My Favourite Photograph
Autor: Mr. Brightside
Beta-Reader: Bárbara


Estávamos no shopping eu e as meninas. Fomos às compras como um método para se acalmar. Sou , 24 anos fotógrafa e recém-solteira. Após dois anos de relacionamento eu terminei meu noivado. Edgar trabalhava na embaixada brasileira de Londres, e eu percebi que não seria legal ficar com um cara que na sua frente banca o ciumento, mas vive atrás de outras pelas costas. Fiquei feliz ao saber que ele foi substituído e terá que retornar ao Brasil. Paulista filho da mãe. Já faz um mês, mas eu ainda estou inconformada que perdi tanto tempo da minha vida com um idiota. Que fui capaz de cogitar a possibilidade de amor. Agora vou voltar a ser como eu era na adolescência, amor não existe. Durante o período que passei com meu ex eu deixei de sair com minhas amigas, não fui a algumas festas, me privei de certas coisas e pra quê? Para nada. Agora chega. Não quero me relacionar com ninguém por um longo período. Além das compras serem para acalmar, também é uma comemoração. Comemoração ao retorno de vida de solteira.
Hoje em dia estamos todas formadas e bem sucedidas. A Ana está casada com Alex Airhart e já tem uma linda menina, Lily. Ele é escocês, se mudou para Londres ainda criança e é dono de uma rede de lojas de Cds. Foi assim que eles se conheceram, a Ana tinha ido à loja dele no dia em que o Alex resolveu ir, daí se viram uma, duas, várias vezes e há dois anos eles se casaram.
A Isa mesmo depois de quase um ano de casamento vive sua lua de mel. Luke Blaney é engenheiro americano, foi capaz de deixar a querida New York dele para vir para Londres, o lugar que a Isa sempre quis estar. Ele é um amor com ela, tem toda a pose de homem sério, mas é só a Isa fazer um dengo ou graça que você percebe que “homem sério” é só fachada.
Minhas duas amigas já estão arranjadas e bem na vida emocional. E eu aqui, fui arrumar o que pra cabeça? Só não entro em desespero porque a nem sequer está namorando. Mas tenham certeza que no dia em que ela marcar a data do casamento e eu ainda estiver na mesma só com dores de cabeça eu procuro um psicólogo.
Ah claro.. A . Bem ela tem relacionamentos de no máximo uma semana, pelo menos ela sabe escolher. Jornalista, só tem preocupações com trabalho e arrumar o apartamento. Por isso que eu existo, para acabar com o sossego da garota.
- ... Sai dessa vida. Você precisa arranjar alguém, para estar ao seu lado. - Ana disse enquanto estávamos sentadas nuns sofás do Starbucks.
- E para causar problemas? Não poder sair na hora que eu quero? Que cuide da minha vida? Não obrigada. - Ela respondeu tomando seu café, eu ri com isso.
- Mas você já está com 24 anos... -Ana sempre tenta convencê-la de que um dia ela irá se casar.
- Ainda você quis dizer. - Ela arqueou a sobrancelha.
- Eu tenho 24 e não me arrependo de me casar com o Luke. - Isa se virou a ela.
- Isa, nós quatro sempre soubemos que você é estranha. - Ela suspirou e a Isa mostrou a língua. Há coisas que nunca mudam.
- Mas... - Ana começou e eu a interrompi.
- Ok dá para parar com esse assunto? Eu sou mais velha que a e não acho ruim dela ser assim. - Levantei a mão.
- Obrigada... - Ela sorriu fazendo cena.
- O que vocês farão hoje à noite? - Isa perguntou segurando o canudinho.
- Festa? - respondeu sorrindo óbvia, Isa rolou os olhos murmurando um “novidade”.
- Eu e o Alex vamos jantar na casa da mãe dele, faz tempo que ela não vê a Lily.
- Como você é uma boa nora.. - Disse à ela.
- Guerreira você quis dizer... Porque o tanto que ela agüenta a sogra... – comentou recebendo um olhar de reprovação de Ana enquanto eu e Isa ríamos.
- Eu gosto dela.
- Eu também gosto do Brasil, bem longe. – Retrucou arrancando mais risadas e um suspiro de Ana.
- Faz tempo que nós não saímos juntas...
- E isso é o que Isa? - Me virei à ela.
- Me refiro a passar mais tempo...
- Deus! Ainda bem que o Blaney chega logo de viajem... A Isa está carente... - olhou para cima.
- Vocês vão à festa de um aninho da Lily semana que vem né? - Ana mudou de assunto.
- Não Aninha... Nós estaremos ocupadas de mais para comparecer a sua festinha... -Rodei os olhos. - Claro que nós vamos, você está falando dessa festa há três meses.
- ... Dá um desconto, é a primeira filha dela. Quando você tiver a sua você vai entender. - Isa sempre compreensiva...
- Tenho que comprar o presente da Lily... - apoiou a bochecha na mão direita.
Nós fomos cada uma para sua casa depois. Mas ainda não passava das quatro da tarde, a Ana não gosta muito de deixar a Lily com a babá e a Isa tinha umas coisas pra fazer. A iria arrumar o apartamento já que ela esteve fora da cidade na última semana.
Fim de tarde de um sábado, eu que não iria ficar em casa vendo programas toscos na TV. Peguei minha inseparável câmera e fui procurar algum lugar para tirar umas fotos a fim de passar o tempo. Desci em Lancaster Gate e fui ao Hyde Park, não estava a fim de dirigir. Comecei tirar umas fotos, árvores, pessoas. Quando vi um lindo garotinho que passou por mim correndo quando eu estava no Italian fountains (uma das partes que mais gosto). Procurei pelo garotinho e o avistei do lado de um homem, que poderia ser seu pai, observando uma das fontes.
- Hey... - Disse incerta me aproximando dos dois.
- Oi... - O homem sorriu e o menininho de uns quatro anos sorriu sapeca - Posso ajudar?
- É que... Bem eu vi seu filho e pensei se eu poderia tirar uma foto dele. - O homem tinha lindos olhos azuis, usava uma toca marrom e tinha cachos saindo de tal.
- Como? - Ele me olhou mais atentamente.
- Seu filho... Posso fotografá-lo? - Repeti.
- Ahh ele não é meu filho - Ele sorriu abertamente. - Mas... pode fotografar meu sobrinho, sem problemas.
- Obrigada... - Sorri arrumando a máquina para tirar umas fotos.
- Eu sou Danny Jones, e este é Mike. - Ele estendeu a mão para me cumprimentar, após a grande seção de fotos já que Mike gostou da idéia de ser o centro da atenção.
- Aizawa... - Sorri, em seguida tampando a lente da câmera.
- Bem... - Ele olhou tímido esperando que eu dissesse que ele não poderia me chamar pelo primeiro nome, mas eu apenas levantei a cabeça para ele continuar - Quer... tomar um café?
Seria a segunda vez no dia, isso provavelmente roubaria uma parte do meu sono, mas o sol já estava se pondo e começou a ficar mais frio. Café ou chocolate quente era muito convidativo.
- Uhm.. Tudo bem.
Nós fomos à um café ali perto, e começamos a jogar conversa fora.
- Banda? - Perguntei com minha xícara de chocolate quente em mãos.
- É... Já faz tanto tempo que eles são como minha família. - Ele disse olhando seu próprio chocolate quente. Danny, olha a intimidade, parecia gostar muito dos amigos eu admirei isso nele.
-Tio... Eu quero mais donut ... - Mike ergueu os olhinhos para o tio.
- Ahh Mike.. Eu até compraria mais um. Se você quisesse mais uns dez... Mas sua mãe arranca minha cabeça se eu deixar você ficar comendo essas coisas antes da janta... - Ele parecia chateado por não poder agradar o sobrinho. - Mas olha, outro dia a gente sai de novo e eu compro, pode ser?
- E vamos comer lanche e andar no parque? - Mike tinha os olhinhos brilhando.
- Claro! Como você quiser! - Danny sorriu bagunçando o cabelo do menino.
Fiquei olhando os dois, e pensando se a Ana também era assim com a filha dela. Por mais que Danny fosse apenas tio ele cuidava muito bem de Mike.
- Bom, foi um prazer te conhecer . - Danny sorriu se despedindo. Estávamos na porta do café, já de noite. - Tenho que levar o baixinho aqui...
- Tchau tia... - Mike balançou a mãozinha.
- Mike, não é tia.. - Danny olhou para ele. - Chame-a de .
- Tudo bem Danny, sem problemas... Obrigada pelas fotos Mike. - Sorri para ele.
- De nada... Você vai mandá-las para mim? Eu gosto de me ver em fotos... - Ele sorriu sapeca e foi o suficiente para eu concordar.
- Mas como eu vou te entregar?
- Tio Danny pega pra mim. Não é? - Ele olhou para o Jones.
- Er... Ok...
Eu disse aonde eu trabalhava e ele apareceria para buscar as fotos qualquer dia. Para mim, ele nunca iria aparecer. Afinal, nos conhecemos num parque. Mas algo dentro de mim queria ver ele novamente. Ignorei isso, não quero sentir certas coisas por um bom tempo. Principalmente por alguém que eu mal conheci. Muito tempo com alguém dá nisso, você perde a noção das coisas, se encanta com o primeiro rosto bonito. E que rosto, e corpo...

Domingo fui comprar o presente da Lily com a , e ela passou o dia aqui em casa. Duas solteiras no mesmo lugar, sim não presta. Ficamos comentando sobre alguns caras, os que eu já fotografei e os que ela já entrevistou. Mostrei as fotos do sábado e nem o Jones escapou do comentário dela.
- Ahh ... Ele é bonito... - Ela ainda observava as fotos em que ele aparecera com Mike, no macbook. – Muito por sinal.
- Sim ele é. - Eu preparava uma batida.
- Esse garotinho é tão fofo... Jones tem jeito para ser um bom pai... Quem sabe...
- Quem sabe o que ? - Fitei-a séria. - Nos conhecemos num fim de tarde, não vamos nos ver de novo. Pelo menos não tão fácil.
- Só estou... Pensando alto. - Ela deu de ombros.
- Então é melhor tomar cuidado com o que pensa ao meu lado...
- Uii que medo... Não me bate... - Ela fez pose me fazendo rir.
- Mas então... Como foi ontem? - Me sentando no sofá ao lado dela com dois copos, entregando um à ela.
- Bom... - Ela deu o sorriso familiar.
- Detalhes, por favor... - A cutuquei com o cotovelo.
- Ian Watkins estava lá... - Ela apoiou o copo no joelho e estava no sofá.
- E...? - Eu sabia a resposta.
- Ele é hot.
- Espera.
- Uhm? - Ela me olhou.
- Vocês... - Fiz um gesto.
- Não! - Ela fez careta - Ele é mais para amizade entende...
- Sei... - Ri de lado e ela me deu um tapa de leve.
Ainda não sei porque a foi dormir na casa dela se no dia seguinte iríamos para o mesmo lugar trabalhar. Vai entender... Duvido que nada tenha rolado entre ela e o Watkins, sempre teve uma queda por ele. Ela mesma dizia que com aqueles olhos ela cederia fácil.

A semana estava passando rápido, para meu alívio! Já era quarta feira. Eu estava sentada de frente à conversando sobre nada útil como de costume quando alguém disse que havia uma pessoa que queria me ver.
- Peça para vir até aqui... - A disse tomando seu suco e folheando uma revista.
- Obrigada por às vezes ser minha secretária... - Disse e nós duas rimos.
- ? - Ouvi uma voz masculina.
Vi um grande sorriso se formar nos lábios de , estranhei já que eu não me recordei imediatamente da voz. Mas aquele perfume não me era estranho, levantei-me tentando lembrar de onde conhecia aquela fragrância.
- Oi Danny... – Sorri assim que virei para ele. Ele segurava flores nas mãos. Ótimo... É o que estou pensando?
- Eu teria vindo antes, mas tive umas coisas pra resolver... Aqui, pra você... - Ele me entregou as flores, orquídeas. Foi como se alguma corrente elétrica tivesse passado por nós quando suas mãos tocaram a minha. Estranho, nunca senti isso. Acho que é melhor eu diminuir as bebidas.
- Er.. Obrigada. Não precisava Danny... - Não sabia o que realmente dizer à ele.
- Mike está louco pelas fotos... - Ele disse após uns segundos de silêncio entre nós.
- Oh as fotos... - Passe a mão desocupada pelos bolsos pensando. - Desculpa, eu não sabia que você viria hoje. Eu deixei o cartão de memória em casa... - Olhei como quem implorasse desculpas, ele veio para buscar as fotos e eu não estava com elas, como sou educada.
- Ah tudo bem. Eu só verei meu sobrinho no fim de semana.
- Bom. Fiz você vir até aqui para nada... - Passei os olhos pela sala.
- Não se preocupe... - Ele riu.
- Er... Eu posso trazer amanhã... - Encarei-o de novo.
-Agora sou eu quem pede desculpa. Vou viajar hoje e só volto sexta... Er... - Ele coçou a nuca, abaixando um pouco a cabeça e me olhando com aqueles olhos azuis como uma criança que quer algo - Você... Não quer sair no sábado?
- Er.. É que é a festa de aniversário da filha de uma amiga minha...
- Domingo? - Ele entortou a cabeça, com o mesmo olhar de criança.
- Eu...
- Você aproveita e leva as fotos... - Ele sorriu tímido.
- Bem... er...
- Ela aceita. - Ouvi a voz da e Danny olhá-la, como se só percebesse agora que ela estava ali.
Eu tinha certeza que ela sorria largamente, me contive para não dar lhe uns tapas.
- Não é mesmo ? Ela vai estar à toa, mas acha que iria te incomodar. - continuou mas logo passou por nós. - Meu suco acabou. Até mais... - E nos deixou.
Vi ela se afastar, mas senti que Danny me observava esperando resposta. Eu não queria sair com alguém que mal conheci, principalmente agora que estou evitando relacionar-me com alguém. Mas não daria em nada sair com o Danny não é? Ele já tem 28 anos, é maduro. Será legal fazer novas amizades.
- Ok. - Sorri.
- Mesmo? - Ele sorriu de um jeito que me deu vontade de ficar vendo aquele sorriso o dia todo. Balancei um pouco a cabeça, para dissipar esses pensamentos.
- Sim.. Ahmm... Aonde?
- Podemos ir ao Hyde Park, onde nos conhecemos... - Ele sugeriu incerto.
- Por mim tudo bem... Mas, em que lugar?
- A frente da estátua do Peter Pan, as dez da manhã?
- Combinado. - Sorri.
- Então... Até domingo... - Ele deu mais um sorriso e beijou minha bochecha antes de ir.
Fiquei parada por um tempo no mesmo lugar. A essência do perfume dele ainda estava na sala e eu me perdi em pensamentos que fiz questão de esquecer depois.
- Acorda pra vida mulher! - estralou os dedos na minha frente rindo. - Eu sei que ele é bonito, mas deixa pra pensar no Danny na sua casa ok? Temos trabalho a fazer, não perca o foco. - Ela se sentou num sofazinho novamente, rindo.
- Por que você disse que eu iria? - Me virei a ela.
- Porque é o que no fundo você queria... - Dando um gole em seu chá verde gelado.
- E se eu não quisesse? - Me sentei em sua frente como antes.
- Então você teria dito a ele que não iria. - Amo a simplicidade na resposta dela. -Além do mais você precisa refrescar a cabeça. Sair mais, conhecer outras pessoas.
- Ok, entendi... - Ri. Ela se aproximou um pouco, fazendo sinal para que eu fizesse o mesmo.
- Cá entre nós... Ele tem meu apoio. E tenho certeza que as meninas apóiam... - Ela gargalhou em seguida voltando a se sentar normal.
- Um dia... Um dia eu te mato. – Disse, mas não conseguindo ficar muito tempo séria.

- Parabéns Lily! - Entrei e abri os braços para abraçar a garotinha.
- Tia ! - Ela disse do jeito dela, para uma menina de um ano ela fala bem.
- Ohh Até que enfim chegou... - Ana e as outras duas apareceram.
- Vai ver ela achou que hoje é domingo... - riu me olhando e eu tive que contar sobre o Jones para as outras. O que foi complicado já que elas têm a mania de imaginar tudo dobrado.
- É , já se passou um mês desde que você deu um pé na bunda no seu ex.. Já está na hora de você curtir a vida... - Isa ao meu lado na cozinha. Eu apenas olhei feio.
Comecei a brincar com Lily no meu colo. Ana pegava uns copos para a gente e suco, não havia muita gente, ela sempre gostou de coisas simples.
- E como vai o Ian, ? - Senti a mudança de tom na voz da Isa.
- Bem... - Ela não deu muita atenção.
- Acho que perdi alguma coisa... - Ana comentou enchendo os copos.
- está saindo com o Watkins... - Isa mordeu o lábio inferior como uma criança safada.
- Ohh.. Quanto tempo ele vai durar? - Ana novamente, me entregando um copo.
- Cinco dias. - Isa disse.
- Uma semana e meia. - Ana arriscou. bufava.
- Um mês. - Eu falei e as duas me olharam. - Ela o conhece há um tempo... - Dei de ombros.
- Ah! Eu e o Luke vamos para a Austrália passar o fim de ano... - Isa, quando nós já estávamos na sala e ela ao lado do marido dela.
- Oh! Que novidade.. mais uma viajem. - disse irônica.
- É que eles quase não saem da cidade ... - Apoiei ela, rindo.
- Vocês não acham meio cedo planejar o ano novo? -Ana disse. - Ainda estamos em setembro...
- Somos prevenidos é diferente... - Luke abraçando Isa e lhe dando leves beijinhos.
- Me pergunto quando esses dois vão ser menos românticos... - sussurrou em meu ouvido. – Chega a me dar náuseas...
- Acho que vai demorar... - Suspirei.
- Você viu querida? - Alex apareceu com Lily no colo, os dois rindo.
- Uhm?
- Essa garotinha aqui já estava brigando com a Kate por causa do Sam... - Ele disse divertido.
- Eu sabia que não podíamos deixar nossa filha muito tempo com a Isa e com a ... Olhe o efeito... - Ana balançou a cabeça e eu ri alto, já as duas olharam feio.
- Eu sou a tia boa, as duas que levam pro mal caminho...
- Na verdade ... - Ana começou de novo. - Em relação à briga você que influencia Lily...
- Aninha lamento de lembrar, mas você está provocando três de uma vez... - Isa mexeu a mão.
- Ok... Vamos cortar o bolo? - Ana se levantou pegando Lily no colo.
Passamos o dia todo na festa de Lily, aproveitamos e jantamos na casa da Aninha. É perfeito porque poupa o trabalho de cozinhar. Entretanto mesmo com elas meus pensamentos vagavam, e isso me preocupava. Não era possível eu ficar pensando em um rock star que conheci ocasionalmente em uma tarde no parque. Eu não entendia o que havia nele para me deixar daquele jeito. Nunca me fascinei por alguém antes como daquele jeito.

Ouvi o despertador tocar, ia jogá-lo na parede por me acordar tão cedo num domingo, mas então me lembrei que eu iria sair com o Danny. Senti meu estômago se mexer ao me lembrar de que o veria hoje. Céus! Eu o conheço há uma semana por que isso?
Levantei-me e fui tomar um banho, talvez ajudasse. Escolhi minha roupa devagar, um short jeans curto escuro, meia calça preta, bota e uma blusa azul.
- O que é isso ? - Disse enquanto me via no espelho, fazia um tempo que eu estava ali. Esperando a hora de ir. Respirei fundo, era impressão minha ou minha respiração estava acelerada? Meneei a cabeça. - Você está com 25 anos. Pare com isso. -Ordenei a mim mesma.
Tomei um gole de suco de laranja, peguei minha bolsa e sai de casa. O dia estava ensolarado. Milagre. Milagre não, não sou dessas coisas. A palavra certa é estranho.
- Bom dia sol... - Falei me sentindo uma idiota, ri comigo mesma. Mas fazia tempo que eu não via um dia de sol aqui. Era bom sentir os raios solares sobre minha pele. Por mais que eu não goste muito de sol era um belo dia e a sensação era ótima.
Fui andando devagar até a estátua, olhando as nuvens se moverem rápido, sentindo a brisa suave, e fria, tocar meu rosto.
- Hey... - Ouvi a voz dele e logo ele estava andando em minha direção, sorrindo daquela forma que faz minhas pernas amolecerem por algum motivo desconhecido. -Bom dia!
-Bom dia... – Retribuí sua simpatia.
Começamos a andar, conversando. Ele sempre tinha um assunto para falar, e isso não me incomodava. Ele conseguia me manter prestando atenção, na conversa e nele. Mais nele no que no próprio assunto.
- E então nós dançamos funk no programa. O Harry parecia uma lagarta tendo convulsão. - Ele contava rindo, assim como eu que imaginava a cena.
Danny me descreveu mais ou menos os amigos, e eu tive a certeza de que eles eram muito crianças quando mais jovens. Eu adorava a forma que ele falava dos amigos, ele se importava com eles, como se fossem irmãos.
Nós fomos almoçar por volta do meio dia, já que os dois não haviam comido nada de manhã, e estávamos com fome.
Era um restaurante italiano que ele conhecia, e como eu não queria pensar muito optei por uma lasanha à bolonhesa e ele macarrão com molho branco.
- Danny... - Ri olhando para ele.
- Uhm? - Com a boca cheia e os olhos grandes, parecia uma criança.
- Seu nariz e sua bochecha estão com molho... - Apontei o dedo e ele fez uma cara engraçada passando o dedo nos lugares que eu falei. - Ainda tem... - Ri novo. Ele engoliu o que mastigava e fez sinal para eu limpar.
Eu estava na frente dele, numa mesa para dois. Estiquei-me por cima da mesa para tirar o que tinha na bochecha, ficando próxima à ele.
- Ainda tem... - Ele virou o rosto antes que eu voltasse ao meu lugar, deixando sua boca tocando o canto da minha. - Mais?.. - Sussurrou a última palavra.
Fiquei olhando aqueles olhos, sentindo seu perfume, me segurando para não beijá-lo.
“Respira . Respira. Vocês se conhecem a pouco, não precipite as coisas. Respira.” Pensei comigo mesma, tentando manter minha respiração em ordem. O que era difícil com um homem daquele em minha frente. “Vocês estão em um restaurante” Minha consciência me alertou, e eu consegui segui-la.
- Não... Já limpei tudo. - Disse no mesmo tom que ele, voltando em meu lugar em seguida.
- Obrigado... - Ele disse voltando a comer, levemente atordoado como eu, e iniciou outro assunto até que eu voltasse ao 'normal'. Teria que agradecê-lo algum dia por ele ser gentil. Continuamos nosso passeio, entrando em umas lojas diferentes, indo a uns lugares que ele gostava. Deu alguns autógrafos quando chegamos ao London Eye, o sol já estava se pondo nos dando uma bela visão quando conseguimos ficar a sós.
- Droga. Por que não tenho minha máquina quando preciso? - Reclamei vendo a cena em minha frente, o céu estava do laranja mesclado com amarelo-vermelho ao redor do sol e mudando lentamente até o azul na outra extremidade.
- Você ainda verá muitos outros fins de dia... Não se preocupe... - Danny sorriu me convencendo que eu teria tempo suficiente para tirar quantas fotos eu quisesse de um fim de tarde. - Falando em fotos... - Me lembrei do real motivo de nós termos nos encontrado. - Eu mandei revelar as fotos do sábado... -Ia retirar da minha bolsa.
- Espera... Me entregue depois... É perigoso eu perde-las ou amassá-las...
- Tudo bem. Mas me lembre... - Lhe adverti. - O que faremos agora?
- Quer ir lá em casa? - Ele disse após pensar um pouco.
- Ahn?
-É... Nós podemos jantar, olha eu aprendi cozinhar e ainda ninguém diferente experimentou, ok? Eu te mostro umas músicas... A não ser que você já tenha algo programado... - Ele abaixou a cabeça, levantando somente os olhos para me ver.
- Bem... Amanhã eu tenho que trabalhar...
-Eu te levo para sua casa sem problemas. A hora que você achar melhor. - Era difícil contrariá-lo quando ele fazia aquela cara de dó, abrindo mais os olhos.
- Er... Ok. Mas, tem certeza de que não irá te atrapalhar?
- Claro que não. - Ele sorriu pegando em minha mão e andando até uma estação.
Nosso jantar foi pizza, não ele não fez, nós pedimos. Está me devendo uma, fato.
- Danny, você suja quantas roupas por dia? - Eu ria vendo ele limpar a blusa com molho de pizza.
- Você está achando engraçado é? - Tentando fazer cara de mal, em vão. -Pois eu também quero... - Ele disse passando o dedo sujo em meu rosto.
- Hey! Isso não tem graça...
Parecíamos dois adolescentes, era bom estar com ele. Eu deixava aquela vida de responsabilidade por um tempo e curtia a vida sem me preocupar. Danny tocou, e cantou umas músicas, fiz ele cantar 'Walk in the sun' umas três vezes, até eu me dar conta que tinha que ir embora. Desde quando alguém fica na casa de um recém conhecido até as nove da noite após passar o dia inteiro com ele? A voz dele era perfeita e me fazia esquecer meus deveres, eu poderia pedir para ele cantar a noite toda que ele atenderia e eu, claro, adoraria. - Eu disse que você não precisava me trazer... - Disse antes de sair do carro dele.
- Você iria passar frio, e não há nenhum problema para mim em te trazer... - Virado para minha direção.
- Estou te dando trabalho...
- Não, não está.
- Bem... Boa noite.
- Boa noite. Tenha um ótimo dia amanhã. - Ele disse sorrindo, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha.
-Obrigada, você também.
Ele se inclinou para me dar um beijo, que pegou muito próximo a minha boca. Encarei-o por alguns segundos, e saí sem mais palavras. Não com um clima ruim, mas com um ar de ‘quero mais’ com ‘por favor, me explique o que há conosco’.

Me joguei em minha cama, de costas, suspirando e pensando no dia que tive. Um sorriso se formou em meus lábios inconscientemente. Fui despertada dos meus pensamentos, quando o telefone residencial tocou.
- Alô? - Pegando o telefone sem fio no criado mudo ao lado da cama.
- Wow! Até que enfim chegou... - Ouvi risos do outro lado.
- , pra que você me ligou se nos veremos amanhã? Já está com saudades? - Me levantei tirando a blusa.
- Na verdade não é a primeira vez que liguei na sua casa, a Isa queria ligar pro seu celular, mas pensamos e não queríamos atrapalhar seu encontro. A propósito, estou na casa dela. - Pra que vocês queriam falar comigo? -Acendi a luz do banheiro.
- Ora, liguei aí e ninguém atendeu... - Agora era a voz da Isa. - Ficamos curiosas para saber como você estava com ele... Chegou tarde para a primeira vez, sendo que tem que acordar cedo hein?
- Esquecemos da hora na casa dele... - Disse sentando em minha cama.
- Você foi pra casa dele? - As duas disseram juntas e eu imaginei o que elas pensaram. Ouvi elas gargalharem.
- Tontas. Não acredito que vocês me ligaram para isso...
- Na verdade era para te dizer que a Isa não irá mais para a Austrália no fim do ano... -A começou, sendo completada pela outra. - Eu e o Luke pensamos e resolvemos dar uma festa... Faz algum tempo que não passamos a virada juntos, nós quatro. Você vem né?
- E tenho outra opção? - Debochei. – Só não sei porque me avisar agora. Você está muito adiantada sabia?
- Quero que tudo seja perfeito. Mas então, quero saber como foi seu dia...
- Depois, preciso de um banho. Te ligo amanhã, ok? Beijos. – Desliguei sem esperar resposta, eu conhecia minhas amigas para saber que enrolaríamos na despedia.
Demorei mais que o de costume no banho, tomando um chocolate quente depois enquanto eu checava meus e-mails e verificava o que teria que fazer no dia seguinte.
- Sim? - Dessa vez atendi meu celular.
- ?
- Eu...
- É o Danny... - Me surpreendi.
- Ahh oi Danny... Como você conseguiu meu número?
- No dia em que fui na revista eles me deram...
- Ahh.. - Ótimo, eles saem distribuindo meu número assim. Mas eu já até imagino quem foi que deixou. 1º tarefa da segunda-feira : Encontrar a .
- Eu esqueci de pegar as fotos...
- Oh! - Bati em minha testa. - Eu também nem lembrei...
- Era para eu ter feito isso... - Ele riu. - Eu posso ir pega-las essa semana...
- Claro...
Ficou combinado que ele iria buscar as fotos, só esquecemos de dizer o dia. Então por precaução eu as levaria todo dia. Apesar de que algo dentro de mim estava gostando dessa mania de esquecermos as fotos.

O halloween se aproximava então eu teria que fotografar várias coisas relacionadas a tal, e depois de terminar o trabalho macabro começaria sobre o natal, e só então eu teria uma semana livre, já tinha pedido. A semana estava cheia, em dias outubro chegaria.
Danny apareceu na sexta, pouco antes de eu sair. Fomos ao Starbucks, mas eu esqueci minha bolsa e não entreguei de novo, além de ter sobrado para alguém me levar até a casa de .
Quando novembro chegou eu e o Danny já tínhamos saído várias vezes, ele ainda sem as fotos, cujas logo esquecemos completamente. Eu podia passar todo o tempo ao seu lado sem me incomodar. Era bom tê-lo por perto, e eu dizia a mim mesma que era porque eu estava acostumada a ter alguém nos últimos tempos. O que era mentira já que o Edgar era um noivo ausente. Talvez fosse isso, eu queria alguém. Mas eu disse que não me envolveria. E por mais que o Danny fosse atraente, compreensivo, gentil, lindo ele era um amigo. Um amigo que se tornou importante em tão pouco tempo, que me ligava para saber como eu estava quando não podia me ver, que cuidava de mim e que me fazia rir como uma criança. Eu falava a todo tempo para mim para não confundir as coisas, para ignorar a forma que ele mexia comigo, e que eu não o queria do meu lado.
Ninguém sente nada por alguém além de amizade em alguns meses. Eu passei pelo menos três anos com o Edgar e nunca senti nem a metade do que eu sentia quando Danny estava ao meu lado. Era algo novo. E eu tinha um certo medo de ir em frente com aquilo. Você tem medo de arriscar uma amizade tão boa por algo que fez você se arrepender há um tempo.
Mesmo que parecia ser meio diferente em alguns pontos. O Edgar nunca entendeu minha paixão por fotos, o Danny sempre me incentiva, e sempre que eu preciso de algo ele está pronto para me ajudar.
Passei muito tempo ouvindo Ana e Isa falar como é bom alguém que te dê carinho afeta, mas talvez elas tenham razão. Pàra . Você está perdendo o foco da sua vida pós-noivado.

Estava eu e as meninas na casa da Ana, Lily brincava em seu canto.
- Você ainda está saindo com o Ian? - Isa se surpreendeu depois que a disse que eles iam para Edinburgh no fim de semana.
- Na verdade... - Ela parecia pensar qual seria nossa reação.
- Vocês estão namorando. - Ana disse rindo e já esperávamos ela nos repreender. O que não aconteceu. Olhei incrédula.
- Como assim?
- Er.. bem...
- Quem é você e o que fez com nossa amiga? - Isa fitou-a.
- Que lindo... Veja filha... Tia está crescendo... - Ana pegou Lily no colo.
- Menos Ana.
- Não. -Eu disse fazendo-as me olhar com indagação. - , agora que eu estou livre para sair, curtir a noite. Quando eu resolvo ir para as festas, noitadas com você, você muda?
- Eu não tenho culpa se você demorou... - Ela riu mexendo os ombros.
- Então é sério? - Franzi o cenho. - Você estão juntos mesmo?
- Uhum... Calma , estou namorando. Ainda posso sair com você a diferença é que não vou poder aproveitar como antes... - Ela disse rindo. Que vida. É sempre assim, quando eu resolvo algo as coisas se invertem.
As pessoas estavam começando a comentar sobre o meu novo amigo, que sempre estava comigo. Simplesmente ignorava os comentários, mesmo se eu quisesse algo acho que Danny me via apenas como uma amiga, e era assim que eu o via. Era assim que eu tinha que vê-lo.

Nós passaríamos o fim de ano na casa da Isa, mas o natal seria aqui em casa. O Danny também passaria conosco já que os amigos dele estariam viajando em direções opostas e ele não estava animado o suficiente para sair da cidade.
- Uhmm.. Como vou colocar essa estrela lá em cima? - Perguntei mais comigo mesma, observando a estrela em minha mão e a grande árvore de natal em minha frente. Já estávamos terminando os enfeites de natal em casa, Danny estava me ajudando após termos feito as compras. Pelo menos alguém me ajuda, se dependesse das três eu morreria e só descobririam quando chegassem com fome e querendo os presentes. Ok, eu exagerei um pouco.
- Simples... - Ele disse me pegando pela cintura e me erguendo para que eu alcançasse o topo da árvore.
- Pronto, Danny tome cuidado porque há algumas bolinhas no chão e se você pi... - Eu deveria ter avisado antes ou ter limpado o chão.
Quando ele perdeu o equilíbrio eu cai em cima dele e nós dois no chão.
- Você está bem? - Perguntei abrindo os olhos e me deparando com o rosto dele encostado ao meu.
- Minha cabeça dói um pouco... Mas estou bem... - Ele disse passando a mão pela nuca e depois me encarando.
Ficamos em silêncio, apenas observando um ao outro. Não precisávamos dizer o que queríamos, era óbvio. Ele aproximou o rosto, senti seu hálito de menta. Danny encostou nossos lábios, e eu dei passagem à língua dele. Um beijo calmo, com um turbilhão de sentimentos invadindo meu corpo sem que eu pudesse compreender. Até que fomos interrompidos pelo som da campainha.
Separei nossas bocas, encarando-o por um tempo. Ele sorriu de lado, não dissemos nada. Estava claro que éramos dois idiotas por não termos deixado isso acontecer antes. Levantei-me para atender a porta, era da loja de presentes, vieram entregar o que pedimos.
- Bem... - Ele coçou a cabeça. - Quer que eu os leve pro seu quarto? - Pegando as sacolas da minha mão.
- Por favor... Vou arrumar aqui...
Arrumei meu cabelo, tentando manter minha respiração em ordem, assim que ele se retirou. Por mais que eu achasse que era muito alegre e colorido Danny me convenceu de colocar uns pisca-piscas em umas partes do meu apartamento, alguns outros enfeites. Ele arrumou a maioria, ora arrumando ora roubando beijos, o que eu gostava muito.
As sete já estava tudo pronto, restava uma hora até chegarem para jantar. Eu tinha ajeitado a mesa e fui pro meu quarto pegar meu celular para pedir para alguém trazer as bebidas. Eu sabia que precisaríamos de mais levando em consideração de que Isa e estariam no mesmo ambiente.
Peguei o aparelho em cima do criado mudo, me virando em seguida para o lado oposto onde Danny tomava banho e deixara a porta do banheiro aberta, ele estava de costas provavelmente já acabando. Incrível como ficou quente em pleno dezembro. Eu me esqueci de dizer que a porta que separa a banheira do resto do banheiro, é de vidro. Balancei minha cabeça, fechando os olhos e murmurando “Pare, se comporte” baixinho, respirando um pouco antes de ir andando. Mas por não ver aonde eu ia acabei tropeçando no tênis do Danny.
Eu já esperava sentir o impacto do chão em meus rosto, mas ao invés disso senti dois braços me envolvendo. Abri os olhos devagar e ele me levou para mais perto do seu corpo.
- Desculpe, eu deveria ter os colocado num canto... - Ele disse baixo perto do meu ouvido, apenas com uma toalha na cintura. Eu senti minhas pernas amolecerem mais do que quando ele sorria.
- Não... Foi nada... - Minha voz falhou enquanto eu subia os olhos do seu abdômen definido para o rosto. Ele deve ter percebido o que causou em mim, pois sorriu levemente como que se estivesse gostando do efeito que ele causava. Mantive minhas mãos em seu peito enquanto ele se aproximava mais, com as mãos em minha cintura.
E então o telefone residencial tocou, mas ele ao invés de me soltar me prendeu ainda mais ao seu corpo.
“Hey ... Estamos chegando, vou deixar a Lily com você e vamos buscar as bebidas. Está frio e não quero expor ela na friagem.... Filha espera a mamãe está avisando a tia ... Então, vou leva-la aí rapidinho. As outras duas devem chegar antes que eu mas não comecem a comer antes de eu chegar ok? Aqui meu anjo...”
Ouvi a voz da Ana na secretária automática.
- Preciso me arrumar... - Expliquei depois do Danny ter protestado e tentar continuar me beijando. Eu segurava seu cabelo da nuca enquanto ele se ocupava com meu pescoço.
-Falo sério Danny, a Ana vai trazer a Lily, e quando ela diz que está chegando é que realmente está... - Empurrei seu corpo delicadamente. - Seja um bom menino...
Ele encostou sua testa na minha e sorriu, roubando mais um beijo.
- Só porque teremos visitas menor de idade...
- Danny! - Dei-lhe um tapa no braço, rindo enquanto ia pro banheiro.
Tentei colocar meus pensamentos em ordem enquanto a água caia. Tentei, porque o tempo passou e eu estava na mesma.
“Há algumas horas ele era somente meu amigo, mas foi só ele pisar em uns enfeites que estamos nos agarrando a cada segundo. Santo enfeite natalino!
Digo, oh meu deus... O que há comigo?” pensei sentindo a água cair sobre mim. No fundo eu sempre soube que eu queria aquilo, mas foi tão rápido que eu não pude processar perfeitamente. Repito: era estranho.
“Os beijos entre eu e o Danny só aumentaram mais o que eu sinto por ele. Ups, digo... Er... Não, eu não tenho uma queda por ele...” Eu cheguei ao ponto de falar sozinha no banho, era um mal sinal. Mas eu achava que não estava pronta para outro relacionamento. E estava bom daquele jeito. Eu só tinha uma atração boba pelo Jones, assim eu pensava.
“Simples beijos. Até parece uma adolescente! Que situação, estou regredindo...”
Sai do banheiro já pronta, ouvi as risadas do Danny brincando com a Lily. Coloquei um vestido de manga, caído no ombro, preto e meio curto. Alguns acessórios e uma maquiagem leve. Sorri ao ver os dois brincando na sala. Danny não estava muito diferente dos outros dias, mas continuava lindo.
- Hey... - Ele disse quando Lily lhe deu uma folga. - Pensamos que você tinha se afogado no chuveiro... - Ele riu, eu apenas rolei os olhos e fui pegar Lily no colo.
- Estava brincando com o tio Danny? - Ela apontou para ele exigindo que eu a colocasse no chão. - É... acho que ela gostou de você...
- Quem não gosta de mim? - Ele fez pose.
- A Ana não ficou receosa de deixar Lily sem me ver? - Perguntei abrindo a geladeira e pegando uma garrafa d'água. Ana não gosta de deixar a filha com estranhos, e até onde eu me lembrava Danny não conhecia ela.
- Não.. Ela só me desejou boa sorte... - Respondeu vindo até mim com Lily no colo. -Você está linda... - Ele disse com uma voz rouca no meu ouvido, fazendo um frio percorrer minha espinha. Deixei a água cair para fora do copo, ele abafou o riso e saiu falando com Lily. - Está com fome Lily? Eu estou.. Tomara que sua mãe e os outros cheguem logo...
Limpei o chão, tomando mais água que havia pensado.
“Esquece o Danny. Esquece o Danny. Vocês são amigos, não ouse imaginar nada além de beijos... Ok, desde quando amigos se beijam?” A campainha, me tirou a concentração dos pensamentos.
- E aonde está a Lily?
- Oi pra você também Isa... - Ela passou por mim carregando umas sacolas.
- Hey ...
- Hey Luke... - Sorri dando passagem para ele, e mais presentes.
Isa começou a tagarelar com o Danny na sala, às vezes falava baixinho e olhava pra mim, o que eu sinceramente não gostava afinal ela poderia estar armando alguma, eu conheço a amiga que tenho.
- Lily, Danny! - disse entrando em casa com um homem ao lado.
- Feliz natal para você também. Que educação que vocês têm... - Murmurei fechando a porta e caminhando até os outros na sala.
-Ah sim, este é o Ian... - A ignorou meu comentário e apresentou o namorado dela, após colocar os presentes dela num canto da sala. - Acho que vocês já o conhecem...
Ela sentou-se no sofá com seu novo caso do lado, ele era legal. Não que eu tivesse conversado muito com ele. Confesso, ele era estranho, tinha um corpo até, mas ele parecia que iria te matar a qualquer instante. O que não me surpreendia já que os caras com que a passa mais tempo são todos nesse mesmo nível. Mas eu ainda tenho minhas dúvidas sobre se esse namoro vai vingar, conheço a , e pelo jeito dela nessa semana...
Sentei-me de frente ao Danny, era impossível não olhá-lo.
- Se você continuar assim o pobre homem vai ficar a pele e osso no fim da noite... - Isa disse no meu ouvido, rindo enquanto eu fiz uma cara feia.
- Obrigada por cuidar do meu anjo Danny... - Ana disse ao chegar na sala, não me dei ao trabalho de abrir a porta para ela, eu não sou recepcionista.
- Ela deu muito trabalho? - Alex pegando sua filha no colo.
- Não, ela é uma graça...
- Hey, ela ficou no meu apartamento. Vocês deveriam perguntar para mim não? - Eu protestei, porque o Danny se tornou tão importante de repente?
- Mas eu tenho certeza que você demorou no banho e quem teve que cuidar foi o Danny...
- Como você pode dizer isso? - Olhei para Ana.
- Porque normalmente as pessoas querem colocar as idéias em ordem no banho... - Ela sorriu, trocando olhares com as outras duas. Ótimo. Isso que dá conhecer alguém há tanto tempo. Elas sabem o que acontece antes mesmo de você se decidir o que sente por seu mais novo amigo. Não, eu nunca pensei nele além de um amigo antes, jamais.
Elas foram embora cedo, ficando só eu e o Danny, e claro umas garrafas de bebidas e os presentes. Ana dizia ser por causa de Lily, Isa simplesmente agarrou o Luke e saiu dizendo que o presente dela era o melhor de todos, e eu não faço questão dos detalher. A ... bom a ela vai provavelmente ter a última noite dos dois. Como eu sei? Ela me disse ter comprado vinho, e ela só compra vinho para tomar com um cara quando se vai dar um chute. Sobrou Danny e eu, garrafas de bebida e presentes, na sala.
- Eu estou sem sono... - Disse sentada no chão, com a cabeça encostada no sofá. - Tem planos pro fim do Ano?
- Estou pensando sobre o assunto. - Ele sorriu. - Amanhã os caras vão dar uma festa e me chamaram... Eu levaria você, mas eles disserem que será para relembrar os velhos tempos.
Então eu acho que você não vai querer agüentar quatro homens de uma vez...
- Não muito obrigada... - Ri. Eu tinha conhecido o Dougie. Comédia, mas eu realmente não agüentaria quatro de uma vez. Não obrigada, tenho amor próprio.
- Eu te ajudo... - Pegou uma garrafa da minha mão quando me levantei para arrumar o resto das coisas.
Após lavar os copos me virei para pegar a toalha para enxugar minha mão, me deparando com o corpo do Danny bem próximo ao meu, estendia a toalha.
- Obrigada... - Sussurrei antes dele me beijar, segurando em minha cintura para mais perto dele.
Dessa vez nada nos interrompeu, tornando o beijo muito mais intenso. O turbilhão de sentimentos deu espaço a uma vontade de sentir aqueles braços ao redor de mim, e de me deixar levar por qualquer tipo de desejo. Quando me dei por mim, eu estava sentada em cima da pia, Danny tinha uma das mãos apertando minha coxa por baixo do vestido e a outra ainda estava em minha cintura, porém apertando-a muito mais. Eu desabotoei sua camisa, jogando-a em algum canto, passando minhas unhas pela sua costas deixando-o arrepiado. Minha respiração estava ofegante em seu ouvido enquanto ele distribuía beijos pelo meu pescoço e colo. Estava quente, eu sentia que tínhamos roupas demais, e todo pensamento de que éramos apenas amigos desapareceu quando ele retirou meu vestido de uma só vez. Senti suas mãos explorarem meu corpo, aproveitei para soltar seu cinto e sua calça, mas antes que eu a abaixasse ele me segurou forte fazendo-me abraçá-lo com minhas pernas ao redor de sua cintura. Ele me levou pro quarto, encostando-me nas paredes ás vezes só para retirar mais uma peça de roupa.
Eu nunca gostei tanto de enfeites de natal no chão...

A luz fraca do sol em meu rosto me acordou. Sorri, era primeiro de janeiro e eu estava com a melhor pessoa que eu poderia estar.
Desde o natal se passaram apenas alguns dias, ele me apresentou aos amigos dele como namorada. Era para eu ter protestado depois, mas acabei me esquecendo. E assim ficamos até ontem.
- Bom dia... - Ele disse mexendo em meu cabelo, assim que percebeu que eu acordara.
- Bom dia... - Olhei o, sorrindo.
Comecei a fazer círculos em seu peito com o dedo. Lembrei-me que ainda estava com as fotos, estiquei meu braço para abrir a gaveta no criado mudo e tirá-las de lá.
- Ohh... Nem me lembrava mais delas... - Ele disse divertido, enquanto eu mostrava em minhas mãos.
- Essa é a melhor foto que já tirei... - Mostrei a que o Mike sorria. - E a que mais gosto.
- Não é a que eu apareço? - Fingiu estar sentido.
- Não... - Sorri vendo a foto.
- Por que esta?
- Porque foi a primeira que tirei, e foi por causa dela que eu te conheci...
Vi seus olhos brilharem antes de fazer uma expressão convencida e sussurrar :
- Eu sabia que eu estava envolvido nisso...
E me beijou.

The End.