Lights, camera, action!
Autor: Gaah Delancour
Beta-Reader: Bárbara



Capitulo I.

- , será que dá pra desligar essa câmera ? – perguntou minha mãe, com o tom de voz alto.
- Mãe, deixa eu fazer meu filme da vida em paz. – bufei, filmando o local.
Eu, juntamente com meus pais e meu irmão mais novo, estávamos no carro em destino á nossa nova casa em algum lugar próximo á King’s Cross.
Seria o começo de uma nova vida pra mim, do outro lado do mundo praticamente.
Não, eu não era de Londres, na verdade, eu nasci, cresci e vivi 16 anos da minha vida em Montreal, no Canadá. Eu amava Montreal, embora tivesse poucos amigos por lá.
Ai você me pergunta, o que te fez vir pra Londres?
Eu respondo: Meu pai!
Pois é, papai era financeiramente bem de vida, mas queria sempre ficar melhor. Quer dizer, nós não éramos high-society nem nada assim, mas eu gostava do nosso sobradinho simples no Canadá, da minha escola pública, de ter uma mãe bibliotecária e um pai treinador de futebol. Porém pro papai, lá não estava bom e quando ele foi chamado pelo treinador do Arsenal para ser professor da ‘Escolinha’ do Arsenal, ninguém da família teve o direito de pensar duas vezes. Então, viemos para a terra da Rainha.
Não moraríamos em Londres central, meus pais compraram uma casa em Islington (ao norte de Londres), porque era próximo á onde papai trabalharia.
Eu e Nathan, meu irmão um ano mais novo, estudaríamos na Holloway Secondary School. Essa ficava á cinco minutos de carro da Hornsey St, onde iríamos morar, e á meia hora de a pé. Mas eu não gostava de andar nesses dois, eu custumava me locomover de bicicleta, e era assim que eu iria pra escola. Demorando certa de quinze minutos.
- Chegamos. – anunciou mamãe, quando papai parou numa casinha aconchegante.
- Lar doce lar. – falei, irônica.
A entrada da casa era até bonita, tinha a entrada da garagem, grama e um portão branco. As paredes da entrada eram um tom de pêssego. Mamãe abriu a porta da frete e notei que a casa era realmente melhor do que nosso sobradinho.

Assim que a porta se abria, era possível ver um hall de entrada com um bar á direita e uma sala linda á esquerda. A sala contava com sofás de courino brancos, um tapete preto e uma mesinha de centro tabaco, da mesma cor do hack que segurava uma televisão enorme, um aparelho de dvd, meu Nintendo Wii e debaixo desse, uma portinha de vidro.
Andando mais um pouco, havia a cozinha que era divida por um degrau em sala de jantar e copa. A sala de jantar tinha uma mesa quadrada de seis lugares, uma mesinha de canto com flores e um sofázinho no canto. A copa tinha um balcão central, vários armários, uma geladeira e tudo que uma cozinha precisa.
Eu estava encantada com a casa, e não era só isso.
No andar de cima, havia a suíte dos meus pais, a suíte de Nate, a minha suíte, um quarto de hospedes e uma mini-biblioteca. Me interessei apenas por minha suíte, obviamente. Ela era linda.
Quando a porta se abria, era possível ver a porta do banheiro e a parede da janela. O banheiro tinha azulejos brancos, com uma facha de azulejos verdes no meio. Verde era minha cor preferida. Além disso, também havia um lavatório, um armarinho, uma privada e um Box.
A parede onde a cama de casal estava encostada era verde clara, com lírios e borboletas brancas desenhadas em branco. Ao lado da cama, havia uma cabeceira com um relógio, um telefone e um espaço para algum livro. O guarda-roupa de seis portas era branco com tabaco. E duas das portas, tinham espelho. Abri o guarda-roupa por curiosidade e notei que minhas roupas estavam todas lá.
Perguntei-me quem meus pais teriam pagado pra arrumar tudo.
Na parede oposta á do guarda-roupa, havia uma penteadeira, na qual mais tarde eu tinha que colocar todas as minhas tranqueiras e uma escrivaninha com meu notebook limão. Nessa parede com a parede da janela, havia uma televisão em diagonal. Ri com a idéia de poder dormir assistindo o que vem depois de Supernatural na Warner. A janela do quarto tinha visão para os fundos da casa, onde havia uma área de churrasco e uma piscina.
Definitivamente, em quesito de conforto, minha vida seria melhor aqui.

Capitulo II.

Acordei ao som de Homecoming (Hey Monday) tocando num volume extremamente alto no meu celular. Talvez o volume nem estivesse tão alto assim, mas poxa, eu estava com sono ainda. Apertei o ‘send’ do celular e o aproximei de minha orelha.
- Alô. – falei sonolenta.
Ninguém respondeu. Só então me toquei que não era ninguém ligando, e sim o despertador. Levantei num pulo, separei minhas roupas íntimas e corri para o banho. Enquanto a água quente caia sobre meu corpo, ouvi eu irmão cantando Sum41 na suíte ao lado. Ele cantava terrivelmente mal. Revirei os olhos, esperando que o barulho acabasse logo, e minha esperança deu certo. Silêncio.
Sai do banho, cantarolando baixinho a música que me acordou, vesti minhas roupas íntimas, fiz o que faltava de minha higiene pessoal e fui procurar a roupa ideal para o primeiro dia de aula na Hollaway.
Acabei por vestir uma calça jeans qualquer, uma camiseta branca e uma blusa aberta de moletom verde por cima. Calcei meu par de All Star, e fui fazer minha maquiagem básica. A penteadeira já estava arrumada, graças á falta do que fazer de ontem.
Peguei minha mochila preta, e desci a escada. Meu irmão estava na sala me esperando.
- Bom dia, Nate. –falei, sonolenta.
- Bom dia, . – respondeu ele, animado.
Nate era animado em qualquer hora, isso era incrível. Pelo menos pra mim, que era um poço de preguiça. Isso é horrível de se falar, contando que a preguiça é um dos sete pecados capitais, mas é a mais pura verdade. Eu realmente só não tinha preguiça para bicicleta.
- Eu vou de carro com a mãe, não quer ir não ? – disse Nate.
- Ah, não obrigada. – falei, saindo para pegar minha bicicleta. – Tchau Mãe.
- Tchau , bom primeiro dia de aula do último ano. – disse ela, carinhosa.
Eu sorri, fechei a porta e peguei minha bicicleta.
- Olá OliPalito. – falei, para o automóvel. Logo em seguida, sentei-me nela e segui na direção da escola. Não, eu não sabia exatamente o caminho, mas tinha me informado bem sobre ele, não podia ser tão difícil.
Pois bem, não foi. Cheguei rapidamente á escola, e prendi minha bicicleta no estacionamento delas. Andei até a secretaria para ver meu horário.
- Olá. – disse uma senhora de aparentemente 50 anos.
- Oi. – respondi simpática. – Gostaria de saber do meu horário. Sou .
A senhora mecheu em algo do computador, imprimiu uma folha e me deu.
- Obrigada. – agradeci, sorrindo. Meu sorriso murchou ao ver o primeiro horário. Cidadania.
Segui até a sala indicada e peguei um lugar no fundo, eu odiava aulas de cidadania. Davam sono, eram repetitivas, e ... poxa, valores eu aprendo em casa.
Sem contar que, era um saco ser aluna nova. Então, quanto menos atenção eu chamasse, melhor.
Aos poucos, a sala foi se enchendo de gente. Devo dizer que as pessoas daqui eram bem bonitas.
O professor chegou assim que tocou o segundo sinal, ele não era bonito. Na verdade era o típico professor de cidadania. Velhinho, barbudo, de óculos. Devia se achar cheio de experiência também.
- Bom dia classe. – disse ele. A voz dele era engraçada, o que me fez abafar um riso. Vários olhares foram pra mim, ótimo . – Vejo que temos alunos novos na sala, não é ? Vamos começar com você se apresentando então. – disse ele, apontando pra mim.
- Eu? – perguntei envergonhada. Ele apenas concordou com a cabeça. – Bem ... – comecei. – Sou , 16 anos, é meu primeiro dia nessa escola. – falei, nervosa.
- Interessante. – disse o professor, me analisando. – Venha aqui na frente. – ordenou ele.
Encarei toda a sala, e levantei. Olhares e mais olhares me acompanhavam. Hells!
- De onde você vem? – perguntou a voz engraçada.
- Canadá. – respondi. – Montreal, mais precisamente. – respondi, tentando não parecer envergonhada.
- Tem irmãos?
- Sim, Nathan, um ano mais novo.
- Alguém gostaria de fazer alguma pergunta á Senhorita ?
Ok, o que diabos esse professor da voz irritante queria agora? Que eu desse entrevista coletiva?
Fiz minha cara de ‘Por favor não me matem’ mais convincente possível, e isso parecer ajudar. Ninguém mexeu a boca, ou levantou a mão, se quer.
- Ótimo. Com o tempo você vai conhecer o resto dos alunos, pode se sentar.
Eu andei rapidamente até o fundo da sala, e não abri a boca pelo resto da aula. Quando o sinal para o segundo período tocou, um sorriso brotou em meu rosto. O período seria Artes, eu havia optado por Artes. Na verdade, eu só escolhera duas disciplinas das eletivas. Artes e música.
Entrei na sala de artes e sentei em uma das primeiras carteiras. A sala já tinha alguns alunos, inclusive, uma garota bonita veio falar comigo.
- ? – disse ela.
- Sim. – respondi, tentando desvendar o porque dela saber meu nome.
- Prazer, sou Daphne. – disse ela, me dando a mão. Apertei a mão dela, em sinal de educação, e dei um sorriso. – Eu vi o que o Mr. West fez contigo na aula de cidadania, ridículo na minha opnião. Deve ser porque você não agüentou a risada da voz dele. Bom ... no primeiro ano que ele lecionou aqui ele fez isso com todos os alunos. Doce vingança, eu acho. – tagarelou ela. – Mas diz aí, a Sainte-Catherine é realmente legal ?
- Bom, eu não sou muito de centros comerciais, então pra mim ela é igual á qualquer rua. – falei, dando ombros.
Daphne era bem tagarela, o que me fez gostar dela. Era uma companhia confortável, e que não me fazia falar pra preencher o silêncio. Ao longo das aulas seguintes, fui notando que Daphne era bem popular na escola, simpática como foi comigo, devia ser mesmo.
No almoço, ela me chamou pra sentar com a galera dela. Eu, como não tinha muito com quem sentar já que Nathan arranjara amigos, aceitei. Andamos conversando sobre um tal de Oliver, Daphne contava que eles eram amigos desde as fraudas porque suas mães eram amigas, foram criados como irmãos e etc etc. Porém Daphne tinha uma enorme queda por ele. Era engraçado imaginar que a garota pop tinha esse tipo de problema.
Ao chegarmos no refeitório, peguei uma bandeja e me servi com qualquer carne de porco e ervilhas que tinha lá. A comida que minha mãe fazia no Canadá era bem diferente dessa. Como sobremesa, peguei uma torta de maçã e não fiz questão de uma bebida. Segui Daphne até a mesa e só avistei gente bonita.
Haviam três garotos e uma garota. A garota tinha os cabelos curtos e repicados, eles eram extremamente pretos. Os olhos eram acinzentados, o que contrastava com o preto do cabelo. A face dela era delicada, e ela comia desesperadamente as batatas fritas de algum prato que ela havia pegado.
- Essa é Lexi. – disse Daphne, apontando para a garota. Depois, na ordem estavam Luke, Scott e Oliver. Luke tinha os cabelos loiros extremamente bagunçados, os olhos dele eram castanhos escuros e ele tinha as bochechas coradas, embora a pele fosse extremamente branca. Scott fazia o tipo garanhão de qualquer colégio. Ele tinha os cabelos num estilo Edward Cullen, só que quase tão pretos quanto os de Lexi. Os olhos dele eram verdes e a face, bom, me lembrava o Brad Pitt. Ele era lindo.
Oliver era exatamente como Daphne tinha descrito mais cedo, um Tom Welling versão inglesa.
Todos foram extremamente simpáticos comigo, e durante os outros períodos pude notar que Luke e Lexi eram afim um do outro. Scott era mais reservado, embora também fosse receptivo. Oliver dava mole para Daphne e ela ficava sem graça, o que era bem engraçado.
Na hora da saída, me despedi da minha nova turma e procurei Nathan com os olhos pelo estacionamento e o vi entrando no carro do papai. Ri sozinha. Sempre fora assim, eu ia com a OliPalito e Nathan de carro. Segui até o estacionamento de bicicletas e destranquei a minha.
- Você também vai de bicicleta então? – disse uma voz, que reconheci ser a de Oliver. Abri um sorriso deduzindo que ele também devia ir de bicicleta.
- Uhun. – respondi.
- Ok, então vamos juntos. – disse ele, montando na bicicleta azul dele. Eu sorri e fomos.
- Seu pai é técnico da escolinha do Arsenal, então? – perguntou Oliver.
- Isso. Mas olha, eu não jogo futebol, que isso fique claro.
- Joga alguma coisa?
- Squash.
- Super igual a futebol. – comentou ele, cheio de ironia. Eu apenas ri. – Eu jogo futebol, na escolinha do Arsenal. Devo conhecer seu pai amanhã, vou pra lá toda terça e quinta.
- Sério? Como é o time? – perguntei, curiosa.
- Hm, o time tem á mim, é brilhante. – brincou Oliver.
- Desculpa, super estrela.
- Ok, tem uns meninos legais. Os que eu não gosto são só quatro, o e os seguidores dele. São tão idiotas. Eles tem uma banda e se acham por isso, ridículos. E a banda nem faz tanto sucesso, sabe? Eles só tocam na lanchonete que o trabalha, e olhe lá.
Sem contar que o já pegou a Daphne.
- Oliver. – falei, censurando-o. – Você é afim da Daphne e ela é afim de você, dá pra vocês ficarem juntos logo?
- Ah cara, eu sempre dou mole pra ela. – respondeu ele, dando ombros.
- Ela é tímida. E você é como um irmão pra ela, ela tem medo de estragar isso.
- Valeu.
Fomos numa conversa animada sobre tudo o que é possível imaginar até nossas casas, nos despedimos e eu entrei em casa. Estacionei a OliPalito num canto qualquer da garagem, e subi para meu quarto.

Capitulo III.

Era sexta feira á noite, eu estava em casa assistindo Cold Case e comendo nutella em meu quarto. Minha primeira semana na escola havia sido benéfica para todos, e isso não é ser convencida, é verdade. Oliver passou a ser um grande amigo e eu falava abertamente pra ele o quanto ele devia investir em Daphne. Os dois seguiram meu conselho e haviam saído pro cinema essa noite. Lexi e Luke ficaram tão empolgados com a idéia de Daphne e Oliver juntos que acabaram se beijando na escola um dia, daí ele pediu ela em namoro e, bah, não preciso falar que eles também saíram essa noite, preciso?
Scott era minha última esperança, mas ele era realmente o tipo galã da escola e iria sair com uma liderzinha de torcida qualquer. O que me restou então? Ninguém, we.
Ouvi então alguém bater na porta e falei um ‘entra’ baixinho. Era Nathan.
- Oi Nate. – falei, sorrindo.
- Hm, eu e uma galera da escola vamos pro Dancing Rabbit, ta afim? – convidou ele. Uma lâmpada se acendeu na minha cabeça! Um convite pra sair, OMG. Como eu não tinha pensado em sair com Nate antes?
- Claro! – respondi empolgada.
- Então vai logo, que saímos ás oito. – disse ele, saindo do quarto.
Apressei-me em tomar um banho, escovar os dentes e fazer uma maquiagem suave, porém brilhosa. Me enrolei na toalha e abri todas as portas do guarda roupa. Estava uma noite quente, o que usar?
Escolhi um shorts jeans e uma camiseta branca escrito “Good Girls Go Bad” em letras coloridas. Calcei meu par de All Star lantejoulado, peguei meu celular e uma carteira, coloquei-os no bolso e por fim, desci. Faltavam 10 minutos para saírem ainda, mas os amigos do meu irmão já estavam lá. Eu já os conhecia, da escola. Eram Drake, Josh, Declan e, a pseudo-namorada de Nate, Lauren. Declan era o mais bonito, e ele jogava umas cantadas pra mim às vezes, eu gostava disso.
- Boa noite, gente. – falei, sorrindo pra todos.
- Boa noite. – responderam eles, em uníssono.
- Você ta gata, hein, . – disse Declan, que recebeu um soquinho de Nate, o que me fez rir.
- Obrigada. – respondi.
- Vamos então? – sugeriu Lauren.
- Vamos. – concordei.
Declan tinha uma mini-van, então fomos todos nela. O caminho não era muito longo, chegamos em menos de dez minutos. Entramos no bar todos juntos, mas essa união não durou muito. Nate e Lauren logo foram para a pista de dança, acompanhados por Josh e Drake. Declan encontrou uma ex-namorada e correu para o banheiro. Era engraçado como ele fugia de uma garota tão indefesa por medo dela querer voltar com ele. Eu, bem, eu fui para o bar.
- Um coquetel de frutas com álcool, por favor. – pedi ao barman.
- Você nem tem idade. – disse ele, seco.
- Eu tenho dezesseis, garoto. – respondi.
- Arg. – bufou ele, entrando no que supus ser a “cozinha” do bar.
Enquanto esperava meu coquetel, observei a pista de dança. Haviam várias pessoas bonitas e alegres. Nate já estava em altas pegações com Lauren, era engraçado como meu irmão sempre se saia melhor do que eu no quesito pegação. Ok, Nathan era lindo, ele tinha os olhos verdes de meu pai e os traços angelicais de minha mãe, se ele não fosse meu irmão, acho que até eu poderia me apaixonar por ele.
- Seu coquetel menina. – disse o barman, meio rude.
- Garoto, qual é o teu problema, hein? – bufei. – Você é um garçom, devia ser mais simpático.
- E você devia cuidar da sua vida, não acha, garota? – retrucou ele.
- Ah, vai se foder, cara. – falei, pegando meu coquetel, deixando o dinheiro no balcão e indo para a pista de dança.
Tocava uma música animada qualquer do Cobra Starship e isso foi motivo pra eu me esbaldar dançando. Eu amava Cobra, eles simplesmente me animavam. É claro que a bebida deve ter contribuído, eu era fraca para beber. A música acabou, e começou algo mais lento. Voltei para o bar.
- Você aqui de novo? – disse o garçonzinho irritante.
- Dã, isso é um local público. – falei, como se fosse obvio.
- Jura? – perguntou ele, irônico.
- Já te mandei pra puta que pariu essa noite? – falei, irritava. Gente ignorante me irritava, sempre.
- Não, mas essa pergunta já serviu. – respondeu ele, dando ombros. – Tu é esquentadinha, né garota.
- E você é ignorantezinho, né garçom.
- Tenho meus motivos.
- Quais? – perguntei, jogando a parte superior de meu corpo pra cima do balcão.
- Ah, você não é ninguém pra saber deles. – respondeu ele. Eu gargalhei um pouco.
- Você não tem problema algum, só está tentando se desculpar por ser chato. – falei, entre gargalhadas.
- Ah é ? – disse ele, puxando a gola de minha camiseta, o que fez nossos rostos ficarem extremamente próximos. – Eu tenho um encontro amanhã e não posso sair desse bar maldito, porque dependo das gorjetas pra levar a garota pra um lugar legal, e ninguém me dá as drogas das gorjetas. Também jogo num time de futebol, e todos daquele time me odeiam, o que faz meu desempenho ser péssimo e eu nunca ser titular nos jogos. Assim, os olheiros de universidade nunca me vêem, e quer que eu complete? Minha mãe e meu pai se separaram, e meu pai fugiu com a maior parte da nossa grana. – desabafou ele. Eu confesso que me arrependi profundamente por ter sido tão ignorante com ele, e por impulso, o abracei. – Você é bipolar, ou o que? – perguntou ele, me empurrando rudemente para trás e entrando na cozinha.
Eu balancei a cabeça negativamente e corri para o banheiro masculino. E daí que era errado eu entrar lá ?
- Declan! – chamei, sabendo que ele estaria em alguma cabine.
- Oi. – respondeu ele.
- Eu ... vou pra casa, ok? Andando mesmo. Obrigada por me trazer até aqui. – avisei-o.
- Não quer que eu te leve? – perguntou ele.
- Não, obrigada. – respondi, saindo do banheiro e em seguida, caminhando em direção á minha casa.
Ao chegar em casa, entrei com direito á um interrogatório do meu pai. Perguntas como “Porque você não voltou com seu irmão?” e bla bla bla. Mas nada de castigo, pelo menos.


Era sábado, fim da tarde, eu estava vestida com meus inseparáveis boxers de ursinho e blusão de moletom do Piu-piu, e jogando Star Trek em meu Wii. Era meu jogo preferido, antes até de Rock Band e Jumper.
Meu irmão fora à casa de Lauren, minha mãe tinha ido ao mercado e eu estava sozinha em casa com meu pai, que assistia um jogo qualquer no quarto dele. Eu estava quase salvando a última fase, mas morri.
- Arg. – bufei, alto.
A verdade é que o barman de ontem não saia da minha cabeça. Eu estava me sentindo culpada por ter sido tão rude com ele. Ok, ele não foi um poço de simpatia comigo, mas ele tinha motivos, eu não.
Subi ás pressas para meu quarto, peguei meu telefone e liguei para Oliver.
- Alô. – atendeu a Sra. Griffin, mãe de Oliver.
- Sra. Griffin, oi, é a , tudo bom? – falei, sendo simpática.
- Sim, querida e você? – respondeu ela. Ela era um amor.
- Também. O Oliver está? – perguntei.
- Uhun, um momento.
Em poucos segundos, Oliver atendeu.
- ! Buenas tardes! – disse ele, empolgado.
- Ih, já vi que foi bem ontem com a Daphne, hein? – brinquei.
- Claro, obrigada.
- Magina Ollie. Erm, você pode vir aqui? – pedi, carinhosa.
- Claro. – respondeu ele, desligando. Eu bufei, e desci para o portão. Era óbvio que ele havia corrido pra lá.
Palpite certo, ele estava plantando em minha porta quando cheguei nela.
- Ollie! – falei, abraçando-o. – Você tem que parar de ser um superboy da vida.
- Estou mais pra arqueiro verde. – falou ele, me soltando.
- Mas você parece o Tom Welling.
- Ah, que seja. – disse ele, dando ombros e entrando. – Porque me chamou?
- Estou mal. – falei, me jogando no sofá. – Sabe, ontem eu conheci um cara lá no Dancing Rabbit, e ele foi todo ignorante comigo sabe? Ai eu, toda esquentada como sou, fui a pessoa mais chata do mundo. Só que depois descobri que os motivos dele eram bem tensos, e eu ... Eu nem tinha motivos sabe.
- E você ta mal por um cara que você conheceu ontem? – falou ele. Eu concordei com a cabeça, e logo em seguida levei uma almofada na cara. – Para de ser idiota, . Aposto que ele nem se importa contigo.
- Pff, valeu pelo conselho. – falei irônica.
- Ta, desculpa. – falou Oliver. – Ele trabalha lá?
- Uhun. – confirmei. E ao responder isso foi como se uma lâmpada viesse em minha cabeça. – Oliver, eu te amo pro resto da minha vida. – falei, me levantando, dando um beijo na testa de Oliver e correndo para meu quarto.
Tomei um banho rápido, vesti a primeira calça jeans que havia na minha frente com um moletom qualquer, calcei um par de tênis, escovei meus dentes, prendi meus cabelos num coque mal-feito e fui de a pé até o Dancing Rabbit. Se ele trabalhava lá, devia estar lá agora.
Após pouco tempo de caminhada, entrei no local. Estava completamente vazio á não ser por dois garotos no bar, e uma garçonete limpando as mesas.
- Olá. – disse á garçonete, ao me ver. Percebi que escutando isso, os dois garotos se viraram para mim.
- Oi, por favor, tem um cara que trabalha aqui, bem ... ele ... – comecei a me embaraçar pra falar, porque, afinal, o que eu sabia dele? A garçonete me olhava curiosa, e eu desviei o olhar para o balcão, os dois garotos ainda me olhavam mais agora havia um terceiro. Ele. – Ah, nada, obrigada. – falei para a mulher, deixando-a sem entender nada e indo à direção do garoto.
- Você! – falei, apontando pra ele.
- Fala, garota. – respondeu ele, revirando os olhos.
- Posso conversar contigo? – perguntei, educada.
- Hm ... Vamos lá dentro. – disse ele, estranhando, porém, entrando para trás do balcão. Eu o segui. Fomos para dentro da cozinha do Dancing Rabbit, indicou uma cadeira para mim sentar e sentou-se ao meu lado. – Diga. – falou ele, meio sem graça.
- Prazer, . – falei, estendendo-lhe a mão.
- . – respondeu ele, apertando minha mão.
- Hm, o que você planeja pra noite? – perguntei. Ele me olhou confuso.
- Você ta dando em cima de mim, ou o que? – perguntou ele, levantando a sobrancelha. Eu dei um soco em seu braço.
- Não, imbecil. Você tem um encontro, o que planeja pra ele?
- Ah. – disse ele, passando a mão no lugar onde eu havia socado. – Quero levá-la para o Tiger Tiger.
Eu o olhei com os olhos arregalados. Eu morava aqui há uma semana, mas já sabia que o Tiger Tiger era um restaurante caro.
- Porque todo esse luxo?
- Ela ... bom, é de uma família rica.
- Você não precisa se passar pelo garoto rico pra fazê-la feliz, a leve para ... sei lá, London Eye. – sugeri. – Você pega seu carro, leva chocolates e vinho e pronto, é o encontro perfeito.
- Meu carro é uma lata velha. – bufou ele.
- Mas é o seu carro. – falei, arfando. – Tenho certeza de que a garota não vai te julgar por isso.
- Ok, vou seguir seu conselho. – disse, ele me dando um sorriso agradecido. – Mas, porque você resolveu vir aqui só pra me perguntar isso?
- Eu ... – falei, meio que editando minha resposta. – Me senti culpada, digamos assim.
- Ah. – soltou ele, se levantando. – Sentiu peninha do abandonado pelo pai?
- Não seje rude, eu to tentando ser legal contigo, dude. – bufei, começando a me arrepender por ter vindo aqui.
- Bom, eu saio agora, quer alguma carona? – ofereceu ele.
- Carona? – perguntei, confusa.
- Minha lata velha anda, ok? – disse ele, balançando as chaves. Daí foi a minha vez de sorrir agradecida. Andamos até a rua de trás e lá havia estacionado um Puma GTS 81, vermelho.
- Não ria, eu disse que era velho. – falou ele, abrindo a porta da carona para mim.
- Eu gosto de carros antigos. – falei, dando ombros e ligando o rádio.
- Você é folgada, garota. – disse ele, ligando o motor. – Eu vou te dar carona e você ainda quer mandar no rádio?
- Exato. – falei, parando na estação onde tocava With Me, do Sum41. – E eu moro na Hornsey St, caso importe.
- Ah, obrigada pela informação.


Capitulo IV.

O caminho para casa com foi tranqüilo, ele dirigia bem e era silencioso. Eu não gostava muito de pessoas silenciosas, ficava meio desconfortável com o silêncio, mas ele fazia o silêncio ser estranhamente bom.
Ao chegar em casa, meu pai ainda estava trancado no quarto, o que me fez rir sozinha. Ele se distraia tanto com futebol e eu achava um esporte tão ... chato. Minha mãe estava na cozinha guardando as compras e meu irmão ainda não tinha voltado. Descalcei meus tênis e fui á cozinha ajudar minha mãe.
Acabei por fazer a janta também, cozinhar me distraia e, segundo Nate, era um dos meus dons. Não que eu considerasse fazer macarrão ao molho branco um dom, é claro. Após a janta, Nate – que chegou na hora do jantar - cuidou da louça e jogamos Rock Band até cerca de duas da madrugada.
Acordei cedo no domingo, oito horas eu já estava de pé. Fiquei preocupada com o encontro de de certa forma, eu queria vê-lo, ligar pra ele, saber como foi. Mas se a noite tivesse sido boa, provavelmente ele ainda estaria dormindo, sem contar que eu não tinha telefone ou endereço dele.
Vesti as mesmas boxers e o mesmo moletom do piu-piu de ontem, fiz minha higiene matinal e desci pra cozinha. Assei alguns waffles, cobri-os com nutella e comi assistindo qualquer desenho idiota que passava na Cartoon.
Com meu barulho, Nathan logo acordou também.
- Bom dia. – falou ele, se arrastando de sono pela escada.
- Bom dia. – respondi, pela primeira vez, mais animada que ele. – Tem waffles na cozinha. – comentei, voltando minha atenção para o desenho.
Domingos eram sempre chatos, e notei que isso era uma regra mundial. Seja em Montreal, seja em Londres, domingos eram tediosos. Acabei invadindo a casa de Oliver depois do almoço, e ficamos a tarde inteira assistindo filmes e nos entupindo de pipocas amanteigadas.

Segunda-feira, acordei empolgada para a escola, era estranho, era como se todo o ânimo de meu irmão tivesse sido transferido pra mim. Tomei um banho rápido, e enrolada na toalha, abri a janela para ver como estava o tempo. Frio.
Vesti então uma calça jeans, uma cacharrel de lã e uma camiseta preta qualquer. Desci para a cozinha, tomei um cappuccino e comi qualquer torrada que vi pela frente. Depois, escovei meus dentes, fiz minha maquiagem e calcei botas pretas.
Eu estava definitivamente estranha hoje, quando que eu, , usaria botas ao invés de All Star ?
- Mãe, me leva de carro hoje? – pedi, descendo as escadas e encontrando Nathan e mamãe tomando café da manhã.
- Sim, claro. – respondeu minha mãe, toda fofa.
- Quem é você e o que fez com a minha irmã? – perguntou Nate, tirando sarro.
Revirei os olhos e me joguei no sofá. Aqueles dois eram lerdos, o que me deu tempo de ver um pouco de Teen Titans. No clímax do episódio, eles me chamaram. A sorte é que eu já tinha visto o episódio antes.
Pois é, às vezes eu era extremamente criança e ficava revoltada se me tiravam de um desenho animado.
Fiquei cantarolando o tema do desenho e fazendo qualquer coreografia idiota para ele no caminho da escola, e quando desci do carro logo toda a minha felicidade sem motivo se desmanchou. , o cara da Dancing Rabbit, estava lá.
O sorriso se desmanchando na minha cara foi visível até para Scott, que estava razoavelmente longe e se aproximou, perguntando o que acontecera.
- Nada. – menti. Scott então deu ombros, e se juntou á outra líder de torcida.
- , anima! – disse, Oliver se aproximando.
- Claro. – respondi, encarando que conversava, parecendo decepcionado com algo, com alguns amigos.

- Acorda menina! – falou Daphnne, estalando os dedos na frente de meus olhos, na aula de Artes.
- Eu estou dando a impressão de tão avoada assim? – perguntei, balançando a cabeça.
- É, você está. – confirmou ela. – O que aconteceu?
- Ah, nada. – menti. Eu não queria conversar sobre com Daphnne, Lexi, Luke ou Scott. Até para falar com Oliver eu estava insegura, afinal, falar o que? O cara do Dancing Rabbit está na escola! “Oh, como meus dilemas pessoais eram interessantes." Pensei irônica.
- Bom que seja, estou organizando o primeiro baile da escola, vai ser sábado. Topa me ajudar? É uma correria imensa quando tenho que organizar os bailes na mesma semana que querem eles. – tagarelou ela.
- Ajudo, claro. – aceitei, sorrindo. Organizar bailes seria uma boa distração.
- Oliver sempre ajuda nas músicas, eu vou pra casa dele hoje, você passa lá depois do almoço?
- Você volta da escola com ele? – perguntei.
- É, quer dizer, ele vai com a bicicleta feliz dele, eu vou de carro com Scott.
- Ah, eu ia oferecer carona com a minha mãe, mas já que Scott vai. – dei ombros.
- O Scott vai de feliz, ele nunca ajuda em muita coisa. – declarou ela, me fazendo rir.
- Senhorita Grahan e Senhorita , se não estiverem interessadas na aula, Artes não é uma matéria obrigatória. – adverteu o professor.
- Desculpe. – falei, abaixando a cabeça.

No horário do almoço, decidi que iria procurar . Afinal, eu ainda estava curiosa quanto ao encontro dele.
- Hey, você! – gritei, ao vê-lo, apontando para ele.
- Oi garota do bar. – respondeu ele, parecendo irritado.
- Tudo bom?
- Não.
- O que aconteceu? Como foi sábado?
- Nada está bem por causa de sábado, graças aos seus conselhos, eu me ferrei com a garota. Mas porque você se importaria não é? – disse ele, virando as costas.
- Hey! É claro que eu me importo. – falei, me pondo á frente dele. – Eu te dei conselhos, não te obriguei á segui-los. E eu só estava tentando fazer as coisas ficarem melhores pra você.
- Sinto muito, não deu. Agora deixa eu ir comer. – disse ele, me empurrando para o lado e andando em passos firmes para o refeitório. Garoto irritante, como eu tinha passado meu fim de semana preocupada com isso? Bufei, balançando a cabeça e vendo Scott me observando de uma pilastra. Sorri para ele e fui até o refeitório á encontro de Daphnne, Oliver e os outros.

- Mãe, me deixa direto na casa de Oliver? – pedi, já no carro com Nate.
- Eu estaciono o carro na nossa garagem, e você vai pra lá. – respondeu ela. – Não é tão longe, .
- A pergunta foi se você não se importava se eu fizer o “lanche da tarde" por lá. – falei, revirando os olhos. Minha mãe amava reunir a família pra comermos juntos á tarde, era estranho.
- Ah, claro que não filha, fique á vontade. – respondeu ela, sorrindo.
Assim que ela parou o carro em nossa garagem, corri para a casa ao lado. O MP4-12C alaranjado de Scott já estava estacionado na rua.
Toquei a campainha e em poucos segundos Oliver abriu.
- Oi ! – disse ele.
- Oi Ollie! – falei entrando. – Oi Daph, oi Scott.
- Oi ! – responderam Daph e Scott juntos.
- Já comeram? – perguntei, largando minha mochila no sofá de Ollie.
- Não, sua morta de fome! Pensamos em pedir pizza, minha mãe foi trabalhar então...
- Pizza essa hora? Pelo amor! Geral pra cozinha que eu faço algo. – falei, indo para a cozinha.
- E o que você vai fazer, chefe? – perguntou Scott, num tom de brincadeira.
- Waffles. – respondi, começando a abrir os armários e preparar a comida.
Enquanto eu fazia os waffles, discutimos sobre o tema da festa. Oliver sugeriu umas vinte vezes uma tal de “festa do ridículo", enquanto Scott sugeria baile de máscaras. Daphnne queria anos 60 e eu era a sem opnião.
- Acho que devíamos fazer uma festa simples. – falei, servindo a massa.
- Ãnh? – falaram os três juntos.
- É ué, é a primeira festa do ano. Devia ser pras pessoas se conhecerem sabe? A gente pode fazer uma decoração meio ‘disco’-moderna, digo, com bastante brilho e cores, colocar vários salgados, docinhos e bebidas e tocar todo tipo de música. Não dá trabalho. – expliquei.
- , você é um gênio! – falou Daphnne, anotando a idéia.
- Quanto temos no caixa do comitê? – perguntou Scott.
- O diretor liberou tudo que arrecadamos na festa do pijama do ano passado. Foi a melhor que já houve. – respondeu Daph.
- Como foi? – perguntei, curiosa.
- Foi a festa em que a Daph ficou com aquele idiota do . – respondeu Oliver, meio bravo. Ela o olhou culpada.
- Falando em ... – começou Scott. – Qual é teu lance, ?
- Eu nem conheço ele. – respondi, rindo.
- Eu vi vocês se falando no corredor hoje, no almoço.
Encarei Scott por um tempo, perdida em pensamentos. Então era , era . Que droga!
- Ah, ele é o ? – falei, tentando me afastar de meus pensamentos. – Não era nada demais. – menti, dando ombros.
Passamos o resto do dia conversando sobre a festa, entramos em contatos com várias casas de doces e rotisserias. Cerca de nove da noite, Scott foi embora levando Daphnne e eu voltei para minha casa.

CAPITULO V.

(Coloque she is – the maine pra carregar)
Finalmente, era sábado. A semana havia sido uma correria imensa, e eu havia passado toda a sexta em cima de escadas pendurando coisas, enchendo bexigas, coordenando os eletricistas com as luzes e etc etc. Eu estava morta de cansaço.
Eram sete da manhã e eu já estava de pé, pela ansiedade de tudo correr bem na maldita festa do colégio, que só aconteceria ás oito da noite. Pela falta do que fazer, tomei um banho, vesti qualquer coisa e fui com minha OliPalito para o colégio verificar as coisas.
- O que faz aqui, garota? – perguntou um menino estranho, cheio de caixas tampando sua cara.
- Verificando as coisas. – respondi dando ombros. – Quer ajuda?
- Aceito. – concordou ele. Corri em sua direção e peguei duas caixas, das quatro que ele carregava. – Me pediram pra deixar isso na cozinha do ginásio.
- O ginásio não tem cozinha. – falei, rindo. – São os salgados da festa?
- Exato. – confirmou ele.
- Eu sei onde por. – afirmei, andando até o almoxarifado do ginásio, o qual estávamos fazendo de depósito. De lá, os garçons (que na verdade eram funcionários do colégio que haviam se voluntariado) tirariam a comida para servir na festa. Deixei as duas caixas que segurava num balcão improvisado de lá, e indiquei para o garoto fazer o mesmo.
- Você estuda aqui, certo? – perguntou ele. Confirmei com a cabeça. – Seu rosto não me era estranho. Você deve andar com Oliver, Daphnne e os outrinhos lá. Oliver não vai com a minha cara.
Lembrei então de ter visto o rosto daquele garoto em algum dia dessa semana, andando com SCRIPT>document.write(Harry).
- Você parece legal. – falei, estendendo minha mão. – Prazer, SCRIPT>document.write(Gabriele) SCRIPT>document.write(Delacour).
- < SCRIPT>document.write(Tom) . – disse ele, apertando minha mão.
- Você joga na escolinha do Arsenal, estou certa? – perguntei, lembrando de ouvir meu pai falando dele e de um tal de . Meu pai também falara de , mas eu fingia que não me interessava por ele. Pois é, o “time" que meu pai era técnico, era o mesmo “time" que jogava.
- Sim. – confirmou ele, sorridente. – Você é a filha do técnico!
- Pois é. – falei, dando um sorriso torto.
- Seu pai é o primeiro técnico que gosta de mim, do e do . Ele também curte o , mas o não é do time. Ele é como nosso gandula particular. – tagarelou ele.
- O não vai com a minha cara. – falei, fazendo uma careta idiota.
- Ah! Você é a garota do bar, verdade. Não é que ele não goste de você, olha pra você, você é hot. É que ele é estranho, e está passando por coisas difíceis. Aquela riquinha era uma esperança pra ele, bom ... Eu tenho que voltar pra casa antes que minha mãe ache que cachorros me atacaram no caminho. – o olhei curiosa. – Uma vez eu fui fazer uma entrega pra ela, na esquina. Daí eu fui andando e uns vira-latas derrubaram a caixa. – contou ele, me fazendo rir.
- Você é filho da moça simpática que fez os salgados pra nós, então. – conclui.
- Isso mesmo, filha do técnico.
- Bah, para com isso, sou a , ok?
- Desculpa, . – disse ele, fazendo um gesto estranho com as mãos. Parecia uma tentativa frustrada de apresentação de realeza ou algo assim. Soltei um riso curto. – Já é quase meio dia, tenho que ir mesmo.
- QUASE MEIO DIA? – gritei. Não havia me dado conta de quanto tempo passara cuidando de detalhes inacabados de ontem. – Oh Meu Deus, também tenho que ir. – falei, me apressando em pegar a mochila que larguei num canto qualquer.
- Quer carona? – ofereceu .
- Não, obrigada, vou de bicicleta. – neguei, sorrindo agradecida.
- Ok então, até mais tarde . – disse ele, saindo do ginásio. Eu logo sai também. Pedalei o mais rápido que podia até em casa.

- Wow, onde você se enfiou essa manhã, garota? – perguntou Nathan, jogado no sofá.
- Estava no colégio. A mãe já fez o almoço?
- Estou fazendo, filha. – disse minha mãe, da cozinha.
- Arg, eu nem sei com que roupa ir hoje. – bufei, me jogando no sofá.
- Porque você não chama Lexi? Soube que ela não vai. – ofereceu Nate.
- Verdade! Seria ótimo. Obrigada melhor irmão do mundo. – falei, o abraçando e dando beijinhos em sua bochecha.
- Saaaaai! – gritou ele, me empurrando.
- Crianças, venham almoçar! – disse minha mãe. Corri para a cozinha e me servi com filé de frango, salada e arroz. Comi rapidamente, e depois fui para a sala. Peguei meu celular que estava largado do lado da televisão, e disquei o número de Lexi.
- Alô? – atendeu ela, após três chamadas.
- Lexi, meu amor! – falei simpática.
- Oi ! Tudo bom?
- Uhun e você?
- Também.
- Lexi, seguinte ... – comecei. – Eu sei que você não vai no baile e tals, então será que você podia vir pra cá umas sete horas? Preciso de ajuda pra me arrumar.
- Claro, . – disse ela. – Você deve estar uma pilha com toda essa correria de organizar o baile. Vai dormir um pouco que eu passo ai. – confirmou ela.
- Muito obrigada, meu amor. – agradeci.
- Magina, até. – disse ela, desligando.
Larguei meu celular num canto da sala e acabei adormecendo no sofá.
- ! – ouvi a voz de Nathan, me chamando distante.
- Hm. – resmunguei.
- Acorda, a Lexi ta aqui. – avisou ele.
- Ah. – resmunguei, novamente. – Obrigada. – falei, abrindo os olhos e levantando devagar.
Eu e Lexi subimos as escadas conversando sobre ela e Luke e entramos em meu quarto.
- Hm, vou tomar banho. – anunciei. – Você espera um pouco? Juro ser rápida.
- Fique á vontade, vou separar alguma roupa pra você. – disse ela, dando uma piscadela.
Tomei um banho rápido lavando meus cabelos, pude acordar com a água na minha face. Depois, sequei meus cabelos com a toalha e me enrolei na mesma. Lexi estava no meu quarto, analisando uma sandália de salto e um all star básico.
- Me sinto melhor de All Star. – falei, pegando minhas roupas intimas na gaveta.
- A sandália vai ficar melhor. – opinou ela. Olhei que ela havia separado um vestido preto, curto, que tinha meio que um elástico no fim do comprimento. Também havia um cinto roxo e largo separado, eu nem sabia da existência desse cinto. – E os acessórios, eu peguei só uma pulseira prata e um par de brincos que achei. Acho que vai ficar bom, veste. – ordenou ela, me dando o vestido.
Entrei no banheiro e vesti, até que ficou legal. Voltei para o quarto sorrindo.
- Gostou? – perguntou ela. Concordei com a cabeça, sorrindo.
Em menos de uma hora ela fez minha maquiagem, arrumou meu cabelo e bem, fez eu me sentir linda, por mais convencido que isso pareça.

- Declan vai vir te buscar. – anunciou Lexi, quando eu ia pedir para minha mãe me deixar na escola.
- Declan? – perguntou Nate, descendo as escadas. Ele estava lindo.
- É. Oliver vai com Daphnne, Scott com a líder de torcida da semana passada, e com Declan, fim. – respondeu Lexi, dando ombros.
- Que horas ele vem? – perguntei, impaciente.
- Em cinco minutos. – respondeu ela. – E eu vou indo embora.
- Ah, ok, obrigada por tudo Lexi. – falei, abrindo a porta para ela.
Nathan também saiu, ele iria até a casa de Lauren buscá-la. Os dois pareciam ter se dado bem. Em cinco minutos, ouvi uma buzina e pude ver a mini-van de Declan estacionada.
- Tchau mãe! – falei, saindo. Declan desceu do carro e foi abrir a porta da carona para mim.
- Boa noite mademoseille! – disse ele.
- Boa noite, monseiur. – respondi, em tom de brincadeira, enquanto entrava no carro.
- Não sabia que você seria meu par na festa. – falei, quando ele ligou o motor.
- Na verdade, me considero sua carona. – falou ele, rindo. – Mas posso ser seu par quando quiser, madame. – ele lançou uma piscada e eu ri.
- Lexi te alugou?
- Exato.
- Ah.
Ao chegarmos na festa, ela já contava com vários adolescentes dançantes na pista. Procurei alguém conhecido com os olhos e avistei Oliver e Daphnne numa mesa. Peguei na mão de Declan, e o arrastei até eles.
- Olá casal. – falei, sorrindo.
- Oi vocês. – disse Daph. – Sentem aí.
Nós nos sentamos e ficamos conversando até Declan me chamar para dançar. Tocavam músicas animadas como Ke$ha, Lady GaGa, Britney Spears e todas essas cantoras dançantes. Depois de improvisar vários passos pra uma música qualquer da Cheryl Cole, resolvi sentar.
- Hey! – disse , me vendo no caminho.
- Oi. – acenei para ele. Ele me lançou um sinal de ‘vem cá’ e eu fui.
- Esses são , e ... bem, o você conhece. – disse ele.
- Prazer meninos. – falei simpática para e .
- Senta aí. – convidou .
- Eu acho melhor não. – falei, dando um passo para trás.
- É quase uma convocação. – brincou .
- Se é assim ... – respondi, revirando os olhos e puxando uma cadeira. Esta estava ao lado de e era a única vazia. Hesitei um pouco, mas me olhava tipo “Sente, ou te mato".
Logo eles começaram a fazer histórias sobre as pessoas na pista, eu apenas ria.
- Olha, olha. – disse , apontando para um casal que eu desconhecia. – Eles devem ter se conhecido na escola, ano passado. Ele sempre deu mole, ela não queria nada, nunca. Daí nas férias ela o viu com outra e notou que gosta dele, agora eles estão juntos. – inventou ele.
- Pra mim, eles nunca se viram. Olha pra ela, parece tão interessada, querendo conhecê-lo melhor. – falei, analisando a garota. – Já ele, só está com ela por divertimento.
- E ta certo ele, olha a menina! – falou , rindo.
- Ela é bonita. – comentou .
- Concordo com o . – falei.
- Vocês precisam de óculos. – comentou , ainda rindo.
ficava mais na dele, o tempo inteiro.
De repente, começou a tocar algo que conheci ser Rodrigo Del Arc, era um ritmo brasileiro, se não me engano, mas ele cantava inglês. Era calmo, e bonito para dançar junto. , e se entreolharam e depois olharam para três garotas ruivas que acabaram de passar sozinhas pela nossa mesa.
- Foi bom estar com vocês esta noite. – brincou , correndo em direção á uma das ruivas. Os outros dois fizeram o mesmo. Eu estava na mesa, sozinha, com .
- Vai com seus amigos. – falou ele, meio rude.
- Não vou te deixar sozinho. – falei, dando ombros.
- Aquele Declan deve estar querendo dançar com você. – sugeriu . Olhei para pista e vi Declan com uma amiguinha da líder de torcida que estava com Scott.
- Acha mesmo? – perguntei, apontando para eles.
- Ok, talvez não. – disse ele, rindo.
- É a primeira vez que você ri na minha presença desde que estraguei seu encontro. – observei.
- Você deve achar que eu te odeio, não é? – perguntou ele.
- Uhun, eu acho. – falei.
- Não odeio. – declarou ele.
- Mas também não morre de amores. – falei.
- Eu não gosto de você, mas eu não te mataria. Na verdade, acho que até ficaria contigo. – disse ele, dando ombros.
- Ah, é ? – perguntei, fingindo interesse.
- Se estivéssemos presos em um elevador, ou fossemos como Adão e Eva. – respondeu ele, recebendo em seguida um soco no ombro de mim. – Brincadeira. – ele tentou concertar.
(N/A: Ligue a música)Nesse instante, começou a tocar uma música lenta que reconheci ser The Maine. Era uma música calma e fofinha.

I thought I had my girl but she ran away
My car got stolen and I'm gonna be late
For work this week, make that the fourth day straight
But I'm fine with it .


- Me concede essa dança? – disse , se levantando e oferecendo sua mão.
- A raça humana está chegando ao fim? – brinquei, me levantando e segurando na mão dele. Fomos para o centro da pista.

I thought I had it all but I gave it away
I quit that old job now I'm doing okay
Those material things they can't get in my way
Cause I'm over it.


As mãos dele estavam em volta de minha cintura, e as minhas estavam em seu ombro. Minha cabeça estava apoiada no seu peito, não era como se fossemos amantes, melhores amigos ou até mesmo namorados. Só estávamos dançando, ainda não nos gostávamos de verdade.

But wherever she may be
She could be money, cars, fear of the dark
Your best friends are just strangers in bars
Whoever she is, whoever she may be
One thing's for sure, you don't have to worry.


- Me desculpa se eu fui tão chato com você essas semanas, ok? – disse ele, próximo ao meu ouvido.
- Você ta sabendo de algum plano terrorista que vai acabar com toda a Londres que eu não saiba? – perguntei, irônica.
- Arg. – bufou ele. – Só estou tentando ser legal.
- Hey, essa frase é minha. – falei, dando um tapinha de leve em suas costas.

Yeah this is the part where you find out who you are
And these are the friends, those who've been there from the start
So to hell with the bad news
Dirt on your new shoes
It rained all of May til the month of June.


O pior de tudo é que ele realmente estava sendo legal, ele não havia pisado em meu pé, ou colocado uma plaquinha de ‘Me chute’ em minhas costas, pelo menos. Ok, nem na primeira série faziam essa coisa da plaquinha comigo, mas de eu esperava qualquer coisa.
Senti ele cheirando meu cabelo e ri. Eu havia usado shampoo com cheiro de morango hoje.
- Seu cabelo tem cheiro de fruta. – comentou ele.
Inalei o perfume da pele dele para poder fazer um comentário qualquer. O cheiro era extremamente agradável. Era o mesmo que meu pai usava, e eu gostava. Kaiak Aventura, se não me falha a memória.
- Você tem um perfume bom. – falei, inalando mais, eu queria guardar aquele cheiro pra mim.

But wherever she may be
She could be money, cars, fear of the dark
Your best friends are just strangers in bars
Whoever she is, whoever she may be
One thing's for sure, you don't have to worry.


- Você ta parecendo uma drogada me cheirando. – brincou ele. Bati em suas costas novamente. – Outch! Não sou seu saco de porradas particular, garota.
- Você provoca. – respondi.
- Provoco, é? – perguntou ele, com cara de tarado.
- Uhun. – respondi.
- Então me deixa provocar direito. – falou ele.

Every day in every way she will look the same
Every chance you used to have just seems to float away
Every day in every way she will look the same
Every chance you used to have just seems to float away
To hell with your new shit
And whether or not you think you fit in.


Em seguida ele colou nossos lábios, e quando a língua dele pediu passagem, eu não hesitei. Eu ainda não gostava de , isso me deixava confusa, bom ... devia ser o efeito do maldito perfume.
O beijo ia ganhando intensidade aos poucos, e eu não queria bater nele agora. Não era como se eu o odiasse, muito menos como se eu o amasse e quisesse aquele beijo, mas nesse momento, eu também não queria me afastar dele. Já culpei o Kaiak alguma vez?

She could be money, cars, fear of the dark
Your best friends are just strangers in bars
Whoever she is, whoever she may be
One thing's for sure


Continuávamos nos beijando e dando passos de um lado pro outro lentamente. Eu me sentia confusa. Mas a sensação da língua dele dançando dentro de minha boca fazia eu querer esquecer qualquer outra coisa.

She could be rainy days, minimum wage,
A book that ends with no last page
Whoever she is, whoever she may be
One thing's for sure, you don't have to worry


A letra da música começava a se adequar a situação agora. Ele podia ser o garoto do bar, o garoto do time de futebol, o garoto da escola, qualquer um. Mas eu podia ter a certeza de que não tinha que me preocupar, ele era só um ficante, afinal. Amanhã ou depois ele iria continuar sendo , o cara que me odeia por eu ter estragado seu encontro, o cara que meu pai ama e o cara por quem meu melhor amigo tem um ódio mortal, o cara que mal olha na minha cara.

Mais alguns toques de violão e a música acabou. Nós encerramos o beijo calmamente, assim como ele se iniciou. Uma outra música lenta começou a tocar e nós ficamos dançando até que as músicas calmas foram substituídas por Shake It, do Metro Station.
- Quer alguma bebida? – ofereceu , á caminho da mesa.
- Aceito um spritzer. – falei.
- Eu já disse que você não tem idade pra beber. – brincou ele.
- Vai logo. – falei, o empurrando levemente e sentando na mesa onde estavam , e .
- Huh, eu vi você e meu amigo, ok ? – falou < .
- O quê? – perguntei, com cara de inocente.
- Todo mundo viu você se pegando com o lá. – explicou . Não que eu já não esperasse que fosse isso.
- Agora o vai ficar com ciúmes, o amor gay da vida dele beijou outra. – brincou . deu língua.
- Sua spritzer. – ouvi a voz de dizer, e vi um copo na minha frente.
- Obrigada. – agradeci, pegando o copo e começando a beber.
Os garotos faziam piada sobre o jeito como alguém dançava e eu me limitava a rir e beber. De repente pude ouvir a voz de Declan atrás de mim.
- ! Eu e Scott te procuramos por todo canto. A Daphnne está que nem uma louca porque você sumiu, dá pra vir comigo? – falou ele.
- Ah! – falei, olhando para os garotos. dizia meio que “vai lá" com o olhar. – Onde ela está, Declan? – perguntei, me levantando.

Capitulo VI.

- Bu! – ouvi a voz de atrás de mim.
- Oh, que susto ! – falei, irônica, dando-lhe um beijo na bochecha.
Era segunda feira de manhã e eu havia chegado na escola mais cedo que o normal. Estava sentada no pátio lendo um exemplar de Drácula, já que não haviam almas vivas naquela escola.
- Drácula? Huh, você tem gostos estranhos. – falou ele, sentando-se ao meu lado.
- Ah, eu gosto. Já viu a primeira adaptação pro cinema? É hilária.
- Qualquer dia eu vou à tua casa ver.
- Sinta-se á vontade. Mas e aí, fez o que no domingo? – perguntei, guardando o livro.
- Dormi. – respondeu ele. – Depois eu e os dudes nos reunimos na casa do e ensaiamos alguns covers.
- Quero ouvir. – falei, piscando os olhos constantemente e sorrindo, que nem um emoticon de MSN.
- Vai num show. – respondeu ele, dando ombros.
- Quando vai ter um?
- Esse sábado.
- Huh, eu vou. Toca alguma música só pra mim?
- Folgada você. – brincou ele. – Mas eu penso nessa hipótese.
- Fala ! – comprimentou , com um tapa na cabeça de .
– Oi. – disse ele, olhando pra mim.
- Oi. – respondi meio sem graça.
- Ih, qual é? Se beijem. – zombou . Eu o olhei com cara de ‘abre a boca de novo e eu te fuzilo’ e pude ver revirando os olhos também.
- Eu não a beijaria outra vez. – declarou , sentando ao lado de .
- Porque dude? Ela é hot. – brincou . A idéia de fuzilar ele ainda era válida.
- Já fiquei com melhores. – disse ele dando ombros.
- Hey! Não sei se você viu, mas eu ainda to aqui, ok? – falei irritada. Se era pra dizer que foi só um passa-tempo, guardasse pra ele mesmo.
- Qual é, eu sei que você também não sentiu nada de especial. – respondeu ele.
- É, não mesmo ! – falei, levantando bruscamente e indo pra qualquer outro canto da escola.
deve ter percebido que era mentira, que sim, eu havia gostado do beijo e que sim, eu ficaria com de novo, mas o tonto do não. E que ele não percebesse nem tão cedo, que não olhasse na minha cara nem tão cedo. Não ia fazer diferença, ok, ia sim, mas eu ia me distrair ao máximo pra que não fizesse. Pois é, as vezes meu orgulho falava mais alto.
- Opa! – disse Oliver, esbarrando em mim.
- Ollie! – falei contente, o abraçando.
- O que você tem, menina? Tava com a maior cara de quem... sei lá.
- Foi o . – bufei.
- Vou bater nele. – disse Oliver, fazendo pose de valentão. – Já não gosto dele mesmo.
- Ah, sem rancor também. – falei, começando a andar em direção á sala onde seria meu primeiro período junto com Oliver. – Ele não fez nada demais.
- Vocês ficaram, disso eu já soube. E aí?
- Como você soube que ficamos? – perguntei indignada.
- Declan viu e falou pro Scott que falou pra Daphnne que falou pra mim e ..
- Vocês parecem um bando de velhinhas. – bufei.
- Que seja. – respondeu ele, dando ombros. – Fala logo o que aquele idiota te fez.
- Ah, é que... vamos sentar lá no fundo? – propus entrando na sala.
- Não muda de assunto. – bufou ele, indo pro fundo da sala comigo.
- Ok, eu estava sentada no pátio lendo Drácula. – comecei. – Daí o veio falar comigo, aliás o é muito legal, você devia parar de implicar com ele.
- Eu paro, mas com o não.
- Deixa eu terminar! – resmunguei. Ele riu e eu terminei de relatar o que havia acontecido.
- Posso socar ele?
- NÃO! – gritei. – Sou contra violência. Me dê um consolo melhor. – brinquei.
- Esquece logo esse idiota, ! Foi só um beijo, fim. – respondeu ele, sério. Olhei para a porta e vi que vários alunos adentravam, o sinal devia ter batido.
- Obrigada, Ollie. – respondi, me ajeitando na cadeira e começando a prestar atenção na aula que começaria.
Na aula de artes encontrei Daphnne e ela fofocava descontroladamente até o horário do almoço. Era incrível como ela falava se você dava uma brexa pro assunto ser o Oliver.

Continua...