McFly ½
Por: Nelloba Jones
Beta-Reader: Vicky Lopes
CAP.01 - Noite de chuva
- Calem a boca! — gritou , atirando uma almofada em e , que riam no sofá do outro lado da sala. — Estou querendo ouvir a mulherzinha falar. É sobre o McFly! O caso é grave, gente!
- Credo, ! Exagerou um pouco, não? — disse, atirando a almofada de volta. — Grave? O que tem para ser grave?
- Se vocês fizerem silêncio e me deixarem ouvir, eu vou poder saber melhor á respeito! — foi o que respondeu rolando os olhos antes de concentrar total atenção ao aparelho de televisão próximo à ela.
- Na entrevista de ontem, após um show dos garotos do McFly finalizado um pouco antes do previsto, algo interessante aconteceu! — dizia a repórter com uma expressão de quem conta uma história de terror. — Reveja um pouco sobre a reportagem de ontem.
A tela da televisão mudou e logo apareceram todos os integrantes da banda visivelmente cansados e suados. Haviam expressões de pavor misturadas com pura felicidade.
- Contem então, rapazes, qual a razão do show ter acabado cerca de meia hora antes? — perguntava a repórter curiosa.
- Por culpa de uma mald... — Danny começou a dizer com a cabeça baixa enquanto coçava sua cabeça, mas foi interrompido por uma mão de Harry cobrindo sua boca e impedindo-o de continuar sua fala.
- Na verdade, ele quis dizer... Por culpa de uma má, má condição do tempo. — Harry terminou a frase. Ele parecia ansioso e com uma tremenda dificuldade para terminar a frase de Danny.
- Isso! — Concordaram ao mesmo tempo Tom e Dougie.
- Sabe como é, a chuva pode estragar os nossos instrumentos e, do jeito que a chuva está forte, mesmo aquele teto sendo metade coberto não seria o suficiente. — todos olhavam impressionados para Danny, que havia escapado da mão de Harry e completado o argumento dos meninos. Ele dava aquele sorriso de cara de pastel.
- Pois é! — Concordou a repórter sem entender muito bem a conversa. — Correm boatos pela mídia que McFly iria se aposentar antes do tempo, isso é verdade?
- SE APOSENTAR?! — Berraram e ao mesmo tempo, quase estourando os tímpanos de ao lado das duas.
- CALADAS, eu quero ouvir! — Ela respondeu distribuindo "pedalas" nas duas.
- Ahhhn... — Danny começou a dizer.
- Esperamos que não. — Foi a vez de Dougie dizer algo.
- Mas talvez... — Tom começou a falar sem certeza e olhou para Harry ao seu lado.
- Seja... Seja uma possibilidade. — Ele terminou dizendo. — Bom, acredito que nosso tempo tenha acabado. — Ele começou a dizer todo alegre e com um bater de palmas solitário. — Isso é tudo por hoje, crianças! Eu sou Harry, ele é o Tom, aqui temos o Dougie, e por último... Danny! E nós somos o... — disse agarrando os microfone da repórter e indicando com seu dedo os companheiros de banda antes de juntá-los todos num grande abraço e se prepararem para falarem todos juntos ao mesmo tempo.
- MCFLY!
As três amigas encaravam boquiabertas a televisão e com os olhos muito arregalados. Elas não conseguiam acreditar no que tinham acabado de ouvir: McFly, a banda preferida delas, havia dito, de forma não muito direta, que pensavam em se aposentar da música. Era, como disse, um caso muito grave.
- Mas não pensem que acaba por aí! — Alertou a mesma repórter, mas agora com trajes diferentes. — Hoje fontes nos trouxeram preocupantes notícias. Os integrantes da banda McFly não foram mais vistos! — Ela tentava inutilmente exibir uma cara de preocupação, mas o botox a impedia. Chegava a ser cômico para a situação. — A apresentação do McFly de hoje, marcada para ás 21:30, foi cancelada agora a pouco pela ausência dos rapazes. Onde estarão eles agora?
A reportagem foi encerrada e as meninas ainda não acreditavam.
- Bem que me diziam que tudo que era bom durava pouco. — Comentou , com lágrimas nos olhos. — Wahhh! Não quero que eles se aposentem.
- Verdade, né? Hoje tinha show deles. — disse observando as horas no relógio. — Hmm, já são 22:55.
- Eita! Que diabos eles estão fazendo para não estarem no show deles? — Perguntou .
- Pelo que a tiazinha disse, eles estão desaparecidos. Mas sei lá, se fosse um sequestro já teriam entrado em contato para pedir o resgate. — disse.
- Bom... — comentou revirando os olhos. — Vai ver...
- Sim? — Perguntaram as outras duas em coro.
- Pior que não sei. — Ela recebeu das amigas duas pedalas. — Ai! Mas a tem razão; se fosse sequestro, já teriam falado algo e acho que eles não são tão estúpidos assim para perderem o próprio show por culpa de uma noitada.
- Certo, certo. — foi se levantando. — Vamos dormir, então? Já tá ficando tarde e hoje eu acordei muito cedo.
- Não tenho sono nenhum. Vão vocês. — se manifestou.
- Eu vou aproveitar e ir junto, então. Boa noite! — disse .
As meninas deram boa noite e subiram as escadas para o quarto. ficou sozinha na sala zapeando pela televisão com o controle remoto. Levantou, olhou pela janela e viu a tempestade que caía lá fora. Havia sido uma semana muito chuvosa, ela adorava esse tipo de tempo, sempre é gostoso ficar debaixo das cobertas e dormir em dias de chuva. Ela podia ver um carro virar a esquina e entrar na rua onde ela e suas amigas moravam. Reconheceu na hora o carro, tinha um compromisso com sua mãe num restaurante e provavelmente era ela voltando. Correu para abrir a porta para amiga quando o carro já estava mais perto. Ao abrir a porta, só ouviu o barulho de pneus de carro freando bruscamente e o veículo entrando um pouco no gramado da casa delas. Um ser saiu do carro enquanto continuava em estado de choque pela cena.
— ! — gritou para a amiga, fazendo um sinal com a mão para que a outra se aproximasse.
— O que aconteceu? — ela perguntou em desespero.
— Eu só vi bem em cima da hora! Acho que atropelei algo!
— Você o quê?!
— Achei! Essa não! Atropelei um gatinho, coitado! — dizia a menina enquanto segurava um gato em seus braços.
— Tá vivo ainda?
— Parece. Melhor levar para dentro!
— Eu ia sugerir uma veterinária.
— Se você conhecer uma 24horas, por mim tudo bem, porque eu não sei de nenhuma!
— Hmm... Não conheço. Vamos pra casa!
Na casa, as duas analisavam o gatinho no chão da sala. Ele parecia respirar bem e não estava sangrando nem nada.
— Como isso aconteceu? — perguntou .
— Eu estava perto de casa quando vi algo passando perto do carro, eu tentei parar o mais rápido possível, mas pude sentir bater em alguma coisinha. Wahhhhhhh! Será que eu o matei? Sou uma assassina!
— Não, você não é uma assassina. — a amiga disse consolando a outra num abraço. — Assassino tem a intenção de matar, e eu sei que você não tinha.
— ... cala a boca! Não me ajuda em nada você dizer isso!
— Sorry! Mas é a verdade, ué.
— Quieta.
— Mas-
— QUIETA!
Do lado de fora de casa três amigos conversavam aflitos.
"Dudeeeee!" - Danny começou a dizer. "Ela matou o Tom! E agora seqüestrou ele!"
"Primeiro você seqüestra e depois você mata, não o contrário." - Dougie comentou.
"Fala isso para aquela serial killer!" - o menino se defendeu.
"Parem com a briga aí! Ela não matou o Tom, acho que ele tá bem. Só deve ter desmaiado." - Harry concluiu.
"WAAAAAAAAHHHHH! Eu não vou ficar aqui e deixar aquela assassina botar as mãos manchadas de sangue no Tom! Vou entrar lá!" - Danny disse sem paciência. Olhava para a janela, que fora deixada aberta por minutos antes, com um olhar decidido.
"NÃOOOOOO!" - praticamente berraram os dois rapazes juntos.
Dentro da casa, e seguiam concentradas no pequeno gatinho.
— Ahhnn... ? Por acaso você também tá ouvindo isso ou eu fiquei louca?
— Difícil responder. Desde que eu te conheço, eu já sei que você é louca. — recebeu um grande pedala de por isso. — Maaaaaaaaaas, se você estiver falando de uns sons meio estranhos, então eu também estou ouvindo.
— Agora, agora pareceu que eu ouvi um...
— Pato? — a amiga interrompeu.
Mas não houve momento para responder um sim ou um não. Uma cena estranha acontecia naquele momento e as duas garotas voltaram sua atenção para a janela aberta onde surgiam três seres: um macaco e um porquinho-da-índia estavam agarrados a um pato que entrava atrapalhado por ela. Os três faziam sons respectivos aos de sua espécie e caíram juntos no chão; o pato era o mais nervoso de todos e veio até perto das garotas, tentando afastá-las abrindo suas asas e bicando-as. Já o porquinho e o macaquinho corriam para tentar segurar o pato.
— A me fez vir até aqui pra dizer que você está fazendo muito barulho, ! — falou com voz embargada em sono enquanto descia as escadas com os olhos fechados.
— Então fala para ela que estamos tendo problemas com uma bicharada invadindo nossa casa. — comentou fugindo do pato trapalhão.
— Eita! ! ! Por acaso vocês resolveram abrir um zoológico? — a garota estava estranhando a cena que via, até esfregou com suas mãos os olhos para saber se não estava sonhando ainda.
— Não! Mas depois disso aqui, também não vou querer! — respondeu rápida e, junto com , subiram em cima do sofá. Ali pensaram estar a salvo do pato.
— Vou dar um jeito nisso antes que possam dizer supercalifragilisticexpialidocious! — disse convencida e seguiu correndo para a cozinha.
As meninas em cima do sofá apenas se entreolharam. Logo retornou com uma vassoura em mãos e segurando-a como uma arma; apontou para o pato e começou a acertá-lo até ele se afastar das meninas. O porquinho e o macaquinho, no momento em que viram a garota com uma vassoura, nada fizeram, a não ser ficarem paralisados onde estavam com medo de apanharem também.
"Antes de dizer o quê?" - Harry perguntou sentadinho no canto.
"Super-blá-blá-blá-sei-lá-o-quê-cius." - Dougie respondeu perto do amigo. "E agora, o que vamos fazer? O Tom tá mesmo bem?"
"Wahhhhhhhhhhhhhhhhh! Menina loucaaaaaaa! Vocês dois aí não pretendem me ajudar, não?" - Danny gritava pela sala.
"Não! Isso foi tudo culpa sua." - responderam ambos.
— Pára, mulher! Vai matar o animal! - desceu do sofá e pegou a vassoura das mãos da amiga. — Pronto, viu? Ele já tá mais calminho.
— Talvez ele seja amiguinho do gato. — comentou feliz, também descendo do sofá.
— Ah! Claro. E juntos eles estavam indo pra fazendinha feliz do Babe, o porquinho atrapalhado. — ironizou, fazendo rir.
— E quê? Um pato não pode ser amigo de um gato, não? Amizade inter... inter... inter-espécies. — concluiu com cara de sábia.
— Acho melhor pararmos de tentar descobrir quem é amigo de quem e botar essa bicharada pra fora. Se a acordar e vir eles aqui na casa dela, ela irá expulsar eles e NÓS também. — disse séria.
— Certo. Mas não podemos deixar o gatinho que a atropelou do lado de fora, coitado. — foi devolver a vassoura de volta para a cozinha.
— Você atropelou um gato? — perguntou perplexa.
— Foi sem querer! — tentou se defender a menina. — Ele apareceu do nada e não dava para ver muito bem nessa chuva que tá fazendo.
"Tommm! Dude, acorda! Tá vivo ainda?" - Danny perguntava próximo ao amigo.
"Droga!" - Tom disse abrindo um dos olhos. "Ainda estamos como animais! Pensei que tinha sido um pesadelo."
"Acho que o pesadelo só está pra começar." - Dougie se manifestou. "Olha só o que tem atrás de você."
— Ahnn... Gente, ele acordou. — apontou para o gatinho que ia se levantando sobre suas quatro patinhas.
— Jura? — perguntou enquanto vinha correndo da cozinha para poder ver.
— Aeeeeeeeeeeee! Eu não matei o gato! — começou a comemorar com uma dancinha e foi acompanhada por .
"Quem são elas?! Onde estamos?!" - Tom perguntou assustado para os amigos.
"Aquela serial killer dançando ali te matou, dude! Aí eu tive a idéia de vir aqui salvar você das garras dela." - respondeu Danny abrindo e fechando suas asas para dar ênfase à sua história.
"Esse jumento entrou voando pela janela aberta da sala." - Harry intrometeu-se na conversa.
"Tô com um mau pressentimento." - comentou Dougie, encolhendo-se quando notou as meninas reunindo-se para discutir o que fariam com os animais.
"Seu gaaay! Pressentimento é aquela coisa que as mulheres vivem falando que têm e sempre erram!" - caiu na gargalhada Danny com sua piada, enquanto os outros olhavam sérios para ele.
"Isso é intuição, seu animal!" - explicou Tom. "E eu acho que o Dougie tem razão. Se chamarem o controle de animais ou coisa parecida, vai ser difícil de voltar pra casa."
"Já está difícil agora, imagina numa carrocinha." - Harry concluiu. "Seguinte, cambada, vamos aproveitar que elas estão distraídas falando sobre a gente e vamos sair pela janela. Beleza?"
"Beleza! Vamos indo rápido, então. Tom, tá em condições de pular pela janela e correr?" - Dougie perguntou.
"Não temos muitas opções. Vamos de uma vez."
Enquanto os meninos decidiam fugir, as outras três meninas conversavam sobre o que fazer com eles. Chegaram ao acordo de deixarem eles na área de serviço da cozinha pela noite e de manhãzinha ligar para o controle de animais, eles saberiam melhor o que fazer com eles. Estavam tão concentradas na conversa que não notaram no primeiro momento o movimento de fuga deles até uma delas correr para fechar a janela.
— NÃO! Não, não, não! — gritou igual uma louca quando percebeu os fugitivos. — Onde pensam que vão?
— Sorte que a nossa é rápida nos reflexos. — falou orgulhosa.
— Verdade. Agora não tem como eles fugirem. Vamos colocar eles logo lá na área de serviço da cozinha e dormir. Estou super cansada. — comentou se aproximando dos bichinhos junto com numa tentativa de capturá-los.
— Pronto! Fiquem aí e comportem-se. — falou dando uma piscadela para eles antes de fechar a porta.
"Droga! Por que aquela menina tinha que ter visto a gente fugindo?" - Dougie perguntava frustrado.
"Curti a mocinha do Super-blá-blá-blá-sei-lá-o-quê-cius!" - Danny comentou depois de olhar de perto para , que o tinha trazido em seus braços.
"Você não está em condições de curtir ninguém, Daniel Jones." - concluiu Harry.
"E nem nunca vai estar se não descobrirmos uma maneira de voltar a ser pessoas outra vez!" - Tom falou sério.
CAP.02 - Corrida animal
Harry acordou e estranhou o lugar onde se encontrava, não era seu quarto ou qualquer parte da casa que dividia com seus companheiros, muito menos o estúdio. Era um lugar completamente desconhecido. Não se levantou, sentou-se e observou suas mãos.
Mãos de macaco.
Suspirou decepcionado, isso significava que ele ainda era um macaco e com certeza Tom era um gato, assim como Dougie deveria ser um porco e Danny um pato. Olhou ao seu redor e viu os amigos ainda dormindo em suas formas animalescas. Aquele deveria ser o pior sonho de sua vida e, se fosse mesmo isso, ele não conseguia acordar dele de jeito nenhum.
"Dude! Tô um caco total!!" - Danny começou a reclamar. "Quero minha cama!! Quero meu corpo!! Quero tudo que é meuu!!"
"Eu também, dude, mas tá complicado. Então pára de dar chilique de mulher, por favor." - Dougie reclamou acertando sua patinha no pato ao seu lado.
— O QUÊÊÊ?! — ouviram os quatro rapazes a voz de uma das meninas; pelo grito, parecia ter vindo da cozinha.
"Credo!!" - Tom comentou. "Putz, depois desse grito eu fiquei surdo."
"Eu também, dude." - Dougie falou sacudindo-se todo. "É ruim ser um animal, eles têm uma audição melhor."
— Mas... mas... mas... — abria a porta da área da cozinha enquanto uma petrificada ficava para trás ainda gaguejando. — Como assim que eles vão parar?? Quando?? Como?? Onde??
— Ontem. Dizendo, oras! Num programa de entrevistas. — respondeu a menina que trazia algo de comida numa cestinha.
— McFly vai se separar? Dude!! Como foi que eu perdi uma entrevista dessas? Eles não podem!!
"Olha só! São fãs nossas." - Danny comentou animado. "Aposto que seremos muito bem tratados nesta casa."
"Mas elas não sabem que NÓS somos o McFly!" - Harry deu um pedala em Danny da forma que pôde.
"Aii! Verdade." - o outro não conseguiu se proteger do pedala do amigo pela óbvia falta de reflexos com os braços, ou melhor, asas.
— Alguém aí com fominha?? — perguntou .
— Eu! — surgiram e atrás de .
— Não estava falando com vocês. Lesadas. — a menina apenas rolou seus olhos. — E, sim, com eles!
— Que grossa. — mostrou a língua para a amiga. — E aí, já ligaram pro controle de animais?? Eu não quero esse bando de bichos na minha casinha, não.
— Vou fazer isso agora. — respondeu indo para a sala onde se encontrava o telefone.
— Ótimo! Eu vou preparar algo para nós comermos, já que a não vai fazer esse favor. — disse rindo enquanto voltava para a cozinha para preparar o café da manhã.
— Então... eles vão se aposentar, sim ou não? — tanto quanto sentaram-se no chão da área e apoiaram suas costas na parede fria.
— Já disse que eles não disseram nem que sim, nem que não. Só a resposta deles que foi muito estranha. Certo! Vejamos o que temos aqui. Para o macaquinho, uma banana. Para o patinho, um pedaço de pão. — começou a distribuir para os dois animais próximos à ela a comida.
— Humm... Gatos bebem leite, eu posso preparar uma tigelinha. — correu para dentro da cozinha para pegar algo para o bichinho.
— Ah! Aproveita e traz uma tigelinha com um pouco da janta, por favor? Podemos dar pro porco!! — berrou a garota na área. — Apesar de eu não saber se porcos comem comida desse tipo.
— Táá!!
"Putz! Com uma bananinha dessas, eu vou é ficar subnutrido!" - reclamou o macaquinho Harry comendo um pedaço.
"Eu até agora me dei bem. Vou comer comida de gente!" - se gabou Dougie.
"Bom, acho que beber leite não está tão ruim também. Pessoas bebem." - comentou Tom.
"WAHHHHH!!" - Danny berrou desesperado. "Será que alguém aqui pode me dar uma mãozinha, ou melhor, uma patinha?? Eu não consigo pegar isso para comer!!" — todos os amigos olharam para ele rindo enquanto este se esforçava ao máximo para conseguir pegar o pedaço de pão com seu bico.
— A filha pródiga retorna! — cantarolou. Tinha duas tigelinhas em suas mãos. — Aqui temos leite instantâneo feito pela minha pessoa, e um delicioso jantar feito pela ontem!
— Digno dos deuses, hein? — comentou enquanto posicionava a tigela de comida próxima ao porquinho. — Se bem que eu só ficaria com medo das coisas que você prepara! Há-há-há!
— Hey! Ouvi isso, sabia? E... eu acho que acertei desta vez!! — mostrou a língua para a amiga que tentava em vão controlar o riso.
"Ihhhh, Tom! Tá mais ferrado do que eu!" - Danny comentou rindo ainda sem sucesso em comer o pão. "Pelo visto a menina nem leite sabe fazer."
"Retiro o que disse. Não vou beber esse treco nem que me matem!"
"Não se preocupe, gatos têm sete vidas!" - Harry zombou e todos os meninos começaram a rir, exceto Tom.
"Sem piadinhas infames, por favor."
— Meninas, já liguei para o controle e eles virão mais tarde pegar os animais. E a pediu para chamá-las para o café-da-manhã. — falava.
— Ok! Estamos indo.
"Bleggghh!! Credo! Esse leite está aguado!!!" - Tom cuspia o leite que havia provado. "Coisa ruim!!"
"Hilário!" - Danny comentava. Graças à ajuda de Harry, finalmente tinha conseguido comer e terminar seu pedaço de pão.
"Quer um teco de comida normal, dude?" - Dougie ofereceu ao amigo. "Não está digno dos deuses, mas está comestível."
"Deixa isso prá lá. Vamos aproveitar que elas deixaram a porta aberta e fugir antes que venham nos pegar!" - Tom avisou aos amigos.
— Odeio chuva! — resmungou consigo mesma.
— Que é isso, mulher! Chuva é tudo de bom! — defendeu.
— Não quando sua casa sofre de infiltração. — comentou servindo-se de um copo de leite instantâneo. — Bleggghh!! Que horror, tá aguada esta porcaria!!
— Então está como sempre. — concluiu com um gole do seu café.
— Hey! Ouvi isso, hein? Tá pedindo por um... A-a-acho que vi um gatinho.
— Como? Eu tô pedindo pra ver um gatinho?
— NÃO! Sua besta! A bicharada tá fugindo de novo! — berrou saindo da cadeira atrás dos animais junto das outras duas meninas.
— Poxa! Nem terminei meu café da manhã e já vou partir direto para os exercícios?
— Pára de drama, ! E vem ajudar!
Iniciou-se uma perseguição da cozinha até a sala, os meninos ainda não conheciam direito a casa e pensaram na possibilidade da janela por onde três deles entraram ontem a noite estar aberta hoje. Não estava. Teriam que planejar algo e rápido para escapar do agarre delas e, mesmo sem pensar muito, eles acabaram separando-se.
subiu as escadas para o segundo andar atrás do macaco Harry, o pato Danny dava voltas e mais voltas na mesa de centro da sala com tentando alcançá-lo e mais tonta a cada volta. O porco Dougie e o gato Tom rumaram juntos para uma porta entreaberta que dava acesso para escadas que os levariam até o porão, e e correram para apanhá-los.
— PEGUEI!! — gritou triunfante com o animal nos braços.
"Grande coisa!" - o rapaz reclamava. "Com essa minhas perninhas não tinha como eu fugir. Tô em grande desvantagem aqui, poxa!"
— Ai, ai, ai. — continuava a correr atrás do pato, mas bem mais devagar e com alguns passos em falso. — Genteee, táá tuudoooo rodannndo.
"Verdaaaadeee. Façam isso paaaaraaaaar." - Danny também já não tinha mais uma visão clara do ambiente ao seu redor.
— WAAAHHH!! — ouviu-se em toda a casa o grito estridente de duas garotas e o barulho de coisas caindo no porão.
— Meninas! Tudo bem aí embaixo? — perguntou ao pé da escada.
— ! A porcaria da lâmpada desse lugar não acende, não?! — berrou irritada com caída sobre ela.
— Putzzz! — puxava a cordinha que acendia a lâmpada encontrada no começo da escada. — Pelo visto, não!!
— Eu não tô vendo eles, . — comentou enquanto levantava-se.
— Você não está nem me vendo, como iria vê-los? Visão de raio-laser??
— Aháá!!!
— Tá maluca, ?! Assim eu morro do coração!
— Peguei o porco! É o porco mesmo? Hummm... Pelo nariz, parece ser o porco.
"Assim eu não consigo respirarrrr!! Tira a mão!!" - Dougie tentava fugir da mão curiosa da menina que o segurava firmemente na plena escuridão.
— Agora só nos falta encontrar o gato. — disse a menina com o porco.
sentiu a mão de bater de leve em seu ombro algumas vezes e aproximou-se dela. Viu então o que supostamente a amiga tentava lhe mostrar. No meio daquela penumbra, a única espécie de luz a entrar no recinto vinha de uma janela pequena de um canto do porão e mesmo sendo dia do lado de fora não era possível notar isso lá dentro. Aquela luz fraca foi capaz de revelar a posição de Tom que no momento encontrava-se parado em uma estante torcendo para não ser visto, mas seus olhos tinham um grande brilho amarelo que o delatava.
— , diz que aquilo lá é o gatinho. — perguntou com visível medo na voz.
— Se não for, então é um dos Cullen! Aiii! Tomara que seja o Emmet! — ela dava pulinhos de emoção.
— Eu vou te bater, mulher. — a amiga rolou seus olhos e seguiu em direção àqueles olhos cintilantes com cautela.— Te peguei! WAHHHHH!!!
Um som metálico pôde ser ouvido seguido logo de um som líquido. Não se conseguia saber o que tinha acontecido, apenas sentir, e e Tom tinham certeza que o que sentiam não era um bom sinal.
"Tá tudo bem aí, dude?" - Dougie perguntou.
"Acho que não. Se isso for o que eu estou pensando..."
"Isso o quê?"
— TTIIINNNTTAAAA!!! Wahhhh!! Esse gato dos infernos me sujou de tinta de parede!
— Tem certeza? — tentava em vão espremer os olhinhos e tentar enxergar algo. — Pega ele logo e vamos lá pra cima.
— Hunf! Primeiro eu fico preocupada por ter atropelado-o, depois o safado tenta fugir e agora ele joga tinta em mim! Tô de mal deste ser irracional.
"Ser irracional é você!!" - Tom tentava fugir dos braços da menina enquanto era levado para cima.
"Há-há-há!! Tom é um ser irracional! Tom é um ser irracional! Tom é um ser irracional!" - cantarolava Dougie entre gargalhadas.
As duas meninas que faltavam na sala chegaram com o porco e o gato, e toparam logo com e por lá. Tanto o pato quanto o macaco estavam presos a um tipo de coleira improvisada pelas meninas e não mexiam um músculo na tentativa de fugir. Já o tinham feito e foram praticamente mortos por asfixia pelas coleiras. chegava fazendo cafuné no porquinho, que estava todo relaxado em seus braços; já trazia com seus braços estendidos, a fim de não ter um contato direto, o gatinho parcialmente sujo de tinta branca enquanto ela tinha apenas parte da sua calça manchada.
"Quem é um ser irracional?" - perguntou um Danny curioso e, se fosse humano, estaria com um sorriso pastel no rosto.
"Eu vou chutar que é o gato manchado de branco!" - palpitou Harry começando a rir junto com os outros.
"Tom é um ser irracional!" - continuava Dougie a cantarolar e logo Harry e Danny uniram-se. "Tom é um ser irracional!Tom é um ser irracional!"Tom é um ser irracional!"
"Nem falo nada, viu!"
"Nem poderia! Esqueceu que é um animal?" - Harry comentou.
CAP.03 - O invasor do banheiro
— Foi uma boa caça, meninas! — comentou vitoriosa.
— Bom, não foi muito boa para todo mundo. — tentava disfarçar uma risada da situação de .
— E agora? Será que o controle de animais se importará muito com o gatinho sujo de tinta? — perguntou curiosa.
— É só dar um banho nele. Os carinhas ainda não chegaram, então é melhor aproveitar.
— Boa! Vai que é tua, ! — dirigiu um jóinha para a amiga.
— Por que eu? Não quero saber desse gato estúpido! Deveria ter deixado ele lá morto na rua mesmo.
— Pára de drama, mulher! Leva ele logo pro banho!! — mandou.
— Hunf!
"Cuidado, Tom! Ouvi dizer que gatos têm medo de água fria!!" - Dougie alertou em tom de deboche.
"Eu não disse que essa menina era uma serial killer?! Ela seria capaz de deixar o Tom pra morrer lá!" - Danny manifestou sua opinião quanto à última fala da garota.
— Ok! Isso pode ser do jeito difícil ou do jeito fácil. Torço para que você seja comportadinho. — começou a dizer para o gato assim que entraram no banheiro.
"Eu posso estar na forma de um ser irracional, mas eu ainda sou humano e ainda penso, ok?" - Tom falava com ela mesmo que esta não pudesse ouvi-lo. "Credo!! Isso aqui é o banheiro? Um tufão passou por aqui, só pode!"
O banheiro era cheio de azulejos azul-esverdeados e alguns deles tinham mofo, sem contar no teto cheio de infiltração e armários de madeira destruídos pelos cupins. Um banheiro velho, com coisas velhas.
— Vai ter que perdoar gatinho, mas água quente aqui é raridade. O chuveiro não funciona direito. Mas sei que você vai aguentar direitinho, não é mesmo? — ela perguntou sorridente para o gatinho.
"Sim." - ainda apegado aos costumes humanos, Tom respondeu confirmando, mas de sua boca veio apenas um miado fraco.
— Nyah! Que fofinho!! — a menina exclamou ao ouvir o miado. — Vamos ver.
Ela abriu o chuveiro com uma mão coberta na toalha, pois a chave do chuveiro há algum tempo dava um leve choque quando alguém a girava para ligar ou desligar a água do aparelho. Tom olhou estranhando para as paredes do banheiro que denunciavam a chegada da água e concluía a situação precária daquele ambiente, na verdade, toda a casa era velha e com vários sinais de desgaste. A menina segurava o gatinho com uma mão e com a outra segurava o chuveirinho.
— É...tá mesmo gelada, sorry, gatinho! — ela testou a água em sua própria mão.
"Hoje não é meu dia." - pensou Tom quando sentiu a água congelante atingir seu corpo de animal.
O chuveirinho começou a esguichar a água com certa violência e Tom percebeu logo a mudança brusca de temperatura de gélida para escaldante a ponto de sentir uma forte pontada de dor ao entrar em contato com sua pele.
— Hein? Que fumaça toda é essa? — perguntou perdida em meio à fumaça recém formada do nada tentando enxergar algo.
— WAAHHH!! Essa droga tá pelando!! — berrou Tom fugindo ao máximo da água.
— Quem disse isso?!
Quando a névoa dissipou-se, ambos puderam perceber o que acontecia, ou pelo menos um deles entendeu direito.
— Não creio!! Eu voltei!! — Tom comemorava felicíssimo em estar de volta à forma humana.
Observava suas mãos, pés, joelhos, pernas, até perceber que se encontrava pelado e lembrou na mesma hora que não era o único no banheiro. Olhou para a menina estática à sua frente e tratou logo de pegar alguma coisa, qualquer coisa, para se cobrir. A menina só mostrou alguma reação quando abriu sua boca para dizer algo.
— WAHH!! SOCORROOOO! TARADO INVASOR NO BANHEIROOO!!
— Pera! Eu posso explicar tudinho, só não grite. — ele disse para a menina, que levantava-se atrapalhada de onde estava e corria desesperada para a porta do banheiro.
A porta do banheiro abriu antes que a garota pudesse fazê-lo e, pela proximidade entre ambas, foi atingida na testa bem forte pela porta aberta repentinamente por uma munida de uma vassoura.
— AII!! — gritou de dor pelo golpe e caiu estatelada em uma canto da parede, deslizando devagar até o chão.
— Deixa comigo!!! Mato qualquer um antes que possa dizer supercalifragilisticexpialidocious!!
—PERAA!! — berrava Tom enquanto defendia-se sem muito sucesso das vassouradas de com uma mão e com a outra segurava a toalha que tinha encontrado para se cobrir.
— Pega ele, !! — dava apoio à amiga da entrada do banheiro junto à e com o porco em seus braços ainda.
— Vai ter o que merece por invadir nossa casa, tarado! Hum, esse invasor não é a cara do... do... do Tom do McFly? — perguntou .
"Aeeeewww!! Tom conseguiu voltar ao normal, dude!!" - Dougie comemorou.
"Dude!! Conta pra gente como você conseguiu! Quero voltar a ser eu também!!" - Danny disse ainda preso à sua coleira sendo segurado por ela junto com Harry por .
"Hum, mas se os humanos não conseguem entender o que dizemos... Isso quer dizer que o Tom não consegue mais nos entender!" - Harry disse em desespero ao constatar tal fato.
— SOU EUU! TOM FLETCHER!! SOU EU!! — berrava o menino para tentar salvar sua vida.
— Tom Fletcher? — parou seu ataque ao rapaz e observou bem seu rosto. Não demorou para que ela percebesse que ele realmente era muito igual ao Tom do McFly.
— Ahã! E eu sou o Jack Sparrow!! — comentou ainda sentada no chão e com uma mão massageando a testa. — Não acredite nesse tarado, ! Mata ele!!
— Pera lá, gente! — manifestou-se. — Parece muito com o Tom mesmo.
— Irmãos gêmeos perdidos na maternidade? — indagou . — Droga! Ficamos justo com o gêmeo malvado, ou melhor, tarado!
— Eu sou ele! Acreditem!! Posso explicar tudo, só me dêem uma chance!
— Vou te dar é três segundos pra você, tarado, largar minha toalha de rosto! — berrou nervosa.
— ! — começou a dizer abaixando a vassoura. — Pegue algumas roupas antigas do seu irmão pra ele poder vestir... hum... algo.
— Certo! Cuida aqui, . — entregou a ponta das coleiras para a menina e saiu correndo em direção ao seu quarto. No armário, ela encontraria algumas mudas de roupas do seu irmão mais novo para emprestar ao rapaz do banheiro.
— Então...você é mesmo ele? — perguntou com os olhos brilhando com a possibilidade.
— Nem comece, ! É um tarado!! Eu vou chamar a polícia. — disse levantando-se do chão.
— Já disse que sou! — Tom começava a sentir a vergonha de estar apenas com uma pequena toalha para cobrir seu corpo na frente daquelas meninas, ainda mais com os olhares fixos de e sobre ele.
— Aqui! — voltou com roupas de menino nas mãos e jogou em direção ao rapaz. — Meninas vamos deixar ele se trocar e aí falamos com ele, ok?
— Certo! — responderam e ainda mergulhadas em pensamentos para descobrir se o rapaz dizia mesmo a verdade.
— Tanto faz! Eu vou chamar a polícia de qualquer jeito. — foi a última a sair e virou-se bruscamente quando lembrou de algo importante. — Espera! O gatinhoo!! — mas a porta foi fechada em sua cara.
— , agüenta um pouco antes de ligar pra qualquer lugar, ok? — pediu calma.
— Por quê?
— Ele deve ser mesmo o Tom do McFly!! E, se for, temos que tratar ele bem, oras! — disse.
"Eu falei que seríamos bem tratados nesta casa!" - Danny disse triunfante.
"Esquece isso!" - Harry cortou o momento do amigo. "O Tom voltou ao normal não sei como. Temos que descobrir para voltarmos também!"
"Foi durante o banho, com certeza!" - Dougie concluiu firme.
"Será que a água dessa maloca é mágica ou coisa assim?" - Danny perguntou, mas não houve resposta. "Tomara que a serial killer não chame mesmo a polícia. Já devem estar atrás da gente por não termos ido ao show ontem."
"Sei lá. Estamos numa maré de azar, ultimamente." - Harry ponderou.
"Nosso ticket para Loserville!" - Dougie comentou em tom de deboche.
Ele mal saiu do banheiro, e topou com as meninas esperando por ele junto de seus colegas de banda, todos estavam sentados no chão e apoiados na parede frente à porta de onde ele saía.
— Finalmente! — manifestou-se correndo em direção ao banheiro e escancarando a porta. — Gatinhoooo?! Cadê você?!
"Acho que ela não percebeu que o gato e o Tom eram a mesma pessoa, ou o mesmo animal, ou, ou, ou..." - Danny tentava dizer, mas se atrapalhou.
"Nós sacamos a idéia, dude." - Dougie avisou.
— Annh...Tô bem aqui. — respondeu Tom com medo da reação da menina que virou-se para encará-lo.
— Como???
— Eu sou o gatinho que você procura.
— Huuuuummmm... Falou, então, gatão! — comentou bem baixinho com e que começaram a rir.
"Não acredito que ele tá se aproveitando de um momento desses pra fazer cantada! Ainda mais uma podre dessas!" - Danny disse indignado. Tanto ele quanto Dougie e Harry ouviram perfeitamente bem o comentário de .
"E eu não acredito que ele possa ter soltado uma pérola dessas sem ter explicado pra elas que ele e o gato são a mesma pessoa! É lógico que iam pensar besteira!" - Harry rolou os olhos.
— Hunf! Convencido!! — mostrou a língua para o menino. — E eu estou falando de gato no sentindo animal. Se enxerga!
— Então! Vai explicar logo a situação de uma vez ou não? — perguntou já impaciente sobre as chances do menino ser quem elas esperavam que fosse.
— Bom, — Tom deu um longo suspiro antes de começar. Ele não queria contar, pois sabia que não seria levado a sério. Mas não havia outra forma de explicar sua aparição ali naquele momento, naquele lugar. — eu já disse antes que sou o Tom do McFly e também sou o gatinho que a amiga de vocês está procurando. — ele indicou com a cabeça para a imagem de deitada de barriga para baixo no chão procurando por qualquer sinal do gato.
— Tem que concordar que está meio difícil de acreditar nisso, não? — tentou dizer simpática, mas já se arrependendo de ter deixado o rapaz se explicar ao invés de matá-lo a vassouradas. Teria sido mais simples.
— Eu sei! Eu sei! — ele estava desesperado, não sabia como faria elas acreditarem. — Mas é a verdade! Todos nós do McFly estamos com uma maldição que nos transforma em animais, e agora é a primeira vez que um de nós volta ao normal desde ontem à tarde.
— Maldição?! — estava cética.
— Eu disse que tínhamos ficado com o gêmeo tarado e problemático do verdadeiro Tom do McFly. — disse rolando os olhos.
— Sim, maldição! Eu virei um gato, esse porco nos seus braços é o Dougie, o pato pateta é o Danny e o macaco é o Harry!!
"Gêmeo tarado, problemático e amalucado do Tom!" - Dougie balançou a cabeça negativamente. "Nunca que vão acreditar nele."
"Ainda mais que a verdade parece uma grande mentira." - Harry concluiu passando suas mãozinhas de macaco pelo rosto.
"Quack!"
"Que diabos foi isso?" - perguntou Harry encarando o pato junto com Dougie.
"Bom... eu não sabia o que dizer, então pensei em dizer o mais óbvio! Afinal, eu sou um pato, não sou?"
"É... só que é um pato muuito pateta." - Dougie disse.
As meninas se entreolharam preocupadas em acreditar ou não no rapaz. tinha certa paz por saber que a vassoura estava ao seu lado caso precisasse dela, e seguiam com o olhar fixo nele para confirmar a semelhança e continuava sua busca pelo animal perdido.
CAP.04 - Agência de Controle de Animais (A.C.A.)
— Essa não! — praguejou de repente. Estava apoiada na ponta dos pés, observando pela janelinha do banheiro. — Acho que o gatinho fugiu pela janela e então o pegaram.
— Já disse que eu era o gato!
— ! Tira esse maluco da nossa casa de uma vez por todas, por favor? — perguntou sem paciência para a menina. — Além disso, o cara do controle de animais está lá fora, tenho certeza que ele deve ter pego o gatinho quando ele estava fugindo daqui.
— Humm, olha, eu vou admitir que está difícil de acreditar nessa história de maldição e tal, mas... — começou.
— Mas nada! — interrompeu. — Ele é louco! Manda embora! Adeus! Até nunca mais! Bye-bye! Addio! Au revoir! Dag! Auf wiedersehen!
— Ok! — entregou o porco nas mãos de e dirigiu-se para perto de Tom. — Ele vai embora assim que você mesma explicar como é possível que ele também esteja manchado de tinta branca. — ela passou a mão pelo cabelo do menino e levantou uma mecha de cabelo onde se escondia vestígios de tinta.
— Boa, ! — apoiou a amiga. — Um invasor tarado de verdade não estaria manchado de tinta porque ele não estava no porão na hora em que o gatinho e a se sujaram!
— para detetive, para advogada! — comentou feliz sorrindo pastel com a cena.
"Melhor isso ser o suficiente, porque se o controle está mesmo lá fora, nós não temos muito tempo para convencer essas garotas!" - Dougie comentou frustrado.
"Quack! É verdade! Quack!"
"Danny! É melhor você parar com essa nova mania, senão te acerto a pata nesse bico!" - Harry ameaçou.
"Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack! Quack!"
— Eu... e-e-ee-euu... eu sei lá porque ele está sujo de tinta branca!
— Ahá! Consegui deixá-la sem palavras! — comemorou vitoriosa.
Nisso, a campainha pôde ser ouvida por todos que se encontravam no minúsculo banheiro do segundo andar.
— É o controle de animais. — avisou. — Vamos então entregar os bichos e esse cara doido!
— QUÊÊ?! — berrou Tom desesperado. — Não podem fazer isso! Eu juro, eles são os outros guys!! Não podem entregá-los!
— Não se preocupe, Tom! — disse dando leves tapinhas no ombro do rapaz. — Eu acredito em você.
— Ahh! Qual é? — resmungou. — Agora vocês todas acreditam no carinha doido?
— ! Calada! — ordenou impondo ordem. — Vamos fazer o seguinte: eu e a vamos descer, atender o cara e mandar ele embora enquanto vocês duas sobem para o sótão com o Tom mais os outros três animais, ok?
— Vamos dizer o quê, ? "Sorry, mas foi engano"?
— Não tinha pensado em nada ainda, mas também serve! — respondeu à amiga assim que chegaram ao primeiro andar.
Elas ouviram mais uma vez o tocar da campainha e apressaram o passo para a porta. abriu a porta bem devagar e logo a imagem de um homem baixinho, meio careca e com carinha de simpático apareceu.
— Olá! Sou do Controle de Animais! — ele começou animado. — Recebemos um telefonema daqui em nome da senhora .
— Senhorita! Senhorita . — a garota tratou logo de esclarecer ao senhor enquanto lhe estendia a mão.
— Ah! Muito prazer! E a senhorita seria? — perguntou ele dirigindo-se à outra menina com a mão estendida.
— .
— Hilário!
— Como? — perguntou fechando um pouco a cara. Aquele homem tinha achado seu nome engraçado?
— Hilário! Meu nome é Hilário!
e tentaram conter uma risada nervosa, o nome do sujeito era engraçado demais para elas.
— Não vai dizer nada? — perguntou para a amiga. — Ah! Legal, achei uma lanterna. Até que ilumina bem, não acham?
— Mas não tinham me mandado ficar calada? Vocês têm que decidir se fico quieta ou não. — comentou insatisfeita.
— Ai! Quanto drama. Faça o que quiser, só ajude a encontrar mais lanternas.
— Não tem um interruptor por aqui? — perguntou Tom de algum lugar do sótão. Se o porão era escuro, esse lugar era mil vezes mais e com o dobro de coisas guardadas nele. Havia tropeçado inúmeras vezes em menos de um minuto.
"Essa maloca fica cada vez pior." - Danny comentou.
"Verdade. Quack!" - Dougie comentou rindo um pouco.
"Você também não, porquinho da índia!" - ameaçou Harry, áspero.
"Óinc!" - Danny disse caindo na gargalhada. "Qual o som que um macaco faz?"
"Nunca parei pra prestar atenção, você sabe, Harry?"
"Pior que não. Óinc! Quack!"
— Hey! Tom, explica uma coisa...
— Sim!! — interrompeu . — O que você fazia no meio da rua ontem quando te atropelei, seu maluco?
— Aêê, mulher, fica quietinha aí! — a cortou. — Não era pra você ficar calada? Tom, quem foi mesmo que você disse que era o Dougie? O Pi-chan??
— Quemmm?! — perguntaram Tom e juntos.
"Pi-chan?" - perguntaram os três animais juntos, embora não pudessem ser ouvidos pelos humanos.
— Annh... o Dougie é o porco.
— Quem é Pi-chan, ? — perguntou sentando-se no chão, próximo de e Tom em volta da lanterna virada para cima.
— Ah! Era um apelidinho que eu tinha pensado em botar no porco. Não é fofo?
— Suuuper fofo. — disse sarcástica. — ! Quando colocamos nome nos animais, nós começamos a nos apegar! Não vamos ficar com ele.
"Há-há-há-há-há! Pi-chan!! Fala sééééério, que ridículo!!" - Danny matava-se de rir movimentando suas asas freneticamente.
"Ahhh! Eu até que curti." - Dougie deu sua opinião e aproximou-se do colo da menina.
— Nem dá pra ficar com ele, não é um bichinho de estimação de verdade. Ele é... — Tom começou a dizer antes de ser interrompido por .
— De comer.
"É o quê?" - Harry perguntou surpreso.
"Aeeww! Menina mó tarada, Dougie!" - Danny ria. "Vai te devorar todo!!"
— Como?! — perguntaram os outros dois humanos no recinto.
— Não é? Que eu saiba, porco da índia é para se comer.
— WAHHH! Sua maluca!! Não pode comer o Pi-chan! — escondia o porquinho em seus braços.
— Nunca ouvi falar que fossem de comer! ... E não tente comer meu amigo!! — comentou Tom.
"Eu não disse que aquela garota era uma serial killer? Primeiro ela tenta matar o Tom e agora quer matar o Dougie!"
"Dude!" - Harry recriminou Danny por seu comentário. "Ela não matou ninguém ainda pra você ficar chamando-a de serial killer!"
"Falou bem. Ela não matou ninguém a-i-n-d-a!" - completou o pato em defesa.
— Não disse que eu vou comer ele nem nada disso!! Só comentei. Não falo mais nada depois dessa, também! — ela disse levantando-se.
— Onde você vai? — perguntou .
— Vou sair daqui. — respondeu já baixando a escada móvel que dava acesso ao sótão. — Não vai acontecer nada.
— Volta aqui! A deu ordens, lembra? Não serei responsável! — ameaçou, mas a menina já havia descido. — Droga!
— Eu vou atrás dela. — Tom avisou e saiu.
— Tudo bem! Só vou perguntar mais uma vez, onde estão os animais? — o simpático senhor de antes tinha se transformado em um rabugento cuspidor de palavras e saliva.
— Hey! Sem chuva salivar para o meu lado, senhor! — respondeu rápida, passando uma mão no rosto.
— Já dissemos que foi um trote ou engano. — continuou. — Não há animal nenhum neste lugar. Pode fazer o favor de se retirar da minha casa?
— E não se preocupe que a porta da rua é serventia da casa! — completou vitoriosa.
— Olhem aqui, mocinhas. Um gato ou um porquinho da índia podem ter raiva ou alguma doença, mas são animais domésticos. Agora, um pato e um macaco não são. Isso é tráfico ilegal de animais silvestres. Se por acaso vocês têm um, então é melhor me entregarem já!
No meio daquela discussão, os três na sala puderam ouvir o som de um baque no andar de cima. e entreolharam-se preocupadas e o senhor olhou para a escada no fim da sala. Abriu caminho por entre as meninas e começou a correr o percurso para o andar de cima com as meninas atrás.
— Hey! Não pode invadir nossa casa assim, não!! Não te demos permissão para entrar!! — gritava .
— Ai! O que aconteceu? — perguntou para si mesma, mas pôde ser ouvida por .
— Ferrou total, !! — disse nervosa para a menina, que se assustou com a volta repentina da amiga e de Tom.
— Como assim?!
"Loserville, aqui vamos nós outra vez! Quando é que vamos dar sorte?" - perguntou Dougie.
"Droga! Vamos ser levados para a carrocinha e virar sabão!" - lamentou Danny.
"Pára de falar asneiras!" - Harry acertou um pedala no pato.
— Esse cego caiu em cima de mim e o tiozinho ouviu! E ele suspeitou de algo, com certeza.
— Foi sem querer! Eu não tinha te visto, não sou cego. — Tom defendeu-se dos comentários.
— Hunf! — rolou os olhos. — Pode ter voltado a forma humana, mas, pelo visto, ainda está com o cérebro do mesmo tamanho que um animal.
— HEYYY! Eu ouvi isso!!
— Parem vocês dois!! — levantou-se também. — Dá para ouvir os gritos deles nos corredor. Que vamos fazer?
— Já sei! — disse rápido e tratou de empurrar Tom e para o outro extremo do sótão. — , você leva o porco e o macaco. — a menina apenas teve que se posicionar para que o macaco entrelaçasse seus braços ao redor da amiga que já tinha o porco nos braços. — Tom, você leva o pato. E subam rápido pela escada; se não me engano, ela dá lá no teto.
— Não estou entendendo nada! — Tom disse.
— Hum, lembrei! — falou séria. — No final da escada tem um tipo de escotilha e dá para o lado de fora. É o único jeito de chegar à antena da casa! Mas o que iremos fazer lá?
— Esconder! — respondeu enquanto empurrava os dois para que se apressassem. — Eu fico aqui e, sei lá, invento que fui eu que fiz o barulho enquanto arrumava aqui! Vão!! Vão!!
— Humm! Eu sei que o som veio daqui de algum lugar! — disse Hilário sério.
— Aê, tiozinho! Pode ir saindo da nossa casa, o senhor não é mais bem-vindo aqui! — dizia irritada com a invasão do senhor. — , amiga, pegue a vassoura!
— Vou antes que você possa dizer supercali...! — parou a piada no meio ao receber o olhar fuzilador da amiga. — Tá, tá. Eu vou!
— Não até eu conseguir salvar essas pobres espécies das mãos de cidadãs como vocês! Tráfico de animais é crime grave!!
— Não estamos traficando animal nenhum!
Os dois berravam alto e, por acaso, Hilário viu uma cordinha vinda do teto se mover como um pêndulo, o que chamou sua atenção. Ele logo entendeu do que se tratava e, com sua mão, deu um forte puxão na corda, que trouxe consigo uma escada velha e empoeirada. Ele sorriu vitorioso, olhando por cima do ombro para uma abobalhada e começou a subir a escada.
Quando saiu de seu transe, ela correu atrás do homem já temendo o pior, não saberia que desculpa inventar para a presença dos animais naquele lugar e com certeza a história de Tom não convenceria da mesma forma que havia convencido as meninas. Certo, talvez nem ela mesma acreditasse em tudo que o menino tinha dito, nenhuma delas acreditava, mas isso não as impedia de ajudá-lo. E quando finalmente chegou lá, ela sentiu um pouco mais de alívio.
— ? Quem é esse homem, afinal? — perguntava próxima à luz forte que vinha de uma lanterna virada para cima no meio do sótão onde ela, com um pano amarrado na cabeça e com outro na mão, parecia tirar o pó de um retrato tirado de uma caixa ao seu lado.
— Eu... sou... Hilário. — respondeu o homem claramente decepcionado.
— Legal! Eu também sou bem engraçada! — comentou alegre.
— Não, ! Hilário é o nome dele! — tratou de explicar.
— Jura? — e tanto o senhor quanto confirmaram com a cabeça. — E qual seria o nome tãão hilário?
— Ai! Que burra!! — bateu com a mão na testa.
— É só a senhorita que está aqui? — perguntou o homem olhando com dificuldade para o lugar. Tudo escuro e cheio de objetos, algumas caixas e muita, muita poeira.
— Sim. Vim pra cá agorinha pouco, estou atrás de umas fotos antigas da família.
— Vocês não têm nenhum animal nesta casa? Por exemplo, gatos, porcos, patos... macacos?
— Não. Talvez devesse tentar um zoológico.
— Chegueiii!! — berrou com sua fiel vassoura na mão. — Ou o senhor vaza agora, ou chamaremos a polícia e também ligaremos para o teu superior!!
— Ok! Eu vou, mas se recebermos outra chamada daqui por trote, as senhoritas terão de pagar uma multa severa. Entendido?
— SIM! — responderam as meninas juntas.
— Irei "escoltar" o senhor até a porta. — disse sorridente exibindo sua vassoura.
— Obrigado...?
— Hey... . — perguntou baixinho quando os outros dois já desciam as escadas para o segundo andar. — E a e o gêmeo do Tom?
— Lá em cima. — ela indicou com o dedo. — Estão com a antena. Ótimo plano, não?
— Não se eles estiverem por lá quando o tiozinho doido sair da casa! Ele pode vê-los!!
correu para a escada da parede, começou a subir rápida por ela até chegar a uma espécie de escotilha. Deu algumas pancadas como se batesse numa porta e ela se abriu, revelando o rosto de junto com uma leve corrente de ar frio.
— Todo mundo pra dentro, agora!!
— Bom, adeus! — disse ao homem, encostada ao batente da porta da entrada.
— Adeus! — disse o homem já um pouco mais simpático como no começo. Ele foi até seu carro onde tinha vindo e, com a chave, deu partida no carro. Já estava a alguns metros afastados da frente da casa quando pelo painel do retrovisor percebeu um vulto desaparecendo do telhado da cada daquelas meninas. — Verdade. Eu não chequei o telhado! Bom, talvez seja preciso mais uma visita na casa delas. Quando aquelas três não estiverem para me atrapalhar!
— Gente! Tá uma friaca lá fora!! — tremia um pouco de frio.
— Também, você só está de pijama. O que queria? — riu da amiga.
— Hey, ! Afinal, qual era o nome daquele tio?
— Há-há-há! , tu é muito burralda! — a menina começou a cair na gargalhada. — Hilário era o nome dele!
— Hilário? — perguntaram Tom e juntos.
— AHHHH!! Agora entendiiiii!
— Você sabe do que elas tanto riem? — perguntou Tom a .
— Nem idéia! Mas tem algo a ver com esse tal de Hilário.
"Alguém aqui pegou a graça?" - perguntou Harry ainda segurando-se ao pescoço de .
"Nem." - responderam Dougie e Danny juntos.
CAP.05 - Pia mágica
— Sabem o que eu percebi? — perguntou assim que todos desceram para a sala. — Nós não terminamos nosso café da manhã!
— Verdade, para a cozinha! — disse animada pensando em matar a fome que sentia.
— E como poderíamos comer se bem naquela hora a bicharada começou a fugir? ...O que me lembra... senhor Tom! O senhor tem contas a prestar conosco. — disse.
— Do tipo?
— Por que fugiram? — perguntou a dona da casa.
— Porque estávamos preocupados de vocês nos entregarem ao controle de animais. Aí sim ficaria distante a possibilidade de algum dia voltarmos a sermos humanos. — ele lamentou olhando seus amigos.
"Mas se um de nós voltou, quer dizer que nós também podemos!" — Danny animou-se ao dizer isso.
"Quem diria que o cérebro de um pato te ajudaria a pensar em algo que tenha lógica!" — Dougie ironizou.
"Talvez porque o cérebro dele é menor que o de um pato." — Harry concluiu e caiu na gargalhada junto com o porco.
"A primeira coisa que vou fazer quando voltar a ser humano será dar um belo chute na bunda de vocês dois!"
"Ai, que meda!" — Dougie disse com voz afetada.
"Não se eu acertar primeiro na tua." — desafiou Harry.
— Tudo bem se enquanto vocês tomam o café da manhã direito eu tentar ver se consigo transformá-los de volta? — o rapaz loiro perguntou esperançoso por um sim.
— Claro! — foi a primeira a aceitar e entregou o porquinho nas mãos dele. — Cuide bem do Pi-chan!
— Ahn... — começou a dizer. — Tudo bem você se molhar? Digo, aquela água te fez virar humano, mas ela também pode fazer o contrário, não pode?
"Verdade! Putz!" — Harry disse agoniado. "Qualquer agüinha faz a gente virar bicho!"
"Mas a água da casa delas faz a gente virar humano, então tá beleza!" — Danny comemorou.
"Sempre que virarmos animais, podemos destrocar com a água daqui!" — Dougie completou.
— Bom, a verdade é que nós só sabemos que sempre que entramos em contato com água nós nos transformamos em animais, mas não sabemos ainda o contrário.
— Sabem como? — perguntou curiosa.
— Já é a segunda vez que isso acontece. — o loiro explicou.
— E ainda não aprenderam como voltar para a forma humana? — estava surpresa.
— Água nos transforma e água nos destransforma. Como, eu já não sei.
— Pera aí. Foi por isso que o show de anteontem de vocês terminaram mais cedo? Pela chuva, não? — falou.
— Sim. Imagine se virássemos animais na frente dos nossos fãs. Seria chocante!
— O contrário também é, viu? — comentou meio séria e um pouco vermelha. As outras meninas e os animais riram do comentário da garota. Menos ela e Tom.
— Ai, essa foi boa! — ainda tentava conter o riso. — Certo, mas você disse que esta é a segunda vez, como voltaram na primeira?
"Humm... Aquela vez não valeu... foi por acidente." — Danny mencionou.
"Um ótimo acidente!" — Harry corrigiu o amigo.
"Lógico, senão estaríamos como animais até hoje." — Dougie terminou.
— Graças ao Fletch! Mas foi meio que um acidente e nós não chegamos a descobrir direito como tudo aconteceu. Só sabemos que foi água.
— Então, podemos decidir logo o que vamos fazer? Eu tenho fomeee! — queixou-se.
— Ok, ok! — disse batendo palminhas para chamar a atenção de todos. — Tom, você fica aqui, pra não se molhar de novo. , você fica com o Tom e toma seu bendito café. , você vem comigo e com os animais para ajudar no banheiro. ... você vai ser a garçonete e camareira.
— Como? Vou ser o quê?
— Vai pegar umas toalhas para os meninos e mais algumas roupas do meu irmão caso eles voltem ao normal, e também vai levar pra gente algo de comer porque eu também tenho um pouco de fome.
"Pelo visto é ela quem manda nesta maloca." — Danny comentou ao ver todos obedecendo a garota.
"Alguém que bote ordem nesta muvuca!" — Dougie riu.
"Se ela tem um irmão, cadê ele? Ele não vai ficar bravo de usarmos todas as roupas dele?" — Harry perguntou confuso enquanto era levado para cima junto com os outros.
— Meu lanchinho, vou comer, vou comer, lã lã lã. — cantarolava feliz ao voltar para seu lugar na mesa ainda deixada da mesma forma antes da fuga dos animais.
— E depois eu que sou maluca, né? — perguntou enquanto procurava no balcão da cozinha por algumas torradas para levar para as meninas no andar de cima. — Será que elas se importam se for torrada com geléia de morango?
— Hey, eu sou normal! Chata. — bebia seu café com leite já frio. — Aê, Tom, fique à vontade!
— Obrigado. — respondeu o rapaz ao sentar-se.
— O que vai querer de café da manhã? — a menina perguntou sorrindo.
— Qualquer coisa que não seja leite instantâneo, eu suponho! — aproximou-se com um prato cheio de torradas e com uma faca mergulhada no copo de geléia. — Desculpe te fazer beber aquilo, estava horrível.
— Não estava ruim. — ele mentiu dando um sorrisinho.
— Não se preocupe, Tom. — avisou.— Ela não sabe mesmo fazer um leite decente! — Então dirigiu seu olhar na direção da amiga. — Primeiro você quase mata ele por atropelamento, depois quase dá uma séria intoxicação alimentar... , você está com intenções assassinas pra cima do Thomas?
— Ah! Isso me fez lembrar. — Tom disse de repente e as duas meninas o encararam. — O Danny acha que você é uma serial killer por isso.
— Hunf! — a menina tentou ignorar a risada dos dois. — Eu vou pra um lugar onde minha presença seja melhor apreciada.
— Assim tá bom? — perguntou , que improvisava uma cortina feita com a toalha.
— Acho que sim. — respondeu. — Agora... torrada!
— , isso aqui não é sala de operações não, mulher. — respondeu à menina entregando-lhe uma torrada.
— Hum! Eu adoro E.R.!! — comentou feliz.
"Hellooooo! Dá pra irmos logo com isso?" — Harry perguntou impaciente enquanto via as três meninas engatarem uma conversa sobre seriados médicos. "Eu quero voltar a ser gente, poxa!"
"Elas vêem T.V. o dia inteiro pra saber tanto assim sobre seriados?" — perguntou Dougie sem muito interesse na conversa delas. "Danny! Bica elas aí, assim elas voltam a se concentrar no que importa!" — Dougie ordenou.
"'Xá comigo!"
— Ahhh! O House tem olhos azuis lindos!
— Ai, credo! Muito enrugado aquele tio. Tá é velho!
— É o charme dele, amiga!
— Pensei que o charme fosse a bengala-AII!
— AIII!! — as três berraram ao sentir Danny atacando-as.
— O que deu nesse doido? — perguntou tentando afastá-lo com a perna.
— Acho que eles estão meio impacientes. — comentou.
— Deve ser. Bom, vamos voltar ao que interessa. Vejamos... torrada! — começou a iniciar todo o processo de antes.
Ela ligou o chuveiro e dele começou a sair água gelada em grandes jorros, mas nada de Harry voltar a ser humano, ele começava a tremer de frio. Enquanto isso, Danny esperava do outro lado de , que ainda segurava a cortina improvisada por uma toalha e Dougie explorava o banheiro. Naquele momento o baixista havia acabado de escorregar para dentro da pia, e como ele não era muito grande, aquela pia velha parecia mais uma banheira do ponto de vista dele. O porquinho observou a torneira diferente, era uma do tipo alavanca ao invés daquelas giratórias, ele levantou-se sobre suas duas patas traseiras e apoiou-se na alavanca para poder manter-se de pé. A torneira da pia abriu.
PUF
— Quê? — perguntou assustada pela neblina formada.
— Putz! Não tô vendo nada no meio desse nevoeiro! — resmungou .
— O macaco deve ter voltado ao normal!! Essa fumaceira acontece quando eles se transformam. — avisou as amigas mesmo sem poder vê-las.
"AÊÊ, Harry!!" — Danny comemorou feliz, também sem poder ver o amigo. "Acho que você vai poder dar o chute na minha bunda primeiro. Droga!"
"Pera aí!!", Danny pôde ouvir a voz de Harry de algum lugar perto dele, "Se estão dizendo que eu voltei ao normal, por que eu consegui ouvir o que o Danny disse?"
"Dude!" — Danny exclamou. "Tu ainda é animal? Mas então... quem?"
"Meio óbvio, né, seu jegue?" — Harry debochou.
"Jegue não!! Pato! Quaaaaack!"
— AAAAÊÊÊÊ!! EU VOLTEIII!!
— Essa não é a voz do Dougie? — perguntou voltando a enxergar um pouco a sua volta.
— Mas não foi o Harry quem deveria ter voltado, ? — virou sua cabeça em direção à amiga atrás dela ao mesmo tempo que , e então elas viram.
— Estranho! — disse também confusa tentando ver algo de Harry, mas sendo atrapalhada pela cortina de . — Tinha que ser o Harry... meninas? — ela perguntou quando viu o olhar espantado das duas meninas em sua direção, mas não olhando exatamente para ela. E logo jogou a cortina-toalha para aquele lugar.
— Valeu! — Dougie agradeceu agarrando a toalha e cobrindo-se rápido. — Como é mesmo seu nome? , né? Valeu mesmo.
virou-se lentamente quando ouviu aquela voz tão perto dela e finalmente viu o que as outras duas olhavam espantadas. Dougie Poynter tinha sido o causador da névoa e estava ali sentado no chão. Podia-se ouvir o som da torneira aberta e a água correndo misturando-se ao som do chuveirinho na mão de .
— Como você...? — começou a perguntar, mas não acreditava no que via. Seu segundo McGuy favorito estava bem ali, próximo dela e apenas com uma toalha.
— A torneira da pia abriu e eu caí dela porque, óbviamente, não cabia lá.
— Oh! My! GOSH! — exclamou. Agora sim ela definitivamente acreditava em todas as palavras de Tom.
— OH! MY GOSHHH!! — exclamou mais alto ainda, levando suas mãos à cabeça em sinal de desespero.— O prato! As torradass! Estavam atrás de miiimmmmm!!
Dougie não disse nada, apenas passou uma mão perto da sua perna e viu sua mão suja de geléia vermelha. Seus olhos se espantaram quando ele percebeu onde estava sentado em cima.
"AAAHHHH! Dude! Isso é bom demais pra ser verdade." — Danny gargalhava alto pelo azar do amigo.
"Depois dessa, mesmo que ele não queira, ele terá que tomar um banho e aí bye-bye forma humana." — Harry também ria muito da cena.
"Acho que ele ficou com espírito de porco! Adora estar num chiqueiro!" — Danny batia suas asas várias e várias vezes.
Mesmo com os barulhos vindo do pato e do macaco, todos conseguiram ouvir passos atrapalhados subindo as escadas e a porta abrindo subitamente com Tom e do outro lado dela.
— Conseguiram voltar?! — Tom perguntou sorridente e meio cansado pela corrida.
— Dougie! — exclamou ao ver o rapaz próximo à porta de volta à forma humana. — O que é isso na sua mão? — ela perguntou curiosa para a gosminha vermelho intenso na mão do baixista.
— Acho... — ele começou a responder movendo seus dedos sujos, sentindo a sensação da geléia escorrer pela sua mão, estava um tanto hipnotizado por isso. — Acho que estou naqueles dias!
— COMOOO?! — perguntaram juntos os recém-chegados ao banheiro.
CAP.06 - Plano para os meninos ficarem na casa
— Já disse que n-ã-o!! — insistiu Dougie mais uma vez.
— Você não pode ficar assim, é nojento! — Tom disse fazendo careta.
Os dois estavam no quarto de , onde Tom tentava convencer o amigo de tomar banho para limpar-se da geléia e Dougie se recusava e tentava vestir direto alguma roupa do irmão da dona do quarto.
— Eu não quero voltar a ser um porco! E você também não estava sujo ainda de tinta branca? Não me lembro de ter te visto debaixo do chuveiro, gatinho! — zombou o menino.
— Muito menos sujo que você! Mas a me emprestou uns lenços umedecidos e deu certo. No teu caso é banho mesmo!
— Nunca! — ele foi e abriu um pouco a porta do quarto. — !
— Oi? - A menina apareceu no corredor saindo do banheiro onde ainda estavam e tentado transformar em humanos os últimos rapazes, mas sem sucesso.
— Você é a ?
— Uhum! — ela estava nervosa demais para conversar normalmente com seu ídolo. Queria gritar de emoção e, talvez, até chorar, mas se controlava, pois não queria assustá-lo. Tinha que parecer ser uma menina normal.
— Poderia me emprestar uns lenços umedecidos? O Tom disse que você tem.
— Uhum! — ela respondeu com um sorriso e virou-se para ir até seu quarto pegar.
— Ai, ai, ai. Alguma coisa aí, ? — perguntou à amiga. Estava com o chuveirinho na mão e na outra uma toalha, no caso de Harry voltar a ser humano.
— Nada ainda. — respondeu . Ela estava com o pato Danny na pia tentando dar o mesmo golpe de sorte que Dougie.
— Gente, vocês vão acabar com a água do mundo com isso! — passou comentando. — Tentem mais tarde. Acho que por hoje só vamos ter dois ex-animais.
— Sorry, guys. Mas acho que é verdade. — concordou desligando o chuveirinho e então a chave geral do chuveiro. — A conta de água virá uma loucura este mês.
"Sorry o caramba!" - Harry reclamou. - "Não quero mais ser animal! Por que só o Tom e Dougie conseguiram?"
"Já vi que vamos ter que pagar o pato mais um dia, no meu caso, isso vai ser no sentido literal." - Danny começou a rir com a piadinha contida em seu comentário.
"Mais um dia como animal e o único ser com quem eu posso falar é o Jones. Dudeee, já vi que não dá pra ficar pior."
"Obrigado pela parte que me toca." - Danny respondeu fingindo-se sentido.
— Toc, toc! Todo mundo vestido aí, né? — perguntou abrindo devagar a porta do quarto de para encontrar Dougie já com roupas e sentada na cama ao lado de Tom. — Trouxe algo para o Dougie comer!
— Bacana! O que trouxe? — o ex-porco perguntou simpático.
— Humm... — a menina tentava segurar um riso abafado. — Torradas com geléia de morango! Sorry, não tinha muita coisa na cozinha. — a menina tentou se desculpar enquanto e Tom começaram a rir da careta do garoto para a comida.
— Obrigado. — ele respondeu ao pegar o prato com todas as torradas e morder uma.
— E então, o que vocês pretendem fazer? — entrou no quarto com Danny nos braços enrolado em uma toalha.
— Voltar para casa? — Dougie arriscou com a boca cheia.
— Seria bom voltarmos, já abusamos demais de vocês. — Tom concordou com o amigo.
— Mas e quanto ao Danny e o Harry? — , também recém-chegada ao quarto, perguntou.
Os rapazes olharam para seus amigos ainda em forma de animais e a pergunta sobre o que fariam com eles não tinha resposta. Logo ligou a televisão e zapeou pelos canais até chegar no mesmo canal de ontem onde tinha visto a notícia do desaparecimento dos rapazes.
— Acho que se vocês voltarem pra casa, terão muito a explicar. — ela começou a dizer enquanto todos voltavam seus olhares para o aparelho.
— É mesmo, já estão falando de vocês como desaparecidos! — lembrou-se da reportagem da noite anterior.
"Desaparecidos?! Mas estamos bem aqui!"
"Danny... CALADO!" - Harry acertou um pedala fraco na cabeça do amigo.
"AI! E agora, eles vão embora com a gente assim?"
"Nem pensar! Eu vou voltar a ser gente, nem que precise acabar com toda a água do planeta."
"Coisa feia, Harry! Todos nós temos que cooperar para conseguir um equilíbrio sustentável entre o homem e a natureza se quisermos viver mais e melhor!" - Danny terminou dizendo triunfante.
"Onde foi que você..." - Harry estava impressionado com as palavras do amigo lesado. - "Ahhh! Bem que eu achei estranho! Você tava imitando o que aquela propaganda tava falando!" - e acertou mais um pedala, desta vez mais forte, na cabeça do pato. - "Jegue."
"Jegue nãoooo! Pato. Quack!"
"Pra mim chega desses quacks. Vou chutar essa tua bunda de ave!"
"WAHHHHHHHHH!" - Danny correu pelo quarto fugindo de Harry e começou um vôo desastrado pelo quarto.
— Segurem esse pato. — gritou — Wahhhh, meu porta-retrato! — a menina exclamou quando o pato atrapalhado jogou no chão o objeto ao esbarrar nele.
— PEGUEI!
"WAAAAAAAAHHH! DOUGIE POYNTER, seu anão de jardim safado! Você me sujou de geleca vermelha!!"
"Nojento." - Harry opinou já sem correr atrás do pato.
— Ops. Foi mal, dude, foi mal! — Dougie pedia desculpas ao amigo por tê-lo segurado com ambas as mãos sujas de geléia de morango.
— Esses dois perderam o juízo, foi? — perguntou colocando de volta o porta-retrato na cômoda.
— Nunca tiveram. — Tom comentou e por isso recebeu um puxão em seu cabelo de Harry.
— Deve ter sido por conta do "Quack!" - Dougie comentou, mas ninguém entendeu além dele e dos animais.
— Olha, são vocês!! — anunciou apontando para a televisão e todos voltaram seus olhares para a imagem.
"— Pois é, minhas queridas fãs de McFly, os meninos continuam desaparecidos. Mas não só eles, como o empresário da banda também. Tentamos hoje, mais cedo, entrar em contato com Fletch e adivinhem? Nenhum sinal. — dizia eufórica a mesma repórter da noite passada com outra roupa chamativa. — Mera coincidência? Ou será que não?"
— DUDE, esquecemos do Fletch! — Tom berrou assim que a rápida matéria terminou.
— Agora só falta o Fletch também estar preso no corpo de um animal. — sugeriu divertida.
— Aí sim nosso zoológico estaria completo! — completou.
— Se for assim, então vocês deram sorte, meninas. — Tom disse já temendo a reação delas.
— Como assim? — e perguntaram juntas.
— O Fletch... ele também está amaldiçoado, mas nós ainda não sabemos no que ele se transforma. — Dougie explicou.
— É. No dia que ele nos destransformou, ele já tinha voltado à forma humana. — Tom concordou.
— Então onde ele está agora? — perguntou curiosa.
— Provavelmente transformado. Depois que a chuva nos pegou na saída frustrada do show de dois dias atrás, acabamos nos separando dele. Se a chuva nos transformou em bichos, com certeza transformou-o da mesma forma. — Tom concluiu.
— Mesmo assim, tentem falar com ele, oras! — avisou.
— Mas como? Tom, será que ele tá com o celular dele na mão, ou na pata? — o baixista perguntou.
"Um gato, um porco, um macaco e um pato... hummm... não vejo lógica nenhuma nos bichos que nós nos transformamos. Então o Fletch deve ser um bicho sem lógica também." - Danny pensava.
"Danny, você é o ser mais sem lógica desse mundo e quer enxergar alguma lógica para os bichos que nós viramos? É mais fácil esperar pela colheita das árvores que dão dinheiro.", Harry rolou seus olhos.
"Hey, elas existem? PUTZ, temos que conseguir uma árvores dessas, dude!"
"Eu vou chutar tanto a sua bunda quando voltarmos ao normal..."
"Quack!"
— O que vocês querem, meninas? — perguntou temerosa.
Tom e Dougie tinham acabado de descer junto com Danny e Harry nos braços para a sala enquanto as meninas puxaram para dentro do quarto da garota e fecharam a porta.
— Bom... você é a dona desta... liiiinda e humilde casa, . — começou a dizer com voz musical.
— Bota humilde nisso, hein? — comentou e recebeu um pisão no pé de . — Ai, sorry!!
— Eeeee... você é uma menina muito legal, bacana, moderna, sabe se vestir como ninguém e, o mais importante de tudo, é alguém suuuper simpática. — dizia aproximando-se da mesma forma que e de .
— Ok! Brigada pelos elogios, mas e daí? — a menina perguntava com olhar preocupado para as três meninas que a tinham encurralado na parede de seu quarto.
— Pede pra eles ficarem aqui! — as três disseram ao mesmo tempo.
— COMO?!
— ! — começou. — São os McGuys! Eles não podem ir embora ainda. E eu nem pude ver o meu Danny na forma de gente.
— Se eles voltarem pra casa deles, então eles nunca mais voltarão aqui, se esquecerão da nossa ajuda e que a nossa água é milagrosa. — disse.
— Eeee você foi escolhida como a mais simpática em nossa democracia para convidá-los para uma estadia maior em nossa humiiiiilde morada. — terminou.
— Democracia o caramba! — contrariou. — Eu não vou pedir nada pra eles!
— Hey! — Dougie apontou seu dedo para quando todas desceram as escadas e juntaram-se aos rapazes na sala. — Não sei seu nome, mas pode ver mais umas torradas?
— . — a menina respondeu e olhou discreta para sua amiga sorrir boba ao encará-lo. — Sim, eu posso fazer, maaas sabe de uma coisa? A aqui faz torradas com geléia melhor do que eu! — ela disse e passou o braço por cima dos ombros da amiga, que a esta altura estava super vermelha.
— Pensei que eram torradas já prontas. — Tom comentou duvidando.
— E são. — empurrava em direção à cozinha. — Mas existe toda uma arte milenar ninja de passar geléia em torradas. Não acredito que não sabia de algo assim, senhor Fletcher.
"Bacana! Vou querer provar dessas torradas então!" - Danny comentou animado.
"Eu nunca ouvi falar disso." - disse Harry duvidando.
— Então, rapazes... — começou a dizer em tom sério e ganhou a atenção deles. — A quer falar uma coisa pra vocês!
— EU?! — exclamou surpresa após ser empurrada para o meio da sala por . — Ahhn... Bom, caso vocês precisem, sei lá eu, um lugar pra ficar, então podem ficar aqui.
— Afinal, já vai ser suuuper estranho explicar o porquê de vocês faltarem ao show, mais o sumiço do Harry, do Danny e do Fletch. — completou a amiga rápido.
— Mas aí vão pensar que nos raptaram ou coisa do tipo, e talvez coloquem a polícia para nos procurar. — Dougie avisou.
— Além do mais, seria um abuso incomodar mais do que já incomodamos! — concluiu Tom.
— Eu tenho uma idéia! — anunciou assim que chegava à sala com e um prato de torradas com geléia de morango.
— Aê, vou provar dessa arte milenar ninja! — o baixista esfregava uma palma da mão na outra. As meninas apenas entreolharam-se antes de uma encabulada se aproximar dele com o lanche.
— Até eu fiquei curioso. — Tom comentou servindo-se de uma torrada. — E qual a idéia?
— Eu e pensamos lá na cozinha. — começou a contar.
— Você e o Dougie, — corou um pouco ao dizer o nome do rapaz com o olhar dele sobre ela — aproveitam os repórteres que estão sempre de plantão na frente da casa de vocês e fazem um tipo de coletiva de imprensa.
"Coletiva de imprensa?" - Harry prestava atenção a tudo que a garota dizia.
"Quack! Dougiiiieeee! Eu quero essa torrada!!" - Danny tentava em vão conseguir mordiscar um pedaço de torrada da mão do baixista, mas sem sucesso. Dougie se divertia trazendo a torrada para perto de Danny tempo suficiente de o amigo tentar abocanhar o alimento e a afastava quando o pato estava prestes a conseguir.
— Dizer o que na coletiva de imprensa? — Tom perguntou sem idéia nenhuma ainda sobre como explicar a situação em que se encontravam.
— Que vocês tiveram de cancelar o show porque o Harry e o Danny pegaram... — continuou a fala de e fez uma pausa para pensar no que dizer enquanto assistia o joguinho de Dougie e o pato. — a doença do pato! É isso...
"Doença de quê?!" - Harry entendia menos ainda o plano.
— Quê?! — Tom pensava se aquela menina batia bem da cabeça para surgir com uma doença completamente desconhecida.
— Essa nem eu peguei, . — avisou e teve o apoio de . — Que doença é essa?
— Sei lá! Inventei agora. — a menina sorriu. — Mesmo assim, isso não importa. Pode dar qualquer outro nome, tanto faz. O importante é dizer que eles estão sendo tratados em um hospital especial, meio afastado da cidade, e que só estão passando em casa para pegar algumas roupas para eles.
— Ah, entendi! — sorriu. — Aí eles voltam discretamente para nossa casa e ficam aqui até o Harry e o Danny voltarem ao normal e acharmos o Fletch!
"Hey! Por que eu tenho que ser o doente?" - Danny fingia-se ofendido.
"Porque você não pode dar uma coletiva de imprensa nesse estado, seu animal!" - Harry explicou.
— Por mim tudo bem, mas só se o Tom falar tudo! — Dougie avisou com a boca cheia de torrada.
— Feche a boca pra comer, dude! Eu não sei. Não vão nos deixar ir embora sem descobrir onde é o tal do hospital, se eles estão bem e blá-blá-blá.
— Diz que eles estão bem, mas que o primeiro sintoma da doença do pato é a demência. — disse e, junto com os demais, direcionaram seus olhares para o pato Danny em sua luta pela torrada. — Todo mundo vai acreditar que o Danny sofre disso há algum tempo.
— Então vai ver que a doença existe mesmo. — cochichou ao pé do ouvido de e por isso recebeu um forte pedala.
— Não fala assim do Danny! — defendeu seu preferido. Ela ficou vermelha quando todos dirigiam seus olhares curiosos para ela. — Ahhn... Ok. É uma boa desculpa. E se os seguirem, nós podemos enganá-los.
— Ah, é? Como? — perguntou curiosa.
— Vocês vão pra casa primeiro em um táxi; quando estiverem indo embora, o mesmo taxista leva os dois até uma rua não muito movimentada. Eu e estaremos nessa rua no nosso carro e, quando chegarem lá, nós trocamos de carros. Nós faremos o taxista andar pela cidade, enganando os repórteres, e vocês dois voltam pra casa!
— Hum, então pra isso temos que ir com o carro até o meio do caminho e esperar atentas. — concluiu .
"Se o carro for que nem esta casa, então eles nunca vão chegar aqui." - Danny começou a rir de seu comentário.
"Dude! Bom, não posso falar muita coisa, essa casa tá mesmo caindo ao pedaços e o carro não deve ser muito diferente." - Harry dizia.
— Legal, parece até aquelas conspirações de assassinato ao presidente! — Dougie havia se animado com o plano.
— Eu dirijo, então. — Tom levantou sua mão antes que Dougie pudesse fazê-lo.
— Droga. — lamentou o baixista.
— Pera aí, como assim você e a entram no táxi? — perguntava em direção à . — Eu também quero ir!
— Eu também tava afim. Fora que fomos nós que demos a idéia. — apoiava .
— Não, não, não. Vocês duas tiveram a idéia da comitiva de imprensa. Eu e a que surgimos com o plano do carro. Então vocês ficam em casa tomando conta do Harry e do Danny. — ordenou. — Amanhã mesmo teremos uma comitiva de imprensa, rapazes.
CAP.07 - Panda à porta
"Torradasss! Ebaaaaaaa!!!" - Danny estava feliz com a farta coleção de torradas com geléia de morango que haviam preparado especialmente para ele.
"Burro!" - reclamava Harry. Estavam na cozinha assistindo e em uma frustrada tentativa de fazer algo para o almoço. "Dude! Essas duas não sabem cozinha nada de nada!"
"Nem ligo! Contanto que eu tenha minhas torradinhas, eu estou feliz! Humm... Harry... tem como me dar uma mão, ou uma pata?" — o pato pedia ajuda para conseguir abocanhar a torrada.
— E aí, quais são as instruções? — perguntava para , que segurava um pacote de sopa instantânea.
— Ok! Temos que pegar três quartos de água pra ferver primeiro.
— Ok! Hummmm, ? Quanto são três quartos?
— Hummm... pior que não sei.
— WAHHHHH!! — exclamaram juntas em voz de choro.
"No que depender dessas duas, elas vão morrer de fome!" - Harry disse enquanto ajudava Danny com as torradas.
"Quack!"
— Sentimos muito por termos decepcionado nossos fãs, mas assim que nossos amigos voltarem ao normal, prometemos uma grande turnê de shows! — Tom dizia para todas as câmeras e paparazzis em frente à casa dos McGuys. Todos os olhavam surpresos pela recente notícia de Danny e Harry sofrerem da doença do Pato.
— Ah! Sim, essa doença é mesmo terrível quando não descoberta a tempo! Mas tenho certeza que este não é o caso, não é mesmo? — Tom e Dougie entreolharam-se quando ouviram o comentário da mesma repórter que os tinha dado como desaparecidos. — Super rara essa doença!
— Nem imagina como! — Dougie respondeu, sua vontade era de rir de toda aquela mentira, mas conseguiu se segurar na frente das câmeras.
— Bom, temos que ir! — Tom avisou e, junto com o amigo, tentaram abrir passagem pelo amontoado de repórteres até a porta do táxi onde tinham vindo.
— E vocês puderam ouvir da boca dos próprios rapazes do McFly! — começava a narrar a repórter, voltada para seu câmera. — Nossos queridos Danny e Harry estão internados na UTI em estado grave pela Doença do Pato! Torceremos para que eles consigam superar esse difícil obstáculo para a felicidade de inúmeras fãs! Isso é tudo! — o câmera desligou o aparelho. — Vamos! Temos que segui-los e descobrir onde é esse tal hospital!! — exclamou a repórter.
Logo, todos os paparazzis e os câmeras começaram a recolher suas coisas e partir em carros ou motos atrás dos rapazes no táxi. Começava o que eles tinham previsto, porém já tinham combinado com e de driblá-los mais à frente.
— Ela falou como se existisse mesmo a doença do Pato! — Dougie ria do comentário da repórter no banco traseiro do táxi que ia a uma alta velocidade à pedido dos rapazes.
— E ainda disse que eles foram internados na UTI!! Quando foi que nós dissemos isso?! — Tom também ria ao lado do amigo.
— AÊÊÊ! Tiooo, corre porque temos que fugir desses caras atrás de nós! — Dougie avisou eufórico para o motorista à sua frente com leves palminhas na lateral do ombro dele.
— Será que elas estão prontas?
— Têm que estar! Qualquer um que faça parte de uma conspiração tem que estar preparado para tudo! — o baixista intensificava cada vez mais suas palavras. Estava adorando a idéia da fuga. — PREPARE-SE RAINHAA!
— Há-há-há-há! — Tom riu nervoso enquanto tapava a boca do amigo para evitar um olhar pior do que o motorista já lhes dirigia. — Ele está só brincando! Pára de falar besteira, Dougie!!
Não muito longe dali, encontrava-se o, ainda misterioso, carro das meninas. Elas aguardavam ansiosas pelos rapazes enquanto discutiam se aquilo tudo era mesmo realidade.
— Mal posso esperar para o Danny virar humano! — exclamava feliz.
— Ah! O Harry fica tão fofo de macaquinho! Dá uma vontade de apertar! — dizia enquanto apertava as bochechas da amiga.
— O Danny quem deveria virar macaquinho fofo! Ele gosta de macacos! — protestava.
— Se fosse assim, então o Dougie deveria virar um lagarto! E olha só o que ele vira: um porco! Há-há-há!!
— !! Eles chegaram, vamos logo!!
As meninas desceram do carro e acenaram da maneira mais discreta possível para os meninos, que logo correram com suas poucas malas de encontro a elas. Quando estavam perto o suficiente dos meninos, elas entregaram as chaves do carro e da entrada da casa e pularam dentro do táxi, que já partia após o comando de . Os meninos jogaram de qualquer maneira as malas dentro do carro na parte de trás e Tom deu partida no carro. Alguns carros e motos dos paparazzis começavam a surgir naquela rua e o desespero nos meninos cresceu quando perceberam que o carro não ligava. Para a sorte deles, em menos de cinco segundos, estavam sozinhos na rua, todos os carros tinham seguido o táxi exatamente como deveria ter sido. Eles suspiraram aliviados.
— PUTZ!! Dude!! Já estava pronto pra chorar!! — Dougie dizia ainda rindo junto com Tom da situação.
— A fuga perfeita! — debochou Tom. — Acho que não estávamos prontos para tudo! O carro não pega!
— Tom... esse momento sempre chega para nós um dia na vida. Mais cedo ou mais tarde. — Dougie dizia sério ao amigo que o encarava confuso. — Vai empurrar o carro lá atrás que eu dirijo!!
— Safado!! Vai você empurrar o carro!!!
— AÊÊ!! Dá-lhe, !! Eu disse que se não conseguisse isso, eu não me chamava Jack Sparrow!
"Harry, eu não entendi! Ela não se chama Jack Sparrow, ou se chama? Pensei que o nome dela era ."
"Ela disse só de zoeira. Não se preocupe. Milagre elas terem conseguido algo de comer." - Harry observava impressionado a sopa servida pelas meninas em pratos dispostos na mesa.
As meninas finalmente sentaram-se para comer, após vários problemas como em achar uma caneca de medida, ou a panela, ou fósforos não molhados. E logo provaram do fruto obtido depois de tanto trabalho.
"Eu não comeria isso, mas nem obrigado!" - Danny começava a prestar atenção nas garotas.
— WAHHHHHHHH!! — as duas meninas começaram a engasgar com a sopa.
— Blerrgggh!! , isso tá horrível!
— Arrrgh! O gosto não quer sair da minha boca! Socorro!!
"Há-há-há!! Cara isso tá melhor que ver T.V.!" - Harry ria delas com Danny.
"Você viu que hilário a cara delas?"
— Pra mim chega! — levantou-se da mesa e foi até a sala. — Vou pedir alguma comida em um restaurante perto!
— Acho que só temos a ganhar se conseguirmos descolar maridos cozinheiros. O que acha?
"Aff! Mas mulheres não sabem pensar em outra coisa que não seja casar?" - Danny perguntava.
"E você consegue comer outra coisa que não seja torrada com geléia de morango?! Essa já é a 13º."
"Tava contando, é? E é mentira!! Calúnia!! Essa é minha 11º!! Quack!"
"Dá pra ser menos Jones?" - Harry perguntou rolando os olhos.
A campainha foi ouvida na casa. E a pequena discussão entre os animais terminou, correram para debaixo da mesa se esconder enquanto as meninas ainda estavam na sala.
— Ok! É impossível que seja o carinha da entrega! Eu acabei de pedir. — encarava surpresa para o telefone ainda em sua mão.
— É, quando eles falam que entregam em menos de trinta minutos, eles não estão de brincadeira! — concluiu feliz enquanto ia até a porta da entrada e olhava pelo olho mágico.
— É mesmo o mocinho da entrega?
— Você pediu comida chinesa, né, ?
— Sim, por quê?
— Nada. É só porque daqui esse entregador parece mais um panda.
— Vai ver eles se fantasiam pra entrega dos pedidos, Abre logo.
abriu a porta e foi a primeira a perceber que seus comentários estavam mais do que certos a respeito de quem tinha tocado a campainha. Por debaixo de um chapéu-côco e um sobretudo cor caramelo, estava a figura de um ser extremamente gordo, mas não tinha esse porte físico por não ter cuidados com sua alimentação, na verdade se tratava realmente de um panda.
— !! — tentou chamar pela amiga, mas sua voz saiu tão sufocada pelo medo do animal que pareceu mais um sussuro. — Danny!! Harryyy!! SOCOOOORROOO!!!
— ... Um...p-p-p-pan-da-da-da?! — se assustou deixando o telefone cair no chão assim que viu a razão do grito da amiga. Seu primeiro impulso foi dar meia volta e subir a escada correndo em direção ao seu quarto.
"Acho que ouvi uma delas gritar algo, dude!" - Danny avisou Harry já saindo debaixo da mesa em direção onde as meninas estavam.
"Também ouvi. Será que estão com problemas?" - Harry seguia seu amigo.
"Dude... acho que não vamos poder fazer muita coisa por elas não."
"Por que você fala i-i-i-isso-so?!" - Harry não conseguiu terminar a frase direito ao ver o mesmo que Danny via.
"Porque só com uma patona dessas, esse animal já consegue nos mandar pro beleléu!"
— FUJAAAAAAMMMMM!! — gritou para os dois animais e também saiu correndo para o andar de cima.
"Cadê aquela nessas horas com aquela vassoura?!" - Danny se perguntou. "Aposto que ela acabaria com ele antes que pudéssemos dizer... como era mesmo a palavra?"
"Supercalifragilisticexpialidocious, mas isso não é uma palavra! Vamos fugir! O bicho tá vindo na nossa direção!!"
"WAHHHH!! Salve-nos quem puderr!! Quack!!"
As duas meninas se encontravam trancadas no quarto que dividiam, dentro do closet, sem saber o que fazer.
— ? O que nós vamos fazer com o panda lá embaixo?
— Sei lá eu! Mas melhor pensarmos rápido em qualquer coisa. Chamar o controle de animais?
— De jeito nenhum!! Se ele vir um panda aqui, vai ficar nos perguntando de onde ele veio, e já estamos em uma situação ruim com o controle de animais por conta de hoje de manhã.
— Então o que você suger... — foi interrompida pelo som do telefone sem-fio no quarto e atendeu. — Alô? Ah! Sim, estamos bem. É um tanto difícil de explicar agora. Sim... COMO?! Ah, tá bom. Obrigada, senhora Wilkinson. Tchau-tchau.
— O que a senhora Wilkinson queria? — perguntou a respeito da vizinha da frente que acabara de ligar.
— Temos um grave problema!
— Qual? — perguntou já preocupada e imaginando uma teoria.
— A velha senhora Wilkinson disse que viu um animal entrando na casa e nossos gritos e... bom...
— E...? Diz logo, mulher!
— Ela ligou para o controle de animais!
— QUÊÊÊÊÊ? — levantou-se em um pulo do chão. — Mas esses vizinhos não têm mais nada o que fazer da vida além de olhar a vida dos outros pela janela? — reclamava andando em círculos no closet.
— Talvez seja bom. Assim ele leva o animal embora.
— Mas também leva o Harry e o Danny. E olha que eu não estou preocupada com a bronca que os outros dois McGuys nos dariam, estou preocupada com a que a gente levaria das meninas.
— Verdade! — concordou. — Elas são assustadoras quando estão nervosas!
"QUACK!! MENINAS!! VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR!!" - entrou Danny no quarto das meninas escancarando a porta e os sons do pato fizeram as meninas saírem do closet.
— AI!! Que susto! Danny? — o olhou.
— Pera aí. Se só o Danny está aqui, quer dizer que o Harry... o Harry...
"Droga! Esqueci que nós não conseguimos nos falar!! Como vou levar elas lá pra baixo?"
— Vira essa boca pra lá, . — dirigiu-se até o pato e tentou agarrá-lo, mas o pato voou um pouco e saiu quarto afora. — Danny! Voltaaa!!
— Hey! Não me deixem sozinha aqui! — gritou para os dois antes de sair em busca deles no andar de baixo.
No térreo, não viu o panda na sala e logo deixou de correr atrás do pato e foi até a porta da entrada, colocando todas as trancas disponíveis, acreditando que o animal tivesse saído por conta própria. Logo, Danny e Harry entraram na sala. Eles andavam devagar e o macaco parecia chamar a atenção de e com suas mãozinhas para algo na cozinha. Ambas meninas perceberam e tentaram entender o que ele queria mostrar, levaram um susto quando viram.
— WAHH! — exclamou. — O panda! O panda! — ela já se preparava para fugir quando impediu com um puxão da camisa.
— Calma, mulher! Olha só! — assinalava para o panda que segurava com suas grandes patas um papel com algumas palavras escritas.
"Bom trabalho, Danny!" - Harry parabenizou o amigo. "Enquanto você chamava as meninas, eu procurei na sala por papel e caneta e ele escreveu, afinal, falar não é uma opção do jeito que estamos. Agora só falta elas entenderem."
"Boa!"
— Hum, estou vendo, mas não estou acreditando! "Meninas, não se assustem. Sou o Fletch!" — leu o papel.
— Ah! Entendi! Os meninos tinham dito que não sabiam no que o Fletch se transformava, tá aí a resposta! Ele vira um panda. — concluiu .
— Isso é mesmo a verdade, guys? — perguntou dirigindo o olhar para o macaco e o pato próximos a ela.
"Sim!" - ambos concordaram com a cabeça.
"Rapazes, onde estão os outros?" - perguntou Fletch para os meninos.
"Saíram." - Harry respondeu.
"É! Foram pegar nossas coisas e as deles pra podermos ficar nesta casa. Ou melhor, nesta maloca." - Danny completou.
"Ficar aqui? Nem pensar! Não sabemos se podemos contar com a ajuda delas duas."
"Bom... na verdade... nós só decidimos ficar porque a água dessa casa é milagrosa! O Tom e o Dougie voltaram ao normal." - Harry tentou explicar.
"E não são duas, são quatro!"
"QUATRO!! Quer dizer que quatro garotas, e ainda por cima fãs, descobriram sobre essa catástrofe? Isso é terrível! E se contarem para alguém?" - Fletch perguntava preocupado.
"Estamos torcendo para que não contem." - Harry falou.
"AH! Aposto que elas não fariam a maldade de contar para outras pessoas."
"Não tenha tanta certeza, Daniel!" - o panda reprimiu o pato. "Se isso vier a público, será muito ruim. Precisamos ter certeza!"
"Nisso ele tem razão." - Harry concordou.
"Acho que elas já provaram." - Danny as defendeu.
"Quando?" - perguntou Fletch.
"Hoje mais cedo quando não deixaram o controle de animais pegarem eu, o Harry e o Dougie."
"Só porque o Tom explicou todo o rolo. E nem todas acreditaram!" - Harry discordou. Aquelas meninas podiam ser pior que o controle de animais e eles não tinham como ter 100% de certeza.
"Mas acreditam agora!" - Danny insistiu. "Sério! Acho que dá pra contar com elas."
"Veremos, mas talvez seja bom não ficarmos aqui por muito tempo. Quando voltarmos ao normal, é melhor irmos." — Fletch ponderou.
— DUDE! E agora? — comentou depois de algum tempo em silêncio. — O panda é o Fletch e o controle de animais tá vindo aqui agora pra ver de capturá-lo!
— Tamos perdidas! — disse. — Masss, talvez... se funcionasse...
— O quê?
— Temos que ligar pra rápido! — respondeu já indo para a sala pegar o telefone e começar a discar o número da amiga.
— Mas explica o plano. — pediu perdida.
— Simples! Vamos esconder o panda lá em cima no porão, igual hoje de manhã, junto com os outros dois.
— Um macaco e um pato tudo bem, mas você não acha que o panda vai ser mais fácil de achar? — perguntou.
— Acho, mas quem disse que teremos um panda lá? Nós teremos uma assombração no porão. — disse e sorriu sapeca.
CAP.08 - Ghostbuster
— MENINOS! MENINOS!! — gritaram ambas eufóricas correndo pela rua de encontro a um belo carro Volvo com dois rapazes apoiados na lateral do mesmo.
— Hey! — Tom acenou assim que reconheceu e . — Sorry! Não deu pra voltar pra casa.
— O carro não pega. E o Tom não quer empurrar! — Dougie completou.
— Lógico que não! Vai você.
— Claro que o carro pega. — reclamou indignada. — É um Volvo novinho em folha!
— É que a aqui se esqueceu de avisar vocês que o carro só liga de um jeitinho especial.
— Especial? — os rapazes perguntaram em coro.
— Passem a chave. — vangloriou-se. — Irei mostrar como é que se faz.
— Sorte nossa que vocês voltaram. — Tom comentou entregando as chaves. — Seria complicado carregar todas as malas até a casa de vocês.
— Eu acredito na força do Tom pra carregar todas as malas!
— Dougie, se eu fosse você, não faria mais comentários. — manifestou-se ao notar a troca de olhares entre os integrantes de banda.
— Pronto, liguei! Entrem. — uma vez todos dentro do carro, com no lado do carona e os rapazes atrás, começou a dirigir de volta para casa. — E, rapazes, a sorte de vocês foi que a ligou e, por acaso, eu perguntei se vocês tinham chegado lá.
— Quando ela disse que não, nós imaginamos que isso tivesse acontecido. — terminou a explicação. — Aliás, o que a queria?
— Hum... Bom, é meio estranho o que vou dizer, mas tentem entrar no clima. Ela tinha pressa e não deu muita informação, na verdade, perguntou se não preferíamos rodar por aí num passeio enquanto resolvia um problema com a ajuda da .
— Não tô entendendo nada. — disse e os rapazes concordaram com ela.
— Se preparem que lá vem uma curta história. Elas vão dar uma de Ghostbusters e... — foi interrompida.
— Ghostbusters?!
— Ghostbusters?!
— Sim, . Agora bota a máscara na cara e deixe-me ver se está convincente.
— Eu não creio que estou colaborando com isto. Além do mais, o que diabos é isso aqui nas minhas costas?
— Se você ajudasse mais nas tarefas domésticas, saberia muito bem que isso é aquele aparelho que a nos fez comprar pra aspirar folhas caídas das árvores.
— Aham, como se tivéssemos uma selva pra ser aspirada no quintal. — ela rolou os olhos.
— Foi idéia da , reclame com ela. Agora, está pronta pra parte final do plano? — perguntou séria para a amiga à sua frente e ambas ouviram a campainha tocar.
— Já sei que boa coisa não deve ser. Manda.
— Boa tarde, senhor Hilário! — abriu a porta e deu um largo sorriso tentando esconder a graça que achava no nome do senhor à sua frente.
— Boa tarde. Recebi outro chamado. E desta vez só saio daqui depois de vasculhar tudo! — o senhor respondeu ríspido sem as simpatias do encontro de antes.
— Certo. Mas o senhor foi chamado à toa. Na verdade, não temos problemas com animais, trata-se de problemas com o mundo dos mortos.
— Como?
— Para o senhor ver, sabia que nós temos um fantasma nesta casa? Por isso mesmo, eu chamei uma empresa que captura fantasmas... a... a... Ghostbusters Inc., já ouviu falar?
— Não. Mas já ouvi falar que cereal com pinga no café da manhã faz mal, pelo visto estão certos.
— O que está insinuando? — ela semi-cerrou seus olhinhos.
— Olha, eu só vim porque me chamaram. Posso entrar?
— Já que perguntou, não, não pode. — ela respondeu rápida, mas mesmo assim o homem foi abrindo caminho na casa. — Hey! Eu disse que não podia.
— Bah! Chega de histórias, tenho uma missão aqui nesta casa. Você e aquelas suas amiguinhas não irão me levar a loucura. Eu sei que há animais nesta casa e vou encontrá-los!
— Eu já disse que o problema é um fantasma, mas se não quer acreditar em mim... — dizia em tom de ameaça enquanto apoiava-se no batente da porta da frente ainda aberta. Logo notou chegando com cara de poucos amigos.
Não acredito que tive que sair pela janela do meu próprio quarto só para fingir que estou chegando agora!!, pensou a menina suja em partes do rosto e do corpo pela sujeira da árvore próxima à janela de seu quarto, pela qual havia descido. Ela trajava um velho macacão jeans e luvas de jardinagem, mais o aparelho de aspirar folhas nas costas e uma máscara utilizada em hospitais de um velho brinquedo de operação de .
— Ah, vejam só quem chegou! — fingiu animação ao ver a amiga.
— Recebemos uma ligação deste endereço. Procuro pela senhorita . — fazia o seu melhor no papel de prestadora de serviços.
— Sou eu! Então, senhor Hilário, agora que o verdadeiro profissional chegou creio que o senhor está dispensado.
— Imagine! — ele não sairia outra vez daquela casa tão fácil. — Vou ficar e ajudar no que as senhoritas precisarem. — ele sorriu triunfante, não acreditava em fantasmas, mas sim nas coisas muito estranhas que pareciam surgir naquela casa.
Ótimo!, pensaram ambas as garotas com ironia. Teriam que seguir em frente com a interpretação, mas acreditavam estarem bem preparadas para desmanchar qualquer dúvida sobre a existência de animais na casa.
— Por que é mesmo que estamos aqui? — perguntou para os dois rapazes animados na fila da loja.
— Porque... porque... na verdade, nem eu sei explicar! Por que mesmo? — disse.
— Dude! As amigas de vocês estão vivendo um dos melhores filmes já feitos e vocês querem ficar passeando até elas resolverem tudo sozinhas? — Dougie falou como se fosse algo óbvio.
— Então... Vocês querem viver o filme também ou querem ajudá-las? — perguntou .
— Os dois? — arriscou Tom. — Pronto! Já paguei, vamos voltar pra casa e capturar o fantasma!
— Não fica falando muito alto que podem reconhecer você, maluco! — deu-lhe um tapinha no braço.
Depois de ter contado o plano de e para os outros, tanto Tom quanto Dougie ficaram animados com a idéia de caçarem fantasmas. Eles a fizeram dirigir até uma loja onde vendessem aparelhos aspiradores de folhas de árvores, próxima à casa delas, para comprarem um também. O que conseguiram encontrar foi uma loja de jardinagem e aproveitaram para juntar às compras, luvas, para dar um toque a mais no figurino. Por sorte, a loja estava com poucas pessoas - em geral, velhos - então a possibilidade de serem reconhecidos era baixa.
— PARA O ECTO-1!! — Dougie berrou com animação.
— Olha lá como você chama nosso Volvo! — reprimiu o rapaz.
— Com nossos capturadores de ectoplasma e o ECTO-1, nós estamos prontos para cuidar dos fantasmas! Quem você irá chamar? Ghostbusters! — Tom completou seguindo Dougie, ambos na mesma empolgação.
— Weirdo. — disse impressionada com a cena. — Esses dois são maluquinhos das idéias.
— Também, né, , o que podíamos esperar dos McGuys favoritos da e da ? Só louco entende outro louco.
— Verdade. E mais, o que diabos é um capturador de ectoplasma? ECTO-1 é um carro?!
— Ai, ai. É de um filme, . Ghostbusters. Vamos lá de uma vez que estão nos esperando.
— Mas, gente... não é melhor avisar ou coisa do tipo? Elas já tem um... caça-fantasmas lá, pra que mais dois? — perguntou quando chegaram todos ao carro, ou ECTO-1 na opinião dos rapazes.
— Porque nós somos o reforço! — Dougie estendeu a mão para esperando receber as chaves do carro e então teve sucesso ao tentar ligar o Volvo. — A-há! Já entendi o "jeitinho especial" de ligar este carro!
— E se um dos fantasmas for o Danny, então elas realmente vão precisar de reforços! — Tom explicou antes de entrar no carro no lugar do carona. — Acelera, pois temos que pegar alguns fantasmas!!
A chave girou a tranca da porta e abriu-a normalmente. Todos os quatro correram um rápido olhar pela sala em busca de alguém, mas não encontraram.
— Ô DE CASA! — gritou de repente assustando os outros.
— Sua besta! Não grita assim, vai matar todos nós do coração. — deu-lhe um pedala fraco na cabeça.
— Sorry.
— Meninas? — a voz de foi ouvida no segundo andar e logo ela apareceu. — Quem são esses? — ela não reconheceu os meninos disfarçados com apenas um olhar.
— Somos os Ghostbusters!! — responderam os meninos juntos enquanto faziam um aperto de mão que apenas os dois sabiam.
— Então, eles queriam vir aqui com a desculpa de serem os reforços. Mas tá tudo bem aqui em casa? — perguntou.
— O que vocês aprontaram com a minha casa na nossa ausência? — perguntou já nervosa.
— JÁ DISSE QUE HÁ ANIMAIS AQUI! — gritou uma voz do sótão.
— Ahhh, não! — cobriu os olhos com uma mão. — Não me diga que mandaram justo o senhor Hilário para cá outra vez.
— Pois é, mandaram-no. E tá meio difícil de nos livrarmos dele.
— WAAAHHH! — ouviu-se a voz de duas pessoas berrarem lá em cima, surpreendendo a todos.
— FANTASMA! — o velho senhor Hilário desceu as escadas em grande pânico com os braços erguidos.
Ele nem mesmo importou-se com a presença das meninas ou dos novos caçadores de fantasmas, seguiu reto em sua fuga desesperada para fora daquela casa que ele acreditava esconder animais e onde, tinha certeza disso agora, havia um fantasma no sótão. Todos assistiram a cena intrigados e todos foram o mais rápido possível para o sótão encontrar o dono da segunda voz que havia gritado e o responsável pelo medo do senhor fujão.
— ?! — gritou no escuro lugar. A lanterna que antes iluminava precariamente o sótão estava caída e bem próxima à escada, talvez o senhor tivesse derrubado durante a corrida.
"Danny? Tudo bem aí, dude?" - perguntou o macaco sabendo que seria ouvido pelo amigo, mas sem conseguir vê-lo.
"Wah! Que foi aquilo?! Medo, medo, medo!!" - ele dizia correndo em círculos de olhos fechados e abanando as asas.
"Eu sinto muito. Será que a garota está bem?" - perguntou Flecth.
— A-a-a...-cho q-q-que o p-la-lano deu cerrrt-t-to.
— ? Isso foi você? — dirigia a luz da lanterna para onde tinha vindo a voz da amiga.
— O que aconteceu, afinal de contas?? — perguntava para o nada, pois não enxergava ninguém e aquilo a irritava. — Argh! Será que agora podemos descer todos e conversarmos lá embaixo? A ameaça já foi embora.
— É melhor. — concordou com a amiga já empurrando os dois rapazes para descerem as escadas. — Vamos todos para a sala que é maior e explicar tudinho por lá.
— Quer dizer que não vamos poder bancar os ghostbusters? — perguntou Dougie frustrado.
— Parece que chegamos tarde demais. — lamentou Tom com uma mão no ombro do amigo.
"Fletch!! Você não pode fazer aquilo! Você quase me matou do coração! O que seria das minhas fiéis fãs sem o Danny aqui?! Nem deixei um descendente ainda!"
"Acredite, você estaria fazendo um bem a humanidade. O mundo não precisa dos teus descendentes, corremos o risco deles saírem iguais ao pai!" - Harry comentou rindo.
"Nem vou comentar isso." - Fletch concluiu. "É melhor descermos também, mas não sei que cara os outros irão fazer quando me virem."
— Isso tudo aí é frio? — perguntou quando viu , que tremia da cabeça aos pés, descendo ao lado de .
— E-e-eu fico tremend-d-do quando m-m-me assusto! — a menina conseguiu dizer com muita dificuldade.
— Ah, o senhor Hilário também não é um monstro pra você ficar tão assustada assim, boba. — caçoou .
— Não m-m-me assus-t-t-tei por ele! E sim por e-e-ele! — apontou nessa hora para a escada que levava ao segundo andar, onde agora descia um robusto panda.
— ! Vassoura! Agora! — ordenou enquanto subia no sofá com se fugisse de uma barata no chão.
— Querida, , nenhuma vassoura no mundo vai espantar um panda! — dizia enquanto unia-se a amiga em cima do sofá.
— Essa casa tá virando um zoológico! — Tom comentou surpreso com o animal.
— Se ele não tiver raiva, eu posso ficar? — Dougie perguntou inocente.
— Ninguém pode ficar com ele, ou espantá-lo, porque ele é o Fletch! — explicou tentando conter o riso pelas reações das amigas e dos meninos.
"Pra que o Dougie iria querer ter um panda?" - Harry perguntou confuso.
"Tanto faz. A gente vai ficar com o Fletch... seja ele um panda ou não." - Danny comentou meio decepcionado.
"Obrigado pela parte que me toca, Danny."
"PUTZ!! Verdade, você pode ouvir nossos pensamentos! Tinha esquecido total."
"Acho que qualquer outro pato tem um cérebro maior e mais inteligente que o seu." - Harry disse.
— FLETCH?! — todos os outros que não sabiam da forma animal dele berraram juntos.
— Que droga! Queria ficar com o panda. — Dougie reclamou. — Mas como achou a gente?
— Não foi você quem deu a idéia de tentar encontrá-lo pelo celular, Dougie? — perguntou olhando para o rapaz.
— Menos mal, eu não conseguiria expulsar um animal tão grandão assim de casa. — comentou aliviada já sentada outra vez no sofá.
— Aquele SMS que mandei para o celular do Fletch foi milagroso! — se gabou. — Imaginem se tivesse caído em mãos erradas? Eu coloquei nosso endereço lá para que ele pudesse nos encontrar. AIIII!
— Você tem cérebro de animal? — tinha lhe acertado um pedala. — Se tivesse mesmo caído nas mãos de quem não devia, nós iríamos fazer o quê? Já temos problemas suficientes com o senhor Hilário, não precisamos aumentar a lista.
— Ah, então foi pra isso que você me perguntou o número do telefone do Fletch! — Dougie concluiu.
— Um panda... quem diria! — Tom ainda estava impressionado com o animal à sua frente. — Não vejo uma lógica para os animais que nos transformamos.
"Aê! Viu, Harry? O Tom também não sabe explicar por que viramos o que viramos!"
"Mas pelo menos ele tem mais cérebro que você."
— Anh... senhor Fletch?— perguntou voltada para ele. — O celular ainda está com o senhor?
— E tem como ele responder isso? — perguntou curiosa com a possibilidade e logo viu entregando ao animal um papel e uma caneta.
— "Não, mas não há perigo. Está destruído. E sinto muito pela cena do sótão!" — leu Dougie em voz alta. — Que cena??
"Assustador! Não é à toa que o senhor engraçado foi embora." - manifestou-se Danny.
"É senhor Hilário, não engraçado!" - corrigiu Harry.
"Ah, são tudo sinônimos!"
"Surpreende-me que o Danny sequer saiba o que são palavras sinônimas" - opinou Fletch e teve o apoio de Harry.
— Tudo culpa daquele senhor-medroso-Hilário! — reclamou. — Deu na cabeça de querer subir no telhado e foi com a lanterna pra onde estava escondido o Fletch e... bom... a iluminação não ajudou muito. Parecia mais o espírito de um pandamônio!
— E eu perdi?? Ah! Não creio!!
— , por que sinto que você queria estar lá mais para rir das nossas caras do que nos ajudar a espantar o Hilário de casa? — perguntou.
— Eu?! Imagiiina! Sou uma santa!
CAP.09 - Inesperados passeios
"Harry? Tá acordado?"
"Não, Danny. Volte a dormir."
"Mas é importante!"
"O que é tão importante?" - perguntou de olhos fechados para o amigo ainda preso na forma de um pato.
"Quero ir ao banheiro!"
"Me acordou pra isso? Vai logo, droga!"
"Mas eu não sei como patos fazem isso!"
"Bom... acho que você chega lá e..."
!CLICK!
"Chego lá e 'click'? Que é isso?" — Danny perguntou sem notar que na verdade seu amigo tinha sido interrompido pelo som do aparelho de música posicionado na parte de baixo da estante da sala.
Como o quarto do irmão de estava lotado de tralhas dela e das outras meninas e mais algumas que ele havia deixado para trás, era impossível entrar no local, então elas optaram por acomodar os rapazes, pelo menos aquela noite, na sala. Fletch preferiu dormir no sótão, alegando ser mais fácil para dormir sem os barulhentos rapazes e por ser mais prático ele já estar lá, caso o senhor Hilário resolvesse fazer novamente uma visita. Danny tinha dormido na poltrona enquanto Harry ficou no grande sofá de três lugares. Já Dougie e Tom, muito a contragosto, dividiram um colchão de casal colocado no meio da sala. Eram por volta das seis e cinqüenta e cinco quando Danny acordou e sentiu vontade de ir ao banheiro e seriam sete horas em ponto na hora em que Harry começaria a ajudar o amigo até ser interrompido pela ação pré-programada do aparelho.
— SO GOOD YOU'VE GOT TO ABUSE IT! SO FAST THAT SOMETIMES YOU LOSE IT! — começou a se ouvir saindo do aparelho em um volume tão alto capaz de fazer toda a estrutura da casa tremer.
"WAHH! TERREMOTO!"
"EU VOU FICAR SURDO!"
— WAHH! A CASA TÁ CAINDO!
— EU NÃO QUERO MORRER AINDA!
Danny abria suas asas de modo frenético, tentando proteger-se caso o teto da casa caísse sobre sua cabeça, Harry deitou o mais encolhido possível no sofá para que nada o atingisse e Dougie e Tom estavam sentados na cama abraçados e de olhos fechados esperando por algum milagre. Todos os quatro rapazes, ainda desorientados, começaram a ouvir um barulho parecido com o de uma manada de bois descerem a escada que dava ao segundo andar e logo as meninas, uma a uma, pularem os últimos degraus dela em grande empolgação.
— STILL WANNA BE, STILL WANNA BEE… CORRUPTED! YEAH! — praticamente berraram todas juntas com o refrão final da música de McFly, Corrupted.
— Aê! Bate aqui! — comemorou assim que a música acabou.
— Cantamos todas juntas desta vez.
— Yay! Muito legal! — comemorou com a menina ao seu lado.
— Opa! Eu tinha esquecido! — disse rápida cobrindo a boca com a mão e adquirindo um rosto mais vermelho que o próprio tomate.
— Eu também tinha! AI! Que mico! — escondeu seu rosto em suas mãos.
— Do que vocês duas estão falando? — perguntou uma perdida na cena das amigas.
— , dá uma olhada. — lhe avisou apontando na direção do centro da sala.
Tanto os dois animais quanto os dois rapazes olhavam assustados e boquiabertos para elas como se fossem seres de outro planeta e começavam a se perguntar se tinham feito a escolha certa ao decidir ficar naquela casa. Enquanto isso, as meninas não poderiam estar mais envergonhadas na frente de seus ídolos.
"Sabe, Harry, acho que não preciso mais ir ao banheiro."
"Como não?" — ambos conversavam, mas não conseguiam prestar total atenção um ao outro, pois ainda estavam em estado de choque.
"Algo em mim arriou."
— Ok, o que foi aquilo lá? — Dougie perguntou servindo-se de uma das várias torradas com geléia feitas por .
— Hum... — como nenhuma parecia ter coragem de responder, começou a pensar na resposta que pudesse fazê-las não parecerem um bando de loucas. — Um jeito eficiente se acordar numa segunda-feira?
— Eficiente até demais! Quase morremos de susto!! — Tom opinou ao sentar-se na mesa da cozinha junto dos demais.
— Deu pra notar pelo jeito que você e o Dougie estavam abraçadinhos. — alfinetou o rapaz.
— , calada! — ordenou antes que começasse ali uma discussão. — Liga não, Tom. Ela só tá implicando porque mais alguém não concorda com o sistema de despertador dela.
— Ah, eu até que gosto! — comentou feliz ao sentar-se na mesa.
— , você não conta! — comentou tentando abafar umas risadas. E falhou. — É tão sem parafuso quanto a ! AI! — recebeu um forte pedala de pelo comentário.
— Sistema? — perguntou Dougie de boca cheia.
— De programar o aparelho de som no volume máximo no domingo pra na segunda ele tocar às sete da manhã. Mas nunca que colocam uma música calma. Aposto que na próxima segunda vai ser um rock pauleira! — explicou.
— Credo! Você faz todo mundo da casa passar por esse terror toda segunda-feira? — Tom perguntou em direção a .
— Faço sim... Bom! Tô dando o fora eee vou levar o Volvo comigo porque já estou atrasada! , chaves!
— Que história é essa de levar o Volvo? Vai de ônibus! — reclamou. — Sabia não? Mulher no volante, perigo constante!
— Eu dirijo o ECTO-01, então! — Dougie disse feliz só com a idéia de conseguir ligar o carro com o "jeitinho especial". — Para onde vai a madame?
— Pra faculdade. E eu posso muito bem dirigir eu mesma, que história é essa de madame?
— Aposto cinco libras que não consegue nem ligar o carro, Poynter! — desafiou-o animada.
— Uhul! Tô dentro!! E dobro a aposta, pago dez libras!! — entrou na brincadeira.
— Vou fazer vocês chorarem, meninas! , chaves! — disse Dougie confiante antes de receber em suas mãos as chaves do carro e ir em direção à garagem, sendo seguido por e , que arrastava pelas mãos.
— Aposto cinco libras que vai chegar atrasada na faculdade. — Tom falou servindo-se da última torrada com geléia do prato.
— Hunf! — respondeu antes de sair da cozinha em direção à sala para buscar sua mochila para poder ir para a faculdade.
— Muito bem, chegamos! — Dougie avisou enquanto reduzia a velocidade do carro em frente à rua de uma faculdade.
— Valeu mesmo! Até mais, Poynter, ! — disse e saiu correndo do carro direto para o prédio principal, atrasada para sua aula.
, graças a um plano rápido de , estava sentada no banco do carona e havia dito poucas palavras durante todo o trajeto até a faculdade. Não conseguia acreditar na sorte que tinha por estar mesmo ao lado de Dougie, uma parte dela queria matar por ter colocado-a nessa situação. Ela sentia-se envergonhada ao lado dele e sentia como se seu corpo inteiro coçasse de nervosismo, ainda mais com o olhar dele fixo sobre ela.
— ?
— S-si-sim? — ela tentou parecer normal, mas era difícil com apenas os dois sozinhos.
— Tudo bem se não voltarmos pra casa ainda?
— Hum... e para onde quer ir?
— Tanto faz. Faz tempo que o Fletch só nos deixa sair de casa para shows. Tudo por culpa do que nós viramos. E bom...
— E isso te dá agonia. — ela completou com um sorriso.
— É, eu acho que é exatamente isso. — ele estava aliviado por ela ter entendido.
— Ok, mas acho melhor passarmos em alguma loja e comprar algo que disfarce você. — ela riu um pouco. — Porque se te descobrirem, não vai ser muito bom, fora que as meninas iriam me matar.
— Beleza!
— Pronto, Tom. Essas devem ser as últimas caixas. — disse entusiasmada por finalmente ter liberado o quarto do irmão de todas as tralhas.
— Certo. Rapazes, este será o quarto de vocês por enquanto, espero que gostem! — disse para os dois animais parados no corredor. — Vamos deixar a limpando ali e descer para a cozinha, é hora do almoço.
— Dude, cadê o Dougie? — Tom reclamava por ter de ajudar sozinho as meninas a mover caixas a manhã inteira de um lado para o outro.
"Vai ver eles fugiram deste lugar, baby!" — Danny comentou rindo do amigo loiro.
"Vem logo, Danny. Senão vai perder as torradas." — Harry brincou. Estava agarrado ao pescoço de .
— O Dougie e a ainda não voltaram? — perguntou . Ela tinha acabado de chegar à casa e foi até o segundo andar de onde vinham as vozes das amigas. — Mas faz tempo desde que eles me deixaram na faculdade e... aqueles safados nem foram me buscar.
— Hey, ! Não, pior que não voltaram.— respondeu. — Será que devemos começar a nos preocupar?
— Eu tentei ligar pra o celular dela, mas não atendeu. E ela o leva pra todo lado!— concluiu.
— Então, o que faremos?— Tom perguntou enquanto imaginava se algo de ruim poderia ter acontecido.
— ALMOÇAMOS!! — disseram as meninas em coro e saíram descendo as escadas.
— E aí? Tô parecido com o baixista do McFly? — Dougie perguntou com uma rodadinha de braços abertos na direção onde se encontrava .
— Tá parecendo um marginal! — ela riu da cara que o rapaz fez. — Ah! Mas isso é bom. Ninguém vai te reconhecer.— ela analisava o rapaz. Tinham acabado de comprar um boné, uma peruca e um par de óculos escuros. — Ok! E por onde você quer andar?
— Hum...
— Um shopping? — ele fez uma careta para a sugestão dela e negou com a cabeça. — Ver um filme no cinema? — negativo também. — Quer... andar pelas ruas daqui perto?
— Ótimo, vamos fazer isso. Talvez a gente encontre algo legal!
— Aquilo lá serve? — apontava em direção a um parque com uma grande concentração de pessoas com travesseiros em suas mãos.
— Você... quer... dormir?! — ele não entendeu a proposta dela, muito menos daquelas pessoas. Talvez fossem dormir no parque, por isso o travesseiro.
— Não, seu bobo! — ela riu antes de explicar. — Guerra de travesseiro!
— Isso não se faz dentro de casa?
— Também. Nunca ouviu falar disso? São guerras de travesseiros organizadas, você só tem que ir até lá, pegar um travesseiro e começar a guerrear.— ela explicava já arrastando-o, sem perceber, pela mão.
— Mas não temos travesseiros. E se me acertarem na cabeça, o disfarce pode cair!
— Eles sempre oferecem para os desprevenidos. Ah, não se preocupe, eu protejo você!
Chegaram lá e logo lhes ofereceram um par de travesseiros enquanto diziam o objetivo e as regras do jogo. O jogo finalmente começou e deixou seu espírito competitivo crescer dentro de si, atacando desde crianças, adultos e até idosos com a mesma energia. Dougie demorou para se entregar a brincadeira, mas quando foi atingido na cara por um ataque surpresa de , ele revidou da mesma maneira.
— Pensei que você ia me proteger, pilantra! — ele brincou depois de a atingir no rosto e ela perder seu equilíbrio até cair no chão.
— Pensei que homens não batessem em mulheres. — ela revidou mostrando a língua enquanto ele estendia a mão para ajudar a se levantar.
— No amor e na guerra vale tudo!
— Nem pensar! A vontade dos hóspedes ganha. Ponto final. — disse.
— Ah! Droga. Mas eu não consigo acordar se não for daquele jeito. — reclamou.
— Não quero acordar daquele jeito todos os dias! — Tom revidou.
— Não serão todos os dias! Só até minhas semanas de provas da faculdade terminarem, depois eu fico de férias. — ela explicou.
— Semanas?! — ele retrucou. — Vamos morrer de susto antes disso acontecer.
— ! Eu disse ponto final, então é ponto final. Não vamos mais programar o som da sala pra acordar daquele jeito. — já estava irritando-se com a discussão que os dois entraram.
— Gente! — chegou a cozinha. — Aviso aos seres humanos que coloquem seus casacos de sair e aos animais que fiquem quietinhos no sofá da sala me esperando! — e saiu outra vez.
— Eu, hein — comentou espantada. — Melhor obedecer, eu acho.
— Certo, tamos na sala, o que foi ? — perguntou para a menina que descia as escadas chegando até a sala.
— Eu disse para vocês três colocarem seus casacos! Danny, vem cá; Harry, você também. — ela apontava para o sofá e tinha uma bolsa nas mãos.
"Por que será que eu não tô com um bom pressentimento?"
"Gay!"
"Danny, a gente já te explicou que é intuição o que você está pensando."
"Quack!"
Eles sentaram bonitinhos no sofá, conforme pediu, e os outros foram pegar casacos, mesmo sem saber direito para quê. Quando voltaram, depararam-se com Harry macaco metido em um lindo enxoval amarelo de bebê e Danny dentro de uma bolsa, com o zíper fechado o suficiente para permitir apenas sua cabecinha para fora.
— Nós iremos sair para dar uma volta! — anunciou alegre, ela percebeu que se não explicasse naquele momento o que acontecia, eles ficariam sem paciência. — Quando fui ao sótão levar comida para o Fletch, eu comentei sobre o fato do Dougie e não terem voltado ainda. E ele me disse algo que pode ter acontecido.
— Então ele disse pra irmos procurar por eles? — Tom pensou ter sido essa a sugestão do panda sobre o que fazer.
— Não, não, não. Nós vamos evitar que você, o Harry e o Danny dêem na telha de fazer o mesmo! Já que vocês não estavam saindo muito pra rua por conta... bom... dessa história de maldição, eu resolvi que seria bom passear um teco. Qualquer coisa nós encobrimos vocês! Ah, é! Tó, Tom, bota isso aí. Não podem reconhecer você.
— O que exatamente é isso? Uma peruca?! — o rapaz perguntava enquanto colocava um objeto ainda não identificado, mas que parecia com uma peruca por sua elasticidade na abertura, na cabeça.
— Cruzes! — foi a única coisa que conseguiu dizer antes de rir da cara de Tom.
— Onde você arranjou isso, ? — perguntou encarando a peruca no rapaz com grande esforço para não rir.
"AH! Tá tão ridículo quanto o Harry vestidinho de bebê!" — Danny ria de tanto chorar.
"Porcaria. Não consigo fechar mais o zíper." — Harry lamentava, apesar do seu esforço em fechar mais o zíper para fazer o pato parar de rir, ele não estava obtendo sucesso.
"Me matar não muda o fato que você tá vestido como um nenezinho!" — ele alegou antes de voltar a rir.
— É de uma fantasia antiga da , quando ela foi disfarçada de Nega-Maluca pra festa de Halloween. — explicou. Segurou nos braços Harry e o entregou para . — Toma! Ele vai disfarçado de teu filho durante o caminho, lá no parque ele fica livre pra andar por aí.
— Eu não vou sair assim na rua!! — Tom advertiu assim que conseguiu achar algo que o refletisse.
— Lógico que não vai! — avisou. — Precisa de óculos pra combinar com essa peruca e esconder os olhos. E algo de maquiagem pra esconder sua tão famosa covinha. — ela explicou com um dedo em sua própria bochecha e subiu mais uma vez as escadas.
— Acho que é só colocar várias camadas de corretivo. — opinou, mas começou a rir assim que olhou de novo para o garoto e gargalhou mais ainda com Harry vestido daquele jeito em seus braços. — Se vocês não pararem de me fazer rir, eu vou morrer!
— Tem óculos que combine com isso?! — perguntou espantada apontando para a peruca e dando uma risada abafada.
CAP.10 - A volta da vovó
— Olha só, vou te deixar aqui. — dizia para o pato Danny.
Ela foi com ele em mãos até a beira da lagoa do parque, numa área sem muitas pessoas, e o colocou na margem. Deu um empurrãozinho nele para que criasse coragem e ele entrou na água como se fosse mais um entre os tantos patos que haviam por ali.
"Legal! Eu sei nadar como pato! Mas essa água está gelaaada. Brrr." — ele reclamava até sentir algo acertar sua cabecinha e os patos por perto começaram a se aproximar. "Wah! Que foi isso? Que foi?"
— Assim você se enturma com eles! — dizia feliz enquanto jogava alguns pedacinhos de pão na água. Ela sem querer tinha acertado um na cabeça de Danny.
Não longe deles, tinha terminado de tirar o enxoval de Harry e o deixava livre para subir nas árvores.
— Você pode ter forma de um macaquinho, mas ainda é um ser humano. — ela comentou mais para si mesma do que com ele quando o viu escorregar de um galho, mas ele ouviu.
"Não é tão fácil quanto fazem parecer no Animal Planet!" — ele reclamou segurando-se mais forte.
— Ah! Você conseguiu. — comentou um pouco vermelha. Harry tinha terminado de subir no galho da árvore e estava na mesma altura que a menina e muito próximo. — Anh...quer uma bananinha?
"Será que macacos não comem mais nada de interessante?" — ele se perguntou.
Observando a cena estavam Tom e , sentados em um banco por perto.
— Tive uma idéia pra uma música! — ele pensou em voz alta entusiasmado.
— Por ver um macaco comendo banana? — perguntou desconfiada. — Só se for pra servir de trilha sonora no filme George, o Rei da Floresta.
— Sem graça!
— Hunf! Bom, está tudo ótimo, mas eu não quero ficar aqui sentada o resto da tarde, não. — ela disse levantando-se. — Vou andar por aí.
— Me traz algo de comerr!! — berrou para a menina.
— E pra mim algo de beberr!! — pediu aos gritos .
— Que lindo, virei garçonete! — riu um pouco. — O senhor Fletcher gostaria de pedir algo também? — ela perguntou fazendo gestos com as mãos, como se segurasse uma caneta e um bloco de pedidos.
— Hum, que tal algo de comer eee de beber?
— Ótima escolha, senhor! — e foi indo pelo caminho do parque que levava até uma lanchonete, mas parou ao ouvir seu nome.
— Eu te ajudo. — Tom apareceu, acelerando o passo para alcançá-la.
— Certo, então, deixa eu ver. Vamos pedir duas cocas, uma pipoca pequena e dois algodões doces.
— Mais alguma coisa? — perguntou o atendente. — Onze libras.
— Pode deixar que eu pago. — Tom avisou procurando por sua carteira no bolso.
— Imagina. Eu mesma pago.
— Mas eu tenho aqui comigo.
— Eu também. Sério, não precisa se incomodar.
— Seria feio se eu deixasse você pagar tudo.
— Feio nada. Vou até fazer a felicidade do tiozinho do caixa, olha só quanta moedinha!
— Mas é feio deixar a mulher pagar.
— Pronto, aqui tem! — ambos disseram quando finalmente conseguiram achar a última moedinha que faltava.
— Anh... bom... — o atendente não sabia de quem receber o dinheiro.
— Hey! Fui eu quem pediu, logo, eu quem pago. — disse quando percebeu a mão do atendente indo em direção ao dinheiro na mão de Tom.
— Anh... desculpa...
— É melhor eu pagar mesmo assim! — Tom estendeu mais sua mão e fez a mesma coisa.
— EU PAGO! — disseram juntos.
— HARRY! Toma cuidado! — gritava para o macaco, já nem era mais possível ver ele, dada a altura em que se encontrava.
"Caraca! Que alto isso aqui. Mas tem uma bela vista." — Harry pensava sobre o topo de uma árvore super alta. "Hum, será que eu consigo pular até aquela outra?"
— WAH! HARRY! — quase teve um enfarte do coração quando viu uma manchinha marrom saltar lá do alto de uma árvore para outra.
"Afinal, que tanto escândalo ela faz lá embaixo?" — o macaco se perguntava enquanto olhava para , pela altura, folhas e galhos era um pouco difícil vê-la.
— Desce! Você vai acabar morrendo, seu maluco!— ela sinalizava para baixo com o dedo e já falava um pouco mais baixo, pois as pessoas que passavam por perto a olhavam estranhados com ela, aparentemente, gritando com uma árvore.
"Estraga prazeres!"
Ele começou a descer devagar da árvore com metros e metros de altura, para tornar tudo mais divertido, ele descia imaginando ser mesmo um macaco. Pulava de um galho para outro com um balanço do corpo, como se estivesse num trapézio, agarrava firme suas mãozinhas no tronco e descia um trecho com a cabeça voltada para baixo. Se estivesse como ser humano, esta seria a última coisa que pensaria em fazer, a sensação de cair seria enorme.
!CRACK!
Um dos galhos pelo qual Harry passara se quebrou e ele começou a cair de uma altura considerável, mais um pouco poderia atingir o chão, por sorte viu um galho no meio do caminho e decidiu segurar-se quando passasse por ali. Quando estava próximo de chegar ao galho, ele percebeu que suas mãozinhas já tinham passado do ponto de agarrar, então sua salvação seria usar sua cauda, apesar dele não estar certo se conseguiria fazer aquilo. , quando viu o que acontecia, correu com seus braços abertos para poder salvar o macaco de se arrebentar no chão, quando chegou mais perto de onde ele cairia, viu apenas o vulto dele em um 360º rápido. Ele foi bem sucedido em agarrar com a cauda o galho, mas a velocidade com que caía o fez dar um looping.
"WAH!! Que muito loucooo!!" — ele berrava durante o giro.
— Harryyy!! — estava desesperada enquanto terminava de correr até perto do galho.
!SMACK!
O macaco parou com um baque. E todo o desespero de fora trocado pela total falta de ação.Ao se postar logo abaixo o galho, e Harry chocaram-se, por ele estar de ponta cabeça ele atingiu , justo na altura dos lábios da garota.
"AI!" — Harry reclamou. Pela surpresa do acontecido ele acabou caindo do galho e atingindo de cabeça o chão. "?! ?!"
— O Harry me... o Harry me... — a menina tinha um mão sobre seus lábios recém beijados pelo macaco Harry.
"Hey! Desculpa, não foi minha intenção." — ele tentava desculpar-se, tentando imaginar o quanto ela poderia estar irritada por tudo aquilo.
— Seu maluco! — ela berrou com ele quando voltou ao seu estado normal, mas ainda mais vermelha que um tomate. — Você poderia ter morrido!! Chega de subir em árvores por hoje, macaquinho.
— Pára! Pára! Pára! Ai, eu vou morrer! — contorcia-se caída no chão. — Chega! Eu odeio cócegas! Douugiee!!
— Então, renda-se! — o menino dizia sobre ela.
— Nunca! PÁRA!!
— Só quando eu for o ganhador!
— Ok! Você... ai, ai... ga-ga-ganhou. — dizia a menina sem fôlego, ainda rindo um pouco.
— Bom saber que você reconhece. — ele sentou-se ao lado dela.
A guerra de travesseiro já durava fazia um bom tempo e pouco a pouco as pessoas iam cansando-se e desistindo. Havia inúmeras penas de travesseiros que arrebentaram durante a batalha e tanto quanto Dougie estavam completamente suados, sujos de barro e cheios de penas pelo corpo todo. Por sorte ele conseguiu manter o disfarce o tempo todo.
— Acho que vamos ter de voltar a pé. — disse após estudar o seu e o estado de Dougie. — A vai ter um treco se sujarmos o Volvo dela.
— !! — Dougie disse cantando enquanto ia correndo de braços abertos até ela.
— Quê? AHRG! Não! Dougieee!! — a menina fazia cara de nojo durante o abraço que recebia do rapaz. Em situações normais ela adoraria receber dele um abraço, mas esta era terrível. Ou, quem sabe, nem tanto.
— Isso foi legal. — ele disse ao soltá-la.
— Só legal? Bom, numa próxima tentamos algo melhor.
— Não! Não foi isso que eu quis dizer. Foi ótimo! Nunca fui numa guerra de travesseiros.
— Podemos ir a mais. Vira e mexe tem.
— Hum, quando todos voltarem ao normal então.
— Tá combinado. Bom vamos indo que já está quase de noite.
— A pé ou de Volvo?
— que se exploda! Vamos de Volvo!! — ela disse animada, já indo para a saída do parque enquanto Dougie suspirava e espantava-se pela mudança tão rápida de idéia.
— Mulheres...
— Bem inteligente esse atendente, não? Dar a idéia de cada um pagar metade. — comentou.
— Pode ser. Mas na próxima eu pago tudo. — Tom falou.
— Não se eu pagar primeiro! — ela ameaçou.
— Eu pag... — mas foi interrompido por .
— Olha, faremos um trato, ok? Sempre que formos nós dois comprar algo, então nós dividimos a conta. Se um de nós estiver sozinho, aí banca tudo.
— Ok. Eee acho que erramos o caminho de novo.
— Quê?! Ah! Mas não é possível!
Desde que saíram da lanchonete não conseguiam mais encontrar o caminho de volta onde estavam os outros. O parque era cheio de opções de trilhas pelo campo e calçadas propriamente asfaltadas.
— Vamos combinar, também, de prestar mais atenção no caminho que fizermos da próxima vez. — Tom sugeriu.
— Como João e Maria?
— Se o Danny não comer todas as migalhas de pão, pode até ser que cheguemos de volta a casa. — e os dois começaram a rir imaginando a cena.
"De onde tá vindo isso? Ah, ." — Danny começou a ouvir alguém murmurar uma melodia de uma música que ele desconhecia e quando se virou para saber de onde vinha descobriu .
— Cinco patinhos foram passear, além das montanhas para brincar. A mamãe gritou: Qua-qua-qua-qua, mas só quatro patinhos voltaram de lá. — ela estava distraída, olhando os patos mais ao longe que não ousaram se aproximar e logo essa música lhe veio a cabeça. E assim, também sem notar, ela estava cantando enquanto Danny chegava mais perto dela, curioso por nunca ter ouvido aquela música. — Um patinho foi passear, além das montanhas para brincar. A mamãe gritou: Qua-qua-qua-qua, mas nenhum patinho voltou de lá.
"Wah!! Como assim?! Como assim?! Todos os patinhos sumiram?! Chamem a polícia! E que droga de mãe é essa pra deixar os filhos brincarem além das montanhas?!" — Danny pensava desesperado.
— Poxa, a mamãe patinho ficou tão triste!
"Eu também ficaria se perdesse meus filhinhos patinhos" — Danny dizia com o que ele acreditava serem lágrimas nos olhos.
— Onde será que foram parar seus filhotinhos?
"No bebeléu! Onde mais podia ser?!"
— Mas essa história vai ter um final feliz... sabe por quê? A mamãe patinho foi procurar, além das montanhas, na beira do mar. A mamãe gritou: Qua-qua-qua-qua, e os cinco patinhos voltaram de lá.
"WAH! Que bom!! Amei essa música, dude! Por um minuto, pensei que já era! Depois tenho que falar dessa música pros outros."
— Wah! Danny, não me diz que você estava me ouvindo! — só agora tinha visto o pato perto dela e que estava cantando em um tom de voz alto suficiente para alguém ouvir.
"Anh... não tem como eu dizer, mesmo se quisesse." — ele pensou e viu o rosto da menina ficar vermelho.
— Ain, que mico! — ela escondeu o rosto nas mãos. Com um olho ela espiou por entre os dedos se Danny ainda a encarava e quando viu que sim ela se levantou num pulo só.
— WAHH!!
— Essa não! Me desculpa, . Me desculpa! — nem imaginava que e Tom já haviam retornado e que estava indo na direção dela entregar o que havia pedido, quando levantou e a fez derrubar a bebida de coca-cola sobre ela mesma.
— Haja gorjeta depois dessa, ! — Tom caía na gargalhada com a cena.
"Será que consegue ficar mais vermelha?" — se perguntava Danny analisando o rosto de .
— Só te desculpo porque sei que você está sendo sincera. — respondeu tentando afastar alguns fios de cabelo molhados e a camiseta do corpo. Virou-se e começou a andar na direção do loiro que ainda ria. — Mas quanto a você, se não parar de rir da minha desgraça, jogo o resto que sobrou em cima de você.
"JOGA!! Joga sim!! Joga! Joga! Joga!" — dizia Danny animado, embora ninguém pudesse ouví-lo, e começou a andar junto com durante a ameaça dela. Infelizmente ela não o viu e na hora em que tropeçou no pato, sua falta de equilíbrio também não colaborou.
— WAHH!! — gritaram Tom e juntos.
— Estranho... o Tom ainda é um ser humano. — disse espantada. Estava esperando pela transformação do rapaz quando viu o a bebida voar sobre ele.
— Eu ainda sou humano?! — ele estava de olhos fechados ainda, mas quando abriu, viu que era verdade o que dizia . — AÊÊ! EU AINDA SOU HUMANO!
— Desculpa, Tom! — disse levantando-se devagar do chão. — Eu não... não ia jogar de verdade. Eu tropecei no Danny e... AI-AI-AI! — ela sentiu uma dor na mão esquerda e viu um machucado pelo fato de ter caído.
— Gente! — chegava com as bochechas um pouco vermelhas e Harry em seu pescoço. — Você parecem malucos. Dá pra ouvir as vozes de vocês a quilômetros de distância!
— EU SOU HUMANO!
"Dude! Coca-cola é mágica!" — Danny dizia maravilhado.
"Tudo bem com o Tom, ou ele sempre foi assim e eu nunca notei?" — perguntou Harry, ainda incomodado por ter de estar com aquele enxoval.
"Sempre foi assim."
— É melhor voltarmos pra casa e lavar isso, . — avisou quando viu o machucado da menina.
— EU SOU HUMANO!!
— Espero que essa seja a prova que você está curado, Tom. Porque você também vai ter que se lavar, não pode ficar sujo de coca-cola pro resto da vida. — disse para o rapaz enquanto tapava um ouvido para não ficar surda pelos gritos de comemoração dele.
— Ele tinha dúvidas sobre se era ou não humano? — perguntou discretamente para enquanto todos se dirigiam para fora. Harry e Danny riram ao ouvir a pergunta da menina.
— Não. Quando chegarmos a casa eu te explico melhor.
— Ok. Esperem! Meu celular está tocando, deve ser a ! — pegou o aparelho do bolso da blusa sem nem mesmo olhar o visor e atendeu. — ?! Ah, desculpe. Sim, aqui quem fala é a .
— EU SOU HUM-
— Pára com isso! Tem gente no telefone, escandaloso. — tapou a boca de Tom com a mão, pois mais uma vez ele começava a gritar.
— ? Que cara é essa, mulher? — perguntou quando viu o rosto da amiga empalidecer e a expressão de medo tomar conta de sua face.
— Vovó... a vovó...
—Podemos brincar de bingo de uma vez? — perguntou com o rosto de tédio descansando apoiado sobre sua mão embaixo do queixo. — Caso contrário, quem vai tirar uma soneca aqui serei eu.
— Vamos! — disseram todos juntos.
— Certo, então os números são: 6, 66, 11, 69... — ia sorteando os números.
— Eu, hein? Números de duplo sentido esses, não? — comentou e arrancou risadinhas abafadas de alguns.
CAP.11 - A vovó toca o terror
— Duuude, tô moidinho! — Dougie reclamou com suas mãos massageando sua coluna.
— Eu não tenho certeza se consigo voltar ao normal. — Tom dizia com o pescoço levemente inclinado para a direita. — Câimbra!! Câimbra!! Câimbra!!
"OUTCH!!!" — Danny foi acordado por um chute sem querer de Tom, quem esperneava pela dor no músculo do pescoço.
"GOLL!!" — Harry levantou os bracinhos e comemorou quando viu Danny ser chutado e deslizar até dentro de uma caixa.
"Eu preferia quando tinha o sótão só para mim." — Fletch concluiu ainda de olhos fechados.
"Vai ter que se acostumar até a velha delas ir embora. Por falar nisso, a velha já chegou?"
"Danny, olha o respeito com os mais velhos." — Harry disse.
— Será que a velha já chegou? — perguntou Dougie.
— Não sei, mas é melhor ter mais respeito. Aonde você vai?
— Tomar um café da manhã.
Com a inesperada volta da Vovó , todas as meninas ficaram com a mesma cara de , puro medo. Elas explicaram que a vovó ficaria apenas por um ou dois dias e, enquanto isso, todos eles teriam de dormir e permanecer boa parte do tempo no sótão, pois elas não saberiam explicar a presença deles para a senhora.
— Elas não acordavam às sete da manhã em ponto? — perguntou Tom olhando para o relógio da cozinha que marcava sete e dez.
— Tanto faz. Vamos pegar algumas torradas, geléia e algo de beber antes da velha chegar. — Dougie dizia enquanto abria os armários e pegava tudo que via pela frente considerado útil.
O som de um baque na porta fechada na cozinha assustou os rapazes e eles a encararam, esperando pela temida Vovó ou algum ladrão. Nos dois casos, eles teriam problemas.
— Vai lá, Tom. Quebra a cara dele, se for um ladrão. — Dougie sussurrou e empurrou o amigo para frente.
— Você tem que parar de me usar assim. — ele sussurou de volta.
— Ai, ai, ai. Minha cabeça. — disse, massageando a testa enquanto entrava na cozinha.
— Bom dia, . Hey! Não faz mais uma entrada dessas, você quase matou o Tom de medo. — Dougie disse, já voltando para suas ações.
— EU, né?!
— Bom dia, meninos. Hmmm, mal aí, Tom. Eu fico meio distraída de manhã. — ela seguiu até a geladeira e pegou um suco.
— Deu pra notar. — Tom falou quando viu a menina, de olhos fechados, colocando açúcar na bebida e mexendo para misturar com uma faca. — Aqui, é melhor usar uma colher.
— Então, quando chega a velhota? — perguntou Dougie já com um sanduíche de vários andares feito.
— Vamos ver. São sete e quinze, eu acho que lá pelas dez da manhã. Pera aí. Pera aí. Sete e quinze? SETE E QUINZEEE?! QUINZEEEEE?! ATRASADA!!
— EU DIRIJO!! — foi o que Dougie gritou, mas pouco se entendeu por ter a boca cheia de sanduíche.
— Não fala de boca cheia! — Tom deu um pedala no amigo. — E você já dirigiu ontem, desta vez sou eu.
TOC! TOC! TOC!
— Sim? — abria a porta do seu quarto e perguntava com uma voz cheia de sono.
— Bom dia. — disse Dougie e os olhos de espantaram-se com a presença dele ali.
— B-b-bom dia, Dougie. — por um momento ela sentia vergonha de seu pijama do Bananas de Pijama.
— Duuuude... o Tom vai ficar bolado se vir isso. — ele começou a rir. — Tem como você usar suas técnicas ninjas pra preparar umas torradas com geléia? O Danny disse que só assim ele come.
— Ele disse?!
— Ahhn... não ele, o Fletch escreveu.
— Ah! Bom. — ela riu um pouco. — Preparo sim. O Tom não tá por aí, né? Não quero assustá-lo . — ela apontou para si mesma.
— Saiu com o ECTO-01 pra faculdade da .
— Então vamos preparar torradas!
— Dava pra ter passado!
— Tava no amarelo já.
— Amarelo não é vermelho, no amarelo ainda pode passar!
— Pelo menos você não está indo com pantufas. — Tom comentou, mudando de assunto.
— Hey! Eu não tive tempo de me trocar. Ahh, não dá pra acreditar que é apenas um conjuntinho?
— Do Bob Esponja? — ele começou a rir do pijama da garota.
— Fica rindo da minha cara não. — ela deu um soco no ombro dele. — Finalmente! Valeu pela carona! — saiu correndo do carro em direção ao prédio principal.
— Boa prova!
"Pior que eu acho que ele está sendo sério quanto a isso." — Fletch disse boquiaberto.
"Eu também." — concordou Harry.
"Ah, qual é? Vão dizer que essa não é uma música boa demais?!" — perguntou Danny parcialmente emocionado depois de ter cantado para os dois a música que ouviu de no dia anterior.
"Isso é música para bebês, Danny. Apesar de que vocês devem ter a mesma idade mental." — Harry brincou e arrancou risadas de Fletch.
"Eu gostei, tá?"
— HEY! Olha só o que eu trouxe... — Dougie surgiu no pé da escada acompanhado de e com uma travessa cheia de sanduíches e torradas.
— Quem quer café da manhã? — perguntou carregando duas jarras de suco.
"EU!!" — disseram juntos Harry e Danny animados, estavam morrendo de fome.
— Bom dia, . Nervosa? — perguntou enquanto entrava pela cozinha.
— Ai, não me lembre. Os meninos estão bem escondidos, não? Minha avó vai me matar se vir que moramos com homens.
— Imagino que estão. E eu não acho que ela conseguiria ver mesmo se quisesse. — tentou abafar uma risada.
— Ela já chegou? — surgiu o rosto de Tom na entrada da cozinha.
— Tom?! O que você está fazendo aqui embaixo?
— Relaxe, ! Não, ela ainda não chegou. — respondeu .
— Sem problemas, vou voltar lá pra cima. Só vim pegar algo pra comer.
— Na verdade, eu estava pensando... — dizia antes de ser interrompida por .
— Noooosssa! Milagres podem acontecer!!
— Calada! Olha só, você quer deixar sua avó no quarto do seu irmão e ele fica lááá no segundo andar. Seria bom termos uma ajudinha masculina, não acha?
— Mas não é que sua avó não pode ver que estamos aqui? — Tom perguntou diretamente para .
— Ela é cega! — começou a rir.
— ! — a amiga lhe atirou um pedaço de pão na cabeça. — É... se você e o Dougie nos ajudassem a levá-la lá para cima seria muito bom.
!DIM-DOM!
— Salvem-se quem puder que a Vovó chegou!! — gritava com os braços levantados para o alto.
— Devemos ter medo dela? — perguntou baixinho Tom assim que saiu para atender a porta.
— Bom...
entrou em casa e subiu os poucos degraus que levavam do hall até a sala e encontrou as malas da Vovó no meio do caminho, e estranhou quando viu e no pé do segundo andar enquanto Dougie e Tom, com certa dificuldade, ajudavam subir a velha com a cadeira de rodas os últimos degraus.
— Mas o que é isso? — ela começou a falar sem perceber. — Por que Tom...
— ! — berrou, cortando a fala da menina e indicando com o dedo para que ela parasse de falar. — A e eu estamos subindo a vovó pro segundo andar.
— ? de ? O que é isso o quê? — começou a perguntar a vovó.— Quem é Tom?
— Anhhh... Olá, vovó. Não, não, a senhora entendeu tudo errado. — a menina procurava por uma saída. — Eu não quis dizer Tom de gente, e sim de tom...tom-ADA!! Isso! A bateria do meu celular acabou e eu preciso de uma tomada urgente.
— Velhota pesada, eu não agüento mais. — Dougie dizia para Tom sem emitir nenhum som, apenas mexendo os lábios.
— Mato você se a soltar. — ele respondeu o amigo da mesma forma.
— Meninas, vocês estão muito fortes! — elogiou a velha.
— Obrigadinha, vovó. — disse próxima de Dougie, assim a velha pensaria ser ela quem puxava a cadeira de rodas.
— Mas... eu quero chegar lá ainda hoje! Pretendem me matar da bexiga?! VAMOS! VAMOS! VAMOS! — berrava a velha distribuindo surras com uma bengala que ela fazia questão de carregar para todos os lados.
— Dude! Se largarmos ela dessa altura, será que ela morre? — Dougie perguntou mexendo os lábios.
— Outch! Pára de dizer besteiras.
— VOVÓ! Pára de bater na gente, poxa. Aiiii! AI! AI! AI! — fingia receber as bengaladas e cutucou para que a menina fizesse o mesmo.
— Ufa. Sorte a minha que não tenho que participar dessa furada. — comentou observando a cena.
O brilhante pensamento de - brilhante segundo ela - era que os meninos as ajudassem a levar a vovó para o segundo andar. Como a senhora era cega, não veria os rapazes e, como não era dada a afeto público, também não correriam o risco de serem abraçados e a velha descobrir a farsa. Quando começaram a subir as escadas, os meninos estavam um de cada lado e com as meninas alguns degraus acima deles, assim, sempre que a vovó perguntava ou falava algo, elas respondiam normalmente e vovó acreditava estar falando com as meninas enquanto elas faziam o esforço de puxá-la escada acima.
— Como?! — perguntou perplexa.
— Sua amiguinha é surda ou alguma coisa, ?
— Não, vovó. Mas não prefere... — foi interrompida por sua avó com uma tentativa de acertá-la com sua bengala, por sorte a menina conseguiu desviar.
— PARA BAIXO! EU QUERO QUE ME DESÇAM!
— Mas para quê?
— , minha neta, eu não quero ficar trancada em um quarto. Isso é a mesma coisa que ficar num quarto de hospício!
— Então é melhor ir se acostumando o mais rápido possível. — comentou baixo e recebeu o olhar bravo de .
— Disse algo, ?
— Imagina, vó! Eu só preciso ter uma palavrinha rápida com a , digo, . — e foi puxando a amiga pelo braço até o corredor. — Miga? Como vai ser?
— Ah, sem dúvida que vamos mandá-la para um hospício, não precisava nem perguntar.
— Não isso! Quer dizer, isso também, mas não agora. Quero saber como vamos descê-la!
— Vamos pedir pros meninos descerem do sótão rapidinho e nos ajudarem. Simples assim. — e deu uma piscadela.
— MENINAS! — surgiu a avó de no corredor tateando tudo a sua volta com sua bengala e surpreendendo as meninas. — Tive uma ótima idéia! Vamos fazer o que eu mais amo fazer na minha vida.
— Nem imaginava que a palavra amar fizesse parte do vocabulário da sua avó, . — mais uma vez, comentou baixinho, pois a vovó fora abençoada com uma audição perfeita para alguém na idade dela.
— E o que seria, vovó? — perguntou , acertando uma cotovelada na barrigada de pelo que tinha dito antes.
— BINGO!
CAP.12 - Game Over
— Querem que a gente o quê?! — perguntou Tom confuso, pegando o celular das mãos de para ler melhor a mensagem enviada há menos de um minuto atrás por , que pedia que ela fizesse Tom e Dougie saírem da casa pela janela do quarto dela e tocassem a campainha. — Por que ela quer isso?
"Eu disse que essa é uma serial killer, mas ninguém quer me escutar." — Danny disse indignado. "Deve ser mais um plano pra matar o Tom."
"Bom, não é como se eles pudessem ouvir. Somos animais. PORCARIA, QUERO VIRAR HUMANOO!!"
"Sossega aí a franga, Harry. Vai acordar o Fletch. Não vê que ele está com olheiras terríveis?"
"Ahnn, Danny? Isso é porque ele é um panda. São manchas, não olheiras." — explicava Harry com gestos exagerados com as mãos.
"Mas mesmo sem ser um panda, vocês já tiravam o meu sono." — Fletch intrometeu-se na conversa.
"Mal, Fletch. Dude! Como que o Tom ainda é humano? Caiu coca nele ontem e nada, nem um puf!" — Harry disse transtornado por ainda ser um macaco.
"Hum, ele chegou a tomar banho ontem?" — perguntou Fletch espreguiçando-se um pouco. "De noite o ouvi discutir com uma das meninas, pois não queria tomar banho."
"Lógico que não! E arriscar voltar a ser bicho? Nem pensar!" — Danny dizia, batendo suas asinhas.
"Acho que ele se virou com uns lenços umedecidos da igual o Dougie fez pra não ter de tomar banho." — Harry disse com uma mãozinha sobre o queixo.
"Eu pensava que lenços umedecidos fossem pra nenês." — Danny comentou sem pensar muito.
"Também pensava, mas vai entender. Essas garotas não podem ser normais, elas moram nessa maloca e têm um volvo na garagem! Nem Freud explica isso."
"Queemmm?!"
"Elas têm um volvo?!" — perguntou Fletch claramente surpreso com a informação.
— Melhor irmos logo, então. — Dougie disse, tentando dar fim a discussão sobre ir ou não ir. — Deve ser algo sobre a véi-... vovó! — ele corrigiu-se bem a tempo, não queria ser mal-educado com a avó das meninas na frente de nenhuma delas e estava bem ao seu lado.
— Eu me recuso a fazer isso sem saber o motivo! — Tom reclamou, decidido a não se mover dali e sentou-se com braços e pernas cruzados.
— É melhor eu descer e perguntar. — ofereceu-se já de pé.
— Aposto que é algo relacionado à vovó. Melhor fazer antes que algo de ruim aconteça. Vamos logo, Tom! — o baixista insistiu.
— Pronto! Mandei uma mensagem perguntando por quê. — o loiro sorriu triunfante com sua idéia.
— AAAAHHH!!! — puderam ser ouvidos três gritos femininos em toda a casa, até mesmo no sótão.
"Que foi isso?" — Danny perguntou com medo.
"Vai ver a velha matou as meninas." — Harry tentou.
— Meleca! Algo aconteceu. — reclamou e dirigiu um olhar rápido para os rapazes. — Dougie, Tom, por favor, façam o que a pediu. Eu vou ver o que aconteceu.
Os meninos não disseram nada, apenas concordaram com a cabeça. desceu a escada do sótão e deu sinal para que os dois fizessem silêncio, assim que passou pela porta do quarto dela, abriu a porta e deixou-os passarem enquanto seguia caminho para a escada que levava para o térreo. Começava a ouvir a voz de vovó e quando finalmente chegou para ver, encontrou a velha senhora já na sala, com um ser deitado no chão atrás de sua cadeira e e paradas, sem reação, nos últimos degraus da escada, quase no térreo.
— Meninas? — perguntou com receio e, por isso, sua voz soou tão fraca.
— ! — virou surpresa com a presença da menina e colocou uma mão sobre sua própria boca, na tentativa de abafar uma risada, ela tinha até mesmo riso nos olhos.
— !! — gritou ao descer os poucos degraus e começou a chacoalhar a amiga estirada no chão.
— Que houve? — perguntou já impaciente.
— A vovó atropelou a . — dizia entre risadas, ela sempre ria quando alguém caía ou tropeçava. Na verdade, todas elas riam, mas, neste caso, só ela estava.
— , tudo bem contigo? — perguntou a vovó, cutucando com a bengala onde ela acreditava estar a menina.
— AI! Estaria melhor se não me cutucassem como um cadáver. — a menina respondeu fugindo da velha com a ajuda de .
— Como que você conseguiu ser atropelada, praga? — perguntou começando a imaginar mil e uma situações e rindo de todas elas.
— Obrigada pela sua preocupação, peste. — respondeu de volta. — Eu estava ajudando a e a a descer a vovó, quando senti algo vibrar, me assustei, soltei a vovó e aí a cadeira de rodas veio pra cima de mim.
— Vibrar? Não terá sido o teu celular? — perguntou .
!DIM-DOM!
Soou a porta e as meninas já imaginavam quem poderia ser do outro lado. Exceto a Vovó . passou um olhar rápido pelas amigas com um sorrisinho sapeca no rosto e foi em direção à porta atender.
— Sim, deve ter sido, mas estava tão distraída em ajudar que me assustei do mesmo jeito. Dude! Quando eu vir o nome do ser que me aprontou essa, eu irei matá-lo... — retirou do bolso o celular e selecionou para ver a mensagem recém-recebida do celular de , dizendo que não desceria ninguém até que dissesse um bom motivo e ao invés de vir assinado em nome da amiga, veio em outro. — Tom Fletcher?!
— Opa! — lembrou-se que logo após o envio da mensagem, eles ouviram os gritos.
— Quem é Tom Fletcher?! — perguntou vovó em um tom de voz sério por se tratar do nome de um homem.
— VOVÓ!! — gritou desesperada com a situação que se instaurava. — Ahnn... Lembra que nós dissemos que temos vizinhos contemporâneos seus que iriam topar jogar Bingo com a senhora? — dizia a menina jogando as palavras assim que lhe vinha a cabeça alguma desculpa. — Bom, eles chegaram, e um deles se chama Tom Fletcher! E ele trouxe o amigo dele, Dougie Poynter!
— Somos mais velhos que elas, mas não chegamos a ser contemporâneos da velha, né, Dougie? — perguntou Tom ao amigo, aturdidos com o que dizia .
— Eu me garanto, quanto a você... não tenho certeza. Só sei que a tá com cara que vai te matar, dude.
— Por que nós temos de fingir ser velhos? — perguntou Dougie em voz baixa.
Enquanto e estavam na sala preparando as coisas para jogarem o bingo com a companhia da vovó, e explicavam direito toda a história de antes.
— Porque minha avó não tem amigos e como ela adora jogar bingo, seria legal ter mais gente pra jogar. Não é nada de mais, o jogo é simples e só precisam fazer voz de vovozinhos sempre que forem abrir a boca! — concluiu entusiasmada. — E então, podemos ir?
— Ho-ho-ho! Vamos começar o jogo, minha jovem! — Dougie começou a entrar no personagem pedido e ria com as mãos apoiadas sobre uma barriga de chope imaginária.
— Eu disse voz de vovô, não do Papai Noel! — tratou logo de avisar ao rapaz, que agora fingia ter dor nas juntas, enquanto andavam para a sala.
— Quer dizer que... — começou a falar pela primeira vez desde que entraram na cozinha, assim que os outros dois saíram. — Pelo fato do Danny achar que eu sou uma serial killer querendo te matar, você decidiu tomar a decisão de me matar antes que eu mate você?
— Juro que eu não sabia que aquilo ia acontecer. — Tom tentou explicar.
— Olha, que tal combinarmos que eu não tentarei matar você e nem você vai tentar me matar? Porque eu não tenho certeza se sobreviverei a outro atropelamento de uma cadeira de rodas. — ela riu com um pouco de dificuldade e estendeu a mão ao loiro para selar o trato.
— Mas eu não estou tentando te matar!
— Eu sei, nem eu estou. É só uma outra maneira de propor que nós tratemos melhor um ao outro. — ela deu uma piscadela. — Assim, numa próxima, você topa sem desconfiança o que eu pedir pra fazer.
— Chega de ficar implicando um com o outro, então? — ele finalmente estendeu a mão e trocaram um aperto de mãos.
— Eu?! Quando que eu já impliquei com você?! — ela perguntou se fazendo de inocente, mas parou logo com a expressão nada feliz dele. — Ok, ok. Sem implicância.
— Heyyy! Tom, meu compadre!! Venha logo jogar, daqui a pouco é o horário da sua soneca e eu quero jogar antes disso, meu velho! — veio a voz de Dougie da sala, berrando.
— O Dougie está levando o papel bem a sério, não? — perguntou, abafando uma risada. — Não quero nem ver você imitando a voz de um velho.
— Eu não posso ser um velho... sei lá... mudo?
— Não, não pode. Como que um mudo jogaria esse jogo se o mais importante é gritar "Bingo"?!
— Ok, você disse que vamos nos tratar melhor, isso também quer dizer que um tem que ajudar o outro sempre que precisar. Então, trate de me ajudar aqui!
— Eu não combinei isso. HEY! — ela reclamou quando Tom puxou sua mão para outro aperto de mãos, assim, validando o novo combinado. — Pra que eu fui inventar a história de selar acordos desse jeito? Ok, ok. Eu ajudo, mas pára de ficar sorrindo convencido!
Eles entraram na sala juntos e viram vovó de frente para a mesinha de café onde estava pronta para anunciar os números e Dougie, e logo atrás da senhora, com lápis e cartelas em mãos, sentados nas cadeiras que tinham levado da cozinha para a sala. Havia mais duas cadeiras vazias.
— Calma, gente. — anunciou quando chegaram. — É que o vovozinho... pediu por um copo de leite! Sabem como é, sem isso ele não consegue tirar a soneca dele das seis da tarde.
— Soneca? Hu-hu-hu. Pois, eu consigo me manter acordada até as nove da noite se eu quiser! — gabou-se a vovó e virou para trás, atuando como se não fosse cega e pudesse mesmo encarar os olhos de algum dos outros presentes na sala.
— Aposto que não consegue! — Dougie desafiou a vovó.
— Dougie! — reprimiu o rapaz. Sabia que sua avó não era uma santa, mas a defendia o suficiente para garantir algum presente no fim do ano. — Digo, vovô Dougie! É melhor não abusarem.
— Fique fora disso, pequena. Eu topo, meu velho. O que me diz, Fletcher, ou está com medinho de não agüentar ficar sem sua sonequinha? — provocou a velha.
— Ho-ho-ho! Eu... ho-ho-ho... topo. — Tom tentou imitar da melhor forma que pôde um velho e depois sentiu a mão de sobre sua cabeça.
— Papai Noel, saia deste corpo que não te pertence!
— Vamos selar a aposta! — a vovó deu uma cuspida em sua própria mão e estendeu em direção a Dougie, enquanto as meninas e Tom faziam cara de nojo, o baixista fez o mesmo que ela e deram um firme aperto de mãos. Vovó deu mais uma cuspida na mão e estendeu para a direção de Tom.
— Se você fizer essa nojeira, nunca mais selo acordo nenhum com você e sua mãozinha contaminada pelo cuspe da vovó. — sussurrou rápido perto do ouvido dele.
— ECA!! Sem esse tipo de coisa vovó! Por favor, e não vai acontecer essa aposta. — ralhou mais uma vez.
— Hunf! Velho medroso. — vovó disse amargurada quando desistiu de esperar pela mão do loiro. — Senhor Poynter, temos um desafio marcado!
— Podemos brincar de bingo de uma vez? — perguntou com o rosto de tédio descansando apoiado sobre sua mão embaixo do queixo. — Caso contrário, quem vai tirar uma soneca aqui serei eu.
— Vamos! — disseram todos juntos.
— Certo, então os números são: 6, 66, 11, 69... — ia sorteando os números.
— Eu, hein? Números de duplo sentido esses, não? — comentou e arrancou risadinhas abafadas de alguns.
CAP. 13- Façam suas apostas
“Então vocês nunca reparam nessas coisas?!”
“Por que iríamos reparar?”
“Danny, olha aqui, eu tenho três bons motivos pra essa pergunta. Primeiro, eu sou homem! Segundo, eu não sou doente pra ficar olhando essas coisas; e terceiro, eu sou homem!"
“Falou ser homem duas vezes, Harry.” — avisou Fletch.
“Eu sei...” — o macaco disse ainda encarando o amigo pato que se encontrava na frente do espelho. “Mas era pra reforçar.”
“Além do mais, o que ser homem tem a ver?”
“Ora, Fletch. Homens, homens não ficam olhando isso...não em animais.”
“Ahh, é?!?!”
“Parem de tagarelar você dois aí! O caso é mais grave do que eu pensei.” — Danny disse desesperado e virou-se cabisbaixo para o panda e para o macaco. “EU SOU UMA MULHERRR!”
“Que diabos você está dizendo, Danny?!” — Harry dizia em meio a gargalhadas junto com o panda.
“Olha pra mim!” — Danny dava voltas em frente ao espelho do tamanho de uma pessoa deixado guardado no sótão que fazia pouco ele tinha encontrado. “WAHHHHHHHHH! CADÊ?! CADÊ?!”
“JÁ SEI! Ele deve estar procurando pelos peitos! E o porque dele ser uma mulher tão feia!” — Harry já quase não conseguia respirar.
“Feio é você e seu pé também, Judd! E não ri não, Fletch, seu pandamônio que só quer saber de hibernar aqui no sótão!”
“HEY!” — os dois reclamaram quando insultados.
“WAHHH! EU SOU UMA MULHEER! NÃÃÃÃÃOOO! QUEROOOO SER HOMEM!”
“DANNY! Cala a boca e explica por que você acha que é uma mulher.” — Harry pediu.
“Eu não acho, eu tenho certeza. DUDE!! EU NÃO TENHO MENININHO!”
“Não tem o quê?!” — perguntaram Harry e Fletch juntos, sem a menor idéia do que o pato poderia querer dizer.
“Menininho! Menino! Júnior! Dannyzinho! Danny-boy!” — Danny explicava tentando se olhar no espelho de todos os ângulos possíveis a fim de poder ver melhor cada canto de seu corpo.
“Ah!! Por isso você perguntou se já tínhamos reparado no aparelho reprodutor de um pato.”, Fletch tentou ser mais científico. “Bom, confesso que em toda minha vida nunca me ensinaram isso na escola ou na faculdade.”
“Vira essa bunda branca de pato pra lá que eu não quero ter pesadelos hoje!”
“Agh! Não consigo!! Tô enroscado. Socorrooo!”
“Vai você ajudar, Fletch. Não quero correr o risco de achar o menininho do Jones.”
— Tom, dude, você deveria ter apostado. Foi moleza ganhar! — Dougie dizia esparramado no sofá com a cabeça apoiada nos braços.
— Acredite, eu não deixei de apostar porque parecia difícil. — o loiro respondeu, carregando a última cadeira de volta para a cozinha.
— Olha só! Nove e um da noite e a velha apagou total. — Dougie arriscava fazer sinais com as mãos na frente da vovó adormecida e algumas caretas.
— É, mas o aperto de mão foi nojento. Eca! — Tom disse retornando e sentando próximo ao baixista.
— Ah, é nada. Olha só! — Dougie cuspiu na própria mão e alcançou a de Tom para um aperto de mãos molhado. — Dude! Tenho fome, vou ver algo de comer lá na cozinha. Quer algo?
— Argh!
— Não sei se tem isso, mas vou procurar.
— Que cara é essa, Tom? — perguntou assim que terminou de descer as escadas. Ela acabava de voltar do seu quarto com um livro nas mãos.
— Dougie, mão, saliva, nojo. Argh!!
— Ah, é nada. Você tem na mão a babinha do Dougie!
— Janta pronta! Quem tem o quê? — entrou na sala vinda da cozinha junto com .
— Baba do Dougie na minha mão. É nojento.
— Ah, é nada! — as meninas responderam em coro. — É a babinha do Dougie!
— Eu estou no "Além da Imaginação"?! — ele revirou os olhos.
— Bom, eu vou levar essa janta pros meninos lá em cima, eles devem estar com fome. — disse . — Vem, .
— Vai querer subir sua avó mais uma vez lá pra cima? — Tom perguntou para , que lia seu livro concentrada.
— Hummm, não. Ela tem sono pesado e quando dorme é melhor deixar ela quieta. Eu vou ficar aqui com ela um pouco. Tenho prova amanhã e preciso estudar. — ela indicou levantando o livro.
— , tudo bem se formos lá jantar com o resto do pessoal? — saiu da cozinha.—Pelo menos assim ninguém vai fazer barulho e te atrapalhar. Ou se você quiser, dou um toque e falo pro Harry vir te fazer companhia, ele é quietinho e não vai te atrapalhar.
— NÃÃÃO! Quero dizer, não, precisa não. Obrigadinha! — respondeu rápido e logo o seu rosto tomou a mesma coloração de um tomate.
— Weiiirdoo. — comentou baixinho. — Ok! Então, cambada, subindo todo mundo!
— Tédioooo! — Dougie anunciou, deitando-se no chão do sótão.
— Eu tive uma idéia! Fiquem bem aí! — disse entusiasmada, correndo para fora do sótão.
— Que bom que o Fletch conseguiu alcançar e colocar uma lâmpada aqui, tava mesmo fazendo falta. — dizia encarando a lâmpada no teto.
— Annh, gente? O que acontece com o Jones? — perguntava sobre o pato que o tempo todo se encarava no espelho.
“Dude! Esquece essa história, vai. Tu é macho, pronto.” — Harry tentava convencer o amigo.
“Espera só até eu virar ser humano! Aposto que vou vir no corpo errado, cheio de... Peito e com falta de... Algo... Lá em baixo.”
“Ah! Pense no lado bom.” — Fletch aconselhou o jovem.
“E qual é o lado bom?” — Danny juntou-se ao grupo sentado em volta de uma mesa improvisada com um conjunto de caixas de papelão.
“Eu disse para você pensar, não que eu ia te dizer.”
“Diz aí, você não tem a menor idéia de qual pode ser o lado bom, não é?” — Harry perguntou abafando o riso.
“Não mesmo.”
— Voltei! — anunciou com algo em uma das mãos e um sorriso sapeca no rosto.—Que acham de jogarmos cartas?!
— Eu topo! — Tom respondeu animado.
— Hummm, e que jogo vamos jogar? — perguntou preocupada com a resposta.
— He-he-he. TROCOOOO!
— Ah, não, !!
— Ah, sim, !!
— Jogar Troco? Nunca ouvi falar desse jogo. — Dougie coçava a nuca tentado lembrar se conhecia o jogo.
— Na verdade o nome é Truco, que gosta de zoar com o nome. Coisa de mineira, não se preocupem em entender. — explicou e deu um pedala leve na amiga.
— TRUCOOO!!! — Dougie e Tom gritaram ao mesmo tempo com os braços para cima.
“TRUCOOOO!!” — Harry e Danny também gritaram, mesmo não podendo ser ouvidos pelos humanos presentes. Harry tinha seus bracinhos de macaco erguidos, mas o pato não conseguiu fazer a mesma coisa.
“Porcaria de asas!”
— Então vocês conhecem o jogo? — perguntou enquanto sorria para a tentativa de Danny levantar suas asinhas como os outros.
— Sim! O Jimmy nos ensinou numa festa. — Dougie explicou.
— Quando você diz Jimmy, você está se referindo ao... Ao... — tentou falar apesar de surpresa.
— Ao James. — Dougie disse fazendo uma careta de estranhado para a garota.
— E quando você diz James, você está se referindo ao... — dizia com os olhos brilhando iguais ao de .
— James Bourne. — Tom completou, também um pouco estranhado com as duas.
— Ihhh! Lá vem. — comentou baixinho já imaginando o que viria.
— AAAAAHH! JAMES BOURNE! — as duas gritaram juntas no volume mais alto possível quase deixando todos do sótão surdos, menos , quem já tinha se preparado cobrindo os ouvidos com suas mãos.
— O que foi isso?! — Dougie perguntou espantado e com um pouco de inveja, pois nenhuma das meninas daquela maloca maluca tinham feito um escândalo daqueles. Ok! Houve gritos quando ele voltou a ser humano, mas não foi nada tão coisa de fã quanto naquele momento.
— Elas vivem suspirando pelo Bourne. — respondeu indiferente, estava acostumada com elas fazendo isso.
— AAHHH! O James Bourne sabe jogar truco! — e diziam praticamente gritando, apertando cada uma as mãos da outra, freneticamente, balançando-as no ar enquanto pulavam sentadas no mesmo lugar.
“Nós também sabemos e nem por isso fizeram esse show todo.” — Harry reclamou cruzando os bracinhos.
“Hey! Você são nossas fãs, comecem a dar chilique pela gente também!!!” — Danny bicou as duas meninas, acertando-as bem na barriga.
— Viram só? Nem o Jones aqui aguenta essa ceninha de você duas. Comportem-se!
“Comportem-se nada! Eu quero ceninha pra nós também, nós sabemos jogar! Que espécie de fãs de McFly são vocês que não fazem ceninha pra nós?” — Danny batia suas asas frenético.
— Ok! Ignorem essas duas, vamos jogar. — desistiu quando percebeu que as duas ainda vibravam e pegou o pacote com as cartas do colo da .
— Não sei como você não ficou surda ainda, . — Tom comentou brincando. Ele também comparava a reação delas ao ouvir o nome de Jimmy e o tratamento que ele recebeu no dia que voltou a ser humano. Estava com certa inveja do amigo no momento.
— Péra! — gritou, deixando sozinha na animação. — Eu não quero jogar truco, não jogo nada bem.
— Demorou muito pra reclamar, agora já era. — deu língua para a amiga.
— Como vamos decidir as duplas? — perguntou, já tinha voltado ao normal.
— Todos jogam? Quer dizer, até os bichanos? — apontou para Fletch e os outros dois.
“Quê? Algum preconceito contra a gente?” — o pato reclamou.
“Nós somos animais. Não sei se dá pra jogar.” — Harry tentou esclarecer ao amigo.
— O Harry deve conseguir e o Fletch também. Já o Danny...acho que a falta de dedos é um problema. — Dougie dizia enquanto fazia gestos com uma das mãos sinalizando a falta de dedos do amigo.
— Certo, então jogamos eu, , Tom, Dougie, Harry e Fletch, já que a não quer.
— “Não posso apenas observar? Não sou muito bom nesse jogo." — leu a placa de Fletch. — Ah, joga! O Fletch não tá afim. Nós podemos fazer um sorteio de quem vai jogar com quem, assim ninguém reclama.
— Não reclama até perder o jogo por me ter como dupla! — reclamou, mas desistiu logo. — Tá bom, eu jogo.
desceu mais uma vez para seu quarto para pegar um lápis, papel e tesoura. Quando voltou, ela escreveu os nomes dos que jogariam, dobraram os papeizinhos e pegaram emprestada a touca que Tom tinha na cabeça para jogá-los lá dentro. Assim, todos tiraram um, leram em voz alta e organizaram-se na mesa, cada dupla tinha de sentar um de frente para o outro. As duplas eram Tom e Harry, Dougie e , e .
— Todo mundo ainda lembra os sinais pra indicar o tipo de carta? — perguntou com um sorriso vitorioso no rosto, para ela o jogo já estava ganho.
— Eu lembro. — Tom comentou.
— Eu não lembro e acho que ou minha dupla tá tentando se lembrar ou tá levando um choque elétrico! — dizia um tanto espantada com as caras e bocas que Dougie fazia olhando pra ela.
— ! Pára de piscar pra mim, mulher. Já te disse várias vezes que você não faz meu tipo.
— Get’cha head in the game, mulher. — respondeu dando língua para enquanto todos terminavam de receber suas cartas.
— Dedo do meio também é sinal? — Dougie perguntou ainda concentrado em ver suas cartas.
— Só se for sinal obsceno. E não vale no jogo! — Tom respondeu rápido.
“Eu também quero jogar!” — Danny reclamava batendo asas para chamar a atenção dos outros.
— Own! O Danny também quer jogar gente, tadinho. — Danny sorriu quando viu sorrir carinhosa para ele.
— Mas ele não tem como jogar, . — explicou.
— Ah, vamos deixá-lo vigiando pra que ninguém roube no jogo. Pronto! Gostou, Danny?
“Deixa comigo, ! Comigo como xerife do jogo, ninguém vai roubar!”
“Não precisa levar tão a sério. E é só vigiar, não bancar o policial.” — Harry avisou.
“Melhor deixá-lo se divertir. Ele realmente queria jogar.” — Fletch comentou enquanto ele e o macaco assistiam ao amigo rodar em torno dos jogadores olhando bem as cartas nas mãos de todos.
— Quem começa? — Dougie perguntou.
— O mais velho! — Tom respondeu animado, já começando.
— Ihhh, então pega sua carta de volta, Tom, que o mais velho é a vovó da ! — comentou, arrancando risada de todos.
— Vai, . — Tom incentivou.
— Vou nada! Vai você, . — tentou se livrar da hora de jogar.
— Ok! Preparem-se para perder! — jogou e deu um sorriso cúmplice para .
Eles começaram a jogar com Tom sendo o primeiro, depois vinha , Dougie, Harry, e por último, e mais perdida ainda no jogo, vinha . era a única que se lembrava realmente dos sinais e todos os demais não faziam nenhum ou inventavam na hora. Tom e Harry, por exemplo, tiveram de inventar toda uma série de sinais com os dedos, pois o macaco tinha certas dificuldades sendo um animal. Já tinha desistido totalmente de aprender qualquer sinal, ela nem entendia a base do jogo e menos ainda os sinais, sem contar que sua dupla fazia caretas estranhas apenas para fazê-la rir como uma louca durante a partida. não se lembrava tão bem assim do jogo, mas tendo como parceira ela não se preocupava tanto, pois sabia que sua dupla era, além de muito competitiva, a melhor jogadora de truco entre todos ali.
— TROOOOCOOOOOO!!!! — berrou já cantando vitória.
— Desce seis! — Dougie também berrou. Estava sentindo-se competitivo também. — , tem que me ajudar aqui.
— Eu nem sei o que está acontecendo e você ainda quer que eu te ajude?! — a menina dizia desesperada, olhando de Dougie para suas cartas na mão e vice-versa.
— Uma rodada vale um ponto para a dupla. Quando gritou “Truco”, passou a valer três pontos e agora o Dougie acabou de aceitar a aposta e a aumentou para valer seis pontos. — Tom explicou para a menina ao seu lado, calmamente.
— Hein?! Que pontos? Tem pontos?! Ai! Socorro!
— Nem mesmo tente explicar, Tom. Perda de tempo total. — ria da cara de desesperada da amiga.
— Doze! — gritou. Ela e Dougie encaravam-se desafiadoramente. — Você e sua dupla vão perder bonito.
— Nunca se sabe. ! Tem uma mão boa aí?
— Estamos falando do mesmo tipo de mão?
— Mão de cartas, tapada! — acertou um pedala na garota.
— AI! Ah! Sei lá, acho que sim. Gosto das minhas cartinhas. — ela sorriu pastel.
“Típica resposta de Jones.” — Harry comentou rindo.
“HEY! O que você quer dizer com isso?!?!” — Danny correu até o amigo para tentar bicá-lo.
“Eu lembro que da última vez que jogamos isso, o Danny ficou confiante porque também achava bonitinhas as cartas que tinha em mãos.” — Fletch comentou recordando-se.
“E no final perdeu feio porque tava com a carta mais fraca!” — Harry matava-se de rir junto com Fletch enquanto era bicado pelo pato nervosinho.
— Ah! Deixa eu ver de uma vez. Já estamos de fora mesmo. — Tom olhou as cartas de e deu um leve aceno com a cabeça para Dougie.
— Mostra logo! — ameaçou e a obedeceu.
— FILHA DE UMA MÃÃÃE! — berraram Dougie e espantados.
— Quê foi?! Quê foi?! Quê foi?! — estava espantada com a reação deles e olhou para Tom.
— Não sei como, mas você ganhou com a carta mais forte. — Tom explicou sem entender direito ainda.
— FILHA DE UMA MÃÃÃE! — berraram Dougie, e .
CAP. 14 - Operação Des-Cupido
— ! — ela ouviu alguém chamar pelo seu nome, mas não viu quem era nem reconheceu a voz. — , acorda!
— Hummm... Tom? — ela perguntou confusa e tentou cobrir os olhos contra a luz que entrava na sala com uma das mãos.
— Sim. Bom dia! Você dormiu aqui na sala mesmo? — ele perguntou, passando o olhar pela idosa, que ainda dormia e tinha um filete de baba de um lado do rosto.
— Devo ter caído no sono enquanto estudava. — ela respondeu, espreguiçando-se. — Que horas são?
— Não vi as horas ainda... mas devem ser por volta...
— São sete horas e alguma coisa. — completou a frase. Quando viu o olhar de Tom, como se perguntasse como ela podia ter tanta certeza, a garota apontou em alguma direção atrás dele.
— AII!! — acabava de bater com tudo na porta fechada da cozinha. — Isso dóóói.
— Por que não faz um favor a si mesma e pára de andar por aí de olhos fechados? — perguntou ao correr para socorrer a amiga.
— Bom dia, . Ai, ai! Bom dia, Tom. Ah, precisa não. A culpa não é minha se deixam a porta da cozinha fechada. Eu posso muito bem andar em casa de olhos fechados, a conheço como a palma da minha mão.
— Legal. — Tom comentou e juntou-se às meninas dentro da cozinha.
— Não acredite nela. — advertiu. — Na manhã do dia que atropelou você, ela caiu da escada.
— Credo! Do jeito que você fala parece que eu caí dela toda. E não foi assim, eu só caí os últimos quatro degraus. Tinha contado errado, oras!
— Só quatro degraus? Podia ter se machucado. — Tom disse, aceitando o copo de suco oferecido por .
— Que nada! Hey, , vai pra faculdade hoje, não? Me dá uma carona?
— Vou sim. Mas por quê? Você tem prova hoje também? — ela comia um biscoito.
— Tenho que devolver uns livros na biblioteca e depois quero passar na vídeo-locadora. Esquecemos completamente das nossas Terças do Filmeca, e hoje é Sexta do Filmão!
— E o que seria isso? — perguntou Tom, confuso.
— Uma tradição que aprendemos vendo Drake&Josh. Nas terças nós alugamos o pior filme que exista e nas sextas alugamos um sucesso de bilheteria. — explicou animada.
— Sucessos de bilheteria não. Filme bom! Porque às vezes os sucessos de bilheteria são filmes chatos, tipo Senhor dos Anéis. Eu odiei aquele filme, muito longo.
— Mas não é uma regra. Filmes do Harry Potter são sucessos de bilheteria e são ótimos. — Tom opinou.
— De qualquer forma... pode me levar, please?
— Não sei, . Pretendo dar entrada no hospício para a vovó. Ela não pode ficar com os meninos morando aqui também. Fora que, quanto mais rápido ela se for, menos a gente ganha bronca. — explicou, dando goles na bebida.
— Please, ! Minha amiga querida, amada e idolatrada mais que tudo nesta minha vida. — dizia enquanto dava um abraço na amiga.
— Interesseira! Tá bem, mas só de ida. Vai ter de ir à locadora e voltar pra casa a pé.
— Bom dia. — apareceu na cozinha bocejando. — O que faremos hoje?
— vai me dar uma carona e depois dar entrada no hospício! — respondeu alegre e saiu correndo para seu quarto para se arrumar.
— Hospício? Já não era sem tempo, hein, ? — começou a rir.
— Besta! A sempre fala errado. Vou fazer minha avó dar entrada no hospício, não vou me internar lá. — esclareceu antes de sair da cozinha também.
— Dormiram bem, Tom? — perguntou, servindo-se de suco.
— Pelo menos nunca mais fomos acordados com aquele sistema de despertador de vocês. — ele riu um pouco, junto com a menina.
— !!!
— Vovó! Vovó, acalme-se! — dizia, tentando acalmar a velha que tinha acabado de acordar, e ao mesmo tempo fugindo da bengala dela. — A , digo, saiu para a faculdade para fazer um prova e só volta mais tarde.
— Como ela pôde abandonar sua pobre vovózinha aqui? — a velha fez uma voz de choro e sentiu pena da senhora. — NETA INGRATAA!! VOU DESERDÁ-LA!!!!
— Velha pirada. — disse baixinho.
— Diga-me, . Será que aqueles vizinhos que vocês chamaram ontem não estão acordados a esta hora?
— Hummmm... talvez, posso tentar saber. Mas por quê?
— E eu lá tenho de dar satisfações a uma fedelha?! Tente ver se estão acordados e os convide para uma visita!
— Claro, vovó, só um minuto. — tentou soar simpática, mesmo quando sua vontade era de matar a velha à sua frente. Ela correu para o sótão em busca dos meninos.
Dougie foi acordado de um pesadelo em que um cozinheiro maluco queria cozinhá-lo. Ele tentava convencer o chef de que era um ser humano e que ele não podia fazer isso, mas de repente tornava-se um porquinho-da-índia e logo uma perseguição com um machado começava.
— WAHH! ?! — ele perguntou surpreso quando viu quem tinha o acordado.
— Desculpa! — ela pediu com um sorrisinho fraco. — Preciso da tua ajuda e do Tom, mas não o acho em lugar nenhum.
— Faz tempo que ele acordou e desceu pra tomar café da manhã. — Dougie lembrou-se e também lembrou que o amigo não tinha lhe trazido nada para comer como havia prometido. Safado, pensou o baixista.
— Até a e a sumiram. E agora a vovó quer que eu convide o vovô Dougie e o vovô Tom, o que eu faço?
— Me mostra onde é a janela que eu tenho que sair e aí eu invento uma desculpa qualquer.
— Brigada, Dougie. Vamos rápido, então.
— E pra que a visita?
— Ela disse que não dá satisfações para pirralhas como eu.
— Faz bem... AIII!! Tava brincando! — ele disse depois de receber um pedala pelo seu comentário. — Ok! Nos vemos lá embaixo. Bye-bye.
— Já liguei, vovó!!! — gritou da porta do seu quarto enquanto via o aceno de Dougie ao sair pela janela.
— ÓTIMO! VENHA AQUI! — berrou a velha, do andar debaixo.
— Sim, vovó? — estava um pouco cansada por ter corrido.
— Aqui tem. — a velha entregou para a menina uma nécessaire preta.
— Anhhhh... obrigada?
— Não é presente, panaca! É pra você me maquiar.
— Mas a vovó não odeia esse tipo de coisa? — perguntou a jovem, confusa.
— Não quando estou em tempo de caça! — a velha deu uma risada, assustando a menina.
— Caça ao quê?!
— Menina! Ainda não entendeu?! Temporada de caça ao seu vizinho, vovô Dougie Poynter!
— Que tal Tomates Assassinos? Que foi? É um ótimo filme, quer dizer, um ótimo filmeca. — tentou explicar.
— Fazemos assim, então: eu e o Tom procuramos pelo filme da Sexta do Filmão e você fica encarregada do filme da Terça do Filmeca. — propôs, dando seu melhor sorrisinho de propaganda de pasta de dente.
— Por mim tudo bem. — concordou depois de olhar a amiga com certa desconfiança.
— E aí, alguma sugestão de filme bom? — perguntou Tom com as mãos no bolso.
— Shhiiiu. — disse baixo e indicou com o dedo para que ele não fizesse barulho. — Tenho um ótimo filme em mente, mas não podemos deixar a descobrir.
— Por que não? — ele perguntou também em voz baixa.
— Ela e a morrem de medo de filmes de terror e nunca nos deixam alugar um pra Sextas do Filmão, mas talvez agora a gente consiga! Temos que arranjar o filme mais assustador já feito.
— O exorcista? Tem também O bebê de Rosemary, ou O iluminado.
— Ahh, O iluminado e O bebê de Rosemary nem são tão assustadores assim. O exorcista é bom. Mas eu tava pensando em algo como O massacre da serra elétrica, ou O chamado.
— Tem um que um dos guys tava querendo ver já faz um tempo... Como era o nome? Acho que era O Albergue.
— Perfeito! Vamos buscar esse mesmo, também tava afim de assistir.
— Não seria melhor levar um outro filme? Caso elas não topem ver o de terror?
— Nem! Vai ser legal vê-las gritando de medo; o filme vai virar comédia.
— Muito amiga você, hein?
— Ah, Tom! Só pra zoar um pouco com elas. Agora rápido porque temos que achar antes dela!
— Hey! Já acharam? — gritou pra eles; ela já estava no caixa.
— Tarde demais. — Tom comentou.
— Ahá! — agarrou um dos dvd’s na prateleira de cima, próxima a ela. — Aqui está.
— Mas ela ainda vai ver quando formos até o balcão... ué... cadê ela?
— Vamos aproveitar! Tiooo!! Vamos levar esse aqui. — correu rápida até o atendente, já com o dinheiro da locação em mãos para não haver perda de tempo.
— Voltei! — disse bem atrás deles dois, os assustando. — O que pegaram de bom?
— Um filme digno de uma Sexta do Filmão! E você, onde estava? Já não tinha escolhido?
— Tinha, mas aí o moço disse que tinha o filme que eu quis alugar da outra vez. Resolvi aproveitar!
— Qual filme? — perguntou Tom curioso.
— Um filme com meu amado McFly! — respondeu, abraçando o dvd e sorrindo pastel.
— Sorte no Amor?!
— Ihh, Tom! Chamou o filme de vocês de filmeca! — ria.
— Oi? Quê?! — perguntou após sair de seu transe com o dvd. — Nããão! Não é o filme de vocês. E não chamei Sorte no Amor de filmeca, ! Olhem só, eu vou alugar Marte Ataca! — ela exibia feliz para os outros dois a capa do dvd.
— Mas o McFly não está nesse filme! — avisou.
— Eu estava me referindo ao ator, o Michael J. Fox!
— Então chame ele pelo nome e não pelo nome de uma personagem famosa que ele interpretou, lesada! — atingiu um leve pedala na amiga.
— Certo! Só vou mostrar pro moço que eu troquei de filme e pagar. — avisou, entregando o dvd para o atendente.
— Não precisa pagar. — Tom disse. — Quando eu e a viemos pagar eu aproveitei e paguei a sua parte.
— Você o quê?! Verdade isso? — perguntou para Tom e depois para o atendente, que fez um aceno positivo.
— Ok... vocês não devem ser muito normais. — disse, estranhando o fato que sua amiga tinha saído da loja bufando, sem agradecer a Tom por ele ter pagado, e também pelo loiro estar rindo das atitudes dela.
— Não se preocupe. Eu já estava prevendo algo assim. — ele comentou, abafando uma risada.
~DIM-DOM~
Tocou a campainha e correu para atender. Ela aproveitou-se da pequena escada que existia entre o hall de entrada e a sala de estar para tentar avisar Dougie, mas lembrou-se que a vovó tinha uma audição excelente. Talvez, se ela fosse genérica, poderia ter sucesso.
— Fique atento. — foi o que ela conseguiu pensar de melhor para dizer.
— Quê? — perguntou ele sem entender direito, mas quando chegaram à sala, pôde imaginar.
Vovó estaria radiante se fosse uma moça mais jovem, e ajudaria muito também se não tivesse sido maquiada pelas mãos vacilantes de . Na mesma hora Dougie pensou que a própria velha tinha se maquiado por conta do blush em tom errado e passado de um jeito estranho, pelo lápis do olho ter sido desenhado torto e estendido um pouco além da pálpebra, a sombra que variava de tonalidade diferente para cada olho e, por fim, o rímel borrado. Afinal, era cega.
— Ho-ho-ho! Bom dia, vovó ! Nossa jovem zinha ofereceu um convite, mas infelizmente vovô Tom não pôde vir. Ele... tinha de ir ao médico para um check-up!
— Melhor ainda! — a velha comentou consigo mesma. — Venha, meu velho, vamos fazer algo que velhos sabem apreciar mais do que os jovens.
— Tipo o quê? — e Dougie perguntaram juntos.
— Falar mal da juventude!!! — a velha parecia animada pela sugestão que havia dado.
— Eu gosto da juventude de agora. — Dougie comentou, sentando-se no sofá, e viu a velha aproximar-se dele com a cadeira de rodas.
— Arrghh! Nada! Bando de tatuados pelo corpo todo; sem falar nos brincos. — ela disse, franzindo a testa.
— Eu tenho. É legal!
— Tem?!?! — vovó estava espantada e agradecia aos céus por ser cega para não ter de ver um velho pelanquento com uma tatuagem e brincos.
— Na verdade, é um alargador. — comentou inocente, também sentada no mesmo sofá.
— Coisa de selvagens! Bom, mudemos de assunto... o que acha de música? Minha neta tem um péssimo gosto musical.
— Hummm, acho que devemos gostar das mesmas músicas. — ele respondeu, referindo-se a , mas a vovó entendeu que ele falava pensando nela.
— Ah! Sim, eu e o senhor devemos gostar. Nada de músicas das bandas da minha neta, a que ela mais me enche é o tal do McDonald's.
— Nunca ouvi falar. — e sentiu uma leve cotovelada de . Ele a encarou confuso e entendeu logo pelo olhar dela que a velha tinha dito o nome da banda errado. — Hummm, não seria McFly?
— AH! Exatamente essa. O senhor não odeia essa banda? Sinceramente, não sei como ela pôde ir num show deles, grande perda de dinheiro.
— Vovó! Não diga uma coisa dessas. — tentou amenizar a situação.
— Eu também não os suporto. Muito mocinhos. Sinceramente? Eu sou fã de bandas com apologia ao anticristo, com letras capazes de invocar o próprio Satanás! Onde os vocalistas jorram sangue pela boca e tudo mais em shows.
— JURA?!?! — vovó e perguntaram espantadas.
— Mas... Dougie... — estava até certo ponto assustada com tudo o que ele dizia, pois não parecia ser mentira pela cara que ele fazia; estava normal.
— EU TAMBÉM!!!
— QUÊÊÊÊ?!?! — Dougie e berraram juntos.
— Pensei que jamais encontraria alguém que compartilhasse do mesmo gosto musical que eu! — a vovó estava emocionada e aproximava-se de vovô Dougie na direção que acreditava que ele estava.
— E-e-eu vou pegar algo para beber. Vovô, pode me ajudar? — levantou-se rápida e começou a puxar Dougie pela mão para segui-la.
— De onde veio essa avó?! — Dougie estava chocado.
— Pior é que eu acho que ela está apaixonada por você! — disse o mais baixo possível.
— He-he-he. Faz bem. — ele riu convencido. — AII!! Tava só brincando.
— Burro! Se ela gostar de você, ela não vai mais topar ir pro manicômio porque vai querer ficar junto de você.
— Não era hospício?
— Não faz diferença, é tudo louco mesmo! Vai lá e invente qualquer coisa pra que ela queira ir embora dessa casa o mais rápido possível.
— Tipo o quê? Eu não sei... Espera... Já sei, já sei! Eu vou ir lá fazer sala pra ela e você faz o seguinte... — Dougie fez sinal para que ficasse mais perto para ouvir o plano.
~DIM-DOM~
— Devem ser os paramédicos! Corre lá, ! Vai, vai, vai! — ordenou vovó com lágrimas nos olhos, dando tapas no ombro da garota.
— Já vou, já vou. — ela correu para abrir a porta e deixou os médicos entrarem. — Por aqui!
— Não temais! Nós, os médicos, chegamos e estamos aqui para salvar a todos! — disse , rindo-se por dentro com suas próprias palavras.
— Não exagera, lesada. — disse para a amiga apenas movendo os lábios, sem emitir qualquer som.
— Não há batimento cardíaco! — informou com voz de aflição e desapontamento. — Doutor, o senhor terá de dizer.
— Pois bem! — Tom interpretava o que ele entendia como voz de um médico galã de televisão. — Hora da morte: onze e cinqüenta e nove. Sentimos muito, não havia nada a ser feito.
— Ohh! Doutor!! — suspiraram e ao mesmo tempo.
— Vovô Poynter se foi. — completou e começou a fingir um soluço. — Ele estava tão bem, e de repente... se foi.
CAP. 15- Hora do chá
— Vovó?! — tinha chegado a casa e encontrou sua avó na sala chorando com um lenço na mão e uma mortalha lhe cobrindo o rosto. — O quê? Ou, melhor, quem?!
— Dougie Poynter morreu, querida. Jus-jus-justo quando tinha encontrado alguém com tantos gostos quanto os meus. As mesmas músicas, as mesmas paixões, os mesmos ódios.
— O Dougie morreu?!
— Senhor Dougie, ! Mais respeito, ainda mais com um defunto.
— Mas quando? Onde? E principalmente...como?!
— Hoje, no finalzinho da manhã. Aqui mesmo nesta sala, neste chão, entre essas paredes que ainda tem o cheiro dele. Ataque fulminante.
— Cheiro dele? — estranhava cada palavra e como não havia mais ninguém por perto ela não tinha como entender o que poderia ter realmente acontecido. Mas nem que o garoto estivesse fedendo pra minha salinha ainda ter o cheiro dele, ela pensou.
— -...,digo, ! Você chegou, mulher! — dizia surpresa descendo saltitante a escada.
— Hey...,. Annnhh, tem como você me explicar o que aconteceu por aqui, afinal? — se aproximou da amiga e foram juntas para a cozinha.
— Tua avó não disse? Vovô Poynter morreu, coitado.
— Annhh, tinha como ele...morrer? Ok! Eu acho que estou ficando doida por aqui ou eu sou a única sã. — sentou-se na cadeira mais próxima e começou a se abanar com a própria mão.
— Calma. Foi o jeito que o Dougie encontrou para sua avó não se apaixonar por completo por ele. Sabia que ela gosta de música satânica?! — disse a última frase num sussurro desesperado.
— Tinham me dito que gostava... Mas, minha avó... apaixonada pelo Po-Poynter? Credo! Então resolveram matá-lo?
— Sim, ele mesmo. Ah! Ele bolou um plano.
— Tenho medo do que ele tenha planejado.
— Magina. Foi simples até. Eu liguei pro celular da , pedi pra eles voltarem o mais rápido possível pra casa, mas que tocasse a campainha ao invés de entrarem com a chave. Nisso, o Dougie começou a fingir um ataque cardíaco e eu fingi ligar para o número de emergência, assim quando a , o Tom e a chegaram, eles fingiram ser os paramédicos.
— E você ainda diz que foi simples?! Bom, e onde está o corpo do defunto?
— Demos a desculpa de que os paramédicos iam levar para o IML e avisar a família.
— E a vovó acreditou mesmo em tudo isso?!
— Mulher! Não a viu chorando lá na sala? — perguntou indignada. — Agora temos que fazê-la querer sair daqui.
— Hummm, e como pretende fazer isso?
— Oras! O mais novo amor da vida dela acabou de morrer na sala, acha mesmo que ela vai querer continuar na mesma casa onde ele morreu? No caso mais drástico podemos fazê-la achar que ouve a voz do vovô Poynter. — tentou abafar uma risada.
— Nada de assombrar minha avó! Vai lá consolar ela que eu vou preparar um chá para acalmá-la. Ah! , onde estão nossos paramédicos?— perguntou já acendendo o fogão.
— Vamos lá, molengas! Nem é tão difícil assim. — debochava sentada confortável no galho da árvore.
— Verdade. Fala sério, até a conseguiu. — comentou sentada bem ao lado da amiga rindo.
— HEY! O que você quis dizer?! — ela acertou um pedala em , quem perdeu o equilíbrio.
— AIII!!! — via tudo de ponta cabeça e só não caiu, pois estava com os joelhos bem flexionados sobre o galho. — Mulher! Vou te matar!!
— Não temais, zinha! Eu, , estou aqui para salvar a todos!!
— Por que vocês não compram uma escada? É bem mais seguro do que se arriscar a entrar em casa escalando uma árvore. — Tom reclamou ainda no chão.
— Vamos lá, Tom! Cadê o seu instinto animal? — Dougie perguntou dando um pulo para se agarrar ao galho mais próximo.
— É, Tom! Você é um gatinh-, digo, um felino, então sobe logo. — incentivou e passou para dentro da casa pela janela do quarto de .
— Não há lugar como o nosso lar! — comemorou quando também passou pela janela. — Diz aí, você ia dizer “gatinho”, não ia?
— É, tava falando sem perceber. Podia soar meio no duplo sentido, não?
— Sim, podia. Maaaas acho que não faz muita diferença quando você realmente pensa que ele é um gatinho no outro sentido. — deu um olhar sugestivo para a amiga e saiu do quarto, deixando uma bem envergonhada para trás.
— AHÁ! Consegui!! — Dougie comemorou quando conseguiu chegar ao quarto.
— Pronto! Espero não ter de fazer isso muitas vezes. — Tom foi o último a passar pela janela.
— Eu tô com fome. — Dougie passava uma mão pela barriga. — Hey, . Tem como trazer pra nós algo de almoço? Não dá pra descer com a véia lá.
— Anh, claro! — ela respondeu ainda vermelha. Mas antes vou dar um pedala naquela por dizer coisas como aquela, pensou . — Eu peço para a levar pra vocês.
— Va...-leu. Nossa que rápida! — Tom disse quando viu a menina sair correndo do quarto.
— Será que o Fletch, Danny e o Harry ainda estão dormindo? — Dougie perguntou mudando completamente de assunto.
— Só vendo para saber.
— Ela está mais calma? — perguntou chegando com uma travessa com um bule de chá, quatro copos e umas bolachas.
— Humm...depende de como você vê a situação. — respondeu pensativa.
— Por que diz isso? — tinha medo da resposta.
— Bom, ela está ouvindo músicas satânicas.
— Como?! — quase derramou todo o conteúdo do bule quando ouviu.
— Ela me perguntou se eu tinha um discman, eu disse que sim e emprestei pra ela. E a capa do cd que ela está ouvindo só, eu disse só, pode ser de música satânica.
— Melhor a deixar ouvindo então. Quer chá?
— Vou aceitar...? ?? — estranhou a expressão de medo na cara da amiga e resolveu seguir o olhar da amiga que estava sobre dois seres, um na forma de pato sendo perseguido por um macaco.
— Atrás deles! Já! — sussurrou em desespero deixando o chá para trás e seguindo os animais que entraram na cozinha.
— Por que será que essa bicharada adora correr na hora que eu vou comer ou beber alguma coisa?
“DAAAAANNY!” — Harry corria atrás do pato atrapalhado.
“DUDE! Eu tô morrendo de fome, eu não tenho culpa se essas desnaturadas não se lembram de nos alimentar.” — Danny tentava voar para conseguir chegar à bancada e procurar por algo comestível.
“Mas a velha tá aqui na sala e as meninas irão nos matar se ela descobrir sobre nossa existência!”
— H-H-Har-Har! — entrou na cozinha com o rosto vermelho e com voz aflita.
— Har-Har?! Quê isso, mulher? Resolveu dar apelido também? — perguntou logo atrás dela com sorriso feliz no rosto.
“Meleca melequenta!” — Danny praguejou.
“COORRREEEE!!!!!!”
— Eu vou matar vocês dois! Danny, eu vou fazer sopa de marreco com você e Harry, eu vou te passar um shampoo anti-piolho!
“WAHHHHH!! Sopa de marreco? Nããão!!!!!!!!!” — Danny voava desesperado pela cozinha para não ser pego.
“Hein? Por que você passaria shampoo anti-piolho em mim?! AÊ, Danny, quero uma carona!” — Harry segurou suas mãozinhas firmes nas patas de Danny, mas ele não conseguia agüentar direito o peso do baterista.
— CUIDADO!!! — e gritaram juntas quando viram Danny colidir com o batente da porta da cozinha e Harry soltar-se das patas do amigo sendo lançando com certa velocidade para a sala.
Vovó estava na sala e tinha sentido o doce cheiro do chá, pensou que sua neta deveria ter feito especialmente para ela. Sem muitas dificuldades girou a cadeira de rodas e com um olfato bem aguçado seguiu para onde deveria se encontrar a mesa de centro para servir-se do chá. Tateou a mesa e quando finalmente encontrou o bule e um copo segurou firme ambos para servir com maestria a quantidade certa sem transbordar.
“WAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH” — gritava Harry enquanto era lançado. Sua mão tinha se soltado da pata de Danny e agora ele já começava a perder velocidade e conseguia ver que iria cair justo sobre a pobre vovó, que no exato momento segurava um copo de chá.
— AAAIII!!!
— VOVÓ!!!! — gritaram e ao mesmo tempo quando viram e ouviram Harry cair e parte do seu corpo bater nos joelhos da vovó, ela se assustou e soltou o copo e todo o seu conteúdo caiu sobre seu joelho e sobre o macaco.
PUF
Uma densa fumaça branca envolveu a região onde estavam os dois e por alguns segundos não foi possível vê-los, mas na mente das meninas e de Danny, já se imaginava o que poderia ser aquilo.
Uma transformação. A transformação de Harry.
— HEY!! — as meninas protestaram quando sentiram penas entrarem em seus olhos quando Danny começou a voar de novo e tapar-lhes a visão do amigo pelado.
“Vocês são muito novas pra verem esse tipo de coisa.” — Danny argumentava.
— Maldição!! Derrubei água quente em minha perna. ! Pegue uma toalha para mim, AGORA!! — a velha dizia amargurada e alienada ao que ocorria a sua volta, pois estava mais preocupada com a sensação de quente que sentia em sua perna.
— SIM, Vovó! — respondeu e puxou para dentro da cozinha.
— Que faremos?! Temos um Judd pelado na sala!! — sussurrou desesperada.
— Você e o Danny ficam aqui, eu vou pegar um pano pra minha avó e outro pro Harry poder se cobrir. Quando a barra tiver limpa, subam, mas fala que você vai subir pra ela pensar que é mesmo você. Ok?
— Ok. Vai logo. — empurrou a amiga porta a fora.
— Aqui tem um pano, vovó! — vinha de olhos fechados e jogou um pano na direção da avó e com a outra mão estendeu para um Harry ainda imóvel. Ela sentiu o pano ser retirado de sua mão e ela indicou com o dedo para que ele fosse para a cozinha.
— Não sei o que aconteceu. — dizia a velha passando o pano sobre sua perna no local molhando. — Senti algo bater no meu joelho e me assustei. Quando dei por mim só senti o quente da água queimando minha perna.
— Sinto muito, vovó. Nem imagino o que possa ter acontecido. Não tem ninguém aqui e eu e a estávamos na cozinha. — estava ajoelhada no chão próxima a sua avó. Ela olhou muito rápido para a porta da cozinha para tentar ver algo.
“HARRY!! Você voltou!!! Ainda há esperanças para nós!” — Danny comemorava.
— Harry! — vibrou de felicidade pelo rapaz ter conseguido voltar ao normal e ao mesmo tempo de vergonha por tê-lo a sua frente apenas com um pano de cozinha. — Humm... a disse pra subirmos o mais rápido possível pra cima. Mas a vovó tem bom ouvido então tente subir fazendo o mínimo de barulho possível, não se preocupe que eu subirei também e vou ser o mais barulhenta possível. Ela nem vai desconfiar.
— Ok! Mas lá no sótão, se eu gritar, ela vai poder ouvir? — ele perguntou.
— Imagino que não. Por quê?
— Meu maior desejo agora é poder gritar que eu voltei ao normal. — ele dizia tentando segurar sua emoção por ter voltado ao normal. Sentia-se extremamente feliz por poder falar e ser entendido pelos humanos.
— Anhh... , amiga? Eu vou subir lá em cima, tá? — disse com a voz meio insegura para enquanto segurava Danny nos braços e indicava para Harry que já estivesse pronto para subir.
— Não é possível subir para baixo, ! — a vovó intrometeu-se rindo com ironia do comentário da menina.
— O-o-ok.... — disse com certa dificuldade vendo seu mcguy favorito, com quem já tinha trocado um selinho quando ele ainda era um macaco, praticamente nu no pé da escada de sua casa.
— Onde pensam que vão?! — perguntou quando viu Dougie e Tom perto da escada que levava a sala.
— Não era que você ia ver nosso almoço?! — Dougie perguntou quando topou com e no corredor do andar de cima.
— Eu tava discutindo algo com a primeiro. — se explicou.
— E nós estávamos querendo resgatar o Danny e o Harry que desceram até a cozinha. — Tom explicou. Todos estavam a um passo da escada.
— Dudes. Meninas. — surgiu primeiro a voz de Harry e então sua imagem sem muita roupa, coberto apenas por um pano de cozinha amarrado na cintura.
— Por favor, não gritem. Meninos, subam pro sótão e, Harry, coloque uma roupa. — fazia sinal de silêncio para as meninas completamente estáticas a sua frente.
— Harry...você...voltou! — os rapazes disseram felizes e sem ação nenhuma também.
— Pro sótão de uma vez. — empurrava os três que continuavam parados e começavam uma conversa sobre como tudo tinha acontecido.
“Hellooo! E eu aqui? Estão se esquecendo de mim, droga!” — Danny reclamava ainda nos braços de .
— Ownnn... — disse com voz de choro. — Agora o Danny perdeu mais um amiguinho, coitado.
“Alguém pensa em mim pelo menos.” — Danny olhava para , que estendia as mãos para pegá-lo em seus braços.
— , explica como isso aconteceu! — disse.
— Foi tudo muito rápido. Eu e quase surtamos lá embaixo, sem contar que não podíamos gritar com a vovó por perto. Sorte que ele também não gritou nem nada, mas tá louco pra comemorar que voltou a ser humano.
— Ah! Ele vai poder comemorar de um jeito bem legal com os filmes que alugamos. — disse contente. — Agora me ajuda a levar algo de comida pra eles que o Poynter já estava pra pegar no meu pé.
— Hummm... E alguma idéia de como pode ser que eles voltem ao normal? — arriscou enquanto fazia cafuné em Danny.
— Pior que não. — respondeu antes de começar a descer as escadas. — Mas assim que a vovó for embora, vamos procurar descobrir.
CAP.16- Tentativa de sessão de filme
— UHUUUUUUUUUULLLLLLLLLLLLL! — Harry dançava de um lado pro outro agora que tinha voltado ao normal.
— Não entendi até agora como a vovó não desconfiou de nada. — Tom dizia pensativo.
“Agora só faltam dois. Eu e o Danny.” — Fletch pensava consigo mesmo já que o único com quem podia se comunicar não estava no sótão no momento.
— Ok, ok! Muito legal, estamos todos felizes por você. Mas pára de dançar feito macaco por aí que ninguém aqui quer ver seus documentos! — Dougie dizia de olhos fechados. — Vou ter pesadelos.
— Uma vez macaco, sempre macaco. — Tom tentava abafar uma risadinha.
— Olha o respeito! Até porque agora eu posso me defender. Certo. Onde nessa maloca que nós chamamos de quarto está minha mala com roupas? — Harry perguntou passando o olho por todo o local.
— Ali, debaixo da minha. — Dougie indicou. — DUDE! Tô com fomeee! Acho que vou ir roubar algo da cozinha igual ao Danny.
— Nem pense nisso! — Tom e Harry disseram ao mesmo tempo.
— Você e o Tom quase tiveram um ataque quando contei onde o Harry e o Danny tinham ido, não cometa o mesmo erro deles. — Dougie leu a plaquinha de Fletch.
— Annnhh... Rapazes? — veio uma voz do andar debaixo.
— Trouxemos comida. — disse outra voz.
— UEBAAAA!!! — Dougie saiu correndo para descer a escada móvel para as meninas. — Finalmente! O Tom já tava abrindo um berreiro aqui de tanta fome.
— Calúniaaa!! — Tom se defendeu.
— Estranho. Eu jurava que o esfomeado era o Dougie. — cochichou no ouvido de .
— Não se pode acreditar em tudo que aquelas revistas dizem. — disse sábia e começou a subir a escada.
— Péra!! O Harry já está vestido?! — perguntou parando imediatamente.
— Annhhh...Pronto! Tá todo mundo vestido. Agora passem a comida que eu tô morrendo de fome. — Dougie avisou.
— Pensei que era o Tom que estava. — disse desconfiada entregando um prato de comida para o rapaz.
— Calúniaaaaa!! AIII!!
— Dude! Eu tava louco pra fazer isso desde o dia do parque. — Harry comentou feliz após dar um pedala na cabeça de Tom.
— E tinha que ser justo em mim?!
— Que bom que você voltou Harry! — comentou feliz interrompendo a discussão e terminou de colocar os pratos na mesinha improvisada em que haviam jogado cartas na noite anterior.
— Bom apetite! — disse antes de eles começarem a se servir.
— Ligue para o vovô Tom, minha querida! — a velha ordenou entregando sua nécessaire preta a .
— Vovó... O que a senhora está pensando? — desconfiou da atitude da avó.
— Minha querida, na minha idade não é permitido chorar por muito tempo pelo homem enterrado! Vamos tratar de fisgar o amigo dele de uma vez, antes que ele morra também.
— VOVÓ!! Não vou deixar a senhora fazer isso. Nada de homens, agora é hora da senhora descansar em um lugar calmo e seguro que com certeza, acredite, não é aqui.
— Eu sabia! Você não espera a chance de me largar num asilo, não é, neta ingrata?!
— Vovó. — tinha entrado na sala vinda da cozinha com Danny ainda em seus braços. — Pense bem, realmente vai querer estar aqui, nesta casa? Aqui onde o seu querido e tão amado vovô Dougie partiu?
— Oh! Não me lembre! Não me lembre! A dor ainda está muito presente em mim. — dizia a velha tentando conter lágrimas.
— Não é à toa... Ele morreu hoje! AII! — ela reclamou assim que recebeu um pedala de . — Mesmo assim...
— Mesmo assim a vovó já deveria considerar a idéia de ir morar numa casa de repouso! — disse entusiasmada interrompendo .
— Ai, minha querida . Talvez eu devesse mesmo. — vovó suspirou cansada.
— Jura?!?! — perguntaram as duas garotas em coro.
— As mudanças de decisão de uma senhora de idade não devem ser questionadas. — disse a vovó com desgosto. — Mas bem, vamos hoje mesmo!
— Hoje mesmo?!?!?!
— Afinal as duas resolveram formar um coro? Já disse o que iremos fazer. Desçam minhas malas e vamos logo para aquela casa de repouso que minha neta tanto me indicou.
— Certo, vovó. Nós vamos para uma casa de repouso, mas não hoje. Fique em casa mais esta noite e amanhã de manhã mudamos a senhora, ok? — disse ainda incrédula.
— Tudo bem. — suspirou a velha cansada. — Acho que vou aproveitar e descansar, foi um dia cheio de emoções.
— Viu só, ? — cochichou no ouvido de . — Eu disse que insistir naquele lugar pra sua avó em algum momento ia fazer efeito.
— Tire esse sorrisinho convencido da cara. — deu língua para a amiga.
— Ah, sim! — a vovó começou a dizer. — Já que vou ficar por aqui mais esta noite, então quero que me levem lá para cima para eu poder lamentar a morte do vovô Dougie em paz.
— Lá pra cima?!?!?!?! — gritaram as duas em desespero com a idéia de levar mais uma vez a vovó pela escada.
— Tem tempo de a gente chamar ajuda masculina? — cochichou rápida no ouvido de .
— Sem corpo mole, garotas! Já fizeram isso várias vezes, podem fazer mais uma!
— Eu... Acho... Que... Não. — cochichou de volta já exausta só com a idéia do esforço que seria gasto.
— Alugaram filmes? — Harry perguntou dando uma abocanhada na comida. Era bom poder voltar a comer comida humana.
— Ah!! Por isso que você foi pra pegar algo de comer pra mim e não voltou mais, né, safado? — Dougie alcançou um pedala em Tom.
— Simmm! Temos dois filmes. — avisou.
— Verdade...acabei esquecendo de perguntar o que é que vocês acabaram alugando. — comentou distraída.
— Uhull!! Teremos a Terças do Filmeca e a Sextas do Filmão tudo no mesmo dia? — perguntou com os olhos brilhando com a possibilidade.
— Como vamos ver os filmes se temos que ficar aqui? — perguntou o Dougie coçando a cabeça.
“É isso é um problema... E eu quero ver filmee!!” — Danny opinou acomodado no colo de .
— Mulher, tudo bem com você? — cochichou bem baixo no ouvido de .
— Hum! — estava distraída olhando discretamente para Harry e se assustou quando veio lhe falar. — Sim, ‘tô bem. ! Eu posso falar com você?!
— Anhh...claro. Fala.
— Não aqui. Lá em baixo e em particular.
— Ok. — concordou e passou seu olhar estranhado por todos os outros presentes no sótão.
— A ‘tá estranha. — Dougie arriscou.
— Deixa ela. — Harry tentou mudar de assunto, pois tinha percebido o olhar de sobre ele e já imaginava que ela podia estar pensando na cena que aconteceu no parque dias atrás. — E então como vamos fazer?
— Bom, a vovó vai passar a noite no quarto dela pelo visto, então vocês podem descer e ver com a gente na sala. — avisou.
— Pode ter pipoca? — pediu como uma criança feliz.
— E que filme vocês pegaram? — Dougie perguntou dando um leve cutucão em Tom.
— Segredo.
— Devemos ter medo do possível filme que eles pegaram? — cochichou no ouvido de .
— É melhor termos. — ela respondeu discretamente.
— Então, é melhor levarmos alguns colchões lá pra baixo e já nos acomodarmos, cambada!
— Harry disse animado. Tão bom ser humano de volta.
— ! — dizia repetidas vezes acenando sua mão na frente do rosto da amiga. — Responde, amiga!
— Inspira...expira...inspira...expira. — tentava acalmar-se. — Calma que eu acho que não ouvi direito. Você e o Harry trocaram um selinho? QUANDO? ONDE?! COMO?!?!
— Respira, mulher! Sim, nós nos beijamos. No dia que saímos com eles para o parque. Perto das árvores que ele estava escalando. Não sei explicar direito, só sei que aconteceu porque ele caiu e eu saí correndo pra pegar ele e aí... Aconteceu.
— Péra aí, péra aí. Mas naquele dia o Harry ainda era um macaco, não era? — estava completamente incrédula.
— Era, era sim.
— QUE NOJO, VOCÊ BEIJOU UM MACACO?!?!?!
— Não se esqueça que o macaco é o Harry Judd!!! — rolou os olhos. — E aposto que se você e o pato tivessem se beijado você não reclamaria nem um pouco.
— Lógico que não reclamaria! Mas eu esperaria ele voltar a forma humana primeiro. — deu uma piscadela.
— Você entendeu o que eu quis dizer, tapada. E agora o que eu faço?
— Joga ele na parede e o chama de lagartixa! AIIIIIII!!!! — tinha recebido um pedala de .
— , se eu quisesse respostas toscas assim eu teria conversado ou com a ou com a .
— É bom saber que você tem tanta consideração pelas suas melhores amigas. Certo, vamos ver. Qual é mesmo sua dúvida?
— O que eu faço? — perguntou já sem muita paciência. Ai, que amiga Jones eu fui arrumar, pensou tentando segurar o riso.
— Você pode conversar com ele ou não fazer absolutamente nada.
— Muito esclarecedor, hein, ?
— É sério. Foi um selinho e ainda por cima acidental! Sinto muito, mas duvido que ele esteja encucado com essa história como você.
— Por que ele é um pegador de mulheres desde muito antes e um selinho não quer dizer lá muita coisa ou por que ele está amaldiçoado e dar um selinho num macaco não quer dizer que é um selinho?!
— Anhhhh... As duas coisas? — respondeu confusa. — Já sei. Faz assim ó: se ele comentar algo, você fala também; Se ele não comentar nada, então você fica quieta e trata de esquecer essa história, ok?
— Então quer dizer que vou voltar a fazer parte daquele time. — disse fingindo uma voz dramática.
— Qual time?
— Daquelas que ainda não beijaram o famoso Harry Judd, mas também não perderam a esperança de que isso vá acontecer. E eu espero, Srta. , que tanto você com a e a permaneçam no grupo de vocês.
— Daquelas que ainda não beijaram seus respectivos mcguys, mas também não perderam a esperança de que isso vá acontecer?
— É, é, pode ser... Eu só tinha pensado no time daquelas que nunca beijarão o Judd.
— Bom saber que você torce tanto pela gente com os nossos guys, . — ela fez um joinha com a mão.
— Meninas? — surgiu a cabeça de na entrada da porta da cozinha onde se encontravam as duas amigas.
— Fala, . — disse.
— Nada de mais. Eu e os outros estamos descendo agora pra arrumar tudo... Aí quis avisar vocês. Vai que alguém entra na cozinha e ouve algo que não é pra ouvir, sei lá.
— Não se preocupe a conversinha particular já acabou. Vão lá arrumar as coisas que eu vou ver de preparar alguns lanchinhos pra comermos durante os filmes, tá legal? — disse já em direção aos armários em busca de comida.
— Ok! — responderam as outras duas meninas em coro.
!CABRUM!
Soou mais um trovão na chuva que tinha começado havia meia hora. Já era quase meia-noite e todos resolveram tirar uns quinze minutos de intervalo para começar a ver o outro filme. Eles viram primeiro Marte ataca e agora veriam O Albergue, apesar de que ninguém, tirando e Tom, sabia. Ambos estiveram fazendo suspense sobre qual seria o filme a noite inteira.
— Eu já disse que nós consertamos as goteiras que tínhamos na casa, Dougie! — insistia pela décima vez enquanto olhava para a chuva que caía desde a janela.
— Já ouvi, mas qual o problema de eu querer ser precavido? — o rapaz respondeu acomodando-se melhor sentado sozinho no sofá de três lugares que havia sido movido para ficar frente a frente com a televisão.
— Não dá pra dividir o sofá com você e esse guarda-chuva aberto, seu lesado! — Harry disse. Se não fosse pelo guarda-chuva ele daria um pedala em Dougie.
— Mentira! Vocês que estão com inveja porque só tem um guarda-chuva bom nesta casa e ele está comigo. — o baixista deu língua para todos.
— Hummm, tá meio frio...que acham de algo quentinho pra acompanhar o filme? — perguntou.
“Bebida?” — perguntou Danny aliviado por saber que se fosse uma idéia idiota ninguém diria nada, pois Fletch estava hibernando no sótão e os outros companheiros não podiam mais ouvi-lo.
— Mais pipoca? — perguntou esperançosa.
— Mingau? — sugeriu .
— Ótima idéia, ! — foi-se dirigindo novamente para a cozinha. — Gente, eu vou fazer um mingau delicioso. É perfeito pro frio que tá fazendo.
— Quer dizer que não vai ter pipoca? — perguntou preocupada servindo-se da tigelinha com pipoca colocada no chão.
— Na próxima Terças do Filmeca eu preparo mais. Agora eu vou ir lá fazer o mingau.
— Que triste. — suspirou e deu um olhar assassino para Harry que acabava de pegar um monte de pipocas com sua mão.
— Já vamos colocando o filme. — disse ao retirar do aparelho do DVD Marte ataca.
— Annnhh...Bom, na verdade não dá pra esperar até a voltar? — disse Tom, o menino coçava a nuca e estava sentado no chão perto de Dougie.
— Hein? Vocês alugaram O Albergue? — perguntou surpresa com o tipo de filme em mãos.
— AHÁÁÁÁÁ!! Eu sabia que eles tinham aprontado alguma! — deixou de olhar a chuva e sorria triunfante em direção a e Tom.
— Isso não é um filme de terror? — perguntou .
— Qual o problema? Deve ser legal, coloca aí e vamos ver logo. — Harry opinou.
— Você quer? Você quer? Você quer? — Dougie dizia repetidas vezes isso com a última torrada com geléia em sua mão balançando na frente do pato Danny que tentava em vão abocanhá-la.
“DougiIIiiiiIIIEEeeee!!!” — Danny estava já ofegante de tanto pular para tentar conseguir sua torrada. Até que ele finalmente conseguiu roubá-la. “OPA!!!!”
— Oh-oh!! — disse Dougie quando viu a torrada ser roubada de sua mão e escapar do bico de Danny e cair com o lado da geléia para baixo no sofá onde estava sentado. Havia ali, agora, uma grande mancha roxa sabor uva.
— “Oh-oh?” Isso nunca significa coisa boa. — e todos os demais olharam na direção deles. — Ihhh, a vai ficar irada.
— Por que eu vou ficar irada, ? — entrou na sala ainda alheia aos acontecimentos, mas não demorou muito para notar.
— Foi sem querer, ! — Dougie tentou se defender erguendo ambos os braços como se estivesse sendo preso.
“Foi mal, !” — Danny disse paralisado para a menina que continuava estática.
— Você não vai ficar brava também, ? — Tom perguntou.
— Eu poderia, mas eu sei que a já vai ficar por ela e por mim. Assim, prefiro não gastar minha beleza. — ela disse mostrando a língua.
— DANIEL ALAN DAVID JONES!!!!!!!!!!!!!!!!! VOCÊ É UM HOMEM E PATO MORTO!!!!
“SOCORROOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!” — Danny saiu correndo a dar voltas no sofá com uma nervosa atrás dele.
— Esqueçam o mingau!!!! Eu vou fazer sopa de marreco com o Danny!!!!!! VOLTE AQUI, DANIEL!!!
N/A: Hey, pessoal! Obrigada pelos liindos comentários ;3 Adorei todos eles
E mais uma vez agradeço Clarice Virginia pela indicação da fiction. Tomara que ela continue sendo sua fiction de comédia preferida. (Obs: Humm... acho minha assinatura é muito sem graça para dar autógrafo XD Aahusahusha)
Não se preocupem, vou tentar fazer com que as atualizações sejam um pouco mais freqüentes =3
Para Nick C. B. e Anny Monteiro: Sim, sei que estão faltando algumas cenas de romance entre os casais. Mas elas vão ir aumentando, sério! ^.^º
Para L. Ackles: Acho que uma att tripla é um tanto difícil de acontecer, mas se rolar, fica combinado que eu aviso na n/a, ok? ;3 Atts duplas acho que são mais possíveis...
Para Bia: Sim, é uma homenagem ao mangá Ranma ½. Mas se você ler o mangá, vai ver diferenças com a fiction XD
Para Lana: Sobre o truco. É, eu só conheço esse tipo. Esse é um dos probleminhas das fictions, nem sempre retrata as coisas como você conhece ^.^º
Próximo Capítulo: Vejamos... Nesta festa do pijama, apenas meninas podem participar.
N/B: QUALQUER erro só me mandar um email ou me atormentar no twitter @browneyedvicky :*