Perdidos na Rotação
Autora: Luysa
Beta-Reader: Lissa Topolski
“Eu sempre vivi assim, mantendo uma distância confortável... até agora eu tinha jurado a mim mesma que eu estava contente com a solidão".
Prólogo
– Nós vamos nos mudar de novo. – Meu pai dizia enquanto eu assentia de cabeça baixa.
– Não fique triste querida, quem sabe não é sua chance de fazer novos amigos? – minha mãe dizia, como se fosse fácil.
– Não mãe, não estou triste, por mim está tudo bem se mudar... vai ser só mais uma mudança... mas pra onde vamos?
– Inglaterra... pra ser mais especifico, Londres. Mas filha, não vai ser só mais uma mudança, vai ser provavelmente a ultima... A empresa faliu e para que os empregados de mais fidelidade não ficassem prejudicados, eles os distribuíram para as empresas em que nos aceitaram, e nessa empresa eu vou trabalhar la dentro... não vou viajar. – Acho que meu pai esperava que um sorriso surgisse em minha face, por mais que eu tentei o sorriso saiu visivelmente forçado... a verdade era, que eu não me importava se nós nos mudássemos ou não; na realidade, qualquer pessoa normal poderia dizer que não iria, bateria o pé no chão e choraria dizendo que não deixaria para trás seus amigos. Mas eu? Não eu não me importava. Eu não tinha amigos; e por mais que minha mãe achasse que eu indo para uma escola nova me faria bem, me estimularia a recomeçar minha vida social, não adiantava. Eu sempre seria ‘a negada’.
One
– , saia logo deste quarto ou você vai ficar sem porta. – Minha mãe dizia socando a porta. Mas que droga , ela não teria mas nada pra fazer? Desde que meus pais se separaram eles vivem assim. Meu pai liga de vez em quando pra falar comigo e com minha irmã. E minha mãe o odeia como percebem... na verdade eu sei que eles ainda se gostam, porque eles só se separaram porque minha mãe não aceitou que ele teria que ficar 9 meses fora a trabalho e só passaria 3 aqui em Londres; ela achou que era verdadeiro cafajestismo e o pos pra fora de casa – pelo menos é isso que ela conta, não conheci meu pai - .
– Já vou sair. – disse com a voz embolada, nem sei ao certo se falei isso, meu raciocínio de manhã é lento; de manhã e de ressaca... Não é nada bom. Levantei com certa dificuldade por estar com sono, e com mais dificuldade, fui até o banheiro por minha cabeça estar doendo e tudo rodando. Tomei um banho gelado de 5 minutos e um banho de 10 minutos quente... Não consigo tomar banho de água fria. Aliás, sou , capitão do time de futebol da High School... Ah, merda, não me lembro o nome... Mais que se dane saber, não me serve de nada, a não ser posar de popular, e ficar com todo o time de lideres de torcida, ser chamados pra festas e essas coisas que as pessoas não populares - que, por exemplo, se preocupam com o nome da escola - não ligam.
Eu saí do banheiro enrolado na toalha e logo fui escolher uma roupa pra mim. Mas uma utilidade da escola: não ter uniformes. A não ser pelo o das lideres que são... ULÁLÁ.
Finalmente saí do meu quarto já vendo que estava atrasado, não que eu me importasse com isso, mas eu queria chegar antes do sinal pra poder matar a aula, porque depois que o sinal bate, praticamente a inspetora te leva na sala.
Peguei uma pêra,e sai escutando minha mãe falar algo sobre: “deixe seu pai voltar, você vai ir morar com ele, não te agüento mais..." e blá blá blá de mãe, ou melhor de chata.
Peguei meu carro, e sai batucando com meus dedos no volante, meu som no volume máximo, estava tão alto que eu sentia como se a musica fosse fazer o chão rachar. Cheguei na escola em menos de 20 minutos, já que avancei todos os sinais, cortei todos os carros; e bem... cheguei na hora; na hora certa de encontrar a Bitch, OPS , Mitch [n/a: sabem que Bitch é piranha né? Ótimo , HSUAIHSIUAH]. Ela passou por mim com um pirulito na boca, realmente muito sexy.
– Oi, lindo. – ela passou com sua saia hiper curta e eu já estava babando quando chegou.
– Fala ai, garanhão. – ele falou e eu dei um sorrisinho.
– E ai, boy? – eu falei fazendo ele bufar. – Ué? O que houve?
– Kate...
– UIE, ela ainda não largou do teu pé, “" – eu falei imitando a voz de Kate chamando . Kate na verdade era uma nerd, ou melhor o julgava ela nerd, porque ele tem um queda, sei lá , por nerds... mas quando eles saíram ela se jogou em cima dele, e ele desanimou na hora. Quando ele me disse eu morri de rir.
Bom, o sinal tocou e pra minha sorte eu não poderia cabular a aula porque o diretor chegou seguindo a gente nos mandando para a sala.
Cheguei no meu lugar irritado, a fim de dormir; botei minha bolsa numa posição que ficaria confortável para mim... assim que achei,deitei minha cabeça ali e fiquei de olhos fechados e quando quase pegava no sono, escuto o Mr. Rungle chamando meu nome. Meus Deus , o mundo conspirando contra mim hoje, Merda.
– OI MR. RUNGLE. – disse meio que gritando e tirando um pouco de baba do canto da boca.
– Não precisa gritar Mr. . –ele dizia meio alterado. –Por favor, fique de cabeça levantada, e de olhos bem abertos na minha aula.- ‘Ótimo’ , resmunguei para mim.
Quando levantei os olhos para a porta olhando para o relógio que ficava ali pendurado, e pensando em como queria logo sair dali, a porta se abre bruscamente.
– Mr. Rungle, esta aqui é a aluna nova. Ms. Curty. Ela se atrasou pois nós tivemos alguns problemas com seus horários.
– Ah, tudo bem. Seja bem-vinda, Ms. Curty. Escolha um lugar e pode começar a copiar o relatório de Física Quântica.
Eu ouvi o professor falar essas palavras que ecoaram em minha cabeça e parei para olhar para a tal menina, que assentiu fraco com a cabeça e passou por mim se sentando na ultima cadeira. Bom, ela não era feia, nem bonita... era algo intermediário; sem duvidas, preferia a Mitch, ou até mesmo a Kate, enfim.
POV’s
Ótimo, comecei muito bem meu primeiro dia de aula. Chegando na metade da aula, e roubando a atenção de todos para mim.
– Ah, tudo bem. Seja bem-vinda, Ms. Curty. Escolha um lugar e pode começar a copiar o relatório de Física Quântica.
Assenti fraco com a cabeça, e segui para o meu lugar sem querer muito contato visual com estranhos. Mas reparei que um menino em especial me olhou muito, e bem... isso meio que me assustou, eu apertei passo e me sentei logo, me concentrando no caderno e na Física Quântica, que me parecia muito mais difícil em Inglês.
O sinal indicando o fim da aula soou, então todas aquelas pessoas que pareciam bois no pasto sendo soltas, saíram avoados. Enquanto eu guardava meu material sem a menor pressa. A sala já estava vazia, a não ser por mim e aquele certo menino que estava babando sobre seus cadernos. Eu era anti-social, mas não iria deixar o garoto talvez quem sabe, levar uma bronca.
– Olá. – eu disse o sacudindo um pouco, e ouvi um murmúrio. – A aula já acabou, todos já saíram. – assim que falei o menino levantou a cabeça, limpando um pouco de baba que havia no canto da boca e na bochecha. E ele olhou pra mim, e então eu pude estudar seus traços, e ele era muito bonito. Ele abriu um meio sorriso e disse: – Obrigado. – ele levantou rápido e saiu da sala. Nossa como eu sou idiota, achei mesmo que ele iria pelo menos se apresentar.
Eu saí de lá, e fiquei perdida procurando minha sala. ‘Biologia, biologia, biologia’ eu repetia pra mim, com voz pensativa.
– Biologia? – uma voz disse atrás de mim. Era um menino que me parecia familiar, ele tinha uma face um tanto quanto chamativa para se apertar as bochechas.
– É, ao que me parece... – eu falei e ele sorriu, mostrando-me uma covinha, que me fez sorrir também.
– Vem comigo, eu te mostro aonde é. Aliás, eu sou . – ele sorriu mais uma vez me esticando a mão.
– . Hm, para todos os efeitos. – falei baixo e apertei sua mão.
– Então, ... você é nova, não é?
– Sou... vim de Toronto.
– Bom, aqui é a sua sala... quer dizer a sala de biologia.
– Você não vai entrar? – falei assim que o vi andando para o lado oposto me dando tchau.
– Filosofia. – ele falou e entrou numa porta qualquer.
Entrei na minha sala, e o professor ainda não havia chegado. – ao menos isso – mas uma coisa; ou melhor , alguém , me chamou a atenção. Era aquele menino da aula de Física, e ele estava dormindo novamente... parece que não teve uma boa noite; ou a noite foi muito boa, tanto faz. Eu percebi que já estava em pé por muito tempo e parada observando o garoto. Olhei em volta da sala, e praticamente todos os lugares estavam ocupados, menos dois. Um era o ultimo da fileira, e o outro a frente. Como era de minha preferência sempre sentar na ultima fileira, eu fui. Eu gostava de sentar lá, porque era o lugar em que menos chamava a atenção. Eu poderia observar a sala toda, e dificilmente alguém da sala iria me observar. Só o professor bastava.
Sentei em minha carteira e logo o professor chegou; deu seu bom dia a todos, e começou com sua mão frenética, a copiar a matéria no quadro. Eu estava copiando até a menina que entrava na sala, me chamar atenção.
– Desculpe, Mr. Keluts.
– Espero que tenha uma boa desculpa para seu atraso. – ele falou ríspido. Ótimo, não poderia nunca me atrasar em sua aula.
– Não, me desculpe eu não tenho.
– Se é assim então, ficará 10 minutos mais tarde na aula comigo, Ms. ; espero que desta vez aprenda que a minha aula, não é bagunça.
– Sim, Mr. Keluts. – ela disse e veio andando até a minha carteira; ela era bonita, e estava usando uma roupa básica, normal – se assim posso dizer –. É que bem , pelo que eu observei naquela escola, as meninas são todas... esquisitas. OK, tudo bem , eu também não sou normal, mas elas eram... hm, não sei explicar. Mas havia, uma coisa que eu invejava nelas, uma única coisa que eu invejava em todas elas... a sua normalidade. Não que eu tivesse algum problema, quer dizer não fisicamente, mas sim em meu cociente; eu sempre seria a garota nova, que é anti-social. Bom, eu sei ser educada, contente... Alegre. Mas algo na maioria do tempo me impedia. A palavra normal, significava para mim algo impossível, algo que eu jamais conseguiria ser.
Acordei do meu transe e fui terminar de copiar minha matéria. Quando olhei para frente a tal menina olhava para trás e sorria, e eu retribui o sorriso.
– . – ela falou sorrindo.
– Curty. – eu era muito, muito, muito tímida, então só dei um sorrisinho de canto e abaixei a cabeça me escondendo atrás de meus enormes e lisos cabelos castanhos. Olhei de rabo de olho para a que pareceu sem graça e voltou a olhar pra frente e escrevia algo em sua mesa.
As aulas duplas me cansavam, e a aula de Biologia era dupla. – que ótimo –. O professor acabou com seu relatório que me rendeu perca de 6 folhas do meu caderno e começou a explicar, quer dizer, começou e acabou praticamente no mesmo instante, pois o sinal tocou.
– Estão liberados. – o professor disse enquanto guardava seu material. E eu guardava o meu também, enquanto isso, distraída com meu material, o tal menino chegou perto, bem perto... mas ele foi falar com a tal . Não que eu tenha realmente me importado com isso... mas ele nem olhou pra mim. Pois bem, ótimo... não gosto de ser notada mesmo.
Saí em direção ao refeitório da escola, o qual já estava lotado. Olhei pela janela e me lembrei que o campus existia. Voltei em meu armário e rapidamente peguei meus fiéis companheiros para a solidão: Mp6 e meu livro. Antes que perguntem... eu não consigo ler ouvindo musica, e eu prefiro ler do que ouvir musica... mas é só pro caso de emergências.
Fui andando sob o gramado verde e limpo, aquele lugar me tranqüilizava... Transmitia-me certa paz que eu não sei de onde vinha, mas eu tinha certeza de que ela existia.
Andei até um lugar com menos pessoas, e me sentei em baixo de uma árvore. O clima estava agradável, com um breve sol que me aquecia; mas ainda assim, eu precisava de agasalho... sentia frio a toa, e começava a bater o queixo, o que não era bom, pois eu parecia mais anormal do que já era. Comecei a ler meu livro: Para Sempre. De Alyson Noël. Eu amava aquele livro, eu me identificava muito com a Ever, éramos parecidas... não que eu tivesse poderes sobrenaturais, ou pudesse enxergar a aura dos outros, ou muito menos porque um Damen tivesse aparecido em minha vida; nada disso; era que a Ever, assim como eu, tinha o seu problema com a esquisitice, ela era a esquisita. Assim como eu.
Eu já estava tão entrosada ali que não percebi quando me chamavam, só então quando um menino apareceu do meu lado me dando um susto que eu percebi que existia um mundo a minha volta – infelizmente -.
– , você esta bem? – ele falou passando a mão em frente ao meu rosto. – Estou te chamando lá da mesa tem dois minutos e você nada. – ele disse rindo
– Ah, me desculpe . Estava perdida dentro do livro.
– HM, tudo bem... mas você não quer vir se sentar com a gente? – ele apontou a mesa, e eu retirando os olhos dele, pude olhar até aonde ele apontava. Vi a tal da , o menino esquisito e mais dois meninos e uma menina.
– Ah, bem... eu não sei. – falei fazendo uma careta que o fez rir, e me fez ficar vermelha e abaixar o rosto encarando a capa do meu livro.
– Desculpe. – ele disse e eu assenti fraco. – Mas, porque você não sabe?
– É que seus amigos, podem não gostar... não sei. – respondi já me sentindo azul de tanta vergonha.
– Eles não se importam, e me incentivaram a vir chamar você. – ele sorriu.
– Ah, tudo bem. – eu falei desistindo logo, antes que ficasse algo chato; não que eu realmente me importasse com isso, porque eu não me importo mesmo; mas quanto mais rápido eu fosse, mas rápido ele me deixaria em paz.
Fomos andando até a mesa, e meu coração acelerava a cada passo. Eu ficava ansiosa frente a situações em que eu tivesse que lidar com o próximo, e pra que isso eu precisa-se de sua aprovação.
– Galera, essa é a . – ele falou e eu senti olhares sob mim; não só dos presentes na mesa, mas de praticamente todos os outros “grupinhos" em volta – ótimo –. Ainda de cabeça baixa, levantei os olhos e vi que estavam meio que dando um sorrisinho, menos o menino da aula de Física.
– Nós já nos conhecemos, não é, ? – a disse, e confesso que me assustei com tanta intimidade, mas eu sorri.
– Já, sim.
– Então, deixa eu te apresentar... Aquele ali é o – então este era o nome do dito cujo – , aquele ali é o e aquele ali é o ; aquelas são , e como já sabe, .
– . – disse.
– . – disse .
– Ah , sim... – eu falei e me sentei ao lado das meninas.
– Então ... o que te trouxe até nós? – perguntou com as mãos juntas.
– O . – falei com um meio sorriso, que em certas situações, como essas, são muito freqüentes.
– DÃ , isso a gente já sabe né espertinha. – falou rindo.
– Ah! – soltei essa exclamação do nada. Realmente... não me sentia bem perto de pessoas.
– Você é sempre tão quieta assim? – falou.
– Acho que... sou? – falei meio que em duvida.
– É. – e que até então conversavam entre si, falaram em uníssono, fazendo todos rirem.
– E você? É sempre tão quieto ? – eu não sei de onde tirei coragem pra fazer uma pergunta em um tom mais alto, mas acho que a risada anterior me relaxou um pouco.
POV’s
Eles estavam conversando animadamente e eu não prestava atenção neles, só ficava fazendo movimentos circulares com o canudo que estava na latinha de guaraná.
– E você, é sempre tão quieto, ? – escutei meu nome como um estalo de meia fração de segundos e olhei para a direção da voz, e vi a tal menina da aula de Física. Ela estava sorrindo, e seu sorriso era bonito, muito bonito, mas bonito que o da Mitch... quer dizer nunca reparei no sorriso da Mitch, até mesmo porque tinha outras coisas pra reparar; nunca reparei na Mitch, no que ela é, isso não me importa.
– Ele nunca é calado... – falou. – O que está havendo, Mr. ?
– Ah... nada.
– , nós vamos sair hoje... você quer vir com a gente? – perguntou e eu vi se esconder vermelha atrás dos cabelos. Era engraçado o jeito tímido dela.
– Vão aonde? – ela dizia tão baixinho que aposto que nem ela mesma ouvia direito.
– Onde nós vamos? – esperou pela confirmação do que havia dito. – Nós vamos ao Shopping.
– Bem... é que shopping não é muito minha praia, entende? – dizia com vergonha – novidade – de recusar o convite, talvez.
– Ah, vamos , vai ser legal... os meninos vão também. – disse.
De repente vi chegando correndo com uma maçã.
– Então Galera! – ela dizia animada demais pro meu gosto. – Novata é? – pronto! Fez a menina ficar vermelha outra vez.
– O nome dela é . – falei recebendo olhares pra mim como se eu nunca tivesse falado antes.
– Ok... – ela falou como se quisesse se desculpar. – Então , eu sou a , mas me chame de , ou se você achar coisa melhor... como preferir... – deve ter assustado a menina que ria nervosamente sem jeito, me fazendo rir também.
– Mas então, do que estamos falando? – perguntou novamente.
– Estamos chamando a pra ir no shopping com a gente, mas parece... – começou.
– Que ela não quer ir. – finalizou . – Poxa, ... eu vou ficar muito ofendido se você não for. – fez uma voz afetada, quer dizer , afetada pra quem não o conhecesse; pra mim, era uma voz gay.
– Ok, eu posso pensar. – assim que disse o sinal tocou e todos se levantaram, e já estávamos andando quando olhamos para trás e ela ainda estava sentada.
– O que houve ? – ouvi falar perto dela abaixado perto da mesa em que estávamos.
– Ah, nada... eu só não quero encarar o tumulto, podem ir na frente. – ela disse com mais um sorriso de canto que eu não sei porque, fez meu coração por um instante bater mais rápido. Deve ter sido somente impressão minha, tanto faz.
– MITCH! – gritei assim que vi a garota correndo para a quadra com seu uniforme de líder de torcida. E fui atrás assim que ela fez um sinal pra chegar mais perto. AAAH, essas meninas.
Two
POV’S
Eles já tinham saído da mesa e deram uns três passos, enquanto eu encarava a capa do meu livro, inquieta com mãos e pés.
- O que houve ? – falou me despertando atenção.
- Ah, nada... eu só não quero encarar o tumulto, podem ir na frente. – falei ainda cabisbaixa e dei um meio sorriso.
- MITCH! – escutei alguém gritar, e quando olho esta correndo atrás de uma garota; acabou de chegar perto dela; e agora eles estão se beijando; eca. “ ótimo, ele tem uma namorada” – pensei.
- Ah, o ainda vai se dar muito mal de ficar por ai se agarrando com qualquer uma. – disse chegando perto. – Mas e aí? O que houve? – ele se apoiava na mesa.
- Não quero encarar o tumulto. – falei sem emoção alguma, e olhei novamente para que se agarrava insistentemente com a tal Mitch, meu estomago embrulhou e eu levantei rápido balançando a cabeça, como se aquilo fosse apagar da minha memória.
- Nossa. Muda de idéia tão rápido assim? – perguntou rindo. – Acho melhor nos acostumarmos. – ele continuou rindo e eu, vermelha, comecei a andar mais rápido deixando-os para trás.
Eu batia meus pais insistentemente no chão, esbarrava em todos... eu não estava nem aí. Mas quando parei na frente de meu armário, percebi que todos me olhavam e alguns soltavam alguns risinhos; iria começar todo aquele teatro novamente. Senti meus olhos arderem e meu queixo começou a tremer; eu estava com meus olhos embargados e meu coração batia tão depressa que eu conseguia escuta-lo, suas batidas eram como uma faca, cada vez pulsando mais forte em uma ferida aberta, e a única coisa que eu queria era saber a resposta para uma única pergunta: Quando toda essa tortura chegaria ao fim.
Eu não sei o que me deu... mas os meus livros; eu os joguei no chão, deixei meu armário aberto de qualquer jeito, e corri , corri muito e não sabia em que direção eu estava indo, eu não tinha um caminho certo a trilhar... eu só queria minha casa, meu quarto... minha solidão.
- Desculpe. – falei esbarrando em alguém, mas sem tempo de olhar, eu corria com as lagrimas caindo desesperadamente e incessantemente por meus olhos, e a única coisa que eu conseguia fazer era esconder o rosto entre meus cabelos, olhando para baixo. – Desculpe. – falei novamente esbarrando em alguém. – Desculpe. – novamente.
- ? – escutei uma voz, mas não consegui identificar. – , espera. – agora sim reconheci, era . – ! – ele gritava mais perto de mim, mas eu não queria falar com ninguém, eu queria fugir dali, fugir de todos. – , o que houve? – me alcançou e segurou meu braço me fazendo virar e encara-lo. Eu rapidamente olhei em volta e percebi que todos aparentemente estavam dentro da escola, e nós estávamos perto do portão. – O que houve? – ele repetiu. Olhei para ele mas como meus olhos ainda estavam marejados não consegui enxerga-lo muito bem; pisquei forte fazendo algumas lágrimas caírem. as limpou.
- Não houve nada. – falei olhando novamente para baixo. ‘não houve nada’ repeti baixinho para mim. Senti meus olhos começarem a queimar outra vez e um gosto salgado em minha boca. abaixou um pouco – por ser mais alto – e olhou para mim.
- Vem. – ele puxou minha mão me levando para fora da escola.
- Como assim, ? E a aula ? – eu perguntei nervosa por estar sendo carregada. Ele parou e olhou dentro dos meus olhos.
- Você realmente quer voltar pra sala? Assim , com os olhos vermelhos e marejados, os cílios molhados e muito pálida? – ele falou soltando um sorrisinho pra mim.
- To tão feia assim? – perguntei rindo e deixando cair mais uma lagrima; como eu queria que fosse a ultima.
- Não. É só um argumento pra você parar de ser certinha e vir comigo. – ele me puxou novamente. Soltei um murmúrio tipo: huhum.
Saímos andando e falava algumas coisas meio sem sentindo, me fazendo gargalhar. Com ele eu me sentia, não sei... Mais solta? Acho que posso usar esse argumento sim. Eu me sentia mais solta, protegida. Era incrível, como alguém que você acabou de conhecer poderia cessar tanto os males.
Chegamos a algum lugar, até que enfim. Era um portão imenso aberto, e lá dentro era... verde. Só verde. Árvores para todos os lados, crianças corriam para os lados, como se brincassem de pique. Pessoas felizes, um lugar feliz. Era como o campus da escola... mil vezes maior... mas era como o campus, uma paz... que eu não sabia. Me dava vontade de deitar naquela grama e dormir.
- Não é boa, a sensação do verde? – dizia com a maior cara de criança, mostrando sua covinha.
- É. Eu gosto do verde, me... Tranqüiliza. – eu falei fechando os olhos e inspirando todo o ar que conseguia, fazendo meus pulmões agradecerem. me puxou a mão novamente e foi me levando para uma árvore. Quando cheguei até ela, me sentei de baixo de sua sombra, e se sentou de frente pra mim.
- Então, já deixei você respirar... – ele me olhou. – Agora me conta... O que aconteceu? . – quando ele me fez essa pergunta senti meu coração acelerar novamente. Mordi o lábio inferior, como se isso fosse cessar meus rápidos batimentos.
- Não foi nada. – disse tentando manter calma na voz.
- Acho que você não ficaria tão nervosa por... nada. – ele dizia muito sério me olhando. – , - como eu odiava quando meu chamavam pelo nome – pode me contar. Confia. – os olhos dele me transmitiam segurança, e pelo momento que me deixei levar, disse:
- Ok, mas é uma longa história... – falei fazendo cara de cansada.
- Tenho a vida inteirinha. – ele falou com um sorriso de pirralho, que não sei porque me fez lembrar de um cachorro que eu tinha, e fiquei rindo mentalmente como uma idiota... que bom que foi mentalmente.
- Sabe... à uns 3 anos atrás , eu era uma pessoa normal. – parei por um instante, fazendo uma cara de quem não queria continuar, mas fez um gesto pra que eu continuasse. – Então... meu pai trabalha viajando de um canto pro outro. Pois bem , a três anos trás eu tive que deixar na Espanha, minha única e melhor amiga... desde então eu meio que me revoltei e disse que não queria mais ser amiga de ninguém... não estava levando isto muito a sério, e até tentei fazer mais amigos, mas já tinha me fechado o suficiente para isso, fiquei conhecida como “a estranha” , e tudo mais... foi ai que os problemas de verdade começaram... comecei a ter... – fiz uma pausa rápida para respirar e conter as lagrimas que meu passado me trazia. – depressão. No começo eu achei que era mais fácil, porque eu simplesmente não havia chegado ao meu máximo, e achei que era só uma fase ruim... mas agora eu percebi que é permanente. – eu que estava olhando para baixo, olhei para que ouvia tudo com a maior atenção do mundo, e parecia me compreender. – Me fechei mais ainda, as pessoas vinham falar comigo, mas era como se eu fosse proibida de fazer amigos. Me isolei de vez, só fico sozinha durante o intervalo... só com meus livros e minhas músicas; ou então ... simplesmente gosto de observar as pessoas de longe, como se fossem de uma espécie diferente da minha, e pensar em como eu queria ser como eles... eu preciso de uma metamorfose rápida. Estou perdida em minha rotação; só consigo enxergar o meu mundo, só consigo encarar meus pensamentos enquanto o mundo esta em translação. Enquanto as pessoas rodam por elas e por outras, eu só rodo por mim, entende? E hoje... olhando para todas aquelas pessoas novas me olhando, a sensação de diferença – que ao que me parecia já tinha se calcificado – voltou a me pertubar. – finalizei já chorando.
- Oh, calma . – me puxou para mais perto, um abraço.
- , eu não posso ser sua amiga, nem amiga dos outros.
- Claro que pode. – ele ainda dizia em meio ao abraço, mas eu logo me desvencilhei.
- Claro que não, . Preste atenção: eu sou uma estranha, que não tem amigos... que tem muitos problemas, que chora a toa e eu sempre vou ser assim... eu já desisti. Na maior parte do tempo, é como se eu estivesse... sem vida. – eu falei sem emoção nenhuma na voz, estava inexpressiva. Sem vida? Pois bem... sem vida. Morta? Não. Morta não seria a palavra certa. Eu ainda tinha consciência de que o oxigênio circulava em meu cérebro, e a dor em meu coração me alertava que ele ainda pulsava.
Three
Depois de minha conversa esclarecedora com , ele conversou um pouco comigo e tudo, era como se toda aquela dor, estivesse cessado; mas a partir do momento que ele se foi, a sensação de abandono voltou e todo aquele melodrama voltou.
Cheguei em casa, e meus pais não estavam... deveriam estar comprando tudo que ainda sobrava para a mudança.
Subi para meu quarto, que já estava devidamente arrumado; já havia chegado fazia uma semana... mas até acertar a escola, a transferência e tudo mais, ficou meio complicado. Pois bem... meu quarto era grande, tinha um banheiro e meio que uma sala de estudos, que eu não precisei usar, decidi deixar para algo que me importasse mais algum dia, aliás , eu só precisava de uma escrivaninha com um computador e espaço suficiente para estudar, o que obviamente havia em meu quarto. Minha escrivaninha se encontrava de frente para a enorme janela, que dava para outra janela igual na frente, exatamente na frente, só com uma árvore de tamanho razoável separando, mas aquele cômodo estava sempre vazio. – continuando – minha cama era de casal, e meu criado mudo do lado escondia uma gaveta trancada a chaves, como se ali houvesse os meus maiores segredos, mas na verdade ela estava vazia, e em cima ele segurava um abajur, que acompanhava meu livro – do qual eu não conseguiria dormir sem suas palavras, como uma doce melodia, que meu cérebro insistia em dançar. – e tinha um armário e uma cômoda – que se acomodavam pela parede que dava externamente pra frente de minha casa – , mas eram separadas por uma porta de correr de duas folhas, que davam passagem para minha varanda arejada. Minhas paredes eram de um tom verde - calmante - , um rodapé branco e mais três portas espalhadas por lugares específicos: A que dava entrada em meu quarto, a que dava para o banheiro e a que dava para o tal ‘escritório’ . Isso se resumia em meu quarto.
Peguei uma peça de roupa qualquer, e segui para meu banho; que certamente me tranqüilizaria. Enquanto eu relaxava em minha água morna, me lembrei de um certo convite. Não sei se estaria a vontade para sair de casa hoje, ainda mais que meus pais não estavam em casa e tudo mais, - ok, isso não era problema, poderia deixar um bilhete ou ligar, enfim – era melhor eu ficar no meu canto mesmo.
Saí do meu banho, e me troquei rápido, desci as escadas de madeira rústica e cheguei até a cozinha; comi qualquer coisa e subi de volta para meu quarto. Liguei meu computador e fui fazer algumas pesquisas da escola, e escutar música. Passei basicamente minha tarde toda ali, até que ouvi alguns passos e fui verificar.
- MÃE? – gritei
- Estou aqui em baixo. – respondeu.
- Ok, to no meu quarto... qualquer coisa. – e entrei de volta em meu exílio.
Liguei minha televisão depois de desligar meu computador, deitei na minha cama e me cobri. Estava vendo F.R.I.E.N.D.S. , meu seriado preferido, quando meu celular tocou de forma escandalosa me fazendo assustar. Olhei na frente do visor e estava como número desconhecido.
- Ahm... Alô? – perguntei com meu jeito tímido.
- Oi, ?
- Érm...
- É a . – ouvi ela falar e depois escutei mais uma voz longe. – E . – e depois outra. – E . – soltei um risinho discreto.
- Oi meninas. Então... Algum problema?
- Não... é só que você não falou mais com a gente sobre o shopping, e ainda desapareceu junto com o depois do intervalo... A gente te viu correndo, mas o foi mais rápido e jogou os livros no chão e saiu correndo, depois ficou com a maior cara de tacho, e foi pegar seus livros que estavam no chão perto de seu armário... Então o que houve?
- Ah, nada... Acho que só fiquei nervosa com a escola nova... Essa nova tensão. – tentei disfarçar ao máximo, mesmo que fosse verdade.
- Ah, ok... Mas amanhã você vai pra escola, não é? – na verdade achei que ela só ligou pra fofocar, mas quando escutei ela perguntar... Assustei-me com a preocupação.
- Érm... Vou sim, . Mas... Como conseguiu meu telefone? Não que eu esteja me importando de você estar ligando, é só curiosidade.
- AAAAH. – ela falou rindo. – É que a mãe da é esposa do diretor... Ela conseguiu se infiltrar na sua ficha... Espero que nos perdoem. – ela disse em atingido me fazendo gargalhar.
- Eu vou pensar no caso de vocês... – fiz uma pausa. – Meninas, vou precisar desligar, tenho uma nova chamada. – falei assim que percebi que o telefone vibrava insistentemente em minha mão.
- Tudo bem, beijos . – ela falou e eu desliguei rápido, mas desta vez eu já sabia quem era no telefone.
- – acho que gritei em meio a gargalhadas.
- O que eu fiz?
- Nada... Mas o que você quer comigo a essa hora? – olhei no relógio e já eram 9:30 da noite.
- Nada, só ver como você está...
- Eu to bem... Mas eu não posso falar com você agora. Desculpe-me. É que eu tenho que ir jantar bom... Não tenho que IR jantar, propriamente dizendo... To com fome, e se eu não jantar acho que vou morrer desnutrida, então acho que eu TENHO que ir. Ah, você entendeu né?
- Repete. – ele falou rindo muito
- Bobo, não... vou jantar, Beijos. – esperei ele responder e desliguei. A verdade era que eu nem queria jantar, eu não sentia fome de noite, eu só almoçava. Mas eu queria deitar em minha cama e dormir.
Deitei já de pijamas, e peguei meu livro... eu lia, mas a cada 2 linhas eu voltava para o começo ,eu simplesmente não conseguia me concentrar, fiquei pensando em tudo que aconteceu durante meu dia, e foi muita coisa. Estava atordoada. Eu acho que brisei olhando para a janela, aquela que ficava de frente para a outra janela misteriosa. Quando voltei a mim, e me concentrei na janela, percebi que alguém me olhava. . Levantei num impulso e abri a janela, e só me dei conta de que estava falando com ele quando era tarde demais.
- Hm... Oi? – falei sem graça.
- Oi, érm... O que você está fazendo aí? – ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Eu moro aqui. E você? Achei que ai não morasse ninguém.
- Eu moro aqui. – ele disse com um sorrisinho. – Mas o que houve hoje com você e o ? Vocês sumiram...
- Ah, é... Bem é que eu passei mal, e ele tava me ajudando. Mas eu tenho que dormir agora. Tchau. – falei rápido e acho que fiquei meio atordoada; fechei a janela o mais rápido que pude e fechei minhas cortinas. Deitei em minha cama, e fiquei pensando novamente. Eu me sentia tão estúpida, porque eu não sou assim, tímida e frágil - ou pelo menos não era - . Eu conheço a verdadeira , eu queria ela de volta... mas eu tinha medo, e acho que preferia viver com o coração quebrado do que me arriscar novamente. Eu nunca havia sido verdadeira com ninguém, não a ponto de dizer tudo sem alterações ou omissões. Será que um dia eu ia encontrar alguém a quem eu pudesse contar tudo?Alguém com que eu conseguisse falar?Alguém com quem eu pudesse ser eu mesma e ser aceita? Alguma coisa no meu subconsciente insistia em dizer que eu já tinha encontrado. Talvez meu subconsciente fosse tão idiota quanto meu coração... Essa era única resposta plausível.
POV’S
- Eu moro aqui. E você? Achei que ai não morasse ninguém. – ela falou mexendo nos cabelos.
- Eu moro aqui. – eu disse com um sorrisinho. – Mas o que houve hoje com você e o ? Vocês sumiram...
- Ah, é... Bem é que eu passei mal, e ele tava me ajudando. Mas eu tenho que dormir agora. Tchau. – ela falou e rapidamente fechou as janelas e as cortinas, mas ainda dava pra ver meio que sua sombra. OK, né ? Garotinha esquisita essa. Mas por um motivo interessante, me deu vontade de meio que ‘estudar seu comportamento’.
Mas deixe isso pros outros. Preciso dormir.
Blé , que sono.
POV’S
Eu não me lembro o que havia acontecido realmente para que eu estivesse ali, mas parecia que eu estava fugindo de algo. Subia aquelas escadas rapidamente – eu estava nervosa -.
Cheguei a um andar que eu não reconhecia, mas de alguma forma sabia que era o quinto. Olhei para os lados; havia um auditório, uma biblioteca e uma sala de computadores – pelo menos era o que as ‘placas’ me indicaram -. Andei até o lado da sala de computadores, e me sentei ali com as pernas encolhidas debaixo de um extintor de incêndio. As lagrimas percorriam minha face de um modo incrivelmente rápido e assustador. Ouvi passos por perto, e na mesma hora uma dor avassaladora pareceu querer estourar meus ossos. Aquela sensação de vazio em meu peito - que era tão presente em minha vida – se instalou como se fosse para permanecer eternamente. Os passos ficaram mais perceptíveis e meus gritos já não mais podiam ser contidos; aquela dor estava me matando.
Quando olho para frente o meu reflexo esta ali de forma estranha; vejo um movimento bizarro por de baixo de minha blusa, e de repente... Meu coração estava vazando.
Respiração descompassada; vista embaçada e suor frio – eu estava acordada -.
Era sempre assim, eu toda noite a dois anos mais ou menos, acordava do mesmo jeito, do mesmo sonho. Já era pra que eu tivesse me acostumado, não era? Pois bem... eu acho que sim.
Esses sonhos medonhos, me assustam... em diversas tradições culturais e religiosas, as pessoas acreditam que o sonho é um forma revestida de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência. Mas em base na primeira tese... que é uma forma revestida de poderes premonitórios; essa opção me deixa um tanto quanto perturbada, não quero que um dia meu coração... vaze.
É porque nos sonhos, entramos num mundo inteiramente nosso. Nos deixamos mergulhar no mais profundo oceano, ou flutuar na mais alta nuvem. O que eu quero dizer, é que nos sonhos nós fazemos coisas que nosso consciente nos permite fazer com nós mesmos... entende?
Bom, Sigmund Freud deu um caráter cientifico a matéria... naquele livro, Interpretação dos Sonhos. E ele define os conteúdos dos sonhos como a realização dos desejos. Eu deixaria de achar Freud um gênio, se o pai da psicanálise não tivesse dito também em suas teses oníricas, através de seus estudos, que existem dois sentidos de sonho: O manifesto, e o latente.
O manifesto seria um despiste do superego – que é o sensor da psique, que determina o que é consciente ou não dos conteúdos inconscientes.E o sentido latente, que revelaria o desejo da pessoa por trás dos aparentes absurdos da narrativa.
O meu caso, seria o sentido latente... realmente um desejo absurdo da narrativa.
’s POV’s
4:45 da manhã, não preguei meus olhos até agora. Eu tava morrendo de sono, mas quando bati na cama, simplesmente ele foi embora, e eu não tinha nada pra fazer. Não me restava nada, nada a não ser pensar. Pensar me fazia bem, mesmo que algumas pessoas achassem que eu não tinha essa capacidade.
Bom, estava pensando no meu jogo de futebol daqui a 1 mês, a Mitch lá perto da arquibancada dançando com suas discípulas, era tudo muito bom... Mas eu queria dormir, que droga. Estava tão agitado, virava de um lado para o outro, e tirava e botava a coberta, ajeitava o travesseiro, mexia na velocidade do ventilador, e nada de dormir. Certa hora quando virei pra minha esquerda, vi que a luz do quarto da frente se acendeu. Gente, além de louca e esquisita, aquela garota não dorme? Tudo bem, que eu também não to dormindo, mas pelo menos estou tentando.
Decidi chegar mais perto da janela e abrir minha cortina, pra sei lá... observar.
E assim eu fiz, e fiquei lá olhando ela andar de um lado para o outro, e de repente ela sentou em algum lugar, e ficou parada olhando pra janela, será que ela estava me vendo? Acho melhor eu fechar tudo aqui e voltar pra min...
- Oi? – é, ela havia me visto, e era tarde de mais pra que eu fechasse a janela.
- Oi. – falei com um risinho sem graça e devia estar vermelho.
- Acordado a essa hora... o que estava fazendo? – ela perguntou se debruçando um pouco sobre a janela e olhando para baixo.
- Ah, eu não tava conseguindo dormir... estava pensando no jogo contra os Eagles do mês que vem.
- Você joga? – ela sorriu
- Jogar? Eu arrebento com todo mundo. – eu disse soltando uma gargalhada depois, fazendo-a rir de um jeito engraçado. – Você gosta de futebol?
- Eu sou apaixonada por futebol, desde pequena... sabe, sou brasileira... país do futebol, entende?
- Claro... mas a disse que você veio do Canadá. – perguntei confuso
- É, vim do Canadá, mas é porque meu pai viaja muito... sou brasileira, mas já morei em Nova York, Joan esburgo, Honolulu , Espanha , Brasil novamente , Canadá , e Londres agora.
- Sei como é, meu pai também viaja muito... por isso se separou da minha mãe... ele liga de vez em quando pra dar noticias, mas é algo como duas vezes no ano. Ele não liga muito pra gente, entende? Parece que agora ele arrumou um lugar fixo pra morar, largou o trabalho dele, mas não disse aonde. Eu não o conheço, só por fotos muito antigas.
- Sinto muito. – ela falou me olhando nos olhos, mesmo de longe... mas eu sabia que algo ali era verdadeiro.
- Não precisa sentir nada. Eu não faço questão de sentir. – falei tentando não ser rude, mas acho que não funcionou... falar do meu pai me irritava. – Desculpe, acho que pareci rude...
- Não, ta tudo bem. – ela sorriu abertamente e olhou no relógio verde fluorescente de pulso. – Nossa, 5:37 da manhã... daqui a pouco vou me arrumar pra escola. – ela disse me fazendo soltar um risinho de canto de boca involuntário.
- Érm, eu já disse porque eu tava acordado, agora você não me falou. – falei realmente interessado.
- Pesadelos incomodam... – ela disse baixo.
- Tem muitos pesadelos? – perguntei novamente interessado
- É sempre o mesmo à 2 anos.
- Do que se trata?
- Nada com que deva se preocupar, . – ela disse rude, sei que ela não quis parecer, então não liguei muito; mas ouvir ela falando meu apelido daquela forma, fez um frio passar por minha espinha.
- Ok então...
- Acho que vou tentar dormir um pouco. – ela disse já fechando a janela, e eu tive medo de que ela não voltasse, mas deixei que ela fosse, sem falar nada.
Fechei minha janela, e cortinas e voltei para minha cama, desta vez consegui dormir.
’s POV
- Acho que vou tentar dormir um pouco. – eu disse já fechando a janela, e sem ouvir o que ele ia dizer... se ele realmente fosse dizer algo.
Apaguei minhas luzes, e deitei em minha cama, realmente tentando dormir um pouco; e assim o fiz.
Despertador tocando, o Sol penetrando pela cortina da frente e eu acordei num pulo; me sentia tão viva.
Corri para o banheiro e tomei um banho rápido, e me vesti mais rápido ainda. Abri todas as cortinas para que o Sol entrasse por completo ali e aquecesse meu quarto.
Quando abri a cortina do canto, a janela de já estava aberta como a minha, mas não havia ninguém lá.
Desci as escadas, e meus pais obviamente já aviam saído de casa. Comi alguma coisa, e subi para pegar meu material. Peguei meus livro e passei rapidinho na varanda só pra olhar para as casas, e a paisagem em volta.
Quando olho pra baixo vejo e parados na frente da casa de . Desci as escadas como um foguete, eu queria falar com , eu estava feliz e queria que todos soubessem.
- TOOOOOOOM! – gritei pulando em suas costas, eu jamais faria isso com qualquer pessoa que eu tivesse conhecido a 24 horas, mas era o , podem ser só 24 horas mas pra mim vale como muito tempo.
- ? – ele olhou pra mim assustado. – Ta fazendo o que aqui ? – ele sorriu
- Eu moro aqui. – falei lembrando da minha conversa com quando descobrimos que éramos vizinhos.
- Jura? O também mora. – ele disse olhando pro .
- É, nós sabemos. – falei percebendo que estava ignorando . – Bom Dia, . – sorri de canto.
- Bom dia, . – odeio quando me chamam pelo nome.
- Você vai com quem, ? – perguntou.
- Eu vou sozinha. – falei me sentindo corar.
- Vamos com a gente ? – ele perguntou com um sorriso no rosto.
- Eu não sei se é uma... – olhei para que olhava sério para - ... boa idéia?
- , já conversamos sobre isso... vamos. – sabia que ele não desistiria fácil assim.
- Tudo bem. – disse tão baixo que me perguntava se eu tinha dito isso.
Four
Entramos no carro, e foi dirigindo, com do lado , e eu no banco de trás. Ouvindo meu mp6 só com um fone, pois de vez em quando falava alguma coisa, enquanto permanecia eternamente quieto.
Chegamos a escola, parou o carro de qualquer jeito, e antes mesmo que eu ou pudéssemos sair do carro, ele já estava longe.
- O que deu nele? – perguntou assustado.
- Eu não sei... – falei em meu tom de voz normal.
- Vem, vamos entrar... qual a sua primeira aula? – ele perguntou e eu peguei meus horários.
- Inglês. – falei e vi um sorriso se formar em seu rosto.
- Inglês também. – ele pegou minha mão, mas não de um modo romântico, mas sim dinâmico, e me puxou correndo pelo campus. Eu ria que nem uma cabrita, e todos em volta olharam, mas eu pela primeira vez não me importei.
- ... para. – eu dizia entre risos.
- NÃO TO OUVINDO! – ele gritou rindo também
- Me solta . – mais uma vez rindo.
- AINDA NÃO OUVI. – gritou mais uma vez
- , eu to com falta de ar. – falei fazendo uma voz cansada e ele parou.
- Você esta bem? – perguntou parecendo muito, muito preocupado , e eu desatei a rir, rir muito. – Que graça tem? – ele perguntou meio nervoso
- Eu to bem, .
- Muito safada você hein. – ele disse rindo, e se abaixando um pouco, fazendo sinal pra que eu subisse em suas costas.
- Não vou subir, ... vai ficar todo mundo olhando. – falei sussurrando e vermelha.
- Simples... deixem olhar. – ele disse também sussurrando e me botou em suas costas contra minha vontade. – Vem, vamos pra aula.
’s POV
Não acredito, no que eu to vendo. correndo com a tal da , igual a uma criança. HAHAHAHAHAHA , como assim ? ele ta carregando ela nas costas agora? Acho que o ta gamadão nela. Sabe, a é até uma menina legal e tudo mais... as meninas estão falando tanto dela, e o agarrado com ela pra cima e pra baixo, talvez valha a pena, sei lá , parar pra conversar com ela... ser seu amigo. Ela parece tão... sozinha.
Vi Mitch parada perto de uma árvore, conversando com uns meninos do futebol; qualquer pessoa que estivesse em meu lugar, iria até lá tirar satisfações com eles e tira-la de lá, mas eu só consegui rir. Sim, rir ... a Mitch é tudo que um homem materialista pode querer, mas só isso... eu sou bem materialista, gosto das perfeitas. E a Mitch era isso, mas ela me enjoava... ela me servia só como... tira gosto. Mas, ela logo me viu e me chamou, e eu... fui.
- , aonde você estava , que não estava junto com o seu time? – Mitch falou em um tom autoritário, que não combina nem um pouco com ela, me fazendo enjoar.
- Ué, eu estava ali, na mesa. – falei indiferente.
- E não me viu aqui não?
- Vi, ué. – falei indiferente novamente.
- E porque não veio falar comigo, antes... ? – novamente num tom autoritário que me enjoava. – Tentei ligar pro seu celular mais de 20 vezes, . – que saco, ela tava me enjoando mais ainda com sua voz... melada.
- Eu não vim falar com você, porque eu não estava afim Mitchie Hanson, que droga.
- Como assim não estava afim de falar com a sua namorada, ? E como assim, ‘que droga’ ? A cada dia que passa eu vejo que você realmente não é bom pra mim. – ela disse e eu desatei a rir, rir muito. – Do que você ta rindo idiota? – espera, ela me chamou de idiota?
- Mitchie, presta atenção aqui garota. Você não é minha namorada,nunca foi e nunca será. ‘Que droga’ é de ter que ouvir a sua voz melada toda hora, achando que manda em tudo e em todos, achando que me controla, que é minha dona; e isso não rola, entendeu? E por fim... eu to rindo de você. – falei e comecei a rir de novo da cara de interrogação dela. Mas ai, isso só me deu mais vontade de falar. – E, mais uma coisa... que eu me esqueci... como assim, eu não sou bom pra você? Se você parar pra reparar... ninguém, ninguém é bom pra você. Por que o problema é com você, SÓ COM VOCÊ. – gritei por fim. Eu vi Mitch ficar vermelha, roxa , azul, e por fim...
- , QUEM VOCÊ PENSA QUE É, PRA FALAR ASSIM COMIGO. QUEM VOCÊ PENSA QUE EU SOU? – gritou, fazendo todos olharem pra nós, inclusive e , que estavam a poucos metros de nós.
- Eu acho que você sabe quem eu sou; e você ? acho que ninguém te contou ainda né? – falei em tom provocativo, vendo ela ficar mais vermelha e com os olhos mais esbugalhados. – você é só mais uma garotinha irritadinha, mimada, que acha que todo mundo vai se jogar aos seus pés na hora que você quiser... mas não passa de uma... – quase concluindo falei sussurrando de forma que ninguém escutaria, e do jeito que eu sei que ela iria se derreter, mesmo que fossem com aquelas palavras. Mas conclui gritando pausadamente: PI-RA-NHA. – ela berrou algo agudo, e saiu andando...
Ok, eu não sou do tipo que humilha garotas em publico, por mais que elas sejam como a Mitch, ou piores... mas essa garota realmente passou do limite.
- O que houve, dude ? – perguntou curioso.
- Ah, a Mitch, me estressou. Só isso. – falei abaixando a cabeça e fazendo sinal de negação.
- Só isso? Mas você humilhou completamente a garota, ela deve estar se sentindo péssima. – falou me fuzilando com os olhos, fazendo-me assustar.
- Calma , pro ficar desse jeito por causa de uma garota, ela deve ter feito algo extremamente chato. – falou fazendo concordar com a cabeça.
- Mesmo assim, a menina deve estar arrasada. – falou novamente defendendo a Mitch, como ela era inocente.
- , a Mitch é um caso sério... ás vezes as pessoas precisam de um toque de realidade.
- Mesmo assim... acho que não justifica. Eu vi, e ouvi tudo ... ela estava errada, contudo, ela não merecia. – ela falou encarando o chão, e sua sensibilidade mexeu um pouco comigo. – Tudo bem... vou pra minha sala. Você vem ? – ela perguntou e eu senti algo estranho, embrulhar meu estômago.
- Ah, eu vou. – falou e logo foi atrás dela. Eles dois... isso ta muito estranho.
- ... – Mitch chegou chorando com o rosto muito vermelho, me assustando.
- Mitch ? – arqueei uma sobrancelha.
- É, olha me desculpa... eu realmente passei do limite com você, vamos voltar a ser o que éramos antes, vamos? – Meu Deus... eu não acredito que ela veio se rebaixar a esse nível, eu ri mais uma vez... mas silenciosamente.
- Mitch... olha, acho melhor eu ir pra aula. – e sai correndo e rindo como um pateta, rindo muito.
Essas meninas, todas iguais... nem você xingando e humilhando elas, elas largam do teu pé... isso parece que só faz elas te quererem mais e mais. Enfim, Inglês me espera, droga.
’s POV
– Tudo bem... vou pra minha sala. Você vem ? – eu perguntava enquanto deixava de encarar .
- Ah, eu vou. – falou e logo já estávamos andando para longe, e quando olho para trás Mitch está com novamente.
- Olhe, A Mitch voltou. – falei para , e logo quando ele olhou , veio correndo em nossa direção.
- O que ela queria? – perguntou pra , que estava rindo muito.
- Queria que “voltássemos a ser como éramos antes” – ele falou já parando de rir e respirando um pouco mais pesado por ter corrido.
- Nossa. Essa menina gosta mesmo de você, não é? – eu falei me sentindo estranha por perguntar isso , e ouvi soltar uma gargalhada.
- , pare de ser tão ingênua... a Mitch ama algo chamado po-pu-la-ri-da-de, e “ama” o , porque ele pode dar isso a ela.
- Eu não entendo... – falei novamente de cabeça baixa.
- O que não entende? – senti dois pares de olhos se virarem para mim enquanto dizia.
- Não entendo nada. É que bem... é complicado de expressar o que eu quero dizer. – falei parando um pouco pra pensar. – Assim, eu não entendo o porque delas fazerem isso para ficarem conhecidas... ficarem dando importância ao que na essência é só detalhe e tudo mais... Popularidade, por exemplo... ela está no colegial, no ultimo ano... pra que se importar com isso, se daqui a 5 meses e meio,não vai tudo acabar? – falei enquanto entravamos no prédio no centro do campus.
- Você pensa tão diferente... – falou, e eu senti uma onda de raiva passar por todo o meu corpo... eu passei a vida toda, escutando as pessoas me dizerem o quanto diferente eu era, eu queria uma chance de ser igual a elas, uma chance de ser eu mesma, sem riscos de ninguém me julgar; e agora chega ele e me diz o quanto eu sou diferente? Eu não agüento mais, e acho que Thomas percebeu também, já que me olhou com uma cara de controle extremo.
- URGH. – soltei um murmúrio alto e saí correndo escadas à cima.
’s POV
- Você pensa tão diferente... – eu falei relembrando tudo o que ela havia falado, e vi que realmente seu ponto de vista era algo bem melhor do que eu esperava dela... porque na verdade, eu esperava que sua timidez fosse só faixada, e depois ela iria se soltar e ficar como a Mitch, mas naquela hora eu percebi que ela não estava fingindo nem nada; mas de repente, depois que eu disse isso , ela imediatamente soltou um grunhido e subiu correndo as escadas.
- HM? – olhei para .
- HM, o que ? – falou enquanto seguia os passos de com um olhar preocupado.
- ... o que houve com a ?
- Ah, nada não. – falou rápido e subiu rápido as escadas atrás dela.
’s POV
- ! ! – eu gritava atrás dela e a vi entrando no banheiro, e não pensei duas vezes e entrei atrás. Se era banheiro feminino ? Foda-se.
- Thomas, o que você está fazendo aqui? É um banheiro feminino. – ela disse com voz de choro de dentro de alguma cabine que provavelmente estava trancada.
- ... para de chorar. – eu disse parado de frente para a única cabine trancada. – Abra a porta, por favor. – falei com a maior calma e paciência.
- Não posso abrir; não quero abrir. – ela disse com a maior voz de criança pirracenta, mas ainda chorando.
- , porque você saiu correndo? Claro que é uma pergunta bem óbvia e tudo mais... mas só porque você se sente diferente, não quer dizer que o quis dizer isso.
- Não quis dizer, mas foi o que disse, e me afetou. – ela disse enquanto eu a ouvia destrancar a fechadura, e logo depois me encarando com os olhos vermelhos demais; e eu não pensei em mais nada e a abracei, a abracei muito forte, e percebi que ela desatou a chorar em meu ombro.
- chi , calma ... eu to aqui, calma... vai ficar tudo bem, OK? – eu falei enquanto acariciava seus cabelos macios e com aroma de camomila.
- Eu vou ficar bem, não vou, ? – ouvi a perguntar de um modo incrivelmente baixo.
- Oh, claro que vai minha linda... claro que vai. – eu disse me certificando que ela estava segura por minha resposta, e assim ela me mostrou; levantou a cabeça e me deu um sorriso e um beijo no rosto.
- Eu te amo, . – ela falou e eu senti um riso sem tamanho se formar em meu rosto.
- Eu também te amo. – falei e a puxei pra fora daquele banheiro, embora o que eu realmente queria era ficar ali pra sempre abraçada a ela; e não , não é amor o que eu sinto, muito menos paixão... é só um desejo, monótono desejo de estar perto, de cuidar para que nada possa a machucar; ser seu protetor.
- , se sairmos... não vão brigar com a gente, por não estarmos na aula?
- Ah, na verdade... vão... mas você não estava vomitando agora pouco? – eu disse com um sorriso sapeca, e fazendo gargalhar. – Menina, para de rir... você está passando mal. – falei e ela novamente sorriu mais baixo, fazendo sinal positivo com a cabeça.
- Qual sua próxima aula? – ela perguntou e eu a olhei. – A minha é Educação Física. – ela disse e eu vi uma careta muito bizarra se formar em seu rosto, me fazendo soltar um risinho.
- A minha é... aula vaga. – eu sorri pensando que ficaria uma hora sem fazer absolutamente nada. – Mas... porque a sua careta quando se fala em Educação Física? – perguntei e ela soltou um risinho irônico enquanto entravamos no campus indo direto para a quadra.
- Odeio Educação Física, sou uma completa desastrada. – ela falou e eu soltei uma gargalhada a fazendo olhar incrédula para mim. – Qual o seu problema? Estou falando sério. – ela parecia realmente irritada e eu parei na hora.
- Desculpe, é que por um momento imaginei você fazendo Educação Física, ou como Líder de Torcida... tipo, com aquelas roupas que a Mitch usa. – ela me olhou com a maior cara de descrença e correu para dentro da quadra de um modo engraçado.
- PARE DE ME OLHAR CORRER, PORQUE EU CORRO COMO UMA PATA. – ela gritou quase entrando na quadra, e entrou. Bom, entregue... e meu trabalho de Artes não... aula vaga = biblioteca. Segui para a biblioteca quando vi se aproximar.
- Ué, tu não tem aula vaga? – perguntei.
- Érm... tinha, mudei pra Educação Física semana passada... estou precisando treinar mais. – disse, deu uma piscadela e saiu correndo para a quadra, senti uma onda de receio passar por minhas veias e neurônios. Não queria que ele fizesse chorar novamente, ele não podia. Mas ela tem que aprender a se virar sozinha de vez em quando... ser independente e ter asas para voar. Tentei ao máximo relaxar, e fui pra biblioteca.
Passado-se um tempo, percebi que era realmente inútil estar ali, cada parágrafo que eu lia sobre a vida de Edward Monet, ou sobre qualquer outro artista, eu tinha que reler o parágrafo mais de três vezes, porque percebia que simplesmente, tudo o que eu lia, já não entrava mais em minha mente.
’s POV
- PARE DE ME OLHAR CORRER, PORQUE EU CORRO COMO UMA PATA. – eu gritei e entrei na quadra. Tentei me situar ali, e bem... siga o fluxo para o vestiário. Andei, Andei , e achei. Bom... armários, chuveiros... cabines de banheiros; normal. Provavelmente todos os armários deveriam ser do mesmo numero de cada aluno. Achei o 52 e tentei abrir, mas nada.
- É no 54, sempre vai ser dois números a mais do que dos armários comuns. – disse , sorrindo. – Porque não foi no shopping ontem? – interrogou um tempo depois.
- Ah, eu estou tendo que botar meus deveres em dia... Mas e você e os outros? Só vi o e o mais cedo... – falei pegando minhas roupas.
- Ah, é... o resto que não apareceu – ela sorriu - , é que eles dormiram lá em casa, e chegamos tarde de uma festinha... chegamos atrasados – ela fez uma cara de triste. – deveria ter ido, foi ótimo. – sorriu novamente e saiu para se trocar, e eu? Eu fui logo atrás.
Five
De roupa trocada, já na quadra, correndo desengonçada, me aquecendo pela quadra vejo alguma sombra do meu lado.
_Oi. – disse com a respiração descompassada por estar correndo, e me fazendo olhar para ele.
_Olá. – falei não só com a respiração descompassada, já estava literalmente morrendo, estava roxa [n/a: eu realmente fico roxa quando corro – tenso -]
_Nossa você esta bem? – ele perguntou parando e me parando com o braço, seu cabelo estava todo molhado e caiu na cara me fazendo soltar um sorrisinho abafado.
_Não... Realmente não. – falei de olhos fechados tentando recuperar o fôlego.
_É, você está sei lá... Roxa, vermelha, até azul eu poso ver um pouco. – ele falou rindo, mas logo que viu que eu estava realmente mal, pôs um braço meu por seu ombro e foi me levando para a arquibancada.
_Senta aí. – falou novamente, se sentando ao meu lado. – Quer água? – perguntou apoiando a cabeça em suas mãos.
_Eu... – parei – quero – parei -... Preciso. – finalmente conclui com muito esforço vendo o sorri de lado e levantando, falando alguma coisa com o professor um pouco a frente, que olhou para mim e fez um sinal positivo... E logo sumiu de minha vista. O era um garoto legal... Mas o que ele me disse mais cedo me irritou um pouco apesar de tudo... E o comportamento dele quando nos encontramos na frente de casa de manhã, foi estranho demais.
_Aqui. – despertou-me de meus pensamentos como um estalo na minha mente.
_Obrigada. – falei e bebi a água que ele pôs numa garrafa, e logo fechei os olhos muito rápido e com muita força.
_O que foi ? Você esta bem? – ele pareceu desesperado. Engoli a água rápido e falei:
_Muito Gelada... Dor de cabeça instantânea, já sentiu? – falei olhando o nos olhos, apesar de não ser uma pergunta que a resposta fosse mudar minha vida de modo incrivelmente radical, mas enfim.
_Sempre sinto... – ele disse rindo, mas logo um silencio incomodo se instalou ali. Bom, o silêncio na maioria das vezes me acalma, mas não daquela vez... Eu não sei, mas eu sentia vontade de falar e de sorrir naquele momento, vontade de gritar, de ficar meio louca, de fazer tudo o que me desse vontade e eu saberia que não ligaria para o que as pessoas estivessem falando.
_Sou péssima pra criar assuntos, sabia? – falei finalmente me sentindo bem após o feito.
_Ah... Ok, bem... Eu estava pensando... O que deu em você hoje de manhã pra sair correndo do nada? – ele perguntou com um olhar que eu achei que iria penetrar em meu cérebro; ótimo... Era aquela pergunta que eu queria evitar para sempre, para o eu não podia contar, de jeito algum... Seria mais um pra me chamar de idiota e esquisita.
_Ah... Bem, eu não estava me sentindo muito bem... Precisei vomitar. – falei me martirizando mentalmente depois, poderia ter arrumado pretexto melhor que esse.
_Mentira... Posso ver em seus olhos. – que menino abusado, vem e me fala que eu to dizendo mentira? Quem ele pensa que é?
_Pelo amor de Deus né, garoto? Desculpe-me mas eu prefiro morrer sem ar por estar correndo sem preparo físico nenhum, do que ficar perto de alguém que me chama de mentirosa. – falei irritada... Ok que era mentira, mas e se não fosse ?
_Calma , respira um pouco... Ok, me desculpe. – ele falou segurando em meu braço. – Senta aí, relaxa. – ele falou me olhando e eu não pude resistir a me sentar outra vez.
_Ok, mas pare de falar que eu estava mentindo, porque foi verdade. – falei fazendo birra.
_Ainda não me convenceu... – eu já ia levantar novamente quando ele concluiu:
_Mas deixe esse assunto para lá... Acho que você não está em condições de ficar correndo por ai, não é ? – ele falou com um sorriso todo bobo, que me fez sorrir junto, mas logo parei e perdi meus olhos na quadra. Apoiei meu braço no banco que fazia parte da arquibancada de cima e vi os olhos de acompanharem, mas não liguei muito.
_, sua mão está tremendo muito... – falou assustado, e eu lembrei que quando se tem depressão suas mãos e pés tremulam muito. Recolhi a mão rápido e nada disse.
_Você não está nada bem... Vem, vou te levar pra casa... Vem – ele disse levantando e puxando minha mão.
_Não, eu estou bem. – eu disse ríspida, puxando minha mãe de volta.
_, você está ficando muito pálida... Vamos embora?
_Eu não vou , estou bem. – levantei e fui direto ao vestiário, deixando para trás com cara de interrogação.
Depois que já havia trocado de roupa, vi se aproximando.
_, eu vi você e o parando de correr... O que houve? Ele disse que você não esta bem, pediu pra que eu te chamasse.
_Não... Eu estou bem sim; eu só fiquei com um pouco de falta de ar... Mas estou bem. – parei um pouco. – vou lá ver o que o quer. – saí de lá sorrindo para a , e levei um susto ao encontrar parado de cara na porta do vestiário me abordando.
_O que houve? Fizeram alguma coisa com você? – ele perguntou, pegando minha mão e me puxando com força, eu não estava entendendo nada.
_Calma ... Não houve nada, eu to bem... Mas que droga é essa todo mundo me perguntando isso...
_Ah, o esta vindo. – ele falou e logo soltou minha mão.
_, acho melhor levarmos a pra casa... – disse para que estava mais calmo.
_Ah, você disse que ela não estava bem, mas eu to vendo que ela esta bem... Você me assustou . – Disse respirando pesado.
_Viu, eu to ótima... – falei saindo na frente segurando meu casaco na mão, e de repente vi tudo escuro, não me lembro de mais nada.
Parte II
Muito branco, bege e um tom de azul bem clarinho forrado sobre minha cama – ou melhor dizendo, maca -. Pelo o que me indicava... Eu estava no hospital, com o a um palmo de meu rosto.
_Oi !? – na minha tentativa de falar percebi que minha voz não saiu.
_Você está... Bem? – ele perguntou com uma sobrancelha levantada me fazendo soltar um risinho abafado pelo canto da boca.
_É... Se não fosse pela minha mão dormente. – falei e olhei a mesma que estava com uma agulha enfiada na veia com um soro que caia em mínimas partículas de gotas.
_Ah, já que você esta bem... Eu vou avisar aos outros que você acordou. – falou e levantou.
_Outros? Que outros? – perguntei parecendo desesperada, por mais que não fosse a intenção.
_, ), ), , e ... Estão todos; tentamos ligar pros seus pais, mas ninguém atende na sua casa.
_Novidade... Meus pais devem ter ido comprar o que ainda falta para a casa... Não sei o que tanto falta, o que eles tanto compram... – falei com a voz ainda fraca pela dor da agulha e por cansaço mesmo.
-Ah, ok... Você precisa descansar. – ele falou se sentando do lado da minha cama, e passando as mãos em meus cabelos, me fazendo sorrir e fechar os olhos... Sempre que passam as mãos em meus cabelos eu sorrio, me da sensação de tranquilidade.
_Mas eu quero ver o e a ... O e a . – falei fazendo biquinho.
_Hm, e o ? Ele que te trouxe até aqui... Você não quer vê-lo? – perguntou com uma expressão que eu decifrei ser duvida.
_Como assim? O me trouxe? – perguntei levantando um pouco a cabeça.
_Calma, calma... – ele falou abaixando minha cabeça devagar. – ele te trouxe e esta lá fora.
_O chama pra mim? Hm, quer dizer... Eles. – falei fechando os olhos com força.
_Ok... – ele falou e saiu rápido abrindo a porta e desaparecendo; logo me deu muita vontade de ir ao banheiro, fiz menção de levantar, mas a minha mão doeu... Um aviso de que eu estava com uma agulha enfiada ali. Odeio agulhas, não quero nem saber; e arranquei-as dali, xinguei algo indecifrável quando vi que estavam saindo umas gotinhas de sangue dali. Levantei devagar me sentindo ficar um pouco tonta e me escorei na parede, mas encostei-me a alguma coisa, que acionou alguma coisa, que me deu alguma coisa e eu cai... Ok, foi um choque! Mas cai e tentei levantar, mas não achava força para tal coisa, então deitei ali e fechei os olhos... Não sei por quanto tempo fiquei assim... Até que ouvi a porta bater, mas nem força para abrir os olhos eu tinha.
_. – Era , au sabia. – ... acorde.
_Eu to acordada. – “falei” só com os lábios, e esperava que soubesse fazer leitura labial.
_Vem, levante... Eu vou chamar ajuda. – ele disse e eu senti sua sombra que antes estava sobre meus olhos desaparecer.
_Não preciso de ajuda. – disse já com um filete de voz.
_Oh meu Deus... , vamos levante – disse me fazendo agora sim abrir os olhos.
_Eu estou bem. – falei, e quando rodei o quarto com meus olhos eu vi me encarando do outro canto da parede com uma expressão séria, séria demais.
_Ok, venha. – disse puxando minha mão pra que eu me sentasse no chão, mas antes do feito eu senti uma dor que reconheci, e soltei um murmúrio fazendo soltar rápido minha mão, e se não fosse por ter me segurado, eu bateria de cabeça no chão... Ela é muito cuidadosa pelo que percebi.
_, o que foi isso? – que até então se calava insistentemente se pronunciou.
_Eu tirei o soro. – falei baixinho, tímida talvez.
_O que deu em você, pra tirar o soro, e achar que pode sair andando assim? Como se fosse uma pessoa muito saudável? – ele falou em um tom alto, mas não chegou a gritar, correu para o meu lado e me segurou me botando na cama, e chamando a enfermeira pra vir recolocar o soro.
_Eu já posso ir para casa? – perguntei a , que olhou pra porta e eu logo vi , , e .
_Acho que não. – disse fazendo carinho em minha cabeça, enquanto observava tudo do outro lado do quarto, eu vi ele e conversando... Queria saber o que tanto falavam, mas não dava por ter tantas pessoas ao meu redor falando comigo.
’s POV
Cacete, essa menina tem algum problema... Como ela sai assim, achando que é a pessoa mais viva do mundo, tirando o soro da veia? Mas que droga, hunf.
Para cortar meus pensamentos chega com o resto da trupe do mal – foi escroto demais, eu sei. -
_Então, porque a sua cara de raiva? – ele perguntou baixo.
_Essa sua namoradinha... Tirou o soro do braço e achou que podia sair andando vagamente por ai. – falei irônico até demais.
_Como assim? Namoradinha? Do que esta falando? – Ele perguntou olhando seriamente pra minha cara.
_Essa garota, parece que é tapada... Tirou o soro, saiu e levou um belo de um tombo... Bem feito. – falei sem nem querer saber.
_ , para. – ele falou entre dentes fechando o punho, o que só me deu mais vontade de expressar o quanto eu achava idiota aquela garota.
_Ela é uma completa estúpida, você – ele apontou pra mim – que trouxe essa idiota pro meio da gente, e agora todos nós temos que fingir que gostamos dela. Todos nós. – eu disse sussurrando ainda, e saí de lá batendo a porta, escutei-a abrir de novo e ouvi:
_Ô ! – na hora que virei pra ver o que queria levei um soco no queixo e caí no chão, mas me levantei rápido e fui pra cima dele, que me deu outro soco na barriga.
_Ah vai... Defende sua namoradinha loser, defende... Um dia ela ainda te apunhala por trás.
_Primeiro que ela não é minha “namoradinha” – disse fazendo aspas com o dedo. Ia continuar mas eu o cortei.
_Ah, então quer dizer que agora está com vergonha dela? – falei com uma cara marota.
_ , seu babaca. – disse e veio pra cima de mim, mas dessa vez eu dei um chute na sua canela o fazendo cair, e pisei em sua barriga... Chegaram alguns enfermeiros me segurando, eu me soltei de todos e sai dali... Extremamente, puto. Ah, mas que merda... Eu não acredito que bati no por causa daquela idiota... Tudo bem, que ela era uma pessoa legal, com pensamento legais... Mas bem estranha, uma hora está chorando, mas logo antes esta radiante, sorrindo e feliz... Depois simplesmente desmaia, e ainda fica toda putinha porque eu estava “me preocupando” com ela. Não que eu estivesse sendo falso nem nada, porque na hora eu me preocupei e tudo mais, mas é que ela é complicada de se entender, tende ficar decifrando tudo o que ela pensa, e é um saco.
Voltei pra casa pensando ainda em tudo que tinha acontecido, e quando cheguei, nem percebi... Fiquei dentro do carro um bom tempo, com a cabeça no volante... Pensando em ligar pra Mitch, e chama-la pra sair... Ir ao Glay Gluber que é uma boate aqui perto... Mas sei lá, eu estava com dor de cabeça, e achava melhor ir deitar, e dormir um pouco.
Estacionei o carro, sai , tranquei , e fechei a garagem. Entrei em casa, vendo minha mãe assistir TV.
_Oi. – falei e dei um beijo em sua bochecha. Por mais que agente não se de bem, eu gosto da minha mãe, quer dizer eu amo a minha mãe... Ela me criou sozinha, sem ajuda de ninguém, bom , eu e minha irmã – já disse que tenho uma irmã? Érm, acho que já! - ... Depois que meu pai foi embora, ela se mudou para nossa casa atual, e começou a trabalhar... Deu muito duro pra que eu estivesse aqui.
_Olá querido. – ela disse sorrindo, havia muito tempo que eu não a via sorrir. – Faz um favor para mim? – ela perguntou e eu a olhei torto a fazendo rir. – É pouca coisa... Só passar no quarto de Ashley e dizer que o almoço já está pronto, aliás... Quer comer agora? – ela perguntou e me olhou estranho.
_Ah, não... Mas eu aviso a ela. – eu falei e fui saindo.
_Epa, epa... , que rosto é esse... Todo roxo? Onde você estava? – ela estava de pé na minha frente já me olhando com uma cara de reprovação e uma cara azeda.
_Na verdade... Eu estava no hospital. – falei sabendo que aquele interrogatório não terminaria ali.
_Como assim? No hospital ? O que aconteceu? Você está bem? – minha mãe perguntou tudo como se estivesse cuspindo as palavras em minha cara.
_É eu estava no hospital... Uma colega minha passou mal e desmaiou... E eu estou bem.
_Como está bem, meu filho... Olha seu rosto. – ela falou passando a mão em meu rosto, desesperada.
_Mãe... Isso não foi nada. – falei como se fosse convencer.
_Não foi nada, mas está roxo... Ande, me conte. – me dei por vencido e resolvi falar.
_Eu briguei com o . – eu falei e ela me olhou com uma cara de pena que me deixa irritado em certas situações.
_Por quê? – ela me mandou continuar.
_Porque, a menina que mora aqui do lado, é uma retardada e ele fica atrás dela que nem um cachorrinho.
_A menina aqui do lado? – novamente com uma cara de intrigada. – Quem é?
_Sei lá, uma esquisita da vida ai... fica defendendo uma garota que realmente conheceu ontem, e quer jogar fora a amizade que ele tem de 15 anos? Por favor não é?
_Calma filho... Calma... Depois a gente conversa. Suba e tome um banho; avisa sua irmã. – ela ia dizendo enquanto eu subia a escada com passos pesados. Entrei no banheiro e liguei a água aquecida da banheira... Fui pegar uma roupa pra mim e inconsequentemente olhei pela janela, mas estava tudo normal. Voltei para o banheiro e a banheira estava abaixo da metade ainda, entrei de roupa e tudo e fiquei ali, deitado, esperando que ela enchesse.
Depois de cheia, eu fiquei ali, como um idiota , pensando em como era um idiota, em como era uma idiota, em como Mitch era uma idiota... Quanto o mundo era idiota... Porque nada mais fazia sentido. De um dia pro outro, aparece uma garota toda estranha, e que todos a “amam” , depois ela faz a cabeça do , só pode... E ainda me fez brigar com ele... E caraca, poderia ser o , ou o ... Mas o ? Pelo amor de Deus, a briga mais séria que eu tive com o foi por vídeo game e estávamos bêbados, mas ainda sim , estávamos rindo da nossa discussão.
Tirei minha blusa, e meu jeans – que por estar molhado estava muito pesado -, e os joguei em qualquer canto do banheiro, deitei na banheira emergindo e ficando lá embaixo da água quanto tempo eu conseguia, quanto tempo os meus pulmões conseguiam; e depois que o ar acabava, eu subia, inspirava e emergia novamente... A água fazendo pressão em meus ouvidos não me deixava pensar em nada.
Quando subi novamente, senti que meus dedos estavam enrugados e decidi sair dali. Saí, me sequei e penteei meus cabelos com as mãos, me vesti e saí de lá.
’s POV
_...aí, uns enfermeiros chegaram e seguraram o ... Daí ele foi embora. – terminou de me contar e meus olhos arderam; já estávamos dentro do carro dele, parados em frente a minha casa, eu estava me sentindo bem, e decidimos não contar nada para meus pais... já era maior de idade e assinou os papéis que eram precisos.
_Que... Horror. Nunca imaginei que ele fosse assim. – falei espantada, sentindo um gosto salgado e doce descendo de minha garganta.
_E creia, ele não é! Eu não sei o que esta dando nele... Esta desequilibrado. – ele falou e me olhou, eu já devia estar com as bochechas vermelhas de raiva e angustia, porque me olhou com uma cara de piedade, e saiu do carro; abriu a porta do meu lado e me ajudou a sair, praticamente me carregou até a porta.
_Quer... Entrar? – perguntei girando a chave na porta.
_Ahm, seus pais... Não se importam? – ele perguntou em duvida.
_Não, não estão em casa... E mesmo que estivessem, eles não se importariam. – eu sorri e entrei, quase caindo mas entrei.
_, tem certeza que está bem? Quer voltar pro... – antes de ele terminar eu o cortei.
_Estou ótima, não preciso de hospital nem médico nenhum. – falei e sorri tentando passar confiança. – Meu quarto é lá em cima, vem... – falei subindo as escadas bem devagar, degrau por degrau... Os centímetros contados de acordo com o tamanho de meus pés; ok , não era... Mas era degrau por degrau mesmo. Depois de 2 minutos pra subir uma escada de 22 degraus, eu cheguei, e abri a porta de meu quarto para entrar.
_Seu quarto é tão... – ele começou.
_Sem graça. – conclui deixando a chave da porta sobre meu livro que estava na escrivaninha.
_É... Igual a dona. – ele riu – Estou brincando... Eu ia dizer que ele é a sua cara.
_Sem graça. – repeti.
_Tem que parar de se menosprezar... – falou olhando meu porta retrato em cima da mesa. – Quem é? – ele falou e apontou pra um menino que estava na foto, e eu fiquei vermelha.
_É... Era um namorado meu... – me senti corar novamente, na foto estava eu, Davie e Alex; eles foram meus únicos amigos... Amigos mesmo... Como e os outros eram meus amigos também, senti um sorriso se abrir em meu rosto.
_Namorado? – perguntou olhando a foto, ele parecia meio desconfortável, mas eu nem liguei.
_É, mais ou menos. – falei rindo e sentei na cama. – Quer dizer, era meu namorado... Mas faz tempo... Eu tinha 15 anos.
_E tem 17 agora... Não faz tanto tempo... Estava morando aonde? – ele perguntou e me olhou deixando a foto de lado e se sentando na cama.
_Estava na Espanha... Eu era mais feliz lá. – falei e levantei rápido, sentindo tudo rodar, mas logo voltar ao lugar... Inconsequentemente parei de frente para a janela de , minha cortina estava fechada... Mas eu pude ver sua sombra ali. Pelo reflexo da janela vi que estava chegando atrás de mim, e me abraçou... Eu olhei para seus braços envoltos em minha cintura e sorri, olhei para frente, e percebi ainda ali. me virou para ele, e me beijou... Quer dizer, tocou meus lábios por uns 4 segundos, eu tentei me livrar de seus braços, mas eles estavam firmes e me puxou de volta, ele parou de me “beijar” e me olhou.
_O que houve? – perdeu seus olhos em minha face.
_Nada... – falei e soltei seus braços de minha cintura quando ouvi meu telefone tocar, e fui atender.
_Olá . Olá . Olá . – falei e vi rir. – Ah é claro... O está aqui. Estão aí também? Ah claro... Trás eles para cá. OK, beijos... Tchau. – falei e desliguei.v
_E ai?
_Vão vir pra cá. – falei sorrindo e me abraçou novamente quando cheguei perto dele.
_Eu te amo. – ele falou e me beijou, dessa vez... Beijou mesmo. Ah, ok. Eu não gosto do , e ele não gosta de mim... E eu não sou de sair assim beijando alguém que eu não “conheço bem” , mas sei que com eu não me machucaria, como me machuquei com Davie... Quer dizer, com o Davie não foi culpa dele... Mas ali naquele momento eu senti algo diferente com , eu quis aquilo. partiu o beijo e me olhou sorrindo.
_Está tudo bem? – ele me abraçou mais forte.
_Está. – falei e nos beijamos de novo.
Six
Depois de um tempo, a campainha tocou e desceu pra atender... E “ ” ainda encarava a janela, decidi ir lá pra ver o que ele queria... E era mesmo, era ele que estava ali olhando, não me importo... Não me importo mesmo. Pigarreei fazendo a atenção dele voltar-se para mim... Por mais que ele estivesse parado de frente para a janela, ele estava olhando para baixo.
_O que é garota? – perguntou muito rude.
_O que é? Eu que vim saber o que é que você quer... É você que está parado olhando para a minha janela. E pelo que eu percebo, a minha cortina é branco meio transparente... Se esta tentando me espionar... Não vai dar muito certo.
_Não vai dar muito certo o que? Vai chamar seu namoradinho? – falou em tom de provocação.
_Primeiro: Ele não é meu “namoradinho”. Segundo: Mesmo se fosse, você não tem nada haver com isso. E Terceiro: Eu não vou chamar ele, vou chamar a policia.
_Ah... Não é seu namoradinho? E o que eu acabei de ver aqui? Foi o que? Dois idiotas trocando saliva? – novamente provocando.
_Cala a boca, seu idiota. Aliás, na verdade eu só vim aqui... Pra dizer: Obrigada, por ter me levado ao hospital, e por fingir que se importava... Isso realmente me sensibiliza e eu agradeço de coração. – falei ironicamente e fechei a janela o deixando de boca aberta pra falar alguma coisa. Babaca.
’s POV
_Cala a boca, seu idiota. Aliás, na verdade eu só vim aqui... Pra dizer: Obrigada, por ter me levado ao hospital, e por fingir que se importava... Isso realmente me sensibiliza e eu agradeço de coração. – falou com arrogância, e fechou a janela com força antes que eu falasse alguma coisa... Covarde. Acho que eu vou dormir... Porque essa noite eu não consegui, e agora é o que eu mais quero... Com sono ou sem sono eu vou dormir, e não há nada nesse mundo que me acorde.
’s POV
Depois da pequena discussão com o , o chegou ao meu quarto junto com a .
_, como você está? O disse que está bem... Mas eu quis vir checar. – ela falou com um sorriso de orelha a orelha, deitando em minha cama.
_Estou bem, ... Só um pouco zonza, mas bem. – sorri junto com ela e sentei do seu lado.
_Ah, ... Sai daqui, deixe-me conversar com a ... Chato hein. – disse e recebeu língua de , que me deu um selinho e saiu rapidamente do quarto.
_O QUE FOI ISSO? – perguntou com os olhos maiores que a cara. Sabe... A era um tipo de pessoa engraçada, tinha os cabelos dourados, um pouco abaixo de seus ombros, os olhos castanhos... Um nariz bem fininho e lábios em forma de coração [n/a: desculpem se sua amiga não é assim... mas a minha é, Bjs Rach <3],
Ela fazia umas caras e bocas que ninguém sabe fazer... Bom, só os emoticons de MSN, enfim, ela era engraçada... Demais.
_Ah, o que? – perguntei como se não soubesse do que ela estava falando, mas na verdade eu estava vermelha demais.
_Tu sabe, guria. O ... O que foi isto?
_Ah, o ... É que ele me beijou, mas tipo... Não foi nada. – eu falei e escondi minha cara no travesseiro.
_É talvez... Pra você. Porque tu não gosta dele, mas ele parece gostar muito de você... O que deixa a meio... Furiosa? – ela falou e gargalhou
_O que? A ? Como assim? – falei levantando rápido e olhando pra .
_Ela é apaixonada pelo ... Desde... Hm, desde... Sempre.
_Jura? – perguntei mais incrédula ainda.
_Não... – ela começou novamente e riu.
_UFA! – falei soltando um suspiro forte.
_Calma menina... Deixa-me terminar de falar... Desde sempre não... Desde quando ela tinha nove anos. – falou novamente rindo.
_Ah, sua sem graça... Como assim, ela é apaixonada por ele e ninguém me conta? E agora quando ela souber, ela vai sei lá, me apedrejar... – falei rodando de um lado para o outro, mordendo o lábio inferior... Sempre que eu fico nervosa eu faço isso.
_... Relax, relax... – ela disse deitada na cama, de olhos fechados, como se estivesse numa praia.
_COMO ASSIM, RELAXA? É A , E O !!! – falei batendo na cara dela com um travesseiro, fazendo-a gargalhar tanto, mas tanto e tão alto que ficou vermelha demais, e quase caiu da cama.
_Está tudo bem, gente? – e entraram rápido perguntando apavorados.
_Não... – gargalhadas – a L... – gargalhadas - ...u – gargalhadas – quer-me mat... – gargalhadas - ...ar – suspiro pesado e mais gargalhadas.
_HM? – perguntou com cara de interrogação.
’s POV.
_ , vem aqui. – me chamava correndo pelo Hyde Park.
_Para? – perguntei com muita preguiça de levantar da grama, mas devo ressaltar que ela estava linda naquele dia... um shorts jeans, e uma bata branca com detalhes rosa, seus cabelos compridos e castanhos jogados ao vento balançavam, causando um contraste de brilho perfeito com o Sol , seu inseparável relógio verde fluorescente, um óculos escuros e uma câmera na mão.
_Quero bater uma fotos... – ela disse chegando perto, acho que estava percebendo que eu não ia levantar dali tão cedo
_... vamos Doug – falou se sentando ao meu lado.
_Ah não... ficar aqui é bem melhor – falei abraçando-a de lado a fazendo bufar.
_Não é não... quero fotos. – disse fazendo um bico de pidona e eu a beijei.
_Sai ... só depois que batermos fotos.
_OK. – peguei a câmera de sua mão e ironicamente segurei seu rosto rápido, a beijei e bati a foto.
_Ah, você é muito idiota mesmo... – ela disse puxando a câmera de minha mão, obviamente pra ver a foto, mas eu puxei de volta e quis ver antes que ela apagasse; logo que vi eu soltei uma gargalhada que a fez vir pra cima de mim de forma brutal só pra ver a foto.
_Me deixa terminar de ver. – falei a fazendo ficar mais brava ainda.
_Você já terminou. – falou e eu dei a câmera pra ela.
_Ai... que... horror. – ela disse fazendo careta. Era o seguinte, a foto saiu com ela com a cara mais forçada do mundo, com minhas mãos apertando e trazendo seu maxilar para mim, e ela com o nariz todo enrugado, e eu quase rindo.
_Calma ... – falei ainda rindo da sua cara. – Eu gosto de fotos espontâneas.
_Érm, OK... talvez com um photoshop fique até aceitável pra se postar no meu álbum do myspace... – falou analisando a foto de diversos ângulos.
_OK, agora que já temos a foto, vem aqui. – falei a abraçando e fazendo a deitar em cima de mim, logo depois a beijei.
_? – a chamei cortando o beijo.
_HM? – murmurou de olhos fechados.
_Quer namorar comigo? – falei segurando seu rosto muito perto do meu.
_Eu... Eu...
_? – perguntei temendo a resposta.
_Eu quero. – ela disse e sorriu e eu a beijei novamente.
-x-
Senti um flash na minha cara e logo abri os olhos me deparando com Ash olhando a câmera que estava em suas mãos.
_Ash, o que é isso? – perguntei visivelmente furioso.
_Ahm... eu vim aqui pegar a roupa suja que minha mãe pediu, e vi sua cara... não resisti, desculpe . – ela disse vermelha, de tanto segurar o riso.
_Ash, me da essa câmera, agora. – falei levantando da cama e esticando o braço.
_Ops. – falou assim que puxou a câmera de volta para ela... – Me desculpa . – ela disse e saiu correndo e eu fui atrás dela...
_Ashley... abre a porta agora – eu socava a porta do quarto dela com tanta força, que achei que fosse cair. – Ash, abra. – gritei novamente.
_ , vai dormir vai... – ela falou rindo.
_ASHLEY, EU SÓ QUERO VER COMO ESTÁ A MINHA CARA NESSA MERDA DE FOTOGRAFIA. – gritei e minha mãe veio ver o que era.
_ ? O que está havendo? – minha mãe perguntou.
_Pergunte a sua filha. – falei e ela bateu na porta da Ash.
_Querida? – chamou minha mãe.
_Oi mãe.
_Abra a porta... não vou deixar fazer nada com você.
_Ok, mãe... só vou terminar de passar umas fotos para o computador. – Ash disse e eu senti o sangue me subir a cabeça.
_ASHLEY, VOCÊ NÃO VAI PASSAR NADA PRO COMPUTADOR. – falei e minha mãe me repreendeu com o olhar.
_Oi mãe... e... Oi , que bom te ver por aqui. – falou irônica abrindo a porta, não da nem pra crer que essa pessoa só tem 14 anos ? só 14 ? Ok, faz 15 daqui a 10 horas mais ou menos, mas ok... até agora só tem 14.
_Agora me expliquem o que esta acontecendo. – minha mãe olhou séria pra nós dois.
_Ah, pergunta pro ... ele que gosta de perseguir garotas inocentes de 15 anos.
_Nossa... não sabia que agora a ironia é sua especialidade. – falei irônico também.
_Idem, não é? – falou sorrindo.
_OK, parem... quero saber o que está havendo. – perguntou minha mãe agora com raiva... ela não é facilmente irritável, mas quando se irrita... difícil é acalmar.
_Ashley é culpada. – falei e recebi um olhar nervoso de minha mãe.
_OK , NÃO QUERO SABER QUEM É CULPADO OU NÃO, QUERO SABER O QUE ESTÁ HAVENDO. – minha mãe gritou, e nenhum de nós ousou falar nada... bom, eu até diria... mas a Ash que tem que contar.
_Eu bati uma foto do ... e ele correu atrás de mim. – ela disse olhando para o chão como se fosse a vitima, que safada.
_Só isso, Ash? – falei com minha ironia novamente.
_Hm, só. – ela disse entrou no quarto.
_ ... sua versão por favor. – minha mãe falou e me olhou de modo estramamente estranho.
_Eu estava dormindo, ai a Ash entrou no meu quarto e bateu a foto.
_Isso, é... exatamente o que a Ashley disse. – minha mãe fez cara de obviedade.
_Érm... bem. – ok, eu não sabia como explicar.
_Os dois de castigo. – falou e se virou para descer a escada.
_Ãh, como assim? – perguntou Ash indignada, saindo do quarto correndo. – Até quando?
_Até a hora do jantar.
_Mas... mãe... tenho que sair hoje. – falou novamente nervosa e quase chorando.
_Saia outro dia. – falei rindo da cara dela... na verdade é que eu ficaria puto também... mas eu não tinha nada pra fazer mesmo.
_Cale a boca, imbecil. – falou me reprovando com o olhar. – Mãe!
_Ash, pro seu quarto. – minha mãe disse e desceu as escadas, escutei minha irmã batendo a porta forte atrás de mim e fui rindo até o meu quarto... mas isso ainda não acabava com o fato de estar estressado pelo foto, ou por todos os outros fatos do dia.
Deitei na minha cama, e estava quase dormindo novamente quando me lembrei do sonho e me sentei rápido na cama.
_Como assim? – falei pra mim mesmo. – Como assim, ? Que merda de sonho era aquele... porque ela estava no seu sonho? Por quê? Aquela garota só me trás problemas... mas... ela beijava bem. – sabe quando você acorda de um sonho e ainda consegue sentir a temperatura do ambiente, a textura de tudo que estava a sua volta, consegue se lembrar do sentimentos e dos sentidos que foram aguçados? Era isso que eu sentia... como se tudo fosse tão real, ok... mas esse é meu subconsciente. Deitei na cama novamente e me virei para a janela semiaberta, e fiquei girando de um lado para o outro... eu queria respostas, respostas pra tudo que essa garota estava trazendo pra minha vida... A briga com , as confusões em minha mente... enfim tudo o que eu estava ocultamente sentindo... como a raiva de vê-la beijando ; mas aquilo foi por que... só por que... por que... HM, porque confirmou algo que eu já sabia, e sei lá, eu fiquei ansioso. Era isso, enfim. Precisava tirar essa menina da minha jogada... tirar ela do grupo, me libertar e libertar os outros dela.
POV’s
_Para com isso, . – eu dizia com os olhos fixos na TV.
_Com o que? – olhei rápido para e ele estava mordendo um canto do lábio enquanto seus dedos apertavam o controle com muita força.
_Você está roubando. – falei novamente.
_Não tem como roubar no... GANHEI – gritou que ganhou e saiu pulando e correndo, como se fosse o rei do mundo, e eu fiquei com a cara mais séria do mundo. Ouvi um barulho na porta e olhei para a mesma, e acho que não fui só eu porque e que estavam no notebook, também pararam para olhar.
_Oh meu Deus! – uma senhora exclamou na porta e logo um senhor olhou atrás.
_Ahm... e vocês devem ser os pais da . – eu perguntei rindo sem graça.
_Creio que sim... mas quem são você? – perguntou a mãe dela, pondo algumas sacolas em cima da mesa.
_Os... amigos dela? – falou, e e estavam muito vermelhas.
_Mas a não tem... amigos. – falou a senhora. – Ahm, OK. Eu sou a mãe da , Debby, e esse o pai dela...
_Richard. – o pai dela completou, e eu engoli seco.
_HM, Oi mãe... pai... – chegou à escada rápido com e deu um sorrisinho.
_Oi, querida... – Debby disse sorrindo.
_Eu queria que vocês conhecessem... hm... , , , , e... cadê o ? – perguntou olhando em volta.
_Foi na casa do . – falou .
_Ahm, OK... então, ainda tem o e o ... mas o vocês não precisam conhecer. – disse e eu senti uma ponta – uma agulha – de sarcasmo em sua voz.
_ ? Que ? – Richard perguntou e veio parar perto da filha.
_Ahm... o menino da escola. – sorriu assustada e voltou a falar. – Ahm, quem quer jogar verdade ou consequência lá em cima? – perguntou e subiu correndo, e todos nós fomos atrás.
POV’s
_Oi querido, entre o está lá em cima. – a mãe de disse e logo depois fechou a porta atrás de mim.
_Ah, obrigado... – falei e subi as escadas. Cheguei lá em cima e encontrei deitado de bruços na cama.
_Hey, levanta. – disse dando um tapa no seu pé.
_Que é, ? – ele falou sem se mexer.
_Precisamos conversar, levanta... – falei e percebi que ele não mexeu nenhum músculo – AGORA – gritei, ele murmurou alguma coisa e sentou na cama.
_Que foi? – ele perguntou de cara amarrada.
_O que está acontecendo? – perguntei sério e me olhou confuso, abaixou a cabeça e começou.
_Qual é a daquela garota? – ele perguntou e me irritou.
_Se eu te faço um pergunta, é pra você responder com uma resposta... e não responder com outra pergunta. – falei fazendo cara de obviedade.
_E essa é a minha resposta... , é a resposta pra tudo. Ela é o problema.
_ é o problema? OK , vamos fingir então que você brigou com o , por causa de uma garota... que você mal conhece. Cara, você conhece o tem 15 anos. Para de por a culpa na . – falei dando um pedala nele.
_Não to pondo a culpa na garota, ela já veio com a culpa no “pacote canadense” dela. Bom, porque ela não volta pro seu iglu e morre congelada?
_ , você se descontrola e a culpa é dela? Para e pensa... você não quer respeitar a amizade dos outros, você fica ai... todo monótono, com as mesmas coisas de sempre, não para pra olhar o que há de novo a sua volta... A é uma menina muito legal, é alguém diferente, com uma dinâmica diferente. – falei calmo e ele pareceu se irritar.
_Uau, só não diz isso perto dela, se não ela pode se irritar e sair correndo chorando. – ele falou com certa ironia e eu fiquei com cara de interrogação.
_Como assim?
_É disso que eu to falando... essa menina deixa todo mundo ‘COMO ASSIM?’. Hoje, eu cheguei e elogiei-a, disse que ela pensava de uma forma diferente das outras meninas, e ela se revoltou e saiu correndo e o idiota, foi atrás... ela esta manipulando todos vocês... não conseguem ver? – ele disse eu dei uma gargalhada que o fez ficar vermelho e socar a cama. – Pare de rir, ... ela vai ferrar com todos vocês.
_ , não... viaja dude. Como eu disse, você só não esta acostumado com isso... a é uma menina legal, vocês tem tudo pra se dar bem... até muito bem quem sabe. – enfatizei o muito bem, e ele me olhou com um sorrisinho no rosto mas ele logo se desmanchou.
_NUNCA , NUNCA. – ele gritou e eu me assustei. – Nem que eu quisesse, ela já esta com o .
_Com o ? Não... – falei achando um absurdo aquilo.
_Não? Está vendo aquela janela? – ele apontou, eu olhei e fiz sinal positivo com a cabeça. – A dorme ali, o estava ali com ela há algumas horas atrás, e eu, EU VI ELES SE BEIJANDO. – ele disse eu fiz cara de espanto.
_UAU! – exclamei. – Mas OK, . Vocês tem tudo para serem amigos... ou tinham, eu não sei... porque depois do que você falou pra ele, e ela já está sabendo... – eu estava dizendo e ele me cortou.
_Como ela está sabendo? – ele perguntou parecendo se importar e eu sorri.
_O já contou pra ela... e ela ficou realmente... Triste. – falei fazendo cara de cachorro abandonado, e o sorriu... Muito. – Que foi que está sorrindo? – perguntei espantando.
_Então... Ela não vai mais ficar no meu pé... e não vai querer ficar perto de mim, ou seja... Eu sempre to com você e o resto do pessoal, e ela não vai querer ficar perto do pessoal, se eu estiver junto. – ele concluiu e sorriu mais abertamente.
_E É AI QUE VOCÊ SE ENGANA, CARO . – falei fazendo o sorriso dele se desmanchar. – Todo mundo já esta sabendo do conflito de vocês do hospital, todo mundo achou que você está errado, estão todos do lado da se ela precisar... Sinceramente, olhando o seu lado doentio agora... Até eu estou. – eu levantei e saí do quarto dele.
POV’S
Eu subi correndo com medo de qualquer intervenção de meus pais, e logo chegamos ao quarto e eu fechei a porta.
_Que... susto. – falou. – Achei que sua mãe fosse chamar a policia, parecíamos algum tipo de ET pra ela!
_Vamos dizer que eu não sou o tipo de pessoa... que... hm, trás amigos pra dentro de casa. – eu disse me esforçando pra sorrir.
_Mas agora é diferente, ... você tem a gente! – disse tão abertamente me abraçando de lado, e eu dei um meio sorriso tímido.
_!? – escutei alguém bater na porta trancada e levantei rápido, destranquei e vi que era . – Acho que seus pais se assustaram com o fato de um estranho entrar na sua casa sem bater na porta. – ele disse assim que entrou no quarto e se sentou na rodinha de pessoas.
_É, ele se assustou até com os que já estavam aqui dentro. – disse trancando novamente a porta e me sentando entre e .
_Então... o que vamos fazer agora? – perguntou olhando pra todo mundo em duvida.
_PHEEBS BALL! – gritei recebendo olhares assustados de todos.
_Pheebs... Ball? – perguntou .
_Nunca viram F.R.I.E.N.D.S. ? – perguntei arqueando uma sobrancelha, e todos concordaram que sim. – Então... temporada quatro, Mônica e Rachel querem o apartamento de volta, ai... elas duas, Chandler e Joey decidem jogar um jogo, que a Phoebe inventou, e o nome é Pheebs Ball. – disse sorrindo me lembrando.
_Ok, e como é ? – perguntou.
_Não precisa saber, é idiota. – falei rindo.
_Conta . – Falou .
... érm, ok , eles pediram.
_Meninas contra meninos! É assim: , o que você mais gosta nas árvores? – perguntei.
_Me dão... oxigênio? – ela perguntou e riu, sozinha.
_Não, mas ok! três pontos. – conclui e me voltei pra . – , mesma pergunta.
_Tem Folhas! – ele falou rindo orgulhoso da resposta.
_SIM! cinco PONTOS. – falei e me perguntava expressivamente o porquê dele ter ganhado cinco pontos.
_Ok , a resposta era : são folhudas. Viu!? É idiota... o que vamos fazer?
_Não sei... – falou
_Tive uma ideia. – falei e sorri.
_O que ? – perguntou
_Eu, nós e o Mundo. – falei e todos se entreolharam. – Não, não é mais um brincadeira ridícula... é assim: cada um pega uma folha e divide em: Eu – Nós – Mundo. E depois escrevemos de como achamos que estaremos daqui a 10 anos, como nossa amizade estará , e como o mundo em si estará.
_Ah, Legal. – falou , e todos concordaram. Peguei folhas e canetas, e logo todos já estávamos escrevendo.
Continua...
N/A:Gente, me desculpe por ficar esse tempo todo sem postar nada, é que eu tive umas complicações e tal , meu outro beta me largou alone , mas eu não parei de escrever, fiz muitos capítulos novos e sedutores –n mas então, meus agradecimentos desse post vão para a Holly , e eu acho que se não fosse ela que tivesse lido, eu não estaria nem postando HISUHISUAHISHIAU Holly linda eu te amo demais amiga s2
N/B: Olá gente, sou a Lissa a nova beta. Bem, espero que me desculpem pela demora, mas peguei uma gripe forte.
Achou erros, quer reclamar da demora ou simplismente me dar bronca por algo? Me mande um e-mail: lissatopolski@gmail.com e não use a caixinha de comentários! Boa leitura! XXXXX