Image and video hosting by TinyPic
Must Be a Dream
Por: Kakis
Beta-Reader: Carol Silver





PRÓLOGO

Seria hipocrisia dizer que eu não estava gostando daquela provocação. estava do lado oposto da mesa e olhava para mim fixamente. Eu tentava desviar ao máximo meu olhar daqueles lindos olhos que me encaravam sem parar, mas era quase impossível. Tentava me distrair com as piadas de , mas toda vez que meu olhar cruzava com o de e ele me lançava aquele sorriso malicioso dele, eu esquecia de tudo a minha volta. No meio da conversa, resolvemos descer para a pista de dança. Não demorou muito para que e começassem a se agarrar ali mesmo, deixando eu e ‘sozinhos’. Ele continuava a me encarar, e não demorou muito para que ele se aproximasse, e enquanto dançávamos ele me abraçou pela cintura.
“Ta gostando da noitada aqui?” Ele perguntou ao pé do meu ouvido, fazendo eu me arrepiar dos pés a cabeça. Eu não conseguia dizer nada e apenas concordei com a cabeça. “Você sabe que a noite pode ficar melhor, não sabe?” Ele continuou. Era nítida as intenções dele ali, e eu também fazia questão de não esconder as minhas. Passei meus braços pelo pescoço de , já sabendo o que viria depois. Ele não demorou muito para me abraçar mais forte, grudando nossos corpos e, logo em seguida grudou nosso lábios, dando inicio então a um beijo, no mínimo, quente. Um beijo que, por mais que eu quisesse, não conseguiria esquecer depois.

01

’s POV ON
Assim que abri os olhos naquela manhã, achei que tudo o que tinha acontecido tinha sido apenas um sonho bom, mas ao me virar na cama me deparei com aqueles cabelos derramados no travesseiro ao lado. Definitivamente, não foi um sonho. Ela estava ali, do meu lado. A abracei pela cintura, afastei seus longos cabelos e coloquei meu rosto sobre seu ombro. Agora ela era minha, mais minha do que nunca. Alguns minutos depois, ela começou a se mexer na cama; virou seu corpo, ficando de frente para mim. Ela abriu os olhos vagarosamente enquanto eu acariciava seu rosto.
“Bom dia!” Ela disse sorrindo.
“Bom dia linda.” Respondi depositando-lhe um beijo em sua testa. Ela me abraçou em resposta a se aconchegou em meus braços.
“Se eu soubesse que era tão bom acordar ao seu lado, não teria esperado tanto...” Ela falou me abraçando ainda mais forte.
“Não foi por falta de convite né gatinha”. Eu respondi, acariciando seus cabelos. Ela levantou o rosto e ficou me encarando por alguns minutos. Ela sorria enquanto passava seus dedos delicadamente pelo meu rosto, me fazendo sorrir em resposta. Logo ela começou a distribuir suaves beijos pelos locais onde seus dedos haviam passado anteriormente. “Ta provocando demais em pequena!” eu disse, fazendo com que ela trocasse os beijos por leves mordidas em meu rosto. A peguei pela cintura e coloquei seu corpo por cima do meu. Ela levantou seu rosto, me encarando e deixando algumas mechas de seu cabelo cair sob o meu rosto. Com uma das minhas mãos coloquei as mechas atrás da orelha de para poder olha-la melhor. Ela mantinha aquele sorriso encantador que fez eu me apaixonar por ela na primeira vez que eu a vi.
“Cedo demais para eu dizer que eu não vivo sem você?” Ela falou ainda sorrindo para mim.
“Cedo demais para eu dizer que eu te amo?” Eu respondi acariciando seu rosto e a puxando para um beijo.
“Eu também te amo ...” Ela sussurou ao pé da minha orelha enquanto eu distribuía beijos pelo seu pescoço. “Te amo muito.” Foi tudo o que ela disse antes de nos entregarmos novamente um ao outro como na noite anterior. Eu odiava admitir, mas tinha razão, esperar o momento certo para nos amarmos daquela maneira, fazia tudo ser mais especial e muito mais intenso.

“Amor...” dizia enquanto desenhava com os dedos alguma coisa no meu tórax. “To com fome...”
“Eu também... O que você quer comer?”
“Hum... O que você vai fazer pra mim comer?” Ela perguntou se apoiando em um dos braços e me encarando com um sorriso sapeca.
“Ah linda, eu que vou fazer nosso café da manhã?”
“Claro amor... A casa é sua oras...”
“Então na próxima vez, agente vai pra sua casa...” Eu disse dando um selinho em .
“E eu vou te preparar panquecas no café da manhã, ao invés de ficar fazendo manha na cama viu?” Ela respondeu se levantando da cama.
“Onde você vai amor?” Perguntei enquanto ela vasculhava o quarto atrás de suas roupas.
“Fazer o MEU café da manhã né.” Ela respondeu vestindo uma camiseta minha. “Posso?” Ela perguntou, tirando uma boxer minha do guarda roupa. “Ta ruim de achar minha roupa nessa zona...” Eu apenas concordei com a cabeça enquanto a observava. Era incrível como ela ficava ainda mais sexy com as minhas roupas. “Ta rindo do que?” Ela perguntou, fazendo eu despertar dos meus pensamentos.
“De você gatinha.” Falei levantando da cama e indo até ela. “Sabia que você fica ainda mais sexy nas minhas roupas?” Perguntei a abraçando e depositando alguns beijos em seu pescoço.
“Sexy e faminta você quis dizer né?” Ela falou, me empurrando para que eu me afastasse dela. “Você vai vir comigo ou vai ficar ai?”
“Hum... Eu já vou...” Falei dando um beijo em sua bochecha. “Vai indo na frente enquanto eu procuro as minhas e as suas roupas nessa zona aqui.” Ela sorriu, me deu um selinho e saiu.
’s POV OFF

Desci as escadas sorrindo igual a uma idiota. Era incrível como fazia eu me sentir amada, desejada, completa; de um jeito que homem nenhum fizera antes, de um jeito que jamais faria. E por falar no diabo...
Assim que cheguei ao andar de baixo e entrei na cozinha, me deparei com ele terminando seu café na bancada. Ele me fitou dos pés a cabeça e soltou um sorriso malicioso. Desviei meu olhar do dele e fingi que não tinha o visto ali. Segui até o armário para pegar os ingredientes para preparar as panquecas.
“Não fala mais bom dia não?” falou. Me virei para ele e soltei um sorriso visivelmente forçado.
“Bom dia !” Respondi, e logo me virei, voltando a me concentrar nas panquecas, tentando desviar meus pensamentos do dono daquele par de olhos , que insistia em me provocar.
“Sabia que você fica linda nessas roupas masculinas?” sussurou no pé de meu ouvido, fazendo minhas pernas amolecerem ao senti-lo tão próximo a mim. Quando foi que ele chegou tão perto mesmo? Chacoalhei a cabeça tentando voltar a raciocinar direito.
“Sabia que meu namorado disse a mesma coisa agora pouco?” Falei me virando de frente para e afastando-o com as mãos.
“Aproveita e avisa seu namoradinho que tem ensaio hoje a tarde então?” falou e logo em seguida me deu um beijo estalado na bochecha. “Fui gracinha.” Ele completou, saindo da cozinha, me deixando... furiosa!

Flashback ON
“Mas que droga heim , é sempre a mesma coisa, agente se encontra, fica junto um pouco e você tem que ir embora.” Eu gritava para enquanto ele calçava seu tênis, aparentemente sem se preocupar com o que eu falava. “Agente nunca faz nada diferente, você nunca me leva pra conhecer seus amigos nem nada. É sempre você e eu, aqui em casa e só... Nem passar a noite aqui você passa.” Eu continuava enquanto arrumava suas coisas como se eu não estivesse lá. Sentei na cama e coloquei minhas mãos no meu rosto tentando me acalmar. Faziam quase três meses que eu estava saindo com e era sempre a mesma coisa: Ele vinha no meu apartamento, nós ficamos juntos e ele ia embora no meio da noite. Sempre assim. Senti ele se sentar do meu lado na cama. “Não sei se eu vou agüentar isso por muito tempo ...” Falei baixo tentando segurar as lágrimas que se aglomeravam em meus olhos.
... Eu nunca te prometi nada... Agente nem namora nem nada, agente se curte e só. E é legal assim, não é?” falou, fazendo eu levantar a cabeça e encará-lo. Como ele tinha coragem de falar isso pra mim, ‘agente se curte e só?’.
“Não ... Não é legal assim! Não pra mim. Não to afim de ser só curtição ta legal?” Falei para , levantando e ficando de frente para ele. “Poxa... Eu gosto de você ... Gosto de ficar com você... Mas já cansei de ficar só na curtição sabe?” Falei enquanto algumas lágrimas teimosas escapavam dos meus olhos. se levantou e me puxou para um abraço.
eu não...” Ele começou a falar
“CHEGA!” Eu gritei empurrando-o. “Você não entendeu que eu não quero mais ficar nessa só de curtir ? Pra mim já deu.” Completei, me virando de costas para ele e caminhando até a janela. “Se você quer ir embora vai... Mas também não volta mais.” Falei sentindo o meu coração se remoer por dentro. Fechei os olhos esperando ele vir ate mim e me dizer que ficaria, mas tudo o que eu ouvi foi a porta batendo. Ele se foi.
Flashback OFF

Tentei me concentrar ao máximo nas panquecas mas, estava com os nervos a flor da pele. Não sabia se era pela cara de pau de , ou se era por eu ser tão idiota a ponto de ainda ficar balançada com as indiretas dele, ou talvez os dois juntos. Mas eu estava nervosa. Senti um braço passar pela minha cintura, me abraçando e me virei com tudo, com a espátula na mão para acertar a cara do idiota do .
“Mas que porra!” Gritei, me deparando com atrás de mim com uma cara de quem não estava entendendo nada.
“Tudo bem amor?” Ele falou ainda com uma cara de ponto de interrogação.
“Ai ... Desculpa amor!” Falei abraçando-o. “Eu fiquei nervosa com... essas panquecas.”
“Tudo isso é pra fazer eu me sentir culpado por não ter vindo fazer o café da manha pra gente é?” Ele falou rindo, me fazendo rir.
“Droga, você descobriu meu joguinho...” Respondi dando um beijo na bochecha de e me soltando de seus braço. “Aí, droga... As panquecas queimaram...” Falei assim que voltei a minha atenção ao fogão.
“Ta bom vai, eu faço o café...” falou me afastando do fogão. “Senta ai, e relaxa que eu termino tudo.”
“Já que você insiste...” Disse, deixando que tomasse a frente do fogão. Me sentei na bancada e fiquei observando-o preparar nosso café da manhã enquanto ele cantarolava alguma musica. Era incrível como tinha o dom de me tranqüilizar. Só de tê-lo ali, ao meu lado, eu sabia que não tinha com o que me preocupar, ou ainda o que temer.


02



Flashback ON
Já fazia um mês que eu e havíamos terminado e desde então eu não havia o visto mais. Mas hoje não tinha escapatória. Era aniversario de , e ele e me fizeram prometer que eu iria na festa. Não fiz questão de me arrumar demais para a festa, por mais que dissesse que eu tinha que arrasar para fazer se arrepender de ter me deixado. Fui ate a casa da e peguei-a para irmos juntas a festa, e durante o caminho a fiz prometer mil e uma vezes que ela não iria me abandonar na festa, já que as únicas pessoas que eu conhecia ali eram ela, e . Não posso negar que se virou como pode para conciliar a posto de namorada do aniversariante e amiga. Mas era inevitável que no meio da festa ela sumiria . E assim aconteceu bem na hora em que eu vi chegar na festa com uma loira peituda a tira colo. Claro que eu não iria ficar ali e assistir ele desfilando com a nova namoradinha pela festa. Me levantei do sofá em que estava e fui ate a cozinha atrás de alguma bebida mais forte que estava na minha mão.
“Perdida?” Ouvi uma voz encantadora perguntar atrás de mim.
“Um pouco.” Falei virando para trás e me deparando com um cara lindo, que me fez ficar tonta só de encara-lo. “Eu tava procurando algo para beber e...” Me perdi na perfeição que era aquele corpo em minha frente, e não consegui terminar de falar ao perceber que ele se aproximava de mim.
“Eu posso te arrumar uma dose de tequila, se você quiser...” Ele disse chegando ainda mais perto de mim.
“Sou .” Ele estendeu a mão e eu o cumprimentei.
!” Falei em um tom quase que inaudível, ainda tentando me recuperar do choque ao vê-lo.
"Vem comigo.” Ele falou pegando na minha mão e me levando para o andar de cima. Aos poucos fui retomando a consciência e confesso que fiquei um pouco receosa ao vê-lo abrir a porta de um dos quartos e me convidar para entrar, mas ao lembrar do motivo que me levava a querer encher a cara e ao ver tamanha beleza na minha frente, entrei sem pestanejar.
Ao entrar no quarto pude ver algumas fotos de e espalhadas pelas paredes. Aquele devia ser o quarto do , pensei. Sorri ao ver uma foto que eu havia tirado do casal no dia em que eu conheci .
“Conhece a ?” perguntou parando atrás de mim. Me virei para responder mas ao perceber o quão perto de mim ele estava, minhas pernas amoleceram e eu ameacei cair.
“Tem certeza que agüenta beber mais?” Ele falou me segurando pela cintura.
“Tenho sim...” Falei tentando me recompor. Ele me soltou e foi até uma mesinha no quarto onde havia uma garrafa de tequila já aberta.
“Damas primeiro.” Ele falou trazendo a garrafa até mim com um copinho já cheio. “Desculpa mas o limão ficou lá embaixo.” Ele completou. Peguei o copinho e virei a seco mesmo.
“Assim é melhor.” Falei devolvendo o copinho a ele. Ele encheu o copinho novamente e virou.
“Você é das minhas!” Ele falou, me fazendo rir. Desde quando eu era de beber tequila mesmo? Sem limão ainda? Ah claro, desde que eu fui convidada pelo cara mais gato da festa.
Ficamos ali conversando pelo resto da noite. me contou que havia terminado com a namorada naquela semana e por isso estava a fim de beber para esquecê-la pelo menos por uma noite. E eu, como não estava em um estado muito diferente do dele, fiz companhia a ele naquela noite.
Flashback OFF

Enquanto os meninos ensaiavam, eu e resolvemos ir ao shopping passear um pouco. Assim que eu encontrei com ela contei sobre tudo que havia acontecido entre mim e naquela manhã e sobre o que tinha rolado com na noite anterior.
“Ai ... “ Ela disse assim que eu terminei. “Tenho certeza que o ainda é afim de você..”
“Para de conversa !” Retruquei. “Quero mais que o vá pro inferno! A vez dele já passou, agora só tenho olhos para o meu .”
“Agora mais seu que nunca heim....” zoou, me fazendo rir. “Você fez jogo duro com ele heim garota! Demorou para beijar, demorou para ir pra cama com ele, agora pra casar vai ser mais uma década...”
“Hey, Quem ta falando em casar aqui heim? Você sabe muito bem meus motivos... Queria fazer tudo diferente dessa vez pra que, quem sabe, dar certo de verdade...” Me justifiquei. “E até agora, esta dando...”

Flashback ON
“Oláááá...” falou entrando no carro toda sorridente. “Tenho uma surpresinha para você!”
“Ai ... Nem vem...” Falei enquanto saia com o carro da frente do prédio de e seguia em direção ao shopping.
“Adivinha... Vamos ter compania pro nosso filminho de hoje!!!” Ela falou toda empolgada
“Como assim ?”
“Ah... O zinho me ligou tristinho porque o cancelou o ensaio de hoje, e ai eu chamei ele pra vir com agente!”
“Ai que ótimo! E a vela aqui vai fiçar chupando o dedo né?”
“Não bobona!!! Aí que esta a surpresa!” Ela falou, fazendo eu encara-la com um ponto de interrogação na cara. “Você vai ter compania também...”
“Ai ! Se for quem eu estou pensando eu juro que...”
“Se chama ...” Ela falou com um sorrisinho sapeca estampado no rosto.
...” Resmunguei. “Eu já não te disse que não quero nada com ninguem agora?”
“Mais , voces se deram tão bem na festa... E você mesma disse que achou ele um gato!”
“Achei mesmo! Mas foi você quem falou que ele também faz parte do McFly, e pior... Mora com o ! Oh que maravilha!”
... O que tem demais nisso?”
! O que o vai pensar de mim? Que eu sou daquelas que ficam com qualquer um que for da banda do namorado da minha melhor amiga é?”
“Não né ... Ele sabe muito bem que voce não é assim... E outra... Tchan-tchan-tchan-tchan... O me alou que ele perguntou por voce já... E adivinha só.. Mais de uma vez!!! Ele ta na sua!!!” falou com tanta empolgação que parecia que o Brad Pitt estava apaixonada por ela! Eu apenas ri, pensando na ironia que seria eu fiçar com um dos melhores amigos de ...
Fui ao cinema um pouco contrariada mas fui. É obvio que eu tinha achado o tal do uma graça, mas assim que a me contou que ele era da mesma banda de e e ainda por cima morava com , eu desencanei na hora. Era obvio que ele não ia querer nada comigo, e mesmo que quisesse, seria só para se divertir, assim como o amigos dele.
Quando chegamos , encontramos e e logo entramos na sala do filme. e fizeram questão de fazer eu me sentar ao lado de . Os traillers mal haviam começado e o casal já estavam se comendo na poltrona ao lado. Bufei ao ver aquela cena e virei meu rosto. Meu olhar então se cruzou com o de e de repente eu senti uma vontade imensa de beijá-lo. Repeti para mim mesma que não podia e voltei minha atenção para a tela. Por mais que eu quisesse, não conseguia manter toda a minha atenção no filme e era inevitável hora ou outra eu me virar para observar . Em uma dessas vezes, nossos olhares acabaram se encontrando. Pude sentir a mão dele sobre a minha e vi um sorriso se formar em seu rosto. Fechei os olhos e mais uma vez repeti para mim mesma que não podia, não podia... Quando voltei a abrir os olhos pude perceber que seu rosto estava mais próximo do meu e sabia o que estava prestes a acontecer ali... Eu não podia!!!
“Desculpa, mas eu não posso.” Sussurrei imensamente arrependida de não ir em frente, mas satisfeita em conseguir fazer o que era certo, ou o que pelo menos eu tentava achar que era certo. soltou minha mão e se afastou, voltando a prestar atenção no filme. Eu fiz o mesmo e não ousei olhar novamente para o lado, era perigoso demais!
Flashback OFF

03



Hoje fazia um ano que eu e estávamos oficialmente juntos. Resolvi fazer um jantar para nós dois em casa mesmo, pois ali seria mais fácil de convence-lo a aceitar meu presente. Fiz um Penne ao Sugo que ele adorava e vesti um vestido verde tomara que caia que ele havia me dado uns dois meses atrás.
já estava atrasado 20 minutos e eu o esperava ansiosamente. Peguei uma taça de vinho que eu tinha separado especialmente para aquela noite, tentando me distrair. Sentei-me no sofá e liguei o som deixando uma musica do John Mayer tomar conta do local. De repente ouvi a porta abrir e corri até lá.
“Amor, desculpa o atraso, o ensaio demorou e...” se justificou mas eu acabei interrompendo-o, grudando meus lábios no dele e me agarrando ao seu pescoço. “Uau... Vou me atrasar sempre...” Ele falou desfazendo o beijo e me levantando pela cintura. Eu dei um tapa em seu braço e entrelacei minhas pernas em sua cintura. “Amor... Eu sei que é nosso primeiro aniversario e tudo mais...” Ele dizia me levando para a sala e eu apenas o encarava. “Mas você sabe que eu ando muito ocupado com os ensaios e agora que agente assinou o contrato com a gravadora ta tudo muito corrido e... Desculpa mesmo linda, mas eu não tive tempo de comprar seu presente.” Ele falou sentando-se no sofá, comigo em seu colo. “Me desculpa?” Ele pediu parecendo realmente chateado com aquilo.
“O melhor presente que você tinha pra me dar, você já me deu...” Falei e dei um selinho nele. “Foi uma dose de tequila no aniversario do ano passado.” Falei passando meus dedos pelo seu rosto. Ele sorriu e me puxou para um beijo. Era incrível como àquela altura do campeonato nossos beijos ainda eram carregados de desejo, como se fosse o primeiro. “E também amor...” Eu falei enquanto ele descia os beijos para meu pescoço “... eu adorei as tulipas que você me mandou hoje a tarde... Você sabe que eu AMO tulipas!” Falei levantando seu rosto e dando-lhe um longo selinho. “Agora podemos ir jantar antes que a comida esfrie?”

Flashback ON
Era a primeira vez que eu iria a um ensaio do McFly e eu estava muito ansiosa. No dia do cinema, eu e apenas trocamos nossos telefones com a promessa de sermos amigos. Desde então ele me ligava todos os dias para saber como eu estava e tudo mais, e sempre dizia que queria me ver. Eu negava sempre. Esatava com medo de tentar qualquer coisa com ele e depois me iludir e sofrer que nem havia acontecido com . Porém, na ultima vez que ele disse que queria me ver, me chamou para um ensaio da banda. “Vai estar os meninos da banda, a ... Programa de amigo mesmo ... Como você pode ser minha amiga sem ir me ver tocar heim?” Ele disse me convencendo a ir. Eu também não agüentava mais dizer não a ele. Confesso que estava com vontade de vê-lo novamente. Apesar de nunca ter rolado nada entre agente, o papo com ele era muito bom.
Cheguei na casa de com e os meninos já estavam tocando quando chegamos. Assim que entrei no lugar em que eles ensaiavam meu olhar cruzou rapidamente com o de mas logo foi desviado para , que sorriu ao me ver. Pude perceber que havia errado alguma nota ou coisa do tipo. Eles pararam de tocar e começou uma discussão qualquer com , e logo vi se aproximar.
“Achei que você não viria.” Ele falou ao pé do meu ouvido e logo em seguida me deu um longo beijo em minha bochecha, abraçando-me. Não demorou muito para que eles voltassem a tocar e Eu e ficamos apenas assistindo sentadas em um sofá. Eles eram realmente bons e as musicas eram bem animadinhas. Durante todo o tempo que fiquei com ele nunca havia me convidado para vê-lo tocar, mal falava da banda e dos amigos, quanto mais me convidar para um ensaio. E que me conhecia há pouco mais de um mês já tinha o feito. Ele realmente era diferente de .
Flashback OFF

Depois de jantarmos, e eu estávamos no sofá da sala assistindo a um filme qualquer que passava na TV (lê-se nos pegando)
“Acho melhor agente ir logo pro quarto.” disse ao pé do meu ouvido enquanto passava a mão pela minha coxa já levantando meu vestido.
“Espera amor...” Falei, saindo de cima dele e me sentando no sofá. “Tenho que te dar seu presente!” Ele então se ajeitou no sofá sentando-se de frente para mim. “Não é nada material, é... é uma coisa que eu quero que você faça por mim, ou melhor, por nós dois.” pegou na minha mão e se aproximou, sem tirar o seu olhar do meu. Eu não imaginei que ficaria tão nervosa assim, eu passei a tarde toda ensaiando aquilo em frente ao espelho e agora as palavras haviam sumido da minha cabeça. “Amor... Pode parecer um pouco precipitado mas... “ Fechei os olhos e respirei fundo. Senti grudar seus lábios nos meus e apertar mais forte minha mão, encorajando-me a continuar.
“Pode pedir linda...” Ele sussurrou, me fazendo abrir novamente os olhos. Ele me encarava sorrindo, e eu sorri em resposta. Tinha que continuar.
“Eu andei pensando e, cheguei a conclusão de que eu não quero mais... eu não consigo mais ficar longe de você amor...” Respirei fundo, tomando toda coragem que existia dentro de mim. “Eu queria pedir pra você mudar pra cá, definitivamente!” Falei e esperei alguma resposta de , que se mantinha em minha frente sem esboçar qualquer reação.
“Você quer ... morar comigo, é isso?” Fui tudo o que ele falou, me olhando um pouco confuso
“Amor... olha... Eu sei que é precipidado...” Falei colocando uma de minhas mãos em seu rosto “Mas você já passa mais tempo aqui do que na sua casa... Dorme aqui sempre, tem um lugar pra voce no guarda roupa, tem a chave daqui e tudo! Não vai mudar muita coisa é só...” Tentava me justifcar já temendo uma resposta negativa da parte dele mas fui interrompida quando grudou seus lábios nos meus passando seus braços na minha cintura e me deitando novamente no sofá.
“Quando eu posso me mudar pra cá?” Ele perguntou desfazendo nosso beijo e sorrindo para mim.
“Quando você quiser.” Respondi puxando seu rosto para mais um beijo.
“Acho que agora agente já pode ir pro quarto não é mesmo?” Ele falou descendo os beijos para meu pescoço, me fazendo soltar um “uhum” em meio a um gemido. Ele me pegou no colo e me levou para o quarto, fazendo eu me sentir a mulher mais amada e mais feliz do mundo.

Flashback ON
Quando o ensaio da banda acabou, todos nós fomos para a sala de . Ficamos lá conversando e tomando umas cervejas durante o resto da tarde. não tinha vindo falar comigo e eu também não fazia questão de falar com ele. Tentava ao máximo não olhar pra ele, embora algumas vezes nossos olhares se cruzavam, fazendo eu sentir um arrepio.
“Tá afim de ir lá fora?” perguntou ao pé do meu ouvido enquanto e começavam uma discução sobre quais musicas havia escrito realmente para ela. Eu me levantei e segui até a varanda da casa.
“Fiquei muito feliz de voce ter vindo.” Ele falou se virando para mim e pegando na minha mão. Eu apenas sorri em resposta e pude perceber que ele se aproximava ainda mais de mim.
eu...”
“Deixa eu adivinhar... Você acabou de terminar com o meu colega de banda e acha que ainda não está pronta para se envolver com ninguém, certo?” perguntou me fazendo sorrir envergonhada.
“Desculpa ... Eu não quero precipitar as coisas...” Eu falei. “Você é lindo, um fofo, perfeito e tudo mais... Eu tenho medo de ir rápido demais e depois dar tudo errado, como já aconteceu antes...” Me justifiquei.
“Você ainda gosta dele?” perguntou, ainda segurando minhas mãos e brincando com meus dedos.
“Não... Não é isso... É que é muito recente sabe?” Falei e apenas concordou com a cabeça. “Mas eu prometo que logo logo você vai ter a sua chance.” Continuei, e ele me abraçou.
“Eu vou esperar...” Ele sussurrou ao pé do meu ouvido e em seguida me deu um longo beijo na bochecha.
Flashback OFF


04



“Nossa... Que cheiro bom!” falou entrando sorridente na cozinha. “Não sabia que você estaria em casa tão cedo lindinha!” Ele falou vindo até o fogão e me abraçando por trás. Eu me virei para ele, o abracei pelo pescoço e dei-lhe um selinho.
“Precisamos conversar sobre isso depois...” Falei fazendo uma careta.
“Aconteceu alguma coisa?” Ele perguntou preocupado e eu apenas concordei com a cabeça.
“Mas eu não quero falar sobre isso agora ta?” Pedi, e foi a vez de concordar com a cabeça. Logo em seguida ele grudou nossas testas e me abraçou mais forte, fazendo nossos corpos se aproximarem ainda mais.
“Gostei da trilha sonora” Ele falou, comentando sobre o CD do McFly que tocava ao fundo.
“Minha banda preferida.” Falei sorrindo enquanto ele me puxava aos poucos para o meio da cozinha. “E essa música....” Eu comecei a falar quando All about you começou a tocar ao fundo. “... é uma das minhas favoritas. Me faz lembrar de você.” Falei, puxando o rosto dele para mais perto do meu e dando-lhe um selinho. “...you make my life worthwhile, it´s all about you...” Cantei junto com a musica, enquanto balançava sutilmente nossos corpos de um lado para o outro.
And I would answer all your wishes if you asked me too... cantou passando seu nariz pelo meu, como em um beijo de esquimó. “But if you deny me one of your kisses don't know what I'd do…” Ele continuou, me dando um selinho assim que terminou.
So hold me close and say three words like you used to do... Dancing on the kitchen tiles, it's all about you.” Foi a minha vez de cantar sorrindo para ele. Não demorou muito para que nossos lábios se encontrarem encenando um beijo apaixonado enquanto o solo da musica rolava solto. Desfizemos o beijo assim que a musica acabou, mas ainda ficamos abraçados e nos encarando um tempinho.
“Eu te amo sabia?” sussurrou me fazendo sorrir. Ele conseguia ser o cara perfeito, falava sempre as palavras certas, nas horas certas, do jeito certo.
“Também te amo amor... muito!” Respondi, recebendo um selinho dele. “Agora eu preciso terminar o jantar amor...”
“Vou tomar um banho então ta?” falou me soltando e me dando um beijo na bochecha. Ele foi para o quarto e eu fiquei na cozinha preparando o jantar, cozinhar era uma das poucas coisas que me acalmavam e aquele dia eu realmente precisava de algo para me distrair. Coloquei o suflê no forno e fui para o quarto atrás de . Assim que entrei no quarto ouvi o barulho do chuveiro, então deitei-me na cama e fitei o teto pensando no que iria fazer depois de tudo que tinha acontecido hoje. Não demorou muito para que eu ouvisse o chuveiro desligar e logo depois visse sair do banheiro todo molhado, apenas com a toalha enrolada na cintura. Sorri orgulhosa ao lembrar que eu era dona de tamanha perfeição ali na minha frente e que, a essa altura do campeonato, era também invejada por noventa por cento das adolescentes da Inglaterra por isso. Me apoiei em meus cotovelos, levantando meu tronco levemente, enquanto se aproximava da cama.
... você precisa aprender a se enxugar sabia?” Falei enquanto via ele colocar seus joelhos sobre a cama e depois apoiar suas mãos uma de cada lado do meu corpo, ficando em cima de mim e deixando algumas gotas caírem de seu cabelo sobre meu rosto. “ ... Você ta me molhando...” Reclamei colocando minhas mãos no seu tórax molhado tentando o afastar, em vão.
“Eu sei que você ta gostando...” Ele disse aproximando seu rosto do meu e me roubando um beijo. Certo, eu tenho que admitir, AMAVA aquilo tudo.
“Amor...” Resmunguei enquanto ele descia os beijos para meu pescoço “Você vai molhar a cama lindinho...” Falei tentando fazê-lo parar. “ ! É sério. Eu tenho que tomar banho amor!” Disse em um tom mais sério, e levantou seu rosto pra me encarar.
“Da próxima vez você entra comigo no chuveiro e toma banho comigo... Ai agente faz três coisas ao mesmo tempo: Você toma banho, eu tomo banho, e agente namora!” Ele falou me fazendo rir...
“Ai ... Só você mesmo...” Falei empurrando-o de cima de mim e levantando da cama. “Levanta logo daí pra não molhar a cama vai... E vê se se enxuga direito amor!” Falei entrando no banheiro enquanto resmungava algo.
Quando saí do banho, não estava mais no quarto e pude ouvir o som vindo da sala mais alto que antes.
“Amor, desliga o forno pra mim, por favor!” Gritei na porta, ouvindo ele gritar um ‘Ok’ em resposta. Coloquei um vestido leve e sai do quarto. Ao chegar na cozinha me deparei com na pia picando alguma coisa enquanto cantarolava uma musica qualquer com o cd que tocava ao fundo. Fui até ele, o abracei por trás e comecei a distribuir beijos pelo seu ombro. Pude perceber que ele sorria. Encostei meu rosto nas costas de , fechei os olhos e respirei fundo, enchendo meus pulmões daquele perfume bom que ele emanava.
“Com fome amor?” Ele perguntou virando-se pra mim. Eu apenas concordei com a cabeça. “Fiz salada pra nós.” Ele disse orgulhoso mostrando uma travessa de salada ao lado, e eu sorri o soltando e indo até o armário pegar os pratos para comermos. “É algum jantar especial ou eu posso comer assim?” Ele perguntou apontando para a boxer que vestia e a regata branca justa em seu tórax.
“Traje de gala heim!” Eu falei rindo o olhando da cabeça aos pés. Era incrível como ele ficava ainda mais lindo naquelas roupas. “Ta lindo assim!” Disse me aproximando dele e dando um beijo em sua bochecha. “E como você mesmo diz, não sei porque se arrumar tanto se as roupas vão acabar no chão do quarto daqui a pouco né.” Eu pisquei pra ele sorrindo maliciosamente e ele me agarrou pela cintura e deu um beijo em meu colo, me fazendo soltar uma gargalhada.
“Podemos jantar logo para irmos rápido para a parte da sobremesa?” falou me soltando e levando os talheres a mesa. Nos sentamos e comemos em silencio, ouvindo apenas o som do McFly que ainda tocava ao fundo.

“Podemos deixar isso pra mais tarde?” disse quando eu ia começar a lavar a louça, pegando em meus pulsos e me puxando para fora da cozinha. “Amanhã eu cuido disso ta?”
“Huum... Posso saber que milagre é esse de você fazer salada e querer lavar a louça amanhã heim?” Falei enquanto sentávamos no sofá.
“Lindinha...” Ele começou a falar colocando uma das mãos no meu rosto e acariciando minha bochecha. “To te achando tristinha hoje... Não vai me falar o que aconteceu?” Fechei os olhos e respirei fundo tentando evitar que a raiva de mais cedo voltasse a tomar conta de mim.
eu... pedi demissão da revista hoje.” Falei abaixando a cabeça e dando um suspiro.
“Mas amor, por que? O que aconteceu pra você pedir demissão assim? Você sempre gostou de trabalhar lá tudo mais...” falou me puxando para seu colo.
“Ai eu... Aaaah...” Comecei a falar mais ao lembrar da bruxa da minha ex-chefe senti o sangue subir. “A Kristen, aquela bruxa que se passa por editora, me chamou pra conversar hoje e me fez uma proposta. Ela me ofereceu uma promoção...”
“E você se demitiu por isso?” me olhava confuso.
“Não amor... Deixa eu terminar... Ela falou que iria me promover à editora da sessão de musica da Mason SE eu levasse pra elas as noticias mais quentes do McFly em primeira mão.”
“Como assim?”
“Ela queria que eu trouxesse pra revista as fofocas do backstage sabe? Essas coisinhas fúteis que todo mundo adora saber?”
“E o que você respondeu?”
“O que você acha? Eu neguei é obvio... Não quero viver as custas de fofoca de vocês... Mas ai a toda poderosa começou a dar o maior sermão porque eu tinha que fazer isso pela revista, porque vocês são a coqueluche do momento na Inglaterra e eu como repórter e namorada do tinha que levar as informações para a revista, porque isso ia fazer as vendas aumentarem e tudo mais...” Parei de falar um pouco para respirar, enquanto me encarava esperando eu continuar. “Ela falou que era ótimo a revista ter uma informante próxima a banda... Pode isso amor? Informante! Eu fiquei pê da vida né... Falei um monte de desaforos pra ela também. Poxa, eu sou uma jornalista... Não preciso do sucesso de vocês pra me manter na revista né. Até porque isso seria uma puta trairagem né...”
“E era aceitar isso ou então adeus Mason?” perguntou
“Não amor. Não fiquei lá pra saber... Fiquei nervosa demais e acabei pedindo demissão logo.” Falei afudando minha cabeça no pescoço de enquanto ele me abraça forte. Ficamos ali abraçados alguns minutos enquanto ele acariciava meus cabelos.
“Agora você vai poder se dedicar em tempo integral ao posto de namorada de !” falou tentando descontrair. Eu apenas levantei minha cabeça e sorri pra ele. “Ta bem?” Ele continuou, acariciando meu rosto.
“Uhum... Só um pouco decepcionada sabe? A Mason sempre foi meu sonho e ai, trocam a editoria chefe e a revista vira esse show de futilidades.” Coloquei pra fora o fundo de raiva que eu ainda guardava. “Agora eu nem sei o que eu vou fazer...”
“Você não precisa se preocupar com isso agora ta bem? A gente pode aproveitar que amanhã não tenho nenhum compromisso marcado e podemos ficar em casa aqui o dia inteiro sem fazer nada... Só namorando... Que tal?” me perguntou, lançando um olhar malicioso. Eu apenas sorri em resposta e o puxei para um beijo. Só ele mesmo pra me fazer esquecer de todos os problemas do mundo e me deixar feliz por motivo nenhum. Ou melhor, por ter ele* ao meu lado sempre!


05


’s POV - Flashback ON
Era sábado, e como todos os seis sábados anteriores eu e havíamos combinado de assistir The O.C. juntos. Desde que descobrimos esse ‘vicio’ em comum, todos os sábados eram iguais: Ela na minha casa ou eu na dela e horas e horas da série. Não posso negar que havia segundas intenções da minha parte nesses nossos encontros, mas sempre deixava claro que queria ir devagar... E ultimamente ela estava quase parando!
Dessa vez, a sessão The O.C. era na minha casa. havia trazido um pote de sorvete para comermos enquanto assistíamos a série, uma vez que ela dissera que não agüentava mais a combinação Pipoca e Rian, e como naquele dia fazia um calor insuportável, o sorvete caiu bem. Ela vestia um shorts jeans e uma regatinha solta para acompanhar o clima do verão e estava incrivelmente sexy! Incrivelmente linda, como sempre! Não entendo como deixou uma garota daquelas escapar! Ele já havia me dito que tinha ficado com só pra se divertir, como ele, em todo seu estilo de ser, fazia com as garotas, mas sei que não pensava da mesma maneira, ela havia se envolvido mais intensamente com e eu temia que ela ainda gostasse dele pra valer, por mais que ela negasse isso sempre.

Estávamos no sofá de casa em nosso quarto episódio daquele dia já. Não sei por que razão, naquele dia eu não conseguia prestar atenção na TV, só conseguia olhar sentada ali do outro lado do sofá com um pote de sorvete na mão soltando algumas risadas de vez em quando. Não sei como mas em algum momento eu me distrai com meus pensamentos e quando dei por mim ela estava apoiada em meu peito, meu braço direito passava pelo seu ombro e meus dedos estavam entrelaçados com os dela. Meu outro braço, o esquerdo, estava sob seu abdômen a abraçando, enquanto sua outra mão acariciava de leve meus cabelos. Muito bem, definitivamente aquela não era a hora para se prestar atenção na TV, era hora de partir pro ataque! Aproveitei que seus ombros estavam livres, visto que seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto, e comecei a distribuir beijos nele, em direção a sua nuca. Parei no meio do caminho para ver se ela demonstrava algum sinal para que eu parasse, mas tudo que ela fez foi puxar de leve meu cabelo, puxando junto meu rosto para seu ombro. Ok princesa, já entendi o recado, continuarei... Quando comecei a beijar sua nuca, ela soltou minha mão e se virou no sofá, ficando de joelhos em minha frente, com um sorriso lindo no rosto. Ela passou seus braços pelo meu pescoço e se aproximou de mim, fazendo com que eu a abraçasse pela cintura e a trouxesse para meu colo novamente.
“ Me perdoa por ter feito você esperar tanto?” Ela sussurrou ao meu ouvido, me fazendo sorrir. Era agora!
“Só se você não me fizer esperar mais nem um segundo.” Eu respondi, fazendo-a abrir um sorriso maior ainda. Levei então uma de minhas mãos ate sua nuca. Puxei seu rosto com cuidado para mais perto e a vi fechar os olhos. Dei um beijo em seu queixo, bochecha, nariz...
... Você ta de brincadeira comigo né?” reclamou ainda de olhos fechados.
“To te castigando por você ter feito eu esperar tanto.” Falei ao pé do seu ouvido dando uma mordida no lóbulo de sua orelha.
....” Ela choramingou, e logo em seguida se afastou e abriu os olhos. “Posso fazer esperar mais se você quiser.” Ela falou em tom bravo cruzando os braços. Passei um de meus braços pela sua cintura e a deitei no sofá, me deitando em cima dela. “!!!” Ela reclamou. Eu coloquei meu dedo indicador sobre seus lábios, calando-a.
“Não quero esperar mais...” Falei encarando-a, enquanto ela coloca uma das mãos sob a minha cintura e a outra se agarrava aos meus cabelos. Ela então puxou meu rosto para mais perto do seu.

Nossos lábios foram de encontro um ao outro como se fossem imãs. Era como eu sempre imaginei, aqueles lábios delicados e quentes de tocando nos meus. Okei, isso ficou um pouco gay. Mas dude, foi algo inexplicável! Nossas línguas se encontraram e brincavam, como se dependessem daquilo para sobreviver. estava com uma das mãos em meus cabelos e puxava meu rosto ainda mais contra o seu. A outra mão brincava com a barra de minha camiseta e aos poucos ia de encontro ao meu abdômen. Ótimo! Se ela podia, eu também não?

Um barulho na porta me fez quebrar o beijo com . Bom, já era hora de darmos um tempinho e respirarmos. Levantei minha cabeça por cima das costas do sofá.
... O que você esta fazendo em casa dude? Achei que você estivesse com a ...” falou entrando na sala, aparentemente ele não havia visto ela ali, uma vez que ela estava deitada no sofá, em baixo de mim. Eu apenas o encarei com uma expressão não muito amigável.
“Eu estou aqui !” falou levantando uma de suas mãos para que a visse. Ele logo entendeu o que se passava ali.

“Eu.. ah... só tinha esquecido minhas chaves aqui, já vou indo... Tchau!” Ele completou saindo de casa. Olhei para com aquela cara de ‘Tinha que ser o ...’ e ela sorriu.
“To com fome...” Ela disse manhosa. Eu a olhei com aquela cara de ‘Okei, já que fomos interrompidos’ e sai de cima dela, sentando-me no sofá. Ela sentou-se ao meu lado.
“O que você quer comer lindinha?” Perguntei a ela, pegando em sua mão.
“O de sempre?” Ela perguntou sorrindo enquanto seus dedos brincavam com o meu. Levantei-me, dei um selinho nela e fui até o telefone pedi a tradicional pizza meia calabresa, meia marguerita de todos os nossos sábados.
“Ta afim de continuar OC enquanto a pizza não chega?” Perguntei voltando a me sentar no sofá.
“Tem certeza que é isso que você quer?” perguntou vindo ate mim e sentando-se no meu colo. Certo, não era o que eu queria mesmo. Eu queria ela, os beijos dela... A partir de então nossos sábados teriam outra atividade inclusa além da pipoca-OC-pizza. Teríamos beijos, beijos e mais beijos!
’s POV - Flashback OFF

Era minha segunda semana de ‘férias’ pós Mason. Estava em casa fazendo cookies pra passar o tempo.
“Lindinha...” falou todo empolgado entrando em casa. Ele veio ate a cozinha e me abraçou por trás, me dando um beijo na bochecha.
“Oi amor!” Falei, me virando para ele e dando-lhe um beijo descente. Ou não tão descente assim.
“Sabia que eu to adorando essa sua fase ‘Dona de Casa – Namorada de ’ sabia?” Ele disse acariciando minhas bochechas e me dando um selinho em seguida.
“Que bom...” Falei em um tom sério, fechando a cara e me virando de costas para ele. “Porque eu to odiando!!!”
“Amor...” falou tentando voltar a me abraçar mas eu abaixei para pegar os cookies quentinhos no forno.
“Cookies?” Falei tentando evitar uma discussão idiota e sem motivos com . Eu realmente não estava muito feliz naquela situação de ‘desempregada’.
Sentamos na sala com um bule de chá e os cookies recém saídos do forno. Ficamos alguns minutos em silencio vendo um programa de auditório qualquer que passava na TV.
“To realmente chateada com isso amor...” Falei, pensando um pouco alto demais assim que se aproximou de mim, passando um de seus braços sobre meus ombros.
“Isso o que lindinha?” falou meio confuso.
“Isso... eu, aqui em casa, cozinhando, sempre a sua disposição...” Falei botando pra fora a pouca raiva que havia dentro de mim por eu ter me colocado naquela situação. “ai... acho que eu to na TPM.” Falei afundando meu pescoço no peito de .
“Eu tenho certeza...” Ele falou acariciando meus cabelos, me fazendo rir. “Lindinha... Eu já falei pra você parar de ficar preocupada com essa historia.”
“Mas ... E eu vou viver do que? De ar?” Falei levantando meu rosto encarando-o.
“Já te falei que eu sou um rockstar agora meu bem? Posso te sustentar pra sempre...” Ele falou com um sorrisinho convencido.
“Uhum... Ai um dia agente se separa e eu vou viver na sarjeta!” Falei num tom revoltado.
“Não ... Ai o caminho fica livre pro ... Ele também é um rockstar agora!” falou em tom de deboche. Ótimo! Um dos defeitos de : Falar do nas horas erradas!
Me levantei do sofá e fui ate o quarto. Entrei e bati a porta com força pra deixar claro o quão brava eu estava naquele momento. Estava brava por nada na verdade, ou melhor, TPM mesmo, mas era bom deixar claro que qualquer palavra dita na hora errada poderia piorar a situação. Me joguei na cama e afundei minha cabeça no travesseiro.
“Aaaahhh” gritei com a voz abafada pelo travesseiro.
Eu me sentia péssima por ficar brava por ouvir ele falar de daquele jeito, afinal de contas já faziam dois anos e meio que nós dois estávamos juntos e tudo já havia ficado claro entre mim e : éramos apenas amigos, e tínhamos passado uma borracha no nosso passado obscuro. Mas insistia nessas piadinhas sobre nós dois, e eu sempre ficava incomodada indevidamente.
De repente senti um corpo se afundar do meu lado da cama e um braço passar pela minha cintura.
“Desculpa...” Ouvi-lo sussurrar ao pé do meu ouvido me fazendo ficar arrepiada. A raiva passou, dando lugar a uma vontade imensa de me agarrar a pessoa ao lado e não soltar nunca. Me virei de lado, ficando de frente para ele na cama. Coloquei uma de minhas mãos sob seu rosto, o acariciando.
“Me desculpa você...” Falei em um tom baixo. “Eu ando muito nervosa esses dias e...”
“TPM, eu sei amor... Todo mês a mesma coisa...” Ele falou em um tom debochado que me fez rir. Apenas concordei com a cabeça e ele me puxou para mais perto. “Hey... tive uma idéia! O ta com uma nova namoradinha ai que trabalha lá no blancker.co.uk sabe? Não é uma revista, nem um jornal, mas é um site muito bom! Todo mundo acessa e tal. Agente podia tentar alguma coisa pra você o que você acha?”
“Não seria má idéia...” Falei sorrindo, feliz pelo modo com que sempre achava a solução para todos os problemas, feliz por ter acertado a hora de falar de . “Mas agente podia pensar nisso depois né?” Continuei, dando alguns beijos pelo pescoço de . Pude perceber que ele sorria e logo em seguida ele me abraçou.
“Tenho um ótimo remédio para sua TPM sabia?” Ele falou com em tom malicioso, fazendo eu sorrir em resposta. O remédio que ele tinha era ótimo mesmo. E era tudo o que eu precisava ali: ELE!

06


Estávamos na casa de aproveitando um dos poucos sábados de folga dos meninos. e jogavam truco contra mim e . , e estavam disputando algum jogo qualquer no videogame. Estávamos ali desde o começo da tarde, aproveitando o final de semana como nos velhos tempos. Já tínhamos assistido alguns filmes e já tínhamos perdido a conta de quantas garrafas de cerveja tinham sido abertas.
“Sério galera...” Um visivelmente alterado falou sentando-se ao meu lado. “Vocês dois...” Ele falou apontando para e . “...precisam ir buscar seus respectivos pares lá na sala... Eles não me deixam mais jogar.” Ele reclamou fazendo todos rirem.
“Calma amor...” Falei abraçando-o pelo pescoço. “Eu e já vamos acabar com esses dois patos e você já vai poder jogar seu joguinho ta?” Continuei,dando um beijo na bochecha de . “Não é mesmo ?”
“Claro...” respondeu.
“Ei !” falou levantando-se da cadeira. “Porque você ta piscando pra minha mulher?”
“Amor... Fica quetinho fica...” Falei puxando pela camiseta para ele se sentar novamente.
“Mas ele piscou pra você e você tem...”
, quetinho amor... Não estraga o jogo!” Falei em um tom bravo. “Senta aqui do meu ladinho pra me dar sorte, senta!” Continuei, o fazendo sentar-se novamente.
“Vai oh pata! Sua vez!” me falou apontando 2 cartas viradas na mesa.
“TRUCOOOOO” Gritei, e logo olhei para . Ele piscou novamente para mim e eu realmente não entendi o porque ele estava fazendo aquilo se era eu quem estava com o Zap na mão. Ele só poderia estar confundindo os sinais...

No dia seguinte acordamos todos na sala de . Estávamos com álcool demais em nossas veias para irmos para casa naquela noite. Resolvemos então ficar ali mesmo e fazer um churrasco no domingo. São Pedro pareceu gostar da nossa idéia e nos presenteou com um lindo dia ensolarado. Ótimo! Churrasco e piscina... Uma ótima combinação para um domingo entre amigos.
Estávamos todos em volta da piscina enquanto e tentavam acender a churrasqueira. Não demorou muito para que entrasse dentro de casa e logo depois voltasse com o rádio nas mãos. não demorou muito para dominar o aparelho com seus 1001 cds. Logo ela puxou eu e para dançar com ela uma música qualquqer da Beyonce. e já estavam na água e vez ou outra jogavam água em nós. se juntou aos garotos na água, levando com ele e .
“E aí gatinho? Ta sozinho?” Falei para , me juntando a ele na churrasqueira e abraçando-o por trás.
“Aparentemente sim, já que minha namorada estava toda toda se exibindo para meus amigos...” Ele falou em um tom sério.
“Nossa amorzinho... Tudo isso é ciúme é?” Falei dando alguns beijos em suas costas. se virou para mim com um olhar sério.
“Você acha que eu não vi o secando a sua bunda enquanto você tava rebolando na piscina só de biquine?” Ele disse em um tom bravo.
, o que tá acontecendo amor? Ontem você deu um xilique enquanto eu tava no truco, agora esse ciuminho só poque eu tava dançando? Qual é amor... Você nunca foi de ter ciúme...” Falei me soltando de , dando uns passos para trás e me encostando na bancada. Não demorou muito para ele perceber a besteira que ele tinha feito e logo ele se aproximou, colocando suas mãos em minha cintura, me abraçando e afundando seu rosto em meus cabelos.
“Me desculpa...” Ele sussurrou em meu ouvido. Eu coloquei minhas mãos em suas bochechas, e levantei seu rosto, encarando-o.
“Você sabe que não precisa ter ciúme né amor.” Falei, fazendo-o concordar com o rosto. “... Mês que vem já vai fazer 4 anos que agente ta junto e você nunca teve ciúmes do ... Porque agora?”
“Não sei linda... Eu... Sabe amor... Eu tava observando o ... Ele te olha do mesmo jeito há 4 anos... Tenho medo de perder você.” Ele falou em um tom baixo, grudando nossas testas. “Eu nunca fui de acreditar nessas coisas mas ultimamente eu to com um pressentimento ruim sabe... Como se eu fosse te perder a qualquer momento...” Ele deu um suspiro alto e me apertou mais forte “Eu não sei o que faria se um dia eu te perdesse... Não sei mais viver sem você...”
“Também não sei viver sem você amor...” Falei e dei um selinho nele e logo me puxou para um beijo.
“Vocês deviam arrumar um quarto!” nos interrompeu, juntando-se a nós na churrasqueira.
“Ótima idéia ...” falou olhando para mim. Ele deu um sorriso maroto e eu logo pude perceber as suas intensões ali. “Cuida da carne aí , porque eu tenho algo mais importante para fazer.” falou e logo depois me pegou no colo, me levando para dentro. O que seria de mim sem aquele homem mesmo? Ah, claro... NADA!

Mais tarde, estávamos todos na beira da piscina aproveitando o resto de sol que nos restava.
“Juro... Eu não sei pra que ter filho... Você fica gorda, e depois que ele nasce, ele vai te deixar com olheiras, porque você vai ter que acordar de hora em hora pra dar mamar...” reclama, já um pouco alterada por causa da bebida, bem, todos estávamos um pouco alterados.
“Isso sem contar a despesa que filho dá né amiga?” completava “Frauda, leite, escola... E se for menina então... Ela vai aparecer na sua casa com 16, grávida, sem saber de quem é o pai e vai mandar você cuidar do bebê.”
“Por isso que eu quero ter um menino...” Falei, pensando alto. “Se bem que os meninos começam a namorar e trocam as mães pelas namoradas, e eu não quero ser trocada...” Eu reclamava.
“Essa aí vai ser ciumenta heim dude!” zoava com enquanto ouviam nossa conversa. Aquele tipo de conversa não agradava muito os meninos... Filhos... Despesas... Responsabilidades...
Não demorou muito e logo seguimos cada um seu rumo.

“Amor... Tava aqui pensando sobre o que você e as meninas tavam conversando na piscina... Promete não ficar brava com o que eu vou te contar?” falava enquanto voltávamos pra casa.
“Prometo amor... Diz...”
“Eu tive um sonho estranho esses dias...” Ele disse. “Eu tava num estúdio com o , e eu tava com um bebê no colo. Era um menino, tava com um macacãozinho azul com ‘Peter’ bordado em cima no peito sabe... Devia ser o nome do moleque.” contava sorrindo. “Ai, eu levava o bebe pro e pedida pra ele cuidar do bebê pra mim, porque eu tinha que ir embora. O pegava o bebe e eu saia do estúdio deixando os dois. Estranho né?”
“Estranho amor?” Eu disse. “Irresponsável isso sim... Você deixar um bebe com o ? Tadinho...” Completei e riu.
“Sabe...” falou um tempinho depois, pegando em minha mão. “Eu também quero ter um menino.” Ele disse olhando pra mim e sorrindo. Eu apenas sorri de volta. “E quero ter COM VOCÊ!” Ele completou, me fazendo abrir um sorriso maior ainda.

07


A casa de nunca pareceu tão longe como agora. Parei em um semáforo e tentei ligar para mais uma vez, em vão. Parecia que naquele dia o mundo estava conspirando contra mim. Era nosso aniversário de namoro de 4 anos. Tentei ligar para a manhã toda e o maldito celular só caia na caixa postal. No hotel ele não estava e eu também não havia conseguido falar com os meninos da banda. O trânsito para a casa de também conspirava contra mim. Isso porque só ela poderia me ajudar com o possível presente que eu tinha para . Com muito esforço cheguei à casa de . Toquei a campainha umas três vezes e ela ainda não tinha atendido. Eu sabia que ela estava em casa porque eu tentei ligar para ela durante o caminho e o telefone estava ocupado. Na 4ª tentativa ela abriu a porta e eu me deparei com uma MUITO abatida. Ela estava com os olhos vermelhos e mantinha uma expressão triste no rosto. Ela fez sinal para mim com a cabeça enquanto falava com alguém no telefone.
"Ela acabou de chegar aqui ... É, eu sei... Não, eu acho que não... Ela me parece estar... feliz!" falava no telefone olhando pra mim e eu pude perceber que seus olhos encheram de lágrimas. "Eu sei que eu tenho que contar pra ela caramba!" Ela gritou no telefone. "Eu só não sei se eu consigo..." falou abaixando o tom de voz e indo para o quarto. Ela devia querer conversar "a sós" com o .
Assim que me sentei no sofá para esperar , comecei a pensar no porque de ela estar daquele jeito e o que ela tinha pra me contar. Não demorou muito e ela voltou para sala e sentou-se na minha frente, na mesinha de centro.
"... Agente precisa conversar..." Ela começou a falar enxugando algumas lágrimas que insistiam em cair do seu rosto.
"Ai ... Nem precisa falar que eu já sei..."
"Já?" Ela me perguntou um tanto quanto confusa.
"Os meninos prolongaram a turnê por mais uma semana, é isso? Por isso você estava chorando com no telefone, por isso o não me atende no celular e..."
"!" falou em um tom mais alto. "Não é nada disso. Me ouve que tinha agora porque o que eu tenho pra te falar é muito sério ok?" pediu e eu apenas concordei com a cabeça, temendo o que viria a seguir. ", o tava querendo te fazer uma surpresa hoje. Como o show que os meninos tinham marcado já tinham sido feitos e agora eles só precisavam cumprir alguns compromissos em TV e rádio, o resolveu voltar mais cedo do México..." parou de falar e pude ver algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto. "... O pegou um avião ontem à noite para vir passar ou aniversário de namoro de vocês contigo... Só que..." pegou em minhas mãos e as apertou forte. "Hoje cedo, o avião não pousou em Londres como era previsto... Ele... Caiu no mar." terminou de contar, se desfazendo em lágrimas. Eu ainda olhava pra ela processando tudo o que ela havia me contado. ... México... Avião... Mar... Eu tinha ouvido no rádio alguma coisa sobre um avião que tinha caído mas... Não podia ser verdade... Meu não podia estar naquele avião...
"... Diz que é brincadeira isso..." Falei já sentindo minhas mãos tremerem, agarradas nas de .
"... Tudo o que eu mais queria agora era te falar que isso é uma brincadeira amigas mas..." Não conseguia ouvir mais nada do que falava. Não conseguia enxergar mais nada na minha frente nitidamente. Senti um aperto forte no peito. Era como se alguém tivesse aberto meu peito e tirado meu coração de lá. Meus olhos se encheram de lágrimas e elas saiam livremente, escorrendo pelo meu rosto. O ar começou a me faltar ali. Parecia que todo o oxigênio daquela sala tinha cessado. Eu chorava, ainda sem querer acreditar em tudo que Havia me contado. A dor que tomou conta de mim não me deixava pensar em fazer mais nada que não fosse chorar. Me encolhi no sofá de , agarrando minhas pernas e pude senti-la me abraçar enquanto falava alguma coisa que eu não entendia. Aquilo só podia ser um pesadelo.

"... Acorda amiga..." dizia ao me chacoalhar no sofá. Acordei um pouco atordoada com a cabeça doendo.
"... Diz que foi um pesadelo, diz?" Falei para , me sentando no sofá.
"Amiga... Não foi!" falou em um tom nitidamente triste. Foi inevitável deixar algumas lágrimas caírem. "Eu to indo no aeroporto buscar os meninos, você não quer vir junto? Agente pode passar lá na companhia, ver se eles não tem nenhuma novidade..." Ela continuou.
"Eles ainda não ligaram? Não encontraram nada?
"Não ..."
"Eu... Quero ir pra casa . Você pode me deixar lá?" Pedi para limpando algumas lágrimas que teimavam escorrer.
", você vai ficar lá sozinha amiga?"
"Vou... Quero ir pra casa... Tomar um banho, deitar na minha cama..." Respirei fundo ao lembrar que a minha cama era também a cama de enquanto as lágrimas teimavam em cair.
"..." falou me abraçando "Eu te levo, mas depois vou pra lá te fazer companhia. O também tá preocupado contigo. Vou com ele assim que sair do aeroporto ta? Não vou te deixar sozinha..."
"Você que sabe ..." Falei dando de ombros.

Ao chegar em casa tinha a esperança de abrir a porta e encontrá-lo sentado no sofá, mas ele não estava lá. Segui para o quarto e fui direto para o banho. Deixei a água quente cair, tentando relaxar, em vão. Quanto mais tempo ficava ali, mais as lágrimas teimavam em cair. Depois do banho,me troquei e deitei na cama. Me virava de um lado para o outro tentando relaxar mas era impossível. Olhava nossa foto no criado mudo, depois olhava para o lado dele na cama. Afundei a cabeça em seu travesseiro e pude sentir seu perfume ainda ali. O peito apertou mais uma vez; as lembranças jorravam na cabeça e as lágrimas jorravam dos olhos.
Acordei algumas horas depois com a campainha tocando. Me levantei em um impulso, na esperança de abrir a porta e encontra-lo parado por lá, mas tudo que eu encontrei foi , e visivelmente abatidos. Assim que me viu correu e me abraçou.
“Como voce esta lindinha?”
“Ai ... Confusa... Triste... Inconformada...” Falei devagar tentando impedir que as lágrimas caissem, em vão. “E vocês?”
“Igual...” respondeu me abraçando mais forte e deixando as lágrimas cairem. Um tempo depois ele me soltou e tirou os óculos escuros para enxugar os olhos e eu pude perceber que seus olhos estavam nitidamente vermelhos e inchados, não muito diferente dos meus. Depois, foi a vez de eu encarar . Ele colocou as duas mãos sobre o meu rosto e com o polegar enxugou algumas de minhas lágrimas.
“Eu nem sei o que dizer.” Ele falou baixo.
“Não diz nada ...” Respondi e em um impulso o puxei para um abraço. Um abraço forte. Por alguns instantes esqueci do motivo que nos levava ali, e a única coisa em que eu conseguia pensar era na última vez em que eu havia abraçado daquela maneira.

“Toma... Eu fiz pra você.” falou me entregando uma xícara de chá. “Já passa da meia noite e você ainda não comeu nada hoje , você precisa se alimentar...” Ela continuou, me encarando esperando que eu tomasse. Ao sentir o cheiro de chá invadindo minhas narinas, meu estômago deu mil e uma voltas e eu corri para o banheiro. “!” gritou vindo atrás de mim. Ela entrou no banheiro e segurou meu cabelo enquanto eu colocava para fora um líquido esbranquiçado e ácido. “Eu já não falei pra você ir no médico ver essa historia de refluxo ?” falou enquanto eu lavava meu rosto e minha boca. Não falei nada, apenas a olhei e a puxei pela mão. Sentei-me no sofá e puxei para sentar-se do meu lado. estava do lado de e estava em uma poltrona ao lado.
“Eu preciso contar uma coisa pra vocês...” Falei desligando a TV e voltando a atenção de todos para mim. “Eu estava esperando o voltar para abrir...” Falei pegando um envelope na minha bolsa. “... mas não tenho mais tempo pra esperar. E eu já sei o que vai estar escrito ai...” Continuei a falar enquanto abria o envelope. Ela leu e ficou me encarando sem reação. Não demorou muito para que pegasse o papel da mão dela e levantasse para ler também.
... Você ta...” falava pausadamente ainda me encarando incrédula.
“Grávida? É isso? Eu entendi direito?” falou pegando o resultado do exame e se ajoelhando na minha frente. “É verdade?” Ele perguntou. Eu apenas concordei com a cabeça.
“E o pai do meu filho está perdido em algum lugar no meio do oceano atlântico...” Falei com os olhos enchendo-se de lágrimas.
... Porque voce não contou ontem?” falou me abraçando.
“Iria mudar alguma coisa ? Eu peguei esse resultado há três dias. O não estava aqui de qualquer jeito... E mesmo se ele soubesse ele...” Não consegui mais segurar as lágrimas. Comecei a chorar descontroladamente sentindo e me abraçarem também. Por mais confortante que fosse ter meus amigos ali naquele momento, não era o abraço deles que eu precisa. Eu estava grávida, queria o pai do meu filho ali comigo. Aos poucos o abraço foi sendo desfeito e então pude voltar a encarar-los ainda com algumas lágrimas teimosas caindo sob o rosto. “Esse ia ser o meu presente de aniversário de namoro...” Falei em meio a um soluço.
“Hey...” falou colocando as mãos sob meu rosto, enxugando minhas lágrimas. “Você não ta sozinha nessa ta bom?” Eu apenas concordei com a cabeça e, embora estivesse sentindo uma dor infinita dentro de mim, sorri ao ouvir aquelas palavras.
“Você não está sozinha mesmo, mas esta em jejum né ?” falou limpando uma lágrima que teimou em escapar de seus olhos “Você precisa comer alguma coisa.”
“To sem fome...” Resmunguei desfazendo o sorriso e me encolhendo no sofá.
... Você precisa comer alguma coisa!” falou tentando me convencer.
“Eu já disse que to sem fome.”
“Por Deus garota!” falou em um tom sério ainda na minha frente. “Você ta grávida, precisa de alimentar! Se não é por você, come pelo filho que você ta carregando.” Ele continuou claramente irritado. Eu olhei pra ele, me levantei e fui em direção a cozinha seguida por .
Não demorou muito para que nos servisse com um macarrão que ela havia preparado rapidamente. Comemos os quatro em silencio, nenhum de nós tínhamos nos alimentado bem naquele dia e comiamos mais por obrigação do que necessariamente por fome.

“Bom gente... Eu preciso mesmo ir pra casa tentar descansar um pouco.” falou assim que terminamos de comer.
“Amor... Eu vou ficar aqui com a ... Não quero deixa-la sozinha hoje.” falou.
“Não precisa ... Vai pra casa com o . Você também precisa descansar.”
“E você vai ficar sozinha aqui? Nem pensar...”
eu...” Comecei a falar mas logo me interrompeu.
“Eu fico aqui com a ! Você se importa?” Ele perguntou virando-se pra mim.
, não precisa eu...”
“Você se importa?” Ele me interrompeu novamente em um tom sério lançando-me um olhar de ‘Não adianta discutir’ típico de . Neguei com a cabeça já me dando por vencida, sabia que não ia adiantar nada discutir ali. Logo e foram embora, prometendo voltar no dia seguinte.
“Bom, você sabe onde fica o quarto de hospedes não é ? Se quiser ir descansar pode ir, eu to sem sono e vou ficar um pouco por aqui.” Falei para me sentando no sofá e ligando a tv.
“Também to sem sono ... Vou ficar por aqui com você.” Ele falou sentando-se do meu lado no sofá e passando seu braço pelo meu pescoço. Olhei para ele e inexplicavelmente sorri. “Voce não esta sozinha nessa, lembra?” Ele falou piscando para mim e eu apenas concordei com a cabeça. Encostei minha cabeça em seu peito e voltei minha atenção à TV. Sem saber como e porque, naquele momento me senti mais protegida, e consegui pela primeira vez no dia me sentir tranqüila.

08


No dia seguinte acordei com a cabeça doendo, provavelmente por causa das lágrimas derramadas no dia anterior. Abri os olhos e então percebi que estava no meu quarto. Fiquei alguns minutos fitando o teto pensando em como havia chegado lá. A ultima coisa que eu me lembrava era de estar no sofá com . Ouvi então uma batida na porta.
“Entra...” Falei, me apoiando em meu cotovelos. então entrou e sentou-se ao meu lado na cama.
“Te acordei?”
“Na verdade, acabei de acordar...” Respondi me sentando melhor na cama. “... Como eu vim parar aqui? Eu não lembro de ter vindo pro quarto ontem.”
“Eu te trouxe .” falou sorrindo. Um sorriso lindo por sinal. “Você acabou dormindo no sofá, ai eu te trouxe pra cá.”
“Obrigada.” Sussurrei
“Como você ta hoje?”
“Na mesma... você?”
“Também...”
Ficamos nos encarando por alguns minutos até eu pegar o celular para ver que horas eram. Sete ligações perdidas de . Liguei urgentemente para a mãe de . Ela devia ter noticias! me olhava sem entender minha empolgação com o celular. Caixa postal! Olhei para com uma cara de desapontada.
“A me ligou. Será que ela tem novidades do acidente?” Perguntei para .
“Se ela tivesse, acho que já saberíamos.” respondeu. Soltei um suspiro alto.
“Vou tomar um banho e tentar falar com ela de novo mais tarde.” Falei e me levantei da cama.
“Vou fazer alguma coisa pra comermos então.” falou. Ele deu um beijo em minha testa e saiu.
Durante todo o banho pensei no que queria comigo. Poderiam ser boas noticias. Poderiam ser más noticias. Poderiam ser noticias nenhuma. De repente lembrei de algo que EU tinha para falar para : Meu bebê. Não tinha a mínima idéia de como contar isso para ela. Precisava do ali comigo para fazer aquilo.

Saí do banho decidida a não encher mais a minha cabeça com problemas. Quando encontrasse , pensaria no que fazer. Coloquei qualquer roupa e segui até a cozinha atrás de . Ao chegar lá, me deparei com uma mesa super bem posta, com frutas, torradas, café e suco. Por alguns segundos fiquei parada na porta do cozinha, incrédula com a rapidez que havia preparado tudo aquilo. Ele devia ter feito antes de eu acordar, com certeza. Embora eu não estivesse com fome, me obrigou a comer algumas torradas. Confesso que só aceitei em consideração a ele, por ter preparado tudo aquilo.

“Quer conversar?” falou sentando-se ao meu lado no sofá assim que terminamos de tomar café.
“Não ...” Falei seguido de um suspiro alto. “Eu só queria entender tudo isso que ta acontecendo...” Reclamei. então se aproximou ainda mais e passou um de seus braços sob meus ombros.
“Eu sinto muito por tudo isso que ta acontecendo...”
“É ... Eu também sinto.”
Ficamos alguns minutos em silêncio ali. Eu ficava pensando em mil e um lugares que poderia estar a salvo no meio do oceano, deixava escapar vez ou outra uma lágrima. acariciava meus cabelos enquanto cantarolava alguma musica em meu ouvido.
, eu preciso te falar uma coisa.” falou quebrando o silencio entre nós. Me soltei de seus braços e me sentei de frente para ele. Pude perceber que seus olhos estavam cheios de lágrimas.
, fala logo o que é..”
, eu... preciso te pedir desculpas! Eu não to agüentando te ver assim, abatida, eu... Eu fui o culpado por tudo isso que aconteceu com o , . Foi tudo culpa minha...” falou derramando algumas lágrimas.
... Você ta me assustando... Do que você ta falando?” Falei deixando algumas lágrimas caírem também.
... Fui eu quem falei pro voltar antes... Eu disse pra ele que você ia ficar chateada em passar o aniversário de vocês separados. Convenci ele a voltar pra não te deixar triste e...” chorava igual a uma criança. Era a primeira vez que eu o via chorar. Eu acabei não conseguindo segurar as lágrimas e chorava junto com ele.
... Não precisa se culpar, não foi culpa sua!”
“Claro que foi ... Por Deus!!! Se eu não tivesse falado pra ele voltar antes, nada disso teria acontecido. Me perdoa . Tudo que eu queria era não te ver triste por estar longe do e olha só o que eu fiz...”
... Para com isso...” Eu falava, mas fui interrompida pelo som da campainha. “Eu vou lá abrir e já volto.” Falei para enxugando minhas lágrimas e indo até a porta. Imaginava que deveria ser e , mas assim que abri a porta me deparei com outra pessoa. estava parada em minha porta, com uma expressão abatida e um óculos escuros, que provavelmente escondia um olhar cansado e triste.
!!!” falou me abraçando na porta. Pude perceber que ela deixou algumas lágrimas escaparem ali, assim como eu. “Estava no aeroporto esperando noticias, mas resolvi passar aqui pra ver como você está. A me falou que você estaria aqui.” falou assim que me soltou.
“Prefiro ficar longe daquela agitação e repórteres, pessoas...”
“Eu sei querida.” falou entrando na sala e logo viu sentado no sofá. “! Não sabia que você também estava por aqui.” falou indo até e o abraçando. “Como você está heim?”
“Imagino que do mesmo modo que a senhora Mrs. .” falou e em seguida olhou pra mim. “Eu acho que eu já vou indo... Acho que vocês tem muito o que conversar né?” disse e logo em seguida piscou pra mim. Ele estava certo. Tínhamos que conversar. “Até logo Mrs. .”
“Até !” respondeu e eu segui com até a porta.
“Obrigada ...” Falei abrindo a porta.
“Você não precisa agradecer. Me perdoa pela burrada que eu fiz?”
“Você não fez nada. Não tem que se culpar ...” Falei e logo em seguida me abraçou. Mais um abraço forte. Respirei fundo enquanto o abraçava e por um segundo me senti mais leve.
“Me liga se precisar de alguma coisa?” Ele perguntou se desfazendo do abraço e segurando minhas mãos. Eu apenas concordei com a cabeça. “Promete que vai ligar? Qualquer coisa que você precisar, se ficar triste, se sentir sozinha, passar mal...”
“Prometo . Fica tranqüilo.”
“Eu venho mais tarde com o ta bem?” falou beijando as costas de minhas mãos. Eu concordei com a cabeça.
“Se cuida ta?” Falei enquanto ia em direção ao elevador.
“Você também...” Ele respondeu.

Fechei a porta e me encostei nela. Respirei fundo e lembrei que havia um assunto para cuidar na sala: . Fui até lá e ela me contou sobre as novidades do acidente. Acharam alguns destroços do avião naquela manhã, mas nenhum corpo ainda. Disseram que não haveriam sobreviventes, embora nenhuma de nós duas acreditasse naquilo. Ela contou mais algumas coisas sobre a busca, mas eu não prestei atenção. Estava aflita, precisava contar a ela sobre o bebê.
sempre foi muito simpática e carinhosa comigo. Desde que eu e ficamos juntos, ela nunca me tratou mal nem nada, pelo contrário, me tratava muitas vezes como uma filha. Nunca tive dúvidas que ela ficaria feliz com um neto. Mas naquela hora, naquelas circunstâncias, acho que não era a notícia que ela sempre quis receber.
... Eu preciso te contar uma coisa.” Falei no meio da conversa com sentindo minhas mãos suarem frio.
“Sim meu amor, diga.”
, essa semana eu...” Fechei os olhos e respirei fundo. “... Eu descobri que to grávida.” Falei de uma vez só, sem rodeios. Fiquei alguns segundos esperando alguma reação de , mas ela se manteve apática, o que me preocupou. “, eu estava esperando o chegar para contar, mas agora eu não consigo mais esconder isso. Eu sei que não é a melhor hora mas, eu e o estávamos conversando ultimamente sobre isso e...” Não consegui continuar. Senti meus olhos encherem de lagrimas mais uma vez e como das ultimas vezes, não pude controlar. Com os últimos acontecimentos, meu olhos não seguravam mais as lagrimas, e eu também não fazia de questão de segura-las, era melhor deixá-las rolar em meu rosto do que guardar a angustia para mim. Senti segurar minhas mãos e a encarei.
“Tenho certeza que quando o aparecer ele vai ficar muito feliz com a notícia.” falou esboçando um doce sorriso no rosto. Não tive como não sorrir. “Fica calma minha querida. Você não está sozinha.”
De repente o telefone de tocou. Ela o atendeu e começou a conversar com a pessoa que havia ligado.
“... Ok, já estamos a caminho.” terminou de falar ao celular e me encarou. “Você precisa vir comigo agora minha querida.”

Em nenhum momento me dizia para onde estávamos indo, mas eu já tinha uma noção pelas lágrimas que rolavam de seus olhos sem parar durante todo o caminho. Ela não me disse nenhuma palavra durante todo o caminho apenas respondia ‘você já vai entender.’ Sempre que eu pergunta qualquer coisa sobre nosso destino. Ela parou o carro em um local onde haviam muitas pessoas. Na hora não reconheci o lugar, nunca tinha estado ali antes. Assim que desci pude reconhecer e vindo em minha direção.
“Nós acabamos de saber.” falou se dirigindo à .
, amiga, você ta bem?” falou vindo me abraçar.
“Tô ... Eu só não estou entendendo o que está acontecendo.”
“Mrs. , a senhora tem certeza de que é realmente necessário a passar por isso? Eu quis dizer, ela ta...” falava para , mas logo ela a interrompeu.
“Ela está grávida, eu sei. Mas pediram a presença dela aqui. Não pude negar.” respondeu e logo depois todos nós caminhamos em direção a uma pequena porta nos fundos de um prédio. Entramos em um longo corredor branco. caminhava na frente, falando com alguém no celular. Eu a seguia com segurando minha cintura e me acompanhando lado a lado e vinha logo atrás de nós. Entramos em uma sala no fim do corredor onde estavam três policiais e o Mr. . Assim que entramos, todos os olhares da sala se voltaram para mim e eu senti minhas pernas vacilarem. Coisa boa não haveria de ser. me apertou mais pela cintura e segurou em minha mão.
“Eu vou ficar aqui do seu lado.” Ela sussurrou em meu ouvido.
“Ms. ?” Um dos guardas perguntou para mim.
“Eu mesma.” Falei aflita.
“Nós somos da Guarda Nacional e estamos ajudando nas buscas do vôo A365 da British Air Lines. Gostaria de comunicar-lhe que encontramos quatro corpos hoje de manhã no mar, e acreditamos que um dele seja do seu namorado.” O guarda falou para mim. Minha visão escureceu e eu não senti mais minhas pernas. Percebi que elas haviam sido suspensas e logo depois pude perceber que alguém me carregava, provavelmente . Ele me colocou em uma cadeira enquanto ouvi gritar pedindo espaço para as outras pessoas da sala e logo em seguida a vi me abanando com algum pedaço de papel. Eles diziam alguma coisa que era incompreensível para mim. Tudo que eu conseguia ouvir era a voz do guarda ecoando em minha cabeça “...encontramos quatro corpos hoje ... e acreditamos que um dele seja do seu namorado.”


09


Abri os olhos ainda sentido o mundo rodar em volta de mim. Pude reconhecer o rosto de que segurava minha mão. Olhei em volta e estava em uma sala vazia, deitada em um sofá, que aparentemente era a única mobília do local, junto com e . Tentei me sentar mas não tinha forças para fazer isso sozinha. Pude ver surgir atrás de e caminhar em minha direção, e logo ele me ajudou a sentar. Encostei minha cabeça no encosto do sofá e fitei o teto. Não sabia distinguir muito bem o que eu sentia ali naquele momento.
“Como pode isso?” Comecei a falar em um tom baixo, mas suficiente para que e me ouvissem. “Quando agente acha que nada pode piorar e fazer você se sentir pior algo vem e... acaba com tudo.” Falei e fechei os olhos tentando fazer alguma lágrima escorrer, levando junto a angústia que me consumia por dentro, mas milagrosamente minhas lágrimas haviam secado naquele momento. Senti e sentarem um de cada lado e me abraçar. passou seu braço pelo meu ombro e afundou seu rosto em mim, chorando igual a uma criança. tentava consolá-lo, tentava me consolar, tentava se consolar, mas naquele momento nenhum de nós estávamos equilibrados o suficiente para isso.
...” começou a me falar levantando-se do sofá e ficando de frente para mim. “Eles querem que você vá reconhecer o corpo. Mas você não é obrigada a ir se você não quiser.” falou se ajoelhando na minha frente e pegando uma de minhas mãos. “E eu acho que não vai te fazer bem isso. Não vai fazer bem pro bebê você ficar passando por tantas emoções fortes assim...”
“Eu quero fazer isso !” Falei a interrompendo. “Eu preciso fazer isso... Não vou conseguir acreditar que todo esse pesadelo ta acontecendo de verdade enquanto eu não vê-lo. Eu vou continuar acreditando que ele está perdido em alguma ilha no meio do nada a salvo até eu vê-lo.”
“Você tem certeza disso?” perguntou.
“Tenho... Preciso tirar de vez essa angustia de dentro de mim, não agüento mais ficar nessa dúvida..”
saiu da pequena sala e voltou seguida por dois policiais e por .
“Você tem certeza que pode fazer isso minha querida?” falou vindo até mim.
“Tenho ... Eu preciso vê-lo.” Falei me levantando do sofá.
“Ms. , a senhorita precisa vir conosco agora.” Um dos policiais falou. Me levantei e fui até a porta onde eles estavam. Logo em seguida eles me levaram por um corredor imenso, que ia até uma outra parte do prédio em que estávamos. Durante todo esse trajeto fui pedindo a Deus para encontrar qualquer outra pessoa, menos . Paramos em frente a uma porta com uma pequena janelinha de vidro. “A senhorita vai entrar agora e nós dizer se a pessoa que vamos mostrar é o seu namorado ou não está bem?” O policial falou para mim, e eu apenas concordei com a cabeça. Não conseguia falar nada naquele momento. Sentia apenas uma angústia enorme causada pela dúvida. Podia ser o fim do mundo para mim, como podia ser só mais um susto.
O policial abriu a porta e entrei com ele em uma sala grande e clara. Havia várias mesas tipo macas espalhadas pela sala. Em cima de algumas delas havia alguns corpos cobertos por um plástico preto. Senti um cheiro de formol invadir minhas narinas e junto com isso um arrepio por ver todos aqueles corpos ali. A cada mesa que eu passava seguindo o policial, a angústia aumentava.
“É esse.” O policial falou parando em frente a uma das mesas e checando uma etiqueta. Senti meu estomago revirar e meu coração apertar forte. Fechei os olhos com força tentando acreditar que aquilo tudo era apenas um pesadelo e que eu podia acordar a qualquer momento. Ouvi o policial tirar o plástico de cima do corpo e mesmo sem ver nada ainda, eu já sabia quem eu encontraria ali.
Abri meus olhos lentamente, sem querer acreditar no que estava em minha frente. Sua pele branca, agora estava ainda mais branca e um pouco enrugada. Seu rosto não mantinha mais aquele sorriso encantador que me fazia suspirar cada vez que eu via. Seus olhos, agora fechados, não carregavam mais aquele brilho. Dei uns passos a frente, parando do lado da mesa e pegando sua mão. Sua pele agora estava gelada, não tinha mais aquele calor que me aquecia. Agora era um fato: havia me deixado pra sempre.
“A senhorita pode me dizer quem é essa pessoa?” O policial perguntou.
“É ele... É o ...” Falei em um tom baixo, em meio a um suspiro. Fiquei ainda alguns segundos ali, estática, não querendo acreditar no que meus olhos viam. “Espera!” Eu gritei quando o policial começou a cobrir o corpo de . “Eu posso ficar alguns minutinhos aqui com ele?” Pedi ao policial. Ele me olhou, olhou o corpo de ali em minha frente e concordou com a cabeça.
“Só uns minutinhos.” Ele falou e logo em seguida saiu da sala.
Eu acariciava a mão de enquanto o encarava, tentando acreditar em tudo aquilo que estava acontecendo.
“Você fez essa loucura toda pra não me deixar sozinha no dia do nosso aniversario de namoro...” Falei enquanto acariciava seu rosto. “Agora você vai me deixar sozinha pra sempre...” Continuei e finalmente senti meus olhos se encherem de lágrimas pela primeira vez naquele lugar. Em um impulso deitei meu corpo sobre o corpo gélido dele. Afundei meu rosto em seu pescoço em um abraço, o ultimo abraço que eu daria nele. As lágrimas molhavam minhas bochechas e o corpo de , enquanto um cheio forte de formol invadia minhas narinas. Não era mais o perfume dele que me entorpecia. “Eu te amo tanto...” Suspirei alto em seu ouvido e logo em seguida levantei o rosto para encará-lo. Sequei algumas lagrimas e logo em seguida voltei a acariciar suas bochechas. “Eu to grávida ...” Falei, desejando que ele ouvisse aquilo. “Vou ter um filho seu... O NOSSO filho...” Continuei e novamente não pude segurar o choro. Voltei a abraçar seu corpo ali deitado em minha frente, querendo aproveitar o máximo daquele momento. Queria poder ficar pra sempre com ele.
Ouvi a porta se abrir no fundo da sala e levantei meu rosto pra encarar . Num impulso grudei meus lábios nos dele, que já não eram mais quentes e molhados como antes. “Eu te amo ...” Falei e me levantei antes mesmo do policial chegar até mim.
“O seu tempo já acabou senhorita.” Ele disse enquanto eu enxugava minhas últimas lágrimas ali. O vi cobrir e pude sentir em meu peito um enorme e doloroso vazio.

Os dias que se passaram depois daquele momento fiz questão de apagar da minha memória. Não foi fácil ver dentro de um caixão enquanto uma fila interminável de adolescente passavam chorando, olhando para mim e com certeza achando que era EU a culpada por tudo aquilo. Não foi fácil voltar pra casa com a certeza que ele não voltaria nunca mais. Esquecer daqueles dias era menos dolorido do que ficar relembrando aqueles momentos. Agora eu tinha alguém crescendo dentro de mim. Era nisso que eu tinha que me focar. Era isso que gostaria que eu fizesse... eu tinha que cuidar do NOSSO filho!
Estava em casa zapiando os canais da TV sem muita vontade de assistir realmente alguma coisa. Mesmo depois de uma semana do acidente os jornais ainda falavam sobre os destroços e os corpos que pouco a pouco eram encontrados. Depois daquele sábado tenebroso, os sábados nunca mais seriam os mesmos. Justo os sábados, os nossos sábados. Despertei dos meus pensamentos quando ouvi a campainha tocar. Abri a porta sem checar quem era, provavelmente era com alguma proposta para sairmos ou fazermos alguma coisa para me distrair, ela havia feito isso toda semana. Mas ao abri a porta me deparei com um par de olhos que com certeza não eram de .
“Oi...” falou sorrindo assim que eu abri a porta.
“Oi . Entra.” Falei dando passagem a ele.
“Eu vim ver como você está, como está o bebê.”
“Estamos bem.” Falei sentando no sofá de frente para .
“Mesmo?” Ele perguntou erguendo uma de suas sobrancelhas com aquela cara de ‘você não me engana.’
“Ah ... Como você quer que eu esteja bem depois de tudo? To levando... como eu posso.”
“Mas você ta se cuidando né? Ta se alimentando bem?”
“Tô mãe!!!” Falei fazendo rir.
“Sério ... Você precisa se cuidar, e cuidar do bebê também.”
“Eu sei né ... Não sou nenhuma criança! Já fui no médico, to tomando um monte de vitaminas pro bebê. To cuidando bem do meu filho!” Falei e dei uma piscadinha para ele.
“Ótimo!” falou com um sorriso vitorioso. “Mas falando sério ... Vim aqui porque eu preciso conversar com você.” Ele falou com um ar de ‘realmente precisamos conversar’ que me assustou.
“Pode falar .”
... Lembra que eu te falei que fui eu quem convenci o a voltar mais cedo?” começou a falar e eu já imaginei onde essa conversa iria chegar.
... Se você voltar com essa historia de que você é o culpado...”
, me ouve... Não vou discutir isso com você. Eu vim aqui porque eu preciso te contar o porque eu convenci ele a voltar.”
“Pra mim não passar o aniversario de namoro sozinha?”
“Não só por isso . Posso ir ate seu quarto rapidinho?”
“Pode...” Falei sem entender o que realmente estava querendo dizer. Ele foi até meu quarto e logo voltou com uma pasta e uma caixinha. Da onde ele tinha tirado isso meu Deus?
“Esse aqui era o presente dele pra você. Ele me contou que ia te dar isso, e eu achei que ele teria que dar no dia certo, e não esperar voltar com a gente e dar uns dias depois.” falou sentando-se de volta no sofá e me entregando a pasta e a caixinha. Abri a caixinha pude ver duas alianças douradas nela. Um sorriso se formou no meu rosto, embora sentisse um aperto enorme no peito naquele momento.
“Ele ia te pedir em casamento...” falou enxugando algumas lágrimas que escaparam de meus olhos. “Achei que era justo você saber disso apesar de tudo.”
“Obrigada !” Falei encarando-o.
“Você não viu o outro presente...” falou pegando a pasta que estava na minha mão e abrindo-a. “Ele sabia que você ama esse apartamento, e então ele comprou pra você!” Ele continuou entregando-me o contrato de venda do apartamento. Olhei para aqueles papeis e realmente não consegui acreditar em como havia pensado em tudo aquilo. Ele realmente sabia me surpreender. As lágrimas agora escorriam sem cerimônias. Senti o peito apertar mas, por incrível que pareça, não me senti triste. Levantei meu rosto para encarar e sorri.
“Obrigada mesmo por me mostrar tudo isso. De verdade.” Falei tentando segurar minhas lágrimas, em vão. veio até mim e me puxou para um abraço.
“Me desculpa...” Ele sussurrou em meu ouvido e pude perceber também que ele havia deixado algumas lágrimas caírem. “Me desculpa mesmo.”

10


Não era fácil acordar todos os dias e não ter mais ao meu lado. Confesso que no começo não sentia vontade nem de levantar da cama. Mas sempre que eu olhava para minha barriga, lembrava do pequeno presente que havia me deixado. Eu não podia me entregar àquele vazio que me dominava, tinha que seguir em frente, pelo bebê que eu carregava, por . Os meses iam se passando e aos poucos fui me acostumando com a idéia de ser mãe. Conforme a barriga crescia, ia sentindo meu bebê dentro de mim crescendo junto. Tenho que confessar, a sensação dele, ali dentro se mexendo era algo inexplicável, indescritível! O amor que crescia em mim por aquele pequeno ser era algo imensurável, intenso. Lamentava todos os dias por não ter tido a oportunidade de curtir aquilo comigo, mas o agradecida sempre por ele ter dado aquela oportunidade a mim.
Meus amigos também estavam me dando um apoio fundamental naquele momento. e não preciso nem falar, eram como dois irmãos para mim. , em um ponto alto de solidariedade a minha pessoa, resolveu engravidar logo depois de mim pois, segundo ela, nós tínhamos que passar por essa experiência juntas! Nem era preciso dizer que amou essa idéia, já que o sonho dele sempre foi ser pai. Já não seguiu nossos passos, embora ela sempre nos acompanhava nos nossos programas de grávida, como compras em lojas de roupa infantil, e também estava sempre presente. Mas quem havia me surpreendido mesmo era . Ele ligava sempre pra saber como eu estava, como estava o bebê, isso quando ele não aparecia em casa do nada com a velha desculpa ‘Estava passando por aqui e resolvi parar para ver como você está’. Aquilo realmente me surpreendia, e as vezes me assustava. Mas não posso negar que eu gostava daquela atenção toda que ele me dava. Me sentia mais protegida, mais... Bom, tentava não pensar muito naquilo preferia acreditar que era por causa do bebê e só.

Aquela era mais uma tarde comum para mim. Estava saindo do trabalho com uma vontade enorme de ir pra casa e não fazer mais nada. Assim que coloquei os pés pra fora do prédio, senti um vento frio passar por mim e apertei mais ainda meu casaco contra meu peito. Isso não era mais uma coisa tão fácil de se fazer uma vez que a barriga de seis meses de gravidez me impedia de fechar o casaco por completo. Comecei a caminhar pela calçada em direção ao estacionamento mas por alguns segundos me senti sendo observada. Parei e me virei para trás me deparando com um belo par de olhos me encarando.
!” Falei indo até ele, que estava encostado em seu carro estacionado em frente ao prédio. “O que você ta fazendo por aqui?” Perguntei o cumprimentando com um beijo em sua bochecha.
“Tava passando e resolvi parar pra te ver.” Ele deu a desculpinha de sempre. “Ta afim de tomar um café?” Ele perguntou e eu apenas concordei com a cabeça. Nos dirigimos até a Starbucks que tinha na esquina. Fizemos nossos pedidos e nos sentamos.
“Então , como você e o bebê estão?” perguntou dando inicio ao questionário rotineiro.
“Estamos cada vez melhores !” Falei com um sorriso no rosto. “Aliás, antes que você pergunte, fui ontem ao médico.”
“Jura? E ta tudo bem com o bebê?”
“Tudo ótimo. E, bem, preciso te contar uma coisa... Descobri o sexo do bebê!!!” Falei empolgada.
“Ta esperando o que pra me falar?” perguntou curioso.
“É um menino !” Falei e logo puder ver se levantar de sua cadeira e vir até mim me abraçar.
“Que ótimo ... Você vai ter um garotão! Parabéns!”
“Legal né? Eu sempre quis ter um menino... E o ...” Falei mas senti um nó se formar em minha garganta ao pronunciar o nome de . Apesar de quatro longos meses se passarem, ainda não havia me acostumado com aquilo. Respirei fundo, e continuei. “O também disse que queria ter um menino.”
“Tenho certeza que ele iria adorar receber essa noticia.” falou enquanto sentava-se de volta em sua cadeira. Ele continuou seu interrogatório de rotina e logo nossos pedidos chegaram.
“Preciso te falar o porque eu vim aqui atrás de você.” falou enquanto terminávamos nosso café. “Eu tenho um presente pro pequeno .” Ele completou tirando um embrulho de dentro do casaco. Eu peguei o pequeno pacote e abri. “Seria injusto o moleque não ser um fã de McFly.” Ele disse assim que eu vi o conteúdo do pacote. Era uma pequena camiseta onde estava escrito McFly na frente e atrás o nome dos meninos: , , e . Incrivelmente LINDA!
“É linda ! Obrigada!” Disse sorrindo, recebendo um sorriso enorme de em resposta.
“De nada. É pro garotão ai não esquecer que a musica esta no sangue dele!” Ele falou piscando para mim. Senti o bebê se mexer em minha barriga e dar um leve chute, como se concordasse com o que havia dito.
“Olha !” Falei pegando na mão de e levando ate minha barriga. “Ele ta mexendo. Sente!” Pude ver o sorriso de se abrindo cada vez mais conforme o bebê se esticava em minha barriga e seus olhos brilharem de um jeito que eu jamais havia visto antes. “Acho que ele gostou do presente.” Falei e logo em seguida o bebê deu um chute bem onde estava com a mão.
“É... Parece que ele gostou!” completou ainda com um sorriso estampado no rosto.

Acordei pela terceira vez naquela noite com o mesmo sonho estranho: Eu, de frente para um muro alto e extenso, tentando pulá-lo para alcançar a plantação que melancia que havia atrás dele. E eu sabia o que aquilo significava. Tinha passado a tarde inteira do dia anterior com vontade de comer um pedaço de melancia. No mercado perto de casa não tinha então eu resolvi esperar até o outro dia para ir a um outro mercado comprar, mas meus sonhos não me deixaram esquecer do meu singelo desejo e eu já estava ficando perturbada com aquilo. Precisa urgente comer um pedaço de melancia.

’s POV ON
Estava deitado no sofá ouvindo um cd qualquer dos Beatles tocar ao fundo. Estava pensando nela, claro. Era só nisso que eu conseguia pensar nos últimos tempos. Em como ela ficava mais linda, mais radiante a cada dia que passava. Era incrível que por mais que tenham se passado 5 anos, eu ainda me arrependia amargamente de te-la deixado. E apesar de o destino parecer conspirar ao meu favor naquele momento, eu sabia que ela jamais me olharia com os olhos de antes. Ela acabara de perder o futuro noivo, meu amigo, pai do filho que ela carregava no ventre e eu já tinha partido seu coração uma vez. Definitivamente, ela não daria outra oportunidade para mim.
De repente algo fez eu despertar de meus pensamentos. O telefone tocou e eu atendi com um pouco de má vontade. Queria continuar ali apenas pensando nela.
“Alô...” Resmunguei.
... Oi. Te acordei?” Ouvi ela falar do outro lado da linha e imediatamente me recompus ao telefone.
“Não , de jeito nenhum. Eu estava acordado ainda. Mas me diz, aconteceu alguma coisa? Você ta bem? O bebê tá bem?”
“Sim, sim, estamos bem . Eu só te liguei porque eu preciso muito de um favor seu e tem que ser agora. Eu pediria pro e pra , mas eles estão viajando então pensei em pedir pra você...” Ela dizia numa voz claramente envergonhada, linda por sinal.
“Pode pedir o que você quiser !” Falei sem hesitar.
“Ai . Eu to com vontade de comer melancia. Desejo de grávida sabe?”
“Sei... Você quer que eu saia a essa hora da noite atrás de uma melancia.” Falei brincando com ela.
“Ai , desculpa, mas é que eu to com muita vontade e... Não precisa ir se você não quiser, é que eu não to conseguindo dormir e..”
“Calma , calma! Eu tava brincando!!! Respira, fica tranqüila que em dez minutos você vai estar com um pedaço delicioso de melancia nas mãos, ok?”
“Desculpa ...” Ela falou com uma voz chorosa.
“Não tem que desculpar nada não. Já to indo ai com a sua melancia.”
“Obrigada , não sei o que seria de mim sem você.”
“Me agradece quando eu chegar ai ta bem? Ate já!” Falei e desliguei o telefone. Sorri orgulhoso ao chegar na cozinha e encontrar metade de uma melancia cortada em cima da mesa. Até aquele momento eu não entendia o que tinha me dado pra mim comprar aquela melancia no mercado mais cedo. Achava que tinha sido ‘atraído’ pela sua cor ou sei lá o que, mas agora eu sabia: Havia comprado aquela melancia para ela. Só para ela.
’s POV OFF

11


Estava na sala de casa vendo meu filho dançar ao som de uma musica que tocava no DVD. Era incrível como minha rotina havia mudado drasticamente nos últimos dois anos. Desde que Peter havia nascido eu só vivia para ele, só pensava nele, só fazia as coisas por ele. Com certeza ele havia sido a melhor coisa que tinha me acontecido.
“Mamãe...” Peter me chamava, puxando minha mão para que eu levantasse do sofá e fosse dançar com ele no meio da sala. Eu amava aqueles momentos com ele, todas as noites ansiava para chegar em casa e curtir algumas horinhas com meu filho. Mas ainda assim, os melhores dias ainda eram os finais de semana, em especial os sábados, que ficávamos o dia inteirinho juntos.
“Mamãe vai preparar nosso almoço tá meu anjo?” Falei beijando a testa de Peter enquanto ele ainda estava entretido com o DVD. “Fique quietinho ai amor.”
Segui até a cozinha e comecei a preparar a comida ouvindo as risadas que Peter soltava enquanto assistia a tv. De repente a campainha tocou e eu corri para abrir.
!” Exclamei ao vê-lo parado na porta.
“Oi ...” Ele falou me dando um beijo na bochecha e entrando.
“Tiooo...” Peter disse vindo ate a porta e abraçando a perna de .
“E ai garotão!” falou pegando Peter no colo.
“Bincá tio! Bincá...” Peter dizia apontando para o corredor que levava ate os quartos.
“Quer brincar Pet? Vamos brincar então...” falou piscando para mim e indo com Peter até seu quarto
“Qualquer coisa estou na cozinha.” Gritei vendo os dois sumirem corredor a dentro.
Aquelas visitas de era uma das coisas que haviam se tornado comum em minha nova rotina. Ele sempre passava em casa para ver Peter pelo menos umas duas vezes na semana e não havia um final de semana se quer que não passasse em casa para vê-lo.
Depois de almoçarmos, ficou brincando com Peter na sala. Assim que terminei de arrumar a cozinha, segui até lá e fiquei os observando da porta. Era incrível a afinidade que havia entre os dois e muitas vezes ficava difícil identificar quem era a verdadeira criança ali.
“Mamãe...” Peter falou ao me ver parada na porta observando ele e brincar com alguns carrinhos. “Bincá mamãe!” Ele falou pegando na minha mão e me levando ate o meio da sala onde eles estavam. Ficamos ali os três sentados no chão brincando com os carrinhos de Pet.
“Ele ta crescendo rápido não é mesmo?” falou, chegando mais perto de mim, apoiando uma de suas mãos por trás de minhas costas.
“É, está.” Falei em um tom baixo por causa do susto com a proximidade que estava de mim.
A verdade é que desde o acidente com , havia se mostrado um amigo tão dedicado, preocupado, tão presente na minha vida e na de Peter, que as vezes eu me pegava pensando em como eu poderia estar naquele momento se nunca houvesse me abandonado. Aquele que eu havia conhecido desde então não era o mesmo que me deixou sozinha há anos atrás. E com certeza aquilo fazia eu me sentir balançada.
“Que tal se a gente assistir um filme heim?” perguntou fazendo eu me despertar de meus pensamentos. Apenas concordei com a cabeça e Peter começou a apontar pra a prateleira de DVDs. “Ta aí um dos motivos que eu gosto de vir aqui: Vocês tem filmes de verdade, de macho né Pet?” falou fazendo graça com Peter. “Lá na casa do só tem DVD da Barbie agora por causa da Sofia. Não tem graça...”
“Udi tio... Udi!” Peter falou apontando o DVD do Toy Story. Sentamos os três no sofá para assistir e antes mesmo do meio do filme Peter adormeceu. Pausei o filme e levantei do sofá, indo até Peter para leva-lo pra cama.
“Deixa que eu faço isso.” falou colocando seus braços na frente do meu e pegando Peter no colo. O segui até o quarto de Pet, ajeitando a cama dele para que pudesse o deitar ali. Deixamos Peter dormindo ali e voltamos para a sala. Sentei-me no sofá e peguei o controle remoto.
“Afim de continuar?” Perguntei pra assim que ele sentou-se ao meu lado.
“Claro!” Ele respondeu passando o braço pelo meu ombro e me puxando para mais perto. Apertei o play e me acomodei sob os ombros de . Fechei os olhos e respirei fundo, inspirando o perfume único que emanava. Por alguns minutos pude me sentir leve e completamente feliz ali.


“Fia...” Peter entrou na casa de e gritando por Sofia.
“E a tia, não ganha um beijo não?” falou pegando Peter. Ele deu um beijo em sua bochecha e se jogou no chão indo atrás de Sofia. “E ai amiga, tudo bem?” falou me abraçando. “Chegou cedo hoje heim! Já tomou café?”
“Já ... Vim cedo pra te ajudar a arrumar tudo pro batalhão e também porque o Peter não parava de chorar querendo vir pra piscina.” Falei indo com até a cozinha.
“Ah claro, a piscina sempre ganha a atenção deles!” falou rindo.
Era aniversário de na terça daquela semana, então resolvemos nos reunir no domingo para comemorar. Seria um almoço como em todos os anos anteriores. Alguns amigos e a piscina para distrair as crianças.
“Ladies...” Ouvi uma voz familiar falar enquanto eu e preparávamos o almoço. Me virei para a porta, encontrando aquele par de olhos vindo em nossa direção. Ele pegou a mão de e deu um beijo nela. Veio até mim e fez a mesma coisa, porem assim que ele beijou as costas de minha mão, ele me puxou para um abraço.
“Você está linda!” Ele sussurrou no meu ouvido e me soltou. Ficamos nos encarando por alguns segundos. mantinha um sorriso lindo no rosto, e eu sorria em resposta.
“Obrigada!” Respondi e pude ver passar por trás de indicando com as mãos que estava saindo. ainda me encarava estático, com o sorriso estampado no rosto. Senti ele pegar em minhas mãos e acariciá-las, sem desviar seu olhar do meu. Pude perceber seu rosto chegando mais perto do meu e senti minhas pernas vacilarem. Fechei os olhos numa tentativa de voltar a sanidade.
“Tio...” A voz de Peter invadiu o ambiente e senti soltar minhas mãos. Abri os olhos e o vi pegando Peter no colo. “Nadá tio.” Peter dizia apontando para a piscina do lado de fora. Agradeci mentalmente meu filho por ter aparecido naquela hora e impedir que eu cometesse uma loucura. apenas me olhou e seguiu com Peter para fora. Me virei para a pia, apoiando minhas mãos nela e respirando fundo.
“Eu vi o climinha que tava aqui entre você e o .” falou voltando para a cozinha e parando do meu lado.
“Ai , porque você saiu?” Falei me virando para ela com uma cara meio brava.
“Ah , qual é, quando você vai dar uma chance pro heim? Ta na cara que vocês ainda se gostam.”
“A chance que eu tinha pra dar pra ele eu já dei . E outra, ele nunca gostou de mim de verdade!” Falei em um tom revoltado. Odiava ter que tocar nesse assunto: Eu e .
“Você lembra o que eu te disse uma vez, logo que você e começaram a namorar sério?” me perguntou e eu neguei com a cabeça, mesmo sabendo o que ela diria a seguir, mesmo se eu dissesse que lembrava ela falaria do mesmo jeito. “, você sabe o que eu acho dessa sua história com o . Vocês foram feitos um para o outro. Tenho certeza que o só apareceu na sua vida pra não deixar você ficar longe de vez do . É o destino de vocês amiga, vocês vão acabar juntos no final de tudo, queira você ou não.” Bufei ao ouvir aquilo. sempre achava um jeito de declamar esse seu discurso de ‘Eu, e o destino’. Por mais que eu fizesse de tudo pra não acreditar naquilo, algo dentro de mim não me deixava fazê-lo. Por todas as vezes que eu ouvi aquelas palavras de , meu coração fez questão de deixar claro que acreditava naquilo também, que queria acreditar naquilo. Mas mesmo assim, havia uma parte de mim que negava piamente essa teoria.
“De novo essa historia de destino ...”
“Mas é! É o destino de vocês.” Ela falou com uma tranqüilidade incrível, como se aquilo fosse mesmo verdade e nada nem ninguém seria capaz de mudar. “Vai me dizer que seu coraçãozinho não anda balançando pelo ?”
“Ai ...” Ok, ela me conhecia muito bem para eu negar aquilo. Por mais que eu quisesse que não fosse verdade, era. “O ta diferente né. Ele amadureceu bastante.” Falei indo até a porta de vidro da cozinha, por onde dava pra observar as crianças, e na piscina se divertindo. “O Pet gosta muito do , e ele também faz de tudo pra agradar meu filho, não tem como não ficar balançada quando você percebe que tem alguém que gosta do seu filho do jeito que o gosta do Peter.” Falei enquanto observava pegar Peter e brincar com ele na água. Sorri inconscientemente pensando em como os dois eram apegados, chegando ate mesmo a se parecerem algumas vezes.

12

[Coloque para carregar]

Naquela semana iriam completar 4 anos da morte de , e como em todos os outros anos anteriores aquela data me assombrava. Os dias que antecipava o aniversário da morte dele eram sem dúvida os piores do ano. Me batia uma melancolia imensa e eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser em como minha vida estaria se ele estivesse comigo ainda.
Era mais um sábado a tarde e eu estava tentando me distrair com Peter na sala. O telefone tocou e eu deixei Pet sozinho e corri ate a cozinha para atender.
!” Ouvi falar empolgada do outro lado do telefone.
“Oi ! Tudo bem?”
“Claro... E você amiga? Tá bem?” perguntou já sabendo como eu ficava nesses dias.
“Tô...” Respondi um pouco desanimada já prevendo o discurso de que viria depois. Ouvi a campainha tocar e corri para a porta. “Espera um pouquinho .” Ouvi a porta se abrindo e imaginei que Peter tinha a aberto. Com quase 3 anos e meio ele já conseguia fazer isso sozinho e muitas vezes eu tinha que ter cuidado redobrado para ele não sair do apartamento sozinho. “Peter! Já falei que você não deve ficar abrindo a porta pra qualquer um assim?” Falei entrado no hall e me deparando com segurando Peter no colo.
“Tio mamãe.” Peter falou tentando se justificar
, te ligo depois pode ser? O acabou de chegar aqui.” Falei para no telefone, vendo vir ate mim.
“Ok amiga, mas me liga mesmo porque eu tenho que conversar com você. Beijinho.” falou e eu desliguei o telefone.
“Oi !” Falei, recebendo de um beijo em minha bochecha.
“Oi .” Ele disse com um sorriso lindo no rosto que me fez sorrir também.
“Peter agora deu pra ficar abrindo a porta pra qualquer um que bate.” Falei pegando Pet do colo de . “Já pensou se fosse um estranho?”
“Ah, ele não vai mais fazer isso, não é mesmo Pet?” falou para Peter, que concordou com a cabeça. Seguimos em direção a sala.
“Quer beber alguma coisa ?”
“Ainda não.” Ele respondeu sentando-se no chão com Peter. “Trouxe um presentinho para meu sobrinho preferido aqui.”
“Pesente!!!” Peter gritou pulando no colo do .
“Ai , presente pra que? Nem é aniversário dele .”
“Não posso dar um presente pro meu sobrinho?” falou entregando um embrulho relativamente grande para Peter. Ele rasgou rapidamente o pacote e abriu um enorme sorriso ao se deparar com um videogame na sua frente.
“Bigado tio!” Peter falou dando um abraço em .
“De nada campeão. Agora a gente já pode ficar jogando videogame a tarde toda no fim de semana heim?!”
Sorri vendo aquela cena. Era fazendo o papel de , o papel de pai. Um papel que eu jamais imaginava ver. Querendo ou não, era esse o papel que fazia na vida de Peter. Ele era a figura paterna mais próxima que meu filho tinha e eu não tinha como negar aquilo. Fiquei observando Peter ajudar a instalar seu novo ‘brinquedo’ e por poucos minutos pude me esquecer do motivo que me entristecia naqueles dias. O som da campainha me fez despertar e eu fui abrir.
“Esqueceu de mim foi?” falou assim que eu abri a porta. Ela entrou, sendo seguida por e Sofia e eu dei um beijo em cada um. Fomos até a sala de encontro com e Peter, que estavam jogados no chão rindo e fazendo cócegas um no outro.
“Que festa é essa?” falou entrando na sala. Sofia pulou do colo de e subiu em cima de , fazendo cócegas nele com Peter.
me olhou de canto de olho e me puxou para o quarto. Já sabia que viria um sermãozinho dela.
“Como você ta amiga?” Ela falou entrando no meu quarto. “Nem vem falando que tá bem porque eu sei como voce fica nessa época!”
“Se você sabe porque pergunta heim?” Falei sentando-me na cama.
“A gente ta indo no cinema agora, porque você não vem com o Peter e com o ?”
“Ah , não to afim amiga.”
, vai ficar aqui remoendo algo que aconteceu a quatro anos?”
, não to afim mesmo de sair hoje! Não adianta insistir. E acho que o Peter não vai querer sair também, deu um videogame pra ele, acho que ele vai querer ficar aqui curtindo o presente.”
, você sabe que eu odeio te ver desanimada assim nesses dias não sabe?” falou sentando-se do meu lado.
“Eu vou sobreviver amiga. Já sobrevivi três anos...” Falei e fui interrompida por Peter entrando no quarto.
“Mamãe, vamo no cinema?” Ele falou parando na minha frente.
“Ai, ele quer ir, não quer Pet?” falou e Peter concordou com a cabeça.
“Pet, a mamãe está com dor de cabeça meu amor, vamos ficar em casa hoje pra você ficar jogando o videogame que o tio te deu?” Falei pegando Peter no colo e ele fez uma cara de choro.
“Já sei!” falou com um sorriso animado. “Eu levo o Pet e você fica aqui com a sua dor de cabeça. Não é nossa culpa se você não quer se divertir, não é mesmo Pet?” Era certo que ela tramava alguma coisa, já que mantinha um sorriso malicioso no rosto. “Vai arrumar o Pet que eu espero na sala.” saiu e eu fui com Peter ate seu quarto arrumá-lo. Achava injusto impedir meu filho de se divertir por causa da minha melancolia. Chegando na sala com Peter já pronto no meu colo, me deparei com e no sofá jogando videogame.
“Achei que esse videogame fosse para as crianças se divertirem.”Falei colocando Peter no sofá e arrumando a gola de sua camisa.
“Vamos amor, o Peter já ta pronto.” falou parando na frente de .
“Vamo Piti” Sofia falou pegando na mão de Peter e os dois seguiram até a porta.
“Ae garanhão, já ta conquistando a princesinha!” falou dando um tapinha nas costas de .
“O vai ficar aqui com você .” falou ao meu ouvido enquanto íamos ate a porta. A olhei com reprovação. “Ele que pediu, nem vem. E se eu fosse você, aproveitava e dava um chance a ele!” completou, piscando para mim.
, não vamos discutir isso ok?” Pedi e ela me abraçou para se despedir de mim.
“Você sabe minha opinião não sabe? Faz o que achar melhor.” falou se soltando de mim e seguiu para se despedir de .
“Pet vem cá!” Chamei Peter me abaixando para ficar na sua altura. “Se comporta no cinema com o Tio e a Tia ta? E nada de brigar com a Sofia heim?” Pet concordou com a cabeça e me abraçou. “Te amo viu bebê.” Falei e dei um beijo em sua bochecha.
Encostei minha cabeça no batente da porta e fiquei observando-os esperando o elevador. parou do meu lado e ficamos esperando os quatro entrarem no elevador.
“Divirtam-se!” Falei enquanto a porta do elevador se fechava.
Senti parar atrás de mim e colocar uma de suas mãos sob a minha cintura.
“Prometi pro casal que eu não iria te deixar sozinha hoje.” Ele sussurrou ao pé do meu ouvido e eu senti um arrepio passar por toda a extensão do meu corpo. Me virei para ele e encarei aquele par de olhos que me olhavam de perto. Perto demais para meu conforto! Ele me puxou pela cintura e fechou a porta. Não consegui distinguir muito bem o que sentia naquele momento. Talvez não sentisse nada. “Ta afim de comer alguma coisa? Pedir uma pizza?” Ele perguntou e eu apenas concordei com a cabeça sem prestar atenção de verdade na sua pergunta. Ele finalmente me soltou e entrou na cozinha. Despertei de meus pensamentos e segui até a sala, me sentando na poltrona, olhando a TV desligada na minha frente.
“Ei... Você ta legal?” perguntou entrando na sala e se ajoelhando na minha frente. Olhei pra ele e apenas concordei com a cabeça. “Tem certeza? Eu sei como...”
“Como eu fico triste nessa época. Todo mundo sabe !” Falei em um tom sério e me levantei da poltrona. “Eu só não quero ninguém no meu pé toda hora me lembrando do motivo pelo qual eu fico assim ok?”
“Ta certo.” falou se levantando a parando na minha frente. “Vamos fazer assim, a gente assiste um filme, come uma pizza, jogamos videogame e não falamos sobre nada que você não queira, pode ser?” Ele pegou em minhas mãos e eu apenas concordei com a cabeça. Sentei-me no sofá enquanto ele seguiu ate a prateleira de DVDs e escolheu um filme para assistirmos. se sentou ao meu lado no sofá e passou seu braço pelos meus ombros, fazendo com que eu colocasse minha cabeça sob seu peito. Pude sentir ele acariciando meus cabelos enquanto o filme começava. Por alguns minutos consegui esquecer tudo o que me afligia ali. Era como se não houvesse mais nada no mundo com o que me preocupar.
Depois do filme e da pizza, achei uma garrafa de vinho em um canto da cozinha e resolvi abrir. pegou o violão que era de e que eu ainda mantinha na sala, e começou a dedilhar alguma música.
“Sabe ...” começou a falar assim que eu entrei na sala e entreguei a ele uma taça de vinho. “Uma vez minha mãe me pediu para que eu aprendesse a tocar uma música dos Beatles para ela.” Ele deu um gole no vinho e eu sentei com a perna cruzada no chão, ficando de frente para ele. “Foi uma das primeiras músicas que eu consegui decorar e tocar sem as cifras.” Sorri ao ouvir dizer aquilo, imaginando como seria fofo ele tocando uma das musicas dos Beatles. “Sempre que eu olho esse violão, me dá vontade de tocá-la pra você.” Ele completou com um sorriso tímido no rosto.
“Toca agora então .”
“Acho que eu não lembro da música inteira.”
“Toca o que você lembra.” Pedi e logo ouvi tocar os primeiros acordes na musica.
[n/a: Coloque a musica para tocar ;)]

I should have known better
[Eu deveria ter imaginado,]
With a girl like you.
[com uma garota feito você]
That I would love everything
[Que eu adoraria]
That you do
[tudo que você faz]
And I do,
[E eu adoro,]
Hey, hey, hey,
[hey, hey, hey]
And I do.
[E eu adoro.]

Whoa, oh, I never realized
[Whoa, oh, Nunca percebi]
What a kiss could be.
[o que um beijo poderia ser]
This could only happen to me.
[Isto só podia acontecer comigo]
Can't you see?
[Você não consegue ver?]
Can't you see?
[você não consegue ver?]

That when I tell you that I love you,
[Que quando eu lhe digo que eu a amo,]
Oh,
[oh]
You're gonna say you love me too,
[Você vai dizer que me ama também]
Oh,
[Oh,]
And when I ask you to be mine,
[E quando eu lhe peço a ser minha]
You're gonna say you love me too
[Você vai dizer que me ama também]

So, oh, I should have realized
[Então, oh, eu deveria ter percebido]
A lot of things before.
[uma porção de coisas antes.]
If this is love
[e isso é amor]
You've gotta give me more.
[você tem que me dar mais]
Give me more,
[Me dar mais,]
Hey, hey, hey,
[Ei, ei, ei,]
Give me more.
[Me dar mais.]

Whoa, oh, I never realized
[Oh, eu nunca percebi]
What a kiss could be.
[o que um beijo poderia ser]
This could only happen to me.
[Isso só poderia acontecer comigo]
Can't you see?
[Você não consegue ver?]
Can't you see?
[você não consegue ver?]

That when I tell you that I love you,
[Que quando eu lhe digo que eu a amo,]
Oh,
[oh]
You're gonna say you love me too,
[Você vai dizer que me ama também]
Oh,
[Oh,]
And when I ask you to be mine,
[E quando eu lhe peço a ser minha]
You're gonna say you love me too
[Você vai dizer que me ama também]

You love me too.
[Você me ama também.]
You love me too.
[Você me ama também.]
You love me too.
[Você me ama também.]

Ele cantava a música sem desviar seus olhos dos meus. Seu olhar carregava em brilho diferente naquele momento que eu não conseguia decifrar.
“You love me too...” finalizou a música. “Faz muito tempo...” Eu apenas sorri em resposta e fiquei imaginando o que realmente poderia significar ele cantando aquela música para mim.
A campainha tocou fazendo colocar o violão do lado de sofá e seguir até a porta, comigo logo atrás. estava com Peter no colo adormecido.
“Ele dormiu no caminho pra cá.” falou entregando Peter para . “Eu tenho que ir porque a ficou no carro com a Sofia.” Ele continuou e deu um beijo em minha bochecha. “Você vai ficar bem?” Ele perguntou assim que entrou com Peter. Eu apenas concordei com a cabeça. “Se precisar, já sabe!” completou fazendo o sinal do telefone com as mãos e indo ate o elevador. Fechei a porta e segui ate o quarto de Pet. Encontrei do lado da cama de Peter, cobrindo-o na cama.
“Já pode ser papai.” Sussurrei chegando perto de . Dei um beijo na testa de Pet e sai do quarto com atrás de mim.
“Falta só encontrar alguma candidata a mamãe, não é mesmo?” Ele respondeu dando uma piscadinha pra mim e eu ri em resposta. “Bom, agora que você não está mais sozinha, eu já vou ta bem?”
“Ok.” Falei com uma carinha desapontada. Segui com ele ate a porta e ficamos nos encarando alguns segundos.
“Você vai ficar bem?” Ele perguntou se aproximando de mim.
“Vou.” Sussurrei o encarando. Ele então me puxou para um abraço e enquanto acariciava meus cabelos com uma das mãos. Ficamos ali abraçados por alguns segundos. Era incrível o efeito que aqueles braços envoltos em mim me causavam. Eu me sentia outra pessoa ali. Aos poucos senti as bochechas de passar pelas minhas, e embora ainda estivéssemos abraçados, seu rosto estava em frente ao meu. Fechei os olhos e inspirei fundo, sentindo o perfume que emanava invadir minhas narinas e se espalhar por todo meu corpo na forma de um arrepio. Ele então grudou sua testa na minha e abri os olhos novamente, encarando aquele par de olhos bem de frente aos meus. “Não quero que você vá.” Falei inconscientemente, fechando os olhos novamente. Minhas mãos então subiram ate os cabelos de se entrelaçando neles. Ótimo, agora nenhum músculo meu obedecia meus comandos e meu corpo agia por vontade própria. Senti a respiração de ainda mais perto e logo em seguida seus lábios grudaram nos meus, fazendo com que eu perdesse a sanidade de vez ali. Sua língua pediu passagem, que foi concedida sem dificuldades. Senti meu sangue fervendo por todas as veias de meu corpo, enquanto minha língua brincava com a de como há muito tempo não faziam. Eu tinha me esquecido de como aquele beijo era incrivelmente bom! Me agarrei fortemente ao pescoço de pois senti minhas pernas vacilarem em meio àquele beijo. Embora fosse um beijo calmo, era nítido o desejo em ambas as partes. Não sei dizer quanto tempo ficamos ali, entregues àquele desejo intenso que tínhamos, e confesso que se não fosse pela falta de ar, poderia ficar ali a vida inteira. O beijo foi perdendo a velocidade, e antes de ser desfeito por completo trocamos alguns selinhos. Abri os olhos aos poucos e pude perceber um sorriso apreensivo no rosto de . Senti minha bochechas corarem e soltei aos poucos seu pescoço, ainda sem desviar meu olhar do dele.
“Eu tenho que ir.” Ele falou soltando minha cintura e eu apenas concordei com a cabeça. Ele abriu a porta e saiu. Fiquei por alguns minutos ainda ali parada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Não podia estar sentindo aquela felicidade que tomava conta de mim naquele momento, não podia.

Continua...

N/A: Leitoras lindas do meu Brasiiiiil! Att tripla de presente para vocês minhas lindas! E dessa vez uma att muito mais feliz vai!!
Bom, isso é mérito de vocês meninas que encheram a fic de comentários e deixaram a autora que vos fala MUUUUITO FELIZ! Obrigada de coração!
Espero que dessa vez ninguem tenha derramado nenhuma lágrima, e que todas estejam muito felizes! É agora que a história começa de verdade então, aproveiteeeem!
Nao vou me prolongar muito porque, estou um pouco sem criatividade hoje, portanto... =P
CONTINUEM COMENTANDO!!! Galerinhaaaa, é sério! Comentem muitooo! Foi graças aos comentarios de voces que eu resolvi dar essa mega att de presente entao, façam por merecer uma att rapida e comprida heim? COMENTEM! COMENTEM! COMENTEM!
Agora eu queria fazer um SUPER AGRADECIMENTO aqui e também fazer um pedido à vocês: Queria (pela primeira vez aqui) agradecer muito, muito, muito à Lary/Akuzada que graças à fic linda que ela escreveu, Now you're in, you can't get out, eu conheci e me apaixonei por esse mundo encantado das fanfic e de McFLY. MUITO OBRIGADA MESMO AKUUU! Sem ela, "Must be a dream" jamais existiria galera! Então, quero ver todo mundo indo lá na fic dela, lendo e comentando muito, ok?
Beijinho também para minhas leitoras VIPs mais lindas do mundo: Gih, Brigs, Reeh, Carolzinha, Aku, Tha, Mandy, Lah.... TODAS VOCÊS gatinhas! ;*
Bom, estou mesmo sem inspiração, vou fincando por aqui.... CONTINUEM COMENTANDO MUITO MUITO E DEIXANDO A AUTORA AQUI MASTER FELIZ! Lembrem-se: Foi graças aos comentarios lindos de voces que voces consequiram essa att tripla linda heim! Então... COMENTEEEM!
E já sabem... Reclamações/Elogios/Sugestões/Criticas/Spoilers: email , twitter ou Formspring.me.
Beijinhos meninas!!! ;***

Indicação da autora:
*Now you're in, you can't get out By Lary Camargo.
*MADE FOR EACH OTHER By Gi Lima e Ana Brigs.
*I Feel Like A Hero And You Are My Heroine By Amanda Prado.
*Hochschule By Carol Silver (A Beta diva! *-*).
*How To Save A Life By Lah Carrião
*Dear Bobbie By Alice Mesquita
*The Secret By Dani P.
*POV By Sah

N/b: Ahhhhhh liindos liindos liiindos esses três capítulos!
E cara, estou apaixonada pelo Peter! *-* Haha que coisinha mais linda né?
Então vcs leram hein? COMENTEM MUITO, pras próximas atts serem bem caprichadas como essa tripla!
E antes de tuudo eu queria esclarecer... li dois comentários ai questionando o meu jeito de betar, na boa... eu não sou boa beta pq deixei passar UM “agente”?
UHAEUAEHUAEHUAEHUAHU, me fizeram rir, na boa!
Sei lá... se eu não fosse boa beta... será que eu estaria betando tipo... quase CINQUENTA fics?
Ok, só pra saber.
E quero agradecer tbm à quem parabenizou autora/beta, obrigada mesmo! Pq falar sem saber o que rola por trás é MUITO fácil né?
E o maaais curioso, é que esses dois comentários foi bem no dia como diria a Kakis da sessão “We (L) Carol Silver” na tag.
Beeem sei viu...