
MEMORY PUZZLE
por Tety Accioly
Beta-Reader: Loma R
"É preciso começar a perder a memória, ainda que se trate de fragmentos desta, para perceber que é esta memória que faz toda a nossa vida. Uma vida sem memória não seria uma vida, assim como uma inteligência sem possibilidade de exprimir-se não seria uma inteligência. Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nossa ação, nosso sentimento. Sem ela, não somos nada”
(Luis Buñuel)
Capítulo 1 – Raiva e Escuridão
“Como ele pôde fazer isso comigo?” só conseguia pensar nisso. Olhava ao redor do apartamento de Tom, mas não via nada. “Como ele pôde ser TÃO nojento? Por que ele fez isso comigo?”
— Eu te odeio Danny, me solta! AGORA – se desvencilhou dos braços de Danny dando-lhe um tapa na cara. Estava enfurecida e chocada ao mesmo tempo.
— Não foi minha culpa amor, me deixa explicar, POR FAVOR!
— NÃO ME CHAME DE AMOR, DANNY JONES! - correu para o elevador enquanto gritava – VOCÊ MORREU PRA MIM! Tom, segura ele, porque se ele continuar a me seguir, eu não sei o que sou capaz de fazer.
Tom, que assistia a cena toda calado, só balançou a cabeça positivamente.
O elevador abriu e entrou nele, encostando-se à parede e deslizando até agachar, ela não conseguia mais segurar o choro. Tom impedia Danny de ir até o elevador segurando-o pela cintura.
— Dude, você fez a coisa certa, ela tinha que saber. Ela vai pensar direitinho e vai ver que você é o amor da vida dela – Tom teve um pouco de dificuldade de pronunciar a última parte.
— Eu não contei, você ainda não entendeu o que aconteceu? AH, mas foi de propósito, se você gosta dela o problema não é meu! Você já tentou de tudo para ficar com ela, mas ela NUNCA olhou para você, Thomas! Ela me ama, seu idiota. E você sabe disso. Agora me solta porque ela precisa me ouvir!
Danny se esquivou de Tom, que por sua vez ficou estático, tinha uma expressão triste e seus olhos estavam cheios d'água fazendo com que ele tivesse que engolir a seco antes de falar.
— É, Danny. Você tem razão, ela te ama mesmo.
Danny já estava distante, correndo em direção as escadas para alcançar .
Ele saiu pelo hall ofegante depois de descer 10 andares e viu sua garota dobrar a esquina no meio da multidão. As ruas de Londres estavam agitadas e iluminadas por milhares de luzinhas enfeitando os prédios, já nevava e muitas pessoas passavam com presentes. Só faltava uma semana para o natal.
— , espera! – Danny gritou correndo em sua direção.
Ao escutar isso, ela apertou o passo, ouvindo Danny gritar mais uma vez enquanto atravessava a rua. Ela parou no meio da rua ainda se perguntando por que ele insistia em falar com ela já que o que está feito não iria mudar. Ele queria vê-la sofrer mais ainda. Só podia ser.
respirou fundo, sentindo um enorme nó na garanta. Por instinto colocou a mão no colo para segurar o cordão com um pingente de coração dourado que Danny tinha dado a ela.
— Fica longe de mim! Eu não quero nada que tenha a ver com você, Danny. NADA! – Ela gritou sem o olhar, arrancando a correntinha em um só movimento e jogando na direção dele.
— Desculpa, . Mas... Como eu ia adivinhar que isso ia acontecer? Me desculpa, por favor. Aquilo não tem significado para mim, EU AMO VOCÊ! – Ela sentia seus olhos arderem mais do que nunca e tudo que queria fazer era chorar até não aguentar mais. Mas não podia fazer isso. Não na frente dele. Ele não podia ver como ela estava abalada. Ela era muito orgulhosa para deixá-lo perceber isso.
— CHEGA, Danny! – Ela gritou com todas as forças. – Acabou! Pra mim já che... – Sua fala foi cortada por um som constante e estridente de uma buzina. Quando olhou para o lado, viu dois faróis se aproximando muito rápido. A única coisa que ela conseguiu fazer foi fechar os olhos.
— ! – Foi a última coisa que ela ouviu antes de ser atingida.
’s P.O.V.
“Porque eu não consigo me mexer?” Os faróis estavam perto demais para eu conseguir esboçar alguma ação. Dor... Sangue... Dor... Gritos... Vozes ecoando em minha cabeça...
Danny estava lá me socorrendo e repetia meu nome várias vez com voz de choro. De repente todas as vozes foram ficando distantes e a escuridão dominou minha mente. Desmaiei.
Dor de cabeça. Era a única coisa que eu sentia no momento. Tentei abrir meus olhos devagar percebendo em seguida que essa foi uma péssima idéia.
Demorei alguns segundos para me acostumar com a luz e as imagens entrarem em foco. Quando isso aconteceu, eu enxerguei tudo branco. Paredes brancas, teto branco e uma luz forte que aumentava consideravelmente minha dor de cabeça. Será que eu morri?
— ? – Ouvi a voz esperançosa de Danny distante.
Meu coração acelerou. Batia tão forte agora que não precisava daquele aparelho chato de monitoramento, qualquer um conseguiria ouvi-lo batendo a quilômetros de distância. Puxei o ar tentando falar alguma coisa, mas eu não consegui. Dor, muita dor em todo o corpo, foi a única coisa que eu consegui sentir. E tudo ficou preto novamente.
Desmaiei pela segunda vez.
Acordei cansada e respirando com dificuldade. Achei melhor não abrir os olhos já que da última vez não tinha sido uma experiência muito boa. Queria saber o que aconteceu comigo, mas me sentia muito cansada para tentar chamar alguém.
Escutei alguém se aproximando no corredor e a porta do quarto se abrindo em seguida.
— Senhor, já acabou o horário de visitas. O senhor que tem se retirar – Ouvi uma voz feminina e delicada falando baixo para não me acordar.
Ah, Danny ainda estava aqui? Ele ficou o tempo todo comigo?
— Por favor, enfermeira. Me deixa ficar só mais um pouco, não posso deixá-la sozinha.
Opa! Essa, definitivamente, não era a voz do Danny. O que o Tom estava fazendo aqui?
— Ela vai ficar bem. Nós já a sedamos e ela não vai acordar agora. Me desculpe, senhor. Mas eu só posso lhe dar mais 10 minutos.
— Ok, obrigado.
Senti o perfume de Tom invadir o ambiente, ele devia estar muito perto agora. Eu não conseguia me mexer.
— Por favor, fica bem logo. Eu vou conseguir enrolar aquela chata, eu não vou te deixar sozinha. Não outra noite – Ele sussurrou, mexendo no meu cabelo e beijando minha testa.
Meu deus, quanto tempo eu fiquei apagada? Um gemido forçado saiu de minha garganta. Eu não tinha forças para falar. Senti que Tom me observava, mas não conseguia abrir os olhos, minhas pálpebras pareciam pesar 100 quilos.
— Você vai ficar boa, . Só tente descansar mais um pouco.
Tom começou a cantarolar uma canção de ninar e sua voz suave foi ficando distante. Apaguei.
Capítulo 2 – Explicações
Um aroma familiar logo invadiu minhas narinas. Como eu gosto desse cheiro! O cheiro das minhas flores preferidas; Orquídeas.
— Acho que ela está acordando – disse uma voz feminina que parecia entusiasmada – Não a sufoque, Tom.
Senti uma respiração muito próxima e decidi abri os olhos para ver quem era. Dois olhos castanhos sorriam para mim. Porém, Tom foi logo empurrado para trás por Danny que apareceu com um sorriso radiante no lugar antes ocupado por Tom. Que saudade desse sorriso!
— , você está bem? Por favor, não diga nada! Você tem que descansar para ficar boa logo, ok? Não desmaie, por favor! – Falou Danny muito rápido.
— Eu vou ficar bem – pela primeira vez depois do acidente eu falara. Como era estranho ouvir minha voz fraca, quase um sussurro.
Comecei a olhar em volta e tinha alguns rostos conhecidos, outros nem tanto. Dougie e Harry estavam no pé da cama. Já Tom se encontrava do lado oposto ao de Danny. E tinha uma moça muito bonita ao lado do Harry, ela segurava sua mão e me olhava com um sorriso doce. Eu realmente não a conhecia.
— Você não vai me apresentar sua namorada, Harry? – Disse, querendo a qualquer custo quebrar o clima tenso do quarto. Tentei dar mais força a minha voz que agora parecia de uma pessoa rouca.
— Er... Hm... Essa é a , você não se lembra dela? - Falou Harry meio atordoado com a minha pergunta. Todos me olhavam com cara de espanto e dúvida.
Mas eu nunca tinha visto aquela menina na vida, tinha? Comecei a tentar me lembrar de alguma coisa, mas a última coisa que vinha em minha mente era o baile de formatura do Dougie, e isso foi quando? Quando respirei fundo para falar mais uma vez, ouvi passos ligeiros se aproximando. Graças a Deus, , minha melhor amiga, entrou no quarto.
— Me digam se houve algum progresso, ela acordou? Eu vim o mais rápido que pude – Ela disse ofegante, antes de olhar para mim ela deu um selinho em Dougie – Ah, ! Finalmente! Eu rezei tanto, isso é um milagre! - Agora ela mexia as mãos freneticamente enquanto falava. Estava extremamente feliz, e eu também – Quando eu fiquei sabendo que você tinha sido atropelada eu entrei em desespero...
— Atropelada? - Falei muito baixo. Só Tom conseguiu ouvir, ele me olhou de rabo de olho e estreitou as sobrancelhas.
—... E você ainda fica três dias sem acordar direito! Eu pensei logo o pior, né?! - finalmente parou para respirar e o quarto ficou em profundo silêncio.
— Você não se lembra de nada, ? - Tom perguntou, confuso – Você foi atropelada há três dias. Você quase morreu!
— Mas eu... Não me lembro disso – Minha mente estava vazia, isso foi me dando agonia – Mas porque eu fui atropelada? - Ninguém falava. Olhavam para a cara uns dos outros buscando uma resposta na qual eu nem fazia idéia – Que foi? Eu estava bêbada? Eu queria me matar?!
— Não , foi um acidente horrível! – Danny falou segurando minha mão – Mas qual é a ultima coisa da qual se lembra?
— O Baile do Dougie. Isso não foi agora? Quero dizer, nesse final de semana? – eu devia estar mal mesmo. Todos me olhavam com cara de chocados, como se eu estivesse falando algo absurdo – Gente, alguém me explica o que está acontecendo, AGORA.
Eu estava completamente confusa, eu não me lembro de nada depois do baile, nada fazia sentido para mim. Atropelada? Por isso que eu estou presa a essa cama há três dias?
— Amiga, não fica assim! Você levou uma pancada muito forte na cabeça, é natural que você não se lembre de tudo – Disse tentando me acalmar.
— Há quanto tempo foi esse baile? - Falei séria.
— Bem, foi a um tempin...
— HÁ QUANTO TEMPO?! - Cortei Dougie furiosa. Por que ninguém dava respostas diretas para minhas perguntas?
— Foi há dois meses, - Falou Tom fitando o chão.
— Meu Deus. Dois meses? – repeti baixinho, eu estava começando a ficar ofegante. Um aparelho ao lado da minha cama começou a apitar. Um nervosismo anormal tomou conta de mim e tudo foi ficando escuro – Não me deixe sozinha, Tom.
— Nunca. Eu prometo! – Ele disse se aproximando e segurando minha mão.
— ? ? – Ainda ouvia Danny gritar. Ouvi a enfermeira chegar mandando todos saírem, mas continuei a sentir o calor da mão de Tom na minha.
Apaguei novamente.
— É mocinha... Parece que você não aguenta fortes emoções – Ouvi alguém com uma voz masculina muito angelical.
— Como?! - Comecei a abrir os olhos e a imagem de um homem com um jaleco branco entrou em foco na minha frente, logo entendi que era um medico falando.
— Tive que expulsar seus amigos daqui, senão você nunca ia melhorar, desculpe – Ele parecia animado. – Bem, antes que você pergunte, hoje é dia 22 de dezembro e você sofreu um acidente gravíssimo no dia 18. Mas pelo visto você está se recuperando muito mais rápido do que esperávamos. Isso é muito bom, logo você vai poder voltar para casa - O médico deu um sorriso esperançoso e eu aproveitei a brecha para falar.
— Doutor, por que eu não estou lembrando, quer dizer – Eu queria explicar da maneira mais simples o que estava acontecendo comigo. – Eu me lembro de várias coisas até certo ponto, depois disso é como se eu não tivesse vivido os momentos que meus amigos me falaram. Eu também não reconheci a namorada de um deles. Isso é normal? Eu vou me lembrar de alguma coisa? Por que a última coisa de que eu me lembro foi há dois meses atrás.
— Veja bem , é frequente a perda de memória em pessoas que passaram por eventos traumáticos, como no caso de acidentes automobilísticos. No entanto, é impossível garantir se, com o passar do tempo, você irá se recordar de tudo ou ter alguma lembrança do que aconteceu nesses últimos dois meses – O médico viu meu olho encher d'água, mas mesmo assim prosseguiu - Acidentes dessas proporções causam o que a medicina chama de amnésia traumática. Há o efeito psicoemocional, no qual o cérebro, por meio de uma espécie de mecanismo de defesa, bloqueia as lembranças relacionadas só ao trauma, ou mais lembranças como no seu caso. Isso pode ser permanente ou não. [/n.a.: Santo Google! xD]
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. O acidente deve ter sido realmente terrível.
— Quais lesões mais eu tive?
— Poucas, por incrível que pareça. Bem, foi uma fratura na costela, mas já operamos e você também quebrou a perna esquerda, mas vai melhorar em torno de poucos dias, e a batida na cabeça, que foi mais forte na parte do hipocampo e do córtex entorrial, responsáveis pela memória.
— Ah sim... – Falei só para não ficar um silêncio desagradável, se eu não sabia o que tinha acontecido nos últimos dois meses imagina saber aqueles nomes de biologia – É... Eu vou continuar tentando me lembrar.
— Os seus amigos podem te ajudar. Eles podem contar historias, mostrar fotos, assim estimula o cérebro e quem sabe você não lembra?!
— Ótima idéia! - Eu finalmente tinha fé, estava começando a me animar.
— Como é bom te ver sorrir de novo, – Falou Tom, que estava no quarto esse tempo todo eu não havia percebido. Ele levantou do sofá, onde provavelmente dormia antes, olhou a minha cara de surpresa e então falou, lendo minha expressão de surpresa – Ora, você não pediu para eu ficar? Aqui estou! Prometi lembra? Ah desculpe, ultimamente você não se lembra de muita coisa – Disse, sendo sarcástico. Mostrou a língua de lado rindo, me fazendo rir também.
— Bobo! Hey Tom, você já pode começar a me ajudar com a minha memória. Me diga, o que eu estava fazendo antes de ser atropelada?
— Hm... Atravessando a rua! – Falou como se a resposta fosse óbvia.
— Ok, mas por que eu estava atravessando a rua?
— Para chegar a outro lado! Ha-ha! – Eu não achei a mínima graça. Além de Tom estava se divertindo as minhas custas, continuava fugindo da pergunta que eu fiz.
— Ta me chamando de galinha, Fletcher? – Perguntei indignada.
— Ah, da piada você lembra? Nossa , você está melhor do que eu esperava!
— Tom, dá pra para responder a minha pergunta? Já estou perdendo a paciência. – Apertei os olhos, desconfiada. O que será que ele estava me escondendo? - Qual é o seu problema Tom?! O que eu fiz e não posso saber?
— Nada, . Você que está paranóica! – Disse revirado os olhos. – Não tem nada para esconder de você.
— Então me diga, Thomas Fletcher. Por que eu fui atropelada? O que eu estava fazendo antes? Foi um simples acidente? Eu fui assaltada?! O QUE ACONTECEU EXATAMENTE? - O aparelho de monitoramento cardíaco começou a apitar como da última vez que eu desmaiei, me fazendo perceber que tinha perdido completamente o meu controle. Tom estava com os olhos arregalados, sem saber o que fazer – Ah, desculpa Tom. Eu perdi completamente a cabeça. Você não sabe como é angustiante, como é terrível, não se recordar de nada. Eu to com tanto medo! – O apito se calou e eu comecei a chorar – Me desculpa Tom, mesmo.
— Tudo bem , você não precisa se desculpar. Você vai ficar boa logo, só tem que ficar calma. Ok?
— É , você está muito sensível para fortes emoções agora. Foi por isso que eu tinha tirado seus amigos do quarto. Não me faça tirar seu namorado também.
O silêncio dominou o quarto. Vi as bochechas de Tom corarem. Ele apenas sorriu de lado, mas continuou calado.
— Er.. bem, ele não é meu namorado. É?
Tom permaneceu calado. Parecia mergulhado em pensamentos com a minha última pergunta.
— Ah, me desculpem, er, - Falou o médico, sem graça - é que eu nunca tinha visto uma pessoa tão preocupada e atenciosa com a outra, poucos maridos fazem isso. Então, achei que tivessem algo mais do que amizade. Mas isso não é da minha conta, não é mesmo? Eu vou deixar vocês a sós. Vou mandar uma enfermeira te dar um analgésico e volto mais tarde para ver como a senhorita está. Com licença.
Ele saiu meio apressado, parecia estar mais constrangidos do que eu e Tom juntos.
— Hum... Eu vou pegar alguma coisa para beber. Quer alguma coisa do refeitório, ?
— Não, obrigada.
Tom estava estranho, não me olhou antes de sair. Eu não entendi. Será que ele se perturbou com o que o médico disse? Tom sempre foi meu melhor amigo, já estávamos mais que acostumados a ouvir isso. Eu sempre frequentei a casa dele. Adorávamos ver filmes de terror ou ficar pensando em como fazer o Dougie e a namorarem. Foi ele que me apresentou para o Danny, que, até onde eu me lembro, era apaixonada pela beleza dele e ficamos no baile de formatura do Dougie. Bons tempos... Mas o que será que deve ter acontecido nesses dois meses? Já tinha pensado no Tom como algo mais do que só amizade, porém ele nunca demonstrou nada. Eu gostava dele quando nos conhecemos, só que ele era comprometido na época, e isso já devia fazer um ano. Então apareceu o Danny, com aquele corpo sedutor, e eu fui esquecendo o Tom. Pelo menos eu acho que esqueci.
Fui afundando nas minhas antigas memórias e acabei adormecendo.
Capítulo 3 – Surpresa de Natal
Os dias foram passando todos muito iguais. Eu ficava o dia inteiro deitada e com tédio, exceto na hora que Tom chegava e me fazia companhia. Todos os outros não podiam ficar mais de meia hora, tinham que trabalhar ou coisas muito mais importantes para fazer. Eu começava a ficar preocupada com a minha mãe, ela não sabia de nada, ainda. Claro que ela já estava desconfiada afinal eu não falava com ela há, no mínimo, cinco dias, mas eu não queria encarar a fúria dela tão cedo. Além do mais, o que ela poderia fazer?
Tom me disse que os meus pais foram fazer um cruzeiro, já que eu ia passar o natal e o réveillon com meus amigos todos juntos na casa dele ou na tradicional festa natalina dos Jones.
Danny me enviou flores todos os dias, uma mais linda que a outra. me ligava de hora em hora para saber se eu estava realmente bem, e eu sempre ouvia Dougie falando com ela: “Deixe-a dormir, assim ela nunca vai melhorar completamente.” E ela respondia: “Dougie, eu sei o que é melhor para minha amiga ouviu bem? Mas onde eu estava mesmo, ?” E continuávamos a conversar. Harry me ligou umas 10 vezes perguntando se eu ainda me lembrava dele, claro que na primeira vez que ele me ligou eu me desculpei por não lembrar de sua namorada. Depois Tom me lembrou que dia 23 era o aniversário de Harry, ai quem ligou para ele fui eu, para lhe dar os parabéns. Tudo ia razoavelmente bem no hospital.
— Feliz natal, – Falou entrando no quarto. – Como você está se sentindo? Eu trouxe um monte de coisinhas gostosas pra você! E presentes! Espero que você goste!
Logo depois veio Dougie com um embrulho rosa pink amassado nas mãos e um sorriso meio sem graça.
— Er, desculpe, , é que eu sentei em cima dele sem querer. Mas não é de quebrar, acho que você vai gostar.
Peguei o embrulho e abri sem cerimônia. Era uma T-shirt curta com a seguinte frase:
"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."
Eu gargalhei.
— Viu, eu falei que ela ia gostar - Disse Dougie jogando na cara da – Quando foi que você a viu rindo desse jeito depois do acidente?
— Genial Doug. Adorei! - Falei sorrindo.
Tom e Danny apareceram logo em seguida, pelo visto tiveram um conversa lá fora nada agradável. Eles não estavam com uma cara boa, aliás, pareciam distantes. Pelo o que eu me lembrava, eles eram praticamente melhores amigos. Estranho. Danny sorriu ao ver que eu olhava para ele enquanto Tom só fitava o chão.
— Feliz natal, ! – Danny se aproximou com um sorriso, e me roubou um selinho.
Arregalei os olhos, ficando toda arrepiada com o excesso de contato. O que Danny estava fazendo?
— Feliz natal, Danny – Falei pausadamente, ainda meio confusa.
— , você namorava o Danny antes de ficar presa nessa cama. Mas vocês namoravam há menos de dois meses, você não deve se lembrar.
— Desculpe, . Se você quiser, eu não faço mais – Ele pareceu desapontado com a minha reação.
— Er... Não, que isso! Quer dizer, não sei... Eu realmente não me lembro, desculpe! Isso só é... Hm... Novo pra mim – O que eu iria responder?
Olhei em volta. Todos estavam calados me olhando. Menos Tom, que mexia no seu relógio.
— Feliz Natal, Tom! - Falei alto obrigando lhe a voltar à realidade. Era estranho vê-lo assim, parecia não estar à vontade – Aconteceu alguma coisa?
— Ah! Feliz natal, - Falou surpreso, mas sem muita emoção.
— É que ele não gosta de ser contrariado, amor. Não ligue para ele. Daqui a pouco ele volta ao normal - Disse Danny.
— Bem, eu tenho um presente simbólico para você. Espero que você goste, ! - Falou amenizando o clima.
Ela abriu um cartaz com um monte de fotos coladas e um título escrito em letras garrafais: “Coisas que eu perdi nos últimos dois meses.”
Tinha fotos de todo mundo. Uma minha dando um selinho no Danny; fazendo guerra de neve com o Tom; Harry e sua namorada abraçados e Tom e eu atrás fazendo careta; eu cantando karaokê com o Dougie; eu aparentemente bêbada com a . E uma foto, estendeu sua mão dizendo:
— Essa foi a nossa primeira foto namorando – Disse olhando para o Dougie - Você fez questão de tirar, .
— Me deixa ver.
Assim que toquei na foto uma coisa muita estranha aconteceu.
— Calma amiga, eu tenho certeza que o Dougie vai te pedir em namoro hoje. Ele mesmo disse que estava querendo lhe fazer uma surpresa, só pode ser isso, amiga - Falei tentando animá-la – Vai dar tudo certo!
— É que eu estou tão nervosa! Já está quase na hora do parabéns e está todo mundo aqui na minha casa. Ah, que vergonha! – Falou dando pulinhos e balançando as mãos.
— Só você mesmo, amiga! – Eu ri de seu nervosismo - Vamos descer logo. Todo mundo deve estar esperando.
— Como eu estou? – Ela perguntou se olhando pela décima vez no espelho.
— Maravilhosa! Como eu disse nas outras nove vezes que você perguntou. Agora vamos?
Descemos as escadas que davam na piscina. Todos estavam lá se divertindo. No meio de tantos convidados, eu vi Dougie olhando de forma carinhosa para . Ele parecia nervoso também. Tom lhe dava alguns conselhos ao pé do ouvido, mas ele nem parecia ligar.
A festa estava linda. Acontecia em volta da piscina, era estilo havaiano. O ambiente era todo fechado e climatizado, pois com o frio de outono londrino ninguém ia aguentar ficar lá fora.
achou o vestido mais colorido e florido da cidade e usava uma coroa de flores brancas que eu havia achado de véspera. Ela era a pessoa mais radiante do salão. Eu estava com um vestido azul com flores brancas, as cores exatas da blusa do Tom. Harry usava uma blusa branca tipo bata. E Dougie estava com uma blusa vermelha com enormes flores em amarelo, as cores que a mais gostava de vê-lo usando. Mas eu não encontrava Danny na multidão.
Dougie estava esperando no último degrau e a convidou para dançar, pedindo para o DJ colocar uma música lenta. O salão inteiro olhava para o casal. Minha amiga me lançou um olhar ansioso e colocou seus braços envolta do pescoço de Dougie.
Aproveitei que estava ocupada para procurar o Danny. Eu sentia que não estar perto dele me tornava incompleta, vazia...
Reconheci Tom de costas, mergulhado em seus pensamentos.
— Hey, Tom! Já está bêbado? - Falei brincando.
— Ainda não! - Ele respondeu rindo e enfatizando o ainda.
— Mas e aí, gostando da festa? - Falei arrumando seu colar de flores havaianas.
— Está prefeita – Ele disse segurando minha cintura e me puxando para perto. Dançávamos a música lenta agora. Seu perfume me invadiu, automaticamente fechei os olhos, eu adorava aquele cheiro. Rapidamente recuperei meus sentidos, e continuei a conversa.
— Eu acho que é hoje, Tom. Dougie vai ter que pedi-la em namoro! Eles são lindos juntos – Falei olhando para o casal dançando. Doug falava alguma coisa no ouvido da , o que a fez rir e lhe dar um beijo. Eu apenas sorri antes de continuar falando – E você Tom, já arrumou alguma gatinha na festa? - Voltei minha cabeça para olhar para ele. Nós estávamos perto demais. Os dois olhos castanhos chocolate me encaravam com intensidade e cheio de dúvidas. Aquilo me fez corar e eu apenas abaixei meus olhos.
— A única pessoa que me interessa nesta festa, eu não posso ter – Ele contraiu os lábios deixando mais exposta sua covinha.
— E quem é? - Ao mesmo tempo em que eu temia pela resposta, eu também queria saber quem era.
“Hm” Foi somente o que Tom conseguiu dizer antes de Harry surgir do nada.
— Hey! Estão se divertindo muito? - Harry falou rápido, não esperando pela nossa resposta – , o Danny mandou avisar que precisa falar com você. Ele está te esperando no quarto da .
— Ah, obrigada! - Falei sem esconder minha animação.
Tom apenas tirou as suas mãos da minha cintura e se virou. Eu fui correndo para a escada. Atravessei a varanda e a porta do quarto já estava semi-aberta. Meu coração acelerou. Fui devagar até a porta controlando minha ansiedade.
— Danny? - Eu o vi encostado na bancada, com uma bata branca com gola em “V” e um colar colorido pendurado no pescoço. Ele estava indiscutivelmente maravilhoso – O Harry disse que você queria falar comigo.
— Falar? Acho que eu quero algo mais... – Danny veio andando em minha direção me deixando sem reação.
Ele olhou nos fundos dos meus olhos antes de me beijar. Foi um beijo ardente e excitante. Ele foi me pressionando contra a parede, enquanto eu acariciava sua nuca. Sua mão passava livremente sobre a minha coxa e quadril, ele me segurou forte em seu colo, e eu o abracei com as pernas, ficando praticamente da sua altura. Estávamos ofegantes, mas não nos desgrudamos um segundo sequer. Ele me desgrudou da parede até me colocar sentada da bancada do computador ainda entre as minhas pernas. Danny fazia movimentos que me deixavam mais envolvida ao seu toque, fui passando a mão por dentro da sua blusa e a tirei rapidamente. Arranhei de leve suas costas e senti Danny se arrepiar, ele apenas deu um sorriso malicioso e continuou a me beijar. Foi passando os lábios pelo meu pescoço até o ouvido, dando uma mordidinha na minha orelha, fazendo eu me arrepiar também. Ele tinha descoberto meu ponto fraco. De propósito, continuou a explorar essa região. Ele pegou minha nuca com as duas mãos e as suas pontas dois dedos entraram em meu cabelo, ele beijava meu pescoço enquanto eu ouvia sua respiração muito perto do meu ouvido. Eu apertei os olhos e fui tombando o pescoço de prazer e nervoso. Coloquei as mãos na bancada para segurar o gemido em minha garganta.
Eu, sem querer, derrubei um copo que se espatifou no chão, me fazendo abrir os olhos. Danny também escutou. Ele interrompeu nosso beijo, me dando um selinho, e olhou para baixo.
— Merda! – Falei baixinho vendo os cacos de vidro espalhados no quarto - Cuidado Danny, você pode se cortar.
— Eu sei um lugar seguro.
Danny me segurou no colo de novo e me deitou na cama da . E devagar ele foi beijando o meu joelho, minha coxa. Um beijo de cada vez enquanto ia levantando meu vestido. Eu fui ficando nervosa, sentei na cama segurei seu colar havaiano, puxei para perto seu peito nu e voltei a beijá-lo. Ele, por sua vez, foi passando a mão na minha coxa por baixo do meu vestido ameaçando tirar minha calcinha.
Aquilo me incomodou um pouco, eu achava que começávamos a ir longe demais. Eu não queria fazer aquilo ali e naquela hora, não na festa da minha melhor amiga e muito menos no quarto dela.
Eu já estava ficando sufocada. Comecei a afastar do Danny devagar, mas ele me puxou mais forte e me colocou sentada no seu colo.
Quando eu ia dar um basta naquilo, ouvi o DJ parar a música.
— Senhoras e senhores. Chegou a hora mais importante da festa! Por favor, dirijam-se a mesa do bolo.
Parei de beijá-lo imediatamente e olhei para seus olhos azuis.
— Temos que ir, Danny. Agora!
— Mas já? - Sussurrou no meu ouvido.
Por um segundo eu iria deitar na cama e continuar o que eu mesma tinha parado, mas eu não podia fazer isso, eu não queria fazer nessa situação.
— Vamos, por favor.
Levantei da cama e ajeitei meu cabelo e o vestido. Danny pegou sua blusa no chão no meio dos cacos de vidro e nós saímos tomando cuidado para não pisar em um.
Desci a escada correndo e fui direto para mesa do bolo. Já estava no meio do parabéns.
Vi assoprar as velinhas e, quando me encontrou no meio da multidão, acenou de leve. Eu sorri ao ver minha amiga tão feliz. No meio de todo o falatório, ouvimos um ruído muito alto vindo do microfone do DJ. A festa toda se voltou para a ele, mas Dougie se encontrava com o microfone na mão muito sem graça.
— Er... Droga – Falou dando tapinhas no aparelho provocando outro som irritante – Desculpe. Sei que hoje todos estão aqui para prestigiar a , mas eu tenho uma pergunta importante para fazer. Não sei se isso é meio egoísta, mas dependendo da resposta eu posso ser o cara mais feliz de Londres, então pense bem antes de responder, ! – Doug continuava sem graça, falava bem pausadamente. Eu nunca tinha visto ele se expor desse jeito. Ele sempre foi tímido, calado, era um grande progresso ele falar ao microfone.
Os olhos de brilharam e ela estava mais vermelha do que nunca. Escutava-se um e outro dizer “Olha lá, hein .” ou “ O Doug bebeu quantas?” , mas ela tinha sua atenção toda voltada para Poynter.
— Você, , quer namorar comigo? - Dougie prendeu a respiração e ficou imóvel.
O silêncio se materializou no ambiente. Todos olhavam atentos para reação da . Como previsto, ela abriu um largo sorriso.
— Claro que sim! - Falou correndo na direção de Dougie e lhe dando um beijo de cinema.
De repente, reparei que Tom estava do meu lado, muito feliz, e com uma câmera Polaroid nas mãos [N/A: aquela que você tira a foto e revela na hora! xD].
— Me empresta Tom? - Apontei para câmera.
Ele analisou o meu estado, me encarando com uma cara de angústia antes de me entregar a câmera. Fui correndo em direção ao mais novo casal de namorados.
— Quero ser a primeira a registrar esse momento! – Eu dei um sorriso para minha melhor amiga, ela retribuiu radiante, eram o casal mais feliz do mundo, e Dougie se posicionaram juntos.
– Sorriam.
Após o famoso “click”, a câmera fez um barulho de rebobinação, e a foto saiu pelo buraco de baixo. se apressou para pegá-la e olhou, encantada.
— Ficou perfeita, ! Obrigada – Ela falou a última palavra como se não estivesse me agradecendo somente pela foto, mas pelo apoio e por saber que tudo ia dar certo.
Ela me entregou a foto, me dando o abraço que só ela sabe dar.
Um clarão invadiu meus olhos e eu volto a enxergar a foto em minhas mãos.
Capítulo 4 – Dúvidas
Respirei fundo, não sabia ao certo o que tinha acontecido comigo. Continuei a olhar para foto.
— ? - Ouvi a voz do Tom ao meu lado, mas só o seu toque que me fez voltar à realidade.
— Hm – Eu estava confusa, todos me olhavam com as sobrancelhas erguidas. Já estava começando a me acostumando com todo mundo me olhando estranho.
— Ih, a viajou legal – Falou Dougie debochando – Você ainda é a ?
— Doug, dá para você pegar leve? A sempre foi estranha. E depois desse acidente, o que mais você queria? - Falou Harry, entrando na brincadeira.
— Sei lá, esse acidente podia ter posto as coisas de volta no lugar. É, seria sorte demais – Só o Dougie e Harry riram, vi dar um tapinha no Harry e repetir o ato em Doug.
— Eu estou bem – Fiz uma careta e abaixei os olhos – Me conte , qual foi a roupa que eu estava vestindo nessa festa? - Não conseguia ignorar minha curiosidade, queria encontrar meios de saber se aquilo que eu tinha visto era verdade.
— Hm... Um vestido. Sabe amiga, aquele dia eu estava meio nervosa, eu realmente não reparei muito, desculpe – Falou meio sem graça.
— Um vestido azul com flores brancas, as cores exatas da minha roupa – Falou Tom fitando o nada – Estava linda.
— Me conte mais Tom, o que aconteceu nessa festa, o que eu fiz? - Falei, ignorando seu último comentário para não me dar o trabalho de ficar sem graça.
— Sei lá! Nós comemos, bebemos, mas na hora do Parabéns você desapareceu – Ele parecia desconfortável com o assunto.
— Pergunta para o Danny, ele pediu para eu lhe dizer que... Ele queria conversar com você no quarto da – Harry falou devagar se lembrando dos acontecimentos da festa, por fim apontou para Danny.
— Ah, então a gente conversou – Disse Danny passando a mão na nuca – Só, e na hora que ia ser o parabéns a se apressou e quebrou um copo sem querer, nada de mais.
— Vamos abrir logo os presentes? - Tom cortou meus pensamentos. Fazendo todos se calarem.
— Ah claro, quem é o próximo? - Falei no ímpeto, ainda desconfiada da versão de Danny.
— Eu! - Harry levantou a mão, e deu um embrulho enorme cheio de estrela – Acho que você vai se identificar – Ele olhou ansioso para que soltou um riso baixo e voltou a sorrir. Eu já estava preparada para ser sacaneada de novo.
Peguei o pacote e senti que era macio, era fofinho, devia ser um urso de pelúcia. Eu amo ursos de pelúcia. Rasguei o embrulho comecei a rir.
— Mentira?! - Abracei a imensa Dori de pelúcia que Harry havia me dado [N/A: personagem de "Procurando Nemo"!] – Adorei! Oi? Meu nome é ! - Todos riram dá minha vozinha de peixe.
— Você não muda, - Disse Danny me fitando com um olhar carinhoso – Dê o seu presente Tom, quero deixar o meu por último.
— Er.. bem, , também é uma lembrança, a moça de loja disse que é bom para a memória – Tom tirou do bolso e me entregou uma caixinha de veludo preto – Vê se você gosta, é a sua segunda cor favorita.
— Segunda cor favorita? Quem tem segunda cor favorita? Depois eu que sou estranho – Falou Dougie rindo – Pelo visto o Tom conhece a mais do que todos nós aqui dentro desse quarto.
— Como assim? Eu conheço a mais do que todo mundo aqui, pode ter certeza — Disse Danny malicioso. Silêncio.
— Será mesmo? Afinal, qual é minha segunda cor favorita? - Desafiei, ainda com a caixinha fechada em minhas mãos.
— Ah , isso importa? Eu e o Tom conhecemos você de maneiras diferentes, se é que você me entende.
— Pois então, ninguém me conhece por completo. Chega de discussão. Ah! E a propósito, minha segunda cor preferida é verde.
Todos agora olhavam atentos para a caixinha, eu fui abrindo devagar e vi uma linda pulseira fininha prateada que tinha um pingente de estrela verde esmeralda. Minha boca ficou entreaberta, só percebi isso quando voltei falar.
— Nossa Tom, que linda! Eu gostei muito mesmo, obrigada - Abri os braços e Tom veio cuidadosamente me abraçar – Você sabe que eu amo estrela né? - Senti sua cabeça balançar positivamente, eu o soltei – Foi o presente, até onde eu me lembro, que eu ganhei e mais gostei.
Abri um sorriso largo e vi os olhos do Tom brilharem.
— Até onde você se lembra? Isso não é muita vantagem, Tom – Falou Harry cutucando Dougie para rir junto. Eu só abaixei os olhos e continuei sorrindo.
Tom me ajudou a colocar a pulseira no meu pulso. Eu olhei atentamente para almofadinha onde estava presa antes a pulseira, percebi que no canto havia um papelzinho dobrado, eu o puxei e percebi que era um pequeno bilhete. Olhei para o Tom com as sobrancelhas erguidas, mas ele parecia tão surpreso quanto eu.
— Deixa eu ver, – pegou o bilhete dobrado da minha mão – Ah sim, isso aqui diz o que a pedra significa. Vou ler – Ela pigarreou.
“Esmeralda: Traduz equilíbrio físico, emocional e mental. Influência no sistema imunológico. Mestra no amor, é a pedra da abundância, equilíbrio, purificação, memória, inteligência. Quem receber essa pedra tem o poder de perceber o amor verdadeiro ao seu redor e os falsos sentimentos. É recomendado que a pessoa que dê essa pedra tenha um amor puro e sincero, podendo ser amigo ou querendo algo mais com a pessoa”
Olhei para o Tom, que tinha uma expressão assustada e os olhos arregalados, quando percebeu que todos o olhavam, igualmente chocados, ele ficou corado instantaneamente. Resolvi olhar para Danny que já o encarava com os olhos apertados e com a boca semi-aberta. Mirei , suplicando com os olhos para que ela quebrasse o silêncio.
— Que profundo – Pelo visto foi a única coisa que ela conseguiu pensar naquele momento - Bem, falta o presente do Danny, né? Hey Danny, é a sua vez.
— Ah claro - Disse devagar, ainda processando o conteúdo da mensagem da pedra - Bem, eu lhe dei um presente parecido antes de acontecer o que aconteceu – Disse, agora me analisando – Eu acho que você deve ter perdido, mas como tinha um valor sentimental antes, resolvi comprar outro parecido.
— Nossa Danny, como eu perdi algo tão valioso? Me desculpe – Falei pegando um pequeno embrulho que guardava um colar dourado com um pingente de coração da mesma cor – Eu amei, obrigada mesmo, Danny.
— Ah amor, que isso, acidentes acontecem, aquele cordão deve ter arrebentado – Chegou perto e me deu um beijo da trave da minha boca – Não se preocupa com isso, ok? - Falou muito perto agora, seus olhos azuis eram intensos.
— Hm, acho melhor deixá-los sozinhos, eles devem ter muito que fazer, quer dizer, conversar – Disse Dougie propositalmente.
— Danny, eu preciso conversar com você, agora - Tom falou sério.
— O que? - Falou Danny confuso – Não, eu vou ficar com a .
— Vai amor, eu quero conversar com a um pouco, colocar a fofoca em dia sabe — Falei com ar de inocente, aquela visão ainda me despertava curiosidade.
Tom abriu um sorriso torto, Danny levantou nervoso e começou a andar pela porta.
Nessa hora Dougie, Harry e já tinham se despedido de longe e se retirado. Fiquei com receio de Danny, ele só queria me ver bem, e a gente devia ter tido uma história no passado, eu queria que ele não se sentisse tão mal, afinal eu gostava do Danny, até onde eu me lembro.
— Hey Danny! – Falei de repente – Antes de ir, me dá um beijo – Eu não sabia o que tinha me dado naquele momento.
Vi seus olhos brilharem, ele voltou rápido, mas quando chegou perto de mim seus movimentos eram lentos. Ele tocava em mim com carinho e cuidado. Sua mão afagou minha nuca me fazendo arrepiar. Quando terminou, seus olhos continuavam com o mesmo brilho, ele estava radiante.
Eu ainda processava a reação do beijo de Danny, era uma ótima sensação, respirei fundo. Estávamos só eu e minha melhor amiga no quarto, agora eu ia tirar minhas dúvidas de uma vez por todas.
Capítulo 5 – Grande idéia
— É... Acho que as coisas finalmente voltaram ao normal – disse, sentando do meu lado na beira da cama – Então, o que você quer saber, ?
— Você realmente me conhece, né?! – Falei, meio sem graça - Bem, sabe quando você me entregou a foto?
— Sei! A hora que você ficou vegetando por alguns segundos. Parecia nem estar olhando para foto, sua expressão ficou... Vazia. Mais 10 segundos e eu teria chamado o médico! – abriu um largo sorriso e acenou com a cabeça para que eu continuasse.
— É... Nesse momento eu vi uma coisa. Como se tivesse passado um filme na minha cabeça, sabe? – Os olhos de estavam atentos, mas não demonstraram nenhuma reação, resolvi continuar – Então, eu queria saber se esse filme é verdadeiro ou não.
— Como eu vou saber amiga?! - Falou meio confusa.
— Tem a ver com a foto. São momentos antes de eu tirar essa foto de vocês, mas se você não quiser me ajudar eu converso com o Tom, sem probl...
— Claro que eu quero ajudar, , que idéia! – Cortou – Me conte, o que você viu?
— É o seguinte... – Comecei a contar a minha visão exatamente como tinha acontecido. foi ficando surpresa com algumas coisas, mas me ouviu com toda atenção –... Então eu peguei a máquina da mão do Tom e tirei a foto de vocês, você pegou a foto e disse que tinha ficado perfeita e me entregou. Foi nessa hora que eu olhei a foto, já tinha voltado ao hospital e vocês estavam me encarando daquele jeito.
— Eu tenho medo de você, . As partes que você está comigo e no final, foram realmente o que aconteceu. Ah, e você tinha me dito sim que tinha quebrado um copo no meu quarto – Fez uma pausa, e prosseguiu – Você me explicou que estava lá com o Danny, que vocês estavam se beijando e deixaram o copo cair. Mas não isso tudo que você me contou agora. Como o Danny é nojento! Logo na minha cama?! Eca!
— Er... É só uma visão, né?! A gente não sabe se é real mesmo – Falei meio sem jeito. Eu não devia contar tudo. Mas fazer o que?! Eu estava disposta a descobrir o que tinha acontecido e, pelo visto, tudo se encaixava.
— Acho que está tudo certo, . Você deve ter omitido o que tinha acontecido no meu quarto antes, porque você ia ter ficado constrangida. Como agora! – Nós duas começamos a rir.
Era bom estar com a minha melhor amiga depois de tudo que aconteceu. Ela sabia como me distrair e me fazer esquecer de tudo. De repente ela parou de rir, me encarou e voltou a falar:
— Pára tudo! Então você tocou na foto e viu isso?! - arregalou os olhos, mas logo abriu um sorriso como se tivesse tido uma grande idéia - Será que você pode tocar em outras coisas e ver também?
— Olha , eu não sei - Minha mente trabalhava a mil agora - Mas podíamos tentar! - Falei com malícia.
— Então, vou ver se te trago algumas coisas que façam sentido.
— Isso, mas temos que ser discretas. Pelo visto têm coisas que os meninos não querem me contar. Você sabe de alguma coisa, amiga? Sério... Qualquer coisa que tenha a ver com o acidente?!
— Não , eu juro por Deus! A única coisa que o Tom e o Danny me disseram é que você saiu correndo da casa do Tom, pois estava chateada com alguma coisa e – parou para tomar fôlego - quando o Danny foi atrás de você para ver o que era, você parou no meio da rua e começou a gritar para ele ficar longe, porque ele não tinha nada a ver com a situação e não podia te ajudar. E então veio um carro, e o Danny disse que aconteceu tudo tão rápido que ele nem teve tempo de te tirar do meio da rua – Ela respirou fundo antes de continuar - Logo depois veio o Tom e chamou a ambulância, pois o Danny ficou desesperado chamando o seu nome e chegou a achar que você tinha morrido, porque com a batida você foi jogada a uns 10 metros de distância e as suas coisas ficaram espalhadas pela rua.
Eu fui me encolhendo. Aquilo deve ter sido uma cena horrível! Como eu permaneci calada, ela prosseguiu:
— Então Tom veio até minha casa com a blusa toda ensangüentada. Eu fiquei desesperada quando ele disse o que tinha acontecido com você, e o Danny tinha ido na ambulância para não deixá-la sozinha, largamos tudo e fomos até o hospital. Tivemos que pegar um táxi, porque o Tom tremia tanto e não tinha mais condições de dirigir, porém não falou mais nada até te ver deitada na cama. E eu?! Eu chorava horrores, sorte que o Dougie foi o mais calmo e ficou falando que tudo ia dar certo apesar de deixar transparecer que estava tão abalado quanto o resto de nós. Harry ficou sabendo depois e por isso foi o último a aparecer. Encontramos Danny na sala de espera. Ele estava tão atordoado que dava pena. Dizendo que a culpa era toda dele.
Comecei a chorar. Eu ainda não acreditava como eu tinha sobrevivido. Todos os meus amigos ficaram em estado de choque. Se eu estivesse no lugar deles eu também estaria.
— , eu não sabia que tinha sido tão grave! – Falei entre soluços.
— Ah amiga, pára com isso! Você está bem agora, está viva. E é isso que importa! – Falou com os olhos cheios d'água, me dando um abraço aconchegante – Eu vou fazer de tudo para ajudá-la a lembrar do acidente, ok?! TUDO.
— Obrigada – Falei baixinho, enxugando as lágrimas - E depois disso tudo o Tom e o Danny não se falam mais. Estranho. Mas acho que o Tom deve ter seus motivos... Ele gosta muito de você – revirou os olhos.
— É, eu sei. Ele é um ótimo... Amigo.
— Amigo? Depois daquela mensagem da pedra?! Fala sério, né ?! Ele ficou mais tempo no hospital que todos nós juntos, ele foi o único que arranjou tempo e desculpa para ficar aqui de noite, ele faz tudo por você. Acho que se ele pudesse seria mais que seu amigo.
— Você acha mesmo? Quando eu o queria, ele estava namorando com aquela Luana, ele merecia coisa melhor, você não acha? Depois ele me apresentou para o Danny. Hum, Danny... – Me abanei e respirei fundo – E então eu gostei do Danny. Pronto!
— , me responde com sinceridade. Você realmente gosta do Danny ou você aprendeu a gostar dele pra esquecer o Tom?
— Sabe que eu não me lembro?!
Nós duas rimos. sempre teve um pé atrás em relação ao Danny. Com esse jeito dele comunicativo, sempre conhecendo muitas meninas e tendo uma festa pra ir a cada fim de semana. Ah claro, e seu fraco em relação a bebidas. Mas eu ainda me pergunto: O que aquele deus grego viu em mim?
Capítulo 6 – Instintos
se despediu logo depois da nossa pequena conversa, pois tinha que visitar os parentes dela e do Dougie. Danny, Harry e foram para a tradicional festa de natal dos Jones. A mesma coisa de sempre: casa decorada, luzinhas piscantes, ceia, pessoas bêbadas. Tom me disse que os seus pais foram passar o natal na França, na casa de sua irmã mais nova, Carrie. Ela havia se mudado havia pouco tempo para morar com sua melhor amiga, Zoe. Então ele deu uma desculpa qualquer a eles para ficar comigo essa noite.
— Você achou mesmo eu que ia de deixar sozinha na noite de natal?! Vai sonhando, .
— Tom, é sério! Eu não quero que você fique longe da sua família. Quero que você esteja com pessoas felizes que você ama.
— Eu te amo e você me faz feliz. Pronto, agora você me deixa ficar?! - Deu um sorriso fraco e esperava como se fosse mesmo importar qualquer resposta que eu lhe desse. Ele estava decidido a ficar.
— Ok, Tom. Mas se você mudar de idéia, pode ir... – Eu realmente o queria por perto, mas sempre achei que passar o natal em família era fundamental, porém se ele queria tanto ficar, quem era eu para expulsá-lo?!
— Eu já entendi, . Chega desse papo! – Falou Tom encerrando o assunto – Olha o que eu comprei para a minha acidentada: Cookies!
— Ah Tom, EU AMO COOKIES! Sério dude, você é perfeito! - Vi Tom rir sem graça – Eu vou me encher de cookies. E você? Vai comer o que?
— Eu trouxe uma garrafa de vodka. Aliás, o Dougie me deu essa garrafa. Disse que, como eu ia ficar com você na noite de natal, eu devia ser o Tom engraçado e não o Tom chato. O que você acha?
— Eu acho que você devia virar logo essa garrafa! - Falei rindo.
— Ah, mas não vai ser assim tão fácil, ! Vou propor um jogo.
— Hm... interessante! Prossiga Thomas Fletcher.
— Então – Ele falou dando um sorriso malicioso – vamos brincar de “eu nunca”, sabe brincar?
— É, eu já ouvi falar, mas acho que não.
— É o seguinte – Disse agora sentando na beira de cama na altura do meu quadril – Abrimos as duas mãos. E cada jogador faz uma suposição. Por exemplo: ‘Eu nunca usei calcinha’, e quem já usou tem que abaixar um dedo, entendeu?
— Ah sim, então quem já fez o “eu nunca” tem que abaixar um dedo, e o que a bebida tem a ver com isso?
— Ai é que vem a parte engraçada, quando você abaixar o dedo, tem que beber um copo cheio de vodka!
— Mas Tomzinho, eu to no hospital e tomando infinitos remédios, eu não posso.
— Eu sei. Mas se você abaixar o dedo, você come um cookie, se eu abaixar, eu tomo a vodka!
— Gostei! Mas isso também é meio injusto, eu quero comer o cookie.
— E quem disse que eu não quero beber?! Vamos chamar o Tom legal hoje – ele sorriu quando me viu sorrir – Vamos começar?! Vou deixar você perguntar primeiro.
— Hm, ok! – Estendi minhas mãos para frente mostrando os dez dedos – Eu nunca pensei em trair ninguém.
Tom apertou os olhos, abaixou a cabeça e um dedo.
— Começou bem – Ele disse, abrindo a garrafa de vodka e tomando um bom gole – Você não se lembra, mas você também pensou em trair o Danny. Ok, eu vou deixar essa passar. Minha vez, né?!
Como assim eu já tinha pensado em trair o Danny? Com quem? Odeio não saber de nada! Será que o Tom está falando a verdade mesmo? Anyway.
— Isso.
— Eu nunca... Eu nunca me peguei com alguém no quarto da minha melhor amiga - Tom olhou para mim com as sobrancelhas erguidas. Parecia estar se divertindo.
— Se você pegasse alguém no meu quarto eu não ia gostar de saber, ouviu Tom? - Como assim? Será que Tom sabia o que tinha acontecido entre mim e o Danny no aniversário da ? Ou fez aquilo porque queria realmente saber se eu já tinha feito? Agora era tarde, eu já tinha abaixado o dedo. Tom semicerrou os olhos observando minha reação – Você quer guerra, Fletcher? Então ta! – Disse dando a primeira mordida no cookie, mirando seu sorriso malicioso – Eu nunca toquei num órgão genital do sexo oposto – Pensei melhor na minha hipótese para não ter que abaixar o dedo - sem roupa.
Tom ficou vermelho instantaneamente. Eu dei uma gargalhada de satisfação.
— Pode baixar o dedinho Tom, porque esse seu bronzeado instantâneo não me engana - Falei vitoriosa.
— Er... - Ele agora deu uns 5 goles grandes. Meu Deus! O Tom vai cair desse jeito – Minha vez, eu nunca me masturbei pensando em um homem.
Agora foi a minha vez de ficar sem graça, que péssimo. Isso não se faz....
— É, se você baixasse o dedo eu ia ficar preocupada – Foi a única coisa que eu pensei para não ter que ficar calada – Sou eu, me deixa pensar em uma coisa bem constrangedora... Eu nunca me masturbei pensando no meu melhor amigo ou amiga! - Minha voz fez um eco, por causa da minha excitação. Eu devo ter berrado.
Excelente, Tom tinha ficado mais rubro do que um pimentão! E então eu entendi o quanto essa pergunta era constrangedora para ambos, afinal EU era a melhor amiga dele. Me calei. Silêncio. Vi Tom abaixar devagar o dedo, e começar a beber enlouquecidamente a vodka. Ele mudou de expressão quando acabou de beber. Eu já achava melhor ele parar, afinal quem bebe uma garrafa de vodka, sozinho? Pelo menos estávamos no hospital se acontecesse alguma coisa com ele...
— Eu nunca fiquei com alguém para esquecer outra pessoa – contraiu os lábios depois de falar. Ele tinha tocado a minha ferida. MAS COMO ELE SABIA DISSO?!
Eu apenas comi meu cookie, mas não quis encarar o rosto sarcástico do Tom, acho que ele já tinha bebido demais. Olhei para a garrafa e já estava na metade, ele nunca foi muito forte com bebidas, era hora deu aproveitar.
— Eu nunca transei – E agora em Mr. Fletcher? Eu duvido muito, Tom é a pessoa mais lerda e tímida em relacionamentos que eu conheço, se bem que e ele já tocou órgão genital de uma mulher... Anyway.
Tom riu baixinho, e abaixou um dedo. De repente uma onda de ciúmes invadiu minha mente. O Tom fez isso? Não era possível.
Várias cenas pervertidas cegaram meus olhos, em todas Tom estava mega sedutor agarrando uma garota. Eu senti um nó se criar na minha garganta, eu estava com CIÚMES?
Eu não queria que a garota da minha imaginação fosse eu. Mentira!
Eu tenho o Danny, e eu esqueci o Tom completamente. Mentira!
Eu não preciso do Tom para nada. Mentira!
— É a minha vez né? - Falou Tom me tirando do meu conflito mental, agora a garrafa estava ficando vazia – Eu é que bebo e você que fica com cara de quem vai vomitar? – ele riu.
— Er.. nada – Sacudi a cabeça.
— Ok, sou eu! – Falou Tom muito alto, ele já não estava bem mesmo – Eu.. eu .. como é mesmo a brincadeira? - começamos a rir – Ah sim! Eu nunca menti sobre meus sentimentos.
Eu abaixei o dedo, e comi um cookie. Ele começou a rir e abaixou um dedo também.
— Claro que eu já menti sobre meus sentimentos, eu sou muito tímido e estranho, você acha que eu ia chegar perto de uma garota e dizer que a amo?! - Tom falou muito perto, sua respiração ofegante fez minha pele arrepiar, ele me encarou com seus olhos chocolates – Você acha que eu tenho coragem ?! - Ele sussurrou no meu ouvido. Meu pulso acelerou. Eu não me mexi um centímetro. Afinal, o que o Tom teria coragem de fazer?
Ele estava me deixando completamente confusa. Agora era minha vez. Eu não tinha mais perguntas. Pensei logo em qualquer coisa para desfazer o clima daquela situação.
— Eu nunca fui beijada por alguém chamado Tom – Como eu sou idiota! Ninguém ia abaixar o dedo. Antes eu que pudesse pensar mais em alguma coisa o Tom diz:
— Não seja por isso – Ele pegou na minha nuca e se aproximou. Eu prendi a respiração enquanto assistia a boca dele vindo de encontro a minha.
Capítulo 7 – Do céu ao inferno
Nem tive tempo de pensar, Tom apenas sorriu antes de me beijar sutilmente. Demorei alguns segundos para absorver a idéia de que eu realmente estava beijando o Tom. Quando eu me dei conta disso o puxei para perto. Não sabia mais o que era certo ou errado, eu apenas queria que aquele momento não acabasse nunca. Ele se inclinou e apoiou sua mão no meu quadril, me envolvendo em seus braços. Ele estava nervoso, suas mãos estavam mais frias que o normal, sua respiração era ofegante demais. Agia como se desejasse isso há tempo. Cada beijo era mais intenso que o anterior. Ele parecia me querer mais próxima dele. Começou a puxar as minhas costas para fora da cama. Uma dor aguda veio da minha coluna.
— Ai! - Gritei no ímpeto. Tom se assustou, deixou a garrafa cair e se espatifar no chão – Cuidado!
— Desculpe , você está bem? - Ele olhou para o chão vendo a lambança que fez e começou a rir – Ops!
Eu ainda estava meio anestesiada pelo beijo. Comecei a rir também, e senti o cheiro forte da vodka contaminar o ambiente. Ele continuou.
— Onde nós estávam... - O celular do Tom começa a tocar repentinamente – Não quero nem saber quem é. Ok, eu vou ver... Hum, uma tal de tia . Dane-se.
— NÃO, TOM! É a minha mãe, me deixa atender!
— Shiu, é melhor você ficar quietinha aí, porque eu não quero te machucar de novo – Ele abriu o celular para atender.
Ah meu Deus, o que será que ele vai falar para minha mãe nessas condições? Comecei a fazer sinais negativos para o Tom desistir de falar com ela. Tarde demais.
— Hey tia , como vai a senhora? - Falou com uma voz angelical – Eu? Estou Ó-TI-MO, melhor impossível.
— Me deixa falar com ela, Tom. TOM! - Falei entre dentes, ele só fez o gesto de silêncio. Eu realmente estava com medo do que o ele poderia falar, afinal, ninguém sabia que eu estava no hospital a não ser meus amigos mais próximos, pois se a mãe de alguém soubesse o que tinha acontecido comigo, minha mãe também saberia e eu nem gosto de pensar nessa possibilidade. Tinha sido a primeira vez que minha mãe viajou e me deixou sozinha, não queria trair sua confiança agora – Pelo amor de Deus, não fala nada de errado!
Conseguia ouvir a minha mãe nervosa. Provavelmente ligou para casa do Tom e para o meu celular e ninguém atendeu. Já era um bom motivo pra estar irritada.
— É tia, mas a gente teve que sair da festa – Falou Tom, não me dando atenção – Isso ai, por que mesmo? - Tom parou um segundo para pensar – Oras, porque sua filha cortou o pé, e foi pulando até a piscina, escorregou e bateu de cabeça na borda e foi afundando inconsciente. Sim, eu a salvei e a trouxe para o hospital – Ele falou como se contasse como foi seu dia, ou seja, tranquilo até demais. Mas que historia idiota era essa?! Eu não era tão retardada assim, era?! - Eu sei que é horrível. Não sua filha não é retardada, foi um acidente... Sim... Eu estou cuidando dela. Danny? Hmm – Pensou Tom com uma cara maliciosa deixando a covinha à mostra. Já chega dessa conversa.
— MÃE! Tom, deixa eu falar com a minha mãe - Falei alto o bastante para ela ouvir do outro lado da linha.
— Tia, vai ficar tudo bem... – Falava Tom com cara de tédio fitando o teto. Ele tirou o telefone do ouvido, ignorando o sermão da minha mãe. Eu comecei a achar graça de tudo aquilo, pelo menos a minha mãe estava indo na conversa dele. Após longos segundos sem a resposta do Tom, ouvi perfeitamente minha mãe gritar no telefone:
— Tom, você está me ouvindo? TOM?!
— Hã, o que? Prometo sim – Falou devagar – Prometo o que mesmo, hem? - Tom fez um gesto interrogativo e começou rir baixinho – Eu vou cuidar dela. Como assim o Danny? - Agora fazia cara de indignado – Quem estava lá pra salvar sua filha afogada, hem? Acho que eu, né? E eu não tenho nenhum crédito? Danny nem está aqui para seu governo - Ok, agora ele tinha ficado bravo - Ela quer falar com você, tia. Um beijo – Antes de Tom me entregar o celular falou baixinho – Boa sorte.
Respirei fundo, eu tinha que ser rápida nas respostas, senão ela ia ficar mais enlouquecida ainda e ia desconfiar de alguma coisa. Medo.
— Oi mãe, feliz natal! – Falei antes dela poder fazer qualquer pergunta – Que saudade, como você e o papai estão? Bem?
— , pare de me enrolar! Que historia é essa de você fica bêbada e se afogar na piscina? - Me chamou pelo nome e sobrenome? Ferrou. Ela falava num tom de voz irritante, de mãe quando está prestes a explodir. Tom fez cara de criança, quando escuta quieta o esporro dos outros. Sem pensar dei uma piscada para ele que me deu um sorriso em resposta com o olhar fixo na minha boca.
— Ah mãe, primeiramente eu não estava bêbada e segun...
— Então você caiu SOZINHA?! Eu não sabia que tinha parido uma filha tão retardada! - Falou debochada – Mas você está bem né? Ou eu preciso voltar para Inglaterra? A primeira vez que eu te deixo sozinha e você pára no hospital, grande responsabilidade! - Agora ela estava mais séria, parecia realmente preocupada. Porém adorava usar um tom irônico no final das frases.
— Não mãe, eu to bem, o Tom ta aqui comigo – Ao ouvir seu nome ele pareceu acordar de um transe, seus olhos estavam semi-abertos e vermelhos. Eu fiz uma careta, ele imitou e me deu um beijo na bochecha.
— Tom? Cadê o seu namorado? Já sei, deve estar numa dessas festinhas bebendo enquanto a senhorita está no hospital - Bufou.
— Mãe escuta, o Danny está numa festa que a mãe dele dá todo o ano. E, por azar e por descuido meu, aconteceu tudo aquilo. Mas por sorte, Tom estava lá para me salvar – É, eu tinha encarnado mesmo o personagem. Por sua vez, Tom gostou de ouvir isso e foi beijando meu pescoço. Ele parecia estar mais babando do que beijando. Mesmo assim me deu nervoso. Eu tentei empurrá-lo para longe, mas ele achou graça de me ver arrepiada.
— Sei ... Espero não ter mais acidentes ouviu bem?
— Aham.. – Saiu quase como um gemido. Pois Tom agora abusava da minha orelha, e eu estava perdendo o controle da situação. Achava melhor eu desligar – Ok, mãe! Eu vou desligar – Continuei a tentar afastar o Tom, mas não obtive sucesso, obviamente. – Manda feliz natal pro papai – Agora eu tinha reunido todas as minhas forças e o empurrei para trás – Beijo mãe e feliz na...
Eu não consegui continuar a frase, pois Tom escorregou no chão encharcado de vodka e caiu, batendo a cabeça na escrivaninha perto do sofá no qual ele já tinha dormido algumas noites. Os cacos de vidro cortaram diversas partes do seu corpo e sua roupa começou a apresentar manchas de sangue. Mas ele caiu e ficou.
— Tom? TOM?! - Comecei a berrar, já que estava cheia de curativos e não poderia fazer muita coisa por ele – ALGUÉM ME AJUDA, POR FAVOR!
Segundos depois escutei uma correria no corredor, um médico alto e duas enfermeiras de plantão deram assistência para o Tom caído.
— Senhorita, como isso aconteceu? - A enfermeira morena, com aparência de mais velha, parecia assustada. O médico ergueu as sobrancelhas e disse:
— Por favor, descanse agora. Amanhã seu namorado vai ficar novinho em folha. Ah, e Feliz Natal – Ele queria me deixar relaxada, mas como eu poderia ficar com o Tom nessas condições?
— Obrigada. Mas como ele está? Foi grave? - A única coisa que eu podia fazer era agradecer e esperar.. Isso me deixava mais aflita.
O médico lançou um olhar para a outra enfermeira e saiu. Logo depois voltou com um comprimido branco pequeno.
— Isso aqui vai ajudá-la a ficar mais calma - Falou me dando um copo d'água.
O remédio tinha efeito imediato, logo comecei a perder o controle das minhas pálpebras. Lutei ao máximo para ver tirarem o Tom do quarto. Ele ainda estava desmaiado. Não deu nem um minuto e eu cai num sono profundo.
Capítulo 8 – Dilema
Tive um sonho estranho. Eu sentia frio. Estava sentada num banco de couro gelado do carona, de um carro que eu nunca vi na vida. Uma mulher estava dirigindo, ela era loira e usava um vestido vulgar. O carro dobrou a esquina entrando em uma rua deserta e misteriosa. A mulher fez sinal para eu ficar no carro. Ignorei. Ao sair, ela foi em direção a uma casa mal cuidada, bateu em uma porta pichada com grafite preto escrito "Keep Out!". Alguém abriu a porta e passou a mão direita nas suas costas. Essa mão tinha um anel prateado e grosso no dedo médio. A porta se fecha e eu fico estática na rua. Olho para os lados e tem um carro luxuoso preto estacionado. Por algum motivo desconhecido começo a correr para o final da rua, querendo sair o mais rápido possível dali com uma sensação de angustia no peito.
Já era de manhã quando eu acordei ofegante. Olhei em volta e vi Danny dormindo no sofá. Logo veio uma enfermeira, como ela soube tão rápido que eu acordei?
— Bom dia, senhorita - Falou com uma voz angelical. Enquanto isso Danny acordou assustado, com cara que havia dormido pouco, pois estava com olheiras enormes – Tenho boas noticias. Ah, bom dia senhor Jones – Ela disse quando o viu sentar no sofá. Ele, por sua vez, só deu um aceno com a cabeça e seus os olhos estavam quase fechados.
— Boas notícias? Me diga então, por favor! – Falei entusiasmada. Olhei para Danny. Ele mandou um beijo no ar e eu retribui. A enfermeira me olhou com as sobrancelhas unidas e eu reparei que era a mesma que ajudou a socorrer o Tom. Ah meu deus, o TOM!
— Bem, primeiro eu queria lhe comunicar que o seu namorado está bem e que não vai ficar com nenhuma sequela - Ufa! Que bom, porque depois daquele tombo eu achei que não seria a única a ter perda de memória.
— Namorado? Eu sou o namorado dela! - Falou Danny indignado. Me dando um selinho urgente – Não é ?
— Hm? Ah sim, é... Mas eu não me lembro de ter aceitado – Eu estava meio confusa, pensando ainda no que tinha acontecido ontem.
— Me desculpem então, é que era o outro que sempre ficava mais tempo... – Danny lançou um olhar de censura para a enfermeira, fazendo-a mudar de idéia – Mas eu devo ter me confundido.
— Sem problemas. Continue, por favor - Era melhor ela ter mais boas noticias, o clima estava começando a ficar tenso.
— Ah, claro... – Ela parecia estar sem jeito para continuar – Vimos os seus exames e as fraturas estão cicatrizando rapidamente. Então, com esse grau de recuperação, a previsão da sua alta é no dia do ano novo.
Uma felicidade me invadiu e respirei fundo saboreando a sensação de alívio. Finalmente eu iria sair dessa cama! Eu não aguentava mais.
— Essa é uma excelente notícia, obrigada.
— Imagina! Agora eu vou deixar vocês dois mais a vontade.
Danny, que estava do meu lado, esperou a moça sair. Olhou para mim com carinho, afagando meu rosto.
— Eu senti sua falta ontem. Fiquei pensando cada minuto em você – Ele abriu um sorriso irresistível. Como eu podia negar carinho do Danny?
— Eu também senti sua falta – Menti. Eu não sabia o porquê, mas não queria me afastar dele. Ele tinha o dom de tornar as coisas simples. Eu me sentia segura ao lado dele, além de ele ser maravilhoso.
Ele apenas sorriu e meu deu um beijo, senti sua língua enroscar na minha. Comecei a me sentir mais atraída pelo Danny. Como se ele me envolvesse de tal forma que eu não pudesse lutar contra, como se tudo que eu fizesse com o Danny fosse certo e natural. Ergui meus braços e pousei em sua nuca, agora eu enrolava meus dedos nos seus semi-cachinhos. Danny foi beijando calmamente meu pescoço.
De repente, mesmo com os olhos fechados, eu senti estar sendo observada. Abri os olhos devagar e vi Tom parado na porta com uma expressão pasma e triste.
— Tom? - Falei no ímpeto.
Ele ficou sem reação, Danny levantou e o encarou. Essa situação era horrível, eu estava completamente confusa. Ele ia me bater?! Claro que não, ! Como você pode pensar nisso?! Ele ia gritar comigo? Eu não queria que ele ficasse chateado. Inesperadamente ele abriu um sorriso e entrou no quarto.
— Bom dia ... E Danny.
— Bom dia – Falei com medo.
— Hey dude, como você está? Fiquei sabendo que você caiu feio.
— É... Eu escorreguei, mas eu to bem. Eu acho – Falou áspero olhando para mim. Eu senti um aperto no peito. Ele tinha ficado chateado.
— Que bom Tom, eu realmente fiquei muito preocupada.
— Mas que diabos vocês estavam fazendo? Tom bêbado no hospital... Hilário!
Meu estômago começou a dar voltas. Tom sem dúvidas se lembrava do que tinha acontecido, será que ele ia falar?
— Sabe Danny, eu não me lembro. Acho que foi a pancada na cabeça. Me diz , o que a gente estava fazendo? - Falou cinicamente.
Ele ergueu as sobrancelhas e eu senti um nó surgir na minha garganta. Os dois estavam esperando minha resposta. Eu não tinha opção a não ser mentir.
— A gente estava conversando... Aí a minha caixa de cookies caiu no chão - Comecei a falar a primeira coisa que me veio à cabeça - O Tom já não estava bem mesmo e quando foi limpar a sujeira que eu fiz, ele pisou num cookie e escorregou, batendo com a cabeça na cabeceira. O pior foi que a garrafa caiu no chão primeiro e espatifou. Foi horrível, o Tom caiu em cima dos cacos e se cortou inteiro, mas logo vieram os médicos. Foi isso.
Eu respirei fundo e os observei, Danny semicerrou os olhos como se imaginasse a cena ridícula que eu descrevi. Ele sabia que tinha alguma coisa muito estranha nisso. Já Tom me olhava com ar de decepção, aquilo foi me matando por dentro.
— Nossa, Tom. Que azar! – Danny deu uma gargalhada. Mas eu e Tom nos olhamos fixamente por mais uns 10 segundos até Danny se recompor.
— Bem – Falou Tom fitando seu All Star – Eu tenho que ir. Adeus – Ele se virou e começou a andar em direção a porta.
— Tom! - Gritei.
Ele me laçou um olhar esperançoso.
— Que foi, ? - Falou doce.
— Você vem me visitar... Mais tarde? - Falei insegura.
Tom respirou fundo e voltou a ter expressão de decepção. Ele riu baixinho como se esperasse outra reação minha.
— Acho que você está bem com o Danny. Eu decidi que vou ver minha família na França.
— E você vai ficar quanto tempo fora?
— Todo o tempo que eu precisar para me recu... - Ele parou no meio da frase – Para matar a saudade da minha irmãzinha. Tchau gente.
Ele falou de longe e simplesmente foi embora. Eu sabia que eu tinha acabado de magoá-lo. Mas não podia fazer nada, podia? Minha cabeça começou a doer.
— Amor? – Danny falou me olhando atentamente.
— Que foi Danny? - Respondi. Eu estava chateada.
— Olha amor, o Tom é estranho mesmo. Eu sei que ele é seu melhor amigo, mas ele vai voltar. Eu tenho certeza, ok?! Não fica triste. Agora vem aqui e me dá um abraço.
Minha garganta ficou seca, eu queria chorar. Uma lágrima desceu sem a minha permissão e Danny percebeu, beijando-a para seca-lá.
— Eu não aguento ver você desse jeito.
— Eu vou ficar bem – Dei um sorriso de lado.
Passamos o dia praticamente todo calados. Ele me beijava e perguntava se eu estava bem. Mas eu não estava NADA bem. A imagem do Tom desiludido ficou cravada na minha retina. Eu não tinha vontade de falar, nem de fazer nada. Danny entendeu que Tom significava muito pra mim, mas ele não sabia o quanto. Eu só desejava que aquele momento não tivesse acontecido.
— Eu tenho que ir, . Prometi buscar minha mãe no salão e ajudar a arrumar a casa da festa que teve ontem – Danny falou, olhando as horas no celular – Mas, eu acho que vou ligar para . É melhor ela vir aqui, você está meio tris...
— Eu estou bem, Danny – Cortei – Pode ir. Mesmo! Não tem problema, ok?! E obrigada por ficar aqui.
— Você pode contar sempre comigo, . Pra tudo! – Ele me deu um selinho longo – Eu tenho que ir mesmo amor, mas amanhã eu to aqui de novo.
— Ok, Danny. Eu vou te esperar.
Eu passei o restante da noite no meu conflito mental. Tom e Danny, tantas historias. Eu estava completamente atordoada. Credo, isso estava me fazendo mal! Eu finalmente chorei tudo que eu podia. Quando Tom foi embora parecia que a minha paz tinha ido junto com ele. Eu me sentia desprotegida, vulnerável. Tinha um lado meu que quereria estar com Danny, ele era fantástico. Mas eu sentia que faltava alguma coisa nele. Amor?! Essa era uma palavra forte. Mas eu me convenci que gostava do Tom, independente do que eu tivesse tido com Danny.
Cai no sono com meu rosto ainda molhado de lágrimas.
Acordei com o sol em meus olhos, respirei fundo para não soltar um palavrão. Encarei o teto sem vontade. Tudo aquilo aconteceu mesmo ou foi só um sonho ruim?
— Oie, amiga. Você ta melhor? - A voz de invadiu o quarto. É, tudo tinha acontecido mesmo. Pra estar aqui e me perguntar isso, é porque o Danny tinha falado com ela. Ótimo, eu realmente não queria mais tocar nesse assunto.
— Oi , eu to melhor sim. Nada como uma boa noite de sono! - Menti.
— Sei, . Se você não quer falar sobre esse assunto, é só dizer. Não precisa mentir - me conhecia muito bem, não tinha motivos para esconder nada.
— Estou péssima e puta da vida. Eu dormi muito mal e minha cabeça não para de doer de tanto pensar nessa merda de assunto. Desculpe, mas eu não quero falar sobre isso agora. Me diga que você não veio aqui só por causa do que o Danny te contou.
apenas sorriu.
— Não, eu vim por motivos melhores!
— Quais? - Eu ainda não tinha entendido seu entusiasmo.
Ela levantou sua bolsa e tirou um saco com várias coisas pequenas dentro.
— Será que alguém vai ter mais visões hoje?!
— Só você mesmo, ! - Senti meus olhos brilharem.
— Então vamos ver o que eu tenho aqui... - Falou fazendo uma cara de sapeca. Eu me sentei na cama e cruzei as pernas. Já não sentia tantas dores como antes - O perfume que você usou quando o Danny te pediu em namoro.
Respirei fundo e peguei o vidro rosa.
— E aí?!
— Nada! Nem uma luzinha divina... – Falei, porém ainda tinha mais objetos - Próximo.
— Hm, esmalte que você usou no dia que nós ficamos bêbadas.
— Nada. Próximo.
— Maquiagem que você ganhou do Tom.
— Nada - Aquilo começou a me irritar - Me dá essa merda aqui, !
Peguei coisa por coisa. Nada, nada, nada, NADA! Mas que droga, não era possível.
— Ah amiga, vai ver que é alguma coisa específica, coisas que te marcaram de alguma forma - ela tomou fôlego, quando viu minha cara de decepção continuou – Ah, eu trouxe um filminho pra gente ver! Na verdade a gente já viu esse filme, mas você não deve se lembrar. “PS. Eu te amo”.
— Hm... É, eu não me lembro de ter visto esse filme. É sobre o que?
— É um drama. Mas o filme é lindo de morrer! - pegou o DVD e colocou na TV em frente a minha cama, jogando a capa do filme pra eu ver - Aqui oh, lê a sinopse.
— Já vi que eu vou chorar. Se eu dormir a culpa é sua! Você sabe que quando eu choro muito, eu tenho sono né?! — Eu peguei a capa do DVD.
Quando eu fui começar a ler, um clarão, igual ao de quando eu segurei a foto, invadiu meus olhos e o quarto de hospital sumiu.
Capítulo 9 – Colchão d’água
“— Ah amiga, esquece isso, o Danny é assim mesmo!
— Poxa , não é por falta de vontade sabe?! Mas acho que ele não sabe que eu sou... Virgem. Eu vou arrumar uma maneira de falar isso com ele, assim talvez ele não force tanto a barra - Falei quase num sussurro.
O “plim” do elevador nos fez parar de falar. Entramos e por sorte não tinha ninguém, então continuamos a conversa.
— Olha, chega de drama amiga, ele te quer e isso é bom, não é?
— Claro que é, mas eu não quero fazer... - Eu não sabia a palavra certa para em expressar - De qualquer jeito sabe, quero que seja especial. O que há de errado nisso?
— Bem, nada de errado - Concluiu ainda pensativa - Mas acho que você tem que parar de fazer metas sabe?! Você está muito paranóica.
— Ok, eu vou parar de pensar nisso, só uma última pergunta - Ela acenou a cabeça para eu continuar - No meu lugar, você daria para o Danny?
— Hm - pensou por um segundo - SIM!
O elevador parou na cobertura no 10º andar, nós ainda estávamos rindo quando a porta do elevador se abriu revelando um corredor pequeno até a porta de entrada da casa do Tom, pelo visto o andar inteiro era o apartamento dele.
— Que alegria toda é essa? - Falou Dougie ao nos ver rindo, Tom estava sorridente ao seu lado. Eles nos esperavam na porta.
— Elas estão felizes por nos ver - Brincou Tom.
entrou primeiro e deu um selinho longo em Dougie. Tom abriu os braços e eu me apressei para abraçá-lo.
— Finalmente aceitou meu convite de vir conhecer meu apartamento - Falou no meu ouvido.
— Eu estava ocupada demais Tom, desculpa, eu prometo que vou vir mais à sua nova casa.
— Olha que eu vou cobrar, hem! - Falou ainda no meu ouvido, respirou fundo e se afastou sorrindo. Aquilo tinha feito meu coração disparar.
Desde que eu comecei a namorar o Danny, Tom tem se mostrado muito mais ativo. Eu recusei os últimos cinco convites para vir a sua casa, pois seríamos só nós dois e eu não sabia o quanto isso poderia afetar na minha relação com o Danny. Mas ver filme com Dougie e não parecia ser problema, tirando o fato que eles eram um casal... Ok, hoje eu já estava de saco cheio de pensar.
— Oi, Doug - Falei dando um forte abraço nele – E ai, já fizeram a pipoca? Brigadeiro?
— Tinha que ser a esfomeada da para fazer uma pergunta dessas - Falou Doug rindo - Pior que não é uma má idéia, dude!
— Hey Tom, a pegou um filme que você vai adorar - Falei brincando.
— Espacial? Ficção cientifica? - Disse Tom animado, não percebendo minha ironia.
— Ah , vai se ferrar, ta?! Até onde eu sei a senhorita também queria ver esse filme - cruzou os braços e fechou a cara.
— , “Ps: eu te amo”, ta? - Fiz um trocadilho ridículo, mas foi o suficiente para fazê-la rir.
— Hã? - Dougie parecia estar em outra dimensão - Afinal, qual é o nome do bendito filme?
— , leve o seu pseudo namorado para a cozinha, fazer a pipoca enquanto eu mostro a casa para - Disse Tom pegando minha mão.
“Mas qual é o nome do filme ?” ouvi baixinho quando eles seguiram para a parte direita do apê.
O apartamento do Tom era enorme, com uma mobília toda moderna. Assim que saímos do elevador e passamos pela porta principal, entramos em um mini hall podendo seguir a direita ou esquerda. Tom segurou minha mão e me puxou para a parte esquerda da casa. Entramos num longo corredor.
— Aqui é o banheiro de hóspedes, aqui é uma suíte de hóspedes, aqui é minha sala de vídeo game - Ele foi falando à medida que fomos passando pelos cômodos da casa, chegamos, enfim, a última porta do corredor - E essa, é a minha suíte.
— Nossa Tom, é perfeita! - Falei reparando em cada detalhe do quarto: era branco e azul claro, tinha uma cama enorme com uma colcha de estrelas pretas iguais a tattoo no peito. Um computador de última geração na mesinha perto da cama, que tinha um relógio da Disney e um abajur de lava verde limão.
— E, olha - falou pulando na cama - Colchão d'água!
— Eu sempre quis deitar em um! - Eu disse surpresa.
— Então, o que você está esperando?
Analisei a situação antes de pular, mas qual seria o problema? Eu só ia dar uma deitadinha e sair. Nada demais. Assim que eu sentei na cama, Tom me puxou pela cintura para eu deitar mais para o meio, por sinal o colchão era super confortável.
— Nossa, ela é muito boa Tom, e esse barulhinho de água é muito relaxante - Falei mirando o teto, esperando por algum comentário qualquer. O seu silêncio me fez virar em sua direção e o ver sentado na beira da cama ficando de costa para mim - Está de parabéns, acho que vou vir mais vezes aqui - Eu ri só por costume, mas Tom ainda estava entretido em seus pensamentos e nem parecia notar que eu estava no quarto. Então tive a brilhante idéia de fazer coceguinhas nele para chamar sua atenção – Hey, Tom!
Ele começou a rir afastando minha mão, porém eu era mais rápida e continuava a fazer coceguinhas nele facilmente.
— Cuidado... ... Você... Arrepender.. Disso – Ele ria tanto que não conseguiu formular a frase direito - Olha lá... To te avisando... OK, AGORA JÁ CHEGA!
Ele começou a fazer muita coceguinha na minha barriga, e sem querer eu deitei na cama tentando afastar suas mãos. Mas ele usou sua força e veio por cima de mim e segurou com uma de suas mãos as minhas duas mãos a cima na minha cabeça e se posicionou com uma perna em cada lado do meu corpo. Eu estava rindo de olhos fechados, mas percebi que a situação estava começando a ficar crítica para o meu lado.
— Tom.. Me solta - Falei entre risos.
— Eu falei que você ia se arrepender - Sussurrou muito perto da minha boca. Eu abri os olhos e me deparei com Tom a centímetros de mim, engoli seco tentando não transparecer meu desconforto com a nossa proximidade – E agora, ? Como você vai sair daqui?
— OK Tom, você venceu. Se você não me soltar eu grito, hem - Falei brincando para conter meu nervosismo.
— Então eu acho que vou ter que arrumar um jeito de calar sua boca – Meu ritmo cardíaco acompanhou minha respiração descompassada. Minhas mãos, ainda presas pela do Tom, começaram a suar. Se ele tivesse feito isso há dois meses atrás, eu já tinha agarrado ele. Mas agora? Eu namorava um dos seus melhores amigos.
— Ok, não falo mais nada - Fechei a cara e fiz pirraça que nem criança. Queria esconder a qualquer custo as reações involuntárias do meu corpo. Levar na brincadeira era o caminho mais fácil para isso.
— Ah , eu prefiro você rindo - A mão livre de Tom começou a cutucar a minha barriga, o lugar que tinha mais impulsos nervosos. Eu automaticamente dei um mini pulo para cima e minha boca se encontrou com a dele por um segundo.
Nós dois ficamos imóveis por quase um minuto, eu mirava seus olhos cheios de incertezas, ele devia estar se questionando o que era certo ou errado a se fazer. Como sempre eu fiquei parada, estática, não esbocei nenhuma reação.
— ? Tom? A pipoca está pronta! - Ouvimos de longe berrar, seus passos ecoaram no corredor. Tom saiu de cima de mim e tinha os pensamentos distantes. Só deu tempo de eu sentar na cama até a chegar - Eu estou interrompendo alguma coisa?
— Que nada amiga, Tom só estava me mostrando o colchão d'água - Falei rápido demais para alguém que queria mostrar despreocupação, acabou soando exatamente o oposto.
— Hum, sei lá, é que realmente não pegou bem você com a blusa levantada... E o cabelo todo desarrumado...
— É, eu me empolguei pulando na cama - Nossa que vergonha, onde tem um buraco para eu me enfiar? Acho melhor eu ficar calada, se não eu posso piorar a situação.
— E pelo visto... Você não pulou sozinha - agora analisava o estado de Tom, que tinha o seu topete loiro bagunçado e dois botões de sua blusa abertos à mais.
— Vamos ver o filme? - Falou Tom saindo do quarto. Ele parecia tão sem graça quanto eu.
— Vamos! - Passei por correndo, e a deixei tirando suas próprias conclusões, sozinha. Eu parei no banheiro antes para dar uma respirada, tudo tinha acontecido muito rápido. Alias, nem aconteceu muita coisa! Então porque aquilo mexeu tanto comigo?
— Bora , aqui tem comida - Gritou Dougie - Aposto que ela vem rapidinho! - Falou baixo, mas ainda sim eu consegui ouvir.
Cheguei à sala, e Dougie estavam num canto do sofá de quatro lugares, ocupando apenas um e meio, e Tom estava na outra ponta, só me restava o lugar entre Tom e no sofá. Ok, eu iria sobreviver!
— Viu como ela veio rapidinho? - Dougie riu sozinho.
— Você não tem mais o que fazer não, Doug? - Falei áspera. Aquele “quase flagra” tinha afetado meu humor. Estranho.
— Tenho - Falou dando um beijo daqueles na . Eu e Tom ficamos mirando o chão e ouvindo alguns barulhos vindos do casal. Aquilo era BEM constrangedor.
— Ok gente, vamos ver o filme? - Finalmente Tom interrompeu os pombinhos do meu lado e levantou para colocar o DVD.
O filme era triste demais, nem 5 minutos eu e já estávamos chorando. E eu odiava chorar na frente dos outros. Bem, o filme foi passando e eu fui ficando com frio e com sono. Tom viu minha tentativa inútil de me encolher para não sentir frio, então tirou a blusa e me deu, eu a fiz de cobertor, sem dizer nada. Ele também calado, passou o braço por trás dos meus ombros e eu me acomodei no seu peito nu. Depois de comer brigadeiro, estar aquecida e confortável, acabei adormecendo bem antes do filme acabar.
— ? - Senti uma mão afagar meu cabelo. Respirei fundo e inalei o perfume do Tom.
— Que foi, Tomzinho? - Falei sem pensar, foi quando eu percebi que a voz da pessoa que me chamou não era do Tom, era do Danny! - Danny?
Levantei rápido do sofá e me deparei com Danny não muito feliz. TOMZINHO? Onde eu estava com a cabeça? Eu geralmente não o chamo assim! Danny pegou a blusa de Tom do chão, que antes estava me cobrindo, e a jogou no dono. Tom acordou e ficou tão surpreso quando eu, ao ver o Danny na sua frente.
— Hey Danny, pensei que você não viria.
— Ah, então agora eu entendi - Falou bravo, respirou fundo controlando seu ciúme - , sua mãe pediu para eu te levar em casa. Vamos?
— Calma dude, por que a pressa? Fica mais um pouquinho... - Falou Tom, pode não ter sido, mas me pareceu irônico.
— Deixa Tom, eu vou indo mesmo – Cortei Tom, para desfazer essa situação. Não que Danny mandasse em mim, mas eu me coloquei no lugar dele e eu não gostaria de passar por isso. Pegou meio mal ficar ali com o Tom, fato.
— Vou levar na locadora, ok?
Fui quase correndo até a o aparelho de DVD e tirei o CD de dentro, Dougie chegou à sala e começou a falar com Danny, que agora parecia mais descontraído. Foi então que eu reparei, onde estavam e Dougie? Quanto tempo será que ficamos dormindo ali?
Eu ajoelhei no chão e peguei a caixinha do DVD e abri, eu estava tão distraída que não conseguia encaixar o cd no buraco. Eu não tinha o que falar com o Danny, achava melhor ficar calada no carro, para não piorar a situação. Um par de olhos castanhos me arrancou de meus pensamentos. Tomei um susto, Tom estava ajoelhado na minha frente.
— Então, vamos ao parque de diversão no sábado, lá no Legoland? - Tom sussurrou.
— Eu não sei, hoje ainda é segunda-feira, mas eu vejo se o Danny pode ir.
— Ah - Tom contraiu os lábios.
— , já peguei seu casaco, vamos?! - Ouvi Danny gritar do elevador, eu nem repararei que ele tinha saído da sala.
— Por favor, eu tenho uma coisa muita importante para falar com você - Suplicou Tom.
— Ok, tudo bem então, desculpe e eu vou indo - Dei um beijo na covinha que apareceu junto com seu sorriso.
Corri até o elevador, me despedi de longe dos meus amigos. À medida que a porta do elevador fechava o meu desespero aumentava, não tinha o que falar com o Danny. Eu não ia me desculpar, mesmo sabendo bem qual era o motivo dessa irritação toda, eu não tinha feito nada de errado, ou tinha? Aquilo com o Tom nem tinha sido um beijo. Achei melhor apenas ficar calada. Mirei a caixa do DVD ainda pensando no que tinha acontecido naquele quarto.”
Um clarão borrou toda a cena e eu me deparo com o sorriso radiante de .
Capítulo 10 – Tarde demais.
— Me diz logo, ! O que você viu? - já estava ficando impaciente.
— Espera, deixe eu me lembrar de tudo direitinho - Eu comecei a me perguntar se devia contar a visão toda para ela. Não tinha mais como negar, eu gostava do Tom e era ele quem eu queria por perto.
Um sorriso surgiu no meu rosto, fazendo ter mais dúvidas ainda e eu resolvi acabar com sua ansiedade.
— , eu acho que gosto mesmo do Thomas.
ficou tão surpresa que sua pergunta saiu quase num berro.
— É. Eu estava confusa antes, mas agora eu tenho certeza. Eu sei que você vai achar estranho, até porque eu sempre fiquei com o Danny, mas... Eu amo o Tom. Eu não consigo parar de pensar naquele beijo de ontem. Eu nunca senti aquela sensação! Era... Viciante.
me encarava com a boca entreaberta. Eu achei que ela ia começar a gritar comigo, dizer que eu estava delirando e falar que aquele acidente afetou meu cérebro. Felizmente, eu estava errada, ela abriu um sorriso carinhoso e depois fitou o chão, incrédula.
— Tom beijou você ontem?! E quando você pretendia me contar isso, senhorita ? Por que eu sou sempre a última a saber das coisas?! - Ela amarrou a cara, fazendo um bico típico de quando ficava chateada com alguém.
— Ah! Desculpa, . Você chegou e foi logo me mostrando as coisas e tal, acabei esquecendo... Mas foi só um beijo mesmo. Seu namorado deu uma garrafa de vodka para ele... - Eu contei tudo que tinha acontecido ontem, não tinha porque esconder alguma coisa dela nessa altura do campeonato - ... E então ele foi embora, do nada, e eu fiquei mal por tê-lo magoado – Relembrar tudo que aconteceu nas últimas 24 horas era estranho. Agora o meu erro ficava evidente.
— É, amiga. Sem dúvidas ele gosta de você! - respirou fundo - Eu sempre soube que vocês iam ficar juntos. Era só uma questão de tempo! Até porque, apesar de você adorar o Danny, você sempre amou o Tom. Dava pra ver - Ela falou sinceramente. Parecia entender todos os meus problemas.
Nós duas demos aquele grito de excitação. Eu agora queria encontrar o Tom. Corrigir meus erros e dizer tudo que eu sentia... Ou melhor, tudo que eu sempre senti por ele, mas eu escondia de todo mundo, até de mim mesma.
cortou minha linha de raciocínio. Levei alguns segundos para recuperá-la por completo. Eu já tinha esquecido completamente dessa visão.
— Bem... A visão começou com a gente conversando. Estávamos indo para casa de Tom ver esse DVD - Fui contando a visão pra ela. Seus olhos arregalaram quando eu contei a parte do quarto, mas ela falou no máximo um “safadinho”, se calando logo em seguida até eu acabar de contar tudo - Então o Danny já estava no elevador. Me despedi de vocês de longe e me juntei a ele. Como eu não tinha o que dizer, só mirei a capa do DVD e voltei para cá. Pronto, foi só isso.
— Pra mim ele tinha vergonha até do espelho - nós duas rimos - Que bom, . Acho que o Tom vai te fazer mais feliz do que o Danny fez.
— Se bem que eu não lembro o quanto Danny me fez feliz... - Puxei qualquer lembrança do Danny. Só conseguia me lembrar do Baile de Formatura do Dougie. Ninguém pode negar que ele de smoking era irresistível.
Desviei o foco de meus pensamentos e me lembrei de algo que me intrigou no passado, ou melhor, na minha visão.
— Mas me diz, onde a senhorita e o Dougie estavam enquanto eu e o Tom estávamos dormindo, hein?
— O que? – ficou instantaneamente vermelha. Pelo visto ela não esperava que eu reparasse nessa parte de visão - Não sei do que você está falando! Eu estava na sala, - Ela falou, ficando sem graça.
— Ah, é?! Então porque você está quase roxa de tanta vergonha? Sem falar que eu me lembro perfeitamente do seu namorado saindo daquele corredor enorme cheio de quartos. Fala logo amiga! Eu te contei a visão inteira. Tenho direito de saber disso, oras.
— Ah, nada... O Dougie só quis experimentar.
— Experimentar o quê?! - Eu tinha uma mente muita pervertida para me contentar só com isso.
— O colchão d'água! Pronto só isso, ok?! Eu contei que você tinha ido ao quarto do Tom e se divertiu no colchão d'água... Aí ele quis ver como era..
— Vocês transaram na cama do Tom?! – Perguntei, pasma.
— NÃO! Na cama do Tom, não! Credo! O Dougie descobriu que no quarto de hóspedes também tem um colchão assim - Ela parou de falar me analisando. Eu ainda estava chocada – Ok, ! Se você é complexada com sexo o problema não é meu, ta? Agora esse assunto não interessa! É melhor você ligar para o Tom e desfazer o mal entendido de ontem, ou vai morrer virgem.
— Não pense que eu vou esquecer ouviu bem, ?! Ainda quero saber dessa história direitinho! E quem disse que eu sou virgem?! Eu posso já ter perdido e não me lembrar! - Falei brincando. Ela continuava corada.
Eles devem ter se divertido pra valer naquele dia. Anyway, agora eu tinha coisas mais importantes para fazer. Ia finalmente falar tudo que eu sentia para o Tom.
— Será mesmo? Acho que você teria me contado. Tanto faz, ! Toma aqui meu celular e liga para ele! Já que o seu celular deve estar espatifado em alguma rua de Londres, né?
— Eu gostava tanto daquele celular. E o resto das minhas coisas? Quer dizer... Minha carteira, meus documentos? - Perguntei afobada finalmente dando conta dos meus pertences - Eu devia estar de bolsa, né?
— Ah! Claro amiga, o Tom voltou lá de táxi e os polícias entregaram o que acharam, sua carteira foi a única coisa que ficou inteira. Para sua sorte, pegamos sua identidade e plano de saúde para dar entrada no hospital, senão sua mãe já estaria sabendo faz tempo - Falou contraindo os lábios. Ela achava que o fato de esconder o acidente da minha mãe era errado, mas eu tinha plena certeza que se eu precisasse dela não pensaria duas vezes em lhe pedir socorro. Agora eu estava razoavelmente bem - Vai , pára de enrolar e liga logo para o Tom! Talvez ele nem tenha viajado ainda.
— Tudo bem. Tenho que me concentrar! - Um frio subiu na minha barriga, minha coragem tinha desaparecido quando eu segurei o celular de nas mãos. Entrei em pânico - Mas o que eu vou dizer?
— Ora, diz a verdade. Sei que ele vai ficar muito feliz só pelo fato de você ligar! Diz que você precisa falar com ele, sei lá. Vai amiga. Você consegue!
— Hum, ok! - Comecei a discar o número do Tom, trêmula.
O telefone chamou. Meu coração foi na boca. Fechei os olhos tentando manter a calma e ter a mínima condição para falar.
— Alô? ? - Ouvi a voz do Tom animado. Busquei coragem. Por que era tão difícil falar?
— Oi, Tom? – Houve uma pausa, certamente ele reconheceu minha voz.
— Oi.
— Eu queria saber como você estava, depois de ter saído tão de repente - fazia sinais positivos com as mãos e estava bem perto de mim tentando ouvir alguma coisa.
— Eu? To ótimo, melhor do que nunca - Ele falava áspero de novo, aquilo me intimidava.
— E como está a Carrie?
— Ótima.
— Me conta... Como foi a viagem?
— Boa – Falou seco.
— Eu liguei porque eu precisava falar com você, sobre uma coisa...
De repente eu ouvi uma voz aguda dizendo: “volta logo Tomzinho, eu tô ficando com frio”. Eu conhecia muito bem aquela voz, era da melhor amiga da Carrie, a Zoe. Eu senti meus olhos arderem, essa garota sempre deu em cima do Tom, até quando ele namorava a Luana. Eu tinha ódio dela.
— É, eu to meio ocupado , depois a gente se fala.
— Ta – Falei baixinho – Eu to com saudade.
Agora a fazia sinais negativos, bateu a mão na testa quando ouviu a última frase.
— Ok. Tchau - E desligou.
— Tchau Tom... - Falei ouvindo o 'tuu tuu' do telefone.
— ? - falou me dando um abraço, quando me dei conta, eu já estava chorando. A vida era muito cruel. Logo quando eu finalmente tinha criado coragem para falar que gostava dele, quando eu descobri o quanto ele importava para mim de verdade, quando percebi que não o queria só como amigo, e que eu ficar com o Danny, não me ajudou a esquecer o Tom, ele vai e faz isso comigo. Por quê?!
— , ele não quer mais saber... De mim - Falei entre soluços.
— Ele está magoado, amiga. É normal! Pensa... Se você o visse beijar outra pessoa, você ia ficar muito mal, né? Lembra quando o Tom ainda namorava e você começou a gostar dele e não suportava vê-lo sendo fofo com alguém?! Vai ver ele achou que depois do acidente vocês podiam ficar juntos e ai ele te vê aos beijos com o Danny, acho a reação dele mais do que normal! Ele vai te ligar, amiga.
— Ele foi tão frio ! Sabe, eu nunca o vi desse jeito. Ele não vai ligar! Eu conheço o Tom... Ele não vai ligar - Essa última frase ficava latejando na minha cabeça.
— Amiga, pára de chorar, chega disso! Você já está quase recuperada, quero passar o ano novo com você fora desse hospital, ouviu bem? Mas que droga, ! Não é o fim do mundo, não! Você so-bre-vi-veu a um acidente, você está viva amiga! Então levanta dessa deprê, sacode a poeira, que o resto a gente conserta depois ok?
— Ok... - Falei limpando as lágrimas. sabia como animar uma pessoa. Ela tinha razão, eu precisava parar de chorar e de ficar deprimida, afinal eu estava viva! - Eu já estou melhor! Isso só foi um desabafo, pronto passou.
enxugou uma lágrima que estava se formando, abriu um sorriso e ficamos conversando sobre outras coisas pelo resto da tarde.
Os dias passavam arrastados. Eu fazia baterias de exames para saber se era possível mesmo sair no dia 31 de dezembro.
veio me visitar todos os dias para ver se eu não tinha cortado os meus pulsos. Dougie, às vezes, vinha com ela, e suas piadas me faziam rir. Era divertido passar o tempo com eles.
Harry passava no hospital sempre que dava. Pelo visto, seu romance com a estava indo muito bem, eles não se desgrudavam, eram um casal muito feliz para qualquer pessoa na beira de uma depressão que nem eu, conviver. Já Danny aparecia todos os dias e passava a noite comigo. Eu não tinha como recusar, era terrível passar as noites, sozinha, nesse hospital. Danny também era divertido. Levava joguinhos e filmes para me entreter, algumas vezes acabava funcionando. Porém meu humor não estava um dos melhores. Até brigamos certa vez quando ele me fez prometer ir para sua casa assim eu tivesse a alta do hospital.
— Amor, não tem discussão, você vai para minha casa, para festa de Ano novo também e ponto final ou...
— Ou o quê, Danny? - Desafiei.
— Ou eu ligo para sua mãe e conto tudo logo. E tem mais uma coisa , o médico mesmo disse você precisaria de ajuda com os curativos e medicamentos, então eu quero ajudar a cuidar de você.
— É mesmo, Danny Jones? Então, não se esqueça de contar pra ela que o meu namorado me deixou sozinha na noite de natal enquanto eu estava no hospital. Conta vai, eu to ansiosa para ver a reação dela - Dei um sorriso sombrio. Danny sempre teve medo da minha mãe. Ninguém precisava saber do fato que eu já tinha falado com ela que estava com o Tom na noite de natal e não com o meu atual namorado. Saboreei um pouco mais a cara perplexa de Danny antes de me responder.
— Você sabe muito bem que eu só fiquei naquela festa porque era tradicional da minha família, ! E a senhorita não se lembra que eu voltei na madrugada de natal para ficar aqui com você porque estava sedada. Mas o Tom, que ficou aqui, na promessa de cuidar de você... Caiu e bateu a cabeça. Retardado.
— Não fale assim do Tom! E esconder seus erros por trás do erro dos outros é sinal de fraqueza pra mim - Respirei fundo tentando não dar na cara do Danny, afinal ele só queria o meu bem. Olhei para ele e seus olhos azuis estavam cansados e tristes. Ele respirou fundo antes de falar:
— Ok , eu só achei que você fosse precisar de alguém. Só isso - Falou malcriado.
— Desculpa Danny, mas eu realmente sei muito bem me cuidar sozinha - Falei querendo dar um fim nisso. Brigar com o Danny não ia trazer o Tom de volta.
— É, ?! Acho que se você soubesse realmente se cuidar sozinha nós não estaríamos aqui, não acha? - Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Eu merecia isso. Abri e fechei a boca várias vezes, pensando numa resposta. Abaixei os olhos, derrotada. Ele tinha razão - Então você vai lá pra casa ou não? O melhor , é que quando você sair dia 31 daqui, já vai direto comprar uma roupa e se arrumar lá em casa mesmo. E quando der a hora é só você descer as escadas e já está na festa. Eu falo com a para ir com Dougie mais cedo lá pra casa. Combinado?
— Tem certeza que eu não vou ser um incômodo lá na sua casa? - Falei séria.
— Nunca, amor.
— Então... Eu vou - Falei de má vontade. Definitivamente eu tinha que melhorar meu humor. Assim até o Danny ia desistir de mim.
Um dos principais motivos da minha bipolaridade aguda era por estar, três dias, sem notícias do Tom. Ele simplesmente desapareceu. Deixei algumas mensagens na caixa postal, mas nem um sinal de vida. NADA. Eu acabei cansando de correr atrás dele. Parece que ele resolveu me apagar de vez da sua vida. O máximo que eu posso tentar fazer é esquecê-lo. De novo...
Capítulo 11 – Fuga de realidade.
Tom Fletcher’s P.O.V.
Como eu sou idiota, como eu sou burro. Chega, pra mim já chega! Você pensou mesmo, que depois de tudo ela iria cair nos seus braços? Burro! Ela sempre escolheu o Danny. Chega! Ser dispensado várias vezes pela mesma garota é o cúmulo! Eu definitivamente tenho que esquecê-la.
Cheguei ao aeroporto Heathrow o mais rápido que pude, não queria ficar mais um minuto em Londres. Talvez as luzes de Paris me fizessem pensar em outras coisas, talvez tirassem tanta dor do meu peito.
Peguei o primeiro vôo disponível, quase me esquecendo de avisar a Carrie que eu estava a caminho. Em menos de uma hora eu já estava dentro de um o táxi francês. Parei em frente a uma casa muito discreta, era branca com detalhas em rosa bebê, havia luzinhas piscantes em baixo da neve que cobria todo o telhado. E só deu tempo de ver uma guirlanda verde com enfeites na porta, antes dela se abrir e surgir minha irmã mais nova.
— TOM! - Carrie veio me receber aos gritos - Nem acreditei quando você ligou! - falou me dando um abraço forte.
— Né? - Falei meio desanimado, porém feliz em vê-la.
— Como está tudo lá? Como estão os guys, a ? - Ótimo, eu tinha vindo para cá na tentativa de esquecer da , mas parece que isso não ia ser tão fácil assim. Só respirei fundo. Carrie, como não era boba nem nada, percebeu.
— Ih, já to vendo que aconteceu alguma coisa. Ah, Tom... Não fica assim! Eu a adoro, mas acho que ela não serve para você, já faz uns meses que você está assim! Esquece, por favor. Ela já te fez sofrer demais.
— Eu sei, Carrie! Eu vou tentar, eu juro. E quem mais está ai? - Falei querendo mudar de assunto a qualquer custo.
— Mamãe e papai saíram, foram passear por Paris. Engraçado... Quem devia estar aqui era a Zoe.
— Ah, esqueci que você mora com...
— TOMMMMMMM! - Uma voz aguda veio de dentro da casa. Zoe correu em minha direção e pulou em mim abrindo os braços. Eu escorreguei no chão que estava molhado do gelo e nós dois acabamos caindo - Desculpa Tom, acho que eu me empolguei.
— Sem problemas - Preferi só falar isso a soltar um palavrão. Levantei e comecei a massagear minha bunda dolorida.
— Que bom que está aqui! Vem, entra e conheça a nossa nova casa - Falou Zoe ajeitando os cabelos ruivos. Reparei que tinha um novo corte, ficando muito semelhante à Gina Weasley [N.A: Harry Potter *-*].
— É, vamos Tom - Carrie pegou minha mão e me puxou - Depois você me conta o que aconteceu - Falou num sussurro. Eu só assenti.
O dia passou bem agitado, Carrie e Zoe não me largaram um minuto sequer. Mas meus pensamentos só estavam voltados a uma pessoa.
Meus pais chegaram do passeio e ficaram felizes em me ver. Recebi meu presente atrasado de natal, e fiquei muito sem graça ao ver que tinha esquecido todos os presentes em Londres. Eu saí com tanta pressa de lá que só passei em casa para pegar umas roupas. Agora eu não tinha a mínima vontade de voltar.
Fui dormir cedo. Achava melhor enfrentar a dor do que fingir que ela não existia, talvez ela passasse mais rápido.
Fiquei no quarto da Carrie. Eu tinha me oferecido para dormir na sala, mas ela insistiu... Queria me deixar mais a vontade. Melhor para mim! Deitei na cama e fiquei mirando o teto por muito tempo, não estava cansado o bastante para conseguir dormir. Não queria fechar os olhos, pois a imagem de e Danny se beijando sempre vinha me atormentar.
“Ela namorava o Danny, você já a viu beijá-lo outras vezes, o que tinha de tão diferente dessa vez?” falei baixinho para mim mesmo.
É... Eu tinha realmente criado esperanças de ficar com a . Esse sentimento de desilusão era, de longe, o pior. Pensei que depois de tudo que aconteceu naquela noite, ela finalmente iria ver quem gostava dela de verdade.
Comecei a relembrar do passado, como tudo tinha começado. Eu namorava um ano com a Luana antes de conhecer a , e, inevitavelmente, me apaixonei. Queria arranjar qualquer desculpa para estar ao seu lado. Deve ter sido por isso que nos tornamos melhores amigos. Eu terminei com a Luana quando eu descobri que ela não me fazia mais feliz. Essa foi uma época confusa, pois eu tinha um carinho enorme pela Lu... Então eu concentrei todas as minhas forças na , só que parecia mil vezes mais difícil conversar com ela. Essa porra de timidez, eu perdi a maior chance da minha vida por causa dela. Então com uma semana de solteiro, Danny se muda para cá. A princípio foi ótimo, afinal Danny era meu melhor amigo.
Se arrependimento matasse, infeliz o dia que eu apresentei os dois. Que ingenuidade a minha. Eu já tinha comentado sobre a para o Danny. Mas não o fato de eu amá-la. É... Eu a amo. Merda!
E esse acidente... Nossa, eu larguei tudo para ficar com ela! Trabalho, casa, deixei de ver minha família na noite de natal... Pra nada.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, relembrar esses fatos era, no mínimo, depressivo para mim. Eu me pergunto se um dia ela me quis não só como amigo.
— Tom? - Carrie abriu a porta devagar, me obrigando a voltar à realidade. Enxuguei a lágrima o mais rápido que pude. Não queria que ela me visse nesse estado deplorável. Tarde demais.
— Hey Carrie, entra - Lutei contra um nó que tinha surgido na minha garganta, minha voz estava péssima.
— Ah dude, me conta o que foi que aconteceu, por favor - Ela sentou na beira da minha cama e pegou minha mão.
Eu não queria falar com ela sobre isso. Na verdade eu não queria falar com ninguém. Além disso, ela não sabia que a tinha sido atropelada. Não era uma história muito grande, porém não valia à pena falar disso.
— Ah Carrie, eu vou ficar bem, eu prometo. Eu só cansei de correr atrás da , só isso.
— Ok Tom, eu não sou idiota. Se você não quiser, não precisa falar. Mas não adianta mentir. Eu sei que é muito mais que isso. Seja o que for, acho que dessa vez foi pior, eu nunca te vi... Chorar - Ela contraiu os lábios, parecia ter pena de mim. Não queria passar a imagem de pobre coitado pra ela.
— Eu, chorando? Tem certeza? - falei brincando, mas Carrie me encarou séria. Nós dois sabíamos muito bem que não tinha caído um cisco no meu olho - Anyway... Eu realmente não quero falar sobre isso, mas você pode fazer um favor para mim?
— Claro, é só falar!
— Não me deixa correr mais atrás da , ok? Quero virar a página.
— Farei o possível - Ela sorriu - Bem, eu vou te deixar dormir... Se precisar de alguma coisa, é só bater na porta da frente, ta?
— Brigado irmãzinha, vai lá então. 'Noite.
Não consegui dormir tão cedo, já era dia quando eu finalmente peguei no sono.
— Tom? - ouvi a voz de Carrie distante.
— Que foi? - falei sonolento. Respirei fundo, parecia que eu tinha corrido uma maratona de tão cansado que estava.
— Desculpa Tom, é que o almoço está quase pronto e a mamãe pediu para eu te acordar. Sabe como ela é né? Gosta de comer com todo mundo junto.
— Mas que merda, já to descendo então.
Tomei um banho quente e coloquei a primeira roupa que eu vi. Desci as escadas e me juntei a Zoe e Carrie sentadas no sofá.
— Bom dia a todos - Falei ainda morgado.
— Bom dia, Tomzinho - Zombou Carrie, Zoe riu junto.
— Bom dia - Falou Zoe com um sorriso enorme no rosto - Dormiu mais que a cama foi, Tomzinho?
— É o que parece – Falei, ignorando a brincadeirinha. Eu não estava muito sociável nessa manhã. Coloquei a mão no bolso do casaco a procura do meu fone de ouvido. Droga, eu esqueci no quarto - Já volto.
— Ah Tom, se você for lá em cima, pega um casaco que está em cima da minha cama pra mim, por favor. - Falou Zoe, foi ai que eu percebi que ela estava encolhida no sofá.
— Ok - Falei levantando do sofá. Não dei nem dez passos e eu percebi que meu celular estava vibrando. Um milhão de pensamentos vieram a tona. E se fosse a ? Eu iria atender?
Peguei o celular do bolso e estava escrito no visor: “ ”. Menos mal, ela deve ter ficado sabendo pela que eu fui embora às presas, ela e Dougie devem estar preocupados. De qualquer forma eu não podia mostrar que estava abalado, respirei fundo e atendi o telefone com melhor voz que eu pude.
— Alô? ? - Falei animado até demais, tudo bem. Era só falar pouco com ela e acabar logo com essa situação.
— Oi, Tom? - Prendi a respiração, essa não era a voz da . Fechei os olhos devagar. Como eu não previ isso? Porque depois de tudo ela ainda me liga? Tive vontade de desligar, porém isso só ia mostrar o quando eu era infantil. Eu tinha que encarar a situação de frente, pois estava decidido a esquecê-la.
— Oi - Falei rígido, tentando disfarçar o nó na garganta.
— Eu queria saber como você estava, depois de ter saído tão de repente - falou sem graça. “Ela é só sua amiga, ela não quer nada com você, ela ama o Danny” pensei comigo mesmo.
— Eu? To ótimo, melhor do que nunca - Falei indiferente, era mais fácil falar assim quando eu lembrava da causa do eu sofrimento.
— E como está a Carrie? - Senti sua voz ficar um pouco mais fraca, ela não esperava que eu tivesse essa reação? “Claro, ela já está acostumada comigo sempre correndo atrás dela, mas não dessa vez” me concentrava nesse pensamento.
— Ótima.
— Me conta como foi de viagem? - Ela insistia em falar comigo, mas eu não aguentava mais, não queria ouvir a voz dela. Era como se cada palavra abrisse mais uma ferida em mim, eu precisa me curar de uma vez por todas.
— Boa – Falei seco.
— Eu liguei porque eu precisava falar com você, sobre uma coisa...
— Volta logo Tomzinho, eu to ficando com frio - Falou Zoe de repente. parou de falar, eu sabia que ela não gostava da Zoe.
Mas o que ela queria falar comigo? “Não interessa” eu comecei a repetir isso mentalmente como um mantra. Funcionou.
— É... Eu to meio ocupado , depois a gente se fala – Chega! Eu precisava desligar. Ao ouvir o nome da , Carrie correu até mim e começou a fazer sinais negativos com a cabeça, certamente se perguntava por que eu ainda estava falando com ela, encostou o ouvido do lado externo do celular.
— Ta – Falou baixinho – Eu to com saudade.
Essa última frase fez meu mundo cair. Eu não tive reação, eu ia fracassar. Eu ia falar tudo que eu sentia; tudo que eu precisava colocar pra fora: o quanto eu a amei e o quanto ela me fez sofrer. Eu tomei fôlego, Carrie percebeu minha recaída e logo fez gestos para eu desligar o mais rápido possível.
— Ok. Tchau - Foi a única coisa que eu conseguir dizer. Nem esperei ouvir a resposta de , simplesmente desliguei. Escorreguei pela parede até sentar no chão e coloquei minhas mãos no rosto.
Por que era tão difícil só ser amigo dela?! Eu não sabia se a minha atitude tinha sido boa ou ruim, pelo menos eu não estava vulnerável. Não dessa vez.
Capítulo 12 – Toda ação tem uma reacão.
Tom Fletcher's P.O.V.
É, meus pais e Zoe perceberam que meu estado metal não estava muito bom, eles fizeram perguntas desagradáveis, sobre a e o resto dos guys, sorte minha ter pedido ajuda a Carrie na noite passada, foi ela que me tirou daquela situação.
- Ninguém merece né, Tom? Você vem para cá, com a finalidade de fugir daquelas pessoas, e ainda ficam te enchendo o saco por causa disso. E você Zoe, bico fechado.
Zoe estava calada no quarto, enquanto Carrie andava de um lado para o outro, eu só fiquei sentado na cama, parado. A ligação foi um tapa na cara forte demais para eu que pudesse ignorar.
- Claro Carrie, eu nem falei nada, foram seus pais que ficaram questionando o Tom. Aliás, vamos mudar de assunto.
- Ela disse que estava com saudade de mim - Pensei alto, merda.
- Aquela vaca sempre ficou com outro e vem dizer que está com saudade? Dá próxima vez que ela ligar, eu mesmo a mando tomar naquele lugar.
Eu vi Zoe segurar o riso, eu teria rido se tivesse em boas condições. Carrie sempre foi muito engraçada com esses ataques histéricos. Apesar de tudo... Ela tinha razão.
- Poxa, eu sempre senti saudade de você, e você nunca levou por lado pessoal - Zoe falou revirando os olhos.
- Era pra levar? - Perguntei, fingindo ser inocente.
- Ui, gato... Você nunca percebeu minha quedinha por você? - Ela piscou para mim, eu sabia que tinha um fundo de verdade nessa brincadeira.
- É, eu tenho que começar a gostar de quem gosta de mim, não acha? - Falei pensando na possibilidade de nunca mais ver a , por todo esse tempo que passei sem olhar para mais ninguém, definitivamente eu tinha que começar a sair.
Olhei para Zoe e ela estava com os olhos arregalados, e suas bochechas estavam ligeiramente vermelhas. Era o que eu estava pensando?
- Mas hem? Vamos fazer o que hoje? - Falou Carrie aliviando o clima no quarto.
- O que o Tom quiser, ora! - Falou Zoe sorrindo, mas ainda corada.
É, era exatamente o que eu estava pensando, Zoe gostava mesmo de mim?
- Vamos passear por Paris - Falei não querendo ficar mais um segundo em casa, para evitar ser alvo de mais um bombardeio de perguntas.
Pegamos nossas coisas, e fomos dar um volta na cidade mais romântica do mundo. Tiramos várias fotos, passamos na torre Eiffel, no Arco do Triunfo, demos uma passadinha no Museu do Louvre, eu não estava muito a fim de ver a Monalisa e os outros quadros famosos, então fomos comer no restaurante Alain Ducasse, que fica no hotel Plaza Athénée, realmente gastei muito dinheiro naquele restaurante chique, mas eu não estava preocupado com isso agora.
Quando voltamos para casa já era noite, o dia tinha sido muito melhor do que eu podia imaginar. Tomei banho, e ficamos vendo Tv na sala. Zoe e Carrie dormiram uma em um ombro meu. Acabamos indo para cama bem tarde. Deitei na tentativa inútil de dormir. Eu não conseguia pregar o olho. Milhares de pensamentos intercalavam entre Zoe e . Me lembro de um dia que a comentou:
“Essa amiguinha da Carrie sempre te deu mole Tom, toma cuidado porque daqui a pouco ela te agarra.”
Mas eu nunca olhei para outra garota depois de conhecer a , então eu nem pensei na possibilidade de ficar com a Zoe na época.
Peguei meu celular para ver as horas, e para minha surpresa estava no visor “1 mensagem de voz”, meu estômago deu uma volta.
Eu não conhecia o número que tinha ligado. Isso era um mau sinal, eu tinha quase certeza que era a , eu não sabia se escutava ou não. Mas a minha curiosidade era bem maior que a minha dor naquele momento.
Respirei fundo, e coloquei o telefone no ouvido.
“Tom? Olha... Er... eu queria saber se você está bem? Como você estava ocupado naquela hora, eu nem falei nada... Eu preciso falar com você uma coisa muito importante que eu descobri... Me liga? E quando você volta? – voz de choro – O hospital não é o mesmo sem você... Eu preciso de você aqui! – barulho de porta abrindo, voz do Danny dizendo algo que não deu para entender – Volta logo, beijo”
- Estou vendo que você está sentindo muito a minha falta - Falei para o telefone mudo - Eu mereço, eu mere...
Nesse instante alguém bateu na porta.
- Pode entrar - Falei alto o suficiente para a pessoa do outro lado ouvir sem acordar ninguém.
Uma menina de cabelos ruivos e olhos verdes apareceu na porta, parecia meio sem graça.
- Er... É que eu tive um pesadelo e fui pegar uma água, ai eu te ouvi falar alguma coisa, queria saber se está bem?
Eu parecia um doente! Todo mundo ficava me perguntando se eu estava bem. Eu não parecia bem? Tanto faz...
- To bem sim - Dei um sorriso de lado - E você está bem? Ter pesadelo é uma droga.
- Ah, to bem sim, sei lá. Mas acho que não vou conseguir dormir tão cedo, sabe como é, né?!
- É eu sei, também não vou dormir tão cedo. Entra ai, vamos conversar - Falei já sentado na cama e encostado na parede, bati a mão do meu lado do colchão, mostrando para Zoe onde pudesse sentar.
- Ah... Tudo bem - Hesitou um instante. E se sentou ao meu lado, eu dei parte do meu cobertor para ela, que por sua vez se cobriu e ficou calada fitando o chão.
- Você tem algum assunto? - Falei levianamente.
- Hum, o que você estava falando antes de eu entrar? Parecia irritado.
- Ah... Foi que... A me mandou uma mensagem de voz - Falei sem emoção.
- Putz, e ai?
- E ai nada. Ela mandou, falou o que queria falar, pronto - Eu queria tanto mostrar que estava pouco me importando com a , que estava parecendo exatamente ao contrário.
- Mas você não tem nada pra falar com ela? - Falou Zoe tímida.
- Tenho, muitas coisas até, mas eu cansei disso, de correr atrás de quem não gosta de mim.
- É, eu devia seguir o seu conselho - Falou Zoe abaixando a cabeça - Talvez assim eu aproveitasse mais a vida, ao invés de me prender a uma pessoa só.
- Exatamente Zoe, esse negócio de se prender a uma pessoa só é idiotice... Você é muita nova pra isso.
- Eu entendo. Mas é incondicional - Ela parecia triste agora.
- É horrível gostar de alguém e não ser correspondido - Lamentei em voz alta.
- Eu sei bem - Zoe falou com um tom de mágoa na voz, isso me chamou a atenção.
Ela estava estranha agora, mexia os pés rapidamente e evitava olhar para mim. Foi ai que eu percebi o quanto ela devia estar sofrendo.
- Essa pessoa nunca olhou pra você, Zoe? - Falei segurando seu rosto, forçando-a olhar para mim. Senti sua respiração mudar de ritmo.
- Não, porque ele só tem olhos para outra pessoa, acho que você deve me entender, Tom - Falou seca. Então eu entendi, eu era para ela o que a era para mim.
Ela foi chegando perto do meu rosto e seus olhos foram se fechando. Meu pulso acelerou, o que ela acha que está fazendo? Eu ainda não podia fazer isso. Eu não queria iludi-la.
- Acho que já está ficando tarde - Falei a centímetros de sua boca. Zoe abriu os olhos, e engoliu seco.
- Claro, até amanhã - Ela saiu do quarto constrangida e às pressas.
Deitei e esperei paciente pelo sono, eu me sentia culpado pelo sofrimento de Zoe, e entendia um pouco a lado de também. Isso era ruim, pois minha raiva diminuía, e logo logo eu estaria atrás dela... De novo.
Uma música dos Beatles invadiu o meu sonho, tinha algo de familiar naquela musica, era... O meu toque de celular! Acordei assustado, derrubando tudo que tinha no criado-mudo. Só fui atender o celular quase no meio da música.
- Alô? - Falei meio desnorteado.
- Tom? É você, dude? - Ouvi a voz de Harry do outro lado da linha.
- Hey Harry, como você está, dude? - Falei meio sonolento.
- Eu? To ótimo, e você? Sumiu assim do nada! Quem não está nada bem é a - Prendi a respiração. Porque todos insistiam em tocar nesse maldito nome?
- Eu to ótimo, mas me diz que aconteceu com a , ela teve uma recaída? - Agora eu estava realmente preocupado com ela, será que tem algo grave por trás disso?
- Sei lá dude, ela ficou depressiva de repente, sabe? O Danny disse que é por causa do seu desaparecimento repentino - Ele parecia tomar cuidado com as palavras. Estranho.
- Olha Harry, a estava muito bem com o Danny quando eu sai, não sei o porquê ela estaria assim... Ainda mais por minha causa - Falei honestamente, mas tinha um tom de desdenho na minha voz.
- Bem Tom, ai tem coisa, pois o Danny disse que ela fica chamando seu nome quando dorme - Eu engoli seco - E eu acho que vocês devem ter brigado, ou algo assim, porque você sempre a chamou de e não de . É Tom, você não me engana.
Droga, o Harry é muito mais perceptivo que os outros guys, eu realmente não tinha como mentir, então achei melhor só não querer falar sobre isso.
- É dude, você venceu... Mas eu não estou muito a fim de tocar nesse assunto, se você não se importa.
- Ah, claro - Ele ficou sem graça, não esperava que eu fosse ceder tão rápido - Mas quando você volta? Dia 31 é a festa de Ano novo, você vem, né?
- Eu tinha me esquecido dessa festa, quem sabe...
- Vamos dude, vai ser divertido! E a vai estar saindo do hospital nesse dia, ela vai ficar muito feliz em te ver - Fechei os olhos, eu tinha esquecido que eu teria que encará-la mais cedo ou mais tarde, isso parecia tão distante antes, mas com essa festa nosso encontro seria inevitável.
- Vou pensar direito.
- Vai começar às 21 horas. Ah! E chama a Carrie e a Zoe também.
- Pode deixar dude, abraço.
- Tchau Tom e pensa bem.
Desliguei o telefone, essa ligação tinha informação demais para eu amenizar tudo de uma vez. O Harry disse que a falou meu nome enquanto dormia. Senti um frio na barriga, então ela estava pensando em mim, no mínimo no seu subconsciente, isso era fato. Eu não sabia se ficava triste ou feliz com essa notícia. Porque, inevitavelmente, isso alimentava um lado que estava quase adormecido de voltar a gostar da , eu nunca consegui parar de gostar dela, mas eu estava conseguindo me controlar.
E eu passei o dia inteiro pensando nas inúmeras situações que poderiam ocorrer nessa festa, eu tinha medo. Medo de voltar a sentir tudo que eu estava tentando apagar, sentir aquele gosto amargo da dor. Era difícil... Uma parte de mim queria muito rever a , saber se está bem mas outra parte queria viajar para qualquer lugar do mundo na tentativa de tirar ela de uma vez por todas dos meus pensamentos. Porém eu não podia fugir do destino, eu não queria fazer uma cena ou chamar a atenção de forma alguma. Eu iria a essa festa, e depois eu estaria livre para ir a qualquer lugar sem dar satisfação a ninguém. Isso, eu iria embora de uma vez por todas.
Comuniquei às meninas que iríamos nessa festa, Zoe adorou a idéia, porém Carrie...
- Mas, por que você quer ir tanto nessa festa? - Ela parecia inconformada. Certamente não entendia metade dos meus motivos - Ah, anyway... Você vai e vai jogar na cara daquela garota o quanto você está bem!
Compramos as passagens para o dia da festa, agora não tinha mais jeito. Mais mensagens de chegaram para mim. Essas mensagens de voz diziam todas as mesmas coisas só que com palavras diferentes: “Ela sentia minha falta, precisava de mim e perguntava se eu estava bem”. Um nervosismo anormal me atormentava, a contagem regressiva para ir de encontro com meu destino me deixava inquieto. Queria que o tempo passasse devagar, tinha uma pontada de arrependimento, pressentia que algo pior estava por vir, porém não iria fugir... Ainda.
Capitulo 13 – Estranho reencontro
Tom Fletcher's P.O.V.
No dia 31 de dezembro, o céu amanheceu impecável. Ótimo, eu não teria nem uma desculpa para não ir a essa bendita festa, mas eu já tinha me acostumado com idéia. Estava tudo pronto para nossa ida. Carrie e Zoe iriam hoje, porém voltariam amanhã, meus pais ficariam em Paris mesmo, por mais um tempinho, aproveitando as férias deles.
Chegamos ao aeroporto Charles de Gaulle com 1 hora de antecedência. A viagem foi muito tranquila, pousamos de noite em Londres. Olhava o relógio de cinco em cinco minutos, agora faltavam só 2 horas para festa. As meninas chegaram em casa e logo saíram para dar uma volta, Carrie gostava de Paris, mas parecia sentir muita falta do aconchego londrino.
Deixei tudo preparado, minha roupa estava passada e estendida na minha cama, e eu estava deitado ao lado dela. Eu fechava os olhos, na tentativa de abri-los e estar de volta ao quarto de Carrie, mas eu tinha que encarar os fatos: iria ver daqui a pouco. Queria estar no mínimo apresentável, fui no banheiro lavar o rosto para esfriar minha cabeça. Eu tinha expressão cansada, a noite anterior foi a pior para dormir, eu sentia um misto de ansiedade e nervosismo, e essa sensação se prolongou pelo resto do dia.
As meninas chegaram do passeio e se trancaram no quarto de hospedes para se arrumar. Eu continuava morgado no meu quarto, ajeitei o topete com gel, passei perfume, coloquei minha roupa que as meninas tinham escolhido. Era uma calça Skinny, com uma blusa social branca, e um sobretudo de inverno preto e por cima um cachecol quadriculado. Eu tinha achado até a roupa legal, mas não usaria isso se não fosse sugestão delas. Olhei para o relógio impaciente, eram dez para as nove, fiquei esperando as meninas na sala, sem ligar a
TV nem escutar música, eu parecia estar em outro planeta. Mas agora que eu mais queria era acabar logo com isso.
- Vamos Tom? - Ouvi a voz de Carrie atrás de mim. Me virei e deparei com minha irmã muito arrumada, Zoe também estava linda... Até demais.
Carrie estava com um vestido azul bebê de mangas compridas e uma meia calça, já Zoe tinha um vestido branco com detalhes vermelhos e um sapato combinando. As duas já estavam com seus casacos para aguentar o frio de Londres, pelo mesmo até chegar na festa.
- Claro! Vocês duas capricharam, hem?! - Falei só por costume.
- Obrigada Tom, você também está... Maravilhoso - Falou Zoe sem graça. Ela estava realmente mais bonita do que eu tinha reparado antes.
- Vermelho... Zoe está apostando na paixão, hm - Insinuou Carrie piscando para mim.
- Quero começar esse ano com chave de ouro, vocês vão ver... Ninguém vai em segurar depois da meia-noite - Brincou Zoe.
- Então, vamos? - Falei querendo acabar logo com essa estranha sensação pré-festa.
P.O.V.
- Amiga, come alguma coisa, se não você vai ter que voltar para o hospital! – minha melhor amiga, com um salgadinho na mão, não parava de repetir isso. sempre estava tentando cuidar de mim. Só que agora eu não estava com o menor apetite.
- Não dá , sério... Você sabe quando fico nervosa eu não consigo comer nada, eu vou ficar bem - Falei ajeitando meu vestido. Me olhava no espelho do armário de Danny e via claramente as marcas do acidente: tinha uma cicatriz na perna esquerda que antes estava quebrada, um curativo discreto no meu supercílio, e uns hematomas na barriga, mas esses eu conseguia esconder com a roupa.
Minha sorte que a tinha um talento nato para maquiagem, ela tinha o simples prazer de maquiar as pessoas e pelo visto fez milagre hoje. Eu estava com um vestido branco balonê tomara-que-caia, com uma fita de cetim rosa pink na cintura que fazia um laço volumoso atrás. Estava com uma maquiagem suave, o que não era comum, eu sempre pedia algo exageradamente preto para . Mas hoje não é dia para isso.
Já minha melhor amiga estava maravilhosa, seu vestido rodado prateado valorizavam seu corpo, tinha um decote de coração. Nós duas tínhamos tudo para arrasar. Ia ter tanta gente nessa festa. Mas não em importava quantas fossem, eu estava me arrumando para uma pessoa só.
- Já te falei quem vem? - Eu disse tentando conter meu nervosismo.
- Hã.. Não - Pensou , enquanto passava lápis de olho nela mesma.
- O Harry ligou... Pro Tom. E ele vem! - Minha voz saiu aguda, devido minha excitação.
- O Tom? Oh meu deus, então vem aqui, deixa eu ajeitar seu cabelo. Retocar essa maquiagem. Por que essa festa promete! Mas espera... E o Danny? Como você vai fazer?
- Já resolvi tudo, vou acabar com o Danny. Ele é um fofo, ficou comigo todo esse tempo, mas eu gosto do Tom - Falei meio triste, acabar com um relacionamento não era fácil para ninguém, mas eu achava que era o certo a fazer, afinal eu só tinha olhos para o Tom agora.
- É , acho que você está certa, chega de enganar o Danny. E acho que o Tom vai adorar saber disso que você acabou de me contar - Ela riu de satisfação - Agora não se mexe pra eu acabar de te arrumar.
- Ah claro, só falta uma coisa.
- O quê?
- Coragem - Nós duas rimos.
Depois de renovar minha aparência, descemos as escadas da casa do Danny, as pessoas já estavam chegando, muitos familiares ao redor, todos muito arrumados. Mas a sensação era Vicky, a irmã do Danny. Aquele cabelo preto com rosa ficava lindo nela. Nem me preocupei em colocar o casaco para descer, com a casa climatizada eu e não morreríamos com o inverno londrino.
- Vou procurar o Danny, vou falar com ele antes do Tom chegar - Falei para , tentando controlar o meu nervosismo.
- Boa sorte, amiga! - Falou me dando força. Eu respirei fundo e fui a procura de Danny.
Passei por vários amigos que perguntaram como eu estava, provavelmente Danny espalhou a notícia que eu tinha caído da piscina e quase me afogado, a história que Tom tinha inventado para minha mãe. Chegava a ser cômico ver como as pessoas acreditaram fielmente nisso.
Avistei Danny no hall da casa falando com Harry, e Dougie, ele estava lindo com aquela roupa de
réveillon. Uma calça jeans escura e uma blusa quadriculada de branco e verde, com uma camiseta justa branca por baixo, que contornava seu abdômen definido. Era difícil dispensar um homem daquele. Só no meu caso, que estava completamente apaixonada por outro.
- Danny? - Falei tímida para ele. “Respira , não lembra que você está na casa dele e todos os familiares dele estão aqui. Faça o que é certo a fazer”, eu tentava me concentrar nisso. Ah, que medo!
- Sim, meu amor? - Falou me dando um selinho intenso. Eu respirei fundo, tentando e concentrar.
- Nossa, ! Você está linda - falou com carinho. Eu a achava muito legal, pelo pouco tempo que a conhecia. Nós devíamos ter nos dado muito bem antes do acidente.
- Adorei a fita rosa, depois você poderia me emprestar, hem? - Brincou Dougie.
- Gay... Como sempre Dougie, cadê a pra te colocar no lugar? - Falou Harry fazendo todos rirem menos eu que só consegui dar um sorriso fraco. Geralmente eu adorava entrar nessas brincadeiras, mas eu estava preste a terminar com o Danny, não tinha muitos motivos para rir.
- Estão falando de mim é? - chegou de surpresa. Ela me lançou um olhar como se perguntasse: “E ai?”, mas ao ver que Danny estava do meu lado com o braço na minha cintura, ela não precisou esperar por uma resposta.
- Eles estão falando que eu sou gay, fala pra eles o quanto eu sou homem na... - Falou algo no ouvido da , todos nós já imaginávamos o que seria, ainda mais pela cara que espanto que a fez, o tapinha que deu nas costas de Dougie e seu rosto ligeiramente corado. Ninguém falou mais nada, aproveitei a brecha e indiquei com os olhos para que eu queria ficar a sós com Danny. Ela entendeu.
- Dougie, vamos pegar algo para beber? - falou afagando sua nuca.
- Claro, minha linda - Ele sorriu para e lhe deu um beijo.
- Ah, vamos também, Harry? Estou seca aqui - falou e piscou para mim. Eu me perguntei se ela tinha visto eu lançar aquele olhar para , achei legal da parte dela estar ajudando. Respirei fundo afim de que os meus pulmões se enchessem de coragem.
- Você quer que eu pegue algo para você, ? - Falou Danny me dando a mão e começando a andar na direção dos meus amigos.
- Não, vamos ficar aqui... Er... Eu preciso falar com você - Meu timbre de voz era tão sério que Danny me olhou com as sobrancelhas unidas indicando sua preocupação.
- Você está se sentindo bem? Quer sentar? Está tonta? O que acontec...
- Nada Danny, eu estou fisicamente bem - Cortei. O quanto mais rápido isso fosse, menos dolorido seria para ambos, eu acho.
- Ah.- Falou devagar. Ele tinha mudado sua expressão agora, acho que já estava suspeitando do meu rompimento com o nosso relacionamento.
- Bem Danny, é que de uns tempos para cá... - Nossa conversa foi interrompida por gritos de alegria que me chamaram a atenção, olhei para direção dos gritos que indicaram a porta de entrada, em meio de algumas pessoas vejo um garoto loiro, alto, super bonito, com uma covinha bem familiar, tinha o olhar tímido e um sorriso discreto, agora eu reconheci Dougie e Harry que estavam abraçando e cumprimentando Tom e as meninas na entrada. Um nó se formou na minha garganta, eu estava esperando esse momento há muito tempo.
Tom olhou em volta e seus olhos castanhos encontraram os meus, a essa altura eu já tinha perdido meu fôlego. Eu fiquei uns cinco segundos sem saber o meu nome, quando minha mente voltou a trabalhar, ela me obrigou a abandonar Danny ali e ir correndo até o Tom.
Cada passo que eu dava, sentia meu coração acelerar. Passei por Dougie e Harry sem falar nada. Eu sentia certa agonia, tentando chegar o mais rápido que eu podia até o Tom. Sem pensar, abri os braços e o segurei com toda a força que tinha. Não queria largá-lo tão cedo, seu perfume me envolveu, eu fechei os olhos e parecia estar no paraíso. Eu me sentia viva de novo. Ele me abraçou, mas parecia sem graça e inseguro.
- Que bom que você veio! - Falei sorrindo e olhando no fundo dos seus olhos castanhos chocolates, estavam confusos. Eu não sabia ao certo se ele estava feliz em me ver ou se ia me ignorar pelo resto da festa.
Ele só ficou parado, sem ação. Eu não conseguia decifrar seus pensamentos. Não sorriu e também não falou nada, ele só olhava nos fundos dos meus olhos.
Por uma fração de segundo eu me senti desconfortável. Aquilo era estranho, a sua irmã mais nova me encarava com os olhos apertados e um sorriso falso, vi Zoe atrás de Tom, ela fitava o chão e parecia se sentir deslocada. Me perguntei se ele tinha contado para alguém da nossa história. Não... Duvido muito. Sabia que o clima não estava favorável, mas eu não ligava, Tom estava aqui e nesse momento era o que importava.
Capitulo 14 – Nostalgia
Tom Fletcher's P.O.V.
Parei meu carro perto da casa do Danny, fiquei mirando rua por alguns segundos, eu sabia o que deveria ser feito, mas eu não queria fazer. Respirei fundo, eu tinha movimentos lentos, mas meus batimentos estavam absurdamente rápidos. Hesitei um segundo antes de abrir a minha porta do carro. Agora não tinha mas volta... Tinha?
- Tom, vamos! Ou você quer morrer congelado? - Falou Zoe interrompendo meus pensamentos.
- Ah claro, vamos! - Falei. Tive que correr para alcançá-las.
Tocamos a campainha. Meu estômago virou, e se a abrisse a porta? Eu apenas esperei e, para meu alívio, Harry e Dougie abriram.
- DUDE! - Falaram os dois ao mesmo tempo.
- Hey, como vocês estão? - Falei tentando colocar o máximo de emoção na minha voz.
Olhei devagar para dentro da casa analisando festa e encontrei um par de olhos claros que me encaravam perplexos de longe, eu conhecia aquele olhar mais do que qualquer outro no mundo. Finalmente aquele momento tinha chegado, eu não queria fugir agora, eu estava hipnotizado com a sua imagem. Tudo a minha volta tinha perdido a cor e som, e só conseguia ver aquela linda menina de branco correndo em minha direção, agora eu já não sabia se era sonho ou era realidade. Só fui perceber que aquilo realmente estava acontecendo quando me abraçou, ela era palpável, era real. Eu a abracei forte ainda saboreando essa sensação.
- Que bom que você veio! - Falou , com os olhos brilhando. Eu não conseguia falar nada, eu fiquei parado, eu queria só ficar mirando aquela imagem de feliz e deletar todas as mágoas que tinham acumulado em mim. Ela estava completamente deslumbrante. Era novo vê-la bem, saudável. Fora daquela maldita cama.
Ela desviou o olhar para minha irmã, do meu lado, depois para Zoe, atrás de mim. Abaixou os olhos, reação típica de quando ficava sem graça ou deslocada e eu conclui que Carrie devia lançado um olhar de provocação para .
- Você está ótima, – Falei e logo senti um beliscão no meu braço, Carrie estava me alertando para algo que eu tinha acabado de desistir em fazer - É ótimo te ver assim... Tão viva - Ela sorriu e abaixou a cabeça sem graça.
Reparei no seu curativo no supercílio, aquilo me deu um aperto no peito. Eu tinha abandonado naquela condição lá no hospital, antes de qualquer coisa eu era o seu melhor amigo, comecei a me sentir culpado de tê-la deixado daquele jeito. Quando ela mais precisava de mim.
- Eu senti tanto a sua falta – Ela lamentou. Meu coração disparou, ela falou com o mesmo tom de voz quando falava com o Danny antigamente, aquele timbre de voz que era de uma pessoa incompleta quando estava sem a outra, mas eu só percebi isso pois essa era umas das coisas que eu mais sofria quando eu a ouvia dizer para o Danny.
- Eu também senti, , e muito - Falei sinceramente. Eu tinha falhado, todo o meu esforço para apagá-la da memória só me tornou mais dependente dela. Isso eu não tinha percebido antes: só pelo fato de tentar esquecê-la eu já estava lembrando.
Ela entrou na casa e pegou minha mão para acompanhá-la. Zoe e Carrie foram para dentro e eu as perdi de vista. Fomos andando devagar passando entre os convidados e avistei Danny no hall, ele olhou para nossas mãos e depois para meu rosto, com certeza estava tentando decifrar o que significava aquele ato. Eu resolvi quebrar o clima.
- Hey dude, a festa está ótima - Foi a primeira coisa que eu pensei.
- Né? - Foi só o que de Danny falou.
Eu desviei o meu olhar para os demais convidados da festa, mas a menina loira no canto da sala me chamou muito a atenção. Ela me viu e veio andando em minha direção. Mas o que será que Cris estava vindo falar comigo? Aliás, o que essa garota estava fazendo aqui? Olhei para Danny afim de que ele respondesse essa pergunta. Ele ficou confuso e quando viu Cris vindo em nossa direção ele ficou imóvel.
- Oi Tom? - Ela me deu dois beijinhos e olhou pasma para . Ficou paralisada por uns 5 segundos até falar meio tímida:
- Eu sou , prazer – Sorriu fraco.
- Sou Cris, prima de segundo grau do Danny... Er... Eu vou pegar uma bebida - Falou e saiu muito rápido. Eu só fiquei fitando o chão. Como o idiota do Daniel chama essa piranha para cá? Que absurdo.
Nisso ouvimos o som de algo quebrando, Danny ficou alarmado e fomos atrás da origem do barulho. Eram uns garotos menores, que provavelmente eram filhos de alguma amiga da senhora Jones, eles tinham quebrado uns copos na cozinhas.
- Eu vou no banheiro antes que a coisa fique feia por aqui - Falou com aquele timbre de voz angelical. Eu só assenti com um sorriso no rosto. Não sei o que tinha acontecido comigo, eu parecia um lesado na frente dela.
Eu assisti Danny dar um esporro histórico nos garotos, eles saíram com os olhos cheios d'água. Eu sabia que ele estava descontando alguma coisa que lhe acontecera antes, mas eu não fazia idéia do que poderia ser... Talvez a minha presença?
Aproveitei a saída de para esclarecer algumas coisas.
- Me explica Danny, o que aquela sua priminha está fazendo aqui? Você é maluco? Ótimo, eu já tinha concordado em fazer o nosso combinado contra a minha vontade... Mas apresentar a Cris para , você enlouqueceu? Eu juro Danny Jones, se você magoar a de novo, eu te mato. Saiba eu só estou fazendo isso por causa dela... Só.
- Eu sei, eu sei Tom, pelo amor de Deus você acha que isso foi idéia minha? Ela é minha prima dude, essa festa é tradicional na família, como ela não iria vir?
É, ele tinha um fundo de razão, era inevitável a presença dela na festa, e quem veio falar comigo foi ela... Dessa vez Danny não tinha culpa.
- Ok, dessa vez você foi absolvido. Mas eu estou de olho em você, ouviu bem?
- Ouvi Tom, essa e outras cem vezes que você repetiu isso - Ele falou com voz de tédio.
Eu apertei os olhos, e sai de fininho, fui andando pela festa conversando com as pessoas, vi Zoe e minha irmã bebendo algum drinque vermelho, ela riam muito alto, Zoe olhou para mim e fez um comentário ao pé do ouvido de Carrie, que por sua vez gargalhou e derramou um pouco da bebida no chão. Eu resolvi ignorá-las...
Entre as várias pessoas da festa finalmente encontro a única pessoa que me interessava. Ela estava radiante enquanto conversava com a . Meu coração saltava no meu peito. Nossos olhares se encontraram e eu não parei de encará-la, seu rosto corou um pouco, eu amava quando ela ficava com vergonha. Mas foi minha vez de ficar sem jeito quando a vi se despedir de e vir em minha direção.
- Hey Tom, está gostando da festa? - Falou parecendo despreocupada.
- Agora está começando a ficar interessante – Vi seus olhos claros revirarem de vergonha.
- Nossa Tom, as francesas deram um jeito em você, está tão... Sexy - Eu a vi arregalar o olho, como se não acreditasse no que havia
acabado de dizer. Apenas ri. Eu, sexy? Esse acidente definitivamente afetou o cérebro dela.
- Fico feliz que pense assim, eu poderia até te levar para França um dia, mas acho que se você ficar mais sexy, eu vou ter que contratar
seguranças para não te assediarem na rua.
- Ai ai, só você Fletcher - Falou me dando um abraço, meu pulmões se encheram daquele perfume irresistível, eu fechei os olhos para
curtir melhor.
A gente se separou e ela ficou imersa em seus pensamentos, e mirava a prateleira enorme a nossa frente onde estava a televisão e vários
objetos decorativos, um mais diferente do outro. Do nada apertou os olhos e perguntou:
- Que porra é essa? - Eu me diverti com sua forma de se expressar, nada ali me parecia estranho, até porque Danny não fazia nada que
tivesse um real sentido, então eu já esperava tudo vindo dele.
- O quê? - Falei procurando algo diferente do normal.
Ela levantou e foi passando por algumas pessoas paradas na frente da estante, eu a segui ainda confuso.
- Quem tem uma rolha de decoração? - Ela perguntou incrédula.
- Ah, sei lá... Nem é tão estranho assim , e você não está levando em consideração que essa casa é
do Danny, devem ter coisas bem piores escondidas aqui.
Ela arregalou o olhou, e vi sua mente trabalhar em hipóteses imaginárias. Sem pensar peguei a rolha e a cheirei.
- Champanhe, com certeza bebeu a garrafa sozinho e esqueceu rolha aqui pra sempre - Eu ri, isso era típico do Danny.
- Deixa eu ver - Falou curiosa.
Algo estranho aconteceu, vi seu olhar ficar vazio ao tocar a rolha, ela mirava o nada com a boca entreaberta. Isso tinha acontecido antes, não? No hospital! Quando ela pegou a bendita foto. Mas seja lá o que esteja acontecendo, era muito esquisito.
- ? - Chamei seu nome, mas não ousei tocá-la, ela parecia estar em transe ou algo parecido. Depois de uns 30 segundos a vejo piscar forte os olhos e me encarar desnorteada.
Isso realmente era estranho, será que se lembrou de alguma coisa?
- É, esses remédios que eu tô tomando, realmente não estão me fazendo bem - Ela tentava disfarçar, mas eu sabia que estava me escondendo alguma coisa. Mas o que seria?
- Um minuto para meia-noite, pessoal! - Ouvi a voz de Harry berrar na sala, abandonei meus pensamentos e olhei imediatamente para o relógio. 23h59! Já tinha passado tanto tempo que eu estava na festa? Vi as pessoas levantarem e pegarem a garrafa de champanhe, mães chamavam os filhos para ficarem perto, tudo para passar a virada com quem mais gostava. Passei os olhos pelos convidados e não encontrei pessoa mais importante do que a que estava parada na minha frente.
- Dez, nove - Ouvi Harry gritar, então todos o acompanhavam na contagem regressiva.
- Três, dois, um, FELIZ ANO NOVO! - Todos gritaram ao mesmo tempo. Vi Harry e se beijando, igual à e Dougie. Olhei para a , ela estava sorrindo como nunca. Ela pulou em cima de mim e nos abraçamos. A deixei cuidadosamente no chão, olhei em volta e todos os casal continuavam se beijando. Aquilo me encorajou, eu olhei para e ela muito estava sem graça com a cena, mas olhava fixamente para minha boca. Eu fui me aproximando devagar.
De repente uma menina de cabelos ruivos tira do me campo de visão. Em meio segundo Zoe me beijou, senti um gosto forte de álcool na minha boca, ela fazia movimentos frenéticos com a língua, eu não consegui esboçar qualquer reação por uns 15 segundos, eu segurei os braços de Zoe e a encarei perplexo, o que ela estava fazendo? Ele me deu um sorriso de lado, mas seus olhos eram vazios, ela completamente estava bêbada! Com certeza minha irmã tinha um dedo nisso.
Esse meio tempo foi o suficiente para estragar minha vida de novo. Olhei para onde estava antes e vejo Danny a beijando. Ela estava com seus braços em sua nuca, e ele a suspendia no ar. Engoli seco. Eu já estava me acostumando em ver aos beijos com o Danny, eu achei ruim, mas dessa vez não era o fim do mundo, pelo menos a ida a Paris serviu para alguma coisa. Eu finalmente entreguei os pontos, e o Danny iriam ficar juntos, eles eram felizes assim. E se não fosse pela Zoe eu iria ficar assistindo aquela cena mais uma vez.
- Feliz ano novo, Tom - Falou sorrindo. Dei mais uma olhada para o casal na minha frente, e, pelo visto, não iriam parar tão cedo. Respirei fundo e olhei para Zoe, e a vi não como a melhor amiga da minha irmã, mas como uma mulher, então eu fui me aproximando e a segurei pela cintura, seus olhos estavam atentos e ansiosos para cada movimento meu, nós nos beijamos calmamente, agora ela sabia que eu não iria fugir, a cada beijo fazia com que a minha dor cicatrizasse, ela nunca iria me abandonar por completo, mas esse era o máximo que eu podia fazer para me libertar desse amor não correspondido.
Esse tinha sido de longe o Ano novo mais louco que eu tinha passado. Mas graças a Zoe, eu não ficaria de vela dessa vez. Eu tinha que me lembrar de agradecê-la depois.
Capitulo 15 – Rolha
's P.O.V.
- Ah meu Deus, eu não vou aguentar, vou agarrar ele na primeira oportunidade... Eu juro.
- Ok amiga, mas trata de não fazer isso hoje, por favor. Pensa um segundo, criatura! – falou entre os dentes, eu só assenti - A família
inteira do Jones está aqui, se você agarrar o Thomas, o que todo mundo vai pensar? Que você é uma piranha, safada que só se aproveitou do
Danny. Sério, me escuta, não vale a pena - Agora falou quase num sussurro. É, eu realmente tinha que
me segurar hoje, seria um escândalo fazer isso na frente de todo mundo. Ora, eu não podia agarrá-lo agora, mas podia estar do seu lado,
né?
Vaguei meu olhar entre as pessoas e, por sorte, encontrei dois olhos castanhos chocolates perdidos no meio da multidão. Eu abaixei o
olhar por costume e olhei de novo para Tom, só que dessa vez ele estava me encarando. Eu fui pega desprevenida e senti meu rosto corar.
Respirei fundo e criei coragem.
- Amiga, eu vou fala com o Tom ali e já volto! - falei sem esperar sua resposta. Apesar de ter ouvido um “HÃ?” bem alto vindo de
.
Fui andando até Tom, tentando não transparecer meu nervosismo.
- Hey Tom, está gostando da festa? - Falei a primeira coisa que pensei.
- Agora está começando a ficar interessante... - falou, fazendo subir um frio na minha barriga.
- Nossa, Tom. As francesas deram um jeito em você, você está tão... Sexy! - Eu vi as palavras saindo de minha boca e se propagando no
ar. Onde eu estava com a cabeça? Como eu fui falar uma coisa dessas? Ótimo, e eu nem tinha bebido nada. Ele apenas riu e pareceu ficar
sem graça.
- Fico feliz que pense assim, eu poderia até te levar para França um dia, mas acho que se você ficar mais sexy eu vou ter que contratar
seguranças para não te assediarem na rua - foi a minha vez de ficar sem graça, como ele pode me achar sexy daquele jeito, toda ferrada
ainda do acidente?
- Ai ai, só você Fletcher – falei mordendo o lábio, não resisti e o abracei forte, eu o queria bem perto de mim para inalar aquele
perfume pelo resto da minha vida.
Eu ainda não acreditava que ele estava aqui na minha frente, esse tempo sem ele me fez perceber o quanto eu sentia falta dele, o quanto
ele era especial pra mim. Passei os olhos pelos móveis da casa, sem ter a intenção de realmente reparar em alguma coisa. Mas uma coisa
muito diferente me chamou a atenção.
- Que porra é essa? - falei no ímpeto.
- O quê? - Tom falou confuso.
Levantei querendo ver mais de perto se, realmente, Danny tinha uma rolha como decoração na estante, uma única rolha no meio de alguns
porta retratos, ela parecia estar intencionalmente ali.
- Quem tem uma rolha de decoração? - Perguntei incrédula.
- Ah sei lá... Nem é tão estranho assim , e você não está levando em consideração que essa casa é do
Danny, devem ter coisas bem piores escondidas aqui - Falou Tom despreocupado.
Pensei em várias coisas pervertidas, mas achei melhor abafar o caso. Vi Tom cheirar a rolha. Ele era corajoso, olha será que aquela
rolha estava antes de ir parar ali? Tá parei.
- Champanhe, com certeza bebeu a garrafa sozinho e esqueceu rolha aqui pra sempre - Tom riu sozinho.
- Deixa eu ver – Falei curiosa.
Toda a festa ficou sem som e a visão dos convidados virou somente um borrão. Um clarão familiar invadiu meus olhos. Já não estava mais
na festa.
"Ainda não tinha caído a ficha que realmente estávamos indo para casa do Danny.
Paramos em frente a uma casa verde bebê, o clima estava tenso no carro, nem olhava para cara de
Dougie, ficou calada o trajeto inteiro com olhar vago para fora da janela traseira do carro. Eles tinham brigado por causa do baile de
Outono (uma prima de segundo grau do Danny tinha dado em cima do Doug, ele não fez nada de errado com ela, mas também não deu um basta
na situação, isso já foi o suficiente para abrir uma greve de beijo).
Senti o meu estômago virar, mas porque será que eu estou tão nervosa? Só íamos ver um filme de terror. Tudo bem, eu tinha medo de filme
de terror e o sol estava se pondo, porém e Dougie estavam com a gente! Ok, isso no mínimo ia pegar
mal se a minha mãe soubesse.
Eu cheguei à conclusão que meu nervosismo não tinha nada a ver com o filme, e sim com a situação, tinha a impressão que qualquer coisa
poderia acontecer naquela tarde e o fato de eu ter que esconder isso da minha mãe parecia que eu estava fazendo algo errado. Meu estômago
deu outra volta antes de Danny abrir a porta da casa.
- Aqui é onde a mágica acontece - Danny me deu um selinho e fez um gesto para nós entrarmos.
A casa estava arrumada até demais, a porta dava numa sala de estar grande, tinha um sofá em forma de "L" no centro, virado para uma TV de
plasma novinha.
- Há quanto tempo seus pais se mudaram daqui? - Finalmente falou alguma coisa naquele dia, ela devia
estar tão surpresa quanto eu ao ver a casa impecável daquele jeito.
- Dude, pelas minhas contas – Danny fingiu pensar – Uns três dias! - Deu um sorriso vitorioso.
- Tá explicado - Disse Doug rindo.
foi a primeira a sentar no sofá, Dougie se apressou e se sentou ao seu lado, deu para ouvir
sussurros vindos dele, mas eu não conseguia escutar o que dizia, óbvio que devia estar pedindo desculpas pelo Baile.
Danny segurou meu rosto, me obrigando a olhá-lo, eu sorri com os olhos e ele se aproximou devagar para me beijar. Eu envolvi meus braços
em volta do seu pescoço e fiquei na ponta dos pés, ele me segurou pela cintura e na minha nuca. Pouco tempo depois, quando nós percebemos,
o casal sentado no sofá já estava aos beijos também. O romance deles não tinha muito diálogo, Dougie sempre aceitava as decisões de
, já tiveram algumas discussões por causa de alguma menina abusada querendo agarrá-lo. Pelo visto a
reconciliação era a melhor parte.
Agora a sala de estar estava bem silenciosa, a não ser pelos movimentos frenéticos do casal no sofá, Dougie já estava deitado em cima da
minha amiga . Aquilo me deixou um pouco sem graça. Danny percebeu, então me abraçou dando-me um
beijo na testa.
- Não pense em nada, amor - Sussurrou no meu ouvido me deixando arrepiada, sem eu perceber ele foi me conduzindo a parte vazia do sofá -
Deixa eu te fazer esquecer de tudo - Ok, ele conseguiu, eu até já estava sentada no sofá com uma perna em seu colo.
Ele sentou do meu lado no sofá e foi me envolvendo com seu beijo, sua mão foi subindo nas minhas costas por dentro da minha blusa, me
puxando com vontade para perto. Quando eu percebi já estava sentada de lado entre suas pernas. Sua boca descolou da minha e foi descendo
para o meu pescoço e logo em seguida para o meu colo.
Meu pulso acelerou, eu ouvia a respiração do Danny tão ofegante quanto a minha, mas ele pelo menos aparentava ter segurança dos seus
atos.
Danny me deitou delicadamente e não parava de me beijar, a essa altura eu já tinha esquecido até meu nome.
Uma das mãos que estava nas minhas costas soltou meu sutiã. Aquilo me deixou assustada, mas não queria parar. Eu sentia cada centímetro
do seu corpo, o seu peso sobre o meu me fez sentir calor. Sem pensar eu fui tirando sua blusa com dificuldade, só que ela deve ter
agarrado em algum lugar desconhecido e não subia de jeito nenhum. Comecei a puxar a blusa freneticamente para cima com as mãos trêmulas.
Danny resolveu tirar a blusa por conta própria e volto com os lábios no meu ouvido.
- Fica calma, amor. Eu não vou fazer nada do que você não queira.
Eu respondi automaticamente:
- E quem disse que eu não quero? - Onde eu aprendi a ser tão safada assim? Eu estava com medo do que eu seria capaz de fazer.
Tive a impressão que Danny deu um sorriso de satisfação, sua mão entrou por dentro minha blusa e foi subindo até o sutiã froxo, por
estar aberto. Sua mão estava quente quando tocou o meu seio, ele deslizou o dedão carinhosamente enquanto me beijava, ele começou a
apertar meu peito fazendo movimentos que me deixavam sem ar. Nessa altura, eu estava sem graça e excitada ao mesmo tempo, não queria
abrir os olhos tão cedo. Uma vontade incontrolável de proporcionar prazer ao Danny surgiu nas minhas entranhas. Arranhei suas costas
enquanto abusava da sua orelha. Eu respirava e mordia do jeito que eu sabia que ele gostava.
Danny arrepiou instantaneamente, e sua respiração era mais ofegante. Fui abrindo as pernas lentamente e senti o seu quadril encaixar
perfeitamente no meu. Subi minha mão até sua nuca e sussurrei no seu ouvido:
- Quem está nervoso agora? – Falei gemendo no seu ouvido.
Danny me beijava cada vez com mais vontade. Enquanto uma mão minha segurava os semi-cachinhos, a outra foi deslizando entre os nossos
abdomens. Minha mão chegou em sua bermuda e eu me espantei com a velocidade que eu consegui abri-la. Senti Danny ficar "feliz". Nós já
fazíamos um mínimo movimento para frente e para trás, isso me fez soltar um gemido de prazer involuntário. Minha mão foi descendo
lentamente por dentro da cueca de Danny. Ele tirou umas das mãos das minhas costas e a colocou por cima da minha mão, ele fez um
movimento para que eu o apertasse. Foi a vez do Danny de soltar um gemido no meu ouvido. Eu estava tão excitada quanto ele.
Sua mão foi deslizando entre as minhas pernas por cima do meu jeans, seus dedos faziam movimentos que estavam me levando à loucura.
Um barulho inesperado invadiu a sala. Olhei para o lado e vi e Dougie rindo muito. Definitivamente
ele tinha caído do sofá.
Recolhi minha mão rapidamente e vi ajeitar a calcinha por cima da saia. Danny saiu de cima de mim e
abotoou as calças, tratando de pegar uma almofada para esconder sua excitação, Dougie fez o mesmo.
Um silêncio invadiu a sala, não havia o falar. Um segundo depois, Dougie levantou apressado e correu para o banheiro. Nós três começamos
a rir sem jeito.
- Vamos pegar alguma coisa para beber, ? – suplicou com os
olhos.
- Agora! - Levantei do sofá.
- Podem pegar o champanhe que eu deixei no freezer, afinal temos que comemorar que eu finalmente estou morando sozinho.
Eu e corremos para a cozinha, não falamos nada, mas só com o olhar já sabíamos que queríamos dizer,
ela sorriu e abaixou a cabeça, eu estava da mesma forma que ela, ainda não acreditava no que estava acontecendo. Eu estava feliz, era um
dos poucos dias que eu não fiquei pensando no Tom, Danny realmente sabia como fazer uma garota esquecer de tudo, só por isso já tinha um
ponto positivo comigo.
- Meninas? - Ouvimos a voz de Danny na sala.
Eu peguei o champanhe e levei para sala, Dougie e Danny já haviam se recuperado. Eles abriram um sorriso ao nos ver. Apoiei a garrafa na
mesa de jantar que ficava perto do sofá. Eles observavam minha tentativa frustrada de abrir a garrafa. Dougie perdeu a paciência.
- Deixa eu fazer isso, - Falou Dougie metendo a mão na garrafa.
- Espero que você tenha lavado bem essa mão - Falei de brincadeira. Dougie ergueu as sobrancelhas e corou. Danny gargalhou e me abraçou
por trás, já só fitou o chão sem graça.
- Ah é? Cuidado comigo, senhorita - Falou apontando a garrafa na minha direção - Tenho uma
arma mortal em minha mãos.
- Dude, cuidado! - Falou Danny levando a sério o que o Dougie dizia, ficando na minha frente para me proteger.
- Danny, não se preocupe, você acha mesmo que o Doug seria capaz de fazer alguma coisa? - Desdenhei. Coloquei a cabeça do lado do corpo
de Danny e fiz uma careta para Dougie.
- Não subestime o que você não conhece, - Dougie deu um sorriso de lado e tirou o lacre da
garrafa.
- Ok crianças, parem com isso - interrompeu - Me dá isso aqui, Dougie!
Ela ameaçou pegar a garrafa da mão de Dougie, que ficou se esquivando da namorada. Finalmente
conseguiu segurar com uma das mãos a garrafa.
- Vocês estão sacudindo a garrafa gente, daqui a pouco a rolha vai.. - Danny foi cortado por um barulho. Uma rolha veio a toda velocidade
na minha testa. Eu cai no chão gemendo de dor.
- Dougie, viu o que você fez? - largou a garrafa aberta na mão de Dougie, e se ajoelhou no chão.
Danny fez o mesmo.
- OMG, está tudo girando, isso foi uma rolha ou um tiro? Credo. - Falei tonta.
- Me desculpa, - Falou Dougie como uma carinha de criança quando desobedece a mãe.
Danny achou a rolha no chão e deu uma risada típica.
- Eu vou guardar de recordação.
- Ah claro, aproveita e coloca na estante - Falei ironicamente.
- Boa idéia - Falou Danny animado.
- Me dá essa rolha aqui, que o Dougie vai ver onde eu vou enfiar ela - Peguei a rolha das mãos de Danny. Tentando superar a minha
tontura. A última coisa que eu vi foi Dougie subindo as escadas correndo."
Tudo desapareceu diante de meus olhos. Eu estava novamente parada no meio da festa de ano novo. A primeira coisa que entrou em foco foi
Tom com seu olhar desconfiado.
Capitulo 16 – Danny, eu te amo!
's P.O.V.
Eu sabia que Tom havia reparado em minha ausência espiritual, mas eu ainda não estava pronta para contar pra ele, não
fazia sentido tocar nesse assunto, então falei a primeira coisa que veio em mente:
- É, esses remédios que eu estou tomando, realmente não estão me fazendo bem - mexi no meu cabelo e tentei disfarçar ao máximo. Mas
mentir para o Tom era horrível, ele sabia exatamente quando isso acontecia. Para minha sorte Harry chamou a atenção de todos no salão:
- Um minuto para meia-noite, pessoal! - Agradeci mentalmente ao Harry por desviar os olhos desconfiados de Tom do meu rosto, antes de
conseguir ver minha mentira estampada nele. Tom olhou no relógio e depois para as pessoas, ele parecia ter esquecido do assunto, pelo
menos naquele instante. Eu sorri, estava tudo indo muito bem até aquele momento. Esperava boas novas para o ano que vem, aquele acidente
só representava um capítulo da minha vida, que eu estava disposta a esquecer.
- Dez, nove... - Harry gritou, e comecei a contagem regressiva junto com ele.
- Três, dois, um... FELIZ ANO NOVO! - Todos gritaram ao mesmo tempo. Fiquei muito feliz ao ver todo mundo junto, estar naquela festa foi
o que eu mais desejei nos últimos dias. Encontrei um par de olhos castanhos cravados em mim. Quando me dei conta já estava nos braços de
Tom, inalando seu perfume. Era tão aconchegante, ele me abraçou forte, me fazendo sentir uma pequena dor suportável nas costas, quando
nos soltamos reparei no silêncio quase profundo que pesava na sala. Todos estavam se beijando, sim eu disse TODOS, aquilo me deixou um
pouco sem graça, olhei para a boca de Tom, procurando por alguma reação dele.
Percebi uma expressão nova dominar suas feições, ele parecia concentrado agora, foi aproximando seu rosto do meu e eu senti meu estômago
dar dez voltas no mesmo lugar, minhas pernas ficaram banbas e minha garganta secou, fechei meus olhos automaticamente.
De repente, eu senti uma corrente de ar, como se fosse alguém passando entre nós. Abro os olhos e Zoe está... Agarrando o Tom? Mas...
Mas... COMO ASSIM?!
Fiquei parada, chocada com a cena diante dos meus olhos, aquilo não podia estar acontecendo. Não! Logo agora?! Eu joguei pedra na cruz?
Só pode ser. Olhei para os lados, e todos continuavam a se beijar. Meus olhos começaram a arder, mas segurei o choro com todas as forças.
Era o pior momento da minha vida, toda a minha expectativa virou decepção. Fechei os olhos com força, e instantaneamente vieram
lembranças daquela expressão angustiada no rosto de Tom antes de ir para Paris, aquele rosto que me atormentou todos esses dias sem
vê-lo. Eu tinha errado, a culpa era minha. Por um segundo eu pensei em puxar o cabelo daquela piranha e dizer que aquele homem era meu,
mas cadê a coragem?!
Convenhamos, se Tom realmente quisesse, ele teria interrompido o beijo assim que Zoe tocasse em seus lábios. Aquilo me rasgou por dentro,
respirei fundo pensando no que eu iria fazer. Só o que me veio a cabeça era fugir, agora! Antes de eu dar algum passo para o lugar mais
distante dali, senti uma mão puxar meu braço e outra pegar na minha nuca. Não precisei abrir os olhos para reconhecer a pessoa, aquele
perfume já era mais do que familiar para mim.
- Esquece de tudo e fica comigo essa noite? - A voz de Danny sussurrando no meu ouvido fez minha pele arrepiar. Sem pensar mais um
segundo, eu o beijei. E imediatamente agradeci a Deus por não ter dado tempo de terminar com o Danny. Eu tinha que parar de sonhar e
começar a me prender às coisas reais. Eu ia jogar tudo que eu tinha com o Danny fora, por um garoto com quem eu acreditava que iria ser
feliz, sendo que ele está os beijos com outra nesse exato momento. Por essas e por outras, preciso sempre lembrar que eu tenho manter
meus pés no chão, fato.
Danny me suspendeu no ar deixando cada vez menos espaço entre nós. Como eu fiquei feliz em estar nos seus braços, ele era e foi a única
pessoa que podia me tirar daquela situação, daquele sofrimento. Eu me rendi aos seus beijos por completo, e já começava a despentear seu
cabelo, sem a intenção de parar tão cedo. Agora eu estava decidida a fazer com que aquela noite fosse inesquecível.
Não sei ao certo quanto tempo ficamos nos beijando, aquilo era quase um vício, um remédio para minha alma, eu agarrava o Danny sem me
preocupar com quem estava olhando ou o que estavam comentando. Quando a minha boca já estava dormente e as dores daquela droga de
acidente começaram a ficar incômodas, eu parei o beijo e olhei fundo nos seus olhos azuis.
- Feliz ano novo - Ele falou sorrindo. Eu respirei fundo me embriagando com se cheiro bom, eu estava totalmente anestesiada. Aquele ato
de salvamento que Danny havia feito foi, no mínimo, excitante, ele me parecia cada vez mais irresistível.
- Você é a melhor pessoa do mundo, sabia? - Falei ajeitando o seu cabelo.
- Eu faço o possível - Falou de um jeito sério, e aquilo me deixou mais atraída por ele. Sem pensar, o beijei com vontade.
Um tempinho depois, eu já tinha perdido qualquer noção de hora no momento, nós paramos. Eu ainda estava meio lerda de tantos
acontecimentos, minha cabeça era uma bagunça só, resolvi ignorar tudo e me dedicar ao que eu queria no momento, ele tinha nome e
sobrenome: Danny Jones.
Reparei que Tom já tinha saído com aquela ruiva idiota dali, aliás, a casa estava começando a ficar vazia. Avistei
no canto da sala com Dougie, eu e Danny fomos ao encontro deles.
olhou para mim confusa, devia estar se perguntando o que tinha acontecido para eu estar de mãos
dadas com o Danny e não com o Tom.
- Feliz ano novo, amiga! - Falei dando lhe um abraço forte, e sussurrei no seu ouvido - Mas tarde eu te explico.
- Por favor, por que eu já desisti de entender - Falou no meu ouvido também.
- Quem aqui quer começar bem o ano, bebendo um champanhe? - Falou Danny pegando uma champanhe, num balde de gelo na estante do nosso
lado.
- Eu! - Disse, e antes de qualquer um pudesse falar alguma coisa, eu peguei a garrafa que Danny tinha acabado de abrir e virei bebendo
no mínimo uns 15 bons goles.
- ! - Ouvi os três chamarem a minha atenção. pegou a garrafa
das minhas mãos e me deu um esporro:
- Você é suicida ou o quê, garota? Acabou de sair do hospital e está tomando remédio. Quer morrer? Só pode ser - Ela falou colocando a
mão na própria testa, como se eu realmente estivesse fazendo algo errado. Eu fitei o chão sem ter o que dizer e também para não precisar
encarar o olhar furioso de .
Senti um pouco de tontura, eu não era forte com bebidas e virar a garrafa em pouco tempo não era um bom sinal para o meu organismo, as
coisas começavam a ficar mais engraçadas que o normal. Quando eu finalmente tinha uma resposta para ,
eu levantei a minha cabeça e vi a casa de Danny dar uma volta completa. Respirei fundo, esperei até as coisas pararem de se mexer e falei:
- Se eu morresse agora , eu morreria feliz! - Dei um sorriso forçado e me joguei nos braços de Danny,
que tomou um susto e quase me deixou cair no chão.
- Calma, eu tenho que filmar isso! - Falou Dougie pegando seu celular.
- Amor, você tá maluco? Me dá isso aqui - pegou o celular da mão de Dougie, já ele fez um beicinho
de criança. Achei aquilo muito engraçado, eu ria com gosto. Todos me olhavam com as sobrancelhas unidas, certamente não estavam achando
tanta graça daquilo.
Olhei em volta e a prima de Danny estava sentada num canto sozinha, bebendo água. No ímpeto, fui correndo até ela, eu nem sabia o porquê
de estar fazendo aquilo, e Danny me seguiu.
- Hey, Cris... Não é? - Falei apontando para ela, já ela parecia surpresa e incomodada com a minha presença - Eu vi você de longe,
bebendo água e pensei... Será que ela não quer um pouco de champanhe?
- Ah, obrigada , mas eu não gosto - Deu um sorriso fraco.
- Vamos , ela não quer - Danny falou sombrio, me puxando pelo braço.
- Se quiser, só me pedir tá legal? - Falei enquanto era arrastada para longe.
- Você não está bem , olha pra mim - Danny falava sério e bem perto da minha boca, inevitavelmente
eu o beijei. Quando paramos, eu comecei a rir, também não sabia o porquê, mas tudo ficou muito mais engraçado depois de tomar champanhe.
- Eu to ótima, melhor impossível, porque eu não estaria bem? - Falei encarando seus olhos - Mas eu sei como pode ficar melhor - Falei no
seu ouvido, beijei seu pescoço e senti sua pele arrepiar. Ele só suspirou, num misto de excitação e impaciência. Então eu continuei a
provocá-lo nessa região.
Danny abriu e fechou a boca várias vezes tentando falar algo, por fim só deu um sorriso safado e me deu um beijo de tirar o fôlego. Ele
teve que me segurar para eu não cair, me seduzindo daquele jeito e meu estado parcialmente bêbada, definitivamente não ia prestar. Quando
eu parti o beijo, encostei minha cabeça em seu tórax quente, sentia seu coração quase saltar do peito. Olhei indiferente para frente e me
deparei com Zoe perto da porta do banheiro. Uma menina loira acabara de fechar, com certeza era Carrie.
Excelente, dei só um tchauzinho para o Danny indicando que eu iria no banheiro, ele assentiu e saiu e certamente foi achar uma
companhia. Comecei a andar meio torta em direção a Zoe e percebi que ela estava sem o Tom. Perfeito, eu tinha mesmo que bater um papinho
com ela.
- Oi, querida – Comecei bem, quando eu usava "querida" era porque o bicho estava pegando – Está gostando da festa?
- Bem – Falou muito sem graça –, eu estou aman...
- Olha, vamos pular logo a parte que eu sou educada e gentil com você, só uso isso com quem merece. Ok? – Cortei furiosa. Bêbada e
bipolar, ela merece! Vi seus olhos arregalarem – Eu só vim aqui dar um recadinho para você. Sei que você deve estar pulando de alegria
porque você agarrou o Tom. Além de eu achar aquilo uma demonstração pública de uma pessoa desesperada e piranha, eu me controlei para não
te bater na frente de todo mundo, imagine só... Poderia sair até no jornal – falei alto demais – Piranha bêbada, após desencalhar, apanha
da melhor amiga dele.
- Exatamente, querida! Você é só a melhor amiga. Sempre foi e sempre será – Falou a ruiva, pedindo por um tapa na cara.
- Shiu, só escuta, tá? Eu sei que esse era o maior sonho da sua vidinha insignificante. Então, antes de você sair por aí exibindo seu
troféu, lembre-se que ele tem sentimentos e a última coisa que eu quero é vê-lo triste. Ah, e saiba que ele só ficou com você por livre e
espontânea PRESSÃO! – Eu ri alto. E vi alguns convidados da festa olhando. Acho que eu já chamei atenção demais. Dei um sorriso falso e
me virei para achar meu namorado.
- Por que você se importa tanto, em? – Eu a ouvi atrás de mim – Ora, você está com Danny. O Tom sempre gostou de você e você sabia disso.
Por que esse ataque todo agora?
Eu me virei de frente para ela, seus olhos verdes me encaravam vitoriosos, ela sabia que tinha tocado na minha ferida. Eu não ia dar o
gostinho pra ela de: "Er... É que agora descobri que eu gosto do Tom", sendo que ela está com ele. Merda!
- Garota, não é da sua conta. E eu vou logo te avisando, deixe o seu cabelinho cor de água de salsicha o mais longe possível do Tom, por
que se acontecer qualquer coisa com ele, eu vou nadando até a França pra te pegar – Falei entre dentes.
- Veremos – Falou com um olhar de desafio no ar.
- , a gente já vai indo - Ouvi a voz alta de atrás de mim. Ela
com certeza queria me tirar dali.
Eu engoli seco e deixei Zoe sozinha. Respirei fundo e vi minha salvação na mesa de jantar: uma garrafa de champanhe aberta. Nem pensei
duas vezes antes de beber mais um pouco. Talvez eu me esquecesse da minha conversa humilhante com a Zoe, mal ou bem, a vaca ruiva estava
certa.
- Ah, que pena meu amore! – Falei, voltando minha atenção para e dando-lhe um abraço.
- , se beber mais um gole de champanhe eu vou trancar você no quarto, ouviu bem?! Eu não sei o
que aconteceu, já percebi também que não foi coisa boa. Mas você não precisa disso.
- Tudo bem, tudo bem – Falei com voz de tédio - Então, amanhã você me liga, ok? - Falei dando dois beijinhos nela. A última coisa que eu
queria era ouvir seu sermão.
- Você quer que eu te leve pra casa? - perguntou Dougie enquanto nos despedíamos - É caminho, ou talvez você queira aproveitar o resto
da festa - Ele deu um sorriso maldoso.
- É, eu quero - Dei outro sorriso maldoso. É verdade, cadê o meu namorado? Dougie ficou dois segundos pensando e riu fazendo sinal
negativo com a cabeça.
- Você não presta, - Falou rindo.
- Você também não Poynter, agora vai indo que eu tenho mais o que fazer! E trata de melhorar o humor da sua namorada - Falei colocando a
língua de fora.
- , então aproveita o resto da festa, e não faça nada do que eu me arrependeria – Falou
preocupada.
- Então eu posso fazer... TUDO! – Eu ri muito alto, realmente eu não estava bem. semicerrou os
olhos. De fato não gostou da minha piadinha – Desculpa, quando eu estiver sóbria eu falo com você.
só assentiu, me lançando aquele olhar de censura. O casal foi saindo, então voltei minha
concentração para a caça ao Danny. Antes mesmo de sair do meu lugar, senti alguém atrás de mim tirar meu cabelo de perto do pescoço e
morder minha orelha.
- Você quer aproveitar mais a festa, é? – Falou Danny num tom de voz muito sexy, que me deixou arrepiada.
- Quero aproveitar tudo - Falei agora encarando seus olhos. Algo na minha visão periférica me chamou a atenção, era uma juba ruiva
passando por mim. Eu a encarei com um olhar de censura e ela, por sua vez, preferiu encarar o chão.
- Você já vai, Tom? - Perguntei quando ele passava atrás dela despercebido.
- Ah, vou... - Ele falou surpreso. Eu abraçava o Danny mais forte que nunca, fiquei com a cabeça encostada em seu peito - Bem, então...
Adeus.
- Tchau Tom, depois a gente combina de fazer alguma coisa - Falou Danny, querendo ser simpático. Tom estava completamente desconfortável
com a cena, ele puxou Zoe para seu lado. Aquilo fez minha raiva dobrar.
- Vamos sim... Eu, você e Zoe - Falou com ar de triunfo. Eu prendi a respiração, ele estava querendo sair em casal? Dei um sorriso falso
e um selinho em Danny.
- Acho que eu já vou subir pro seu quarto, descansar um pouco porque talvez eu precise de energia mais tarde – Pisquei para Danny, e
mordi o lábio - Mas não demora amor, não quero ficar muito tempo sozinha.
Todos me encaravam chocados. Olhei para Tom, ele estava com os lábios contraídos, e fechou os olhos evitando os meus. Covarde.
- Ah claro, acho que falta pouca gente para ir embora, ai eu subo lá e fico com você.
Eu assenti e o beijei. Falei num tom de voz angelical:
- Boa noite gente, até a próxima - Dei um sorriso falso para o Zoe e Tom, e subi as escadas quase correndo.
Encostei minhas costas no corredor do andar de cima da casa, eu ainda não acreditava que tinha falado aquilo. Fui para o quarto, tirei
os sapatos e dei uma passada no banheiro para retocar a maquiagem que tinha esquecido quando me
arrumou mais cedo. Eu passei perfume de novo e ajeitei meu cabelo.
Me sentei na cama meio impaciente, eu esperava ansiosamente pela presença de Danny. Respirei fundo, afim de encher meus pulmões de
coragem e segurança. Era hoje o dia... Eu ia me entregar para o Danny.
Capítulo 17 – Tentativa frustrada
Eu olhava para o vazio tentando escutar algum vestígio do Danny por perto. Tentava acalmar em vão o meu ritmo cardíaco, eu já começava a
suar frio. Ficar no quarto, sozinha, era quase uma penitência, minha mente desobediente insistia em colocar Tom em primeiro plano, mas eu
tentava ocupá-la com algo melhor como por exemplo: Me perguntava o que faria quando Danny atravessasse a porta. Pularia no colo dele?
Ficaria numa posição sexy e o chamava para se sentar na cama comigo? Diria algo pervertido e insinuante?
Ótimo, definitivamente eu era terrível em poder de sedução. Eu não sabia ser sensual sem ser vulgar. Eu tinha que pensar em alguma coisa
genial.
- , eu posso entrar? - Eu estava tão mergulhada em meus pensamentos que bloqueei qualquer
alteração externa, excelente! Ele estava do outro lado da porta e eu ainda não sabia o que fazer.
- Pode sim, amor - Falei quase num gemido, eu era realmente péssima. Será que ele ia rir de mim?
Danny abriu a porta devagar, ele tinha um aspecto de cansaço, mas não deixou de estampar um sorriso carinhoso ao me ver.
- Achei que você já estivesse dormindo, desculpa é que os convidados demora...
- Não precisa de desculpar - Falei tentando ser sexy. Ele uniu as sobrancelhas.
- Pensei também que já ia ter tomado um banho. Ah sim, você precisa de alguma coisa? Toalha? Comida?
- Preciso de você aqui - Falei batendo a mão na cama.
Ele deu um sorriso divertido, devia achar que estava sonhando ou que eu estava brincando com ele.
- Ah desculpa, mas o que você fez com a minha namorada? É melhor não estar aqui quando ela voltar - brincou - Ela é ciumenta.
- Então vamos fazer tudo rápido antes que ela chegue - Nossa, essa eu tenho que admitir que foi boa. Danny hesitou por um instante, então
fui andando a seu encontro.
- Cuidado , você saiu do hospital hoje, e já encarou uma festa, só não quero que se machuque.
- Esquece isso e me beija logo, Danny.
Não precisei nem repetir, Danny me pegou pela nuca e me deu um beijo enérgico. Eu tratei logo de segurar com força seu cabelo. Dei impulso
no chão e o abracei pela cintura com minhas pernas, fazendo eu ficar um pouco mais alta que ele. Danny segurou minha bunda e me pressionou
contra a parede mais próxima, já ofegante. Eu comecei a tirar sua blusa quadriculada e a deixei decorando o chão. Ele deslizava sua mão
livremente pelo meu quadril e barriga.
Sua pressão contra a parede começou a incomodar a minha coluna e na região da costela. Achei melhor interferir.
- Amor, me leva pra cama - Falei entre uma respiração e outra no seu ouvido, senti sua pele arrepiar. Como quase uma ordem, em 5 segundos
nós estávamos na cama.
Eu joguei meu peso contra ele ficando por cima. Com uma perna em cada lado do seu corpo, ele segurava meu quadril conduzindo meus
movimentos. Fui tirando sua camisa branca deixando exposto seu abdômen definido enquanto eu beijava sutilmente cada parte de sua barriga
até chegar nos seus lábios novamente. Percebi o seu sorrir vitorioso ao achar o zíper do meu vestido nas minhas costas. Foi abrindo
lentamente enquanto eu me rendia as sua carícias no meu pescoço e colo.
Ele abriu meu vestido inteiro e o jogou para longe. Uma sensação de nervoso e carência cegou meus olhos. Eu abri sua calça e achei melhor
levantar da cama para tirá-la com rapidez. Danny ficou deitado na cama com os olhos fechados e arfando constantemente. Eu fui beijando
sua perna, coxa e cheguei a sua fonte de prazer. Nem precisa dizer o quanto ele devia estar excitado, bastava olhar o volume de sua boxer
branca.
Mordi o elástico da sua cueca, provocando-o. Ele parecia não ter força para falar, já que estava muito concentrado em respirar o mais
fundo que pudesse. Antes que eu pudesse tirá-la, Danny sentou na cama e me beijou calorosamente e deitou em cima de mim. Foi a vez dele
de me despir.
Abaixou a alça do meu sutiã com os dentes, foi beijando e dando leves chupões no meu colo. Fechei os olhos afim de saborear essa sensação
ao extremo. Ele segurou minha cintura com força e eu senti uma dor aguda na costela e na coluna.
- Ai - Saiu num gemido de prazer e dor. Mas eu não queria parar. Percebi que o olhar de preocupação de Danny cair sobre mim. Eu o beijei
rápido.
Ele voltou sua atenção para meu colo de novo, ele foi beijando minha barriga, e chegando no meu umbigo, sua boca próxima da minha calcinha
foi me deixando completamente louca. Eu arranhava suas costas e respirava ofegante. Foi quando ouvimos alguém bater na porta.
Eu, bêbada e excitada, fui no ímpeto até a porta, só me dei ao trabalho de ajeitar a alça do sutiã. Danny se cobriu e fingiu que estava
dormindo.
- Sim? – Fui abrindo a porta devagar para minha surpresa, Tom estava atrás dela – O que você está fazendo aqui? Como você entrou? –
Perguntei incrédula. É verdade, quem bate a porta de quarto de alguém à essa hora da manhã?! Será que teve alguma tragédia? Alguém
morreu!? Pela cara do Tom, não.
Ele me analisou de cima a baixo como cenho franzido. Fechou os olhos devagar como quem quisesse apagar a cena que acabara de ver. Eu
olhei em volta no chão e a blusa quadriculada do Danny estava por perto, sem pensar duas vezes eu a vesti.
- Er, desculpa. É que eu falei para o Danny que eu voltaria mais tarde para pegar o carro. Eu entrei com a chave extra que fica em baixo
do vazinho de planta, foi o Danny que pediu para que eu fizesse isso. Mas acho que ele está ocupado – Ele evitava me encarar, e eu fiz
uma pose bem sexy na parede querendo passar a mensagem de “olha o que você perdeu”.
- Hm, sei. Danny, o que você combinou com o Tom? – Falei alto.
- Quê? Ah é... A chave está na cozinha Tom, pendurada junto com a chave da minha BMW! – Gritou Danny.
- Ah, então eu já vou – Os lábios de Tom se contraíram e ele se virou para descer as escadas, quando eu já ia fechando a porta. Levei um
susto, Tom tinha voltado e começou a sussurrar – , você não precisa disso. Não faz isso sem
pensar. Não era desse jeito que você queria que fosse sua... Primeira vez.
Hã?! Ele vem na casa do meu namorado, me interrompe e ainda fala isso pra mim? Tom, você bebeu?!
- Olha aqui Thomas, não te interessa o que eu fiz e deixei de fazer. Muito menos como eu faço. Ok?
- Claro que interessa, antes de qualquer coisa, eu sou o seu melhor amigo. E nesse momento você não está em condições de pensar no que é
realmente bom para você.
- Ah é? E o que é bom pra mim?
- Um cara que te respeite, que faça com que isso que você está prestes a fazer seja especial. Quer saber ,
eu não sei por que eu ainda me importo. Só não quero que você se arrependa. Eu sei que não vai fazer diferença o que eu falar pra você
agora, né?
- É, não vai – falei mal criada.
- Bem, ok! Tenha uma ótima noite – Ele virou furioso e simplesmente saiu.
- Você também... Com aquela vaca ruiva – falei baixo, duvido que Tom tenha escutado, ele já estava na cozinha no andar de baixo. Bem,
Dane-se!
Vamos voltar ao que interessa.
- ?! – ouvi Danny na cama.
- Onde nós estávamos? – perguntei subindo em cima dele colocando uma perna de cada lado. Eu fazia alguns movimentos deixando o meu
namorado sem pensar.
Ele sentou e segurou meu quadril para o mais perto possível dele.
- Vem cá – falou me jogando na cama e ficando por cima dessa vez. Eu fechei os olhos no automático. Danny praticamente arrancou meu sutiã
e jogou para longe. Foi quando eu percebi que ele já estava sem cueca. Safadinho. Ele foi me acariciando no colo, na barriga, e foi
chegando na borda da minha calcinha. Quando simplesmente ele parou.
Abri os olhos, confusa. Vi Danny em cima de mim olhando fixamente para minha barriga. O que há de errado?
- Eu não posso, - Ele falou colocando sua cueca de volta.
- Você o quê? Mas... Como não?! Quer dizer, por quê? – Meu tom de voz acentuou minha indignação. Eu não acredito que ele parou agora.
- Se olha no espelho, amor - Falou com voz de tristeza.
- Hum? - Eu levantei e coloquei meu sutiã. Fui até o espelho do banheiro.
Realmente não era a coisa mais bonita de ser ver, eu tinha uns 8 roxos espalhados na região da minha costela e mais uns 4 perto do
umbigo. Foi por isso que ele não quis continuar.
- Desculpa , eu não quero te machucar mais - Ele falou cabisbaixo.
- Mas? Como assim ? Você não me machucou amor, sério - Falei sentando no seu colo e beijando seu pescoço.
- Você sabe , no fundo você sabe - Ele falou me colocando sentada na cama. Mas que droga de acidente.
E realmente estava sentindo dores, mas nada que eu não suportasse, ora, eu só fraturei umas costelinhas, nada de mais - Por hoje é só,
amor. Acho melhor você descansar, porque quando você estiver melhor, nada vai impedir a gente de se divertir.
Dei um sorriso fraco. Eu sabia que ele tinha razão, mas eu estava muito puta da vida para admitir isso. Me cobri com uma coberta e deitei
mirando o teto. Danny passou o braço em volta de mim, não demorou muito para eu deitar no seu peito e adormecer profundamente desejando
ao máximo que esse dia acabasse logo.
Eu sentia frio. Sentada no banco de couro de um carro desconhecido. Olhei para o motorista e me surpreendi, era a Cris. Seus cabelos loiros
esvoaçantes acompanhavam o vento gelado da madrugada, entrando pela janela do carro. Ela estava com um vestido vermelho bem justo e
provocante. Ela estacionou em uma rua misteriosa e deserta. Cris me lançou um olhar de censura para eu ficar no carro. Mas não obedeci.
Ao pisar no chão percebo estar de salto alto, olhei para minha roupa. Era a que eu costumava trabalhar na empresa do meu pai: blusa social,
calça jeans e scarpin.
Cris bateu em uma porta escrita “Keep Out”, um pouco familiar para mim. A porta se abre e uma mão, que tinha um anel prateado e
grosso no dedo médio, a puxa pelas costas para dentro. Eu ainda não consigo ver quem é antes da porta se fechar, fiquei parada por alguns
segundos. Olhei para os lados e vejo um carro maravilhoso, parecia carro de corrida, era preto e quase imperceptível na luz fraca da rua,
a não ser pelo emblema dourado no capô do carro: era um touro e estava escrito Lamborghini em cima. E por algum chamado divino, eu comecei
a correr para o início da rua sem saber o porquê, com a conhecida sensação de angústia martelando meu peito.
A voz distante de Danny me chamou a atenção, nessa hora eu consegui distinguir o sonho da realidade, pisquei forte querendo sair daquele
pesadelo. Senti uma mão quente afagar meu rosto.
- ? - Ouvi Danny falar baixo com um tom de preocupação.
Abri os olhos devagar, a pouca claridade que passava pelas cortinas fechadas irritava meus olhos, voltei a fechá-los. Minha cabeça
latejava acompanhando meu ritmo cardíaco. Respirei fundo afim de ignorar minhas dores e o sonho.
- Eu? - falei sem vontade, minha voz era rouca. Lembrei da noite passada e me perguntei se teria coragem de olhar de novo para o Danny,
mas seu bom humor deixava as coisas mais fáceis.
- Como você está, amor? - falou carinhosamente. Semicerrei os olhos e pisquei, forçando-os a se acostumar com a luz. Eu não sabia definir
o meu estado físico, muito menos mental.
Virei para o lado e encontro dois olhos azuis radiantes. Dei um sorriso de lado.
- Melhor agora - brinquei. Ele sorriu.
- Tá quase na hora do seu remédio, mas eu achei que você estava com um sonho muito agitado, achei melhor te acordar. E as dores?
Sentei na cama analisando a região da minha costela.
- Eu estou com um pouco de dificuldade para respirar, mas isso já é normal. Um pouco cansada, o pior mesmo é a minha dor de cabeça e a
aversão a claridade.
- Isso se chama ressaca - Danny riu com gosto, eu revirei os olhos também rindo - Talvez não seja por acaso que os médicos dizem para não
tomar bebida junto com remédio. Você é completamente maluca, amor. Agora descansa que eu vou fazer um café reforçado pra gente.
Eu só assenti, Danny levantou e foi fazer nossa comida.
Passei o resto do dia na minha. Danny nem tocou no assunto de ontem, melhor para mim, não estava muito afim mesmo de me lembrar que tinha
quase implorado por sexo. Outra coisa ocupou minha mente por um bom tempo: Aquele sonho. Eu já tinha sonhado com aquilo antes...
Exatamente daquele jeito! Mas eu não sabia que a Cris estava nele, eu não a conhecia pessoalmente antes, ou pelo menos não lembrava dela,
coisa que já tinha virado rotina na minha vida. Será que esse sonho era realidade? Aquele lugar sombrio existia? Estranho. E afinal, de
quem era aquela mão com o anel? Danny não usa anel, Harry e Dougie, até onde eu me lembro, também não... Tom! Claro, ele sempre está com
um anel no dedo médio.
O que será que o Tom tinha com a Cris?
O sonho se repetiu todos os dias da semana, sempre o mesmo. Aquilo só podia ser um sinal, mas eu hesitava a acreditar em um sonho. Eu
sabia que podia ser só imaginação minha, então achei melhor nem comentar nada com Danny ou .
Danny me levou algumas vezes nao hospital, para fazer exames e tomar alguns remédios. Os meus machucados estavam sarando mesmo, mas o
roxo na minha barriga se recusava a melhorar. Antes eu tinha raiva da minha cura lenta, agora eu só esperava... Afinal, eu e Danny estamos
fazendo o possível para não perder nem um horário dos meus medicamentos.
A vida estava bem tranquila, monótona e um pouco entediante. Tom devolveu o maldito carro, que eu nem fazia idéia do motivo pelo qual ele
pegaria o carro do Danny. Estranho, anyway. O resto dos meus amigos tinham que trabalhar e eu inventei mais uma desculpa
esfarrapada para faltar mais semanas do meu trabalho, sorte do meu pai ser o chefe e ele ainda estar viajando.
Foi a ligação do Harry que me tirou da minha rotina.
- Hey , como você está? - Ouvi a voz de Harry animada no telefone.
- Oi Harry, tô bem sim... Quase recuperada, e você?
- Ótimo. Deixa eu te falar dude, você está afim de ir no parque de diversões amanhã? Ou já tem coisa melhor para fazer?
- Parque de diversões? Claro que eu vou! Mas em qual a gente vai?
- No Legoland Windsor, lembra? - Eu parei de respirar, já tinha escutado esse nome em algum lugar... Não me lembro onde.
- Ah ok, vou falar com o Danny! - Falei ainda pensando no nome do parque.
- Então tudo bem, vamos nos encontrar meio-dia, ok? Falei com Dougie, , Tom e Cris. E eles vão
conseguir tirar o resto do dia de folga, afinal, você pode estar se despedindo pra sempre daquele maldito hospital.
- Só os meus amigos mesmo! - falei muito feliz, eu sentia falta de ver todos juntos - Certo Harry, então até amanhã!
- Beijo, .
Desliguei o telefone ainda intrigada com o nome daquele parque. Onde eu já ouvi esse nome? Onde?
JÁ SEI! Foi em uma visão... Na visão da casa do Tom! Claro. Ele tinha dito que precisava falar uma coisa importante comigo! Será que eu
já fui nesse parque antes? Talvez eu possa ter mais pistas do meu passado. Eu vou dar um jeito de descobrir.
vai ter que saber disso! Fato.
O tempo foi passando arrastado até eu acordar animada no dia seguinte.
Capítulo 18 – Qualquer semelhança é mera coincidência? Talvez não...
Abri meus olhos ansiosos e fui de encontro com o relógio do criado mudo para ver que horas eram: 8h30 AM. Um pouco cedo ainda. Tentei
lembrar o que eu havia sonhado, e meus pensamentos foram de encontro com a Cris, a porta estranha e o carro de luxo preto. Tentei me
distrair, pois aquele sonho sempre me causava uma sensação de angústia e hoje eu estava mais do que feliz porque eu ia ao parque.
Virei meu corpo para o outro lado da cama e vi Danny dormindo. Parecia um anjinho com aquele cabelo bagunçado, sua boca entreaberta e sua
respiração calma, mostravam seu sono tranquilo. Fiquei o observando por algum tempo, como se fosse uma hipnose, até que suas pálpebras
abriram e revelaram dois olhos azuis preocupados.
- ... Está tudo bem? - Perguntou sonolento e um pouco rouco.
- Tá sim, eu só estava... Te vendo dormir - Falei, eu ri comigo mesma pensando na frase que eu acabei de dizer, isso não era coisa de
pessoa obsessiva?
Ele piscou longamente e eu reparei no seu aspecto de cansaço. Esses quase dez dias foram bem atrapalhados para o Danny porque, além de ter
que trabalhar praticamente todos os dias, ele sempre arrumava tempo de almoçar comigo e chegava com um jantar mais gostoso que o outro.
Sem falar que acordava três vezes em todas as madrugadas para me dar remédio ou quanto eu tinha que ir no hospital ver o meu progresso.
Eu era mais do que grata a ele.
- Que bom - falou quase num sussurro, ele transferiu sua cabeça do travesseiro dele para o meu, me dando um longo beijo - Preparada para
o dia de hoje?
- Sem dúvida! - falei sorridente. Eu mal podia esperar para estar em Legoland.
- Temos que sair mais cedo daqui amor, tá lembrada? Hoje é o dia que o médico vai te avaliar para ver se é possível mesmo suspender os
remédios.
- É verdade, eu tinha me esquecido completamente - falei pensativa - Isso é que dá ter um super namorado - brinquei dando lhe um beijo.
Eu já estava mais que acostumada a ir para o hospital, era o único lugar que eu ia quando saia da casa do Danny, isso tudo porque eu não
podia de maneira nenhuma pegar um resfriadinho sequer. Isso ia atrapalhar todo meu tratamento. Então fiquei confinada na casa do meu
namorado do dia 1ª de janeiro (um domingo) até o dia 13 (sexta-feira). Eu necessitava ver outras pessoas além de médicos e enfermeiros.
- Bem, você não deve se lembrar, mas você adorou aquele parque quando a gente foi - falou Danny quase num lamento, ele parecia triste.
- Então dessa vez eu vou adorar mais! Não se preocupa amor, vai dar tudo certo - Falei doce. Danny tinha um pouco de receio de eu ir nos
brinquedos e tal. Mas aquele acidente já fazia quase um mês, eu estava mais do que preparada para voltar a viver normalmente.
- Eu só não quero que se machuque. E já falei: nada de ir nas montanhas-russas, vai que você dá um jeito na coluna, quebra outra costela,
cai do brinque... - eu silenciei Danny com um beijo enérgico. Eu sabia da sua preocupação, mas não estava fim de ouvir aquele sermão todo
de novo – Ok , só toma cuidado porque hoje é sexta feira treze, coisas estranhas podem acontecer.
- E você acredita mesmo nisso, Danny? – Ele fez uma careta – Vai, acontecer alguma coisa estranha com o meu estômago se eu não comer
alguma coisa agora. Então, vamos tomar café da manhã? - falei animada.
- Vamos - Ele falou rindo, porém sua expressão ainda era de preocupação com os brinquedos do parque. Mas nada do que Danny falasse ou me
proibisse de fazer ia estragar o dia de hoje - Aliás, vamos trocar de roupa que a gente passa no Starbucks e compra um Caramel Frappuccino
pra gente, o que você acha?
Já deu água na boca só de pensar naquele expresso, leite, baunilha e gelo, cobertos por uma rica camada de calda de caramelo. Respirei
fundo e ainda saboreando o falso gosto da bebida.
- Perfeito! - Falei dando mais um beijo em Danny.
Escolhi uma roupa bem quentinha e confortável, estava sol, mas o inverno londrino era severo. Eu também não tinha muita opção, Danny
passou na minha casa e pegou umas mudas de roupas. Tenho que admitir que ele não tem muito senso para combinar, então eu tinha que me
virar. Calça jeans, all star branco (modo de dizer é claro, porque assim que sai da loja vira encardido, né?), blusa preta, casaco roxo
batata e uma cachecol listado de branco e perto. Ótimo, nada muito estampado nem colorido demais. Danny estava com uma blusa branca,
casaco de couro e jeans também. Indiscutivelmente lindo!
- Tudo pronto, amor? - perguntou no quarto enquanto eu passava perfume no banheiro.
- Sim, só vou pegar minha bolsa - Coloquei a pulseira prateada com a o pingente de estrela e o colar dourado com um coração que eu havia
ganhado de natal de Tom e Danny.
Tudo pronto, descemos as escadas e eu reparo nas mãos de Danny, um chaveiro dourado que eu nunca tinha visto.
Passamos pela cozinha, e achei estranho ele não pegar a chave do carro BMW 118i que ficava pendurada perto da porta.
- Amor, a gente não vai de carro? - Perguntei confusa.
- Vamos, mas hoje é um dia especial.
Cerrei os olhos, eu não tinha entendido. Fomos para garagem e tinha um carro, coberto por uma lona, estacionado do lado da BMW preta do
Danny.
- Vamos com outro carro, Tom deixou ele aqui há uns dias, mas como você não deve se lembrar, eu vou apresentá-lo... De novo - falou com
as mãos na lona. Ah sim, deve ter sido esse carro que o Tom veio pegar justo no dia da festa de ano novo - Esse aqui é Fl.
Danny puxou a lona com força, revelando o carro de uma vez só. Minha respiração parou, esse carro era exatamente o qual eu vinha sonhando
todos os dias. O carro realmente existia. Era preto, de luxo com o emblema dourado escrito Lamborghini. Esfreguei meus olhos com as costas
da mão. Será que aquele sonho era real? Era muita coincidência. A voz de Danny me fez voltar à realidade.
- Não gostou, ? - ele perguntou tímido.
- Não... Quer dizer, sim! Eu adorei. Ele é lindo demais, Danny. Eu só estava me perguntando se eu já não tinha visto esse carro antes -
Fazia sentido o Tom pegar um carro daqueles emprestado. Era maravilhoso, sem dúvida causava inveja a qualquer um que estivesse passando
na rua.
- Bem, não existem muitos desse circulando em Londres, mas é um carro que chama a atenção, talvez você tenha visto - falou abrindo a porta
do carro pra mim.
- É, talvez - falei pensativa - Mas amor, esse carro não é meio caro? - Claro que era caro, mesmo Danny tendo condições, não era um tipo
de carro que se ganha de presente dos pais.
- É, muito caro. Mas eu, Harry e Tom dividimos. Então o carro é de nós três. Cada um usa de acordo com a necessidade, entende? Harry já
foi a um casamento com ele, Tom usou para a festa da empresa do pai. Mas geralmente ele fica parado. Não queremos arranhá-lo - falou
fazendo carinho no carro. Eu só sorri.
Sentei no banco de couro frio, e a sensação de angústia do sonho surgiu no meu peito. Respirei fundo. “Isso é coisa da sua cabeça, foi só
coincidência”, pensei comigo mesma, não querendo admitir que o sonho era real. Porque se fosse, eu sabia muito bem quem tinha agarrado a
Cris, Thomas Fletcher.
Pisquei forte afim de afastar esse pensamento da minha cabeça. Olhei para o carro e tive uma idéia. Será que eu podia ter alguma visão
aqui? Comecei a tocar no painel, porta luva, cinto de segurança, freio de mão, volante...
- Você está bem, ? - Danny falou lentamente. Nem tinha reparado que ele já estava no carro. Com
certeza ele me viu tocar desesperadamente nos objetos. Dei uma risada meio sem graça, que soou bem forçado para quem queria parecer
tranquila.
- Ótima, só estava admirando o carro - falei tirando as mãos do volante.
- Então... Vamos – Falou Danny ainda me analisando.
Ele pisou no acelerador, fazendo o carro roncar alto. Puxei rápido o meu cinto de segurança fazendo com que Danny desse um sorriso de
satisfação.
Definitivamente esse carro era um dos seus brinquedinhos favoritos. Nunca chegamos tão rápido ao hospital, sendo que a gente tinha parado
no Starbucks antes.
- Bom dia senhorita , o doutor Filch já está lhe esperando - falou a recepcionista assim que
chegamos num hall muito arrumado do hospital.
Eu só assenti. Fui passando pelos quartos sem vida, evitava olhar para dentro deles, sempre tinha um paciente em péssimas condições e eu
não queria ficar deprimida de novo. Essa era a pior ala do hospital, a de emergência. Como o Sr. Filch queria que eu concluísse todos os
tratamentos com ele, eu era obrigada a ficar nessa maldita ala.
Entrei no consultório indicado e um homem de cabelos grisalhos e jaleco branco já estava de pé com a mão estendida para me cumprimentar.
- Bom dia senhorita , como está? – Falou sorridente.
- O senhor que vai responder essa pergunta doutor, tomara que seja hoje o dia o senhor diga que eu não preciso voltar mais aqui - Apesar
de eu parecer séria, tinha um toque de súplica na minha voz. Eu não queria ser grossa com ele, afinal a culpa de eu estar aqui não tinha
nada a ver com Dr. Filch. Essa era uma das poucas certezas que eu tinha.
- Tomara, . Só se prometer vir me visitar - ele abriu um sorriso doce, alem de um excelente
profissional, era também uma excelente pessoa.
Eu ri baixinho, sentei na cama de exame.
- Eu vou esperar lá fora - Falou Danny lançando um beijo discreto no ar, eu retribui.
Fiz muitos exames, tirei raio x, fiz ultra som, o doutor viu meus reflexos. TUDINHO. Duas horas depois, eu tinha terminado toda a bateria
de exames. Graças a Deus.
- Bem senhorita , fico feliz de lhe informar: o seu tratamento está concluído! A senhorita está
novinha em folha. Parabéns - ele falou com a mão estendida, eu passei pela sua mão e lhe dei um abraço. Ele tinha cuidado de mim quase
um mês, era quase um amigo meu.
- Obrigada Filch, eu nem sei o que dizer, eu to tão feliz - meus olhos se encheram d'água. Sentia uma mistura de alivio e êxtase. Enchi
meus pulmões de ar como se eu tivesse nascido de novo agora.
- Não há de quê. Eu só fiz o meu trabalho , espero não te ver tão cedo aqui de novo ouviu bem,
mocinha?
- Claro, pode deixar - falei sorridente ainda chorando.
- Então vai lá contar para o seu namorado, ele vai ficar muito feliz em saber.
- Obrigada de novo Doutor, adeus.
Abri a porta do consultório com vontade, olhei para o corredor e vejo Danny com as mãos juntas e a cabeça abaixada, parecia fazer uma
oração. Ele ouviu meus passos e se levantou preocupado.
- Porque você está chorando , tá tudo bem? O que o médico falou? - ele perguntou rápido e preocupado.
Eu o silenciei com um beijo. Ele me olhou sorridente, limpou as minhas lágrimas e voltou a me beijar.
- Eu to curada Danny, eu não preciso voltar mais aqui - Falei bem perto da sua boca. Eu senti sua respiração calma, ele estava com os
olhos fechados e uma lágrima começou a escorrer pelo se rosto.
- Danny? O que aconteceu? - Eu comecei a ficar preocupada, dificilmente eu o via chorar. Aliás, até onde eu me lembro eu não o vi chorar.
- Nada amor, eu to... Muito feliz por você, muito aliviado. Eu tive tanto medo, . Eu tive tanto medo
de perder você - Ele falou e outra lágrima escorreu de seus olhos. Ele respirou fundo me abraçando. Eu retribui. Encostei a cabeça no seu
peito e senti Danny me dar um beijo na testa.
- Eu to bem agora amor, pode ficar tranquilo. Você não tem culpa de nada - Falei tentando confortá-lo.
Ele segurou forte os meus ombros e olhou no fundo dos meus olhos.
- Um dia você vai entender tudo...
- Tudo o quê?
- Eu nunca queria que isso acontecesse...
- Como assim, Danny?
- Eu amo tanto você...
- Danny Jones, por que você está falando essas coisas? - Falei séria, ele tinha alguma coisa entalada na garganta e eu queria saber o que
era.
De repente o telefone do Danny começa a tocar, amenizando o clima da nossa conversa.
- Alguém está me ligando de um orelhão, estranho - Ele falou olhando a tela do celular, Danny limpou as lágrimas e pigarreou antes de
atender – Alô? - perguntou desconfiado - Hey dude, o que foi? - houve uma pausa.
- Quem é? – perguntei baixinho. Danny só fez um gesto para eu esperar.
- Claro dude, eu busco a sim, mas você vai se atrasar muito? - outra pausa - Ah, tudo bem, sem
problemas. Mas cadê o seu celular, Doug? - Danny ouviu atento e riu um pouco – Ok, te vejo lá, abraço.
- Que houve com o Dougie? - Desviei meus pensamentos para .
- Ah, nada demais, Dougie estava querendo fazer uma surpresa para , eles vão morar juntos na casa do
Dougie. Então ele queria fazer uma festa surpresa para ela, nesse domingo. Bem, agora ele está correndo atrás de Dj, Buffet essas coisas.
Só que ele esqueceu o celular em algum lugar.
- Mas a nem me falou nada! - Fiquei buscando algum vestígio na minha memória.
- Vai ver ela está meio atrapalhada no trabalho. Então vamos correr, porque já estamos atrasados.
- Ok, mas Danny o que você estava falando antes do Dougie te ligar.
- Deixa pra lá , coisa da minha cabeça. Você está bem e é o que importa, né?
- É - dei um sorriso fraco. Tinha alguma coisa que perturbava Danny. Mas o que seria? Cada vez mais minhas dúvidas cresciam. Será que
Danny se achava culpado pelo acidente? Será que o meu sonho tinha a ver com o acidente?
Aquele carro era muito suspeito... A rua que eu sonho também, se ao menos eu soubesse o nome daquela rua eu iria até lá ver. E quem
estava dentro daquela porta.
Meus pensamentos emendavam um assunto no outro, fiquei calada a viagem toda.. Eu tinha muitas perguntas para poucas respostas. Será que
poderia me ajudar com o sonho? Só dei por mim quando Danny parou o carro em frente ao prédio que
morava.
Capítulo 19 – Legoland
A porta de trás do carro se abriu e entrou, trazendo o seu mau humor junto, antes de eu sequer abrir a boca para perguntar qual era o motivo de sua expressão enfurecida, ela já começou a falar num desabafo:
- O Dougie é ótimo mesmo, a semana INTEIRA me deixa sozinha e quase todas as noites tem que resolver uns problemas misteriosos, e hoje eu fiquei plantada em casa o dia inteiro esperando a criatura. E o que ele faz? Manda os meus amigos me buscarem, por quê? Porque ele deve estar atrás de um rabo de saia qualquer - Bufou - E ainda não atende o celular. Idiota!
Olhei para Danny, ele estava achando tanta graça daquilo quanto eu.
- Poxa amiga, não fica assim vai! O Dougie não é de fazer essas coisas, ele gosta muito de você. Vocês vão até morar juntos.
- Vamos mesmo! Pera aí... Quem te contou isso, ? - Falou confusa - Nós decidimos contar isso juntos pra vocês. Argh! - Rosnou.
- Definitivamente o Dougie não é bom para surpresas - Falei, mas logo me arrependi, e se desconfiasse da festa surpresa? - Ou melhor, para segredos.
- Ele não é bom para nada - falou com raiva, mas refletiu um instante - Se bem que tem uma coisa que o Dougie faz muito bem...
- Me poupe, ! - Cortou Danny olhando para o sorriso sarcástico de pelo retrovisor.
- Tanto faz - Ela respirou fundo querendo manter a calma - Mas me conta , como foi hoje lá no hospital?
- Eu tô nova em folha amiga, não preciso tomar remédio e nem fazer mais exames. Chega de hospital, chega de ficar trancada na casa do Danny!
- Que bom, amiga.
- Poxa, mas eu adorei o tempo que você passou lá comigo - Falou Danny carinhoso. Eu sorri.
- Nossa, vocês devem ter se divertido muito, hem?! - brincou e piscou para mim querendo que eu levasse a frase para o duplo sentido.
- Ô, você não sabe como - Falei seca, todos se calaram no carro. Sem dúvidas aquele dia que Danny não quis transar comigo feriu meu orgulho, eu não tinha mais vergonha de mim, eu tinha raiva - Agora que eu melhorei, Danny vai se ver comigo.
Danny arregalou o olho e abriu um sorriso malicioso.
- Eu duvido, - Falou com cara de safado.
- Não subestime o que você não conhece, Daniel - Mordi o lábio inferior, agora era questão de orgulho pagar o Danny de jeito.
- Eu vou cobrar, hem?! Mas vou logo avisando, quando eu começo , não adianta pedir para sair.
- Da última vez, não fui eu quem pediu para parar - Toquei na ferida do Danny. Ele contraiu os lábios e fez uma cara de quem estava mentalizando um “Filha da puta”. Mas acabou cortando nossa linha de raciocínio.
- Ok, dá para parar vocês dois? Eu estou numa crise no meu relacionamento e vocês ficam insinuando sacanagens, quer que eu me atire do carro em movimento? - Falou .
- Foi você que começou, - Falei sinceramente.
- Deixa pra lá. Vira aqui, Danny... Estamos chegando.
Olhei para a paisagem que se formava diante dos meus olhos, um parque maior do que eu tinha imaginado. Eu conseguia ver montanhas-russas de longe, e outras atrações no qual eu não sabia distinguir, prestando bem atenção, já dava para ouvir os gritos, vindo dos brinquedos, aquilo só fez aumentar minha ansiedade. Seguimos para um grande estacionamento, e em direção à entrada havia um letreiro escrito em preto “Legoland”. Uma felicidade incomum invadiu minhas entranhas, parecia que eu tinha voltado a ser criança.
- Olha, aquele ali não é o Harry? - Perguntou apontando para um homem que estava distante - E aquela não é a ?
- São eles mesmo - Falou Danny apertando os olhos.
- É a Cris, não? - Havia uma menina loira do lado deles, ela olhava para o chão meio deslocada, mas ainda assim mantinha sua postura de pessoa superior.
Danny estacionou o carro luxuoso em uma vaga distante, provavelmente para que ninguém estacionasse do lado e correr o risco de arranhar o carro. Fomos andando de encontro a Harry, e Cris. Demos aquelas saudações básicas: abraços e beijos, mas reparei que Cris ainda ficava intimidada com a minha presença, ela parecia nem querer olhar para mim.
- , como foi lá no hospital? - Falou preocupada, Harry do seu lado acenou a cabeça como se também quisesse saber a resposta.
Quando Harry passou a mão no cabelo para ajeitar o seu topete, percebi que na sua mão direita tinha um anel prateado no dedo indicador. Desde quando Harry usa anel? Meu estômago virou ao lembrar do sonho, afinal o Harry era um dos donos do carro preto também. Será que ele e Cris...
- ? - Ouvi a voz de Harry me obrigando a ignorar meus pensamentos.
- Ah... Tudo certo, não terei que voltar no hospital tão cedo - Sorri animada e dei um pulinho de excitação, quando aterrissei, inexplicavelmente, eu pisei no pé de alguém que apareceu atrás de mim, me desequilibrei e comecei a cair de costas em direção ao chão. Por sorte, a minha queda foi amortecida, que pelo visto, a pessoa que estava atrás de mim caiu junto comigo.
- Se você continuar desse jeito, não vai sair viva desse parque - Meu coração foi na boca, ouvi a voz de Tom perto do meu ouvido, então foi no pé dele que eu pisei! Virei meu rosto e vi seus olhos castanhos muito próximos dos meus, sem que eu percebesse, todo o ar havia fugido, inspirei forte na tentativa de mandar algum oxigênio para meu cérebro antes que ele entrasse em colapso, porém o perfume de Tom me envolveu de uma forma sedutora.
Sem consultar minha consciência, repousei minha cabeça em seu ombro e fiquei embriagando com aquele cheiro bom, ainda surpresa com a queda e o desfecho dela.
- Obrigada - Falei ao pé do seu ouvido, quando puxei mais uma vez o ar, percebi seu cabelo da nuca arrepiar e Tom engolir seco. Algo estranho aumentou de volume de baixo de mim, foi aí que eu me dei conta que estava sentada em seu colo. Corei instantaneamente - Desculpa.
Abaixei os olhos muito sem graça.
- , deixa eu te ajudar - Senti as mãos de Danny segurarem minha cintura e me erguerem de pé. Demorei alguns segundos para voltar à realidade, afinal Tom estava saindo com Zoe, até onde eu me lembro, e o meu namorado estava aqui. Eu tinha que começar a controlar meus impulsos - Valeu dude, se não fosse você, eu teria que ligar para ambulância.
- Não há de quê – Tom falou lentamente e esfregando os olhos, ele parecia envergonhado com a sua excitação repentina, porém só eu sabia desse fato.
Meus amigos voltaram a conversar sobre alguma coisa sem importância, meus pensamentos eram mais interessantes. Foi quando percebi os olhos de Tom caídos sobre mim, ele deu um sorriso fraco e ficou pensativo. Ótimo, 12 dias sem trocar uma palavra com meu melhor amigo e agora essa situação embaraçosa. Sem mais ressentimentos com o Tom, hoje eu não ia discutir com ninguém.
- Finalmente! - quase gritou do meu lado. Todos se viraram para olhar e vimos Dougie andando apressado - Onde o senhor de meteu, Poynter?
- Eu... Eu... - Gaguejou - Eu fui deixar meu baixo lá no estúdio – respirou fundo
- E não atende o celular, por quê? - Todos olhavam para Dougie com um pouco de pena dele, o resto de nós parecia saber da surpresa, ele iria ter que aguentar o mau humor da até lá.
- O meu celular não tocou - Falou mexendo nos bolsos - Cadê meu celular? Merda. Devo ter deixado lá no estúdio.
- Ok, vamos entrar logo antes que arranque sua cabeça fora - Brincou Danny.
- Estúdio? Baixo? - Falei muito confusa.
- Ah claro, foi na época que você não se lembra - Falou Harry contraindo os lábios e alisando o contorno do seu maxilar com a mão direita, fiquei fixada no seu anel prata no dedo indicador, eu ainda ia descobrir direitinho essa história.
- Nós quatro tocamos... De hobby sabe, nada de compromisso. É ótimo para desestressar numa semana difícil - Explicou Tom.
- Dougie tocando baixo, vocês só devem estar brincando - Falei implicando com ele.
- Pra sua informação, tem duas coisas que eu faço muito bem, tocar baixo e... A outra só a sabe.
- Cala a boca, Dougie! - Falou irritada e constrangida ao mesmo tempo. Dougie lhe envolveu com os braços e falou algo no seu ouvido que fez lhe dar um tapinha e um beijo. Pronto, já estavam bem de novo.
- Vamos entrar ou não? - Falou Cris perdendo a paciência.
Ninguém falou nada até comprarmos os tickets para o parque. Tudo lá era mágico, tenho que admitir que não era uma Disney da vida, mas era fantástico por si só. Existia tudo que você podia imaginar montado em LEGO, desde rostos de pessoas famosas como Marilyn Monroe a réplicas do Big Ben, da Torre Eiffel, da Torre de Pisa, dos moinhos holandeses e da Estátua da Liberdade. Que me deixaram de queixo caído. [n/a: Lego é um brinquedo de plástico, de várias cores, cujo conceito se baseia em partes que se encaixam permitindo inúmeras combinações.]
- E ai amor, vamos brincar de Lego? - Brincou Dougie, levantando as sobrancelhas como se fosse um convite.
- Brincar de Lego? - perguntou não entendendo.
- É, a brincadeira do encaixa - Respondeu Dougie, piscando e fazendo cara de safado.
- Se mata, Poynter! - Tom falou o que todos estavam pensando.
Entramos na fila de uma montanha russa chamada Jungle Coaster. Era enorme, mas nada de looping e coisas muito radicais. Só por ser alta já me dava frio na barriga, aquela sensação de medo e adrenalina correndo na veia era prazerosa, há muito tempo eu não me sentia assim. Todos nós fomos nessa montanha-russa, depois fomos a Dragon, a adrenalina corria pelas minhas veias por ter uma parte do percurso no escuro. Eu sabia que nem um brinquedo de lá seria muito radical, afinal o público alvo eram as crianças. Sem dúvida, os meus amigos me trouxeram aqui com medo de que eu desse um jeito na coluna ou algo do tipo.
Então uma fila enorme chamou a minha atenção. Vinha do brinquedo “Vikings River Spl”. Apesar de estarmos no meio do inverno londrino, o brinquedo aquático parecia ser a melhor atração do parque. Arrastei meu grupo para fila.
- Será que esse brinquedo é bom? - Perguntei curiosa.
- É meio fraquinho , mas dá pra se divertir pela queda d'água de uns 10 metros. Se não me engano, você foi nesse brinquedo com o Tom da última vez - Falou Danny.
- Ah - Falei sem emoção, olhei para Tom e ele ainda continuava meio estranho, mas agora ele fingia que não estava prestando atenção a nossa conversa.
- , eu vou comer um hambúrguer com o Dougie, e Harry, enquanto vocês ficam na fila. Você quer que eu traga algo? - Perguntou .
Respirei fundo e senti o aroma de carne na chapa e batata frita.
- Traz um pra mim também, e com fritas - falei quase babando.
- Outro pra mim! - Falou Tom do meu lado.
- Eu quero um com duas carnes e batata grande – Falou Danny sorridente – O que você vai querer, Cris?
- Nada – Ela deu um sorriso forçado - Brigada.
Eu não sei por que trouxeram essa garota, ela além de ser antipática tem um jeito falso de falar com os meus amigos. Quem combinou tudo foi o Harry, Hm. Será que eles... Não, o Harry gosta muito da ... Eu acho.
Eu os vi se afastando devagar. Desviei meus olhos para Cris quando a ouvi falar.
- Esse cheiro de carne industrializada me enjoa - Cris colocou mão na barriga - Eu não tô bem desde primeira montanha-russa.
- Você quer que eu te leve para a enfermaria? Eu já estou expert nisso - Danny piscou pra mim. Eu só sorri.
- Não, quero um banheiro! - Cris colocou a mão na boca e saiu correndo dali.
- Eu vou lá ver a minha prima, sempre que vomita, a pressão dela baixa, tenho medo que desmaie.
- Vai lá - eu e Tom falamos juntos.
Vi Danny correr na direção que Cris tinha ido. Ótimo, agora só era eu e Tom. Teríamos muito que conversar pois ficaríamos, no mínimo, uma meia hora na fila. Olhei para ele e o vi fitar o seu all star amarelo. Silêncio. Me lembrei de como eu fui ridícula da última vez que eu o vi, sair daquela forma na festa de ano novo foi estranho, Tom devia imaginar que eu não estava no meu estado normal... Não, foi pior ainda. Da última vez que nos vimos foi quando eu estava quase transando com Danny. OMFG.
- Que estranho a Cris ficar enjoada assim, isso até pareceu um Déjà vu - Falou Tom levianamente - E hoje ela nem bebeu.
- Ah, Cris bebe muito? - Perguntei só para não acabar com a conversa.
- Muito é pouco, achei até estranho ela nem beber na festa de Ano novo, aí tem coisa.
- Você anda reparando muito na Cris, hem?! - Brinquei.
- Algum problema com isso? - Tom ergueu as sobrancelhas. Eu já não sabia se ele estava levando na brincadeira ou sendo sério.
- Ah... Não... Quer dizer, sim. A Cris não é menina pra você - Apesar de ter gaguejado, acabei sendo sincera.
- E que tipo de menina é pra mim, ? É aquela que vira uma garrafa de champanhe no ano novo e na hora de ir embora só falta anunciar para todo mundo que quer transar com o namorado? – Ele respirou fundo tentando manter a calma - Nem preciso comentar o que aconteceu depois. Então... Será que é esse tipo de garota que eu quero pra mim? – Ele me fuzilava com os olhos. E a sua raiva alimentou a minha.
Eu engoli seco, ele tinha ficado com aquela cena na cabeça. Ora bolas, quem mandou não dispensar aquela ruivazinha? Ele poderia estar com alguém bem melhor agora.
- Não sei Tom, me diz você? Mas acho que você prefere as garotas de atitude que te agarram e não te deixam fazer suas próprias escolhas. Já que você não tem maturidade o suficiente para chegar na garota que você quer, fica se contentando com migalha - Ótimo... A raiva tinha cegado meus olhos e tomado conta da minha boca, eu queria pegar as palavras no ar e escondê-las antes que ele absorvesse a mensagem. Mas era tarde demais. Tom me olhava incrédulo, abriu e fechou a boca várias vezes, a fim de contestar meu argumento. Derrotado, respirou fundo tentando manter a calma. Eu sabia que tinha ido longe demais.
- Quer saber ? Eu cansei disso. Você é minha melhor amiga e eu não quero mais discutir com você - Falou seco e fitando o chão – Sabe, cada um sabe o que é melhor para si. Mesmo que você transe com a metade das pessoas desse parque, eu ainda vou continuar do seu lado. Eu vou parar de me importar com as suas atitudes e sim com você. Mesmo discordando da metade das coisas que você fez.
Nossa, esse tinha sido o melhor discurso de amizade que eu já tinha ouvido. É, ele realmente se preocupava com como ia ser a minha primeira vez e com quem seria, mas ele não sabia que isso ainda não tinha acontecido. Ele era tão fofo!
No ímpeto, eu o abracei forte. Finalmente o meu melhor amigo estava de volta. Eu me sentia bem de novo, parcialmente completa.
- Nem eu, Tom. Aliás, promete não brigar comigo nunca mais? Eu não sei o que eu vou fazer sem você. E não me abandona mais como você fez lá no hospital, eu senti tanto a sua falta... Eu precisava tanto de você naquele momento - Uma lágrima desobediente caiu dos meus olhos. Típico meu, ser grossa e depois chorar. Eu vou ter que me inscrever num curso de: “como não ser bipolar”.
- Não vou , eu tô do seu lado pra tudo. Eu sempre me preocupei com você, mesmo longe. Talvez o Danny não tenha te falado, mas eu ligava pra ele dia sim dia não para saber como você estava. Eu quero o seu melhor , porque se você estiver feliz... Eu também vou estar - Ele falou carinhoso e sorriu para mim. Eu retribui o sorriso. Era tão bom ter Tom de volta - Agora me tira uma dúvida? Você já se lembrou de alguma coisa dos últimos dois meses?
- Não, por quê? - Falei confusa, bem, só quando eu tinha visão, mas ele não sabia disso.
- Porque lá na casa do Danny aconteceu a mesma coisa estranha que no hospital. Lembra quando você tocou na foto e ficou viajando. Com a rolha, na casa do Danny, também. Por que, ? - Tom foi bem direto. Mas ele reparava em mim mesmo, hein?! Porque eu tinha até me esquecido que ele estava bem na minha frente quando eu tive a visão da rolha. Resolvi contar.
- É o seguinte Tom, eu tenho visões - Ele uniu as sobrancelhas. Não é todo dia que se ouvi isso da sua melhor amiga - Deixa eu ver como eu vou conseguir te explicar melhor - Respirei fundo, escolhendo as palavras. Tom só esperou com a expressão confusa – Dependendo de algum objeto que eu toque, se fez algum sentido no passado... Algo marcante, eu tenho uma visão do passado que tenha a ver com o objeto que eu toquei. Tipo, a foto que a me mostrou. Eu vi quem estava na festa, vi quando dancei com você uma música lenta e quando o Harry disse que o Danny tinha que falar algo comigo no quarto da . Vi também o Dougie, super envergonhado pedindo a minha melhor amiga em namoro, quando eu peguei a máquina fotográfica de você e tirei a foto dos dois, assim que toquei na foto, eu voltei ao hospital e vocês estavam me olhando e me perguntando por que eu fiquei daquele jeito.
Tom estava pasmo, dava pra ver seu cérebro trabalhando dobrado para assimilar tudo que eu tinha acabado de falar. Ele colocou a mão no bolso e apertou algo que estava dentro dele.
- Você já teve muitas visões? - Perguntou ainda um pouco desnorteado.
- Tive, umas três, eu acho... Mas nada que me faça lembrar do acidente.
- Eu suspeitei, sabe... Até porque quando a gente brincou de “eu nunca”, quando eu falei : “Eu nunca me peguei com alguém no quarto da minha melhor amiga”, além de eu estar curioso, se você não tivesse essa visão da festa da , você não lembraria, entende? A partir daquele momento eu reparei mais em você, mas eu não entendia direito como funcionava - Tom contraiu os lábios e voltou a colocar a mão no bolso. Reparei na sua mão direita com o anel prateado. E o sentimento de agonia voltou a me incomodar. E o que será que tinha no seu bolso e ele não queria me mostrar?
- O que é isso que você está mexendo no seu bolso? – Minha boca falou sem a minha permissão.
- Ah - Ele tirou a mão do bolso rapidamente e se espreguiçou - Nada.
Eu sabia que ele estava mentindo, antes que eu pudesse falar alguma coisa, meus amigos voltaram.
- Voltamos! - A voz de aliviou o ambiente - Aqui , o seu hambúrguer e o outro pra você, Tom.
Pegamos nossa comida e ficamos conversando até a fila começar a diminuir. Já era quase a nossa vez, e Danny ainda não tinha voltado.
Será que aconteceu algo de errado com a Cris? Eram muitos assuntos paralelos para uma cabeça só, e eu já estava começando a ficar perdida neles. Todos pareciam, de certa forma, inacabados.
Capítulo 20 – Águas passadas não movem moinhos?
Estávamos bem perto da entrada do brinquedo, o Vikings River Spl era um corredeira enorme, e bem a nossa frente tinha uma plataforma giratória onde passavam os botes em volta, tanto para deixar passageiros quanto para pegá-los. Essa parte era frenética, pois a pessoa teria que entrar no bote em movimento, eu não sabia se tinha coordenação o suficiente para isso.
- É, acho que vai acontecer que nem da última a vez - Lamentou .
- Como assim? - Falei, engolindo o último pedaço do meu hambúrguer.
- O Danny foi socorrer a Cris enjoada... De novo - Falou Dougie sem emoção.
- Não, ele vai chegar. Vocês podem ir primeiro que eu fico aqui e espero.
- Eu fico aqui com você, - Falou Tom do meu lado.
- É, exatamente igual a última vez que a gente veio. Só faltou o barraco. E essa parte era a mais legal - Harry brincou olhando para , que por sua vez, lhe deu um tapinha em seu ombro exclamando “Harry!”.
Eu uni as sobrancelhas, não fazia a menor idéia do que eles estavam falando.
- Então, vemos vocês daqui a pouco - Falou se despedindo e seguindo Dougie.
Olhei para Tom, ainda confusa.
- Isso já aconteceu antes?
- Diria que algo bem parecido – Falou contraindo os lábios.
- E o Danny apareceu? - Falei deixando um grupo de amigos passarem nossa frente, eles tiveram que se dividir em dois botes devido à quantidade de pessoas.
- Não – Falou meio sem graça de tirar minhas esperanças.
- Ah, então vamos! - Falei. Cansei de ver a minha vida passar sentada naquela cama de hospital e depois presa na casa do Danny. Prometi a mim mesma que iria aproveitar tudo.
- Tudo bem, então - Falou Tom animado.
Passamos pelos ajudantes do parque e fomos num caminho para plataforma giratória. Cada grupo tinha que saber exatamente qual era o seu bote senão ele, literalmente, passava. Os botes marrons tinham números em verde limão para melhor visualização.
- São só você dois? - Perguntou o homem do parque.
- Isso! - respondi ansiosa.
- Ok.. Aquele bote vindo ali. Número 17.
- Ótimo, viu Tom? O bote tem o número igual ao dia do seu aniversário. Vamos! - Comentei, vendo o bote circular vindo devagar em nossa direção. De repente, algo estava errado com o Tom.
- Não! - Falou Tom desesperado.
- O que foi? - Perguntei preocupada.
- É, que... É que... Esse bote.. Está molhado! - Falou Tom, inventando a pior desculpa que podia ter imaginado.
- Tom, é uma corredeira. Todos os botes vão estar... - Foi ai que eu entendi, todo mundo disse que tinha acontecido algo parecido no passado. Deve ter sido exatamente esse bote que, no passado, nós fomos. Eu poderia ter uma visão nele! - Eu vou Tom, se quiser... Pega o próximo.
Atravessei a plataforma correndo em direção ao meu bote. Enquanto corria, também escutava passos apressados me seguindo. Eu entrei no bote com a ajuda de um funcionário do parque. Me sentei na cadeira esperando algo mágico acontecer. Nada...
- Você é maluca? O bote já estava no final da plataforma... - Tom, que sentou do lado oposto do meu, respirou fundo recuperando o fôlego.
- Me diz Tom, qual é o problema desse bote? – Fui direta.
- Hm, nada – Falou, evitando meus olhos.
- Sei - Falei ironicamente, querendo saber o que tinha acontecido. Olhei em volta e tinha 9 lugares no bote. Claro, devo ter sentado em outro lugar. Aproveitei que o brinquedo estava só no início e comecei a mudar de assento.
Testei todos os lugares, menos o que o Tom estava sentado.
- Tom, sai daí - Ordenei séria.
- Estou muito bem, obrigada - Falou, fingindo olhar a paisagem.
- Qual é o seu problema, Tom? Você é o meu melhor amigo, não vai me ajudar a ter visões? – Fiz cara de coitada.
- Vou, mas... - Tom hesitou um instante - Só vou te falar uma coisa, . Essa visão não vai influenciar em nada, e nem acrescentar algo para te ajudar a descobrir sobre o seu acidente.
- Ótimo, então o que você acabou de dizer é que a versão que contou para , é uma mentira. Porque nessa versão, eu não precisaria descobrir nada sobre o acidente.
- Calma... - Tom balançou a cabeça, tentando consertar o que foi dito - Eu não disse isso.
- O que mais você tem pra me contar, Tom? – Ergui as sobrancelhas.
- Não importa a visão que você tenha aqui, tudo mudou. Está bem? - Falou de má vontade.
- Está bem - Tom mudou para o lugar do lado, deixando o dele livre para mim. Eu respirei fundo e sentei. Nada de novo - Mas que droga!
- se segura, está vindo a primeira e maior queda do brinquedo - Falou Tom de repente.
- Hã? - Olhei para trás e vi o caminho da corredeira desaparecer. O barulho de queda d'água se aproximando era agonizante. Ah meu Deus!
Fechei os olhos e segurei na barra de segurança que tinha no centro do bote. E mesmo de olhos fechados, um clarão tomou conta do escuro.
“- Oi gente! O que vocês estão fazendo aqui? - Uma menina loira, com movimentos exagerados apareceu do nada, outras pessoas na fila do brinquedo olharam para ela. Cris assustou todo mundo com sua intromissão inesperada. Ela tinha os olhos semi abertos e uma expressão vazia, ou seja, estava completamente bêbada.
- Hey, Cris... Já está bêbada? - Perguntou Danny depois de analisar seu comportamento, lhe lançando um olhar de censura.
- Ah Danny, deixa de ser chato só uma vez. Ok? - Falou muito perto de sua boca. Eu, que já estava mais bipolar que o normal por causa da minha TPM, achei que eu deveria avisá-la que hoje eu não ia aguentar brincadeirinhas da parte dela.
- O que você faz aqui, Cris? - Falei alto, fazendo a acordar pra vida e sair de perto do meu namorado.
- Hm, o que mesmo? - Ela agora olhava a boca de Tom fixamente. Aquilo me incomodou de um jeito estranho. Como uma garota se sujeita a fazer um papel desses? - Ah sim, o meu amigo Greg foi chamado para universidade de Cambridge, o pai dele conseguiu um vaga por causa de uma desistência... Não entendi direito, ai nós estamos comemorando... Cada um trouxe uma garrafa de bebida. Alguém quer champanhe? – Falou, metendo a garrafa que estava em suas mãos quase na boca de Danny, eu fechei o punho.
- Fica para próxima, Cris - Danny falou, olhando minha reação.
- Eu sei que você preferia estar comemorando comigo do que ficar com essas pessoas sem graças. Né, Danny? - Ela deu um sorriso debochado. Eu já podia bater na piranha, ou era melhor eu respirar fundo e manter a educação que a minha mãe me deu? - Ou você, Tom? Ah claro, você faz mais o tipinho daquela ali - Falou olhando para mim. Minha garganta ardeu de tantos palavrões engasgados nela.
- Por você não dá um fora, hem Cris? - Falou se metendo entre mim e ela. Minha melhor amiga tinha tomado as minhas dores, eu e já estávamos fartas de tanto showzinho daquela garota. Quando ela está sóbria é outra pessoa, basta beber um gole e já quer dar em cima do namorado de todo mundo. Primeiro o Dougie no baile de formatura, agora o Danny? Acho melhor tirar o cavalinho dela da chuva...
- Ih, veio a amiguinha ajudar? Eu ainda não sei o que o Danny está fazendo com a ! Ele gosta de loiras amor, você sozinha não consegue dar conta de um homem desses.
- Agora já chega! Eu dou conta do Danny e dou conta de piranha também - Falei avançando na vadia. Tom me segurou pela cintura, evitando que minha mão chegasse até o rosto dela. Cris, no susto, deu passo para trás, caiu sozinha no chão e desmaiou.
- Meu deus! Será que ela entrou em coma alcoólico? - Falou aterrorizada. Ela não gostava de briga, como eu e .
- Vaso ruim não quebra assim tão fácil, não - Falei colocando pra fora toda a minha raiva - Toma cuidado pra ela não morder a própria língua Danny, senão ela morre com o próprio veneno.
- , ela está bêbada e apagada, pode dar um desconto?! - Danny falou nervoso de preocupação, olhando para mim. Esse era um dos seus maiores defeitos e uma das suas melhores qualidades: Querer sempre ajudar e se preocupar com todo mundo.
- Acho que ela está acordando - Falou Harry apontando para Cris.
- Onde eu tô? - Cris falou totalmente desnorteada. Ela respirava com dificuldade.
- Você está em Legoland, comemorando alguma coisa com um tal de Greg - falou Danny prestativo demais, aquilo me irritava às vezes. Só porque era prima dele, não justificava tanta atenção. “Se controla, ” minha consciência falava para os meus sentimentos.
- Minha cabeça está girando, e meu estômago também – Falou a bêbada.
- Você quer alguma coisa? - Falou Danny. Eu já estava reavaliando quem deveria apanhar primeiro: a piranha ou o meu namorado.
- Eu to sentindo cheiro de... Hambúrguer? - Falou Cris puxando forte o ar, de repente colocou a mão na boca - Preciso de um banheiro!
Ela saiu correndo, e Danny foi atrás sem dar nem uma satisfação. Os meus amigos voltaram a conversar esquecendo do ocorrido. Mas minha TPM fazia com que o efeito da minha raiva demorasse mais tempo para passar. Fiquei calada até Tom resolver falar comigo.
- Está tudo bem, ? Está pensando em quê? - Falou como se quisesse só me incluir em algum assunto devido ao meu longo período de silêncio.
- Estou pensando se o que você tinha pra me falar era tão importante para tudo que eu passei aqui valesse a pena - Fui curta e grossa.
- Ah, bem... Eu não sei - Falou Tom, muito sem graça. E eu senti uma pontada de pena. Meu melhor amigo me chama pra vir aqui para me contar algo importante, e não para me chatear com a prima atirada do meu namorado.
- Deixa pra lá Tom, eu quero ouvir do mesmo jeito. Sei que estou um pouco chateada com a situação que aconteceu, mas isso não quer dizer que eu não possa dar a devida atenção a você. Desculpe pela minha imaturidade - Fui sincera.
- Por favor , a culpa não é de ninguém - Percebi que ele fitava o chão mais do que de costume. Aquilo fez meu estômago virar, será que ele ia comentar do semi-beijo que tivemos na cama dele? Meu coração disparou. Aquele selinho ficou me atormentando alguns dias. Eu me sentia um pouco culpada por ter gostado.
- Somos os próximos - Falou animada.
- Vai indo, eu vou esperar Danny um pouco, talvez ele largue a prima dele e venha logo pra cá.
- Você que sabe, - Falou Dougie contraindo os lábios - Mas acho que ele não vai voltar tão cedo.
- Eu fico aqui com ela - Tom se pronunciou.
- Ok então, nos vemos no Crossed Ribs BBQ? Vamos comer hambúrguer mesmo né? - Falou Harry entusiasmado.
- Sim, nos vemos lá - Falou Tom, dispensando os nossos amigos.
Deixamos várias pessoas passarem na nossa frente, mas não demos nem uma palavra. O clima tinha ficado meio estranho, Tom não me encarou nem um momento. Depois de uns 10 minutos esperando, eu perdi as esperanças de que Danny voltaria.
- Vamos logo então, Tom. Eu estou ficando com fome.
- Ah, claro... - Falou devagar, ele parecia estar com o pensamento distante.
Pegamos um caminho para a enorme plataforma giratória. Quando chegamos perto do início do brinquedo, o ajudante do parque falou:
- Quantas pessoas? - Perguntou o homem.
- Só nós dois mesmo - Falou Tom.
- Olha, isso aqui não é túnel do amor não, se você forem ficarem se beijando vão acabar machucando a língua - Brincou o homem. Eu e Tom ficamos imóveis. O homem tinha justo que brincar com isso? - Er.. Desculpe, o bote de vocês é o 17.
- Obrigada – Respondi meio sem graça - Ih Tom, esse número é o dia do seu aniversário, pelo menos um bom sinal, talvez não afunde - Falei só para diminuir a distância entre nós.
- É verdade - disse sem dar muita importância.
Sentamos quase do lado um do outro, só um lugar vazio nos separava. O bote foi acabando de dar a volta na plataforma, sendo levado pela lenta correnteza.
- Então Tom, o que você queria me dizer?
- Er, bem - Eu o vi se endireitar na cadeira, parecia ser uma coisa muito importante. Senti um frio incomum na barriga - Eu queria ter tido coragem para dizer isso antes... Antes pelo menos, de você estar namorando.
Pisquei lentamente. Tom realmente ia se declarar pra mim? Mas... Por que agora? Era estranho ele fazer isso, depois de tanto tempo, de tanta oportunidade...
- Hm - Dei só um estímulo para ele continuar a falar.
- Então , eu achei que tivesse louco sabe? Achei que fosse coisa da minha cabeça, a gente se tornou amigos muito rápido e no começo eu me perguntava se não estava confundindo os meus sentimentos por você. Então eu guardei esse segredo comigo. Só que eu não consigo ser só o seu melhor amigo.. Quer dizer.. Eu quero mais que isso.
Eu engoli seco. Eu gostei muito Tom do no passado, agora eu tinha me acostumado a viver sem pensar nele. Danny ocupou o espaço. Eu estava muito confusa.
- Por que você não me falou isso... Antes? - Falei baixo. Minha voz tinha dificuldade de sair devido ao nó se formara na garganta.
- Porque eu não tinha certeza que te amava. Agora eu tenho - Eu abaixei os olhos. O que eu deveria fazer? Eu estava com Danny agora. Admito que gostava dele... Mas Tom vem e complica tudo - Eu sou muito tímido , se eu estou falando isso aqui e agora, é porque é algo que eu não consigo mais esconder - Ele engoliu seco.
- Eu não sei o que dizer...
- Diga que você pensou naquele beijo tanto quanto eu - Tom me encarou muito perto, forçando meus olhos a encararem os dele.
- Pensei... - Falei, quase mergulhando no fundo dos seus olhos castanhos chocolates intensos, ainda me questionando o que era certo fazer.
- Então , isso é um sinal.. Quer dizer... Você me ama? - Eu vi o seu esforço interno ao perguntar, afinal ele estava dando sua cara a tapa por isso.
- Eu amei, Tom. Se você tivesse dito isso há um mês... Quem sabe?! Mas agora? Eu estou namorando o seu melhor amigo, Tom. E eu gosto dele. Eu aprendia a gostar dele por sua causa, e agora você vem aqui dizendo isso tudo e quer que eu caia nos seus braços?
- Como assim por minha causa? - A expressão do Tom era um misto de indignação e curiosidade.
- Deixa Tom, é tarde demais. Só isso que importa.
O bote deu uma curva e se aproximou de uma queda. Eu vi os olhos aflitos do Tom se encherem d'água, como os meus.
- Só me promete uma coisa, Tom? Nunca deixa de ser meu amigo, porque... Mesmo assim eu não sei viver sem você.
Ele só assentiu calado. Eu me sentia mal, aquela situação era horrível para ambos, respirei fundo tentando pensar em alguma coisa para dizer, tirar o clima pesado que tinha se materializado ali, mas o silêncio já falava por nós dois. A cachoeira chegou muito rápido, e eu me segurei na barra de segurança que tinha no centro do bote. Com um aperto no peito eu olhei para Tom, e o vi limpando discretamente uma lágrima que havia escorrido dos seus olhos. Foi a última coisa que vi antes de tudo ficar borrado.”
Um clarão volta a cegar meus olhos. Antes que eu pudesse entender onde eu estava, muita água veio em minha direção. Na tentativa inútil de prender a respiração com a boca, acabei engolindo água, obrigando meu organismo a tossir.
- ?! - Ouvi Tom bem perto de mim. Pisquei forte recuperando o fôlego. Percebi que estava envolvida nos seus braços - Pelo amor de Deus, não me dá um susto desses de novo! Você quase foi lançada para fora do brinquedo - Ele falava sério. Eu olhei para trás e vi uma queda d'água de uns 10 metros, então eu deduzi que aquela água toda foi por causa da cachoeira atrás de nós - Por que você ficou daquele jeito? Eu achei que estava brincando, então você realmente teve... - Sua voz foi ficando fraca a medida que ele deduzia o óbvio.
- Nós precisamos conversar, Tom. Cansei de enganar os outros e a mim mesma - Falei com uma convicção que não sabia fazer parte de mim. Vi Tom engolir seco, era agora ou nunca.
Seus olhos estavam fixos no anel da sua mão direita, parecia não querer me encarar. Abriu e fechou a boca algumas vezes, ele tinha algo para falar, então resolvi esperar, já que a minha coragem momentânea estava começando a desaparecer.
- Só me esclarece uma coisa, - Finalmente falou Tom, tentando colocar os pensamentos no lugar - O que exatamente você viu?
Ele semicerrou os olhos temendo pela minha resposta. Eu não ia mentir, eu estava muito feliz em ver que tudo que eu sentia por ele era recíproco.
- Eu vi desde a briga com a Cris, até a queda d'água. Só - Falei levianamente, tentando tranquilizá-lo.
- Só? Então você deve ter visto aquela cena ridícula, em que eu levo um fora seu - Ele elevou o timbre de voz, típico de quem está se sentindo desconfortável com a situação.
- Vi, mas Tom...
- Não, você estava certa, eu tive a minha chance - Cortou Tom amargurado.
- Calma Tom, deixa eu falar.
- Eu já entendi , eu não vou mas te incomodar, você é feliz com o Danny...
- Eu amo você - Cortei, será que assim ele iria me ouvir? Senti uma mini pontada de arrependimento por me expor demais, mas eu não ia esperar, essa era a hora de arriscar tudo.
Capítulo 21 – Triângulo
- Você o quê? - Ele parecia não acreditar nas minhas palavras.
- Cansei de mentir para todo mundo, Tom. Chega de ser tímida, de esconder o que eu sinto por você, vou entender se você falar que não gosta mais de... - Antes que eu pudesse continuar meu discurso improvisado, Tom se adiantou me beijou.
Seu beijo era intenso, urgente. Sua boca fazia movimentos lentos, mas ao mesmo tempo envolventes. Eu o acompanhava quase que desesperadamente. A cada beijo, eu liberava um pouco de tantos sentimentos escondidos no peito. Ele segurou na minha cintura e eu sentei no seu colo, me esquecendo completamente do brinquedo. Eu mordia se lábio devagar e dava leves chupões em seu pescoço. Já ele segurava minha nuca e meu quadril para eu não cair.
Já na décima vez que eu mordia seu lábio, o brinquedo deu um solavanco que nem eu nem Tom estávamos esperando, fazendo com que eu quase arrancasse seu lábio.
- Tom, desculpa! - Falei assustada com a quantidade de sangue que estava saindo. “Excelente, !” foi a única coisa que eu pensei.
- Está tudo bem - Ele falou limpando a boca com as costas da mão.
Voltei a sentar no meu devido lugar ao lado dele. Ainda absorvendo o que tinha acabado de acontecer. E agora, o que eu iria fazer? Hoje de manhã eu acordei ao lado de Danny e de tarde eu agarro o Tom, nem quero pensar quem vai ser o da noite. Eu sorri levemente ao ver Tom rindo de mim.
- O que foi? - Falei com as sobrancelhas erguidas
- Nada, eu só achei que esse dia nunca fosse chegar - Deu de ombros.
- E como você se sente? – Falei já sentindo as minhas bochechas corarem.
- Hm, eu diria que.. Completo - Aquela resposta tirou meu fôlego. Mexi no meu cabelo, totalmente sem graça. Como eu fiquei longe do Tom todo esse tempo?
No impulso, fui ao encontro dos seus lábios e lhe dei um selinho. Ouvindo um “Ai” logo em seguida.
- Desculpe - Falei de novo limpando um pouco de sangue do Tom que tinha nos meus lábios. Eu não resistia àquele sorriso de lado com a covinha a mostra, me fez esquecer até do machucado.
- Viu o que você faz comigo? - Brincou Tom, mostrando o lábio. Eu só ri encostando a cabeça em seu ombro. Fechei um pouco os olhos para saborear o cheiro o seu perfume. Sem pensar, dei um beijo em seu pescoço, que o fez arrepiar e tombar levemente a cabeça para o lado onde eu estava encostada, me fazendo rir.
- Está com frio, Fletcher? - Brinquei, olhando para seus olhos castanhos caramelos. Dei outro beijo do outro lado do pescoço, quando me deparo com um chupão imenso roxo.
- Que foi? - Falou Tom percebendo meu silêncio.
- Ah nada - Falei passando a mão no seu pescoço na tentativa inútil que o chupão desaparecesse.
- Diz pra mim que você não deixou uma marca no meu pescoço - Ele falou tampando os olhos com as mãos.
- Ah, uma marquinha de nada - Menti. Observando a corredeira lenta, o brinquedo estava quase no fim.
- Ufa, porque eu tenho que terminar com a Zoe primeiro, ela chega amanhã. Sei lá, eu não quero magoá-la - Falou aliviado e preocupado ao mesmo tempo. Eu ainda olhava para o enorme chupão pensando na reação dele ao se olhar no espelho.
Ele ia terminar com a ruiva. Eu estava tão feliz. Tudo agora estava resolvido, eu estava com pena era do meu atual namorado. Mas definitivamente...
- Eu tenho que terminar com o Danny - Pensei alto. Tom olhou nos meus olhos e deu um sorriso radiante. Eu retribui, ainda pensando no que dizer para o Danny - Mas sabe, eu quero conversar com ele direitinho. Afinal, foi ele quem cuidou de mim esse tempo todo, acho injusto fazer isso com ele agora... Ele não merece ser traído. Ah meu deus! Eu traí o Danny! - Falei, no fundo eu tinha consciência disso, mas falando assim era horrível. O que eu mais prezava num relacionamento era a fidelidade e eu tinha acabado de corromper isso.
- Calma , a gente não traiu ninguém. Só foi uma curiosidade, até para saber se estamos gostando dos nossos companheiros ou não - Disse Tom tentando me convencer que não era tão ruim o que a gente tinha feito.
- Não importa, o que está feito não dá para mudar, e nada vai tirar da minha cabeça que eu traí o Danny. Fico feliz que foi com você e triste porque acho que o Danny não merecia isso depois de tudo que eu passei com ele.
- , já passou pela sua cabeça que ele pode só ter feito isso tudo por você, porque de certa forma ele se sente culpado? - Ele contraiu os lábios.
- A tinha falado para mim que o Danny ficou dizendo no hospital que a culpa era dele - Falei lentamente. Lembrei também de hoje de manhã no hospital, quando o Danny disse: “Um dia você vai entender tudo”. Aquilo ainda me incomodava, mas achei melhor omitir isso - Eu não entendo, Tom. Ele me empurrou em frente a um carro em movimento? Foi o próprio Danny que me atropelou? - Apesar de eu achar essas hipóteses absurdas, já estava começando a realmente crer em algo assim diante de tanto mistério - O que aconteceu naquele dia?
- Você discutiu com o Danny, no meio da rua. E sem nem um dos dois verem, veio um carro em alta velocidade. Por isso que você foi atropelada - Falou sério. Ele parecia desconfortável com o assunto.
- Você sabe o motivo da discussão? - Falei ansiosa, faz sentido pra mim o Danny se sentir culpado por isso. Se fosse ao contrário, também me sentiria.
- Eu não sei, . Mas eu tenho certeza de que o Danny tem seus motivos para se culpar. Mas a questão não é essa, e sim que eu te ajudaria a se recuperar sendo culpa minha ou não.
- É mesmo, Thomas? Engraçado.. Eu me lembro nitidamente, de você indo embora do hospital, sem dar notícia - Alfinetei.
- Claro! Se coloca no meu lugar, . Eu cuidei de você mais do que todo mundo, eu fiquei com você na noite de natal, eu beijei você! Mas quando acordo, me deparo com você agarrando o Danny. Qualquer um faria o que eu fiz - Ok, ele colocou pra fora o que devia estar guardando há um tempinho. Eu respirei fundo, sem ter argumento - E sem falar que eu nem não era o seu namorado... Mas quem sabe um dia?
Aquilo fez meu coração mudar de ritmo, senti minhas bochechas ficarem quentes. Eu o olhei com vergonha, e ele só piscou discretamente para mim.
Reparei a plataforma se aproximar à medida que o bote ia no embalo lento da correnteza. Saímos de mãos dadas do brinquedo e fomos em direção a saída, encontrar o restando o grupo.
Eu ainda estava radiante, não falava nada, mas também não conseguia conter o sorriso. Me perguntava como tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo. Acho que eu poderia dar mil voltas nesse mesmo brinquedo, sem me cansar. Olhei para Tom ao meu lado e vi seu lábio meio inchado. Eu ri comigo mesma me lembrando do ajudante do parque dizendo que aquilo não era túnel do amor e que nós íamos nos machucar. Testado e comprovado.
Antes de sairmos e irmos de encontro os nossos amigos, senti a mão de Tom segurar meu braço e me puxar para perto, ficando frente a frente. Ele me analisou de perto deixando a covinha mais linda do mundo a mostra.
- Deixa eu aproveitar mais um pouco antes que eu volte à realidade – Falou Tom se aproximando dos meus lábios. Ele me beijou com vontade, com as mãos na minha cintura, me puxando para perto. Eu segurava os cabelos loiros da sua nuca, acompanhado seus movimentos. Alguns minutos depois eu comecei a sentir gosto de sangue.
- Ah! Seu machucado, amor – Nossa, para que eu fui chamar o Tom assim?! Seus olhos brilharam e sua expressão era de felicidade completa. Eu só abaixei a cabeça, com vergonha.
Fomos andando e vimos nossos amigos em rodinha num canto perto da fila do brinquedo que eu tinha acabado de ir. estava virada para nós e foi a primeira a nos ver. Seu sorriso desapareceu quando viu meus dedos entrelaçados nos do Tom. Me encarreguei logo de soltar sua mão. Já era hora de voltar para minha realidade.
- Finalmente! Achei que tinha se perdido por não lembrar o caminho de volta - Brincou Dougie.
- Que nada, achei que eles estavam se pegando no bote! - Falou Harry, eu vi fixar o seu olhar no pescoço do Tom – Que marca gigante é essa? – Disse, arregalando os olhos. Senti meu estômago dar uma volta completa.
- Meu Deus, isso parece um chupão! - Falou , agora me encarando incrédula. Tom tapou a marca com a mão e me olhando sério de rabo de olho. “Puta que pariu” deveria ser a coisa mais delicada que ele devia estar pensando.
- E que machucado é esse no seu lábio? - Falou Dougie, analisando a boca de Tom.
- É, acho que meu namorado estava certo - riu.
- Não sejam ridículos, isso é.. Isso é - Eu obrigava a minha mente preparar uma mentira, e rápido. Mas ela entrou em colapso quando Tom me beijou.
- O que significa isso, ? - Falou Cris com um “quê” ironia. Eu podia dar na cara dela e tirar aquele sorrisinho metido do seu rosto. Achei melhor deixar isso para outra hora.
- É o seguinte - Falei tentando transparecer segurança. Só assim eles acreditariam em mim - Eu e Tom estávamos saindo do brinquedo, como todos aqui sabem que a corredeira molha e muito, nossos tênis estavam encharcados. Quando fomos vindo, Tom se distraiu e escorregou num degrau da escada na saída, caiu de lado batendo com o pescoço e mordendo o seu próprio lábio. Só isso. Agora ele está melhor. Parem de zoar ele, eu já fiz isso por todos vocês. E outra coisa, eu namoro o Danny, e Tom está com a Zoe. Vocês não acham isso meio improvável não?
, Harry e Cris me olhavam desconfiados. e Dougie começaram rir.
- Antes fosse vocês se pegando né? Eu não desconfio mais de nada, depois que eu dei uma garrafa de vodka para o Tom e ele conseguiu quebrá-la e cair em cima dela. Pra mim, aquilo já foi o suficiente - Todos riram. Olhei para Tom, e ele só balançou a cabeça negativamente, como se não acreditasse na desculpa ridícula que eu acabara de inventar.
Vi Cris colocar a mão na boca e segurar a barriga.
- Você está bem? - Perguntei no ímpeto, não que eu fosse realmente ajudá-la.
- Eu ainda estou enjoada. Já é a terceira vez hoje.
- Hm, que droga - Eu contrai os lábios, fingindo uma falsa preocupação. E foi ai que eu reparei, cadê o Danny? - Gente, onde está meu namorado?
Tom suspirou, como se não gostasse do termo no qual eu me referi ao Danny. Ele que terminasse logo com a Zoe, porque eu estava disposta a terminar com o Danny hoje ainda.
- Ele foi no banheiro, minutos antes de você chegar.
- Banheiro? Eu preciso de um agora! - Falou Cris correndo para a mesma direção de antes.
- Eu vou ajudá-la - Falou preocupada. Vai com Deus! É, ter aquela visão fez eu ter uma birra incondicional pela Cris.
- É, - Falou bem perto do meu ouvido - Acho que nós temos que conversar.
- Eu também acho - Eu sorri para ela.
Senti duas mãos envolvendo minha cintura e uma boca beijando o meu pescoço.
- Oi, Danny - Falei sem muita emoção.
- Oi, amor - Falou bem perto do meu rosto, agora olhando bem para os meus olhos - Como foi o brinquedo?
- Inesquecível - Lancei um olhar rápido para o Tom, e o vi sorrir fitando seu all star.
- Que pena que eu não pude ir - Falou Danny.
- Que pena mesmo - Menti. Ele sorriu para mim e me roubou um selinho. Eu travei, fiquei estática. Ouvi Tom suspirar bem alto ao lado de Danny.
- Mas eu cuidei bem dela, nada de acidentes - Falou Tom, e eu fiquei me perguntando se aquilo foi uma resposta interna de rixa, pois nem um dos dois sorria.
- Estou vendo, Tom - Falou me analisando, passando a mão pelo meu rosto. Que situação horrível – Já você não pode falar o mesmo, né?
Tom abriu a boca com os pulmões cheios de ar, mal saiu som da sua boca quando apareceu gritando e correndo na nossa direção.
- GENTE, A CRIS DESMAIOU! PELO AMOR DE DEUS, A CRIS ESTÁ APAGADA NO BANHEIRO! - gritava com os olhos cheios d'água.
- Como? - Falou Danny aflito.
- Cris... Vomitou.. E apagou... Chão do banheiro - Falou entre uma respiração e outra. Harry já estava ao seu lado dando apoio a namorada - Ela está no mesmo banheiro que você foi antes.
Danny nem pensou duas vezes, saiu correndo. Todos nós o seguimos, sem hesitar, entramos no banheiro e vimos uma cena nojenta e terrível. Cris apagada no chão da cabine com a roupa toda vomitada. Eu coloquei a mão no nariz tentando ao máximo não vomitar também.
- Vem , já basta ter que socorrer uma - Falou Tom me puxando para fora.
- Nossa Tom, o negócio foi sério mesmo - Falei chocada, sendo arrastada pelo pulso. Respirei fundo tentando tirar aquela imagem da minha cabeça - Que bom que você me tirou de lá, sabe que quando vejo alguém passar mal desse jeito, eu passo mal junto.
- É, eu sei, . É melhor deixar isso com os médicos do parque, afinal, o que a gente poderia fazer para ajudá-la?
Vimos um pessoal de branco passar correndo por nós. , Dougie e saíram do banheiro atordoados.
- Gente a Cris não acorda de jeito nenhum - Falou Dougie pasmo.
Os olhos de estavam trasbordando em lágrimas, eu corri para abraçá-la.
- Fica calma , tudo vai ficar bem. Você já fez tudo que podia para ajudá-la.
- Eu sei , mas.. Mas a culpa foi minha! Ela perdeu os sentidos e eu estava atrás dela, só que sua cabeça bateu forte na cabine e ela simplesmente apagou. Eu entrei em desespero - Falou entre soluços.
também a abraçou. Olhei para Tom e ele estava com os lábios contraídos. E Dougie com as mãos no bolso, pensativo.
Vimos Harry sair do banheiro, e correr em nossa direção. Eu soltei e fez o mesmo. Harry a aconchegou nos seus braços e lhe deu um beijo na testa.
- Vai ficar tudo bem meu amor, a culpa não é sua. Ela já está consciente, só que muito fraca ainda. Você fez o que podia amor, não chora.
afundava seu rosto no peito de Harry, ainda soluçando. Deve ter sido uma situação complicada. Tadinha da .
Me virei para Tom e o abracei. Seu tórax quente era quase uma fuga à realidade, era um lugar tranquilo. Eu fechei os olhos desejando não sair dali tão cedo. Ouvi Dougie dizer o nome do Danny, isso me deixou em alerta.
- ? - Ouvi Danny bem perto de mim - Eu sei que você está triste, vem cá amor.
Eu abri os olhos e Tom me soltou com má vontade. Essa era a melhor desculpa para eu ficar abraçada com o Tom daquele jeito, para Danny eu estava super triste. Encarei seus olhos azuis que pareciam abalados com a situação da Cris. Eu o abracei tentando confortá-lo, mal ou bem era a prima dele, no qual ele se sentia responsável por ela.
- Ela vai ficar bem, Danny. Não se preocupe - Falei baixinho. Senti sua cabeça balançar positivamente.
- Eu vou com ela para o hospital. Vou chamar minha tia, já liguei para Vicky porque ela era a parente mais perto para me ajudar.
- Claro, entendo Danny. Eu vou ficar bem, vou para minha casa, tenho que ligar para minha mãe, tenho que arrumar umas coisas lá. Não se preocupe.
- Ok amor, mais tarde eu passo lá na sua casa então - Falou Danny - Vou pedir para o Dougie levar você.
- Não, deixa que eu levo - Cortou Tom - Tenho que passar no banco que fica na rua do apartamento da .
- Não se preocupe, o Dougie vai...
- Eu insisto - Cortou Tom de novo. Ótimo, se alguém antes tinha alguma dúvida sobre a gente ter ficado, agora tinha certeza! Só faltou falar para o Danny que ele esquentaria a minha cama e me daria banho.
- Então , o que você acha? - Perguntou Danny, deixando o abacaxi pra mim. Merda.
- Ah eu... Acho que não tem problema eu ir com o Tom, já que ele vai passar no banco mesmo - Falei meio tímida.
- Então você faz o que você quiser - Falou Danny sério. Olhei para e ela tinha sua mão na testa como se falasse “resposta errada”.
Danny olhou para o Tom e lhe passou alguma mensagem visual no qual eu não entendi. Virou-se para mim, eu abaixei os olhos para evitar mais uma cena de desagradável na frente do Tom. Porém, Danny levantou meu queixo com as mãos me obrigando a encará-lo. Sem dizer nada, ele se aproximou, me deu um beijo de arrancar o fôlego e saiu sem se despedir de ninguém. Eu o vi se afastar em direção ao banheiro. Olhei para Tom e ele fingiu ignorar o último ato de Danny.
Ótimo, como eu ia terminar com Danny agora? Ainda mais depois de acontecer isso com a prima dele? Eu tinha que dar meu jeito, uma coisa era certa: eu não poderia ficar com o dois... Né?
Capítulo 22 – Do sonho para realidade
Eu, Tom, , Doug, e Harry fomos em direção a saída do parque. Todos sem falar muito. O clima estava pesado, o ocorrido com a Cris deixou todos nós emotivos. Eu e Tom éramos os mais pensativos, além de tudo que passou entre a gente, não seria um caminho fácil para nós ficarmos juntos. Eu teria que passar por cima do Danny e ele da Zoe. Como? Eu já não sei.
- Bem, então é isso aí - Falou Harry - Pelo menos, eu acho que a se divertiu!
- Nossa, e como! Obrigada gente, vocês são os melhores amigos que alguém pode ter.
Todos sorriram, nos despedimos um dos outros e cada casal foi para o seu devido carro. Por sorte, o Tom estacionou longe o bastante dos outros. Ele abriu a porta do seu Audi AL prateado para mim e me roubou um selinho.
- Tom? - Alertei-o, afinal alguém poderia os ver - Perdeu os modos, foi?
- Relaxa, . Eu sei o que eu estou fazendo - Falou entrando no carro e pegando um chaveiro com umas 3 chaves. Porém, uma verde limão chamou a minha atenção.
- Que chave pouco chamativa, né? - Brinquei.
- Ah, sim, é para não perder. Essa é a chave do estúdio. Tem uma para cada um. A minha é verde, a do Dougie é vermelha, a do Danny é azul e a do Harry é laranja.
- Ah, mas que fofos! - Eu ri. Tom me fitou um pouco sério demais, e me roubou outro selinho. Eu só baixei a cabeça sem graça. O silêncio se materializou. Era estranho ficar normal com ele depois de tudo que aconteceu. E eu não sabia quanto tempo mais eu teria que esperar para a gente assumir o nosso envolvimento. Então, achei melhor fitar o meu all star encardido.
- Que foi, ? Quando fica assim é porque quer perguntar algo - Falou Tom depois de uns dois minutos. Ele me conhecia mesmo. Resolvi ser sincera
- Quando você vai terminar com a Zoe? Quer dizer, promete que vai terminar com ela? - Perguntei tímida. Sei lá, eu estava um pouco insegura em relação a isso.
- Vou conversar com ela amanhã, pois acho uma falta de consideração terminar por telefone. Mas de qualquer forma, prometo - Ele falou, me dando um beijo. Eu o acompanhei, agora pensando na idéia de Danny estar socorrendo a Cris e eu aqui dando uns amassos no Tom. Eu não achava isso certo, mas também não queria parar.
Nisso, uma música do Beatles invadiu o carro, Tom se apressou para tirar o celular do bolso.
- Não morre tão cedo - Ele disse olhando o visor do celular antes de atender - Oi linda, tudo bem?
“Oi linda?” isso não é coisa que se fale para quem quer terminar o namoro. Aquilo já me deixou com uma certa revolta. Continuei calada pra ouvir o resto da conversa.
- Não, eu estou em Legoland. Por quê? - O que essa garota quer? Ela só ia vir amanhã... Não era? - Ah, sério? Nossa, que bom. Mas a Carrie não me aviso nada - Houve uma pausa – Tá, eu busco vocês no aeroporto. Um beijo - Como assim ela veio antes? - Também te adoro.
Ainda por cima é grudenta. Argh, hoje o dia ia ser bem melhor sem essa notícia!
- Como assim você vai buscá-las no aeroporto? E por que elas vieram antes? - Perguntei revoltada.
- Desculpa , como eu podia adivinhar? Bem, meus pais finalmente voltaram de Paris e resolveram trazer logo Zoe e Carrie. E elas querem fazer compras, porque elas foram convidadas para a festa surpresa que o Dougie está fazendo e pediram uma carona para mim.
- Excelente! - Eu e meu tom de ironia - Porque o Doug chamou a Zoe? Quer saber... Acho melhor você resolver suas coisas, Tom. Eu volto com a mesmo.
- Por favor, fica aqui - Tom fez cara de vítima, deixando aquela covinha irresistível a mostra. Por um milésimo de segundo eu quase disse "sim", mas eu ia surtar se visse Zoe beijando Tom outra vez.
- Não me leve a mal, mas eu não estou muito afim de ficar vendo você e Zoe trocando afinidades. E eu tenho mais o que fazer, tipo comprar um celular, ligar para minha mãe. Coisas desse tipo.
- Ah, então eu posso ficar vendo o Danny te agarrar e tudo mais. E você não? Muito justo – Bufou – Quem disse que eu vou beijá-la?
- Deixa pra lá, Tom. Mas é melhor assim. – Ele fez uma cara como se a resposta fosse não. Ele era insistente - Eu realmente tenho mesmo que fazer outras coisas, Tom. A gente se vê na festa, solteiros de preferência.
- Sem dúvidas – Ele falou sorrindo de lado – Mas me dá um beijo antes de ir? - Ele suplicou com os olhos. Nem pensei duas vezes. Eu o agarrei e envolvi meus braços em volta do seu pescoço. Depois de alguns minutos ele voltou a falar - vai embora se você demorar mais.
- Você pede e depois reclama? - Brinquei - Ok, até depois de amanhã.
- Se cuida minha linda, e qualquer coisa me liga.
Eu não queria dificultar as coisas dele com a Zoe. Com certeza ela pensaria no óbvio quando visse o chupão no pescoço do Tom e eu com cara de taxo dentro do carro.
Vamos dar tempo ao tempo, um passo de cada vez. Pois o Tom se ferra de um lado e eu do outro, eu ainda tinha que encarar o Danny. Foda.
Lancei um beijo para Tom quando saí do carro e fui correndo na direção que eu tinha visto Dougie ir. De longe vi um Mini Cooper azul marinho, com duas listras brancas no capô, ainda estacionado, só existia um carro desse estilo parado no estacionamento, tinha que ser do Dougie. Quando cheguei perto, vi praticamente em cima do Dougie dando-lhe um beijo. Eu devia ter imaginado, o que mais eles estariam fazendo parados aqui? Fiquei um pouco sem jeito de pará-los. Achei melhor esperar, alguma hora ia abrir os olhos.
Depois de uns 5 minutos sem fazer nada, eu perdi a paciência e resolvi bater no vidro. , no susto, deu um pulo e bateu com a cabeça no teto do carro.
- Ai, mas que droga! - Falou , massageando a região que estava dolorida - ? Ué, você não ia com o Tom?
- É, eu ia, mas a Zoe chego mais cedo com a Carrie e o Tom foi pegá-las no aeroporto - Falei sem emoção - Vocês podem me levar?
- Entra aí - Falou Dougie com os lábios vermelhos, eu resolvi não sacaneá-lo, tinha um grande risco de eu voltar para casa a pé. Ele saiu do carro abrindo a porta pra mim - Só que vamos fazer uma parada lá no estúdio, vou pegar o meu celular lá.
- Eu não tenho pressa, brigada dude.
Ele apenas sorriu e deu logo um jeito de sairmos dali.
Eu tinha tanto para falar com a , mas com o Doug no carro, nem pensar. Eu contava os minutos para chegar logo no tal estúdio, meia hora de carro e nada.
- Aonde é o estúdio que vocês arranjaram? - Finalmente eu falei, antes ninguém tinha dito nada, só escutávamos o rádio.
- Em Brixton.
- Estamos quase chegando - Falou - Estou na Avenida Brixton, entro na primeira a direita, depois da estação de metrô, que é a Rua Brighton Terrace, tenho que ir reto e pegar a Rua Trinity Gardens.
- Finalmente decorou, né ? Agora já pode vir buscar seu namorado aqui - Dougie fez careta brincando com .
- Se você for assaltado... Ou estuprado. Eu vou ter que vir aqui te socorrer.
- A já veio aqui uma vez, pegar as tequilas da social do Harry... - Dougie parou de falar quando viu o olhar de censura de .
- Do que você estava falando Dougie? - Perguntei querendo saber o resto da história.
suspirou, sabendo que eu não ia descansar até saber o final, ela resolveu encurtar as coisas.
- Você veio aqui , no dia o seu acidente. Você veio pegar a bebida para uma social que ia ter na casa do Harry. Foi para casa do Tom em seguida. Só que pelo visto, você não chegou em casa.
Aquilo fez minha mente começar a trabalhar. Então eu vim pra cá no dia do acidente, mas quando eu fui atropelada eu estava brigando com o Danny? E fui para casa do Tom pra que? O que aconteceu nesse meio tempo? Será que nesse estúdio pode ter pista para eu desvendar o meu passado?
- É gente, pra variar, eu não lembro - Lamentei. Achava melhor esconder do Dougie, não queria que ele comentasse com Danny.
- Nem quero pensar no que podia ter acontecido com você aqui sozinha, meu Deus. Você podia ter sido assassinada ou estupra...
- Credo, ! - Cortei. Eu já tinha ouvido falar mal de Brixton, mas não era pra tanto - Mas também, que lurgazinho ruim que vocês escolheram. Logo aqui?
- Bem, foi o Danny que achou essa casa, pelo lugar e as condições que estava, era realmente muito barato, era quase um quinto do preço das casas lá de Wimbledon. Ah, mas nem é tão ruim... A gente ainda vem de carro.
- É... - Falei levianamente, nem estava prestando muita atenção. Minha mente tinha parado com a história do meu acidente.
- Ah , é porque você ainda não viu isso aqui de noite, é mil vezes pior - Disse com um tom sombrio. Olhei para fora da janela, eu tinha que concordar que aquele lugar me causava arrepios, as pessoas eram meio estranhas e tinha becos medonhos e sujos. Definitivamente não era um bom lugar para viver, mas podia ser um bom lugar para eu ter visões.
Dougie virou a direita, saindo da Avenida Brixton, entrando na rua Brighton Terrace como tinha dito, e havia um rua que cortava essa. Tinha uma placa pichada, mas dava para ler Trinity Gardens.
De repente, uma onda de angústia me invadiu assim que dobramos a esquina, eu conhecia essa rua de algum lugar.
- É ali, - A medida que o carro avançava a rua devagar, o meu coração acelerava. Dougie apontou para uma porta cor de metal com um piche preto escrito “Keep Out”. Aquela porta existia, o meu sonho era real! - Então, eu já volto! - Falou, segurando uma chave vermelha na mão.
Eu fiquei imóvel, até me tirar da hipnose.
- Que foi , viu um fantasma?
- Não é que...
- Anyway, me conta o que aconteceu no bote - Cortou ansiosa com a minha história.
- Hm, o Tom me beijou - Falei rápido querendo sair do carro para entrar no estúdio.
- Como assim, vocês estão ficando? - Falou pasma. Eu sabia que ela não ia se contentar só com aquilo. Ótimo.
- Eu tive uma visão no bote, do Tom se declarando para mim. Ah sim, ele já sabe que eu tenho visões, eu contei pra ele - Seus olhos arregalavam mais a medida que eu relatava os fatos para ela - Então ele ficou falando que aquilo era passado, que ele teve a chance dele, aí eu disse que o amava, aí ele me beijou. Então eu tenho que terminar com Danny e Tom deve terminar hoje com Zoe. E vamos ficar juntos para sempre.
- Quem é você e o que você fez com a ? - Eu assistia absorvendo as informações. Até que ela concluiu algo que eu preferia ter deixado quieto - Então aquilo no pescoço do Tom era um chupão!
- Sinto dizer que eu me empolguei um pouco - Droga. Eu vi rir de satisfação antes de falar:
- E quando você vai falar com o Danny?
- Queria falar o mais cedo possível, mas aconteceu aquilo com a Cris hoje. E eu estou com um pouco de receio de enlouquecer o Danny com tantos acontecimentos desagradáveis.
- Entendo... - , balançava a cabeça positivamente. E eu esperava a melhor brecha para entrar logo naquele estúdio - Nossa , o que aconteceu que você não pára de olhar pra fora? É um bandido? É um tarado? - Falou entrando em desespero.
- Calma, não é nada disso. Eu não te contei antes... Mas eu sonho com esse lugar quase toda a noite, e eu não sabia se ele existia - Tratei de contar logo para o bendito sonho antes que ela pedisse.
- E por que a gente ainda está parada aqui? Vem! - Falou saindo do carro. Eu fiz o mesmo - Mas o Dougie não pode desconfiar de nada, ok? Porque tenho certeza que ele vai comentar com o Danny, e pelo visto tem coisa que ele quer que você não veja - Eu só assenti.
Paramos em frente a casa mal cuidada, ela tinha dois andares e sua cor amarela desbotada dava aspecto de suja, nós passamos pela porta que já tinha sido aberta pelo Doug.
Entrei e parecia estar em outro mundo. Tudo limpo e arrumadinho. Ela tinha dois cômodos em baixo, a própria sala pintada de roxo e umas vinte almofadas imensas coloridas no chão, pareciam ser muito confortáveis. Do me lado direito tinha uma porta que tinha uma plaquinha escrito “Banheiro”. Já do lado esquerdo tinha uma escada que levava para o segundo andar, e encostado na parede da entrada tinha um mini bar (era tipo uma cozinha americana com banquinhos acolchoados), com várias bebidas e copos bonitos. Claro, um mini frigobar e um microoondas, tudo puxado para cor prata, aquilo parecia ter sido feita por um decorador profissional.
- Aproveita que o Dougie está lá em cima. Vai, ! - Falou quase num sussurro.
Eu não a esperei mandar de novo. Comecei pelo mini bar, tocando nos copos, no microoondas. Foi quando eu vi uma palheta quase imperceptível na bancada, era roxa e tinha gravada em preto Tom.
Assim que eu coloquei os dedos naquela palheta, algo familiar aconteceu, um clarão cegou meus olhos e me levou para uma parte do meu passado.
Capítulo 23 – The way you make me feel
“Eu brincava com a aliança prateada em minhas mãos. Eu tinha essa mania desde o dia que eu a ganhei de um mês de namoro com o Danny, achei aquele presente o máximo, por isso eu tinha um medo desgraçado de perdê-la. Seu brilhante cravado no meio da aliança dava um ar de compromisso sério, chegaram a me perguntar se eu estava noiva. Eu nem me senti a tal naquele dia, imagina!
Foi quando eu percebi os olhos de Tom fixados na aliança. Eu a coloquei de volta no dedo anelar da mão direita e pus minha mão esquerda por cima, escondendo-a. Resolvi voltar ao assunto para não ficar um clima chato, como de costume. Então voltei a falar:
- Vai Tom, toca logo. Por favor - Supliquei com os olhos.
- Ah! , eu não sou cantor, muito menos compositor. Outro dia eu canto - Falou Tom evitando me encarar. Seus lábios contraídos deixavam evidentes que seus pensamentos nem passavam perto da música que eu tanto insistia para ele cantar. Mas eu não tocaria naquele assunto novamente, já bastava dispensar o Tom uma vez.
Aquilo de certa forma me matava também. Mas por ficar tanto tempo com o Danny, eu realmente preferia não me arriscar, afinal, eu também gostava dele. No meio de tanta confusão emocional, eu tentava ao máximo fazer com que as coisas voltassem ao normal, depois que Tom se declarou para mim, há uns três dias. Não era uma tarefa fácil, ele continuava sendo meu melhor amigo, porém eu sabia o quanto ele estava triste. No meu ponto de vista, eu achei melhor tentar seguir o rumo das coisas como se nada tivesse acontecido. Seria mais fácil para ambos.
- É, Tom! Toca logo. Não aguento mais ouvir a te pedir isso - Falou Harry indo em direção ao banheiro.
- A culpa foi sua, quem mandou falar pra ela que eu compus uma música?! - Rebateu Tom seco.
- Porque, como foi feita pra ela, achei que ela tinha direito de saber - Falou Harry, colocando a língua pra fora de lado, para mostrar que só estava implicando com ele. Já Tom, abriu e fechou a boca várias vezes, por fim suspirou e abaixou o olhar - Toca logo! Já que você está com tanta vergonha, vou deixar vocês mais à vontade – E entrou no banheiro.
- É, Tom! Aproveita que o Danny, Dougie e não chegaram ainda, acho que vai ser mais constrangedor com eles por perto. Porque eu vou forçá-lo a tocar de qualquer jeito.
- Ok, . Mas nada de sair espalhando que eu toquei pra você, ok? E, não dê ouvidos para o Harry, essa música não tem nada a ver com qualquer coisa que pareça – Falou com um misto de nervoso e preocupação. Nossa, dessa vez o Tom foi profundo. Mas eu sabia, porque se ele teve um surto para escrever uma música, no mínimo ele estava passando por uma situação parecida. Resolvi começar a me preparar psicologicamente para isso.
- Qual é o nome? – Perguntei para não ficar em silêncio. Eu o vi pegar o seu caderno de anotações. Ele passou por muitas páginas rabiscadas, com desenhos estranhos. Porém na página que ele parou, era bem organizada e com poucas correções.
- Hm, eu ainda não sei - Falou Tom.
- Tá... - Falei vendo-o ajeitar o violão e pegar a palheta roxa.
Ele respirou fundo antes de começar a tocar. A melodia era suave, mais parecia triste. Fiquei esperando Tom começar.
I of think yesterday
Eu pensei sobre ontem
And all the times I spent being lonely
E todo tempo que eu passei estando sozinho
I watched the young be young
Eu assisti os jovens sendo jovens
While all the singers sung
Enquanto todos os cantores cantavam
About the way I felt
Sobre o jeito que me sentia
The days are here again
Os dias estão aqui de novo
When all the lights go down,
Quando todas as luzes se apagam,
What do they show me?
O que eles me mostram?
The rules are all the same
As regras são todas as mesmas
It's just a different game
É apenas um jogo diferente
To tell you how I feel
Para dizer o jeito que eu me sinto
Although it seems so rare
Mesmo que pareça tão raro
I was always there
Eu sempre estive lá
Eu fiquei toda arrepiada, a música era muito triste, mas não deixava de ser bonita. E eu me perguntava se eu tinha feito tanto mal assim a ele.
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way you make me feel
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way
Eu não consigo parar de gostar do jeito
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way you make me feel
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir
Tom, fechou os olhos, como se sentisse a música. Ele contraiu os lábios antes de começar. Eu enchi meus pulmões de ar, me preparando para o que estava por vir.
I took a little time
Eu levo um pouco de tempo
Scripting all the things that I tell you
Decifrando todas as coisas que eu te falo
I'll send them through the mail
Eu vou te enviar por correio
And if all goes well
E se tudo der certo
It'd be a day or two
Será um dia ou dois
I spent some extra nights
Eu passei algumas noites extras
Trying to forget the things that I've shown you
Tentando esquecer algumas coisas que te mostrei
By now the smoke is cleared
Por hora a fumaça está clara
And all along I feared
E por todo tempo eu temi
It would turn out this way
Que isso ficasse desse jeito
Though it might be wrong
Embora estivesse errado
The light is always on
As luzes estão sempre acesas
Nossa, eu comecei a me sentir muito mal! Ele queria esquecer as coisas que tinha me mostrado? Um nó começou a surgir na minha garganta e meus olhos se encheram de água, eu definitivamente não queria chorar, achei melhor tentar disfarçar. Então me adiantei e fiz a segunda voz do refrão, Tom deu um sorriso fraco, mas não parou de cantar. Ele evitava olhar para mim. Cada acorde que ele tocava, fazia eu sentir meu coração mais apertado. Eu cocei o olho para enxugar a lágrima dos meus olhos antes que ela descesse. Funcionou.
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way you make me feel
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way
Eu não consigo parar de gostar do jeito
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way you make me feel
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir
Harry saiu do banheiro, e começou a cantar fazendo um batuque na porta. Eu e Tom rimos da sua empolgação. E eu agradeci ao Harry mentalmente por aliviar a tensão do ambiente, assim eu conseguia ficar mais tranquila.
Ba, ba, ba, ba, ba
Ba, ba
Ba, ba, ba, ba, ba
Ba, ba
Ba, ba, ba, ba, ba
Ba, ba
Ba, ba, ba, ba, ba
- É com você, Tom! – Harry, muito animado por sinal, apontou pra Tom. Não sei o que deu no Tom, mas depois de dias sem ao menos me encarar direito, ele finalmente olhou no fundo dos meus olhos. Perdi um pouco dos meus sentidos com essa reação repentina dele. Fiquei calada e prestei muita atenção quando ele puxou o ar para voltar a cantar.
Look at us now
Olhe para nós agora
Ask me, how did this get so
Pergunte-me, como que isso ficou assim
I'll show you how
Eu vou te mostrar como
Got my shoes on the ground
Pus os pés no chão
But I'm taking em' off (taking em' off)
Mas estou tirando os sapatos (tirando os sapatos)
And I'm ready to walk, yeah
E estou pronto pra andar, yeah
Perguntei-me se aquilo tinha sido uma indireta. E você ainda tem alguma dúvida, ?! Achei melhor abafar o caso! A estratégia de pessoa desavisada sempre funciona. Voltei a cantar a minha segunda voz no refrão depois de engolir o nó na minha garganta.
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way you make me feel
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way
Eu não consigo parar de gostar do jeito
(Oooh, oooh) I can't stop digging the way you make me feel
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir
I can't stop digging the way you make me feel.
Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir.
Ele acabou de tocar a melodia da música, e respirou fundo um pouco pensativo. Eu ainda estava absorvendo as milhares de informações que a música transmitiu. E concluí que, depois do que aconteceu em Legoland, nossa amizade nunca mais seria a mesma. Isso me deixou um pouco triste e confusa. É sempre assim: primeiro ele está namorando com a Luana, a agora eu estou com o Danny, ele achou que eu ia largar tudo para ficar com ele? Pelo visto sim. Mas eu esqueci dele, completamente... Não é, ?!
- É isso. Acho que eu vou mudar algumas coisas... – Falou depois de algum tempo, me obrigando a sair do meu conflito mental.
- Não! - Eu gritei sem querer - Está perfeita, quer dizer... Você não pode mudar, ela é triste, mas é linda.
- É Tom, está maravilhosa - Falou descendo as escadas.
- Ah, você também ouviu? - Tom ergueu as sobrancelhas, tão surpreso quanto eu.
- Claro, eu estava lá quietinha escutando. Pelo visto, só a mesmo para te convencer a tocar - Lancei um olhar de censura para - Mas isso já não é da minha conta – Ela riu sem graça.
Inconveniente.... Eu já estava ficando farta das indiretas dos meus amigos. Claro que nem um deles sabia que o Tom se declarou para mim há 3 dias trás, exceto , mas ninguém precisava sabe disso também.
Vi Tom sorrir, deixando à mostra sua covinha.
- Toma, a palheta – Ele disse colocando a palheta no meio das minhas mãos juntas em forma de conchinha.
- Nossa, a palheta de um músico, é uma honra - Falei em um tom de brincadeira, mas ao mesmo tempo sendo gentil.
- Então, não perca - Ele piscou para mim.
- Vou guarda sempre comigo! Mas, espera... Eu quero uma que seja única, escreve alguma coisa na palheta para eu saber que é minha – Sorri que nem criança quando pede doce para mãe.
- Tá - Ele falou pegando um pilot que estava presa no caderno de anotações.
Ouvimos a porta abrir e entrarem , Dougie e Danny, super sorridentes.
- E ai, demoramos muito? - Falou Danny alto. Comprimentou Harry e veio ao meu encontro correndo para me dar um beijo na bochecha - Já falo direito com você amor, tô muito apertado para ir ao banheiro.
- Ok, vai lá - Vi Danny correr para o banheiro. Eu fiquei um pouco travada com a presença de Tom aqui. Eu não queria que ele se sentisse mal por me ver com Danny. Que merda. Voltei a falar com o Tom, testando seu estado emocional - E ai, cadê minha palheta?
- Aqui está! – Falou rápido demais, me entregando-a e levantando para falar com o Dougie e .
Eu peguei a palheta, de um lado estava gravado ‘Tom’, e do outro estava , com uma exclamação com uma estrela como ponto.”
O clarão volta a me cegar e eu me vejo com a palheta na mão. Vi o nome do Tom gravado nela, quando eu a viro, um “” está escrito em letras garrafais. Eu sorri satisfeita antes de fechar os olhos, tentando ao máximo lembrar da letra inteira da música.
Capítulo 24 – Recomeço
- Achei! - Gritou Dougie do segundo andar. Transferindo minha concentração da música para ele.
- Pelo menos você teve uma visão - sussurrou vendo minha cara desespero.
- Não! Quer dizer, sim eu tive, mas não posso ir agora. Deve ter outras visões aqui. Eu nem fui no segundo andar ainda - Falei aflita.
- Então, o que vocês estão fazendo aqui paradas? Vamos voltar logo para o carro. Tem umas cinquenta chamadas não atendidas, metade da minha mãe - Falou Dougie segurando eu e pela cintura, nos conduzindo até o carro - A outra metade da - Eu ri, fingindo estar tudo perfeitamente bem, e lancei um olhar de súplica para . Ela só contraiu os lábios como quem dissesse que não poderia fazer mais nada que aquilo. Nós entramos no carro e Dougie tinha cara de mais aliviado por achar o celular. Por falar em celular, eu tinha que comprar um, urgentemente.
Sentei, sem vontade, no banco traseiro do carro do Dougie. Fiquei calada, refletindo sobre o que eu tinha acabado de ver e todas as visões ocultas que poderiam estar naquele estúdio. O Dougie podia ter perdido o celular num lugarzinho mais difícil de encontrar, né?
- E ai , qual vai ser a boa de hoje? - Perguntou Dougie querendo puxar um assunto qualquer. Respirei fundo por ser obrigada a ignorar meus pensamentos, olhei para fora e, pelo visto, nós já estávamos quase chegando em casa. Até que Brixton não ficava muito longe, uns 20 minutos de viagem.
- Poxa Doug, já não chega não? O parque sugou todas as minhas energias - Respondi, fingindo um bocejo. Dougie me encarou pelo retrovisor rindo da minha interpretação.
- Que nada, sei que quando o Danny chegar, você não vai dispensá-lo porque está sem energias - Dougie me encarou brincalhão.
Droga, ainda tinha esse assunto. O que eu ia fazer com o Danny? Eu ainda não tinha pensado em nada decente, merda.
- Isso não é da nossa conta, né amor? - Falou num tom de censura.
- Verdade. Bem, de qualquer forma, não se esquece que domingo vai ter uma mini comemoração lá em casa - Realmente Doug não era bom de esconder nada de ninguém. franziu o cenho, ela certamente pegou no ar o tom de voz errado do Dougie na
última frase.
- Estarei lá, Dougie. É de noite né? – Respondi, já entusiasmada para festa.
- Isso. Às 19 horas - Falou parando o carro em frente ao meu prédio.
- Brigada gente, pela carona e até domingo - Falei para o casal.
- Fica bem e sabe que se acontecer qualquer coisa pode me ligar - Ordenou – Ouviu?
- Sim senhora, beijo gente - Eu sai do carro e parei em frente ao meu prédio. Como era bom estar em casa.
Doug acelerou e eu dei tchau para da calçada. Observei o meu prédio. Ele estava igualzinho como eu o deixei. Apesar de fazer um mês que eu não vinha aqui, parecia mais. Afinal, para minha memória, eu não venho aqui há três meses por causa daquele maldito acidente, mas eu estava bem e de volta.
Enchi meus pulmões de ar gelados do inverno inglês, sentindo como se a minha vida finalmente tivesse entrado no eixo. Passei pela porta de vidro, meus passos ansiosos
atravessaram o saguão em mármore chique, mesclado de branco e preto. Um rapaz conhecido, chamou o elevador para mim e falou:
- Boa tarde, senhorita - Falou Paul, alegre - Nossa, quando tempo eu não te vejo.
Eu sorri com vontade, me aproximando do elevador.
- Boa Tarde, Paul - Falei, observando-o. Ele tinha mudado, seu cabelo loiro estava com uma franja lisa e brilhosa jogada para o lado. Seu rosto não tinha mais nenhuma espinha, e tinha tirado o aparelho dos dentes. Sem falar que eu me perdia um pouco em seus olhos verdes.
- Eu fiquei tão preocupada com a senhorita. Pensei que tinha acontecido algo com você - Falou Paul, contraindo os lábios e analisando minha cicatriz no supercílio.
- Como assim? - Falei interessada, mexi propositalmente nos olhos afim de que ele parasse de encarar minha cicatriz.
- O seu amigo, Tom. Ele saiu no jornal The Times.
- Hã? - Senti meu estômago dar uma volta completa - Por que Tom sairia no jornal?
- É, estranho né? Ele era amigo de uma vítima de um acidente automobilístico. Que foi exatamente no dia que a senhorita parou de vir para cá.
Eu engoli seco. Nem imaginei que meu acidente teria tal repercussão. Será que mais alguém tinha reparado nessa reportagem?
- Credo, Paul. Você acha mesmo se tivesse acontecido algo comigo, a minha mãe não teria voltado correndo Londres? – Falei segura, como se aquilo fosse impossível de ter acontecido.
- Foi o que eu pensei. A garota quase morreu, tadinha. Tomara que ela esteja bem – Ele contraiu os lábios, pensativo.
Eu tinha que ver essa reportagem agora. O elevador se abriu e eu dei apenas um sorriso fraco para Paul antes de entrar. Apertei o botão do 7º andar com pressa.
Coloquei a mão no dentro da minha bolsa. E cadê a minha chave de casa? É verdade, eu perdi minha chave! Putz!
A porta se abriu, revelando um mini corredor em tons pastéis com duas portas de madeira, um vasinho de planta e um quadro abstrato muito brega que a minha mãe havia escolhido, com os números 701 e 702.
Olhei o mini corredor, minha mãe sempre deixava uma chave reserva, a da minha casa tem que estar em algum lugar. Olhei para o vasinho de planta no chão. Levantei-o e não tinha nada. Ótimo! E agora, não tinha mais lugar nem um. Encostei minha cabeça na parede pesando o que faria. Poderia ligar para alguém! Ah é, eu não tenho celular.
De repente escuto abrirem a porta do 701 e vejo uma velhinha robusta, seus cabelos escuros em um corte de Chanel e um “terceiro olho” lhe davam um ar de mística. Vai dar susto na mãe, credo!
- Está tudo bem? - Falou a senhora, meio desconfiada. Com o susto eu esbarrei sem querer no quadro, e escutei um barulho de um metal pequeno bater no chão. Era o que eu estava procurando.
- Está sim - Peguei o objeto no chão. Eu nunca tinha visto aquela senhora antes. Devia ser a minha mais nova vizinha.
- Estou vendo que você se recuperou rápido do acidente, graças a Deus. Agora só falta se recuperar “aqui” - A velha colocou a mão no coração e foi fechando a porta, me deixando paralisada em frente a minha. Como ela sabia? Medo.
Coloquei a chave prata na porta 702 e a abri. Como era bom estar em casa. Olhei em volta, respirando o aconchego do meu lar. Sentei no grande sofá azul marinho que havia no canto da sala de frente para a TV. Olhei minha cozinha americana e abri um sorriso enérgico. Passei pela sala e corri para o corredor dos quartos. Abri a porta que tinha uma plaquinha roxa escrito “”.
Lá estava minha cama desarrumada, meu armário com minhas roupas emboladas, minha estante com mil coisas em cima, meu computador, ou seja, minha bagunça. Mas só assim que eu achava minhas coisas, impressionante.
Eu liguei rápido o computador e me joguei na minha cama. Enquanto eu esperava ele iniciar, a luzinha vermelha do meu telefone chamou minha atenção. Tinham exatamente 68 recados na secretária de voz. Fui escutando uma por uma. Minha mãe mandou quase todas, umas ela estava nervosa, quando eu desapareci perto do natal, outras só contava algo da viagem. Já era de se esperar. Umas amigas minhas dizendo que eu sumi, pedindo
para marcamos de sair um dia. Aleatório. E pensar eu que consegui esconder esse segredo de todos. De fato os melhores amigos do mundo, são os meus.
Sentei na cadeira do computador ainda ouvindo os recados. E eles vinham de forma decrescente de data.
Entrei no site The Times para saber do que tratava aquele negócio do Tom aparecer no jornal.
Foi aí que uma mensagem de voz me chamou a atenção:
"(Voz da secretária eletrônica) Mensagem de voz do dia 18 de dezembro do ano passado às 21horas e 41 minutos. 'Pi' (Voz do Danny) ?! ME DESCULPA, EU TE AMO... AMOR?! POR FAVOR ME ATENDE! EU... EU... NÃO FIZ POR MAL! (Suspiro) Acho que você realmente não está em casa. Senão você já teria pego o telefone e me xingado. Todo mundo erra, . Eu estou subindo seu elevador. (pausa) !? (som de batida na porta) Desculpa. (voz de choro do Danny) Se você estiver aí, por favor abre. Por favor...”
Eu engoli seco. O que ele fez, meu Deus? Bem, o Tom tinha dito que a gente tinha brigado. Mas, por quê?
Outra mensagem me fez para de pensar e prestar atenção.
“(Voz da secretária eletrônica) Mensagem de voz do dia 18 de dezembro do ano passado às 21horas e 36 minutos. 'Pi' (Voz do Danny) , pelo amor de Deus, atende esse telefone! Eu sei que você está aí, por favor. Aquilo não foi o que pareceu, . Por favor, me retorna assim que possível. Eu te amo.”
Fiquei quieta, ainda tentando entender a última mensagem. A próxima também tinha a ver com as anteriores.
“(Voz da secretária eletrônica) Mensagem de voz do dia 18 de dezembro do ano passado às 21horas e 25 minutos. 'Pi' (Voz do Danny) , onde você está? Eu preciso conversar com você. Por favor, não, aquilo no significa nada, amor. A culpa não foi minha e sim dela. Eu juro, . Me escuta. Eu estou indo para sua casa, talvez você não tenha chagado ainda. Beijo.”
“(Voz da secretária eletrônica) Não há mais mensagens 'pi'”
Aquilo no significou nada? Como assim? Minha cabeça estava uma confusão só.
Voltei a minha concentração para o site do site The Times. Percorri a barra de busca e coloquei a data do meu acidente, e estava lá uma chamada bem grande: “ Tragédia em Wimbledon! Após discussão com o namorado, garota é atropelada e quase morre.”
Meu ritmo cardíaco acelerou ao ver uma foto de um rapaz loiro agachado em frente a um corpo atirado no chão da rua. Eu sabia que era eu. A foto foi tirada da calçada, Tom agachado de costas perto do meu rosto, havia muito sangue no chão e no carro Mini Cooper branco, com uma listra preta atravessando o capô, que supostamente me atropelou. No canto da foto tinha, também Danny de costas. Ele tinha as mãos no rosto e a cabeça curvada para baixo. Deduzi que estava chorando.
“Jovem de apenas 19 anos foi atropelada ao sair do edifício do seu amigo, Thomas Fletcher, a um quarteirão dali. Seu namorado, o qual não quis ser identificado, alega ter brigado com a jovem, mas queria fazer a reconciliação. Já ela, saiu pelo meio da rua e seu namorado não teve tempo de salvá-la. O carro que atingiu a jovem estava em alta velocidade. O motorista além de ser condenado pelo atropelamento também vai ser julgado
por ultrapassar o limite de velocidade. Thomas diz ter chegado depois e chamou a ambulância, pois o namorado dela estava em estado de choque e não tinha condições para socorrê-la.
Os para-médicos tentam reanimá-la, mas a jovem continua desacordada. O amigo cuidou de recolher os documentos da jovem para dar entrada no hospital e iniciar os tratamentos, o mais rápido possível. Sorte da jovem ter como amigo esse, que saiu na promessa que bancaria todos os seus custos lá no hospital. Que essa amizade sirva de exemplo para os demais cidadãos londrinos. E esperamos que a jovem se recupere logo.”
Abaixo tinha uma foto minha, na maca.
Meu rosto todo ensanguentado, minha blusa social e minha calça rasgadas e sujas. Realmente, minha mãe não me reconheceria. Eu tratei de fechar logo essa página da internet e tentar tirar em imagem da minha cabeça.
Abri uma nova janela da internet e acessei o Facebook e coloquei: “Recomeço”.
E para resgatar minha vida social, eu precisava de um celular novo. Fato. Mas será que eu tinha dinheiro para comprar?
Abri outra janela e busquei o extrato da minha conta corrente pela internet. Com certeza meu pai teria depositado uma quantia suficiente para me sustentar esse tempo que eles estariam no cruzeiro.
Olhei meu bloquinho de anotações, que estava aberto do lado do mouse-pag, e tinha uma conta matemática. Que no inicio estava escrito “10.000 libras que o papai me deu”. Dez mil? Meu pai me deu dez mil para eu passar o mês? Isso era um sonho. Embaixo estava escrito “contas”. Claro, ele não deixaria tudo para mim. Ah merda, eu tinha que pagar as contas atrasadas.
Assim que eu coloquei os meus dados necessários, a página carregou e minha conta corrente tinha £9.935,00. Como assim!? O Tom bancou mesmo todos os custos do hospital?
Eu comecei a me sentir mal. Além de eu desiludir o garoto e nunca antes dar o devido valor que merecia, ele ainda pagou tudo pra mim? Ótimo. Eu estava em dívida com ele, e eu tinha que ressarcí-lo de alguma maneira.
Peguei um casaco com o objetivo de ir em uma loja o mais rápido possível para comprar um celular.
Fui pegar as chaves do carro que ficavam na cozinha... Pára tudo, cadê as minhas chaves do carro?
Sentei um instante, pensando. Qual foi a última vez que eu andei de carro? Deve ter sido no dia do acidente. Claro, eu fui para casa do Tom de carro. Ele deve estar lá. Peguei meu telefone no quarto, minha agenda telefônica e disquei no número da casa do Tom. Ninguém atendeu. “Ele deve estar terminando com a Zoe. Fato” pensou alto. “Ou se pegando com ela”. Balancei a cabeça afim de afastar esses pensamentos.
Ok, eu vou andando, aqui perto tem uma loja que vende celulares. Nem meia hora depois
e eu já tinha um celular novo. Nunca foi tão fácil comprar um celular, eu gostei logo de cara
de um roxo que é touch, lindo de morrer. E foi esse e pronto. Eu tinha dinheiro sobrando mesmo.
Passei no banco, paguei as contas e fui no Walmart para comprar algo para jantar. Meu estômago deu uma volta ao pensar que hoje eu iria terminar com Danny, custe o que custar. Porém, mesmo assim, eu comprei coisas estratégicas. Sorvete. Todo final de relacionamento tem sorvete e um filme dramático. Eu já estava pronta.
Voltei pra casa e não tinha nem anoitecido ainda. Deixei minha bolsa no quarto, abri meu celular e comecei a fuxicar, porque eu odeio ler manual. Depois de configurar ele todo, resolvi ligar para minha mãe. Nada demais, ela está adorando o passeio e volta na segunda. Hoje era sexta. Droga, eu nem tinha aproveitado direito a ausência dos meus pais.
Quando estou saindo do quarto, vejo a luzinha vermelha piscando. Mais uma mensagem de voz? OMG. Isso não acaba nunca? Anyway, apertei o botão.
“(Voz da secretária eletrônica) Mensagem de voz do dia 09 de janeiro às 17horas e 04 minutos. 'Pi' (Voz do Danny) Oi amor, me desculpe mas não vai dar para passar aí hoje. (Pausa, Voz de choro) A Cris está muito mal, super desidratada e... Desculpa. Eu te levo para jantar amanhã, ok? Vai ficar tudo bem. Um beijo.”
“(Voz da secretária eletrônica) Não há mais mensagens 'pi' ”
Ótimo, eu estava começando a perder a coragem de terminar com o Danny. Eu sentia um pouco de pena, sabe?!
Ele não estava tendo sossego desde o meu acidente. Fui para sala e me joguei no sofá retrocedendo meu dia: Recebi alta dos remédios e visitas lineares ao hospital, me diverti no parque, beijei o Tom... Ah, que beijo! Conheci o lugar dos meus sonhos. Tive duas visões. Ah, o refrão da música do Tom não saía da minha cabeça.
Resolvi mandar uma mensagem para ele, quem sabe ele não se saiu melhor do que eu, com a Zoe. Eu não queria ficar tocando nesse assunto. Então eu só mandaria uma mensagem
para que ele lembrasse de mim. E quisesse falar comigo. Mandei. Só me restava esperar o tempo passar. Acabei caindo no sono.
Capítulo 25 – A arte de enrolar
Tom’s P.O.V.
Ótimo! Por que a minha querida mãezinha, Debbie, tinha que trazer as meninas de volta mais cedo? Para acabar com a minha vida, claro! Eu tinha que dar um jeito de dispensar a Zoe... Mesmo ela estando hospedada lá em casa. Que situação! Eu queria ser delicado ao fazer isso, sabe? Eu tinha que pensar no momento certo, porém, quanto antes melhor!
Não consegui cogitar nem uma hipótese até chegar no aeroporto, todos os meus pensamentos estavam voltados para aquele beijo que eu dei na . Eu não tinha palavras para descrever... Aquela garota superou todas as minhas expectativas!
Estacionei o carro no portão principal, no qual Zoe tinha me explicado. Coloquei meu óculos ray ban Wayfarer caramelo escuro e me apoiei no capô do meu carro, com os braços cruzados. Nem cinco minutos esperando e duas meninas conhecidas vieram correndo em minha direção.
Abracei minha irmã, e Zoe veio logo atrás, esperou Carrie se afastar e rodeou minha nuca com seus braços se aproximando para me beijar. Eu desviei.
Zoe franziu o cenho me questionando com os olhos a minha reação.
- Sabe o que é, Zoe? É que eu to com herpes... - Menti.
- Herpes? - Cortou Zoe incrédula.
- É, Herpes nervosa, eu tenho há um tempinho já – Contrai os lábios.
- Nervosa? Como assim? - Falou Zoe confusa.
- Só prolifera quando eu estou em estado de estresse.
- Desde quando você tem isso, Tom? - Intrometeu Carrie - Eu não me lembro disso - Falou desconfiada.
- Acho que eu já moro há um tempinho sozinho para fazer coisas que você nem imagina - Zoe e Carrie arregalaram os olhos. Talvez assim engolissem melhor a minha desculpa.
- Mas, herpes não tem uma... Ferida no lábio? Eu não estou vendo nada. Ah meu Deus, é verdade! Seu lábio está machucado. Caramba, Tom - Falou Zoe apontando para o machucado que tinha feito quando estávamos no brinquedo.
- É, está no final da crise. A bolinha de pus já estourou - Inventei, eu nem fazia idéia do que eu estava falando, mas que herpes nervosa existe, existe! - Mas, se eu te beijar posso passar para você.
Zoe uniu as sobrancelhas e fez cara de nojo.
- Ah... Que pena, Tom - Ela contraiu os lábios. Eu dei um sorriso de lado e abri a porta para as meninas entrarem - Porém... Podemos fazer outra coisa - Ela sussurrou e piscou para mim. Eu só respirei fundo, ignorando-a.
Entrei no meu Audi prateado, ainda me vangloriando por ter dado uma desculpa tão boa para Zoe. Assim que eu liguei o carro, percebi o olhar incrédulo de Carrie em direção ao meu pescoço. Isso chamou atenção de Zoe, que olhou também.
- Ficar com uma marca roxa no pescoço também faz parte dos sintomas do herpes nervosa? - Falou Zoe furiosa.
- Quê? - Falei sem entender. Imediatamente mexi o meu espelho interno e me deparei com um hematoma ENORME no meu pescoço. Eu já tinha me esquecido disso.
- Quem te passou herpes também tratou de te marcar, Fletcher? - Ótimo, depois daquela noite que eu passei com a Zoe, ela passou a achar que é minha dona. Eu sabia que ela ia ficar mais carente, afinal toda menina que faz o que nós fizemos fica mais sensível, ciumenta. Não foi por falta de aviso. Eu sei que a maioria das meninas sonha com um príncipe encantado para levá-la para cama, eu até entendo um pouco disso, por ter uma irmã mulher e por ter ouvido esse tipo de coisa da e da . Mas ela, praticamente, me arrastou pra cama, eu não tive como negar. Eu tenho minhas necessidades masculinas...
- Você não se lembra, Zoe? - Falou Carrie antes que eu pudesse abrir a boca para enrolar mais uma vez a Zoe. Eu tinha um pouco de receio do que estava por vir, minha irmã sempre ficou do lado da melhor amiga ao invés do meu. Zoe só uniu as sobrancelhas, confusa - Ah, é! Eu esqueci de te contar... É que o Tom me ligou, contando que caiu e bateu com o pescoço há dois dias. E você sabe como essa região é sensível.
Pára tudo. A Carrie estava me encobertando? Alguém tira a temperatura dela. Apesar de não entender os seus motivos, eu participei da encenação.
- Muito sensível. Eu estou passando até pomada - Fingi cara de cachorrinho sem dono. As meninas sempre têm pena dessa cara.
- Ah, amor - Falou Zoe me abraçando. Olhei para Carrie, e seus olhos semicerrados me encaravam, mas eu não sabia o significado disso.
- Acho que a pomada só, não vai resolver, eu li na internet um remédio milagroso para roxos: Banana.
- Banana?! - Eu e Zoe falamos juntos.
- É, gente. Tem que moer a banana e misturar na pomada. Melhora rapidinho - Falou Carrie seria. Sem Zoe ver, minha irmã deu um sorriso de satisfação no banco de trás. Falei cedo demais que a minha querida irmãzinha estava me ajudando. Merda. Só de pensar naquele cheiro já me dava enjôo. Eu odiava banana, desde pequeno eu não aguento nem chegar perto, imagina aquela merda no meu pescoço. Sem chance.
Eu só respirei fundo antes de dar a partida no carro. “Senhor, dai-me paciência porque se o Senhor me der força, eu mato.”
- Ora, se isso melhora... Eu passo banana em você, Tom - Disse Zoe. Como essa garota acreditou na minha irmã. Desde quando banana serve pra alguma coisa sem ser comer?
- Acho que não será necess...
- Como não, Tom? Se você for visto assim, vão pensar que a Zoe é uma vampira desesperada - Carrie riu com gosto - Se bem... Que não seria a primeira vez que isso acontece.
- Já chega, Carrie! - Cortou Zoe.
- É Carrie, já deu - Falei com voz de tédio.
- Eu só estou tentando ajudar - Falou Carrie cruzando os braços - Mas que banana resolve, resolve.
Liguei o rádio querendo abstrair a idéia de socar a minha irmã.
Chegamos na minha casa uns 20 minutos depois. As meninas se acomodaram no quarto de hóspedes. Cheguei no meu quarto exausto e me tranquei lá dentro. Eu tinha que dispensar Zoe.
- Tom? - Ouvi minha irmã do outro lado da porta. O que ela quer agora?
- Eu? - Falei abrindo a porta se vontade.
- Preciso fala com você - Ela entrou no quarto e fechou a porta. Eu ainda não tinha idéia do que queria.
- Sim...
- Eu não sei ao certo quem deu esse chupão em você, mas eu espero realmente que não tenha sido a - Falou seria. Ui, ela tocou na ferida, minha irmã sempre foi muito atenciosa para os detalhes.
- E por que você acha isso? - Falei tentando ser indiferente.
- Não se faça de desentendido, Thomas. Eu vi o seu sorriso radiante quando você ainda estava no carro antes de nos ver.
- O que eu faço ou deixo de fazer, não tem nada a ver com você, Carrie. Agora me dá licença que vou entrar no banho.
- Tem sim! A partir do momento que você apareceu na minha casa, praticamente na merda por causa daquela garota idiota. Também tem a ver, quando eu peguei meu irmão chorando por uma garota que nunca deu bola pra ele no passado. Também tem a ver quando o senhor pediu minha ajuda para virar a página. Então não me julgue por não achar a tão legal assim - Ela falou brava. Eu suspirei antes de falar:
- Eu não estou te julgando. Olha Carrie, no dia daquela festa, houve um grande mal entendido, que eu tenho que consertar. Se a Zoe não tivesse me beijado, eu estaria com a neste momento.
- Como você pode ter tanta certeza?! - Falou indignada.
- A disse que me ama. Ela gosta de mim, mas sempre acontecia alguma coisa. Você vai ver, ela vai terminar com o Danny nesse final de semana e nós vamos finalmente ficar juntos.
- Tá, você pode até achar isso, Tom. Mas você ter levado Zoe para cama foi RIDÍCULO.
- Pera, foi ao contrário. Mas como você sabe...
- Talvez porque ela seja minha melhor amiga e não pare de falar em você.
- Merda - Ótimo, minha irmã sabia de TUDO.
- Olha só Thomas, eu sei que ela vai ficar muito magoada quando vocês desatarem. Sério, por que você só não deu uns beijos nela? Por que você tinha que pular logo para parte crítica?
- Eu juro Carrie, juro por tudo que é mais sagrado, eu não queria. E eu me arrependo. Eu sei como isso é... Complicado, para vocês mulheres. Mas você tem que entender que eu tenho minhas necessidades. Eu não sou de ferro, eu agi completamente por impulso. Posso até ter feito por raiva da . Eu avisei bastante para Zoe que eu não queria. Ela tirou minha roupa e... Aconteceu, mas agora é muito tarde para ficar lamentando.
- Olha Tom. Eu até acredito que a Zoe tenha praticamente te forçado a fazer isso. Mas... Mas... Você devia ter recusado. Ah, deixa. Só espero que ela não fiquei chorando pelos cantos e queira se matar por isso.
- Eu também espero que não.
Carrie só contraiu os lábios e assentiu. Ela sabia que Zoe tinha culpa no cartório. E que cada um ia arcar com as suas consequências. Minha irmã saiu, me deixando imerso a tantos pensamentos. Eu fiquei horas sozinho no meu quarto, com o bendito dilema. Eu não conseguia parar de pensar na , finalmente eu a beijei, não foi uma beijo roubado, eu não estava bêbado. Foi espontâneo, aconteceu porque os dois queriam. E essa parte era a que mais importava para mim.
Eu tinha que terminar com Zoe. Talvez, hoje. Quem sabe, agora?
Mas eu precisava de uma brecha. Mexi no meu lábio dolorido, ainda pensando se agora era a melhor hora. Que droga, eu parecia uma mulherzinha, “Encare os fatos Thomas, para ficar com a você vai ter que passar por isso. Então acaba logo de uma vez.”
De repente meu celular começa a vibrar. Estendi a mão em direção ao meu criado mudo, derrubando tudo até achá-lo.
Um número desconhecido mandou a seguinte mensagem:
“I can't stop digging the way you make me feel. Xx ”
Ela sabia, mas como? Eu ainda tinha minhas dúvidas como essa coisa de visão funcionava. Porém que era sinistro, era.
Nossa, eu não acredito que ela chegou a lembrar de eu cantando aquela música depressiva para ela. Esse era um dos momentos que eu queria apagar da memória. Mas essa frase tinha um sentido de desespero, de necessidade incondicional da outra pessoa. Eu sorri, esse era o estímulo que eu precisava.
Sai do quarto decido a terminar com a Zoe. Me deparei com um silêncio anormal na casa. Estranho.
- Zoe?! - Chamei. Nada - Carrie?!
Ótimo, elas saíram!
E nem me avisaram nada, será que ela escutou a conversa com a minha irmã?
Meu dia acabou comendo uma pizza família de frango xadrez e revendo a última temporada de LOST na minha cama.
Sinto um cheiro estranho, isso estava me enjoando. Eu não estava reconhecendo esse aroma, mas era ruim. Sentia uma coisa gelada no meu pescoço, uma espécie de pomada. O cheiro não era de doce, e nem de salgado, eu não sabia descrevê-lo. Meu estômago estava muito embrulhado, acho que eu comi pizza demais. Acho que esse cheiro era de alguma fruta... Talvez...
- BANANA?! - Dei um pulo da cama com as minhas mãos na boca para não vomitar no meu quarto. Encontrei a privada da minha suíte e a abracei depositando toda a minha comida de ontem.
- Tom? Desculpa... Era para o roxo no seu pescoço.
Eu tossia forte, dando a descarga. Peguei o papel higiênico furioso limpando toda aquela coisa nojenta que a Zoe colocara em mim.
- Porra garota, você é idiota ou o quê? - Falei espirrando o meu Calvin Klein no pescoço e em todo banheiro disfarçar o cheiro da banana.
- Des... Desculpa, Tom. A Carrie falou que melhorava quando misturava a banan...
- Ela estava me sacaneando. Você, que sempre gostou de mim, não sabe que eu não suporto banana?! - Falei jogando água no rosto e depois começando a escovar os dentes para tirar aquele gosto ruim da boca.
Vi Zoe abaixar a cabeça e enxugar os olhos cheios d'água. Droga, acho que eu peguei pesado demais.
- Quer saber Zoe, esquece isso. Ok? - Falei, tentando me redimir.
- É que eu queria sair para jantar com você hoje e achei esse roxo podia melhorar um pouco.
- Jantar?
- É, como a Carrie combinou de ver o garoto que ela ficava. Eu achei que a gente podia jantar. E eu chamei...
- Tá, tá que seja Zoe. Que horas vai ser isso? - Falei perdendo a paciência, a banana tinha sido o cúmulo.
- Às 19h30.
- Ok, estarei pronto às 19 horas - Talvez eu conversasse sobre o nosso relacionamento nesse jantar. Eu estava ansioso para ver a na festa do Dougie amanhã, linda e solteira.
- E se arrume Tom, o lugar é chique - Ótimo, antes de terminar ela vai me fazer gastar rios de dinheiro. Minha mãe me educou muito bem para que eu recusasse.
- Ok Zoe, vou tomar um banho - Ela chegou perto de mim e me abraçou. Eu retribui um pouco sem vontade. Ela saiu do meu quarto às pressas. Cada vez que eu pensava em , mais eu tinha coragem para acabar de uma vez por todas com Zoe.
Olhei para o relógio, a minha contagem regressiva passava lentamente. Eu não tinha pressa. Dessa vez não tinha como nada dar errado.
P.O.V.
Sinto frio, muito frio. O carro pára na rua em Brixton. A garota loira é puxada para dentro da porta pixada. Agonia, medo, raiva, dor, aperto no peito. Meu telefone toca. Mas calma, esse não era o toque do meu celular.
De repente sinto meu corpo bater no chão, me libertando de uma vez só do meu pesadelo. Olhei para os lados e vi a sala de estar da minha casa. A luz do sol já invadia minha janela. Antes que eu pudesse reparar em mais alguma coisa, eu fui correndo atender o telefone que estava tocando no meu quarto.
- Alô? - Falei meio desnorteada, tentando em vão endireitar meu cabelo.
- Amor? - Ouvi. A ligação estava muito ruim.
- Tom? - Falei no ímpeto.
- Não... Danny! - Meu coração acelerou. Merda. Bati com a mão na cabeça tentando pensar em alguma coisa.
- Eu sei que é você, Danny. Eu falei "Estou", só que a ligação está ruim e você deve ter escutado outra coisa.
- Er... Sei, . Então, vamos jantar hoje lá no Nh Harrington Hall? - Meu estômago deu uma volta. Eu sempre quis ir nesse hotel, será que ele sabia disso e estava me levando para lá de propósito? De qualquer forma, ERA HOJE que eu ia terminar com o Danny. Um nervosismo anormal tomou conta de mim. Apesar de eu sempre adiar esse momento, tem uma hora que não ia dar mais. Essa hora era agora.
- Claro. Eu precisava mesmo conversar com você.
- É, eu sei, acho que eu também preciso - Eu franzi o cenho achando aquilo muito estranho.
- Ok então, Danny. Que horas você vai passar aqui?
- Umas 19 horas. Pode ser?
- Combinado. Beijo.
- Beijo.
Nossa, que mancada. Chamar o Danny de Tom era o cúmulo. Olhei no relógio, eram 16h35. O QUÊ? EU DORMI TANTO ASSIM? Senti meu estômago urrar de fome. Tratei logo de fazer um hambúrguer e colocar num pão. Sentei na mesa para comer. Sozinha.
A tranquilidade daquela casa me irritava. Esse silêncio me obrigava a pensar em coisas que eu fazia esforço para esquecer. Como por exemplo: A Cris, que veio de novo atormentar meus sonhos e aumentar minha curiosidade. Eu tinha que ir de novo naquele estúdio. Fato. Outra coisa sobre aquela garota: O Tom comentou que ela sempre ficava bêbada, na minha primeira visão ela estava bebendo champanhe. Sendo que no ano novo ela disse que não gostava. Estranho. Muito estranho. Ela ficar enjoada do nada?
Voltei a lembrar das visões. O refrão da música do Tom não saía da minha cabeça. Mas tinha uma coisa que eu acabei de reparar. Eu estava usando aliança. CLARO. Onde estava a minha aliança? Eu tinha 100% de certeza que teria uma visão nela! Acabei de comer, e fui procurar a bendita aliança. Caixinha de jóias, não. Cômoda, não. Gavetas da cômoda onde eu sempre jogo todas as minhas bagunças, não. Banheiro, não, não, não, NÃO! Meu Deus, onde eu enfiei essa droga de aliança?!
Mas uma coisa no meu criado mudo me chamou a atenção, tinha uma agenda roxa com corações coloridos. Tratei logo de pegá-la e achei algumas notas desses dois meses vazios na minha mente.
"Dia 30 de outubro: Danny me pediu em namoro no Nh Harrington Hall! Além de lindo, forte, com olhos azuis maravilhosos, ainda é romântico! Finalmente eu esqueci o... Qual é mesmo o nome dele? Ah sim, Fletcher ! ¬¬' "
Eu ri comigo mesma, eu sou idiota. "Não, não esqueceu" pensei.
Então foi nesse restaurante que o Danny me pediu em namoro... Interessante.
Havia outra anotação:
“Dia 31 de outubro: Festa de halloween. Foi super legal! Todos estavam fantasiados... Harry e Flávia de diabinhos, Dougie e de piratas fantasmas, não me pergunte detalhes... Desse casal, eu não duvido de nada.. Danny foi de Zumbi e eu de vampira. Agora adivinha a roupinha do Fletcher? VAMPIRO. Quem ele está achando que é? O Edward? Se bem que... Aff deixa pra lá!"
Respirei fundo tentando de alguma forma lembrar de alguma coisa dessa festa, mas era uma parte obscura da minha mente. Uma parte que parecia nunca ter existido. Era muito estranho ver que eu escrevi sobre acontecimentos e não lembrar absolutamente nada deles.
Olhei para o relógio 17h43. Ótimo. Estava atrasada. Deu tempo de tomar banho, me maquiar. Escolher uma roupa arrumadinha, pois no Nh Harrington Hall não entrava qualquer tipo de pessoa. Bem, peguei um vestido de inverno azul marinho que batia na altura do joelho, de manga de princesa e decote em "V". Um scarpin preto, e um sobre tudo preto também. Assim que eu acabei de colocar a carteira na minha bolsa, meu telefone tocou.
- Amor, já estou aqui na portaria - Falou Danny enérgico. Desci o mais rápido que pude, com o coração na boca. Ia ser triste, mas hoje eu não estava disposta a voltar atrás.
Capítulo 26 – Quem fala o que quer, ouve o que não quer!
Tom Fletcher’s P.O.V.
Chegamos ao bendito restaurante. Era realmente muito chique, eu nem sabia da existência dele. Mas o seu nome não me era estranho. Bem, pelo menos eu estava a rigor. Meu all star branco e camisa social para fora da calça escura deixaram Zoe um pouco deslumbrada ao me ver. Fazer o que, né? O clima no carro era meio tenso, Zoe veio calada o trajeto inteiro, eu nem me dei ao trabalho de falar, só liguei o rádio e me concentrei na estrada.
Entramos meio separados, acho que Carrie já havia lhe alertado sobre as minhas intenções. Mas, do nada, ela veio e segurou no meu braço, como se quisesse mostrar para as pessoas que realmente estávamos juntos. Eu só respirei fundo lamentando sua infantilidade antes de falar com o recepcionista.
- Uma mesa, por favor - Falei, sem muito entusiasmo.
- Há uma reserva com o nome de Zoe Evans - Ela falou ao meu lado. Reserva?! Tá né? Ela já tinha planejado isso há quanto tempo?
- Ah claro, por aqui, por favor - Ele falou, então nós seguimos um homem alto com seu terno azul escuro e seu cabelo castanho perfeitamente engomado para trás.
Seguimos o recepcionista para uma mesa no fundo e no canto. Engraçado... Essa mesa era para quatro pessoas. Porém, era estrategicamente boa para que ninguém ouvisse nossa conversa. Sentamos um na frente do outro com o cardápio em nossas mãos.
A ansiedade começou a me perturbar pelo o que ainda estava por vir. Olhei os preços de cada prato. O mais barato era 100 libras. O quê? Era melhor eu terminar logo com Zoe antes da gente comer alguma coisa. Abaixei o cardápio e observei sua reação. Seus olhos verdes percorriam o salão através do espelho atrás de mim, estava com as pernas cruzadas e seu pé balançava freneticamente. ESTRANHO. Bem, essa era a minha brecha!
- Er, Zoe? - Comecei meio cauteloso.
- Que foi, Tom? Já escolheu seu prato? – Ela falou forçando o sorriso. Eu apesar de eu achar bem anormal essa reação, ainda assim insisti em continuar.
- Ainda não. Antes eu queria conversar com você - Contrai os lábios.
- Ah, desculpa Tom, eu estou com muita fome. Acho que eu vou pedir alguma coisa agora, se você não se importa - Falou Zoe rápido demais e, em seguida, se escondeu atrás do cardápio. Ela estava mais estranha que normal.
Eu respirei fundo, não sabia muito bem por onde começar, foi aí que eu vi a única coisa que não poderia ter visto. A única coisa que faria eu para de pensar em como terminar com Zoe: de mãos dadas com o Danny.
P.O.V.
Danny estacionou sua BMW 118i perto do hotel. Ele ajeitou seu paletó grafite por cima da blusa preta, pelo visto seu aspecto de exaustão não afetou no seu estilo. Eu perguntei como ele estava, e se Cris tinha melhorado, como só recebi respostas monossílabicas, resolvi prestar atenção no rádio o resto da viagem. Ele abriu a porta do carro para mim. Com um gesto mudo eu lhe agradeci e nós entramos, um pouco distantes. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa com o recepcionista, Danny segurou minha mão e me arrastou para dentro do salão.
- Eu já tenho uma mesa. E estou atrasado. Obrigada - Ele disse rápido e sem esperar resposta do recepcionista que, por sua vez, ficou paralisado com a reação de Danny.
Quê? Atrasado para quê? Enquanto Danny me carregava pelas mesas, eu ainda tentava descobrir com quem que ele tinha combinado de sair. Fui pedindo, em gestos, desculpas por esbarrar nas pessoas e atrapalhar seu jantar. Quando estávamos mais para o final do imenso restaurante, que era uma área mais reservada, foi aí que meu coração parou. Eu vi Tom, pálido, me encarando com seus olhos castanhos incrédulos.
E pior, aquela vaca ruiva com ele.
Tom Fletcher’s P.O.V.
Vi soltar a mão de Danny quando seus olhos se encontraram com os meus. Como se eu já não tivesse visto eles dois juntos? Eu aqui, que nem um idiota, arrumando mil maneiras de terminar com Zoe, e ela saindo com o Danny para jantar! Isso é serio mesmo? E o mais irônico: de todos os restaurantes do mundo, eles tinham que vir logo aqui?! Antes que eu pudesse fazer alguma coisa. Zoe levantou e cumprimentou Danny.
- Poxa, achei que vocês não vinham mais - Falou indo cumprimentar que ainda parecia meio lerda com os acontecimentos. Ah, tá me engana que eu gosto. E o melhor: todos sabiam desse jantar, menos eu! Abaixei a cabeça rindo da minha situação. Ótimo, era melhor eu entrar na brincadeira. É guerra? Então tá!
P.O.V.
Hã? Onde estão as câmeras? O apresentador? Isso só pode ser pegadinha! Não é possível!
- Nós pegamos um pouco de trânsito - Falou Danny, contraindo os lábios. Ah, então quer dizer que o meu quase ex-namorado tramou com esse ser ruminante?
Olhei para Tom tentando achar alguma resposta a isso tudo. Mas ele me lançou um olhar sarcástico. Quê? Então ele sabia de tudo, né?! Os três me fizeram de idiota? Agora é que eles vão ver só!
- Bem, agora estamos aqui, não é mesmo? Então vamos comer, porque eu amo tudo nesse restaurante, principalmente a comida - Falei com o melhor tom falso de simpatia que eu podia.
- Acho que você não lembra, amor. Mas foi aqui que eu te pedi em namoro - Falou Danny me dando um selinho. Olhei para Tom, ele desviou o olhar para longe, fingindo não estar prestando atenção a nossa conversa.
- Ah, que romântico. Não é, Tom? - Falou Zoe sentando ao lado dele. Por ironia do destino, Danny afastou a cadeira que ficava de frente para o Tom para que eu sentasse. Agora ele encarava seu prato vazio rindo consigo mesmo - Liga não, o Tom está assim hoje, ele custou a dormir e acho que teve sonhos perturbados pois se mexia muito à noite.
“Ah é? E como você sabe? Claro , ela deve saber por que DORMIU com ele!” E eu realmente acreditei que ele ia terminar com o Zoe.. Como eu sou burra!
- Quê, Zoe? Que horas você entrou no meu quarto? Bebeu foi? - Tom franziu o cenho. Me engana que eu gosto, Fletcher!
- Ainda não bebi - Falou Zoe sorrindo. Eu sabia que esse ia ser um jantar daqueles. Precisava de uma ajudinha.
- Nem eu, vamos pedir alguma coisa para beber logo. Garçom! - Chamei, Danny me olhou de rabo de olho, eu sabia que nesse tipo de lugar não se chama o garçom gritando, mas essa era uma questão de vida ou morte... Alheia - Por favor, quero qualquer coisa alcoólica que o senhor tenha de mais forte nesse restaurante. Aliás, traga a garrafa inteira disso. Obrigada.
Tom Fletcher’s P.O.V.
Nossa, lindo mesmo estarmos aqui, exatamente no lugar que Danny a pediu em namoro. Será que vir nesse restaurante era para fechar um ciclo ou para me provocar? Quer saber, eu vou beber também. Talvez ache graça ao invés de ter que ficar controlando minha raiva.
- Duas Garrafas, por favor.
O garçom ficou dez segundos sem saber se isso era realmente sério. Foi quando ele se tocou e realmente saiu da mesa ainda assustado.
- Então, como está a Cris? - Falou Zoe.
- Está bem... - Falou Danny desconfortável com a pergunta.
- Tem certeza, Danny? Você não acha engraçado que a Cris, tão alcoólatra do jeito que ela é, não tenha bebido uma gota de álcool no Ano novo? - Alfinetei.
Eu vi a expressão de todos na mesa mudar. Principalmente a de , ótimo. Talvez ela colocasse a cabecinha dela para funcionar e percebesse os fatos escondidos por trás das mentiras de Danny. O garçom veio trazendo duas garrafas de Martini. Ele abriu e encheu meu copo e da .
- Para mim também - Ordenou Danny para o garçom - Sabe, Tom. Eu acho várias coisas engraçadas...
- Como por exemplo? - Provoquei. Bebendo a taça toda e a enchendo de novo.
- Hm, esse seu roxo no pescoço. Estou achando que Zoe vai ter muita dor de cabeça em namorar você.
- O que você está insinuando, Jones? - Falei bebendo um bom gole - Que eu fiquei com a ?
- AI! – Falou Zoe de repente.
P.O.V.
OMG... Perna errada! Bem, por muitas outras coisas a Zoe merece apanhar. Sério, por que o Tom não cala a boquinha? Cadê a droga do garçom para trazer logo qualquer comida e encher a boca desse idiota parar ele não falar mais besteira! Ele me encarava como se estivesse se divertindo. Ficou louco, só pode!
Danny tinha os olhos apertados, desconfiando do meu chute na canela de Zoe, que por sua vez ainda massageava para fazer a dor passar mais rápido.
- Er, foi mal, Zoe – Foi o máximo que eu consegui dizer antes de Danny falar.
- Eu não insinuei nada. Aliás, eu nem comentei nada sobre a . Estranho... - Falou Danny olhando para mim. Eu acabei com a minha taça de Martine e logo me encarreguei de encher de novo.
- Porque estávamos, eu e , sozinhos quando eu caí. O caminho de volta do brinquedo não dava nem 5 minutos andando. Acho que é você que está insinuando as coisas sem perceber - Aonde Tom queria chegar com essa briguinha toda?
- Ué? Você não caiu há dois dias? - Perguntou Zoe – Três, na verdade.
Silêncio. Ah, que beleza. Achei melhor interferir.
- GARÇOM! - Depois do restaurando inteiro olhar para minha cara, um homem baixinho e ligeiro veio de novo até a nossa mesa - Acho que já vamos pedir algo para comer - Forcei um sorriso.
Tom Fletcher’s P.O.V.
Nossa, a está com medo de quê? Eu pedi um prato qualquer ao garçom e o restante fez o mesmo. Depois de uns segundos eternos de silêncio, Zoe resolveu falar.
- Hem, Tom? - Querendo uma resposta minha.
- Ah, Zoe. Aconteceu como o Danny mesmo insinuou. Eu fui no brinquedo com , a gente estava conversando e ela me agarrou subindo em cima de mim e fazendo esse chupão - Eu vi os olhos de se arregalarem, ela ficou estática. Danny franziu o cenho tentando desvendar se isso era verdade ou não. Zoe ficou pasma com a boca entreaberta. Foi quando todos nós caímos na gargalhada.
- Tadinho do Tom, se achando irresistível - Hã? O que eu contei não era totalmente verdade, mas chegava perto. Fala sério, ela disse que me amava e me ridiculariza na frente do futuro ex? Então ela não me acha atraente? Essa marca no meu pescoço apareceu sozinha também?
- Ele é sim! – Zoe quase gritou. Medo - Ainda mais quando estamos nos divertindo no colchão d'água dele - Falou Zoe invertendo o jogo. Finalmente Zoe deu uma dentro. Se bem que... Merda, agora vai ficar sabendo que eu transei com Zoe. Cadê meu copo de Martini?
P.O.V.
Eu, que estava bebendo mais Martini, acabei engasgando. Cuspi sem querer na cara do Tom na minha frente. Danny me olhou confuso. Aquela piranha realmente já dormiu com o Tom? Mas... Mas... Que abuso! Eu não ia escutar isso e ficar calada!
- Ah é, Tom? - Eu o encarei séria, enquanto ele bebia mais - Pena que colchão d'água não serve pra gente. Né, amor? – Falei, afagando o cabelo da nuca de Danny. Tom ergueu as sobrancelhas e suspirou forte - Porque do jeito que a gente é, ele podia estourar.
Zoe olhou para Danny e depois para mim, levando a sério e meio chocada com o que eu acabei de dizer. Tom preferiu encarar o teto e só contraiu os lábios. Seu punho fechado denunciava sua raiva. Não estou nem ai para você, Fletcher.
Danny sorriu e me beijou. Eu não perdi a oportunidade de lhe dar um beijo de cinema.
- Esse é um dos motivos para a estar comigo - Danny piscou para mim com cara de safado. Eu ri, eu realmente achava graça quando ele brincava assim.
- E qual é o motivo de você estar com ela? Porque até onde eu me lembro, você só namorava com loiras. quebrou todos os seus paradigmas – Falou Tom irritado.
- O que eu posso dizer? Acho que você não sabe o quanto é maravilhoso ter um amor correspondido - Meu Deus, eu pensei que depois dessa, Tom ia levantar e socar o Danny. As coisas estavam começando a ficar bem tensas. Acabei o meu terceiro copo de Martini. E Tom encheu pela quarta vez o seu copo. E lá se foi uma garrafa inteira.
Tom Fletcher’s P.O.V.
Ótimo, além de roubar a minha garota, além de tirar toda a sua inocência, ele ainda joga na minha cara que ela o ama? Apesar de acreditar mais no que disse sobre seus sentimentos, em Legoland, eu ainda tinha o meu orgulho ferido. Chega, cansei de ser humilhado. Danny sempre jogou isso na minha cara. Mas essa foi a última vez. Ao invés de bater nele e ser expulso do restaurante, eu resolvi usar uma técnica melhor:
- Sei sim, Danny. Com Zoe eu pude entender o sentido completo de amor correspondido - Falei com a maior simplicidade do mundo. Olhei para Zoe e vi seus olhos brilharem. Se ela pode fingir que o ama, eu também posso.
Todos ficaram calados na mesa, os olhos de se encheram d'água. Por um segundo eu queria gritar, dizer que era mentira tudo aquilo que eu havia dito, falar que mesmo depois de tanta humilhação e sofrimento eu a amava como sempre amei. Respirei fundo ainda cogitando essa idéia, o garçom chegou com as refeições de cada um.
- Licença, eu vou ao toalete - pegou algo na sua bolsa e simplesmente levantou. Eu também levantei e consegui segurá-la pelo punho.
- Você está bem? - Perguntei no seu ouvido.
- Melhor impossível, acho que eu bebi Martini demais, só isso - ela sorriu, tentando esconder uma lágrima que descia de seus olhos.
P.O.V.
“Como eu sou burra, como eu sou idiota!”. Empurrei a porta do banheiro com meu celular na mão. Eu ia ligar para a única pessoa que podia me ajudar nesse momento. !
- Alô? Oi, ! Como você está? Estava com... - ouvi minha melhor amiga falar, animada.
- ? - Cortei, eu não precisava ter cerimônia com ela.
- O que aconteceu, ? - Só pelo meu timbre de voz, sabia que eu não estava bem. Seu tom de entusiasmo sumiu e deu lugar a sua preocupação. Eu tive que engolir o nó da garganta para poder falar:
- Você não vai acreditar. Estou no restaurante com Danny, Tom e Zoe.
- Mas como assim? Você não ia terminar com o Danny? Você não ficou com o Tom ontem?! – Ela quase berrava.
- Eu sei , eles armaram isso tudo pra mim. Tom fez isso de propósito. Está um clima horrível lá na mesa, e Tom declarou que ama a Zoe. Na minha cara. Você acredita nisso? - falei, sentindo uma mistura de indignação e desespero.
- Meu Deus, mas... - Houve uma pausa, ficou tão chocada quanto eu ao escutar isso - Poxa amiga, não faz nenhuma besteira, mas sabe o que acho?
- Hm? - Falei, temendo sua resposta.
- Eu acho que você era mais feliz com o Danny. Você não ficava chorando toda hora, você não ficava triste, entende? Porque você quer largar tudo aquilo que era tão bom, tão saudável, por uma coisa incerta, um amor bipolar. Que às vezes é bom e às vezes... Te faz sofrer tanto! E você nunca sabe onde pisar porque não existe nada concreto, nada onde você possa se sentir segura.
De certa forma ela tinha razão. E eu odiava ter que concordar com isso.
- Porque, talvez, eu não me lembre de ter vivido tantas coisas boas com o Danny. Talvez eu tenha voltado ao ponto de partida, quando eu tava em dúvida se eu queria o Danny ou o Tom. Agora me vejo nessa bifurcação de novo. Eu queria escolher o Tom, mas tudo conspira para eu escolher o Danny. O que eu faço?
Ouvi minha amiga suspirar do outro lado da linha.
- Eu acho que... Eu ia mandar você optar pelo coração, mas se ele não é forte o bastante para aguentar as dificuldades, eu acho melhor você optar pela razão, pelo menos a sua cabeça fica feliz. Agora, do jeito que está, nada está feliz.
Senti uma lágrima quente contornar meu rosto, eu ainda pensava no que fazer.
- Ah amiga, eu odeio de ver assim, que merda! Por favor, não faz nenhuma loucura! Por que você não vai embora? Isso só vai fazer você se sentir pior. Toma cuidado , eu te conheço! Você também deve ter falado ou feito alguma coisa para provocar o Tom, não foi? - Como eu fiquei em silêncio, ela continuou - Amiga, só entende uma coisa, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Tom sempre esteve de quatro por você, você tanto falou, tanto fez, que tem uma hora que a pessoa não aguenta mais. Sabe, vai embora , todo mundo deve estar de cabeça quente, ficar ia não vai ajudar em nada!
- Quer saber?! É isso mesmo que eu vou fazer. Obrigada, amore. Beijo - Desliguei.
Olhei para o espelho, as lágrimas borraram minha maquiagem, nada que um lenço de papel e uma pouco de água não resolvam. Quando eu toquei na torneira para abrí-la, um clarão inesperado surgiu.
"- , você não tem noção de como ela é linda - Falei para o telefone, com a minha mão direita estendida, admirando a aliança que havia acabado de ganhar do Danny - É prateada com um brilhante no meio. Sério , é perfeita!
- Ah meu deus, eu quero ver! Amanhã que vou passar na sua casa e você me conta TODOS os detalhes, ouviu bem? Nossa, eu não sabia que o Danny era romântico.
- Nem eu, quer dizer, no dia que ele me pediu em namoro foi lindo também! E ele me trouxe no mesmo restaurante. Só porque ele sabe o quanto gosto daqui.
- Amiga, não perde tempo comigo não! Volta pro seu gato, que ele deve estar esperando lá na mesa!
- É verdade! Vou voltar. Nossa, eu estou tão feliz!
- Eu estou muito feliz por você , há muito tempo que eu não te vejo tão alegre. O Danny foi a melhor coisa que te aconteceu.
- Não é? É tão bom ter alguém que gosta de você - Falei ainda maravilhada com o anel! - Eu vou lá então, que eu tenho que retocar a maquiagem. Beijo, .
Eu respirei fundo, curtindo a minha felicidade. Olhei para o espelho e vi meu o meu lápis de olho borrado no cantinho do olho. Só limpar com a água e estarei pronta para sair.”
Assim que meus dedos tocaram a torneira, eu saí do meu passado e parei no presente.
“Eu era realmente feliz antes desse acidente”, pensei alto. Tem coisas que nunca mudam, às vezes temos que quebrar a cara para saber disso. Lavei o rosto. Era difícil me manter tranquila no meio de tantos conflitos psicológicos. Eu sentia um vazio. Algo estava incompleto dentro de mim. A vontade de chorar passou, e deu lugar a acomodação. Ainda me perguntava se eu e Tom fomos feitos um para o outro, já que o destino insistia tanto em nos separar.
Enchi meus pulmões de coragem, decidida a ir embora o mais rápido possível desse lugar. Abri a porta do banheiro e dei de cara como Tom do lado de fora, ele estava parado como se estivesse me esperando.
Capítulo 27 – No lugar errado e na hora errada.
Excelente! Sorte que a entrada do banheiro não dava para ver da nossa mesa. “Que maravilha, uma DR agora era tudo que eu precisava.” Abaixei a cabeça, esperando por alguma reação dele. Eu ainda pensava seriamente em ignorá-lo e ir embora. Antes que eu pudesse fazer isso, senti sua mão quente entrelaçar na minha, me fazendo encarar seu rosto, que estava muito perto por sinal.
- Você realmente acreditou naquilo tudo que eu disse? - Falou Tom baixinho.
- Eu não sei, Tom - Olhei no fundo dos seus olhos.
- Pelo amor de Deus, . A gente já conversou sobre isso antes. Você sabe que nada do que você escutou de mim lá na mesa é verdade - Ele me olhou com bondade. Ele me beijou, mas na mesma hora eu senti uma certa aversão, eu precisava saber o que realmente tinha acontecido. Eu parti o beijo e falei aquilo que tinha entalado na garganta.
- Então... Você não dormiu com a Zoe? - Perguntei temendo pela sua resposta. Tom fechou os olhos devagar, e contraiu os lábios.
- Er... - Uma ferida se abriu no meu peito, eu senti gosto amargo da decepção. Eu preferia não ter tido essa conversa com o Tom.
- Deixa Tom, você não precisa falar mais nada - Falei indiferente. Eu era orgulhosa demais para dizer o quanto eu estava sofrendo naquele momento. Eu não sabia ao certo o que eu estava sentindo, se era raiva, tristeza, decepção, dor. Talvez tudo junto.
- Claro que precisa, por favor , não me olha desse jeito. Eu sei que você deve estar... Decepcionada... Ou sei lá, mas...
- Decepção não mata Tom, só me fortalece - Cortei seca.
- Mas você não está entendo, ! Não significou nada pra mim, não teve valor nenhum - Eu via a aflição tomar conta dos seus olhos.
- Poxa, mas você disse que gostava de mim, sabe? E levou ela pra cama? Você não tinha nada com ela direito... Por que você fez isso, então?
- Foi... É que... Eu fui, praticamente, obrigado. Eu falei, eu não queria! Mas ela...
- Ah, você não queria? Entendi... - Cortei. Eu olhava para o teto, rindo. Ele realmente achou que eu ia engolir essa? - Conta outra, né? Quer saber, Tom?! Eu não me importo.
- Olha , me escuta. Foi depois disso que eu descobri que você é mesmo o amor da minha vida, não importa que eu aconteça, não importa aonde eu tenha que correr atrás de você, porque eu vou!
- Que romântico, Tom. Então eu vou ter que passar por isso pra descobrir se você é o amor da minha vida - satirizei.
Vi a indignação arder em seus olhos e suas bochechas ficaram vermelhas. Acho que eu consegui cutucar exatamente onde eu queria. Tudo tem suas consequências, ele sabe que fez besteira. E quando eu o alfineto, parece que a minha dor diminui lentamente. Ele merece... Ele dormiu com a Zoe.
Eu coloquei a mão em meu colo, sentindo ele se rasgar por dentro. Será que eu merecia isso?
Minha garganta estava seca, fechei os olhos desejando que tudo aquilo fosse só um sonho ruim.
- Eu acho que eu vou pra casa. Já está ficando tarde, amanhã gente se vê na festa - Eu comecei a andar devagar e ouvi Tom rindo atrás de mim. Virei para olhá-lo, não entendendo sua reação.
- Quer saber, ? Faça o que você quiser. Eu desisto de me humilhar para você, eu já fiz tudo que eu podia, tudo que estava ao meu alcance, mas sabe o que eu acho? - Ele falou com um sorriso de deboche.
- O que você acha? - Paguei para ver. Levantei o queixo e apertei os olhos, encarando-o.
- Que o maior motivo da gente não estar junto é você! - Assim que ele acabou de falar sua expressão mudou, agora era de derrota, parecia estar inconsolável.
- Hã? Eu? - Perguntei indignada - Vou embora. Eu não preciso ficar escutando isso.
- Vai embora! Como você sempre faz. Engraçado - Ele parou de falar, agora parecia revoltado. Bipolaridade de bêbado. Fato – É, fui pra cama com Zoe, sim! Transei com ela, sim! Foi um erro, mas eu admito. E você, ? Pensa que eu me esqueci do dia do Ano novo? Quando eu cheguei no quarto e você estava de calcinha e sutiã? – Agora ele me imitava – “Não te interessa o que eu fiz e deixei de fazer. Muito menos como eu faço. Ok?”. Se você pode transar com o Danny, por que eu não posso com a Zoe? Tomara que tenha sido tão especial como você costumava dizer para mim e para .
- Para seu governo Fletcher, eu infelizmente sou virgem – Eu o vi mirar o chão e sorrir de lado mostrando aquela covinha irresistível – Ainda.
Ele levantou a cabeça meio atordoado, eu não esperei nem mais um segundo. Cheguei até a minha mesa e Danny e Zoe que comiam em silêncio.
- Espera, – Eu nem dei ouvidos, já possuída pelo ódio. Se o Tom pode transar com quem ele quiser.. Eu também posso!
- Danny, meu amor, aconteceu uma coisa – Cheguei já sentando ao seu lado e afagando sua nuca.
- O quê?! – Ele perguntou confuso. Pela visão periférica, vi Zoe unir as sobrancelhas.
- Ela bebeu demais Danny, só isso – Ouvi Tom dizer.
- Deixa ela falar, Tom – Danny fez um gesto de silêncio.
- É, ô senhor irresistível, fica na sua! Amor, eu preciso ir agora para casa – Tom fechou a cara quando acabei de falar.
- Você está passando mal, foi por isso que demorou no banheiro? – Ele olhava para mim e para o Tom, desconfiado.
- Não, Danny. Não estou passando mal. É que eu preciso fazer uma coisa com você. Na sua cama de preferência, mas se for na cozinha, no chuveiro, pode ser também – insinuei.
- Opa – Zoe arregalou os olhos.
- Er.. Ok – Falou Danny olhando para os lados, mas não me levou a sério – Quer dizer, eu só estou acabando de comer. E você ainda nem tocou no seu prato. Que tal você comer um pouquinho, para ver se passa o efeito da bebida – Ele falou e começou a rir. Hã? Danny também não estava bem.
- Acho que esse conselho vale para você também, Danny. Ele tomou uns 3 copos enquanto vocês estavam lá – Falou a vaca meio tímida.
- Alguém perguntou? – Falei nem olhando para ela.
- Mas por que você demorou tanto lá atrás, com... O Tom? – Danny finalmente se tocou que o Tom estava comigo.
- Ah, ele estava me ajudando a colocar a cinta liga que eu vou te mostrar daqui a pouco na sua casa – Pisquei – Então, vamos?
Danny engasgou com a comida.
- Claro que não, Danny – Falou Tom revoltado, levantando da mesa e gritando – Ela me ama, ele quer terminar com você e ficar comigo! Pronto, falei.
- E eu? – Falou Zoe indignada.
- É, eu também ia terminar com você – Falou Tom levianamente – Só que ela descobriu que a gente transou!
- Tom, fala baixo – Falou Zoe constrangida – Mas... Mas...
- Não dá ouvidos para ele, Danny. Tom tá bêbado – Falei tentando aliviar a tensão.
- É tudo culpa SUA, ! SE VOCÊ NÃO EXISTISSE O TOM SERIA MEU. SÓ MEU – Zoe, levantou enfiando o dedo na minha cara.
- Olha aqui, sua ruivinha recalcada, eu já estou por aqui com você. Tira esse dedo daí – falei batendo forte na sua mão – Sinto muito se você não é nem um terço do que eu sou. Morra de inveja.
Eu a vi levantar a mão para dar na minha cara, antes que ela pudesse realmente bater em mim, Tom segurou sua mão. Danny me segurou pela cintura para eu não avançar na piranha. Eu comecei a me sentir meio tonta, devia ser a bebida. Mesmo assim voltei a falar:
- Talvez o Tom goste de pessoas mais recatadas que não saem se oferecendo para ele no primeiro encontro. Talvez ele queira alguém que se dê o respeito, o que não é o seu caso, né querida?
- Por favor, os senhores estão convidados a se retirar – Falou o garçom baixinho. Que susto! Nem tinha visto ele chegar.
- Vamos, – Falou Danny me puxando pelo braço. Eu só respirei fundo, abstraindo a idéia de bater com a cabeça da Zoe na mesa. Eu girei meus calcanhares na direção da saída, agora eu estava completamente zonza.
- Isso, vai mesmo! - Ouvi a vaca falar - Sua chifruda desmemoriada. Você foi atropelada porque você é burra. Sabe do que mais, você devia ter mor...
A voz de Zoe foi ficando distante, o restaurante começou a ficar escuro. Olhei para frente e vi dois faróis, eu estava numa rua
iluminada por luzinhas natalinas. O carro estava muito perto agora, ele ia me matar e eu não conseguia me mexer. Olhei para o lado
e Danny estava parado na calçada enquanto várias pessoas estavam passando por ele sem notar a presença de nós dois. Vi uma lágrima
escorrer de seus olhos azuis, ele tinha um colar dourado com um pingente da mesma cor. Voltei a olhar o carro vindo em minha direção,
comecei a ficar ofegante vendo, cada vez mais, a luz se aproximar. A única coisa que eu consegui fazer foi fechar os olhos.
***
- ? – Ouvi a voz de Danny estava ao meu lado, abri os olhos ainda arfando – Você está bem?
Pisquei forte obrigando meus olhos a entrarem em foco. Olhei para frente, percebendo estar deitada. Danny apareceu no meu campo de visão, seu sorriso familiar me deixou mais calma, mesmo não sabendo onde eu estava.
- Ela já acordou, Tom. Já pode ir, e leva essa criatura com você – Falou Danny.
- , fala comigo. Como você está se sentindo? – Ouvi a voz do Tom.
- Onde eu estou? O que aconteceu? Eu fui atropelada de novo? – Eu coloquei minhas mãos pelo corpo, procurando algum vestígio de sangue. Nada. Olhei em volta e percebi estar no carro de Danny.
- Calma , você está no meu carro porque desmaiou no restaurante e nós te trouxemos para cá. Você ficou apagada por alguns minutos, mas pelo visto ainda está bem e ainda se lembra de nós.
- Essa não é hora para brincadeiras, Danny – Ouvi Tom enfurecido.
- Essa garota já acabou com a ceninha? – Falou a ruiva.
- Leva essa menina embora! Mas que inferno, Tom! – Ordenou Danny, já Tom contraiu os lábios, se despediu de longe e se virou segurando Zoe forte pelo braço e a arrastando até o carro. Da onde eu estava só deu para ouvir um “Ai” antes de ela começar a resmungar qualquer coisa.
- Vou te levar para minha casa. Você está mesmo bem, ? – perguntou Danny desconfiado.
Assim que ele terminou de falar, eu percebi. Sentia um vazio, como se eu estivesse incompleta. Era uma sensação desconfortável, até um pouco agoniante. Estranho.
- Estou bem – Pisquei forte, e vi um fl de Tom tocando Zoe. Aquilo me incomodou. Ainda não tinha caído a ficha que Tom realmente tinha feito isso. Eu tentava ao máximo esquecer, ou pensar em outra coisa, mas era quase impossível. Danny deu a partida na sua BMW, e num piscar de olhos, ele já estava estacionando dentro de sua garagem.
Antes de desligar o carro, ele parou e me analisou por alguns segundos. Me deu um beijo na testa em silêncio e fechou e bateu a porta do carro atrás dele. Antes que eu pudesse abrir a porta do carona ao meu lado, Danny o fez, e antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele me pegou no colo e me levou para dentro de casa.
Eu me sentia um pouco desconfortável por ficar dando tanto trabalho para o Danny. Afinal, o problema era da minha cabeça e não minhas pernas, eu podia andar perfeitamente. De repente, ele parou na sala, ainda me segurando no colo.
- Está se sentindo melhor? - Falou com um tom de preocupação, eu só fiz que sim com a cabeça - Qual é o meu nome? - Falou, me testando. Mereço!
- Daniel Jones. Agora pode me colocar no chão? - Falei, forçando o sorriso.
- Ainda não, , é melhor te colocar na cama, assim não tem risco de você se machucar - ele piscou.
Ele começou a subir as escadas e eu comecei a me espernear, eu queria ficar de pé! Desse jeito eu me sentia uma aleijada que não conseguia sequer andar, credo!
- Deixa eu andar, Danny! Por favor! - Supliquei ainda esperneando.
- Só se você me prometer que, se ficar tonta, eu volto a te pegar no colo. Ok? - Ele ergueu as sobrancelhas. Eu só dei de ombros.
Danny me pousou no chão, com sutileza, em um degrau a cima do que ele estava, fazendo com que eu ficasse na quase da altura dele. Seus olhos azuis invadiram os meus, e senti meu vazio diminuir. Ele sorriu de lado ainda com os olhos fixados em mim. E sem pensar mais um segundo, eu o beijei.
Começou com um beijo sutil, devagar. Ele pegou a minha nuca de leve, e eu segurei seu rosto. Enquanto eu depositava no beijo toda a minha insegurança e decepção, Danny deixou sua mão cair até minha cintura. Já eu segurei seus semi-cachinhos conduzindo o beijo, cada beijo era mais intenso que o anterior. Ele segurou a minha bunda e apertou de leve. Eu dava leves chupões em seu pescoço, deixando sua pele arrepiada. Ele começou a deslizar sua mão nas minhas costas, e eu pegava em seu cabelo cada vez mais forte. Eu já comecei a ofegar um pouco. Ele passou da mão minha cintura para a barriga e foi subindo devagarinho. Eu sentia um misto misto de nervoso e excitação, e pedia mentalmente para que ele arrancasse minha roupa o mais rápido possível. Seus dedos tocaram o meu seio por cima do vestido. Meu coração disparou e eu o beijava cada vez mais. Tirei seu paletó grafite e sua blusa preta em tempo recorde. Eu arranhava de leve seu braço musculoso enquanto ele ameaçava em tirar a alça do meu vestido.
Quando eu me dei conta, pulei em seu colo o abracei, com as pernas, sua cintura. Ele me segurou pelas minhas coxas e me levou para o andar de cima.
Nossas bocas não se descolaram um segundo. Senti minhas costas baterem no colchão macio, e o corpo sarado de Danny em cima do meu me deixava mais necessitava ao seu toque. Eu tirei com dificuldade sua calça, sentindo toda a sua excitação de baixo de sua boxer branca. Eu sabia o que eu queria naquele momento.
- Amor... Você tem camisinha? - Falei entre uma respiração e outra.
Ele parou de beijar o meu pescoço e eu tinha quase certeza que ele dera um sorriso de lado. Sem pensar duas vezes, ele levantou da cama e correu até o seu criado mudo pegando uma. Eu tratei de tirar logo o meu vestido e ficar só de calcinha. Meu coração disparado me deixava inquieta pelo o que estava por vir. Eu precisava daquilo! Danny sentou na beira da cama e abriu o pacote de camisinha, tirou sua cueca meio afobado. Eu o beijei e o puxei para o centro da casa de casal. Enquanto eu, já ofegante, o excitava beijando e sugando seu pescoço, Danny estava completamente atrapalhado colocando a camisinha. Daquele jeito ele parecia tão inexperiente quanto eu.
- Vai, amor.. Vai - Gemi no seu ouvido, querendo lhe estimular.
Ele não sabia se me beijava ou se acabava de colocar a bendita camisinha, que por sinal parecia estar escorregando de sua mão, resolveu fazer os dois ao mesmo tempo.
- Isso... - Falei arranhando suas costas com uma mão e puxando seu cabelo com a outra. Sua lerdeza começou a me irritar. Voltei a falar, já perdendo a linha e a paciência – Anda logo, Tom!
O clima pesou instantaneamente no quarto. Danny ficou imóvel, com os olhos fixos em mim. Meus olhos se arregalaram, escondi meu rosto com as mãos na tentativa inútil de desaparecer dali. Danny me encarava com uma mistura de indignação e nojo. Eu abrir e fechei a boca várias vezes, querendo dizer algo que desfizesse aquele ato. No ímpeto, eu o beijei, na tentativa de ele esquecer o que tinha acabado de ouvir. Ele segurou meu rosto e perguntou ainda me encarando, fazendo com que eu me sentisse pior.
- Quem? - Nem eu e nem ele parecíamos ter acreditado que aquilo realmente havia saído da minha boca. Até quando eu estou quase transando, aquele idiota me atrapalha. Como eu não tinha resposta, apenas supliquei com os olhos para que ele me perdoasse - Eu vou dar uma volta, .
Ele vestiu a roupa que estava no chão, e saiu. Fiquei sentada na cama, nem me dei ao trabalho de me vestir, devo ter ficado meia hora sem fazer grandes movimentos, até que o frio invadiu minha alma, minhas lágrimas molhavam o meu pescoço, colo e barriga, eu não as enxugava, eu não tinha forças para isso. Repassava a cena na minha cabeça a fim de compreender como eu tinha feito tal burrice. Só uma tinha uma razão para isso tudo: Eu realmente gostava daquele idiota do Tom.
Depois de quase desidratar de tanto chorar. Acabei adormecendo. Eu sentia frio, muito frio. O sonho da Cris, a porta e o carro vieram me atormentar de novo. Acordei puta da vida querendo dar de uma vez por todas um fim naquilo. Eu ia ver qual era a daquele lugar, e ia ser AGORA!
Fui no banheiro, decidida. Coloquei o meu vestido azul marinho, meu sobre-tudo preto por cima. Ótimo, Danny saiu de carro e levando junto minhas roupas que eu tinha deixado quando passei uma temporada na sua casa.
Lembrei de dizendo que aquele bairro não era muito bem visto, principalmente à noite. Por isso nem me dei ao trabalho de me preocupar com a hora. Pensei em avisar para alguém que eu estava indo pra lá, caso eu fosse seqüestrada ou me perdesse. “Tom, fui para o Brixton. Não me impeça. Beijo.” Pronto, isso já era o bastante.
Peguei minha bolsa e olhei quanto eu tinha na minha carteira. Era só o suficiente para eu pegar um táxi daqui até minha casa. Minha única solução, ônibus. Fui para o ponto, deserto por sinal, até que passasse um ônibus que vá para Brixton já iria ter amanhecido, era melhor eu ir de metrô mesmo.
Entrei na estação Wimbledon, que não era muito longe de onde eu estava, nem 5 minutos eu já estava a caminho de Brixton. Sozinha, o trem foi parando de ponto em ponto. Ninguém embarcava. Southfields, East Putney, Putney Bridge, Parsons Green, as estações era muito silenciosas, só ouvia o som da freada suave do vagão a cada ponto. Cada vez mais escuro, cada vez mais sinistro, aquilo me deixava apreensiva. Mas eu estava farta de não poder transar e não poder dormir, ao menos um desses problemas eu resolveria. Tinha alguma coisa naquele lugar, isso era fato.
Meu destino me obrigava eu trocar o vagão, “Victoria-Brixton”. Entrei num novo vagão e ele tinha o aspecto sujo. Era mal iluminado. Tive um mau pressentimento, mas entrei mesmo assim.
Um homem de capuz, que estava no fundo do vagão, parecia estar dormindo. Sentei bem na frente da porta, caso algo acontecesse. Pimlico, Vauxhall, Stockewll, esperava impaciente a minha vez de sair, de rabo de olho eu via o homem, seus movimentos acompanhavam o deslocamento do trem. Finalmente o trem parou em Brixton.
Levantei ansiosa, olhei novamente para o homem de capuz e levei um susto. Ele olhava pra mim fixamente e tinha um sorriso sarcástico. Um calafrio fez minhas pernas ficarem bambas de medo. A porta se abriu e eu sai quase correndo. Eu percorria rapidamente a estação, à procura de alguma alma viva do lado de fora. Mas a rua era mal iluminada e estava vazia. Poucos carros passavam por ali. Atravessei a rua avistando meu destino, eu repetia mentalmente o que havia dito ontem: “Estou na Avenida Brixton, entro na primeira a direita, depois da estação de metrô, que é a rua Brighton Terrace, tenho que ir reto e pegar a rua Trinity Gardens.”
Em passos largos e rápidos, virei a esquina da rua Brighton Terrace, onde havia vários uns becos escuros e pessoas em rodinha fazendo alguma coisa que eu nem queria saber. Ainda andava rápido, ouvindo o som do meu salto ao pisar no chão. Eu tentava ser discreta e ligeira. Foi aí que eu pensei, independente da visão que eu tivesse, como eu ia sair dali?
Engoli seco, rezando para ser invisível aos olhos das pessoas estranhas da rua. Quando eu ia dobrar a esquina e entrar na rua Trinity Gardens, senti estar sendo observada, dei uma rápida olhada para trás e vi o homem de capuz as uns 50 metros de mim. “Meu deus, o homem estava me seguindo?!” O pavor dominou meus sentidos. Eu olhei para os lados e vi a uns 10 metros de mim um latão de lixo encostada na parede. Eu corri e me agachei atrás dele para tentar despistar o homem.
Ouvi seus passos ecoando na rua. Meu coração acelerou, o homem andava devagar, certamente se perguntando para onde eu havia ido. O homem passou por mim, e continuou a andar reto, nem percebendo minha presença. Eu continuava a rezar para que ele não se virasse e me visse agachada ali. Um choro mudo de arrependimento veio a tona. O que eu mais queria era estar em casa.
O homem já estava longe agora, mais um pouco e ele teria que virar a rua. Para meu azar, “All the small things” começa a tocar no volume máximo. Fudeu. Olhei para o visor o meu telefone, Tom estava me ligando. Atendi rápido desejando que o homem não se virasse. Tarde demais.
- Pelo amor de Deus, ! Onde você está?! - Gritou Tom do outro lado da linha.
- Eu to na Trinity Gardens - Olhei para frente e vi o homem se virar e começar a correr na minha direção. No ímpeto, eu levantei e comecei a correr enlouquecidamente, fazendo o percurso contrário ao de antes - TEM UM HOMEM ME SEGUINDO, TOM! EU VOU MORRER! - Gritei entrando em desespero.
Quando eu dobrei a esquina correndo, meu salto quebrou e meu telefone voou longe. Cai no asfalto, rasgando meus joelhos. “Ai” foi a única coisa que saiu da minha garganta enquanto eu chorava, mas meu pânico me obrigou a levantar, pois o homem estava muito perto agora.
- Garota, não foge de mim não. Vem cá pro papai - Cada vez que eu dava mais de mim na minha corrida errante, o homem chegava mais perto.
Senti meu cabelo sendo puxado, fazendo eu cair de costas no chão.
- Não, por favor, POR FAVOR! - Gritei, chorando de pavor - Pelo amor de Deus!
Ele subiu em cima de mim e começou a abrir meu sobre-tudo. Eu tentava inutilmente segurar suas mãos. Seus olhos estavam vermelhos e o sorriso sarcástico não saia da sua boca. Ele me deu um tapa no meu rosto, dizendo:
- Se comporta direitinho, gatinha. Vai ser rápido, eu juro - Ele rasgou meu vestido da borda até a altura do meu umbigo, ele começou a passar a mão pela minha coxa, chegando perto da minha calcinha.
- Por favor, me deixa ir! - Eu suplicava entre soluços, meu choro era descontrolado. Eu estava perdida, eu ia morrer. Ele desabotoou a calça, aumentando meu desespero.
Olhava inutilmente para os lados. Ninguém iria me salvar. Ninguém...
Capítulo 28 – A última esperança de
Tom Fletcher’s P.O.V.
O celular caiu no chão do carro com a última frase de . Meu Audi cortava a brisa congelante da madrugada à medida que eu afundava o pé no acelerador. Minhas mãos estavam tremulas de aflição. “Por que ela foi pra lá há essa hora? Por quê?”
Entrei na Avenida Brixton à 250 km/h. Eu tinha que encontrá-la! Tive que frear para dobrar a esquina na Rua Brighton Terrace, sentia que eu estava perto agora. Voltei a acelerar o carro. Quando percebi algo estranho no meio da rua. Apertei os olhos para tentar enxergar melhor, foi aí que eu vi! Aquilo no chão era realmente um homem em cima de uma mulher? Eu demorei a acreditar no que meus olhos viam. Enfiei o pé no freio para não atropelá-los. Foi quando eu entendi a situação, o homem estava violentando alguém.
- Não, por favor! Alguém me ajude! - Ouvi uma voz de choro. Meu coração quase parou quando eu reconheci a voz de .
Eu saí do carro, já dando um soco no homem que estava em cima dela. A raiva tinha me cegado. O homem caiu para o lado, olhei para e ela estava de perna aberta, com o vestido rasgado, tinha muito sangue nos joelhos, nos cotovelos e um pouco no canto da boca.
- , entra na merda do carro - Falei sério. Ela continuou imóvel, certamente estava em estado de choque - AGORA, ! - Gritei, forçando-a a encarar a realidade.
O homem ameaçou levantar, meio atordoado, seu olhar vago fez com que eu deduzisse que não estava sóbrio. Sem pensar duas vezes, eu lhe dei outro soco, que o fez cair deitado no chão, subi em cima dele sem parar de socar em seu rosto, ele tentava se proteger em vão.
- Você merece morrer, seu covarde! - Eu continuava a esmurrá-lo sem piedade, minhas mãos começaram a ficar sujas de sangue, mas eu não estava disposto a parar - Você nunca mais encosta um dedo na , ouviu bem? Nunca mais chega perto dela.
O homem já não se protegia mais, seu sangue escorrendo por todo o rosto sujava a rua, ele ficou inconsciente. Mas eu não ia para de bater nele tão cedo.
Eu queria matá-lo.
P.O.V.
Sentei no banco do carro do Tom. Eu tremia inteira, tinha dificuldade de respirar devido ao meu choro intenso. Eu olhava Tom bater compulsivamente no homem. Comecei a me perguntar se não era melhor sair dali o mais rápido possível. Olhei para o lado e vi, no final do beco, a rodinha de pessoas nos observavam em silêncio.
O segundo calafrio do dia me perturbou. Mas dessa vez eu ia ouvir meu instinto. Tínhamos que sair dali agora! Abri a porta do carro e fui até Tom.
- Tom, já chega, vamos? - Falei, assistindo o Tom deformar o rosto do homem, saía sangue do nariz, da boca, do supercílio. Preferia nem olhar - Por favor, Tom.
Percebi que Tom estava chorando também. Mas ele não parava de bater no estranho. Eu me agachei e segurei sua mão ensanguentada.
- Temos que ir agora, Tom - Falei tentando parar de chorar.
- Ele tem que aprender, . Ele não podia ter ao menos pensado em fazer isso com você. Volta para o carro! – Sua raiva era muito grande, ele limpou suas lágrimas com as costas da mão sujas de sangue.
- Tom, pelo amor de Deus! Se a gente ficar aqui nós dois vamos morrer. Me tira daqui! – Supliquei.
Ele parou por um instante, vi seus olhos perturbados analisarem o ambiente em volta. Tom se levantou em silêncio, deixando o homem inconsciente no chão. Entrou no carro, eu fiz o mesmo. Ele deu meia-volta, e meteu o pé no acelerador. Eu consegui para um pouco de chorar, mas meus olhos ardiam muito. Depois de longos 10 minutos em silêncio, ele resolveu falar.
- Que infernos fez você sair de casa às 4 horas da manhã e vir para um dos bairros mais perigosos de Londres? - Ele falou entre dentes, ele devia estar abstraindo a idéia de me socar também.
- Eu... Eu, queria saber de uma coisa importante – Falei envergonhada.
- Nada é mais importante que a sua vida. Você é suicida?! Porra , eu quase morri quando li a sua mensagem - Falou frio.
- É, eu quase não mandei. Mas... Eu tive medo de acontecer alguma coisa...
- , não se vai a nenhum lugar a essa hora da noite. Você é burra ou o quê? – Cortou.
- Eu vim sem pensar... – Um nó enorme surgiu na minha garganta, depois de tudo que aconteceu, não fazia mais sentido o motivo de eu vir para cá.
- E o Danny? Cadê a porra do Danny? - Tom falava com raiva. Tinha os olhos focados na estrada, e as mãos quase quebrando o volante.
- A gente brigou... - Falei tentando segurar o meu choro descontrolado.
- Ah, sério?! Engraçado... - Falou com sarcasmo - Achei que você ia dar pra ele depois de tanta troca de carinho de vocês lá na mesa. Mas acho que você prefere um desconhecido.
- Não ouse falar assim de mim, Fletcher! Eu não pedi para ser violentada! - Eu voltei a chorar e soluçar - Se for para você me desprezar, eu prefiro que você fique calado... Acho que você não entendeu que eu apanhei e quase fui estuprada. Já é o suficiente para hoje, ok?
Coloquei minhas mãos sobre meu rosto. Eu soluçava muito. Pela situação, pelo Danny, pelo Tom. Comecei a pensar seriamente em me jogar do carro.
Senti Tom frear e estacionar o carro num acostamento. Seus braços me envolveram e eu me aconcheguei no seu tórax quente. Foi aí que eu desabei. Chorei até não poder mais. Perdi a noção de quanto tempo ficamos abraçados. Até que eu me acalmei o suficiente para encará-lo.
- Desculpa, Tom...
- Eu juro , eu achei que hoje ia te perder... Pra sempre.
Ele limpou uma lágrima que saltou dos meus olhos, chegando bem perto do meu rosto, ele voltou a falar:
- Não faz mais isso comigo. Ok? Eu também não queria ser grosso com você, mas essas suas maluquices me tiram do sério. Acho que você não entendeu a gravidade do que podia ter acontecido hoje. Se acontecer alguma coisa com você, eu não sei o que vai ser de mim - Eu só assenti. Fui aproximando meu rosto ao encontro do dele. Mas fui interrompida com o toque do celular de Tom. Ele atendeu:
- VOCÊ JÁ ACHOU A ?! PELO AMOR DE DEUS TOM, EU ESTOU INDO PRAÍ - Eu conseguia ouvir perfeitamente os berros de do telefone.
- Já estou com ela, . Pode ficar tranquila. Vou levá-la para casa - Falou com os olhos fechados, massageando as têmporas. Deixando sem querer uma marquinha de sangue em cada lado. Resolvi ficar quieta.
- PARA SUA CASA NÉ, TOM? ACHO QUE AQUELE ACIDENTE FEZ COM QUE A GABRIELLA PERDESSE O SENSO DE PERIGO! - Ela bufou - DOUGIE, ESTÁ TUDO BEM! TOM JÁ A ENCONTROU!
Eu me senti pior do que já estava. Analisar a situação agora, depois de tudo que aconteceu, deduzi que foi a maior burrice da minha vida ter vindo para cá numa hora dessas, se não fosse Tom, eu poderia estar morta. Engoli seco tentando afastar esse pensamento.
- Ok , eu vou acorrentá-la lá em casa - Houve uma pausa - Acho melhor você não falar com ela – Outra pausa - Porque ela está traumatizada e machucada. E, sim, eu já dei esporro nela.
- Machucada?! VOCÊ BATEU NELA, FLETCHER?! – se desesperou.
- Claro que não! Você está maluca? Eu nunca encostaria um dedo em nenhuma mulher, muito menos na – Pausa - É uma longa história, depois eu te conto. Você quer mesmo falar com ela? – Ele disse ao telefone.
Tom me olhou como se perguntasse se eu estava em condições para falar com . Eu prendi minha respiração errante e estendi a mão para pegar o telefone.
- ? - Falei com voz de choro.
- . Se eu fosse cardíaca eu teria tido um infarto HOJE! O QUE A CRIATURA FOI FAZER DE MADRUGADA EM BRIXTON!? SE VOCÊ QUER MORRER, SE JOGA DA PONTE, CORTA OS PULSOS E NÃO MATE OS OUTROS DE PREOCUPAÇÃO! – Ela suspirou fundo, acho que ela teria me batido se estivéssemos falando cara a cara -
Ainda manda uma mensagem para Tom como se avisasse que foi ao shopping. Porra, ! - Eu não conseguia mais segurar o choro, eu soluçava constantemente, meu único desejo era ir para casa. Vi Tom dar a partida no carro. escutou meu choro desesperados por alguns segundo e voltou a falar - Poxa amiga, você não faz mais isso. Sério, além de colocar em risco a sua própria vida, você faz com que todo mundo fique preocupado. Eu quase liguei pra sua mãe, se o Tom não tivesse te achado até agora eu tinha ligado, de verdade.
- Des..Cul..Pa - falei entre soluços.
- Bem , agora você vai pra casa do Tom e fica lá direitinha, ok? Quer que eu passe daqui a pouco lá para te ver? – Falou carinhosa.
Fiquei pensando por um segundo qual seria a reação de ao me ver nesse estado.
- Deixa amiga, eu vou ficar bem agora. Brigada por tudo - Falei um pouco mais calma.
- Bem , você sabe que pode me ligar a hora que for, se precisar de mim eu vou aí te ver! De qualquer jeito, nos vemos mais tarde na casa do Dougie! E vê se descansa um pouco. Um beijo.
- Ok , beijo e até amanhã - funguei e desliguei o telefone.
Encostei minha cabeça no vidro do carro, já deviam ser mais que 5 da manhã. Havia poucas pessoas na rua, e o azul marinho do céu já estava começando a clarear. Eu permaneci calada, tentava parar de chorar, mas não era uma tarefa fácil. Depois de uns 10 minutos dirigindo, finalmente chegamos ao prédio de Tom.
Ele estacionou o carro na garagem do subsolo. Nosso silêncio maximizava minha dor. Eu sentia meus joelhos e a palma das minhas mãos latejarem, enquanto o sangue quente, misturado com resto de asfalto, estancava. A minha boca ficou um pouco inchada devido ao tapa que eu levei, e o gosto de sangue estava me deixando enjoada. Mas minha dor física nem se comparava com o turbilhão de pensamentos e sentimentos que me torturavam agora. Humilhada, envergonhada, fraca, imponente, arrependida, suja. A imagem daquele homem de capuz me atormentava cada vez que piscava meus olhos cansados.
Senti a mão de Tom afagar meu rosto. Seus lábios se contraíram ao analisar meu estado deplorável.
- Você consegue andar, ? - Falou, com um timbre de voz doce e preocupado.
- Acho que sim... - Falei, minha voz era fraca devido ao choro constante.
- Bem, acho melhor eu te levar no colo até o elevador, só por garantia. Chega de surpresas por hoje, né senhorita ? - Ele falou tentando brincar comigo, o máximo que ele conseguiu foi tirar um sorriso tímido do canto esquerdo da minha boca, mas foi o suficiente para alegrá-lo.
Tom deu um beijo em minha testa antes de sair do carro. Eu o esperei contornar o carro e abrir a porta para mim. Cuidadoso, me ajudou a ficar em pé, tirou seu paletó que estava no banco de traz e me vestiu. Ele me pegou no colo e foi em direção ao apartamento.
Eu não falava, não tinha expressão. Eu não queria comer, dormir. Era como se a minha vida tivesse perdido a graça.
Tom Fletcher’s P.O.V.
Enquanto eu esperava o elevador subir até a cobertura, sentia as mãos machucadas de , envolta do meu pescoço, tremerem constantemente.
"O que teria sido de se eu chegasse dez minutos mais tarde?" Pensei. Eu não queria olhá-la, seu vestido rasgado até a cintura fazia com que eu me arrependesse de não ter matado o desgraçado. Se não fosse ela, certamente eu seria um criminoso uma hora dessas.
Bem, o que realmente importava era que eu estava com em meus braços viva e parcialmente intacta. Eu era o único que podia ajudá-la agora.
Abri a porta do meu apartamento com dificuldade, pois não queria deixar fazer muito esforço. Coloquei-a no chão perto do banheiro, acho que um banho agora era mais do que fundamental.
não sem mexia, sequer piscava, eu tratei logo de abrir a porta do banheiro e ligar o chuveiro com água quente.
- Pronto , só lhe resta um bom banho - eu forcei o sorriso para amenizar o clima de desgraça, mas ela só assentiu devagar com a cabeça, agradecendo com os olhos. Então eu a deixei sozinha, para ter um pouco de privacidade.
Fui no banheiro da minha suíte e me olhei no espelho. Eu tinha sangue nas mãos, na camisa social e no meu rosto. Liguei a água fria da torneira e limpei meu rosto suspirando, eu tentava ao máximo segurar essa barra, mas era muito pesada para mim. Um nó se formou em minha garganta, sentei por um instante no chão do meu banheiro. Soltei o choro preso que estava me matando por dentro. Era um choro de alívio... De eu ter chegado a tempo e de estar viva. Em alguns minutos eu já estava bem, eu tinha coisas mais importantes para fazer do que ficar sentando chorando naquele banheiro. Como por exemplo, alimentar a .
Corri para a cozinha e abri a geladeira pensando no que eu faria para ela comer... Ela gostava de... Pizza! Pensei em ligar para Dominus e pedir uma pizza para nós, mas achava que era muito tarde para ainda estar aberta. Iria assar essas aqui mesmo. Liguei o forno e esperei esquentar, coloquei duas pizzas congeladas. Em 15 minutos elas já estavam prontas e com um cheiro maravilhoso, eu desliguei o forno satisfeito. Acho que nenhum trauma resiste a esse cheiro de pizza pronta! Coloquei dois pratos na mesa e um vazinho de flor que a Joset trazia semanalmente.
Foi aí que eu percebi que precisaria de roupa. Corri até o meu quarto e peguei uma blusa larga escrito: "Back to the future" que estava limpa e uma samba canção ridícula que minha avó tinha me dado de aniversário e que eu nunca tinha usado. Era do Star Wars, eu adorava esse filme, isso era fato... Mas samba canção com a cara do Darth Vader logo em cima do meu p... Deu para entender porque eu não uso, né? Mas era a ocasião perfeita para ficar a vontade... Talvez até a fizesse rir.
Eu fui ao quarto de hóspedes e bati na porta. Apos 5 segundos sem resposta, eu resolvi falar:
- ?! Eu trouxe roupas, e fiz pizza, está com fome? - Silêncio - ? Eu posso abrir a porta? - Nada. Achava melhor eu entrar, será que ela estava precisando de ajuda?! - Se cobre aí que eu to entrando.
Eu abri a porta do quarto devagar, mas estava vazio e com a janela escancarada. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi: “AH MEU DEUS, ELA SE JOGOU”.
Saí correndo até a janela e olhei receoso para baixo, tentando achar algum vestígio de ambulância, pessoas gritando... Nada também.
Eu respirei aliviado. Foi quando eu vi um bilhete grudado com uma fita adesiva na janela: “Deixei as janelas abertas para arejar o quarto. Beijo, Joset". Ah, aquela diarista ordinária, quase me matou do coração, ela me paga! Arejar o quarto?! Com esse tempo era arriscado ter gelo em cima da cama mais próxima da janela, estamos no inverno! Como aquela mula deixou a janela aberta?! Argh.
Ok, se não se jogou pela janela, onde ela está?
Voltei ao corredor e escutei a água do chuveiro ligada. Bati na porta.
- , está tudo bem? – Silêncio. Esse negócio de ninguém me responder estava ficando cansativo – , eu trouxe roupas. Você já está saindo do banho?! – Falei mais alto, até o meu vizinho de baixo escutou, impossível ela não ter escutado. Será que...?
Eu fui abrindo a porta devagar, achei que a encontraria desacordada. Mas me deparei com uma cena chocante no meu banheiro.
tinha tirado o vestido no próprio boxe. Eu encontrei-a sentada dentro de uma piscina de água carmim, com os joelhos dobrados a frente do seu corpo, seus braços em volta deles e sua cabeça abaixada. O vestido estava tampando o ralo, impedindo que a água descesse e levasse aquele sangue todo junto.
Eu engoli seco, tirei meu sapato e entrei dentro do boxe, sentando ao seu lado. Toquei em seu braço e, no susto, ela levantou a cabeça de repente.
- Tom, que bom que está aqui – Ela sorriu aliviada. Sua expressão mudou, parecia que ia acontecer uma tragédia. De repente ela voltou a falar mirando o nada - Não me deixa morrer. Me salva. Eu não tenho mais forças, se a água subir, eu não vou conseguir sair, não deixa eu me afogar no meu próprio sangue – Seu corpo tremia inteiro. Em silêncio, eu passei o braço por ela e tirei o vestido do ralo, à medida que a água acumulada descia, sua cor clareava. Até que ficou transparente.
- Pronto , já passou. Eu estou aqui e nada de mal vai acontecer com você. Nada. Eu nunca mais vou te abandonar – Ela sorriu de lado e mirou minha blusa manchada de sangue. E ficou um pouco mais ofegante que o normal. Achei melhor tirá-la, talvez a fizesse relembrar do acontecimento de hoje. Ela engoliu seco e piscou forte em sinal de agradecimento.
- Você promete, Tom? Promete que vai estar sempre comigo? – Ela falou tímida.
- Prometo, claro – Falei sinceramente.
- De verdade, Tom? – Falou segurando no meu braço e olhando no fundo dos meus olhos – Mesmo eu sendo maluca e impulsiva? – ela colocou sua mão sobre a cabeça em sinal desespero.
- Hm, pensando por esse lado... To brincando, . Mesmo você sendo essa menina bipolar, insegura e ao mesmo tempo sendo linda e inteligente. Eu vou cuidar de você, a qualquer circunstância, eu serei seu protetor, . Seu anjo da guarda. Te darei a mão de noite se ficar com medo, serei o abraço mais sincero. Serei teu companheiro de batalha, seu fiel amigo. Farei sempre você sorrir com vontade das coisas mais simples da vida! Se dependesse de mim , você nunca mais derramaria uma lágrima. Por quê? – Respirei fundo, deixando toda a vergonha e o orgulho de lado - Porque eu já sou o cara mais feliz desse mundo só pelo fato de respirar... Porque você é o único motivo para eu abrir os olhos todas as manhãs. Porque vale a pena viver pelo o que eu morreria. – Olhei fundo em seus olhos e voltei a falar:
- E você pode me largar, amar outro, pode pisar em mim, ferir meu orgulho, fazer meu coração quebrar em mil pedaços... Mas eu ainda vou te amar, porque em cada pedacinho quebrado meu, ainda vai ter uma parte de você.
Sua boca ficou entreaberta, ela me olhava perplexa. Ela se levantou e eu também. me abraçou bem forte, seu peito nu encostou no meu, me fazendo ter que repetir mentalmente: “Não é hora de você ficar pensando besteira, ela precisa da sua ajuda.”
- Essa foi a coisa mais linda que eu ouvi de alguém. Você é a melhor pessoa do mundo – Ela sorriu com vontade, chegou bem perto de mim devagar, me deu um selinho – Só você para me fazer sorrir depois de tudo que me aconteceu hoje.
Ela me abraçou pela segunda vez. Saiu do boxe em silêncio, pegou a toalha e saiu.
Eu fiquei algum tempo parado. Amenizando meu discurso improvisado. Eu realmente morreria por . Viver sem ela, seria insuportável. Só agora eu me dera conta do quanto eu a amava.
Acabei tomando banho lá mesmo. Assim que acabei o banho, peguei minha toalha e fui em direção ao meu quarto escolher uma roupa. Acendi a luz enquanto eu enxugava minha cabeça e, para o meu espanto, estava sentada na minha cama jogando PSP que sempre ficava na cabeceira ao lado dela.
Seus olhos se arregalaram ao me ver nu, enxugando o cabelo. Isso tudo aconteceu em poucos segundos, até que a toalha fosse da minha cabeça para a parte que precisava ser tampada, já era tarde de mais, ela viu tudo.
Instantaneamente nossas bochechas ficaram coradas. cobriu os olhos com as mãos. Ótimo, se não tinha trauma antes, agora era melhor eu começar a procurar um psicólogo.
- Desculpa, desculpa mesmo. Eu devia ter acendido a luz... Eu devia ter te avisado que eu estava aqui... Eu devia ir embora... – Ela falou super constrangida.
- Imagina, isso acontece sempre – Quis deixá-la menos envergonhada.
- Sempre?! – Ela perguntou ainda com os olhos tampados.
- Não, quer dizer... Acontece com todo mundo – Droga.
- Com todo mundo?!
- Er... Deixa pra lá – Falei encerrando o a assunto.
- Vou esperar lá fora, até que você se troque – Falou saindo do quarto.
Coloquei uma blusa cinza e uma bermuda preta. Fui até a sala e estava deitada no sofá. Pude ver seus joelhos e cotovelos com feridas muito abertas.
- , acho melhor eu fazer um curativo nos seus machucados. Imagino que não queira ir para o hospital hoje – Falei quebrando qualquer gelo que tvesse formado depois de ela ter me visto pelado.
- Nem me diga. Ah, mas nem estão tão feios assim, estão? – Ela disse olhando seus joelhos e cotovelos – É, estão.
Eu assenti. Peguei o meu kit de primeiro socorros e fiz os curativos em . Ela soltou “ai” e “tá ardendo” algumas vezes, porém eu tentei ser o mais cuidadoso possível.
Nós nos animamos e comemos as duas pizzas inteiras, eu estava morrendo de fome.
Coloquei-a para dormir nos quarto de hospedes. Fechei a janela e coloquei cobertores super quentinhos para ela se acomodar e liguei o aquecedor. Assim já daria uma sensação de conforto para ela.
- Boa noite, Tom. Eu não sei como te agradecer – Ela falou muito sonolenta.
- Me agradeça não me dando mais sustos, ok? – Eu piquei para ela – Boa noite, . Qualquer coisa eu estou no quarto do lado.
Eu lhe dei um beijo na testa, ainda meio receoso em deixá-la sozinha, mesmo que fosse no quarto do lado. De qualquer forma, acabei indo para o meu, tentar dormir um pouco. O sol já começava a nascer. Eu simplesmente fechei as cortinas e parecia noite de novo. Peguei meus cobertores, tirei a blusa e deitei mirando o teto ainda pensando se seria muito invasivo pedir para dormir aqui comigo, pelo assim eu ficaria de olho nela. De repente, eu escutei um barulho no corredor.
- ? – Falei sentando na cama, preocupado.
- Posso entrar, Tom? – Ouvi sua voz tímida do outro lado da porta.
- Claro, aconteceu alguma coisa?
- É que eu não vou conseguir dormir, toda vez que eu fecho meus olhos e me lembro... Er, tem problema se eu ficar aqui com você um pouquinho? – Ela falou insegura mexendo no cabelo.
- Pode vir, deita aqui – Eu cheguei para o lado deixando metade da minha cama de casal para . Ela se apressou e deitou ao meu lado. Nós dois miramos o teto. Ela se aproximou e colocou a cabeça no meu ombro. Meu ritmo cardíaco aumentou exponencialmente, eu não conseguia acreditar que ela realmente estava na minha cama. Tratei logo de falar alguma coisa para não ficar um clima chato.
- Sabia que você ficou muito sexy com esse samba-canção do Darth Vader? – Brinquei. Ela riu com gosto.
- Realmente, esse samba-canção superou qualquer cúmulo do ridículo – Ela brincou. Eu ri também.
- Ah, senhorita . Saiba que eu também fico muito sexy com ela. Conquistei várias!
- Nossa! Foram tantas que ela ainda estava com a etiqueta – Toma Fletcher! Mereço – Mas realmente, a cara do Darth Vader deve ficar muito mais visível quando você a veste – Minha mente parou por uns 10 segundo tentando acreditar no que tinha ouvido. Eu corei imediatamente. Achei melhor levar o assunto para outro rumo.
- Que ótimo, você me tira de casa de madrugada, e faço um resgate heróico, abusa da minha hospitalidade, me induz a fazer melhor declaração da minha vida, entra escondida no meu quarto só para me ver pelado e depois disso tudo você me trata assim? Ok, então! – Fiz cara de indiferença.
- Ah Tomzinho! Então deixa eu esclarecer umas coisas aqui – Ela falou ainda olhando para o teto - Você saiu de casa porque eu mandei a mensagem e sou louca; Fez um resgate heróico bem sucedido, no qual eu terei uma dívida eterna; Realmente, foi de longe a melhor declaração de todas, eu cheguei até a ficar emocionada e... Eu queria dizer que é recíproco; E sim, eu fiquei no seu quarto de propósito, eu não ia perder a chance de te ver pela... Quer dizer, te ver sem graça. O que me resta perguntar é: O que eu posso fazer para me redimir? – Ela falou olhando para mim.
Ah meu deus, ela está pedindo! Deitada na minha cama, com a minha roupa e pergunta uma coisa dessas e ainda diz que o que eu sinto por ela é recíproco! De todas as coisas pornográficas que eu pensei, só consegui dizer:
- Não sei, depende do que você está disposta a fazer – Deitei de lado virando de frente para ela, que estava muito perto por sinal. Ela tinha os olhos focados em minha boca. Eu engoli seco pensando se era certo ou errado beijá-la depois de tudo que aconteceu hoje.
Eu fui me aproximando devagar como se pedisse permissão para tal ato. Meu nariz tocou no dela e dava para sentir sua respiração rápida. Provocando-a, antes que eu pudesse beijá-la, ela o fez antes.
Suas mãos foram imediatamente para minha nuca, e eu passei meu braço por ela até a sua cintura. Nosso beijo era lento, eu aproveitava ao máximo cada movimento nosso. Esse era de longe o momento mais feliz da minha vida. Pedi a noção do tempo do quanto tempo nós ficamos nos beijando, foi quando partiu o beijo e me abraçou forte.
Eu a olhei e seu sorriso era radiante, eu falei sorrindo também.
- Que sorriso lindo, porque está tão feliz, hem? – Eu contornei com o dedo o seu maxilar.
- Não sei, e porque você está sorrindo tanto também? – Ela perguntou me encarando com seus olhos castanhos esverdeados.
- Pelo mesmo motivo que você, eu espero – eu continuei sorrindo e pisquei.
abaixou os olhos com vergonha e me deu um longo selinho. Aconchegou sua cabeça no meu peito e sua mão parou em cima da minha tatuagem de estrela, por fim, acabou adormecendo.
Eu ainda fiquei alguns minutos acordado, pensando no que eu teria que encarar na festa amanhã. Lá vão estar Danny, Zoe, Carrie e muita bebida! Eu pressentia que algo ruim estava para acontecer, mas preferi transferir toda a minha atenção para . Eu fazia carinho em sua cabeça e a observava dormir tranquilamente, vê-la em meus braços me dava segurança e estímulo para superar e passar por qualquer situação. Fechei meus olhos e esperei o sono vir.
Essa foi a minha primeira noite com . E cada segundo que passava, eu desejava que fossem eternos...
Capítulo 29 – Pressentimento Ruim
's P.O.V.
Eu sentia frio. Estava correndo em direção ao estúdio dos guys, era madrugada. O barulho que o meu salto alto fazia no asfalto denunciava minha presença naquele lugar. Eu vi Cris entrar e fechar a porta pichada, ainda faltava uns cinquenta metros para eu chegar até lá, olhei para trás e o homem de capuz
ainda estava me seguindo, ele tinha um sorriso sarcástico e vinha em uma velocidade anormal.
Dei tudo de mim até chegar na porta, ela estava trancada. “Pelo amor de Deus, alguém abre isso ai!!” gritei em vão.
“Cris, por favor, eu vou morrer! Quem está ai dentro com você? Danny?!” eu falei desconfiada. Não houve resposta.
“Tom, você está aí?!”, eu tinha dificuldade em pronunciar seu nome, tinha receio que ele respondesse. Coloquei meu ouvido na porta e escutei alguns gemidos vindos de dentro dela. Nesse meio tempo em que eu tentava conseguir distinguir as vozes dentro do estúdio, o homem de capuz me alcançou. Senti meu cabelo sendo puxado e meu rosto foi na direção de sua boca. Ele deu um sorriso vitorioso e foi me arrastando até um beco escuro perto dali. Ninguém me escutava enquanto eu gritava e esperneava, então o homem subiu em cima de mim e me bateu.
- NÃO! – Gritei. Quando dei conta de mim, estava sentada na cama de Tom e ele com uma cara de preocupação ao meu lado.
- Foi só um pesadelo, eu estou aqui – Eu o abracei forte, esperando meu coração se acalmar – Não tem mais
com o que se preocupar.
Eu o encarei ainda lembrando do meu sonho. Olhei para suas olheiras e deduzi que ele não devia ter dormido nem cinco horas.
- Foi horrível, Tom – Falei colocando tudo que eu sentia para fora - Aquele homem correndo atrás de mim... Sentia minha esperança me deixar lentamente enquanto eu ia afundando numa escuridão de arrependimento e lamentação.
- Poxa , isso é terrível. Tenta não pensar mais nisso agora – Tom falou afagando meu rosto – Tentar dormir um pouco mais.
- Acho que eu não vou mais conseguir dormir por hoje, a imagem daquele sujeito me atormenta de um jeito...
- Tudo bem , eu já ia levantar mesmo... - Sua frase foi interrompida por um longo e profundo bocejo – Olha, acho que você tirou o seu sono de beleza, está tão mais bonita.
Ele me deu um longo selinho. Eu retribui, ainda meio traumatizada com tudo que aconteceu ontem, por mais que eu quisesse... Era impossível simplesmente apagar aquilo da minha memória. E toda vez que meus pensamentos chegavam perto de Brixton, eu já sentia um aperto no peito.
- Bonita? – Eu coloquei a mão na cabeça e senti meu cabelo desarrumado. Eu ri por dentro, como ele conseguia ser tão fofo?! - São seus olhos – Respondi mostrando a língua e em seguida abaixei a cabeça.
- São mesmo? Acho que hoje você está mais alegre, mais viva. Achei que você já ia acordar chorando e querendo cortar os pulsos - ele falou como se isso fosse super normal.
- Eu não tenho mais lágrimas para chorar, Tom – Ele contraiu levemente os lábios, e suspirou em forma de consolo.
- Poxa , eu queria ao menos poder dividir a dor que você está sentindo. Acho melhor eu começar a esconder lâmina de barbear, facas e qualquer coisa pontiaguda...
- Seria um desperdício fazer uma besteira dessas, Tom... – Cortei. Ele, que antes estava com a cabeça abaixada, agora fixou seu olhar em mim - Logo agora que eu tenho você.
Vi seus olhos brilharem mesmo com a pouca luz que passava por entre as cortinas de Tom. Por fim, ele se espreguiçou e me abraçou fazendo com que ele deitasse em cima de mim.
Com os olhos fechados, eu sentia o peso de Tom. Era mais que reconfortante, era como se nada no mundo pudesse me fazer mal agora. Como se fosse minha fortaleza, meu chão. Eu o abracei com força... Senti ele mordiscar minha orelha, tombei um pouco a cabeça e segurei seu cabelo loiro perto da nuca. Senti seu sorriso de lado antes de erguer a cabeça, abri os olhos e dei de cara com aquela covinha linda. Ele era tudo que eu queria, tudo que eu precisava ali. Ele encarava meus lábios ainda pensando no que fazer. Antes que eu o pudesse beijar com vontade, ele o fez.
Eu aproveitava ao máximo cada beijo, enquanto segurava o cabelo de sua
nuca. Apesar de dois meses terem sido apagados da minha memória, muita coisa antes tinha o Tom no meio, muita coisa estava envolvida com ele. Eu gostava dele muito antes de conhecer o Danny...
A pergunta é: por que eu não fiquei com o Tom de uma vez por todas, já que eu tinha esquecido praticamente tudo que tinha passado com o Danny? Nem eu sei responder. Talvez porque era o que todos disseram e eu, burramente, aceitei a realidade imposta a mim. Talvez foi o instinto, achava que o Danny me dava mais atenção. Mas acho que era porque eu não estava preparada para o Tom. Eu nunca fui de falar muito sobre os meus sentimentos, declaração então...
Raríssimo. Sempre tinha um pé atrás para tudo e para todos em quesito sentimento, ou melhor dizendo, os MEUS sentimentos.
De qualquer forma, eu tinha que aproveitar o tempo perdido, como Tom não era bobo nem nada, se aproveitou
da minha situação de carência. Senti seu peso sair de cima de mim e suas mãos quentes
me envolverem e me puxar pela cintura, me colocando em seu colo, já que ele ficou ajoelhado na cama, quando dei por mim já estava ofegante.
Ele estava com as mãos nas minhas costas e tirou a minha blusa, como ele estava sem, eu só o arranhava. Nossos movimentos começaram a ficar um pouco rápidos, um pouco desesperados demais. Apesar de eu tentar não mexer muito os cotovelos e joelhos. Mas, naquela hora, nada no mundo, nem a dor que eu sentia dentro e fora do peito me impediriam de fazer o que eu queria naquele momento.
Eu o beijava com tanta vontade, com tanta sede, era como se o toque de Tom fosse vital para mim. Ele me correspondia com a mesma intensidade. Sentia ele puxar meu cabelo enquanto fazia leves chupões no meu pescoço que deixavam minha pela toda arrepiada. Uma de suas mãos que estava em minha cintura me puxava para perto. Eu sentia cada centímetro do seu corpo.
Ele me deitou na cama sem parar de me beijar e foi tirando lentamente a
bermuda. Como se quisesse me provocar. Eu perdi a paciência e abri sua bermuda preta,
revelando uma boxer branca. Eu tenho sérios problemas com cueca branca.
Eu mordi o lábio e Tom abaixou os olhos, um pouco envergonhado. Eu passei a mão sobre a sua barriga sarada e lentamente cheguei a borda de sua cueca. Ele segurou minha mão e fez um gesto de negação com a cabeça.
- Não quero te forçar a nada, – Falou cabisbaixo.
- E quem disse que você está me forçando a fazer alguma coisa? – Falei sugando seu lábio.
- E o trauma? - Ele me analisou.
- Amor, eu já te vi pelado ontem, não tem mais o que ter trauma – Eu ri brincando. Vi suas bochechas passarem por todos os tons de vermelho. Ele só sorriu mostrando a covinha.
Ele voltou a me beijar com vontade, eu o envolvi com as pernas.
De repente, um som de campainha invadiu o apartamento. “Tá de brincadeira comigo. Quem estaria tocando a essa hora?”. Olhei para o criado mudo e eram 5:34 p.m.
Quem quer que fosse na porta, estava desesperado. Depois de 60 longos segundos com um som constante da campainha, eu resolvi falar.
- Vai lá, Tom – Falei, o empurrando pelo tórax definido - E volta rápido – mordi o lábio e pisquei. Ele sorriu me deu um beijo e foi correndo atender a porta.
Eu suspirei fundo mirando o teto. Por uma segundo, eu pensei ter ouvido Tom gritar algo do tipo “Vai embora!” . Eu levantei da cama confusa, mas hesitei ao ouvir os passou de Tom ecoando no corredor.
- Quem era? O que aconteceu? – Falei preocupada.
Tom entrou no quarto, segurou com força o meu cabelo e me imprensou contra a parede. Ele me beijou com vontade. Demorei alguns segundos para entender o que estava acontecendo. De qualquer forma, ele não queria tocar no assunto de quem era na porta. Eu logo esqueci disso e do meu nome, quando Tom me ergueu e eu o abracei com as pernas. Eu tinha dificuldade para respirar devido a intensidade do beijo. Eu comecei a ficar um pouco tonta, mas ainda continuava a correspondê-lo.
Inesperadamente, ouvi meu estômago roncar muito alto e percebi que estava morrendo de fome. Tom partiu o beijo, acho que também ouviu.
Ele segurou forte o meu cabelo me obrigando a tombar a cabeça de lado. Então falou bem perto da minha orelha.
- Hm, minha gatinha tá com vontade de comer? – Ui! Que frase de duplo sentido. Meu deus, ele respirando perto da minha nuca estava quase me fazendo subir pelas paredes – Eu to com vontade de outra coisa.
Putz. Era o que eu queria ouvir. Eu o agarrei com vontade e ele me carregou até a cama. Nós nos agarrávamos como se não nos víssemos
há anos. Depois de alguns minutos, ouvimos nitidamente um barulho vindo da barriga do Tom.
- Hm, acho que não sou só eu que estou com fome.
- Isso? Que nada, são vermes – Assim que terminou de falar, nós dois caímos na gargalhada.
- QUE NOJO, TOM! – Eu falei alto devido a minha empolgação.
- É, eu sei. Nem me pergunte porque eu falei isso – Ele falou meio brincalhão meio envergonhado.
- Então vamos comer logo – Falei faminta.
- Ahhh, você mal passou a noite aqui e já está me arrumando despesas? Comeu quase uma pizza inteira ontem e ainda está com fome? Não é possível, deve ser a sua solitária.
- Se você não se lembra, eu não comi naquele restaurante. Tenho que compensar.
- Acho que posso gastar mais um pouquinho da sua energia – Ele me olhou com desejo.
- Só se você me prometer parar de falar de vermes? – Ele contraiu os lábios fingindo não aceitar minha proposta, eu mirei por alguns segundos aquela monocovinha linda antes de agarrá-lo.
Ele me beijou calorosamente. Seu hálito quente me dava sensação de conforto. Nossos lábios se abriam e fechavam com harmonia. Sem falar nada também, Tom me pegou pela mão e me levou até a cozinha.
- Vamos ver o que tem para comer... hm... – Com certeza ele pensou a mesma coisa que eu. NADA. Não existia nada comestível ou na validade ali dentro. Havia embalagens abertas e porções pela metade do Starbucks, Dominus e Burger
King.
- Er, não tem problema. Eu tenho mesmo que passar em casa para pegar um roupa, eu como no caminho.
- Ah tá , se você está achando que eu vou deixá-la sair daqui sem comer alguma coisa você está muito enganada. Ainda mais de tudo que você passou ontem. Já sei o que eu vou fazer.
Meu estômago deu uma volta, eu ainda não estava preparada para ouvir ou falar sobre ontem. Antes que eu pudesse afundar em meus pensamentos, ele me agarrou pela cintura, me beijou e foi nos conduzindo as cegas até o sofá da sala. Senti sua mão sair do meu quadril, ele parecia ter pego o telefone. Discou um número que sabia de cor e só partiu o beijo quando a pessoa do outro lado da linha atendeu.
- Bom dia, eu gostaria de fazer um pedido – Falou pensativo – Isso, é esse endereço mesmo. Vou querer... Isso, é esse croissant mesmo. Mais dois cookies com gotas de chocolate. Isso. E para beber...
Ele parou de falar e afastou o telefone de perto da boca e voltou a falar:
- O que você quer para beber? Café Mocha está bom? Ou quer o seu preferido, Iced Caramel Macchiato? – HUM, ele está pedindo no Starbucks. Ai que sonho! Aquele café quentinho e o chantilly que só eles sabiam fazer, quando eu quase estava sentindo o gosto do café, eu ouvi Tom pigarrear querendo minha resposta.
- Pode ser Mocha mesmo. Hoje está meio frio – Ele piscou para mim e voltou a falar ao telefone.
- Então, são mais duas Mochas. Ok? Estarei esperando. Obrigado – Desligou o telefone – Pronto, menos um problema.
- Nem me fala. Espera – falei analisando a ultima frase dele -, tem mais algum problema?
Perguntei meio preocupada, meio curiosa.
- Tem sim. Hoje vai ser a social do Dougie e eu não quero ir sozinho – Ele falou contraindo os lábios.
- Como assim? Ele também me chamou, a é a minha melhor amiga. Claro que eu vou – Falei confusa.
- Não, vai não. Agora que eu tenho você, não quero dividir com ninguém. Você é minha, só minha e vai ficar aqui quietinha para não se meter em mais problemas.
Eu e ele sabíamos que essa festinha ia dar encrenca. Zoe, Carrie, Danny e Cris juntos? No mesmo lugar? Nós tínhamos que estar preparados.
- Que fofo, Fletcher – Eu sorri com vontade. Nós sabíamos que ele não podia me impedir de ir. Eu só ia pela minha amiga, que ia morar com outro amigão meu. Só por eles que eu ia aguentar tudo e todos que estivessem nessa festa. Engraçado, isso me deu uma idéia! E se eu e o Tom também morássemos... – Sabe, eu estive pensando...
Eu hesitei ao pensar melhor. Era bobeira falar com ele o que eu tinha pensado.
- O que, ? – ele perguntou curioso
- É que, eu pensei se, num futuro distante, ou próximo, não sei... er... A gente pudesse morar... – Minha voz foi baixando a medida que a coragem ai embora.
- Juntos? – Ele perguntou surpreso.
- É, mas isso não é para amanhã, nem daqui a um mês – Falei meio sem graça. Pensando bem, nem sei o porquê que eu toquei nesse assunto. A gente nem namorado era! Se bem que depois daquela declaração de ontem a gente era mais que amigo. Isso era fato. Só que eu sou meio complexada com esse negócio de pedido oficial. Se não pedir em namoro, para mim não é namorado. Eu vim de uma família tradicional, sabe como é, né? Mas eu tinha que superar isso, mesmo que o Tom não me pedisse, eu acho que já somos namorados, não é? – É que, eu queria que todos os dias da minha vida começassem como esse.
- Ah, amor - Meu coração quase parou no “amor” – Sabia que eu estava pensando exatamente nisso enquanto eu te via dormir?
Eu tive uma explosão de alegria. Eu o agarrei pelo pescoço e fiz com que ele se deitasse em cima de mim. Eu o beijava como se fosse o último minuto da minha vida. De repente o som da campainha invade a sala.
- Estranho, chegou muito rápido essa comida – Falou Tom confuso.
- Eu vou lá pra dentro – Falei e corri para o corredor, porque de onde eu estava, dava para me ver da porta de entrada. E ninguém merece essa samba canção. Ouvi Tom abrir a porta e falou com um timbre de voz que eu não esperava.
- Sai daqui garota, você ainda não entendeu que eu não quero mais nada com você, que eu nem quero olhar para sua cara? – Eu fiquei surpresa com tanto ódio vindo dele. Mas no meu
íntimo eu sabia quem estava do outro lado da porta.
- Por favor Tom, vamos conversar. Eu sei que você me quer de volta – Aquele tom de voz irritante, só podia ser de uma pessoa. A vaca da Zoe. Eu queria surpreendê-la. Mas com essa roupa era mais fácil eu ser humilhada do que ela! Sem pensar duas vezes eu corri para o quarto de Tom e abri seu armário. E... Ótimo. Peguei uma blusa social branca que estava passada. Tirei a samba canção, peguei a minha calcinha vermelha que já havia secado lá no banheiro.
Baguncei um pouco o cabelo, coloquei o perfume do Tom e fui desfilando até a sala.
- ... Deixa eu entrar, Tom. Você precisa me ouvir! A ama outro! – Ouvi Zoe falar quase em pranto.
- É, quem disse isso? – Falei chegando no campo de visão da Zoe. Sua expressão chocada deixava transparecer o ódio e a indignação – Zoe, vai embora antes que a sua humilhação seja pior.
- Mas... mas... O que essa garota está fazendo aqui? – Seus olhos passavam de mim para o Tom.
- Ela vai ser a futura moradora aqui de casa. Eu lhe peço. Não venha mais, Zoe. Eu já te falei, por favor, vai embora – Tom pediu com educação. Eu olhava Zoe com ar de superioridade.
- É, vai, querida. Você já perdeu o homem, não perca o pouco de dignidade que ainda lhe resta – Eu sorria vitoriosa. Tom me segurou pela cintura.
- , o que aconteceu com você? – ela olhava para o canto da minha boca ainda um pouco inchado e roxo, em seguida para os meus joelhos com curativos marcados com sangue seco. Pela primeira vez, ela deu um sorrisinho de lado, aquilo me deixou em alerta, alguma coisa ruim essa criatura vai falar – Eu estou em dúvida, querida, foi o Danny quem te bateu quando descobriu que você amava o Tom, ou foi o Tom que te bateu quando soube que você quase perdeu sua pureza ontem à noite com o Danny?
Tom abriu e fechou a boca. Ele não sabia o motivo no qual eu tinha ido para Brixton. Uma raiva anormal subiu pelas minhas entranhas. Eu ia acabar com aquela vaca.
- Ninguém me bateu não, querida. Porque, para o seu governo, nem um deles encostaria a mão em mim. Quem vai apanhar aqui é você - Tom tentou segurar meu braço, mas foi tarde de mais. Eu levantei a mão e dei um tapa com tudo na cara dela. Zoe cambaleou para trás com as duas mãos no rosto.
- Sua idiota. Se dê ao respeito um pouco. Você vem bater na porta do Tom, me insulta e achou que eu ia ficar tudo bem? Eu cansei de você e todos os seus truques e armações.
Zoe agachou no chão chorando.
- Chega , calma! – Tom falou, me agarrando pela cintura quando eu quase peguei o cabelo dela. Ela, que estava chorando, levantou a cabeça e sorriu com um olhar penetrante.
- Olha pra cara dela! É fingimento! – Falei desesperada – Ela tá querendo colocar a gente um contra o outro!
- Claro que não, Tom. Então pergunta para ela o que aconteceu ontem. Por que ela brigou com o Danny? Já que eu não tenho mais o que fazer aqui, acho melhor eu ir embora – Falou cabisbaixa.
- Eu te mato, Zoe! Se mete na SUA vida! Eu juro que te mato! – Gritei.
- Nos vemos na festa, Tomzinho – Ela tirou uma das mãos do rosto, deu para ver em sua bochecha minha mão marcada. Certinha. Ela merece isso e muito mais.
Tom fechou a porta antes que Zoe entrasse no elevador.
Eu sentei no sofá, indignada.
- Essa garota veio estragar meio dia, isso sim! Ah, mas eu pego ela, se pego!
- Calma , não precisava disso. Quem tá comigo é você! Isso não basta?
- Pera, você está defendendo o ser ruminante? – Como assim, Tom? Sem querer, a minha raiva passou da Zoe para Tom.
- Não estou, mas acho que você exagerou um pouco.
- O quê? Ela é uma falsa, faz tudo para ficar com você! Eu vou logo te avisando. Se acontecer alguma coisa nessa festa hoje e você proteger ela... – eu fechei o punho, de raiva - A gente vai ter um problema.
- Eu sei que ela falsa. Mas é só uma menina querendo chamar a atenção, .
- Não, ela fica inventando mentiras.
- É, eu sei. Mas me conta, por que você brigou com o Danny ontem? – Falou Tom desconfiado.
Minha garganta secou instantaneamente. Eu abri e fechei a boca algumas vezes. Era melhor eu contar a verdade.
- Sabe, é que...
- Acho que ela não inventa tanta coisa assim – Cortou Tom.
- Você quer saber a verdade?
- Claro que eu quero sa... – sua voz foi cortada pelo telefone.
- Eu atendo! – passei pelo Tom e coloquei o telefone na orelha – Alô?
- Alô, Tom? – reconheci a voz de Doug desconfiado.
- Não, – Eu nem rouca estava, Dougie
às vezes era meio retardado.
- Foi mal , acho que eu liguei para casa errada. Eu queria falar com o Tom. Deixa eu tentar de novo – Ele falou apressado.
Eu olhei para o telefone, confusa.
- Dougie, eu estou na casa do Tom. E como é que está a ?
- Uma pilha de nervos. Vocês já não, vocês já estão vindo para cá não? Ela precisa de você. Alguns convidados já chegaram.
- Vou praí o mais rápido possível. O Tom está aqui, vou passar para ele.
- Espera... Você dormiu aí? Hmm... – Ouvi ele me zoar antes de entregar o telefone para Tom.
Idiota. Apesar das brincadeiras, eu adorava Doug mesmo assim. Fiquei imaginando correndo de um lado para o outro, desesperada.
- Tá, dude. Eu compro sim. Vou tomar café da manhã e vou direto para sua casa – Ouvi Tom dizer quando voltei a prestar atenção na conversa – Um abraço.
Ele colocou o telefone na base.
- Ele pediu para eu comprar Tequila, Vodka e suco de groselha.
- Quero muito chegar logo lá.
O som da campainha invadiu o ambiente.
- Deve ser..
- A vaca de novo – Levantei cega de raiva. E gritei antes de abrir a porta - Veio apanhar mais foi?! Um tapa não bastou?!
- Não , espera!
Eu escancarei a porta e vi um homem de uniforme verde e branco parado na porta. Ele parecia surpreso. Me olhou de cima a baixo.
- Desculpa, mas aqui é a residência do senhor Thomas Fletcher?
Só fiz um sinal para ele esperar com a mão, eu estava envergonhada e chocada com a minha reação. O cara devia achar que eu era louca. E olha a roupa que eu estava usando! Se mata, .
Eu entrei e Tom passou por mim com um olhar de censura. Pagou o homem e fechou a porta.
- Eu tentei lhe avisar que devia ser o entregador.
- Er... Foi mal – Falei me sentindo uma completa idiota.
Ele sorriu, riu um pouco de mim e me beijou.
- Tom, eu vou pegar um táxi e vou para minha casa. Vou tomar um banho, trocar a roupa e a gente se encontra lá.
- Calma , então leva o café, os cookies e a chave do seu carro.
- Meu carro? Ah sim, eu devo ter deixado aqui antes do acidente. Não é?
Tom foi para a cozinha e pegou um chaveiro prateado com um pingente de Mickey da mesma.
- MEU CARRO! Claro! Brigada Tom, por guardar ele.
- Era o mínimo que eu podia fazer. Quer que eu desça até a garagem com você?
- Não precisa. É que eu quero que você chegue antes de mim lá na festa.
- Ok então. Mas acho melhor você trocar de roupa antes – isso era óbvio, Tom me emprestou uma blusa pólo que já
não lhe servia e uma bermuda, eu parecia um homem. Mas tudo bem, só espero que ninguém me veja assim - Vou o mais rápido que puder. Qualquer coisa, me liga com o telefone da .
Eu acenei que sim com a cabeça e lhe dei um longo beijo. Nós nos despedimos na porta do elevador, antes de chegar ao subsolo que já tinha devorado mais da metade do meu croissant.
Fui passando pelos carros procurando o meu. E ai eu vi, um Audi A3 2.0 Sportback, vermelho, banco de couro, 4 portas e com detalhes em prata. E ainda por cima TURBO! Eu literalmente abracei o carro. Lindo mesmo. Meu pai tinha muito bom gosto!
Sentei no banco confortável, dei a partida. Nem 20 minutos eu já estava em casa.
Tomei meu banho, refiz meus curativos, escolhi um vestido preto de manga comprida,
que batia um pouco abaixo do joelho, se eu tivesse cuidado ninguém veria. Fiz uma maquiagem espetacular. Geralmente é a que me
maquia, mas hoje ela não teria tempo. Pelo menos deu para dar uma boa disfarçada no rosto, nem dava ver o inchaço.
Sai satisfeita de casa. Com meu sobretudo bege e minha bota preta, eu ia arrasar. Eu torcia para nada dar errado. Cheguei rápido na casa do Dougie, vi uns 20 carros parados em volta. Entre eles, havia um Mini Cooper azul marinho que era do dono da casa; Lamborghini preto podia ser do Harry, Danny ou Tom. Mas meu pressentimento ruim aumentou quando eu estacionei do lado de uma BMW 118i preta. Eu conhecia bem esse carro.
Eu respirei fundo tentando aprisionar um pouco de coragem que ainda existia em mim. Pelo visto, Tom não tinha chegado, ele com certeza viria com o carro dele. Esperei uns 5 minutos na esperança de ver um Audi A1 passar. Porém, nem vestígio do Tom.
Olhei a casa semi coberta de neve, ainda havia luzinhas de natal que Doug não se dera o trabalho de retirar. O céu estava azul avermelhado e a temperatura estava caindo
à medida que o sol ia embora. Abri a porta do carro convencida de que precisava da minha ajuda e que eu não podia ficar a noite toda aqui dentro.
Conduzi o meu corpo sem vontade até a porta. Eu hesitei duas vezes para tocar a campainha. Hoje era dia de rever todas as pessoas que foram boas e ruins para mim. Eu não estava com medo, só não me sentia pronta para isso.
Enquanto eu estava tendo o meu conflito interno, ouvi uma voz muito familiar atrás de mim.
- Acho melhor você entrar, ou vai morrer congelada aqui fora. Se bem que isso não seria má idéia – Ouvi a voz de Danny atrás de mim. Me virei e encarei seus olhos azuis intensos.
O ar saiu rápido demais dos meus pulmões, me deixando um pouco de vertigem. Definitivamente essa festa não vai prestar.
Capítulo 30 – A Festa.
- Se você está com tanto frio, por que não entra primeiro, Danny? - Respondi com a cabeça erguida. Olhando-o através da fumaça transparente de ar quente que evaporou ao sair da minha boca. Indiscutivelmente estava muito frio.
- Ah, você ainda lembra o meu nome – Falou com seu jeito sarcástico. Aquelas palavras entraram em mim e me corroeram por dentro. Depois de tantos acontecimentos, eu realmente já tinha deixado aquele de lado. De fato ele tinha ficado magoado, eu não lhe tirava a razão – Nem sei por que eu ainda me preocupo com você, Zoe. Ah, desculpa... .
- Não me confunda com aquele ser ruminante – Falei entre dentes. Só de ouvir aquele nome eu já me sentia nauseada.
- Er... É que o Tom sempre está com uma e depois com outra, que eu nem sei quem é quem mais. É, realmente te chamar de Zoe é muita ofensa... Para ela. Eu vou tentar me lembrar de lhe pedir desculpa – Ele pegou seu Blackberry e fingiu anotar alguma coisa.
- Você é ridículo, Daniel. Não sei como um dia eu me envolvi com você – Um nó se formou em minha garganta, lágrimas de raiva brotaram em meus olhos. Antes que eu pudesse xingar mais um pouco o Danny, senti duas mãos me envolverem em um abraço nas minhas costas. O aroma do seu perfume deixava meu cérebro um pouco lento, respirei fundo voltando à realidade. Tom chegara sem eu perceber. Vamos ver o que o Danny fala agora...
- Está tudo bem aqui? – Tom falou como se fosse o macho alfa do bando, sentia o seu peito estufado e seu queixo erguido. Ainda envolvida em seus braços, eu me sentia protegida. Danny intercalava o olhar entre mim e o Tom.
- Pra mim está ótimo. E como foi sua a noite depois do restaurante? - Falou Danny parecendo estar se divertindo, como se nada tivesse acontecido antes de Tom chegar.
- Agitada – Respondeu Tom, deixando um duplo sentido pairando no ar. Nós dois sabíamos qual era o sentido certo da palavra. Danny, pelo visto, não. Ele fez uma cara de quem comeu algo ruim. Eu vi a raiva arder em seus olhos – E a sua?
- Foi boa sim. Primeiro me diverti com a , depois com outras pessoas. A noite é uma criança, né Zoe? – Danny me fuzilou com o olhar - Er... Desculpa, . Será que esse negócio de confundir as pessoas é contagioso?
Sério, se Danny me chamar de Zoe mais uma vez, eu juro que pulo no pescoço dele. “Respira , você está se descontrolando, é isso mesmo que ele quer. Não vale a pena!”
- Do que ele está falando? – Ouvi Tom me perguntar baixinho.
-... O problema maior não é confundir os nomes – Continuou Danny - e sim começar a confundir as camas. Um dia está com um, outro dia está com outro. Isso é um problema sério.
- Danny! – Tom apontou o dedo tão perto de seu rosto que Danny teve que chegar um pouco para trás - Eu não quero que você fique insinuando nada da , ouviu bem?! Chega de gracinhas, chega de ficar se intrometendo na vida dela! Para o seu governo, eu sei tudo que preciso saber.
- É Danny, cala a boca – Falei com raiva. Como ele podia falar assim de mim?
Mas Tom falou a única frase que Danny queria ouvir. Danny sabia que eu não contaria para Tom o que tinha acontecido na casa dele.
- Ah, sabe mesmo? Então ela deve ter de contando todos os detalhes sobre o que ela estava fazendo antes de sair correndo para debaixo do seu cobertor – Desafiou.
Minha garganta ficou seca e minhas mãos ficaram mais frias que o normal. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, Tom o fez primeiro:
- Sei sim, ela estava quase sendo estuprada numa rua em Brixton. E se não fosse eu, talvez ela nem estivesse aqui hoje - Respondeu furioso.
Eu estremeci por dentro. Relembrar os fatos dessa forma foi forte demais para mim.
- Mas, como assim? – Danny tinha as sobrancelhas unidas, olhou para mim buscando alguma resposta.
- Então Danny, acho que o mal informado aqui é você! Deixa que eu sei cuidar da – Tom reverteu o assunto, ele fechou o punho controlando sua raiva - Se eu ouvir qualquer coisinha que seja a respeito da saindo da sua boca, eu juro, que vamos ter um problema muito sério essa noite. Você me entendeu?
- Isso é uma ameaça, Fletcher? – Danny apertou os olhos não gostando nada disso. Eu senti uma pontada de desespero, a última coisa que eu queria era ver os dos brigando, ainda mais por minha causa.
- Não, é um aviso. Caso você apanhe... Já sabe o motivo.
Danny deu um riso debochado, pelo visto não acreditou muito no que ouvira. Me desvencilhei dos braços de Tom e seus olhos desconfiados me perfuraram, sem pensar lhe dei um beijo. Tom ficou imóvel. Não me correspondeu, mas não se esquivou. Ele ainda queria uma resposta. Assim que eu abri a boca para lhe dar alguma satisfação, alguém de dentro da casa escancarou a porta.
- Meu deus, o que vocês estão fazendo aí fora?! Vão morrer de frio! – Uma modelo loira, alta e super bem vestida estava parada do outro lado da porta. estava simplesmente deslumbrante. Seus cabelos presos em um coque meio bagunçado meio clássico. Sua maquiagem impecável e seu vestido era vermelho tomara-que-caia com a saia rodada e havia uma fita da mesma cor que contornava sua cintura e terminava num lindo laço atrás. Era perfeito.
nos olhou por alguns segundos. Não entendeu ao certo que eu estava acontecendo, mas sabia que boa coisa não era.
- ! Como eu senti sua falta! – Falei antes de todos, corri para dentro e lhe dei um longo abraço. Os meninos fizeram o mesmo. Dentro da casa estava, pelo menos, uns 20 graus de diferença. Todos tiraram o casaco, eu agradeci mentalmente a intromissão de , sem dúvida essa discussão entre Danny e Tom ainda vai longe.
Havia muitas pessoas na sala, passei os olhos por cada uma delas. Eu não reconheci todas.
- ! Me conta como foi ontem? O que aconteceu realmente? – Olhei para trás e não vi Tom, nem Danny. Antes que eu pudesse perguntar, já me respondeu – Ele foi correndo no carro pegar as bebidas, o Danny foi ajudá-lo - Por um segundo eu quis ir lá fora ver o que estava acontecendo, certamente iria ver os dois rolando e brigando na neve – Vamos, eles sabem se cuidar.
- Hum... Tá – respondi, concordando parcialmente com ela.
Fomos andando pelos convidados, certamente íamos em direção ao quarto dela e do Doug.
- Olha, a Vicky pintou as pontas do cabelo de roxo. Fico legal, né? - Falou quase ao pé do meu ouvido. Olhei para Vicky e sorri, ela retribuiu com uma piscadela. Sem dúvidas, se destacava entre as pessoas, seu vestido rosa pink era de matar. Havia dois garotos, amigos do Doug e do Danny, ao seu lado. Parecia ser uma competição para chamar mais a atenção de Vicky.
Eu achava o estilo da Vicky sempre muito original. Ela fica bem com qualquer cor de cabelo e tinha personalidade para usá-lo, sem falar que igual ao Danny, tinha aqueles olhos cor de oceano.
Antes que eu pudesse ficar imersa em pensamentos sobre cabelos e roupas que a Vicky já tinha usado, uma menina loira e um pouco robusta passou pela gente e me cumprimentou.
- Olá, – Falou Cris parando na minha frente, bloqueando a passagem, junto com o seu companheiro inseparável: o desprezo alheio.
- Oi – Dei um sorriso falso. Se eu não me engano, ela tinha ganho uns bons quilinhos a mais – Tudo bem?
- Vocês querem alguma coisa para beber? – Perguntou querendo dar uma de anfitriã simpática. Mesmo sabendo que não a suportava tanto quanto eu.
- Eu aceito uma Tequila Sunrise, e você Cris, vai beber o quê? - Perguntei por educação.
- Eu quero uma água ou um suco – Falou meio sem jeito. O quê? A maior alcoólatra do universo quer água ou suco? Será que eu ouvi errado?
Olhei para e sua expressão era de surpresa. Depois de um longo segundo, se certificou que não era uma brincadeira e chamou um garçom.
- Então , cadê o seu seguidor? – Falou Cris naquele seu ar de desdenho.
- Tom Fletcher? Ele já cheg...
- Não. Danny! – Cris cortou – Ué, agora você tem mais fãs, é ? – Cris semicerrou os olhos, parecia ao mesmo tempo interessada e com inveja.
? Eu nem era amiga da Cris para ela me chamar de .
- Danny chegou também – Respondi com má vontade – Vamos, ?
- Vamos... Vamos – Falou endireitando o vaso da mesinha atrás de nós. Ela tinha mania de perfeição. Antes que eu pudesse ir embora de uma vez, o garçom chegou com as bebidas.
- Hm, Tom... Ele está malhando ou o quê? – ouvi Cris dizer enquanto eu pegava a bebida que o garçom trouxera para mim, sem pensar, bebi quase a metade do copo – Eu daria tudo para ter uma conversinha íntima com ele... De novo.
Eu tossi forte. Como assim “de novo”? Não sei se foi só a tequila que eu acabara de beber ou o meu ciúme incontido, só sei que quando dei por mim já estava com o dedo na cara dela.
- Olha só, queridinha. Ele não é para o seu bico não, ok? Mas se o tipo de homem que você gosta mudou, acho melhor você mudar de atitude também. Talvez... Se você começasse fechando a boca, quem sabe você não faria menos inimigos e pararia de engodar?
Respirei fundo encarando-a, vi lágrimas brotarem em seus olhos. Sua expressão era de uma pessoa inconsolável. Eu não fui tão grossa, fui?
- Er.. Vamos agora, né ? – Falou puxando a minha mão. Cris não esperou mais um segundo e correu para outro cômodo. Essa tinha sido a primeira vez que eu sentia pena dela.
A casa era praticamente uma mansão. Dougie realmente tinha muito dinheiro. No andar de baixo tinha a sala, uma cozinha, sala de jantar, depois dessa sala tinha um corredor com o quarto de televisão, 2 quartos de hospedes, 3 banheiros distribuídos.
Subimos uma escada de mármore até o andar de cima, que ficava no fundo da sala, o andar era praticamente deles. Uma coisa que eu não pude deixar de reparar era que os cômodos tinham sempre algum vasinho de flor ou algo natural. Passamos por um quarto que tinha uma plaquinha “DOUGIE'S PETS”.
- Tá de brincadeira que o Dougie trouxe os bichinhos de estimação dele para dentro de casa? – Falei com um misto de sarcasmo e desdém. E eu nem tinha começado a beber direito.
- É, trouxe – falou um pouco sem graça - É por causa do frio, . Eles não sobreviveriam lá fora.
- Eles? São quantos? – Perguntei, hesitando para abrir a porta.
- Três, é que a última morreu. Dougie resolveu comprar um lagarto macho. Só que esse macho que ele comprou, na verdade, era fêmea. E estava grávida!
- Como assim "grávida", eles não são ovi...
- Você me entendeu, né? – fez cara de tédio – Ela chegou aqui e colocou três ovos, mas um não sobreviveu. Agora tem a mãe e um casal de filhotes.
Eu ri alto, só o Dougie mesmo para comprar errado.
- Só o Dougie mesmo para comprar errado! – continuei rindo.
- É – Ela virou os olhos – Mas é desse jeito que eu o amo.
- Own – Eu sorri, estava muito feliz pela – Vamos ver como o Dougie cuida dos seus bichinhos.
Eu abri a porta e parecia estar em outro lugar do planeta. O quarto era bem grande todo climatizado como se fosse o habitat natural dos lagartos. Era bem quente e tinha cheiro de arbustos e coisas naturais, havia uma fonte, e vários tipos de frutas num canto da sala.
- Legal, né? – Falou – Olha ali, aquele é o filhote.
Era um estranho bichinho verde, pequeno e feio.
- Que nojo! Vamos sair daqui – Falei me arrependendo de ter aberto a porta. Eu não gostava de nada que rastejasse ou estivesse muito perto do chão. Já foi um desastre a primeira vez que o Dougie me apresentou a última, eu quase deixei a criatura cair no chão.
- Ah para, depois de um tempo você se acostuma. Mas vamos ao que interessa! – ela entrou no maior quarto da casa, tinha uma cama de casal redonda imensa encostada na parede do quarto. Um sofá na outra parede, um espelho no canto e umas cômodas. Duas portas estavam abertas do lado direito do quarto, dava para ver que uma era o closet e a outra o banheiro.
- Meu deus, e eu que achava o quarto do Tom e do Danny grandes. O meu quarto não é nem a metade disso – Eu me senti uma criança do lado da . Vendo tudo que ela conquistara era quase uma revolta ter que voltar para casa e dormir no meu quarto de solteira.
- Lindo, né? Mas me conta – Falou me puxando para cama, sentou ao meu lado como sempre fazíamos antigamente -, quero saber tudo sobre o motivo e as consequências de ter ido para Brixton. Acho que você ainda está bem abalada... Também, depois de responder a Cris daquele jeito, deu para perceber.
Nós duas rimos.
- Ah sei lá , foi bem ruim mesmo. Eu não consegui ouvir calada, eu ando bem estressada, sabe? Ontem eu dei um tapa na cara da Zoe, ele chegou...
- Sério?! – colocou as duas mãos na boca, surpresa – E eu perdi isso? Droga!
- É, então eu espero que não aconteça mais nada de ruim. Senão eu vou surtar – Falei com tom de brincadeira. Porém nós duas sabíamos que era verdade – Estou sentindo que hoje vai ter briga, e das grandes.
- Não liga para Cris, não. Ela já beijou Deus e o mundo! Greg, Robert, Danny, Harry, Tom...
- TOM?! Tom Fletcher? O meu Tom? – O ar saiu repentinamente do meu pulmão, sentia meu coração martelando. Eu realmente tinha esperanças que a Cris estivesse inventando aquilo para me tirar do sério – Como assim ela beijou o Tom? Eu não me lembro disso! Eu não sabia disso. Como? Quer dizer, quando aconteceu isso?
- Ah, foi na época que você não lembra, teve uma social lá no estúdio, você estava com o Danny... Acho que você nem chegou a ver isso. Mas foi coisa de uma noite, . Esquece isso. O importante é que quem está agora com ele é você.
Por alguns segundos a minha mente só me mostrava o que ela esteve tentando me dizer há quase um mês: O sonho que eu saia do carro e via a Cris ser puxada para dentro. Talvez eu tivesse realmente visto eles juntos, talvez eu tenha visto eles na cama.
Coloquei minhas mãos na cabeça, eu estava ofegante agora. Tudo parecia fazer sentido, deve ter sido por isso que eu fiquei definitivamente com o Danny. Uma raiva incomum subiu pela minha entranhas e me sufocou. Quer dizer que o Tom ficava com todo mundo e não tinha coragem para me pedir sequer um beijo?
De repente eu senti nojo do Tom. A angústia do sonho me invadiu, era ele! Eu tinha certeza que era ele. Apertei os punhos e vi que estava tremendo. Minha respiração era ofegante e dolorosa.
Eu tentei me recompor. Minha reação tinha sido um pouco exagerada. Mas, era difícil aceitar, eu sempre desconfiei muito mais do Danny do que do Tom. Alias, eu achei que Tom nunca tinha olhado para Cris antes.
esperou, pacientemente, eu voltar ao normal. Eu só parei de reviver meu sonho quando minha amiga falou:
- Você gosta mesmo do Tom, né? Quer dizer, sempre gostou. Todos nós sabíamos. Quando você ficou com Danny, Tom ficou muito mal! Dougie chegou a conversar com ele, nada adiantou... Ele parecia ter perdido a vontade de viver, fica muito calado e isolado. As únicas horas que ele realmente parecia estar bem era quando você ia conversar com ele, sem o Danny, é claro. Foi bem difícil, . Nós duas sabemos que você ficou com Danny porque queria ver o Tom com ciúmes – contraiu os lábios e voltou a falar – Não deixa essa oportunidade passar. Tem muita gente procurando um cara legal como ele. Zoe é uma delas, se você não tomar cuidado de novo com ela, talvez aquela vaca consiga separar vocês dois de novo!
Eu não queria aceitar que tinha razão. A sensação de pensar em Tom com Cris... Era repugnante. Eu ainda não tinha engolido muito bem essa história.
Por sorte ou azar, Dougie abriu a porta pálido e falou com :
- Fodeu, amor! Tem um monte de penetra na casa, o gelo acabou e a cerveja também. Uns bêbados invadiram o quarto dos meus lagartos e eu acho que vou chamar a polícia! – Ele falou tão rápido que eu e falamos juntas: “Quê?”.
Dougie estava aflito, não sabia o que fazer. o beijou com calma e eu achei que essa era uma ótima oportunidade de sair de fininho.
Desci as escadas seguindo em direção a música alta. O salão estava lotado de pessoas e bebidas, gente que eu nunca vi na vida.. E gente que eu nem queria ver. Por mim, eu iria para casa e comeria sorvete até engordar 20 kg, mas já que eu estava aqui... Alguns garçons passaram por mim e eu me desdobrei para pegar o máximo de bebidas coloridas que eu conseguia segurar. Fui em direção ao corredor do primeiro andar. Depois de encontrar três casais fazendo coisas obscenas e um banheiro vomitado, finalmente achei um quanto meio revirado, porém vazio.
Bebi um copo atrás do outro, até que eu fiquei mais deprimida do que antes. Ótimo! Eu realmente tinha que parar com essa mania de beber quando alguma coisa dava errado. Não lembro direito como aconteceu e nem quanto tempo eu fiquei sentada. Quando dei por mim, já estava sentada no corredor e meus joelhos e costas começaram a me incomodar. Levantei torta tentando focar em alguma coisa que fizesse a minha cabeça parar de rodar, de repente, eu senti uma súbita vontade de fazer xixi.
Fui tateando a parede em busca da privada mais próxima, foi quando eu dei de cara com uma das duas pessoas que eu não queria encontrar: Danny.
- Você está... Bem? – falou Danny me analisando de cima a baixo. Foi quando eu notei que o meu vestido tinha subido um pouco deixando a mostra os curativos do joelho. Por um segundo sua expressão rude e antipática se transformou em preocupação – Então foi verdade? Quer dizer... Você se machucou? Te machucaram?
Eu não sabia a qual Danny responder, havia pelo menos três na minha frente. Será que eu bebi tanto assim?
- Sinceramente Danny, faz alguma diferença? Você não me salvou, não fez meus curativos e nem bateu na pessoa que fez isso comigo...
- Por que você saiu de casa naquela hora? – Danny me olhou como se eu fosse a pessoa mais burra do mundo.
- Olha quem fala?! Hm, deixa eu me lembrar... Ah sim, foi você quem saiu primeiro! Quer saber? A minha vontade de fazer xixi é bem maior do que a de ficar discutindo com você.
- Ah claro, ontem você me seduziu, me levou para cama, chamou o nome do meu amigo e não queria que eu tivesse uma reação daquelas? – ele riu debochado.
- Ok Danny, desculpa tá legal? É que eu ainda estou muito confusa. Foi bom enquanto durou... Mas, na boa, acabou – falei sinceramente.
Eu vi os três Dannys recuarem um passo para trás. Pela primeira fez na noite, eu o vi sério.
- Mas eu... – ele falou encarando o chão ele tinha a respiração um pouco mais forte que o normal – Amo você.
Eu só contraí os lábios antes de falar.
- Olha Danny, eu também gosto de você, de verdade, mas eu já ia term...
Sem eu e Danny percebemos, Cris estava do nosso lado com a cara inchada de tanto chorar e não me deixou terminar a frase.
- Você ama ela? AMA?! – ela de repente berrou. Eu prendi a minha respiração no susto, ela parecia estar possuída.
Senti minha bexiga pulsar em forma de protesto. Nossa, eu ia fazer xixi na calça!
- Vocês realmente me desculpem, a conversa está muito boa, mas pre-ci-so fazer xixi.
Danny abraçou Cris e eu o ouvi sussurrar “Não chora Cris, sabe que isso pode prejudicar...”
Apesar de aquela frase me parecer muito estranha, eu já estava tateando a parede chegando ao banheiro mais próximo. Foi quando eu me deparei com Carrie encostada na porta.
- Tá ocupado? – perguntei com a perna cruzada.
- É, tem um casal aí dentro...
- Quê? Ah, eles que se peguem aqui fora, eu preciso fazer xixi, a-go-ra! – eu ouvi um corpo bater contra a porta. As pessoas estavam se divertindo ou se batendo? Carrie levantou as sobrancelhas e falou:
- Acho melhor você não entrar - Eu reparei que ela segurava uma chave, provavelmente a do banheiro. Eu tentei abrir a porta, mas estava trancada.
- Abre logo a droga dessa porta – eu já estava desconfiada de alguma armação de Carrie para cima de mim, afinal, o que ela fazia parada em frente ao banheiro com a chave?
- Depois não diz que eu não avisei – Carrie colocou a chave na fechadura e deu duas voltas destrancando, eu já empurrei a porta dizendo:
- Gente, eu to muito apertada, vão arranjar um quarto... TOM? ZOE? – Eu me deparei com Tom entre a privada e a Zoe e ela encostada na parede com seus cabelos ruivos muito bagunçados, como o banheiro era minúsculo, os dois pareciam estar perto demais. Minha respiração aumentou e eu fiquei cega de raiva.
- , deixa eu...
- Vamos terminar o que começamos, Tom – Zoe empurrou Tom com força, e ele caiu sentado no tampo da privada e ela lhe roubou um beijo.
Hoje eu mato essa vaca.
Continua...
nota da autora: Leitoras, primeiramente obrigada pela paciência de todas. Finalmente tiveram o cap 30 de MP!
Sim, eu sei que demorei (e muitooooo), muitas entenderam outras nem tanto. Acho que anteriormente eu já falei e me desculpei demais.
Agora é hora de trabalhar. Vou me esforçar ao máximo para ter um att por semana! É concordo com a deborah, vocês esperarem muito. Realmente eu tenho outras obrigações e prioridades hoje do que tinha quando eu só estudava na escola. Mesmo assim eu não lhe tiro um pingo de razão. Por isso eu vou me dedicar muito para terminar os caps logo e postar para vocês. afinal.. já está no final da historia e eu também acho uma falta de respeito não conseguir postá-los! Um beijo a todas que ainda não desistiram da minha fic!