A terça-feira chegou mais rápido do que se julgaria normal, e mais uma vez não foi à faculdade. Suas noites estavam tomando toda a sua energia e vontade de viver. Será que ninguém percebia que existia algo errado naquilo tudo? Por mais que tentasse, a garota não conseguia afastar sua teoria da cabeça. Não poderia ser apenas coincidência, poderia?
- Vou dar uma volta, talvez ir até a faculdade... – murmurou antes de fechar a porta às suas costas.
A garota andou decidida até sua universidade onde cursava direito. Entrou à passos firmes na biblioteca/sala de informática do lugar, que por algum estranho motivo estava vazia. Melhor assim, pensou a menina indo se sentar em frente a um dos computadores. Enquanto o aparelho ligava, sentiu aquele arrepio gélido em sua espinha novamente, mas resolveu ignorar quando percebeu que a tela do computador já estava acesa.
Conectou-se a internet e com as informações de seu pai, invadiu os arquivos restritos das investigações da polícia local. Samuel Hallen, a garota digitou no sistema de busca do governo. Caso arquivado, se indignou ao ler. Clicou no ícone, e quase desistiu de fazer o que estava prestes a fazer. A foto do corpo e da autópsia do amigo estavam arquivadas junto ao relatório dos peritos.
Pescoço quebrado após enforcamento.
Furos profundos no pescoço causados por tesoura de lâminas duplas de 10 centímetros.
A garota leu atentamente enquanto colocava tudo para impressão.
- Vejamos agora... Merydith Snollan... – ela murmurou para si mesma ao mesmo tempo que digitava o nome da amiga.
Merydith Snollan
Esquartejada...
...Tesoura de lâminas duplas de 10 centímetros.
A menina colocou novamente as informações para impressão, e quando o aparelho terminou seu trabalho, se levantou pegando suas folhas e saindo do lugar o mais rápido que pôde. Aquele lugar vazio e sem vida a estava deixando mal, pior do que já se sentia. Voltou aos tropeços para sua casa, onde encontrou tentando fazer o almoço, e tentando ajudá-la.
- Onde você se meteu? Quer nos matar de fome ou o quê? – questionou cutucando uma massa que parecia ser macarrão. – foi resolver alguma coisa da faculdade e esqueceu de nós, e eu vim me aventurar com na cozinha, tentar fazer um almoço descente, mas olha o que virou nosso macarrão! – a garota choramingou espetando o tal macarrão.
- Onde está, ? – mal prestou atenção na amiga. – Descobri algumas coisas sobre a morte de nossos amigos. – ela puxou uma cadeira para perto do balcão da cozinha, abrindo a pasta onde colocara os papéis.
- , qual é, está querendo procurar lã em pato! – murmurou sentando ao lado da amiga.
- Só me deixem falar, está bem? Depois podem dizer o que quiserem! – ela reclamou entregando uma cópia das folhas.
- Ah, caramba! Conseguiu estragar mais ainda meu almoço! – o rapaz exclamou fazendo cara de nojo.
- Ergh! , você usou os dados do seu pai pra pegar isso, não foi? – perguntou parecendo brava, a garota apenas confirmou com a cabeça. – Até que ponto isso vai chegar, amiga?
- Eles não querem fazer nada para descobrir o que aconteceu com Sam e com as irmãs Mery’s, alguém...
- Não tem o que discutir sobre isso, . Se nem a polícia consegue entender o que aconteceu com eles, não seremos nós que vamos descobrir alguma coisa.
- Podemos não descobrir nada, mas pelo menos não vamos cruzar os braços diante disso! – estava vermelha de raiva. Por que os amigos não a entendiam?
- Tudo bem , diga sua teoria. – murmurou tentando amenizar a situação.
- Eu sei que parece loucura, mas... Leiam o relatório.
e pegaram uma cópia das folhas, e começaram a ler.
- Tesoura de lâmina dupla de 10 centímetro, leram? – perguntou após os amigos terminarem de ler.
- Sim, e daí? – rolou os olhos impaciente.
- Vocês nunca ouviram a lenda da Condessa Elizabeth?
- Aah, de novo essa história? É só uma lenda, .
- Ela torturava e matava suas criadas, e depois furava seus pescoços com uma tesoura dessas, para tirar o sangue do corpo delas e tomar banho.
- Ta querendo dizer que essa Condessa ta matando as pessoas? Ah, por favor! – resmungou voltando sua atenção ao seu macarrão.
- É sério, quando Sam e eu fomos visitar a avó dele e resolvemos sair para dar uma volta. Ela dizia sempre para voltarmos logo, porque alguma coisa... Pegaria a gente... – falou encarando a foto do cadáver de Samuel.
- É, mas pelo que eu sei, ela usava a calcinha por cima da roupa... – murmurou fazendo rir.
- Mas... – foi interrompida por um celular tocando na sala.
- Deve ser o meu...
foi até a sala onde dormiram seguida de e . Ela olhou no visor, era .
- , onde você está? – a garota perguntou brava.
- , eu tava dando uma volta pela estrada, e... Eu sei lá, eu vi uma menina aparecer de repente na minha frente, desviei dela e bati com o carro...
- Ah meu Deus, você ta bem? – a garota perguntou aflita.
- É, eu to... Dá pra vocês virem me buscar? Quer dizer... Eu não viajo assim desde a ultima vez que comi biscoitinhos de escoteiros! – parecia preocupado.
- Ta, me diz onde você ta.
- Na entrada da cidade, mas vem logo que tem alguma coisa... – arregalou os olhos, a linha tinha caído.
- E aí pessoal, o que estão fazendo? – entrou cheio de sacolas na mão. – O que houve?
- , leva a gente até a entrada da cidade, é urgente! – gritou já saindo pela porta.
- Tudo bem, mas o que aconteceu?
- Parece que o está em apuros... – respondeu empurrando o outro para fora, já trancando a porta.
pegou seu carro e disparou para a única entrada que a cidade possuía, ele correu o máximo que pôde, pois sentiu a aflição na voz de , que a qualquer momento parecia capaz de chorar. Chegaram perto da entrada, uma estrada rodeada de árvores altas e cheias. Viram logo a frente o carro de encostado no acostamento de uma maneira torta. fora a primeira a sair do carro, e conseqüuentemente a primeira a ver a cena que chocou a todos.
estava lá, caído no meio da estrada completamente sem vida. correu até o rapaz, e chorando o abraçou. Ele estava ensanguentado, e sua cabeça estava em um ângulo estranho. Tinham quebrado seu pescoço.
- NÃO! NÃO , POR FAVOR, NÃO! – a garota abraçada ao rapaz gritou de desespero. pegou o celular para discar para a emergência e para a polícia, já que era certo que o amigo morrera. encarava a cena sendo abraçada por , e nem se quer piscava.
- Isso não... Pode estar acontecendo... – murmurou baixinho, e apenas ouviu.
- ...
- É culpa minha, não é? Por ter colocado esse jogo na vida de vocês... É tudo culpa minha... – ela deixou uma lágrima escapar, e logo afundou a cabeça no peito do rapaz, que a abraçou mais firmemente.
- Não , você sabe que a culpa não é sua. Eu sei que tem alguma coisa muito estranha acontecendo, mas não é culpa sua.
Meia hora depois, a ambulância e a polícia já tinham chegado ao local, e infelizmente viram ali, novamente no local de um crime...
- Eu to dizendo, a gente devia prender ela imediatamente! – um dos investigadores murmurou ao parceiro enquanto encarava .
- Ah, claro! Com que argumentos, Steven? Ela pegou uma carroça, atropelou o amigo e depois voltou para a cidade sem ninguém perceber?
- Eu to falando, ela é suspeita.
- Mas enquanto não tivermos provas, ficaremos apenas de olho. – o outro homem murmurou indo em direção à garota, que estava sentada na parte de trás de uma van. – Senhorita , poderia dar uma palavrinha com você?
apenas fez que sim com a cabeça, e se levantou sendo guiada até um pouco mais longe dos amigos.
- Escute , eu realmente acho que você não tem nada a ver com isso, mas se eu pegar você e seus amigos mais uma vez no local de um crime, terei que te prender, entendeu? – o homem murmurou a encarando com pena.
- Tem alguma coisa matando meus amigos e vocês não fazem nada! – ela resmungou chorosa.
- Estamos fazendo nosso trabalho aqui, mocinha.
- Então é arquivando o caso que vocês fazem seus trabalhos?
- Como você sabe que arquivamos o caso?
- Então arquivaram mesmo? – encarou o detetive que fizera cara de culpado. – Sinceramente...
- Não, escuta, você não devia jogar isso! – ouviu murmurar.
- Cala a boca, fedelho! – o outro detetive reclamou enquanto jogava online.
encarou o policial, e a tela em que o personagem do homem se encontrava, preso a uma cadeira de tortura.
- NÃO, DESLIGA ISSO! – ela correu na direção do detetive, e alguns guardas impediram seu caminho. – Me solta! Precisa desligar o jogo! – exclamou lutando para chegar a tela do notebook, olhando aterrorizada o personagem do policial morrer com a mandíbula arrancada. Quando finalmente conseguiu fechar o aparelho, já era tarde demais.
- Então é esse joguinho bobo que está assustando vocês? Fala sério. – o homem zombou.
- Não devia ter jogado! – resmungou, o encarando séria.
- Eu disse... – tentou falar.
- Cala a boca! – o investigador fora grosso ao falar. – E você garota, estaremos de olho, é bom você não se meter em encrencas, ou vai me dar o prazer de te prender? – ele sorriu malicioso.
- Vamos, Steven. – um dos companheiros de equipe o chamou.
- De olho, não se esqueça. – ele deu um ultimo sorriso malicioso a garota, que apenas retorceu a cara de raiva.
Os quatro amigos passaram mais um tempo no local da morte de , o silêncio reinou por um longo momento.
- Ele era tudo o que eu tinha... – cuspiu as palavras encarando . – Por que trouxe esse maldito jogo pras nossas vidas, ? – a garota terminou de falar e se desmanchou em lágrimas.
- Pensei que não acreditasse nisso... – murmurou sendo brutalmente cortado na conversa.
- CALA A BOCA, ! – se sentiu contrariada, afinal, apesar de tudo ela realmente duvidara. – Como quer que eu não acredite depois de ver o corpo do meu namorado estirado nessa estrada, atropelado por uma CARRUAGEM?! – ela gritou caindo de joelhos no asfalto judiado pelos carros.
- Erm... Gente, não sei se é a melhor hora, mas precisam ver isso. – murmurou apontando para a tela do notebook.
e que estavam mais afastadas se aproximaram, e que ainda continuava sentado na parte de trás da van, apenas se virou para ver melhor. havia encontrado o corpo do personagem que criara para jogar. Ele estava jogado no canto de uma estrada, a cabeça completamente virada para trás, uma poça de sangue o cercava. Quando viu a imagem, simplesmente tapou os olhos com as mãos e voltou a chorar.
- É , não era a melhor hora. – murmurou antes de fechar o aparelho.
- Fala aí. – um garoto com aparência nerd falou ao perceber que um homem o encarava. – Deixa eu adivinhar, ta atrás de um game violento, com muito sangue e cabeças rolando?
- Não, quero o jogo do Packman. – o homem respondeu sério, o que fez o garoto erguer uma das sobrancelhas. – Seu idiota, eu só quero uma informação. – o homem resmungou mostrando seu distintivo de polícia.
- Aah, claro, claro. E então, o que quer saber? – o garoto perguntou sem graça.
- Quero saber se conhece algum jogo chamado... – o policial parou para ler um papel. – Stay Alive.
- Stay Alive? Ih, cara, não conheço não... Mas deve ser um beta. – o atendente deu de ombros.
- Beta?
- É, jogos em fase de teste. E sabe, se não divulgaram nada sobre ele, deve ser proibidasso! – o rapaz tinha os olhos brilhando de excitação.
- Tá, obrigado.
- Não quer levar nenhum jogo mesmo?
- NÃO! – o policial fez uma carranca que assustou o vendedor.
Ao sair da loja de games, o policial sorriu vitorioso. Um jogo ilegal era tudo o que ele queria para encurralar aqueles adolescentes enxeridos. Entrou no carro ainda com o sorrisinho, colocou o cinto e arrumou o retrovisor, que na mesma hora se trincou.
- Que estranho... – ele murmurou para si mesmo e chegou mais perto do espelho para analisá-lo. Ao fazer isso percebeu uma mulher completamente em decomposição estava se materializando no banco de trás.
O Detetive Steven tentou sair do carro, mas seu corpo estava preso ao banco do motorista. A mulher sorriu para ele pelo espelho, e se aproximou segurando seu rosto para que encarasse o espelho.
Tudo que se pôde ouvir foi o grito de agonia do policial, e talvez o som de sua mandíbula se partindo.
Depois de um certo tempo no local onde havia morrido, os quatro restantes resolveram ir embora. Não havia mais nada que pudessem fazer. decidira levar a todos para seu apartamento no centro da cidade, estava na hora de mudar um pouco de ares, pensou. fungava a cada segundo, parecia calado demais e parecia estar presa em pensamentos profundos demais.
- Pessoal, não podemos ficar assim pra sempre. – tentou falar pela primeira vez. – Não podemos simplesmente aceitar isso dessa forma! – ele retrucou fazendo careta.
- Então você acha mesmo que foi o jogo? – perguntou erguendo a sobrancelha.
- Você ainda tem alguma dúvida, ? – o encarou sério. – Quatro pessoas mortas exatamente da mesma forma que no jogo.
- É. Na verdade estou tentando não acreditar... É... Assustador. – concluiu baixando o olhar. – E o que você sugere dizendo que não podemos aceitar isso dessa forma?
- Eu não sei, mas precisamos parar essa coisa! Senão, estamos todos mortos!
Um instante se passou em silêncio, ninguém havia pensado dessa forma... Eles estariam condenados a isso também? O jogo, ou fosse o que fosse, iria atrás deles? mordeu o lábio inferior um tanto aflito, e continuou a observar os amigos.
- Gente... – murmurou baixinho sem olhar para ninguém, ainda mergulhada em pensamentos. – A ultima vez que jogou foi quando o game travou, certo? – ela perguntou levantando o olhar.
- É, foi. Ele resolveu sair hoje de tarde porque “a porcaria do jogo não queria destravar”. – respondeu imitando o jeito de falar do amigo. – Por quê?
- Não é óbvio?! – exclamou arregalando os olhos. – O jogo travou porque o espelho o pausou, como foi que o personagem de morreu? – a garota questionou fazendo todos voltarem a atenção uns para os outros, até mesmo que estava sentada num canto do sofá chorosa prestou atenção.
- Aquela vaca enrugada está jogando por nós quando percebe que não voltaremos mais! – cuspiu as palavras com raiva.
- Mas isso é impossível! – ainda lutava para não começar a acreditar naquela loucura toda.
- É, assim como era impossível um jogo estar matando! – exclamou parecendo preocupado.
- Precisamos parar com essa coisa. – murmurou pensativa novamente.
- Cara, como eu queria ter prestado atenção nas baboseiras que minha irmã mais nova dizia sobre essas coisas... – murmurou se condenando.
- Como se isso fosse ajudar em... – começou, mas logo parou em meio a frase. – Esperem, acho que sei como ajudar.
se levantou e se direcionou à saída do apartamento.
- Onde vai?! – perguntou assustado.
- Vou até em casa pegar algumas coisas, volto logo. – a garota respondeu séria e saiu do lugar.
- O que essa doida vai fazer? – exclamou arregalando os olhos.
- Não devíamos ir atrás dela? não está em seu estado normal, e se... – se recusou a terminar seu pensamento.
- Não. não faria isso. Se ela sabe de alguma coisa que pode nos ajudar, ela vai ajudar. – disse convicta, mas no fundo estava preocupada com a amiga.
Não se passou muito tempo até voltar ao apartamento de com uma mochila aparentemente pesada nas costas, completamente ofegante.
- O que houve? Parece até que você subiu pela escada... – tentou descontrair.
- Eu subi pela escada. – ela resmungou sem tirar a mochila das costas se voltando para . – Ligue a TV, . – ordenou um tanto irritada.
obedeceu procurando pelo controle, e logo ligando a televisão em um canal de notícias.
- Estamos ao vivo em frente à casa de um dos suspeitos dos assassinatos que ocorreram recentemente em Nova Orleans. Aparentemente não há ninguém em casa... – um repórter murmurava para a câmera. Os três olharam bem para a casa ao fundo, e perceberam ser a de . A menina arregalou os olhos. – Ameline, alguma novidade por aí? – O mesmo repórter perguntou, e a tela da TV foi dividida dando espaço à uma outra repórter.
- Não, não, Anthony, aparentemente aqui também não há ninguém. – a moça disse apontando a casa ao fundo. A casa de .
- Mas que merda... – murmurou com certa raiva.
- Só vai piorar... Olhem pela janela. – murmurou apontando a enorme janela da sala.
Todos correram até lá, e perceberam vários carros de polícia perto da entrada do prédio. Policiais tentavam convencer o síndico do lugar a deixá-los entrar, mas parecia que o homem estava impedindo. olhou para os outros três amigos tentando achar alguma saída.
- Alguém tem um lugar para irmos? – perguntou começando a andar para seu quarto, pegando o máximo de roupas limpas que conseguia dos armários e as enfiando de qualquer jeito dentro de uma enorme mala.
- Pra que tudo isso? Vai fugir do país? – perguntou irônica e com raiva.
- Acho que será útil para todos nós a certa altura. – murmurou não prestando muita atenção no tom da garota. – E então, alguém tem em mente algum lugar que poderíamos usar como refúgio? – o rapaz estacou no meio do corredor do apartamento esperando resposta.
- Se conseguirmos sair daqui sem sermos vistos, podemos ir para a casa de Sam. – sugeriu ouvindo suspirar.
- O grande problema é sairmos... – o rapaz murmurou desanimado, quase que se dando por vencido.
- Sem problemas. – sorriu um pouco nervoso. Podia ouvir o síndico berrando coisas aos policiais, algo como invasão. – Saímos pela escada de emergências, ela dá em um beco que nos liga à avenida.
- Certo, mas se formos não poderemos pegar seu carro e...
- , você ainda tem aquele seu amigo da transportadora? – perguntou esperançosa.
- Tenho, mas...
- Então está tudo certo. Pediremos a van dele emprestada por algum tempo, ou só uma carona até a casa de Sam.
não tentara nem ao menos discutir com a amiga, não havia tempo para essas coisas, os policiais já deveriam estar quase batendo à porta. apressou os três amigos e os guiou até um quarto com uma janela que dava para a plataforma da escada de saída de emergência. Os quatro desceram pela mesma um tanto nervosos, tentando não fazer barulho. Quando que ficara por ultimo colocou os pés no asfalto, todos suspiraram um tanto aliviados e saíram correndo em direção oposta da dos policiais, desembocando numa movimentada avenida.
Depois que se afastaram longamente do prédio, eles se permitiram parar para respirar.
- Certo. , ligue para seu amigo. Precisamos da van agora. – murmurou tomando ar.
O rapaz assentiu pegando seu celular e procurando o número na lista de contatos.
Alguns minutos depois já falava com seu tal amigo tentando negociar uma viagem.
Um pouco impaciente vendo que a conversa de não surtia resultado, pegou o aparelho telefônico das mãos do amigo.
- Toddy? – murmurou suspirando. – Hey, sou a , amiga do , se lembra? – a garota perguntou recebendo um “claro que sim, como não?”. – Pois é, é o seguinte... Toddy, estamos mesmo precisando dessa sua ajuda, por favor?
Depois de um grande tempo nessa conversa, finalmente conseguira convencer Toddy a emprestar-lhes a van de transporte. Em poucos minutos o rapaz já estava ali acompanhado de outro carro para levá-lo embora. foi quem pegou as chaves do veículo, e logo já estava de motor ligado esperando pelos outros três amigos que se ajeitavam no banco de trás.
- Tudo bem, pra onde? – O rapaz perguntou encarando pelo retrovisor.
- Para a casa de Sam. Rua Sprous. Vai saber quando chegar lá. É a única casa da rua com faixas amarelas impedindo a entrada. – murmurou retorcendo o rosto com expressão de angústia.
Os próximos momentos não seriam nada fáceis para eles, disso ela tinha absoluta certeza.
Mas todos os quatro estavam determinados, não deixariam uma Bruxa fantasma e seu jogo idiota acabarem com suas vidas. Não daquela maneira.
Os quatro amigos chegaram à casa de Samuel em poucos minutos. Realmente, era fácil saber qual era.
A única casa laranja e branca que se destacava no lugar, recebendo ainda mais destaque por fitas amarelas da perícia.
A vizinhança estava quase que vazia. Ninguém queria estar perto demais de uma casa onde ocorreu um assassinato ou um suicídio. agradecia por às vezes as pessoas serem supersticiosas demais naqueles momentos, senão jamais conseguiriam entrar na casa de Sam sem serem vistos e denunciados.
- , a porta está trancada! – choramingou parecendo desesperado.
- Se bem conheço Sam, deve ter uma janela aberta aqui e uma chave extra em algum desses vasos. – murmurou apontando os tais vasos e começando a procurar por alguma janela sem travas. – Perfeito! – Exclamou assim que a encontrou. – Vamos entrar pessoal, alguém pode estar nos vendo. – Sibilou ela antes de se enfiar para dentro da casa pela janela.
Apesar de ter acabado de ser o cenário de um assassinato, a casa de Samuel Hallen era bastante organizada, tirando o fato do corrimão no alto da escadaria estar partido, e as marcas da perícia estarem evidentes. A casa toda era ampla e clara. sorriu sem querer ao ver alguns retratos dela com a família Hallen pendurados na parede.
- Pessoal, precisamos de respostas. – murmurou se jogando no sofá da sala de visitas da casa.
- Ah, claro! Acabei me esquecendo do que ia dizer com toda essa euforia. – exclamou pegando sua mochila e sentando numa poltrona.
- O que é isso? – perguntou erguendo a sobrancelha para as coisas que a amiga estava colocando na mesa de centro.
- Algumas coisas que podem nos ajudar. Quando você disse sobre sua irmãzinha ficar lendo coisas esotéricas, me lembrei do meu tempo de romances góticos... – murmurou abrindo seus livros em cima da mesa.
- Uhum, e no que isso ajuda? – perguntou seriamente preocupado com a sanidade da menina.
- Tem algumas lendas específicas nesses livros. Como matar bruxas, espíritos, acabar com essa maldição.
- Garota, você me dá medo. – murmurou um tanto assustado, mas prestando atenção no que a menina dizia.
- Certo, e o que temos que fazer? – perguntou nervosa.
- Dizem que precisamos queimar o corpo da feiticeira.
- Ah, ótimo! Como vamos saber onde ela está enterrada ou coisa assim?! – perguntou sem esperanças.
Todos se calaram por um tempo pensativos.
sabia que estava deixando passar alguma informação importante para solucionar aquele problema.
- Ah! Sam às vezes testava jogos e ele devia estar testando esse. Com toda a certeza ele tem o endereço ou o telefone dos desenvolvedores, eles podem saber de algo sobre o jogo! – exclamou se levantando num pulo.
- Erm... , os peritos reviraram a casa do chão até o teto e não encontraram nada. – murmurou frustrado.
- Porque eles não conheciam Sam. – ela correu para fora da sala subindo as escadas. Logo os outros a acompanharam.
- Certo, o que estamos procurando aqui? – perguntou encarando a organização do quarto de Sam.
- Hum... Esse jogo devia ser um beta proibido ou algo do tipo, então Sam não deixaria as informações a mostra. – murmurou tentando abrir o gabinete do computador que havia no quarto. – Vamos Sam, sei que escondeu aqui! – ela resmungou. – Ah, graças a Deus! – A menina finalmente conseguiu abrir o compartimento puxando algumas folhas e um CD de lá de dentro.
- Mas hein?! – exclamou perplexo.
- Sam costumava guardar o backups e coisas importantes aqui. – deu de ombros examinando as folhas que encontrara. – Bingo! O único endereço, deve ser este o lugar. – ela estendeu o pequeno pedaço de papel aos amigos.
pegou o papel e leu com atenção. O endereço indicava uma outra cidade.
Os quatro desceram as escadas e voltaram à sala de visitas.
- Ok, então só precisamos descobrir onde ela foi enterrada e queimar os restos dela? – perguntou parecendo um pouco assustado, mas também aliviado por encontrarem uma solução.
- Na verdade, antes disso precisamos trazer o espírito dela de volta para o corpo. – explicou lendo um dos livros. – Senão a alma dela continuará vagando.
- E como se faz isso?! – voltara a se desesperar.
- Precisamos de três pregos. Pregamos um em sua testa, outro em seu coração e outro em seu pulso. Depois que fizermos isto, é só queimar a vaca. – falou com tanta raiva que todos puderam sentir. – Mas o que me intriga é como ela foi invocada... Para chamar um espírito é preciso um ritual forte e...
- A oração no início do jogo... – se encolheu no sofá um tanto assustada. – Quem quer que tenha feito esse jogo, sabia muito bem o que estava fazendo.
- Espero que isso seja o suficiente para matar aquela velha... – murmurou mordendo o lábio inferior.
- É. Todos nós esperamos. – murmurou engolindo em seco.
Algum tempo depois de discutirem bastante e fazerem planos para acabar com a maldição em que haviam se metido, os quatro se dispersaram pela casa, pensando nas melhores maneiras de abordarem os possíveis criadores e desenvolvedores do jogo. Apesar de ter dado a maior parte das ideias e parecer a garota mais vingativa do momento, ela se sentia desmoronando por dentro. Não sabia o que faria sem quando todo aquele pesadelo acabasse, isto é, se um dia ele acabasse.
Pensando nisso, ela resolvera tomar um ar do lado de fora da casa, precisava ficar sozinha para colocar a cabeça no lugar e talvez chorar um pouco mais sua perda. Observava a rua deserta quando sentiu aquele calafrio. sabia que havia algo de errado. Sentia alguém a observar, mas sabia que não havia ninguém naquele lugar, a não ser ela e seus amigos.
- Alguém viu a ? – perguntou de repente se dando conta do sumiço da amiga.
- Não, será que não está na sala? – perguntou puxando os dois rapazes em direção ao lugar citado. – Cara, onde ela se meteu? – Replicou ao perceber que não estava lá.
- Pessoal, a estava jogando? – murmurou repentinamente encarando um notebook aberto.
- Não, ela repugna esse game agora. Tudo o que ela quer é ver a ‘bruxa enrugada’ morrer. – murmurou imitando a voz da amiga na ultima parte.
- Só que... Erm... – O rapaz apontou para a tela do aparelho, que exibia a personagem de andando em algum lugar.
- Aah, bruxa maldita!! – vociferou no mesmo instante em que um vulto passou por trás da personagem da amiga.
A menina plugou um dos controles disponíveis no aparelho, e tentou mover para outro lugar mas foi em vão, o personagem não respondia aos comandos.
- MERDA! – berrou antes de sair correndo pela porta da frente da casa de Sam aos gritos procurando por .
- ! ! APARECE! – gritou logo atrás de que agora estava parada no meio da rua tentando localizar a amiga.
- AAAAH! – os três na rua puderam ouvir o grito da amiga vindo de uma casa semi-construída do lado direito da rua.
- Vamos! – gritou já correndo em direção à porta do lugar.
e o acompanharam completamente aflitos. O que teria acontecido?
adentrou a casa aos tropeços, e logo ouviu a voz de resmungar coisas no andar de cima. Com certa cautela os três subiram as escadas precárias e improvisadas de madeira até o segundo andar. Depois de se livrarem de algumas cortinas de plástico, se depararam com pendurada pelo pé no teto por uma corrente pesada. Mas o que mais os surpreendeu foi ver a vilã do game que os amaldiçoou bem a sua frente.
- Caramba... – murmurou boquiaberto. atirava pregos enormes em direção à mulher fantasmagórica à sua frente com uma pistola especial, mas tudo o que conseguia atingir era a parede logo atrás da bruxa.
- Sua vaca! – Ela gritou enfurecida atirando mais e mais pregos. – Levou minhas amigas, levou Sam e o MEU ! – berrou sem parar de atirar. – VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO! – Gritou mais uma vez. A pistola de pregos fez um click, e parou de atirar, já não havia mais pregos. – Não tinha o direito... – a menina deixou algumas lágrimas escorrerem por seu rosto, jogando a pistola no chão se dando por vencida.
- , fica calma, vamos te tirar daí! – gritou avançando em direção à amiga.
- NÃO! – a mesma vociferou.
A condessa Bathory sorriu parecendo satisfeita e foi se aproximando.
a encarou com total desprezo.
- Você levou tudo que eu tinha ao matar pra usar ele como fonte da juventude. – Ela riu amargamente com a comparação. – Mas não vai me usar pra isso. – Ela resmungou, e num lance rápido pegou um canivete que havia sido dado de presente pelas irmãs Merys, e fez um corte fundo em sua própria garganta. No mesmo instante a corrente em seu pé se desprendeu a derrubando no chão.
- ! – Os três que assistiam correram em sua direção horrorizados.
- Ah , por que fez isso? – sussurrou sem ter forças para fazer algo além disso.
- Eu vou ficar com o , . Vou ficar com ele pra sempre... – sussurrou de volta com dificuldade enquanto sufocava lentamente com seu próprio sangue, ainda tinha lágrimas nos olhos.
- Ah, ... – murmurou novamente começando a ficar vermelho por segurar o choro.
- Vão, precisam parar a bruxa. Por todos nós. – a garota quase inconsciente deu um meio sorriso. – Não se preocupem, ficarei com em um... – sua voz foi baixando, e seu corpo desabou sem vida.
- Ah sua boba, você precisava ficar com a gente! – choramingou abraçando o corpo inerte da amiga, completamente ensanguentado.
Depois de instantes se levantou pisando duramente no chão. Ele estava determinado a acabar com a Condessa em nome de todos que já haviam morrido por culpa da mesma.
Ao seu lado, ainda ajoelhado junto de , fungou com aparência derrotada. Como poderiam parar aquele monstro a tempo de se salvarem? Como poderiam lutar com algo que conseguia tocá-los, mas eles não podiam fazer o mesmo? Seria esse o fim de tudo?
As perguntas eram muitas, mas as respostas eram nulas.
A situação não era nada agradável, nenhum dos três amigos conseguia tirar da mente a imagem de tentando atingir a Condessa, e muito menos da garota fincando em seu próprio peito um canivete.
Eles estavam sentados na sala de visitas da casa de Sam, cada qual com seus pensamentos.
estava quieto demais. Como fora capaz de fazer aquilo? Por quê?
estava novamente encolhida num canto do sofá, suas roupas estavam manchadas pelo sangue da amiga, e seus pensamentos estavam condenando-a por não ter feito nada para impedi-la de se matar. Seria assim o resto de sua vida? Todos os seus amigos morreriam na sua frente sem que ela pudesse impedir? Uma lágrima escorreu pela bochecha de , que fungou.
ainda mais calado do que sempre, apenas se aproximou da menina abraçando-a num gesto reconfortante. Ele não sabia o que dizer à nenhum dos dois presentes, não sabia o que pensar daquela situação tão horrível em que se encontrava e também não sabia se tentasse consolar os amigos diria as coisas certas.
A sala ficara mergulhada nesse silêncio absoluto por mais alguns minutos, foi quando se levantara firme que parara de chorar e o encarou.
- Precisamos ir. – murmurou decidido.
- Acha que ainda temos chances? – perguntou desanimada. Ainda faria sentido tentar se salvar?
- Enquanto estivermos vivos, sempre teremos. – respondeu já arrumando suas coisas.
O rapaz pegou os livros de , que estavam em cima da mesa de centro e os enfiou dentro da mochila em que vieram. Pediu para ir verificar se havia comida em algum lugar da casa, já que tudo ali havia sido mantido da forma que Sam deixara para auxiliar os investigadores. A menina encontrou algumas bolachas, salgadinhos, sucos de litro e mais algumas coisas aparentemente nada saudáveis.
Voltou para a sala com várias sacolas cheias de mantimentos e logo subiu para o andar dos quartos para pegar alguma roupa limpa de Sam “emprestada”. Quando retornou, já havia colocado a maior parte das coisas dentro da van que haviam pego emprestada.
- , vai levar sua mala? – perguntou apontando.
- Eu... – murmurou hesitante.
O ambiente caiu em silêncio novamente, e trocavam olhares enquanto os observava confusa, mas já tendo ideia do que poderia acontecer a seguir.
- Eu... Não vou. – murmurou baixando o olhar nervosamente.
- Quê? – sibilou entre dentes com certa ira no olhar.
- Não vou com vocês. Eu... Eu... – o rapaz não sabia o que dizer.
- Como é que você... – começara a falar, mas foi interrompido por , que saltou os últimos degraus da escada indo parar ao seu lado.
- Deixa ele, . – murmurou cabisbaixa, mas decidida. – Aqui não é o exército, luta quem quer.
- Não é o exército, mas é quase uma guerra! – encarava zangado. Como é que ele, a quem todos chamaram de amigo, os abandona daquela forma?
- Deixa, . – repetiu segurando sua mão.
- Mas... – ele tentou replicar.
- Vamos, estamos perdendo tempo. – a garota sorriu afetada, puxando o amigo para fora da casa.
encarou os dois. Ele não sabia bem porquê estava fazendo aquilo. Talvez ele fosse covarde demais para encarar aquele desafio ao lado dos dois. Ou talvez pensasse que sozinho e se mantendo vivo no jogo longe de todos ele teria uma chance maior do que indo servir de isca numa emboscada.
- Espero que consigam... – murmurou baixinho da porta.
fez menção de voltar os passos e meter um imenso soco na cara de , mas o impediu fazendo-o entrar na van para aquecer o motor. Ela por si, deu meia volta e se postou a frente do rapaz.
- Eu não entendo seus motivos, mas respeito você. – sorriu fraco. apenas a encarou envergonhado de si mesmo. Ele não podia estar fazendo aquilo com aquela garota, e nem com , mas estava.
- Erm... Obrigado... Eu acho. – o rapaz sussurrou um pouco nervoso e hesitante.
- Acho que isso é um... Até algum dia, certo? – a menina sorriu novamente, agora parecendo um pouco mais animada. Ela deu um abraço tímido em , que ficara confuso, mas retribuíra. – Vou sentir sua falta. – murmurou antes de unir seus lábios aos do rapaz, que se surpreendera. Depois de um curto selinho a menina se afastou. – Ah, e mesmo que você tenha abandonado a gente agora, vou fazer o impossível para nos salvar, até a você. – riu enquanto caminhava até a van onde a esperava impaciente.
- Tem certeza que não vai? – o garoto perguntou olhando para pela janela do motorista. O rapaz na porta da casa apenas fez que sim com a cabeça. – Ótimo, então boa sorte, ... Vai precisar.
cuspiu as palavras com raiva e logo deu a partida, deixando um confuso e assustado para trás.
Aquilo não estava certo, mas a decisão já estava tomada, e nada poderia mudar aquilo... Poderia?
- Não acredito que ele fez isso! – exclamou enquanto dirigia.
- Presta atenção na estrada, . – apenas murmurou sem ânimo.
- Nós o acolhemos como amigo e olha como ele nos paga! – o rapaz continuou a falar, sem dar ouvidos à menina.
realmente não entendia o porquê de tê-los deixado àquela altura do campeonato, mas se ele não queria seguir o mesmo rumo que ela e , ela respeitaria. Tudo em que a garota conseguia pensar naquele instante era se algum dia voltaria a ver , se algum dia teria tempo de fazer novas amizades, tempo para chorar nos túmulos dos amigos perdidos recentemente... Será que ela conseguiria viver para fazer todas essas coisas? Será que os outros sobreviveriam para vê-la novamente? Ela sinceramente esperava que sim.
- , olha no mapa, acho que estamos perto da entrada da cidade. – murmurou olhando atentamente a estrada, a procura de algum desvio que se parecesse com uma entrada de cidade.
- Hum, certo. Devemos entrar na próxima. – a menina anunciou observando o mapa.
Ela sentia um frio na barriga só de pensar que as chances de se salvar ou de morrer mais rápido estavam quase chegando ao seu encontro. Teriam os dois sorte o bastante para arrancar alguma informação crucial dos desenvolvedores do game? As perguntas não se calavam em sua mente, e o fato de as respostas estarem quase chegando a deixava ainda mais nervosa e angustiada.
- ... Acho que chegamos... – murmurou desligando o motor da van e observando ao seu redor.
O lugar do endereço na realidade era um tipo de casa de campo no meio do nada. Não havia casas vizinhas e tampouco pessoas à vista. A casa era grande, branca e assustadora, parecia estar abandonada há muito tempo.
desceu do carro observando o lugar com certo receio. Como diabos Sam havia encontrado esse lugar?
- Acha que tem alguém? – A menina perguntou ao amigo que se enfiara no compartimento de trás da van para pegar seu notebook.
- Não, acho que não. – respondeu desconcentrado.
- O que está fazendo? – perguntou abrindo a porta traseira da van.
- Caramba... – Foi tudo o que o rapaz conseguiu dizer virando a tela do computador para que pudesse ver.
- O que f... – A garota estacou muda onde estava. – Mas o que é isso?! – exclamou, boquiaberta.
A imagem que lhe mostrava era de um dos cenários do jogo, a frente da mansão em que todos começavam a jogar, e essa era exatamente igual à casa que estava logo à frente deles.
- Deus, esse lugar é...
- O que estávamos procurando. – concluiu engolindo em seco.
concordou com a cabeça tão assustada quanto o amigo ao seu lado.
se preparou para colocar em prática o plano que quatro amigos haviam feito recentemente. pegou sua bolsa de equipamentos e conferiu se tudo o que necessitava estava lá: rosas, celular, lanterna, pregos, fósforos... É, estava tudo ali.
- , tem certeza...? – perguntou preocupada.
- Tenho, . Eu sou melhor que você em games, tenho mais chances de sobreviver à bruxa, o que te dá mais tempo para chegar até ela. – concluiu convicto. – Agora vai, . Vou te auxiliar pelo celular.
- , fique vivo, por favor. – a menina choramingou dando um abraço apertado no amigo que retribuiu.
- Prometo, agora vai! – o rapaz disse se preparando para iniciar o jogo que valeria sua vida.
caminhou o longo jardim de entrada da casa enquanto colocava os fones de ouvido que estavam conectados ao seu celular. já estava na linha dizendo o que estava fazendo a fim de tranquilizá-la. Ela deu mais alguns passos e já estava na varanda encarando a porta a sua frente. Cuidadosamente ela girou a maçaneta, e constatou que a porta estava destrancada.
- Certo, , vou entrar. – ela sussurrou assustada espiando o lado de dentro.
- Ok, vou dar uma olhada nos fundos. – murmurou se referindo ao jogo.
- Uhum. – engoliu em seco e começou a adentrar a casa.
O lugar estava empoeirado e escuro, um péssimo lugar para se estar naquele momento. No corredor de entrada havia alguns espelhos trincados, e bonecas em cima de mesas. Do lado esquerdo do corredor reconheceu um dos cenários do jogo.
- , vou entrar naquele armário da sala. – Murmurou ela abrindo a porta do dito armário.
- Toma cuidado, . – o rapaz respondeu hesitante.
percebeu estar certa sobre a entrada no armário. Havia uma outra porta que a levava a uma sala secreta. Antes de entrar completamente no lugar, ela acendeu sua lanterna, que tremia junto com sua mão, e entrou receosa no compartimento. Era exatamente como haviam visto no jogo. Uma pequena sala com cheiro de mofo e totalmente escura.
A menina subiu as escadas que levavam a um pequeno andar na sala. Na parede de frente para a escada havia um enorme quadro de uma mulher de séculos atrás, e a frente do quadro havia uma grande mesa que ia de canto a canto. observou melhor o lugar e reconheceu um objeto. O diário de Elizabeth Bathory, o qual se encontrava a oração do início do jogo.
Curiosa, ela folheou as páginas do diário original, e com grande horror constatou que a bruxa sanguinária anotava ali todas as pessoas por ela morta. Chegou até a ultima página escrita e com temor conseguiu ler os nomes de seus amigos escritos em uma caligrafia fina.
No mesmo instante a lanterna em suas mãos começou a falhar, e quando a luz se acendeu fraca, viu no canto da mesa um crânio humano cheio de vermes por toda a parte.
Ela recuou assustada, e sua lanterna voltara a falhar novamente. A menina encostou-se à parede agachada e completamente indefesa. A lanterna então apagou-se completamente. tentou reacendê-la com tapas, e quando o fez só pôde gritar de terror. Uma mulher quase em decomposição estava à sua frente segurando uma enorme tesoura. Ela se aproximava cada vez mais.
- AAAAAH! – ouviu o grito de pelo fone.
- Calma, , eu to indo! – exclamou movendo seu personagem para dentro da casa.
- ANDA LOGO, ! – berrou de desespero.
personagem correu para dentro do armário da sala e lá se deparou com a mesma mulher que a amiga estava vendo. O personagem de estava encolhido num canto enquanto o fantasma da mulher avançava em sua direção com uma tesoura enorme em mãos.
- O QUE ESTÁ ESPERANDO, ?! – gritou indignada.
O garoto fez com que seu personagem pegasse uma de suas rosas e jogasse no chão logo a frente de onde o espírito estava, fazendo-o desaparecer imediatamente.
- AAH, GRAÇAS A DEUS! – gritou e viu o personagem da amiga sair correndo do local.
O que havia acontecido?
correu para fora da casa sentindo seu coração bater mais rápido do que devia. Finalizar a maldição em que haviam se metido parecia ser mais complicado e arrepiante agora. Estava mais do que evidente que não seria nada fácil chegar às raízes de toda aquela história.
- , você está bem? – Ela ouviu perguntar aflito.
- Estou. – Respondeu a menina ofegante, ainda tentando se recuperar do susto passado.
- Certo. Onde está?
- Eu acho que... – Ela murmurou olhando a sua volta. – Ah meu Deus... – Deixou escapar enquanto caminhava em direção a um portão lacrado por uma pesada corrente e um enorme cadeado enferrujado.
- O que foi? – perguntou ainda mais aflito, afinal, não sabia com o que a amiga havia se deparado.
- Você não vai acreditar...
- Pode dizer, depois desse jogo, acredito até que vampiros existem. – O rapaz tentou descontrair, e sabia que se estivesse perto o suficiente, lhe daria um tapa daqueles.
- Eu to na frente do cemitério das propriedades da Condessa Báthory... – Murmurou sentindo seus olhos se arregalarem.
- Acho que já era de se esperar...
caminhou a passos lentos e cautelosos em direção ao enorme portão de ferro à sua frente.
O cemitério no qual, segundo o jogo, grande parte da família da Condessa havia sido enterrada era exatamente igual ao game. se sentiu na pele de seu próprio personagem diante daquele cenário. Tudo, os túmulos, os caminhos de pedra cheias de lodo, as árvores e a torre no cemitério haviam sido copiados fielmente no jogo.
A menina se aproximou mais do portão e tentou abri-lo, colocando toda a sua força para fazê-lo, mas tudo o que conseguiu fazer foi enorme barulho com as dobradiças velhas e enferrujadas.
- Droga, não consigo abrir o portão! – Resmungou.
- Não tem nada com que possa forçar o cadeado? – perguntou colocando sua mente para funcionar.
- Não! – começara a ficar aflita.
- Espera, deixa eu tentar uma coisa. – O garoto murmurou. – Tem algum pé de cabra no chão perto de você?
- Não , é claro que... – parou de falar no mesmo instante em que viu o objeto mencionado pelo amigo jogado a seus pés. – Mas que... Como é que fez isso? – Perguntou ela pegando o pé de cabra e se pondo a tentar estourar o cadeado.
- Só pensei que se a bruxa pode usar o jogo para se ajudar na vida real, então nós também podemos fazer o mesmo. – Respondeu simplesmente.
- Ah, eu te amo, ! – exclamou assim que conseguiu se livrar das correntes e do cadeado no portão.
A menina andou vagarosamente entre os túmulos altos se sentindo num grande filme de terror. Suas pernas estavam bambeando e suas mãos suavam frio, será que as coisas podiam piorar ainda mais? Ela esperava com fervor que não.
- Está com as rosas, os pregos, e tudo mais com você? – perguntou sentindo-se ansioso e ao mesmo tempo aflito. Estavam prestes a encarar a bruxa cara a cara.
- Estou. Estou indo para a torre agora. Não sei se quero encontrar o corpo da velha lá, ou se prefiro me frustrar e não encontrar nada... Eu to com medo . – murmurou sentindo a aflição já tomar conta de si.
- Calma , nós vamos conseguir, e então tudo estará acabado, poderemos viver em paz de novo. – tentou parecer convincente, mas até para ele mesmo aquilo soava um tanto estranho.
- Espero que tudo acabe logo, e bem. – A menina murmurou respirando fundo para adentrar a tal torre.
pegou algumas rosas e foi jogando por seu caminho, não sabia se aquilo daria certo, mas preferia pensar que sim. O lugar em que estava era completamente escuro, e cheirava mal. As pedras que forravam o chão estavam lisas e escorregadias, por a garota caminhava com cautela. Com a lanterna acesa, ela andava olhando para todos os lados e tinha certeza que algumas vezes via de relance meninas horrendas e semi-decompostas. Toda vez que pensa vê-las tentava ignorar jogando uma rosa no chão.
Depois de alguns minutos caminhando ela finalmente chegou ao local que levava ao topo da torre. Era uma pequena sala circular com alguns instrumentos de tortura que lhe davam arrepios só de observar.
- , como anda o jogo? – Perguntou observando tudo ao redor segurando sua ultima rosa.
- Eu acho que... – O rapaz murmurou. – Acho que está tudo bem... – Ele não acreditara no que havia dito. Estava fácil demais...
- Certo, continue assim, vou subir a torre. Reze por mim. – Murmurou a garota pronta para se virar para a escadaria, quando subitamente uma grossa corrente prendeu-se ao seu calcanhar a içando do chão. – AAAH MAS QUE MERDA! – Ela berrou com o susto. Sua bolsa e todos os seus objetos estavam espalhados pelo chão agora. Ela continuava a segurar apenas a rosa.
- O que houve ?! – perguntou desesperado.
- Não foi... – No instante em que a garota ia responder ela se calou. O espírito horrendo da Condessa Elizabeth Báthory se materializou a sua frente com a sua enorme tesoura se abrindo e fechando na direção de . – ... A CONDESSA! – Ela berrou em desespero.
ao ouvir correu com seu personagem até o cemitério tentando entrar na cripta que levava onde estava, mas a porta estava trancada, e seu personagem não pôde fazer nada.
Enquanto isso despetalava sua rosa na esperança de afugentar a bruxa assombrosa dali, mas em vão.
- Droga sua bruxa velha, você tá roubando! – ouviu berrar com raiva. – Eu vou te ajudar, ! – Exclamou.
- Não! Alguém precisa terminar isso, o que vai fazer?! – A garota perguntou desesperada, não só pelo fato do amigo estar se arriscando, mas também pelas pétalas de sua rosa terem se acabado. – Droga.
A Condessa sorriu como se quisesse caçoar dos dois que tentavam acabar com seus planos.
Ela caminhava em direção à com sua tesoura em mãos, pronta para matar, quando hesitou no mesmo instante em que ouviu gritando.
- Vem me pegar sua bruxa enrugada de nada! – O rapaz gritou pelo celular.
- , NÃO! – tentou gritar, e fazer alguma coisa para impedir a velha de ir atrás do amigo, mas já era tarde. O espírito já havia sumido. – ? ! – Ela gritava esperando resposta, mas o amigo havia tirado os fones do ouvido.
- Você não vai conseguir o que quer, não de nós... – Foi tudo o que ouviu seu amigo dizer ao longe antes da ligação cair.
Segundos depois a corrente que a prendia pelo tornozelo se soltou e caiu no chão já com lágrimas nos olhos.
Ela sabia bem o que aquilo significava.
Ela estava sozinha a partir daquele instante naquele horrendo pesadelo em plena vida real.
Nota: AAAAAH, AINDA TEM GENTE LENDO! *0*
Muito thanks pelos comentários!
Vou dar uma notícia para vocês, a fic tá quase no final D:
E tô rindo horrores, todo mundo xingando lindamente os favoritos *0*
Puta falta de sacanagem (sim, ainda uso essa piadinha fail) ele ter ficado para trás #hunf.
Espero que continuem acompanhando Pademonium nessa reta final \o/