Mudança de vida.
Autora: Tatiana
Beta-Reader: Gi Bussoni


10:00 marcavam no despertador ao lado da minha cabeceira, estava na hora de eu levantar e ir para a agência. Modernit, era a agência de modelos em que eu trabalha. Estava indo fazer uma viagem para um desfile de moda em Londres, por isso, tinha que acertar tudo antes de ir. Logo quando cheguei, fui direto à sala de Sabrina, minha empresária, que além disso, era uma grande amiga minha, mas isso não a impedia de me dar algumas advertências quando eu não obedecia alguma regra exigida pela direção da agência.

Capítulo 1

- Bom dia, Sá. – a cumprimentei assim que entrei na sala. - Quais são as novidades de hoje? – disse por fim com um sorriso empolgado.
- Bom dia, lindona! – ela pegou um envelope branco na gaveta. – Acabei de receber nossas passagens, com direito a primeira classe. – ela me mostrou o envelope sacudindo o mesmo com um sorriso.
- Primeira classe? Olha só, que chique! – disse fazendo uma cara de poderosa. - Finalizei as malas ontem a noite e mal consegui dormir, pensando na viagem, estou empolgada, mas ao mesmo tempo nervosa. – disse sentando na cadeira em frente a sua mesa.
- Por que nervosa? Já te disse que você vai ser o maior sucesso nesse desfile! – ela disse enquanto desligava seu computador.
- Mas você sabe que eu não vou ser a única a estar desfilando, e é exatamente quando penso nisso que o nervosismo aparece. – passei a mão na barriga, e agora, meu estômago estava embrulhado por ter pensado que eu realmente não seria a única que estaria posando para milhares de pessoas e fotógrafos.
- Então pare de pensar nisso, pense que você foi selecionada entre todas as modelos da agência para poder estar lá representando a Modernit. – ela disse pegando a minha mão e me levantando. – Faz o seguinte, vai pra casa, toma um banho pra ver se esfria essa sua cabeça boba, para de pensar besteira e se arruma bem lindona. Vou passar na sua casa às 18:00 para irmos pro aeroporto. – ela me guiou até a porta e por fim me deu um beijo de despedida na bochecha.

Antes de ir para casa, passei para comprar um donut’s de chocolate e logo depois, segui o conselho de Sabrina. Assim que cheguei em casa, entrei pela porta da frente, deixei o donut’s na bancada da cozinha, subi as escadas, indo direto ao meu quarto, joguei a bolsa em cima da cama, tirei os sapatos azuis que calçava os colocando perto do pé da mesma. Fui para o banheiro, liguei o chuveiro deixando a água escorrer enquanto eu tirava as roupas, para logo depois entrar embaixo da água quentinha. Enquanto massageava minha cabeça, espalhando todo o shampoo, fiquei por um momento pensando em como seria estar em outro país representando as modelos brasileiras, podia parecer bobagem, mas ao pensar que eu tinha sido a escolhida, já me embrulhava o estômago. Mas eu me sentia maravilhosamente bem ao mesmo tempo, porque eu sabia que não era a única modelo dentro da Modernit que era bonita, e mesmo assim fui selecionada.
Assim que acabei o banho, desliguei o chuveiro enquanto me enrolava na toalha, fui para o meu closet pegar a roupa que eu já escolhera no dia anterior quando estava terminando de arrumar as malas. Vesti minha calça jeans skinny, colocando um cinto branco por cima da mesma, uma blusa branca com um decote comportado, pegando também uma jaqueta caso sentisse frio no avião, calcei os mesmos sapatos que deixara ao pé da cama e desci já com as malas deixando-as perto da porta e, sentei no sofá para matar o tempo enquanto esperava por Sabrina. Liguei a TV e fui passando os canais procurando por algum programa que me prendesse em frente a televisão, deixei em um canal qualquer e levantei para pegar o donut’s que havia deixado horas antes na bancada da cozinha. Abri a porta do armário para pegar um prato e, apoiar o doce quando ouvi um comentário sobre o Fashion Week em Londres vindo da repórter que falava na TV, e como era de se esperar, senti aquelas borboletas no meu estômago. Fui até a sala, mudando para algum canal que fizesse eu me livrar daquelas borboletas, consegui me distrair com o vídeo clipe de McFly – Lies que passava no canal de música. O tempo parecia não passar, até que depois de eu ter assistido mais 10 vídeo clipes – sim, minha ansiedade era tanta que eu contei o número de vídeos que eu assisti – ouvi uma buzina vindo do lado de fora, espiei pela janela e vi Sabrina abrindo o porta-malas, e parecia estar arrumando um espaço para a minha bagagem.

Chegando ao aeroporto, estávamos atrasadas, mas por sorte não perdemos o vôo – fizemos o check in, despachamos as malas e corremos para o portão de embarque – Quando conseguimos finalmente trocar uma palavra já estávamos acomodadas nas poltronas do avião.
- Assim que chegarmos vamos para o hotel, desfazemos as malas e depois vamos ao local do desfile para você ter um ensaio, tudo bem? – disse Sabrina tendo cuidado com as palavras para não me assustar ainda mais. Assenti com a cabeça e em seguida olhei para a pista só esperando o avião tirar as rodas do chão. Assim que senti que estávamos no ar, adormeci assistindo Toy Story 3 que passava na pequena tela a minha frente. Acordei com o cheirinho do croissant que a aeromoça deixara na minha mesinha – com certeza, Sabrina tinha pedido para deixar uma bandeja para mim. Pousamos em poucos minutos depois do café e, eu apreciava através da janela o pouco que eu conseguia enxergar.
Pegamos as malas e pedimos um táxi, que nos levou até o hotel – um hotel lindo, enorme e que eu estava adorando, só de olhar cada detalhe que ele tinha – nosso quarto ficava no terceiro andar e a suíte combinava com o tamanho do hotel, ela era enorme, com direito a duas camas de casal e o banheiro com direito a uma banheira no canto direito e um chuveiro no canto esquerdo.
Estava nos meus planos fazer exatamente o que Sabrina disse. E enquanto desfazíamos as malas, o celular dela vibrou em seu bolso.
- Alô? ... Acabamos de chegar no hotel, estamos desfazendo as malas... – dizia ela, provavelmente com algum monitor que nos esperava no buffet o qual ia acontecer o desfile. - ...Ok, estamos indo, então. – disse ela por fim desligando o celular e o guardando no bolso onde ele estava antes de pegá-lo. – Temos que ir agora, houve uma mudança no horário, as modelos vão precisar ensaiar antes, porque alguns canhões de luzes queimaram e eles vão ter que arrumar isso. – peguei minha bolsa as pressas colocando a chave do quarto dentro e fomos para o elevador.
Pegamos um táxi com destino ao buffet – meu estômago voltara a ter aquelas borboletas assim que paramos em frente ao local – Um rapaz alto e bonito nos esperava na porta, pelo visto ele era o monitor com quem Sabrina falava a meia hora atrás.
Assim que descemos do carro ele veio em nossa direção.
- Prazer, – ele disse estendendo sua mão – Sou Jonathan, fiquei encarregado de dar umas dicas a você já que trabalho nesse buffet e conheço alguns pontos em que você vai precisar saber na hora do desfile. – eu já estava atordoada assim que ele se apresentou.
- Prazer, Jonathan – tentei não mostrar meu nervosismo. – Agradeço desde já as dicas que vai me dar, acho que vou precisar delas – finalizei com um sorriso amarelo, ainda tentando esconder o quanto eu estava nervosa. Ele nos indicou o caminho enquanto se posicionava logo atrás de mim conversando com Sabrina sobre algum assunto em que não me interessei em ouvir, estava ocupada demais olhando aquele lugar enorme e, com certeza, ia ser o Fashion Week.
O lugar estava lotado de gente que trabalhava no projeto do desfile, vi uns homens colocando as cortinas no fundo da passarela e, outros direcionando as poucas luzes não queimadas para a mesma. Fui guiada por Jonathan até a sala onde as modelos se trocavam e lá conheci algumas que vinham de diferentes países, além das britânicas. Algumas eram simpáticas, já outras, me olhavam de cima a baixo como se fosse um absurdo eu estar ali. Sentei em um banco que Jonathan me indicou e aguardei me chamarem para subir na passarela, o que depois de poucos minutos aconteceu. Subi na passarela e dei o meu melhor, andei – ou melhor – desfilei pelo trajeto enquanto Jonathan me olhava com a mão no queixo, me analisando, e logo depois me deu uma de suas dicas, me ajudando com a postura. Ele era delicado com as palavras e com isso, senti que eu poderia confiar nele. Sabrina estava sentada em uma cadeira ao lado de Jonathan e também me analisava, fazendo um comentário ou outro, ajudando o mesmo.

Depois de duas horas ensaiando, voltei ao hotel com Sabrina, que logo parou no balcão para pegar um envelope que tinham deixado no nome dela. Eu estava cansada da viagem e não tinha tido tempo para esticar minhas costas – que agora, doíam mais depois de ter ficado indo e voltando pelo mesmo trajeto durante duas horas – então, não esperei por Sabrina e logo fui para o quarto, me deitando na enorme cama de casal e fechando os olhos por um minuto até, Sabrina entrar no quarto com notícias a me dar.
- Sabe o que me entregaram? – disse ela com um enorme sorriso, sacudindo o envelope em sua mão – já deu pra notar que ela adorava fazer suspense antes de contar e isso me deixava ansiosa – Fiz não com a cabeça e ela sabia que teria que dizer sem que eu perguntasse. – Nossos ingressos para a festa depois do desfile, e parece que uma banda chamada McFly vai tocar. Pelo que entendi vão cantar um dos lançamentos deles. – finalizou com uma expressão de não saber exatamente quem eram eles.
- Que legal, Sá! – disse animada com a notícia. Eu gostava das músicas deles – Mas você não faz a menor idéia de quem sejam eles, certo? – perguntei a ela rindo de sua expressão, dava pra ver o ponto de interrogação que ela tinha em seu rosto. – Você ta por fora, hein, mocinha! Ta na hora de se atualizar e saber que eles são um sucesso aqui nas paradas britânicas, ok? – disse jogando um travesseiro que ela conseguiu agarrar no ar e revidar em mim, se jogando também e dando inicio a uma guerra de travesseiros bem divertida. Depois de termos quase destruído a suíte, deixando roupas espalhadas no chão, travesseiros em cima do abajur e a cama desarrumada eu fui tomar um banho para me arrumar para o jantar.
- Você arruma as coisas? – perguntei fazendo bico.
- Arrumo o que der, rapariga, porque assim que você terminar o banho, quem entra embaixo do chuveiro sou eu – disse ela atirando um travesseiro em mim. - Ok, mi amore, então vou demorar no banho para dar tempo de você arrumar tudo. – disse deixando o travesseiro no chão, finalizando com uma piscadinha e, entrando rápido no banheiro para não ouvir nenhuma reclamação dela.

Descemos para o jantar – restaurante mais chique acho que seria difícil de encontrar, até porque tive que colocar um vestido tomara que caia preto que tinha uns brilhos em todo ele, só para jantar no hotel – pedimos a comida – a qual tivemos que dividir, pois era muito grande para ser uma porção individual e eu não conseguiria comer sozinha – e a esperamos chegar enquanto conversávamos sobre o desfile que seria daqui a dois dias - nessa meia hora que aguardamos a comida, Sabrina me deu o roteiro completo do que eu ia fazer nos dias antes do desfile, o que incluía, ensaio, um jantar com as outras modelos e uma última repassada na postura, ou seja, mais ensaio. Assim que terminamos de comer, eu estava satisfeita o suficiente para não querer a sobremesa que chamava por mim no carrinho do garçom. Voltamos para o quarto, coloquei meu pijama e em poucos minutos adormeci assistindo a um filme que eu nem tinha prestado atenção no nome de tão cansada que estava.

Capítulo 2

Sabrina me acordou com um grito dizendo que tínhamos perdido a hora. Ligeiramente troquei de roupa enquanto Sabrina escovava os dentes apressada. Aproveitei que ela estava procurando por seu celular para ligar para Jonathan e escovei meus dentes às pressas também.
Saímos correndo do quarto e eu ouvia ela dizer a ele que íamos nos atrasar uns minutos, mas que já estávamos a caminho.

O dia aconteceu exatamente de acordo com os planos dela e quando finalmente chegamos ao hotel o relógio marcava 19:00 horas.
- Jantar, banho e cama, Srta.. Amanhã você tem que estar em pé logo cedo e precisa estar disposta. – assenti com a cabeça e, as borboletas no estômago voltara a me incomodar.
Então, logo depois do jantar, fiz exatamente o que Sabrina pediu, e logo adormeci, contente de estar descansando depois de ter tido um dia corrido e cansativo.

O dia já havia amanhecido – eu já tinha tomado um banho e estava quase pronta – e dessa vez, eu acordei Sabrina, não conseguia conter minha ansiedade e já estava pulando na cama dela. A lembrei de ligar para Jonathan que esperava por um sinal para poder nos buscar – ele queria me acompanhar passo a passo antes de eu subir na passarela – Joguei levemente um travesseiro na barriga de Sabrina que acordou já me olhando torto e se enfiou debaixo da coberta branca logo em seguida.
- Só mais cinco minutinhos, ainda são 10:00 e o Jonathan pode esperar um pouco – disse ela com a voz abafada por causa da coberta em seu rosto.
- Mas eu não posso esperar! – disse arrancando a coberta – Agora que chegou o dia, não quero perder mais tempo. Levanta, liga pro Jonathan e se troca, Sá! – finalizei, lhe entregando o celular.
Eu me trocava enquanto ela tirava todas as suas dúvidas com Jonathan. Logo que desligou, disse a mim que era pra estarmos no hall em meia hora, jogou o celular dentro da bolsa e abriu a mala para pegar a roupa que ela havia separado para o "grande dia".

O buffet já estava lotado quando chegamos, uma curta fila já começara a se formar na porta, e as pessoas esperavam ansiosas pela abertura dos portões, tinham alguns fotógrafos já cumprindo seu papel do lado de fora, e logo imaginei que a outra parte estaria do outro lado, fotografando e acompanhando cada passo das modelos antes mesmo delas subirem na passarela.
Ficava cada vez mais nervosa ao saber que a tão esperada hora estava chegando. Assim que entrei no buffet, logo me guiaram até a sala para maquiagem, cabelo e roupa, respectivamente. Enquanto um rapaz afeminado me maquiava eu olhava atentamente a minha volta, e vendo toda aquela agitação ficava cada vez mais nervosa. Faltava apenas 5 minutos para o tão esperado momento. Eu já estava pronta, em pé, atrás da cortina direita no canto da passarela aguardando o sinal de Jonathan para eu poder subir e fazer o que tinha ensaiado durante aqueles dois dias. Eu estava nervosa, e fiquei ainda mais quando Jonathan fez um sinal positivo com o dedo, - "Ok, , fica calma, é um desfile como qualquer outro e você sabe o que fazer. Vamos lá!" – falei confiante para mim assim que subia os degraus. Seguia concentrada o meu trajeto, não desviando a atenção para nada, apenas focada em meu único objetivo, desfilar – o que eu fazia melhor durante aqueles últimos anos – Desfilava tranqüilamente pela passarela, até que chegou a hora de posar para as fotos, e entre os mil flashes que vinham em minha direção, vi um rapaz, sentado em uma das primeiras fileiras, me encarando – senti como se tudo estivesse em câmera lenta e o tempo parasse por um segundo – não consegui tirar os olhos dele – ele tinha um olhar intenso e logo me perdi no mesmo – voltei a realidade quando o vi comentando alguma coisa com um outro rapaz que estava ao seu lado – queria poder saber o que estavam dizendo – voltei a desfilar e, acredito que depois do comentário, ele voltou a olhar pra mim, pois tive a sensação de estar sendo observada.

- Você foi incrível, ! – disse Jonathan me parabenizando com um abraço. Agora sim, eu estava bem mais aliviada, e saber que eu tinha sido um sucesso me fez abrir um sorriso enorme. Logo quando John me soltou, Sabrina me deu outro abraço, também dizendo que eu tinha sido ótima. – e, obviamente não perdeu a chance de dizer que todo aquele meu nervosismo tinha sido uma pura bobagem e que não tinha valido a pena - estava tão animada e orgulhosa de mim mesma que aquele comentário não me atingiu, muito pelo contrário, me fez rir abraçando-a logo em seguida.
- Agora é FESTA! – gritamos ao mesmo tempo só imaginando a folia que ia ser.

Capítulo 3

Aquele lugar estava lotado de pessoas, a maioria, chique, e tinha fotógrafos para todos os lados. Eu estava até perdida ali dentro, olhava em volta, e me perguntava se aquele rapaz estaria lá – foi tudo tão rápido na hora do desfile que tudo o que eu lembrava era daquele olhar intenso – de repente apenas vi um flash bem nos meus olhos me fazendo ficar atordoada, mas logo fui acudida pela mesma que me causou a tontura.
- Desculpe, não queria te assustar. – disse a fotógrafa que me olhava com as mãos nas minhas costas como se estivesse me dando um equilíbrio para eu não cair – É só o meu trabalho, mas me desculpe mais uma vez. – eu olhei pra ela e agora eu podia vê-la nitidamente depois do embaçado em meus olhos causados pelo flash. - Não tem problema, só me pegou de surpresa. – dei uma risadinha, fazendo com que a fotógrafa risse também, aliviada. Afinal, não são todas as modelos que são simpáticas, a maioria teria sido rude com ela.
- Acredite, até eu teria levado um susto! – riu ela comigo – Nunca vi você por aqui, a quanto tempo trabalha pra agência? – perguntou ela arrumando a lente da câmera. - Na verdade, não trabalho para essa agência, sou do Brasil e vim para o desfile, mas volto para lá mês que vem. – olhei pra ela que ainda estava concentrada arrumando a lente.
- Pensei que fosse britânica, você tem feições que parecem ser uma. – ela, agora, olhava pra mim e analisava meu rosto com os olhos. – Qual o seu nome? – perguntou com um sorriso, o qual eu achei sincero e simpático.
- e o seu? – perguntei com uma certa insegurança, afinal, eu nunca tinha falado com uma fotógrafa antes. Não em uma festa.
- , prazer. – ela estendeu a mão ainda com o sorriso no rosto. – Conhece o McFly? Eles vão tocar hoje a noite, daqui a pouco. – me perguntou puxando assunto, só que agora estava mais animada do que antes e eu percebi que ela estava ansiosa também.
- Claro! Gosto das músicas deles! – respondi com a mesma animação. Eu estava realmente ansiosa para vê-los.

Não demorou muito para que anunciassem a banda britânica que já estava no palco de costas para o público – pelo visto, era a maneira a qual eles começavam a se apresentar.
- Preciso ir lá terminar meu trabalho – disse apontando com a cabeça o palco onde estavam os meninos e logo entendi que ela ia fotografá-los. – A gente se vê, , aproveita o show – ela se afastou e aquele sorriso voltou a surgir em seus lábios. Eu acenei e sorri igualmente. Logo um ritmo remixado acompanhado pelo som da guitarra começou a se espalhar pelo salão enorme e fechado. Os rapazes se viraram e começaram a cantar – e de repente, era como se tudo tivesse parado como na hora do desfile. – Era ele, , que agora tinha tomado a atenção de todos daquele lugar, inclusive a minha – agora era a minha vez de assisti-lo em cima do palco enquanto ficava somente na platéia. – eu estava tão hipnotizada pelos olhos dele que nem escutava Sabrina cantar tentando acompanhar a música com gritos desafinados. Ela já estava alterada com alguns goles de vodka que havia tomado – apenas consegui ver , que agora estava nos primeiros degraus do palco fotografando os rapazes e não pude deixar de notar que era quem ela mais fotografava, e também o vi encarando-a sem desviar o olhar. – tinha começado a entender a animação de para McFly entrar logo em cena. – depois de alguns solos, a música acabou, e agora o eco das palmas tomavam conta do lugar. Me virei para Sabrina que agora dançava no ritmo de "Stereo Love" e quando voltei a olhar para o palco, os meninos já tinham deixado o mesmo. Dei uma olhada em volta pra ver se via , mas tudo o que eu via eram pessoas dançando, e logo avistei encostada no balcão do bar observando o salão, que estava lotado.
- Eu vi, hein. – eu disse brincando quando chegava ao lado dela e também encostava no balcão.
- É mesmo? E posso saber o que? – perguntou ela no mesmo tom de brincadeira.
- Você fotografando apenas o . – peguei a câmera da mão dela e comecei a ver as fotos.
- Impressão sua, ok? Meu trabalho é fotografar a banda. – disse ela também vendo as fotos comigo.
- Ok, se foi só impressão, ele ter olhado também deve ter sido uma. – fingi ser irônica com ela.
- Sério? – perguntou animada e logo disfarçando.
- Como você mesma disse, foi só impressão – dei de ombros pegando agora o cardápio de bebidas que tinha em cima do balcão do bar.
- Boba! – ela mostrou a língua pra mim e logo ouvimos alguém a chamando. – Deixa eu ir lá, daqui a pouco apareço para te atormentar com os flashes. – brincou ela rindo e se afastando. Acenei pra ela rindo também, e voltei a olhar as bebidas.
- Um sex on the beach por favor – pedi ao garçom jogando uma mecha do cabelo para trás.
- Dois, por favor – ouvi uma voz atrás de mim que logo se aproximou e percebi que o dono da mesma tinha sentado ao meu lado e agora me fitava com aquele olhar incomparável. Era ele. – Aproveitando a festa? – perguntou ainda me olhando.
- Claro, uma mega festa como essa não tem como não aproveitar. – respondi, agora, também olhando em seus olhos.
- Tem razão, mas não vi você dançando ainda, e uma festa sem dança não é festa. – como assim? Ele estava me observando? A quanto tempo?
- Nenhuma música me agradou a ponto de ir dançar. – disse tentando ser simpática, mas desviando meu olhar para o balcão quando começou a tocar um remix de "Down – Jay Sean" – Nossa, adoro essa música! – Eu disse mais pra puxar assunto, quando ele se levantou e estendeu a mão em minha direção.
- Então não pode deixar uma oportunidade dessa passar. Vem, vamos dançar! – ele olhava firme em meus olhos com a mão ainda estendida. Não tive como resistir.
- Ok, vamos lá! – eu disse pegando sua mão com um sorriso no canto da boca. A letra da música combinou com aquele momento, era como se tudo parasse e somente eu e ele estivéssemos dançando no meio da pista."You oughta know, tonight is the night to let it go, put on a show, I wanna see how you lose control" (Você tem que saber, que essa noite é pra relaxar, faça um show, quero ver você perder o controle.) – um de frente para o outro, dançávamos no mesmo ritmo, ele me analisava por inteira, apenas com o olhar, e eu acompanhava cada movimento que ele fazia, também com o olhar. Ele chegou mais próximo, mas sem me tocar – "Just let it be, come on and bring your body next to me" (Apenas deixe acontecer, traga o seu corpo perto de mim.) – Ele me pegou pela cintura colando nossos corpos e, coloquei minhas mãos em volta de seu pescoço. Ainda dançávamos no ritmo da música, mas dessa vez como se fossemos um só. Olhava em seus olhos, quando ele colocou sua boca perto do meu ouvido cantando junto com a música "I’ll take you away, hey, turn this place into our private getaway" (Vou te levar embora, hey, vou transformar este lugar no nosso esconderijo secreto.) – e naquele momento eu queria que ele fizesse o que acabara de cantar. Me sentia bem em estar ali, com ele. O abracei pelo pescoço fazendo com que ficasse mais próxima a ele que também me deixou mais próxima me abraçando pela cintura. Estávamos agora, abraçados ainda dançando no ritmo da música que já estava acabando – enterrei minha cabeça entre seu pescoço e seu ombro, sentindo o cheiro do seu perfume enquanto minhas mãos acariciavam de leve seus cabelos macios. Ele me deu rápido beijo no pescoço ainda me abraçando e colou sua bochecha com a minha. A música acabou e logo distanciamos nossos corpos, mas mantive minha mão no mesmo lugar, e dessa vez, nossos olhares se cruzaram. Soltou uma das mãos de minha cintura e acariciou meu rosto – aquele toque me deixou com vontade de voltar a abraçá-lo – Senti um cutucão no meu ombro e vi que ele olhava a pessoa que estava atrás de mim, revirei os olhos discretamente e vi Sabrina.
- Estão te chamando para uma foto com as outras modelos. – ela disse encarando . Eu sabia que eu não podia me relacionar com ninguém quando se tratava de uma viagem a trabalho e entendi porque Sabrina o encarava.
- Ta bom, vamos lá. – disse disfarçadamente desanimada e voltei a olhar para que tinha um olhar desanimado. – Eu tenho que ir. – finalizei lhe dando um beijo demorado na bochecha – A gente se vê daqui a pouco, obrigada pela dança. – sussurrei sorrindo em seu ouvido. Ele deu um sorriso com o canto da boca e me assistiu ir embora.

- Você o que? – perguntou gritando.
- Shh! – coloquei um dedo na frente da minha boca pedindo pra ela falar baixo. Depois de algumas fotos para o álbum London Fashion Week feita pela própria , não pude perder a chance de contar a ela o que tinha acontecido. – Eu dancei com ele, sim! – respondi animada.
- Como eu pude não ver? – perguntou para ela mesma, inconformada. – Apenas dançaram, ou, rolou beijo? – voltou a me olhar esperançosa.
- Só dançamos. – ela desanimou. – Mas quer saber, foi ótimo! – tentei animá-la novamente. E parece que deu certo, porque vi um sorriso aparecer em seus lábios. – Eu disse pra ele que daria um jeito de encontrá-lo depois das fotos. – o sorriso dela ficou maior e eu também abri um sorriso enorme.
- Ta esperando o que, então? – perguntou ela me empurrando em direção ao salão.
- Tenho que tomar cuidado com a Sabrina. – eu disse desanimada. – Não posso ter um relacionamento quando estou em uma viagem a trabalho. – ela parou de me empurrar.
- Eu vi ela conversando com você, mesmo. Mas porque não pode? – perguntou ela balançando a cabeça sem entender.
- Não é ela, é a direção da agência. Eles dizem que um relacionamento pode distrair a modelo. – respondi revirando os olhos.
- De certa forma é verdade, mas duvido que você se distraia. Olha só pra você! – ela apontou pra mim de cima a baixo fazendo eu me sentir a poderosa e eu sorri. – Vai lá, qualquer coisa eu te dou um help. – finalizou ela voltando a me empurrar.
- Obrigada. – eu agradeci ainda sorrindo grande e fui em direção ao salão.

O procurava olhando em volta e desviando de algumas pessoas que estavam dançando, quando senti alguém me puxar.
- Perdida, mocinha? – perguntou ele com aquele sorriso no canto da boca e eu não pude deixar de abrir o meu sorriso também.
- Claro que não, só estava procurando um lugar pra minha próxima dança. – respondi começando a provocar com as palavras. – Mas e você? Procurando por alguém? – perguntei ainda com o mesmo tom.
- Não mais. – ele olhou em meus olhos sem desviar. – E pra você ter sua próxima dança, precisa que alguém a acompanhe? – perguntou ele, agora, no mesmo tom de provocação, me puxando para ele com as mãos na minha cintura. Antes que eu pudesse responder, o som do remix de "Bad Boy – Cascada" começou a ecoar no salão. O puxei para um canto da pista e sorri malandra o abraçando como antes, com as mãos em seu pescoço. Me afastei dele segundos depois e comecei a dançar olhando pra ele - ele me olhou de cima a baixo parando quando nossos olhares se cruzaram – começou a dançar também. Estávamos agora, próximos e com os dedos entrelaçados, dançando. Percebi seu olhar desviar para alguma coisa atrás de mim e antes que eu pudesse me virar para olhar ele encostou seus lábios em meu ouvido ainda olhando para frente.
- Já volto, linda! – me deu um beijo na bochecha e saiu apressado. Fiquei sem entender nada e virei para procurá-lo, mas ele já tinha desaparecido da minha vista. – ótimo, e agora? Levei um fora sem antes mesmo rolar alguma coisa. – avistei e resolvi ir até ela, mas antes de qualquer passo, vi ele correndo em minha direção.
- Eu vou ter que ir embora – disse quando chegou ao meu lado. Não vou mentir, ele me pareceu desanimado com isso. – Um amigo meu está passando mal e vamos ter que levar ele para casa. – ele quase xingou o amigo doente. – Não acredito que isso está acontecendo. – coçou a cabeça revirando os olhos. – Podemos nos ver amanhã, ou, outro dia? – perguntou ele entrelaçando nossos dedos.
- Eu não moro aqui, trabalho em uma agência no Brasil. – respondi encostando minha testa na dele, desanimada. Ele fechou os olhos e eu vi o quanto ele realmente estava chateado por ter que ir embora.
- Quanto tempo vai ficar? – perguntou ainda com nossas testas coladas.
- 1 mês – respondi o ouvindo suspirar mais aliviado.
- Que hotel está? – afastou nossos rostos e colocou a mão no bolso, pegando o celular.
- Um no centro de Londres, mas não fico toda hora lá. – vi ele mexer no celular.
- Então, me passa um telefone, ou, celular que eu possa falar com você. – olhou pra mim e vi que ele tinha deixado o celular pronto para discar algum número.
- Tenho só o nextel comigo, o celular é da minha empresária. – respondi desanimada olhando pra ele.
- Tudo bem, me passa. – olhou para o celular esperando pela resposta que eu dei. – Eu vou dar um jeito de falar com você, amanhã mesmo. – me deu um beijo demorado no canto da boca quando ouviu seu amigo gritando o seu nome. – A gente se vê, obrigado pela dança. – disse ele com os lábios em meu ouvido, da mesma maneira que eu disse pra ele antes de ir para a sessão de fotos. Olhei pra ele, que agora deixava o lugar.
- O que aconteceu? – uma voz perguntou atrás de mim, era .
- Ele teve que ir embora, foi ajudar o amigo que estava passando mal. – respondi ainda olhando pra porta a qual tinha saído.
- Eu beijei o . – comentou comigo mudando de assunto, com um sorriso de ponta a ponta. Olhei pra ela surpresa com o comentário.
- Sério? – coloquei minhas mãos sob minha boca, rindo. Ela assentiu com a cabeça se segurando para não dar um grito de felicidade. – Não acredito! – dessa vez, eu gritei, mas ninguém ouviu, a música estava mais alta do que qualquer outro barulho.
- A gente ficou de se ver amanhã, ele pegou meu endereço, disse que vai passar pra me ver. – ela disse rindo de alegria, e eu ri com ela. – Mas e você e o ? Vão se ver de novo, não vão? – perguntou , fazendo eu lembrar do que ele dissera antes de ir embora.
- Ele pediu meu número, disse que ia dar um jeito de falar comigo. – respondi com um sorriso fraco. – Agora, o que resta é esperar.

Capítulo 4

Os fracos raios do sol da manhã entravam pela janela, me acordando com a luminosidade que incomodava. Vi Sabrina na cama do lado, ainda dormindo. Enrolei para levantar, estava com preguiça, mas já acordada. Comecei a pensar na noite de ontem e imaginei o que poderia acontecer durante aquele mês em Londres. Ouvi meu nextel bipar uma vez, o que me fez levantar em um pulo.

"Bom dia, flor. Topa tomar café da manhã comigo? Passo ai em alguns minutos. Xx "


Desanimei ao ver que não era ele mas logo sorri quando vi a mensagem e respondi em seguida.

"Bom dia! Claro que topo, desço em 10 min. Xx


Minutos depois, como prometido, ela estava na porta, me esperando dentro de seu New Beetle preto.
- Bom dia, soneca! – me cumprimentou enquanto eu entrava no carro. Dei uma risadinha.
- Bom dia! Onde estava? – olhei umas sacolas no banco de trás do carro.
- Fui no mercado agora de manhã, comprei umas coisas para hoje. – respondeu dando uma piscadinha pra mim.
- E o que vai ter hoje, posso saber? – perguntei em um tom brincalhão.
- O me ligou ontem a noite, já era bem tarde e disse que queria me ver hoje. Então combinei de assistir um filme em casa. – ela estava bem animada e falava como se já estivesse namorando ele.
- Já estão marcando de assistir um filme na sua casa, é? Que intimidade, hein! – sorri brincando fazendo cócegas nela. Ela riu e ligou o carro.
- Mas e você e o ? Ele já te ligou? – perguntou olhando para a rua, quando trocava a marcha.
- Ainda não, e sinceramente, eu to achando que ele vai me dar cano. – respondi desanimada, tentando não pensar na noite maravilhosa do dia anterior para não piorar. - Ei, para com isso! Pensa por esse lado, ontem ele não te ligou porque o amigo estava mal, e por ser tarde, tinha medo de te acordar. E ainda é cedo, o dia está só começando. – ela disse ora olhando pra mim, ora pra rua.
- É, acho que pensar assim é melhor. – dei um sorriso de canto pra ela e abri o porta-luva procurando por algum CD.
Ela parou o carro no estacionamento do Starbucks antes mesmo de eu achar um CD interessante. Entramos no estabelecimento e fomos logo fazer os pedidos quando meu nextel vibrou na bolsa. Um número desconhecido apareceu no visor, e logo percebi que era . Eu sorri com isso.
- Alô? – apertei o botão na lateral do aparelho, esperando ele responder do outro lado.
- Bom dia, mocinha! – ele disse já brincando logo cedo e meu sorriso ficou maior. – Como você está?
- Estou ótima e você, como está? – perguntei em um tom brincalhão também.
- Acredita se eu disser 'melhor agora'? – e mais uma vez, meu sorriso se alargou em meu rosto.
- Sinceramente, acredito. – respondi convencida, apenas provocando e rindo de leve em seguida.
- Que bom! – ele riu também. – Desculpe não ter ligado antes, estava atrás de um nextel para conseguir discar. Acabei comprando um.
- Você comprou um nextel só pra falar comigo? – perguntei sem acreditar.
- Na verdade, não, meus amigos também tem, então acabei comprando. – ele respondeu sério, o que fez meu sorriso diminuir. – Claro que foi! – completou em seguida e meu sorriso voltou. – Onde você está?
- No Starbucks com uma amiga tomando café e você? – perguntei sem ao menos me lembrar que estava saindo com um dos melhores amigos dele.
- Indo pra casa do , vou pegar uma roupa que emprestei a ele. O que vai fazer mais tarde? – ele perguntou e o ouvindo do outro lado me cutucou dizendo para eu convidar ele para assistir um filme na casa dela também, e foi quando eu me toquei que estaria lá.
- Na verdade, minha amiga me convidou para assistir um filme na casa dela, quer vir? – perguntei esperando por um sim.
- Não vou atrapalhar? Programa de meninas com um homem no meio deixa de ser divertido. – ele riu irônico.
- Na verdade, o namorado dela vai estar lá também, então seríamos nós quatro.
- Opa, então nesse caso, tudo muda. Vou sim! – respondeu por fim me convencendo de que apareceria para a sessão de filmes.

O som da campainha ecoou na cozinha e foi atender a porta enquanto eu falava com Sabrina ao telefone, dizendo que estava na casa de uma amiga e que chegaria mais tarde, mas que era para ela não se preocupar, eu estava bem – na verdade, maravilhosamente bem. Vi entrar na casa dela dando-lhe um selinho e logo vindo pra cozinha.
- Você? Eu conheço você! – ele apontou pra mim surpreso.
- Eu também te conheço. – eu ri com o espanto dele ao me ver.
- É a modelo brasileira da festa de ontem. – continuou a falar olhando pra mim.
- , prazer. – estendi a mão ainda rindo. – E você é o , amigo do que vai chegar daqui a pouco para assistir um filme com a gente. – disse sem pausa na frase.
- Se eu soubesse que ele estava vindo pra cá, poderia ter dado uma carona. – ele riu e logo balançou a mão no ar, o que indicou um 'deixa pra lá, ele se vira'.
Minutos depois o som da campainha ecoou novamente, e dessa vez, eu que me dirigi até a porta para atendê-la. Ele estava lindo – uma calça jeans escura, com um cinto por cima, uma blusa preta lisa e um all star preto – senti meu coração acelerar.
- Demorei pra achar o caminho, desculpa. – ele riu de leve guardando o celular no bolso.
- Não tem problema, o importante é estar aqui. – me aproximei dele para lhe dar um beijo na bochecha, mas ele me puxou pela cintura fazendo isso antes.
- Você está linda! – sussurrou no meu ouvido me fazendo ficar arrepiada.
- Você também! – fiz o mesmo.

Enquanto e se divertiam rindo da coincidência na cozinha só enrolando pra fazer a pipoca eu e estávamos na sala de TV arrumando o sofá com cobertores para a sessão de filme. Não ia caber os quatro no sofá, então sugeri a que eu e ficássemos no chão sobre os cobertores espalhados. Ela não recusou a idéia e logo deixou o chão confortável – mais do que o sofá, até – Os rapazes passaram pela porta da cozinha vindo em direção a nós com duas vasilhas de pipoca, o que cheirava muito bom.
- Tudo pronto? – perguntou deixando a vasilha em cima da mesa ao lado do sofá.
me abraçou por trás, beijando minha bochecha.
- Tudo, agora é só ligar a TV. – respondeu puxando pro sofá e dando-lhe um selinho. Ele passou a coberta por cima dos dois e a abraçou, dando-lhe outro beijo. Eu e nos olhamos sem graça e ele indicou com a mão para que eu me sentasse primeiro. Assim que sentei ele ligou a TV, pegou o controle e sentou próximo a mim passando o braço por cima do meu ombro, me abraçando. Encostei minha cabeça em seu peito e pude sentir o cheiro dele. Depois de meia hora, nossas posições estavam trocadas – ele estava deitado na minha perna e eu acariciava sua cabeça mexendo em seu cabelo – ouvíamos os estalos dos beijos que e faziam durante o filme e eu queria poder fazer o mesmo.
Depois de uma hora e meia o filme acabou e agora só os créditos apareciam na tela. Eu continuava a mexer nos cabelos de com uma mão e a outra, acariciava a mão dele, que fazia o mesmo com a minha. Nos olhávamos como se nada mais existisse a nossa volta.
- Bom...amor, me ajuda a levar isso pra cozinha? – , percebendo o clima na sala, quis nos deixar a sós e puxou para a cozinha junto com ela.
Ele continuava a acariciar a minha mão quando colocou sua outra em meu rosto, acariciando minha bochecha, sentou na mesma posição que a minha com seu rosto bem próximo ao meu, ainda olhava intensamente e agora, eu conseguia até ver meu reflexo em sua pupila.
- Eu to louco pra poder fazer uma coisa, sabia? – disse ele, agora olhando para os meus lábios.
- E porque não faz? – perguntei ficando mais próxima dele. Ele me olhou uma última vez e sorriu, antes de encostar seus lábios nos meus. Abri a boca e fiz com que nossas línguas se encontrassem em um beijo calmo e gostoso. Coloquei minhas pernas em volta da sua cintura, sentando no colo dele, colocando depois uma das mãos em sua nuca enquanto a outra estava em seus cabelos, os puxando levemente. Ele colocou uma das mãos em minha cintura, apertando-a com carinho, enquanto a outra subia pelas minhas costas por dentro da blusa, me acariciando. Distanciamos nossas bocas, para respirar e encostamos nossos narizes um no outro, e agora sorríamos. Ouvi passos vindo em direção a sala e antes de me levantar, dei um selinho demorado nele. Levantei e comecei a dobrar o cobertor que estava no sofá, continuou sentado e percebi que me olhava me fazendo não resistir a ele. Me ajoelhei e lhe dei um beijo, ele me puxou e me deitou no chão sem desgrudar nossos lábios ficando por cima de mim apoiado nas mãos. Mas logo nosso beijo foi interrompido por um barulho vindo do corredor, segundos depois, entrou na sala.
- Opa! Estou interrompendo alguma coisa? – disse ele parecendo estar arrependido de ter entrado ali. – Eu só vim pegar... pegar... até esqueci o que vim fazer. – estava sem graça de ter aparecido e deu um sorriso de canto. – Enfim, desculpa, dois. – ele se desculpou e deu de ombros.
- Tudo bem, , fica tranqüilo! – eu disse rindo.
- Só você mesmo pra estragar tudo, né, ! – fingiu estar irritado.
Eu ria, quando olhei pela janela e vi a noite já tomando conta da tarde.
- Que horas são? – perguntei desesperada.
- Oito, porque? – respondeu não entendendo.
- Ai, meu Deus, preciso ir, Sabrina vai me matar! – eu levantei e peguei meu celular, jogando-o dentro da bolsa.
- Por que? – também se levantou vindo na minha direção, não entendendo.
- Depois eu te explico. – segurei seu rosto com as duas mãos e lhe dei um selinho, indo para a porta. Ele me acompanhou. – Avisa a que eu tive que sair correndo, agradeça a ela por mim e diga que mais tarde eu ligo, ta bom? – pedi pra , que me puxou para um beijo antes de eu partir. – Eu também te ligo. – dei um último selinho e, desci as escadas de entrada às pressas.

- Desculpa o atraso, Sá. – disse logo quando entrei no quarto. – Acabei perdendo a hora.
- Tudo bem. – ela disse seca – Posso perguntar porque perdeu a hora? – Sabrina me fitava com os olhos enquanto esperava por uma resposta aceitável.
- Porque... porque – me enrolei nas palavras. – o filme era demorado e depois ficamos comentando sobre os atores gatos. – consegui fazer com que uma desculpa saísse. Ela me olhou desconfiada, mas aceitou a resposta.
- Bom, tudo bem, então, mas tente não se atrasar da próxima vez, tive que enrolar o Giuliano, porque ele quis falar com você. – por que o diretor da agência escolhe horas erradas para perguntar sobre o desfile? – E eu disse que você ligava amanhã de manhã.
- Obrigada pela ajuda, eu ligo pra ele. – agradeci aliviada. Giuliano era chato e exigente, e eu sei que não deve ter sido fácil enrolar ele. – Vai sair? – perguntei vendo que ela estava vestida e terminava de retocar o batom em frente ao espelho do banheiro.
- Vou, Jonathan me convidou para jantar, quer ir? – ela esperava por um não, com certeza.
- Não, estou cansada e não quero atrapalhar. – eu respondi sorrindo e vi que ela ficou satisfeita com a resposta.
- Eu não demoro, se estiver com fome, pode pedir comida no quarto, o cardápio está em cima do criado mudo. – Sabrina me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto gritando um "Juízo, mocinha" no meio do corredor, o que me fez rir.
Liguei a TV e me joguei na cama, com o nextel na mão sem ao menos prestar atenção no programa que estava passando. Disquei pra e me desculpei por ter saído as pressas – e não pude deixar de comentar sobre o que tinha acontecido na sala, o que a fez dar um grito e querer saber o relatório completo. – Depois de uma hora com ela, era a vez de discar para . Sentia meu coração pular dentro do meu peito só de digitar o número no visor.
- Oi, linda. – ouvia sua voz do outro lado e, senti um frio na barriga. – Ta tudo bem? – ele perguntou preocupado e queria saber o que tinha acontecido para eu sair as pressas.
- Tudo. Agora sim. Queria pedir desculpas por ter saído correndo da casa da . – agora eu olhava para a TV e mudava os canais enquanto falava.
- Que isso! Mas o que aconteceu? – perguntou ele, ainda preocupado. – Quem é Sabrina?
- É a minha empresária, e ela veio me acompanhar durante a viagem. Ela não sabe que eu estava na casa da , quer dizer, não com você. – respondi com medo do comentário dele.
- E porque ela não sabia? – ele perguntou sem entender muito bem.
- Porque é proibido ter um relacionamento durante a viagem. Ordens da direção da Modernit. – eu disse fazendo careta, com uma voz desanimada.
- Acho que entendi. Então a gente não vai mais se ver? – perguntou chateado.
- Claro que vai, nem que eu precise quebrar todas as regras. – respondi determinada a fazer o que tinha dito.
- Você pode acabar se encrencando, amor! – disse preocupado com o que poderia acontecer comigo.
- Isso não vai acontecer, e de qualquer forma, prefiro me encrencar do que ficar sem te ver. – precisava dizer aquilo, estava preso e eu não podia esconder.
- Você é linda! E eu vou fazer de tudo pra não dar nada errado, nem que eu precise ir ao Brasil conversar com a direção. – ele disse rindo e eu ri também.
- Nada vai dar errado! – fui positiva.
- Tenha certeza! – acrescentou ele. Fiquei mais uma hora no nextel, dessa vez, conversando com ele. Tive que desligar quando ouvi os passos de Sabrina no corredor - mas a minha vontade era de ficar conversando com ele a noite inteira – acabei marcando de encontrar ele no dia seguinte, em uma rua atrás do hotel.

Capítulo 5

Tive um bom motivo de acordar cedo naquela manhã, por isso, assim que o despertador do nextel vibrou embaixo do meu travesseiro, levantei em um pulo, indo direto ao banheiro me arrumar para encontrar , que em minutos estaria me esperando na rua de trás como combinado. Escovei os dentes, me troquei com cuidado não fazendo barulho, não queria acordar Sabrina que dormia confortável abraçada ao travesseiro. Deixei um bilhete no criado mudo e sai na ponta dos pés.

Já estou aqui. Xxx


Meu nextel vibrou e eu li a mensagem com um sorriso de ponta a ponta e um frio na barriga.

Estou no elevador. Xxx


Não resisti e enviei mesmo sabendo que veria ele em 5 minutos.
E lá estava ele, encostado no capo do carro, com aquele olhar irresistível. Sai correndo em sua direção pulando em seu pescoço e lhe dando um beijo nos lábios, o cumprimentando. Ele me apertou com força em um abraço carinhoso me fazendo enterrar a cabeça em seu peito – pude sentir que ali estaria segura de qualquer coisa – nos olhamos e ele me beijou novamente. Abriu a porta do carro do carona pra mim e eu entrei e antes dele fechar eu o puxei pra dentro, o fazendo perder o equilíbrio e cair em cima de mim - éramos dois apaixonados que estavam apenas curtindo aquele momento, juntos – ele me beijou e depois pulou para o banco do motorista, com cuidado para não me chutar. Ligou o carro e seguimos para um dia inesquecível e incomparável – com certeza, o melhor dia da minha vida em Londres. Ele me levou em todos os lugares, para eu conhecer cada cantinho daquela cidade. No final do dia, a última parada foi a casa dele. Assim que chegamos, deixei alguns presentes que ganhara dele no carro e as sacolas de guloseimas foram com a gente pra dentro da casa. Entramos e logo deixei a sacola em cima da mesinha da sala.
- Com fome? – me abraçou por trás e perguntou mordendo de leve a minha orelha.
- Hum, um pouquinho. – me virei pra ele passando minhas mãos pelo seu pescoço e lhe dando um selinho.
- Vou preparar alguma coisa para nós. – ele me puxou para mais perto, colando nossos corpos e beijando meu pescoço.
- Eu te ajudo, meu chef. – disse entre um gemido enquanto ele ainda beijava meu pescoço.
Os beijos viraram mordidas carinhosas. Eu agarrei os cabelos dele jogando minha cabeça para trás com os olhos fechados. Nos olhamos por alguns segundos antes de ele encostar seus lábios no meu, abri minha boca procurando por sua língua que logo tocou na minha. O beijo que tinha começado lentamente logo se intensificou, o que o fez me encostar na parede. Travei minhas pernas na cintura dele, pulando em seu colo. Ele apertava de leve minhas coxas, para não me machucar e eu agarrava sua nuca. Ele me levou para o quarto sem descolar nossos lábios, me colocou cuidadosamente na cama, ficando em cima de mim. Tentei tirar sua camisa, mas ele fez isso por mim, e agora colocava suas mãos na minha barriga por dentro da blusa que levantava devagar, logo, me deixando apenas de sutiã. Procurei pela fivela de seu cinto, abrindo-a logo em seguida, enquanto ele beijava meu pescoço me fazendo soltar uns baixos gemidos em seu ouvido. Eu finalmente consegui tirar a calça dele, o deixando só de boxer. Ele tirou meu shorts em uma arrancada só, e me deu leves beijos e mordidas, do pescoço até as coxas, me fazendo enlouquecer com o toque dos seus lábios.
Depois do momento mais maravilhoso da minha vida, eu estava deitada em seu peito, acariciando seu tórax com as unhas e ele mexia nos meus cabelos.
- Eu te amo. – ele sussurrou pra mim quando beijava minha testa.
- Eu também. – sussurrei beijando o lóbulo da orelha dele.

O despertador do nextel vibrou mostrando ser 19:00 horas quando eu tomava um banho na suíte de . Sabrina queria me ver no hotel as 20:00 – eu teria que ligar para Giuliano e dessa vez, sem desculpas pelo atraso. Terminei o banho sem muita pressa, e depois de me trocar, fui até a cozinha, que me atraia com um cheiro de chocolate quente que preparava. O abracei por trás e lhe dei um beijo na nuca.
- Esse chocolate ta tão gostoso quanto o cheiro? – eu perguntei cheirando o ar.
- Especialidade minha, espero que goste! – despejou o líquido na caneca que estava em cima da pia. – Eu só faço esse chocolate para os especiais. – ele disse chegando mais próximo a mim.
- É mesmo? Então quer dizer que eu sou especial, rapaz? – colei nossas testas olhando em seus olhos.
- Desde a primeira vez em que eu te vi. – ele sussurrou com seus lábios bem próximos aos meus. Passei meus braços em volta de seu pescoço e lhe dei um beijo.
Peguei a caneca em cima da pia e provei o chocolate, com direito a uma pitada de canela, era delicioso.
- Esta aprovado, rapazinho! – dei um selinho nele. Ele sorriu me dando outro selinho. Tinha me esquecido completamente da hora, até olhar no relógio pendurado na parede. – Tenho que ir – eu fiz um bico mal humorado por causa de Sabrina.
- Não pode ficar só mais um pouquinho? – ele me abraçou pela cintura, também fazendo um bico, só que o dele, era charme.
- Infelizmente, não. – continuei com o bico estampado em meu rosto.
- Então, posso ao menos te levar pro hotel? – disse já chateado.
- Pode, mas tem que me deixar na rua de trás, pode ser? – perguntei pegando minha bolsa.
- Pode, né, fazer o que. – ele encostou na parede com a cabeça baixa, e isso fez com que eu ficasse ainda mais chateada. Eu não queria ir embora, queria poder ficar com ele a noite toda.
- Não fica assim, vai, não me deixa pior do que eu já estou. – coloquei as mãos em seu queixo erguendo sua cabeça, olhando em seus olhos. – A gente vai se ver amanhã e hoje eu ainda vou te ligar, ta bom? – fiz bico charmoso e ele me deu um selinho.

- Ok, a srta. não me engana, . – disse Sabrina assim que cheguei no quarto.
- Oi? – perguntei, me fazendo de desentendida. – Não engano o que? – finalizei irônica.
- Eu vi você descendo do carro daquele menino do McFly. – ela disse fingindo estar brava. – Pode me contar o que está acontecendo.
- Você anda me seguindo, é? – perguntei rindo e sentando na cama ao seu lado. Ela me olhou com uma cara de brava, mas eu sabia que no fundo, ela queria rir. – Não vou mentir pra você, até porque você me conhece e sabe que eu não gosto de mentir. Eu estou saindo com ele, na verdade, estamos juntos. – eu disse com uma expressão de inocente, só esperando a bronca ou um comentário. Ela continuou me fitando. – Mas, eu juro, que isso não está me atrapalhando em nada, Sá. Até porque, o desfile já foi e eu não preciso mais ter uma concentração tão pesada. E, mesmo assim, eu sei separar o trabalho do pessoal. – falei tudo de uma vez, sem pausa.
- Ei, calma, mocinha! – ela riu do meu desespero. – Eu confio em você, e sei que você é responsável, mas mesmo assim, preciso te alertar pra tomar cuidado, ta bom? – ela me acalmou, e eu sabia que poderia contar com ela. – Mas antes de ligar pro Giuliano, me conta, vocês só estão ficando, certo? – perguntou ela esperando que fosse só realmente uns beijos que estivessem acontecendo.
- Bom... – a olhei sem saber por onde começar a falar. - ...ontem foram só beijos sim, mas hoje a gente acabou...- estava com vergonha, ou, com medo de dizer o que tínhamos feito.
- Vocês transaram. – ela afirmou olhando pra mim, completando minha frase. – Como isso aconteceu? , você sabe que não pode nem beijar! – ela se perdia nas palavras e eu me sentia culpada. – Eu não posso nem pensar como vai ser se alguém descobrir! – eu a interrompi.
- Ninguém vai descobrir, Sá! E eu sei me prevenir! – estava quase gritando. – Por favor, confia em mim, ninguém vai ficar sabendo. – coloquei minha mão em seu ombro esperando que ela olhasse pra mim.
- Ta bom, . Eu confio em você e sabe disso, eu só fico com medo do que possa acontecer, porque se alguma coisa realmente acontecer, nós duas perdemos o emprego. – ela deitou na cama olhando pro teto. Deitei ao seu lado rindo da cara amedrontada dela e ela riu também. Peguei o telefone e disquei para Giuliano.

Capítulo 6

- Prontinho. – disse o tatuador colocando um espelho atrás de mim e me mostrando o pequeno e significante '' desenhado em minha nuca.
- Alguns dizem que isso é maluquisse, mas isso pra mim, é paixão. – falei para mim mesma e abracei , que me ajudava a descer da maca, lhe dando um beijo. – Eu te amo, sabia? – disse com os lábios ainda encostados nos dele.
- Eu também, meu amor. E sem querer me gabar, mas a minha tatuagem ficou mais bonita, viu? – ele me mostrou o pequeno '' que estava desenhado no canto da sua mão.
- Hum, nem sei, viu! – mostrei a língua pra ele. – Doeu muito? – passei a mão de leve contornando a letra.
- Não importa, valeu muito a pena, tenho certeza. – ele me beijou, me abraçando pela cintura, colando nossos corpos. Eu estava apaixonada e queria curtir cada momento que tinha ao lado dele antes de ter que voltar a minha Terra Natal em alguns dias.
Passamos o dia juntos, com direito a uma caminhada, sorvete, cinema e muitos beijos. Os dias em Londres estavam sendo maravilhosos e eu estava arrasada sabendo que voltaria ao Brasil em dois dias.
O fim do dia já havia chego e estávamos no carro parados em frente ao hotel.
- Nós não vamos perder contato, certo? – perguntei abraçada a ele, enquanto ele acariciava meu cabelo.
- Claro que não, eu vou arrumar um jeito de falar com você todos os dias. – beijou minha mão e em seguida me deu um selinho demorado.
- Promete? – perguntei mexendo em seu cabelo, olhando-o firme nos olhos.
- Eu prometo. – respondeu me olhando intensamente, acariciando meu rosto e, em seguida me dando um selinho demorado.

Faltava apenas um dia para eu voltar ao Brasil e nem sinal de . Ele não me ligara desde a última vez que o vi, e não atendia minhas ligações. Além de estar preocupada, eu estava irritada.
Meu nextel vibrou em meu bolso, me fazendo pular da cama, e pegar o aparelho no criado mudo.
- ? – era quem estava do outro lado da linha. – Tudo bem? – perguntou, com uma voz de preocupação.
- Não muito bem e você? – disse desanimada.
- Não muito bem também, o que aconteceu? – perguntou aumentando o seu tom de preocupação.
- O . Ele não me ligou hoje e não atende nenhuma ligação minha. – eu estava quase chorando. Estava indo embora amanhã, não ia mais vê-lo, queria poder ficar com ele pelo menos nos meus últimos momentos em Londres.
- O também sumiu e não me liga, não sei o que acontece e precisava falar urgentemente com ele. – ela miava no outro lado da linha, estava prestes a chorar.
- O que aconteceu? – perguntei preocupada.
- Eu vou ter que mudar, eu fui transferida e vou trabalhar em outro país agora. – ela começou a chorar.
- Mudar pra onde? – perguntei chateada ao sentir que ela estava realmente arrasada.
- Brasil. – ela tentou segurar o choro. – Vou trabalhar em outra área agora, e por isso tive que ser transferida. E não consigo falar com o ! – voltou a chorar, agora, desesperada. Eu comecei a chorar também por lembrar que eu estava indo embora sem ao menos falar com . Conversei um pouco mais com e ela me acalmou, assim como eu a acalmei também. Trocamos nossos telefones para não perdemos contato no Brasil, eu tinha feito uma amizade muito forte com e queria continuar a falar com ela.
Já era noite e não tinha ligado e nem dado um sinal de vida. Eu estava arrasada, porque partiria logo cedo, sem ao menos ouvir a voz dele.

Acordei de um pesadelo e já era de manhã, olhei para a cama do lado, mas Sabrina não estava lá, ela tinha deixado um recado no criado mudo dizendo que tinha descido para fazer o check-out e se despedir de Jonathan e, assim que eu acordasse, tomar um banho e ficar pronta para irmos ao aeroporto. Olhei meu nextel, para checar se havia alguma ligação perdida ou alguma mensagem, mas tudo o que aparecia na tela era meu plano de fundo, o que me fez lembrar do dia que o colocou ali. Senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha, mas logo a enxuguei. Fui tomar um banho e me arrumar para o Brasil.
Assim que fiquei pronta, sentei na cama e liguei a TV, esperando por Sabrina. Não demorou muito para ela aparecer pela porta.
- Pronta? – ela perguntou pegando a mala que estava no pé da cama.
- Sim. – respondi sem ânimo algum, desligando a TV e deixando o controle no criado mudo. – O táxi já está na porta? – perguntei colocando minha bolsa no ombro. - Já, até porque estamos atrasadas... Pra variar. – ela foi irônica, afinal, na nossa vinda pra cá também tínhamos chegado atrasadas no aeroporto.
Entrei no carro, colocando a bolsa em cima dos joelhos e dei uma última olhada no hotel, que ficava cada vez menor assim que íamos nos distanciando. Assim que pisamos no aeroporto, anunciavam a última chamada para o vôo 811. Saímos apressadas até a sala de embarque e só conseguimos respirar direito quando estávamos acomodadas nas poltronas.
Dei uma última olhada no nextel, e uma mensagem bipava no visor. Senti meu coração pular. "Boa viagem, flor. Até o Brasil, te ligo assim que chegar xx " - ela iria embarcar também hoje, mas em outra compania e em outro horário. Respondi a mensagem e desliguei o nextel assim que ouvi o piloto pedir. Íamos levantar vôo. Olhei pela janela e me lembrei de cada momento que passara com . Encostei minha cabeça no pequeno travesseiro que a aeromoça havia me dado e fechei os olhos, tentando afastar aquela saudade dos meus pensamentos, e do meu coração. Só acordei quando estava na minha cidade.
Assim que cheguei em casa, vi tudo como havia deixado antes de ir viajar. Coloquei minha bolsa em cima do sofá e fui para a cozinha, fazer um leite quente, estava começando a ficar com dor de garganta. Coloquei o leite para ferver, e peguei o achocolatado dentro do armário. Abri a gaveta dos talheres, quando ouvi meu telefone tocar. Corri para a sala, e peguei o aparelho.
- Alô? – eu atendi na esperança de ouvir a voz dele ao outro lado da linha, mas logo me lembrei que estava falando do telefone da minha casa, no Brasil.
- ? – uma voz conhecida falava do outro lado, logo percebi que era .
- Oi, sou eu. – dei uma risadinha feliz. – Chegou bem, amiga? – perguntei e logo ouvi várias vozes atrás dela, fazia barulho.
- Cheguei sim, na realidade, posso te pedir um favor? – ela perguntou envergonhada. – Eu perdi a reserva do hotel, e os hotéis que eu conheço estão lotados. Será que tem como eu ficar na sua casa essa noite? Vou procurar hoje mesmo por um hotel, ou por uma casa para alugar. – ela se embaralhava nas palavras, e eu percebi que ela estava nervosa por ter pedido aquilo.
- Claro que pode, você é muito bem-vinda aqui. – dei uma risada. Passei o endereço a ela, que disse que pegaria um táxi com destino a minha casa. Eu estava feliz, eu ia ter uma companhia e, eu com certeza não iria deixá-la sair daqui, seria maravilhoso ter uma companheira de casa.
A campainha tocou hora depois de eu ter desligado o telefone, havia chego.
- Ufa! Pensei que não fosse chegar. – ela riu e eu também, fazendo um sinal para entrar na casa. – Obrigada mesmo por ter me deixado ficar aqui, mas pode deixar que eu vou procurar um outro lugar hoje mesmo. – ela se embaralhou nas palavras novamente.
- Não, não! Você vai ficar aqui. Eu preciso de uma companhia e você de um teto, então tudo resolvido. – eu ri, fazendo-a rir também assim que me abraçou como forma de agradecimento. – Com fome? Preparei um macarrão pra mim, você quer? – a levei pra cozinha assim que terminamos de colocar as malas dela para dentro da casa.
- Claro, quero ver se eu aprovo o seu macarrão brasileiro. – ela sentou na banqueta da cozinha esfregando as mãos. Ela já estava se sentindo em casa e isso me deixou feliz.
Enquanto comíamos o macarrão na cozinha, conversamos sobre o sufoco que ela passou tentando se comunicar para pedir informação sobre a minha rua. Conversamos também sobre algumas curiosidades que ela tinha sobre o Brasil, mas depois conversar bastante, um silêncio tomou conta do ambiente.
- E o ? Ele te ligou? – ela perguntou olhando pra mim, com medo da minha reação.
- Não. – respondi desanimada, olhando para o meu garfo que enrolava o spaghetti. – E o ? – perguntei olhando pra ela.
- Também não. – baixou a cabeça brincando com o macarrão com o garfo. – Mas quer saber, que se dane! – ela jogou o garfo sobre o prato e olhou pra mim, irritada. – Eu não ligo mais pro . Quem sai perdendo é ele! – ela finalizou tentando não se mostrar decepcionada.
- Eles pelo menos deviam ter nos dado uma explicação. Mas isso nos prova que eles são só mais um que querem brincar com nossos sentimentos. – eu disse, começando a ficar revoltada. Mas eu estava arrasada. Por mais que eu pensasse em razões por ele não ter ligado, somente uma razão voltava em minha mente: Ele não quis nada sério.
Acabamos de jantar e me ajudou a lavar a louça. Eu mostrei a ela toda a casa e a ajudei a levar as malas para o quarto de hóspedes, que a partir de agora, seria dela.
- Se precisar de qualquer coisa, estou no meu quarto, ta bom? – eu disse deixando-a à vontade no seu novo quarto, com direito a uma suíte.
Deitei na cama fitando o teto com uma mão na testa. Lembrei de tudo o que passara com naquele um mês em Londres. Senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha, fechei os olhos por um momento, depois enxuguei a lágrima e passei a mão pelo meu rosto. Estiquei meu braço até o criado mudo pegando o nextel para ver se tinha alguma mensagem, mas nada além do plano de fundo aparecia no visor. Eu ia devolver o aparelho para a agência no dia seguinte, quando tivesse a reunião com Giuliano para contar sobre a minha nova experiência em Londres. Desliguei o nextel, colocando-o no mesmo lugar que estava antes. Adormeci agarrada a um travesseiro.

Capítulo 7

Acordei de repente, e fui direto para o banheiro, levantei a tampa, e tudo o que pude sentir era um gosto azedo saindo pela minha boca. Eu estava vomitando. Senti uma mão tocar em meus ombros.
- , ta tudo bem? – perguntou desesperada enquanto pegava um toalha pra mim. Abaixei a tampa do vaso e dei descarga, me sentando no mesmo ainda enjoada. – O que aconteceu? – ela me entregou a toalha e se abaixou na minha frente.
- Deve ter sido o macarrão de ontem, ou alguma outra coisa que não caiu bem. – respondi olhando pra ela. Eu estava branca. – Traz um copo de água pra mim, por favor? – pedi pra ela que assentiu com a cabeça, saindo rapidamente do banheiro.
- Prontinho. – me entregou o copo e eu bebi desesperadamente. Parecia que precisava daquela água mais do que qualquer pessoa. – Agora, me diz, o que aconteceu? – ela perguntou ainda preocupada.
- Já disse, deve ter sido o jantar de ontem. – respondi sem ligar muito para o motivo. Tudo o que eu queria era tirar aquele gosto horrível da boca.
- Vamos ficar de olho e se não melhorar, vamos ao hospital, ta bom? – ela parecia minha mãe falando. Eu apenas assenti, fechando os olhos e respirando profundamente, esperando o enjôo passar.
Depois de deixar na nova agência que ela ia trabalhar – que fora transferida para uma agência de eventos - fui para Modernit, encontrar Sabrina para a reunião com Giuliano.
- Bom dia. – disse assim que entrei na sala de reunião. Só Giuliano estava presente. Seria apenas, eu, ele e Sabrina.
- Bom dia, minha modelo favorita! – ele disse com um largo sorriso assim que me viu entrar pela porta de vidro. – Quero saber tudo sobre essa viagem, até os mínimos detalhes. – ele bateu uma palma e fez sinal para eu sentar. Eu contei desde o meu nervosismo no aeroporto, até a hora de subir na passarela. Ele ouvia tudo muito empolgado e maravilhado com o que eu contara. Ele estava rindo de algumas das situações hilárias que Sabrina contava, quando eu senti aquele enjôo voltar. Coloquei as mãos em cima da mesa e respirei fundo, desejando que aquele incomodo fosse embora, mas não funcionou. Pedi licença e eles assentiram com a cabeça preocupados com a minha expressão. Sai correndo para o banheiro e aquele pesadelo voltara a acontecer, só que dessa vez, não estava lá para me socorrer.
- O que esta acontecendo, meu Deus?! – perguntei para mim mesma, quando me olhava no espelho.

- Como foi a reunião? – me perguntou, enquanto cortava a batata e colocava os pequenos pedaços em uma vasilha.
- Tirando o fato de eu ter saído para vomitar, foi ótima. – eu disse irônica. – Giuliano adorou o relatório da viagem e quer conhecer Londres agora. – despejei o suco de laranja no meu copo.
- Como vomitou? De novo? – ela ignorou meu último comentário – , vamos para o hospital, vai. To começando a ficar preocupada. – disse olhando diretamente pra mim secando as mãos com o pano de prato.
- Não é preciso. Eu já estou melhor. – tomei o suco e senti meu estômago revirar, mas ignorei.
- Se passar mal de novo, vou te levar nem que seja arrastada, ta me ouvindo?! – olhava firme em meus olhos, enquanto pegava a caixa de suco. Antes de eu ouvir qualquer outra coisa, fui eu para o banheiro novamente. Ela largou a caixa no balcão e foi atrás de mim.
- Já chega! Vem, vamos! – ela me entregou a toalha e enquanto eu lavava o rosto, a ouvi abrindo a porta. Não tinha saída, eu ia para o hospital, por mais que eu não quisesse.

Eu estava sentada no consultório médico vendo o Dr. Dietrich analisar os exames que eu havia feito. estava comigo, sentada na cadeira do lado, analisando o consultório brasileiro.
- Bom... – ele olhou pra mim antes de prosseguir com a frase. – Pelos exames que você fez, posso dizer com 80% de certeza que... – ele me olhou firme nos olhos. – Você está grávida. – ele esperou minha reação.
me olhou assustada e pegou minha mão rapidamente. Eu apenas fechei os olhos e passei a mão na barriga.
- E os outros 20% podem dizer o contrário? – Eu perguntei já olhando para o doutor.
- Você vai fazer o ultra-som para poder ter a total certeza, mas apenas com esses exames já diz. – finalizou levantando da cadeira e colocando as mãos dentro do avental branco, ainda me olhando. – Vamos fazer esse último exame e depois, passo todas as recomendações necessárias. – disse tendo cuidado com as palavras após ver minha reação.
Fomos até a sala de ultra-sonografia. Eu deitei em uma cama e senti algo gelado sobre minha barriga, percebi que era o gel e, logo depois vi o doutor passar o aparelho sobre a mesma. Ele olhava atentamente para o monitor e procurava por alguma coisa que eu não conseguia enxergar. Ele colocou o aparelho de lado e tirou as luvas, me entregou um papel para eu limpar o gel, respirou fundo e me olhou firme.
- Agora é 100% . – cuidadoso com as palavras, assim como antes.
- Obrigada. – foi tudo o que eu consegui dizer, em um sussurro. Eu me levantei devagar e arrumei minha blusa que estava meio levantada. Me dirigi até a porta e ele veio logo atrás de mim. Quando sai, dei de cara com , que levantou rapidamente e me olhou fundo. Eu apenas assenti com a cabeça e, senti as lágrimas em meus olhos. Bia se aproximou de mim, me abraçando.
- Vai ficar tudo bem. Eu to aqui com você. – ela sussurrou me acalmando, quando ouvimos o doutor chamar por mim.
- Vamos até meu consultório para eu poder dar todas as recomendações. – ele indicou com a mão o corredor que levaria para a sala dele. Seguimos até lá e ele me deu um relatório incluindo todos os cuidados que eu deveria tomar durante meu período de gravidez. Ainda não sabia se era um pesadelo, ou, até mesmo um sonho, mas eu estava grávida do .

Capítulo 8

Nove meses se passaram e eu segui todos os passos que o Dr. Dietrich me passara. Com os ultra-sons, descobri que era um menino e, já podia imaginar como ele seria. Os olhos do pai era o que com certeza chamaria atenção.
Estava assistindo TV na sala, comendo um pote de sorvete de chocolate - o que foi um desejo vindo da gravidez, quando passou uma reportagem dizendo sobre o McFly. estava na cozinha preparando seu milk-shake e, quando ouviu o nome da banda ser dita, veio para a sala com apenas uma colher na mão. Procurei o controle para mudar de canal, mas pude ouvir sobre e sua nova namorada antes de achar o mesmo. Fiquei imóvel ao ouvir as palavras vinda da repórter e ver as fotos aparecendo na tela. foi mais rápida do que eu, desligou a TV e, olhou pra mim. Vi em sua expressão que ela não tinha palavras para me consolar, ou até mesmo, dizer. Senti uma pontada na barriga e logo passei a mão a acariciando. Era o meu pequeno, pedindo por atenção. Parecia até que ele estava tentando me distrair para não pensar em mais nada sobre . Os chutes foram ficando cada vez mais fortes e pude começar a sentir as contrações. Comecei a respirar forte e logo percebeu que estava na hora. Ela abriu a porta rapidamente, me ajudou a levantar do sofá, pegou a chave do carro e rumamos a maternidade a toda velocidade.

Ouvi um choro e logo Dr. Dietrich colocou ele em meus braços. Senti o calor do corpo frágil dele junto ao meu e senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha. Ele parou de chorar quando o aconcheguei em meus braços.
- Já decidiu qual vai ser o nome dele? – o doutor perguntou com um sorriso largo no rosto, emocionado com a cena.
- Jack. – eu beijei a pequena bochecha daquele bambino em meus braços.
Fui levada até o quarto onde ficaria durante três dias, até poder levar o meu Jack para casa.
- Ele é a coisa mais linda que existe, gente! – disse enquanto balançava carinhosamente Jack em seus braços. – Parabéns, flor. Ele é realmente lindo. – ela olhou pra mim e eu abri um largo sorriso.
- Obrigada, amiga. – agradeci olhando para o pequeno. – Tenho também que te agradecer por tudo, viu?! Você é uma irmã pra mim e eu agradeço muito por isso. – olhei pra ela emocionada. Ela colocou o pequeno no berço e me abraçou, emocionada também.
Dois dias foram o suficiente naquele hospital. Jack tinha nascido saudável a ponto de poder sair um dia antes do previsto. abriu a porta segurando a malinha do pequeno e eu entrei com ele dormindo em meus braços. Subi as escadas indo direto para o meu quarto, o coloquei no berço branco ao lado da minha cama e o cobri com uma manta azul bebê. Tirei os sapatos e os coloquei ao pé da cama. Sentei na mesma e fiquei observando Jack dormir, fazendo carinho em seu rosto. bateu de leve na porta e entrou no quarto, deixando minha mala e a do pequeno em cima da poltrona. Ela sentou ao meu lado, o observando também.
- Eu acho que ele vai ser parecido com o . – continuava a acariciar o rostinho de Jack, quando comentei com .
- Ele é muito pequeno ainda, vamos saber só mais tarde. Mas eu acho que ele vai ser parecido com você. – ela disse sua opinião tentando me animar e me distrair, para não pensar em . O que seria totalmente impossível daquele momento em diante.

Dois anos se passaram e Jack estava cada vez mais parecido com . Ele tinha olhos e cabelos castanhos. Estava começando a aprender a falar e, era bem inteligente.
- Jack! Deixa isso ai, rapazinho! – o chamou a atenção, quando ele estava pegando o porta-retrato em cima da mesa de centro. Ele a olhou fazendo um bico que só ele sabia fazer – o que gamava qualquer um – e saiu correndo da sala, me encontrando na cozinha preparando a mamadeira. Ele agarrou minhas pernas e escondeu o rosto entre elas. Espiava que se aproximava dele estendendo as mãos em sinal de fazer cócegas nele. Ela o agarrou e começou a fazer as tais cócegas que o fazia gargalhar gostoso. Ele se soltou dos braços dela e correu até os meus. O peguei no colo e o deitei em meus braços lhe dando a mamadeira. Ele passava as mãozinhas pelo meu braço, me acariciando, enquanto a outra segurava a mamadeira.
- Eu estive pensando. Acho que vou aceitar a proposta. – se jogou no sofá e olhou pra mim.
- Deveria mesmo. Não é qualquer uma que consegue a proposta de ir fotografar um casamento em Londres. – olhei para Jack que fechava os olhos. – Vai ser maravilhoso. Até porque, vai matar a saudade da sua Terra. – sorri pra ela.
- Você podia vir comigo. Já que não está mais na agência. – ela me olhou desanimada. Eu havia sido demitida depois que descobriram sobre a gravidez.
- Eu não sei. Tenho o Jack agora. – olhei o pequeno que já dormia – Não sei se ele teria paciência de ficar horas no avião.
- Claro que agüenta, flor. Ele vai dormir a maior parte da viagem, pode ter certeza. – ela se levantou quando me viu levantar com o pequeno no colo. – Vamos, vai! – se posicionou ao meu lado, animada.
- Quando você vai? – perguntei colocando Jack no berço.
- Semana que vem, provavelmente. – ela me passou a mantinha dele que estava em cima da poltrona. – Vamos? – fez uma cara inocente e um bico insistente.
- Acho que... – fiz suspense – Jack gostaria de conhecer Londres. – eu sorri e ela me abraçou.
- Oba! Isso vai ser muito bom. Pode ter certeza! – saiu do quarto animada.

Capítulo 9

- Pegamos tudo? – Eu perguntei fechando o porta-malas do táxi. trancava a porta da casa e descia os três degraus a frente.
- Sim! Agora podemos ir! – ela sentou no banco de carona e eu atrás, com Jack no colo.
Chegamos ao aeroporto hora depois e estávamos adiantadas. Nosso vôo sairia daqui dua horas. Fomos até a praça de alimentação e fizemos hora por lá até nosso embarque ser anunciado. Entramos pelo portão 2B e aguardamos até entrar no avião. Jack estava agitado e eu estava com medo de ele ficar impaciente.
- Ele vai gastar toda a energia agora e no avião vai capotar. – Ela riu ao olhar o pequeno brincar com um carrinho pra cima e pra baixo.
- Eu espero, porque ele quando fica agitado, ninguém segura. – eu ri, olhando-o também.
Pudemos finalmente entrar no avião e nos acomodamos nas poltronas. Jack ainda brincava com o carrinho, mas sentado e quietinho. Era noite, um ótimo horário para viajar, assim, ele ia dormir e acordar só quando estivéssemos chegando. O avião decolou e a janta foi servida. Logo depois, um filme começou a passar na pequena tela a nossa frente. já havia dormido com o fone no ouvido. Jack estava entretido no desenho que passava, mas logo deitou em meu colo e adormeceu. Consegui dormir apenas por umas horas, queria ficar de olho nele.
O café foi servido e isso indicava que já estávamos chegando em Londres. Senti aquelas borboletas em meu estômago – coisa eu não sentia a um tempo – olhei pela janela e vi a cidade que realizara meu sonho que, no momento, estava sem um fim.

Estávamos indo para a antiga casa de , onde ficaríamos "hospedados".
- Estamos quase chegando, só mais um pouquinho, rapaz! – eu dizia a Jack que já estava impaciente de tanto que ficara sentado.
- Vire a direita, por favor. – Ela disse ao taxista, que a obedeceu. Pude ver a pequena e aconchegante casa dela e me lembrei de quando estive ai pela primeira vez.
- Pronto. – coloquei Jack no chão e segurei sua mão, o levando até a porta. – Fica aqui, a mamãe já volta. – fui até o carro ajudar o taxista e , que estavam tirando a bagagem do porta-malas.
Entramos na casa e estava exatamente como eu havia visto pela última vez. Coloquei minha mala no quarto onde eu e Jack ficaríamos. Ele bocejava e coçava os olhos, fazendo sinal para eu o pegar no colo. Ele encostou a cabeça em meu ombro e em minutos adormeceu ali. O coloquei na cama e comecei a desfazer as malas. Iríamos ficar um mês em Londres. A equipe que trabalhava havia sido convidada para cobrir um casamento e, ela aceitara.
- Tudo certo com o quarto? – Ela apareceu na porta sorrindo, analisando se estava tudo em ordem.
- Tudo ótimo. – dei um largo sorriso e sentei na cama.
- Que bom! Se precisar de qualquer coisa me avisa, ta bom? – ela fez um carinho na cabeça de Jack, que dormia gostoso.
- Pode deixar, mas está tudo perfeito. – olhei o quarto que estava impecável.
- Amanhã eu já vou dar uma olhada no buffet que vai ter o casamento. Já sabe o que vai fazer? – perguntou sentando na cama ao meu lado.
- Acho que vou passear mesmo. Levar o Jack ao parque, programas assim. – eu dobrava uma blusinha azul e colocava dentro da gaveta.
- Tem uma praça aqui perto, posso te mostrar amanhã antes de ir para o buffet. Costumava ter várias crianças. – me passou minha calça e eu pendurei no cabide. - Ta bom! Seria bom sair, dar uma volta. Ainda mais em Londres. – sorri de canto e pendurei outra calça.
- Então, amanhã eu te mostro tudo direitinho. – Ela me deu um beijo na testa e saiu.

Estava deitada na cama, fitando as folhas que balançavam do lado de fora da janela, pensando no fato de eu estar em Londres e ter a possibilidade de esbarrar em a qualquer momento. Me virei de lado e vi Jack dormir profundamente. O puxei para mais perto de mim e comecei a acariciar seus cabelos castanhos. Adormeci e sonhei com ele.

Acordei em um susto por ter ouvido uma buzina do lado de fora. Mas era nada menos do que o vizinho. Olhei o relógio, que marcava oito da manhã e fui até o banheiro escovar os dentes. Vi Jack abrir seus olhos , que procuravam por mim. Ele me viu no banheiro e veio correndo, agarrando minha perna. Ele falava algumas palavras e estava aprendendo a formar frases.
Peguei-o no colo e sai do quarto, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho, não sabia se já estava acordada. Desci para a cozinha e, para a minha surpresa, ela estava tomando uma xícara de café, enquanto assistia alguma reportagem.
- Bom dia. – eu disse e ela olhou pra mim. – Diz "bom dia" pra tia, rapaz. – disse num sussurro ao ouvido do pequeno.
- Dia. – ele enterrou a cabeça entre meu pescoço e meu ombro, envergonhado.
- Bom dia, lindo da minha vida. – ela fez cócegas e ele soltou uma gargalhada gostosa. – Vou ter que sair daqui a pouco, estava até com medo de não dar tempo de te levar a praça. – ela me olhou e eu ajeitei Jack em meu colo.
- Eu vou me trocar rapidinho e vamos. – já ia subindo as escadas em direção ao quarto.

Ela me apresentou a pequena praça – com direito a balanças, escorregadores e uma caixa de areia, limpa – que não era longe da casa. Para falar a verdade, era na esquina. Íamos ficar um tempo lá e, depois voltaríamos para casa. Observava Jack brincar com seu carrinho na areia junto com outras crianças que pareciam também ter 2 anos. Olhei em volta para ver se encontrava a mãe da garotinha loira que estava sentada ao lado de Jack, quando vi uma loja com uma bela pintura para alugar. Virei meus olhos para as crianças novamente e depois para a loja vazia e, pensei em abrir uma loja de grife infantil.
- Cheguei. – entrou em casa e colocou a bolsa em cima da poltrona da sala.
- Oi. Como foi lá? – perguntei sorrindo.
- O buffet é lindo. – ela disse animada.
- E quando vai ser o casamento? – entreguei o caminhãozinho para Jack, que brincava na mesa de centro.
- Sábado. Espero que de tudo certo. – ela cruzou os dedos e sorriu brincando.
- Vai ser tudo perfeito, você vai ver. – levantei e fui até a cozinha.
Preparávamos o jantar, quando me lembrei da loja que vira na frente da praça.
- Escuta, hoje eu vi uma loja para alugar roupa e estive pensando... – fiz um suspense na frase, ela olhou pra mim, esperando que eu continuasse. – Eu podia abrir uma loja de grife infantil, o que acha? – esperei pela reação dela.
- Uma ótima idéia. – ela se animou com a notícia. – Mas, se você for abrir um negócio sério, teria que morar aqui. – ela esperou minha reação. – Você podia se mudar pra cá. Tentar uma nova experiência. – ela se empolgou com a idéia, enquanto mexia o purê de batatas na panela.
- É, quem sabe. Eu vou dar uma olhada na loja e se realmente valer a pena, eu penso no que vai ser depois. – eu dei um sorriso amarelo, arrumando a mesa de jantar. Não sabia se seria uma boa me mudar pra cá sabendo que teria a possibilidade de esbarrar em a qualquer momento.

- O lugar é espaçoso. Muito bem distribuído. – eu olhava em volta e falava para o corretor.
- Era uma antiga loja de surf, mas o lugar não era espaçoso o suficiente para as enormes pranchas.
- Mas para uma loja de roupas, esse é o tamanho ideal. – eu sorri e peguei Jack no colo.
- É nisso o que pensa? Abrir uma loja de roupas? – o corretor perguntou pegando alguns papéis em sua maleta.
- Roupas infantis. – continuei sorrindo.
Discutimos sobre os valores e, por incrível que pareça, eu estava animada para me mudar e abrir logo a Sapeka, minha própria loja infantil.

Capítulo 10

Três anos se passaram. Eu me mudei para Londres e ainda morava com . Estava tudo indo maravilhosamente bem, até o fato de eu não ter encontrado , ou, qualquer um de seus amigos. A loja era um sucesso e era conhecida a ponto de ter propagandas estampadas nas folhas das revistas. Jack já tinha 5 anos e era igual a em tudo, desde a aparência, até a maneira de coçar o nariz. Tinha os cabelos castanhos e os olhos , ele era lindo, assim com o pai. O matriculei em uma escola desde os 3 anos. Ele adorava a escola, principalmente seu melhor amiguinho, Sean.
- Como foi a aula hoje, Jack? – perguntei, o servindo de arroz.
- Muito legal, mãe. Eu fiz o desenho de uma guitarra, sabia? – ele me contou empolgado.
- Quero ver depois, hein. Deve ter ficado lindo mesmo. – dei um gole na minha água.
- Mãe, o Sean me convidou para assistir o ensaio da banda do tio dele amanhã, posso? – ele fez aquele bico irresistível que só ele sabia fazer, mas como tudo nele, me lembrava .
- Vou ligar para a mãe dele e combinar tudo direitinho. Mas você só vai se comer tudo o que está no seu prato, rapazinho. – eu brinquei com ele, mas ele sabia que eu falava sério.

- Alô? – Marie atendeu do outro lado da linha.
- Oi, Marie, é a , a mãe do Jack, tudo bom? – perguntei, sendo simpática.
- Oi, ! Tudo sim e você? – ela foi simpática também.
- Tudo ótimo. Estou te ligando, porque o Jack me disse que o Sean o convidou para assistir ao ensaio da banda do tio dele, parece. – eu disse meio sem jeito.
- Sim, o Sean já está querendo que o Jack assista o ensaio faz um tempo. Tudo bem se for amanhã? Eu pego os dois na escola e depois você pode vir buscar, ou, eu levo o Jack, o que achar melhor. – ela continuou sendo simpática.
- Eu posso ir buscar, sem problemas. Então, você os busca na escola? – quis confirmar o que ela havia dito.
- Sim. Ou eu, ou, meu irmão. Tudo bem? – Marie se preocupou com a minha reação quando disse que o irmão poderia ir buscar.
- Claro, sem problema. – finalizei, a deixando aliviada pela resposta.
- Então combinado! Ate amanhã. – ela disse e, pude ouvir Sean perguntar ao fundo se Jack iria passar a tarde lá.
- Beijos, boa noite. – ela respondeu e eu desliguei.

Assim que parei o carro na esquina da escola de Jack, eu me lembrei que ele passaria a tarde assistindo o ensaio da banda do tio de Sean. De qualquer forma, quando vi as crianças já saindo pelo portão principal, resolvi esperar para ver Jack. Não demorou muito e o vi, sendo guiado por uma criança loira e, logo reconheci Sean. Os acompanhei com o olhar, até que vi eles entrarem em um carro preto parado a poucos metros do portão da escola. Sorri vendo que Jack estava com os olhos brilhando, enquanto falava com o amigo sobre algum assunto, que para eles, era empolgante, mas logo que vi a pessoa que estava dirigindo, percebi que não era Marie e sim um homem que sorria para os garotos e cumprimentava Sean com um aperto de mão e, que logo depois cumprimentou Jack. Então, lembrei que Marie me disse que seu irmão poderia ir buscar os rapazes na escola caso ela não conseguisse chegar a tempo. Virei a chave dando partida no carro, quando dei uma última olhada para o carro onde Jack havia entrado e, vi que o homem arrumava o espelho lateral.
- Não pode ser. – apertei os olhos para poder ver direito. Ele tinha uma pequena tatuagem, um '', no canto da mão, assim como . – Não, não pode ser! – balançava a cabeça negativamente tentando afastar aquela idéia da minha cabeça, quando vi o carro seguindo pela rua.


N/a: Oi gente! Espero que tenham gostado da fic. Logo já posto a segunda parte, afinal, tem que ter continuação.
Beijos, lindonas!
N/b: OMGOMG! Nossa cara, eu estou bem ansiosa para saber a continuação, nãobrinco. Enfim, quero mesmo saber o que vai acontecer agora que eles se 'reencontraram', é, hihi! Algum erro? Me avisa!