Nothing Compares
Autora: Manii J.
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Capítulo 01 - The Heart Never Lies


- Posso entrar, ? – colocou a cabeça para dentro do quarto de , que estava deitada na cama olhando para um ponto além da janela. Como a menina não respondeu, ele interpretou isso como um sim e entrou fechando a porta atrás de si.
Suspirou quando sentou na cama, passando os dedos pelos cabelos da menina. Podia ver o caminho das lágrimas derramadas há alguns minutos e fechou os olhos, doía ver sua pequena nesse estado.
- Fala comigo, por favor. – havia súplica na voz de . se encolheu mais na cama, o que fez deitar ao lado dela e a abraçar, por sua vez se ajeitou no peito do menino enquanto o abraçava forte.
- Canta pra mim, ? – a voz de não passava de um sussurro, mas logo começou a cantar uma música da sua banda no ouvido de : “Some people laugh, some people cry...”, mas assim que sentiu a menina se encolhendo mais, parou e a olhou – Essa música não, lembra... Ele.
- Desculpa pequena, desculpa... Eu não sei por que eu cantei. – a abraçava tão forte, como se quisesse tirar toda a dor de dentro dela – Me perdoa, . – ele sussurrava no ouvido da menina.
fechou os olhos com força e na sua cabeça vieram imagens do dia que ele cantou essa música pra ela. Eles estavam tão felizes...
estava sorrindo para ela. Ele segurava forte sua mão e com a outra carregava o seu tão amado violão. não sabia para onde ele estava a levando, mas confiava no garoto, e diante de tal sorriso não conseguia deixar de sorrir também.
- Senta aqui, amor! – se sentou encostado em uma das enormes árvores presentes naquele parque e fez sinal para a namorada sentar-se ao seu lado, pedido que foi prontamente atendido. Quando ia falar alguma coisa, colocou os dedos sobre seus lábios. – Eu quero te mostrar uma música que eu fiz, vai ser a próxima da banda, mas é sua.
sorriu e escorregou sua mão para o rosto de , o trazendo para mais perto e depositando um rápido beijo em seus lábios. A menina apenas sorriu e balançou a cabeça. posicionou o violão em seu colo, respirou fundo e logo os primeiros acordes de uma melodia bem calma começou a entrar nos ouvidos de , sendo acompanhada em seguida pela voz de .
- Some people laugh, some people cry, some people live and some people die. Some people run right into the fire, some people hide, their every desire, but we are the lovers... If you don't believe me, just look into my eyes 'cause the heart never lies...
parou um segundo de cantar e olhou para , vendo os olhos da menina marejados e um sorriso enorme em seu rosto. A menina fez sinal para ele continuar a cantar e ele seguiu com a música. Assim que acabou, colocou seu violão no chão e puxou para seu colo a abraçando com força. Estavam com os rostos bem próximos, eram capazes de sentirem a respiração calma do outro quando sussurrou ‘Eu te amo’ olhando nos olhos de , e em seguida a beijou.

foi tirada de seus pensamentos por , que a chamava baixinho. Sorriu para o menino que sussurrou “Quer conversar?”, ela dava graças a Deus que tinha um amigo que nem ele. Era simplesmente o porto seguro de , desde pequenos ele tinha esse jeito de protetor com ela. sentou-se na cama e olhou para as mãos, enquanto também sentava ao lado dela esperando que ela começasse a falar.
- Eu sinto falta dele, . É tão difícil acordar e ver que ele não esta aqui. Saber que ele não vai me ligar as 6 da manhã só pra ouvir minha voz de sono e falar que me ama. Eu sinto falta de quando a gente brigava e ele vinha depois pedir desculpas com uma rosa de cada cor e dizia que eu era mais bonita que todas elas... Ei, era clichê, mas era fofo! – disse após ver a careta que fez. – Eu sinto falta, . Falta dele cantando para eu dormir, ou até mesmo brigando porque minha roupa estava curta. Por que, pequeno? Por quê?
suspirou. Nunca tinha duvidado do amor daqueles dois. Mas ver sua amiga chorando o fez ficar momentaneamente com raiva de . Ele não tinha o direito de fazê-la sofrer desse jeito, não mesmo.
- Porque você o ama. E eu sei que por mais idiota que ele seja, ele te ama também. E tenho certeza que tudo vai se ajeitar, , acredita nisso, sim? – segurou o rosto da menina, que fechou os olhos ao mesmo tempo em que várias lágrimas caiam. Ele deu um beijo em sua testa e abraçou, deixando a menina chorar em seu ombro.
- Ei, está na hora, vamos? – colocou sua cabeça para dentro do quarto e chamou os dois, que logo se separaram, foi para junto de do lado de fora do quarto para poder se arrumar melhor. A menina foi para o banheiro dar um jeito em sua aparência e se assustou com o que viu. Tinha duas profundas olheiras de baixo de seus olhos e estava pálida. Suspirou e jogou água em seu rosto, prendeu o cabelo em um coque mal feito, e voltou para o quarto em busca daquele casaco dele, que tinha o cheiro dele impregnado. O vestiu e se abraçou desejando sentir o abraço dele mais uma vez.
Encontrou os meninos na porta de seu quarto e desceram as escadas em silêncio. Na sala, e os esperavam e assim que viu a amiga, foi até ela e a abraçou. Caminharam juntas e em silencio até o carro de . O menino ligou o carro e eles fizeram todo o percurso até o grande prédio sem proferirem uma só palavra.
O lugar era todo branco e assim que botou os pés lá, sentiu um frio percorrer sua espinha. Não gostava daquele lugar. apertou seu ombro, demonstrando que estava com ela e a menina criou coragem para seguir em frente. Caminharam até o elevador no centro do saguão e entraram apertando o botãozinho do 3º andar. Ao lado do painel de botões, havia um quadro com uma espécie de mapa do prédio. queria evitar ler novamente o que havia ao lado de ‘3º andar’, mas foi impossível não ler as letras grandes e vermelhas que diziam “Unidade de Tratamento Intensivo – UTI”. E o que doeu mais foi quando pensamento de que era lá que estava ficou piscando em sua mente.

Ao se aproximarem da sala de espera da UTI, o médico responsável por veio até eles. estava abraçada à e à , e estava um pouco mais a frente, como se comandasse – um pouco mais que os outros – a situação.
- Como ele está, doutor? – a voz de era firme, embora não passasse de um sussurro.
- Lamento dizer que não houve melhoras no quadro do menino . Mas o lado positivo é que ele se mantém estável. – fechou os olhos com força e enterrou o rosto no peito de , na tentativa de controlar o choro. – Você não quer ver seu namorado? – o médico perguntou para passando a mão nos ombros dela, como um pai faria numa filha. apenas assentiu e seguiu o médico para a porta que separava a UTI do resto do Hospital.
Passaram em vários quartos até chegarem numa porta que tinha o nome de . Antes de abrir a porta o médico explicou novamente para que o menino estava em coma, mas poderia ser que ele a escutasse e que seria bom para ele ouvir a voz dela. esboçou um leve sorriso e entrou no quarto fechando a porta atrás de si.
olhou para e suspirou. Lembrou da primeira vez que tinha visto o namorado depois do acidente, ela tinha entrado em choque e começou a chorar ao vê-lo ligado a diversos fios e cheio de arranhões, hematomas e curativos. Hoje, um mês depois do acidente, ele ainda continuava cheio de tubos, mas os hematomas começavam a sumir e os machucados a cicatrizar. Caminhou lentamente até a beira da cama e sentou na cadeira que tinha ao lado. Perdeu-se no tempo enquanto segurava a mão de e observava seu rosto. Parecia que ele estava dormindo e sonhando algo feliz, já que sua expressão era calma e serena. Isso a fez sorrir.
- Oi amor... – chegou com o rosto bem perto do de , enquanto uma mão segurava a dele e a outra passava levemente pela bochecha do rapaz. – Você tá tão calminho aí, dormindo... Parece um bebê. – apertou mais a mão de na sua, dando um sorriso triste. – Mas sabe, acho que você já dormiu demais e podia acordar. Todo mundo tá sentindo sua falta, sua mãe, os meninos, até a sente falta de você implicando com ela. – parou um pouco e olhou rapidamente para cima, como se quisesse evitar que as lágrimas em seus olhos caíssem. Respirou fundo e olhou novamente para o rosto de e depositou um beijo bem leve em seus lábios. – Mas principalmente, eu sinto sua falta. Tá tudo tão difícil, amor. Eu estou tão perdida sem você e... – levou a mão à sua boca para conter o soluço que escapava, não aguentava mais ver ali na sua frente tão frágil, naquele estado. Aproximou os lábios no ouvido de e sussurrou “Eu te amo, muito!”, deitando a cabeça em seguida no braço do namorado.
A porta se abriu revelando e , que entraram em silencio no quarto. parou no outro lado da cama e ficou olhando para , enquanto sentou no braço da cadeira de , abraçando-a pelos ombros.
- Acho que a nossa pequena já disse, dude, mas todos sentimos sua falta. e ficaram lá na sala de espera porque não podia entrar mais que três no quarto. – sussurrava e olhou para que sorriu fraco em resposta. – Todos nós estamos esperando você acordar, e pode deixar que estamos cuidando da enquanto você não acorda... Mas acho que só você ia colocar aquele sorriso no rosto dela, por isso, tenta não demorar, tá?
Nessa altura, estava abraçada a , sem soltar a mão de , chorando silenciosamente, enquanto a amiga passava a mão pelos seus cabelos. viu o médico acenando da janela do quarto, indicando que o tempo de visita tinha se esgotado. Fez sinal para as duas meninas que levantaram.
- Fica bem, cunhadinho. A gente volta amanhã, viu?! E e mandaram um beijo e disseram que estão com saudades. – disse após dar um beijo na testa de . O chamava de cunhado porque considerava sua irmã. E era o que elas eram de fato. Tão inseparáveis que para elas eram imãs que nasceram em famílias diferentes.
- Bebê, a gente tá indo, o médico já ta olhando a gente de cara feia. – deu um risinho fraco e aproximou o rosto do de . – Eu to te esperando amor, não esquece que eu te amo mais que tudo e que estou morrendo de saudades?! – Deu um selinho demorado em e afastou os rostos. – Tchau, amor. – Disse já saindo do quarto.

Capítulo 02 - Without You


’s POV
me deixou em casa e eu tive que implorar para o e para a que estava tudo bem comigo e que eu queria apenas ficar sozinha um pouco. Lógico que o casal – sim, eles namoram e são o meu casal preferido – queriam ficar comigo, acho que eles tinham medo que eu tentasse me afogar na privada ou me jogar escada a baixo, coisas totalmente sem nexo. Depois de muito tempo, eles se convenceram que era seguro me deixar sozinha e foram embora também.
Subi as escadas que levavam ao meu quarto e fiquei parada na porta. Na hora me veio a lembrança de vários momentos meus e do que passamos ali. Quantas vezes ele acabou dormindo comigo só por que eu não queria ficar sozinha no escuro? Ou que ficamos deitados só curtindo o outro?
Eu ainda tentava entender como que eu tinha deixado o fazer aquela viagem. Ele estava tão empolgado com o intercambio no Canadá que eu não tive como ser contra. Passamos um mês conversando todos os dias pelo skype e quando faltava uma semana pra ele voltar ele veio me dizer que tinha uma surpresa pra mim. Naquele dia, eu fui dormir com uma sensação estranha... Sabe aquela que você sente quando algo vai acontecer? Então, aconteceu.
O antecipou sua volta uma semana – essa seria a surpresa, ninguém sabia disso. Sinceramente? Eu preferia que ele tivesse demorado mais essa semana, se isso fosse evitar o que aconteceu. Ele chegou ao aeroporto de madrugada e pegou um táxi para a minha casa. Só que estava chovendo forte e... E isso fez com que o motorista perdesse o controle do carro e fosse em direção a algumas pedras que fizeram o carro capotar e tudo mais. O motorista morreu na hora e o , bom, ele teve vários ferimentos e o médico disse que ele bateu forte a cabeça, e por isso esta em coma. E tudo isso já faz dois meses.
Peguei um papel e fui para minha cama. Depois que me acomodei, comecei a rabiscar algumas frases, tentando colocar pra fora o que eu sentia. Nunca fui muito boa com palavras, mas até que consegui me expressar bem, também, eu estava me inspirando no ... Quando terminei, coloquei de lado as coisas e deitei. Comecei a rezar baixinho, pedindo pra que ele acordasse logo, e foi em meio disso que dormi.
No dia seguinte acordei cedo e olhei pro papel, na hora eu tive uma idéia. O tinha mania de cantar pra mim, então eu ia usar meus limitados conhecimentos em violão e tentar fazer dos meus rabiscos uma música – uma música para ele. Foi difícil, passei boa parte do dia empenhada nisso, algo me dizia que aquilo seria bom para o . Quando os meninos vieram me buscar para a visita diária no hospital, já estava com tudo pronto. Coloquei o violão nas costas e peguei a minha bolsa. Todos me olharam com uma cara de interrogação, mas eu apenas sorri.
Chegando lá, fui direto falar com o médico, expliquei o que queria fazer e ele pareceu gostar da idéia, e ainda deixou todos os meninos mais a entrarem no quarto. Fui a primeira a entrar, sendo seguida de perto por e , logo atrás deles e . Dei um pequeno beijo em e ajeitei a cadeira que tinha em sua frente e sentei, colocando o violão sobre meu colo. Olhei para os outros e eles sorriram pedindo pra eu continuar.
- Oi amor... Hoje o médico deixou todos entrarem no quarto, então estamos reunidos como sempre foi. Ontem... Ontem eu fiz, pelo menos tentei, fazer uma música pra você, que nem você fazia para eu dormir. Não liga pra minha voz desafinada, tá? – Todos riram baixinho. – Lá vai.
Comecei a tocar uma melodia bem calma e gostosa de ser ouvida, olhando para as minhas mãos, eu reparei que estava tremendo. Respirei fundo e comecei a cantar.

I don't know what to say, I don't know what to say anymore
Eu não sei o que dizer, eu não sei o que dizer mais
‘Cus its all been said before
Porque tudo isso era pra ter sido dito antes
And i don't know where you are
E eu não sei onde você está
All i know is your far
Tudo que eu sei é que você está longe
And your not coming back
E você não está de volta
If this is how it goes, I tried but i dont know
Se forem assim que as coisas acontecem, eu tentei, mas eu não sei

Me concentrei em só olhar para , essa música falava mesmo de como estava sendo difícil sem ele, e de como eu o queria de volta.

I don't know if i like it without you, without you, without you
Eu não sei se eu gosto disso sem você, sem você, sem você
Tell me how im supposed to make it without you, without you, without you
Diga-me como eu tenho que fazer sem você, sem você, sem você
You got me crying tonight
Você me faz chorar toda noite
Is this what its gonna be like
É assim que as coisas serão?
I try and act like I’m fine but I will never be right
Eu tento parecer que estou bem, mas eu nunca estarei bem
Without you, without you, without you
Sem você, sem você, sem você
Without you I don't know
Sem você eu não sei

Olhei de relance para os meninos, e vi abraçada a com os olhos cheios de lágrimas, os dois passeavam os olhos entre mim e , e quando nossos olhares se encontraram, ela sorriu emocionada para mim.

I’m not sure how to feel, I’m not sure what I feel anymore
Eu não tenho certeza de como sentir, eu não tenho certeza como eu me sinto mais
‘Cus I never felt that big, sometimes it hurts me so bad
Porque eu nunca senti algo tão grande, as vezes me dói tanto
It’s the words gotta say and I can’t live like that
As palavras que eu tenho que dizer, eu não posso viver assim
I don't wanna be alone, I tried but I don't know
Eu não quero está sozinha, eu tentei, mas eu não sei

Enquanto repetia o refrão, eu fechei os olhos e flashs do nosso namoro começaram a passar na minha frente. De quando a gente se conheceu, de quando me pediu em namoro, de quando dormimos juntos pela primeira vez... Todos os momentos. Mais do que nunca eu o queria ali, acordado.

The one thing I do know, that I’m so sure of
Há uma coisa que eu realmente sei, que eu tenho certeza
‘Cus with you gone I’m lost
Que com você indo embora eu estou perdida
And im so confused I cant deal with it no more
Porque estou tão confusa, eu não consigo lidar com isso mais,
without you I cant see it, take this pain from me
Sem você eu não consigo ver, não consigo tirar a dor de mim
So I can make room for you
Então eu posso criar um espaço pra você
‘Cus you've been gone from me for too long
Porque você se foi de mim por muito tempo
I don’t Know
Eu não sei
I don't know if I like it without you, without you, without you
Eu não sei se eu gosto disso sem você, sem você, sem você
Tell me how im supposed to make it without you, without you, without you
Diga-me como eu tenho que fazer sem você, sem você, sem você
You got me crying tonight
Você me faz chorar toda noite
Is this what its gonna be like
É assim que as coisas serão?
I try and act like I’m fine but I will never be right
Eu tento parecer que estou bem, mas eu nunca estarei bem
Without you, without you, without you
Sem você, sem você, sem você
Without you I don't know
Sem você eu não sei

Eu terminei de cantar essa parte e coloquei o violão de lado me levantando e caminhando até a cama onde estava. Aproximei nossos rostos e sussurrei no seu ouvido: Without you I couldn't be, without you (Sem você eu não poderia existir, sem você), e me permitir ficar ali como se tivesse abraçada a . Ninguém quis falar nada, aquela música dizia tudo.

Capítulo 03 - Here Standing


’s POV
Meu corpo todo doía, minha visão ainda estava meio turva e a única coisa que eu consegui fazer durante um bom tempo foi ficar deitado sem me mexer muito. Ao fundo podia ouvir um apito irritante que estava fazendo minha cabeça doer mais ainda. Eu podia sentir o cheiro doce característico de ... Por falar nisso, onde ela estava? Tentei olhar a minha volta, mas não consegui. A única coisa que eu conseguia lembrar era de um clarão e logo em seguida tudo ficando preto, mas isso não importava. Eu estava com saudades da minha pequena e queria vê-la. Chamei seu nome, mas logo aquele preto voltou a dominar minha mente.

’s POV
Todos estavam no quarto de , rindo de alguma piada que havia contado. De repente, eu olhei para e o vi mexendo a boca. Meu coração parou naquele momento, será que ele havia acordado? Todos repararam e ficaram olhando para ele também, enquanto eu me aproximei pegando sua mão.
- ... – Eu não consegui pensar na hora. Meu cérebro registrou saindo correndo do quarto para chamar o médico, uma mão – que devia ser de – em meu ombro, mas nada daquilo fez muito sentido para mim.
- Eu to aqui , eu to aqui. – Minha voz estava falhada, quase não consegui escutar a mim mesma. Meu corpo todo tremia e eu senti aquela esperança de ver meu acordado novamente crescer em meu peito. Porém, alguns minutos se passaram e ele ao menos respondeu. Aquilo fez com que as lágrimas voltassem aos meus olhos, mas não tive muito tempo para derramá-las porque logo o médico entrou e perguntou o que tinha acontecido, já que ele disse que só murmurou coisas do tipo “... ... chamou”; sério, o consegue ser pior que eu às vezes.
Aí foi a vez de falar, ele contou o que tinha acontecido, desde a música até a hora que me chamou. O doutor apenas assentiu e começou a examinar o .
- Ele está bem. Ter chamado seu nome, pode significar que ele esteja tentando acordar. Vamos torcer e continuar a incentivá-lo, certo? – O Doutor parecia animado, mas acho que foi só pra não tirar aquela esperança boa que tinha nascido dentro de todos nós.
Duas semanas se passaram desde dia em que falou meu nome e tudo continuava igual. Ele não se moveu e muito menos falou de novo, fato que estava começando a me deixar preocupada. A notícia boa era que ele tinha sido transferido para o quarto, o que significava que a gente poderia ficar lá o tempo que quisesse com ele.
Fazia algum tempo que todos tinham ido embora, me deixando lá sozinha com . Ele estava no mesmo estado, mas eu deixei a televisão do quarto ligada no jogo de futebol do time que ele torcia, como se ele realmente tivesse assistindo, era final do campeonato, ou coisa assim, e eu sabia que quando ele acordasse ia me perguntar sobre o amado time dele. Enquanto isso eu fazia meus trabalhos da faculdade que estavam atrasados. Aquilo foi me dando sono, afinal, já não dormia direito há umas três noites, que ficava até altas horas estudando. Coloquei as coisas no chão e deitei no sofá que tinha ao lado da cama e só sei que em instantes eu dormi.

Capítulo 04 - Hold Me In Your Arms


’s POV

Consegui abrir os olhos e a primeira coisa que vi foi a televisão ligada, onde tinha na tela várias pessoas comemorando e apareciam letras dizendo que o Wanderers era o campeão do campeonato. PARA TUDO. Meu time é campeão? Como isso? Eu me lembro que o último jogo que eu tinha visto, ainda eram as classificações para as oitavas de final... E o que eu to fazendo nesse quarto? Será que minha mãe pintou enquanto eu viajava? Enquanto essas perguntas se passavam na minha mente, um cheiro que eu senti muita falta invadiu meus pensamentos, me fazendo esquecer tudo ao meu redor. Olhei para o lado e vi a pessoa mais importante da minha vida parecendo um anjo dormindo: .
- ? – minha voz saiu rouca e fraca, acho que eu dormi tempo demais – Pequena, acorda! – tentei falar mais alto, mas foi um fracasso total. Olhei para o outro lado e vi que tinha uma mesinha de cabeceira, com uns papeis em cima, não pensei duas vezes antes de pegá-lo para poder jogar na . Amassei fazendo uma bolinha de papel e mirei bem na cabeça dela. Já via a cena que ela ia fazer, ela sempre ficava brava quando eu a acordava desse jeito. Fazer o que se o carinho predomina no nosso relacionamento? Intimidade dá nisso.
Ela resmungou quando a bolinha atingiu bem na sua testa e foi inevitável não rir. Aos poucos ela abriu os olhos e ficou parada, como se tivesse pensando em como a bolinha foi parar na sua cara. Eu fiz um barulho estranho com a boca e ela olhou pra mim. Naquele momento, pareceu que eu nunca tinha ido ao Canadá. Que não fiquei um dia longe dela. Já estava me encolhendo pra bronca que eu ia levar, quando fui surpreendido por seu corpo em cima do meu – literalmente. A única coisa que fiz foi corresponder o abraço. Dude, como eu precisava disso.


’s POV

Eu juro que não to acreditando nisso. Parte de mim ainda insiste em dizer que isso é um sonho, afinal eu estava dormindo. Mas a bolinha na minha testa foi bem real. Me jogar em cima de foi uma reação involuntária, assim como as lágrimas que começaram a escorrer pelo meu rosto no momento em que ele me apertou forte contra seu corpo.
- Porque você tá chorando, amor? O que aconteceu? – a voz dele estava fraca e isso me fez voltar pra realidade. Eu precisava chamar o médico rápido, para ele ver se estava realmente tudo bem com .
- Nada meu amor, eu só estou feliz. – eu sorri em meio às lágrimas, meu primeiro sorriso sincero desde o acidente. – Agora fica quietinho que eu vou chamar o médico pra te examinar e depois a gente conversa direito, tá? – estava saindo de cima dele, quando me segurou e levou o braço que estava livre dos tubos ao meu pescoço, aproximando nossos rostos.
- Tudo bem, mas antes eu preciso urgente disso – e dizendo isso ele colou nossos lábios. Levei minha mão timidamente ao rosto dele, quase nem encostando, com medo de machucá-lo. Acho que ele percebeu, já que colocou a mão em cima da minha e apertou carinhosamente, enquanto pedia passagem com sua língua, me beijando calmamente, eu e ele só queríamos aproveitar bem o momento. Eu podia sentir o coração dele batendo rápido e tinha certeza que ele estava sentindo o meu também, e acho que ele pensou a mesma coisa que eu, já que sorrimos ao mesmo tempo durante o beijo. Ele foi parando o beijo com leves selinhos, até que ficou passando o nariz no meu, enquanto eu apenas sorria que nem uma boba. – Eu te amo, minha star girl.
- Senti sua falta, . Eu... Eu sabia que você era essencial pra mim, mas depois disso tudo, eu percebi que eu preciso de você pra poder sorrir. – Os olhos dele estavam presos nos meus, sorri timidamente – Eu te amo, bebê.
ia responder, mas eu coloquei o dedo em seus lábios, recebendo um pequeno beijo ali. Levantei da cama e fui chamar o médico, que em menos de dois minutos estava entrando no quarto.
- Quer dizer que nosso garoto acordou? – eu só sabia sorrir. estendeu a mão em minha direção e eu caminhei até ficar do seu lado, segurando-a. – Tenho que falar que você é um homem de sorte, não teve um dia que sua namorada não viesse aqui ficar com você. E agora posso dizer, que além de tudo, ela tem um sorriso lindo! – o médico disse sorrindo enquanto passava os olhos pela ficha de . Eu abaixei minha cabeça, totalmente envergonhada. – Como está se sentindo, rapaz?
- Bem, mas não estou entendendo muita coisa. O que aconteceu que eu vir parar aqui? Aliás, quanto tempo eu fiquei aqui? E como meu time foi campeão do campeonato? Eu to meio perdido. – eu e o médico rimos, acaba de acordar de um coma e quer saber por que o time dele é campeão. Ele olhou para mim confuso e eu apenas sorri.
- Você sofreu um acidente de carro. – o doutor começou a explicar, enquanto examinava – Ficou desacordado durante quase três meses, tempo suficiente para que seu time eliminasse o meu e ainda fosse campeão.
- E você veio todos os dias me ver? – perguntou com certo espanto na voz que eu achei fofo. Confirmei com a cabeça e ele abriu o sorriso mais lindo que eu já tinha visto – Obrigado por não desistir de mim, amor.
Eu só consegui assentir e apertar sua mão que ainda estava entre as minhas com carinho. e o médico continuaram conversando sobre futebol enquanto eu o observava deitado rindo. Até que eu dei um pulo e bati a mão na testa com força, soltando um pequeno gemido de dor e chamando a atenção para mim.
- Os meninos – eu disse olhando para a cara de interrogação dos dois a minha frente – Eu esqueci de ligar para os meninos e avisar que você acordou! – larguei a mão de , que soltou um muxoxo, e fui correndo pegar meu celular e ligar para , ela avisaria os meninos por mim. Assim que falei com ela, ela começou a berrar no meu ouvido e ouvi uma gritaria do outro lado da linha, sinal que estavam todos juntos. Só sei que ela falou algo como “estamos chegando” e desligou na minha cara. Depois eu ia conversar com ela sobre isso.
O médico disse que era bom o ficar de repouso ainda, não fazer muito esforço, essas coisas. Mas que ele estava bem. Depois de dar milhões de recomendações, que eu fiz questão de decorar, ele nos deixou sozinhos no quarto. sorriu para mim, estendendo os braços e eu não pensei duas vezes antes de me deitar em seu peito.

Capítulo 05 - You’ve Got A Friend


- , como que foi o acidente? – perguntou enquanto passava a mão nas costas da namorada.
- Eu não sei direito, mas era de madrugada e você devia estar indo me fazer e tal surpresa. Aí o táxi que você estava capotou devido à chuva e... Você se machucou feio e bateu a cabeça. – a voz de não passava de um sussurro. percebeu e a apertou mais forte contra si. – Você foi trazido para cá, mas ficou em coma durante todo esse tempo.
- E como vocês ficaram sabendo? – tudo era ainda meio confuso para a cabeça de . Ele tinha flashs de vários momentos, mas não conseguia distinguir se esses flashs foram sonhos ou não.
- Foi confuso. Ninguém sabia direito o que estava acontecendo, já que você ia voltar só na semana seguinte. Mas acharam o telefone do rabiscado num caderno e ligaram pra ele. Seu celular foi inutilizado no acidente, amor. – acrescentou ao ver o olhar de dúvida de – Aí disseram para ele que você estava nesse hospital e desligaram. ficou louco e ligou pro , que estava na minha casa junto com a e perguntou quando que você voltava. Bom, eu sei que a gente veio pra cá correndo, esperando ter sido um engano ou um trote, mas quando eu te vi deitado todo machucado e inconsciente, eu vi que era real. Foi horrível e eu não podia fazer nada pra te ajudar. – colocou o rosto na curvatura do pescoço do namorado e ficou lá, sentindo o cheiro que ela sentia falta, enquanto tentava se acalmar. Ela não havia superado ainda o dia do acidente, que pra ela estava no top três dos piores dias.
- Você fez muita coisa, pequena. – suspirou – Até de mais. Você não desistiu e esperou todo esse tempo por mim. – ele terminou sorrindo e deu um beijo no topo da cabeça dela. Sentiu sorrir contra sua pele e se sentiu leve, mas aos poucos sua expressão foi trocada por uma de dúvida. – Amor, eu sonhei que você tocava uma música pra mim, só que você nunca canta... Você, você parecia um anjo cantando.
sorriu um pouco mais e levantou, ficando sentada na cama ao lado de , que fez o mesmo. Os dois ficaram se olhando tão intensamente que era possível apalpar o amor que havia entre os dois.
- I try and act like I’m fine but I will never be right without you, without you, without you…Without you, I can’t be without you. cantarolou baixinho e aproximou seu rosto do de , apenas encostando os narizes.
- Então foi real? – ela assentiu com a cabeça – Cara, vou falar para os meninos deixarem você entrar na banda e ser nossa vocalista! Aí sim a gente vai fazer sucesso! – falou rindo e arrancando risadas da namorada. De repente ele parou de rir e ficou só observando o riso da sua garota. Era perfeito. Ele encostou seus lábios nos dela e ambos fecharam os olhos.
- Estamos em um hospital dudes, deixem para se reproduzirem em casa! – entrou todo sorridente no quarto e praticamente jogou no chão quando chegou perto da cama de , em seguida abraçou o amigo - Nunca mais faça isso, certo? Porque meu coração é fraco, seu lerdo. E também porque o não sabe contar piadas que nem você.
- A gente não estava se reproduzindo, seu bobo! – falou empurrando para o lado e cruzando os braços. Os dois começaram uma pequena discussão – totalmente ignorada pelos outros presentes no quarto.
- E aí, cara? – perguntou abraçando – Sentimos tua falta! Ninguém é tão lerdo que nem você! – ele se afastou dando espaço para . estava do outro lado da cama e os dois, um de cada lado, abraçaram juntos.
- Da próxima vez liga que a gente te busca no aeroporto. – falou fazendo um barulho estranho com o nariz. sorriu de leve e balançou a cabeça confirmando as palavras do namorado e acrescentou: “Dê outro susto desse na gente que eu te mato, cunhado!”
- Também senti sua falta, ! - falou num tom sarcástico, rindo em seguida. – Hey... Obrigado por cuidarem dela. – indicou com a cabeça e olhou para o casal, que já haviam saído do abraço. Os três ainda ficaram observando ela e discutindo algo sem importância e entrando no meio. sorriu e se virou para e .
- Eu faria tudo de novo, , porque eu amo a . E nunca sairia do lado dela. – sussurrou apenas para os dois ouvirem. sussurrou: “Somos uma família, dude.”
- Obrigado. E , tenha certeza que a também te ama e muito. – piscou para a amiga e reparou que a mesma estava com os olhos marejados. Chamou os outros que estavam entretidos discutindo futebol e todos deram um abraço comunitário. Agora sim estavam completos novamente.

Capítulo 06 - Promise


- Quando vou sair daqui? – resmungava pela quinta vez só naquela tarde. estava sentada no sofá ao lado se sua cama e suspirou ao ouvir o namorado repetir aquilo. Já fazia duas semanas que ainda estava no hospital, segundo os médicos, para não se correr riscos e ele ficar 100% de novo, mas isso já estava acabando com a paciência de ambos.
- Eu não sei, amor. – largou os livros no sofá e se levantou – Mas deve ser logo, afinal você está bem já! – ela tentava ser otimista diante do mau humor do namorado. , , e não foram nos últimos dias no hospital, devido à época de provas na faculdade, enquanto estudava lá, para fazer companhia para .
- Eu não aguento mais ficar nessa cama, ! Me sinto um doente em estado terminal! – dramatizou o que fez a namorada revirar os olhos e sair do quarto o deixando com uma cara de dúvida. Instantes depois ela voltou, séria e apenas sentenciou: “Levanta da cama.” e foi em direção à porta.
- Onde a gente vai, pequena? - estava com medo da expressão brava da namorada. Ele sabia o quanto estava sendo chato nesses dias, mas não conseguia evitar. Queria sair dali logo, ir para sua casa onde cuidaria dele e eles matariam as saudades.
- Andar um pouco. Perguntei para o médico e ele falou que isso era bom. Vamos. – terminou de falar estendendo a mão para e logo entrelaçou os dedos. O menino aproximou a boca do ouvido dela e sussurrou: “Desculpe” e ela apenas sorriu e lhe depositou um beijo leve nos lábios. Os dois saíram andando devagar pelo hospital e o levou no andar da maternidade, que tinha vários bebês. Os dois ficaram abraçados olhando os bebês dormindo através do vidro.
- Um dia vai ser o nosso aí dentro – sussurrou no ouvido de e sorriu ao ver a menina se arrepiar. – Já pensou amor, o Junior como ia ser lindo?
- Quem disse que meu filho vai ter esse nome? – riu – E além do mais, vai ser uma menina... Mas o nome a gente pensa depois.
- Tudo bem amor, a gente escolhe os nomes depois, mas eu ainda quero um menino também, assim eu posso ensiná-lo a jogar bola, pegar garotas, colar na escola e tocar guitarra! – virou , a deixando de frente para si. envolveu o pescoço do namorado com os braços e sorriu.
- Fechado, aí a gente tem gêmeos pra eu só ficar grávida e gorda uma vez, tá amor?! – ia abrir a boca para contestar, mas foi mais rápida – Eu te amo, lerdinho.
- Mania essa que todo mundo tem de me chamar de lerdo... Você é pior, sabia? – arqueou uma de suas sobrancelhas – Mas eu te amo bem mais.
Os dois fecharam os olhos ao mesmo tempo e encostaram os lábios. Não tinham noção de quanto tempo ficaram assim, mas logo pediu passagem com a língua, que concedeu e começaram um beijo lento.

-x-

Hoje seria o dia em que receberia alta e para variar estávamos atrasados. Estávamos todos divididos nos carros de e – eu estava com e e com . Quando chegamos ao hospital, desci correndo e entrei pela enorme porta da recepção, com todos os outros ao meu encalço. Enquanto caminhávamos para o quarto de , que a essas alturas já estaria pronto só nos esperando, encontramos o médico que tratava dele no corredor.
- Olá, meus jovens! Imagino que vieram buscar o menino , certo? – nós balançamos a cabeça positivamente e senti segurando meu braço, para não deixar que eu abandonasse o médico falando sozinho e corresse para o quarto – Posso falar um instante com vocês antes? É sobre nosso garoto e temo que seja de extrema urgência. – Pronto! Isso bastou para eu ficar totalmente em pânico. escorregou a mão pelo meu braço e pegou minha mão, a apertando em um gesto de conforto. – Como vocês sabem, bateu a cabeça com muita força e ficou em coma todo esse tempo. Só peço que vocês fiquem de olho nele, nos próximos dias e –
- O que pode acontecer com ele, doutor? – eu estava nervosa e com medo, odeio esse papo de médico.
- Pode não acontecer nada, como ele pode ter algumas dores de cabeças fortes, mudanças repentinas de humor, coisas desse gênero... O cérebro é uma área do corpo humano cheia de mistérios ainda. Por isso, a única coisa que peço é que fiquem atentos a qualquer mudança. E caso aconteça algo me procurem o mais rápido possível. Estamos combinados? – não gostei dessa conversa. Fiquei com uma sensação ruim. Balancei a cabeça concordando com o médico e pedi licença, indo para o quarto de e deixando todos para trás.
Queria ter um momento com antes de todo mundo chegar. Parei em frente à porta e respirei fundo antes de entrar. – Oi, meu amor! – disse assim que eu entrei - Pronto para ir embora?!
- Oi pequena, pensei que não vinham mais... Aconteceu algo? – disse assim que olhou para meu rosto. Com certeza ele reparou minha expressão preocupada, nunca consegui esconder nada dele. Ele caminhou até mim e me abraçou.
- Não , só estou aliviada que você vai sair daqui. – me separei um pouco sem sair do abraço – A gente já arrumou tudo, eu vou ficar uns dias na sua casa e dos meninos pra cuidar de você – ele sorriu e eu também – Tudo bem?
- Você me diz que vai ser minha enfermeira, vai ficar comigo tempo integral e dormir abraçadinha comigo e acha que eu vou achar ruim? Amor, você tá bem? Claro que não tem problema! – eu sorri. Meu namorado não é fofo?
- Ah amor, sei lá... – respondi meio envergonhada – Vai que você preferia ir para a casa da sua mãe, ou que só os meninos cuidassem de você, não sei, ! – eu ainda estava meio desconfortável com o que o médico falou, estava angustiada e com medo, e bom, percebeu.
- , olha para mim – ele segurou meu rosto de um modo que nossos olhos ficassem na mesma altura – Me diz o que está te incomodando? Eu vejo nos seus olhos que você tá com medo... E amor, você tá branca. Me fala! – ele me abraçou percebendo que eu estava prestes a chorar. Não queria dizer o que o médico falou, mas aquilo estava me sufocando já.
- Promete que você nunca vai esquecer de mim? E que –
- Prometo estar sempre do seu lado e que nada no mundo vai mudar o que eu sinto por você. Eu te amo, pequena, muito. – me deu um selinho e encostou nossas testas – Agora para de chorar, gosto mais do seu sorriso.
Enxuguei meu rosto e sorri, ele tinha conseguido aliviar um pouco aquele aperto no meu peito, mas eu ainda o sentia ali. pegou sua mala e com a outra mão entrelaçou nossos dedos, logo em seguida me puxando para fora do quarto. Assim que saímos os meninos e estavam nos esperando na porta. Eu vi que ela me olhou como quem diz “Depois a gente conversa”, com certeza reparando que não estava bem. me olhou assim também, mas logo sua atenção foi voltada para .
Os meninos se abraçaram e saíram andando rindo e conversando sobre a banda. Ouvi zoando , dizendo que eles iam ter que contratar outro guitarrista, já que provavelmente ele não se lembraria de como se tocava. A resposta de foi um nada delicado tapa na cabeça de . Senti alguém pegando minha mão e olhei para o lado, me deparando com sorrindo para mim. Ela sussurrou um “Eu to aqui, vai ficar tudo bem” e me puxou para alcançar os meninos, pois eu ainda estava parada no mesmo lugar de antes.


Capítulo 07 - Tongue Tied


A casa aonde os meninos moravam tinha o tamanho suficiente para acomodar os quatro mais as namoradas e garotas que eles levavam lá. Cada um possuía seu quarto, porém dividiam os dois banheiros que havia no segundo andar. entrou em seu quarto com logo atrás e se jogou na cama. Ela, por sua vez, foi em direção à pequena poltrona que havia no canto do quarto e observou os outros três mais que estavam parados na porta.
- Nós estamos lá embaixo fazendo o almoço, qualquer coisa chamem! – disse antes e desceu, acompanhada dos outros meninos que sorriram para o casal antes de saírem.
olhou para e sorriu. Era impossível não sorrir quando olhava o rosto delicado da sua pequena. Ela, com certeza, o completava. Os dois brigavam pelos motivos mais inúteis, mas mesmo assim tinham consciência que nunca fariam nada para machucar o outro; Isso era uma coisa impensável para eles. Eles se amavam e a certeza disso era vista de longe, começando pelo modo que eles se olhavam: puro e ao mesmo tempo, intenso.
Caminhou até e sentou-se no braço da poltrona e logo ela deitou a cabeça em seu colo. Sabia que algo estava incomodando-a, mas sabia que quando ela se sentisse bem falaria com ele. Confiavam no outro mais do que tudo.
- Sabe , eu fiquei com medo de te perder.
- Eu jamais te deixaria aqui sozinha, pequena. Eu sempre vou estar com você. Eu te amo, e você sabe disso. – passava os dedos pelos cabelos de .
- Eu também te amo, muito. – ela levantou e olhou para o rosto de , como se quisesse guardar cada traço. – Você é tudo pra mim, amor.
sorriu e segurou o rosto de entre suas mãos, aproximando do seu lentamente. Os dois se olhavam nos olhos e tinham um sorriso suave nos lábios, ele encostou seus lábios nos da namorada, a fazendo fechar os olhos e soltar um leve suspiro enquanto passava os braços ao redor do pescoço do mesmo. Nenhum dos dois tinha pressa, queriam apenas aproveitar o momento o máximo possível. escorregou para a poltrona e ajeitou a menina em seu colo, a deixando sentada de frente para ele. Delicadamente pediu passagem com a língua para aprofundar aquele selinho, coisa que foi prontamente cedida por . De calmo e suave, aquele beijo foi se transformando em algo intenso e apaixonado. As mãos dos dois já não tinham destino fixo, de modo que era como se estivessem em vários lugares ao mesmo tempo. não sabia se as deixava entre os cabelos de , no rosto dele, vagando pelos braços ou deslizando pelo tronco do rapaz. Este, por sua vez não sabia se as deixava na cintura de , a apertando levemente, nas costas dela, entre seus longos cabelos ou em algum ponto daquelas coxas que vez ou outra pressionavam sua cintura quando ele apertava algum lugar do corpo da namorada.
Sem afastar os corpos ou até mesmo interromper o beijo, levantou segurando entre seus braços e caminhou em direção à sua cama. Deitou a namorada delicadamente e separou os lábios apenas para admirá-la. Ela estava totalmente descabelada, com a respiração ofegante, a roupa amassa e tinha as bochechas vermelhas. Mas o que chamou sua atenção foram os olhos dela. Eles estavam brilhando de um jeito tão intenso, tão profundo, que ele agradeceu aos céus por ter aquele anjo ali, com ele.
- O que foi, amor? – a voz tímida de o tirou de seus pensamentos e ele deu um sorriso para ela.
- Estava te admirando. Você não tem ideia de como é linda. – como se fosse possível, as bochechas de ficaram ainda mais vermelhas e ela puxou para si, numa tentativa de esconder seu rosto no peito do rapaz. – E você fica ainda mais linda quando fica vermelhinha assim. – terminou rindo.
- Para, seu bobo! – deu um pequeno tapa no braço de e voltou a esconder seu rosto.
- Agora que a gente já cortou todo aquele fogo de segundos atrás – piscou malicioso para que rolou os olhos e bateu de novo leve, arrancando uma gargalhada dela – Vamos descer e comer alguma coisa? Eu estou morto de fome.
- Quem ouve, pensa que você esta há dias sem comer, amor. – disse rindo enquanto observava o menino se levantar, mas parou assim que o viu levar a mão a cabeça e soltar um ‘ai’ quase inaudível. Sentou-se depressa e colocou suas mãos no rosto dele. – O que foi, ? Esta sentindo algo?
- Foi só uma... Pontada. – respondeu pausadamente, escorregou suas mãos até as de que se encontravam em seu rosto as apertando de leve – Mas passou. Vamos comer? – perguntou já com um sorriso. não tirou sua expressão preocupada do rosto, mas sorriu para e assentiu com a cabeça, levantando junto com ele e recebendo um beijo no nariz do namorado.

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- A gente podia sair para comemorar que o saiu do hospital, o que acham? – estava jogado em um dos sofás da sala, quando teve essa ideia.
- Eu acho uma boa ideia, faz tempo que não saímos todos juntos! A gente podia ir naquele pub que abriu aqui perto. – logo se pronunciou. Este estava sentado no chão apoiado no sofá com entre suas pernas. também concordou dizendo que não aguentava mais ficar em casa.
- Eu topo! Não quero mais ficar deitado. – disse todo sorridente. Estava de fato cansado de ficar sem fazer nada, ficou muito tempo assim no hospital. Queria sair e se divertir.
- O que você acha, ? – perguntou, fazendo os meninos ficarem em silêncio e olharem para a amiga que tinha um olhar perdido. Ela foi a única que notou que estava assim desde que começaram a ver TV.
- Eu não sei. – Ela suspirou e virou para – Você acabou de sair do hospital amor, o médico pediu pra você não abusar. Sem contar na sua dor de cabeça e –
- Caramba, ! Para de agir como se fosse minha mãe, por favor? – o silêncio foi profundo depois disso. Ninguém ousou falar nada. se levantou e passou a mão pelos cabelos, visivelmente nervoso.
- Eu só... – a voz de morreu. Ela respirou fundo e repetiu mentalmente as palavras do médico falando que poderia ter mudanças de humor repentinas e que ele não queria brigar com ela. – Eu só estou tentando cuidar de você, como eu disse que faria.
- Eu estou bem, tá legal? E eu não preciso de enfermeira pra cuidar de mim, eu sei fazer isso sozinho. – nesse momento soltou uma exclamação, e abriram a boca levemente surpresos e murmurou algo como “ele não disse isso”. A única que continuou imóvel foi .
sentou no sofá e encostou sua cabeça no encosto, fechando seus olhos. Sentia sentada do seu lado e tentou ignorar esse fato. Mas ao mesmo tempo, se perguntava porquê tinha estourado com ela desse jeito.
- Ótimo. – finalmente se pronunciou. Levantou e caminhou lentamente até o quarto onde dividiria com o namorado por alguns dias. Voltou de lá segurando sua bolsa e observou que ainda se mantinha na mesma posição. Respirou fundo e foi em direção à porta em silêncio, só quando tocou na maçaneta que se virou para onde todos se encontravam e a olhavam, com exceção de – Você quer sair, saia. Você quer se divertir, vá. Mas você acabou de receber alta de um hospital e seu médico disse para você repousar. Eu não vou te impedir, até porque eu só sou sua namorada, não sua mãe. – deu um sorrisinho sarcástico enquanto fechava os olhos e engolia o choro. – Eu apenas quero seu bem, mas já que é assim, se você piorar, se você passar mal, não venha correr para mim, ok? Eu não vou ficar acordada cuidando de ninguém, até mesmo porquê você sabe se cuidar.
Dito isso, abriu a porta e passou correndo por ela, a deixando bater logo em seguida. Todos olhavam para , que só ao ouvir o barulho da porta foi que abriu os olhos e olhou para os amigos.
- O que foi? – perguntou ao ver os olhares reprovadores dos amigos.
- Ela não merecia isso, . Ela estava só pensando em você, não precisava ter sido rude com ela. – se levantou e caminhou até a porta. – E dá licença, porque eu vou atrás da minha amiga.
- Eu exagerei, né? – olhou para os três amigos, que apenas balançaram a cabeça. – Eu não sei o que deu em mim, foi como se, do nada, uma raiva imensa se apoderasse de mim e eu não conseguisse controlá-la.
- Calma, dude. A foi atrás dela, logo elas estão aqui e você pede desculpa para a . – sorriu dando força para . – A está preocupada com você. Ela tem medo que aconteça algo e... E ela tá certa, o certo é a gente ficar de repouso, todo mundo. Você ainda precisa ir devagar, e relaxa que vamos ter muito tempo para ir aos pubs da cidade. Eu só não quero mais ver a pequena chorando, por favor, . E eu sei que você, mais do que qualquer um aqui, não quer isso também.
- Claro que não quero! Ela... Ela é tudo pra mim. – ele sorriu de leve se lembrando do momento que teve com ela mais cedo. – Eu vou deitar um pouco, se ela voltar, diz pra ela ir lá comigo. - se levantou e foi. Encostando a porta de seu quarto.
- Bem que o médico falou. – suspirou – Vai ser difícil isso.
- Vai, mais do que a gente imaginou. – disse sem emoção.
- E a vai precisar da gente, mais do que nunca. – sussurrou e os dois concordaram. Depois disso, ninguém falou mais nada.


Capítulo 08 - Band Aid


Nunca eu tinha estourado com a daquele jeito, sem nenhum motivo. Mesmo nas nossas piores brigas, ela nunca saiu assim de casa, então eu acho que eu realmente exagerei. De algum modo, eu sinto como se eu tivesse a quebrado, e com isso, eu me sinto um inútil. E nem eu sei o que aconteceu comigo pra ficar nervoso daquele jeito, afinal, ela não tinha feito nada e nós estávamos tão bem mais cedo, que ficamos numa boa aqui no quarto. Ta certo que eu queria muito sair um pouco e eu to cheio de ficar descansando, mas eu sei que a tem razão, o médico mandou eu ir com calma, então por quê?
Fechei a porta do meu quarto e fui direto para a cama. Deitei de barriga para cima e fiquei observando o teto, enquanto eu tentava encontrar uma razão para isso tudo. Sem mais nem menos, aquela pontada forte na cabeça havia voltado, me deixando meio zonzo. Levei minha mão aos olhos os apertando levemente para ver se melhorava, como não adiantou, eu abri os olhos e me deparei com o casaco que usava mais cedo, quando foi me buscar no hospital. Sem pensar duas vezes, peguei o casaco e coloquei em cima do meu rosto. O perfume dela estava ali e aos poucos aquilo foi me acalmando até que adormeci.

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estava com seu celular no ouvido, esperando que atendesse e dissesse onde estava, já que quando saiu da casa, não avistou a amiga em lugar nenhum. Seguia andando pelas ruas, prestando atenção para ver se não estava em alguns daqueles bancos na calçada, ou dentro de alguma loja, quando finalmente alguém atendeu o telefone.
- Oi...
- , onde você está? – perguntou devagar parando de andar.
- Na Starbucks em frente ao Hide Park. Peguei um taxi até aqui. a ouviu suspirar. – To te esperando. – notou que a voz da amiga estava baixa, mas serena e ficou aliviada por isso.
- Chego em dez minutos, vai pedindo um cappuccino pra mim. – e desligou o telefone, ouvindo antes um ‘Folgada’ vindo de .
Parou o primeiro táxi que viu passar e seguiu para Starbucks.

Ao chegar, avistou sentada em uma das mesas próxima à grande janela de vidro. Pagou apressadamente ao taxista e desceu do carro, indo de encontro à mesa onde a esperava com dois cappuccinos e alguns muffins.
- Ei, amiga. Como você esta? – disse pegando seu cappuccino e bebendo um gole.
- Não sei ao certo. É estranho porque ele nunca falou daquele jeito comigo, como se eu o tratasse como filho e não namorado, e nunca foi grosso. Nem nas nossas brigas. – respondeu pausadamente. Olhou para e deu um sorriso triste – Mas tudo bem, já passou. Como ele está?
- Os meninos ficaram em casa com ele. me ligou no caminho pra dizer que ele estava mais calmo e tinha ido deitar enquanto você não chega, mas que parecia bem arrependido. – deu uma mordida no muffin para depois continuar – Não acho que você deva fingir que não aconteceu nada. Isso te machucou, eu sei, mesmo que você finja que está tudo bem agora. Você está magoada com ele, e batida na cabeça nenhuma justifica a grosseria gratuita dele.
- Mas nós sabíamos que isso poderia acontecer, o médico disse e –
- , ele foi mal educado mesmo. Foi grosso. O médico não disse que a pancada afetaria a educação dele. – disse pegando a mão de por cima da mesa e a mesma olhou para baixo.
- Eu queria acreditar que ele não fez de propósito, eu to tão cansada! – enterrou o rosto nas mãos assim que acabou de falar. – Eu to cansada de me dividir em mil para dar conta da faculdade e cuidar dele. Eu não durmo direito há dias. E eu tenho medo disso virar um pesadelo.
- Você não está sozinha, sabe disso, não sabe? – perguntou e apenas viu a outra balançar a cabeça concordando – Eu estou aqui para tudo, tudo o que você precisar. Quer ir para casa? – falava carinhosamente.
- Quero – as duas levantaram em silêncio e se dirigiram a saída do local, logo avistaram um táxi vazio e entraram. deu o endereço ao motorista e logo elas chegaram na casa dos meninos.
Ao chegarem à porta, segurou o pulso de , o que fez a mesma olhar para a amiga. Ambas sorriram.
- Obrigada, minha anja.

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- Eu não acredito que vocês fizeram essa bagunça toda nessa uma hora que a gente ficou fora! – dizia olhando as inúmeras latinhas de cerveja e refrigerante que estavam espalhadas pelo chão da sala, junto com os pacotes de salgadinho e bolacha. – tira esse seu pé imundo do sofá... Nojentos. – essa uma palavra não passou de um sussurro, mas todos ouviram e tacou uma almofada na namorada.
- está te esperando no quarto, . – disse enquanto se ajeitava no sofá para a menina se sentar.
- Eu sei, mas não quero ir agora. – deu de ombros.
- Então fica aqui um pouco, porque há séculos você não dá atenção ao seu melhor amigo! – dito isso, deitou no colo de e pegou a mão da menina, a obrigando fazer um cafuné em sua cabeça enquanto ela ria.
- Quem disse que você é o melhor amigo dela? Todos sabem que sou eu! – disse estufando o peito e empurrando para fora do sofá e deitando no lugar dele. – Pode fazer cafuné em mim, .
- Não faz não, pequena. Diz pra eles que eu que seu melhor amigo, sou eu né? – se levantou da onde estava e se sentou no braço do sofá em que estava, a abraçando de lado. A menina soltou uma gargalhada alta e se levantou, praticamente derrubando que ainda estava deitado em seu colo.
- A é a minha melhor amiga! – disse e apenas sorriu vitoriosa.
- Ei, isso não é justo! – exclamou.
- É sim, bobão! E eu vou subir agora! – ia em direção as escadas quando saiu correndo e a abraçou.
- Eu sou seu melhor amigo né? – sussurrou. apenas balançou a cabeça rindo e foi em direção ao quarto de .

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entrou no quarto de e o encontrou dormindo abraçado ao seu casaco. Suspirou e não pode deixar de sorrir. Caminhou lentamente e em silêncio até a cama, deitando logo em seguida, se aninhando no peito dele, que automaticamente a abraçou forte.
- ... Amor, acorda. – disse tão baixo que duvidou que ele acordasse. – Vai, amor.
- Hmm... – se mexeu na cama sem soltar e aos poucos foi abrindo os olhos. – Que horas são?
- Quase de noite. – tinha a cabeça deitada no seu peito e os olhos fechados.
- Você ta aqui faz tempo? – voltou a fechar os olhos e apenas abraçou-a mais forte.
- Acabei de deitar aqui... ... –
- Desculpa, . Sério, eu não sei o que deu em mim... Eu não queria ser grosso com você, eu... Me perdoa. – a voz dele ia morrendo a medida que ia falando.
- Está tudo bem, amor. – se encolheu ainda mais nos braços do namorado – Pelo menos eu acho... – essa ultima parte não passou de um sussurro.
- Eu te amo tanto pequena, mas tanto – sentiu sorrir e sorriu por isso. Ajeitou os dois na cama, puxou o edredom para cima deles e não demorou para pegarem no sono, juntos.

Capítulo 09 – Your Body is a Wonderland.

- Vamos logo, !
- Já vou, ! Espera dois minutinhos. – ela estava terminando de calçar os sapatos quando o namorado entrou no quarto.
- Eu devia ter falado pra você se arrumar há duas horas! Olha só como você demora! – terminou rindo ao ver ameaçar atirar seu sapato nele – Brincadeira, amor!
- Eu nem demorei tanto assim. E parte disso foi sua culpa, que não me disse para onde a gente vai, o que dificultou a escolha da roupa. – pegou a mão que estendeu para ela e ambos foram em direção ao carro.
- Não falei nada porque é surpresa, pequena. – disse abrindo a porta para ela entrar.
- Desde quando você é cavalheiro assim? – arqueou a sobrancelha, olhando para que entrava no carro.
- Desde que eu fui um idiota com você e quero fazer as coisas certas agora! – terminou sorrindo e pegando a mão da namorada enquanto dirigia.
apenas sorriu e balançou a cabeça concordando. Os dois cantavam uma música qualquer que tocava no rádio, enquanto vez ou outra, tentava arrancar de para onde eles estavam indo. Ficou ainda mais curiosa quando percebeu que estavam saindo de Londres. E quanto mais ela perguntava, mais ria e dizia para ela esperar.
- Mais um pouco a gente chega e você mata essa curiosidade, baixinha. – ele apenas ria da cara emburrada que ela fazia. – E você vai gostar, pode ter certeza!
- Eu tenho escolha? – balançou a cabeça – Então eu espero, né. – deu de ombros.

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Eu estava tranquilo, sabia que ela ia gostar. Tinha falado com minha mãe dias antes, perguntando um lugar legal pra levar a e a gente ficar um pouco sozinhos – porque convenhamos, com os meninos e a o tempo todo em casa, raramente a gente tinha momentos só nossos. E mesmo tendo saído do hospital há um mês, eles evitavam me deixar sozinho com a , porque tinham medo que eu brigasse com ela que nem aquele dia. Eu sei, fui um idiota, mas poxa, aquilo não vai se repetir. Porque tudo que eu não quero é ver ela triste. Mas é aí que entra a minha mãe. Ela me deu a ideia de passar o final de semana com a na casa de campo que a gente tem no interior de Londres.
Olhei para o lado e vi observando os imensos campos que haviam na estrada, fechando os olhos vez ou outra, quando batia um vento mais forte em seu rosto. Ela percebeu que eu a olhava e sorriu pra mim, logo voltando a olhar a paisagem.
Chegamos logo na casa e observei . Ela olhava da casa para mim, com uma expressão de surpresa no rosto. Peguei a pequena mala do carro – que continha algumas roupas da também, que me ajudou a arrumar – e peguei na mão dela, a levando para o interior da casa.
- , é tão lindo aqui! De quem é essa casa?
- Da minha família. – achei graça do jeito que ela olhava encantada para todos os cantos – Minha mãe emprestou para nós passarmos o final de semana e... –
- E eu não trouxe roupa nenhuma! Você podia ter me avisado, amor! E comida?! E – minha vez de interromper.
- Eu separei algumas roupas suas, a me ajudou! – cheguei perto dela a abraçando por trás. – Quanto a comida, minha mãe mandou encher a despensa com tudo que nós dois poderíamos ficar com vontade de comer. Ou seja, não tinha nada que te avisar e estragar a surpresa, pequena. – senti ela relaxar em meus braços – E então? Você gostou da surpresa?
- Eu amei, grandão! – ela entrelaçou nossos dedos e olhou para nossas mãos – Eu estava com saudades de ficar sozinha assim com você, sem todo mundo em cima toda hora.
- E eu então? – rimos juntos.
- Nós vamos fazer o que agora?
- Hm, que tal dar uma volta por aí? Eu costumava ir até o pequeno lago que tem aqui perto quando era criança. Era o meu lugar preferido daqui.
- Então é para lá que nós vamos, amor! – disse já me puxando para fora de casa – Eu quero conhecer tudo por aqui, ! – eu preciso comentar que ela parecia uma criança indo pela primeira vez à um parque de diversões?
Fui caminhando com em meu encalço entre as árvores, seguindo um caminho que eu saberia fazer de olhos fechados. Quase toda hora eu ouvia uma exclamação vinda dela, falando o quanto certas árvores, flores, borboletas, formigas, e não sei mais o que, eram fofos.
Atrás da casa, havia uma trilha que levava a uma pequena floresta que havia na região, não era grande, mas o suficiente para alguém que nunca caminhou por lá se perder. Andamos por uns trinta minutos até que avistamos uma clareira, que dava numa pequena cachoeira. Olhei para e vi sua expressão encantada. Já disse o quanto ela é linda? Pois é, ela estava babando pelo lugar e eu por ela. Muito idiota isso? Espero que não.
- , esse lugar é lindo! – disse enquanto se sentava em uma pedra perto do rio formado pela cachoeira.
- Eu costumava vir aqui para me esconder dos meus pais quando era pequeno. Trazia meu cobertor e ficava deitado no chão olhando tudo isso até tarde. – falei enquanto caminhava até ela. – Aí voltava pra casa e meus pais brigavam comigo porque eu tinha sumido o dia inteiro. Era legal.
- Devia ser mesmo. E você trouxe o cobertor dessa vez? – ela arqueou a sobrancelha quando disse isso, mordendo o lábio logo em seguida. Eu não disse nada, apenas abri a mochila que tinha pegado antes de sair da casa e tirei de lá um cobertor azul, o meu preferido. Vi os olhos dela brilharem estendi o cobertor no chão, sentando em seguida e fazendo sinal para que ela viesse também.
Encostei na pedra que ela estava sentada e a ajeitei entre as minhas pernas. Ficamos alguns segundos apenas observando a pequena cachoeira, quando uma ideia passou pela minha cabeça. Fiquei de pé e pedi pra se levantar também, coisa que ela ignorou.
- Vem amor, vamos dançar!
- Dançar? Mas , não tem música… E você não sabe dançar. – disse rindo da minha cara de indignado e eu apenas a puxei quando ela estendeu a mão pra mim.
Depositei um leve beijo no nariz dela enquanto colocava minhas mãos em sua cintura. Ela ainda me olhava com uma cara engraçada, esperando por algum comando meu para poder fazer algo.
(Coloque a música para tocar: Your Body Is A Wonderland - John Mayer – Faz toda a diferença ler com ela)

- Eu sou um pé de valsa, tampinha – ela riu junto comigo e deu um pequeno tapa em meu ombro, e escorregou a mão até meu peito, deixando lá. – E quanto a música, eu dou um jeito. – pensei rapidamente numa música que ela gostava e comecei a mexer de leve os nossos corpos - We got the afternoon, you got this room for two. One thing I've left to do, discover me discovering you... (Temos a tarde inteira, você reservou este quarto pra nós dois. Só tenho uma coisa a fazer, é me descobrir descobrindo você...) – vi o sorriso de aumentar quando comecei a cantar, ela amava essa música. Nós quase não saíamos do lugar, apenas continuava cantando e vez ou outra arriscava um passo de dança mais elaborado, como um simples giro.

One mile to every inch of
Uma milha para cada polegada
Your skin like porcelain
Da sua pele, que parece porcelana
One pair of candy lips and
Um par de lábios doces como bala
Your bubblegum tongue
E sua língua de chiclete

- Até que você dança bem, amor. – a voz dela não passou de um sussurro. Logo ela encostou sua cabeça em meu ombro, envolvendo meu pescoço com as mãos e eu apenas a trouxe mais pra perto de mim.
- Você ainda não viu nada, pequena – sussurrei no ouvido dela, sorrindo ao vê-la se arrepiar. - Cause if you want Love, we'll make it. Swimming a deep sea of blankets... (Porque se você quiser amor nós o faremos, nadando um mar profundo de cobertores.) – Apontei para o cobertor no chão, arrancando risadas de . - Take all your big plans and break 'em. This is bound to be a while. (Pegue todos os seus grandes planos e quebre-os. Nós vamos demorar.)

Your body Is a wonderland
Seu corpo é o país das maravilhas
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Seu corpo é uma maravilha (Vou usar as mãos)
Your body Is a wonderland
Seu corpo é o país das maravilhas

levantou o rosto e ficou me encarando, nós sorrimos juntos e fomos aproximando os rostos até os lábios se encontrarem. Pedi passagem com a língua, coisa que foi prontamente cedida por ela. Levei minhas mãos para o rosto dela, enquanto nos beijávamos de um jeito calmo e intenso, ao mesmo tempo.

Something 'bout the way your hair falls in your face
É algo sobre o jeito que seu cabelo cai sobre o seu rosto
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
Amo como você fica quando engatinha em direção ao travesseiro
You tell me where to go and
Diga-me aonde devo ir e
Though I might leave to find it
Mesmo que eu saia para ir lá
I'll never let your head hit the bed
Nunca vou deixar sua cabeça bater na cama
Without my hand behind it
Sem minha mão para apará-la

Aos poucos, senti a mão de descendo pelas minhas costas e entrando dentro da minha blusa, me fazendo arrepiar. Desci minhas mãos também até sua cintura, apertando bem de leve e a trazendo mais pra perto de mim, se é que era possível. Afastamos nossos lábios alguns segundos e nos olhamos, era um olhar tão intenso que não era preciso dizer nada, nós dois sabíamos exatamente o que se passava na mente do outro.

Do you want love?
Você quer amor?
We'll make it
Nós o faremos
Swimming a deep sea of blankets
Nadando num mar profundo de cobertores
Take all your big plans
Pegue todos os seus grandes planos
And break 'em
E quebre-os
This is bound to be a while
Nós vamos demorar

Voltamos a nos beijar e delicadamente fui a deitando em cima do cobertor. Tomei cuidado para não deixar meu peso todo sobre , enquanto a ajudava a tirar meu moletom, junto com minha camiseta. Desci minhas mãos até a barra de sua blusa e fui a levantando lentamente, sem desencostar nossos lábios.

Damn baby
Caramba, baby
You frustrate me
Você me perturba
I know you're mine, all mine, all mine
Sei que você é minha, toda minha, toda minha
But you look so good it hurts sometimes
Mas você é tão linda que chega a doer às vezes

Paramos de nos beijar para ela tirar a blusa e eu observei bem seu rosto. Suas bochechas estavam levemente coradas e sua respiração estava meio rápida, sem contar que eu já tinha despenteado seus cabelos. Desci meu olhar pelo seu corpo e sorri levemente. Ela nunca esteve tão linda. Levei meu olhar ao seu novamente, encostando nossas testas – Você tem certe...
Ela não me deixou terminar. E eu tive certeza quando ela me interrompeu com aquele beijo. Não importava o que acontecesse, ela sempre ia ser minha. E eu dela.

I'll never speak of this again
Nunca irei falar disso novamente
Now theres no reason
Agora não há razão
I've got the kinda love in my hands
Eu tenho um tipo de amor nas minhas mãos
To last all season
Para durar toda a estação.

Capítulo 10 - White Horse.

Já era noite quando nós voltamos para a casa. Eu me sentia tão feliz, tão leve. Olhei para , que estava deitado na cama esperando eu me trocar para deitar também. Terminei de colocar meu pijama e subi na cama, engatinhando até ele que levantou o edredom para eu deitar ao seu lado.
- To com frio, grandão! – disse fazendo um pequeno bico, ele se derretia todo quando eu fazia isso.
- Já disse que você fica mais linda ainda quando faz esse bico? – não disse?! Sorri balançando a cabeça e colocando meu rosto entre seu ombro e pescoço, me encolhendo um pouco. – Deixa eu te esquentar, pequena.
me puxou mais para perto, e eu entrelacei nossas pernas, ficando bem acomodada. Senti fazendo um leve carinho na minha cintura, e levantando meu rosto com a outra mão.
- Dorme com os anjos, . – ele disse baixo e em seguida depositou um beijo na ponta do meu nariz e eu sorri voltando a encostar a cabeça em seu ombro.
- Eu te amo, já te disse isso hoje, né? – minha voz não passou de um sussurro, já que eu tinha os olhos fechados e o sono cada vez mais se apoderava de mim.
- Já sim, mas eu não me canso de ouvir. – senti beijar o topo da minha cabeça – E eu te amo também. – e foi a ultima coisa que eu ouvi antes de dormir.

---

Quando acordei no dia seguinte, eu estava deitada sozinha na cama. Achei isso estranho, já que sempre me esperava acordar ou ele mesmo me acordava. Resolvi sair da cama e ir em busca dele. Desci as escadas, que davam para o primeiro andar, e fui direto para a cozinha, encontrando ela vazia, tendo apenas o rastro de um rápido café da manhã, já que havia um copo com um resto de suco e um prato com algumas migalhas de pão. Como assim não me esperou para tomar café da manhã?
Caminhei até a sala e pra variar, ela estava vazia. Respirei fundo começando a me irritar. Odiava ficar sozinha nos lugares que eu não conhecia e sabia disso. Depois de ter certeza que estava sozinha, subi até o quarto para tirar o pijama e quem sabe depois eu iria procurar ele pelos arredores da casa.
Me arrumei e passei na cozinha para pegar algo para comer, estava morrendo de fome. Depois de comer meu sanduíche de presunto e queijo, fui atrás dele. Parei na porta da casa enquanto me perguntava para onde eu deveria ir. Comecei a andar pela rua, enquanto discava o número de para saber onde ele estava, mas foi direto para caixa postal. Se eu não o achasse logo ou me perdesse, ligaria para e pediria para ele vir me buscar, já que meu namorado me deixou sozinha ali.
Enquanto andava, observava a pequena vila onde a casa ficava, ficando admirada com as enormes casas que haviam ali. Estava tão entretida vendo as diferentes casas e pensando em maneiras de matar mais tarde que não ouvi quando um menino gritou para eu sair da frente, me atropelando com sua bicicleta logo depois.
- Você esta bem? – estava um pouco tonta, mas consegui olhá-lo e quase desmaiei com a beleza dele – Me desculpa, eu estava guardando meu celular no bolso e não vi você, e aí não deu tempo pra desviar e você não me ouviu e... –
- Eu to bem, eu acho. Só devo ter quebrado alguns ossos e ganhado alguns hematomas... Ai, isso dói – falei tentando me sentar, ganhando prontamente ajuda daquele gato. Olhei meu braço e vi que ele sangrava um pouco.
- Meu Deus, vem, vou te levar pra casa e fazer um curativo nisso aqui. – ele disse me levantando. – Você consegue andar? – fiz que sim com a cabeça, mas mesmo assim ele me pegou no colo, deixando sua bicicleta no chão e me carregando para a casa que estava na nossa frente, uma casa linda, aliás. – A propósito, eu sou o Mark.
- , mas pode chamar de . – eu sorri quando ele me colocou sentada no sofá e falou que já voltava. Escutei ele falando algo com uma menina que não devia ter mais que 10 anos, e logo ela saiu saltitante pela porta, provavelmente para pegar a bicicleta dele que estava no meio da rua.
- Aquela é minha irmã, Marrie. Deixa eu ver seu machucado, . – ele abaixou na minha frente, começando a limpar o ferimento delicadamente. – Eu venho pra cá quase todo final de semana, meus pais amam esse lugar... E nunca te vi por aqui. – e olhou para mim como se esperasse uma resposta, logo voltando para meu machucado.
- Meu namorado tem uma casa aqui, aí viemos passar o final de semana. – ele me olhou como se perguntasse por que eu estava andando sozinha, ao invés de estar com meu namorado. – Ele sumiu. – admiti meio que a contra gosto.
- Como assim, ele sumiu? Já ligou para ele? – balancei a cabeça afirmando, enquanto gemia baixinho de dor. – Desculpe por isso, prometo que logo para de arder. – Olhei pra cima para evitar as lágrimas, aquele remédio ardia, poxa. – E quem é seu namorado? Quem sabe eu posso te ajudar. –
- . A casa dele é aquela azul no começo da rua. – suspirei e peguei meu celular com a outra mão para ver se não tinha nenhum sinal de vida dele. Nada.
- O , filho da tia Kath? – concordei com a cabeça – Eu conheço mais a mãe dele, ela e a minha são amigas. Nunca falei muito com o ... Acho que ele nunca gostou de mim, na verdade.
- Mas você o viu por aí? – perguntei esperançosa.
Reparei que Mark demorou para responder. Na verdade, parecia que ele estava pensando se devia ou não me falar algo. Achei aquilo meio estranho, mas talvez fosse coisa da minha cabeça. Observei ele terminar meu curativo e colocar as coisas dentro da maletinha de primeiros socorros.
- Eu o vi hoje mais cedo, indo em direção a pracinha que tem aqui. – ele evitou olhar pra mim enquanto dizia, deixando claro que ele estava escondendo algo.
- Você pode me levar lá? Por favor? – pedi fazendo minha melhor cara de cachorro sem dono, daquelas que ninguém resiste. Ele respirou fundo, como se não quisesse isso, mas no fim sorriu e me estendeu a mão, me ajudando a levantar.
- Eu te levo lá. É aqui perto, a gente pode ir andando. – e saímos.
Enquanto caminhávamos até a tal da pracinha, conversamos sobre coisas idiotas, e rimos bastante. Mark era um cara legal, e morava em Londres também, como nós. Acho que a turma ia gostar dele. Ao chegarmos à pracinha, vi como ela era linda. Sorri com isso. Mas meu sorriso se fechou ao olhar certo banco mais ao fundo e reconhecer sentado tomando sorvete com uma garota. Tentei me convencer que era somente uma amiga, nada demais, mas não conseguia. Senti a mão de Mark nos meus ombros, como que me dizendo que ele estava ali. Eu não sabia o que fazer.
- Quer voltar, ?
- Não, eu vou até lá, eu só preciso tomar coragem.
- Qualquer coisa eu estou aqui, ok? Quer que eu vá com você?
- Não precisa, eu vou sozinha... Mas, me espera aqui? Eu acho que não sei voltar sozinha. – o choro estava entalado na minha garganta e Mark percebeu isso, me dando um abraço de leve, devido aos meus recentes machucados. Pelo menos eu não me sentia mais tão sozinha assim.
Caminhei lentamente até , sentindo o olhar de Mark nas minhas costas. Era incrível, o conhecia apenas algumas horas, mas já parecia que éramos amigos há tempos. Cheguei perto de e da menina loira ao seu lado, e ele logo percebeu minha presença ali.
- Então você me esqueceu em casa pra vir passear com sua amiga? – eu tava com raiva, com dor no meu braço e em alguns lugares do meu corpo, devido a queda, e com uma incrível vontade de chorar. Sim, eu sou sensível.
- Eu não esqueci, já estava voltando. E eu nem fiquei tanto tempo fora assim, . – ele disse e eu tive que me controlar para não bater nele ali mesmo. Até que ele olhou para o meu braço e ficou assustado – O que você fez no seu braço?
- Você ficou tão pouco tempo fora de casa que deu tempo pra eu tomar café sozinha, te procurar pela casa, sair em busca de você por aqui, ser atropelada por uma bicicleta, me socorrerem e fazerem curativo em mim, e ainda chegar até aqui, que convenhamos é uma caminhada considerável. Então sim, , você esqueceu de mim.
- Não é culpa dele. Nós nos encontramos e começamos a conversar, nunca vimos o tempo passar quando estamos juntos, não é mesmo, pequeno? – pequeno? Aquela menina estava tirando uma com a minha cara, só pode. Dei uma última olhada para , que estava me olhando com uma cara meio que desesperada por ver que as coisas estavam feias para ele, mas nem assim ele levantou para ir me abraçar ou me levar embora daquele lugar.
- Ah, que lindo. Desculpa atrapalhar o papo dos amigos. Eu vou pra casa. Pode ficar aí, pequeno. – o chamei pelo apelido da outra ironicamente, e virei para ir embora. E ele nem ao menos veio atrás ou me chamou. Isso acabou comigo e acho que Mark percebeu, já que ele simplesmente me abraçou quando eu cheguei até ele e saiu de lá me levando junto.
Mark me levou para a casa dele novamente e me sentou no sofá. Nessa altura eu já chorava, por tudo. Pela queda – que acreditem, estava doendo mais agora do que antes, e pelo .
- Não chora, . – Mark sentou do meu lado e me abraçou. – Me diz, o que eu posso fazer para você parar de chorar?
- Eu quero ir pra casa. Me empresta o telefone? – disse fungando. Queria ir embora e encontrar meus amigos. Só queria o colo do e da . Ultimamente eles eram mais meu porto seguro do que meu próprio namorado. Chorei mais ao perceber isso.
Mark perguntou pra quem eu queria ligar e eu disse que era para , que eu iria pedir para ele vir me buscar. Então pediu o número dele e ele mesmo ligou. Vi ele se afastar um pouco enquanto fala com e eu apenas me encolhia no sofá. Alguns instantes depois, ele voltou e disse que ia me levar para Londres, que estaria me esperando. E pelo que Mark falou, ele estava uma fera com .

Fomos até a casa de e ele ainda não havia voltado. Peguei rapidamente minhas coisas e deixei um bilhete dizendo que estava voltando para casa. Entrei no carro de Mark, que me esperava na porta e fomos. No caminho ele tentava me animar fazendo gracinhas e falando besteiras, e eu consegui esquecer um pouco aquela dor toda. Não conseguia entender a ligação que se estabeleceu entre nós. Porque não fazia nem um dia que nos conhecíamos e ele se importava tanto comigo quanto , que eu conhecia desde sempre.
Quando chegamos na casa dos meninos, vi que e estavam na porta da casa me esperando. mexia compulsivamente suas mãos, sinal que estava nervosa. Já estava parado, com as mãos ao lado do corpo fechadas, com certeza ele estava bravo. Porém assim que ele me viu dentro do carro, suavizou sua expressão e veio correndo até mim.
- Pelo amor de Deus, o que foi que aconteceu? – abriu a porta e me puxou para um abraço quando saí. Mark saiu do carro e deu a volta para chegar onde nós estávamos e cumprimentou e, logo depois, . – O que é isso no seu braço?
- Um pequeno acidente envolvendo bicicletas – sorri para Mark de maneira cúmplice – Depois eu explico melhor. Ah, esse é o Mark. E Mark, esses são e .
- Nem sei como te agradecer por ter trazido a , cara. – disse sinceramente. Às vezes parecia que ele me tratava como uma criança de 5 anos, mas não podia negar que era fofo.
- Sem problemas – Mark sorriu - E nem foi algo tão difícil assim, impossível não gostar dessa menina.
- Isso, me deixa com vergonha – todos riram e me abraçou – Mas obrigada por tudo mesmo, Mark. Até por me atropelar com a bicicleta, se não, a gente não teria se conhecido e eu estaria perdida naquele lugar.
- Ele te atropelou, anja? – perguntou preocupada – Não machucou? Tá doendo?
- Nós dois estávamos distraídos e acabamos colidindo. Aí fiz o curativo no braço dela. – Mark sorriu culpado.
- To só com um pouco de dor no corpo, mas logo passa. Vamos entrar, gente? – eu estava cansada e queria conversar com os dois ainda.
- Bom, eu tenho que voltar pra lá, você vai ficar bem? – Mark olhou de mim para e , e sorriu quando os três confirmaram. – Qualquer coisa, você pode me ligar! Eu sei que a gente se conheceu hoje, mas eu gostei de você.
- Eu também. Quando voltar, liga pra gente combinar alguma coisa! – o abracei me despedindo. Depois disso ele deu tchau para e e entrou no carro, partindo logo em seguida.
Nós três entramos em casa e fomos para o quarto de . Ele largou minha mochila no chão enquanto eu subia na cama junto com , sendo seguidas por ele logo depois. Comecei a contar tudo. Desde o dia anterior quando eu e fomos à cachoeira, até hoje. Me perguntei um certo momento se eu não estava sendo exagerada, mas percebeu que eu estava pensando isso.
- Você não exagerou, . Você acabou de contar que acordou às 8 horas sozinha na casa e só foi encontrá-lo era quase meio dia, no parque tomando sorvete com uma loira que o chamou de pequeno na sua frente, só pra provocar e ele não fez nada. Sem contar que ele te deixou sozinha em um lugar que você não conhecia. Se o fizesse isso comigo, eu matava ele. – disse isso com uma cara homicida, o que assustou um pouco .
- Que horror, amor! - exclamou e nós duas rimos. – Mas ela está certa, . Quando o chegar ele vai ter que se explicar. – ele suspirou – Eu liguei pra ele.
- E aí? O que ele disse?
- Ele tinha acabado de chegar em casa quando finalmente atendeu o celular. Devia fazer uma meia hora que o Mark tinha ligado. Ele disse que vai voltar amanhã, que ele não tinha culpa se você estava de TPM.
- Ele disse isso? – minha voz saiu algumas oitavas mais alta. Não acredito que aquele tonto do tinha dito isso! – Eu mato o .
- E ele não gostou muito quando eu disse que era o Mark que estava te trazendo. Ele nunca gostou muito dele. – ele olhou pra como se perguntasse se devia continuar e eu logo o mandei falar – Ele não estava sozinho. Tinha alguém com ele, mais especificamente uma mulher. Então ele desligou falando que estava ocupado.
Eu não chorei, não gritei, nem fiz nada. Eu só deitei na cama, sentindo meus dois melhores amigos me abraçando logo em seguida. Deixaria para pensar no que fazer amanhã quando visse , no momento eu só queria aproveitar o colo dos dois.

Capítulo 11 - Four Walls.

O resto do dia passou rápido. Logo e entraram no quarto e começaram a fazer gracinhas para me animar. havia contado para eles o que tinha acontecido por cima, antes de eu chegar. Era quase dez horas da noite quando me deixou em casa, junto com , que iria dormir comigo. Falamos rapidamente com meus pais e fomos para meu quarto.
- O que você quer fazer agora, ? – perguntei enquanto separava meu pijama.
- Tomar um banho, fazer brigadeiro e ficar vendo filme até o sono vir, o que você acha? – me perguntou com os olhinhos brilhantes.
- Uma ótima ideia. Faz assim, você toma banho aqui no meu banheiro e eu tomo lá no dos meus pais. Aí a gente desce, faz brigadeiro e assiste qualquer filme – joguei a toalha que sempre usava quando vinha em casa para ela e peguei minhas coisas indo em direção ao quarto dos meus pais.
- Noite das garotas! – gritou de dentro do banheiro.
- É, noite do pijama! – gritei já do corredor e demos risada.
Mais tarde, já de pijamas e com uma panela de brigadeiro entre a gente, estávamos jogadas na minha cama, enquanto víamos Potter pela qüinquagésima vez e falávamos de coisas sem muita importância e riamos de quase tudo. Fazia tempo que não fazíamos essa noite das garotas e eu sentia falta de falar de tudo com , sem os meninos por perto. O filme acabou mais de meia noite e fomos logo dormir.
Dia seguinte eu acordei primeiro, fui ao banheiro e logo desci para comer algo. E quem é que eu encontro na minha cozinha, sentado na minha cadeira, comendo o bolo que minha mãe tinha feito pra mim? . Ele e minha mãe estavam tão entretidos conversando que nem notaram quando eu cheguei.
- Ei, vocês dois. – cutuquei – Sai do meu lugar.
- Filha, deixa o aí, senta aqui. – minha mãe apontou a cadeira em frente ao , mas eu gostava de sentar no meu lugar, na minha cadeirinha. Ela ficava de frente para a janela e eu adorava ficar viajando enquanto comia.
- Sua cara de quem acabou de acordar é a melhor – ria da minha cara.
- Folgado. Rouba meu lugar, meu bolo e ainda tira sarro. – sentei onde minha mãe tinha mandado e logo recebi um prato com bolo e um copo de suco.
- Cadê a ? – ele olhou para as escadas, esperando ver a namorada descer. – É meu dia de ir ao supermercado e vocês vão me ajudar.
- Claro! E por que eu faria isso? – arqueei minha sobrancelha – A propósito, sua namorada está babando na minha cama, não vai acordar tão cedo.
- Por que eu sou seu melhor amigo e você me ama. – exibiu um sorriso colgate – E vamos acordá-la logo. – levantou e nem esperou eu terminar meu suco, saiu me puxando.
Acordamos e depois dela amaldiçoar de todas as maneiras possíveis, ela concordou em ir ao supermercado com ele. Arrumamo-nos e fomos. Mais bagunçamos do que qualquer coisa. Depois fomos para a casa dos meninos ajudar arrumar as compras, já que ele não tinha essa capacidade.
Já era final de tarde quando terminamos de arrumar tudo. e haviam saído e não fazia ideia de onde poderiam estar, já e estavam deitados na cama, quase dormindo e eu estava no quarto com eles assistindo Três Espiãs Demais quando ouvi a porta lá em baixo abrir. Pensei que fosse um dos meninos que havia voltado para pegar algo, mas aquela voz me mostrou o quanto eu estava errada.
- Cheguei, cambada. – acordou instantaneamente ao ouvir e olhou para mim, assim como . Eu apenas dei de ombros.
- Aqui no quarto, dude. – gritou. Ouvi os passos seguirem em nossa direção e não demorou muito para ele aparecer.
ficou me encarando durante alguns segundos e me cumprimentou com um aceno de cabeça, rolei os olhos e continuei vendo meu desenho. Percebi que levantou e eles saíram do quarto, indo para qualquer outro lugar que eu não fazia ideia. sentou do meu lado e começou a assistir junto comigo. Nós duas éramos viciadas naquele desenho.

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- Você podia ao menos ter falado com ela direito. – revirou os olhos, o que me deixou irritado. Por que ele sempre ficava do lado dela?
- Ela nem olhou na minha cara. – disse sentando na minha cama.
- Você esperava que ela te recebesse com beijos e abraços? – por que estava com uma cara de espanto mesmo?
- Claro que sim! Foi ela que quis voltar com aquele filhinho de papai. – já disse o quanto eu detesto o Mark? Encarei e ele começou a rir. – Ta rindo de que?
- Você pode ficar de conversa com aquela menina e ela não pode falar com o Mark? – continuava a rir, mas era aquele riso irônico que eu odiava.
- Eu estava apenas conversando com a Mel. Ela percebeu que tinha gente lá em casa e foi ver se eu estava lá, já que fazia tempo que a gente não se via. Só fomos dar uma volta e eu não vi o tempo passar. – suspirei passando as mãos no cabelo, estava realmente cansado. – A não precisava ter feito todo esse drama.
- Tenta se colocar no lugar dela! – observei andar até a porta do quarto em silêncio – E conversa com ela.
Acenei com a cabeça, mas não queria conversar àquela hora. Resolvi tomar um banho e depois iria chamar a para conversar, afinal, ela iria ter que vir pro quarto em algum momento, já que ela dorme aqui comigo. Sorri com esse pensamento e fui para o banheiro.
Saí do chuveiro com a toalha enrolada na cintura e fui pegar minha roupa no quarto. Percebi que todos deviam ter descido para a sala, já que o quarto de parecia estar deserto. Coloquei qualquer calça de moletom e desci as escadas à procura de , iria conversar com ela agora mesmo. Porém, só achei o casal doçura – lê-se e – esparramados no sofá namorando.
- Cadê a ? – perguntei jogando uma almofada nos dois.
- Foi embora – disse olhando para mim – A mãe dela ligou e pediu pra ela voltar, que a avó estava lá ou algo assim.
- Ah... Então ela não vai dormir aqui? – ela sempre dorme comigo, poxa. Eu nem sabia mais como dormir sem ela do meu lado. – E ela foi embora sem falar comigo?
- Ela falou pra eu te mandar um beijo. – deu de ombros e voltou sua atenção para . Suspirei e desejei boa noite para os dois. Eu iria dormir.

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é um babaca. Eu esperava que ele viesse falar comigo, mas como ele preferiu me ignorar, então vim para casa. Eu sei que poderia ter ido falar com ele, mas por que sempre tem que ser eu quem corre atrás?
Jantei com meus pais - coisa que há muito tempo eu não fazia, já que vivia na casa dos meninos e logo subi para o meu quarto. Não via a hora de tomar um bom banho e deitar em baixo das cobertas. Tirei minha roupa pelo meio do caminho enquanto ia para o meu banheiro. Enquanto tomava banho, percebi que meu celular estava tocando no quarto, mas decidi ignorar, a água estava muito boa para eu sair de lá. Quando meus dedos já estavam enrugados demais, resolvi sair. Vesti meu roupão e fui para o quarto. Vi meu celular apitar, me lembrando que haviam ligado e fui ver. Havia sete chamadas não atendidas... De . Respirei fundo e liguei de volta.
- Alô? - ele atendeu com uma voz rouca de quem acaba de acordar, o que me fez arrepiar.
- Hey … Você ligou?!
- ! – ele acordou subitamente ao ouvir minha voz. – Oi pequena, onde você tá!?
- Em casa, eu tava no banho... – deixei a frase morrer e fiquei esperando ele falar o que queria.
- Eu queria conversar com você. – eu continuei quieta, por um momento fiquei com medo do que sairia da nossa conversa. – Posso passar aí? Aí a gente vai pra algum lugar e conversa, por favor?
- , eu... – ia falar que estava cansada, mas o por favor que disse, que não era mais alto que um sussurro, me fez mudar de ideia. Respirei fundo e deitei na cama – Tudo bem, é o tempo de colocar uma roupa.
- Daqui a pouco eu chego aí, amor. Prometo não demorar. – uma onda de alívio percorreu pelo meu corpo ao escutar ele me chamar assim. Nos despedimos e desliguei o telefone, criando coragem para ir me trocar.
Quinze minutos depois, eu estava dentro do carro dele, olhando para minhas mãos, enquanto ele olhava para o volante, sem ligar o carro. Mordi meu lábio e acabei perguntando onde que a gente iria.
- Eu pensei em a gente ir lá pra casa, aí a gente conversava no quarto, seria mais sossegado... Mas se você preferir outro lugar, tudo bem.
- Não, vamos lá. – sorri levemente e ele depositou a mão em cima da minha. Não tirando ela de lá enquanto dirigia para casa.
Descemos do carro em silêncio e entramos. Todos estavam na sala vendo TV, os cumprimentei e subi para o quarto, sendo seguida por . Chegando lá, eu sentei na cama e abracei meu travesseiro que ficava lá. fechou a porta e sentou também, um pouco a minha frente e ficou me olhando.
- Então...
- O que aconteceu, ? Por que você voltou? – eu suspirei e baixei a cabeça. disse isso com uma voz triste, não entendendo o que ele tinha feito, o que me deixou mais chateada.
- Por que você saiu e me deixou sozinha em casa? – disse ainda olhando para baixo.
- Foi por pouco tempo, amor. Não entendi porquê você ficou brava. – ele não entendia mesmo? Eu ia começar a chorar, porque eu ando tão sensível esses dias?
- Pouco tempo, ? Eu acordei cedo e você não estava em casa. Eu te procurei pela casa toda, sai atrás de você e fui atropelada pelo Mark – fez que ia falar algo, mas eu ergui minha mão, não o deixando continuar – Se não fosse por ele eu teria me perdido naquele lugar, já que você nem ao menos atendeu seu celular.
- Eu não acredito que aquele idiota te atropelou! – eu suspirei cansada, não queria falar disso agora.
- Ele trombou com a bicicleta em mim, mas me ajudou depois... E me disse onde você estava. – eu não percebi, mas minha voz se elevava aos poucos. – E quando eu vejo, você tava com uma loira horrorosa quando era pra estar comigo. – eu queria chorar, e percebeu.
- A Mel é minha amiga e a gente foi tomar um sorvete pra colocar o papo em dia, mas você tava toda linda dormindo que eu não quis te acordar. – disse tentando concertar a burrada e se aproximando de mim.
- Um sorvete de quantas horas? – eu já estava chorando – Você se esqueceu de mim!
- Hey pequena, não chora, por favor – ele me abraçou. – Jamais eu me esqueceria de você.
- Me diz porque você fez isso, de verdade.
- Eu... Amor, eu não sei. Quando eu acordei e desci pra preparar o café eu me lembro de ter ficado com dor de cabeça e quando percebi, já estava falando com a Mel e... E era como se não fosse eu. Aí você apareceu e foi como se eu lembrasse de tudo. – não entendi nada do que estava dizendo. – Eu juro, . Não é que eu esqueci de você... Jamais, meu amor. Mas, por um momento, eu senti que tinha voltado no tempo. Faz sentido pra você?
- Não , não faz.
- Amor, esquece isso. Só me perdoa, tá?
- Tá, tudo bem. – não olhava pra ele. Algo dentro de mim desejava que ele me soltasse.
- Dorme aqui hoje? – ele beijou meu pescoço – Eu to com saudades de você.
- Não avisei minha mãe, melhor eu voltar pra casa. – levantei da cama e antes que pudesse levantar e dizer que me levava, eu andei pra porta do quarto – E pode deixar que eu pego um táxi, amor.
- Mas ... – não fiquei lá pra ouvir o que tinha a dizer. Eu só queria ir pra casa.

Capítulo 12 - Almost Here

Eu não acreditei quando a vi sair do quarto daquele jeito, como se ela estivesse fugindo de mim ou coisa parecida. Comecei a pensar em tudo o que vem acontecendo desde que eu acordei, eu não tinha machucado a daquele jeito, teria? Eu sentia como se nosso namoro aos poucos estivesse acabando, eu sentia a cada vez mais longe de mim.
Ouvi a porta do quarto da frente bater e deduzi que seria um dos meninos indo dormir. Peguei meu celular em cima da escrivaninha com a intenção de ligar para para saber se ela tinha chegado bem, mas logo desisti o tacando na minha cama. Deitei e fiquei olhando para o teto pensando nas coisas mais aleatórias que nem vi o sono chegar.

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Quanto mais os dias passavam, mais a gente se distanciava. Eu arrumava mil coisas para fazer e sempre que podia, me ajudava nisso. vivia me ligando, me chamando para sair, mas eram raras as vezes que eu saia só com ele. Preferia ir para a casa dos meninos e ficar lá com ele, assim qualquer coisa e vinham em meu socorro.
Hoje era um dia frio e com isso a preguiça dominou todos nós, nos fazendo ficar em casa assistindo vários filmes que os meninos pegaram na locadora mais cedo.
- Por que a gente só tá assistindo esses filmes de menininha? – reclamava porque era o segundo filme de comédia romântica que assistíamos.
- Porque esses são os melhores! – disse com lágrimas nos olhos enquanto víamos o final de Cartas para Julieta. – E cala a boca, .
Minha amiga é delicada, não?
- A gente podia ver algo mais adulto – tentou quando passava os créditos do filme.
- Tipo o que? – falou enquanto o resto - eu, , e – só observávamos os dois.
- Tipo um de terror. – revirei os olhos junto com – Eu peguei um pra gente ver! Sabia que esses filmes iam entediar a gente e...
- E nada. Pode sentar a bunda no sofá que você não vai pegar filme de terror nenhum. – E alguém é louco de contrariar essa menina?
- Você não vai colocar outro filme brega pra gente ver – levantou e apontou o dedo pra .
- É isso mesmo, ! Ai amor! – exclamou depois do tapa que dei no braço dele.
- Não se intromete, . – ele bufou do meu lado.
- Tudo bem. Não coloco filme assim e você não coloca nenhum de terror. – Ela começou dizendo, sorriu, assim como os outros meninos, mas eu só esperei terminar de falar... Ela não cederia tão fácil assim – Mas eu escolho o filme.
E ela levantou sem nem deixar chances de alguém se opor. Eu não disse?
- Vem cá, ! – que estava um pouco longe do sofá escolhendo o filme, me chamou.
- To aqui, amiga. – sorri quando cheguei onde ela estava.
- Como estão as coisas? Não tivemos muito tempo sozinhas pra conversar... - Ela deixou a frase morrer, aguardando minha resposta.
- Estão normais, ué – falei dando de ombros. – Semana que vem ele tem médico pra ver se está tudo bem e pediu pra eu ir junto.
- E você vai?
- Claro né, !- suspirei e olhei rapidamente na direção dos meninos – Eu... Eu sinto falta dele, sabe? Não é mais a mesma coisa. Eu me afastei com medo de me machucar mais e ao mesmo tempo, eu me sinto idiota por isso... Ele precisa de mim, não deve estar sendo fácil pra ele tudo isso... E às vezes, eu acho que essas mudanças de humor dele podem ter a ver com o acidente.
- É, pode ser, mas...
- Vai demorar muito com o filme? – gritou.
murmurou um ‘folgado’, pegou o filme e fez sinal que depois a gente continuava a conversa. Assenti e fui para meu lugar ao lado de , que me abraçou assim que eu sentei.
Comecei a rir quando vi o filme que minha amiga tinha escolhido, adorava Sr. & Sra. Smith, mas os meninos, principalmente , pareceram não gostar muito.
- Esse filme é de menininha também. – Ele bufou, sendo acompanhado pelos outros – Pode tirar, .
- Não é de menininha. Tem cenas de luta, tem sangue... E uma dose muito fofa de romance. – ela sorriu e os meninos bufaram de novo. – Agora silêncio que eu quero escutar.
Coloquei minhas pernas por cima das de , ficando praticamente em seu colo. Como só tinha nós dois naquele sofá, não faria mal eu ser um pouco folgada. , por sua vez, me apertou contra seu corpo, no que eu coloquei meu rosto na curvatura de seu pescoço.
- Vai dormir? – ele sussurrou no meu ouvido.
- Não... – minha voz saiu abafada, já que não levantei o rosto para responder. Sorri quando senti ele passando os dedos de leve na minha cintura. Sorri mais ainda quando percebi que ele se arrepiou por isso.
- A gente podia subir pro quarto, o que acha pequena? – ele perguntou e eu me encolhi um pouco. – A gente já viu esse filme várias vezes mesmo...
- Ah amor, mais tarde a gente vai. – eu queria ir, mas algo me fez fugir disso... Medo talvez?
Senti tirar as mãos da minha cintura e levantei o rosto para olhá-lo. Ele tinha os olhos fechados e a cabeça apoiada no encosto do sofá, com uma expressão um pouco frustrada. Sussurrei seu nome e ele olhou para mim.
- Poxa , por que você só foge? – ele disse baixo para não atrapalhar os outros que viam o filme, por incrível que pareça, super concentrados.
- Não estou fugindo de nada, . – desviei o olhar para a TV. Então ele tinha percebido, droga.
- Ah não? Então tá o que, ? – falou um pouco mais alto, o que fez com que todos olhassem para gente. Ele suspirou e levantou – Podem continuar assistindo, pra mim já deu por hoje.

Bruised and battered by your words
Machucado e espancado pelas suas palavras
Dazed and shattered now it hurts
Atordoado e despedaçado, como isso dói
Haven't I always loved you?
Eu não sempre te amei?

Ele tirou minhas pernas do seu colo e levantou. Pelo barulho, deduzi que ele foi para cozinha e logo depois subiu pro quarto. E eu continuava imóvel e de olhos fechados no sofá.

But when I need you
Mas quando eu preciso de você
You're almost here
Você está quase aqui

Senti alguns braços em mim e abri meus olhos para encontrar e , cada um de um lado segurando minha mão, na minha frente com as mãos nos meus joelhos. parou o filme, chegou perto de nós e depositou um beijo na minha testa.

Well I never knew how far behind I'd left you
Bom eu nunca soube quão longe eu te deixei
Well I'm sorry that I took our love for granted
Sinto muito por ter subestimado seu amor

- Vou conversar com ele, não fica com essa carinha, nanica. – Ele sorriu e seguiu o mesmo caminho de .
- Você tá bem, ? – perguntou, todo fofo enquanto fazia carinho na minha mão com o polegar.
- Eu to sim. – dei um sorriso meio fraco, que não convenceu nenhum deles – Eu só não esperava que ele tivesse percebido... Ele está chateado, né? – perguntei olhando para minha amiga.
- Ah , tenta entender o lado dele. – começou falando.
- É, faz tempo que eu não vejo vocês dois isolados do mundo no quarto dele. – sorriu e apertou minha mão.
- Eu sei que você tem medo de se machucar, que o às vezes é imprevisível e que a gente nunca sabe como ele vai reagir às coisas. – suspirou. – Mas amiga, assim você tá se machucando do mesmo jeito. – percebi que ela disse isso meio contra vontade.
- Porque todo mundo sabe o quanto você fica mal se aquele lerdo fica triste. – riu. – Tá mais do que na cara o quanto você ama o .
Eu sorri um pouco, sabia que eles tinham razão. Só que ver o assim, bravo comigo, me deixa com uma sensação estranha e eu fico toda triste e sensível. E o pior de tudo, era minha culpa também, porque eu me afastei ao invés de tentar melhorar as coisas.
- E todos sabem também o quanto o te ama. – disse e levantou. – Enquanto o tá lá com ele, o que acham da gente fazer brigadeiro?
- E precisam de quatro pessoas pra fazer, ? – perguntei rindo. Não tinha como ficar mal com eles por perto.
- Quem disse que eu vou fazer? Só vou comer, baby. – disse já indo em direção à cozinha.
- Eu vou ajudar o . – se levantou e seguindo .
Eu e nos olhamos e começamos a rir. Ela me deu um abraço rápido e juntas fomos fazer o brigadeiro para aquelas duas crianças.

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- Posso entrar, dude? – perguntou colocando a cabeça para dentro do quarto.
- Entra aí. – respondi ainda envolvido com minha latinha de cerveja.
- Você tá legal? – estava cauteloso ou era impressão minha?
- Tá tudo bem sim e com você? – ainda não olhava pra ele, no momento a latinha em minha mão era tão mais bonita.
- Eu to bem, . – ele fez um barulho estranho com a boca, como se fosse falar algo e desistindo logo em seguida. Olhei para ele e vi que ele estava encostado no meu guarda roupa estralando os dedos. Arqueei uma sobrancelha e fiquei esperando ele falar algo. – Só queria ver se você tava legal.
- Você não veio até aqui só pra perguntar isso, . – ri sem humor nenhum. – Por que ela está me afastando desse jeito? Que merda, dude. Quanto mais eu tento me aproximar daquela menina, mais ela arruma uma desculpa pra evitar ficar sozinha comigo.
Eu desabafei aquilo de uma vez, afinal sabia que estava aqui para isso. Ele era amigo da , mas desde pequenos nós somos como irmãos. Ele era meu melhor amigo e dificilmente eu conseguia esconder algo dele e vice e versa.
- Por que ela tem medo de acabar se machucando. – eu ia falar algo, mas levantou a mão pedindo pra eu ficar quieto. – Eu sei que você não quer fazer isso, . E ela sabe disso também. Só que você ultimamente anda com o humor meio estranho.
- É estranho isso. Coisas que normalmente eu levaria numa boa, me estressam. E eu sinto uma raiva e sem querer desconto na . – passei a mão pelo meu cabelo, num gesto nervoso. – O que tá acontecendo comigo, ? Eu não era assim. – essa ultima frase saiu algumas oitavas mais alta, devido à minha angustia.
- Não sei, mas você já parou pra pensar que ficou assim depois do acidente?
Eu desviei meu olhar para o chão. Claro que eu tinha percebido isso. Antes do acidente, eu jamais havia gritado com a ou com qualquer um dos meninos. Eu sempre fui um dos mais calmos do grupo. E ultimamente tudo era motivo para eu gritar e ser grosso com alguém, até os meninos já tinham ouvido, só que eles me ignoravam e me deixavam falando sozinho, diferente de , que ficava mais indefesa a cada vez que eu explodia com ela.
- ? – me chamou, fazendo eu acordar dos meus pensamentos.
- Eu sou um merda, cara. – suspirei derrotado, deitando minhas costas na cama.
- Não é, não. – levantei meu braço e fiz um sinal de joinha pro . – A sabe que isso pode ser por causa do acidente. Eu lembro que quando você teve alta, o médico disse umas coisas assim.
- Por isso que ela ficou me enchendo pra marcar uma consulta com ele? – não gostava de médicos e isso só se intensificou depois do acidente.
- Exatamente. – percebi que sorriu – É bom , principalmente por causa da pancada que você tomou.
- Foi tão feio assim? Digo, eu sei que o acidente foi feio, afinal, fiquei em coma um tempão, né. – sentei na cama novamente olhando pro – Mas nunca me contaram muito sobre isso, só o básico... E nunca tive coragem de saber quão mal eu fiquei... Como vocês ficaram... – olhei pra ele sugestivamente, num pedido silencioso.
- Foi horrível, . Quando ligaram pra gente falando que você estava no hospital... – ele fez uma pausa e tomou fôlego – Nós todos achamos que era um trote, ninguém queria acreditar que você tinha sofrido um acidente. Mas mesmo assim a gente foi pro hospital, junto com seus pais. Só que a gente chegou lá e a única informação que deram é que tinha um garoto que aparentemente se chamava Daniel dentro da sala de cirurgia e que foi com ele que o número do foi achado. – tinha os olhos marejados e eu imaginei como eles devem ter se sentido.
- Quando o médico saiu e veio falar com a gente, acho que foi o momento mais difícil. Ele disse que você tinha sofrido um acidente grave, que estava bem machucado e tinha tipo um hematoma na parte da frente do cérebro, ou algo assim e que você tinha saído da cirurgia, mas ele não sabia quando você iria acordar... E nem o que aconteceria se você acordasse, por causa dessa batida. Sua mãe quase teve um troço e a , ela tava em choque, dude. – ele falou isso quase sem respirar e logo em seguida olhou pra mim e suspirou. – Ela não se mexia, nem chorando ela tava.
- Eu não sabia de nada disso, ... – eu estava sem palavras.
- Eu sei, . – ele sorriu triste e eu balancei a cabeça para ele continuar. – E bom, quando a acordou do transe, ela começou a chorar e gritar que queria te ver. Eu e o tivemos que pega-la no colo e levá-la para uma salinha, onde o médico deu um calmante e ela dormiu. Eu e a ficamos a noite toda lá com ela. – não pude evitar sorrir, tratava a como uma irmã. – Quando ela acordou foi pior, porque ela só chorava. Aí o médico nos deixou entrar na UTI e cara, foi tenso. Você tava todo machucado e inchado... Fora os milhões de fios que estavam ligados em você. A chorava tanto e a também. – Ele olhou para os pés – Todos nós choramos quando vimos teu estado. E desde aquele dia, a gente ia todos os dias lá te ver. – Eu deixei uma lágrima escorrer pelo meu rosto, aquilo tinha me deixado grato pelos amigos que eu tinha. – Todo mundo ficou com medo de te perder, .
- Eu... Eu nem sei o que dizer. – passei minhas mãos no rosto. – Eu fiz todos vocês sofrerem e ainda to fazendo...
- Dude, não é tua culpa. Tem grandes chances de ser por causa de alguma sequela, sei lá. – Ele se levantou e sentou do meu lado. – Mas você tem que ir ver isso. Por você, pela e por todos nós.
- Eu vou sim, . Não aguento mais isso.
- Eu sei. – Ele deu um tapinha no meu ombro – A gente percebe o quanto você sofre quando estoura com algum de nós, principalmente com a pequena.
- Ela ficou mal? – Me sentia meio culpado, porque eu podia tentar me controlar.
- Ela ficou com uma carinha meio murcha, mas vocês já tiveram brigas piores. – Ele riu.
- Sabe, eu sinto como se ela não tivesse me perdoado pelo que aconteceu naquele final de semana... – falei me referindo ao final de semana que eu a levei pro interior.
- Se coloca no lugar dela, . Você a largou pra falar com a Mel e ainda brigou com ela. – eu sou um idiota e o só tá me confirmando isso.
- Juro que não foi minha intenção. Mas quando eu me lembro daquele dia, é tudo tão confuso. As minhas memórias, sabe? Não sei explicar, dude, vem tudo em flashes, só a parte que eu discuti com a que é mais real. – balancei os dedos no ar, como se tivesse fazendo aspas.
- Tá vendo? Você precisa ir logo no médico. – andou em direção a porta – E descer pra falar logo com a .
- Vamos lá. – segui e descemos as escadas, já ouvindo as risadas dos quatro vindo da cozinha. Ouvi um “, devolve meu brigadeiro!”, que com certeza vinha de . Não pude deixar de sorrir.

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Tinha acabado de pegar a tigela com o brigadeiro da mão de quando vi os dois entrarem na cozinha. foi direto atacar o brigadeiro que estava com . por sua vez, veio até mim e colocou o dedo no brigadeiro e depois o passou em meus lábios.
- Desculpa amor. – ele sussurrou e me deu um selinho, ficando com a boca de chocolate também. – E depois, quero conversar sério com você. – Ele terminou de falar sorrindo e me deu mais um beijo, dessa vez passando a língua onde ainda restava chocolate.
- Sabe , o brigadeiro não é só de vocês. – um emburrado falou.
- Mas vocês tem a tigela de vocês, essa é a minha. – falei apontando pra tigela que estava com .
- Mas eu não vou dividir com ele, como um casal – falou aquilo como se fosse óbvio e eu ri. Pedi pra segurar a que estava nas minhas mãos e arranquei a que estava com .
- Devolve isso aqui! – gritou enquanto vinha correndo atrás de mim, mas o segurou. Os outros? Só riam.
Peguei outra travessa e coloquei metade do que estava na tigela do . Depois entreguei uma para cada um sorrindo. ficou feliz, já que não teria que dividir com ninguém, mas ficou emburrado.
- Era meu, . – ele disse fazendo bico e eu dei uma gargalhada alta.
- Pega logo senão essa fica comigo também. – Dei um sorrisinho malvado e ele logo saiu correndo pra sala com sua tigela de brigadeiro. e já tinham ido também.
- E essa é nossa? – me olhou sorrindo.
- Uhum. – balancei a cabeça afirmando. Ele continuou sorrindo e me estendeu a mão, me puxando pra sala logo em seguida.

And now I'm with you I'm close to tears
E agora que estou com você, quase choro
'cause I know I'm almost here
Porque sei que eu estou quase aqui
Only almost here
Somente quase aqui

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- Nós vamos voltar a ver filme? – disse meio entediado.
- Não quero, a gente fez isso o dia inteiro. – o tom de era arrastado.
- A gente podia...
- Aproveitar e sair um pouco, faz tempo que não saímos de casa juntos pra se divertir. – interrompeu e todos pareceram aprovar a ideia.
- E onde nós vamos? – Eu estava com preguiça, mas ia ser legal sair um pouco. Não aguentava mais ficar presa dentro de casa.
- Abriu um pub novo aqui perto, vamos? – sugeriu já de pé. De fato, ele estava realmente animado pra sair.
- Por mim... – eu disse sorrindo ao mesmo tempo que disputava com a última colher de brigadeiro.
- Fechado, então as nove todo mundo pronto! – disse já puxando pela mão. – E se apressem, porque já são quase oito.
Levamos os pratos pra cozinha e cada um seguiu para seu quarto e no meu caso e da , seguimos para o quarto de nossos respectivos namorados.
Entrei no quarto com e enquanto ele se jogava na cama eu fui em direção ao banheiro dele tomar um banho. Não demorei mais que o necessário e logo em seguida ele entrou. Coloquei uma calça legging preta, uma blusinha creme com meu sapato preto. Simples e bonita, do jeito que eu gostava.
- Você tá linda, amor. – disse assim que saiu do banho e eu estava calçando os sapatos. Ele já estava com sua calça jeans e a camisa preta que eu amava, lindo.
- Você também. – levantei da cama e caminhei até ele, dando um selinho assim que nos aproximamos.
- Desculpa por mais cedo, eu realmente não queria ter gritado com você. – ele passou os braços pela minha cintura, colando mais os nossos corpos.
- Vamos esquecer isso, amor? – Apoiei minha cabeça em seu ombro. – Eu sinto falta de ficar assim com você.
- Eu também... – percebi que ele queria falar mais alguma coisa, mas logo mudou de ideia.
- Vocês estão prontos? – disse após bater na porta. – Atrapalhei algo? É que os meninos estavam enchendo já...
- Só falta terminar de prender meu cabelo e o por o tênis. – disse sorrindo, ela assentiu e saiu do quarto. Logo terminamos e os encontramos na sala.
- Eu quero ir com meu carro... Vai que eu encontro uma gata e... – fez um gesto estranho e uma cara de safado, como se sinalizasse o que iria acontecer caso ele encontrasse uma ‘gata’. pareceu gostar da ideia e disse a mesma coisa. Meninos.
- Então vamos nós quatro no meu carro? – perguntou para mim, e . Balançamos a cabeça confirmando e ele entrelaçou os dedos nos meus, indo em direção ao carro.
Não demoramos a chegar ao tal pub. Era um lugar amplo, com uma música bem animada e várias mesinhas espalhadas, com uma pista improvisada no meio. Eu, , e sentamos numa mesa do canto, enquanto e já haviam sumido entre as pessoas.
Foi uma noite agradável. e eu dançamos grande parte das músicas, sempre com os meninos do nosso lado, até resolveu arriscar um passos arrancando risadas de todos nós.
Logo voltamos para a mesa, enquanto e disseram que queriam dançar mais um pouco – lê-se: se agarrar mais um pouco. e eu não ficamos muito atrás e assim que sentamos, ele segurou meu rosto delicadamente e juntou nossas bocas. Inconscientemente, levei minhas mãos até seus pulsos, fazendo um leve carinho, enquanto entreabria os lábios para que ele pudesse aprofundar o beijo, coisa que ele fez logo em seguida. Aproximei mais meu corpo do dele e quase caí da cadeira por isso, o que o fez me puxar para seu colo, sem interromper nosso beijo. Senti seus lábios descerem para o meu pescoço, enquanto minhas mãos se misturavam entre seus cabelos.
- Eu te amo, . – ele disse próximo a minha orelha, me fazendo arrepiar.
Afastei meu rosto do dele e sorri. Seus olhos estavam brilhando e pela expressão de , ele parecia ver a coisa mais linda do mundo à sua frente, enquanto seus braços me apertavam entre eles, como se ele quisesse ter certeza que eu não iria fugir dele. Sorri ao notar que ainda me olhava com o mesmo olhar apaixonado de quando ele me pediu em namoro e que isso dificilmente iria mudar.
- Eu também, pequeno. – e juntei nossos lábios novamente.

Capítulo 13 - Keep Holding On

Quarta-feira. O dia da minha consulta havia chegado e eu estava ansioso. Depois que me contou como tudo realmente aconteceu, eu não parei de pensar que havia algo errado em minha cabeça. Só podia estar errado. E isso eu descobriria hoje, junto com a , que iria me acompanhar ao médico.
Olhei para o espelho e senti meu estômago dar algumas voltas. Estava ansioso, tinha exagerado na comida na noite anterior e mal consegui dormir. Para completar tudo isso, minha namorada anda evitando dormir aqui em casa, fato que me deixou ainda mais tenso.
Terminei de arrumar meu cabelo, em seguida fui em direção a porta em silêncio e apenas acenei quando algum dos meninos me desejou boa sorte. Já no carro peguei meu celular e digitei uma mensagem rápida para dizendo que em poucos minutos estaria na casa dela e saí com o carro. Algum tempo depois ela já estava sentada no banco do passageiro falando coisas bobas, com certeza com o intuito de me acalmar. O único problema é que eu a conheço melhor do que qualquer pessoa e sei que ela está tão ansiosa quando eu – para não dizer nervosa, e tentava disfarçar tagarelando sobre qualquer coisa.
- Amor, você está tão quietinho. – Senti seu olhar sobre mim e sua mão na minha coxa.
- Você que não parou de falar desde que entrou no carro, pequena. – sorri de leve, mas logo comecei a rir quando percebi suas bochechas vermelhas.
- Isso, me chama de tagarela, seu chato! – ela cruzou os braços e ficou emburrada. Aproveitei que o farol estava fechado e a olhei arqueando uma sobrancelha, o que a fez mostrar a língua.
- Chato que você ama. – Ela sorriu e eu dei de ombros, o que me rendeu um leve tapa no meu braço – Violenta essa mulher... – sussurrei e ela bufou, rindo em seguida.
Ao chegarmos ao consultório, fomos encaminhados para uma salinha de espera, onde logo uma moça vestida com aqueles uniformes de hospital veio falar conosco, perguntando algumas coisas, que respondia com a ajuda da . Logo ela foi embora e me chamaram para outra sala, onde tive que entrar sozinho, deixando uma inquieta e nervosa para trás.
Fizeram alguns testes comigo, mas nada muito complexo e disseram que logo o médico me chamaria. E não deu outra, logo nós entramos na sala do médico, que era tão enorme quanto o resto daquela clínica, com vários protótipos do corpo humano espalhados por ela, assim como vários quadros com aqueles desenhos que a gente vê nos livros quando estuda biologia na escola – e nunca entende nada daquilo.
- Fazia já um tempo que não nos víamos, eim . – Era o mesmo médico que cuidou de mim quando eu sofri o acidente. Uma pessoa bem legal.
- É, faz tempo mesmo. Mas não me leve a mal, doutor, eu preferia que a gente ficasse ainda mais tempo sem nos ver, mas como não deu... – ri fraco e senti a mão da apertar a minha, me lembrando que eu não estava sozinho. O médico sorriu para nós.
- Ninguém gosta de vir me ver, nunca entendi essa rejeição... – ele olhou para um ponto vago como se realmente estivesse pensando o motivo e logo todos começamos a rir. Pronto, o clima tenso havia ido embora. – E vejo que sua namorada está cada vez mais bonita! – sorriu pra , que ficou envergonhada. – Você tem sorte, rapaz! Mas o que te trouxe aqui?
Era esse o momento, certo? Comecei a contar tudo para o médico, tudo sobre as minhas dores de cabeça, meus lapsos de memória, minha mudança brusca de humor. Falei tudo. Em alguns momentos, me interrompia para acrescentar um ou outro detalhe.
O médico – Doutor Owen – escutava tudo atentamente enquanto ia fazendo anotações no seu notebook. Vez ou outra fazia uma pergunta e logo voltava a digitar as coisas que eu falava. Depois de mais de meia hora falando, ele me pediu para sentar na maca que havia em sua sala para me examinar. Testou meus reflexos, examinou meus movimentos, meu campo de visão, senso de direção, tudo o que vocês possam imaginar.
- Pode voltar para junto da sua namorada, filho. – ele apontou para que estava olhando atentamente todos os nossos movimentos. – Vou lá fora buscar os testes que você fez antes de entrar.
- Como você está se sentindo, ?
- Não sei amor, acho que estou bem. – entrelacei meus dedos com os de , que apertou minha mão entre as suas. – E você? – perguntei só pra fazer um pouco de graça.

You're not alone
Você não está sozinho
Together we stand
Juntos nós ficamos de pé
I'll be by your side
Estarei ao seu lado
You know I'll take your hand
Você sabe que segurarei sua mão

- Se você está bem, eu também estou. – sorri diante seu comentário – Mas estou ansiosa. O que será que o doutor vai falar, amor?
- Não sei, . – abaixei minha cabeça e soltei o ar que estava preso em meus pulmões. – E estou com medo de descobrir.
- Seja lá o que for, vamos enfrentar juntos. – ela segurou meu queixo delicadamente e levantou meu rosto, sorrindo. Sorri junto e dei um selinho rápido nela.

When it gets cold
Quando fizer frio
And it feels like the end
E parecer ser o fim
There's no place to go
E não tiver para onde ir
You know I won't give in
Você sabe que não desistirei
No, I won't give in
Não, eu não desistirei

- Eu não mereço você. – balancei a cabeça e ela somente riu discordando. – É sério! Você sempre é perfeita comigo e eu só dou mancada.
- E ambos sabemos que é porque algo deve estar errado. – Senti a mão dela acariciar minha bochecha e fechei os olhos. – E se você imaginasse o quanto me faz feliz, jamais falaria isso.
- Você que me faz feliz, amor. – estava me aproximando para dar um pequeno beijo nela, quando a porta abriu, revelando o Doutor Owen. Ele não podia ter demorado mais um pouquinho, poxa?
- Bom, aqui estão os resultados dos testes que você fez. – Observamos ele sentar-se à nossa frente. – Para eu dizer exatamente o que está acontecendo com você, eu preciso que faça alguns exames mais complexos. – E me estendeu um papel com alguns pedidos de exame que a pegou antes de mim. – Você irá fazê-los o mais rápido possível e trazer para eu ver. Mas já posso te adiantar uma coisa, essas suas mudanças de humor, suas dores de cabeça... Provavelmente ficou alguma lesão.
- Mas enquanto isso, alguma coisa que ele tem que fazer, Doutor? – perguntou preocupada.
- Vou dar esse remédio – e estendeu a caixinha de amostra do remédio, junto com a receita do mesmo. – Você vai tomá-lo uma vez por dia, antes de dormir. Isso irá aliviar as dores de cabeça. E paciência. Eu sei que é difícil, mas mesmo quando vocês perderem a paciência, não se esqueçam que precisam um do outro. Então, , tente se controlar, quando sentir que está ficando irritado, ou que vai explodir com alguém, peça licença e saia. Tente se acalmar. E você, , tenha paciência. Ele precisa de você e tenho certeza que ele não quis ter brigado na maioria das vezes.
assentiu com a cabeça, assim como eu. Despedimos-nos do médico, falando que voltaríamos assim que os exames ficassem prontos. Seguimos para o carro em silêncio. Assim que entramos, vi que olhava para mim. Arqueei minha sobrancelha, esperando que ela falasse.
- Vai tudo ficar bem, né? – sua voz saiu baixa e eu a puxei para um abraço.
- Claro que sim, amor. – beijei o topo de sua cabeça. Ficamos assim, em silêncio e abraçados durante algum tempo. – Não quero te machucar. – Falei mais pra mim do que pra ela.

Hear me when I say,
Escute quando eu digo
When I say I believe
Quando digo que acredito
Nothing's gonna change destiny
Nada irá mudar o destino
Whatever is meant to be
O que quer que seja
We'll work out perfectly
Nós resolveremos perfeitamente

- E você não vai. – Ela se afastou um pouco para olhar meus olhos. – A gente vai passar por isso, você vai ver.
- , e se eu tiver algo sério? E se eu tiver que, não sei, se isso for acabando aos poucos comigo? – eu comecei a ficar desesperado. – Não é justo você passar por isso por minha causa, e se –
- E se for algo sério, algo complicado, eu vou estar bem ao seu lado. – ela colocou a mão em meu rosto assim que me interrompeu, fazendo-me fechar os olhos ao sentir o toque – Nós vamos ficar bem, amor, juntos. Eu jamais te deixaria sozinho.
- Você é um anjo. – encostei nossos narizes, num beijo de esquimó – O meu anjo.
- Deixa a ouvir você falar isso que ela vai ficar com ciúmes. – Ri ao ouvir a risada gostosa que a deu. – Você sabe, eu sou a anja dela, né.
- Eu sou seu namorado, tenho mais direitos! – exclamei fazendo cócegas nela, me deliciando enquanto ouvia seus gritos e risadas.
- Claro, claro! Agora explica isso para a nossa amiga pouco ciumenta! – ela disse tentando se soltar. Claro que não conseguiu. – Se você sair vivo, amor, você passa a me chamar de anjinha, que tal?
- Amor, você é tão boba. – disse rindo e colocando ela em seu banco, dando um leve beijo em seus lábios. – Agora, para onde vamos? – a olhei enquanto ligava o carro.
- Hm... Mc Donalds? – Sabe aquela cara que criança faz quando quer algum brinquedo? Então, essa é a mesma cara que a faz quando quer me convencer a ir à algum lugar.
- Mc Donalds, ? – como essa menina come tanta besteira e não engorda? – Ok, ok, vamos ao Mc.
bateu as mãos comemorando e fomos seguimos para o Mc mais próximo. Enquanto dirigia, olhei rapidamente para ela, que estava toda feliz cantando uma música qualquer que tocava no rádio. Sorri internamente e agradeci ao Tio lá de cima por ter colocado alguém como ela em meu caminho. Eu só fazia besteira e ela continuava lá. É, como o médico disse, eu sou um cara de sorte.

Continua...


N/A (17.03.11): E aí, leitoras mais perfeitas do universo? Como vocês estão? Demorei, mas não foi tanto, vai... Ainda mais se consideramos que minhas aulas no cursinho começaram e eu tenho aula das 7h às 18h, todos os dias – até de sábado ¬¬ (só por curiosidade, é um cursinho especializado em vestibular de medicina, então tá meio que explicado, né...)
Mas vamos falar da fic? O que vocês estão achando? Comentem, por favor! Eu amo ver os comentários de vocês, e agradeço de coração TODOS eles... Eles são muito importantes pra mim! E eu aceito sugestões, viu?!
Bom, só tenho a dizer: aproveitem os momentos fofos de agora *-* hahaha
Até a próxima att!
Mari

N/b: Definitivamente você vai ter que procurar uma nova beta pra fic, porque olha, eu morri com esse capítulo pura fofura! *-*