I'm A Mess Without You II - We Just Wanna Be Whole, Again
Autor: Bru Campi
Beta-Reader: Any
Prefácio
“All we have is what’s left today
Hearts so pure in this broken place
‘Cause we are, we are, we are
Lovers lost in space
Searching for our saving grace”
Ela me olhou surpresa, percebi que seus olhos se enchiam de lágrimas. Fiz menção de tocar seu rosto, mas ela afastou minha mão delicadamente:
- O que você está fazendo, ? – ela perguntou com a voz trêmula.
- Eu te quero de volta. – eu disse simplesmente.
Capítulo I
“So maybe it's true that I can't live without you
Maybe two is better than one”
Eu estava um lixo. Acabado. Nada do que eu fizera nos últimos meses com o intuito de esquecê-la havia funcionado. Tinha me cansado de mentir pra mim mesmo. Sentia falta dela e sabia que ela sentia falta de mim, de que adiantava ficar lutando contra algo que era mais forte que nós? Parecíamos dois idiotas tentando negar que já não havia mais nada, ambos sabíamos que ainda havia, e que estava mais forte do que nunca. Por que era tão difícil assumir que precisávamos um do outro?
Aqueles papéis idiotas ainda estavam na minha mesa, os tinha deixado aí há uma semana e ligava todos os dias pedindo se eu já havia assinado. Eu não queria, não podia. Por mais que eu soubesse que era tudo culpa minha eu não queria abrir mão da pessoa que eu mais amava no mundo. Mesmo sabendo que ela já não era mais minha era difícil assumir isso. E era isso que aconteceria se eu assinasse esses malditos papéis. Eu estaria desistindo de vez do meu bem mais precioso, daquela que fazia minha vida valer à pena.
Virei as costas para a escrivaninha e encarei a estante onde antes haviam pilhas e pilhas de livros de arte e moda;
Estava vazia agora, exceto por um DVD que fui reconhecer como sendo o primeiro ‘De volta para o futuro’, tinha procurado ele há algumas semanas, mas mantive esse quarto trancado desde o dia em que veio buscar as coisas dela, acabei esquecendo da existência desse cômodo, até hoje.
Na verdade, eu tinha me mantido o mais longe possível de tudo o que me lembrava dela. A primeira medida havia sido trancar o escritório, eu não precisava daquele cômodo;
Mas era difícil pedir que os garotos evitassem mencioná-la, ela era importante pra todos, era inevitável, assim como havia sido impossível lutar contra um empresário que havia se convencido de que o novo single perfeito seria a música que eu havia escrito pra ela, e que eu devia protagonizar o clipe com uma atriz qualquer. Doía cantar aquela música nos shows e saber que ela não estava ali, no meio do público, sorrindo e cantando junto comigo com os olhos marejados, assim como havia ficado quando eu mostrara a música à ela pela primeira vez.
O arrependimento corroia a minha alma, eu tinha sido um idiota, estava cego de ciúmes, fora um monstro e nunca me perdoaria por ter desconfiado dela, o problema é que aquela foto tinha me machucado de mais. A simples ideia de alguém que não fosse eu a tocando me deixava nervoso. Mas eu já não a via há meses, ‘vai ver ela já estava namorando alguém’, pensar nisso fez meu estômago se revirar, mas era algo com o qual eu teria que lidar. Ou não.
O brilho de uma capa de cd jogada no chão chamou minha atenção, cheguei mais perto e vi que era o ‘Use your illusion II’ autografado por Axl Rose. Ela amava aquele cd, morria de ciúmes desse pequeno objeto, como ele tinha ido parar ali? Li a dedicatória de Axl
e não pude evitar que um sorriso me escapasse, nunca esqueceria a expressão de
alegria dela naquele dia. Eu amava a antítese ambulante que ela era; Apesar de aparentar toda a fragilidade do mundo, eu sabia, melhor do que ninguém, o quão forte ela era. O tipo de mulher que acorda ouvindo Guns N’ Roses e dorme ouvindo She & Him;
Que é editora-chefe da maior revista de moda do país durante a semana e uma nerd fã de desenho animado e De volta pro futuro nos fins de semana;
Que veste um vestido floral num dia e uma camisa do Metallica no outro. A única mulher que já amei na vida. Foi só isso que passou pela minha cabeça quando saí pela porta com o cd do Guns em mãos.
Capítulo II
“I need to find my way back to the start,
when we were in love things were better than they are,
let me back into, into your arms...”
Não sei como cheguei até o flat. Foi tudo automático. Parece engraçado, mas não é. Minha vontade de vê-la era tão grande que era só o que eu conseguia pensar, dirigi até lá e, em menos de quinze minutos estava parado em frente à sua porta, com medo de bater.
O nervosismo me atacara, finalmente. Tinha se passado tantos meses que eu já não sabia se ela ainda era a minha . E se eu batesse na porta e um cara de boxers atendesse? Eu não estava preparado para isso. Acredito que nunca ficaria, mas isso não vem ao caso, não agora.
Concentrei-me na vontade de vê-la, que era mais forte do que tudo o que eu sentia e bati de leve na porta.
Nada. Ninguém respondeu. Talvez ela estivesse trabalhando. Foi aí que me lembrei que era domingo, domingo de manhã;
É claro que ela não estava trabalhando. Bati novamente. Nada. Ouvi um pigarro lá dentro e girei a maçaneta. Aberta.
- Posso entrar? – perguntei, nervoso. Minhas mãos começaram a suar de repente. Não pude culpar meu coração por saltar assim que a vi sentada na sacada, ela olhou pra trás lentamente, “surpresa por ouvir minha voz”, pensei. Ela passou um tempo só me olhando como se não acreditasse que eu fosse real, até que se levantou e veio até mim.
Ela estava diferente. Não sei explicar muito bem, mas os olhos que eu tanto amava já não transpareciam aquela felicidade de outrora, os cabelos estavam despenteados, haviam olheiras em torno dos olhos, como se ela não descansasse como devia há bastante tempo. O que mais doeu foi saber que aquilo era minha culpa. Eu havia tirado o brilho de felicidade dos olhos da mulher que eu amava, cada lágrima que eu sabia que ela havia chorado era por minha causa...
Eu nunca me perdoaria por isso. Ela parou em frente à mim e tudo o que eu queria
era abraçar seu corpo coberto de malha e moletom, dizê-la que a amava mais do que tudo e que a queria de volta. Eu queria ver aquele sorriso de novo, mas sabia que não seria simples assim. Eu ia precisar lutar, talvez não com adversários masculinos, só contra ela mesma. Eu teria que lutar contra a mulher que amo para tê-la de volta, teria que provar à ela o quanto a amava novamente, só assim ela voltaria a confiar em mim.
- – ela disse finalmente, percebi, pela forma como ela falou meu nome, que ela não o dizia há bastante tempo –
O que está fazendo aqui?
Não era assim que eu tinha imaginado, mas o que eu esperava? Que ela pulasse no meu pescoço dizendo que me amava?
- Achei seu cd do Guns perdido no escritório. – me lembrei do objeto que trazia na mão e fiquei feliz por ter uma desculpa que não envolvesse um ‘Estou aqui porque preciso ver você, porque te amo’, isso teria que esperar. Dei à ela um sorriso leve e recebi um sorriso cansado de volta, aquilo partiu meu coração - se é que ainda havia coração para ser partido - ela pegou o cd das minhas mãos e murmurou um ‘obrigada’ se afastando em seguida e me convidando a entrar.
- Aceita um café? – ela perguntou baixinho indo até a bancada da cozinha. Assenti enquanto olhava em volta. O flat estava cool e bagunçado na medida certa, sorri quando vi a pilha de revistas de moda antigas que formavam uma mesinha ao lado do sofá, a escrivaninha ao lado da janela acomodava o laptop, várias latinhas com lápis de cor, papéis e livros enormes de fotografia. Uma parede inteira no canto da sala servia como painel de inspiração, cheia de fotos e recortes. Tinha alguns DVDs jogados em cima do sofá branco, não reconheci os filmes de onde estava, pareciam ser alguns clássicos Cult, talvez inspiração pra algum projeto da revista;
A TV estava ligada na Warner, virei as costas para ‘Old Christine’ e fui até a bancada da cozinha, onde ela enchia duas xícaras.
- Como você está? – não consegui evitar perguntar. Ela me olhou como se pensando se deveria mentir ou não:
- Bem, tenho trabalhado bastante então têm sido interessante – ela tinha optado pela mentira, percebi, tinha esquecido que não sabia mentir pra mim. Murmurei um ‘que bom’, ela tomou um gole de café e me devolveu a pergunta:
- E você, como está? – a voz dela saiu trêmula, como se tivesse medo do que eu ia dizer. Optei pela verdade, não toda ela, mas parcialmente:
- Têm sido estranho, não ter você por perto. – fui sincero e disse isso olhando nos olhos dela. Ela corou e desviou o olhar. Resolvi dar um tempo à ela, levantei dizendo que iria até o banheiro, coloquei o iphone na bancada da cozinha quando ela disse ‘ok’ e me dirigi à portinha no fim do corredor.
’s POV.
O que estava acontecendo ali? Eu ainda não conseguia acreditar. Tê-lo tão perto de novo parecia reavivar ainda mais os sentimentos que eu tinha tentado adormecer por todo o tempo em que passamos distantes, mas que tinham permanecido insistentes em me fazer sofrer desde que eu havia visto aquele clipe.
Ele estava tão lindo. Continuava o mesmo de sempre, charmoso sem querer e espontâneo, completamente transparente pra mim. A intensidade do olhar dele não me enganou, ainda há sentimento, eu sei. Mas não estou pronta para perdoá-lo, acho. Por mais que tê-lo de volta é tudo o que eu mais quero, esquecer o que havia acontecido seria muito difícil. Os papéis do divórcio pareciam gritar de cima da minha escrivaninha, mas eu não queria assinar, havia me dito ontem que ele também ainda não os entregara, será que o que a gente estava fazendo era certo? Ou será que estávamos parecendo dois idiotas se machucando quando devíamos estar juntos e felizes?
Fui acordada do meu transe pelo zunido do celular de vibrando na bancada, olhei para o identificador de chamadas esperando encontrar um nome conhecido, mas tudo o que vi foi uma foto dele com uma loira bonita, abraçados, provavelmente num churrasco, e o nome Stephanny na tela. Franzi a testa e tentei me lembrar se ele tinha uma prima ou amiga com esse nome, mas não me lembrei de nenhuma, a não ser uma prima distante de da qual tinha ouvido falar uma ou duas vezes. Ouvi o clique da porta do banheiro bem na hora em que estendia a mão para atender o telefone, o que havia dado em mim? Ciúmes? Você mandou papéis de divórcio para esse cara lindo assinar, sua idiota, o que esperava, que ele ficasse solteiro pra sempre? Pensei comigo mesma enquanto se sentava de novo na bancada e fingia não ver a chamada perdida que piscava na tela do iphone.
O tema de abertura de F.r.i.e.n.d.s começou a tocar na TV, sorriu encantador pra mim:
- Tudo bem se eu ficar pra assistir um episódio? Ou você tem planos? – ele perguntou. Não pude evitar sorrir de volta, sempre tinha sido assim, vê-lo sorrir daquela forma fazia parecer que tudo sempre ficaria bem, que tudo estava bem. Disse um ‘ok’ e o segui até o sofá.
Não acreditei no episódio que estava começando, era o último, aquele em que Rachel e Ross finalmente se acertam. Era lindo e sempre me fazia chorar horrores, sabia disso e eu pude sentir sua tensão assim que percebeu de que episódio se tratava. Durante os comerciais, ele disse:
- Se lembra quando a gente passava o fim de semana inteiro assistindo F.r.i.e.n.d.s e comendo brigadeiro e pipoca? – ele disse isso de forma tão espontânea que me pegou de guarda baixa, olhei pra ele sorrindo e de repente esqueci de tudo, esqueci do abismo que havia se formado entre nós, simplesmente deixei que ele se aproximasse e encostasse seus lábios nos meus.
Ficamos assim por segundos, minutos, horas ou até dias, eu não sei; Só sentindo um ao outro. Era um beijo apaixonado, cheio de saudade e levemente urgente, eu o queria muito, não podia negar isso, sabia que sofreria depois, mas já não me importava.
Queria ele aqui e agora, que se dane o mundo.
Levei minha mão até sua nuca e o puxei mais pra perto, ele apertava minha cintura com as duas mãos e me prendia perto de si, ouvi meu telefone tocar lá no fundo e parti o beijo:
- Ignora – ele pediu, ofegante beijando de leve meu pescoço. Estiquei o braço para pegar meu celular em cima da pilha de Vogues e reparei que haviam cinco chamadas perdidas de .
- , é o , ele ligou cinco vezes. – eu disse o afastando devagar, ele bufou e me soltou dizendo que era melhor eu retornar a chamada.
- , o que houve? – disse assim que ele atendeu.
- está ganhando neném. Já liguei mil vezes, o que houve com você? Vem já pra cá, ela vai morrer se sair da sala de parto e não te ver aqui com agente esperando pra ver o bebê! – ele disse de uma vez só.
- Estou indo já praí! – falei, desligando o celular e correndo pro quarto vestindo o primeiro jeans que vi – está ganhando neném, , vamos! – eu acrescentei rindo quando vi a expressão atônita no rosto dele. O esperei sair, ignorei o convite para ir no carro dele e tranquei a porta, indo, praticamente correndo, até a garagem.
Capítulo III
“Had my heart all locked down
And then you turned me around
I'm feeling like a new born child
Every time I get a chance to see you smile
It's not complicated
I was so jaded”
’s POV
Ok, o bebê tinha que decidir nascer agora? Eu estava tendo a meia hora mais feliz dos meus últimos, sei lá, dez meses e BAM! Uma ligação faz tudo voltar à estaca zero, bom, talvez não exatamente, mas a é imprevisível, então estou preparando meu coração para o pior desde já.
O radialista anunciou uma música chamada ‘Hero/Heroine’, de uma tal de ‘Boys like Girls’, prestei atenção à letra e assim que o vocalista chegou ao refrão aumentei o volume:
“I feel like a hero and you are my heroine, do you know that your love is the sweetest sin?”
Era exatamente como eu costumava me sentir. O que era aquilo? Quem esse ‘Boys like girls’ achava que era pra escrever letras sobre o que eu estava sentindo? Ouvi a música inteira e percebi que tinha lágrimas nos olhos quando os últimos acordes foram tocados. As enxuguei disfarçadamente enquanto parava num sinal vermelho;
Ouvi meu celular apitar, oito chamadas do Judd e três da Stephanny, ah dude, o que ela quer? Por que essa garota não me deixa em paz?
O sinal abriu e eu continuei meu caminho, estava logo atrás com seu New Beatle preto, usava uns óculos escuros enormes e tinha uma expressão ansiosa e tensa no rosto. Será que ela estava pensando no que havia acontecido ou só estava nervosa por não estar lá com a melhor amiga nesse momento? Queria poder ler a mente dela. Seria mais simples assim.
Estacionei na parte de trás do hospital e a perdi de vista, quando cheguei na sala de espera em que os garotos estavam vi que ela já estava lá tentando acalmar um eufórico.
- Hey, vai ficar tudo bem, , calma – ela dizia dando leves palmadinhas no joelho dele –
Partos demoram mesmo! – ela disse sorrindo.
Passou cerca de uma hora até que a enfermeira chegou com uma cara séria:
- Quem é o Senhor ? – ela perguntou olhando em volta, tranquilamente. se levantou tenso e foi até ela. Eles conversaram por dois ou três minutos e ele voltou, se é que é possível ainda mais tenso para o lado de .
- Não houve a dilatação necessária, vão ter que fazer uma cesariana. – todos suspiramos. Sabíamos que queria fazer um parto normal – Ela não aguenta mais ficar em trabalho de parto, a enfermeira disse que ela optou pela cesariana, então tudo bem. – ele disse finalmente parecendo mais tranquilo. pousou a mão no ombro dele de forma carinhosa. Ela gostava muito de . A relação dela com os meninos era como de irmãos, eu sabia que ela gostava muito deles e por isso nunca insisti que eles se afastassem dela.
Ficamos um tempo em silêncio até que o barulho irritante de salto alto nos sobressaltou, isso não foi nada comparado à minha surpresa quando vi quem era a dona das sandálias.
Stephanny chegou usando um vestido vermelho curto, trazendo milhares de sacolas e um sorriso enorme no rosto:
- Bom dia, gente! Como estão? Ah, , te achei, finalmente! – ela veio até mim, vi de relance que se levantava dizendo que ia até a lanchonete comprar algo para comer, perguntou aos garotos se eles queriam alguma coisa, e, para meu terror, antes que eles pudessem responder, Stephanny disse:
- Não precisa, querida! – sorriu indo até as sacolas que havia trago – Passei numa cafeteria no caminho e comprei várias coisinhas, achei que todo mundo estaria com fome – ela disse isso enquanto pegava muffins e croassaints dentro de uma sacola de papel pardo e os entregava à , definitivamente não havia reconhecido , ou estaria fingindo. Percebi que não assim que ela perguntou, em seguida – Você é...
Irmã da ? – ela sorriu falsamente medindo de cima a baixo, a vi franzir a testa para o all star. Stephanny estava maquiada, de salto alto e vestido e não conseguia ter metade da elegância de que usava uma t-shirt dos ursinhos carinhosos, um jeans puído e tênis. Stephanny era o tipo de mulher com quem você fazia sexo, e só. era o tipo de mulher que você amava pra sempre, aí estava a diferença. Não pude evitar um sorriso, sabia que ela se arrependeria do olhar de desprezo em poucos segundos:
- Não. Não sou irmã dela. – ela disse com um sorriso – Meu nome é , sou amiga da . – ela disse com simplicidade, dando de ombros, eu tive vontade de rir quando Stephanny percebeu quem ela era, sua boca se abriu levemente em surpresa enquanto ela observava voltar a se sentar entre e e se servir de um dos muffins que ela havia trago.
Não vou enganar ninguém, percebi que ela não havia dito que era minha ex-mulher e senti borboletas no meu estômago, sei que isso é algo ridículo pra se dizer, mas é a verdade. Não suportaria ouvi-la falar aquilo em voz alta e aparentemente ela também não achava necessário. Lembrei dos papéis e as borboletas se aquietaram, fui tirado dos meus pensamentos por uma Stephanny que havia se recuperado do momento constrangedor e já estava sentada ao meu lado, mais perto do que eu gostaria, me oferecendo um croassaint.
- Não, obrigado. Sem fome – disse me levantando e chamando para ir comigo até o corredor – Como ela veio parar aqui, dude? – perguntei assim que ficamos longe o bastante para que ninguém ouvisse – Pelo amor de Deus, o que ela ainda quer?
- Você sabe o que ela quer, . – ele disse dando de ombros e respondendo o óbvio.
- Eu estava carente e bêbado. Será que ela não entende que foi uma noite de sexo sem significado algum? Esperava que ela, melhor do que ninguém, entendesse isso, fala sério, olha só pra ela! – Disse estupefato, Stephanny era o retrato da mulher que adorava um sexo sem compromisso, e eu duvido que algum homem no mundo a escolheria pra algo mais do que isso, tinha ficado com ela pra suprir minhas necessidades num dia em que estava destruído emocionalmente por isso e agora ela tinha decidido que queria o que? Um relacionamento sério? Francamente...
- Ela sabe que foi, só não quer entender, Steph não vai desistir fácil e você sabe disso. Quando ela não conseguiu falar com você começou a ligar pra mim sem parar, deixei meu celular com enquanto ia comprar um café, ela ligou e ela acabou deixando escapar que estava tendo um bebê e que estávamos todos aqui quando ela perguntou por que ninguém atendia. Ela não é burra, , por mais que pareça ser. Aliás, onde você estava? Não conseguimos falar com você de jeito nenhum! Como descobriu que estávamos aqui? – ele mudou de assunto de repente e me sobressaltei quando vi que não tinha uma desculpa pronta. Merda. Decidi contar a verdade, precisava me abrir e era um dos meus melhores amigos mesmo, por que não agora?
- Longa história, pronto pra ou... – fui interrompido pelo grito de alegria de e pelo som da risada suave de . Me virei e fui de volta pra sala com em meu encalço a tempo de ver a enfermeira chegar com uma coisinha enrolada numa manta rosa, sorrir para e dizer:
- Parabéns, papai. Ela é linda.
Nunca tinha visto meu melhor amigo tão radiante antes. Nenhuma comemoração de um single número um o tinha deixado tão feliz quanto aquele momento. Olhei para e vi que ela tinha lágrimas nos olhos enquanto ajudava a segurar o bebê, não pude evitar que o mesmo acontecesse comigo, olhei para sorrindo e fomos até lá. e davam tapinhas nas costas de que não conseguia parar de sorrir. Stephanny tinha ido até eles, mas permanecia afastada, consciente de que não fazia parte do grupo, pensei aliviado.
Meus olhos encontraram os de e ela sorriu levemente, eu sabia o que ela estava pensando e ela sabia que era no que eu pensava também. Nosso bebê teria mais de um ano agora...
Ela desviou os olhos para enxugar as lágrimas e disse que ia lavar o rosto antes de ir ver que já os esperava no quarto. A enfermeira disse que só seis pessoas podiam entrar. Contrariada, Stephanny se despediu de todos e saiu pelo corredor sob o olhar de que a analisava com a testa franzida.
- Ei, mamãe! – disse quando entramos no quarto fazendo rir e fazer uma careta logo em seguida, correu pra perto dela perguntando se estava tudo bem.
- Tá sim, amor. São os pontos. – ela forçou um sorriso e olhou para o lado, onde a bebê, ainda sem nome dormia num berço transparente. – Vamos decidir o nome dela? – ela olhou para nós e assentimos. – Cada um diga um nome! – ela disse – Começa você, Judd! – todos olhamos pra que assentiu e fingiu pensar:
- Susan – ele disse depois de alguns segundos.
- Gabrielle – disse logo em seguida.
- Lucy, como na música dos Beatles – disse.
- – disse, eu sabia que ela adorava aquele nome, sempre dizia que seria o nome de nossa primeira filha, quando ela disse aquilo me senti meio mal, será que ela achava que não havia chances de termos uma filha e tinha decidido que e
poderiam usar o nome?
- Dois votos pra – concordei com ela, que se virou surpresa pra mim. sorriu e disse:
- Eu gosto de ... O que acha, ? – ela se virou pra ele que olhava a neném sem parar. sorriu e disse que achava perfeito. –
É então! ! – ela olhou de mim para e, assim como ela, eu sabia, que aquele olhar tinha muito mais significado do que parecia ter.
Passamos mais um tempo em volta de , que só acordou uma vez para mamar. não parava de olhar pra mim e como se estranhasse não sentir a tensão que esperava, eu podia jurar que vi um sorriso em seu rosto quando ela percebeu que conseguíamos dividir um mesmo cômodo. É claro que não era como costumava ser. Depois da escolha do nome, evitava olhar pra mim e permanecia quieta num canto do quarto lendo um livro qualquer que tinha trago, levantando a cabeça hora ou outra para espiar e perguntar como a amiga estava. Por volta das cinco da tarde, , e foram embora dizendo que voltariam à noite. Eu não iria embora enquanto não fosse. Passaria a noite ali se fosse preciso, sentia tanta falta de ficar perto dela que não importava a circunstância, eu estava feliz por poder ouvir o som de sua respiração.
- Então, precisamos conversar. Nós quatro. – disse olhando para mim, e e nos chamando pra perto da cama. – Eu e sabemos, melhor do que ninguém o que aconteceu e a situação atual de vocês dois. Mas queríamos muito que vocês fossem os padrinhos da . – os dois olharam esperando alguma reação ruim, como não receberam nada, disse:
- Os padrinhos são as pessoas a quem os pais confiariam a criança no caso de algo ruim acontecer à eles. Não conseguimos pensar em ninguém além de vocês dois. Sei que podemos estar impondo à vocês uma convivência forçada, que talvez seja indesejada por ambos, mas pensem na . Vocês são adultos e confiamos em vocês. – ele disse sério. foi a primeira de nós a falar:
- Acho que somos grandinhos o bastante pra isso, não ? E, bom, não é como se eu o odiasse, e obviamente já amo o bastante para querer o melhor pra ela, por mim tudo bem. – ela disse sem olhar pra mim um segundo sequer. Registrei a parte do ‘não é como se eu o odiasse’ e sorri.
- Por mim tudo bem também. – eu disse dando um tapinha nas costas de que sorriu satisfeito junto com .
- Obrigada. – disse pra nós, sincera. – Significa muito, mesmo.
sorriu e foi até o berço de contar pra ela a novidade. Não pude evitar ficar olhando e sorrindo bobo enquanto ela fazia voz de bebê, toda carinhosa e doce. Senti as mãos de baterem nas minhas costas:
- Vamos lá fora. – ele disse baixo, eu concordei e o segui porta a fora, precisávamos mesmo conversar.
- O que está acontecendo, ? – ele perguntou assim que chegamos a um canto vazio do corredor. – Você me disse que tinha superado o que aconteceu! E agora fica olhando pra ela com essa cara de ‘te quero de volta’? – ele disparou tudo de uma vez.
Eu sabia que isso ia acontecer, eu tinha mantido uma fachada impecável do cara que tinha superado a separação, tinha voltado a ser quem eu era antes da , saía pra beber e dormia com uma garota diferente toda noite. Mas ele sabia que eu não tinha assinado os papéis, não acreditei que não tivesse desconfiado de nada antes.
- Eu ainda a amo, , simples assim. Hoje de manhã encontrei o cd autografado do Guns N’ Roses no chão do escritório dela, a empregada me disse que era melhor eu abrir o cômodo para que o ar circulasse lá dentro ou tudo apodreceria, então acabei entrando lá e me deparando com todas as memórias que eu estava tentando evitar. Peguei o cd e fui até o flat sem pensar duas vezes. Cansei de lutar com o que sinto , a quero de volta e vou fazer o que puder para tê-la. – ele me ouvia atentamente, pensou um pouco antes de dizer:
- Conheço você há muito tempo, . Sei que você não é do tipo que se apaixona fácil. Demorei a perceber o quão diferente era com a . Pra falar a verdade, só tive certeza quando te encontrei acabado, caído no sofá com uma garrafa de uísque vazia depois de ela ter ido embora. Naquele dia eu tive certeza que você a amava de um jeito que nunca tinha amado ninguém antes e, acredito, inclusive, que você nunca vai amar alguém como a ama. Quando você voltou a ser o que era antes de conhecê-la eu passei a acreditar que voltar a ser quem você era talvez pudesse fazê-lo acreditar que a tinha superado. Como se você sempre tivesse sido aquele , aquele que dormia com várias garotas diferentes. Achei que você estava tentando agir como se ela nunca tivesse acontecido na sua vida. –
concordei com ele, era exatamente o que eu tinha tentado fazer, sem sucesso. Ele continuou – sempre me pedia para fazer com que você parasse com isso. Mas eu preferia vê-lo chegar atrasado e de ressaca à uma reunião importante do que deprimido e cabisbaixo. Fui um pouco egoísta porque precisava de você ali, pronto pra entreter o público, se você precisasse estar um pouco alterado pra isso eu não me importava, desde que você lembrasse os acordes e as letras das músicas. Nas últimas semanas percebi que o que eu tinha conhecido assim que entrou nas nossas vidas era bem diferente, de uma forma ótima, do que transava com loiras peitudas nos banheiros de pubs e chegava atrasado pras reuniões usando óculos escuros pra esconder do Fletch os olhos vermelhos. Passei a sentir falta do apaixonado e achei que talvez fosse tarde de mais pra te trazer de volta. Me desculpe.
Eu não esperava aquilo. Sabia que me conhecia tão bem quanto poderia, ele tinha visto todas as minhas facetas de perto e era o tipo de pessoa que sabia fazer uma ótima leitura do comportamento dos outros. Fiquei emocionado com a sinceridade dele.
- Tudo bem. Eu precisava daquilo pra perceber que não havia forma de apagá-la da minha vida. Ela é parte de mim. Fico feliz que você não tenha interferido, de verdade. Acho que cresci um pouco durante esse tempo em que a gente permaneceu separados, na verdade a amo ainda mais agora, porque tenho certeza que não há vida pra mim sem ela. – senti as lágrimas começarem a brotar em meus olhos – Só não sei o que fazer pra reconquistá-la. – respirou fundo como se esperasse aquilo.
- Você sabe, melhor do que ninguém o quão difícil vai ser. Mas eu tenho certeza que ela ainda te ama, só não confia mais em você como costumava. – ele parou para pensar por alguns segundos – Você precisa provar pra ela que não vai mais machucá-la. Ela sofreu muito, , e você sabe disso.
- Eu a beijei hoje. – eu disse de repente. arregalou os olhos.
- Você o que?
- Acabei ficando no flat pra assistir Friends com ela, eu não estou acostumado a resistir a ela, ! – eu tentei me defender - Tudo nela me atrai!
- Você não devia ter feito isso. – ele disse simplesmente.
- Ela correspondeu. Até o telefone tocar. – ele me olhou com a testa franzida.
- Você acha que poderia ter rolado algo se não tivesse ligado?
- Não sei. Não quero pensar nisso. Na hora fiquei nervoso, tive vontade de sei lá, engolir o telefone.
Tê-la nos meus braços de novo depois de tanto tempo era tão bom que o mundo podia explodir e eu não ia notar. Mas agora acho que foi melhor assim, a gente poderia se arrepender depois.
- Concordo. Vocês não são mais crianças nem nada, mas acho que depois do que aconteceu ir rápido não é a melhor opção. – disse me convidando a sentar num sofá ali perto, essa conversa iria longe.
’s POV
Não sei o que deu em mim pra aceitar ser madrinha de junto de . Era assinar um contrato de convivência com uma pessoa que eu precisava evitar. Não queria, mas precisava evitar. Era o modo mais fácil de tentar seguir com a minha vida.
Aquele beijo ficava voltando a minha mente de quinze em quinze segundos, minha cabeça girava. Queria poder voltar no tempo, cadê Doc Brown quando a gente precisa dele? Nunca teria ido naquele pub se soubesse as consequências que aquilo teria na minha vida. Eu era tão feliz, aquele beijo só me fez lembrar o quanto eu ERA feliz.
Ao mesmo tempo em que o queria de volta, em que queria poder esquecer tudo o que eu tinha sofrido, eu sabia que seria impossível. Eu estava com medo de ser machucada de novo. Quando minha vida estava voltando aos eixos ele aparece, primeiro num clipe e depois em carne e osso com a desculpa de ter encontrado meu cd e me lembra do quão feliz eu era quando voltava pra casa e o encontrava tentando preparar algo na cozinha, sempre com um sorriso no rosto, pronto pra me deixar feliz se eu não estivesse. Agora eu voltava pra casa e entrava num flat vazio, sentava no sofá e assistia seriados americanos enquanto comia pipoca ou qualquer outra porcaria que tivesse no armário da cozinha.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou de repente. Tinha esquecido que tinha companhia, viajei completamente em meus pensamentos:
- Aconteceu sim. – não ia adiantar mentir pra , e eu não queria. Precisava desabafar com a minha amiga, e agora que ela tinha perguntado era melhor estar pronta pra ouvir.
Contei tudo pra ela, como ele havia aparecido lá e o que tinha acontecido. Chorei horrores, mas me ouviu pacientemente. Fiquei feliz por estar dormindo, eu estava precisando muito da mãe dela naquele momento.
- O que vai fazer? – ela perguntou assim que eu parei de falar.
- Não sei, amiga. Eu tenho medo de me machucar de novo, só eu sei o quanto sofri e ainda estou sofrendo por tudo o que aconteceu. Queria me dar uma chance de seguir em frente, mas preciso de coragem.
- O que quer dizer?
- Quero tentar encontrar alguém. Descobrir se posso ser feliz com alguém que não seja ele. Se conseguir acho que vou poder superá-lo, senão desisto e volto pra ele sem medo. – era isso. Me parecia uma boa ideia. Eu não tinha dado chance pra ninguém desde que saí de casa. E se eu encontrasse alguém que gostasse de mim? Precisava ter certeza de que era o único que poderia me fazer feliz antes de me arriscar a voltar pra ele. Podia ser um pensamento horroroso e egoísta, mas me pareceu racional. Eu devia isso à mim mesma.
- Você é maluca. Mas isso faz sentido. Ele não ficou sozinho durante esse tempo. Conheço o e sei que ele sofreu e ainda sofre por você, mas isso não o impediu de fazer sexo. – ela falou e meu estômago se revirou. – Me desculpe amiga, mas você sabe o ex-marido que tem. Na verdade nem ex-marido é ainda né, uma vez que os dois patetas decidiram que não vão assinar os papéis! Bom, acho melhor. Me poupa de anular tudo quando vocês decidirem que realmente foram feitos um pro outro. – ela riu, mas ficou séria quando viu minha cara. – Apóio sua decisão de tentar seguir em frente porque sei que ele fez uma puta sacanagem não confiando em você. Mas sei que o ama mais do que gostaria. Não assina os papéis enquanto não tiver certeza absoluta de que realmente quer abrir mão dele. – ela disse por fim me deixando bem longe de qualquer certeza.
Capítulo IV
“I don't like you, but I love you
Seems that I'm always thinking of you”
Fui até o prédio da revista na manhã seguinte determinada a seguir em frente com a minha vida. Precisava descobrir se conseguia ser feliz sem ele, mas não sabia se era o que eu queria. Enfim, a edição do mês estava nas etapas de fechamento e eu precisava me concentrar.
e eu não trocamos mais nenhuma palavra no hospital. Depois da minha conversa com decidi que precisava de um banho quente para relaxar e colocar minha cabeça no lugar, quando tive de certeza de que estava tudo bem com ela me despedi das duas e fui. Ele e ainda não haviam voltado da ‘saída’ que deram;
Não vou negar que olhei mais atentamente do que devia cada pedacinho do hospital enquanto me dirigia ao estacionamento. Não sabia se devia, mas queria vê-lo antes de sair;
Como não vi nenhum sinal deles peguei o carro e voltei pro flat.
Tomei o banho quente, demorado e relaxante que tanto precisava. Quando saí vi uma luzinha piscando no meu celular indicando que eu havia recebido uma mensagem, como eu sou ingênua! Automaticamente meu coração começou a dar saltinhos que se aquietaram assim que constatei que era brigando comigo:
Acha bonito sair sem se despedir? Acha?
Vou te perdoar só pq sou mt legal. LOL, te vejo amanhã, lá em casa, às oito da noite, festa de boas vindas da ! Xx
Sorri e me sentei na beirada da cama para responder, outra vez eu passaria muito tempo com por perto. Era estranho, já que tínhamos evitado qualquer tipo de contato por tanto tempo, voltar a conviver assim repentinamente. Ao mesmo tempo em que era estranho e constrangedor, era bom,
pois eu nunca o quis tirar da minha vida. O fiz por um tempo simplesmente porquê precisava tentar superá-lo, mas depois daquela visita surpresa ao flat eu sabia que não daria pra voltar a ignorar a existência dele.
Acho fino! Hahahahaha, brincadeira, vc sumiu!
Nos vemos amanhã, xxx
Vesti um pijama qualquer, preparei uma xícara de chá verde, sentei em frente à TV e liguei meu DVD preferido do Bon Jovi. Pulei várias músicas até ‘Always’.
“I can't sing a love song
Like the way it's meant to be
Well I guess I'm not that good anymore
But babe that's just me
and I
Will love you, babe, always
And I'll be there forever and a day, always
I'll be there till the stars don't shine
Till the heavens burst and the words don't rhyme
And I know when I die, you'll be on my mind
And I love you, always
Now your pictures that, you left behind
Are just memories, of a different life
Some that made us laugh
Some that made us cry
One that made you, have to say good bye
What I'd give to run my fingers, through your hair
To touch your lips, to hold you near
When you say your prayers, try to understand
I've made mistakes, I'm just a man”
(Eu não posso cantar uma canção de amor
Como deve ser cantada
Bem, acho que não sou mais tão bom
Mas querida, sou apenas eu
E eu
Te amarei, querida, sempre
E estarei ao seu lado por toda a eternidade, sempre
Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar
Até os céus explodirem e as palavras não rimarem
E sei que quando eu morrer, você estará em minha mente
E eu te amarei sempre
Agora as fotos que você deixou para trás
São somente lembranças de uma vida diferente
Algumas que nos fizeram rir
Algumas que nos fizeram chorar
Uma que fez você ter que dizer adeus
O que eu não daria para correr meus dedos pelos seus cabelos
Tocar seus lábios, abraça-la apertado
Quando você dizer suas preces, tente entender
que eu cometi erros, sou apenas um homem)
Chame-me de masoquista, do que quiser. Mas ouvir esses versos que costumava cantar pra mim sem antes significar nada além do ‘I Will Love you, baby, always, and I’ll be there forever and a day, always’ me dava forças. Hoje a música significava muito mais, para mim pelo menos. Imaginei que tudo seria mais fácil se eu pudesse simplesmente perdoá-lo, mas era complicado. Eu sempre tive medo de me machucar em relacionamentos, e eu sabia bem o quanto havia sofrido. Tinha medo de voltar pra ele e correr o risco de sentir tudo de novo. Não me culpe por ser assim, só não sou do tipo que gosta de correr riscos, gosto de me sentir segura, sempre foi assim, pelo menos quanto a assuntos do coração. Deixei que as lágrimas caíssem livremente, amanhã eu seria uma nova mulher, mas hoje um pouco de sofrimento era permitido.
Os acordes de ‘I’ll be there for you’ começaram e eu deixei que Bon Jovi me bombardeasse com suas músicas ridiculamente românticas até que adormeci no sofá.
Pois é, e hoje eu era uma nova mulher. Não no sentido literal, não ia mudar totalmente, mas simplesmente ia me abrir a novas opções, se algum cara me chamasse pra sair hoje, eu não inventaria uma desculpa idiota como tinha feito nos últimos meses, mas consideraria. Seguiria o conselho de dez em dez amigas minhas e tentaria ser feliz longe dele.
- Você é incrível, Pat! – eu disse à minha editora de moda depois de olhar várias fotos de um editorial com Carol Trentini e escolher dez imagens impecáveis – Ficou lindo! Vou pedir para mandarem flores pra Carol a parabenizando também, gostei muito mesmo – sorri, estava empolgada com a edição especial de Alta Costura e Patrícia só me deixava feliz com suas fotos incríveis. Ela era uma mulher fascinante, já passava dos cinquenta e tinha um estilo e elegância únicos, além da experiência de vida de alguém que já trabalhou no mundo inteiro. Eu adorava conversar com ela, era sempre uma experiência enriquecedora.
- Obrigada, . Fico feliz que tenha gostado. – ela sorriu bondosa me analisando com uma expressão preocupada e mudando de assunto repentinamente – Como você está? – a pergunta me pegou de surpresa, principalmente por não se tratar de um simples ‘tudo bem?’, tratava-se de um ‘como você está?’ cheio de significado e real preocupação;
Decidi que não mentiria pra ela. Contei tudo sobre a visita inesperada de ontem e o que estava sentindo no momento, contei meus planos para seguir em frente, ela pegou minhas mãos e disse:
- Querida, eu já me divorciei duas vezes. A primeira vez foi horrível, ambos saímos desgastados e cheios de raiva do processo de divórcio, que foi tudo, menos amigável. A última vez que o vi foi quando saímos do tribunal. Nunca mais tive notícias dele, simplesmente porque não as busquei, tentei apagá-lo da minha mente de todas as formas. – ela não parecia orgulhosa disso - Já pelo meu segundo marido eu sentia amor de verdade. Foi doloroso deixá-lo partir, muito mesmo. Sofri por anos e depois disso decidi que não iria mais amar ninguém. – ela suspirou – Estou te contando isso, para te pedir que não repita meu erro. Eu nunca mais consegui amar de verdade e deixei que meu orgulho me impedisse de tentar voltar para o homem que amava, por mais homens que tenha conhecido. Nunca mais amei ninguém como amei aquele sujeito – ela olhou dentro dos meus olhos e disse – Não acho que você esteja errada por ter medo de se entregar novamente a ele. Você sofreu querida, eu vi o quanto. Acho que você deve sim, sair com outros homens e tentar amar de novo, isso é necessário na situação em que você se encontra. Mas se não conseguir, não deixe que o medo e o orgulho te impeçam de voltar pra ele. Porque se é nos braços dele que você se sente a mulher mais feliz do mundo, é lá que você deve ficar.
- Mas é claro que ela chegou atrasada! – dei de cara com assim que cheguei na porta, olhei para o relógio do celular, oito e quinze, francamente !
- Você sabe que eu gosto de chamar atenção! – falei sarcástica – Já está todo mundo ali dentro? Posso fazer minha entrada triunfal? – ele riu.
- Pode, pode. Tenta não chamar mais atenção que a , de resto pode até fazer strip tease, mas eu acho que tem um cara chato aqui que ia fazer objeção, então fique como está para evitar atritos. – ele brincou piscando pra mim e me obrigando a olhar para que estava sentado no sofá com Stephanny ao lado. Achei graça de como ele parecia mais concentrado no rótulo da cerveja que tinha em mãos do que no que ela falava.
- Ele está bem ferrado com ela. – acompanhou meu olhar – Ela parece burra, mas é bem esperta. Sempre dá um jeito de ser convidada pra tudo. Soube, não sei como, da festinha e apareceu na casa de bem quando ele e estavam saindo. Eles não tiveram desculpa boa o bastante. – ele deu de ombros – Ela te incomoda?
Olhei pra ele surpresa pela pergunta direta, dei de ombros e disse:
- Por que deveria? – nunca saberia o quanto ela me incomodava, mas era até cômico vê-la tentando chamar a atenção de , de qualquer forma. Eu sabia que eles estavam transando, mas ele claramente não queria nada além de sexo, ao contrário dela. Desviei os olhos dos dois levemente enojada pela imagem que se formou em minha mente e corri até que amamentava num canto sob o olhar atento de .
Já eram quase duas da manhã quando cheguei no flat. Acabei indo parar na mesma roda de conversa em que estava, mas não trocamos nenhuma palavra direta, exceto por um discreto ‘boa noite’ quando ele veio se despedir de e , que estavam perto de mim.
Passei metade da noite evitando o vinho que insistia em oferecer, mas depois que vi Stephanny e saírem juntos decidi que aquilo era demais pra mim e que precisava de álcool. Adormeci rapidamente e não me lembrei do que havia sonhado quando acordei, só sentia uma dor de cabeça horrorosa.
Passei uma maquiagem leve e coloquei meus maiores óculos escuros quando saia para o trabalho naquela manhã.
- Não acredito nisso! – ouvi uma voz masculina exclamar quando estava prestes a entrar no prédio da revista. A voz me era familiar, mas não podia ser quem eu achava que era. Virei-me calmamente de forma que pudesse disfarçar caso ele não estivesse falando comigo e dei de cara com a última pessoa que eu esperava encontrar ali: Derek.
- Oh-Meu-Deus! – não pude deixar de exclamar assim que o vi ali parado. O analisei de cima a baixo, estava bem mais bonito do que eu me lembrava, os cabelos loiros desgrenhados, a barba por fazer e os olhos azuis que haviam conquistado meu coração quando eu tinha apenas quinze anos; Derek usava uma camisa xadrez que acentuava sua beleza de garoto que se mudou da Califórnia para a Inglaterra quando ainda era criança, os jeans estavam justos na medida certa e o par de all star preto era puído e desgastado. Ele abriu um sorriso e se aproximou de mim. Corri pra abraçá-lo:
- Senti sua falta, garota! Como você sumiu assim? – ele perguntou. Eu tinha mesmo sumido. A gente namorou durante todo o colegial e quando fomos pra faculdade decidimos terminar já que tínhamos sido aceitos em lugares completamente distantes, e eu nunca mais o vi. Deixei um garoto e encontrei um homem. É claro que eu estava surpresa – Ouvi dizer que você é editora chefe da Vogue agora, sério? Quer dizer então que a minha nerd favorita agora dita moda? – ele riu e olhou pra mim de forma carinhosa, sabia que me analisava assim como eu o havia analisado.
- Também senti sua falta! Pois é! Desfiles de moda durante a semana e desenho animado no sábado e domingo, ainda sou a mesma, Der. Só melhores roupas. – nós rimos – E você? O que têm feito? Está morando em Londres? Como nunca te vi aqui?
- Sou professor de história da arte na Saint Martins. – ele disse e eu fiquei boquiaberta, era o sonho dele, lecionar a matéria que ele tanto amava, devia ser um professor incrível. – Você não me viu porque não saio muito da universidade, resolvi caminhar um pouco hoje já que tenho o dia livre e aconteceu essa coincidência maravilhosa!
- Que ótimo, não é? Aposto que é o melhor professor da Inglaterra! – ele sorriu modesto e eu olhei o relógio:
- Está atrasada? – ele pareceu ler meus pensamentos. Assenti fazendo uma cara triste e me lembrando que tinha de escolher fotos e matérias para algumas seções da revista, Derek acrescentou – Que tal um almoço mais tarde? – me encarou mordendo o lábio inferior enquanto eu fingia pensar.
- Hum... Acho que posso. Às duas está bom pra você? Tenho umas coisas pra terminar antes de poder sair e talvez...
- Às duas então – ele me interrompeu me dando um beijo na bochecha, me deixando ali e entrando num táxi que estava parado em frente à calçada.
- ...Passar o resto da tarde com você. – terminei a frase para mim mesma. É, eu tinha mesmo sentido falta de Derek.
Capítulo V
“take a chance and be strong, or you could spend your whole life holding on”
- E então quando eu estava prestes a pedi-la em casamento descobri que ela tinha um caso com meu primo, o Joseph. Lembra dele? – assenti boquiaberta e ele continuou - Cortei relações com ambos, minha tia tem raiva dele por isso até hoje, mas acabou sendo bom – Derek deu de ombros e olhou bem fundo nos meus olhos, sustentei o olhar dele ciente do que estava acontecendo ali.
Estávamos conversando há mais de uma hora e parecia que não tínhamos ficado mais de um mês sem nos falar. Eu já tinha contado tudo o que havia acontecido entre mim e - é claro que ele tinha ouvido falar do meu casamento com um rock star, e principalmente da minha separação – e agora ele tinha acabado sua narrativa amorosa. Era fácil conversar com Derek. Sempre fora. Ele me conhecia muito bem, tinha sido um amigo de infância, meu primeiro amor, meu primeiro namorado, meu primeiro beijo, minha primeira transa e meu primeiro coração partido. Por mais amigável que o término tinha sido, só realmente esqueci Derek quando conheci , quase seis anos depois.
Entendem agora por que tenho tanto medo de simplesmente esquecer o que aconteceu e voltar correndo pra ? É difícil fazer com que eu ame alguém, mas quando amo é de verdade. Não conseguia manter um relacionamento só gostando de alguém, eu precisava amar, precisar daquela pessoa, pra só assim me entregar de verdade e isso só havia acontecido duas vezes, com Derek e com . Encontrar Derek no segundo dia da minha ‘nova vida’ era a última coisa que eu esperava, mas, percebi, um pouco mais tarde, era exatamente o que eu precisava.
Vocês devem estar se perguntando por que nunca ouviram falar dele. É complicado;
No primeiro ano de faculdade nos comunicávamos muito por e-mail, principalmente. Mas quando voltei para passar as férias de verão na casa dos meus pais descobri que ele tinha viajado com a nova namorada, me revoltei e comecei a sair com um antigo colega de escola que também estava passando as férias por lá – veja bem, Derek nunca me prometera um verão romântico depois de um ano separados, mas eu esperava isso. Eu era só uma adolescente que cresceu assistindo contos de fada! O que vocês queriam? – Meu casinho durou uma semana. Terminei com ele simplesmente por não sentir nada, era assim na maioria das vezes. Queria Derek de volta, mas ele já não parecia me querer como antes. Quando voltei para a faculdade parei de responder os e-mails dele e comecei a sair com um garoto com o qual compartilhava uma ou duas matérias. Durou quase um ano, ele era inteligente, bonito e engraçado, eu gostava da companhia dele, mas era só isso. E isso não era o suficiente, não pra mim. Acho que passei tanto tempo com ele simplesmente por preguiça de encontrar alguém que fizesse meu coração dar saltinhos ou outras coisas piegas.
Nas férias de verão seguintes não voltei pra casa dos meus pais. Eu e Ant passamos dois meses viajando pela Europa como mochileiros, vimos cada cantinho do continente, de Lisboa à Moscou. Minha mãe me disse depois por telefone que Derek tinha ido lá me procurar, “ele não pareceu muito feliz quando eu disse que você estava viajando com um amigo”, ela disse e eu podia ouvir seu sorriso a quilômetros de distância - ela ainda não sabia que Ant era gay, na verdade, desconfio que nem ele tinha certeza ainda - tudo o que ela queria era que eu e Derek voltássemos a ficar juntos, mas tínhamos objetivos diferentes na época, eu já não o via há dois anos, éramos praticamente estranhos agora, eu achava, e é claro que estava errada, mesmo agora parecia que nunca tínhamos ficado sem nos falar.
Ele me contou, mas eu já sabia – descobri no verão seguinte à viagem com Ant -, que havia cursado metade da faculdade em Nova Iorque. Voltou à Londres alguns anos depois - formado e com uma Saint Martins de portas abertas para recebê-lo - e decidiu me procurar, mas descobriu que eu estava noiva do membro de uma banda muito famosa por aqui. Encontrou uma amiga em comum e perguntou se tinha notícias minhas, ela disse que nunca tinha me visto tão feliz. Decidido a não atrapalhar minha felicidade, ele resolveu não me procurar mais. Achei fofo, era bem o tipo de coisa que Derek faria. Mas eu gostaria de tê-lo visto, disse isso a ele, que sorriu:
- Se tivesse te dito na época o que queria, e ainda quero, te dizer, talvez – ele frisou o ‘talvez’ - esse não tivesse tido a chance de te machucar assim. – ele disse pegando minha mão que estava sobre a mesa. Não me mexi, deixei que ele acariciasse minha mão como a sua e sorri levemente, ele também.
- Senti sua falta – ele disse pela segunda vez naquele dia. Mas eu senti que essa repetição não tinha sido em vão, significava algo mais agora.
- Eu também. – repeti olhando-o nos olhos.
Ficamos ali, nos encarando por alguns segundos, até que eu desviei o olhar, ele sorriu, chamou o garçom e pediu a conta.
- Vamos dar uma volta? – ele perguntou.
- Vamos. Só vou ligar pra revista e avisar minha ausência pelo resto da tarde. – ele abriu um sorriso enorme enquanto eu pegava o blackberry na bolsa.
- Ela me disse que precisava de dois pontos e meio minuto depois estava só de lingerie em cima da minha escrivaninha. – nós dois rimos. Derek estava me contando sobre as alunas que faziam de tudo para dormir com ele quando precisavam de pontos na matéria.
- Ah, duvido que elas realmente precisem de uma desculpa para querer dormir com você! – soltei meio sem querer e percebi que Derek tinha parado de rir. Senti meu rosto esquentar e mudei de assunto rapidamente:
- Então, têm lido a Vogue ultimamente? – perguntei dando-lhe um cutucão no braço, ele riu sarcástico e disse:
- Compro todo mês, amiga. O que seria da minha vida sem Chanel? – eu gargalhei, ele parou de rir e disse – Na verdade comprei umas duas ou três desde que você assumiu, pra poder entender seu trabalho. Você é boa mesmo, o que posso dizer? – ele deu de ombros e me conduziu até um banco num canto do parque para onde tínhamos vindo. –
Senta aqui, vou te dizer a verdade. – ele falou sério.
Estranhei, do que ele estava falando?
- Eu menti sobre uma coisinha hoje – continuou e pediu que eu só ouvisse – Eu não estava só passeando quando apareci na frente do prédio da revista hoje. A verdade é que eu soube que você tinha se separado e tomei coragem para voltar a lutar por você. – ele riu nervoso - Demorei, reconheço, tem quase um ano que vocês não estão mais juntos, certo? – eu assenti – Mas só reuni forças hoje e, bem, cá estou. Pronto pra ser seu novamente.
Aquilo me pegou de surpresa, fiquei em silêncio enquanto ele me encarava esperando uma reação. Como não fiz nada ele pareceu se arrepender:
- Desculpa – disse – Eu não tenho o direito de jogar tudo isso em cima de você depois de tanto tempo. Desculpa. – ele repetiu –
Vamos recomeçar do zero.
- Eu não quero recomeçar do zero. – eu finalmente consegui dizer alguma coisa –
Acho que quero que você seja meu de novo. – ele sorriu de leve e se aproximou pra me beijar.
Senti os lábios dele nos meus e minha cabeça começou a girar. Era nostálgico, suave e bom.
Senti-me segura depois de muito tempo enquanto o puxava para mais perto de mim. Naquela noite, quando voltei para casa, trazia um raro sorriso no rosto. Eu estava feliz de novo.
Capítulo VI
Acordei na manhã seguinte com um sorriso babaca no rosto, ouvi o bip da secretária eletrônica enquanto preparava meu café e apertei o botão para ouvir o recado:
“Bom dia, linda! Sou um idiota completo por deixar uma mensagem tão cedo? (risos) Bom, espero que não. Só queria dizer que passei a noite pensando em você, pareço um pentelho de 15 anos de novo! (risos) Enfim, queria saber se tem alguma chance de eu te ver hoje? Que tal um jantar? Pizza? Beijo.”
Sorri boba, Derek era meu de novo. Terminei de preparar o café e retornei a ligação, ele atendeu no terceiro toque:
- Oi Der, bom dia – eu disse animada.
- Ei, linda! Bom dia! Como você tá?
- Bem, você?
- Melhor agora – nós dois rimos, ele jogava essa cantadinha pra cima de mim desde sempre.
- Então, você disse algo sobre um jantar hoje... Pizza, certo? Tentador... – eu disse fazendo charme.
- É, o que acha?
- Sua casa ou a minha? – eu disse com ar de riso. Ele riu do outro lado, mas disse em seguida:
- Minha. – senti meu rosto corar, boba!
- Tá. – me recuperei rapidamente – Eu levo o filme e o sorvete, se vira com a pizza, sabe qual eu gosto...
- Quatro queijos. – pude ouvir o sorriso triunfante dele pelo telefone...
- Olá! – eu disse sorrindo assim que Derek abriu a porta do apartamento onde morava. Ele me devolveu o sorriso e me deixou entrar, revelando uma sala de estar ampla, uma parede de tijolinhos (leia: parede inacabada) no fundo do cômodo estava cheia de molduras com fotografias em preto e branco, um sofá branco, duas poltronas pretas, uma televisão enorme e uma estante cheia de livros completavam o ambiente. –
Gostei da decoração, contratou quem? – eu perguntei fazendo-o rir.
- Engraçadinha, decorei tudo sozinho, não tem mistério. – ele piscou levando-me até a estante de livros. – Lembra? – disse pegando um exemplar antigo na mão: ‘Alice no país das maravilhas’. Me lembrei imediatamente, aniversário de 12 anos de Derek, nada melhor do que comprar pro seu melhor amigo/paixonite um exemplar do seu livro preferido, certo? – Foi o pior presente que eu já ganhei, acho...- ele fingiu pensar –
Ah não, minha mãe me deu um par de meias quando fiz 10 anos, enfim, o seu foi UM dos piores!
Comecei a rir e abri o livro pra ler a dedicatória, mal reconheci o garrancho que me fazia ter vergonha de mostrar meus cadernos aos professores:
“Espero que você leia e pare de dizer que Alice é coisa de menina.
Não tem graça conversar com alguém que não gosta do Chapeleiro Maluco só porque tem medo dele no desenho da Disney!
Para o Derek, com carinho
Da .”
- Mas você leu, não leu? – perguntei por fim.
- Claro que li. Você perguntava em que página eu estava todo dia. Sempre foi chata. – nós rimos –
E sempre teve esse poder de persuasão ridículo sobre mim. – ele me pegou pela cintura me puxando para si, mordi meu lábio inferior antes de ele grudar nossas bocas.
Simplesmente me deixei levar pelo momento, sentir Derek tão próximo de mim novamente me deixava extasiada. Quando acordei na manhã seguinte, olhei pro lado e o vi ali ainda dormindo, a última coisa que eu sentia era arrependimento.
Sorri acariciando seu rosto, ele piscou, abriu os olhos e me encarou sorrindo preguiçoso.
- Bom dia – murmurei.
- Bom dia – ele respondeu bocejando. – Tá com fome? – ele perguntou e eu assenti – Então espera aqui que eu vou arrumar uma mesa linda pra gente tomar café da manhã! – ele levantou e saiu cambaleando só de boxers para a cozinha. Sorri e me levantei, vesti uma camisa dele que estava no chão e fui até o banheiro escovar os dentes.
- Nossa...- disse quando cheguei na cozinha, uns 10 minutos depois ele havia me chamado dizendo que tudo estava pronto. Sentei ao lado dele na mesa e deixei que ele me servisse suco de laranja. Comemos muito enquanto falávamos de Toy Story.
- Hein... - ele disse pegando minha mão algum tempo depois – Vem aqui, vamos conversar. – ele me conduziu até o sofá, sentamos frente a frente e ele disse:
- Me diga se estou precipitando as coisas, mas bom, a gente já se conhece bem demais, e eu sei o que sinto por você, então...Bom. - ele coçou a cabeça, visivelmente nervoso –
Quer, erm... Namorar comigo?
Eu sorri:
- Djavú...- ele riu – Haha, sério. Você sabe tudo o que aconteceu e o quanto eu sofri, certo? Sabe que eu ainda não estou completamente pronta pra assumir uma relação séria novamente, certo? – ele assentiu várias vezes me fazendo rir – Mas eu quero. Eu quero namorar com você de novo. O que eu posso fazer? – dei de ombros e ele sorriu me abraçando.
Capítulo VII
’s POV
- Stephanny, eu preciso ficar um pouco sozinho, droga! Vai embora, por favor, caramba! – eu sentei na beirada da cama tirando os braços dela de mim e exclamando com a voz um pouco alterada, ela estava me irritando com aquelas táticas baratas de sedução enquanto tudo o que eu queria era um momento de paz para digerir o que tinha dito no telefone. Namorado? Quem? Como assim?
Deixa eu explicar: ligou para me lembrar do almoço em comemoração ao aniversário de dois meses de . Tudo bem até aí. Só que no meio do telefonema a voz de ficou repentinamente nervosa, eu achei estranho e perguntei qual era o problema, ele me disse que havia chegado lá com o namorado e que era melhor eu me preparar psicologicamente pra passar por um momento que seria, no mínimo, constrangedor. Eu fiquei sem palavras e disse que precisava de um tempo. Ele me pediu que fosse, mas que não precisava correr.
Stephanny levantou da cama fazendo beicinho, colocou um vestido que estava em cima de um sofá ali perto e saiu porta afora pedindo que eu a ligasse de noite.
- Sai! – eu esbravejei, me joguei de costas na cama e passei as mãos pelo rosto. Namorado...
Ela estava namorando... Sua garota, com outro cara.
- Você merece isso, – falei sozinho. Sim, eu mereço, mas isso não quer dizer que eu vá me render.
Levantei e fui até o banheiro tomar um banho. Meia hora depois eu saía de casa usando uma camisa preta de botões que ela amava, minha melhor calça jeans e um par de all stars. Se queria minha garota de volta já passava da hora de lutar de verdade.
A primeira pessoa que vi quando cheguei na casa de e foi . Ela usava um vestido floral longo e uma jaqueta jeans curtinha, tinha os cabelos bagunçados pelo vento e um sorriso enorme no rosto enquanto brincava com que estava no carrinho à sua frente. Minha respiração falhou por alguns segundos até que eu reuni forças para ir até lá e cumprimentá-la:
- Olá. – eu disse sentando perto dela e usando como desculpa. Ela me respondeu e baixou os olhos. Fiz um carinho de leve no rosto da bebê, que sorriu sem dentes e olhei para , ela parecia achar seus dedos do pé extremamente interessantes. Sem rodeios perguntei, apontando para um loiro de Ray ban e camisa xadrez que conversava com perto da piscina.
- É aquele seu namorado?
Ela prendeu a respiração, olhou pra mim estudando minha expressão e disse:
- Sim, Derek. Já ouviu falar dele, não?
É, eu já tinha ouvido. Uma vez Ant havia me contado a história dos dois... O perigo era muito maior do que eu havia pensado.
- Não que eu me lembre. – menti. Ela pareceu ficar desconfortável.
- Hum... Amigo de infância. – ela disse simplesmente, resmungou, aparentemente incomodada por ter sido deixada de lado e voltou sua atenção à ela.
- Você está feliz? – perguntei, surpreendendo até a mim mesmo, eu não sabia se queria ouvir a resposta. Ela pareceu pensar por um longo tempo, até que finalmente respondeu, sem olhar pra mim:
- Sim, no momento sim. Mais do que estive nos últimos meses. E você?
Eu sabia que ela sentia o mesmo medo que eu em relação à pergunta. tinha me machucado com esse ‘sim’, mesmo que não tenha sido completamente verdadeiro;
Mas eu diria a verdade, eu não precisava esconder de ninguém o que sentia:
- Não. Não sem você.
Ela me olhou surpresa, definitivamente esperava que eu dissesse que estava bem. Percebi que seus olhos se enchiam de lágrimas.
Fiz menção de tocar seu rosto, mas ela afastou minha mão delicadamente:
- O que você está fazendo, ? – ela perguntou com a voz trêmula.
- Eu te quero de volta. – eu disse simplesmente.
Continua...
N/A: Hey girls!
Desculpa pela atualização pequenininha, é que eu achei que esse capítulo merecia destaque. Vou tentar ser rápida, mas está difícil! (COMENTEM! COMENTEM! por favor? *-*)
beijocas
@BruCampi
N/B: Certo... Que destaque é esse? Meu Deus, Hazz, se vira pra me fazer terminar com o "meu" Derek u.u
HEHE, ok. Parei ^^
Comentem nessa fic maravilhosa! *-*
xx, Any