Autoras: Andressa Gabi e Amábile Julie.
Beta-Reader: Annie Brissow.


Chapter One


:
Após dar tchau para o meu pai e para minha mãe entrei no avião um tanto ansiosa. O que me deixava ansiosa não era o fato de ir morar em outra cidade com minhas irmãs, eu já conhecia Vancouver muito bem, mas sim passar um mês na casa dos , amigos da família. Eu não me sentia muito confortável com essa ideia, mas já que as minhas irmãs estão fazendo estágio da faculdade em outro lugar e minha mãe não me deixou ficar em casa sozinha, fazer o que. Mas no fundo estou com um bom pressentimento.
Os são muito generosos e boa gente. Eles são em quatro. Jhonn é o pai, um médico bem conhecido na cidade; Rosalie é a mãe; é o irmão mais velho com 19 anos; e a a mais nova com 14. Provavelmente não vai estar em casa, já que está fazendo um curso em outra cidade. Não sei... Talvez... Eu não sei a duração do curso. Fiquei mais ansiosa ainda, porque eu temia esse curso. O é meu melhor amigo e eu tinha muito medo de que esse curso nos afastasse de certa forma. Eu jamais suportaria isso. Estou morrendo de saudade, há dois anos que eu não o vejo. Estou louca pra ver a também, minha melhor amiga.
Me levantei e fui ao banheiro. Fitei no espelho a garota branca e de cabelo longo castanho claro. Eu realmente não tinha nada a ver com o meu pai, tanto eu como minha irmã Meredith somos parecidas com minha mãe, a Amber puxou mais meu pai. A única diferença minha e de minha mãe é que tenho os olhos verdes e ela azuis. Lavei meu rosto e voltei a minha poltrona.

:
Olhei em meu relógio meticulosamente pela terceira vez seguida. Eu sentia uma ansiedade estranha enquanto a esperava próximo ao portão de desembarque. Havia mais de dois anos que não a via, minha melhor amiga.
– Afs! Que demora. – disse impaciente.
–Relaxa, . – eu disse o que eu mesmo tentava fazer. Sentei-me em um banco ali perto e concentrei-me nas pessoas que também estavam paradas ali, provavelmente esperando também.
– Ai, eu estou com uma fome! E esse negócio não chega logo. – ela disse emburrada e sentou ao meu lado. Assim que ela se sentou o avião finalmente pousou.
Eu me levantei e me aproximei do portão de desembarque. Um aglomerado grupo de pessoas fez o mesmo. Acabei sendo puxado para trás, para o fundo da multidão. Pude ver os passageiros caminhando em nossa direção, mas não a reconheci.
Voltei onde estava parada.
– Ah, desisto. Não consegui chegar mais perto. – eu disse com uma expressão derrotada. riu.
– Que fome! – reclamou colocando a mão na barriga. Eu ri e balancei a cabeça. Fiquei olhando os passageiros. Conforme eles saiam eram recebidos por vários beijos e abraços de boas vindas. Eu continuei olhando o grupo, ainda de longe, procurando por ela.
Enfim uma garota de cabelos castanhos claros saiu. Ela estava de costas, mas mesmo sem ver seu rosto eu tinha certeza de que era ela.
– Olha ela ali. – eu disse à , que olhava distraidamente para a praça de alimentação. – , a gente já vai comer, espera só mais um pouco. – acrescentei rindo.
– Desculpa, é que não tomei café hoje. – ela disse com um olhar triste. – Mas cadê ela?
Eu apontei a garota que eu havia visto.
– Hã... ... Não é ela. – disse olhando a garota.
– Mas é claro que é! Não está vendo? – eu gesticulava na direção da garota.
– É claro que eu estou, você é que não deve estar!
– Você vai ver. – eu disse dando alguns passos na direção da garota.
– Espera. – me segurou. – Já que tem tanta certeza de que é ela, não se importaria de uma pequena aposta. – ela me olhou com olhos astutos.
De imediato fiquei com medo. Olhei a garota de novo, ainda sozinha.
– Tipo o que?
– Se for ela eu serei sua escrava por um mês. Mas... Se não for ela... Você vai fazer o que eu quiser um mês. – ela me olhou malignamente.
– Fechado. – eu disse apertando sua mão. Caminhei decidido até a garota. Se eu não tivesse certeza de era ela, não aceitaria a aposta. Quando cheguei perto, coloquei a mão em sua cintura já virando-a para um abraço.
!
A garota me olhou assustada, com os olhos arregalados. Sua mão fuzilou a minha que estava em sua cintura.
– Caramba. Meu Deus, desculpa! – eu disse tirando a mão. – Me desculpe, eu pensei que fosse outra pessoa, desculpe. – eu disse já me afastando. Ela murmurou um “Que cara louco!” quando me virei.
Que droga, não acredito que vou ficar nas mãos da idiota da minha irmã.
– Sua imbecil! Você sabia que não era ela, não é? – eu disse à que se contorcia de tanto rir.
– Eu vi ela de frente quando ela desembarcou. – ela disse numa pausa entre as risadas.
– Trapaceira! – eu murmurei.
– Eeeeu? – ela disse sinicamente.
Me virei de costas para ela.
– Olha vou ali comprar uma bala para enganar a fome, já volto. – ela disse e saiu. Não olhei para ela.
Continuei olhando os passageiros, até que outra garota de cabelos castanhos saiu. Tem de ser ela agora.
! – experimentei chamar de longe para não dar uma de louco de novo. Ela me olhou. Eu sorri. Sim era ela.

:
O vôo foi tranquilo e bom. Enquanto caminhava até o portão de desembarque pensei em quem viria me buscar, provavelmente Jhonn e . Saí do corredor para que os outros passageiros passassem e vasculhei a multidão do aeroporto. Nem sinal deles. Dei mais alguns passos olhando em volta, e nada.
! – uma voz me chamou. Me virei automaticamente ao som do meu nome. Quando me virei, um rapaz alto e de olhos azuis tão familiares sorriu pra mim.
? – chamei ainda meio incerta. Seu sorriso aumentou.
Larguei minha mala no chão e corri ao seu encontro como uma criança corre para o pai. Ele me abraçou e me ergueu no ar.
– Caramba! Que saudade! – eu disse em seu pescoço.
– Eu também! – ele disse e me afastou pra ver melhor – Puxa como você está bonita, cresceu né, magrela! – ele disse rindo e eu lhe dei um tapa no braço fazendo uma careta.
– Cadê a ? – eu perguntei.
– Tenta olhar atrás de você. – disse e obedeci imediatamente. tinha um sorriso de orelha a orelha.
– Aaaaaah! Que saudade! – eu disse voando em cima dela.
– E eu não? – ela disse e me soltou – Meu Deus, como alguém pode mudar tanto em um ano?
– Não sei. – eu disse e ri.
– Vamos. – nos chamou.
– Aham. – eu disse pegando a minha mala.
– Não acredito que vai ficar lá em casa, agora sim vou fazer bagunça. – dizia enquanto caminhávamos no estacionamento.
– Como se você já não fizesse sem a . – provocou.
Nós entramos no carro. Eu ri enquanto o motor de sua Mercedes preta roncava saindo do estacionamento.

:
Minha melhor amiga está de volta, e mais linda do que nunca.

Chapter Two


:
O aeroporto ficava no centro da cidade e os moravam na saída dela.
O sol estava alto no céu enquanto dirigia na avenida principal da cidade.
– Liga o som ai, . – disse se inclinando entre os bancos da frente.
Olhei o pequeno retângulo no meio do painel e apertei o botão ON/OFF. Uma música começou a tocar, ela parecia estar pela metade.
– Legal, essa é boa. – disse desabando no banco de trás.
– Que música é essa? De que banda? – eu perguntei curiosa, a música era muito boa.
– É boa? Gostou? – disse se apoiando no meu banco. Ela tinha um olhar duplo.
– É claro! É muito boa e... – parei porque riu e olhou para . – O que foi? – Não entendi.
– Eu avisei. – disse a acusando, provavelmente relacionado a alguma conversa anterior deles. Ergui uma sobrancelha.
, lembra daqueles meus amigos do ensino médio? O , o e o ? – disse sem desviar os olhos da estrada. Vasculhei minha memória. Dos nomes eu me lembrava, só não associava os nomes às pessoas.
– É... Me lembro. Só não estou associando os nomes aos rostos.
– Bem, o caso é que montamos uma banda, nós quatro. – disse sorrindo.
– Nossa! Isso é demais! – eu disse – Não achei que fossem fazer algo realmente sério. – Agora sim me lembro. Os quatro viviam falando que podiam formar uma banda, mas nunca fizeram nada. Eles tocavam às vezes juntos; se apresentavam no show de talentos da escola, e sempre ganhavam. riu suavemente.
– Eles já se apresentaram aqui na cidade, quer dizer, fizeram alguns shows. – disse.
– Uau! É sério? – eu perguntei olhando para . Ele rolou os olhos e balançou a cabeça rindo.
– Bom, pequenas apresentações em shows, mas assim que começa, não é? Além do mais, eles arrebentam. – explicou – Aliás, por que o Matt não entra para a banda, já que vocês vivem juntos?
– Porque o Matt não toca e nem canta nada, além do mais, ele já disse que prefere assistir. Então não vou pressionar. – explicou.
Não me dei conta de que já estávamos na rodovia. Quando fizemos a curva vi uma pequena falha nas árvores. virou e seguiu o ‘S’ ao contrário do caminho até sua casa.
Ele parou o carro bem em frente da casa e insistiu para levar minha mala. A casa era pintada de banco e preto, e toda a parede dos fundos era de vidro. Tem dois andares e é linda.
Entramos pela sala de estar. Com dois sofás e uma poltrona formando um semi-quadrado e no meio uma mesa de centro com a tampa de vidro, e um vaso de flores. Eu olhava tudo maravilhada. Por mais que eu já tenha vindo aqui, não deixo de me espantar com o luxo e a beleza da casa. Caminhamos até a sala de jantar que dava acesso a cozinha, de onde saía um cheiro maravilhoso. Uma senhora baixinha e familiar saiu da cozinha uniformizada de azul marinho. Ela caminhava rápido demais e com passos curtos; ela olhava para baixo, então não pude cumprimentá-la. Quando estávamos chegando à cozinha ouvi a voz baixa e suave de Rose.
– ... rápido, você vai ver. Além disso, ela não sabe de nada, Jhon, não vai desconfiar... – ela parou quando entrei na cozinha. – ! – ela sorriu para mim, mas tanto seus olhos como os de Jhon pareciam assustados, ou surpreendidos.
– Olá, Rose. – eu disse indo até ela sorrindo e a abracei. – Olá, Jhon. – eu disse indo até ele. Ele parecia um pouco tenso e parecia estar escondendo alguma coisa.
– Oi, como foi a viajem? – Jhon perguntou sorrindo.
Fiquei curiosa. Seja qual for o assunto da conversa anterior de Rose, havia deixado Jhon meio atordoado.
– Foi um pouco longa, mas confortável. – eu respondi.
– Chegou bem na hora, está com fome? – Rose perguntou.
– Muita. – meu estômago roncou confirmando.
– Ótimo. Lizza já vai servir. – ela disse a mim. – Leve a mala dela lá para cima, filho. E , mostre o quarto onde ela vai ficar. – Rose disse aos filhos.
Voltamos a sala e subimos dois lances de escada. Saímos em um corredor com cinco portas. À direita do corredor, no fim, a parede era de vidro do teto ao chão, o lado esquerdo ia em direção à sala de TV com uma sacada para a frente da casa. Caminhamos até a sala de TV e viramos em um pequeno corredor à direita com uma só porta.
– Você vai ficar aqui. – disse abrindo a porta. O quarto era maravilhoso. A parede toda da lateral do quarto era de vidro com uma vista linda para o fundo da propriedade. A cama estava forrada com colchas em vários tons de lilás. No fundo do quarto havia uma porta, provavelmente de um banheiro. Uma poltrona estava no canto do quarto e alguns puffs por ali também.
– Uau. – eu consegui dizer.
– Gostou? Eu mesma arrumei. – disse orgulhosa.
– É demais, obrigada. – eu disse e a abracei. apareceu com a minha mala e colocou-a aos pés da cama.
– Vamos almoçar? – chamou.
– Claro. – eu disse saindo do quarto.

Chapter Three


Depois do almoço, disse que precisava dormir. Eu não estava cansada, mas fui para o quarto mesmo assim. Eu ainda não havia tido tempo de ver o reto do quarto. Entrei na porta do fundo. Havia um pequeno closet antes do banheiro. Algo nas prateleiras ou no armário do lado me chamou a atenção. O jeito como era, ou... a madeira, não sei, me parecia familiar. Tentei me lembrar, mas não veio nada. Ignorei isso e entrei no banheiro. Era todo azulejado de branco, com a pia de mármore e um Box de vidro cortando o banheiro de um lado a outro.
Voltei para o quarto e me deitei na cama.
Fiquei ali, fitando a madeira escura do teto bem envernizado. Rolei na cama até ficar de lado, olhando o chão liso e perfeito.
A casa havia mudado um pouco desde minha infância e pré-adolescência. As paredes-janelas agora estão no lugar, de onde um dia, já estiveram grossas paredes de concreto. Além dessa mudança, a pintura e a decoração também mudaram. Eu percebi que alguns móveis, mais antigos, haviam sido reformados.
Um click de lembrança estalou em minha cabeça. As prateleiras do closet, hoje reformadas, um dia já foram um velho armário que ficava neste quarto mesmo há uns... seis ou sete anos atrás.
Uma lembrança veio à minha mente.
Eu tinha dez anos e brincava de esconde-esconde com Amber, , Meredith e ...

FLASH BACK Agosto de 2003 – Vancouver – Canadá

– 42, 43... – Amber contava enquanto Meredith, e eu subíamos a escada velozmente. – 46, 47, 48... – continuou Amber enquanto eu corria em direção à sala de TV e virava no pequeno corredor. atrás de mim. Entrei no quarto e a primeira coisa que eu vi foi o armário idoso no canto. Entrei nele e logo depois.
– Lá vou eu! – gritou Amber do andar de baixo. Meu coração martelava forte e alto o suficiente para que meu ouvido o escutasse, respirava alto e com dificuldade devido ao esforço e ao aperto. Percebi que também estava assim. Eu estava com as costas no fundo do armário, como havia entrado depois de mim, seu corpo ficava na frente, me tampando, assim, se Amber abrisse a porta do armário veria a ele primeiro. Eu sorri.
– Olha aí, vê se ela já está vindo. – disse se afastando da porta o máximo que o armário permitia. Sem perceber o que fazia, abri a porta do armário devagar, para espiar o quarto, que estava vazio. Fechei a porta devagar.
Fiquei ouvindo o silêncio da casa.
Depois de um minuto me dei conta de que havia se esgueirado para o fundo do armário, e que eu agora, estava na sua frente.
Que vagabundo, filho da puta! Eu o vi reprimindo um sorriso.
– Sai daí, esse lugar é meu! – eu sussurrei brava.
– O que? Você é louca, é? Fica quieta. – disse sinicamente.
– Eu estava aí, esse lugar é meu! – eu disse agarrando seus ombros e o puxando.
Eu podia sentir o armário balançando enquanto eu lutava com sua resistência. – Fica quieta que ela está vindo. – disse virando meus ombros para a frente. Não pude argumentar; seria pior. Ouvi a pressão da maçaneta sendo forçada ao girar. Meu coração martelava forte de novo. Eu tinha que pensar em uma saída, ou eu seria a próxima a procurar. Pensa , vamos, pensa. Os passos agourentos - parece que extraídos de um filme de terror – prosseguiram entrando no quarto. Neste exato momento uma ideia me ocorreu. Era a única saída boa para mim.
Com quase toda a minha força pisei com o calcanhar bem em cheio no peito do pé de . Ele gritou ficando vulnerável a dor. Aproveitei e o girei, empurrando-o para fora do armário. Ele caiu de joelhos a alguns metros de Amber, que não me viu. Ela saiu correndo do quarto e só o que eu ouvi foi o grito de Amber no andar de baixo.
– Um, dois, três, para o !
Eu pensei que ele correria atrás dela para impedi-la, mas ele não foi, ao invés disso, me lançou um olhar homicida ajoelhado no chão. Foi o que bastou. Eu uivei de rir. Parei de rir quando percebi que seu rosto estava vermelho e sua expressão piorava. Eu achei que ele se levantaria e me daria uns bons murros, mas o único movimento que ele fez foi se sentar direito e olhar o pé danificado. Enquanto isso eu esperei. Ao invés de entrar no quarto de novo, Amber foi em direção aos outros quartos.
Eu voei para fora do armário. gritou tentando me impedir. Quando cheguei às escadas, Amber saía de um quarto. Desci a escada voando até o primeiro andar, onde Amber havia contado. disparava atrás de mim e Amber atrás de nós dois. Quando bati a mão na parede, ao pé da escada, laçou meu cabelo com a mão. Ele me puxou para trás em um solavanco. Eu me choquei contra ele e nós dois caímos no chão.
Amber começou a subir a escada de volta.
– Meu cabelo, seu idiota! – eu gritei, minha cabeça doendo.
– Meu pé, sua otária. – Comecei a subir as escadas.
– Quem mandou ter pé de princesa? – eu disse chegando no segundo andar.
– E quem mandou ter bucha no lugar de cabelo? – ele disse.
– Vai se ferrar, ! – eu disse.
– Ei, . Calma. – disse Meredith chegando perto de nós. e Amber ao lado dela.
– Mas é, olha só. – disse pegando uma mecha de meu cabelo. – Até cabelo de milho é melhor que isso daí. – disse ele rindo com a Amber.
– VAI SE FERRAR! – eu gritei mais alto que antes.
, para! – disse Meredith.
– Até cabelo de sovaco é melhor que isso ai. – disse ignorando Meredith e rindo mais ainda. Foi a gota. Um calor de raiva começou a me consumir. Eu o grudei pelos cabelos e o joguei no chão, ele me levou junto e rolamos a escada até o primeiro andar.

FIM DO FASH BACK

Pisquei voltando ao presente.
Foi nesse dia que eu quebrei meu braço pela primeira vez.
sempre foi meu melhor amigo, apesar de brigarmos mais do que fazíamos as pazes. Eu sempre confiei nele para contar qualquer coisa, e ele em mim.
Outra lembrança me veio a mente, essa mais recente que a outra. Eu tinha doze anos.
e eu, sentados nas escadas da varanda da frente...

Chapter Four


Flash Back Março de 2006 – Vancouver – Canadá

Eu sabia que queria dizer alguma coisa. Não sabia como, mas eu simplesmente sabia.
Ele olhava para seus próprios pés e a mão brincava com o fio solto da calça jeans; o rosto corado por algum motivo desconhecido a mim.
Esperei que ele começasse.
– Você sabe que sempre conto tudo para você, né? – me perguntou ele depois de alguns minutos. Eu o fitei, confusa, mas ele ainda olhava para os próprios pés. Eu não disse e nem fiz movimento algum. Afinal, por que ele estava me perguntando isso? Diante do meu silêncio, ele me olhou, ainda esperando uma resposta. Eu assenti e ele baixou novamente o olhar. – Não conta para ninguém, tá? – ele disse. Agora que eu não entendi nada mesmo. Contar o que? Para quem? Olhei para ele, novamente confusa. Com uma ruga se formando em minha testa. – Eu estou gostando da sua irmã. – disse ele.
Ah, agora fazia sentido.
– De qual das duas? – eu perguntei.
– Dã! Da Meredith! – disse ele irônico. – Não é obvio que é da Amber?!
– Suave como um rinoceronte. Grosso! – eu disse fechando a cara.
– Desculpa. – ele disse – É, eu gosto da Amber. – eu ri e ele me olhou bravo. – Tá rindo do quê? – ele perguntou indignado – Não posso gostar dela?
– Não, não, não é isso. – eu disse, ficando séria – É que... Ela também gosta de você.
Sua expressão de raiva se desfez, substituída por alívio misturado com alegria.
– Legal! – ele disse sorrindo – Mas, e agora?
– E agora o que? Ué, fica com ela! – eu disse – Vocês se gostam, por que não?
– Tem razão. Obrigada.
– Sempre que precisar, cunhado. – eu disse brincando.

FIM DO FLASH BACK

Desde esse dia, os dois sempre ficaram juntos.
Bom, até o ano retrasado. A Amber nunca esqueceu o . Ela diz que sim, mas todo mundo sabe que não. Coitada.
Me levantei e fui até a minha mala. Vasculhei nos bolsos até encontrar meu celular. Nove chamadas perdidas. Minha mãe devia estar louca querendo falar comigo. Eu prometi que ligaria, mas me esqueci completamente.
Desci até o primeiro andar. Cheguei bem a tempo de ver Rosalie saindo pela porta.
- Rose! – eu gritei e ela se virou. – Eu preciso ligar para minha mãe, posso usar o telefone?
- É claro! Sempre que quiser. – disse Rose. – Eu tenho que ir, até logo querida. – disse ela e saiu.
* * *

Depois de falar com a minha mãe, voltei para o quarto para arrumar minhas coisas.
Despejei tudo o que havia na mala em cima de cama e comecei a dobrar as blusas.
Um vento forte soprou, fazendo barulho nas árvores. Fui até a parede de vidro e olhei o quintal dos fundos.
Um pequeno riacho cortava a propriedade mais abaixo, fazendo um barulho suave e calmo. A floresta densa e fechada era repleta de árvores incríveis. Mais a direita da casa havia a piscina, com um jardim na lateral dela. Percebi que do lado esquerdo havia uma trilha que entrava na floresta. Deve ser recente, não me lembro dela ali antes.
Um flash de lembranças choveu novamente em minha cabeça. Tantas coisas vividas nessa casa...
Escorei a cabeça no vidro. De repente me lembrei dos meus medos antes de vir para cá. Será que a minha amizade com o ainda era a mesma? A mesma parceria, a mesma intimidade... Será que isso é tudo bobagem da minha cabeça? Eu precisava saber, mas como? E se esse tempo longe nos afastou? Eu não suportaria isso.
Balancei a cabeça afastando o pensamento.
Olhei para minha bota de caminhada aos pés da cama. Calcei-as e desci as escadas.
Minha intenção era avisar alguém que eu estava saindo, mas não havia ninguém no primeiro andar.
? – eu chamei para ver onde ele estava. Ninguém respondeu. – ! – eu o chamei mais alto e, novamente, ninguém respondeu. Ele deve ter saído também. Que seja então! Dei de ombros e sai pela porta da cozinha.
Pensei em chamar a , mas se ela não ouviu meus gritos deve estar mesmo dormindo.
Entrei na trilha. Não fiquei com medo de me perder, ela era bem forte, o que significava que alguém andava por ali freqüentemente. As árvores altas deixavam o céu em um verde esmeralda lindo. Logo, já não via mais a casa.
Pensando melhor, foi bom eu ter vindo sozinha. Colocar a cabeça no lugar, meditar. Provavelmente a não permitiria isso falando o tempo todo.
O cheiro de resina e mato me fizeram bem.
Caminhei por muito tempo, mas eu estava cansada, precisava me sentar pelo menos por um minuto. Avistei uma pedra grande pouco longe da trilha. Fui até lá e, ignorando a sujeira, me sentei. Fiquei ali descansando e recuperando o fôlego por mais alguns minutos, até que um barulho de folhas estalando soou atrás de mim, como se alguém as pisasse. Levantei-me em um pulo e olhei para trás. Não havia nada. Olhei em volta, nada também.
Deve ser algum bicho, que coisa! ‘Tô com paranóia.
Sentei-me de novo, agora mais tranqüila. Mas logo o barulho soou novamente, só que mais rápido, como se alguém corresse. Me pus de pé novamente. Não era paranóia!
– Quem está ai? – eu perguntei alto. Ninguém respondeu.
Voltei para a trilha correndo, mas não sabia que rumo tomar. Um levaria para a casa e o outro mais para dentro da floresta. Que ótimo, ! Sua idiota!
Minha cabeça estava a mil; uma parte me xingando por ter me perdido, outra procurando desesperadamente por um ponto de referência para que eu pudesse voltar e ainda outra tentando raciocinar do que exatamente eu estava com medo. Não soube dizer como, mas uma sugestão me ocorreu.
? Para com isso! – eu chamei na esperança de que tivesse acordado e vindo atrás de mim. Ninguém respondeu!
Não era , ela estava dormindo quando sai e não havia ninguém em casa. Fora que ela jamais faria uma brincadeira assim.
Um vento gelado soprou na floresta e os passos soaram atrás de mim, parecia que ia me tocar. Virei-me desesperada. E mais uma vez não havia nada.
Minha teoria se foi. Meu coração estava apertado, batendo forte e nervoso. Não fazia ideia do que estava fazendo aquilo. O medo queria ganhar espaço dentro de mim. Não deixei.
– Mas que droga! Por que não responde? – eu gritei em um lufada de coragem repentina.
– O que está fazendo aqui? – uma voz grave e conhecida sussurrou em meu ouvido.

Chapter Five


– AAAAAH! – eu gritei, me assustando e dando um pulo – ! Seu filho da mãe! Quer me matar do coração? Seu idiota! – eu gritei, batendo nele com força e com raiva. Ele ria, quero dizer, gargalhava. Meu sangue fervia de raiva. – PARA ! – eu gritei furiosa. Eu odiava que rissem da minha cara.
– Quase estraguei tudo. Você é incrível quando está com medo! – ele disse em uma pausa entre as risadas.
– Qual é o seu problema, hein? – eu disse me sentando na pedra. Eu precisava me acalmar. Além do baita susto, eu estava tão brava que estava a ponto de voar em cima dele. – Você é criança assim mesmo ou tem algum retardo mental?! – Como ele adorava fazer aquilo. Sempre gostou de dar sustos nos outros; além de ser bom nisso também.
– Ui, ela ficou nervosa. Ficou com medinho, foi? – ele disse, fazendo uma voz de criança e um biquinho. Eu empurrei sua cara com força.
– CALA A BOCA! – eu gritei.
– Vem fazer. – ele desafiou, chegando perto de novo. Minha vontade era de acabar com aquele sorriso de escárnio e presunção dele. – Que foi? Está com medo? – disse quando eu hesitei – Quem está ai? ? – ele disse, me imitando para me provocar. Foi a gota.
Aproveitando sua distração, me levantei da pedra em um átimo de segundo e quando ia lhe acertar com um belo tapa na cara ele segurou meu pulso. Avancei com a outra mão, mas ele fez o mesmo. Eu me mexia tão convulsivamente, tentando me libertar, que meus lábios passavam a centímetros dos seus.
– Nossa , se queria me agarrar, por que não disse logo? – ele disse rindo. E, ao invés de só segurar meus pulsos, ele começou a me trazer para junto dele.
– Isso até seria possível se você não fosse viado! – eu disse, tentando me afastar. Seu humor de repente sumiu de seu rosto, suas mãos em meus pulsos se tornaram de aço.
– Me solta . Está me machucando! – eu disse séria. Ele não disse nada e também não me soltou.
Ah, é assim então? Vai pegar pesado? Eu também sei pegar pesado.
Eu o empurrei com toda a minha força, ele deu vários passos para trás, perdendo o equilíbrio, até que tropeçou em uma raiz, caindo e me levando junto.
Eu caí em cima dele e nós dois saímos rolando em um pequeno declive do chão, úmido e forrado de folhas, até que ele acabou em cima de mim. Sufocada, eu cravei minhas unhas em seu braço sob a camiseta.
– Sai de cima de mim, seu gordo idiota! ‘Tá me esmagando! – eu disse o empurrando para o lado em busca de ar.
Ele rolou sobre as folhas no chão até olhar para o céu. Enquanto isso olhei em volta. O riacho cortava pouco mais em baixo, isso explica o chão molhado. Olhei para cima, o declive que rolamos era mais alto do que eu pensei, devia ter uns 5 metros. Não acredito que esse moleque me fez rolar na terra!
De repente, começou a rir. Ele gargalhava ainda deitado no chão. A princípio fiquei confusa; mas se analisarmos a situação por outro ângulo... E sua risada era tão ridícula que comecei a rir involuntariamente. Continuamos rindo até nos levantarmos do chão.
– Não acredito que rolamos na terra! – ele riu tentando, em vão, tirar a terra de sua camiseta cinza.
– Eu estava pensando exatamente a mesma coisa, crianção! – eu ri.
– Nossa, seu cabelo está parecendo um ninho. – ele riu e passou a mão nos cabelos sujos e bagunçados. Aliás, sei que parece um tanto estranho, mas daquele jeito, sujo, ele ficava incrivelmente lindo.
Passei a mão em meus cabelos, fazendo um monte de folhas e terra cair. Estava embaraçado e meus dedos ficavam enroscados em algumas passadas. Consegui por fim desembaraçá-lo e acabei o prendendo em um coque.
– Melhorou? – eu perguntei, apontando meu cabelo.
– É... Na medida do possível, contando que ele não vai ficar melhor que isso... – ele disse rindo.
– Cala a boca! – eu ri batendo nele. – Como se você estivesse lindo! – eu disse e comecei a subir a inclinação até chegar à trilha, ele veio logo atrás.
Sua calça jeans preta tinha vários borrões de terra, assim como sua camiseta. Seu rosto estava vermelho e meio sujo também. Eu tinha quase certeza de que eu não estava diferente.
Esperei que ele fosse na frente para mostrar o caminho e o segui bem de perto. Ele parou para me esperar e me acompanhar ao meu lado.
– Aliás, , desculpa pelo susto e... pelo pulso. – ele falou meio constrangido, percebendo o vermelhão. Ainda não havia parado para olhá-los. Minha pele marcava com facilidade e agora, em meus pulsos, havia uma grande marca vermelha.
– Tudo bem, e me desculpe pelos xingamentos e pelo empurrão. – eu disse e ele passou o braço por cima dos meus ombros sorrindo.
Era tão bom estar com ele de novo. Na verdade, você só percebe o quanto algo é importante para você quando a perde. Ele me fez tanta falta durante esses anos, que agora era como ter um irmão de volta para casa depois de um seqüestro. Nunca parei para pensar em o quanto ele era importante e no quanto fazia falta.
Quando chegamos em casa o sol já estava se pondo atrás do riacho.
– Vamos entrar pela sala, não quero que minha mãe fale nada. Entende? – ele disse.
– É claro. – eu disse e o segui pela lateral da casa. Algumas luzes já estavam acesas, como a da sala de estar e os pequenos postes da entrada, que iluminavam um carro azul parado no caminho de pedras logo atrás da Mercedes de .
– Quem será? – eu perguntei olhando o carro; não reconheci o modelo.
– O e o . – ele me respondeu olhando do carro para a parede de vidro da sala. No sofá, vi conversando com dois garotos.
Entramos na sala de estar. estava de frente para a porta e os garotos de costas.
– Minha nossa! O que aconteceu? – nos fitou, espantada.
Os garotos se viraram imediatamente ao ouvirem a exclamação de .
– O que aconteceu com vocês? Onde estavam? – disse com urgência.
O garoto loiro tentava reprimir um sorriso para manter a expressão séria, mas os cantos de sua boca se retorciam, denunciando seu esforço. O outro fazia a mesma coisa, mas não se conteve e soltou uma gargalhada.
Me senti estranha.
me deu um susto, só isso. – eu expliquei.
– Imagino até que susto. – pude ouvir o garoto de cabelos castanhos murmurando, e eu não fui a única, pois o loiro riu.
, vai se ferrar! – disse rindo.
– É cara. Vai se ferrar! – o loiro disse sinicamente.
– Cala a boca, ! – disse e todos riram, inclusive eu.
– O que vocês querem? – perguntou.
– Qual é cara, que isso. – disse. – Conta ai, o que houve com você?
– Eu dei um susto nela, nós brigamos e acabamos rolando na terra. – explicou resumidamente.
– Onde isso? – perguntou.
– Na trilha, nos fundos da casa. – eu disse.
– Ótimo, está explicado. O que querem? – disse secamente.
– Ai cara, é sério, tem que tratar a gente com mais respeito, sabia? Além do mais, por que não apresenta sua amiga? – disse fingindo estar ofendido. fez a mesma expressão.
riu.
– Tudo bem. Desculpa. e , essa é a , minha melhor amiga desde criança, mas podem chamá-la de .
Os dois me cumprimentaram com um beijo no rosto.
– Dizem que a primeira impressão é a que fica, espero que não se assustem. – eu disse.
– Relaxa, a primeira vez que eu vi o ele estava pelado, amarrado no vestiário masculino. – disse e todos nós rimos.
– É, e você estava do mesmo jeito, amarrado ao meu lado. – disse e todos rimos mais.
– E eu que desamarrei vocês de lá! – riu. – Otários.
deu a volta no sofá e veio ficar ao meu lado.
– Tudo bem, – disse depois de uma pausa. – , nós só viemos avisar que hoje tem ensaio da banda, ok?
– Tá. Que horas? – perguntou.
– Lá pelas 8:00.
– Ok! – disse.
– Nós já vamos. Minha mãe está uma fera comigo. – disse pegando seu casaco e saindo atrás de .
– Quando ela não está assim com você? – brincou antes dele fechar a porta.
– Vou tomar banho. – disse subindo as escadas.
– Eu também. – eu disse indo atrás.
– Ah, aliás , chamei minhas amigas para virem aqui hoje. – disse.
– Hã... Que horas?
– Depois do jantar. Acho melhor elas já te conhecerem antes das aulas começarem. – disse animada. – Para já se acostumarem.
– Concordo. – eu disse indo em direção ao meu quarto.

Chapter Five



– Você vai gostar delas. Tenho certeza! – disse com um sorriso.
Depois do jantar nós nos sentamos nos degraus da varanda da frente e passou a última hora falando das bagunças e loucuras que ela e as meninas já haviam feito.
As luzes do gramado estavam acesas, mas o caminho sinuoso que conduzia a casa se mantinha escuro. O céu começava a ficar tomado por nuvens roxas e azuladas. Eu usava uma blusa fina de manga comprida, mas o vento gélido que soprava me fazia estremecer. parecia distraída e não havia reparado no tempo.
– É, acho que sim... Mas e elas vão gostar de mim? – perguntei sorrindo. Era uma pergunta idiota. Lógico que diria que sim para me confortar.
– É claro! – ela confirmou meus pensamentos. – Bom... Só pra te avisar: a é meio difícil de fazer novas amizades, mas logo ela fica de boa. – deu de ombros e olhou para as unhas. Percebi que sua atitude despreocupada era para deixar a informação leve e absolutamente banal. – Como na vez em que uma menina... – engatou em mais uma história. Uma parte de meu cérebro processava a história, enquanto outra imaginava como seria bom um casaco, chocolate-quente e uma boa cama...
Fitei o céu negro, vendo as nuvens pesadas surgirem por todo o lado, dando cambalhotas no céu. As copas das árvores, que mal se distinguiam na escuridão, balançavam fortemente com o vento que soprava lá em cima. Aqui em baixo, apenas soprava uma brisa de congelar.
Não acredito que vai nevar! Não acredito que a ainda não sentira nada!
Ela vestia apenas uma blusa de mangas três/quartos, escrito “BLACK MAN”.
O vento que soprava lá em cima desceu, nos atingindo com uma lufada congelante. Envolvi meus braços em torno de mim e bati os queixos.
–... E no refeitório quando... CARAMBA! Que frio! Que loucura, de onde isso veio? – disse, olhando em volta. Eu não aguentei e entrei em uma crise de risos.
– Só agora você veio sentir? Eu estou quase morrendo aqui.
– Vamos entrar! – apertou os braços e se levantou.
Nos sentamos no sofá. A sala era quente e aconchegante, além de linda. Aliás, a casa toda, que tinha uma decoração moderna, mas com um toque antigo, conferindo um ar sofisticado.
Os sofás eram de couro macio num tom de marrom claro, quase bege, e organizados formando um retângulo em volta da lareira antigo com tijolos a mostra, que parecia ter sido usada recentemente. Em cima dela e em outras paredes, obras abstratas e coloridas de pintores desconhecidos animavam o ambiente. Uma mesa de centro com tampo de vidro se encontrava no meio do retângulo e, no chão, um tapete marrom escuro. No teto, um lustre moderno com pratos de metal, que pendiam propositalmente, deixando o ambiente claro o suficiente. Na verdade, os principais elementos da casa eram esses: madeira, vidro e metal.
– Então a é a mais difícil? – eu retomei o assunto anterior. Não estava a fim de mais histórias. era o máximo, mas convenhamos: ela falava demais. Além disso, eu já sentia que conhecia as garotas, de tantos casos contados.
– É... a de vez em quando é muito metido e autoritária, mas é o jeito dela.
– Como assim: metida e autoritária? – e sem querer a imagem de Adolf Hittler me veio em mente – por causa do “autoritária”.
– É que ela é bem bonita e desfila para uma loja ai e fotografa. Então ela se acha por causa disso. – revirou os olhos rindo – Mas no resto ela é extremamente companheira e leal, do tipo de pessoa que se pode contar a qualquer hora. Eu já vi a abandonar o namorado muitas vezes para fica com a gente. – disse a última frase de um jeito estranho, como se o fato de abandonar o namorado não fosse bem por causa de seu companheirismo. Ergui uma sobrancelha.
– Quem é o namorado dela? – investiguei.
– O Matt. Eles namoram acho que... Há uns três meses. Mas todo mundo está desconfiado de que ela não gosta dele.
Bingo!
– Credo! Por quê? – Começou a ficar interessante.
– Bem, eles são melhores amigos desde sei lá quando, e ele acabou descobrindo que estava apaixonado por ela no começo do ano passado. Mas, como ela e são cú e calça, ele desconfiava que os dois se gostavam. Só que tudo não passava disso: desconfiança. e nunca deixaram nada transparecer. Mas mesmo assim ele ficava receoso de chegar nela e acabar forçando a barra e estragando a amizade, entende?
– Sim. – eu disse, processando a informação. – e Matt são amigos?
– Sim. Um bocado...
– Hmm. Mas e aí? – eu incentivei a continuar.
– O caso é que, em outubro, em um show da banda e se enchendo de coragem, Matt subiu no palco e a pediu em namora. Como dizer não?! – ergueu os ombros e as sobrancelhas.
– Mas se não gostasse mesmo dele, não acha que já teriam terminado? Puxa, três meses! – não fazia sentido.
– Não sei... Mas pensa, o Matt é muito invocado, se ele descobre que a mentiu esses três meses dizendo que gostava dele é humilhação suficiente para Matt não querer nem olhar na cara dela mais. E , apesar de não ser apaixonada por ele, o considera muuuuuito, e acho que ela tem medo de perdê-lo.
– Nossa... Se for isso mesmo, coitada! – eu disse pensativa.
Me imaginei no lugar dela. Meu melhor amigo apaixonado por mim. Deus me livre!
– É... de certa forma... – ergueu o canto da boca em uma careta. Sua expressão dizia que ela não concordava que fosse digna de pena. – Ela consegue ser bem insuportável quando quer! Até seria uma boa ela levar uma lição para ver se baixa aquela bola. O que? – disse quando a fitei, repreendendo-a com os olhos e de boca aberta. – Você não a conhece! – Eu gargalhei e se juntou a mim.
– Acho que estou começando a ficar com medo dessa menina.
– Não é essa a questão... Eu provavelmente estou exagerando. – disse rindo.
– Tá, mas mudando de assunto. Você está com alguém? – eu perguntei. arregalou os olhos, sendo pega de surpresa, e mordeu o lábio inferior com um sorriso começando a desapontar.
– É... estou sim! – disse bobamente, mordendo a língua e fazendo careta.
– AAAAH JULIE! – Eu gritei rindo. – Quem é?
– Lembra do ? Eu te contei dele na última vez que você esteve aqui.
Vasculhei minha mente. Eu me lembrava de uma conversa em que havia mencionado um garoto de quem ela gostava já havia um tempo.
– Lembro sim.
– Então, a gente meio que está junto. Não é nada exatamente assumido, do tipo envolvendo família e essas coisas.
– Ah, entendo. Que bom!
me fitava de um jeito diferente, como se esperasse que minha reação fosse negativa. Eu a conhecia muito bem e sabia que tinha alguma coisa a mais.
– O que foi? – perguntei.
– Hã? Nada... – mentiu. Eu apenas a encarei. mentia muito mal e suas bochechas ruborizadas só confirmavam isso.
– Você mente muito mal. Pode ir falando. – eu mandei.
– É que todo mundo fica me falando que ele não presta, que é igual ao irmão dele - um cachorro mulherengo. – disse meio revoltada. – Mas elas não o conhecem como eu conheço, não sabem o que ele fala pra mim nas costas de todo mundo! – abaixou a cabeça tristonha pela “injustiça”.
– Quem é o irmão dele?
– O Jared. Ele tem um rolo com a . Ele sim é um canalha ordinário. Tem até uma namorada e fica enrolando a com uma conversa de que não gosta da namorada, mas que ela está passando por uns problemas e que ele não pode terminar com ela agora. E isso já tem dois meses! – disse indignada.
é mais novo?
– Sim. – respondeu me avaliando para ver se havia alguma razão para a pergunta.
– Se ele é mais novo, então há grandes chances de sofrer influência do mais velho. – Uma pausa. – Não estou querendo dizer nada! – eu me defendi quando ela lançou um olhar predador. – Eu não sou igual às minhas irmãs, mas em algumas coisas a gente se inspira, né. Qual é? Nunca fez isso com o ? – eu contra ataquei. absorveu minhas palavras por um minuto.
– É... Eu sei... Ele é parecido com o Jared no quesito bad boy, mas nunca soube de nenhuma cachorrada do .
Uma claridade diferente atravessou as vidraças, chamando minha atenção. Um par de faróis fez a cursa da entrada e eu pude identificar um Hyundai Genesis vermelho estacionar logo atrás da Mercedes preta de .
– Só estou dizendo que você gosta dele, então é bem mais propício que você veja as ações e as palavras de diferente das outras pessoas. – e disse, percebendo que o assunto acabara: – Cuidado tá?!
– Valeu! – disse sorrindo. – Vem, elas chegaram. – falou enquanto se levantava do sofá para abrir a porta e eu me levantei e fiquei encostada no braço do sofá. Eu estava um pouco ansiosa para conhecê-las.
– Oi . – a primeira a entrar disse com os braços estendidos para dar um abraço em .
A garota era alta e esguia, as pernas compridas e fortes. Os quadris eram estreitos e a cintura fina. Tinha a pele bem clara decorada por algumas pintas e quase imperceptíveis sardas no rosto sobre o nariz. Os cabelos loiros pendiam lisos até o meio das costas. Seus olhos castanho-amarelados me fitaram com curiosidade, mas ela não veio até mim, ficou ao lado de e esperou as outras entrarem.
– E ai, ! – a próxima a saudou ao passar pela porta.
Era quase do tamanho da outra, talvez alguns poucos centímetros menor. Tinha pernas longas e finas. Os quadris e a cintura eram tão finos quanto os da primeira. A pele clara combinava com os olhos azuis escuros perfeitos. Os cabelos escuros seguiam lisos até um palmo abaixo dos ombros e as pontas jaziam louras de uma californiana sem retocar. Ela caminhava distraída, colocando uma chave de carro dentro da bolsa parda.
A última deu um abraço em ao entrar. Era praticamente o oposto das outras duas. Era baixinha, e gorda não era bem o adjetivo melhor a ser usado, talvez robusta fosse mais adequado, mas ainda assim ela parecia firme, do tipo malhada. Tinha a pele tão clara que era possível ver algumas pequenas veias de seu rosto e pescoço. Os cabelos eram louro-acinzentados e bem compridos, com cachos pesados pendendo nas pontas. Ela não havia percebido minha presença até que me aproximei. Fiquei um pouco encabulada quando seus olhos castanho-esverdeados me fitaram dos pés à cabeça.
– Essa é a , ou , como quiserem. – me apresentou.
– Oi, sou a . – a garota alta e loura se apresentou.
– Sou a , e essa é a . – a garota de cabelos escuros se apresentou e apresentou a garota baixinha, que me deu um sorriso.
– Vamos sentar. – indicou os sofás. – O que têm feito de bom?
– Absolutamente nada de interessante. Só dormindo. A gente podia aproveitar esse tempo livre para fazer algo útil. – disse enfadada.
– É verdade. – concordou.
– Eu tinha pensado em ir ao ensaio da banda hoje. O Matt me chamou, mas eu preferi vir pra cá. – falou.
– Hoje tem ensaio? – perguntou espantada. – Legal, ninguém me convida. – completou ela com sarcasmo. riu. Ouvimos passos descendo as escadas.
– Olá meninas. – nos cumprimentou. – , por acaso você viu meu casaco?
– Não uso seu casaco, por que deveria saber? – devolveu.
– Só estou perguntando...
– Deve estar no carro, não?
– Ah, é verdade! – ele disse tirando as chaves do bolso. – Estou indo pro ensaio, não sei que horas volto. Tchau pra todo mundo! – Ele disse e saiu.
O estava incrivelmente sexy com aquele cabelo bagunçado. Seus músculos do braço perceptíveis mesmo sob a camiseta preta. A calça Colcci cinza escuro completava o look. Mordisquei o canto interno da boca meio constrangida pela análise. Mas só aí percebi que na sala havia pairado um silêncio mortal, pois eu não era a única que o observava.
– Esse sabe ser gostoso, ‘pelamor! – disse com cara pervertida após um minuto. Todas rimos concordando.
– Pega ele então! – desafiou.
– Até parece que ele ia me querer. – disse balançando a cabeça de um lado pro outro.
– Por que não tenta pra ver? – eu incentivei.
– Ah, não sei! Eu falo assim, mas acho que na hora eu dou para trás. – explicou. – Para que eu vou ficar com um amigo meu? Não vai render em nada e eu vou estragar a amizade.
– Você é mole, isso sim! – provocou rindo.
– Ah, eu sou mole? – disse séria. – Se é assim, então por que não fica com o ?
murchou, sendo pega de surpresa pela pergunta, mas não se deixou abater.
– São casos diferentes, .
– Ah, são é? – disse com sarcasmo. A brincadeira parecia começar a se encaminhar para uma discussão. – A única diferença é que o gosta de você. Praticamente lambe o chão que você pisa. Isso é bom!
– Seria se eu gostasse dele também. – disse já alterada. – Além do mais, eu estou com o Jared. – disse, mas parecia arrependida por ter dito a última frase. fingiu uma risada e a seguiu. se encolheu ao meu lado, temendo que a briga estourasse para o seu lado.
– Belo parceiro! Um bad boy mulherengo que até namorada tem. – entrou na briga.
– A família da namorada dele que é maluca! Por isso ele não consegue terminar. – defendeu.
– Acorda . Estamos falando isso para o seu bem. – disse mais calma e parecia sincera. – A gente só acha que você merece coisa melhor.
– Mas mesmo discordando a gente está com você. – acrescentou. A atmosfera tensa da discussão começou a se dissolver. sorriu e assentiu algumas vezes.
– Valeu! – agradeceu, mas não parecia ter acreditado plenamente. Vasculhei minha mente, buscando um novo assunto para desviar a atenção para algo mais tranquilo.
– E aí , vamos estourar pipoca pra gente? – eu perguntei e demorou alguns segundos para sacar minha deixa.
– AAAH! Sim, sim. É, acho que sim. – disse depois de um tempo me encarando confusa pela pergunta repentina. Lerda!
– Pipoca? Hmmm... É uma boa ideia. – disse alegre e estourou uma sequência de bolas de chiclete.
caminhava rumo à cozinha e estava ao seu lado. Eu, e ficamos para trás. estourou outra sequência de bolas de chiclete.
– Dá pra você parar? Você sabe que eu odeio isso! – disse e passou para frente. piscou para mim e nós duas sorrimos.
Sim, íamos nos dar muito bem!

To Be Continued!


Nota da beta:Deixei passar alguma coisa? E-mail ou twitter.
AnnieB.