How To Save A Life
Por: Lah Carrião
Beta: Táh
Scriptada por: Kakis
1 - Just Another Day
Era mais um típico dia gelado de Londres. levantou relativamente cedo pra um sábado. Tomou banho, colocou uma calça jeans, uma camiseta, um moletom azul claro por cima, calçou seu all star branco e desceu. Pegou uma maçã e saiu sem acordar ninguém.
O frio era realmente cortante, e logo viu que não conseguiria ir andando. Pegou o metrô e alguns minutos depois estava no cemitério. Não, ela não era uma adoradora de cemitérios ou gótica (o que dá pra perceber, pelo jeito que ela está vestindo). Foi caminhando até chegar a uma lápide onde se lia:
Beatrice
Amada pra sempre e por todos.
1965 – 1999
Fazia 11 anos que sua mãe tinha falecido. Ela tinha uma doença muito rara chama amiloidose e infelizmente, mesmo com os melhores tratamentos, ela não conseguiu sobreviver mais de um ano com a doença. sempre ia visitar o túmulo quando queria ficar sozinha ou sentia saudade dela.
– Alô... – atendeu o telefone, ainda sonolenta.
– , é o Fred. Desculpa te acordar.
– Sem problemas. O que aconteceu? – perguntou, se levantando e escolhendo uma roupa pra vestir.
– É a minha irmã outra vez. – Fred começou a falar.
– O que a fez? – perguntou enquanto se arrumava.
– Meu pai saiu cedo pro hospital e ela já tinha saído de casa, pensei que talvez ela tivesse com você. Ela também não atende o celular. – Fred explicou.
– Não... Ela não falou nada comigo não, mas pode deixar que eu vou achá-la. – disse confiante, já sabendo onde a amiga estava.
– Tá, obrigado mesmo! – Fred agradeceu.
– Por nada, Fred, quando eu a encontrar eu ligo pra você. – Ela tranquilizou o garoto.
–Tá bom. Tchau.
– Beijo! Tchau. – desligou o telefone e tentou ligar no da amiga, que realmente não atendia. Acabou de se arrumar, tomou um café da manhã bem rápido e foi atrás da garota.
era a melhor amiga de desde que eram crianças e, depois que a mãe dela morreu, elas ficaram ainda mais apegadas uma a outra. A mãe de passou a ser como uma mãe pra também, principalmente quando o assunto era típico de mulheres, ao que o pai de era realmente grato.
Ao chegar ao cemitério, viu a amiga sentada, abraçando as pernas e com o queixo apoiado dos joelhos no mesmo lugar de sempre. Foi até lá e se sentou do lado dela.
– Oi! – disse, abraçando-a.
– Oi! –Ela a abraçou de volta.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou, preocupada.
– Não, , só estava afim de pensar um pouco. Mas obrigada por se preocupar. – agradeceu.
– Seu irmão me acordou.
– Por quê?
– Ele estava preocupado, e seu pai também. Você saiu muito cedo e eles não sabiam onde você estava. – explicou.
– Estou aqui há muito tempo mesmo, e esqueci meu celular em casa. – explicou, se levantando.
– Vamos, eu te deixo em casa. – disse, pegando a chave do carro no bolso da calça.
– Hum... Pegou o carro do papai! – disse brincando com a amiga, que rolou os olhos. As duas foram conversando e rindo até chegarem em casa.
– Almoça comigo, ! – pediu, fazendo carinha de cachorro abandonado.
– Tá, eu almoço não precisa ficar fazendo essa cara de piedade! – disse e a garota mostrou a língua.
– ! Por que você não pode avisar onde foi quando você sai? – Fred perguntou.
– Vocês se preocupam demais! Por isso eu amo vocês! – o abraçou.
– Bom dia de verdade! – Fred disse e deu um beijo na bochecha de .
– Bom dia! – respondeu.
– O que tem pro almoço? – perguntou por irmão.
– Coloquei uma lasanha no microondas. – ele respondeu, arrumando a mesa.
– Ah nem, achei que você tinha feito um super almoço. – disse, balançando a cabeça negativamente.
– Eu estou me formando em medicina e não em culinária, lindinha! – Fred respondeu, fazendo sorrir.
–Por que eu não posso ter um irmão assim mesmo? – perguntou mais pra si mesma.
– Porque ele é meu! – disse. Logo todos estavam almoçando e conversando sobre assuntos totalmente diferentes.
– , a louça é sua! Eu preciso terminar de arrumar as coisas, meu pai está me esperando no hospital. – Ele disse, indo em direção ao quarto.
– Tá bom! Só porque você fica lindo de jaleco! – disse, indo com as louças pra pia.
– Amor, eu juro que queria te ajudar, mas eu tenho mesmo que terminar meu trabalho da facul. – disse levando seu prato pra pia.
– Tudo bem! Beijo! – se despediu, indo com a garota até a porta.
Voltou para a cozinha, enxugou e guardou toda a louça e foi escovar os dentes.
– , você vai pro hospital comigo! – Fred disse, passando pelo quarto dela.
– Baisburque...
– Acaba de escovar os dentes e depois fala, porque eu não entendo nada! – Fred disse.
- Por que eu tenho que ir pro hospital? – A garota perguntou enquanto guardava a escova.
– Isso a gente só vai saber quando chegar lá. Meu pai pediu só pra te levar quando eu fosse. – Fred disse e ela deu de ombros.
– Tá bom, vamos então! – ela puxou o irmão pela mão até o carro. A casa não era longe do hospital, e eles foram o caminho todo cantando as músicas dos Beatles. Estacionaram o carro e entraram.
– Bom dia, Dr. . – Uma das enfermeiras disse assim que meu irmão passou pela recepção.
– Bom dia! – Ele respondeu educado, como sempre.
– Ai que orgulho! – disse, e viu o irmão rolar os olhos. – Ah!! É lindo sim!!
– Só você mesmo, !
– Oi pai! – A menina disse assim que entraram na sala dele.
– Oi, ! Nós precisamos conversar. – Foi a única coisa que ele disse antes de se sentar.
– Nós me inclui? – Fred perguntou. – Se não, eu vou pra emergência.
– Acho melhor você ficar. – Matthew disse, ainda bem sério.
– Credo pai! Falando assim você me assusta! – disse, com medo do que iria ouvir.
– Não é pra assustar, mas é sério sim. É o seguinte...
2 - Bringing Some Memories Back
(n/a: Algumas partes são narradas por você)
– Eu não sei se você se lembra porque você era pequena e foi na época em que sua mãe estava doente, mas você foi doadora de medula pra uma criança mais ou menos da sua idade. – Meu pai estava sério e isso me preocupava. Não que ele fosse cheio de palhaçadas, mas pareceu com ele há uns anos, quando minha mãe descobriu a doença.
– Acho que me lembro vagamente. – Disse, tentando parecer convincente. Lembrava perfeitamente do episódio.
*Flashback*
– Mãe! Eu estou com medo! Papai disse que vai doer, por que eu tenho que fazer isso? – perguntou chorosa.
– Você não quer ajudar um amiguinho a continuar a viver? – Ela me perguntou, limpando as lágrimas que começavam a cair.
– Ele não é meu amigo, mãe! Eu nem conheço ele!
– Você não viu como a mamãe melhorou? – A menina concordou com a cabeça – Então, a mamãe só melhorou porque uma pessoa muito boa me ajudou, mesmo sem me conhecer. – A mãe fazia de tudo para que a menina concordasse com a idéia.
– Mas vai doer! – E as lágrimas jorravam dos olhos da garota.
– Vai, mas não pensa nisso, pensa que você vai ajudar o papai a salvar a vida de alguém. Isso é bom, não é?
Acabei concordando, mas no fundo sabia que eu faria de um jeito ou de outro. Não sei explicar como a minha medula podia ser mais compatível com a dele do que a de qualquer membro da família dele, e naquela idade eu não sabia nada disso. Não cheguei a conhecer o garoto, só o vi na sala de cirurgia minutos antes do procedimento ser realizado.
*End of Flashback*
– Então, a mesma pessoa que você ajudou aquela vez está precisando de outro transplante e, de novo, você é a mais compatível. Como você já aceitou da outra vez, queria saber se você vai doar novamente.
– Hum... Acho que sim. Se eu sou a melhor chance... – Definitivamente, conviver com médicos muda o jeito de ver a vida.
– Bom, ele está internado aqui, precisa estar com a saúde mais estável para realizar o transplante, e você também terá que fazer alguns exames.
– Sim, pai, é só você falar.
– Fred, você podia ir com a sua irmã até o quarto em que ele está, acho que será importante eles pelo menos se conhecerem. – Meu pai se preocupava demais com o bem estar das pessoas, muito além do físico.
– Tudo bem, vamos lá, maninha? – Ele me puxou da cadeira. –Em que quarto ele está, pai?
– Ala B, quarto 507. O nome dele é .
– Tá bom. Até mais! – Me despedi, dando um beijo na testa do meu pai e saindo logo com meu irmão.
Caminhamos até a ala B e depois pegamos o elevador para o 5º andar. Ao sairmos do elevador, uma das enfermeiras já vinha me perguntar qual quarto eu estava procurando, mas, como sempre, ao ver meu irmão ela simplesmente voltou às suas tarefas.
– Fica tranquila! – Foi o que escutei meu irmão dizer.
– Mas eu estou! – Respondi com sinceridade. Eu realmente estava bem, era provável que quando a cirurgia estivesse chegando eu ficasse nervosa, mas por enquanto estava tudo bem.
– Então por que está com essa cara? – Ele me olhou sério.
– Esse nome...
– O do paciente?
– Aham, ele não me é nada estranho. – Queria eu ter uma memória melhor e saber de onde eu conhecia aquele nome. Tá que era um nome relativamente comum, mas...
– Você deve estar se lembrando do nome porque se lembrou do outro procedimento. Nosso cérebro nos supreende.
– É, se o médico tá falando, né? Quem sou eu pra discordar? – Outra coisa que acabei me acostumando, médicos sempre tem uma versão diferente para todo e qualquer acontecimento.
Continuamos o caminho em silêncio. Não, não somos pessoas que gostam de ficar com seus próprios pensamentos, mas estávamos num hospital e como um médico ele tinha que ser um exemplo de comportamento. Enfim chegamos ao quarto, afinal de contas não era tão longe assim. Meu irmão bateu na porta uma vez e a abriu.
– Olá, já saíram os resultados dos últimos testes? – A mulher perguntou. Pela idade, devia ser a mãe dele, e ela nem me notou. Tá que eu estava quase escondida atrás do meu irmão, mas ela também não sabia quem ele era. Enfim...
– Olá, você deve ser a... . –Meu irmão disse, lendo as coisas na ficha que estava na mesinha ao lado da cama – Na verdade eu só vim aqui para apresentar minha irmã ao paciente. – Ele saiu da minha frente, me fazendo ser notada pela mãe e pelo garoto, que não era tão garoto assim afinal.
– Oi... – Foi a única coisa que eu consegui dizer. Desde quando eu ficava envergonhada com coisas assim? Ah, sim! Desde que ele era o garoto mais lindo da aula de Teoria Musical 3.
– Oi! Sou .
– ...
– , vou ter que ir. – Fred me deu um beijo na testa e eu sorri pra ele.
– Se a senhora puder me acompanhar eu posso procurar os exames pra senhora. – Esse é meu lindo irmãozinho educado!
– Desculpe, mas quem é o doutor? – perguntou e eu me virei, prestando atenção.
– Desculpe. Não me apresentei. Sou o Dr. Frederick , meu pai é o responsável pelo caso do seu filho, ele me pediu para passar aqui e trazer minha irmã. Achei que você já estava sabendo.
– Sim, mas eu esperava que ele a trouxesse... De qualquer forma, vamos atrás dos exames. –Eles saíram da sala.
– Ei, a gente pega uma matéria junto, não pega? – De onde vinha tanto entusiasmo numa pessoa doente?
– Aham, Teoria 3. – Respondi, pensando em como ele poderia ter me notado, não faço nada de extraordinário.
– Família de médicos, e você faz música? – Ele estava com um sorriso lindo, como sempre.
– É, sou a diferente.
– Sua mãe também é médica?
– Era... Ela morreu há 11 anos, por causa dela eu faço música, adorava quando ela tocava piano.
Ficamos conversando sobres coisas aleatórias e sem sentido esperando sua mãe voltar. Já eram 8 horas quando ela apareceu junto com meu pai, e fui embora com ele.
– Tchau, . Até segunda na aula!
– Tchau, , e obrigado! – Ele sorriu, e eu sorri de volta.
Meu irmão era plantonista, então seríamos só eu e meu pai outra vez.
– ?
– Sim, pai.
– Vou sair com uns amigos, você se vira?
– Claro... Até mais!
Subi até meu quarto, precisava de um banho. Eu cheirava à hospital e isso não era bom. Não demorei muito, já estava colocando meu pijama quando meu celular tocou era a .
– Oi, ! Você está chorando? – Me parecia que sim, aliás, eu tinha certeza, mas esse é o jeito mais fácil de chegar ao motivo.
– ...
– , para de chorar e me conta o que aconteceu?
– Não é nada...
– Ninguém chora por nada! Pelo amor de Deus, você me liga chorando e quer que eu acredite que não aconteceu nada?
– É... – Eu não ia conseguir resolver isso por telefone.
– , vem pra cá, eu tô sozinha aqui mesmo, vem pra cá e você me conta direitinho o que aconteceu.
– Tá bom. – Ela desligou, e eu torci para que ela estivesse em condições de dirigir.
3- I Give Up This Heart Of Mine
Percebi que estava com fome e desci para a cozinha. Sabe aquela vontade de comer AQUELA coisa gostosa que nunca tem na geladeira? Eu tenho constantemente e, como sempre acontece, abri a geladeira e não tinha nada muito promissor. Momentos desesperados pedem medidas desesperadas, e logo eu enfrentaria problemas da , eu precisava de pizza. Quando ia pegar o telefone, a campainha tocou, então fui atender.
– Olá! – Eu disse e ela não parecia a pessoa que, minutos antes, chorava litros ao telefone.
– Oi! – ela foi entrando e jogando sua bolsa gigantesca no sofá. Ela tem mania de usar essas bolsas que, se houver uma catástrofe e ela sobreviver, com ela é provável que ela consiga salvar o mundo...
– Por que tá com o telefone na mão? – Ela perguntou, me tirando dos meus devaneios super inteligentes.
–Ah! Nossa sobrevivência dessa noite! – Sorri, parecendo uma criança quando ganha aqueles pirulitos gigantes.
– Pizza? – Ela estava agora visivelmente feliz, e admito que eu estava com medo, desde quando minha amiga era bipolar mesmo?
– Claro! Metadinhas de sempre? – Já previa a resposta.
– Frango com catupiry e calabresa! – É, eu a conhecia ainda, um pouco –Não esquece do veneno nosso de cada dia! –Ela gritou enquanto eu escutava a moça do outro lado.
– E uma coca-cola, por favor. – Sim, eu sei que faz mal, mas é tãããão bom – Ahn... Manda troco pra 50. Obrigada.
– Pediu? – me olhava com os olhos brilhantes, acho que quando ela era criança os pais dela não deixavam ela comer porcarias, ela fica tão empolgada com comida às vezes.
– Sim, agora é só esperar. – Falei, enquanto devolvia o telefone à base.
– E sobremesa? – Comecei a rir – Tá rindo do que?
–De você, aliás, dessa carinha de cachorro com fome que você acabou de fazer.
–Não tem graça! – Ela fez cara de emburrada.
– Tem sorvete no freezer, flor, você achou mesmo que não ia ter sobremesa? – Balancei a cabeça – Agora, por Deus, chega de enrolação e me conta o que aconteceu com a senhorita. – Desliguei a TV e me sentei de frente pra ela.
– Adivinha! Te dou um beijo se você acertar.
– Pela sua cara, eu diria que nosso amigo aprontou outra vez. – Ela confirmou meu palpite com a cabeça.
– Quem mais poderia ser tão mal comigo? – era nosso melhor amigo, por assim dizer, o conhecíamos desde o primeiro ano, mas a relação entre meus melhores amigos estava ficando colorida demais. Então, eu, como bff, dei um empurrãozinho. Tá, foi um empurrão gigante mesmo, porque o é lerdo, só faltou eu dizer com todas as letras que ela tava afim. Assuntos do coração não são o forte dele, ele entende da parte de corpinhos bonitos (leia-se siliconados). Anyway, eles eram o casal mais fofo que eu conhecia, mas ultimamente eles estavam brigando por tudo e já tava enchendo o saco, porque, quando você é amiga das duas partes, você acaba não ajudando nenhuma pra não tomar partido e tals.
– O que ele fez dessa vez? – Não queria realmente saber, mas...
– Ele disse que estava muito apertado com um trabalho da faculdade e que não ia dar pra gente se ver... – Pausa dramática.
– Prossiga.
– Aí, a anta aqui resolveu fazer uma surpresa e ir na casa dele pra não passar o sábado sem nos vermos. And guess what? – Seus olhos já acumulavam lágrimas, apesar de ela lutar contra elas.
– , não sei, conta aí o que aconteceu! – Sou um pouco (leia-se extremamente) curiosa.
– Eu nem precisei bater na porta pra saber que ele não estava lá. Quando desci do carro escutei aquela gargalhada ridícula e quando olhei para o lado, onde estava o senhor ? Isso mesmo! Na festinha da piscina da Kimberly, aquela bruaca siliconada e oferecida! – Ela já estava gritando e as lágrimas cairiam a qualquer momento.
– Não vou nem falar nada! O tem hora que me irrita! – Eu estava quase gritando – Ele fez isso e você não fez nada?
– Sim amor, ele fez isso e eu não fiz nada, o que você queria que eu fizesse? Ele me viu e veio tentando me explicar alguma coisa, eu dei as costas a ultima coisa que eu ouvi antes de entrar no carro foi “Kim, segura meu copo que eu já volto!” – Ela falou com uma voz diferente, mas era por causa do choro que agora era incontrolável.
– Own, amor! – Abracei ela de lado – Não fica assim não. – Tentei em vão enxugar algumas lágrimas – Chorar por homem? , você chorando por causa de ? Me poupe!
Ela sorriu e me abraçou, ficamos um tempo em silêncio.
– Eu tô bem já. Até esqueci ele. – Ela tentou fazer uma cara convincente.
– Aham, sei! Acha que me engana, flor? Até parece que as coisas funcionam assim.
– Tá, tá, não esqueci, mas estou fazendo força pra esquecer!(n/a: isso é fala de algum filme! Só não sei qual!)
– É assim que se fala!
A campainha tocou e finalmente nossa pizza havia chegado. Corri até o potinho com dinheiro para emergências e logo estávamos empoleiradas no sofá comendo a pizza com aquela coca estupidamente gelada e mudando de canal sem parar.
– Espera aí! Volta! Isso é Smallville?¬– perguntou, surpresa,
– Ahm, acho que sim. É a única coisa que esse ator fez! – Dei de ombros.
– Cara, nem sabia que ainda passava isso... – Desde quando alguém se animava assim de uma hora pra outra?
– Nem eu! – É, eu estava muito empolgada, maratona de Smallville!
– Lembra que a gente voltava da escola correndo pra assistir? – estava muito empolgada.
– Não! Eu não fazia isso! – Me denfendi do meu passado obscuro! Tá, eu gostava na época, mas ela não precisava saber!
– Ah, fazia sim! Ainda dizia que o Lex era mais legal!
– , para de dedurar meu passado obscuro! – Ela riu – Já disse que tenho medo da sua memória?
– Provavelmente! E pra sua informação, o lindinho do Tom Welling fez três filmes.
– Esse cara aí é o Clark?
– Aham.
– Realmente mudou a minha vida! Ai! – Levei uma almofadada.
– Sorry! Não resisti!
– É! Nem eu! – Devolvi a almofadada.
– Ei, hoje só eu posso fazer isso! Sou eu que tô na fossa!
– ! Para de drama! Depois dessa vou até buscar o sorvete. – Me levantei, levando as coisas para pia e voltando com um pote de flocos e duas colheres.
– Aposto que vamos acabar com esse pote! – disse, colocando a colher na boca.
– Aposto que acaba antes do fim do episódio! – Foi exatamente o que aconteceu. E assistimos mais, e mais, e mais um...
– Ah! Já acabou? – reclamou, chorosa.
– Já?! É maratona! A gente já viu uns cinco episódios! Vamos dormir! – Eu bocejei, tinha cochilado uma boa parte desse último episódio.
– Nem deve tá tarde ainda...
– Não! Imagina! – Irônica? Eu? Imagina! – São duas e meia!
–Mas , amanhã é domingo!
– Exatamente, a gente tem que dormir pra aproveitar amanhã. Pensa por esse lado: amanhã tem muito mais Smallville pra você assistir.
Já estávamos deitadas e em silêncio há algum tempo, achei que ela estava dormindo, mas pude ouvir seu soluço baixinho... É, algo me dizia que essa noite não seria fácil!
4 - If You Thought I'd Leave Then You Were Wrong
Aquele lugar era simplesmente perfeito. Como eu tinha ido parar lá mesmo? Não importava! Eu estava sentada na grama que cobria todo aquele local desconhecido e contornava um lago. A água era quase transparente, dava pra ver tudo o que tinha ali. Eu estava encostada no tronco de uma das árvores, na sombra, admirando tudo aquilo ao meu redor e o silêncio não era incômodo, ele completava e parecia que não havia mais ninguém. Senti uma mão em meu ombro, e era tão bom aquele toque... Ao me virar para olhar, ouvi “Atende o telefone!” ? Não, não podia ser isso. Não fazia sentido... Senti agora as duas mãos me sacudindo...
– , o telefone tá tocando. Vai atender! – Abri os olhos, tentando ainda entender, e era a me chacoalhando.
– Ai porcaria! – Agora sim eu tinha entendido a mensagem. Levantei cambaleando e desci as escadas correndo. Telefone e domingo de manhã não combinam! – Alô...
– , desculpa te acordar.
– Que isso, pai! Tá tudo bem? Fui dormir tarde e o senhor ainda não tinha voltado.
– Ah! O hospital precisou de mim e acabei ficando aqui.
– Pai! A gente já falou sobre isso! – Eu tinha a impressão de que ele evitava ficar em casa desde que minha mãe tinha morrido.
– Eu sei filha, mas o assunto é importante. Tivemos uma mudança de planos.
– O que foi? – Olá curiosidade! Tão grande que nem posso esperar ele falar, tenho que perguntar.
– Desde ontem à noite algo afetou o . Os exames não acusaram nada diferente, mas será melhor se você fizer os exames o mais rápido possível para a cirurgia acontecer logo.
– Tudo bem, pai! Eu vou me arrumar e já eu chego aí. Beijo! – Desliguei e subi.
– Bom dia! – disse assim que entrei no quarto.
–Bom dia! Não acredito que você já se arrumou e arrumou o quarto. Eu nem demorei...
– Eu sou eficiente! – Ela sorriu, mas nem de longe seu rosto era de uma pessoa alegre, e sim de quem tinha passado a noite em claro.
– Desculpa pelo telefone. – Falei, escolhendo uma roupa. Jeans, uma bata roxa e meu all star de sempre. Deixei tudo em cima da cama.
– Que isso! Eu já estava acordada.
– Você chegou a dormir?
–Ué... Não muito, mas consegui. Por quê?
– Bom... Eu ouvi você chorando.
– Eu te atrapalhei a dormir? Desculpa!
– Ei, até parece que não me conhece, nada afeta meu sono. foi antes de dormir.
– Ah sim! Vamos tomar café? – Concordei com a cabeça – Quem era no telefone? – Meu subconsciente registrou a pergunta, mas por algum motivo o meu sonho era a única coisa em minha mente. Aquela paisagem era real e as perguntas se formavam na minha cabeça. Como eu havia parado lá? Por que eu estava lá? E, principalmente, se eu não estava lá sozinha, quem era a outra pessoa? O sonho estava incompleto e eu queria saber o fim.
– ! ! Tá viva? – estalava os dedos na minha frente.
– Oi? – Sorri com um pedido de desculpas.
– Achei que você tava tendo alguma coisa.
– Sorry, tava tentando lembrar o meu sonho, mas não consegui. – Dei de ombros.
– Hum... Deve ter sido interessante, sonhou com o Lex? – Ela fez uma cara em sugestiva.
– Não! E respondendo a sua outra pergunta, era meu pai no telefone. Tem como me dar carona pro hospital?
– Claro, mas por quê?
– Vou doar medula de novo. – Peguei uma bolacha.
– ! Como você não me avisa? E como você fala com se fosse “Vou comprar mais pão”? Quem consideração!
– Desculpa não ter falado nada, mas eu fiquei sabendo ontem e eu achei que você já estava ruim o suficiente pra eu ainda ir falar disso.
– Quando vai ser?
– Eu não sei, parece que o garoto piorou e eu vou ter que fazer os exames hoje.
– E quem é o paciente?
– A mesma pessoa pra quem eu doei da outra vez.
Acabamos de tomar café e eu fui tomar banho. Enquanto eu me arrumava, ela assistiu mais um episódio de Smallville. Como ela consegue? É um mistério.
Fomos para o hospital.
– Flor, boa sorte com tudo aí! Quando tiver notícias, me avisa pra eu vir ficar com você!
– Pode deixar.
Despedimo-nos e eu entrei no hospital. Resolvi que ia visitar o antes de ir falar com meu pai. Não sei por que, mas eu queria ver como ele estava. Bati na porta e ouvi um “Entra!”. Entrei feliz, conversar com ele no dia anterior tinha sido bom.
– Bom dia, !
– Oi... – Foi a resposta que eu recebi, ele nem sequer me olhou, continuou olhando para a TV, onde passava um jogo qualquer de vôlei.
–Nossa! O que aconteceu com você? – Não via alguém abatido como ele há muito tempo e definitivamente aquilo não combinava com aquele rosto tão lindo...
– Vai dizer que você não sabe? – Ele ainda fitava a TV.
– Não sei do quê? , olha pra mim! – Sentei na cama, ficando de frente pra ele, já que ele se recusava a mover sequer os olhos. Seus olhos eram de quem havia chorado e aquilo doeu em mim – O que aconteceu, ? Eu não sei de nada, é sério! Se for por causa da cirurgia, vai dar certo! Já deu certo uma vez...
– ... Não é nada disso, e também se não funcionar vai ser melhor!
– Ei! Para de falar bobagem e me conta o que aconteceu!
– Minha mãe disse que não suporta mais me ver no hospital, e está vindo aqui o mínimo que pode... – Ele não parecia querer continuar a falar e eu, por um impulso, segurei a sua mão.
– Ela disse isso pra você? – Eu não acreditava que uma mãe fizesse isso.
–Não. Ouvi ela falando com seu pai no corredor. – Ele voltou a olhar a TV – Depois que você saiu ontem ela saiu também e eu ouvi eles conversando. Ela disse que era pra fazer o que fosse preciso e que ela viria só o necessário. – Ele deixou escapar uma lágrima e eu ainda estava incrédula. Que mãe faz isso? Mesmo que ele não tivesse escutado, que mãe abandona um filho doente?! Isso rodava sem parar na minha cabeça.
– Já resolvi seu problema, agora faça o favor de melhorar esse ânimo! – Sorri pra ele e ele não pôde deixar de sorrir também.
– E eu posso saber qual é sua solução?
– Vou ficar aqui com você! – Não sei como ia resolver isso em casa, mas depois eu pensaria nisso.
– Que isso, ! Não mesmo!
– Me chama de , por favor, e eu já me decidi, vou ficar aqui sim! E nem tente mudar minha idéia, eu sou teimosa mesmo. E, além disso, toda minha família fica mais aqui do que em casa.
– Tá bom então. Me empresta seu celular? – Ele pediu, com uma carinha um pouco melhor.
– Claro ! – Entreguei pra ele.
– E se é pra te chamar de , a partir de agora você me chama de . Coloca seu número pra mim! – Ele me entregou o celular dele, que estava ao lado do travesseiro.
Depois dos telefones trocados e de ter certeza que ele estava um pouquinho melhor, eu fui falar com meu pai.
’s POV
Eu realmente não podia aceitar que ela ficasse comigo no hospital, mas grande parte de mim queria mesmo que ela ficasse, e eu nem mesmo sabia o porquê. Era bom estar com ela, falar com ela me animava, me dava esperança... Sei lá!
E que ótimo, ela foi me visitar e o que eu fiz? Fui todo mal educado! Como se ela tivesse alguma culpa ou coisa a ver com o fato da minha família ser estranha e não se importar. Ainda bem que tenho o telefone dela agora... Posso tentar melhorar as coisas, já que não falei pessoalmente.
’s POV off
Estava entrando no elevador e meu celular apitou. Era uma mensagem:
Obrigado por tudo!
E desculpa por hoje!
Preciso falar que achei muito fofo? Cara, o que tava acontecendo comigo? Desde quando uma mensagem me fazia ganhar o dia? Eu tinha deixado claro pra mim mesma que eu tinha desistido de encontrar a pessoa certa pra mim depois de ter tantas vezes dado errado. Eu não podia estar gostando de uma pessoa que eu conheci há quase dois dias... Devia ser dó, isso sim! Não era outra coisa senão pena pela situação em que ele estava. Ou será que havia algo mais... Não era hora pra pensar sobre isso. Só respondi a mensagem:
Tudo bem! E não se preocupe,
eu não vou te abandonar!
CONTINUA…
N/A:Olá pessoinhas!Como estão?Aqui é a Mandy amiga da Lah,ela foi viajar então pediu para eu fazer a n/a desse capitulo,e devo dizer que ele está lindo,não só por que eu ajudei no nome do capitulo e dei algumas idéias,mas a Lah tipo assim arrasou nesse capitulo!!
Então aproveitem e até o proximo
Beijos
Se vocês ainda não leram, leiam:
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I feel like a hero and you are my heroine by Mandy
POV by Sah
Poynter's Kingdom by Tah
Se esqueci de alguma me desculpem, e na próxima att deixo com os links! Beijos beijos!