Opera's Lullaby
Opera's Lullaby


Opera's Lullaby

Escrita por: Mariana Pereira

Capítulo I

O som delicado dos violinos e o som grave do violoncelo já preenchiam os meus ouvidos através dos fones enormes que eu sempre usava nos ensaios. Bumbos deram a introdução que eu precisava. Pouco mais de alguns segundos, meus dedos deslizavam suaves pelas 88 teclas do piano de cauda da escola de música mais cara, tradicional e famosa de toda a Inglaterra. Eu praticamente nasci nessa escola. Minha mãe era uma pianista clássica e o instrumento que eu tocava tinha pertencido a ela. Presente de meu pai, um rico empresário, que sempre se orgulhou de sua filha cantora de ópera e pianista.
Meus pais me deram todos o suporte que eu precisava desde que nasci. Se fazia diferença ou não, eles não se importavam, mas o compositor alemão Beethoven sempre embalava meus sonos ainda na barriga de minha mãe. Carter Burwell era um de meus compositores modernos favorito. E era dele a canção que eu tocava naquele momento, antes de ser interrompida.
- Senhorita – disse o mordomo da escola – seu aluno acaba de chegar.
- Obrigada Joe – respondi suspirando.
- Por nada senhorita. A propósito, belíssima canção.
E com um aceno de cabeça, ele me deixou sozinha novamente na imensa sala. Aquela era a maior piada do mundo. Meu aluno. Um roqueirinho qualquer, metido a besta, convidado a participar de um programa idiota. Ele, que mal sabia cantar por si só em sua bandinha internacionalmente famosa, queria mostrar que tinha qualquer dom para cantar ópera. Se ele soubesse da disciplina que precisa ter para tal feito, jamais em sua estúpida vida teria aceitado participar de uma palhaçada dessas. Se não fosse por mamãe, eu não teria também concordado em dar aulas para essas pessoas. Mas depois de um pedido tão carinhoso, que honraria a memória de papai, como eu poderia recusar?
Fechei cuidadosamente a tampa do piano e me olhei no espelho. Eu era bem jovem, mas minha postura denunciava o contrário. Eu sabia me portar com o mais alto estilo. Bem, não era para menos. Uma pessoa formada na Royal Academy of Music de Londres não poderia se portar de forma diferente. Respirei fundo, encarando novamente a imagem refletida a minha frente e me virei, marchando firme em direção à porta. Que viesse o super roqueiro, aprender a cantar e a se comportar como uma pessoa de verdade.
Atravessei o imenso portal de madeira trabalhada e o encontrei olhando as mais diversas fotos de alunos que tinha por todas as paredes da recepção. A maioria eram fotos minhas em grandes concertos, fosse cantando ou tocando piano. Em algumas era possível ver meu pai nas poucas vezes antes de ele morrer em um trágico acidente de carro.
- Apresentação do dia 21 de novembro de 2005 – falei ao vê-lo observar uma foto em especial. – Royal Variety Performance. Apresentação da música I Feel Love para a Rainha da Inglaterra e toda a família real.
Ele pareceu se assustar, me encarando surpreso. Seu rosto corou levemente e ele sorriu. Estendeu a mão e me cumprimentou.
- Oi, eu sou , do McFLY.
- – respondi retribuindo o cumprimento. – Sua professora de ópera.
Ele arqueou levemente as sobrancelhas. De certo esperava uma velha chata, de cabelos brancos e que talvez tivesse um chicote nas mãos ou algo parecido. E não digo isso no sentido erótico, e sim muito severo. Não me dei ao trabalho de dizer nada, apenas virei e saí andando em direção à sala onde eu estava anteriormente. Ouvi seus tênis se chorarem contra o chão e ele logo estava ao meu lado, me seguindo como um cão fiel.
- E então – ele disse – você se formou aqui nessa escola?
olhava a sala com uma certa admiração. Ela era antiga e muito bonita, mas não tanto para os meus olhos. Eu já estava acostumada com o mistério e o glamour que se escondia por trás de suas delicadas pinturas.
- Na verdade, eu me formei na Royal Academy of Music. Ganhei uma bolsa de estudos lá quando completei 17 anos. Essa daqui foi apenas a minha primeira escola de piano.
- Vo-você ganhou uma bolsa? – ele indagou. – Uma bolsa integral?
- Sim – respondi simplesmente.
- Uau. Quero dizer, não é fácil de entrar em uma escola como essa. Ainda mais com bolsa.
- Ela não é uma escola – o corrigi educadamente. – É uma academia de arte. Diferente de uma escola. Escolas ensinam o básico de música. A academia te ensina tudo. Ou pelo menos grande parte do que você deveria saber antes de começar uma banda, independente do estilo de música que você pretende tocar.
Ele parecia um pouco perdido em meio à todas as informações e novidades que o reality show estava lhe trazendo. Por mais que eu tentasse, não era fácil encarar o fato de que um garotinho qualquer, mais novo do que eu por sinal, quisesse se meter no meu ramo da música. continuou a olhar por toda a extensão da sala até que seus olhos pararam em um enorme quadro atrás do piano de cauda.
- Quem são? – perguntou visivelmente interessado. – Aquela menina lembra você.
- Sou eu – respondi seca. – Eu e minha mãe quando ganhei meu primeiro prêmio como cantora clássica. Ela mandou transformarem a foto em uma pintura e colocou aqui na escola.
- Ela é dona daqui?
- Não, apenas uma grande aluna. Como eu.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, o suficiente para que ele digerisse a mensagem. Sim , eu sou uma aluna de honra aqui e você não vai estragar tudo, pensei. Abri novamente o piano e sentei em sua banqueta, como se fosse começar a tocar algum clássico. Apenas passei a mão levemente por cima do teclado e o encarei.
- Mostre-me o que você sabe fazer – ordenei.
- Oi? – ele questionou desconcertado.
- Mostre o que você sabe fazer, . Cante para mim!
- Mas cantar o quê?
Revirei os olhos impaciente e fui até a pequena mesa no canto da sala. Era impossível que ele não sabia cantar nem suas próprias músicas. Peguei as folhas que eu havia usado como rascunho da pesquisa que fiz sobre sua banda, McFLY, e escolhi uma música aleatoriamente.
- Point of View – respondi. – Quero que cante Point of View agora, sem preparação de voz. Vamos.
- Mas assim, sem violão, sem nada?
- , em um concerto, se o piano quebrar, se o violino estiver ruim, você vai ter que cantar do mesmo jeito – falei tentando manter a serenidade em minha voz. – Cante. Agora!
- Mas eu...
- Por favor, apenas cante.
Ele olhou para os lados, como se quisesse encontrar seus companheiros de banda e seu instrumento. Nada. Seria só ele e esse era o seu primeiro desafio. Se desmembrar do que o mundo o conhecia. Com a voz acanhada, ouvi as primeiras frases da música ganharem tom, um pouco desafinado pelo despreparo, mas ainda assim tolerável.
- Pare – falei e ele obedeceu de imediato. – Por que você ainda solta todo esse ar após a frase?
- Erm – procurou palavras para responder. – Acho que porque eu ainda tenho ar, certo?
- Errado – respondi e me aproximei. Arrumei sua postura e ele ficou ainda mais surpreso. – Se tem ar, é porque você não o usou por completo. É porque a sua voz ainda tem muito a alcançar e pode ir muito mais além desse pouco que você a usa. E então, por que você ainda solta todo ar após cada frase?
- Você acabou de dizer. Porque eu não uso toda a minha voz, certo?
- Errado – falei novamente. – Não foi por que eu falei! Você se convenceu disso?
parecia mais perdido do que um cãozinho abandonado na estrada. Não bastava eu lhe dizer seus erros. Ele tinha que assumir onde estava ou jamais faria diferente. Ele tinha que, primeiro, se conscientizar.
- Acho que me convenci – ele respondeu baixo. – Quero dizer, faz sentido, não?
- Todo.
- Então. Se ainda tem ar sobrando...
- Exato. Se ainda tem ar sobrando, vamos ter que acabar com todo esse ar – falei pegando outros papéis. – Me diga , o que faz você ficar sem ar?
- Hum, gritar, rir muito – o divertimento se espalhou por seu rosto enquanto ele pensava – correr, jogar futebol, sexo. É, sexo me deixa muito sem ar.
- Tudo bem – eu o interrompi. – Até a parte do futebol estava bom, não precisava completar.
Entreguei-lhe as folhas com a letra da música destinada a ele e fiz algumas anotações na minha página.
- Já está judiando do nosso aluno, ? – perguntou Rolando Villazon entrando na sala com seu ar debochado e engraçado.
Rolando era um compositor mexicano muito educado, também de boa formação. Não era a primeira vez que trabalhávamos juntos e eu estava animada em tê-lo novamente ao meu lado. Eu era admiradora de sua voz, além de seu caráter e todo seu conhecimento. Por termos um nível razoavelmente elevado de intimidade, mas com limites é claro, ele se aproximou e me deu um rápido abraço.
- Você sabe que eu não faço nada que não seja preciso, Rolando – respondi sorrindo.
- Claro, minha querida. Você deve ser , acertei? – ele se dirigiu ao cantor.
- Sim, acho que sou.
- Perfeito – Rolando juntou-se a mim de um lado do piano e dissemos a que ficasse do outro.
- Bom, você quer ouvir o que terá que interpretar nesta semana? – perguntei mexendo no pequeno rádio que o mordomo havia trazido.
- Acho que sim – ele respondeu inseguro.
A voz de Luciano Pavarotti invadiu a sala e tanto eu quanto Rolando esboçamos um sorriso. Era sempre um prazer ouvir um de nossos mestres cantar com tanta destreza e classe.
- Meu Deus, esse serei eu? – perguntou inseguro.
- É o que esperamos, meu caro – respondeu Rolando.
Parei a música e voltei a encarar o roqueiro a minha frente que parecia prestes a desmaiar.
- – falei serena – benvindo ao Popstar to Operastar!


Capítulo II

Ele não tinha sido o que se pode chamar de “fracasso apocalíptico”. foi, aos poucos, perdendo o medo de cantar para nós. Aparentemente ele se sentia mais confiante quando Rolando estava por perto.
- Você é muito severa com ele – disse o tenor mexicano.
- Não é bem assim, meu amigo – respondi anotando algumas notas em minha nova composição. – tem um potencial grande, mas se você passar as mãos na cabeça dele o tempo todo, ele não o desenvolverá. Tente ser mais sério e você vai perceber o que estou falando, sim?
- Como pode uma criatura tão doce como você ser tão mandona?
Mal notei que ele havia se aproximado e que sua mão deslizava furtivamente por meu rosto. O que ele pensava que estava fazendo? O encarei mais séria do que nunca, tentando dizer apenas com os olhos que se afastasse e tirasse suas mãos de mim.
- Isso se dá – falei me afastando – pela disciplina e pelo respeito que devemos conquistar em um mundo tão clássico e tão delicado, Rolando.
- , desse jeito você nunca vai encontrar alguém para dividir suas notas com você – ele caçoou. As piadinhas infames que ele fazia eram, de longe, a pior parte de trabalhar com ele.
- Erm... oi – disse da porta, me olhando curioso.
- Olá – respondi indicando para que entrasse. Teríamos muito trabalho para o segundo dia de ensaio. – Hoje vão deixar uma câmera aqui, filmando nosso progresso. Apenas ignore-a.
Ele riu divertido com o meu conselho e eu o olhei.
- Bem – disse – ignorar as câmeras é o que eu mais faço ultimamente. Isso não será difícil.
- Primeiro podemos fazer aquele vídeo de apresentação que nós falamos, senhorita Pereira? – perguntou o rapaz que segurava a câmera.
Respirei fundo. Eles deviam ter feito isso antes, não? Ocupariam o horário dos ensaios para gravar um vídeo de cada participante? Isso demoraria anos para acabar.
- Fiquem à vontade – respondi sem olhar, voltando a cuidar de minha nova música.
Ignorei todas as instruções que eram passadas a , mantendo assim toda a atenção no que estava fazendo. Rolando desapareceu, mas isso pouco me importava. Por mais que fôssemos amigos, quando ele se esquecia que não era nada além disso e bancava o engraçadinho, era melhor mesmo que sumisse de perto por alguns minutos. Dei uma olhada rápida para ver o que estava acontecendo bem na minha frente e me deparei com um pouco nervoso, repassando em voz baixa o que deveria dizer.
- Apenas seja você mesmo – falei e o vi olhar em minha direção. – Não adianta decorar, diga quem você é e todos entenderão.
Ele não teve tempo de agradecer. Logo a produção do acendeu as luzes e ele deveria começar a falar assim que obtivesse o sinal.
- Sou , do McFLY. Estou no McFLY há seis anos. Sete músicas número um, dois álbuns numero um, ganhei um Brit Award. Eu não sei muito sobre ópera – ele disse sincero. – Estou acostumado a tocar e cantar com a banda. Tire seus melhores amigos de você, seu instrumento de você, que é como perder uma parte do seu corpo. Me sinto pelado!
Ele se saiu bem, de certa forma. A banda parecia ser mesmo muito importante em sua vida de roqueiro feliz. Mal notei que eu o olhava sorrindo e que ele retribuía o olhar um pouco envergonhado. Senti meu rosto corar quando me dei conta do que estava acontecendo.
- Senhorita – disse o rapaz que estava conosco na sala – gostaria de gravar seu depoimento agora?
- Melhor – respondi ocupando a banqueta do piano. – Assim não teremos mais interrupções, certo?
Respirei fundo em meu rotineiro ritual antes de ser filmada. Arrume a respiração, concentre-se, fale serenamente. Esses eram os principais ensinamentos de uma de minhas mais severas e reconhecidas professoras. Foi com ela que aprendi grande parte do meu comportamento sério e sereno. Quando a luz vermelha da câmera começou a piscar, encarei a lente e disse o que eu achava.
- O tem uma voz muito rock ‘n roll, completamente diferente do que é necessário para a ópera. E esperamos que ele possa trabalhar para acertar esse tipo de coisa.
Fiz um sinal mostrando que minha parte terminava ali e voltei a me posicionar ao lado do piano. As câmeras continuariam nos cercando, mas eu devia fingir que nada estava acontecendo. Rolando não tinha voltado até o presente momento, então eu simplesmente o deixei de lado e comecei o treinamento com .
- Vou cantar em italiano? – perguntou ele assustado.
- Não é uma língua difícil – respondi. – Você vai pegar a letra rápido, não se preocupe.
Coloquei pela última vez a música para tocar no rádio e pedi que Jenny, nossa pianista, ocupasse seu lugar.
- Eu vou te acompanhar com movimentos de braço. Preste atenção e veja quando você precisa dar entonação para a música.
- Oh Deus, isso é mais difícil do que parece – disse ele tentando ainda entender o que dizia o papel a sua frente.
- Isso é ópera, – falei olhando para Jenny e indicando que começasse. – Vamos lá, começando.
Uma vez, duas, três, quatro e eu já estava crente que não sairíamos dali nunca. Ele se prendeu à letra, mas seu jeito de cantar não mudava. Estávamos na quinta tentativa e até então, tudo corria como deveria ter sido desde o princípio. Sua voz era grave, tinha potencial para subir alguns tons. E então, quando estávamos no final...
- AH! – eu disse ao ouvir o ar sair de sua boca novamente. Fui até ele e apertei, por impulso, levemente seu pescoço.
- Ah, merda. Errado , errado! – disse ele passando as mãos pelo rosto.
- Você se lembra do que eu disse? – perguntei e ele me olhou confuso – Se você tem ar o suficiente para fazer esse “ah” no final, então você não está usando todo o ar que você tem! Você poderia ter segurado por mais tempo.
- Ah é, ok – disse ele memorizando o ensinamento. – Meu Deus, eu sou tão ruim nisso. Eu vou conseguir, eu vou conseguir.
- Certo – respondi achando graça em seu esforço. – Tudo bem, vamos lá.
Ele estava progredindo, mas era fato que ainda precisaria de muito treino. Seu horário de ensaio havia terminado, a pianista havia saído, mas continuávamos ali, nós dois, ele cantando e eu tocando. estava decidido a fazer aquilo direito e eu tinha aceitado o desafio de transformá-lo em um cantor de óperas, não tinha? O jeito como ele estava encarando o desafio me deixava animada. Eu não instruiria todos os participantes, o que me levou a crer que àquela altura do campeonato, Rolando tinha ensaiado outras pessoas em outra sala. Mas nós dois continuávamos ali, firmes e fortes, na luta constante pela melhora da música.
- Melhor pararmos por hoje – eu disse tocando a última nota no piano. – Amanhã você estará sem voz e nosso esforço não terá valido de nada.
bebeu um gole de sua garrafa de água, trazida por Jenny. Eu encarava o piano, pensativa, mas sem ao menos me dar ao trabalho de me concentrar em meus pensamentos.
- Você estava tocando uma música quando eu cheguei – ele falou depois de longos segundos de silêncio puro. – Qual era?
- Ah, você ouviu? Era The Meadow, de Alexandre Michel Gerard Desplat, um compositor francês muito bem conceituado. Essa música está na trilha sonora do filme Lua Nova.
- Lua Nova – ele repetiu pensativo. – Toca para mim?
Ele me pegou de surpresa com tamanha ousadia. Nunca ninguém havia pedido antes para que eu tocasse uma música, exceto minha família. Por conta de minha fama, as pessoas apenas esperavam, ansiosas ou não, que eu escolhesse a música e tocasse de acordo com a minha vontade. Fora isso, ninguém jamais tinha se dado a tamanho atrevimento.
Ajeitei-me no piano, tentando afastar de mim o desconforto que preenchia meu corpo. Meus dedos voltaram a deslizar pelas teclas brancas e pretas, entoando notas e dando a o som que ele queria. As cordas do piano de cauda vibravam e a música se formava. Notas perfeitas, dignas de Alexandre Desplat, notas dignas de prêmios que ele conquistara. Por mais concentrada que eu estivesse, podia sentir os olhos de sair de minhas mãos e fitarem meu rosto, depois novamente minhas mãos. Nos conhecíamos há algumas semanas, devido aos contratos e às reuniões que a produção do Popstar to Operastar fazia. Mas os últimos dois dias que tínhamos convivido trouxeram consigo sensações estranhas e que eu jamais havia sentido verdadeiramente por alguém.
continuava a me encarar, observando atento a todos os meus movimentos. Era minha música favorita de tocar em todos os tempos e eu me sentia diferente por tocar para alguém que não eu mesma. Senti meus dedos tremerem a medida que a música foi chegando ao fim. Rápida, lenta, com intervalos e profunda. Era assim que eu definia The Meadow. E a última nota fez com que a sala caísse no mais profundo e agoniante silêncio.
- Quero aprender a tocar – disse ele com sua voz levemente sedutora.
- Não é fácil – respondi tirando as mãos do teclado. – E você tem muito no que se concentrar até o final da competição.
Ele sentou-se ao meu lado na banqueta e dedilhou algumas notas sem sentido.
- Você acha que eu consigo? – perguntou inseguro. – Quero dizer, você é uma grande cantora, pianista, Rolando também. Mas e eu, ? Sou apenas um rockstar que mal sabe usar todo o ar que tem.
- Não diga uma besteira dessas – falei rindo. – Você tem potencial, . Só não tem disciplina e concentração. E isso é o fundamental.
- Eu gostei da música – suas mão encontrou a minha e a colocou em cima do teclado. – Toca de novo? Por favor?
O encontro de nossas peles me fez arrepiar. Olhei em seus olhos, tão profundos e inocentes nesse mundo tão severo. Sentei-me mais próxima dele, sentindo nossas pernas se tocarem. - Você quer aprender, não é? – perguntei pegando sua mão esquerda.
Para alcançá-la, fiz o movimento mais ousado que havia feito até então. Por iniciativa minha, claro. Namorados, enquanto estiveram por perto, nunca se queixaram. Passei todo o meu braço pela frente de seu corpo, ficando com meu ombro esquerdo perto de seu queixo. Peguei sua mão e a coloquei sobre as teclas do piano.
- Quero – ele sussurrou em meu ouvido.
Ensinei-lhe a parte fácil, que eram os acordes. Eram movimentos repetidos, então ele não teria problemas em tocar pelo menos o começo. Senti sua mão direita em minha cintura, acariciando vez ou outra, mas sempre ali. Contei com ele e começamos a música juntos, cada um em seu ritmo e espaço no piano. Estávamos em sintonia, inacreditavelmente não erramos nenhuma nota. sabia ler a partitura que estava na nossa frente e o fazia com destreza. Enquanto uma de suas mãos dava o ritmo de nossa música, a outra permanecia firme em minha cintura, não deixando que eu me afastasse um milímetro sequer. Pousei minha mão livre em sua perna, acariciando seu joelho.
- Você já conhecia essa música – falei baixo, encarando minha mão sobre o piano quando tocamos a última linha.
- Não, não conhecia – ele me assegurou. – Mas fiz questão de aprender rápido pelo menos o ritmo, porque eu sei que é com essa música que eu vou dormir hoje à noite.
Nos encaramos. Eu sentia a respiração de próxima à minha boca, me dando um desejo incontrolável de sentir seus lábios nos meus. Mas quando eu achei que não tinha como isso ser evitado, ouvi a voz de Rolando nos corredores. Levantei rápido, deixando desconcertado no piano.
- Meu Deus, vocês ainda estão aqui – disse ele rindo. – Ensaiaram a tarde toda? Ele é tão ruim assim, ?
- Não, meu amigo – respondi forçando um sorriso. – Só é mais aplicado do que eu imaginei. Olhei pelo canto de meus olhos e me despedi de ambos. Peguei todas as minhas coisas e saí, deixando-os para trás, correndo até meu carro e fugindo dali o mais depressa que eu podia.


Capítulo III

Estávamos no meio da semana e a primeira apresentação do Popstar to Operastar aconteceria dali a dois dias. A correria começava a tomar conta de tudo, assim como o medo dos participantes, a ansiedade dos fãs e a sensação de primeira semana de dever cumprido dos professores. Os cantores que ainda não tinham acertado o tom teriam poucos dias para fazê-lo, e os que já haviam acertado não poderiam perder o ritmo.
- Eu não entendo por quê colocaram ela para cantar – eu falava baixo com Rolando enquanto aguardávamos voltar do banheiro. – A Vanessa é muito ruim, duvido que dure muito no programa.
- Eu sei, mas o que poderíamos fazer? – ele indagou tão inconformado quanto eu. – Ela é boa para cantar naquela bandinha dela, não para se aventurar no mundo da ópera.
- Pronto – disse retornando à sala. – Podemos continuar agora!
Evitei ficar sozinha com ele por mais do que alguns minutos. Depois do que havia acontecido no dia anterior, eu temia o que poderíamos aprontar em cima de um piano. Certamente temia, mas não deixava de imaginar. Era como se aqueles dias não fizessem parte da minha vida. Era como se eu quisesse, mais do que qualquer coisa, que ele me possuísse assim que nos encontrássemos. Pensamentos que eu jamais havia tido em tamanha intensidade.
- Senhor Rolando – disse a moça da recepção – Bernie já chegou e espera pelo senhor na sala três.
- Oh – falei assustada – você nos deixará, meu amigo?
notou o tremor em minha voz e um sorriso se formou nos cantos de seus lábios perfeitos.
- Não morra de saudades, – disse Rolando. – Voltarei amanhã, mas com certeza para ensaiar Vanessa. Você ficará novamente nas mãos do nosso amigo aqui, mas ele se comportará e ensaiará como um bom cantor de ópera. Não é ?
- Com certeza – ele respondeu olhando em meus olhos.
Estávamos novamente sozinhos. Engoli em seco, sentindo minha garganta queimar. Ela queimava de medo, de ansiedade e de desejo.
- Jenny, pode tirar umas duas horas de folga – percebi que eu falava, mas não sabia como e nem por quê. – Eu cuido do piano agora.
e eu não nos olhamos enquanto a menina se retirava e encostava a porta. Ouvi um barulho fraco, vindo da fechadura e só então constatei que estávamos trancados ali. Me preparei para tocar a música que estávamos ensaiando há dois dias e senti o corpo de tocar minhas costas. Estremeci.
- Não quero mais ensaiar – ele disse baixo no meu ouvido. – Antes quero te mostrar uma coisa que eu aprendi com uma professora muito especial.
Depois de morder levemente minha orelha, ele sentou ao meu lado no piano. Dei mais espaço e fiquei apenas observando. colocou suas mãos sobre as teclas e com maestria, tocou The Meadow.
- Como você aprendeu tão rápido? – perguntei um pouco espantada.
- Sou músico, tenho um piano em casa – ele respondeu virando seu corpo lentamente e ficando de frente para mim e apontou para seu próprio rosto. – Está vendo essas olheiras? São dessa noite que eu não dormi, ensaiando, tocando até meus dedos arderem. Só para te mostrar que eu também sei fazer coisas bonitas.
- Nunca duvidei que você soubesse – falei sentindo os lábios de tocarem levemente os meus. – Eu sei do que você é capaz, .
- Ah sabe, senhorita Pereira? – suas mãos subiam por minhas coxas, levando junto meu vestido verde claro. – O que mais você sabe sobre mim?
Tentei controlar minha respiração o máximo que pude, mas com ele beijando meu pescoço não era fácil.
- Sei que você tem namorada e que ela estará na sua primeira apresentação de ópera – e ele parou.
- Andou pesquisando o lado negro da minha vida? – perguntou levantando-se da banqueta. – Vamos, sabe mais o que sobre mim?
- Sei que você pega suas fãs quando viaja, sei que elas contam vantagem depois e você não liga – falei séria, também me levantando. – Sei que você enche a cara quando sai com os seus amigos, sei que você leva para a cama o primeiro par de pernas femininas que passar na sua frente.
- O que mais?
- Sei que você não ama de verdade, que hoje pega e amanhã larga, sei que você, apesar de ter uma banda de sucesso, não é nada – continuei, com ele chegando cada vez mais perto. - Por que você me odeia? – perguntou furioso.
- Eu não odeio você exatamente – respondi andando para trás a medida que ele se aproximava. – Odeio seu jeito de ver a música, odeio a forma pretensiosa com que você fala, odeio sua risada quando ouve um clássico de ópera. Odeio como você não leva nada a sério, .
- Não é verdade – ele gritou. – Eu entrei nisso aqui porque eu adoro música, porque eu quero aprender. Entrei nessa merda toda porque eu vi que você seria minha instrutora. Entrei nessa coisa ridícula de reality show porque você e a música era tudo o que eu precisava. E eu queria as duas juntas.
Encostei no piano e ficou parado. Poucos sentímetros nos separavam e eu não sabia o que ele esperava para me pegar ali. Céus, ele era tudo de ruim que eu havia dito e ainda assim, eu o queria dentro de mim.
- Você mente e nem percebe – falei baixo encarando seus olhos.
Eu estava insegura com toda aquela aproximação e com o tom desafiador que ele fazia questão de manter em sua voz rouca, doce, ao mesmo tempo grave e sedutora.
- O que eu te faço sentir, ?
Não respondi. Me arrepiei e senti meu coração bater tão rápido que eu jurava que pudesse ouvi-lo a metros de distância.
- Você precisa aprender quem manda aqui – ele disse pegando minha cintura com força. – O que eu te faço sentir? Responda!
Eu tremia da cabeça aos pés. Nossos corpos completamente colados, nossas respirações misturadas. O cheiro dele invadindo meu nariz de uma forma deliciosa. Não o cheiro de perfume, mas o cheiro de homem. Seu hálito de canela batendo contra a minha boca sedenta por seu beijo.
- Desejo, – falei baixo encarando seus lábios – medo e tesão.
Ele sorriu. Levantava meu vestido enquanto continuava com a sessão de tortura, me matando lentamente.
- Quem manda aqui?
- Você.
- O que você quer que eu faça agora?
Parei de respirar. Ele massageava meus seios agora descobertos. Minha roupa estava amassada, escondendo apenas minha barriga. Nunca mais usarei um vestido tomara que caia perto dele. me pressionava contra o piano e eu podia sentir sua excitação claramente. Aquela calça devia estava incomodando.
- Me coma!
A cara de safistação dele me tirou do sério. Mas ao mesmo tempo, eu queria tanto aquele maldito roqueiro que não tive reação. Ele me soltou lentamente enquanto beijava e chupava meus seios.
- Feche o piano – ele disse sério.
Ameacei arrumar meu vestido, mas ele apenas acabou de tirá-lo. Me obrigou a dar a volta pelo enorme piano de cauda apenas de calcinha, me olhando de cima a baixo. Fechei a tampa e tudo o que tínhamos era uma enorme mesa preta. deu a volta e parou atrás de mim. Arranhou minhas costas, fazendo com que todos os sentidos do meu corpo se aguçassem. Me virou de frente e em um golpe só, me botou sentada em cima do piano.
Não sei como ele o fez, mas em um segundo eu estava no chão e no segundo seguinte, eu estava deitada sobre o piano, com sem camisa em cima de mim, beijando meu pescoço com voracidade. Ele pressionava seu membro rígido, mas ainda protegido pela calça, que eu logo fiz questão de dar um jeito. Tirei-a lentamente, fazendo ele resmungar e gemer frustrado.
- Você precisa de mim – ele disse enquanto distrubuía beijos e mordidas por minha barriga. – Diga o quanto.
- Preciso de você como um coração precisa de uma batida – falei gemendo ao sentir sua língua tocar minha intimidade recém descoberta pela calcinha, a essa hora jogada em algum canto.
Tem certos momentos que dizer a coisa certa pode ser mais recompensador do que a verdade. era PHD em sexo oral e eu pensei que fosse morrer, tamanho o prazer que eu sentira. Mas aquilo não foi nada comparada à sua penetração surpresa, forte e firme, que quase me arrancou o juízo de vez. Gemi alto pela dor e pelo susto.
- Não reclame – disse ele dando um tempo para que eu me recuperasse. – Não é a sua primera vez. Talvez a melhor, mas não primeira.
Apenas sorri e fechei os olhos. retomou seus movimentos enquanto beijava meu pescoço. Pouco tempo depois, meu colo foi tomado por seus lábios famintos, seguido de meus seios vermelhos de tanto que ele os apertava e sugava. Eu o tinha em mim agora e poderia viver o resto de meus dias assim, com por cima, me dando mais prazer do que eu jamais sentira em toda a minha vida. Perdi as contas de quantos orgasmos eu tive.
- Eu não vou mais aguentar – ele disse suado, vermelho e ofegante. – , eu preciso gozar.
Beijei seus lábios e mordi com um pouco mais de força. Ele gemeu em meio a uma risada.
- Então relaxe e curta, porque eu tô aproveitando aqui há horas!
A descoberta de uma forma mais divertida fez com que ele se distraísse. Senti seu membro pulsar dentro mim e gozou entre suspiros e gemidos de satisfação. Seu corpo caiu pesadamente em cima de mim e ele escondeu seu rosto em meu pescoço. Nos acariciávamos sem malícia, já que toda que tínhamos, havíamos gastado em sexo selvagem em cima de um piano.
- O que você quis dizer com aquele “eu tô aproveitando há horas”, hein? – ele perguntou enquanto eu fazia cafuné em sua cabeça.
- Ué, eu já gozei faz tempo e várias vezes – respondi rindo.
me olhou indignado e sentou no piano, ficando entre minhas pernas. Meu corpo estava mole e eu não queria levantar.
- Você não me avisou!
- Claro que não – falei puxando ele de volta. – Se eu falasse, você se acharia o melhor e o rendimento cairia!
Foi a vez dele de rir, me beijando em seguida.
- Quantas vezes? – perguntou enquanto mordia meus lábios de uma forma gostosa.
- Não interessa – respondi rolando os olhos. – Agora sai de cima de mim porque eu tenho que ir para casa. Não quero nem imaginar que horas são.
- Ah é assim? Usa e joga fora?
- Vai reclamar? – empurrei-o para o lado e desci do piano. Me olhei no espelho. Minha maquiagem borrada, meus cabelos bagunçado e meu corpo todo vermelho, com marcas em pontos estratégicos.
- Mandei bem, né? – disse me olhando e rindo.
- Vou te processar por atentado – reclamei me vestindo. – Inferno, cadê minha calcinha?
- Essa? – quando me virei, ele estava vestido e segurava a última peça em suas mãos.
- A própria. , me dá!
- Não – ele respondeu levantando-a ainda mais alto. Vou levar para a minha casa e esconder. Você vai ter que ir buscar se quiser.
Antes que eu pudesse responder, fui puxada para um beijo ardente. Se não fosse por uma batida na porta, seguida de um aviso de que a escola estava fechando, teríamos recomeçado. Me recompus e saí na frente, dando ordens para que ele aparecesse mais cedo no dia seguinte. Teríamos uma sessão de relaxamento muito intensa e importante.


Capítulo IV

Acordei naquela quinta feira me sentindo completamente estranha. Certo, isso não estava indo bem. Eu tinha feito sexo com um aluno na noite anterior. Que espécie de pessoa sou eu que faz sexo casual com alguém em cima de um piano? Era inegável o fato de que eu tinha acordado mais relaxada do que de costume. Me estiquei em minha cama e assustei ao sentir algo ao meu lado. Eu estava achando a situação tão esquisita que por um momento, o travesseiro que estava largado ali me pareceu um corpo. O corpo de .
Ri sozinha de minha confusão e tomei um demorado banho em minha banheira. Céus, como eu havia ganhado coisas desde que me tornei uma das mais importantes vozes clássicas do Reino Unido. Uma delas foi esse apartamento imenso, presente dos Príncipes William e Harry, na tentativa de me convencer a casar com o herdeiro mais novo do trono britânico. Faça-me o favor, não é? Só caso com ele se eu quiser ficar conhecida como “a princesa com os maiores chifres da história”. Como ainda não descobri essa vocação em mim, apenas aceitei o presente e agradeci como uma lady deve fazer. Uma reverência, um sorriso e tchau!
Em todos os meus aniversários ele insiste em mandar um buquê enorme de flores, acompanhado de mais algum mimo como uma jóia. Mas vai continuar mandando até falir, se a intenção por trás desses presentes for casar comigo. Não dessa vez, alteza! Eu teria que provar minha roupa para a primeira apresentação do Popstar to Operastar, que seria no dia seguinte. Meu estilista adorável disse que separaria alguns modelos para mim e eu apenas teria que escolher.
Terminei meu banho relaxante, me vesti como sempre, o que significa impecável, e fui para uma das mais cara lojas de Londres. Se eu me preocupava com o preço? Nunca. Geralmente eu ganhava os vestidos por aparecer com eles em eventos da alta sociedade, mas quando não era possível quebrar o orçamento da loja dando uma peça caríssima de presente, eu pagava apenas a metade do preço. As vendedoras, na ânsia de saírem bem nas fotos comigo, se propunham a pagar um vestido que custava quase o seu salário todo. Eu me sentia mal, mas Joseph, meu estilista, pegava as roupas antes que eu pudesse dizer algo e me arrastava para longe da loja.
Escolhi um longo vermelho, mas não um vermelho discreto. Um belo tomara que caia, levemente colado ao meu corpo. Minhas sandálias pratas com os acessórios da mesma cor, presentes do Príncipe, claro, me dariam o visual mais do que perfeito para a noite de estréia dos cantores pops no meu mundo.
- Você já sabe a maquiagem e o penteado que vai querer? – perguntou Joseph guardando o vestido em seu carro. Ele o levaria para a ITV1 no dia seguinte.
- O mesmo de sempre, meu querido – respondi sorrindo. – Essa é minha marca, não é?
Nos despedimos entre abraços e beijos na bochecha e fui encontrar minha mãe para almoçarmos. Os ensaios começariam mais cedo e eu não teria tempo para ir até a casa dela, almoçar e voltar. Como quinta-feira era nosso “almoço de garotas”, combinamos em um restaurante próximo aos estúdios, assim eu poderia comer tranquilamente. Conversamos e rimos até uma imagem me incomodar. e sua namorada conversando com o maitre do restaurante lotado. Ele me viu, me cumprimentou com um aceno de cabeça e foi embora. Não havia lugar para eles. Mas em minha mente, não havia lugar para nós duas.
Depois do tempo agradável com minha mãe, me dirigi para a escola de música. Ao chegar, vi Rolando conversando com Kym, Marcella e Vanessa. Estavam todos ansiosos e amedrontados. Cumprimentei-os com um de meus melhores sorrisos. Meu aluno não tinha chegado ainda, então aproveitei para acompanhar as aulas de piano de algumas garotinhas. Elas ficaram surpresas ao me ver e até correram para tirar fotos. Uns amores. Estavam tocando incrivelmente bem, mas não me surpreendi. Os professores daquela escola costumavam ser rigorosos. Arrumei minhas coisas na rotineira sala de ensaios e ri ao ver o piano ainda fechado. Abri a tampa e deixei que seu som saísse livremente à medida que eu tocava distraída.
- Eu acho tão bonito quando você toca – disse Vanessa me olhando da porta.
- Obrigada – respondi simpática. – Anos de estudos, ensaios.
- Eu imagino. Ah, oi !
Ele apareceu na porta, beijou-a no rosto e veio em minha direção. Parecia alegre e sorria muito. Cantarolava alguma música que não era do meu mundo.
- Sorry for the things that I did not say like how you are the best thing in my world (desculpe pelas coisa que eu não disse, como você é a melhor coisa no meu mundo) – senti seus lábios beijarem carinhosamente minha bochecha. - And how I'm so proud to call you my girl (e como estou orgulhoso de te chamar de minha garota).
- Meu Deus – falei entre risos – como você tem coragem de entrar nessa escola, para uma aula comigo e cantando esse tipo de música?
Vanessa ria, mas foi chamada por Rolando. Os ensaios não estavam dando grandes resultados e ele parecia furioso com ela. Assim que a porta se fechou, se lançou contra mim e me beijou.
- Esse é o tipo de música do meu mundo, – ele disse irônico.
Levantei da banqueta do piano e o obriguei a sentar.
- I'll be the reason for your pain (eu serei a razão do seu sofrimento) – cantei baixinho e mordi a orelha dele, causando-lhe arrepios – and you can put the blame on me (e você pode colocar a culpa em mim)!
Deixei-o entre bufadas e gemidos frustrados e fui chamar Jenny. não podia perder o ritmo da música e precisava, a todo custo, ensaiar. Ele estava indo muito bem, mas eu temia que ele perdesse a postura, esquecesse tudo. Jenny entrou, mudando toda a atmosfera entre nós. De brincalhões e sorridentes, passamos a sérios e concentrados. Eu estava bebendo água quando a pianista soltou a pior pergunta que poderia.
- , você disse que precisava de uma sessão de relaxamento. Vocês vão fazer isso hoje?
Esquecendo toda a minha classe, cuspi a água que estava em minha boca. Encarei os papéis molhados à minha frente e a cara confusa de Jenny fez rir mais do que o normal.
- Calma – disse ele. – É só uma sessão de relaxamento vocal. Não é como se fôssemos fazer sexo casual ou algo do tipo.
Tentei responder, mas acabei engasgando e tive uma crise de tosse. correu e me deu tapinhas leves nas costas enquanto eu ficava vermelha de vergonha e de tanto tossir. Respirei fundo e pedi para Jenny continuar, ignorando sua pergunta infame. As lágrimas escorriam pelo meu rosto e tentava não rir. Conseguimos todos nos recuperar até uma visita nada agradável aparecer.
- Olá para vocês – disse uma moça morena, interrompendo nosso ensaio sem o mínimo de educação. – Senhor , que honra encontra-lo por aqui.
- Ah, oi – respondeu ele incerto e me olhou.
- Essa é Myleene Klass, apresentadora do programa – respondi séria. – Agradecemos sua visita, mas estamos ensaiando.
- Oh minha querida – aquele projeto de gente insistia em continuar ali – não vou tomar seu aluno de você. Não agora.
E com uma piscadela, Myleene saiu, deixando todos ligeiramente confusos.
- Jenny, o ensaio acabou – falei olhando a pianista. – Pode ir para casa, já estamos terminando mesmo.
Ela agradeceu e se retirou. a acompanhou e fechou a porta, como no dia anterior. Não demorou muito para que eu sentisse seus braços envolvendo minha cintura e seu corpo me pressionando contra o piano enquanto ele beijava minha nuca descoberta pelo rabo de cavalo.
- Pensei que eu fosse ter que mandar a menina embora hoje – disse ele acariciando meus seios. – Você tem idéia de como eu acordei bem hoje?
- Posso imaginar – respondi sacudindo algumas folhas de papel ainda molhadas. – Espero que tenha dormido bem e que durma bem essa noite também. Afinal, sua apresentação é amanhã e você desafinou duas notas, .
- Uhum – uma de suas mãos apalpava minha coxa direita enquanto a outra ainda se divertia com meus seios. – Nada que um relaxamento não resolva, certo?
- Talvez – arrumei rapidamente minhas coisas e me desvencilhei de seus braços. – Vou trazer o telefone do meu massagista amanhã, prometo.
Eu estava caminhando para a porta quando ele me puxou com força. Me prendeu novamente em seus braços, agora de frente, e me beijou. Um beijo feroz e selvagem, diga-se de passagem. Consegui escapar e estava girando a chave quando ele reclamou.
- Vai me deixar aqui, assim?
Olhei para baixo e vi que seu membro já estava bem ereto. Pobre garoto.
- O banheiro é logo ali – respondi indicando a porta perto do piano. – Divirta-se.
Antes que pudesse pensar em responder, saí e fechei a porta, dando de cara com ninguém mais ninguém menos que Myleene.
- Oh, – disse ela vendo que eu não daria a mínima – eu me pergunto: o que professora e aluno estavam fazendo trancados numa sala?
Revirei os olhos e respirei fundo.
- Ensaiando, querida.
- Com as portas trancadas?
- É – falei desativando o alarme do meu carro. – Assim evitamos visitas desagradradáveis de apresentadoras chatas!
Pisquei para ela e girei a chave na ingnição. Saí com o carro, mas não sem antes notar emburrando indo para o outro lado do estacionamento e indo embora.


N/a: Mas vejam só, fã de McFLY é tudo safada hein? Bastou ter uma cena de sexo bem feito e choveu comentários! Falo nada pra vocês!
A Viiih comentou dizendo que acava legal o "Danny" (no caso dela!) meio "tarado-controlador". Espera só para ver quem é que manda na história! ;)
No mais, qualquer coisa briguem com a Katherine. Tudo a partir de agora será com base na decisão final dela.
Quem tiver twitter, deixa o nome aqui e eu mando recado pelo meu, ok?
Beijos.

@mariana_pereira