Escrito por: cíntiiapoynter '
Betado por: Cills


Capítulo 1 - Someday my prince will come.

's POV

O despertador tocou e eu lhe dei um soco. Ouvi o estouro dele caindo ao chão, mas não me movi para pegá-lo. Eu acabara de acordar mais um vez, para mais um dia entediante, no mesmo monótono colégio de sempre, com as mesmas pessoas que eu já não aguentava mais ver. Definitivamente, eu não tinha acordado com o pé direito. Me levantei e tive a mesma rotina de sempre, até chegar à escola. Vários rostos sorriram para mim, no entanto eu não retribuí.
- Nossa, o que houve com você? - As únicas pessoas que eu nunca cansava de ver, finalmente falaram comigo, em unisono.
- , ! - Meus melhores amigos. Eu precisava mesmo que eles me animassem.
- Deixa eu adivinhar, acordou de mal-humor? - perguntou sorridente.
- É - Respondi emburrada e cruzei os braços.
- Novidade - Ele murmurou baixinho me deixando mais puta de raiva ainda.
- Obrigada pela força! - O repreendi e saí andando apressada na frente.
Abri meu armário com tanta força que seu barulho ecôou por todo o corredor, trazendo vários olhares para mim. Olhei em volta e dei de ombros quando percebi que nenhuma "autoridade escolar" viera reclamar.
Peguei meus cadernos para aquele dia e fui em direção à sala de química, que seria a primeira aula.
No caminho, esbarrei em várias pessoas em função de meu passo acelerado desnecessário, mas nem ao menos me desculpei com ninguém.
Sentei bruscamente na cadeira e depois debrucei-me na mesa gelada de mármore sem me importar com quem sentaria ao meu lado.
A aula começou, porém eu continuei em meu estado vegetal.
- Atenção todos vocês! - O professor gritava enquanto batia no quadro, acordando-me do transe. - Esses são e . - Ele apontou para os garotos e então notei que um deles sentava ao meu lado. - Eles acabaram de se mudar do México, então espero que todos vocês os auxiliem e os tratem bem neste colégio.
Fiquei observando o garoto por alguns segundos - ou minutos, não sei. Me perdi em pensamentos quando o vi. Ele era tão... diferente? Seu porte era mais másculo e sua pele era mais dourada do que as outras. Obviamente, já que ele era estrangeiro. De onde ele era mesmo? Deveria haver bastante sol lá - ou mais do que aqui. Pensando bem, até o Alasca tem mais sol que Londres, então não conta.
- Oi - Puxei assunto com o garoto-bonitinho-que-eu-não-lembrava-o-nome.
Ele me fitou profundamente, como se estivesse me analizando e depois soltou um "oi" bem tímido. Fiquei pensando se eu o assustara com minhas atitudes grosseiras daquele dia. Ou talvez, ele nem tenha notado. Só é tímido mesmo.
Ele definitivamente era algo que não se via todos os dias. Me animei pela novidade - finalmente!
- Você é de onde mesmo? - Perguntei devagar, com medo que ele não entendesse alguma palavra.
- México - Respondeu baixinho com um sotaque que eu jamais vira igual. Era tão diferente, tão novo para mim. Eu nunca conheci alguém de fora do país, e cada vez mais eu queria conhecê-lo para descobrir o que mais de novo ele poderia me trazer.
Apesar da curiosidade, fiquei quieta o resto do tempo o analizando, assim como fizera comigo antes. Mas eu fazia questão de me demorar a cada detalhe. Ele era muito misterioso - e lindo.
As outras aulas passaram num piscar de olhos, já que eu dormi a maior parte do tempo.
No almoço, e me esperavam sentados à mesa junto com , um paquerinha da . Me sentei com eles, apesar do incidente de manhã.
- Está melhor? - perguntou para me provocar. Ele está um porre hoje!
- Estou - Sorri sinicamente apesar de ser verdade.
- Ah, pára com isso , foi só uma brincadeira! - Retrucou de boca cheia.
- Pense melhor antes de irritar uma mulher mal-humorada, então! - Ok, eu admito, era só uma coisinha de nada e eu nunca teria dado continuidade a essa briguinha, mas as vezes é bom você brigar com seus amigos, mesmo que sejam coisas bestas assim.
- Chega vocês dois! - protestou. - Que coisa mais infantil.
- Se ela não fosse tão irritante, eu juro que parava! - fez birra.
- Irritante eu? Até parece ! - Ta legal, agora ele mexeu com a onça.
- Do jeito que vocês se olham, vai dar namooro. - cantarolou fazendo gestos com as mãos. Caramba, o mundo estava conspirando contra mim hoje!
- Vá se foder, . - deu o dedo.
Enfim... Ficamos todos de cara amarrada por alguns minutos, até eu avistar o garoto-bonitinho-que-eu-não-lembrava-o-nome da aula de química andando, praticamente perdido, enquanto segurava a bandeja procurando uma mesa para se sentar, com seu outro amigo ao lado, também bonitinho, mas eu nunca soube o nome.
- Sentem aqui! - Fiz sinais com os braços e todos da minha mesa olharam para ver quem eu estava chamando.
Os garotos bonitinhos se sentaram e eu percebi que a estava esticando o olho para o meu garoto bonito. - Meu, haha.
- Gente, esses são dois garotos mexicanos da minha aula de química - Não consegui me lembrar o nome de nenhum. Olhei para os dois e sorri. - Garotos, esses são , e .
Os dois sorriram tão bonitinhos que eu sorri também.
- Nós somos e - respondeu com aquele sotaque que me derreteu por dentro.
- Muito prazer , acho que ainda não nos apresentamos, não é? Eu sou , er... - Demonstrei meu sorriso mais amigável e ele sorriu junto, me fazendo corar.

's POV end

estava fascinada com todos os movimentos, gestos e, principalmente, o sotaque dos garotos. E havia percebido isso. Ela não tocou na comida desde o momento em que eles chegaram à mesa. Era irritante para a forma como ela ria de absolutamente TUDO que eles diziam. Estavam batendo um papo sobre... qualquer coisa, que não prestou atenção, pois estava ocupado de mais cerrando os dentes de raiva, enquanto ria feito idiota. Ela nunca agiu assim com ele. Injustiça?


's POV


Quem eram aqueles caras? Wow, a está quase babando! Fala sério, quem eles pensam que são para chegar desse jeito e.. Nossa, a também está quase caindo da cadeira. O que eles tem, afinal? Ah, eles que tomem no cú! Olha a cara de ciúmes do , mew, ta uma comédia.
Logo agora que eu e a estávamos indo tão bem. Não, não que a gente seja namorados e nem que estejamos juntos, mas eu sou a fim dela faz um tempo. Bom, eu mereço algum crédito por ter aparecido na vida dela, né?

Flashback*
Eu estava lá, brincando no parquinho enquanto minha mãe comprava um picolé pra mim, e eu vi aquela menina. Ela estava sentada no balanço tomando sorvete de morango, meu preferido.
- Oi - Me sentei ao seu lado com um olhar sapeca; eu sempre fui meio assim mesmo.
- Oi - Ela disse com aquela voz de criançinha que eu me lembro até hoje de como era. Sua boca estava coberta de sorvete, assim como suas mãos e a maior parte de sua roupa.
- Me dá um pedaço? - Perguntei completamente sem vergonha na cara. Tinha acabado de conhecer a menina, mas ela estava comendo aquele sorvete com tanta vontade que me deu vontade também.
- Ta bom - E ela me deu mesmo. - Eu sou , e você?
- Eu sou - Sorri tímido.
- Quer brincar no escorregador? - Dessa vez ela deu um sorriso sapeca.
- Quero! - Falei empolgado.
Fim do Flashback*

É, eu gostava dela desde aquele dia. Mas aqui estamos nós: segundo ano do colégial e ela está dando em cima de um cara que conhece faz cinco minutos. Nossa, fui eu que ensinei ela a andar de skate, e ela ama isso, como pode dar mais créditos pra esses mexicanos infelizes? Ok, já odeio eles!


's POV end


's POV


- , depois da aula, nós costumamos ir numa pista de skate pra fazer farra, quer ir também? - Ta legal, eu admito que estava me atirando um pouquinho... Mas caso alguém pergunte, é só dizer que estou só me enturmando.
- Skate? - Ele perguntou surpreso.
- Aham, algum problema?
- Nããão, é que... Eu não sei andar de skate - Ele olhou para baixo tímido e corou. Cara, ele fica mais lindo ainda (impossível) corando. Eu sorri quando percebi sua timidez. Ele era tão lindo que eu queria gritar! E não estou exagerando, eu queria mesmo.
- Ah, mas a maior parte do tempo a gente nem anda. Só ficamos lá tomando vodca de limão e comendo bala-chiclete - Sorri imaginando o que ele pensaria sobre bala-chiclete. A gente costumava comer aquilo com sete ou oito anos, mas é muito mais gostoso misturado com vodca. - É bem perto do colégio inclusive, só precisa dobrar a rua e ir para a esquerda - Expliquei.
- Oh, acho que posso aparecer por lá então - Mostrou um sorriso muito bonitinho, extremamente exótico, que eu adorei. - Te vejo depois. - Deu meia volta e foi embora. Será que eu fiz alguma coisa errada? Náh, ele que é tímido!
Me virei e dei de cara com , que estava vindo na minha direção sorrindo feito boba. Os lábios mais avermalhados do que o normal. Hmm, será que ela andou se pegando com o mexicano? Wow, e eu que me achei atirada.
- , você nem sabe!
- E nem vou saber até você me contar - Sorri maliciosamente.
- O vai lá pra pista hoje a tarde - Ela mordeu o lábio inferior escondendo um sorriso.
- Vai me dizer que já se pegaram? E o , como é que fica? Vocês não tinham se comido uma ou duas vezes? - Tirei sarro e ela ficou vermelha com a lembrança.
- Ninguém nunca se comeu aqui, senhorita! - Ela tentou parecer brava mas riu de nervoso. A frase sôou estranha.
- Ta bom, não está mais aqui quem falou. Falando nisso, o também vai! - Mordi o lábio inferior assim como ela tinha feito anteriormente.
- Ok, mãos para o alto ! - E eu fiz. - Vai dizer que... Ooooh meu Deus! Você é mais piranha que eu, sabia? - Ela abriu a boca num perfeito O irônico. - Vão se comer logo, logo - Fechou os olhos em repreenção, mas eu sabia que era só uma ceninha dela.
- Cala a boca, é só... Eu só estou me enturmando! - Há, sabia que essa resposta seria util.
- Aposto que ele nem anda de skate! - Zombou.
- E daí? Ele aprende, oras. Assim como você aprendeu, eu aprendi.. Muito simples e prático.
- Tanto faz... - Ela deu de ombros e foi em direção à algum lugar, provavelmente a casa dela, já que a aula tinha acabado, dãr.
Segui meu caminho para.. ahm.. casa, assim como ela supostamente teria feito, mas fui andando com , do mesmo jeito que faziamos desde... sempre, sabe né? A gente se conhece desde que nascemos então, obviamente moramos perto um do outro. É, pois é, literalmente nos conhecemos desde quando nascemos. Eu acho que tinha uns cinco anos, nem lembro daquele dia, só sei que a gente se conheceu e agora estamos no segundo ano do colégial, amigos como sempre, fazendo o mesmo caminho de sempre. Ah, cheguei nessa monotonia de novo! Fala sério, eu precisava mesmo fazer coisas diferentes afinal, esse é um país livre, onde as pessoas tem liberdade de expressão e podem fazer o que bem entenderem na hora que quiserem. MENTIRA! Eu tinha pais, e eles nao deixavam eu nem ficar na rua até mais tarde. Os pais do , da e do deixavam eles ficarem lá, só eu que não podia. Merda. Que coisa mais emo!
Vou parar de relatar minha vida inutil. Nossa, o ta andando do meu lado, porque ele não diz nada? Sério, não acordei pra vida hoje, que saco!
- Dá pra dizer alguma coisa, ? Ta uma merda esse silêncio. - Gritei.
- , de boa, você tá um saco hoje!
- Eu to um saco hoje? Você nem se fala, né? Você sabe que eu não acordei bem e tinha que me irritar. Isso é insuportável em você!

's POV end

's POV


Caraca, ela estava mesmo um porre hoje, caiu da cama, tava de tpm, sei lá, mas que estava chata pra caramba, estava. Bom, de repente nem estava tão chata assim. Eu gosto de aumentar a coisa. Devo estar descontando minha raiva nela? Tanto faz, ela merecia, certeza.
- Desculpa, tá? - Falei baixinho quando estávamos quase chegando à sua casa. Eu já não aguentava mais aquela tensão e o silêncio. Não aguentava ver a cara dela amarrada daquele jeito comigo. Só comigo! Porque com o mexicano não estava assim.
- Está desculpado - Ela sussurrou e corou, colocando as mãos no rosto para esconder, enquanto eu a abraçava.
- Sabe que eu te amo, né? - Perguntei ainda abraçando-a e senti minhas bochechas corarem quando ela me olhou nos olhos. Que coisa mais gay!
- Sei, sei - Ela fez muxoxo e depois sorriu, se libertando do abraço.
- Vai pra pista hoje? - Claro que vai, , ela SEMPRE vai, até parece que você não sabe. Falta de assunto é foda.
- Vou! - Ela respondeu um pouco entusiasmada demais.
- Porque tanta felicidade?
- Ah, nada de mais... Eu convidei o pra ir, tá? - Mordeu o lábio inferior.
O QUÊ? Ah, cara, agora ela provocou! Fala sério, e eu estava todo feliz porque iriamos ficar sozinhos lá, alegrinhos, tomando vodca de limão e comendo bala-chiclete, como sempre. Será que ela contou pra ele da bala-chiclete? Tanto faz, MEW ESSE MEXICANO ESTÁ IRRITANDO. Respostas para dar para : a) [b]NÃO[/b], queria ficar sozinho com você hoje! b) [b]NÃO, NUNCA E JAMAIS[/b] c) Mas é claro, , porque você não disse antes?. O que eu disse: "Ta" Hm, óbvio que eu sou um otário, mas e daí? Isso é fato mesmo. Outra coisa que é bem fato é que eu estou tentando ficar com a faz muito tempo. Ela já deve até saber disso, cara, eu gosto muito dela; ta, já disse isso.


's POV end


chegou em casa quase saltitando de empolgação, almoçou, tomou um banho muito bem tomado, lavou a cabeça três vezes com seu shampoo preferido de morango e escolheu uma roupa um-pouco-exagerada-demais-para-andar-de-skate, composta por um all star preto, bem basicão, uma skinny bem³ apertada e uma maxiblusa com decote canoa em cores escuras, super folk, mostrando um ombro. Passou gloss nos lábios os fazendo sintilar como um espelho, pegou seu skate e foi em direção à pista.
Chegando lá, só tinha chegado. Ele estava sentado no topo da maior pista, pensativo, olhando para o além. Nem notou sua presença ali e ela decidiu fazer uma brincadeirinha.
- Boo! - Gritou quando chegou discretamente atrás dele, ameaçando empurrá-lo, pista abaixo.
- Caraca , que susto - Ele bagunçou o cabelo de um jeito que ele sabia que adorava e ela sorriu se sentando ao seu lado.
Ficaram alguns instantes em silêncio observando o nada, assim como fazia antes, e depois ela começou a encará-lo. Em vão, claro, ele estava concentrado de mais para perceber.
- .. - Ela sussurrou o fazendo encará-la também. Quando ele virou sua cabeça, chegou perto, perto demais de e ela congelou, mas continuaram se encarando.
Desses tempos para cá, e estavam se dando muito bem. Bem até de mais, para falar a verdade. Ela sabia exatamente o que ele queria; não era a primeira vez que eles ficavam numa situação como aquela, apesar de ele nunca ter pensado na possibilidade de ela sentir o mesmo. realmente não sentia paixão por , era uma coisa estranha, uma mistura de desejo com amizade. Um não vivia sem o outro, mas nunca houve nada sério entre eles. Exceto quando eram pequenos. Suas mães eram muito amigas e planejavam juntas a forma que seria o casamento dos dois. Um assunto muito constrangedor de se lembrar agora, mas quem é que nunca teve um namoro planejado pela mãe quando criança? Voltando..
Eles nunca passaram de sorrisinhos e olhares penetrantes, nunca se quer haviam roçado seus lábios. Geralmente, quando estavam nessa situação, sempre quebrava o clima com algum assunto bobo, por insegurança. nunca quis passar disso, mas ela buscava coisas novas, e seria muito diferente beijar o melhor amigo, somente por curiosidade. Ela nunca o fizera porque sabia que seria a ruína de sua amizade, e o medo de perder era maior que sua curiosidade infantil.
Os dois foram acordados do transe quando apareceu em silêncio dando um pedala robinho nos dois, os fazendo aproximar as cabeças. Eles coraram e xingaram até cansar.
- Trouxe a vodca - Ele levantou uma sacolinha de super mercado com quatro garrafas de vodca dentro.
- Hey guys! - chegou com um saco enorme de bala chiclete, junto com . o encarou com os olhos cerrados de ciúmes. não é nada boa quando o assunto é discrição. Pelo menos, seus lábios não estavam avermelhados como antes.


's POV

Odeio o mais que tudo! Quem ele pensa que é para estragar momentos perfeitos assim? Ah, deixa ele ficar com a pra ver quem é que vai estragar tudo! Eu sou cruel, fato. Não que eu queria ficar com o , nada a ver, erm... Não, eu não queria. O ainda não chegou. Será que aconteceu alguma coisa?
- Oi gente! - Ouvi uma voz vindo de trás de mim, com aquele sotaque que eu já sabia distinguir e que me fazia arrepiar.
- ! - Virei-me para olhá-lo. Ele era tão fofo! Tá, já disse isso milhões de vezes. Mas ele era!
- Oi , oi pessoal - ele sorriu aquele sorriso tão lindo que eu amava. Ele disse !!!! Vou infartar daqui a pouco.
O clima ficou um pouco tenso com encarando com aquele olhar maligno e encarando com um olhar parecido, então todos estavam em silêncio enquanto eu trocava olhares com a , tentando demonstrar através de sorrisinhos maliciosos o quanto os garotos novos eram lindos e rindo discretamente do ciúme dos "nossos" garotos. Quer dizer, do garoto dela e o . É, a gente conseguia conversar por olhares. Coisas de melhores amigas, só quem tem entende.
- Vamos derrapar? - perguntou quebrando o clima, fazendo todos desviarem os olhares para qualquer outro lugar, me fazendo ter algumas opções para observar: a) Eu poderia ficar encarando o . b) Ou poderia encarar o c) Poderia me levantar e ir terminar a "conversinha" com a ; ou d) Poderia ensinar a andar de skate. O que eu fiz: Fui beber vodca com o , que parecia cada vez mais engolir com os olhos. Claro que não fui por causa do , né? se juntou a nós, já que não sabia andar de skate e eu prometi ensiná-lo depois. Me desculpem pelo resumo, não lembro dos detalhes, pois a maior parte do tempo eu fiquei encarando ; e o efeito da vodca não me fez nada bem, também.
Eu já estava um pouco bêbada e tonta, mas mesmo assim consegui ensinar a fazer algumas manobrinhas bestas com o skate, e até consegui me exibir um pouco. O garoto tinha jeito pra coisa!
Foi anoitecendo, todos já estavam alterados o suficiente para apenas quatro garrafas de vodca - seis, os garotos foram comprar mais. Mas era sexta-feira a noite, o que significava que a festa só tinha começado. Como sempre, agitou o pessoal e convenceu todos de ir num pub super lotado onde eles permitiam menores de idade. Combinamos de nos encontrar às dez horas ali na pista. Garotos que me aguardem!


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Capítulo 2 - A night to remember.


London Pub é um pub bem lotado, onde a maioria do pessoal que costumava estar lá tinham de treze à dezoito anos. É um dos únicos que permitem menores de idade, então a maioria era pirralhada mesmo. Como a sociedade jovem está cada dia mais bonita, dava até para tirar uma casquinha de vez enquando. Era o lugar preferido de , obviously. Não sei se já deu para perceber, mas ela adora pegação.
A noite foi passando e a música começava a ficar cada vez mais ensurdecedora enquanto dançava com que revezava algumas vezes com , e ficava na mesa se embebedando junto com a e com o .
Estava evidente para qualquer um que quisesse ver que não tirava os olhos da garota a sua frente, mas ela não se importava, continuava a beber feito louca. Quando já estava tomando sua oitava garrafa de cerveja, sentiu uma mão em seu ombro e se virou para ver quem era.
- Quer dançar? - perguntou muito próximo ao seu ouvido. Ela nem percebera que ele havia saído da mesa e a proximidade entre os dois fez se arrepiar inteira. O nível de álcool em seu corpo era tão grande que ela havia se esquecido completamente de todas as leis terrestres, incluindo a gravitacional e a do equilibrio, pois quando se levantou, precisou segurá-la e guiá-la até a pista de dança para que ela não caisse no chão.
A música invadiu o corpo dos dois e eles dançavam como se aquilo fosse a ultima coisa que fariam na vida. Provavelmente também não era uma das pessoas mais sóbrias do lugar. Iam aproximando os corpos cada vez mais, até suas pernas estarem quase que por completo entrelaçadas, e nunca paravam de dançar. O calor de seus corpos se misturavam os fazendo transpirar. Eles tinham, definitivamente, esquecido de tudo a seu redor. As mãos de percorriam o quadril de de cima à baixo e muitas vezes a blusa dela levantava com os movimentos, dando uma imensa sensação de desejo aos dois. O som estava cada vez mais alto e mais agitado e eles, cada vez mais próximos, quase fundidos; seus toques eram agitados assim como a música, percorrendo cada curva do corpo alheio. Pura excitação.
A música foi ficando cada vez mais lenta, fazendo-os perceber que haviam pessoas em volta, novamente. o encarou pela primeira vez desde que começaram a dançar.
- Estou com sede - sussurrou em seu ouvido, o fazendo arrepiar assim como ele fizera anteriormente.
a encarou e acentiu, dando meia volta para pegar um drink para os dois. então voltou para mesa na espera dele.
- Está quente aqui, né? - Perguntou ofegante e sorrindo maliciosamente para , que ainda estava sentado na mesa com cara de idiota.
- De mais! - Ele respondeu sem o mínimo de empolgação e revirou os olhos.
- Que foi, ? - perguntou com uma pontada de preocupação. Geralmente os dois eram os que mais se divertiam nesses lugares. Juntos.
- Naaaaada. - ele deu de ombros.
Ela sentou ao seu lado e encostou a cabeça em seu ombro.
- Que que foi, ? - Perguntou novamente, com voz de cãozinho abandonado. Ele sorriu da expressão da garota.
- Não estou muito bem hoje - Ele fez careta - Acho que vou pra casa.


's POV


Mew, a ta avacalhando comigo. Primeiro ela ficou lá se exibindo com o Mexicano, agora está aí, fazendo charminho. Fala sério, ela pensa que eu sou o que? Meu coração nao aguenta mudanças repentinas de humor assim. Vou pra casa que lá é o meu lugar.. Já estou passando mau por causa dessa música e a bebida não me caiu nada bem hoje. Deve ser por que eu não comi nada antes. Querem uma dica? NUNCA bebam de estômago vazio. Todo mundo sempre me dizia isso, mas eu nunca tinha feito o teste. É muito ruim!
Hmm, cadê a ? Ela saiu daqui com o a um tempinho já. Não quero nem saber o que eles estão fazendo agora. O único fodido aqui sou eu. Eu achei que o ia levar um chifre bem lindo, mas pelo jeito.. NÃO! O outro mexicano também sumiu. Oba, suruba, hahaha, deixa eu parar de pensar merda. É melhor eu parar de pensar então, porque coisa melhor, da minha cabeça não sai .-. Cara, eu odeio quando a me olha com esses olhos grandes que ela tem. Se ela me pedisse com esses olhos enormes e muito perfeitos que ela tem, para roubar um carro e depois me atirar com ele dentro de um lago, eu faria. Nossa, que pensamento. O pior de tudo, é que ela sabe o poder que tem sobre meus sentimentos. Deveria ser um crime bem grande as pessoas usarem os sentimentos dos outros; ela não deveria ficar me olhando assim. Aaaah, ótimo, o namoradinho dela chegou! Deixa eu ir embora logo, antes que acabe com a noite dos dois e fale as coisas que estou pensando.
- , não sabia o que você queria, então trouxe vodca. - Aquele ladrão de corações disse para a minha . Fala sério, quem ele pensa que é pra chamar ela de ? Eu demorei mais ou menos dois meses pra ter toda essa intimidade com ela!
- Obrigada, ! - Ela sorriu o meu sorriso pra ele e pegou a bebida. - qualquer coisa vale. - E agora ela piscou pra ele. Vou vazar daqui antes que eu fale merda.
- Estou indo embora, ta? - Me levantei da mesa, mas a segurou meu braço.
- Fica , por favoooor! - Ela fez aqueles olhos enormes de novo. Quando sair daqui, vou direto para a polícia fazer um boletim de ocorrencia. Ela não pode ficar fazendo essas coisas na minha presença. Me achei agora.
- Er... - Baguncei o cabelo do jeito que eu sei que ela adora e sorri sem graça, meu charme. - Desculpa, , preciso ir - mordi o lábio para resistir àqueles olhos e àquela boca, e.. Ah, a é linda por inteiro.
Ela me olhou com um olhar de súplica, mas eu fingi não ter visto e saí o mais rápido possível dali. Fiquei parado algum tempo na frente do pub olhando o nada. Tirei meu maço de cigarro do bolso e dei um longo trago em um. É eu sei, fumar é feio, blábláblá. Tanto faz, pense pelo lado bom: É só um cigarro, e não um baseado e nem nada de mais. E também, se eu fumo, o problema é meu. Meus pulmões que adoecerão com o tempo e eu que vou morrer de câncer, e não você (: Depois fui a pé pra casa. Tudo era perto da minha casa, o colégio, a pista de skate e o pub que eu mais ia. Pra quê vida mais perfeita? Eu fui cambaleando até em casa, óbvio. Quando a menina que você ama está quase, erm.. fazendo coisas que não se deve, em público com outro cara e você está com a cara no chão assistindo, o que resta a fazer é enxer a cara. Cheguei em casa e enfiei a cabeça no travesseiro, desejando morrer.


's POV end


No outro dia, acordou ansioso para saber o que havia acontecido, afinal, com e , apesar de não ter certeza se queria saber.
- Hey, - Ele acenou e sorriu pra ela, quando se encontraram na pista.
- Hail, ! - Ela sorriu do jeitinho dele. Aparentemente nada havia acontecido.
- Como você tá? - Ele debruçou o ombro num pilar.
- Hmm, bem - Sua voz falhou um pouco e arqueou uma sobrancelha.
- Bem, beeem ou só bem? - Ele sorriu disfarçando sua preocupação.
- Só bem - tentou um sorriso.
- Que foi, ? - Ele perguntou preocupado assim como a garota fizera na noite anterior.
- Naaaada - ela deu de ombros assim como ele.
Dejavu!
- Que que foi, ? - Ele perguntou novamente.
- Eu só estou cansada por ontem, , relaxa - ela sorriu. - Quero ver se você ainda consegue fazer aquela manobra que eu te ensinei - pegou o skate e saiu derrapando até a ladeira. fez o mesmo.
Ficaram o resto da tarde andando de skate, assim como costumavam fazer todos os dias, mas desta vez, não reclamou da mesmisse de sempre. Nenhum dos outros garotos apareceu (o que não era grande problema para ), e eles tiveram A TARDE PERFEITA, sem pedalas-robinho do ou qualquer outra coisa que atrapalhace. Até assistiram ao pôr-do-sol juntos e a cabeça de ficou debruçada no ombro de até o crepúsculo. Ela já estava um pouco adormecida quando ele chamou sua atenção.


's POV


- - ele chamou meu nome baixinho me fazendo despertar de meu cochilo.
- O que foi? - Perguntei com a voz amaçada de sono.
- O que aconteceu ontem com o ? - ele perguntou despreocupado, mas eu sabia que ele estava realmente curioso. Sorri pela preocupação dele, afinal, nada de mais havia acontecido. Quando me senti cançada o suficiente, levantei da mesa do pub, me despedi do pessoal e fui para a casa.
- Nada de mais, oras. Porque a pergunta? - O encarei.
- Nada de mais, como? - Ele corou e sorriu.
- Nada de mais, . Nós dançamos, e depois eu fui para a casa! Nada de mais - repeti.
- Ta bom, então - ele murmurou com um ar de alivio e debruçou a cabeça em meu ombro.
Ficamos ali até escurecer completamente, observando o nada, do mesmo jeito que costumávamos fazer. Era tão bom, e eu nunca reclamei de fazer isso.
Para minha infelicidade, o celular de tocou e todo aquele clima foi quebrado.
- Alô? Oiii, quanto tempo. É, eu também estou. - ele corou. - Amanhã? Hm... Não sei, vou ver e depois te ligo, ta? Beijão. Eu também. Quem era? Não pude deixar de imaginar várias possibilidades, mas eu não sabia de ninguém que o estava saindo. Será que ele não tinha me contado? Bom, não tem motivos para ele esconder isto de mim. Ou tem? Hmm .. confesso que senti uma pontada de ciúme. Mas tudo bem, é ciúme de amigo, eu sempre senti ciúmde do .
- Quem era? - Perguntei com a menor despreocupação que pude, sem encará-lo.
- Uma amiga, hmm... Acho melhor ir pra casa. - ele mudou de assunto.
Eu fiquei parada, sem mover um músculo, incrédula, enquanto ele se levantou, pegou seu skate e foi embora. Sem dizer nada. Agora quem estava abalada era eu!


's POV end


's POV


Ah, que hora perfeita para meu celular tocar!!! Justo agora que estava indo tudo tão bem. Bom, eu vi a cara da e não era coisa boa que ela estava pensando. Nem me despedi dela quando saí de lá. Ela tava meio que... em choque. Sei lá, foi estranho. Será que ela estava com ciúme? Capaaaaaaz, ela não precisa ter ciúme da Belle!
Ah ta, você está se perguntando: Quem é Belle, afinal? É, é.. uma menina aí. ta, parei. Belle é uma menina que eu sai umas duas ou três vezes a um tempo. Pois é, agora ela quer voltar e terminar o que começamos - só pra constar: não começamos nada. Quer dizer, .. depende do seu conceito de "começado". Nós ficamos algumas - várias - vezes. A maioria das vezes eram apenas carinhos, outras eram mais que isso. Muito mais. (seus pervertidos, eu nunca dei mais do que alguns amassos com ela! muito bem dados, admito) Bom... mudando de assunto, ela me ligou outro dia, a gente trocou uma idéia, mas eu não sei se quero voltar pra ela. Vou esperar pro destino me dizer o que devo fazer (que coisa mais gay!), abafa. Ah, cara, eu gosto muito da , e se eu ficar com outra garota (me cobrem isso depois), é só pra esquecer dela. Eu e a Belle tinhamos um lance legal, mas eu enjoei e chutei ela, simples não? Teve uns rolos lá, mas isso não interessa. A estava mesmo com ciume, né? Vou começar a ligar pra Belle mais vezes com a ouvindo, afinal.. ela não ta toooda apaixonada pelo mexicano novato? Que se engulam!


's POV end


seguiu seu caminho para casa, pensativa enquanto andava. "Quem era no celular?" e "Será que ele está me escondendo algo?" eram as únicas perguntas que martelavam a cabeça da garota. Quando chegou em casa, a primeira coisa a fazer foi ligar para , ela que sempre dava bons conselhos e sempre sabia de todas as fofocas do momento. Se tivesse uma namorada secreta, ela saberia.
- O ? - perguntou incrédula. - Impossível! Ele te contaria, , deixa de ser burra.
- É, eu sei - mordeu o lábio - Mas e se por um acaso ele está me escondendo isso?
- Olha, eu duvido muito. O é do tipo Amigo Leal e não te deixaria na mão nunca. Vocês se conhecem a ONZE ANOS, , até parece que você não sabe dessas coisas.
- Mas ele agiu estranho depois que desligou o celular e nem se despediu!
- Ah, pelo amor de Deus, né? Amanhã eu peço para ele se despedir de você - ela fez pouco caso. - Olha, adorei sua ligação, você precisa mesmo me ligar mais vezes, mas agora eu estou numa situação - riu baixinho - não muito agradável, para falar no celular - riu de novo.
- Que foi? - Perguntei curiosa.
- Ah, nada, é que o está aqui em casa e... Bom, depois a gente se fala, tá? Beijos. - desligou.


's POV



Vou fazer uma pergunta bem.. normal? O que DIABOS o estava fazendo na casa da num sábado, nove horas da noite? Ta, não me respondam, eu realmente não quero saber! O fato é: O está me escondendo algo, certeza. Opções de coisas que ele me esconderia: a) uma namorada secreta ( eu acho difícil, mas não posso descontar a alternativa); b) Está usando drogas (tá, isso não tem nada a ver com o que eu ouvi ele falando no celular, mas ele me esconderia uma informação assim, com certeza); c) Ficou com a minha melhor amiga (ta aí, outra coisa impossível de se acontecer, mas hoje em dia, o que é impossível?). É, pois é, eu prefiro acreditar na opção A, apesar de não ser a minha preferida. Quer dizer... Ah, era o , cara, eu TINHA uma quedinha por ele. Mas, eu ainda prefiro acreditar que estou confundindo amor com amizade, porque quando você conhece uma pessoa à onze anos, começam a aparecer algumas dúvidas. Eu nunca escondi nada dele, se ele me escondesse qualquer coisinha, por menor que seja, eu ficaria muito chateada. Até porque ele também nunca me escondeu nada, assim penso eu. Merda! Acho que essa noite vou madrugar, é melhor fazer pipoca e escolher uns quatro filmes bem bons, então.
Decidi assistir - de novo - a oitava temporada de Smallville já que era uma das únicas coisas que me prederia a atenção, se não pela história, pela aparência de Deus Grego do Clark, ele é um gato, ui.
Quatro horas da manhã e a criaturinha aqui ainda estava acordada (vê se pode uma coisa dessas!), em função da inteligência mecânica dos cromossomos y daquele garoto que eu preferia chamar de "melhor amigo". Melhores amigos não escondem segredos, , sua burra! A tem razão, você é uma pamonha azeda! Pamonhas ficam azedas? É um caso a se pensar. É, o horário começou a me deixar um pouco alterada, e minha mente entrou junto nessa brincadeira. São quatro da manhã e eu não consigo dormir. Já vi a oitava temporada de Smallville e neste instânte estou sentada na minha cama com todas as luzes apagadas, encarando o breu, pensando no , com milhares de pedaços de milho estourados (pipoca, , ta ficando burra mesmo, heinh?) na minha cama. Eu queria ligar pra ele agora. Céus, estou ficando paranóica. Hey, mas e se não era nenhuma namorada secreta, ou drogas, ou a ? Talvez nem fosse nada e eu estou aqui, igual uma idiota pensando nisso. Tenho certeza que era a mãe dele no telefone. Isso, era sim. Agora dorme, piguimeu, porque amanhã seus olhinhos vão estar com roxinhos envolta, que romântico, até rimou. Nossa, de romântico isso tem tudo. Falando em romântico, o que será que o está fazendo agora? Dãr, óbviamente ele está dormindo, é o horário que me faz pensar esse tipo de coisa, não sou sempre assim, juro. Ele está dormindo porque não tem que ficar pensando em quem era a vadia do outro lado da linha do celular do seu melhor amigo. É, só amigo. Acabei de me lembrar... O é tão liiiindo! Caraca, vou calar a minha boca, tchauboanoite!
É, eu dormi. Dormi muito inclusive. Acordei duas da tarde no outro dia, eu sou power! Meu celular tinha 4 chamadas não atendidas: , e duas do , devem estar me procurando. Liguei primeiro para .
- Ei, dorminhoca! Fiquei te ligando a manhã inteira, estava dormindo? - Mentira, ela só me ligou uma vez. Não se fazem mais melhores amigas como antigamente.
- É, eu fui dormir tarde ontem... Fiquei vendo o megalindo Clark, er... de novo.
- Nossa, , você vai decorar as falas da série assim! - ela riu. - Vai pra pista hoje?
- Vou sim. Achei que já estava lá, inclusive!
- Bom... Eu acordei faz uma hora só, também... Ah, fui dormir tarde ontem. - Foi dormir tarde justo no dia em que o supostamente, dormirou lá? Sei, sei..
- Ah, ok, nos vemos lá - clic.
Depois liguei para o . Ele não estava com voz de sono, talvez ainda não tivesse se acostumado com o fuso horário e acordou muito cedo, tanto faz.
- Oi ! - OWNT!
- Oi ! - Ficamos em silêncio enquanto eu suspirava baixinho em função do tom de sua voz. - Me ligou? - quebrei o silêncio.
- Ah, liguei sim. Queria saber se a gente se veria hoje - Eu pude sentir que ele sorriu ao dizer isso.
- Com certeza! Vamos lá pra pista mais tarde? Posso te ensinar mais sobre skate.
- Ok, nos vemos lá - clic.
E a vez de :
- ! Cadê você?
- Erm... Onde eu deveria estar? - Perguntei tentando me lembrar de algum compromisso esquecido. Nada.
- Aqui comigo, né? - silêncio - Na pista, !
- Ah, desculpa, . Eu dormi de mais - mordi o lábio e ele riu.
- Nos vemos ainda hoje?
- Aham, eu vou pra pista daqui a pouco, só vou comer alguma coisa, ta?
- Ta, nos vemos lá - clic. Deus, o queria me matar com aquele jeitinho de falar. Preciso ver ele, agora!
Tomei um café-da-manhã-almoço, tomei um banho rápido, coloquei uma roupa básica típica de "jeans e blusa", peguei meu skate e voei para a pista.


's POV

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Mew, cara, cadê a ? Geralmente ela é a primeira a chegar, mas o casalzinho ali ( e ) já chegaram e já estão se comendo a hooras. Os mexicanos chegaram também, mas estão... sei lá aonde, não importa, fazendo... sei lá o que, também. Éca, o mexicano da , o está vindo na minha direção. Deixa eu disfarçar...
- E aí, cara? - Ele perguntou com aquele sotaque ridículo que faz parecer que ele está cospindo.
- Oi - respondi somente por educação.
- Cadê a ? - Ah, ele TINHA que falar dela, que saco! Não estou afim de discutir a vida da minha melhor amiga com esse cara. Não vou contar pra ele nada do nosso passado, foi muito bom sem ele.
- Está em casa - fui curto e grosso.
- Ah - ele murmurou. - Vocês... São só amigos, né? - Ele hesitou. O que ele quis dizer com isso?
- É.. Faz onze anos! - Respondi tentando entender o propósito daquela pergunta. - Porque?
- Quanto tempo! - Ele riu sem graça. - Bom.. sei lá. Você não vão ficar, né? - ele meio que... zombou disso, não gostei.
- Ahm... Não? - respondi com o mesmo tom.
- Hmm - murmurou. - É que.. bom, você conhece ela a mais tempo, né? - óbvio, dãr. nem respondi - Eu estava pensando em chegar nela - O QUÊ? AAAAAAAH, CLARO QUE SIM, , QUERIDO, PORQUE VOCÊ NÃO DISSE ANTES?
É, eu estava bufando de raiva por dentro. Quem esse cara pensa que é? O pior de tudo, ela aceitaria, de boa. Ela também está afim dele. Fala sério, eu sabia que coisa boa não sairia desse cara!
- Erm... Ah, cara, sei lá. Fala com ela - peguei meu skate e saí dali o mais rápido possível, fui ajudar o a explicar uma manobra pro mexicano da , bizarro essas minhas comparações, é que eu nunca lembrava o nome deles.


's POV end

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, , , e já estavam lá. e exibiam suas manobras para que tentava fazer igual. Ele tinha o jeito para a coisa. Enquanto e tomavam vodca e comiam bala-chiclete na sombra de uma árvore. Se não "namorasse" o e não tivesse uma quedinha pelo , eu desconfiaria.
- Hey guys! - Sentei do lado de , que me deu um beijo na bochecha. Eu sorri e corei, mas disfarcei. Não fui falar com os outros meninos por que eles estavam entretidos de mais com suas manobras (que eu fazia muito melhor, e sim, eu sou modesta mesmo) de skate. Alguns minutos depois de eu ter chegado, os garotos notaram e foram me cumprimentar.
me abraçou bem apertado como sempre fazia, sentou no chão e me fez sentar em seu colo. me deu um beijinho carinhoso na bochecha e fez o mesmo. Fiquei sentada ao colo de , com a cabeça debruçada em seu ombro. Eu poderia morrer asfixiada com o perfume dele, mas estava bom de mais para eu me mover. Fechei os olhos e imediatamente senti sua mão sobre minha cintura para que eu não caísse para fora de seu colo. Abri meus olhos e encarei os dele por alguns segundos até que ele beijasse minha testa de um jeito bem demorado. percebeu isso, e percebeu também que eu tinha percebido (confusão, eu sei), foram várias percepções ao mesmo tempo, pois quando eu percebi que o tinha percebido, desencostei os lábios de de mim, e o percebeu que eu tinha percebido que o tinha percebido. (eu só fiz isso para confundir mesmo)


's POV end


Capítulo 3 - You should know by now.


foi para a casa àquela tarde, chateado, indeciso. Decidiu não ir para o colégio no dia seguinte, para não ter que presenciar a ultima coisa que queria ver. Ficou assistindo televisão o resto da noite, até considerar tarde o suficiente para dormir, tomou um banho quente e se escondeu em baixo das cobertas. O tempo não era um dos mais quentes. Claro que não conseguiu dormir, mas ficou se revirando nas cobertas o máximo possível para que conseguisse. Seu celular tocou, mas ele não moveu um dedo. Quem quer que fosse, nãom era importante o suficiente para ligar para ele duas horas da manhã, e então parou de tocar. Chamou de novo, no oitavo toque ele atendeu. O visou mostrava o nome: Belle.
- Oi - ele falou baixinho com a voz amaçada por falta de uso.
- Oi ! - belle falou animada.
- Tudo bom? - ele perguntou confuso, porque ela ligou para ele àquela hora?
- Tudo sim. Também não está conseguindo dormir? - é, como você sabe? pensou.
- Pois é.. Porque você não está dormindo?
- Bom, eu acordei agora pouco.. não estou com o mínimo sono, fui dormir onze da manhã hoje, eu estava fora de casa.
- Ah, onze da manhã - ele riu - eu ja estava acordado a um tempo..
- Sério? Porque está acordado então?
- Sei lá, insônia? - mentiu. - não consigo dormir.
Ficaram em silêncio alguns longos minutos, até que Belle o quebrou.
- Eu estou com saudades - desta vez, falou baixinho, de um jeito muito fofo, que fez corar.
- Eu também estou, princesa. - Ele sorriu sabendo que ela havia corado também. Geralmente, chamava Belle de princesa, mas isso foi quando eles estavam juntos, namorando.
- Hmm, o que você acha de nos vermos? - ele disse com um tom malicioso, mas rindo logo depois, fazendo rir junto.
- Amanhã? - Pensou em tudo que aconteceria amanhã em sua ausência - Por mim tudo bem, que horas?
- Bom.. não sei, você tem aula cedo, né? - Belle estava no primeiro ano da faculdade, e tinha aulas a noite.
- Tenho, mas estava planejando não ir amanhã, que horas você estava pensando?
- Já que você não vai.. podemos nos ver logo cedo, né? Não vejo a hora de te ver - ele sorriu do comentário.
- Ok, eu passo na sua casa de manhã.
- Ta bom, beijos. - clic.


's POV


Acordei com um bom-humor fora do normal, até estranhei. Tomei um banho de cabeça e me agasalhei bastante. Estava muito frio.
Cheguei na escola mais cedo que o normal, poucas pessoas estavam lá, mas entre elas, estava sentada compartilhando seu I-pod com .
- Hey! - acenei de longe e fui me aproximando. - que música vocês estão ouvindo? - peguei o i-pod e li as palavras Love Story - Taylor Swift - Éca, , ela vai transformar você num fanático por modinhas! - todos riram.
- É bonita a música, , deixa de ser chata! Você me ofendeu agora - ela fez caso e eu dei a lingua. Todos rimos.
- Bom, vocês viram o ou o por aí? - perguntei olhando em volta procurando por eles.
- Não vi ninguém - fez que não com a cabeça e confirmou. Eu dei de ombros e fui andar procurando por alguém.
Vi vários rostos conhecidos, sorri para todos eles, mas não encontrei e nem .
- Hey gata - ouvi alguém me chamar por trás e congelei. A boca do garoto chegou próxima ao meu ouvido e sussurrou - sentiu minha falta? - me virei para ver quem era.
- James! - pulei para trás me afastando dele, eu estava tremendo de medo.
- Qual é, , não sentiu minha falta? - perguntou com aquela voz malandra de sempre.
- James, por favor, não fala comigo! - dei mais um passo para trás. - O que você está fazendo aqui?
- Calma gatinha - ele me puxou pelo braço e depois o apertou constantemente, cada vez mais forte, estava me machucando, muito. Eu não reclamei, tinha muito medo de qualquer coisa. - Porque a gente não vai ali atrás e...


's POV end


's POV


Eu acordei cedo para ir buscar a Belle, mas não parava de pensar na . Enquanto me perfumava em frente ao espelho, imaginava algumas cenas "perfeitas" ao lado dela. Eu definitivamente, não podia deixá-la ir, simplesmente.
Flashback*
Estávamos deitados na minha cama, estava com a cabeça debruçada em meu ombro e uma mão envolta da minha cintura. Eu estava com um braço em baixo da cabeça e o outro na cintura dela.
- - ela sussurrou enquanto fazia circulos com o polegar em meu peito.
- O que foi? - perguntei cansado.
- Você é só meu, exclusivo! - e então ela apertou mais a minha cintura.
- Como assim, ? - sorri com seu pensamento infantil.
- Insubstituível, bobo! Só meu. - ela me encarou - Você nunca vai ser para alguém, o que você é pra mim, entendeu? - sorriu seu sorriso mais infantil enquanto suas bochechas ficavam cor-de-rosas. Eu sorri também.
- Posso te roubar para mim assim também? - perguntei brincando. Ela deu de ombros e apoiou a cabeça em meu ombro novamente.
- Pode, oras. - e ela beijou a ponta de meu queixo.
Fim do Flashback*

Eu precisava da aqui, comigo. Não suportaria deixar ela ser de outra pessoa. Ela já teve vários namorados ao longo desses onze anos, mas eu nunca estive tão inseguro sobre perdê-la. A ultima coisa que eu queria era que nossa amizade acabasse, por isso nunca havia a beijado. Eu já tive todas as oportunidades do mundo de fazer isso, mas minha insegurança era maior. Agora eu sabia que a queria mais que tudo. Eu precisava dela aqui, comigo, agora!
Coloquei a camisa e fui correndo até a escola. Passei por vários corredores lotados, correndo enquanto a procurava com os olhos em todos os cantos. Finalmente a encontrei, nos braços de outro cara, não era o , mas era alguém bem familiar. Era o James! Senti meu coração pular pela boca, meus olhos saltaram. O que ele estava fazendo aqui? Sua mão apertava fortemente o braço dela, mas ela não se movia. A tem medo daquele cara! Ele está machucando ela, droga. Saí correndo na direção dos dois, segurei o braço de James e não pensei duas vezes até enfiar meu pulso em seu olho. Ele caiu no chão. As vezes eu mesmo me surpreendia pela minha força.
- Ta tudo bem, ? - abracei ela delicadamente. Seus olhos estavam lacrimejando de medo e dor, quando seus braços me envolveram, ouvi alguns soluços, mas James estava levantando. Coloquei ela atrás de mim para dar proteção enquanto ele levantava do chão um pouco grogue.
- Ora, ora, ora.. O playboyzinho chegou! - ele disse calmamente me fitando com raiva.
- Fica longe dela, James! Você não deveria estar aqui - ameacei.
- Calma, ... Só passei para anunciar a minha volta - ele sorriu maliciosamente, virou as costas e sumiu da minha vista.
Quando me virei para conversar com a , apareceu e ela voou e direção aos seus braços.
- ! - murmurou com felicidade enquanto passava seus braços em volta do pescoço dele e lhe dava um abraço. Senti uma pontada de ciúme.
- O que houve com você? Você está tremendo, ! - Ele completou o abraço colocando as mãos na cintura dela. Mais uma pontada. O que eu estava fazendo ali mesmo?
- O James é um marginalzinho. Ele te machucou, ? - puxei ela para mim.
- Não , se não fosse você, ele teria machucado mais. - Ela colocou a mão no lugar onde ele estava apertando. Estava se formando um roxo esverdeado com as marcas dos dedos dele sob sua pele branca.
- É culpa minha! - abracei ela de novo. - Eu jurei que nunca mais deixaria ele te machucar - beijei sua testa.
- Está tudo bem - Aquele metidinho do mexicano tirou ela de mim de novo. - Vai ficar tudo bem, . Me explica agora, quem é ele?
- - interrompi - posso falar com você? - olhei pra - ela nao gosta de falar disso - sussurrei para ele, que acentiu.
Fomos para outro lugar e eu me segurei para não matá-lo ali mesmo (tá, parei). Suspirei algumas vezes antes que eu começasse a explicá-lo tudo. Eram assuntos complicados de serem tratados. Eu não confiava nele o suficiente para dizer aquilo, mas a queria. Suspirei pela ultima vez e o encarei, ele estava paciente, olhando para o chão enquanto esperava.
- Bom... - ele olhou para mim quando falei. - O James é um ex namorado da . Ele era O namorado, sabe? Eles viviam grudados, como chiclete mesmo. Uma noite, ele chamou ela pra ir na pista, eles faziam isso sempre, e ela foi... Ele estava com vários amigos, todos super drogados, chapados, bêbados, completamente fora de si. - pausei procurando os detalhes afundados em minha memória, era doloroso inclusive para mim, precisar falar disso - Ele tentou estuprar ela... A estava extremamente vulnerável se comparado com umas quinze pessoas mais fortes que ela que estavam lá. - estava incrédulo, não exagero quando digo que seu queixo estava quase tocando ao chão!
- Ela foi estuprada? - Ele arregalou os olhos enquanto passava as mãos no cabelo, sem parar. Nervoso?
- Eu disse: QUASE! - destaquei. - Ela gritou muito, demais. E como eu moro praticamente do outro lado da rua da pista, eu ouvi e fui lá, né? - dei de ombros, aquelas história me dava arrepios, mas eu queria dar um clima mais light para ela.
- Nossa! E você enfrentou quinze pessoas mais fortes que... a e saiu ganhando? - levantou uma sobrancelha.
- Está duvidando? - sorri de brincadeira. - Eu não deixaria alguém machucar ela! - expliquei impaciênte. - NUNCA!
- Ta, ta... Já me convenceu.
- Enfim... Eu chamei a polícia, óbvio, e quando eles chegaram conseguiram prender uns três ou quatro. Incluindo o Bourne...
- Faz quanto tempo? Ele fugiu? - perguntou confuso... Técnicamente um estuprador ficaria na cadeia mais tempo que ele ficou! Concordo plenamente.
- Três meses. Só! - falei indigado. - Agora ele está solto por aí, e vai tentar machucar ela de novo! É um absurdo
- Concordo - murmurou.
- Ok então - sentei e ele sentou ao meu lado. - Posso te pedir uma coisa?
- Claro - deu de ombros.
- Lembra... O que você me disse, sobre a ? De... Vocês? - E lá vamos nós ao motivo pelo qual eu estava aqui.
- Sim, o que tem?
- Será que... - não fica com ela, porra - Você poderia esperar até... Amanhã? É que eu queria falar com ela sobre isso primeiro - silêncio - Você sabe, para te dar mais segurança - ele sorriu.
- Com certeza, valeu , você é um amigão!
Ta, essa foi pessoal, que frase mais gay! Espero nunca mais ter que passar por tal cena constrangedora. Enfim... eu precisava encontrar a Belle, com todas as minhas vontades. Eu realmente não estava mais afim de ver ela. Não hoje. Abri meu celular e havia uma mensagem, por coincidência dela.
Oi ...
Desculpa não ter te avisado antes, mas é que eu tinha me esquecido que eu tenho dentista agora de manhã. Podemos nos ver amanhã?

E mais uma vez, o universo conspirou a meu favor! Respondi um rápido "s" e fui falar com alguém bem mais importante.
- Oi - chegamos no refeitório para o almoço.


's POV end


Capítulo 4 - Today is when your book begin and the rest is still unwritten.

- Oi - respondeu com um sorriso, aliviada.
- Melhor?
- Com certeza - Ela o abraçou forte. - Obrigada - sorriu sem graça ainda o abraçando. Ficaram alguns segundo daquele jeito até se lembrar de ter dito ao que avisaria sobre... Eles. Ele se arrepiou e a soltou.
- , quer ir lá em casa comigo depois? Preciso te dizer uma coisa bem importante.
Ela mordeu o lábio e acentiu. O que seria?

's POV

Ok, depois de ter revisto o James, o resolve "falar sério" comigo. Coisa boa não é...
- Pode ser lá em casa? Quero ficar o menor tempo possível nas ruas - expliquei.
- Tá.
_
Eu estava sentada na frente do computador digitando um trabalho de Biologia enquanto dedilhava a minha guitarra. Ela vivia pendurada à parede, eu não sabia nem ao menos um acorde. Ela só estava ali por causa de . Ele vivia mais na minha casa do que eu mesma, então não me surpreendi quando ganhei uma guitarra sem nem saber tocar. tentou me ensinar alguma coisa, mas eu sou tão kinder que acabei esquecendo tudo cinco minutos depois. Nós riamos, conversávamos, até que estávamos em minha cama, sentados um em frente ao outro enquanto eu o ouvia tocar. Eu amava ver ele tocando, ele era muito bom! Sabia de cor todas as minhas músicas preferidas, nossa, eu amava ele! Sorri com o pensamento, admito.
- O que você ia me dizer, ? Fiquei curiosa - interrompi seu solo de The Number Of The Beast do Iron Maiden. Ele me fitou profundamente nos olhos, como se fosse um assunto muito delicado.
- É sobre o - respondeu encarando o braço da guitarra sem mover os dedos das notas onde ele havia parado. Que medo.
- Ficamos em silêncio alguns instantes até ele finalmente se mover e tirar a guitarra do colo, não me encarou momento algum.
- Então... - apressei girando as mãos em circulos o incentivando a continuar.
Ele chegou perto, perto o suficiente para me fazer prender a respiração e sussurrou tão baixo que eu tenho certeza que ele mesmo não ouviu. Eu ouvi.
- Ele quer você - e foi só isso. levantou da cama, pegou sua mochila e foi em direção ao andar de baixo da casa para ir embora. Eu fiquei ali, em choque, sem saber o que fazer, mas quando a porta do meu quarto bateu, eu acordei do transe e fui atrás dele.
- espera! - gritei do alto da escada quando ele já estava no ultimo degrau. Ele parou, mas não se moveu para olhar para mim. O que estava acontecendo?
- Está tudo bem? - desci cada degrau, um por um, silenciosa e vagamente até chegar nele e tocar seu ombro pelas costas.
Ele suspirou, sorriu, olhou para o teto e depois se virou para mim.
- Porquê não estaria? - ele sorriu e eu arqueei uma sobrancelha.
- Você saiu correndo, isso explica alguma coisa?! - aumentei um quarto da minha voz.
- , relaxa... Vocês vão ficar bem. - ele deu de ombros.
- Senhor , por quais motivos você acha que eu "quero ele" também? - respondi como se aquilo fosse óbvio. Ok eu queria, mas o estava agindo estranho e se ele não aprovasse isso, obviamente eu não ficaria com o . - Vem cá, gato - sorri maliciosamente enquanto puxava ele para o sofá e ele sorria também.
O empurrei deitado lá e sentei em sua barriga, de frente para ele. Se minha mãe chegasse, ela me mataria... whatever, é o e não qualquer um, ou só mais um... É o . Aproximei nossas cabeças assim como ele fez anteriormente, mas não sussurrei nada, falei bem alto e claro, inclusive:
- O que você acha disso? - o encarei no fundo dos olhos e, por algum motivo, me senti frágil em relação a ele.
- D-disso o que? - Ele gaguejou um pouco.
- Do ! - revirei os olhos e afastei nossos rostos.
- Aah - ofegou três vezes - legal?
- Legal, ? Você quer mesmo que eu me convença com "legal"? - fiz cara de tédio para ele que sorriu.
- Ah, , eu acho que vocês dariam certo juntos... Você gosta dele e ele gosta de você, porque não tentar?
- Novamente, - suspirei - Quem foi que te disse que eu gosto dele?
- , pelo amor de Deus, eu te conheço a onze anos! Acha que alguém tem que me dizer o que você está sentindo pra eu reparar? - Dessa vez ele me pegou. Torci os lábios e saí de cima dele, deixando-o sentar-se ao meu lado.
- Você ficaria com ele? - perguntou sério. Eu abri a boca para dizer um texto mas ele me interrompeu antes de eu começar - Náh, não diga nada... Só responda: Sim ou não?
- Bom... - murmurei olhando para o chão enquanto fingia pensar em algo que não fosse "Sim", "Claro" ou "Óbvio". - Ficaria - eu não mentiria sobre isso.
Ele estava impossível de entender. Sua expressão estava paralisada e não expressava emoção alguma. Ficou assim por uns quinze segundos, longos, muito longos.
- Legal - disse sem a menor intonação na voz que estava um pouco rouca, levantou, andou até a porta, olhou de volta para mim, que estava sem movimento, ainda sentada no sofá, e foi embora.
Qual é? Se coloque no meu lugar... Dá pra entender um cara assim?

's POV end

foi para a casa em passos apressados pensando no que tinha feito. com certeza estava confusa, ele foi um idiota. Mas depois de ter um choque de realidade no momento em que ela disse que estava afim de , tomou a decisão de que ficaria com Belle e faria de tudo para que isso acontecesse no dia em que se vissem. Era o mais conveniente, pois apesar de estar a usando para esquecer , ele sempre gostou muito dela. Foi uma das poucas que ele realmente amou. Talvez fosse a única - excluindo a . Seu celular tocou rompendo seus pensamentos, no visor o nome Belle piscava em azul, diversas vezes. Ele olhava para a tela do celular e pensava se deveria atender. No nono toque, atendeu:
- Oi - falou baixinho tentando não parecer chateado, abalado ou mudado.
- Oi ! - Belle disse animada. - Novidades?
- Hmm, na verdade não - respondeu sem a menor vontade.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, está tudo bem. - pigarreou - Estou ansioso para te ver - falou mais claramente, desta vez fazendo-a rir baixinho.
- Eu também! Você está ocupado?
- Na verdade não... Quer dizer, eu iria lá pra pista agora, quer ir? - perguntou entusiasmado.
- Ah, é estranho, né? O que seus amigos vão pensar?
- Ué, quem sem importa, Bel? - Eles ficaram em silêncio por alguns segundos
- A vai estar lá?
- Provavelmente não, por quê?
- Não sei, acho que ela nunca gostou de mim, sei lá...
- Você vem?
- Claro! Porque não?


Capítulo 5 - Should I stay or should I go?

’s POV

Aah, ficar sem fazer nada é chato! Não posso sair na rua... a real é que eu estou me cagando de medo. Cara, já pensou se aquele canalha mais conhecido como Bourne se atreve a me seqüestrar, ou tenta me machucar de novo? Eu sou um nada perto dele, não sei o que faria sem o . Caaaara, o ! Saudades – sorri com o pensamento – Nossa, eu estou com sono.
Levantei da cama e fui chegar meu MySpace. Tinha mensagens comuns dos meus amigos, claro:

says:
Ei girl! Como vai? Te amo.

says:
Nem vai pra pista hje né?

says:
, o que está acontecendo com o ? Ele não me diz!

James Bourne says:
Hey gatinha, quarta-feira no London, sozinha. Não avise ninguém, muito menos aquele . Se não for…

Congelei! Ele está usando a internet, que cafona! Eu não iria me encontrar com o James no London Pub sozinha! Principalmente à noite. O que ele faria se eu não fosse? – Ta certo, ele tem o poder de me matar se quiser, e eu não duvido nada disso -, mas eu não vou. Tenho várias soluções: a) ligar para a e perguntar o que ela achava; b) ir e morrer; c) não ir e morrer; d) ir e não morrer, porém ser estuprada. Hmm, opção A, por favor? Estou deprimida.
Peguei meu celular e disquei o número de , que eu já sabia de cor.
- Alô? – a voz dela estava amaçada de sono.
- Te acordei? – perguntei preocupada.
- Não tem problema, eu ia perder a hora! Ao que me dá a honra desta ligação senhorita? – ela riu.
- MySpace agora.
- Ok - clic.

says:
Não acredito! Até eu fiquei com medo agora, !

says:
Vou ou não?

says:
Óbvio que vai, né? Vai saber o que esse retardado, boçal pode fazer se você não for . Ele apareceu lá no colégio, significa que pode simplesmente te sequestrar com a maior facilidade do mundo.

Ouvi minha mãe me chamar na sala e fui correndo para poder voltar rápido e terminar de falar com a , mas ela só pediu para eu colocar o lixo na rua e questionou o fato de eu estar em casa ao invés de estar na pista. Quando voltei havia uma mensagem:

says:
Que animal! Você não vai de jeito nenhum! Eu vou matar esse retardado!

’s POV end

’s POV

Eu estou com medo daquele cara, não sei o que ele é capaz de fazer. Ainda quero acreditar na teoria de que ele faz isso apenas para chamar atenção, porque não me conformo com o fato de que alguém possa querer machucar uma pessoa apenas por diversão... Ou vingança. A não fez nada para ele! Se ele quer machucar alguém, que ME machuque. Não vou deixar ela ir mesmo, nem que eu tenha que trancá-la no armário, que exagero. Mas se for necessário... Ta, preciso encontrar a Bel na pista daqui a pouco, melhor eu me mover.

Quando cheguei lá, , e já haviam chegado, mas nenhum sinal da ou da . Provalvemente a nao viria, mas a ? Não me aproximei dos meninos, minhas mãos tremiam de nervoso, eu teria que “reapresentar” a Belle a eles, mas dessa vez, ela não seria a minha namorada, era estranho pensar assim, mas afinal, depois de ter ouvido da boca da que ela gosta do Mexicano, o que eu mais queria era ficar com outra pessoa. Só me relembrando do que eu havia dito antes: eu ficaria com alguém só para esquecer a . Não queria “usar” a Belle desse jeito, mas eu gostava bastante dela antes, e acho que a gente poderia ter alguma coisa séria dessa vez. Avistei seu carro estacionando em cima da guia, do outro lado da rua, na pista. – É, ela tem um carro, porque... Ela tem 21 anos e tem condições de comprar um com seu emprego e tudo mais. Eu não tirei carteira ainda por que não tive empenho, eu já tenho 16, semana que vêm faço 17, mas enfim...
Ela saiu do carro, os cabelos balançando com o vento e o óculos de sol – clássico dela -, no topo da cabeça, como sempre. Senti uma pontada de nostalgia; ela continuava pequena, muito menor que eu. Atravessou a rua rapidamente, sem olhar para os lados e me abraçou com força assim que chegou perto. A altura de sua cabeça, mal chegava ao meu peito, mas eu retribuí o abraço, levantei seus pés do chão e a rodei no ar. Ela me olhou sorrindo sem dizer nada, até eu a colocar no chão e ela sorrir de novo. Eu adorava precisar olhar para baixo para poder falar com ela, isso me fez sorrir.
- Que saudades de você! – ela falou sorrindo. – Acho que você cresceu mais ainda – torceu os lábios me fazendo rir.
- Você que encolheu! – sorrimos.
Como eu havia previsto, quando o assunto acabou, ficamos nos encarando, corando cada vez em que o outro sorria. Foi constrangedor do jeito que eu pensei que seria, talvez até um pouco mais.
- Bom... – ela disse depois de algum tempo. – Como vão as coisas?
- Hmm – murmurei – Normais. – dei de ombros.
- Ah – ficamos em silêncio alguns instantes.
- Hey, lembra daquela manobra que eu te ensinei?
- Lembrar eu lembro – ela riu –, mas não sei fazer!
- Como não? – abri minha boca ironicamente. – É fácil igual andar de bicicleta: quando você aprende, não esquece mais. – pisquei um olho.
- Até parece – ela bateu a mão na cara e sorriu.
- Tenta – A entreguei meu skate e ela me olhou com súplica, mas depois o pegou.
- Se eu morrer, a culpa é sua! – ela sorriu e eu sorri junto.
Subimos no topo de umas das menores rampas enquanto ela encarava o chão. Fiquei em silêncio a vendo encarar o fim da rampa durante alguns minutos, até perder a paciência.
- Você não vai?
- Eu tenho medo de altura, esqueceu?
- Ah é, desculpa... Vai demorar muito? – dessa vez eu fiz de birra e depois nós rimos. – Quer ajuda? Você se lembra de como ficar em pé no skate, não é?
- Claro que lembro, isso é o mais fácil!
- Ok, então... Pelo menos, dá pra ficar na posição de descida? Está me dando nervoso ver você parada assim!
- Ta, desculpa – ela levantou os braços para se dizer culpada e se posicionou.
- Isso! Agora é só dar impulso e Seja-O-Que-Deus-Quiser. – sorri tentando parecer natural e ela me deu um olhar fuzilante.
Alguns segundos depois – talvez minutos -, ela se jogou contra a pista. A manobra estava parecendo perfeita, até o momento em que precisou parar. Ela perdeu o equilíbrio e eu percebi seu braço torcendo, de um jeito que doeu em mim. Corri para socorrê-la. A palma de sua mão estava sangrando e o cotovelo esquerdo ralado, notei que ela segurava o pulso fortemente, a primeira coisa que me passou pela cabeça é que estivesse quebrado, mas depois ela o mexeu para cima e para baixo.
Está tudo bem? – perguntei desesperado tentando levanta-la do chão, o que não foi muito difícil, já que ela era minúscula.
- Está tudo ótimo, eu estou bem – ela limpou a sujeira que estava em sua calça tentando se libertar de mim.
- Não! Não está tudo bem, olha o seu braço! – Ela o olhou e fez uma cara de dor. Já perceberam que a dor só vem quando nós vemos o machucado? Enfim... Eu precisava ajudá-la. estava por ali, peguei ela no colo e corri até o pessoal.
- Vocês têm água, ou alguma coisa que eu possa usar para lavar esses machucados? – olhei para o braço dela e todos fizeram a mesma cara de dor que ela fizera anteriormente.
- Eu tenho vodca, serve? - levantou uma das garrafas que estava aos seus pés e todos riram.
Coloquei Belle no chão com intuito de dar um soco na cara daquele Mexicano ridículo, mas pensei primeiramente no machucado de Belle, que era o mais importante agora.
- Ela ta machucada, cara! – gritei com raiva.
- Relaxa, ! - me afastou do pessoal. Ele percebeu a minha raiva. – Eu tenho uma caixinha de primeiros socorros ali atrás – ele me puxou pelo braço e eu levei a Bel junto.

- Prontinho, está tudo bem – ele sorriu para Belle enquanto terminava de cobrir a gaze com microporo em seus cotovelo e mãos.
- Obrigada, - ela sorriu.
- Quanto tempo não te vejo aqui, Bel. O que te trás de volta?
- Bom... – Ela murmurou e balançou a cabeça em minha direção. – Conhece aquele gatinho ali? – piscou para mim e eu ri.
- Vocês voltaram?
- Não, não. – ela corou.
- Ainda não, né? - brincou fazendo todos rirem. – Enfim... Tome mais cuidado com isso, moçinha! – ele apontou para os machucados. – E você, moço – olhou para mim – não obrigue a moça a andar de skate. Ela não sabe! – todos riram novamente.
- Podemos ir, doutor? – Belle entrou na brincadeira.
- Claro, a consulta é 199 reais – ele sorriu malandro.
- Ah, ok. Depois eu te pago – Belle deu beijinhos em suas bochechas e me puxou para onde estávamos antes de ela cair.
- Bom , depois de tudo, eu acho melhor ir para casa. – Ela mordeu o lábio inferior de um jeito que eu achei muito sexy. Ok, estava chegando a hora do beijo, esse pensamento me deu frios na barriga. Não que eu nunca tenha feito isso, dã, mas é a Belle, e faz tempo que não nos beijamos. Eu já a conheço o suficiente para saber se ela prefere Romance ou Drama, Fotografia ou Cinema. – que comparações bizarras, whatever...
- Ah, não! Eu nem consegui te matar ainda! – piada ridícula, se ela riu, é porque está afim. É, ela riu.
- É melhor eu ir antes que eu morra então – piada ridícula dois. Eu também ri. A acompanhei até o carro.
- Tchau - ela me abraçou.
Era agora ou nunca. Quando nossos corpos se afastavam do abraço, apertei minhas mãos em sua cintura, impedindo que ela se afastasse e a obrigando a me encarar. Prendi nossos olhares e comecei a agir. Fui diminuindo a distancia entre nós lentamente, até podermos sentir a respiração de ambos batendo em nossos lábios. Deixei que ela fizesse o resto e como não era nada boba, terminou com o mínimo espaço que havia entre nós, celando nossos lábios num beijo. O beijo começou lento, mas com seus movimentos únicos, fui nostalgiando cada vez mais aquele calor de seu corpo; eu nunca senti nada igual, somente com ela. Talvez fosse realmente aquilo tudo o que eu queria. Fomos dando intensidade ao beijo e, a cada vez que nossas mandíbulas se moviam, eu a desejava mais, e sentia o mesmo dela. A encostei no capô do carro, sem quebrar o beijo e senti uma de suas pernas se apoiar ao lado de meu corpo. Minhas mãos estavam sem controle, subindo e descendo por seu quadril, algumas vezes tocando sua barriga, a fazendo arrepiar. Quando estávamos chegando longe de mais, Belle encostou suas mãos em meu peito e nos separou, me olhando enquanto ofegava. Nossos lábios estavam avermelhados e inchados, eu sentia os meus formigarem enquanto, também, ofegava.
- Ta, agora tchau mesmo – sorrimos quando ela disse. Levantamos do capô, olhando em volta para ver se alguém havia percebido. Foi uma das cenas mais constrangedoras da minha vida! Por sorte, não havia ninguém na rua. Tirando os garotos, mas eles estavam do outro lado da pista. De lá ainda nos via, eu os enxergava daqui, isso era mal.

’s POV end


Capítulo 6 - He doesn’t know you.

’s POV

Cara, eu estou com medo! Eu quero ir, mas não devo. Quer dizer... Quem me garante se vou morrer ou não? Claro que eu vou morrer. Todos vamos, algum dia (que emo). O me mataria se eu fosse! Estou cansada de ficar dentro de casa sem fazer nada... Será que vou morrer se sair na pista agora? Na real, eu não tenho medo, eu sei que o vai estar sempre lá para me proteger. Pode não passar de um pensamento positivo, mas agora eu pergunto: Alguma vez ele não esteve lá para me ajudar no que quer que fosse? Então para quê pensar negativo? Levantei da minha cama, prendi meu cabelo num rabo de cavalo, troquei o uniforme do colégio para uma blusa regata listrada B&W e um jeans skinny, comum. Coloquei o boné vermelho da Von Dutche do que ele esqueceu lá em casa algum dia no passado e fui para a pista.
Quando cheguei lá, disse que tinha ido ajudar o com alguma coisa, enquanto ela, e se embebedavam.
- Se o te ver aqui, ele te mata! Você sabe, né? - avisou.
- Sei – suspirei – Mas preciso de ajuda.
- O que foi? - perguntou preocupado.
- É que... – olhei pra e mordemos o lábio. – Lembra do James?
- Claro, o que tem ele?
- Bom, ele me ameaçou no MySpace, dizendo para eu ir no London quarta, sozinha. Eu queria ir, tenho medo do que ele possa fazer se eu não for, mas o NUNCA vai deixar!
- Ele te controla, . Não acho certo ele te impedir, se isso pode te prejudicar.
- É, , mas é perigoso se eu for ou não!
- É só você levar alguém, que não fique colado em você.
- É, mas o James conhece todo mundo do meu ciclo de amizade.
- Ele me conhece? – perguntou interessado.
- Acho que sim, ele te viu aquele dia no colégio.
- E o ? - arqueou a sobrancelha .
Bom, era pouco presente em minha vida, provavelmente James não o conhecia, e misturado com a quantidade de pessoas que estaria no London àquela noite, James nunca notaria. Comecei a sentir esperança nessa história.
voltou com a caixa de medicamentos na mão.
- O que houve? – perguntei fazendo arqueando a sobrancelha
- O ta com a Belle aqui, lá atrás. – Belle?
- Hmm, enfim... Eu estou bolando um jeito de ir no London quarta com o James, sem ele perceber que o vai junto.
- Com o JAMES? o que você está fazendo aqui? Sabe que se o te ver, ele te mata, né?
- Sei, sei... Mas ele não vai me ver. Ele está com a Belle – fiz careta e ele riu... - Enfim, o James me mandou uma mensagem no MySpace me mandando ir no London quarta, sozinha. Eu não vou sozinha. – olhei para a cara de pensativo dele.
- E aí você vai levar...?
- O ! – sorri para ele – Acho que o James não conhece o . Aquele dia no colégio, ele viu o , mas não o .
- - olhou para ele – ajuda a ? – juntamos as mãos em suplica fazendo os outros rirem.
Olhei para trás, apenas para me certificar de que James não estaria lá, ciente de que ele não estaria, mas me deparei com algo bem pior, talvez. Não entendi ao certo o porquê, mas senti uma facada nas costas, uma dor incomum no peito, algo indescritível, que me fez hesitar um paço para trás e piscar algumas vezes os olhos para ver se eu realmente poderia acreditar naquilo que meus olhos viam.
e Belle estavam se beijando, quase... erm... Sei lá, estavam numa posição escrota, super obscena, em cima do capô de um carro. Eu não deveria me sentir assim, quer dizer... Tem o e tudo...

se aproximou de nós após terminar sua ceninha ridicula com aquela garota, como se nada tivesse acontecido. Me abraçou por trás e me deu um beijo na bochecha bem babado, éééééca, tinha baba daquela Belle, francamente? Nunca fui com a cara dela, apesar de perceber que eles sempre ficavam bem juntos. Bom, eu nunca reclamei.
me olhou com um olhar de “cuidado” e eu fiquei alguns segundos sem entender até indagar:
- o que DIABOS você está fazendo aqui fora? – ele me olhou bravo e alterou sua voz um pouco. Como fiquei sem responder ele me arrastou para um lugar pouco mais afastado dos outros, provavelmente para me dar um esporro e dizer “o quão irresponsável você é” e “como você quer que eu aja se acontecer algo com você?”, ele agiria como meu pai, que eu não tinha (mas depois eu explico essa parte), e para falar a verdade, tinha razão: Ele me controlava.
- por que você faz isso? – perguntou espumando de raiva, mas falou baixinho para que o pessoal não escutasse.
- o que está fazendo? – olhei para sua mão apertando meu braço e ele me largou imediatamente, estava machucando.
- Desculpa, mas... , você não pode sair na rua, volta pra casa agora!
- Não! – olhei para ele sem entender, ele estava sendo ridículo mandando em mim daquele jeito.
- Agora ! – ele aumentou a voz.
- Não! – falei mais alto, chamando a atenção dos garotos pouco afastados.
- , deixa de fazer birra e vai pra casa, não quero você aqui! – ele não me queria aqui? Isso doeu mais do que deveria.
- Eu não sou mais uma criança, ! – Olhei profundamente em seus olhos e disse isso praticamente gritando e minha voz ficou levemente grossa. Eu mesma tive medo de mim.
recuou um passo para trás e me olhou incrédulo. Provavelmente havia se tocado o vexame que ele nos fez pagar. Eu estava magoada, aborrecida e triste. Há muito tempo não ficava assim com ele. Virei às costas e fui para um canto qualquer, longe dali, a alguns quarteirões longe daquela rua. Meus olhos lacrimejavam e eu me via cada vez mais incapaz de controlar o choro. Deixei algumas lágrimas escorrerem e depois segurei todas as outras; eu não choraria por um motivo bobo assim. Olhei ao meu redor apenas para garantir que estava sozinha naquele beco e vi uma sombra se aproximando da pequena entrada. Congelei.


’s POV end

Capítulo 7 - He was a sk8er boy. (aconselho colocar para carregar The Way You Make Me Feel – McFly)

- , ! - gritava enquanto passava direto pelo beco, sem perceber a presença de lá.
Ela tampou a respiração, como se aquilo ajudasse a não perceber sua presença ali. Ele voltou de ré, com passos lentos e espiou o beco. se encolheu o máximo que pode, mas obviamente ele a viu.
- ! – correu até ela a abraçando. Ela tentou se soltar, mas ele não deixou. - , me ouve! – segurou seu rosto firmemente com as mãos, a obrigando olhar para ele, aparentemente, estava machucando. – Vamos para casa, ta?
- Eu não quero ! Me larga, está machucando! – ela se debateu e ele a livrou.
- Pára com isso, por favor. Eu só quero o seu bem.
- Controlando a minha vida não é o MEU BEM, se você quer saber!
- Eu vou para casa com você, ta? Eu fico lá contigo... Eu vou estar sempre com você, para o que você precisar. – ele a olhou firmemente nos olhos e ela engoliu seco – Eu te amo.
Ficaram se encarando longos segundos, até desviar seus olhares.
- T-ta bom – seus lábios tremeram vezes de mais para palavras tão curtas.

~

’s POV

Estavamos encolhidos de frio, abraçados no sofa da casa da , enquanto comiamos pipoca e assistíamos The O.C. – eu nunca gostei disso, mas ela adora, então eu assisto também quando ela pede.
Já era final de tarde e estava começando a ficar escuro, quando sua mãe chegou em casa.
- , mãe. – rebateu e sua mãe chegou à sala.
- Tudo bom com vocês? – sorriu para mim – Oi ! – O bom de ser o melhor amigo de uma garota, é que os pais dela não ligam se você esta no quarto, sala, cozinha, abraçado com a menina, afinal... Você é só um amigo, não é?
- Mãe, ele pode dormir aqui? - ela apertou minhas bochechas e eu corei. DORMIR LÁ? Wow, não fazemos isso desde a sétima série.
- Claro que pode, - ela piscou para mim – Juízo, hein? Eu vou na casa de uma amiga minha.
A mãe da sempre saía para a casa das “amigas” dela, mas na verdade, todo mundo sabia que ela saia para algum pub com as amigas dela. Que bizarro; a mãe de quarenta anos da sai para a balada, enquanto nós dois, de dezesseis, ficamos sentados no sofá, comendo pipoca e assistindo seriados.
Aproximadamente meia hora depois de ela sair, nós continuamos em puro silêncio, apenas com o barulho da pipoca sendo remexida. Foi então que me lembrei de algo fatal, o qual eu não poderia esquecer de mostar a .
A algum tempo, eu tento escrever músicas. Minhas composições sempre foram uma grande bosta, apesar de a sempre elogiar, dizendo “o quanto eu era bom e ela não sabia nada”... Esses dias, eu fiz uma música, para ela e cara... Eu achei que ela tinha ficado boa, quero só ver o que ELA vai dizer.
- Fiz uma música pra você – sorri e ela me olhou com olhos brilhantes de empolgação.
- JUUUUUURA? – Levantou do sofá e imediatamente se jogou em meu pescoço me deixando com falta de ar.
- Juro – sorri sem graça – Quer ver?
- ÓÓÓBVIO! (coloquem para tocar)

I think yesterday
(Eu penso no passado)
And all the times I spent being lonely
(E todo tempo que eu passei estando sozinho)
I watched the young be young
(Eu observei os jovens sendo jovens)
While all the singers sung
(Enquanto todos os cantores cantavam)
About the way I felt
(Sobre o jeito que eu me sentia)
The days are here again
(Os dias estão aqui de novo)
When all the lights go down,
(Quando todas as luzes se apagam,)
What do they show me?
(O que eles me mostram?)
The rules are all the same
(As regras são todas as mesmas)
It's just a different game
(É apenas um jogo diferente)
To tell you how I feel
(Para te dizer como eu me sinto)
Although it seems so rare
(Embora pareça tão raro,)
I was always there
(Eu sempre estava lá)

Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
(Oooh, Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir)
Oooh, oooh I can't stop digging the way
(Eu não consigo parar de gostar do jeito)
Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
(oooh, oooh Eu não consigo parar de gostar do jeito que você me faz sentir)

I took a little time
(Levei um pouco de tempo)
Scripting all the things that I tell you
(Escrevendo todas as coisas que eu te falo)
I'll send them through the mail
(Eu vou te enviar pelo correio)
And if all goes well
(E se tudo der certo)
it'd be a day or two
(Levará um ou dois dias)
I spent some extra nights
(Eu passei algumas noites extras)
Trying to forget the things that I've shown you
(Tentando esquecer as coisas que te mostrei)
By now the smoke is cleared
(Por hora, a fumaça baixou)

And all along I feared
(E por todo tempo eu temi)
It would turn out this way
(Que isso ficasse desse jeito)
Though it might be wrong
(Pensei que talvez estivesse errado)
My light is always on
(Minhas luzes estão sempre acesas)

Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
(Oooh, Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir)
Oooh, oooh I can't stop digging the way
(Eu não consigo parar de gostar do jeito)
Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
(oooh, oooh Eu não consigo parar de gostar do jeito que você me faz sentir)

Ba, ba, ba, ba, baBa, baBa, ba, ba, ba, baBa, baBa, ba, ba, ba, baBa, baBa, ba, ba, ba, ba

Look at us now
(Olhe para nós agora)
Ask me, how did this get so
(Pergunte-me, como isso ficou assim)
I'll show you how
(Eu vou te mostrar como)
Got my shoes on the ground
(Botei meus pés no chão)
But I'm taking em' off (taking em' off)
(Mas vou levantá-los)
And I'm ready to walk, yeah
(E estou pronto para andar, yeah)

Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
(Oooh, Eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir)
Oooh, oooh I can't stop digging the way
(Eu não consigo parar de gostar do jeito)
Oooh, oooh I can't stop digging the way you make me feel
(oooh, oooh Eu não consigo parar de gostar do jeito que você me faz sentir)
I can't stop digging the way you make me feel
(Eu não consigo parar de gostar do jeito que você me faz sentir).

- . Isso. Foi. Lindo - ela disse pausadamente, os olhos com lágrimas já visiveis prontas para cair.
Sorri sem graça.
- Ah, você merece - corei e ela me abraçou muito carinhosamente pelo ombro.
- Eu amo você! - suspirou.
Ficamos daquele jeito alguns segundos até ela me soltar.
- Vamos dormir? - murmurou enxugando os olhos.
- Você estava chorando?! - perguntei surpreso.
- Nááh... só um pouquinho - ela sorriu e corou.
- Não chora, - rimos. - Vem, vamos dormir.
A carreguei para a cama e deitei alguns minutos com ela, até que ela pegasse no sono, mas acabei adormecendo também.

's POV end

Capítulo 8 - We were both young when I first saw you.

's POV

Acordei de madrugada, estava me sentindo super desconfortável e um zumbido estava me incomodando. Percebi que ainda estava de sapatos, roupas e acessórios. estava deitado ao meu lado e então comecei a relembrar o dia anterior. O relógio marcava quatro horas da matina. Comecei a tirar os brincos, pulseiras e colar, e aproveitei para tirar os sapatos de . Ouvi novamente o zumbido que estava me incomodando, mas quando olhei para os lados, não vi nada (claro, estava escuro). Acendi a pequena luz que ficava na escrivaninha e notei meu celular vibrando.
Sete ligações perdidas de . - estranho. Retornei a ligação e ele atendeu ao primeiro toque.
- ? - perguntou com uma voz aliviada.
- Não! O papai noel, dãr.
- o está com você? - fitei esparramado em minha cama e sorri.
- Está sim, por que?
- Ah, ótimo! Precisamos que você se livre dele.
- Wow, por que isso? - disse incrédula.
- Meu Deus, , amanhã é quarta, você tem que ir no London sem que ele saiba. - PUTA QUE PARIU, AMANHÃ É O DIA DA MINHA MORTE E EU AINDA TIRO SARRO?!
- GOOOOSH, É VERDADE - falei alto de mais e se mexeu na cama. - o que eu faço? - sussurrei muito mais baixo que o necessário.
- Simples... amanhã de manhã, finja que está passando mal e mande ele embora. Ele não vai te enxer o saco, afinal, você vai estar "doente". A noite, nós passamos na sua casa e depois a gente te explica melhor tudo que você precisa fazer.
- ...porque ela não vai entender, cara. - ouvi falar do outro lado da linha.
- Hey, quem está aí com você?
- , e , porque?
- Erm... - se mexeu bruscamente. Meus instintos disseram que ele acordaria dali a alguns segundos. - nada. Tenho que desligar, tchau. - fechei o celular com força no mesmo momento que murmurou:
- ?
Andei lentamente até minha cama e me sentei ao seu lado.
- Oi - sorri e ele sorriu de volta.
- Eu vou para casa - torceu o lábio.
- CLARO QUE NÃO! É madrugada, não vou deixar você sair daqui até as sete horas no mínimo!
- , não teima comigo. - ele se sentou na cama também.
- Dorme - ignorei seu comentário e me deitei na cama, de costas para ele.
O ouvi rindo e senti o colchão se movendo. De repente sua respiração estava batendo em meus ouvidos; fechei os olhos e senti um arrepio na espinha. Ele depositou alguns beijinhos de leve em meu pescoço, me fazendo sorrir.
- Dorme - repeti teimosa o fazendo rir novamente.
Ele apagou a luz da escrivaninha e me deu mais um beijo - dessa vez mais demorado - no pescoço e outro na ponta de minha orelha.
- Boa noite - murmurou baixinho.
- Boa noite - sorri levemente.

's POV end

's POV

Acordei nove horas da manhã e a ainda estava dormindo. Pensei se seria melhor eu ir para casa agora, ou esperá-la acordar. Fitei-a dormindo. Seu corpo indo para cima e para baixo, de acordo com a respiração. Me peguei sorrindo e ela sorriu junto - estranho. Acariciei levemente seu rosto com uma de minhas mãos enquanto ela sorria. Nossos rostos estavam extremamente próximos, sua respiração batia em meu queixo, enxia e esvaziava os pulmões repetidas vezes, enquanto eu prestava atenção no barulho; era maravilhoso, ELA era maravilhosa. Por um segundo me perguntei se estava sonhando ou se aquilo era real, eu tinha algumas opções para saber: a) Me beliscar - que clichê; b) beijá-la, se ela contribuisse seria um sonho, se me batesse seria realidade; c) sair dali antes que passasse dos limites. Tá, eu continuei ali, a observando dormir, respirar... Era o suficiente para a minha felicidade estar completa. Saber que ela estava bem, salva, segura, comigo, era tudo o que eu precisava saber para me sentir completo. Nessas situações eu me pergunto: Qual será o maior erro do homem? - digo, homem, macho, homem mesmo, e não todo e qualquer ser humano que habitar a terra. Eu respondo qual o maior erro: cativar uma garota.
Fala sério, garotas que me respodam: PRA QUÊ? Quer dizer... As mulheres que dão continuidade a geração humana, mas fala sério, a gente não precisava se apaixonar. Podia ser como os cachorros, quando a cadela estivesse no cio, cruzavam para manter a espécie. Nossa, que comparação. Mas isso nem é o caso, acontece que, quando cativamos uma garota, temos duas opções: a) ficar com ela logo de cara ou b) virar melhor amigo dela. Aí que tá... conheci a quando tinha cinco anos, eu nem me conhecia por pessoa.
Acho que não consegui expressar meus sentimentos, mas como eu não tenho uma mente pensante, é complicado para eu ter esses momentos que eu e a gostamos de chamar de "Momentos-Aristóteles", então deixa assim, ela já está acordando mesmo. Só para completar o raciocinio, vou fazer um resumão pra quem ainda não entendeu - nossa, estou enrolando pra caramba: Eu amo a . JUUUUUURA? tá, sou idiota por ficar repetindo isso, ficar me lamentando e tudo. Daí você me pergunta "Hey, seu cafageste, e a Belle?" É, eu disse... se eu ficasse com alguém, seria só para esquecer a . Triste. A Belle é bacana, vou me esforçar de verdade e quem sabe não me apaixono?
- ? ! - me acordou do trase aos berros.
A real é que eu estava sentado na beirada da cama, de costas para ela. Como fui parar lá? Ela agora, estava ao meu lado, estalando os dedos na frente da minha cara. Deve ter acordado enquanto eu refletia.
- ! - sorri e a abracei.
- Você está me sufocando! - murmurou sem se mover e eu a soltei imediatamente. - Você estava pensando?
- Erm... Estava? - arqueei uma sobrancelha.
- Nossa, vou anotar isso na minha agenda - abriu um caderno qualquer e começou a ditar o que estava escrevendo - 27 de maio, pensou. - parou de anotar e sorriu para mim.
- Bom dia - lembrei.
- Bom dia - ela sorriu um sorriso GIGANTE, mostrando todos os 32 (ou sei lá quantos) dentes de sua boca.
- Dormiu bem? - perguntei só para ter o que dizer.
- Na verdade - fez careta - estou péssima, enjoada, minha cabeça dói. - foi apontando os lugares que doiam.
- Quer que eu pegue algum remédio?
- Nááááh, nem precisa.
- Então pelo menos deita aí pra descançar. - E ela fez.

's POV end

's POV

Eu estava atuando bem, pelo menos, ele estava acreditando que eu estava mal. Tenho que continuar assim até arranjar um motivo para pedir pra ele ir embora. O estava fofo, o cabelo bagunçado, as roupas amaçadas, suas bochechas estavam coradas o tempo todo... Eu poderia até me apaixonar. Ok, não. Eu tenho tempo de mais para morrer de paixão platônica pelo . Sério, estou ansiosa para saber o que eles estão planejando. As instruções incluiam "Ir para a escola"? Porque, francamente, eu acho que perdi a hora, nem olhei o relógio a hora que acordei, gosh.
- ! Temos que ir pra aula! - falei assustada. O relógio marcava dez e meia e minha aula começava as oito. De qualquer forma, era estranho minha mãe não ter percebido o fato de eu não ter acordado e não ter vindo me chamar ainda.
- , dãr... Hoje é feriado.
- Feriado? Feriado de quê, horas bolas?
- Ah, sei lá... Não tem aula hoje, só sei isso. Deve ter alguma reunião no colégio, não faço ideia.
- Nossa, que informado você! - olha quem fala, eu nem sabia que não tinha aula hoje - Tem certeza que não tem aula?
- Absoluta.
Olha, até fazia sentido, raciocine comigo: Minha mãe sabia, de algum jeito que eu não sei como, que hoje não teria aula no colégio, por isso não veio me acordar quando percebeu que eu tinha perdido a hora, porque, técnicamente, eu não tinha perdido a hora, já que não tem aula, dãr. , , e ficaram acordados até tarde ontem, planejando planos malignos - planejando planos, wow, brilhei! - porque também sabiam que hoje não teria aula, oi eu sei pensar. Ta, vou começar a enxergar o mundo com outros olhos depois desse Momento-Aristóteles. E eu vou morrer queimada hoje a noite, por um assassino canibal que está me caçando a dias. Tanto faz, eu estou em casa, sozinha, "doente", com um gatinho na minha cama. Right, o gatinho é meu melhor amigo, mas não deixa de ser muito gato. Eu era burra quando era pequena, se não já teria pegado o com certeza, ui, HAHA.
- , casa comigo? - ele perguntou com naturalidade e um sorriso malicioso se formou em seus lábios.
Não entendi, mas decidi entrar na brincadeira.
- Caso! - o puxei pelo colarinho da camisa amaçada para meu lado na cama e sorri maliciosamente assim como ele.
Ficamos nos encarado vários segundos - ou talvez poucos, mas longos -, nossos rostos estavam muito mais próximos que em qualquer outra vez, eu estava sentindo um formigamento bizarro na barriga que me fazia querer contorcer os dedos dos pés e... ah, inexplicável. Fechei os olhos tentando me conter para não fazer burrada e me movi um milimetro para a frente para fazer aquele sentimento passar, mas as pontas de nossos narizes se encostaram, me fazendo abrir os olhos e voltar a sentir tudo aquilo denovo, mas muito mais forte.
estava com os olhos abertos quando abri os meus, o que me fez ficar completamente presa e hipnotizada. Fechei os olhos novamente na primeira oportunidade e , provavelmente, também, pois debruçou uma mão em minha cintura e me puxou para mais perto (como se fosse possível). Suspirei fundo e prendi o ar, o cheiro de seu perfume estava me intoxicando. Tive um impulso, mas àquela altura, eu não poderia ter um impulso, pois estávamos a milímetros de distância e qualquer movimento seria fatal. Aproximei nossos lábios, afim de apenas encostá-los uma única vez, apenas para ver o que aconteceria. Admito que senti meu estômago bobulhar, meu coração queria gritar, minhas pernas se entrelassaram com as dele e minhas mãos foram parar em sua nuca, acariciando-a, enquanto nos beijávamos lentamente. O beijo ganhou intensidade com o tempo, assim como nossos movimentos.
Eu tinha completa consciência de tudo o que estava acontecendo, tenho certeza que ele também, mas não estávamos pensando no futuro, somente no agora, e o agora, era o mais importante. Não conseguia pensar num jeito de descrever este beijo, foi perfeito demais, bom demais... Senti todas as emoções que uma pessoa pode sentir enquanto o beijava, não sei explicar.
Uma onda de juízo passou pela minha cabeça e o meu sinal de Alerta Vermelho começou a disparar. O que diabos eu estava fazendo?
Separei nossos lábios - eu não queria encará-lo depois disso, mas foi preciso.
- o que está fazendo? - coloquei a mão na frente da minha boca e me levantei rapidamente da cama. Ele se levantou junto e fez o mesmo.
- , - gaguejou - desculpa, e-eu... - ficou sem palavras enquanto passava as mãos no rosto e no cabelo sem parar. Provavelmente se recuperando do choque. Francamente, eu também estava chocada.
- Me desculpa, ... E-eu-vou-pra-c-casa. - pegou sua mochila e esperou alguma reação minha.
- Anh... Ok, ta - balancei minha cabeça várias vezes em afirmação (que débil) - Eu levo você - o segui até a porta.

- Bom - murmurou quando já estava ao lado de fora e eu estava com metade do meu corpo para dentro de casa o esperando partir. - Tchau - sorriu sem graça.
- Tchau - olhei para baixo. - Erm.. ... - ele recurou um passo - você não... sentiu nada, não é?
Ele me olhou incrédulo fingindo não entender, mas depois sua expressão mudou completamente.
- Er, não?
- Ah que bom! - disse aliviada - Nem eu - ok, mamãe me ensinou que mentir é feio, mas eu não iria dizer que senti tudo e muito mais que se pode sentir quando se beija outra pessoa. Eu fui até o céu e voltei - várias vezes-, mas ele não precisa saber que está com essa corda toda.
- - chamou baixinho - Sem ressentimentos?
Pisquei lentamente e sorri para ele em afirmação, e então ele deu meia volta e foi embora.

's POV end

Capítulo 9 - We've got a plan.
ficou alguns segundos parada sem saber como agir, mas precisava ligar para e avisar que já havia "se livrado" de - de um jeito muito diferente do que ela planejou -, mas ele não estava mais lá. E com certeza não procuraria por ela até o dia seguinte, no mínimo. Pegou o celular e discou o número de , que provavelmente estaria com .
- Alô? - murmurou aparentando estar cansado.
- Oi - sorriu com seu sotaque. Ela demoraria um tempo maior para se acostumar.
- ! - disse entusiasmado. - Tudo bem?
- Tudo sim... Escuta, o está aí?
- Está sim, vou passar pra ele.
- ?
- ! Já tirei o daqui, posso me encontrar com vocês agora? Por favor, preciso falar com a - a melhor amiga é a primeira que precisa saber, certo?
- Ta bom, o te busca aí.
Fez cara de tédio para si mesma.
- Eu sei o caminho, , você mora na rua de trás da rua do !
- Não é seguro, .
- Ta, ta... Não demore! - Clic.
_
chegou em casa confuso, não conseguia tirar da cabeça e isso era 100% errado. Tomou um banho frio - apesar do clima desvantajoso de Londres - e ligou para Belle.
- Hey - Belle atendeu alegre.
- Oi princesa - ele sorriu.
- Tudo bom? Achei que não me ligaria mais, já estava preparando meu caixão para morrer sozinha, sem você. - eles riram.
- Pára com isso! - riu mais um pouco - Quero te ver, o que acha?
- Maravilhoso! Quer vir aqui em casa? Tenho boas noticias.
- Ok, me espere o mais rápido possível. Tchau.
_
chegou à casa de poucos minutos após sua ligação, as casas eram realmente próximas.
- Ah, eu acho um exagero vocês virem me buscar em casa, é tão perto! - reclamou.
- Não custa nada, - riram.
- Quer entrar? Entra vai. - não esperou sua resposta e o garoto já estava dentro de sua casa.
Se sentaram no sofá e ficaram se encarando em busca de assunto.
- O aniversário do está chegando - ela sorriu com o pensamento.

's POV

Ta, eu sabia que aquilo era inútil pro ... Ele claramente não se importava com o , mas eu preferia dizer alguma coisa que ficar naquela tensão que estava antes.
- Ah - ele murmurou.
Seus olhos estavam envolvidos por círculos roxos, sua pele estava mais pálida que o normal e suas expressões estavam claramente cansadas.
- Não vejo a hora de mostrar o presente dele - sorri de novo.
- O que é? - tentou parecer interessado.
- Uma guitarra, fiquei ANOS economizando, mas ele quer tanto. Admito que usei um pouco do dinheiro pra minha faculdade.
- Nossa , não deveria gastar esse dinheiro. É importante.
- Eu sei, mas... Ele queria tanto.
, porra, para de falar no ! OMG, o pior de tudo é que eu sei que o está se fodendo pro e eu continuo falando! Até parece que eu não tenho controle sobre meu próprio corpo. O me controlava em tudo, não deixaria ele me controlar nisso também. Foi só um beijo, sem sentido e significado. "it's alright, it's ok, i'm so much better without you" fala sério, está apelando pra Ashley Tisdale? Gosh, eu estou mal.
- Hmm, você toca alguma coisa? - fala sério, hoje em dia, quem é que não toca? Até eu toco. Eu toco campainha, oi.
- Toco sim, não muito, mas toco guitarra. - sorriu. (n/a: me desculpem se o guy de vocês não toca guitarra, é que precisava ser fixo isso ;x)
- Me mostra - dei um gritinho de empolgação e fomos para o meu quarto tocar.

- Qual você quer que eu toque?
- Tanto faz... Você tem alguma musica sua?
- Eu tenho uma tentativa de música - ele riu - não está legal.
- Toca um pedacinho.
- "I want you here by my side (eu te quero aqui, ao meu lado), cold nights and fire and white wine(noites frias e fogo e vinho branco), and dreams of holidays to come (e sonhos com os feriados virão), but I'll wait for spring to bring you to me (mas eu vou esperar a primavera te trazer para mim), the only gift that i need (o unico presente que eu preciso)" - ele tocou em acordes super faceis, simples, eram quatro e continuaram em ordem até o final. A letra era muito linda, cativante.
- Que lindo - sorri e corei. Adorava que tocassem para mim, meu coração sempre acelerava, até quando o tocava eu me arrepiava e meu coração acelerava um pouco.
- Fiz isso quando me mudei... - ele corou - depois de te conhecer - corou mais ainda e sorriu super sem graça.
Eu fiquei roxa de empolgação, fala sério, a musica era quase que pra mim! Só faltava ele dizer "fiz essa música pra você", ta, por ele eu posso me apaixonar. Eu já sou apaixonada, fato. Pena que eu estava abalada demais emocionalmente para beijá-lo - deixando claro que isso não o impediu de me beijar.
Ele levantou da minha cama e estendeu as mãos para que eu levantasse também, segurei suas mãos e ele me puxou para cima e eu levantei. Ficamos nos encarando, agora de pé, não tão próximos, mas não tão afastados. acariciou minhas bochechas com as costas do dedo indicador e sorriu mais naturalmente dessa vez.
- , você é a pessoa mais incrível que eu já conheci, quando me mudei e vi que você se interessou em me ajudar logo de cara... Entende que eu não imaginei que seria assim? Você começou a me conquistar desde o primeiro dia. Achei que eu seria "O excluído" aqui e você me mostrou um mundo que eu nunca imaginei conhecer. - ele suspirou - I want you here by my side - deu um pequeno passo diminuindo a distância entre nós. - cold nights and fire and white wine - colocou uma mão em minha nuca e a acariciou - ... the only gift that i need - puxou minha cabeça para mais perto de si e encostou nossos corpos. Roçou nossos lábios uma vez, duas e mais uma e então passou a língua em meus lábios me pedindo permissão para beijá-lo.
O beijo foi lento, o tempo todo. Eu não estava permitindo que ganhasse intensidade. Senti coisinhas na minha barriga, não tão fortes quanto as que eu senti com , mas quem é que está comparando alguma coisa? Talvez eu estivesse fragilizada mentalmente demais para um beijo intenso agora. Com certeza ele pôde sentir a tensão em minhas mandíbulas. Não foi um beijo longo.
Nota Mental: beija mal.
- É melhor a gente ir - mordi o meu lábio inferior ao separar nossos lábios, escondendo um sorriso.
- Ok - ele deu um sorriso malicioso, segurou minha cintura e assim fomos andando até a casa de .

's POV end

's POV

e eu estávamos sentados no sofá, juntos. Carinhos, beijinhos e abraços era o que rolava. Eu podia reclamar, dizer que ele não prestava, que era um cachorro - o que ele era mesmo -, mas eu o amava. Na verdade, não sei se é amor de verdade, eu me sinto bem quando estou com ele. Estamos juntos a seis meses, só ficando. Já conversamos sobre isso e ele acha que é cedo demais para saber se é isso que queremos para nossas vidas mesmo. Eu quero. é da pior raça de homem, daquela que fica com todas, olha pra todas, passa mão nas que puder... Mas quando está com você, lealdade é o que há. Pior de tudo, romantismo era o forte dele... Vira e mexe, ele me trazia presentinhos, desde bichinhos de pelúcia a buquês de rosas vermelhas... Adora me lembrar o quanto ele gosta de mim, está sempre se declarando, dizendo para todos o quão perfeita eu sou, esse tipo de coisa derrete meu coração e reclamar é a ultima coisa que eu posso... Sinceramente, ele me confunde. Faz tudo isso e depois diz que "não sabemos o que queremos para nossas vidas ainda".
Eu sempre quis uma aliança de namoro - não estamos namorando ainda - e sabe disso... Portanto, minhas expectativas sobre ganhar uma em breve são grandes. Seria perfeito, não tiraria ela do dedo para nada no mundo!
- - me chamou enquanto olhava pela janela.
- Quê?
- A e o estão juntos?
- Não - ela não tinha me contado nada, se estão juntos e eu não sei, mato ela.
- É que eles estão vindo agarradinhos e tal... - ele riu e me deu espaço na janela para poder ver também.
OMG, se eles não estiverem juntos me bate, porque eu estou sonhando. Não acredito que ela não me disse nada!
Eles entraram em casa como se nada tivesse acontecido, cumprimentaram a gente normalmente, até que:
- . Quarto. Agora. - ordenou e eu não pensei duas vezes para me levantar de lá e ir correndo para o quarto.

- ME CONTA TUDO! - mandei.
- Eu fiquei com o - wow , não era isso que eu queria ouvir!
- O QUÊ? - gritei e ela me mandou falar mais baixo com um "shiu".
- O que eu posso fazer? - mordeu o lábio inferior com muita força. Ela claramente estava desesperada.
- Respira e inspira, não esquece de respirar porque eu preciso de você viva até amanhã! - pausamos e ela suspirou - Como foi? Me conta!
- Foi ótimo, maravilhoso, melhor beijo da minha vida, o que eu posso dizer? Nunca senti tantas coisas ao mesmo tempo, era desespero, desejo, felicidade... Ah, maravilhoso! - falou tão rápido que foi difícil de entender, ela estava empolgada.
- Vocês vão ficar juntos? - abri a boca de espanto.
- Não! - ela mordeu o lábio de novo - eu acabei de ficar com o ! - QUE MENINA PEGADORA ESSA MINHA AMIGA! Orgulho da !
- OMG, você vai ficar com o então?
- É, estamos juntos, acho...
- O sabe que você não vai ficar com ele, certo?
- Claro, né? Ele está com a Belle, lembra? - Nossa, bando de gente chifruda!
- Como é que pode? Deus do céu, aquela menina é uma anã... Só porque ela tem um físico vantajoso, não significa que vai sair pegando todos...
- Significa sim, dãr... Até parece que você não sabe como são os homens - revirou os olhos. Oops, é mesmo.

's POV

As meninas voltaram do quarto onde estavam fofocando e eu tentei começar a explicar o nosso plano maligno, haha.
- é o seguinte... Vamos todos nós pro London, mas...
- deixa isso para depois - me interrompeu.
- Ta - encolhi meus ombros. Eu sei que depois vai ser tarde demais para que ela entenda tudo.
- Guys, o que acham de uma cervejinha? - perguntou indo para a cozinha da minha casa e abrindo a porta da minha geladeira. Nada contra, ela se sentia super a vontade... Estou um pouco puto com ela, ela vive me cortando, interrompendo e essas coisas me irritam. Ta, eu sei que isso é um pouco - muito - infantil, mas com o tempo vão irritando. (Na verdade eu ainda acredito na teoria de que estamos estranhos assim porque faz muito tempo que não dormimos juntos, mas whatever...)
Todos concordaram com a cerveja - claro, eu que estou pagando tudo. - A cerveja foi distribuída para todos e eu peguei meu copo e me afastei um pouco da sala, onde todos estavam empoleirados no sofá. Fiquei ali tomando cerveja e repassando o Plano Maligno (como nós o nomeamos) na minha cabeça. Não era tão difícil assim, mas tinha detalhes que ela precisava saber e se deixássemos para ultima hora, talvez ela não entendesse. Era assim: todos nós íamos, iríamos cercar o pub pelo lado de fora e deixar o e ela entrarem. O chegaria antes para não deixar pistas de que eles estavam juntos. Caso o percebesse algo errado como: armas, facas, movimentos bruscos ou o olhar de desespero da , ele ligaria para mim, eu e o entraríamos e iríamos agir. Significado de agir: entrar lá e quebrar tudo, eu me sentiria honrado pelo se matasse o Bourne com as minhas próprias mãos, ta mentira. Mas como tudo precisaria ocorrer sem a ajuda de , eu teria que me virar sozinho - com o - e garantir total segurança da . Eu teria que ser por uma noite. Acredite, isso não é fácil quando o assunto é "Proteger a Pérola Rara da Vida Dele", eu estava me sentindo responsável por ela, qualquer erro seria culpa minha.
- Aconteceu alguma coisa, amor? - sussurrou em meu ouvido me abraçando por trás e eu segurei suas mãos que envolviam meu abdômen.
- Não, não... - suspirei - Estou um pouco preocupado.
- Relaxa meu amor... Vai dar tudo certo - disse me incentivando.
- Mas e se não der? - perguntei um tom acima do normal me libertando de seu abraço e ficando de frente para ela - a culpa vai ser minha! O que o vai dizer? Ele vai me odiar para sempre!
- Não ! Você não tem culpa de nada. Ela que quis ir, ninguém forçou nada.
Ficamos alguns segundos em silêncio nos encarando enquanto eu pensava sobre o que ela acabara de dizer.
- É verdade. - Concluí ainda pensativo, tentando de convencer de que estava tudo sob controle, sem sucesso. Ela sorriu muito alegremente, me abraçou e me deu um selinho.
- Eu te amo - completou com mais um selinho.
Eu nunca respondi isso... Não que fosse uma pergunta, dãr. Eu nunca tinha dito que a amava. Não porque eu não amo, eu não tenho certeza do que sinto. Eu gosto muito dela, de verdade. Fazia muito, muito tempo que eu não me sentia assim com alguém. Ela era extrovertida, engraçada, mimosa... Do tipo que sempre precisava de atenção - e eu nunca gostei de meninas assim -, mas eu gostava de atender aos seus pedidos, eu gostava de fazê-la feliz. É, talvez eu a amasse, mas isso me sairia caro. Ela quer uma aliança!
- Deixa-me cuidar disso? - perguntei um pouco impaciente.
- A vontade. - ela deu de ombros sem me encarar e eu fui para a sala explicar a o Plano Maligno.

's POV end

's POV

chegou na sala com a maior cara de "cãozinho apaixonado" que eu já tinha visto na vida! Sério, ele ama minha amiga. Ah, queria amar alguém como eles se amam.
- posso começar? - perguntou sério se sentando ao meu lado.
- À vontade - dei de ombros.
- É mais complicado do que parece. - avisou.

O Plano Maligno - que nomezinho mais criativo, pelo amor de Deus! - nem era tão difícil assim, pelo o que eu entendi, a minha parte é: ir lá e esperar a hora da minha morte, que pode ser impedida por um celular - salvem a tecnologia! - se o ligar pros garotos antes que eu leve um tiro. Ta, eu acho que o Bourne não vai me dar um tiro no meio de umas 600 pessoas que cabem lá dentro do London e fingir que nada aconteceu. Por isso, se ele tentar me arrastar para fora, é só eu enrolar, me jogar no chão, fazer peso com o corpo, para dar tempo ao de ligar para o . Que complicado. Resumindo: eu tenho que entrar lá, esperar o Bourne tentar me levar para fora, deitar e rolar no chão como se eu estivesse pegando fogo e esperar que meus super-heróis venham me salvar. Sinceramente, o deve me achar muito burra para pensar que eu não entenderia algo como isso de cara.
- Gente... Tem uma coisa muito importante que eu gostaria que vocês ouvissem agora - falei firme deixando todos quietos e tensos enquanto esperavam minha palavra com um silêncio assustador.
- Não quero que o saiba disso por nada nesse mundo, entenderam? - o silêncio permaneceu no ar e todos ficaram imóveis. - Se eu morrer, não quero que ele saiba que eu fui no London! - e então todos se moveram e concordaram.
- - me chamou e eu me sentei em seu colo no sofá. - Me promete que vai ficar bem? - perguntou preocupado enquanto segurava meu queixo com a ponta dos dedos polegar e indicador.
- Prometo - sorri e ele selou nossos lábios com um beijo demorado. - dessa vez foi muito bom... Nota Mental: Retirar a nota mental em que eu disse que o beija mal.
Quando nos separei, todos estavam nos encarando com um olhar malicioso e um sorriso preso entre os lábios. Olhei para todo mundo e sorri, então todos começaram a gargalhar e murmurar coisas como "Que fofo" e "Eu sabia"...

's POV end

Capítulo 10 - Heaven and earth colide, everything feel so right.

's POV

Eu tinha beijado a ! Eu sou um retardado mental, um idiota, um débil, um demente, um... um filho da puta! Eu tinha jurado por tudo que era mais sagrado que nunca a beijaria. Eu estava muito frustrado, andava chutando fortemente cada pedrinha que cruzava meu caminho até em casa. Estava me xingando mentalmente de tudo o que eu tinha direito, e tudo o que eu não tinha também. Ela nunca mais vai olhar na minha cara, fala sério. O pior de tudo é que eu não me sentia culpado... Tecnicamente foi ela quem me beijou e eu gostei. Muito. Foi um dos melhores - de muitos - beijos da minha vida. Meu celular tocou e era a Belle. QUE MERDA! Todas as vezes que eu estou nos meus piores momentos ela me liga! Parece até um reality show. Droga! Não atendi e ela não ligou novamente, então não era importante.
Quem foi o retardado que inventou que se a pessoa ligar uma única vez é porque não era importante? Se ela estiver morrendo e depender daquele telefonema para sobreviver, não terá uma segunda chance. É, deu para perceber que eu estou frustrado; dica: quando um garoto começa a falar em morte tem duas opções: a) ele é naturalmente atormentado; b) ele está puto com alguma merda que aconteceu na vida dele.
Cheguei em casa e vi um Fox prata estacionado em frente. Me aproximei para ver quem estava dentro e vi Belle com um corte no pescoço, sangrando rios. Sua cabeça estava apoiada no vidro do carro, ela claramente estava morta. Mentira, não vi isso.
Vi um Fox prata estacionado ali, e Belle realmente estava dentro, mas viva. E que vida! Eu adorava os decotes em V que ela usava sempre, com blusas apertadas e calças coladas, haha. Mas hoje ela estava de saia - como conseguia? Eu estava de casaco!
- ! - ela deu um gritinho de felicidade ao me ver e saiu do carro.
- Oi - tentei parecer animado, acho que convenci. Ela pulou em meu pescoço e me abraçou com força enquanto eu retribuía o abraço a segurando no ar - ela precisou tirar os pés do chão para pular em meu pescoço.
- Tudo bom? - Não!
- Sim.
- Hmm, estou te atrapalhando? - Está!
- Não, imagina - sorri forçado. - Entra - convidei e apontei para a casa.
- Ok, eu não sabia que você não estava em casa, não queria atrapalhar nada... - ela falava, mas eu não estava prestando atenção, só andava para dentro de casa.
Abri a porta para ela, cavalheirismo. Minha mãe estava em casa - droga!
- Oi - minha mãe sorriu para mim - e oi... Belle? - ela olhou estranho para Belle ao cumprimentar.
- É... mãe... - fiquei completamente sem jeito, eu não estava preparado emocionalmente para reapresentar a Belle para os meus pais. ta, era só a minha mãe, mas ela com certeza vai contar ao me pai - Lembra da Bel, né?
- Ah, claro... - respondeu sem entender direito. Ela sabia que a gente tinha terminado. - bom... vão lá pra cima, eu preciso limpar aqui em baixo - nos mandou para o meu quarto.
Minha casa não era uma das menores e minha mãe tinha a neura da limpeza. O andar de baixo era basicamente a cozinha, a sala e um hall de entrada que eu sempre achei exageradamente grande para um lugar inútil na casa. Em cima ficavam os quartos, todos grandes - apesar de parecerem menores que o hall - e dois banheiros com banheiras - pouco utilizadas. Em cima ainda, tinha mais um andar, o sótão, onde tinha instrumentos antigos, tinha até uma bateria, e caixas cheias de tranqueira, fechadas e empoeiradas. Tecnicamente, aquele lugar seria o quarto de visitas, mas ninguém nunca ficava na nossa casa... Ou, quando ficavam, não dormiam ali.
Bom, minha velha precisava limpar aquilo tudo todos os dias, mas a casa nunca parecia arrumada o suficiente para ela, apesar de parecer perfeitamente em ordem para mim. Ela sempre me mandava guardar alguma coisa, trocar os tapetes dos banheiros, arrumar a cama... Uma droga.

Chegamos ao meu quarto e eu fiquei imóvel em frente a porta enquanto observava Belle se sentir a vontade ali. Ela já conhecia meu quarto de cor.
Estava olhando os porta retratos, os posteres, as fotos penduradas em cordões pelo quarto inteiro, até que ficou parada olhando uma única foto durante muito tempo.
- O que é isso? - perguntei curioso ainda parado em frente a porta.
- Isso é muito antigo - respondeu com a voz pensativa, sem muita entonação.
- O que é? - cheguei perto para ver.
Era, realmente, muito antigo. Uma foto nossa - eu e ela - na pista. Ela estava pendurada em mim como um macaco carregando seu filhote nas costas. e estavam lá também, eles nem estavam juntos aquela época. e James estavam abraçados, fazendo caretas e sorrindo. Bons tempos.

Flashback*
- Amor, coloca no timer! - gritou para James que estava segurando a câmera. Ele a colocou em cima do banco da pista - o tradicional lugar onde sentamos sempre para tomar vodca - e correu para fazer pose.
- Hey gente, entrem na foto - gritou para mim e o resto.
Todos nós nos empurramos para caber na foto e saiu aquilo. Era uma pequena lembrança, mas era maravilhosa, me senti super bem relembrando-a.
Fim do Flashback*

- Nossa! - foi o máximo que eu consegui dizer. Aquilo estava no meu quarto, mas eu nunca tinha visto. Se vi, não reparei.
- Bons tempos - ela murmurou. Mentes pequenas pensam iguais, zoei.

Estávamos sentados na cama do sotão - nosso lugar preferido na casa, ninguém nunca ia lá, dava pra namorar de boa - enquanto eu dedilhava qualquer coisa na minha guitarra. (Não era minha guitarra eu nem gostava daquela, mas não tinha uma guitarra, por isso usava a da .) Belle não era tão atenciosa quanto a , ou pelo menos não mostrava tanto interesse quando eu tocava guitarra. A não tirava os olhos das cordas, enquanto a Belle não parava de encarar suas unhas perfeitamente pintadas de vermelho sangue. Estavam mesmo lindas, cintilavam, eu poderia ver meu reflexo nelas, mas porra, eu estou tocando aqui! Dedilhei um som que eu gostei muito, muito, mesmo. Tentei repetir, mas não saia igual... Se a Belle não estava entretida com o meu som, pelo menos eu estava. Consegui! Senti-me leve com aquela descoberta, como se todo o peso da tensão que houve no dia houvesse saído de meu corpo. O nomeei de "I'll be ok" (eu ficarei bem).
- - Belle interrompeu o meu momento criativo e eu levei um susto, nem lembrava que ela estava ali.
- Que? - respondi muito mais frio que eu planejei.
Ela se levantou da cama de um jeito muito sexy, tirou a guitarra de meu colo e se colocou no lugar dela, deixando um espaço mínimo entre minhas mãos e suas pernas e, meu amigo, acredite quando eu digo que foi uma missão quase impossível manter minhas mãos onde estavam.
Abriu sua boca lentamente, super tesão, para falar e me olhou com um olhar malicioso. Ela não precisava dizer mais nada, eu sabia o que ela queria, e eu queria também.
Puxei seu queixo para perto de mim, bruscamente, com uma mão e a beijei violentamente - essa foi a parte que a minha outra mão foi parar nas suas pernas... - Foi um beijo louco, estranho. Uma luta de mãos e pernas, não parávamos de nos mexer e passar as mãos pelos corpos um dos outros, gemendo levemente muitas vezes. Deitamos na cama e minha vontade era arrancar de uma vez a - pouca - roupa que ela vestia. Claro que eu não fiz isso - pais em casa - e como diz o ditado: "querer não é poder", mas eu queria. Muito.
Eu precisava dela de volta... Eu sentia que era isso o que eu deveria fazer. Iria me arrepender disso depois, mas foi o que eu fiz:
- Belle - falei ofegando quando nos separamos. Continuamos deitados nos encarando e sorrindo de vergonha algumas vezes.
- O que? - foi uma pergunta esperançosa, ela já sabia o que eu diria.
- Volta comigo? - olhei firmemente em seus olhos profundos. Vi um leque de emoções passando em seu rosto, mas a resposta não poderia ser diferente:
- Cala a boca e me beija - puxou meu rosto tão bruscamente quanto eu havia feito antes e me beijou mais violentamente ainda.
Ficamos ali nos beijando longos minutos que nunca acabavam, eu poderia ficar daquele jeito para sempre. Acho que estava me apaixonando. Algumas peças de roupas voaram, mas nada de mais aconteceu. Não aquela noite.

's POV end


Capítulo 11 - Dreams only last for a night.

's POV

A hora de irmos para o London se aproximava e eu podia sentir a tensão no corpo de aumentando, apesar de eu ficar sempre tentando a descontrair. Quem eu queria enganar? Estava muito preocupado. "Se o soubesse poderia tirar a viva de lá sem preocupações" era o que a dizia. Claramente, era o mais preocupado, não sei porquê.
Estavamos todos empoleirados, abraçados e com uma manta em cima, no sofá da casa do . Estava bastante frio. Eu não queria deixar a ir, mas não disse isso para ninguém.
As vezes tenho medo de me manifestar, sinto isso no também. Acabamos de chegar e os outros podem nos achar intrometidos demais.
As luzes estavam apagadas, já eram 21h, iriamos as 22h. Assistiamos ao filme Crepúsculo - as meninas disseram que era bom demais, a que tinha levado. Francamente, não vi nada demais em um vampiro apaixonado... whatever.
- - cochichei em seu ouvido, estávamos encolhidos no mesmo cobertor.
- O que foi? - ela sussurrou também.
- Me promete mais uma vez que vai ficar bem? - sorri.
- Vai dar tudo certo, ta? - ela sorriu também. - Eu prometo - sorrimos juntos e nos encaramos por alguns segundos até grudarmos nossos lábios.
Seu nariz gelado roçava algumas vezes minha bochecha e suas mãos, também geladas, pararam em meu pescoço. Senti uma onda gelada percorrer minha espinha quando ela colocou a mão lá, fazendo os cabelos da minha nuca se arrepiarem quando seus dedos brincaram com eles. Meu estomago dava voltas, embrulhando e desembrulhando várias vezes, isso me causaria uma indigestão depois.

's POV end

's POV

Chegou a hora de irmos e me deu um olhar fuzilante, como que a responsabilidade de todos os danos que serão causados será minha. Eu não queria ir. Eu iria para ajudar a e tudo, mas... Sério, estou com medo que aconteça alguma coisa realmente séria lá. A verdade é que todos nós temos anotado no subconsciênte que ela pode morrer lá. Deve ser por isso que estão todos tão sérios. Paramos em frente a porta, olhou fixamente para cada um de nós e começou a nos abraçar e despedir. O primeiro foi o .
- Não fica assim - ela sussurrou enquanto o abraçava. Sua voz saiu abafada, pois sua cabeça estava enterrada no pescoço dele. - Vai dar tudo certo - se libertou do abraço. - Obrigada pela ajuda.
Depois a . As duas se abraçaram muito fortemente, não disseram uma palavra, só trocaram olhares tão fatais quanto o do e fez uma cara de preocupação, mordendo o lábio inferior quando se soltaram.
Minha vez.
Ela me abraçou pelo pescoço. Foi um abraço calouroso.
- Não se preocupe, eu confio em vocês - sussurrou de um modo o qual só eu pude ouvir. Me senti grato pela confiança dela.
E .
Eles se beijaram... Parecia que estavam engolindo as linguas um do outro, foi nojento, éca.
- Se cuida - Foi a unica coisa que disse depois de se separarem. Houve um barulho ecoando como um desentupidor de pia quando se soltaram.
Eu saí. Eles esperariam mais meia hora depois que eu saisse para não parecer que estamos juntos.

me mandou uma mensagem algum tempo depois de eu chegar no London. "Já estou aqui, cadê você?". Tentei achá-la com os olhos, ela estava próxima a porta. Vi James se aproximar e meu coração congelou, assim como meu corpo, meu rosto e minha expressão facial.
James disse algo que eu não pude entender em função da musica alta, mas fez que não com a cabeça. Ele estava próximo demais, eu via claramente sua mão apertar o braço dela com muita força. Com certeza deixaria uma marca.
Começou a tentar arrastá-la para outro lugar e eu os segui até ouvir ela gritar "Pára!". Peguei meu celular e imediatamente disquei o numero de . Ele entraria e chegaria ali em alguns minutos.
James a arrastava cada vez para mais longe de mim e eu continuava os seguindo, tentando não deixar tão clara a minha perseguição, até que entraram no banheiro feminino. Eu não poderia entrar lá, deixaria claro que estava junto com ela. Cadê o ? Droga!

's POV end

's POV

Eu estava correndo pelo pub procurando por , mas não via sinal dele em lugar algum. Corria e olhava para todos os lados enquanto o me seguia. bateu em meu braço e apontou para a porta do banheiro feminino à esquerda. estava parado com uma expressão desesperada em frente, olhando para todos os lados. Corremos até lá e ele disse:
- Estão aí dentro.
Foi o suficiente para que eu arrombasse a porta e começasse a abrir todos os boxes com chutes. Impossível! Ninguém estava lá! Não tinha ninguém no banheiro. Não havia nem uma janela se quer.
- Tem certeza? - gritei nervoso.
- Absoluta, eles entraram aqui, não podem estar em outro lugar! - falou atropelando as palavras enquanto tremia de pavor. Eu também estava tremendo.
- Droga! - gritou chutando o ultimo box com muita força.
Fez um estouro horrível, ele estava vermelho de raiva e eu concordava. Tinhamos planejado tudo para que desse certo, mas a perdemos de vista. Era incrível, tudo aconteceu tão rápido que eu mal pude pensar.
- É tudo minha culpa! - disse tremendo muito mais, se sentou num sofá que tinha dentro do banheiro e ficou olhando para um ponto fixo enquanto suspirava várias vezes. Perdemos ela de vista. Então, começou a chorar. O desespero em seu rosto estava claro, ele não queria se sentir culpado por tudo isso, já tinha me dito, mas estava se sentindo. Não era culpa dele, a culpa era toda minha, então me senti frágil - estranho. - poderia estar MORTA agora!
Comecei a andar de um lado para o outro e suspirar enquanto passava as mãos pelo cabelo. Não sabia o que fazer, estava confuso, desesperado... Culpado!
- Liga pra polícia! - gritou ainda muito estressado.
- Não! Temos que achá-la, eles ainda podem estar aqui. Vamos nos separar e só parar de correr quando amanhecer - ordenei. Todos concordaram e saímos do banheiro nos separando.
Corri por todos os cantos do pub até me certificar de que não havia ninguém mais, além de 6 mil adolescêntes bêbados e agitados vivendo suas vidas sem problemas.

Seis horas da manhã saí do pub. e me esperavam ao lado de fora, junto com a . Ela tinha ficado em casa, não deixaria ela presenciar este perigo.
Andava lentamente até eles, me sentindo esgotado, derrotado... Eu havia falhado, apenas porque não me permiti falhar. A culpa era minha e de mais ninguém. Ao me ver, correu até mim e me abraçou, logo depois, debruçou a cabeça em meu ombro e começou a chorar. Os garotos já deviam ter dito a ela. Beijei seu cabelo enquanto ela chorava e enterrei meu rosto no mesmo, tentando segurar minhas emoções.
- O que vamos fazer? - perguntou parecendo tão esgotado quanto eu.
- A gente pensa nisso depois - suspirei, desencostando de meu ombro enquanto ela enxugava suas lágrimas. - Vai ficar tudo bem, ta? - prometi a ela olhando fundo em seus olhos. Ela acentiu com a cabeça e começou a andar com os garotos.
Fomos até minha casa, estávamos todos cansados, exaustos, derrotados, péssimos e tristes, então nos sentamos a mesa e daquele jeito ficamos por muitos minutos: em silêncio e refletindo sobre o que fazer.
Após vários aproximadamente quarenta minutos de silêncio profundo, segurou minha mão e apertou os lábios tentando sorrir e acabar com o clima ruim, mas logo depois deitou a cabeça sobre nossas mãos entrelaçadas e se pôs a chorar novamente. Fiquei acariciando seus cabelos a acalmando, mas de nada adiantou. pegou um copo de água e a entregou, ela tomou e secou as lágrimas.
- Precisamos contar ao - foi o que sua voz rouca disse. - Só ele pode ajudar.
- Não! - disse uma oitava a cima. - A disse para não contarmos! - lembrei.
- A não está aqui agora, !
- Eu não vou deixar vocês contarem ao ! A culpa disso tudo é minha, eu resolvo isso sozinho. - tentei parecer autoritário falando - Não vou deixar avisarem ao - repeti.
Eu sei que só o pode cuidar disso, fato. Mas eu prometi a ela que não diria, então não vou dizer. Já falhei demais com ela.

's POV end

Capítulo 12 - Tears fall, but why am I crying?

's POV

Cheguei no colégio com uma vontade imensa de ver a e contar para ela tudo o que tinha acontecido com a Belle. Ela me mataria, hihi.
- Hey , viu a por aí? - dei de ombros como se não me interessasse.
- Erm... - ele hesitou - Ela a-acabou de passar por mim no corredor. - Por que ele gaguejou? Bom... ta frio pra caramba, aposto que neva.
- Ta - dei de ombros novamente e fui em direção ao final do corredor.
Procurei a por todos os cantos do colégio, mas não a encontrava em lugar algum. Todos me disseram que tinham a visto passar pelo corredor, que estavam conversando com ela a pouco, mas eu... nada.
Será que ela estava me evitando? Depois de tudo aquilo que aconteceu, se ela estiver me evitando, eu não ficarei surpreso... Dou toda a razão para ela. Precisamos esclarecer as coisas, a terceira aula eu tenho com ela, vamos nos ver e conversar.
Mas ela não estava lá.
Estou começando a ficar preocupado, foi tão grave assim? Foi bastante significativo, mas grave? Ela não seria capaz de desfazer uma amizade de onze anos por causa de uma bobeira assim. Seria? Ela faltou a aula para não ter que me ver... A sempre foi uma aluna exemplar e nunca mataria uma aula, foi grave.

's POV end

's POV

estava muito mal. Suas olheiras enormes faziam parecer que estava acordado a dias. Tecnicamente, ele estava. Não dorme desde o dia em que madrugamos planejando o Plano Maligno, que já não significa nada. Nós falhamos, todos temos consciência disso, mas ele está levando isso a sério de mais.
Não que eu não me importe, claro que me importo, MINHA MELHOR AMIGA FOI SEQUESTRADA! Mas não vejo motivos de ele, em especial, estar tão abalado. Falei para ele tomar comprimidos para depressão e ver se melhora. Ele negou. tem um gênio muito forte e não admite que está tão abalado quanto aparenta estar.
- , a está bem - tentei acalmá-lo no meio da aula de álgebra. - Não se preocupe, ela com certeza está bem, eu prometo.
Ele só negou com a cabeça e não fez nenhum outro movimento. Nem ao menos me olhou, continuou com a cabeça para frente, fingindo estar prestando atenção na aula.
Estou ficando frustrada com o comportamento dele... Se ao menos me deixasse contar ao , eu garanto que em pouco tempo ela estaria de volta, bem e viva!

Eu e fomos almoçar juntos, apesar de seu humor extravagante! /ironiamil.
- O que vamos fazer? - perguntei desanimada enquanto revirava a comida em meu prato. não pediu nada, deduzindo que não ficaria com fome tão cedo.
Ele gostava dela? Fala sério, é o que está parecendo.
Ele deu de ombros e não disse nada, ainda não me encarando.
- Oi! será que você pode FALAR? Com a boca, por favor! - estalei meus dedos em frente ao seu rosto.
- Desculpa - esfregou as mãos no rosto. - Eu estou um pouco desligado. - Um pouco, jura?
- - falei com a voz mais doce possível e segurei uma de suas mãos. - Eu estou muito preocupada com você. - olhei firmemente em seus olhos. - Me deixa contar ao , POR FAVOR? - implorei.
- Não! - hesitou - Olha, eu fiz essa besteira sozinho, vou consertar sozinho!
- Você está sendo tolo, , sério. Todo mundo sabe que só o pode consertar isso.
- Eu posso tentar, não me subestime! - desafiou sério. Não sabia se deveria encarar aquilo como uma ameaça ou se era apenas uma brincadeirinha.
Céus, meu namorado é estranho, fato.

's POV end

's POV

Belle me chamou para almoçar e eu aceitei. Fomos numa lanchonete qualquer comer qualquer coisa. O objetivo era a gente se encontrar.
- Tenho uma ótima notícia para nós - sorriu. - Você vai adorar!
Quando uma mulher usa o termo nós, boa coisa não é - acredite. E também... a não ser que a notícia fosse que a decidiu voltar a falar comigo, eu não adoraria.
- O que foi? - tentei parecer o mais empolgado possível, apesar de que nunca conseguiria ficar animado àquela altura.
- Vou me mudar para o seu colégio! - ela quase deu um pulo na cadeira. Ou será que aquilo foi um pulo mesmo? Eu estava afim de um rolo ou coisa assim... Não de uma esposa! Já posso me imaginar preso a ela, socorro.
- Jura? - me esforcei para parecer empolgado, ou no mínimo feliz com isso, mas eu não queria que ela ficasse 24h grudada em mim.
- Aham... Na verdade, os meus pais que disseram para eu ir. Não que isso tivesse mudado a minha vida, eu que pago a minha mensalidade então eu estudo onde eu bem entender, mas eles sugeriram. Eu fiquei pensando sobre isso e acho que vale a pena. Quer dizer... A gente vai poder passar mais tempo juntos, né? - sorriu muito meiga. - E também... Seu colégio tem faculdade no período da manhã, a única diferença é que sua aula começa as oito horas e a minha as oito e meia, mas essas diferenças a gente não precisa contar... - Jesus, ela não parava de falar. Eu estava ficando louco, não entendi nada do que ela disse depois disso, só fiquei quieto e balancei a cabeça nos momentos certos. Nem é tão difícil assim fazer papel de namorado.
- O que você acha? - concluiu por fim.
- Hmm... - acho sobre o que? - Legal - sorri fingindo estar entendendo tudo.
- Que bom! Achei que você não iria gostar, mas enfim... - Ah não, ela está fazendo de novo.
Respira e inspira, é só balançar a cabeça quando achar que devo e ignorá-la. Acabei de lembrar o porquê chutei ela... Ela fala de mais!
Nosso rolo, foi um dos mais loucos que eu já tive na vida, mesmo. Nós estávamos juntos, mas ela ficava com vários outros caras e eu ficava com várias outras meninas, mas quando estávamos juntos, era tudo... erm... cor-de-rosa? Era tudo bom de mais para ser verdade, por isso eu dizia que a amava. Quando estava com ela, tudo era diferente, eu conseguia ver o mundo com outros olhos. Mesmo assim, acho que sentíamos mais luxúria do que amor, mas tanto faz... Eu já vou pro inferno mesmo!
- Minhas aulas começam segunda - E...? Ta, não disse isso. Mas pensei.
- Que maravilha - tentei parecer interessado. Finge que eu estava. Sorri e a beijei.

's POV end

Capítulo 13 - Kill the lights.

's POV

estava realmente mal e isso me irritava muito. Estamos nos afastando enquanto ele não parava de pensar em como deveria agir para que as coisas tivessem dado certo naquela droga daquele pub. Eu estou sempre tentando ajudá-lo a melhorar e quando tentamos falar sobre isso, ele simplesmente ignora ou muda de assunto. Estou muito brava.
- já chega! - me levantei bruscamente da mesa de jantar da minha sala enquanto tentávamos estudar para química. Ele não estava prestando atenção em nada do que eu dizia.
- O que aconteceu? - perguntou se fazendo de desentendido.
- "O que aconteceu?" Como assim? Olha pra você! Está assim ha dias e eu já não sei mais o que fazer! Me diz o que fazer que eu faço, qualquer coisa para não te ver mais assim.
Me sentei novamente ao seu lado e coloquei uma mão em seu rosto.
- Eu te amo - o encarei e ele desviou os olhos. - ! - chamei.
- desculpa, tá? - se levantou da mesa e pegou sua mala da escola. - tenho que ir - sussurrou e foi embora.
Eu perdi minha paciência e explodi!
- Volta aqui agora! - gritei o fazendo parar frente a porta. - O que está acontecendo com você, caramba? Você está agindo estranho, falando estranho, não tem dormido e nem comido... você não é um super herói e muito menos o . Não iria dar certo nunca sem o lá - pronto falei.
- Eu só tentei ajudar ela, ta bom? - ele gritou também, agora virado para mim e apontou o dedo indicador.
- Mas não ajudou! Para falar a verdade, só está atrapalhando - gritei também.
- Eu só sei atrapalhar a sua vida, não é ? - nos encaramos com as mandíbulas travadas por poucos segundos - Porque você não me esquece de uma vez? - ele voltou a se virar para a porta e a abriu ameaçando sair.
- Se você sair... - pausei pensando duas vezes antes de falar - nunca mais precisa voltar - falei baixo com a voz rouca do choro já preso na garganta.
E ele saiu.

's POV end

's POV

Não é possível, aconteceu alguma coisa com a para ela estar faltando tantas aulas assim. Nós só temos duas aulas juntos na semana e nas duas ela faltou. Ou ela me odeia muito, sendo incapaz de permanecer no mesmo ambiente, ou alguma coisa séria aconteceu e ela está faltando, não só as minhas, mas todas as outras aulas. Decidi parar e pedir para o professor no final da aula a lista de presença da turma, como eu tenho mais afinidade com esse professor (eu sou puxa-saco dele), capaz que ele me deixe ver.

- É que eu acho que o senhor me deu falta semana passada e eu queria só ter certeza, por favor? - pedi com toda a educação do mundo (até chamei ele de senhor, nuss) e ele deixou.
Chequei o nome de em todas as matérias e em todas havia um lindo X marcando falta nas ultimas 2 semanas.
- Aconteceu alguma coisa com a ? - O professor me perguntou. Ele sabia que nós éramos grudados igual carne e unha, credo. Todo mundo sabia.
- Hmm - pensei - vou verificar isso agora. Obrigado por me deixar ver a lista, não tinha falta nenhuma - sai correndo da sala e por sorte esbarrei em no corredor. Eu sei que ele sabe onde ela está, por isso andou agindo feito um zumbi esse tempo todo - e eu achei que era um resfriado, mas pela primeira vez em tempo eu o vi sozinho, sentado num canto, sem a . Ele estava mal, deu até dó, mas eu estava com raiva demais dele para pensar em alguma coisa.
- Cadê a ? - o peguei pela gola da camisa e o empurrei para os armários. Todos em volta voltaram seus olhares para nós.
- Eu não sei - ele disse numa voz rouca e fraca.
- Eu sei que você sabe! - gritei e apontei meu punho fechado para ele.
- Não sei - respondeu ainda mais fraco.
Eu não bateria no meu melhor amigo nunca, mas àquela altura eu estava borbulhando de raiva.
- Eu não vou perguntar de novo - apertei ainda mais seu pescoço contra o armário.
- Eu não sei, cara. - ele disse quase suplicando para que eu parasse com aquilo tudo e meu coração mole me fez soltar.
Soltei sua camisa e fui embora sem dizer nada, até encontrar o no corredor, andando junto com a .
Eles passaram por mim e fingiram não me conhecer.
- Vocês aí - gritei chamando a atenção deles e fui me aproximando lentamente.
- Cadê a ? - perguntei encarando o de um modo o qual até eu me mijaria nas calças.
- Não sei - ele deu de ombros - nós vimos ela hoje de manhã, mas depois não vimos mais.
- Pára de me enrolar, ... Já saquei a brincadeirinha de vocês, mas agora eu quero saber onde está a - ordenei uma oitava mais alta.
- Não sei - respondeu calmamente. Filho da mãe, vá pro inferno, mentiroso!
- Cadê a , ? - perguntei grosso.
- N-não sei - gaguejou.
- MENTIROSA! - meu grito ecoou por toda a escola
- Eu não sei - ela gritou me enfrentando.
- Você sabe sim! - a encurralei na parede, mas sem encostar um dedo nela.
Ela negou com a cabeça e abriu olhos enormes de choro para mim. Seu lábio tremeu.
O que eu estou fazendo?
Desviei meu olhar várias vezes para vários lugares tentando achar um motivo para estar a ameaçando. A olhei com o olhar desesperado sem saber o que fazer, mas me controlei.
- Me diz, por favor? - perguntei com a voz baixa, suplicante.
- Eu não posso - sussurrou tão baixo que eu mal pude ouvir e debruçou a cabeça sobre as mãos escondendo o choro.
logo me afastou dela e a carregou para longe balançando a cabeça em repreensão aos meus atos.
_
Impossível! Ela não estava em lugar nenhum, mas estava em algum lugar. A sabe onde ela está, sei disso.
Decidi passar na casa dela para ver se ao menos a Sra. sabe onde posso a encontrar.

- Não , ela está na casa da . - Como assim? - A me ligou avisando que a ficaria lá alguns dias para estudarem juntas para as provas finais e as recuperações, ficou de recuperação em várias matérias.
era uma aluna brilhante que NUNCA ficaria de recuperação em nada, impossível ter ficado de recuperação em VÁRIAS matérias. Era tudo mentira. Mentira, mentira, mentira! Eu estava enlouquecendo, como meus melhores amigos conseguiram esconder a verdade de um jeito o qual eu NUNCA descobriria de nada?

Cheguei na pista e eles estavam todos lá, mas estava afastado da . Eles terminaram?
Me aproximei da e tentei ser o mais amigável possível.
- Boa tarde - sorri e ela sorriu também. - O que houve com o ?
Ela deu de ombros e não disse mais nada, sua expressão não me dizia se estava brava ou não... Talvez só não quisesse falar sobre aquilo.
- - chamei baixinho e ela olhou sorrindo. - Posso falar com você em outro lugar?
Ela afirmou com a cabeça e saímos dali. Fomos para o mesmo local em que encontrei Belle pela primeira vez depois de algum tempo.
- Eu. Preciso. - hesitei e ela me incentivou a continuar com a cabeça - Eu tenho que saber onde está a - vomitei as palavras rápido de mais, quase incompreensível.
- Aah - murmurou depois de alguns segundos. Foi o primeiro indício de palavra que ela me dá desde o colégio. - eu quero tanto te dizer ... Você não faz idéia! - suspirou.
- Então diz! - forcei.
- Não posso - ela torceu os lábios numa careta negativa. - O nos proibiu de dizer toda e qualquer coisa.
Porra ele é um GRANDE melhor amigo! Fala sério é ele o tempo todo... Eu deveria ter dado aquele soco, ele merecia. Minha vontade era ir lá e distorcer a cara dele de uma vez.
- por favor - me aproximei demais dela e segurei a ponta de seu queixo com os dedos.
Eu estava apelando muito, mas as garotas não resistem quando eu faço isso.
- , e-eu... - ela hesitou num passo para trás e eu me aproximei mesmo assim. - Ela foi no London um dia para encontrar o James. Ele acabou levando ela e não conseguimos fazer nada. - houve um momento de silêncio enquanto eu me recuperava do choque - Desculpa.
- Ela foi sequestrada?
- Nããão, não vamos dizer seqüestrada, está bem? O Bourne pegou ela, mas não é um seqüestro. Até porque, num seqüestro, geralmente o seqüestrador liga para alguém pedindo alguma coisa em troca da vitima, mas faz duas semanas e ele não deu noticias.
- O QUE? - eu estava chocado, não poderia reagir diferente disso. - M-mas ela está bem?
- Não sabemos - balançou a cabeça negativamente. Meu Deus do céu!
- Eu... Eu tenho que achar ela - minhas mãos começaram a tremer e comecei a suar frio. Não saber se ela estava bem, se ela estava VIVA me matava por dentro.
me arrastou para algum lugar aonde pudéssemos sentar e me trouxe vodca.
- - me chamou baixinho parecendo estar triste - me ajuda?
- O que houve?
- O ... acho que a gente terminou - mordeu o lábio inferior.
Como assim "acho que a gente terminou"? Todo mundo sabe quando se termina um relacionamento, oras.
- Nós brigamos porque... Ele entrou em depressão, sabia?
- Sério?
- É, está sendo muito ruim. Mas ontem, quando a gente brigou eu disse que ele nunca mais precisava voltar... E ele foi embora sem dizer nada. - olhou para baixo. Eu pude ver uma lagrima se formando em seus olhos, mas ela a enxugou antes que caísse.
- Você precisa trazer a de volta - debruçou a cabeça em meu ombro e começou a chorar.
A não estava me evitando e nem matando aula. Ela tinha sido seqüestrada e passava por um grande risco, muito grande. Eu a entendo por ter agido pelas minhas costas, é natural dela querer ser rebelde e ela já vinha reclamando da minha super proteção. Preciso mesmo parar de me preocupar tanto, mas agora ela precisa de mim mais do que nunca e eu vou encontrá-la. Viva ou morta.
- Eu vou , acredite. - comecei a acariciar seu cabelo até que ela se acalmasse a parasse de chorar.


Capítulo 14 - Have you seen this girl?

's POV

Dividi isso em quatro partes: a) Tentar achar o Bourne; b) Negociar a troca; c) Avisar a Sra. e d) pegar a de volta.
1.A: Fui até a sala do diretor Tompson para conseguir os antigos arquivos do Bourne - ele estudava com a gente antes de destruir a própria vida.
- Não posso permitir que um aluno acesse os arquivos do colégio para verificar a conta de outro aluno.
- Mas ele não estuda mais aqui! - insisti.
- Me desculpe , mas está fora da minha ética - ele levantou de sua cadeira enorme e confortável e abriu a porta para que eu saísse.
Não foi por isso que eu parei de pesquisar.
2.A: Fui até a casa da e inventei uma desculpa qualquer que fez sua mãe e eu revirarmos a casa em busca de um bilhetinho que continha o endereço e telefones da casa e celular do Bourne, que costumava ficar na porta da geladeira preso com um imã quando eles namoravam. Encontramos.
50th avenue, esquina com a Agree Street, número 1103. Telefone residencial: 5550627; Celular: 7920816.

1.B: Liguei para o telefone residencial e uma senhora aparentemente idosa - pela voz rouca e gasta - atendeu do outro lado da linha.
- Alô?
- Oi, quem está falando? - perguntei.
- Quer falar com quem? - não me respondeu.
- Estou procurando James Bourne, será que a senhora ouviu falar dele?
- Olha meu filho, quem está falando?
- - menti -, um amigo antigo do colégio dele. - talvez o Bourne tenha pedido para a mulher atender e não dar informações para alguém com o meu nome.
- , venha em casa amanhã, pode ser? Faz algum tempo que não tenho noticias de amigos do James, eu te digo o que quiser. Sabe o endereço?
- Erm... S-sei sim - hesitei antes de responder. E se fosse uma armadilha?
- Amanhã nos falamos então, venha a tarde, é melhor para mim, tenho um sono pesado e não acordo antes do meio dia. - que mulher estranha.
Bom... Eu pelo menos tinha conseguido uma tarde de entrevista com a... avó? do Bourne e se ela não soubesse aonde ele está eu teria que sair batendo de porta em porta Londres a fora em busca da - isso seria dificil.

2.B: Acordei no dia seguinte morrendo de sono, mal tinha dormido noite passada de ansiedade. Belle me ligou umas 50 vezes de madrugada, mas eu só atendi uma.
- Oi meu amor! - falou do outro lado da linha quando atendi.
- Ah, oi Bels - falei rouco de sono.
- Ta tudo bem com você? Nem nos vimos ontem.
- É, ta sim. - respondi grosso.
- Podemos nos ver amanhã?
- Não da Bell, eu tenho que fazer umas coisas...
- Que coisas? - ah, que mulher chata!
- Um trabalho aí... De geometria... É um saco! vai me ajudar.
- Ah ta... Boa sorte então.
- Obrigado - eu acho - Boa noite. - desliguei o mais rápido possivel sem nem ouvir sua resposta.

Cheguei em frente a casa, era um lugar detonado, sujo e aparentemente muito empoeirado. Ai minha rinite!
- Olá rapaz - uma mulher muito mais jovem do que a que falava ao telefone abriu a porta antes mesmo que eu batesse.
- Oi, eu... Vim falar com a Sra... - como é o nome dela?
- Ela está esperando você lá dentro - a mulher sorriu me dando arrepios e abriu passagem para que eu entrasse.
Uma mulher mal vestida, cabelo crespo e armado, roupas sujas e um cheiro horrível estava me esperando sentada no sofá da casa mal iluminada e tão suja quanto eu havia previsto.
- Sente-se - pediu. - O que quer saber sobre meu filho?
Filho? Caraca, se minha mãe parecesse velha e horrorosa desse jeito eu me matava. O Bourne tem a mesma idade que eu né? É, tem sim, nós estávamos na mesma classe de geografia. NOSSA QUE MULHER FEIA!
- Erm... - pensei. O que eu queria saber sobre o Bourne? NADA, queria só saber onde a está, oras. - Será que a senhora sabe onde ele está morando? - a velha me olhou com uma cara estranha - Eu acabei de voltar do intercambio e... O James ficou com algumas coisas minhas antes de eu ir. Preciso muito delas de volta.
- Não posso dizer onde ele está - negou.
- Por que não? - perguntei inocente. - Ele está com uma coisa muito valiosa minha, preciso dela de volta. - implorei. Pelo menos não menti, ele realmente tinha algo muito valioso meu. Algo que eu trocaria a própria vida para ter de volta.
A mulher me olhou fundo nos olhos. Ela parecia um pouco o Bourne mesmo, agora eu entendi de onde vem tanta feiura! Fiquei com medo daquele olhar, ela quer me matar assim como ele, eu sei.
A outra mulher, mais jovem, chegou com uma bandeija, três xicaras e um bule dentro. Serviu as xicaras com um chá de cor roxa, nunca vi na vida.
- Experimente meu chá de beterraba, você vai adorar. - Já disse que não vou adorar nada, caramba!
Eu tomei o chá, que por sinal estava horrível... O que não mata engorda. Eu não vou morrer porque tomei uma poção da Bruxa do 71, vulgarmente conhecida como Mãe do Bourne.
- Ele é o amigo do Bourne mamãe? - a menina mais jovem perguntou sem a minima discrição do mundo! E a velha respondeu que sim com a cabeça.
Não acredito! Aquela menina jovem é a Anne, irmã do Bourne. Droga ela me conhece! Por favor me esconde.
- Mãe, pode deixar que eu falo com o... ? - ela me olhou e perguntou a mãe.
A velha me deixou sozinho com a Anne e ela esperou alguns segundos até começar a falar.
- nunca mais achei que iria te ver - ela sorriu animada.
- Anne, por que não disse pra sua mãe que eu não sou o ?
- Minha mãe está ficando caduca, coitada. - gargalhou - Ela enlouqueceu quando o James foi preso. Então... O que te trás aqui?
- Eu PRECISO saber onde está o Bourne - falei firme uma palavra de cada vez.
- Me dê um bom motivo para eu te dizer onde ele está e eu digo - ela sorriu e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
- Anne, isso não é hora pra brincadeira, me diz onde ele está, por favor.
- Não acredito que você tomou aquela gosma de beterraba - mudou de assunto me ignorando enquanto brincava com a xicara.
- Anne! Me diz onde ele está - supliquei.
- Ta, ta... - revirou os olhos. - Quando você estiver passando em frente ao Park Square Gardens ao norte, você vai ver um beco estreito com algumas kit nets antigas... Muito casual. Ele está lá, posso perguntar o porquê da pergunta?
- Ele está com a ! - me levantei bruscamente, peguei meu casaco e minha mochila, rapidamente, e sai daquele lugar espirrando igual um chafariz - clichê.
- Park Square, norte, kit net, park square, norte, kit net - repeti as palavras até me garantir que não esqueceria.

Desci do táxi na frente do Park Square Gardens ao norte e fui andando rua abaixo, entrando em todos os becos que encontrava até achar algum predio precário. Atravessei um pedaço da Marylebone Road e entrei num beco sem nome, abandonado. Tinha um predio pequeno, estreito como a Anne disse. O nome do predio era St. Hanson.
- Boa tarde - falei para o porteiro que me olhou estranho.
- Boa noite - o homem me corrigiu olhando para o relógio que marcava seis e meia da noite. Ta, não acredito que fiquei duas horas naquela enrolação de chá de beterraba com as duas bruxas loucas.
- O senhor sabe em qual andar James Elliot Bourne mora? - falei cada nome muito devagar para o que porteiro gaga me entendesse.
- 301, vou avisar que está subindo. Qual seu nome? - o cara pegou o telefone para discar, mas eu o interrompi com um grito.
- NÃO! - gritei e ele ficou imóvel me olhando com um olhar assustado. - É uma surpresa, ta? Hoje é aniversário dele...
- Ah ta - o homem sussurrou. - Pode subir.

Apartamento 301 DO NOT DISTURB; Era o que dizia na porta, credo. Bati três vezes seguidas e ninguém abriu. Bati mais 5 e nada.
Suspirei fundo encarando a porta e bati mais 2 vezes. Ouvi passos do outro lado vindo em direção a porta e meu coração congelou. Eu precisaria de muita paciência para não arrebentar a cara daquele animal. A porta se abriu e o mesmo idiota com cabelo de gambá que eu ja conhecia a abriu.
- ? - Seus olhos saltaram do corpo ao me ver.
Ele estava usando boxer e uma blusa regata branca com manchas de pizza. - BOXER! que visão mais grotesca.
- Cadê a ? - perguntei num tom ameaçador que o fez congelar por alguns segundos.
- Eu não vou entregar ela pra você - ele sorriu maroto.
- O que você quer? - firmei minhas mandibulas de raiva.
- 50 mil. Até quinta que vem se não... pá! Ela morre - ele começou a gargalhar. Com certeza estava drogado. - Era você mesmo quem eu queria ... Veio salvar sua princesinha - gargalhou mais ainda - Você me da nojo - cospiu vários perdigotos em mim e eu fechei minhas mãos em punhos dentro do bolso da blusa para me controlar e não o matar.
- Como sei que ela está viva?
- , ... Seu tapado. Ela está, neste momento, do outro lado dessa porta, trancada num quarto, com frio e fome. Porque não salva sua princesa ? - ameaçou.
- Me deixa ver ela Bourne - pedi com educação.
- Não! - ele gritou e riu mais, deu meia volta e bateu a porta na minha cara.
Chutei a porta e fui embora. 50 mil é muito dinheiro para se conseguir em uma semana!

's POV end


Capítulo 15 - I keep you with me in my heart.

's POV

O está estranho, parou de falar com a gente. Todos nós nos afastamos na verdade. e eu terminamos, sumiu do mapa, está preocupado de mais com a e nas horas vagas está com a Belle, não sei qual fim deu o e o único que ainda fala comigo é o , que não deixa de ser uma opção ‘pegavel’, mas eu estou abalada emocionalmente demais para ficar com qualquer pessoa agora.
Hoje de manhã, me ligou e disse que tinha visto o Bourne ontem a noite e que ele quer 50 mil. Nossa, é muita grana! Mas a verdade é que ele me ligou para pedir para eu contar à mãe da sobre o seqüestro. Sério, eu não conseguiria fazer isso sozinha, então decidimos ir nós dois juntos depois da aula, ou seja, agora.
- Pronta? - perguntou tentando me encorajar.
- Não - fechei os olhos fortemente e me concentrei tentando pensar em algo a dizer.
já tinha tocado a campainha da casa e agora esperávamos a porta se abrir.
A Sra. nos convidou a entrar e nos fez sentar, apesar de eu insistir para ficarmos de pé. Nós sentamos e ela ficou nos encarando enquanto pensávamos numa boa maneira para começar o assunto.
- Então?... - chamou nossa atenção. - Têm visto a ? Ela ficou de me ajudar com a casa hoje, mas não apareceu até agora.
- Na verdade - começou - Aconteceu uma coisinha - mordemos o lábio ao mesmo tempo.
- O que houve? Ela está bem? - Eu sabia! Ela ficaria louca e choraria. Ainda não chorou, mas vai.
- Bom... O Bourne - comecei a explicar de um jeito mais meigo e delicado - O Bourne marcou um encontro com ela, mais uma vez... E ela foi. Depois disso não a vimos mais. - abaixei a cabeça e fechei os olhos para não precisar ver a expressão de horror que a Sra. faria.
- Ele matou a minha filha? - ela falou alto de mais me fazendo abrir os olhos. - Vou ligar para a policia, há quanto tempo isso aconteceu? Por que não me disseram antes? - as perguntas começaram a sair sem parar. Muitas dúvidas estavam surgindo em sua mente, assim como surgiu nas nossas há algum tempo.
- Senhora - levantou e segurou os braços dela por trás para manter seu equilíbrio e impedir que ela pegasse o telefone. - Eu falei ontem com o James.
Ela olhou com olhos enormes para ele, lacrimejando.
- Ele quer 50 mil até quinta-feira que vem... Se pagarmos ela vai estar bem conosco, novamente. - tentou a acalmar.
- 50 mil? - Ela se sentou imóvel - é muito dinheiro.
Ficamos todos em silêncio consentindo a afirmação sem saber como agir. se sentou e me abraçou pelo lado, beijando minha cabeça logo depois.
- Senhora , a senhora sabe a solução - disse. Aquilo não foi bem uma pergunta, foi mais uma afirmação, como se eles soubessem de algo que eu não sabia.
- Eu não queria ter que pedir a ajuda dele, .
Eu não estava entendendo nada.

's POV end

's POV end

O pai da é um homem ultra rico, milionário que vive cagando dinheiro por aí... Ele mora numa mansão em Paris com o irmão mais velho dela, Jeremy, que abandonou a família quando seus pais se divorciaram, e é dono de metade de Londres. A vive dizendo para as pessoas que o pai dela morreu, porque ele abandonou a família quando ela tinha 10 anos - eu conheci ele, viva! parei. Eu que tive que ficar consolando a quando ele foi embora. Foi uma época muito triste para ela. Enfim, eu tinha pensado que se a Dona Mãe da ligasse para ele e pedisse o dinheiro, ele enviasse.
Porra, é a filha do cara, se ele deixar ela morrer vai ser muita sacanagem! Ele vai ter que mandar o dinheiro, até porque eles ainda têm alguma ligação... Ele sempre manda presentes no aniversário dela, natal, páscoa e até dia das crianças! Ela nem é mais uma criança!
- posso te pedir um favor? - Ela me pediu.
- Claro.
- Não se meta mais nisso, ta? Eu prometo que não chamo a polícia... Só não quero que você se envolva com isso.
Agora ela ta zoando com a minha cara! Como eu vou deixar que a minha melhor amiga morra sem fazer nada?
- M-mas... Você vai ligar para ele?
- Vou, juro. Vão embora crianças. Deixem que eu cuido disso.
Bom... Ela podia fazer um bom trabalho, né? Afinal, ela é a mãe da , pode fazer um trabalho tão bom quanto o meu, garanto. A vai voltar para mim sã e salva.
E como eu sempre fazia quando estava entediado e queria esquecer a , fui encontrar a Belle.
- Oi meu amor! - me deu um selinho quando apareci na frente de sua casa. - Que saudade - sorrimos.
Querendo ou não, eu gostava da Belle. Me sentia bem ao seu lado e não podia reclamar de nada que ela fazia, tudo me agradava. Ela sempre me divertia e me animava, não posso reclamar. Acho que estou mesmo apaixonado - mas ainda amo a , claro.
- Eu estou terminando de digitar um trabalho da faculdade. Espere-me lá na sala, não vai durar nem cinco minutos. - piscou um olho e correu para o quarto.
- Eu posso te ajudar se quiser - me ofereci. Ta, não era isso que eu queria, eu preferia muito mais ficar assistindo TMI a ajudar Belle a digitar o trabalho da faculdade de Física! Física! Como ela consegue? É tão irritante e... ah, é horrível, tem que gostar muito mesmo.
Pensando bem, se ela não estudasse isso, eu teria tomado bomba em álgebra e física ano passado, ela me ajudou muito..
- Dita pra mim? - pediu de longe abrindo olhos enormes e brilhantes de um cãozinho pidão.

- ...da energia cinética, ponto - terminei de ditar. Faltavam só dois parágrafos, nem foi tão chato assim.
Nos encaramos e creio que pensamos a mesma coisa.
- Agora eu sou só sua - ela sorriu maliciosa e levantou da cadeira passando por mim como se me pedisse para segui-la.
Deitou em sua confortavelmente enorme cama de casal e eu me deitei ao seu lado.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou não muito interessada.
- Por quê a pergunta?
- Você está tenso.
Ela se sentou e eu me sentei também, então começou a massagear meus ombros.
- Ah... Aconteceram umas coisas com a , mas vai ficar tudo bem e...
- Ah, , , ! você só fala nela! Já parou para pensar em você mesmo? Na sua vida? Deixa ela viver... É por isso que ela não consegue resolver os problemas sozinha, você sempre faz tudo por ela. E se algum dia você não puder ajudar? Ela morre?
- Eu cuido dela porque me importo! - interrompi incrédulo e rude, tirando suas mãos de meus ombros.
- Não! Você cuida dela porque não sabe cuidar de si mesmo. - afirmou firme.
Eu a encarei claramente chocado com suas palavras, mas a realidade é que eu enxergava aquilo como verdade.
A campainha tocou interrompendo nossa "discussão". Belle foi atender e eu a segui. A porta de entrada ficava na cozinha, então enquanto ela atendia a porta eu fiquei enrolando por ali.
- Erik? - perguntou surpresa, alegre, mas confusa. - O que está fazendo aqui com isso? Vá embora - ela ria de nervoso e eu fui espiar.
O suposto Erik estava parado em frente à porta segurando um buquê de rosas vermelhas e com um sorriso - agora destruído - no rosto.
- Me deixe falar com você, por favor - ele implorou para ela.
- Erik, vá embora! Meu namorado está aqui! - falou alto e bateu a porta na cara dele.
- Desculpa - falou ofegando. Se ficássemos em silêncio, eu poderia ouvir seu coração batendo de tão forte. Quem era aquele mané?
- Quem?...
- Erik é meu vizinho - me interrompeu - ele... Ele me ama - fez careta tentando acabar com a tensão que estava no ar. Sem sucesso.
- Por que ele segurava um buquê? De rosas?! - Pergunta idiota, óbvio que era para dar a ela.
- não leva a sério - pediu - Eu não sei mais o que fazer!
- É meio ruim ter um monte de caras dando em cima de você! - expliquei nervoso.
Eu sabia a quantidade de caras que queriam estar com ela, mesmo. Não eram poucos, ela é tudo que um homem quer, de verdade. Mas é uma merda saber que se eu der mole vai vir outro... É, eu sou ciumento, oi.
- Você sabe que não precisa se preocupar, ... Não podemos passar 24h juntos e não sabemos o que o outro faz durante o dia, mas eu confio em você.
- Eu também confio - sorri fraco falando baixinho.
Ela me abraçou pelo pescoço e me beijou. O beijo foi longo, e com o tempo começou a ganhar velocidade. Logo estávamos em sua cama, já com algumas peças de roupa faltando.

Acordei no outro dia, 10h da manhã, de boxer.
- Bel? - sussurrei em seu ouvido tentando acordá-la.
- O que foi? - se mexeu bruscamente e abriu os olhos.
- São dez horas.
- Ah meu Deus! - ela gritou - HOJE COMEÇAM AS MINHAS AULAS DE MANHÃ NO SEU COLÉGIO - se levantou e começou a se vestir - Se mexe , temos que chegar lá hoje!
Chegamos no colégio na metade da terceira aula, Belle não parou de xingar Deus e o mundo de tudo que podia: "Eu odeio acordar de manhã", "Por que não coloquei o despertador?"... Foi o que eu mais ouvi.
Entrei na sala de aula e todos me olharam estranho, inclusive , que me mandou um bilhete. Achei que não estávamos nos falando, right.

Onde estava?
Porque ELE tem que saber? Fala sério, me escondeu tanta coisa!

Dormi com a Belle ontem, acordamos tarde.
Ele me olhou e riu. Foi o suficiente para o professor pegar o bilhete de sua mão e ler em voz alta para todos. Foi um dos maiores micos da minha vida.
- , detenção no final da aula. Isso vale para você também - encarou que estava rindo. Parou na hora.

Estávamos sentados numa sala onde ficaríamos por duas horas "pensando sobre nossos atos". O que a gente fez afinal? Ta, passamos bilhete, e daí? Como se ninguém fizesse isso! Na verdade, ainda acho que é porque aquele professor tarado é a fim da Belle. Sério, ele dá aula para ela também e sempre que eu os vejo juntos ele está encarando suas pernas e decote.
Eu precisava me acertar 100% com o , aquela tensão estava uma droga! Nos encaramos alguns segundos - que gay! - até ele dizer:
- Desculpa por tudo cara - Bagunçou os cabelos sem intenção, com as mãos. - Eu sou o pior melhor amigo do universo! Quer dizer... Se é que você ainda me considera melhor amigo... Sei lá!
- Cala a boca - fiz pouco caso, fingindo estar realmente bravo.
Ele hesitou antes de dizer alguma coisa, mas desistiu de falar e se ajeitou na cadeira encarando o grande quadro negro a sua frente.
- Você nunca vai deixar de ser meu amigo, cara. - completei e abrimos um sorriso sincero nos abraçando depois.

Capítulo 16 - I don't see what anyone can see in anyone else, but you.

's POV

O dia do resgate de , quinta-feira, chegou, eu estava inquieto. Queria vê-la o mais rápido possível.
Passei em sua casa após a aula e sua mãe me recebeu:
- ! - sorriu para mim ao abrir a porta.
- Oi - tentei sorrir para não parecer preocupado.
Ela me convidou para entrar e ficou enrolando, falando sobre qualquer coisa, me impedindo em todas as tentativas de falar sobre o assunto.
- ... E então a mãe da tia da minha avó faleceu. - fez uma cara de arrependimento e fechou o album de fotos que me mostrava.
Eu lá tenho cara de alguém que se interessa pela tia da mãe da tetravó, sei lá o que, dela? Eu só queria saber da , porra!
- Cadê a ? - perguntei interrompendo mais uma de suas comoventes histórias familiares. Ta, eu fui um tanto grosso, mas ninguém merece ficar ouvindo abobrinhas (que clichê "abobrinhas", haha) da minha futura sogra. Ta, parei.
- Oh - suspirou - Eu esperaria mais tempo para te dizer isso - ela disse calma -, mas você é o melhor amigo dela e... - pausou por longos segundos. Eu estava vidrado nas informações, O QUE ACONTECEU COM ELA? - Enfim... O Jared... Meu marido - é, eu sei - a levou para Paris hoje de manhã, assim que a resgatou - bufou e fechou os olhos. Ela sabia que eu explodiria.
- Como assim levou ela para Paris? E nós... Seus amigos?! Ela não protestou e nem nada? Como vou saber que ela está bem? - parei e a encarei furioso, ofegando de raiva - Quando ela volta?
Sua cabeça balançou negativamente, indicando não saber.
Minha melhor amiga se mudou para Paris, sem se despedir, sem nem ao menos avisar que iria. Estou a um mês sem vê-la e agora não sei se a verei novamente! É UM ABSURDO!
- Jared e eu fizemos um acordo - explicou - Ele disse que não pagaria toda a quantia, então eu disse que não tinha condições de bancar a maior parte. Ele topou pagar tudo, mas eu teria que lhe entregar a guarda da - FILHO DA MÃE!
Saí da casa furioso, sem dizer nada. Será que aquela mulher não tinha autoridade se comparado ao pai? Como pôde deixar que ele a levasse para longe de todos nós? Eu deveria ter me intrometido, no fundo eu sabia que não daria certo se eu não ajudasse.

Quatro dias se passaram desde quando a Dona me contou o que tinha acontecido e eu resolvi passar em sua casa para uma visitinha (é, eu sou interesseiro mesmo, queria mais era saber quando a ia voltar) É, eu também precisava me desculpar por ter sido tão bruto aquele dia.
- , eu consegui falar com ela por telefone. Ela mandou você ligar para ela. - sorriu e me entregou um papel com milhares de digitos de interurbano e essas coisas...
Meus olhos saltaram do corpo, eu queria qualquer prova de que ela estava bem, e ouvir sua voz seria a prova real.
Peguei meu celular e imediatamente disquei os números.
- Bonjour? - sua voz falou um francês atrapalhado do outro lado da linha.
Eu abri o sorriso mais largo que ja dei em toda a minha vida! A alegria de ouvir sua voz, apesar de ser em francês. Não soube como reagir. O que diria?
- ?
- ? Graças a Deus! Por onde você andou? Finalmente alguém que fala a minha lingua! eu estou morrendo de saudades, porra! Me desculpa por não ter te dito nada sobre o pub, e por ter me deixado ser sequestrada... Eu realmente sinto muito. Não tive escolha sobre vir para Paris. Paris ! Paris! É tudo muito lindo, nunca tinha entrado numa mansão na vida, meu quarto tem uma parede inteira de vidro com vista para a Torre Eiffel, é lindo! Quero muito voltar para Londres, quero ver todos vocês, estou com muitas saudades. Te amo! - ela vomitou as palavras, provavelmente não sabia por onde começar com tantas novidades. Eu apenas sorri enquanto ela falava super rápido, mas entendi tudo o que ela disse. Eu não queria falar, queria apenas ouvir sua voz.
- isso vai custar uma fortuna! Só me diz uma coisa e eu prometo que entro na internet para nos falarmos por Skype: Você vai vir para Londres quando?
- Não sei! Meu pai não quer que eu vá, provavelmente eu o convencerei, mas não tenho data marcada. É uma história complicada, entra no Skype agora
- Ta bom, tchau. Eu te amo de mais, nunca esqueça, por favor!
- Eu também te amo muito - sussurrou.
Desliguei o telefone. Eu estava me sentindo aliviado, estava leve, livre de preocupações. Ela estava bem enfim.
Não tinha percebido, mas meus olhos lacrimejavam. Ter ouvido sua voz foi uma das coisas que mais me fez bem nesse ultimo mês. Eu necessitava dela. Eu a desejava.

Voei para a minha casa e entrei no Skype. Deus abençoe o Skype!
- ? - chamei.
- ! - ela falou mais calmamente. Nós não estávamos pagando nada mesmo, podiamos nos falar para sempre sem pagar nada além da internet.
- Como está indo na França? - perguntei.
- Bom... Você sabe... Je ne parle pas français - falou rindo.
- Quê?
- Significa "Eu não falo Francês"... O pouco que eu sei, aprendi nesses dias que estive aqui e em dois meses de aula.
Ela tinha feito dois meses de aula de Francês quando tínhamos dez anos, se fosse eu, nunca me lembraria de nada!
- Bom... Se você não fala, imagina eu! Só sei dizer "bonjour monsieur" e olhe lá! - rimos.
- Que saudades - ela murmurou.
Silêncio.
- Você não tem noção do quanto faz falta! Você causou uma das maiores confusões do mundo! Vai pro Guinness Book - rimos.
- Eu sou má! - riu. - Me conta o que eu fiz então...
- e terminaram. e simplesmente sumiram do mapa. Raramente vejo eles, mas não nos falamos nunca. Eu briguei com o , mas isso já foi resolvido, hoje. Tudo por sua culpa!
- Mon Dieu! Eu sou um monstro - rimos. - Mas a e o terminaram mesmo, mesmo?
- É... nem se olham na cara!
- Gosh, eu resolvo isso quando voltar, don't worry.
- Sabe ... - perguntei com a voz falha. - Eu quero você aqui agora - o clima ficou pesado. Ela fez silêncio por alguns segundos.
- Eu também... - suspirou.
- Eu te amo - sussurrei.
Ela deu uma leve risada baixinha, envergonhada. Se não me engano, ela corou.
- Eu também - repetiu e riu baixinho novamente.

's POV end



Capítulo 17 - When you see her coming, please let me know.

's POV

Eu estou com nojo de mim mesma. Até então, eu estava totally in love pelo ! E não pelo ... O que vou dizer para o ? Ele não tem culpa de nada, não quero magoá-lo. Nós não éramos super íntimos, eu conhecia ele a pouco tempo quando a gente ficou pela primeira vez e a distância apagou aquela chama. Já o é diferente: eu sempre fui super próxima dele, fato. E nós já tínhamos a química perfeita, só faltava boa vontade de ambos. Nós ficamos antes de tudo aquilo acontecer, foi o beijo mais significativo da minha vida! Nunca tinha sentido aquilo por alguém.
Ah, quase me esqueci de dizer... Vou relatar resumidamente tudo o que aconteceu com o James durante as três semanas que eu fiquei presa com ele. Basicamente, foram as piores semanas da minha vida! Eu podia jurar que morreria, se não baleada, de fome. James dizia que nunca me machucaria, eu duvidava muito. Ele não me machucou mesmo (ignorem este curativo enorme em minha mão, já conto), mas me deixou em condições precárias. Ele não me dava nada além de um pão mofado ou duro por dia para comer junto com um copo de água, me colocou para dormir no chão em cima de alguns trapos - com o frio de Londres, eu não conseguia dormir a noite -, e para completar a minha felicidade, obviamente ele não me deixou tomar banho. Quando foi a última vez que você ficou três semanas sem tomar banho? É, pois é... E sobre a minha mão: vou relatar esse dia com muitos detalhes;
James chegou de madrugada, bêbado - bêbado não... Trêbado! Tetrabo, pentabo, hexabo, sei lá! Ele estava péssimo, cheirava a álcool de longe! -, e começou a surtar! Eu tive muito medo, estava com fome, fraca e fiquei o mais longe possível dele. O que não foi o suficiente para ele começar a gritar comigo e a jogar pratos, copos, vasos, no chão, tentando me acertar - já disse que ele estava trêbado, então não acertou nenhum -, mas ele foi até mim e me segurou pelo braço do mesmo jeito que ele sempre faz, formando hematomas esverdeados, gritou comigo e depois me jogou em cima de vários cacos de vidro esparramados pelo chão. Com toda a minha sorte, caí com a mão em cima de um caco enorme e pontiagudo que perfurou profundamente a minha mão. James fez pouco caso; entrou no quarto e se trancou lá. - Durante essas semanas, não entramos em muito contato, ele passava a maior parte do tempo trancado no quarto e me deixava na sala. - Me deixou lá, do jeito que estava, ferida, em prantos, mas eu precisava fazer alguma coisa, então, rasguei um pedaço dos trapos que James me deu para dormir e amarrei em minha mão. A dor permaneceu, graças a Deus isso aconteceu apenas dois dias antes de meu resgate e meu pai fez questão de me levar para o melhor hospital de Paris.
Me lembro do dia em que esteve lá, não pude dar sinais de vida, porque estava trancada no quarto e não tinha forças para gritar alto o suficiente para ele me ouvir. - Todas as vezes que alguém batia na porta, James me levava para o quarto e trancava a porta, para não dar sinais de que eu estava lá caso alguém fosse entrar na casa. -, mas eu ouvi sua voz... Confesso que foi uma das coisas mais fortes que me deu motivo para não me matar.
James era drogado, eu convivi com aqueles sacos de maconha e de craque que ele levava quase todos os dias para casa. Deixava-os empilhados atrás do fogão, caso a polícia fosse revistar a casa, o que não aconteceu, senão eles me veriam e me resgatariam; eu não podia gritar, mas falar eu conseguia. E mulheres: ele levava uma diferente quase todas as noites, para casa. Trancavam-se no quarto e eu passava a noite ouvindo-os se divertirem e se drogarem juntos.
Está tudo bem agora, Dieu merci! Estou confortável em minha cama, cheia de edredões e lençóis de seda, aconchegantes, com meu notebook no colo, as luzes apagadas, num quarto onde à noite, a enorme parede de vidro refletia a luz da lua, me fazendo enxergar Paris inteira de seu melhor ângulo. Eu via a noite estrelada, a lua cheia enorme iluminando o quarto e a Torre Eiffel. É, eu podia me acostumar com isso. Seria muito mais perfeito se estivesse aqui, admito, mas eu estou bem assim.
" está te chamando para uma chamada em conferência com ". Aceitar.
- ? - chamou. Sua voz ecoou pelo quarto, aquilo me fez arrepiar, minha melhor amiga!
- ! - gritei animada. - Que saudades de você! - rimos e começamos a tagarelar como duas faxineiras de apartamento, deixando no completo vácuo. Eu tinha muita coisa para contar...

's POV end

's POV

Eu não precisava falar, apenas ouvir sua voz ecoando pelo meu quarto me fazia sorrir para o nada. Ela não parava de falar, contou absolutamente tudo o que precisávamos saber sobre o mês que ficou fora. A nostalgia de sua voz, de seu abraço, seus carinhos, fazia meu coração se apertar a cada suspiro que ouvia ela dar. O protetor de tela do meu computador era uma foto em que ela estava montada de cavalinho em mim enquanto andávamos pela praia, o vento em nossos cabelos, os sorrisos não-forçados... Eu podia sentir a felicidade que ela passava pela foto. Enquanto ela falava, fiquei observando a foto e lembrando daquele exato momento, me deixando levar como o vento...

Flashback*
- , vem comigo? - pediu com um sorriso de ponta-a-ponta do rosto e os olhos brilhantes e grandes de sempre.
- Mas , vão nos pegar! - avisei.
Estávamos de férias com a família do no verão do ano passado e fomos para a casa que eles tinham na praia. A família dele era muito autoritária, tinha regras saindo pelo pescoço e foi decretado que deveríamos ficar dentro da casa depois das 5 horas da tarde. Era 7 e meia quando resolveu ir passear na praia.
- E daí? O que eles podem fazer além de nos dar esporros? - sorriu maliciosa.
Não resisti às suas chantagens e me deixei convencer aos seus olhos.
Na praia, tiramos diversas fotos, rindo, chutando água um no outro, correndo e tiramos também essa foto, que estava há um ano na tela de meu computador. Se eu fosse escolher qualquer coisa que a representasse, escolheria aquela foto.
Fim do Flashback*

- ? - Aquela voz aveludada de um anjo, me chamou (tá, eu estou exagerando um pouco...)
- Oi - respondi.
- Eu falei com o meu pai - ela vibrou e eu pude ouvir seus dedos se chocando em palmas de felicidade.
- E aí? - perguntei esperançoso, grudando meus olhos na tela do computador esperando sua resposta, ansioso.
- Qual é o tamanho da sua saudade? - perguntou e riu alto depois.
- O tamanho do universo multiplicado pelo número de estrelas mais o infinito, que tal? - rimos.
- Então tá... Semana que vem eu estou aí, que tal? - disse como se não fosse a melhor notícia do mundo!
- JUUURA?! - pulei da cadeira.
- Mais que isso, já até tenho a passagem!
A comemoração foi longa, eu não podia esperar para vê-la novamente, sentir o cheiro de seu perfume, a textura de seu cabelo, acariciar seu rosto, beijar seus lábios... É, eu já tinha tomado uma decisão: Não podia perdê-la novamente, correr o risco de nunca mais vê-la. Quando ela chegasse, eu não perderia mais tempo; diria tudo o que sentia.
Como de Londres para Paris só tinha uma hora de diferença no fuso horário, desligamos ao mesmo tempo quando chegamos à conclusão de que já estava tarde o suficiente para dormirmos.

Acordei agitado no dia seguinte, provavelmente ficaria assim a semana toda. De dez coisas que eu pensava, quinze eram "", então não consegui me concentrar em nada.
- ! Acorda! - chamou alto na mesa do almoço e eu levei um susto.
- Qual é o seu problema? - xinguei de brincadeira.
- O que está acontecendo com você? - perguntou séria.
- Naaaaada - sorri me lembrando novamente de .
- , me poupe, por favor! É a , né? - cochichou para que os outros da mesa - , , Belle e - não ouvissem.
Eu sorri sem graça, corando... Falei que todo mundo já sabia!
- E você e o ? Não voltam nunca? - perguntei preocupado, mudando de assunto, olhando de relance para ele.
- Não, não... - falou com um ar triste e olhou para baixo.
- Fala com ele ! Eu sei que ele gosta de você!
- Não gosta, credo.. Ele já pôs os olhos na Stacy Lauper.
A Stacy era uma patricinha mimada, parecida com a Barbie Malibu, parente da Cyndi Lauper, aquela cantora antiga que cantou "Girls Just Wanna Have Fun". Ela tinha fama de ser fácil, capaz que eu ia deixar meu melhor amigo se envolver com a Paris Hilton mal feita! E também, eu conheço o , ele pode estar dando mole pra Lauper, mas com certeza ama a , ou o meu nome não é ! Fui eu que aguentei MESES ele falando sobre o quanto era apaixonado pela até ficar com ela pela primeira vez. Depois disso, ele começou a se fazer de difícil, mas quando ela não estava, ele ficava falando sobre o "como ela era perfeita" e blábláblá... Eu sei que ele a ama.
- Vocês precisam voltar, ! Até porque vocês terminaram por um motivo bobo, já está acabado. A volta semana que vem, fim. Vocês se amam, admita!
Foi sua vez de corar.
- Eu posso amá-lo - seus lábios tremeram -, mas ele não me ama.
- Cala a boca ! Eu vou te provar que ele ainda te ama - pisquei um olho. - Espera pra ver.
- - Belle me chamou do outro lado da mesa.
- O que foi? - perguntei parecendo interessado.
- Eu vou ali e já volto, tá? - ela apontou para o canto do refeitório, um pouco longe de onde estávamos.
Assenti com a cabeça e voltei minha atenção à .
- Enfim... Vocês têm que voltar! - insisti.
- ! Ele não quer, caramba! - falou impaciente.
Bufei e saí da mesa antes do sinal do fim do almoço bater. Enquanto andava pelo corredor, vi um homem alto, loiro e mais forte do que eu apoiado de costas no armário. Não podia ver quem estava à sua frente, mas era uma garota, já que usava uma bota de salto. Eles estavam aos beijos então eu fiquei encostado num armário, "escondido", para não atrapalhar. O corredor estava deserto, as pessoas estavam no refeitório almoçando àquela hora.
A garota soltou um risinho misturando inocência com malicia no mesmo.
- Por que não vamos para outro lugar? - o homem perguntou. A voz grossa artificialmente me fez sorrir. Homens são tão fúteis quando o assunto é uma mulher.
- Não posso Erik, eu tenho aula - a garota falou com pena na voz.
- Quem liga, Belle?
Eu perdi o chão. Aquela garota que estava aos beijos com aquele mesmo canalha do buquê era a Belle. A minha Isabelle! Eu confiei tanto nela quando ela veio com aquele papinho de "eu confio em você", não acredito, mesmo! Eu sou um retardado mental, não? Me diga, por quê uma mulher, feito ela, ficaria com uma criança, feito eu, sabendo que tem vários outros homens que estão babando aos seus pés? Eu sou um otário, da pior espécie!
- Isabelle - gritei furioso andando em direção a eles.
Ela me olhou com o olhar desesperado, sem saber o que fazer e recuou um passo para longe de Erik.
- e-eu posso explicar - falou em pânico - não é o que você está pensando! Nós só estávamos...
- Se beijando! - interrompi nervoso, parando a sua frente.
- Ele me agarrou, eu juro!
- Você é muito cara-de-pau mesmo - ri cínico - Acha que eu sou idiota?
- N-não ! Não é o que você está pensando - seus lábios tremeram.
- Eu não estou pensando merda nenhuma! - gritei.
Ela segurou um de meus braços com as duas mãos tentando me acalmar.
- Me larga! - gritei arrancando suas mãos de mim - Me esquece! - saí dali andando em passos largos e apressados.
Não queria vivenciar nem mais um segundo daquilo. Eu disse que estava apaixonado, eu estava mesmo apaixonado! Não podia perdê-la desta forma. Sim, eu amo a , mas eu terminaria com a Belle quando estivesse mentalmente preparado. Mesmo não gostando tanto assim dela, é foda quando você pega a sua garota te traindo!
Sentia uma imensa vontade de gritar até meu coração sair pela boca, a raiva acumulada em meu peito rasgava uma ferida sem dó, penetrando em minha pele, cada vez mais profundamente. Sentei-me num banco e apoiei a cabeça sobre as mãos, tomando fôlego. Eu tinha me esquecido de respirar esse tempo todo. Não estava conseguindo ter o controle de mim mesmo e comecei a passar as mãos pelo rosto até me reencontrar no espaço. Suspirei dolorosamente levando junto com o ar, parte da raiva armazenada em mim.

's POV end

Capítulo 18 - Baby's coming back so I'm on my best behavior.

's POV

Ontem, enquanto conversava com a minha irmã, tomei a grande decisão de que devo voltar com a . Claro... Como se isso fosse a tarefa mais fácil do mundo, mas ela me convenceu.

Flashback*

- Você está 100% errado, - Ela falou tranqüila me dando um nó na cabeça. - Eu conheço a Stacy e ela é uma vadia! E também... Você sabe que ama a , fala sério! Vocês dois juntos são tão bonitinhos - Seus olhos brilharam e ela sorriu - Quem me dera achar alguém pra mim igual vocês dois - Suspirou.
- Mas a Stacy é gata!
- Homens! - Revirou os olhos. - Ta, me diga: Você quer ficar com a vadia que dormiu com o meu ex, ou quer ficar com a menina doce e adorável que você ama?
- Ta, a resposta é óbvia, dude! Mas eu não sei como falar com ela, entendeu? - Choraminguei como uma criança.
- , eu te amo - ela levantou da cama e deu um beijo carinhoso em minha testa. - Sei que você consegue - Sorriu e piscou um olho.
Eu a adorava! Era a única que conseguia me fazer sorrir quando eu estava realmente triste.
Fim do Flashback*

Quando cheguei ao colégio, meu coração acelerou apenas por estar no mesmo ambiente que ela. Ela estava lá, encostada no armário, conversando com a Stacy. Stacy! Ela não a suportava, por que estavam conversando? Aproximei-me delas e Stacy me viu, acenando sorridente. olhou para trás e fez cara de desgosto. Fui falar com elas:
- Oi Stacy, oi - cumprimentei, mas apenas Stacy sorriu de volta, continuou com a cara amarrada.
- Erm... , eu... Erm... Posso falar com você?
- Claro - ela levantou uma sobrancelha, mas deu de ombros e se afastou de Stacy para nos dar privacidade. - O que foi?
- Bem... É que... É que eu... - Eu estava tão nervoso que acabei esquecendo o que diria, então precisei improvisar.
- Vai demorar muito aí? Eu tenho coisas para fazer! - Ela perguntou apertando os olhos. Ultimamente, ela estava sendo tão estúpida comigo!
- Bom, quer dizer... Eu não queria atrapalhar o seu tempo, desculpe. - Me virei e comecei a andar sem hesitar.
Entrei na sala de biologia e sentei rígido na cadeira, fazendo os meninos olharem para mim.
- Tudo bem, dude? - perguntou.
Suspirei antes de responder e relaxei os músculos que estavam rígidos.
- Não dá cara... Eu simplesmente não consigo! - Dei um leve soco na mesa.
- Você é estranho - riu. - Não consegue o que?
- Falar com a ! Eu quero voltar com ela, mas não sei como dizer... - Olhei para eles desesperado.
- Eu acho que você deve planejar antes de falar com ela - opinou.
- Já tentei isso, mas quando fui falar esqueci completamente de tudo.
- VOCÊ QUER VOLTAR COM A ? - deu um meio pulo de alegria, incrédulo.
- Queria!, mas ela não colabora...
- Pelo amor de Deus, ! Você sempre foi super cara-de-pau com as garotas, não acredito que não consegue dizer para a que você a ama. Vocês estão juntos a tanto tempo, não pode se intimidar por isso.
- Mas e se ela recusar?
- Fala sério?! Eu tenho certeza que não vai, falei com ela esses dias.
- Garotos sentem-se! - o professor chegou na sala e nós nem tínhamos percebido.

's POV end

's POV

Depois da aula, meu coração acelerou fortemente. Eu iria para o aeroporto encontrar a ! Esperei tanto tempo para revê-la que acho que poderia desmaiar se a visse. Ok, não. A ultima vez que ficamos mais de uma semana sem nos ver foi... er... NUNCA! Eu precisava vê-la novamente!
Entrei num táxi com a e o e fomos para o aeroporto.
Chegamos lá, mas o vôo estava atrasado, claro, Lei de Murphy: Tudo que puder dar errado, dará errado. E no meu caso, com a minha sorte, se não desse errado, seria um milagre!
e só estavam juntos no mesmo ambiente pela , eles não ficariam em harmonia nem se recebessem dinheiro por isso. Não sei porque, mas toda aquela tensão estava me deixando mais ansioso ainda, e minha perna estava com um tique nervoso não parando de tremer.
- Relaxa - sorriu tentando me acalmar.
- Não dá! - Fechei os olhos muito forte tentando me concentrar em qualquer outra coisa.
- Vai ficar tudo bem, o avião vai aterrissar log... - ela foi interrompida por aquela voz de aeromoça anunciando a chegada do vôo.
"O desembarque do vôo 1475 ocorrerá em instantes"
chegou correndo e ofegante atrás de nós assim que o anúncio foi encerrado.
- O que houve, bebê?! - perguntou aparentemente preocupada, abraçando-o e deixando vermelho de raiva.
- Ela já chegou? - Perguntou ainda ofegante.
- Não... O avião vai pousar agora. - Respondi.
- Que bom! O pediu para avisar que ele não virá... Seu pai sofreu um acidente de carro agora a pouco e ele vai ter que ficar no hospital com ele. - torceu os lábios. - A vai ficar chateada - Murmurou.
Eu estava pulando de alegria por dentro, man, se ele não estivesse aqui, eu poderia dizer tudo o que sentia agora mesmo e não ter que ficar esperando outro momento perfeito.

's POV end

's POV

Ouvimos o piloto do avião anunciar o pouso e fechei os meus olhos muito forte, rezando para que tivesse lembrado de me encontrar aqui. Senti meu estômago gritar, como se tivessem jogado água gelada nele e abri um sorriso involuntariamente ao lembrar que meu melhor amigo, a pessoa que eu realmente amo, estava a poucos metros de mim, finalmente, para que pudéssemos nos encontrar novamente, depois de pouco mais de um mês.
- Mal posso esperar para descer, pai! - Sorri para meu pai que fez pouco caso e deu de ombros.
Para ele, estava sendo um peso ter de viajar de Paris à Londres para ver a minha mãe, e se eu não tivesse insistido tanto, talvez ainda estivesse naquela mansão, com a nova mulher de meu pai, vinte anos mais jovem que ele. Eu não reclamo da casa e nem de nada que eu passei por lá, nesses quatro dias de vivência com a minha nova futura família, mas não é apavorante ter que abandonar tudo e todos que você ama para começar a vida de novo? Eu francamente não queria me mudar para Paris, mas era preciso, e não culpo a minha mãe por ter feito essa escolha. Ela com certeza pensou muito em mim quando decidiu que meu pai deveria pagar, e eu não queria que a minha mãe vivesse na miséria por minha causa.
- Chegamos, querida. - Meu pai me acordou do transe.
Pulei da cadeira do avião assim que pousamos e fiz questão de empurrar todos que estavam atrapalhando o caminho à minha frente. Desci do avião correndo e continuei correndo até o saguão do aeroporto, ignorando a sala de check-out. Olhei para todos os lados em busca dele e minha cabeça parou de se mover, quase que impulsivamente, quando nossos olhares se cruzaram. Primeiramente, ficamos imóveis, mas depois disso, dois sorrisos enormes se abriram em nossos rostos e corremos um em direção ao outro. Nossos corpos se chocaram e eu não pensei duas vezes antes de abraçá-lo com toda a minha força e ele fez o mesmo. Pronunciamos palavras ininteligíveis, atropelando-as para contar tudo o que aconteceu enquanto o outro esteve ausente, estávamos desacostumados a viver sem a presença um do outro. Continuamos nos abraçando, foi um momento maravilhoso, queria poder parar o tempo daquele jeito e me garantir que o teria para sempre, sem preocupações.
- Eu te amo! - foram as únicas palavras que pude pronunciar claramente.
Quando o abraço terminou, ele me olhou nos olhos e então percebi que ele estava segurando o choro, seus olhos já lacrimejavam. Sorri para ele e mordi meu lábio, dessa vez prendendo o meu choro.
- Eu também te amo! - falou com a voz embolada, provavelmente o nó que se formou em sua garganta por ter segurado o choro, dificultou a saída das palavras.
Nos abraçamos novamente, como se não houvesse amanhã. Precisávamos um do outro agora, não estávamos nos importando com o depois.
- Senti sua falta - murmurou baixinho e beijou o meu cabelo.

's POV end

Capítulo 19 - Have I told you lately that I love you?

's POV

estava lá, diante de nós e eu mal podia acreditar que estava revendo-a. Me senti derrotado, minha tentativa de ser tão bom quanto o estava totalmente falhada. Mais uma vez ele tinha provado que era melhor que eu, já que tinha salvado a . Ele fez isso tão facilmente... Como não pensei em fazer aquelas coisas antes? Eu respondo: Ele é melhor, mais esperto, mais forte e mais bonito do que eu. Isso me faz sentir um lixo, apesar de ele ser o meu melhor amigo.
- ? - chamou quando terminou a sessão melação com o , e pulou no meu pescoço, me abraçando carinhosamente. - Você foi demais! Nunca pensei que alguém pudesse fazer por mim, o que você fez. Obrigada, de verdade.
- Mas eu falhei... - retruquei triste.
- Não me importa quem acertou, ou quem errou. O importante é que você me ajudou quando eu pensei que teria que morrer sozinha, e eu nunca pensei que você faria isso por mim. - soltou meu pescoço e começou a falar para todos; , e eu.
- Todos vocês fizeram coisas que eu nunca pensei que ninguém faria por mim... Sabe? Às vezes nós pensamos que não temos amigos o bastante, pensamos que estamos sozinhos no mundo e não damos valor ao que interessa: As pessoas que estão conosco agora. Eu amo vocês, muito, muito obrigada por tudo mesmo. - enxugou uma lágrima que começou a rolar por seu rosto.
abraçou-a e cochichou alguma coisa em seu ouvido, que eu não pude ouvir.

's POV end

's POV

- Esperei muito tempo pra dizer o quanto eu te amo. - cochichou em meu ouvido. - Não quero mais esperar, nós dois sabemos disso. - olhou em meus olhos e começou a aproximar nossos rostos.
- ! - protestei colocando a mão na frente da boca. - A gente tem muita coisa para conversar... - mudei o rumo da conversa.
- ? - meu pai me chamou. - Vamos para casa, traga os seus amigos, vamos de limo!
- WOOOW, quem quer andar de limusine? - perguntei sorridente e todos levantaram a mão rindo. - Ai, ai... Ainda não me acostumei com essa vida de milionária - sorri comigo mesma.
Entramos no carro e fomos em direção à minha casa, mas eu fiz questão de parar na pista e meu pai foi para o hotel.
- PIIISTA! - sorri enormemente enquanto abria os braços, tentando abraçar a pista inteira. Fala sério, mais da metade da minha vida foi passada neste lugar!
Eu conheci o aqui, depois de alguns anos eles transformaram aquele Playground numa pista de skate, vivi 366 dias de cada ano que se passou, aqui.
Sentei em uma rodinha com o , a e o , enquanto fazia alguma coisa em algum lugar, e eles começaram a me fazer milhões de perguntas sobre o que havia acontecido com o James.
- O que ele fez?
- Ele te machucou?
- O que você comia?
- Como ele vive agora?
- PAAAAAAAREM! - berrei e coloquei as mãos nos ouvidos. - Um de cada vez, por favor.
- Nada disso - apareceu do além e me interrompeu. - Vocês três vão dar uma volta enquanto a gente conversa - olhou para mim e piscou um olho. - A gente tem muita coisa pra resolver, e eu sou VIP dela.
Todos resmungaram, mas saíram de perto quando ele pediu.
- Nós nunca teremos privacidade aqui fora, quer entrar? - apontou para a sua casa do outro lado da rua.
- Ok. - dei de ombros.

____
Entramos em sua casa e fomos diretamente para seu quarto, onde sempre ficávamos quando estávamos ali.
- Sua mãe não está em casa?
- E nem o meu pai - respondeu normalmente.
- Ah...
Bom, nós dois sabíamos qual era a sua intenção, mas eu queria mesmo conversar sobre isso, afinal, tem vários motivos para que isso não aconteça: a) Nós dois iremos sofrer, já que eu terei que me mudar para Paris; b) Sempre fomos melhores amigos e se "terminarmos" acabaríamos nos afastando; c) Não sei quais são as reais intenções dele. Ok, ele é meu melhor amigo e nunca faria nada para me magoar, mas eu queria que as coisas fossem esclarecidas antes, colocar todas as cartas sobre a mesa seria ótimo para que nós dois entendêssemos o que acontecerá e impormos limites em certas coisas.
Ficamos parados alguns segundo um em frente ao outro, sentindo a tensão pairar no ar, até que me abraçou novamente, mais carinhoso agora, menos desesperado e depositou alguns beijos leves em meu pescoço, enquanto eu acariciava a sua nuca.
- Senti tanto a sua falta - falou enquanto continuava a me beijar. Sua voz saiu abafada, pois estava com a cabeça enterrada em meu pescoço.
Eu sorri e continuei quieta, as vibrações que corriam do corpo de ao meu me faziam arrepiar a cada lugar em que ele tocava, como se tivessem ondas magnéticas percorrendo nossos corpos.
voltou a me encarar e assim ficamos durante mais alguns segundos, conversando apenas por olhares. Ele me olhou de um jeito apaixonado, eu nunca o vira olhar assim para mim antes, sua expressão estava frágil.
- Eu já disse que te amo? - perguntou sorrindo maroto.
- Umas três vezes. Hoje! - revirei os olhos sorrindo e ele riu junto.
- Mas eu te amo!
- Pára! - tapei o rosto com as mãos de vergonha.
Rimos e brincamos, até que o clima voltou a ficar tenso como antes.
- É sério, - murmurou me encarando profundamente nos olhos. Fiquei sem reação alguma.
- Vou falar muito sério agora: Não dá para ficarmos juntos, ta? Eu sei que é o que nós dois mais queremos agora, mas é impossível de acontecer.
- Por que? - perguntou como se eu estivesse dizendo ", que tal a gente se matar juntos?"
- Bom, eu tenho alguns motivos... - estava mais calma do que eu pensei que estaria.
- Quais são? - perguntou um pouco irritado.
- Um: Eu vou me mudar para Paris em algumas semanas; dois: Você é meu melhor amigo. Essas coisas não significam nada?
- Claro que sim, , mas eu não me importo...
- Não se importa com a nossa amizade? Não se importa por de eu estar prestes a me mudar? Ótimo saber! - o interrompi.
- Você não entendeu - começou a consertar as coisas. - Eu esperei minha vida inteira para te ter, , pelo menos agora, eu te quero. Uma única vez para te chamar de minha - seus olhos brilharam a encontro dos meus.
- T-tudo bem - pigareei, respirei fundo e disse: - o ?
- Quase me esqueci dele - sorriu fraco. - Não vou te forçar a fazer nada que você não queira. Você que sabe - deu de ombros.
- Eu quero você! - me apressei a dizer - Não vou conseguir estar contigo sem antes falar com o - mordi o lábio inferior.
Ele não pensou mais uma vez e avançou para me beijar. Acho que todos lembram do nosso último beijo, em que eu fui e voltei até o Céu milhões de vezes, eu podia jurar que não poderia haver beijo melhor do que aquele. E eu estava errada. A questão é que o que eu disse sobre "estar contigo" inclui este beijo, e por mais que eu quisesse beijá-lo para sempre, minha consciência estava pesando muito.
- ... - sussurrei culpada, e o afastei de mim - Eu ainda estou com o - tentei não sorrir, mas nunca me senti tão feliz.
Ele não se afastou demais, e ficou me encarando, aparentando estar mais feliz do que eu mesma estava.

's POV end

Capítulo 20 - In the silence of the city, there's nothing left to say.

's POV

- Boa tarde! - me pegou de surpresa, no dia seguinte, depois da aula.
Não que eu fosse ter aula, mas todos insistiram para que eu fosse mesmo assim.
- Oi! - sorri mais feliz do que imaginei que ficaria.
Ele me abraçou forte, por longos segundos, mas nem sequer tentou me beijar.
- Sem querer ser chata, mas... Precisamos conversar - falei fraco.
Ele assentiu como se pudesse ler meus pensamentos.
- Eu sei o que você vai dizer, e eu entendo completamente. Só quero te ver feliz, cariña.
- Ta bem, mas não me chame de cariña - me derrete por dentro. Mas claro que eu não disse isso.
Ele sorriu fraco, como se lamentasse.
- Eu vou ter que voltar pro México - disse com a expressão vazia, como se não tivesse sentimento algum.
- O quê? - perguntei um pouco chocada.
- Meu pai sofreu um acidente ontem, e parece que foi bem grave. Vamos ter que voltar para o México, ele não quer ser tratado em Londres.
- Quanta frescura! Ai meu Deus, e agora?! - falei indignada.
- O vai ficar, mas acho que não vou voltar nunca mais.
- Ele deve ter ficado arrasado - abri a boca de pavor, me imaginando sem minha melhor amiga.
- Vou senti tanto a sua falta - agora seu rosto mostrava uma tristeza profunda. Estávamos na mesma situação.
- Eu também vou ter que me mudar para Paris - torci os lábios - entendo perfeitamente o que você está passando.
- Quem vai dar adeus primeiro?
- Vou embora daqui a duas ou três semanas, ainda não sei.
- Eu vou depois de amanhã - essa conversa parecia estar deixando-o cada vez mais triste e sem rumo.
- Ok, mudando de assunto - avisei - preciso de um plano para fazer a e o voltarem - me senti culpada.
- Fica calma, você consegue - tentou me motivar.
- ! - chegou correndo perto de mim e segurou a minha mão com força.
Só percebi que ela estava chorando quando ela me encarou, desesperada.
- Tem alguma coisa muito errada acontecendo comigo - disse confusa - eu não sei o que fazer - deitou a testa sobre minha mão e começou a chorar mais sentida.
- O que aconteceu? - perguntei tão desesperada quanto ela.
- Faz dias que eu estou com enjôos - voltou a me encarar - e já vomitei umas duzentas vezes esta semana - sua voz ficou ligeiramente aguda.
Era incrível como ela conseguia ser dramática até quando estava surtando.
- O que você acha que é? - perguntei imóvel e chocada. - Tem que ir ao médico, .
- Eu não posso... E-eu - seus lábios tremeram - e se eu estiver grávida? - perguntou perdendo o chão e voltando aos prantos.
- Grávida? - falei um pouco mais alto do que o normal, atraindo alguns olhares.
- Sssshhhh, o não pode saber - sussurrou.
- Por quê? - perguntei surpresa - Vai me dizer que o filho não é dele? - arregalei os olhos.
- Não, claro que é... Mas terminamos - continuou sussurrando.
- Eu acho isso uma besteira, vocês deveriam voltar - cruzei os braços de birra.
- É o que eu mais quero - derramou uma lágrima dolorosa, deixando seus lábios tremerem.
- , ! - chamei os dois que estavam passando e engoliu o choro, limpando as lágrimas rapidamente.


's POV end

's POV

Nos aproximamos das garotas - e o - e logo percebemos que havia chorado, por seu rosto estar vermelho e úmido.
- Er, tá tudo bem? - hesitou ao perguntar, mas parecia realmente preocupado.
- Na verdade, vocês têm que conversar - lançou um risinho intimidador, levando os dois para um canto - Ai, ai - suspirou, aliviada - Espero que dê tudo certo - mordeu o lábio.
- Tudo o quê? - perguntei esperançoso.
- Acho que eles vão voltar - sussurrou alegre, cobrindo a boca com as mãos.
- Yay, você é incrível! - comemorei contente, mas logo desmanchei meu sorriso.
estava alí, bem diante de mim, mas eu me sentiria mal se dissesse alguma coisa perto de , que era o atual ficante dela, éca.
- Vamos embora? - perguntou calma, levantando do banquinho que estava sentada.
- Tá - dei de ombros.
- Tchau, - ela deu um beijinho em sua bochecha - até mais - sorriu aparentemente com pena.
Fomos andando até a sua casa, que era mais perto.
- Você vai entrar, né? - perguntou óbvia.
- Só porque você pediu - sorri grande.
Nos acomodamos no sofá médio no centro da sala, e ela colocou as pernas no meu colo, ficando confortável em um monte de almofadas.
- Hm, eu "terminei" com o - suspirou de olhos fechados.
- É sério? - tentei não parecer tão alegre.
- Aham - sorriu maliciosa, abrindo os olhos e avançando para cima de mim, deixando nossos lábios a milímetros de distancia.
Podíamos sentir a respiração quente um do outro batendo no queixo, e nossos olhares brilhando de felicidade.
- A gente tem algumas coisinhas pendentes - sussurrou, ainda com o sorriso malicioso no rosto.
Puxei seus ombros para mais perto, deitando no sofá e a deixando inteiramente em cima de mim, com as pernas em volta do meu corpo e as mãos apoiando o peso de seu corpo em meu peito. Ela tinha o total controle sobre mim.
- Senti sua falta, bebê - falou fininho, sorrindo inocente depois.
Aproximou os poucos milímetros faltantes e roçou nossos lábios, me fazendo fechar os olhos automaticamente. As mesmas sensações das outras vezes invadiram meu corpo. Todos os dedos começaram a formigar, meu coração acelerou e eu fiquei sem saber o que fazer com as mãos, até levar uma à sua nuca. O beijou foi ganhando intensidade, e as reações foram típicas: minhas mãos percorriam seu corpo inteiro, trazendo-a para mais perto todas as vezes que meus dedos tocavam a sua coluna e logo mudei as posições, sem separar o beijo nunca, ficando por cima e tomando controle. Suas mãos estavam dentro de minha blusa, arranhando as minhas costas lentamente - eu sabia que ficariam marcas depois. Ela me puxava para perto assim como eu fazia, dando a sensação de desejo cada vez mais, coloquei uma mão por dentro de sua blusa, acariciando sua cintura e descendo cada vez mais, até puxar seu short ligeiramente para baixo, sentindo o início de sua calcinha. soltou um leve gemido e levou as mãos para os meus cabelos, bagunçando-os e acariciando a minha nuca em seguida. Suas pernas se entrelaçaram em meus quadris, se contraindo e me puxando cada vez mais próximo. Lentamente, ela empurrou minha a cabeça para cima, nos separando.
A encarei com os lábios avermelhados, ofegante. Ficamos sem palavras, apenas nos encarávamos profundamente, sem constrangimento algum; estávamos acabando com a saudade que nos condenou por pouco mais de um mês.


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Capítulo 21 - Je t'adore, make a move, do the thing, turn around, strike a pose.

's POV

Ainda era confuso sentir tão próximo de mim e desejá-lo como mais que um amigo. Infelizmente, não se pode mandar no coração, o qual acelerava a cada movimento que ele fazia.
Estávamos assistindo TMI, seu programa preferido. Eu deitada em seu colo e ele sentado entretido com a TV, acariciando meus cabelos inconscientemente.
Cada segundo que se passava, meu coração parecia se expandir, de tanta felicidade. Estava me sentindo completa, finalmente. Nada de confusões, nada de Bourne, nada de grávida. Era só eu e ele.
Até a campainha tocar.
- Er, oi, pai - abri a porta um pouco surpresa por tê-lo ali. A última vez que me lembro dele em casa foi quando eu era apenas uma criancinha de seis anos, antes de minha mãe pedir o divórcio.
- A sua mãe está? - perguntou receoso.
- Não, a mamãe está trabalhando. Entra - sorri abrindo caminho. - Estou com o , lá na sala, se precisar de alguma coisa, avisa - tentei deixá-lo confortável.
- ? - perguntou familiar - o ? Vocês ainda são amigos? Que surpresa agradável - sorriu alegre. Seu sotaque francês estava me deixando extremamente nervosa e com raiva, enquanto eu me lembrava que teria que me mudar também.
- Sim, ainda somos amigos. Ele é meu melhor amigo - sorri fraca e desviei meu olhar, escondendo a tristeza por ter que morar em Paris.
- Está tudo bem, cerise? - ele perguntou preocupado, acariciando minha bochecha com o polegar.
Desisti de encenar uma feliz e me sentei na cadeira, derrotada.
- Na verdade, não - falei um pouco receosa por não querer magoá-lo, mas se eu não queria me mudar para Paris, eu deveria avisar - Pai, eu não quero ser chata e nem nada, eu só... - suspirei, pensando suas vezes antes de magoá-lo - eu não quero ir para Paris - coloquei a cabeça entre os braços, em cima da mesa, para não ter que ver sua expressão decepcionada.
- Por que não, ma chérie? - perguntou realmente decepcionado - Lá você terá tudo o que quiser, será um sonho! - falou um pouco mais empolgado, tentando me deixar mais alegre com essa idéia.
O encarei profundamente, neguei com a cabeça e segurei uma de suas mãos, tentando convencê-lo de que o melhor seria que eu ficasse aqui.
- Dinheiro não vai me deixar feliz, pai. Não agora, que a única coisa que eu quero é ficar aqui, com a minha melhor amiga infantil, que pensa que está grávida, o namorado bobão dela, que acha que é o Super Man e tenta me salvar, mesmo sabendo que não vai conseguir e meu melhor amigo de infância, que está apaixonado por mim... E eu por ele - expliquei, torcendo para que ele me entendesse.
- Eu achei que seria melhor para o seu futuro crescer comigo...
- Eu sei, pai, e te entendo perfeitamente - o interrompi, estava começando a perder a paciência -, mas eu amo o , e quero ficar aqui com ele - olhei para baixo, controlando o choro.
- Sucré - hesitou duas vezes e bufou baixinho -, se quer tanto ficar aqui, eu te deixo. Não vou te obrigar a mudar para Paris. Mas assim que você mudar de idéia, prometa que vai me ligar, estarei te esperando de braços abertos - sorriu abertamente com seu lindo sotaque francês.
A felicidade que eu estava sentindo era maior que o sorriso de orelha a orelha estampado em meu rosto.
- Je t'aime, papa - o abracei com vontade, sabia que o havia decepcionado - excuse-moi - torci os lábios - "Gracias" - mordi o lábio para esconder um risinho por meu Francês ser péssimo.
Corri para a sala e pulei no sofá em cima de que, ao notar meu sorriso, logo perguntou:
- O que foi, pequena? - perguntou sorrindo pelo meu sorriso estar tão grande.
- Eu vou ficar com Londres! - falei embolado, mas sabia que ele tinha entendido - não vou me mudar para Paris!
Nós dois saltamos do sofá e nos abraçamos, pulando juntos de felicidade e dizendo palavras impossíveis de entender, comemorando.
- Mon Dieu, nous serons ensemble pour toujours - me joguei no sofá e ele deitou em cima de mim.
- O quê? - fez uma careta, confuso.
- Vamos ficar juntos para sempre - sorri sincera, encarando o grande par de olhos azuis à minha frente.
Ao ouvir a tradução, ele sorriu igualmente e me beijou, menos que um beijo, mais do que um selinho. Pude sentir sua felicidade ao roçar nossos lábios.


Fim

(cena adicional, uhishuisauh)


's POV
4 meses depois...

Acordei na manhã seguinte, atrasada para o colégio. Tinha prova na primeira aula, coloquei uma roupa qualquer e resolvi usar meus novos óculos de grau, já que não tive tempo para colocar a lente de contato. Engoli um copo de suco o mais rápido possível, peguei meu skate e fui voando para a escola... Mas mesmo assim, cheguei quinze minutos depois do sinal.
- Com licença, Sr. Amaral, posso entrar? - mordi o lábio de preocupação.
- Claro, - ele sorriu para mim. Sempre fui uma de suas melhores alunas e não era de chegar atrasada. Sentei-me ao lado da , que estava com uma ruga de preocupação formada na testa, me obrigando a lembrar de perguntá-la depois da aula.
O sinal indicando o fim daquela aula bateu, e eu não perdi tempo para falar com ela.
- O que foi que aconteceu? - perguntei interessada.
Ela evitou me olhar nos olhos e respondeu lentamente:
- A gente se fala depois, - torceu os lábios e se dirigiu à sala de sua próxima aula.
Minha próxima aula era com , seu namorado de longa data e, finalmente, oficial.
- O que aconteceu com a ? - perguntei um pouco brava por ela não ter me contado.
- Eu não sei... Ela está estranha, né? O não acreditou quando eu disse que ela estava diferente.
- Aconteceu alguma coisa com ela, pelo jeito, bem séria... Fala com ela, e se descobrir, me manda uma mensagem - sorri inocente. - Senão, nos falamos de tarde na pista.
A aula passou voando, eu não consegui me concentrar em nada, sabia que tinha alguma coisa acontecendo com ela, afinal, ela sempre me contava tudo, e nunca hesitava deste jeito. Sei que pode ser birra minha, mas alguma coisa aconteceu.

's POV
No fim das contas, nós estamos juntos... Talvez a vida não seja tão injusta quanto dizem, ela só faz tudo conspirar para que as coisas dêem errado até você estar completamente preparado para que aconteça certo de uma vez. Momento Aristóteles.
Fui para a pista me encontrar com o pessoal e encontrei deitado com a cabeça no colo da , os dois se olhavam de uma maneira que, de longe, você podia sentir que se amavam. estava com a mão na cabeça dele, fazendo cafuné, mas eles não tinham um sorriso no rosto e nem uma expressão alegre.
- Quem morreu? - resolvi fazer brincadeira para ver se eles sorriam, mas os dois me olharam sérios.
- , posso falar com você? - ? Epa, coisa boa não pode ser.
Fomos para um lugar afastados do resto do mundo
- Tem que me jurar que não vai dizer para ninguém mais, tá? - seus olhos ficaram enormes e eu previ que rolariam lágrimas dali em poucos segundos. Assenti com a cabeça ao seu pedido. - Eu estou grávida. - e as lágrimas começaram a rolar.
A abracei forte. Minha ficha ainda não tinha caído e demorou alguns segundos para isso acontecer.
- O QUÊ?! - perguntei incrédulo.
Ela apenas continuou chorando, e eu fui sentido a sua dor, aos poucos. Controlei-me para não ficar irritado com ela, afinal, eu sabia que ela não tinha culpa. Ou tinha, mas sabia que não estava nem sonhando com um filho. Não no último ano do colégio.
O choro foi cessando e milhões de perguntas surgiram em minha mente, que eu preferi guardá-las para mim mesmo, pois acabaria sendo grosso.
- O que vocês estão pensando em fazer agora? - perguntei, tentando ficar calmo e não surtar.
- Vamos ter que cuidar desta criança, né? - enxugou o rosto, parando de chorar completamente.
- Esses testes de farmácia, muitas vezes, não dão certo. - tentei acalmá-la.
- Mas não quando os cinco deram positivo!
Continuamos nos encarando. Eu não tinha palavras. Meus melhores amigos iriam ter um bebê!
- Por mais que pareça o fim do mundo, ainda tem um lado bom: Daqui a nove meses, quando o bebê nascer, eu já terei terminado o colégio, e poderemos cuidar dele sem termos que nos preocupar com provas e matéria.
- E o seu sonho de ir para Princeton?!
- Meu sonho vai ter que esperar - suspirou - A única coisa que eu quero agora, é cuidar desta criança. Eu sempre quis ser mãe - sorriu fraco, tentando esconder todos os problemas daquela gravidez precoce atrás daquele sorriso de garotinha.
Ela estava sendo tão pacifica em relação àquilo tudo, que estava me deixando um pouco irritado. Como ela pode estar enganando a si mesma deste jeito? Será que não pensou nas conseqüências daquilo?
- , é uma vida que está aí dentro, e não um boneco! Você vai ter que esquecer completamente de você e se preocupar o tempo inteiro com o bebê, sabe o quanto isso é difícil? - tentei colocá-la novamente dentro da realidade.
- Eu sei, , só estou tentando ver o lado bom da coisa, tá?! Não precisa jogar a realidade na minha cara toda vez que eu começar a sonhar acordada com essa criaturinha que está dentro de mim - acariciou a barriga, sorrindo novamente.
A , definitivamente, não estava pronta para ter um filho! Não com aquelas atitudes imaturas que ela costumava ter. As atenções sempre precisavam estar nela, e quando ela ver que vão estar com o bebê o tempo todo, vai ter um colapso nervoso e surtar completamente! De todos nós, ela com certeza, era a mais imatura, por isso não conseguia enxergar os problemas gigantescos que isso teria.
- A já sabe? - perguntei aflito.
- Sim. - respondeu calma.
Voltamos para perto do .


N/A: Gente, esse é o último capítulo da fanfiction! É tão deprimente que eu acho que vou chorar (ok, não) A fanfic ficou quase um ano em andamento e agora acabou, no dia 30 de abril de 2009 eu mandei um email para a Cilla pedindo para ser minha beta e depois disso foi só alegria! UIHASUHISA, ok, não só alegria, hm. A fic teve altos e baixos, claro, mas vou dizer que nunca vou esquecer de alguns comentarios que me tocaram muuito e me motivaram a continuar escrevendo todos os dias, gente dizendo que chorava com as atts, que gostava de tal parte e odiava outras, pessoas que criticavam pra caramba a fanfic, as vezes que eu mandava a att sem a nota da autora e precisava mandar mil emails para ficar certo ._. Tudo isso chegou ao fim, e é por isso que eu estou triste. Claro que vou começar fanfics novas, mas nada se compara à primeira vez que você passa por essas coisas, e como essa foi a minha primeira fanfiction, queria agredecer por fazerem parte dessa experiencia, que me fez crescer cada dia mais. A próxima fanfiction se chama Good Boys, para quem quiser acompanhar. Estará no site em breve (: