Escrita por: Juliana Duarte
Beta-Reader: Annie Brissow


cabeçalho

CAP.01
UMA NOVA ESTRANHA


(N/A: Na capa da fanfic tem um link com as músicas de cada capítulo pra vocês ouvirem (ou baixar) em cada momento, okay? Serão cinco ao todo (de cada capítulo) e quando virem a letra (bem pequenininha entre o texto) botem a música que tiver o trecho. Tenho certeza, vocês vão se amarrar!)

– Megan, desça aqui! – esgoelou minha mãe lá de baixo da escada incrivelmente branca de aço. Admito; às vezes minha mãe tem bom gosto. Ela pode não ser viva (a escada), mais guarda uma grande história. Só pra irritar minha mãe, adoro sentar no sofá vermelho-choque e ficar olhando para a escada, que por um motivo besta, minha mãe acha que está velha e antiquada.
– Já vai! – gritei antes que ela viesse atrás. Fechei a agenda, que por acaso estava tentando escrever alguma coisa e fui me arrastando até a escada.
– O que é mãe? – falei me apoiando no corrimão. Até tentei dar um sorriso, mas soou um pouco falso. O que na verdade, não era tão falso assim...
Olhei novamente procurando ver alguém, e vi que mamãe não estava sozinha, tinha uma garota com ela. Tudo bem; estou tendo alucinações.
(N/A: ::soundtrack:: música 1)
– Venha aqui! Quero lhe apresentar uma amiga minha... Megan! – ela sempre gostou de dar ênfase ao meu nome, principalmente quando tinha alguém de fora. Simplesmente pra demonstrar autoritarismo. Humf!
– Ah!... – suspirei sem nenhuma empolgação. Desci segurando o corrimão pra não despencar dali mesmo. Imagine a cena que seria. Mamãe desesperada procurando ajuda e a estranha sem saber o que fazer.
Quando desci, pude ver o rosto da garota, mas logo desviei pra dar atenção para mamãe.
– Meg, esta é Lola... Lola está é Megan, minha filha rebelde. – tentei ignorar esta última parte. Passamos exatamente cinco minutos tentando dizer alguma coisa, mas eu não consegui... Nem ela.
– Ela vai ficar aqui enquanto eu viajo para a coletiva em Tampa. – assim que mamãe terminou de falar, nós nos encaramos de novo, deixando o ambiente ainda mais tenso.
– Oi. – acenei sem precisão, já que ela estava a 10 centímetros de mim. Dei um sorriso meio amarelo, mas acho que ela entendeu.
– Oi. – ela disse. – Tia Bridget não precisa de tudo isso... – ela se interrompeu, como se quisesse que ela terminasse, ou a interrompesse.
“Então, enfim, essa é você?’’ Ela parecia falar comigo pelos pensamentos?! Não, não era ilusão ou alucinação minha, ela falara mesmo isso. Fiquei paralisada de tal choque. Então ela sabia? Pensei. Como, quem contou? Como ela sabe, se ninguém além do meu subconsciente sabe? Será que não foi sonho? Ela falou mesmo isso? Como ela saberia do meu segredo sem que ninguém a tenha contado? Ela também tinha? Ela também podia ler? Perguntas e mais perguntas foram surgindo na minha cabeça, até que eu fiquei praticamente enlouquecida em meio a tantos pontos de interrogação. Ela continuara a me encarar, não mudou nem por um segundo sequer um fiozinho de cabelo de lugar. Por que ela disse aquilo? Eu abri a boca, quase que para perguntar o que, mas não consegui, não tinha voz, não conseguia encontrar minha voz. Mas isso pouco importava agora. Comprimi os lábios antes que ela pudesse perceber, mas foi inútil, ela não deixara escapar uma. Abaixei o olhar, fiquei desviando, esperando que esse segundo passasse rápido. Parecia que tudo acontecia em câmera lenta, como se ela poderia, de algum modo, controlar o tempo, ou como as coisas aconteciam. “Mas isso é impossível. Não é?” me perguntei. Claro que não, se você podia, por que não poderia existir outros piores? Mas quem disse que eu sou pior? A não ser eu mesma, ninguém.
– Como vai sua mãe? – perguntei indiferente, tentando parecer o menos nervosa possível, mesmo minha voz me traindo.
– Bem. Ela está tirando férias. Pelo menos é assim que ela diz. – ela falou fazendo fico, avaliando minha pergunta.
– Então, mamãe, para não perder a oportunidade, chamou você pra passar esses dias aqui. Certo? – denominei.
– Certo. – ela disse.
Mãe. – falei balançando a cabeça, revirando os olhos. Ela sempre fazia isso, mesmo que não pudesse ou não estivesse ao seu alcance ela sempre se oferecia pra ajudar, mesmo que a situação não exigisse.
– Você não se da muito bem com ela, não é? – insinuei.
– Mais ou menos. Ela costuma se distanciar de mim. E eu acabo na casa de alguém no final das férias. Sempre foi assim, já nem ligo mais. – ela disse em um tom de tristeza. Não respondi, apenas exaltei as sobrancelhas como um ‘nossa!’ omitido. Depois de alguns segundos, mamãe voltou com duas sacolas na mão vindo da cozinha. Nem havíamos percebido que ela tinha saído ou que ela estava ali.
– Meg... Ela vai dormir no quarto do lado. Já arrumei tudo, depois leve ela até lá. – ela falou em meio às sacolas.
– Fez compras? – perguntei mudando o rumo da conversa.
– Ah, sim!... Como eu sou distraída. – nós rimos. – Venham me ajudar a botar isso na cozinha, fui pegar lá no carro e esqueci completamente o que ia falar.
Peguei uma sacola e Lola a outra. Mamãe esfregou as mãos e nós a seguimos para a cozinha. Lola pareceu não reparar em nada, mal parecia que estava ali, de tão distante que estava. Ela olhava, mas não via.
(N/A: ::soundtrack:: refrão da música 2)
– Oi! – falei ofegando pela corrida.
– Meg... – ele parecia surpreso, mais nenhum pouco empolgado. Ocupado pela confusão das chaves, tentando trancar a porta da casa dele, mal olhou para mim.
– Steve. – falei. Mas de novo minha voz falhou, ainda não tinha fôlego suficiente.
– Meg, o que faz aqui à essas horas? – agora ele parecia mais surpreso ainda. – São sete e meia da manhã! – ele respondeu a própria pergunta ainda enrolado com a tal chave. Enquanto ele se enrolava com a sacola em meio às chaves que estavam incrivelmente embaraçadas no trinco, pude ver o que ele vestia. Uma camiseta vermelha com uma estampa confusa, típica dele. Calça larga e tênis largado.
– Quero te contar uma coisa. – cuspi a frase antes que suas roupas me tirassem a atenção. Encarei-o com uma mão enfiada no bolso do casaco.
– O que foi? É segredo... – ele balançava a cabeça enquanto dizia os outros palpites. Mal ouvia o que ele dizia, estava procurando as palavras corretas pra que ele não pensasse que eu havia surtado de uma vez. Ele parou e enfim percebeu que era sério.
– Fala. – ele deu uma rápida espiada no relógio impaciente, não era hora a para contar. Não com ele apressado e eu impaciente. Não consegui responder até que ele tomou a palavra.
– Meg, o que aconteceu? – agora ele parecia interessado. Ele abaixou a cabeça tentando ficar no mesmo ângulo que eu. Eu devo bater no ombro dele. Sempre fui meio baixinha...
– Vamos andando até a casa da Angel. – sugeri enfim.
– Boa ideia... Você parece nervosa... O que foi? – ele franziu o cenho procurando uma pergunta direta. Novamente não consegui responder, deixando-o no vácuo.
– A Angel não deu sinal de vida, acho que ela não se tocou que hoje tem o campeonato... E, aliás, estamos atrasados. – depois de alguns segundos ele me olhou rápido e depois voltou o olhar pra rua.
– Problemas em casa? – sugeriu insistindo numa resposta.
(N/A: ::soundtrack:: início da música 3)
– Não Steven... Olha pra mim. – falei parando de andar. Ele também parou logo em seguida me encarando. Enquanto eu o encarava ele não falou nada.
– Não sei como dizer isso... – me interrompi e depois ele continuou.
– Então não diz, ué.
– Não Steven, é importante, tenho que te contar... Preciso. Sabe aquelas histórias sobrenaturais que rolam por ai?... De vampiros, de pessoas super-poderosas... Essas coisas. – dei de ombros, tentando explicar o inexplicável. Tentando parecer o menos nervosa possível.
– Você acredita? – ele falou num tom sarcástico.
– A questão não é essa... – me interrompi de novo.
– Então qual é a questão?
– Não é que eu não acredite, porque não sei e nem nunca vi...
– Meg. – ele falou nervoso, e depois continuou. – Você ta me matando de curiosidade. – ele agora parecia realmente impaciente.
– A competição, não é? – ele assentiu. Tudo bem, não poderia ter escolhido outra ocasião mais importante pra contar isso. Por que tinha que contar logo hoje? E agora que já comecei... Vou ter de terminar.
– É tão importante assim?... Não pode esperar o campeonato terminar? – perguntou ele botando as chaves no bolso direito, olhando pra mim.
– Pode... Só que... Não posso mais ficar adiando isso. – falei quase gemendo pra que ele visse a seriedade do problema.
– Steven!... – desviei o olhar dele, e de longe, os amigos dele vinham em nossa direção. Nunca tinha os vistos, apesar de morarem na esquina. Todos moravam na república, a ‘mansão’ da esquina.
– E aí, Megan... – ele olhou diretamente pra mim. Como se me conhecesse. Depois desviou os olhos, que me analisavam atentamente e olhou pra Steven.
– Steven... Vamos? O campeonato já começou. – falou ele. De novo me fitando.
Eu nunca tinha os visto. Mas pela fama, diziam que eram muito bagunceiros, aprontavam muito e faziam as mais loucas manobras. Sei disso porque, eu mesma uma vez, já vi um deles quase se matar numa escada, descendo um corrimão. Steven nunca tinha apresentado eles a mim e muito menos a Angel. Também nunca perguntamos por quê. Ele também nunca falou deles, nem um comentário... Como se nos escondesse dos amigos. Fiquei totalmente sem graça e nervosa com aqueles olhares em cima de mim. Todos aqueles olhos me analisando me deixaram constrangida, principalmente o daquele cara, o que me chamou como se me conhecesse.
– Josh, vai na frente com os meninos. Já que eu apareço por lá. – ele disse atropelando as palavras.
De repente Steven estava nervoso. Como se algo que ele não quisesse tivesse acontecido. Seria o fato deu ter conhecido os amigos ‘má-influência’ dele?
– Steven... Não vai apresentar sua amiga pra gente? – falou Josh.
– Han... – ele suspirou, parecendo derrotado. – Megan, estes são Josh, Paul, Mike, Damon e Evan. – ele falou acenando pra cada um. O último, que estava atrás de Damon, quase que escondido, parecendo nitidamente introvertido, me chamou atenção.
(N/A: ::soundtrack:: música 4 [deixa rolar] )
Simplesmente pelo fato de o tempo parecer ter parado numa câmera lenta... Enquanto a gente se olhava. Ou era o que parecia. Era como se o tempo tivesse parado, congelado, e o segundo pareceu uma eternidade. Isso nunca aconteceu com ninguém, me bateu um choque, de hoje de manhã. Exatamente naquele segundo em que Lola e eu ficamos nos olhando como se nos conhecêssemos a mais de um século.
Incrível como eu não gravei o rosto de nenhum, nem de Josh, que me surpreendeu me chamando pelo nome... Só o de um que ficou gravado, o único rosto pelo qual eu nunca mais iria esquecer... Eu poderia confundir o nome de todos agora, se fosse questionada, inclusive o de Josh... Mas... O nome dele... Tenho certeza que não.
Quando desviei o olhar fiquei atordoada, como se aquilo me desse vertigem. Nem sei... Como descrever, não sei o que falar para tentar explicar, chegar perto, de como tudo aconteceu. Era tudo tão rápido e acontecia numa fração de segundos... Se piscasse perderia toda a mágia, tudo o que eu sempre sonhava... Eu agora podia viver, mais não podia agir.
Era como se eu estivesse em meu próprio sonho, só que desta vez eu não podia agir por conta própria... Estava tão viciada... naquele olhar que... Não podia sequer tentar sair dele. Era mais forte, muito mais forte, que qualquer poder misterioso pudesse me oferecer.
Baixei o olhar, com vertigem... Aquilo tudo, de algum modo, me deixou enjoada. Meu estomago se retorceu dentro de mim. Como se eu estivesse mesmo enjoada.
Quando me recuperei, subi o olhar diretamente para ele... E eles ainda me olhavam, sem graça, pela platéia que parecia ter paralisado.
Ele parecia sorrir pra mim... Com o olhar... Como se seus olhos pudessem beijar a solidão que eu sentia, como se eles me abraçassem e cobrissem todo o espaço vazio. E tudo isso eu podia sentir através de apenas um olhar, que sorria pra mim do outro lado... Tão longe, mais ao mesmo tempo tão perto.
Balancei a cabeça de repulsa... Aquela ideia... Me deixava fora de controle, e eu por um minuto perdi a consciência. Podia até ouvir seu coração, mas não seus pensamentos.
Parecia que o tempo havia voltado ao normal e eu ainda estava presa nele, como num círculo.
Balancei a cabeça novamente, tentando expulsar aquilo de mim. Aquilo que ainda me prendia, que eu não sabia o quê. E quando percebi, quando me dei conta, já havia passado um bom tempo até eu responder.
Não falei nada, só acenei com um meio sorriso de lado pra não parecer rude... Até que o silêncio se interrompeu.
– Oi. – falou Josh, por fim acabando com o silêncio. Não respondi.
– Eu vou atrás, com a Megan. Vocês vão se sentar com a gente? – Steven olhou para todos, mas perguntava para Josh. Discretamente mudando de assunto. Josh me fitou e depois respondeu.
– Vamos... – ele se interrompeu e depois continuou. – Eu e Mike vamos competir, os meninos não.
Todos se viraram e saíram; cada um com seu skate.
Eu não o olhei novamente... Não depois daquilo, daquele inexplicável.
Eles se foram e viraram, nem percebi, nem me dei conta de nada. Apenas ficava fitando o nada. Até que Steven me fitou e eu voltei ao presente. Inexplicável, pensei.
(N/A: ::soundtrack:: música 5)
Eu e Steven nos olhamos e eu sorri, inesperadamente.
– Valeu... – o fitei, depois olhando pra rua, enquanto continuávamos andando sem rumo. Minha voz embargada, parecia que estava chorando. Nada o convenceu, e ele pareceu perceber isso.
Ele sorriu.
– Acho que... Talvez Josh não esteja acostumado... Em conhecer garotas, ainda mais sendo você.
Franzi o cenho pensando no que significava aquele você para ele. Ainda mais sendo você. O que eu tinha de mais? Por que eu parecia especial nessa frase? Por que para mim parecia especial? Ele de algum modo queria que essa fosse a ideia... Para mim.
– Por quê? – mordi o lábio com receio do que ele responderia.
O silêncio levou meus cabelos, junto com o vento.
– Ah... Sei lá, você... Não é para esses caras, não são bom exemplo... Eu sou amigo deles, claro, mas... Não acho que são boa companhia para você, nem para Angel... – o interrompi.
– Então por isso nunca os apresentou? – insinuei.
– É... Não é que eu tenho ciúmes. – ele hesitou. – É que não falo por mim, mas por que iriam falar de vocês, principalmente de você... Sua mãe iria me desprezar, por ter apresentado você para eles. Todos sabem da fama que eles levam.
– Eu sei que não é por ciúmes, Steven... Olha; eu até agradeço por não ter feito isso, mesmo sabendo que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. – fiz uma careta, mordendo os lábios, me repreendendo. Não queria falar nenhuma besteira, logo agora que eu consegui mudar o rumo da conversa. Que eu tinha conseguido alguma distração pra não ter de continuar aquela conversa.
(N/A: ::soundtrack:: música 1)
Ele me olhou por cima de lado, de cabeça baixa, com as mãos no bolso, de frio.
– Eu... Tenho duas perguntas. – sussurrei com a voz baixa e repreensiva, depois de alguns minutos em silêncio.
– Sabia que iria perguntar alguma coisa. – ele disse por fim andando mais devagar, para que eu o acompanhasse.
Franzi o cenho refletindo no que ele dissera. Como ele sabia?
– Primeiro: Como aquele Josh sabia meu nome, sendo que nunca o vi na vida? Segundo: Por que falou que eles são má companhia... Não achei que todos fossem tão mal-influentes assim... Sendo que você também anda com eles, e é amigo deles, aliás.
– Calma Megan... Primeiro: Como pode perguntar uma coisa que todos estão cansados de saber? Segundo: Como já disse, não falei do meu ponto de vista, pelo menos não literalmente. São má companhias para vocês duas... Imagina a fama que iriam levar. E você tem razão quanto a todos serem mal-influentes. Exagerei um pouco para por receio em você, já que é tão cabeça dura. Tá... Nem todos são tão mal-influentes assim...
– Peraí! – me interrompi tentando me lembrar do que ele acabara de dizer, organizando o que ele falara num impulso. Não peguei quase metade do que ele disse. – Como assim “uma coisa que todos estão cansados de saber?’’? Do que está falando? E... C-como assim cabeça dura? Eu não sou cabeça dura! – falei irritada.
– Como assim digo eu... Você não sabe? – ele falou exaltado de surpresa.
Perdi alguma coisa...
– Eu não sei do que? – perguntei confusa.
– Ops!... Pensei que soubesse. – ele disse num sussurro.
O interrompi de novo.
– Pensou que eu soubesse do que, Steven? – perguntei completamente irritada, falando bem alto, quase gritando.
– Desculpa não ter te contado antes, é que... Pensei que como todos já sabiam; você já estava sabendo por alto... Bem, acho que me enganei.
– Perdi alguma coisa? – falei séria.
Ele fez uma careta, calculando cada palavra antes de jorrar tudo em cima de mim.
– Não fica com raiva de mim... Desculpe, eu não queria ter de fazer você de idiota ou coisa assim... É que... – ele grunhiu franzindo o cenho enquanto parecia tomar coragem pra falar alguma coisa daquelas constrangedoras. – Não sabia como contar uma coisa dessas pra você... Sei lá, não tenho jeito pra falar sobre isso e... Achei que se ficassem sabendo por alto seria melhor, mas parece que existem mais covardes do que eu.
– Steven, será que dá pra falar logo? – falei com a voz séria.
– Sabe o Josh?... Aquele que te chamou pelo nome e que ficou te olhando... Bem... Ele... – ele se demorou, tomando coragem. Eu esperei.
Ele hesitou, tomando fôlego.
– É louco por você... E... E, ele vive falando de você... – ele se interrompeu.
Ele fez uma careta e logo depois balançou a cabeça fitando a rua. Depois olhou pra mim e continuou.
– Desculpa fazer você passar por isso... Agora você entende, né?
– Você nunca ter nos apresentado? – chutei enquanto ainda estava em estado de choque.
Aquele garoto que neste instante estava aqui... Não... Não podia falar isso... Gostar. Por que essa palavra parecia tão difícil e tão repugnante? O que ela tinha de mais? Oras... Era tão difícil assim assumir isso pra mim mesma... Lógico que você sabe o significado, ou não. Pensei.
– É... Não queria te botar numa situação dessas. É constrangedor até pra mim. – ele disse acenando para si mesmo.
– Por isso falou aquilo? – perguntei.
– Aquilo o que? – ele me fitou.
– Quando você disse aquilo “ainda mais sendo você’.’ – falei imitando uma voz grossa.
– Foi... Foi por isso. – ele assentiu. – Agora você entende.
– Claro, se tivesse explicado isso antes... De todo mundo saber.
– Desculpa ter deixado você ser a última... Sempre conto tudo pra você. – o interrompi de novo.
– Eu sou a última? A saber...?
Ele assentiu confirmando.

(N/A: ::sountrack:: música 3)
No corredor lá de cima, tem três portas – A minha, a de Lola, que era de hóspedes e a de minha mãe. A janela do fundo do corredor é a primeira que se vê quando se chega ao segundo andar. O meu quarto é de lado, como os outros, só que é o primeiro da direita, e o mais perto da escada. O de Lola é do meu lado, colado, e o de mamãe é o da esquerda, de frente pra Lola.
Nunca contei isso para ninguém, e não seria agora, com uma competição daqui a vinte minutos, que eu iria contar sobre o segredo... Ou por assim dizer... Meu segredo.
O segredo do qual eu não procurava falar nem para mim mesma, nem lembrar, nem sequer cogitar em falar o nome.
Por isso fiquei tão constrangida quando encontrei com os amigos de Steven, Lola... Principalmente Lola.
Essa é a questão pela qual eu voltei a pensar nisso, sobre isso. Uma coisa que eu fujo até em pensamentos. Nem sei bem por qual motivo... Nem sei bem qual motivo! Talvez receio, de alguém igual a mim, como se alguém normal pudesse descobrir isso. Talvez medo de alguém descobrir e eu virar cobaia de cientistas. Talvez... Ou no mínimo virar uma espécie de ‘objeto de desejo’ pelos cientistas.
Uma vez, não fazia muito tempo, era recente, já fazia dois dias que Lola havia chegado aqui, e isso foi à noite, no primeiro dia. O dia mais perturbador que já tive. A coisa mais estranha que já aconteceu, o motivo pelo qual eu voltei a falar sobre isso.
Eu estava no quarto e ouvi Lola falando com alguém. Mas com quem? , pensei. Já que ela não tem telefone e muito menos celular.
Fui até a parede e fixei no ponto exato de onde vinha sua voz... Bem... Eu não possuía apenas um poder, eu descobria alguns a medida que se passava os anos. E cada vez me sentia menos ‘vivida’ – era como se os anos nunca se passassem para mim. Já havia percebido, mas não sei se alguém havia percebido. Minha mãe pelo menos – até agora, não deu nenhum rastro de suspeita ou dúvida.
Pude ver exatamente, como se meus olhos atravessassem a parede e abrissem um buraco. Bem, visivelmente eu via um buraco aberto, mais isso só eu via. Então, não era literalmente.
Ela falava com ela mesma? Pensei em alto. Arregalei os olhos pra ela. O que eu via não era alucinação, era? Mas que asneiras eu estou falando? Lógico que não, estou em minha mais perfeita consciência. Ela estava de olhos fechados falando consigo mesma, como se estivesse rezando, sentada na cama. Como se falasse ao telefone. Ela parecia tão normal e tranquila que por um minuto pensei que a estranha fosse eu.
Ela parecia estar cantando, por um minuto cogitei ser essa a resposta.
Ela de repente se assustou; sozinha, já que nada se moveu. Ela percebeu? Pensei. Lola abriu os olhos e olhou diretamente para mim... Através da parede. Levei um susto de tal tamanho que caí para trás e a parede se fechou em minha vista. Pisquei várias vezes para confirmar que não era visagem ou alucinação. Mas o que havia acontecido ali? Ela... Viu? Como? C-Como ela pode? Ela também podia? Ela também atravessou a parede, com os olhos? Ela também me via, olhava para mim? Mas o que eu tinha visto não era sonho, ela havia mesmo olhado pra mim.
(N/A: ::soundtrack:: música 6[deixa rolar])
Depois daquele fato, nunca mais olhei diretamente pra ela, nem a havia encontrado depois daquilo. Não a vi mais... Talvez pelos horários, e pelo fato dela ser um ano a mais que eu na escola. Mesmo no intervalo, no refeitório, não a vi, nem em lugar algum.

CAP.02
O CAMPEONATO


Depois da conversa constrangedora que tivemos, Steven andou a meu lado até a pista onde estava tendo a competição, sem falar nada.
Também não falei, e nem ia falar. Depois dessa, andamos calados, sem dizer nada. Até que ele parou.
– Meg, eu vou comprar alguma coisa, e você vai guardar nosso lugar lá na arquibancada, ok? – ele perguntou sugestivo, ainda com receio.
– Claro! E... – me interrompi. – Não se esquece da minha coca! – sorri encabulada. Talvez a gente superasse isso... Com o tempo.
– Quem é aquela garota acenando pra você Meg? – falou Steven apontando com a cabeça pra arquibancada, onde estava a multidão alvoraçada se espalhando entre os lugares vagos. Sobre a forte luz do sol, nossos olhos se espremeram contra a luz. Procurando alguém conhecido entre a multidão pude destacar uma pessoa. A única pessoa a qual eu desejaria não ter conhecido. Lola.
(N/A: ::soundtrack:: música 1)
Ela andava com um sorriso no rosto, com o cabelo esvoaçante. A pele tão surreal feito aço, um tipo desconhecido de mármore. E os olhos... Castanhos claros, quase madeira. Parecia mais uma modelo do que ela realmente era. Ela sorria para mim – em especial, como se fôssemos grandes amigas. Com os braços sugestivamente erguidos para mim, ela parou em frente a nós.
Steven não disse uma palavra, parecia mudo em frente a sua beleza. O que eu era comparada a ela? Steven me fitou de soslaio esperando uma explicação por aquela situação.
(N/A: ::soundtrack:: pára a música)
– Meg! – ela suspirou de alívio por “ter me achado’’. Ela fitou Steven e neste mesmo minuto olhei pra ela, não para ela... Mas para sua mente.
Novamente vazia. Sabia, eu tinha noventa e nove por cento de certeza que ela também podia ler... Só não conseguia ler a dela. Não via nada.
– Lola... O- o que faz aqui? – gaguejei estranhamente encabulada com sua presença repentina.
– Oras... O mesmo que você. – ela respondeu sorrindo.
– Não sabia que conhecia... Que curtia esse tipo de... Evento. – falei dando uma leve coçada na nuca, nervosa.
– Sabe que nem eu. – ela parou. Fitou Steven de novo e depois se voltou pra mim completando. – Bem, eu... Fiquei sabendo na escola e vim ver, também não esperava você aqui. – ela esticou a boca, fazendo uma linha, quase que uma careta. Não sabia como perguntar para destrambelhada aqui como era o nome do meu amigo.
– Steven... Essa é Lola, eu ia te falar dela... Ela chegou anteontem de Tampa. Veio passar o verão aqui. – eu parei. – E Lola esse é Steven, meu amigo desde os primórdios. – falei indiferente sorrindo.
Nós rimos e depois eles se olharam. Ela avaliava sua mente e eu tentava avaliar a sua.
– Vou lá comprar... Agora você tem companhia. – ele sorriu instintivamente para mim e depois olhou rápido para ela.
Lola não disse nada. Fiquei andando até a arquibancada procurando dois lugares, não pretendia me sentar perto dela. Ela apenas me seguiu olhando.
– Lola... Um dia desses ouvi você falando no quarto... Sozinha. – eu me interrompi antes de chegar ao ponto. – Claro que eu não tenho nada haver. É só que... – dei de ombros. – Você não tem celular e no seu quarto não tem telefone. Eu pensei... Bom, já que ela não tem, então por que ela falou sozinha... Como se estivesse falando mesmo com alguém.
Ela não respondeu. Continuou me seguindo e nada disse.
Olhei pra ela instintivamente e franzi o cenho pensando se ela me deixaria falando sozinha.
– Aquele não é o Steven? – olhei pra ela de sobre salto. Ela apontava para alguém distante, tentei seguir seu dedo. – Aquele lá perto do muro cheio de coisas na mão? – ela continuou apontando até que eu cheguei a Steven lá do outro lado, perto de um muro enorme que rodeava a arquibancada.
Sorri rindo da situação dele. Logo depois me lembrei que ela mudara de assunto, me distraindo.
– Steven! – gritei. Ele ficou procurando com os olhos a voz que chamava. Depois de cinco minutos ele nos viu. Acenou e depois ia derramando todos os refrigerantes, em cima dele mesmo. Nós duas rimos.
Acenei novamente pra que ele não perdesse o ponto de vista.
Sai às pressas atrás dele, mas um apito soou e uma multidão entrou onde seria a competição. Como eu estava saindo, fui arrastada sabe Deus para onde.
Me perdi completamente de Steven e ele de mim. Fiquei só imaginando Lola rindo, lá do alto, da gente sendo esmagado.
Procurei em desespero algum ponto fixo pra que fosse mais fácil de me localizar, mas... Enquanto saia, alguém esbarrou em mim, ou eu esbarrei em alguém... Puft!
(N/A: ::soundtrack:: música 2)
E no outro segundo, várias coisas estavam espalhadas pelo chão.
– Ah descul... – fui interrompida pelo sorriso mais lindo que já vi. Era ele... O cara que eu esperava encontrar de novo... Só para ter a certeza que eu não estava sonhando. Só para me certificar de que tudo aquilo de que disseram era mentira. Só para ter certeza de que eu não havia sonhado aquilo tudo, ou até imaginado tudo.
Era alto, não era loiro e nem moreno. Seu cabelo era de um cobre com um castanho hipnotizante. Seus olhos... Bem... Estava olhando para eles agora, até ele desviar. Sua pele... Bom, indiscutivelmente linda.
O fitei, nós paramos por um minuto e aquilo pareceu ridículo. Duas pessoas completamente estranhas se olhando.
Balancei a cabeça ao pensar nisso e ele também pareceu se lembrar de mim.
– Não, tudo bem. Eu tenho costume de esbarrar em alguém. – ele deu um meio sorriso e eu dei outro. Ambos sem graça. Ele me olhou, analisando cada traço do meu rosto.
– Desculpa. – sussurrei com a voz baixa. Estava com a cabeça baixa, fitando a rua sem ver e olhei pra cima, onde ele olhava nervoso.
– Acho que te conheço de algum lugar... – ele falou agora me fitando. Ele reprimiu os olhos, franzindo o cenho e ficou me fitando, principalmente meu rosto. Tentando se lembrar de onde me conhecia. E claro, meu nome.
– Acho também. – sorri nervosa. É claro que eu não esquecera. Aquele sorriso, como se pode esquecer?
– Steven não é? Espera! – ele parou; pensativo. Hesitou uma vez e sorriu, ficou sério, sua expressão indecifrável. – Megan. – ele disse depois de um tempo, numa voz sedutora; de seda. Ele sorriu. – Não te vi passar... Quem deve desculpas sou eu. – ele franziu os lábios, indeciso.
– Deixa que eu pego. – desviei o olhar, me abaixando pra pegar sua mochila que derrubei espalhando tudo que havia dentro.
– Nada, pára com isso. Não precisa. Eu pego. – ele murmurou.
Continuei recolhendo as coisas enquanto ele me olhava incrédulo. Então se abaixou. Ele puxou delicadamente a mochila da minha mão, sem tocar em mim, pegou a mochila e foi recolhendo cada objeto do chão. Eu o olhei; constrangida.
Ele se pôs de pé e me fitou, pondo a mochila num gesto nas costas, com uma alça sobre o ombro.
– Acho que não começamos bem. – sorri.
– Sabe de uma coisa? Os grandes romances surgem da mais tola situação. – ele deu de ombros sorrindo. Ele franziu o cenho enquanto eu o olhava crítica. – Tudo bem. – ele parou sarcasticamente sério. – Eu sou um péssimo poeta. – ele suspirou. – Então, vamos fazer isso direito. – ele parecia com interesse. Ergueu uma mão na minha frente e sorriu. – Oi.
Balancei a cabeça exaltando as sobrancelhas. Por que ele queria ser simpático comigo? Por que se importava tanto?
De algum modo ele me fez sorrir. De um jeito que eu nunca havia sorrido antes. Não que eu seja séria, mas, fazia tanto tempo que eu não sorria, que já havia me esquecido da última vez que alguém me fizera rir sem motivo. Era difícil eu sorrir, mais difícil ainda era alguém me fazer sorrir. E ele conseguiu isso num piscar de olhos, com tanta facilidade, e ele mal sabia disso. Nem imaginara o que tinha feito.
Soltei uma gargalhada enquanto ele permaneceu na sua postura. A gargalhada saltou de meu peito me surpreendendo. Como se meu eu tentasse impressioná-lo. Como se eu não o controlasse, como se agisse por conta própria.
– Oi. – respondi ainda rindo.
– Meu nome é... Bem, acho que você já deve saber disso. – ele balançou a cabeça se reprovando pelo que tinha dito.
– Steven nos apresentou... Mas você estava distante. Parecia distante. – eu disse me atropelando nas palavras.
– É... Tava com um dia ruim e... Nem olhei para você direito.
– Steven me contou... Sobre uma historia ai do Josh... – mordi o lábio.
– Você sabia? – franzi o cenho querendo parecer indiferente. Assim ele não viria minha apreensão.
Ele de repente ficou pensativo.
– É claro que sim. – ele respondeu depois de um tempo e se interrompeu.
– Acho que Josh não devia alimentar isso, sabe... Essa história foi longe demais. O pior é que Steven não gosta de ver vocês com a gente... Josh e ele não querem que vocês falem com a gente. Principalmente você. Sabe... Eu nem devia estar aqui falando com você, quando souberem...
– Espera. – franzi o cenho interrompendo-o. – Então é verdade... Toda essa história?
– Claro. Você pensou que era o que? – ele disse rápido.
– Não... Claro que não. É que... Sei lá, não entendo... – eu parei. – Nunca o vi, sabe? Nunca nem falei com ele... Como ele pode gostar de mim?
– Também não entendo. – ele sorriu dando de ombros.
– E... Eles não podem mandar na gente... Não entendo porque dizem isso. Steven falou que é por que acha que vocês são má companhia. – eu disse com a voz falhando, estava nervosa. – Q-quem sabe disso, quem deixa ou não de pensar ou falar sou eu. Ninguém tem haver com isso. Se eu quiser falar com alguém, ninguém vai me impedir.
Ele não falou nada, surpreso com a minha exatidão.
– Olha, até entendo que eles não queiram que você e sua amiga peguem má fama andando com a gente ou falando... Não importa. – ele se interrompeu. – Olha, Meg, a questão aqui sou eu. Josh me mata se me ver aqui falando com você. – ele olhou pros lados. – É sério, ele me mata. – ele repetiu olhando em meus olhos.
– Nem sei o que dizer.
– Pode sair daqui? Sei lá, a gente vai andando até encontrar algum lugar.
– Acho que sim... – eu olhei pra multidão que ainda entrava.
– Você mora do lado do Steven, né? Já te vi por lá. – ele franziu os lábios, comprimindo o rosto numa expressão nervosa.
Agora andava pela minha rua, sem rumo.
– É claro, vocês quase me mataram... Como posso esquecer? – ele sorriu.
– Aquela ideia foi do Josh... – ele pôs as mãos na alça da mochila.
– Bom... Acho que agora nunca mais vou conseguir olhar pra ele... Nem sei o que fazer.
– Putz! Ele é gamado em você.
– É acho que... Vou ter de encarar tudo isso. – balancei a cabeça.
– Acho que sou o menos skatista da turma, generalizando. – ele disse; mudando de assunto.
– Por quê? – perguntei incrédula, fingindo cair na sua distração.
– Ah, sei lá. – ele deu de ombros. – Só moro com eles e levo a fama, mas não sou igual a eles, não sou assim... – ele parou. – O campeonato! Eles vão competir! Caraca; esqueci! – ele olhou o relógio. – E nem vi a hora passar! O tempo passou e eu nem percebi! Quer dizer, a gente nem se ligou... – ele ficou nervoso, se enrolando nas palavras.
– Você não vai... Competir? – sugeri o interrompendo.
– Não... Deixo isso pra eles. – ele sorriu de lado.
– Então a gente volta. – dei de ombros.
(N/A: ::soundtrack:: música 3)
A gritaria na arquibancada era muito grande. O narrador – coitado – lutava infeliz contra a multidão. Mal dava para ouvir-lo.
Eu estava sentada do lado de Evan e Steven lá do outro lado, com Lola. Ele ainda não havia me visto. Não falamos nada o tempo todo, só algumas vezes quando Evan dizia sobre alguma coisa que eu não conhecia. Ele narrava de vez em quando alguma manobra, mas não passou disso.
Então depois de alguns skatistas, era a vez de Josh e os outros meninos da republica.
Ele se posicionou na rampa e alguma coisa aconteceu. Foi tudo tão rápido. Numa hora ele estava concentrado, na outra, estava despencando lá do alto da rampa de quase 20 metros. Todos ficaram em choque.
Era como se tivesse sido empurrado... Pelo vento.
Ninguém havia acreditado – nem eu – no que tinha acontecido. Tudo aconteceu tão rápido, que por um minuto fiquei me perguntando como não vi aquilo acontecer. Foi numa fração de segundos!

(N/A: ::soundtrack:: pára música)
– JOSH! – todos gritaram – inclusive Evan – quando ele já estava no chão, ou melhor, na rampa. Evan saiu correndo, desesperado. Fiquei quase em estado de choque, paralisada, tentando descobrir como aquilo aconteceu.
Como? Aquela pergunta não saia da minha cabeça.
Steven saltou a cabeça de uma mulher a sua frente e pulou para fora da arquibancada correndo atrás de Josh desacordado.
Em um minuto a rampa estava lotada com os meninos em cima do corpo imóvel. Todos ficaram olhando em silêncio. Parecia um enterro; a ideia de enterro me fez tremer e eu me encolhi.
Todos os amigos dele pareciam estar ali, reunidos sem saberem o que fazer.
Ele não se moveu, parecia desacordado e então alguém o balançou.
Os meninos pareciam discutir o que fazer, afinal, não tinham muito tempo. E enfim, resolveram tentar acordá-lo, já que parecia desmaiado.
Fiquei procurando Steven e ele não estava mais perto de Lola – e nem ela estava mais lá. Voltei minha atenção pra rampa e Evan, como era o mais velho depois de Josh – pelo menos era o que parecia – o pegou do chão e o levou as pressas pra fora. Todos os outros foram atrás – menos um.
Um deles – o que não foi com os outros – veio na minha direção. Ele olhava exatamente para mim, e eu sabia que o motivo era Evan.
– Megan? – ele perguntou com a voz um pouco retraída.
– Sou eu. – respondi com a voz baixa. Ele olhou pra mim e depois para fora, parecia com pressa. – Megan, Evan mandou lhe dizer pra ficar aqui. Ele volta já, vamos levar Josh para o hospital mais próximo. – ele disse num suspiro, sem parar para respirar. Eu prestei bastante atenção para não perder sua voz em meio a tantas mentes que agora me atordoavam.
Me perguntei se ele voltaria por mim... Mas por quê? Ele faria isso com alguém que acabara de conhecer? O que eu era perto de um amigo de décadas?
Eu olhei para fora e depois perguntei.
– Ele está muito mal? Parecia desmaiado. – eu disse com receio.
– Ele apagou com a pancada, acho que já devem estar perto do hospital. Vou atrás com os meninos de skate, falar com o tio de Evan. Ele é nosso responsável. – ele parecia atordoado, como se a ficha tivesse caído.
– Ele não estava sangrando e acho que não deveriam ter mexido nele. – o interrompi. Ele franziu o cenho e depois olhou para trás de novo, e pensou no que eu havia dito.
– Eu sei, eu sei. Mas a gente não poderia ficar esperando até alguém resolver chamar uma ambulância, tínhamos que levá-lo. – ele parou. – Olhe Megan, fique aqui e não saia. Evan logo estará de volta. Vou logo antes que me deixem aqui. – ele falou saindo e se virando. Depois se virou de novo e sorriu tímido. – Tchau. – ele disse acenando com o skate.
Eu fiz uma careta e logo depois sacudi a cabeça. Pelo menos não foi tão ruim. Você fez um progresso hoje, pensei – me referindo a Evan e Paul, que acabara de conhecer. Logo depois me reprovei do que pensara. Como podia ignorar o fato de Josh ter sofrido um acidente, e agora poderia estar em coma? Eu sou uma idiota mesmo, insensível.

(N/A: ::soundtrack:: música 4)
Depois de algumas horas, esperando na lanchonete lá perto, onde Steven tinha ido comprar refrigerantes, percebi que alguém conhecido estava me procurando e fui em direção a arquibancada, ainda meio lotada.
– Megan! – ele gritou de longe e então voltei para fora.
Evan estava com uma expressão horrível, como se tivesse acabado de ver um filme de terror. Ele parecia apreensível com alguma coisa.
– Evan! – eu falei ainda longe, e fui me aproximando. Ele andou alguns centímetros e parou. – Como...
– Eu o deixei lá e vim aqui pegar você. Sei que não devia ter deixado isso acontecer... Agora já sabem que falei com você. – ele murmurou com a voz seca. Lembrei do que ele me dissera antes. Olhei para baixo e depois o fitei.
– Não sabe como ele está... Nada? – falei nervosa.
– Não... – ele pensou. – Eu saí antes que o médico dissesse qualquer coisa... Não fiquei para esperar.
– Eu fiquei em choque quando vi ele cair... – falei me lembrando da cena.
– Nem acreditei... Foi surreal! Como alguém pode cair assim? Do nada? Como? – ele agora suplicava por uma resposta.
– Sabe Evan... Você deveria estar lá como todos os outros. Não estar aqui comigo. Alguém que você conheceu hoje. Ele é seu amigo. – eu disse tentando convence-lo.
Ele não respondeu.
– Megan, eu já conhecia você. Só nunca tinha falado. Bom... Já que você quer, eu vou pra lá. – ele franziu a boca numa careta. – Tchau.
Ele se virou e eu não respondi.
– Espera! – eu disse com a voz alta.
Ele parou e virou o rosto repreendendo um sorriso.
– Olha... – mordi o lábio. – Não quis dizer isso...
– Eu já conhecia você de vista. Mas nunca falei com você por causa... – ele me interrompeu e logo depois parou. – E eu nem sou tão amigo dele. Eu só moro com ele. Mais isso é muito diferente. – ele completou.
– Acho que Steven está atrás de mim... Já que me perdi dele. – falei mudando de assunto.
– Steven esta aqui? – ele franziu o cenho. – Eu não o vi.
– Estava. – corrigi.
Ele abriu a boca e depois a fechou.
– Foi naquela hora... – ele parou. – Que eu esbarrei em você?
– Foi antes, eu estava indo na direção da multidão antes que entrasse. Depois me perdi e fui para algum lugar distante.
– Daí esbarrou em mim. – ele completou sorrindo.
Eu sorri de cabeça baixa.

CAP.03
UM NOVO ALGUÉM


Aquela luz batendo em minha cara estava me irritando. Estava pensando se talvez hoje Steven não se lembrasse da nossa conversa... Não era a hora de contar... Talvez ele não fosse a pessoa certa a saber, ou talvez, essa não fosse a hora certa. Passaram-se duas semanas desde o campeonato. A semana era corrida para todos, já que a escola era praticamente todo o dia, e terminava à tarde.
Ouvi o barulho de alguém subindo as escadas e logo depois o piso de madeira dedo duro, avisou que alguém vinha. Arregalei os olhos com o susto e meu corpo ficou tenso.
O piso em frente a meu quarto fazia um chiar estranho, como o de uma gaivota. E então o piso dedurou minha mãe antes de sua mente. Alguém estava lá fora me esperando.
Ela abriu a porta num ruído quase inaudível.
– Meg? – ela entreabriu a porta e pôs a cabeça para dentro, com o olhar curioso. Seus olhos vasculharam todo o quarto até parar em mim. – Tem um rapaz lá embaixo. – ela sorriu constrangida. Não costumava falar das minhas amizades pra ela.
– Quem? – perguntei levantando meu tom de voz, franzindo o cenho numa careta. Ela pensava em muitas coisas e sua mente me confundiu... Nem ela sabia o nome direito! Eu ri.
– Ian... – ela chutou.
– Ian?... – eu perguntei confusa. Não conseguia descobrir o nome em sua mente. Ainda não tinha prática suficiente.
– É! Acho que é esse o nome dele... – ela sussurrou abaixando a voz. Ela hesitou. – Bem, ele está lá embaixo esperando.
– Você deixou alguém entrar sem nem conhecer? – eu me exaltei.
– Megan, se ele fosse estranho não saberia seu nome. – ela deduziu numa voz tranquilizadora.
– Mas mãe... Não conheço nenhum Ian. – expliquei.
Ela franziu o cenho.
– Como não? – ela se exaltou. – Ele disse que conhecia você...
– Mãe... Como ele pode me conhecer sem que eu o conheça? – a interrompi.
(N/A: ::soundtrack:: música 1)
Depois de alguns minutos, me levantei da cama num salto e fui à porta.
Assim que sai do quarto, li os pensamentos dele e soube exatamente quem era. Evan. Pensei. Evan? Arregalei os olhos. O que ele fazia aqui?

Sentado no sofá, justamente onde eu me sento – Evan estava com as mãos em cima dos joelhos esperando impaciente.
Desci silenciosamente sem fazer nenhum ruído e ele mal percebeu que eu havia descido.
– O que faz aqui? – perguntei quebrando o silêncio.
Ele se pôs de pé num salto.
– Oi. – ele sorriu.
O fitei.
– O que faz aqui? – eu repeti olhando o relógio; o ignorando.
– Sei que é muito cedo mais precisava falar com você... – ele se interrompeu. Esperando uma resposta.
– O que? – eu disse.
– Lembra que levamos Josh pro hospital?... Havia alguns repórteres lá, e tinha um cara que filmou tudo... Não a competição, mais a queda. – ele parecia exaltado, como se alguma coisa muito importante estivesse perto.
Eu o olhei; incrédula. Onde ele queria chegar me contando isso?
– Onde você quer chegar? – eu disse franzindo o cenho.
Ele hesitou e parou antes mesmo de começar.
– Bem... – ele olhou diretamente para minha mãe, que assistia a conversa.
– Tudo bem... – ela disse baixando a cabeça sem graça saindo. Afinal, ela não havia percebido que falávamos restritamente.
Eu o fitei esperando que continuasse.
– A questão é que apenas algumas pessoas viram o que aconteceu de fato e você estava lá na hora... – ele disse.
– Mas você também estava lá. – o interrompi de voz baixa.
– Eu sei. – ele continuou. – Mas é que eu queria que você visse... Queria a opinião de alguém...
Aquilo me cheirava algo oculto... Algo que ele queria, que não era realmente aquilo. Reprimi o lábio inferior e pensei por um minuto.
– Espera! – o interrompi de novo. – Ninguém viu ainda?... Só você? – completei.
– Não... Por enquanto só eu, e o cara que gravou. – ele respondeu franzindo o cenho.
Eu pus os dedos no queixo pensando.
Aquilo só me deixou mais desconfiada ainda. Ele estava usando isso para que? O que ele queria, afinal?
Era difícil lidar com Evan, ele, com exceção a Lola, me intrigava, porque eu não conseguia ler a mente dele. Isso me deixava nervosa, como se estivesse constrangida comigo mesma.
– Minha opinião importa tanto assim? – eu disse quase afirmando.
Ele sorriu como uma resposta.
– Tudo bem... – assenti curiosa.
(N/A: ::soundtrack:: música 2)
No final do corredor, no segundo andar, já no quarto vazio que ficava no final – no penúltimo quarto da esquerda, analisando – ele olhou para mim que estava logo atrás, detalhando cada parte da casa em minha mente.
Ele girou a maçaneta lentamente e, rangendo, ela foi se abrindo. Logo depois ele parou e olhou para mim, que olhava as paredes, e por último, encontrei os olhos dele. Ele sorriu rapidamente, sorri logo em seguida.
– Aqui tem um sótão... – ele murmurou olhando a porta. – Nenhum dos meninos sabe desse lugar, todos desconhecem as passagens que tem nessa casa, mais eu descobri todas... – ele sorriu confiante, depois hesitou antes de terminar. – Inclusive um sótão nesse quarto. – ele olhou a porta e a abriu num empurro. – Eu o escondi.
Junto com a porta, uma ventania empurrou nossas roupas, dando uma leve batida na janela.
Eu tremi.
Fitei a janela e estranhamente meus olhos queriam memorizar cada traço dela. Balancei a cabeça até que ele falou, me distraindo desse pensamento.
– Está com frio? – ele disse me olhando tremer.
Muito. – eu falei com a voz tremida. Pus as mãos me abraçando, pra que a sensação de náusea passasse.
Ele pôs os braços para trás e puxou com uma das mãos seu casaco – que nem havia reparado que vestia – e o abriu de lado. Ele sorriu instintivamente para mim. Entendi o que ele queria dizer. Recuei em resposta e ele entendeu... Ou não.
Ele abriu novamente o casaco de um lado e me abraçou de lado, me puxando. Me obrigando a me encaixar a seu corpo.
– Ah, entendi... – eu disse ainda tremendo, depois de algum tempo. – Você quer me sequestrar para um sótão onde ninguém conhece. – eu disse com certeza na voz. Tremi novamente.
Ele soltou um riso sarcástico, mas parecia uma piada particular – mas ria sem humor algum.
– Então você se deixa levar tão fácil assim? – ele me fitou parando de rir. Abri a boca e depois a fechei... Era puro sarcasmo o que ele dissera. E fiz um bico carrancudo. Estava com raiva pelo jeito como ele pôs as palavras. – Não é isso... Claro que não, não me entenda mal. – ele disse nervoso com a minha ideia.
Eu tremi de novo. Ele me fitou e franziu o cenho. E então me abraçou mais forte ainda.
Depois de alguns minutos ele quebrou o silêncio.
– O calor humano é o melhor cobertor... Contra o frio. – ele sorriu sem jeito, também com frio.
– E você se aproveita... do meu frio. – eu disse. Ele riu com a cabeça virada e me puxou para o quarto.
Não havia percebido, até que encostei em sua mão e ele me olhou rápido, quase urgente pelo ato, como se notificasse aquilo em um olhar, enquanto me conduzia tremula para o tal sótão. Sua pele era quente e macia, mais ele também tremia algumas vezes.
Ele procurou minha mão imersa no casaco e a apertou.
O fitei ligeiramente e absorta, quase paralisada. Ele não olhou, mas eu o continuei fitando.
Paramos em frente a uma cortina, fisicamente sem nada atraente...
– Onde está o sótão? – eu disse. Ele soltou minha mão.
... Até ele se agachar em frente e puxar a cortina velha para o lado.
Uma portinha ficava escondida, tão pequena que não consegui imaginar-lo entrando naquele buraco.
– Vem cá! – ele disse pegando minha mão de novo e me puxando para baixo. Eu o segui.
Ele se arrastou até um espaço aparentemente vazio e se sentou no escuro.
– Aqui é limpo... Digo, você que limpa? – perguntei quebrando o silêncio.
Ele se sentou e logo depois me sentei ao lado, percebendo que a única fonte de luz eram as estrelas.
– Claro... Por quê? Não pareço ser um cara que limpa sótãos? – ele sorriu.
Franzi o cenho pensando em como ele colocou as palavras... Sorri também. Parecia uma piada consigo mesmo.
– Não... – eu disse pensativa.
– Não? – ele perguntou exaltado.
– Não... – balancei a cabeça. – Claro! – assenti.
No sótão havia apenas uma míni TV e uma espécie de míni geladeira dentro de um espaço, embutida. Também tinha alguns porta-retratos, era pequeno em altura, mas bem espaçoso por lado. Pude perceber uma caixa no canto, quase que escondida. E logo depois me virei pra ele de novo. Olhei por sobre seu ombro. O teto era deitado pro lado, típico de casas do século XX.
– Você costuma vir aqui? – perguntei me afastando para mais perto dele, onde ficava a TV e logo depois esfreguei as mãos.
Ele me fitou e ficou em silêncio.
– Todo noite que o céu esta com estrelas... Ou está chovendo. – ele falou olhando a janela que dava direto para o céu... Com estrelas.
Fitei o céu. Como ele sabia que teria estrelas hoje?, pensei.
– Mas sozinho? – perguntei com a voz baixa surpresa.
(N/A: ::soundtrack:: música 3)
– É... Nunca trouxe ninguém aqui... – ele parou hesitante. – Só você. – ele sorriu completando.
Baixei o olhar e logo em seguida baixei a cabeça. Fiquei totalmente desconcertada.
– Aqui é bonito... Chega a ser maldade você nunca ter trazido ninguém aqui. – falei levantando a cabeça antes que ele visse.
A janela era pequena, de dois vidros rolantes. Estava aberta e ele percebeu o vento forte que entrava e fechou, deixando o ambiente quentinho.
Depois de alguns monótonos segundos, ele enfim se moveu.
Então foi se deitando e depois pôs as mãos despreocupadamente atrás da cabeça. Ele então olhou pra mim e bateu a mão no tórax.
– Deita aqui. – ele sussurrou.
Eu o fitei nervosa. Pensei duas vezes e fui me deitando, mas do seu lado – não em seu tórax.
Ele pareceu franzir o cenho refletindo no que havia dito.
– Você ta com sono? – ele perguntou. Parecia interessado e ao mesmo tempo repreensivo. – Deita aqui... – ele falou com a voz suplicante e ao mesmo tempo suave. – Deitar no chão é ruim... E, eu prometo não fazer nada. – ele completou baixo.
Ele parecia ter lido meus pensamentos. Eu justamente perguntara por que deveria deitar ali justo na hora em que ele respondera.
Eu não disse nada, apenas me arrastei até seu tórax... Quente, pensei. Quase tão quente quanto sua mão.
– Você poderia judiar de mim que eu não perceberia. – eu disse inesperadamente. Ele olhou minha mão esquerda erguida perto do seu cabelo e então a pegou.
– Por que disse isso? – ele disse olhando minha mão enquanto seguia com o dedo cada traço. Estudando cada linha.
– Porque... Sei lá... Você me inspira confiança, sei lá... De algum modo confio em você. – eu tentei explicar, guagejando; me enrolando com as palavras.
– Hmm... Sei. – ele sussurrou esquentando minha mão.
Ficamos ali, olhando as estrelas sem nada dizer... Parecia ter se esquecido – propositalmente – completamente do tal DVD.
– Você é fria... – ele comentou apertando minha mão. Ele pegava minha mão, parecia brincar com ela, enquanto eu pegava no sono.
Depois de uns minutos, ele fez cócegas em minha mão e sorri, abrindo os olhos.
– Eu soou frio. – eu ri. Hesitei antes de perguntar sobre a fita do tal amigo, que de era fato o motivo pelo qual eu estava ali. – Sempre tive a pele gelada. - falei tentando expulsar a ideia do DVD. Não queria acabar aquilo... Estava tão bom – que pude esquecer tudo. Era tão bom, tão mágico – tão especial a presença dele ali, que por um momento esqueci tudo aquilo que me perturbava. Tudo que me atormentava... Todas aquelas vozes em minha mente, que nunca me permitiam o prazer do silêncio, mas que naquela hora se calavam, enquanto ele ainda estava com a minha mão. Me judiando, pensei. Eu ri comigo mesma e ele percebeu.
– Está rindo do que? – ele perguntou enquanto ainda olhava as estrelas. Também olhava, mas respondi olhando pra ele.
– Nada... – eu disse com a voz baixa franzindo o cenho.
– Ninguém ri por nada Megan. – ele disse dando ênfase. O jeito que ele dizia meu nome me fez lembrar o dia em que nos esbarramos.
Não respondi e nem iria.
– Por que você riu? – ele insistiu.
– Não foi nada, estava pensando. – eu disse pensativa.
– Pensando em que? – ele insistiu novamente por uma resposta.
– Sei lá... Estava pensando em muitas coisas...
– Está pensando em que agora? – ele perguntou cuidadoso, me interrompendo.
– No por que você fica amassando minha mão... – eu disse sorrindo.
Ele se enrijeceu, parando de amassar minha mão.
Ele parou de apertá-la e logo a largou... Mas depois a pegou de novo.
– Não posso pegar na sua mão? – ele murmurou apertando-a de novo.
– Evan... Não sei se isso tem o mesmo significado pra você... – eu disse.
Mas o que isso significava para mim? Nem eu mesma sabia.
– E o que significa para você? – ele disse repreensivo. Passou a mão no cabelo e depois a botou apoiando sua cabeça de novo.
– Não... O que significa para você!? – eu repeti com determinação.
– Ah... Não vale! Perguntei primeiro. – ele disse mais determinado ainda. Deixei que o silêncio respondesse.
– Evan... É sério... Para você pode ser algo a mais... – eu disse baixo, calculando cada palavra.
– Para você não é? – ele me interrompeu; surpreso e ao mesmo tempo decepcionado.
– Não, é que... – eu me interrompi quando ele largou minha mão.
Eu franzi o cenho, incrédula. Ele ficara nervoso?
– Não está com raiva de mim, está? – perguntei pronunciando cada palavra lentamente.
– Não. – ele disse sério. Depois suspirou e respirou fundo. – É que achei que era... Para você. – ele disse baixo se demorando nas palavras sem querer pronunciá-las.
Levantei depois de alguns segundos e ele me fitou.
Olhei para ele incrédula e ele ficou apenas me fitando. Eu exigia uma explicação.
– Não sei se é... – eu disse baixando a cabeça me reprovando.
– Se é o que? – ele disse me olhando.
Passei a língua sobre os lábios rapidamente e suspirei.
– Não sei o que isso significa para mim. – eu disse devagar.
Ele levantou logo depois.
(N/A: ::soundtrack:: música 4)
– Também não. – ele respondeu por fim, depois de algum tempo. Continuei de cabeça baixa enquanto me reprovava pelo que havia dito.
Ele procurou minha mão – a mesma que apertava – e a apertou de novo, aquecendo o gelo que eu parecia segurar.
Ele a fitava tentando achar uma resposta dentro de si, como se minha mão representasse isso. Ele me olhou e ficou parado. Ele a apertava de tal maneira como se ela fosse um boneco. E ele gostava dela... Mas não exatamente dela. O fitei por um longo tempo e ele parou, me fitando.
– Não diz nada... – ele falou pondo um dos dedos sobre minha boca. Depois olhei para seu dedo, como se tentasse entender aquele gesto. Passei de seu dedo e fui para seus olhos que continuavam me fitando.
O fitei e ele continuava sério.
– Fecha os olhos. – ele disse por fim. Eu arregalei os mesmos e fiquei paralisada enquanto ele se aproximava. Ele de repente parou a quase cinco centímetros e esperou eu fechar. Mas eu não queria fechar. – Fecha os olhos. – ele repetiu pondo os dedos sobre minhas pálpebras as obrigando a fecharem.
Quando senti sua respiração ofegante sobre meu nariz, recuei.
Pisquei os olhos e fiquei nervosa, com o olhar confuso.
– Então você sabe... – ele disse confirmando o que não era verdade.
– Não... – falei fazendo uma careta enquanto baixava novamente a cabeça.
(N/A: ::soundtrack:: música 5)
Foi tão rápido, que não vi nada, apenas senti.
Ele me puxou e confirmou aquilo que a gente já sabia...
Ele foi tão lento... E depois começou a ficar tão sufocante, tão desesperado... É... Eu nem sabia descrever aquele beijo. E até hoje não sei.
Insistimos em fugir daquilo... Do inevitável. Mas ele pareceu não conseguir.
Ele segurou meu queixo e o apertava com força, não para machucar, mas para me manter ali.
(N/A: ::soundtrack:: música 6) – Eu... não... – ele sussurrou ofegante pegando minha nuca e ainda estávamos de olhos fechados enquanto ele continuava – sua respiração ofegando na minha pele – ele era tão quente que eu não precisava mais de sol quando ficava perto dele. – Consegui ficar muito... Longe... Desculpa. – ele disse de olhos fechados sorrindo. Eu não conseguia ler sua mente, por isso era quase tão difícil – depois de Lola – lidar com ele.
– Nem eu. – sussurrei quase sem som.
Ele sorriu e eu abri os olhos... Fiquei olhando seu rosto mais de perto e... Era perfeito... Eu era uma aberração perto dele. E então ele abriu os olhos e sorriu... Irresistível, pensei.
Ele fechou os olhos de novo e me beijou novamente...
O empurrei de leve e perdi o fôlego. Não conseguia respirar. Ele sorriu, parecia do mesmo jeito.
Ele me agarrou de novo, cada vez mais forte ainda.
O empurrei novamente e não conseguia respirar.
– Evan... Você... Pode judiar de mim... Sem eu perceber. – repeti para mim mesma, sussurrando baixo. Ele sorriu e me prendeu, pondo minhas mãos presas sobre seus braços... Desta vez era impossível tentar empurrá-lo. Desta vez seria impossível. Mas de algum modo eu havia gostado.
– É... Bom saber... Disso. – ele sussurrou ofegante enquanto colava sua testa na minha. – O pior... É que eu faço sem perceber... – ele sorriu malicioso.
E depois me pegou de novo.

CAP.04
DIVIDIDA



– O que você faria se eu dissesse que tenho um segredo? – eu disse.
– O que eu faria? – ele pensou. – Acho que... Te obrigaria a contar. – ele sorriu.
– É sério... O que faria? – eu insisti.
Ele me fitou.
– Não sei bem... – ele parou. – Você tem um segredo? – ele perguntou.
– Tenho. – sussurrei devagar. Depois olhei pra ele por cima e ele me fitava.
– O que? Pode me contar? – ele perguntou delicadamente.
– Acho que não...
– Então vou te obrigar. – ele disse levantando uma sobrancelha.
Eu ri e depois o fitei. Abaixei a cabeça pensando e reprimi o lábio inferior.
– Nunca contei pra ninguém e acho que... Nem você acreditaria em mim. – eu disse baixo.
– Por quê? – ele perguntou incrédulo. – Eu acreditaria. – ele disse com firmeza.
(N/A: ::soundtrack:: música 1) goo goo dolls – iris
Eu sorri de lado, suspirando.
– Se eu te dissesse – falei lentamente. – que eu não sou normal...
– Eu sei que você não é normal. – ele me interrompeu.
Sabe? – perguntei franzindo o cenho.
– Para mim você é especial. – ele sorriu.
– Não. – eu franzi o cenho rindo. – Eu... não sou normal.
Ele franziu o cenho pensando.
– Eu não sou igual a ninguém... Sou diferente. – eu disse, me demorando.
– O que quer dizer com isso? – ele disse.
– Não sei... Não sei como dizer isso. É difícil. Muito difícil. – eu falei suplicante, pensando. Pensando no que aconteceria se ele soubesse. O que ele faria se eu contasse a ele o que eu era. Talvez uma aberração, algo não definido.
E se ele não quisesse mais olhar na minha cara? E... Se ele tivesse repulsa do eu sou?, pensei. A ideia me fez estremecer e balancei a cabeça, me livrando dessas ideias horrendas.
Ele franziu o cenho e me abraçou – apagando tudo que eu pensara antes.
– Se você não conseguir, não precisa contar... Não precisa falar nada. – ele sussurrou em meu ouvido.
– Eu sei.
Ele olhou o relógio e depois olhei também.
Ele depois me olhou.
– Eu te levo. – ele murmurou.
– Já é tarde. – eu disse nervosa.
– Sua mãe não vai brigar? – ele perguntou, ainda olhando o relógio.
– Não... Ela viajou. – eu sorri e ele também sorriu.
Ele franziu o cenho e logo depois riu.
– Não sei se digo ‘que bom’ ou ‘que chato’. – ele me fitou.
– Acho que não precisa dizer nada.
Fui me arrastando até a porta e ele me puxou – me fazendo cair em cima dele. Quase me obrigando a sentar. Ele me puxou para si e depois me puxou de novo em um beijo desesperado.
– Não vai... – ele disse me soltando sem me deixar livre por completo.
– Preciso ir. – eu sussurrei.
– Mas amanhã... Eu vou pra faculdade de novo. E só chego tarde... Bem tarde. – ele pediu suplicante em um tom suave.
– Mas e... – ele me beijou de novo.
O empurrei e sai logo em seguida, sem esperar – antes que ele me pegasse novamente.
Quando estava quase no meio da escada, pude ouvir seus passos logo atrás de mim.
– Meg... – ele dizia enquanto descia as escadas correndo, tentando me alcançar.
Eu corri assim que sai do quarto quando me lembrei que mamãe poderia ter ligado e Lola sem saber onde eu estava... Droga!, pensei.
Ele me alcançou e me puxou pelo braço.
– Espera. – ele disse, me obrigando a me virar para ele.
– Minha mãe... – eu disse ofegante.
– Ela está viajando. – ele disse, me interrompendo.
– Ela vai ligar e Lola não sabe onde estou... Não disse nada a ela.
Ele franziu o cenho pensando numa solução.
– Liga para ela e fica aqui... – ele suplicava.
– Você quer que eu durma aqui? – perguntei.
– Queria companhia... Não pense maldade. – ele disse sério.
– Não pensei maldade. Só... – me interrompi.
– Só?
– Só acho que não dá. – ele franziu o cenho.
– Por quê?
– Não sei... Acho que não é legal eu dormir aqui... Você não mora sozinho.
– Ah, se for isso... Os meninos não sabem do sótão... E mesmo porque, vão pensar que dormi fora. – ele sorriu despreocupadamente.
– Sei que pra você não tem problema. Mas não é você... Sou eu.
Era lógico que se eu tentar explicar, ele não vai entender e se eu lhe contar, vai pensar que surtei. Nem eu mesma poderia definir ou explicar o que eu era, o que sou ainda é um mistério.
A cada dia acordo pensando no amanhã, se ainda irá aparecer outros... Poderes, pensei. E se eu desenvolvesse o poder de super força? O que eu poderia fazer com ele... Sem nem ao menos lhe dar a chance de lutar... Sem nem saber quando.
Eu era uma aberração, um monstro em manutenção. Algum erro da natureza. Eu poderia matá-lo sem ter consciência disso. A cada dia aparece outro e outro... E eu não tenho controle algum sobre isso, não tenho escolha. Não tive escolha. Sei que foi um erro ter deixado acontecer, ter resistido. Me permitir ao menos isso, uma só lembrança, um só momento em paz, e feliz. Mas não poderia mais, e não posso. Nem devia ter feito, foi o pior erro que já cometi. E não vou me permitir pisar na mesma tecla.
E a única solução é o afastando... Mesmo tendo cedido à tentação... Não posso mais fazer isso com ele. Um dia acordei e podia ver tudo através das paredes – não tive escolhe e não tenho. Um dia posso acordar e não me ver no espelho... Sabe o que é isso? Ninguém sabe o que é isso!
– Não entendi. – ele disse com a voz baixa.
– Nunca dormir na casa de ninguém... Nem na casa de Angel.
Ele parou, me fitando. Depois de um tempo ele pareceu voltar ao presente.
– Tudo bem. – ele murmurou. – Você nunca fez isso e não vai ser agora que vai fazer.
– Você entende? – perguntei, o interrompendo.
– Claro... Você nunca dormiu na casa de ninguém e não sou eu que vou obrigá-la.
Eu sorri e logo depois ele sorriu.
– Não sei porque é tão legal comigo. – eu disse pensando.
– Como assim? – ele murmurou incrédulo.
– Você me entende como ninguém... – eu disse me demorando em cada palavra. – Apesar de confiar em você... Não posso ficar aqui.
– Não precisa explicar Meg. – ele disse suavemente e sorriu.
Me virei para descer e ele saiu em seguida.
Fui direto a porta, iria parar e me despedir – mas a porta estava trancada.
– Está comigo. – ele disse instintivamente. – Mas não vou abrir.
Virei e o encarei incrédula.
– Vai me prender? – eu disse nervosa.
(N/A: ::soundtrack:: música 2) the pretty reckless – nothing left to lose
– Por que não? – ele disse malicioso.
– Você não vai me deixar ir? – eu perguntei sem jeito.
– Talvez... – ele disse cheio de más intenções.
– Talvez? Evan; abre essa porta se não...
– Se não? – ele me interrompeu.
– Se você não abrir essa porta eu pulo a janela. – falei levantando a sobrancelha.
– Isso foi uma ameaça? – ele disse sorrindo intencionalmente.
– Você não vai me deixar ir? – perguntei de novo. Desta vez seria a última antes deu pegar as chaves de seu bolso.
Eu poderia pegar as chaves num só segundo, mas não faria. Não poderia me exibir de tal maneira, não era a hora dele saber.
– Eu não. – ele parou. – Mas tenho uma condição. – ele disse maliciosamente.
– Uma condição? – eu parei franzindo o cenho. – Claro que não! Se não me deixar ir eu... Pego as chaves de você. – eu disse ameaçando.
– Então venha pegar. – ele falou com más intenções.
Ele sentou num sofá azul-marinho, todo sem modos e ficou esperando.
– Evan... Eu falo sério. Não estou brincando! – eu disse séria.
Eu poderia parecer estar mesmo brincando – mas eu disse a verdade em cada palavra. E eu não estava brincando.
– Quem está brincando aqui? – ele disse sorrindo sem graça alguma.
– Evan... – eu repeti. Ele se levantou se aproximando lentamente. – Qual condição? – perguntei.
Ele sorriu de lado.
– Não ia pegar as chaves de mim? – ele perguntou estranhamente mudando o tom de voz.
Ele parou até que ficou quase a dez centímetros do meu rosto.
– Estou esperando... – ele sussurrou.
Eu o puxei e tentei pegar no bolso de seu casaco, mas ele o puxou – num átimo incrivelmente impossível – antes que eu pegasse e me prendeu nos braços de novo. Fiquei sem chance de me soltar e ele me beijou.
Andei para trás esbarrando em tudo que estava pelo caminho. Enquanto ele vinha em minha direção, me empurrando com todo seu peso.
(N/A: ::soundtrack:: música 3) automatic loveletter – hush
– Os jornalistas disseram c... CARACA! – uma voz disse aumentando a voz na última palavra. Eram os meninos que haviam chegado. Mas não sabia identificar quem falava. Empurrei Evan, mas já era tarde... Todos já haviam visto. Inclusive Josh – que o fitou enfurecido.
Josh transbordava ódio em seus olhos e foi com tudo para cima de Evan, mas os meninos o seguraram com força. Ele se soltou, se debatendo contra tantos braços fortes e pulou por sobre os mesmos. Quando estava quase perto de alcançar Evan, Paul segurou um braço e os outros, que eu não me lembrara dos nomes, pegaram todo o resto.
Tudo aconteceu tão rápido que parecia um flash passando na nossa frente.
Josh estava com uma atadura sobre o joelho, uma sobre o pé e outros bandaids espalhados pelo corpo.
– COMO VOCÊ PÔDE? – ele gritava explodindo de raiva enquanto tentava se soltar. – EVAN! Você mais do que ninguém sabia. – ele gritava.
Evan me agarrou protetor e não respondeu, estático.
– Josh... – eu falei tentando acalmá-lo. – Fui eu!... Não ele! – eu disse suavemente.
Enfim ele parou de lutar e suspirou fundo.
– Mas ele sabia... Você já sabia? – ele perguntou franzindo o cenho.
– Já. – eu respondi mordendo o lábio.
– Não queria que você ficasse sabendo assim... – ele parou. – Não desse jeito... Eu ia te contar. – ele suspirou.
Eu não disse nada e nem ele.
– Desculpa. – eu falei baixo. – Não era pra ter sido assim... Não culpe Evan pelo inevitável. A gente se conheceu antes de eu saber da história. – menti levemente. – Ele não fez nada, fui eu.
– Mas ele sabia – ele disse franzindo o cenho. – Você sabia Evan! Cara... C-como pode? – ele agora falava com Evan.
– Não pude resistir... É mais do que eu... É mais forte que eu. – ele disse o fitando sério. Eu o olhei e ele me olhou. Depois se virou para ele de novo e continuou. – Tentei fugir, escapar, mas não consegui mais. – ele dizia nervoso.
– E... a quanto tempo... Vocês... – Josh nos olhou especulativo.
– Foi no campeonato... Nada aconteceu. – disse rápido. – Tirando hoje. – ele disse sério.
– E-então você tá aqui por que quis? – ele perguntara, dessa vez se dirigindo a mim, que fiquei estática enquanto raciocinava o modo como ele perguntara.
– Olha Josh... Sei que você não gosta de mim por que quer... Eu sei disso mais do que qualquer pessoa... – eu falei nervosa.
– Não escolhi gostar de você. – ele disse me interrompendo.
– Também não escolhemos... – Evan completou.
– Sei que isso magoa você... Mas saiba que acima de você, magoa a mim dizer isso. – eu falei delicadamente.
– Não precisa explicar mais nada... Mesmo porque não me deve nada, nenhuma explicação. – ele disse com os olhos brilhando, tentando impedir que as lágrimas caíssem. – Você nem ao menos sabe... Sabia – ele se corrigiu. – Quem eu era. – ele completou, passando as costas da mão sobre os olhos molhados. Ele se virou e saiu, pela mesma porta que estava aberta.
Ficamos ali parados, olhando ele partir e depois olhei Evan que estava posicionado inconscientemente a minha frente.
(N/A: ::soundtrack:: música 4) mcfly – POV
– Meg! – alguém gritou meu nome ao longe. Continuei andando. Hoje não era um ótimo dia, apesar de ontem ter sido quase um sonho. – Megan... Espera! – disse ele tocando meu braço.
Eu parei e o olhei de lado, impaciente.
– Steven? Ah, oi!... Lembrou que me conhece? – eu disse asperamente.
Parei e o fitei, mas ele nada disse, parecia incrédulo com a minha ignorância. Perdi a paciência e voltei a andar – deixando-o para trás.
– Meg... Olha! Desculpa... Não queria que... – ele disse correndo até me alcançar.
– Você não precisa me dizer nada... Não me deve nenhuma explicação... Afinal, agora você tem novos amigos, uma nova namorada... – eu disse o interrompendo, novamente áspera.
– Não!... Claro que eu não faria isso... Nunca trocaria você por ninguém Megan! – ele parou franzindo o cenho. – Quem lhe disse isso?
Ah... Esqueci de contar. Esqueci completamente de falar o motivo pelo qual eu estava brigando agora com Steven...
Ontem, quando cheguei em casa... O dia lindo e tudo aquilo que me levara a sorrir sem motivo foi quebrado... Parecia um sonho virando pesadelo. Quando cheguei em casa Lola estava lá e então fui perguntar se mamãe tinha ligado.
– Lola... – eu parei a fitando.
Ela se virou e ficou esperando.
– Mamãe ligou?... Enquanto eu estava fora? – completei nervosa.
– Não... – ela disse despreocupadamente sorrindo. – Ainda não... Pelo menos por enquanto... Até agora ninguém ligou. – ela disse.
Me encostei ao lado do sofá vermelho que ela estava espalhada e continuei.
– O que aconteceu naquela hora... Em que me perdi de Steven no campeonato? Depois que voltei, vi vocês dois lá na arquibancada e logo depois haviam sumido. – eu murmurei pensativa. Podia lembrar exatamente quando olhei e não os vi mais.
– Resolvemos sair dali... Conversar... – ela parou. E depois sorriu. – Você não me disse como Steven era legal. – ela completou sorrindo.
– Conversar? – perguntei incrédula.
– Conversamos sobre várias coisas. – ela completou baixo.
A fitei esperando ela continuar.
– Ele parece me entender tão bem... É como se fossemos amigos há anos... Como se nos conhecêssemos há muito tempo. – ela disse sorrindo tentando me atingir.
– Que bom que você fez amigos... – eu disse franzindo o cenho surpresa comigo mesma por dizer aquilo. Baixei a cabeça enquanto ela continuava.
– Steven e eu... – ela parou hesitante. – Estamos ficando. – ela disse nervosa, mordendo um lábio.
Eu paralisei. Eles o que?
– Estão o que? – perguntei nervosa.
– Ficando. Nos conhecendo. Essas coisas. – ela deu de ombros. – Nunca conheci ninguém igual a ele. Acho que... É algo mais que ficar, mas não sei. Não tenho certeza. – ela disse franzindo o cenho.

– Não precisa que ninguém tenha dito Steven... – eu o respondi nervosa.
– Então como ficou sabendo? – ele perguntou monótono.
– Descobri sozinha... Fiquei sabendo por alto. – eu disse séria.
– Eu ia te contar. Ia falar tudo, cada detalhe... – ele disse baixo.
– Mas agora não precisa... Você poderia ter me falado, me ligado. Mas nem se deu ao trabalho. Afinal, o que eu sou?... Pensei que fosse sua amiga. – eu disse o interrompendo. Parei enquanto pensava. – Pensei que éramos amigos, mas me enganei. Achava que confiava em mim... – eu murmurei.
– Mas eu confio! – ele disse alto, me interrompendo.
– Não... Não confia. – o fitei. – Se confiasse teria sido a primeira saber... Me ligaria... Sei lá! Faria o que os amigos fazem quando conhecem alguém...
– Eu queria lhe contar ao vivo, sem pressa... Você é a primeira a saber. – ele disse.
– Mas qual a diferença, não é mesmo? Que diferença faz agora? – eu perguntei com a voz áspera.
– Você deveria pensar que eu lhe contaria, mesmo sendo hoje... Mas não. Quis saber primeiro pra me jogar na cara... Qual é a sua Megan?... – ele parou. – Qual é o problema em eu ficar com a Lola? – ele disse levantando a voz.
– A questão não é isso... A questão é a falta de consideração que no mínimo você deveria ter tido comigo. – eu disse num só suspiro.
Consideração? – ele repetiu sarcástico.
Eu o fitei nervosa.
– Err... Consideração que agora, eu sei que não tenho. – eu murmurei baixo.
– Não sabe o que diz... – ele balançou a cabeça. – Você é minha melhor amiga. – ele confessou.
Melhor amiga? – eu repeti solenemente rude.
Claro. Você sempre foi e sempre será... Acha que sou bipolar? Lógico que eu iria lhe contar... Só estava precisando de tempo para organizar tudo. Não queria lhe dar um susto... Mas você se precipitou. – ele disse.
– Olha Steven... – eu disse fitando o chão. Respirei fundo e continuei. – Sei que não tenho nada haver... Não fiquei chateada com você em questão... – eu murmurei.
(N/A: ::soundtrack:: música 5) paramore – playing god
– Então com quem? – ele disse.
– Fiquei chateada por você estar ficando com a Lola... E nem ao menos me disse nada. – eu falei olhando seu rosto.
– Queria lhe contar... Mas no início não sabia como. Resolvi esperar para te falar hoje... Mas agora é tarde.
– Tudo bem. – eu dei de ombros. – Também não te contei.
– Me contou o que? – ele perguntou curioso.
– Sobre uma pessoa... Que também conheci no campeonato. – eu disse devagar.
Ele balançou a cabeça rapidamente e franziu o cenho.
Quem? – ele disse.
– Evan. – eu respondi pronunciando seu nome com certo carinho.
– Evan? – ele parou franzindo o cenho. – Aquele que... Eu te apresentei da republica? – ele completou.
– É... – eu retorci a boca. – Não sabia se deveria te contar. Acho que estava prevendo que iria me contar hoje. – dei de ombros.
– Como assim? – ele franziu o cenho. – Vocês ficaram? – ele falou exaltado.
– Não... – franzi o cenho nervosa. – A gente ficou depois, dois dias depois e acho que estamos juntos... Não sei. – eu murmurei nervosa.
– Que bom! – ele disse sorridente. E depois parou e ficou sério. – Mas espera... Josh sabe disso? – ele perguntou cauteloso.
– Ele não sabe... ele viu! – eu disse.
Viu? – ele levantou uma sobrancelha. Agora ele parecia realmente exaltado.
– Foi... A maior confusão. – completei me lembrando da cena tensa.
– O que aconteceu? – ele falou estranhamente curioso.
– Foi tudo tão rápido. – eu disse quase que para mim mesma. – Quando eles chegaram, só vi a cara de Josh enfurecido indo pra cima do Evan e os meninos o puxando... Segurando com todas as forças para que ele não partisse pra cima dele. – eu parei balançando a cabeça. – Expliquei tudo a ele e ele se acalmou, parando com a confusão... Mas me sinto tão mal.
– Megan... Você não tem culpa dele gostar de você. – ele disse interrompendo.
– Eu sei... Mas, o que eu fiz, o que eu disse... Mesmo assim, me sinto mal... – eu disse estremecendo. – Não queria que ele tivesse visto ou que fosse assim. Não queria o ter magoado. – eu completei num sussurro triste.
– Não se culpe, nem se sinta mal pelo que aconteceu. Tinha que ser assim e agora já passou. – ele disse me abraçando.
O silêncio pairou.
– Meg, sua ciumenta. – ele disse fazendo tipinho. – Você chegou a me preocupar sabia? Por um minuto pensei que aquela revolta fosse por conta da Lola... – ele completou, me soltando.
Eu o fitei.
– Você ta dizendo que eu fiquei com ciúmes da Lola? – eu disse áspera. Ele sorriu de lado, comprimindo os lábios numa careta sóbria. – Ah! Por favor!... Tenha paciência Steve. – eu disse levantando a mão num átimo. Depois ele continuou me fitando. – Acha mesmo que eu estava com ciúmes? – perguntei ironicamente.
Agora. – ele parou. – Acho que não. – ele disse num tom monótono.
– Você para mim é como um irmão. – eu disse pegando seu rosto.
– Você também. – ele sussurrou sorrindo.
Eu o abracei. Ele me apertou contra seu peito e depois soltou um suspiro de alívio.
– Apesar de me tratar mal, você ainda é minha irmãzinha implicante. – ele sussurrou em meu ouvido.
– Nossa! – sorri – Ótima maneira de demonstrar. Ele riu. – Eu não te trato mal... E também não sou implicante. – repliquei em seu ouvido. Depois de alguns minutos soltei-me de seu abraço de urso e novamente repliquei. – Por que deixou de falar comigo? – eu disse baixo.
Ele franziu o cenho incrédulo.
– Eu não deixei de falar com você. – ele murmurou.
– Deixou... Você mal ligou para mim. Mal deu notícias depois do campeonato, sumiu! - eu disse dando ênfase no final.
Ele suspirou.
– Ah Megan, desculpa. – ele disse. – Não deixei de falar com você, como você disse. Apenas queria tempo para pensar em como contaria a você. – ele se interrompeu e hesitou. – Não ‘sumi’. E quer saber? – ele parou me fitando. – Dei um tempo em tudo e fiquei dando um de guia turístico pra Lola. – ele sorriu.
– Guia turístico? – repeti zombando, ironicamente.
– Qual o problema em eu ser guia turístico? – ele cruzou os braços.
– Sei lá... – dei de ombros. – Você mais parece apresentador de campeonatos de skate do que um ‘guia turístico’. – eu disse me divertindo com a ideia.
– Isso é preconceito, sabia? – ele apontou. – Eu deveria te processar por falta de respeito. – ele disse empinando o queixo.
Eu ri e ele também.
Me processar? – eu ri.
– Por falta de respeito. – ele completou assentindo com o queixo empinado, ainda rindo.
(N/A: ::soundtrack:: música 6) the pretty reckless – miss nothing
– Meg... – ele hesitou. – Posso te fazer uma pergunta? – ele murmurou andando ao meu lado.
– Claro. – assenti. – Por quê?
– Nada, é que... – ele parou pensativo. Depois de fitar o chão ele passou pra rua. Alguns minutos depois. – Você gosta mesmo dele? – ele perguntou delicadamente.
– Mas claro, ele é um grande amigo. – eu disse franzindo o cenho. Mas por que ele havia perguntado isso? Justo hoje? E por que eu havia dito isso?
– Mas por que pergunta? – eu argumentei o fitando. Aquilo me inspirou dúvida.
– Nada... É que. – ele parou novamente. – Essa ideia me espanta. Não sei bem porque, mas... Não consigo imaginar vocês dois. – ele disse de algum modo expirando repulsa.
– Por que... Diz isso? – eu falei franzindo o cenho surpresa.
Por que ele perguntava isso agora? O que ele queria realmente saber?
– Não sei. – ele me fitou e depois rapidamente desviou o olhar.
– O que realmente você quer saber? – eu perguntei agora indo mais fundo no assunto de interesse.
– Acho que você gosta dele... Não como amigo, ou como um grande amigo como você disse. – ele replicou.
– Também acho. – sorri dando de ombros.
Ele sorriu.
– Você é engraçada. – ele riu.
Depois, quando chegamos em frente a minha casa, ele me abraçou e me beijou na bochecha... Quase errando o percurso.
Depois nos olhamos franzindo o cenho nervosos e me virei para entrar.
Acenei e ele apenas riu.
– Tchau! – eu disse.

Sempre à noite, ia para frente da casa de Steven, como marcado. Ou ele ia até minha casa e saíamos.
Só podíamos nos ver a noite, eu porque saia da escola à tarde e ia para o trabalho no resto da tarde. E no final da noite, sempre saíamos para comer alguma coisa, ou simplesmente conversar, jogar papo fora.
Evan? Bem... Não o vira desde aquele dia.
Já se passara três dias.
– Sorvete? – perguntou Steve exaltando as sobrancelhas numa expressão divertida.
– Sorvete? – perguntei repetindo ironicamente. – Neste frio horripilante?
– É. – ele deu de ombros. – Não vejo problema. – ele franziu o lábio inferior.
– Não está com frio? Não está sentindo esse vento, essa ventania congelante? – perguntei ainda mais incrédula.
– Não vejo nada de mal nesse vento. Acho que já me acostumei ao tempo daqui... Desse bairro, de tudo. Parece que moro aqui há séculos! – ele falava estranhamente pensativo.
– Que estranho... Acho que você já se acostumou à temperatura daqui, por isso não sente nada, nenhuma ventania horripilante. – eu disse fazendo gesto no horripilante. Ele sorriu.
– Acho que não suportaria ter de sair daqui, me mudar. Ir embora de tudo isso. – ele falava pensando.
– Também não suportaria. – eu falei cúmplice.
Depois de algum tempo.
– Ainda topa o sorvete? – ele perguntou delicadamente brincalhão.
Eu ri e depois dei uma leve batida em seu ombro.
Sentamos numa mesa que estava bem no canto do lugar, na entrada – perto do freezer onde tinha o selv-service.
Sentei pegando o cardápio e Steven me fitou irônico.
– Quê? – perguntei franzindo o cenho para ele.
– Megan, vamos tomar sorvete. – ele falou áspero me fitando incrédulo – Pra quê olhar o cardápio? – ele perguntara enquanto fuzilava o pobre cardápio olhando de cima.
O fitei de baixo e me levantei – ficando agora em média com seu queixo trincado.
– Estava apenas olhando o que tem no cardápio. Não pode? – eu murmurei enquanto entrávamos na sorveteria.

(N/A: ::soundtrack:: música 7) BONUS linkin park – waiting for the end
– Oi Meg. – uma voz grossa e nítida disse atrás de mim depois de algum tempo.
Me virei e ele sorriu. Poderia reconhecer aquela voz em meio a uma multidão, a dezenas de pessoas. Aquela voz grossa e forte que me intimida.
– Senti sua falta. – ele disse ainda sério. Parecia intimidado com a presença de Steven ali.
Steven o fitou sombrio e ele deu uma rápida olhada pra Evan e depois se voltou para mim de novo.
– Também senti sua falta. – eu disse sorrindo.
– Vou indo Meg... Mais tarde passo na sua casa. – Steven sorriu sem graça e partiu.
Ele partira antes que eu pestanejasse. Sem me dar uma chance de perguntar por que. Por que ele ia agora?
Evan franziu o cenho nervoso.
– Acho que ele fica sem jeito, sem graça com você. – eu murmurei, depois parei e completei. – Talvez pelo fato de sermos melhores amigos seja um problema pessoal. – eu completei.
– Talvez ele não goste muito que vejam vocês dois... De longe parece ser outra coisa. – ele falou franzindo o cenho para as próprias palavras. – Por fora, as pessoas pensam que são... – ele se interrompeu. Parou frustrante.
– Não acho que pareça isso. – eu disse o corrigindo.
– Também não. – ele confessou. – Mas pra ele talvez seja. – ele deu de ombros.
– Err... – sussurrei.
– Queria te falar uma coisa... – ele parou pondo as mãos dentro do casaco.
– Fala. – sussurrei.
– Desde aquele dia... – ele não se permitiu continuar. – Não consigo parar de pensar no que aconteceu... E... Aquele céu, por aquela janela; de algum modo parece repetir toda a cena sempre que olho através dela. – ele se repreendeu de novo. – Parece repetir tudo que aconteceu na minha frente, como se eu estivesse vivendo aquilo de novo. E, não consigo não olhar naquela janela e não lembrar. – a sua voz falhou.
Ele me fitou sério e estático. Era exatamente o que ele dissera. Para mim... Também era assim. Menos a imagem pela janela. Mas podia imaginar ele imaginando e vendo tudo.
Minha voz falhou sem que eu pudesse falar alguma coisa. Dizer como era pra mim.
Ele suspirou.
– Não sei se... – me interrompi olhando para baixo e depois o olhando fixamente. – Para você também é... Mas... Eu também não consegui esquecer... – eu sussurrei cada palavra lentamente.
Ele sorriu.
– Posso te dar um beijo? – ele disse baixo.
Parei estática sem reação. E ele tomou isso como um sim.
Andou lentamente em minha direção. Tentei recuar, mas foi como se meus pés não me obedecessem. Como se não fossem mais meus. Não conseguia mandar neles e minha perna ficou imóvel. Como se ela quisesse contra minha vontade, me obrigando a ficar ali, me obrigando a esperar e deixar.
Mas eu não queria ir mais longe. Não poderia fazer isso com ele, não com Evan.
N-não... – minha voz falhou. Não conseguia nem ao menos falar, pestanejar, gritar contra seu rosto.
Mas ele me ignorou completamente, e no outro minuto eu já estava sentindo seu hálito.
Nem me lembrara do segundo em que meus olhos incontroláveis e desobedientes se fecharam. Obrigando-me a fechar os olhos. Era como se de alguma maneira, com apenas algumas palavras, ele pudesse mandar em meu corpo, em meu subconsciente e até em meu inconsciente. Mandando em cada movimento que eu fazia.
O empurrei com violência, mesmo que lá no fundo contra minha vontade. Lutei contra seus braços e enfim consegui me livrar.
Ele me fitou incrédulo, com a boca vermelha – com um espaço aberto – respirando.
– O que eu fiz? – ele disse com a voz distorcida, com o olhar confuso e totalmente sem sentido.
Eu passei a língua rapidamente entre os lábios e o fitei incrédula.
‘O que eu fiz?’ pensei em suas palavras. Naquele minuto elas tinham dois sentidos: o meu e o dele.
Eu me virei e sai, ignorando totalmente sua pergunta.
Sem me obedecer, sem conseguir mandar, minhas pernas me faziam, me obrigaram a andar, sem me deixar voltar.
Continuei andando em passos firmes e longos.
– Meg! – ele gritara ainda parado. Não olhei para trás, meu corpo não me permitiu essa chance. Sua voz confusa e distorcida pela confusão.
– Por que está me tratando assim? O-o que eu fiz? – ele dizia com a voz novamente confusa e distorcida. Totalmente incrédulo e sem noção do que acontecia.
– Eu não sei. – foi tudo o que consegui dizer. Com a minha própria voz me traindo, distorcendo a voz para que ela soasse meio falsa, o que não era verdade. Mas o que estava acontecendo? O que acontecia comigo?
Ele me segurou, me obrigando a parar. Agora ele me pegara pelos braços num aperto e me olhava fixamente nos olhos.
– O... Que foi? – ele parou. – O que eu fiz? – ele agora suplicava.– Me diz... Me responde! – ele franzia o cenho num rosto insuportavelmente triste.
– Desculpa. – eu sussurrei. Meus olhos estavam cheios de lágrimas mais eu mal percebera – até uma cair.
– O que foi...? – ele agora sussurrava também, com a voz falhando.
– Não acho que... – eu o olhava fixamente. – Eu deva – parei. – fazer isso com você.
– Mas fazer o que? – ele falou suplicante.
Isso. – eu disse apontando para ele num átimo. Passei os dedos rapidamente delicados em seu rosto e continuei a andar.
– Ainda não entendi Megan... – ele murmurou sério.
– Não posso mais fazer isso... Não posso fazer isso com você. – sussurrei séria, enquanto ele me prendera novamente num átimo em seus braços. – Não posso continuar com isso. – terminei enfim soltando outra lágrima.
– Mas o que? Do que você fala? – ele perguntava alto.
– De tudo isso que aconteceu... Não posso mais! – eu quase gritava.
– Por quê? – ele agora pegava uma mecha de meu cabelo – sem que eu pudesse reprimir sua mão.
– Porque eu não sei! – eu parei enquanto chorava. – Não sei o que sinto por você Evan!... N... – minha voz falhou. – Não sei.
– Mas eu pensei... – ele agora passava as costas da mão nos olhos, parando uma lágrima. – Pensei que você... – ele parou. – Tivesse... Algum significado para você. – ele assinalou, me fazendo lembrar de minhas palavras.
O fitei depois de algum tempo e ele me soltou num gesto feroz.
– Qual é Meg? – ele agora parecia transtornado, não parecia o mesmo Evan. – Isso magoa sabia? Só quero saber qual o problema. O que eu fiz? Por que me trata assim? Por que você ignora o que eu sinto? Por que me ignora? Será que eu sou assim, tão... Ridículo? - ele falava quase gritando, enquanto um chuvisco começava a cair. Depois trovejou e uma chuva começou a cair; lenta. – Qual o problema com o fato de eu gostar de você? Será que é tão divertido assim? É engraçado para você? Me fazer te implorar? – ele agora me encarava bem de perto. Eu fiquei totalmente parada, ali – sem reação alguma. Ele me olhava urgente e eu tentava retribuí-lo. – Você não me ama? – ele sussurrou. Eu hesitei antes de pensar duas vezes. CLARO QUE SIM!, minha mente gritava. Mas eu?... Mal conseguia falar, encontrar minha voz. – Acho que não... – ele disse, respondendo a própria pergunta. – Acho que é isso que você não consegue dizer.
Não! – falei ofegando pela chuva. – N-não é isso Evan! Será que não vê? Será que não entende? – parei o fitando. – Você não entende? – eu falava alto pelo barulho da chuva. Ele ficou olhando fixamente, surpreso por eu enfim responder, dizer alguma coisa, alguma palavra. – Não entende o que eu... – eu me interrompi rapidamente, me reprimi. – Não entende que eu não posso – balancei a cabeça. – levar isso mais além? Mais longe? – eu agora falava tão alto que poderia soar como um grito.
– Por que você não pode? O que te impede? O que te oprimi tanto? – ele perguntava, agora discutindo comigo.
Ele se aproximou mais ainda – podia sentir seu hálito, sua respiração, ele ofegava, também pela chuva. Estava a quase cinco centímetros e continuou.
– Por que Megan? O que te impede? – ele agora sussurrava em minha pele.
Olhei em seus olhos.
Eu pisquei várias vezes, rapidamente, como se um cisco tivesse caído em meus olhos – como eu fazia quando estava à beira de um precipício, confusa, nervosa.
Eu. – foi a única coisa que pude sussurrar.
– Você? – ele perguntara me fazendo continuar. Mas a resposta já estava dada. Já estava dita.
– Eu! – gritei.
– Você? – ele exclamou surpreso e ao mesmo tempo incrédulo.
– Eu sou a única pessoa que me impede. Eu mesma não consigo! – respondi ofegante.
– Como assim?... Você? – ele franzia o cenho numa careta de dúvida.
Eu agora havia me afastado e falava fazendo gestos nas mãos.
– Eu! Não posso mais... Não com você Evan! Eu te amo muito para fazer isso com você! – eu agora gritava, chorando com minhas próprias palavras – que me cortavam assim que saiam.
– O que de tão ruim você faz comigo? O que de tão ruim você pode fazer comigo? – ele exclamava desesperado.
– Só o fato deu ter feito você gostar de mim já foi um grande erro, já foi o pior das maldades! Eu nunca devia ter feito... Ter deixado você se aproximar tanto. Mesmo que... – eu me interrompi baixando o olhar e novamente o olhando. – Agora você já faz parte de mim. Mesmo que isso... Tenho que lutar contra e me afastar! Não posso!
Ele me agarrou e não me deixou sair. Me encarava com os olhos torturados pelas minhas palavras.
– Fale alguma coisa coerente Megan!... Não – ele parou hesitante. – estou conseguindo entender! – ele falava baixo. – O que quer dizer com tudo isso?
– É pelo que sou Evan!... Você não entende? – eu sussurrei.
– Não. – ele respondeu. – O que você é?
– A pior das criaturas... – eu respondi.
– É tão ruim assim? – ele falava com repulsa nas palavras.
– Não é que eu seja ruim...
– Então não há motivos! – ele gritou me interrompendo. O fitei incrédula. Ele me segurou, me apertando, meus braços em suas mãos e me encarou novamente, tão perto que podia quase ler sua mente. – Não importa o que você é!... Não interessa! – ele disse tão baixo que mal podia ouvir sua voz severa e aturdida.
– Pra você não... Mas para mim... – eu sussurrei falando para mim mesma.
Não significa nada para mim! – ele disse furioso – Isso não significa nada!
– Você não sabe do que sou capaz. – me interrompi. Depois sorri irônica, sem graça alguma. – Nem eu... Eu posso ser uma ameaça... Não só para você – parei hesitante. – Para todo mundo... Eu posso fazer coisas inacreditáveis! Nem eu mesma sei do que sou capaz, Evan! Será que não entende? – eu falava chorando. Tentando lutar contra minha voz que falhava. – Eu posso machucar você... Posso te matar e nem sei!
– Por que você me mataria?– ele perguntava confuso. – Por que me mataria? – sua voz falhou. – Eu não acredito que faria isso...
– Nem eu acredito. – sussurrei o interrompendo, mas minha voz falhou. – Mas eu não sei o que posso fazer... Do que sou capaz de fazer!
– Não me peça para me afastar de você. – ele agora estava com os olhos vermelhos. – Não me peça pra ficar longe... Nem suporto a ideia de nunca mais poder te tocar... – ele se aproximava.
Eu recuei. Ele parou de andar.
– Não. – eu disse com a minha voz ainda falhando. Ele não sabia como era difícil dizer cada palavra... Como cada uma feria a mim... Me feria, me machucava profundamente... Me cortava.
Ele continuou andando.
– Você não pode fugir de mim para sempre... – ele sussurrou.
– Posso. – eu o corrigi.
Não pode. – ele assinalou com raiva na voz.
– Eu posso sim. – eu resisti.
– Não contra sua vontade... – ele me combateu.
– Se eu quiser. – falei séria.
– Não vou deixar. – ele prometeu.
– Você não manda em mim. – franzi o cenho rude. É claro que ele podia, pensei.
– Posso apostar que eu estou certo. – ele arqueou uma sobrancelha.
Ele veio para cima de mim de repente, mas recuei, até não ter para onde recuar mais.
Ele primeiro me apertou contra seu peito e depois sorriu, feliz por ter vencido. Eu não podia lutar contra ele, mesmo sendo muito mais forte, não poderia machucá-lo, nem ao menos tentar impedi-lo.
– Vê como eu consigo mandar em você. – ele sorriu convencido.
E depois me beijou.

(N/A: ::soundtrack:: música 8) BONUS McFly – sorry’s not good enough *final*
– Eu posso um dia te matar... Sem ao menos ter noção disso.– confessei com a voz atordoada.
– Eu não me importo! – ele sussurrou ainda ofegando.
– Mas não é questão de você se importar. Sabe o que eu sentiria se te matasse sem querer? – minha voz falhou.
– Eu sei que você não conseguiria, mesmo que por inconsciência. Confio em você. Será que você não entende isso... Também? – ele afugentava enquanto beijava meu rosto. – Eu corro qualquer risco. – ele se interrompeu. – Qualquer perigo... Com você, ou por você. – ele se corrigiu.
– Você não sabe do que esta falando... Está ouvindo isso? O que você fala? – fiz uma careta. – Isso que você fala? – exclamei nervosa, com repulsa.
– Por que diz que pode me matar... Fazer qualquer coisa sem ter noção do próprio ato? Por que fala como se fosse um monstro ou algo assim? – ele perguntava agora me fitando.
Eu me demorei a responder, pensando em como lhe explicaria isso.
– Eu não sou normal... Eu posso ser um monstro. – respondi, com falha na voz. Do mesmo modo como disse a Steven.
– Também sou fora do comum...
– Não Evan!... Eu não sou normal. – assinalei interrompendo-o.
Ele fez bico e logo depois franziu o cenho.
– Como assim? – ele perguntara.
– Não – suspirei. – sou igual a ninguém. – Ele sorriu. – Acha graça do fato de eu ser diferente? – perguntei irritada, incrédula.
– Não.
– Você riu. – protestei.
– Não ri disso. – ele deu de ombros. Esperei, confusa. – Ri do jeito que você disse... Que não é igual a ninguém. – ele sorriu de novo imitando minha voz.
– O que tem no jeito como eu disse? – exclamei nervosa.
– Nada... Só acho engraçado porque – ele hesitou antes de continuar. – você não é igual a ninguém porque ninguém é igual a você Megan... Você é... especial. – a última palavra saiu como um suspiro.
– Não sei se posso te contar. – eu falei, novamente tocando no assunto.
– Isso tem haver com aquele segredo que você não podia contar. Não pode contar? – ele se corrigiu.
– Tem... É isso – reprimi os lábios em uma careta. – que eu venho tentando contar... – suspirei perdida.
– E por que é tão difícil você falar isso? Você fica só dizendo que é diferente, que não é igual a ninguém... Mas nunca diz o que é. – ele parecia torturado. Depois, continuou com a voz delicada e sussurrou. – Me dói saber que isso te machuca... Que te perturba tanto. – ele sussurrou.
Engoli em seco com toda aquela razão que ele parecia transparecer.
– Se te dissesse o que sou. – sussurrei nervosa, agora olhando novamente nos olhos dele. – Você poderia nunca mais querer me olhar na cara... Poderia ter repulsa de mim, sei lá. – dei de ombros. – Teria medo. – minha voz se retorcia.
Ele franziu o cenho. E depois sua expressão foi de puro sarcasmo.
– Nunca faria isso. – ele disse com veracidade. – Megan, me diz, por favor. – ele sussurrava suplicante, mas sua voz falhou antes que ele continuasse. – Me diga. O que você é para ter tanto medo da minha repulsa assim? – ele completou.
– Eu não sei. – eu murmurei. – Não sei exatamente o que sou... Nunca ouvi nenhuma palavra que definisse isso. – minha voz falhou – se perdendo entre a chuva.
– Isso o que? – ele perguntara delicadamente.
– Eu tenho... – me interrompi. – Poderes. – sussurrei fitando seus olhos.
Ele paralisou, em choque. Esperei até que se recuperasse antes de continuar.
Como? – seu sussurro foi tão baixo que quase podia jurar que ele não disse nada.
– Eu não sei. – baixei a cabeça. – Não faço a mínima idéia... – eu disse.
– Quando aconteceu... Começou? – ele se corrigiu me cortando.
– Desde que nasci... Acho. – eu reprimi os lábios. – Não sei, não tenho certeza. Não sei quando foi. – suspirei. – Que aconteceu. Só sei que a cada dia acordo com receio, de... – não consegui falar.
Ele me abraçou.
– Estou com você. – ele murmurou entre meu cabelo.
Eu sei. Só tenho medo de... – eu o abracei mais forte, tentando expulsar a ideia. – De poder fazer algo que... Te machuque e nunca mais poder voltar atrás.
– Não fale mais nisso. – ele sussurrou.

– Aquele não é Steven? – Evan perguntou olhando algo muito longe. Ele levantou o indicador direito e me levou até onde ele via. Steven. Pensei.
Mais o que ele faz uma hora dessas com uma... Garota?!
Eles se beijavam desesperadamente em frente à porta da casa dele, que estava fechada. O cabelo dela esvoaçava, bagunçando sobre o rosto deles – atrapalhando o beijo.
Ficamos observando, não como intrusos; mas como dois amigos surpresos.
Até que a rajada de vento passou e seus cabelos desmoronaram sobre suas costas – expondo seu rosto e o dele.
Arregalei os olhos e entreabri a boca. Não acreditara que aquilo era verdade. Pensei que fosse só de brincadeira, que não era realmente verdade. Mas me enganei.
Evan olhou pra mim e ficou me fitando, exatamente meu rosto, que agora se contorcia numa careta apavorante.
(N/A: ::soundtrack:: música 9) BONUS automatic loveletter – make-up smeared eyes
Megan... – ele sussurrou, tentando distrair minha atenção.
Pisquei algumas vezes com o olhar baixo, sem força. Tentei olhar Evan, mas meus olhos se fixaram neles, em como ele pegava ela... Ela. Pensei acusando-a.
– Acho melhor irmos... Você não precisa ver isso. – murmurou Evan enquanto tremia de frio. Ele me puxou e me apertou junto a ele. Tentando nos aquecer.
Fechei os olhos e os espremi, tentando de algum modo apagar aquela imagem.
Chegamos à casa dele, sempre vazia durante a noite.
Me sentei no cantinho e sorri amarelo enquanto ele me fitava.
Quando me acomodei em seu peito, ele voltou a falar.
– Por que ficou assim? – ele parou. Hesitou e depois continuou. – Por que ficou desse jeito quando viu ele beijando ela? – disse Evan.
Hesitei e me ajeitei.
– Não sei. – murmurei.
Ele não respondeu, apenas ficamos no silêncio enquanto a tensão se dissolvia num clima.
Não quero estragar esse momento Megan. – ele disse delicadamente.
Apenas sorri.
Depois de uns minutos eu disse.
– Eu não devia ter me alterado. Afinal, Steven merece mais do que eu ser feliz... Com quem ele quiser. – murmurei quase que pra mim mesma.
– Hmm. – ele assentiu desconfiado.
– Acho que fiquei constrangida por ter visto. – dei de ombros. – Sei lá... É estranho. – dei de ombros. – Não devia ter ficado assim, mas acho que fiquei nervosa por nunca ter visto Steven beijando uma garota. Parece fora do normal.
– Acho que foi uma reação impulsiva... Você nunca o viu com outra garota a não ser você... – ele disse baixo.
– Ainda mais sendo ela. – eu disse de má vontade.
– O que ela tem que te deixa nervosa? – ele pegou minha mão.
– Não sei... Para mim ela esconde alguma coisa. – abri a boca num gemido estridente. – Ela tem algo... que me deixa desconfiada. Sabe, – parei – sempre com um pé atrás. – completei.
– Por que acha isso? – ele perguntou.
– Ah, Evan. – suspirei. – Por vários motivos... – dei de ombros. – Um deles inclusive sobre aquele segredo que te contei. Ela me intriga.
– Ainda não pode me contar? – ele perguntou delicadamente.
Eu sorri.
– Não. – respondi.
Depois de algum tempo.
– Você me deixa curioso... – ele disse malicioso.
– Por quê? – eu disse, o interrompendo de imediato.
– Oras por quê! – ele riu. – Você é cheia de mistério. Nunca diz porque não conta e também nunca fala sobre esse tal segredo... Isso me deixa curioso. – ele disse novamente malicioso.
Passei a língua entre os lábios, fazendo um estalo. Engoli em seco.
– Acho que vai continuar curioso porque... Não posso te contar. – concluí.
– Então vou ter de te obrigar. – ele disse cheio de malícia.
Ele se esquivou e me fitou por cima.
– Quê? – perguntei constrangida franzindo o cenho.
Ele sorriu malicioso.
– Nada... Só to pensando em como vou arrancar isso de você. – ele disse.
– Hmm... – eu murmurei pensativa fazendo bico.
Ele sorriu e pegou meu queixo.
– Adoro quando você fica pensativa. – ele sussurrou para si mesmo.
– Por quê? – franzi o cenho.
– Porque me faz perder a noção do tempo. – ele sorriu me constrangendo.

Evan e eu saímos já de noite, depois de um tempo, pela nossa rua.
Andamos distraídos até que paramos no meio da rua, à quase vinte metros da minha casa. Não pelo fato de termos chegado, mas pelo fato das luzes da sala estarem estranhamente ligadas.
– Que foi? – murmurou Evan, constrangido por ter sido ele a quebrar o silêncio.
O fitei incrédula, procurando respostas que inutilmente eu sabia que ele não tinha – mas mesmo assim continuei olhando.
– Não sei. – sussurrei; também constrangida com a voz totalmente distorcida.
Precisei de um tempo para me recompor.
A porta estava fechada, então não foi invadida, mas a forma como todas as luzes iluminavam insinuavam que tinha algo ali... Fora do normal.
Algo me dizia que tinha alguma coisa acontecendo lá.
– Deve ser a Lola. – disse ele.
O olhei rapidamente, antes de responder.
– Ela não ligaria todas as luzes. Por que faria isso? – indaguei, perguntando mais a mim mesma do que a ele.
Comecei a andar rapidamente e Evan foi comigo.
– Megan! – falou Evan com a voz grossa e decidida, se metendo na minha frente, segurando meu braço, me obrigando a parar. – E se não for ela? Pode ser perigoso...
– Acha que é um bandido? – o interrompi zombando dele, tentando parecer engraçada.
– Claro, acha que eles avisam? – disse ele sobressaltando uma sobrancelha.
Ele parou e me fitou, enquanto me segurava.
Olhou ao redor impaciente, como se estivesse à procura de alguém ou conferindo se havia alguma platéia.
– Olha Meg... Não vou deixar que vá até lá. Não sozinha. – ele completou aos murmúrios, como se alguém pudesse ouvir.
– Ah, Evan. – falei impacientemente. – É mais fácil eu defender você do que ao contrário. – ele revirou os olhos.
– Tudo bem. – ele assentiu sorrindo, sem graça alguma. – Eu vou na frente e você fica fora, só entra quando eu avisar. Tudo bem? – ele murmurou franzindo o cenho enquanto explicava em gestos.
Arregalei os olhos.
Meu corpo estremeceu e eu despenquei, mas Evan me segurou com tudo.
– Steven. – minha voz falhou; totalmente destorcida.
Fiquei em choque. Não conseguia me mover, piscar os olhos e muito menos falar.
Evan ainda me apoiava, porque sua mão estava suando em minha pele.
(N/A: ::soundtrack:: música 10) BONUS mcfly – i’ll be ok (dougie version)
– MEGAN! – gritou Steven ao me ver, parada em frente a soleira da porta, sustentada por Evan. Steven deu um pulo e saltou de cima dela.
Lola estava seminua no sofá, justamente no sofá vermelho, no meu lugar preferido. Estava prestes a dar um pulo para dar um murro nela, mas Evan me segurou e Steven ficou em frente a ela.
– Tá doida? – ele murmurou numa careta.
Evan me puxou para a porta, me levando para fora, mas ele não podia comigo.
– O que estão fazendo no meu sofá? – gritei feroz. Fitei Steven e depois olhei para Lola, que mantinha a expressão ininteligível.
– Meg... – ele sussurrou, com a voz delicada.
Espremi os olhos e quando os abri, eles estavam espremidos de raiva.
– Saia daqui agora! – falei de olhos fechados.
Steven me fitou por uns minutos incrédulo e depois foi recolhendo suas coisas.
– Meg... – Evan suspirou em meus cabelos, que agora, estavam molhados.
Não virei a cara e não o olhei. Estava caminhando na chuva em passos pesados e grandes. Ele me seguia, calado e tenso. – Por favor... – ele puxou meu cotovelo e me fez virar para ele. Ficando de frente para seu rosto. – Não faz assim. – ele pediu.
O fitei.
Espremi os olhos e os fechei, com as imagens ainda em minha cabeça.
– Foi melhor assim. – ele sussurrou me abraçando e me encostando em seu peito.
O rugido de uma porta fez um eco pela rua. Nos largamos rapidamente, ainda assim colados, e fitamos a porta.
Ele agora me implorava desculpas. Olhei em seus olhos e ele estava angustiado.
Ficamos nos fitando por uns minutos enquanto o silêncio tomava conta.
– Você precisa falar com ele. – sussurrou ele. Virei o rosto, o fitando, ele assentiu e depois foi se afastando, enquanto Steven vinha em minha direção.
Ele parou a poucos centímetros e continuou de cabeça baixa.
– Han... – ele gemeu, quebrando o silêncio. O fitei esperando. – Não sei o que dizer... – ele sussurrou, envergonhado. Ainda sem olhar nos meus olhos.
– Você não precisa dizer nada. – franzi o cenho. Ele agora me olhava, com o rosto sério. – Já vi o bastante. – completei seca.
Baixei o olhar, incapaz de ouvir o que ele diria.
(N/A: ::soundtrack:: música 4) BONUS
– Meg... Não faz assim. – ele suplicou, franzindo o rosto numa careta suplicante.
Não respondi. Ele me fitava suplicante.
Eu via tudo o que ele queria dizer, mas que naquela hora, se apagavam.
Tudo o que eu queria e não queria ouvir, sua mente agora entregava.
Depois de alguns minutos, ele passou a língua em seus lábios e aquela seria a última vez, antes dele começar a falar.
Balancei a cabeça. Tentei falar alguma coisa antes que ele começasse.
– Eu nunca fui digno da sua amizade... – ele começou, murmurando.
Com a cabeça baixa, ele não me encarou.
– Steven... Não preciso ouvir isso! Não importa mais nada, entendeu?! – falei gesticulando com uma mão. O parando no mesmo segundo.
Me virei e sai andando.
Já tinha andando um bastante trecho até que ele começou a falar, me fazendo parar.
– Eu nunca fui esse cara legal que você pensava que eu era. – ele parou. – Mas eu sempre fui e sempre serei seu amigo... – ele se interrompeu. – Não importa o que aconteça, isso nunca vai mudar. – ele parou de novo. Desta vez me virei, o fitando. – Ninguém pode... Ninguém vai tirar isso da gente. – ele completou, se corrigindo. – Ninguém pode tirar isso de mim. – ele gesticulou para si. Baixei a cabeça. – Talvez você nunca mais queira falar comigo, mas eu quero que saiba que, se te magoei, me perdoa.
Balancei a cabeça.
“Nunca vou conseguir te dizer a verdade. Talvez nunca fale.”
“Você nunca vai saber... Nunca.”
“Prefiro ter você sempre assim...”
Balancei a cabeça. Não poderia ficar mais ali. Aquilo estava me perturbando.
– Talvez. – repeti. – Às vezes, você faz coisas, diz coisas, que nunca teria coragem de repetir. – franzi o cenho, falando cada palavra lentamente. – Às vezes – parei, o fitando. – Essas coisas magoam. – fechei os olhos por um minuto, os abrindo logo depois. – E talvez Steven... Elas nunca tenham um perdão. – uma lágrima escorreu.
Ele espremeu os olhos, tomando isso como um adeus, com uma lágrima no rosto.
Aquela seria a última vez que veria Steven, antes de tudo acontecer.

Continua!


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Beijos, AnnieB.