Hey, Juliet

Autora: Lih~NG
Beta-Reader: Brille


Prólogo

NA: Para melhor leitura do prólogo, deixe essa música tocando ao fundo: http://www.4shared.com/video/G4M6lmX9/Hey_Juliet__II__-_Always.html

ouvia a rádio com os olhos fechados, deitado em sua cama. Pensava em como sua vida costumava ser e no que havia se tornado, em como havia amadurecido em tão pouco tempo. Estava acostumado a ser um garoto bobo, inconseqüente e imaturo, mas desde que algumas coisas aconteceram entre ele e , havia se transformado. Ele havia aprendido a amar, a se importar com alguém e, principalmente, aprendera que tudo tem conseqüências, além de descobrir a angústia de perder alguém tão essencial.

This Romeo is bleeding
(Esse Romeu está sangrando)
But you can't see his blood
(Mas você não pode ver seu sangue)
It's nothing but some feelings
(Não é nada além de alguns sentimentos)
That this old dog kicked up
(Que esse velho sujeito jogou fora)

It's been raining since you left me
(Está chovendo desde que você me deixou)
Now I'm drowning in the flood
(Agora eu estou me afogando no dilúvio)
You see I've always been a fighter
(Você sabe que eu sempre fui um lutador)
But without you I give up
(Mas sem você eu desisto)

Now I can't sing a love song
(Agora eu não posso cantar uma canção de amor)
Like the way it's meant to be
(Da maneira como deve ser feita)
Well I guess I'm not that good anymore
(Bem, eu acho que não sou mais tão bom)
But baby that's just me
(Mas, querida, sou apenas eu)

And I will love you baby always
(E eu vou te amar, querida, sempre)
And I'll be there forever and a day always
(E eu estarei aqui pela eternidade, sempre)
I'll be there till the stars don't shine
(Eu estarei aqui até que as estrelas não brilhem)
Till the heavens burst and the words don't rhyme
(Até que os céus explodam e as palavras não rimem)
And I know when I die you'll be on my mind
(E eu sei que quando eu morrer, você estará na minha mente)
And I'll love you always
(E eu vou te amar sempre)

Ele sentiu seu coração palpitar mais forte quando o celular vibrou em sua mão, mas uma enorme sensação de frustração o invadiu ao ver que era apenas um sinal de que a bateria quase se descarregava. não havia recebido nenhuma notícia sobre o que acontecera a , desde que a garota saíra com Jonathan no final do teatro. Não entendia o que estava acontecendo, havia acabado de se declarar em frente toda a escola e quando finalmente acreditou que eles ficariam juntos, ela simplesmente foi embora com outro. De fato, se sentia muito mais aliviado por ter deixado claro os seus sentimentos, mas, por outro lado, sentia medo por estar tão vulnerável...

Now your pictures that you left behind
(Agora as fotos que você deixou para trás)
Are just memories of a different life
(São apenas lembranças de uma vida diferente)
Some that made us laugh
(Algumas que nos fizeram rir)
Some that made us cry
(Algumas que nos fizeram chorar)
One that made you have to say goodbye
(Uma delas que fez você ter que dizer adeus)

What I'd give to run my fingers through your hair
(O que eu não daria para correr meus dedos por seus cabelos)
To touch your lips to hold you near
(Para tocar seus lábios, te abraçar forte)
When you say your prayers try to understand
(Quando você diz suas preces, tente entender)
I've made mistakes I'm just a man
(Eu cometi erros, eu sou apenas um homem)

When he holds you close
(Quando ele te abraça apertado)
When he pulls you near
(Quando ele te puxa para perto)
When he says the words
(Quando ele diz as palavras)
You've been needing to hear
(Que você estava precisando ouvir)
I wish I was him cause these words are mine
(Eu queria ser ele, porque essas palavras são minhas)
To say to you till the end of time
(Para dizer a você até o fim dos tempos)

And I will love you baby always
(E eu vou te amar, querida, sempre)
And I'll be there forever and a day always
(E eu vou estar aqui pela eternidade, sempre)
If you told me to cry for you I could
(Se você me dissesse para chorar por você, eu poderia)
If you told me to die for you I would
(Se você me dissesse para morrer por você, eu morreria)
Take a look at my face
(Olhe em meu rosto)
There's no price I won't pay
(Não há um preço que eu não pagaria)
To say these words to you
(Para dizer estas palavras a você)

encarou seu celular e digitou algumas palavras inúteis em uma mensagem, a qual ele tinha certeza que não mandaria a ninguém. Seus olhos se encheram d’água por um instante e ele os fechou fortemente, para evitar que mais lágrimas se formassem. Por que se sentia daquela forma? Ele precisava achar um jeito de melhorar aquela situação...
Continuou encarando seu celular sem saber o que fazer. Ele queria ter coragem para ligar para a garota e dizer tudo que estava preso em sua garganta, pedir explicações, mas tudo o que conseguiu foi trazer mais angústia para seu coração.

Well there ain't no luck in this loaded dice
(Bem, não há sorte nesses dados viciados)
But baby if you give me just one more try
(Mas, querida, se você me desse apenas mais uma chance)
We can pack up our old dreams and our old lives
(Nós podemos refazer nossos velhos sonhos e nossas velhas vidas)
We'll find a place where the sun still shines
(Nós vamos achar um lugar onde o sol ainda brilhe)

ouviu a campainha tocar e se levantou devagar, estava quase certo de que seria procurando por algo que havia perdido, como sempre. Caminhou até a porta trajando apenas uma calça de moletom e meias. A campainha tocou novamente e ele sentiu seu coração subir-lhe à garganta ao ver parada na porta, com o olhar assustado, logo que a abriu.
Ele tentou dizer alguma coisa, mas, além de não conseguir fazer sua voz sair, não sabia quais palavras deveria usar. Os dois ficaram se encarando por longos segundos até que ela se pronunciou – e sua voz soou como um canto de pássaros aos ouvidos do garoto:
- Que tal você parar de me olhar como um bobo e fazer logo o que já deveria ter feito há muito tempo?
Então pôs uma mão na nuca de e puxou seu rosto para perto do dele, juntando seus lábios. Um pouco desnorteado, o garoto fechou a porta com o pé direito enquanto a puxava para dentro da casa e a apertava contra seu corpo. Os dois se beijavam ardentemente enquanto caminhavam até o sofá. Ao chegarem lá, derrubou-o deitado e se sentou em sua cintura. Em seguida, ela tirou sua blusa, ficando apenas de sutiã. passeou seus olhos pelo busto da garota, com um sorriso safado no rosto. Ele levantou seu tronco para alcançar novamente os lábios de e enfiou uma mão por seus cabelos, os puxando de leve, enquanto mordia seu lábio inferior e sentia que ela arranhava seus braços. O garoto desceu uma mão pelas costas dela e então algo vibrando o assustou.
Com o coração acelerado, abriu os olhos e percebeu que havia adormecido. Respirou fundo, um pouco decepcionado ao ver que tudo aquilo não passara de um mísero sonho. O celular continuava a vibrar em sua mão, avisando que poderia se descarregar a qualquer momento. Ele apenas jogou o aparelho para longe de si, enquanto se virava de lado, desligava o rádio e deixava que o sono tomasse conta de seu corpo.

Capítulo I

- Bom dia, flor do dia! – disse com uma voz afeminada enquanto entrava no quarto de , sem ao menos bater na porta antes. – O sol já está raiando. – Levantou os braços e caminhou até a janela, onde começou a abrir as cortinas e notou que o garoto se remexia na cama e colocava uma mão em frente ao rosto.
- Me deixa em paz, seu gay! – disse sonolento, virando-se para o lado contrário ao da janela. pulou em cima da cama e começou a abraçá-lo.
- Amor, acorda! – insistiu afinando ainda mais sua voz, mas acabou mudando de idéia quando um soco acertou sua barriga, o fazendo se encolher. – Porra, que mau humor!
- Duvido que se você passasse uma noite inteira pensando na mesma coisa, que não fosse sexo e, quando finalmente conseguisse dormir um pouco, um idiota te acordasse, você também não estaria mal humorado – respondeu ainda de olhos fechados e sentiu que saía da cama.
- Tudo bem. Então vou avisar ao motivo da sua insônia que você não quer ser acordado – o garoto disse, se colocando de pé ao lado da cama de , notando em seguida que ele abrira os olhos e o encarava com a testa franzida. – Ela tá na cozinha, batendo altos papos com a sua mãe... Por falar nisso, fui convidado para almoçar aqui.
- Espera... – disse, se sentando na cama e coçando a cabeça. – ... aqui... Eu tô sonhando de novo?
- Você sonha comigo? – fez uma careta, enquanto o amigo coçava os olhos. – Depois eu que sou o gay!
Então, uma risada feminina ecoando pela casa fez o coração de dar um pulo, e em um instante ele já estava de pé.
- Ela tá aí mesmo?
não respondeu, apenas rolou os olhos enquanto via o amigo correr até o banheiro para fazer sua higiene matinal. O coração de começou a bater descontroladamente em seu peito e várias coisas passaram por sua cabeça. Ela não havia aparecido como em seu sonho, mas era igualmente emocionante saber que ela estava ali.
- Não a deixe ir embora! – gritou ao amigo, derrubando algumas coisas no chão, devido ao seu nervosismo e a correria para não deixá-la esperando.
- Então não demora, sua mulherzinha! – falou e se retirou do quarto para impedir que decidisse ir embora, apesar de que, no meio do caminho, ir jogar vídeo-game lhe pareceu uma idéia melhor.
tentou pensar em várias coisas para dizer enquanto se arrumava, mas nada lhe parecia bom suficiente. Ele queria perguntar a ela o que havia acontecido, precisava de explicações, mas, por outro lado, o simples fato de saber que ela estava bem – e estava ali esperando por ele – já deixava em seu peito uma sensação de alívio inexplicável.
Trocou de roupa, colocando uma camisa xadrez e uma bermuda jeans. Respirou fundo duas vezes antes de sair do quarto e começar a caminhar, meio automaticamente, até a cozinha. Desceu as escadas com pressa, mas cuidando para não tropeçar em nada, enquanto sua mente tentava chegar ao cômodo antes mesmo que seu corpo.
A cada passo que dava, mais forte sentia a presença de . sentiu seu coração subir-lhe à garganta ao ouvir a voz da garota ecoando novamente pela casa. Deteve seus passos a alguns centímetros da porta, respirou fundo, tentando manter-se calmo e, ao arriscar dar o primeiro passo para dentro da cozinha, foi surpreendido pelos olhos de , que miravam em sua direção, enquanto ela caminhava para fora dali.
Ela também deteve seus passos ao se deparar com , e ambos permaneceram se encarando em silêncio, com o coração batendo tão forte que quase podia ser ouvido.
Fazia apenas algumas horas desde a última vez que haviam se visto, mas aquele momento parecera tão distante para ambos, que enquanto se encaravam tinham a sensação de que havia se passado anos. Era como se estivessem se reencontrando após uma longa viagem. E nenhum conseguia pronunciar a primeira palavra.
Então, após alguns segundos, o som agudo da campainha soou e os dois desviaram seus olhos para o chão, sentindo-se um pouco sem jeito.
- , abra a porta, por favor! – a mãe de gritou para o garoto, que jogava vídeo-game na sala de estar, e este fora reclamando atender a seu pedido, pois acabaria perdendo a partida. Foi só então notou a presença da mulher ali e ela sorriu ao vê-lo parado na porta. - Deve ser e , eu os convidei para almoçar aqui, já que você não quis sair ontem depois da peça – ela disse. – Espero que não se importe de eu ter tomado a liberdade de ligar para eles... A propósito, olha que surpresa boa... – Apontou na direção de . – Já quase me esquecia do quanto ela é divertida. – Sorriu e fez o mesmo involuntariamente. apenas sentiu suas bochechas se corarem, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, três garotos famintos invadiram a cozinha.
- Tia! ! – entrou gritando com um sorriso enorme. – E... ?
- ?! – repetiu ao entrar na cozinha, arqueando uma sobrancelha. A garota o encarou com um sorriso amarelo. – Onde você estava ontem? E o que tá fazendo aqui?
- Isso é jeito de falar com a sua prima, menino? – a mãe de se intrometeu na conversa, enquanto tirava uma lasanha enorme do forno. – Ela veio me visitar e é muito bem-vinda aqui. – Deixou a comida na mesa e sorriu docemente para a garota, que retribuiu o sorriso.
- Não estou dizendo que não seja, tia - se explicou . – Eu só não a esperava aqui, principalmente depois de ter desaparecido ontem com...
- ! – o interrompeu, o repreendendo antes que ele começasse a falar mais do que deveria. – Nós conversamos sobre isso depois. – Ela o fuzilou com o olhar e depois percebeu que seria difícil se justificar ali na frente de todos. - Acho melhor eu ir agora. Bom almoço para vocês.
Assim que pronunciou aquelas palavras, voltou a abaixar a cabeça e continuou seu trajeto para fora da cozinha. Evitou encontrar o olhar de no meio do caminho, mas foi inevitável não parar ao sentir que ele segurava sua mão.
- Espera... – sussurrou. – Eu quero você aqui, quero conversar. Não acredito que você tenha vindo pra falar com a minha mãe.
- Nem pensar, você não vai embora! – a mãe de se intrometeu mais uma vez, assim que terminou de arrumar a mesa do almoço.
rolou os olhos e se segurou para não gritar com sua mãe. Quando ele finalmente resolvera dizer algo, fora interrompido por ela e isso o irritava extremamente.
- Mãe...
- Vamos almoçar, sentem-se! Deixem a conversa para mais tarde.
- Obrigada, senhora , eu adoro sua comida. – sorriu e esperou que soltasse sua mão para se dirigir ao lugar que a mulher lhe indicava, bem ao lado de onde ele provavelmente se sentaria. Talvez fosse mesmo melhor esperar, já que ela não poderia perder tempo e muito provavelmente não criaria coragem para voltar ali mais tarde, caso fosse embora naquele momento.
se sentou à sua frente e a fuzilou com o olhar a cada minuto. e aproveitaram para tratar de assuntos banais. O almoço se iniciou apenas com o som das vozes dos dois garotos, mas logo eles se calaram e todos ficaram em um silêncio desconfortável e constrangedor.
Por diversas vezes durante a refeição chutara a canela de , fazendo com que ela quase se engasgasse. Em seguida ele a encarava, tentando a repreender pelo olhar. Na tentativa de fugir do primo, se deparava com o olhar pesado de sobre ela. E então, o som dos talheres sendo batidos contra o prato, sendo a única coisa que podia ser ouvida ali, começou a soar bastante irritante para todos.
- Ok, chega! – falou alto, enquanto deixava seus talheres no prato, fazendo com que todos o encarassem. – Vamos lá dentro conversar, .
- , meu filho, seja o que for que esteja acontecendo, eu tenho certeza que pode esperar até que ela termine o almoço – a senhora falou, já percebendo que algo não estava normal naquele ambiente.
- Está tudo bem, Sra. . Eu já estou satisfeita – disse, sentindo seu coração começar a bater em ritmo desordenado. Limpou sua boca com um guardanapo e, em seguida, se levantou para seguir o garoto até a sala de estar.
e tentaram agir normalmente e fingir que não estavam curiosos com a conversa, mas não conseguiu fazer o mesmo. O garoto deixou seus talheres no prato e, anunciando que havia perdido o apetite, se levantou para seguir o casal. Mas ele foi impedido pela mão de segurando seu braço.
- É um assunto dos dois, deixe que eles resolvam.
- Não, ela é minha prima. Eu também preciso saber o que aconteceu... – ele se justificou e rolou os olhos.
- Para de bancar o super protetor, ela já é bem grandinha e tenho certeza de que nada disso é da sua conta.
A mãe de se manteve em silêncio enquanto terminava sua refeição, notando que sua idéia de fazer um almoço comemorativo havia se desfeito. Sendo o que fosse que houvesse acontecido, os garotos pareciam mais preocupados com a tal conversa do que se a comida tinha sal suficiente.
- Por que você fez aquilo ontem, ? – começou a falar, sem mais rodeios, assim que os dois chegaram à sala e se certificaram de que ninguém os havia seguido.
- Me desculpa, ... O Jonathan me pegou de surpresa e eu fiquei sem ter como falar com você antes de sair. Ele se meteu em uma confusão e eu precisei encontrar uma forma de ajudá-lo – ela tentava se explicar, mas a interrompeu.
– Eu preparei a droga de uma surpresa para você, me declarei em frente a toda a escola e você foi embora com o Jonathan? Logo com ele? Você poderia ter chegado e me falado que não gostou e que não quer mais nada comigo, mas me deixar com cara de idiota em cima do palco enquanto saía com o Jonathan foi estúpido.
- Ele tava pedindo minha ajuda, ! Você viu como ele estava? Eu não poderia virar as costas simplesmente para ir comemorar com você.
- Ele é um marginal! Vai estar sempre se quebrando e não é você que tem que socorrer.
- Não fala assim dele, você mal o conhece! – semicerrou os olhos e viu que parecia bastante irritado.
- Está vendo? Você foi embora porque quis, porque gosta dele.
- Isso não tem lógica. Ajudar uma pessoa é sinônimo de estar apaixonada por ela?
- Quem tá falando de paixão aqui é você... – falou convicto e abriu um sorriso incrédulo. – Aliás, se você apenas saiu para ajudá-lo, por que não pôde me dar um telefonema após se certificar de que ele estava devidamente “protegido”? Se realmente se importasse, você pensaria que eu estava preocupado, sem conseguir pregar os olhos durante toda a maldita noite!
- Eu... Eu nem pensei nisso. Me desculpa, ... – ela falou, parecendo realmente arrependida por não ter ligado para ele. – Mas eu estou aqui agora, não estou?
- Pois é, o que você está fazendo aqui? – questionou, cruzando os braços fortemente contra o peito, sentindo a veia de seu pescoço se enrijecendo.
Ele não podia acreditar que estava falando daquela forma com ela já que, há menos de uma hora, tudo o que mais queria era apenas vê-la. Porém, não conseguia pensar em outra maneira para tratar daquele assunto, já que realmente o magoara.
- Eu vim pedir sua ajuda... Eu agradeço pelas coisas que você fez ontem, mas eu não sei ignorar quando alguém precisa de mim. Eu me sentiria muito mal em negar uma ajuda a quem quer que fosse... – começou a dizer, encarando seus pés. – Estão querendo matar o Jonathan e eu não sei o que fazer. Pensei que talvez você soubesse de uma maneira de tirá-lo daqui o mais rápido possível. E, de preferência, antes que minha mãe o encontre lá em casa.
- O quê? – perguntou boquiaberto. – Você ta dizendo que aquele drogado tá na sua casa? Você é mais tapada do que eu pensava!
- Para de falar assim comigo...
- Esquece! Eu não vou ajudar o Jonathan. Não acredito que você veio até aqui para isso... Eu quero mesmo que ele morra, só estariam me fazendo um favor caso conseguissem.
- Cala a boca! Você tá ouvindo o que está dizendo? Para de ser egoísta, isso é ridículo! – disse nervosa, não podendo acreditar nas coisas que ouvia.
- Ridículo é você não perceber em que tá se metendo. Esquece, . Eu não vou ajudar.
- Ótimo! Nem sei mesmo porque perdi meu tempo, é obvio que você não iria ajudar, já que não se importa com ninguém além de você mesmo – gritou e respirou fundo antes de virar as costas para e ir embora dali o mais rápido possível.

- Bolton?
- Muito pequena, fácil de me acharem...
- Essex?
- A maioria dos caras que eu conheço é de lá. Com certeza me procurariam ali...
- Eles vão mesmo atrás de você?
- Quando eles querem, vão até ao inferno atrás de alguém.
e Jonathan estavam sentados no chão do quarto da garota com um mapa do Reino Unido aberto à sua frente, decidindo uma cidade onde ele pudesse se esconder. Ela havia acabado de retornar da casa de , embora não tivesse dito a Jonathan onde estivera. Sentia-se encurralada e seu cérebro não parecia colaborar com nenhuma boa idéia.
Na noite anterior, assim que haviam chegado à sua casa, cuidara dos ferimentos de Jonathan, já que ele se negava a ir ao hospital. Depois de completamente cuidado, o garoto passou a noite no tapete de seu quarto, pois não podia sair dali, ou teria que dar boas explicações aos pais dela. E agora, já acordados, tentavam encontrar uma maneira de proteger Jonathan de seus assassinos.
- Já sei! Paris!- falou esperançosa, apontando para a beirada do mapa, que começava a mostrar a França, mas Jonathan logo a fez mudar de idéia.
- Se eu tivesse dinheiro para me manter na França, não estaria devendo a ninguém.
- Isso! É obvio! Arranjamos o dinheiro e você os paga. Como não pensamos nisso antes? – deu um tapa em sua própria testa, sentindo uma pequena esperança começar a crescer em seu peito. – De quanto você precisa?
- Mil libras.
- O que?! – ela gritou, com os olhos arregalados, e logo tampou sua boca com as mãos. – Mil libras? Meu Deus!
- É por isso que eu tô devendo. Se fosse mais barato, eu já teria procurado uma maneira de pagar...
Jonathan franziu a boca de lado e se levantou enquanto voltava a perder suas esperanças. O garoto se sentou na beirada de sua cama e ela se deitou no chão, de barriga pra cima. Ambos ficaram em silêncio, buscando idéias e tentando lutar contra o relógio.
- Eu tô ferrado, . Eles vão me matar. É melhor eu sair daqui antes que te envolvam nisso – Jonathan voltou a falar, com a voz levemente apagada.
- Nem pense que eu vou te abandonar agora, John. Nós vamos dar um jeito nisso. – voltou a se sentar no chão e o encarou. – Mas eu quero que você me prometa algo: quando essa confusão acabar, você vai parar de mexer com essas porcarias e de se envolver com esse pessoal – pediu.
Sem dizer nada, Jonathan concordou sacudindo a cabeça. abriu um amplo sorriso em resposta e se levantou para, em seguida, se sentar ao lado dele e o abraçar fortemente.
- Obrigado pelo que você tem feito por mim – ele agradeceu e segurou o rosto dela entre suas mãos, para poder olhá-la nos olhos. - Você é perfeita, , completamente perfeita.
sorriu delicadamente e antes que pudesse responder alguma coisa, sentiu os lábios quentes de Jonathan pressionando os seus. Seu coração deu uma palpitada forte e, ao perceber que o garoto pretendia aprofundar o beijo, ela colocou as mãos em seu peito e o empurrou devagar.
- Jonathan, por favor, não vamos confundir as coisas... Eu gosto muito de você, mas não vai além de amizade e você sabe disso.
- Você tá falando por causa do , não é?
- Não, eu estou falando porque é o que eu sinto, me desculpa. – voltou a se levantar e Jonathan tomou a liberdade de deixar seu corpo cair deitado na cama.
A garota então começou a andar de um lado para o outro, tentando não deixar um clima ruim ficar entre os dois e pensar em algo que fosse realmente eficaz, embora naquele momento a única coisa que tinha em mente era a tremenda confusão que seus relacionamentos traziam para sua vida.
Uma lembrança da noite anterior, do que fizera para ela, voltou à sua memória, fazendo com que ela abrisse um leve sorriso. Ele havia realmente se declarado em frente a vários alunos, havia preparado uma linda surpresa. Não era para ter dado tudo tão errado, aquela não era sua vontade. Mas o que poderia fazer se precisavam dela naquele momento?
Por um instante se sentiu burra, como se não conseguisse fazer nada direito em sua vida. Esse pensamento fez com que ela se lembrasse de tudo que havia acontecido nos últimos meses. Chegava a ser engraçada a forma como era tudo tão diferente se comparasse como era sua vida antes daquela festa, como ficou durante sua briga com e como estava após tudo ter sido esclarecido. Mas o que era mais impressionante era que, mesmo com todos os problemas que enfrentaram, o sentimento que tinha no fundo de seu peito por ele continuava intacto. Era aquele amor de melhor-amigo, aquele amor de primeiro-amor.
De repente, sua mente se desviou para Jonathan. O garoto lindo e inconseqüente que estava deitado em sua cama naquele momento. Antes ele era apenas um mero desconhecido que a encarava nos corredores da escola, mas então, tão rapidamente, ele se tornou uma pessoa importante em sua vida, embora ela não soubesse explicar o porquê. Mesmo com todos os seus problemas, mesmo se metendo sempre em confusões, ele estava sempre onde e quando ela precisava e, de uma maneira ou outra, a fazia se sentir mais confortável. Talvez esse conforto fosse o seu porquê..
- Vocês vão namorar? – Jonathan perguntou, de repente, fazendo os pensamentos da cabeça de se esfumaçarem. Ela parou e o olhou com a testa franzida. – Você e o ... Vão namorar?
- Eu... Eu não sei, John – respondeu um pouco indecisa, aquilo não era algo que cabia somente a ela e, depois da discussão que havia acabado de acontecer entre os dois, era ainda mais difícil responder.
- , você é muito pra ele. Não estou querendo te influenciar, mas ele nunca te apóia em nada, nunca te faz se sentir melhor... – Jonathan falou, se sentando na cama.
- Você não o conheceu ano passado. Muita coisa aconteceu com a gente depois, é obvio que não seria o mesmo... Não por enquanto, pelo menos. – Deu de ombros e continuou a caminhar por seu quarto, percebendo que Jonathan não estenderia mais o assunto.
Já começava a se perder em seus pensamentos novamente quando o barulho de uma buzina fez com que ela detivesse seus passos mais uma vez. Foi até a sua janela, sem muito entusiasmo, mas sentiu seu coração enlouquecer ao reconhecer o carro ali estacionado e a pessoa que saía de seu interior naquele momento.
- É o ! – exclamou com um enorme sorriso no rosto e sequer olhou novamente para Jonathan antes de sair correndo para fora do quarto.
desceu as escadas rapidamente e abriu a porta da frente antes mesmo que o garoto alcançasse a campainha.
- ! – ela gritou animada e, sem conseguir se controlar, pulou no pescoço do garoto e o abraçou forte.
- Ei, respondeu, sorrindo ao notar a empolgação da garota ao vê-lo ali e devolvendo o abraço. – Cadê ele? – perguntou, um pouco ressabiado, olhando para dentro da casa. então o soltou.
- Jonathan? Tá... Tá lá em cima, no meu quarto – respondeu um pouco gaguejante, pois não esperava que ele perguntasse logo sobre o garoto.
- Eu peguei o carro do meu pai, aonde vocês querem ir?
- Você tá falando sério, ? Você vai ajudar a gente? – questionou com um enorme sorriso no rosto e ele afirmou com a cabeça.
- Mas eu estou fazendo isso por você e sua teimosia, não pense que eu tenho alguma simpatia por ele... – se defendeu e logo entrou na casa, ao ver que o dava passagem.
- Orgulhoso! – ela disse, implicando.
- Linda! – ele respondeu, a desarmando completamente.
fechou a porta assim que entrou, mantendo um enorme sorriso em seu rosto. Mal podia acreditar que ele estava realmente fazendo aquilo.
- Aonde vocês querem ir? – repetiu a pergunta.
- Esse é o problema... Não conseguimos pensar em nenhum lugar que seja bom. – franziu a boca e coçou a cabeça.
- Bolton?
- Muito pequeno e fácil de o encontrarem – ela repetiu o que Jonathan dissera anteriormente.
- Então vamos a Aberdeen, lá é grande e longe suficiente, e eu conheço o caminho.
- Perfeito! – sorriu e logo o abraçou novamente. – Obrigada, de verdade.

Capítulo II

A estrada estava escura, iluminada apenas pelos faróis dos carros e a luz da lua. A brisa gelada, o cheiro do mato do acostamento e o barulho dos grilos entravam pela janela do carro do pai de . Dentro dele, dormia no banco do carona e Jonathan fazia o mesmo esticado na traseira, enquanto tentava ignorar a exaustão e concluir a viagem.
Se remexendo um pouco, resmungou e abriu os olhos. Franziu a testa ao notar que não conseguia enxergar nada além de estrada à sua frente e logo bocejou, desviando em seguida seu olhar para o garoto ao seu lado.
- Tá chegando? – perguntou se espreguiçando e esperando que ele respondesse positivamente. Sentia-se bastante cansada e precisava esticar um pouco as pernas. - Não quer descansar, ? Você deve estar exausto. – o olhou atenciosa e notou que ele mantinha os olhos fixos na estrada e as mãos presas no volante.
- Não precisa, daqui a pouco a gente chega – ele respondeu baixo, demonstrando cansaço até mesmo em sua voz.
concordou com a cabeça e fez um carinho nos cabelos do garoto antes de desviar sua atenção para a janela. Notou que mais à frente havia um carro estacionado perto de uma espécie de depósito e que alguns jovens desciam animados. Por alguma razão, ela pensou que poderiam seguir o exemplo deles e fazerem uma parada, pois já se preocupava com .
- Tem um pessoal ali. Tem certeza que não quer parar um pouco?
- Eu tô bem, . – O garoto desviou um pouco os olhos da estrada e a encarou sorrindo.
- Não me olha! Minha cara ta toda amassada – reclamou tampando o rosto com as mãos e gargalhou, voltando a prestar atenção na estrada.
- Tá fazendo isso só pra ganhar elogio... Tudo bem, eu não me importo de falar, você é linda de qualquer jeito. – Ele a olhou e riu novamente e as bochechas dela adquiriram um leve tom rosado. – Cara, eu ainda nem acredito que seus pais confiaram em deixar você viajar comigo. – Tirou uma mão do volante e a depositou sobre a perna de .
- Eles me surpreendem às vezes. – Ela sorriu e colocou uma mão sobre a dele, entrelaçando seus dedos.
Os dois voltaram a ficar em silêncio, mas o sorriso não saiu do rosto de enquanto ela observava novamente a estrada. O simples fato de estar ali no carro com e ter sua mão junto à dele causavam um frio enorme em sua barriga. Apesar de todas as confusões e de o motivo da viagem não ser bom, ela queria aproveitar ao máximo aquele tempo ao lado do garoto que fazia seu coração bater mais forte.
Suas mãos ficaram juntas por um bom tempo, mas ao se aproximar uma curva, teve que se soltar dela e segurar o volante. aproveitou aquele momento para ligar o rádio e quebrar aquele silêncio, que não a incomodava, mas também não a agradava muito.
- Será que alguma rádio pega por aqui? – Ela comentou, enquanto tentava localizar alguma.
- Não vai acordar seu amiguinho? – respondeu olhando o espelho retrovisor para garantir que Jonathan ainda estava deitado. deu de ombros.
- Ele vai acordar daqui a pouco mesmo...
- Então pelo menos vamos ouvir algo bom – o garoto respondeu sorrindo, enquanto apertava um botão e mudava para seu CD dos Beatles que estava lá dentro, começando a cantarolar junto com as músicas assim que elas iniciaram.
batucava com os pés no ritmo das músicas, enquanto praticamente as interpretava ao volante. E assim não demorou muito para que Jonathan acordasse e se sentasse no banco coçando um olho. Notando através do espelho retrovisor que ele se levantava, fez um sinal com a cabeça para que olhasse pra trás.
- Já estamos chegando, John. Como você tá se sentindo?
- Tô bem... – respondeu ainda com voz sonolenta, apalpando de leve seu rosto para verificar os curativos que havia feito desajeitadamente nele mais cedo.
- As primeiras casinhas de Aberdeen... - falou e voltou a olhar pra frente, se aliviando ao ver as luzes da cidade mais à frente.
- Então, precisamos decidir o que fazer agora. Acho que nossa única opção é encontrar um hotel, não é? Um que seja barato, quer dizer... – a garota propôs.
- Se não me engano, um dos mais baratos fica bem na entrada da cidade. Eu me lembro de ter vindo aqui uma vez com uns amigos, mas já faz uns bons anos – Jonathan comentou, terminando de acordar e começando a prestar atenção nas casinhas que se aproximavam cada vez mais. – Se puder ir um pouco mais devagar quando entrar lá,vai ser melhor pra gente procurá-lo – falou se dirigindo a , que apenas concordou com a cabeça.
Não demoraram a chegar à entrada de Aberdeen e como Jonathan havia pedido, diminuiu a velocidade e os três começaram a procurar pelo tal hotel. A cidade estava bastante movimentada e pessoas caminhavam de um lado para o outro e por essa razão teve que manter sua atenção no trânsito, deixando a missão de procurar o lugar apenas para e Jonathan. E cumprindo sua tarefa, eles logo avistaram a velha placa de luzes fluorescentes vermelhas que indicavam o hotel.
estacionou o carro alguns quarteirões à frente e os três caminharam juntos até o local. Várias pessoas entravam e saíam dos bares que havia ao redor do hotel e alguns homens bêbados arriscavam fazer gracinhas com , ignorando o fato de ela estar entre dois homens. se segurava para tentar não aparentar ciumento demais e, enquanto por dentro tinha vontade de socar cada um deles, apenas os lançava alguns olhares intimidadores. O que ele não sabia era que do outro lado da garota, Jonathan fazia o mesmo.
Os três entraram no hotel e dessa vez foi que se segurou para não fazer uma cara feia ao ver como ele era velho e mal-cuidado. Se aproximaram do balcão e uma moça simpática veio os atender.
- Boa noite! Sejam bem-vindos a Aberdeen.
- Er, obrigada. Nós gostaríamos de saber quanto é a diária - respondeu, abrindo um sorriso simpático a ela.
- O quarto simples está a 22 libras – a moça falou, consultando seu computador.
- Tudo bem, um para cada um de nós.
- Mas na verdade nossas reservas estão esgotadas, me desculpe – ela sorriu sem graça e olhou para os dois garotos, como se perguntasse o que deveria fazer a seguir.
- Vamos procurar outro hotel então – sugeriu.
- Se me permitem opinar, acho muito difícil vocês encontrarem alguma vaga, principalmente agora à noite. A cidade está recebendo um festival de dança bem famoso e está cheia de visitantes. Nós temos um quarto reserva no primeiro andar, mas só possui uma cama e não está em perfeitas condições.
- Qual preço vocês fazem nele?- Jonathan perguntou.
- Posso fazer a 15 libras – ela garantiu.
Os três garotos se entreolharam e depois de um tempinho pareceram concordar.
- Pelo menos pra passar a noite, eu preciso dormir urgentemente – falou e logo tirou sua carteira do bolso.
– Deixem que eu pago essa diária, depois vemos como ficará a divisão de despesas.
Após acertar o pagamento adiantado, pegou suas malas e a mais pesada de e a seguiu em direção à escada. Mas, ao passar perto de Jonathan, sentiu que o garoto o segurava e deteve seus passos.
- , eu... Eu queria te agradecer pela ajuda. Eu sei que você não tá satisfeito com isso, mas você tá salvando minha vida e eu vou ficar te devendo – Jonathan falou alto.
- Eu não tô fazendo por você, Forest – respondeu com a voz bem mais baixa que a do garoto. - Eu sei que a é ingênua e cai nas suas conversas, mas eu não. De qualquer maneira ela viria com você, eu estou aqui apenas para me certificar de que ela vai estar bem – disse seriamente. – E não precisa tentar bancar o simpático falando essas coisas, porque ela já está longe demais pra ter ouvir – finalizou e deixou Jonathan onde estava, continuando a seguir pela escada, para evitar qualquer prolongamento de conversa.
Para , aquela viagem não estava sendo nem um pouco agradável. Odiava o fato de ter Jonathan no meio de sua relação com , de ter que aturá-lo durante aquela noite no mesmo quarto e de ter gastado uma parte de suas economias em um hotel - nem um pouco decente - apenas para salvar a vida de um babaca que não sabia se virar sozinho e era covarde o suficiente para pedir a ajuda de uma garota. Odiava o fato de ser boba e não se dar conta de toda a farsa que Jonathan era ao seu lado, de acreditar em suas mentiras e querer protegê-lo de suas próprias atitudes. Odiava ter que sempre ser quem dá o braço a torcer e correr atrás dela, enquanto tudo que ela parecia enxergar eram as historinhas de Jonathan.
Com aqueles pensamentos, percebeu que estava cansado e estressado demais e que precisava dormir. Ele tentou esvaziar sua mente quando chegaram ao quarto, enquanto observava a cara de nojo que fazia ao ver a situação precária do local. Lá havia apenas uma cama de solteiro, um sofá velho, com uma janela pequena acima dele, um tapete empoeirado e uma porta que provavelmente dava para o banheiro, mas que eles nem se arriscaram a verificar.
- Ok... – começou a dizer ao entrar no cômodo de fraca iluminação, enquanto jogava as bolsas ao lado da porta.
– A fica com a cama e nós ficamos entre o tapete e o sofá? – indagou olhando para Jonathan ainda com uma cara nada amigável.
- Não. Eu não me importo de dormir no chão...
- Você fica com a cama, . E pode ficar no sofá, você deve tá quebrado da viagem – Jonathan sugeriu ao garoto.
afirmou com a cabeça e seguiu até o lugar, enquanto se jogava na cama, com cuidado para não quebrá-la, ainda achando injusto que ela ficasse com a cama só porque era uma garota. Jonathan, por sua vez, começou a mexer em sua mala em busca de algo que pudesse jogar sobre o tapete.
Ao se deitar no sofá, sentiu quase todos os seus ossos estalarem e seus músculos responderem ao cansaço em forma de dor, e não pode conter um baixo gemido, que chamou atenção de . Ela o olhou preocupada e observou suas caretas enquanto ele tentava encontrar uma posição confortável e fazia uma massagem em seu próprio pescoço.
- Vem cá, – chamou, atraindo a atenção dos dois garotos. – Você deve estar todo dolorido, vou te fazer uma massagem. – Sorriu e fez o mesmo, enquanto Jonathan voltava a arrumar sua “cama” e tentava ignorar aquela proposta.
se levantou devagar e caminhou até a cama. Se jogou de bruços ao lado de , que estava sentada em cima dos calcanhares.
- Não é melhor sem camisa? Dá pra massagear direito...
- Mas vou sentir frio... – ele reclamou se encolhendo um pouco e riu.
- Eu sei, mas sem camisa eu posso passar um creme. E minhas mãos te esquentam.
Jonathan pigarreou ao ouvir o que ela dissera e se levantou para ir ao banheiro com a desculpa de lavar seu rosto, mas antes que desviasse sua atenção ao garoto, tirou sua blusa e pediu que ela começasse a esquentá-lo logo.
- Vou pegar o creme – ela falou, seguindo até onde havia deixado as malas e pegando sua bolsa, de onde tirou um creme para a pele que costumava levar consigo aonde fosse. Em seguida, ela voltou para a cama e retornou à mesma posição.
Lentamente, a garota depositou um pouco de creme gelado sobre a pele desnuda das costas de e notou como ele se arrepiava. Depois passeou suas mãos devagar pelo local e começou a colocar um pouco de força em determinados músculos. Em resposta à dor que sentia, o garoto gemia baixo.
Jonathan retornou ao quarto e tentou ao máximo ignorar o casal. Deitou sobre o tapete e se cobriu, virando para o lado oposto à cama e fechando os olhos com força, na tentativa de dormir logo. Porém, embora estivesse realmente se esforçando, não pode deixar de prestar atenção no que acontecia, pois ao notá-lo ali, começou a gemer mais alto.
continuava a massagem, mas ao perceber o que o garoto estava fazendo, ela apertou forte seu trapézio e arrancou um verdadeiro grito de dor dele.
- Ai, ! Vai devagar... – reclamou com a testa franzida e ela se abaixou até seus lábios tocarem a orelha de .
- Para de infantilidade ou sua massagem se acaba aqui, mocinho.
Engolindo em seco e entendendo bem o recado, ficou quieto e sorriu, voltando a massageá-lo. Passeou suas mãos por toda a extensão das costas dele durante longos minutos, conseguindo que o garoto se relaxasse por completo e se sentisse muito menos dolorido.
- ... – chamou baixinho e ela parou suas mãos, prestando atenção em seu rosto.
se levantou e ficou ajoelhado em frente a ela para poder olhá-la nos olhos. Ameaçou dizer algo por duas vezes, mas acabou fechando a boca sem emitir nenhum som. Então, apenas levantou uma mão e tocou de leve o cabelo dela, colocando uma mecha para trás de sua orelha e reparando em como ela sorria ao fechar seus olhos. Levou sua outra mão até a bochecha dela e fez um pequeno carinho, reparando em todos os detalhes de sua face.
Sem perceber, seus olhos pousaram sobre os lábios de , que ainda esboçavam um pequeno sorriso, e um desejo enorme invadiu seu corpo. Ele precisava provar aquilo de novo, então, quase mecanicamente, ele foi aproximando seu rosto do dela e sentiu uma onda de choque percorrer seus lábios quando finalmente tocaram os dela.
sentiu tudo se contrair em sua barriga quando a beijou. Não esperava que ele fosse realmente fazer aquilo, não naquele momento, mesmo que o desejasse tanto. Ela então respondeu ao beijo e apoiou suas mãos no peito de , enquanto uma das mãos dele ia para sua nuca.
Os dois aproveitaram cada detalhe daquele beijo. Era seu primeiro beijo de reconciliação e era tão delicioso quanto os que eles costumavam dar quando não tinham nenhum tipo de preocupação na mente, quando eram simples melhores amigos que não tinham coragem suficiente para admitir que aquela amizade era muito mais forte do que imaginaram que um dia seria.
Sem querer se desgrudar um do outro, eles fizeram uma pausa para recuperar o fôlego e mantiveram as testas coladas, enquanto ambos abriam um sorriso no rosto.
- Você não tem idéia do quanto isso me fez falta... – sussurrou.
- Você não tem idéia do quanto VOCÊ me fez falta! – respondeu e ela ampliou ainda mais seu sorriso. – Eu tive tanto medo de te perder pra sempre. Depois do teatro, quando você saiu, eu achei que era realmente o fim... Eu não sei o que faria se você me desse um pé na bunda. – Ele riu e sacudiu negativamente a cabeça.
- Eu teria que ser muito idiota pra fazer algo assim.
- Eu te amo, falou e involuntariamente prendeu sua respiração.
sentiu seu coração palpitar muito mais forte e afastou seu rosto para poder encará-lo direito. Então abriu um singelo sorriso.
- Eu te amo muito, .
O garoto soltou o ar que mantivera preso e a puxou para um abraço apertado, fechando seus olhos enquanto sentia o perfume dela invadir suas narinas. Ainda abraçada a ele, começou a passar as mãos pelos seus braços, enquanto ele fazia carinho em seus cabelos, e notou que ele se estremeceu com o toque de seus dedos gelados.
- Veste sua blusa, eu não te quero doente – disse, o empurrando levemente. – Eu deixo você dormir aqui comigo – ela sussurrou e fingiu uma cara de espanto, como se dissesse que aquilo era proibido. também fingiu estar espantado e logo riu, começando a procurar sua blusa pela cama.
Após encontrá-la, ele a jogou sobre um ombro e se levantou, indo até onde estavam as malas. Remexeu um pouco em sua mochila e tirou de lá sua calça cinza de moletom, uma blusa branca básica e sua blusa de frio de zíper. Antes mesmo que desviasse seu olhar, o garoto abaixou sua calça jeans larga e ficou apenas de boxers para poder se trocar.
- , que pouca vergonha! – ela disse rindo, fingindo tampar seus olhos, e ele riu também.
O garoto se trocou e voltou correndo para cama, se jogando em cima de e caindo deitado com ela. Para evitar rir muito alto, a garota tentou levar uma mão à sua boca, mas segurou seus braços ao lado de sua cabeça e a calou com um beijo. O coração de bateu mais forte quando ela percebeu o quanto estava gostando daquilo, principalmente quando largou seus lábios e começou a beijar seu pescoço.
Para evitar chegar mais longe do que aquilo, conseguiu libertar seus braços e empurrou o peito do menino. Mas ele se segurou nela e, ao invés de cair deitado ao seu lado na cama, a colocou por cima dele. Com um sorriso no rosto, a garota sacudiu negativamente a cabeça, como se o reprovasse, e se sentou em sua cintura.
mordeu seu lábio inferior e tentou fazer sua cara mais sexy e sentiu um enorme frio na barriga, ela nunca o havia olhado daquela maneira. Sua garotinha estava realmente crescendo. Ele passeou os olhos pelo corpo de e se assustou ao sentir um leve tapa em sua bochecha.
Com os olhos semicerrados, ela o reprovou e, com um sinal com os dedos, mandou ele manter seus olhos nos dela. segurou um sorriso, mas não impediu suas mãos de começarem a subir pelas coxas da garota.
- Você quer brincar, não é? Então quero ver se agüenta isso! – Ela começou a fazer cócegas no garoto, tentando se desviar de qualquer outra tentação.
Rindo bastante, começou a se contorcer embaixo de e após sentir que ele estava completamente derrotado. Elaa caiu para o lado, ficando também de barriga para cima, e começou a recuperar seu fôlego.
- Juro que se não tivesse dirigido o dia inteiro hoje, eu te faria tantas cócegas que você faria xixi na cama – falou rindo.
- Poxa, é verdade. Você tem que descansar...
- Não ache que vai escapar, eu vou me vingar – ele completou, ainda risonho.
fez uma cara de deboche e logo virou seu pescoço para encará-lo. Os dois ficaram com um sorriso abobalhado no rosto enquanto seus olhos os mantinham ligados um no outro. então entrelaçou seus dedos nos dela e deu um selinho em seus lábios.
- Boa noite – ela disse baixinho.
- Boa noite, meu anjo.

Capítulo III

abriu os olhos com um pouco de dificuldade, devido à claridade excessiva que invadia o quarto, e esperou um pouco para que suas pupilas se acostumassem à luz do dia. Sentiu como algo se movimentava embaixo de sua cabeça e demorou um pouco para se lembrar de que havia dormido apoiada sobre o peito de , e pela sua respiração estar uniforme, percebeu que ele provavelmente ainda dormia. Uma gota de suor brotou em seu pescoço e então ela notou que alguns raios fortes de sol invadiam a janela do outro lado do quarto e esquentavam todo o ambiente. Tentou se movimentar um pouco para afastar o calor de si, mas sentiu como os braços de a rodeavam firmemente e então ela percebeu que o calor estava ainda mais forte em seu corpo por estar abraçada a ele por dentro de sua blusa de frio. Um pequeno sorriso se abriu no rosto da garota e ela se aconchegou mais junto ao corpo de , ignorando o calor – que em qualquer outra situação seria insuportável – e sentindo que seus olhos ameaçavam se fechar novamente.
Porém, quando o sono começou a voltar ao corpo de , um barulho alto da porta se batendo fez com que ela abrisse rapidamente os olhos. E o coração disparado de perto de seu ouvido indicou que ele também havia acordado. se levantou ao sentir que os braços do garoto já não a seguravam com tanta força e então pode ver que Jonathan caminhava até a janela, comendo algumas batatas de pacote.
Já completamente suada, a garota passou as mãos por seu pescoço e logo olhou para , que ainda não havia se levantado. Ele permanecia deitado, com um braço sobre os olhos e, por dentro de sua blusa de frio, pode ver que sua camisa estava encharcada de suor e colada em seu corpo. Apesar de ser uma imagem sexy, a garota desviou seu olhar e decidiu sair da cama antes que os dois acabassem fritos em seu próprio suor.
- Acordado há muito tempo, John? – perguntou com a voz um pouco rouca e ele se virou para poder vê-la, enquanto se levantava e ficava sentado na cama. A garota caminhava até suas malas, em busca de sua escova de dentes.
- Um bom tempo, sim. Digamos que eu não dormi muito bem... Sabe como é, né? O chão duro e tal... – respondeu e em seguida lançou um olhar bastante acusador na direção de .
percebeu o olhar do garoto e arqueou uma sobrancelha, mas antes que pudesse se virar para ver a reação de , ouviu sua resposta.
- Foi mal, dude. Eu devia ter te falado pra dormir no sofá, mas as coisas estavam tão mais interessantes por aqui que eu simplesmente esqueci – ele disse tranquilamente e o olhou, tentando pedir através de seus olhos que ele parasse por ali. Mas era óbvio que de nada adiantaria. – Inclusive peço desculpas também pelas risadas altas, a gente não tava conseguindo se conter. Ontem foi bastante divertido, sabe?
- ... – o repreendeu novamente e em seguida olhou preocupada para Jonathan. Ela sabia que não deveria ter feito o que fizera na noite anterior, sabia que provavelmente ele havia se sentido mal ao ouvir todas aquelas declarações do casal.
- Espero que você ao menos tenha dormido um pouco, é horrível segurar vela, não acha? – continuou , ignorando todos os sinais de para que ele parasse.
A garota deixou seu queixo cair ao ouvir aquilo, sem poder acreditar que ele estava agindo com tanta infantilidade. E havia acabado de acordar! Viu como Jonathan se segurava para não dar nenhuma resposta mal educada, pois, por mais que não quisesse e que isso o deixasse ainda mais irritado, estava ali graças a e devia muito a ele.
- Eu... Eu vou dar uma volta, . Qualquer coisa, tô com meu celular – Jonathan falou, tentando parecer o mais tranqüilo possível e em seguida saiu do quarto, deixando completamente desajeitado.
- Feliz?- perguntou enquanto caminhava até a porta, para trancá-la por dentro. Depois voltou e se sentou novamente na cama. – , o que foi aquilo? Você sabia que estava machucando ele e continuou de propósito. Parece que eu tô aqui com um garotinho de 12 anos! Mal acordamos e eu sou obrigada a aturar essas atitudes infantis.
- Ah! Qual é, ? Parece que você é a única pessoa que não enxerga o quanto esse cara não presta.
- Já te disse pra parar de falar essas coisas dele. Meu Deus! Parece que você só veio aqui pra implicar. Que coisa mais ridícula! – ela falou, alterando sua voz, e fez o mesmo.
- Eu vim porque não ia te deixar nas mãos desse marginal. Você tem que ficar comigo, não com ele!
- Isso não é uma competição, ! E eu não sou um brinquedo.
- Está vendo? Estávamos muito bem ontem à noite e agora estamos brigando por culpa dele. Ele tá destruindo tudo que a gente criou ao longo desses anos.
- Na verdade o primeiro a destruir foi você – ela falou, nervosa, mas logo se calou. Ela sabia que aquele assunto ainda era delicado e não tinha a intenção de pegar tão pesado.
- Tudo bem... Pode continuar me culpando, eu assumo meu erro.
- Não, eu não quis dizer aquilo. – Ela abaixou o olhar.
- Sinceramente, ? Você o vê como um santo, mas não duvido que tenha alguma interferência dele no que aconteceu – disse convicto e rolou os olhos, voltando a encará-lo em seguida. – Estou falando sério, eu me lembro muito bem dos olhos dele sobre você... Me lembro que ele parecia bastante interessado em ser seu amiguinho.
De repente, uma luz pareceu vir à cabeça de e ela abriu um sorriso nervoso, incrédula.
- Então é por isso que você implica tanto com ele? É tudo por um ciúme antigo? , eu não acredito que você ainda se preocupa com certos detalhes...
- Não é por isso, claro que não! – ele negou rapidamente. – Por acaso você se esqueceu do dia em que eu te achei saindo desesperada da casa dele só de sutiã? É disso que eu não gosto, das situações nas quais ele te coloca, embora você pareça não se importar mais.
- Eu prefiro não pensar em nada daquela época. – sussurrou e abaixou a cabeça.
- Pois eu ainda me lembro de tudo, . – concluiu.
Então, os dois se encontraram em um profundo silêncio. Nada além de algumas vozes no corredor podiam ser ouvidas. De repente, um nó pareceu crescer na garganta de . Ela não queria mais discussões, estava cansada de tudo aquilo. Seus olhos ameaçaram se encherem de lágrimas, mas então ela sentiu as mãos macias de tocando seu rosto e o segurando de frente para o dele.
- , eu já te perdi uma vez, não vou deixar agora que qualquer um consiga te tirar de mim assim tão fácil. Você não tem idéia do quanto me sinto impotente te vendo confiar nele e não podendo fazer nada pra mudar isso. Tenho medo de que você se arrependa depois e sofra. Mas se você quer realmente fazer isso, eu não vou te deixar sozinha. Eu te amo, . Eu te amo desde o momento em que você se tornou minha melhor amiga. Eu te amo independente de qualquer confusão, mal entendido ou discussão pelas quais já passamos ou iremos passar. Eu amo esse seu jeito meigo, doce, irritante, nervoso, teimoso… Eu simplesmente te amo, meu anjo.
respirou fundo após terminar de dizer, parecendo se sentir aliviado por ter dito todas aquelas coisas, e só então notou como suas mãos tremiam descontroladamente. Ele havia acabado de se declarar mais uma vez a ela, a sua garota.
, por sua vez, permanecia imóvel. Seus olhos haviam se enchido por completo e chegavam a arder, enquanto algumas lágrimas já rolavam por sua face. E seu coração batia tão forte no peito que a qualquer momento podia parar.
- Er… Bom, seria melhor se você dissesse alguma coisa, antes que eu comece a me sentir um idiota. - deu um sorriso nervoso e piscou varias vezes e abriu a boca para dizer alguma coisa, mas demorou bastante para pensar em algo que tivesse sentido.
- Eu também esperava dizer algo, mas eu simplesmente não consigo… Meu coração… Eu...
- Calma! - falou rindo. - Então espera, quero te mostrar uma coisa. Acho que trouxe comigo.
Ele se levantou e caminhou ate suas malas, deixando sentada na cama, completamente estática. Aproveitou no meio do caminho para tirar sua blusa de frio e sua camiseta, com a qual enxugou o suor de seu corpo, antes de jogá-la para o lado. Em seguida, se abaixou e mexeu em sua mochila, tirando de lá um pequeno embrulho e um bilhetinho, sentindo seu coração palpitar fortemente contra seu peito.
- Isso na verdade eu ia te dar no ano passado, mas… Bom, você sabe o que aconteceu. - começou a falar enquanto voltava e se sentava na cama. - Então, depois que tudo se resolveu, eu planejei te entregar depois do teatro, mas novamente não deu certo… - Deu uma pequena risada nervosa. - Agora decidi não esperar por mais nenhum momento em especial. Apenas se lembre que isso foi escrito há um bom tempo.
segurou na mão de , ainda um pouco trêmulo e com as pontas dos dedos geladas, e depositou o papel em sua palma. Ela olhou para o bilhete e meio automaticamente o desdobrou e leu.

“Eu sei que isso é piegas e você provavelmente vai rir da minha cara, mas eu achei que seria legal escrever algumas coisas pra você. E eu sei também que de alguma forma vou conseguir estragar tudo e fazer isso ser mais cômico do que romântico, mas ainda assim quero tentar. O que acontece é que eu fui um idiota e não consegui manter as coisas como estavam... Na verdade eu tenho medo do que vai acontecer depois que eu te entregar isso, porque é como um ultimato. Eu sei que, de qualquer forma, não será mais a mesma coisa. Mas o que acontece é que eu me apaixonei por você, . E eu não queria ter que te dizer isso, eu queria poder continuar sendo apenas seu amigo, mas não tem como. Tem sido insuportável estar o tempo todo perto de você, te beijar às vezes sabendo que aquele pode ser nosso último beijo, porque você se cansou de brincar comigo. Sentir tudo o que eu tenho sentido e não poder te dizer ao menos a metade. Te ver olhando para outros caras e desejar estar no lugar deles. E muitas outras coisas que, no final, me fizeram tomar uma atitude e te dizer isso agora.
Me desculpa se isso ficou até um pouco revoltado, mas é que tem muita coisa passando pela minha cabeça nesse momento. Eu sei que se você estiver pensando agora ‘ele é um idiota’, é tudo culpa minha. E aí eu terei perdido também sua amizade, porque, apesar do que dizem, não dá pra continuar igual. Minha esperança é que você pense ‘ele é um idiota, mas talvez eu possa dar uma chance... ’. Por favor, esteja pensando assim!
Enfim, estou me lembrando de uma frase que vi por aí e me disseram ser de Shakespeare e, sabendo que você é bastante fã desse cara, achei que seria bom finalizar com ela (momento mais piegas da carta): ‘A cada dia você fica mais linda. E hoje você parece amanhã’. Então é isso, meu amanhã. Espero realmente ver um sorriso seu (já disse que amo seu sorriso?) quando terminar de ler isso.

Ao terminar de ler, sentiu mais algumas lágrimas rolarem por suas bochechas enquanto outras imediatamente tomavam seus olhos e a impediam de enxergar , assim que ela levantou a cabeça. Aquilo era o que ela havia esperado por muito tempo e parecia não existir palavras suficientes para descrever a alegria que sentia. Um sorriso enorme se abriu em seus lábios.
- ... – ela arriscou dizer algo, mas o garoto a interrompeu, deixando claro o quanto estava nervoso.
- Espera. Eu sei que tá horrível, até porque eu escrevi há um bom tempo e as coisas mudaram. De qualquer forma, nem naquela época eu te entregaria isso sem antes ter dito o que eu disse. Acho muito feio se declarar por um bilhete, isso seria mais como um complemento... Mas, na verdade, ainda tem isso. – Ele entregou a ela o pequeno embrulho que também havia retirado de sua mala. – Acho que você vai gostar.
sorriu sincera e pegou o pacotinho, se sentindo bastante ansiosa e com outro sentimento que ela não soube descrever, era como estar flutuando. Com um pouco de dificuldade, por suas mãos também estarem trêmulas - embora só tivesse percebido naquele momento - conseguiu abrir o embrulho e teve uma surpresa enorme ao ver o que havia ali dentro.

- Flashback -
- É muito idiota uma garota de 16 anos comprar um pingente de amizade para o seu melhor amigo? – perguntava rindo, enquanto tirava de sua bolsa um pacotinho, e dele, duas correntes de prata.
- Eu não diria idiota... Infantil talvez – respondia rindo, deitado na grama, olhando para o céu.
Os dois estavam na beirada de um lago que o garoto havia mostrado a ela havia poucos meses. Descansavam à sombra de uma árvore após um pequeno lanche, enquanto esperavam a hora de voltar pra casa.
- Não importa. Eu quero que você use – dizia e entregava a ele uma das correntes. – Eu também vou usar, quero que seja algo que nos ligue.
ria mais uma vez e observava o pingente que havia pendurado ali. -
Um sol?
- Sim. E eu sou a lua! Você ilumina meu caminho e eu te guio na escuridão...

[...]

- Eu tenho que te contar mais uma coisa... – dizia cabisbaixo, esfregando as mãos uma na outra, em sinal de nervosismo.
o olhava com uma sobrancelha arqueada e as mãos na cintura. Esperava pelo que ele tinha a dizer, já completamente sem paciência por ele ter desmarcado sua ida ao parque de diversões com ela, para sair com uma loira de farmácia que tinha peitos de silicone.
- Eu... Sabe, eu tava na piscina com ela e... Quando saí eu percebi que tava sem minha corrente. Desculpa, . Eu não me dei conta de que tinha soltado – falava encarando seus pés. -
Tudo bem, eu sei que isso nunca teve muita importância pra você – falava dando de ombro e tentando evitar que seus olhos se enchessem de lágrimas e denunciassem sua real decepção.
- É que claro que tem importância pra mim! Você sabe que sim. Não foi culpa minha...
- Quer saber? Isso é besteira mesmo... Vamos esquecer essa história.
E após se despedirem uma corrente com pingente de lua ficava caída no chão.
- Fim de flashback -

- É muito idiota um garoto comprar pingentinhos para sua melhor amiga? – perguntou enquanto indicava as correntes na mão de e ela o encarava com os olhos brilhando.
- Eu não diria idiota... Infantil, talvez.
- Mesmo assim, quero que você use. Eu vou iluminar seu caminho e você vai me guiar na escuridão. – relembrou sorrindo a frase dita por ela. Em seguida, pegou a corrente com o pingentinho do sol e colocou em seu pescoço, antes de fazer o mesmo com ela. – Acho que agora só ta faltando uma coisa...
- Mais uma coisa? – abriu a boca e riu.
- É, falta oficializar isso. Namora comigo, senhorita ?
Por um momento o local pareceu ter perdido todo o seu oxigênio e a garota sentiu tudo se revirar em seu interior. Seu coração não obedecia mais ao seu corpo e batia por conta própria com uma velocidade incontrolável. era seu namorado, independente de toda a complicação que ocorrera no meio do relacionamento dos dois. Ela havia realizado um de seus maiores desejos. Aquela era a oportunidade de começar do zero, de fazer tudo diferente, de saber desfrutar do que sentiam e não se importar com mais nada que surgisse depois.
pensou no que poderia dizer em resposta, mas as palavras pareciam ter desaparecido de sua mente. Ela abriu um enorme sorriso e em seguida sacudiu a cabeça positivamente, antes de conseguir pronunciar:
- É tudo que eu mais quero, meu amor.
Então os dois colaram seus lábios e iniciaram um longo e caloroso beijo.
- Tô ficando com fome – reclamou, em meio aos milhares de beijos que dava em , ao sentir seu estômago roncar e arrancando assim uma risada da garota. – Onde vamos almoçar?
- Não sei... Na verdade, a gente tem muita coisa pra decidir. Temos que resolver por quanto tempo vamos ficar aqui, o que vamos fazer pra realmente ajudar o Jonathan, saber se vamos conseguir vaga em outro hotel. Enfim, acho melhor eu ligar pra ele.
se levantou da cama, ignorando a cara de ao ouvir o nome de Forest, e foi até sua bolsa para buscar seu celular. Ligou para Jonathan e ele não demorou a atender, dizendo que estava no saguão do hotel e que logo subiria para que pudessem conversar. Enquanto desligava e voltava a guardar seu celular, um pensamento surgiu na cabeça de : como Jonathan reagiria ao saber que agora ela e finalmente estavam namorando?
- ... – ela o chamou baixo, quase num sussurro. – Eu quero te pedir uma coisa, mas não quero que você fique nervoso – pediu, vendo que concordava com a cabeça. - Sabe, o John é importante pra mim, por mais que você não concorde. Ele gosta de mim e... Eu não quero deixar ele mal. Já que vamos decidir agora o restante dessa viagem, eu prefiro que ele saiba que a gente tá... Namorando. – Não conseguiu conter um sorriso ao dizer essa palavra, principalmente pelo frio na barriga que ela lhe causou. – Ele me perguntou se isso aconteceria e, bom, acho que seria justo contar que nós nos resolvemos, mas eu quero conversar com ele às sós, se você não se importar.
parou de falar e esperou por alguma reação de . O garoto demorou a responder, pareceu pensar por alguns segundos, então sacudiu a cabeça positivamente.
- Eu vou tomar um banho...
Ele então pegou uma toalha e deu um beijo na testa da garota antes de seguir para o banheiro. E exatamente quando ele fechava a porta, Jonathan adentrou no quarto, sem muito entusiasmo. Ao ver o garoto, respirou fundo e caminhou até ele. Pediu a ele que se sentasse no sofá juntamente com ela, explicando que tinha algo para contar.
- O que houve? – Jonathan perguntou com uma expressão preocupada no rosto.
- Não se preocupe, não é nada demais, eu só achei que fosse algo que você deveria saber – ela começou a falar, com um pequeno sorriso no rosto. - Eu vou direto ao assunto, John. Você se lembra que me perguntou se eu e o namoraríamos, certo? Então, hoje nós conversamos e decidimos dar uma chance pra nossa relação. Muitas coisas deram errado, mas no fundo nosso sentimento não mudou e acredito que isso não seja surpresa pra muita gente. Eu sei que eu e você tivemos um... Um caso, então pensei que seria bom te dizer isso agora e...
Ela então se calou, sem saber o que mais poderia dizer. Jonathan ouvira tudo com a testa franzida e a expressão de seus olhos era de choque, como se as palavras de fossem um balde de água fria jogada sobre ele. Sacudiu a cabeça positivamente de uma maneira quase imperceptível e engoliu em seco antes de abrir um sorriso nervoso.
- Eu sabia... Eu já sabia que isso aconteceria, mas, sabe, eu ainda tinha uma pequena esperança de que você mudasse de idéia. Eu nunca deveria ter te envolvido nas minhas histórias, mas você sabe que sempre se destacou dentre as outras garotas para mim e, quando eu vi tudo que estava acontecendo com você, o quanto você tava triste, sem sorrir mais, eu pensei que talvez pudesse te ajudar. Eu não sei se era coisa da minha cabeça, mas antes daquela festa eu me lembro de te ver nos corredores da escola e suas amigas pareciam estar sempre falando de mim, isso me dava esperanças de que você já me notava. Foi por isso que achei uma boa ir falar com você quando te vi ficando mais e mais triste. E então eu vi o quanto você era mais que um rostinho bonito e, me desculpe, mas eu não pude impedir que meus sentimentos crescessem. Eu tô completamente apaixonado por você... Essa viagem, , era só uma pequena tentativa de me aproximar ainda mais, nós começamos já com tantos mal entendidos que eu queria reparar. Acabou que você chamou o e minhas chances desapareceram... Eu não estou reclamando por ele ter vindo, pelo contrário, agradeço muito a ajuda, mas eu preferia que fôssemos apenas eu e você. – Ele fez uma pausa e respirou fundo, nem notando a expressão de incredulidade que levava no rosto. Ela ameaçou dizer alguma coisa, mas Jonathan continuou. – Eu acho melhor vocês voltarem a Londres. Essa minha idéia maluca de sair da cidade e te trazer junto já foi longe demais. Obrigado por me trazer aqui e por tudo que vocês fizeram, mas a partir de agora eu me viro sozinho.
- Espera. Eu entendi errado ou você não está realmente correndo risco de vida? – perguntou, ainda tentando absorver tudo que havia acabado de ouvir. – Isso foi só uma desculpa para sair da cidade comigo?
- Não! Não, eu tô realmente com problemas com os revendedores, eles podem me matar a qualquer momento, mas eu ainda tenho certo crédito com eles, por algo que eu fiz. Ainda tenho um pequeno tempo para me acertar lá. Se eles já estivessem atrás de mim, eu nunca pediria sua ajuda, eu nunca te colocaria em risco por causa das minhas burrices.
- E os machucados daquela noite?
- Digamos que foi um aviso…
deixou seu queixo cair involuntariamente, não acreditando no que estava ouvindo. Toda aquela confusão, sua briga com antes de ele decidir acompanhá-la, todo o dinheiro gasto, tudo era em vão.
- Jonathan, você tem idéia da loucura que a gente tá fazendo pra te ajudar? Eu nunca pensei que você seria inconseqüente a esse ponto!
- Espera, . Não interprete errado, eu realmente corro risco, quanto antes eu sumir do mapa, melhor. E essa conversa agora já não faz sentido. O venceu e eu retiro meu time de campo.
- Eu odeio como vocês tratam isso como um jogo, uma competição! – falou alto e se levantou para ir até a janela. – Eu preciso de um tempo pra engolir essa história sua. O tá querendo almoçar...
- Tudo bem, eu tô cheio. Vou ver se encontro alguma coisa pra fazer. Bom almoço – Jonathan disse, entendendo que ela queria encerrar aquela conversa. Ele se levantou também e logo saiu do quarto, deixando completamente nervosa e cheia de pensamentos estranhos na cabeça.
Em busca de um pouco de ar, enquanto ainda aguardava que saísse do banho, se debruçou no parapeito da janela e deixou que a leve brisa que passava ali naquele momento refrescasse seu rosto. Lembrou-se do que Jonathan dissera e franziu a testa. Ele estava mentindo sobre tudo aquilo? Não, não era possível... Jonathan não seria capaz de algo assim, seria? E sobre o que havia dito antes, ele havia acabado de se declarar, de dizer que era apaixonado por ela e de que o motivo de ter se aproximado era o fato de tê-la visto triste...
sacudiu a cabeça quando seu deu conta do que tava fazendo. Ela não sabia quem era Jonathan, não conhecia nada de sua vida e não tinha a mínima idéia do porquê de estar ali, isso se fosse mesmo necessária aquela viagem Tentou se lembrar das coisas que já havia acontecido entre os dois e foi então que percebeu o quão vulnerável estava na época em que o conheceu. Talvez o garoto não fosse tão importante assim em sua vida, talvez ele fosse apenas um sorrisinho bonito que soube dizer exatamente o que ele precisava ouvir...
- Tá tudo bem, ? – perguntou próximo a ela, e deu um beijo em seu ombro, fazendo com que ela se assustasse, já que nem ao menos havia ouvido a porta do banheiro se abrir.
fechou os olhos rapidamente e sentiu seu coração palpitar forte contra o peito devido ao susto. Em seguida, sacudiu a cabeça positivamente e se virou para olhá-lo de frente, notando então que ele trajava apenas a toalha enrolada na cintura. Rolou os olhos antes de passar pelo garoto e ir até sua mala, pegar sua toalha.
- Vou tomar meu banho.

- Você não falou nada o almoço inteiro... O que o Jonathan disse? – perguntou, soltando seu garfo e apoiando sua mão sobre a de , que estava descansando ao lado de seu prato. Ela apenas sacudiu sua cabeça em sinal de negação e continuou a mastigar sua comida. – , seu silêncio me assusta, sabia? Me dá impressão de que vai tudo voltar a ficar ruim entre a gente...
- Não tem nada a ver com nós dois – respondeu ao terminar de engolir e logo tomou um pouco de refrigerante. – Eu só estou pensando em algumas coisas, nada importante.
concordou, embora um pouco contrariado, e voltou a pegar seu garfo para terminar seu almoço. Enquanto isso, se afundava mais uma vez em pensamentos. Como ela o contaria que aquela viagem era desnecessária, que o dinheiro gasto havia sido em vão? Como ele reagiria ao saber que Jonathan apenas queria uma oportunidade de se aproximar ainda mais?
- ... – voltou a chamá-la assim que terminou seu almoço e, ao olhá-lo, notou que ele encarava sua carteira aberta em mãos com as sobrancelhas pesadamente franzidas sobre os olhos. – Você viu o dinheiro que estava aqui? – indagou preocupado. negou e se levantou um pouco para olhar a carteira, vendo que ela estava completamente vazia.
- Não, ... Pra mim tava tudo aí – falou estranhando o acontecido, já que ela mesma tinha visto o dinheiro ali na noite anterior, assim que ele pagara a primeira diária.
- Tinha muito dinheiro aqui, . Agora tá totalmente vazia... – comentou nervoso e passou as mãos por seus cabelos.
respirou fundo, já sabendo o que estava passando pela cabeça de , principalmente por ser o mesmo que passava pela sua. Preocupada, procurou por sua carteira em sua bolsa e conferiu se também estava vazia, mas, felizmente, seu dinheiro estava todo ali.
- Meu dinheiro tá aqui, deixa que eu pago a conta – falou, tentando acalmá-lo e ele fez uma careta de desgosto. – , nós estamos no século XXI, não tem nenhum problema em uma garota pagar a conta.
- Não é esse o problema. Alguém roubou meu dinheiro, . Eu não quero acusar ninguém, mas só estávamos nós três naquele quarto...
- Eu sei. – respirou fundo. Por mais que não gostasse da idéia, era impossível negar que Jonathan era o maior suspeito e ela já não duvidava de mais nada que ele pudesse fazer. – Eu entendo o que você tá querendo dizer... Vamos fazer o seguinte: eu pago a conta aqui e nós voltamos para o hotel, arrumamos nossas malas e voltamos para Londres, pode ser? – indagou esperando que concordasse, mas ele reagiu como se não esperasse ouvir aquilo.
- O que aconteceu com a sua necessidade de salvar a vida do Jonathan? – perguntou, estranhando a decisão de e ela respirou fundo mais uma vez ao perceber que seria obrigada a dizer a verdade, embora não soubesse como.
- Digamos que... Essa viagem não era assim tão urgente. Ele tá correndo risco, sim, mas ele tem certo crédito e não precisava ter saído da cidade tão rápido – disse, começando a encarar seu prato em seguida e mexendo com o garfo no resto de comida que havia deixado.
Um breve silêncio se fez entre os dois e então soltou uma risada nervosa.
- Você tá me falando que eu gastei minhas economias à toa? Que toda essa confusão foi em vão?
- ...
- Não, não vem me dizer que foi você quem se precipitou. Eu vi como ele chegou machucado perto de você no teatro. Eu sei que foi ele quem quis viajar com você agora, não foi? – começou a falar com o tom de voz alterado e odiou o fato de ele ainda a conhecer tanto e saber exatamente o que se passava por sua mente. – Era por isso que você estava tão calada, não era? Você descobriu que ele é um baita mentiroso, não foi? Pois esse desgraçado vai me devolver todo o meu dinheiro e vai ser agora! – se levantou subitamente da mesa, fazendo os talheres se chocarem contra o prato e fazerem um barulho alto, que atraiu a atenção das outras pessoas ali presentes. Sem ao menos olhar para trás, ele começou a caminhar para fora do restaurante.
- ! – gritou, se pondo de pé também, e deixou uma nota de vinte sobre a mesa, antes de começar a segui-lo. – , espera! O que você vai fazer? – continuou a gritar, desesperada, enquanto tentava acompanhá-lo, porém, ele permaneceu em silêncio, caminhando em direção ao hotel, que estava a poucas quadras dali.
então se calou e toda a trajetória até a porta de seu quarto foi caracterizada por um silêncio agonizante, apenas rompido pelo estrondo da porta batendo contra a parede, após a abrir violentamente. O garoto adentrou com pressa no lugar, porém este estava completamente vazio.
- Liga para o Jonathan – ordenou nervoso a e ela franziu a testa, sem saber o que deveria realmente fazer. – Liga para ele agora, ! Eu cansei desse moleque se dando sempre bem, eu não quero saber de ele ficando de boa às minhas custas.
Ainda um pouco apreensiva, pegou seu celular e discou o número de Jonathan, mas não obteve resposta.
- Ele não atende...
- Liga de novo.
A garota respirou fundo, ainda um pouco temerosa, e tornou a efetuar a ligação, a qual, dessa vez, Jonathan atendeu ao terceiro toque.
- ... – o garoto chamou com a voz fraca do outro lado da linha.
- Onde você está? – ela perguntou com a voz ligeiramente trêmula e notou que John respirava pesadamente, antes de respondê-la com uma voz arrastada:
- Tô perto do hotel.
- Pode vir aqui? Nós precisamos conversar...
- Desculpa, , não dá... Eu não tô longe, vem até aqui. Quando sair do hotel, vire à... Direita. Dois quarteirões depois... Vire de novo – ele orientou com um pouco de dificuldade.
- Não saia daí! – ordenou e em seguida encerrou a ligação.
Encarou um pouco tensa, tinha medo do que poderia acontecer, principalmente se Jonathan estivesse acompanhado. Mas com quem ele estaria? Provavelmente o garoto estava mais sozinho do que nunca estivera.
- E então? – indagou ainda nervoso, e até um pouco apreensivo, e deu a ele as mesmas orientações que Jonathan a passou. – Ótimo, me espera aqui.
- Te esperar aqui? Nem pensar, ! Eu vou com você e não adianta tentar me convencer do contrário – retrucou e viu que ele rolava os olhos antes de sair rapidamente do quarto.
O fato não era de que ela não confiava em , ela na verdade não confiava em Jonathan e no que ele poderia fazer, já que estava revelando um lado tão negativo seu.
caminhou atrás de com a mesma sensação agonizante que sentira anteriormente, queria que isso acabasse, que ela pudesse voltar à sua vida tranqüila e mesquinha de Londres, ela não se considerava forte suficiente para agüentar toda aquela pressão.
foi diminuindo a velocidade de seus passos à medida que se aproximava do lugar indicado, receosamente. Mas ao virar a última esquina, se deparou com Jonathan caído no chão, sentado com o tronco mole recostado em um muro qualquer, porém nem mesmo aquela cena deprimente o comoveu. Sua raiva era tamanha que quando deu por si, estava segurando o garoto pela gola da camisa e levantando-o para poder encará-lo à mesma altura.
- Onde você enfiou meu dinheiro, seu marginal? Quem te deu o direito de mexer nas minhas coisas e pegar meu dinheiro? – gritava, demonstrando sua raiva também pelo olhar. Jonathan, por sua vez, estava sem forças e mal conseguia levantar seus olhos. – Eu vim salvar sua vida, seu babaca! Eu vim sustentar uma mentira sua e você me rouba? – completamente nervoso e vendo que o garoto não se manifestava, enfiou uma mão nos bolsos do garoto, em busca de seu dinheiro. Acabou encontrando vários pacotes de drogas e jogou todos no chão.
assistia a tudo atônita, tinha detido seus passos assim que virara a esquina, mas ao ver os pacotes sendo tirados dos bolsos de Jonathan, não se conteve e foi até onde os dois garotos se encontravam.
- Você tá drogado?! Jonathan, seu idiota! Você se drogou de novo? – gritou, enquanto pegava alguns dos pacotes que estavam no chão. – Eu vim até aqui pra te ajudar, eu acreditei em você. Eu fui contra todas as pessoas que tentavam me proteger e você não atendeu meu único pedido. Quantas vezes eu me arrisquei com você e é isso que eu recebo em troca? – a garota jogou os pacotes no peito de Jonathan e o soltou, deixando que ele caísse com força no chão. Em seguida, sentiu que envolvia sua cintura com um braço e a puxava para trás. – Eu não podia estar mais decepcionada e espero que você não me procure nunca mais.
- Vamos embora, . Deixa esse idiota... – pediu baixo, a afastando mais dali. Ele sabia que aquilo não a faria bem e era por isso que preferiria ter ido sozinho. Era melhor que saíssem dali, mesmo que ele ficasse com prejuízo financeiro, a ver ficar mais decepcionada. Porém, antes de ir, virou-se para Jonathan e o olhou com desprezo. – Eu espero que você se drogue bastante, morra de overdose e apodreça aqui, seu babaca!
Então voltou a puxar para trás e ela sacudiu a cabeça negativamente, com os olhos semicerrados para Jonathan, antes de se virar e começar a caminhar com de volta ao hotel. Ela seguia a trajetória com os braços cruzados fortemente contra o peito e a cabeça baixa, e ainda levava seu braço passado pela cintura da garota e respirava fundo para tentar se acalmar.
- Vai, pode começar a jogar na minha cara o quanto eu fui idiota. Eu sei que o vai fazer questão de falar no meu ouvido, mas se quiser começar agora mesmo, vai em frente! – ela começou a dizer quando já estavam um pouco longe. Sentia que um enorme nó crescia em sua garganta, mas não era de choro, era de raiva e decepção.
rolou os olhos e entrou na frente dela, a olhando de frente, fazendo a garota parar de caminhar. Depois, segurou seu rosto entre as mãos e a olhou com ternura.
- , minha princesa, você não tem que se sentir assim. Você tem um bom coração e se preocupa, acredita demais nas pessoas... Isso não tem que ser algo ruim. Tá certo que você poderia ter sido menos cabeça-dura e ouvido as pessoas que se importam com você, mas agora já passou. A gente tá junto, está tudo bem e estamos indo para casa. É isso que importa.
a encarou por alguns segundos e notou que os olhos dela se umedeciam, mas não soube decifrar o que a garota sentia naquele momento. Talvez nem ela soubesse.
- Por que tudo é sempre tão simples pra você? – ela perguntou com a voz embargada.
- Não é. Eu ainda estou nervoso. Tenho vários motivos pra voltar pra lá bufando de raiva, mas eu sei que você também tá se sentindo mal. Não quero que você fique pior e não há nada que possamos fazer agora. Então vamos fingir que nada aconteceu e voltar pra casa.
- E como vamos pagar a diária? – ela perguntou preocupada.
- Esqueceu que eu deixei acertada ontem à noite? – forçou um sorriso. – Vai ficar tudo bem agora, certo? – perguntou ainda com ternura em seu olhar e ela afirmou com a cabeça. Ele deu um beijo na testa da garota e depois passou um braço por seu ombro, quase num abraço, e os dois voltaram a caminhar em silêncio para o hotel.

Capítulo IV

- Eu estou chocada demais para continuar ouvindo – falou com os olhos arregalados e as duas mãos espalmadas nas bochechas.
estava sentada em roda com ), e no chão de seu quarto e contava às amigas tudo que havia acontecido durante sua viagem não planejada com e Jonathan, enquanto pintavam suas unhas. Apesar de saber que a reação das amigas seria exatamente a de choque que elas levavam no rosto naquele momento, não pôde esconder o que acontecera de suas melhores amigas.
- Vocês deveriam ter chamado a polícia! Esse garoto merece punição – argumentou.
- Ele já terá punição suficiente se continuar se afundando assim, nós sabemos qual vai ser o final do Jonathan se ele não mudar de atitude. Além de que eu não me sentiria bem fazendo isso – respondeu ainda com o olhar baixo. Apesar de suas amigas não a terem julgado em momento algum, pelo contrário, terem a apoiado, ela se sentia estúpida por ter sido a única a confiar completamente nele e a não enxergar o que o garoto era capaz de fazer.
- Você ainda tem dó dele, ? – perguntou com uma sobrancelha arqueada e um pouco de incredulidade. – Está bem, eu entendo. Vamos deixar esse assunto pra lá então? Já aconteceu, ele já nem está na cidade mais e não há nada que possamos fazer.
concordou, ainda um pouco pensativa, e então um pequeno sorriso, que ela não pode evitar, surgiu em seu rosto.
- Pelo menos teve algo bom nessa confusão toda... – Ela levantou o rosto pela primeira vez desde que havia começado a conversa e encarou suas amigas com um semblante muito mais alegre no rosto. – O me pediu em namoro.
- Não brinca! – exclamou, levando uma mão à sua boca. e abriram enormes sorrisos.
- Que lindo, agora temos mais um casal – brincou e cutucou , que concordou.
- Também, já estava passando da hora, não era? Esse namoro tá pra sair tem tanto tempo... – disse em tom de brincadeira e as três começaram a falar ao mesmo tempo sobre os garotos.
Ficaram por muito tempo apenas fofocando e tentava bolar planos com suas amigas, já que estavam de férias. Começou a imaginar como seria legal agora que teria ao seu lado o tempo inteiro, mas, então, , que parecia não se agüentar de vontade de dizer algo, interrompeu seus pensamentos, pedindo a palavra.
- , eu tenho que te contar algo... Eu só estava esperando o clima ficar mais alegre.
- Você e o estão namorando também? – ela arriscou, já abrindo um amplo sorriso, mas negou e rolou os olhos.
- Acho que isso vai te deixar mais feliz – falou . – Bom, você sabe que a ainda participa daquelas promoções mirabolantes e acredita que vai ganhar, né?
- Eu ganhei! – gritou levantando os braços e interrompendo a amiga, que rolou os olhos.
- Jura? O que você ganhou? – perguntou sorrindo, feliz pela amiga ter conseguido algo que queria, e sem fazer idéia de que aquilo também a envolveria.
- Aí que tá, nem eu tô acreditando ainda – falou.
- É uma viagem de dez dias... – seguiu, falando pausadamente. – A Cancun... Para DEZ pessoas!
- O que?! – gritou, abrindo a boca e arregalando os olhos, incrédula. – Cancun?! Dez pessoas?! !
- Eu ganhei!
- Ela ganhou! – gritou também, entrando no clima feliz das amigas.
- Já fiz minha lista de convidados – começou a falar com os olhos brilhando, contando nos dedos enquanto citava as pessoas. – Nós quatro, obviamente. , por ser seu primo e namorado da . , seu namorado. – Abriu um enorme sorriso ao falar aquela última palavra e sorriu também.
- E ela quer convidar o e o ! – anunciou, rolando os olhos. – Tudo bem ela se interessar em chamar o , nós sabemos de seu interesse secreto... Mas o ? Aquele garoto é insuportável, uma peste!
- Coitado, seria maldade ele ser o único deixado de fora...
- Ela tem razão. E ele não é tão chato assim... Aliás, acho que nem preciso te falar isso, porque você o conhece mais do que qualquer uma de nós – brincou e todas caíam na risada, exceto que abriu um sorriso cínico e jogou uma almofada na cara da amiga, sem nem ao menos se importar se estava estragando sua unha recém-feita.

- Eu avisei, eu disse a ela que isso aconteceria! Ah, mas agora ela vai ter que me ouvir... – falou com os olhos semicerrados e sentindo uma raiva enorme crescendo em si.
- Pega leve com a , dude. Ela já tá se sentindo mal e já reconheceu que errou. Não precisa piorar a situação – pediu ao amigo e ouviu zombar:
- voltando a bancar o namoradinho protetor, eu não mereço isso.
, e estavam espalhados pelo chão da sala de . O garoto os havia convidado para um campeonato de FIFA no Xbox, mas antes de começarem as partidas, ele os contara sobre a viagem inesperada, da qual não gostou nem um pouco.
No meio da bagunça das vozes dos quatro garotos, que defendiam cada um seu ponto de vista, o celular de chamou alto, fazendo todos se calarem.
- Que foi, princesa? – ele atendeu com voz melosa ao ver que era quem ligava e os amigos zombaram.
- Tenho uma super notícia pra você! Eu e as meninas vamos passar um pouco na sua casa, pode ser?
- , e estão aqui... – ele avisou.
- Ótimo! Em dez minutos chegamos aí – a garota falou contente do outro lado da linha e mandou beijos antes de desligar.
- , , e estão vindo para cá – avisou aos amigos com uma sobrancelha arqueada e viu abrir um pequeno sorriso, enquanto rolava os olhos. – Ela disse ter boas notícias.
- Talvez tenham finalmente descoberto que elas não têm cérebro – sugeriu e viu os três o fuzilarem com os olhos. – O que? Tô falando a verdade.
- Vamos jogar... – propôs, ignorando e pegando seu controle, enquanto esticava um braço e alcançava o botão que ligava seu Xbox.

Estavam no meio de uma partida, a qual ganhava de , quando a campainha tocou, anunciando a chegada das garotas. , que apenas assistia ao jogo, se levantou e foi atendê-las com um sorriso alegre no rosto. Era sempre assim quando ia se encontrar com . Abriu a porta e ampliou ainda mais seu sorriso ao vê-la ali com suas amigas. A garota retribuiu o sorriso, enquanto , e entravam mesmo sem pedir permissão. então passou seus braços pelo pescoço de e deu um longo selinho nele, interrompido por uma almofada que jogou nos dois.
- Me dêem um tempo para me acostumar com isso primeiro – reclamou e riu, enquanto acompanhava para dentro de casa.
e permaneciam entretidos em sua partida, sem ao menos notar a presença das garotas, enquanto elas já se acomodavam perto deles.
- Como se fosse a primeira vez que eles ficam juntos... – comentou rindo, se sentando ao lado de e dando um beijo em seu rosto.
- Esqueceu que eles escondiam de mim naquela época? Eu fui o último a saber...

Flashback
- Você é gostosa, já te disse isso – sussurrava no ouvido de e depois mordiscava seu lóbulo, fazendo ela se arrepiar.
Os dois estavam nos fundos da casa de , enquanto o garoto tomava conta de um churrasco cansativo dos amigos de seus pais.
- Coitado do meu primo, nós deixamos tudo em suas mãos e fugimos... – falava, fingindo uma cara de arrependimento.
- Nós não temos culpa de termos sido convidados para um churrasco tão chato. Aqui tá mais divertido, não?
- Cretino! – ria, enquanto o sentia puxar seu rosto para mais perto. Mas logo ouvia alguns passos e o empurrava para longe, se soltando de seus braços. – está vindo – ela dizia e, em seguida, saía correndo dali.
Fim do flashback

riu ao lembrar da cena e da cara que o amigo fizera ao perguntar o que ele estava fazendo ali sozinho, e logo se sentou no sofá, acompanhado por .
- Bom, mas agora já sabe e acho bom se acostumar logo – retrucou e mandou língua ao primo.
- Você disse que tinha uma boa notícia... – o garoto falou, passando um braço por cima de seu ombro.
- Na verdade, a tem... Mas vamos esperar e notarem nossa presença, primeiro.
- Oh, manés! – jogou uma almofada nos garotos. – Prestem atenção aqui! – gritou, mas nada os fez desviarem os olhos da tela de jogo.
Notando que passariam o resto da tarde esperando os dois, se levantou e foi até o aparelho, o desligando em seguida.
- QUE?
- DUDE, VOCÊ TÁ LOUCO?
e gritaram ao mesmo tempo, ao verem a tela totalmente desligada.
- Estamos tentando falar com vocês. E por acaso vocês se deram conta de que elas estão aqui? – disse apontando para trás e eles acompanharam o dedo do garoto, arregalando os olhos quando finalmente enxergaram as garotas.
- Ei... – falou com um sorriso envergonhado, encarando e sentindo suas bochechas ficarem vermelhas. permaneceu com a cara de bravo que estava por ter desligado o jogo e lançou à um olhar de indiferença.
- Agora fala – sugeriu e todos olharam para .
- Simples, eu ganhei uma promoção e vocês são meus convidados – a garota falou com um sorriso vitorioso.
- E qual seria esse prêmio que é tão importante pra me fazer perder uma partida? – perguntou, franzindo a testa.
- Uma viagem de dez dias a Cancun, para dez pessoas. E todos aqui estão incluídos! – bateu palminhas, enquanto observava as diversas reações de surpresa que apareciam no rosto de cada um.
- Até o acrescentou, rolando os olhos.
- Façam suas malas, porque decolamos depois de amanhã – concluiu, fazendo com que cada um deixasse seu queixo cair ainda mais.
Quando conseguiram se recuperar do choque, todos começaram a falar ao mesmo tempo, faziam perguntas, bolavam planos.
- Tem certeza que quer viajar de novo? – perguntou baixo no ouvido de , em meio ao tumulto de vozes, e ela pareceu assustada. Ele estava mesmo perguntando se ela tinha certeza sobre querer ir a Cancun?
- , estamos falando de uma viagem a Cancun com tudo pago! Por que eu não iria querer? – perguntou e abriu um sorriso no rosto, enquanto via ele dar de ombros.
- Tudo bem, então. Vamos a Cancun!
- Espera. E quem serão os outros dois convidados? – perguntou, enquanto se recuperava do choque momentâneo, ficando um pouco inseguro.
- Esse é um problema, eu não consigo pensar em ninguém. – franziu a boca de lado e encarou as amigas como se pedisse ajuda.
- Sua prima de Essex? – propôs e a viu negando com a cabeça.
- Qualquer prima que eu convidasse causaria inveja geral no resto da família, fora que todas têm namorado, irmãs... Muito complicado.
- Vocês se lembram do Jimmy? Faz tempo que não nos vemos, mas tenho certeza de que ele ainda é uma boa companhia – comentou, se lembrando do amigo.
James Bourne havia morado em Londres e estudado com eles até metade do segundo ano do Ensino Médio, porém foi obrigado a se mudar com a família para Manchester, após seu pai ser transferido em seu emprego. Desde então, ele fora poucas vezes visitar os amigos, mas todos ainda se lembravam do adorável garoto que tinha uma franja loira com mechas pretas. Jimmy, como era conhecido, tinha como melhores amigos , , e , mas nunca fora um garoto “de um grupo só”. Agradava a todos e era igualmente aceito em qualquer meio, inclusive no de , , e .
- O Jimmy! – exclamou, adorando a idéia. – Ele sempre foi animado, tenho certeza de que sabe como se divertir numa viagem dessas...
- Realmente é uma boa opção, vou entrar em contato com ele e dizer para levar um acompanhante à sua escolha – concordou e todos sorriram, enquanto já começavam a bolar mil maneiras de se divertirem.

O relógio marcava onze horas da noite e o aeroporto fervilhava de gente querendo curtir suas férias. Próximos ao portão de embarque, oito jovens, abarrotados de bagagens, aguardavam ansiosos.
- E se ele não vier? – perguntou aflita, mordendo a ponta de seu dedão. - Quem teve a infeliz idéia de marcar com ele aqui? Nosso vôo já tá chegando e se ele não aparecer, serão duas passagens desperdiçadas. – Fez uma cara chorosa e deu um tapa em sua cabeça.
- Se não fosse ele, não seria ninguém do mesmo jeito. E ele disse que viria, então, ele virá.
- E olha quem tá chegando – apontou e mais à frente puderam ver James se aproximando.
O garoto não estava mais como antigamente. Agora seus cabelos eram de apenas uma cor, castanhos, e também estavam um pouco maiores que o de costume. Levava no rosto, porém, o mesmo sorriso sapeca e caminhava tranqüilo até os amigos, com uma mochila nas costas. Ao seu lado, seguia uma garota loira, baixa e...
- O QUE? – e gritaram ao mesmo tempo ao reparar em quem caminhava junto a James a seu encontro.
- É brincadeira, não é? – continuou, com os olhos arregalados e uma cara de desapontamento.
Alison se aproximava com uma mini-saia e uma blusa decotada, seu sorriso barato no rosto e o cabelo loiro tingido estava preso em um rabo-de-cavalo alto.
- A Alison? – perguntou, incrédula, e notou como ficava tensa ao seu lado.
A garota ainda não tinha esquecido o acontecido de pouco tempo atrás, o espetáculo que Alison dera ao passar uma fita bastante constrangedora para toda a escola, e o fato de ela não ter sido punida por tal atitude.
- , eu não quero que ela vá com a gente – sussurrou no ouvido do garoto, enquanto segurava sua mão e entrelaçava seus dedos com força aos dele.
E ao notar o quanto a garota estava perto, fez o mesmo com .
- Uau, quanto tempo! – Jimmy exclamou com um amplo sorriso, sem notar a tensão que cercava o local, a qual parecia agradar bastante a Alison, que chegava sorrindo cinicamente.
- Você não deveria ter deixado que ele trouxesse qualquer pessoa – cochichou com e a garota franziu a testa.
- Qual era a probabilidade de ser ELA? Eu pensava que eles nem se conheciam, como ia imaginar?
Um a um, Jimmy foi cumprimentando os amigos e todos forçavam ao máximo para não parecerem desconfortáveis com a situação. Alison, por sua vez, permanecia parada um pouco atrás, esperando ser cumprimentada também.
- Pessoal, essa é a Alison... Espera, vocês já se conhecem, certo? – James apresentou a garota e alguns deles forçaram um sorriso.
- De onde vocês se conhecem, Jimmy? – perguntou, segurando firmemente a mão de para dar mais segurança a ela.
- Nossos pais são amigos e no final do ano passado a Alison ficou lá em casa antes de decidir voltar para a escola de vocês – explicou. – Ela é bem animada, achei que seria uma ótima companhia de viagem.
- Prometo que serei a melhor possível, querido. E espero que vocês não se importem de ele ter me convidado...
- Na verdade, a gente se importa, sim – falou impulsivamente e apertou com força sua mão, a reprovando.
- Ela tá brincando, não tem problema algum – ele justificou. – Acho que já passou da hora de deixarmos muita coisa para trás.
deixou sua boca se abrir lentamente e olhou incrédula para o namorado, sem entender sua atitude. se prontificou para defender a amiga, mas a reprovou com o olhar. E logo o aviso de que o vôo havia chegado, interrompeu aquele momento tenso.
Já dentro do avião, os garotos procuraram por seus assentos, que eram próximos uns dos outros, e se acomodaram. seguia com uma cara emburrada e tentava se acalmar, estava chocada demais para conseguir dizer alguma coisa. A viagem dos sonhos estava começando a se tornar um pesadelo para ela.
- É a primeira vez que viajamos de avião juntos. Eu não sei se você tem medo... Quer segurar minha mão? – questionou sorrindo, estendendo a mão para , que estava ao seu lado de braços cruzados e encarando a janela.
- Não – respondeu seca, sem desviar seu olhar do aeroporto, que já começava a ficar para trás, à medida que avião começava a se movimentar. rolou os olhos.
- Agora a culpa é minha?
- Você podia ter me deixado falar a verdade!
- E você conhece uma coisa chamada educação? Além de que o Jimmy não sabe do que aconteceu e a trouxe com a melhor das intenções. É só ignorar a presença dela, você é boa nisso de ignorar as pessoas.
semicerrou seus olhos e virou seu corpo todo de frente para a janela, dando as costas ao garoto, mas então sentiu que ele mexia em algo que estava ao seu lado e passava por sua cintura.
- O que está fazendo? – perguntou, olhando para as mãos do garoto.
- Colocando seu cinto – sorriu, ignorando o mal-humor da garota e pegou sua mão à força, sabendo que assim que o avião tirasse as primeiras rodas do chão, ela ficaria assustada.
não tentou lutar, sabia que ele estava certo. E assim que começou a decolagem, seu coração disparou e um enorme frio surgiu em seu estômago. Ela fechou os olhos e apertou a mão de , que segurou uma risada ao ver o quanto ela estava assustada. Depois que já estavam completamente estáveis no ar, toda a tensão que havia entre os dois se foi, juntamente com o medo de . Não que ela concordasse com o que ele havia feito no saguão do aeroporto, mas não dava pra continuar emburrada quando sabia que estavam indo a Cancun, mesmo que aquela viagem contasse com Alison mais perto do que deveria.
Tentando esquecer aquela infeliz coincidência, começou a conversar com coisas banais, como as cidades que ficavam passando embaixo deles, ou as nuvens, ou como seria o hotel onde ficariam hospedados. E após longos minutos de conversa, eles resolveram que o melhor seria descansar, para que pudessem chegar bem dispostos ao local. abraçou o corpo do namorado e se deixou aconchegar em seu peito, enquanto sentia o sono começar a chegar.
A garota dormiu por algumas horas, mas acabou despertando no meio da madrugada ao ouvir algumas risadas baixas e um pedido de silêncio, seguido por mais uma risada. Abriu os olhos rapidamente e se assegurou de que ainda dormia, abraçado a ela. Tentou fazer seus olhos se acostumarem a escuridão do avião e aguçou seus ouvidos para identificar de onde vinham os sons, já esperando ver Alison com mais alguém. Mas o que viu foi algo totalmente inesperado, se sentava ao lado de , que dormia babando no travesseiro, e se sentava mais à frente, com um sorriso no rosto, ao lado de , que também dormia. demorou um pouco a entender o que estava acontecendo e, quando finalmente o fez, cutucou para que ele acordasse.
- Que? – o menino perguntou com a voz rouca de sono e pôs o dedo indicador na boca, pedindo silêncio. Em seguida, ela apontou para , que voltava correndo e cochichava algo no ouvido de , antes de dar um pequeno beijo em seus lábios e voltar a seu lugar.
Ao ver aquilo, acordou por completo e olhou para , boquiaberto. Os dois riram baixo e esperaram por mais algum acontecimento, mas tudo permaneceu quieto. Eles então voltaram a se ajeitar para dormir, notando que já havia passado a melhor parte da noite e que, provavelmente, e não aprontariam mais. Apesar de que, assim que o avião tocasse novamente o chão, eles teriam que dar algumas explicações...

Capítulo V

- Bom dia! Sejam bem-vindos ao Grand Oasis Playa Hotel. Os quartos reservados para vocês estão no terceiro andar e nossos carregadores levarão suas bagagens – uma mulher de aparentemente 30 anos, cabelos castanhos lisos e longos, presos em um rabo-de-cavalo alto, veio os receber com um forte sotaque mexicano, assim que eles entraram no hotel.
- Muchas gracias! – agradeceu com um enorme sorriso no rosto, arriscando um espanhol embolado, e e cochicharam em seu ouvido ao mesmo tempo:
- Como ela sabe que somos nós?
- Quanto você gastou nessa promoção?
- Nosso jantar já está servido - continuou a moça simpática. - Desejam comer agora ou ir a seus aposentos?
- Eu tô com fome – reclamou, vendo no relógio que estava atrás da mulher que já se aproximava das sete horas da noite.
- Eu estou meio perdida com esse fuso-horário, mas tudo bem, vamos comer – respondeu.
- Está bem. Sigam-me, por favor.
Os dez a seguiram e foram levados ao restaurante. O lugar era enorme e suas paredes, todas de vidro, permitiam que os hóspedes vissem a praia de areia branca e fina e a luz da lua refletida no mar de água azul escuro.
- Uau! Tudo aqui é lindo! – exclamou com os olhos brilhando. No salão diversos mexicanos e outros estrangeiros jantavam, alheios aos dez adolescentes que entravam empolgados no local.
- Dá vontade de não dormir para não perder nem uma hora dessa viagem – comentou rindo e acompanhou os amigos, que escolhiam as mesas.
- , devemos muitos a você! Obrigado por ganhar e nos convidar – falou sorrindo e nem percebeu que, ao seu lado, e trocavam um olhar malicioso.
- Acho que você já agradeceu bastante essa noite, não é, ? – questionou rindo e viu que o amigo arqueava uma sobrancelha, como se não houvesse entendido. Porém, já sentia suas bochechas começarem a arder e corar.
- A gente viu. Não sei por que vocês têm a mania de querer esconder tudo de nós – completou.
- Parece que perdi muita coisa por aqui... – Jimmy falou, sorrindo. – A última notícia que fiquei sabendo foi o que Alison me contou sobre ela e... – ele ia dizendo, mas o garçom se aproximou e perguntou o que eles desejavam comer. James interrompeu sua fala e quase todos ali respiraram aliviados. Eles sabiam que seria o nome que completaria aquela frase, e aquilo não seria muito agradável.
Todos fizeram seus pedidos, embora alguns tenham demorarado bastante para escolher, e logo o garçom se afastou novamente.
- Você não faz idéia do quanto perdeu – começou a falar logo, antes que ele retomasse sua fala, e e se levantaram, com a desculpa de que precisavam ir ao banheiro.
Então, ignorando completamente a presença de Alison, embora estivesse medindo suas palavras, a garota atualizou o amigo com os recentes acontecimentos. E completou, contando a todos o que vira no avião. tentou se justificar, mas logo percebeu que era melhor ficar quieto, antes que se comprometesse ainda mais.
Os pedidos não demoraram a chegar e todos puderam jantar. Estranharam um pouco os temperos, mas logo perceberam o quanto estava delicioso e se encheram de comida.
Após o jantar, eles voltaram a se reunir no hall do hotel, para que decidissem seus quartos e pudessem descansar. tentava se manter o mais distante possível de , se sentindo envergonhada, e , sempre que podia, lançava à amiga um olhar acusador, apenas de brincadeira.
- Nossos quartos são no terceiro andar, são cinco quartos duplos, do 359 ao 363 – explicou a todos, enquanto analisava alguns papéis que havia recebido sobre sua premiação. - Como nos dividimos?
- Eu a ficamos com um – propôs, com um sorriso safado no rosto, e o encarou com uma expressão nada amigável.
- Aqui é um ho-tel, dude! Com agá no início – alertou , brincando.
- Nada de casais! – disse, já imaginando quem sobraria para ela.
- E eu não vou ficar num quarto com o ! Ele ronca – reclamou e os garotos se entreolharam. Ele tinha razão.
- Vamos fazer um sorteio – afirmou e ninguém a contestou, afinal, ela era quem mandava naquela viagem. A garota pediu um papel e uma caneta na recepção e escreveu todos os nomes ali, recortando a folha em tamanhos parecidos depois e os dobrando. juntou suas mãos, fazendo uma cumbuca e depositou os papeizinhos ali.
- Vamos ver... Primeiro, no quarto 359, vão ficar... – Enfiou sua mão entre as do garoto e puxou dois pedacinhos de papel. – Eu e... – falou sem entusiasmo na voz.
- Eu tiro o próximo – propôs e imitou o que a garota havia feito. – e... Jimmy.
olhou para o amigo e sorriu, recebendo um sorriso sincero em troca.
- Vamos ver... – se arriscou e puxou também dois papéis. – e .
- Droga! – falou, franzindo a testa, e rolou os olhos.
- Continua a tirar os papéis, pediu, ainda esperançoso de sair em um quarto com ela.
Foi só naquele momento que a garota se deu conta dos três nomes que haviam sobrado junto ao dela: , sua melhor amiga. , seu namorado. E Alison, que era... Alison.
- Ok – ela falou, respirando fundo e puxando mais dois papéis. – e... – Hesitou em abrir o segundo papel, mas logo tomou coragem e o fez.- E – falou desanimada e fuzilou sua amiga com o olhar.
Mas só depois ela se deu conta de quem era a última dupla: ela e Alison! Não podia ser verdade...
- , – ela chamou baixo o garoto e ele a olhou – eu não quero ficar no quarto com a Alison – cochichou e ele a abraçou rindo.
- Pensa bem, se não fosse com você, ela teria que ficar com a , que tem mais motivos para não gostar dela... Ou comigo.
franziu a testa e então concordou.
- Eu também tenho motivos, mas você tem razão – falou, tirando de sua cabeça o pensamento de Alison e dormindo no mesmo quarto.
Após o sorteio, todos se organizaram e foram para seus respectivos quartos, afinal, tanto tempo dentro de um avião era de deixar qualquer um exausto. fora completamente de mal-humor até o seu. Já não gostava da idéia de ter Alison na viagem e ainda seria obrigada a dormir ao seu lado.
- Vamos fazer o seguinte, - começou a falar assim que as duas entraram no quarto – há uma linha aqui no meio. Está vendo? – perguntou, desenhando com um dedo no ar uma linha que dividia o quarto ao meio, ficando uma cama de cada lado. – Esse é seu lado e o daqui é o meu. A menos que você queira usar o banheiro, você está proibida de ultrapassar essa linha, assim como estou eu. Combinado?
- Como você quiser... – Alison riu, enquanto rolava os olhos e remexia sua bolsa. – Eu vou tomar um banho. - A garota pegou suas roupas e foi ao banheiro, enquanto pegava um livro em sua bolsa e se jogava na cama para começar a lê-lo.
Cerca de vinte minutos depois, Alison retornou ao quarto com seu micro pijama. tentou se manter concentrada em sua leitura, mas isso foi impossível ao ver que a garota, após deixar sua roupa suja na mala, ultrapassava a linha imaginária e seguia em sua direção.
- Alison, a linha... – disse, abaixando o livro de sua vista e a encarando seriamente. Porém, ao invés de deter seus passos, Alison seguiu até a cama de e se sentou na beirada, fazendo com que com um gesto automático, a garota se sentasse e deixasse o livro de lado.
- Pirou, garota? Esqueceu que você tá proibida de vir pra cá?
- , eu quero propor um acordo de paz – Alison respondeu com a voz calma. – Eu sei que a gente não se dá bem, sei que somos completamente opostas, mas não tem por que ficarmos brigando feito cão e gato nessa viagem. Nós duas viemos para nos divertir, não é?
- Não temos motivos? Sim, você pode não ter motivos pra brigar comigo, mas eu tenho muitos! Agora, por favor, respeite nosso combinado e volte para o seu lado do quarto – falou nervosa, tentando se segurar para não ser mais ignorante do que já estava sendo.
- Não seja imatura, você já está no terceiro ano. Você vai querer mesmo atrapalhar a viagem dos seus amigos por conta de uma briguinha besta?
- Presta atenção, garota, a única que está atrapalhando a viagem é você. Não percebe que ninguém quer sua presença aqui? Pra todos nós, você e seu irmão são dois babacas que nunca deveriam ter voltado àquela escola. Você e sua família podiam desaparecer das nossas vidas de uma vez por todas! – rebateu, finalmente podendo dizer tudo o que sempre estivera entalado em sua garganta, apenas se segurando para não gritar, pois não queria que os outros fossem ver o que estava acontecendo. Alison permaneceu a encarando com um sorriso cínico nos lábios.
- Agredindo também a minha família, hein? Bem típico de você, . Aliás, será que eu posso saber o que algum deles já te causou?
- Você tá brincando, não é? – soltou uma pequena risada nervosa. – Então não sabe o que seu irmãozinho fez e que, coincidentemente – fez sinal de aspas com as mãos no ar - você fez questão de lembrar a todos há poucos dias? Você pode estar fingindo que não se lembra, Townsend, mas eu não me esqueci.
- Ah, você tá falando do ecstasy... – Alison supôs rindo e se levantou da cama de para ir até a sua. – Acha mesmo que a idéia foi do Rich? Por...
- Pode parar! – a interrompeu antes que ela concluísse sua fala. – Não precisa tentar inventar nenhuma desculpa para livrar seu irmão, eu não acredito em uma palavra que sai da sua boca.
- Tudo bem, se quer continuar sendo essa garotinha tapada de conto-de-fadas, fique à vontade – Alison rebateu, perdendo a máscara de cinismo que levava no rosto. – Mas eu não vou deixar a culpa cair sobre o Rich. Sim, foi ele quem entregou a bala ao , mas aquilo não era dele, muito menos a idéia de fazer algo a você – ela explicou e notou que rolava os olhos, sem acreditar no que ouvia. – Você tá acostumada a ser o centro da atenção de todo mundo, mas já passou da hora de você saber que não passa de uma garotinha chata e fresca. Meu irmão nunca nem soube quem era , você nunca foi NADA para ele. Agora, me dá um motivo pra ter sido ele o dono da idéia de te drogar.
sentiu seu sangue correr mais rapidamente por suas veias e sua respiração ficar mais pesada. Sua vontade era voar na cama de Alison e arrancar todos os fios daquele cabelo tingido da garota, mas se conteve e apenas tratou de pensar em alguma boa resposta. Ela abriu a boca duas vezes, mas não conseguia pensar em nada para dizer. Então, decidiu fingir que acreditava e entrar no jogo de Alison, só para ver até onde sua história iria.
- Ok, digamos que eu acredite em você. O Richard não tem motivos para ter me dado o ecstasy, então quem tem? Mas, por favor, não venha dizer que foi o porque senão sua historinha vai ficar bem mais ridícula.
- ? – Alison riu debochadamente. - Aquele ali foi outro besta que se perdeu todo no meio da confusão. Aliás, vocês dois me devem um agradecimento, afinal, se eu não tivesse passado aquela fita, vocês estariam até hoje sem conversar, igual dois meninos do jardim-de-infância.
- Não desvie o assunto. Quem foi?
- Se eu te dissesse, eu estaria traindo a confiança do Rich, que foi quem me contou – Alison disse e riu, como se dissesse “eu sabia que você não teria a quem acusar”. – Mas posso te dar dicas. Acho que você não é tão burra que não vá descobrir logo... Basta pensar , quem poderia querer fazer algo para afastar o de você? Quem mais, que você conhece, mexe com drogas? Só pare um pouco para pensar e você vai descobrir quem foi – ela disse e deu um sorriso. Logo, finalizou: - Agora vou dormir, porque quero aproveitar essa praia maravilhosa amanhã bem cedo. Boa noite.
Alison se deitou em sua cama, virada para a parede, e deixou perdida em seus pensamentos. Era óbvio que ela não deveria acreditar nas palavras daquela garota, mas se ela estivesse falando a verdade, tudo indicava que o culpado era... Não, não podia ser!
guardou o livro que estava lendo anteriormente e apagou a luz antes de se deitar. Ela precisava dormir e esquecer aquela conversa, pois não queria se deixar levar pelas idéias de Alison, mas sua mente parecia não querer descansar e revivia todas aquelas palavras. fechou seus olhos e, assim como a outra garota, se virou para a parede, mas, ao invés de o sono chegar, sua memória começou a funcionar mais nitidamente.

Flashback
- Tem um garoto ali que não tira o olho de você – cochichava no ouvido de , rindo um pouco.
Estavam na casa de Alison, mais precisamente onde estava montado o bar, durante a festa de encerramento do segundo ano colegial.
- Onde? – a garota questionava, mordendo de leve a beirada do copo que levava em mãos e analisando todo o ambiente.
- Canto esquerdo da sala... Loiro, de olhos verdes – dava a descrição e rapidamente os olhos de se encontraram com os brilhantes faróis verdes que o garoto levava no rosto.
- Uau! – ria, voltando a olhar para o balcão e depositando ali seu copo.
- Se eu fosse você iria lá – dizia, se intrometendo na conversa. – Não é a primeira vez que vejo esse garoto te encarando... Você era a principal atração dele na hora dos intervalos na escola.
Fim do flashback

O coração de estava disparado, aquilo não podia ser verdade. Enquanto ela lutava contra as imagens que tentavam invadir sua mente, algumas frases que ela havia ouvido há alguns dias pairavam em sua cabeça: “você sabe que sempre se destacou dentre as garotas para mim”; “eu não sei se era coisa da minha cabeça, mas antes daquela festa eu me lembro de que a gente trocava alguns olhares...”. O próprio Jonathan a havia dito aquilo.
Ela precisava parar de pensar naquelas coisas, mas sua mente parecia ter vontade própria e seguia mostrando o que ela se negava a ver.

Flashback
e discutiam sobre uma armadilha que ele havia preparado para tirar Jonathan de perto dela, no parque de diversões, enquanto cumpriam a pena de ficarem sete minutos trancados na dispensa da casa de Alison, durante um jogo de Verdade ou Conseqüência.
- Eu precisava achar uma maneira de tirá-lo dali, então liguei pro Richard e perguntei se ele sabia de alguma confusão na qual o Jonathan estava metido, já que eles estão sempre juntos nossas merdas... – dissera.
Fim do flashback

Eles estavam sempre juntos nessas “merdas”... Uma lágrima quente rolou pela face de até chegar a seu travesseiro.

- Não, Jonathan! John, para! Me larga! – gritava, tentando escapar das mãos de Jonathan, que a seguravam com força.
O garoto tentava colocar um comprimido pequeno e branco na boca de e ela lutava inutilmente. Quando ele finalmente conseguiu fazer o que queria, ela o encarou com os olhos marejados. Mas não foi Jonathan que enxergou.
- ?

- Acorda, amor...
ouviu alguém dizer perto de seu ouvido, enquanto sentia alguns beijinhos em seu pescoço e um carinho em seus cabelos, então abriu os olhos, com o coração disparado, se libertando de seu sonho agonizante.
- Levanta, minha linda, vamos tomar café – insistiu, distribuindo beijos agora por seu ombro e braço e ela se remexeu na cama, resmungando. – Deixa de preguiça...
- , eu não dormi nada essa noite, me deixa um pouquinho mais – reclamou, se virando de costas para o garoto e fechando novamente seus olhos.
- Você quer que eu saia? – ele perguntou, franzindo levemente a testa, e ela concordou com a cabeça. – Tudo bem, mas não demora muito, tá? – pediu, antes de dar um beijo na bochecha da garota e deixar o quarto.
Assim que ouviu a porta se fechar, respirou fundo e tentou tirar aquele sonho de sua cabeça para poder dormir mais um pouco, mas seu esforço foi inútil, sua mente parecia ainda não querer obedecê-la. Ela rolou na cama por mais alguns minutos, mas já não sentia mais sono, então decidiu se levantar, fazer sua higiene matinal e ir até onde estavam os garotos.
- Bom dia... – disse com a voz arrastada, se aproximando dos amigos, que conversavam animadamente no salão de café da manhã. Ela levava seus óculos escuros no rosto, para tampar as olheiras e disfarçar a cara de quem não havia dormido direito à noite. Passou os olhos por todos que estavam na mesa e, quando eles se encontraram com os de Alison, ela decidiu que tinha algo a fazer antes de começar seu dia. – Alison, será que a gente pode conversar?
Assim que falou, todos os assuntos paralelos foram interrompidos e seus amigos a encararam de modo que parecia que ela havia falado o maior absurdo possível. Alison, por sua vez, apenas afirmou com a cabeça e a seguiu até um lugar mais afastado, embora todos permanecessem observando-as.
- Primeiramente, quero deixar claro que ainda não acredito em suas palavras. Mas, supondo que seja verdade, eu quero sua confirmação... Foi o Jonathan? – perguntou sem rodeios e depois, involuntariamente, prendeu sua respiração.
Alison demorou alguns segundos, que pareceram horas, para responder, mas logo abriu um pequeno sorriso e disse:
- Eu sabia que você não era tão burra...
- Mas... Por quê? Isso não tem lógica, eu não acredito – contestou, sentindo seu coração bater forte e apertado.
- Então não acredite. Eu estou sendo legal com você, tô tentando fazer valer nosso acordo de paz, mas se quiser continuar vivendo em seu mundinho cor-de-rosa, cheio de fadinhas e duendes, eu não posso fazer nada.
- Não é essa a questão! Eu não consigo entender por que ele faria isso... Se ele tava interessado em mim, por que me faria mal?
- Vamos voltar ao começo. Você e o eram melhores amigos, estavam apaixonadinhos, e o Jonathan estava interessado em você, mas sabia que se tentasse se aproximar, tanto o quanto o , o afastariam. Ele vê na festa a oportunidade perfeita para o falhar com você, ele te ajudar e ser seu herói, mas o Jones não desgrudou do seu pé e te trancou no meu quarto. Quando ele pensa que o plano deu errado, por algum motivo você pira com o . A partir daí foi só bancar o amiguinho legal, que te apóia quando você tá vulnerável, e pronto! Ele tinha você nas mãos – Alison explicou e abriu um amplo sorriso, enquanto franzia sua testa e tentava esconder seu desespero.
- E por que eu deveria acreditar nisso?
- Eu não estou dizendo que deveria, só acho que se você analisar a situação vai ver que eu tô falando a verdade. Por mais que você duvide, eu não tenho por que mentir sobre isso e acho que sou a pessoa que mais sabe sobre o assunto, já que naquela época o John e o Rich eram bastante amigos... Então, você decide em que quer acreditar, mas só te digo pra sair desse conto-de-fadas em que você vive e vir para a realidade, que é bem diferente do que você imagina – Alison disse calmamente e finalizou com um sorriso.
buscou nos olhos da garota alguma chance de ela estar mentindo, mas eles pareciam mais confiáveis do que nunca. Com vontade de enfiar sua cabeça em um buraco e não tirar de lá nunca mais, não teve uma resposta para dar.
- Agora, com licença, vou terminar meu café e ir à praia – Alison concluiu e voltou à mesa.
ainda ficou parada por um tempo, sem saber o que fazer. Por mais que se sentisse insegura em relação a confiar em Alison, ela tinha que admitir que aquela versão dos fatos fazia sentido e, como ela mesma já havia percebido anteriormente, Jonathan não era nada do que ela acreditava ser. O único que podia fazer naquele momento era engolir o choro e ir se sentar com seus amigos, apesar de saber que aquele dia não seria muito agradável para ela.
Após ter retornado à mesa, alguns pequenos assuntos surgiram, mas todos ainda se perguntavam o que as duas garotas haviam conversado, já que eram inimigas declaradas. O único que não se importava era James, que seguia contando alguns casos de sua escola em Manchester.
Os dez garotos não demoraram a terminar o café e então todos partiram para a praia, animados a curtir ao máximo aquela viagem. Enquanto os meninos corriam direto para o mar, as meninas arrumaram algumas cadeiras de praia e começaram a conversar. Já sabendo que ficaria um pouco deslocada entre elas, Alison apenas avisou que faria uma caminhada.
- Pode começar a contar, o que você tinha tão importante para tratar com a Alison? – iniciou a conversa, assim que as garotas ficaram sozinhas.
- É mesmo! A gente tá começando a ficar com medo. Você pedindo pra falar com ela, deve ser algo realmente sério – comentou. então respirou fundo e encarou suas amigas, sabendo que não haveria como esconder nada daquelas três.
- Ontem à noite ela veio com um papo de tratado de paz, disse que não queria brigas que estragassem essa viagem. E, sabe-se lá porque, ela achou que seria bom selar o acordo me contando uma coisa sobre a festa do ano passado. – mordeu seu lábio inferior e começou a encarar seus pés, que desenhavam coisas sem sentido na areia. – Segundo ela foi o Jonathan que pediu ao Richard para entregar o ecstasy ao . Foi a forma que ele encontrou pra nos afastar e se aproximar de mim. E o pior é que eu acho que ela tem razão... Só não sei se deveria contar ao – ela falou, tentando se manter calma.
- Posso fazer uma observação, primeiro? – pediu. – Esse papo de tratado de paz não cola pra mim.
- É claro que não! – concordou. – Ela propôs isso porque tá se sentindo ameaçada. Aqui ela não pode fazer nada com a gente, porque seriam, no mínimo, oito contra um. Fora que, se quiséssemos, nós poderíamos aprontar tranquilamente com ela. É muito mais cômodo se assegurar com um tratado de paz furado.
- É verdade... Mas eu acho que ela tá certa em relação ao Jonathan. Nós todas já sabemos do que ele é capaz – falou e concordou.
- Quanto a falar com o , isso cabe a você decidir. Eu, particularmente, acho que essa história já acabou. O Jonathan está em outra cidade, totalmente fora da sua vida, e vocês dois já estão bem – dizia, sem perceber os sinais de para que ela parasse de falar. – Mas, se quer contar ao , conte.
- Me contar o que? – perguntou, parando ao lado de , com a testa franzida por causa do sol e um sorriso sapeca no rosto. Estava todo molhado e escorria água das pontas de seus cabelos bagunçados.
- Que a tá grávida! – brincou, para tentar desviar o assunto.
- Do Divino Espírito Santo – completou, antes que ele interpretasse erroneamente aquela frase.
encarou , tentando pedir desculpas através dos olhos, pois não vira que ele se aproximava, e a garota abriu um sorriso sincero em resposta. Talvez fosse melhor mesmo deixar tudo bem claro com ele.
- Vamos dar uma caminhada e eu te conto, – ela propôs e se levantou ao vê-lo concordar, embora não estivesse entendendo nada.
- É algo sério? – perguntou, quando ela entrelaçou seus dedos nos dele e os dois começaram a caminhar.
- Não, é só uma coisa que a Alison me contou. Na verdade, nem sei se deveríamos falar sobre isso, já que esse assunto já está encerrado entre a gente... É sobre algo daquela festa – ela disse e olhou para , notando que ele prestava bastante atenção.
- Tudo bem, me fala. Acho que a gente tem que quebrar esse tabu de nunca tocar nesse assunto – respondeu e ela respirou fundo antes de começar a contar.
- Segundo a Alison, não foi o Richard que te deu aquele ecstasy...
- Foi ele sim, . Você não viu? Na fita da pra ver quando ele me entrega o comprimido – a interrompeu e sacudiu a cabeça.
- Eu sei... Eu sei. Foi o Richard quem te entregou, mas a idéia não foi dele – ela se explicou e viu que franzia testa. – Ontem a Alison começou a me dizer algumas coisas e acabou me contando que, na verdade, o Richard te entregou aquilo no lugar de um remédio a pedido do... Jonathan.
Assim que terminou de falar, sentiu que detinha seus passos bruscamente. Ele semicerrava os olhos e abria levemente a boca. A garota ficou em silêncio, enquanto aguardava uma resposta dele.
- Você tá brincando, né? – soltou uma risada nervosa. – Aquele desgraçado! Tinha que ser culpa dele, obviamente.
- , a gente nem sabe se é verdade... Só estou te dizendo isso porque...
- É claro que é verdade. Eu deveria ter pensado nisso há mais tempo... É claro! Eu me lembro agora, no meio da festa eu disse ao que te pediria em namoro e o Jonathan estava lá. Ele estava bebendo ao lado do e provavelmente ouviu o que eu dizia. Obviamente ele pensou em uma forma de nos fazer brigar e o que me deixa mais nervoso é pensar que ele conseguiu o que queria – falava compulsivamente, sentindo seu sangue correr quente por suas veias. – Eu juro que se não estivesse tão longe, iria atrás desse garoto agora e o faria pagar por tudo isso.
- Ei, ! – entrou na frente de seu namorado e segurou seu rosto com as duas mãos. – Olha pra mim, isso já acabou. O Jonathan está em outra cidade, a gente já se entendeu, já tá junto, não precisamos mais pensar nisso... Eu só te contei porque pensei que seria bom você saber que não foi tudo culpa do Richard.
- Eu me lembro que o Richard parecia tão ressabiado ao me entregar o comprimido. Se fosse idéia dele, ele estaria bem certo do que estava fazendo.
- Ok. Agora já acabou, não é? – ela falou, tentando acalma-lo. – Eu não gosto de te ver assim, . Vamos deixar esse assunto agora, tá? – pediu, mas viu que ele sacudia a cabeça negativamente.
- Eu odeio me lembrar do quanto eu fui estúpido. Eu te fiz sofrer por conta de uma burrice. Eu deveria ter desconfiado, ter percebido o que era aquilo, mas eu estava cego, preocupado. Me perdoa, ... – sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e o olhou emocionada.
- Meu amor, você não tem que me pedir perdão. Aquilo foi um grande mal-entendido, nós já sabemos disso. A única pessoa estúpida aqui fui eu, por ter continuado confiando nele e te tratando mal, embora nada daquilo fosse sua culpa. Por favor, vamos esquecer isso de uma vez por todas. Olha o lugar lindo onde estamos e estamos bem. Eu te amo, ! É isso que importa... – respondeu emocionada e ele colou seus lábios nos dela, enquanto deixava umas pequenas lágrimas rolarem de seus olhos.
- Olá, casal! – uma terceira voz se fez presente, então, interrompendo o momento romântico dos dois. – Opa, tô atrapalhando, né? – Alison perguntou, quando a olhou com cara de poucos amigos e enxugou seu rosto. – Pela expressão dele, tô vendo que você já o contou... – disse se dirigindo a .
- É, ela me contou – respondeu secamente.
- Me desculpa, Alison, mas eu gostaria de te pedir que não tocasse mais nesse assunto, pode ser? Já está tudo esclarecido e eu prefiro esquecer o que aconteceu – pediu encarecidamente.
- Por mim, tudo bem, só achei que você deveria saber aquilo – ela sorriu e logo continuou a andar. – Estou voltando ao hotel, não se esqueçam de que daqui a pouco é o nado com os golfinhos! – ela gritou, quando já estava um pouco mais longe.
e permaneceram por um momento onde estavam, mas logo a seguiram, eles não queriam que os amigos atrasassem sua programação por conta deles.
Os dez garotos se reencontraram e foram juntos ao hall do hotel, onde encontrariam um guia que os levaria ao aquário para uma visita aos golfinhos, que também os permitia nadar junto a eles.
Após uma breve explicação do guia, eles foram levados ao lugar e passaram o resto da tarde se divertindo na água. se recusou a nadar com um golfinho, pois o julgou grande e perigoso demais. Já os outros garotos se divertiram ao máximo com os fofinhos do mar.
Naquela noite, eles não tiveram nenhuma programação muito agitada, já que guardavam as melhores coisas para os próximos dias. Ao terminarem de jantar, o hotel os ofereceu uma sessão de massagens, e logo após estarem bem relaxados, eles aproveitaram para ir dormir.
não tivera muita dificuldade para pegar no sono, pois, apesar de ainda se sentir chateada, estava exausta pela noite anterior mal dormida e o dia bastante agitado. Ela decidira que não pensaria mais em nada do que havia acontecido antes, pelo menos durante a viagem. Ali ela iria esquecer qualquer rastro da garota problemática que costumava ser em Londres e apenas curtir com seus melhores amigos, seu namorado e... Bom, sempre tem que ter alguém para atrapalhar, né?
E, assim que fechou os olhos, pela primeira vez em muito tempo, ela não sonhou com nada.

Capítulo VI

Era noite e os garotos haviam se reunido em um quarto, expulsando as garotas para outro lugar, a fim de bolarem um plano. Durante a tarde, havia sugerido a eles que saíssem à procura de diversão pelo local e aproveitassem uma noite só para homens, mas, para isso dar certo, eles precisavam encontrar uma maneira de despistar as namoradas e amigas.
- A gente pode dizer que vai jogar videogame em algum lugar... – propôs.
- A ia querer ir junto – respondeu, já tirando aquela idéia da cabeça. – Talvez futebol... Não, elas provavelmente iriam também.
- Ah, galera, não interessa! – falou. – Digam que nós vamos fazer coisas de garotos, que não queremos que elas venham com a gente e ponto.
- Muito fácil pra você, Poynter! – contestou rolando os olhos.
- Já sei, falem para elas que vamos assistir a um jogo em um salão que fica lotado de homens, que nenhuma mulher vai lá, logo vocês não querem que elas vão para os caras não mexerem com elas... - Jimmy sugeriu e encarou os amigos, que pareceram concordar.
- Talvez dê certo... – coçou o queixo, analisando a idéia.

- Por que a gente não pode ir também? Achei que essa viagem era pra curtirmos juntos... – reclamou assim que os garotos explicaram a elas seu falso programa.
- Nós iremos curtir a viagem toda juntos, meu amor, mas a esse lugar só vai homem, não vai ser legal vocês lá no meio.
- A gente não quer aquele bando de caras olhando pra vocês – completou e após alguns rolares de olhos, elas pareceram concordar.
- Não demorem e não bebam muito. Amanhã temos passeio de Jet Ski pela manhã, não se esqueçam disso... E muito juízo, ok? – recomendou e eles concordaram.
- Tá parecendo minha mãe – reclamou e os garotos riram.
Com alguns beijos carinhosos e abraços desajeitados, eles se despediram e logo deixaram o quarto onde as garotas estavam reunidas. Já haviam se arrumado antes de falar com elas, então foi só sair dali que eles começaram a colocar seu real plano em prática.
havia convencido os amigos a passarem uma noite de loucuras, com a desculpa de que eles não iriam a nenhum lugar parecido àquele havia um bom tempo. A verdade é que ele sentia falta da companhia dos amigos em suas bebedeiras e nas coisas que aprontava já que, além de Jimmy, agora dois estavam namorando e o outro estava indo pelo mesmo caminho.
Sem precisar insistir muito, ele convenceu os quatro garotos a o acompanharem naquela noite até uma festa que havia sido anunciada em um panfleto que encontrara jogado no saguão do hotel. No papel havia fotos de mulheres sensualmente vestidas, uma linda cachoeira artificial iluminada e um slogan bastante chamativo “Cancun Beach: the night that will change your life!" (Praia de Cancun: a noite que irá mudar sua vida!). Eles não precisaram pensar muito para decidirem o programa daquela noite.
- Liberdade! – gritou levantando os braços, assim que eles saíram do hotel, arrancando risadas dos amigos.
- Se você gritar mais alto elas vão ouvir e aí vai ficar ruim pra gente – advertiu o garoto, que deu de ombros e começou a analisar o local, tentando encontrar um modo de chegar a tal festa.
- Acho que aqueles caras estão indo pra lá... – Jimmy apontou para dois rapazes que passavam vestidos como havaianos. – Ei, dudes! Vocês estão indo à festa?

Dentro do hotel, , , e conversavam no quarto de sobre o que fariam naquela noite. Alison havia decido ficar em seu quarto mexendo na internet, para a alegria das garotas.
- Já que os meninos foram para um programa masculino, podíamos também fazer algo só para garotas... – propôs.
- Tipo o que? Pintar a unha, se maquiar, brincar de casinha... Eca, né? – reclamou. – Nós estamos no terceiro ano, estamos curtindo uma viagem em Cancun, eu proponho que procuremos uma festa!
- Festa? Você está louca, ? Você diz isso porque está solteira. Se o e o souberem que fomos a alguma festa, vão ficar muito bravos com a gente – discordou da amiga e se manteve neutra.
- Ela tem razão... E não precisamos brincar de casinha. Podemos pedir alguma bebida ao serviço de quarto e aproveitarmos essa noite igual costumávamos fazer, com brincadeiras e perguntas indiscretas. Apesar de que já nos conhecemos o suficiente para sabermos as respostas umas das outras... – falou.
- É, , acho que é mais tranqüilo ficarmos no quarto mesmo – disse e acabou se rendendo.
As garotas demoraram um bom tempo decidindo o que pediriam e logo depois que a bebida chegou, elas começaram a brincar. Na verdade, não precisavam de bebida, nem de nenhum outro programa. Não importava o que estivessem fazendo, elas eram tão amigas que qualquer coisa as divertia, contanto que estivessem juntas.

- Era isso que eu estava esperando a minha vida inteira! – Jimmy comemorou, observando as garotas de biquíni que passavam ao seu lado.
Os cinco garotos estavam parados em frente ao local onde a festa acontecia. Estavam abobados. Todo o ambiente estava iluminado com luzes fluorescentes que reproduziam o luar. Milhares de garotas passeavam com biquínis minúsculos e algumas se molhavam na enorme cachoeira artificial que estava montada ao fundo. À direita de onde estavam, podia ser visto o bar, onde barmans preparavam as mais diversas bebidas e algumas garotas já começavam a rir demais e a cair. Havia também as que passavam pelos convidados colocando neles alguns colares de flores, como haviam acabado de fazer com , , , e Jimmy.
- Isso é o paraíso! Não se esqueçam de me agradecer por ter arrastado todo mundo pra cá hoje, ok? – disse sorridente e logo acompanhou com os olhos uma loira que ia a caminho do bar. – Com licença, já tenho minha primeira missão. – E logo ele se afastou dos amigos.
- O vai pirar... – falou rindo, mas logo se calou ao ver uma morena vindo sorrindo em sua direção.
- Dude, estamos ferrados! – cochichou para , que apenas concordou com a cabeça, receoso de dar seu primeiro passo para dentro daquela festa.

- Você fez o que? – perguntou quase gritando a , morrendo de rir em seguida.
Já havia se passado um bom tempo desde que a brincadeira havia começado e todas as meninas estavam em um estado mais “alegre”. Riam de qualquer resposta, inclusive de um tropeção que alguém havia levado, como acabara de relatar.
- Vocês não sabem de nada... Teve um dia em que tinha um garoto lindo na casa da minha avó, porque era aniversário dela – começou a relatar, embolando sua língua. – Minha tia havia feito feijoada e eu comi, mas eu não posso! Feijoada me faz muito mal, então imaginem a situação... O garoto veio falar comigo bem na hora que meu estômago se revirou. Foi um desastre!
- Você vomitou nele? – gritou, gargalhando.
- Não! Eu soltei um pum e tive que correr para o banheiro! Morro de vergonha até hoje.
- Ah, eu não acredito! – gritou também, jogando-se de costas no chão e rindo muito.

- Eu já tive que inventar desculpa para três garotas, dude! Isso nunca aconteceu na minha vida – se lamentava, quase chorando. Estava sentado em umas banquetas do bar junto com , bebendo uma das muitas misturas de bebidas novas que haviam conhecido ali.
- Até o tá pegando um monte... Por que eu não havia vindo aqui antes de começar a namorar?
- Por que somos idiotas! – continuou seu lamento, com a testa franzida.
Procurou com o olhar, que até então estava beijando sua quinta garota da noite, mas não conseguiu mais encontrar o amigo. Continuou a passear os olhos pelas pessoas que se divertiam na festa e então viu que uma loira vinha em sua direção. A garota era linda e tinha um corpo perfeitamente escultural, fazendo todos os homens pelos quais passava pararem para observá-la. À medida que se aproximava, ela mantinha um contato visual com , enquanto começava a mostrar um sorriso tentador nos lábios.
- Olá! Estrangeiro, não é? – ela perguntou, sorrindo, e se deixou perder em sua voz sedutora.
- Er... Sou de Londres. E você? – ele perguntou, meio abobalhado, sentindo a mistura que havia tomado dar uma brusca girada em sua cabeça.
- Sou francesa. Desconfiei logo que você era britânico... Não pude evitar de ouvir uma conversa sua e adorei seu sotaque.
- Te garanto que o seu é muito mais sexy – respondeu, sorrindo para ela. – Está aqui a passeio? Ou veio com sua agência de modelos?
A garota deu uma gargalhada ao ouvir o que ele tinha falado e se aproximou mais dele.
- Eu não sou modelo, sou publicitária. Acabei de me formar, na verdade. Estou aqui junto com minha turma, a viagem foi nossa comemoração de formatura.
- Publicitária... Fantástico! – ele sorriu e ela mordeu seu próprio lábio inferior.
- Justine – a garota falou, oferecendo uma mão, e franziu a testa. – Meu nome.
- Oh, eu sou o ! – respondeu, apertando sua mão e a cumprimentando com mais um beijo na bochecha.
- ... Quantos anos você tem, ?
- Er... Eu tenho... 23! – mentiu e ela riu, sabendo que não era verdade.
- Eu sei que você não deve passar dos 20, mas não me importa. Eu tô procurando diversão essa noite, , você quer me acompanhar? – se ofereceu, fazendo sua voz e expressão mais sexy, e viu sua mente ficar completamente em branco, enquanto a única coisa que ele conseguia observar era como seus lábios ficavam cada vez mais próximos.
Justine mordeu mais uma vez seu lábio inferior e então, notando que ele também desejava aquilo, o puxou para mais perto e colou seus lábios nos dele.

- Eu ainda não acredito que fui tão idiota – falava, com os olhos cheios d’água. – Como eu pude acreditar nele? Todo mundo tentava me avisar que o Jonathan não era uma boa pessoa, mas eu estava cega por algum motivo!
- Você já sabe o porquê, . Esqueceu do que lemos na internet? Um dos efeitos colaterais do ecstasy é o medo, a insegurança, até uma síndrome do pânico. Temos que admitir que não te demos o suporte que você precisava e ele só aproveitou aquele momento pra se tornar sua fonte de segurança – falou, segurando a mão da amiga, que deixava algumas lágrimas rolarem por seu rosto.
- A tá certa, não foi culpa sua. Ele que foi muito covarde para fazer tudo o que fez com você... – concordou, mas foi interrompida pelo telefone que tocava alto no quarto.
- Eu atendo – se ofereceu, por estar mais perto do aparelho, e logo o colocou no ouvido. – Alô? Sim, é a ... Oh, me desculpa! Eu vou falar com elas... Me desculpa mesmo... Boa noite! – terminou de falar e desligou. – Opa! Ele mandou a gente parar de gritar, acho que estamos incomodando os outros hóspedes.
- Nossa, é verdade – falou, limpando suas lágrimas. – E é melhor tentarmos ficar bem logo, antes que os garotos voltem. Aliás, onde será que eles estão até agora?

sentiu seu coração bater dez vezes mais rápido ao sentir o toque dos lábios de Justine, mas, mesmo estando sob efeito do álcool, sua mente não deixou que ele seguisse em frente. Ele pôs as mãos na cintura da garota e a empurrou de leve para longe de si, embora ela já tivesse passado os dois braços por seu pescoço.
- O que foi? – ela perguntou.
- Eu não posso, Justine. Eu tenho namorada.
- Ela tá aqui? – perguntou e negou com a cabeça, mas antes que ele pudesse falar, ela continuou. – Então, e daí? Ela não vai saber, eu tenho certeza.
- Vai sim... – deu uma pequena risada abafada, se lembrando de , que estava bem ao seu lado. – E mesmo se não fosse, eu não quero fazer isso com ela.
- Ah, qual é? Se ela se importasse não teria deixado você vir a uma festa sozinho, em Cancun!
- Ela não sabe que eu estou numa festa... – franziu a boca de lado.
- Não? Então você mentiu? Quem mente é porque quer fazer algo que não deve... - Justine disse provocante e passou o dedo indicador pelos lábios de . - Vamos lá, eu te garanto que você não vai se arrepender – ela falou e logo começou a dar beijos no contorno da maxilar de . - Eu tenho um quarto lindo e enorme aqui perto. Não vai ter como ela saber de nada do que vai acontecer lá dentro – Justine continuou insistindo e antes de responder, ela o puxou de novo para perto de si e o beijou.
A cabeça de estava a mil. Ele tentava lutar, mas parecia que aquela garota tinha uma força muito superior à dele. Ele então se concentrou e viu a imagem do rosto de em sua mente, aquilo era suficiente para que ele tivesse certeza do que tinha que fazer. voltou a afastar Justine de perto de si e falou com a voz mais confiante.
- Eu não vou fazer isso, Justine. Não importa se ela vai saber ou não. Você é linda, provavelmente uma das garotas mais lindas que eu já vi, mas vou agradecer seu convite. Eu amo muito minha namorada e não tenho necessidade de ficar com mais ninguém a não ser ela – ele afirmou e notou que ela finalmente se afastava.
- Você é um idiota, sabia? – ela riu e rolou os olhos. – Cuidado pra não descobrir que enquanto estava aqui me evitando, ela estava com outro na cama de vocês. – Piscou um olho para o garoto e logo deu as costas a ele, caminhando para outro lugar mais afastado.
respirou fundo ao vê-la se afastando. Sabia que havia feito o correto, embora tivesse sido difícil. Ele ainda estava meio confuso quando sentiu alguém dar um tapa pesado em seu ombro.
- Bonito, ! Espero que você tenha mandado ela embora porque não queria mesmo trair a e não só porque eu tô aqui e ela acabaria sabendo... – falou, com cara de bravo e saiu em direção a , que vinha a seu encontro, antes que respondesse.
O garoto permaneceu parado onde estava. Sua cabeça ainda rodava e ele se sentia mal, mas tinha certeza de uma coisa: ele havia rejeitado Justine porque amava . Era ela que ele queria. E era com ela que queria estar naquele momento.
- Ei, eu tô indo embora – falou alto, indo atrás de .
- Já? Por quê? – perguntou, já estando próximo suficiente para ouvir o amigo. – Faz tão pouco tempo que estamos aqui.
- Na verdade não faz tão pouco tempo assim – falou. – Você que estava ocupado demais...
- Eu já vou, não tô me sentindo bem. Vocês vão ficar? – perguntou aos amigos e o encarou pensativo. – Eu não fiquei com ela porque eu amo a demais pra fazer algo assim, ok?
- Eu sei... – concordou, apoiando sua mão sobre o ombro de . – Eu vou embora também.
- Fiquei perdido no assunto agora, mas eu acho que também já vou. O Jimmy e o sumiram e não sei chegar ao hotel sozinho – concordou com os amigos.
Os três então procuraram uma maneira de voltar, acabando por conseguirem que os mesmos dois rapazes, que os acompanhara até a festa, os levassem de volta. Não demoraram a chegar ao hotel, já que era próximo ao local onde estavam, e agradeceram pela ajuda dos garotos antes de entrarem e seguirem para seus quartos.
Tentaram ser silenciosos no corredor, pois sabiam que já era madrugada, e caminharam bem lentamente, mas acabaram sendo surpreendidos pela porta de um dos quartos se abrindo e e saindo de lá.
- Ah, chegaram! – falou, já estando em seu estado de consciência quase normal, assim como . – Por onde as donzelas andaram?
Os garotos se entreolharam, sem saber o que dizer. Estavam cientes de que os três estavam bêbados demais para responder algo decente.
- Nós perdemos o e o Jimmy! – falou, desviando o assunto.
- Foi! Eles sumiram da sala de jogos, então nós estávamos procurando os dois até agora – completou, achando a idéia do amigo genial.
- E onde eles estão agora? – perguntou, olhando para o final do corredor, de onde eles vieram.
- Não os achamos, mas estávamos cansados e viemos dormir – falou.
- Ok, vamos fazer o seguinte – tomou a palavra. – Já deu pra perceber que vocês beberam, então entra cada um para um quarto. , pede a para tomar conta do e você fica com o . A espera o e o Jimmy procura a Alison quando chegar. Já você, mocinho – apontou para –, passa logo pra cá! – falou brincando e encarou um pouco assustado, antes de caminhar até ela. – Que cara é essa, amor? Eu não vou te maltratar, fica tranqüilo. – riu e logo entrou para o quarto mais próximo, acompanhada de .
A garota esperou que ele estivesse dentro do quarto para trancá-lo e logo o encarou meigamente. Sabia que o garoto estava bêbado e achava bonitinho poder cuidar dele.
- Tira a camisa, . Tá toda suja... O que foi isso que você tomou, hein? – perguntou, mas ele não respondeu e apenas obedeceu a seu pedido, tirando a camisa e a entregando. – Tá tão mal que não consegue falar? – perguntou, estranhando a atitude do namorado, e ele sacudiu a cabeça negativamente.
- Só tô um pouco tonto...
- Você está estranho, .
pegou a blusa que ele a havia entregado e passou pelo corpo do garoto, que também estava um pouco sujo da bebida que havia derramado. Depois de limpá-lo, ela jogou a blusa em um canto do quarto e passou seus braços pelo pescoço dele. Começou a observar seu rosto com um pequeno sorriso, mas esse logo se desfez ao ver um pouco de brilho em seu maxilar.
- O que é isso? – perguntou, passando o dedo e sentindo que era algo melado. franziu a testa e o encarou, mas desviou os olhos. Ela então levou o dedo ao nariz e o cheirou. – Isso é gloss? – perguntou boquiaberta.
inconscientemente passou a mão pelo queixo e respirou fundo, ainda olhando para o lado.
- Então vocês iam a lugar aonde não vai mulher... Interessante, não sabia que os homens agora estavam usando gloss e se beijando – ela disse ironicamente e respirou fundo mais uma vez, tentando ficar normal para conseguir dizer algo.
- Não fica brava, não aconteceu nada.
- Nada? Você mentir pra mim e outra mulher beijar seu maxilar não parece ser um nada para mim.
queria negar, mas ela estava certa. Ele não havia beijado Justine, ele não considerava aquilo um beijo, mas como explicaria isso a ?
- O queria sair uma noite sem vocês, porque ele tem se sentido isolado agora que eu e o estamos namorando – começou a explicar, encarando seus pés, ainda sem estar com sua dicção perfeita. – Então a gente decidiu ir a uma festa, mas sabíamos que vocês iriam pirar se contássemos e inventamos aquilo. Mas eu e o só fomos pra acompanhar os garotos, a gente mal se divertiu lá.
- Muito legal, . Muito legal mesmo! – falou nervosa. – E o gloss no seu rosto apareceu aí sozinho?
- Não, a Justine...
- Justine? – ela o interrompeu, abismada por ele ainda lembrar o nome.
- Uma garota qualquer. Ela meio que tava se oferecendo pra mim, mas não rolou nada.
- Engraçado... Ela chegou se oferecendo, você negou e ela beijou seu maxilar pra se despedir? Bem aqui? – semicerrou os olhos, apontando para o lugar. Ela sabia que não havia sido assim.
- Ela... – apertou seus olhos, confuso. Sua boca não se controlava e ele sabia que acabaria dizendo tudo, embora soubesse que não deveria fazê-lo. - Ela me beijou.
deixou sua boca se abrir ao ouvir aquilo, enquanto seu coração se apertava.
- Eu não queria, ! Ela veio se oferecendo e tentou me beijar, mas eu neguei. Então ela continuou insistindo e me persuadindo. Eu disse que tinha namorada, mas até dizer que você provavelmente estava com outro aqui ela disse. Então ela me pegou de surpresa e me beijou. E antes ela tinha beijado meu rosto pra tentar me convencer a ir pra cama com ela. Mas eu neguei, eu neguei tudo. Eu a empurrei, pergunta ao !
ouvia a tudo atônita, ela não podia acreditar e nem sabia como reagir. Estava com tanta raiva naquele momento que nem as lágrimas que achou que surgiriam em seus olhos, por ser tão chorona, apareceram.
- Deixa eu tentar entender... Você mentiu pra mim para ir a uma festa, onde você sabia que estaria lotado de mulheres se oferecendo, mas ficou surpreso quando uma se ofereceu. Você se entupiu de bebida, mesmo sabendo que acabaria fazendo alguma besteira. Você deixou uma garota beijar seu maxilar enquanto se oferecia pra ir para a cama com você. Você deixou que ela te beijasse, mesmo sendo muito mais forte que ela e bem capaz de impedi-la – foi enumerando tudo nos dedos enquanto falava. - Agora quer que eu acredite que não sabia que isso ia acontecer, ou que não queria que acontecesse?
- É verdade, . Acredita em mim! Ela era linda, muito linda, mas eu não queria fazer isso com você... – ele tentava se explicar e começou a rir de nervoso.
- Eu não tô entendo o que você ta querendo, sério! Até dizer pra mim que a garota era linda você está dizendo.
- Eu quero te mostrar que qualquer um se sentiria atraído. Mas eu resisti por você. Eu não queria te trair, porque eu acho que você é muito melhor do que ela. E é você que eu amo.
- Ok, . Você ainda está bêbado demais para dar conta das bobagens que está dizendo, então vamos fazer assim: você vai entrar para esse banheiro – apontou para a porta que havia ao seu lado – e tomar um longo banho para se limpar de toda essa imundice. Depois, quando estiver BEM lúcido, nós voltamos a conversar. Mas quero deixar bem claro que estou muito, muito magoada com você.
Ela encerrou a conversa e saiu do quarto antes mesmo de entrar para o banheiro.
caminhou até o elevador e logo se dirigiu ao hall do hotel. Sua mente estava lotada de pensamentos e ela não sabia como administrá-los, então decidiu sair um pouco para esfriar a cabeça. Foi até a porta principal e encontrou um banco vazio ao seu lado, onde se sentou. Ela estava magoada, não só pelo que havia acontecido entre ele e a garota, mas também por ter mentido, ela já não podia mais agüentar essa constante dúvida quanto a confiar nele.
Apesar de seus pensamentos, nenhuma lágrima brotara nos olhos de . Era como se ela estivesse cansada. Não agüentava mais ter que pensar, se censurar, duvidar. Ela queria simplesmente esquecer tudo e viver, mas era difícil fazer isso quando sempre tinha algo tentando deixá-la para baixo.
permaneceu ali por um bom tempo, apenas tentando colocar suas idéias no lugar, até que viu e Jimmy se aproximando, praticamente se apoiando um no outro. Ela se levantou rapidamente, temendo que a vissem ali, e logo entrou. A garota sabia que os dois provavelmente estavam muito bêbados, mas não queria se dispor a ajudá-los, já que, na verdade, sua maior vontade naquele momento era dar uns bons socos em por ter sugerido aos garotos que fossem àquela maldita festa.
Ao chegar à porta do quarto, deteve seus passos e respirou fundo. Ela não queria brigar com , mas seria inevitável mais uma conversa sobre o que havia acontecido, até porque ela ainda se sentia bastante magoada. Mas, ao abrir a porta, ela acabou se deparando com a imagem de um garoto deitado desajeitadamente, com a cueca boxer cobrindo apenas metade da bunda, e em um sono profundo. rolou os olhos e após trancar a porta, caminhou até e puxou sua cueca para cima, terminando de vesti-la no garoto. Em seguida, ajeitou-o direito na cama, cobriu-o e foi se deitar na outra, pois sabia que Jimmy acabaria dormindo enquanto Alison o ajudasse, assim como fariam os outros meninos com sua respectiva ‘ajudante’, e a organização dos quartos seria completamente desrespeitada.
se deitou na cama e virou-se para a parede, mas algo parecia deixá-la vazia. Não sabia por que se sentia daquela forma, mas era como se lhe faltasse algo. Ela então se virou novamente, ficando de frente para a cama onde dormia e involuntariamente se viu levantando e caminhando até lá. Fora um pouco difícil empurrar o corpo do garoto para o lado, a fim de que ela coubesse ali também, mas assim que conseguiu, se aconchegou debaixo da coberta com ele e adormeceu rapidamente.
Já amanhecia e sentia uma forte luz incidir sobre seus olhos. Ela tinha a impressão de que ainda não havia conseguido dormir, mas, na verdade, já havia se passado cinco horas desde que se deitara ao lado de . Tentando continuar a dormir, ela se remexeu para desviar da luminosidade, mas ouviu um gemido baixo ao seu lado. Com um pouco de dificuldade, ela conseguiu abrir os olhos e viu que estava acordado, e se contorcia na cama com os braços cruzados em cima da barriga.
- O que foi? – sussurrou em uma voz sonolenta, quase inaudível, e recebeu mais um gemido em resposta. – O que foi? – repetiu.
- Dói... Meu estômago, minha cabeça, meus olhos... – reclamou franzindo a testa e logo levou uma mão à boca. – Tô com vontade de vomitar.
Ao ouvir aquilo, abriu completamente os olhos, terminando, finalmente, de acordar. Ela se sentou na cama, temendo que o garoto acabasse vomitando ali mesmo e a acertasse, então viu como ele estava com uma péssima aparência.
- Ninguém mandou sair bebendo tudo que vê pela frente. Bem feito pra você.
- Ressaca... – continuou reclamando. – Bebida mexicana é uma droga.
- Não é uma droga, você que não sabe se controlar. Aposto que bebeu de tudo que te ofereceram, sem nem saber o que era.
- Não briga comigo, minha cabeça tá pesada e doendo.
- Não se faça de coitadinho, . Eu ainda não tô bem com você, ok? – ela disse, fechando a cara.
- Mas você bem quis dormir ao meu lado... Se eu não tivesse tão mal, teria te enchido de beijos assim que te vi aqui na cama – ele disse com um pequeno sorriso e teve que forçar muito para manter sua cara de brava, enquanto por dentro se derretia completamente.
- Eu ainda tô magoada. Você me deixou muito triste ontem... Não só por ter beijado outra mulher, mas também por ter mentido pra mim. Você sabe como eu me sinto nessa questão de ser enganada, eu tô cansada disso na minha vida, e mesmo assim você não pensou duas vezes antes de me enganar também – ela falou, encarando os olhos de e tentando passar a ele o que sentia naquele momento. O garoto tentou se levantar ao ouvir o que ela dizia, mas acabou se sentindo pior e se deitou novamente.
- Me desculpa, . Eu tô sempre falhando com você...
- Você não era assim antes. Não sei, você mudou muito depois daquilo tudo que aconteceu...
- Você vai terminar comigo? – perguntou sem ao menos se dar conta do que saía de sua boca, e em seguida fez uma careta de dor.
- Não! Claro que não! Você ficou louco? – respondeu, se desesperando um pouco com aquela pergunta. Ela não podia nem imaginar algo assim. – Eu só quero me certificar de que posso confiar em você, mas, droga, , ficar sem você eu não consigo.
sorriu ao ouvir o que ela dizia, mas ao invés de se sentir bem, ele se sentiu ainda pior por ter feito o que fizera na noite passada. era uma garota muito especial para passar por tudo aquilo. Enquanto pensava nisso, esticou uma mão e tocou de leve no rosto de , fazendo um pequeno carinho em sua bochecha.
- Você não tem idéia do quanto é perfeita, ...
- Ninguém é perfeito – ela respondeu, sacudindo negativamente a cabeça. – Todos nós cometemos erros, só devemos nos esforçar para não repeti-los.
então se levantou da cama e começou a olhar em volta de si, como se tentasse identificar de quem era o quarto onde eles estavam. Logo reconheceu um cadeado personalizado que sempre levava em sua mala e se deu conta de que estava no quarto que a garota dividia com .
- Sabe se tem água de côco no frigobar?
- Acho que a comprou uma ontem, mas não sei se já tomou – respondeu em um murmúrio e foi até lá comprovar.
Ela encontrou uma pequena garrafa de água de côco ainda fechada e a pegou, depois compraria outra para . Em seguida, abriu e esticou a garrafa para .
- O que é isso?
- Pra você tomar... É bom pra ressaca.
- Se eu tomar isso, vou vomitar tudo – ele reclamou, se contorcendo na cama.
- Pára de drama e toma isso logo, enquanto eu vou ao salão de café da manhã pegar algumas frutas pra você. E nada de reclamar, você ainda não tá com muita moral aqui.
- Sim, senhora... – concordou e pegou a garrafa da mão dela, apesar de que não queria mesmo tomar aquilo.
deixou o quarto em seguida, para tentar conseguir algo saudável para que ele comesse. E, enquanto caminhava pelo corredor, ela ouviu alguém lhe chamar. Era , que acabava de sair de seu quarto.
- Já tá sabendo da palhaçada de ontem? – ela perguntou ao se aproximar, sem dizer ao menos um bom dia.
- Nem me fala disso, fiquei super chateada com eles... Mas pelo menos o não fez pior que o , né?
- Isso é... – concordou e franziu a testa.
- Você sabe o que ele fez?
- O me disse algo sobre uma garota ter tentado agarrar o , mas depois de um beijo ele a empurrou...
- Depois de um beijo, como se ele não tivesse força suficiente para evitar – semicerrou os olhos e logo respirou fundo. – Tenho tanta vontade de me vingar!
- Quem não tem em uma situação dessas? Mas vamos deixar isso pra lá, pelo menos agora eles vão ter que ficar aos nossos pés até o resto da viagem – disse e as duas começaram rir, enquanto seguiam para o salão de café da manhã.

Capítulo VII

NA: Caso você ainda não tenha a música "No Worries", do McFLY, em seu computador, baixe aqui e dê 'play' quando o personagem começar a tocá-la:

Já havia se passado sete dias desde que e seus amigos haviam chegado a Cancun. As garotas já se encontravam com lindas marquinhas de biquíni e a maioria dos meninos estava descascando por se negar a passar protetor solar antes de ir jogar futebol na areia ou entrar no mar. Tentaram ao máximo seguir o programa de atividades que havia sido fornecido a eles e assim puderam aproveitar quase tudo que aquele lindo lugar lhes oferecia. Além de nadar com os golfinhos e andar de Jet Ski, o que fizeram no dia seguinte ao que tiveram ressaca, eles também participaram de um caça-tesouros, junto a outros turistas, cujo prêmio alguns holandeses encontraram, brincaram de Paintball em uma mata virgem que havia sido conservada perto do hotel, passearam de lancha pelo litoral de Cancun e inclusive foram à ‘Isla de las Mujeres’, onde quase ficaram perdidos. Depois do que havia acontecido entre e nos primeiros dias, o garoto passou a tratar sua namorada como uma princesa. Ela demorou um pouco para conseguir olhar para ele da mesma maneira, se sentindo ainda um pouco chateada com o que havia acontecido, mas depois acabou relevando, a fim de curtir ao máximo aquela viagem. Os dois então passaram momentos maravilhosos juntos e inclusive pareciam estar vivendo uma lua-de-mel. Exceto por um detalhe...
- Preciso aproveitar que o não ta aqui agora e pedir ajuda a vocês – falou baixo para e . Os três estavam sentados em uma das varandas do hotel, perto de algumas redes. – Eu to muito nervoso, dude.
- O que houve? – perguntou, curioso.
- Eu to com uma idéia na cabeça, mas não sei se vai dar certo... – disse, nervoso, e encarou os dois amigos. – Vocês sabem que a ainda é virgem, né? Eu acho que nossa relação ta muito boa e queria avançar um pouco, mas to com medo dela não aceitar. Sabem como é, a tem todo esse trauma...
- Frescura – falou quase automaticamente.
- Eu tinha preparado algo bacana pra hoje à noite, mas só agora me ocorreu que pode ser um fracasso.
- Vocês nunca conversaram sobre isso? – perguntou, tentando encontrar uma maneira de ajudar o amigo.
- Não... Já, já. Ela me disse que eu saberia quando estivesse na hora certa – fez uma careta, assim como .
- E você sabe? – perguntou.
- Não. Droga! Ela não deve querer ainda...
- Faz o seguinte, dude: leva ela pra essa surpresinha, ou seja lá o que você tenha arrumado, e veja o que rola. Se ela barrar o sexo, você curte como se fosse só um encontro romântico, mas aproveita pra dar um toque sobre a ausência que o homem sente e tal... – aconselhou o amigo e ele abriu um amplo sorriso.
- Você é um gênio! – falou e deu um beijo estalado na bochecha do garoto, antes de se levantar e sair correndo dali.

Estava à noite e e voltavam de um mini-passeio que haviam feito pelos arredores do hotel. Ele a havia chamado para ver um jardim que encontrara mais cedo, enquanto os outros passavam tempo na sala de entretenimento.
- Você viu aquelas flores? Maravilhosas! – comentava rindo, enquanto eles entravam no elevador. Suas bochechas estavam levemente queimadas de sol, dando a elas uma tonalidade rosada, e isso destacava seus olhos, que brilhavam com grande intensidade. A garota reparou que seu namorado apertava o último botão do painel do elevador e chamou sua atenção, estranhando o que ele fazia. – , a gente ta ficando no terceiro andar, esqueceu? – brincou e levou a mão ao painel para apertar o botão certo, mas a segurou no meio do caminho.
- Eu sei o que to fazendo – ele sorriu e deu um beijo no dorso da mão de , antes de entrelaçar seus dedos aos dela.
A garota sentiu seu coração palpitar mais forte e franziu a testa, curiosa para saber o que ele estava aprontando.
O elevador parou e a porta se abriu no último andar do hotel. saiu primeiro e puxou até a porta de um dos quartos, ali retirou uma chave do bolso, mas antes de abrir, pediu que a garota fechasse os olhos.
- ... – ela disse, desconfiada.
- Confia em mim, é só uma surpresa inofensiva – ele riu e concordou, fechando então seus olhos.
abriu a porta do quarto e voltou a guardar a chave no bolso. Em seguida, foi para trás da garota e tampou seus olhos com as duas mãos, para se certificar de que ela não enxergaria nada.
- Pode entrar, meu amor. Eu vou te guiando.
deu um passo inseguro à frente ao ouvir o que sussurrara em seu ouvido. Ela caminhou devagar até que o garoto ordenou que detivesse seus passos. Depois de poucos segundos de ansiedade, ele retirou as mãos e prendeu sua respiração involuntariamente.
Em frente ao casal estava uma mesa de vidro, com um banquete variadíssimo, um candelabro de velas vermelhas e uma garrafa de champagne no gelo. Por todo o ambiente algumas velas podiam ser vistas, e até algumas flores, e mais à frente uma parede de vidro dava uma bela vista para o mar e a lua brilhante daquela noite.
- Eu queria que tivéssemos um jantar romântico, mas seria impossível naquele restaurante, principalmente com a galera no nosso pé. Então resolvi pegar esse quarto, o que achou? – perguntou, abraçando sua cintura por trás e apoiando seu queixo no ombro da garota, sem notar que ela estava estática.
- Uau! Vo... Você fez isso tudo? Você pagou uma diária de cobertura nesse hotel? – perguntou, sem conseguir raciocinar direito.
- Uhum - murmurou concordando.
- Meu Deus, ! Eu não consigo dizer nada... Está tudo tão perfeito! – falou, levando as duas mãos à boca, espantada.
- Que bom que você gostou...
- Eu amei!
abriu um amplo sorriso e se virou de frente para ele, para dar vários beijinhos no garoto, que também sorria. Em seguida, a puxou pela mão e a levou até a mesa.
Como um perfeito cavalheiro, o garoto puxou a cadeira para que ela se sentasse e se sentou à sua frente. A serviu com um pouco da comida que havia ali e estourou a champagne.
- Um brinde a... a mim, porque eu sou o cara mais sortudo que existe - brincou e riu, sacudindo a cabeça.
- Um brinde a nós!
Após brindarem, os dois deram um gole em sua taça, mas antes que começassem a comer, voltou a chamar atenção da namorada.
- , sabe que hoje é um dia especial? Eu aposto que não se lembra – falou, observando que ela arregalava os olhos com medo de ter se esquecido de alguma data importante. – Hoje faz um ano que nós demos nosso primeiro beijo...

Flashback
- Eu queria tentar uma coisa antes de irmos embora... – falava, encarando os lábios de .
Eles haviam acabado de fazer um piquenique no “lago secreto” que havia apresentado a ela e o sol já começava a se por, dando ao céu um tom alaranjado, após uma tarde bastante divertida.
- O que? – perguntava animada, com cara de sapeca.
- Eu sei que provavelmente vai ser esquisito, mas eu to curioso – ria. – Eu posso te dar um beijo, ? Eu sei que não se deve pedir beijo, mas seria muito estranho se eu fizesse isso de repente...
soltou uma alta gargalhada, fazendo rir também, e depois o encarou brincalhona.
- Ficou curioso com meu beijo? Ok! Vamos brincar então!
Assim que ela terminou de falar, o garoto pôs uma mão em sua nuca e a beijou. A princípio ficaram um pouco desajeitados e riram, mas logo souberam desfrutar do beijo e demoraram a se separar.
- Isso foi... Estranho – falava rindo, quando, finalmente, se afastou dela.
- Muito!
- Deveríamos fazer isso mais vezes...
- Com certeza!
Fim do flashback

- No final daquele dia você anotou no calendário do meu celular e hoje de manhã ele me avisou... Achei que seria legal comemorarmos.
- Eu me lembro disso! – gargalhou. – Você é demais, ! Eu não poderia querer namorado mais perfeito.
Ignorando os pratos de comida, a garota se debruçou sobre a mesa e alcançou a boca de do outro lado, dando um terno e delicado beijo em seus lábios.
Os dois então iniciaram o jantar e elogiou diversas vezes a escolha da refeição. Eles trocaram alguns comentários sobre a viagem, seus amigos, seu relacionamento, mas durante a maior parte do tempo apenas ficaram se encarando com sorrisos bobos no rosto e, vez ou outra, fazendo um carinho um no outro.
- Vem aqui, quero te mostrar algo que eu escrevi... – falou, após terminarem de jantar, e puxou novamente a cadeira de para que ela se levantasse. A garota o seguiu até o quarto e lá pode ver tudo enfeitado com velas vermelhas, alguns incensos e em um canto estava um violão.
- Eu ainda não to acreditando que você fez isso tudo – riu, um pouco boquiaberta.
- Senta aí, eu quero que você me diga o que achou... – ele falou, parecendo nervoso, indicando a cama à garota.
Enquanto se sentava, foi até seu violão, o pegou e voltou para perto dela, se sentando de modo que a pudesse olhar nos olhos. Com as mãos um pouco trêmulas, ele começou a dedilhar as cordas.

We ran past strawberry fields and smelt the summer time
(Nós corremos por campos de morango e sentimos o cheiro do verão)
When it gets dark I'll hold your body close to mine,
(Quando ficar escuro, eu vou abraçar seu corpo perto do meu)
Then we'll find some wood and hell we'll build a fire
(Então nós vamos achar madeira e vamos construir uma fogueira)
And then we'll find some rope and make a swinging tire
(E então vamos achar umas cordas e fazer um balanço)

Captivated by the way you look tonight
(Cativado pelo jeito que você está essa noite)
The light is dancing in your eyes
(A luz está dançando em seus olhos)
Your sweet eyes
(Seus doces olhos)
Times like these we'll never forget
(Tempos como esses nós nunca esqueceremos)
Staying out to watch the sunset,
(Ficar fora para assistir ao pôr-do-sol)
I'm glad I shared this with you
(Estou contente por ter compartilhado isso com você)
You set me free
(Você me libertou)
Showed me how good my life could be
(Me mostrou quão boa minha vida podia ser)
How could this happen to me?
(Como isso aconteceu comigo?)

Rapidamente os olhos de se encheram d'água e ela deu um sorriso trêmulo, agradecendo mentalmente por ter o melhor namorado que uma garota poderia querer. involuntariamente sorriu também.

And then I'll swing you girl until you fall asleep,
(E então eu vou te balançar, garota, até você adormecer)
And when you wake up you'll be lying next to me,
(E quando você acordar, estará deitada ao meu lado)
We'll go to Hollywood make you a movie star,
(Nós iremos à Hollywood fazer de você uma estrela de cinema)
I want the world to know how beautiful you are,
(Eu quero que o mundo saiba quão bonita você é)

Captivated by the way you look tonight
(Cativado pelo jeito que você está essa noite)
The light is dancing in your eyes
(A luz está dançando em seus olhos)
Your sweet eyes
(Seus doces olhos)
Times like these we'll never forget
(Tempos como esses nós nunca esqueceremos)
Staying out to watch the sunset,
(Ficar fora para assistir ao pôr-do-sol)
I'm glad I shared this with you
(Estou contente por ter compartilhado isso com você)
You set me free
(Você me libertou)
Showed me how good my life could be
(Me mostrou quão boa minha vida podia ser)
How could this happen to me?
(Como isso aconteceu comigo?)

There are no secrets to be told,
(Não há mais segredos a serem contados)
Nothing we don't already know,
(Nada que nós já não saibamos)
We've got no fears of growing old,
(Nós não temos medo de envelhecer)
We've got no worries in the world
(Nós não temos nenhuma preocupação no mundo)

- ...
tentou dizer algo, mas além de estar sem palavras, a interrompeu com um pedido de silêncio, seguido por um doce beijo nos lábios. O garoto deixou o violão de lado, nem ligando quando ele escorregou e caiu no chão, e envolveu a cintura de com um braço, enquanto forçava de leve seu corpo contra o dela. Com as duas mãos postas sobre o peito de , a garota deixou-se deitar na cama, sentindo um frio enorme tomar conta de sua barriga.
Desviando-se um pouco da boca de , começou a dar pequenos beijos em seu pescoço, enquanto passeava uma mão por sua cintura, por debaixo da blusa que ela vestia. A garota manteve seus olhos fechados e sentiu seu corpo se arrepiar, ao mesmo tempo em que seu coração palpitava aceleradamente, principalmente quando passou as duas mãos pela sua barriga, levantando sua blusa, e começou a distribuir beijinhos também ali.
Quando os beijos cessaram, ela arriscou abrir seus olhos e naquele exato momento, os olhos brilhantes de a encararam. Ela sentiu sua respiração falhar e ele abriu um amplo sorriso. Depois, continuou a subir a blusa pelo corpo da garota e a tirou, deixando-a de sutiã.
sabia exatamente quais eram as intenções de , mas não se importava. Pela primeira vez, ela estava completamente segura do que fazia. Ela queria aquilo, tanto quanto ele. Aquele era o momento pelo qual ela estivera esperando toda sua vida.
Enquanto mordia seu próprio lábio inferior, tirou lentamente a blusa de e arranhou suas costas com as unhas. Ele fechou os olhos, sentindo seu corpo se arrepiar e logo voltou a beijá-la, dessa vez de maneira mais ousada, mais ardente. Aos poucos, o casal foi se ajeitando melhor na cama e seus corações acelerados pareciam bater no mesmo ritmo.
Entre beijos e carícias, retirou a calça de e não demorou à sua também acabar caída no chão do quarto.
- Meu amor... Você tem certeza? Eu não quero te forçar a nada – sussurrou no ouvido de , se sentindo um pouco inseguro.
- Eu tenho certeza absoluta do que to fazendo... – ela deu um pequeno sorriso tímido. – É exatamente isso que eu quero agora.
abriu um amplo sorriso e voltou a beijá-la, deixando toda e qualquer preocupação para trás. Aquele momento tinha que ser perfeito e ele estava disposto a dar seu máximo para que assim o fosse.
Do lado de fora, a lua brilhava forte, juntamente com os milhares de estrelas que havia no céu, e iluminava um pouco o quarto. O som das ondas se quebrando na beirada da praia formava a trilha sonora. Tudo estava perfeito.

sentiu uma fresca brisa entrar no quarto e passar por seu corpo, enquanto também sentia algo passear por seu braço. Se sentindo bastante sonolenta, ela abriu os olhos e viu que eram os dedos de lhe fazendo um carinho. Um largo sorriso se formou em seu rosto e o garoto se assustou, pois não a vira desperta.
- Me desculpa, eu não queria te acordar.
- Você não estava me vendo dormir, estava? – perguntou com a voz mole, enquanto voltava a fechar seus olhos e recostava sua cabeça sobre o peito de .
- Estava - ele riu. – Você parece um anjo dormindo... Meu anjinho – disse e a apertou entre seus braços, bem junto de seu corpo, enquanto ela abria um amplo sorriso. – O sol está nascendo... Não quer dar uma volta pela praia pra assistir? – propôs com um sussurro e ela concordou com a cabeça.
Ficaram deitados ainda por alguns segundos, aproveitando aquele abraço aconchegante no qual estavam envoltos, e depois se levantaram. Vestiram suas roupas e deixaram o quarto na ponta dos pés, para que ninguém os notasse.
Quando chegaram à praia, o céu já começava a clarear e alguns raios laranja saíam de trás das nuvens. entrelaçou seus dedos aos de e, rindo, a puxou correndo pela areia, até perto do mar. Ali, o garoto se sentou com as pernas semi-abertas e se encaixou entre elas, sendo abraçada pelo namorado.
Ficaram em silêncio enquanto observavam aos poucos o sol nascer, apesar de que algumas nuvens não o deixavam aparecer por completo. havia recostado seu queixo no ombro de , que estava com a cabeça jogada para trás, apoiada no peito dele, e ambos mantinham a vista presa no horizonte, maravilhados com a imagem que aos poucos se formava.
- Essa foi a melhor madrugada da minha vida... – cochichou no ouvido de , após um longo tempo calado.
- Duvido que tenha sido melhor que a minha – ela retrucou e riu. – Obrigada por isso.
- Eu te amo – falou e fechou seus olhos.
- Eu te amo.
Não foi preciso dizer mais nada. Eles sabiam, eles se entendiam.
apertou ainda mais a garota entre seus braços e depois deu um beijo em sua cabeça, se sentindo o homem mais feliz do mundo.

Capítulo VIII

estava sentada sozinha em seu quarto de hotel, enquanto seus amigos tomavam café da manhã. Após assistir ao nascer do sol com , tentara dormir um pouco em sua cama, mas não conseguia parar de pensar em milhares de coisas, como, por exemplo, que ela havia acabado de perder sua virgindade e aquele dia ficaria marcado para sempre em sua memória.
Estava extremamente feliz e queria poder compartilhar aquilo com alguém, mas sabia que seria impossível ter um momento à sos com e não queria que nem ao menos sonhasse com o que havia acontecido.
Enquanto buscava uma solução, seus olhos se fixaram em um pequeno bloco de papel onde estavam anotados os números de telefone dos principais serviços de Cancun. Uma idéia percorreu sua mente e ela pegou algumas folhas do bloquinho, uma caneta que estava jogada ao lado dele e começou a escrever.

“Olá! Eu sei que é estranho uma garota no auge de seus 17 anos começar um diário secreto, mas ultimamente tem acontecido tanta coisa, que me senti na obrigação de escrever. Está certo que isso sequer é um diário – aliás, espero que não se importem por eu ter roubado essas folhinhas -, mas acredito que vá servir para eu desabafar.
Ontem eu tive a melhor noite da minha vida! Não foi só pelo que aconteceu entre eu e o , mas por ter percebido que estou amadurecendo. Agora me sinto mais mulher, estou aprendendo a ver as coisas com outros pontos de vista e acho que isso tudo tem contribuído para me sentir mais feliz.
Infelizmente, essa viagem dos sonhos que estamos fazendo está com os minutos contados. Daqui a dois dias partimos de volta a Londres e àquela velha e chata rotina de escola.
E, por falar em Londres, preciso escrever aqui também algo que tem me incomodado e não quero falar com mais ninguém. Desde que a Alison me contou aquilo da festa do ano passado, eu não consigo tirar o Jonathan da cabeça! Eu sei que deveria estar com raiva, mas ainda me preocupo e às vezes fico me perguntando se ele está bem...”


- ?
A voz de ecoou pelo quarto e se assustou, parando de escrever imediatamente e deixando algumas das folhinhas se espalharem pelo chão. O garoto estava parado na porta e a olhava com um pequeno sorriso no rosto.
- Te assustei, amor? O que você ta fazendo? – ele perguntou, entrando no quarto e se aproximando de , enquanto ela juntava os papéis e os guardava em uma gaveta qualquer que encontrara pela frente.
- Nada. Fiquei entediada e peguei essas folhas para fazer algum rabisco... – A garota sorriu e deu um selinho no namorado. – Como foi o café?
- Não foi melhor porque você não tava lá. – Fez bico e riu. – Mas esse lugar é perfeito, não acredito que já quase vamos embora...
concordou, fazendo cara de triste, e deu outro beijinho em , enquanto ele a puxava pela mão para que ela se levantasse da cama. A garota ficou o olhando por alguns segundos, com um sorriso bobo no rosto, e não conseguiu evitar que algumas imagens da noite anterior viessem à sua mente. Estava perdida naquelas lembranças quando Alison invadiu o quarto, sem nem ao menos bater na porta, e a fez voltar à realidade.
- Só vim buscar meu protetor solar - a garota falou, sem nem ao menos olhar para o casal.
rolou os olhos, ainda não conseguindo se sentir bem na presença de Alison e deixou o quarto com . Os dois seguiram até o hall do hotel, onde os outros estavam reunidos, prontos para irem à praia.
e conversavam com a mulher da recepção, enquanto os meninos falavam de futebol e conversava com sua mãe ao telefone. Assim que e se aproximaram, os assuntos paralelos se dissolveram e todos se juntaram para poderem se divertir na praia.
- Ei, ! Por que você não tava no quarto ontem à noite? - perguntou inocentemente, assim que se aproximou do garoto, e nem percebeu o quanto ficava tensa ao seu lado.
- Ah, nada. Só estava com um pouco de insônia - ele respondeu tranquilo. Antes de descer para o café já havia se preparado para aquela pergunta e apenas estranhou o fato de só tê-lo questionado naquele momento.
- Então parece que a insônia dominou todo mundo essa noite, já que a também não estava no quarto - Alison falou, chegando por trás do casal, com um sorriso cínico nos lábios.
- Ele me pediu pra ficar fazendo companhia, já que não conseguia dormir... - respondeu, embora um pouco gaguejante, tentando não demonstrar seu nervosismo e nem encarar despercebidamente.
- Ah, , não precisa mentir pros seus amigos. Você nem sequer pisou no quarto essa noite. Vi quando você chegou e o sol já estava alto no céu - Alison continuou e não pode acreditar no que estava ouvindo. O que havia acontecido com o tratado de paz proposto por ela? Ela não podia simplesmente entregá-la daquela maneira! - E, pelo sorriso com o qual você chegou, posso dizer que a noite foi boa...
- Onde você passou a noite, ? - perguntou e fechou os olhos, já imaginando a confusão que se seguiria.
- Eu pedi pra ela ficar comigo no salão de jogos, enquanto não conseguia dormir, mas acabou que a insônia fez com que ficássemos lá a noite inteira... - tentou explicar, não querendo que o amigo se irritasse, mas o ignorou.
- Por que você não dormiu no seu quarto essa noite, ?
- Ah, faça-me o favor, ! Eu não te devo explicações da minha vida. Se eu dormi ou não no meu quarto, o problema é meu! - respondeu e cruzou os braços nervosa.
- Não é bem assim! Eu sou seu primo e quero saber o que você tem feito. Eu me lembro muito bem do que aconteceu na última vez que te deixei fazer o que viesse na sua cabeça. E acredito que você também não tenha esquecido - falou irritado e o encarou boquiaberta.
- Pára de ser ridículo, ok? Você não tem que saber o que acontece comigo e nem tomar conta de mim. O que aconteceu foi um acidente e agora eu já sei muito bem cuidar da minha vida.
- Não é o que parece!
- Dude, o que isso? Nós estamos namorando, nós nos amamos e somos nós que temos que decidir o que fazer no nosso relacionamento - se intrometeu, mas isso apenas deixou ainda mais bravo.
- Você fica no seu canto! Tudo que ela sofreu até hoje foi por sua causa, então acho melhor não dar nenhuma opinião nessa discussão.
- ! - gritou, incrédula.
- Eu achei que você tivesse amadurecido, mas vejo que ainda é a mesma criança inconsequente de antes, - ele falou nervoso e deixou o lugar, enquanto todos o observavam com olhos arregalados. estava espantada, não esperava que aquilo tudo acontecesse por causa de uma pergunta sua, muito menos que reagisse daquela forma.
- Relaxa, amor. O sabe como ser estúpido às vezes - falou, tentando acalmar a namorada.
- Ah, , se eu fosse você não faria isso. Ela pode muito bem ter curtido a noite, mas nada garante que era em você que ela estava pensando enquanto... Bom, você sabe... - Alison continuou com sua voz cínica e a encarou furiosa.
- Você ta louca, garota? Você pode ter até conseguido algo pra me fazer brigar com o , mas o não é idiota, ele sabe o quanto você é uma mentirosa! - gritou e sentiu que o garoto segurava sua mão, tentando acalmá-la.
- Ele pode até não acreditar em mim, mas será que também não acreditaria na sua letra? Acho que não vai ficar muito feliz ao ver que você tem escrevido sobre o Jonathan por aí... - Alison continuou, mostrando a todos um pedacinho de papel, e empalideceu. Ela não podia estar fazendo aquilo! Viu então que soltava sua mão e a encarava com a testa franzida.
- O que é aquilo? - ele perguntou seriamente.
- Nada! Besteira! Você vai mesmo acreditar nela? - respondeu com a voz trêmula.
- Eu não estou pedindo para acreditar em mim, você mesmo pode ler o que está escrito. Acho que você conhece a letra dela, não é? - Alison falou calmamente e se aproximou de para entregar-lhe o pedaço de papel. tentou tomá-lo da mão da garota, mas foi mais rápido e o pegou.
- Isso é besteira, . Eu tava sem nada pra fazer e comecei a escrever coisas sem sentido... - tentava se justificar, enquanto ele lia. - Se você perceber, tem um monte de coisa sobre você e...
- Jonathan? - perguntou, com um sorriso nervoso nos lábios. - Eu fazendo de tudo pra gente se divertir nessa viagem e você fica pensando nele? Eu preparo tudo aquilo ontem à noite e hoje de manhã é nele que você pensa?
- É claro que não! Aqui tem também... - pegou o papel para ler a parte em que havia escrevido sobre o que aconteceu na noite anterior, mas então se deu conta de que Alison só havia entregado a ele a parte em que citava Jonathan. - Está faltando partes, as partes mais importantes.
- Não faz diferença! - se irritou. - Um mísero erro que eu cometi com você ano passado fez com que eu fosse odiado por seis meses. Ele vive te ferrando e você não consegue parar de pensar nele? Sério?
- , claro que não!
- Eu não podia estar mais decepcionado, ...
- Decepcionado? Você? Ah, como se você fosse o melhor namorado do mundo, certo? Como acha que eu me senti quando você ficou com aquela garota poucos dias depois de chegarmos aqui? Eu tentei ignorar o que aconteceu, tentei acreditar e confiar em você. Eu relevei uma traição sua e agora você se irrita por causa de um pedaço de papel! - também ficou nervosa.
- Não tente mudar de assunto! A Justine não foi nada, nem sequer chegou a um beijo e eu estava bêbado, o Jonathan foi um caso seu, não acho que os dois tenham a mesma relevância no nosso relacionamento. Além do que, eu achei que você nem tinha se importado, já que depois ficamos bem. Agora você me aparece com isso? - perguntou com os olhos semicerrados, mostrando novamente o papel a ela.
- Eu não acho que aqui seja o lugar mais apropriado pra discutirmos isso - falou baixo, com a voz trêmula, tentando encerrar aquela discussão, já que pessoas já paravam para ver o que estava acontecendo.
- Nem aqui, nem em lugar nenhum - também abaixou a voz e, em seguida, seguiu por onde havia saído.
observou a tudo atônita, ela não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Olhou para seus amigos desesperada e viu que todos estavam tão chocados quanto ela.
- Você é ridícula, Alison! Some daqui! - gritou com a garota, tentando colocar suas ideias no lugar.
- Se eu fosse você não a defendia... - Townsend continuou irônica.
- Cala a boca! Você não tem nada para dizer a ela! - gritou.
- Tem certeza? E se eu contasse sobre um fato daquela viagem do Canadá? - Alison continuou.
- O que ela sabe sobre o Canadá que eu não sei? - perguntou, estranhando o que havia ouvido.
- Nada! Ela pode até ter encontrado algo pra me fazer brigar com o e o , mas não tem mais nada a dizer.
- , você sabe que eu te odeio, certo? - Alison falou tranquilamente, como se aquela frase fosse bastante carinhosa. - Mas nem você merece uma melhor amiga assim... Quer contar ou eu mesma conto? - perguntou se dirigindo a .
- Contar o que? Você tá louca!
- Contar que você ficou segurando a e evitando que ela fosse se encontrar com o porque estava com ciúmes.
- Você disse que não sabia que a gente ia se encontrar - falou, confusa.
- Eu não... De onde você tirou isso? - perguntou, se dirigindo a Alisson.
- Ah, querida, tem certas coisas que não se precisa ler em diários, está escrito na testa. Foi por isso que eu aproveitei e passei na sua frente - falou, desafiando . - contou a ela seu plano, mas ela não foi capaz de digerir a ideia de seu primo começar a sair com sua melhor amiga. Talvez por medo de acabar ficando sozinha...
- Não, ! Não foi assim - tentou se justificar, mas não sabia o que dizer. Ela não podia imaginar que Alison conseguia entendê-la tão bem.
- E o resto de vocês, também nem tentem ficar do lado dela. Tenho casos suficientes para fazer todo mundo a odiar, mas vou me limitar a dizer que certas vezes a ouvi dizer que e se mereciam porque eram dois tapados que só sabiam estudar. Da mesma forma que e nunca ficariam juntos, pois são chatos e reclamam de tudo... Parece que só o querido Jimmy escapou de seu veneno. Teve sorte de se mudar a tempo.
estava estática. E o pior de tudo é que não sabia o que dizer para convencer seus amigos a não acreditar naquilo. Alison estava sendo uma piranha, mas não era tudo mentira. Observou enquanto todos saíam bravos e a deixavam sozinha. Jimmy ficou um pouco indeciso, não queria isolá-la, mas também não tinha o que fazer ali, então acabou seguindo seus amigos.
- Eu não acredito nisso - falou baixo e Alison riu cinicamente.
- Tava passando da hora de sua máscara cair, garotinha de contos de fadas! Eu estava guardando o que sabia, mas achei que acabaria tendo que usar um por um. Quem diria que ao abrir minha gaveta para pegar o protetor eu daria de cara com seu pequeno diário? Acabou que você me deu a oportunidade perfeita para mostrar a todos de uma vez quem você realmente é - Alison respondeu, ficando séria.
- Você é uma vagabunda! Eu vou acabar com a sua raça - falou entre dentes, sentindo seu sangue ferver, e notou que a garota começava a rir.
- Não seja ingrata, eu sou a única que ainda está aqui com você... Aliás, na verdade, cansei de olhar para essa sua cara de idiota. Agora você está sozinha - falou, seguindo em direção à saída do hotel e deixando completamente só.
- Isso é um pesadelo, isso é um pesadelo, isso é um pesadelo - a garota começou a repetir, apertando os olhos com força, logo após ver Alison ir embora. - Isso é um pesadelo, eu quero acordar - continuou, mas sabia que aquilo era inútil. Tudo havia acontecido de verdade.
estava tão assustada com tudo que havia acontecido que nem sequer conseguia compreender, estava completamente perdida. Porém, ao contrário do que normalmente aconteceria, não havia nenhuma lágrima em seus olhos, embora seu coração estivesse batendo apertado.
Caminhou até a saída do hotel e se sentou em um banquinho, completamente derrotada. Fechou seus olhos e respirou fundo, tentando pensar em algo que pudesse ajudá-la a melhorar aquela situação. Talvez ela realmente fosse a pior pessoa do mundo, e só agora estava se dando conta daquilo. Talvez eles não merecessem mesmo ter uma amiga como ela...
- Ei! - ouviu que alguém a chamava, mas além de não ser nem capaz de reconhecer a voz, não quis olhar para trás. Tinha medo do que a pessoa podia falar. Não queria mais ninguém brigando com ela. - Como você ta?
Resolveu abrir os olhos e se assustou ao ver que era . O garoto deu um pequeno sorriso e, em seguida, se sentou ao seu lado no banquinho.
- Não se preocupe, eu não me importei com o que aquela garota disse. Na verdade, nem sei por que saí de lá... Eu sei que sou chato - falou tranquilo e riu, mas continuou séria. - Relaxa, . Todo mundo te adora, eles só ficaram assustados. Logo vão colocar as ideias no lugar e ver que a piranha da história foi a Alison.
- Obrigada, ! - falou, tentando forçar um sorriso. Estava surpresa por ouvi-lo dizer coisas tão legais. Ela não conhecia aquele seu lado simpático.
- E eu sei que sou muito insuportável às vezes, mas no fundo eu gosto da companhia de vocês... Até daquela chata da . - Riu.
- Eu não quis dizer exatamente aquilo... - tentou se explicar, mas ele a interrompeu.
- Já te disse que, para mim, o que a Alison disse não valeu de nada. Guarde essa explicação para a - falou e piscou um olho para , que respirou fundo e sorriu agradecida.
- Obrigada de novo, . Você não é chato - disse, rindo um pouco, e ele deu um peteleco em seu braço antes de se levantar.
- To indo pra praia, quer vir?
- Não, acho que ainda tenho algumas desculpas a pedir - falou, voltando a ficar tensa. - Mas obrigada pelo convite.
sorriu e fez uma reverência antes de sair em direção à praia. aproveitou para se levantar também e voltar ao hotel, sem saber por quem começar com as desculpas e explicações.
Caminhou um pouco perdida pelos corredores do terceiro andar, mas acabou parando em frente a porta do quarto de e . Aqueles dois seriam os mais difíceis de serem convencidos, então deveriam ser os primeiros.
Bateu à porta e ouviu perguntar quem era, mas, ao invés de responder, ela girou a maçaneta e entrou no quarto. O garoto estava sentado em sua cama e rolou os olhos ao vê-la, enquanto ela observava que não estava ali.
- , eu... Me desculpa por isso, mas não quero que você pense que... Aquilo era só uma parte do que eu havia escrito. Eu passei a manhã inteira pensando em como havia sido perfeita aquela noite com você, mas enquanto escrevia eu me lembrei de Londres e acabei me lembrando dele - tentou se explicar, mas não sabia como fazer com que a compreendesse.
- Se ele nunca tivesse te feito mal, se fosse o melhor cara do mundo, eu te diria para se preocupar. Eu sei que você se preocupa com as pessoas. Mas depois de tudo que ele fez? Do tanto que te fez sofrer? Por que, quando eu cometi um erro, você me odiou tanto e não consegue odiá-lo depois de tudo aquilo?
- Porque eu te amo. Eu sempre te amei, eu te amava naquela época. O que havia acontecido me fez pensar que quem eu amava não existia, que você era outra pessoa. Foi por isso que fiquei tão chateada, . A gente sempre acaba cobrando mais de quem a gente ama. Eu não gosto do Jonathan. Senti um carinho por ele, mas até esse carinho já acabou! Se me importo hoje, é de ser humano para ser humano, não por algum sentimento - explicou, sentindo que havia conseguido encontrar o melhor caminho para se desculpar. E se surpreendeu ao se dar conta de que o que havia dito era verdade, ela não tinha nenhuma ligação sentimental com Jonathan. Nada além de dó. - Eu pirei com você depois daquela maldita festa e vivi um dos piores períodos da minha vida. E foi para não viver isso de novo que eu decidi ignorar o que você fez aqui em Cancun com aquela garota, mas não pense que não me machucou... Eu menti até para mim mesma, me fiz acreditar que não me importava, mas eu me importei.
ouviu aquilo e abaixou o olhar. Ele não sabia o que dizer, estava certa. Há poucos dias ele havia sido um idiota com ela e agora estava nervoso por causa de um pedaço de papel.
- O que você quer que eu faça? - perguntou e o encarou com a testa franzida, sem entender a que ele se referia. - Pra você esquecer o que eu fiz há seis meses, o que eu fiz há poucos dias e o que eu fiz hoje ao gritar com você daquela maneira...
- Só... Só esquece esse diário e me prometa que eu vou poder confiar em você daqui pra frente, que eu não terei que ficar sempre me questionando se você está falando a verdade - ela pediu, com os olhos marejados.
- Eu prometo. Eu prometo, meu amor. Mas também quero que você me prometa que vai tirar de uma vez por todas esse garoto da sua cabeça. Eu também não suporto a ideia de estar com você, enquanto você pensa nele.
- Isso nunca aconteceu, . Eu nunca fiquei com você pensando nele, você não entende que a Alison disse isso e armou tudo aquilo pra me machucar? Depois que você saiu, ela inventou coisas para fazer todo o resto se sentir ofendido e me abandonar. E ela conseguiu o que queria, eu fiquei sozinha... - começou a falar, e então sentiu que, finalmente, as lágrimas começavam a sair de seus olhos. - Eu não vou conseguir me desculpar com os outros se nós ainda não estivermos bem. Você é o mais importante pra mim e sabe disso.
- Então pode ir se desculpar com os outros, porque, pelo menos da minha parte, nós estamos bem - ele falou, enquanto segurava o rosto dela entre suas mãos. - Nós passamos uma noite incrível ontem, não vamos estragar isso agora por bobagens, certo?
sorriu e respirou aliviada. Ela sabia que aquele era mais um dos momentos em que ela deveria usar a maturidade que havia adquirido há pouco tempo. Com um sorriso sincero no rosto, ela encarou seu namorado e apagou de sua memória todo o resquício de ressentimentos que ainda havia ali.
- Eu te amo, - sussurrou.
- Eu também te amo, meu anjinho.

Após se certificar que estava tudo bem entre os dois, deixou o quarto do garoto para procurar o resto de seus amigos. Enquanto caminhava pela corredor, tentava pensar no que dizer para fazer com que eles a perdoassem.
- Estávamos te procurando - falou, ao terminar de virar uma esquina do corredor e dar de cada com ela. Estava acompanhada por , e . - O veio conversar com a gente e disse que talvez devêssemos te ouvir antes de ficarmos com raiva. Bom, acho que ele tem razão.
- Pela primeira vez na vida - comentou e não pode deixar de rir. Mas, antes de começar a se explicar, encarou , como se perguntasse o que ele estava fazendo ali.
- A praia estava chata. Não é a mesma coisa sem vocês para eu encher o saco - se explicou, levando, em seguida, um tapa de na cabeça.
- Me perdõem por aquilo. Não vou dizer que foi mentira, mas vocês sabem que eu digo tudo isso em tom de brincadeira. Inclusive eu vivo falando na cara de vocês. , quantas vezes já te chamei de chata e disse que você só sabia reclamar? - falou, olhando para a amiga e vendo que ela concordava. - e , eu já disse para vocês pararem de estudar e viverem um pouco. Disse que vocês eram muito isolados de todo mundo. Se lembram disso? - Também olhou para os amigos e esperou sua confirmação. - A diferença é que, quando eu disse isso, era em outra situação. Ela tirou do contexto e aproveitou que já havia contado um monte de coisas sobre mim para fazer vocês ficarem com raiva...
- Minha opinião é que... - começou a dizer, com o tom de voz sério e prendeu sua respiração involuntariamente. - A Alison merece uns bons tapas na cara! - afirmou e soltou a respiração e riu, juntamente com os outros.
- É isso mesmo, . A gente ta com você, pode ficar tranquila - falou. - Agora vai cuidar do , da e do , porque eles precisam mais de explicações.
- Obrigada, gente! Vocês são os melhores amigos do mundo! - falou, emocionada, e abriu os braços para abraçá-los todos ao mesmo tempo.
Em seguida, deu um beijo no rosto de cada um e seguiu pelo corredor.
- Alguém sabe onde a está? - perguntou antes de se afastar muito.
- Quando a vi ela estava entrando no quarto do ... - respondeu e então seguiu naquela direção.
Ao chegar à porta, hesitou bater, e então pode ouvir uma conversa lá dentro.
- Ela é minha melhor amiga, . Não me peça para não estar chateada - dizia com a voz chorosa.
O coração de doeu ao ouvir aquilo, mas ela tomou coragem e abriu a porta.
- , posso falar com você? - perguntou, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto. Notou que enxugava algumas lágrimas enquanto a encarava bravo.
- Nós também temos que conversar.
- Por favor, - pediu e viu o garoto se levantar.
deixou o quarto meio a contra-gosto e entrou, se sentando onde anteriormente ele estava.
- Escuta, , eu sinto muito. Eu era tão imatura naquela época, não tinha ideia de que minha infantilidade ia gerar tanta confusão - começou a se explicar, mas foi interrompida por aos berros.
- Você mentiu pra mim esse tempo todo! Eu te contei como uma idiota o que havia acontecido no Canadá e você fingiu que não sabia de nada! Você é falsa!
- Eu não sabia realmente! O que você me contou, eu não sabia... O havia me dito o que vocês combinaram e, nesse ponto a Alison estava certa, eu fiquei com medo de, caso vocês ficassem juntos, os dois me abandonassem. Você é minha melhor amiga e ele é meu primo, quase irmão. Eu tive medo.
- Você é uma egoísta! Naquela época você tinha o , mas não podia suportar a ideia de me ver feliz, não é? Eu estava tão empolgada... Era para aquela viagem ser a melhor da minha vida e acabou virando um pesadelo por culpa sua!
- Não foi culpa minha. Eu não tinha ideia que a Alison iria se aproveitar disso, nem sei como ela ficou sabendo. Lili, eu tive medo, confesso que fui infantil, mas depois eu vi que estava agindo errado. Foi por isso que parei de te segurar. Eu achei que ainda desse tempo... - comentou, encarando seus pés.
- E o pior de tudo é que você escondeu isso de mim o tempo inteiro, mesmo me vendo triste e brigada com o , mesmo depois que te contei o que havia acontecido entre ele e a Alison - a olhava furiosa, estava decepcionada.
- Eu não sabia por que vocês haviam brigado, ninguém nunca me contou. Pensei que fosse algo que havia acontecido durante seu encontro... Lili, me perdoa!
- Era para você ser minha melhor amiga, . O papel de inimiga já estava muito bem ocupado pela Alison - falou firmemente e deixou algumas lágrimas escaparem de seus olhos.
- Amiga, vocês estão juntos agora e sabe como eu to feliz com isso. Releva o que aconteceu no passado...
- Isso não é sobre eu e , é sobre nós duas. Independente de nós dois estarmos bem, isso não muda o fato de que você mentiu para mim. Logo a pessoa que eu pensava poder confiar de olhos fechados...
- ...
- Se você não se importar, eu quero ficar sozinha - pediu e concordou em silêncio, antes de se levantar e deixar o quarto.
Enquanto caminhava pelo corredor, lágrimas rolavam por suas bochechas e ela se sentia uma idiota por ter feito aquilo no passado. Ela estava sempre agindo errado com as pessoas.
Chegou nervosa ao seu quarto e se irritou ainda mais ao ver as coisas de Alison ali. Em um ato de raiva, juntou tudo que pertencia à garota e jogou no corredor, antes de trancar a porta.
deitou em sua cama e continuou a chorar, não conseguindo acreditar no pesadelo que havia sido aquele dia. Se deixou então vencer pelo cansaço e acabou adormecendo sem perceber.

Já era noite quando acordou com fortes batidas na porta e uma voz estridente gritando seu nome. Coçou os olhos, ainda sonolenta, e então identificou a voz de Alison.
- Abre essa porta agora, ! Isso não tem graça!
continuou deitada em silêncio, ela não deixaria aquela garota voltar a dormir em seu quarto nunca mais.
- Esse é meu quarto também. Você não tem direito de fazer isso, está ouvindo? Eu vou ligar agora para a administração do hotel! - Alison continuava gritando do lado de fora, chamando atenção dos quartos vizinhos, embora não estivesse recebendo nenhuma resposta. Estava furiosa, e disposta a ligar realmente para a administração do hotel e reportar o que havia feito, quando se aproximou.
- Cai fora, Alison - falou secamente e ela o olhou assustada.
- , pede sua prima para me deixar entrar? Olha o que ela fez com as minhas coisas!
- Cai fora, Alison! Você deveria ter vergonha na cara e nem ao menos bater a essa porta - falou sério e a garota pareceu chocada.
- Mas... Esse é meu quarto.
- Não, a partir de agora sou eu que vou dormir com a . Junta suas coisas e vai para o meu quarto, você vai dormir com o .
- O que? Não, ...
- Vai, Alison! Agora! - ordenou impaciente e a garota o obedeceu contrariada.
esperou que ela levasse tudo a seu novo quarto e buscou suas coisas, enquanto se preparava para conversar com , já sabendo que ela não estava respondendo porque não queria e não porque estava dormindo.
Ao terminar de levar todas as suas coisas, arriscou bater à porta.
- , abre a porta. É o - falou, com a voz alta suficiente para que ela escutasse.
- Não quero falar com você - respondeu, sem ao menos se levantar da cama.
- Mas eu quero. Eu expulsei a Alison daqui, agora sou eu que vou dormir nesse quarto - falou decidido.
- O que? Ah, não! Me diz que você não ta querendo realmente me vigiar... - disse, sentando-se na cama.
- Abre a porta pra gente conversar ou eu ligo pra tia e conto a ela tudo que tem acontecido.
- Você é ridículo! - a garota falou, se levantando e seguindo até a porta. Não que tivesse medo de ligar para sua mãe, mas talvez fosse melhor deixá-lo entrar antes que ele ficasse ainda mais nervoso. destrancou a porta e voltou para sua cama, sem ao menos olhá-lo.
- Você deveria me agradecer por tirar a Alison daqui. Essa troca é melhor pra todo mundo, eu me livro do ronco do , você se livra dela e eu fico sabendo do que você tem feito por aí - falava, enquanto carregava suas malas para dentro do quarto.
- Você fala como se eu fosse uma criança. Eu sei muito bem o que devo fazer da minha vida. E não acho que você tenha muito a ver com isso...
- Eu sou seu primo, me importo com você e não quero saber de você fazendo mais besteiras por aí - falou, fechando a porta atrás de si, após ter colocado suas coisas para dentro.
- Não foi besteira nenhuma!
- Então é verdade? - perguntou, a olhando sério.
- Sim, é verdade. Eu e o passamos uma noite maravilhosa ontem. Mas não sei qual é o problema disso... Estamos namorando, nos conhecemos há muito tempo e eu confio nele.
- Do mesmo jeito que confiava antes daquela festa do ano passado! - gritou nervoso e tentou se manter calma.
- Você sabe que aquilo não foi culpa dele. E você não pode agir assim, . A vida é minha, eu sou bem capaz de decidir o que fazer ou não. Essa sua atitude está mais do que ridícula!
- Eu fui relapso com você naquela festa, confiei em te deixar com ele e depois vi você praticamente entrar em depressão. Você não tem ideia do quanto me fazia mal te ver daquela forma e eu fiquei ao seu lado, mesmo que, às vezes, não demonstrasse como me sentia. Não posso simplesmente deixar que tudo aquilo volte a acontecer agora - falou baixo, se sentando na cama onde dormiria.
- Não vai voltar a acontecer. Eu estava em perfeita consciência ontem, sei muito bem o que eu fiz e não me arrependo nem um pouco. Te agradeço pela preocupação, mas, por favor, para de querer se meter na minha vida - falou séria, encerrando o assunto e se deitou para dormir, mesmo que não sentisse mais sono.
ficou ainda algum tempo observando sua prima e pensando no que ela havia dito. Ele não podia acreditar que ela estava realmente levando aquilo a sério, mas talvez fosse sua vez de confiar mais em suas decisões. Embora fosse difícil aceitar o fato de que ela estava tão crescida, principalmente depois de tê-la visto daquela forma após a festa de encerramento do ano passado.
Olhou no relógio e notou que ainda estava cedo, mas decidiu que também dormiria, para que pudesse aproveitar bastante seu último dia ali, principalmente pelo penúltimo ter sido completamente desperdiçado. Se levantou da cama, trocou de roupa, mas antes de se deitar novamente foi até a cama da prima, deu um beijo em sua testa e cobriu-a.
- Bons sonhos, pequena.

Capítulo IX


NA: Caso você ainda não tenha as músicas "How Deep Is Your Love", do Bee Gees, e "You're The One That I Want", da trilha sonora de Grease, em seu computador, baixe aqui e aqui e dê 'play' quando os personagens começarem a tocá-las:

Era cinco e meia da manhã quando acordou. Embora soubesse estar muito cedo e tentasse continuar na cama, ela não sentia mais sono. Sabia que havia dormido mais do que o normal no dia anterior.
Após lavar seu rosto e escovar os dentes, ela colocou uma blusinha de alça, um short e saiu do quarto, percebendo que, provavelmente, era a única hóspede acordada naquele momento. O café da manhã já estava começando a ser servido, mas ela não estava com fome, então acabou decidindo dar uma volta na praia enquanto os outros ainda dormiam.
caminhou nas areias da praia de Cancun por alguns minutos, deixando a brisa bater em seu rosto e tentando guardar a lembrança daquela viagem para sempre. Embora muitas confusões tivessem acontecido, ela estava ali com seus melhores amigos e o garoto que amava. Aquilo era suficiente para fazer essa viagem ser a melhor de sua vida.
Quando já sentia seu estômago começar a reclamar de fome, ela decidiu voltar para o hotel e se surpreendeu ao avistar sentada mais à frente, observando o mar. caminhou calmamente até onde a amiga estava e se sentou ao lado dela.
- Acho que está meio cedo, não? - perguntou, apenas para iniciar uma conversa, e não desviou os olhos do mar.
- Não consegui ficar na cama.
- Eu também não... - comentou baixo e esticou suas pernas, sem se importar em se sujar com a areia. - É uma pena esse ser nosso último dia aqui.
- É mesmo.
- Mas foi divertido, a gente fez tanta coisa diferente...
- Ok, chega de enrolar. Vamos falar do que realmente é necessário - falou, desviando sua atenção do mar e, finalmente, olhando para . - Eu pensei muito ontem à noite e hoje de manhã no que a Alison contou. Não vou dizer que não estou chateada, mas você também já fez tanta coisa por mim e aquilo foi há tanto tempo...
- , eu sei que fiz errado. Sei que fui uma idiota egoísta, mas você sabe que hoje não penso mais assim. Me perdoa por aquilo e por ter escondido de você... - começou a se desculpar, encarando seus pés. - Lá na festa da Alison, quando você me contou o motivo da sua briga com o , eu me senti mal, sabia que se não tivesse agido daquela forma no Canadá, a Alison não teria chegado e atrapalhado vocês. Mas eu fiquei com medo de te dizer e você ficar com raiva de mim, porque vocês dois ainda estavam brigados. Acho que foi por isso também que fiquei tão feliz ao vê-los junto de novo.
- Está tudo bem - falou e respirou fundo. - Eu só me pergunto se você me contaria isso algum dia, se a Alison não o tivesse feito ontem...
- Provavelmente, sim. Um dia eu me lembraria disso e te diria toda a verdade. Eu estou falando sério quando digo que nem sequer me lembrava de ter feito isso, - disse e franziu a boca de lado.
- Vamos esquecer isso. Não quero dar o gostinho a Alison de ter conseguido o que queria - disse e sorriu.
- Eu te amo, amiga - disse feliz, abraçando-a em seguida.
- Eu também te amo. E agora quero saber direitinho o que houve entre você e o , mas antes quero também pedir desculpas por ter feito a pergunta que começou toda a confusão, eu não imaginava no que aquilo daria...
- Tudo bem, o precisa aceitar que eu cresci - disse tranquila e começou a contar a sua amiga o quanto havia sido especial.
As duas ficaram horas conversando na praia, mas resolveram voltar quando não conseguiam mais controlar a fome. Encontraram e no salão de café da manhã e se juntaram aos dois, enquanto o resto ainda não havia acordado.
A única atividade que estava programada para eles naquele dia era um passeio de lancha após o almoço e eles se viram livres de Alison durante o dia inteiro, já que ninguém havia visto ela sequer sair do quarto. Em alto mar, os nove garotos decidiram se arriscar em uma pescaria, e, embora nenhum deles tenha se mostrado um pescador de mão cheia, cada um conseguiu pelo menos um peixinho para que pudesse se considerar bom de anzol.
Retornaram à praia quando já anoitecia e ficaram surpresos ao verem uma fogueira sendo acesa. Vários hóspedes do hotel haviam planejado um luau e mal pisaram na areia, os nove garotos foram convidados a participar. Concordaram animados e se sentaram em roda, em volta da fogueira, enquanto observavam mais pessoas chegarem, algumas com violão em mãos. Com os olhos brilhando, , , e deram um jeito para que os violões fossem parar perto deles, já planejando darem também sua contribuição musical para a noite.
A lua cheia, iluminando bastante o céu e sendo refletida no mar, completava perfeitamente o cenário. As vozes, com a mistura de sotaques, formavam um lindo coro à medida em que clássicos começavam a ser tocados. Aquela seria a despedida perfeita.
O violão não demorou a chegar às mãos de , que havia se sentado entre um francês e um americano, e, com um enorme sorriso no rosto, ele tocou as primeiras notas de “How Deep Is Your Love”, de Bee Gees.

I know your eyes in the morning sun
(Eu conheço seus olhos na manhã ensolarada)
I feel you touch me in the pouring rain
(Eu sinto você me tocando ao cair da chuva)
And the moment that you wander far from me
(E no momento que você está longe de mim)
I wanna feel you in my arms again
(Eu quero te sentir em meus braços novamente)

And you come to me on a summer breeze
(E você vem para mim em uma brisa de verão)
Keep me warm in your love then you softly leave
(Me mantém aquecido com o seu amor, então você vai embora de repente)
And it's me you need to show
(E é pra mim que você deve mostrar)
How deep is your love
(O quão profundo é o seu amor)

How deep is your love?
(Quão profundo é o seu amor?)
I really mean to learn
(Eu realmente quero saber)
Cause we're living in a world of fools
(Porque nós vivemos em um mundo de tolos)
Breaking us down when they all should let us be
(Nos deixando para baixo quando todos eles deviam nos deixar em paz)
We belong to you and me
(Nós pertencemos um ao outro)

I believe in you
(Eu acredito em você)
You know the door to my very soul
(Você conhece a porta para minha alma)
You're the light in my deepest darkest hour
(Você é a luz em minhas horas de profunda escuridão)
You're my saviour when I fall
(Você é minha salvação quando eu caio)

And you may not think I care for you
(E você pode não pensar que eu me importo com você)
When you know down inside that I really do
(Quando você sabe lá dentro que eu realmente me importo)
And it's me you need to show how deep is your love?
(E é pra mim que você deve mostrar quão profundo é o seu amor)

How deep is your love?
(Quão profundo é o seu amor?)
I really mean to learn
(Eu realmente quero saber)
Cause we're living in a world of fools
(Porque nós vivemos em um mundo de tolos)
Breaking us down when they all should let us be
(Nos deixando para baixo quando todos eles deviam nos deixar em paz)
We belong to you and me
(Nós pertencemos um ao outro)

encarou sua namorada, enquanto o restante da roda cantava, e abriu um enorme sorriso, sentindo em seu coração o tamanho do amor que sentia por ela.

And you come to me on a summer breeze
(E você vem para mim em uma brisa de verão)
Keep me warm in your love then you softly leave
(Me mantém aquecido com o seu amor, então você vai embora de repente)
And it's me you need to show
(E é pra mim que você deve mostrar)
How deep is your love
(O quão profundo é o seu amor)

How deep is your love?
(Quão profundo é o seu amor?)
I really mean to learn
(Eu realmente quero saber)
Cause we're living in a world of fools
(Porque nós vivemos em um mundo de tolos)
Breaking us down when they all should let us be
(Nos deixando para baixo quando todos eles deviam nos deixar em paz)
We belong to you and me
(Nós pertencemos um ao outro)

Quando terminou de cantar, acompanhado pelo coro, tinha seus olhos cheios de lágrimas. Na realidade, a maioria das mulheres ali presentes estava com os olhos cheios de lágrimas, mas sabia que era pra ela. não apenas havia cantado, ele colocara seus sentimentos naquela canção e ela pode sentir isso.
Sem conseguir fazer sua voz soar mais alta que um sussurro, ela gesticulou um “eu te amo” com os lábios e, após sorrir sinceramente, repetiu o gesto para ela.
- Você é a mulher mais sortuda que eu já conheci – falou no ouvido de , limpando uma lágrima que havia pulado de seus olhos, e arrancou um enorme sorriso da garota.
- Tenha paciência, quando você e o resolverem ficar mais a sério do que apenas trocar alguns beijos, tenho certeza que ele fará o mesmo – respondeu, fazendo uma careta sapeca para a amiga.
Não adiantava tentar esconder das amigas, elas acabavam descobrindo de alguma forma que ela trocava beijos secretos com , quando acreditavam estarem sozinhos, pois nenhum tinha coragem para assumir em frente a todos seus sentimentos.
Mas o que mais espantava a todos os amigos, era que aquela viagem milagrosa havia conseguido até mesmo que e se suportassem. De vez em quando eles trocavam algumas palavras e, exatamente durante o momento em que falava com , os dois conversavam amigavelmente.
- Parece que tem muita coisa mudando por aqui... – falou, entrando na conversa das amigas e apontado para o casal.
- Acabei de reparar isso. Será que sai mais um casal ali? – perguntou, arregalando os olhos.
- Não sei... Mas, pelo menos, uma convivência menos violenta, eu acho que sim – falou, rindo.
Em seguida, as três voltaram a se por em silêncio, pois dessa vez era quem pegava o violão. E ele começava a tocar “You Are the One That I Want”, da trilha sonora de “Grease”.

I got chills
(Estou com calafrios)
They’re multiplying
(Eles estão aumentando)
And I’m losing control
(E estou perdendo o controle)
Cause the power
(Porque a energia)
You’re supplying
(Que você está liberando)
It’s electrifying
(É eletrizante)

Então, apontou para e, sem nem mesmo se dar conta do que estava fazendo, ela começou a cantar:

You better shape up
(É melhor você se cuidar)
Cause I need a man
(Porque preciso de um homem)
And my heart is set on you
(E meu coração está programado em você)
You better shape up
(É melhor você se cuidar)
You better understand
(É melhor você entender)
To my heart I must be true
(Devo ser honesta com meu coração)

E retomou:

Nothing left
(Nada me resta)
Nothing left for me to do
(Nada me resta a fazer)

E o resto da roda entrou no coro para cantar o refrão:

You´re the one that I want
(Você é quem eu quero)
You are the one I want, o,o, oo, honey
(Você é quem eu quero, amor)
You´re the one that I want
(Você é quem eu quero)
You are the one I want, o,o, oo, honey
(Você é quem eu quero, amor)
You´re the one that I want
(Você é quem eu quero)
You are the one I want, o,o, ooo
(Você é quem eu quero)
The one I need
(Quem eu preciso)
Oh, yes indeed
(Sem dúvida alguma)

Sem ao menos esperar o sinal de , prosseguiu com a música:

If you´re filled
(Se você está cheio)
With affection
(De afeto)
You´re too shy to convey
(Mas é muito tímido para assumir)
Meditate in my direction
(Medite pensando em mim)
Feel your way
(Ache o caminho)

E o garoto respondeu, com algumas participações de no meio:

I better shape up
(É melhor eu me cuidar)
Cause you need a man
(Porque você precisa de um homem)
Who can keep me satisfied
(Que possa me satisfazer)
I better shape up
(É melhor eu me cuidar)
If I´m gonna prove
(Se vou provar)
That my faith is justified
(Que não está me enganando)
Are you sure?
(Tem certeza?)

Sem pensar em nada, cantou:

Yes, I´m sure down deep inside
(Sim, bem lá no fundo eu tenho certeza)

E toda a roda voltou a cantar.

You´re the one that I want
(Você é quem eu quero)
You are the one I want, o,o, oo, honey
(Você é quem eu quero, amor)
You´re the one that I want
(Você é quem eu quero)
You are the one I want, o,o, oo, honey
(Você é quem eu quero, amor)
You´re the one that I want
(Você é quem eu quero)
You are the one I want, o,o, ooo
(Você é quem eu quero)
The one I need
(Quem eu preciso)
Oh, yes indeed
(Sem dúvida alguma)

- Acho que rolou uma super declaração aqui… - cochichou com , achando aquilo muito fofo, enquanto as duas viam os olhares apaixonados de e . Eles não estavam cantando uma música qualquer, estavam trocando mensagens secretas.
Depois de , também tocou uma música para , Jimmy demonstrou seu enorme talento tocando várias músicas famosas e algumas de sua autoria e apenas improvisou algumas palavras sem sentido, mas que acabaram divertindo os outros estrangeiros que estavam ali.
A noite se seguiu com muita música, risadas e abraços para aquecer do frio. não ficou muito tempo mais longe de , logo encontrou uma maneira de se sentar ao lado da namorada e passou o resto da noite abraçado a ela, distribuindo beijinhos e carícias por seu rosto e pescoço.
- Essa é nossa última noite em Cancun, não acha que deveríamos comemorar? – ele cochichou no ouvido de , aproveitando uma pausa das músicas, e mordiscou a beirada de sua orelha, fazendo a garota se arrepiar.
Após abrir um sorriso tímido, ela mordeu seu lábio inferior e concordou com a cabeça. Pode notar que também abria um sorriso ao seu lado, e passou os olhos pela roda para ver se a observava, mas acabou se deparando com ele e se beijando e desviou o olhar.
- Vamos aproveitar que o ta ocupado – ela sugeriu rindo e se levantou rapidamente com o garoto.
Os dois correram um pouco para se afastarem do pessoal e quando já não podiam mais ser vistos, segurou o braço de e a parou. Passando uma mão pela cintura da garota, ele colou seu corpo no dela e a beijou ardentemente. Ela passou seus dois braços pelo pescoço do namorado e deixou que ele a guiasse. Sem saber para onde caminhava, acabou entrando em uma pequena mata com e, quando se deu conta de onde estava, a encostou em uma árvore e continuou com os beijos ‘calientes’.
Passeando as mãos pelo corpo da garota, foi, aos poucos, levantando a barra do leve vestido floral que ela vestia, enquanto arranhava de leve suas costas.
- A gente não pode fazer isso aqui... – ela falou, escapando dos beijos do garoto para tomar um pouco de ar.
- Por que? – ele perguntou, parando um pouco, e a encarando com a testa franzida.
- Por que? Porque tem gente logo ali, porque estamos em local público, porque podem brigar com a gente... E porque é desconfortável demais!
- É uma droga isso de não termos um quarto só pra nós – reclamou e ela concordou, com a boca franzida de lado. - Será que nos alugam um barco? Um pequeno...
- Um barco? – quase gritou, começando a gargalhar em seguida.
- Eu to falando sério. Imagina a gente no maior amasso e as ondas nos balançando. – Ele começou a sacudir o corpo da garota de um lado para o outro, enquanto falava. – Não seria romântico?
- Você é demais, ! – Ela riu, dando um selinho no garoto.
- Então pra onde vamos? Nós temos que aproveitar essa noite, mas eu não tenho dinheiro pra pagar outro quarto daquele... – Franziu a testa e continuou pensativo. - Elevador? – perguntou, fazendo rir novamente.
- Que tal nos trancarmos na sala de convenções? Duvido que tenha alguém fazendo reuniões lá uma hora dessas – a garota sugeriu e a idéia pareceu agradar . – Mas e se tiver câmeras?
- Que seja nossa última loucura em Cancun!
Os dois saíram apressados e rindo bastante de onde estavam e seguiram para dentro do hotel. Ao entrarem no hall, tentaram parecer comportados, mas foi só entrarem no elevador para continuarem a rir e fazer gracinhas. Chegaram à sala de convenções e analisaram todo o local, notando que não havia câmeras ali, pelo menos onde podiam ver. Não era o lugar mais apropriado, mas seria engraçado fazer uma loucura antes de deixar Cancun.
Com um sorriso atrevido, se sentou na enorme mesa principal e sorriu de lado, enquanto se aproximava dela. O garoto se encaixou entre suas pernas e começou a subir novamente seu vestido, que logo acabou jogado no chão. As roupas de não demoraram a tomar o mesmo caminho e então, sem se importar com a circunstância e o local, os dois curtiram sua última noite naquele lugar maravilhoso.

O dia de ir embora chegou logo, apesar de não ter sido recebido com muito entusiasmo. Todos esperavam poder ficar mais tempo naquele paraíso. Com caras tristes, foram levados ao aeroporto pela equipe do hotel, que se despediu deles dando-lhes algumas pequenas estatuetas de madeira com formato de algumas divindades dos antigos povos mexicanos.
Quando o avião decolou, os dez puderam ter certeza de que aquela viagem havia sido perfeita, em cada detalhe.
Chegaram a Londres após longas horas de vôo e, ali mesmo no aeroporto, se despediram de James, que voltaria a Manchester, agradecendo pela agradável companhia e prometendo que um dia o visitariam.
E, embora desejassem poder fazer o mesmo com Alison, eles tiveram que se conformar a serem obrigados a aturá-la por pelo menos mais seis meses de escola...
Durante os cinco dias que ainda lhes restavam de férias, os oito garotos se encontraram algumas vezes em pizzarias e pubs, ou mesmo para jogarem vídeo-game na casa de alguém, e então notaram como agora eram um grupo muito mais unido, mesmo que e tivessem voltado a negar de se olharem nos olhos.
Mas, como nada que é bom dura muito tempo, logo tiveram que voltar às atividades escolares e, em menos de duas semanas de aulas, as provas também recomeçaram.
- Essa viagem me deixou desacostumada, não estou com a mínima vontade de estudar para essas provas – falou, jogando seu livro de Física em cima da mesa. Estava sentada no refeitório da escola, durante o intervalo, com suas amigas e os garotos, que agora também já considerava como seus amigos.
- Fiquei sabendo que o Richard voltou a vender drogas aqui dentro... Não vai demorar a ser expulso de novo – falou, enquanto lixava sua unha.
- Você acha? O diretor protege os Townsend... Duvido que vá tomar alguma providência – respondeu, rolando os olhos.
- E ela, com certeza, vai se envolver nisso também, como da outra vez. Aliás, eu já a vi fofocando e criando intrigas com outras garotas. Ela não muda nunca! – falou, semicerrando seus olhos, e concordou.
- Eu morro de vontade de quebrar a cara dela até hoje pelo que houve em Cancun. Mas tenho certeza que não valeria a pena.
- Esse tipo de pessoa você tem que manter longe. Se você mexer com ela, logo ela encontra uma forma de revidar e você sabe como esse tipo de pessoa é - falou, alertando a amiga, que concordou e logo mudou de assunto.
Os oito continuaram a conversar, tentando passar o tempo antes de entrarem para a sala de aula. Estavam falando de coisas banais quando o celular de começou a tocar alto, fazendo todos prestarem atenção.
- Não vai atender? – perguntou, ao ver que ele ignorava a chamada.
- Não... – fingiu um sorriso e ela tomou o aparelho da mão do namorado, desconfiada.
olhou o visor a fim de saber quem ligava e arqueou uma sobrancelha, sentindo seu sangue correr mais rápido por seu corpo, quando viu “garota do bar” escrito. Ela se lembrava muito bem da tal “garota do bar”, era aquela que havia beijado em sua frente só para provocá-la, a que ele levara para ajudá-lo a procurar seu trevo de quatro folhas.
- Por que ela ta te ligando? E, meu Deus, ela não tem nome?
- Ela não me importa... Eu não guardo nome de quem não me importa – ele respondeu sincero.
- Mas o número você guardou – falou, com cara de brava.
- Ciúmes... Estou com ciúmes... – Dougie começou a cantarolar uma estranha canção, apenas para irritar a garota, e os outros seguraram risadas.
- Ah, , eu não tenho culpa de todos se apaixonarem por mim... Eu não sei por que ela ta me ligando, ok? Desde que a gente está junto eu nunca mais falei com ela – se explicou, passando uma mão pela bochecha da garota, fazendo um carinho.
- Então atende e fala com ela que você está comprometido – ela falou, devolvendo o celular a ele. – Pede que não te ligue de novo, porque você tem uma namorada muito brava e possessiva.
- Isso é mesmo necessário?
- Atende – ordenou, vendo que a garota ligava de novo, e os outros garotos zombaram de .
- Ta pior do que cachorro, dude! – falou, rindo bastante.
- Alô? – atendeu meio contrariado. – Oi, tudo bem?... Não, me desculpe... Eu sei que fiquei de ligar, mas é que... Ok... Na verdade, eu to namorando agora, me desculpe... Ela é muito brava, eu tenho medo dela... É verdade, agora mesmo ela ta com uma faca apontada pro meu peito...
Todos começaram a rir ao ouvir o que ele dizia e teve que segurar sua risada, enquanto sacudia a cabeça negativamente.
- Não, amor, pára! Eu não fiz nada, foi ela que me ligou... – começou a falar um pouco longe do celular, fingindo que falava com . - Oi, desculpa! Acho melhor eu desligar, minha namorada ta bem nervosa aqui... – ele voltou a falar com a garota no telefone, mas nem precisou terminar, pois logo ela desligou. – Desligou na minha cara.
Todo mundo começou a gargalhar com aquilo e deu um leve tapa no ombro do garoto, enquanto também ria.
- Bobo!
- Linda! – ele respondeu e deu um selinho na menina.
- Sabe do que eu acabei de me lembrar? – falou depois, abrindo um enorme sorriso. – Você só cumpriu uma das coisas que me devia daquele dia no parque. Lembra? Os três desafios que ficou me devendo por... Bom, não interessa.
- O que?! – pareceu perplexo, ele achava que ela não se lembraria mais daquilo. – Não! Olha o tanto de coisa que eu já fiz por você, foram mais de três!
- Tudo bem, eu só quero mais uma... Me leve àquele lago de novo – pediu com um pequeno sorriso e sentiu seu coração dar uma batida mais forte que o normal.
- Sempre que você quiser, meu amor. – Ele também abriu um sorriso e colou seus lábios nos da garota.
O sinal tocou em seguida, os lembrando de que tinham aula, e interrompendo o momento romântico do casal. No caminho, reclamou do fato de que os meninos, fora , estudavam em outra sala e agradeceu por isso, deixando seu orgulho falar mais alto do que seu coração.
O restante das aulas foi tranqüilo e logo eles puderam ser liberados. Os professores apenas haviam passado projetos de trabalhos, agendado provas e Sra. Parson feito um longo discurso, mais uma vez, sobre como havia amado o teatro, enchendo e de elogios.

Mais tarde, quando o relógio da parede da cozinha de marcava quatro horas, e ela se deliciava com um sanduíche preparado por ela mesma, apareceu na porta da casa da garota. Após tocar a campainha e ser atendido pela namorada, ele entrou, roubando uma mordida do sanduíche dela.
- Vim cumprir meu último desafio – ele falou de boca cheia.
- Nós vamos ao lago? – perguntou, com os olhos brilhando, e ele concordou com a cabeça, enquanto mordia mais um pedaço do sanduíche. – Vou trocar de roupa, me espere!
A garota deixou o lanche na mão de e correu escada acima para se trocar. O clima estava agradável naquele dia, então ela optou por um short jeans, uma blusa preta de manga curta e seu all star preferido.
Voltou à cozinha bem a tempo de ver comendo o último pedaço do sanduíche, mas acabou ignorando o lanche e jogando algumas maçãs em sua bolsa, junto com alguns biscoitos que achou pela frente.
- Nós só vamos ao lago, não vamos viajar – falou, com os olhos arregalados e novamente com a boca cheia.
- Eu posso sentir fome, lá não tem lugar para vender comida.
- Você acabou de lanchar...
- Não, você comeu meu sanduíche todo. – Ela sorriu para o garoto e fechou sua bolsa. – Vamos!
Os dois saíram da casa da menina e entraram no carro do pai de , que sempre servia para os passeios loucos dos dois. O CD do Queen, que estava jogado no porta-luvas do carro, serviu como trilha sonora durante todo o percurso. sentia seu estômago dar mil voltas à medida que reconhecia o caminho e se divertia cantando e interpretando as músicas.
Não demoraram muito a chegar ao lugar onde deveria estacionar para seguirem a pé até o lago. O casal entrou de mãos dadas no meio das árvores e logo puderam ver algo brilhando mais à frente. Era a luz do sol que se refletia naquela água cristalina. Se aproximaram do lago, a brisa que passava por ali formava leve ondulações na água, que parecia dourada pelo reflexo da luz do sol, e o verde das árvores parecia ainda mais intenso.
respirou fundo, deixando o cheiro da natureza invadir seus pulmões e logo uma lembrança percorreu sua mente: a imagem de sentado ali, o rosto molhado de lágrimas, os cabelos bagunçados e a pele avermelhada, por estar há muito sob o sol, na última vez em que fora àquele local. O vento jogou uma mecha do cabelo de em seu rosto e ela sacudiu a cabeça para se livrar daquela lembrança.
- É tão estranho... – ela disse, franzindo a testa e colocando uma mão acima dos olhos para os proteger do sol.
a encarou, esperando que ela continuasse.
- É estranho lembrar de nós dois enquanto estávamos brigados... Era tudo tão diferente.
- Realmente, você era muito chata – ele disse e ela gargalhou.
- Mas é bom ver como conseguimos voltar exatamente ao que éramos antes, nada mudou entre a gente.
- Só se intensificou – disse, sorrindo maliciosamente. – E isso é melhor ainda. – Ele passou seus braços pela cintura da garota e a puxou para perto de si, colando seus lábios nos dela.
abriu um pequeno sorriso e passou seus braços pelo pescoço do garoto, enquanto intensificava o beijo. Ela sentiu como juntava ainda mais sua cintura à dele, enquanto sua mão descia até a bunda dela e começava a apertá-la.
- Nós vamos assustar os esquilinhos – sussurrou e arrancou uma gargalhada de , que a abraçou forte.
Em seguida, uma idéia pareceu surgir na mente do garoto e ele sorriu malicioso.
- O que foi? – perguntou e, antes de responder, passou um braço pelas pernas dela e a pegou no colo.
- Eu até hoje não sei quão fundo é esse lago! – falou e saiu correndo com ela. começou a gritar e espernear, mas logo ele pulou e os dois afundaram na água gelada.
foi o primeiro a voltar à superfície e, quando a garota finalmente conseguiu, parecia um cachorrinho, com os cabelos colados na lateral da cabeça, os olhos arregalados e tremendo bastante.
- Frio... – ela falou, batendo os dentes. – Eu... vou... te... matar... por isso! – reclamou e começou a rir.
Aproveitando o momento perfeito, ela bateu as mãos na água e acabou fazendo com que ele engolisse um pouco e se engasgasse.
– Bem feito! – falou e logo começou a rir também.
Quando conseguiu se desengasgar, nadou até a ela, mas a garota tentou fugir. Ficaram brincando por muito tempo, até que ele conseguiu alcançá-la e, sem pensar duas vezes e nem fazer muita força, apoiou uma mão em sua cabeça e fez ela submergir. De dentro da água, distribuiu leves socos na barriga do garoto e ele a soltou, deixando que ela voltasse à superfície, para depois abraçá-la forte, imobilizando seus braços.
- Quero ver se consegue me afogar assim – brincou e tentou se soltar, mas foi inútil. Então, quando já começavam a afundar juntos, ele deu um beijinho nela e a soltou.
- Por favor, vamos sair daqui... Eu vou congelar – pediu, se esquecendo das brincadeiras, já sentindo a ponta de seus dedos perdendo o sentido, e o garoto concordou a acompanhando até a beirada do lago.
Ao sair, ela se deu conta de que todo o seu corpo tremia e cada brisa que batia em sua pele parecia milhares de agulhas que eram fincadas nela.
- Seus lábios estão roxos, amor. Me desculpa – falou, notando como ela sentia frio.
- Os seus também – ela respondeu, batendo os dentes e tentando sorrir.
- Deixa eu tentar aquecê-los, então – ele propôs e a abraçou forte, enquanto colava seus lábios nos dela.
Os dois iniciaram um caloroso beijo, mas nem isso foi capaz de aquecer seus corpos, que continuaram a tremer. Sem saber o que fazer para que o frio passasse, já que não haviam levado toalhas, os dois tiraram as roupas molhadas, ficando apenas com suas roupas íntimas e correram para dentro do carro, onde ligaram o aquecedor.
- Seu pai vai matar a gente, estamos molhando tudo... Mas a culpa foi toda sua! Quem mandou fazer isso?
- Ah, vai dizer que não foi legal? Você bem que gostou de ser afogada por mim...
- Afogada nada! Quem bebeu um litro de água foi você...
Os dois continuaram a brincar dentro do carro, abraçados no banco traseiro e esperando que se aquecessem. Aos poucos seus lábios voltaram a ficar vermelhos e o corpo parou de tremer, mas sem que ao menos percebessem os dois já estavam adormecidos.

“Er... Olá!
Até que eu gostei dessa idéia de escrever meus pensamentos, apesar de que a última vez foi um desastre!
Estava sem nada para fazer agora à noite e achei esse caderno velho, então...
Bom, a última vez que escrevi foi em Cancun e já faz um bom tempo. Os dias têm passado tão rápido... Aqueles dez dias na praia pareceram dois, mas pelo menos deu para aproveitar. Cancun é definitivamente um lugar que todos deveriam conhecer antes de morrer. Aquilo é o paraíso!
E por falar em paraíso, hoje passei a tarde no lago com o e a gente se divertiu tanto que acabamos dormindo no carro do pai dele, com o aquecedor ligado e molhando os bancos. Espero que não tenhamos estragado o estofado ou acho que vamos ter nos metido em uma grande confusão! Bom, mas o que importa é que foi ótimo reviver os velhos tempos ao lado dele. Acho que hoje nada conseguiria arruinar meu humor.
Hmm, sobre o que mais eu deveria escrever?
...
...
Tudo bem, eu preciso falar disso! Estou lutando para não pensar em algumas coisas, não queria escrever sobre elas, mas tem ficado impossível. Eu sei que na última vez que escrevi sobre isso eu e o brigamos feio, mas já que não posso contar para ninguém, eu preciso encontrar uma maneira de tirar esses pensamentos da minha cabeça.
Eu não consigo esquecer. Não dá! Meu coração não é tão frio para ignorar certas coisas e seguir minha vida normalmente, como se tudo estivesse dentro das normas, sem pensar no que pode estar realmente ocorrendo. Não consigo parar de pensar em como ele deve estar agora, mesmo que eu ainda sinta raiva. Eu não sei ao menos se ele está viv..."


se assustou ao ouvir a campainha tocar e fechou o caderno rapidamente. Correu para abrir a porta, já que estava sozinha em casa, quase certa de que era indo buscar algo que havia esquecido em sua bolsa. Carteira... Chaves... Celular... Provavelmente o último, já que ele não havia ligado antes.
Depois de destrancá-la, abriu a porta sorridente, mas seu sorriso se quebrou bruscamente ao ver quem a esperava ali. Após alguns segundos, ela se lembrou de respirar e suas mãos começaram a tremer.
- Ei, ! – Jonathan sorriu.

Capítulo X

não sabia o que sentir. Estava assustada, aliviada, tensa, feliz e nervosa ao mesmo tempo. Tinha vontade de abraçá-lo e dizer o quanto se sentia melhor ao saber que ele estava bem, mas, em seguida, enche-lo de tapas e bater a porta em sua cara. Porém, ela se limitou a ficar como estava, o encarando seriamente e apenas se lembrando de respirar.
- ? – Jonathan a chamou, ainda sorrindo. – Não vai me convidar para entrar?
- Eu... Na verdade, não – falou decidida e John desfez seu sorriso, meio desconsertado.
- Me desculpa, achei que ficaria um pouquinho mais feliz ao me ver.
- Eu não sei o que pensar sobre a sua volta, Jonathan.
- Ok... – ele falou pausadamente, franzindo sua testa. – To vendo que as coisas não estão como eu imaginava... Mas não importa! – ele interrompeu , que ameaçava falar alguma coisa. – Eu acabei de chegar a Londres e vim direto aqui pra te dar uma notícia. Não sei se você vai ficar feliz como antes eu achava que ficaria, mas achei que seria legal te dizer... Bom, eu to limpo!
- Limpo? – franziu a testa, sem entender.
- Depois que vocês me deixaram em Aberdeen eu pedi ajuda aos meus pais. Eles me colocaram em uma clínica de reabilitação e agora eu to bem – explicou.
- Em tão pouco tempo?
- Já faz um mês, ...
- Pouco tempo – ela afirmou, irredutível. Não queria se deixar levar de novo, ele já a havia enganado demais.
- Eu sei que um mês pode não significar muita coisa, mas eu sei que to bem e to livre daquelas porcarias, como você mesma diz. Mas você não vai mesmo acreditar em mim, não é? Eu poderia encontrar várias formas de te provar, mas não vou fazer isso. Se você não acredita... – O rosto de Jonathan estava sério e aparentava mágoa.
- E você quer mesmo que eu acredite? Depois de tudo aquilo? Eu...
- Não! – ele a interrompeu novamente. – Eu não quero discutir com você. Eu vim até aqui acreditando que você me apoiaria e ficaria feliz por mim. Você foi a primeira pessoa que eu procurei depois que cheguei a Londres e nem da porta você me deixou passar... Droga, ! Eu fiz isso por você! Mas se você não pode me apoiar, tudo bem, eu to indo embora.
ouviu a tudo aquilo com o olhar cravado nos olhos de Jonathan e pode observar o momento exato em que eles se encheram de lágrimas. Porém, apesar de tudo que ouviu, ela não foi capaz de dizer uma palavra. permaneceu imóvel, apenas observando o garoto abrir um meio sorriso nervoso, um pouco trêmulo, e após uma leve sacudida de cabeça, virar as costas e ir embora. Em seguida, ela fechou a porta e voltou ao silêncio de sua casa.
A garota sentiu um enorme aperto em seu peito ao voltar a ficar sozinha, ela não podia acreditar no que havia acontecido nos últimos minutos. Antes de abrir aquela porta, ela estava vivendo em seu mundinho perfeito novamente, mas então tudo se despedaçou. E, embora não quisesse admitir, ela estava feliz por saber que Jonathan estava bem, apesar de todos os seus erros.
De certa forma, se sentiu melhor por ter conseguido ser forte e não ter deixado que ele acreditasse que a tinha na mão novamente, mas ela também não havia tido coragem suficiente para dizer tudo que tinha vontade. Queria xingá-lo por tudo que ele a havia causado, queria dizer o quanto estava magoada e o odiava naquele momento, mas, acima de tudo, queria dizer que agora ela era feliz.
Sem muita consciência do que estava fazendo, mas sentindo que era aquilo que deveria fazer, respirou fundo, pegou seu celular, que descansava sobre a bancada ao lado da porta, calçou a primeira sandália que viu pela frente e saiu de casa.
Um pouco perdida, ela correu pela calçada na direção em que julgara ver Jonathan partir e, algum tempo depois, pode vê-lo caminhando mais à frente. Com um sorriso involuntário no rosto, ela correu ainda mais.
- John, espera! – gritou, quando estava a uma distância menor.
O garoto deteve seus passos e se virou assustado, enquanto ela também parava e apoiava as mãos nos joelhos, para descansar. pode ver então que Jonathan tinha o rosto coberto por lágrimas, apesar de ele ter tentado esconder isso dela.
- Você... – Ela engoliu em seco. – Não chora! – falou com a voz ofegante.
Os dois ficaram se encarando em silêncio, enquanto ela recuperava sua respiração normal e Jonathan segurava suas lágrimas.
- Você é um idiota, Jonathan Forest! Um idiota! E eu te odeio! – então começou a falar, ela precisava se livrar daquilo. – Eu sei tudo que você fez, eu sei que foi você quem mandou o Richard entregar o ecstasy ao . Você aproveitou enquanto eu estava mal para se aproximar. Você fingiu aquilo tudo depois do teatro para me atrapalhar de novo com o ...
- Eu coloquei o soco inglês no bolso dele durante nossa briga, pra tentar provocar uma expulsão. Eu o provoquei enquanto você não via. Eu fiz de tudo pra afastar vocês. Sim, eu fiz isso tudo – Jonathan falou, não parecendo surpreso ao descobrir que ela sabia de tudo, e deixando mais algumas lágrimas rolarem por sua face. De repente, se viu completamente desarmada.
- Você queria acabar com a minha vida... Agora você quer simplesmente que eu esqueça e acredite em você? – ela também não pode evitar que seus olhos se enchessem de água.– Eu vivi nas suas armações por um bom tempo, não da pra fingir que você é a pessoa mais confiável do mundo agora.
- Me perdoa, ... Por favor, me perdoa! – Jonathan pediu, parecendo envergonhado. – Eu sei o que eu fiz, eu assumo meus erros, mas eu fiz porque queria você pra mim. Eu sei que só faz um mês que não nos vemos, mas, acredita em mim, eu mudei. , esse mês que eu passei na clínica me mudou completamente. Agora eu vejo o cara irresponsável que eu era. Eu achava que para conseguir o que eu queria, valia qualquer coisa, mas já sei que não é assim. Eu aprendi com você! E hoje eu to limpo também por você... Uma vez você me perguntou se eu não tinha nenhuma motivação para parar de usar drogas, se lembra? E eu realmente não tinha naquela época. Mas aí você bagunçou minha cabeça, mexeu com a minha vida e virou minha motivação. Eu sinto vergonha de olhar para você e me lembrar do que eu te fiz, mas, por favor, acredita em mim.
- Eu posso até te perdoar... – falou, tentando ignorar o nó enorme que crescia em sua garganta e as lágrimas que rolavam por suas bochechas. – Mas eu não sei se consigo confiar mais. Você me magoou muito.
- Foi por infantilidade. Eu fui idiota, não vi que te machucava. Eu queria ficar com você a qualquer custo... , eu nunca tinha me apaixonado, não sabia como deveria agir. Eu me acostumei com garotas que não ligam para nada. Você foi diferente e talvez por isso mesmo eu tenha me sentido assim...
- Jonathan, por favor... Não faz isso comigo – passou as duas mãos por seu próprio rosto e enxugou suas lágrimas. – Eu e o estamos bem agora. Eu não quero ser egoísta, mas finalmente eu estou feliz. Por favor, me deixa ficar assim.
Jonathan abaixou o olhar e respirou fundo, também limpando suas lágrimas. Sua mente estava embaralhada, mas, pela primeira vez, ele parecia saber o que era certo a se fazer. Então, tomou uma decisão e voltou a levantar seus olhos.
- Vocês estão namorando sério mesmo?
- Uhum... – murmurou, concordando.
- Eu devo manter minhas esperanças?
- John...
- Por favor, me fala – pediu, a encarando.
- Não.
O garoto então sacudiu a cabeça, concordando com o que ela acabara de dizer, e forçou um pequeno sorriso.
- Posso só fazer uma coisa antes de ir embora? – pediu sincero.
sabia o que ele pretendia, mas, por alguma razão, não pode negar. Sua cabeça estava confusa e ela não conseguia decidir em que deveria acreditar, porém, qualquer que fosse a verdade naquele momento, ela percebeu que já não fazia mais diferença. Sentiu, então, Jonathan segurar seu rosto com as duas mãos e colar seus lábios no dela. Foi um pequeno toque, que durou menos do que esperava. E, ao ver ele se virar para ir embora, um aperto enorme invadiu seu peito.
- John! – ela o chamou e ele se virou novamente. - A gente vai se ver outra vez?
Jonathan franziu a boca de lado, como se não soubesse que resposta poderia dar.
- Promete que vai se manter assim. Me promete que não vai voltar a se envolver com aquelas porcarias – pediu, sem saber ainda se realmente acreditava no que ele havia dito.
- Eu prometo.
Jonathan sorriu e ficou encarando a garota por alguns segundos, mas então seus olhos se desviaram para algo atrás dela e seu sorriso se desfez de forma tão abrupta que uma onda de medo invadiu o corpo de . E era um medo justificável, os olhos dele refletiram um pavor instantâneo.
- Droga! , corre! – Jonathan gritou e a garota mal teve tempo de olhar para trás antes de sentir que ele a puxava pela mão. Mas foi um tempo suficiente para que visse o que o assustava. Cerca de sete homens estavam olhando para eles, a uma distância de dois quarteirões, e um os apontava. Eles estavam armados.
De mãos dadas com Jonathan, ela correu desesperada, sem entender o que acontecia. O casal virou uma esquina e John, que ia à frente, invadiu o quintal de uma casa, pulando uma pequena cerca. o seguiu e os dois correram para trás da casa, onde pularam novamente a cerca e saíram em outra rua. Eles sabiam que estavam sendo seguidos, ouviam os gritos dos homens, que soavam como fortes ameaças.
- Aqui – Jonathan falou, puxando para um beco escuro.
Os dois correram até notar que não havia saída. Jonathan sabia que não podia voltar, pois os homens provavelmente não demorariam a chegar ali, então empurrou para trás de algumas caixas de papelão e entulhos que havia perto deles, se agachando, em seguida, ao seu lado.
- O que ta acontecendo? – perguntou desesperada, a voz um pouco mais alta do que um sussurro.
- Merda! Eu não pensei nisso, eu deveria ter pensado nisso... – o garoto se lamentava sozinho.
- O que está acontecendo, Jonathan?
- São os caras! Eles vieram me pegar... – ele respondeu apavorado.
- Mas você disse que tinha tempo...
- Naquela época eu tinha tempo, eles não gostam de esperar muito – ele falava passando as mãos por seu rosto e cabelos. – Eles vão me matar!
Um calafrio enorme percorreu o corpo de e só então ela percebeu o quanto tremia. Estava coberta de medo e angústia.
- Não! Isso não vai acontecer! – disse e logo abaixou sua voz para um sussurro, pois ouvia outras vozes na rua. – Vamos conversar com eles e pedir mais um prazo, eu te ajudo a conseguir o dinheiro. Eu prometo.
- Você está louca? Se sairmos daqui, eles matam os dois!
- Então vamos ligar para a polícia!
- Não adianta... Até chegarem aqui, eles já nos encontraram – ele falou, já formulando uma opção em sua mente.
Alguns passos altos indicavam que pessoas chegavam correndo. O beco estava escuro e eles não podiam confiar mais em outro sentido do que na audição.
- Eles vieram pra cá, sim! Eu vi! – uma voz estranha masculina podia ser ouvida, aparentemente vinda da rua na qual saía aquele beco.
- Não da pra sair andando por aí. Você ta ligado que o chefe vai recompensar quem matar o viadinho, né? Vai querer que sejam os outros? Eles já tão procurando por aí... – uma segunda voz respondeu.
O coração de Jonathan batia apertado no peito, ele sabia que era praticamente impossível escapar dali.
De repente, as vozes cessaram e respirou aliviada. Porém, John não se sentia nem um pouco assim, ele sabia o que os aguardava. O garoto colocou seu dedo indicador sobre os lábios para pedir que permanecesse em silêncio e ela logo entendeu. Os rapazes não haviam ido embora. Eles estavam analisando o beco.
Sem saber o que fazer, e completamente apavorada, a garota procurou pelos olhos de Jonathan e foi naquele momento que eles se mostraram firmes, ele havia tomado mais uma decisão.
- , me escuta – sussurrou, tentando dizer tudo que precisava rapidamente. – Assim que eu sair, você espera um pouco e vira para o lado contrário ao que eu for, quando estiver na rua, está bem?
- Espera! O que você vai fazer?
- Eles não vão embora. Não quero que sobre pra você...
- Não! Não! Você ta louco? Você não vai fazer isso – sussurrou desesperada, segurando os braços do garoto.
- , não adianta!
- Então vamos juntos, eu vou com você. A gente tenta conversar...
- Eles vão nos matar! – Jonathan disse sério e segurou o rosto de . – Por favor, faça o que eu disse.
Ela não respondeu, não conseguia sequer pensar na idéia de ver o garoto se expondo a uma arma. Os dois ficaram em um silêncio fúnebre, carregado de medo, angústia e dor.
- Eu te amo – Jonathan sussurrou e sorriu. Em seguida, deu um beijo em sua testa e se levantou para começar a caminhar para fora dali.

Capítulo XI

Ao ver que Jonathan se levantava, tentou segurá-lo, impedir que fizesse aquilo, mas ele estava decidido. As mãos da garota tentaram involuntariamente segurar seus braços, mas ele se soltou e então ela não teve forças para mover mais nada ao vê-lo caminhar para o meio do beco. A partir dali, tudo pareceu estar em câmera lenta.
Os dois rapazes que procuravam por Jonathan sacaram suas armas ao verem o vulto do garoto, que caminhava no escuro, e, sem conseguirem enxergá-lo direito, eles recuaram alguns passos. Jonathan os seguiu, tentando balbuciar algumas palavras e não pode mais vê-lo, quando, ao sair do beco, os três viraram à direita. Mais algumas palavras e um apelo por sua vida foram interrompidos por um barulho de tiro alto, seguido por um baque surdo no chão.
se assustou ao ouvir o barulho e por um momento chegou a pensar que haviam atirado nela também, pois uma dor imensa surgiu instantaneamente em seu peito. Mas ela ficou imóvel, em completo estado de choque, sem conseguir raciocinar sobre o que havia realmente acabado de acontecer.
- E a garota? Ela também deve estar lá...
- A gente não tem tempo pra isso, vamos sumir com o corpo antes que a polícia chegue. Se a garota der problema, a gente apaga ela depois.
Aquelas palavras chegaram aos ouvidos de , mas ela não conseguiu entendê-las. De repente, nada mais fazia sentido.

Um celular tocava alto, ecoando pelo beco, mas a garota não tinha forças para atendê-lo. Ainda estava sentada na mesma posição e não sabia se haviam se passado segundos, minutos ou horas desde que chegara ali.
Então, alguns passos também ecoaram pelo beco. Alguém se aproximava.
- ? – uma voz conhecida a chamou, ressabiada. – !
correu ao encontro da garota ao conseguir reconhecê-la. Ele se agachou em frente a ela e a segurou pelos ombros. Ela não respondeu, apenas o olhou assustada.
- , o que aconteceu? Você está bem? O que houve?
Ele estava desesperado, verificando se estava tudo bem com ela, preocupado com o que poderia ter acontecido à sua garota. segurou seu rosto, esperando por uma resposta, e então se derramou em lágrimas.
- Chama a polícia! Por favor... – ela pedia entre soluços. – O John... O Jonathan...
- , o Jonathan não está aqui. O que houve? Do que você tá falando?
- Atiraram nele... Ah, !
A garota não conseguia pronunciar mais do que aquilo. estava confuso e engoliu em seco, enquanto apoiava a cabeça dela em seu peito e abraçava apertado. Ela passou seus braços pelo corpo dele e o apertou, tentando se livrar da dor que sentia.
- Eu sei que tá difícil pra você falar, mas eu preciso saber o que aconteceu, o que você está fazendo aqui...
- O Jonathan... Mataram o Jonathan, – ela falou, observando o garoto franzir a testa. – Ele veio até mim, os caras o acharam e...
Ela voltou a chorar desesperadamente.
- Vamos, eu vou te levar pra casa.
segurou nos braços da garota e, apesar dela se sentir completamente sem forças, conseguiu colocá-la de pé. Os dois caminharam devagar até a casa de e o único som ouvido durante todo o trajeto foi o dos seus soluços.
Ao chegarem, viram que os pais dela estavam preocupados na porta de casa. Eles pediram por explicações, mas tiveram que esperar até que, mais tarde, depois de tomar alguns calmantes, ela conseguisse dizer algo.
- O que você tá fazendo aqui? – perguntou a , com a voz mole.
- Seus pais me ligaram, estavam preocupados com você. Eles chegaram em casa e não te encontraram, uma vizinha disse que te viu sair correndo com o que parecia ser um pijama e todo mundo ficou preocupado. Foi sorte eu estar te ligando e ouvir seu celular tocar enquanto passava em frente àquele beco. O que você tava fazendo lá, meu anjo? O que aconteceu? – perguntou, aflito.
Então, sem ter muita certeza do que estava falando, devido ao efeito dos remédios, a garota relatou a eles os acontecimentos daquela noite.
No dia seguinte, acordou com o coração disparado. Sabia que algo ruim havia acontecido, mas sua mente se recusava a lembrar-se do que era. Limitou-se, então, apenas a acreditar que havia tido um terrível pesadelo.
A garota saiu da cama com a cabeça pesada e um pouco aérea, devido aos remédios dos quais também não se lembrava. Caminhou devagar em direção às escadas ao ouvir a campainha tocar e se sentou nos primeiros degraus que desceu ao ver sua mãe abrir a porta. Era um policial.
- Bom dia! A senhorita está? – perguntou o homem gordo e calvo, com um bigode um pouco amarelado, provavelmente por causa do cigarro.
- Bom dia! Entre, por favor. Eu sou a mãe dela – a mulher respondeu, abrindo mais a porta e dando passagem ao senhor.
Os dois caminharam até a sala e se sentaram em um sofá que podia enxergar, ela não sabia o que estava acontecendo, mas não se sentia disposta a ir averiguar.
- Ela esta dormindo agora, mas é sobre a noite passada, não é? Ela está arrasada... - Ouviu sua mãe dizer e franziu a testa.
- Sim, nós encontramos o corpo do senhor... – o policial disse, olhando um pequeno papel – Jonathan Forest. Testemunhas disseram que sua filha esteve com ele ontem.
- É verdade. Nós íamos procurá-los, só estávamos esperando ela se recuperar um pouco do choque.
- Vocês acharam o quê? – perguntou do alto da escada, fazendo os dois a olharem assustados. – O Jonathan está... Morto? O John... Ah, meu Deus! – Ela levou uma mão à boca, sentindo lágrimas queimarem seus olhos. Não era um pesadelo.
- Sinto muito – confirmou o policial e então ela pode se lembrar de tudo que havia acontecido, embora fosse difícil de acreditar.
A garota desceu as escadas sem ao menos sentir suas pernas, as quais tremiam incontrolavelmente, e se sentou ao lado de sua mãe, que a abraçou forte. Então, entre milhares de lágrimas, relatou ao policial como haviam assassinado seu amigo.

não foi ao enterro de Jonathan, ela não queria vê-lo daquela maneira. Já era doloroso demais sua última lembrança ser a daquele beco assustador, mas, pelo menos ali, ele ainda possuía aquele sorriso lindo e seus olhos brilhavam com vida.
Ela achava engraçado como, de uma hora para outra, Jonathan se tornara alguém conhecido para todos. A escola fez uma homenagem a ele, Alison e Richard choraram ao receberem a notícia e milhares de garotas instantaneamente passaram a dizer que o amavam e sentiriam sua falta. Para todos não passavam de um bando de hipócritas. Ninguém ali conhecia realmente Jonathan. Não do jeito que ela conhecia.
- Odeio todas essas pessoas falsas! Agora todo mundo vem falar comigo, dizer que ele era um ótimo garoto. Hipócritas! - gritava, enquanto caminhava de um lado para o outro. Estava na sala de sua casa com seus sete amigos. Todos ainda pareciam um pouco chocados com a notícia da morte de Jonathan.
- Não fica assim, logo ninguém mais vai se lembrar... - tentou ajudar, mas aquilo só deixou ainda mais nervosa.
- Por isso mesmo! - disse com os olhos voltando a arderem de lágrimas. Ela parou de falar por um instante e observou seus amigos. Ninguém sabia o que dizer, ninguém ali gostava realmente de Jonathan. Ao menos eles nem tentavam fingir o contrário. - Você o perdoaria? Se ele viesse te pedir desculpas por tudo o que fez, você o perdoaria? - perguntou, se dirigindo a , que havia se mantido calado até então.
Ele pareceu um pouco desconsertado. Não queria machucar , nem fazer com que ela se sentisse pior, mas ele também não podia mentir.
- Acho que não... - disse baixinho. - Eu não consigo acreditar tanto nas pessoas quanto você. Eu pensaria que era mais uma de suas armações.
- Isso quer dizer que eu sou boba - concluiu, se sentando entre e no sofá.
- Não, você só é boa demais, meu anjo. - caminhou até perto dela e se agachou à sua frente. - Mas eu não vou mentir, todos nós sabemos que o Jonathan era bom em enganar as pessoas.
- Bom, não vejo sentido em ficarmos discutindo o caráter dele agora. O cara já morreu - falou, nem um pouco delicado, e todas as garotas rolaram os olhos para ele.
permaneceu por um momento olhando para o nada, pensando em como seria tudo dali para frente. Ela não costumava passar o tempo inteiro com ele, mas saber que Jonathan nunca mais estaria ali era estranho. E se, de repente, ela quisesse estar com ele? Não era justo!
- Eu quero ir falar com o Sr. e a Sra. Forest. Eu fui a última pessoa a estar com ele, acho que seria bom ir até lá. Você vem comigo? - perguntou a e ele acabou concordando, após pensar um pouco.
Para toda aquela situação era ainda mais estranha. Ele nunca gostara de Jonathan. Na verdade, sempre que o via tinha vontade de socar sua cara. Obviamente, era estranho pensar que o garoto estava morto, mas ele não conseguia sentir tristeza.
Ele também não culpava por se sentir daquela maneira. Embora odiasse aquilo, sabia que ela tinha um carinho estúpido por Jonathan e estava sendo muito difícil assimilar que ele havia morrido em sua frente. E era por isso que estava ali, ao seu lado. Ele sabia que precisava de seu apoio e faria o que fosse preciso para que ela não se machucasse mais. Pelo menos, agora que Jonathan estava morto, ele não poderia fazer mais nada para machucá-la...
desfez seus pensamentos quando os dois chegaram em frente à casa dos pais de Jonathan. Era ainda mais estranho estar ali naquela situação, já que, a primeira e única vez em que ambos haviam estado no local, Jonathan estava sendo um babaca com . ainda se lembrava da cara de desespero da namorada ao abrir a porta apenas de sutiã.
- Eu não sei se é uma boa ideia - falou com a voz trêmula.
Ela também havia se lembrado daquela noite, mas decidiu ignorar esse tipo de pensamentos e se focar no que havia ido fazer ali. Embora estivesse decidida a conversar com os pais de Jonathan, algo tinha detido seus passos ao se aproximar da porta. Foi um medo repentino. Medo do que eles poderiam dizer, de como poderiam estar. Medo de eles a culparem.
tomou a frente e tocou a campainha ao perceber que não o faria. Ele queria acabar com aquilo logo, voltar a viver como estava antes. E, se ela achava importante fazer aquilo, que o fizesse de uma vez.
A mãe de Jonathan não demorou a abrir a porta. A mulher era loira e tinha os olhos verdes bastante parecidos com os do filho, embora estivessem completamente inchados. Pela expressão em seu rosto, era possível observar que ela não dormia desde que recebera a notícia e, provavelmente, estava à base de calmantes.
sentiu seu coração se apertar ao ver a mulher. Não só por sua semelhança com Jonathan, que fez imediatamente milhares de imagens surgirem em sua cabeça, mas também por ela estar tão acabada.
- Sra. Forest? - perguntou e a mulher afirmou com um leve abanar de cabeça. - Meu nome é , eu sou... Eu era amiga de seu filho.
A mãe de Jonathan permaneceu um tempo olhando para e depois a abraçou forte, começando a chorar em seguida. Aquela visita não seria nem um pouco fácil.
- Meu John sempre falava de você... Mas eu nunca imaginei que nos conheceríamos dessa maneira - a mulher dizia entre soluços e se esforçava para não começar a chorar também. Ela tinha que ser forte, não estava ali para desestruturar ainda mais aquela família.
Após apresentar , entrou na casa e notou como tudo parecia diferente. De um lado algumas caixas bagunçadas tomavam conta do corredor, e do outro a sala estava completamente arrumada, como se já aguardasse visitas. Ao se aproximar mais do local, notou que um homem alto observava a janela com o olhar vago e as mãos nos bolsos dianteiros da calça.
- São amigos do nosso John. Essa é a de quem ele tanto falava - a Sra. Forest disse, se dirigindo ao marido. Quando ele se virou, mostrou a todos os olhos caídos e as olheiras profundas. Tentou cumprimentá-los com um pequeno sorriso, mas até mesmo sua boca parecia se negar a fazer o que ele queria. notou como ele também a lembrava o Jonathan.
A visita não durou muito, embora o Sr. e a Sra. Forest parecessem querer que permanecesse ali. Era como se ela pudesse, por um pequeno espaço de tempo, fazê-los esquecer que o filho havia partido. Mas para aquilo era doloroso demais.
Ela contou a eles algumas coisas que os dois conversaram naquela noite. E chorou muito enquanto pedia desculpas por não ter deixado Jonathan entrar em sua casa, ou por tê-lo seguido depois, fazendo-o ser encontrado. Pediu desculpas até mesmo por ter estado no beco com ele. Ela achava que Jonathan só havia se entregado porque ela estava lá, com medo de que também a encontrassem. Mas os pais do garoto não a deixaram se sentir assim.
Eles puxavam a culpa para si, dizendo que deveriam ter sido mais rigorosos. Deveriam ter percebido assim que Jonathan começou a se envolver com drogas. Deveriam tê-lo internado à força. Deveriam ter descoberto que ele devia a alguém e ajudado a pagar. Deveriam ter sido mais presentes na vida do filho.
Mas já era tarde demais. E a culpa não era de ninguém.

Capítulo XII

Cinco meses depois...
- Pelo menos nisso esse novo diretor é melhor. Bailes no final do ano! Ainda não acredito que ele só foi contratado agora que estamos saindo... Imaginem que perfeito teria sido nosso Ensino Médio com bailes no final de cada ano? - tagarelava enquanto as garotas se arrumavam no quarto de . Era noite de baile e todas tinham que estar arrasando.
Poucos meses após a volta às aulas, o antigo diretor do colégio onde estudavam foi demitido. Ele foi descoberto recebendo suborno de alguns pais e o novo diretor não demorou a assumir. Como uma das primeiras providências em seu novo cargo, expulsou Alison e Richard, que nunca deveriam ter voltado a estudar ali. E depois começou a implantar melhores métodos de ensino e trouxe para o colégio um incentivo aos alunos que estivessem bem de nota: um baile de final de ano.
As salas de aula viraram um alvoroço quando foi anunciada sua decisão e, enquanto alguns queriam fazer parte do comitê organizador, outros já começavam a planejar sua roupa. , , e foram convidados a tocar no baile, mas, depois, a ideia de uma banda ao vivo foi trocada pela de um DJ famoso que estava de passagem pela cidade. Os garotos não se importaram ao serem dispensados, fora do palco eles poderiam beber e se divertirem com suas namoradas.
- Esse baile vai ser perfeito! Pensem bem, estaremos com nossos namorados e sem ninguém para nos atrapalhar. Eu ainda mal consigo acreditar que me livrei daquela piranha da Alison mais rápido do que esperava - dizia sorridente.
- Ela foi para aquela clínica de reabilitação em Manchester, não é? - perguntou, enquanto procurava um brinco que combinasse com seu vestido.
- Até onde eu sei, ela está bem quietinha lá. Mas ouvi dizer que o Richard sumiu - disse baixo, como se estivesse contando algo bastante confidencial. - Rolam boatos por aí de que ele está preso.
- Seja onde for, espero que estejam bem longe da gente - concluiu, encarando seu reflexo no espelho e procurando por algum defeito em sua maquiagem.
As quatro continuaram a se arrumar e conversar sobre assuntos banais até que uma buzina foi ouvida do lado de fora. correu até a janela e anunciou que os meninos haviam chegado ao ver saindo do carro de seu pai, juntamente com os outros três.
Depois de mais alguns minutos checando se tudo estava certo, as garotas desceram e foram direto para a sala, onde eles as esperavam conversando com os pais de . Todos abriram sorrisos enormes ao vê-las.
- Você está linda - sussurrou no ouvido da namorada quando ela o abraçou e a garota abriu um sorriso tímido.
O pai de emprestou seu carro a , já que não cabia todo mundo em um só e eles se apressaram em direção ao baile. , , e seguiram em um carro, enquanto , , e , que a essa altura já haviam assumido um namoro, iam atrás.
No meio do caminho, e relembravam uma surpresa que haviam feito à Sra. Parson no dia anterior e e os parabenizavam pela ideia.
A professora havia recebido uma oferta de emprego em uma renomada escola internacional de teatro e, com muito pesar, pedido demissão do lugar em que havia trabalhado durante longos anos de sua vida. Porém, ao ficarem sabendo, e antes que ela fosse embora, os alunos do terceiro ano resolveram agradecê-la de uma maneira especial.
De olhos vendados, a mulher foi levada ao auditório e sentada na primeira fila. Uma aluna retirou a venda ao receber um sinal e, quando pode enxergar, Sra. Parson viu o palco completamente enfeitado e e vestidos de Romeu e Julieta.
- Romeu, por favor, ajude-me! – a garota começou a interpretar assim que viu a cara de surpresa da professora.
- O que houve, minha donzela? Algum cavalheiro medíocre te importuna? Avisa-me que rasgo-lhe a garganta – falou, enquanto puxava de seu cinto uma espada de plástico.
- Não, guarde sua arma, meu bom moço. Estou desesperada por não saber o que será de mim a partir de hoje... – disse e ele obedeceu.
- Já sei! Sua família quer separar-nos? Pois entrarei em uma batalha com todos e vencerei! – puxou novamente a espada e saiu pelo palco simbolizando uma luta com o ar.
- Nada disso – falou e caminhou até a beirada do palco, onde se sentou. – A Sra. Parson quer nos deixar. Como viveremos sem ela?
- Oh, não! – exclamou, guardando a espada, e correu para perto da garota, se sentando ao seu lado. – Está certa disso?
- Certa como a certeza de que o céu é azul. – Ela encarou a professora com olhos tristes e viu que lágrimas rolavam pelo rosto da mulher. – O que será de nós? Aqueles bobalhões do terceiro ano também irão embora... – ela falou, arrancando risadas de todos.
- Romeu e Julieta irá acabar...
- Não! – ela exclamou, levantando-se.
- Não! – fez o mesmo e segurou em suas mãos, olhando-a nos olhos.
- O que faremos?
- A seqüestraremos, mas não pediremos resgate! – O garoto puxou a espada mais uma vez e apontou para platéia.
rolou os olhos e voltou para a beirada no palco.
- Tenho uma idéia melhor... Ama, traga aquele presente! – gritou, e a garota que interpretava a Ama de Julieta entrou no palco segurando uma pequena caixa, que depositou nas mãos de . A garota voltou a encarar a professora. – Daremos a ela nosso coração, cada um de nós. Assim, não importa aonde ela for, nós iremos junto.
- Romeu e Julieta nunca serão esquecidos! – também se aproximou, encarando a Sra Parson.
- Nunca!
- Assim como ela, viraremos uma lenda. Todos se lembrarão de nós.
- Sim, embora nada volte a ser igual...
- Foi uma ótima idéia, Julieta!
- Espero que ela goste...
- Tenho certeza que sim.
fechou as cortinas, enquanto todos aplaudiam furtivamente e Sra. Parson se debulhava em lágrimas. Quando voltou a abri-las, o menino se juntou ao resto da turma, que subia no palco carregando a professora com eles. A mulher deu um forte abraço em e e recebeu deles a caixa, que continha bilhetes em forma de coração de cada um dos alunos.
Após essa enorme demonstração de carinho, Sra. Parson realmente deixou a escola, sob milhares de desejos de sucesso.

Ao chegarem ao colégio, os oitos se espantaram ao verem o pátio central transformado em uma boate gigante. O DJ estava localizado em uma parte suspensa no meio do local e vários estudantes já dançavam animados ao seu redor. Havia um bar montado em um dos cantos, uma mesa de buffet em outro, mesas espalhadas por algumas partes e até mesmo alguns sofás e poltronas confortáveis em alguns lugares.
, , e seguiram direto para a pista de dança. Os dois garotos não podiam beber, por estarem dirigindo, e e acharam melhor os acompanhar. Enquanto isso, e se sentavam à uma mesa com outros casais conhecidos e e seguiam direto para o bar. Os dois estavam dispostos a disputar quem conseguia beber mais doses de vodca pura seguidas. Quem ganhou, obviamente, foi a embriaguez.
Em certo momento do baile, a batida inicial de uma música fez o coração de disparar. Ela olhou espantada para ao reconhecer "Juliet", da banda LMNT. Era a música que o namorado havia cantado para ela no final do teatro do meio do ano. E, embora agora a letra já não fizesse mais tanto sentido, ainda trazia a ela uma sensação de que tudo acabaria bem. Ela apenas impediu sua mente de se lembrar do que havia acontecido em seguida naquela noite.
- Hey, Juliet! - gritou para ela, puxando uma de suas mãos e fazendo com que ela rodasse. se divertiu naquela música mais que em qualquer outra e o garoto, que lembrava toda a letra, ficou cantando para ela as partes que ainda faziam sentido.
Quando a música acabou, abraçou forte o namorado, tentando se agarrar à alegria que estava sentindo naquele momento. Ela queria poder parar o tempo naquele abraço. Mas logo acabou sendo interrompida por uma microfonia que chamou atenção de todo o baile. Era . Muito bêbado.
- Eu... Oi, todo mundo que está olhando para mim - ele falava embolando um pouco a língua. - Eu só vim dizer que... Que eu gosto da .
arregalou os olhos ao ouvir aquilo e encarou , que estava boquiaberto. , , e estavam com a mesma reação de surpresa. E ao olhar novamente para onde estava, acabou se deparando com o garoto e aos beijos. O DJ voltou a tocar suas músicas e os seis amigos se entreolharam e caíram na gargalhada.
- Quero só ver desmentirem isso amanhã! - disse alegre. Ela era a que mais torcia pelo casal.
Horas depois do início do baile, as pessoas já não apresentavam a mesma disposição. Alguns bêbados caíam pelos cantos, casais se agarravam em cima dos sofás, enquanto outras pessoas os usavam para dormir, e os oitos amigos estavam exaustos. e não se desgrudaram um minuto depois daquele pequeno show do garoto, mesmo quando a embriaguez já não era mais tão evidente. e dançavam algumas músicas lentas que eram tocadas, enquanto e estavam comendo. e também haviam se cansado de dançar e, enquanto ele tentava convencer os amigos a irem embora, ela resolveu ir ao banheiro.
caminhou pelo salão observando as pessoas ali presentes. Todo final de festa era igual, já não importava mais a maquiagem feita durante horas, ou o vestido escolhido meses antes, nem mesmo o sapato caro comprado exclusivamente para a festa. No final, estavam todos suados, alguns bêbados, alguns mortos de sono e alguns apenas querendo ir para a casa.
Quando chegava à porta do banheiro, algo captado por pela sua visão periférica chamou sua atenção. Duas meninas, que deveriam ser uns três anos mais novas que ela, conversavam em um canto. A ruiva parecia um pouco amedrontada, enquanto a morena dizia algo. Ao se aproximar mais, conseguiu enxergar um pequeno comprimido branco na mão da primeira.
Sem ter muita ideia do que estava fazendo, mas sentindo que seu sangue corria nas veias em uma velocidade anormal, se dirigiu rapidamente até onde estavam as duas garotas. A ruiva estava levando o comprimido à boca quando ela se aproximou e deu um tapa na mão da menina, fazendo o ecstasy voar para longe.
- Você está louca? - a morena gritou, desesperada.
a ignorou e segurou no rosto da ruiva, pedindo que ela a olhasse nos olhos. Enquanto a morena tentava encontrar o pequeno comprimido no chão, o olhar de pavor da ruiva deu lugar a um de agradecimento.
- Me escuta. Não importa o que ela disse, ou o que o resto da festa disser, não faça isso! Está ouvindo? Um ano atrás eu vivi um inferno por culpa dessa porcaria. Cinco meses atrás meu amigo morreu por causa de drogas. Não importa o que eles disserem, não faça isso - pediu, ainda sem ter muita ideia do que estava fazendo. Seus olhos se encheram de lágrimas quando ela mencionou Jonathan e por um momento ela sentiu que estava fazendo a coisa certa.
A ruiva se mostrou agradecida, embora não tenha conseguido pronunciar nenhuma palavra, e se afastou antes que deixasse a morena ainda mais irritada. Quando chegou à porta do banheiro, ela notou como suas mãos tremiam e respirou fundo, tentando se acalmar.
Ao caminhar de volta para onde a esperava, começou a observar aquele pátio. Embora agora estivesse enfeitado para o baile, ela conhecia cada pedaço daquele lugar. As paredes daquela escola, as salas de aula, o gramado, o palco do auditório, cada pedaço guardava muito mais do que simples matérias e provas. Em cada lugar havia lembranças. Lembranças de sorrisos, de lágrimas, de amizades. De brigas violentas, abraços e beijos escondidos. Aquele era o lugar onde ela havia conhecido seus amigos, onde ela havia aprendido a amar alguém. Ali ela havia feito inimigos, descoberto sonhos e entendido o peso de suas atitudes. Era a última vez que pisaria ali e ela não conseguiu segurar uma lágrima.
- Vem, meu amor, vamos embora - se aproximou e entrelaçou seus dedos aos dela, enquanto os dois caminhavam para fora dali.

Epílogo

"Diário,
Aqui estou eu escrevendo mais uma vez.
Chegou ao fim. Mais uma etapa da minha vida acabou e não sei se estou preparada para o futuro. Apesar de tudo que passei, apesar do tanto que amadureci, ainda me sinto como uma garotinha indefesa. Essa época da escola vai me deixar saudades, eu tenho certeza, assim como a Sra. Parson.
Também vou sentir falta de estar todos os dias com meus amigos, embora eu saiba que nada vai mudar entre nós... E por falar neles, e continuam se negando, mas está ficando cada vez mais difícil esconderem de nós. Ainda estamos esperando o dia em que eles assumirão o romance...
Mas o que mais me fará falta é o Jonathan. Já faz um bom tempo que ele se foi, mas ainda me dói pensar nisso. Eu não tenho mais pesadelos frequentes, mas quando os tenho são sempre sobre aquela noite, aquele barulho... Ainda não consigo entender por que aquilo tinha que acontecer.
Agora as pessoas voltaram a se lembrar dele como 'o garoto errado' e isso me machuca. Eu sei que o John era uma boa pessoa, só era um pouco inconsequente demais. E mesmo com as coisas que ele me causou, eu não pude deixar de gostar dele. Foi graças a ele que eu me tornei alguém forte, foi graças a ele que eu vi o quanto era diferente das outras pessoas, foi graças a ele que aprendi a enxergar a vida além da minha bolinha de cristal, eu aprendi a saber viver.
Vou sempre sentir falta daqueles olhos verdes espertos piscando para mim...

Bom, não quero terminar esse diário falando de coisas ruins. E não há nada que melhore mais o meu humor do que pensar no meu relacionamento com o . Ele é a pessoa mais perfeita que existe nesse universo e me sinto honrada por ele me amar – e não tenho nenhum tipo de insegurança quanto a isso.
Se existe alguém a quem eu devo meus sorrisos, esse alguém sem dúvidas é ele. O sabe exatamente como tirar qualquer tristeza do meu coração e me fazer sentir bem. Ele me conhece, me compreende.
E se existe mesmo um amor tão forte quanto o de Romeu e Julieta, posso afirmar que isso é o que eu sinto por ele. E vou sentir até o dia em que der meu último suspiro.
Infelizmente, não existe 'viveram felizes para sempre', mas sempre vai existir o 'viveram felizes até o fim de sua vida'. E esse será meu final.

Até breve,
Juliet"

NA: Chegou o tão esperado fim! E é muito triste para mim me despedir dessa fic. Faz ANOS que eu a escrevo e posto aqui no site e vai ser meio estranho não ter mais esse compromisso com vocês. Sabem como é, eu acabei pegando carinho por vocês e a cada atualização eu já ficava esperando para ver se meus queridos leitores iriam continuar gostando da minha história. Tinha sempre aquela apreensão, aquele frio na barriga toda vez que aparecia um comentário novo... E eu agradeço a todos vocês por isso.
Obrigada todos aqueles que divulgaram "Hey, Juliet!", que me mandaram e-mails que me deixavam com os olhos cheios d'água, que comentaram - e quero deixar claro que amo os comentário enormes de vocês, então parem de se desculpar por eles, haha! - , que pediram para que a fic virasse livro, que acompanharam desde o início - ou que começaram a acompanhar depois. Obrigada pelo apoio, as dicas, os pedidos e todos os elogios e críticas.
Obrigada todas as betas que já pegaram essa fic e ajudaram para que ela se tornasse uma história melhor. Obrigada Mah, Bah e Lis, por serem inspirações para meus personagens e por serem as melhores amigas que alguém pode ter. Obrigada mãe, pelos conselhos. Obrigada Bárbara Lorentz, pelas dicas e sugestão da música tema da fic.
Enfim, obrigada TODOS vocês! Não só por apoiarem a fic, mas por me apoiarem com autora também. Antes de "Hey, Juliet!" eu acreditava que não sabia escrever nada e vocês me deram tanta motivação... Não tenho nem como agradecer a vocês por isso!
Não vou enrolar mais, não quero acabar chorando, haha! Espero que vocês tenham gostado do final e que continuem me acompanhando, porque prometo que não vou parar de escrever nunca mais!
Adoro todas vocês e até uma próxima! Xx, Lih~NG