Our Friendship

Por: Sarry Judd.
Beta-Reader: Dani P.


Capítulo 01
- NOSSA! Como você consegue ser tão lerda assim menina? Não sabe nem ascender uma churrasqueira nem parece que veio de um lugar que a única coisa que se fazem é comer churrasco!
- CALA BOCA, ! – eu já tava nervosa porque não conseguia e tinha apostado com o que eu iria ascender àquela porcaria, a ultima coisa que eu precisava era esse infeliz me atrapalhando. – Vai pra lá e me deixa tentar SOZINHA e em PAZ!
- Não, eu quero ver a piada de camarote – falou me olhando com a cara de cínico dele.

Eu já estava prestes a jogar o litro de álcool que tava na minha mão no meio da cara dele quando senti uma coisa segurando meu braço, olhei pra trás e vi o me olhando com uma cara de reprovação e ao mesmo tempo rindo porque certamente eu teria perdido a aposta. Droga! Eu sempre perco e ele sempre arruma um jeito de me punir da pior forma possível.

- Parooo! Parooo a briguinha de amor dos dois, a senhorita não vai jogar isso nele, e nem venha me falar que não era a intenção porque eu sei que era.
- ! Eu nem... – toda vez eu tentava me defender, mas era em vão.
- Ia sim! Essa loca ia jog...
- CALEM A BOCA! meu amor você PERDEU mais uma vez – mostrou a língua e caiu na gargalhada. – Não vai mais tentar porque eu sei que não vai conseguir e o povo ta morrendo de fome, portanto, veja e aprenda com o pai aqui!

Se eu tentasse mais umas duas vezes e sem o por perto eu tenho certeza que conseguiria e não precisaria temer pela punição que estaria por vir, um dia eu vou vencer e vou descontar tudo o que o merece. Cara, desde quando me mudei pra Londres e fiz amizade com esses infelizes (infelizes que eu AMO) eu sofro, sou judiada, só porque eu sou pequena, tenho certeza que é por isso.

COMO TUDO COMEÇOU!

Ah, antes que eu me esqueça meu nome é , tenho 18 anos, sou Brasileira, nasci no Rio de Janeiro e me mudei pra Inglaterra junto com minhas amigas: , e ) , todas temos a mesma idade e sempre dividimos o mesmo sonho, o de morar e estudar aqui, e por incrível que pareça a gente conseguiu. Não demorou muito tempo para fazermos amizade com o , ele mora no mesmo condomínio que a gente e um belo dia ele conseguiu a proeza de bater em um dos nossos carros que estava na garagem, diz ele que errou de vaga porque tava muito escuro e ele tava com sono, nem mentir o sabe coitadinho, a garagem é totalmente iluminada e a gente sabe muito bem que ele tava era bêbado, pois tinha acabado de chegar da casa do . Poucos dias após o incidente fomos apresentadas aos amigos dele. Quando a gente se conheceu foi algo mágico, foi como se a nossa amizade fosse de infância, criamos um carinho tão grande uns pelos outros que às vezes me da até medo que tudo isso seja mentira e eu acorde do sonho, irônico ou não somos quatro meninas e quatro meninos, e nem me venha com pensamentos perversos porque a nossa AMIZADE não é uma pegação geral, bem, tirando a e o que em menos de três semanas começaram a namorar e eu que fiz o favor de ter beijado o algumas vezes, mas como ele é um IDIOTA nunca deu certo e eu nem queria que desse, esse infeliz tem o poder de me tirar do sério e a gente não consegue passar muito tempo sem brigar, o povo diz que isso é excesso de amor, mas eu discordo, NÃO! Eu e não nascemos para nos amar e ponto.

FIM DE COMO TUDO COMEÇOU.

- eu que ascendi à churrasqueira! - falei feliz e saltitante.
- MENTIRA! Fui eu – disse, me dando um tapa na nuca.
- PORRA doeu! E eu queria que o se orgulhasse de mim – fiz uma carinha de cão sem dono e eles riram.
- Brasil, eu me orgulho de você por outros motivos – sim, ele me chamava assim às vezes – Não precisa mentir, mas essa ai não é sua melhor habilidade! - me abraçou pra eu não dar uns tapas nele e riu.
- Para de me chamar assim! E eu tenho outras habilidades em que me dou bem.
- Tem mesmo? – e lá vem com as gracinhas dele.
- Tenho gato – mandei um beijinho pra ele e ri vendo se levantar e sair me imitando – Affê, como é insuportável.
- Affê, como vocês se amam – frase típica do – Ta demorando demais pra vocês dois assumirem esse amor louco, e não me mande calar a boca, sabe que eu te amo tampinha!
- Eu sei , eu sei! Mas eu gostaria mesmo de saber onde as minhas amigas se encontram.
- Foram no supermercado com o comprar umas coisas que faltavam pra você fazer o nosso almoço – sim, toda vez eu era a premiada pra fazer comida pros esfomeados, eles diziam que meu tempero brasileiro era o THE BEST e eu amava fazer isso por eles.

Não demorou muito pra que chegassem com as compras e eu começasse a preparar o almoço enquanto provavelmente todos iriam jogar vídeo game, isso incluía minhas amigas que sempre me abandonavam nessas horas. O único que me ajudava era o , mas hoje ele cismou de não querer ficar na churrasqueira e passou o cargo pro , às vezes eu tenho vontade de bater no , ele faz as coisas de caso pensado, fazer o que né, deixa eu me apressar antes que a fome deles aumente.

Capítulo 02
- Gente – ninguém me deu bola – Gente – tentativa frustrada – GENTE! – juro que se ninguém me olhasse eu ia dar barraco – OOOOO BANDO DE VIADO! – agora sim eles me deram atenção – O que vão querer que eu faça? Não se esqueçam que é um churrasco, então nem me venham com lasanha ou feijoada.
- Antes de a gente responder você já vem impondo as coisas, faz o que quiser ué! – o tinha a capacidade de ser grosso.
- Tchéééé sem educação, eu vou fazer mesmo e não venham reclamar depois – sai batendo os pés.

Além de ter que me virar sozinha vou ter que me virar com esse cidadão me provocando toda hora, mas tudo bem, eu sou capaz, eu sempre sou!

– Já temperou as carnes? – fui ignorada – ? – continuo sendo ignorada – Ô GAROTO, TÁ SURDO? – eu sempre acabo gritando com ele.
- Não, mas agora eu fiquei! É claro que eu temperei né, acha que eu sou idiota?
- Uhum!
- QUÊ? Fala mais alto!
- UHUM! SURDO!

Não tive tempo nem de correr e ele jogou um punhado de sal grosso em mim, nem preciso dizer que sai correndo atrás dele e tentei fazer o mesmo, só que ele é mais rápido que eu o máximo que eu consegui foi tropeçar em algo e cair. , você é tão esperta garota, me orgulho de você.

– Da a mão lerda, deixa eu te ajudar – ele estendeu a mão pra mim dando uma gargalhada muito alta que fez com que o xereto do aparecesse, mas por um milagre ele ficou em silêncio. Acho que foi o tombo, mas quando eu me levantei e me deparei com aquele par de olhos eu senti uma tontura e acho que ele sentiu o mesmo porque deu uma piscada com mais força e passou a mão pelos cabelos. - Melhor eu ir preparar as coisas – falei cortando literalmente aquele momento, ele não disse nada apenas seguiu até a churrasqueira e assim ficamos até o momento em que eu com toda a minha altura tentava em cima de um banquinho alcançar um tempero que estava na parte mais alta e obscura do armário. Como não é de se duvidar eu senti uma tontura e quase cai de cima do banquinho, a minha sorte foi que o apareceu do nada do meu lado e me segurou, bem, sorte ou azar, porque aquele MALDITO par de olhos estavam mais uma vez me encarando e agora com um distancia um tanto quanto perigosa pra minha sanidade mental.
- Obrigada, !
- Por nada, ! Mas toma cuidado menina, o tombo ia ser feio.

Eu nem consegui responder mais; apenas fiquei muda olhando pra ele e só acordei do meu transe porque o apareceu gritando e pulando do nosso lado.

– SABIAAAA! EU SABIIIIIIIAAAA! – Sabia o que demente? Ele sempre aparece nessas horas! – SABIA que vocês não agüentariam muito tempo. – o idiota continuava rindo e só ai me dei conta que ainda estava nos braços do , na hora dei um pulo e me livrei daqueles braços musculosos e daqueles olhos ...ACORDA !
- Ai , cala boca, eu tava tentando pegar algo lá em cima e ia cair, o me segurou, foi só isso sua mente poluída. E antes que eu me irrite com você vai lá avisar que já está tudo pronto.
- Vou lá avisar que o casal saiu da toca e...AI , doeu porra! – havia tacado algo nele e em seguida me olhou sorrindo.

Não demorou 5 minutos e os esfomeados estavam na mesa que já estava devidamente arrumada por mim, eu reclamo sempre só que quando os vejo ali sentados rindo e comendo me da uma felicidade sem explicação, quero isso pra sempre.

- Tampinha, ta uma delicia! –como sempre o me elogiando primeiro.
- , um dia eu aprendo com você amiga, enquanto isso você cozinha pra gente.
- Como sempre né, ! – falei rolando os olhos.
- Dude esse pedaço é meu, sai! – para .
- Para gente, tão jogando comida em mim, caramba! – .
- , cadê minha salada? – .
- Salada? Que coisa de gordo! HAHA – .
- , pega aquele pedaço pra mim? – .
- Paaaaaaaaaaaaaaara de gritar! Eu não como com bagunça – .
- É, deixem meu amor comer em paz! – .
- Vai deitar, vai, ! – .
- GENTE! Hoje eu já disse que AMO VOCÊS? – Eu.
- A gente também TE AMA! – Todos.

O almoço seguiu naquele ritmo, todo mundo comendo e se matando, a gente era feliz daquela forma mesmo e nada iria mudar. Só eu que me mantive em um silêncio, eu ainda estava pensando nos momentos que antecederam o almoço e só fui interrompida pela que sempre tinha que estragar meu momento com seus comentários.

- Amiga você quase caiu do banquinho, que perigo! – fazendo uma cara de preocupada, CÍNICA!
- É - respondi seca e fui me levantando.
- Sorte que não tava sozinha né? – eu ainda te mato.
- É – continuei seca.
- Então, as meninas lavam a louça e a gente vai descansar. – , obrigada por me safar dessa.

Pra variar os belezotes se jogaram em algum lugar até a gente acabar de arrumar tudo e dizer que iríamos ficar fofocando enquanto pegávamos um corzinha, aproveitamos o raro sol de Londres. Impossível, pois pouco tempo depois eles apareceram se jogando de uma maneira brutal na piscina nos molhando e acabando com a nossa graça fosse qualquer o assunto entre nós. Passamos o dia na piscina se divertindo até o sol ir embora e nos avisar que já era tempo de entramos e tomarmos um banho quente. pediu pizza e quando todos já estavam devidamente prontos fomos pra sala de jantar e DEVORAMOS tudo, quando todos estavam entretidos com algo na TV eu me levantei e fui até o jardim, amava aquele lugar na casa do , pra mim era o mais perfeito jardim do mundo e eu queria ter igual, me sentei na grama e fiquei ali parada olhando pras estrelas e me lembrando daqueles dois momentos da tarde quando senti alguém se sentar ao meu lado e me abraçar.

- Hey tampinha, ta fazendo o que ai?! – , meu anjo da guarda.
- Nada, to pensando, só isso!
- Posso saber o que?!
- Nada de mais, ! – disse, desviando o olhar.
- Posso adivinhar?
- Tenta... - ?
- Béééh...errou!
- Bééééh...ACERTEI! Garota, você sabe que não consegue mentir pra mim e eu não sou tão tonto quanto o e o . – ele disse isso com um sorriso e apertando o meu nariz.
- Tenho direito de não querer falar sobre isso agora? – fiz bico.
- Claro, mas quando quiser sabe que eu to aqui!
- Eu sei! – deitei nos ombros dele e ali permanecemos em silêncio por um bom tempo.

Capítulo 03
Fui acordada com o despertador avisando que estava na hora de ir pra faculdade, me levantei, fui tomar um banho bem relaxante, parecia que eu não dormia a uns 5 dias, meus ombros estavam pesados e minha cabeça doía, e olha que eu nem havia bebido na noite anterior. Sentei debaixo do chuveiro e fiquei algum tempo ali pensando em um motivo para eu estar daquele jeito e quando fechei os olhos apenas uma imagem vinha a minha mente, os olhos de ! Desde o primeiro dia que eu o conheci aquele olhar me enlouquecia, me lembro até hoje o dia do nosso primeiro beijo, estávamos na casa do , tínhamos dormido lá e eu acordei no meio da noite pra tomar água e o encontrei na varanda, não dissemos uma palavra, apenas ficamos nos encarando e ele foi chegando mais perto, não tirava os seus olhos dos meus. Passou a mão pelo meu rosto colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, a outra mão foi colocando delicadamente em minha cintura e foi me puxando até nossas bocas se encontrarem, senti um frio na barriga e ele foi passando sua língua em meus lábios pedido licença para me dar O BEIJO da minha vida. Não consigo explicar na real o que eu senti naquele momento, nunca tinha acontecido aquilo, éramos apenas amigos até então e em uma noite qualquer estávamos ali nos beijando intensamente e sentindo arrepios que percorriam por todo o nosso corpo e o mais incrível é que a cada beijo a cada toque do em mim eu sentia as mesmas sensações o mesmo delírio.

? – ouvi uma voz me chamando e logo reconheci que era a voz da – Vai se atrasar! Quer que eu separe uma roupa pra você? – ah minha salvadora, sempre me ajudando com os modelitos, porque se dependesse de mim eu levaria horas ali pra escolher alguma coisa. Sai do banho e me deparei com , um jeans e uma bata verde sobre a minha cama, ela ficou ali calada vendo TV e eu me arrumando.
- Fale. – eu sabia que ela tava querendo algo.
- Falar o que?
- , não me enrola vai, pode pedir!
- Ain eu não quero pedir nada não! – fazendo uma cara de ofendida.
- Então por que tá me olhando com essa cara de ponto de interrogação? – disse, jogando a tolha na cara dela.
- Cara de ponto de interrogação?!
- Pare de me enrolar e FALE LOGO! – se tem uma coisa que me irrita é uma pessoa ficar fazendo “rodeios” pra me dizer algo.
- Você tá estranha, pronto falei!
- Estranha? – agora a cara de ponto de interrogação tava comigo.
- É, , ontem você almoçou em silêncio, não tava conversando com a gente direito, e eu percebi que saiu no meio do filme e foi pro jardim. Sem contar que te vi sentada debaixo do chuveiro com os olhos fechados, te chamei 30 vezes.
- Ah paranóia sua, não to estranha. – caramba essa menina sempre percebia as coisas.
- Ahan! Vou fingir que acredito porque nós estamos atrasadas pra faculdade e as meninas já foram, o que significa que teremos que ir de táxi.
- TAAAAAXI? Que saco!
- Elas tinham uma apresentação e como seu carro tá quebrado a gente vai ter que ir de táxi sim, lindeza.

Táxi não era uma coisa que me alegrava muito, só quando as noitadas eram exageradas e ele virava necessidade já que ninguém queria morrer. Acordei podre, me lembrei daquele beijo, a percebeu que eu não to bem, tenho duas provas, enfim, meu dia vai ser uma beleza.

Capítulo 04
Como eu disse, meu dia foi uma beleza! Cheguei atrasada na faculdade (maldito táxi), fiz uma prova que eu devo ter acertado 10 de 30 questões, comprei um salgado no almoço e ele estava estragado, como eu NÃO tinha mais tempo tive que ficar sem comer e ir correndo para a outra prova que de 50 questões, eu devo ter acertado 20. Me perdi das minhas amigas, a bateria do meu celular tinha acabado, começou a chover e eu tive que ficar na chuva esperando um táxi! UM TÁXI! Que inferno! Eu juro que assim que eu chegar em casa eu vou dar na cara daquelas três e vou exigir que comprem uma pizza só pra mim e que me façam um brigadeiro, eu to carente e tive um dia infernal, portanto acho que mereço.

- AAAAAAAAH QUE BOM, ESQUECI A CHAVE!
- Gritando no corredor, louca?
- , abra essa porta e SUMA da minha frente pro seu próprio bem!
- Vai tomar no cú !Tá louca? Tá gritando comigo por quê? – abriu a porta meio desajeitada e não pude deixar de notar a cara de bunda que fazia.
- Mas já estão brigando? – com uma vassoura na mão – Querem apanhar?
- Onde vocês se meteram hoje? Eu procurei o dia todo e não achei ninguém naquela merda de faculdade. – falei jogando os livros no sofá e alguns caíram no chão da sala.
- , a gente tentou te ligar, mas o seu celular provavelmente estava sem bateria e você tava em prova não podíamos ir à sua sala - foi falando devagar e deixando a vassoura distante de mim.
- Tá, e onde se meteram?
- A gente tava na casa do vendo o ensaio dos meninos e acabamos ficando pra jantar. – disse em um de voz bem calmo e já esperando a minha reação.
- Que bom que TODO MUNDO se lembrou de mim, que TODO MUNDO se preocupou comigo hoje!
- , você sabe que não foi por querer então pare com essa merda de drama. – sempre gentil comigo, tinha certeza que ela ia xingar mais só que a interrompeu.
- Aconteceu algo?
- Acordei atrasada, fui de TÁXI, cheguei atrasada, fui mal nas duas provas, comi meio lanche estragado, fiquei sem celular, fiquei procurando vocês que nem idiota, tomei chuva, voltei de TÁXI e perdi a minha chave. Tá bom ou querem mais?
- Não, , tá bom! – disse rindo, tentando me animar, mas foi em vão e eu só parei de fuzilar ela com os olhos porque o telefone tocou.
- Alô! – atendi com a mais boa vontade do mundo – Não,e não quero saber como você ta, vou passar pra sua namorada! , o ! – joguei o telefone nela e sentei no sofá.
- , o quer falar com você.
- Ahn? Não fui porque NINGUÉM me chamou, preferiram me deixar sozinha na faculdade feito uma idiota. Eu não estou estressada! , eu só to cansada! A não sabe o que fala! Tá bom, beijos, também te amo, até amanhã.
- Eu juro que eu não falei nada – disse se encolhendo no sofá.
- Falou sim! Eu e a estávamos vendo TV e ouvimos tudo.
- ...Ai, , você sabe como o é, e sabe como eu sou e...- nem deixei ela terminar.
- É, eu sei. Vocês imaginam coisas e eu espero que mais ninguém tenha ouvido.
- Relaxa – falou recolhendo os meus livros que eu tinha jogado – O não tava perto.
- Olha, eu não quero falar sobre isso, eu to morrendo de fome, de sono e de carência. Portanto vocês deviam se redimir e pedir pizza e fazer um brigadeiro pra mim.
-Eu faço o brigadeiro! – saiu correndo pra cozinha.
- Eu vou pedir as pizzas, já que o cancelou o shopping porque eles vão ensaiar mais.
- E você não gostou da idéia né? – , já prevendo a resposta.
- Disse que se isso fosse desculpa pra me trair que fizesse bem feito, porque se eu descobrir eu cortava o membro dele.
- E eu vou arrumar aqui então e escolher uns filmes,e você dona , pode ir pro teu banho, que a aqui vai escolher uns filmes bem melosos pra você botar todas essas sua lagrimas pra fora.

Comemos 3 pizzas, amos dois litros de refrigerante e comemos uma travessa bem funda de brigadeiro, tudo isso assistindo a: P.s Eu Te Amo e Um amor Pra Recordar. Quando o ultimo filme terminou olhei em volta e vi quatro amigas que tinham se empanturrado de comer e tinham se acabado de tanto chorar vendo os filmes preferidos pela 25669852 vez, isso significa que além de gorda amanhã eu vou acordar com a cara mais inchada do mundo.

- Bora mulherada, vamos dormir que amanhã é sexta e ainda temos um dia cheinho de aulas e relatórios. – , a exemplar, tinha que se lembrar dos relatórios.
- Por falar em sexta, vocês lembram que amanhã os meninos tocam naquele pub? – senti que o VOCÊS foi pra mim.
- Eu lembro sim, , e eu vou, você sabe disso – disse, subindo a escada sendo seguida por .
- Ah que bom, porque anda tão estranha que capaz de não ir ver os amigos. – só tive forças pra mostrar o dedo pra ela e pra que ria descontroladamente e disse um BOA NOITE, AMO VOCÊS.

Capítulo 05
Enfim, a sempre amada sexta feira havia chegado. Dessa vez fui pra faculdade de carro, vi que por um milagre eu tinha ido bem nas provas, tive um almoço digno, não fiquei sem celular, não me perdi das minhas amigas, não tomei chuva e as aulas terminaram mais cedo. Estava tudo indo maravilhosamente bem o que pra mim significa que a qualquer momento algo poderia acontecer para acabar com a minha paz, veja bem como eu sou uma pessoa otimista.

- Gente, já que estamos indo embora mais cedo e não temos o que fazer, que tal irmos ao shopping? – falei toda empolgada, já prevendo que nenhuma das três recusaria.
- VAMOS! – disseram juntas.

Chegando ao shopping vimos que tinham aberto um novo salão de beleza e não resistimos, entramos apenas para conhecer (e quem acredita?), e só saímos de lá após termos feito as unhas, as sobrancelhas e os cabelos.

- Estamos lindas e absolutas demais! – disse se olhando no espelho. – Merecemos roupas novas para hoje, que tal?

E lá fomos nós atrás de um modelito novo. Entramos em várias lojas, experimentamos várias roupas e nada nos agradava, até que no ultimo minuto, já que ninguém agüentava mais a avistou algo em uma loja e nos arrastou até lá. Saímos de lá depois de 30 minutos e todas felizes com uma roupa nova. Assim que chegamos em casa percebemos que estávamos um pouco atrasadas, mas quem ligava né? Naquela noite estaríamos lindas e absolutas depois de passar uma tarde em um salão de beleza e com roupas novas.

- Quero ver o que vocês compraram, eu tava tão distraída que nem percebi. – falou, já abrindo as sacolas.
- Eu comprei essa blusa preta, com esse decote nas costas MARAVILHOSO e com um D dourado na frente – o D ela disse toda melosa – Vou usar com a calça preta que comprei semana passada e com o all star dourado que o me deu. – entenderam o por quê do D né?
- Eu, essa calça skiny que eu tanto queria! – o exibia em seu corpo irritante e magérrimo – E vou pegar uma blusa da pra ir.
- Eu comprei essa blusa rosa, essa roxa e essa azul, não sei qual vou usar hoje, apenas sei que vou pegar uma calça da . – disse olhando e rindo pra .
- E eu comprei esse vestido preto que vai até o meu lindo joelho e tem esse decote singelo – falei, enfatizando o singelo.
- SINGELO? Nem ouse chegar perto do Peter com essa roupa. – Peter, o carinha que a anda dando uns pegas e que provavelmente estaria lá.
- O dia em que o me levar pro Motel eu quero que me empreste esse vestido – disse o puxando da minha mão – Menina, to chocada!.

Fomos tomar um banho e começar a nos arrumar, pois já era tarde e provavelmente iríamos nos atrasar. Coloquei o vestido e me olhando no espelho pude perceber que eu não tava tão mal assim como pensava, ele tinha caído perfeitamente em mim, fiz minha maquiagem, passei meu perfume preferido e coloquei meus acessórios de strass que eu tanto amo. ADORO brilhar na noite! HAHA. Me sinto tão travesti falando isso. Cheguei na sala e encontrei e sentadas no sofá prontas apenas esperando eu e , foi quando meu celular tocou, olhei pro visor e li . Olhei pro relógio da sala e vi que já eram 20:30 e o show começava as 21:00.

- Oi zinho lindo – falei, já esperando ele reclamar do atraso.
- Vocês não vêm?
- A gente vai sim, acha que vamos perder vocês tocando? JAMAIS faria isso, nem que você vá pro Japão tocar e vou atrás. – ele riu muito quando eu disse isso.
- Então venham logo, caramba!
- Estamos indo amor, beijos.

Não que eu esteja querendo me gabar, mas nós estávamos realmente LINDAS E ABSOLUTAS, não seria nada mal se tivesse alguém de interessante naquele pub e aposto que o pensamento delas era o mesmo. Entregamos a chave para o manobrista e entramos no pub que estava lotado, fomos em direção ao palco porque sempre a nossa mesa ficava em frente e encontramos os meninos sentados provavelmente guardando a mesa pra gente.

- WOOOOOOOW – disse, quando chegamos perto. – Tá explicado o porquê do atraso.
- Pelo visto vou ter que bater em uns dez hoje. – , o que se julga fortão.
- Acho tão linda a forma de vocês elogiarem a gente. – disse, virando os olhos.
- Você tá linda! – ouvi uma voz conhecida me dizer ao pé do ouvido e quando me virei dei de cara com aqueles malditos olhos . – Linda como sempre.
- Obrigada, . – provavelmente eu falei isso com um sorriso bobo na cara.
- Já que vocês chegaram, a gente vai terminar de arrumar as coisas porque ta quase na hora já. Juízo ai . – disse, seguido de um selinho em sua amada.
- Pode deixar, meu amor.

Eles começaram a tocar e a gente começou a beber (atóron), cantávamos todas as musicas acompanhando os nossos lindinhos, estávamos orgulhosas como em todas as apresentações deles.

- Ele não tira os olhos de você – falou, me cutucando.
- Ahn? Ele quem? – sim, eu me fiz de desentendida.
- O !
- Claro que não, ele tá olhando pra essas piriguetes que estão atrás de nós.
- Mas PUTA QUE PARIL, em todo lugar tem que ter esse tipo – ela gritou e eu temi que ouvissem. – Mas ele ta olhando pra você sim e você tá olhando pra ele que eu percebi.
- Eu não to olhando pra ele, só tava reparando que a camiseta que ele tá usando foi eu que dei, só isso.
- Aham! Senta lá Claudia. – e suas frases imbecis!
- VAAAAAI AMOOOOOOOR! LIIIIINDO! TE AMOOOO! – sim, a estava na frente do palco pulando, gritando e apontando pro D estampado em sua blusa.
- , aquele amigo do Peter quer te conhecer.
- Ah não , nem vem.
- Vai lá amiga, ele é bonito.- eu disse, a encorajando.
- Vai ficar sozinha?
- Eu, sozinha? Olha esse copo de tequila bem na minha frente.

Elas foram ao encontro do amigo do Peter e eu fiquei na mesa junto com a minha querida tequila vendo a se acabar na frente do palco. Foi quando aconteceu uma coisa que eu JAMAIS esperava.

- Bem, tem uma pessoa aqui que perdeu uma aposta comigo.

NÃO, ele não ia fazer aquilo comigo, ele não teria coragem, ele não perdeu amor a vida. Quando me dei conta eu estava em cima do palco com o microfone na mão e olhando pra cara do que ria incontrolavelmente. De repente havia uma aglomeração de gente na frente do palco, minhas amigas estavam ali gritando pra mim e eu estava tremendo e morrendo de vontade de mandar aquele microfone na cara do .

- Vou aliviar pro teu lado, tampinha! A próxima canção se chama Point Of View – ao menos a música que eu ajudai a compor.

Tá, eu não canto bem, eu tava um pouco alcoolizada, mas as pessoas que me ouviam estavam bem pior do que eu, portanto todo mundo gritou e bateu palmas pra mim. Meu vestido ajudou, mas isso não vem ao caso.

Capítulo 06
O show dos meninos havia acabado e o pub ainda continuava bem cheio, por isso resolvemos ficar por ali mesmo e comemorar a apresentação deles. Como de costume, pedimos algumas cervejas e no sentamos naquelas mesinhas de canto onde ficam uns sofazinhos por perto. Doug fazia questão de ficar ali, pois dizia ser mais escuro e assim ficava mais tranqüilo com . Assim que as bebidas chegaram eu percebi que faltavam algumas pessoas na mesa e virando pra tr
- Foram em outro pub com o Petter e o amigo dele, você sabe o que eu eu acho né, ?
- Ahhh deixa elas!
- Deixar eu deixei, só que eu não confio naqueles dois, tô com medo.
- Ela tem razão. – disse e se sentou ao meu lado. –Eu não fui com a cara deles.
- Parem de frescura e aproveitem a noite de vocês. aquele menino ali não para de olhar pra você, olhe pra trás.

Quando eu olhei me deparei com um loiro que devia ter 1,80 de altura, um belo de um corpo definido e um par de olhos verdes que mais pareciam um par de esmeraldas. Ta, ok, eu acho que ele pode me fazer esquecer das minhas amigas por uns minutos.

- Perdeu alguma coisa ali? –uma voz infelizmente conhecida me tirou do transe hipnótico.
- Não é da sua conta, . - Mesmo você sendo esse amor de pessoa comigo, eu te trouxe essa bebida. –e colocou um copo na minha frente todo colorido e cheio de frutinhas em volta. –Só porque você cantou muito bem.
- Sou quase melhor que a Madonna! –falei e tomei um gole da bebida que por sinal era deliciosa. –Você tocou bem também, e a proposito bonita camiseta.
- Obrigada, achei no lixo!
- REPITA! REPITA!! – falei com as minhas unhas encravadas no braço dele.
- Ai ai ! Solta! Eu tava brincando. –soltei do braço dele e fiquei o encarando com uma sobrancelha levantada. –Eu ganhei da garota mais linda e bravainha de Londres.
- Menino besta, acho bom! –ele riu e me deu um beijo na testa seguido de um abraço.

Ficamos ali por um tempo bebendo e conversando com o e a . Até que o garçom chegou e me entregou um bilhete. Sim, um bilhete do loiro de 1,80 de altura. E lógico que todo mundo percebeu e as piadinhas começaram e mais lógico ainda que o não perderia a oportunidade.

- Deve ser algum dos meninos brincando com a sua cara.
- Não é não, . – disse, apontando pro dono do bilhete.
- Vou pra lá com os caras. – se levantou tão bruscamente que quase levou metade da mesa junto.
- Isso, vai lá com as putinhas, desse tipo mesmo que você gosta.
- Calma ele só ta com ciúmes! –Doug disse rindo.

E de repente o garçom voltou com uma bebida dizendo que era cortesia da pessoa que havia me mandado o bilhete, olhei para trás e o menino me deu um sorriso, daqueles que derrete as geleiras do ártico e na mesma hora eu retribui o sorriso bobo. Quando voltei ao meu lugar de origem, me deparei com , , e três putinhas sentados na minha frente. Abri a boca pra dizer algum absurdo pra eles, mas e me lançaram um olhar tentando dizer que era melhor eu ficar quieta.

- Me deixa experimentar isso ai que te mandaram. – falou, esticando o braço pra pegar a bebida e dando um jeito de bater forte com a mão no copo, fazendo com que ele caísse e virasse toda a bebida em mim. –Nossa desculpa! Foi sem querer. –ele disse com um sorriso irônico no rosto.

Vi o meu vestido NOVO todo molhado e com um principio de mancha de vinho, e como se não bastasse, vi aquelas três vadias rindo da minha cara.

- PUTA QUE PARIU garoto! Você é um IDIOTA mesmo. Olha o que fez com o meu vestido novo. IMBECIL! –gritei com o no meio de todo mundo e percebi meio pub olhando pra minha cara.
- Vem amiga, vamos ao banheiro tentar limpar.
- Eu vou sozinha, . –me levantei e fui ao banheiro, aquele idiota me pagava! Além de acabar com meu vestido acabou com a minha noite, o loiro de 1,80 começou a me olhar com a maior cara desentendido.
- Você é um babaca mesmo, . Precisa disso pra chamar atenção.
- Iii , foi sem querer, já falei, que saco.

Entrei no banheiro que por minha sorte estava vazio. Peguei alguns lencinhos de papel e comecei a tentativa frustrada de secar o meu vestido. Ele conseguiu estragar a minha noite, ficarei sem vestido e sem o loiro. Gente, até agora eu não sei o nome dele, eu juro que mato o na minha primeira oportunidade. O meu celular começou a tocar e acabou desviando os meus pensamentos de como matar um garoto com uma pancada só, olhei para o visor e vi a foto da . Neste mesmo momento um nó se formou em minha garganta.

- Oi, .
- , pelo amor de Deus, me ajuda! –ela falava baixinho e rápido. –Vem me buscar amiga!
- , o que tá acontecendo? Onde você está? Cadê a ?
- Não dá pra explicar tudo, vem logo. –ela me passou o endereço de onde possivelmente estaria com aquele amigo do Petter. –Ele tá chegando, vou desligar, não demora, por favor, to com medo!

Desliguei o celular e sai correndo do banheiro. Cheguei e em um impulso peguei o pelo braço.

–Vem! Preciso de você AGORA! – todos ficaram olhando pra minha cara e por um milagre ele não perguntou o por quê precisava dele; apenas levantou e veio comigo antes que começassem com perguntas. Aquele momento exigia pressa e as explicações ficariam pra depois.
- a me ligou, ela tá em uma estrada, ela tá com medo e eu não sei o que tá acontecendo.
- Eu sabia. – falou, dando um murro no volante. –Sabia que aquele cara iria aprontar! Eu mato, mato aquele infeliz.

Passei pro o caminho que ela tinha me contado e ele disse saber onde possivelmente eles estavam. Eu tentava freneticamente ligar no celular dela, mas dava caixa postal. Estava começando a ficar preocupada demais e comecei a chorar.

- eu tô com medo, e se ele...
- Calma, calma eu não vou permitir que ele faça nada de mal a ela. Tenta ligar pra , quem sabe aquele banana do Petter não pode nos ajudar.
- ? ? Onde você ta? Que? Não te ouço! –um barulho de musica alta não permitia uma conversa ao celular. -, ela deve estar no pub, porque deu pra ouvir musica e vozes, não consegui ouvir a voz dela direito.
- Ali! Achamos os dois.

parou o carro e saímos correndo, quando chegamos em frente ao carro do garoto vimos que ele tentava agarrar a . Tentava tirar a sua blusa enquanto ela se batia e gritava tentando se salvar. Começamos a bater no vidro e a gritar do lado de fora, mas aquele infeliz fingia que não nos ouvia. Até que peguei uma pedra e joguei contra o carro, acertando o vidro que fica do lado do motorista. Acho que joguei com tanta força que consegui estraçalhar tudo, pelo menos assim ele parou de agarrar minha amiga.

- Seu idiota, seu covarde, animal, o que você tá fazendo com ela? –comecei a berrar e fui pra cima dele.
- Olha o que você fez no meu carro! Você vai ter o teu, menina. –ele disse enfurecido e desceu do carro vindo pra cima de mim. Ele deu me deu apenas um empurrão que me jogou pra bem longe.
- Eu mato você. –foi à única coisa que ouvi dizer, pois com o tombo eu bati minha cabeça e acabei desmaiando.

Acordei com a jogando um pouco de água em meu rosto e gritando, pedindo que os dois parassem de brigar.

- Cheeeeega ! Vamos embora, por favor.

saiu de cima do garoto, ainda dando um soco em seu rosto e dizendo para que nunca mais aparecesse na nossa frente. O cara se levantou com muito esforço e entrou em seu carro dizendo que aquilo teria troco. me ajudou a levantar e veio me pegando em seu colo para me levar até o carro quando o celular dele tocou.

- Calma dude, a gente tá indo por apê das meninas, lá contamos tudo, preciso desligar.
- Quem era? – perguntou, enquanto me ajeitava no banco de trás.
- O . Lá a gente conversa, é melhor. , você ta bem mesmo?
- Tô , vamos embora logo, por favor.

O caminho até o nosso apartamento me pareceu mais longo que o normal. Nenhum de nós três tocamos uma palavra sequer. dirigia ainda sobre o efeito do nervoso, apenas chorava e eu me concentrava para aliviar a dor que atingia o meu braço direito que parecia estar seriamente machucado.

Capítulo 07
Subi a escada que dá acesso à entrada do meu condomínio graças à ajuda do que me carregou. A dor em meu braço está me deixando tonta que se alguém largar de mim eu caio no chão feito uma batata. O que eu mais queria era chegar ao meu apartamento e cuidar desses ferimentos, também quero dormir e acordar com o meu braço novinho em folha, quem sabe com um pouco descanso ele não volte ao normal. e apenas trocavam olhares desde a hora em que saímos daquele lugar e eu estou sem coragem de abrir a minha boca e cortar o clima.
- Tá doendo muito amiga? – me perguntou observando o tanto de lugar ralado que havia em meus braços. – Nossa sua perna! Seu rosto! me perdoa. – ela disse isso e me abraçou caindo no choro.
- Vem, a gente chegou. – nos puxou pra fora do elevador.
- Impressão minha ou metade de Londres esta aí dentro? – perguntei ao ouvir milhares de vozes que vinham do meu apartamento.
- Olha, metade de Londres eu não sei, mas os seus amigos estão ai. Quer que eu te carregue pra entrar, tem o degrau? – falou esticando seus braços em minha direção.
- Não precisa só me da um apoio! –ele segurou em minha cintura e em meus ombros enquanto abria a porta.
Assim que entramos recebemos olhares de espanto, ninguém se mexeu, apenas ficaram ali, parados olhando pra gente como se fossemos criaturas de outro planeta.
- MEUS DEUS O QUE ACONTECEU? – parou de apenas olhar e começou a berrar vindo em minha direção. – Senta aqui amiga.
- Você está toda machucada. – ajudou a me colar na poltrona. – Ei dude você também, gente o que aconteceu?
- Acidente, vocês sofreram um acidente? – perguntava enquanto tentava olhar todos os meus machucados possíveis.
- Não , não foi um acidente. Deixa-me respirar que eu já explico. – disse dando um gole na água que havia pegado pra ele. – Então, aquela hora que a me puxou na mesa era porque a havia ligado pra ela e...
Pra falar bem a verdade eu não conseguia prestar muita atenção no que contava e no que os outros diziam. Não sei se era efeito da dor que eu sentia mas eu apenas conseguia prestar atenção em uma pessoa que não tirava os olhos de mim. me olhava com uma cara que era um misto de espanto com pena e em momento algum ele disse uma palavra. Até que se levantou e saiu da sala onde estávamos, minutos depois voltou com a nossa caixinha de primeiros socorros e se sentou ao meu lado.
- Posso? – ele perguntou me mostrando um algodão e alguma outra coisa que eu não consegui ver o que era. Apenas dei sinal com a cabeça de que ele poderia fazer o curativo. – Prometo que não vai doer.
- Ai! – soltei um gemido sem querer e ele me olhou com carinha de pena pedindo desculpas. –Não foi nada.
- Pronto, acabei. Deixa-me ver o seu braço, estou achando que ele está um pouco inchado. – disse pegando em meu braço com todo o cuidado possível.
- Ta doendo. – falei quase que chorando.
- Eu acho melhor te levar ao médico.
- Não, , não precisa de medico. Tenho curativos e nem precisei ir a um hospital.
- Está certo eu sou um ótimo enfermeiro mesmo. Vou buscar aquela bolsa de fazer compressa com água quente e a gente o enfaixa, mas se não adiantar, amanhã mesmo eu te levo pro hospital, certo mocinha?
- Tudo bem doutor.
Enquanto e Danny contavam toda a historia e os outros discutiam sobre a possibilidade de achar Petter e seu amigo e brigarem mais uma vez, voltou coma bolsa, fez à compressa e enfaixou meu braço.
- Pronto, agora sim eu acabei. Toma esse remédio pra aliviar a sua dor. – disse me dando um comprimido e um copo de água.
- Obrigada .
- Não precisa agradecer, só fiz o que deveria ser feito. – falou e em seguida beijou a minha testa e saiu em direção à cozinha.
que acabou percebendo toda a movimentação foi até a cozinha ver o que o amigo fazia por lá. E eu confesso que adoraria estar em condições de andar pra poder ir mais perto e ouvir a conversa dos dois.
- ? Está tudo bem? – entrou na cozinha perguntando ao amigo.
- Não. Como é que alguém tem a coragem de fazer isso com uma garota. Quem aquele idiota pensa que é pra encostar um dedo na .
ele a machucou e me machucou, se eu encontrar esse cara eu não sei o que sou capaz de fazer.
- Calma dude, eu também to nervoso com o que aconteceu calma. Pense que o pior não aconteceu com nenhum deles. Vamos lá pra sala, parece que a chegou.
- Geeeeeeente o que aconteceu? – gritou assim que me viu.
- Onde você estava sua irresponsável? – se levantou do sofá e foi em direção a .
-Eu tava no pub com o Petter. por que você não foi?
- Por que ela não foi? Você não faz idéia? A tentou avisar que eles não prestavam, mas não, vocês foram e olha no que deu. – ao mesmo tempo em que falava pulava em cima do sofá.
- Será que da pra me explicar o que ta acontecendo aqui PORRA!
se sentou ao meu lado e foi contando toda a história desde o momento em que ela entrou no carro do amigo do Petter.
- A me ligou mas eu não conseguia ouvir. E o celular da tava desligado. Petter disse que talvez o amigo dele tivesse resolvido ficar por lá mesmo. – tentava se explicar.
- É o amigo dele tentou é estuprar a menina. Bateu na e apanhou do . – ainda pulava no sofá.
- Ai gente eu nem sei o que dizer. – deixou uma lagrima rolar em seu rosto.
- Eu sei. –disse . – Largue desse Petter o mais rápido possível antes que aconteça algo mais grave.
- Gente é melhor irmos embora, as meninas precisam descansar e a gente também. – disse vindo em minha direção pra se despedir.
e se agarravam em uma tentativa de despedida, e ainda continuavam apenas se olhando, tentava convencer de que o melhor era terminar com o Petter, e eu, bem eu permanecia ali sentada sem conseguir me mover apenas observando andando de um lado para o outro.
- Hey vai gastar o chão da minha sala e não vai me falar tchau?
- Desculpa, todo mundo já se despediu de você e eu ainda não. – ele disse e veio em minha direção, me deu um beijo na testa e um abraço. – Se cuida,ok ? E qualquer coisa me liga, por favor.
- Pode deixar. ...
- Diga.
- Er... Obrigada. – falei meio sem jeito e com um sorriso levemente bobo.
- De nada. – jogou um beijo no ar e saiu do apartamento seguindo os meninos.
- Ok, agora eu preciso que alguém me ajude a subir até o meu quarto. – falei fazendo cara de cão abandonado.
- Eu te ajudo. – e disseram ao mesmo tempo.
- Levem ela que eu já subo. Vou apagar tudo aqui. – disse e em seguida subiu até o meu quarto.
- Amiga você que fez esses curativos? – perguntou.
- Não, foi o . – disse com uma voz de criançinha.
- OOOOOOWWWWWN! – todas em coro.
- IIIIIIIIH deixem as piadinhas pra amanhã, agora eu quero dormir.
- Sim Senhora . – elas disseram em voz alta, me deram um beijo de boa noite como de costume e saíram do meu quarto.
Senhora , affê! Nem aqui nem na China. Ele que pense que só porque me fez curativos e me deu remédio eu vou esquecer do que fez com o meu vestido. Deixa só eu ter força o suficiente que eu arrebento a cara daquele menino. Quem ele pensa que é só porque tem aquele par de olhos azuis hipnotizadores pode me comprar com curativos. Pois eu digo que NÃO, ele não pode.

Capítulo 08
Ou o mundo está acabando lá fora ou tem alguém se matando aqui dentro e perturbando o meu sono, eu acabei de deitar e esse povo não sossega que saco, vou descer e ver o que está acontecendo. Conforme eu ia descendo a escada o barulho da gritaria ia aumentando e ao que tudo indicava vinha da sala.
- PQP o que ta acontecendo aqui? – gritei ao ver uma pequena aglomeração em volta de algo caído no chão.
- Pelo amor de Deus hein, achei que não fosse acordar hoje. – disse enquanto se virava tentando esconder algo.
- Cala boca, eu acabei de deitar, o que vocês estão fazendo acordadas ainda?
- Ai meu Deus a batida na cabeça foi forte mesmo. – dizia enquanto ficava cada vez mais colada em . – LINDINHA, sabe que horas são? Agora são exatamente 19:25 e hoje é sábado! Mais alguma duvida?
- OOOOOO QUEEEEEE? Eu dormi tudo isso? – disse coçando meus olhos. – Por que ninguém me acordou?
- A gente tentou, mas você dormia pesado e então achamos que precisava descansar, eu também acordei faz pouco tempo. – falou.
- Hm. E eu posso saber que merda de barulho foi aquele que me acordou?
- É... Então , como eu posso explicar? Foi assim... er... - tentava me contar.
- Ahh eu falo! – deu um passo a frente e começou a falar. – A gente estava aqui vendo TV né,e a jogou uma almofada em mim e eu joguei uma nela só que acertou na e a jogou outra em mim e eu fui jogar nela e acertou na ai a foi jogar outra em mim e eu me abaixei e acabou acertando na TV que caiu e quebrou. Pronto falei.
- Não, eu não ouvi uma coisa dessas, vocês não fizeram isso. – falei indo em direção a elas pra ver o prejuízo. –PQP vocês conseguiram destruir a TV com uma almofada!
- Foi sem querer. – fazendo cara de cão sem dono.
- Eu só tenho uma coisa a dizer, ou melhor, duas. A primeira: Eu NÃO vou arcar com o prejuízo e a segunda: Eu estou com fome, alguém fez a janta?
- Não, a gente pediu pizza, já deve estar chegando. – disse e se abaixou pra tentar pegar a TV do chão e tirar dali antes que eu pegasse e jogasse na cabeça delas.
- Está melhor amiga? – perguntou apontando pro meu braço.
- Acho que sim, pelo menos não está doendo, mas como estava, acho que eu até vou tirar essa faixa.
- O ligou. – veio correndo da cozinha e pulou no sofá ao meu lado. – Ligou umas três vezes, aliás, mas eu disse que você estava dormindo e quando acordasse ligava pra ele, então eu acho bom você ligar logo.
- Hmm... depois eu ligo. –falei meio sem animação.
- Liga agora menina! – acha que manda em mim é incrível.
- Ai tá bom, joga o telefone aqui, melhor eu vou subir tomar um banho enquanto a pizza não vem e ligo de lá.

- OOOWWWWN ela quer falar a sós com o !
- CALA BOCA .
Mostrei o dedo pra ela e subi pro meu quarto. Banho, um bom banho era tudo o que eu precisava, quer dizer, eu preciso de mais coisas, estou precisando de um sapato novo, de um vestido novo e de uma TV nova pra sala. É, acho que no momento o banho é o mais provável de conseguir. Acho que vou ligar pro antes que ele me ligue e eu tenha que ficar agüentando piadinha.
- Alô? ? – mas que porra é essa eu gaguejei.
- Não me diga que acordou agora? –uma voz que eu poderia ter a certeza de que era sorridente.
- Aham. E acredita que eu acordei com um imenso barulho, ai desci xingar as meninas dizem que eu tinha acabado de deitar e precisava de silêncio.
- só você mesmo! –ele não sabia se ria ou se falava. – Olha a hora que é menina, aposto que foi a batida na cabeça que te deixou mais retardada.
- Me disseram que você ligou três vezes hoje e que era pra eu retornar a ligação, acho que não era pra me zoar que você ligou.
- Er... Eu estava só brincando. Não, não foi pra te zoar, foi pra saber como você está mesmo. Seu braço melhorou?
- Parou de doer, mas parece que ta um pouco inchado ainda. Os ralados estão doendo um pouco, menos que do que ontem é claro. E não estou mais mancando.
- Que bom ex-manquinha! Que bom que você está bem.
- Hmm... quem vê pensa que se preocupa muito comigo.
- Eu não vou responder por que não estou a fim de ser sem educação.
- Milagres acontecem né. –ouvi alguém bufando do outro lado da linha e eu adoro isso. –Também não precisa ficar mudo.
- Às vezes é melhor. Vocês vão sair?
- Acho que não, eu pelo menos não vou, por quê?
- Eu e os meninos estamos indo ai, a gente vai levar pizza e filme.
- Oba! – que gritinho gay foi esse que eu acabei de dar?
- Está bem, eu vou tomar banho. Até daqui a pouco então.
- Até. Err... Beijo, .
- Beijo Harry.
Omg! Acho que essa água nunca esteve tão boa assim, sinto que ficarei aqui um tempo contribuindo pro fim da água mundial. Eu estou um caco, ontem foi algo péssimo, eu nem tive tempo ainda de conversar com as meninas sobre o acontecido, preciso conversar sério com a e com a . Eu tentei avisar e ninguém me ouviu, tenho medo que de o Petter faça algum mal a , sei lá vai que ele e aquele amigo queiram se vingar pela briga, de gente assim temos que se esperar de tudo, acho que vou até alertar os meninos pra tomarem mais cuidado, se eles se trombam em algum pub por ai eu não quero nem ver no que vai dar. É, vou aproveitar que vai estar todo mundo aqui em casa hoje e vou alertar geral, sei lá eu posso estar exagerando, mas é melhor prevenir do que remediar. Na verdade eu preciso arrumar um jeito de fazer a largar do Petter, ai sim os problemas se acabam, eu odeio acabar com relacionamentos alheios, mas vou fazer o que esse é um caso de vida ou morte e eu preciso de um plano bem bolado porque se bem conheço minha amiga ela vai arrumar mil e uma desculpas pra continuar com esse marginalzinho. Sabe que eu ando percebendo certo clima entre ela e o , ela está se fazendo de difícil mas eu bem sei que ela ficaria com ele numa boa. É ISSO! Vou juntar a e o . você é demais menina, que orgulho. Agora preciso saber como fazer isso, plano, plano infalível venha até a mim.
- Falando sozinha ? – abriu a porta do banheiro e me viu sentada em baixo do chuveiro falando sozinha.
- Claro que não, estava conversando com o chuveiro mesmo.
- Ah é, claro, esqueci que o seu chuveiro fala, ele é tão anormal quanto à dona.
- Veio aqui só pra me falar que eu sou anormal?
- Não idiota, vim pra avisar que seu HERO chegou! HAHAHAHA Os meninos estão ai, não demore.
- Vai ver se eu to na esquina garota.
- Estou descendo lá com eles, vê se não demora pra voltar da esquina.
Acho que já deu pra eu me limpar, é, já deu. Que roupa eu ponho? Parece que todo dia minhas roupas diminuem 15% incrível, cadê minha blusa azul do Mickey?
! Certeza que essa vaca pegou. Ok não tenho roupa pra por, mas por que mesmo eu estou tão preocupada com roupa se são apenas os meus amigos lá em baixo? Alow-ow acho que a conversa com o chuveiro me afetou, é foi isso. Sabe do que eu sinto falta? Do verão de verdade, porque cara olha o verão desse lugar, eu estou procurando uma calça pra por. Ah fala sério eu me recuso, vou colocar esse shorts jeans mesmo e essa camiseta do Pateta que está bom demais, afinal são apenas meus amigos no andar debaixo.
Sem me esquecer de secar o cabelo porque ninguém é obrigado a ficar olhando pra um leão selvagem durante o jantar, claro. Descendo as escadas pude observar um por um, , , , , , e , como é bom observar o meu porto seguro daqui de cima. Quando me juntei a eles a pizza já havia chegado, portanto começamos a comer o mais rápido possível, já que a fome estava incontrolável. Durante todo o jantar procuramos evitar tocar no assunto da noite passada, parecia que cada um presente ali sabia que ainda não era a hora certa de se fazer isso, os meninos nos contavam dos projetos, das idéias de novas musicas e melodias, nós contávamos da faculdade e das últimas fofocas das celebridades. Até que o "silêncio" foi quebrado por .
- Gente... Eu acho que já passou da hora de conversarmos sobre ontem! - todos olharam pra ela com cara de espanto e ao mesmo tempo concordando com que havia acabado de dizer. - Eu sei que eu fui errada, fui imatura ao aceitar o convite de praticamente um estranho, ele era apenas conhecido do Petter e eu aceitei sair dali sozinha com ele, quero dizer que eu sei o quanto estou errada e pedir desculpas pela minha falta de maturidade, e também agradecer a e o .
- Eu não deixaria que nada de mal acontecesse - a interrompeu.
- Eu sei , não sei o poderia ter acontecido se não fossem vocês, obrigada.
- nós sabemos que você é uma garota responsável e que isso não vai mais se repetir. - disse dando um abraço na amiga. - Nós só não sabemos quando é que a vai cair na real.
- Tava demorando pra sobrar pra mim. - disse revirando os olhos.
- você sabe muito bem a parcela de culpa que tem nisso. - eu não ia aguentar guardar pra mim tinha que falar. - Aquele infeliz é amigo do seu namoradinho e quantas vezes nós aqui já não alertamos você sobre esse cara, estamos cansadas de dizer que ele não presta, metade da faculdade diz isso e só você não acredita.
- Aquele povo da faculdade não sabe o que fala e eu já falei pra vocês pararem de implicância com ele. - dizia já em pé andando de um lado para o outro. Quando fui continuar falando tomou a minha frente e começou a falar.
- você sabe que eu não sou de ficar dando moral em ninguém, mas em uma situação assim eu sou obrigado a falar. O que passa pela sua cabeça quando várias pessoas dizem que o seu namorado não presta? Que elas são invejas eu acho. E o que passa pela sua cabeça quando vê o que o melhor amigo dele fez com OS SEUS AMIGOS? Que seus amigos são invejosos eu acho.
- Claro que não ! - exclamou. - Eu jamais pensaria isso de vocês.
- Então por que diabos você insiste nesse cara? Por que não ouve suas amigas e larga desse merda antes que ele te faça pior do que o amigo fez com a . Tente evitar que eu tenha que matar alguém.
- Ele tem toda razão amiga. - disse e concordou com a cabeça.
- para de me olhar com essa cara e fala logo. - disse roendo as unhas.
- Eu não tenho nada pra falar. Tudo o que queria dizer alguém aqui já disse e é melhor eu ficar calado. - disse isso e saiu da sala se isolando na cozinha.
- Não gente, o Petter não é igual o amigo dele, não é! - ela começou a dizer e a chorar.
- Olha amiga. - se ajoelhou ao lado de . -Ele tem tudo pra ser igual ao outro e você sabe muito bem disso só não quer aceitar o que já está bem claro pra você.
A nossa conversa sobre o assunto Petter e a noite passada acabou ai, acabou após as palavras da . as ouviu em silencio e em seguida nos pediu licença e foi ao seu quarto, disse que precisava ficar sozinha. Acho que colocando a cabeça no lugar ela vai tomar a decisão correta, conheço minha amiga.
- Que tal assistirmos um filme? - sugeriu.
- Ué, não vão sair hoje? - perguntei confusa.
- Não. - disse com a maior naturalidade.
- Poxa qual é? Eu não quero que comece a nevar.
- Idiota. Se não me quer aqui fale que é mais bonito.
- É Danny, não te quero aqui.
- Ok. Mas eu levo os cookies da minha mãe que eu trouxe.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! amor da vida senta aqui fofo. Ta confortável? Quer um suco?
- Sem graça, interesseira.
- Também te amo.
- Muito linda a cena de afeto dos dói, mas vamos escolher um filme logo. - disse saindo da cozinha com uma bandeja de cookies.
Colocaram um filme qualquer que os meninos acharam melhor, afinal sempre eles que acabam escolhendo mesmo. O filme não estava no meio quando e resolveram se retirar do ambiente. Um pouco mais da metade do filme já tinha rolado e eu comecei a me sentir mal, comecei a me sentir sufocada e então resolvi ir até a varanda pra respirar um ar "puro", não demorou muito pra eu perceber que não estava sozinha ali.
Conforme o vento passava pro mim eu podia sentir um cheiro que me hipnotizava, que entrava por minhas narinas e aos poucos ia paralisando todos os meus sentidos e me tirando da orbita. Só existia um cheiro, um único perfume que me deixava assim, eu precisava estar errada, eu queria estar errada, mas só poderia ser . Quando me virei para trás o meu medo se tornou realidade quando olhei fixo nos dois pontos azuis que iluminavam e clareava minha visão, como se não bastasse o infeliz resolveu dar um sorriso, aquele sorriso torto, aquele sorriso de canto de boca que definitivamente terminou de desligar os meus sentidos.
- ? ? - ops tem alguém me chamando e eu não consigo responder. -, está tudo bem com você? - ele se aproximou de mim e por defesa eu consegui meus sentidos de volta.
- Erm... Desculpa eu estava distraída - é, eu tento mentir. - To bem sim, só sai pra tomar um ar um pouco. - falei ainda tonta.
- Frio? Você não sente frio? - ele foi dizendo e colocando o seu casaco xadrez sobre o meu corpo. Agradeci com um sorriso e me virei pra frente novamente. - Tomara que a tome juízo né? Espero que ela termine com o Petter.
- É... Eu também espero. - respondi.
- Você está bem mesmo? E seus machucados? - ele parecia realmente preocupado.
- Meu braço não dói mais, acho que graças a você. - falei meio sem jeito. - Os arranhados , bem, esses doem como todos os arranhões do mundo.
- Sou um bom enfermeiro né? - ele disse rindo.
- Dessa vez eu vou ser obrigada a concordar com você, mas que fique bem claro que só dessa vez.
Ele riu e em um gesto rápido passou seu braço pelos meus ombros e me puxando pra perto dele, começou a dizer sobre a paisagem privilegiada que nós tínhamos do nosso apartamento.
Não sei o que estava acontecendo comigo, mas a última coisa que eu queria fazer naquele momento era falar sobre a paisagem do meu apartamento, aquele perfume juntamente com aqueles olhos azuis faziam com que eu perdesse completamente o controle da minha mente, não que normalmente eu tivesse algum, mas se tratando de homens geralmente eu conseguia controlar mais a fácil a minha mente perversa que nesse momento esta me traindo fazendo com que eu pense em agarrar ele aqui mesmo, seria tão mais fácil se ele falasse sobre alguma coisa bem escrota e parasse de tocar nos meus cabelos. Acho que se eu me esforçar um pouco mais eu vou conseguir me controlar, primeiro eu preciso parar de pensar na possibilidade de atacar o ou primeiro eu preciso para de prestar atenção nos olhos azuis, na boca tão chamativa e nesse perfume maravilhoso? Que bom eu não sei o que fazer e não posso nem pedir uma segunda opinião. Qual é garoto se AFASTA DE MIM! ALERTA VERMELHO! ALERTA VERMELHO!
- ! - ouvi ele gritar o meu nome e me sacudir pelos braços.
- Ahan? -falei meio sem noção do que tava acontecendo e ainda tentando voltar pro meu corpo.
- Você não está prestando atenção em nada do que eu to falando. - seria tão mais fácil se você se afastasse.
- Eu estou sim, você estava falando da paisagem e...
- Não, eu estava falando...ah deixa pra lá. - se virou e foi em direção ao outro lado da varanda.
- ! - seu nome saiu da minha boca sem querer e quando dei por mim eu estava o puxando pelo braço e trazendo o seu corpo pra mais perto de mim. Ficamos tão próximos que eu podia ouvir a sua respiração que oscilava junto com a minha, envolveu minha cintura com um dos seus braços e com a outra mão segurou em meu rosto colando nossas bocas iniciando um beijo tórrido, um beijo selvagem e cheio de desejo.
Parecia que íamos nos engolir e nem mesmo assim diminuíamos o ritmo, um beijo demorado mesmo sem fôlego de ambas as partes, não queríamos quebrá-lo, puxávamos o ar como podíamos em tentativas de não acabar com aquele momento que parecia ser desejado e esperado por tanto tempo. Ele me apertava de tal forma junto ao seu corpo como se quisesse nos unir o máximo possível e eu correspondia da minha forma pra não desgrudar de seu corpo, parecia que se os nossos corpos se afastassem ou se as nossas bocas e línguas se desgrudassem o mundo poderia acabar, e ali ficamos por um bom tempo em um beijo tórrido, quente, selvagem até que nossas bocas sangrassem.

Capítulo 09
Domingo não é um dos meus dias preferidos e muito menos domingos com chuva, mas como eu sou uma pessoa imprevisível hoje eu acordei amando os domingos e principalmente os domingos chuvosos. Sabe por quê? Porque pessoas normais em dias chuvosos ficam dentro de suas casas, o que significa que eu terei um dia de paz espiritual e não terei que enfrentar certas pessoas depois de certos acontecimentos que só acontecem na vida de certas pessoas azaradas e idiotas como eu. Bem que podia nevar, mas como estamos no verão isso não vai acontecer SHIT! O melhor que eu tenho a fazer é parar de ficar pensando e descer pra comer alguma coisa porque pensar dá fome e a minha ultrapassa os limites. Será que eu conto pras meninas o que aconteceu ontem na varanda? Elas tem a opção de me xingar e a opção de não me xingar, conhecendo bem essas meninas elas vão antes de mais nada BERRAR no meu ouvido e eu tô bem nova pra ficar surda, ainda mais ficar surda por causa de um beijo acidental qualquer.
- Morning girls! - cheguei à cozinha e lá estavam elas atacando um farto café da manhã.
- A morta de fome chegou. - disseram em coro.
- Poxa gente qual é, só porque eu tenho um pouco mais de fome do que vocês? Me deixem.
- Ah sim, só um pouco, claro, por isso a gente separou esse prato de torradas com mel pra você. - falou empurrando o prato em minha direção.
- Nossa amiga quanta gentileza, mais você sabe que cinco são apenas de segunda feira, nos finais de semana eu como 10! – ok,ok depois dessa a chuva de miolo de pão em cima de mim foi válida.

Ficamos ali comendo e conversando sobre a noite passada, com cautela é claro pra não criar mais conflitos com a . Conversamos sobre o filme que ninguém foi capaz de ver até o final e é claro que eu disse que não vi até o fim pelo mesmo motivo que todos: SONO. Até que alguém disse uma das frases que eu jurava que não iria ouvir naquele dias, afinal era domingo, domingo chuvoso se lembra?
- Amiga, a gente vai almoçar na casa do hoje. - disse . - Bebe o suco, levanta os braços dela!
- Calma gente já passou, já passou. - sim, eu engasguei ao receber a noticia e além de engasgar fiquei com cara de desesperada. - Como assim gente?
- Como assim pergunto eu, . - disse olhando pra mim com cara de dúvida.
- Como assim o que? – perguntei.
- Você engasga quando a diz que a gente vai almoçar na casa do , fica com essa cara de "cego perdido em tiroteio" e ainda pergunta "como assim" a troco do que isso?
- Ué... É que... Não ...eu só pensei que...sei lá...ah né por ser domingo e estar chovendo ficaria cada um na sua casa, eu tinha até programado um domingo entre meninas. - é, acho que essa não colou.
- Quantas vezes a gente já não fez isso? - se intrometeu.
- Até nevando a lot a gente já fez isso, coé menina! - opinou.
- Ela ficou nervosa só porque vai à casa do ! LA LA LA LA! - gritou.
- Aff! Claro que não, calem a boca. - revirei os olhos.
- Poxa, a gente te conhece muito bem pra saber que tem algo de errado nessa sua reação. - ria da minha cara de desesperada tentando sair da situação. - Vai amiga, se abre com a gente. - todas colocaram os cotovelos na mesa e apoiaram o queixo nas mãos fazendo carinhas de "estamos esperando a história", acho que vou acabar contando eu não vou conseguir guardar por muito tempo mesmo.
- Não meninas é... Então... Sabe que é...
- Ai caralho, fala logo e para de engasgar. - sempre tão gentil.
- Ai... É que assim... Calma eu vou falar não me matem.
- A gente ta esperando. - todas.
- Ontem no meio do filme... Quando vocês dormiram ou foram pro quarto...
- Ah sei! - parecia que ia me estrangular se eu não parasse de enrolar.
- Eu fui à varanda né... Tomar um ar fresco e tal... Ai o apareceu por lá e a gente se beijou - ai falei, morri.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH - foi o único som que se ouviu em todo o nosso condomínio.
- FILHA DA MÃE! você é uma vaca e tenho dito! - gritava e ao mesmo tempo pulava da cadeira e corria pela cozinha - VACA! Para de ficar com essa cara de paspalha e conta DETALHES!
- Detalhes? Ah gente... Não tem detalhes poxa. - eu não queria era reviver tudo mais uma vez, me da vontade de fazer de novo.
- Não tem detalhes teu nabo menina! Começa a contar já sua VACA! - ainda insiste no carinho.
- Foi o seguinte. - vai você consegue. - Como eu disse fui à varanda toma rum ar fresco, quando eu assustei o apareceu lá e a gente começou a conversar sobre a vista aqui de casa, mais aí eu me desliguei de tudo e ele ficou lá falando e falando e eu só conseguia prestar atenção nos olhos dele. Até que ele me perguntou alguma coisa e logo percebeu que eu não tava prestando atenção. Foi ai que ficou um olhando pra cara do outro e quando percebemos já estávamos nos engolindo ali mesmo. FIM!
- E você gostou amiga? - perguntou .
- Gostei. - fiz carinha de criança feliz.
- É o que importa não é gente? - disse olhando pra todas.
- Na verdade o que importa é o que vem depois do beijo, mas como os dois são lerdos creio que vai demorar pra ter uma recaída desse tipo - ai você não presta.
- Ei vocês sabem muito bem que eu e o nunca transamos e não vai ser agora que isso vai acontecer.
- OK ok, eu não falei por mal.
- Tem uma coisa me deixando confusa sabe...
- Ta apaixonada!
- CALA BOCA !
- O que é então?
- Ele disse que eu não tava prestando atenção no que ele me dizia e quando eu praticamente confirmei isso ele mudou a expressão, parecia que tava chateado, queria saber o que era sabe, parecia ser importante.
- Eu acho que ele tava se declarando.
- Ai claro que não, . Nada a ver. - isso seria a última coisa que esse ogro faria em vida.
- Olha o papo tá bom, ninguém mais do que eu adora perseguir a e o , mas se nós continuarmos aqui iremos acabar perdendo hora pro almoço mais importante do ano. - Ai , por que você não vai se foder?
- Depois do almoço se o estiver a fim... Quem sabe!
- ECA! - todas em coro.

Já que não me restava outra escolha fui tomar um banho e me arrumar pra enfrentar esse domingo que esta com cara de que vai ser o mais longo do ano ou até o mais longo da minha vida.
É às vezes eu exagero eu sei, mais poxa um domingo inteiro na casa DELE não foi o que eu pedi antes de dormir na noite passada. Pelo que eu me lembre antes de dormir eu pedi pra me livrar dele, pra ter forças o suficiente e me manter fora do alcance daqueles lábios carnudos e deliciosos e... Tá, parei. Tomei um banho bem gostoso, sequei meu cabelo que havia resolvido acordar pior do que o da Elba Ramalho, agora só preciso decidir uma roupa e ir ao sacrifício. Um jeans amigo sempre vai bem, não é? Essa camiseta! SIM essa é perfeita! Minha camiseta branca escrito LEAVE ME ALONE em pink vai me dar forças e quem sabe as pessoas não entendem mensagens subliminares. Meu tênis branco, ai cadê meu tênis? Achei! Jurava que ele não tava atrás do armário, enfim, uma última olhada no espelho e tcharã estou pronta pra ser jogada as cobras, se bem que nesse caso... Bom, deixa pra lá a pervertida é a e não eu!
- Amiga? Tá pronta?
- Tô sim , já tô descendo.
- A gente tá te esperando na sala, não demore.

Será que se eu demorar bastante elas desistem de mim e vão sozinhas? Seria uma boa, mas como eu as conheço é melhor ir logo e parar de ficar adiando o juízo final. Nossa como eu ando dramática.

- Achei que não seria pra hoje.
- Podia não ser. - respondi sem muito ânimo.

Frio na barriga define o que eu estou sentindo no momento e... CARALHO meu relógio parou de funcionar... Eu não estava pronta pra enfrentar aquela situação. Olhar na cara do depois do beijo de ontem que eu ainda posso sentir o gosto em meus lábios, na minha memória a sua cara de desapontando pela minha falta de atenção ainda martelava na dúvida e curiosidade por saber que eu perdi algo importante. – , você não vai entrar? - Ouvi alguém me chamando e eu acho que é melhor enfrentar isso de uma vez e quem sabe tudo acabe rápido e não seja tão doloroso quanto eu imagino. E lá estava ele, abrindo a porta pra nós, lindo como sempre, seus olhos brilharam e ofuscaram os meus, um sorriso com a capacidade de aumentar o frio em minha barriga. Ai, será que ele percebeu que as minhas pernas estão tremendo?
- Antes tarde do que nunca!
- TRÂNSITO... Sabe como é.
- Sei... trânsito na hora de se arrumar não é?
- Exatamente .
Uma coisa a dizer: e são dois idiotas. Um beijo.

- Oi. - falei um misero ‘oi’ com a voz trêmula, não tão trêmulas quanto as minhas pernas, mas enfim...
- Oi . - ele respondeu com um sorriso tímido.

Os meninos estavam na sala vendo algum jogo na TV como sempre e discutindo sobre quem é o melhor e o pior. Quer dizer nem todos estavam ali.
- Cadê o ?
- Na cozinha. - respondeu.

Como eu não tava muito a fim de futebol, nem de aturar as meninas me olhando com cara de "sorriso" e muito menos o me olhando de canto eu resolvi que ia me juntar ao na cozinha e por lá permanecer até 2012.

- OI NARIGUDO!
- Hey baixinha. - ele me deu uma mega abraço e um beijo na testa. - Como você tá?
- Tô bem e você?
- Tirando que eu tô todo sujo de farinha e molho de tomate... Tô bem!
- Precisa de ajuda?
- Não, tá tudo certo, tô quase terminando. Mas se quiser ficar aqui eu vou ficar feliz em te ter como companhia.
- Não precisa pedir duas vezes. - me sentei em cima da pia ao lado dos tomates, cebolas, legumes e massas que haviam ali.
- Macarrão é?
- Macarrão com molho vermelho, com molho branco e com um molho especial que minha mãe me ensinou.
- Hm muito bem ! Tô gostando de ver.
- Molho branco é o preferido do ... E o seu também né?
- É.
- Eu não vou conseguir segurar por muito tempo, então...
- ENTÃO O QUE? - perguntei com cara de assustada.
- Eu tô sabendo do beijo de ontem e não precisa fazer essa cara, você sabe que eu não sou idiota feito Doug e e não vou brincar com a situação.
- Eu sei , eu sei. Obrigada. Mas... O que ele te falou?
- Ah, que vocês estavam lá fora conversando e que ele tava te falando que... Pega aquela cebola pra mim!
- AH QUAL É? NÃO CORTA O ASSUNTO!
- , não sou eu que vou falar o que ELE tava tentando te falar. Pergunte pro ué.
- Eu tenho medo.
- Medo do que?
- Do que ele vai falar. dãr!
- Prefere ficar na dúvida pro resto da vida a ter que enfrentar ?
- Erm... O que mais ele te falou?
- Ah... Que dai você não tava prestando atenção e ele ficou bem chateado.
- Percebi. - falei com a voz de culpa.
- E que vocês se beijaram.
- Só isso?
- Ahan.
- AH coé, eu sei que não foi só isso.
- Bem, eu sei o que ele tentou te falar e não vou te contar.
- Por Favor, . - pedi com cara de gatinho.
- Nem pensar.
- Ai tá bom, que saco.
- Se não fosse tão estressadinha eu contaria que ele gos...
- , esse almoço é pra hoje?
- Sim senhor ! - veio até a porta da cozinha pra provavelmente espiar a gente e não pra fazer perguntas do almoço ao e depois deu as costas e voltou a sala.
- Como você ia dizendo...
- Como eu ia dizendo... Leva os pratos na mesa pra mim e esses talheres também.
- Te odeio, .
- Te amo.

O almoço correu normalmente, muita comida espalhada pela mesa, provavelmente precisaria de uma toalha nova! Histórias, risos, ninguém mais tocava no assunto vs Petter vs Estranho vs , parecia que essa história estava morta e enterrada e eu achava isso bom.
Passamos à tarde toda falando sobra a banda dos meninos, sobre suas canções, sobre seus planos para o futuro e sobre um possível show no próximo fim de semana.

- Dude vai ser demais! - falava empolgado. - Aquele lugar costuma lotar quando vão bandas no mesmo estilo que o nosso.
- A dona do lugar ficou de me ligar essa amanhã pra gente poder acertar as coisas.
- Ai que bom , tomara que de tudo certo. - o que eu mais desejava nesse mundo era que meus amigos tivessem o merecido sucesso com a banda.
- Bem, e eu vou indo nessa, o papo tá bom, mas o Petter tá vindo me buscar. - todos olharam bravos para o que não adiantaria de nada. - Tchau gente, me dêem tchau!
- Tchau, ! - dissemos em coro e ela se foi.
- Essa ai não aprende mesmo, não sei o que tem na cabeça. - falei.
- NADA! Ela não tem nada na cabeça! - disse irritado, se levantou e foi à cozinha. Levantei-me e fui atrás dele.

- Ei... Não fica assim.
- Como não posso ficar,? Ver a pessoa que eu gosto se acabar com um cara nojento que não a merece.
- Ela gosta dele, não podemos fazer mais nada do que já fizemos. Agora é só esperar que o tempo e a vida se encarrega, tenha calma. ? - ah que lindo eu estou falando sozinha, aquele loser me deixou aqui, OH !
- O tá na sala. - ah você foi junto com o ? Ai essa voz.
- Ah... - disse sem jeito. - Vou pra lá então...- uma mão quente segurou em meu braço me impedindo de seguir adiante, aquele simples toque me estremeceu dos pés a cabeça me fazendo oscilar a respiração e perder os sentidos por alguns segundos.
- Fica por favor, eu preciso... A gente precisa... É - gaguejando, ai que lindo! - Conversar com vo-você.
- Aham - sua resposta é aham? AHAM SUA ANTA! - Pode falar, .
- Pode ser no jardim? Aqui pode aparecer alguém sabe.
- Aham.
- Você só vai responder aham? - não levanta uma sobrancelha que eu morro! Morri.
- Aham... Quer dizer NÃO! Ai é... Não ri caramba! - abaixei o rosto.
- Vem. - disse pegando em minha mão e me conduziu ao lado de fora da casa.

Fomos até os fundos do jardim onde havia um balanço, daqueles que tem duas cadeirinhas, uma de frente a outra.
- E seus pais? – perguntei.
- Resolveram se mudar pro interior mesmo, lá o tratamento da minha mãe vai ser mais fácil e minha irmã conseguiu uma bolsa em uma boa escola.
- Que bom ! - sorri.
- É, e eles concordaram em que eu ficasse pra investir na carreira e também pra cuidar da casa. O vai vir morar comigo a princípio e se tudo der certo eu acho que os outros meninos vêm também.
- Sinceramente? Eles vêm dando certo ou dando errado.
- Você tem razão. - após uma gargalhada ambos ficamos em silêncio olhando para os lados.
- Então... - eu tremia a minha perna em um surto de tique nervoso.
- Então... - não sabia se mordia os lábios ou se mexia nos cabelos. - Nossa você ouviu um grito?
- Ouvi, veio de lá de dentro. - corremos em direção ao interior da casa pra saber o que tava acontecendo e demos de cara com pessoas assustadas.
- O que foi gente? Deu pra ouvir um berro lá do fundo do jardim. - disse.
- A ! A sofreu um acidente!

Capítulo 10
Foi uma longa noite naquele hospital. sofreu um acidente e precisou passar por uma cirurgia delicada por conta de uma fratura exposta na perna esquerda. Nos todos permanecemos o tempo todo ali a espera de notícias. O médico que a atendeu vinha às vezes trazer uma notícia ou outra.
A cirurgia havia dado certo e ela estava em descanso e observação. O acidente pelo que soubemos foi realmente sério, o carro capotara umas cinco vezes e acabou colidindo com outro veículo de grande porte. O motivo? e Petter discutiam, pois ele estaria a lavando a força pra um lugar estranho pra fazer coisas sem a vontade da minha amiga. O médico também nos disse que o cara que tava junto, o Petter, esse não havia resistido aos ferimentos. O cara era um tremendo desgraçado, mas eu acho que ninguém merecia acabar com a vida assim, e quando a família dele recebeu a notícia, estavam ao nosso lado, foi uma das piores e mais dolorosas coisas que eu já presenciei e espero nunca na minha vida passar por isso. A última vez em que o médico veio nos dar alguma notícia já passava das dez da noite e pelo o que ele disse a iria dormir até o outro dia, portanto não havia mais nada a ser feito, o melhor que fazíamos era ir pra casa e rezar muito por ela. O mais abatido de todos nos sem sombra de dúvidas era o , o coitado não parou de chorar e roer as unhas um minuto se quer, também não comeu nada o dia todo, bebeu água e um pouco de chá porque a quase o obrigou a fazer isso um pouco antes de irmos embora. Eu acho que o entendo, também ficaria sem reação, sem rumo, sem chão se algo assim acontecesse com alguém que eu amasse. Na frente do hospital decidimos voltar todos pra casa do , tentar jantar e seria melhor ficarmos todos juntos, a angústia e o sofrimento seria amenizado, e eu ainda não consegui falar com os pais da , não atendiam o celular e nem o telefone da casa, pelo que eu me lembro ela havia dito que eles estariam passando uns dias no interior de São Paulo. No caminho pra casa do eu me lembrei de um detalhe, pela segunda vez o tentou em dizer algo e não conseguiu, coitado, tava começando a ficar com pena dele, eu estaria muito puta se tentasse dizer algo e não conseguisse, se bem que aquele lá não deve ter nada de importante e acho que por enquanto o que quer que seja que tenha a me dizer vai ter que ficar pra depois, em primeiro lugar a saúde e a vida da nossa amiga, .

- Come um pouco só, . - eu implorava pra ele comer um pouco do macarrão do almoço.
- Eu tô sem fome.
- Sem fome e quase sem voz de tão fraco que você tá. - estava me ajudando. - Vai dude, come.
- Eu vou tentar. - falou e começou a comer um pouco, quase nem sujava o talher que usava.
- , tenta ligar pro Brasil mais uma vez, pode usar o telefone daqui de casa. - estendeu o telefone sem fio que estava na cozinha.
- Obrigada. Vou fazer agora mesmo. - peguei o telefone de sua mão e fui até a sala pra poder tentar ligar mais uma vez, apos um tempo voltei à cozinha.
- E ae? - todos me perguntaram.
- Ai gente. - só consegui dizer isso e desabei em lágrimas. veio junto a mim e me abraçou.
- Calma, , tá tudo bem agora. - ele dizia e afagava meus cabelos de uma forma tão reconfortante que eu acabei me recompondo rápido.
- Foi horrível, gente. A mãe dela passo mal e o irmão acabou falando comigo, dava pra ouvir toda a gritaria do outro lado. Eles tão no interior de São Paulo, mas disseram que vão tentar embarcar amanhã mesmo. Assim que souberem o horário do vôo vão nos ligar.
- Você falou tudo? - perguntava.
- Não detalhadamente, só o básico, mas deixei bem claro que agora ela tá bem e tá fora de perigo e que estamos cuidando dela.
- Gente eu tô precisando de um banho e dormir que a minha cabeça tá explodindo. Boa noite pra vocês, tentem descansar que amanhã é um novo dia.
- Eu também tô indo, . - disse. - Você vem ?
- Vou também. Boa noite dudes.
- Boa Noite! - respondemos, eu, e .
- , vai também, você tá necessitando de um banho e de dormir um pouco. - falei acariciando suas mãos. - Pode deixar que eu arrumo tudo aqui, o me ajuda.
- Eu vou sim. - ele respondeu com os olhos cheios de lágrimas. - Eu tô um trapo, preciso descansar. Juízo vocês dois ai, eu não tô a fim de mais emoções por hoje. qualquer coisa você esconde os objetos pontudos. - ele disse com um pouco de sorriso no rosto, deu um beijo em minha testa e seguiu em direção a escada que dava acesso ao andar de cima da casa.
- , não precisa arrumar nada, amanhã a empregada vem e arruma tudo.
- Não, , vai me fazer bem, me deixe ao menos colocar as coisas na pia então.
- Tudo bem, eu te ajudo. - começou me ajudar sem pronunciar uma palavra se quer, até que o silêncio foi quebrado. - Erm... E mais uma vez eu não consegui ter a tal conversa com você.
- É... No caminho pra cá eu pensei nisso. - falei meio sem jeito.
v - Eu sei que agora não é hora e nem o momento certo. - dizia e vinha em minha direção se aproximando cada vez mais até ficar muito próximo a mim a ponto de que eu podia sentir a sua respiração em meu rosto. - Só queria dizer que eu não me esqueci e nem desisti da conversa, eu vou deixar a poeira baixar um pouco, sei que agora não é um bom momento pra ambos.
- Tudo bem, , quando você achar melhor. - as palavras mal saiam da minha boca, tamanho era o meu embaraço com aquela proximidade.
- Vamos subir? Tô cansado e sei que você também tá.
- Vamos sim. - respondi com a voz um pouco melhor. - subimos juntos e quando cheguei à porta do quarto que eu dormiria ele se aproximou novamente deu um beijo em minha testa e me disse boa noite, com essas palavras ecoando em minha mente eu adormeci profundamente.

Logo pela manhã recebi uma mensagem do irmão da dizendo que tentou entrar em contato com a gente e não conseguiu, mas que o vôo deles chegaria em Londres às 23:00 e como combinado eu os buscaria no aeroporto e os levaria imediatamente para o hospital, eu já havia conversado com o médico e explicado toda a situação de que era ela de fora do pais e que os pais estariam vindo, sendo assim ele permitiu que os pais a visitassem naquele horário, mas de uma forma rápida. Fui a primeira a levantar da cama, ainda dormia do outro lado da mesma cama que eu. Logo percebi que estava faminta, fui pro banheiro tomar um banho e tentar melhorar a minha cara que estava deplorável, um banho não tão demorado, arrumei meus cabelos em um rabo bem alto e deixei a franja caída, coloquei uma roupa adequada pois eu iria logo cedo ao hospital, precisávamos contar a o que havia acontecido com o Petter e a tarefa tinha sobrado pra mim. Ótimo, adoro dar esse tipo de notícia. Desci e fui direto para a cozinha, lá encontrei fazendo torradas e com um copo de leite na mão.

- Bom dia! - ele me disse dando um beijo em minha testa.
- Bom dia, ! Tá melhor?
- Na medida do possível. - ele respondeu meio sem jeito. - Quer torradas?
- Quero, obrigada. - respondi com um sorriso e me sentei a mesa.
- Já sabe como vai contar pra ela?
- Não, , eu não faço a mínima ideia de como dar essa notícia, acho que não vou ficar pensando muito, vou deixar pra hora mesmo.
- Boa sorte. - disse me entregando as torradas. - Você vai agora?
- Vou sim.
- Eu te levo.
- Mesmo? Obrigada, .

Tomamos o café da manhã e fomos ao hospital. Como eu disse ao não fiquei pensando em formas de contar sobre a morte de Petter a , cada vez que eu tentava me enrolava mais ainda então resolvi que seria da forma mais natural possível e que seria decidido no momento. E foi como eu pensei, na hora eu fui contando tudo o que ela me perguntava, queria saber de detalhes do acidente e do por que ele não tinha resistido aos ferimentos. Que tarefa difícil a minha, eu não queria ter feito isso, juro por tudo, foi horrível ver como ela reagiu e eu não consegui segurar as minhas lágrimas. Abracei minha amiga bem forte e ali ficamos por um bom tempo chorando juntas até a enfermeira vir e dizer que precisaria passar por algum exames, me despedi da minha amiga e disse que retornaria mais tarde com os seus pais, isso fez os seus olhos brilharem novamente. me esperava na recepção e quando sai me convidou pra ir almoçar com ele e assim poderíamos conversar melhor longe de toda a bagunça que provavelmente estaria na casa do e é claro que aceitei na hora. Fomos a um restaurante ali perto mesmo, um restaurante Arabe muito bom.

- Ai foi horrível sabe? Eu gaguejei e comecei a chorar, ela percebeu que eu tinha alguma notícia ruim pra dar. - eu contava a e lágrimas escorriam no meu rosto. - Ela gritou, esperneou, chorou muito, mas muito mesmo, meu coração ficou partido.
- É, não deve ser fácil perder alguém dessa forma.
- Alguém que se ama.
- É.
- Ai, me desculpa, .
- Não... Tudo bem, . Por mais que eu goste dela tenho a consciência de que não é a mim que o coração dela pertence, que é daquele infeliz. - eu senti que ele estava segurando as lágrimas. - E os pais dela?
- Chegam hoje as 23:00 eu vou buscar eles no aeroporto e levar direto pro hospital.
- Eu te acompanho.
- Ficarei imensamente agradecida.
- Será que eles vão querer levar ela de volta pro Brasil? - parecia preocupado.
- É uma possibilidade, infelizmente.
- , eu e os meninos conversamos ontem e decidimos que vocês ficam na casa do .
- Por que mesmo? - quase morri engasgada com a comida.
- Penso que os pais da vão ficar no apartamento de vocês...
- Ai é verdade!
- Então... Pra comodidade de todos vocês ficariam no por um tempo.
- É... - eu não sabia nem o que falar.
- Se fizer você tirar essa cara de espanto - ele disse rindo. - Eu e os meninos ficaremos também.
- Bem melhor assim.
Terminamos o nosso almoço e fomos pra casa do ver como andavam as coisas por lá. As meninas tinham ido pra faculdade resolver a situação da e depois passariam fazer uma visita. Eu, graças a Deus já tinha terminado as provas e estava de férias. Os meninos estavam todos jogados na sala vendo TV babando no sofá, sobre a conversa que tive com a eu resolvi contar quando todos estivessem em casa porque assim contaria uma vez só e não trocentas como sempre acontece. Sobre ficarmos na casa do , parecia que já estava tudo resolvido, eu e as meninas fomos ao nosso apartamento e pegamos tudo o que era preciso e demos uma arrumada pra chegada dos pais da . Sabe, algo estava me deixando aflita com essa de ficar na casa dele, não sei por que, mas isso não me cheirava bem. Não, a casa dele não fede. Jantamos todos juntos e ficamos conversando até dar a hora de eu e irmos ao aeroporto, e sabe o que aconteceu?
passou mal. E sabe quem quis me levar? . Ok vamos lá.
Permanecemos por todo o caminho calados, não trocamos um ‘A’ se quer, apenas olhares e mais olhares. Chegamos ao aeroporto bem na hora do desembarque. Foi tão bom ver os pais da , pessoas que me viram crescer, que faziam parte da minha vida e me lembravam os meus pais, ai que saudades, imagine o tanto que eu chorei. Saímos rapidamente de lá e fomos pro hospital. Na recepção a mocinha já estava sabendo que nós estaríamos ali pra visita e então nos liberou rapidamente. Entramos todos no quarto da e novamente lágrimas rolaram. A família toda reunida em torno da cama de hospital, não puderam ficar muito tempo, esse foi o combinado, mas no outro dia cedinho com toda a certeza estariam ali novamente. O pai da disse que amanhã teria uma conversa séria com a filha independente de onde ela estivesse e minha amiga sorriu, sim, ela sorriu mesmo sabendo que iria levar uma bronca. Eu e levamos os pais e o irmão dela pro meu apartamento, esperamos que eles se acomodassem e fomos embora deixando combinado que no outro dia e estariam ali para acompanhá-los no hospital.
No caminho de volta pegamos uma chuva leve, pensei que passaríamos mais uns minutos em silêncio, até que...
- Você me pareceu um pouco incomodada com o fato de ficar em casa. - ele disse sem tirar os olhos da direção.
- Eu? Impressão sua. - eu o respondi sem tirar os olhos da mão.
- É, você , você mesma.
- Não , impressão sua mesmo.
- Você estava distante.
- Cansaço... Só isso. Os dois últimos dias foram de mais pra mim.
- Tem certeza? - dessa vez ele me olhou.
- Tenho, , eu tenho certeza. - respondi seca e virei pra janela.
Depois desse meu surto gentil o silêncio passou a ser nosso acompanhante e a janela a minha amiga. Eu olhava fixamente pra paisagem tentando segurar o choro. Lágrimas que pareciam que queriam cortar os meus olhos.

Capítulo 11
- ÓTIMO! - um acidente havia congestionado total a avenida que era caminho obrigatório pra chegar à casa de o que significava que eu teria que passar alguns minutos a mais nesse ambiente super confortável.
- É, pelo visto a fileira de carro à nossa frente tá bem grande. - disse colocando a cabeça pra fora do carro. - Espera um pouco, eu vou ali conversar com aquele policial. - acho que eu deveria ir e conversar com todo o meu charme feminino e implorar pra ele me levar de volta pra casa na viatura mesmo. - Sarry, ele disse que em vinte minutos a pista tá liberada.
- O QUE? VINTE MINUTOS? - ódio, ódio, ódio. - Não, é muito, que absurdo!
- , é um acidente tá vendo? Demora assim mesmo, pare de reclamar e gritar feito uma gralha.
- ÓTIMO! - gritei pela última vez e me virei pra janela, não tava a fim de ter que ficar ali vinte minutos olhando pra cara dele.
- ERM... Sarry? - girei apenas minha cabeça e olhei pra ele. - Pretende passar vinte minutos olhando pra janela?
- Uhum.
- Qual é? Você consegue ser legal, vamos conversar! - ele dizia sorridente.
- Conversar sobre o que, ? - girei todo o meu corpo em sua direção.
- Ah... Sei lá... O que você acha que de tão importante o pai da tem pra falar com ela?
- Além de uma bela bronca?
- Isso qualquer pai faria.
- Eu espero do fundo do meu coração estar errada, mas eu sinto que eles querem a levar de volta pro Brasil.
- NÃO! Não pode ser... Quer dizer, a não pode abandonar a gente! - disse fazendo uma expressão sincera de tristeza.
- Calma ! Isso é só o que EU penso! Às vezes é outra coisa e a gente vai se preocupar à toa.
- Ia ser difícil viver sem um de nós, não consigo imaginar sabe, é... É a nossa família!
- Ai ... É a nossa família! - falei e deixei que lágrimas começassem a escorrer pelo meu rosto.
colocou sua mão em meu rosto e me puxou mais pra perto de si, encostei minha cabeça em seus ombros.
- Eu... Eu amo você... Vocês... - ele disse com a voz embargada.
- Eu também, Hazz, eu também. - um policial bateu em nossa janela dizendo que a pista seria liberada.

Chegando em casa tivemos que passar um relatório do hospital, um relatório do acidente, um relatório dos vinte minutos e além de tudo isso tivemos que aguentar piadinhas vindas de e . Pedimos pizza pro jantar e tínhamos sorvete de morango pra sobremesa. e logo que terminaram foram pro quarto alegando que precisavam ficar às sós. estava um pouco mais alegrinho, ria das piadas do e não falava na com tanta frequência.

- Já ia me esquecendo de dizer. - cortou qualquer piada que fazia. - O nosso show foi transferido pra sábado.
- Por que dude? - fez cara de "wtf"
- Eles receberam uma proposta milionária de uma família que queria exclusividade na sexta e então nós ficamos pra sábado.
- Melhor assim né? Já que estão há dois dias sem ensaiar. - Kika disse.
- Exatamente. - concordou. - , nós marcamos ensaio pra amanhã à tarde aqui mesmo, sem problemas né?
- Sem problemas nariz de cenoura!
- Babaca. - o respondeu mostrando o dedo do meio. - Sabem quando a vai sair do hospital?
- Ainda não, . - respondi e ele assentiu com um sorriso de canto. - O papo tá ótimo, mas eu vou ter que deixar vocês sem a minha ilustre presença, pois preciso de um banho e cair na cama. ADÍOS MUCHACHOS!

Como era bom poder acordar sem precisar se preocupar com faculdade ou em levar alguém pro hospital. Não que eu estivesse fazendo de mau gosto, é que apenas eu não dormia bem há dois dias e estava precisando disso. Sou um ser humano, não sou? Hoje eu vou sair pra caminhar com o cachorro do , erm... Eu quis dizer o de quatro patas, se bem que o tem quatro patas, enfim... Com o canino, o que late, se bem que... É, eu vou passear com o Brutos. A tarde pretendo ver o ensaio dos garotos e assistir algum filme qualquer na TV.
- , vou levar o Brutos pra dar uma volta, pode ser?
- Pode, claro. Vai sozinha?
- Não, eu vou com o Brutos.
- Engraçadinha.
- Bom, a gente se vê mais tarde.
- Hey magrela, onde vai?
- Levar o cachorro do pra passear, !
- , você tá sem coleira não é melhor colocar antes?
- Cala boca ! - e deu um tapa na nuca do menino.
- Outch...Doeu, seu babaca.
- Espero encontrar todos vivos.
- Hey Sarry, eu vou com você! - descia a escada correndo.

Quando já estávamos a um quarteirão longe da casa resolveu quebrar o silêncio.

- Sarry, eu tô com medo que eles a levem daqui.
- Eu também tô.
- Não sei o que vai ser de mim, eu... Eu a amo.
- Ai ... Essa vida é tão complicada, não é?
- Injusta você quis dizer.
- Também.
- Tá se sentindo melhor morando no mesmo teto que o ?
- Melhor?
- É... Quer dizer, quando você recebeu a notícia eu achei que fosse ter um treco.
- Ah sim... É, não tem outro jeito.
- É... Oamor não tem outro jeito. OUTCH Sarry! ISSO DOEU!
- Foi pra doer mesmo, pra ver se para de falar besteira.
- Besteira, aham, besteira... Tá bom, tá bom, não precisa bater mais.
- Da próxima eu terei que te matar.
- Espero que não tente usar esse cachorro pra isso! - rimos. - Sarry, sem querer ser xereto mais já sendo, você e o já tiveram aquela conversa?
- Não. Por conta do acidente da esse assunto foi deixado para trás.
- Entendi. Bom, precisamos voltar antes que eu me atrase pro ensaio, tô mega ansioso pra sábado.
- Eu também.
Nunca pensei que assistir a um ensaio dos meninos seria tão difícil pra mim. Eu não conseguia me concentrar, errei várias letras, quando me pediam opinião por varias vezes eu dizia "ãhn?" o que todo pessoa que não esta prestando atenção diz. Por muitas vezes e me cutucaram pra eu voltar ao planeta Terra.
- O que tá acontecendo com você? - me perguntou baixinho enquanto ainda tocavam uma musica.
- Nada, . - respondi como se estivesse prestando atenção total na banda.
- Nada, ahan, falta de atenção mudou de nome e eu nem sabia.
- Xiiiiiu! Vai atrapalhar o ensaio. - muito boa minha tentativa de fugir do assunto.

É claro que ela ia começar a falar do , a perguntar se tinha algo a ver com ele e bla bla bla. E pra falar bem a verdade eu tô de saco cheio desse povo me perguntando toda hora do . Que saco! Será que teria como olharem pra mim e não se lembrarem do ? Deixa eu me voltar à atenção pro ensaio antes que alguém venha perguntar de novo o que eu tenho. Se o parasse de olhar na minha direção eu poderia tentar voltar ao normal. Por que será que esses olhos me deixam assim? Não entendo o porquê e nem como ele mexe tanto comigo, não era pra ser assim, eu já tinha resolvido comigo mesma de que o que aconteceu no passado não tão distante ficou apenas no passado não tão distante. Mas aquele beijo me fez sentir todas aquelas sensações novamente e eu pelo visto estava perdendo o controle dos meus pensamentos. O que ele tanto queria me falar? Se eu ao menos tivesse prestado atenção, quem sabe seja por isso que eu ando assim, às vezes ele me fala o que quer, não é nada tão importante e eu volto ao meu estado normal. você está fazendo com que eu perca o controle. Pare de me olhar com esses olhos e com esse seu sorriso perfeito.

- E ai o que achou? - parecia que uma voz tentava me trazer de volta a terra. - ? Sarry? - ah que ótimo, a voz dona do belo sorriso.
- O Brutos se comportou sim. - respondi toda sorridente.
- Eu não perguntei do Brutos. - ele levantou uma sobrancelha.
- Ah não? Tem certeza? É que o som alto me deixou um pouco surda, é.
- Você não é normal.
- Muito menos você. - respondi seca e fui me isolar em algum canto do jardim.
- Eu repito, você não é normal. - ok, eu tô louca ou a voz tinha me seguido até o jardim?
- O que foi? - virei meu rosto em sua direção com a expressão de quem pouco se importa.
- Você é uma louca, esquisita! Passou o ensaio todo olhando pra mim e agora vem com toda essa sua falta de educação pro meu lado.
- Eu passei o ensaio todo te olhando? Você que ficou me olhando, , se toca!
- Olhei porque você não parava de me olhar. Perdeu alguma coisa? Quer me falar algo? Ou é apenas o meu charme te hipnotizando?
- Aff , deixe de ser ridículo vai! Se tiver alguém aqui que tá com algo entalado na garganta e tá querendo conversar é você, então porque não fala logo e acaba com a palhaçada porque eu tenho mais o que fazer da minha vida além de ter que ficar a sua disposição pra ter alguma conversa ou até pra ter que aturar as suas babaquices.

ficou parado, me olhando sem expressão alguma, como se toda aquela coragem que ele trazia consigo tivesse evaporado em um segundo. Quando ele esboçou alguma reação foi interrompido por que nos chamava pra irmos até a sala correndo. tinha saído do hospital e estava na casa do . Ela quis nos fazer uma surpresa, saiu do hospital e foi até lá sem avisar nenhum de nós. E é claro que amamos essa surpresa.
- Amiga, que bom te ver fora daquele hospital. - dei um abraço tão apertado que provavelmente ela fez cara de dor.
- Eu não aguentava mais de saudades de vocês, de casa, de tudo.
- Onde estão seus pais?
- Foram conhecer uma livraria que fica aqui perto, logo eles estão de volta.
- Ah sim, sei qual livraria é.
- Na verdade, gente, erm... Bem, eu vim até aqui pra conversar com vocês. - falava com a voz embargada e nesse mesmo momento desabou no sofá segurando forte a minha mão.
- Fala amiga, nós estamos te ouvindo.
- Então... No hospital eu e minha família tivemos uma longa conversa e... - a voz dela já estava fraca, lágrimas começaram sair de seus olhos, dos meus e dos do que já sabíamos exatamente o que estaria por vir. - E erm... Depois de uma longa conversa, depois de tudo o que eu passei nos decidimos que eu vou voltar pro Brasil.

A declaração da foi como se uma bomba tivesse caído sobre aquela sala. A princípio ficamos olhando pra ela como se não estivéssemos entendendo direito o que ela havia falado. Quando ela se debruçou no braço do sofá e desabou em lágrimas foi que nós caímos em si e percebemos o que estava acontecendo. saiu da sala, e choravam abraçadas à , e continuavam com a expressão de passados e eu desabei no meu canto do sofá. Foi quando senti que alguém me puxava pra um abraço. Aquele cheiro, aquela pele eram reconfortantes e faziam com que eu me sentisse segura e confiante, continuei chorando por mais algum tempo até que ouvi a voz da explicando mais alguma coisa pros demais. Enxuguei as lágrimas e olhei para como se estivesse agradecendo, ele me deu um beijo na testa como se tivesse me entendido. pediu para que chamasse até a sala novamente e também pediu para que nós os deixássemos sozinhos. Permanecerem a sós na sala por uns vinte minutos, até que os pais dela chegaram e eles foram pro nosso apartamento descansar, afinal ela tinha ido pra casa do direto do hospital. havia prometido ao menos ficar até sábado para assistir um último show dos garotos. Depois de um jantar silencioso e sem muitas emoções fomos pra TV assistir FRIENDS juntos quando percebi que não estava na sala.
- Hey . - bati na porta de seu quarto. - Posso entrar?
- Claro, .
- Como você tá? - perguntei me sentando ao seu lado na cama.
- Péssimo, arrazado, sem chão, sem rumo e sem lágrimas.
- Ai meu amor - o abracei. - Quer me contar o que converm?
- Sarry... Ela disse que sabia o tempo todo o que eu sentia por ela.
- Sério?
- Ahan... Que gostava muito de mim e por gostar tanto foi que ela nunca deu espaço para que eu me aproximasse.
- Nossa, ela nunca disse isso pra nenhuma de nós.
- É... Disse que por gostar tanto de mim não deixou que o nosso contato não passasse de amizade, que ela não se perdoaria por me fazer sofrer ou me enganar.
- Acho que consigo entender ela.
- Ela falo que amava, ama, sei lá, muito o Petter e a gente nunca daria certo.
- Ai , pelo menos ela foi justa e sincera né. O que você disse a ela?
- Que ela devia ter me dado uma chance, que iria a fazer feliz. Que eu sofri muito vendo o Petter a fazer e não pode fazer nada porque ela não permitia. Mas que no fundo eu tava entendo ela.
Desejei boa sorte, disse que ia sentir falta e essas coisas.
- Fez bem, às vezes foi melhor assim. Prefiro acreditar que as coisas não acontecem por acaso e que se não foi como queríamos é porque algo melhor estar por vir.
- Tomara que você esteja certa, tomara.

O clima na casa não era dos melhores, tentávamos de toda forma fazer com que o clima mudasse, com que focássemos em outra coisa, mas de nada adiantava. Sempre um ou outro voltava no assunto da volta da pro Brasil. Os meninos combinaram que iriam fazer uma apresentação dedicada a ela, por um momento tentaram me convencer a cantar junto, mas eu ameacei uns dois de morte e logo eles mudaram de ideia. Passamos horas conversando como há muito tempo não fazíamos. Decidimos que amanhã iríamos todos passar o dia no nosso apartamento com e sua família. Quando percebemos já passava da meia noite. , , Doug e resolveram que iriam ficar vendo um filme, e haviam ido dormir e eu decidi fazer o mesmo. Subi ao quarto que ficava no segundo andar da casa, os pais de tiveram muito bom gosto ao construir essa casa, coloquei meu pijama do Mickey e quando estava terminando de arrumar a cama para me deitar alguém bateu na porta.
- Sarry? Posso entrar? - meu corpo estremeceu.
- Claro, , entra.
- Tava indo dormir?
- Ahan - foi só o que consegui responder. - Pensei que você já tivesse também.
- É, eu tentei e não tive muito sucesso não. Posso sentar? - perguntou olhando pra cama.
- Claro. - me sentei também.
- É... Você tinha razão, ela vai embora. - um silêncio enorme se formou naquele quarto. - Como você tá?
- Acho que minha ficha ainda não caiu. - falei me ajeitando melhor na cama. - Sabe , morar e estudar aqui foi um sonho compartilhado por nós quatro desde que éramos crianças. Um sonho cultivado por muitos anos que por sorte e por muito esforço nós conseguimos realizar. Tantos planos foram feitos, tava indo tudo tão bem e agora um pedaço desse sonho vai partir, eu não consigo nem chorar acho que minha ficha realmente não caiu.
- Tá sendo muito difícil pra mim e pros caras, mas sem dúvidas pra vocês é pior.
- , é como se um dos caras desistissem da banda.
- Nem me fale uma coisa dessas!
- É apavorante, não é? - ele assentiu com a cabeça. - É isso que tá acontecendo aqui dentro. - apontei pro meu coração.
- Posso te dar um abraço? - antes que eu respondesse, ele me abraçou com toda a sua força, aquele típico abraço de urso. - Eu vou estar sempre aqui ao seu lado, com o seu coração. - apoiei minha cabeça em seu ombro e o permiti prolongar o abraço. - Vai ficar bem? - fiz sinal de positivo com a cabeça. - Boa Noite, Sarry. - deu um beijo em minha bochecha e me soltou daquele abraço de urso.
- ? - quando ele ia fechando a porta o chamei. - Obrigada. - agradeci com um sorriso sincero e ele retribuiu. - Dorme bem.

Continua...



N/B: Adorei Sara! Tá cada dia mais emocionante.
E você,leitora linda de 'Our Friendship'. Percebeu algum erro? Avise: ilove.dani@hotmail.com ou @danypeixoto.