amigo, .
Ao contrário de , que conversava com as pessoas ao seu redor e sorria, parecia extremamente desgostoso. Uma garota ao seu lado tentava chamar sua atenção, ele só bufava e virava seu rosto. Vi sussurrar alguma coisa para ele, que resmungou e pediu licença a garota.
saiu da sala, esbarrando em alguns alunos novatos sendo trazidos por um assistente. Ele pediu desculpas e o assistente concordou. Bufei. Se fosse eu, teria levado uma advertência e no mínimo teria sido mandada para a diretoria.
levantou-se e cumprimentou os novatos. Ofereceu seu lugar para um deles, que surpreso aceitou. As garotas ao redor suspiraram com o cavalheirismo de . Não posso negar, também fiquei encantada. Mas escondi isso, percebendo que comentava alguma coisa comigo.
- ...novatos do que no ano passado. Quem sabe se esse ano terá alguém interessante? – perguntou e eu concordei.
considerava e eu, pessoas interessantes. Em sua escala de excentricidade, ele nos dava um nove, de zero a dez. Dizia que o fato de sermos amigas diminuía o mérito de sermos diferentes do resto das pessoas ali.
Quando ele chegou ao colégio, alguns anos atrás, era bem popular no começo, andava com os Bronzes que mais tinham bonificações – que os tornavam os mais populares entre os Bronzes – e fazia amizade facilmente. Depois de um tempo, ele disse que se sentiu entediado e resolveu fazer amizade com as párias da Academia. No caso, eu e . Ou, somente eu. Levando em conta que isolava-se do resto por que queria. Claro, ele não falou desse jeito. Ficaria surpresa se soubesse o que são párias. Ele só descobriu a palavra excentricidade depois que o ajudou a nos definir. O que era bem contraditório no caso dele, julgando que ele era muito inteligente e nunca tinha problemas para manter boas notas.
Ele continuou a murmurar e observar as pessoas que iam tomando seus lugares. Pouco a pouco a sala foi enchendo e só sobravam os lugares ao nosso redor. As pessoas que chegaram naqueles últimos minutos antes do sinal, lamentavam e arrastavam-se até um dos lugares restantes.
Um assistente trouxe o último aluno que se juntou a turma. Ele sentou de meu outro lado e parecia ignorar completamente nossa existência. Ouviu as últimas instruções do assistente – que pelo que pude perceber, estavam sendo em vão. Quando o pobre assistente foi embora, o garoto fez uma bola com seu chiclete e pude ouvir algumas garotas arfarem horrorizadas.
Gargalhei baixinho, vendo os olhos de brilharem e ele pedir para trocar com a garota ao seu lado. A menina revirou os olhos, mas aceitou, parecia feliz em não preocupar-se em ter seu cabelo misturado a chiclete.
- Um conselho, eu jogaria isso fora. – Apontei para sua boca, enquanto ele olhava-me alheio.
- Oi? – Ploc. Ele fez mais uma bola, que estourou em seu rosto, escutei risinhos maldosos da sala e por um momento pensei em mandar todos cuidarem de suas vidas.
- O chiclete, jogue fora, você não quer meter-se em encrenca no primeiro dia. – Ponderei se era seguro falar com o garoto, ele não parecia muito interessado em me dar atenção.
- Ela tem razão. De encrenca é algo que entendemos. – falou para o garoto que tirou o chiclete da boca.
- Isso? – Ele levantou o chiclete para mim.
- É. Mas não precisa me mostrar. – Completei com certo jogo. - O lixeiro é lá na frente. – Apontei para o pequeno cesto próximo a porta.
- Ah, muito longe. – Ele olhou para mim e depois para e colocou sua mão por baixo da bancada.
Eu e trocamos um olhar surpreso e seguramos um riso. Bom, eu segurei. Imaginei a regra que logo seria adicionada ao nosso manual: não cole chicletes em sua mesa. gargalhou estridente e ofereceu a mão em cumprimento.
- .
- . - Ele apertou a mão de meu amigo.
- E aquela é . – Levantei uma mão e acenei para ele.
- Ela é sempre mandona? – Ele perguntou para .
- Eu, mandona? – Me senti ofendida. Tentar ajudar uma pessoa dá nisso.
- Não... Ela não é mandona. Pelo menos, não até onde eu sei... – levou a mão ao queixo e pareceu pensar. Peguei minha mochila e joguei nele. – Não, não. Ela só estava ajudando. – Ele jogou a mochila de volta, e deu língua.
- Tá vendo? Até quem não me conhece tem uma imagem errônea de mim. – Fiz beicinho.
- Ah, foi mal, você ficou mandando eu jogar meu chiclete fora. Então, eu juntei um mais um. – deu de ombros e sorriu para mim. Ele tinha um sorriso tão infantil.
- Tudo bem. Mas eu não mandei, eu disse que era um conselho. – Pensei no que havia dito e balançou a cabeça em concordância. deu de ombros mais uma vez e murmurou desculpas. Eu balancei a mão no ar e emendou outro assunto qualquer. Ele interrogou , até que nosso professor chegou e todos nos viramos para frente.
Tentei reconhecer o professor, dando-me conta de que não o conhecia, cutuquei , que deu de ombros. Ele apresentou-se como professor Jared e falou que era seu primeiro ano ali. Conversou um pouco com os alunos mais na frente. Vi cumprimentar o novo professor e metade das garotas ali derreteram-se. Eu até achava bonitinho o fato de que ele era simpático, mas eu sabia que ele não era assim no fundo. Bufei. Não há coisa pior do que fingir ser sociável. Eu já tinha tentado.
Ao meu lado, parecia interessada no que o professor dizia e não piscava. Mas bem, essa é . Ela sempre teve notas exemplares. Assim como . E eu ousaria dizer que também tem. Eu sou, provavelmente, a única aluna de toda a Academia que não dá a mínima para os estudos e tem que se esforçar muito durante o período de provas.
Mexi em meu cabelo, pensando em como seriam as provas desse ano e provavelmente eu fiz isso de um jeito muito escandaloso.
- Senhorita... – O professor Jared olhou para mim.
- . – Ouvi os murmúrios das pessoas na sala e bufar em desaprovação.
- Senhorita , posso saber o motivo de estar tão... – Ele levou as mãos a cabeça e fez o mesmo movimento que eu fizera. A sala inteira parecia rir.
- Nada, senhor. Desculpe se tirei sua atenção. – Não é do seu interesse, senhor. Mas eu não diria isso. Estava em paz com o colégio até aquele ponto – mesmo o ano só tendo começado – não iria mudar isso por uma simples piadinha.
- Não tirou. Mas fique atenta ao que estou dizendo, sim? – Ele juntou as mãos e apoiou-se em sua mesa.
- Sim, senhor. – Respondi, mantendo minha visão firme.
- Professor. – levantou a mão no ar.
- Sim, senhor... – Professor Jared virou sua atenção para .
- . – fez uma careta ao mencionar o sobrenome, não tinha uma relação muito boa com a família e seus desejos.
- Diga, senhor .
- Você é do tipo que tem prazer em marcar alunos ou do tipo que tem prazer em marcar alunos? – perguntou, descaradamente, tomando minhas dores.
- . – Murmurei, tentando chamar sua atenção.
- Senhor – O professor começou a responder, e todos pareciam prender a respiração. – aqueles que me derem motivo para isso, eu manterei um olho, pode ter certeza. – Ele sorriu e virou-se para o quadro. – Isso é tudo?
- Sim. – respondeu, estudando o professor.
Suspirei aliviada, repreendendo-o com o olhar, ele me ignorou e puxou um caderno.
O resto do dia passou lentamente, com professores entrando e saindo, novatos perdidos e Pratas dando ataques sempre que um Bronze fazia algo errado. Ou algo que eles consideravam errado.
- Pronta para o almoço? – sacudiu meus ombros, guiando-me até a fila.
- Seja o que Deus quiser. – Eu falei, aceitando o prato que me oferecia.
- O almoço aqui é tão ruim assim? – pegou um prato, parecendo assustado.
- Não... Só tente não parecer muito próximo a mim quando elas forem perguntar o que você quer. Melhor, tente não parecer próximo a mim em nenhum momento até que tenha sua comida salva no seu prato. – Alertei o garoto que resolvera apadrinhar.
- Agora, este é um bom conselho. – comentou.
- É, não estou tentando mandar em você ou nada do tipo... – Acrescentei, lembrando do incidente mais cedo.
- Relaxe. Eu entendi. – pareceu estar divertindo-se.
Para minha surpresa, a atendente que veio falar comigo, era nova e parecia não se importar com os olhares de alerta – ou ódio – das companheiras de trabalho. Ela foi tão gentil que me fez desconfiar.
Sentei, aliviada, na mesa. Examinei o caprichado prato de macarrão que eu tinha ali. Ao meu lado, já comia seus sushis, assim como . ainda parecia admirado com a variedade de opções e estava na fila tentando escolher.
- Novatos, tão previsíveis. – murmurou, colocando um pedaço de algas na boca e conversando de boca cheia.
- Mastigue primeiro. – o repreendeu, colocando a mão na frente dos olhos, evitando a visão.
- Nossa, , as férias te fizeram esquecer como se come? – Dei um gole no refrigerante e comecei a enrolar o macarrão no garfo.
- Hum... – engoliu e tomou um longo gole de suco – Ninguém está olhando mesmo. – Ele deu de ombros, como se eu e não importássemos.
- . – olhou para mim, suplicando. Balancei a cabeça, negando. era uma boa companhia.
- Achei vocês. – sentou na cadeira, com um prato cheio de comida.
- Não conseguiu decidir? – Perguntei, tentando identificar tudo que ele tinha escolhido.
- Não... – Ele parecia decepcionado consigo mesmo.
- Tudjo bin, care. falou e eu e olhamos com uma interrogação para ele. – Tudo bem, cara! Melhor? – Acenei que sim com a cabeça. – Quando eu cheguei aqui também fiquei assim. Quero dizer, o portão? Incrível. A escada? Cansativa. Todas as rígidas regras? Você acaba acostumando-se a não conseguir cumpri-las. O castelo? Direto de um livro. Mas a comida? Fantástica. Você nunca enjoa já que ele tem todas essa variedades. – Ele abriu os braços, mostrando a quantidade de alimentos que existia.
E então eu voltei minha atenção ao macarrão, deixando e comunicando-se entre uma mordida e outra. Algumas mesas depois da nossa, o Conselho Estudantil estava sentado. Não havia nenhuma garota rodeando a mesa, a julgar que Alisha estava sentada agora. Nenhuma garota em sã consciência tentaria se impor na presença da vice-presidente.
Aquela história de medo se impõe e respeito se ganha? Bom, digamos que o respeito fica com e o medo com Alisha.
No entanto, parecia aéreo a conversa de Alisha. ainda não estava com ele, não voltara desde o momento que saiu mais cedo da sala. Ele parecia, pela primeira vez, não estar aguentando Alisha e suas investidas. Durante anos, eu vi Alisha, sem vergonha, oferecer-se para . Ele nunca aceitou, não até onde eu sei. Mas também nunca foi do tipo que ignorava e respirava fundo como se aquilo fosse um tormento. Eu faço esse tipo de coisa, então sei o que ele está tentando fazer.
Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa para – ou reunir coragem para fazer isso – a hora para voltarmos a sala chegou. Não tínhamos aula imediatamente depois do horário do almoço, ganhávamos um descanso para nossos estômagos. Até por que, teríamos Educação Física, o que longe, era minha matéria favorita.
Quando eu pude, carreguei para o vestiário, antes que estivesse cheio e as garotas começassem com sua ladainha. Nos trocamos. Senti-me feliz por tirar a gravata e trocar toda aquela roupa séria por uma camisa, short e tênis. Fui pulando, excitada, até o ginásio.
A professora já estava lá, preenchendo alguma coisa em sua caderneta, nos viu, acenou e mandou que esperássemos no banco. A nossa aula de educação física era algo bem simples. Ou você consegue imaginar riquinhos ficando realmente suados e exaustos sem grande motivação? Na maioria das vezes só ficávamos correndo ao redor da quadra. A maioria das atividades divertidas eram reservadas aos extras daqueles que praticavam esportes. Por conta de meu sujo histórico, nem passava pela minha mente me meter em mais uma aula, mesmo que eu fosse muito boa, alguém daria um jeito de acabar com minha festa.
Aos poucos, os alunos foram chegando e a professora mandou que começássemos a nos exercitar. e chegaram rindo de alguma coisa e juntaram-se a nós em alguns polichinelos.
insistia em ajudar a fazer os exercícios, essa que retrucava, fazendo os dois serem suspensos da aula. Eu segurei o riso.
- Pela primeira vez, você dois me superaram e foram colocados para fora sem minha interferência. – Levantei os braços para o alto, enquanto resmungava e mostrava o dedo mindinho para mim. Mostrar o dedo do meio era uma infração muito grave, nós tínhamos aprendido isso.
- Vocês são realmente alunos problemas, não é? – perguntou.
- É... Eu bem que te diria isso, mas você parece estar amigo do . – Dei de ombros.
- Não, eu nunca fui muito certinho. – Ele sorriu como uma criança e voltou aos seus exercícios.
- Desculpe. – Ouvi alguém dizer logo após ser atingida por um braço bem na cabeça. Perdi o equilíbrio e me apoiei na pessoa. – Estava distraído. Você está bem? – Reconheci a voz.
- Aham. – Idiota. Fale uma frase inteira! – Estou sim. Não foi nada. – Percebi que minha mão segurava no braço de e ele me segurava de volta.
- Tem certeza? Você parece meio pálida. – Ele disse, me analisando.
- Tenho. Não é sua culpa. – Para falar a verdade, é total sua culpa. Mas eu não vou dizer isso.
- Eu acho melhor você ir na enfermaria. – falou, sem me soltar.
- Não, sério. Estou bem, além do mais, ela nunca vai me deixar sair, vai dizer que eu estou enrolando...
- Professora. – Ele me ignorou. – Estou levando a enfermaria. – A professora assentiu e eu abri a boca, surpresa. Mas claro, quem negaria um pedido ao Ouro?
- Não precisa. – Soltei o braço dele, mas ele não largou o aperto sobre o meu, e puxava-me em direção a saída do ginásio. Olhei para , em um pedido de socorro, mas ele somente olhava, sem entender.
- Vamos. – Quando dei por mim, ele estava batendo na porta da enfermaria.

Capítulo Dois

- Você poderia me soltar? – Puxei meu braço e ele finalmente o liberou.
- Desculpe. – Ruborizou e olhou a porta, batendo novamente.
Bufei como sempre faço quando não estou onde gostaria de estar. Ou pior, quando estou com muita vergonha. bateu mais uma vez e suspirou.
- Acho que ela não está aqui. – Ele olhou para mim, gentil.
- Eu já disse que estou bem. Você é surdo, burro ou o quê? – Opa. Falei demais. Levei a mão à boca, sentindo meu rosto esquentar.
- Desculpe. – pareceu surpreso, e me olhava incrédulo.
- E pare de se desculpar. – Ordenei. Virei, e sai em direção ao vestiário.
O que tinha dado em mim? Quando finalmente fala comigo, eu resolvo dar uma de louca e mandona? Isso provavelmente era culpa de , colocando aquela coisa de eu ser mandona na minha cabeça.
Fui martelando a cena na minha mente até o vestiário. Não havia ninguém lá, provavelmente estavam todos na aula ainda. Liguei o chuveiro, e coloquei minha cabeça embaixo, aliviando a tensão.
Comecei a bater minha cabeça na parede.
- Idiota. Idiota. Idiota. – Cada “Idiota” vinha alternado com uma batida na cabeça.
Quando senti minha testa latejar, parei, deixando a água escorrer sobre minha pele e uma dor de cabeça começar a vir à tona.
- Ótimo, agora eu vou precisar ir a enfermaria. – Desliguei o chuveiro, me amaldiçoando, procurei pelo meu uniforme, vestindo-me. – E justo quando eu pensava que meu primeiro dia ia ser tranquilo...

- ? – apareceu ao lado do amigo, que já estava de volta a sala.
- Melhorou o humor, ? – notou o garoto sentando-se ao seu lado.
- Na medida do possível, essas pessoas estão cada vez piores. – Ele respondeu, revirando os olhos e indicando as bancas da sala.
- Não diga isso. Você sabia muito bem o preço de tornar-se membro do Conselho. – recostou a cabeça no braço e virou-se para o outro.
- É... – suspirou, fazendo uma careta. – Não deveria estar na aula? – Ele ficou sério, lembrando-se de súbito que ainda era o horário de aula.
- Deveria. Mas Alisha estava tornando-se insuportável, eu não estava conseguindo me concentrar em um simples movimento com os braços. Acabei batendo em uma garota, aproveitei a chance para sair dali. – respondeu, virando a cabeça e batendo de leve na mesa.
- Você não suportando Alisha? – Fingindo-se surpreso, começou a rir. – Pensei que esse dia nunca iria chegar!
- Parece que a cada ano ela volta pior. – Ele bateu a cabeça novamente na superfície.
- Último ano, vamos nos animar.
- Isso vindo do cara que mais cedo ignorava uma de suas colegas... – Outra batida.
- É, mas ver você assim está me deprimindo. Vamos... Pare com isso. – levantou-se e puxou os cabelos de com uma mão. A outra mão ia no queixo do amigo, tentando segurá-lo e fazê-lo parar.
- Ahn... – Eles escutaram alguém tossir na porta e olharam. – Finjam que eu não estive aqui. – estreitou os olhos, segurando um maroto riso, dando meia volta.
- Espera. – chamou, já largara sua cabeça. – Pode ficar. Eu tenho que te... Erm... Pedir desculpas por agora pouco. – foi até a garota, desajeitado.

Oh, Deus. Quando eu penso que as coisas já estão ruins o bastante. Eu encontro e em um momento de carícias públicas. Tá, eles não estavam fazendo nada. Mas ver tão íntimo de alguém no meio da sala, é raro. Digo, nunca antes visto. Senti-me uma intrusa no ambiente.
vinha até mim, com a mão direita estendida e a outra sobre a cabeça, mexendo nos cabelos. A boca dele se mexia, mas eu realmente não estava escutando. Estava mais interessada em guardar a cena de andando em direção a mim sem jeito. Oh, céus. Ele provavelmente está esperando uma resposta minha, julgando que está parado a alguns passos de onde estou, com a mão ainda estendida.
- O que você disse? – Minha cara de bosta nesse momento deve ser linda. Onde está para fazer piadas de descontração quando se precisa?
- Nossa, você ainda está com raiva? – Ele abaixou a mão. - Não precisa me tratar tão mal. Juro que nunca mais toco em você. – Opa. O quê?
- Raiva do quê? – Segurei o riso que eu sabia que estava para vir.
- A aula, exercício, bati em você, sem querer, enfermaria, não tinha ninguém, desculpas, pare de pedir desculpas... – Ele enumerava os supostos motivos da minha raiva.
- Ah! – Apontei um dedo para ele. – Isso? Não foi nada. – Eu não ia fazer uma ceninha de novo. Ou pelo menos, iria evitar.
- Então, tudo certo? – Ele ergueu a mão novamente.
- Claro. – Dei de ombros, esticando minha mão também.
Saber que ele estava com a mão no meu ombro de manhã foi uma surpresa, ainda mais quando se tem a população feminina do lugar querendo te matar. Ser arrastada pelo braço dele foi revoltante, eu adoro Educação Física. Mas erguer minha mão, consciente do que eu estava fazendo... Ok. Eu não estava consciente.
Não sei o que ele sentiu, mas eu rezei para que minhas mãos não inventassem de suar, tremer ou ficar frias em meros milésimos. Um choque passou pelo meu braço e meu coração disparou. Boba, eu sei. Não posso evitar. Foram alguns segundos de prazer surreal, onde eu voltei anos na minha vida com um mal-humorado criança em minha frente enxugando minhas lágrimas.
Ele largou minha mão e eu virei meu rosto, indo em direção ao meu lugar, tentando esconder meu sorriso bobo. Vi de relance olhar para mim e para , achando graça da situação. Ou talvez fosse só fantasia de minha mente iludida com o toque de . Os dois saíram da sala alguns minutos depois.
Seja lá o que aquele aperto tivesse, foi o bastante para deixar o resto do meu dia cor-de-rosa.
- Hey, esse sorriso aí, tem um motivo? – apertou minhas bochechas quando nos levantávamos para ir embora.
- Que sorriso? – Perguntei, afastando as mãos deles e massageando minhas bochechas. – Isso doeu...
- Que sorriso? – Ele imitou da minha voz e fez uma careta.
- Está insinuando algo, ? – Falei e fechou a cara.
- Jogo sujo! – Ele apontou para mim, fazendo uma voz de criança. – , , defenda-me. – chamou o novo amigo, que olhou alheio para nós dois.
- Desiste, . Esse aí demora a processar. – Joguei a mochila nas costas e fui até que já me esperava no canto contrário da sala.
- Por mais que eu odeie dizer isso, eu vou concordar com a indagação do . Qual o motivo da sua felicidade? – perguntou enquanto eu a arrastava para fora da sala.
- Vocês. Finalmente tenho vocês de volta. – Eu falei virando-me para ela e dando minha melhor cara de inocente.
- Não pense que me engana, . – Vi uma fina linha forma-se na testa de , ela estava curiosa.
- Ah , vai criar rugas assim. – Imitei sua cara e voltei a caminhar para fora da sala, rindo.
Na confusão de dar atenção para e rir ao mesmo tempo, acabei esbarrando em um assistente que entrou nervoso na sala.
- O que houve? – Perguntei.
O assistente analisou as pessoas na sala, eu, , , e mais dois alunos. Ele saiu correndo em seguida, praguejando sobre alguém não estar ali.
Olhei para , ela deu de ombros e empurrou-me para fora. No corredor, algumas garotas cochichavam e outras corriam. Alisha parecia desolada, e era consolada por uma amiga.
- O que está acontecendo? Quem morreu? – perguntou, colocando os braços atrás da cabeça, relaxado.
- Quem morreu? É isso que você, um Bronze fracassado, espera que tenha acontecido, não é? – Alisha apontou o dedo para , fazendo-o abaixar os braços e olhar para trás, procurando outras pessoas para quem ela pudesse estar apontando.
- Eu? – apontou para si mesmo, inocentemente.
- Alisha, o que aconteceu? – Perguntei, esperando que ela não começasse a falar sobre como eu não poderia dirigir minha palavra a ela e blábláblá.
- Hunf. – Alisha parecia ponderar responder minha pergunta, ou não. – O presidente sumiu. – Ela jogou-se de volta aos braços da amiga, que dava palmadinhas em suas costas.
Olhei para , que assim como eu, parecia não ter idéia do que estava acontecendo.
- O presidente sumiu... – Murmurei aquelas palavras e senti me cutucar.
- Vamos. – Ela devia ter escutado, mas não daria atenção a isso.
Estávamos passando pelos jardins e todos pareciam procurar o presidente. vinha em nossa direção e parou quando me viu.
- Você viu o em algum lugar? – perguntou para mim.
- Não... – Senti os olhares de e voltarem-se para mim.
- Ah certo. Pensei que você e ele, bem... Obrigado. – disse e saiu em disparada.
- E então... Tem algo que você queira dizer? – levantou uma sobrancelha.
Consegui ver o pé de bater levemente, sinal de impaciência e frustração. Despertei a fera.
- Ahn, eu acho que eu esqueci uma... coisa lá na sala. Não me esperem... – Coloquei meu corpo entre um grupo de Pratas que ia dando gritinhos em direção a área de nossa sala.
Enquanto escapava da forca dos meus amigos, voltei para o corredor, com menos pessoas agora. Pelo que pude entender de uma Prata que passava rapidamente ao meu lado, estavam todos indo para a sala do Grêmio, algo sobre uma sequestradora lunática. Se eu fosse outra pessoa, estaria no mínimo preocupada. Mas não consegui levar o boato sobre o sequestro a sério.
Entrei no banheiro, suspirando aliviada por escapar de toda a confusão.
- Mas o que será que aconteceu? – Perguntei a mim mesma, observando-me no imenso espelho do banheiro.
Escutei a descarga vinda de um dos caprichados boxes e me virei, como reflexo.
- Ah, olá, Raven. – A sinistra Prata, Raven saiu do box.
Seu uniforme, com o emblema do Conselho, mas predominantemente negro sempre me dava calafrios. Não o uniforme em si, mas a atitude da garota. Ela era diferente das Prata, óbvio. Não tinha amigos, por que provavelmente os assustava. Eu sempre senti um pouco de pena dela. Acho que pessoas como Raven sempre precisam de um amigo. Afinal, quem não precisa? Mas ninguém conseguia quebrar a barreira de isolamento dela. Até eu tentei. Se eu, que sou a esquisita, odiada, delinquente, não consegui fazer amizade com ela, quem iria? Porém, Raven sempre foi muito educada quando nos falávamos.
- Olá, . – Um arrepio percorreu meu corpo. – Está uma bagunça lá fora. Resolveu passar um tempo no banheiro como eu? Ótima idéia, ótima idéia.
- É, eu já estou de saída. – O banheiro que eu sempre achei exageradamente grande, estava tornando-se pequeno e desconfortável. – Então, tá. – Empurrei a porta.
- Se eu fosse o presidente, estaria em um lugar onde ninguém me encontrasse. Como... privativo. – Raven disse e a porta fechou-se.
Abracei-me e esfreguei as mãos, tentando espantar o arrepio. Raven era uma boa garota. Certo? Ela nunca fez mal a ninguém. Até onde eu sei...
Pensei no que ela tinha dito. Lugar privativo. Onde ninguém o encontrasse. Só há um lugar em todo o colégio que somente o presidente tem a permissão de usar. O seu jardim. Sim, a Academia Imperial tinha um local específico para o presidente. Não era de espantar-se, levando em conta que a maioria do tempo, as pessoas do Conselho estavam tomando chá na sala do Grêmio ou conversando em algum canto do colégio. Ninguém ligava se eles não assistiam aulas. As restritas normas do colégio não se aplicam aqueles que são protegidos pelo classe Ouro.
Acabei desviando do caminho para a saída do colégio, entrando no prédio principal, em direção ao jardim do presidente. Era estritamente proibido algum aluno de Prata ou Bronze entrar lá. Como Ouro só existia um, esse aluno era o único permitido. .
- Mas provavelmente alguém já o procurou lá, certo? – Subi a escada espiral que levava ao jardim.
Não havia ninguém no andar, a sala do Grêmio ficava do outro lado do prédio. A enorme porta que dava entrada ao jardim, completamente trabalhada com complexos desenhos – como todas as outras portas dali -, estava fechada. Bati algumas vezes. Nenhuma resposta veio. Olhei para os meus lados e depois para a escada. Ninguém parecia estar vindo. Só uma espiada não mataria ninguém. Eu só não podia ser pega.
Levei a mão para a maçaneta, e a virei. A claridade invadiu meus olhos. Deveria ser final de tarde a julgar pela luz meio avermelhada que eu consegui ver das enormes janelas de vidro. Minha vista acostumou-se aos poucos e eu arrisquei das alguns passos para dentro. Jamais vou conseguir distinguir as espécies de plantas que estava vendo. O jardim presidencial parecia uma mini-floresta tropical. Olhei para cima, o teto de vidro em forma de abóbada era a única coisa que não me deixava pensar que eu tinha acabado de cair em uma selva.
Comecei a andar pelo lugar, não havia ninguém a vista.
- Melhor, não posso ser pega. – Esgueirei-me até alguns arbustos e fui passado por eles.
Cheguei a parte aberta do jardim. À minha frente, uma escada branca sem corrimão estendia-se até uma parte onde tudo era grama e uma árvore enorme. Ao lado de uma árvore solitária, estava . Ele encostava-se no tronco da planta, as pernas estavam estendidas e os olhos fechados. Ele tinha um livro em mãos, que caía por cima de seu colo.
Olhei para os meus lados, certificando-me de que ninguém iria parar-me agora.
- Ãhn... ? – Sussurrei, descendo a escada com cuidado. – ? – Aumentei um pouco o tom.
Aproximei-me nas pontas dos pés. Ele dormia serenamente e parecia sorrir. Comecei a me sentir exposta ali. Respirei fundo, passei as mãos em minhas roupas, vendo se elas não suavam e cutuquei-o.
- . – Balancei-o delicadamente. – .
- Hum? – Ele derrubou o livro no chão, abrindo os olhos.
Afastei minhas mãos rapidamente, dando-me conta de que não poderia ser pega em seu próprio jardim. Dei meia volta, ele estava vivo, nada de sequestradores, terroristas ou qualquer mente do mal. Apenas ele, plantas e um bom livro. Já poderia considerar-me aliviada.
- ? – Escutei a voz dele chamar.
Fiquei parada, pensando se corria até a escada, ou virava-me e encarava a realidade. Acabei optando pela escada e apressei meu passo.

Capítulo Três

- ! Ei. – posicionou-se à minha frente, com as mãos erguidas, hesitando ao me tocar.
- Desculpe. – Juntei minhas mãos e fechei os olhos, suplicando.
- Não, tudo bem. – Encarei o chão. - O que você está fazendo aqui? – Seu tom ainda era lento, como quem acabou de acordar.
- Estava – Procurando você? – É só que... Você sumiu, . Todo mundo ficou bem preocupado, eu achei que você poderia estar aqui. Sin-sinto muito – gaguejei tentando esconder o nervosismo -, eu sei que minha entrada não é permitida aqui e eu vou sair agora mesmo. Vou dar um jeito de espalhar a notícia de que você está bem. Só não conte ao diretor que eu estive aqui, não quero ficar encrencada tão cedo. Desculpe.
- Bom, pare de se desculpar. – Ele repetiu o que eu dissera mais cedo. Mas seu tom era meigo e bondoso, diferente do meu.
- Ahn, certo. – Levantei a cabeça.
- Ótimo. Agora, o que você disse sobre estarem preocupados e eu ter sumido? – ainda tinha as mãos levantadas, impedindo minha passagem.
- estava perguntando as pessoas se alguém tinha visto você. Depois, um boato de que você tinha sido sequestrado espalhou-se, estavam reunindo-se na sala do Conselho para decidir o que fazer.
- Oh droga. Eu saí na metade da aula para espairecer um pouco e acabei pegando no sono. deve estar louco. – Ele coçou a cabeça.
Enquanto ele murmurava sobre e o quanto as pessoas do Conselho podem fantasiar sobre a realidade. Eu enxerguei minha chance de sair dali sem envolver-me em confusão. Passei por e pisei no primeiro degrau da escada.
- Espera. – Ele puxou meu braço de volta e eu obriguei meu corpo a parar. – Por que você achou que eu estaria aqui?
- Eu só achei. – Tentei soltar meu braço, mas ele segurava-me com força.
- E quando você diz “todo mundo ficou bem preocupado”, está incluída nisso?
Eu percebi a proximidade que o corpo dele estava criando entre nós. Senti um peso nas minhas costas. Hesitante, virei meu rosto de lado, sem mexer meu corpo.
A cabeça de apoiava-se em mim, ele soltara o aperto do meu braço, deixando que sua mão apenas tocasse meu pulso como uma folgada pulseira. Sua outra mão fazia o mesmo em meu outro braço. Eu só enxerguei seus cabelos antes de voltar meu rosto para frente novamente.
Fiz uma prece silenciosa de que ele não escutasse as fortes batidas do meu coração, ou os meus pulmões falhando. De repente, toda a grandiosidade do jardim, parecia sufocar-me. Eu estava desenvolvendo claustrofobia repentinamente, e o culpado estava bem atrás de mim.
- E então, ? – Escutei sua voz fracamente.
- E-eu – Balbuciei, procurando as palavras.
- Você? – Seu tom agora parecia chateado, decepcionado.
Ele pressionou meus pulsos e em seguida soltou-me, sua cabeça afastou-se do meu corpo. Em questão de segundos, ele voltara para perto da árvore e abaixava-se para pegar seu livro. subiu a escada, sem olhar para mim. Quando ele saiu de minhas vistas, deixei meu corpo cair, respirando fundo.
- O que foi isso? - Levei minha mão até meu coração, que pulava fortemente como se fosse rasgar-se a qualquer momento.
Fiquei mais alguns minutos ali, acalmando-me. Levantei, um pouco insegura de como minhas pernas iriam sustentar-se.
- Um passo de cada vez, . – Disse a mim mesma, lutando contra meus pés que pareciam nunca ter conhecido o mundo.

Na volta para casa, tive que aguentar um Gabe irritado por ter tido que me esperar. Argumentei que ele provavelmente tinha seguindo os Prata na busca pelo presidente. Ele me fulminou com os olhos e apressou o passo.
Quando eu consegui alcançá-lo, já estávamos na frente de casa. Ele abriu a porta e subiu como um foguete, ignorando nossa mãe.
- O que houve? – Ela perguntou.
- Vai saber. Ele... – Mamãe interrompeu-me com um forte abraço. – Mãe?! – Usei o tom de repreensão que uma mãe usa com uma filha.
- Não consigo evitar. Você é tão fofa. – Ela apertou-me mais forte e eu dei algumas batidinhas em suas costas.
- Tá. Preciso respirar. – Afastei-a com um pouco de esforço. – Vou tomar um banho. - Minha mãe fez bico, enquanto eu revirava os olhos e subia as escadas.
No caminho, eu não tive tempo de martelar o ocorrido na minha cabeça, estava mais preocupada em chegar em casa ao mesmo tempo de Gabe. E depois minha mãe jogando-se por cima de mim. Quando eu pisei no primeiro degrau de nossa escada, tudo voltou como uma avalanche.
- Ah. – Joguei a mochila na cama e tirei os sapatos de qualquer jeito.
Larguei meu corpo em cima da cama, e encarei o teto. Fiquei refletindo durante uns vinte minutos. Minha conclusão: não entendi absolutamente nada do meu dia. Virei meu corpo, ficando de bruços. O cansaço abatendo-se sobre mim. Levantei em um pulo, afrouxando minha gravata e desabotoando o uniforme.
Da minha cama, pude escutar meu celular. Provavelmente ou preocupados. Teriam que esperar, o chuveiro frio clamava por mim e meus pensamentos.

- Tchau, papai. – Dei um beijo em sua bochecha e sai do carro.
Chequei meu uniforme antes de iniciar a subida. Um dos assistentes parecia ponderar me parar ou não. Ele ignorou meu olhar e voltou-se para outros alunos que passavam pelas escadas. Algumas Pratas conversavam no topo.
Normalmente, eu passaria por elas, e no mínimo levaria uma cara feia. No máximo, elas cochichariam e apontariam meu uniforme.
Hoje, elas fizeram tudo isso, mas suas faces pareciam ultrajadas. Passei por elas, ficando embaixo do arco que dava acesso ao resto do colégio. Procurei discretamente por qualquer problema no meu uniforme. Chequei a saia, tendo certeza de que ela não tinha ficado presa, ou algo assim.
Levantei minha visão, só para descobrir que grande parte dos alunos ali tinha o mesmo olhar para mim. Engoli em seco. Eu havia feito alguma coisa e nem percebi?
Levei minha mão até minha mochila, procurando meu celular que começara a tocar.
- Achei! – disse alto, olhando para outro lado. – Deixa isso aí, eu que estava te ligando. – Ele pegou em minha mão e carregou-me para dentro.
- O que está havendo? – Perguntei urgente.
- Eu que te pergunto. O que está havendo? – Ele apontou o quadro de pontuação dos alunos.
Em grandes letras destacadas, acompanhando os nomes de todos os outros Pratas bem colocados, abaixo do nome dos membros do Grêmio, estava o meu. “ – membro do Conselho Estudantil.” parou de andar, e olhava para mim, esperando por uma resposta.
- Mais que merd...
- Shiu. Estão todos te olhando, , você não vai querer levar uma advertência justo agora. – interrompeu-me.
Ela olhava para mim do mesmo jeito que . O seu cabelo estava desgrenhado e sua respiração ofegante. A julgar pelo uniforme fora do lugar, provavelmente estivera correndo.
- , o que é isso? – Apontei o quadro de alunos.
- Nós esperávamos que você pudesse nos dizer. – largou minha mão, me sacudindo.
- ! – Afastei as mãos deles, tentando pensar. – Eu não entendo. Como assim? Membro do Grêmio? Mas... Mas...
- . Vejo que já soube. – apareceu, fazendo todos desviarem o olhar e voltar a agir normalmente.
- O que está havendo, ? – O tom de deve ter assustado , ele piscou e afastou-se um pouco.
- Venham. – Ele disse para nós três e eu em choque, fui carregada por e .
tinha um uniforme embrulhado no braço. Mesmo eu não querendo acreditar, era o tipo de uniforme que o Conselho Estudantil usava, suntuoso e clássico. Que não fosse para mim, por favor.
- Entrem. – Ele abriu a porta que levava a sala do Conselho.
Engano meu ao pensar que haveria uma sala ali. Era um mini-salão. Havia uma mesa comprida próxima a enorme janela. Em cima da mesa, alguns papéis estavam espalhados, juntos de xícaras.
Abaixo de uma das janelas, encontravam-se sofás e uma mesinha de centro. O Conselho Estudantil estava ali, sentado e encarando a todos nós. juntou-se a eles, e apontou o outro sofá vago.
parecia medir todos os outros, assim como . Depois de alguns segundos ela caminhou firmemente e sentou-se. fez um sinal com a cabeça para que eu fosse também. Ele ficou atrás de nós duas, dando a volta ao sofá e encostando-se nele, ficando de costas, mas virando o corpo para prestar atenção ao que, eu julgava, seria uma conversa. Um pouco receosa, comecei a examinar os membros do Grêmio. sorria para mim, nenhuma surpresa. Ao seu lado, estava Alisha, com uma cara ligeiramente medonha, ou devo dizer, muito medonha. Raven, ela parecia destoar do ambiente, estava isolada em uma poltrona e parecia entretida com uma revista. Os dois outros Pratas ali eram completos desconhecidos para mim.
- Então... – Pensei por qual pergunta eu deveria começar.
- Ah certo. – falou quando Alisha olhou feio para ele. – Bom, você agora faz parte do Conselho Estudantil.
- Dã. Isso ela já percebeu, seja lá como tenha acontecido. Motivos...? – cortou.
- , o que você está fazendo aqui? – Alisha perguntou-o com desprezo.
- Protegendo minha amiga. Mas ah, desculpe, você não deve saber o que é ter amigos. – respondeu sem cerimônias.
- . – acalmou-lhe enquanto eles trocavam um olhar.
- Certo. – Ele calou-se e virou seu corpo para frente, ficando totalmente de costas para nós.
- . Pode explicar-se? é uma Bronze. Uma Bronze sem bonificações grandes ou qualquer desejo de tornar-se parte do Grêmio. Por que isso agora?
- Acho que todos nós queremos saber. – Alisha interrompeu, dando um olhar enraivecido para mim.
- Como assim? Eu deveria saber? – Apontei meu rosto. – Vocês são o Grêmio, vocês que me digam!
- -
- . – Interrompi , ficando mais nervosa.
- , tá. – Ele revirou os olhos, dando um risinho em seguida. – Só um minuto.
levantou um dedo para mim, saindo do sofá e indo até a porta. Ela era mais discreta e parecia ficar disfarçada pelo papel de parede combinando com sua cor. Escutei alguém tossir e voltei minha atenção para o Conselho.
Os outros dois Pratas desconhecidos me examinavam. Eles tinham um sorriso medonho no rosto e trocaram olhares. Engoli em seco, sentindo um frio na espinha. De algum modo, eles pareciam mais assustadores do que Raven.
Senti uma mão no meu ombro. deu uma tapinha em meus ombros e passou a mão na minha cabeça. A perna de balançava, impaciente. Um sorriso involutário formou-se no meu rosto. Meus amigos conseguiam ser tão fofos em momentos estranhos.
- Quê? – Ouvi a voz de .
Balancei a cabeça negativamente, guardando o momento ternurinha só para mim. Olhei o relógio em uma das paredes, os segundos pareciam passar rapidamente.
- . . – colocou a cabeça para fora e usou a mão para me chamar.
- Hum? – Levantei, em direção a ele.
- Vem cá. – e seguiram-me. – Vocês, esperam. Não vai demorar.
Sorri para eles, mostrando que iria ficar bem alguns minutos sozinha. saiu da porta, dando passagem e eu agradeci. Ele fechou a porta, ficando do lado de fora, e eu encarei o único móvel daquela sala. A mesa.
Certo, não foi a mesa que meus olhos procuraram. Mas sim quem estava por trás da mesa. apoiava o queixo em uma das mãos, escorando-a na mesa. Ele acenou com a cabeça, tomei aquilo como um sinal para me aproximar.
- Bom dia. – Ele disse meigo, apontando a cadeira para mim.
- Bo-bom dia. – Sentei, fechando minhas mãos sobre minha saia.
- Desculpe essa confusão agora a pouco. – Pareceu um sincero pedido de desculpas. Assenti. – Bom... – coçou um pouco a cabeça e respirou fundo.
- ... – Minha frase perdeu-se no ar enquanto ele me encarava.
- . – Ele desviou, procurando por qualquer papel em cima de sua mesa. – Bem-vinda ao Grêmio Estudantil.
- Espera. – A palavra “Grêmio” despertou-me da minha momentânea ilusão. – Como assim? Eu. Bem-vinda. Grêmio. Oi?
- Certo. – Uma risada escapou entre seus dentes. – Isso vai ser complicado. Aparentemente, eu sou muito... Evasivo. Acho que foi essa a palavra que usou para me repreender.
- E? – Perguntei, tentando chegar ao ponto onde eu entro no Conselho.
- Depois daquela pequena grande confusão de ontem, eu acabei confessando para que você me achou, apesar do fato de que ele adivinhou que você tinha algo a ver com isso – comentou meio incerto. – E de um modo repentino, a situação acabou convertendo-se no fato de que você entrou no Grêmio por requisição do e da Raven.
- Ainda não entendi o motivo. – Bati minha mão na mesa, retraindo-a depois. – Desculpe.
- Tudo bem. De algum modo, acho que eu sou o culpado. Primeiro, você foi me procurar. Então, obrigado. – puxou uma caneta e brincou com ela nos dedos. – Segundo, acho que os dois esperam que você possa manter um olho em mim esse ano, só pra garantir que o episódio de ontem não vá repetir-se. – A caneta caiu, fazendo-o suspirar. – Terceiro, eles provavelmente vão dizer que você é uma secretária do Conselho ou algo do tipo...
- Espera. Só porque eu achei você ontem, eu tenho que ser do clubinho de vocês agora? – Ênfase no clubinho. Que se dane o que ele vai achar do que eu disser.
- Outch. Não sabia que o Conselho era tão desprezado ultimamente. – Ele girou a caneta novamente.
- Desculpe.
- E ainda me repreende pelos meus pedidos de desculpas. – Aquilo saiu como um cansado murmúrio que eu optei por ignorar. Havia um problema mais sério.
- . – Chamei-o. – Finalmente?
- Você não tem escapatória, eles sabem que você esteve no jardim, se negar, vou ter que mandar o ocorrido para o diretor.
Congelei, lembrando do dia anterior. Ao tempo que eu me lembrava que fizera algo que realmente poderia me encrencar, a imagem dele apoiando-se em mim na escada veio como uma avalanche. Senti meu rosto esquentar e olhei indignada para o garoto a minha frente.
Tentei me lembrar do por que eu o admirava tanto, mas tudo que eu conseguia captar era o seu meio sorriso convencido e com ar de vencedor.
Bufei, fechando os olhos, escutando o barulho de papéis sendo manuseados.
- Aqui. Basta preencher isso, e sua entrada no clubinho vai ser oficial. Eu já preenchi a grande maioria, mas você precisa começar a acostumar-se com formulários. – apontou o papel, presunçosamente.
- Obrigada. – Cerrei os olhos, pegando o papel de qualquer jeito e levantando bruscamente.
- Vamos fazer isso ser divertido, sim? – Toquei a maçaneta, já sabendo que o meio sorriso ainda estava em seu rosto.
- Arrogante. – Escutei ele rir enquanto eu batia com força a porta atrás de mim.
estava perto da porta e esticou o embrulho com o uniforme para mim. Ele sorriu terno, e eu peguei o pacote, ríspida, sem nenhuma delicadeza. Arrastei pela mão, nos seguiu. Ele deu alguns passos largos e abriu a porta para nós. Eu provavelmente teria passado direto por ela.
protestou, tentando puxar a mão dela, e me chamava durante o caminho até a sala. Àquela hora, a novidade já havia se espalhado por toda Academia Imperial. O fato de eu ter um uniforme do Conselho em um dos braços também não ajudava muito. As pessoas não estavam sendo discretas ao olhar, cochichar e apontar. Provavelmente todos faltaram à aula de etiqueta que o professor dizia como é mal educado apontar.
Empurrei algumas Pratas que estavam conversando na porta da sala. Ignorei os murmúrios desaprovados delas e caminhei em direção a minha cadeira no final da sala. Soltei , jogando os papéis – completamente amassados – e o uniforme de qualquer jeito embaixo da minha cadeira.
- Bom... Dia? – arqueou uma sobrancelha, variando o olhar entre nós três.
- Um pesadelo. – Sentei na minha cadeira, derrotada.
- Ela ainda consegue falar. – sentou-se a minha frente, dando graças com as mãos.
- Então, o que houve? – estava de braços cruzados e olhava para mim preocupada.
- Huuuum. – Choraminguei, jogando a cabeça para trás e contando a eles o que me disse.
precisou de alguns minutos para explicar algumas coisas para também. Ele não havia entendido muito bem a divisão entre alunos.
- Ninguém explicou isso para você? – perguntou.
- Devem ter explicado, eu que não devo ter prestado atenção. – Ele deu de ombros. – Mas, qual o grande problema em participar do Conselho? Sério, se eu entendi direito, você vai ser a babá do garanhão lá. – olhou para as bancas da frente, onde estava sentando ontem.
- Ah, que ótimo! Babá! Não tinha pensando nos sinônimos ainda. – Lamentei com vontade de chorar.
- Sabe , se fosse outra garota, estaria dando pulinhos de alegria agora. – falou, brincalhão.
- Se, se, se, se. – Pontuei aquela palavra, me convencendo de que eu não era uma daquelas garotas, mesmo os olhos acusadores de ao meu lado dizerem o contrário. Eu não vou negar que eu iria adorar passar um tempo com . Mas sendo do Conselho? Não. Não mesmo. Eu não tenho tempo para estudar só vindo ao colégio, quanto mais fazendo parte do Conselho. Eles se matam só para fazer esses eventos e discursos deslumbrantes sem nenhuma razão. Se eu quiser ter futuro, não posso perder tempo com esse tipo de coisa.
- Você pode recusar. Não pode? Não é contra lei obrigar alunos a fazer coisas que eles não queiram? – perguntou.
- Bom, não é tão simples...
- É claro que é. – Ele rebateu.
- O que foi, ? – indagou, percebendo algo estranho.
Eu tinha omitido a parte onde eu achei no seu jardim. Jardim esse que eu não poderia, de jeito nenhum, entrar. Depois de todas minhas juras, para e , de que eu iria passar o ano sem grandes confusões. Eu só podia imaginar o quanto aquilo iria decepcioná-los. Principalmente . Ela acompanhou meus suspiros por pacientemente e sempre me alertou quanto ao perigo de algo tão subjetivo.
Escondi o rosto nas mãos e balancei a cabeça, tentando fazer minha cabeça parar de sentir-se tão pesada.
- Nada. Acho que eu vou ter que lidar com isso. – Tentei parecer confiante.
Peguei os papéis do chão, vendo que a maioria das respostas realmente já estavam preenchidas. Meu nome completo, endereço, telefone, e informações triviais, todas ali. Reprimi uma pontada de alegria ao imaginar respondendo as questões por mim.
- Certo. – Escutei dizer e sentar-se.
Ela provavelmente voltaria aquele assunto mais tarde. Quando não houvesse ninguém. E eu provavelmente colocaria toda a verdade para fora. Não sou boa com situações de pressão. Nem eu, nem minha boca grande que não consegue segurar nada.
Esperei as aulas arrastarem-se, tentando manter minha atenção no professor e não em . Tentei lembrar o nome do professor, mas era um espaço em completo branco.

- Senhorita ? – Escutei a voz do professor chamando minha atenção.
Ótimo, ele vai reclamar do fato de que eu estava de olhos fechados? “Só estava descansando um pouco a visão”. Eu estava pronta para dizer isso. No entanto, ele apontou para a porta antes que eu pudesse retrucar.
Levantei, tentando fazer minha visão funcionar tão de repente. Um dos assistentes esperava impaciente por mim. Desci alguns degraus, ignorando os olhares interrogando o motivo de um assistente ter vindo me buscar. Não que fosse novidade para mim, vivia acontecendo durante meu passado conturbado.
Mas eu era uma nova . Jurada como uma boa garota. Engoli em seco.

Capítulo Quatro.

- Com licença, professor. – Ele acenou, e abriu um livro qualquer.
O assistente saiu da sala e esperou-me no corredor. Ele tinha uma expressão tranquila, o que foi um alívio. Durante castigos, as caras deles deixariam até mesmo Ozzy Osbourne com medo.
Ele começou a caminhar sem nem mesmo dirigir-se a mim. tomei aquilo como um sinal para segui-lo. Ou tentar, o cara parecia querer me jogar em qualquer beco o mais rápido possível. Senti-me Alice tentando correr atrás do Coelho Branco. Certo, apaguei isso da minha mente, não era hora de relembrar os contos de fadas.
Observei o caminho que fazíamos. O prédio principal, novamente. Por que eu fico voltando para cá sempre em momentos tensos?
Resisti à vontade de dizer “Olha, obrigada, mas não estou com vontade de te seguir para onde quer que seja, fazer sei lá o quê, au revoir”. Que bom que esse assistente não lia mentes, muitas frases que eu deveria dizer a ele não estão sendo ditas.
Conforme subíamos as escadas, meus pesadelos foram me atormentando. Estávamos indo até o último andar do prédio. O andar do diretor. Pensei que não o veria esse ano, pelo menos, não tão cedo.
Comecei a ponderar se eu poderia ter feito algo errado, além do caso do jardim. tinha sido bem seguro mais cedo, com toda a conversa sobre boas-vindas ao Conselho. Provavelmente estava havendo um mal-entendido e para variar, a aluna com mais advertências serviria de bode expiatório.
O assistente parou, quase me fazendo trombar com seu braço. Ele olhou feio para mim e deu uma leve batida na porta a sua frente. Arfei, não poderia correr agora. Até porque, se fosse correr, o senhor Coelho Branco me pegaria rapidamente.
Escutei um clique. O Coelho Branco abriu a porta e me empurrou para dentro.
- , entre, entre. – Escutei a mansa voz do diretor.
- Diretor, er, senhor. – Tropecei nas palavras e nos meus pés.
- Vá buscar, sim? – Ele falou para o assistente que assentiu e fechou a porta.
A sala do diretor não era grande e cheia de adereços. Muito pelo contrário. Ela só tinha uma mesinha, sua cadeira e uma cadeira para a visita. E o que dava mais medo era isso. Se todo o colégio era enorme, o que o diretor queria dizer com uma salinha que seria comparada ao armário de vassouras do colégio? Pensei em minha prece silenciosa enquanto me sentava na cadeira.
- , aceita um biscoito? Um chiclete? - O diretor sorriu e mostrou um pequeno pote com bolachas e doces.
- Não, senhor. Estou bem. – Desviei o olhar. Como se eu fosse aceitar um chiclete do próprio diretor.
- Bom, você que sabe. – Colocou um chiclete na boca.
Tive que resistir a vontade de deixar minha boca fica escancarada e perguntar o motivo dele poder mascar e os alunos não. Mordi meu lábio. Se eu estava encrencada era melhor não aumentar a punição.
- Não vai perguntar por que está aqui? – Sentou-se em sua cadeira e continuou a observar o pote.
- Eu acho que o senhor vai me dizer. Não?
- Entendo. Eu sabia que você tinha tornado-se receosa com as figuras de poder da Academia Imperial, mas esperava que você fosse mais determinada, . – O diretor colocou o pote sobre sua mesa e suspirou.
- Senhor? – O quê? Eu deveria retrucar e agir como costumava? Brigar com ele e ir embora batendo a porta dramaticamente?
- Nada. Nada. – Ele abanou a mão no ar, mantendo o sorriso no rosto. – Aqui está.
Escutei um barulho na porta e virei-me para ver ao que ele referia-se. O assistente parecia receoso em interromper. O diretor acenou, mandando-o entrar. Ele abriu a porta e foi para o lado, deixando a pessoa atrás dele entrar.
O garoto usava um uniforme Prata e tinha uma clássica postura, típica daqueles que foram educados para representar bem a família em jantares sociais. Parecia estar divertindo-se, apesar de ter uma séria expressão.
O Coelho Branco saiu da sala, deixando que eu e o garoto continuássemos a nos encarar. Percebi a situação e desviei o olhar, sentindo meu rosto esquentar. O diretor tossiu, e soltou um risinho.
- , este é o nosso mais novo colega. Ele mudou-se de Paris há alguns dias, e não pode vir ontem. – Comecei a processar a informação, ignorando o fato do garoto ainda me olhar. – Fui informado de que você agora é do Conselho, e bom, estou surpreso. Mas para mostrar como eu acredito na sua mudança, resolvi te dar essa chance. Asher – ele caminhou até o garoto, dando algumas batidinhas em seu ombro – vai precisar de uma guia. E ninguém melhor que a mais nova secretária. Certo?
Pisquei. Já estava ganhando tarefas idiotas de babá? Mesmo quando eu pensava que só teria que ser a babá de .
- Senhor, com todo respeito, não acho que eu seja a pessoa mais indicada para isso.
- Qual sua razão para isso, ? – Ele pareceu curioso com minha afirmação.
- Er, eu sou uma Bronze, senhor. Não seria melhor chamar um dos Pratas? , Raven, Alisha ou até mesmo o presidente?
- Diga-me, , não é verdade que sua melhor amiga é uma Prata?
- Sim, mas...
- , qual o problema em você ser uma Bronze e ele um Prata? Você consegue relacionar-se muito bem com ambas as três classes. Não é verdade? – O diretor veio até mim e parecia ler a verdade nos meus olhos.
- É, mas na-não é desse jeito, senhor... – Balbuciei ficando sem jeito.
- Que ótimo que concordamos. Asher vai ficar muito contente em ter você como protetora.
Olhei o garoto que não abrira a boca. Ele abaixou lentamente a cabeça, assentindo. Senti minha cabeça pesando e segurei a vontade de dar um grito em plena diretoria.
- Certo. – Falei seca.
- Nos entendemos. Esses são seus horários, Asher. Você está na mesma turma que a , então não tem que se preocupar com isso agora.
O garoto, Asher, pegou alguns papéis com o diretor. Depois disso, o diretor deu-me uma balinha e abriu a porta para nós dois.
Assim que a passagem para a diretoria se fechou, joguei a bala no lixeiro, armadilhas da Academia Imperial. Dei meia volta e examinei Asher novamente. Ele sustentava o mesmo semblante sério e divertido. Parecia confortável com a situação. E, não pude deixar de notar, era até bonitinho, de um jeito mesquinho, esnobe, mas era.
- , certo? – Ele falou pela primeira vez e eu tentei reconhecer o familiar tom que sua voz tinha.
- . – Respondi.
- . Asher. – Disse como se já não fosse óbvio.
- Venha. – Dei as costas a ele, comecei a andar de volta a sala. – Você já perdeu a maior parte das aulas importantes de hoje, logo vai ser o almoço.
- Acabei não encontrando o colégio... – Asher apressou o passo, ficando ao meu lado.
- Hm. – Ignorei a informação. – Esse é o prédio principal, como você já deve ter sido informado. Aqui ficam a diretoria, as salas do Conselho Estudantil, professores, assistentes, e alguns clubes usam as salas daqui para reunir-se de vez em quando. Ah claro, secretaria também, você deve ter esperado lá. Bom, há bastantes funcionalidades para esse prédio, você vai descobrir. – Dei de ombros, aliviada pelo fim das escadas e a chegada aos jardins.
- Eu pretendo. – Ele parou, observando os jardins, parecia encantado.
- Esses, obviamente, são os jardins. Um dos, claro. Naquela direção – me virei para o arco com a lista das bonificações – ficam as escadarias, obviamente, é por ali que nós entramos todos os dias. - Fui interrompida por alguns alunos que começavam a sair de suas salas. – É hora do almoço. Vamos.
Asher continuava a observar o jardim e parecia não notar os olhares de algumas Pratas intrigadas. Revirei os olhos e apressei o passo. Não virei para esperar Asher ou chamá-lo, se ele quisesse conhecer o colégio, ia ter que me seguir por sua própria vontade. Definitivamente não quero ser uma babá.
Os olhares continuaram a nos acompanhar, o que eu julguei como um sinal de que Asher estava atrás de mim. Parei na sala, colocando a cabeça para dentro, ainda estava ali e parecia procurar algo em sua bolsa.
- . – Chamei sua atenção.
- Oh, ei, . – Ele me chamou com sua mão.
- Perdeu algo? – Flexionei meus joelhos já que a cabeça de estava embaixo de sua cadeira.
- Dinheiro do almoço. Você tem algum pra me emprestar? disse que não tinha e desdenhou completamente. – Ele levantou. – Na verdade, ela parecia bastante feliz por me deixar com fome.
- Imagino. – Gargalhei. – Vamos, amanhã você me paga um almoço.
- Yey. – levantou os braços, comemorando. – E você...? – Parou, apontando o garoto atrás de mim.
- Ah, esse é o Asher. Aluno novo vindo de...
- Paris. – Asher falou, esticando a mão para cumprimentar .
- Asher? Como é que vai, cara? – apertou a mão de Asher sem cerimônias.
- Vou bem, . – Asher sorriu.
- Bom te ver. Como é que estava Paris? – Olhei para , estupefata.
- Espera, vocês se conhecem? – Meus olhos foram de Asher para .
- Bem... – olhou para trás de mim, riu e deu de ombros. – Foi por isso que te chamaram? – Perguntou para mim.
- É... Acho que sim. Agora que você falou, um assistente deveria estar fazendo isso. – Semicerrei os olhos em direção a Asher. – Durante meu pânico por estar na diretoria, acabei não me ligando nisso. Estranho. Mas você não respon-
- Vamos? – Ele interrompeu-me, colocando um braço pelas minhas costas. - Estou com fome. – lembrou-me do almoço e eu assenti, deixando o assunto para depois.

Quando nós chegamos ao refeitório a maior parte das pessoas já estava sentada, portanto não havia fila. Peguei minha bandeja e deixei que fizesse as apresentações para Asher sobre o lugar.
Eu detestava ser repetitiva, mas qual era o motivo de ainda estarem me encarando e cochichando? Suspirei, pedindo qualquer coisa para a atendente. Virei meu rosto, só para perceber que não era para mim que estavam olhando e sim para Asher.
Certo, ele era novato, era esperado que ficassem curiosos. Principalmente ele sendo um Prata. Mas eu não esperei que ele fosse causar tanto barulho.
Paguei meu almoço e procurei por – entretida com uma fruta e um livro – e .
- , , esse é Asher. – Apontei-o.
- Olá, . . – Asher acenou e sentou-se a mesa com classe.
sorriu e balbuciou algumas palavras antes de voltar a atenção para seu prato. semicerrou os olhos, examinando Asher e depois voltando sua visão para mim. Dei de ombros, sem entender o que ela tentava falar. balançou a cabeça e voltou ao seu livro. Encarei meu prato, confusa. Estava deixando alguma coisa passar?
- Verdade. . – Chamei sua atenção.
- Eu? – Ele parou com o braço no ar, uma batatinha do prato de pendia em seu garfo.
- Você acabou não dizendo de onde vocês se conhecem... – Mastiguei e esperei sua resposta.
- Bom – Ele parecia indeciso quanto a falar ou não, procurou pelo olhar de Asher, que tinha um meio sorriso estampado na face.
- Diga-me você, . – Asher disse, me encarando.
- Eu? – Perguntei, sem entender, enquanto abria uma latinha de refrigerante. – E como eu saberia?
- Nenhum palpite? – entrou na conversa, fechando o livro e olhando incrédula para mim.
- Não... – Larguei meu garfo. – Eu deveria?
Procurei pelo olhar de Asher, tentando identificá-lo. Havia algo semelhante e nostálgico lá. Mas era uma sensação do tipo que você tem ao encarar um estranho que parece diferente do comum. Nada como “Oi, quanto tempo!”. Não mesmo.
Balancei a cabeça, negando. riu ao meu lado e revirou os olhos. parecia tão confuso quanto eu, mas nem um pouco curioso quanto à situação.
- Quem sabe depois você descobre... – Asher deu de ombros, dando um gole em seu suco e engrenando uma conversa sobre carros com .
Eu abri a boca para protestar contra os três, mas fui interrompida por uma mão no ombro. Gelei. Ultimamente mãos em meus ombros nunca eram bons sinais. Engoli em seco e procurei pelo dono da mão.
- Posso sentar? – estava atrás de mim, com uma bandeja e parecia bravo com alguma coisa.
- Ahn – Olhei meus amigos, tão atônitos quanto eu. – Acho que sim. – Fui para o lado, dando espaço para ele.
- Obrigado. – Ele largou sua bandeja sobre a mesa e sentou-se. O silêncio instalou-se entre nós. Encarei meu prato, sem saber como agir.
- Então... – cortou o incômodo sossego. – Alguma razão para você ter resolvido vir até nossa mesa e sentado-se? Não que eu seja contra você querer sentar onde quiser, mas convenhamos, é estranho.
- Hum – respirou fundo e olhou a mesa onde o Conselho geralmente sentava-se. – As coisas não estão bem no paraíso, digamos assim.
- O que houve? – , nada delicado, perguntou.
- Coisas... – desconversou. – Você deve ser o novo aluno. Bo...
- Asher! Só Asher está bom. – Asher o cortou.
- Asher será. Eu sou . – Sorriu.
Depois desse momento singelo de apresentações o almoço transcorreu estranhamente normal. voltou à sua leitura. e acabaram sendo incluídos no papo sobre carros que acontecia antes.
Fiquei pensando sobre o quão estranho meu último ano estava sendo. E ele havia acabado de começar. Senti o cansaço abater-se sobre meu corpo e tentei pensar em como a Educação Física seria complicada hoje. Senti meu rosto esquentar ao lembrar da aula passada. Discretamente – não que eu achasse que um deles fosse prestar atenção em mim – procurei por em sua mesa.
Sem surpresa, ele não estava lá. Somente Alisha e outra Prata. Ela parecia brava e falava áspera com a companheira. Tive a impressão do assunto envolver , o que explicaria o motivo dele não estar lá. Apesar de que eu sempre suspeitei que ninguém realmente agüentasse aquela garota.
- , vamos? – Chamei-a.
- Sim. – Ela levantou e eu olhei para os garotos, que cessaram sua conversa.
- , você pode levar Asher para a sala e depois para o vestiário, e claro, para a aula?
- Claro. – sorriu e apertou minha mão antes que eu também me afastasse. – Cara, não acredito que você não falou nada...
Alguma coisa me dizia que o “cara” dirigia-se a Asher. Não parei ou voltei para escutar, mesmo que meus ouvidos realmente pedissem por isso. já me carregava para longe do refeitório antes que eu pudesse reagir.

Capítulo Cinco

De forma impressionante, Educação Física tinha sido fichinha comparada ao resto do meu dia. parecia realmente estar adiando meu momento “coloque tudo para fora”, enquanto parecia entretido o bastante com as bobagens que e Asher pareciam lhe falar, uma criança descobrindo os prazeres do mundo... tá, comparação infeliz. E, aparentemente, depois do almoço, havia tomado gosto pela companhia de meus amigos e abandonara Alisha durante os exercícios de aquecimento. Abandono temporário, já que quando resolveu dar o de sua graça, parecia aliviado em correr em sua direção. Um filhote desesperado atrás de sua mãe. Infeliz, novamente. Não só correra para a mãe, assim como Alisha e duas outras Pratas.
Suspirei, concentrando-me em terminar minhas voltas ao redor da quadra.
- , o que acha? – apressou a corrida, me acompanhando.
- Do quê?
- Sairmos hoje... Não fizemos nada juntos durante as férias. E bom, até concordou, o que é um verdadeiro milagre. – Ele acrescentou a segunda frase em um cochicho aproximando-se de mim.
- Deu sorte hoje? – Brinquei dando um leve soco em seu ombro.
- Bruta. – resmungou massageando o lugar que eu havia batido.
- Maricas. – Dei língua, trombando com ele fortemente, tirando-o do curso.
- Ah! – Ele retomou a volta a quadra, enquanto eu apressava minha corrida. – Você me ama que eu sei, . – me levantou pela cintura.
- , me coloca no chão... – Balancei as pernas inutilmente e gargalhei.
- Você está tão levinha agora, emagreceu? – perguntou, rindo e girando comigo.
- ! Nós vamos ca...
- Outch. Retiro o que disse sobre você estar leve, sua gorda, sai daí. – resmungou me empurrando pro lado, tentando levantar-se.
- Bem que eu tentei falar, mas obrigada por amaciar minha queda. – Sorri, marota.
- Idiota. – fez cócegas em mim.
- Senhor . – levantou as mãos em sinal de redenção. – Senhorita . – Levantei, juntando as minhas mãos e esperando a professora falar. – Nem preciso dizer que é melhor vocês sentarem, preciso?
- Não, senhora. – Respondemos em uníssono.
ainda foi fazendo gracinhas comigo até a arquibancada enquanto eu retrucava. Do outro lado da quadra olhava desgostosa para nós dois, mas mantinha um sorriso de quem já esperava que isso fosse acontecer. Dei de ombros e ela revirou os olhos, achando graça. Olhando quem ainda fazia os exercícios de aquecimento, cruzei meu olhar com . Durante alguns milésimos, senti um forte arrepio e encarei a parede atrás dele.
- Eu tenho fé de que ainda vamos terminar uma aula de Educação Física esse ano. – Comentei com .
- Talvez, vai saber. Mas não é mais divertido assim? – Ele me cutucou com o cotovelo.
- Não. Por sua culpa estamos aqui, ok? Não vou esquecer isso.
- Minha culpa? – Ele se fez de inocente.
- É, e nem adianta vim com essa carinha de Gato de Botas do Shrek pra cima de mim. Não caio nessa. – Cruzei os braços, vendo fingir um choro.
- Mamãe má.
- O que eu fiz pra merecer isso? Deus. – Dei um tapa na cabeça de meu amigo.
- Carinhosa você. – disse ajeitando o cabelo e voltando sua visão para a quadra.
Reprimi uma risada de deboche ao ver ele acompanhar a corrida de . Esses dois seriam um eterno caso perdido. Bom, talvez eu pudesse dar um empurrãozinho algum dia e tornar esse eterno um caso a parte.
- . – Cutuquei seu braço, tomando sua atenção.
- Diga, mamãe má. – Revirei os olhos.
- Pra onde nós vamos?
- Quando?
- Ai como é lerdo... – Bufei, fechando os olhos.
- Sério, não entendi...
- Antes de você nos fazer ser expulsos da aula, me perguntou se eu ia sair como vocês hoje. Pra onde vamos?
- Ah! – Ele juntou as mãos em sinal de concordância. – Não sei. Só pensei em sairmos, não tinha parado pra decidir o lugar. – Deu de ombros.
- Santa ignorância, como eu tenho paciência pra lidar com você?
- Falando assim eu gamo. – soltou um beijinho pra mim.
- Ew. – Fiz cara de nojo. – Vou contar a que ela está sendo traída.
- É, pela melhor amiga. – completou colocando a mão na boca fingindo surpresa.
- Você está tão gay hoje, . – Ri em zombaria.
- Cansei. Quando a aula acabar, me acorde. – Falou ignorando meu comentário.
- É um folgado mesmo. – Murmurei ao vê-lo pegar no sono em meu colo. – Parece uma criança, não é de admirar que não te dê uma chance. Difícil demais te levar a sério, .
No final das contas, acabou não me dizendo o que íamos fazer, provavelmente ficaríamos jogados na casa de alguém fazendo absolutamente nada. É, amizade produtiva a nossa.
Procurei por minha mochila na arquibancada, só para perceber que ela estava muito longe do meu alcance. Puxei uma mochila qualquer, esperando que não babasse e seu dono não fosse precisar dela tão cedo.
Suavemente deslizei a cabeça de para baixo da bolsa e estiquei as pernas que começavam a reclamar de dormência. Levantei, dando alguns pulinhos na arquibancada.
Aproveitei para me exercitar um pouco mais, mesmo estando fora da aula, ainda me sentia no clima de gastar energia.
- Deve ser a única pessoa que sai da aula de Educação Física e continua a fazer exercícios, .
Congelei meus movimentos, procurando pelos olhos da voz que me hipnotizara.
- . – Tentei colocar confiança em minha voz.
- . – Ele correspondeu divertido.
- É. – Meu cérebro dizia para correr, mas meus olhos não conseguiam cortar o contato.
– O que foi? – Perguntei, vendo um meio sorriso formar-se em seu rosto.
- Nada. – Ele desviou o olhar. – Seu... amigo parece estar usando minha mochila de travesseiro.
Encarei em sono profundo. Minha prece sobre ele não babar? É, ele estava babando. Na bolsa de . Soltei uma pequena risada e olhou para mim, curioso. Abanei o ar, tentando desviar sua atenção de volta a .
Minha mão perdeu-se no ar, estática, enquanto ficava um nível abaixo da arquibancada em relação a mim. Ele parecia hesitar. Por um momento não consegui mais escutar o barulho das bolas que a professora jogava para o resto da turma. Apenas o barulho do meu coração descompassado. Meu tolo coração infantil e descompassado. Engoli em seco.
- Não devia oferecer sua mão assim. Alguém pode acabar se aproveitando. – sussurrou, segurando na ponta de meus dedos.
- ? – Retrai meus dedos, tentando livrá-los de um toque do qual eu não queria ser desligada. Abri a boca para dizer que não estava oferecendo minha mão, mas acabei sendo calada pelo meu monstrinho apaixonado interior.
- Alguém pode acabar se aproveitando. – Repetiu enquanto virava minha mão, segurando minha palma aberta. Ele depositou um delicado beijo ali e soltou-a.
virou-se, balançando – que resmungou e virou sua cara tempo o bastante para que soltasse a mochila – e atravessou o ginásio em direção ao outro lado.
Não pude ver seu rosto, mas tenho certeza de que ostentava um convencido sorriso.
Desabei na arquibancada, perdendo as forças nas pernas. Fechei minha mão, levando-a ao meu peito. Minha essência exclamava que eu estava caindo em um abismo, do qual ninguém iria me salvar.
Inspirei e expirei profundamente algumas dezenas de vezes. Vi acenar para mim, perguntando o porque de minha cara pálida. Ela provavelmente havia visto a cena, era atenciosa demais para evitar o ocorrido.
Tudo que eu fiz foi ficar parada, digerindo o ocorrido e retendo meus pés nos lugares. Segurando a vontade de sair correndo, chorar, gritar e pedir pra minha mãe explicar o que estava acontecendo. Claro, meu cérebro dizia que eu só pioraria a situação assim. Agradeci mentalmente por todos estarem mais atentos a Asher e suas gracinhas como aluno novato, do que as minhas loucuras.
Chamei a professora e perguntei se estaria tudo certo ir tomar um banho já que não estava fazendo a aula. Ela pareceu ponderar, mas no fundo não se importava. Fui até minha mochila, pegando a de também e disparei em direção ao vestiário. Atravessei o ginásio, puxando comigo, rezando para que a professora não notasse a sua ausência antes do final.
Joguei nossas mochilas em cima de um banco, enquanto fechava a porta. Ela olhou para mim preocupada e as forças das minhas pernas voltaram a sumir. Escorreguei pela parede, suspirando.
- Certo. É melhor colocar tudo para fora.
- Por favor, eu preciso. – E contei a ela toda a história.
A parte onde ele me carregava para fora da aula, e eu gritava com ele na enfermaria. A parte onde eu tremia por conta de seu aperto de mão. E depois minha entrada ilícita no Jardim, e o que aconteceu lá. E o que aconteceu hoje.
- Nossa. – processava a informação. – Isso é que o que eu chamo de ter seu mundo abalado.
- . – Choraminguei.
- Eu odeio te dizer isso, mas eu avisei.
- . – Choraminguei novamente. – Cai em um buraco negro, eu sei. O que eu faço? Não posso ficar no Conselho desse jeito. Não consigo formular uma frase!
- Bom, você sempre pode encarar o castigo do diretor...
- E decepcionar meus pais com alguns dias de aula. Não... – Juntei minhas pernas.
- Nesse caso, você não tem muita chance. Olha, odeio dizer isso, porque aquele cara é um idiota – Aquele cara deveria ser o , pensei – e não merece metade da preocupação que você tem com ele. Mas não é como se eu já não tivesse te dito isso há algum tempo. – Ela sorriu, agachando-se ao meu lado. – Você tem que ser forte... Talvez se passar algum tempo indo ao Grêmio e levando isso, eles te liberem uma hora.
- Você acha? – Perguntei esperançosa.
- Sinceramente? – Fiz uma careta imaginando a resposta.
– Não.
- Animador. – sorriu.
- O que posso dizer? Você enterrou sua própria cova.
- Obrigada pelo apoio, . – Falei desgostosa.
- Eu não conheço o bastante pra te ajudar, mas ele provavelmente quer alguma coisa. Ele não é do tipo que simplesmente pega nas mãos das garotas ou se desculpa por tentar ajudá-las. É bem estranho, pra falar a verdade... Ele não é muito visto com garotas, além da Alisha, é claro.
- Provavelmente por conta da Alisha. Quem vai querer ir contra ela? – Argumentei o óbvio.
- Aí é que está. Fique longe dela enquanto estiver no Conselho. Melhor, não confie nas pessoas por lá. Você é muito inocente.
- Eu?
- Sim, você. – riu. – Tanto é que não consegue desconfiar das razões por trás do motivo do estar desse jeito com você agora. – Olhei minha amiga, tentando entender seu ponto.
- E qual é? – Balancei a cabeça, tentando clarear as idéias.
- Não sei. Provavelmente, você vai descobrir. Só lembre-se de me contar logo.
- Pode deixar, não acho que posso ficar guardando esse tipo de informação sozinha. – Abracei , sentindo-me aliviada por desabafar e poder conversar livremente com alguém sobre isso.
- Melhor nos trocarmos, antes que Alisha chegue destilando seu veneno com suas seguidoras. – falou divertida, e me ajudou a levantar.

- . – me puxou enquanto eu caminhava em direção as escadarias.
- Ah, oi, . – Parei, deixando que ele retomasse seu fôlego.
- , o que quer agora? – semicerrou os olhos e afastou-me do braço de .
- Reunião... No Conselho. Você tem que ir. É a nova assistente, secretária, ou seja lá como queira chamar, precisa tomar notas.
- Está brincando, não está? – Levantei uma sobrancelha, incrédula. Não bastava ter que lidar com toda a situação de -não-consigo-falar-normalmente, ainda teria que trabalhar para eles? De verdade?
- Sinto muito, mas, é. Se te serve de consolo, eu sou o tesoureiro, tenho que fazer contas através das suas notas.
- É, pelo menos você não vai fazer contas, mamãe. – fez piada, tentando me animar. – Isso vai demorar muito, ?
- Acredito que não... – Ele pareceu pensar e sorriu.
- Tudo bem então, vamos lá. Eu encontro vocês depois, certo? – Perguntei.
- Certo. Minha casa, não esqueça. Acha que consegue chegar lá sozinha? – Asher perguntou. É, acabamos por decidir em conhecer a casa dele como programa para o resto do dia.
- Acho que sim. Qualquer coisa eu ligo para um de vocês... – Falei, agitando meu celular.
- Nossa, então é melhor todos ficarmos com os celulares em mãos. Ela com certeza não vai achar o lugar de primeira. – falou e eu dei um soquinho em seu ombro.
- Mamãe má. – falou antes de , apontando em minha direção.
- Fala sério! Até tu, Brutus? – Olhei indignada para e dei-lhe um tapa.
- Bem-vindo a nossa família bruta e feliz, irmãozinho! – disse massageando o local onde eu havia batido em , emendando um abraço no mesmo que fingia um choro.
- E eu achando que você tinha sanidade, ... – Balancei a cabeça.
- Melhor você ir, parece que vou ser a babá dessas crianças. – revirou os olhos.
- Até daqui a pouco, e boa sorte. – Acenei, virando-me.

não falou muito durante o caminho. Ele parecia bem desconfortável com a situação. Imaginei se ele não estava feliz com a minha entrada, mesmo quando disse que ele tinha sido um dos que pediram por isso. Talvez o “paraíso” não estivesse indo tão bem assim, como ele havia comentando mais cedo no almoço.
Pensei em perguntar se ele sentia-se bem, mas às vezes é melhor deixar as pessoas pensarem que você não tem muito a falar do que provar o contrário. Evitar conversas desnecessárias. E essa foi a voz da em minha cabeça.
Apressei o passo, fazendo me acompanhar. Ele não pareceu se incomodar com a mudança de ritmo e logo estávamos na frente da sala do Conselho.
- Vamos? Não vai doer. – sorriu confortável, e por um momento pensei que não haveria mal em dar o braço a torcer e confiar nele.
Por um momento, certo? O sentimento de segurança que eu havia sentido a pouco com , se fora no momento que meus olhos viram que Alisha e já se encontravam ali.
Em um segundo momento, fiquei feliz por eles estarem usando a mesa e não os sofás dessa vez. Haviam duas cadeiras vazias, fui em direção aquela que ficava mais distante de , ao lado de Raven e um outro membro do Conselho que eu ainda não conhecia.
- Raven. – Sentei, feliz por estar ao lado de alguém que conhecia e que não parecia me querer a dez quilômetros de distância. Como Alisha parecia querer.
- Bom, agora que os dois resolveram juntar-se a nós... – A azucrinante voz de Alisha ecoou por todo o cômodo.
- Podemos começar. – interrompeu em sua tonalidade melodiosa.

n/a: Tcharan :]
Posso pedir desculpas de novo sobre a demora? Virei clichê puro com minhas desculpas, né? Sorry, sério, sofri por estar fazendo vocês esperarem, mas eis que apareço, mwhaha.
Então, como eu sou do mal mesmo, vocês vão ficar com a dúvida sobre Asher mais um pouco... talvez mais do que só um pouco. Essa frase fez sentido? Anyway, eu quis dizer que demora.
Trouxe a prévia (só para salientar como minha pessoa é má):

Achei que essas reuniões fossem mais importantes, mas a única coisa de útil que conseguira tirar de uma hora e meia sentada fazendo anotações era que o macarrão do refeitório agora teria sua massa importada da Itália. E que Alisha conseguia ser mais irritante quando tentava ser séria para impressionar do que quando ela quer simplesmente impressionar. E não, essa não foi uma informação útil.
- Georgie? – A voz de Danny apareceu em meio aos meus pensamentos sobre macarrão.
- Sim?
- O que você acha? – Ele perguntou, apoiando seu queixo em uma das mãos, deixando seu sorriso de meio lado pairar em minha direção.
- Do que exatamente está falando? – Enrubesci.


Hasta @pat_akemi X