Old Times
Por Fabiana Paravatti
Betada por Andy Martins
Capítulo 1
- ! – Meu pai gritava da escada, estava quase pronta, só faltavam meus brincos. Meu primeiro dia no colégio de Thommy e de .
Desci as escadas, estava vestindo uma calça skinny, uma blusa vermelha, um colete branco por cima, meu lenço típico xadrez e um tênis All Star. Meus cabelos estavam soltos, com uma presilha prendendo a minha franja para trás, deixando os meus cachos caídos até as minhas costas. Encontrei meu pai fazendo as panquecas, acho que ele nem me viu. Peguei uma rosquinha em cima da mesa, abri a porta e acenei para ele quando ele ouviu o barulho da porta.
Com meus passos largos, cheguei rápido à porta do colégio. Entrei sem hesitar e ficar com medo. Não havia ninguém no pátio.
Passei no banheiro e dei uma olhada na minha maquiagem ainda perfeitamente bonita e realçando meus olhos, nos meus cachos ainda perfeitamente cacheados, e na minha roupa nem um pouco amassada. Lavei as minhas mãos por causa do efeito da rosquinha. Confesso que fiquei tensa ao entrar atrasada na sala, todos iam olhar para mim. Já iam me olhar mesmo sem chegar atrasada, imagine agora.
Subi as escadas e bati na porta antes de abri-la. O professor ainda fazia a chamada.
- Olá, senhora . – Ele não era nada mal não. Só era meio velho.
- Olá, senhor... – Falei na esperança de que ele completasse.
- Peter. – Apenas assenti com a cabeça, ele me apontou uma cadeira vazia lá no fundo, apenas sentei. Me senti a única menina ali naquela fileira de cinco pessoas, mas logo olhei para o lado e estava ali.
Confesso que as aulas foram entediantes, e só um nome conhecido, o Peter. Os meninos da frente não ficavam quietos, e o moreno na minha frente não parava de olhar para trás. Fazer o que se ele era gato?! Eu reparo em coisas boas. As últimas três aulas eram entediantes.
Até o sinal bater, o segundo colegial é a pior parte da minha vida. Por enquanto está sendo.
Guardei as minhas coisas, com medo de que quando eu voltasse, mais nada estivesse ali. Todos conversavam enquanto eu, quieta, ia arrumando as minhas coisas.
- Cadê a menina arrasadora? – falou por trás de mim, eu só pude sorrir de lado. Pude perceber o menino da frente querendo ouvir.
- Não está por aqui, não por enquanto. – falei, pegando o dinheiro da cantina.
– E aí, o Thommy não veio? – Falei enquanto saíamos da sala. O menino vinha logo atrás, confesso que estava me irritando.
- Não... – falou desapontada.
- Meu Deus! Ainda afim do Thommy?! – Descemos as escadas e o menino continuava atrás da gente.
- Queria que você conhecesse umas amigas minhas. – Olhei para , não gostando da idéia. As amigas da , geralmente, são metidas. Foram as únicas que conseguiram aceitar , só por ela ter muito dinheiro.
Chegamos até as amigas de , aquele menino não estava mais atrás de nós. Todas usavam rosa e pareciam meio vulgares. As roupas eram pequenas e elas pareciam ser perigosas como as meninas do meu outro colégio.
- Quem é essa pobrezinha com você, ? – A loira mais alta e feia falou se referindo a mim. Ela cruzou as pernas e ergueu a sobrancelha esquerda.
- Uma colega minha. – Sabia que não poderia contar com a por enquanto. Essas meninas a controlavam.
- Meu nome é ! – Elas me mediram, mas logo percebi que não deveria me meter.
- Não me interessa teu nome, garota! Saia daqui! – Eu olhei para e ela se lamentava falando “me desculpe”, mas sem que elas pudessem ouvir.
Apenas assenti com a cabeça, me dirigi até a cantina, peguei um suco, e subi até a sala. Me sentei e me alimentei ali mesmo. Quando o sinal tocou, todos subiram e o menino da minha frente ficou surpreso ao me ver na sala.
- Está animada para as aulas começarem? – ele disse sarcástico.
- Nunca estive mais feliz! – eu apenas sorri.
- Bom, acho que você não sabe, mas meu nome é . Mas pode me chamar de . O seu é e posso te chamar de... – ele falou esperando que eu completasse.
- . – ele apenas assentiu com a cabeça e virou para frente. Comecei a escrever o resumo no meu caderno e um papel pulou na minha mesa.
“Aposta quanto que ela vai passar um trabalho em dupla?”
Eu sorri. Ele realmente era encantador. Olhei para o lado e apenas me olhava, franzindo o cenho. Eu só fiz um gesto de negação, peguei a caneta e virei o papel.
“Quer saber? Eu vou apostar. Se isso acontecer mesmo, você se oferece a ser minha dupla, e se não acontecer... Bom, simplesmente fique quieto a aula inteira sem falar com os seus amigos.”
Peguei o papel e, ao invés de mandar por cima, fui com a minha mão por baixo e coloquei em sua perna, continuei a escrever o meu resumo quando a professora falou.
- Bom... Vamos usar o resto da aula fazendo duplas. – simplesmente virou para trás e piscou, dando-se como vitorioso. Ele levantou a mão. – Sim, senhor ?
- Eu queria saber se posso fazer a dupla com a menina nova. Queria ver ela se enturmar! – A professora deu um sorrisão.
- Claro, ! Por que não?! Quero a com o senhor , o senhor vai ficar com a Charlotte, e o senhor com a Rebecca! O resto pode escolher com quem deseja ir! Podem formar as duplas.- apenas virou a cadeira. deu a volta inteirinha para poder ir com o tal .
- Boa aposta, Mr. ! – Nós rimos juntos.
- Você conhece essa tal de ? – ele disse, copiando os exercícios da apostila. Ele era incrivelmente e maravilhosamente magnífico! Nada poderia ser mais bonito e chegar a tal perfeição como ele. Aquele sorriso caloroso, e aqueles cabelos bonitos... Ele é um resumo de um príncipe – fisicamente, lógico. Eu não conseguia parar de olhá-lo. – ! ! – Ele pegou meu braço e tentou me chacoalhar.
- Calma, ainda não morri! – Ele riu baixo – Mas respondendo a sua pergunta... Sim, a conheço. É uma boa amiga, mas não está sendo desde que eu cheguei aqui. Ela fica andando com aquelas meninas metidas e feias e não posso falar nada por que ela é uma das minhas melhores amigas! – Eu já estava no último exercício e ele ainda no terceiro.
- Ela não parece ser legal pelo jeito que deixou as amigas dela te tratarem! – Meu deus por que ele tem que ser tão bonito?
- Eu sei! Mas eu tenho que aguentar, sabe?! Ela é uma das minhas melhores amigas. É a mesma coisa de eu falar para ela que o Thommy gosta de mim e não dela! Tipo, é verdade, o Thommy me disse por MSN, mas o que eu posso fazer?! N A D A! – Minha mão estava brincando com o lápis.
– Eu entendo! Bom, nada disso aconteceu entre eu e meus amigos. Somos uma banda de garagem, sabe?! É legal... No fundo a gente sabe que nada vai para frente, mas fazer o que? Nos deixa feliz e isso faz com que a gente não brigue. E a propósito, esse Thommy é meio feio! Você é afim dele? – Ele disse olhando eu mexer no lápis.
- THOMMY? – Eu falei assustada, percebendo os olhares da professora pra gente. – Desculpe, mas quem gosta do Thommy é só uma louca! Ops, essa é a ! – ele tinha acabado de fazer o último exercício e soltou um sorriso.
- Voltem aos lugares. – A professora passou batendo palmas. só piscou para mim e voltou ao seu lugar de sempre.
As aulas foram entediantes, só fiz resumos. Guardei meu material, não esperei para ir embora comigo. Dessa vez, para voltar, não quis dar passos muito grandes, apenas os pequenos passos.
Como a gente tem aula com aquela professora todos os dias, acho que vou fazer dupla com o todos os dias.
Meus cachos já estavam baixos, passei na lanchonete ali na frente, tomei um café e comi um lanche, e fui para casa.
Minha mãe ainda não havia chegado já que ela sempre está ocupada no hospital. Subi as escadas, joguei minhas anotações na cama, confesso que pensei em estudar, mas peguei meu iPod, coloquei uma música bem agitada para não cair no sono. Muse, Undisclosed Desires. Mas não esperava a música que vinha: Plain White T’s, Hey There Delilah. Meus olhos se fecharam apenas por breves minutos.
Abri meus olhos, tirei os fones de ouvido e liguei meu computador. Enquanto ele ligava, fui ao banheiro tomei um banho rápido. Coloquei meu pijama, quando meu celular tocou: ! Melhor amiga.
- Oi, ! – falei bruscamente, coloquei minhas pantufas, sentei na mesa do computador.
- Oi, . Me desculpe mesmo, eu não queria que ela te tratasse assim, mas eu não tinha o que fazer, é o único grupo de amigas que eu tenho. – a voz dela parecia desesperada, fui conectando a internet.
- Meu, ! Não estou te obrigando a nada, seja amiga de quem quiser, mas não deixe elas mandarem nas amigas que você tem! – Entrei no meu MSN, enquanto abria a página na internet e uma janelinha subiu. ‘’. – Tenho que desligar, liga pro Thommy e fala com ele. – Desliguei o celular, logo apareceu uma luzinha laranja piscando.
“Oi, (:“
“Oi, !”
“E ai, está tudo bem? Preparada para prova de amanhã?”
“Muito! Tem folhas espalhadas por toda a minha cama, isso não quer dizer que estudei tá? haha”
“Eu estudei! Quer vir no ensaio da nossa banda?”
“Mas... Não é um pouco tarde?
“Amanhã!”
“Desculpe, mas não posso. Vou trabalhar na locadora!”
“Nossa... Na mesma locadora em que trabalha a Rebecca?”
“Quem ser Rebecca?”
“Depois eu falo, o pessoal chegou! Mas antes, sabe quem me convidou para uma festa? Amiguinha da sua amiga lá, da ! Ela me deixou convidar alguém, então se sinta convidada”
“Nossa, que surpresa! Tchau ;*”
desligou-se. Olhei as hora, onze e doze da noite. Tirei aquela papelada de cima da minha cama, liguei o iPod e aquela música se repetiu. Só fechei meus olhos esperando o sono me pegar.
Capítulo 2
Meus olhos estavam todos encharcados, lacrimejando. Coloquei meus pés no chão, hoje era “faz prova e vai embora”.
Coloquei minha blusa do Bob Marley, uma saia de cintura alta branca e uma meia calça branca só para esquentar as minhas pernas. Prendi meus cabelos com uma trança, coloquei meu salto preto e minha bolsa de lado preta da cor da minha blusa que era preta e branca.
Desci as escadas, meu pai não precisou me chamar dessa vez. O estranho é que eu nem o vi chegando. Abri a porta do quarto e nada de James. Peguei a minha rosquinha diária e fui andando calmamente até a porta do colégio e dessa vez havia várias pessoas no pátio. ficou me olhando com cara de bebê sem mãe. Bom, eu acho que ele pensou que eu estou bonita, lá vem ele.
- Uau! – Ele pegou na minha mão e me deu um giro.
- Gostou do meu visual? – Falei sorrindo e fazendo uma pose.
- Está maravilhosa! Vem aqui conhecer o pessoal. – Ele me puxou pela mão me levando devagar até os amigos dele – Bom, esses são, , e ! – Todos acenaram para mim!
- Bom, a festa é depois daqui? – Sentamos. Todos estavam ao lado de quando Rebecca chegou de fundo e cumprimentou todos.
- Oi, Becca! Você sabe se vai ser necessário trabalhar, ou a Charlotte vai estar lá, já que ela não foi convidada? – Rebecca se sentou ao meu lado. Bom... Nós trabalhamos juntas há muito tempo. Por mais que tenha mudado de colégio, eu não mudei de lugar. E nem de vida!
- A Chár disse que ia ficar lá, e sem problemas... Nós podemos ir á festa. – Apenas assenti com a cabeça. O sinal bateu e todos subimos para a sala para fazer a prova.
Eu fui a primeira a terminar a prova e fui deixando a sala. Pisquei para , abri a porta e ia descendo as escadas. Atravessei todo o pátio quando saiu da sala.
- ! – Gritou ele de longe. Ele desceu as escadas correndo, até chegar em mim. – Hey! Passa em casa, come alguma coisa, e aí minha mãe pode te emprestar uma maquiagem, e minha irmã qualquer peça de roupa... Ou você só passa lá para comer.
- Mas eu não quero atrapalhar seus pais indo na sua casa só para passar o tempo. – Falei andando. vinha logo atrás me seguindo e me segurou pelo braço.
- Espera! Quem disse que eles vão estar lá? Você fica lá e pronto! E depois eu te levo para a sua casa, eu tenho carro. – Ele nem esperou a minha resposta, apenas pegou a minha mão e me levou até seu carro.
- Então tá! – Entrei no carro e coloquei o cinto de segurança. Fomos no maior silêncio, até meu celular tocar.
- Alô? – Falei descendo do carro. fechou a porta para mim e entramos na casa dele.
- Oi! É a . To ligando da casa da Daiane. – Pude ouvir a voz animada de , ela queria saber se eu iria à festa.
- Oi, . Você me conhece, conhece tanto que parece não ver... Desculpe, amiga, mas quando for realmente você me ligue! – Desliguei o celular.
- Problemas? – me olhava enquanto sentávamos no sofá.
- Sim! está curiosa para saber se eu vou à festa de Daiane! - Liguei a TV.
- Eu namorei Daiane, por isso ela te persegue e te odeia tanto. – Ele falou chegando mais perto, confesso que fiquei sem graça. Ele chegava cada vez mais perto, nossos rostos ficaram tão perto, mas só o que ele queria era pegar o controle. – Desculpa. – Ele disse desajeitado. Logo ele foi se ajeitando no sofá, passamos horas e horas ali. Jogamos uno e brincamos de banco imobiliário, foi hilário, até dar o horário.
- Vamos? – Ele fechou a caixa do banco imobiliário e me levantou, assenti com a cabeça sorrindo, peguei meus sapatos e logo coloquei em meus pés.
- Posso passar no banheiro rapidinho? – Ele me olhou com uma cara sarcástica de “não”, então eu dei um sorrisão.
- Lá em cima, primeiro cômodo à esquerda. – Fui correndo, soltei meu cabelo, peguei a minha bolsa e só retoquei a maquiagem. Arrumei meus cachos que só ficavam na ponta de meus cabelos loiros, minha franja escorrida no olho, ajeitei minha saia, e joguei meus cachos para o ombro. Desci as escadas, estava na porta. A gente foi no caminho conversando sobre os jogos. Ele desceu do carro, mas eu fiquei ali parada, dentro do carro, com medo de arranjar confusão com a ex dele. Então ele abriu a porta do meu lado do carro e ficou me olhando.
- O que houve? – O rosto dele estava preocupado.
- Não quero arranjar confusão com a sua namorada, com a sua ex-namorada. Porque ela vai me ver e vai pirar, ela vai achar que estamos juntos. – Ele pegou a minha mão e me levantou do carro, fechou a porta.
- Confia em mim, agarra na minha mão, ela nem vai fazer nada com você! Você vai ficar comigo a festa inteirinha. – Eu apenas assenti, eu ia fazer mais o que!? O cara era um gato, estava me ajudando e, ainda por cima era o mais popular, sem esquecer de ser um doce comigo.
Entramos na festa. “Acumulação de pessoas” não era comparada a tantas pessoas naquela festa, que incluía . Ela me olhou me medindo a mandos de Daiane, e essa feia aí ficou me medindo e veio andando em nossa direção, quando ela soltou a minha mão da mão de .
- Desculpe! Penetras não se juntam às pessoas civilizadas que foram convidadas. – Mas eu não me dei por vencida. Meu peito estava inchado e me olhava. Houve uma troca de olhares até finalmente respirar.
- Não, Daiane! Lembra que você disse que eu poderia convidar alguém?! Bom, aqui está minha convidada! – Ele pegou a minha mão de novo, mais Daiane não ia se dar por vencida tão rápido.
Olhei para , ela me olhava lamentando pelos olhos. Soltei a minha mão da de , logo ele me perdeu de vista. Meus passos eram longos, logo chegando até . Daiane não estava lá, puxei pelo braço.
- Quem é você? – Falei medindo , ela me olhou indignada.
- Eu sou o que eu sempre quis ser, ! – Pude ver pena por seus olhos, a raiva, e sem esquecer o medo.
- Você sempre quis ser uma qualquer que anda com patricinhas que mal podem ver uma menina nova andando com o ex dela, ou uma menina rica sendo chantageada com segredos por uma baranga. – Quando me dei conta meu tom de voz já estava alto o suficiente para ela perceber que eu não estava de brincadeira, ela me olhou com os olhos encharcados. Logo atrás vinha Daiane. – Se foi isso que você escolheu, faça bom proveito! Seja essa falsa que você está sendo, esqueça os nossos momentos de quando você era uma menina de estilo e coragem, não uma fútil qualquer! – chorava, eu estava me sentindo péssima. Daiane queria me matar, desceu as escadas e vinha me atacar, quando eu senti uma mão no meu braço que me puxou para o meio da multidão.
- , o que você pensa que está fazendo? – me olhou, lá de fundo estava , e ! – Ela vai te espancar!
- Quem disse que eu tenho medo de vadias? – Olhei para , me soltei e fui para cozinha tomar alguma coisa. Tinha um garçom passando com um champagne, eu o parei.
- Hey! Faz um favor para mim? - Tirei dez reais do bolso - Joga isso na dona dessa festa e diga: “Não se dê por vencida, a guerra acabou de começar.” – Rebecca viu tudo o que eu fiz então peguei a minha bolsa. Quando ia saindo, ela me puxou.
- Não ouse fazer isso! Meu, tudo isso por causa da ?! Ela já vai parar de ser sua amiga quando souber que o Thommy gosta de você! – Rebecca falava fazendo gestos com a mão como se fosse óbvio. Peguei a mão dela e fui saindo da festa.
- Meu! Não me importo... sempre foi a minha melhor amiga, não vou deixar ela afundar assim. Essas meninas são prostitutas! Elas se entregam fácil fácil. E quem pagou toda essa festa?! ! E a mãe dela sabe? Nem sobre a vírgula a mãe dela deve saber! Agora você, como uma boa amiga, entra lá e vê o que está acontecendo e depois você me conta tudinho! – Becca apenas assentiu com a cabeça, eu saí andando no meio daquela noite que me deu muito medo.
Senti passos correndo atrás de mim e, logo depois, uma mão no meu braço. Virei assustada.
- ! O que faz aqui? – Estava com tanto medo que pensei que fosse um ladrão.
- Não vou deixar você ir sozinha! – Os olhos de estavam vermelhos, senti aquele mau hálito de cerveja. Seu rosto todo vermelho... Ele estava bem bêbado.
- DANIEL! – gritei – Por que beber demais? – Peguei e o levei para casa – Seus pais estão em casa? – Ele apenas assentiu. Eu estava indo por trás da casa dele, não queria que os pais dele o vissem assim. Quando estávamos indo por trás, meu salto estava quase quebrando. Coitado dele. Enquanto eu tentava levar pelas portas dos fundos, ele caiu e me levou junto, começamos a rir. Minha roupa estava toda suja de barro. – Viu o que você fez, ?! – Ele apenas ria e ria, quando o irrigador ligou. Desisti de levantar e deitei, quando os pais de vinham atrás . Levantei rápido, tentei ajudar a levantar, e fui arrastando ele até ele levantar. Tentei correr com ele, entramos pelas portas dos fundos, pedi para ele tirar os sapatos, mas ele estava meio inconsciente. Tirei o sapato dele, tirei o meu salto e os levei na mão. tentava me seguir, chegamos lá em cima, fui no banheiro e o levei junto. Saí de lá, tranquei a porta por dentro e fui andando até o quarto dele para ver se tinha banheiro e, graças ao bom Deus, tinha. Voltei até o banheiro e vinha alguém subindo, eu acho. Peguei e o levei até o quarto dele fechando a porta, o coloquei no banheiro, tirei a camiseta e a calça, o deixando só de boxers. Abri o chuveiro e coloquei-o deitado na banheira enquanto a água escorria.
Enquanto ele tomava um banho, fui até seu armário, peguei uma bermuda, separei uma camisa e voltei ao banheiro. Desliguei o chuveiro, o tirei com calma de lá de dentro, peguei rápido uma toalha para não molhar todo o chão, o enxuguei com calma, coloquei a bermuda e o deitei na cama, colocando um lençol por cima dele. Agora é a minha vez, entrei no banheiro tirei a minha roupa e tomei um banho desfazendo todos os meus cachos, me enxuguei, fui até o quarto da irmã dele, peguei um lingerie e voltei. Apenas coloquei a parte de baixo, coloquei a camisa que separei de , quando vi que recebi uma mensagem de Becca no celular.
“Você foi um gênio, a festa ainda continua, mas a Daiane pirou quando o saiu correndo. O está procurando ele! Onde ele está.?”
“Ele foi para a casa dele, Becca! Estou com ele. Depois te mando mais noticias.”
Respondi a Becca, desliguei o celular, fui até o armário novamente, peguei umas cobertas e um travesseiro e arrumei uma caminha no chão.
Capítulo 3
Quando meus olhos se abriram, do chão, fui parar na cama. Olhei para os lados e nada de . Levantei, fui até o banheiro, nada de roupas e nada de . Peguei meu celular e percebi umas 17 ligações perdidas e 4 mensagens. As 17 eram de meu pai e, das quatro, uma era do :
“Cadê o ? O que houve?! Quando ler, ligue!”
:
“O está bem? E você, para onde foi? Se tiver notícias ligue!”
:
“E aí, ? Tudo bom? Quando o estiver melhor, ligue.”
E a última e menos esperada, :
“Eu não vou te trocar por elas, elas não merecem. Podemos mais que ela. Me desculpe, !”
Fiquei com medo de sair do quarto, porque se não estava por lá, ele não tinha contado aos seus pais.
Abri a porta do quarto e nenhuma alma viva. Quando vinha alguém subindo, logo fechei a porta e me joguei na cama.
- Está fugindo de quem? - falou de longe.
- Da sua família - sussurrei.
- Sério? – Ele começou a rir sem parar – Meus pais saíram para um hotel lá na Itália, uma viagem a negócios, e minha irmã está morando com o namorado dela há cinco dias. Fica calma, eles não vão te ver... – Parei para pensar por uns segundos. E aquelas pessoas que me seguiram ontem à noite?
- Mas ontem, quando você estava bêbado, eu te trouxe aqui! Mas eu tive que correr para umas pessoas não nos verem. – vinha sentando do meu lado na cama.
- Deve ter sido a minha irmã e o namorado dela... Sei lá! Alguém da família, porque têm câmeras na casa! Já liguei para os meninos e contei o que aconteceu. – Ele nos cobriu – Eu queria agradecer pela ajuda de ontem.
- É né?! Sobrou pra mim arrumar tudo! Arrastar-te pelo terraço inteirinho e me sujar de lama... E sem esquecer de ser irrigada. Foi realmente o melhor dia! – Eu disse sarcástica, ele riu.
- Ah, obrigado! Eu não sabia que estava tão bêbado, estou te devendo uma. – Ele me abraçou, Me senti amassada por ele, mas aquele cheiro penetrante não me fez sentir nada.
- Hey! Cadê minha roupa? Eu tinha deixado no banheiro! – Ele levantou-se da cama e fez um sinal para eu esperar. Enquanto isso, eu me levantei e comecei a arrumar a cama. Quando voltou, eu já havia arrumado toda a cama.
- Não precisava arrumar, mas enfim... Aqui está a sua roupa. – ele me entregou e sentou na cama.
- Ok, vou ao banheiro me trocar e já venho. – Entrei no banheiro e ele ficou ali. Coloquei minha blusa do Bob Marley de novo, minha saia alta, coloquei minha meia-calça, meu salto alto e arrumei meu cabelo com um coque deixando uma mecha caída no meu rosto. Da maquiagem já não dava para cuidar. Saí de lá e não estava mais sentado na cama e nem no quarto. Desci as escadas e já tinha uma mesa cheia de comida só para mim.
- ? – Gritei da sala e me sentei na cadeira. Peguei uma panqueca, logo depois apareceu que se sentou e comeu comigo. Comemos quietos, sem palavras, sem um suspiro.
- Vamos sair? – Finalmente ele quebrou o silêncio. Ele se levantou, pegou as coisas sujas e colocou na pia – Como um agradecimento pelo o que você fez por mim. – Ele completou, sorri.
- Tudo bem, e vamos aonde? – Falei me levantando e soltando meus cabelos, fazendo com que meus cachos aparecessem nas pontas.
- Vamos para o cinema que tal? – Ele pegou a minha mão e me levou até o carro.
- Por que não? – Me sentei no carro e ligamos o som, cantava junto com a música.
- Que filme vamos ver? – Falei abrindo a janela.
- Shrek Para Sempre. – Ele me olhou sorrindo. Parou o carro e descemos.
Entramos no cinema, ele fez questão de me pagar tudo, fomos pra sala e nos sentamos na parte onde - Só tem cadeira para casais - Confesso que fiquei corada quando ele disse isso. Estava sentada do lado da parede, tirei meu salto alto e coloquei os pés no banco, quando o cara que fica dando voltas no meio do filme - vendo se você não põe os pés no banco - chegou. Logo colocou o seu braço por cima do meu ombro fazendo com que chegássemos mais próximos, me aconcheguei em seu peito.
- Te salvei de uma. – sorriu. – Se ele te visse assim, ele ia pedir para tirar os pés, mas como somos um casal... – Eu corei com as palavras que ele disse se referindo a nós. Eu pude sentir a respiração dele, meus olhos estavam querendo se fechar, e aquele cheiro invadia a minha mente. E só aqueles olhos penetrantes nos meus, cada vez mais ele ia se aproximando... Quando nos demos contas, meus lábios já estavam colados nos deles e fomos para um beijo ansioso como se fosse um desejo de dias, de anos, de meses, de décadas! Nós só paramos o beijo porque quando nos tocamos, eu estava no colo dele e todos estavam aplaudindo o filme que já havia acabado. Caímos na gargalhada, sentei novamente na minha cadeira e coloquei o meu sapato. pegou a minha mão e fomos para casa, ele me levou até a minha casa com calma.
- Vamos fingir que nada aconteceu, ou isso não vai sair das nossas cabeças. – Ele disse ao pegar a minha mão. Meus cachos foram para meu rosto. Olhei com meus olhos verdes e cheguei mais perto dele.
- Eu prefiro não tirar isso de nossas cabeças. - sussurrei em seu ouvido, soltando suas mãos e entrando em casa. Meu pai estava na cozinha fazendo uma comida lá, nem parei para ver, apenas lhe dei um beijo. Ele falou comigo, mas eu apenas assenti com a cabeça.
Subi as escadas, tomei uma ducha mesmo sendo 00:21 e fui ver se meu pai já não estava mas na sala e sim dormindo. Abri meu guarda roupa, coloquei meu pijama e subi no guarda roupa na tentativa de pegar meu violão. Com sucesso, cruzei as minhas pernas e me sentei no chão. Fechei meus olhos, as lágrimas não hesitaram em escorrer, mas o sorriso não esperou por vir. Logo fui acertando as notas no violão, chegando ao ritmo da música que queria: Plain White T’s – Hey There Delilah
Hey there Delilah
What's it like in New York City?
I'm a thousand miles away
But girl tonight you look so pretty
Yes, you do
Times Square can't shine as bright as you
I swear it's true
Hey there Delilah
Don't you worry about the distance
I'm right there if you get lonely
Give this song another listen
Close your eyes
Listen to my voice it's my disguise
I'm by your side
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me
Com aquele violão na mão, e aquela música tão bem escolhida, só tinha aquela mesma imagem da minha cabeça. As lágrimas ainda escorriam, mas ainda não interferia na minha voz.
Hey there Delilah
I know times are getting hard
But just believe me girl
Someday I'll pay the bills with this guitar
We'll have it good
We'll have the life we knew we would
My word is good
Hey there Delilah
I've got so much left to say
If every simple song I wrote to you
Would take your breath away
I'd write it all
Even more in love with me you'd fall
We'd have it all
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
A thousand miles seems pretty far
But they've got planes and trains and cars
I'd walk to you if I had no other way
Our friends would all make fun of us
And we'll just laugh along because we know
That none of them have felt this way
Delilah I can promise you
That by the time that we get through
The world will never ever be the same
And you're the blame
Meus pensamentos corriam, tentando achar o ritmo da música. Meus dedos escorregavam pelas cordas do violão e pude sentir o calor em minha nuca. Meus olhos fechados, minha voz seguindo o ritmo da música, meio calma e meio agitada.
Hey there Delilah
You be good and don't you miss me
Two more years and you'll be done with school
And I'll be making history like I do
You know it's all because of you
We can do whatever we want to
Hey there Delilah heres to you
This one's for you
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
O som da minha voz ecoou no meu quarto, coloquei meu violão no lugar aonde ele estava, me deitei na cama e fechei meus olhos. Senti a presença dele ali, mas pude cair no sono.
Capítulo 4
Abri meus olhos quando meu despertador me acordou, me deixando atordoada. Coloquei meus pés no chão com calma, desliguei o meu despertador — ainda desorientada — meus cachos estavam cada um para um lado. Entrei no banheiro, tomei minha ducha rápida, fiz meu coque no cabelo e coloquei meu vestido básico branco — fazendo um laço com uma fita preta no meio. Coloquei minhas sapatilhas e passei um lápis. Abri a janela do meu quarto, peguei meu violão novamente e comecei a cantar uma música qualquer. Em um Domingo, nada melhor para fazer.
Who says I can’t get stoned?
Turn off the lights and the telephone
Me and my house alone
Who says I can’t get stoned?
Who says I can’t be free?
From all of the things that I used to be
Re-write my history
Who says I can’t be free?
It’s been a long night in New York City
It’s been a long night in Baton Rouge
I don’t remember you looking any better
But then again I don’t remember you
Who says I can’t get stoned?
Call up a girl that I used to know
Fake love for an hour or so
Who says I can’t get stone…
Meus olhos arregalaram quando eu vi a porta abrindo. Nossa! Foi um alívio ver que era o Thommy.
- Meu Deus, Thommy, que susto! – Falei, colocando o violão do lado esquerdo da cama.
- Calma! Não sou o Monstro do Lago! – Ele falou irônico e se sentou na minha frente. – Você ficou sabendo do negócio do colégio? – Ele disse me olhando. Me levantei e guardei meu violão.
- Que negócio? – Fui indo em direção ao computador, sentei na cadeira e esperei o computador ligar.
- Estão dando notas para talentosos e tudo mais. – Ele pegou meu celular que vibrava. – “Oi, , você pode vir no nosso ensaio?” ? – Disse ele, indignado.
- Primeiro, eu nem recebi a prova que fiz sexta. Segundo, me dá o meu celular! – Peguei o celular da mão dele e liguei para . – E terceiro, é um amigo meu! – Logo atendeu. – Oi! – falei animada, pude ver Thommy nervoso.
- Oi, ! E aí, você vem? – Podia ver a gritaria do .
- Vou sim, to desligando. Já estou saindo de casa, to passando na tua casa. – Desliguei o celular e saí do meu quarto, deixando Thommy plantado. Ajeitei meu sapato no pé e fui descendo as escadas, o meu coque se desfez enquanto eu descia. Me ajeitei no espelho, jogando meus cachos para meus ombros.
- Onde você vai, filha? – Meu pai estava vendo TV.
- Vou para um ensaio de uma banda de amigos. Tchau, pai! – Saí fechando a porta. Estava com o iPod nas mãos, fechei os olhos, indo em direção a casa de . Cheguei lá, todos estavam lá! Olhei por todas as partes, só via McFLY escrito nas paredes e na bateria.
A música deles era inspiradora, a voz do era bonita, e estourava meus tímpanos, fazendo aquelas recaídas entrarem em minha mente. Meus olhos o seguiam, meu coração batia forte. Enquanto cantava a música olhando para mim, com aqueles olhos azuis me seguindo, me deitei no sofá, e abaixei meu vestido, mostrando modos. Mexia a minha perna no ritmo da música.
Tristemente, a música acabou e o ensaio também, mas ainda eram uma hora da tarde. Todos começaram a rir, por que o não conseguia falar de tanto que discutia com o sobre garotas. dormiu no sofá e só eu e o ficamos acordados — confesso que aquele negócio do colégio que o Thommy me falou ficou na minha cabeça. Sentei no colo de , ele colocou um filme para assistirmos, e eu não conseguia prestar atenção. Parece que minha mãe vai me perseguir o dia inteiro, mas eu não queria contar para , eu não queria preocupá-lo sobre eu estar me sentindo assim por causa de minha mãe — uma história tão triste e devastadora que não é bom ser citada.
Quando me dei conta, estava dormindo no colo de , quando eu senti os lábios de encostando nos meus.
- Caiu no sono, pequena? - falava me fazendo carinho.
- Acho que sim, estou meio preocupada, a não ligou e... E o Thommy não me disse uma coisa muito agradável. – Com calma, eu me ajeitava no sofá. Arrumei meus cachos — havia um fio loiro rebelde não queria me obedecer — e aquele pensamento possessivo na minha cabeça, eu não sei...
- Ligue para ela então! E o que Thommy lhe falou? – Ele falou com um tom meio agudo, com medo do que eu fosse responder. Podia ver seus traços com feições nervosas.
- Já ligo... Ele disse sobre a noite de talentos, que ia me trazer uma boa nota. Então quer dizer que não fui bem no teste certo? – Meus dedos preocupados ficavam dançando na minha perna. Minha cabeça girava e minha perna se mexia com o nervosismo dos meus olhos.
- Se você não tiver talento eu posso te ensinar a tocar um violão, sei lá. Eu te ajudo! – Nossa, naquela hora o meu sangue ferveu e meus olhos arregalaram. Meus dedos finalmente pararam e minhas pernas foram se acalmando. Eu tinha que contar! Eu sei que eu canto, mas ele não sabe, porque só duas pessoas sabem: Thommy e meu pai!
- Mas... É... Eu sei tocar. – Ele me olhou assustado.
- Com esses dedos finos que você tem? – Eu apenas ri e assenti com a cabeça. Ele logo saiu procurando um violão, e roncava do meu lado. Ele me entregou e levantou a sobrancelha.
Meu coração se apertou e a imagem de minha mãe passou pela minha cabeça. Aquele dia, aquele momento, aqueles segundos de terror, e tudo para salvar a minha música, a minha voz. Eu sabia que podia, sabia que não ia chorar. Respirei fundo e comecei a ralar meus dedos pelas cordas, e procurei uma música na minha cabeça. John Mayer – Belife.
Primeiro comecei com calma, só tocando o ritmo da música. Aos poucos, eu senti a música entrando em meus hormônios, fazendo um sorriso surgir no meu rosto, e minha mãe era a única imagem. Meus cachos foram parar em meu rosto, quando eu simplesmente notei que me olhava, assustado com ritmo que peguei da música. Eu só dublava — não cantava — só mexia os lábios. Aquele violão não era o meu, eu não sentia aquele aperto no coração, tanto bom, quanto ruim. Quando me dei conta as notas haviam acabado.
- Agora tenta cantar! – Ele disse, sentando ao meu lado, com uma expressão curiosa.
- Eu? Cantar? , não sonha! – Ele apenas pegou o meu o iPpod, e viu as músicas mais tocadas. E lá só estava uma música: Plain White T’s - Hey There Delilah.
Primeiro comecei dando as notas que o violão pedia. Com calma, roçando meu dedo na corda. Quando a música realmente começou, eu não conseguia cantar, mas eu só fechei os olhos e lembrei da voz de Delilah. Minha voz foi fluindo ao som da música, que me deixava animada, mas não me fazia esquecer daquele dia.
As lágrimas não hesitaram em escorrer com calma, elas iam descendo, mas não afetavam a minha voz. Meu coração se apertou, e meus dedos corriam mais rápidos ao som da música que tocava no meu ouvido.
Quando as últimas notas foram tocadas, não conseguia falar nada. me olhava como se isso fosse claro — que eu cantava, mas eu não estava preparada para tudo isso. Larguei o violão lá, ajeitei meu vestido, peguei meu salto e saí correndo até a minha casa.
Eu podia sentir o vento nos meus cabelos, jogando meus cachos para os lados. O barulho que meu salto fazia no chão do asfalto entrava em meus ouvidos, me provocando mais angústia. As lágrimas iam escorrendo dos meus olhos verdes.
Abri a porta de casa, dei a sorte que meu pai tinha saído. Com o impacto que meu cabelo fez quando eu parei, ele foi jogado para todos os lados. Meu salto deu uma raspada quando ele percebeu a troca de ambiente.
Subi as escadas, logo joguei meus saltos para os lados, subi no meu guarda-roupa peguei meu violão e me deitei abraçada com ele. Meus cabelos estavam jorrados pela cama. Aquele violão simbolizava minha mãe, então ela nunca me deixava sozinha. Encostei meu rosto com calma no violão e, segundos depois, pude ver o preto saindo de meus olhos — aquela maquiagem borrada, sujando o violão.
Fui ao banheiro, apoiei meus braços na pia do banheiro e deixei minhas lágrimas saírem. Olhei para o espelho e vi a minha mãe. Meus olhos ainda encharcados, minhas pernas cederam e, quando me dei por mim, estava ali deitada naquele chão gelado. Caí no sono ali mesmo.
Acordei com meus olhos mais calmos, apenas me levantei e fui ver o horário uma e quarenta e cinco da manhã. Hesitei a trocar a roupa — não estava em condições — peguei o violão e coloquei ele em seu devido lugar. Pude ouvir subindo as escadas, corri a fechar a porta do quarto para fingir que estava dormindo, me ajeitei na cama, abracei o violão, meus olhos se fecharam e então o terror começou.
Tudo se apagou e lá estava eu, no estacionamento de um hotel, com os meus 6 anos, andando em direção ao hotel quando eu puxo a saia da minha mãe e falo que esqueci o meu violão lá dentro. Minha mãe com calma, andou até o carro e, quando ela voltou com o violão na mão, um caminhão em alta velocidade perdeu o controle e a atropelou junto a nosso carro. Meu violão saiu rodando até chegar a meus pés, minhas lágrimas não foram cessadas, minhas pernas pequenas caíram e meus cabelos invadiram a minha visão. Quando minha mãe voltou daquele carro, encostou a sua mão delicada em minhas costas, sentou do meu lado e sussurrou: “Filha, você sabe o quanto significava para mim ouvir a música, cantar a música, mas seu pai... Ele não me deixava seguir meu sonho! Não foi sua culpa, minha filha. Siga o seu sonho, siga o que você sempre quis desde que nasceu. Você tem voz, você tem amor no seu coração, eu te amo tanto, minha querida.”.
Ela se levantou e voltou para aqueles carros, depois tudo se apagou, e lá estava eu, com o violão, cantando no meio da rua. Todos aplaudiam, e me davam dinheiro, exatamente como a letra da música, quando...
N/B: Hello, fofas! Então, se houver algum erro, você podem me mandar um email, ok?
xx, Andy.