Autora e Beta-Reader: Bru Carmelli.


Capítulo 1

“Veado, isso sim.”
“Não, isso é fofo!”, concordou com a amiga.
“Como assim fofo, ? É besteira.”
“Cala a boca, Ricardo. Não é não, é uma gracinha.”
“Err... Eu ainda estou aqui!” Guilherme, o assunto da discussão, se manifestou.
“Ok, isso deve ser meio estranho de ouvir, né?”, ela apertou a bochecha dele e depois estalou um beijo nela.
, o que aconteceu com você hoje?”
“Nada, por quê?”
“Está toda... Diferente.”
“Não estou não.”
Está bem, tinha que admitir, estava um pouco diferente sim. Mas também não sabia o motivo. Ou pelo menos dizia que não sabia. Mas, bem no fundo, sabia sim. Só não queria admitir.
Sua amiga lhe disse que quem se mudaria para o apartamento em frente ao seu eram uns garotos de uma banda. Não era muito famosa, mas tinha ouvido dizer que tinha músicas boas, e prometia futuro.
Mas a parte mais importante? Sim, eles eram bonitos. Ou pelo menos era o que sua amiga tinha lhe dito. Mas as duas sempre tiveram o gosto muito próximo, então não era de se duvidar que ela logo tivesse vizinhos lindos.
E eles, mesmo que ela mesma não tenha descoberto ainda, eram o que a deixava mais feliz naquele dia.
Ela não era do tipo de garota atirada, mas era sonhadora. Divertia-se imaginando as possibilidades. Sorria mesmo durante as aulas mais chatas pensando em histórias de amor impossíveis, com direito aos encontros mais perfeitos e românticos.
“Hello? Terra para ?” estalava os dedos tentando chamar a atenção dela.
“Sim?” Ela acordou de seu transe. Olhou a lousa, a semana de provas estava chegando.
“Tem carona para a casa da Lúcia hoje depois da aula?”
Os olhos de se arregalaram.
“Meu Deus! A festa da Lúcia!”
“Você esqueceu? Como?! Ela ficou a semana inteirinha falando sobre como a gente tinha que estar lá para o ensaio e que ninguém podia faltar e blá blá blá...”
“Gui! Se ela te escutar ela te mata!” sussurrou, batendo de leve em seu ombro.
“Ela faltou hoje, esqueceu?”
“Nossa, até o Ricardo, que é tão desligado, sabe disso e você não? Onde anda sua cabecinha, ?” perguntou, claramente insinuando que ela estava apaixonada. Para ela, tudo era paixão.
“Nas provas de semana que vem, meu amor!”, ela usou como desculpa. Nem pensar que contaria para os amigos que estava ansiosa para conhecer os novos vizinhos e isso era o que a distraía tanto.
Foi a vez de de arregalar os olhos. sorriu vitoriosa.
“Algo que queiram compartilhar com a classe, mocinhas?” A Sra. Pittsburg interrompeu a conversa.
“Não, desculpe.” e falaram juntas. Ricardo e Guilherme não se deram ao trabalho. Afinal, a professora disse “mocinhas”, não foi?
Quando acabou a quarta aula, os quatro ficaram mais felizes. Eles tinham conseguido autorização para sair das duas últimas aulas para o ensaio da dança da festa.
“Então... Querem carona?” Guilherme ofereceu.
“Não vai atrapalhar?”
“Claro que não , precisamos ir ao ensaio de qualquer jeito. Vamos, Rick? ?”
“Calma, calma!” Ricardo e se apressaram para seguir o passo dos amigos.

Capítulo 2

Conseguiram chegar no horário. Como se isso bastasse, pensou Guilherme. Apressada do jeito que Lúcia sempre era, eles podiam ter chegado mais cedo e não faria muita diferença.
“Devo dizer que vocês estão lindas?” Ricardo elogiou. As duas ainda estavam com as roupas da escola.
“Que bom que você também acha.” O irmão de Lúcia, Mike, chegou e abraçou por trás. Os dois estavam ficando há algumas semanas, desde os primeiros ensaios para o aniversário da amiga.
As duas agradeceram juntas, mesmo sabendo que Ricardo só estava puxando saco. Ele não gostava de verdade de nenhuma das duas, mas sempre as elogiava. A verdade era que ele saía com todas as meninas. Ele era mesmo bonito, não podiam negar, e era muito fofo quando queria.
“Gente, vamos começar a ensaiar a dança?” A mãe de Lúcia, que era coreógrafa, chamou a todos. “Daqui a pouco ensaiamos a entrada, vamos repassar a valsa só mais uma vez. E espero que fiquem mais próximos dessa vez.” Ela era uma fofa... Menos quando algo não saía como planejado e ela estava com pressa. E aquele era o caso.
Cada um se juntou com seu par e ficaram espalhados pelo salão. Quando a música começou, Ricardo puxou mais para perto de seu corpo, fazendo um arrepio correr por sua espinha. Por que ele tinha esse efeito nela? Eles eram amigos, não era para isso acontecer.
“Você já tem carona para a festa hoje?” Ele a perguntou. Ela tinha contado a ele sobre como seus pais talvez precisassem fazer hora extra e não poderiam levá-la.
“Vamos todas em uma van, acho. Não sei direito, mas vou com alguém daqui sim.” Ela disse rindo meio sem humor. “O Gui e o Mike vão com você, não vão?”
“Sim, a Lúcia não quer que ninguém veja os vestidos de vocês antes da festa.” Ela riu.
“O Mike ainda não viu também?”
“Claro que não, . Por causa de , principalmente.”
Ela riu de novo.
“Pára com isso!” ele sussurrou. “A mãe da Lu ta olhando brava pra gente!”
Depois da valsa, ensaiaram a entrada. E então as posições, com as velinhas e tudo o mais. Quando acabou ainda era meio dia, todas almoçaram na casa de Lúcia. Estavam preocupadas com o horário e queriam arrumar o cabelo e a maquiagem logo, então foram embora após o almoço.
“Pode me dar uma carona para casa?” pediu ao Gui. Ela iria para seu apartamento antes de ir para o salão e fazer tudo. Nunca tinha tido muita paciência com esse tipo de coisa, se ela ficasse o dia inteiro brincando de madame ficaria louca.
“Sabe que você abusa de mim, não sabe?” ele reclamou, mas quando ela fez biquinho ele não resistiu. “Está bem, mas vamos logo!”
Ao chegar à porta de seu prédio, agradeceu o amigo e entrou.
“Uau, que caixas são essas?” Perguntou ao porteiro, que estava com uma nos braços.
Ele somente acenou com a cabeça indicando um rapaz que descia as escadas.
“Olá”, ele cantarolou quando a viu. Ela estava muito contente com a festa naquela noite e queria aproveitar sua tarde, mas estava com pressa. Tanta pressa que nem percebeu que aquele era o tal vizinho quando o cumprimentou.
“Oi. Está se mudando para cá?”
“Sim, apartamento 304. Mora aqui?”
Só naquela hora ela entendeu.
“Nossa, então é você que vai se mudar pro 304?” ele assentiu e ela sorriu. “Que legal. Eu moro no 302, logo na sua frente. Prazer, .”, ela estendeu a mão para ele.
“Prazer, ”, ele apertou sua mão.

Capítulo 3

“O que você acha de parar de paquerar com as novas vizinhas e nos ajudar, meu amorzinho?” ouviu um garoto perguntar com voz debochada.
fez cara feia.
“Vocês sabem que eu estou feliz com a Jacqueline, calem a boca.”
Quem diabos seria Jacqueline? A dúvida não deixou feliz, mas ela não deixou transparecer. logo sorriu e apresentou os três.
“E essa é , do 302. , esses são e .”
A garota acenou tímida para os garotos, que sorriam. Por que você não consegue ser você mesma quando acaba de conhecer alguém novo, mesmo? idiota., ela se repreendeu mentalmente.
“Então, não vai ajudar com as caixas?” reclamou de , que agora lia algo no celular.
O garoto revirou os olhos, guardou o celular no bolso e pegou uma caixa de papelão da pilha.
“Você estava indo para casa, não?” perguntou à , embora não quisesse que ela saísse de lá.
ficou pensativa por um instante.
“Estava, mas sei como é difícil se mudar... Querem ajuda? Não posso carregar as caixas, mas posso ajudar a limpar o apartamento ou algo assim.”, ela sorriu. Também não queria sair de perto deles, e sabia que se voltasse para casa teria que se arrumar para a festa. Não queria mesmo pensar naquilo naquele momento.
“Primeiro as damas,” se curvou com dificuldade devido à caixa em seus braços, deixando que passasse na frente.
“Hey, onde está o ?” perguntou enquanto subiam as escadas.
“Ele está conferindo a fiação. Você sabe como ele fica bravo quando algum amplificador queima por causa das tomadas, e depois daquela vez...”
“É, ele insistiu para ficar lá.” completou a explicação de . “Ou talvez ele só não quisesse carregar mais caixas, quem sabe?”, ele brincou.

Já no apartamento, depois de subirem com o resto das caixas, colocava CD’s na estante no, aparentemente, futuro quarto de .
“Esse apartamento não é um pouco pequeno para quatro garotos?” ela perguntou para , que estava arrumando algo na escrivaninha. Ela não se interessava muito por essa área com parafusos e madeira, então nem tentou descobrir o que o garoto fazia.
“É sim. Não vamos morar nós quatro aqui, serão somente e . Eu e moramos no final da rua.”
“Hm”, ela fez um barulho com a boca. “Que sorte de vocês, que não moram com seus pais.”
“É, não exatamente. Às v...”
“Achei a chave de fenda que você queria!” o interrompeu entrando no quarto sorridente e mostrando a ferramenta ao amigo.
“Que bom! Vem me ajudar aqui, então.”
esperava que terminasse de explicar o que tinha começado, mas ele não o fez. Ao invés disso, mudou de assunto.
“Hey, você sabe se podemos ter cachorros morando neste prédio?”
“Não sei não, por quê? Precisa perguntar é para o síndico, acho que agora é um senhor do primeiro andar...”
“Porque o tem um filhote de Yorkshire Terrier que está ficando em casa, mas o plano é ele vir para cá. Era, pelo menos.”
“Ah, se você quiser eu posso ir com vocês mais tarde perguntar para o Sr. Flinks se pode ou não.”
Então eles começaram a conversar sobre cachorros, sobre filhotes, sobre latidos, chegaram até a se perguntarem de onde eles surgiram e o quão próximos eles eram dos elefantes. Sim, elefantes. Mais tarde, quando pensaram sobre isso, aquilo não parecia exatamente comum ou nada assim, mas isso aconteceu.
Depois de algum tempo, ouviram a barriga de roncar, logo quando entrou no quarto.
“Fome?” ele perguntou, enquanto pulava na cama do colega. Os três assentiram. “, gosta de pizza?” ao ver a garota assentir novamente, pegou o telefone de cima da escrivaninha.
“Peperonni?”
Logo o atendente da pizzaria atendeu e ele saiu do quarto enquanto falava no telefone.
“Alguém quer água?” perguntou enquanto acertava o último CD na prateleira e se levantava.
Os dois meninos negaram, então ela foi até a cozinha e abriu a geladeira. Estava quase vazia, como era de se imaginar, mas tinha uma garrafa de água. A pegou, depois começou a abrir os armários à procura de um copo.
“Não tem nada nos armários,” se assustou quando um sorridente chegou à cozinha. “Ainda não deu tempo de lavar as coisas. O que está procurando?”
“Um copo”, ela fez menção à garrafa em cima da pia de mármore preto.
Ele fez sinal com a mão para ela o seguir para a sala, onde ele começou a olhar nas caixas.
“Achei! Aqui.”, ele entregou para ela. Então ele se voltou para a caixa e pegou mais quatro copos e deixou na bancada. Em algumas caixas próximas, pegou pratos e talheres e deixou tudo na bancada.
“Quer ajuda para lavar?” A menina ofereceu enquanto guardava a garrafa de volta na geladeira.
“Sim, isso é trabalho de mulher mesmo...” disse brincando, enquanto sentava ao lado da pia e ligava a torneira.
“O quê?!” Quando ele não respondeu, ela repetiu. “O que foi que você disse, ?”
“Nada...” Ele disse com cara inocente. jogou água em sua direção, o deixando encharcado e rindo de sua situação.
O garoto desceu da bancada em silêncio como quem não quer nada, enquanto se fazia de orgulhosa ainda lavando os pratos, sem nem olhar para ele. Porém se surpreendeu quando ele a abraçou por trás, molhando toda a sua blusa também.
Que ótimo dia para estar de uniforme, ela pensou. Por que a camiseta não podia ser de outra cor, que não branca?
“Me solta !” Ela resmungou em meio às gargalhadas do garoto.
“Nem pensar. Você me molhou, agora tem troco!”
...” disse meio manhosa enquanto o garoto sorria vitorioso. “Me coloca no chão...”
“Não...” Ele imitou o tom dela, zombando.
Por mais que ela se remexesse, não conseguia se livrar do abraço do garoto. Ele era maior e mais forte que ela, de qualquer jeito.
“Ah, tá bom.” Ela bufou, sentindo-se vencida. “Então pelo menos me muda de posição? Estou escorregando aqui.”
Ele a virou, a aninhando como uma criança.
“Obrigada!” Ela estalou um beijo em sua bochecha. “Agora me coloca no chão?”
“Hmm.” Ele fingiu estar pensativo por algum tempo. “Ah”, ele fez um barulho com a boca. “Não.”
“Ah, seu chato.”
“O quê?!” Dessa vez não tinha certeza se ele estava brincando ou não. “O que foi que você disse?”
E se ele estivesse mesmo chateado? Não tinha como ela saber.
!” Ele disse sério. Ou ele era um bom ator, ou devia estar bravo, ela concluiu.
“Ahn, desculpe.” Ele fingiu continuar bravo, mas, quando ela fez bico, ele não resistiu. amava saber que sempre podia fazer isso com a maior parte de seus amigos. “Hm... Me coloca no chão agora?”
Ele a colocou de pé com cuidado.
“Mas isso só por causa desse seu biquinho fofo.” Ele tocou delicadamente a ponta do nariz da menina com seu indicador. “Agora vem que eu vou te emprestar uma outra camiseta antes que você fique doente, está esfriando.”
E saiu em direção ao quarto.
Simples assim, ela pensou. Como se fosse completamente normal para ele, quem tinha uma namorada, sair por aí falando sobre o biquinho fofo da sua nova vizinha e depois mandar ela o seguir para pegar uma de suas camisetas. Claro.
“Você não vem?”
Então ela foi rapidamente até o quarto dele.

Capítulo 4

Logo a pizza chegou e todos comiam, rindo e conversando animadamente. acabou pegando um moletom de , o que ela achou que ficava meio estranho com o short jeans que ela vestia, mas ignorou o fato. Pelo menos ela não ficaria doente.
Não demorou para terminarem de comer, mas nenhum deles queria se levantar para terminar de arrumar a casa. Ainda tinham caixas espalhadas pela sala e somente , e ficaram sentados nos sofás, pois ainda tinham alguns por chegar.
, o menos preguiçoso, se manifestou.
“Vou lá arrumar os cabos agora. Quero poder ensaiar logo, você sabe que Fletch vai matar a gente se não fizermos nada o dia inteiro.”
“Vocês têm uma banda?” perguntou.
“Temos sim.”
“McFly, já ouviu falar?”
“Claro que não, senão ela já saberia quem nós somos.”
Cada um falou de uma vez. , o que falou por último, a fez corar um pouco, o que fez olhar feio para o amigo, que somente deu de ombros.
“Er... Se eu falasse que não vocês me expulsariam daqui?” Ela perguntou tímida.
“Claro que não, sua bobinha.” disse, a abraçando meio sem jeito por estar sentado ao lado dela.
“Que bom, porque eu não conheço não...” Ela disse meio se desculpando.
“Tudo bem, a gente te mostra alguma música mais tarde.”
“É, para isso eu preciso terminar o meu trabalho ali no quarto.” olhou torto para .
“Vou ali, se alguém quiser ajudar pode ir.” Ele pensou em , que poderia se oferecer, então acrescentou: “De preferência alguém que entende o que estou fazendo.”
A garota revirou os olhos e virou a cara. O que diabos ele tinha contra ela?
“Não se preocupe, ele é mais legal depois que você o conhece por algum tempo.” passou o braço pelos ombros de , que sorriu fraco para ele e depois encostou a cabeça em seu ombro.
“Os dois tiraram o pó, eu levei para a pia, agora você ou o que lavam.” informou enquanto voltava a se sentar numa poltrona perto deles.
“Eu não vou lavar, o que lave.”
“Eu passei o dia inteiro arrumando um quarto na sua casa” reclamou, enfatizando o ‘sua’. “Você podia pelo menos lavar a louça, seu folgado!”
revirou os olhos e foi para a cozinha lavá-los. (infelizmente, pensou ele) tinha razão.
tinha deitado onde antes de encontrava e estava brincando de fazer caretas para , que a olhava do outro lado da sala, sentado no chão. Quando sentiu algo vibrar em seu bolso, levou um susto e pegou o celular.
Onde você está, )? Vem logo, a Lúcia quer te matar. Era da .
Seus olhos se arregalaram e ela se levantou rapidamente quando leu aquilo.
“O que aconteceu?” perguntou olhando acima para a menina.
Enquanto isso seu pensamento vagava. O que faria agora? Tinha que lavar o cabelo ainda. Será que conseguiria um horário no cabeleireiro para fazer as unhas enquanto fazia algum penteado bonito? Mas e se não conseguisse? E mais importante, como iria para o salão naquela hora?
, olha pra mim!” a surpreendeu, a acordando de seu transe, com as mãos em seu rosto. A garota piscou algumas vezes antes de responder.
“Eu... Eu preciso ir para o salão de beleza fazer a unha. Tem festa da minha amiga hoje. Meu Deus, como eu vou chegar lá? Será que o Guilherme consegue...” Ela começou a pensar sozinha, mas a interrompeu mais uma vez.
“Quer que eu te leve?” Ele se ofereceu.
Em condições normais, ela diria que não. Diria que não podia aceitar carona de um novo vizinho que ela mal conhece, que seus pais a matariam e que aquilo seria abusar dele. Tudo aquilo era verdade, mas ela tinha medo do que Lúcia faria se ela não aparecesse.
“Se não for incômodo, eu aceito sim...” Ela sorriu tímida. “Juro que não sou tão abusiva, é que minha amiga vai me matar se eu não chegar lá logo!”
“Vamos lá então!” Ele pegou a chave do carro em cima da mesa e os dois foram até a porta. Avisaram os meninos que iriam sair e depois desceram correndo as escadas, pois o elevador estava quebrado, como de costume.
Entraram no carro de e ele saiu rapidamente da garagem.
“Onde é?”
Ela falou a rua, mas ele não sabia como chegar lá. Depois de ela gastar algum tempo tentando explicar para o garoto onde era, com dificuldade, ele entendeu.
“Mas minha nossa, você já pode dirigir?”
Ele segurou a resposta irônica e acabou sorrindo com isso. Não queria ‘assustar’ a garota tão cedo, mas ela se precipitou.
“Ok, pergunta idiota. Mas você entendeu, não é? Você parece novo demais para dirigir!”
“Yeah... Eu já tenho quase dezenove anos, faço aniversário no final do mês.”
A garota arregalou os olhos com a explicação do garoto. Ele realmente não aparentava ser tão velho!
“E você? Tem quantos anos?”
Ela corou com a pergunta. E agora? Quando falasse que tem quinze, ele acharia que ela era apenas uma criancinha. Um bebê vivendo no apartamento da frente.
Mas se tinha algo que ela não gostava, isso era a mentira. No final todos sempre descobrem a verdade e ela já sabia, por experiência própria, que nesse momento tudo é pior do que seria se não tivessem mentido num primeiro momento. Ela negou seu impulso para mentir, e respondeu honestamente.
“Quinze”, ela murmurou e rolou os olhos. Infelizmente, não conseguia ignorar as bochechas queimando de leve.
“E por que essa vergonha toda?” Ele apertou a bochecha dela, segurando sua mão em seguida. “Não tenho nada contra pessoas mais novas. E não tem nada de tão legal em ser velho. Se eu pudesse, teria quinze anos de novo. Podia aproveitar mais a vida nessa época, sem responsabilidades.”
Durante a fala do garoto, ela soltou o ar, que nem havia percebido ter segurado.
“E agora?” Ele se referia ao caminho para o salão.
“Vire à direita ali na frente, depois à esquerda, e é na próxima esquina.”
Em pouco tempo já estavam na frente do salão – ainda de mãos dadas, a garota percebeu.
“Muitíssimo obrigada pela carona, você é um amor!” Ela deu um beijo estalado em sua bochecha.
“Foi um prazer, disponha.” Ele também beijou sua bochecha.
“Então... Falo com você amanhã?”
“Claro. Aqui, salva o seu número?” Ele perguntou, estendendo o celular para a menina.
Ela pegou e rapidamente salvou o celular dela, então sentiu o seu vibrar em seu bolso. O pegou e viu que era outra mensagem de texto de .
“Aqui está. Acho melhor eu entrar, antes que eu morra. Me liga amanhã então.” Ela disse sorrindo e abriu a porta do carro, depois correu até a porta do salão e entrou, já cumprimentando as amigas e se desculpando pelo atraso.

Capítulo 5

“Olá.” Ricardo abraçou por trás, enquanto ela observava as pessoas dançando.
“Oi”, ela respondeu, sorrindo verdadeiramente pela primeira vez naquela noite.
Não esperava muito daquela festa, e sentia falta de alguma coisa... Algo ou alguém, que ela não conseguia identificar, por mais que tentasse. E aquilo já fazia algum tempo, não era repentino.
Mas Ricardo, de algum jeito a deixava mais próxima desse sentimento bom do qual ela sentia tanta falta.
“Agora eu posso te dizer que você está linda sem você revirar os olhos com ar de desprezo para mim?” Ele fez bico enquanto a girava de frente para ele, sem tirar os braços de sua volta.
“Hmm.” Ela fingiu estar pensativa enquanto segurava a risada. “Está bem, agora pode sim.”
“Então... É, você está linda. Seu cabelo está muito bonito.”
Ela acabou por não fazer nada muito especial com ele. Pediu somente para que o cabeleireiro o lavasse e pediu para secá-lo ela mesma. Não gostava muito de coisas elaboradas ou demoradas, então o deixou quase natural. Não sabia o porquê, mas ele tinha ficado diferente de como ficava normalmente.
“Obrigada. Você também está bonito.” Ela passou a mão pela gravata do garoto.
Ele sorriu torto para ela, que tentava não mostrar o que aquele sorriso lindo dele lhe fazia.
“Hei, vamos ali falar com o Gui?” ela perguntou, e, sem esperar resposta, foi em direção ao amigo enquanto puxava Ricardo pela mão.
Após algum tempo conversando com diversas pessoas, acabaram por se separar. Ouve uma confusão, algo sobre um namorado estar na festa, porém o amante da garota também ter aparecido ou algo do gênero. Como o que não era muito incomum, entrou no meio da história e tentou ajudar a garota, mesmo achando o que ela fez ridículo.
Acontece que ela mesma tinha chifrado o garoto, de propósito. E agora ia correndo e chorando pedindo ajuda? Ora, por favor. Mas é claro que era rude dizer algo do tipo “não, se vira” - o que era, na verdade, tudo o que ela queria dizer. Mas não, ela ajudou a garota, como sempre fazia. Porque, afinal, ela se sentia melhor assim.
A boa e velha que ajudava os outros sempre. E por que não? Não valia a pena mudar ali, de repente. Aquilo tinha que ser feito gradativamente, e mais tarde. Depois de mais reflexão. Se fosse acontecer. Algum dia.
Mas ela duvidava que acontecesse.
Foi chamada mais uma vez para socorrer alguém. Quem seria agora?
Acontece que era Lúcia. Sim, a própria aniversariante. E não tinha sido a única convocada ali. Parecia que ela queria a opinião de muita gente naquilo, então reuniu todos em alguns sofás em um canto privado do salão.
Depois de algum tempo discutindo os pontos positivos e negativos, os motivos e os jeitos, ela chegou a uma conclusão. A que ela era muito indecisa e nunca conseguiria se decidir sobre o assunto.
“É sobre ele?” Ricardo perguntou, se sentando ao lado de . Ela concordou com a cabeça.
“Ela não sabe o que fazer. Quer falar com ele, mas não tem coragem.”
O garoto bufou e revirou os olhos. Enquanto isso, foi falar com Guilherme sobre aquilo tudo. Não queria a garota se machucando à toa, e não sabia o que ela acabaria por fazer. Queria deixar o amigo preparado para qualquer coisa que pudesse vir.
“Olha aqui, Lú.” Ricardo começou, segurando ambas as mãos da amiga enquanto ajoelhava em sua frente. “Você gosta mesmo dele, não é?”, ela fez que sim com a cabeça. “Então olha, você tem que falar com ele.”
“Mas eu estou com medo!” Ela sussurrou.
“Você não pode ter tanto medo. Você precisa lutar pelo que você quer. Se você não fizer isso, quando crescer, vai olhar para trás e se arrepender por tudo o que perdeu por ter medo de tentar.”
A garota agora olhava nos olhos dele. Ele estava certo.
“Se ele não gostar de volta de você, nada demais deve acontecer. Mas se ele gostar, você vai perder muita felicidade que poderia ter, por causa de um medo bobo. Você conhece o Gui, ele nunca te faria mal nenhum.”
Ela piscava, enquanto pensava no que ele tinha dito. Ele realmente estava certo. Aquilo não era tão comum.
Quando Ricardo viu fazer um sinal positivo por trás da amiga, soube que tudo daria certo no final.
“Agora vai lá falar com ele, está bem?” Ele bateu de leve nas coxas da amiga e depois a puxou do sofá.
Então começou a tocar Never Gonna Be Alone do Nickelback. Lúcia parou mais uma vez no meio do caminho e olhou para o amigo, que sorriu para encorajá-la. Então ela sorriu de volta e foi atrás de Guilherme.
“Nossa, o que foi que você disse para ela?” perguntou.
“Ah, nada demais. Somente o que eu penso.” A amiga arqueou as sobrancelhas. “Me dê a honra desta dança, madame?” ele se curvou, e ela aceitou rindo.

Depois de dançar muito, e Ricardo foram andar pelo jardim do casarão onde era a festa.
“Lindo, não é?” analisava cuidadosamente um Nenúfar no lago. Ele a pegou cuidadosamente e colocou atrás da orelha da garota.
“Fica mais bonita aí.” Ele sorriu para ela.
Ricardo puxou pela mão delicadamente e continuaram andando. Enquanto isso, ele estava imerso em pensamentos
“Vamos nos sentar?” Ela perguntou, fazendo menção a árvore perto deles. Ela adorava sentar na grama, desde que não tivesse muita terra junto. Aquele jardim estava bem como ela gostava.
“Claro.”
O garoto estava acariciando sua mão com o polegar. Como era de se esperar, algum tempo depois estavam se beijando. Mas naquele dia algo estava diferente. Os dois podiam sentir aquilo, parecia que não era como antes. O beijo não era urgente, era com carinho. Era calmo, como se pudessem ficar ali para sempre e quisessem aproveitar cada segundo disso.
Ao final da noite, ele havia tomado a decisão. E, depois de um último momento hesitando, ele resolveu tomar uma atitude logo. Então a pediu em namoro, tirando a caixinha do bolso e lhe mostrando os anéis.
Ela estava mais sensível do que o normal naquele dia, então se esforçou para não deixar cair nenhuma lágrima. Ricardo, percebendo isso, sorriu ainda mais.
respondeu que sim, e o abraçou com força. Quando os dois estavam juntos, ela se sentia muito melhor. Como se fosse mais completa, ou algo assim. Os dois ficaram ali de mãos dadas, agora com as novas alianças observando a lua cheia e sussurrando um para o outro por muito tempo.

Depois das fotos com os casais, perceberam a proximidade de Gui e Lú. Ricardo apenas piscou para ela, e pediu que fossem ao banheiro juntas. Desvencilhou-se da mão de Ricardo para encontrar as duas amigas e perguntar as novidades.
Pela cara de sonhadora dela, já tinham deduzido a resposta toda. Enquanto isso, do lado de fora, Ricardo e Guilherme passavam pela mesma conversa.

“Ah, meninas,” Lúcia suspirou. “foi perfeito. Bom, vocês viram que eu tinha me virado e o Ricardo piscou para mim, certo? Então eu fui andando até o Gui, e fiquei meio com medo de falar com ele de novo. Mas então me lembrei do que o Rick disse e...”
“Desculpa,” interrompeu “mas não temos tanto tempo. Resume a história, depois você conta com detalhes.
“Ah, certo, verdade. Ok...” Ela pensou um pouco. “Bom, eu disse que gostava dele, ele disse que gostava de mim também e depois nós fomos dançar e nos beijamos.”
As três sorriram abertamente e deram pulinhos de felicidade, rindo em seguida.
não queria falar sobre o que acontecera com Ricardo ainda. Daquele jeito, ela sentia como se aquele fosse seu segredinho, seu motivo particular para ficar feliz. Como se fosse só dela e ela o estivesse protegendo.
Deixaria para falar sobre aquilo segunda na escola, como se pega desprevenida. “É, estamos namorando. Não te contei? Oh, meu Deus, me desculpa. Achei que tivesse comentado.”
Quando ela percebeu que também não comentaria sobre aquilo ali por causa da irmã de seu namorado, resolveu fugir daquela situação. Acabaria sobrando para ela.
Começou a fazer várias perguntas sobre detalhes, até que Lúcia corou e tentou acabar com aquilo:
“Vamos logo? Vão ficar bravos conosco, estamos demorando muito.”
As duas assentiram e todas seguiram de volta para o saguão.
Ao chegarem, cada um foi falar com seu par novamente.
“Olá.” Ricardo de um beijo rápido em .
“Oi.” Ela sorriu.
“E então, todos já sabem?” Ele debochou.
Ricardo sabia como as suas amigas – ou suas meninas, como gostava de dizer – eram com fofocas, sempre contavam tudo. Era como se dividissem o cérebro às vezes: entendiam tão bem a mente uma da outra que não precisava de muito para se entenderem. Mas é claro que as pessoas em volta não entendiam ao mesmo passo.
“Hm, ainda não.”
Ele não entendeu. Pela sua expressão, percebeu.
“O que foi? Quer que eu conte? Posso chamá-las agora e...”
“Não é isso.” Ele a interrompeu. Depois de uma pausa, prosseguiu: “Escuta... Quer saber? Deixa pra lá. Vamos fazer alguma outra coisa, sim?”
A garota se pôs nas pontas dos pés para beijá-lo, e ele retribuiu.
começou a se perguntar se Lúcia iria reclamar mais tarde sobre ela ter ficado muito tempo com Ricardo. A festa era da amiga, afinal.
Mas depois concluiu que ela entenderia. Certo? Os dois agora estavam namorando. Todas as pessoas que estão apaixonadas e/ou em início de namoro têm todo o direito de serem chatas e só falarem sobre o amor de sua vida. Não é? É completamente racional.
“Excuse me?” Gui usou a expressão para “com licença” em inglês, brincando, e limpou a garganta.
Os dois se separaram e olharam para ele, enquanto ria da voz feminina que ele usara, justamente para esse fim.
“Posso roubá-la por um tempinho?” Ele perguntou.
Como os dois sempre acabavam juntos ao final de todas as festas e nunca era nada sério, Guilherme não se importou em ser mais educado ao interrompê-los. Afinal, era o que ele fazia normalmente, nas poucas vezes em que precisava.
Ricardo deu um último beijo rápido em e a soltou. A garota seguiu o amigo até a grande sacada do casarão.
“E então?” arqueou as sobrancelhas. “Gostou da festa?”
“Gostei sim, na verdade. Apesar de ter sido... Estranha. Mas me conte da sua noite. O que foi aquilo?” ele acenou com a cabeça para dentro, claramente falando de Ricardo.
“Para com isso Guilherme, quem vê pensa que você não sabe nada sobre mim.” ela reclamou. “Agora, eu sei que você tem novidades, então diz logo!”
Ela tinha considerado contar ali para ele sobre o namoro, mas resolveu não o fazer. Queria saber logo sobre tudo o que tinha acontecido enquanto ela estava com Ricardo, não aguentava suspense algum. Contaria mais tarde.
“Ok, o que você já sabe? O que ela disse?”
“Nada, você a conhece.”
“Está bem, então foi assim: logo depois que você veio falar comigo, veio ela. Daí ela estava toda tímida e tudo o mais. Então ela disse que –“
“Ahn, ?” Ricardo apareceu atrás dos dois. “Sinto te interromper, mas seu irmão está aqui. Parece que aconteceu alguma coisa.”
Os olhos da garota se arregalaram, e Gui deu a mão para ela, depois a seguindo em direção ao carro.

Capítulo 6

Bruno estava encostado na porta do carro.
“O que houve?” perguntou se aproximando.
“Precisamos ir, princesa.” Seu irmão mais velho disse. Ahn?
“O quê? Como assim?”
Ele apenas estendeu a mão para ela.
não sabia o que fazer. Por fim, abraçou forte os dois amigos, e disse para eles mandarem um beijo para Lúcia. Mandou avisá-la que depois ligaria para a amiga. Pela cara do irmão, ela sabia que era algo sério.
Angustiada, ela se soltou de Guilherme e foi com o irmão. Sentou-se no banco da frente e esperou o irmão dar a volta no carro e entrar, se sentando no banco do motorista.
“Agora vai me dizer o que aconteceu?”
“Desculpa te buscar tão cedo.” Ele deu partida no carro.
“Não vai responder mesmo?” Ela perguntou depois de algum tempo.
... Olha...” A garota percebeu que o irmão estava hesitante, o que a deixou mais nervosa.
O que teria acontecido? Algo com o irmão mais novo? Os pais? A mãe não iria viajar naquele dia? E se tivesse acontecido algum acidente... Não. Aquilo não podia acontecer.
Então eles viraram a esquina, e ela percebeu a rua em que estavam. Eles nunca iam até lá, não tinha nada que eles frequentassem para aquele lado da cidade, a não ser...
“O hospital.” Ela murmurou. “Bruno, o que houve? Por que estamos indo pro hospital?”
“O... O papai passou mal.” Ele disse por fim.
“Mal?” perguntou, querendo e esperando mais detalhes.
“É.”
Quantos detalhes, ela revirou os olhos. Obrigada.
O garoto estacionou o carro e os dois andaram em silêncio até a recepção.
“Márcio Migliorini, por favor?” Ele pediu.
“O horário de visitas acabou, voltem novamente amanh...”
“Escute, é o meu pai que está neste quarto.” estreitou os olhos enquanto se inclinava no balcão. “E eu preciso vê-lo. Entendeu? Agora me diz qual é o número e o andar, por favor?” Ela sorriu cínica.
A recepcionista digitou algo em seu computador e então voltou a olhar para a garota, que não havia se mexido.
“Quarto 305, terceiro andar.” Ela quase sussurrou. “Só não façam nenhum barulho e voltem logo.”
Os dois foram até o elevador e logo estavam no andar certo. Caminharam lentamente pelo corredor silencioso, até chegarem à porta onde estava indicado o número 305. olhou pelo vidro ao lado e pôde ver o pai dormindo calmamente na maca.
“Er... Olá?” Ouviram alguém dizer. Quando se viraram, ele estendeu a mão. “Prazer, Dr. Drake Ramoray.”
“Como ele está?” voltou os olhos para o pai enquanto Bruno apertava a mão do médico.
“Ele está bem. Estável.” Ele parecia escolher as palavras certas. “Fizemos um exame de sangue e desconfiamos que a causa do desmaio tenha sido a desidratação, mas ainda não temos certeza. Desconfiam de qualquer motivo que possa tê-la causado?”
“Bom, ontem eu acho que ele vomitou, mas...” Bruno não terminou a frase. Na verdade, não sabia como continuar. Não achava que aquilo possa ter causado o desmaio do pai.
O médico, percebendo o desconforto do garoto, não insistiu.
“Não se preocupe, depois perguntamos para ele sobre isso.” Ele sorriu reconfortante. “Mas qualquer coisa que possam dizer já ajuda. Agora ele terá de passar a noite internado em observação. Vocês têm com quem ficar?” Ele perguntou. Como se fôssemos crianças, pensou. Acho que meu pai tinha razão quando xingava médicos.
Bruno assentiu e ele continuou.
“Se precisarem me chamem, sim? Ou, se eu não estiver disponível, a enfermeira Phoebe Buffay.” Ele fez menção a uma loira que estava no final do corredor. Então ele tirou uma embalagem branca de um de seus grandes bolsos. “Sanduíche?” Ele ofereceu. Os dois negaram e ele saiu de perto, dando uma mordida no pão.

e Bruno entraram no quarto. A menina segurou a mão do pai desacordado enquanto o olhava calmamente. Mesmo depois de tantas brigas, de tanta raiva, sentia falta dele. E queria muito vê-lo bem e longe daquela cama dura de hospital.
Bruno limpou a garganta e tirou de seus devaneios.
“Er... Eu fico com o papai e você vai pra casa cuidar do Lucas?” Ele perguntou à irmã.
olhou em volta, como se só percebesse naquele momento que o mais novo não estava ali.
“Cadê o Lucas?”
“Ah, ele ficou com aqueles vizinhos da casa da frente. Aquele... Acho que se chama , não é?” Ela assentiu. “Se ofereceu para tomar conta dele por algum tempo. Como você estava com eles mais cedo e tudo o mais, não vi problemas.”
Ela assentiu devagar.
“Está bem, então pode ser. Avise o doutor que você está ficando aqui, e qualquer coisa me ligue. Ouviu? Me liga! Qualquer coisa.”
“Ta bom, ta bom. Eu te ligo.” Ele abraçou forte a irmã. “Me liga quando você chegar em casa, não esquece! E toma cuidado no trânsito. Parece que vai chover.”
“Ok, mamãe.” Ela brincou, depois beijou o irmão na bochecha. Beijou o pai na testa e saiu do quarto.

Em cerca de vinte minutos, já tinha chegado em casa novamente. Ao subir os três lances de escada, foi primeiro à casa do amigo para buscar o irmão.
abriu a porta somente com uma toalha enrolada na cintura, e sorriu envergonhado.
“Er... Oi.”
“Olá.” Ela estava tão envergonhada quanto ele, mas tentou não rir quando viu suas bochechas corarem. “Desculpe, eu... Ahn, meu irmão está aí?
“Ah, está sim.” Ele deu espaço para ela entrar.
apareceu segurando Lucas pela mão naquele momento.
“Hm, certo, vou me trocar.” E foi para o quarto.
“Olha, parece que você conseguiu controlar a peste.” comentou.
“Ele é uma graça. Sempre que precisar eu posso olhá-lo.”
“Obrigada.” Ela abraçou o amigo, então revirou os olhos quando completou: “Agora preciso voltar para casa e ligar para meu irmão.”
Chegando ao seu apartamento, mandou o irmão ir para o quarto colocar o pijama enquanto tirava o celular do bolso. Viu que tinha três mensagens, uma de Gui, uma de Ricardo e uma de . Ela teria tempo para ligar para eles dali a pouco, agora precisava ligar para o irmão.
Depois de cinco minutos conversando, eles desligaram, e Bruno tinha informado que o pai não tinha mudado em nada. não sabia o que esperava, mas ficou um pouco desapontada quando o irmão disse aquilo. Talvez esperasse que o pai ficasse saudável milagrosamente e que voltasse para casa. Ou que tudo fosse apenas um pesadelo. Quem sabe?
Quando voltou para a sala e fechou a porta da sacada atrás de si, viu que o irmão mais novo estava mexendo nos armários da cozinha, jogando tudo para fora.
“Lucas! O que você está fazendo?” Ela correu para tentar pará-lo.
“Eu quero biscoito.” Ele disse, num tom baixo. Então falou mais alto: “Por que não tem biscoito?!”
“Porque não são saudáveis. Agora senta no sofá que eu vou fazer macarrão pra gente, está bem? Depois eu posso fazer biscoitos também.” Ela respirou fundo e pegou o macarrão no armário, enquanto segurava uma panela na outra mão.
Ah, era tudo o que ela precisava agora, não é? Depois de descobrir que o pai estava internado, por que não uma briga com o irmão mais novo?
Calma, , ela repetia para si mesma. Machucá-lo não vai ajudar. Nem matá-lo. Cadeia não seria muito melhor do que isso.
“NÃAAAO!” ele gritou, aumentando a palavra.
Ou talvez cadeia fosse mesmo melhor do que isso... E tinha uma faca logo ali do lado...
“Por que não?” agora ela levantou a voz também. Não tinha muitos motivos para ficar quieta.
“Porque eu quero biscoito!”
Não, aquilo era loucura. Não podia matar o próprio irmão.
“O problema é seu! NÃO TEM BISCOITO! O que você quer? Que eu vire um?”
Infelizmente, não podia.
“Quero!”
“Ah, é? Então não quer ficar comigo?” ela segurava as lágrimas. Estava mesmo frustrada, mas não iria mostrar isso para o pequeno. Nunca.
“Não! Eu quero a minha mãe!”
“Ah, é? Problema seu, porque ela morreu!”
deixou a panela e o macarrão caírem no chão e saiu batendo o pé.

“Está tudo bem?” perguntou hesitante. , que estava sentada no chão do lado de fora de sua porta da frente, rolou os olhos. Claro que não pôde ver isso muito bem, uma vez que o rosto da menina estava escondido em seus braços e ela não estava disposta a levantá-lo.
Não queria chorar na frente de . Era a primeira noite dele ali, ele não precisava de mais motivos para achá-la estranha. Então o ignorou. Ele iria embora, dali a algum tempo.
...” Ele sussurrou. “, o que aconteceu?”
Ela negou com a cabeça. Estaria com a maquiagem da festa borrada por causa do choro, o cabelo provavelmente estava embaraçado, e sua situação emocional também não estava nada boa.
Ela sentiu passando a mão por seus ombros e a abraçando meio de mau jeito.
“Olha para mim, .” Ela negou mais uma vez. “Eu não vou embora até você me dizer o que aconteceu, então é melhor você dizer logo.”
“Vai embora...” Ela murmurou, baixo demais para ele ouvir.
“O quê?”
“Vai embora!” Repetiu mais alto.
“Ora, por favor. Você estava gritando! E era sobre... Um biscoito?”
Ela não pôde deixar de rir fraco. Na verdade, a briga realmente fora por causa de um biscoito. O quão ridículo aquilo soava?
“Vai embora, eu estou horrível. Você não pode me ver assim.” Ela riu um pouquinho mais. Não se importava tanto assim para aparências, mas não queria falar sobre aquilo.
“Não está não. Não vão ser algumas lágrimas e uma maquiagem borrada que vão te deixar feia,.”
Ela não sabia o que responder. Hei, querido? Você tem namorada, lembra?
“Agora olha pra mim. Eu só quero te ajudar. Você sabe, não é? Olha pra mim.” Ele pediu de novo.
Devagar, ela levantou o rosto e olhou para ele.
“Feliz?”
Ele fez que sim com a cabeça com um lindo sorriso reconfortante estampado no rosto.
“Agora, antes de qualquer coisa, tem uma criança aqui, não tem?” Ele apontou para a porta da menina.
“Tem...” Ela revirou os olhos. “Infelizmente.”
“É seu irmão?” Ela fez que sim com a cabeça. “Você quer chamá-lo?”
“Eu não. O problema é dele.”
, quantos anos ele tem?”
“Er... Cinco.”
“É, crianças nessa idade são difíceis...”
“Eu que o diga.”
“Tem certeza de que não quer chamá-lo?” Ela assentiu. “Está bem então, o irmão é seu. Mas, me diga, o que aconteceu? Não era para você estar na festa?”
“Na verdade a festa já deve estar acabando agora... Não era muito de noite, como normalmente. Ela queria fazer durante o dia para poder aproveitar... Hm, alguma coisa lá. Ela falou muitas vezes, mas não prestei atenção.” Ela riu um pouco consigo mesma se lembrando da preocupação que a amiga tivera com a festa.
“Mas você saiu antes de acabar a festa, não foi?”
“Ah, nós não precisamos falar sobre isso. O que fez enquanto eu estive fora?”
“Precisamos sim, porque ninguém chora por causa de uma briga sobre um biscoito.” Ele tirou uma lágrima de sua bochecha com o polegar. “O que houve?”
Ela respirou fundo. Ele não parecia ser uma daquelas pessoas que só perguntava por educação, ele parecia querer mesmo ajudar.
“É que -”
Ela começou, mas foi interrompida. Uma loira (oxigenada, notou) chegou subindo as escadas e a interrompeu, chamando por .
“Mas o que... Ah! Nossa!” Ele murmurou sozinho.
? Você não vem, querido?” Ela chamou.
Agora o garoto parecia dividido entre as duas.
“Jac...” Ele começou, mas foi interrompido.
“Você vem ou não?” A loira perguntou entre os dentes, mas disfarçando o ato com um sorriso.
Ele olhou de volta para , depois para a loira de novo.
“Deixa pra lá.” murmurou enquanto se levantava e ia em direção à porta de seu apartamento. “Vejo que você tem outro lugar para estar agora, não é?”
“Não, ...” Mas ela bateu a porta antes que ele dissesse qualquer outra coisa.
“Vamos logo! Até ela te disse para deixar pra lá!” Ela pôde ouvir a garota dizendo, então foi até a cozinha, não querendo saber mais disso. Nem dela, nem dele. Que os dois explodissem.
Pegou a panela e o macarrão do chão, mas não queria mais cozinhar. Então leu as três mensagens de texto que tinham chegado para ela e respondeu a de , que na verdade tinha sido no nome de mais três amigas também.
Próximo: Ricardo. Ele atendeu no primeiro toque, desesperado, o que fez rir um pouco. Disse somente que o pai estava no hospital, mas que não parecia nada muito sério, e que ela estava em casa com o irmão mais novo.
Ele se ofereceu pra passar a noite lá com ela, mas ela disse que se o irmão descobrisse que ela passou a noite com o namorado, ele ficaria furioso. O que não era mentira, por sinal.
Despediram-se, um pouco envergonhados por nenhum deles ter tido coragem de dizer "eu te amo", então ela desligou.
E agora o último, Guilherme.
“Oi, linda! Como estão as coisas? O que aconteceu?”
“Argh. Cansei de responder isso. Me diz você como foi o final da festa!”
“Na-na-ni-na-não. Primeiro você me explica o que aconteceu. Resume então, ok?”
“Ah, meu pai tá internado. Agora é a sua vez!”
“O quê?! Por quê? Você tá bem?”
“To, to sim.” Ou não. É, provavelmente não estava. Mas não queria deixar o amigo preocupado.
“Não tá nada. Eu te conheço, não ache que mente pra mim. Posso ir aí?”
“Não dá, eu preciso cuidar do Lucas e -”
“Que bom que posso! Estou aí em cinco minutos. Pede pro porteiro abrir a garagem porque tá chovendo, preciso ir de carro. Beijo e até já.” E desligou. Então a menina obedeceu e ligou para o porteiro.

Capítulo 7

Em quatro minutos o amigo já havia chegado. A garota estava, mais uma vez, no corredor do prédio.
“Por que está aqui fora, ?” Ele perguntou enquanto a abraçava forte.
“Briguei com meu irmão. De novo.” Ela murmurou.
“O que aconteceu?”
“Ah, ele está um chato. Muito, muito chato.”
“E você o deixou aí dentro? Sozinho?” Ela assentiu. “Se esqueceu que seu quarto é ali dentro também?”
Ela arregalou os olhos.
“Você conhece seu público!”
A garota entrou no apartamento e correu em direção ao quarto. Quando abriu a porta, viu o garoto mexendo em sua maquiagem.
“Tira. As. Suas. Patas. Daí.” Ela disse entre os dentes.
Ele sorriu malicioso, fazendo-a estreitar os olhos.
“Eu juro que se você estragar uma coisinha sequer, você nunca mais vai ver o Teddy.”
Agora foi o garoto quem estreitou os olhos. Ele ameaçou quebrar um delineador, e ficou furiosa.
“Nem a Libby.”
tinha entrado no quarto e pego uma coelhinha de dentro de um baú, depois voltou para o lado de Gui na soleira da porta, agora com um lápis na mão, com a ponta na cabeça do bicho, como uma faca.
“Eu não tenho medo de fazer isso.” Era fácil de ver que o garoto segurava as lágrimas, enquanto Guilherme segurava a risada. “Agora guarde tudo na minha bolsa de novo.”
Assim que ele terminou de guardar as coisas, ela pegou a bolsa do chão e colocou ao seu lado em cima da escrivaninha, ainda segurando a coelha e o lápis.
“Agora saia JÁ do meu quarto.”
Os dois não pararam de se olhar, até que o mais novo saiu totalmente do quarto.
“Me devolve a Libby agora?” O menino choramingou.
“Não.” Ela respondeu seca, puxou o amigo para dentro e fechou a porta atrás dele.
Jogou o bicho de pelúcia de volta no baú e o trancou depois. Analisou o quarto, procurando por alguma outra coisa importante que deveria esconder do pequeno. Não achando nada fora do lugar, trancou as gavetas.
Pegou dentro da bolsa um demaquilante, algodão e se inclinou para o espelho de seu quarto para tirar o que restava da maquiagem borrada.
“Ok. O que foi isso?”
“Ah, você sabe, ele ama o Teddy e a Libby. E eu fico com eles. É o único jeito de negociar com ele.” deu de ombros.
“Você chantageia uma criança de cinco anos?”
“É o meu jeito de cuidar dele. Ele não obedece ninguém, mesmo. Só o bichinho.”
Ela terminou de tirar a maquiagem e jogou o algodão no lixo, depois verificou as maquiagens ali e guardou a bolsa no armário, o trancando em seguida.
“Só um segundo, eu já volto.”
Ela correu e trancou a porta da frente, levando a chave com ela. Encontrou o irmão no sofá vendo desenhos, mas ela não o deixaria ficar ali.
“Já para o quarto.”
“O quê?!” O garoto gritou, fazendo Guilherme ir até a sala ver o que aconteceu.
“Você está de castigo. Achou mesmo que faria tudo isso e sairia bem dessa? Na-na- ni-na-não. Já para o quarto!”
Quando o garoto não foi, ela o puxou pelo braço e, antes de fechar a porta, o virou para ela.
“Se você sair daí antes de eu te deixar, vou vender a Libby e o Teddy na internet.” Então fechou a porta.
Voltou assobiando para a cozinha.
“Vou fazer macarrão, quer?” Perguntou ao amigo.
“Er... Claro.”

Depois de alguns minutos, os dois comiam na mesa, enquanto a garota contava o que havia acontecido. Nunca escondia nada do amigo, e ele sempre fazia piadinhas com tudo, então demoraram algum tempo.
Depois chamaram o mais novo e o esperaram comer, o mandando novamente para o quarto quando havia terminado.
“Quer que eu passe a noite aqui?”
“Seria abuso responder que sim?”
Ele riu.
“É claro que não, se eu ofereci!”
“Está bem, então agora me conta tudo o que aconteceu na festa depois que eu fui embora.”
“Não muita coisa, na verdade. A festa estava acabando, de qualquer jeito.”
“Hmmm.” Ela fez um barulho pensativo com a boca. “E o que você ia me falar quando meu irmão chegou?”
“Ah, é! O que eu já te disse?”
“Hm, acho que nada. Ela foi falar com você, daí...?”
“Ah, sim. Então, daí, depois de muito custo, a gente foi dançar, e eu já sabia o que ela queria dizer, mas não parecia que ela ia ter coragem, né... Aí eu resolvi que era melhor eu dizer alguma coisa logo porque ela não iria falar nada.”
riu. “É, pelo menos você conhece ela! Tímida até demais.” Os dois riram. “Ok, ok. Agora, só pra matar a curiosidade, qual foi o final da história?”
“Hm, acho que estamos namorando.”
“Você acha?”
“É. Quero dizer, não pedi formalmente... Ainda. Mas vou.”
“Ownt!” Ela apertou as bochechas do amigo, o que o fez corar. “Ah.” Ele revirou os olhos. “E você? O que foi aquilo com o Ricardo? Você ainda não me respondeu.” Cruzou os braços e fingiu estar bravo com ela.
“Er...” Agora foi a vez dela de corar. Ela mordeu o lábio. “Estamos namorando.”
“O quê?!” Gui ficou mesmo surpreso e pegou a mão da menina. “O Ricardo? Namorando? Com aliança até?”
“Er... Sim?”
“Meu Deus. Como?”
riu, mas depois contou tudo.
“Já passaram da fase do ‘eu te amo’?” Gui perguntou, fingindo estar animado como uma garota. riu.
“Lógico que já. Quero dizer, eu acho. Não depois que começamos a namorar, mas já tínhamos essas coisas desde que éramos apenas... Hm, amigos? Ou quase isso.”
Agora foi Gui quem riu.
“Ok , vocês nunca foram só amigos. Mas tudo bem.”
O telefone de tocou, e era Bruno.
“O que aconteceu?”
“Nada, só queria saber como estão as coisas. Tudo bem?”
“Tudo sim. O Gui tá aqui, ele vai passar a noite, ok?”
“Está bem. Vai dormir logo, amanhã cedo você vai precisar pegar a mamãe no aeroporto, ok? Ela já está voltando e o vôo chega às nove da manhã. Tudo bem por você?”
“Claro. Então nós vamos dormir. Beijos, boa noite. Te amo, viu?”
“Beijo, também te amo. Boa noite pra vocês dois.”
desligou o telefone.
“Ele mandou boa noite. E também mandou a gente dormir.”
“Como está seu pai?” Ele perguntou hesitante.
“Ele está bem... Eu acho. Bom, nada diferente de antes.” Ela segurava as lágrimas mais uma vez.
“Não se preocupe, .” Ele a abraçou forte. “Vai ficar tudo bem.”

Estavam no hospital, a família reunida, quando e Bruno saíram para comer algo.
“E então, como foi a noite?” O garoto perguntou.
“Ah, foi tudo bem. Dormimos nós três na cama da mamãe.”
Gui tinha ficado abraçado com , enquanto ela dava a mão para o irmão mais novo. Depois do castigo, ele finalmente relaxou um pouco.
“Vocês dormiram na mesma cama, então?”
“Er... É.” Ela respondeu meio sem graça, então completou: “Você sabe como eu e o Guilherme somos, nem vem inventar ciúmes!”
“E esse anel na sua mão?” Ele levantou a mão dela. Os dois estavam indo de mãos dadas até a lanchonete do hospital.
“Ricardo.”
“O quê?! Ricardo, namorando? Você tem certeza?”
“Tenho!” Ela bateu de fraco na cabeça dele. “Como eu não saberia com quem estou namorando? E por que todo mundo me pergunta isso?”
O irmão olhou como quem diz Por que será?.
“Está bem, esquece. Então ele é meio galinha.”
“Meio?”
“Argh. Ok, muito.” Ela revirou os olhos. “Mas nós somos muito amigos, e... Bom, se ele só quisesse ficar comigo, ele não precisaria me pedir em namoro, você sabe.” Ela corou.
“É, eu sei.” Ele lhe lançou um olhar repreensivo, que logo se foi. “Meu Deus, ele está namorando. Uau.”
revirou os olhos.
“E eu também, sabia? Sua irmã? ? Conhece?” Ela ironizou, o fazendo rir.
“Parabéns, !” Ele beijou as costas da mão dela.
“O que vai querer?” Acenou com a cabeça para o balcão da cantina, mudando de assunto.
“Pizza...” Ele murmurou, fazendo bico. apertou seu lábio e riram um pouco. “Está bem, está bem. Quero só um suco de laranja, por favor.” Ele pediu para a moça do caixa.
“E você?” Ela se virou para .
“Nada, obrigada.”
Ele pegou seu suco e se sentaram numa mesa ali perto.
“Então, o que houve com o Lucas? Parece que ele está tentando fazer a culpa ser sua. Se eu fosse você, eu tomava cuidado.”
“O quê?!”
“É, eu sei. Um monstrinho. O que ele fez?”
contou toda a história para ele, que no final riu.
“Você negociou mesmo com ele?” Bruno gargalhava. “Ameaçando um coelho de pelúcia?
Ela revirou os olhos.
“Você ainda tem muito o que aprender sobre ele, meu bem.”

O pai acordou naquele dia, e tinham conversado com ele. O médico lhes informou que a causa do desmaio fora desidratação – agora com certeza –, causada pela diarréia com sangue que o pai vinha tendo – claro que sem contar a ninguém (“Ora, como assim ‘por que você não contou a ninguém, Marcos?’?” ele ironizou quando lhe perguntaram sobre a diarréia. “Vocês bem sabem que eu odeio médicos.”)
“No exame de sangue, também foi constada uma provável doença intestinal,” Dr. Ramoray tinha informado pela manhã “portanto precisaremos de um exame de fezes. E uma endoscopia, se possível ainda hoje.”
“Certo.” Raquel respondeu calmamente.
“Hahaha.” Marcos riu sem humor. “Sem endoscopias. Não. De jeito nenhum.”
“Querido, por que não leva seus irmãos para casa?” A mãe perguntou a Bruno, que assentiu. “Vou ficar com seu pai para o exame dele.”
“Já disse que não vou fazer exame nenhum!” Ouviram o pai dizer ao fundo enquanto saíam do quarto.

E por isso estavam em casa cerca de quinze minutos depois, ainda sem nada o que fazer. Para sua sorte, não muito depois de terem chegado, ouviram alguém bater na porta. Esperançosa, foi atender.
“Hm, oi?” Ela se surpreendeu com quem estava ali. Era a loira da noite anterior.
“Olha aqui, não sei quem você é e nem quero saber. Mas é melhor você se afastar do meu , viu?” Ela disse brava. Seu, é? “Eu vi que você estava com ele ontem à noite.” Duh, eu não estava me escondendo. “E é melhor você parar com isso. Não fale mais com ele. Entendeu?”
“Não. Você não manda em mim, pare de bater na porta das pessoas pra irritá-las. Novidades: o mundo não gira em torno de você.” bateu a porta na cara da garota e pôde ouvir um gritinho histérico contido, obviamente vindo dela.
“Quem era?” Bu perguntou quando a menina voltou à cozinha.
“A nova Barbie do vizinho.” Ela murmurou.
Era óbvio que eles não estavam juntos há muito tempo. Ela conhecia aquele tipo de garota. Nunca gostava mesmo de nenhum de seus amigos - nem namorados, por sinal -, e só namorava os bonitinhos e com dinheiro.
Para os espertos - como ela esperava que fosse acontecer com -, era como uma Barbie: usada e jogada fora. Já para os outros... Digamos que podem ter alguns problemas se não souberem controlá-la.
“Ahn?” Bruno não entendeu, mas quando a irmã negou com a cabeça, ele esqueceu daquilo. “Quer pipoca?”
assentiu sorridente e foi pegar a vasilha no armário embaixo da pia.
Mais tarde, quando os três viam um filme – ou melhor, e Bru viam o filme enquanto Lucas não prestava atenção da outra ponta do sofá – ouviram três batidas na porta novamente.
se levantou para atender, já pisando forte. Aquela loira ia ouvir poucas e boas dessa vez.
“O que você quer?” Ela perguntou brava logo que abriu a porta.
Mas era dessa vez.
“Posso falar com você?” Perguntou timidamente.
Lucas agora choramingava para o irmão lhe contar uma história para dormir.
“Por quê?”
E o mais novo quase gritava ali no sofá.
“Argh, está bem!” Bruno bufou. “, vou contar uma história pra ele dormir. Qualquer coisa chame, está bem?”
Ela assentiu.
“Posso entrar? não sabe que estou aqui, e não espero que ele saiba. Pelo menos não agora.”
“Claro, venha.”
Ela puxou o garoto até o quarto dela, fechando a porta depois. Não queria acordar o irmão mais novo depois que ele dormisse, aquilo seria horrível. Ela sentou na cama de pernas cruzadas e o chamou para se sentar na frente dela.
“O que foi?”
...” Ele começou. Ele não sabia exatamente o que pretendia com aquela conversa, mas precisava falar com ela. “Bom, fiquei sabendo que você conheceu Jacqueline.”
“Quem?”
“Hm. Alta, cabelos lisos, loira, sempre com roupas curtas?”
“É, conheci. Então ela tem nome, é?”
“Sim. Ela me perguntou sobre você.”
“É, ela veio mais cedo reclamar sobre eu falando com ontem à noite.” revirou os olhos. “Não dá pra ele controlar sua cachorrinha?”
“O quê? Não acredito que ela fez isso.” Ele ignorou o modo como a amiga tinha chamado a garota.
“Mas fez.”
“E não, baba por ela. Não sei o que vê de mais na garota, é uma idiota.”
“Ufa!” abraçou o garoto.
“Ahn?” Ele não entendeu.
“Que bom que você concorda comigo!” Os dois riram um pouco, então ele sorriu para ela.
“Desculpa por ontem. Bom, por . Eu estava fora de casa com minha namorada, então só fiquei sabendo hoje de manhã... Mas você não estava aqui.”
“Obrigada. Sua namorada é melhor do que ela, não é?”
“Sim, sim. Com certeza é.”
“E eles saíram de novo?”
“Saíram sim. Mas, hey, não vamos nos preocupar com eles, não é? Não quer me explicar o que aconteceu para você ter chorado ontem e ter saído tão cedo hoje?”
revirou os olhos, mas explicou tudo ao amigo. Não fazia nem dois dias que conhecia aqueles vizinhos, mas sentia que podia confiar neles.

Capítulo 8

Na manhã de segunda-feira, tanto quanto Bruno acordaram de má vontade. Não que tenham ido dormir tarde ou fizeram coisas demais no dia anterior – de jeito nenhum, passaram o dia fazendo lição. Ou melhor, metade dele.
A outra metade eles passaram no hospital, onde o Dr. Ramoray lhes informou o que provavelmente havia causado a diarreia, que causaria a desidratação, que, por sua vez, causou o desmaio.
“Foi detectada uma inflamação intestinal a partir da análise em labotatório dos fragmentos da mucosa intestinal coletados na endoscopia. Desconfiamos que seja um caso de Retocolite Ulcerativa Inespecífica, mas precisaremos de uma radiografia para termos certeza.” Ele havia dito.
“Ahn?” se perguntou se ela era a única que não entendia muito bem o que ele havia dito. Olhando as expressões dos familiares, percebeu que não era.
Depois a mãe lhe informou que, basicamente, o pai tinha uma inflamação no intestino e que um raio-x seria tirado para comprovarem suas suspeitas sobre aquilo.
Muito melhor assim.
Depois de se aprontarem de manhã, os dois deixaram Lucas em sua escola e seguiram para a deles. Ao chegarem ao corredor das salas, se despediram e cada um foi para um lado. chegou logo em sua sala, onde foi recebida por um beijo de Ricardo e abraços dos amigos.
Todos mandaram melhoras para o pai dela, o que a deixou feliz – pelos amigos se preocuparem –, mas acabou a chateando – por ser lembrada constantemente da situação. Então ela trocava logo de assunto quando lhe perguntavam sobre isso, e se concentrava em falar com os amigos sobre outras coisas da festa.
estava sentada na cadeira em frente da de Ricardo, com Guilherme ao seu lado, e Lúcia atrás dele. Os quatro ficaram conversando quase a aula inteira, até que começou a segunda, e aquela professora não era tão paciente quanto à anterior.
Ao final da aula, foi o primeiro intervalo. e Ricardo ficaram junto com os amigos, como de costume, mas naquele dia sempre de mãos dadas, abraçados ou ela sentada no colo do namorado. Ainda não tinham contado oficialmente para ninguém (com a exceção de Guilherme), mas qualquer pessoa com cérebro conseguiria deduzir que estavam namorando.
Aparentemente, pensou, não eram muitas pessoas que tinham cérebro por ali. Isso porque, mais tarde, quando ela estava dividindo uma cadeira com Ricardo, já na sala de aula, chegou uma garota loira perguntando o motivo de estarem tão próximos.
“Ahn... Estamos namorando.”
E quando respondeu isso, sua boca se abriu em surpresa. Realmente surpresa, e não uma dessas falsas.
“Meu. Deus!” Ela falou pausadamente. “Não acredito! Own, que ótimo para vocês. É sério. Sempre achei que vocês eram uns fofos juntos. Own!”
E então ela saiu de perto para contar para as amigas. Que foram até o novo casal também, os parabenizando e perguntando coisas para os dois, que eles tiveram a sorte de não precisar responder, pois o professor logo chegou à sala.
Ainda antes de ela começar a aula, Lúcia chamou os dois.
“E então, não iam nos contar mesmo?”
Coisa que, é claro, deixou os dois um pouco encabulados.
“O quê?!” Ricardo não entendeu direito.
“Achei que você tivesse deduzido isso quando... Bom, quando eu fiquei mais tempo do que o normal com Ricardo, e aparecemos com alianças.” Ela levantou a mão.
“Perdão Srta. Migliorini, Srta. Evans, estou interrompendo?” O professor perguntou. O quê? Mas ele nem tinha começado a aula! “Vocês têm algo muito importante para contar para a classe?”
“Sim, eles estão namorando!” A garota loira de mais cedo quase gritou do outro lado da sala.
olhou feio para ela. Quem ela achava que era para falar do namoro deles daquele jeito?
“Ah, certo.” O professor revirou os olhos, debochando. “Então, classe, abram o livro na -”
“Qual o problema?” interrompeu. Claro que já sabia qual era o suposto problema, mas estava irritada e impaciente o suficiente para brigar com o professor por conta disso.
“O Ricardo não namora. Ele só sai com meninas, desconfio que aleatórias, por sinal, pois tem algumas bem feinhas.”
Ricardo fingiu uma risada. “Você não pode dizer se eu namoro ou não. Se eu a pedi em namoro, estou namorando.”
Então o professor sentou-se à mesa na frente de Guilherme, e começou a conversar sobre isso, enquanto os outros alunos começavam a conversar paralelamente.
“Então você a pediu em namoro?” Ele havia perguntado. “Quando?”
“Sexta, na -”
“Em uma festa.” o cortou. Havia gente ali por perto que não sabia da festa, e Lúcia ficaria brava se tivesse que dar satisfação a elas.
“Bem, vamos ver quanto tempo demora até que ele te chifrar, querida.” Ele disse para , então voltou à frente da sala.
Ricardo revirou os olhos.
O Sr. Nolan nunca havia gostado muito de Ricardo, e não se incomodava em deixar todos saberem disso. Quando ele ainda estudava ali, Sr. Nolan e o irmão mais velho de Ricardo não se davam bem. E, desde que ele não desse notas injustamente para Ricardo, ele não se importava se o professor falava algo sobre ele ou não.

“Que milagre, você por aqui?” Quando Guilherme e chegaram em casa, a mãe estava na cozinha.
“É. Seu primo está no hospital, e me deixou vir para cá.”
“O James?”
“Sim. Algum problema, querida?” A mãe perguntou.
“Não, nenhum.”
“E como o papai está?” Bruno perguntou.
“Eu... Er, vamos comer primeiro, sim?” Ela levantou uma panela do fogão e levou para a mesa.
“Na-não,” a filha reclamou “conte-nos o que aconteceu.”
“Durante a refeição?” A mãe tentou adiar a conversa.
Os três se sentaram na grande mesa de jantar e se serviram. e Bruno não podiam deixar de agradecer o fato de que a comida da mãe - mesmo não sendo a melhor de todas - era melhor do que a da escola.
“Vai dizer ou não?” Bruno estava impaciente.
“É lógico que não é coisa boa, mãe, eu te conheço.”
“É, a tem razão, mãe. Então diga logo, estamos preparados para o pior. Ou quase.”
Raquel sabia que os filhos não reagiriam muito bem à novidade. Não havia jeito fácil de dizer aquilo, então ela resolveu fazer como tirar um band-aid: rápido e (quase) indolor.
“Bom... Ok. Eles tiraram a radiografia, e ele está com...” Ela pensou um pouco. “Hm, aquela doença que o médico havia mencionado. Mas então eles viram algo estranho na radiografia e farão uma ressonância magnética. Desconfiam que seja câncer.”
Não, aquelas definitivamente não eram notícias boas. Mas poderia ser pior, concluiu a garota.
Ou ao menos tentava se convencer disso.
“Onde?” Bruno conseguiu perguntar.
A irmã tinha medo de começar a chorar quando abrisse a boca, e não queria fazê-lo. Poderia ser pior, poderia ser pior, ela repetia para si mesma. Mas, por algum motivo, ela parecia não acreditar naquelas palavras.
“Não sabem ainda.” A mãe respondeu num fio de voz.
O resto do almoço foi resumido em talheres batendo nos pratos. A mãe torcendo para que os filhos superassem enquanto os mais novos ficavam imersos em pensamentos.
Os dias passavam monótonos, então, já na tarde de quarta, alguém bateu na porta, e foi atender. Deparou-se com ali.
, minha flor do dia!” Ele a abraçou e Bruno virou para ver quem era, desconfiado.
“Oi...” Ela disse com dificuldade. “, você está apertando muito, socorro!”
Ele soltou a menina.
“Hey, o que houve? Não quer sair com a gente? Estávamos querendo ver um filme, você vem?”
Ela olhou para Bruno, incerta do que deveria fazer. Não queria deixar o irmão sozinho numa hora como aquela.
“Você quer vir também?” perguntou ao garoto.
“Vamos, Bu?”
“Hm, claro.” Bruno deu de ombros. Desligou a televisão e seguiu com a garota para fora do apartamento.
“Ah, sim. , Bruno. Bruno, .” A menina apresentou os dois, que apertaram as mãos enquanto passavam pela porta.
“E esse é o .” apresentou o outro, que estava ligando a televisão.

Meia hora depois, os quatro riam do filme.
“Hei, alguém está com sede?” perguntou. Todos responderam afirmativamente. “E quem vai levantar?”
“O Bruno!” disse. “Como nova visita, é dever dele.”
“Eu não sei onde tem nada aqui, duh!” Ele caçoou da irmã.
“Então vai a !” disse.
“Ei!” A menina reclamou. “A casa é sua, vai você.” Ela mostrou a língua para ele.
“Nope.” Ele negou. “Vai logo...” a empurrou um pouco.
“Está bem, mas pelo menos pare o filme!” reclamou.
apertou o pause no controle remoto e saiu para a cozinha. Quando voltou - não pela primeira vez, pois tivera que levar vários copos -, os meninos estavam gargalhando.
“O que houve?” Ela perguntou desentendida.
“Acabamos de descobrir que já foi de minha sala.” Bruno contou. “E nos lembramos de algo que fizemos na primeira série.”
ficou surpresa.
“Uau, como vocês se lembram desse tipo de coisa?” Ela entregou o último copo e voltou a se sentar ao lado de . “Então vocês eram amigos? Que legal!”
“Muita coincidência, muito interessante...” começou a falar. “Mas eu quero mesmo ver o resto do filme, ok? Quando acabar vocês voltam a relembrar as coisas, tudo bem?” ele apertou play.
Enquanto assistiam ao filme, acabou se deitando no colo de , que começou a fazer cafuné na menina, quase que inconscientemente.
Quando chegou aos créditos, o celular de tocou - os dois simultaneamente, o que os surpreendeu. Ela saiu para atender ao telefone no corredor.
“Oi, !”
“Oi, !”
“Escuta, eu estou aqui perto da sua casa, com o Gui... Tudo bem se passarmos aí?”
“Hmm.” Ela pensou um pouco. “Sim, sem problemas.”
“Está bem, te vejo em cinco minutinhos.”
Ela desligou e voltou para o apartamento dos amigos.
“Quem era?” perguntou antes de abrir o cardápio da pizzaria.
“Ricardo?” Bruno perguntou.
fez cara feia por causa das perguntas (afinal, o que eles tinham com suas ligações?) e cruzou os braços, mas então respondeu.
“Não, era a .”
“Hm, e quem é Ricardo?” pareceu interessado.
“Meu namorado. Pelo menos por enquanto.” procurava refrigerante na geladeira da cozinha, que só era separada da sala de jantar - onde os meninos estavam - por um balcão.
Enquanto isso, pensou novamente na briga que tinham tido naquela manhã.
“Como assim você dormiu com o Guilherme?” Ele perguntava.
“Primeiro, pare de falar assim.” A garota respondeu. “Quem ouve isso pensa que nós fizemos algo a mais. O que não é verdade. Só dormimos. Segundo, eu te disse que se meu namorado dormisse em casa meu irmão não gostaria da idéia, e não qualquer menino. E terceiro, pelo amor de Deus, é o Guilherme! Juro que não acredito que você ficou com ciúmes dele.”
“Argh.” Ricardo bufou. “Grande coisa. E você é minha namorada,” não gostou do modo como esse ‘minha’ soou, “e eu tenho todo o direito de ficar com ciúmes!”
“Ah, certo. Então você não confia em mim? Muito obrigada, Ricardo.”
“Eu confio!”
“É, bom mesmo. Porque se alguém aqui tem motivos para ficar com ciúmes, sou eu. Você sabe muito bem que não gosto de você perto daquela Camilla com quem você pega carona, e é você quem sempre trai suas namoradas.”
Depois daquilo, ele bufou e saiu de perto.

pareceu chocado com a resposta, e, quando estava um silêncio há muito tempo, saiu de seus devaneios.
“O que é?” Ela perguntou desconfiada.
“Vo- Você está namorando?” perguntou.
“Estou sim.” A menina respondeu, abrindo a geladeira. “Vocês não têm Guaraná?”
“Não, só Coca.” respondeu.
“Aah.” Ela se entristeceu, então pegou a Coca-Cola e serviu em um copo para si. “Alguém mais quer?”

Capítulo 9

Na próxima semana, encontrou Gui e no térreo.
“Olá!” Os dois a cumprimentaram.
“Ah, oi!” Ela se surpreendeu em vê-los ali. Mas, antes que pudesse perguntar, Guilherme se pronunciou:
“Viemos fazer uma visita surpresa!” Os dois abraçaram , que riu. “Que foi? Não está feliz em nos ver?” perguntou.
Eles se soltaram e todos começaram a subir as escadas, Gui de mãos dadas com .
“Não é isso!” Ela se explicou. “Foi só... Uma surpresa.”
“É, por isso que é legal.” explicou e ela riu. “E por que você já estava no térreo, senhorita?”
“Ah, o Ricardo acabou de ir embora.”
“Hmm, então a garotinha estava namorando, é?” Ela perguntou, fazendo cócegas em sua barriga.
“Que safadinha!” Gui adicionou.
“Para!” Ela reclamou. “E como vai a Lú, Guinho?”
“Guinho?” Ele riu com o novo apelido. “Er... Ela... Está bem. Até uma meia hora atrás, quando liguei para ela, estava tudo bem, pelo menos.”
“Hm, então o senhor Guinho andou ligando para a namoradinha?” provocou o garoto também.
“E você, ? E o Mike?” Guilherme arqueou uma sobrancelha.
“Erm... Nada.” Ela murmurou envergonhada.
“Hm, claro.” revirou os olhos.
Finalmente, estavam quase chegando ao terceiro andar.
“Por que é que o elevador não funciona, mesmo?” Gui perguntou.
“Ninguém sabe.” respondeu por . Ela tinha lhe perguntado aquilo milhares de vezes, e agora imitava seu jeito de contar a história, fingindo ser uma antiga lenda de terror. “Dizem que, há muito tempo, um vizinho explodiu uma bomba aí dentro...”
não pôde evitar uma risada - não só por causa de como contou a história, mas também por conta da expressão de Guilherme ao ouvi-la.
“Isso é verdade?” Ele perguntou com os olhos arregalados.
“É. Quero dizer, é o que dizem. Não sei se é verdade. Dizem que foi aquele magricelo do segundo andar com o colega de quarto dele. Er, eu não duvido que tenha sido. Eles não parecem muito normais.”
Entraram no apartamento da garota, parando ao ver que Bruno e os quatro garotos da banda estavam ali.
“Er, olá.” cumprimentou. “Esses são Guilherme e . Gui, , esses são , , e .” Ela apresentou todos, apontando para cada um. “Ah, e meu irmão.”
Depois de vários “prazer” e “olá”, a garota foi ver o que faziam na sala.
“Não achei que estariam aqui.” Ela murmurou enquanto prestava atenção na televisão, tentando identificar o filme.
“É, nem eu, mas os meninos chegaram e nós tivemos que pedir pizza aqui, porque eles estão devendo dinheiro para a pizzaria e estavam sem nenhum agora.” Bruno olhou torto para os garotos.
“Ahh...” murmurou, então se virou. “Bom, vou para o quarto com eles, ok?” Ao receber um olhar safado de , completou: “Conversar!”
Eles se dirigiram ao quarto da menina, que revirava os olhos, em meio a gargalhadas dos garotos.
“Então, me diga, de qual deles era a roupa que você estava usando naquele dia da festa?” perguntou, fazendo franzir o cenho, não querendo falar sobre .
“Do que está falando, bobinha?” Ela abriu a gaveta e pegou o cabo para colocar seu iPod para carregar.
“Então você estava usando uma roupa de um menino quando foi para lá?” Guilherme fez uma cara parecida com a anterior de . “Não vai explicar o motivo?”
“É! Você não achou mesmo que isso ia passar despercebido, não é, Gêmula?” brincou com o apelido como se chamavam.
bufou e revirou os olhos.
“Era do . Felizes?”
tinha até se esquecido daquele dia, da guerra de água e da roupa emprestada. Parecia que tanta coisa tinha acontecido em tão pouco tempo, que ela nem se lembrava direito que dia da semana era aquele.
“E qual deles era o ?” Guilherme perguntou, depois de pensar um pouco.
“Ah, por favor...” respirou fundo. “O de... Er, se não me engano a camiseta dele era vermelha.”
“Ele é lindo!” exclamou.
!” Guilherme a olhou torto. “Não se esqueça de Mike. E você,” ele se virou para “de Ricardo. Sabe que seria a coisa mais estranha se você o traísse, não? Quero dizer, todos pensam que ele vai te trair. Se você...”
“Gui?” Ela o interrompeu. “Eu não vou trair o meu namorado. Certo?”
E não estava mentindo. Não sabia como era ser traída - graças a Deus -, mas era óbvio que não era bom. Sua mãe deixou isso claro quando se separou de seu pai e chorou muito por conta de ele acabar namorando a amante depois do divórcio. Agora, pelo menos, o pai não estava mais namorando.
“Só estou dizendo que seria engraçado.” Ele levantou as mãos, como alguém se rendendo.
“E quem era o outro? O de camiseta cinza?” perguntou, mudando de assunto.
“Sabe quem ele não era? O Mike! Você devia ligar para ele.” Guilherme reclamou.
“Só estou perguntando, está bem? Também não sou uma traidora nem nada disso. Olhar não tira pedaço.” Ela bateu de leve atrás da cabeça do amigo. “Então, quem era?”
“Olha, eu não reparei muito nas roupas deles...” pensou um pouco. “Mas acho que era .”
Guilherme bufou quando arqueou as sobrancelhas.
“Parem vocês duas.”
“Que bicho te mordeu hoje, Guinho?” perguntou, usando mais uma vez o novo apelido. Adorava inventar novos apelidos para os amigos, e o fazia frequentemente.
“Além da Lú, é claro.” acrescentou, fazendo Guilherme se irritar ao corar e rir.
“Nada. Nem a Lú.” Ele olhou para a amiga. “É só que não quero que vocês façam qualquer coisa pra machucar qualquer um de meus amigos. Sabe o que Lúcia diria se visse você falando assim de outros meninos, não sabe?” Ele perguntou à . “E como Ricardo ficaria se soubesse que você usou a roupa daquele garoto?”
ficou um pouco incomodada por ser chamado de aquele garoto, mas sabia que o amigo tinha razão.
“Quero dizer, ele reclamou de mim.” Guilherme acrescentou irritado.
“Ah, então esse é o problema.” entendeu.
“O quê?”
“Guinho, Guinho, Guinho.” balançou a cabeça enquanto repetia. “Meu namoro com Ricardo não vai mudar nada entre nós, está bem? E nem com eles. Não interessa o quanto ele quiser discutir comigo.”
É claro, agora fazia sentido para a menina. Se ela acabasse ficando com , por que Ricardo acreditaria que nada aconteceu com Guilherme? Então Ricardo ficaria bravo com o garoto, o que Gui realmente não queria. Além disso, os dois acabariam terminando, e as pessoas de fora até achariam que Guilherme na verdade havia ficado com . O que, por sua vez, faria Lúcia ficar desconfiada e ciumenta, atrapalhando também o namoro dos dois. E aí o Mike também ficaria bravo com ele, piorando a situação, e talvez até mexendo com o namoro de também.
? !” Ela acordou de seu raciocínio com o amigo lhe chamando. “Você não me ouviu, não é? Acabei de dizer que não é isso.”
“Então o que é?” Ela perguntou desconfiada. “Porque, se for e você não quiser admitir por... Er, não sei nenhum bom motivo, na verdade. Mas acho que você ficaria feliz de saber que eu não vou mudar minha opinião sobre isso. E também não vou trair meu namorado.”
“Que lindinhos!” apertou a bochecha dela. “Já passaram da triste fase do ‘eu te amo’?”
, nós estamos namorando há uma semana.”
“E isso é um não.” Ela concluiu, fazendo Guilherme rir.
“Mas foi tão pouco tempo!”
“Não exatamente.” Guilherme discordou, feliz por terem mudado de assunto. “Quero dizer, se você contar com as vezes que vocês ficaram no último mês - o que não foi muito pouco, devo dizer - não estão juntos há tão pouco tempo, não. Ainda mais se contarem com...”
“Olha, tudo bem, mas...” Ela pausou. “Eu não sei.”
“Não sabe o que?” Guilherme perguntou.
“Ai, eu não sei se...” Não queria admitir aquilo, mas sentia que precisava falar com alguém. “Está bem. Não sei se realmente o amo...”
“O quê?!” O queixo dos dois quase caiu.
“...Quero dizer, nesse sentido.” Ela completou rapidamente. “E não quero decepcioná-lo.”
...” Guilherme sussurrou, segurando sua mão. “Não fica assim.”
“Olha, eu não posso entrar na sua cabeça nem nada disso, mas...” parou um pouco, pensando nas palavras certas. “Mas eu aposto que você o ama. Quero dizer, você fica muito feliz com ele.”
“É.” O amigo continuou. “E tem ciúmes dele que eu sei, não adianta negar!”
“Chato!” riu. “É, eu sei. Eu acho. Bom, espero que estejam certos sim.”
Mas e o ?, o pensamento apareceu em sua cabeça automaticamente. E o o quê?, ela se perguntou. Ele tinha sua Barbie e estava feliz com ela, enquanto tinha seu namorado e seria feliz com ele. E eles podiam seguir suas vidas em paz.
“Mas, quando ele te disser isso...”
“E todos nós sabemos que ele vai.” acrescentou.
“Não tenha medo de dizer o mesmo.” Gui terminou.
“É, depois você sempre pode usar aquela velha desculpa do ‘me desculpe, confundi meus sentimentos’ e se safar!” brincou, fazendo todos rirem.
O celular de Guilherme tocou, os interrompendo.
“Quem era?” perguntou quando ele desligou.
“Minha mãe. Ela quer que eu vá para casa.”
“Mas... Agora?”
“É. Sinto muito.”
“Tudo bem, então eu fico conversando com a !” mostrou a língua para o garoto, brincando.
“Na verdade, ... Estou de carona com ele, preciso ir também.”
“Mas por que sua mãe quer você em casa tão cedo?”
“Bom, hoje é quarta,” as meninas fizeram sons de tristeza, mas ele ignorou, “e minha mãe... Er, vocês a conhecem.”
respirou fundo.
“Ok, então... Até amanhã?”
“Tchau .” Gui a abraçou forte.
“Boa noite, Guinho.” Mais uma vez, ele sorriu com o apelido. Não podia deixar de fazê-lo, achava alguma graça no nome. Ou talvez fosse somente o sono, uma vez que ele tinha dormido apenas três horas na noite anterior. Ele ainda não tinha certeza.
“Até amanhã, Gêmula.” Foi a vez de de abraçar a amiga.
Quando estavam saindo do apartamento, o interfone tocou. Bruno atendeu, e era a pizza que havia chegado.
“Você pode trazê-la?” Ele perguntou à irmã.
Então, depois de acompanhar os amigos até o térreo, pegou e pagou as pizzas. E, seis escadas depois - duas por andar - ela estava de volta em seu apartamento.
“Aqui está.” Ela colocou as pizzas em cima da mesa de jantar e foi lavar as mãos.
Quando voltou e se sentou à mesa, Bruno já estava partindo uma das pizzas, enquanto partia a outra.
Todos logo se sentaram e pegaram uma fatia, começaram a relembrar acontecimentos da infância dos garotos e rirem.
Lembraram-se de professoras que tiveram quando estudaram juntos, de como eles quase fizeram uma delas se demitir, de quando dormiram na aula pela primeira vez e como a professora reagiu. Lembraram-se até de quando mataram aula pela primeira vez juntos.
“Que lindos, parecem até namorados.” debochou. “Faziam tudo juntos?”
Eles se entreolharam. “É, acho que sim...” concluiu depois de um momento.
“E por que se separaram?”
“Não lembro.” disse.
“Acho que eu tive que mudar de escola.” Bruno disse. “É, se não me engano foi quando você foi para a primeira série e nós fomos para outra escola porque você não queria ir para a que eu estava.”
“Certo, mas, falando em namorados... Esse aí que era seu namorado?” perguntou, e notou que fechou a cara ao ouvir.
“O quê?”
“Era ou não era seu namorado, ?” perguntou.
“Er, não.”
“Mas vocês estavam de mãos dadas quando subiram!” disse e levou uma cotovelada de .
“O quê? Como saberiam disso?”
Ela olhou acusatoriamente para Bruno.
“Nós...” estava pensando e não terminava a frase, então completou por ele:
“Eles ficaram olhando. Pelo olho mágico, na porta.”
ficou chocada e olhou feio para , que apenas deu de ombros.
“Você também olhou, não vem falar de mim.” reclamou.
“Por que vocês fizeram isso?” perguntou irritada.
“Curiosidade. Já que não o conhecemos pessoalmente, né...” reclamou.
“Podiam ter pedido.” reclamou.
“Vocês deviam ter deixado ela em paz.” murmurou. “Se ela quer namorar o problema é dela.”
“Problema?” A menina desafiou.
“Sim. Porque isso não vai dar certo. Vocês são muito crianças.”
“Muito criança? Não sou eu que namoro uma Barbie, sou?” pôde perceber que Bruno tentava não rir.
“O quê?”
“Aquela tal de Jacqueline. Nada mais do que uma Barbie oxigenada.”
“E eu suponho que seu namorado seja perfeito, não é? Com quantas meninas ele saiu no último mês, me diz?” ficou bravo.
“Pelo menos ele gosta de mim. Sua namorada provavelmente gosta do seu dinheiro.”
“Quer mesmo que eu diga do que o seu namorado gosta em você?”
“Já chega vocês dois!” Bruno gritou e todos ficaram em silêncio.
“Que pena, vai ficar sem saber.” debochou.
o fuzilou com os olhos. Então ela levantou e foi para seu quarto, batendo a porta após entrar.

Capítulo 10

ouviu três batidas em sua porta.
“Vai embora.” Ela murmurou.
A garota viu a maçaneta ser girada devagar, e então uma fresta da porta ser aberta.
“Você não está se trocando, está? Porque eu vou entrar, então é melhor você avisar logo, ou eu...” Ele terminou de abrir a porta. “Ufa, você está vestida.”
?" O que ele estava fazendo ali?
Ele se sentou ao lado da menina na cama.
, você está bem?” Ele pegou sua mão e afagou com o polegar.
“Estou sim.” Ela encontrou seu olhar, e depois olhou para a parede.
“O que foi aquilo tudo?”
“Não sei.” Ela murmurou. “Os meninos ainda estão aí?”
acompanhou os garotos até a garagem e já está voltando. Quer falar com ele?”
“Não.”
“Vamos, você não pode ficar brava com ele por tanto tempo.”
“Ah, por que não?”
“Porque nós faremos uma comemoração de aniversário para ele, e você tem que ir!”
Ela pensou um pouco.
“Então ele que venha se desculpar.” a olhou repreensivamente, então ela continuou. “Foi ele quem começou com isso tudo, não foi? Se ele não tivesse começado com aquilo de eu ser criança, eu não teria falado da Barbie, e tudo estaria bem.”
Ele respirou fundo.
“Está bem, eu não queria chegar nisso, mas... Por que você acha que ele começou com aquilo?”
“Como assim, ?” A menina franziu o cenho.
?” Ouviram Bruno chamar do corredor. “ está te chamando. Ele parece estar com pressa.”
“Diz que eu já vou.” Ele beijou a testa da menina. “Só pensa nisso, está bem? Preciso ir.”
E saiu correndo do quarto, deixando uma confusa para trás. Bruno entrou no quarto e olhou para a irmã. Ela não parecia muito bem.
“Eu vou estudar. Não quer vir também? Aposto que você tem lição.”
Ele queria mesmo perguntar sobre o que fora tudo aquilo no jantar, mas não podia fazer isso assim. Ela já parecia muito confusa, precisava pelo menos esperar ela se acalmar. sorriu e seguiu o irmão até a sala, onde sentaram no chão e espalharam o material por ali.
Conversavam ocasionalmente, mas estavam fazendo um bom progresso na lição de casa.
Até que ouviram o irmão mais novo chegando.
Desde as escadas - eles supuseram, devido ao tempo levado para Lucas e Raquel abrirem a porta - já podiam ouvir o mais novo falando - ou seria melhor gritando?
Fizeram até uma contagem regressiva - ao fim de sua paz.
“Olá, queridos.” Raquel cumprimentou os dois enquanto entrava segurando sacolas nas mãos. Os dois disseram oi’s de volta.
“Comprou algo?” perguntou.
“Sim. Bolachas.” Ela suspirou.

“Boa tarde.” James entrou na sala sorrindo.
se forçou a não olhá-lo.
“Bolachas, bolachas, bolachas!” O mais novo gritava repetidamente.
“Para com isso, nós estamos estudando!” Bruno reclamou e o menino ameaçou chorar.
A mãe nem se deu ao trabalho de lançar um olhar repreensivo para Bruno, o que acabou passando despercebido pelos dois, que já estavam concentrados na tarefa novamente.
“Sinto muito, queridos, mas eu preciso voltar para o hospital. Tudo bem se vocês passarem a noite aqui com James?”
Bruno acenou com a cabeça sem tirar os olhos do livro, então James foi com Lucas para a cozinha para preparar janta enquanto a mãe saía pela porta da frente.
Os dois ouviram o primo bufar e murmurar algo.
? Se importa de vir me ajudar?” Ele perguntou.
“Me importo sim, não posso.”
“Er, ? Acho que tem alguma coisa errada aqui no fogão.”
“AAH! Você vai colocar fogo na casa!” Ouviram o mais novo gritar.
bufou. Ótimo.
“Vai lá, . E qualquer coisa me chama, está bem?”
Ela suspirou e revirou os olhos, então seguiu para a cozinha.
“O que é?”
“Parece que tem algo de errado aqui no forno, e...”
“Ai!” Lucas reclamou ao virar um copo de água em cima dele.
“Olha, você esta todo molhado agora, Luquinhas. Por que não vai se trocar?”
“Está bem.”
A mandíbula de ficou rígida. Ela estava mexendo o macarrão no fogão, tentando salvar algo daquilo, de costas para o “primo”, mas sabia que aquilo não acabaria bem.
“Estava com saudades?” Ele chegou perto dela e colocou as mãos em sua cintura.
“Sai. Daqui.” Ela sibilou brava. “Eu tenho namorado.”
“Ai, está violenta hoje, hein?” Ele se afastou. Sentou na bancada da pia, perto dela. “Sinto falta de quando você não era assim. Aquele dia na casa de praia da tia Margaret...”
o fuzilou com os olhos.
“Tá bem, parei. O que aconteceu hoje? TPM?”
“James, quando você vai calar essa sua boca? Você pode não acreditar, mas eu mudei.”
“Oi!” Ouviram o mais novo voltando à cozinha, logo ficaram em silêncio. “Pronto, já me troquei.”

No dia seguinte, a discussão com Ricardo não mudou muito. Eles continuavam sem se falar, ele não admitia que estava errado, e menos ainda ela.
Ao término das aulas, James buscou Lucas na escolinha enquanto e Bruno foram ao hospital.
Lá, foram recebidos pelo Dr. Ramoray, que lhes conduziu até o quarto de seu pai.
“Minha mãe havia dito que vocês fizeram uma ressonância magnética nele, estou certo?” Bruno perguntou ao médico.
“Certíssimo.”
“E então?”
Os três estavam do lado de fora do quarto de Marcos, olhando através da janela para o homem adormecido.
“Sinto lhes informar que” Ele começou, e já estava com o coração na mão. “A ressonância nos mostrou que o Sr. Migliorini está com um tumor.”
Nenhum dos dois teve uma reação. Realmente não podiam acreditar naquilo.
“Aparentemente é um tumor no fígado, e é grande, infelizmente. Somente para ser visto em uma radiografia, ele precisa ter no mínimo um centímetro quadrado.”
“E... De que tamanho é o dele?” Bruno perguntou.
“De dois por quatro.” Os dois arregalaram os olhos ligeiramente. “A Retocolite Ulcerativa aparentemente foi a causa do câncer, o que também explica a diarréia com sangue e os vômitos.”
“E... E agora?” perguntou, mesmo sem ter entendido muito do que ele havia dito. Estava atordoada demais para pensar sobre o que tinha ouvido.
“Por enquanto vamos fazer uma pequena cirurgia para evitarmos a obstrução dos canais bilares. Aparentemente o câncer não está somente no fígado, então estudaremos melhor o caso e mais tarde descobriremos o que fazer, exatamente.”
assentiu e entrou no quarto do pai, para vê-lo. Segurou sua mão e a acariciou com o polegar durante algum tempo. Bruno não tardou a aparecer ao lado da irmã, a abraçando.
“O que você quer fazer, ?” Ele perguntou a ela, antes de beijar sua testa.
“Quero o papai em casa.” Ela sussurrou de volta. Bruno sorriu quase sem humor, e beijou sua testa novamente.
“Isso eu não posso fazer... Mas o que acha de comermos macarrão, e depois passarmos naquela confeitaria perto de casa e comprar um bolo?”
“Vamos lá.” sorriu de lado.
Era seu programa de refeição favorito. Faziam isso desde pequenos, quando ela precisava tomar vacina ou ir a algum médico que não gostava, e logo seu humor melhorava. É claro que, depois de algum tempo, os problemas eram um pouco mais difíceis de serem esquecidos apenas com uma boa quantidade de comidas gostosas, mas aquilo já era um bom começo.
Não demorou até estarem no restaurante favorito dos dois, comendo gnocchi. Mais tarde, foram comprar um pedaço de bolo.
“Eu quero o de trufa!” Ela sorriu apontando para um bolo atrás do vidro.
“Está bem, quero um pedaço do de limão e um de trufa.” Bruno pediu à moça do caixa.
Eles se sentaram em uma mesa e pegou uma grande garfada do bolo, um sorriso de aprovação se formando em seu rosto.
“Esse bolo é muito bom!” Ela exclamou e Bruno riu.
“É, eu sei.” Ele também colocou uma grande garfada na boca.
Ficaram na loja de doces por mais algum tempo, esperando o máximo possível para não voltarem para casa.

Ao voltarem para casa, Lucas pediu a que lhe contasse uma história para dormir. Para a sorte - ou quase - da garota, isso diminuiu o tempo em que ela ficaria perto de James. Infelizmente esse tempo não foi reduzido à zero. Antes de ela conseguir dormir, ele passou em seu quarto para “lhe desejar boa noite”.
Ele deitou em sua cama ao seu lado.
“Cadê meu irmão?” Ela perguntou.
“Bruno já foi dormir. Parece que tem uma grande prova amanhã.”
“E eu também tenho. Sai daqui.”
“Você não sentiu nem um pouquinho de saudades de mim?” Ele fez bico.
“Não. Pela última vez, tenho namorado!”
“Mas ele não precisa saber disso, não é?” Ele estava cada vez mais próximo dela.
“Sai daqui. Ok?” Ela olhou feio para ele.
“Certo. Só porque eu sou um cavalheiro, vou para a minha cama.”
“Tchau.”
“Boa noite, linda.” Ele deu um beijo rápido nela, pegando-a de surpresa, logo deixando a garota furiosa. Ela devia ter previsto isso.

“Hoje vou dormir no hospital.” James tinha dito aos três enquanto tomavam café da manhã. “A mãe de vocês deve voltar para casa, e talvez depois desse final de semana eu vá embora.”
Ufa - respirou fundo, aliviada.
“Vou sentir saudades.” Ele murmurou, baixo o suficiente para só ela ouvir. A garota olhou feio para ele.
Logo chegaram na escola. A primeira aula era de biologia, e o professor chamou e para conversarem com ele em sua mesa.
“Me chamou a atenção que nenhuma de vocês entregou o relatório da semana passada... Estou certo?” Perguntou.
As duas assentiram incertas.
“É que... Aconteceu muita coisa em minha casa, e...”
“Certo.” Sr. Nolan a cortou. Desde que e Ricardo estavam namorando, ele estava sendo mais grosso do que o normal com a garota. “Isso não vem ao caso agora, não é?” Deu de ombros. “Estava querendo saber se vocês querem uma chance para repor essa nota.
“De verdade?” Ela perguntou.
“Claro que sim!” se animou.
Sr. Nolan sorriu. Então passou um trabalho em dupla - um vídeo - que elas teriam que fazer e entregar no dia da prova de biologia na semana seguinte.
Talvez nem tudo estivesse perdido, afinal. Talvez as coisas começassem a melhorar - agora não precisaria se preocupar tanto com a prova de biologia, já que poderá repor a nota do trabalho que não pôde fazer, por conta da doença do pai. E então ela poderá se focar em estudar um pouco mais de matemática, coisa que ela precisava. Talvez até pudesse ir ao cinema ou sair para jantar com Ricardo naquele fim de semana, sem se preocupar tanto assim.

Capítulo 11

Ao final das aulas, porém, a situação piorou novamente. e Ricardo discutiram mais uma vez.
“De onde surgiu essa idéia louca, na qual você insiste desde o começo da semana?” reclamou, tentando manter a voz baixa. “Você sabe que eu não fiquei com ele, está bem?”
“Ele não está namorando, o que te impede?”
E era verdade. No final, Guilherme acabou não pedindo Lúcia em namoro. Não por enquanto, pelo menos. Ele esperava poder pedi-la em namoro no próximo final de semana, e queria que fosse algo especial.
“Eu estou, se você não se lembra.”
“Não parece que se importa muito com isso, não é? Você nem queria contar às suas amigas sobre isso.”
“Ricardo, para com isso!” Ela se irritou, se esforçando para não gritar com o namorado.
“Por que deveria? Estou mentindo?”
“Eu não tenho vergonha de namorar você, está bem? Mas você parece ter. Pelo o que eu sei, sua amiguinha Camila não sabe de mim, sabe?”
“Ela é só minha amiga! Espera, nem isso. É minha vizinha, e você sabe que eu só pego carona com ela.”
Ela deu de ombros. “É, e Gui é só meu amigo. Se você não acredita em mim, por que deveria acreditar em você?”
, para com isso.” Ele riu, parecendo descrente.
“Para de reclamar por causa do Guilherme.” A garota cruzou os braços.
Ele somente estreitou os olhos, então rapidamente desviou o olhar para o estacionamento, o que fez seguir seu olhar e bufar.
“Ah, olha lá, sua amiguinha Camila está te esperando.” Ela notou, logo ficando mais irritada ainda. “Você parece bem ansioso para ir falar com ela, por que não vai logo?”
“Cala a boca.” Ele murmurou, e por pouco não ouviu o que ele disse.
Mas ela tinha ouvido.
O olhou, incrédula. Tirou a aliança de seu dedo e colocou no bolso do moletom dele. “Se é o que você quer.” Deu de ombros. “Tchau.” Se virou e foi em direção a onde encontraria o irmão para ir para casa.

“Muda de rádio, ?” pediu.
“Caramba, nenhuma música te deixa feliz, ?”
“Não exatamente...” Ela murmurou.
apertou um botão do rádio do carro, que colocou em outra rádio e a música mudou.
“Não!” Bruno exclamou, apertando outro.
“Mas essa música é chata, Bu!” apertou um terceiro botão.
“Eba!” exclamou logo que ouviu a primeira nota da música que começava. “Adoro essa música!”
“Essa tudo bem.” Bruno aumentou o volume do rádio.
e começaram a dançar - com dificuldade, por causa do cinto de segurança - e Bruno ria das duas, que logo também caíram na gargalhada. voltaria para a casa de naquele dia para elas poderem fazer o vídeo de biologia, e aproveitarem sua chance de uma nota melhor na prova.
Entretanto, quando chegaram em frente ao prédio, encontraram certa dificuldade para entrar. Depois de buzinar algumas vezes, algumas garotas histéricas saíram da frente do portão da garagem e deram espaço para o carro passar.
“Psssst!” Ouviram alguém chamar. “?”
Ela franziu o cenho quando olhou em volta.
“Ufa!” pulou de trás de algumas plantas que ficavam na frente do apartamento do segundo andar. “Achei que eu não tivesse mais chances.”
“O que está acontecendo?” perguntou.
“Ah, nada demais.” deu de ombros. “Aniversário do .”
“E daí?” franziu o cenho.
“Aparentemente, ele tem um fã-clube.” Ele explicou.
“Isso explica as garotas histéricas na porta do prédio.” Bruno murmurou.
“Exato.” balançou a cabeça. “Mas é horrível.”
“Sim. Mas temos que admitir que ele é bonito.” disse.
“Mas é um chato.” murmurou baixinho.
“O quê?” perguntou. “Nada. Vamos subir?” Ela respondeu.
“O está aí?” perguntou.
“Está sim.” respondeu, ainda pensativo. “Temos que descobrir é um jeito de sair do prédio hoje à noite... Por sinal, você está convidada.” Ele apontou para ela. “Festa de aniversário do hoje à noite.”
“Obrigada.” A garota deu de ombros.
“Quer almoçar com a gente?” Bruno perguntou a quando chegaram ao terceiro andar.
“Não, obrigado.” Ele respondeu, indo em direção ao seu apartamento. “Mas depois eu passo aí para dar um oi para vocês.”

“Certo, o que nós temos que fazer?” perguntou, abrindo o caderno e procurando as anotações daquele dia.
“Um vídeo falando sobre a célula, certo?” perguntou enquanto colocava a câmera no tripé.
“Isso!” apontou para a folha onde ela tinha anotado a proposta, assim que achou. “Faça um vídeo de no mínimo cinco minutos explicando as estruturas das células animal e vegetal e cite as diferenças entre elas”, leu.
“Tudo bem, a câmera está pronta.” apertou o botão para ligá-la. “Er... Acho que tem alguma coisa errada com a sua câmera, . Não ligou a tela aqui atrás não.”
“Ah, isso é normal. Ela está com problema.” Revirou os olhos.
olhou-a com uma cara de decepção.
“Você não consegue cuidar dos seus eletrônicos, não?”
“Ah, larga de ser assim, . Até parece que você é muito melhor do que eu. Além do mais, pelo menos assim a bateria dura bem mais. De qualquer jeito, vem aqui, vamos fazer logo esse trabalho.”
As duas se sentaram no sofá e começaram a falar sobre as células.
“Er, ?” interrompeu no meio da explicação.
“O que foi?”
“Tem certeza de que está filmando? Não tem nenhuma luz acesa, nem nada, e...”
“Eu já disse que minha câmera está com alguns probleminhas, ! Pare de ofendê-la que ela para de funcionar de vez.”
revirou os olhos e olhou para o caderno.
“Certo, acho que não falta mais nada para falarmos.”
E voltaram a se concentrar na matéria. No meio da explicação, começavam a rir, conversar sobre outros assuntos e fazer caretas. Ouviram três batidas na porta, então tentou segurar o riso ao atendê-la.
“Estão com fome?” perguntou, mostrando um saco enorme de Doritos. Os olhos dela se arregalaram.
“E compramos Cheddar!” exclamou atrás dele, mostrando um pote grande de molho.
“Está bem, acho que não teria problema se nós fizéssemos uma pausinha, não é, ?”
“De jeito nenhum.” respondeu, quase com os olhos brilhando.
“Venham, a gente...”
“Er, ?” o interrompeu, tentando não soar rude. “Eu preferia se a gente ficasse no meu apartamento, que tal?”
Ele respirou fundo, então se lembrou do motivo. e ainda estavam brigados.
“Claro.” Ele deu de ombros.
arrastou o tripé para um canto da sala para depois se juntar a todos no sofá, comendo salgadinhos.
“O que estavam fazendo?” perguntou enquanto lia algo no caderno de .
“Um vídeo de biologia.” Ela respondeu.
fez careta.
“Não parece ser muito divertido.”
“Na verdade, eu estava me divertindo sim.” riu.
“É!” riu junto. “Não que nós tenhamos terminado o vídeo, mas foi divertido.”
A outra deu de ombros.
“A gente termina depois.”
Ouviram uma música vinda do quarto de , que ela logo reconheceu como seu toque de celular. Resmungou um pouco enquanto se levantava e ia em direção ao quarto para atender a ligação.
Pouco tempo depois, voltou à sala, com o celular em mãos.
“A amiga da minha mãe está aqui no térreo com um hamster.” Declarou. “E eu vou ter que descer para pegá-lo.”
Os três que estavam no sofá franziram o cenho.
“Sei tanto quanto vocês.” deu de ombros, na falta de uma explicação. “Alguém desce comigo?”
“Eu vou.” se ofereceu.
Desceram as escadas rapidamente, e encontraram uma moça ruiva, que não parecia ter muito mais do que a idade deles, de pé com uma gaiola branca na mão e um pequeno hamster cinza dentro dela.
“Você deve ser ...” Ela disse com um sotaque francês enquanto se aproximava dos dois. “Muito prazer!” Cumprimentou-os com beijos nas duas bochechas.
“Prazer.” Os dois responderam.
“Sou sim. E você é... Margareth?” perguntou.
“Não. Natália.” Ela explicou. “Margareth é minha mãe. Ela não pôde vir hoje, me mandou trazer a pequena Bijou.” Fez menção à gaiola.
“Own, que fofinha!” A outra exclamou enquanto se aproximava da gaiola.
“Eu ficaria muito feliz se vocês pudessem cuidar dela por alguns dias. Nós estamos terminando de arrumar nosso apartamento aqui na cidade, acabamos de nos mudar da França, e... Bom, a nossa casa está uma bagunça.”
“Sem problemas!” sorriu.
“E, se você precisar de ajuda com a mudança, ou algo assim... Estou disponível!” exclamou. revirou os olhos, mas imaginou que Natália e não tivessem percebido o ato.
“Seria ótimo, na verdade.” Natália respondeu.
“Ou para lhe mostrar a cidade...” deu de ombros.
“De verdade?” Ela perguntou. “Eu adoraria!”
“Nos vemos... Amanhã?”
Oui.” Natália sorriu, assentindo. “Agora preciso ir. Vou tentar, pelo menos. Tem muitas garotinhas aqui na frente desse prédio.”
“É, nós sabemos.” Os dois murmuraram um pouco cabisbaixos.
“Até mais. Foi legal de conhecer.” disse, se aproximando para despedir-se da garota.
“Até amanhã, mademoiselle.” beijou a mão dela. “Pego seu número de celular com a , ok?”
Ela assentiu, antes de sair do prédio.
“De verdade, ?” perguntou enquanto os dois começavam a subir as escadas. “Esse seu francês é ruim, hein?”
“Não reclama.” Ele esbarrou o corpo nela, a empurrando para o lado. “Consegui um encontro amanhã, não consegui?”
A garota apenas revirou os olhos.

“OWNT, QUE COISA MAIS FOFA!” gritou quando os dois chegaram ao apartamento e levaram o hamster ao quarto de . “Eu venho aqui todos os dias brincar com ela, posso?” Perguntou alegre.
“Pode.” respondeu rindo.
“Ah, não acho graça em hamsters.” deu de ombros.
“Como não?! Eles são tão lindinhos!” exclamou.
Ele deu de ombros mais uma vez.
“Não sei. Prefiro um cachorro.”
“Eu também, mas não posso ter um cachorro. Meu pai tem alergia.”
“Alô?” atendeu o celular e se afastou um pouco deles. “Ah, sim. É. Isso mesmo. Está bem, já vou.” Fechou o aparelho. “, precisamos ir.”
“Já?”
“Sim.”
“Até hoje à noite, garotas.” e abraçaram as duas antes de saírem para o apartamento deles.

Capítulo 12

!” Ela ouviu a chamar assim que tinha fechado a porta da frente, depois de acompanhar até o seu carro. Abriu-a novamente.
“Sim?”
“Não me abandone!” Ele fez drama, vindo até a menina e a abraçando.
“O que houve, bebê?” Ela riu.
“Hm, e a festa de hoje?” Ele logo se pôs de pé e sorriu. “Você vem, não é? Mudamos os planos, nós fechamos uma boate. Vamos, você tem que ir!”
“O quê? Eu não posso, , eu...”
“Nada disso! Não aceito um não como resposta. E você sabe que sou teimoso. Você vai, !”
A menina se surpreendeu quando ouviu o garoto dizer , e não , então desistiu da argumentação.
“Está bem, que horas é para eu estar lá?”
“Você vai conosco um pouco mais cedo, para verificarmos tudo, tudo bem? Ah, é. Você ainda consegue se comportar perto de , não é?”
Ela pensou na pergunta do amigo. Não tinha falado com desde a briga dos dois, e não sabia o que aconteceria agora. Havia falado com e ele tentou afastá-los até que ela melhorasse - com relação ao pai, e o namorado.
Ter que pensar na briga que teve com o vizinho, depois de começar a brigar com o namorado, tudo aquilo com o primo - o passado que ela estava tão segura de que não seria mais lembrado a ela, mas que retornou - e com o pai internado... É, não era uma coisa boa.
“Vamos logo, é claro que você consegue.” O menino entrou na casa, empurrando para o quarto dela. “Agora escolhe uma roupa linda, e vamos achar um garoto pra você nessa festa!”
“O quê?” Ela perguntou enquanto ele abria o armário. “, e o Ricardo?”
“Sabe que é uma boa pergunta? E o Ricardo? O que houve com ele? Você está meio pra baixo ultimamente.”
“Ah, nós brigamos, mas...”
Ele olhou para a mão da garota e franziu o cenho.
“E cadê a sua aliança?”
“Eu... Está com ele.”
“Certo. E não quer ficar com ninguém na festa por que mesmo?”
“Porque eu a devolvi hoje!”
“O que houve?” Ele perguntou gentilmente, então acrescentou um pouco envergonhado: “E venha me ajudar a escolher uma roupa para você que eu não sou muito bom em moda não...”
Ela, que agora estava de pé a sua frente ajudando a escolher uma roupa, contou a sobre toda a briga dos dois.
“Olha, ele é muito ciumento, não é não? Eu acho que você precisa superá-lo, . E está até sem aliança! Tem certeza de que ainda quer ficar com ele?”
“Quer saber?” Ela tirou uma blusa decotada de dentro do armário. “Me arranje alguém nessa festa sim.”
Ela sorriu, e o amigo sorriu de volta, mas o sorriso dele sendo malicioso.
Depois de tomar banho, secar o cabelo e se maquiar, colocou a roupa e olhou para o amigo.
“E então?”
“Valeu à pena a espera.” Ele sorriu maroto enquanto a girava pela mão, fazendo-a corar. “Você vai conseguir qualquer um que quiser nessa festa.”
revirou os olhos, mas sorriu e agradeceu ao amigo pelo elogio.
Ao chegarem ao local indicado, depois de esperarem Bruno ficar pronto também, já tinha muita gente lá. Não estava cheio como ela tinha certeza que iria ficar, mas tinha mais gente do que ela esperava para aquele horário.
“Não se esqueça de que é aniversário do , então você deve ser educadinha com ele.” disse tocando a ponta do nariz da amiga com o indicador, como se falasse com uma criança. revirou os olhos, mas concordou com a cabeça.

xxx

“Alô?” respondeu mal-humorada ao celular, que tocava insistentemente há algum tempo.
?” Ela ouviu uma voz conhecida do outro lado, que automaticamente lhe trouxe uma onda de alívio. Então se lembrou da briga, e raiva a tomou em seguida.
“O que você quer, Ricardo?”
“Eu... Queria falar com você.”
“Por que tão cedo?” Perguntou, a voz sonolenta.
“É uma da tarde, -”
“Não!” o cortou rapidamente “Não me chame assim.”
“Certo, me desculpe. O que estava fazendo na rua tão tarde?”
fez careta do outro lado da linha. Não que ele pudesse notar.
“Desculpa, mãe. Eu disse que eu ia voltar tarde, fui numa festa de aniversário. Mais alguma coisa que você queira monitorar sobre mim? Onde dormi, com quem falei?”
, você sabe que não é assim!”
“Sei? Tudo o que eu sei é que você não confia em mim.” Ela se levantou da cama e andava pelo quarto.
“Eu...” Ele ficou quieto por um momento. “Me desculpe.” Ele murmurou finalmente.
respirou fundo. Por que eles tinham brigado mesmo? Ela não queria aquilo. Não queria nada disso, queria simplesmente ser feliz com seu namorado, como pensou que seria desde o começo.
“Eu...” Ela ficou algum tempo em silêncio. Quando abriu a boca para responder, Ricardo voltou a falar.
“Eu confio em você, . Eu só... Foi só um momento de fraqueza. Desculpa pelo que eu tinha dito antes também. Não queria que você calasse a boca, foi só... Não sei - raiva, talvez. Não estava com paciência naquela hora. Eu sei que você não ficou com o Gui. Eu sei que você não me trairia.”
“Obrigada.”
“Você me desculpa, então?”
“Eu... Sim. Tudo bem. Mas que não aconteça de novo.”
“Certo.” Ela podia dizer que agora ele estava sorrindo. “Então ainda estamos juntos, está tudo bem?”
“Como assim?”
“Nós não tínhamos terminado. Não é?”
“Nós... Nós estávamos dando uma pausa, certo? Quero dizer, eu te entreguei a aliança e...”
“Mas... Eu não sabia que tínhamos terminado.”
Sentindo que entrariam em outra discussão, resolveu pular aquela parte da conversa. Afinal, tudo o que ela queria naquele momento era voltar a dormir.
“Esquece. Eu devo ter entendido errado. Está tudo bem.”
“Ah.” Ela pôde sentir certo alívio em sua voz. “Te vejo mais tarde?”
“Ahn... Claro.”
Desligou o celular deitou na cama novamente. Finalmente, poderia voltar a dormir.

“Bom dia.” sentiu alguém abraçá-la por trás e beijar seu pescoço. “Dormiu bem?”
Ela assentiu devagar, já sorrindo ao reconhecer a voz que lhe acordara.
“E você?”
“Muuuuito bem.” Ele prolongou a palavra e riu um pouco, causando nela um arrepio.
virou-se, ainda no abraço do garoto, encontrou os lindos olhos de , então o beijou de leve. Beijo que logo passou a ser mais intenso, quando ela rolou por cima dele, e...
Ouviram alguém bater na porta.
“Não quero ser estraga prazeres,” Bruno abriu a porta devagar, fazendo os dois corarem violentamente “mas a mamãe está vindo. Acho melhor vocês se arrumarem.”
“Ok.” Ela respondeu e Bruno saiu, lhes dando privacidade.
“Vou tomar um banho.” disse, ainda um pouco tímido.
“Certo. Sabe onde é o banheiro, não é?”
“Sim. Quer se juntar a mim?” Ele perguntou com um sorriso maroto no rosto.
“Há-há.” Ela fingiu uma risada.
“Por favor?” Fez bico.
“Vai logo, .” Ela o empurrou, quase o derrubando da cama, causando risos dos dois.
Ele lhe deu um beijo rápido, então foi para o banheiro.
abriu o armário para escolher uma roupa. Com preguiça de se arrumar tão “cedo” - não que fosse cedo, mas ela havia acabado de acordar, então era como se fosse -, decidiu apenas dizer, caso a mãe perguntasse, que a camisa de , que já vestia, era de Bruno e que tinha dormido com ela. Última parte que, por sinal, nem era mentira.
Ou quase.
Saiu do quarto e encontrou o irmão e sentados no sofá. Pôde sentir-se corar novamente.
“Bom dia.” cumprimentou. “Parece que dormiu bem essa noite, não é?” Perguntou com um sorriso pervertido.
“É, creio que sim.”
“Como é?”
“Nada.” Ela não conseguiu admitir que não lembrava de muita coisa da noite anterior.
“Hm.” O irmão mais velho bufou, parecendo bravo.
“Que isso, dude?” perguntou. “É o , você sabe que ele não faria nada demais.”
Bruno arqueou uma sobrancelha.
“Por isso que o cara acabou de sair do quarto da minha irmã, é?”
“Bruno!” corou novamente.
“Olha lá, você ta envergonhando ela!” a defendeu, mas acabou por fazê-la corar ainda mais.
“Obrigada, Bu.” Ela disse gentilmente, tentando mudar de assunto. Ou quase. Sentia que devia um agradecimento ao irmão, de qualquer jeito.
“Pelo que?”
“Por ir lá nos avisar. Obrigada mesmo.” Sorriu meio sem jeito.
“Não foi nada, princesa.”
“Já disse pra parar de me chamar assim.” Ela ficou emburrada.
“Está bem, está bem. Parei.”
sorriu.
"Mas ..." começou um pouco hesitante. "E o Ricardo?"
Ela gelou. Deus do céu, o que faria agora? Afundou o rosto nas mãos e se segurou para não chorar.
O que ela tinha feito? Traído o namorado, daquele jeito? Não, eles não estavam namorando. Eles tinham terminado. Estavam dando uma pausa, ela tinha certeza. Ela até havia entregado a aliança ao garoto, colocado no moletom dele, e...
E o telefonema de mais cedo? Não, aquilo não podia estar acontecendo. Por que o idiota do Ricardo inventou de ligar para ela tão cedo? Ele devia saber que ela nunca se lembrava das coisas que fazia quando acabava de acordar.
Mas ele havia ligado a uma hora da tarde. Aquilo não era cedo, ele não devia ter imaginado que ela estava dormindo. Se tivesse, ele era um idiota, mas... Não. Ricardo não teria feito aquilo com ela de propósito, não é?
“Nós...” levantou o rosto novamente. “, o que eu fiz?”
Ele puxou a amiga, que se aninhou em seu colo, e agora deixava as lágrimas rolarem por suas bochechas. Do jeito que o irmão era superprotetor, já o imaginava olhando torto para , mesmo que ele não estivesse em seu campo de visão.
“Calma, , Calma. Vai dar tudo certo.”
“Como?” Ela perguntou. “, eu... Eu traí o meu namorado?”
“Não. , você está sem aliança.”
“Mas... Mas eu...”
“Relaxa, princesa.” Bruno afagou seus cabelos.
Ela olhou brava para ele
“Relaxa... Irmãzinha?”
“Melhor.” Ela sorriu fraco.
“Não se preocupe. Está tudo bem.” a abraçou, então ela respirou fundo.

Capítulo 13

Quando encontrou novamente, foi ao sair do quarto para almoçar. , Bruno e já estavam na mesa, junto de Raquel, Lucas e James.
Depois do almoço, que foi quase todo em silêncio, chamou no sofá.
, eu... Eu queria falar com você.”
“Sobre o que?”
“Ora, você sabe...”
“Não sei não.”
“Sobre... Ontem. E hoje de manhã.”
“O que é que tem? Sobre ontem?” Ele permaneceu indiferente.
“Não se faça de desentendido, ...”
“Não tem nada sobre o que nós precisamos falar, .” Ele disse, frio.
“Como assim?”
“Você me ouviu. Nós estávamos bêbados e... E cometemos um erro, e é isso.”
Agora ele tinha ido longe demais, ela pensou.
“Um erro, é?”
“É claro. Quero dizer, você é só uma criança. Que namora. E eu também namoro.” Ele deu de ombros. “Acho que devíamos simplesmente esquecer disso. Hei, ! Não é melhor irmos para casa?” Ele perguntou ao ver o amigo se aproximar da sala.
“Nós... Por quê?” perguntou.
“Nós precisamos ir. está chegando, ele quer falar com a gente.”
“Mas...”
, não banque o teimoso.” o cortou.
“Está bem.” deu de ombros.
Os dois se despediram de Bruno e e foram para o apartamento deles, do outro lado do corredor.
“O que foi isso?” Bruno perguntou.
“Não faço idéia.” A garota deu de ombros e foi para a cozinha pegar um copo de água, segurando as lágrimas.

O celular dela tocou, mais uma vez.
“Sim?”
?”
Sua primeira reação foi sorrir. Então sentiu-se culpada. Mas lembrou-se que não queria mais saber sobre ela, então percebeu que não tinha motivo para esse segundo sentimento, e deu de ombros.
“Oi! Tudo bem?”
Portando, se todos ignorassem a noite anterior - coisa que aparentemente não seria difícil -, não era preciso mencionar nada daquilo para Ricardo. Não é? Tudo aquilo já passou, de qualquer modo. E eles estavam dando um tempo no namoro quando aconteceu.
“Tudo sim. Eu queria saber, você vai fazer alguma coisa hoje de tarde?”
“Não, eu acho. Por quê?”
“Estávamos pensando em ir ao cinema. O que acha?”
“Legal. Eu vou sim.”
“Está bem, depois te aviso a hora e o lugar, tudo bem?”
“Claro. Beijos.”
“Beijo.”
“Vai sair?” Bruno perguntou assim que ela baixou o celular.
“Tudo bem se eu for ao cinema mais tarde?”
“Claro. Eu te levo, se quiser.”
sorriu e abraçou o irmão.
“Não vai contar a ele sobre ?”
“Não acho que precise. Ele não parece estar tendo muito trabalho para fingir que ontem não aconteceu, talvez eu consiga fazer o mesmo.”
“Mas, ...”
“Shh.” Ela cortou o irmão e abriu um sorriso. “Vai dar tudo certo. Não foi o que você me disse mais cedo?”

Uma hora depois, tinha tomado um longo banho e agora usava uma roupa bonita. Não que fosse muito difícil usar uma roupa mais bonita do que uma camisa velha, mas agora estava arrumada, maquiada e perfumada.
Ricardo passaria na casa da garota dali a alguns minutos, para pegá-la e levá-la para o cinema. Resolveu esperar já no térreo, para irem mais rápido. Queria ir logo para lá, e encontrar os amigos novamente, depois de tudo o que tinha acontecido naquela sexta-feira.
Ao sair do apartamento para descer as escadas, a porta do apartamento dos meninos se abriu. Ah, que ótimo, ela pensou. Respirou fundo. Agora teria que lidar com , perguntando onde ela estava indo, com quem, e...
.” murmurou, parecendo surpreso.
Piorou, ela pensou.
“Oi.” Tentou soar indiferente, começando a descer as escadas.
“Eu... Posso falar com você?” Ele a seguia escada abaixo.
“Já está falando.”
Ele tinha sido grosso com ela. Depois de tudo o que tinha acontecido. Era mais do que justo ela fazer o mesmo com ele.
“Ah, certo. Eu... Sobre ontem, eu...”
“Sim?”
“Eu...”
“Pensei que não tivéssemos o que falar sobre ontem, . O que foi agora, de repente resolveu parar de ser um idiota comigo?” perguntou, sem se importar em deixar a raiva transparecer.
“É que eu...”
!” Ela ouviu Ricardo chamar, interrompendo o garoto.
“Ops, parece que minha carona chegou.” Ela murmurou enquanto Ricardo a abraçava pela cintura e lhe beijava a bochecha. “Tchau.” Ela se retirou e entrou no carro do namorado.
“Aqui está.” O garoto lhe entregou a aliança.
Ela a colocou de volta no dedo, onde era seu lugar, e o beijou gentilmente.

Ao chegarem ao cinema, novamente de mãos dadas, já deu pulinhos de alegria.
“Vocês se acertaram, foi?” Ela perguntou ansiosa.
assentiu com a cabeça. Ao lado de estava Michael, irmão de Lúcia. Separou-se rapidamente de Ricardo para falar com a amiga num canto.
“Você veio com o Mike?”
“Eu... Er, sim.”
“A Lúcia sabe disso, certo?”
“Não. Mas ela não vai se importar.”
“Não?”
“Não. Gui foi pedi-la em namoro hoje, e ele disse que ia ser de um jeito super fofo. Ela não vai nem me notar depois disso.”
deu de ombros.
“Se você diz...”
“Não se preocupe. Temos tudo sobre controle!” Ela sorriu e piscou para a amiga.
A amiga sorriu de volta.
“Mas... E o ?” Ela sussurrou.
Na festa de aniversário de , e ficaram conversando por horas. Porém, isso fora depois de terem ingerido um bom tanto de álcool. Os dois disseram ter sido muito divertido, mas também disseram que nada mais aconteceu, além de conversa. Não que acreditasse muito nessa parte da história.
“O que tem ele?” perguntou de volta.
“Bom, você não... Gostava dele, ou alguma coisa assim?”
“Naaah.” Ela fez um movimento com a mão, como quem diz ‘imagine’. “Aquilo foi só... Não sei, uma quedinha por ele. Isso, uma queda superável. E superada.”
“Tem certeza disso, ?”
olhou feio para a amiga.
“Você não acredita em mim mesmo, é isso?”
“Não, é só que...”
“Oi!” Lúcia exclamou assim que chegou e abraçou as duas.
“Parece que alguém tem algo legal para contar, não é?”
“Só legal? É demais, vocês vão amar.”
As duas riram, então Lúcia começou a contar sua história.

Ao chegarem do cinema, Ricardo deixou em casa. Despediram-se ainda no térreo, com um longo beijo, então foi verificar se tinha correspondência. Surpreendeu-se ao ver ali, abrindo a pequena porta de seu respectivo apartamento.
“Boa noite.” Ele a cumprimentou assim que cruzaram os olhos.
Agora ela não podia mais se virar e subir as escadas.
Andou até o lado do garoto e abriu o pequeno armário com o número 302 gravado.
“Boa noite.” Falou de volta.
“Aproveitou seu encontro?” Ele perguntou, e ela teve a impressão de ter sentido certa acidez na frase.
“O quê? Aquilo... Não foi um encontro.”
“Claro que não.” revirou os olhos.
“Como é?”
Ele deu de ombros.
“Nada.”
Os dois seguiram para as escadas.
Então... Você queria me dizer algo, mais cedo?, ela pensou em perguntar. Mas não tinha coragem. Estava morrendo de curiosidade. Mas realmente não tinha coragem. Qual seria a reação dele? Dizer que foi um erro - mais uma vez - e desprezá-la? Rir do quão desesperada ela estava para saber o que ele estava tentando dizer mais cedo?
“O está em casa?” perguntou, por fim. Apesar de não querer perguntar o que realmente estava em sua mente, o silêncio a estava matando.
“Acho que ainda não voltou do encontro dele.”
“Você não estava em casa?”
“Não. Tinha ido ao supermercado.”
“Ah. Mas... A essa hora?” Então ela olhou para as mãos do garoto. “E não comprou nada?”
“Estava fechado.”
Era de se esperar, já estava de noite. Normalmente, teria rido. Mas a presença de ali a deixava um tanto quanto triste, ou pelo menos mais séria do que o normal.
Silêncio.
De novo.
Calma, ela pensou. São só mais duas escadas... Um andarzinho. Você consegue, .
“Então...” Ela não resistiu. “Você... Queria me dizer algo, mais cedo?” Perguntou finalmente, um pouco hesitante.
“O quê?”
“Antes de o Ricardo chegar. Você estava tentando me dizer alguma coisa.”
“Ah, sim. Aquilo. Não... Não era nada demais.”
“Vamos, , me conte logo.”
, é sério. Não é nada demais.”
. Para de me enrolar, ok?” Eles chegaram ao terceiro andar e pararam no hall.
“Está bem.” Ele parecia estar pensando, ou tomando coragem para algo. Então finalmente falou: “Só queria dizer que... Que eu te avisei.”
“Ahn?”
“Sobre o namoro. Eu disse que não ia dar certo, que você é nova demais. Era só isso, nada demais.”
sentiu sua expressão mudar automaticamente, como se estivesse num desenho animado. De uma expressão neutra, com uma certa ansiedade por dentro, para uma cara brava e assassina.
“Eu disse que você não queria saber.” Ele deu de ombros, claramente se divertindo com a situação.
Ela arqueou uma sobrancelha, ainda brava, mas sem dizer nada.
“Vou deixar saber que você estava procurando por ele.” se virou e foi para dentro de seu apartamento.
Logo, fez o mesmo.

Capítulo 14

Em casa, encontrou-se com James. Ele e Bruno assistiam a algum filme na televisão enquanto Lucas estava sentado no chão, com um foguete de brinquedo em mãos.
“Oi irmãzinha.”
“Boa noite.”
“Oi para vocês.” Ela murmurou de volta.
“Algo errado?” Bruno perguntou. respirou fundo.
“Não, nada.” Ela bebeu um copo de Coca-Cola antes de anunciar, ao passar novamente pela sala de televisão: “Vou para o quarto, tudo bem?”
Sem esperar resposta, fechou a porta atrás de si, colocou um pijama curto - apesar de estar de noite e normalmente fazer frio em seu apartamento, aquele dia estava especialmente quente - e deitou-se em sua cama, pegando o celular em seguida.
Antes que pudesse discar qualquer número, ouviu três batidas em sua porta.
“Me deixa dormir?” Ela perguntou, sem nem querer saber quem era. Tinha um pouco de medo da resposta.
Uma fresta da porta foi aberta, e James apareceu ali.
“O que você quer?” Perguntou, ainda com o celular em mãos.
“Só conversar.”
olhou para ele descrente, então revirou os olhos. Ele fechou a porta atrás de si e se aproximou da menina.
“O que aconteceu?”
“Por que você está aqui, James? Nós dois sabemos que você nunca quer ‘só conversar’.” Ela engrossou a voz, numa tentativa - não muito boa - de imitar a voz dele, fazendo uma careta.
Ele riu, mas ela continuou olhando séria para ele.
“Eu mudei, .”
“Não mudou nada. Fui eu quem mudei.”
“Mesmo?” Ele lançou-lhe um sorriso maroto. “Não foi o que pareceu ontem à noite.”
Ela olhou brava para James.
“Viu como você nunca está comigo ‘só para conversar’?” Ela fez careta mais uma vez. “Quer reclamar de mim um pouquinho mais antes de ir dormir?”
“Eu te disse que mudei, e vou te provar isso.”
Ela deu de ombros.
“Mais alguma coisa?”
“Não.” Ele se inclinou em direção a ela e sentiu seu corpo ficar tenso, mas ele apenas deu um delicado beijo em sua testa. “Boa noite.”

Após passarem todo o domingo estudando, e Bruno achavam que tinham ido bem nas provas da segunda-feira. Assim esperavam. Na tarde daquele dia, foram ao hospital visitar o pai.
Pela primeira vez em algum tempo, ele parecia feliz. Estava careca, parecia um pouco fraco, mas sorria mais do que nas outras vezes.
“Que bom ver vocês aqui!” Raquel exclamou. Ela estava sentada na cama junto de Marcos, os dois de mãos dadas.
“É bom ver vocês também. Se esqueceu que tem casa agora?” debochou, se aproximando dos dois.
“Desculpe, querida. É só que...”
“Não se preocupe.” Bruno levantou uma mão, indicando para que a mãe parasse de falar. “Está tudo bem lá em casa, conseguimos nos cuidar.”
A mãe sorriu.
“Isso é ótimo, querido.”
“Mamãe!” Ouviram Lucas gritar ao chegar ao hospital. O garoto correu até a mãe e pulou em seu colo.
James chegou logo atrás do mais novo, cumprimentou os tios e então foi para perto de e Bruno. No dia anterior, eles tinham passado o dia todo juntos, e estava quase acreditando que o garoto queria mesmo mudar. Depois de todo aquele tempo juntos, ele não havia dito nada de indiscreto, ou feito nada de errado. Talvez eles pudessem ser simplesmente amigos de novo.
“Oi, pequeno.” Raquel sentou Lucas ao seu lado na cama. “Como estão as coisas em casa?”
“Bem. Outro dia, o Bruno levou uma amiga para casa.”
Bruno não estava prestando atenção nos dois, até ouvir essa frase. Ele quase podia sentir o olhar desconfiado de sua mãe sobre si, mas ignorou. Fingiu não ter ouvido o que ele disse, e continuou conversando com e James.
“E a também.” Lucas apontou para a garota. “Um garoto dormiu lá em casa essa semana, sabia?”
Ela se segurou para não xingar o irmão mais novo. Que mania mais chata de tentar colocar os outros em problemas! Mas é só uma criança, repetia para si mesma.
“Ah, é? E você, o que fez?”
Por sorte, a mãe não era dessas preocupadas com homens e mulheres no mesmo cômodo. Graças a Deus, não haveria problema algum com aquilo.
“Nada. Eu fiquei brincando sozinho no meu quarto, porque eles não me deixavam ligar a televisão na sala.” Ele se fez de vítima.
revirou os olhos. Por sorte, estava de costas para a mãe, então não ouviria uma bronca por fazê-lo.
“Er, mãe?” Bruno chamou. “Nós precisamos ir para casa estudar. Só passamos pra saber se estava tudo bem por aqui.”
“Está sim.” Raquel respondeu. “Seu pai começou a quimioterapia ontem, e vai ficar bem.”
Todos se despediram e os mais novos foram para casa estudar para as provas de química e filosofia, por sorte já tinham repassado a matéria de gramática.

“Qual é a função da mitocôndria?” perguntou. “Respiração celular!” quase gritou.
“Isso. E uma célula procarionte é...” Foi a vez de perguntar.
“Aquela célula simples, só com membrana celular, material genético e ribossomos.” disse.
“Exato!” comemorou.
“Agora podemos descansar, certo?” perguntou.
“Por favor.” respondeu, fazendo as meninas rirem.
Foram para a cozinha e pegou um pote de Nutella do armário e quatro colheres da gaveta.
“E então, o que você fez a semana inteira?” Ela perguntou a . e já estavam absortos em outra conversa à parte, na qual não prestava atenção.
“Bom... Segunda nós tivemos uma reunião. Terça ficamos tentando escrever algumas músicas, e... Quarta - quero dizer, ontem nós só saímos para jantar, ficamos jogando videogame a tarde toda.”
revirou os olhos.
“Sortudos. Sem escola, sem provas... Você pelo menos ganhou no videogame?”
“Não, foi o... Bom, o .”
Uma onda de raiva passou por ela ao ouvir o nome do garoto, mas logo se recuperou.
“Parabéns pra ele.” deu de ombros.
“Eu duvido que você tenha estudado essa semana.” disse. “Não saiu nem uma vez? Com o Ricardo, não sei? Nem uminha?”
Ela corou de leve.
“Bom, não exatamente. Eu... Fui estudar na casa dele. Segunda, eu acho. Ou talvez terça.”
“Estudar. Sei.” fingiu uma cara de desaprovação.
“É verdade!”
“Claro que sim.”
revirou os olhos e bateu no ombro do rapaz.
“Estou falando sério, !”
“Está bem, está bem. Acredito em você.”
“Acredita nada.”
“Não mesmo, só queria que você parasse de brigar comigo.” Ele respondeu rindo, então ela fez uma careta para ele. Ele respondeu com outra careta, e logo os dois começaram a rir um do outro.
Depois de se recuperarem do ataque de risos, perceberam que e os olhavam desconfiados.
“Nem perguntem...” balançou a cabeça, pegando outra colherada de Nutella.

“E então, te pego as seis para o jantar?” perguntou quando ele e estavam saindo do apartamento de .
“Claro.” respondeu sorridente.
“Até amanhã então.” Ele a abraçou antes de sair. Depois de um beijo na bochecha de cada uma, os garotos foram embora.
“Jantar amanhã?” perguntou assim que fechou a porta.
“Larga de ser neurótica, é só um jantar.”
“Lógico que é!” Ironizou. “Você já está se defendendo, e eu ainda não disse nada.”
olhou para com uma expressão que foi interpretada como “vai ficar me monitorando agora?”, que respondeu com uma que dizia “se for preciso, vou sim.” Depois da pequena comunicação silenciosa, as duas desataram a rir.
“Certo, de qualquer jeito, não é nada demais. De verdade, é só um jantar.”
“Só vocês dois?” perguntou.
“Bom... Sim.”
“E ele sabe que você está com Michael?” Ela pôs uma mão na cintura.
“Não sei, está bem?”
revirou os olhos. Estava prestes a dizer algo mais, quando o interfone tocou e ela foi atender.
“Eles chegaram!” Exclamou depois de ter desligado.
“Já?!”
“Já!”
“Mas a gente ainda precisa arrumar o nosso vídeo de biologia!”
“Eu sei!”
As duas pensaram por algum tempo.
“Quer saber, tudo bem. Eles podem assistir ao nosso vídeo, não é? É só a matéria de biologia, de qualquer jeito.” perguntou.
“Claro.” deu de ombros.
Desceram para acompanhar os amigos até o apartamento.
Não muito tempo depois, muita gente estava no quarto de : Guilherme e Lúcia dividiam um pufe rosa no canto do quarto, Ricardo via algumas fotos de um álbum que tinha pego na estante de livros em cima da escrivaninha, Mike jogava no PSP de Bruno, e e verificavam se faltava algo para o vídeo. Depois de alguns minutos tentando, conseguiram fazer com que o computador reconhecesse a câmera de .
“Definitivamente, você precisa de uma câmera nova, meu amor.” disse.
“É, também preciso de dinheiro pra comprar uma.”
“Ownt, que coisinha mais fofa!” Ricardo fingiu uma voz gay e apontou para uma foto no álbum.
“Hey!” Só então que tinha percebido o álbum fora do lugar, então pulou em sua direção e tentou pegá-lo das mãos do namorado.
“Mas está divertido! Amor, me deixa!” Ele reclamava.
“Mas são fotos muito velhas, Ri!”
“Tudo bem, estão fofas mesmo assim.” Sorriu.
Ela revirou os olhos.
“Pelo menos me deixa ver junto, então?”
Ele assentiu, então sentaram lado a lado na cama e começaram a folhear o álbum. Logo, Guilherme começou a prestar atenção também, enquanto Mike irritava a irmã, tentando tirá-la do pufe. estava usando o computador, falando com alguém no MSN.
“Essa foto é que eu disse que estava fofa.” Ricardo explicou.
“Gay.” Gui murmurou, então levou um soco no ombro.
A foto era antiga, de quando tinha cerca de sete anos. Ela vestia um vestido branco com grandes círculos azuis, e tinha o cabelo preso em maria chiquinha. Bruno estava de um lado dela, enquanto James passava o braço por seus ombros protetoramente.
A garota sorriu com a lembrança. Tinha saudades de quando os três eram inseparáveis, nessa época antiga. Era perfeito, até... Virem os problemas. Ela balançou a cabeça, não querendo se lembrar de nada daquilo.
Bateram na porta.
“Entra.”
? Oh, uau.” Bruno exclamou, olhando em volta e percebendo quanta gente estava ali. “Querem pedir pizza?”
Ao olhar em volta e ver que todos aprovavam a ideia, assentiu para o irmão.
, eu não quero ser mal-educado nem nada, mas... Posso jogar seu videogame novo?” Gui perguntou.
“Claro.” Ela deu de ombros.
Cinco minutos depois, todos estavam espalhados nos sofás da sala de televisão, Guilherme e Michael jogavam concentrados. e Lúcia conversavam animadamente num canto do sofá, e Ricardo foram para a sacada conversar - ou pelo menos isso foi o que disseram que foram fazer lá.

Capítulo 15

Não demorou até que a pizza chegasse, e todos se reuniram na sala para comer. James havia passado ali para pegar Lucas e levá-lo para o shopping, pois ele tinha, mais uma vez, convencido seus pais de que era uma espécie de vítima entediada naquela casa.
“Agora nós vamos ter que terminar o nosso trabalho de biologia.” anunciou quando acabaram de comer a grande pizza de mussarela.
“Nós vamos para o meu quarto, se vocês quiserem podem vir também.” explicou, então recebeu um olhar malicioso do namorado, que a fez rir e revirar os olhos.
Todos as seguiram para o quarto, e se espalharam mais uma vez entre o pufe e a cama de casal de . A garota ligou os cabos na câmera, copiou o vídeo para o computador e abriu o editor, com pressa para acabarem logo o trabalho. Começaram a assistir ao vídeo, verificando se tinham falado sobre todos os temas que precisavam.
Tinham falado sobre as células procariontes, eucariontes, e um pouco sobre as vegetais, citando principalmente as diferenças entre estas e as animais. Certo, aquilo ia servir. Não seria o melhor vídeo do mundo, mas não havia tempo para fazer outro àquela altura.
Cortaram alguns pedaços do vídeo, colocaram as coisas em ordem, tiraram as piadinhas tontas e as crises de riso dali.
Sentado na cama, Ricardo sorriu para , quando os dois cruzaram o olhar. Ele agora parecia tentar ser o namorado perfeito, ela pensou. Era atencioso, sempre tentava deixá-la confortável. Qualquer coisa que ela pedisse a ele, acabava por ganhar. Ele se levantou e passou a mexer nos cabelos dela, parecendo até se divertir com isso.
Cerca de meia hora depois, acabaram.
“Ufa.” suspirou, se deixando cair na cama.
“Hei!” Guilherme reclamou, quando quase caiu em cima dele.
“Desculpe.”
“Pronto, agora é só salvar no CD.” abriu outro programa e salvou o vídeo no CD que tinha colocado no computador.
“Mas tem muito mais tempo de vídeo aqui!” Ricardo exclamou, vendo o tempo do vídeo.
“A câmera filmou quase todo o final de semana. Tudo o que aconteceu naquela sala.” Ela apontou para onde ficaria a sala, se não tivessem paredes no meio do caminho.
“Vamos ver, então.” Mike deu de ombros.
“É. Não tem mais nada para fazer mesmo, não é?” Lúcia perguntou.
“Não.” Os outros responderam.
“Certo, então vamos ver o vídeo.” Guilherme concluiu.
“Está bem.” deu de ombros. “Não deve ter nada de interessante aqui, mas se vocês querem.”
Apertou o play e deixou o vídeo em tela grande no computador. Arrastou as cadeiras para debaixo da escrivaninha e se aninhou com Ricardo no tapete grosso e fofinho que ficava ao lado de sua cama.
Enquanto isso, estava dividindo o pufe com Mike, nenhum deles prestando muita atenção no vídeo.
“Estão com fome?” A voz de saía do computador.
“E compramos cheddar!” Ouviram exclamar.
“Vão para um quarto!” Lúcia jogou uma almofada no irmão e na amiga, que se beijavam até o momento.
“Já estamos em um quarto, duh!” Mike respondeu, mostrando a língua para a irmã.
“Então para a cama?” Ela perguntou.
“Isso nós é que já estamos.” Gui sorriu malicioso para a namorada, se aproximando para beijá-la.
“Hei!” Mike jogou a almofada de volta para a cama, acertando a cabeça de Guilherme e o interrompendo. “Essa é a minha irmã, com quem você está falando!”
“Larga de ser ciumento, Mike!” Lúcia deu um selinho em Guilherme, rindo da cara brava do irmão mais velho.
“Eu... Vou ao banheiro e já volto.” saiu do quarto.
Ouviram um celular tocando, e todos olharam em volta, procurando qual seria.
“É no vídeo, gente.” , que estava rindo da discussão dos amigos, explicou.
“A amiga da minha mãe está aqui no térreo com um hamster. E eu vou ter que descer para pegá-lo.”
“Então foi daí que apareceu aquela hamster cinza linda?” Lúcia perguntou.
“Foi sim.”
Voltaram sua atenção para o computador. Assistiram e saírem da sala, de um ângulo não muito privilegiado, uma vez que a câmera tinha ficado no canto da sala e um pouco mal posicionada, mostrando mais imagens do chão do que do resto da sala. e estavam sozinhos na câmera, mas não era possível ver seus rostos. Logo viram os dois se aproximando, e a mão dele envolveu a cintura dela, enquanto a mão dela subia para a região da cabeça do garoto.
Todos ficaram surpresos, e olharam para Mike, que olhava para o computador boquiaberto, sem conseguir acreditar no que via. Ele se levantou do pufe e foi para a sacada, parecendo arrasado.
começou a se levantar, fazendo menção de ir atrás do amigo, mas Lúcia fez sinal para que ela se sentasse novamente e então saiu atrás do irmão, fechando a porta de vidro da sacada ao sair.
A garota não sabia o que fazer, girou a cadeira e ficou olhando para Guilherme, como que esperando uma resposta cair do céu. Agora ela tinha acabado com o namoro da amiga, e em sua própria casa.
No fundo, sabia que não devia ter deixado e juntos por muito tempo. Desde a primeira vez que se viram, ela dissera que tinha achado o garoto lindo. Depois disso, ficaram próximos demais, rápido demais. E então veio a festa de , e... Bom, agora era óbvio que eles não tinham apenas conversado naquela noite.
voltou ao quarto. Fez uma cara desconfiada e que mostrava desconforto ao perceber que todos olhavam para ela. Abriu a boca para dizer algo, mas então seu olhar parou na tela do computador, que agora estava mostrando o vídeo pausado, fazendo-a arregalar os olhos.
“Vocês... Vocês viram isso?!” Ela perguntou. Os três assentiram. “! Como você pôde?!”
, eu não sabia, eu...”
“Ora, larga de inventar desculpas! Até parece que você não sabia que havia algo entre mim e o- e ele!” Só então foi que percebeu que, apesar de tudo, só ela e sabiam quem era o garoto do vídeo. Não tinha sido possível ver qual dos dois havia descido a escada, nem mesmo ver muito bem os rostos deles ao chegarem.
“Você nunca me disse, está bem, ? Não é culpa minha se você não confia em mim!”
“Ah, agora sobra pra mim, é?!”
“Óbvio que sim, sua tonta! Quem foi que traiu o namorado aqui?”
arqueou uma sobrancelha, desafiadora.
“Então é assim? Quando sua amiga se dá mal, você a abandona. É isso mesmo?”
, não foi isso o que eu disse, eu...”
“Está bem. Se é isso o que você quer.”
, eu...”
“Só vou dizer uma coisa, . Você vai se arrepender.”
! Eu...”
“Cadê o Mike?”
Guilherme apontou para a porta de vidro que separava o quarto da sacada. foi de encontro ao namorado, que não parecia disposto a falar com ela. Ele se afastou da garota quando ela tentou abraçá-lo, então disse algo com cara de desprezo, e virou o rosto para a outra direção. Lúcia calmamente disse algo para , então a garota cruzou os braços em frente ao peito e começou a chorar.
O que tinha feito? Sentia-se horrível. Por que ela teve a ideia idiota de deixá-los assistir ao vídeo, sem assisti-lo primeiro? Sozinha, se possível? Quer dizer, a câmera tinha filmado muito mais do que deveria, e elas sabiam disso. As chances de algo como aquilo acontecer eram enormes, ela devia ter pensado nisso mais cedo. Pôde sentir lágrimas silenciosas escorregarem por suas bochechas.
?” Guilherme perguntou, sentando na beirada da cama para ficar mais próximo da garota. Passou o polegar em suas bochechas, enxugando-as. “Vai ficar tudo bem, querida. Eles vão se resolver.”
“Por que está chorando, amor?” Ricardo perguntou, passando o braço pelos ombros da garota e acariciando. “Não foi culpa sua.”
Ela fez o máximo para parar de chorar. Finalmente, conseguiu. Cruzou os braços e saiu de seu quarto, querendo um pouco de paz. Atrás de si, ouviu Guilherme dizer um “não se preocupe, só dê algum tempo a ela.”
Obrigada, Gui, ela pensou. Era incrível como ele sempre sabia a coisa certa a fazer para ela.

“Está tudo bem?” Bruno perguntou quando a irmã entrou na sala da televisão.
“Não.” murmurou, sentando ao lado dele no sofá.
“O que houve?” “A beijou o , e Mike descobriu.”
Por um segundo, Bruno não sabia o que responder. Quando pensou em algo para dizer e abriu a boca, a garota começou a falar novamente.
“E o pior é que foi minha culpa, sabe? Eu que coloquei aquele vídeo idiota para tocar o resto do nosso dia, e todos nós vimos os dois se beijando. É claro que quase morreu ao descobrir o que nós vimos, e agora Mike está arrasado. Ai, a deve estar tão brava comigo, e...”
“Como assim?” Bruno interrompeu.
“Eu acabei de acabar com o namoro dela, Bru. Ela deve me odiar.”
“Você?” Ele arqueou as sobrancelhas.
“É. Quem foi que mostrou o vídeo, me diz?”
“Quem foi que beijou o , me diz?” Imitou o tom de voz da irmã, fazendo-a sorrir, pelo menos por um segundo.
“Mas...”
“Mas nada.” Ele colocou um dedo em seu lábio, a impedindo de falar. “Você não fez nada.”
“Ah, certo.” revirou os olhos, e se levantou.
“Onde você vai?”
“Ver se o está em casa.”
“Está bem. Se acontecer alguma coisa eu te chamo.”
assentiu e beijou a bochecha do irmão, antes de ir até a porta do vizinho. Bateu três vezes. Sem resposta. Mais três. Nada de novo.
Vamos, atendam!, ela murmurava.
Mais três vezes, pela última vez. Se eles não abrissem agora, ela iria para casa e tentaria controlar a situação. Embora não fosse ser fácil. Com Mike e no meio de uma briga daquele tamanho, Lúcia também ficaria brava com , e...
“O que é?” Uma voz feminina a chamou de volta para a realidade.
Abriu a boca para falar, mas não conseguiu continuar.
De repente, apareceu detrás da porta e beijou a garota. Ah, certo, agora se lembrava de onde tinha visto aquela loira com roupas um tanto quanto curtas demais.
Era Jacqueline.
“Ah, oi .” cumprimentou.
Simples assim.
“Oi.” Ela murmurou, tentando soar indiferente. “O está?”
“Ah, sim, ele... Ele está no quarto de , eu acho.” Ele murmurou, e Jacqueline deu risadinhas histéricas, fazendo rir um pouco também; coisa que não entendeu.
“Você... Pode chamá-lo? Por favor?”
deu de ombros e foi para dentro de casa novamente.
“O que foi, garota?” Jacqueline perguntou seca, mudando de expressão assim que o garoto se afastou. “Desistiu de tentar roubar meu namorado de mim, e agora quer o amigo dele?”
Se ao menos ela soubesse... Que vontade que teve de contá-la sobre a festa de aniversário de .
“Agora ficou muda também, foi? Olha, eu sei que eu sou assustadora e tudo o mais, mas você sabe como é, não é? Quem sabe proteger seu namorado, sabe, e...”
“Por que você não foi à festa de aniversário do seu tão querido namorado, hein?” interrompeu.
“Eu... Eu estava doente.”
“Que pena que você perdeu. Foi ótima. Mas, sabe, eu não deixaria meu namorado ir a uma festa daquelas sozinho... Que bom que você confia tanto assim nele.” Ela sorriu, falsa.
“Como é que é?!” Jacqueline estava quase vermelha. Mas não de vergonha, é claro. De raiva mesmo.
“Ora, só estou dizendo que você tem muita sorte.” Piscou.
A loira já tinha aberto a boca para falar mais, mas foi interrompida pelo namorado, que chegou naquele momento com logo atrás. Como se nunca tivesse ficado irritada com nada, Jacqueline sorriu e abraçou pela cintura, então se virou para novamente.
“Se nos dá licença, temos mais o que fazer.” Então se virou de costas. “Vamos para o seu quarto, querido...” ouviu ela falar, não alto o bastante para parecer ousada - ou mais ousada do que já claramente era -, mas também não baixo demais para ser um sussurro.
“Aconteceu alguma coisa?” perguntou, saindo do apartamento e fechando a porta atrás de si.
“Na verdade, acho melhor nós ficarmos do lado de dentro.” murmurou.
“O que houve?”
“Nós... Eu...” Ela não sabia por onde começar. “O Mike descobriu.”

Capítulo 16

“O QUÊ?!” arregalou os olhos.
“Eu sei, eu...” fez uma pausa. “Não sei o que dizer.”
“Mas como assim? Quero dizer, o que aconteceu?”
“Nós... Ah, é uma longa história, .”
“Como assim?! Isso é importante, . Venha, entre, e me conte isso tudo direito!”
Os dois se sentaram no sofá da sala do apartamento dos meninos, e ela explicou tudo. Desde a câmera quebrada, passando pelas partes que já sabia, como a lição de biologia e o hamster, chegando à parte em que todos os amigos viram o vídeo, e depois foi falar com Mike na sacada.
“Então, basicamente, o que você está me dizendo é que todos os seus amigos agora sabem que nós ficamos, é isso?”
Ela assentiu.
“E que agora os dois estão brigados?”
“É o que parece.”
“E que você tem tudo o que aconteceu na sua sala durante o final de semana gravado na sua câmera, só porque você a quebrou alguns anos atrás, num passeio de escola?”
Assentiu novamente.
“Eu sabia que devia ter pedido uma câmera de aniversário, e não um celular novo...” A garota murmurava para si mesma.
“Não se preocupe. Daremos um jeito.” disse, mas não parecia mais calmo do que antes. Se levantou. “Quer uma cerveja? Ops, você é muito nova. Certo... Suco, refrigerante?”
“Hei!”
“Não quero ser pego dando álcool para menores. Pegaria mal para os fãs.” Ele enfatizou a última palavra, e a garota revirou os olhos.
“Tá bom... Um refrigerante não iria mal.”
Ele andou até a sala, o seguiu. Pegou uma cerveja para ele e serviu um copo de refrigerante para ela.
“Eu e os meninos estamos assistindo a um filme, o que acha?”
“Oi?”
“Não quer assistir conosco?”
“Como assim, ?! Tem um casal de namorados brigando no meu apartamento, não tem como eu...”
“Ah, certo. Aquilo. Bom, então passe aqui mais tarde.” Ele sorriu, e estalou um beijo na bochecha da menina. “Vou voltar para o quarto, antes que eu perca alguma coisa importante do filme!” E saiu correndo.
Certo... ficou confusa. Como ele simplesmente dizia isso e saía correndo? Tudo bem, então ela terminaria seu copo de refrigerante, e voltaria para sua casa, e veria como estavam as coisas por lá.
Quando estava colocando o copo vazio na pia, ouviu seu nome ser chamado por uma voz conhecida.
“O que foi, ?”
“Você contou à Jacqueline?!” Ele exclamou, irritado.
“Como assim?”
“Como ‘como assim’, ? A Jacqueline sabe, e disse que você contou a ela. Por que fez isso?”
“Sabe do que?!”
“Que nós ficamos?”
“Ah, isso. Achei que você já tivesse esquecido desse seu pequeno ‘erro’.” Ela enfatizou a palavra.
“Não estou brincando, !”
“Eu não contei.” deu de ombros.
“Então como é que ela sabe, se importa em me explicar?”
“Não sei. Às vezes alguma das lindas garotinhas que estavam na sua festa nos viu sair juntos de lá.”
“E por que ela diria que foi você quem contou, se fosse esse o caso?”
“Simplesmente porque ela me odeia!”
“Te odeia nada.” Ele murmurou, abrindo a geladeira.
“Odeia sim.”
, para de inventar história. Admite que foi você.”
“Como assim, ?!”
“Como você se sentiria se eu fosse até seu apartamento e contasse a Ricardo sobre isso, hein? Ele está lá agora, não está?”
“Nem ouse.” Ela levantou o dedo, irritada.
arqueou as sobrancelhas, provocando.
estreitou os olhos.
“Que raiva, não tem mais cerveja.” Reclamou. “Hei, vou comprar mais cerveja!” Gritou para o resto do apartamento. “Precisam de alguma coisa?”
Os meninos responderam que não, mas Jacqueline saiu eufórica do quarto.
“Eu vou com você, querido!” Ela disse, então se agarrou no braço dele e saiu em seu encalço.

Depois de lavar o copo do refrigerante e voltar para casa, descobriu que só e Guilherme ainda estavam ali.
“Cadê o resto das pessoas?” Perguntou.
“Lúcia fez o maior drama que eu já vi! Só por causa... Bom, você sabe. Então ela levou Mike para casa. Ricardo disse que estava tarde, e foi embora também. E mandou um beijo.” A amiga explicou.
“Entendi...” murmurou. “E o que você vai fazer sobre tudo isso, ?”
“Nada.” Ela deu de ombros.
“Como é?!”
“Não tem o que fazer, tem? Quero dizer, Mike já sabe, ele já deve ter terminado comigo, na cabeça dele. Então eu acho que vou falar com , marcar de sairmos semana que vem, quando...”
, você é louca?!” Gui exclamou.
“Não, não sou, Guilherme.”
“Pois parece.” disse.
“Eu, é?” perguntou, provocando. “Foi a Lúcia quem surtou, e...”
Por sorte, o som da nova música da Kesha começou a tocar, e atendeu o celular. Se aquilo não tivesse acontecido, não saberia o que fazer. Ela amava , muito. Elas eram melhores amigas. Mas às vezes a amiga simplesmente não percebia as coisas que fazia.
Ela desligou o celular e olhou para os dois. “Certo, é minha mãe.”
“Ela está vindo?”
“Já chegou.”
“HEIN?!” exclamou. “Mas ainda precisamos acabar de editar o vídeo!”
“Eu posso editar, se você quiser.” ofereceu.
“Seria bom.”
pegou a câmera e entregou para a amiga, lembrando de colocar o cartão de memória nela de volta.
“Normalmente eu diria para ter cuidado, mas se quiser quebrar essa coisa, sinta-se à vontade.”
riu e pegou o aparelho das mãos da amiga.
“Eu levo o vídeo editado amanhã, não se preocupe.”
“Obrigada.”
Elas se abraçaram e foi embora.
“E então, o que quer fazer agora?” perguntou a Guilherme, se sentando na cama.
O amigo sorriu malicioso, então os dois gargalharam. A amizade entre e Gui era tamanha, que a ideia de algo mais acontecendo ficava engraçada.
“Sinceramente?”
“Claro que sim, né Guilherme?”
“Quero ir ao outro lado do corredor e quebrar a cara desse garoto que magoou minha namorada.”
“Isso... Não é a melhor ideia.”
“Por que não?”
“Eu... Meio que discuti com o outro garoto que mora ali.” Ela forçou um sorriso.
“E por que isso?”
“Nada demais.” revirou os olhos.
...” Guilherme ia discutir, quando o celular tocou no bolso.
Ao desligar, virou-se para a amiga, vencido.
“Ok, minha mãe chegou. Mas amanhã você não me escapa, hein? Quero saber sobre esse tal vizinho.”

Quando ia entrar novamente em seu apartamento, ouviu seu nome ser chamado.
“Sim?” Virou-se.
“Está com fome?” Era , com duas pizzas nas mãos.
“Na verdade, eu...”
“Eu sei que você acabou de comer pizza, mas será que dá pra fingir que está com fome e vir aqui com a gente?” Ele riu. Ela riu também.
“Claro, vou só... Vou avisar o Bruno, está bem?”
“Okay. Chama ele também! Os meninos vão dormir em casa.” entrou em seu apartamento, e ouviu os garotos comemorando lá dentro.
Que gulosos.
“Bruno?” Chamou ao entrar em seu apartamento.
Lucas estava vendo televisão na sala, e um “oi?” de Bruno ressoou do fundo do apartamento.
“Vou ao apartamento dos meninos, viu?”
“Tudo bem.” Ele respondeu.
“Quer vir junto?”
“Não vai dar.” Sua cabeça saiu da porta do quarto de seus pais. “Estou terminando de estudar para as provas da próxima semana.”
“Ah, ok.”
“Vai ver seu amante?” Lucas perguntou baixinho, tanto que quase não ouviu. Quase.
“O que é?”
“Só perguntei se você vai ver aquele seu segundo namorado.”
“Eu só tenho um namorado.”
“Então você devia avisá-lo que ele tem concorrência, maninha.” Ele sorriu malvado.
“O que você quer dizer com isso?”
“Nada.” Ele deu de ombros. “Mas eu estou ficando com fome.”
“Você acabou de comer pizza, Lucas.”
“Eu sei. Mas sabe o que eu queria de verdade? Um muffin.”
“Que pena, porque você já comeu um bombom depois do jantar.”
“Ah, maninha. Achei que você já soubesse que quando eu quero chocolate e não como, eu acabo falando demais.” Ele ainda sorria.
“Do que é que você está falando, Lucas?”
“Como você é lerda, menina!” Ele exclamou, ficando de pé no sofá, e ainda assim não passando da altura da irmã. “Me trás um muffin, senão eu vou contar para o seu namoradinho que ele não é o único com quem você está saindo!”
estreitou os olhos, e o garotinho sorriu triunfante.
“Ah, você não vai.”
“Não, é? Porque eu posso. Eu tenho o telefone dele. E posso ir até a sua escola te buscar amanhã, e ser o irmãozinho fofo que conversa com seus amigos.” Ele sorriu de um jeito angelical. E falso, é claro.
“Você não faria isso.”
“Ah, não? Porque você sabe que eu sei mais coisas... E quanto ao James? Vocês já...”
“Qual muffin que você quer?” Ela o interrompeu, vencida.
Ele sorriu.
“Muito bem, maninha, sabia que você ia fazer o que era certo. Me trás o de chocolate mesmo.”
Depois de ela entregar o muffin ao garoto e mandá-lo esconder o doce de Bruno, ela foi até o apartamento do outro lado do hall.
“Demorou, hein menina?” reclamou ao abrir a porta.
“Desculpe.”
“Quer pizza?” perguntou.
“Não, obrigada, acabei de jantar.”
Ela se sentou ao lado de na mesa.
Jacqueline, que estava à sua frente, olhou feio para ela e arrastou a cadeira um pouco mais perto do namorado.
Não demorou para que a pizza tivesse acabado - afinal, quando chegou, eles já estavam na metade - e logo tirou um bolo da geladeira.
“Uau! Pra que isso?”
“Nós temos que anunciar uma coisa.” sorriu, se levantando e indo até e o bolo, no balcão da cozinha.
“É! Você vai adorar, !” disse entusiasmado.
“Está bem, contem logo!”
“É, amor! Estou curiosa!” Jacqueline completou.
“Nós conseguimos!” disse.
“Conseguiram o que, amor?” Jacqueline disse, mas foi ignorada.
“Está falando sério?!” quase gritou.
“Nós já passamos para a segunda fase. Agora só temos mais trinta e nove bandas contra nós.” disse.
“O que parece muito, mas se lembrarmos que tinham umas duzentas até ontem, dá pra ver que é muito pouco!” explicou.
havia dito, há algum tempo, que os garotos haviam feito um teste para ser a banda que abriria os shows da próxima turnê do Panic! At The Disco. Mas tinha dito para ela não comentar com ninguém, porque eles não achavam que conseguiriam.
“Isso é ótimo!” correu até os meninos para abraçar , e viu Jacqueline sair correndo em seu encalço e pular no pescoço de , antes mesmo de ela própria chegar até .

Capítulo 17

“Isso é mesmo ótimo!” Jacqueline exclamou. “Mas... Segunda fase de que, amor?”
não conseguiu se conter - soltou uma gargalhada. O que, obviamente, fez Jacqueline olhar feio para ela. A garota sorriu em resposta, tentando parar de rir.
“Você não ficou sabendo?” perguntou. A provocação não melhorou em nada a expressão irritada que Jacqueline continuava a mostrar.
“Nós fizemos um teste para participarmos de uma turnê, como banda de abertura.” explicou à namorada.
“Ah, isso é ótimo, docinho de coco!” Ela exclamou e encheu sua bochecha de beijos, enquanto se segurava para não rir mais ainda da garota.
“E o bolo é de que?” perguntou se debruçando sobre ele e analisando-o.
“Hei!” exclamou, parecendo irritado.
“O que foi?”
“A gente não ganha abraço não?” perguntou franzindo o cenho.
“Ai, ciumentos!” abraçou , e então .
“Agora sim!” sorriu.
“Agora sim nada, e o ?” perguntou.
, que estava observando aquilo com uma Jacqueline o segurando pela mão, olhou para . Quando ela percebeu seu olhar no dela, arqueou as sobrancelhas, em sinal de confusão. Ele abriu os braços, convidativo, então ela o abraçou também.
E assim que o soltou, Jacqueline voltou a grudar no garoto.
“Ótimo, sei que todos adoram abraços, mas agora partam esse bolo porque eu preciso de chocolate!” exclamou.
"Credo , está de TPM?" debochou. rolou os olhos e olhou feio para a menina.
“Aqui.” estendeu uma faca para . “Foi você quem deu a ideia, afinal.”
Então , com um sorriso de orelha a orelha, partiu um grande pedaço.
“Alguém traz um guardanap...?” Ele ia perguntar, e antes de concluir já estava estendendo um papel à sua frente. “Está bem, está bem.”
Ao ganhar seu pedaço de bolo, um sorridente sentou-se na bancada da pia da cozinha e começou a comer. Enquanto isso, partia pedaços para os outros.
“Ah, não, obrigada.” Jacqueline disse quando lhe estenderam um pedaço. “Não quero engordar.” Ela fez careta para , que dava uma grande mordida no bolo, ao falar.
A garota sorriu de volta, sem se importar com os dentes sujos de chocolate, e riu. , que parecia ser o único que tinha visto a cena, riu junto.
“Porquinha.” Ele tocou seu nariz com o indicador, o sujando de bolo.
“Hei!” Ela reclamou.
“Desculpe, eu não vi que estava suj...” foi interrompido por , que pegou um pouco da cobertura de seu bolo e colocou na bochecha do garoto.
“Agora estamos quites.” Ela sorriu.
“Nã-não.” Ele sujou um pouco a bochecha dela também.
!” Ela revidou, mas colocando bolo em sua testa. , ao ver a cena, começou a rir.
“Vocês são muito bobos mesmo!”
“Você só está com ciúmes porque a me sujou de bolo, e não a você.” arqueou as sobrancelhas.
revirou os olhos.
“Certo, porque eu adoro ficar coberto de chocolate!”
deu de ombros.
, onde eu posso lavar o rosto?” perguntou e olhou feio para .
“Ali no corredor, quer que eu te leve?”
“Não precisa, eu também preciso lavar o rosto mesmo.” disse e guiou a menina até o banheiro.
A garota pegou um pedaço de papel higiênico e passou na testa. O outro estava olhando para ela sem se mexer, então ela parou.
“O que foi?”
“Nada não.” fez o mesmo que ela.
Depois de ter usado mais alguns pedaços de papel, jogou o que esperava ter sido o último no lixo. já ia saindo do banheiro, quando ela o interrompeu.
“Hei, espere aí.”
“O que foi?”
“Você esqueceu um lugar.”
Ele ficou confuso, mas ela estendeu a mão e passou o polegar por sua bochecha, tirando um pouco de brigadeiro dali, e se perdendo em seus olhos por um breve instante. Tudo bem, tinha acabado com o namoro de sua melhor amiga, mas ninguém podia negar que ele era lindo.
“Prontinho.” Ela limpou o dedo num papel higiênico e jogou-o no lixo.

“Que tal uma partida de videogame?” sugeriu quando todos tinham acabado de comer.
Todos comemoraram, menos uma pessoa.
“Mas amor, eu tenho que ir para casa daqui a pouco, você tem certeza de que quer jogar videogame agora?” Jacqueline contestou.
torceu a boca.
“É que os meninos também estão indo daqui a pouco, e...”
A garota revirou os olhos.
“Certo. Sempre os garotos ao invés de mim.”
Ele sorriu com cara de cachorrinho sem dono para a namorada, que logo abriu um pequeno sorriso, olhando para de canto de olho rapidamente.
“Não tem problema.” E colou sua boca na dele.
se negou a assistir àquilo, e se virou para .
“Os meninos não iam dormir aqui?” Ela sussurrou em seu ouvido.
“Vão.” Ele sussurrou de volta.
A garota fez uma cara confusa - não tinha acabado de dizer que os meninos iriam embora dali a pouco? -, mas tudo o que fez foi torcer dar de ombros.
“Não faço ideia.” Falou sem fazer som algum, percebendo o que ela quis dizer.
Ela deu de ombros. Tanto faz; quem liga para as intenções de , afinal?
“Hei, !” Cutucou o menino. “Duvido que você ganhe de mim em Mortal Combat!”
“Challenge accepted!” (cuja tradução seria algo como, aceito o desafio!) O garoto respondeu, e os dois correram para o sofá e ligaram a televisão.

Foi só tarde naquela noite que havia voltado para casa. Eram quase onze horas quando ela passou pela porta tentando ao máximo não fazer barulho algum, mas quase gritou ao se virar.
“James!” Ela sussurrou, irritada. “O que diabos você está fazendo aqui?!”
Ele estava sentado em uma poltrona, com uma leve luminária ao seu lado e um livro no colo.
“Não estou com sono.” Deu de ombros.
“Ah, claro.” Ela bufou e revirou os olhos.
“Meio tarde para voltar, não acha?”
olhou para ele, franzindo o cenho.
“O quê? Acha que agora que só porque meu pai não está em casa, você pode brincar de casinha aqui?”
“Não, eu só... Estava preocupado.” Ele murmurou.
“Desculpe.” A garota revirou os olhos. Não que as chances de ele notar fossem muito grandes, uma vez que todas as luzes - exceto a luminária - estavam apagadas.
“Não foi nada.” Ele deu de ombros.
A menina foi para o quarto e se trocou para dormir. Passou no banheiro para escovar os dentes, mas ainda não estava com sono. Então se sentou no sofá e ligou a televisão num volume baixinho.
“Não vai dormir não?” James brincou, cutucando sua barriga.
“Hei!” Ela se contorceu por causa das cócegas. “Daqui a pouco, não estou com sono.”
“Olha lá, hein. Desse jeito você vai ficar com sono amanhã.”
“Tudo bem.” Ela deu de ombros.
Foi passando os canais procurando algo de que gostasse, até que chegou a um em que estava passando Friends. Ficou assistindo e dando gargalhadas por algum tempo, até que, no intervalo, James a chamou.
“Sim?” Ela respondeu ainda prestando um pouco de atenção na televisão.
“Posso te confessar algo?”
“O que é?”
“Lembra... Quando eu te disse que tinha mudado?”
Agora ela só prestava atenção nele.
“Deixa eu adivinhar, você não mudou coisa nenhuma, é? Que surpresa.” bufou e voltou a olhar para a televisão, esperando que o intervalo acabasse logo.
“Não é isso.” Ele respirou fundo. “Quero dizer, quase. Está bem, deixa eu te explicar isso direito. Eu não menti quando disse que mudei. Eu mudei mesmo.”
olhou para ele somente para arquear uma sobrancelha, descrente.
“Até eu te ver.”
Agora ela havia franzido o cenho.
“Quero dizer, eu tinha te esquecido, eu tinha esquecido aquele verão, mas... Mas te ver de novo... Isso trás muitas lembranças, sabe? E te ver com aquele garoto? Ah, isso é uma tortura.”
Se antes estava confusa, agora ela não acharia palavras para descrever como se sentia. Lisonjeada, por ele não conseguir esquecê-la? Protegida, já que ele se preocupava com ela? Assustada, porque aquilo com certeza causaria um problema? Horrorizada, porque ela estava namorando?
E com certeza irritada, por ele falar daquele modo sobre seu namorado.
?” James chamou. Ela deduziu que sua expressão devia estar muito estranha naquele momento, então mudou-a. Franziu o cenho novamente.
“Certo, mas... Eu... O que você quer dizer com isso?”
“Não sei. Que eu sinto falta de você.” Ele sorriu de lado, um sorriso um tanto triste. “Mas não se preocupe!” Se apressou a dizer. “Não vou tentar nada. É só que... Eu me sentia quase um mentiroso, sem mencionar nada disso. E com você achando que eu te esqueci completamente e tudo o mais.”
“Ok. Eu...” Ela respirou fundo. “Obrigada, eu acho. Mas... Você tem que entender, James. O que aconteceu... Aquele verão... Ele... Isso não pode se repetir.”
“Eu sei.” Ele murmurou cabisbaixo.
Ela baixou a voz. “Você não imagina o quanto Lucas me chantageou depois que ele descobriu. Ele é só uma criança, mas consegue ser um diabinho quando quer.”
“Eu entendo.” Ele assentiu. “Eu só... Não sei. Se você mudar de ideia, algum dia, mesmo que demore... Eu estou aqui.” E sorriu, um sorriso esperançoso dessa vez.
segurou sua enorme vontade de abraçar o primo, ao vê-lo parecer tão... Frágil? Esperançoso? Talvez a palavra certa estivesse - ou pelo menos deveria estar - um pouco mais próxima de desapontado, pois ela sabia que aquela situação era muito complicada para ao menos ser discutida abertamente. Todos os que sabiam sobre aquilo, odiavam mencionar a ocasião.
A não ser por Lucas, é claro.

Capítulo 18

O despertador tocou as seis em ponto. Não havia som mais irritante no mundo do que aquele clássico beep insistente dos despertadores, mas, mesmo não sabendo se aquilo tinha sido sorte ou azar, não foi com ele que tinha acordado naquela manhã. Acordou enjoada alguns minutos antes, foi obrigada a correr para o banheiro. Foi só quando estava voltando dele que desligou o despertador que ficava ao lado de sua cama.
Assustou-se quando ouviu a porta ser aberta, mas sorriu ao ver que era apenas James. O garoto trazia uma bandeja em mãos.
“Quer café da manhã?” Perguntou enquanto a menina se sentava na cama.
“Seria ótimo.”
Ele sentou ao seu lado na cama e colocou a bandeja em frente aos dois.
“Vamos ver o que temos aqui...” Ela se ajeitou na cama. “Suco, iogurte, e... O que é isso dentro do pão?”
“Ah, você já sabe.”
“Não sei não.” Franziu o cenho.
“Claro que sabe. Você ama isso. Ou pelo menos amava.”
“Não!” Ela arregalou os olhos, percebendo o que era.
Ele assentiu, sorridente.
deu uma mordida.
“É mesmo!"
“Eu já disse que era!”
“Essa geleia é muito boa! Só a tia Margareth é que faz uma assim... Onde você achou?”
Margareth era a mãe adotiva de James, e viúva do irmão de Raquel, mãe de . Desde pequena, quando a garota ia passar algum tempo na casa da tia, ela fazia sua geleia especial, a qual só ela tinha a receita, e amava.
“Eu trouxe na viagem.” James deu de ombros. Ela deu outra mordida grande no pão. “Margareth estava fazendo logo antes de eu sair, então peguei um pote para você.”
“Obrigada!” Ela o abraçou, tomando cuidado para não derrubar o suco.
“Não foi nada.” Ele sorriu e ficou a observando por algum tempo.
“O que foi?” perguntou, mesmo sem ter engolido o pão com geleia ainda.
“Nada.” Ele desviou o olhar.
“James!”
“Oi?”
“Fala logo.” Ela reclamou, dando outra mordida no pão.
“Você... Não quer saber.”
Ela arqueou uma sobrancelha, pois ainda estava de boca cheia e não podia reclamar em voz alta.
“Eu só estava pensando que só para ver esse seu sorriso eu iria até em casa agora mesmo buscar mais geleia pra você.”
Com certeza, não estava esperando por aquilo. Ia dar mais uma mordida, mas parou no ato.
“Eu disse que você não queria saber, eu... Eu sei que você tem namorado, e que isso foi completamente gay, e...”
“Não.” Ela o interrompeu suavemente. “Não foi gay.”
Ele sorriu de leve.
Ela se emocionou, quase ficou com vontade de chorar.
Certo..., pensou. Com certeza são os hormônios, já devo estar de TPM.
Os dois ficaram se olhando e sorrindo por alguns segundos, até que alguém bateu na porta.
“Oi?”
?” Bruno apareceu na porta. “Só queria saber se já tinha acordado.”
“Já sim.” Ela sorriu.
“E, James? Preciso da sua ajuda aqui.”
Ele assentiu e seguiu o outro para fora do quarto, fechando a porta ao sair.

“Finalmente sexta!” Guilherme disse ao ver logo cedo.
“Finalmente.” Ela assentiu.
“Oi!” cumprimentou e colocou um braço no ombro de cada um, caminhando junto deles.
“Bom dia.” Eles responderam.
, preciso falar com você, é urgente.”
“O que houve?”
“Pegou mais alguém já?” Gui debochou, ele e riram.
“Hei!” reclamou.
“Então não foi isso?” continuou a brincadeira.
“Não.” fechou a cara.
“Está bem, diga, o que foi?”
“Eu estava editando o vídeo, e... Tinha um probleminha.”
“Ah, você não terminou de editar? Tenha dó, , será que você não consegue fazer nada direito não?” se estressou.
“Eu terminei de editar.”
“Ótimo. Então o que foi que aconteceu?”
“Bom, tinha muito tempo gravado naquela fita, muito mesmo, aí...”
“Eu já disse que ela ficou ligada quase o fim de semana inteiro, ela deve ter gravado todos que passaram pela minha sala.”
“É justamente esse o problema. Eu...”
“Meninas.” O Sr. Nolan interrompeu as duas. “Não vão entrar?”
“Está bem, depois você fala.” deu as costas para a outra.
As duas entraram na sala. Guilherme estava sentado ao lado de Lúcia, Ricardo à frente dela. sentou-se na frente do amigo, mas acabou não sobrando lugar para . Os únicos outros lugares vagos eram atrás de Lúcia e uma cadeira no fundo, do outro lado da sala.
Ela se aproximou do lugar atrás de Lúcia, mas a garota colocou sua bolsa na cadeira atrás de si.
“Eu... Posso me sentar aqui?”
“Não.”
olhou para Gui, aparentemente querendo ajuda.
“Desculpe.” Deu de ombros. “Mas foi você quem traiu meu cunhado, não posso nem te defender.”
parou de prestar atenção, antes que aquilo acabasse virando culpa dela, e começou a conversar com Ricardo.
então pegou sua bolsa e foi para o outro lado da sala, na última fileira.
“Já se resolveram aí?” Sr. Nolan perguntou.
Os quatro assentiram. ignorou.
“Ótimo, mas a nossa aula será na sala de informática.” Ele disse, e abrindo a porta da sala e rindo ao ver a cara frustrada dos alunos, que tinham acabado de se acomodar.

Cinco minutos depois, a sala toda estava dividida em uma dupla por computador, ocupando todos os que se estendiam pela volta da grande sala.
“Meninas.” O professor chamou e . “Venham aqui para me mostrar o vídeo.”
Elas o seguiram até uma salinha onde ficava a impressora e o scanner, ao lado da sala de informática. O monitor daquele computador era maior, então ficaria melhor para assistir.
“Cadê o CD?”
Em resposta, apontou para .
A garota entregou um mini CD para o professor, e ele colocou no computador. Esperou carregar.
“Podemos ver também?” Guilherme entrou na salinha perguntando.
“Vocês já viram.” disse.
“Ah, então você não nos quer aqui?” Ricardo fez drama.
“Não é isso, eu...”
“Chega, vocês dois. Guilherme, Ricardo e Lúcia podem ficar sim. Mas fiquem quietos, o computador já reconheceu o CD.”
Ele apertou o play. Ouviram um barulho de porta sendo aberta. E depois fechada. franziu o cenho. Aquele não parecia ser o vídeo de biologia.
Então tinham algumas vozes. E passaram duas pessoas, pareciam estar se beijando.
“Isso é algum tipo de piada?” Sr. Nolan perguntou.
Mas alguém esbarrou no interruptor. No vídeo. E, quando a luz foi acesa, todos viram quem era o casal.
e .
Exceto que ninguém além dela e conheciam . E Guilherme, mas ela duvidava que ele se lembrasse da cara do garoto.
Os seis que estavam presentes ali ficaram boquiabertos. Lágrimas brotaram nos olhos de - ela tirou o mini-CD do computador, guardando-o no bolso, e logo correu para o banheiro. Não que fosse tão difícil, agora que Ricardo não estava mais com os braços em volta dela. Trancou-se numa das cabines e deixou as lágrimas rolarem.

?” Não demorou muito até ela ouvir a voz de Guilherme chamar, um pouco distante. “, vem aqui, eu não posso entrar!”
A garota ignorou.
! Não me faça entrar aí!”
Ainda sem resposta.
“Ok, se tiver mais alguma garota aí dentro, saia agora, porque eu vou entrar!”
Silêncio.
Três batidas na portinha do banheiro.
.” Agora a voz de Guilherme estava mais próxima.
“Vai embora.” Ela murmurou.
! Eu quero conversar com você. Anda, abre isso aqui.”
“Eu não quero falar com ninguém!”
, abre isso aqui logo!”
Ela destrancou a porta, a qual ele empurrou devagar. Ao terminar de abri-la, Guilherme encontrou a amiga com os olhos vermelhos e bochechas ainda molhadas. Ele abriu os braços, chamando-a para um abraço. enterrou o rosto no ombro do amigo e o deixou passar os braços em volta dela calmamente.
“Vai ficar tudo bem, .”
“Não vai não.” Ela soluçou.
“É lógico que vai.”
“Como?! Agora vou ser conhecida como A puta, Guilherme. Não tem como tudo ficar bem. Eu perdi o meu namorado, e o gar...” Ela ia falar “garoto que eu amo”, mas acabou por corrigir a frase: “e a minha melhor amiga.”
“Mas você ainda tem a mim.”
“Ai, Gui.” Ela suspirou. “Você é perfeito, sabia?”
“Sabia.”
sorriu levemente e bateu no peito dele.
"Convencido."
“Mas foi você quem disse! E eu até consegui fazer você sorrir.”
Ela o abraçou mais forte.
“E não se preocupe, ninguém sabe o que aconteceu.”
“Como assim?”
“Só nós, que vimos o vídeo, sabemos o que aconteceu. Eles não contaram para os outros. E nem vão.”
“Obrigada.”
“Agora vamos voltar para a sala?”
Ela balançou a cabeça negativamente.
“Vamos sim, porque eu preciso sair logo daqui.”
riu um pouco e o seguiu para fora do banheiro feminino.

Capítulo 19

Ao chegar à sala de informática novamente, o professor não disse nada. Nem , nem Lúcia, nem mais ninguém. É fato que o namorado, ou melhor, ex-namorado, também não olhou na direção de .
Pelo menos ninguém mais sabia sobre aquilo.
Ou era naquilo o que Guilherme queria que ela acreditasse.
Os outros alunos, cerca de trinta deles, sentados em frente aos seus computadores, olharam para quando ela entrou. Mas não de um jeito estranho, e nem acusador. Só olharam, como se fosse qualquer outro dia normal.
Guilherme ainda estava com a mão na cintura de protetoramente, e não parecia estar disposto a soltar muito cedo.
Mas os dois estavam parados perto da porta da sala, e perto de todos os que, alguns minutos atrás, tinham visto o vídeo.
“Vocês tiraram nota máxima no trabalho.” Sr. Nolan quebrou o silêncio. Ele sorria levemente, deduziu que ele, por mais que não gostasse de Ricardo, e nem de por namorá-lo, sentia muito pela situação em que estavam agora.
Ou apenas tinha ficado desconfortável com aquilo tudo.
Fosse o que fosse, simplesmente assentiu, esperando o que viria a seguir. Ela já podia imaginar - briga, discussão, término de um namoro, infelicidade, muito sorvete e muitos filmes dramáticos. E choradeira, é claro.
Depois de um momento de silêncio, o professor disse para eles voltarem a seus lugares. sentou-se num computador junto de Guilherme, mas não se deu ao trabalho de ver onde estavam os outros. A dupla estava em um dos computadores da beira, ficando obrigatoriamente longe deles, e aquilo era tudo o que importava.
“Você está bem?” Guilherme perguntou.
“Não exatamente. Mas vou ficar, não se preocupe.”
Ele a abraçou, então os dois começaram a fazer o trabalho, uma vez que já tinham perdido tempo o suficiente.

Ao bater o sinal anunciando o intervalo, todos foram para o refeitório e se sentaram à mesa de sempre, mas ninguém ousava dizer alguma coisa. mirava o chão, evitando o olhar de qualquer um. Estava arrependida demais para olhar para Ricardo, e brava demais para lidar com . Então tudo aquilo tinha sido planejado. Era aquilo o que ela queria falar naquela manhã.
A garota se surpreendeu ao sentir uma mão em seu ombro, e quase pulou na cadeira.
“Podemos conversar?”
Era Ricardo.
Ela se esforçou para não demonstrar tristeza, então o seguiu para a frente da escola. Se sentaram no mesmo banquinho onde sempre acabavam ficando, por ser um dos lugares mais vazios da escola.
“E então?” Ele perguntou.
“O que foi?”
“Você não tem nada para me contar?”
O garoto a olhava fixamente, e não parecia nada feliz. concluiu que não podia culpá-lo.
“Me desculpe.” Ela murmurou.
“Por que você não me disse?”
Ela deu de ombros.
“Nós não estávamos namorando quando aquilo aconteceu.”
“Como não? Não foi nesse último final de semana?”
“Foi. No dia que nós brigamos.”
“E daí?”
“Nós tínhamos terminado nesse dia, está bem? Ou dado um tempo, não sei. Mas nós não estávamos namorando de verdade. Quero dizer, eu tinha devolvido minha aliança para você!”
“Mas quando eu te liguei, você...”
“Estava praticamente dormindo. Você já deveria saber que eu não penso direito quando acabo de acordar.”
“Me desculpe, eu nunca acordei ao seu lado.” Ele respondeu, ríspido.
Um choro silencioso e incontrolável tomou conta dela, então Ricardo a olhou. E passou um braço por seus ombros.
“Desculpa.” Ele murmurou. “Não quis dizer isso.”
“Quis sim. E nós dois já sabemos disso.” A menina sussurrou. “Eu sei que o que eu fiz não foi certo. E sinto muito se te chateei. É só que nós tínhamos brigado, eu nem estava com a minha aliança, e...”
“E você saiu e dormiu com um cara qualquer, está tudo bem.”
Ela olhou feio para ele, ainda tentando segurar as lágrimas.
“Está bem, eu entendi, você está bravo comigo. Não precisa falar de mim como se eu fosse uma puta.”
Houve um momento de silêncio.
“Mas por que você não me contou? Se você nem estava vendo isso como uma traição?”
“Eu não tenho a obrigação de te contar a minha vida inteira, tenho?” Respondeu ríspida. Aquilo não dava mais.
É, ela tinha feito algo errado. E ele estava magoado. Mas não precisava esfregar o erro na cara dela.
“Olha, eu sei que você está bravo, que acha que eu sou uma biscate e provavelmente vai deixar a escola inteira - senão mais gente - saber sobre o que houve e ficar contra mim. Então por que não acabamos logo com isso? Sei que você quer terminar comigo, só não tem coragem. Então aí está, acabo de concordar com você, nós terminamos. Tendo tirado esse peso da nós, acho que é melhor nós voltarmos para dentro, porque o sinal deve tocar daqui a pouco.”

Dito e feito, cinco minutos depois eles estavam dentro da sala de aula, sem mais uma palavra dita. Estavam sentados em cantos opostos, sendo que Guilherme e Lúcia, que se mantinham neutros na situação, estavam nas fileiras do centro. também estava sentada por ali, mas não perto do casal.
Provavelmente nunca haviam ficado tão felizes de não haver mapeamento de sala naquela escola.
Mas aquilo já não fazia muita diferença, de qualquer jeito, porque a professora não estava de bom humor naquele dia e não estava aceitando barulho algum durante a aula. Passou uma lista de exercícios para ser feita e, embora a maior parte da sala não estivesse realmente fazendo os exercícios, ela brigava com qualquer um que abrisse a boca.
Quando chegou a hora do segundo intervalo, evitou conversar com qualquer um que não fosse Guilherme. Os dois saíram logo que o sinal tocou, e ficaram andando pelo grande bosque da escola e conversando - depois de o garoto explicar toda a situação para Lúcia, que não se importou com aquilo.
“E então?” Ele perguntou.
“E então o quê?”
“Quem é seu novo namorado?”
“Você só pode estar falando de algum amigo imaginário, não é? Acho que nunca estive tão solteira na vida.”
“Certo, então... Se eu preciso ser direto, lá vai. Quem é aquele?”
“Quem é quem?”
!”
Os dois se olharam por um instante, e riu um pouco.
“Está bem, é um dos meus vizinhos. Feliz agora?”
“Eu sabia!”
“Então por que perguntou?”
Guilherme balançou a cabeça.
“Eu te disse que tinha algo entre vocês dois, e você negava...”
Ela mordeu o lábio.
“Por que você não me contou, ?”
“Eu ia contar. Sabe, quando você foi à minha casa. E então sua mãe chegou.”
“Ah!” Parecia que tinha sido uma descoberta brilhante para Guilherme. “Ah. Agora eu entendi. E vocês brigaram, foi?”
“É. Ele tem namorada.”
“Ora, então ele não te merece, .” Ele a abraçou pela cintura. “Não se preocupe, no fim tudo fica bem. Se ainda não está tudo bem, é porque não está no fim.”
"Amém." Ela disse, e os dois riram. Então a garota respirou fundo. “Vamos rezar para que isso seja verdade.”

Ao término das aulas daquele dia, a garota conseguiu convencer o irmão de que o melhor era os dois irem embora logo, mesmo sem ele saber - ainda - tudo o que aconteceu naquela manhã. Tudo o que ela queria era sair daquela escola.
“E então?” Bruno perguntou, quando os dois já estavam no carro.
“E então o que?”
“Não tem nada para me contar, baixinha?”
Ela deu de ombros.
“Ok, o que aconteceu entre você e o Ricardo?”
olhou para a paisagem que passava por sua janela. Queria contar ao irmão, realmente queria. Mas ia começar a chorar. E uma coisa que odiava profundamente era chorar na frente das outras pessoas.
Por isso, resumiu tudo em uma palavra:
“Terminamos.”
O garoto percebeu o tom estranho na voz da irmã, mas não insistiu. Ela contaria o que houve, quando estivesse pronta.
E por que é que ela estava tão sensível ultimamente? Que droga. Ela não costumava ser assim. Não que fosse fria - de jeito nenhum. Mas normalmente conseguia esconder melhor sua tristeza e era muito raro que ela chorasse, ainda mais em público.
Pare com isso, ! Pensou consigo mesma, respirou fundo e ligou o rádio.
“E então, como foi seu dia?” Perguntou e forçou um sorriso para o irmão.
“Foi bom. Ah, é! James ligou e avisou que mamãe voltou para casa e está fazendo almoço para nós.”
“Eba!” A garota sorriu, agora de verdade. “Espero que ela faça lasanha.”
“Eu também.” Bruno riu. Ele também queria qualquer outra coisa que fizesse a irmã mais contente.

Capítulo 20

Ainda antes de chegarem em casa, os dois encontraram , que carregava um pacote grande em mãos.
"Quer ajuda?" perguntou.
"Não precisa, nem é tão pesado."
"Como não? Isso é gigante!"
"O que é que tem aí?" Bruno perguntou.
"Ah, são só alguns fios e coisas assim. Tivemos que comprar mais, os nossos estavam muito velhos. Não podemos correr risco algum no grande show."
"Bruno?" O porteiro chamou, fazendo sinal para ele se aproximar. Ele foi, e colocou a caixa no chão, esperando para subirem todos juntos.
"Espera aí, a segunda fase já foi?!" perguntou brava.
"É claro que não, ! Você acha que não iríamos te chamar? Vai ser quarta, parece. Ou quinta. O é que estava vendo isso, e ele é super desorganizado... Mas vocês vão, não é?"
"É claro!"
"Ótimo." sorriu. "Então... O que vai fazer hoje à noite?"
"Hoje?" Ela pensou um pouco. Ela ia ter um encontro com Ricardo, mas... "Nada. E você?"
"Ótimo!" franziu o cenho. "Eu e os meninos vamos naquele bar novo, sabe? O que abriu no shopping? E seu nome já está na lista. Um amigo nosso é promoter, você entra sem problemas. O que acha?"
Depois de tudo o que aconteceu naquela manhã... É, ela podia fazer um bom proveito de uma noite com bons amigos e um pouco de álcool. Talvez até não tão pouco assim.
"Podem contar comigo." Ela sorriu.
"Pra que?" Bruno chegou perguntando.
explicou tudo de novo ao garoto, e o convidou para ir também, enquanto os três subiam as escadas.
Ao chegarem ao terceiro andar, Bruno entrou no apartamento antes de . Quando ela ia entrar, a chamou.
"Diga?"
"Bom... Como estão as coisas com a ?"
se segurou para não fazer careta ao ouvir aquele nome.
"Como assim?"
"Bom, ela brigou de vez com o namorado, não foi? E ela está bem?" Ele perguntou, colocando o grande pacote no chão.
"O que foi que aconteceu?" Quando ele franziu o cenho, ela explicou: "Da última vez que conversamos sobre ela você não parecia muito interessado nisso."
"Ah. Mas se você pensar bem, eu acho que foi culpa minha também, né. Eu só queria saber se está tudo bem. Ela ficou brava comigo e por algum motivo não responde mais as minhas mensagens." passou a mão pelo cabelo.
"Ah, ela está bem sim. Eu acho." pensou em contar da briga das duas, mas não sabia se tinham contado para as consequências da festa de . Resolveu não entrar em detalhes. "Na verdade a gente meio que discutiu hoje cedo. Mas da última vez que eu falei com ela, ela não parecia estar muito triste com isso não."
Ela parecia mais triste por não estar com ainda, a garota refletiu.

"É, fazer o que? A vida continua, né. A fila anda. Quando algum garoto não te trata bem o suficiente, você sai com outros." tinha explicado quando lhe perguntou como ela estava depois da briga.
"Então tiveram outros, além do ...?" Não tinha sido exatamente uma pergunta.
deu de ombros.
"Alguns. Não foram muitos, não me olhe assim! Espera, não fala isso pra ele." "Oi?" não entendeu. "Pro . Não diz isso, tá? Por favor. Não quero que ele fique bravo comigo. Nenhum era igual a ele. Nem de longe."


"!?" chamou, e pelo tom de voz deduziu que já havia algum tempo que ele tentava chamar sua atenção.
"Oi? Desculpe."
"Eu perguntei por que foi que vocês discutiram? Foi alguma coisa séria?"
"Ah, nada demais, eu acho. Eu preciso ir almoçar antes que minha mãe me xingue... Te vejo mais tarde?"
"Claro!"

deu sorte: tinha lasanha. Depois de um delicioso almoço, como não comia há tempos, ela até aceitou lavar a louça, sem nem tentar convencer Bruno de lavá-la em seu lugar.
Ao acabar com os pratos, foi direto para o quarto. Ainda tinha uma folha de exercícios de matemática para terminar, além de uma redação. Tirou o caderno da mochila, pegou a folha de matemática, jogou ambos em cima da cama e em seguida pulou de barriga.
E ouviu um pequeno creck.
Lembrou-se do CD em seu bolso. Tirou-o dali e colocou embaixo do travesseiro, com preguiça de levantar para colocar em outro lugar. Abriu o caderno e começou a ler o primeiro exercício.
Pensou na expressão de Ricardo ao ver o vídeo. Fazer aquilo não tinha sido certo com o garoto... Mas também já era hora de ser passado. Era para ser um assunto morto e enterrado, que de repente voltou para assombrá-la.
E como Guilherme tinha sido fofo, sendo o único a ir atrás dela, mesmo ela estando no banheiro feminino. Um garoto realmente havia entrado no banheiro feminino da escola em horário de aula, e não para ficar com alguém, mas para saber se ela estava se sentindo melhor.
Ele era um amigo de verdade. E , onde estava àquela hora? Nem se...
Então percebeu: não parecia surpresa com o que viu na tela do computador. E nem muito preocupada, na verdade.
Ela se lembrou. A voz dela ecoou em sua cabeça. Só vou dizer uma coisa, . Você vai se arrepender.”
É, talvez não se pudesse mais confiar nas melhores amigas tanto assim.
Antes que pudesse pensar em outra coisa, se viu sentando em sua cadeira de rodinhas e ligando o computador. Depois de esperar uns bons cinco minutos para a máquina inicializar, ela colocou o CD e apertou play. Quem sabe, se ela visse o vídeo mais uma vez, ela conseguiria parar de pensar naquilo, e prestar atenção na lição de matemática. E depois na redação.
Começou exatamente como havia naquela manhã na sala do professor. O casal entrou na sala, as luzes foram acesas. Os dois riram, falaram algumas coisas, mas que a menina não conseguiu entender (e menos ainda lembrar), então foram em direção ao quarto.
Agora, a sala vazia, as luzes acesas, não tinha nada a ser visto. E os pensamentos de continuavam a girar em torno das expressões de todos ao verem o vídeo, e como o professor ficou bravo por não ser o trabalho, e a cara indiferente de ... Você vai se arrepender, a voz ressoou em sua cabeça mais uma vez.

Ela não sabia dizer quanto tempo ficou ali olhando para o monitor. Clicou no botão para o vídeo passar em câmera rápida e ficou apenas observando os números mudarem, contando quanto tempo de vídeo havia passado.
Até aquilo parecia mais divertido do que fazer a lição de casa.
Então algo mudou. A porta foi aberta, Bruno e entraram na sala. Ela voltou para a velocidade normal, se ajeitando na cadeira. Ambos largaram-se no sofá, parecendo exaustos. tinha algo em mãos que a menina não conseguia entender o que era.
"Tem certeza que sua mãe não vai ficar brava?"
"Claro que não, ela te ama. Agora vamos, tenho que arrumar um colchão para você. Estou exausto."
Os dois foram em direção ao quarto do garoto. Ela acelerou o vídeo de novo.
Não demorou até que voltou a aparecer na tela. Deduziu que aquele foi o momento em que Ricardo tinha ligado. Então ela voltou para o quarto, e e Bruno voltaram a aparecer.
Com o vídeo de volta na velocidade normal, podia ser ouvido o telefone da casa tocar ao fundo. Bruno atendeu e concordou algumas vezes, então largou-se no sofá ao lado de .
"Não é estranho não ter dado sinal de vida?" Bruno perguntou.
"É, um pouco." deu de ombros.
"Ele provavelmente achou alguma menininha por aí que aceitou dormir com ele... Típico do ."
"Ora, não é assim, também."
"Lógico que é, não adianta tentar defendê-lo só porque é o seu colega de quarto!"
"Ok, talvez."
Os dois riram um pouco.
"Mas ele não é só assim." deu de ombros. "Quem era no telefone?"
"Minha mãe. Ela está voltando pra casa. Vou acordar a ." Bruno se levantou do sofá.
"Não, deixa que eu vou." O outro correu atrás.
"Relaxa, ela é minha irmã, estou acostumado..." Deu para ouvir enquanto eles saíam da tela.
fez uma careta ao voltar para a sala, como se estivesse se preparando para algo ruim. E logo Bruno voltou para a sala parecendo indignado.
"Eu descobri onde o está."
"Ah, é?" perguntou, ainda fazendo careta.
"Sim, ele... Espera aí! Você sabia disso?!" Bruno perguntou bravo, se sentando no sofá.
"Eu imaginava que..."
"E não me contou?!"
"Desculpe, eu..." também se sentou.
"!" Bruno sibilou.
"Eles realmente se gostam, está bem?" sussurrou de volta.
Mas antes que Bruno pudesse responder, chegou à sala.
“Bom dia.” cumprimentou. “Parece que dormiu bem essa noite, não é?” Perguntou com um sorriso pervertido.
“É, creio que sim.”
“Como é?”
“Nada.”
“Hm.” O irmão mais velho bufou, parecendo bravo.
“O que é isso, dude?” perguntou. “É o , você sabe que ele não faria nada demais.”
Bruno arqueou uma sobrancelha.
“Por isso que o cara acabou de sair do quarto da minha irmã, é?”
Ela se lembrava como tinha sido horrível ouvir aquela frase da primeira vez, e não era por ser a segunda que ela soava melhor. Ou deveria dizer menos pior?
E então continuou a conversa sobre a qual já sabia, mas observava a tela atentamente. Era estranho ver como as coisas tinham mudado tanto graças àquelas poucas horas.
Logo o vídeo mostrava a garota chorando ao perceber o que fizera com Ricardo e se aninhando no colo de e... Como ela imaginava, Bruno olhava torto para . Não pôde conter um sorriso; ela achava tão bonitinho ver o irmão com ciúmes.
Raquel chegou em casa junto com James e Lucas, e foi para o quarto para evitar o irmão mais novo, disso ela se lembrava. Não demorou para que aparecesse na sala e se sentasse no sofá perto dos meninos, enquanto Raquel ia para a cozinha fazer o almoço e James levou Lucas para seu quarto.
Por algum tempo, a sala permaneceu em silêncio. A conversa que e Bruno tinham antes havia parado, e não parecia muito confortável sentado ali.
"Dude, me desculpe, eu..." começou a falar.
"Termine tudo com ela." Bruno interrompeu.
"O quê?" Os outros dois perguntaram juntos, arregalando os olhos.
"É. Ela está namorando, e você... Bom, é o ."
Ele parecia realmente magoado. olhava de um para o outro sem saber o que fazer, e Bruno apenas continuava sério.
"Mas Bruno, ela é incrível... Quero dizer, ela -"
"Ah, para com isso, . Até parece. Vocês vivem brigando, e... Eu só não quero ver a minha irmã magoada, ok?"
"Eu..."
"Por favor, ."
Observando bem, Bruno também parecia magoado. E preocupado.
"Filho!" A voz de Raquel saiu do computador.
"Já vou, mãe." Ele respondeu, então se virou para . "Só faz isso, ok? Por mim. Por favor."
Então ele saiu, e restaram e na sala.
"Está tudo bem, ?"
"Tudo." Ele respondeu, mas não parecia.
"Dude... Você nunca fica muito tempo com alguma garota... Aposto que você vai esquecer logo disso."
"É diferente..." murmurou. podia sentir os olhos marejados, e ainda assim mais abertos do que nunca. Então não queria terminar com ela?! Não tinha como aquilo ser mentira, era um vídeo! Tinha que ter acontecido.
Mas, se era esse o caso... Então era tudo culpa de Bruno? Toda a raiva que ela sentia de , por ter sido tão grosso com ela, deveria ter sido destinada ao seu irmão todo aquele tempo?
Depois de algum tempo em silêncio, Bruno voltou a aparecer e balançou a cabeça, se levantando.
"Quer saber, dude? Você tá certo. Não se preocupe. Vou fazer tudo o que eu puder para me afastar da sua irmã. E para que ela me esqueça." Bruno sorriu, enquanto o amigo tirava o telefone do bolso.
"O que está fazendo, ?"
"O que eu sempre faço quando preciso esquecer de alguém, ?"
"Ligar para a Jac?"
"Exato."

Capítulo 21

Bateram na porta três vezes.
"Atende a porta, Bruno!" Gritou , que corria de um lado para o outro somente com as roupas íntimas e procurando seu estojo de maquiagem.
", vai você! Vão querer falar é com você mesmo!" Ele respondeu.
A menina parou em frente à porta do quarto do outro e esperou que ele levantasse o olhar para vê-la.
"Ainda quer que eu vá?"
"Se tranca no teu quarto que eu estou indo atender a porta!" Ele respondeu, pulando da cama.
A menina riu e foi para o quarto. De lá, ouviu os quatro amigos entrando no apartamento, e ficou um pouco nervosa. Afinal, ela seria a única de quinze anos no meio deles, todos com seus dezoito anos. Pelo menos logo ela faria dezesseis...
"Dude, não era você quem deveria ter atendido à porta!"
Todos riram.
"A ainda está trocando de roupa, mas ela já vem."
"Olha aí, ainda seria melhor do que eu esperava se ela tivesse vindo!"
Dessa vez, Bruno não riu. imaginou sua cara de ciúmes, e revirou os olhos. Normalmente, achava isso engraçado, às vezes até fofo. Depois de suas últimas descobertas, tinha passado a achar ridículo.
"Estou brincando, dude." Agora todos riram outra vez. Até parece que Bruno tinha ficado bravo de verdade. A menina apostava que o irmão só gostava de fazer pose, pros meninos se comportarem.
Não, talvez ele tivesse ficado irritado. É, aparentemente ele tinha sérios problemas com esse ciúmes de irmão mais velho.
"Está nada!"
"Ok, mais ou menos." Eles riram novamente.
tinha finalmente achado o estojo de maquiagem, e agora passava batom na frente do espelho. Então ouviu a voz de , que tinha acabado de pedir algo para beber.
Ela ainda não tinha falado com ninguém sobre o vídeo que tinha visto à tarde. Nem sabia o que falar. 'É que tinha uma câmera ali, e eu vi tudo o que você fez!'? Gritar com Bruno não iria resolver as coisas.
Mas talvez brincar com o ciúmes dele fosse algo interessante.
Três batidas na porta de seu quarto.
Mais tarde ela pensaria direito em como proceder. Afinal, o Natal já estava chegando, e ela não queria deixar um clima pesado naquela época.
"Não vem não, baixinha?"
Era .
"Já estou quase pronta, um minutinho!"
"Sei, sei."
Ela colocou o vestido e, depois de se contorcer para fechar o zíper, deu uma última olhada no espelho. Tudo certo.
"Viu como eu não demorei?" perguntou, saindo do quarto.
"Demorou sim!" teimou, ela deu um tapa em seu ombro e os dois riram. "Então vamos, atrasada?"
"Espera mais um pouquinho?" Ela pediu.
"Ah, vai logo..."
A menina correu para o banheiro. E descobriu que tinha uma 'surpresinha'. Abriu as gavetas à sua frente: nada. O armário? Nada. Ops...
Olhava em volta, quase esperando que um pacote de absorventes caísse do céu. E então lembrou do armário em cima da pia! Era sua última esperança.
Muito bem, achou. Até tirou o salto para ir para o quarto sem fazer barulho, para terminar de se aprontar. Maldito imprevisto...
"Pronto." Ela chegou na sala um pouquinho depois.
"Você está linda. Se cuida!"
"Ta, ta." Ela abraçou e todos saíram do apartamento.

" ." disse seu nome ao segurança (que mais parecia um armário) e ele escreveu um "ok" ao lado do nome do garoto.
" Migliorini." Ela também lhe disse seu nome, e assim que ele sorriu e assentiu para ela, passou pela porta seguindo os meninos.
"Vamos?" perguntou.
Todos assentiram, e seguiram para o segundo andar, uma espécie de a área VIP, com muito mais espaço. Se sentaram em uma mesa de assentos acolchoados e logo chegou um rapaz com um bloquinho de papel em mãos, que deduziu ser o garçom, apesar de ele não estar vestindo algum tipo de uniforme.
"Matt!" o cumprimentou.
"Hey! Como vão as coisas?" Mas antes mesmo de responder, ele encontrou o olhar de , e abriu um sorriso. "Ora, ora, ora... E quem é que temos aqui?" Perguntou para os meninos.
"Ah, ela é a , ela... Mora perto da gente." respondeu.
"Prazer." Ele a cumprimentou, depositando um beijo em sua mão. "Eu sou o Matthew."
"Prazer." Ela sorriu, um pouco sem jeito, mas sem dúvidas contente com a atenção.
, que estava sentado ao seu lado, tossiu.
"Então, o que vão querer hoje? Mesmo de sempre?" Matt se endireitou.
"Sim." disse. "E uma capirinha para a madame." Ele sorriu para , que riu enquanto Matt se afastava.
"Como você sabia o que eu queria?"
"Um chute de sorte, eu acho. Bom, foi tudo o que você tomou no aniversário do , deduzi que fosse seu preferido."
"Deduziu certo."
Foi só então que ela notou a ausência de Jacqueline.
", sua Barbie não vem hoje?"
"Não, hoje não." Então ele franziu o cenho. "Não está faltando um anel na sua mão não?"
A menina analisou as duas mãos, fingindo pensar sobre a pergunta. "Não, parece tudo certo para mim."
"Está livre de novo, é?" fez uma cara maliciosa.
"Estou sim, por que? Está interessado?" retribuiu a expressão.
"Ui, é claro, que jeito melhor para comemorar que eu também terminei com minha namorada?" Ele respondeu, então os dois começaram a rir.
Normalmente a garota não percebia, mas dessa vez estava prestando atenção em dobro. Notou que fechou a cara com essa conversa dos dois. Será que ele ainda não tinha esquecido de ? Um pouco de esperança cresceu nela.
"Olha aquela loira ali?" cutucou uns quinze minutos depois, mas estava alto o suficiente para a mesa toda ouvir. "O que acha?"
"Acho que a dona Jac vai ganhar uns chifres..."
"Vai nessa, querido." disse.
E a esperança se foi ao que ele levantou e foi falar com a loira.

Não demorou para que tivesse muito mais gente naquele andar, assim como muito mais álcool no corpo deles todos. e estavam numa mesa ali por perto falando com algumas meninas, estava conversando com um amigo e tinha ido ao banheiro rapidamente, então ficou sozinha na mesa por algum tempo.
Pouco tempo, porque logo Matt aproveitou o momento.
"Mais uma bebida?" Ele perguntou, apontando para o copo vazio.
"Não precisa, obrigada."
"Me diga, como uma garota linda como você é abandonada por esses quatro bobões?" Ele se sentou no mesmo banco que ela, se aproximando. "Será que eles não sabem como tratar uma dama?"
"Então você sabe, é?"
"Bom, mais ou menos." Ele mordeu o lábio inferior.
Ela soltou uma risada.
"Mas o está logo ali." Ela apontou. "E daqui a pouco o está voltando do banheiro. Eles não me abandonaram por tanto tempo."
"Ah, é? Então acho que nós podemos aproveitar um pouco melhor esse tempo, não?" Matt se aproximou ainda mais, tanto que já podia sentir seu perfume - que, por sinal, era muito bom.
"Matt, eu..."
Apesar de Matt ser lindo, e agora estar solteira, ela não se sentia muito bem sobre aquilo.
"Matt?" chamou de longe, causando um alívio na garota.
"Acho que estão te chamando." sussurrou.
"E daí?" Ele riu, colocando uma mão na cintura da menina.
"Matt, cadê você?" chamou novamente, agora soando mais perto. "A dama aqui gostaria de uma bebida."
"Fica quietinha, quem sabe ele não me acha?" Matt sussurrou, fazendo a menina rir, apesar do nervosismo. Como diria a ele que ela na verdade queria que ele fosse atender ?
"Ah! Aí está você!" exclamou. "Er, ops! Nossa , você está rapidinha, não?"
Matt se virou devagar, e ficou olhando brava para .
"O que houve, ?"
"Uma das meninas daquela mesa estava querendo uma outra batida. Mas você me proibiu de entrar no bar da última vez que eu vim aqui."
Matt respirou fundo. "Preciso ir." E olhou triste para a menina. "Mas não se preocupe, nos falamos mais tarde." Ele piscou para ela. Com aqueles lindos olhos verdes.
E logo também chegou à mesa, e encontrou os dois se olhando bravos.
"Perdi alguma coisa?" Ele perguntou, se sentando onde Matt estava até pouco tempo atrás, entre os dois.
"Nada. Só sendo um idiota. Mas isso não é novidade."
"Seu irmão me mataria se ouvisse que deixamos você ficar com qualquer um."
"Foda-se o que o meu irmão pensa, a vida é minha, e não dele!" Ela respondeu brava.
"Okay." até ficou surpreso. Ele se afastou.
"O que houve, ?"
Ela sacudiu a cabeça.
"Nada não."
"Tem certeza? Você parece meio magoada hoje."
"Não é nada demais, problemas com o ex-namorado. Fazer o que, né."
"Se você quiser conversar sobre isso..."
"Não, na verdade eu prefiro é esquecer dele, sabe?" Ela ia pedir para ele ajudá-la a escolher algum ali no bar, mas foi interrompida.
"Você realmente gostava dele?" Ele perguntou.
"Como assim, ?"
"Bom, você sabe. Mais do que de ?"
"O que é que tem a ver com isso?" perguntou tentando disfarçar.
riu um pouquinho.
"Não adianta tentar me enganar, . Todo mundo vê que você e se gostam. E eu aposto que sei onde ele estava quando ele sumiu no dia da festa." Vendo ficar vermelha, ele gargalhou. "Eu sabia!"
"Pronto, está resolvido o problema do ." Matt se sentou do outro lado dela, interrompendo os dois. "E agora, onde nós estávamos..." Ele se aproximou dela novamente.
passou o braço pela cintura da garota e a puxou mais para perto dele.
"Eu sei onde isso termina, serve?" Ele disse em tom bravo.
"Hein?" Perguntou um Matt confuso.
olhou para , não querendo dizer mais nada que pudesse magoá-la. E se ela quisesse ficar com Matt? Deixou para a menina escolher o que falar.
Percebendo isso, olhou de volta para Matt.
"Eu tentei lhe dizer Matt, estou aqui com o ." Ela segurou a outra mão do garoto, entrelaçando seus dedos nos dele. "Lembra? Logo antes de o te chamar."
Agora era Matt quem havia ficado vermelho.
"Ah. Ok. Certo." Ele se afastou rapidamente.
Depois que Matt já estava bem longe, ela se virou para .
"Obrigada."
"Não foi nada." Ele deu um beijo em sua testa.
Depois de algum tempo - curto - de silêncio, a curiosidade de falou mais alto.
" também já sabe?"
"Ele desconfia, sim."
"Aaaaaai, que vergonha." Ela murmurou, escondendo o rosto no ombro dele.
"Não, não fica assim!" exclamou. "Não tem motivo!"
"Claro que tem , olha só essa situação toda!"
"Já sei o que podemos fazer. , você ac... Não, espera. Não vai dar."
"Como assim?"
"Nada não, precisamos de um plano melhor..."
"E qual era o anterior?"
"Bom, você gosta do . Eu gosto da Ju. Nós dois estamos sozinhos. A gente podia fazer um ciúmes neles, não acha?" Ele deu uma gargalhada diabólica, fazendo a menina rir.
"E por que é que não vai dar?"
"Bom, é que você acabou de terminar com seu namorado, e..."
"E estou de férias, não pretendo vê-lo tão cedo, e ele não precisa saber disso." sorriu. "Quero dizer, a gente já brigou, né? Não vamos voltar. Então acho que não tem problema não."
"Eba!" exclamou, como uma criança feliz, então os dois riram.

Capítulo 22

Era uma casa muito engraçada
não tinha teto não tinha nada
ninguém podia entrar nela não
porque na casa não tinha chão
ninguém podia dormir na rede
porque na casa não tinha parede

Que jeito melhor de acordar, senão com uma música infantil tocando num volume alto, e ainda com uma voz de criança cantando junto?
Ok, tinham muitos jeitos melhores. Vários, mesmo.
A primeira coisa que fez ao acordar foi se dirigir à sala de televisão e xingar o irmão mais novo. Por que diabos ele estava fazendo aquilo?
Parou quando viu a mãe arrastando alguns móveis na sala. Oi?!
"Mãe?"
"Oi? Ah, bom dia querida! Tudo bem com você? Dormiu bem?"
"Hm, sim. Tudo sim. O que você está fazendo?"
"Tirando os móveis do caminho, querida."
"Do caminho de que, exatamente?"
"O seu irmão não te contou?"
"Er, não..? O que era pra ele ter contado?"
"Ah. O seu pai está vindo para casa para o Natal."
arregalou os olhos.
"Para... Esta casa?"
"Sim, oras, qual outra?"
A dele?, ela pensou. Mas não disse nada. Seus pais estavam ficando próximos novamente, e não era ela quem ia atrapalhar aquilo.
"Hm, nenhuma. Que dia é hoje mesmo?"
"Dia 21, por quê?"
"21?! De dezembro?!"
"Não, de março." James disse ironicamente, chegando na sala.
"Ha ha."Ela fingiu uma risada, e foi pro quarto trocar de roupa.
Pegou uma bolsa grande e colocou somente a carteira dentro. Pegou uma maçã no pote de frutas na cozinha, e ao passar pela sala avisou que estava saindo, já tendo batido a porta antes que alguém respondesse.
Batia nervosamente na porta do apartamento dos meninos.
"O que você quer?" Foi quem atendeu, abrindo espaço para ela entrar.
"Que algum de vocês tire essa cara de sono do rosto e venha comigo ao shopping!"
"E por que diabos você quer ir no shopping agora, posso saber?" perguntou mal humorado.
"Porque eu preciso fazer minhas compras de Natal, caramba!"
"Você ainda não fez?" murmurou.
", meu querido..." começou pacientemente, mas o garoto levantou o braço.
"Não, espere. Pergunta idiota. Deixa quieto." Disse, rindo um pouco.
"É, foi mesmo." Ela deu mais uma mordida na maçã. "Certo, qual de vocês vai ser o lindo que vai fazer compras comigo?"
"Tanto faz, pode pegar até o meu carro se quiser, só me deixem dormir, por favor!" murmurou.
Uma porta no fim do corredor se abriu, e dela saiu , usando somente uma bermuda e com uma toalha em mãos, que ele passava pelo cabelo, tentando secá-lo.
"zinho..." abriu um sorriso malvado.
"O que tem eu?!" Ele parou no meio do corredor, com os olhos arregalados.
"Shhhh!" reclamou.
"Ele não dormiu nada nas últimas duas noites." sussurrou, tentando explicar o mau humor do amigo.
o pegou pela mão e foram para um quarto.
"Parabéns, você foi escolhido para me acompanhar nas minhas compras de Natal!"
"Oi?!"
"Vamos logo, por favor! Os meninos estão praticamente dormindo, e eu ainda não comprei nenhum presente!"
"Ok, ok. Mas como você pretende ir ao shopping, mocinha?"
"Com o meu lindo amiguinho de 18 anos e sua carteira de motorista!" Ela piscou os olhos, tentando imitar o gatinho de botas. "Ou de ônibus, é sempre uma opção."
"Gostei mais da primeira opção... Mas eu não tenho um carro."
"O disse que a gente podia usar o dele." Deu de ombros.
"Tem certeza?"
"Eu tenho certeza que ele disse, não sei se ele pensou antes disso."
riu.
"Certo, se ele disse... O problema é dele. Vou só colocar uma blusa."
Pra que blusa? Fica tão mais bonito assim... pensou, e conteve o sorriso.

Logo estavam no shopping. Tinha um ali pertinho, se eles fossem rápidos nas compras, talvez nem notasse o carro sumido. Afinal, os dois não o acordaram mais uma vez para perguntar se podiam mesmo pegar o carro. Ele já tinha dito que podia uma vez, e aquilo era o bastante.
"Certo, o que você está pensando em comprar?"
"Pra minha mãe... Acho que um livro? Ou uma roupa? Não sei, ela também disse que estava precisando de sapatos e... Olha que bolsa linda!"
"!" a puxou pela mão, antes que ela corresse para uma vitrine. "Foco. Presentes para os outros, e não para você."
"Ah." Ela fez biquinho.
"Você também vai ganhar presentes, relaxa." Ele riu.
"Certo, certo. Bom, meu irmão queria um jogo novo."
"De videogame?"
"Sim senhor."
"Certo, a maior loja de videogames desse shopping fica naquela direção." Ele apontou. "Vamos?"
Ela assentiu, e os dois saíram em direção à loja. Ainda de mãos dadas. Com a mão livre, fez uma lista no telefone, com as coisas que precisava comprar.
Foi riscando os itens da lista um por um, até que só faltavam os presentes dos seus quatro lindos novos vizinhos.
"Ai ai, cansei." sentou num banco perto do cinema - o primeiro que ela achou.
"Eu também." sentou ao seu lado.
"Bom, agora só faltam os presentes de vocês quatro. O que será que eu compro?"
"Hm... O gosta de ganhar roupas... O eu realmente não sei. Talvez esteja precisando de algo assim também. E o ... Bom, ele nunca negaria um CD."
"Tem uma loja de CDs ali." Ela apontou para o lado.
"É. Tem."
"Que preguiça de ir até lá..." murmurou, descansando a cabeça no ombro de .
"Sim. Bastante."
"E você? O que quer de Natal?"
"Não precisa de nada não."
"Chato. Estou com sede."
"Quer que eu vá ali comprar uma água?"
"Pode deixar que eu vou." se levantou.
Quando estava voltando, viu que uma moça estava falando com . Mas, ao se sentar novamente, ela já tinha ido embora.
"O que aquela moça queria?" Ela entregou uma garrafa de água na mão dele.
"Ela nos deu esses dois ingressos, pra uma sessão que começa daqui a pouco. O filho dela ligou e ela não podia ir assistir o filme ou algo assim."
"Mas... A gente ainda tem que comprar os presentes, e você ainda tem que me dar uma dica do que eu posso comprar pra você, e..."
"," Ele também se levantou e a puxou pela cintura, os aproximando. "Nós temos dois ingressos pra um filme de no máximo duas horas e a tarde toda pra comprarmos mais três presentes."
"Está bem, está bem. Mas são quatro presentes."
"Que nada." Ele se aproximou e a beijou, pegando a menina de surpresa. "Acabo de ganhar meu presente."
"Bobinho." Ela riu, lhe deu um selinho, e os dois seguiram para o cinema.

Foi somente no final da tarde, depois de almoçarem e comprarem mais três presentes - a beijava sempre que o perguntava o que ele queria ganhar -, que eles voltaram para o prédio.
"Ok, então nós demoramos um pouquinho mais do que o planejado..."
"Tudo bem, não vai ligar." deu de ombros.
"Assim espero!" Os dois riram. "E agora?" Ela perguntou, apertando sua mão. Os dois estavam andando de mãos dadas desde aquela manhã.
"E agora o que?"
"Bom, sobre nós. O que é que a gente faz?"
"Irrita o e a , oras."
"Como fazemos isso?" Ela perguntou, se virando de frente para ele ao chegarem ao terceiro andar.
"Assim, olha." Ele abriu a porta do apartamento 304, também conhecido como casa-do-.
Falando do diabo, ele estava ali na sala, e olhou para eles na hora. Os dois ali, de mãos dadas. Ótimo, pensou, irônica.
Mas, antes, estavam todos rindo ali dentro. Assim que a porta se abriu e viu aquela cena, ele tinha parado de rir, notou.
Ótimo, pensou. Sem ironia dessa vez.


Continua...

n/a/b: Ho ho ho, feliz natal! -qqq HAHA
Nossa, corri pra fazer esse capítulo viu! HAHA Mas me diverti (: (E, como eu corri aqui, desculpa se passou algum erro. É que eu queria deixar pra antes do Natal a att. Deve ter outra na semana entre o Natal e o Ano Novo, se Deus quiser õ/ HAHA)
Assim como antes, se alguém tiver alguma sugestão, digam digam HAHA
Sério mesmo, adoro os comentários de vocês. Demais demais demais HAHA comentem aí, o que acharam do capítulo? Hihi.
Eu deixei passar algum errinho? Avisa pra mim, pleeease? brucarmelli@gmail.com
Hm, minhas outras fics no site, se quiserem passar pra ler... HAHA
- Fifteen (Outros/Finalizada/Shortfic)
- Just The Way You Are (Outros/Finalizada/Shortfic)
- Dreams (McFLY/Em Andamento/Provavelmente Será Abandonada E Tirada Do Site)
Beijões :)