Autora: Andy
Beta-Reader: Lissa Topolski



Prólogo


Sentado no bar, conversando com o barman mais uma vez. Meus amigos estavam do lado da pista onde mulheres dançavam sensualmente. Eu tinha cansado, já tinha dançado bastante e queria beber um pouco e observar tudo, procurando a minha próxima vítima.
- Vai querer o quê? – o cara simpático falou. Ele era alto, tinha uma cara séria, mas parecia ser legal.
- Qualquer coisa com muita vodka! – disse rindo. Voltei a olhar para os lados.
A boate se apagou. Os flashes de luzes coloridas, os pisca-pisca brancos, os globos, tudo parou, exceto por uma névoa branca que começou a surgir de uma das entradas, que estava totalmente vermelha. Vermelha como o inferno.
- O que está acontecendo? – perguntei curioso.
- Ah, é a atração principal da boate! – o barman apenas riu calmamente, parecia bem acostumado com aquilo – Nunca veio aqui antes? – ele me observou, entregando a bebida.
- Não! – dei os ombros, dando um gole na bebida – Meu amigo ouviu falar e viemos conhecer hoje!
- Hm, entendi!
Esperei pelo que estava por vir. Uma silhueta desenhada apareceu, parecia a tentação chamando calmamente no meu ouvido. Balancei a cabeça negativamente, afinal era apenas uma silhueta nas sombras, não tinha visto rosto nenhum para poder ficar pegando fogo do jeito que eu estava.
- Feche a boca! – o barman riu e eu fiz o que ele pediu, sorrindo sem graça e voltando minha atenção para a porta.
Ela saiu. E se algum dia da minha vida eu não acreditei que o demônio existisse, aquele dia eu acreditei. Porque ele tinha feito aquela mulher. Especialmente para fazer com que eu pecasse insanamente em pensamento, apenas de olhar para ela.
- Meu Deus! – eu disse baixo.
- É. Eu sei! – o barman estava escorado, apreciando também.
Os flashes coloridos atingiam o corpo dela com velocidade. O corpo coberto por roupas coladas. Roupas sensuais. Roupas de couro preto.
Os cabelos e ondulados balançavam de um lado para o outro, conforme a batida frenética. A cintura parecia se mexer sozinha. O corpo sensual sob olhares curiosos de muitos homens e algumas mulheres que sonhavam ser ela.
- Quem é essa? – disse ofegante.
- Ninguém sabe! – ele suspirou – Ela chegou aqui há uns 6 meses e ninguém faz a mínima idéia! – deu os ombros – Pediu o emprego ao chefe e já estava mascarada. Ela sempre chega e sai assim. – mais um suspiro – Eu já tentei descobrir quem ela é, mas não há nada que faça essa garota maravilhosa revelar quem é. – olhou com uma cara triste.
- Ela é... Nossa!
- Eu sei! – ele riu – Nós a chamamos de Party Girl. Todos a conhecem assim! – ele disse e então voltou para atender os outros. Enquanto eu ainda prestava atenção nos movimentos da garota. Party Girl.
Eu não sabia raciocinar, mas naquele momento tudo o que eu queria era deslizar minhas mãos na misteriosa e mascarada Party Girl.

Capítulo 1

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Eu não entendia o porquê da cara emburrada e distante de . Ele geralmente está sempre bem humorado, soltando piadinhas e paquerando as estudantes que vão fazer trabalhos na biblioteca e, no entanto, ele estava totalmente alheio à realidade, fitando o teto alto com uma expressão de quem estava pensando, lutando para pensar. ? Não! Esse não é o .
- ? – estralei os dedos na frente dos olhos dele e ele se assustou, me olhando com uma cara furiosa.- Mas que merda, ! – ele esbravejou, levantando-se e indo do outro lado da biblioteca tomar um copo de água – O que aconteceu com ele? – perguntei curiosa, olhando para , que lia uma revista qualquer. Espera! Ele fingia que lia, já que a revista estava de cabeça pra baixo.
- Hã? – ele disse atrapalhado. Tomei a revista das mãos dele e, como esperado, tinha outra revista por dentro. Uma revista pornô.
- Pelo amor, ! – rolei os olhos e joguei as revistas em cima dele novamente. Sentei-me na cadeira onde antes estava e o observei.
- Não perca seu tempo tentando entender! – ele riu – Estamos os apaixonados por uma dançarina misteriosa de uma boate! – disse com um olhar perdido. Sonhador.
- Ah, claro! – ri sarcástica – Apaixonados por uma prostituta, no mínimo! - balancei a cabeça, levemente irritada.
- Talvez. Ainda não sabemos nem o nome dela, quanto mais se ela é prostituta! – deu os ombros, mas parecia alegre, ao contrário de .
- A maioria das dançarinas de boate são prostitutas!
- Isso mesmo, . A maioria! Isso não quer dizer que todas as dançarinas de boate sejam prostitutas! – ele sorriu e começou a caminhar em direção ao bebedouro.
Dançarinas. Mistério. Eu não fazia idéia do que estava metido na cabeça daqueles meninos. Eu não estava gostando nenhum pouco do que estava acontecendo. Mas uma hora eles cansariam desse joguinho de mistérios e esqueceriam-se da tal dançarina. Assim eu esperava.
- Bom dia! – ouvi uma voz masculina calma. Com tédio, me virei para atender o homem. Por que mesmo estávamos trabalhando ali na biblioteca municipal? Ah sim! Para podermos pagar a nossa viagem de fim de ano – Eu gostaria de ler um livro de suspense policial, você pode me ajudar? – ele disse gentilmente e então encarei o tal homem.
Não podia ser. O que ele estaria fazendo ali?
- Erm... C-claro! – respondi me levantando e ele sorriu.
Andamos ao lado das imensas prateleiras. Eu tinha de levá-lo até o corredor 8, e à prateleira 5. Quando estávamos quase chegando, olhei para o lado e ele estava acenando para . Que diabos estava acontecendo ali?
- Hey, cara! Você por aqui? – sorriu e cumprimentou o outro.
- Vim procurar um livro para ler. – sorriu – E o que você faz aqui...
- ! – respondeu animado.
- Então... O que você faz aqui, ?
- Eu estou trabalhado aqui. Juntando uns trocados sabe? – riu. Mas que camaradagem era aquela? Como aqueles dois se conheciam? – Você precisa de ajuda? Hm...
- Ryan! Meu nome é Ryan! – ele sorriu, cruzando os braços sobre o peito – Ah, eu pedi ajuda pra ela... – apontou para mim.
- , pode deixar que eu cuido disso! Obrigado! – falou, sorriu levemente e puxou o outro juntamente com em seu encalço.
Voltei para o balcão e me sentei na cadeira, cuidando para a hora que eles iriam sair do meio das prateleiras. Eu queria entender o que estava acontecendo ali, mas não conseguia entender de jeito nenhum. Aquilo era tão improvável! Quando foi que eu imaginei que Ryan, e algum dia iam se conhecer. Nunca.
Alguns minutos depois, voltou com um sorriso enorme nos lábios. e Ryan vieram logo atrás, conversando animadamente.
- Hey, , por que você está tão séria? – se sentou ao meu lado, escorando a cabeça em meu ombro, enquanto eu encarava os dois outros, que pareciam amigos de infância juntos.
- De onde vocês conhecem esse cara? – tentei parecer desinteressada, se é que isso era possível.
- Ah! Eu nem o conhecia! – deu os ombros e se sentou direito, ajeitando sua camisa xadrez – O conheceu ontem. Ele é um dos barman's da boate onde vimos a tal dançarina misteriosa! – sorriu abertamente. Meu Deus! Ele estava parecendo um daqueles garotos na puberdade, olhando para as gostosonas da escola.
- Meu Deus, ! – dei um tapa na testa dele.
- Ouch! Ficou maluca? – ele me olhou com cara de dor, alisando a testa – Sua mão é pesada, garota!
- Pára de ficar olhando pra parede e imaginando a tal dançarina, seu pervertido! – fiz a melhor cara feia que pude.
- Parei! Desculpa! – ergueu os braços para o alto, em sinal de rendição.
Dei uma olhada rápida e Ryan estava em volta de uma mesa, lendo algum livro, e vinha em nossa direção, agora sorrindo e não mais com cara de mal humor.
- Você já contou a ela? – ele encarou , que apenas assentiu com a cabeça – Venha hoje à noite conosco. Assim você pode ver como ela é perfeita! – sorriu para mim.
- Mas que merda, ! – disse do mesmo jeito que ele tinha dito para mim anteriormente – Você acha que eu vou mesmo pra uma boate cheia de prostitutas? – eu o fuzilei com os olhos.
- Ela não é prostituta, ! – fechou o cenho, levemente afetado.
- Claro! Todas elas são freiras e pegam carona com os clientes, não é? – ironizei. Aquilo era tão típico. Eu e vivíamos brigando por causa deste tipo de coisas.
- E-Ela não é! – ele pareceu confuso e um pouco magoado, mas certamente estava pensando se a tal dançarina por quem ele tanto tinha se encantado também não fazia um extra depois do serviço.
Talvez ela não fosse dessas. Não, ela não era.
Passei o dia sem olhar para e ele para mim. Estávamos em conflito e eu estava apavorada com as coisas que tinham acontecido durante o dia e que simplesmente jamais imaginei que pudessem acontecer. tentava dar atenção para ambos, mas perto do meio dia ele parecia cansado de exibir sorrisos e formular piadinhas, então acabou voltando a olhar sua revista pornô.
Quando anoiteceu, fechamos a biblioteca e deixamos os zeladores cuidando de tudo. Estava frio lá fora e eu tinha esquecido meu casaco em casa, então me deu seu moletom.
- Tchau, ! – ele sorriu meigo e me deu um beijo na testa – Te vejo amanhã!
- Tchau, ! Nos vemos na boate! – acenou e saiu andando para o lado esquerdo da rua.
Abaixei a cabeça e comecei a andar. estava ao meu lado. Morávamos em prédios vizinhos e sempre íamos juntos para casa.
De vez em quando chutava algumas pedrinhas, mas ainda não falava nada, apenas continuava andando, ora olhando para o chão e ora olhando para frente, jamais para mim. Quando paramos em frente ao meu prédio, que era o primeiro, coloquei a chave no portão, sem mesmo dizer adeus.
- ... – ele chamou baixinho e eu me virei, olhando-o – Desculpa por ter sido grosso com você! – entortou a boca para baixo, suspirando.
- Tudo bem, ! – sorri de lado – Hoje eu também não fui legal com você! Desculpa!
- É. Tudo bem! – ele sorriu e me abraçou – Você sabe que é minha melhor amiga, não sabe? – apertou mais o abraço.
- Sei. E você sabe que é meu melhor amigo e que não pode deixar o saber disso, não sabe? – ri e ele também.
- Sei! – respondeu me soltando.
- Até amanhã! – acenei e destranquei o portão.
- Tem certeza que não quer vir conosco? – ele olhou com uma cara pidona.
- Não, ! Obrigada! – sorri e entrei – Quem sabe outro dia? – dei os ombros, ele assentiu e fui em direção ao hall.
Eu estava ficando maluca com tudo aquilo. Peguei o celular na bolsa e escrevi uma mensagem para enquanto subia até o 11º andar do prédio.
Venha até meu apartamento já! O mundo está desabando em minha cabeça. , e Ryan se conhecem. E, aliás, você não sabe por quem e estão apaixonados! Venha logo, preciso de conselhos! Xxx .
Enviei, corri pelo corredor, entrei no apartamento e joguei a bolsa e o moletom de no sofá. Fui para meu quarto, tirei aquelas roupas, joguei tudo, de óculos a brincos em cima da cama, e fui para o banheiro. Eu precisava urgentemente de um banho quente.
Por mais estranho que fosse, o banheiro era meu lugar preferido do apartamento. Todo aquele branco me dava calma. Parecia que tudo estava perfeitamente bem. Então eu passava um bom tempo tomando banho e encarando minhas paredes branquinhas.
Tomei meu banho e me sequei. Coloquei um pijama e comecei a secar os cabelos em frente ao espelho. Em pouco tempo devia chegar e também não precisaria abrir a porta, já que ela tem a chave, então continuei com meus cabelos.
- Meu Deus, que desespero foi esse? – um tempo depois entrou em meu quarto, jogando a bolsa em cima da cama e berrando.
- Que susto! – derrubei o secador e a escova no chão e coloquei a mão no peito.
- Desculpa! – ela riu, deitando-se em minha cama – O que aconteceu? – eu peguei o secador e a escova e voltei a secar os cabelos.
- Lembra do barman da boate? – suspirei e ela balançou a cabeça positivamente – e o conheceram ontem!
- Então eles foram à Poison House ontem? – ela abriu a boca incrédula e até se sentou na cama.
- Sim. Eles foram! – choraminguei – E eles viram a Party Girl! – balancei a cabeça negativamente – Eles estão encantados com ela! – esbravejei.
- Ouch! – ela mordeu o lábio inferior.
- Por que o se apaixona por ela assim? Ele só a viu de máscara e uma vez! – respirei fundo, secando uma mecha – Por que ele não se apaixona por mim? Por quê? – esbravejei e acabei queimando minha cabeça.
- Deve ser por que você veste essas calças de macho, camisetas, prende seus cabelos que são lindos e usa esses óculos ridículos! – ela riu mexendo em minhas roupas, que ainda estavam em cima da cama.
- Você não entende! – sorri amargurada – Ele não pode saber quem eu realmente sou. Ele não me amaria do mesmo jeito se soubesse. – suspirei.
- Eu acho que você devia tentar. – ela colocou a mão em cima de meu ombro – Você não pode sair pensando por ele. – dei os ombros, ela pegou o secador e a escova das minhas mãos e terminou de ajeitá-los.
podia estar encantado pelo o corpo da Party Girl. Mas ele odiaria saber que eu ando dançando por aí, no meio de uma boate cheia de homens. Odiaria saber que eles me dão gorjetas por isso. Odiaria saber tudo o que eu ouço deles. Ele certamente pensaria que eu sairia com muitos deles por mais dinheiro, e me odiaria mais ainda. Odiaria saber que por trás de toda sedução, eu, a melhor amiga dele, aquela que se veste com um menino, é que era a tal garota incrível que ele tinha visto. Que era eu a tal... Party Girl.

Capítulo 2

- Como estou? – perguntei, alisando o vestido preto, tomara que caia, revestido de paetês, que reluziam rente ao meu corpo. Olhei para o rosto de , que me olhava de trás. Ela abriu um sorriso enorme.
- Está maravilhosa, ! – arrumou alguns cachos que ela tinha feito – Perfeita como você realmente é! – segurou em meus ombros, encontrando nossos olhares pelo espelho – Ele vai amar!
- Nem me lembre que ele vai estar lá! – soltei o ar pesadamente.
- Mas ele vai estar lá e você sabe que vai estar só para poder te ver! – se jogou em minha cama e riu calmamente. Ela estava adorando.
- Não. Ele vai estar lá para ver a Party Girl e não a mim! – rolei os olhos, virando-me para ela.
- Party Girl... ... – ela disse devagar, analisando – Pensei que fossem as mesmas pessoas! – encarou-me. Eu sabia que ela queria discutir sobre aquilo. Sempre querendo pôr alguma coisa, alguma idéia ou opinião nova em minha cabeça.
- Claro que não! – resmunguei – Party Girl é solta. Sabe seduzir, usar e chutar qualquer homem. A Party Girl faz o cara lamber o chão para ela poder passar. Faz ele perder a noção de tudo e fazer qualquer coisa por apenas um único olhar. – por um momento eu fechei os olhos, sentindo a energia da Poison House em minha volta. Era a melhor sensação do mundo. Eu sentia que o mundo estava em minhas mãos. Eu comandava aquilo.
- E quem é a ? – questionou. Ela já estava sentada. Observando-me. Abaixei a cabeça, respirei e respondi:
- é só uma garota de 20 anos, apaixonada pelo melhor amigo, com medo de fazer a coisa errada e perdê-lo para sempre. A sabe que não pode fazer muito e que ela não controla nada. Nem mesmo os seus sentimentos!
- Você devia se ouvir falando. – rolou os olhos, rindo sarcasticamente – Trata a si mesma como um lixo. – ela começou a andar até meu closet – Cadê aquele vestido azul escuro de alcinhas? – ouvi barulhos de cabides.
- Acho que tá na segunda barra! – respondi, observando-me no espelho. Maquiagem escura, lábios vermelhos e volumosos, pele branca e lisa, cabelos ondulados. Sapatos plataforma, envernizados e brilhantes. Outra pessoa.
- Vou com ele! – voltou sorrindo com o saco de vestido nas mãos.
- Vai aonde? – perguntei curiosa.
- Acha mesmo que eu vou perder essa? – ela riu – Vou ver de perto a cara de bobão do quando você entrar na pista! – rolou os olhos e tirou a blusa.
- Você é maluca. Espero que ele não perceba! – suspirei – Não quero que ele descubra!
- Ele não vai descobrir! – deu os ombros e foi em direção ao banheiro – E... Só uma coisa. – parou e eu a fitei na porta do banheiro – A é tão boa, se não melhor que, a Party Girl. O único problema é que a tem medo de se mostrar e de viver. É isso... A só tem medo! – sorriu levemente e sumiu para dentro.
Talvez ela tivesse razão. Mas era melhor assim. se escondendo e a Party Girl vivendo. Só assim eu poderia sustentar os dois mundos. Só assim.
Fui para a cozinha enquanto tomava banho. Eu precisava beliscar alguma coisa. Nada muito pesado, ou então eu não conseguiria dançar, se é que eu conseguiria, sabendo que estaria na platéia, me olhando, me desejando.
Tomei um copo de suco de uva e comi algumas torradas com um patê que tinha na geladeira. Aquela cozinha era gigante, aliás, o apartamento inteiro era. A única pessoa que já tinha entrado ali era a , afinal, ela era a única pessoa que sabia quem eu realmente era. Por completo.
Eu amava meus amigos. Amava e e confiava de verdade neles, mas eu não queria que eles soubessem tantas coisas sobre mim. Eu sempre fiz questão de esconder minha ‘verdadeira identidade’, por não aprovar as coisas que meu pai fazia.
Eu era filha de um dos maiores empresários de Londres. Meu pai era dono da maior rede de hotéis luxuosos da Europa. Seus hotéis eram do tipo em que somente políticos, empresários muitíssimo ricos e gente famosa poderiam se hospedar. Até aí tudo bem, eu realmente não me importo com o que as pessoas fazem com o dinheiro delas. Para mim não importava se a pessoa fazia questão de pagar até pelo último diamante cravado na pia do banheiro, é exagero, mas cada um faz o que quer. Só que a maioria dos hotéis do meu pai eram em lugares enormes, muitos em beiras de praia ou em lugares onde o ecossistema fosse realmente frágil, somente para atrair as pessoas, somente para satisfazer as vontades das mulheres de caras ricos, as quais não tem coragem de pisar na areia e querem ficar na sacada de seus quartos, apreciando as ondas se quebrarem distantemente. Então meu pai não media esforços para conseguir colocar seus hotéis nestes lugares. Nem que para isso ele tivesse que comprar todo o parlamento. Era assim que as coisas funcionavam para meu pai. Era assim que ele me fazia sentir vergonha de ser filha dele.
Eu usava o dinheiro de meu pai quanto menos eu pudesse. Para morar sozinha tive de aceitar que ele comprasse todo o andar do prédio e aceitar tudo mobiliado. Meu prédio é simples, e pouca gente sabe que meu apartamento ocupa um andar inteiro. Aliás, pouquíssima gente sabe que meu closet é mais caro que todos os carros do estacionamento. Trato é trato. E eu tinha aceitado que fosse assim para que eu pudesse me afastar e viver como eu quisesse, sem ter de me preocupar com as pessoas lambendo o chão que eu piso por causa do meu sobrenome.
- ? – ouvi a voz calma de atrás de mim. Nem tinha percebido quanto tempo eu tinha ficado ali, sentada, beliscando a comida. Ela já estava pronta e estava linda.
O vestido era de cetim, cheio de babados. Ela tinha pegado um sapado cheio de tiras, preto. Suas unhas pretas estavam lhe dando uma boa ajuda e a maquiagem escura, levemente azulada, com os lábios rosados e bochechas bem marcadas, fazia com que seu rosto ficasse mais lindo do que sempre foi. Os cabelos estavam presos e ela tinha feito um topete bem imponente. A minha amiga era linda, muito linda.
- Wow! – eu ri – Não quer uma máscara? – disse e ela me encarou com confusão, tirando as mãos da cintura – Eu acho que um dueto ia fazer muito sucesso! – arqueei uma das sobrancelhas, desafiando-a.
- Olha, sua sobrancelha funcionm várias vezes, mas essa é minha chance única de esquecer o quanto eu adoro desafios e não passar um mico, porque você sabe muito bem como eu sou péssima na pista de dança. – ela me lançou um olhar semicerrado – Eu pareço um ganso com a pata quebrada, ! – choramingou e então começou a rir quando eu dei a risada mais escandalosa que eu podia.
- Desculpa! – falei com a voz espremida, secando as gotículas de lágrimas do canto dos olhos.
- Tudo bem! – deu os ombros – Foi mesmo muito engraçado!
- Hm, você quer comer alguma coisa antes de ir? – perguntei, oferecendo o suco e as torradas – Sei lá, acho que você vai ficar muito bêbada se não colocar algo no estômago! – apertei os lábios.
- Obrigada. Vou comer sim, dona ! – mostrou-me a língua – Sabe, eu acho que eu vou tentar a carreira de comediante. O que você acha? – ela se sentou ao meu lado, apanhando uma torrada, enquanto eu enchia um copo de suco de acerola.
- Ah, claro! – balancei a cabeça – Olha, eu posso deixar você ser minha empregada. Ia ser muito mais digno do que pagar o mico de fingir que você tá fazendo alguma apresentação de comédia! – disse, então ela começou a me estapear, enquanto eu ria descontrolada.
- Chega, chega! – respirei fundo – Vou dançar! Não posso ficar marcada!
- Que bom que você vai usar máscara por que eu vou acertar o seu olho. Ele vai estar tampado mesmo! – esbravejou e eu ri mais um pouco.
- Ok. Parei! – respirei fundo – Você é muito agressiva! Coitado do seu futuro namorado! – levantei-me e fui em direção à pia colocar meu copo.
- Que futuro namorado?
- Ah, sei lá! – ri, dando os ombros.
- De qualquer forma... Eu sou quente! – ela piscou – Homens adoram mulheres quentes!
- Eles não gostam delas geladas? – franzi o cenho. Ela parou para pensar e eu comecei a rir novamente.
- Nossa, ! Você está afetada? – arregalou os olhos – Ou está tentando esquecer que o vai estar lá te olhando? – e eu parei de rir.
- Ah, valeu por me lembrar! – fiz um joinha para ela – Era só uma piada que o fez comigo uma vez. Nada demais! – suspirei e comecei a andar em direção ao quarto, para tirar o batom, escovar os dentes e passar batom novamente.
Ouvi passos acelerados atrás de mim, mas eu apenas continuei indo para o banheiro.
- Se você não se acalmar, não vai conseguir dançar! – ela disse.
- Vou beber bastante! – dei os ombros – Não vou nem lembrar que ele estará lá! – tirei o batom com um pedaço de papel.
- Não pague vexame, por favor! – rolou os olhos e tirou o batom para escovar os dentes também.
- Nossa, da próxima vez me lembre de comer antes de passar batom! – coloquei a pasta nas escovas.
- Pode deixar! – sorriu e começamos a escovar os dentes.
Retocamos nossa maquiagem e insistiu em tirar uma foto de nós duas. Quer dizer, centenas de fotos. Quando terminamos, já eram 11:15. Descemos pelo elevador dos funcionários, que quase sempre estava desocupado, pegamos um taxi e eu já estava mascarada. Chegamos na Poison House 11:30. Eu e a nos separamos para não dar nenhuma suspeita, já que os meninos com certeza já estavam por lá.
Fui para meu camarim e alguns minutos depois Ryan apareceu com uma bandeja de Martini com cereja. 2 taças.
- Obrigada Ryan! – sorri nervosa – Quando terminar, quero mais dois deste! – suspirei, tomando a primeira taça quase num gole só.
- Tudo bem! – ele sorriu – Boa sorte!
- Obrigada! – suspirei novamente, virando-me de costas, apenas ouvindo o barulho da porta sendo fechada.
Aquela noite prometia. Eu não sabia o que estava por vir. Eu não tinha idéia do que aconteceria, mas algo lá dentro fazia com que meu peito batesse loucamente, como uma espécie de aviso de que se eu era a Party Girl, eu tinha de me preparar, porque a festa só estava começando e não ia acabar tão cedo!

Capítulo 3

O tic-tac do relógio parecia martelar na sala com se contasse meus últimos minutos de vida. Os últimos minutos de uma vida tranquila e quase normal. Já estava me irritando com o barulho, achei que fosse ficar sem ar e eu parecia estar ficando mesmo a cada vez que o ponteiro se aproximava da meia noite. Meia noite era meu fim. Meia noite era meu começo.
- Está pronta? – ouvi a voz de Jared, o dono da boate, ecoar pela salinha que me fora dada como camarim.
- Estou! – suspirei fundo.
- Então vá lá, garota! A noite é tua! – ele sorriu gentilmente e deu uns tapinhas desajeitados em minhas costas.
Saímos da sala e ele me deixou em frente à cortina que se abriria para a minha espetacular entrada muito bem ensaiada. Respirei fundo e sorri para mim mesma. Já que ele estava ali, eu poderia fazê-lo sonhar comigo esta noite, mesmo que ele nem imaginasse quem eu era. Eu podia, eu faria!

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Alguns minutos antes de dar meia noite, avistamos pela boate. Achei estranho, simplesmente. Ela era a melhor amiga de e estava perambulando por lá totalmente sozinha, mas fui dar um oi mesmo assim.
- Hey, ! – sorri. Nos cumprimentamos com beijinhos no rosto.
- Olá, !
- Sozinha? – ri. Bem que a podia ter vindo com ela e estar perdida por ali.- É! Ouvi dizer que a boate é muito boa. Chamei para vir, mas ela nem quis papo comigo! – ela gargalhou nervosa. É. era osso duro de roer, mas acho que era isso que fazia com que as pessoas gostassem dela. O jeito incorrompível e que nada no mundo podia pagar para que fosse mudado.
- Quer ficar conosco? O está bem ali! – sorri amigavelmente. Não éramos muito ligados, mas mantínhamos uma relação bem harmoniosa.
- Se vocês não se importarem! – deu os ombros e fomos até o bar, onde bebia alguma bebida no canudinho.
- Olha quem eu achei perdida por aí, ! – paramos ao lado dele, que sorriu amigavelmente.
- Tudo bom, ? – deu um beijinho no rosto dela e ela apenas assentiu com a cabeça.
- Sex on the bitch! – falou para um barman que estava por perto.
- Que horas são? – perguntei ansioso para . As minhas mãos suavam.
- Faltam... 2 minutos! – ele olhou para o relógio e em seguida deu um sorriso enorme para mim. Eu não queria pensar o quanto estaria encantado por aquela garota. Eu nem ligava para isso. Eu só queria vê-la, tocá-la e beijar aqueles lábios sensuais.
- Hm... Party Girl... A garota da meia noite! – riu. E Prendemos a respiração porque logo depois de ter dito isso, toda a boate ficou completamente escura.
Um bombardeio de flashs brancos começou, enquanto era possível ver uma figura desfilar pelo palco de dançarinas. Ela caminhou ligeiramente e parou ao centro, quando a musica fez um POW! E luzes vermelhas se acenderam atrás dela, junto com a fumaça fina que saía de lá.
A música começou a tocar freneticamente e algumas luzes foram ligadas somente para focar naquela que estava vagando meus pensamentos há exatamente 24 horas.
O corpo mexia sensualmente e atrás dela estava um poste prateado, que brilhava com as luzes que vinham com a batida. Pole dance? Sim! Pole dance! Estávamos todos perdidos.
Os cabelos chicoteavam a pele clara, e o corpo mexia escorado, colado, sensualmente na barra de ferro. Abdômen, seios, pernas, mãos, pescoço, praticamente tudo, enquanto ela fazia feições sensuais e que faziam um cara babar apenas com aquele olhar que parecia queimar na pele, mesmo que não fosse diretamente lançado para você. Hoje a boca estava completamente vermelha, com uma camada espessa de gloss, que me faziam desejar aqueles lábios com todas as forças embutidas do meu corpo.
Parei de respirar um segundo e comecei a analisar os movimentos delicados e sensuais. Não era nada vulgar. Era simplesmente lindo. Não fazia você a desejar de uma forma suja, fazia você sentir-se apenas um garoto na puberdade, porque ela é simplesmente a garota mais gostosa que você já viu no corredor do seu colégio.
Os paetês da roupa dela brilhavam e os olhos pareciam queimar insanamente contentes. Mais do que tudo, você sentia prazer em ver o prazer que ela tinha de dançar em cada parte do seu corpo. Aquele corpo que eu não conseguia parar de desejar.
Apertei os olhos no último minuto de dança naquela noite. Apenas uma música ela dançava. Apenas uma, para te deixar querendo mais, mais e mais. Outro estrondo musical foi ouvido e desta vez ela sumia requebrando pela escuridão com flashes brancos.
Uma garota que entrava à meia noite. Uma garota que saia meia noite e dez. Uma única garota. Um único momento. Uma única e completa Party Girl.
Fechei minha boca e pisquei duas vezes quando eu ouvi uma risadinha baixa de logo atrás de mim. Fitei o chão por alguns segundos e respirei fundo, tentando fazer com que meu sangue parasse de correr tão rápido em minhas veias. Meu corpo estava totalmente descontrolado, eu estava queimando por dentro e podia sentir o suor em minha testa e nuca. Era patético me sentir assim, mas eu estava disposto a ser patético se pudesse ter alguma chance, por menor que fosse, com a minha dançarina misteriosa.
- Ela é muito boa! – balançou a cabeça positivamente, enquanto sugava o drink com seu canudinho.
- Ela é muito boa mesmo! – disse em seguida. Ele ainda estava em estado de hipnose.
- Ela é incrível! – sussurrei.
Os olhos de brilhavam enquanto ela dava risadinhas satisfeitas. Eu não estava entendendo, mas também não fazia questão.
- Hei! O Ryan está por aí? – perguntei para o barman que tinha atendido .
- Está. Ele já volta! Foi até o camarim da Party Girl! – o cara disse com um meio sorriso e apontou para uma porta que estava distante. Escondida por de baixo de uma escada, no cantinho da boate.
- Obrigado! – dei duas batidinhas no balcão e comecei a ir em direção àquela porta.
- Aonde você vai? – apareceu, segurando meu braço.
- Já venho! Fica aqui e me espera! – respondi firme.
- Tudo bem! – ele me olhou com confusão e curiosidade, então voltei a dar meus passos firmes e rápidos em direção àquela portinha escondida. Quem sabe a porta do paraíso?
Xinguei mentalmente toda aquela gente que estava no meu caminho, atrasando-me, impedindo-me de chegar onde eu queria. Quando finalmente saí do meio da multidão, dei de cara com Ryan.
- Hey, , o que está fazendo aqui? – ele me cumprimentou com um meio sorriso camarada.
- Eu preciso entrar e falar com ela! – respirei ofegante e sério.
- Falar com quem? – Ryan arqueou a sobrancelha.
- Com ela! – apontei para a porta – Com a Party Girl!
- Mas é claro que você não vai falar com ela, ! – ele riu sarcástico – Primeiro que ninguém pode entrar ali e segundo que ela não vai querer falar com você! Ela não fala com ninguém! – Ryan estava levemente afetado. Eu sabia que ele tinha tido aquele desejo maluco e incontrolável de tê-la. Eu sabia que ele ainda tentava arduamente descobrir quem era aquela garota, mas eu tinha de tentar e eu tinha o direito de ter a minha chance.
- Sem essa, Ryan! Eu vou entrar e vou falar com ela! – esquivei-me dele e ouvi gritos furiosos logo em seguida, abri a porta.
- Mas que droga, Ryan! Eu já disse que não quero... – ela estava de costas. Olhando-se através do espelho, quando seus olhos me atingiram. Ela parou de falar e virou-se.
- Desculpa! Eu não pude evitar! – Ryan se explicou desesperado. Até parecia que ela era alguma bruxa má, que o castigaria caso suas vontades não fossem feitas. Ela não era uma bruxa, mas se fosse, eu iria ser um garotinho muito mau para que ela me castigasse.
- Tudo bem, Ryan! – ela levantou a mão – O que você quer? – colocou as mãos na cintura, encarando-me desafiadoramente.
- Eu... Eu queria falar com você! – minha voz parecia não obedecer. A presença dela havia congelado cada músculo do meu corpo.
- Já disse que...
- Pode deixar, Ryan! – ela o interrompeu séria – E pode nos deixar a sós, sim? – encarou o rapaz com um meio sorriso. Ele a fitou confuso e me olhou irritado, mas saiu, fechando a porta e nos deixando sozinhos.
E agora? Eu era apenas o carinha da biblioteca municipal e ela era... Ah! Todo mundo já sabe quem ela era.
- Já pode começar falando! – ela disse autoritária, dando as costas e pegando uma taça de Martini, onde tinha duas cerejas afundadas.
- Seria muito ridículo eu dizer que esqueci completamente todo o meu textinho ensaiado? – sorri fraco, encarando as costas dela.
Ela riu fraco e balançou a cabeça como quem dizia um talvez, ainda engolindo o líquido alcoólico.
- Então apenas diga o que vier na sua cabeça! – olhou-me através do vidro – Aposto que não deve ser pior do que o que eu ouço dos caras na beirada da pista! – seu sorriso se fez completamente pela primeira vez.
- Acho que não seria capaz de falar coisas baixas ou sujas para você, mas não posso dizer o mesmo das coisas que eu estou pensando agora. – dei os ombros, seja lá o que eu estivesse fazendo. Ela estava me dando atenção, isso já era um começo - Eu estaria mentindo!
- Vocês, homens, não sabem como é fácil dominar vocês! – ela riu desdenhosa – Nem a mente vocês conseguem controlar!
- Eu sei! – ri fraco – Não há muitas coisas que me façam diferente dos caras lá fora. Somos todos praticamente do mesmo jeito!
- Sabe que é igual a todos os outros lá fora, sabe que eu chuto todos eles e se dá ao trabalho de vir me procurar como eles mesmo assim... – ela se virou, encarando-me e me olhando minuciosamente de cima a baixo – O que te faz pensar que terá um resultado diferente do deles? – encarou-me nos olhos e puxou a cereja do cabinho, entre os dentes. Aquilo fez com que eu engolisse a saliva à seco.
- Não pensei nada enquanto caminhava até aqui. – sorri calmamente – Eu só vim te ver e tentar a sorte. Se eu tiver a chance, é você quem terá que me dizer o porquê! – soltei o ar pesadamente e um sorriso brincava nos lábios dela, junto com um brilho excitado em seus olhos.
- Acho que não há nada que eu possa fazer por você... Hm...
- !
- ... – ela disse baixinho – Você vem amanhã? – sorriu como um... Convite?
- Venho sim! – fitei o chão, enquanto via apenas seus sapatos batendo e indo até o cabide de casacos. Ela colocou o sobretudo preto por cima do vestido, ajeitou os cabelos levemente encaracolados, suspirou, tomou um último gole do Martini e começou a andar em direção à porta.
Ela estava pronta para sair e parecia o fim de algo que nem tinha começado, mas um grande sábio me disse uma vez: se você não ganha um beijo, roube! Ah não. Quem disse isso foi o !
Pois bem, ela estava passando ao meu lado, sorridente, linda, suave e sensual, quando eu tomei a atitude que nunca pensei que tomaria na vida: eu a puxei pelo braço e a trouxe para minha frete, fazendo-a rodopiar. Ela fez menção de reclamar, ou talvez me bater, mas então eu selei nossos lábios bruscamente.
Os lábios macios e cheios de batom deslizaram pelos meus, rápida e prazerosamente. Minha língua roçou a boca dela, pedindo espaço para adentrar e ela concedeu, embora os braços ainda estivessem agitados e as mãos estivessem esmurrando meu peito.
O gosto da boca dela se difundiu todo em minha língua. O Martini e a cereja pareciam fazer com que o gosto estivesse excitantemente doce. Nossas bocas sugavam-se apressadamente, sem cerimônias, apertei mais uma de minhas mãos em sua cintura e emaranhei meus dedos nos cabelos dourados, enquanto eu sentia o corpo dela relaxar e suas mãos subirem em minha nuca e puxarem os cabelos do local com força, fazendo-me gemer em protesto, mas ela não ligou. Puxei sua cintura com força uma última vez e terminei o beijo, puxando seu lábio inferior com meus dentes, sem força alguma, mas demorando prazerosamente, dei-lhe um selinho. Sorri como um aviso de que aquilo era só uma parte do que eu poderia fazer caso ela me desse espaço e saí sussurrando um "até logo, Party Girl!".

()
Ele sussurrou um até logo e saiu, fechando a porta do camarim. Engoli a saliva de minha boca e respirei fundo, ainda não acreditando em tudo aquilo, ainda tentando buscar algum neurônio em funcionamento no meu cérebro, mas parecia uma tarefa complicada após um beijo daqueles no cara em que você sempre sonhou em beijar. É, eu tinha direito de estar ensandecida.
Ouvi uma batida fraca na porta e dei um pulo para trás.
- Entra! – disse fraco.
- Hei, ele te... – Ryan apareceu na porta, curioso, mas logo parou, me analisou e fez uma cara feia – Eu não acredito! – ele largou a bandeja em cima de uma mesinha e fechou a porta – Por que ele? – questionou irritado, apontando para a porta. Eu fiquei em silêncio, não tinha nada para falar – Eu estou aqui desde o dia que você pisou nessa boate, te implorando por uma chance, tentando te entender e te desvendar, mas você resolve beijar o primeiro idiota que aparece na sua frente? – cuspiu as palavras com raiva, enquanto eu tentava me esquecer do meu momento com e me concentrar nas baboseiras que Ryan estava falando – Por ele e não eu? – gritou uma última vez, acordando-me.
- Ryan, eu não te devo satisfação nenhuma da minha vida. Eu beijo quem eu quero e dispenso quem eu quero. – disse me sentando na poltrona – Você sabe muito bem que só quer uma chance de poder dormir com a garota que meia cidade quer saber quem é. Pra você eu sou apenas um brinquedinho intrigante que você quer desvendar o mistério e só! – fitei o rosto vermelho do garçom mais lindo da boate.
- E você acha que ele quer o que com você? Namorar? Casar? – riu sarcástico – Você não é do tipo de garota que um cara se apaixonaria, amaria e casaria! – apontou o dedo para mim, rindo amarguradamente. Dei uma risada leve, fitei meus sapatos e respirei com paciência. Levantei-me da poltrona, caminhando para perto dele.
- Você lamberia o chão que eu piso se eu quisesse! – sussurrei perto de seu ouvido – Lamberia o chão e depois deitaria para eu passar por cima, você sabe disso! – ri baixinho, sentindo-o tremer. Afastei-me um pouquinho, olhei para seus olhos, aproximei minha boca perigosamente dele, quase encostando nossos lábios e encarando os olhos pretos de perto – Mas você não serve nem para amarrar os meus cadarços Ryan, então... Contente-se em saber que aquele cara que acabou de me beijar é muito mais homem do que você, seu cafetão! – então o empurrei para o sofá, saindo e rebolando para fora da salinha. Eu me sentia poderosa. Eu era realmente poderosa.


Capítulo 4

Sentei-me no sofá de minha casa e respirei fundo. Eu podia me sentir feliz? Podia! Eu podia me sentir triste? Eu também podia! Eu podia me sentir desejada? Claro que podia! Eu podia me sentir um lixo? Mais do que tudo! Eu podia amar? Deveria! Eu podia odiar? Eu já estava odiando!
Eu estava odiando Ryan. Ele não tinha o direito de falar tudo aquilo para mim. Eu queria poder mais uma vez ter o poder nas minhas mãos, para pela primeira vez na vida usar de má fé toda a influência que meu pai tinha, só para poder acabar com a vida daquele sujeitinho. Eu queria muito. Mas quer saber? Ele tinha razão.
Qual era o cara que se apaixonaria, namoraria e casaria com uma garota como eu? Nenhum!
Os caras me adoram. Eles adoram o jeito que eu danço, mexendo os quadris como se não tivesse ossos por ali. Eles adoram meu corpo bem torneado, minha boca, meu cheiro e adoram esse fetiche de tentar imaginar o rosto por de trás de todas as máscaras e pinturas. E era legal saber que você é desejada por tantos homens. Eu poderia escolher qualquer um deles para passar uma noite incrível, mas não era o que eu queria.
Eu estava ali pelo prazer de dançar, coisa que eu sempre fiz desde pequenina. E também estava ali dançando para pelo menos naqueles minutos sentir que todo mundo para em minha volta, assim como sempre foi com o papai por perto, mas de uma forma diferente, de uma forma positiva. Mas é daí? Quem se importa com isso?
Quando eu entrei naquela boate eu sabia de tudo o que eu teria de passar, mas não imaginava que as coisas fossem crescer deste modo. Adoraria ser amada por mim mesma, mas não adorada e desejada de uma forma tão suja. Não tinha nada a se fazer mais.
Agora eu poderia respirar fundo quantas vezes eu quisesse, mas a imagem do rosto de me olhando como um bobo não sairia da minha cabeça nunca mais. O gosto, as mãos fortes, o cheiro dele, nada mais sairia de mim, nunca mais. Só que eu sabia que era só aquilo e mais nada. Ele jamais se apaixonaria pela . Ele jamais veria como uma mulher desejada e fascinante como a Party Girl era. E ele jamais me veria com os mesmos olhos bobos quando descobrisse que e Party Girl eram sinônimos. Eram as mesmas.
Eu me sentia uma vadia, mesmo nunca tendo saído com nenhum daqueles caras, mesmo nunca tendo me portado como tal. Eu apenas dançava, mas quem iria acreditar que era apenas isso? que não!
- Ai, meu Deus, pode ir me contando tudo! – ouvi um grito animado vindo da porta. Estava tão absorta nos meus pensamentos que nem tinha escutado o barulho da fechadura – Eu o vi indo para o seu camarim e depois ele voltou com uma cara de bobo. O que aconteceu? – riu, jogando-se ao meu lado no sofá.
- Ele me beijou! – sussurrei fitando o chão. Sem emoção.
- Ele te beija e você me conta assim? – a animação se desfez – Não era pra você estar dando pulos de alegria, me abraçando, contando como é o beijo dele, falando igual uma idiota apaixonada? – olhei rapidamente para ela, que me encarava confusa.
- Ele acha a Party Girl incrível! – falei baixo, fitando as flores em cima da mesinha de centro – Ele fica sem fala, sua, gagueja e sorri lindamente. – soltei o ar.
- Mas eu pensei que isso fosse bom! – disse indignada – Eu pensei que tudo o que você queria era que ele te visse assim, poxa! – assisti ela tirar os sapatos, levemente alterada.
- Eu queria que ele me visse assim! – senti uma lágrima quente escorrer do canto de um olho – O que eu queria era que ele me visse assim, que ele agisse assim por mim! – tirei a máscara e a joguei no chão com força – A mim! E não à dançarina da boate, que ele nem faz idéia de quem é! – gritei sentindo meu corpo tremer de raiva, deixando que as lágrimas viessem – Ele jamais vai ser meu. Não de verdade. – resmunguei, sentindo me puxar para um abraço – O pode ficar quantas vezes ele quiser com a Party Girl, mas vai ser sempre ela. – funguei baixinho – Entende que eu vou competir com meu próprio eu? – fechei os olhos, pensando no sentido daquela última frase. Parecia esquizofrenia.
- Vamos tomar um banho relaxante, tirar essa maquiagem e amanhã falamos sobre isso, tudo bem? – ela deu um beijo em minha testa e eu assenti – Vá lavar esse rosto e tirar essa roupa, que eu vou encher a sua banheira de hidromassagem! – empurrou-me levemente de seu colo, eu assenti e ela se levantou, fazendo o caminho em direção ao banheiro.
Caminhei desanimada em direção ao banheiro, onde o barulho de água era forte. Prendi meus cabelos, de frente para o espelho.
- Eu já tinha dado um belo fora nele, mas quando eu estava saindo, feliz e contente por ter conseguido não usar a situação, ele me puxou e me deu um beijo incrível! – sorri fraco, fitando , que jogava os sais dentro da banheira, que começava a fazer uma espuma grossa – Ele me beijou com tanto desejo que eu achei que nunca mais ia conseguir respirar normalmente. – virei-me para ela, que sorria.
- Você devia ver a cara dele quando ele fala de você! Parece que está falando de uma deusa! – rolou os olhos – Ele e o , pareciam duas crianças babonas! – gargalhamos.
- Ah meu Deus! – Coloquei a mão na boca – Eu me esqueci completamente de .
- E daí?
- Como e daí? – fitei-a incrédula, virando de costas para ela me ajudar com o zíper do vestido – Imagina como ele ficaria se descobrisse que eu sou a party girl, depois de tudo o que aconteceu... – ela me interrompeu.
- Eu sei que teve toda aquela história com final trágico, que só nós três sabemos que aconteceu, mas você precisa superar isso. Já faz tempo e aposto que o nem liga mais pra você! – o vestido caiu no chão, tirei minha lingerie e entrei na banheira.
- Não sei. Eu não quero magoar o , a culpa não foi dele! – suspirei – De qualquer forma, estou com medo. Briguei feio com Ryan, tenho medo de que ele descubra algo sobre mim e acabe revelando isso ao , ou até mesmo ao ! – brinquei com a espuma que boiava sobre a água.
- Tudo bem, , mas eu só acho que você poderia aproveitar a chance! – ela se sentou no chão, ao meu lado – Sabe, o sorria tanto quando te viu entrando naquele palco, toda poderosa e sensual. Parecia aquelas crianças na frente do lançamento do filme do Ben 10! – ela riu fraco com a comparação – Mas de qualquer forma, a decisão é sua. Eu só não quero que você se arrependa de não viver momentos, sei lá... Intensos com ele, porque estava com medo. – ela colocou os braços sobre a borda da banheira e apoiou o queixo neles – Você pensa que não, mas você e a Party Girl são as mesmas pessoas, não é como se você tivesse que disputar o com o seu outro eu mal e sexy! – começamos a rir alto.
- E agora eu estou sendo o meu eu bonzinho e... Feio? – arqueei a sobrancelha.
- Não! – ela balançou a cabeça negativamente – É isso que você não entende. Você é linda, só que se esconde, se priva e veste as mesmas roupas que o ! – se levantou, passou a mão no glúteo, limpando o tecido do vestido – Com isso você não pode competir! – e começou a sair do banheiro.
- Com o quê? – gritei confusa.
- É como se ele se visse quando olha pra você! Como se você fosse um espelho falante! Pára de ficar tentando ser o , fofinho e bonzinho. Seja você, mesmo que você tenha que ser a garota fatal... Apenas seja você! – ela voltou, falou e saiu novamente, deixando-me completamente perplexa.
Naquela noite eu era apenas a assustada e frágil . Eu não sabia quão fragilizada e amedrontada eu era. Sentia a covardia fluir por minhas veias e isso era tudo. Pensei durante muito tempo no que tinha me dito, enquanto ela praticamente roncava ao meu lado. Ela podia estar certa, mas eu sabia que não tinha força e coragem suficiente para me mostrar novamente, para ser a corajosa e sedutora que a Party Girl se dava ao trabalho de fazer. Acho que isso era o básico. Party Girl era a minha menina má, que fazia sua parte sem expor meu rosto, meu nome e meu sobrenome. Enfim, eu podia ser livre.
Acabei adormecendo. Bem pouco, mas dormi.
O despertador parecia derrubar a casa ao meu lado. resmungou alguma coisa para mim e voltou a dormir, jogando o travesseiro em cima da própria cabeça. Levantei-me, fui para o banheiro e fiz minha higiene matinal. Coloquei uma roupa, peguei minha mochila e saí do apartamento. No caminho da biblioteca comprei um café expresso e logo cheguei ao meu serviço de fachada.
- Eu achei que eu pudesse morrer de falta de ar, ! – ouvi falar sentado na cadeira giratória, com os pés na mesa – Ela é demais, cara! – e sorrir bobo.
- Qual foi a da vez? – entrei sorrindo. Eu era uma boa atriz. Se a vida de dançarina de boate não desse certo, ia pedir um emprego nos estúdios da Universal.
- Yo Ho, ! – disse se levantando e dando um beijo em minha bochecha – Finalmente você chegou, porque esse garoto na puberdade não para de falar da gostosa! – rolou os olhos.
- Gostosa? Quem é? – sentei-me na mesa, aproveitando para arrancar alguns detalhes da noite pelo ponto de vista dele.
- , você se lembra da dançarina? – ele perguntou extasiado e eu afirmei com a cabeça, dando um gole no meu café – Nós nos beijamos! – os olhos dele brilharam.
- Vocês se beijaram ou você roubou um beijo dela? – comecei a rir e ele me deu uma olhada feia – Desculpa!
- Ela se fez de durona, mas eu dei um jeito nela! – fez a maior cara de convencido da história – Ela veio com um papo de que eu não era diferente dos caras que davam em cima dela e tal, eu juro que eu quase desabei no chão de tão nervoso que eu fiquei. Ela tem um poder de deixar um cara completamente sem fala! – ele se sentou normalmente, animado com seu monólogo – Trocamos algumas insinuações, e pode ter certeza que quando ela me deu a última frase, eu pensei que tudo estivesse perdido e que eu jamais conseguiria chegar perto daquela mulher, mas eu não sei o que deu em mim... Eu a puxei e dei o melhor beijo que eu poderia dar na minha vida e ela? – parou para respirar, olhando-me com um sorriso brincando nos lábios.
- Hm... E ela? – tentei parecer o menos interessada possível.
- Ela foi incrível. Achei que eu fosse ficar imóvel depois de experimentar aqueles lábios venenosos! – o sorriso bobo não parava de brincar naqueles lábios bem contornados.
- Ah... Legal? – ri fraco. Ele estava tão bobo quanto eu.
- Depois dessa, tenho certeza que hoje à noite ela dá um jeito de me ligar... – o sorriso convencido voltou para os lábios.
- O que te dá tanta certeza? – arqueei a sobrancelha.
- Porque eu fui absolutamente incrível, ! – deu uma piscadinha marota para mim e saiu sorrindo em direção ao bebedouro.
- Apenas tome cuidado se você cair do cavalo, ! – falei alto – Você não conhece essa garota e nem faz idéia do que ela é capaz... Você pode ficar esperando por algum ato e quando perceber ela já te devorou todo enquanto você ainda está esperando por mais um único beijo. – fitei a parede, talvez nervosa, mas com certeza decidida a fazer experimentar o quão venenosos os meus lábios poderiam ser.
- Nossa! – me olhou assustado – Parecia que você era a própria garota! – riu – Que medo de você.
- Às vezes eu acho que a é uma feiticeira! – riu – Ela tem esses momentos ‘estou falando com os espíritos do mal’! – fez uma voz grossa.
- Não é isso, ! – virei-me para ele – É só que você pode estar subestimando demais a garota que você nem sabe quem é. Ela pode ser o seu maior sonho, mas também pode fazer de você um bichinho indefeso em sua teia. – dei os ombros – Você mesmo disse que os lábios dela são venenosos... E se você não for forte o bastante pra provar do resto do veneno que ela tem pra te oferecer? – arqueei a sobrancelha, enquanto os dois me olhavam pensativos e abobalhados.
- Nunca. Mais. Faça. Isto! – deu um peteleco em meu nariz – Me deu muito medo! – riu fraco, abraçando-me.
- Desculpe! – ri, encarando , que ainda me fitava com os olhos semi cerrados, curiosos, pensativos. Ele ia ficar com aqueles pensamentos e dúvidas por algum tempo, porque a Party Girl ia demorar um tempinho para poder fazer contato.
Naquele dia, mais do que tudo eu estava disposta a encarar os fatos e abusar dos detalhes. Eu era as duas, certo? Então eu podia fazer daquela pequena comemoração uma grande festa. A Party Girl precisava de muitos flashes, luzes, brilho, música alta e muita, mas muita luxúria.
ia perceber que não eram só os meus lábios que eram venenosos. Eu era a própria fonte do veneno, luxúria e era a encarregada da propagação disso tudo. Ele ia começar a viver nos meus lábios e ia morrer na ponta da minha língua. Meu corpo e meus instintos iam se encarregar de fazê-lo não se esquecer disso. Meu perfume ia intoxicá-lo ao ponto de que ele jamais se esqueceria dele. Nosso futuro ia ser melhor do que rock. Íamos ser a própria explosão de fogos. Faríamos parecer o inferno frio. E como forma de punição íamos ser os amantes da noite.
Como uma vampira sedenta de sangue, eu ia sugar até a última gota de sanidade daquele garoto. Ele podia me esperar, por que a Party Girl iria arrasar tudo o que ele imaginava ser bom, ele ia ser um completo garotinho virgem em minhas mãos.

Capítulo 5

Durante uma semana inteira eu fiquei apreciando a forma como se desesperava a cada dia sem um sinal mínimo da Party Girl. Ele estava aflito e já tinha ido à boate assisti-la (ou me assistir, seja como for), mas não chegou nem perto de conseguir trocar um único oi.
Todos os dias eu chegava, fazia a minha melhor cara de preocupada e perguntava se ela tinha ligado ou algo do tipo e todo dia a feição era pior. Ele já estava entrando em desespero. Isso era ruim, vendo que ele era meu amigo e estava aflito por um contato de uma garota e isso era ótimo porque eu era essa garota e assim ele aprenderia que em nenhum momento dessa história ele chegaria perto de comandá-la.
Naquela noite eu estava decidida a falar com ele, então passei o dia o convencendo a ir mais uma vez à boate, inventando mil e uma suposições, tentando dar um pouquinho de esperança para ele. Quando fomos embora da biblioteca e nos despedimos em frente ao meu prédio, eu ainda não tinha certeza se tinha o convencido a tentar mais uma vez. Eu esperava que sim.
Oi, preciso de uma ajuda com a roupa. Parece que a Party Girl vai mandar um bilhetinho para o , então preciso de uma roupa... Você sabe! Xxx
Enviei a mensagem para a , joguei minha bolsa e minhas roupas sobre a cama e saí correndo para o banheiro, extremamente contente. Aquela era a minha noite, eu sabia que deveria me sentir aflita, afinal ainda era o , eu ainda poderia cometer algum erro e ele podia acabar descobrindo toda a verdade, mas a minha cabeça só conseguia pensar em como seria uma noite incrível se tudo o que eu estava planejando desse certo.
Comecei a cantarolar I Gotta Feeling debaixo do chuveiro, dançando ao mesmo tempo, quando ouvi um grito na porta do quarto.
- AH! – um barulho histérico jamais ouvido por mim saiu das entranhas de - NÃO ACREDITO! FINALMENTE! FINALMENTE! FINALMENTE! – nessa hora eu sabia que ela devia estar pulando em cima de minha cama. Ri baixo, fechei o registro do chuveiro, enfiei-me em um roupão e peguei uma toalha para secar os cabelos.
- Oi!
- Você está falando mesmo sério? – ela se sentou na beirada da cama, ofegante.
- Sim! – sorri abertamente, depois mordendo o lábio inferior.
- Espero que não chova! – jogou os braços para o alto e saiu correndo em direção ao closet.
- Não sei o que vestir. Só sei que precisa ser bem quente e não pode ser preto! Venho usando preto demais nas minhas apresentações! – sentei-me em frente ao espelho, ainda apertando meus cabelos na toalha.
- Eu já sei o que você vai vestir! – arqueou a sobrancelha, aparecendo na porta do closet, com a cara mais pervertida que eu já tinha visto em toda a vida.
- Não quero vestir espartilho! – resmunguei – Tenho um pressentimento de que espartilho vai atrapalhar a noite! – rimos juntas.
- Não é espartilho. Pode ficar tranquila!
- Ok! – dei os ombros.
Peguei o secador e comecei a secar as mechas do meu cabelo, enquanto eu ouvia resmungos baixos vindos de dentro do closet. era muito mais do que uma amiga. Ela era do tipo de pessoa mil e uma utilidades. Era amiga, era irmã mais velha, era irmã mais nova, era um ombro para chorar, era personal stylist, às vezes a coitadinha ainda se dava ao trabalho de ser empregada, abastecendo minha geladeira e meus armários. Resumindo, ela era tudo para mim e acho que não saberia viver sem ela.
- PRONTO! – ela gritou, fazendo eco de lá de dentro, eu apenas ri e continuei a secar meus cabelos – Fecha os olhos! Vamos fazer o seu cabelo e a sua maquiagem e depois você olha o que vai vestir! – eu a vi esconder a suposta roupa, apenas deixando o corpo aparecer.
- Tudo bem! – rolei os olhos e os fechei em seguida.
- Pode abrir! – falou, pegou o secador e começou a secar o resto do cabelo – Está nervosa?
- Por mais incrível que pareça... Não! – dei os ombros – E eu vou precisar que você vá hoje! – sorri de canto de boca.
- Eu? Por quê? Posso pegar qualquer roupa? – sorriu abertamente, fitando-me pelo espelho.
- Sim, preciso. Por que eu preciso e ponto. E... Pode pegar a roupa que quiser! – falei calmamente, fazendo-a dar pulinhos atrás de mim.
- Legal!
Quando terminamos de secar meus cabelos, fizemos pequenas ondulações nas pontas. Segundo , eu estava parecendo uma pantera. Tudo bem, eu ri demais com isso, mas eu tinha gostado do jeito volumoso e comportado que meu cabelo estava.
Fizemos a maquiagem de sempre, rímel, lápis e sombra preta, batom vermelho e blush.
- Pronto. Estou com os cabelos arrumados, estou maquiada, estou querendo vomitar porque agora estou nervosa, já são 10:45, porque esses bobs malucos que você fez ficaram tempo demais e... Agora posso saber que roupa vou vestir? – disse agitada.
- Pode. Claro! – ela sorriu feliz – Vou tomar banho. Não reclame! – e saiu saltitante, em direção ao banheiro.
- BUSTIE VERMELHO DE RENDA PRETA, CALCINHA DO CONJUNTO, MEIA ARRASTÃO E BOTAS DE COURO PRETO ACIMA DO JOELHO? – gritei ao ver o figurino que tinha escolhido – Você ficou completamente louca! – ri nervosa.
- Não reclame, ! – ela gritou do banheiro – Quando eu sair daqui, é bom que você já esteja pronta! – ameaçou.
Olhei aquela roupa milhares de vezes, querendo matar , mas no final acabei aceitando e depois que me vi no espelho, inclusive de máscara, acabei agradecendo pela roupa. Naquela noite não sobraria um único pedaçinho de para contar a história de como fora sua noite com a Party Girl.
***
Chegamos à Poison House e saiu desfilando com meu vestido roxo pela entrada principal, enquanto eu pedi que o motorista me deixasse nas portas do fundo. Paguei e fiz o caminho de sempre, encontrando Ryan no meio do caminho como sempre.
- Eu preciso falar com Jared! – avisei, tirando o sobretudo preto e me olhando no espelho, certificando-me que tudo estava certo e no lugar. Ryan ficou me fitando, digo, comendo-me com os olhos, fazendo com os olhos a trilha do meu corpo repetidas vezes dos pés à cabeça – Ryan? Perdeu alguma coisa na minha calcinha? – disse autoritária.
- Ahm, não! – ele balançou a cabeça negativamente como se quisesse espantar algum pensamento que estava rondando por ali – Vou chamá-lo e já trago seu Martini.
- Obrigada. – respondi seca, enquanto ele saía da sala.
Ponto para mim! Se Ryan estava chocado com o modelo provocante das minhas roupas, com certeza também ficaria.
Ouvi uma batida fraca na porta e falei para que entrassem.
- Hei, meu cofrinho de dinheiro que rebola! – Jared disse animado. Pelo jeito a casa estava lotada e ele tinha tomado uns bons goles de bebida.
- Oi, Jared! – ri fraco.
- Do que você precisa, benzinho? – ele riu, abraçando-me de lado.
- Ahm... Então... Você se lembra que eu passei uma coreografia para as dançarinas e que eu disse que um dia ia querer que elas dançassem comigo na apresentação principal?
- Sim.
- Preciso que elas dancem hoje, pode ser?
- Claro! Tudo pra você! – ele gargalhou, soltando-me e começando a andar em direção à porta – Vou avisá-las!
- Obrigada! – sorri de lado.

()
Coloquei um blazer preto, uma calça jeans, uma camiseta branca gola V por baixo, um mad hats escuro, passei um pouco de perfume e conferi minha aparência no espelho. Arrepiei mais os cabelos, peguei as chaves do apartamento, minha carteira e saí.
Essa noite seria minha última noite de tentativas frustradas com a Party Girl, depois de hoje, se nada acontecesse, eu desistiria definitivamente. Acho que meu quadro de amores, romances e paixões nunca foi dos melhores e talvez nunca melhore.
Existem 4 tipos de mulheres.
Primeiro: Aquela mulher que você simplesmente vê numa festa, fica, dá tchau e sai atrás de outra na mesma festa para curtir. Com mulheres assim, um cara como eu pode ficar com mais de 15 em uma noite só. São só uns beijos, uns amassos, mãos em lugares indevidos e só.
Segundo: Aquela mulher que você vê em algum lugar, corre atrás, dá uns amassos e se tiver sorte leva para um motel. Sim, motel. Esse tipo de mulher não é do tipo que você vá levar para a sua casa, porque no outro dia você até corre o risco de nenhum dos dois saber o nome um do outro já que tudo acontece tão rápido que o nome é o que menos importa.
Terceiro: Aquela mulher que você conhece e acha que jamais vai achar algo mais lindo no mundo, você sente que seu coração fica mais forte cada vez que ela passa e tenta jamais pisar na bola com ela, porque quando você estiver cansado de curtir, você vai chegar até ela com um buquê de rosas vermelhas, um convite para um jantar em um restaurante fino, vai comprar uma aliança de prata e pedi-la em casamento.
E por fim, o quarto tipo: Que é aquela mulher que te encanta e faz ter os pensamentos mais sórdidos do mundo. É do tipo de mulher que faz você passar o dia inteiro pensando nela, desejando-a e implorando para que tenha a sorte grande de um dia conseguir alguma coisa. Mas todo cara sabe que esse tipo de mulher só te dá o que você quer se ela também quiser. Ela é difícil e não se apega. Ela é fatal.
Eu já tinha encontrado todos os 3 primeiros tipos de mulheres, e achei que jamais encontraria a do quarto tipo; esse foi o meu erro fatal, porque pouco tempo depois de pensar assim, eu entrei na Poison House e agora estou alucinado pelo pior tipo de mulher.
Naquela noite não pode ir comigo, ele tinha de ir jantar na casa dos pais, algo de família, que eu não prestei muita atenção. Eu até achei isso bem conveniente. Não queria mais um dia sair daquela boate com cara de cachorro sem dono e ainda ter platéia para isso.
Comprei meu ticket e entrei na casa, que parecia estar super lotada. Tinha algum show especial que eu não fiquei sabendo?
Fui até o Bar e pedi uma cerveja, olhando tudo em volta.
- ?! – ouvi uma voz masculina alta. Olhei em volta e vi dois caras conhecidos vindo em minha direção.
- Fala sério! Quanto tempo! – eu ri. Eram dois velhos amigos, dos tempos de colégio. Poynter e Judd.
- Tem uns dois anos que eu não vejo você! – me cumprimentou, rindo.
- Mais ou menos isso, cara! – balancei a cabeça positivamente.
- Fomos pra faculdade! Estamos em Manchester agora! – disse e em seguida deu um gole em sua bebida – E você?
- Ah não! Eu não fui atrás de faculdade nenhuma ainda. Estou apenas num empreguinho na biblioteca da cidade, junto com o . – dei os ombros. Isso me fazia pensar em como estava ficando velho e quanto tempo eu estava perdendo.
- ? ? – perguntou – Aquele cara que tocava na banda da escola?
- Sim! Esse mesmo! – gargalhei. Poucos se lembravam disso, mas tinha tocado na banda da escola. Ele era bom, mas as coisas que era obrigado a tocar eram simplesmente ridículas.
- Puxa! Vocês estão na biblioteca municipal? Aquela grandona? – questionou .
- Sim, sim! Trabalhamos lá como supervisores. Não somos nada de demais! – ri fraco, dando um gole em minha cerveja.
- Então, estávamos na cidade e encontramos alguns velhos amigos. Nos falaram que tinha aberto essa boate aqui no centro e que tinha uma super dançarina aqui, então viemos dar uma espiada! – deu uma risada um tanto tarada e eu tentei fingir que não estava enciumado.
- É. Acho que já está para começar! – olhei para o relógio – Dois minutos!
- Como sabe? – perguntou confuso.
- O relógio marca 12 horas e ela entra no salão! – disse prendendo a respiração.
- Wow! Garota pontual! – ele brincou.
O salão inteiro ficou escuro e os berros começaram. Eu estava suando frio e parecia que ia explodir de ansiedade. Algumas luzes começaram a piscar freneticamente e os caras me olharam curiosos.
Uma versão remixada de Bounce começou a tocar e várias dançarinas surgiram no palco.
The lips that slip are the lips that press
Os lábios que escorregam são os lábios que pressionam
And the lips that leak seem to know you best
E os lábios que vazam parece que te conheçer melhor
Todas de preto, todas de couro, todas de batom vermelho, como se quisessem fazer algum cara enfartar ali, mas a dançarina que me interessava ainda não estava ali. Será que ela não viria?
I put bodies into motion, keep this skin out in the open
Coloquei corpos em movimento, mantenha a pele fora da abertura
Liars turn me on Mentirosos me transformam
Como resposta aos meus pensamentos, ela surgiu no meio de todas as outras. Senti minha respiração falhar, meu coração parecia ter sido esmurrado ao ponto de parar, meu corpo inteiro parecia ter milhões de micro explosões. Ela estava demais.
Bed spread bandit since '89
Cama, propagação, bandido desde 89
You wear your heart on your sleeve
Você usa seu coração, em sua manga (debaixo)
And threw mine to the sky
E atirou o meu para o céu
A coreografia milimetricamente ensaiada começou. Todas no mesmo ritmo, todas nos mesmos passos, todas arrancando olhares curiosos e tarados ou invejosos de todos do salão, mas ela não parecia ter sido feita da mesma matéria, parecia ser de outro mundo o modo como seus quadris se agitavam e seu corpo mexia. Cada músculo bem definido das pernas daquela garota me faziam delirar.
Bounce Bounce baby, Bounce back to me (You don't need this)
Volte, volte, bebê, Volte para mim ( você não precisa disso)
Bounce bounce baby, Bounce back to me (You don't need this)
Volte, volte, bebê, Volte para mim ( você não precisa disso)
This is it, call it quits with honesty (You don't need this)
E é isso, dizer que está tudo acabado parece honesto ( Você não precisa disso)
Every word is a curse let loose on me
Cada palavra é uma maldição, vou me libertar
Your mouth it moves but fails to speak
Sua boca se move, mas não mostra o que você fala
And when you use your lips they better be on me
E quando você usa seus lábios, eles são melhores do que eu (?)
Ela começou a dançar e caminhar, mas caminhar em direção à multidão.
The lies that tied your tongue in knots
As mentiras que saem de sua língua, dão um nó
Are the words that grew to hit my spots
Todas as palavras estão crescendo,colidindo em meu ponto
So filthy, dialed desire
Tão imundo, desejo marcado
Swallowed pride but spit out fire
Orgulho engolido, mas cuspo fogo
Liers turn me on
Mentiras me transformam
Quando ela desceu, por incrúvel que pareça, ninguem a atacou. Ela dançou e brincou com os hormônios de alguns no meio do caminho, mas sempre voltava a andar, a dançar. Ela parecia vir em minha direção ou era só fruto da minha imaginação perdida e suja?
Bed spread bandit since '89
Cama, propagação, bandido desde 89
You wear your heart on your sleeve
Você usa seu coração, em sua manga (debaixo)
And threw mine to the sky E atirou o meu para o céu
Ela estava mesmo vindo em minha direção e eu só fui aceitar isso quando ela finalmente chegou perto dos meus dois amigos. Ela dançou com os dois diante de meus olhos, eles pareciam estar tão hipnotizados quanto eu.
Bounce Bounce baby, Bounce back to me (You don't need this)
Bounce bounce baby, Bounce back to me (You don't need this)
This is it, Call it quits with honesty (You don't need this)
Every word is a curse let loose on me
Your mouth it moves but fails to speak
And when you use your lips they better be on me

Ela se aproximou de mim e espalmou as mãos em meu peito, dançando perto de mim.
- Dance comigo! – ela sussurrou provocantemente.
Imediatamente meu corpo pareceu responder à voz dela. Eu comecei a dançar junto com ela.
Bounce bounce, baby (Bounce bounce, baby)
Bounce bounce, baby (Bounce bounce, baby)

- Espero não ter demorado muito! – ela sorriu provocante, com os lábios perigosamente perto dos meus.
- O quê? – disse confuso.
So filthy, dialed desire
Swallowed pride but spit out fire
Liers turn me on

Ela esticou a mão para trás de mim e senti sua mão entrar delicada e lentamente dentro de meu bolso esquerdo.
- Leia o bilhete! – ela mordeu o lábio inferior e deu as costas. Segundos depois virou apenas a cabeça, ainda dançando – Boa bunda! – piscou e saiu dançando de volta.
Bounce Bounce baby, Bounce back to me (You don't need this)
Bounce bounce baby, Bounce back to me (You don't need this)
This is it, Call it quits with honesty (You don't need this)
Every word is a curse let loose on me
Your mouth it moves but fails to speak
And when you use your lips they better be on me

Todas as dançarinas terminaram com o mesmo passo e saíram em fileirinha, deixando-a para trás, que deu um aceno para todos e sumiu na escuridão que seguiu após tudo isso.
Algo me dizia que alguma coisa muito boa estava por vir e aquele bilhete era a chave de tudo isso.

Capítulo 6

()
O show tinha sido muito bom, o meu ego estava a mil por hora e nada naquela noite poderia tirar aquela sensação gostosa de poder, de que eu estava por cima e com tud sob controle. Todos os homens pareciam ter se rendido q mim e o melhor de tudo era que estava entre eles.
Entrei no meu camarim sorridente, quando fechei a porta, ele estava lá. Estava sentado na poltrona, perto do espelho da penteadeira.
- Você tem autorização para entrar aqui, rapaz? – arqueei a sobrancelha e provavelmente meu sorriso estava um tanto pervertido.
- Estava procurando o camarim das dançarinas, mas acho que infelizmente errei o caminho! – ele sorriu, estava com o bilhete entre os dedos.
- Ou felizmente! – dei uma piscadela e fui até a bandeja de Martini.
- Pensei que você tivesse se esquecido de mim! – ele se levantou, caminhando pelo camarim.
- E quem disse que não? – dei uma risada baixa.
- Eu pensei que...
- Quando eu estava pra entrar no palco, eu vi você no cantinho, junto com outros dois caras, então não resisti! – mexi o conteúdo do copo com o dedo indicador e depois chupei o dedo.
- Entendo! – ele fez uma cara decepcionada.
- Acho que você já pode trancar a porta! – disse dando um gole em meu Martini.
- Nós vamos fazer algo que precise trancar a porta? – ele arqueou a sobrancelha.
- Nós não vamos? – arqueei a minha. Ele deu uma risadinha sacana e deu alguns passos em direção à porta, girando a chave.
Desviei minha atenção ao meu Martini por alguns segundos, eu mal conseguia respirar, mas acho que ele não tinha percebido isso. Ele mesmo estava à procura de fôlego.
- Você é sempre assim? Uma incógnita? – ele mordeu o lábio inferior, aproximando-se.
- Eu sou? – sorri – Talvez – sussurrei – Descubra! – passei o dedo indicador pela gola V da camiseta dele.
Senti a taça de Martini ser tomada de minhas mãos, então antes que eu pudesse protestar, ele já tinha virado o líquido inteiro na boca. pegou a cereja do copo com os dedos e a roçou em meus lábios.
- Estou curioso quanto à uma coisa. – ele disse me olhando nos olhos.
- Espero que não seja quanto ao que vamos fazer! – devolvi o mesmo olhar. Aquele jogo de sedução já estava ficando bastante interessante.
- Não! – ele riu fraco – Estou curioso pra saber como fica esse gosto de cereja na tua boca! – e um sorriso pervertido.
Arqueei minha sobrancelha, coisa que já estava ficando engraçada de se fazer e sorri maliciosamente, puxei a cereja com a minha língua e a ponta dos dentes, deixando apenas o cabinho entre os dedos dele. Mastiguei-a rapidamente, sem parecer uma retardada, digo que no mínimo muito sexy eu fui.
- Não fique! – assoprei o ar na boca dele.
Ele deu um último sorriso e em seguida juntou nossos lábios. Os nossos gostos se misturaram quando a língua dele adentrou minha boca e começou a massagear minha língua. Tantos gostos diferentes, gosto de pasta de dente, gosto de cereja, gosto de álcool, gosto de pecado, luxúria e perdição, era assim que aquele beijo era. Ouvi a taça ser colocada no balcão atrás de mim e logo depois senti suas mãos me puxarem com força para si, fazendo nossos quadris se juntarem.
Minha respiração estava falha e cada toque que ele fazia contra meu corpo parecia que tinha uma sensação nova, um jeito novo. Aquilo era entorpecente e fazia meu coração bombear meu sangue mais rapidamente, parecendo que meu peito não tinha espaço o bastante para o jeito que ele inflava lá dentro.
Imediatamente uma de minhas mãos subiu lentamente, arranhando seu abdômen e fazendo a camiseta subir um pouco, enquanto a outra pousava perto de seu queixo. As mãos de estavam indecisas quando aos meus quadris e as minhas costas, então elas subiam e desciam, apertando meu corpo ao dele.
pousou as mãos em meu pescoço e depois as desceu, desenhando o molde de meu corpo até a altura da bunda e então as duas mãos se encheram para apertar aquela parte do meu corpo, fazendo-me gemer baixinho. Elas desceram mais um pouco e logo depois me senti ser elevada, obrigatoriamente envolvendo minhas pernas na cintura dele. Ele intensificou as carícias de nossas línguas, fazendo meu corpo estremecer. Tudo bem, eu não precisava ter a todo tempo o controle de tudo, naquela hora parecia muito mais divertido que ele controlasse tudo, eu queria provar até a última gota do que ele poderia me oferecer.
Senti as mãos dele se afastarem de minhas pernas e ouvi alguns barulhos de coisas caindo no chão, então deduzi que todos os vidros de perfume, maquiagens e a taça de Martini tinham ido ao chão. Quem ligava?
Logo suas mãos voltaram para mim, explorando minhas coxas, quadris e barriga, enquanto eu percorria com as minhas seu abdômen, braços e tórax. Sorri discretamente entre o nosso beijo, parando para pensar em quão absurda me pareceria a idéia de estar ali com daquele jeito. Parecia algo tão impossível e no entanto agora era a mais doce e deliciosa realidade.
Ele puxou meus cabelos, separando nossos lábios e colando os dele em meu pescoço, dando um chupão ali, que provavelmente ficaria marcado, mas nada que uma boa maquiagem não resolvesse. A língua quente dele percorreu meu pescoço, causando-me arrepios pelo corpo todo e depois ele tratou de fazer o mesmo trabalho enlouquecedor em meu colo.
Forcei meus pés em volta da cintura dele e estiquei minhas mãos até o zíper de uma das botas, conseguindo empurrá-la para o chão, fazendo um barulho alto. Isso chamou a atenção dele, que tirou a outra em seguida, lançando-me olhares pervertidos enquanto o fazia. Nosso olhos se encontraram e surgiram dois sorrisos satisfeitos até agora, mas ainda tinha mais, muito mais naquela noite.
Eu o puxei pela camiseta para mim novamente, grudando meus lábios nos dele e apertando mais as minhas pernas em volta de seu corpo. Comecei a subir as mãos por baixo da camiseta, tirando-a logo de uma vez e encarando aquele abdômen que eu já tinha visto algumas vezes, mas que assim parecia milhões de vezes melhor.
Ele se afastou de mim e começou a brincar com a barra da meia arrastão, puxando-a lentamente, mas muito lentamente, fazendo com que eu começasse a ficar irritada e impaciente e ele notou isso. deu uma risadinha e depois me puxou para cima, tirando mais uma boa parte da meia, escorregando-a lentamente pelo resto de minhas pernas, fazendo com que suas mãos tivessem o maior contato possível com o resto delas.
Quando ele fez menção de voltar para o encaixe de minhas pernas novamente, eu não permiti, coloquei meu pé no meio do peito dele, com um olhar sugestivo e malicioso. Ele sorriu junto e depois segurou-o com as suas mãos, começando a dar beijos desde o dedão e subindo lentamente até alcançar minhas coxas nuas, começando a fazer minha respiração falhar como um motor de carro velho. Ele chegou até a virilha, depositou um último beijo e começou uma outra trilha por minha barriga, fazendo-me acompanhar o curso junto com ele, com minhas mãos e unhas subindo por suas costas.
Senti as mãos dele sobre o feixe da parte de cima de minha lingerie e logo senti a peça ser afrouxada. Pelo menos ele não se atrapalhava com o feixe, isso era muito bom. Ele atirou a peça para trás e olhou meus seios com luxúria. Eu podia ver o fogo brilhar dentro de sua íris. Uma de suas mãos apertou minha virilha e a outra se ocupou com um de meus seios, enquanto ele vinha para começar um novo round de beijos incessantemente prazeroso. As mãos aliviaram e vieram para minhas costas, fazendo meus seios e seu tórax se juntarem pela primeira vez, fazendo-me ficar mais excitada ainda. Eu sentia meus seios se enrijecerem contra o corpo dele, fazendo-me querer que aquela tensão acabasse logo.
Com as mãos trêmulas, desci até o cinto da calça dele e o desabotoei rapidamente, assim como o botão e o zíper da calça. Ele entendeu o recado e deixou que a peça jeans caísse sobre seus pés, chutando-a para trás, junto com os sapatos e as meias.
Senti a mão dele descer até a minha intimidade, apertando-a discretamente e em seguida com as duas mãos ele desceu a calcinha lentamente, até fazer sumiço dela, assim como as outras peças de roupa. Eu fiz o trabalho de tirar sua boxer o mais rápido possível, aproveitando para deslizar minhas mãos sobre sua bunda, que era extremamente gostosa.
Ele parou o beijo e se afastou com um olhar desesperado e eu assenti. Não aguentávamos mais. Ele correu até a calça que estava pouco atrás e tirou o preservativo, rasgando a embalagem com os dentes. Com as devidas precauções ele a vestiu e me lançou um olhar indefinido, então antes que eu pudesse raciocinar, ele já tinha me penetrado, de uma vez, sem hesitação, fazendo com que eu sentisse a sensação de que tinha sido rasgada ao meio, embora ainda sentisse um prazer milhões de vezes maior.
Respirei com dificuldade e então comecei a sentir uma série de novas investidas profundas e prazerosas. As mãos dele estavam em meus quadris, puxando-o a cada investida, aumentando o contato entre nossos corpos, causando infinitas novas sensações.
traçava meu pescoço e ombros com pequenos beijinhos por várias vezes, enquanto eu fazia meus dedos se emaranharem por seus cabelos já suados, gemendo baixinho em seu ouvido. Mordi fraco o lóbulo de sua orelha e senti seu corpo estremecer um pouco, mas sem parar suas investidas deliciosas.
Uni nossos lábios novamente, começando um beijo quente e cheio de gemidos prazerosos. Afastei nossas bocas, arfando alto e em seguida gemi, ou talvez gritei de prazer, sentindo que ele já tinha feito seu trabalho belamente e ele me seguiu minutos depois, gemendo em meu ouvido roucamente, fazendo-me sentir mais arrepios.
Acariciei suas costas suadas, sentindo suas mãos subirem lentamente sobre meu corpo. Ele selou nossos lábios, começando um beijo calmo, talvez um beijo de agradecimento pela noite incrível.
Ficamos um tempo abraçados, sem dizer nada, com ele ainda dentro de minha intimidade, então logo depois ele saiu de mim, afastando-se um pouco e acariciando minha bochecha, dando-me um último beijo.
- Temos tempo para um segundo round? – ele mordeu meu lábio, com as mãos em minhas cochas.
- Hoje não! – ri e ele assentiu.
Retirou a camisinha e fez os devidos cuidados com ela, jogando-a no banheiro do camarim. Vesti minha lingerie de volta, e quando ele voltou, tratou de vestir suas roupas.
- Não se preocupe. Não vou sair e contar pra toda cidade que eu transei com a Party Girl! – ele disse já vestido, dando um sorriso calmo e sedutor.
- Não vou me preocupar. Mas você vai me prometer que vai contar pros seus amigos que teve a melhor transa da sua vida! – dei uma piscadela, começando a vestir a meia arrastão. Ele gargalhou alto, aquela risada gostosa de sempre, o que me fez me sentir melhor ainda, porque era meu quem estava ali.
- Pode deixar! – ele mordeu o lábio inferior, enquanto eu terminava de colocar minhas botas. Quando eu o fiz, ele me puxou para um beijo, o mesmo beijo que ele tinha me dado na primeira noite – Até breve?
- Quem sabe?
- Quem sabe da próxima não tentamos morango e champagne?
- Quem sabe da próxima não tentamos vodka com limão? Dizem que é bom! – eu ri.
- Vou pesquisar... – ele me deu um selinho.
- Faça isso! – dei uma piscadela e me afastei, virando-me para o espelho.
- Até mais!
- Até um talvez! – através do espelho eu o vi sair pela porta.
Grande noite. Grandes futuras noites.

Capítulo 7

Sem maiores planos pra aquela noite. Sem idéias mirabolantes. Sem atos difíceis.
Eu simplesmente peguei minhas coisas, vesti meu sobretudo preto e sai andando em passos calmos em direção à saída de trás da boate. Eu só precisava de um banho quente, minha cama, minhas lembranças e mais sonhos.
Vi encolhida no sofá da sala e ri baixinho, não querendo acordá-la, por que provavelmente ela faria uma série de perguntas das quais eu não queria responder. Tirei os sapatos e os carreguei com a mão até o closet, guardando-os. Joguei o sobretudo em cima do pequeno sofá creme que havia perto da porta e fui para o banheiro tomar meu banho.
Liguei o chuveiro no quente. Precisava que meu corpo relaxasse um pouco, que meus músculos voltassem ao lugar depois de se contorcerem tanto. A água morna escorria por meu corpo, me trazendo a sensação de que eu ainda tinha os dedos quentes e macios de sobre a minha pele, isso me fazia sorrir levemente, com satisfação.
Quando terminei meu banho, me sequei e coloquei uma box feminina e um camisetão, então peguei um edredom no closet e cobri , que estava na sala, encolhida pelo frio.
Voltei ao meu quarto e me deitei, trazendo os travesseiros para perto de mim, me aconchegando e fechando os olhos para a noite que provavelmente me renderia bons sonhos, misturados com as lembranças do começo das seguintes melhores noites da minha vida.

Estava quase chegando à biblioteca quando meu celular começou a tocar. Olhei no visor e era . Respirei fundo e atendi.
- Oi, !
- Sua bandida, eu te esperei ontem e você chegou, não me acordou para contar da noite com o e ainda saiu antes de eu levantar? - Ela falava alto e indignada enquanto eu me limitava a rir.
- Desculpe-me, amor, mas eu ainda não estou preparada para dividir essas lembranças!
- Ah, tudo bem! - Bufou. - Vou ver se da próxima vez eu vou estar preparada pra sair do meu apartamento até o seu, só pra poder te ajudar a se arrumar pra sua noite com o ! - Eu podia imaginar as caretas que ela fazia, o que me rendia boas gargalhadas.
- Eu sei que você adora ir até meu apartamento me ajudar, roubar minhas roupas e dormir nos meus móveis! - Provoquei-a mais um pouco, enquanto ela resmungava alguma coisa ininteligível. - Mas é sério, quando eu me acostumar com a sensação de ontem... Eu te conto tudo. Prometo!
- Bom mesmo! Tchau!
- Tchau, ! - mandei um beijo e desliguei o telefone, me virando para entrar na biblioteca, dando de cara com um de braços cruzados no peito e com cara de quem me analisava. - Hey, você! Ouvindo a conversa alheia? - Cruzei meus braços abaixo dos seios, o encarando da mesma forma.
- Sensações da noite anterior, uh? - falava como um irmão mais velho e ciumento.
- Oi? - Eu ri, me fingindo de desentendida.
- Ah, venha cá, sua grande safada! - Ele me agarrou, fazendo cócegas em minha barriga.
- ! Pára! - Eu gritei, tentando recuperar o fôlego, então ele parou.
- ! Sensações da noite de ontem? - Arqueou a sobrancelha. - Fala sério!
- , calado! - Comecei a gargalhar. - É sério. Nada a declarar sobre esse assunto. - Apontei o dedo indicador para ele e disse séria.
- Tudo bem! - Ele descruzou os braços e veio para meu lado, passando um dos braços sobre meus ombros. - Mas ainda estou indignado! Achei que você fosse uma mocinha de família. - Fez cara de ofendido.
- Por acaso tenho cara de rameira agora? - Arqueei a sobrancelha.
- Não foi isso que eu quis dizer, desculpe! - disse sincero.
- Tudo bem! - Dei os ombros.
- Não vai me contar mesmo? - Começamos a andar para dentro da biblioteca.
- Hoje não. Mas prometo que conto quando eu estiver pronta! - Sorri meio envergonhada e ele assentiu. - O chegou?
- Sim. E está avoado, com cara de tonto, marcas de chupão e unhas nas costas! - fez uma cara de falso espanto. - Eu acho que peguei pesado com ele ontem à noite. Mas é que eu não consegui me controlar com tanta gostosura, não é, ? - Ele aumentava a voz à medida que chegávamos perto de .
- É, . É! - disse sem ao menos prestar atenção no que tinha dito, então começamos a gargalhar. - O que foi? - Ele perguntou confuso, ao olhar para mim e , que gargalhávamos alto.
- Nada. Nada! - Eu disse respirando fundo e indo sentar em minha cadeira.
- Alguém precisa arrumar aquela pilha de livros na sessão sete de dramas! - disse me olhando.
- O quê? E esse alguém por acaso sou eu? - Perguntei indignada. O ruim de trabalhar com dois meninos era que toda a bagunça sempre sobrava para mim.
- Eu disse alguém, mas já que você se ofereceu... Pode arrumar! - Ele deu um sorriso sapeca e começou a escrever no livro ata da biblioteca.
- Muito engraçado! - Levantei-me rolando os olhos. - ! Venha me ajudar! - Disse alto, fazendo se atrapalhar ao acordar de seus devaneios.
Caminhamos até o segundo andar, onde ficava a sessão de dramas e tinha três pilhas enormes de livros em cima de uma das mesas, preparados para serem postos em seus lugares.
- Ficou em casa ontem? - perguntou desinteressado, enquanto carregava a primeira pilha, com algum esforço e me seguindo até a escada.
- Uhum! - Disse meio sem saber o que falar. Subi na escada e estiquei a mão, pegando os primeiros livros da pilha e os colocando nos espaços vazios da prateleira.
Ficamos em silêncio enquanto trabalhávamos. Parecia que tanto ele quanto eu estávamos em um mundo particular, onde os pensamentos eram privados do resto do mundo.
Limpei a garganta quando a segunda pilha de livros acabou e empurrei a escada pro próximo ponto de “buracos”. buscou a terceira e última pilha e voltamos a encaixá-los em seus devidos lugares.
- E como foi lá com a tal... Dance girl? - Disse, tentando parecer o mínimo interessada possível.
- PARTY! Party Girl, ! - Ele me olhou torto e eu segurei o riso que queria sair.
- Tudo bem. Party Girl. - Assenti. - Como foi? - Esperei que ele respondesse, enquanto encarava sua expressão de felicidade.
- Foi ótimo! - Foi a única coisa que disse, mas eu ainda esperava que ele dissesse algo mais.
- O que significa ótimo? - Arqueei a sobrancelha. - Quer dizer que vocês transaram?
- Às vezes você soa como um garoto sem coração! - Falou num tom ofendido.
- Ai, desculpa! - Ergui os braços e quase caí da escada.
- Toma cuidado! - Ele segurou os três últimos livros com apenas um braço, enquanto o outro segurava minha panturrilha.
- Eu sempre falei assim de todas as meninas que você pegou e até hoje não tinha problema nenhum! - Soltei o ar pesadamente. Peguei os livros e os coloquei no lugar.
- Mas ela não é como as outras. Ela é diferente! - deu os ombros. De alguma forma aquilo me irritava.
Party Girl, , duas faces e a mesma pessoa. Porém, todo aquele cuidado, aquela paixão, me irritava, porque eu queria que ele se apaixonasse por mim, mas pelo o que a podia oferecer, não pelo o que a Party Girl podia oferecer.
- Pescoço marcado... Ela parece querer deixar claro que não é pra ninguém chegar perto de você! - Disse, colocando dois dedos sobre uma marca que tinha no pescoço dele.
- Quem liga pra essas coisas, ? - riu. - Marcas são sexy! - Ele deu uma piscadela.
- Sei! - Ri. - Então... Era só isso? - Perguntei, amarrando os cabelos, que estavam começando a ficarem úmidos devido ao suor que começava a brotar em meu pescoço, depois de ter colocado tantos livros pesados nas prateleiras.
- Pelo jeito não foi só a minha noite que foi boa, não é, ? - Ele me encarou sério. E eu me virei para ele sem entender. - É por isso que você vem se recusando a sair conosco todas as noites? Pra ficar com sabe-se lá quem? - não era de falar alto comigo, a não ser que ele realmente se irritasse.
- Ficou maluco?
- Essa marca de chupão no pescoço? Apareceu sozinha? - Ele apontou para a região que estava exposta.
- Desde quando você se importa com o que eu faço ou deixo de fazer? - Perguntei irritada com aquele surto repentino. - Você pode fazer o que quer e eu não?
- Você não precisa esconder as coisas de nós! - Ele gritou de volta.
- Eu não tenho que contar nada sobre meus relacionamentos pra você, . Porque eu estou sabendo que você não é nada além de meu amigo, até hoje! - Gritei me aproximando dele.
- Quer saber? Problema seu! - Ele jogou um pano que estava na escada no chão. - Você quem vai ficar com marcas de chupão no pescoço, você quem vai ser chamada de puta por aí, então, eu não ligo! - Ele riu sarcástico. - Eu só pensava que você não era esse tipo de garota! - E saiu a passos firmes e largos.
- Tipo de garota? - Gritei indo atrás dele. - Como assim esse tipo de garota? A que tipo de garota você se está se referindo, ? - Minha voz estava começando a ficar rouca devido aos gritos perturbados que eu dava dentro da biblioteca. Eu só esperava que não tivéssemos aberto ainda.
- Ei, por que essa gritaria toda? - também gritou, do andar de baixo. - Daqui a pouco começa a chegar gente e...
- Cala a boca, ! - Eu e dissemos ao mesmo tempo.
- Responda a minha pergunta, estúpido ! - Dei um soco em seu ombro esquerdo, na região das costas, fazendo-o me encarar com raiva. Eu o encarei assustada quando ele me encarou tão agressivo, com os punhos fechados. - Que tipo de garota? - disse baixo, encarando-o nos olhos.
- Do tipo de garota que abre as pernas pra qualquer um que use calças por aí! - Ele respondeu no mesmo tom, com os olhos brilhando em um tom vivo e cruel.
- Eu preferia que você tivesse me dado um soco a ter ouvido isso sair da sua boca. - Eu disse com os olhos arregalados, marejados, lutando para que as lágrimas não começassem a escorrer.
Desviei de seu corpo, que permanecia parado em minha frente, e sai correndo pelas escadarias da biblioteca.
Peguei minha bolsa no balcão e ainda tentou me abraçar, me acalentar e me impedir de ir embora, mas eu estava irritada demais para ficar no mesmo lugar que .
- Por favor... - Eu disse aplicando um olhar implorativo a enquanto ele tinha a mão sobre meu pulso.
- Não sai assim, ele vai se desculpar! - Ele pediu, tentando parecer o mais convincente possível.
- Eu não quero as desculpas dele! - Sussurei. - Você agüenta as pontas aí? - A voz oitavou, não era para eu estar tão magoada assim. Ele só estava com ciúmes e não sabia de toda a verdade, era quase justo que ele falasse tudo aquilo para mim. Era só que meu orgulho estava ferido diante daquelas palavras tão duras.
- Vá... - assentiu pesaroso, talvez magoado com o acontecido.
Uma história que começava assim acabaria como?
Imagens de mim mesma, retorcidas. Onde a suposta parte vilã do meu eu devia estar sendo julgada impura, suja, prostituída, e não exaltada. Porém a melhor parte de mim, a pura de coração, limpa e infantil, estava sendo duramente contestada, sem ter culpa nenhuma. Eu me sentia duas pessoas, odiando-me por ambas as partes.
Caminhei irritada até meu apartamento, pensando em como eu não queria que tudo desmoronasse assim. Eu só precisava ser a amiga de manhã e a amante à noite. Eu não queria perder ambas as partes nessa aventura que eu tinha começado a construir com , era como se as duas partes precisassem do todo para sobreviver.
Quando a porta do apartamento se fechou, comecei a despir meu corpo, me livrando das roupas pelo meio do caminho. Era interessante como eu sempre precisava de um banho para melhorar alguns danos internos que eu mesma conseguia fazer.
Deixei que a água morna se misturasse com as minhas lágrimas nervosas, as quais corriam livremente sem eu entender o porquê. Eu era uma farsa andante. Eu queria controlar meu mundo e fingir que eu não gostava de todo aquele poder que ser filha de quem sou me proporcionava, mas a grande verdade era que a Party Girl era a escapatória para aquele ser amável que eu era durante o dia. Party Girl era um pedaço do poder e dos holofotes sobre mim. Eu só não era forte o bastante para admitir tudo isso em voz alta pra mim.
Enrolei meu corpo em um roupão enquanto secava os cabelos com uma toalha.
Joguei-me em minha cama e deixei meu corpo adormecer por lá, sentindo como se eu não tivesse dormido durante semanas intermináveis, desabando em um sono profundo e pesado.

Acordei como se algo tivesse me chamando, vi que já era noite, devido ao fato de meu quarto estar completamente escuro. Abri os olhos, sentindo que eles faiscavam perversos e sorri me sentindo um tanto psicopata. Levantei-me animada e corri até o banheiro, jogando o roupão na pia. Liguei o chuveiro na água fria, apesar de ter certeza de que estava uns dez graus do lado de fora, mas eu tinha que despertar e tinha que fazer meu corpo desinchar devido às horas de sono que tive.
Lavei meus cabelos com um shampoo de pêssego que tinha perdido por lá e depois saí do banho, me enrolando novamente na toalha.
Peguei o celular na bolsa enquanto caminhava em direção ao closet. Mexi dentro das gavetas de roupas íntimas, tops e biquínis, enquanto o número de , chamava.
- ?
- Oi, ! - Ela disse não muito animada.
- Será que você podia passar no shopping e comprar um guarda-chuva para mim e um spray que brilha no escuro? - Mordi o lábio inferior, pegando um conjunto rosa fluorescente de dentro de uma das gavetas.
- O quê?
- Por favor! - implorei.
- Odeio você. Só quero que saiba disso! - Ela soou irritada do outro lado da linha.
- Amo você, nanica! - Sorri animada, mandando um beijo e em seguida desligando.
Saí correndo para meu quarto, coloquei o conjunto, o qual o busto era tomara que caia e a calcinha era de lacinhos dos lados. Sequei meu cabelo e o prendi com grampos, em seguida eu procurei por uma peruca preta que sabia que tinha por ali, tudo bem que Katy Perry não estava morena no clipe, mas era o que mais lembrava ela. Cortei a franja reta e o cabelo nos ombros, e depois ajeitei a peruca em mim, olhando para uma versão morena no espelho. Sorri satisfeita com o resultado e corri até a sala, quando ouvi o barulho da campainha.
- Sem chaves? - Sorri para , pegando a sacola das mãos dela e correndo até o sofá, parecendo uma criança agitada.
- Demorei séculos para achar essa porcaria! - Ela falou visivelmente cansada, sentando em uma das poltronas. - Por que você não tem idéias mais fáceis e que não me envolvam? - Encarou-me séria.
- Brigaram? - Suspirei fundo, encarando-a ao que ela começou a chorar imediatamente. - Hey! - Falei baixinho, indo em direção a ela.
- Ele terminou comigo por causa da Stacey! - dizia entre soluços, enquanto eu a abraçava.
- Não fica assim! - Afaguei seus cabelos. - Ele não era grande coisa, ! Era só um cara prepotente, com um sobrenome de respeito! - Beijei o topo de sua cabeça. - Ele não merece essas lágrimas!
- Eu achei que finalmente meu relacionamento ia dar certo, ! - Ela limpou o sorto, me olhando com dor.
- Você vai conhecer um cara melhor do que ele, eu tenho certeza! - Limpei os últimos vestígios de lágrimas em seu rosto e dei um beijo demorado em sua bochecha.
- Se ninguém me quiser você vira lésbica e casa comigo? - Ela me olhou fazendo um bico enorme.
- Só se você usar um pinto de borracha! - Eu gargalhei, a carregando junto comigo.
- Qual é a boa da vez? - Ela disse sorrindo e tirando os saltos para me olhar.- Katy Perry! - Coloquei a mão sob meu queixo e dei uma piscadinha, fazendo um biquinho sexy.
- Nossa! Quanta criatividade! - Ela arregalou os olhos, enquanto eu caminhava com o spray e o guarda-chuva em direção à lavanderia.
Espirrei o vidro todo, preenchendo cara pedaçinho da superfície das costas do guarda-chuva e voltei para a sala, antes jogando o vidro vazio na lata de lixo da cozinha.
- Com fome? - Perguntei.
- Não muita! - deu os ombros.
- Yakisoba? - Peguei o telefone fixo e sugeri.
- Por favor! - Ela sorriu e ligou a televisão, enquanto eu discava o número do restaurante japonês.
- Meia hora! - Entortei o bico e me sentei no sofá, começando a assistir alguma série televisiva que passava por ali.
Após jantármos, terminei de me arrumar devidamente e fui para a boate.
não estava se sentindo bem, então ficou em casa mesmo, mas eu não podia ficar em casa com ela, eu tinha um garoto para atormentar. era seu nome e ele podia apostar que hoje ia ser uma noite melhor que a anterior.

Capitulo 8
()

Para mim tudo tinha um limite. As pessoas tinham um limite para mim. Uma linha até onde elas podiam ir e que não podia ser ultrapassada, porque não importava o grau de proximidade entre eu essa pessoa, eu não conseguiria fingir que estava tudo bem.
era uma menina, uma adolescente-menina, vamos dizer assim, quando eu a conheci. Ela tinha quinze anos, um sorriso contagiante, cabelos leves e loiros. De alguma forma, quando eu a conheci, sabia que ela viraria alguém crucial em minha vida. O jeito como ela chegou, me fez ficar completamente idiota. Eu era um garoto de 17 anos na época e ela era um tanto diferente. Com sua estatura mediana, seus ombros não eram finos, eram do tipo médio, que acompanhava o resto do corpo cheio de curvas. Ela não era uma menina do tipo esquelética. Todos os seus atributos eram bem abençoados.
Ela usava uns vestidos coloridos e juvenis, sempre de baixo de Cardigans e sapatilhas delicadas. Ela era tímida e parecia delicada mesmo quando era estabanada. Seus olhos brilhavam com tanta intensidade que me fazia perder a linha de pensamento. Acho que foi a primeira menina por quem eu me apaixonei na vida.
Na realidade ela fora a única até eu conhecer a Party Girl e seu jeito exagerado, extrovertido, sexy e incógnito.
Após um ano e meio, eu não entendo por que, mudou completamente. Apesar de ser a mesma menina tímida e doce, ela começou a se vestir estranhamente, começou a ser ríspida e fechada algumas vezes. Era como se ela tivesse sido atacada e tivessem feito uma lavagem cerebral nela. Eu queria dizer a ela sobre o que eu sentia, mas todas as vezes que eu estava decidido a fazê-lo, ela era estúpida, ou estava mais estranha do que o normal.
Os anos foram se passando e mesmo que o que eu sentisse por ela estivesse guardado no peito, parecia esfriar e agora se apagar aos poucos. Primeiro com a chegada da Party Girl e depois por causa disso.
Eu não sei que tipo de raiva foi aquela que eu senti quando eu vi o pescoço dela marcado. Todas as vezes que eu e a chamamos para sair. Todas as coisas pareciam se misturar na minha cabeça e construir uma imagem que eu nunca tinha me atrevido a ter de . Sonhos e confianças jogados na lama.
Mas ainda assim eu sabia que não conseguiria ficar tanto tempo sem pedir desculpas para ela, por que aqueles grandes olhos lutando contra as lágrimas simplesmente me abalam.
Após passar o dia ouvindo de que eu não poderia ter dito aquelas coisas a , fui para meu apartamento, desta vez sozinho. Deitei um pouco para esperar chegar mais perto da hora de ir para a boate, afinal eu só queria assistir à apresentação da estrela principal da noite.
Acordei onze horas, mordi um pedaço de pão com geléia e tomei um banho rápido. Coloquei uma calça preta, all star preto, uma camisa azul escura e um blazer cinza por cima, ajeitei meu cabelo, passei meu perfume e tomei um táxi até a Poison.
Como sempre, a casa estava lotada. Tive que descer do táxi uma quadra antes para conseguir chegar até lá.
Lá dentro o cheiro de cigarros era insuportável. Uma mistura de suor, com bebida, cigarros e várias colônias. Pedi uma cerveja e me encostei no balcão, esperando a hora de ver minha garota.
Meu celular vibrou no bolso da calça, eu o peguei e vi o nome de no visor. Atendi mesmo à contra gosto.
- Oi, ! – Gritei, apertando o celular em um ouvido, enquanto tapava o outro com a mão livre.
- ! Eu não consigo falar com a ! Será que aconteceu algo? – Ele perguntou num tom de voz preocupado
- Claro que não, ! O que poderia ter acontecido? – Dei os ombros. – Ela não é do tipo que corta os pulsos. Fica calmo! – Dei uma risadinha.
- Você é mesmo idiota! A culpa é sua e ainda faz piada! parecia irritado comigo no outro lado da linha.
- Liga na casa dela. – Suspirei. – Eu falo com ela amanhã, ok?
- Se você não falar, eu te faço falar! – Ele ameaçou e em seguida desligou o telefone na minha cara. Dei os ombros, deixando de lado o que tinha falado. Afinal, eu conhecia e sabia que ela não faria nenhuma besteira por que brigamos. Certo... Eu a conhecia! Pelo menos era o que eu esperava.
- Oi. Te vi aqui sozinho, então resolvi oferecer a minha companhia! – Uma morena, com corpo e roupas de Beyoncé, me disse, dando uma piscadela e me encarando.
- Muito gentil da sua parte. Mas eu tenho companhia, só estou esperando ela chegar! – Sorri amigável para a mulher.
- Tudo bem, gatinho, se ela não aparecer... Me procura! – Ela deu um tapinha em meu peito. – Só não me deixa esperar demais! – Sorriu maliciosamente e saiu rebolando em meio a multidão.
- Essa sua acompanhante deve ser mesmo muito gostosa pra você dispensar uma mulher dessas! – O barman disse rindo e escorando no balcão.
- Você nem imagina o quanto! – Sorri satisfeito e escorei os cotovelos no balcão, ficando de costas pro bar.
Olhei no relógio e faltavam cinco minutos para a apresentação. Pedi um wiskey. Eu precisaria de algo mais forte, se quisesse sobreviver a ansiedade da próxima apresentação de Party Girl.
Uma agitação diferente começou no meio da boate. O som parecia de tambores rufando, então alguns barulhos típicos de remix começaram, pra então começar um toque que já era conhecido. California Girls começara a tocar.
A fumaça de sempre começou a inundar a parte de baixo do palco, então um guarda-chuva brilhante surgiu. Ele parecia coberto por algo que fizesse o neon da boate funcionar.
O guarda-chuva começou a ser girado, então largado de lado, dando lugar a duas pernas compridas e bem torneadas caminhando sensualmente pela passarela.
Percebi que o “poste” tinha sido colocado mais à frente do palco e que Party Girl caminhava, dançando em direção a ele. Ela segurou o metal com força e deu um impulso, lançando as pernas para cima, cruzadas e firmes em volta do objeto, então ela começou a mexer o tórax, com as mãos suspensas, ajudando em movimentos leves e precisos.
Ela ergueu-se de novo, escorregando lentamente e se sentando no chão. Prestei atenção nos cabelos dela, que agora eram curtos e escuros, uma peruca, e na máscara, que era preta e simples, mas não a deixava menos misteriosa, menos sensual.
Seus passos na frente do “poste” eram parecidos com o clipe de Katy Perry, junto com suas bonecas vestidas de cupcakes.
Ouvi a voz de Snoop Dog nos altos falantes, então, para minha surpresa, surgiram dois caras, pouco mais altos que eu, porém bem mais malhados, sem camisa e cada um se colocou do lado dela, dançando juntos. De repente, os caras a imprensaram no meio, enquanto as mãos dos dois brutamontes percorriam por aquele corpo que eu queria que fosse apenas meu.
O cara da frente deu um beijo em seu pescoço, enquanto o outro descia as mãos pelo quadril dela. De repente ela virou para a platéia novamente, empurrou os dois para o lado e voltou a dançar sozinha.
Os caras foram mais pra trás e todas as dançarinas da boate entraram, fazendo suas próprias coreografias, juntamente com os dois malhados e Party Girl voltou a se divertir com seu “poste”.
A música acabou e ela exibia um sorriso de quem se divertia, eu encarei aquele sorriso, ainda afetado pela participação dos caras e logo depois a boate parecia uma escuridão só, tocando uma música eletro qualquer, até que todos se retirassem do palco e as atrações de sempre, as dançarinas de sempre continuassem seu showzinho, que não era nada comparado ao que aquela garota maldita e perfeita fazia todas as noites.
Respirei fundo, paguei minha bebida e segui para a porta onde eu sabia que podia encontrá-la. A multidão parecia ter se inspirado na apresentação de Party Girl, havia muita gente agarrada, dançando estranhamente no meio do caminho. Com dificuldade eu consegui alcançar a salinha do camarim dela e abri a porta, sem nem ao menos dar uma batida, para saber se eu podia entrar.
Entrei no lugar e fechei a porta atrás de mim, vendo-a virar um copinho que imaginei ser tequila. Me aproximei, chegando ao lado dela.
- Impressionante a sua apresentação de hoje! – Exclamei ainda um pouco afetado com a dança sensual com os grandalhões. – Aqueles caras pareciam bem à vontade, você também e...
Senti sua mão em minha nuca e de repente os lábios dela estavam grudados aos meus, sedentamente. Ela parecia ensandecida, maluca por aquele beijo. A forma como sua boca exigia o contorno da minha, puxando meus lábios, fazendo-os latejar, era torturosamente bom. Party Girl separou seus lábios dos meus e deu um sorriso pervertido.
- Nossa! – Deixei escapar, vendo-a me deixar de lado e mexer em algo na mesa.
- Sal só gruda quando a superfície está úmida... – Ela comentou aleatoriamente, me deixando sem entender. Assisti ela lamber o dedo indicador e esticá-lo para uma vasilha pequena e de vidro, com o que entendi ser sal. A mulher se virou para mim e passou os dedos carinhosamente sobre meus lábios. – Um minuto! – Ela riu sozinha, e se virou para a mesa colocando mais tequila no pequeno copo. Encarou-me maliciosamente e então sugou meu lábio inferior, em seguida lambeu o superior, me fazendo soltar o ar pesadamente, então ela pegou o copo e virou, em seguida pegou um quarto de limão, que estava sobre a mesa e chupou. A garota tentação que estava em minha frente fez uma careta e depois gargalhou, levemente alterada.
- Se você se embebedar, não vamos poder aproveitar a noite! – Eu adverti, puxando sua cintura para mim, em seguida sentindo seus braços passarem por meu pescoço.
- Já parei por aqui. Só quero deixar as coisas mais interessantes essa noite! – Seus lábios se moldaram novamente em um sorriso insano, aproximando perigosamente seus lábios dos meus.
- Interessante como? – Eu a encarei, sorrindo maliciosamente para ela.
- Você vai ver... – Ela piscou e saiu de perto, pegando seu sobretudo que estava sobre a cadeira da penteadeira. – Vamos! – Começou a colocar o casaco preto comprido sobre o corpo desnudo.
- Para onde? – Arqueei a sobrancelha.
- Você vai ver! – Ela pegou minha mão e saiu me guiando para fora do camarim.
Saímos pelos fundos da boate e tomamos um táxi. O motorista parou no endereço dado por ela. Era um edifício, um hotel, pra ser mais preciso. Era enorme, o letreiro dourado era bem conhecido hotel”. Ela saiu do táxi e eu paguei a corrida, seguindo-a, quando ela já estava na porta do hotel.
- O que você pensa que vai fazer? – Eu segurei seu braço antes que ela pudesse entrar.
- Eu já fiz isso antes, ok? – Ela disse séria. – Fique aqui, vou ver se a barra está limpa! – E saiu rindo, saltitando em direção ao hall do hotel. Eu a observei entrar e olhar em volta. Um guarda veio em direção à ela e a abordou, então ela ficou de costas pra mim e começou a conversar com ele, gesticulando bastante, depois ela voltou para fora, correndo em minha direção.
- O que você tá fazendo, pelo amor de Deus? – Eu disse preocupado. Hoje ela parecia estar mesmo maluca. – Não temos dinheiro pra entrar nesse hotel, sabia? – Encarei-a sério.
- Pára de ser chato! – Ela riu. – Já disse que já fiz isso antes! – Segurou minha mão enquanto olhava para o hall do hotel. O guarda tinha sumido e a recepcionista olhava para o outro lado, quando ela agarrou minha mão, me puxando até a entrada de escadas.
- Você está invadindo o prédio? – Exclamei. – Você é louca? Vamos ser presos! – Segurei sua mão, fazendo-a parar.
- Devia ter te dado um pouco de tequila! – Ela resmungou. – Você pode ir embora então! Eu subo sozinha! – Deu os ombros. – Eu não preciso de você e nem do sexo com você pra me divertir sozinha! – E saiu andando escadas acima novamente. Bufei irritado comigo mesmo por ser tão manipulado por ela, então sai correndo pelas escadas para alcançá-la.
- Onde você pretende ir? – Perguntei emburrado.
- Ah! Você resolveu vir? Ou ficou com medo do seu amigo cair? – Ela gargalhou. Eu já estava transbordando raiva. Meu sangue fervia de várias formas diferentes. Quando percebi eu já tinha a empurrado para a grade da escada e segurava sua mandíbula com força, cerrando os dentes.
- Olha aqui, você está pensando que eu sou algum brinquedinho de mulher? – Meus olhos queimavam e estavam cerrados, encarando a expressão divertida dela.
- Não! – Ela soprou e eu soltei seu rosto. Sua mão passeou perigosamente por minha cintura, eu apenas senti sua mão adentrar minha calça e apertar meu membro levemente, sussurrando:
- Você é meu brinquedinho! – E tirou a mão de dentro da calça, sabendo que tinha me pegado de surpresa. – Vamos. Temos que chegar até o terraço! – Então voltou a subir as escadas rapidamente, me deixando para trás, ainda com o ar preso nos pulmões. Engoli em seco e voltei a me movimentar atrás dela, desconfortavelmente excitado.
Eram muitos andares até o terraço, já tínhamos subido 14 andares e eu estava exausto, excitado, irritado.
- Vamos pelo elevador, por favor! – Implorei, falando ofegante.
- Sério? – Ela me encarou.
- Se você quer alguma coisa de mim hoje, eu preciso pelo menos estar respirando pra isso! – Disse sério, apoiando as mãos em meus joelhos. Ela suspirou e assentiu, entrando no corredor pela porta que seria a de emergência do andar.
Caminhamos até ao lado que ficava o elevador e ela clicou no loby do último andar.
- Você primeiro! – Party Girl disse, esticando a mão para que o elevador não se fechasse. Eu entrei e ela veio em seguida.
A garota veio em minha direção e começou a me beijar nervosamente. Suas mãos passavam por meu pescoço e peito e sua língua lutava com a minha. Estiquei minhas mãos até seu bumbum e apertei a região, sentindo que ela erguia a perna para cima, encaixando mais nossos corpos.
Com sorte não seriamos pegos nas preliminares, dentro de um elevador, porque já era tarde da noite. Eu realmente esperava isso. Seria constrangedor por vários motivos.
Ouvi o barulho de que já tínhamos chegado ao último andar. Ela saiu andando de costas e me puxando junto, pela gola da camiseta.
- Espero que seja muito bom tudo isso! – Eu disse a ela, enquanto íamos novamente para a porta de emergência.
- Vai ser muito melhor! – Ela riu subindo uma última escada, que deveria ser em direção ao terraço.
Eu a segui, mas quando consegui chegar lá, ela já estava largando o sobretudo preto pelo caminho.
- Espero que não tenha me trazido aqui só pra ver Londres de cima do prédio! – Eu ri, vendo-a se aproximar da borda do prédio.
- Te trouxe aqui pra ver outra vista! Uma bem melhor! – Ela sorriu maliciosamente e em seguida mordeu meu lábio inferior. Começamos outro beijo sedento. Senti que ela não tinha mais as mãos em meu corpo. Ela interrompeu o beijo e tirou a parte de cima do biquíni rosa, erguendo-o para cima e largando-o no chão.
Eu a fitei confuso e excitado ao mesmo tempo. Eu não fazia idéia do que ela queria fazer, mas estava interessante. Ela deu as costas para mim e começou a caminhar sensualmente em direção ao muro de proteção do prédio. Vi que a garota tentação se agachou e tirou as sandálias, deixando-as pelo caminho também. Ela subiu em cima de um degrau de cimento e tirou a parte de baixo do biquíni, a última parte vestida de seu corpo.
- O que...
Quando eu ia questioná-la, aquele sorriso perverso se formou e ela mais uma vez deu as costas para mim. A mulher subiu em uma superfície mais alta, até conseguir alcançar sem esforço algum a mureta do prédio, se equilibrando na beirada.
- Sai daí, sua maluca! Você vai cair! – Eu disse assustado. Meu coração estava batendo mais acelerado do que jamais esteve.
- Vou desfilar só pra você, ... – Ela riu, começando a caminhar nua e calmamente pela mureta, como se tivesse caminhando em um lugar qualquer e não num espaço minúsculo, que se ela se desequilibrasse, cairia e morreria.
- Não me faça ir até ai te buscar, garota! – Eu disse irritado e preocupado. A sensação era horrível. Eu até conseguia vê-la se desequilibrando e caindo daquele edifício.
- Vai ter que vir me buscar, ! – Ela gargalhou. – Ou você tem medinho de altura? – Suas mãos posaram sobre a cintura, fazendo uma cara desafiadora.
- Eu... – Engoli seco. Eu morria de medo de altura. Estava suando frio só de olhar para ela lá na beirada, eu conseguiria vomitar meu fígado se me aproximasse. Eu não queria, eu estava agoniado só de pensar, mas a garota estava maluca, bêbada, talvez, ou talvez só fosse mesmo perversa. De qualquer forma, eu tinha que ir até lá antes que ela fizesse alguma besteira e caísse.
Aproximei-me dela e vi que ela se jogava em minha direção. Ao menos eu conseguira apanhá-la a tempo. Ela apertou as pernas em volta de minha cintura e acabei pendendo em direção a mureta, fazendo-a bater as costas na beirada. Vi sua expressão de dor, mas quando eu ia pedir desculpa, ela me beijou.
Toda aquela loucura tinha me possuído naquele momento. Minhas veias pulsavam forte em meu corpo. Meu membro estava se manifestando novamente. Apertei a cintura dela outra vez enquanto ela tentava empurrar meu blazer para trás. Deixei que ela se livrasse da peça e aproveitei para eu mesmo tirar a camiseta.
Ela passou as unhas sobre meu peito, arranhando-me incentivadoramente, enquanto nossas línguas brincavam uma com a outra.
Empurrei seu quadril um pouco para longe do meu, segurando com uma das mãos sua virilha. Eu sentia sua respiração pesada bater em meu rosto.
- Dê-me alguma coisa, ! – Ela suspirou, apoiando as mãos na mureta e fechando os olhos enquanto jogava a cabeça para trás. – Dê-me tudo o que você pode! – Ela gritou.
Desci minha boca para seu pescoço, descendo aos poucos com beijos languidos e chupões, em direção ao seu colo. Aproximei meu dedão de sua intimidade, sentindo que sua respiração começava a falhar.
- Você quer isso, é? – falei baixinho contra a pele de seu colo. Passei levemente o dedão sobre seu clitóris, sentindo o corpo dela se arrepiar de baixo do meu. – Me diga... Party Girl... É isso que você quer? – insisti, descendo novamente o dedão levemente por sua intimidade, olhando-a morder o lábio inferior, sem me responder. Apertei seu clitóris, escorregando o dedo pela intimidade que já estava úmida, em movimentos circulares. – Diga-me! – Falei mais alto.
- Sim! – Ela gemeu alto, engolindo a saliva.
Continuei meus movimentos circulares sobre a intimidade dela, enquanto voltava minha atenção aos seus seios. Desci a boca pelo mamilo direito dela, lambendo circularmente a aureola, em seguida abocanhando-o e sugando-o. Senti uma de suas mãos passarem para meu cabelo, enquanto ela gemia meu nome audivelmente.
Meu membro estava pulsante, o corpo dela eletrizado. Enfraqueci meus movimentos em sua intimidade, ouvindo grunhidos de reclamação. Afastei meu corpo do dela, deixando-a no chão, encostada na mureta, enquanto eu abria minha calça e descia minha boxer.
- Eu preciso! – Ela gemeu baixinho, arranhando meu braço. Senti meu corpo estremecer. Peguei a camisinha que tinha deixado no bolso de trás da calça e rasguei com a boca. Coloquei o preservativo e a puxei para cima, penetrando-a de uma vez só. Seus olhos se arregalaram em surpresa e ela gritou prazerosamente em meu ouvido.
Apoiei seu corpo na mureta, investindo igualmente das outras vezes, tirando-me de dentro dela e estocando novamente, sentindo minhas veias queimarem e meu corpo suar frio. Ela dizia coisas incoerentes em meu ouvido, enquanto eu falava algumas sacanagens para ela. Senti as unhas delas se cravarem em minhas costas, avisando o que estava por vir. Tirei uma das mãos da cintura dela por um instante e desci até sua intimidade, pressionado o clitóris e estocando mais duas vezes, até sentir seu corpo estremecer debaixo do meu e então em seguida deixei que eu gozasse também.
Eu queria desabar, mas não poderia. Esperei um pouco, até que a falta de ar fosse menor e a abracei, involuntariamente distribuindo beijos por seu ombro, enquanto sentia sua mão acariciar minhas costas.
Encarei a cidade lá embaixo e de repente a altura não parecia me incomodar como antes. Parecia ser muito boa e confortável.
Tirei-me de dentro dela e me afastei, tirando a camisinha e colocando-a na mureta.
Ela me deu um sorriso satisfeito, enquanto eu puxava minha boxer para cima e fechava minha calça novamente.
Party Girl deu as costas para mim, pegando a parte de baixo de seu biquine no chão, então me atentei para um desenho logo a baixo de sua bunda.
- Ei, não desvira! – Eu falei e me aproximei dela, segurando em sua cintura.
- O que?
- Relaxa. Não sou do tipo de cara que curte esse tipo de sexo! – Eu ri ao perceber o nervosismo na voz dela. Aproximei-me e passei o dedo sobre o desenho, percebendo que era uma pequena estrela.
- Não sabia o que fazer, nem onde. Mas ai resolvi fazer uma estrelinha aí! – Ela riu fraco.
- Eu gostei – Eu ri e depositei um beijo em seu pescoço. – É bem sexy!
- Obrigada! – Eu a ouvi sorrir.
- Hm, acho que fomos longe demais essa noite! – Disse ainda com as mãos em sua cintura. – Parece que você saiu lesionada! – Apertei os lábios, passando levemente o dedo em cima de um esfolado em sua coluna lombar. Ela se remexeu, deixando escapar uma expressão de dor.
- Tudo bem. – Ela gargalhou em seguida, passando a mão em minha nuca. – Valeu à pena! – E se virou, dando-me um beijo calmo, pela primeira vez naquela noite.
Deixei que ela se vestisse, e então peguei em sua mão, puxando-a de volta para o último andar. Pegamos o elevador como entramos e saímos do prédio tranquilamente, como se tivéssemos hospedados ali e nada de mais tivesse acontecido naquela noite. Embora tudo de mais tivesse acontecido.
Dei um último beijo nela antes de deixá-la tomar um táxi e sumir novamente. Por mais louco que tudo tenha sido, eu me sentia incrível. Ela me fazia incrível, porque ela era muito mais que uma dançarina gostosa. Ela tinha se tornado uma espécie de heroína.
A mulher mascarada, que parecia ter roubado minha alma, meu coração e minha mente.
Eu só esperava por mais, muito mais noites com a garota insana que tinha uma tatuagem de estrela abaixo da bunda.
Ela era demais, ela era como rock’n’roll, ela era um sonho, ela era a Party Girl. Minha Party Girl.

Capitulo 9
()
Aquelas últimas semanas tinham sido as melhores de toda a minha vida. Eu me sentia tão bem quando era Party Girl, quando era meu e nos envolvíamos em uma bolha, onde éramos apenas nós em nosso mundinho de luxúria.
Duas semanas após o episódio do prédio e nos víamos um dia sim e outro não. Nessa semana eu provavelmente não o veria, porque era minha folga da boate, afinal, até mesmo Party Girl’s precisavam de um descanso.
Durante essas semanas eu o tinha como meu amante, mas não tinha o meu amigo. Ele veio até mim pedir desculpas no dia seguinte à briga, mas não adiantou muito, porque cada palavra que ele dizia, só me fazia odiá-lo mais.
[Flashback on]
- , podemos conversar? – Eu estava limpando o balcão e o ouvi dizer, assim que chegou. Respirei fundo e assenti. Ele me puxou até o bebedouro e fitou o chão, como se estivesse envergonhado. – Sobre ontem... – Ele puxou um copo de plástico do suporte e ficou brincando com a borda - Desculpa! – Levantou o olhar e me encarou.
- ...
- Olha, esquece aquilo, por favor! – Ele sorriu calmamente. – Aquela briga foi uma besteira. Eu... sei lá. Eu já esqueci, você precisa esquecer também.
- Tudo bem, eu...
- Eu já te perdoei por aquilo. É claro que você não vai mais sair com esse cara e tal, porque você sabe que não é desse tipo de garota e...
- Como é que é? – Eu disse alto, o interrompendo. – Você me perdoou? – dei um riso sarcástico. – Perdoou-me pelo quê?
- Por você ter agido como uma...
- Você só pode mesmo estar louco, ! – Disse, zangada. Quem ele pensava que era? – Eu não preciso ser perdoada, porque não fiz nada que precise de perdão e, também, não te devo satisfações pra terminar com seja lá o cara que eu to saindo. – Ergui o dedo em direção a ele.
- Eu venho aqui, com toda a boa vontade do mundo, conversar com você e você é toda grossa? – falou indignado. – Quem é você, ?
- Uma prostituta, quem sabe, ? – Respondi sentindo meu rosto queimar de irritação. – Não é isso que você acha que eu sou? Uma prostituta? Uma vagabunda que sai dando pra todo mundo? – Balancei a cabeça negativamente, tentando me acalmar.
Ele não respondeu nada, mas também não tinha nada pra ser dito. Aquilo estava se tornando patético.
[Flashback off]
De dia eu o odiava, de noite eu o amava mais do que qualquer coisa existente na face da terra.
***
Cada vez que eu, como Party Girl, encontrava , ele me pedia um numero de telefone que ele pudesse me ligar. Ele queria poder me ligar a qualquer hora, caso não pudesse ir até a boate, então tive que ir atrás de um celular que não fosse o meu próprio, pra poder dar a ele, e só assim ele parou de me encher o saco depois do sexo.
Fazia dois dias que eu não o via. Da última vez, ele tinha me levado a um motel. E foi engraçado, porque eu nunca tinha ido a um motel, era como se você marcasse pra transar e isso soava engraçado, mas experimentar lugares diferentes era divertido; e experimentar o desejo mútuo era melhor ainda, porque ele parecia aumentar mais e mais a cada encontro.
[Flashback on]
Ele apareceu com um carro desconhecido, era um carro antigo, o qual eu não sabia o nome, era preto e até bonitinho. Arrastou-me do camarim até o veículo, que estava no beco da saída dos fundos da boate.
- Ei, onde vamos? – Perguntei curiosa, o fitando ligar o carro.
- To cansado de lugares desconfortáveis. Vou te levar a um motel! – Ele falou com uma careta e eu comecei a gargalhar escandalosamente.
- Aproveita pra rir, porque depois que você tiver dentro daquele quarto comigo, não vai ter tempo pra mais nada! – Ele arqueou a sobrancelha e disse com um sorriso malicioso, que fez um arrepio percorrer por toda a extensão de minhas costas.
Ele dirigiu em torno de vinte minutos, em direção à zona leste de Londres, até parar em um letreiro de neon, que piscava freneticamente, me fazendo sentir um pouco tonta.
Ir a um motel pela primeira vez, mascarada e com o cara que eu mais desejei em toda vida parecia uma experiência excitante e curiosa. Fazia com que eu me sentisse empolgada e ansiosa para ver tudo de perto, saber como tudo funciona, mas não como uma dançarina super desejada, e sim como uma criança curiosa, porque no fundo eu realmente era isto.
parou na guarita, o cara pediu a identidade dele, revisou rapidamente, entregou a chave do quarto que fora pedido e permitiu a entrada. Não pediu nenhum documento meu – Graças a Deus! – porque se não eu estava muito ferrada.
Ele entrou e tinha um pátio longo, com vários carros estacionados por ali. Mais ao fundo, tinha um prédio de três andares, com iluminação fraca do lado de fora e vários quartinhos, o que eu julguei serem os apartamentos.
Saímos do carro e apareceu ao meu lado, segurando minha mão firmemente e me levando até as escadarias, onde subimos até o terceiro andar, no último apartamento. O lugar era enorme por dentro e um tanto peculiar. Em partes era como eu imaginava, em outras não.
Onde estava a cama redonda que gira ao acionarmos por um controle remoto? Não. Não estava ali. No lugar, havia uma cama enorme, king size, coberta por um lençol de seda preta, travesseiros fofos e de capa branca. A cada lado havia um criado mudo, com três gavetas cada. Estava curiosa pra saber o que tinha lá dentro, mas eu esperava que em alguma delas tivesse um estoque de camisinhas de todas as cores e modelos possíveis.
- Temos banheira com sais e hidromassagem, piscina, geléias, fantasias, música, iluminação controlável, cremes afrodisíacos e bebida no frigobar. Você quer escolher por onde começar ou eu vou ter que fazer isso por você? – disse firmemente. Em seus olhos havia apenas luxúria. Um tipo de desejo que eu não tinha visto por ali até hoje e aquilo sinceramente me irritava, porque cada vez ele se superava mais, eu estava sempre pensando: Ei, desde quando você fervilha desse modo? – Era insano!
Dei um sorrisinho pervertido e me enrosquei nele, iniciando todo aquele momento particular nosso. Sinceramente, eu não lembraria a ordem em que tudo aconteceu. Só sei que experimentamos tudo o que estava disponível naquele quarto, treinamos algumas posições diferentes e usamos a piscina para relaxar um pouco. Eu incrivelmente descobri que sexo na água me deixava relaxada, embora o vai e vem me deixasse com uma estranha sensação de estar em um navio.
Quando saímos do motel, eu tinha uma nota mental de repetir aquilo quando fosse possível, porque tinha sido bom demais.

[Flashback off]

- Ei, , tá tudo bem com você? – sentou-se ao meu lado, falando baixo, devido às pessoas que estavam na biblioteca. Aqueles momentos juntos de e sua ignorância podiam ser perturbadores, mas o olhar preocupado de , as mínimas rugas que se formavam em sua testa me confortavam, porque ele realmente se importava. Ele me dava conselhos e ainda me dava um sorriso tão intenso que me causava uma boa sensação calorosa. E, ah, podia ser tudo, mas ainda era dono do melhor abraço do mundo. O abraço de um irmão – do coração.
- Um pouco irritada, mas estou ótima, ! – Dei um sorriso torto, o que não ajudou a convencê-lo.
- , tem algo errado com você e eu sei, eu sinto isso, eu posso ver nos seus olhos que tem algo de errado e isso, essa coisa que você não nos conta, está destruindo a sua amizade com o . – Aqueles malditos enormes e severos olhos de pareciam me acertar em cheio, exigindo a verdade, exigindo que eu me abrisse por mais complicada que fosse a história, mas eu não podia contar, eu não iria contar.
- Não é nada, . – Balancei a cabeça negativamente. – Eu não estou escondendo nada de vocês. É só o que está paranóico, falando porcaria porque tá saindo com uma maluca sexual! – Dei os ombros. Quando eu me referia assim à Party Girl, dentro de mim acontecia uma espécie de cócegas, que fazia meu corpo todo rir discretamente, porque era de mim mesma que eu estava falando assim.
- Tem certeza? – Ele insistiu, mas eu não iria ceder assim tão fácil.
- Tenho! – Sorri com a preocupação dele e dei um beijo em sua bochecha, voltando a rabiscar um bloco em branco que tinha em cima da mesa.
Eu e tínhamos um segredo juntos. Segredo esse que somente conhecia. Pra ele era motivo de preocupação, pra mim durante um bom tempo foi uma carga mais pesada do que eu podia agüentar, a culpa me consumia aos poucos devido àquilo, mas depois de um tempo eu entendi que não era nada tão horrível que pudesse afetar a minha vida, ainda hoje tenho vestígios desse segredo, mas que aos poucos parecia sumir diante daquele que era e seria pra sempre o maior segredo de minha vida – ser a Party Girl.
Senti uma vibração no bolso de trás da calça e peguei o celular que tinha comprado para falar com . Olhei em volta e não o vi. estava atendendo um grupo de meninas adolescentes que mais estavam preocupadas com ele do que com os livros, então fui para fora atender a ligação.
- Oi?
- Party Girl? – A voz dele estava entediada.
- Oi, ! – Sorri involuntariamente. Entenda: se apaixonar por alguém é perda de tempo e causa palpitações, feições retardadas e suspiros repentinos.
- Estou aqui na biblioteca, entediado! – Ele deu uma risadinha. – Resolvi te ligar, porque basicamente ainda estou brigado com a e o anda meio aborrecido comigo por causa disso, embora tente disfarçar. – Eu podia ver as caretas que ele fazia só pelo tom da voz. As pequenas rugas que se formavam do lado dos olhos e da boca, que se torcia em aborrecimento.
- Que pena!
- Tá ocupada?
- Hm, não exatamente, por quê? – Sentei-me na mureta e encostei as costas no pilar de mármore.
- Nada! É que eu queria te ver...
- Mas você sabe que eu não posso, , você sabe que eu estou de folga da boate esta semana e então não podemos nos ver! – Suspirei inquieta. Eu também queria vê-lo. Bem, não exatamente vê-lo fisicamente, por que eu o via assim todos os dias. Mas a forma que eu o via quando estava como Party Girl era diferente. Era como se uma áurea flutuasse em volta dele, onde eu podia ver todos os seus sentimentos.
- É, eu sei, mas não deixei de querer te ver por causa disso!
- Acontece que eu tenho uma vida além da boate, além de você, então eu preciso de uma folguinha, sem contar que eu também sou uma mulher e recebo uma visitinha indesejável uma vez por mês! – Comecei a encarar minhas unhas, sabendo que eu tinha que impor essa autoridade sobre ele, mas isso não me fazia ficar mais feliz por ter que dispensá-lo.
- Visitinha? Você... Hm... Recebe outros caras? falou e eu comecei a rir. Sabia que neste momento por mais ingênua que sua voz parecesse, sua feição era de um pit Bull raivoso. Ele devia estar soltando fogo pelas narinas só de imaginar que Party Girl pudesse sair com outros caras.
- Não, , a visitinha que eu disse era a menstruação. – Balancei a cabeça negativamente, ainda rindo. – Já te disse que você foi o único dos caras que eu conheci na boate e eu me relacionei.
- Ah...
Virei-me em direção a porta do museu e vi parado ao meu lado, com uma cara séria e eu sabia que ele tinha ouvido algo, provavelmente o nome de . Então agora eu podia deduzir que estava muito ferrada.
- Eu tenho que desligar, mais tarde eu te ligo, ok? – Disse, fitando , provavelmente com os olhos esbugalhados. Ele entrou a passos largos na biblioteca e eu respirei fundo, levemente desesperada.
- Tudo bem. Até mais!
- Tchau... – Sussurrei.
Fechei os olhos e bati a nuca no pilar algumas vezes, não acreditando na confusão que viria a seguir.
Caminhei para dentro da biblioteca e não vi no andar de baixo, mas subi os olhos e o vi conversando com na escadaria. Ele assentiu para algo que dizia sorridentemente e terminou de subir as escadas, enquanto o outro descia.
Achei melhor não ir atrás dele. Se não havia descido as escadas furioso para me estapear era por que ele não desconfiava de nada, ou por que ele não iria falar nada. Qualquer uma das duas opções estava ótima para mim.
Durante o dia todo ficou aquele clima esquisito. Eu e não estávamos nos falando e, agora, me olhava como se avaliasse cada movimento meu. Os olhos dele ficavam semicerrados sobre mim, como uma águia, não perdia nada.
No final do dia, arrumamos as coisas nos lugares e deixamos o local livre para os zeladores fazerem a limpeza de tudo. foi embora apressadamente, provavelmente tentando não ter que dividir o caminho comigo, então eu e ficamos para trás.
- Precisamos conversar! – Ele disse me puxando pelo braço, encarando-me nos olhos. – Você tem que me explicar o que eu ouvi hoje, e espero que não invente mais mentiras, ! – me soltou e cruzou os braços na frente do peito, autoritário.
- O que você acha que ouviu? – Suspirei, falando cautelosamente. Eu falaria exatamente o necessário, então tinha que saber o quanto ele tinha descoberto.
- Quando eu sai pra te chamar pra me ajudar a achar um livro, ouvi você falar “”. – Ele começou, estava trêmulo. – Podia ser qualquer e foi exatamente o que eu pensei, mas você não falaria daquela forma com outro no mundo e eu mais do que ninguém sei disso...
- Prossiga!
- Quando eu cheguei lá dentro, fui falar com o nosso e ele estava sorridente. Nós dois sabemos que ele só fica assim quando fala com ela. – A forma como ele falava “ela” parecia que estava falando de alguém que não podia ser mencionado, soava um tanto aversivo. – Perguntei a ele com quem ele estava falando e ele me disse que estava falando com a Party Girl.
- ...
- Por favor, , não minta pra mim! – fechou os olhos, buscando uma forma de se acalmar. Ele parecia magoado com a omissão. – Eu peguei o telefone dela no celular do , não me faça provar que você é uma mentirosa, diga-me você mesma, por favor! – Ele apertava os punhos do lado dos braços.
- Eu... – Hesitei. Eu não sabia no que daria tudo aquilo. Meu coração estava dolorido e acelerado. Era uma espécie de medo interno. Medo de ser descoberta por , mas, lá no fundo, eu sabia que eu podia confiar em , então resolvi que contar a verdade era o melhor no momento. - Ok. Eu sou ela. Eu sou a Party Girl, ! – Engoli seco, esperando que ele estourasse.
- Meu Deus... – Ele sussurrou e deu as costas a mim.
- !
- Tem noção da loucura que você está fazendo, ? – Ele gritou, passando as mãos pelos cabelos, aflito, agitado.
- A intenção nunca foi fazê-lo se apaixonar por ela. Eu não tinha intenção de que vocês fossem algum dia naquela boate e a vissem! – Senti meus olhos arderem e logo as lágrimas estavam escorrendo livremente pelo meu rosto. Acho que o medo maior era de decepcionar . De que ele sentisse nojo de mim.
- Mesmo assim. Meu Deus! – Eu me sentei na mureta, colocando as mãos sobre o rosto. – E se ele descobre, ! E... E por que disso? Por que dançar lá? – se agachou em minha frente e colocou as mãos sobre meus joelhos.
- Eu não sei... Deu-me vontade. Eu gosto de dançar. Eu me sinto livre, me sinto bonita, me sinto desejada e...
- , você sabe que não precisa disso. Só precisava voltar a se vestir como antigamente! – Ele dizia sério, um tanto severo.
- Não, ! – Gritei. – Ele não me acharia bonita, ele não me desejaria... – Limpei as lágrimas, embora mais e mais escorressem. – Estou tão feliz com ele ao meu lado. Ele me trata tão bem, me faz sentir uma rainha, a mulher mais bonita do mundo. – Segurei o rosto de , olhando em seus olhos.
- Ah, ! – Ele suspirou derrotado. – Você nem chegou a tentar conquistá-lo como você mesma, você nem fez um esforço...
- Eu venho tentando desde que eu apareci nas vidas de vocês! – Protestei.
- Não. Você não tentou o suficiente. Depois daquilo que aconteceu, você mudou, se trancou dentro dessas roupas que parecem ter sido roubadas do meu guarda roupas e não tentou mais! – Ele apontou o dedo para minha face, como um pai que estava irritado. – Porra! Você acha que isso vai mudar algo? Acha que se fantasiar vai fazê-lo amar a de verdade?
- Não, mas faz ele amar um eu meu que fica escondido. – Mordi o lábio inferior, envergonhada, talvez.
- E quando você tiver que acabar com essa farsa? – se levantou e sentou ao meu lado, segurando meu rosto entre as mãos. – O que vai fazer nesse dia? Vai contar a ele ou vai inventar outra fantasia para seduzi-lo? – Odiava a forma como ele fazia com que eu levasse a razão em primeiro lugar.
- Eu não sei... – Sussurrei e o abracei.
Meu melhor amigo me apertou forte perto dele. De todas as coisas confusas que rodeavam minha cabeça, a única que eu tinha total certeza era que se você faz uma amizade ser verdadeira, ela dura para sempre. Com eu me sentia protegida como não me sentia com ninguém, nem mesmo com . Ele era o irmão que eu tive a chance de escolher e sabia que era o certo.
Ficamos daquele jeito por não sei quanto tempo, chorei tudo o que eu tinha pra chorar, mas parecia que um peso enorme tinha sido tirado de minhas costas. Embora não tivesse contado sobre meu pai, eu já havia contado a parte mais difícil de esconder dele.
- Seja lá o que você fizer, eu vou estar aqui com você. – Ele beijou o topo de minha cabeça. Dizem que um beijo de um menino dado na testa é sinal de respeito e consideração e, vindo dele, valia muito. – Pelo menos vou estar aqui pra colocar um pouquinho de juízo nessa cabeça oca! – gargalhou daquela forma única e escandalosa.
- Obrigada, ! – Sorri limpando as lágrimas, sentindo as bolsas de baixo dos olhos inchadas. – Amo você!
- Também amo você, ! – bagunçou meus cabelos de uma forma infantil e então pegou minha mão, se levantando e me puxando com ele. – Vamos comer uma pizza pra eu rir de como eu sei de todos os detalhes sórdidos do que você faz com o !
- Ah, não fale isso. Me dá arrepios só de pensar que agora toda vez que ele te contar algo, você vai saber que sou eu! – Escondi o rosto em sem ombro e ele riu de mim.
- Não se preocupe. Ele só faz parecer que foi comigo com tantos detalhes! – Eu o esmurrei e ele não parava de rir. – Brincadeira!
Os dias são difíceis para quem têm muitos segredos, mas não tão ruins quando se têm amigos que lhe dão forças e encorajamento. Gostaria que isso durasse para sempre. Party Girls não eram eternas, mas aquilo que eu e tínhamos ultrapassava qualquer linha racional de sentimentos. Aquela amizade era como um amor, intenso, mas fraternal, bonita, quase infantil.
Um amigo é o melhor amor que uma menina pode ter na vida.

Capitulo 10

Música 1. Coloque pra carregar!
Música 2. Coloque pra carregar também!

A melhor coisa que aconteceu foi ter descoberto que eu era a Party Girl que tanto falava. Era divertido como ele ficava fazendo insinuações para o , o que o fazia ficar confuso. Sem contar que eu podia desabafar com alguém além da , que não estava muito bem para amores.
Às vezes eu me dava conta de que, nessa minha vida dupla, eu preferia ser uma das duas e estranhamente eu não preferia ser eu mesma, mas preferia ser a Party Girl. E começava a pensar que toda aquela loucura tinha sido a melhor idéia da minha vida.
Eu queria entender tudo isso, o problema é que quando você quer entender alguma coisa, na verdade você busca é uma solução, uma resposta, que ajude no seu próprio interesse.
Saí da biblioteca animada. Depois de tanto tempo sem sentir as mãos de em mim, eu simplesmente não conseguia controlar meus hormônios, que pareciam explodir em lugares indevidos. Cheguei em casa e tirei minha calça pelo caminho, deixando a bolsa e o moletom junto. Fui até meu closet e peguei a roupa que eu tinha pensado para apresentação de hoje.
O corpete preto era um tanto comum, já tinha usado várias vezes, juntamente com a cinta liga preta, os saltos. Mas a novidade era uma cartola e uma bengala preta, que tinha um falso diamante na ponta.
Terminei de me despir e fui tomar um longo e relaxante banho em minha banheira, com sais e muita espuma.
Acho que essa era a primeira vez que eu me arrumava sozinha para ir dançar, desde que começou toda a história de Party Girl e . sempre me ajudava a escolher os modelos, as músicas, arrumava meus cabelos... Ela era meu... Anjo? Bem, do capeta não era, por que só Deus poderia ter criado uma sensação tão boa quanto as que eu tinha com junto de mim. Mas anjo também não poderia ser. Não tinha inocência, nem nada disso.
Escovei e pranchei meus cabelos, de modo que ficassem bem lisos. Como eu iria usar cartola hoje, resolvi que tinta seria a melhor coisa a se fazer com meu rosto. Então pintei uma falsa máscara em meu rosto. Era algo bem simples, o contorno dos meus olhos eu fiz de branco com azul, de forma que ficassem com forma de olhos de gato, e em volta contornei com preto. Deixei que secasse, então passei um pouco de blush e um gloss, já que já tinha muita pintura.
Terminei de me vestir, então liguei para o motorista de táxi de sempre. Ele era discreto, nunca ninguém veio perturbar na porta do prédio procurando pela Party Girl, então acredito que ele nunca contou à ninguém que todas as noites me transportava. Eu havia pedido por discrição, e foi o que ele me deu.
Pelos fundos da boate, fui diretamente para meu camarim. Precisava relaxar uns minutos antes do show, tomar alguns drinks, e o melhor de tudo: Pisar em Ryan. Aquele cafetãozinho maldito!
- Boa noite, Party Girl! – Ele entrou com seu cinismo afiadíssimo. – Martini?
- Você já me viu bebendo outra coisa antes do show? – Respondi, fitando-o pelo espelho.
- Não. – Ele respondeu, rabugento.
- Então... Uma mente inteligente deduziria que eu vá querer um Martini! – Virei-me para ele, com a sobrancelha arqueada.
Vi Ryan abrir a boca umas duas vezes para tecer algum comentário, mas ele sabia que eu era intocável naquela boate. Se ele pisasse na bola comigo, eu poderia rapidamente acabar com o emprego dele. Ele era ridículo, mas não era tão idiota ao ponto de estragar com um emprego que era ótimo pras capacidades de alguém como ele.
- Ah, aproveita e diz pro DJ que eu vou precisar da música My Humps do Black Eyed Peas pra minha apresentação! – Sentei-me na cadeira giratória em frente ao espelho e comecei a mexer em meu rosto como se tivesse arrumando alguma coisa, quando na verdade era só uma forma de mostrar o quão insignificante ele era. Tão insignificante que nem me dava ao trabalho de olhar na cara suja dele.
Ryan saiu do camarim com a veia no meio da testa preste a estourar de tanto ódio, mas saiu calado.
Sozinha eu podia ouvir as batidas do meu coração, podia sentir minhas mãos suarem. Cada célula do meu corpo tremia de nervoso. Eu sempre ficava nervosa quando me apresentava. Ficava mais ainda quando ia me ver. Mas hoje era como se eu precisasse impressioná-lo novamente.
Ouvi a maçaneta da porta ser aberta tirando minha atenção das minhas preocupações. Pelo espelho vi que era . Mas que diabos ele estava fazendo ali? Virei-me enquanto ele vinha em minha direção com um sorriso mais do que animado nos lábios.
- Mas o que você... – Eu ia dizendo quando ele me agarrou pela cintura e grudou os lábios nos meus ferozmente.
Naquele momento minhas pernas haviam virado gelatina. Tão moles que eu até pensei que não as tinha mais. O gosto maravilhoso dele se misturava com o meu. Estava com tantas saudades daquelas mãos nervosas e grandes segurando minha cintura como se fosse tão pequena e delicada. Tomei coragem para terminar aquele beijo, antes que eu esquecesse a hora, e começasse a arrancar as roupa dele no mesmo momento.
- Você não podia estar aqui, garoto! – Disse, séria, tentando parecer autoritária como da primeira vez que nos vimos.
- Não agüentei esperar! – Ele deu um sorriso sapeca. Morri de vontade de apertá-lo e morder aquelas bochechas gostosas. Mas eu não podia.
- Da ultima vez que você entrou aqui e Ryan viu, eu tive que lidar com problemas com ele. Você não pode fazer o que quer aqui. Não é sua casa! – Falei firme o bastante para ele fixar na mente, e delicada o bastante pra que ele não ficasse assustado e nunca mais olhasse para minha cara.
- É por isso... – colocou uma das mãos em meu pescoço e roçou os lábios do outro lado do mesmo. – Que hoje eu vou levar você pro meu flat! – E depositou um beijo longo o bastante para que meu corpo todo se arrepiasse. – Vejo você na saída dos fundos da boate depois da apresentação! – Ele falou e saiu como se nada tivesse acontecido ali.
Ri sozinha depois que ele se foi, então tentei controlar minha respiração. Será que era possível um ser humano ficar mais nervoso do que eu estava naquele momento?
Dois segundos depois ouvi duas batidas na porta. Agora só podia ser Ryan.
- Avisou o DJ? – Perguntei pegando uma das três taças de Martini que ele sempre trazia para mim.
- Sim. – Respondeu seco.
- Que bom! – Respirei fundo e tornei todo o líquido da taça em minha boca, sentindo descer ardendo em minha garganta. Aparentemente a sensação me fazia bem.
Depois que Ryan se foi pela segunda vez na noite, fitei o relógio da parede e vi que faltavam 5 minutos para minha performance começar. Levantei-me, dei uma conferida em minhas roupas, ou talvez na falta delas. Passei gloss novamente e sai em direção ao palco, para esperar a minha deixa.
Como de costume, toda a boate se escureceu, e um dos técnicos de palco me ajudou a chegar até a entrada com uma lanterna na mão. Depois que ele foi embora, respirei bem fundo e esperei que as primeiras batidas começassem.
Caminhei até a ponta do palco com a maior sensualidade que eu pude, girando a bengala preta do lado de meu corpo.

Coloque a música 1 pra tocar

Whatcha gonna do with all that junk?
All that junk inside your trunk?
Imma get get get you drunk


Pousei o instrumento em minha frente, enquanto eu agachava um pouco, repetidas vezes, empinando minha bunda.

Get you luv drunk off my hump
My hump, My hump, My hump, My hump,
My hump, My hump, My hump, My hump
My lovely lady lumps. Check it out


Sentia todo meu corpo se mover involuntariamente. Era como se a música e eu fôssemos a mesma coisa. Meu rebolado estava solto. A bengala incrivelmente ajudava nos movimentos dos quadris.

I drive this dudes crazy,
I do this on the daily,
They treat me very nicely,
They buy me all these icys.


Alguns caras estavam bobos em minha frente, fiz alguns movimentos de street dance, como se meu tórax desse alguns soquinhos no ar.

Dolce and Gabbana
Fendi and then Donna


Acabei por largar meu novo brinquedinho de lado e resolvi que era hora de usar meu “poste” da sedução. Dei um giro em torno dele, com as pernas encaixadas

Caring, maybe sharing
All their money got me wearin'
Flight, but I ain't asking


Desci e resolvi que era hora de brincar um pouco com os caras que estavam mais por perto. Tentei não buscar em minha visão, mas ele sempre ficava em lugares que pudesse ser notado, nos espaços vazios, quase perto do bar.

And they say they love my ass and
Se7en Jeans, True Religion,
I say no, but they keep givin'
So I keep on taking
And no, I'm taking
We can keep on taking
And I keep on demonstrating


De lado, arrebitei a bunda, de modo que eu pudesse alisar meu corpo enquanto dançava.

My love, my love, my love, my love
You love my lady lumps,
my hump, my hump, my hump,
my humps have got you,
She's got me spending
(Oh) Spending all your money on me and spending time on me.
She's got me spending
(Oh) Spending all your money on me (oh) on me, on me


Dei uma rebrada nos quadris e brinquei olhando na direção de , apontando meus dedos para ele. É claro que todos os homens achavam que eu estava apontando para cada um deles. Mas realmente sabia que era só para ele.

Whatcha gonna do with all that junk?
All that junk inside your trunk?
Imma get get get you drunk
Get you luv drunk off my hump
Whatcha gonna do with all that ass?
All that ass inside that jeans?
Imma make make make you scream, make you scream, make you scream!
'Cause of my hump, my hump, my hump
My hump, my hump, my hump, my hump, my lovely lady lumps
Check it out!


Mais uma vez, achei melhor brincar de voar e requebrar no “poste”. E me lancei para cima do metal cintilante.

I met a girl down in the disco
She said hey, hey, hey, let's go!
I could be your baby, you could be my honey
Let's spend time not money
I'll mix your milk with my coco puff
Milky, milky, coco,
Mix your milk with my coco puff, milky, milky right


Deitei-me no chão, acariciando todo meu corpo. E parecia que a temperatura da boate toda tinha aumentado. Senti meu corpo começar a suar e reclamar para estar perto de . Queria logo terminar aquela dança e trocar as minhas mãos pelas dele.

They say I'm really sexy
The boys want to sex me
They always stand next to me
Always dancing next to me
Trying to feel my hump, hump
Looking at my lump, lump
You can look but you can't touch,
If you touch, Imma do some drama,
You don't want no drama
No no drama, no, no, no drama
So don't pull on my hand boy
You ain't my man, boy
I'm just trying to dance, boy
And move my hump.
My hump (x10)
My lovely lady lumps (x3)
In the back and in the front
My love have got you
She's got me spending
(Oh) Spending all your money on me and time on me
She's got me spending
(Oh) Spending all your money on me (oh) on me, on me
Whatcha gonna do with all that junk?
All that junk inside your trunk?
Imma get get get you drunk
Get you luv drunk off my hump
Whatcha gonna do with all that ass?
All that ass inside that jeans?
Imma make, make, make, make you scream
Make you scream, make you scream!
Whatcha gonna do with all that junk?
All that junk inside your trunk?
Imma get get get you drunk
Get you luv drunk off this hump
Whatcha gonna do with all that breast?
All that breast inside that shirt?
Imma make, make, make, make you work
Make you work, make you work, make you work!
She's got me spending
(Oh) Spending all your money on me and time on me
She's got me spending
(Oh) Spending all your money on me (oh) on me, on me


Repeti os mesmos movimentos o resto da música, estava sem vontade de dar muito show. Terminei e sai o mais rápido que pude do palco. Mais uma vez o técnico de palco me ajudou a achar como voltar ao camarim, e com a velocidade máxima que pude, cheguei no meu canto tranqüilo para respirar e beber meus Martinis que restavam.
Olhei para o relógio e já faziam 10 minutos que a apresentação havia terminado. Coloquei meu sobretudo e me direcionei à saída dos fundos da boate. Meu coração parecia bombear vodka pura. A cada batida, parecia que o sangue passava rasgando no meu peito. Era o nervoso, a ansiedade que estava me consumindo diante da verdade que logo eu estaria novamente com ele. Aquele jogo de brincar de ser sensual pra pessoa que você ama, cada vez mais se tornava perigoso, mas cada vez que as coisas ficavam mais propensas à darem errado, mais eu queria continuar, mais eu queria desafiar o destino e a mim mesma para ver no que ia dar tudo aquilo.
Empurrei a porta da saída e lá estava ele, de costas, olhando a rua no fim do beco. Estava frio, havia uma fumaça que saia dos aquecedores da boate, e aparentemente ele estava fumando também.
Aproximei-me, chegando minha boca bem perto de seu ouvido.

- Não sabia que você fumava! - Sussurrei.
- Não fumo! - deu os ombros. - Me deu vontade de fumar hoje! - Eu o vi jogar o cigarro no chão e pisar em cima, em seguida ele se virou para mim e me empurrou lentamente até a parede, para em seguida me beijar de um modo interessante. Um modo que nunca tinha sido feito. Os beijos sempre variavam de delicados, ferozes. Mas dessa vez era uma mistura dos dois. Havia tanto desejo imposto naquilo.
quebrou nosso beijo, encostando nossas testas e ofegando. Senti seus dentes puxarem levemente meu lábio inferior e um mínimo sorriso surgir em seus lábios.
- Vamos? - Havia uma seriedade peculiar em seu rosto, mas eu ainda podia ver uma chama brilhar em seus olhos.
- Imaginei que você ficaria assim... - comentei, dando um risinho abafado, enquanto o seguia pela currutela.
- Assim? - Ele perguntou, fitando-me como se não entendesse do que eu estava falando. - Assim como?
- Assim... Irritado. - Eu ri e saí caminhando na frente dele.
- Ah, claro!
- Táxi! - Estendi a mão para rua, enquanto eu via um carro parar ao meu lado.
- E por que eu estaria irritado? - perguntou enquanto eu entrava no carro.
- Boa noite! - disse ao motorista, que apenas deu um aceno com a cabeça. - Acredito que pela escolha da música. Você deve ter prestado atenção demais na letra! - dei os ombros. disse o endereço ao motorista. Eu apenas me preocupei em ficar quieta.
- Pois é... Mas não tem quem não tenha prestado atenção em uma letra como aquela. É bem peculiar escolher uma música com a letra assim, pra quem trabalha numa boate, não? - A voz dele estava irritada, mas ele não estava gritando, o que era bom.
- E só por que eu trabalho numa boate e escolhi aquela música, quer dizer que eu vivo tudo o que ela diz? - Perguntei, ainda me divertindo com o rumo da conversa. Era deliciosamente palpável o ciúme que ele estava sentindo naquele momento.
- "Eles dizem que amam a minha bunda", "Os garotos querem fazer sexo comigo, eles sempre ficam perto de mim, eles dançam perto de mim". Hm, será que eu estou esquecendo mais alguma parte interessante dessa música? - me fitou.
- Está! - Sorri. - "Você pode olhar, mas você não pode tocar, Se você tocar, eu vou fazer um drama" e também tá esquecendo a parte que fala "Você não é meu homem, garoto. Eu só estou tentando dançar, garoto". - Dei uma piscadela. Era engraçado como eu me sentia tão poderosa quando estava vivendo a Party Girl. Era como se eu pudesse falar e fazer tudo o que eu quisesse, e o mundo fosse parar pra assentir.
ficou quieto o resto da corrida. Para ele eu era a poderosa Deusa do sexo, se ele pisasse na bola eu o chutava. Ainda bem que ele pensava assim, porque se ele fizesse a mínima idéia de como eu me derretia por dentro, tudo estaria perdido.

O táxi parou em frente ao prédio de . Por dentro eu estava rindo. Meu corpo ria, pois eu ia novamente entrar no flat dele, mas não era do mesmo jeito. Algo me dizia que dessa vez ia ser mais interessante.
Caminhamos em direção ao portãozinho do prédio. cumprimentou o porteiro, que me deu uma olhada estranha.
- Boa noite, senhor ! – O senhorzinho disse simpático. – Boa noite, senhorita!
- Boa noite! – Respondi, dando um sorriso fraco.
- Nossa! Como essa moça lembra a Senhorita ! – Ele disse inocente, enquanto meu coração gelava e meu corpo parecia ter virado pedra.
- Ah, o senhor acha? – deu uma risada nasalada. – É, lembra um pouquinho... É marrenta igual! – Ele pegou em minha mão e acenou para o homem que ainda me analizava. – Nossa! pior que você lembra mesmo a minha amiga ! – disse enquanto caminhávamos em direção ao elevador. Após dizer meu nome, o sorriso parecia ter sumido, como se ele estivesse se sentindo culpado ou algo do tipo.
As portas do elevador se fecharam atrás de nós e continuamos em silêncio. Havia tanta tensão entre nós. Dei uma olhada de canto para e ele estava com um sorriso largo, com a cabeça escorada na parede, como se os pensamentos em sua cabeça estivessem muito bons.
Assim que as portas se abriram para nós, ele esticou o braço, dando espaço para eu passar. Um tanto gentil, mas ainda com um sorriso pervertido.
- Pelo jeito você gostou de fazer travessuras em prédios! – Arqueei a sobrancelha para ele, enquanto andávamos lado a lado rumo ao apartamento 45.
- Dessa vez vai ser diferente. Pode apostar! – O olhar dele sobre mim fervilhava. – Você não vai acreditar quando vir! – Deu uma risadinha e colocou a chave na fechadura, girando-a em seguida. – Feche os olhos. É um flat, então logo você vai ver do que eu estou falando! – pediu, pouco antes de abrir a porta.
Senti suas mãos em minha cintura, enquanto seu corpo encostava levemente ao meu. Fui guiada calmamente pelo flat e logo ouvi o barulho da porta sendo encostada e trancada.
- Pode olhar! – Eu o ouvi dizer um pouco longe.
Abri meus olhos e não pude acreditar no que eu estava vendo. A primeira reação foi de surpresa, mas logo quis dar risada. Por que era simplesmente a surpresa mais esquisita do universo todo.
- Não acredito que você mandou colocar um mastro de pole dance no seu flat! – Dei uma risada divertida. – Tipo, bem na frente da sua cama?
- Essa semana eu fiquei pensando em como eu fico com vontade de subir no palco da Poison e te agarrar quando você começa a dançar com essa coisa metálica. Mas parece que não seria nada ético e que provavelmente eu seria preso. Então eu resolvi que seria muito bom se você dançasse aqui. Só. Para. Mim. – Ele respondeu, tirando o casaco e ficando apenas de camiseta regada.
Seus braços estavam descobertos, mostrando os desenhos naturais de seus bíceps. Ah, Deus, como aquele garoto era naturalmente desejável. Ele não precisava se esforçar muito pra ser extremamente gostoso e apetitoso.
Respirei fundo, sentindo meu corpo esquentar gradativamente. Aproximei-me de , com uma idéia fluindo em minha mente. Ele podia despertar o melhor e o pior de mim, era por isso que ele me completava.
- Tive uma idéia! – Sussurrei para ele, com um sorriso pervertido.
- Então conta qual é... – Ele sussurrou de volta, puxando-me pela cintura, fazendo com que um frio subisse sobre meu corpo todo. Um estado de êxtase com tanta proximidade.
- Prefiro fazer! – Retruquei, enquanto assistia ele desfazer o laço do sobretudo preto e puxá-lo de meus ombros pouco a pouco, até me expor completamente. – Tira os tênis e as meias, depois deita na cama! – Afastei seu corpo do meu, olhando-o por inteiro, em seguida dei as costas para ele, indo em direção ao notebook conectado à caixas de som, que tinha em cima de uma cômoda, ao lado da cama. Eu ouvia o som dos sapatos caindo no chão, enquanto eu procurava no youtube a música que eu estava querendo.
- Estou curioso...
- Já mato a sua curiosidade. – Dei uma risadinha, dando play e subindo em cima do estepe de concreto abaixo do mastro prateado. – E outras coisinhas mais... – arqueei a sobrancelha, começando a embalar meu corpo lentamente e sensualmente, enquanto a música tema de Pantera cor de rosa estourava nos alto-falantes.
- Aw! – Ele deu uma gemida satisfeita, fechando os olhos e sorrindo.
- Se você fechar os olhos, vai perder o show! – Disse, encostando-me no mastro de costas e rebolando lentamente, descendo e subindo.
abriu seus olhos, enquanto eu continuava a rebolar e me pendurar no mastro. Meu corpo todo estava ardendo em fogo. Um estalido na cabeça me fez lembrar da última vez em que estivemos juntos, e de como foi divertido meu Striptease. Comecei a puxar as cordinhas do espartilho e a cara de sofrimento de aumentava mais ainda.
Aos poucos eu fui me livrando das roupas, até que a música acabasse e eu estivesse nua, usando apenas os saltos altos.
- Agora é a minha deixa! – Ele falou, então rapidamente saiu da cama avançando em minha direção, puxando-me pela cintura para seu colo e caindo sobre mim novamente na cama.
- Ai! – Gemi, dando risada. Nervoso, ele calou minha boa antes que eu pudesse dizer alguma coisa, preenchendo-a com sua língua. Meu coração estava disparado e meu corpo todo estava arrepiado. – Liga o rádio! – Disse, empurrando sua boca para longe de mim.
- O quê? Pra quê? – Ele falou, confuso.
- Estou um tanto músical hoje! – ri, vendo-o sair de cima de mim e ligar uma rádio qualquer pela internet.
A música que estava tocando, eu nem prestei atenção. A única coisa que me interessava era as mãos dele passeado por todo meu corpo. Mas agora eu tinha que me livrar das roupas dele.
Passei minhas mãos na barra da camiseta regata, puxando-a para cima e jogando-a para trás. Deslizei minhas unhas sobre suas costas, fazendo-o gemer um pouco. A boca dele começou a fazer um caminho perigoso em meu pescoço, dando leves mordidas e chupões.
- Essa música não tá ajudando! – Ele disse, enquanto se levantava um pouco para desabotoar o cinto da calça.
- Por quê? – Perguntei, dando um tapa em suas mãos, e desabotoando as calças.
- Excitante demais! – Uma risadinha maléfica foi dada, então ele se abaixou começando a mordiscar meu umbigo e penetrar a ponta da língua no mesmo. Os beijos começaram a subirem até a boca alcançar um de meus seios, começando a chupá-lo lentamente e constantemente, enquanto o outro era estimulado com seus dedos ágeis.
Abafei um gemido em seu pescoço, puxando os cabelos da nuca dele. Tremendo desci as minhas mãos até suas calças e boxer, abaixando-as o suficiente para que logo pudéssemos finalizar tudo aquilo.
- Anda! – Disse baixo e ofegantemente. – Agora. Preciso... – Era impossível formar frases naquele estado em que eu estava. Mas ele acabou por entender. Estendeu a mão até o bolso de trás da calça, pegando uma embalagem de camisinha e rasgando com os dentes rapidamente.
Assisti-o colocar a camisinha e lançar um sorriso que era uma mistura de excitação e maldade. Antes que eu pudesse respirar mais uma vez, eu o senti me penetrar por inteiro, como da primeira vez que transamos. Mas os movimentos não pararam, ele continuou por investir arduamente como a primeira, saindo e entrando novamente em mim com destreza.
- Ah, meu Deus! – Gritei enquanto uma nova música começava a tocar, invadindo o flat todo.

Coloque a música 2 pra tocar!

She said he so sweet (Ela disse: Ele é tão doce)
I wanna lick the wrapper (Eu quero lamber o papel)

A música alta fazia meus poros se eriçarem mais do que o normal. As investidas estavam mais lentas, com o toque da música. Lento e constante

And she, she licked me (E ela, ela me lambeu)
Like a lollipop (Como um pirulito)
Like a lollipop (Como um pirulito)

Eu ouvia a respiração sair pesadamente pela boca de e bater em meus ouvidos.

Shorty wanna thug (Gatas querem festa)
Bottles in the club (Beber todas na boate)
Shorty wanna hump (Gatas querem trepar)
You know I like to touch (Você sabe que eu gosto de tocar)
Ya lovely lady lumps (Suas curvas femininas)
Shorty wanna thug (Gatas querem festa)
Bottles in the club (Beber todas na boate)
Shorty wanna hump (Gatas querem trepar)
You know I like to touch (Você sabe que eu gosto de tocar)
Ya lovely lady lumps (Suas curvas femininas)

Os sons das guitarras e da bateria acompanhavam as novas investidas fortes, as minhas mãos ainda estavam arranhando suas costas, aquilo com certeza ia ficar marcado, mas era incontrolável a sensação que eu estava tendo. Eu precisava apoiar a minha tremedeira em algo.

Cute lil' mama had a swag like mine (A gatinha tem o mesmo estilo que eu)
She even wear her hair (E tem também o cabelo)
Down her back like mine (Grande como o meu)
I make her feel right (Eu vou fazê-la se sentir certa)
When its wrong like lyin' (Mesmo quando é errado mentir)
Man she ain't never (Cara, ela nunca)
Had a love like mine (teve um amor como o meu)

passeou a mão dele por minha coxa, puxando minha perna para cima, até que sua mão pudesse segurar minha bunda com vontade. Eu até podia sentir suas unhas curtas enterradas em minha pele, fazendo um carinho agressivo.

But Man I ain't never (Mas cara, eu nunca)
Seen an ass like hers (vi uma bunca como a dela)
That in my mouth (Aquilo na minha boca)
Had me loss for words (me faz perder as palavras)
I Told her to back it up (Eu disse à ela: fique de costas)
Like berp berp (como berp berp)
And I made that ass jump (E eu fiz aquela bunda pular)
Like jerp jerp (como jerp jerp)

Troquei suas costas por seus cabelos, misturando meus dedos entre os tufos grossos de cabelos . E fixando meus olhos nos dele. Sentindo-o dentro de mim.

And that's when she (E foi quando ela)
She licked me (Ela me lambeu)
Like a lollipop (Como um pirulito)
Like a lollipop (Como um pirulito)

Shorty wanna thug (Gatas querem festa)
Bottles in the club (Beber todas na boate)
Shorty wanna hump (Gatas querem trepar)
You know I like to touch (Você sabe que eu gosto de tocar)
Ya lovely lady lumps (Suas curvas femininas)
Shorty wanna thug (Gatas querem festa)
Bottles in the club (Beber todas na boate)
Shorty wanna hump (Gatas querem trepar)
You know I like to touch (Você sabe que eu gosto de tocar)
Ya lovely lady lumps (Suas curvas femininas)

Fazendo dupla com a música, ele passeava suas mãos sem pudor algum por meu corpo. Sentindo-me toda. Domando-me toda.

Won't you get on your knees (Você não vai se ajoelhar?)
Won't you get on your knees (Você não vai se ajoelhar?)

Ele deu uma risada, arqueando as sobrancelhas.
- Quem sabe... Outro... Aw! Dia! – Eu me esforcei para que eu pudesse responder ao convite obsceno.

Ele começou a sussurrar pesadamente as primeiras palavras da música, enquanto lutava contra a vontade de seu corpo de terminar tudo. Mas ele precisava me satisfazer antes, e não estava longe.

Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Make it juicy for you (te fazer gozar)
Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Get it juicy for you (te fazer gozar)
Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Make it juicy for you (te fazer gozar)
Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Get it juicy (te fazer gozar)

Uma de suas mãos subiram para meus cabelos, puxando-os de leve, enquanto eu sentia que estava quase lá. Então ele gritou junto com os caras da música. Call me!

Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Come and do it for you (vir e fazer isso pra você)
Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Come and prove it for you (vir e provar isso pra você

- ! – Gritei alto. – Aw! ! – E mais alto. – Por favor!

Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Make it juicy for you (te fazer gozar)

A outra mão desceu até meu clitóris, massageando-o. Então logo senti o líquido escorrer dentro de mim, junto com um gemido alto, se não um grito, satisfeito saindo de minha garganta.

Call me so I can (Chame por mim, então eu posso)
Get it juicy (te fazer gozar)

- Isso! – deu um sorriso, então logo sua expressão mudou. Suas sobrancelhas se juntaram. E um gemido grave e rouco correu de sua garganta, perto de meu ouvido.

Shorty wanna thug (Gatas querem festa)
Bottles in the club (Beber todas na boate)
Shorty wanna hump (Gatas querem trepar)
You know I like to touch (Você sabe que eu gosto de tocar)
Ya lovely lady lumps (Suas curvas femininas)
Won't you get on your knees (Você não vai se ajoelhar?)

Capitulo 11

Música. Coloque pra carregar!

()
Depois de me livrar do preservativo, eu voltei do banheiro e vesti minha boxer que estava jogada no chão, então aproveitei para ligar o rádio. Esperava que tocasse algo descendente. Infelizmente tocava Justin Bieber, o que fez Party Girl torcer o nariz em reprovação e arrancar uma risada divertida de mim.
As pernas dela estavam descobertas e formavam um quatro sobre a cama, enquanto o lençol branco de minha cama cobria um palmo de suas coxas até seu busto. Totalmente atraente e convidativa. A luz do abajur dava uma impressão bronzeada de seu corpo que ainda estava um pouco suado.
Mordi o lábio inferior e voltei para cama engatinhando e olhando maliciosamente para ela. Estiquei meu corpo em direção as pernas dela, pouco acima dos joelhos. Toquei meus lábios na pele dela e senti os poros eriçarem com um arrepio, depois na outra perna, na mesma altura, subindo e revezando uma e outra perna. Peguei sua mão pousada ao lado de seu corpo, beijando as costas e subindo pelo braço todo, até chegar ao pescoço dela.
Umedeci os lábios e plantei alguns beijos por toda mandíbula dela, e então decidi subir para as bochechas, trilhando até a boca dela. Rocei nossos lábios um no outro, sentindo-a travar a respiração e em seguida sorri. Party Girl umedeceu os lábios e aquilo, por mais involuntário que fosse, era completamente sexy. Selei nossos lábios, iniciando um beijo quente, lento, porém intenso.
As mãos dela estavam em um instante puxando os fios de minha nuca e no outro estavam descendo por minhas costas, roçando as unhas lentamente, causando-me fracos arrepios pela pele.
Separei nossos lábios, sorrindo fraco para ela.
- Ainda bem que Justin Bieber não acaba com seu desempenho, ! – Ela gargalhou, com os braços em torno de meu pescoço. – Seria decepcionante!
- Precisaria mais do que um garotinho para poder acabar com o aqui! – Dei os ombros acompanhando as risadas dela.
- Sorte minha!
- E minha! – Sentei na cama. – Imagina? Eu não dando conta de satisfazer a mulher mais cobiçada da cidade? – Fiz uma cara de pavor e logo as gargalhadas dela se espalharam pelo loft inteiro.
- Eu contaria a todos os jornais. Ia ser péssimo pra você!
- Mas tenho certeza que a próxima música vai ser muito boa! – Deitei ao lado dela e sorri, virando meu rosto para o dela. A máscara de tinta estava começando a me incomodar. Gostaria muito de poder olhar o rosto dela por inteiro, encarar os olhos dela e saber quem ela realmente era. Mas eu não ia perder tudo aquilo porque eu queria ver seu rosto. – E... A próxima música vai ser a sua música!
- E se for uma música ruim? – Ela fez um bico.
- Então esperamos pela próxima! – Beijei seu bico e ela assentiu, abrindo espaço para um beijo mais profundo. Então Bieber cessou no alto-falante, dando espaço para uma música que eu parecia conhecer. Quando a batida começou, senti meu coração parar por segundos e voltar a bater lentamente, como se não houvesse um coração ali.
Afastei-me dela e me sentei na beirada da cama, afetado por saber que música era aquela. Era algo que significava muito. Que significou um momento muito incrível da minha vida.
Ela não questionou, ficou quieta ali, deitada, enquanto Bruno Mars começava a cantar aquela maldita música.
- Você conhece essa música? – Perguntei, ainda sentindo um bolo em minha garganta. Aquilo estava me incomodando. A necessidade de contar qual era o problema era enorme.
- Eu... Sim. – Ela parecia absorta em alguma coisa dentro de si mesma, mas eu não queria nem saber o que era. Eu só precisava contar para alguém sobre aquela música, acho que essa sensação de não existência de um coração em meu peito passaria se eu o fizesse.
- Eu já te falei da . Você se lembra? – Sentei-me de modo que eu pudesse observá-la e ela assentiu, murmurando um “uhum”. – É que ela não é só uma... Uma amiga. – Engoli a saliva. Pareciam milhares de pedrinhas escorrendo por minha garganta. Party Girl estava calada, apenas esperando que eu falasse. – Quando ela chegou aqui. Ela era incrível! – Dei uma risada estranha. – Ela ainda é incrível, mas eu digo... Fisicamente! – Dei os ombros. – Aos poucos eu descobri que ela era incrível em vários sentidos. Ela era divertida. Era brincalhona, espontânea... Ela ouvia as mesmas coisas que nós e às vezes até jogava vídeo game conosco. Eu me apaixonei por ela. Cada dia um pouco. – Tomei fôlego, enquanto a música ainda invadia meus ouvidos. A música parecia entrar dentro de mim e pesar toneladas de lembranças, que pareciam distantes. – Um dia, na casa de campo dos pais do , estávamos na grama, deitados, olhando o céu, enquanto rolava uma festinha dentro da casa, quando começou a tocar essa música...

Flashback on
Puxei pela mão para fora da casa. Riamos escandalosamente de , que estava completamente bêbado, em cima da mesa de centro da sala da senhora , imitando uma galinha, mas que ele insistia em dizer que era sua dança revolucionária. Era uma galinha!
- Dez pessoas e quatro litros de vodca. Eu falei pra vocês que não ia prestar, ! – Ela tinha uma das mãos de baixo dos olhos, limpando as lágrimas que se formaram ali de tanto gargalhar, enquanto a outra dava um soquinho em meu peito. – Ele tá dançando...
- Não! – Coloquei o dedo indicador sobre a boca dela. – Ele está imitando uma galinha! – Disse e apontei para a janela, onde ainda podíamos vê-lo mexer os braços em movimentos de asas de galinha. Mais retardado do que nunca.
- Uhum! – Ela murmurou e tirou meu dedo de seus lábios. – Sai com esse dedo pra lá! Nunca se sabe por onde essa mão andou! – simplesmente se sentou na grama. Estava tudo umedecido pelo sereno da noite, mas ela parecia não se importar, então fiz o mesmo, sentei ao lado dela, com as pernas cruzadas como um budista. – Olha! – Esticou o dedo para o céu, mostrando que estava completamente estrelado. Realmente lindo.
- Longe da cidade a gente pode ver melhor as estrelas. O céu fica assim! – Disse sorrindo e encarando os milhões de pontinhos na escuridão.
- Queria poder ter uma visão assim no teto do meu quarto. Ia ser incrível! – Virei meu rosto para fitá-la. Tão linda. Tão maravilhosa. Com um sorriso largo e infantil nos lábios e os olhos brilhando tanto quanto as estrelas do céu. Meu Deus, como eu estava apaixonado por aquela menina. Tão pouco tempo que ela tinha chegado e simplesmente não havia nada nela que fizesse com que eu quisesse afastar aquele sentimento.
- Sim. Ia ser incrível! – Sorri junto e joguei meu peso para trás, deitando sobre a grama, usando meu braço para poder apoiar a nuca.
- Acho que o vai trocar de música! – disse, olhando para dentro da casa.
- Ainda bem que ele acabou com a dança da galinha! – Dei risada e ela me acompanhou, deitando de lado sobre a grama, colocando a mão sob o rosto.
- Hm, Bruno Mars! – Ela fez uma cara pensativa. – Acho que ele tá querendo seduzir a Lilly!
- Será que ele vai dançar com ela?
- Se for... Vai arrancar os dois pés dela com aqueles sapatos bicudos! – Novamente a gargalhada dela se espalhava por todo o lugar.

Coloque a música pra tocar!


Oh her eyes, her eyes
Make the stars look like they're not shining
Her hair, her hair
Falls perfectly without her trying

She's so beautiful
And I tell her every day

Já tinha ouvido aquela música algumas vezes. Via os lábios de se mexerem discretamente, cantando a música pra si mesma. Comecei a acompanhá-la, cantando baixinho, de modo que ela pudesse ouvir.

Yeah I know, I know
When I compliment her
She won’t believe me
And its so, it’s so
Sad to think she don't see what I see

Passei o dedo em seu nariz, fazendo-a prestar atenção em mim, prestar atenção que aquela era a nossa situação. Ela nunca acreditava quando eu dizia o quanto ela era linda.

But every time she asks me "Do I look okay?"
I say

Minha mão preencheu-se com o rosto delicado dela. A pele tão macia, tão delicada.
When I see your face
There's not a thing that I would change
Cause you're amazing
Just the way you are

Parecia tomar controle de mim, minha mão percorria o rosto de , até meu dedão se atrever a passear carinhosamente por seus lábios.
And when you smile,
The whole world stops and stares for awhile
Cause girl you're amazing
Just the way you are

Os olhos dela estavam fixos nos meus. Parecia o momento perfeito para que eu pudesse fazer aquilo que eu estava esperando por tanto tempo. Beijá-la.

Her lips, her lips
I could kiss them all day if she'd let me
Her laugh, her laugh

Aproximei-me, e pude sentir nossas respirações se chocarem uma contra a outra. A boca entreaberta dela, deixando escapar um hálito de morango com vodca, devido às batidinhas que tinha tomado.

She hates but I think it's so sexy
She's so beautiful
And I tell her every day

Selei nossos lábios, num selinho tímido, experimentando a sensação, a textura dos lábios dela. Tão macios.

Oh you know, you know, you know
I'd never ask you to change

Separei nossos lábios e em seguida capiturei os dela novamente, sentindo sua boca abrir aos poucos, dando espaço para que eu aprofundasse aquilo.

If perfect is what you're searching for
Then just stay the same
So don't even bother asking
If you look okay
You know I say

Contornei a boca dela com a ponta de minha língua, e então senti sua língua movimentando-se com a minha. Lentamente nossos gostos se misturavam.

When I see your face
There's not a thing that I would change
Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile,
The whole world stops and stares for awhile
Cause girl you're amazing
Just the way you are

Senti a mão de escorregar até minha nuca, embolando os dedos nos fios de cabelos em minha nuca e puxando-os levemente, enquanto a minha acariciava seu rosto e seu pescoço.

The way you are
The way you are
Girl you're amazing
Just the way you are

Dei um selinho nela e desci meus lábios até seu queixo, ainda sentindo sua respiração pesada se chocar contra mim. Espalhei alguns beijos por seu rosto e capturei seus lábios uma última vez, antes de encarar seus grandes olhos e perceber que eu poderia pra sempre ficar com aquela garota, se houvessem aqueles lábios para eu beijar.

When I see your face
There's not a thing that I would change
Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile,
The whole world stops and stay for awhile

- Cause girl you're amazing... Just the way you are! – Sussurrei para ela, vendo um sorriso tímido brotar em seus lábios.

Flashback off


Aquelas lembranças fizeram uma baita bagunça dentro de mim. Agora meus pensamentos vagavam entre duas mulheres. Cada uma mais impossível do que a outra. Isso só provava quão péssimo eu era com minhas escolhas. Mas a pergunta que não queria calar era: Eu poderia continuar amando , a menina doce e delicada, e também estar amando a Party Girl, a mulher devastadora e extremamente sexy ao mesmo tempo? E se isso fosse possível, como eu ia consegui lidar com esses dois sentimentos juntos?
Eu estava muito ferrado. Esta era a única certeza em que eu podia me apegar no momento.

Capítulo 12
()


Acordei com algum barulho que vinha do flat ao lado. Senti um peso em cima de mim e vi que estava com parte de seu tronco sobre meu corpo, enquanto um dos braços estava em torno de mim. Respirei fundo dando um meio sorriso, porém preocupada com a atitude. Gente apaixonada dorme abraçada. Gente envolvida pelo sexo não. E era pra ele estar envolvido pelo sexo e não... Agindo como um idiota apaixonado.
Dei um jeito de empurrá-lo para o lado com todo cuidado possível, mas algo no ronco que ele deu quando bateu do outro lado da cama me dizia que não ia acordar com tanta facilidade. Eu ainda estava nua, procurei as minhas poucas roupas em volta da cama e as vesti o mais rápido que consegui.
Eu já devia tá quase sem tinta no rosto, o que o faria começar a pensar se já tinha visto me visto em algum lugar por aí, se me visse de manhã. Fui até o banheiro em busca de um espelho para verificar meu estado. O porteiro também não podia desconfiar de nada, porque mais cedo ele já havia visto semelhanças, então não era bom arriscar.
Fiquei perplexa com a minha imagem no espelho. Havia uma grossa camada de tinta que não deveria estar ali. Passei o dedo em cima e dei uma risada, logo em seguida tapando minha própria boca pelo descuido.
Era tinta guache. Mas por que ele teria passado tinta no meu rosto, se tudo o que ele deve querer é saber quem eu realmente sou? Preferi não ficar pra descobrir, então saí do apartamento tentando fazer o mínimo de barulho, pois caso acordasse, eu iria estar em uma saia muito justa.
Tomei o elevador até o hall e passei pelo porteiro, sem conversar. Eu estava com muito medo de conversar e ele acabar insistindo na história de que sou muito parecida com... Comigo mesma!
Atravessei a rua o mais rápido que pude e andei até meu prédio. Procurei a chave no bolso do sobretudo e entrei pelo portãozinho da frente. A portaria do meu prédio era controlada por câmeras, então não tínhamos muito contato com porteiros, ou seguranças.
Depois de estar no elevador do meu prédio, parecia que toda a tensão de ser pega se dissipava. Eu estava no meu território, segura e livre novamente.
Abri a porta do meu apartamento e senti o cheirinho de casa que me fazia tão bem. Comecei a tirar as roupas e jogá-las no chão. A necessidade de tirar tudo aquilo de mim estava me deixando maluca, corri para o banheiro para lavar toda a tinta do rosto. Eu queria tirar a Party Girl de mim, porque meu coração estava apertadinho, o coração da estava apertadinho.
Nunca tinha se passado em minha cabeça que ainda se lembrasse da única vez em que nos beijamos, muito menos que ele teria algum dia se sentido daquela forma por mim. Eram tão palpáveis os sentimentos dele, a dor na voz dele falando sobre como eu mudei. Agora eu estava me sentindo completamente idiota, porque eu poderia ter tido tudo com ele desde o início, só que desde lá até agora eu só tinha complicado tudo. Todo o nosso passado, nosso presente, e quem sabe destruído nosso futuro.
Fitei meu rosto ainda meio manchado de tinta, sentindo grossas lágrimas jorrarem de meus olhos. Fui pra de baixo do chuveiro e sentei no chão. Peguei a bucha cheia de sabão e comecei a me esfregar, tentando me sentir, de alguma forma, mais limpa, mas a sensação de sujeira continuava ali.
Senti minha pele arder depois de esfregar com tanta força por algum tempo, então larguei a bucha no chão, observando-me vermelha. Respirei fundo e então me levantei, fechando o registro do chuveiro e me enrolando em uma toalha, colocando outra nos cabelos. Fui para meu quarto, sentindo meus olhos pesarem, então me joguei na cama, entregando-me ao sono. Quem sabe eu não me sentiria melhor no outro dia de manhã?

Acordei com frio, olhei para o relógio e marcava 6:30 da manhã. Percebi que o frio vinha porque eu tinha passado a noite toda apenas enrolada em uma toalha, fazendo-me lembrar vagamente que eu tinha apagado sem ao menos me secar.
Pigarreei, sentindo minha garganta arranhar. Ótimo, um resfriado seria ótimo no momento. Fui até o banheiro e tirei a toalha que ainda estava na cabeça, meu cabelo estava péssimo. Todo amassado, então, de mau humor, dirigi-me ao chuveiro para tomar um banho quente e lavar novamente os cabelos para que eles secassem normalmente desta vez.
Ainda estava meio cabisbaixa devido as coisas que tinha descoberto na última noite. Sentia meu coração doer, e meu corpo também, por ter passado a noite enrolada numa toalha molhada.
Saí do banho e coloquei meu roupão, indo secar os cabelos no secador. Pelo menos os cabelos iam estar no lugar certo durante o dia. Coloquei uma roupa, que nem ao menos prestei atenção para escolher. Eu ainda me sentia tão cansada, queria dormir pra depois acordar e descobrir que todo esse pesadelo tinha passado.
Comprei um cappuccino em uma Starbucks no caminho para a biblioteca. Minha bolsa estava pendurada no ombro esquerdo de qualquer jeito. Aposto que se eu visse alguém andando tão rastejante como eu, iria dar boas risadas, mas os pés simplesmente pareciam pesados demais para serem levantados.
Como de costume, cheguei e as duas comadres e estavam jogando conversa fiada juntos. Eles riam, embora parecesse meio apreensivo. Larguei a bolsa no balcão enquanto murmurava um bom dia. respondeu sério, enquanto vinha em minha direção, dando-me um abraço rápido.
- Precisamos conversar! – Ele sussurrou, puxando-me para o andar de cima. – Ah! Vem me ajudar a guardar uns livros aqui, ! – Falou alto, chamando a atenção de por alguns segundos.
A minha relação com ainda estava meio estranha. Não nos tratávamos rispidamente, mas ainda ficávamos meio nervosos quando precisávamos trocar algumas poucas palavras.
- Por favor, ! – juntou minhas mãos, fazendo um sanduiche delas, juntamente com as dele. – Você tem que terminar com isso! Você tem que acabar com essa história!
- Hã? – Perguntei. Meu raciocínio estava muito lento.
- O que você tem? – Ele franziu a testa preocupado, usando uma das mãos para colocar minha testa. – Tá um pouco quente!
- Acho que to meio resfriada! Preciso comprar um remédio antes que isso piore! – Dei os ombros.
- Ok, eu vou comprar pra você assim que a gente terminar essa conversa... – Ele respondeu, fazendo um leve carinho em meus cabelos. – Presta atenção, !
- To prestando. Juro!
- Acaba com isso! Acaba com essa história de Party Girl logo de uma vez! – Os olhos dele estavam estalados, parecia que o fim do mundo estava vindo em nossa direção. – Ele tá se envolvendo demais!
- Ai, você também tá achando isso? – fitei o chão, mordendo o lábio inferior. Preocupada.
- Como assim?
- Nada! – Balancei a cabeça negativamente. – Me conta o que ele te falou pra você ficar tão agoniado! – Passei uma das mãos no cabelo.
- Quando chegou, ele me contou que te levou pro prédio dele e que o porteiro achou a Party Girl parecida com você...
- Fiquei com tanto medo de que começasse a pensar nisso, mas ele não falou nada sobre o assunto, ficou o mesmo a noite toda! – Dei os ombros.
- Só que daí ele falou que quando você adormeceu, ele passou tinta onde você tinha feito a máscara. Quando eu perguntei para ele por que tinha feito isso, questionei-o falando que pra descobrir quem você era ia ser fácil, me disse que não podia, porque ele não podia cair na besteira de fazer uma única coisa que fizesse você se afastar dele, porque ele tava começando a se apaixonar de verdade! – Senti meu corpo amolecer depois de tudo que contara. Apoiei-me nele, abraçando-o tão forte que pensei que íamos virar uma única pessoa. Eu estava com tanto medo que mal conseguia respirar. O que eu iria fazer? – Você precisa terminar isso, ... – Ele murmurou, afagando meus cabelos.
- Eu sei, ... – Afastei-me, sentindo uma lágrima escorrer por minha bochecha. – Mas o pior de tudo é que ontem contou pra Party Girl sobre o único beijo que tivemos. – Senti o ar faltar nos pulmões, fazendo-me puxar tão fortemente que ardia. – Ele disse que me amava, que queria muito que eu não tivesse mudado, que eu não tivesse ficado totalmente estranha... Eu estraguei tudo! Tudo!
- Shii! – me puxou novamente para um abraço. – Calma, . Calma!
- Eu pensei que ele nunca tivesse sentido nada por mim, nunca pensei que ele sequer lembrasse daquele beijo, quanto mais que lembrasse de tantos detalhes! – Afundei meu rosto no ombro de , sentindo uma histeria correndo atrás de mim, louca para me pegar de jeito.
- Desculpa, ... – Ele disse baixinho, com a voz pesarosa.
- Por quê? – funguei, afastando-me dele, provavelmente encarando-o com um bico.
- Você sabe por que mudou, nós sabemos...
- Esquece isso, ! Só eu tenho culpa nisso tudo. Somente eu! – Coloquei minhas mãos em seu rosto, fazendo-o me olhar nos olhos. – Você é meu amigo, eu te amo!
- Também te amo...
Ficamos um tempo abraçados, mas logo disse que ia atrás de um remédio para mim, então eu prometi pra ele que ia dar um jeito de acabar com a Party Girl logo. E eu realmente ia fazer isso. Pelo bem de todos, mas principalmente do cara que eu provavelmente amaria a vida toda. Por .
Desci as escadas e fui para o balcão. tinha acabado de abrir a biblioteca, mas não havia ninguém esperando ainda.
- Hm, você está bem? – disse um pouco baixo, de um jeito tímido, quando entrou para a área de dentro do balcão e me viu sentada, com as mãos na cabeça.
- Uhum... – Resmunguei, dando um sorriso fraco.
- disse que ia comprar remédio pra você! – Ele parecia preocupado e meu coração parecia querer morrer, parando por alguns instantes.
- Não é nada de mais. Eu só estou resfriada! Já vai passar. – Afirmei, com a voz calma.
- Tá... – Por fim ele murmurou e se sentou.
Aos poucos foram chegando pessoas e estava todo bonzinho, me mandando ficar sentada enquanto ele atendia a todas as pessoas que chegavam. Mas uma hora teria mais de um cliente ao mesmo tempo e ele iria ter que me deixar trabalhar também, mesmo que eu estivesse adorando ficar quieta no meu canto.
- Bom dia, senhor! – Forcei um sorriso.
- Que seja... – O homem respondeu, com descaso. – Preciso de um livro sobre anatomia humana. E rápido, então seja eficiente, garota! – Era um brutamontes muito esquisito. Tinha os cabelos loiros escuros, baixos e ralos. O cavanhaque estava meio ruivo. Era gordo o suficiente para ser confundido com alguém fortão, embora seus braços fossem enormes.
- Sim. Venha comigo! – Disse, mantendo a compostura.
Levei-o até a prateleira onde ficavam os livros de medicina. Eram livros grossos, enormes. Pareciam bíblias da época dos dinossauros.
- O senhor pode dar uma olhada nessa seção, vai encontrar o livro que precisa! – Sorri educadamente e fui me retirando, para deixar o homem em paz.
- Onde você pensa que vai? – Senti sua mão em torno de meu braço, puxando-me de volta. – Você é louca em achar que eu vou achar sozinho o livro que eu preciso. Vamos! Faça seu trabalho! – E me empurrou contra a prateleira. Dei um gemido com o impacto.
- Senhor, meu trabalho é guiá-lo até a seção que o senhor necessita. Somos 3 para orientar várias pessoas, é impossível ficarmos procurando os livros. Desculpe-me, mas o senhor vai ter que procurar sozinho. E se encostar em mim mais uma vez...
- Você vai fazer o quê, sua franguinha? – Senti novamente sua mão apertar meu braço, desta vez mais forte que a primeira.
- Me solta! Você está me machucando! – Reclamei, tentando empurrá-lo para longe de mim, porém, o homem parecia uma montanha quando parado ao meu lado. Mas provavelmente alguém tinha ouvido meu meio grito.
- Se você fizesse as coisas direito, não precisaria estar fazendo isso e...
- Mas que diabos está acontecendo aqui? – Ouvi a voz de no final do corredor.
- Essa garota não quer achar o livro que eu preciso! – O homem rosnou para , como se ele fosse concordar com ele.
- Essa garota não tem que achar o livro para o senhor. O que ela tinha que fazer já foi feito. Agora, por favor, solte-a! – Eu nunca tinha visto tão sério. Tão masculinizado.
- Eu não vou soltá-la enquanto ela não achar a porra do livro que eu preciso!
- Eu já falei que ela não vai achar livro algum. E também já mandei você soltá-la! – Eles berravam, um tentando falar mais grosso do que o outro. tocou o braço do homem, tentando acalmá-lo, mas as coisas só pioraram a partir daí.
O maluco deu um empurrão em , jogando-o contra a prateleira. Apenas senti o braço do homem afrouxar em volta de meu braço e assisti se recuperar do susto e desferir um soco no queixo do grandalhão.
- Não! – Dei um grito desesperado. Se aquele cara maluco quisesse, ele partia em dois e ia embora tranquilamente. Sai correndo pelos corredores para chamar a segurança, antes que algo ruim acontecesse a ele. Os dois guardas estavam na entrada, como de costume, avistei chegar com uma pequena sacolinha na mão. – , pelo amor de Deus! Seguranças! Ajudem! – Gritei.
- O que foi, ? – perguntou, preocupado.
- ANDA, SE NÃO ELE VAI MATAR O ! – Puxei um dos seguranças pelo braço e saí correndo, ouvindo-os correr atrás de mim.
- ! Pelo amor de Deus! O que tá acontecendo? – disse pouco antes de pararmos e vermos o brutamontes com as mãos no pescoço de , asfixiando-o.
- Solta ele! – Gritei correndo em direção a ele e dando socos o mais forte que podia.
me afastou, puxando o cara de perto de , junto com os outros dois seguranças. Mesmo com três, era difícil fazer o cara se quietar e fazê-lo se afastar.
- Chamem a polícia! Seu maníaco desgraçado! – Me joguei de joelhos no chão, ao lado de , que tossia loucamente, com a cabeça entre as pernas. – ! Olha pra mim! – Puxei sua cabeça, para que eu pudesse avaliar o estrago.
- Estou bem, ! – Ele tentava se livrar de minhas mãos, mas eu não conseguia parar de ficar preocupada.
- Fica quieto! – Gritei, então ele parou de tentar se desvencilhar de mim.
Não estava tão mal quanto eu achei que estaria, havia um corte perto da sobrancelha e outro na boca que não parava de sangrar, além de esfolados nas mãos, por causa dos socos que provavelmente havia acertado no homem.
- Eu estou bem, , de verdade! – Ele disse baixinho, pegando uma de minhas mãos com carinho.
- Ai meu Deus, ! – Eu o abracei, ouvindo-o dar um gemido baixo. – Eu pensei que ele ia te matar! – Apertei meus braços em volta dele.
Ficamos em silêncio por um tempo, parecia que aquele abraço estava faltando há muito tempo. Sentia meu coração calmo quando seus braços estavam em volta de mim.
- Hm, e você? Está bem? – me afastou um pouco, analizando meu rosto.
- Sim. Sim. – Sorri fraco. – Venha, precisamos cuidar desses machucados! – Levantei, estendendo a mão para ele.
Naquele momento eu tinha certeza que não importava quão estrago eu tinha feito, eu ainda podia recuperar tudo. Por que aquele simples gesto que tinha tido comigo naquela manhã fazia meu mundo todo valer a pena. Fazia com que meu coração tivesse coragem para bater feliz durante muito mais tempo do que eu podia imaginar.
Deus, como eu me sentia feliz por amá-lo. E como amá-lo me fazia sentir a vida como uma brisa leve e calma. Só por esse amor a vida se tornava mais simples.

Continua...

Nota da Autora: heey peeps, um capitulo pequenininho, mas não quis deixar vocês sem nada! Vou tentar fazer uma att dupla da próxima!
comentem, comentem e comentem! Amo vocês!
Qualquer coisa... falem comigo no @culpadomcfly! (:
Até a próxima att! Beeeeeeijos <3


Nota da Beta: OHHH OHHH OHHH OH OH (ISSO ERA PRA SER O COMEÇO DE PARTY GIRL)
Falaram para o Dougie não entrar lá, e ele acabou indo pra selva! HAHAHAHAHAHA
Tô muito doida, atualização tripla, porque a Andy é legal com a gente! LALALALA
Qualquer erro, sugestão, reclamação, receita de bolo, macumba o que for, favor falar aqui: lissatopolski@gmail.com e não nas caixinhas de comentário! Let's Party!