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Por: Carol Silver



01
Último dia.



Estava um sol de rachar o cérebro de qualquer um.
Eu já estava ficando cansada de andar tanto num sol daqueles, eu estava suando feito um porco. Se eu agüentasse aquilo por mais alguns minutos eu com certeza morreria.
Então eu resolvi que tiraria o meu moletom, ele já estava ficando praticamente encharcado de suor. Comecei a levantá-lo, ainda andando. Fiquei com uma dificuldade enorme de passá-lo pela minha cabeça gigante. E comecei a cambalear pelos lados, até senti que havia pisado em uma coisa mole, muito mole por sinal. Parei por alguns segundos, quase me retorcendo e implorando para que não fosse o que eu havia pensado que era.
Consegui arrancar meu moletom pra fora, e olhei para o chão. Ufa. Não era o que eu pensei. Mas droga, o meu all star branquinho estava completamente marrom de tanta lama.
E eu saberia o discurso que ouviria da Rory: “, por que mais uma vez você teve que vir pela ‘maldita’ estrada de terra, custa andar pelas ruas como uma pessoa normal?”
E eu também sabia que eu não teria coragem para responder: “Acontece, Rory! Que eu sou uma perfeita loser que prefere andar bem afastada do que estar no meio de pessoas que só zoam comigo...”
É, e isso era verdade. Eu era uma loser. Acho que eu até estampava isso na minha testa. Ninguém ficava perto de mim, exceto a . E também ninguém era meu amigo, exceto a claro.
Eu sou diferente da maioria daquele colégio estúpido, eu não sou bonita, não sou gostosa, não uso roupas da moda, e não me importo em pegar ou dar para o bonitão do capitão do time de futebol. Eu não sou assim. Eu sou apenas... eu.
A até disse que me mudaria, mas só de me imaginar usando alguma roupa que me fizesse parar de respirar ou usar uma calcinha com um fio no meio da minha bunda, a idéia já me assustava. E o salto alto então?! Acho que eu quebraria as minhas pernas na primeira tentativa de usá-los. Isso definitivamente não era pra mim, não mesmo.
Mas que se dane, mas que se dane TUDO mesmo. Porque hoje era o último dia dessa tortura toda. Hoje era o MEU último dia.
Adeus High School ridículo! Adeus populares que sempre me esnobaram, adeus líderes de torcida que jogavam comida na minha cara, adeus garanhões do time de futebol que sempre me jogavam alguma toalha nojenta e suada de algum jogo na minha cara, adeus nerds compulsivos que sempre me obrigavam a ser cobaia de seus testes científicos, adeus professores malucos e mal amados. Adeus, adeus e ADEUS.
Como eu gostava de pronunciar essa palavra.
Adeus.
Eu estava livre.
Eu finalmente estava livre.
Ano que vem vai ser maravilhoso porque eu estarei muito longe daqui e estarei na FACULDADE. Uma faculdade que ninguém desse high school idiota estará. Tem motivos para eu ficar mais feliz?
Não, com certeza não.
Ano que vem será uma vida nova, e isso era a única coisa que eu pensava agora.
Cyprus-Rhodes, aí vou eu!

Cheguei em casa com a maior cautela possível, sujando todo o carpete de Rory, que me mataria quando soubesse. Subi as escadas correndo e troquei de roupa para ela não me ver, qualquer coisa era só culpar o .
- ! Desce que o almoço está pronto.
Desci e nós comemos, como sempre.
Não que minha família fosse isolada. Não. É que na hora do almoço papai estava trabalhando e com certeza estaria comemorando o último dia de aula com os trouxas de seus amigos. Então sempre sobrava eu e minha madrasta mesmo.
Depois que eu comi, subi e fui para o meu quarto, fiquei fazendo uma lista de tudo que precisaria para não que vem. Eu sei isso é idiota. Mas eu sou idiota mesmo, então uma listinha não vai mudar muito coisa.
Começaram uns barulhos horríveis vindo do andar de baixo. Eu tinha certeza que meu irmão estava com aqueles idiotas dos amigos dele comemorando que finalmente passaram para faculdade. O que já era de se esperar né, já que todos esses palermas repetiram o último ano. Como alguém com o pé na faculdade pode repetir o último ano? É, é o que eu sempre quis entender. Meu irmão e os amigos dele sempre foram muito idiotas, e nem pareciam que eram um ano mais velhos do que eu. Pareciam que eram uns 10 anos mais novos.
Aquele barulho todo já estava me irritando. Mas que bando de crianças. A minha vontade foi de descer e mandar todos calarem a boca! Ou simplesmente enfiar uma vassoura no toba de cada um. Ta, eu não faria isso. Não sou assim. Mas quando se trata daqueles quatro idiotas eu me rebelo, juro. Mas de qualquer forma não adiantaria nada gritar para eles pararem, eles nunca me notam, eu sou tipo... invisível. O único jeito deles prestarem atenção em mim seria a opção da vassoura, mas isso seria totalmente impossível. Droga.
- ! Ô DESCE AQUI QUE A QUER TE VER. – Ouvi o ameba do meu irmão gritar.
Droga! Eu não queria descer. Eu não queria trombar com quatro seres irritantes... se bem que eles não perceberiam minha presença ali, mas de qualquer forma... E seria inútil mandar subir porque ela adora ficar na companhia daqueles trastes. Eles sempre me tratavam mal, como eu poderia gostar da presença deles?

# Flashback

- , tem como você passar na secretária comigo? Eu preciso que pelo menos algum ser maior de idade da minha família assine o papel com a permissão, e eu tenho até esta tarde.
Já era o meio do ano, e como sempre, o colégio mandava os melhores músicos para uma competição. Não que eu fosse a melhor, mas meus dotes no piano não diziam que eu era ruim. Eu adorava esses concertos com competição, eu sempre conhecia muita gente legal e talentosa. E esse eu não poderia perder, afinal já era meu último ano da escola.
- Então, você vai? – Eu disse tentando apressar os passos para acompanhar que andava cada vez mais rápido, com certeza para não ser visto falando comigo.
- Ta, ta... – ele disse ainda sem me olhar.
- Mas tem que ser agora. – Disse praticamente correndo para alcançá-lo.
- Oi gente. – Ele disse animado assim que avistou o seu grupo de amigos.
- Oi. – os outros três disseram sorridentes.
- Oi – disse eu, mas ninguém pareceu me ver ali.
- , hoje tem ensaio das líderes de torcida cara, e com esse calor as roupas delas ficam menores ainda... – disse com um sorriso besta na cara – estamos indo lá agora, vamos?
- Ah cara eu preciso assinar uns papéis para a minha irmã e...
- Ah meu, deixa de bobeira, você não está afim de ver aquelas perninhas da Jenny em ação não? – continuou sorrindo besta.
- Iiih, demorou! Vamos agora! – disse mais que empolgado.
- Mas você tem que... – eu tentei dizer enquanto ele andava com os outros. Mas ninguém parava para me ouvir. – ! !!!!! – Eu tentava gritar para ele, até um de seus babacas, digo, amigos se virou para mim.
- Garota, dá pra dar um tempo? O tem mais o que fazer – ele fez cara de desdém e voltou a andar com os outros que se afastaram rapidamente de mim.

# Fim do flashback.

Desci e me deparei com cinco seres felizes, rindo a toa. E sentada no colo de . Urgh, que cena.
- AMIGA! – Ela gritou assim que me viu. – VOCÊ NÃO ACREDITA!
- O que? – Perguntei estranhando tanta empolgação da parte dela.
- Eu fui aceita na Cyprus! – Ela falou batendo palmas.
Uau.
Uau mesmo.
- Que bom . – Eu disse realmente feliz. – Vai ser legal ter um conhecido por lá...
- Um? HAHA. – disse, por um milagre, me notando. – Todos nós aqui vamos pra Cyprus, maninha!
E foi ai que meu chão desabou!
Foi como se eu tivesse caído em um buraco muito, mas muito fundo.
- Co...como assim? ... vo..você não estava tentando Brown com sei lá mais quem? E os outros não estavam tentando Yale?
- É, estávamos. Mas você sabe como lá é muuuuuito difícil. Então como você foi aprovada lá, papai e Rory me indicaram, então eu indiquei o que indicou o que indicou o . E por causa disso eles aprovaram a gente.
Ah não! Não mesmo! Como assim????? Eu estava tão feliz há algumas horas atrás e eu vou ter que aturar...isso? Por mais sei lá...quatro anos? Eu estava querendo me matar! Não, melhor! Eu estava querendo matar todos eles. Como eles podem fazer isso comigo? Como????? A minha vontade era de abrir um buraco, ali mesmo na sala e me enterrar pra sempre! NÃO! Enterrar todos eles para sempre, é isso, aí eu vou para a faculdade sozinha e... AAAAAARGHHH!
- Olá crianças! – Meu pai entrou sorridente e cumprimentando todo mundo que estava em casa.
- Hey Gaga, não vai dizer oi pro papai não? – Ele disse abrindo os braços, pedindo por um abraço.
- Oi pai. – Eu o abracei. Espera aí... ele me chamou mesmo de Gaga? Ah, não! Por que eu tive a infelicidade de dançar Poker Face e ser pega por ele? Tudo bem que eu cantava e dançava feito uma galinha no cio, mas ele precisava ter se divertido tanto a ponto de não parar de me chamar de Gaga agora? Fala séééério meu! Ainda bem que nenhum dos palermas prestam atenção quando o assunto sou eu, porque se não, eu não faço a mínima idéia do que eles iriam fazer para me zuar.

A Rory fez o jantar e convidou todo mundo pra comer em casa, por que ela tem que ser tão hospitaleira mesmo?
Todo já havia comida, mas ainda estavam conversando de como seria bom todo mundo dali ir junto para a Cyprus. Até meu pai e Rory adoraram a idéia. Será que eu sou a única sensata aqui?
- Bom gente, vamos dar um rolê por ai? Já é o primeiro dia de férias né... temos que comemorar. – O idiota do levantou, todos os garotos concordaram levantando atrás. – E é claro que a menina mais linda daqui vem com a gente né? – Ele continuou dizendo enquanto estendia a mão para . – Digo, a segundo mais bonita porque a primeira é a Rory claro. – Ele disse sorrindo pra ela que agradeceu. Por que esses idiotas bajulam tanto a minha madrasta?
- Claro, vou sim. – sorriu à ele. – , você não vem?
- Ah, , então eu acho que o pai dela não vai deixar... você sabe como é né...filha única e nós vamos voltar tarde... – o disse baixinho para que ninguém pudesse ouvir, mas eu estava perto o suficiente pra ouvir aquela besteira toda que ele inventava já que não queria minha companhia.
assentiu com a cabeça e eles saíram.
- Gaga, você não vai? – Meu pai me perguntou enquanto colocava as louças na pia.
- Ai pai se liga. – Falei brava e fui direto para meu quarto. Poxa, não gostava de falar com ele assim, mas será que ele não percebe que os outros me tratam com diferença? Caramba.
Deitei na cama, liguei meu iPod e fiquei cantando always do blink. Música velhinha, mas eu adoro.
Eu senti que o sono estava vindo, a qualquer momento eu adormeceria... quem sabe quando eu dormir, e acordar isso tudo não vai passar de um pesadelo? E que eu vou SOZINHA para a Cyprus? Ah, como seria bom se fosse verdade...

02
Hallo, Hochschule



As minhas férias estavam passando cada vez mais rápido. Isso seria demais se eu fosse sozinha para a faculdade. Mas agora, eu nem estava mais tão feliz assim. Na verdade eu estava me matando por dentro.
Faltava apenas uma semana para eu me mudar para o campus da Cyprus, e eu ainda tinha muita coisa para comprar.
Terminei de escovar os dentes e fui me trocar. Coloquei uma calça de tactel preta, um moletom da Hurley que eu roubei do assim que soube que ele roubava meus prendedores de cabelo. Sim, isso mesmo, na verdade eu sempre suspeitei da sexualidade do meu irmão pra falar a verdade. E por fim, calcei meu all star branco, que estava completamente marrom.
Desci as escadas e dei de cara com os três amigos do meu irmão fazendo baderna logo cedo.
- Ei , você nem soube... lembra daquela menina, a Hayley? Então ela... – o idiota do parou de falar assim que me viu parada à sua frente. – Ah, é você! – Ele disse simplesmente e virou a cara para continuar conversando sei lá o que com os amigos idiotas dele. Enquanto conversava o abusado deitou no sofá branquinho de Rory e colocou os pés com aquele tênis imundo em cima de uma das almofadas do sofá. Mas que abuso é esse?
Imediatamente eu parti pra cima dele e o empurrei do sofá, fazendo com que ele caísse no chão.
- Como você é abusado menino, aqui não é a sua casa. – Eu disse olhando furiosa para ele. Poxa, eu estava certa!
A última vez que esses idiotas sujaram esse sofá branco EU tive que limpar sozinha, pois não consegui dizer não à Rory que estava doente. Eu fiquei anos esfregando essas almofadas brancas com apenas uma escova de dente.
Do .
Poxa, os amigos eram dele, mas do que normal eu usar a escova dele também, não é?!
- OUTCH! – Ele exclamou assim que caiu no chão. – Você ta doida menina?
- Só que não é nenhum de vocês que limpam essa porcaria, então eu agradeceria se não sujassem.
me olhou com cara de...ah sei lá, com cara de bunda isso sim, e foi sentar no chão.
Bufei e fui em direção à porta, eu não agüentava ficar mais nem um minuto perto daqueles imbecis.

**

- ! Vamos você vai se atrasar... ? !! Ô LADY GAGA DA PRA RESPONDER?
- Desculpa pai, eu estava pegando a coisas que estavam no banheiro. – Desci as escadas com as minhas malas já prontas.
estava na cozinha com as malas prontas também.
- Bom... – meu pai começou, e eu sabia que aquele seria mais um discurso de “se comportem, não usem drogas, não gastem excessivamente e usem camisinha”...e no final um...’sentirei saudades’. – Vocês sabem já todas as recomendações certo? Então não terei que repassá-las, só quero que vocês saibam que eu confio em vocês e desejo boa sorte. E a boa notícia é que eu vou liberar o meu mustang pra vocês levarem. – Ele disse segurando as chaves do carro.
Po...xa meu! Aquele carro era demais. Era um mustang shelby vermelho! Eu amava aquele carro, eu só não fiquei muito feliz porque eu tinha certeza com quem ele ficaria.
- Então eu vou deixar vocês irem sozinhos com o carro, não levarei vocês – ele continuou – e eu vou deixar essa chave com o responsável do carro, que será responsável 24 horas por dia para que nada aconteça à ele e só vai emprestar para o outro se quiser... – quando papai pronunciou “o responsável” abriu um enorme sorriso que mal cabia naquela cara lambida dele. Mas esse sorriso chegou ao dedão do seu pé quando papai entregou a chave do carro para mim.
- Gaga, minha filha. O carro estará em suas responsabilidades. Cuide bem dele.
- AHHHH! – Eu dei um gritinho histérico e saí correndo para agarrar o meu pai.
- PAI! Como assim? O carro tem que ficar comigo, eu sou o mais velho. – protestou indignado.
- É , mas você não acha que eu confiaria o meu segundo melhor carro à você né? Da primeira vez que você usou ele chegou em casa todo sujo e com vômito no carpete, e da segunda vez você simplesmente bateu no muro da casa do vizinho. Imagina você com ele longe de mim? Nunca. Você só vai andar nele quando a dirigir, e se ela achar que deve, um dia por uma hora no máximo ela te emprestará.
- Obrigada pai, te amo!
Após todas as despedidas eu e fomos para o carro direto à Cyprus-Rhodes, eu estava tão feliz.
A viagem inteira nós fomos calados, não éramos muito de conversar e também pela cara de cu que ele estava eu sei que me bateria se eu abrisse a boca. HAHA. Quem é o loser agora, maninho?
Após uma hora e meia chegamos à Cyprus. O Campus era lindo e imenso! Eu mal podia esperar para conhecer tudo lá.
- Bom, aqui é a parte dos dormitórios da área de engenharia. – Eu disse parando em frente a um dos prédios. pegou suas malas e desceu do carro sem dizer nada.
Não liguei.
Continuei dirigindo em direção ao meu dormitório que não era muito longe, eu só espero ter uma colega de quarto legal.
- ? – Tomei um susto quando a encontrei em meu quarto.
- OLÁÁÁÁ AMIGA! – Ela correu e me abraçou.
- Como...como isso é possível?
- Ah querida, eu mexi uns pauzinhos né... não queria dormir com qualquer desconhecida e estranha. – Ela disse toda feliz.
- Que bom, eu também não queria dormir com alguma desconhecida... – disse tentando imitar, em vão, o jeito empolgado dela.
- Mas enfim, , - ela continuou enquanto arrumava suas coisas – hoje é a grande noite!
- Grande noite?
- É, oras. Noite que nós, calouras, saímos pra nos inscrever nas irmandades! – Ela disse feliz. – Mas é claro que não vamos em todas, vamos primeiramente na Zeta Beta Zeta, a melhor irmandade do campus e depois podemos ir na Tri PI, que é a segunda melhor...só pra garantir né...
- Pe...pera aí , eu não vou me inscrever para irmandade nenhuma eu...eu nem tenho a cara disso e... eu ouvi falar dessa Zeta Beta Zeta, elas são tipo super patricinhas, só usam rosa e salto alto, eu tenho certeza que não me enquadro nisso.
- Bobagem ! A Zeta Beta Zeta mudou! Elas dão chance para qualquer uma, tenho certeza que passaremos.
- Você sim, eu creio que não mesmo e eu nem pensei em me inscrever em nenhuma irmandade sabe... eu só vim aqui pra estudar e só...
- Ai larga de ser chata, qual é a graça da Cyprus se não entrar em uma irmandade? E todos os garotos estavam querendo entrar em fraternidades também... é demais!
- Ai não sei não hein , e você sabe que eu não tenho roupa pra esse tipo de coisa.
- Menina não precisa! Eu já disse, vai como você é, oras. Elas não vão ligar. Confia em mim.

**

- ? – Entrei cautelosamente no quarto em que meu irmão ficaria e vi que ele fazia bagunça com o imbecil do . – Posso falar com você um minuto?
- Fala. – Ele disse sem tirar a atenção do que estava fazendo.
- A sós...
Ele revirou os olhos e saiu do quarto fechando a porta em seguida.
- Por que a gente tem que conversar no corredor? Por que você simplesmente não manda o sair?
- Você quer falar ou não?
- Certo, certo. Olha... eu não queria que você ficasse bravo comigo pela parada do carro sabe... eu não pedi pro papai e nem nada eu...
- Ok, . Relaxa, eu sei que você não teve nada a ver... é só me emprestar quando eu pedir e está tudo resolvido.
Eu sorri pra ele, que bom que ele não estava bravo comigo, e é claro que eu não emprestaria quando ele quisesse, mas disso ele não precisa ficar sabendo agora.
- Então – ele continuou a falar – não é só por isso que você está aqui, é?
- Não. – disse sem graça – é que a está com essa idéia de irmandade, Zeta Beta Zeta e blá blá blá e tipo... eu não me enquadro nisso sabe... e eu sei lá, queria saber o que você acha disso.
- Você? Zeta Beta Zeta? HAHA. – Ele deu uma risada debochada. – Quer dizer... – pigarreou e voltou a falar normal – irmandades são legais, você faz amigos, curte bastante... eu e os meninos também estamos atrás de algumas fraternidades, pode ser uma boa, mas... Zeta Beta Zeta? Pra você, pelo menos, eu não teria tanta esperança...
- Ahhh! Muito incentivador de sua parte – revirei os olhos, eu tinha certeza que ele falaria isso.
- Não , é que...
- Tudo bem – o interrompi – obrigada de qualquer forma, . – Dei as costas à ele e saí dali. Eu sabia que ele estava certo, eu sabia que nunca seria uma Zeta Beta Zeta, por mais que eu já soubesse disso, uma parte de mim ainda queria que eu fosse aceita... poxa, é uma irmandade. Eu não havia pensado e entrar em nenhuma porque sabia que as melhores me rejeitariam, mas depois que veio com essa idéia eu andei pensando... séria extraordinário fazer parte de uma delas.

**

- Vamos , saia desse banheiro. Vamos chegar atrasadas. – Eu falei para que fazia mais de uma hora que estava trancada no banheiro.
- Pronto. – Disse ela sorridente, parando à minha frente. UAU! A estava linda! Ela usava uma saia preta, uma blusa rosa de alça e scarpins rosa também.
Enquanto eu, vestia uma skinny jeans, um moletom dois tamanhos maiores que o meu e meu all star branco, devo dizer, marrom.
- É, não temos dúvida de quem será uma Zeta Beta Zeta. – Eu disse com ironia.
- Deixa disso ! – pegou sua bolsa preta de mão e nós fomos em direção às casas.
A casa das Tri PI era ridícula. Mil vezes menor do que eu pensei que uma casa de irmandade pudesse ser... e cá entre nós, só tinha menina puta lá! Urgh! E é claro que a Karen, presidente da casa convidou a para ser uma Tri PI, e eu... não preciso nem dizer certo?
Chegamos então a casa da Zeta Beta Zeta! Essa sim era uma casa linda! Após toda a cerimônia de boas vindas, comidas e alguns falatórios idiotas a presidente chegou até nós.
- Hey meninas, sou Ashleigh, presidente da casa. Vocês são?
- , prazer.
- , prazer.
- Ah, fico feliz que estejam interessadas na casa. A nossa representante Betsy, vai conhecer um pouquinho mais de cada uma, e depois eu venho dizer quem está dentro ou não.
- Ok Ashleigh, obrigada.
- Valeu Ash. – disse empolgadíssima.
Ashleigh sorriu para nós e foi conversar com mais garotas.
- Ash? – Eu olhei para ela.
- É oras, a gente tem que ser simpática com ela. – disse como se fosse óbvio.
Após mais algumas horas perdidas com a tal da Betsy pude ver a Ashleigh se aproximando de cada grupo de garotas, umas ficavam contentes e outras saíam com cara desanimada, e eu já sabia com a cara que sairia dali.
Então a Ashleigh se aproximou da gente, a agarrou em meu braço e sussurrou um “é agora.”
- Meninas – ela disse sorrindo – é um prazer imenso que vocês tenham escolhido a Zeta Beta Zeta, mas infelizmente só uma de vocês poderá ficar. Não é porque eu não gostei de vocês, claro que não. Mas a casa está com muita procura esse ano, e nós temos muitas meninas para escolher e infelizmente não podemos ficar com todas... e é com tristeza e prazer ao mesmo tempo, que eu anuncio que a única que poderá ser uma ZBZ é você... .
Na hora eu quase caí para trás. Como assim EU? Será que a Ashleigh não tinha trocado os nomes?
- Eu? – perguntei para ter certeza de que ela havia feito confusão.
- Isso mesmo, você . – Ela sorriu mais ainda e me abraçou. Eu fiquei parada. Como assim a , que é a não passou e eu... OH MEU DEUS.
A ficou muito, mas muito desapontada e saiu rapidamente da casa. Eu fui atrás dela.
- , por favor espera. Me Desculpa eu...
- Não, ! A culpa não foi sua, parabéns você é uma ZBZ.
- Mas , era a que você queria e...
- Olha, eu já fui aceita nas Tri PI, a segunda melhor casa oras, que mais eu posso querer? – Ela continuou a andar e eu pude ver que lágrimas escorriam de seus olhos.
- Espera aí, ... por favor.
- , por favor, me deixa um pouco sozinha. – Ela se virou para mim e eu assenti com a cabeça, vendo-a continuar ir embora apressada.
Respirei fundo, sem saber o que fazer. Ela com certeza estaria indo para o dormitório, então eu não iria para lá tão cedo já que ela quer esse tempo. Decidi voltar então para a casa da Zeta Beta, já que ainda estava rolando a mini festinha lá.
Mas foi quando eu parei em frente a casa que eu tive a maior surpresa.
- Hey . – Ashleigh disse sorridente, e não, esse “” não era para mim, era para ele. estava em frente a casa das ZBZs e acabou de beijar Ashleigh! Como assim? Desde quando eles se conhecem? Espera aí... eles não se conhecem!
Então foi ai que a ficha caiu para mim, e o chão pareceu cair também!
Foi por isso que eu fui aceita para a Zeta Beta? Por causa do meu irmão?

03
E foi aí que...



’s POV:

Voltei para o dormitório e a já dormia, ou pelo menos fingia, na cama da janela. A que eu tinha escolhido para mim. Mas tudo bem, só porque a está triste eu deixo ela com essa cama. Afinal, só nesse ano eu dormirei aqui mesmo, já que a partir do ano que vem eu viro uma veterana na Zeta Beta Zeta e morarei na casa, o que é bem elegante e luxuosa para se falar a verdade.
Não pude deixar de pensar no que havia visto, mas como ela sabia que eu era irmã do ? Será que nós éramos os únicos “s” por aqui? E tipo... mal começou a faculdade e ele já estava de casinho com a Ashleigh? Eu juro, o meu irmão sempre me surpreende! Mas aposto que ele não fez nada por mim, ela apenas soube o sobrenome dele e se ligou que éramos parentes, é lógico. O nunca fez nada por mim e nunca fará também, mas que se dane, pelo menos pra uma coisa ele prestou e eu posso tirar proveito disso, certo?

- ACORDA DORMINHOCA! – Acordei com uma super contente e saltitante pulando em cima da minha cama.
- Ai sua doida o que foi? – Eu disse com a perfeita voz de sono e sem abrir os olhos. – As aulas começam só daqui a três dias.
- Eu sei, mas hoje nós vamos correr por ai, fazer exercícios sabe, e também vamos conhecer mais o campus... as pessoas e depois disso pegar nossa grade de aulas – Ela disse descendo da minha cama.
Eu sentei na cama, olhei para ela com os olhos cerrados.
- , não é por nada... mas sei lá, você não está mais triste?
- Ai claro que não , a casa das Tri PI é ótima! Eu passei por lá hoje, e tipo a Lunny uma menina de lá disse que algumas vezes os Omega Chi Delta, convidam as Tri PI paras as suas festas, não só as ZBZs.
- Espera aí... você estava querendo entrar na ZBZ só por causa de ter festas com esses Omega sei lá o que ai?
- Claro né , eles são a MELHOR casa do campus, melhor mesmo e com os meninos mais lindos e sofisticados... não são como qualquer casa como os Kappa Tau e coisas do tipo...
- Kappa o que? Caraca como você sabe de tudo isso?
- Eu sempre pesquiso antes de tudo né, mas enfim, vamos dar uma corridinha por ai, em frente à casa dos Omega Chi de preferência.
- Ai ai ok. – Eu disse sem motivação me levantando da cama e indo me arrumar. Coloquei um conjunto de moletom qualquer, eu e só íamos correr por ai mesmo.
- Vamos nos alongar. – Ela disse começando o alongamento já na porta do prédio em que ficávamos.
Eu fiquei com os braços cruzados apenas olhando à cena com cara de tédio.
- , se você não se alongar vai ficar toda dolorida depois.
- Ai da um tempo e vamos logo.
Ela terminou o alongamento e nós começamos a correr pelo enorme campus.

- , ... – disse ofegante e baixo para mim.
- O que? – Respondi.
- Aquele ali... da direita. – Ela disse sem apontar. – É ele, Evan Chambers, presidente da Omega Chi. (n/a: para quem não sabe Evan Chambers é o personagem do Jake McDorman [deus grego, abafa o caso] em greek. )
Então eu virei a minha cabeça e olhei para o cara mais bonito que eu havia visto em toda a minha vida. Sim, o mais bonito! Ben Affleck? Quem era esse perto dele... Jared Padalecki? Não chegava nem aos pés... Na boa, eu me desfaria de todos os posters do Ben e do Jared do meu quarto só por um desse cara... Parecia até artista, e dos famosos.
Eu continuei correndo e olhando para ele, que me olhava curioso.
Foi então que eu senti um baque tremendo e tudo ficou... preto.

- Hey linda, ta tudo bem? – Abri os olhos lentamente e me deparei com um par me olhos azuis que estava praticamente colados em mim, ele parecia preocupado. Foi então que eu saquei tudo!
Eu morri, e com certeza vim pro céu... e que recepção hein...
Ta, eu me odeio por ser tão idiota as vezes, mas é que minha cabeça estava... doendo e tudo estava... zonzo.
- Está tudo bem? – Aquela coisa linda perguntou de novo.
E foi ai que minha consciência cedeu, e eu percebi que eu estava caída no chão e o cara maravilhoso estava ajoelhado ao meu lado.
- O que aconteceu? – Perguntei meio atordoada.
- Bom, você estava correndo acho que não viu aquela árvore ali na frente, deu um baque com ela e PUFT! Caiu dura no chão.
Olhei para ele com uma cara confusa e me lembrei do que havia acontecido, eu estava totalmente hipnotizada olhando para aquele tal de Evan Chambers que não vi a bendita árvore.
Uma vez, Rory me disse pra tomar cuidado com gatos, pois uma tia dela, Flora, havia sido internada por causa de um. Mas aí eu não entendi se foi por causa de gatos homens ou gatos gatos mesmo já que aquela mulher tinha uns quinze. Talvez eu me lembre dessa história de Rory da próxima vez que ficar cara a cara com um gato, animal ou não.
Ou talvez esse seja o momento certo pra lembrar já que, aquele belo par de olhos azuis continuava a me olhar.
- Vem, eu te ajudo a levantar. – Ele segurou meus braços e me levantou.
- Obrigada. – Sorri tímida.
- Que isso... – ele sorriu também.
- Erm... será que virei chacota da faculdade toda? – Perguntei constrangida, já que não se vê todo dia algum idiota que não consegue enxergar uma árvore, ÁVORE.
Se fosse uma placa, eu até teria uma desculpa, pois já vi vários casos de pessoas que trombaram em placas, mas agora... ávore? , não tinha um jeito de você ser menos tapada, não?!
Ele gargalhou.
- Não se preocupa, só eu e o Evan vimos, ele vinha te ajudar, mas teve que resolver uma emergência com algum candidato aqui da casa e me pediu pra ver se você estava bem.
- E a minha amiga que estava aqui? Foi pra onde?
- Ela disse que ia correndo na enfermaria ver se chamava alguém, eu avisei que era quase no fim do campus, mas ela foi mesmo assim...
- Ah sim... nem sem como agradecer.
- Você pode começar me dizendo seu nome. – Ele deu outro sorriso de tirar o fôlego.
- Ah, sou .
- Eu sou Albert, mas você pode me apelidar de qualquer coisa já que eu odeio esse nome.
- Odeia? Por quê? É bonito...
- Não, não é... eu não gosto mesmo! Parece de gente velha ou sei lá...
Eu ri.
- Está certo, vou te chamar de Bê, pode ser? – Eu falei a primeira porcaria de apelido que me surgiu a mente.
- Claro, Bê está ótimo.
- Você é da Omega Chi? – Eu disse olhando em volta, já que eu tive a infeliz capacidade de desmaiar bem em frente à fraternidade.
- Sou candidato, entrei esse ano.
- Ah, eu também. Sou candidata da Zeta Beta Zeta.
- Nossa, então eu acho que nós vamos nos ver muito ainda, já que Omega Chi e Zeta Beta Zeta são inseparáveis... olha, não conte pra ninguém porque ainda não é certeza, mas parece que nesse sábado vai ter uma festa de boas vindos apenas entre Omega Chi e ZBZ.
- E essas festas são boas?
- Boas ? São ótimas você vai ver.
E foi ai que o assunto acabou, como eu odeio quando isso acontece.
- Bem eu estava indo buscar os meus horários e matérias, se você quiser me acompanhar...
- .
- Ham?
- Pode apenas me chamar de . – Sorri. – Eu estava indo pra lá mesmo, vamos. Depois a me encontra por aí.
O Bê sorriu e nós fomos. Dá pra acreditar que esse era o primeiro menino que eu realmente tive um contato direto?
Porque fala sério, só o tonto do não conta né...
E eu preciso mesmo dizer que eu estava AMANDO aquilo? É, não preciso. O cara era super simpático e divertido, e de bônus era lindo.
Sim, pode considerar uma das meninas mais sortudas do mundo. Eu sabia que a faculdade mudaria muita coisa na minha vida, só não sabia que seria tão rápido.

- ALEMÃO? – Gritei assim que vi que um dos idiomas obrigatórios para se fazer seria o alemão. – Por que alemão? Não podia ser espanhol, italiano, português ou qualquer coisa?
A assistente revirou os olhos.
- Minha querida, esses idiomas você aprende em algum curso particular, você terá aulas de alemão, pois ele será necessário em algum ano para a sua matéria. Não são todos da universidade que terão aulas de idiomas, só aquelas que os cursos exigirem.
Suspirei fundo e peguei a minha ficha.
- Dá pra acreditar nisso? – Eu disse indignada, eu mal sei falar a minha língua quem dirá uma toda diferente.
- Ah, não se preocupe ... isso é normal. Pior eu que fiquei com história da arte!
- Haha, eu também estou em história da arte.
- Pois então acredite, decifrar imagens e a cabeça de pintores antigos não deve ser tão mais difícil do que traduzir algo em uma língua diferente.
- Sei lá. Pra mim ta tudo igual... – Continuei lendo a minha ficha e pude perceber que o Bê cumprimentou alguém.
- Hey – ele me chamou – Esse é meu amigo, .
Levantei a cabeça e encarei .
- Oi, muito prazer – ele estendeu a mão sorrindo que nem um besta.
Eu revirei os olhos.
- Larga de ser idiota , sou eu, ... não que você ligue né, já que você passou tempo demais na minha casa e ignorando a minha presença. – Saí da secretaria e segui em direção ao campus.
Eu sei que tudo que se dirige ao meu irmão e seus amigos trouxas não devem me abalar, mas fala sério né... como ele pode ser tão idiota desse jeito? Eu juro que preferia que ele tivesse me ignorado, seria até mais normal.
- Hey , . – Ouvi uma voz atrás de mim. – Ta tudo bem? – Ele me alcançou.
- Está sim Bê, mas tudo que é em relação a esse menino e os amigos dele me irritam, de onde você o conhece?
- Ah, ele é candidato da Omega Chi.
- O QUE? E OS OUTROS TAMBÉM? – Perguntei indignada. Como assim uma casa tão refinada e respeitável como essa aceitariam caras desse tipo?
- Outros? Bom, só conheci o mesmo. Mas o que acontece entre vocês?
- Ah... longa história.
- Eu tenho tempo. – Ele sorriu.
Quase morri.
- Bom... – Comecei a contar enquanto nós seguíamos para qualquer lugar do campus, eu estava adorando conversar com o Bê, sério. Ele era muito legal e divertido, eu tenho certeza que seríamos ótimos amigos.

04
Eu realmente preciso... DELA?



’s POV:

- FILOSOFIA? Tem idéia do que é estudar essa matéria de louco?
- Não mesmo, eu sempre colava da Karen Smith nessa matéria. – disse fazendo pouco caso da minha preocupação.
- Então cara, o que eu faço? Eu não entendo nada sobre isso e a professora que vai dar as aulas é super velha...
- E o que isso tem haver?
- Tem haver que com professoras velhas eu não consigo prestar atenção a não ser em como as roupas dela cheiram mofo ou se a dentadura amarela dela vai algum dia voar e parar na minha cara...
- Se livra dessa matéria, oras.
- Eu já tentei , mas a questão é que essa matéria é tipo obrigatória. Eu até tentei jogar meu charme pra cima da assistente da secretaria, mas nem isso funcionou...
- Então é só você achar alguém que te ensine.
- Ah, fácil né... numa faculdade com 3 milhões de alunos que eu não conheço vai ser fácil achar alguém...
- Três milhões? Creio que não passam de 6 mil... – ele disse com cara de pensativo, e ainda me chamavam de burro. Posso não ser dos mais inteligentes, mas sempre entendo uma hipérbole.
- Estou ferrado...
- Calma, a minha irmã, ela se dava bem com essas matérias que tinha que pensar demais... pede ajuda à ela, oras.
- Irmã? Ela veio pra cá?
- Claro né idiota, ela foi a primeira a ser aceita, e é graças a ela praticamente que estamos aqui.

Ah é mesmo, eu tinha esquecido da esquisitinha . Eu nunca conversava com ela, não sei se ela me ajudaria. E pô, ela podia ser uma peitudona bem gostosa né? Com certeza ia estimular meus neurônios cerebrais e me ajudar a pensar mais.
- E ela não é do tipo peitudona nem gostosa. – Ele pareceu decifrar meus pensamentos. – Então com ela será mais fácil se focar na matéria e não em... outras coisas.
Ah droga, e o pior que o que ele estava falando era verdade...
- Não é nenhuma Chelle. (n/a: haha , isso te lembra alguma coisa?)
Não acredito, como ele lembrou da... Chelle?
- A Chelle é passado.
- Passado nada, faz apenas dois anos...
- Ta, ta chega de falar na Chelle.
A verdade é que eu não gostava desse assunto.
A Chelle foi uma professora particular de matemática que meus pais contrataram para mim quando eu estava prestes a repetir o último ano. Mas cara, a Chelle era linda. Loira, peituda e muiiiiiito gostosa. Ela não era das mais santas também vai, o que facilitou pra que eu aprendesse muitas coisas, exceto matemática.
- Quando começar as suas aulas você procura a minha irmã e fala com ela...
- Quando começar? Nunca. Eu tenho que chegar sabendo tudo. Pois aí eu não me desespero logo. Meu pai disse que se eu me ferrasse em qualquer matéria ele me caparia, e você sabe... ele faz isso mesmo.
- Ele não vai te capar, idiota.
- É, mas eu não sei do que ele é capaz de fazer, e é melhor eu nem chegar perto disso, principalmente agora que ele está na menopausa.
- Homens não ficam na menopausa, seu idiota.
- O QUE? O disse que ficavam.
revirou os olhos.
- , quando você vai aprender que tudo que a gente fala é pra tirar uma com a sua cara? Já que a sua massa cefálica é relativamente pequena.
- Ai cala a boca. Onde que eu encontro sua irmã?
- No dormitório dela, oras.
- E onde fica?
- E eu vou saber?
- Você é o irmão dela, tem por obrigação saber.
- É, mas não sei. Bom, estou indo vou ver a Ashleigh.
- ESPERA! Você não disse que a sua irmã é candidata a Zeta Beta Zeta? Então, pergunte à Ashleigh, ela deve ter contato com a .
- Eu não, vamos lá e você pergunta.
- Ai ai ok. – Revirei os olhos e segui até a casa das ZBZs, tudo para não ter meu amiguinho cortado fora pelo meu pai.

- Ih , eu não sei não. Eu enviei um bilhete à todas as candidatas a ZBZ avisando que teríamos uma primeira reunião de boas vindas e também para falar da festa Zeta Beta e Omega Chi. Jajá ela deve estar aparecendo por ai. – A Ashleigh me disse enquanto o não parava de beijar seu pescoço.
- Certo. – Sentei no sofá e cruzei meus braços. Ficar de vela do meu amigo era uma droga. Será que nenhuma veterana da casa vai aparecer só de calcinha por ai não hein?
- Amor, você podia convidar eu e o pra festa né, mesmo nós não sendo Omega Chi.
- Claro que vocês podem vir. – Ela respondeu enquanto ainda se agarravam.
Quem disse que eu queria ir mesmo?
Bom, dizem que as Zeta Betas são as mais lindas e gostosas do campus, então não seria tão ruim assim, mas... elas escolheram a irmã do , é... talvez eu precise rever os conceitos da casa.
- Ash! – Alguém entrou sorridente pela porta.
Ashleigh imediatamente levantou–se do sofá e foi ver quem havia entrado na casa.
- Hey. – Pude ouvir ela dizer animada.
- Esse é o Bê, - a voz que entrou na casa falou – ele é da Omega Chi, e me disse que é ótimo em decorar festas, tem um currículo impecável, ele fará de tudo pra tornar essa festa Omega Chi e Zeta Beta a melhor.
- Uaw, muito prazer. Eu acho que o Evan comentou de você, Albert certo? Vai ser um prazer ter você nos ajudando.
- O prazer vai ser meu, Ash. – O cara se manifestou pela primeira vez.
- Ah, chuhu tem alguém aqui querendo te ver.
- Me ver? – a menina disse.
Então foi ai que um belo par de pernas apareceu na sala, sendo seguida por um cara e pela Ashleigh.
Foi quando eu me dei conta de que o belo par de pernas eram da . Ela estava com um mini shorts e uma blusa um pouco cumprida e bem larga e o cabelo estava sendo preso em um coque pelo tal do menino que devia ser o Bê. Bê, que apelido mais gay.
Cara, eu nunca vi essa menina vestindo uma roupa acima dos joelhos dela, foi só se engraçar com qualquer um que já solta a franga assim?
- O que vocês querem? – Ela disse com um olhar nada agradável, bom pra falar a verdade, quando essa menina foi simpática com a gente mesmo?
- se levantou do sofá, também estranhando o fato da irmã estar praticamente vestida de calcinha e com um cara prendendo seus cabelos. – O vai precisar de uma ajudinha sua em filosofia... Será que você pode ajudá-lo?
Ela apenas me fitou com aqueles olhos grandes e furiosos. Ela nunca deu um sorriso pra mim, ela nunca nem falou comigo... eu tinha certeza que ela me odiava. E com aquele olhar, ela não me ajudaria...
Então, essa era o fim?
Adeus faculdade, fraternidade, festas, bebidas, garotas lindas distribuindo fácil... eu realmente estava ferrado.

05
Vai rolar?



’s POV:

Claro, muito fácil.
Ele me ignora por toda a minha vida, e quando precisa acha que é assim, só vir e estalar os dedos, puft, fácil.
Já que como eu mesma o ouvia dizer: “tudo que quer ele tem”. Aff fala sério que garoto mais arrogante.
E agora ele está aqui, olhando para a minha cara que nem um trouxa, quase fazendo um bico para tentar fazer com que eu fique com pena dele.
Há, era só o que me faltava.
Minha vontade era de abrir a boca e dizer não. Ou melhor, abrir bem a boca e gritar NÃO.
Mas eu não consegui.
Não sei por quê.
Talvez, se, eu pensasse mais um pouco... isso poderia trazer benefícios para mim, certo?! Não bem benefícios porque, cá entre nós... o que um idiota como esses ofereceria de bom à mim? É, isso mesmo, nada.
Mas se eu pensar pelo lado de que ele sempre me maltratou, eu posso até querer me vingar dele... e essa era uma chance perfeita, perfeita mesmo. Não que eu fosse vingativa, malvada ou nada do tipo... mas até que seria bom que ele experimentasse como é tratar mal alguém.
Ta, ele nunca me tratou mal, mal. Apenas fingia que eu não existia, e me deixava no vácuo, e poxa isso não é legal.
De qualquer forma eu estava vendo muiiiiiitas vantagens nisso, isso eu tenho certeza.

’s POV:

E foi ai que ela começou a melhor olhar com uma cara pensativa. Ela estava estranhando eu ter pedido isso à ela, e eu tenho certeza, mas o que eu posso fazer se por enquanto ela é o único ser que eu conheço que pode me ajudar?
Eu sei que ela devia estar pensando que não iria me ajudar porque eu nunca tinha dado em cima dela.
Haha, eu não sei se ela estava pensando isso, mas devia estar. Todo mundo, todo mundo mesmo sempre quis ter alguma coisa comigo. Fazer o que... sorriso bonito, charme irresistível, cabelo incrível e estilo moderno... Ta, parei de falar de mim, pra que eu preciso reprisar isso se todo mundo sabe que é verdade?
Haha, ok parei mesmo.
Eu estava ansioso e aflito.
Eu precisava saber essa matéria, eu precisava saber todas elas na verdade. Eu não estava disposto a abandonar a faculdade, que pra falar a verdade é a melhor fase da nossa vida.
E foi ai que a cara de pensativa sumiu, dando lugar a um pequeno sorriso, um tanto quando malicioso eu diria ou perverso. Não sei identificar isso muito bem.
Então seus olhos se estreitaram e ela me fitava. E eu não sabia se essa expressão seria para ela dizer um não bem ferrado na minha cara, ou se era porque ela viria que nem uma doida pra cima de mim e arrancaria a minha roupa.
- Ta, pode ser. Mas não agora, nem hoje. Nem por esses dias que me sobraram de férias. Porque eu estou... muito atarefada. – Ela disse arrogante, como sempre.
Ta, não sei se ela era sempre arrogante, nunca falei com ela mesmo. Nem a sua voz eu reconhecia pra falar a verdade.
Mas poxa, eu precisava começar isso... JÁ!
- Mas , ele queria já dar uma introdução para que não entrasse na sala não sabendo nada, entende? Ficaria até mais fácil. – começou a dizer.
É, é melhor mesmo que ele amanse a fera antes que eu diga alguma coisa.
- Olha, o problema não é meu. Se quiser a minha ajuda vai ser do meu jeito. E eu tenho coisas pra fazer, já disse.
Olhei para , e só pela expressão dele pude perceber que ele havia se alterado.
- Ah mais coisas como o que? Fica desfilando por ai praticamente sem roupa?
- Sem roupa?
- É, olha pra esse short, é com certeza uma mensagem subliminar para “me coma”.
- Cala a boca! Idiota! Pra sua informação aconteceu um acidente com a minha calça, e a estava aqui perto, na casa das Tri PI e me emprestou esse short que era a única coisa que ela tinha, já que o meu dormitório é muito longe. Mas por que você está se importando agora? Você nunca fez isso, e é melhor continuar não fazendo. – Ela então virou o seu olhar furioso na minha direção – e você, se quiser aprender vai ser com as minhas condições!
Ela saiu correndo da casa e o tal... Lê, Pê sei la o que a seguiu.
É, o clima foi tenso... nunca vi isso antes. Se bem que eu não ligava nem um pouco. Problemas de famílias já bastam os meus.
Aquela coisinha ia estudar comigo e era isso que importava, agora eu vou andar pelo campus e ver se acho alguma menina perdida por ai... se é que me entendem.
- Bom, tudo resolvido, vou nessa – sorri e comecei a andar em direção à porta.
- Aonde você pensa que vai? – me interrompeu dando ênfase no ‘pensa’.
- Sair, ué...
- Ah, mas não vai mesmo! Eu não briguei a toa com a minha irmã, você vai atrás dela agora mesmo e começar a se concentrar em filosofia.
- Mas você a ouviu dizer que não tem tempo e blá blá.
- Que não tem tempo o que, ela só falou isso porque queria ficar mais tempo com aquele branquelo metido. Você vai atrás dela AGORA e diz que tem que estudar.
Ah pronto, o cara não quer que a irmã ande por ai com um homem e sobra pra mim resolver isso?
- Por que eu se é você que não quer que ela saia com ele?
- Que? Eu não quero que ela saia com ele? Se liga, . Nada a ver, só estou dizendo que não vou brigar com ela a toa, tem que ter no mínimo um motivo, que é você.
- Mas desde quando você se importou com isso?
- VAI AGORA, .
Bufei e saí da casa das ZBZs, mas que saco. Por que é sempre assim? Por que qualquer um deles sempre acha que pode mandar em mim? Já está ficando desgastante.
Agora eu tenho que procurar a coisinha e estudar uma matéria que eu odeio, e como eu vou ter algum tipo de concentração estudando aquilo e... com ela?
Se bem que se ela continuar com aquele short, não vai ser tão difícil assim.
Agora eu só preciso ir até ela e... pera aí, como eu vou até ela?

Ta chame de otário, cabeçudo, idiota, a mula que ficou perdida no campus da faculdade. Podem dizer, podem colocar uma placa na minha bunda escrito “me chute” “pise em mim”, qualquer coisa.
Porque eu sempre me ferro mesmo.
, pega aquilo ali pra mim?” Claro, estou indo.
, me empresta sua cueca e sua escova de dente” Claro, só pegar no armário.
, por que não deita não chão e serve de tapete pra mim andar?” É pra já, eu sou muito duro pra você?
Sempre que pedem eu vou, e faço, e me ferro.
Sempre, eu já devia estar acostumado não?
Tudo bem que o vai jogar na minha cara que dessa vez sou eu que preciso. Mas que nada, se ela não tivesse com aquele Zê, Zé sei la o que, ele nem teria dito nada.
É melhor eu ir perguntar algo pra alguém do que ficar aqui parado, feito barata tonta, esperando o caminho certo cair do céu.
Vou acabar morrendo desidratado nesse sol, e isso sim seria uma grande perda para a humanidade. Como seria...
Andei mais um pouco e avistei um grupo de garotas com roupas bem curtinhas, conversando e comemorando sei lá o que.
Me aproximei delas ficando mais interessado ainda... já mencionei que as roupas dela eram bem curtas mesmo?
- ? – Uma delas disse me notando. Uau, eu já era famoso aqui e nem sabia?
Foi ai que eu vi a garota que havia pronunciado meu nome se aproximar.
- ? – Falei surpreso. – O que você faz aqui? No meio... delas? – Disse bem baixinho e apontando as meninas com a cabeça.
- Ah, essas são as Tri PI, candidatas na verdade... e nós temos que atrair de algum jeito as pessoas para a nossa festa de boas vindas no sábado, queremos acabar com a festa das ZBZs, haha.
- Mas a festa das ZBZs não é só entre elas e aqueles engomadinhos do... Omega Chi?
- Ah, é? Achei que elas convidassem mais gente, que nojentas...
- O que você está falando delas? Sua amiga está lá.
- E o que você está falando deles? O seu amigo está lá.
Nós dois rimos.
- É, fazer o que ele não deu a sorte de ser aceito como candidato na Kappa Tau, assim como eu, o e o .
- Kappa Tau? Cruzes. De qualquer forma, venham à nossa festa.
- Pode deixar.
- Então , eu precisava falar com a ... eu a vi mais cedo hoje, mas não perguntei onde é o dormitório de vocês, se você puder me dizer...
- Você? Falar com a ? Bem que eu disse pra ela que ela faria muito sucesso com aquele short...

’s POV:

Adentrei à casa Omega Chi com um pouco de receio. Sentei no sofá da sala e fiquei esperando o Bê pegar sei lá o que ele tinha que pegar.
Vi que a porta se abriu, revelando um com uma feição muito espantada ao me ver.
- ? – Ele disse enquanto se aproximava do sofá.
- Olha, não é que ele sabe o meu nome?
Ele sorriu sem graça e sentou na poltrona que havia ao lado do sofá em que eu estava.
- Me desculpe por mais cedo, eu... olha não tem explicações, eu só queria mesmo era pedir desculpas.
Para tudo que eu quero descer. Como assim esse palerma está me pedindo desculpas?
- Tudo, tudo bem... eu acho... – disse confusa, estranhando aquela atitude repentina.
- Grande ! – Um cara desceu e ficou olhando para mim e para o com uma cara bem significativa. - Sou John – ele disse sorrindo, pegando a minha mão e depositando um beijo nela em seguida.
Certo, aquilo estava estranho!
Então eu vi que o olhar dele ficou parado por alguns segundos na minha perna.
Ótimo, bem que a avisou.
Então eu só estava recebendo aquela atenção toda devido ao short super “descente” que a me emprestou, que super.
Sorri sem graça para ele.
- Você sabe se o Bê vai demorar muito? – perguntei em tom de tédio.
- Já estou aqui . – O Bê apareceu sorridente na escada.
Eu imediatamente me levantei do sofá e segui em direção à porta.
Chega de acontecimentos estranhos por hoje, por favor.

06
Ai, chega disso!



Entrei no meu dormitório e me deparei com , jogado sobre minha cama, mexendo no meu iPod.
- O que você está fazendo aqui? Como conseguiu entrar?
Ele tomou um susto e se levantou rapidamente.
- Ah, é... eu... o disse pra mim te procurar pra começar o estudo logo... então eu encontrei a que me deixou entrar, mas ela já foi e...
- Ta, chega! - O parei quando percebi que ele ia começar a contar uma história enorme e enrolada. – A gente pode começar sim. Bom, cadê os seus cadernos, livros ou qualquer coisa?
- Erm...é, eu...eu não tenho nada, não trouxe nada relacionado à matéria nenhuma pra cá.
- Ah, e você estava esperando que eu tivesse? Eu também não trouxe nada pra cá.
Ele apenas continuou me olhando enquanto voltava a se sentar na minha cama.
- Ótimo – bufei e me sentei ao seu lado – eu vou começar a falar algumas coisas mais importantes, e depois que as aulas começarem a gente pega firme, ok?
- Ok. – ele respondeu ainda me olhando. Aquela situação já estava ficando estranha.
- Bom como você já deve saber filosofia vem do grego “philosophia”.
Philos significa que ama e sophia significa sabedoria.
- Eu... não sabia disso, na verdade.
Revirei os olhos.
- Certo, me cite alguns filósofos mais famosos.
- Ah, erm...é...é... o Beaver! Há! Ele pode ser considerado um filósofo, você tem que ouvir a teoria da cerveja e das mulheres é tão...
- ! Foco! Eu estou falando sério.
- Ok, bem eu... eu... acho que não sei.
Arregalei meus olhos.
- Como assim? Platão, Sócrates, Pitágoras, Aristóteles... não significam nada pra você?
- Pra falar a verdade... não! – Ele disse com uma cara de besta, maior ainda, se isso for possível.
Ah, que ótimo! Isso vai ser bem mais difícil do que eu pensei.

’s POV:

Caraca, como é um saco apenas pensar sobre isso. Eu lá quero saber desses caras que morreram há décadas e que não trouxeram nada de bom pra gente a não ser essa encheção de saco que é estudar?
Eu já estava ficando com sono, e a não parava de falar sobre essas bobeiras. Conforme ela falava, se mexia sentada na cama, fazendo com que as suas pernas se mexessem junto. Não que elas tivessem muito espaço pra isso devido aquele short minúsculo que ela ainda usava.
- VOCÊ VAI APRENDER MAIS SE PARAR DE OLHAR PRAS MINHAS PERNAS. – Ela gritou fazendo com que eu imediatamente olhasse pra ela. – Olha, isso não está funcionando. Espera começar as aulas, você vê como você reage e aí a gente tira as dúvidas, pode ser?
- Claro, claro. Valeu.
- De nada.
- Ah erm... você e o brigaram mais cedo por esse assunto, e sei lá, eu acho meio chato já que foi mais ou menos minha culpa, eu vou pra Kappa Tau agora, por quê você não vem junto? Ai você conversa melhor com o e tal...
- Olha , não se preocupa ok? Eu e o sempre fomos assim. E de qualquer forma eu vou sair com o Bê mais tarde, então...
- Ah certo. Então te vejo por aí.
Saí do dormitório dela e fui em direção a casa. Espero achá-la fácil no meio desse campus enorme.
“De qualquer forma eu vou sair com o Bê...” Aff, Bê? Eles mal se conheciam e já estavam tão grudados assim?
Ah, por que eu me importo?
Chega! Que se lasquem os . Todos eles. Chega!
Vou viver a minha vida sem me preocupar com a dos outros, afinal estou na faculdade. E tenho que fazer disso os melhores quatros anos da minha vida, é.

’s POV:

A semana já estava se passando.
As aulas já haviam começado, e cada hora eu tinha mais tarefa pra fazer. Se não era do curso, era para a Zeta Beta, toda essa preparação para a grande festa no sábado já estava deixando as candidatas de cabelo em pé. Graças a Deus o Bê estava me ajudando em tudo, tudo mesmo. Se não eu não sei o que faria da minha vida sem ele.
O Bê, ele era tão... fofo! Nós estávamos mais próximos do que nunca, e eu estava adorando demais isso. E até sinto que uma coisa muito boa, mas muito boa acontecerá em breve entre a gente.
- Vai onde amiga? – me perguntou enquanto ligava a TV no canal de desenhos.
- Ah, vou encontrar o Bê no Dobbler’s. Você não vai pra lá hoje?
- Ah hoje não, chega de Dobbler’s essa semana. Prefiro ficar aqui vendo TV mesmo. Vai lá e arrasa amiga.
- Ai , menos. – revirei os olhos e saí do dormitório.

O Dobbler’s até que estava bem cheio para uma sexta á noite.
Eu e o Bê estávamos sentados, tomando cerveja.
Ele estava tomando cerveja na verdade, eu não podia já que sou menor de idade. Regras idiotas do campus da faculdade.
E por falar nisso, preciso encontrar imediatamente um nerd que me arrume uma identidade falsa.
- – ele saiu do tom brincalhão e começou a falar num tom mais sério – nós estamos muito próximos ultimamente, e eu posso te dizer com toda a sinceridade que você está sendo a minha melhor amiga aqui, a única pessoa na verdade que eu estou podendo chamar de amigo, por isso eu não acho justo esconder isso de você...
Ai meu Deus, era agora... Será? Será que ele ia...
- Eu sou gay. – Ele soltou, enquanto ainda me fitava.
Arregalei os olhos e engoli a seco, definitivamente não era isso que eu esperava ouvir, não mesmo.
Claro, o único menino que realmente se aproximou de mim, era gay! Perfeito, tem como ficar melhor?
- Olha Bê, eu fico feliz que você confie em mim desse jeito. E quero que saiba que eu vou ser sempre sua amiga independente de qualquer coisa. – Soltei procurando as palavras certas, e sinceras. O Bê era uma pessoa excelente, não é só porque eu me equivoquei que eu vou ter que ficar brava, nervosa, ou xingá-lo pela sua escolha sexual. Mesmo sendo um desperdício já que ele era lindo demais.
Mas isso não vem ao caso, cada um com a sua escolha e eu respeito isso. E a do Bê, eu vou respeitar sempre.
Então eu comecei a perguntar a ele tudo que um dia eu já quis saber sobre os gays. E pra falar a verdade eu sempre quis mesmo ter um amigo gay.
Nós ficamos conversando e rindo a toa enquanto o tempo passava.
Estava quase na hora de nós irmos embora, quando a porta do Dobbler’s se abriu pela milésima vez naquela noite. e Ash adentraram o local. , e entraram atrás. Os três pararam e fitaram a minha mesa, inexpressivos.
Como se algum ser de outro mundo estivesse ali.

07
Festas cansam, e como cansam...



Acordei com o meu celular tocando.
Tomei um susto e imediatamente o atendi.
- Alô? – a minha voz “maravilhosa” sempre que eu acordo se pronunciou.
- MOVE PLEDGE. – Ash gritou do outro lado da linha.
[N/a: Move Pledge = Mexa-se candidato(a), essa frase é muito usada em greek pelos presidentes das casas quando eles querem que um candidato faça alguma coisa].
- Que? – disse ainda sonolenta.
- , minha cunhadinha linda, hoje é o dia da festa e vocês, candidatas tem muito o que fazer.
Cunhadinha linda? É, essas doideiras da Ash estão me deixando assustada.
- Certo Ash, eu vou encontrar o Bê e depois nós vamos aí.
- Certo, beijos.
- Beijos.
Desliguei o telefone e fiquei enrolando na cama.
Levantei e percebi que não estava mais na cama, ela provavelmente havia ido terminar os preparativos para a festa das Tri Pi. Coitadas, acham que a festa delas vai ser melhor do que a festa das ZBZs.
Se bem que com a putaria que vai rolar por lá, talvez a festa delas bombe mesmo.
Bom, que se dane.
Coloquei uma calça jeans e uma blusa qualquer. Prendi meu cabelo em um coque e fui ao encontro do Bê.
Parei antes para comprar um café pelo campus, lá no dormitório não tinha nada pra comer. Não sei como a pode só se alimentar de água, fala sério.
- E ai professora. – Um sorridente parou do meu lado.
- Oi.
- Qual é o mau humor?
- Nada. Na verdade já estou cansada de ter que fazer tanta coisa pra essa festa da Zeta Beta. A Ash disse que você pediu pra ir, você vai mesmo?
- Claro que vou né...
- Mais alguém de vocês lá vai?
- Não, claro que não. Ela só deixou eu e o ir, mas a chamou os caras da nossa casa para ir à festa das Tri Pi e acho que o vai pra lá.
- Ah claro, um bando de galinhas com um bando de punheteiros. É, vai dar certo.
riu.
- O que você sabe sobre a nossa casa?
- Simplesmente que é a mais nojenta do campus e só têm vagabundos. Na boa, não sei como o pai de todos lá ainda fazem questão de pagar a faculdade pra eles se eles só estão a fim de umas várias rapidinhas e de festas.
- Que exagero .
- Foi o que eu ouvi falar oras. Enfim, estou indo encontrar o Bê, até mais tarde.
- Quer que eu te acompanhe?
- Não, eu sei que você não vai querer ser visto por aí com uma loser. – Peguei meu café e segui em direção ao dormitório do Bê.
Não sei porque o resolveu vir falar comigo agora, há anos ele esquece que eu existo, na verdade ele nunca dizia que tinha uma irmã, ele tinha vergonha de mim. Ele sempre foi o popular garanhão e eu... bem, todo mundo já sabe.

#Flashback:

- , eu tenho esses cartazes para a divulgação do trabalho do meio ambiente que o meu ano está fazendo. Se você puder entregar pra alguém eu agradeço.
- Ta, ta. Agora chega de encher o saco. E some vai, tem uma gata chegando.
- . – Kristen, uma vaca metida à líder de torcida se aproximou de nós.
- Hey Kris. – disse sorridente.
Ela então sentou no colo dele e começou a passar a mão pelos seus cabelos.
- Ai, eu fiquei com saudades de você ontem... por que você não veio lindinho? – Ela continuava fazendo carinho no rosto dele enquanto falava com aquela voz de gralha.
- Ah, é que aconteceram uns probleminhas aí e...
- , . Dá pra pegar os folhetos? – Eu disse estendendo os folhetos para ele, pois aquela melação já estava enchendo o saco, e eu não duvido nada que eles comecem a se comer ali mesmo no corredor, e na boa, eu não queria estar perto para assistir a cena.
Mas ele estava tão entretido com ela que nem me ouviu.
- , . – Gritei enquanto cutucava o seu braço.
- Ai quem é essa hein? O que ela quer? – Kristen se virou para mim e me lançou um olhar de nojo.
- Não sei quem ela é... ela quer que eu a ajude em um projeto ai sabe... ser o mais bonito da escola tem suas desvantagens, vamos. – Ele pegou na mão dela e se afastaram de perto de mim.
Não era a primeira vez que o mentia sobre isso, os seus amigos só foram descobrir que eu era irmã dele quando começaram a freqüentar a minha casa, e viram que meu pai e Rory me tratavam como filha deles claro, aí a invenção de eu ser uma empregada menor de idade e ilegal no país não colou mais e eles descobriram. Ele nunca falava que tinha uma irmã, ele nem ao menos se importava comigo.
Isso me deixa triste, mas nem tanto... com o tempo, a gente se acostuma com a rejeição.

# Fim do flashback

- Calma Ash, não surta! Tudo vai dar certo!
- Como tudo vai dar certo, ? O melhor buffet da cidade acabou de dizer que não poderá entregar os pedidos a tempo. E agora? Será o fim! As Tri Pi vão ser melhores do que a gente. VOCÊ ENTENDE O QUE ISSO SIGNIFICA?
- Calma, Ash. Eu vou tentar dar um jeito. Eu prometo.
- É Ash, eu vou com a a gente vai fazer de tudo para arrumar um buffet que faça entregas rápidas, não se preocupe. – O Bê se pronunciou quando viu que eu estava lascada se tentasse fazer qualquer coisa sozinha.
Ash continuava no sofá respirando fundo para não morrer ali mesmo.
Eu e Bê saímos da casa das ZBZs apressados.
- E agora? Estou ferrada, eu não conheço nada por aqui e não sei o que fazer.
- Calma , eu conheço um lugar que tem vários buffets, não de primeira como esse que a Ash contratou, mas eles são os únicos que podem fazer esse pedido sem encomenda. O problema é que é meio longe daqui e...
- VAMOS. – Gritei e peguei a mão dele em seguida para irmos ao estacionamento onde estava o carro que papai havia deixado comigo.
Chegando lá estava meu irmão e os amigos dele parados em frente ao carro.
Meu Deus como eles descobriram onde eu guardava?
- , maninha eu queria saber se...
- NÃO. – Gritei abrindo as portas do carro. O Bê rapidamente entrou no banco do passageiro.
- Mas é que eu preciso...
- Olha não amola ok? Eu e o Bê temos que correr para que a noite dê certo, tem que ser perfeita entendeu? Então me erra. – Entrei no carro e dei uma olhada na cara estática deles, certo eles com certeza pensaram outra coisa. Mas eu estava totalmente sem tempo de explicar e mesmo que eu tivesse tempo não explicaria a eles.
Dei partida no carro e eu e o Bê voamos para tentar salvar a primeira festa do ano das Zeta Beta Zeta.

08
Acho que não cansam tanto assim,
não é mesmo?



- ! BÊ! Vocês salvaram a noite, eu amo vocês. – Ash agarrou a gente em um abraço triplo.
Na verdade eu e Bê com muita insistência conseguimos um buffet que fizesse tudo o que a Ash queria para a festa. Ele não era dos melhores, na verdade nem um pouco melhor. Era um muquifo que mais parecia um banheiro público do que um buffet, mas o cara me garantiu que os alimentos eram de ótima qualidade e até deixou eu e Bê assistirmos a preparação de alguns deles para nos certificarmos que não morreríamos se consumíssemos aquela comida.
- De nada Ash, sabe foi meio difícil, mas a gente deu um jeito. A entrega chega às sete.
- Ótimo, - ela disse nos soltando – qual era ao buffet mesmo?
- Ah, nem lembro... – eu disse tentando disfarçar – não é cinco estrelas que nem o antigo, mas acho que podemos classificar em três. – Menos três estrelas é claro, mas eu não disse isso à Ash.
- Yaaaay! – Ela disse animada. – Agora voltem aos seus dormitórios e se arrumem, a festa de hoje vai bombar. – Ela disse batendo palmas.

Cheguei ao meu dormitório e a já estava pronta.
- Caraca , eu achei que a festa fosse na casa das Tri Pi não no Gentleman’s Choice.
- Por que seria em um clube gay? – Ela disse terminando de retocar o batom.
- Eu não estava falando do clube gay. Eu falei do Gentleman’s Choice clube de strip.
- Haha, muito engraçada você. A presidente das Tri Pi disse que as candidatas teriam que impressionar os convidados, e as roupas curtas são uma ótima idéia.
- Nossa ainda bem que eu não preciso passar por isso. Vou tomar banho agora que já estou atrasada.
- Certo, provavelmente quando você sair do banho eu não estarei mais aqui, então eu separei uma roupa que vou te emprestar pra você arrasar. Está em cima da sua cama.
A e a teoria do arraso. Olhei para minha cama me deparando com uma saia jeans, uma blusa preta tomara que caia que mais parecia um top e ao lado uma sandália de salto enorme também preta.
- Ahhh, ta bom que eu vou assim. Olha isso, vai parecer que eu saí de lingerie na rua.
- Ai como você exagera. A saia nem é tão curta assim, só a blusinha. Você tem um corpo lindo menina e tudo que é bonito tem que ser mostrado. Agora estou indo. Beijos boa festa.
- Valeu, pra você também.
A era maluca, não sei como ela podia ser minha melhor amiga. E mesmo com toda essa maluquice eu me divertia muito com ela.

Saí do banheiro e fiquei por alguns segundos olhando para as roupas em cima da minha cama. É claro que eu não iria com aquilo.
Dei mais uma olhada na saia que realmente não parecia ser tão curta e a vesti. Ela ficou no meio da minha cocha, mas eu gostei.
Peguei uma regata branca lisa meio apertadinha e a vesti. Depois coloquei meu all star vermelho. Já estava na hora de aposentar o marrom por enquanto. E de jeito nenhum que eu ia com aquele salto que mais parecia uma perna de pau.
Olhei para o lado da sandália onde havia vários brincos e pulseiras. Não quis nada daquilo. Deixei meu cabelo solto, por um milagre, e coloquei apenas um gloss.
Eu não gostava de chamar a atenção e não é só porque eu ia a uma festa, a primeira da minha vida, que eu atrairia todos os olhares para mim.
Bom, não era bem a primeira festa. Era a primeira festa de jovens que eu ia, já que a dos meus tios velhos não é muito legal contar.

Cheguei à casa das ZBZs e a música já rolava solta. (N/a: Ponha a música pra tocar e sinta-se no clima da festa, o/)
Até que a festa estava comportada, mais até do que eu pensei.
Claro que havia bastante gente bebendo, muita gente se pegando. Mas ninguém estava tirando a roupa em público ou vomitando na cara dos outros e no tapete da sala. E isso era bom, porque quanto menos sujeira menos trabalho para as candidatas.
- Heeeey! – Ash veio feliz até mim e segurou minhas mãos. – Nem sei como agradecer.
- Ah que isso Ash, não precisa agradecer, tudo pela casa.
- Claro que preciso agradecer, se não fosse você e o Bê isso aqui não estaria tão perfeito, você se dedicou muito para essa festa, muito mais do que as outras candidatas. Deve ter alguma coisa que eu possa fazer por você.
- Bem, - eu disse com aquela cara de “eu não queria, mas já que você insiste...” – seria legal se você me livrasse da limpeza da casa né, eu odeio isso.
Ashleigh riu.
- Claro, a limpeza ficara para as outras candidatas que não contribuíram muito, não se preocupe. Curta bem a festa que agora eu vou procurar seu irmão que foi pegar bebidas pra gente. Até mais.
- Até Ash. – eu disse e comecei a andar pela casa observando a festa em todos os detalhes.
Todas as meninas, candidatas ou veteranas, estavam com vestidos curtíssimos, sandálias de salto e maquiagem carregadíssima. Preciso mesmo dizer que me senti excluída dali?
- Curtindo muito a festa? – Olhei para trás e aquele par de olhos azuis brilhantes estava sorrindo para mim.
- Ah sei lá, estou me sentindo meio de fora sabe? Olha as roupas delas e olha a minha...
- Relaxa , você está linda. Eu te acho linda, você sabia disso né?
- Own Bê você é tão lindo. – Eu disse pulando em cima dele e o abraçando. – Mas e aí? Nenhum gatinho pra você aqui hoje?
- Ah, aqui só tem Omega Chi né e ninguém da casa é, ou ainda não saiu do armário, e nem eu na verdade, não quero que ninguém saiba como eu já te disse...
- Certo, então acho que somos nós dois.
Ele riu e concordou.
- Quer dançar?
- Claro. – Eu sorri e ele pegou na minha mão e fomos direto ao local onde estava a pista.
Dançamos por pouco tempo, até que um muito bêbado se aproximou de nós.
- E ai Al-Al. – Ele disse para o Bê, e começou a rir sozinho – gostou do apelido que eu te dei? Sei que sou foda cara.
- É , mal começou a festa e você já está assim. – o Bê disse segurando que de cinco em cinco segundos perdia o equilíbrio e caía em cima dele.
- Que nada cara, só estou curtindo o melhor da festa... tem umas gatas ali... você devia vir comigo.
- Mas eu estou aqui com a .
- Aaaaaah que isso. Ela não liga – ele então se virou para mim – você não liga né?
Quase vomitei na cara dele quando aquele bafo horrível atingiu minhas narinas.
- Acho que não... – eu disse sem respirar.
- Obrigado – ele disse empolgado – ah, você tem belas pernas. – Ele piscou para mim com cara de tarado e puxou o Bê pra perto do bar onde algumas garotas conversavam e riam.
Suspirei e continuei a andar pela casa, sozinha, e observando a festa.
Cheguei perto da escada e vi que havia um moço quase deitado na escada, parecia que ele estava passando mal.
- Ei, ei você. Está tudo bem? – Eu disse me sentando no degrau, ficando de frente para ele.
Ele se levantou e ficou de frente para mim, foi ai que eu percebi que se tratava de Evan Chambers, o presidente da Omega Chi e o cara mais lindo de todo o campus.
- Não, eu não estou bem... – ele me disse com o olhar triste, e a voz meio arrastada. Ele também já devia ter bebido todas.
- Você está passando mal? Quer que eu te ajude a voltar pra casa? – Eu disse vendo o estado crítico em que ele se encontrava.
- Não, isso não vai adiantar. Eu sou um fracassado, minha vida está uma merda.
Não sei se ele estava soltando aquilo pelo fato de estar pra lá de bêbado ou se ele realmente estava falando a verdade.
Olhei diretamente e seus olhos e vi que aquela íris clara e brilhante estava com uma expressão triste e angustiada.
- Por que você está falando assim? Pra tudo tem um jeito, sabia?
- Não tem, minha vida já era. Eu estou acabado.
- Não fala assim. Você não pode desistir sem lutar, não sei qual é os eu problema, mas tenho certeza que deve haver alguma solução pra ele...
- Não, não tem... sabe eu desisti de tudo. Eu achei que pudesse seguir o caminho do meu irmão, Patrick e desisti. Agora estou sem carro, sem dinheiro, meus pais não falam comigo... minha vida acabou.
- Por que você desistiu de tudo?
- Porque eu estava cansado de tanta pressão, eles queriam que eu fosse o que eu não quero ser. Eu não quero ser outro Chambers milionário, conhecido por todo o país e infeliz... – Pude perceber que ele estava fazendo uma grande força para não chorar.
- Evan, você tem que lutar por você mesmo. Achar algum jeito de se manter sozinho já que você desistiu de ser ajudado por seus pais, você não tem que se desesperar, apenas correr atrás...
Ele então sorriu para mim.
- Você sabe o meu nome... – me olhou pensativo – o seu é...
- – sorri tímida.
- , ... lindo nome.
- Obrigada – sorri ainda mais e vi que ele me olhava nos olhos.
- Os seus olhos são lindos sabia – ele voltou a falar - e você também.
- Obriga... – eu não consegui terminar de falar a frase, pois me assustei com a imagem de , nada simpático, vindo em nossa direção. Tentei falar para o Evan que ia falar com meu irmão e depois voltaria, mas nenhuma palavra pode sair da minha boca, pois agora ela estava muito ocupada, sendo beijada pela boca de Evan.

09
Reconciliações.



- Evan, Evan, pára! – Eu disse tentando me soltar dele.
Não que o beijo estivesse ruim... ok, estava horrível!
Ele estava com aquele bafo de pinga barata e parecia que ia sugar todo o meu lábio, sem contar a poça de baba que estava depositando em mim. Urgh! Me lembre de nunca mais beijar um cara bêbado.
- Desculpa. – Ele disse se afastando de mim.
- Olha, você não está bem... você tem que ir pra casa.
- Não, não quero ir...
- Shiiu, fica quietinho aqui que eu vou chamar o Bê.
Saí correndo pela casa tentando achar o Bê, e o , já que ele havia disparado assim que me viu com Evan na escada, mas bem, podia esperar.
O assunto agora era mais urgente.
- Hey Bê. – Eu disse chegando próxima à ele que estava conversando com um cara qualquer. – Você tem que ajudar o Evan, ele bebeu tanto que está praticamente desmaiado na escada.
O Bê se levantou rapidamente e nós fomos à escada da sala principal, onde Evan se encontrava estirado lá.
- Eu vou levar ele pra casa, eu já volto. – O Bê o levantou e o apoio em seu ombro, saindo da casa em seguida.
Respirei fundo e fui procurar , não que eu devesse satisfações à ele, mas eu sei lá o que ele havia pensado então era melhor explicar que um bêbado paranóico havia babado em mim do que ele encher o saco depois. Mas ai ele, como sempre, contaria aos amigos dele e os babacas com certeza fariam uma brincadeira do tipo: “Ah, só bêbado pra pegar ela mesmo...” É, e isso não seria legal.
Então eu chegaria em mais confiante e diria que sim! O cara mais gato e rico do campus havia ficado comigo! É, isso aí! Eu posso, sou poderosa, não manda em mim, ele só é meu irmãos mais velho... e daí? Eu já tenho quase 18 anos e posso cuidar muito bem do meu nariz sem ter que explicar tudo ao pé da letra para ele...
- ELE QUE PARTIU PRA CIMA DE MIM EU JURO! – Eu disparei assim que vi sozinho pegando duas bebidas no bar.
Cadê aquele papo todo de poderosa e independente? Parabéns , conseguiu mais uma vez o troféu de loser do ano.
- Relaxa , eu sei que você me viu com uma cara nada agradável, e eu realmente ia partir pra cima dele, afinal você é minha irmã caçula e ele é um Omega Chi... mas ai a Ash me tirou dali e fez um discurso enorme que ele era o Evan e que você já era grande, e blá blá...então eu relaxei... e além do mais você sabe que não precisa me dar explicações.
- Ah...é... – eu estava sem palavras – claro que eu sei.
- Sabe é? Sei... então por que veio toda apavorada dando uma justificativa?
Bufei.
- Pra falar a verdade eu fiquei com receio que você fizesse alguma besteira com o Evan ou contasse algo pro papai, você sabe como ele é conservador com essas coisas e tals... sei lá, eu nunca nem tive um amigo homem pra falar a verdade.
- O papai é super tranqüilo , eu já falei sobre vários relacionamentos com ele você nem tem que se preocupar com isso, ele tem um bom papo, sério.
- Só se for com você, porque ele só fala comigo sobre o tempo desde que eu comecei a ganhar peitos.
riu.
- , sobre hoje de manhã quando a gente conversou, eu queria te dizer que...
- , ! – Ash veio ao nosso encontro praticamente carregando Betsy no colo. – Me ajuda aqui, por favor.
Me aproximei das duas e tentei segurar Betsy que estava quase caída de tão bêbada.
- Eu sempre falo pra ela não beber tanto assim, mas ela não aprende. Olha só o que eu tenho que agüentar... – Ash disse praticamente colocando Betsy em cima de mim.
- DIGA NÃO AO COMÉRCIO ILEGAL DE PROSTITUTAS! – Betsy gritou praticamente no meu ouvido enquanto eu tentava segurá-la.
- Será que tem como você levá-la pro quarto? – Ash pediu – com essa agitação toda eu mal consegui ficar com o hoje...
- Ok Ash, curta seu par... eu estou sozinha mesmo... – respondi quase enforcando a Betsy por ser tão... alcoólica!
Ta, essa foi péssima!
Releva estou com raiva.
- SILVER!!!!!!!!!! AQUELE CARA SÓ QUERIA ME PEGAR PORQUE EU SOU GOSTOSA! HAHA! – Ela ria enquanto eu tentava arrastá-la para o corredor, ela estava apoiada em meu ombro com todo aquele peso de “gostosa” bem nutrida, o que dificultava a nossa locomoção.
- , VOCÊ ACHA QUE EU SOU GOSTOSA? – Ela perguntou se virando para mim fazendo com que eu quase desmaiasse com aquele hálito horrível.
- Betsy, Betsy... faça um bem pra humanidade... cala a boca ok?
- AAAAAAH – ela fez uma voz triste – TUDO BEM, TUDO PELO BEEEM DA HUMANIDADE! – Então ela fez aquele sinal que fechou a boca e jogou a chave fora.
Meu Deus, quanta estupidez... o que mais me falta acontecer hoje?
Depositei a Betsy “gostosa”, e iludida, diga-se de passagem, na cama que provavelmente era dela, já que havia várias fotos de garrafas de vodca no mural que havia sobre a cama e desci as escadas.
Eu já estava cansada de tanta agitação e tanta gente bêbada pra cuidar, o que eu queria era ir embora logo.
Pensei por um segundo em contar à Ash que estava saindo. Mas ela talvez implorasse para que eu ajudasse outro bêbado solitário, e não... eu não faria aquilo pela terceira vez na mesma noite.

Saí da casa das ZBZs e fiquei andando sem rumo pelo campus, ele à noite era bem bonito. Respirei fundo enquanto caminhava tranquilamente, apenas observando toda a paisagem.
Sentei em um banco que havia numa espécie de praça, se posso chamar assim. Havia grama no local, luzes e vários bancos... então acho que posso chamar de praça, certo?
Fiquei ali por alguns minutos analisando, pensando em tudo...
- Hey! – Alguém me despertou do meu transe, sentando-se do meu lado.
- Oi – sorri para ele e voltei a olhar para frente.
- eu queria falar com você, eu tentei fazer isso na festa, mas você viu que não deu. Eu vi você saindo da festa e vim atrás de você.
- Aposto que a Ash não gostou nada disso.
- É, não mesmo. Mas sabe... uma coisa que papai sempre me disse é que acima de tudo vem a família.
- Certo , chega – me virei para olhá-lo – você quer o carro né? Basta pedir, não precisa ficar com essa bajulação toda que você está fazendo ok? Amanhã você passa no meu dormitório e pega as chaves.
- Não! Não é isso! É que nesses poucos dias e nas poucas vezes que eu conversei com você aqui eu percebi que nós somos tão separados, e poxa nós somos irmãos. Não devia ser assim.
Eu ia abrir a boca pra dizer que a culpa de tudo aquilo era dele e que não seria tão fácil as coisas fluírem bem desse jeito já que, há anos mantemos essa relação de “apenas vivo no mesmo teto que você”.
Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele continuou:
- Eu sei que você vai dizer que a culpa é toda minha, e que não vai ser fácil manter uma relação legal já que estamos há anos assim... Mas estou disposto a tentar! E talvez você esteja se perguntando porque essa mudança repentina, mas a verdade é que você é minha irmã, tem o mesmo sobrenome e os mesmos pais que eu... e se eu não puder contar com você, vou contar com quem? Eu tenho os caras e tal, mas ninguém é como nossa família.
Ai droga como eu odeio discursos bem feitos, eu estava quase chorando.
Eu apenas o abracei bem forte e ele retribuiu.
- Eu te desculpo .
- Eu não lembro de ter pedido desculpas... – ele disse quando nos soltamos.
- Oras, com tudo o que você fez o mínimo que deve é desculpas.
- É, eu sei que fui um péssimo irmão todos esses anos e...
- É, foi mesmo.
- Ei, dá pra parar?
Eu ri.
- Ok , agora chega disso... não quero chorar.
- Então está tudo bem entre nós né?
- Creio que sim. – Sorri, e ele retribuiu. Como o sorriso dele era lindo, com certeza ele puxou ao meu. Haha.
- Bom eu já vou, estou com sono e cansada. Essa festa me deixou louca. – Eu disse me levantando do banco.
- Certo, te acompanho até seu dormitório.
- Sério? – Eu disse não acreditando.
- Claro, vamos. – Ele se levantou, pegou minha mão e começou a correr pelo campus que nem um maluco.
- MAIS DEVAGAAAAAAAAR! – Eu tentava gritar quase não acompanhando o ritmo dele, só estávamos em sintonia porque ele segurava na minha mão, mas não duvido nada que daqui há poucos segundos eu estaria com a cara espatifada no chão.
Chegamos a porta do meu dormitório, me lembrei de rezar agradecendo por ter chegado lá viva. Eu estava totalmente ofegante. Coloquei as mãos nos joelhos e tentava respirar com o máximo de força que conseguia.
estava normal, e ficou apenas rindo de mim.
- I...i...idiota. – Falei com dificuldade, devido ao ar que me faltava.
- Sedentária. – Ele ainda ria.
Recuperei meu fôlego e voltei a minha posição normal.
- Boa noite .
- Boa noite, maninha. – Ele beijou minha testa e eu entrei no meu quarto. O dormitório estava vazio, ainda não tinha voltado. Uau, a festa das Tri Pi estava realmente boa.
Coloquei meu pijama e eu já estava me preparando pra deitar quando meu celular apitou.
Peguei-o vendo que havia uma nova mensagem.
“Amanhã nosso estudo de verdade começa, te vejo ai mesmo no seu dormitório.
Boa noite, professora.”


10
E que os estudos comecem!



’s POV:

- Não mãe, agora não... só mais um pouquinho vai...
- ACORDA JONES! Ta me achando com a cara da sua mãe é?
Tomei um susto assim que vi pulando em cima da minha cama.
- AI! O que você quer praga?
- Você que me pediu pra te levantar cedo hoje.
- Mas hoje é domingo... – resmunguei afundando minha cara no travesseiro.
- Eu sei, mas você disse que era pra eu te acordar custe o que custar, e que se você não acordasse, eu até poderia chamar o Lowis.
Me levantei rapidamente assim que ele pronunciou esse nome.
Lowis era o cara mais estranho de toda a Kappa Tau Gama. O apelido dele na casa era “come-come” eu ainda não sei o porquê desse apelido, e na boa, não estou mesma a fim de descobrir.
- Mas por que você quer levantar cedo em um domingo hein? – perguntou se atirando na sua cama.
É... por que eu queria acordar tão cedo em um domingo?
Certo, ontem eu bebi demais na festa e quando voltei com certeza falei alguma merda pra de algum plano que eu tinha pra hoje e que talvez eu lembrasse se a minha cabeça não estivesse quase explodindo.
Tomei um banho e saí pelo campus atrás da enfermaria, precisava de algum comprimido eu não estava aguentando mais aquela dor pulsando, pulsando, pulsando...

Após ficar alguns torturantes minutos com uma enfermeira gorda, e chata, tentando enfiar o punho dentro da minha goela para que a porcaria do comprimido que mais parecia uma bola de ping pong de tão grande, eu havia decido voltar para o meu dormitório para tentar lembrar o que eu queria fazer hoje, mas antes que eu pudesse chegar ao meu dormitório a mensagem com a resposta da minha pergunta havia chegado.
De: zinha
Tem certeza que quer estudar em um... domingo?”

Espera aí... zinha? Estudar?
Desde quando eu tenho o telefone dela salvo no meu celular? Desde quando eu a chamo de zinha? E desde quando os estudos viraram prioridade para que eu perdesse meu fim de semana com eles? Ta certo, a bebida ontem deve ter me afetado demais.

# Flashback – Sábado a noite - Festa das Tri Pi:

’s POV:


Eu estava toda feliz dançando Bad Romance no meio da pista quando ouço alguma doida gritar ali por perto.
Achei que alguma menina da casa havia bebido demais e estava passando mal. Eu avisei à todas que tomassem cuidado. Mas alguma aparentemente não me ouviu. Na boa, eu devia continuar aqui com o meu bad romance e mandar ela ir se lascar, mas eu ainda sou boa demais pra fazer isso.
Comecei a andar pelo corredor de onde vinha o grito, pude perceber então que eu parecia ser a única sóbria da festa. Não que eu não beba, só não gosto de extravasar.
O corredor estava escuro demais e a única coisa que eu ouvia era o som de beijos e alguns gemidos, urgh.
- AI CARALHO! – gritei assim que tropecei alguma coisa e caí imediatamente no chão. Pude então perceber que eu havia caído em cima de um casal que se agarrava. – Tem quartos lá em cima, porra. – Esbravejei e continuei meu trajeto.
Até chegar na pequena salinha que havia no fim do corredor, onde a mesma mula gritava:
- PÁRA, PÁRA! Sai de cima de mim seu nojento, você está bêbado!
Ascendi a luz e me deparei com Christine sentava no sofá se debatendo para tirar de cima dela um tarado que a agarrava a força.
Me aproximei puxando o tarado pela gola da sua blusa e o fazendo cair no chão. Meu queixo quase caiu quando eu vi que o tarado, e muito bêbado, era nada mais nada menos que o idiota do .
- ? – gritei o vendo no chão com cara de bosta.
Christine me agradeceu e saiu correndo dali.
Tentei levantar que ainda estava jogado no chão e o coloquei desajeitadamente no sofá.
- Mas que porra menino! Por que você sempre tem que beber tanto nessas festas?
- Iiiih, relaxa ai ! E você me fez perder meu broto.
- Broto? Ah , faça-me o favor. Se o ou o estivessem aqui eu com certeza mandaria eles te levarem pra fora daqui. Já que o está na mesma situação que você pelo que eu vi há alguns minutos atrás.
- Shiii, para de falar vai – ele começou a falar mole quase caindo em cima de mim, que bafo horrível ele estava.
- Argh! Que inveja da uma hora dessas, tenho certeza que a festa das ZBZs não está nem a metade da putaria que está sendo aqui.
- ? ? – Ele disse rindo que nem um idiota.
- Claro, oras.
- Ela é minha professora. – Ele continuou rindo – na verdade eu quero estudar, é quero estudar AGORA! Vamos lá na festa das Zeta Teta... sei lá o que e vamos estudar!
- Ai cala a boca, por favor.
- Não , eu preciso estudar mesmo... sééérião.
- Aiiiiii, certo me dá o seu celular, eu salvo o número da e amanhã você liga pra ela ok? Tudo pra você parar de me encher.
- Certo – ele pegou o celular com alguma dificuldade e me entregou. - Poe ai... zinha.
- zinha? – Eu perguntei estranhando aquele apelido tão idiota.
- É, oras... é mais legal.
Revirei os olhos, e assim coloquei, tudo pra que ele parasse de me irritar.
- Certo, agora manda uma mensagem dizendo que eu quero estudar agora.
- Estudar agora? Olha o seu estado – eu disse quase dando um soco na cara dele, pelo menos se ele caísse desmaiado eu estaria livre.
- Ta, ta... então manda assim ó...
Ele falou a mensagem e assim eu fiz. Coitada da minha amiga, nem quero ver o que ela vai ter que passar amanhã.

# Fim do flashback

Fucei a caixa de saída do meu celular e vi uma mensagem que eu não lembrava de ter enviado.
Foi ai que eu comecei a me lembrar de poucas coisas, inclusive de digitando a mensagem que eu pedi.
Droga.
Meus amigos sabem que tudo que eu faço quando estou bêbado não é pra ser levado a sério, mas mesmo assim eles não aprendem.
Mas já que eu estou acordado mesmo, por que não?
O dormitório da não ficava muito longe de onde eu estava, então eu cheguei rapidamente lá.
- Ah, é você. – Ela saiu da porta me dando passagem.
- Estava esperando quem? Edward Cullen?
- O Jacob na verdade, mas já que ele não veio.
Ah, ... legal como sempre. Por isso que eu fico muito feliz de ter que passar os dias estudando com ela, vai ser tão legal ter uma pessoa que te maltrate e te olhe com cara de desprezo sempre.
- Olha, eu só topei ser hoje porque eu realmente não tinha nada pra fazer, mas não vá achando que sempre que você estalar os dedos eu vou obedecer, muito menos aos fins de semana.
Blá blá blá... será que essa menina nunca vai deixar de ser chata não hein?! - Bom, eu imprimi umas aulas suas pelo blackboard do seu curso. Acho que já dá pra ter uma base pelo menos de início.
Me sentei na cama e suspirei fundo, com certeza o dia seria longo.

’s POV:

Meu Deus, como esse é burro.
Como alguém tem a capacidade de dizer que Platão, o filósofo, era como o pessoal da América do sul chamava Plutão, o planeta? Porque pra falar a verdade, até Jimmy o meu priminho de três anos saberia a diferença.
E o pior é que quanto mais burro, ele demora mais pra aprender, o que o faz ir embora mais tarde ainda. Que saco.
E o mais pior ainda é que nem a estava aqui pra me dar uma luz, com certeza ela havia dormido na casa das Tri Pi, o que eu fiz pra merecer um castigo como esse?
- Mas eu não entendi isso aqui de novo...
- Nossa, eu me espantaria se você tivesse entendido.
- Também não precisa ser grossa, é difícil entender pô.
- Não , não é difícil. O problema é que você não se concentra, enquanto eu estava aqui falando e falando com certeza você estava pensando na bunda de uma ou nas pernas de outra.
- Ah... é... – ele tentava se defender.
- Você tem que se concentrar mais e parar de ser tão idiota.
- Ei! – Ele protestou aumentando a voz. – Não sou idiota.
- Claro que é, você e os seus amigos, exceto o claro.
- Ah é, por que somos idiotas? Você nem fala com a gente pra saber.
- É, mas só a última vez que me deparei com vocês pude ter certeza.
- Que última vez?

# Flashback – Dobler’s, sexta à noite.

’s POV:


- Olha lá, é a coisinha, ela está saindo com um cara – falou, e eu e ficamos olhando à mesa em que estavam.
- Difícil de acreditar – eu disse vendo que eles se levantavam e se aproximavam de nós, com certeza iam pagar a conta.
- Difícil nada, depois de que eu vi ela com as pernas de fora, acreditem até eu sairia.
- Urgh se pronunciou.
- É verdade, eu até estava pensando nisso quando vi ela na Omega Chi, mas o Albert foi mais rápido.
Olhei para que estava bem próxima a nós e vi que ela revirou os olhos, será que ela tinha ouvido alguma coisa?

# Fim do Flashback.

’s POV:


- Poxa, eu não sabia que você iria ouvir.
- Como não ? Eu estava praticamente do lado de vocês.
- É, mas a música estava muito alta, eu sei lá... foi mal então, mas na boa eu realmente fiquei surpreso, nunca te vi com cara nenhum. Cheguei até a pensar que você não gostasse de caras, ou que viraria alguma espécie de religiosa fanática e virgem e faria macumba para converter a todos para a sua futura religião... OUTCH! – Exclamei assim que a mão dela acertou em cheio minha cabeça.
- Por que isso? – Eu disse passando a mão na região que ela acertou. Aquela coisinha era forte, viu?!
- Vamos combinar assim, sempre que você falar uma besteira, mas bem estúpida como todas as que você fala, eu te dou um tapa.
- Não gostei disso.
- Mas eu sim, vamos combinar?
- Só se eu puder dar em você também quando você falar besteira.
- Ta, pode ser... mas você vai ficar frustrado porque eu nunca falo besteira nenhuma. – Ela disse se sentindo alguma coisa tipo... “A mina do QI”, ta ligado?
- Duvido. – A desafiei.
- Vamos ver então – ela disse apertando a minha mão.
- É vamos. – Eu apertei a dela. – OUTCH! – Exclamei de novo assim que ela me acertou. Cara, duas vezes em menos de cinco minutos? Ela já está abusando né. - O que eu falei de besteira agora?
- Agora nada, mas acho que te devia essa pela coisa do Platão, na boa, foi uma das piores coisas que você já disse.
- Não foi nada, foi só uma coisa que eu estava em dúvida. Quer dizer então que sempre que eu tiver uma dúvida você vai me bater?
- Se ela for estupidamente burra...
- Isso não é justo.
- Pra mim é, completamente justo.

11
Só sei que nada sei.

’s POV:
Já faziam duas semanas que eu e a estávamos tendo os estudos de filosofia, todos os dias. Exceto aos fins de semana, claro.
O problema nisso tudo é que antes eu achava que ia ser um saco, torturante e que eu iria perder tempo à toa, mas agora eu estava... gostando.
Gostando de estudar... acredita?
Ta, não sei bem se ESTUDAR era a palavra, ou se eu estava gostando realmente de... outra coisa.
- Nossa, não acredito que isso aconteceu. – Andy, um veterano da Kappa Tau, praticamente gritou fazendo com que eu acordasse de meus pensamentos.
- O que foi? – , que estava sentado do meu lado se pronunciou assim que Beaver e Andy entraram pela porta.
- O Beaver cara, foi pego! – Andy disse pálido.
- Pego? – perguntou.
- É, lembra que o Beaver foi sorteado para ganhar bilhetes pra cerveja grátis no Dobler ‘s por um mês? Então, toda semana ele tem que ir lá buscar os bilhetes... e hoje, pegaram eles, todos os bilhetes, estamos acabados. – Andy sentou no sofá com Beaver do seu lado. Ambos arrasados, o que eles fariam sem cerveja nos finais de semana afinal?
- Mas como assim te pegaram Beav? – perguntou se interessando pelo assunto.
- Não sei, eles vieram por trás, me vendaram e ai... Eu não sei como isso foi acontecer, eu estava tomando todo cuidado sempre que ia buscar os bilhetes. Eu ia sempre pelo canto onde ficam as árvores, eu até saía uma hora mais cedo das aulas...
- Mas suas aulas duram uma hora, Beav. – Eu disse entrando no assunto.
- Isso não importa ok? – Ele fez voz de chorão. Fala sério, um grandalhão daqueles ficar arrasado desse jeito, até parece que perdeu alguém da família. Bom, era o Beaver, então a cerveja com certeza era mais importante do que a prória família. – Eu acho que foram eles – ele continuou a falar - aqueles Omega Chi, se eu pegá-los... aaaaaaaaaaaargh!
- Calma Beaver, nós vamos dar um jeito nisso, não vamos ? – se virou para mim.
- Vamos? Haha, não mesmo. Tenho compromisso agora.
- O que? Você vai trocar a desgraça de um de seus irmãos por um compromisso qualquer? – Andy se levantou do sofá.
Meu Deus que exagero só por causa de cupons de cerveja grátis.
- Andy, se acalma. Vocês vêem ai o que vão fazer e depois me avisem ok? Eu realmente preciso sair. – Eu peguei minha mochila e saí da casa.
Tenho certeza que eles estranharam isso, principalmente . Porque se isso fosse há algumas semanas atrás eu já estaria bolando algum plano super mirabolante – que falharia no final – para pegar os “inimigos”, eu faria qualquer coisa pra aprontar uma bem boa pelo campus, e me divertir. Mas agora eu estava trocando isso para... estudar?
Certo, esse sou eu mesmo?
Talvez não seja o estudo em si que me motiva, e sim minha professora. Ai a ... ela é tão... sei lá, diferente do que eu pensei.
Nessas semanas ela deixou o mau humor de lado e nós pudemos levar um papo legal, a gente tem tanta coisa em comum que eu fico bobo só de pensar.
E aqueles olhos, aquela franja caindo sobre eles então... não que eu fique prestando atenção nisso enquanto ela se curva para escrever alguma coisa para mim, claro que não. Nessa hora eu estou super concentrado nos estudos que realmente nem percebo o jeito que ela entorta a boca quando vê que eu fiz ou falei alguma coisa errada, e também nem reparo que ela abre um sorrisinho torto quando tem que me explicar a matéria tudo de novo.
Eu nem reparo nessas coisas, porque se eu reparasse eu estaria que nem o -bobo-apaixonado, e eu? Apaixonado? Pela ? Haha, não mesmo. Não pela , não é por nada... mas ela não é do tipo Megan Fox ou Jennifer Aniston, então ela não é meu tipo.
Ou é?

- Achei que viesse mais tarde. – Ela sorriu dando passagem para que eu entrasse no dormitório.
- Eu também. – admiti. – Sei lá porque quis começar mais cedo.
- Tudo bem então, é até melhor. – Ela disse pegando um pacote de biscoitos – eu e o Bê vamos sair hoje então quanto antes terminarmos, melhor. – Ela deu uma mordida no biscoito de chocolate – Quer? – Disse com a boca cheia.
- Não, obrigado. – Sorri bobo olhando a cena, porque eu nem havia notado que quando ela morde o biscoito seus lábios se enrugam de uma maneira muito... fofa, eu diria.
- Você e o Bê? Sair? Vocês estão juntos ou coisa do tipo? – Perguntei folheando meu caderno, para parecer uma pergunta natural, sem interesse algum.
- Ah não, ele é muito meu amigo sabe? – Ela sorriu mostrando seus dentes pretos devido ao chocolate, e se sentou do meu lado – e a gente sempre sai junto.
- Sei... – Eu disse não gostando muito da história. Só amigos, ta bom. Todas as garotas com quem eu saí era só amigas, e que amigas...
Nós começamos os estudos.
Eu não estava prestando muita atenção no que ela falava, porque pra falar a verdade eu estava entretido demais notando seus traços, suas feições e suas manias involuntárias. E era até divertido ver que ela piscava sem parar quando lia um ponto e não entendia. Então ela fazia uma carinha de pensativa super fofa, enrugando a testa para tentar entender o que estava escrito, e quando ela finalmente entendia, sua testa voltava ao normal e ela sorria involuntariamente me explicando.
Ficamos assim por sei lá... uma hora, uma hora e meia eu acho. Mas eu juro que eu nem vi o tempo passar, ela não falava de matéria direto, direto. As vezes a gente parava e fala sobre... insetos. É, insetos. Descobri que a tinha pavor de qualquer tipo de inseto, e uma vez o colocou várias baratas no travesseiro dela quando ela tinha dez anos, e ela me disse que foi a partir daí que começou a odiar o irmão.
Nós rimos com a história.
Ela começou a contar mais histórias - e pude perceber seu lindo sorriso enquanto fazia isso - de como odiava seu irmão, mas percebi que ela parou quando ia entrar no assunto da escola, o que provavelmente envolvia a mim e aos outros guys.
Então ela simplesmente parou de sorrir e voltou a ler o caderno, dizendo que não tínhamos tempo pra conversar.
Ela estava falando sobre mais algum desses filósofos que não tinham mais o que fazer, e sobre uma frase famosa que algum havia dito, mas foi interrompida por seu telefone tocando.
- Oi Bê. – Percebi que ela sorriu demais ao pronunciar “Bê”, argh eu não estava gostando disso. – Claro, claro... onde que é? Bê, não acredito que nós vamos lá! – Seu sorriso aumentou mais ainda – Ai que demais! Eu sempre quis ir pra lá você não tem noção! Ok, ok. Não se preocupe, aham... aham... claro. Vai ser bom, ta certo, beijos.
Ela desligou e se virou pra mim com uma cara meio sem graça.
- Erm , eu não quero te expulsar nem nada... mas é que o Bê mudou os planos, nós vamos em outro lugar mais longe que o Evan fez reservas e eu vou ter que me arrumar porque a gente vai sair mais cedo.
- Pera aí, Evan? Que Evan? – Eu disse ignorando todo o contexto anterior só querendo saber o porquê ela pronunciou o nome “Evan”.
- Evan Chambers, da Omega Chi. Ele vai com a gente.
- Por que? – Me levantei ficando de frente pra ela, realmente intrigado.
- Ah... porque oras, bem o Bê disse que ele quer falar comigo depois do que aconteceu na festa das ZBZs e o Bê achou que o jantar de hoje iria ser bom.
- O que aconteceu na festa das ZBZs? – Levantei o tom da voz.
- , por que você quer saber isso? – Ela usou o mesmo tom.
- Aaaah, erm... – voltei ao tom normal – ah, sei lá... somos amigos agora certo? Amigos contam as coisas uns para os outros, não contam? Então eu quero saber o que aconteceu, oras.
Ela fez uma cara desconfiada, mas voltou a falar.
- Bom, eu e o Evan... ficamos. E não nos falamos mais depois disso, então acho que ele quer conversar comigo sobe isso e tal...
- VOCÊS O QUE?
- Que isso , porque você está gritando?
- VOCÊ BEIJOU O EVAN CHAMBERS ? VOCÊ BEIJOU O SER MAIS DESPREZÍVEL DO CAMPUS INTEIRO?
- Be...beijei, oras. E por que você está gritando? E ele não é o ser mais desprezível do campus se você quer saber.
Eu abri a boca, indignado. Eu ia falar, mas nada saiu. Fechei a boca, então eu abri de novo, mas nenhuma palavra saiu também.
Como assim ela beijou o Evan?
Ele é o cara mais nojento desse campus, e tudo que acontece de ruim na Kappa Tau é por causa dele, e agora a minha garota vem dizer que beijou ele? Como assim?
Pera ai, eu disse minha garota?
Eu quis dizer, minha PROFESSORA, é... foi isso o que eu quis dizer, mas acabei me enrolando com as palavras, acho que foi devido ao choque, não foi?
- Você não podia ter ficado com ele...
- Por que não?
- Como por que não? Porque ele não é uma pessoa boa, oras. Simples assim.
- Ah , desde quando você se importa comigo? Da um tempo ok? Foi só uma vez, não vai se repetir. Agora se você me der licença eu preciso me arrumar.
- Certo. – Peguei minha mochila e saí bufando.
Então é isso, eu passo a manhã inteira, e um pedaço da noite anterior também pensando nela, pensando em estudar com ela, e quando a hora realmente chega ela simplesmente me dispensa, sem nem em dar tchau, pra sair com um metido a gostosão – que já a beijou - e o amigo – que eu espero que não tenha a beijado.
Cara, por que eu estou bravo mesmo?
Eu não sei, não sei mesmo. Eu quero entender o porquê eu fiquei tão exaltado quando soube que a havia ficado com o Evan, e que ela ia sair com o Bê, e depois com o Evan também.
Cara, eu não estou afim dela, ou nada do tipo. Claro que não estou, até parece. Haha.
Então certo, por que isso me incomoda tanto?
Por que eu não paro de pensar nela? E por que eu quero a ver toda hora?
E por que a minha agenda do Garfield tem o nome dela escrito com corações em volta?
Ok, esquece essa parte da agenda do Garfield. É, eu não tenho isso, até parece. Sou homem e muito macho. Sou mesmo.
E por isso que eu tenho que jogar aquela agenda fora...
Argh! Por que depois que eu falo com ela eu fico tão bobo?
E por que eu não acho respostas pra nenhuma dessas perguntas?
Certo, como a havia pronunciado hoje sobre a frase daquele filósofo... quem era ele mesmo? Ah, não importa. Só sei que agora eu estava no mesmo barco que ele... eu só sei que nada sei.

12
Eu só queria que...

- ACOOOOOOORDEM! – Andy e Beaver invadiram meu dormitório.
- Que foi, porra? – acordou mal humorado.
- É hoje! – Andy disse com cara de psicopata – a nossa vingança será hoje. – MUAHAHAHAHA.
- Andy, larga de ser idiota – murmurei sem me levantar da cama.
- É Andy, esse posto é do . – disse levantando-se.
Idiota.
- Enfim, não se atrasem. Hoje as quatro todo mundo na casa ok? – Beaver disse me chacoalhando.
- Ai cacete! Pára Beaver!
- Levanta mulherzinha.
- Que plano é esse hein? – perguntou se interessando.
Poxa, será que era só eu que não estava dando a mínima pra plano de vingança contra a Omega Chi?
- Hoje, o Bip aquele candidato nerd irá invadir a Omega Chi e roubar a escultura do fundador da casa. Nós pegaremos e jogaremos em algum rio, ou pediremos uma fiança muito alta a ser paga, o que será mais engraçado. – Andy disse parecendo orgulhoso.
- E por que eles pagariam um preço alto por uma escultura de pedra?
- , idiota. Para aqueles engomadinhos da Omega Chi a escultura do fundador da casa é o bem mais valioso que eles possuem. Acho que até sacrificariam o tal do Chambers em troca dessa escultura. É como um deus pra eles ou algo do tipo. – Andy disse pegando um pacote de amendoim que havia sobre o meu criado mudo. MEUS amendoins. Não é só porque eu sou um candidato que os veteranos têm que abusar né?
- Certo. As quatro estarei lá. – disse.
- E você ? Vem né? – Ele disse cuspindo os restos de amendoim que estavam em sua boca.
- Não sei, eu tenho compromisso...
- , o que você faz toda a tarde que nunca está disponível? Você sabe que não pode abandonar a casa nem os seus irmãos de lá, ou se não você acabará não passando no final do ano.
- Ai ok Beaver. As quatro estarei lá certo? – Disse me levantando mal humorado.
Pra falar a verdade eu não estava nem um pouco a fim de entrar nessa de roubar a estátua, escultura de um fulano desconhecido. Eu só queria passar a tarde com..... livros de filosofia, é claro.

’s POV:

Após as aulas eu estava me dirigindo ao meu dormitório, mas fui interrompida por um Evan Chambers muito afobado parando na minha frente.
O jantar de ontem tinha sido muito divertido. Evan era um cara super legal, me pediu desculpas pelo transtorno da festa e ainda me agradeceu pelo conselho.
Eu sempre achei que ele fosse um mala metido a besta, afinal ele era um Chambers. Mas ele era tudo ao contrário do que eu cheguei a pensar. E era muito melhor. E sei lá, talvez pudéssemos até ser... amigos.
- , meus pais vieram falar comigo, eles querem uma espécie de reunião em família, eu estou nervoso. Acho que não vou.
- Evan, respira ok? Não vai por quê?
- Porque sei lá... eles podem querer fazer minha cabeça, não sei... eu já me decidi . Não quero ser como eles.
- Eu sei Evan, mas olha... você é corajoso. Não sei porque está com medo agora. Você já os enfrentou uma vez, se eles estão te chamando agora é porque querem propor uma coisa legal, e se você achar que não é isso que você quer, fala para eles mudarem de idéia, se não perderão um filho... e eu sei que eles não irão querer isso, ainda mais um filho como você. – Sorri sincera, mesmo conhecendo Evan há pouco tempo, eu sabia que ele era uma boa pessoa, e um rapaz especial. E poxa, ele bem que podia aceitar meu conselho logo e me deixar ir... eu preciso muito ir ao meu dormitório para ver... quer dizer, estudar. Ta, quero ver o também algum problema com isso?
Certo, por que eu quero ver o se eu sempre o odiei e o achei idiota? Pessoas mudam, não mudam?
Então, o mudou... não mudou?
Ele está mais engraçado, divertido... me escuta, conversa comigo e é tão bur... digo engraçado. E a sua burrice é até divertida vai.
E tudo bem que ele tem alguns, digo, vários defeitos. Mas quem não tem? E ele tem as manias fofas dele de enrugar o nariz quando não entende algo, ou de arregalar os olhos quando eu corro demais com a matéria, e ele sempre coça a cabeça e entorta a boca quando eu digo pra ele explicar o que eu havia dito. Essas manias o deixam tão... sei lá, não sei bem o que o deixam, mas eu gosto. Não que eu fiquei reparando nisso direto. Claro que não, até porque eu me concentro na matéria pra passar as coisas certas. E também não que eu vá pra a ala do dormitório dele só para vê-lo chegar das aulas com a mesma carinha cansada e tediosa de sempre. Até parece que eu faria isso, o ponto é... eu descobri um lado do que eu não conhecia e... pera aí, por que o Evan está me olhando com cara de tonto e não pára de mexer a boca?
- ? ? Você está me ouvindo?
- Ah, claro... Evan... desculpa eu estou com muita coisa na cabeça. – Tentei arrumar uma desculpa para não dizer “ah não, eu estou pensando em um garoto idiota enquanto você fala ai que nem um trouxa.” Ia ser muito chato da minha parte, e o Evan não mereceria isso. - Ah, certo... desculpa te aborrecer com isso de novo. Mas eu estava dizendo que gostei do que você disse, e vou tentar. Muito obrigado . – Evan deu um sorriso lindo e um beijo na minha bochecha, saiu correndo afobado. Com certeza iria resolver as coisas para a reunião da família. Boa sorte para ele então.

Cheguei ao meu dormitório e me surpreendi com sentado no chão, encostado na porta.
- ? – Não anta, o coelhinho da páscoa. Numa versão muito mais sexy devo admitir.
- Ah, oi . – Ele sorriu sem graça e se levantou. – Cheguei mais cedo hoje porque preciso resolver umas coisas na casa... espero que você não se importe.
- Não, claro que não, entra. – Eu disse abrindo a porta do dormitório. Até parece que eu iria me importar de ter a presença dele mais cedo. Haha, sou loser mais nem tanto né.
Cara, eu estou tão esquisita ultimamente com esses pensamentos. Até parece a Ash falando do . Na boa, aquela paixonite deles está me enjoando. E eu não estou apaixonada pelo , na-na-ni-na-não. Não pelo , por favor né. Tudo bem que ele é muito lindo, engraçado, fofo, esperto e... argh! Esquece , vamos estudar. Certo? Certo!

’s POV:

Eu e a mais conversávamos do que estudávamos. Essa era a pura verdade. Ela não havia me contado muito sobre o encontro com o Evan ontem à noite, e eu também não havia pedido muitas descrições. Só sei que como ela disse, eles estão amigos, só amigos! E saber disso já me bastava.
Eu já comentei que ela está super radiante? Ok, foi gay. Mas ela estava. O seu sorriso estava mais iluminado e ela estava mais alegre.
Acredita que em todo o tempo que eu praticamente vivi em sua casa nunca tinha visto essa menina sorrir?
Pois é, é verdade. Nunca. E que sorriso lindo ela tinha.
- Mentira! Vocês não vão fazer isso. – Ela abriu a boca quando eu contei sobre o que faríamos com os Omega Chi mais tarde.
- Vamos né, fazer o que... os caras estão realmente decididos.
- Não vai! – Ela segurou no meu braço – Erm... diga para o não ir também. – Ela soltou meu braço, e deu um sorriso sem graça.
- A gente não pode, a gente tem que cumprir essas tarefas como candidatos, senão não seremos aceitos no fim do ano.
- Mas , pode ser perigoso, vocês podem se meter em uma briga, ou se encrencar com a reitoria e...
- , relaxa ok? Está tudo sob controle. – Eu disse sorrindo, adorando aquela preocupação toda que ela estava tendo comigo. – Bom, eu preciso ir agora. – Eu disse e dei um sorrisinho.
Ela deu um sorriso aflito.
- Toma cuidado ok?
- Pode deixar. – Eu sorri sem graça, nós ficamos sem jeito na hora de nos despedir, então eu apenas dei um beijo em sua testa. E saí dali.

’s POV:
Nem preciso dizer que essa idéia de se meter com os Omega Chi não me agradou em nada. Eu não estava feliz em saber que poderia se meter em uma briga, e também é claro. Já pensou então se ele tomasse uma surra e desconfigurasse aquele rosto perfeito que ele tinha? Seria o fim.
Certo, eu estava exagerando já.
- Toma cuidado ok? – Falei antes que ele saísse.
- Pode deixar – ele deu um sorrisinho lindo, que fez meu coração quase furar o meu peito para saltar longe. Eu ia dar um beijo na bochecha como forma de despedida e ele parecia que ia também. Mas nos enrolamos indo para o mesmo lado, e parando antes que nossas bocas atingissem uma a outra. Ele então depositou um beijo de alguns segundos na minha testa. Eu fechei os olhos, apenas o sentindo. Uma sensação super estranha e diferente invadiu todo o meu corpo.
Abri os olhos assim que seus lábios se desgrudaram da minha testa, e ele partiu apenas deixando um beijo no ar.
O relógio já marcava nove e meia da noite. Eu fiquei a tarde inteira aflita, apenas pensando na merda que esses meninos estavam por fazer. Bem que dizem que meninos amadurecem mais tarde que meninas. Ninguém merece né?
Ainda mais aquela casa... a Kappa Tau. A maioria só pensava em cerveja e mulher, e foi praticamente por isso que entraram na faculdade.
Não que eu estivesse defendendo e , bom, eu estava mesmo vai. Mesmo sabendo que eles não eram muito diferentes dos outros.
Dei um salto assim que bateram na porta do meu dormitório, e saí correndo em disparada para abrir a porta. Mas acabei dando de cara com a última pessoa que eu esperasse que poderia estar ali.
- Evan?
- Oi , espero não estar aborrecendo.
- Não, imagina. Entra. – Dei passagem pra que ele entrasse. – Aconteceu alguma coisa? – perguntei fechando a porta.
- Não, não. É que... bem a reunião com meus pais é amanha né, eu estou meio nervoso. Não encontrei o Albert na casa, por isso vim aqui... eu precisava conversar com alguém.
- Ah, fico feliz que você conte comigo desse jeito. – Eu disse sincera, afinal meu currículo de amigos nunca foi dos melhores, não é mesmo?
Eu e Evan ficamos conversando sobre bobeiras por alguns minutos, já que ele estava tenso, então as bobeiras serviriam para aliviar um pouco.
Tomamos um imenso susto quando vários gritos, de vozes masculinas, adentraram ao dormitório.
Levantamos rapidamente da cama e corremos em direção à janela, olhar a vista lá embaixo, para ver o que acontecia.
- Ei, aqueles são os caras da casa! – Evan exclamou olhando para o lado direito onde várias componentes da Omega Chi corriam em direção aos outros, que vinham do lado oposto, e que de primeiro momento eu pude ter certeza que seriam os Kappa Tau.
Quando os dois grupos se encontraram começou uma verdadeira guerra eu poderia assim dizer.
Meu coração praticamente gelou.
- MAS O QUE ESSES IDIOTAS ESTÃO FAZENDO? – Evan se exaltou – Eu vou lá embaixo ver o que posso fazer. – Ele disse indo em direção a porta.
- Eu vou com você. – Disse me preocupando com o que poderia estar acontecendo com... bem, deixa pra lá.
- Não! Você está doida? Você tem que ficar aqui, ok?
- Mas Evan...
- Me promete que vai ficar aqui! – Ele se virou para mim, seu tom era sério. Eu apenas concordei, Evan havia se estressado demais, eu não iria contrariá-lo. – Mas e você? O que pode fazer sozinho?
- Não sei, vou procurar alguém, algum jeito... eu me viro ok? Só não saia daqui. – Ele rapidamente seguiu para o corredor e sumiu da minha vista.
Voltei para a janela, mas eu não conseguia ver mais nada. Só ouvia os gritos e barulhos. Provavelmente eles haviam se movido para trás das árvores no meio da briga, impossibilitando com que eu visse alguma coisa.
Fiquei por um bom tempo assim, aflita, andando de um lado para o outro do dormitório, sem conseguir pensar em nada, sem conseguir me focar em nada, sem conseguir parar de pensar em...
Olhei rapidamente para a porta assim que ouvi toques ansiosos batendo. Corri para abrir, e a figura de , parado a minha frente, com um enorme machucado na testa e com o nariz sangrando fez com que meu coração disparasse mais ainda, e fazendo com que eu quase perdesse todos os meus sentidos.

’s POV:

- Ai, ai... isso arde. – Exclamei para que agora colocava um pano com gelo sobre o meu nariz, enquanto eu segurava outro em minha testa.
Não sei porque eu decorri à ela depois das surras que havia levado. Talvez porque o seu dormitório estivesse bem próximo de onde eu estava, ou talvez porque eu queria vê-la mesmo. Talvez a dor amenizasse só por eu vê-la sorrir pra mim, brega eu sei. Mas era realmente o que eu estava sentindo.
- , eu falei pra você tomar cuidado não falei? Por que foi se meter nisso hein? Olha só como você está, poderia estar pior e...
Ela começou a falar, mas eu não prestei muita atenção. A única coisa que eu estava realmente ligado era em como nós estávamos bem próximos, agora que ela cuidava do meu nariz, e de como a boca dela se mexia de uma maneira bem... provocante enquanto ela falava toda preocupada.
Ela então apoiou uma mão em meu rosto, enquanto com a outra ainda passava o pano sobre a ferida. Seu toque calmo e quente me fez sair de órbita por alguns segundos, e fazendo com que meu desejo de nos aproximar ainda mais aumentasse.
- Você sabia que isso poderia ter sido pior, não sabia? – Ela continuou com o seu sermão, mas eu não estava prestando atenção. Não agora.
Em um passe involuntário deixei com que o pano que eu segurava sobre a testa caísse no chão, segurei a mão de que cuidava de meu ferimento no nariz, a aproximando ainda mais de mim, selando assim, delicadamente, os nossos lábios. Ela apoiou suas mãos em minha nunca, e retribuiu ao beijo, e assim nós ficamos nos beijando, daquela forma que eu estava sonhando há dias.

Continua...

N/a: Oláááá leitoras lindas! *__*
Hoje eu tenho tanta coisa pra falar que nem sei por onde começar... aeuhaeua
Primeiramente... não me matem pela demora de att! Agora que começaram as aulas eu comcecei a entrar menos e sempre que entrava ficava betando só... MIL desculpas! :(
Eu espero de coração que essa att possa recuperar o atraso, por favor digam que valeu a pena? *-* haha.
Bom, em segundo lugar eu vi ali um comentário da Mariane que disse que lia a fic com o Jensen. Jensen Ackles? Ui, uii hein! haha! E adorei como vc o chamou "bebado burro de plutão" aeuhaeuhaehua.
E por causa disso eu fiquei curiosa... meninas, quem é o bêbado burro de plutão de vcs?
Me digam ai que eu quero imaginar como é o personagem principal sem ser o que eu escrevo. Digam aí se é Mcguy, outra banda, atores, enfim... quero mto saber!
E terceiro... os agradecimentos! *-*
Primeiramente, MUITO obrigada à todas vcs que comentam, me elogiam e me incentivam cada vez mais. Muito obrigada a quem me chamou de diva como beta e escritora, principalmente nos coments da fic "Must Be a Dream", muito obrigada mesmo, o que eu tenho a dizer é que divas são vcs, pq se não fossem por leitoras lindas como vcs, nós e nossas fics não seríamos nada certo?
Quero agradecer às meninas que fizeram a sessão como chama a Kakis de "We Love Silver" na tag, foi um momento liiindo, que eu fiquei mto emocionada e nao esquecerei! *-* E anunciarei a fic de vcs logo embaixo da n/a! *-*
Obrigada a quem me desejou boa sorte na facuuul, está sendo demais lá! *-*
Obrigada também ao meu amigo Thiago que me ajudou com a música para eu me inspirar a colocar o final do capítulo , pq se não fosse por ele esse clima não ia rolar. Obrigada Thiaguiiinho lindo do meu (L, te amo e vc sabe. E ah gatas, se alguém tiver interessada em um moreno, alto, bonito e sensual -q, podem me dizer que eu passo o email dele tá? UHAHUAEU
Agradecer tbm a minha irmãzinha Mari que tem apenas 12 aninhos (sim gente pra mim ela ainda é um bebê) e lê a fic, e vive me matando pra eu postar a att logo, e que nao me expulsa do pc qndo o assunto é Hochschule! haha!
Enfim, acho que é isso.. vou parar por aqui antes que a n/a fique maior que a att! haha!
Mais uma vez MUITO OBRIGADA à todas vcs que estão lendo isso! Vcs são demais! *-*
Beeeeijos!

Superindico:

Must Be a Dream - da Kakis em McFLY/Aandamento
Made for Each Other - Da Gi e da Brigs em McFLY/Andamento
Now you're in, you can't get out da Lary em McFLY/Andamento
7 things about you - Da Miih em McFLY/Andamento
Dance Inside - Da Raay C. em McFLY/Andamento.

Mil desculpas pela falta de link, mas é que eu to apressadíssima pq preciso correr! aeuhaeuaehua
E pra quem pediu contato, na prox. att eu passo tá? Pq to sem tempo pra passar links e afins...
xoxo, Silver