Nobody knows and nobody cares 'cos he's... And, he's gay!
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Capítulo 1

Versão

Segunda-feira, "acabei" de acordar e sei lá que dia é hoje no calendário, meu cérebro não costuma funcionar bem de manhã. Tá, me rendo, meu cérebro não costuma funcionar bem qualquer hora do dia, não que eu faça muita questão de usá-lo também.
O fato é que aqui estou, sentado num banco perto da entrada da escola derramando litros de baba no chão vendo ela passar pela calçada com o uniforme dessa budega que chamo de escola. Essa é minha rotina, já tô acostumado.

- Acorda - me cutucou.
- Hãn? - inclinei a cabeça para o lado.
- Nada, era só pra te fazer parar de babar mesmo - respondeu rindo.
- De boa, você não cansa de ficar olhando não? - perguntou distraindo meu olhar das pernas de . Vá em frente, me interrompa mesmo! Eu nem estava tendo a visão do paraíso. Exagerei, talvez se ela estivesse só de lingerie seria A visão do paraíso. Acontece que por enquanto, dos joelhos pra baixo me anima bastante.
- Não, na verdade eu acho bem... - mordi o lábio inferior vendo-a pôr uma mecha do cabelo para trás, jogar no chão o livro que segurava contra o peito e pular sem se importar de estar vestindo a saia do colégio. Tá certo que não foi nada do estilo Marlyn Monroe com sua saia sendo levantada pelo vento, mas mesmo assim era uma visão... Animadora - Legal sabe?
- Que coisa mais patética - riu debochado.

Qual é, o quê ele queria que eu fizesse? Acho que sei lá, bancasse o loser babaca correndo atrás da queridinha do colégio.
Não que fosse a Barbie Fashion Fever daqui, mas ainda assim a queridinha do colégio. É algo meio complexo de se explicar, não é fácil ser um adolescente estudante na Inglaterra sabe?
O que acontece é que mesmo não sendo a cheerleader oxigenada (até porque a cor dos cabelos da é natural. , me senti o amigo de infância falando agora), anyway, ela é popularzinha na escola e nem sabe que eu existo. Não que realmente não saiba que eu existo. Ano passado a gente caiu na mesma turma de Química, uma vez eu disse 'Oi' e ela sorriu.
Grande merda, ela não sabe que eu existo mesmo.

Versão

Eu nem lembro mais porque estava rindo toda empolgada. Sou de lua véi, gostaria de me entender.
dizia alguma coisa interessante sobre... Sei lá o quê, provavelmente a cor de suas unhas. Sério, todo mundo já se irritou com sua melhor amiga uma vez na vida certo? Então, sou mais uma na multidão. Ela nem tem culpa de ser tão fresca assim. Eu, como boa amiga que sou, agüento.
O problema era comigo entende? A vontade que eu tinha era de sair correndo pro jardim dos fundos, aposto que lá o assunto seria muito mais interessante.

- , eu vou ali e depois volto ok? - avisei, mas aposto que ela nem me ouviu porque estava muito entrertida num assunto sobre D&G, Louis Vutton, Gucci e sei lá mais o quê. De boa, sou mais as bolsas de R$ 20,00 que eu comprava nos calçadões de São Paulo, não sei pra quê tanta frescura com essas coisas.

Versão

- Ela nunca vai te dar bola... - bla, bla, blá. dizia e eu fingia que escutava. A verdade era que no fundo eu sabia que ele estava certo, mas sou orgulhoso demais para admitir. Voltei meu olhar para que parecia escapar de sua amiga desnaturada que nem percebeu.
- Vou dar um rolê antes de ir pra aula - levantei com minhas mãos nos bolsos.
- Eu vou com você - me olhou de um jeito, como se soubesse o que eu pretendia fazer e se levantou também. Ele me conhece como ninguém. Ele me conhece como ninguém, que coisa mais gay.

Versão

Eu fui para os fundos do colégio, brincadeira legal que já durava há uns... 2 meses acho. Não que eu me amassase com Josh nos bancos do jardim, apenas ficávamos... Escondidos.
Ah sim, Josh é um nerd perdedor dessa escola, mas é muito gato. Outra coisa que eu me esqueci de dizer: Tenho umas quedas, tipo Cataratas do Niagra por losers. Eles são tão... Losers. Eu disse que gostaria de me entender, mas como nem motivos tenho para me explicar, digo que simplesmente gamo nos losers e pronto.
Josh não é meu namorado, a gente, sei lá. A gente se beija e pronto ué. Claro que algumas vezes a mão dele se empolga um pouco e aí eu sei que é a hora de parar antes que se agrave. Ninguém sabe disso, nem e que são minhas melhores amigas.
Eu não conto pra elas porque sei que elas iam ficar dizendo 'Eu não acredito que você está com aquele perdedor, fala sério! Ninguém merece' e esses montes de blábláblá como se eu me importasse com essas coisas. E eu realmente gosto do Josh sabe? De verdade mesmo.
Mas mesmo gostando pra caramba dele, a vontade que eu tenho de surrar aquele ruivo nesse momento não está no gibi. Não está no gibi, isso é tão gíria do tempo da minha mãe.

Versão

- Você não desiste né? - riu enquanto chegávamos nos fundos do colégio.
- Ah, eu só quero apreciar a vista ué - dei de ombros me fazendo de inocente, mas ela começou a chorar - Você tá bem? - perguntei me aproximando.
- Não - me abraçou chorando. WOW, ela me abraçou. A camisa da escola deve estar salgada de lágrimas, mas ela me abraçou. ficou me olhando com uma cara de 'eu-não-acredito-que-tô-vendo-isso'.
- Que foi?
- Aquele... Filhodeumaégua - engoliu as pausas das palavras secando os olhos, ainda próxima à mim. Ela não queria chorar, eu percebi isso. nos olhou com uma cara de quem não sabia o que fazer e nós três fomos para perto das árvores. Eu ainda estava abraçado à ela. Não ia perder a oportunidade, claro.
- Se quiser desabafar... - disse sem estar certo do que dizer depois. Ela fungou, olhou para nós e depois começou.

Versão

Eu queria desabafar, eu precisava disso. Já que não posso fazer isso com minhas melhores amigas, quem melhor que dois garotos que nem o nome eu sei? Minha mãe né? Mas sei lá, é tão clichê conversar sobre essas coisas com a mãe e, no momento, eu não tenho muitas opções.

- É o Josh - respondi depois de fungar, olhar pros dois e virar minha cabeça para o chão.
- Josh? - o que tinha me abraçado (é, esse aí porque eu não sei o nome dele) arqueou uma sobrancelha.
- É - dei de ombros - Josh. Um nerd do 3º ano, conhece?
- Ele mora na rua detrás da minha - o outro que quase não falava nada respondeu - Mas o quê que tem ele?
- É que... - fiquei meio encabulada de continuar. Claro, vai que os dois eram amigos e ele contasse pro Josh depois? Ah, agora que já ajoelhei vou rezar de uma vez - Hoje faz dois meses que a gente começou a ficar.
- O QUÊ? - agora os dois arquearam as sobrancelhas para mim, o espanto do que estava com a mão na minha cintura parecia maior. Aliás, por que ele continua segurando minha cintura? Ok que ele é um cara bem gostosinho até, mas eu estou frágil nesse momento.
- Ficando ué - dei de ombros - Não acredito que vocês não sabem o que é ficar!
- Saber a gente até sabe, mas... Imaginar você com ele é estranho - esse aí, o gostosinho dono da mão que estava na minha cintura, respondeu. É esse tipo de coisa que me dá raiva, é por causa disso que eu acho que ficar escondido é bem melhor.
- Ah, eu gosto dele - pus uma mecha atrás de minha orelha.
- E...? Digo, por que você está chorando afinal? Não entendi nada - acho que o carinha da rua da frente do Josh é cego ou sei lá o quê.
- E depois eu que sou lerdo né ? Olha pra lá - o gostosinho apontou para Josh se agarrando com Mary perto das folhas com a outra mão, ainda sem me soltar.
- NOOOSSA! - (óia, eu aprendi o nome de um) arregalou os dois olhos - Caraca, mas o Josh tá podendo hein? Primeiro a e depois...
- , cala a boca! - o gostosinho deu um pedala na cabeça dele. Insensível esse , não gostei mais dele. Deitei a cabeça no ombro do gostosinho, embora a situação, ali estava bem aconchegante e o perfume dele é bem gostoso, admito. Aposto que é Kaiak - Calma, vai ficar tudo bem - de algum jeito ele me confortava passando a mão em meu cabelo, não parecia ser insensível como o .
- Erm, vocês não vão dizer isso pra ninguém né? - tirei a cabeça do ombro do gostosinho secando meus olhos novamente.
- Não, fica tranqüila - fez sinal de joinha.
- Ah, mas uma coisinha... Vocês não são tarados que se aproveitam de garotinhas quando elas não estão bem né? - perguntei, eu tenho essa cara de pau. Também, o gostosinho parecia não querer tirar a mão de cima da minha cintura.
- É... Não - , com uma cara de suspeito, olhou para o gostosinho que eu não sei o nome.
- Claro que não, porque... - o gostosinho concordou, parecendo, sei lá. Com vergonha de dizer o por quê.
- Porque...? - eu sou muito curiosa mano, não me agüentaria até saber.
- Porque... Porque nós somos gays ué - o gostosinho deu de ombros.
- QUÊ? - tinha belas sobrancelhas, percebi isso pelo tanto que ele as erguia.
- Não liga pro , é que... O preconceito, a gente acaba tendo vergonha de assumir. Você entende, né? - que pena que o gostosinho é gay, mó desperdício véi! Se bem que, eu sempre quis ter um amigo gay.
- Entendo - balancei a cabeça afirmativamente - Qual é seu nome mesmo?
- , mas pode me chamar de - e aí o gostosinho que agora eu sei o nome me estendeu a mão.
- , mas pode me chamar de - eu disse cumprimentando ele e o sinal tocou - Tenho que ir pra aula, tchau - me despedi dele, e até do (aquele gay insensível) com dois beijinhos na bochecha e fui para a aula de História.

Capítulo 2

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- VOCÊ É LOUCO OU O QUÊ? - gritava comigo - Esqueceu de tomar a dose diária de Gardenal, caiu do berço quando era criança ou tem problemas mentais mesmo?
- Você viu? Ela me abraçou, e me beijou também - sorri fingindo não escutar o que ele dizia. Só se eu fosse surdo pra não escutar, mas não tô a fim de discutir agora.
- É, e agora deve estar pensando que somos um casal gay ou alguma coisa nesse estilo de seriado americano - bufou enquanto voltávamos para perto dos outros três.
- O que aconteceu? - nos olhou com uma cara de curioso, não estávamos em aula. Não que não tivéssemos nossas aulas para assistir, é que cabular é muito mais divertido.
- É que... - comecei a responder.
- Nada - me interrompeu cerrando os olhos, aquilo era asustador.

Versão

- ! - gritou desesperada correndo para me abraçar - Você sumiu sem nem me avisar, eu já estava ficando desesperada - coisas típicas de , eu sabia que ela daria um showzinho desses, no estilo mocinha de novela mexicana que perdeu o filho no 1º capítulo quando o reencontra no 123456789º capítulo da novela.
- Não liga pra essa maluca, - riu - Mas é sério, até eu estava começando a me preocupar.
- Vocês são tão exageradas! - eu comecei a rir. Acho que sou bipolar também, já parei de chorar - Eu só tinha ido no jardim, vocês sabem que não gosto muito dessas conversas sobre grifes que sei lá porquê cargas d'água vocês insistem em falar.
- You know that we are liviiing in a material world, and I am a material girl... - cantou numa falha tentativa de imitar a Hilary Duff cantando Madonna. A voz da nem é tão aguda assim, não sei porquê ela insiste nessas maluquices.
- Sei, sei - dei de ombros enquanto nós três caminhávamos para a aula de História.

Grande parte de nossas aulas são na mesma turma, isso me irrita de certa forma. Não pela companhia de minhas amigas, mas é que tipo, e são as patricinhas pops dessa escola e por andar com elas eu sou na maioria das vezes considerada uma patricinha popular também.
Eu odeio tudo isso, acho que era tão mais fácil no Brasil onde não existiam todas essas frescuras. Na verdade até existe, mas não é tão descarado como aqui na Inglaterra. Os dois países têm panelinhas, mas aqui isso chega a ser ridículo porque as pessoas deixam de falar com outras por se preocupar com sua reputação. Literalmente uma merda.

- ?
- Hãn? - virou a cabeça para mim. O bom de ser uma popularzinha nessa escola é que, dependendo do que for, ninguém questiona suas atitudes.
- Você conhece algum , ou ?
- Acho que não, por quê? - também é curiosa, eu tinha me esquecido disso.
- É que eu conversei com os dois hoje, só fiquei curiosa - dei de ombros tentando cerrar o assunto.
- é aquele gostosão do 2ºC, né? - entrou na conversa.
- Não sei se ele é o gostosão do 2ºC, mas... Digamos que feio ele não é - se for ele, eu quero ver a cara da quando souber que o gostosão é gay. Tenho certeza que vou rir por uns 15 minutos, no mínimo.
- Acho que é ele sim, se não fosse um loser... Senhor, seria o genro que minha mãe sonhou - suspirou. Grande coisa ele ser loser, se não fosse um gay insensível até eu ia querer tirar casquinha.
- Ele é gay - não agüentei, eu tinha que falar. Minha vontade de ver a cara que faria era maior que qualquer outra coisa que me impedisse de dizer.
- NÃO ACREDITO! - fez uma careta estranha levando as duas mãos à boca. Todos na sala olharam para nós, aí que ela resolveu baixar a voz - Mentira né? Tipo, cê só pode estar brincando .
- Não tô não - respondi rachando de rir.
- Caraaamba, partiu meu coração agora - eu disse que ia rachar de rir, né? A cara que fazia era tipo 'óh, e agora, quem poderá me defender?' esperando o Chapolin Colorado aparecer. Tive que me conter, eu estava rindo muito alto e as pessoas voltavam a nos olhar.
- Nem é tão ruim assim - eu concluí tentando parar de rir - Ter um amigo gay sempre foi meu sonho e se o não parecesse ser tão insensível, eu gostaria de ser amiga dele.
- Verdade, ter um amigo gay é super fashion - os olhos de brilharam depois da sessão amiga burra da Regina George de Meninas Malvadas, às vezes eu me pergunto qual é o meu problema por andar com essas malucas.
- Mas o outro, é bem simpático e talz.
- Que outro? - , que também nem curiosa era, começou a fazer mais perguntas.
- , o amigo dele - respondi como se fosse óbvio.
- Eles têm um caso? - arqueou a sobrancelha, parecendo uma apresentadora de programa de fofoca.
- Sei lá - dei de ombros - Só sei que se todo gay for bonito que nem os dois, a humanidade está perdida.

E assim as aulas foram passando. Uma por uma, sem nada de muito interessante.

Versão

Não assistimos uma aula sequer hoje, acho que vamos para o Guiness Book.
pegou um hábito de fumar sei lá onde e fica o tempo todo escrevendo, o que eu acho que é até bom pra banda. É, temos uma banda, mas nem temos muitas músicas ainda.
e eu não trocamos uma palavra sobre aquilo de... "Sermos gays". Bah, a menina ia achar que eu estava me aproveitando dela. Não que eu não estivesse porque eu estava, só não queria que ela soubesse. E também, dizer que eu era gay foi a primeira abobrinha que veio na minha cabeça. Mas agora tanto faz, não vai me dar bola mesmo.

- Oi - juro que eu quase caí do banco com o susto, ela veio falar comigo.
- Ahm, oi? - respondi incerto de estar vendo o que estava vendo. Olhei para os lados, as caras de e não estavam tão diferente da minha. Por causa deles eu percebi que não era uma alucinação, ou algo desse tipo.
- Minhas amigas e eu vamos almoçar no shopping, quer ir com a gente, ? Se você não se importar de dar a volta no carro da Barbie chamada , claro - riu. Cara, sério que eu não estou acreditando nisso.
- Hãn? - perguntei, vai ver que eu estava alucinando mesmo? É melhor perguntar, só para garantir.
- Ele quer ir sim - se levantou me empurrando até um Cadilac rosa choque. Só depois de uns cinco minutos sem piscar eu percebi que dirigia o carro, ia no banco do passageiro e estava do meu lado no banco de trás.
- O não fez uma cara muito boa, você acha que ele se importa? - perguntou - , sobe essa capota que eu quero trocar minha blusa! - e berrou para que a escutasse já que na frente as duas cantavam muito empolgadas um "clássico" das Spice Girls. Só depois que a capota subiu que eu fui perceber que tinha tirado a camisa da escola e estava só de sutiã NA MINHA FRENTE. Essa menina perdeu a noção do perigo ou o quê? É claro também, que com o tempo que eu tô aqui fazendo essa cara de cu, ela já terminou de se trocar - Então , porque... Se ele estiver chateado ou alguma coisa assim a gente te leva de volta, né ?
- É, sem problema nenhum - confirmou enquanto gritava 'I wanna, I wanna, I wanna, I wanna. I wanna really, really, really...'.
- Ah, ele não se importa - minha ficha demorou pra cair, elas estavam mesmo acreditando que eu sou gay. Por um momento, bem pequenininho, pensei em dizer a verdade pra elas. Logo desisti, além de apanhar por mentir, eu apanharia por ter visto de sutiã e, essa era uma visão que tão cedo eu não apagaria de minha cabeça.

***

- Elas são bem enjoadinhas, sabe? Mas no fundo são gente boa - me dizia enquanto conversávamos sentados nas cadeiras de alguma loja de marca onde e punham blusa, tiravam blusa, vestidos, óculos e afins.
- , D&G ou Gucci? - perguntou para mim. Eu tive vontade de bater naquela desgraçada, como é que eu vou saber?
- É... Channel - chutei.
- Boa escolha - ela sorriu e voltou para a cabine.
- ECA - rolou os olhos e eu tive vontade de rir com isso.
- Deixa de ser fresca, - também riu.
- Eu que sou fresca, né? - ela arqueou uma sobrancelha rindo e se levantou - Bah, vou dar uma volta enquanto vocês duas enriquecem as grifes.
- Eu vou com você - me levantei e saí da loja com ela. Claro, vai que alguma daquelas duas pedem minha opinião de novo? Acertei na 1ª, mas não vou abusar da sorte - Você... Esqueceu seu cartão, ou alguma coisa assim?
- Não, é que eu não gosto de ficar gastando dinheiro com as mesmas bobagens que aquelas duas descerebradas, torro meu dinheiro com milk-shakes e CDs - riu dando de ombros. Sei lá porquê, mas eu comecei a rir com aquilo de novo.
- Você é estranha.
- Eu? Pra mim, elas que têm uns parafusos à menos ou alguma deficiência cerebral para ficar tanto tempo decorando o nome dessas marcas com tantas coisas mais interessantes pra se fazer.
- Mais interessantes, tipo...? - já que sou gay, tenho que me acostumar com esse tipo, né?
- Sei lá - parou de andar fazendo uma careta pensativa - Sentar em um banco em frente ao rio Tâmisa e ver o pôr-do-sol, alugar um filme ou... Música.
- Música? - arqueei uma sobrancelha.
- É, música. Às vezes eu escrevo algumas letras, mas sempre desisto porque nunca consegui aprender a tocar violão - ela sorriu e voltou a andar.
- Eu não sabia que você escrevia - a segui.
- Ninguém sabe, todo mundo me enxerga como uma... Patricinha de Beverlly Hills ou sei lá, tirando aquelas duas exquisofrênicas, ninguém me conhece de verdade naquela escola.
- E você não é? - eu me espanto com a minha idiotice, pudia muito bem ter calado a boca mas as palavras saíram antes - Digo, você namorava com o zagueiro do time da escola no começo do ano, todo mundo dizia que vocês faziam um casal bonito e panz. E também, você é quase um espelho pra maioria das garotas da escola que imitam seu corte de cabelo, cor das unhas ou roupas.
- Cory? Putz, eu não agüentava mais ele. As pessoas diziam que a gente formava um belo casal porque não eram elas que agüentavam o mau-hálito daquele desgraçado. E também, depois de ficar com ele eu passava meia hora escovando os dentes só pra tirar o gosto de omelete com mortadela e queijo da boca, que nojo - eu comecei a rir com a careta que ela fez e olhou pra mim - Pára de rir da minha cara!
- Desculpa, foi engraçado - dei de ombros.
- Nem foi - negou, mas começou a rir. Eu queria saber o que se passa nas cabeças das garotas, parecem bichos alienígenas movidos à algum satélite ou sei lá - E depois, eu fico com muita raiva quando as criaturas do colégio me copiam, coisa mais irritante. Aposto que se eu não andasse com a e a isso nem aconteceria.
- Pára de andar com elas então - respondi. Simples, não? Se ela sabe como evitar, é só fazer e pronto.
- Não posso. Admito que às vezes tenho vontade de tacar aquelas cabecinhas de vento em alguma parede, mas elas são minhas melhores amigas, entende?
- Entendo - eu ri - Às vezes eu também tenho vontade de bater naqueles panacas que chamo de amigos, mas sei lá. São meus amigos.
- Eles não aceitam? - arqueou uma sobrancelha olhando para mim.
- O quê? - arqueei uma sobrancelha também, do quê essa menina está falando?
- Você e o , o fato de vocês serem gays - ela respondeu rindo da minha cara.
- Ah, - coloquei uma mão na cabeça - eles não sabem. É um segredo entre mim e o .
- Hm... Entendo - fez uma cara que me fez acreditar na teoria de sobre ela pensar que somos como um casal gay de seriado americano - MAAATT! - e de repente saiu correndo atrás de Matt. Nossa, o Matt é meu amigo e eu nem sabia que eles conversavam.
- ! - Matt gritou também a abraçando, não era uma cena muito interessante de se ver.
- Fala pequena - James fez um cafuné torto nela, que mais parecia um safanão na cabeça.
- Você nem pode me chamar de pequena Jimmy, eu sou quase do seu tamanho - riu lhe mostrando a língua - Isso é mais a cara do Charlie tamanho de girafa.
- Chamou? - Charlie arqueou uma sobrancelha para ela.
- TARZAAAN! - berrou pulando na garupa de Charlie.
- Se aquieta, Chita! - Charlie riu segurando ela.
- Vai pra merda - também riu mostrando o dedo do meio para ele, até que aqueles três que se dizem meus amigos resolveram notar minha presença.
- Fala garanhão - James sentou do meu lado no banco. Puta merda, eu tive vontade de bater nele.
- Garanhão? - arqueou uma sobrancelha. É, eu tô devendo uma surra pro Bourne.
- É... - eu olhei para ele, com um olhar cerrante parecido com o do - É o irmão mais velho do , como é que o... David tá?
- Bem - respondi encabulado, James mente muito mal.
- Eu nem sabia que o tinha irmão mais velho - Matt estranhou. Outro, custava ele pensar em silêncio?
- Tenho, ele tá bem - sorri sem graça.
- Hm, sei - Charlie é desconfiado pacarái, mano - Então, nós já vamos, né?
- Já? - fez uma cara de triste.
- É... Temos que ensaiar, certo? - eu ainda vou fazer uma tese comprovando que o James mente mal, aposto que ele tá pensando que e eu queremos nos agarrar ou alguma coisa assim. Não vou fazer tese nenhuma, se algum dia eu fizer uma tese seria a prova de que eu realmente sou gay.
- Ok, então. E, vocês ainda estão me devendo um ensaio por perderem pra mim no videogame - riu saindo da garupa de Charlie.
- Quem de vocês perdeu pra ela no videogame? - só fiquei curioso, ué.
- Nós três - Matt respondeu rindo e meu queixo foi quase no chão - Tchau pra vocês, bom aproveitamento.
- Hãn? - não entendeu.
- Tchau pra vocês também - interrompi antes que eles cismassem de explicar pra ela e os três saíram.
- Eles também não sabem, né? - olhou para mim depois que os três sumiram.
- Pois é - respondi cabisbaixo.
- Eu acho que você tinha que sair do armário logo em vez de ficar se escondendo, maaas... - ela se levantou dando de ombros - Vamos atrás daquelas malucas? Vou ver se apresso elas, tô morrendo de fome.
- Ok - me levantei rindo e fui atrás dela.
- O Jimmy é muito gato, né?
- QUÊ?
- O James - começou a rir se abanando - Com aquele cabelo todo estiloso, meu Deus.
- Ah, é. Parece um Deus grego - fingi que concordava.
- Eu vi primeiro, jegue! - ela me deu um pedala e entrou na loja rindo.

Capítulo 3

Versão

- Tô cansada mãe - eu disse logo depois de abrir a porta - Não tô pra ninguém, quero dormir um pouco - completei subindo a escada, abri a porta de meu quarto e corri até a cama me jogando. Nem demorei para cair no sono.

Versão

- Ela ficou só de sutiã e saia na sua frente? - parecia não acreditar. Também, nem eu acreditava praticamente.
- É - confirmei com a cabeça enquanto passava geléia de uva no pão.
- E você não deu nenhum beijinho nela? - se inconformou ao me ver negar com a cabeça - Tá na cara que a menina se ofereceu pra você, tô começando a achar que você é gay.
- COFCOFCOF - se engasgou com o café e eu tive uma crise de riso.
- Respira cara! - começou a dar muitos tapas bruscos nas costas dele, o já estava parecendo com as unhas da de tão vermelho que estava e começou a rir. Eu não sou muito inteligente, mas tenho certeza que rir enquanto se engasga não deve ajudar muito.
- Calma - deu um tapa nas costas dele, tão forte que caiu no chão.
- PERAÊ, TÔ BEM JÁ! - se levantou, deu uma última tossida e começou a rir de novo. Eu? Nem tinha parado de rir pra dizer a verdade.
- Ok, dá pra perceber que vocês dois nos devem explicações de alguma parte da história que a gente perdeu - pareceu sério, mas desatou a rir também. Isso porque ele nem sabe o que é, que moleque louco, mano.
- Vocês não estão assistindo o Bozo, sabiam? - rolou os olhos, era o único que estava sério - Andem, dá para desembuchar logo?
- Posso? - arqueei uma sobrancelha olhando para que deu de ombros - A pensa que eu sou gay, falei.
- Hãn? - fingiu limpar o ouvido.
- Eu ouvi o quê eu penso que ouvi? - e também não acreditou.
- Aham - afirmou - De manhã, na escola, esse jegue foi atrás dela no jardim, naquela hora lá que eu saí com ele. A menina tava mal, abraçou ele chorando e até desabafou com a gente. Só que essa anta - é, ele apontou para mim nessa parte da história - não soltava a cintura da e ela perguntou se nós nos aproveitávamos de garotinhas em momentos frágeis. Eu respondi que não e o , pra ela não perceber que tava tirando casquinha, disse que não porque é gay.
- Sempre achei que sua sexualidade era de origem supeita - começou a rir, idiota.
- Não, e não pára por aí - cruzou os braços - Não satisfeito em pôr a sua masculinidade em questão, tudo bem que eu sempre achei ele meio boiola mesmo. Tá, mas mesmo assim, ele tinha que pôr o meu nome no meio do rolo. Em outras palavras: e as amiguinhas dela pensam que eu sou bicha também.
- HAHAHA, CASAL GAY! - começou a pular apontando pra nossa cara. Esse negócio de casal gay já está me irritando, juro.
- Porra, foi a 1ª coisa que eu pensei na hora, tá? - ninguém me entende. Puta merda, que crise emo é essa?
- É gente, vamos parar de criticar - o é um bom amigo - Até porque só o fato de o ter conseguido pensar, já é um grande avanço - e começou a rir.
- Fuck - e eu, com toda minha "paciência e bom humor", mostrei o dedo do meio para ele e fui pro sofá da sala de .
- Parem de ser crianças vocês dois - rolou os olhos vindo para a sala com e - E sabe , isso de pensar que você é gay pode até ser bom.
- Bom? - arqueei uma sobrancelha. [ironic mode on] Sim sim, claro. É ótimo [/ironic mode off]
- Claro! - afirmou com seu jeito típico de falar, como se tivesse uma certa "superioridade" - Eu sei que pra você é muito difícil, mas bota seus neurônios para funcionar: Vocês dois nem se falavam antes, aposto que ela nem sabia seu nome, certo? E de repente, num dia, só porque você "é gay" te chama pra sair com ela e as amigas. Sem contar que trocou a blusa no carro, na sua frente. Quem sabe um dia você não a vê se trocando, hein? Aposto que se ela pensasse que você é hétero, nada disso aconteceria.
- Eu não tinha analisado as coisas desse modo - nossa, o até parece intelectual falando essas palavras difíceis.
- Nem eu - sorri imaginando se trocar na minha frente.
- Eu continuo não gostando, ok? - e , tinha que continuar sendo o do contra mesmo.
- Pára de frescura , vocês não são os únicos gays que existem nesse planeta - começou a rir. Será que os gays de verdade se importam com todos esses trocadilhos? Só sei que eu, já tô ficando irritado - Você pode namorar um outro gay que nem existe, o mesmo pro e ninguém desconfia de nada.
- É, desse jeito - deu de ombros.
- Se o fosse mafioso ou alguma coisa assim, Scotland Yard estaria ferrada - disse e nós quatro caímos na risada.

***

Versão

Fazia muito tempo que eu não dormia de um jeito tão gostoso como dormi ontem. Eu dormi da hora que cheguei em casa até a hora de acordar hoje para ir pra escola e isso me deixou muito mais disposta, até pedi pra não me buscar porque hoje eu quero ir à pé.
Eu estava pensando também em comprar um carro sabe? É tão chato ficar dependendo de amiga/pai/ônibus para ir nos lugares. Só que, eu nem quero pedir pros meus pais, quero comprar eu mesma.
Fiquei tanto tempo pensando com meus botões que quase nem reparei que já tinha chegado no colégio.

- Oi , oi , oi Chaz, oi Matt, oi Jimmy, oi...? - eu fui os cumprimentando respectivamente, até chegar nos outros dois que eu não sei o nome.
- - o primeiro deles riu me estendendo a mão.
- E - o outro também.
- ...
- , já sabemos - eles disseram isso ao mesmo tempo. É tão irritante ver as pessoas pensarem que me conhecem, mas eu dormi muito bem ontem e não quero me estressar hoje.
- Vocês viram a , ou a ? - perguntei olhando para os outros cinco.
- Uma das Barbies tá ali - Charlie apontou para e começou a imitá-la fazendo uma voz "feminina", ou o mais próximo disso que a voz do Simpson pudesse chegar - Ui ui, eu quebrei minha unha.
- Besta - e eu sou mais besta ainda de rir.
- É sério , não sei porque você anda com aquelas duas - Matt. Gente, minhas amigas tão boas de reputação, hein? Até me assustei, de repente o povo dessa escola fala algo parecido com isso de mim pelas costas.
- Ah. Elas podem parecer fúteis, até porque são fúteis - pausa para rir - Mas são as pessoas em que eu mais confio, entende?
- Fazer o quê? - Charlie afirmou com a cabeça dando de ombros.
- C'est la vie - eu imitei ele - Tchau garotos.

Versão

- Tchau - até parecia coral e o jeito que cada um de nós olhava para ela depois que se foi era no mínimo... Proibido para este horário.
- , vem aqui - James me chamou indo para um canto.
- Fala.
- Você tá ficando com a ? - puta que pariu, já sei onde essa conversa vai dar.
- Não.
- E tá querendo ficar?
- Não - sim.
- É que... Eu acho que gosto dela - vai pra merda Bourne.
- Ah, legal - sorri sem graça.
- Então, não tem problema pra você se eu quiser ficar com ela, né? - imagina, problema nenhum. Eu só tô com vontade de socar a sua cara, mas...
- Não.
- Que alívio cara - ele sorriu dando uns tapinhas no meu ombro direito e voltou para lá.

Caralho, logo agora que a menina começa a "me reparar" ele vem com essa?

Versão

Esse é um dos poucos dias da semana que eu não tenho quase todas as aulas com minhas amigas.
Ainda bem, porque Álgebra não costuma ser o forte de nenhuma das duas e é justamente essa a minha primeira aula hoje.

- Oi - caramba, caramba, caraaamba! Acho que eu estava tão ocupada pensando no idiota do Josh que nem reparei que minha aula de Álgebra é a mesma que a do Jimmy. Não, eu não tenho fogo no cu, ok? Eu só não estou a fim de ficar chorando pelo Josh e acho que o James é um cara bem legal. E também, ele é bonito, tem uma banda, perde pra mim no videogame e é loser. Ui.
- Oi - sorri.
- E aí?
- Tô bem, e você?
- Entrem na sala pombinhos - eu sempre achei o professor de Álgebra um cara legal, mas esse sempre não inclui agora que ele me deixou vermelha que nem pimenta malagueta.
- Senta comigo? - James perguntou rindo da minha cara que, devia estar parecida com o vermelho da boca de minha camiseta do Smash Mouth.
- Pode ser - dei de ombros sorrindo tímida e ele me puxou.

Pode parecer estranho, mas essa foi a primeira aula em que eu não conversei o tempo todo.
Eu mal conversei pra falar a verdade, e olha que eu odeio o silêncio.

- Erm, ?
- Hãn? - parei de olhar para o caderno e virei a cabeça para James.
- Cê vai fazer alguma coisa hoje?
- Nada, como sempre - eu ri. Calma aí, ele...
- Quer tomar um sorvete comigo hoje à tarde? - é. Ai meu Deus, vou ter um treco, ok? Vou nada, se eu tiver um treco não saio com ele.
- É - sorri tentando não parecer que estava sorrindo, se é que sso é possível - Seria legal.
- Posso passar na sua casa às 4PM então? - nossa, dá até pro Bourne fazer comercial de pasta de dente com esse sorriso.
- Às quatro? - arqueei uma sobrancelha.
- É.
- Ok - confirmei com a cabeça.
- Então... Até mais tarde - James se levantou para sair da sala e me deu um beijo no canto da minha boca. Jesus, Maria, José e até Judas, eu vou ter um ADP. Calma , respira 1 2 3. Foco menina, foco!
- Até - dei um beijo na bochecha dele e saí da sala. Agora ele não está me vendo, posso ter um ataque.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH, EU VOU SAIR COM O JAMES!
Coitada de mim se minhas peruas ouvissem isso, mas eu preciso falar para alguém. Não é fofoca, ok? É só... Vontade de falar, ué.
Caminhei até a sala de Artes onde seria minha próxima aula e, adivinha só quem estava lá? Não, não era o Bournio.

- Oi - sorri me sentando na cadeira próxima à .
- Viu passarinho verde? - e ele riu da minha cara, que falta de Deus no coração.
- Não, oxigenado mesmo - respondi com meus olhos brilhando.
- Bourne? - arqueou uma sobrancelha.
- É - sorri de novo - Jimmy me chamou pra tomar sorvete com ele hoje.
- E você vai?
- Que pergunta , claro que sim!

Versão

James filho da puta.
Por que eu que seco a menina há anos tenho que fingir que sou gay pra ela me reparar enquanto ele só a convida para sair e pronto? Tá certo que eles devem se conhecer há mais tempo e ele até perde pra ela no videogame, mas mesmo assim estou com raiva dele.

- Uhm, legal - dei um sorriso falso.
- É - os olhos dela brilhavam tanto, será que a tá gostando mesmo do James? - Você vai lá em casa hoje, né?
- Eu? - arqueei as duas sobrancelhas.
- Claro, ué - rolou os olhos - Me ajudar a escolher uma roupa, essas coisas.
- Ah, a e a podem fazer isso - era só o que me faltava agora, ajudá-la a se arrumar pra sair com outro cara.
- Primeiro que se eu pedir pras duas elas vão passar uma hora enxendo a minha orelha com frases do tipo 'Não sai com ele, o quê os outros vão pensar?' e mais um monte de blá blá blá. Segundo que, depois de cansar minha orelha e se irritarem com a minha teimosia, elas me fariam vestir aquelas marcas frescas lá e eu não tô a fim, entende? - fez careta e eu comecei a rir - Me ajuda , por favor.
- Ok, ok - me rendi - Que horas?
- Depois da escola, pode ser?
- Tá - dei de ombros, não resisti o bico.

Versão

Minha mãe me ensinou que um simples bico pode derreter qualquer cara, e aí podemos fazer nossa vontade.
Só que ela nunca me disse que isso também funciona com gays.

Capítulo 4

Versão

Garotos nunca dizem não, e isso é justamente o que nos torna tão patéticos.
Descontando quando estou com meus amigos, fazia tempo que eu não me divertia tanto com uma garota. Pelo menos não desse jeito, eu costumava usar outro tipo de diversão.
e eu saímos da escola à pé, andamos até aqui e no caminho os caras me olhavam como se eu fosse o namorado dela. Ver aqueles caras pensando que ela era minha garota foi muito legal, mas ela nem se deu conta disso. E também, ela apostou corrida comigo e só ganhou porque eu não sabia onde era a casa dela e passei direto. ficou rindo da minha cara uns 15 minutos, mas eu nem me importei porque era bonito vê-la sorrindo.
, cala a boca porque você já tá dizendo muita besteira.

- Tá me devendo um milk-shake - riu abrindo o portão da casa dela.
- Como assim? - arqueei as sobrancelhas - Eu corri muito mais que você!
- Verdade, correu tanto que passou da minha casa - ela gargalhou se segurando no portão.
- Eu não sabia onde era sua casa, ok? - dei de ombros me justificando.
- Ok, mas mesmo assim me deve um milk-shake - olhou para mim rolando os olhos - E já vou avisando que eu quero um ovomaltine, BEEEM grande! - e pulou parecendo uma menininha pedindo doce.
- O quê você não me pede rindo que eu não faço chorando?
- Hãn?
- Nada - cala a boca de novo , você tá pensando alto demais também.
- Tá, deixa eu falar: - ela pulou de novo me puxando para dentro de casa - Você gosta de comida brasileira?
- Nunca comi. Aliás, comida brasileira por quê?
- Porque eu sou brasileira, né jegue, o que você acha que eu como?
- Você é brasileira? - eu pensava que ela, sei lá, era espanhola ou alguma coisa assim.
- Aham, mas me mudei pra cá com 10 anos de idade - suspirou - Às vezes eu sinto saudade do Brasil.
- Dizem que lá é legal.
- Mais ou menos, mas eu gosto de lá - ela se levantou do sofá - MÃÃÃE!
- Quê? - a mãe dela apareceu na sala, é bem bonita até.
- Esse aqui é o . E , essa daqui é a minha mãe - e aí nos apresentou.
- É seu namorado? - a mãe dela arqueou uma sobrancelha e eu comecei a rir, isso era legal.
- Claro que não mãe, ele é gay - começou a rir enquanto eu ficava com cara de tacho - Malz aí , mas se eu não dissesse pra minha mãe ela pensaria que a gente só veio aqui pra se agarrar.
- Entendo - balancei a cabeça afirmativamente enquanto a mãe dela me olhava com uma cara esquisita.
- Mas então mãe, o inglesão aqui nunca comeu comida brasileira - até parecia que estava espantada, fazendo uma cara de 'oh!', mas eu tinha vontade de rir e sei que no fundo ela também.
- Nossa, não será porque ele é inglês e não brasileiro? - a mãe dela ironizou e eu voltei a rir, observação tão óbvia essa.
- Whatever - abanou o ar com a mão - O que tem de almoço hoje?
- Arroz, feijão, bife à milanesa, salpicão, purê de batata e bolinho de carne moída - não vi nada de brasileiro nisso.
- Wow, se e estivessem aqui diriam que você quer arruinar a dieta delas.
- Não precisa comer tudo de uma vez, né criatura?
- Blablablá. E de sobremesa, tem o quê?
- Nada - a mãe dela respondeu. Nem ligo, eu nem gosto de sobremesa mesmo (mentira).
- Posso fazer brigadeiro? - what?
- Depois você se vira - a véia. Digo, a senhora, deu de ombros e saiu da sala.
- Eu acho que ela não gostou de mim - eu disse olhando para .
- Relaxa, minha mãe quase não gosta de ninguém - riu como se falasse 'quem liga?' - Vamos comer logo, eu tô doida pra comer salpicão.

***

- Não tem nada de brasileiro nisso aqui - eu disse depois de comer o almoço que, estava bem gostoso por sinal.
- Claro que tem, salpicão é inglês por acaso? - pôs as mãos na cintura.
- Não, mas é brasileiro por acaso? - eu ri arqueando uma sobrancelha.
- Sei lá, é gostoso e pronto - ela riu se levantando - E o arroz e feijão, hein? Só no Brasil que se comem cozidos. E também, eu vou fazer brigadeiro agora.
- O quê é isso? - nome estranho, se eu tentar dizer vão rir da minha cara.
- Um doce de chocolate, no Brasil fazem bastante naquelas festas de criança, sabe? - não, não sei. Dãr - É gostoso, você vai gostar.
- Quem garante?
- Eu garanto, ué - ela rolou os olhos e pegou uma panela - Me passa o pote de chocolate em pó, manteiga, leite condensado e maisena.
- Virei seu empregado agora? - cruzei os braços.
- Virou, e sem remuneração - fez uma cara de quando tem suas crises de "superioridade" - E anda logo porque eu tô mandando.
- Ah sim, claro - eu ri - E se eu desobedecer, o que acontece?
- Leva chicotada, quer? - OPA, quero.
- Hm. Não, obrigado - na verdade eu quero sim, mas isso não vem ao caso - Onde é que eu pego essas coisas?
- Na dispensa - me apontou uma portinha e eu fui pra lá, parecendo pau mandado.
- Era pra pegar o quê mesmo?
- Garotos, runf - ela riu e entrou lá - Aqui, olha: leite condensado, - e foi tacando as coisas na minha mão - chocolate em pó, maisena e... A manteiga tá na geladeira, eu pego.
- Ok - peguei as coisas que estavam em minha mão, pus na mesa e fiquei secando procurar a manteiga. Sacudi a cabeça antes que ela percebesse.
- Pronto, quer aprender?
- Aprender a fazer...?
- Brigadeiro jegue, quer aprender a fazer brigadeiro? - riu da minha cara de novo, acho que eu tenho cara de palhaço ou sei lá o quê.
- Ah, tá - dei de ombros.
- Ok, vem aqui.
- Quê que eu tenho que fazer? - perguntei me aproximando.
- Ó, eu tô jogando o leite condensado na panela e você vai mexer - nisso ela deixou uma colher de pau na minha mão e foi na geladeira pegar uma maçã.
- Você vai me deixar tentando fazer essa coisa sozinho?
- Claro, assim ninguém vai poder me culpar se sair ruim - deu de ombros mordendo a maçã.
- ! - acho que essa foi a primeira e única vez que eu fiz cara de autoritário com ela.
- Tá bom, tá bom - se levantou, voltou para o fogão e voltou a rir - Mas não faz essa cara de macho porque assim eu gamo, ok?

Eu sei que a falou isso por brincadeira, mas de algum modo meu coração começou a bater como se... Sei lá, como se o Manchester tivesse ganho do Liverpool e estivessem soltando os fogos de artifício.

- Claro, sou irresistível - comecei a me gabar para desfarçar o nervosismo.
- Cara, você é bicha. Não se sinta, ok? - voltou a rir mais e me apontou o pote de chocolate em pó. Eu joguei sei lá quantas colheradas na panela e ela voltou a falar enquanto mexia - Ah, esqueci de te falar.
- O quê? - arqueei uma sobrancelha.
- A - eita menina que gosta de rir, fala sério - Ela tem umas quedas pelo .
- Sério? - eu comecei a rir também.
- Aham - balançou a cabeça afirmativamente - Eu não culpo minha amiga porque ele é bem hot, sabe? - se o ouvisse isso ia se gabar e eu daria um soco na cara dele - Mas mesmo assim, eu morri de rir quando vi a cara que ela fez depois que eu disse que o é gay.
- Eu imagino - imagino a porrada que ele me daria se eu contasse isso.
- Não, num imagina não, acredite - limpou uma lágrima, será que ela é bipolar? - Merda, tá quase queimando aqui. Me passa a manteiga.
- Ok - passei pra ela o primeiro pote que vi na minha frente.
- , como você consegue confundir creme de amendoim com manteiga? - arqueou uma sobrancelha fazendo cara de séria, depois desatou a rir da minha cara de novo.
- Ah, os dois se passam no pão - dei de ombros tentando me justificar, a verdade é que nem eu sei como fiz isso.
- Claro. E um é marrom, o outro amarelo. Um tem gosto de amendoim e o outro de leite, no pote de um está escrito Creme de Amendoim e no pote do outro está escrito Manteiga. Resumindo: são idênticos - ela rolou os olhos e dessa vez eu que comecei a rir - Pára de rir e me passa logo a manteiga hómi, o negócio tá quase queimando.
- Tá bom, calma menina - entreguei o pote de manteiga, ela jogou umas colheradas com pressa e me apontou a maisena.
- Pronto - desligou o fogão, forrou a panela com um pano de prato, pegou duas colheres e começou a subir a escada - Anda , tenho que te chamar por acaso?
- Tem - dei de ombros. A verdade é que eu tava olhando as pernas da enquanto ela subia a escada de saia.
- Abre a porta pra mim, tá complicado aqui.
- Ok - abri a porta e ela correu para o quarto deixando a panela em cima da cama.

Eu entrei atrás, fiquei olhando o quarto. Era estranho, um pouco incomum para quarto de garota.
Na minha cabeça quarto de garota é rosa, o dela no entanto é verde. O endredon da cama é verde, amarelo, azul e com estrelinhas brancas, quase a bandeira do Brasil desforme. Na parede, posters do Blink, Green Day, My Chemical Romance, The Used, Panic! At The Disco e umas bandas que eu nunca nem ouvi falar; mas é uma parede inteira só forrada de posters. Perto da cama tem um quadro do pôr-do-sol, no chão um chinelo rosa de salto médio todo desenhado com flores, folhas e essas coisas naturais ao lado de três pares de All Star (um vermelho, um bege que parece de tricô e o jeans que ela acabou de tirar). Na parede de frente para a cama tem uma poltrona azul e a mesa do computador, tem também um puff colorido do lado da cama e na última parede o guarda-roupa com um rádio daqueles bem potentes e uma porção de CDs. Não esquecendo que na mesa do computador está tudo jogado: celular, câmera, mp3, relógio de pulso prata em forma de maçã, escova verde de cabelo, uma daquelas agendas frescas que garotas costumam ter com uma caneta roxa de vaquinha em cima, um negócio de prender o cabelo (eu não sei o nome ok?) azul, esmaltes preto, vermelho, verde e o rosa (que está nas unhas dela hoje); um mini ursinho de pelúcia natalino e um espelho pequeno. Acho que ela usa a mesa como penteadeira e está quase tão bagunçada como a minha.
Ah sim, mais pra cima da mesa, na parede tem um mural daqueles de fotos, sabe? Tem umas trocentas fotos dela com a e a , na que eu achei mais legal as duas frescas estão de rosa fazendo pose pra foto enquanto a pula de jeans, All Star vermelho e uma camiseta preta do Guns fazendo chifrinhos nas duas. Nunca vi as garotas das outras fotos e elas eram bonitas, o que me faz concluir que inglesas não deviam ser. A última foto que olhei era dela com Matt, Charlie e o James.
Deu raiva, ria enquanto James a suspendia pela cintura. Matt, do lado esquerdo dos dois piscava fazendo sua típica cara de 'eu-sou-o-galã-da-nova-novela-mexicana' [N/A: para quem não entendeu o trocadilho, imagine a piscadinha que o Matt faz no clipe de Thunderbirds Are Go] e o Charlie, com aquele tamanho de poste de rua, fazendo chifres em James e Matt com uma cara de "anjinho".

- O brigadeiro já esfriou - me chamou e eu olhei para trás, acho que devo ter demorado analisando o quarto.
- Você não tava de uniforme? - arqueei uma sobrancelha vendo-a sentar na cama com uma camiseta enorme de algum time que nunca vi na vida e até cobria o short.
- Me troquei enquanto você ficava olhando meu quarto com cara de bunda - ela deu de ombros e começou a comer aquele treco que eu não sei o nome. Legal, eu nem queria vê-la se trocando mesmo.
- Cara de bunda?
- É. Você estava parecendo... Sei lá. O pai do Lex Luthor examinando a nave kriptoniana que caiu em Pequenópolis trazendo o Kal-El pra lá na chuva de meteoritos - respondeu e comeu uma colherada daquele treco - Você vai comer ou não? Porque se não for, avisa que eu rapo a panela toda.
- Você viaja legal, hein? Eu nem sabia que você assiste Smallville - olhei praquele treco na panela - Isso aí é bom?
- Eu já disse que você não me conhece cara, eu não só assisto Smallville como leio os gibis de As Aventuras do Superboy que meu pai tem desde a época em que minha vó ainda "brincava" com meu avô - ela rolou os olhos e eu sorri - Pára de frescura e come isso logo - nisso, enfiou uma colherada daquele treco na minha boca e começou a rir.
- Hm, é bom - eu disse sentindo o gosto daquilo na minha boca - Como que é o nome disso mesmo?
- Brigadeiro.
- Bbbb-rui-ga-day-rôw?
- QUÊ? - ela começou a rir mais da minha cara.
- Não precisa rir de mim, ok? - fiz cara de emburrado.
- Coitadinho - continuou rindo, apertou minhas bochechas e acabou me derrubando na cama. Eu fiquei olhando nos olhos dela, nunca tinha chegado tão perto assim. Por um instante eu quase pensei em... - Desculpa - e saiu de cima de mim, se sentou na cama me deixando com cara de tacho de novo.
- Por quê? - sentei do lado dela.
- Sei lá. Você pode ter pensado que... Eu ia te beijar, mas não foi essa a intenção. Eu só escorreguei e... Ai, que vergonha - cobriu o rosto com as duas mãos e eu dei um meio sorriso por ter encabulado-a. Se controla , não se esqueça que "você é gay".
- Relaxa, eu não pensei nada - mentira. Eu pensei em te puxar pra cima de mim pela cintura, começar a te beijar e depois girá-la e... Bom, já que estamos numa cama mesmo, por quê não aproveitá-la, hein? PQP, eu e meus pensamentos poluídos. Fiz um cafuné torto na cabeça dela, sorriu e deitou a cabeça no meu ombro. Ficamos assim um tempinho, eu ficava aspirando o cheiro do cabelo dela.
- Ah, eu já tinha até me esquecido - e do nada a garota se levantou me deixando a ver navios. Não que tivesse estragado a cena romântica da novela, aposto que pra ela nem chegou perto disso. Mas, pra mim foi alguma coisa pô!
- Do quê? - sacudi a cabeça tentando afastar minhas brigas internas e olhei para ela.
- Das roupas, né? - abriu o guarda-roupa e foi jogando um monte de peças na cama, quase em cima de mim.
- Ah, é. O James - respondi olhando o teto. Eu nem me lembrava mais dele, que saco.
- É - na hora que eu olhei ela deu um meio sorriso. Eu comecei a pensar que sou um idiota por enganá-la desse jeito porque eu gosto de verdade da , sabe? Antes eu pensava que, sei lá. Eu achava que eu só queria dar uns amassos nela e pronto, mas nessa semana eu percebi que não e... Quer saber, por que eu tô pensando tanta asneira? Ela nem gosta de mim, me chamou aqui pra escolher uma roupa pra sair com o Bourne véi - Olha: - e aí começou a me mostrar as roupas.
- Hm, essa aqui é legal - é ridícula e rosa. Sai com essa, James desiste de você e vivemos felizes para sempre.
- Fala sério , eu nem sei porque ainda não joguei essa blusa fora - negou com a cabeça, jogou a camiseta rosa no chão e me mostrou uma outra listrada - E essa aqui?
- É bonitinha até - dessa vez não menti, gostei da blusa.
- Hm, ok - ela pôs o cabelo pra trás, colocou a blusa numa ponta da cama e eu a fiquei observando de perfil - Tem esse vestido também, só que... Eu não costumo usar vestidos.
- Veste pra eu ver - e aí ela se troca na minha frente, né? Não, pegou o vestido e foi pro banheiro. O fez propaganda enganosa, que bosta. Pus a mão na minha cabeça de novo, que raio de porcaria eu estou fazendo?
- Pronto - meu queixo caiu cara. O vestido era um azul claro, daqueles tecidos que parecem seda, sabe? Tinha uns desenhos de flores e folhas, todos azuis também e era frente única indo até o joelho. Não era daqueles vestidos justos, era folgado mas mesmo assim dava pra ver que ela tinha muito peito e bunda... Cale-se .
- Você tá linda.
- Obrigada - sorriu - Cê acha que eu devo ir assim?
- Aham - balancei a cabeça afirmativamente. Era para eu ter dito não, que ela devia ir parecendo uma mendiga, mas a palavra saiu da minha boca antes de eu pensar.
- Acho que eu vou pôr o All Star vermelho então - se olhou no espelho do guarda-roupa e ligou o som que tocava uma música esquisita em português. Eu acho que All Star vermelho nem combina com azul, mas ia ficar sexy porque All Star vermelho é sexy. Acho que eu tô enterpretando muito bem essa coisa de ser gay, tô até pensando em combinações. Aff.

E é tão fácil não lembrar que a vida logo passa e ninguém vai te esperar.
Longe de casa, perto do mar. O vento no seu rosto, histórias pra contar.
Muito forte, lá no alto, sempre vão brilhaaaaaaaaar...

cantava acompanhando a música enquanto amarrava o tênis.
Particularmente, eu achei que ela canta bem melhor que o vocalista que tem voz de menina cantando no banheiro com diarréia.

Milhõõõõõões de estrelas coloridas rumo ao infinito, tudo faz sentido.
Vai ser bem melhoooooooooooooooooooooooooooor.

Ela se levantou, olhou no espelho e pensou a mesma coisa que eu: - Não, All Star vermelho não combina com vestido azul.
- Também acho - concordei, mas ainda acho que ela ficou sexy com o vermelinho.
- Acho que eu vou pôr esse aqui - apontou para o bege que parece de tricô e começou a calçá-lo.
- ? - chamei.
- Hãn? - e ela virou a cabeça para mim.
- Que raio de música é essa?
- Ah, é Constelação Karina do Forfun - sorriu com os olhos brilhando, acho que provavelmente eu apanharia se dissesse minha opinião sobre a voz do cara.
- Hm, você canta melhor que ele - não é mentira mesmo, pelo menos eu não disse que ele tem voz de garota com diarréia.
- Também, nem é difícil cantar melhor que o Danilinho - ela riu e se levantou do sofá. Ficou legal com esse tênis, mas eu ainda prefiro o vermelho - Ficou bom?
- Aham - balancei a cabeça afirmativamente.
- Eu acho que vou prender o cabelo - pegou a escova e penteou o cabelo começando pela franja, de frente pro espelho. Eu acho que prender o cabelo é uma boa idéia porque garotas são mais bonitas de cabelo solto, e eu não quero que ela fique bonita pro Bourne. Grande merda, ela ficou linda de cabelo preso também e o cabelo não cobre mais as costas. Cara, ela tem um sinal lindo nas costas, não é postiço que nem aquelas pintas que a Marlyn Monroe colocava entre o lábio e o nariz. Eu ia dizer pra ela soltar o cabelo, mentir que fica mais legal mas...
- , tem um cara te esperando na sala. Um daqueles malucos que tentaram fritar pipoca com vinagre outro dia - a mãe dela apareceu com ar de tédio na porta e eu comecei a rir. Fritar pipoca com vinagre, nem eu faço isso.
- Ah, já vou então - sorriu, me deu um beijo na bochecha e desceu a escada.

Eu fiquei na porta olhando pra baixo, o James a olhava quase do mesmo jeito que eu.
Eles ficaram conversando uns cinco minutos no sofá, saíram e eu fui embora logo depois.

Versão

- Em que sorveteria você quer ir? - James olhou para mim.
- Tanto faz - dei de ombros sorrindo.

O Jimmy é muito fofo, fato. Mas eu estava meio aérea enquanto a gente andava.
Ele falava sobre uma porção de coisas que eu não faço a mínima idéia sobre o que sejam, na minha cabeça ficava rodando a cena do mico que eu paguei hoje, tipo um filme, sabe?
Eu tive vontade de beijar o cara, que vergonha! Ainda bem que ele não percebeu. Às vezes eu tenho a certeza de que sou maluca... Beijar um gay, até parece. Acho que sei lá, eu ando passando muito tempo com ele esses dias e acabei confundindo meus neurônios. E também, o não é fofo que nem o Jimmy, nem tão bonito quanto. A parte do "não tão bonito quanto" é óbvia porque ele é MUITO MAIS bonito que o James, mas isso não vem ao caso agora. E ele é gay véi, continuo achando o maior desperdício. Imagina só se ele não fosse gay, aposto que uma pá de garotas da escola dariam em cima dele. Se bem que, como elas não sabem que ele é gay, devem se jogar bastante mesmo. E... Eu já disse como o Jimmy é fofo? Pois é, ele é muito fofo cara. James tem uma voz de menina mais aguda que a minha, talvez isso tenha alguma ligação com o fato dele ser fofo. HAHA, essa foi péssima , até porque quem tem voz fina é gay, e o gay da história é o . Se bem que o Josh também tem a voz fininha... Josh. Que merda, pára de pensar no Josh menina, você não gosta dele, entendeu? E pára de pensar no também.
Não que eu goste do , a gente não se conhece nem há uma semana. Como que eu posso começar a gostar de uma pessoa em tão pouco tempo assim? Não gostando ué, eu só tô com essas paranóias porque meu novo amigo GAY é bem gostoso. Quer saber? Me cansei de pensar também, eu sou bonita, não sou? Não sou, whatever. Eu posso me enganar pensando que sou, aí eu viro uma daquelas garotas sem cérebro que conseguem tudo com a beleza e páro de pensar tanta asneira. HAHAHAHAHA, mentira porque se eu fosse assim passaria o tempo pensando na cor do meu vestido, a nova tintura que eu colocaria no cabelo e no esmalte "super fashion" que a Paris Hilton usou em... Sei lá quando, a única coisa relacionada à ela que eu gosto é Meeting Paris Hilton do CSS. E depois eu ia pro shopping com a e a (novidade) gastar o dinheiro que eu (não) tenho e dar aqueles chiliques delas quando compram um Channel. Por último ficaria careca que nem a Bitchney e usaria mega hair.
Putz, minha imaginação é muito fértil cara. Quer saber? Calo-me, calo-me, calo-me, eu me deixo louca.

- ?
- Hãn? - virei a cabeça para James. Coitado, ele deve ter passado um tempão falando com as paredes, o chão e o telhado.
- Nada, era só pra ver se você estava bem - ele riu. Eu disse que era fofo, não disse? Mil vezes melhor que o Josh.
- Tô sim - sorri sem graça. Ah, eu não estou tão mal assim, não é? Não tô com cólica menstrual, já me acostumei com os cravinhos que nascem na minha testa porque afinal, para quê serve franja, não é mesmo? Não tô grávida, até porque nem tem como eu estar grávida sendo virgem. Mentira, e se eu fizesse uma inceminação artificial, hein? Eu nem faria porque tenho pavor de ver um bebê saindo da minha barriga, ainda mais se for parto normal... Ai, deve doer pra caramba. E também, pra quê que eu vou pôr mais um bebê no mundo quando tem uma porção de crianças abandonadas em orfanatos do mundo inteiro? Acho até crueldade. Cara, eu nem sei como fui pensar em gravidez, mas eu tô bem. Talvez sem alguns parafusos na cabeça, mas mesmo assim bem.
- Erm... Você tá bem bonita hoje - James disse, me fez corar. Eu queria saber qual é a graça que as pessoas vêem em fazer as outras se sentirem envergonhadas, isso é tão coisa de gente sem Deus no coração.
- Obrigada - ainda vermelha eu dei um meio sorriso, mas quase nem deu tempo porque numa fração de segundo James já estava me beijando. E cara, ele beija muito bem.
- Desculpa - e aí foi a vez dele sorrir sem graça.
- Desculpa? - arqueei uma sobrancelha, como assim 'Desculpa?'? Eu não desculpo nada não, sacou truta?
- É - James abaixou a cabeça - Parece que você não queria, sei lá - OMG. O Jimmy é muito fofo, repito.
- Bourne, cala a boca - virei o rosto dele que começou a rir e o beijei de novo.

Eu não tô parecendo uma oferecida, né? Tipo, eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde eu nasci.
, cala a boca. De onde você tirou funk? E nem em favela você nasceu criatura, fica quieta. Peraí, tem hospital em favela? Ok, parei.
Ah sim, eu passei a tarde ficando com o James e, foi bem legal, sabe?

Capítulo 5

Versão

- Pára de andar de um lado pro outro , vai furar o chão - eu tenho a impressão de que já estava irritado com o fato de eu ficar andando em círculos. Mas por que eu "vou furar o chão"? Nunca entendi o quê as pessoas querem dizer com isso. Tem alguma lança, faca ou tesoura de jardineiro no meu sapato por acaso?
- Eu tô nervoso - respondi ainda andando em círculos.
- Sério? - arqueou uma sobrancelha, irônico e riu - Se você não tivesse me dito, eu nem perceberia.
- Acho melhor você parar com a crise existencial porque Matt e Charlie estão chegando - concluiu me fazendo parar.
- Oi - Matt chegou sorrindo, ele sempre sorri cara.
- O James não chegou ainda? - Charlie perguntou olhando para os lados.
- Não - deu de ombros.
- Hm, isso é bom - Matt sorriu de novo.
- Bom? - perguntou sem entender.
- É, né? - Matt se perguntou arqueando uma sobrancelha - Sei lá, é que ontem ele chamou a pra sair - sério Willis? Nossa, eu nem saberia se você não me dissesse.
- E você tá achando que eles dormiram juntos? - filho de uma égua, olha só a pergunta. Era só o que me faltava... Será?
- Eu acho que não - Charlie negou com a cabeça - A tem cara de inocente, não deve ser de se entregar logo de cara - é, concordo. Se bem que ela não é tããão inocente assim, mas... Não, não faria isso. Eu espero.
- , você viu a ? Ela não quis minha carona hoje, tô preocupada - apareceu do nada. De uniforme, uma bolsa de poodle rosa, seu fichário e salto alto. Novidade, ela sempre tá desse jeito. Os caras ficaram quietos, não gostavam muito dela. Pra ser sincero, não gostavam nem um pouco e ela sabia que entre as três eles só iam com a cara da , e vão tanto com a cara dela que até chega a ser suspeito. Idiotas, mas nesse dia eu percebi uma coisa que nunca tinha notado: o estava dando uma secada completa na , não sei como ela não percebeu.
- A última vez que eu a vi foi ontem... Na escola - eu ia dizer que fui na casa dela, mas 1º: as Barbies não sabiam disso e 2º: Charlie e Matt contariam para James e aí eu me ferrava apanhando, eu acho.
- AI MEU DEUS DO CÉU! - deu um gritinho histérico, virou para trás e se afastou de nós ainda falando enquanto procurava algum número em seu V3 pink - Será que seqüestraram minha amiga? De repente ela pode estar em um hospital ou numa clínica de reabilitação para dependentes químicos.
- , você é louca ou o quê? - apareceu na frente de , ao mesmo tempo que ficava de frente para nós sem nos encarar - A te ligou hoje de manhã pedindo para você não buscá-la, lembra? Isso indica que ela não foi seqüestrada, abduzida ou sei lá o quê. E outra: COMO ELA PODE ESTAR EM UMA CLÍNICA DE REABILITAÇÃO PARA DEPENDENTES QUÍMICOS SEM SER UMA DEPENDENTE QUÍMICA? - gritou nos fazendo rir, quem via até pensava que ela era uma pessoa normal e não uma patricinha sem massa cefálica.

Tá certo que nem eu tenho massa cefálica praticamente, mas é tão legal dizer palavras difíceis, as pessoas ficam pensando que eu tenho cultura. Ok, ninguém tá me ouvindo porque isso é um pensamento mas, sei lá, e se de repente o policial que lê mentes de Heroes está por aqui hãn, hãn? Ele ia me achar uma pessoa culta, diz que não. Não, ele me acharia idiota.
Cara, o riu de um jeito que, mano, não sei explicar e olhou para a deixando vermelha. Raciocina comigo: secando a , olhando a e eu quase beijando a . Ok, eu não posso beijar a e nem o pode beijar a porque "somos gays", mas o não tem nada o impedindo. Coitado do , acabou sobrando dessa vez.

- Ela tem razão, relaxa - disse abafando uma risada. Ele nunca falou com a , tô falando que aí tem coisa.
- Ahã - sorriu irônica, rolou os olhos e pôs a mão na testa. começou a rir de sua amiga. - Que foi ? Você tá muito estranha hoje.
- Só tô percebendo o quanto eu sou besta - disse baixo, mas meu ouvido é muito bom e eu escutei.
- Quê? - olhou para ela sem entender, o ouvido dela não é tão bom quanto o meu.
- Nada - deu um meio sorriso e eu comecei a me preocupar. Não que ela fosse minha amiga ou alguma coisa assim mas, sei lá. Ela é muito fresca, mas é um ser humano e não parece estar bem hoje. Não, eu não vou perguntar se tá tudo bem, ouvi-la desabafar e dar conselhos, isso é tão gay. Mas, ela pensa que eu sou gay mesmo não é? Não custa nada tentar ajudar.
- ... - comecei e ela olhou pra minha cara, só que eu fui interrompido.
- Oi - chegou sorrindo e de mãos dadas com o James. PQP, agora quem tá mal sou eu - Vocês marcaram reunião ou alguma coisa assim? Nunca vi todos vocês juntos - e começou a rir olhando a cena.
- Estávamos preocupadas com você, sua tonta! - correu e a abraçou. Mano, como é que essas garotas conseguem ser tão exageradas?
- Você é paranóica , eu... Tô bem - respondeu e olhou para James que sorriu. Bournefíodaputa. Eles devem ter se comido, que ódio.
- Depois você me conta - balançou a cabeça negativamente e saiu rebolando em cima daquele treco alto, fato que quase provocou um torcicolo no . percebeu (pelo menos eu não sou o único que NÃO é cego aqui), olhou para ele e balançou a cabeça negativamente rindo.
- O quê deu nela? - Matt perguntou estranhando . Tá certo que ele nem a conhece para estranhá-la, mas ela estava estranha. Aliás, essas garotas são estranhas.
- Tá em crise, o pai da bloqueou os cartões de crédito dela - respondeu, e ela riram.
- E vocês riem? - perguntei incrédulo, belas amigas essas daí.
- Eu acho é bom, assim ela pára de gastar dinheiro à toa - deu de ombros e sorriu concordando, eu disse que essa menina tá estranha - , cê tá bem?
- Tô - deu de ombros. Eu continuo achando que ela não tá bem não.
- Então tá, - fez uma cara de quem não estava convencida - vou indo então.
- Já? - James arqueou uma sobrancelha e ela sorriu.
- É - deu de ombros. Soltou a mão dele, acenou para nós - Tchau - e saiu andando com .
- Peraí - James foi atrás dela e deu um beijo, daqueles desentupidores de pia, sabe? Cara, foi nojento e a minha mão tá pesando pra acertar a cara dele - Tchau - sorriu e voltou a andar com que não pareceu estar espantada ou em choque.
- Caraaaamba! - Charlie olhou para James com a mesma cara que eu esperei que olhasse para , James começou a rir.
- E aí? - Matt olhou para ele com um sorriso maroto, acho que eles iam falar sobre os detalhes de ontem ou alguma coisa assim. De boa, não tô a fim de ouvir isso. Comecei a andar sentindo que meus melhores amigos me olhavam como se dissessem que eu não devia ter feito isso. É, sou telepata e sei o que as pessoas pensam, ok?
- Você quer saber se eu transei com ela? - escutei James perguntar - Não, a não é dessas - e sorri involuntariamente.

Versão

- Caraca véi, que beijo - eu ri. não está bem, certeza.
- Você não vai me xingar? - arqueei uma sobrancelha.
- Não - negou.
- Não vai me dizer que sou maluca por ficar com um perdedor?
- Não - ela negou de novo.
- Nem vai me dizer que estou perdendo tempo e deveria namorar com algum cara do time de futebol?
- Não - voltou a negar. Cara, a coisa tá grave.
- Ok, agora você tá me assustando - olhei para com uma cara de 'WHO-THE-HELL-ARE-U?'.
- Você gosta dele, não gosta? - cruzou os braços parecendo séria.
- É, gosto - eu acho que gosto tá?
- Então pronto, ué - deu de ombros e voltou a andar. Eu demorei uns dois minutos para segui-la, fiquei digerindo a nova "despreocupada com a porcaria da popularidade". Só para esclarecer: Eu não quis dizer que comi ela quando usei o verbo digerir ok? Obrigada pela compreensão.
- , você tá me deixando preocupada - a alcancei.
- Ai , é que... - suspirou fundo, olhei para os lados e a puxei para um banco no jardim dos fundos, onde eu costumava ficar com Josh. Lá é um ótimo lugar para se cabular aula.
- Já que só encontramos a na próxima aula, cabulamos essa e você me explica, ok? - eu sugeri e ela balançou a cabeça afirmativamente - Desenrola carretel.
- Assim, de ontem pra cá eu fiquei pensando, sabe? Tenho um pouquinho de inveja de você.
- De mim? - arqueei uma sobrancelha.
- É. Mas inveja da branca amiga, relaxa - riu um pouquinho, depois voltou a ficar séria e continuou falando - Tipo, todo mundo te ama e eu...
- E você é amada por todo mundo também ué, pára de cu doce - eu ri.
- Claro que não - rolou os olhos - Pensa só: você é amiga daqueles garotos da foto que tá no seu mural e até tá ficando com um deles, conversa normalmente com aqueles amigos do que nem há uma semana conhece e tem uma pá de gente na escola que fala com você. Isso sem contar seus amigos do Brasil, claro. E eu? Só tenho a e você de amigas de verdade, o resto são umas garotas falsas dessa escola que só falam comigo pra ganharem minhas roupas que eu considero last week.
- Você conhece um monte de gente, como é que pode dizer uma asneira dessas? - não é tão asneira assim se eu for parar pra pensar, mas não vou deixar minha melhor amiga mais down.
- Conheço, mas sei que só duas delas me dariam a mão se eu tropeçasse - cara, a desabou. Sério, ela começou a chorar, deitou a cabeça no meu colo e eu fiquei fazendo cauné nela. Mano, eu quase chorei também.
- , por que você não tenta se aproximar mais das pessoas? Esssa popularidade de merda não serve de nada, só deixa as pessoas pensando asneira de você. E tipo, se você falasse com as pessoas sem se preocupar se elas são "perdedoras" ou não, teria muitas amizades legais - essa é a minha opinião.
- Será? - virou a cabeça olhando para mim.
- Certeza - confirmei com a boca e com a cabeça - Tenta se aproximar dos amigos do por exemplo, eles são bacanas.
- Mas, e se eles não quiserem ser meus amigos? Porque tanto eles quanto Charlie, Matt e James parecem não ir muito com a minha cara.
- Porque você parece uma patricinha fútil. Aliás, você é uma patricinha fútil, mas tem um lado legal que nenhum deles conhecem, só eu e a .
- Ok, e o que você quer que eu faça? - ela deu um meio meio sorriso.
- Que deixem eles te conhecer melhor, ué - rolei os olhos - E assim, seja menos fresca, tá?
- Vou tentar - e aí, finalmente, fomos para a segunda aula.

Versão

Na terceira aula eu encontrei a , não conseguia ficar com raiva dela.

- Vai mais pra lá, tio - me empurrou na bancada de Biologia e eu ri.
- Como que foi ontem? - pra quê eu perguntei? Não tô nem um pouco com vontade de saber.
- Ah, legal. O Jimmy é um cara bacana - ela sorriu.
- Vocês tão namorando?
- Não, só ficando. Sei lá, acho que não gostam de me levar à sério - deu de ombros.
- Claro que não, ele... Ele gosta de você - cala a boca .
- Fala sério . Bourne é fofo e panz, mas eu não acho que ele goste mesmo de mim - acho que a ficou meio paranóica depois do lance com o Josh.
- Gosta sim, ele me disse que gosta de você - e eu devia ficar quieto já que não quero os dois juntos. Sei lá, não consigo vê-la desse jeito e acabo falando.
- Sério? - sorriu virando a cabeça para mim.
- É - dei um falso sorriso olhando pro chão, sou muito idiota.
- Ok - e aí ela começou a sorrir feito boba enquanto procurava a página que o professor tinha indicado - Ah, eu tô precisando de uma ajudinha sua.
- De novo? - arqueei a sobrancelha.
- Aham - balançou a cabeça afirmativamente - É a , - AHÁ, eu SABIA que tinha algo de estranho naquela menina - ela tá tentando mudar, quer fazer mais amizades, sabe?
- Hm, e...? - não entendi.
- E, você bem que podia me ajudar a fazê-la se introsar com os caras, né?
- QUÊ? - eu não ouvi o que eu ouvi. Mentira, meu ouvido é muito bom.
- Pára de se fazer de surdo - me deu um pedala.
- Ok - esfreguei minha cabeça - Mas é que eu acho meio difícil, eles não vão muito com a cara dela.
- Eu sei, mas... Por favor - ela fez bico de novo. Mano, segunda vez que ela me dobra em menos de 48 horas.
- Tá, vou ver o que eu posso fazer - e lá vou eu de novo.
- Obrigada - sorriu e me deu um beijo na bochecha. Eu olhei pra cara dela, ri, olhei pro chão e fiquei fazendo cara de mocinho idiota de filme americano.

Capítulo 6

Versão

- Então, vamos né ? - olhei para ela. Nós estávamos na casa da , dando um "apoio moral" pela atitude que o pai dela teve. Nessa hora me bateu uma saudade do Brasil, se a Paty estivesse aqui provavelmente diria 'isso é frescura no cu' e eu me acabaria de rir.
- Vamos - se levantou da cama dando de ombros.
- Vocês vão pra onde? - olhou para nós duas de um jeito. Sabe quando parece que as pessoas te olham enxergando um ponto de interrogação? Pois é, desse jeito aí.
- É... - me enrolei, não sei metir para minhas amigas. É, eu não sei mentir pra elas, ok? Às vezes eu só não conto alguma coisa, mas isso não é mentir. É omitir fatos, coisa bem diferente.
- É... É que a ficou de me emprestar um livro e eu vou lá na casa dela pegar - cada barbaridade que eu ouço. A podia ser que nem eu: já que não sabe mentir direito, não mente ué. É melhor que arranjar uma desculpa esfarrapada dessas que não convencem nem eleitor brasileiro em época de eleição. lendo alguma coisa que não seja revista de moda, aham. Meu nome é Xuxa Meneghel, você vem sempre aqui?
- , você acabou de se entregar - rolou os olhos. Eu disse, ela que não me escutou. Mentira, eu só pensei e me esqueci que ela não é uma Lady Voldemorta da vida para saber praticar a arte da Legilimência.
- A verdade é que a gente vai na casa do , falei - eu não precisava ter desembuchado de uma vez também, mas agora já foi.
- E tão me excluindo, né? - cruzou os braços - Ok, eu nem me importo mesmo - aham. E além da Xuxa, eu sou a babá possuída do filho do demo em a Profecia, quer meu autógrafo?
- Não é nada disso - riu.
- É que sei lá, eu já tô duvidando que a consiga passar 5 minutos dialogando (se eles conseguirem dialogar alguma coisa, óbvio) com eles, você então...
- Eu então...? - por que eu não calo minha boca? Agora provoquei, adora um desafio.
- Não sei. Vocês são muito diferentes , não consigo explicar - dei de ombros.
- Você vai engolir o que disse, fica a dica - entrou em seu closet e eu só vi as peças voando pra cama: um short preto, uma camiseta lilás e um All Star pink. MEUDEUSDOCÉU, a tem um All Star cara! Dessa eu não sabia, juro. Mas é um All Star pink, isso é tão... Rosa, eca. Anyway, não deixa de ser All Star.

Peguei meu celular no bolso da minha calça jeans e escrevi uma mensagem para , não demoramos muito para sair e eu já sabia onde era a casa do . Pelo menos perdidas não ficaríamos, o difícil foi convencer a deixar o cadilac na garagem e pegar ônibus, até riu.
Meninas bobas essas. Se elas têm frescura pra pegar esses ônibus vermelhinhos de dois andares chiques que têm na Inglaterra, consegue imaginar se fosse um daqueles ônibus velhos caindo aos pedaços que a prefeitura de Sampa tem preguiça de mandar pro ferro velho? Elas não durariam duas semanas lá, aposto.

Versão

'A teve um momento bolinho de arroz aqui e também vai ok? Não me xinga'
, xoxo

- Legal, minha casa vai virar salão de beleza agora - se inconformou.
- Deixa de ser besta ! Três gatas vêm pra cá e você reclama? - riu.
- Correção: três patricinhas - rolou os olhos.
- A não é patricinha - eu também rolei os olhos.
- Que bonitinho, ele tá apaixonado - me caçôou - Tá até defendendo ela, fala sério .
- Eu tô falando sério, vocês vão ver - eu ri abrindo a porta para as três que já haviam chegado. Das duas uma: ou elas têm um grau de parentesco com o Flash, ou o transporte londrino é realmente muito bom.
- O que vocês querem fazer? - perguntou sorrindo. Quanta falsidade, que vergonha.
- Sei lá - deu de ombros.
- Vocês têm algum filme? - arqueou uma sobrancelha.
- Ah, - a guiou até a estante de - têm esses aí.
- Carapicuíba, você tem toda a coleção original de HP! - exclamou com os olhos brilhando enquanto os rolava (os olhos dela, claro).
- Tenho, você gosta? - arqueou uma sobrancelha.
- Sim, mas prefiro os livros. A Warner quase estragou a história e a Ordem da Fênix ficou uma bosta na minha opinião. Não gostei do Cálice de fogo também, ficou estranho mas os três primeiros filmes saíram razoáveis. O Prisioneiro de Azkaban foi o mais legalzinho que teve.
- Também acho - concordou como se não acreditasse no quê dizia.
- E tipo, eu ainda tô de luto pelo Dobby, sabe? Poxa, ele era o amor da minha vida. J.Killer Rowling não tem Deus no coração - balançou a cabeça negativamente.
- Você viu? O ranhoso morreu cara! - começou a rir - Mas o Fred também, não gostei. Gemialidades Weasley não são mais Gemialidades Weasley sem um gêmeo e uma orelha do restante - tá, a gente já entendeu que vocês são viciados naquele bruxinho de meia tigela. Pô, isso já tá irritando, sabe?
- Oi, nós ainda estamos aqui, lembram? Muito interessante esse assunto de vocês, mas o céu não está bonito hoje - entrou no meio dos dois, interrompendo aquele asssunto. Graças à Deus porque, pelo que eu percebi, se déssemos corda o assunto ia longe. Os dois lunáticos riram.
- Ok, eu não queria assistir Harry Potter mesmo - deu de ombros.
- É, você NÃO queria . E nem quer também - falou como se fosse uma mãe dando ordem, aqui só tem maluco.
- O quê vocês querem assistir então? - virou para trás olhando pra nós.
- De Volta Para o Futuro - respondi ao mesmo tempo que .
- Não, chega - e respondeu ao mesmo tempo que .
- PQP! - berrou, ainda perto da estante de desviando nossa atenção.
- Que foi? - arqueei uma sobrancelha.
- A primeira, a segunda e a terceira temporada de Psych completa aqui, vou ter um treco cara - ela respondeu.
- Você gosta de Psych? - e agora foi a vez do não acreditar.
- Ela ama Psych, eu nem agüento mais ouvir falar disso por causa da - respondeu.
- Porque você é besta, ok? - e lhe mostrou a língua - Psych é o melhor seriado ever, depois dele Monk. Mas mesmo assim, Psych é muito melhor mano. Pra começar eu já rio com o sobrenome do protagonista, James Roday e ele interpreta tão bem o Shawn com aqueles siricuticos "paranormais". E depois, tem o Gus. Véi, o Gus é perfeito ok? Ele tenta se fazer de superior e sempre acaba sendo enrolado pelo Shawn, tão cute. E depois a Juliet, o pai do Shawn e até o Lassie. Ok, parei porque se não eu vou me empolgar mais e falar o resto do elenco - tapou a boca com a mão e saiu de perto da estante. e a olhavam com uma cara de 'ainda não acredito'. Só digo uma coisa: ela subiu no conceito deles porque contando com ( e também) são três psychomaníacos. Que gente mais burra, Heroes é muito melhor.
- Não vai olhar o resto dos filmes? - arqueou uma sobrancelha olhando para ela.
- Não, é capaz de eu ter outra crise e vocês ficarem me olhando com essa cara de bunda - negou ganhando um pedala de - Outch!
- Ok, a gente escolhe - puxou (OH!) e foram procurar algum filme na estante com .
- Ô ... - olhei para ela que esfregava a cabeça, acho que essa é minha vez de tentar fazer bico.
- Fala - ela riu se virando pra mim.
- Você não quer fazer aquele treco lá não?
- Que treco? - não entendeu.
- Aquele que eu comi quando fui lá na... - me esqueci que era segredo - Aquele lá de chocolate que eu não sei dizer o nome, você sabe.
- Brigadeiro - , e (que se virou para trás) responderam juntas.
- Tá, tá. Onde fica a cozinha? - nem precisei do bico, tô me sentindo agora.
- Por ali - eu disse e a empurrei até a cozinha. foi junto por curiosidade de saber o quê era o bendito treco e ficou lá na sala, olhando o teto.
- Eu pensei que você só assistisse Gossip Girl - disse sentado na cadeira enquanto ficava de frente para ele apoiando os cotovelos no fogão e eu pegava os ingredientes do treco. Viu como eu sou inteligente? Já até sei o que precisa.
- Nunca assisti um episódio de GG [N/A: Nada contra quem curte, ok (Dani, Gaby e sei lá mais quem fã de GG que estiver lendo isso)?] - balançou a cabeça negativamente e completou: - E nem The Pussycat Dolls Presents: The Search For The Next Bitch também.
- The Search For The Next Doll - eu corrigi.
- Whatever, a menina que ganhar tem que ser uma vadia pra entrar naquele grupo, não é? - ironizou e balançou a cabeça afirmativamente - Então ué, The Search For The Next Bitch e pronto.
- Você é engraçada - riu. Eu disse, sabia que ele ia acabar simpatizando com ela.
- Nem sou - negou com a cabeça - Ô , cadê as coisas?
- Aqui - sei lá como, mas segurei tudo junto e joguei na pia.
- Err, você confundiu creme de amendoim com manteiga de novo - e ela riu da minha cara. Poxa, acidentes acontecem, dude.
- Ele sempre faz isso - cala a boca . Não, ele não calou, só começou a rir de mim também. Pelo menos eu já sei que quando precisar de um apoio moral, o melhor é não chamar os dois.
- Pronto, pronto - joguei a manteiga na pia cruzando os braços.
- Fica irritado não, tio - apertou minha bochecha e eu sorri ficando vermelho. Ela nem percebeu de novo, ainda bem.
- Eu vou lá na sala ajudar eles, depois eu volto - percebeu e saiu da cozinha. Só que ele se esqueceu de duas coisinhas, mínimas. 1ª: eu não posso agarrar ela porque, puta merda, sou gay e 2ª: ela tá ficando com o Jimmy, bosta.

Sentei na cadeira em que estava e fiquei olhando pra bunda enquanto ela cozinhava o treco.
Se controla , se controla.

- The Used ou Britney? - apareceu do nada, perguntando no batente da cozinha.
- THE USED! - e eu gritamos ao mesmo tempo.
- HAHA, eles escolheram The Used. Ganhei, passa o controle - escutei ele dizer já na sala e comecei a rir.
- Vocês tinham que ter visto - e agora foi que entrou na cozinha parecendo um furacão.
- O quê? - arqueou uma sobrancelha sem entender. Pra dizer a verdade, nem eu tinha entendido.
- A briga que o e a estavam tendo por causa do controle, eu tive que separar os dois - respondeu.
- Fala sério , você gostou que eu sei - riu - Eu vi a secada que você deu na hoje.
- Eu? - ironizou - Nem, tá?
- Mentira, você quase torceu o pescoço pra acompanhar o rebolado dela - descordei e balançou a cabeça afirmativamente enquanto ria.
- Pô, só vocês perceberam. Não espalha tá? - mano, ele estava mais vermelho que um tomate, eu tive um ataque de riso.
- Quer ficar com ela? - desligou o fogo e se virou para ele.
- E-eu? - arqueou uma sobrancelha.
- Não, o Brad Pitt - ela rolou os olhos - Claro que eu tô falando de você, criatura!
- Sei lá - coçou a cabeça e eu forcei uma tosse - Ela nem vai querer.
- Eu nasci para ser cupida, ok? - voltou a falar do mesmo jeito que ele, com a suposta "superioridade" - Uma semana, cê vai ver - e saiu da cozinha levando a panela pra sala.
- Cara, essa menina é foda - olhou pra porta onde ela tinha acabado de sair com cara de, sei lá, cego que volta a enxergar. Nossa, essa foi péssima.
- Eu sei - abaixei minha cabeça e cocei. Se eu não tivesse essa mania pensaria que ele tem piolho e me passou.
- Você já pensou em contar a verdade pra ela? - cão arrependido, era só o que me faltava.
- Nem vem , foi você que deu a idéia de eu continuar "sendo gay" - neguei com a cabeça.
- Eu sei, mas sei lá - ele deu de ombros - Eu achei que ela fosse outra fresca, e não legal desse jeito.
- Eu também não, mas agora não dá pra voltar atrás - me levantei da mesa e fui para a sala.

Versão

Eu ainda não me conformo com o fato de o , um monumento daquele ser gay, sabe? Tipo assim, se existisse uma playboy para garotas, uma playgirl, ele tinha que pousar nu em todos os ângulos. Não sou ninfomaníaca, ok? Posso ser uma inglesa fútil, mas ainda sou virgem. Mas também, não posso fazer nada se ele é perfeito, vai ser gostoso assim na China. Não, a China fica longe e eu não quero ir lá pra comer rato morto, é melhor ele ser gostoso aqui mesmo.
No fim, nem assistimos o filme, ficamos comendo aquele destruidor de dietas que a fez e depois os garotos nos levaram para o porão. Não foi nenhum tipo de suruba, apenas fomos assistir o ensaio da banda deles. Não eram nenhum Backstreetboys, NSYNC ou Justin Timberlake da vida, mas até que dão pro gasto.
A estava muito engraçada, tenho certeza que se ela não se sentisse desafiada, não ia querer vir aqui. A estava bem empolgada, a bandinha deles é mais no estilo das coisas que ela ouve, tipo... Aqueles velhos caquéticos dos Beatles (por que Beatles? Não me conformo, tinha que ser Beetles) misturado com aqueles deuses musculosos do Blink 182. O Travis não conta no quesito musculoso porque é muito seco, mas os braços dele são até que bonitinhos.
E eu? Bom, estou na presença de quatro garotos gatos e, mesmo pensando que eles façam suruba entre si, não vou reclamar, certo?

- Por que vocês não chamam a pra cantar? - eu também gosto de provocar, sabe? Ela vai querer me bater.
- , cala a boca - eu sabia. olhou para mim com o canto do olho direito, ambos olhos cerrados. Às vezes ela me dá medo, isso não é brincadeira.
- É uma boa idéia, eu já vi ela cantando - disse recebendo uma almofadada dela na cara e começou a rir. Bom garoto esse gay aí, pelo menos alguém pra concordar comigo já que a não abre a boca.
- Ela canta bem? - arqueou uma sobrancelha vendo nós dois, e até , balançarmos a cabeça afirmativamente e afundar a cabeça em uma outra almofada que estava em seu colo.
- Vem cantar então, ué - sorriu.
- Eu tenho vergonha ok? - negou com a cabeça, ainda cobrindo o rosto com a almofada.
- Vergonha? Me poupe ! - gente, o gato devolveu a língua da (lê-se: minha cara de OH!).
- Eu fiquei curioso agora, vai vir por bem ou por mal? - arqueou uma de suas belas sobrancelhas que até parecem desenhadas. OHMYGOSH, se ele perguntasse isso pra mim... Whatever se ele é gay, um cara desses é capaz de fazer uma garota perder a cabeça.
- Não vou, vocês não vão me forçar - deu de ombros.
- Não? - fez cara de mau e desceu do "palquinho" deles em direção à no sofá em que estávamos. Se ele não fosse veado, eu diria que os dois fazem um casal bonito. Sei lá, é mais bonito imaginar & do que ver &James.
- Eu já disse pra você não fazer essa cara , dá medo - recuou a cabeça colocando a almofada quase em frente ao rosto.
- É pra você ter medo - continuou andando até ela.
- Ui - soltou uma risada irônica.
- Pára - e continuou escondendo o rosto.
- E se eu não parar?
- Apanha, ué - ela deu de ombro baixando a almofada e eu comecei a rir. correu até ela e começou a pegá-la no colo enquanto debatia os braços nos ombros dele tentando se soltar e ele a levava até lá em cima. Se não fosse gay, eu até pensaria que em menos de dois minutos eles começariam a se agarrar. E o engraçado é que os amigos dele pareciam os olhar com o mesmo pensamento. me cutucou.
- , vem aqui - se levantou interrompendo a cena, ele deixou no palco e foi atrás da .
- Vou beber água, já volto - arranjei um pretesto qualquer. Não sei não, tô começando a desconfiar da boiolice desse veado. era a única que não percebia nada em nossas expressões, ela é muito lerda. Os três garotos restantes começaram a conversar com ela sobre música e eu finalmente saí atrás dos dois.

Capítulo 7

Versão

- Você não é gay coisa nenhuma, tô certa? - cruzou os braços, chegou no corredor logo depois. Mano, tremi.
- Erm... - cocei a cabeça.
- Desembucha ! - rolou os olhos.
- Ok - me dei por vencido. Se eu fosse bandido me ferraria com muita facilidade porque é só me porem pressão e eu confesso tudo - Sou hétero, não tenho nada de gay.
- Puta merda - arregalou os olhos tapando a boca, fez uma cara totalmente irada. Acho que se isso fosse um roteiro, essa seria a hora em que eu correria.
- Respira , 1 2 3 - ela falava consigo mesma, fechou os olhos tentando ficar calma e depois os abriu olhando para mim - Agora explica, por que você mentiu?
- Eu... - ia contar a história toda, desde começo para elas, mas me lembrei que era segredo também - Porque... Porque eu gosto da .
- Sério? - sorriu irônica - Então por que tá fazendo ela de idiota?
- Não sei explicar - não menti, pra essas duas eu realmente não sei explicar.
- Mas eu sei - pôs a cabeça à mostra para quem estava no porão de ver - , VEM AQUI!
- Tá louca? - eu puxei e tapei a boca dela.
- Eu não, o louco aqui é você - e ela mordeu minha mão rolando os olhos.
- Eu não sou louco. Mas não conta pra , por favor - sou até capaz de emplorar dude.
- E você quer que fiquemos quietas? - bateu o pé voltando a cruzar os braços.
- Chamaram? - apareceu no corredor. Eu tava tão nervoso cara, mal raciocinava direito.
- É que a não lembrava o nome do baterista dos Beatles e te chamou pra perguntar, mas eu já respondi - sorri do melhor jeito que pude. Acho que funcionou porque riu e voltou para o porão.
- Eu me recuso a ser sua cúmplice - bufou.
- Se a desconfiar que eu menti pra ela, vai me odiar - e aí eu comecei a fazer aquelas caras, parecidas com a que o gato de botas de Shrek 2 faz quando quer alguma coisa.
- Cedo ou tarde, ela vai ter que saber - já estava no papo. Não, eu não vou catar a mina do Tom, ok? Ah, vocês entenderam o quê eu quis dizer.
- Não sei não - virou o rosto sem encarar minha pose "desmancha corações de garotinhas", essa era mais difícil de dobrar.
- Por favor , eu vou contar pra ela. Só acho que agora não é hora.
- FFFFU - bufou e voltou para o porão. O mais irritante é que eu não sei se consegui convencê-la a manter segredo, ou se assim que ela se sentar no sofá de lá vai abrir a boca e contar tudo para . Corri para o porão também.

Quando eu cheguei no porão, estava cantando em um banquinho enquanto meus amigos tocavam seus instrumentos. Não tinha música melhor pra ela cantar, não? Eu tremi de novo quando a vi cantando Looking For Blood - The Donnas.
Uma paranóia começou a se desenvolver na minha cabeça, deve ter usado o segundo que chegou antes de mim pra contar a verdade pra que agora canta "I can hear it all over town, that you've been talking smack. Send a message to your mommy baby, 'cause you ain't coming back" querendo me apavorar. Só sei que se o plano for esse, tá dando certo porque e estão se contorcendo de rir da minha cara enquanto toca sem entender nada.
Raciocina , não deu tempo pra tudo isso, respira cara.

- Don't try to run, don't you try to hide? Come to me or I'll come to you. It just takes two slices of my switchblade baby, gonna make a pretty mess of you. 'Cause I'm looking for blood, I've got revenge on my mind. Yeah, I'm looking for blood. Alright! - se diverte cantando, balança os cabelos e sacode a mão desocupada enquanto segura o microfone com a mão direita. Não sei como a franja dela não balança e muito menos como ela consegue ficar mais bonita do que quando estava com o vestido azul, só sei que a minha teoria paranóica começa a fazer mais sentido. Ainda mais com esse trecho de 'vingança na minha mente' (na mente dela, não na minha claro). Eu fiquei tanto tempo pensando que nem percebi que a terminou a música e andou na minha direção. É agora, ela vai dar um soco na minha cara e me deixar sem dentes - O que vocês estavam fazendo?
- É. Eu... Nós... - eu e minha mania de coçar a cabeça demonstrando nervosismo.
- Falando sobre música , cê não viu que eu tinha te chamado para perguntar o nome do baterista dos Beatles? - andou até nós, respondendo e me salvando. Alguém entendeu alguma coisa? Acho que ainda hoje eu morro de infarto, essas garotas estão me enlouquecendo.
- Vocês não tão tirando uma com a minha cara, não? Tipo, pra , Paul McCartney é um aposentado rico que gasta dinheiro com plásticas tentando manter a beleza que sabe-se-lá-de-onde ele pensa que tem - nos olhou desconfiada.
- E não é verdade? - arqueou uma sobrancelha irônica.
- , ele era considerado o mais bonito dos Beatles - começou a gesticular com as mãos. Eu não falava nada, só observava as duas.
- Claro - balançou a cabeça afirmativamente - Entre o cadáver do John Lennon, o corpo esquelético do Ringo Star e aquele outro que eu não sei o nome, Paul tinha que ser considerado o menos feio deles mesmo - e completou rolando os olhos. Nisso todos nós começamos a rir, até tropeçou no degrauzinho do nosso suposto "palco" e ficou rindo enquanto segurava a barriga. Nunca achei homem bonito, mas até que a teoria dela faz bastante sentido.
- Eu não sabia que vocês ouviam Beatles - se aproximou de nós pondo uma mão sobre o ombro de , outra no ombro de e olhou para .
- Nem morta que ouço aquilo - negou com cabeça, sentada no sofá enquanto lixava suas unhas. Eu nem tinha percebido que ela tava com lixa, garotas são imprevisíveis.
- Faço minhas as palavras da - concordou e completou: - Não gosto de asilo, e muito menos de museu.
- Blablablá - rolou os olhos - É por isso que vocês pensam que Green Day é emo, ficam com frescura de pesquisar as bandas clássicas.
- É, isso aê - concordou - Antes dos Beatles não tinha nada.
- Antes do Elvis não havia nada. Essa que é a frase do John, - corrigiu, riu e fez um high five com ela.
- Vocês entenderam o que eu quis dizer - se fez de ofendido.
- Ok, ok. Vamos fazer o quê agora? - guardou sua lixa e, ainda no sofá, olhou para nós.
- Banco Imobiliário, que tal? - sugeri, às vezes eu sou muito inteligente.
- O número de pinos não é suficiente pra todo mundo - negou com a cabeça.
- É só jogar por equipes - riu, ela pensa com mais facilidade que nós - &, - e deu uma piscadinha para - & e na última equipe nós três, ué.
- Por mim tudo bem, e vocês? - gostou da idéia, por que será, hein?
- Tanto faz - se levantou do sofá dando de ombros.
- Bora - sorriu e foi pegar o jogo.

Tantantantanãnã, tanãnãnã. Tantantantanãnã, tanãnãnã.
Quem é maluco o bastante pra pôr GD tocando The Simpsons no toque do celular?

- Peraí, já volto - tirou o celular do bolso e foi atender num canto. Pensando bem, nem é tanta maluquice assim porque, afinal, a musiquinha ficou legal com o Green Day. Cinco minutos depois o já tinha voltado e ela continuava falando no celular enquanto sorria, até a hora em que resolveu lembrar que nós ainda estávamos ali e saiu da exclusão - Desculpa gente, eu tenho que sair porque vou assistir o ensaio do Busted - James filho da puta, de novo.
- Ah - fez bico e só eu percebi a cara de cu que fez. Claro porque, se ela sabe que eu não sou gay, deve ter percebido que o também não é.
- Tchau, até... Amanhã na escola - deu um beijo na bochecha de cada um de nós, subiu a escadinha do porão - Depois eu quero saber quem ganhou - e saiu.
- Ótimo, agora você vai nos explicar direitinho essa história de se fingir de gay para minha melhor amiga - me olhou assustadoramente.
- Shí, se fodeu - começou a rir e também.
- Senta que lá vem história - cocei minha cabeça pela milésima vez hoje.
- Já estamos sentadas, falo logo - também parecia assustadora, será que eu me enganei pensando que ela não me deduraria?

Versão

Garotos são tão enrolões, eu precisei ficar com James para ele me chamar prum ensaio da banda dele. Nossa, falando assim até pareço uma garota de programa ficando com garotos em troca de favores, que horror. Mas mesmo assim, eu ficava enxendo os três porque quando eles perderam pra mim a regra era ver um ensaio deles. Não ensaio tipo G Magazine, você entendeu o que eu quis dizer. Ninguém entendeu nada , seu pensamento NÃO é alguém que dialoga com você, pára de viajar menina. Mesmo assim, eu gosto de falar com meus pensamentos, não tenho segredo com eles. Calei.
Quando eu falei para James que estava na casa do , ele estranhou mas depois marcou de me encontrar numa rua perto de lá e me levar pro ensaio da banda à pé. Claro minha filha, o que você esperava? Uma Ferrari? Você está saindo com um cara pobre, dãr. Até pareço rica falando, andar é bom e queima as calorias. E também, andar num carro com o garoto que fica é complicado, vai saber das intenções deles, né? Se tratando de caras são sempre as piores, fato.
Ok ok, eu já tô na ruinha há uns 5 minutos (muito tempo, não?) e nada daquele gambazinho aparecer. Gambá por causa do cabelo porque, Bourne é bem cheirosinho até. Não usa Kaiak que nem o , vou pedir pra ele usar. Vou nada, o perfume que ele usa (é, eu não sei o nome) é gostosinho. Mas Kaiak é Kaiak pô! Homem de Kaiak é irresistível, mesmo sendo gay.
Foco , foco.

- Oi - James chegou me abraçando por atrás, virei o rosto e encostamos nossas franjas. Qual é, encostamento de franjas é a nova forma de cumprimento, sabe? Mentira, que coisa mais emo. Anyway, encostamos nossas franjas quando me virei e depois eu rocei meu nariz no dele. Roçar nariz me lembra o tempo em que eu tinha uns 3 ou 4 anos e minha mãe fazia isso me forçando a berrar 'narizinho, narizinho, narizinho!' antes de dormir. Era traumatizante, mas é legal fazer isso com caras. Sem a parte do berro, não se esqueça sweetheart.
- Oi - afastei meu nariz, sorri e virei para trás me soltando dos braços de James que voltou a envolver minha cintura.
- O quê você tava fazendo na casa do ? - ficou com ciúme, é? Que bonitinho.
- Suruba - respondi pondo minhas mãos nos bolsos da minha jeans.
- ! - James arregalou os olhos soltando minha cintura e eu comecei a rir.
- Fala sério Bourne, você acreditou? - eu tive uma crise de riso, no estilo dessas que eu tenho todo dia. É, eu gosto de rir e faz bem à saúde - Eu fui levar a , ela tá querendo se enturmar mais com o povo, sabe? A foi junto porque se sentiu desafiada e passamos a tarde lá comendo doce, vendo os caras tocarem e eu ia jogar Banco Imobiliário com eles quando você me ligou.
- Ah bom - James voltou a envolver minha cintura. Eita garoto indeciso! Segura, solta e volta a segurar. Isso está me confundindo já - Você não acha que anda passando muito tempo com eles?
- Não - dei de ombros - Tirando o , eu só fui passar mais tempo com eles hoje.
- Ah sim, o - James rolou os olhos.
- É, quê que tem ele? - não entendi essa.
- Eu tenho ciúmes dele, acho que ele gosta de você - James respondeu e eu tive minha segunda crise de riso agora - Que foi?
- O não gosta de mim, ele... - James não pode saber que ele é gay , não sai da linha menina.
- Ele...? - Jimmy não entendeu, coitado. Vou ter que mentir, que bosta - Vocês nem se falavam antes e de repente começam a andar grudados, sei não.
- Ele começou a falar comigo pra me pedir esquema com a , e aí eu acabei fazendo amizade com ele - tentei parecer o mais natural possível, se é que é possível quando se está mentindo, né?
- Sério? - James começou a rir também - Que bom, eu não queria perder um amigo por causa disso.
- Por causa do quê? - arqueei uma sobrancelha.
- De você, acorda - ele deslizou o polegar na minha bochecha.
- Credo Jimmy, eu não sou uma destruídora de amizades não! - fiz careta e Bourne voltou a rir.
- Não é isso.
- Então me explica, ué.
- Eu já disse que gosto de você? - James tirou a mão direita de minha cintura e começou a mexer no meu cabelo. Juro que ele apanha se desmanchar minha chapinha.
- Não - neguei com a cabeça entrelacei minhas mãos no pescoço dele. Para quem não sabia: sim, eu gosto de provocar.
- Então, eu gosto de você - James aproximou nossos rostos.
- Coisinha fofa da mamãe - eu apertei as bochechas dele que sorriu e me beijou. Até que enfim, tava demorando, né rapá? Pus meu braço esquerdo em volta do pescoço de James de novo e com a mão direita fiquei brincando com o cabelo dele. Bourne usa chapinha, acabei de perceber. Mas nem ligo porque às vezes (tipo hoje), eu uso também. Aliás, acho que a frescura que minhas amigas têm com roupas e eu não está toda no meu cabelo. Cabelo é cabelo, o quê eu posso fazer? Depois de sei lá quantos minutos de beijo e quase uma asfixia de minha parte, soltei James com a respiração falha tentando tomar fôlego - Vamos, né?
- Aham - James pôs a mão sobre meu ombro direito e andamos até chegar lá.

Busted é legal, a banda sem nome do também. Aliás, até que esses garotos da minha escola têm talento pra música. Ok que eu fiquei uma meia hora rindo porque o Matt, com todo aquele sotaque britânico dele, diz Bósted. Os três dizem Bósted pra falar a verdade, mas o Matt é o mais engraçado quando diz. E eu, que nem besteira penso e falo Bãsted com toda minha "americanização" (americanização? Só se for de América do Sul), racho de rir porque Bósted me lembra bosta. Não que a banda seja uma bosta, mas... Ah, vocês me entenderam. Eles que não entenderam, ficaram me perguntando onde eu achei tanta graça e, eu que não ia responder, certo?
Umas três músicas falando sobre as experiências deles e acabaram o ensaio. Idiotas, tenho certeza que é só porque eu vim e, bem, James e eu ficamos nos agarrando enquanto Matt e Charlie faziam piadinhas sobre nós. Depois fomos para casa e... Bem, cê sabe como terminou a noite, eu fui pra cama... Sozinha. É, eu não levei James pra cama e nem vou levar ok? Sou uma garota muito inocente, vocês que só pensam naquilo.

Capítulo 8

Versão

Tô com dor de cabeça, ressaca, de porre.
Ontem, depois que a saiu e que eu tive vontade de quebrar a cara do James pela milésima vez, acabei contando tudo para e . "Tudo" em termos, a parte sobre o rolo que teve com Josh nenhum deles sabiam mesmo, só e eu. Tá, depois que elas saíram eu acabei enxendo a cara e nem consegui sair da casa de , acabei dormindo lá mesmo. Nada de anormal já que eu quase sempre durmo lá ou na casa de em meus momentos alcoólicos.
Pobre mamãe, nem imagina as coisas que seu filhinho do coração faz. Pra ela eu devo ser um santo, ou algo nesse estilo. Sem bebidas, sem sexo, sem garotas, eu sou um anjo, não? Não, mas isso é segredo, deixe minha velha ser feliz com seu sonho de filho perfeito enquanto eu seguro minha cabeça que parece querer desabar.

- Olá - chegou sorrindo e eu sorri também, quase me esquecendo da dor de cabeça se não fosse o pedala que me deu. Eu ia xingar ele, uma atitude bem machão, sabe? Não dava, ela iria ver. Mas aí deu um pedala nele também, nem sei por quê e se sentou do meu lado. Fala se eu não babei? Não, eu já disse que não posso babar quando ela tá vendo, dãr. começou a sussurrar perto do meu ouvido e a coisa começou a esquentar. Esquentar dentro de mim, sabe? Aham, é fogo mesmo - Preciso falar com você.
- Fala - me levantei e a puxei para um canto.
- Eu disse pro James que você tá a fim da - Geórgia disse pondo as mãos nos bolsos que ela não tinha na saia do uniforme e olhou para baixo.
- Por quê? - é, por quê? Eu querendo pegar aquela magrela? Era só o que me faltava.
- É que, o Jimmy é meio piradinho, sabe? - sei, ele nunca bateu bem das idéias - Ele acha que você gosta de mim - ela começou a rir e eu engasguei - E pra tirar essas caraminholas da cabeça dele, eu disse que você começou a falar comigo porque tá gostando da já que não posso dizer a verdade.
- A verdade? - tremi de novo, não sei se por efeito da ressaca ou pela paranóia.
- É. Relaxa , eu não disse que você é gay - voltou a rir da minha cara.
- Ah, obrigado - sorri sem graça.
- Cara, você não existe - ela me olhou com ca