
- Vamos logo, !
- Já vou, ! Espera dois minutinhos. – ela estava terminando de calçar os sapatos quando o namorado entrou no quarto.
- Eu devia ter falado pra você se arrumar há duas horas! Olha só como você demora! – terminou rindo ao ver ameaçar atirar seu sapato nele – Brincadeira, amor!
- Eu nem demorei tanto assim. E parte disso foi sua culpa, que não me disse para onde a gente vai, o que dificultou a escolha da roupa. – pegou a mão que estendeu para ela e ambos foram em direção ao carro.
- Não falei nada porque é surpresa, pequena. – disse abrindo a porta para ela entrar.
- Desde quando você é cavalheiro assim? – arqueou a sobrancelha, olhando para que entrava no carro.
- Desde que eu fui um idiota com você e quero fazer as coisas certas agora! – terminou sorrindo e pegando a mão da namorada enquanto dirigia.
apenas sorriu e balançou a cabeça concordando. Os dois cantavam uma música qualquer que tocava no rádio, enquanto vez ou outra, tentava arrancar de para onde eles estavam indo. Ficou ainda mais curiosa quando percebeu que estavam saindo de Londres. E quanto mais ela perguntava, mais ria e dizia para ela esperar.
- Mais um pouco a gente chega e você mata essa curiosidade, baixinha. – ele apenas ria da cara emburrada que
ela fazia. – E você vai gostar, pode ter certeza!
- Eu tenho escolha? – balançou a cabeça – Então eu espero, né. – deu de ombros.
---
Eu estava tranquilo, sabia que ela ia gostar. Tinha falado com minha mãe dias antes, perguntando um lugar legal pra levar a e a gente ficar um pouco sozinhos – porque convenhamos, com os meninos e a o tempo todo em casa, raramente a gente tinha momentos só nossos. E mesmo tendo saído do hospital há um mês, eles evitavam me deixar sozinho com a , porque tinham medo que eu brigasse com ela que nem aquele dia. Eu sei, fui um idiota, mas poxa, aquilo não vai se repetir. Porque tudo que eu não quero é ver ela triste. Mas é aí que entra a minha mãe. Ela me deu a ideia de passar o final de semana com a na casa de campo que a gente tem no interior de Londres.
Olhei para o lado e vi observando os imensos campos que haviam na estrada, fechando os olhos vez ou outra, quando batia um vento mais forte em seu rosto. Ela percebeu que eu a olhava e sorriu pra mim, logo voltando a olhar a paisagem.
Chegamos logo na casa e observei . Ela olhava da casa para mim, com uma expressão de surpresa no rosto. Peguei a pequena mala do carro – que continha algumas roupas da também, que me ajudou a arrumar – e peguei na mão dela, a levando para o interior da casa.
- , é tão lindo aqui! De quem é essa casa?
- Da minha família. – achei graça do jeito que ela olhava encantada para todos os cantos – Minha mãe emprestou para nós passarmos o final de semana e... –
- E eu não trouxe roupa nenhuma! Você podia ter me avisado, amor! E comida?! E – minha vez de interromper.
- Eu separei algumas roupas suas, a me ajudou! – cheguei perto dela a abraçando por trás. – Quanto a comida, minha mãe mandou encher a despensa com tudo que nós dois poderíamos ficar com vontade de comer. Ou seja, não tinha nada que te avisar e estragar a surpresa, pequena. –
senti ela relaxar em meus braços – E então? Você gostou da surpresa?
- Eu amei, grandão! – ela entrelaçou nossos dedos e olhou para nossas mãos – Eu estava com saudades de ficar sozinha assim com você, sem todo mundo em cima toda hora.
- E eu então? – rimos juntos.
- Nós vamos fazer o que agora?
- Hm, que tal dar uma volta por aí? Eu costumava ir até o pequeno lago que tem aqui perto quando era criança. Era o meu lugar preferido daqui.
- Então é para lá que nós vamos, amor! – disse já me puxando para fora de casa – Eu quero conhecer tudo por aqui, ! –
eu preciso comentar que ela parecia uma criança indo pela primeira vez à um parque de diversões?
Fui caminhando com em meu encalço entre as árvores, seguindo um caminho que eu saberia fazer de olhos fechados. Quase toda hora eu ouvia uma exclamação vinda dela, falando o quanto certas árvores, flores, borboletas, formigas, e não sei mais o que, eram fofos.
Atrás da casa, havia uma trilha que levava a uma pequena floresta que havia na região, não era grande, mas o suficiente para alguém que nunca caminhou por lá se perder. Andamos por uns trinta minutos até que avistamos uma clareira, que dava numa pequena cachoeira. Olhei para e vi sua expressão encantada. Já disse o quanto ela é linda? Pois é, ela estava babando pelo lugar e eu por ela. Muito idiota isso? Espero que não.
- , esse lugar é lindo! – disse enquanto se sentava em uma pedra perto do rio formado pela cachoeira.
- Eu costumava vir aqui para me esconder dos meus pais quando era pequeno. Trazia meu cobertor e ficava deitado no chão olhando tudo isso até tarde. – falei enquanto caminhava até ela. – Aí voltava pra casa e meus pais brigavam comigo porque eu tinha sumido o dia inteiro. Era legal.
- Devia ser mesmo. E você trouxe o cobertor dessa vez? – ela arqueou a sobrancelha quando disse isso, mordendo o lábio logo em seguida. Eu não disse nada, apenas abri a mochila que tinha pegado antes
de sair da casa e tirei de lá um cobertor azul, o meu preferido. Vi os olhos dela brilharem estendi o cobertor no chão, sentando em seguida e fazendo sinal para que ela viesse também.
Encostei na pedra que ela estava sentada e a ajeitei entre as minhas pernas. Ficamos alguns segundos apenas observando a pequena cachoeira, quando uma ideia passou pela minha cabeça. Fiquei de pé e pedi pra se levantar também, coisa que ela ignorou.
- Vem amor, vamos dançar!
- Dançar? Mas , não tem música… E você não sabe dançar. – disse rindo da minha cara de indignado e eu apenas a puxei quando ela estendeu a mão pra mim.
Depositei um leve beijo no nariz dela enquanto colocava minhas mãos em sua cintura. Ela ainda me olhava com uma cara engraçada, esperando por algum comando meu para poder fazer algo.
(Coloque a música para tocar: Your Body Is A Wonderland - John Mayer – Faz toda a diferença ler com ela)
- Eu sou um pé de valsa, tampinha – ela riu junto comigo e deu um pequeno tapa em meu ombro, e escorregou a mão até meu peito, deixando lá. – E quanto a música, eu dou um jeito. – pensei rapidamente numa música que ela gostava e comecei a mexer de leve os nossos corpos - We got the afternoon, you got this room for two. One thing I've left to do, discover me discovering you... (Temos a tarde inteira, você reservou este quarto pra nós dois. Só tenho uma coisa a fazer, é me descobrir descobrindo você...) – vi o sorriso de aumentar quando comecei a cantar, ela amava essa música. Nós quase não saíamos do lugar, apenas continuava cantando e vez ou outra arriscava um passo de dança mais elaborado, como um simples giro.
One mile to every inch of
Uma milha para cada polegada
Your skin like porcelain
Da sua pele, que parece porcelana
One pair of candy lips and
Um par de lábios doces como bala
Your bubblegum tongue
E sua língua de chiclete
- Até que você dança bem, amor. – a voz dela não passou de um sussurro. Logo ela encostou sua cabeça em meu ombro, envolvendo meu pescoço com as mãos e eu apenas a trouxe mais pra perto de mim.
- Você ainda não viu nada, pequena – sussurrei no ouvido dela, sorrindo ao vê-la se arrepiar. -
Cause if you want Love, we'll make it. Swimming a deep sea of blankets... (Porque se você quiser amor nós o faremos, nadando um mar profundo de cobertores.) – Apontei para o cobertor no chão, arrancando risadas de . -
Take all your big plans and break 'em. This is bound to be a while. (Pegue todos os seus grandes planos e quebre-os. Nós vamos demorar.)
Your body Is a wonderland
Seu corpo é o país das maravilhas
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Seu corpo é uma maravilha (Vou usar as mãos)
Your body Is a wonderland
Seu corpo é o país das maravilhas
levantou o rosto e ficou me encarando, nós sorrimos juntos e fomos aproximando os rostos até os lábios se encontrarem. Pedi passagem com a língua, coisa que foi prontamente cedida por ela. Levei minhas mãos para o rosto dela, enquanto nos beijávamos de um jeito calmo e intenso, ao mesmo tempo.
Something 'bout the way your hair falls in your face
É algo sobre o jeito que seu cabelo cai sobre o seu rosto
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
Amo como você fica quando engatinha em direção ao travesseiro
You tell me where to go and
Diga-me aonde devo ir e
Though I might leave to find it
Mesmo que eu saia para ir lá
I'll never let your head hit the bed
Nunca vou deixar sua cabeça bater na cama
Without my hand behind it
Sem minha mão para apará-la
Aos poucos, senti a mão de descendo pelas minhas costas e entrando dentro da minha blusa, me fazendo arrepiar. Desci minhas mãos também até sua cintura, apertando bem de leve e a trazendo mais pra perto de mim, se é que era possível. Afastamos nossos lábios alguns segundos e nos olhamos, era um olhar tão intenso que não era preciso dizer nada, nós dois sabíamos exatamente o que se passava na mente do outro.
Do you want love?
Você quer amor?
We'll make it
Nós o faremos
Swimming a deep sea of blankets
Nadando num mar profundo de cobertores
Take all your big plans
Pegue todos os seus grandes planos
And break 'em
E quebre-os
This is bound to be a while
Nós vamos demorar
Voltamos a nos beijar e delicadamente fui a deitando em cima do cobertor. Tomei cuidado para não deixar meu peso todo sobre , enquanto a ajudava a tirar meu moletom, junto com minha camiseta. Desci minhas mãos até a barra de sua blusa e fui a levantando lentamente, sem desencostar nossos lábios.
Damn baby
Caramba, baby
You frustrate me
Você me perturba
I know you're mine, all mine, all mine
Sei que você é minha, toda minha, toda minha
But you look so good it hurts sometimes
Mas você é tão linda que chega a doer às vezes
Paramos de nos beijar para ela tirar a blusa e eu observei bem seu rosto. Suas bochechas estavam levemente coradas e sua respiração estava meio rápida, sem contar que eu já tinha despenteado seus cabelos. Desci meu olhar pelo seu corpo e sorri levemente. Ela nunca esteve tão linda. Levei meu olhar ao seu novamente, encostando nossas testas – Você tem certe...
Ela não me deixou terminar. E eu tive certeza quando ela me interrompeu com aquele beijo. Não importava o que acontecesse, ela sempre ia ser minha. E eu dela.
I'll never speak of this again
Nunca irei falar disso novamente
Now theres no reason
Agora não há razão
I've got the kinda love in my hands
Eu tenho um tipo de amor nas minhas mãos
To last all season
Para durar toda a estação.
Já era noite quando nós voltamos para a casa. Eu me sentia tão feliz, tão leve. Olhei para , que estava deitado na cama esperando eu me trocar para deitar também. Terminei de colocar meu pijama e subi na cama, engatinhando até ele que levantou o edredom para eu deitar ao seu lado.
- To com frio, grandão! – disse fazendo um pequeno bico, ele se derretia todo quando eu fazia isso.
- Já disse que você fica mais linda ainda quando faz esse bico? – não disse?! Sorri balançando a cabeça e colocando meu rosto entre seu ombro e pescoço, me encolhendo um pouco. – Deixa eu te esquentar, pequena.
me puxou mais para perto, e eu entrelacei nossas pernas, ficando bem acomodada. Senti fazendo um leve carinho na minha cintura, e levantando meu rosto com a outra mão.
- Dorme com os anjos, . – ele disse baixo e em seguida depositou um beijo na ponta do meu nariz e eu sorri voltando a encostar a cabeça em seu ombro.
- Eu te amo, já te disse isso hoje, né? – minha voz não passou de um sussurro, já que eu tinha os olhos fechados e o sono cada vez mais se apoderava de mim.
- Já sim, mas eu não me canso de ouvir. – senti beijar o topo da minha cabeça – E eu te amo também. –
e foi a ultima coisa que eu ouvi antes de dormir.
---
Quando acordei no dia seguinte, eu estava deitada sozinha na cama. Achei isso estranho, já que sempre me esperava acordar ou ele mesmo me acordava. Resolvi sair da cama e ir em busca dele. Desci as escadas, que davam para o primeiro andar, e fui direto para a cozinha, encontrando ela vazia, tendo apenas o rastro de um rápido café da manhã, já que havia um copo com um resto de suco e um prato com algumas migalhas de pão. Como assim não me esperou para tomar café da manhã?
Caminhei até a sala e pra variar, ela estava vazia. Respirei fundo começando a me irritar. Odiava ficar sozinha nos lugares que eu não conhecia e sabia disso. Depois de ter certeza que estava sozinha, subi até o quarto para tirar o pijama e quem sabe depois eu iria procurar ele pelos arredores da casa.
Me arrumei e passei na cozinha para pegar algo para comer, estava morrendo de fome. Depois de comer meu sanduíche de presunto e queijo, fui atrás dele. Parei na porta da casa enquanto me perguntava para onde eu deveria ir. Comecei a andar pela rua, enquanto discava o número de para saber onde ele estava, mas foi direto para caixa postal. Se eu não o achasse logo ou me perdesse, ligaria para e pediria para ele vir me buscar, já que meu namorado me deixou sozinha ali.
Enquanto andava, observava a pequena vila onde a casa ficava, ficando admirada com as enormes casas que haviam ali. Estava tão entretida vendo as diferentes casas e pensando em maneiras de matar mais tarde que não ouvi quando um menino gritou para eu sair da frente, me atropelando com sua bicicleta logo depois.
- Você esta bem? – estava um pouco tonta, mas consegui olhá-lo e quase desmaiei com a beleza dele – Me desculpa, eu estava guardando meu celular no bolso e não vi você, e aí não deu tempo pra desviar e você não me ouviu e... –
- Eu to bem, eu acho. Só devo ter quebrado alguns ossos e ganhado alguns hematomas... Ai, isso dói –
falei tentando me sentar, ganhando prontamente ajuda daquele gato. Olhei meu braço e vi que ele sangrava um pouco.
- Meu Deus, vem, vou te levar pra casa e fazer um curativo nisso aqui. – ele disse me levantando. – Você consegue andar? –
fiz que sim com a cabeça, mas mesmo assim ele me pegou no colo, deixando sua
bicicleta no chão e me carregando para a casa que estava na nossa frente, uma
casa linda, aliás. – A propósito, eu sou o Mark.
- , mas pode chamar de . – eu sorri quando ele me colocou sentada no sofá e falou que já voltava. Escutei ele falando algo com uma menina que não devia ter mais que 10 anos, e logo ela saiu saltitante pela porta, provavelmente para pegar a bicicleta dele que estava no meio da rua.
- Aquela é minha irmã, Marrie. Deixa eu ver seu machucado, . – ele abaixou na minha frente, começando a limpar o ferimento delicadamente. – Eu venho pra cá quase todo final de semana, meus pais amam esse lugar... E nunca te vi por aqui. –
e olhou para mim como se esperasse uma resposta, logo voltando para meu machucado.
- Meu namorado tem uma casa aqui, aí viemos passar o final de semana. – ele me olhou como se perguntasse por que eu estava andando sozinha, ao invés de estar com meu namorado. – Ele sumiu. –
admiti meio que a contra gosto.
- Como assim, ele sumiu? Já ligou para ele? – balancei a cabeça afirmando, enquanto gemia baixinho de dor. – Desculpe por isso, prometo que logo para de arder. – Olhei pra cima para evitar as lágrimas, aquele remédio ardia, poxa. – E quem é seu namorado? Quem sabe eu posso te ajudar. –
- . A casa dele é aquela azul no começo da rua. – suspirei e peguei meu celular com a outra mão para ver se não tinha nenhum sinal de vida dele. Nada.
- O , filho da tia Kath? – concordei com a cabeça – Eu conheço mais a mãe dele, ela e a minha são amigas. Nunca falei muito com o ... Acho que ele nunca gostou de mim, na verdade.
- Mas você o viu por aí? – perguntei esperançosa.
Reparei que Mark demorou para responder. Na verdade, parecia que ele estava pensando se devia ou não me falar algo. Achei aquilo meio estranho, mas talvez fosse coisa da minha cabeça. Observei ele terminar meu curativo e colocar as coisas dentro da maletinha de primeiros socorros.
- Eu o vi hoje mais cedo, indo em direção a pracinha que tem aqui. – ele evitou olhar pra mim enquanto dizia, deixando claro que ele estava escondendo algo.
- Você pode me levar lá? Por favor? – pedi fazendo minha melhor cara de cachorro sem dono, daquelas que ninguém resiste. Ele respirou fundo, como se não quisesse isso, mas no fim sorriu e me estendeu a mão, me ajudando a levantar.
- Eu te levo lá. É aqui perto, a gente pode ir andando. – e saímos.
Enquanto caminhávamos até a tal da pracinha, conversamos sobre coisas idiotas, e rimos bastante. Mark era um cara legal, e morava em Londres também, como nós. Acho que a turma ia gostar dele. Ao chegarmos à pracinha, vi como ela era linda. Sorri com isso. Mas meu sorriso se fechou ao olhar certo banco mais ao fundo e reconhecer sentado tomando sorvete com uma garota. Tentei me convencer que era somente uma amiga, nada demais, mas não conseguia. Senti a mão de Mark nos meus ombros, como que me dizendo que ele estava ali. Eu não sabia o que fazer.
- Quer voltar, ?
- Não, eu vou até lá, eu só preciso tomar coragem.
- Qualquer coisa eu estou aqui, ok? Quer que eu vá com você?
- Não precisa, eu vou sozinha... Mas, me espera aqui? Eu acho que não sei voltar sozinha. –
o choro estava entalado na minha garganta e Mark percebeu isso, me dando um abraço de leve, devido aos meus recentes machucados. Pelo menos eu não me sentia mais tão sozinha assim.
Caminhei lentamente até , sentindo o olhar de Mark nas minhas costas. Era incrível, o conhecia apenas algumas horas, mas já parecia que éramos amigos há tempos. Cheguei perto de e da menina loira ao seu lado, e ele logo percebeu minha presença ali.
- Então você me esqueceu em casa pra vir passear com sua amiga? – eu tava com raiva, com dor no meu braço e em alguns lugares do meu corpo, devido a queda, e com uma incrível vontade de chorar. Sim, eu sou sensível.
- Eu não esqueci, já estava voltando. E eu nem fiquei tanto tempo fora assim, . –
ele disse e eu tive que me controlar para não bater nele ali mesmo. Até que ele olhou para o meu braço e ficou assustado – O que você fez no seu braço?
- Você ficou tão pouco tempo fora de casa que deu tempo pra eu tomar café sozinha, te procurar pela casa, sair em busca de você por aqui, ser atropelada por uma bicicleta, me socorrerem e fazerem curativo em mim, e ainda chegar até aqui, que convenhamos é uma caminhada considerável. Então sim, , você esqueceu de mim.
- Não é culpa dele. Nós nos encontramos e começamos a conversar, nunca vimos o tempo passar quando estamos juntos, não é mesmo, pequeno? –
pequeno? Aquela menina estava tirando uma com a minha cara, só pode. Dei uma última olhada para , que estava me olhando com uma cara meio que desesperada por ver que as coisas estavam feias para ele, mas nem assim ele levantou para ir me abraçar ou me levar embora daquele lugar.
- Ah, que lindo. Desculpa atrapalhar o papo dos amigos. Eu vou pra casa. Pode ficar aí, pequeno. –
o chamei pelo apelido da outra ironicamente, e virei para ir embora. E ele nem ao menos veio atrás ou me chamou. Isso acabou comigo e acho que Mark percebeu, já que ele simplesmente me abraçou quando eu cheguei até ele e saiu de lá me levando junto.
Mark me levou para a casa dele novamente e me sentou no sofá. Nessa altura eu já chorava, por tudo. Pela queda – que acreditem, estava doendo mais agora do que antes, e pelo .
- Não chora, . – Mark sentou do meu lado e me abraçou. – Me diz, o que eu posso fazer para você parar de chorar?
- Eu quero ir pra casa. Me empresta o telefone? – disse fungando. Queria ir embora e encontrar meus amigos. Só queria o colo do e da . Ultimamente eles eram mais meu porto seguro do que meu próprio namorado. Chorei mais ao perceber isso.
Mark perguntou pra quem eu queria ligar e eu disse que era para , que eu iria pedir para ele vir me buscar. Então pediu o
número dele e ele mesmo ligou. Vi ele se afastar um pouco enquanto fala com e eu apenas me encolhia no sofá. Alguns instantes depois, ele voltou e disse que ia me levar para Londres, que estaria me esperando. E pelo que Mark falou, ele estava uma fera com .
Fomos até a casa de e ele ainda não havia voltado. Peguei rapidamente minhas coisas e deixei um bilhete dizendo que estava voltando para casa. Entrei no carro de Mark, que me esperava na porta e fomos. No caminho ele tentava me animar fazendo gracinhas e falando besteiras, e eu consegui esquecer um pouco aquela dor toda. Não conseguia entender a ligação que se estabeleceu entre nós. Porque não fazia nem um dia que nos conhecíamos e ele se importava tanto comigo quanto , que eu conhecia desde sempre.
Quando chegamos na casa dos meninos, vi que e estavam na porta da casa me esperando. mexia compulsivamente suas mãos, sinal que estava nervosa. Já estava parado, com as mãos ao lado do corpo fechadas, com certeza ele estava bravo. Porém assim que ele me viu dentro do carro, suavizou sua expressão e veio correndo até mim.
- Pelo amor de Deus, o que foi que aconteceu? – abriu a porta e me puxou para um abraço quando saí. Mark saiu do carro e deu a volta para chegar onde nós estávamos e cumprimentou e, logo depois, . – O que é isso no seu braço?
- Um pequeno acidente envolvendo bicicletas – sorri para Mark de maneira cúmplice – Depois eu explico melhor. Ah, esse é o Mark. E Mark, esses são e .
- Nem sei como te agradecer por ter trazido a , cara. – disse sinceramente. Às vezes parecia que ele me tratava como uma criança de 5 anos, mas não podia negar que era fofo.
- Sem problemas – Mark sorriu - E nem foi algo tão difícil assim, impossível não gostar dessa menina.
- Isso, me deixa com vergonha – todos riram e me abraçou – Mas obrigada por tudo mesmo, Mark. Até por me atropelar com a bicicleta, se não, a gente não teria se conhecido e eu estaria perdida naquele lugar.
- Ele te atropelou, anja? – perguntou preocupada – Não machucou? Tá doendo?
- Nós dois estávamos distraídos e acabamos colidindo. Aí fiz o curativo no braço dela. – Mark sorriu culpado.
- To só com um pouco de dor no corpo, mas logo passa. Vamos entrar, gente? – eu estava cansada e queria conversar com os dois ainda.
- Bom, eu tenho que voltar pra lá, você vai ficar bem? – Mark olhou de mim para
e , e sorriu quando os três confirmaram. – Qualquer coisa, você pode me
ligar! Eu sei que a gente se conheceu hoje, mas eu gostei de você.
- Eu também. Quando voltar, liga pra gente combinar alguma coisa! – o abracei me despedindo. Depois disso ele deu tchau para e e entrou no carro, partindo logo em seguida.
Nós três entramos em casa e fomos para o quarto de . Ele largou minha mochila no chão enquanto eu subia na cama junto com , sendo seguidas por ele logo depois. Comecei a contar tudo. Desde o dia anterior quando eu e fomos à cachoeira, até hoje. Me perguntei um certo momento se eu não estava sendo exagerada, mas percebeu que eu estava pensando isso.
- Você não exagerou, . Você acabou de contar que acordou às 8 horas sozinha na casa e só foi encontrá-lo era quase meio dia, no parque tomando sorvete com uma loira que o chamou de pequeno na sua frente, só pra provocar e ele não fez nada. Sem contar que ele te deixou sozinha em um lugar que você não conhecia. Se o fizesse isso comigo, eu matava ele. – disse isso com uma cara homicida, o que assustou um pouco .
- Que horror, amor! - exclamou e nós duas rimos. – Mas ela está certa, . Quando o chegar ele vai ter que se explicar. –
ele suspirou – Eu liguei pra ele.
- E aí? O que ele disse?
- Ele tinha acabado de chegar em casa quando finalmente atendeu o celular. Devia fazer uma meia hora que o Mark tinha ligado. Ele disse que vai voltar amanhã, que ele não tinha culpa se você
estava de TPM.
- Ele disse isso? – minha voz saiu algumas oitavas mais alta. Não acredito que aquele tonto do tinha dito isso! – Eu mato o .
- E ele não gostou muito quando eu disse que era o Mark que estava te trazendo. Ele nunca gostou muito dele. –
ele olhou pra como se perguntasse se devia continuar e eu logo o mandei falar – Ele não estava sozinho. Tinha alguém com ele, mais especificamente uma mulher. Então ele desligou falando que estava ocupado.
Eu não chorei, não gritei, nem fiz nada. Eu só deitei na cama, sentindo meus dois melhores amigos me abraçando logo em seguida. Deixaria para pensar no que fazer amanhã quando visse , no momento eu só queria aproveitar o colo dos dois.
O resto do dia passou rápido. Logo e entraram no quarto e começaram a fazer gracinhas para me animar. havia contado para eles o que tinha acontecido por cima, antes de eu chegar. Era quase dez horas da noite quando me deixou em casa, junto com , que iria dormir comigo. Falamos rapidamente com meus pais e fomos para meu quarto.
- O que você quer fazer agora, ? – perguntei enquanto separava meu pijama.
- Tomar um banho, fazer brigadeiro e ficar vendo filme até o sono vir, o que você acha? – me perguntou com os olhinhos brilhantes.
- Uma ótima ideia. Faz assim, você toma banho aqui no meu banheiro e eu tomo lá no dos meus pais. Aí a gente desce, faz brigadeiro e assiste qualquer filme –
joguei a toalha que sempre usava quando vinha em casa para ela e peguei minhas coisas indo em direção ao quarto dos meus pais.
- Noite das garotas! – gritou de dentro do banheiro.
- É, noite do pijama! – gritei já do corredor e demos risada.
Mais tarde, já de pijamas e com uma panela de brigadeiro entre a gente, estávamos jogadas na minha cama, enquanto víamos Potter pela qüinquagésima vez e falávamos de coisas sem muita importância e riamos de quase tudo. Fazia tempo que não fazíamos essa noite das garotas e eu sentia falta de falar de tudo com , sem os meninos por perto. O filme acabou mais de meia noite e fomos logo dormir.
Dia seguinte eu acordei primeiro, fui ao banheiro e logo desci para comer algo. E quem é que eu encontro na minha cozinha, sentado na minha cadeira, comendo o bolo que minha mãe tinha feito pra mim? . Ele e minha mãe estavam tão entretidos conversando que nem notaram quando eu cheguei.
- Ei, vocês dois. – cutuquei – Sai do meu lugar.
- Filha, deixa o aí, senta aqui. – minha mãe apontou a cadeira em frente ao , mas eu gostava de sentar no meu lugar, na minha cadeirinha. Ela ficava de frente para a janela e eu adorava ficar viajando enquanto comia.
- Sua cara de quem acabou de acordar é a melhor – ria da minha cara.
- Folgado. Rouba meu lugar, meu bolo e ainda tira sarro. – sentei onde minha mãe tinha mandado e logo recebi um prato com bolo e um copo de suco.
- Cadê a ? – ele olhou para as escadas, esperando ver a namorada descer. – É meu dia de ir ao supermercado e vocês vão me ajudar.
- Claro! E por que eu faria isso? – arqueei minha sobrancelha – A propósito, sua namorada está babando na minha cama, não vai acordar tão cedo.
- Por que eu sou seu melhor amigo e você me ama. – exibiu um sorriso colgate – E vamos acordá-la logo. – levantou e nem esperou eu terminar meu suco, saiu me puxando.
Acordamos e depois dela amaldiçoar de todas as maneiras possíveis, ela concordou em ir ao supermercado com ele. Arrumamo-nos e fomos. Mais bagunçamos do que qualquer coisa. Depois fomos para a casa dos meninos ajudar arrumar as compras, já que ele não tinha essa capacidade.
Já era final de tarde quando terminamos de arrumar tudo. e haviam saído e não fazia ideia de onde poderiam estar, já e estavam deitados na cama, quase dormindo e eu estava no quarto com eles assistindo Três Espiãs Demais quando ouvi a porta lá em baixo abrir. Pensei que fosse um dos meninos que havia voltado para pegar algo, mas aquela voz me mostrou o quanto eu estava errada.
- Cheguei, cambada. – acordou instantaneamente ao ouvir e olhou para mim, assim como . Eu apenas dei de ombros.
- Aqui no quarto, dude. – gritou. Ouvi os passos seguirem em nossa direção e não demorou muito para ele aparecer.
ficou me encarando durante alguns segundos e me cumprimentou com um aceno de cabeça, rolei os olhos e continuei vendo meu desenho. Percebi que levantou e eles saíram do quarto, indo para qualquer outro lugar que eu não fazia ideia. sentou do meu lado e começou a assistir junto comigo. Nós duas éramos viciadas naquele desenho.
---
- Você podia ao menos ter falado com ela direito. – revirou os olhos, o que me deixou irritado. Por que ele sempre ficava do lado dela?
- Ela nem olhou na minha cara. – disse sentando na minha cama.
- Você esperava que ela te recebesse com beijos e abraços? – por que estava com uma cara de espanto mesmo?
- Claro que sim! Foi ela que quis voltar com aquele filhinho de papai. – já disse o quanto eu detesto o Mark? Encarei e ele começou a rir. – Ta rindo de que?
- Você pode ficar de conversa com aquela menina e ela não pode falar com o Mark? – continuava a rir, mas era aquele riso irônico que eu odiava.
- Eu estava apenas conversando com a Mel. Ela percebeu que tinha gente lá em casa e foi ver se eu estava lá, já que fazia tempo que a gente não se via. Só fomos dar uma volta e eu não vi o tempo passar. –
suspirei passando as mãos no cabelo, estava realmente cansado. – A não precisava ter feito todo esse drama.
- Tenta se colocar no lugar dela! – observei andar até a porta do quarto em silêncio – E conversa com ela.
Acenei com a cabeça, mas não queria conversar àquela hora. Resolvi tomar um banho e depois iria chamar a para conversar, afinal, ela iria ter que vir pro quarto em algum momento, já que ela dorme aqui comigo. Sorri com esse pensamento e fui para o banheiro.
Saí do chuveiro com a toalha enrolada na cintura e fui pegar minha roupa no quarto. Percebi que todos deviam ter descido para a sala, já que o quarto de parecia estar deserto. Coloquei qualquer calça de moletom e desci as escadas à procura de , iria conversar com ela agora mesmo. Porém, só achei o casal doçura – lê-se e – esparramados no sofá namorando.
- Cadê a ? – perguntei jogando uma almofada nos dois.
- Foi embora – disse olhando para mim – A mãe dela ligou e pediu pra ela voltar, que a
avó estava lá ou algo assim.
- Ah... Então ela não vai dormir aqui? – ela sempre dorme comigo, poxa. Eu nem sabia mais como dormir sem ela do meu lado. – E ela foi embora sem falar comigo?
- Ela falou pra eu te mandar um beijo. – deu de ombros e voltou sua atenção para . Suspirei e desejei boa noite para os dois. Eu iria dormir.
---
é um babaca. Eu esperava que ele viesse falar comigo, mas como ele preferiu me ignorar, então vim para casa. Eu sei que poderia ter ido falar com ele, mas por que sempre tem que ser eu quem corre atrás?
Jantei com meus pais - coisa que há muito tempo eu não fazia, já que vivia na casa dos meninos e logo subi para o meu quarto. Não via a hora de tomar um bom banho e deitar em baixo das cobertas. Tirei minha roupa pelo meio do caminho enquanto ia para o meu banheiro. Enquanto tomava banho, percebi que meu celular estava tocando no quarto, mas decidi ignorar, a água estava muito boa para eu sair de lá. Quando meus dedos já estavam enrugados demais, resolvi sair. Vesti meu roupão e fui para o quarto. Vi meu celular apitar, me lembrando que haviam ligado e fui ver. Havia sete chamadas não atendidas... De . Respirei fundo e liguei de volta.
- Alô? - ele atendeu com uma voz rouca de quem acaba de acordar, o que me fez arrepiar.
- Hey … Você ligou?!
- ! – ele acordou subitamente ao ouvir minha voz. – Oi pequena, onde você tá!?
- Em casa, eu tava no banho... – deixei a frase morrer e fiquei esperando ele falar o que queria.
- Eu queria conversar com você. – eu continuei quieta, por um momento fiquei com medo do que sairia da nossa conversa. –
Posso passar aí? Aí a gente vai pra algum lugar e conversa, por favor?
- , eu... – ia falar que estava cansada, mas o por favor que disse, que não era mais alto que um sussurro, me fez mudar de ideia. Respirei fundo e deitei na cama – Tudo bem, é o tempo de colocar uma roupa.
- Daqui a pouco eu chego aí, amor. Prometo não demorar. – uma onda de alívio percorreu pelo meu corpo ao escutar ele me chamar assim. Nos despedimos e desliguei o telefone, criando coragem para ir me trocar.
Quinze minutos depois, eu estava dentro do carro dele, olhando para minhas mãos, enquanto ele olhava para o volante, sem ligar o carro. Mordi meu lábio e acabei perguntando onde que a gente iria.
- Eu pensei em a gente ir lá pra casa, aí a gente conversava no quarto, seria mais sossegado... Mas se você preferir outro lugar, tudo bem.
- Não, vamos lá. – sorri levemente e ele depositou a mão em cima da minha. Não tirando ela de lá enquanto dirigia para casa.
Descemos do carro em silêncio e entramos. Todos estavam na sala vendo TV, os cumprimentei e subi para o quarto, sendo seguida por . Chegando lá, eu sentei na cama e abracei meu travesseiro que ficava lá. fechou a porta e sentou também, um pouco a minha frente e ficou me olhando.
- Então...
- O que aconteceu, ? Por que você voltou? – eu suspirei e baixei a cabeça. disse isso com uma voz triste, não entendendo o que ele tinha feito, o que me deixou mais chateada.
- Por que você saiu e me deixou sozinha em casa? – disse ainda olhando para baixo.
- Foi por pouco tempo, amor. Não entendi porquê você ficou brava. – ele não entendia mesmo? Eu ia começar a chorar, porque eu ando tão sensível esses dias?
- Pouco tempo, ? Eu acordei cedo e você não estava em casa. Eu te procurei pela casa toda, sai atrás de você e fui atropelada pelo Mark – fez que ia falar algo, mas eu ergui minha mão, não o deixando continuar – Se não fosse por ele eu teria me perdido naquele lugar, já que você nem ao menos atendeu seu celular.
- Eu não acredito que aquele idiota te atropelou! – eu suspirei cansada, não queria falar disso agora.
- Ele trombou com a bicicleta em mim, mas me ajudou depois... E me disse onde você estava. –
eu não percebi, mas minha voz se elevava aos poucos. – E quando eu vejo, você tava com uma loira horrorosa quando era pra estar comigo. –
eu queria chorar, e percebeu.
- A Mel é minha amiga e a gente foi tomar um sorvete pra colocar o papo em dia, mas você tava toda linda dormindo que eu não quis te acordar. – disse tentando concertar a burrada e se aproximando de mim.
- Um sorvete de quantas horas? – eu já estava chorando – Você se esqueceu de
mim!
- Hey pequena, não chora, por favor – ele me abraçou. – Jamais eu me esqueceria de você.
- Me diz porque você fez isso, de verdade.
- Eu... Amor, eu não sei. Quando eu acordei e desci pra preparar o café eu me lembro de ter ficado com dor de cabeça e quando percebi, já estava falando com a Mel e... E era como se não fosse eu. Aí você apareceu e foi como se eu lembrasse de tudo. –
não entendi nada do que estava dizendo. – Eu juro, . Não é que eu esqueci de você... Jamais, meu amor. Mas, por um momento, eu senti que tinha voltado no tempo. Faz sentido pra você?
- Não , não faz.
- Amor, esquece isso. Só me perdoa, tá?
- Tá, tudo bem. – não olhava pra ele. Algo dentro de mim desejava que ele me soltasse.
- Dorme aqui hoje? – ele beijou meu pescoço – Eu to com saudades de você.
- Não avisei minha mãe, melhor eu voltar pra casa. – levantei da cama e antes que pudesse levantar e dizer que me levava, eu andei pra porta do quarto – E pode deixar que eu pego um táxi, amor.
- Mas ... – não fiquei lá pra ouvir o que tinha a dizer. Eu só queria ir pra casa.
Eu não acreditei quando a vi sair do quarto daquele jeito, como se ela
estivesse fugindo de mim ou coisa parecida. Comecei a pensar em tudo o que vem
acontecendo desde que eu acordei, eu não tinha machucado a daquele jeito,
teria? Eu sentia como se nosso namoro aos poucos estivesse acabando, eu sentia a
cada vez mais longe de mim.
Ouvi a porta do quarto da frente bater e deduzi que seria um dos meninos indo
dormir. Peguei meu celular em cima da escrivaninha com a intenção de ligar para
para saber se ela tinha chegado bem, mas logo desisti o tacando na minha
cama. Deitei e fiquei olhando para o teto pensando nas coisas mais aleatórias
que nem vi o sono chegar.
---
Quanto mais os dias passavam, mais a gente se distanciava. Eu arrumava mil
coisas para fazer e sempre que podia, me ajudava nisso. vivia me
ligando, me chamando para sair, mas eram raras as vezes que eu saia só com ele.
Preferia ir para a casa dos meninos e ficar lá com ele, assim qualquer coisa
e vinham em meu socorro.
Hoje era um dia frio e com isso a preguiça dominou todos nós, nos fazendo ficar
em casa assistindo vários filmes que os meninos pegaram na locadora mais cedo.
- Por que a gente só tá assistindo esses filmes de menininha? – reclamava
porque era o segundo filme de comédia romântica que assistíamos.
- Porque esses são os melhores! – disse com lágrimas nos olhos enquanto
víamos o final de Cartas para Julieta. – E cala a boca, .
Minha amiga é delicada, não?
- A gente podia ver algo mais adulto – tentou quando passava os créditos
do filme.
- Tipo o que? – falou enquanto o resto - eu, , e – só
observávamos os dois.
- Tipo um de terror. – revirei os olhos junto com – Eu peguei um pra
gente ver! Sabia que esses filmes iam entediar a gente e...
- E nada. Pode sentar a bunda no sofá que você não vai pegar filme de terror
nenhum. – E alguém é louco de contrariar essa menina?
- Você não vai colocar outro filme brega pra gente ver – levantou e
apontou o dedo pra .
- É isso mesmo, ! Ai amor! – exclamou depois do tapa que dei no braço
dele.
- Não se intromete, . – ele bufou do meu lado.
- Tudo bem. Não coloco filme assim e você não coloca nenhum de terror. – Ela
começou dizendo, sorriu, assim como os outros meninos, mas eu só esperei
terminar de falar... Ela não cederia tão fácil assim – Mas eu escolho o
filme.
E ela levantou sem nem deixar chances de alguém se opor. Eu não disse?
- Vem cá, ! – que estava um pouco longe do sofá escolhendo o filme, me
chamou.
- To aqui, amiga. – sorri quando cheguei onde ela estava.
- Como estão as coisas? Não tivemos muito tempo sozinhas pra conversar... - Ela
deixou a frase morrer, aguardando minha resposta.
- Estão normais, ué – falei dando de ombros. – Semana que vem ele tem médico pra
ver se está tudo bem e pediu pra eu ir junto.
- E você vai?
- Claro né, !- suspirei e olhei rapidamente na direção dos meninos – Eu... Eu
sinto falta dele, sabe? Não é mais a mesma coisa. Eu me afastei com medo de me
machucar mais e ao mesmo tempo, eu me sinto idiota por isso... Ele precisa de
mim, não deve estar sendo fácil pra ele tudo isso... E às vezes, eu acho que
essas mudanças de humor dele podem ter a ver com o acidente.
- É, pode ser, mas...
- Vai demorar muito com o filme? – gritou.
murmurou um ‘folgado’, pegou o filme e fez sinal que depois a gente
continuava a conversa. Assenti e fui para meu lugar ao lado de , que me
abraçou assim que eu sentei.
Comecei a rir quando vi o filme que minha amiga tinha escolhido, adorava Sr. &
Sra. Smith, mas os meninos, principalmente , pareceram não gostar muito.
- Esse filme é de menininha também. – Ele bufou, sendo acompanhado pelos outros
– Pode tirar, .
- Não é de menininha. Tem cenas de luta, tem sangue... E uma dose muito fofa de
romance. – ela sorriu e os meninos bufaram de novo. – Agora silêncio que eu
quero escutar.
Coloquei minhas pernas por cima das de , ficando praticamente em seu colo.
Como só tinha nós dois naquele sofá, não faria mal eu ser um pouco folgada.
, por sua vez, me apertou contra seu corpo, no que eu coloquei meu rosto na
curvatura de seu pescoço.
- Vai dormir? – ele sussurrou no meu ouvido.
- Não... – minha voz saiu abafada, já que não levantei o rosto para responder.
Sorri quando senti ele passando os dedos de leve na minha cintura. Sorri mais
ainda quando percebi que ele se arrepiou por isso.
- A gente podia subir pro quarto, o que acha pequena? – ele perguntou e eu me
encolhi um pouco. – A gente já viu esse filme várias vezes mesmo...
- Ah amor, mais tarde a gente vai. – eu queria ir, mas algo me fez fugir
disso... Medo talvez?
Senti tirar as mãos da minha cintura e levantei o rosto para olhá-lo. Ele
tinha os olhos fechados e a cabeça apoiada no encosto do sofá, com uma expressão
um pouco frustrada. Sussurrei seu nome e ele olhou para mim.
- Poxa , por que você só foge? – ele disse baixo para não atrapalhar os
outros que viam o filme, por incrível que pareça, super concentrados.
- Não estou fugindo de nada, . – desviei o olhar para a TV. Então ele tinha
percebido, droga.
- Ah não? Então tá o que, ? – falou um pouco mais alto, o que fez
com que todos olhassem para gente. Ele suspirou e levantou – Podem continuar
assistindo, pra mim já deu por hoje.
Bruised and battered by your words
Machucado e espancado pelas suas palavras
Dazed and shattered now it hurts
Atordoado e despedaçado, como isso dói
Haven't I always loved you?
Eu não sempre te amei?
Ele tirou minhas pernas do seu colo e levantou. Pelo barulho, deduzi que ele foi para cozinha e logo depois subiu pro quarto. E eu continuava imóvel e de olhos fechados no sofá.
But when I need you
Mas quando eu preciso de você
You're almost here
Você está quase aqui
Senti alguns braços em mim e abri meus olhos para encontrar e , cada um de um lado segurando minha mão, na minha frente com as mãos nos meus joelhos. parou o filme, chegou perto de nós e depositou um beijo na minha testa.
Well I never knew how far behind I'd left you
Bom eu nunca soube quão longe eu te deixei
Well I'm sorry that I took our love for granted
Sinto muito por ter subestimado seu amor
- Vou conversar com ele, não fica com essa carinha, nanica. – Ele sorriu e
seguiu o mesmo caminho de .
- Você tá bem, ? – perguntou, todo fofo enquanto fazia carinho na minha
mão com o polegar.
- Eu to sim. – dei um sorriso meio fraco, que não convenceu nenhum deles – Eu só
não esperava que ele tivesse percebido... Ele está chateado, né? – perguntei
olhando para minha amiga.
- Ah , tenta entender o lado dele. – começou falando.
- É, faz tempo que eu não vejo vocês dois isolados do mundo no quarto dele. –
sorriu e apertou minha mão.
- Eu sei que você tem medo de se machucar, que o às vezes é imprevisível e
que a gente nunca sabe como ele vai reagir às coisas. – suspirou. – Mas
amiga, assim você tá se machucando do mesmo jeito. – percebi que ela disse isso
meio contra vontade.
- Porque todo mundo sabe o quanto você fica mal se aquele lerdo fica triste. –
riu. – Tá mais do que na cara o quanto você ama o .
Eu sorri um pouco, sabia que eles tinham razão. Só que ver o assim, bravo
comigo, me deixa com uma sensação estranha e eu fico toda triste e sensível. E o
pior de tudo, era minha culpa também, porque eu me afastei ao invés de tentar
melhorar as coisas.
- E todos sabem também o quanto o te ama. – disse e levantou. –
Enquanto o tá lá com ele, o que acham da gente fazer brigadeiro?
- E precisam de quatro pessoas pra fazer, ? – perguntei rindo. Não tinha como
ficar mal com eles por perto.
- Quem disse que eu vou fazer? Só vou comer, baby. – disse já indo em
direção à cozinha.
- Eu vou ajudar o . – se levantou e seguindo .
Eu e nos olhamos e começamos a rir. Ela me deu um abraço rápido e juntas
fomos fazer o brigadeiro para aquelas duas crianças.
---
- Posso entrar, dude? – perguntou colocando a cabeça para dentro do
quarto.
- Entra aí. – respondi ainda envolvido com minha latinha de cerveja.
- Você tá legal? – estava cauteloso ou era impressão minha?
- Tá tudo bem sim e com você? – ainda não olhava pra ele, no momento a latinha
em minha mão era tão mais bonita.
- Eu to bem, . – ele fez um barulho estranho com a boca, como se fosse
falar algo e desistindo logo em seguida. Olhei para ele e vi que ele estava
encostado no meu guarda roupa estralando os dedos. Arqueei uma sobrancelha e
fiquei esperando ele falar algo. – Só queria ver se você tava legal.
- Você não veio até aqui só pra perguntar isso, . – ri sem humor nenhum. –
Por que ela está me afastando desse jeito? Que merda, dude. Quanto mais eu tento
me aproximar daquela menina, mais ela arruma uma desculpa pra evitar ficar
sozinha comigo.
Eu desabafei aquilo de uma vez, afinal sabia que estava aqui para isso.
Ele era amigo da , mas desde pequenos nós somos como irmãos. Ele era meu
melhor amigo e dificilmente eu conseguia esconder algo dele e vice e versa.
- Por que ela tem medo de acabar se machucando. – eu ia falar algo, mas
levantou a mão pedindo pra eu ficar quieto. – Eu sei que você não quer fazer
isso, . E ela sabe disso também. Só que você ultimamente anda com o humor
meio estranho.
- É estranho isso. Coisas que normalmente eu levaria numa boa, me estressam. E
eu sinto uma raiva e sem querer desconto na . – passei a mão pelo meu
cabelo, num gesto nervoso. – O que tá acontecendo comigo, ? Eu não era
assim. – essa ultima frase saiu algumas oitavas mais alta, devido à minha
angustia.
- Não sei, mas você já parou pra pensar que ficou assim depois do acidente?
Eu desviei meu olhar para o chão. Claro que eu tinha percebido isso. Antes do
acidente, eu jamais havia gritado com a ou com qualquer um dos meninos. Eu
sempre fui um dos mais calmos do grupo. E ultimamente tudo era motivo para eu
gritar e ser grosso com alguém, até os meninos já tinham ouvido, só que eles me
ignoravam e me deixavam falando sozinho, diferente de , que ficava mais
indefesa a cada vez que eu explodia com ela.
- ? – me chamou, fazendo eu acordar dos meus pensamentos.
- Eu sou um merda, cara. – suspirei derrotado, deitando minhas costas na cama.
- Não é, não. – levantei meu braço e fiz um sinal de joinha pro . – A
sabe que isso pode ser por causa do acidente. Eu lembro que quando você teve
alta, o médico disse umas coisas assim.
- Por isso que ela ficou me enchendo pra marcar uma consulta com ele? – não
gostava de médicos e isso só se intensificou depois do acidente.
- Exatamente. – percebi que sorriu – É bom , principalmente por
causa da pancada que você tomou.
- Foi tão feio assim? Digo, eu sei que o acidente foi feio, afinal, fiquei em
coma um tempão, né. – sentei na cama novamente olhando pro – Mas nunca
me contaram muito sobre isso, só o básico... E nunca tive coragem de saber quão
mal eu fiquei... Como vocês ficaram... – olhei pra ele sugestivamente, num
pedido silencioso.
- Foi horrível, . Quando ligaram pra gente falando que você estava no
hospital... – ele fez uma pausa e tomou fôlego – Nós todos achamos que era um
trote, ninguém queria acreditar que você tinha sofrido um acidente. Mas mesmo
assim a gente foi pro hospital, junto com seus pais. Só que a gente chegou lá e
a única informação que deram é que tinha um garoto que aparentemente se chamava
Daniel dentro da sala de cirurgia e que foi com ele que o número do foi
achado. – tinha os olhos marejados e eu imaginei como eles devem ter se
sentido.
- Quando o médico saiu e veio falar com a gente, acho que foi o momento mais
difícil. Ele disse que você tinha sofrido um acidente grave, que estava bem
machucado e tinha tipo um hematoma na parte da frente do cérebro, ou algo assim
e que você tinha saído da cirurgia, mas ele não sabia quando você iria
acordar... E nem o que aconteceria se você acordasse, por causa dessa batida.
Sua mãe quase teve um troço e a , ela tava em choque, dude. – ele falou isso
quase sem respirar e logo em seguida olhou pra mim e suspirou. – Ela não se
mexia, nem chorando ela tava.
- Eu não sabia de nada disso, ... – eu estava sem palavras.
- Eu sei, . – ele sorriu triste e eu balancei a cabeça para ele continuar.
– E bom, quando a acordou do transe, ela começou a chorar e gritar que
queria te ver. Eu e o tivemos que pega-la no colo e levá-la para uma
salinha, onde o médico deu um calmante e ela dormiu. Eu e a ficamos a noite
toda lá com ela. – não pude evitar sorrir, tratava a como uma irmã.
– Quando ela acordou foi pior, porque ela só chorava. Aí o médico nos deixou
entrar na UTI e cara, foi tenso. Você tava todo machucado e inchado... Fora os
milhões de fios que estavam ligados em você. A chorava tanto e a também.
– Ele olhou para os pés – Todos nós choramos quando vimos teu estado. E desde
aquele dia, a gente ia todos os dias lá te ver. – Eu deixei uma lágrima escorrer
pelo meu rosto, aquilo tinha me deixado grato pelos amigos que eu tinha. – Todo
mundo ficou com medo de te perder, .
- Eu... Eu nem sei o que dizer. – passei minhas mãos no rosto. – Eu fiz todos
vocês sofrerem e ainda to fazendo...
- Dude, não é tua culpa. Tem grandes chances de ser por causa de alguma sequela,
sei lá. – Ele se levantou e sentou do meu lado. – Mas você tem que ir ver isso.
Por você, pela e por todos nós.
- Eu vou sim, . Não aguento mais isso.
- Eu sei. – Ele deu um tapinha no meu ombro – A gente percebe o quanto você
sofre quando estoura com algum de nós, principalmente com a pequena.
- Ela ficou mal? – Me sentia meio culpado, porque eu podia tentar me controlar.
- Ela ficou com uma carinha meio murcha, mas vocês já tiveram brigas piores. –
Ele riu.
- Sabe, eu sinto como se ela não tivesse me perdoado pelo que aconteceu naquele
final de semana... – falei me referindo ao final de semana que eu a levei pro
interior.
- Se coloca no lugar dela, . Você a largou pra falar com a Mel e ainda
brigou com ela. – eu sou um idiota e o só tá me confirmando isso.
- Juro que não foi minha intenção. Mas quando eu me lembro daquele dia, é tudo
tão confuso. As minhas memórias, sabe? Não sei explicar, dude, vem tudo em
flashes, só a parte que eu discuti com a que é mais real. – balancei os
dedos no ar, como se tivesse fazendo aspas.
- Tá vendo? Você precisa ir logo no médico. – andou em direção a porta –
E descer pra falar logo com a .
- Vamos lá. – segui e descemos as escadas, já ouvindo as risadas dos
quatro vindo da cozinha. Ouvi um “, devolve meu brigadeiro!”, que com certeza
vinha de . Não pude deixar de sorrir.
---
Tinha acabado de pegar a tigela com o brigadeiro da mão de quando vi os
dois entrarem na cozinha. foi direto atacar o brigadeiro que estava com
. por sua vez, veio até mim e colocou o dedo no brigadeiro e depois
o passou em meus lábios.
- Desculpa amor. – ele sussurrou e me deu um selinho, ficando com a boca de
chocolate também. – E depois, quero conversar sério com você. – Ele terminou de
falar sorrindo e me deu mais um beijo, dessa vez passando a língua onde ainda
restava chocolate.
- Sabe , o brigadeiro não é só de vocês. – um emburrado falou.
- Mas vocês tem a tigela de vocês, essa é a minha. – falei apontando pra tigela
que estava com .
- Mas eu não vou dividir com ele, como um casal – falou aquilo como se
fosse óbvio e eu ri. Pedi pra segurar a que estava nas minhas mãos e
arranquei a que estava com .
- Devolve isso aqui! – gritou enquanto vinha correndo atrás de mim, mas
o segurou. Os outros? Só riam.
Peguei outra travessa e coloquei metade do que estava na tigela do . Depois
entreguei uma para cada um sorrindo. ficou feliz, já que não teria que
dividir com ninguém, mas ficou emburrado.
- Era meu, . – ele disse fazendo bico e eu dei uma gargalhada alta.
- Pega logo senão essa fica comigo também. – Dei um sorrisinho malvado e ele
logo saiu correndo pra sala com sua tigela de brigadeiro. e já
tinham ido também.
- E essa é nossa? – me olhou sorrindo.
- Uhum. – balancei a cabeça afirmando. Ele continuou sorrindo e me estendeu a
mão, me puxando pra sala logo em seguida.
And now I'm with you I'm close to tears
E agora que estou com você, quase choro
'cause I know I'm almost here
Porque sei que eu estou quase aqui
Only almost here
Somente quase aqui
---
- Nós vamos voltar a ver filme? – disse meio entediado.
- Não quero, a gente fez isso o dia inteiro. – o tom de era arrastado.
- A gente podia...
- Aproveitar e sair um pouco, faz tempo que não saímos de casa juntos pra se
divertir. – interrompeu e todos pareceram aprovar a ideia.
- E onde nós vamos? – Eu estava com preguiça, mas ia ser legal sair um pouco.
Não aguentava mais ficar presa dentro de casa.
- Abriu um pub novo aqui perto, vamos? – sugeriu já de pé. De fato, ele
estava realmente animado pra sair.
- Por mim... – eu disse sorrindo ao mesmo tempo que disputava com a última
colher de brigadeiro.
- Fechado, então as nove todo mundo pronto! – disse já puxando
pela mão. – E se apressem, porque já são quase oito.
Levamos os pratos pra cozinha e cada um seguiu para seu quarto e no meu caso e
da , seguimos para o quarto de nossos respectivos namorados.
Entrei no quarto com e enquanto ele se jogava na cama eu fui em direção ao
banheiro dele tomar um banho. Não demorei mais que o necessário e logo em
seguida ele entrou. Coloquei uma calça legging preta, uma blusinha creme com meu
sapato preto. Simples e bonita, do jeito que eu gostava.
- Você tá linda, amor. – disse assim que saiu do banho e eu estava
calçando os sapatos. Ele já estava com sua calça jeans e a camisa preta que eu
amava, lindo.
- Você também. – levantei da cama e caminhei até ele, dando um selinho assim que
nos aproximamos.
- Desculpa por mais cedo, eu realmente não queria ter gritado com você. – ele
passou os braços pela minha cintura, colando mais os nossos corpos.
- Vamos esquecer isso, amor? – Apoiei minha cabeça em seu ombro. – Eu sinto
falta de ficar assim com você.
- Eu também... – percebi que ele queria falar mais alguma coisa, mas logo mudou
de ideia.
- Vocês estão prontos? – disse após bater na porta. – Atrapalhei algo? É que
os meninos estavam enchendo já...
- Só falta terminar de prender meu cabelo e o por o tênis. – disse
sorrindo, ela assentiu e saiu do quarto. Logo terminamos e os encontramos na
sala.
- Eu quero ir com meu carro... Vai que eu encontro uma gata e... – fez um
gesto estranho e uma cara de safado, como se sinalizasse o que iria acontecer
caso ele encontrasse uma ‘gata’. pareceu gostar da ideia e disse a mesma
coisa. Meninos.
- Então vamos nós quatro no meu carro? – perguntou para mim, e
. Balançamos a cabeça confirmando e ele entrelaçou os dedos nos meus, indo
em direção ao carro.
Não demoramos a chegar ao tal pub. Era um lugar amplo, com uma música bem
animada e várias mesinhas espalhadas, com uma pista improvisada no meio. Eu,
, e sentamos numa mesa do canto, enquanto e já haviam
sumido entre as pessoas.
Foi uma noite agradável. e eu dançamos grande parte das músicas, sempre com
os meninos do nosso lado, até resolveu arriscar um passos arrancando
risadas de todos nós.
Logo voltamos para a mesa, enquanto e disseram que queriam dançar mais
um pouco – lê-se: se agarrar mais um pouco. e eu não ficamos muito atrás e
assim que sentamos, ele segurou meu rosto delicadamente e juntou nossas bocas.
Inconscientemente, levei minhas mãos até seus pulsos, fazendo um leve carinho,
enquanto entreabria os lábios para que ele pudesse aprofundar o beijo, coisa que
ele fez logo em seguida. Aproximei mais meu corpo do dele e quase caí da cadeira
por isso, o que o fez me puxar para seu colo, sem interromper nosso beijo. Senti
seus lábios descerem para o meu pescoço, enquanto minhas mãos se misturavam
entre seus cabelos.
- Eu te amo, . – ele disse próximo a minha orelha, me fazendo arrepiar.
Afastei meu rosto do dele e sorri. Seus olhos estavam brilhando e pela expressão
de , ele parecia ver a coisa mais linda do mundo à sua frente, enquanto
seus braços me apertavam entre eles, como se ele quisesse ter certeza que eu não
iria fugir dele. Sorri ao notar que ainda me olhava com o mesmo olhar
apaixonado de quando ele me pediu em namoro e que isso dificilmente iria mudar.
- Eu também, pequeno. – e juntei nossos lábios novamente.
Quarta-feira. O dia da minha consulta havia chegado e eu estava ansioso.
Depois que me contou como tudo realmente aconteceu, eu não parei de
pensar que havia algo errado em minha cabeça. Só podia estar errado. E isso eu
descobriria hoje, junto com a , que iria me acompanhar ao médico.
Olhei para o espelho e senti meu estômago dar algumas voltas. Estava ansioso,
tinha exagerado na comida na noite anterior e mal consegui dormir. Para
completar tudo isso, minha namorada anda evitando dormir aqui em casa, fato que
me deixou ainda mais tenso.
Terminei de arrumar meu cabelo, em seguida fui em direção a porta em silêncio e
apenas acenei quando algum dos meninos me desejou boa sorte. Já no carro peguei
meu celular e digitei uma mensagem rápida para dizendo que em poucos
minutos estaria na casa dela e saí com o carro. Algum tempo depois ela já estava
sentada no banco do passageiro falando coisas bobas, com certeza com o intuito
de me acalmar. O único problema é que eu a conheço melhor do que qualquer pessoa
e sei que ela está tão ansiosa quando eu – para não dizer nervosa, e tentava
disfarçar tagarelando sobre qualquer coisa.
- Amor, você está tão quietinho. – Senti seu olhar sobre mim e sua mão na minha
coxa.
- Você que não parou de falar desde que entrou no carro, pequena. – sorri de
leve, mas logo comecei a rir quando percebi suas bochechas vermelhas.
- Isso, me chama de tagarela, seu chato! – ela cruzou os braços e ficou
emburrada. Aproveitei que o farol estava fechado e a olhei arqueando uma
sobrancelha, o que a fez mostrar a língua.
- Chato que você ama. – Ela sorriu e eu dei de ombros, o que me rendeu um leve
tapa no meu braço – Violenta essa mulher... – sussurrei e ela bufou, rindo em
seguida.
Ao chegarmos ao consultório, fomos encaminhados para uma salinha de espera, onde
logo uma moça vestida com aqueles uniformes de hospital veio falar conosco,
perguntando algumas coisas, que respondia com a ajuda da . Logo ela foi
embora e me chamaram para outra sala, onde tive que entrar sozinho, deixando uma
inquieta e nervosa para trás.
Fizeram alguns testes comigo, mas nada muito complexo e disseram que logo o
médico me chamaria. E não deu outra, logo nós entramos na sala do médico, que
era tão enorme quanto o resto daquela clínica, com vários protótipos do corpo
humano espalhados por ela, assim como vários quadros com aqueles desenhos que a
gente vê nos livros quando estuda biologia na escola – e nunca entende nada
daquilo.
- Fazia já um tempo que não nos víamos, eim . – Era o mesmo médico que
cuidou de mim quando eu sofri o acidente. Uma pessoa bem legal.
- É, faz tempo mesmo. Mas não me leve a mal, doutor, eu preferia que a gente
ficasse ainda mais tempo sem nos ver, mas como não deu... – ri fraco e senti a
mão da apertar a minha, me lembrando que eu não estava sozinho. O médico
sorriu para nós.
- Ninguém gosta de vir me ver, nunca entendi essa rejeição... – ele olhou para
um ponto vago como se realmente estivesse pensando o motivo e logo todos
começamos a rir. Pronto, o clima tenso havia ido embora. – E vejo que sua
namorada está cada vez mais bonita! – sorriu pra , que ficou envergonhada. –
Você tem sorte, rapaz! Mas o que te trouxe aqui?
Era esse o momento, certo? Comecei a contar tudo para o médico, tudo sobre as
minhas dores de cabeça, meus lapsos de memória, minha mudança brusca de humor.
Falei tudo. Em alguns momentos, me interrompia para acrescentar um ou
outro detalhe.
O médico – Doutor Owen – escutava tudo atentamente enquanto ia fazendo anotações
no seu notebook. Vez ou outra fazia uma pergunta e logo voltava a digitar as
coisas que eu falava. Depois de mais de meia hora falando, ele me pediu para
sentar na maca que havia em sua sala para me examinar. Testou meus reflexos,
examinou meus movimentos, meu campo de visão, senso de direção, tudo o que vocês
possam imaginar.
- Pode voltar para junto da sua namorada, filho. – ele apontou para que
estava olhando atentamente todos os nossos movimentos. – Vou lá fora buscar os
testes que você fez antes de entrar.
- Como você está se sentindo, ?
- Não sei amor, acho que estou bem. – entrelacei meus dedos com os de ,
que apertou minha mão entre as suas. – E você? – perguntei só pra fazer um pouco
de graça.
- Se você está bem, eu também estou. – sorri diante seu comentário – Mas estou
ansiosa. O que será que o doutor vai falar, amor?
- Não sei, . – abaixei minha cabeça e soltei o ar que estava preso em meus
pulmões. – E estou com medo de descobrir.
- Seja lá o que for, vamos enfrentar juntos. – ela segurou meu queixo
delicadamente e levantou meu rosto, sorrindo. Sorri junto e dei um selinho
rápido nela.
When it gets cold
Quando fizer frio
And it feels like the end
E parecer ser o fim
There's no place to go
E não tiver para onde ir
You know I won't give in
Você sabe que não desistirei
No, I won't give in
Não, eu não desistirei
- Eu não mereço você. – balancei a cabeça e ela somente riu discordando. – É
sério! Você sempre é perfeita comigo e eu só dou mancada.
- E ambos sabemos que é porque algo deve estar errado. – Senti a mão dela
acariciar minha bochecha e fechei os olhos. – E se você imaginasse o quanto me
faz feliz, jamais falaria isso.
- Você que me faz feliz, amor. – estava me aproximando para dar um pequeno beijo
nela, quando a porta abriu, revelando o Doutor Owen. Ele não podia ter demorado
mais um pouquinho, poxa?
- Bom, aqui estão os resultados dos testes que você fez. – Observamos ele
sentar-se à nossa frente. – Para eu dizer exatamente o que está acontecendo com
você, eu preciso que faça alguns exames mais complexos. – E me estendeu um papel
com alguns pedidos de exame que a pegou antes de mim. – Você irá fazê-los o
mais rápido possível e trazer para eu ver. Mas já posso te adiantar uma coisa,
essas suas mudanças de humor, suas dores de cabeça... Provavelmente ficou alguma
lesão.
- Mas enquanto isso, alguma coisa que ele tem que fazer, Doutor? –
perguntou preocupada.
- Vou dar esse remédio – e estendeu a caixinha de amostra do remédio, junto com
a receita do mesmo. – Você vai tomá-lo uma vez por dia, antes de dormir. Isso
irá aliviar as dores de cabeça. E paciência. Eu sei que é difícil, mas mesmo
quando vocês perderem a paciência, não se esqueçam que precisam um do outro.
Então, , tente se controlar, quando sentir que está ficando irritado, ou que
vai explodir com alguém, peça licença e saia. Tente se acalmar. E você, ,
tenha paciência. Ele precisa de você e tenho certeza que ele não quis ter
brigado na maioria das vezes.
assentiu com a cabeça, assim como eu. Despedimos-nos do médico, falando
que voltaríamos assim que os exames ficassem prontos. Seguimos para o carro em
silêncio. Assim que entramos, vi que olhava para mim. Arqueei minha
sobrancelha, esperando que ela falasse.
- Vai tudo ficar bem, né? – sua voz saiu baixa e eu a puxei para um abraço.
- Claro que sim, amor. – beijei o topo de sua cabeça. Ficamos assim, em silêncio
e abraçados durante algum tempo. – Não quero te machucar. – Falei mais pra mim
do que pra ela.
Hear me when I say,
Escute quando eu digo
When I say I believe
Quando digo que acredito
Nothing's gonna change destiny
Nada irá mudar o destino
Whatever is meant to be
O que quer que seja
We'll work out perfectly
Nós resolveremos perfeitamente
- E você não vai. – Ela se afastou um pouco para olhar meus olhos. – A gente vai
passar por isso, você vai ver.
- , e se eu tiver algo sério? E se eu tiver que, não sei, se isso for
acabando aos poucos comigo? – eu comecei a ficar desesperado. – Não é justo você
passar por isso por minha causa, e se –
- E se for algo sério, algo complicado, eu vou estar bem ao seu lado. – ela
colocou a mão em meu rosto assim que me interrompeu, fazendo-me fechar os olhos
ao sentir o toque – Nós vamos ficar bem, amor, juntos. Eu jamais te deixaria
sozinho.
- Você é um anjo. – encostei nossos narizes, num beijo de esquimó – O meu anjo.
- Deixa a ouvir você falar isso que ela vai ficar com ciúmes. – Ri ao ouvir a
risada gostosa que a deu. – Você sabe, eu sou a anja dela, né.
- Eu sou seu namorado, tenho mais direitos! – exclamei fazendo cócegas nela, me
deliciando enquanto ouvia seus gritos e risadas.
- Claro, claro! Agora explica isso para a nossa amiga pouco ciumenta! – ela
disse tentando se soltar. Claro que não conseguiu. – Se você sair vivo, amor,
você passa a me chamar de anjinha, que tal?
- Amor, você é tão boba. – disse rindo e colocando ela em seu banco, dando um
leve beijo em seus lábios. – Agora, para onde vamos? – a olhei enquanto ligava o
carro.
- Hm... Mc Donalds? – Sabe aquela cara que criança faz quando quer algum
brinquedo? Então, essa é a mesma cara que a faz quando quer me convencer a
ir à algum lugar.
- Mc Donalds, ? – como essa menina come tanta besteira e não engorda? – Ok,
ok, vamos ao Mc.
bateu as mãos comemorando e fomos seguimos para o Mc mais próximo. Enquanto
dirigia, olhei rapidamente para ela, que estava toda feliz cantando uma música
qualquer que tocava no rádio. Sorri internamente e agradeci ao Tio lá de cima
por ter colocado alguém como ela em meu caminho. Eu só fazia besteira e ela
continuava lá. É, como o médico disse, eu sou um cara de sorte.
N/A (17.03.11): E aí, leitoras mais perfeitas do universo? Como vocês estão? Demorei, mas não foi tanto, vai... Ainda mais se consideramos que minhas aulas no cursinho começaram e eu tenho aula das 7h às 18h, todos os dias – até de sábado ¬¬ (só por curiosidade, é um cursinho especializado em vestibular de medicina, então tá meio que explicado, né...)
Mas vamos falar da fic? O que vocês estão achando? Comentem, por favor! Eu amo ver os comentários de vocês, e agradeço de coração TODOS eles... Eles são muito importantes pra mim! E eu aceito sugestões, viu?!
Bom, só tenho a dizer: aproveitem os momentos fofos de agora *-* hahaha
Até a próxima att!
Mari
N/b: Definitivamente você vai ter que procurar uma nova beta pra fic, porque olha, eu morri com esse capítulo pura fofura! *-*