More Than Eyes Can See
Autora: Mary Cavalcanti e Jess Oliveira
Beta-Reader: Annie Brissow



Capítulo I

Aquele era um dia como todos os outros, às 6:30 da manhã acordei com meu despertador irritante, levantei sem nenhuma vontade e comecei a me arrumar para o trabalho. Tomei meu café e saí pra enfrentar o trânsito estressante de Londres. No trabalho, meu chefe chato me enchia de papeis e relatórios. Todos os dias são iguais! Eu não aguentava mais... Mas o que eu podia fazer? Por mais entediante que fosse essa era minha vida eu tinha que me conformar com ela. Minha vida costumava ser diferente, mas o tempo passa, nós crescemos, as responsabilidades aumentam e de alguma forma nós temos de nos sustentar pra viver. Eu também costumava ser diferente, era mais divertido, aproveitava mais a vida sem me preocupar muito com as coisas quanto eu me preocupo hoje. Eu e meus amigos tínhamos uma banda e até levávamos bastante jeito com isso, mas muita gente achava que não íamos dar certo e acabou que cada um foi seguir o seu caminho e nos separamos. Acho que foi aí que errei e me arrependo até hoje. E se não tivéssemos nos separado? Será que hoje tudo não seria melhor? Bom, eu nunca vou saber.

***

Passei a manhã inteira entre papéis. Eu estava desesperado, e o relógio parecia estar brincando com a minha cara. A hora simplesmente não passava. Mas finalmente deu meio dia e eu pude respirar um pouco.
Estava na hora do almoço e eu saí do trabalho a pé mesmo, porque queria pensar. Pensar em tudo simplesmente. Estava distraído caminhando até um restaurante, peguei meu celular pra ver que horas eram e no segundo seguinte só o vi espatifado no chão. Alguém havia esbarrado em mim e por consequência deixei meu celular cair. Virei para a pessoa a minha frente com uma pequena raiva momentânea:
- Ei, você não olha por onde anda não? - eu sei que eu também não estava olhando, mas eu estava vendo as horas! A mulher a minha frente não parecia ter nada que a impedisse de olhar o caminho.
- Desculpe. - ela disse baixo. A voz dela era linda e seu rosto também. Tinha as feições delicadas, os lábios desenhados perfeitamente e as bochechas coradas - talvez de vergonha, não sei - e seus cabelos castanhos caindo nos ombros. A única coisa que eu não conseguia ver eram seus olhos, que estavam escondidos atrás de um par de óculos escuros, o que era estranho, porque nem estava fazendo sol. Mas o que eu achei mais estranho foi o fato dela ter se mantido calma. Mesmo após eu ter "brigado" com ela, sua feição continuou calma. Eu não consegui concluir meu pensamento, pois logo depois ela se virou e continuou a andar na direção oposta a minha. Aí eu me pergunto: o que eu estava fazendo analisando desse jeito uma completa estranha? Acho que eu estou trabalhando demais... Ainda bem que era sexta-feira.

***

Era sábado à tarde e eu não tinha mais nada pra fazer, já havia feito todas as coisas que há para se fazer num sábado à tarde. É, à tarde porque eu havia acordado meio dia, depois pedi uma pizza e fiquei vendo qualquer filme que estava passando na TV. Quando cansei de ver TV, fui arranjar alguma coisa pra fazer na internet, mas não achei nada, por isso estou agora sentado na cama com cara de paisagem e sem nada pra fazer. Resolvi largar de ser sedentário e sair de casa para caminhar um pouco. Peguei meu casaco, minhas chaves, o celular e sai de casa. O dia estava frio e nublado, mas mesmo assim bonito. Fiquei caminhando distraído e sem rumo durante alguns minutos até chegar a uma espécie de pracinha que estava vazia, afinal, nenhuma mãe iria trazer seus filhos pra brincar em um dia frio como esse. Dei uma olhada em toda pracinha e me dei conta de que ela não estava totalmente vazia. Além de mim havia uma mulher sentada em um dos bancos com um cachorro deitado aos seus pés. Eu já não a havia visto em algum lugar? Apertei um pouco os olhos pra tentar enxergar melhor e percebi que ela era a mesma mulher em que eu havia esbarrado ontem. Eu me lembrava bem daquele rosto e se me perguntassem como ou por que, eu sinceramente não saberia responder. Caminhei em direção ao banco em que ela estava sentada e assim que me aproximei, o cachorro que estava aos seus pés se levantou. Mas não latiu, rosnou e nem se moveu em minha direção. Só ficou parado me olhando, como se estivesse extremamente alerta aos meus movimentos. Me aproximei mais para sentar no banco e o cachorro saiu de sua posição, virando e ficando sentado de frente pra mim e pra mulher ao meu lado.
- Oi. - ela disse ainda olhando pra frente. Ela estava usando os mesmos óculos escuros de ontem.
- Oi. – eu respondi. Será que ela se lembrava de mim? As chances eram muito poucas, já que eu havia apenas esbarrado nela na rua... E isso foi ontem.
- Ah, foi você que se estressou ontem na rua quando eu esbarrei em você, não foi? - ela disse finalmente olhando pra mim e sorrindo fraco. Bom, pelo menos ela se lembra de mim. Não de um jeito tão bom para uma pessoa ser lembrada, mas se lembra, não é? Mas por que eu estava me preocupando se uma estranha se lembrava de mim? Eu devo ter problemas...
- É, fui eu. Erm... Sobre aquilo, eu queria me desculpar. Eu me estressei sem motivos e... - eu ia continuar, mas fui interrompido por ela.
- Ei, não precisa se preocupar. Não foi nada. - ela falou virando pra frente novamente e sorrindo. Eu já disse que o sorriso dela era lindo?
Depois disso nenhum de nós falou mais nada, um silêncio meio incômodo se instalou entre nós. Eu estava procurando mentalmente algum assunto que não fosse muito idiota para poder falar com ela, até que eu me dei conta de que não sabia seu nome.
- Qual é o seu nome? - uau, será que ela lia pensamentos? Eu estava prestes a perguntar isso!
- , mas pode me chamar de . E o seu?
- , mas pode me chamar de .
- Hm, cachorro bonito. É seu? - cara, não tinha assunto melhor pra eu arranjar não? Claro que o cachorro era dela. Estava aqui com ela e ainda por cima estava deitado nos seus pés antes de eu chegar! Mas na falta de assunto melhor - ter
um assunto melhor claro que tinha, só que eu não consegui achar nenhum, esse era o problema - ia esse mesmo.
- É sim. O nome dele é Pluto. - ela disse rindo, provavelmente da minha pergunta genial.
E novamente aquele silêncio incômodo se instala. Pensa, pensa, pensa ! Pensa em algo útil pra falar!
- Erm... Hoje está frio pra ficar caminhando por aí, por que você veio até aqui e sozinha? Quer dizer, eu não to querendo me meter na sua vida nem nada e... - tentei me explicar, mas fui interrompido por ela que estava achando graça do meu desespero.
- Calma, eu não acho que você esteja se intrometendo na minha vida. E respondendo a sua pergunta, eu vim aqui fazer o mesmo que acho que você veio fazer: pensar. Aqui é calmo, eu sinto uma paz quando venho pra cá e sempre que posso eu venho espairecer um pouco aqui. É ótimo pra pensar ou simplesmente ficar sem fazer nada, principalmente pra mim, que adoro ficar ouvindo os pássaros cantando aqui. - eu não sei o que estava havendo comigo, eu só sei que não conseguia parar de olhá-la, principalmente agora que ela estava falando de um jeito tão empolgado. Reparei que agora o sol conseguia seu espaço por entre as nuvens e iluminava de leve o lugar.
- Olha, parece que o sol resolveu sair. - comentei.
- É, eu estou sentindo.
- 'Sentindo'? - perguntei, estranhando o uso dessa palavra. Não é todo mundo que fala que está ‘sentindo o sol’.
- É, sentindo. Esse é o meu melhor jeito de saber que o sol está brilhando. - ela falou num tom simples.
Mas como assim esse era o melhor jeito dela?
- Bom, eu ainda prefiro ver pra me certificar de que ele ainda esta lá. - eu disse dando uma risada nasalada pela minha tentativa de falar algo engraçado e ao mesmo tempo percebendo com o canto dos olhos que o sorriso que ela dera fora mínimo. Esse sorriso tão pequeno não combinava com ela.
- Infelizmente a vida é imprevisível e às vezes você tem que arranjar uma nova maneira de ver tudo. - eu não conseguia distinguir se sua expressão era de tristeza ou de quem está mergulhado num pensamento profundo.
E foi aí que todas as peças se juntaram...
- Você é cega?
Ela confirmou com um aceno de cabeça.
Um turbilhão de pensamentos invadiu a minha mente, mas eu simplesmente não achava a coisa certa para falar (se é que havia algo considerado certo para se falar agora).
- Eu... Eu sinto muito mesmo. - eu disse baixo e ainda confuso, com olhar perdido no rosto dela. Me lembrei de ontem quando tinha esbarrado e meio que posto a culpa nela por isso. Oh man, eu sou tão idiota!
- Me desculpe mesmo por ontem! Eu... Eu não devia ter falado a... - comecei a me desculpar, mas fui interrompido.
- Ei, ei... Primeiro, você já se desculpou, não se lembra? Não precisa se desculpar mais só porque soube que eu sou cega. E segundo, eu já falei que aquilo não foi nada. - ela disse parecendo meio... Não sei... Chateada? Mas chateada com o que? Mas mesmo assim estava sorrindo pra mim.
Eu simplesmente não conseguia parar de admirar seu sorriso e... Ok , você deve estar olhando pra ela com uma cara de bobo nesse exato momento. Tenho que tentar parecer menos idiota às vezes...

Her POV

Eu não gosto que as pessoas sintam pena de mim pelo fato de eu ser cega, sabe? Quer dizer, eu sei que eu sou diferente, mas isso não me faz deixar de ser humana que nem todo mundo, não é? Eu não sou anormal e nem uma extraterrestre por isso. Foi terrível o que aconteceu comigo, mas agora eu tenho que seguir normalmente com a minha vida sem olhar para trás e eu tenho certeza que esse é o melhor jeito de seguir em frente. Quando se trata da vida, o máximo que podemos ter do passado são lembranças, não podemos ficar remoendo o que já aconteceu, senão algumas pessoas já teriam morrido de desgosto.
- Eu realmente não quero te chatear e se você não quiser não precisa responder… - Ele começou a falar mas eu o interrompi.
- Pode perguntar o que quiser. – Eu respondi sorrindo do tom nervoso que ele tinha na voz.
- Tá, tá, tá bom. Você sempre foi cega? Quer dizer, sei lá, você nunca enxergou? – Dessa vez ele tinha um tom curioso na voz. E mais uma vez eu sorri divertida com as diferentes emoções que ele me passava.
- Na verdade não. Eu perdi a visão num acidente de carro. Bati com a cabeça muito forte e isso acabou afetando a parte do meu cérebro responsável pela visão. Não explicar os termos médicos.
Imediatamente, ao falar disso, a imagem do meu pai dirigindo o carro me veio a mente. Essa com certeza era uma cena que eu nunca me esqueceria. Na verdade eu nem queria esquecer, meu pai sempre foi muito bom pra mim.
Senti um nó na garganta e meus olhos ficarem levemente umedecidos. Me chinguei mentalmente por estar quase chorando na frente de um estranho e ao mesmo tempo agradecendo por estar com meus óculos.
- Ahh… Tá tudo bem? – Ele perguntou com um tom preocupado.
- Sim, eu só estava lembrando de algumas coisas. Mas deixa isso pra lá. – Tentei sorrir.
- Posso fazer outra pergunta? – Ele era realmente um garoto curioso.
- Pode sim.
- Quantos anos você tinha quando isso aconteceu?
- Eu tinha 8 anos.
- Como foi lidar com tudo isso? Quer dizer, você era só uma criança, então imagino que tenho sido difícil.
- Você é muito curioso. – Eu disse rindo.
- Desculpe! E não quis incomodar. – Ele se desculpou, dando a impressão de estar envergonhado.
- Não está, mas já está na hora de eu ir pra casa. Acho que isso vai ser assunto para outra conversa. – Assim que me levantei do banco senti Pluto chegar perto de mim. Ele havia ficado quieto todo o tempo em que conversei com .
- Outra conversa? – ele pareceu confuso.
- Sim, venha aqui amanhã no mesmo horário e aí eu respondo sua pergunta. Agora me desculpe, mas realmente eu tenho que ir. Nos vemos amanhã então.
Saí sendo guiada por Pluto de volta pra casa. Não sei por que marquei com amanhã. Eu mal o conheço ele, mas alguma coisa estava me dizendo que eu ia gostar muito da companhia dele e que esses encontros na praça aconteceriam com frequencia. Parece bom pra mim.

CONTINUA!


N/a (M): heeey people! Só pra constar: quando tiver N/a (M) é pq sou eu (Mary) escrevendo, ok? Quando tiver N/a (J) é pq é a Jess ;)
Bom, pra começar, eu tive a idéia dessa fic e como não acho q escreva tão bem assim, eu falei com a Jess e a gente decidiu escrever ela juntas. Eu ainda acho q não escrevo tão bem assim... a fic só ta aqui pq eu tenho a ajuda da minha ultra master amiga Jess! *---*
Obrigada, obrigada msm por lerem o esse 1º capítulo! Mandem comments, ok? Só assim a gente vai saber oq vcs estão achando, que melhoras podemos fazer e todo mais... a caixinha de comentários serve pra isso msm. Podem mandar críticas (construtivas, ok?), opiniões, elogios, oq vcs quiserem! ;D bom, espero q tenham gostado desse 1º capítulo...
Bjoos ;**

N/A (J): Olá amores da minha vida!!! Bom agora vou encher o saco de vcs com as minhas N/As sem noção em 2 fics hahahahhaaha Mas dessa vez não estou sozinha ^.^
Agora a Mary (a quem eu sempre agradeço em Love Hurt) esta aqui tbm. Bom preciso dizer que toda a ideia dessa fic foi da Mary. Tudo merito dela!!! Eu só sei que de cara quando ela me falou dessa ideia eu me apaixonei! É uma historia linda e eu to me apegando muito a ela!! Então quero ver todo mundo dando Parabéns pra Mary!!! XD Eu to aqui só pra ajudar ^.^ PS: Vc tbm é minha ultra master amiga.
Então vamos lá!!! Nossa, seu Guy é um cara estressado, insatisfeito com o trabalho e que fica MUITO entidiado nos finais de semana (estou me vendo nessa discrição hahaha) Será que vc vai mudar isso nele? Já comecei com as minhas perguntas chatas!!! Haahaha Mas é que deixar vcs curiosas é legal hahaha #taparei
Ahhh gostaram do nome do cão guia de vcs? *-* Eu sempre fui fã do Pluto!! #momentoderegreçãoainfancia hahahahaha
Bom esse cap é mais apresentão dos personagens. Mas ainda vai ter bastante coisa por vir!! Então espero realmente que vcs tenham gostado!!! *-* Agora me deixem calar minha boca pq minha N/A já ta enorme!!
Beijocas e See Ya!!! =**

Nota da beta: Ah, que honra betar outra fic da Jess *-*' Meninas eu adorei esse primeiro capítulo e estou ansiosa por mais, viu? ATUALIZAÇÃO JÁ! rs. Parabéns pela ideia Mary, amei.
Qualquer erro na fiction mande um e-mail para annieb.ffadd@hotmail.com
BEIJOS ;* annie.