Hello world, I’m your dream girl
Autor: Mims
Beta-Reader: Lizzie
PRÓLOGO
E para aqueles que nunca acreditaram em mim:
FODA-SE!
E para aqueles que diziam que eu era uma iludida:
FODA-SE!
Estou sorrindo mais do que o normal, finalmente meus agentes compraram uma limusine para me transportarem para eventos importantes como esse. Não sei por que tenho agentes, eu sou só uma fotógrafa. Mas um dia alguém me disse que eu estava sobrecarregada demais, tirando fotos de eventos e shoots e ainda arranjando tempo pra cuidar de minha agenda lotada. Disseram que eu precisava arranjar tempo para festejar e descansar. (Aposto que era muito mais para festejar do que descansar). Enfim, fui convencida.
Mas não é por isso que estou sorrindo mais do que o normal, e sim por finalmente estar indo pra casa. Londres, querida Londres. Um mês de premiéres ao redor dos EUA e da Europa não é fácil. É ótimo conhecer pessoas, se divertir em lugares diferentes, mas dá saudade.
Faz pouco mais de um ano desde que cheguei a Londres, e ela se tornou meu coração, minha casa. As coisas aconteceram tão rápido que é difícil de acreditar, até pra mim. Às vezes parece um sonho, mas me sinto mais que acordada em momentos como esse.
Estou a caminho de mais uma premiére, só que dessa vez convidada pelos atores do filme, ou seja: Tchau trabalho, oi diversão.
Aproveitei para levar minhas amigas à tira colo: , , e , que estavam de férias aqui em Londres. Menos a , essa morava comigo.
Eu tinha a vida perfeita.
Elas sorriam loucamente, estavam começando a abusar da bebida, e eu sorria por vê-las sorrir enquanto fitava as estrelas do céu. Eu adorava apreciar as estrelas, elas me davam esperança, me davam um tipo de força.
De repente o carro parou, e eu comecei a ouvir gritos. As meninas saíram pelo lado oposto da calçada, indo diretamente pra entrada vip, enquanto eu esperava para sair de frente pro tapete vermelho, sempre com um friozinho na barriga. A porta se abriu e eu só consegui ver flashes.
Já disse que sou a fotógrafa mais famosa de Londres?
Capítulo 1
Encostei minha cabeça na janela e passei a fitar o céu, ele estava num tom de roxo perfeito, e algumas linhas amarelas douradas alertavam de que o Sol passou por ali. Era um céu bonito, o meu preferido. Mais um dia se foi, mais uma noite cheia de estrelas está por vir.
“Make it a sweet, sweet goodbye - it could be for the last time and it's not right. Don't let yourself get in over your head, he said. Alone and far from home we'll find you...”
Lullabies começou a tocar em meu celular e fechei meus olhos tentando relaxar. Eu estava agitada demais, há alguns minutos atrás não parava de falar e discutir com minha mãe. Ela tentava me fazer ficar, e eu tentava acalmá-la. Agora, graças à minha brilhante ideia, não tinha mais que ouvir baboseiras. O volume de meu celular estava ensurdecedor, se fosse qualquer outra música da qual eu não gostasse meus ouvidos estariam doendo. Aposto que minha mãe e o motorista, no banco da frente, conseguem ouvir a música de meu celular, não me importo, assim eles sabem que não quero papo. Quando eu fico nervosa é realmente um problema, além de falar demais eu fico chata demais.
Em meio a meus devaneios, Lullabies terminou de tocar e começou Damned If I Do Ya (Damned If I Don't). Não aguentei e comecei a cantar super alto. Recebi dois olhares assustados em minha direção, mas não liguei. É a minha música preferida!
Depois de um tempo cantando e dançando All Time Low, McFly, Cobra Starship, Nevershoutnever e etc., finalmente eu avistei o aeroporto. Então a hora estava chegando, e meu estômago cada vez mais se contorcia em borboletas. “Sorte que não comi nada o dia inteiro” pensei comigo.
Senti minha mãe me cutucar para sairmos do carro logo, já que minha lerdeza me fez prender o fio de meus fones no banco do táxi.
Eu ainda ignorava minha mãe ao som de Hot Mess.
Enquanto andávamos em direção ao balcão para fazer o check-in eu fazia umas dancinhas bizarras, já que não dá pra ficar parada com Cobra Starship, e sentia a maioria das pessoas olhando pra mim, algumas rindo e minha mãe andava devagar atrás de mim fingindo não me conhecer. Mas eu não ligava, estava feliz, a algumas horas de realizar meu sonho.
Fizemos o check-in e fomos comer alguma coisa. Achamos um Burger King e fizemos nossos pedidos. Comemos em silêncio, ou pelo menos tentamos. Eu ainda balançava minha cabeça no ritmo da música. No intervalo de uma música pra outra ouvi minha mãe falar um “Tem certza mesmo?” e resolvi não ignorar. Dei uma mordida no meu lanche e enquanto eu mastigava tirei um dos meus fones. Olhei pra ela e sorri.
- Mas é claro mãe. É o meu sonho, e até um mês atrás você tava me apoiando e incentivando. Não entendi porque dessa agora. - Franzi o cenho, mas não deixei ela falar e continuei. - Você sempre vai ter notícias minhas, aliás estamos no século XXI e a internet e o telefone existem, amém. Não se preocupe, eu não vou morrer, sou muito sortuda pra isso acontecer. - Dei um meio sorriso e arranquei um dela também. Pus meus fones de volta e terminei de comer.
Terminamos de comer e fomos nos sentar para esperar a chamada do avião. Não tinha cadeiras vagas, apenas uma e deixei minha mãe sentar. Puxei uma de minhas malas do carrinho e sentei nela.
Minutos se passaram e o tédio de dominou. Desliguei a música um pouco, pois começou a me enjoar e loguei no Twitter.
Chato, chato, chato, e chato! Acho que o pior de se pegar o avião não é a turbulência, e sim esperar ele chegar.
Fitei a tela do meu pequeno celular, evidentemente já entediada. E de costume fui olhar o Twitter do . Ele tinha deixado uma mensagem há 27 minutos. Como assim? Fiquei indignada. Porque não entrei antes? Bufei. E bufei mais uma vez por perceber que ele havia respondido aquela "amiga" brasileira mais uma vez.
Eu sempre tive muita inveja dela, e sempre desconfiei que eles tivessem alguma coisa, até ele me dizer que ela era só uma grande amiga.
É... As coisas tinham mudado um pouco, e sempre que dava falava comigo via Twitter, e agora que ele me seguia eu poderia bloquear meus tweets e falar qualquer coisa de que quisesse. Não gostava quando certas fãs bisbilhotavam meus tweets e começavam a falar de mim pra lá e pra cá. Então eu preferia evitar. Me lembro como começou tudo isso claramente. Olhei pra foto de e me perdi em lembranças.
Flashback
- Eu não acredito que você se hospedou aqui só pra falar comigo. - Disse ele com um sorriso maroto nos lábios, eu tentava não me perder neles e prestar atenção na conversa.
- Entenda que pra algumas fãs, tipo eu, ver vocês no palco é muito pouco. - Sorri de leve olhando meus dedos, eu não conseguiria falar sobre meus sentimentos se olhasse dentro daqueles olhos verdes, eu era tímida demais pra isso. Mas não tão tímida.
Ele ficou calado e eu bufei, tentando mostrar o quanto eu estava incomodada com o silêncio, e que não iria ser a primeira a quebrar o silêncio.
Comecei a sorrir, e minhas bochechas começaram a doer.
- Hey, você tem covinhas. - Ele disse rindo e eu gargalhei, estava feliz, e não conseguia controlar. - Tá rindo do que?
- Sou oficialmente a garota mais sortuda do mundo. - Disse diminuindo o tom de minha risada.
- Como assim? - Ele me olhou e eu o olhei, vi que havia franzido o cenho.
- Bom. - Disse desviando meu olhar dos verdes dele, e olhei pra uma planta atrás da cabeça dele, e ela tinha um formato fofo, que prendia minha atenção. Perfeito. - É que minhas amigas sempre me dizem que eu sou muito sortuda, porque já conheci vários artistas que admiro e eu nunca acreditei muito nisso, até um certo dia que algo aconteceu na minha vida e eu passei a começar a acreditar. Depois de um tempo eu desacreditei, mas hoje eu não tenho mais dúvidas.
Sorri mais ainda, sem me importar de estar falando demais por estar nervosa, me perguntando como era possível eu conseguir sorrir mais do que já estava sorrindo.
- Eu acabei de jantar com a minha banda favorita, e agora estou conversando com o amor da minha vida. Acho que posso morrer agora. - Tomei fôlego depois de falar, pois estava falando rapidamente. Finalmente olhei pra ele, mordendo meu lábio inferior de tanta animação. Peguei essa mania da Kristen.
Ele me olhou dando a língua e sorrindo em seguida, se desencostando da cadeira, se inclinando em minha direção.
- Ok, você é mesmo sortuda. - Ele disse rindo, e o som da sua risada fez meu coração pular. - Mas eu não entendi essa parada de acreditar, depois desacreditar e acreditar de novo. - Ele disse meio atrapalhado e passando a mão pelos cabelos. Eu suspirei.
- Pode parecer idiota, mas quando você me mandou aquele tweet eu realmente tive esperanças. - Disse olhando para meus pés. - Aquele tweet da futura esposa brasileira e tal. - Ele ficou em silêncio, e depois ouvi o barulho da cadeira à minha frente e percebi que ele estava levantando, mas logo se sentou, numa cadeira que estava, relativamente, ao lado da minha.
- Você é a ? - Ele disse e eu sabia que ele estava sorrindo.
- . - Eu sorri marotamente. - Se você me chamar de mais uma vez eu corto seu pinto. - Eu disse séria e depois comecei a rir. Era incrível como ele me fazia sentir segura, como se o conhecesse há anos. - É brincadeira. - Comecei a rir alto e a me contorcer da cara que ele fez. - Então, você se lembra? - Eu perguntei curiosa.
- Não. Na verdade eu nunca me esqueci. - Senti meu coração gritar e pular, como se fosse sair pela boca. Eu o olhei espantada.
- Então porque nunca me tweetou de novo? - Eu era uma eterna curiosa, fato.
- Não sei, os caras... - Ele começou a dizer, mas foi interrompido por um suado e ofegante.
- Vocês... não... sabem! - Ele se apoiava na cadeira tentando recuperar o fôlego.
- O quê criatura? - Eu disse me preocupando.
- A . E o . Se pegando. - Ele disse pausadamente e eu pulei da cadeira, o puxando pela mão até o meio do saguão, que era do lado do restaurante. Ouvimos uns gritos vindos de lá de fora e bufou.
- Não por aí. Por aqui. - E me puxou para o restaurante de novo, só que nós passamos reto e fomos até a piscina, enquanto eu ligava minha câmera, que já estava no pescoço. Era um vício pra mim tirar fotos de tudo, e eu precisava gravar essa cena. - Ali. - E apontou pro lugar. Peguei minha câmera e posicionei em direção a eles. Arrumei o foco e comecei a gravar. Como uma bela perfeccionista comecei a reparar nos detalhes.
O vestido amarelo de balançava junto com o vento, e o laço roxo da faixa que estava em sua cintura se movimentava junto. Apenas a ponta do escarpin branco tocava o chão, já que ela estava na ponta dos pés, com os braços em volta do pescoço de . Seu cabelo, preto e brilhoso, estava preso a um rabo de cavalo alto e perfeito, com alguns fios soltos, dando a ela um ar de princesa.
E era engraçado comparar a ela. Ele estava totalmente o oposto dela, mas ainda sim perfeito. Uma calça skinny completamente surrada, uma t-shirt branca que mais parecia um vestido, e o velho all star surrado. O cabelo jogado na cara pra fazer charme.
Mas mesmo tão diferentes eles eram, ao mesmo tempo, muito iguais. O jeito como ele abraçava a cintura dela, como olhava pra ela, com aquele brilho no olhar, como sorria quando via que ela tinha ficado envergonhada, não era diferente do dela, na verdade era igualzinho. Eu sempre soube que pertenceria à assim que ele colocasse os olhos nela, eu nunca estive errada quando dizia aquelas palavras a ela então. Os dois estavam num momento tão romântico, mesmo sem beijo, e dava pra sentir no ar aquela magia.
Eu os vi aproximando os lábios um do outro e fui tentar chegar mais perto, mas eu caí, por cima do vazo de plantas que tinha em minha frente, e quando esse tombou bati minha bunda no chão. AI! Fez-se um barulho tão ensurdecedor que eu logo pensei no pior, me mataria. Mas porque diabos eu tinha que me aproximar mais se a câmera tinha zoom? Deus, como eu era lerda.
Eu ainda estava com a bunda no chão, de frente pra porta onde acabara de sair correndo, quando me ajudou a levantar. Ele puxou minhas duas mãos, mas ele era muito forte e eu muito leve, logo bati contra seu peito e me desequilibrei. Ótimo, mal havia levantado e já ia cair. Mas antes que o fizesse me puxou, e logo essa bagunça se tornou um abraço. Eu o apertei, sem me importar com a fúria de , ou a mancada de , e muito menos meu tombo.
Inalei o cheiro dele, como se precisasse daquilo pra respirar, e eu realmente achava que precisava. Ele começou a acariciar minhas costas com suas mãos e afundei meu rosto na dobra de seu pescoço, era como um encaixe perfeito, já que eu era mais baixa do que ele. Mas como tudo que é bom dura pouco, meu momento foi interrompido por um pigarreado muito conhecido. Me virei e tentei encarar com a melhor cara de pau possível, mas ela me conhecia.
- ! ! - Me fiz de desentendida e sorri. Olhei pra e me veio uma idéia à cabeça. - Vamos continuar a procurar aquela tartaruga amarela , aposto que já a achou e saiu com ela correndo e derrubando o vaso que me levou junto.
- Eu? Procurando o que? Mas... - chegou estragando tudo e eu o semicerrei com os olhos.
- Mas que droga , você sempre tem que estragar tudo? - Eu fingi indignação. Minha história era boa, mas não boa suficiente pra enganar . Ela me conhecia mais do que eu mesma.
Continua...