
Introdução.
" - Hesol's Senhor Flanraff?
- Mas é claro Senhora Flanraff!
'... and i'm crazy for you!' ''
Ai! Eu adoro esse filme! Ele é tão bonitinho, não consigo segurar as lágrimas. Bom, na verdade eu adoro todo tipo de comédia romântica né, mas esse é especial... a história de uma menina de 13 anos que de repente acorda com 30 e descobre que sua vida não é o que sempre sonhou... E no final? Quando ela descobre que seu melhor amigo se tornaria o amor da sua vida no futuro? Lindo! Nunca parei pra pensar o que eu faria quanto tivesse 30 anos. Hmm, eu seria uma cantora super famosa e casada com um ator de Hollywood extremamente rico e gostoso, como o Zac Efron, o Logan Lerman, o Jude Law... Oh my Jonas! Mas por enquanto sou uma garota comum de Londres, com apenas 15 anos e que é obrigada a ir ao colégio todo santo dia - menos nos finais de semana, claro. Acho melhor ir dormir, senão não vou conseguir acordar para completar a minha odisséia semanal. Afinal, amanhã é quarta-feira!
Capítulo 1.
"...you break your little heart”
- Mas que porra! – gritei, procurando meu celular para desligar aquela música infernal. Nada contra o All Time Low, adoro eles, principalmente essa música, mas quando se está na melhor parte do seu sonho com o Zac Efron e é acordada pelo despertador, a raiva sobe a cabeça. Após finalmente conseguir achar meu celular no meio da bagunça, desliguei a música e fui direto ao banheiro tomar banho e fazer minha higiene matinal. Saí enrolada numa toalha e tremendo um pouco por causa do vento gelado que estava vindo da janela aberta.
Troquei-me o mais rápido que pude, coloquei o uniforme que era uma mistura de branco e vinho e desci correndo para tomar o meu café.
- Oi mãe, oi pai. - falei sem ânimo, já com a mochila nas costas, indo pegar uma maçã na geladeira
- Bom dia, minha querida! - minha mãe disse e veio me dar um beijo na bochecha. - Coloque um casaco porque está frio, hein mocinha... - Revirei os olhos e balancei a cabeça positivamente.
- Venha minha filha, eu te levo, já estou de saída. - falou meu pai, enquanto levantava da mesa comendo seu último pedaço de pão.
- Não precisa pai, já estou bem grandinha viu? E outra, não vou sozinha, o vai comigo, como sempre! – ao finalizar, percebi que minha mãe abriu a boca pra falar alguma coisa, mas antes que ela pudesse começar, gritei um tchau e saí correndo em direção à porta. Peguei as chaves no bolso da mochila e abri a porta, dando de cara com um par de olhos e uma mão fechada batendo no ar.
- Hey ! - abri um pequeno sorriso enquanto acenava para o garoto, fechando a porta logo em seguida.
- Oi, ... err, bom dia! - disse de um jeito tímido enquanto passava as mãos nos cabelos, bagunçando-os ainda mais.
- Vem dude, não podemos nos atrasar, hoje tem prova de química! – falei e puxei sua mão, já que ele não saía do lugar. é meu melhor amigo desde que eu me entendo por gente. Na verdade, nos conhecemos desde que eu nasci. Ele é alguns meses mais velho que eu, sempre fomos vizinhos e nossas mães também são amigas de infância. Sempre fizemos tudo juntos. Ele sabe tudo o que penso e tudo o que sinto, da mesma forma que sei tudo sobre ele.
Apesar de não ser notado pelas meninas do colégio, eu considero o lindo e sempre tive minhas quedinhas por ele, mas nosso relacionamento nunca passou de amizade.
Fomos o caminho todo rindo com algumas piadas novas que aprendera ontem em um programa de TV. Assim que chegamos ao colégio, fomos direto em direção aos nossos armários, que eram lado a lado. Porém, quando estava quase chegando ao meu armário tropecei em um pé. Giorgia! Ela e seus clones oxigenados riam escandalosamente enquanto eu estava jogada no chão.
- !? Você está bem? – Ouvi perguntar, levantando a cabeça para encará-las com cara de poucos amigos. Meu sangue fervia. Juro que se eu não tivesse visto Ryan vindo em minha direção, teria levantado e dado uma porrada bem no meio da fuça daquela puta maldita. Sim, era ele, o cara mais bonito, gostoso e popular do colégio, bem ali na minha frente estendendo a mão pra mim!
Segurei a mão dele, um pouco desconfiada e tremendo. Levantei-me devagar e dei um pequeno sorriso sem ao menos perceber. Sem soltar nossas mãos, Ryan olhou pra mim com um sorriso maravilhoso.
– Oi, sou Ryan Wilders, mas pode me chamar apenas de Ryan, você está bem?
- Eu sei quem você é, aliás, todos sabem, sim, sim, estou bem obrigada! – Sorri mais ainda e, ao olhar nossas mãos juntas, corei levemente. Puxei minha mão, soltando-a da dele, que me olhou com uma cara esquisita.
- Ei! Não era pra soltar – O garoto falou, pegando em minha mão novamente. – Sua mão é tão macia, por mim não soltava mais!
Mas antes que eu pudesse dar-lhe uma resposta, ouvi barulhos atrás de nós. Virei-me receosa e vi as cinco ridículas com cara de bunda, nos olhando passadas.
- RYAN WILDERS! O QUE FOI ISSO? – Giorgia gritava, extremamente vermelha.
- O quê? Ah, Giorgia, me esquece, não enche o saco vai! – Ryan disse com cara de desprezo para as meninas e voltou a sorrir pra mim. – Te vejo mais tarde linda?
- S-sim! – foi o que eu consegui responder e depois fiquei observando ele andando pelos corredores brancos do colégio. Ryan virou-se e deu uma piscada pra mim, que sorri abertamente e me encostei-me ao meu armário.
– Ai ai! – Suspirei e encarei o nada.
- Alô alô, alô alô, Planeta Terra chamando! – balançava as mãos na minha frente.
- Hein? – perguntei, olhando nos olhos dele.
- Acorda star girl, temos prova de química lembra?
- Ah sim, vamos lá! – falei com um falso ânimo e fui em direção a sala de aula.
Capítulo 2.
Depois de fazer a interminável prova de química, encontrei o me esperando para o intervalo. Olhei para os lados discretamente, tentando achar o Ryan.
- Tá procurando ele, não é mesmo? – Ele perguntou num tom desanimado.
- Ele quem? O Ryan? – confirmou com a cabeça. – Não, não. Tô procurando o ... os meninos e as meninas! – sorri de lado.
- Sei, se eles fossem cobras já tinham te mordido! – disse rindo apontando o nosso ‘grupo’ de amigos sentados em uma mesa no refeitório. Soltei uma gargalhada e fui puxada pelo garoto para sentar-me com eles.
- E o que me dizem, gente bonita? – cumprimentou todo mundo.
- Já tava na hora né?! Ae , tem que ir mais devagar com , poxa! – falou, olhando de mim para , o qual deu-lhe um pedala.
- Acharam a prova difícil? – , que estava abraçada a , perguntou, dando um beijo na bochecha do namorado logo em seguida.
- Não! – e responderam juntos e disparam a rir. É claro que estava fácil, eram os mais esforçados da turma e sempre se davam bem em épocas de provas.
- Novidade! – revirou os olhos. – Ai, vocês tem que passar nota pra mim, assim não dá! Quero ir para Paris esse mês viu?!
- Só não te ajudo meu amorzinho, porque também não sei. – deu um selinho na namorada, que sorriu.
Uma conversa começou, mas nem prestei atenção. Tudo que eu ouvia eram gargalhadas e via tapas para todo lado. Só conseguia pensar em uma coisa: o que foi aquilo? Afinal, o que Ryan queria comigo? Porque ele falou daquele jeito com a própria namorada? Aposto que ele nem sabe o meu nome, aff!
- E você, ? – ouvi alguém me chamar e acordei de meus pensamentos.
- Como? – Respondi um pouco atordoada.
- O que está acontecendo com você hoje? – perguntou, me olhando esquisito.
- Comigo? Nada! Só sono mesmo.
- Aposto que tem homem aí no meio! – falou rindo, olhando de mim pra . Mas que saco! Porque eles sempre fazem isso?
- Nem olha pra mim, foi aquele Ryan. – falou a última parte cabisbaixo.
- Ryan? Ryan Wilders? Por que? O que houve? – perguntou preocupada.
Respirei fundo e contei para todos o que havia acontecido logo de manhã. Notei que o me olhava com um olhar diferente, que eu nunca tinha reparado antes.
Estava jogada na minha cama ouvindo música quando ouvi o meu celular tocar. Atendi desanimada, sem nem olhar quem era.
- Fala!
- Nossa! Quanto amor ein! – Reconheci aquela voz que tanto me animava, sorri instantaneamente.
- ! Foi mal, tava aqui pensando na vida, mas eae, pode falar molecão! – soltei uma risadinha, que tornou-se mais alta quando ouvi a dele.
- Err , vem aqui fora na varanda, quero te falar uma coisa.
- Ok! – Murmurei e desliguei o celular, jogando-o na cama. Corri até a varanda e quando abri a porta ele estava lá, sorrindo pra mim. Me aproximei dele e lhe dei um beijo demorado na bochecha. – Pode falar.
- Tá! Espera. – Percebi que ele estava nervoso, já que bagunçava os cabelos sem parar.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada, ele já estava me assustando.
- Não, é só que... droga. – ele disse a ultima palavra baixinho.
Percebi que aquilo ia demorar um pouco e revirei os olhos. Ao reparar como a lua estava bonita, tive uma idéia.
- Hey ! – interrompi- Vem cá! – Fui seguindo pela minha casa indo até o jardim dos fundos. me seguiu sem falar nada. Parei em frente a uma árvore que tinha uma casinha pintada em verde e laranja, já um pouco desgastada por causa do tempo - Lembra?
- Nossa casa no espaço! – disse sorrindo imensamente ao reparar a casa.
Comecei a subir, e quando estava quase no topo olhei para ele, que ainda estava parado me observando com cara de confuso.
-Vamos lá , isso aqui agüentava meus pais, lembra? – ele riu e subiu logo atrás de mim. Aquela casa tinha sido construída por nós e nossos pais quando tínhamos quatro anos. Não era grande, mas bastante aconchegante.
- Nossa, quanto tempo que eu não venho aqui, nem lembrava mais disso! – disse, admirando a casa.
- Pois é! –olhei pra ele e sorri involuntariamente, lembrando de quando éramos menores. Segui calada até a janela e olhei a lua maravilhosa. veio logo atrás e apoiou-se na janela como eu. – Lembra de quando vínhamos nesse lugar e dizíamos que quando nos casássemos moraríamos aqui? – disse rindo, ainda olhando pra lua.
- Mas é claro, seria impossível esquecer! Er , eu queria te pedir pra... que merda! – Ele dizia todo sem jeito e com um sorriso tímido no rosto.
- Hey my star boy, relax ok? – Disse tentando acalmá-lo.
respirou fundo e disparou a falar:
– Queria saber se você quer ir ao baile de primavera comigo , você topa? Quer dizer, sempre fizemos tudo juntos e sei lá, queria que o meu primeiro baile fosse com você, porque você sabe né, minha mãe...
- É claro que eu aceito! – Disse rindo da cara que ele fez.
- É mesmo? M-mesmo? – Ele repetiu desconfiado.
- Seria uma honra ir ao baile com você, meu star boy! – Dei um beijo demorado em sua bochecha e ele me abraçou sorrindo. Ficamos ali abraçados mais um tempo, observando a lua.
Capítulo 3.
Lá vamos nós para mais um dia de inutilidades e perda de tempo. Fui ao colégio junto com e ele estava muito empolgado com o baile. Sua mãe tinha ficado feliz em saber que eu aceitei. Não fiquei surpresa com isso, afinal, contava tudo para sua mãe.
Tivemos aulas normais e igualmente cansativas, voltamos do intervalo para as duas últimas aulas - de biologia. Hoje as duplas seriam sorteadas pra um trabalho em grupo. Os nomes iam sendo sorteados e eu torcia para cair com um de meus amigos. Fiquei totalmente surpresa ao saber quem era minha dupla.
– e Giorgia Smithers! – A professora anunciou.
- O QUÊ? – berramos ao mesmo tempo. Como é que é? Isso só podia ser um castigo ou praga de alguém, só pode.
- Ok , na minha casa amanhã às 6 horas, não se atrase! – Giorgia disse com nojo na voz. Em seguida ela jogou o cabelo pra trás e saiu, sendo seguida por suas fieis escudeiras.
O dia passou sem mais delongas e nada pior do que isso aconteceu (graças ao meu bom Deus!). No dia seguinte, como era sábado, acordei tarde e fiquei enrolando até o tempo de ir à casa da Giorgia. Faltando 20 minutos pras 6 horas, saí da minha casa em direção a dela. Chegando lá, bati na porta e a própria veio me atender com um sorriso até que simpático no rosto. Ela me mostrou a casa e finalmente fomos ao seu quarto. Ela estava sendo muito simpática pro meu gosto.
- Ai, nem estou a fim de estudar hoje ! Vamos dar uma festa já que meus pais estão viajando, que tal? – Ela falou, com um brilho nos olhos. Eu? Numa festa com os populares? Ta, só pode ser piada, cadê a câmera?
- Não sei, a casa é sua...- falei dando de ombros.
-Vamos lá , você vai gostar, pega. – Ela jogou o telefone em mim. - Liga aí pras pessoas que eu vou ver se tem cerveja lá embaixo. Ah, antes que eu me esqueça, me chama de Gio. – ela sorriu amigavelmente e saiu pela porta do quarto.
Meu Deus! Quem é essa pessoa e o que ela fez com a Giorgia? Quer dizer, com a Gio? Ah, tanto faz! Só sei que eu estou gostando dessa nova ‘Gio’.
Disquei todos os números da lista e, em poucos minutos, a casa estava cheia. Gio me apresentava a todos, que me recebiam amigavelmente. Estava adorando aquilo, meu sonho estava se realizando. Só faltava meu príncipe encantado. Até que senti uma mão em minhas costas, e sim, era ele!
- Oi linda, finalmente nos vemos novamente! – Ryan falou com um sorriso encantador.
- Oi Ryan! É mesmo!
- Você poderia me falar seu nome, por favor? Estou louco tentando descobrir. – ele disse fazendo um bico muito fofo, não tinha como resistir.
- Meu nome é , mas pode me chamar de . – Meu deus! Com esse sorriso você pode me chamar do que quiser meu bem.
- Ok , queria saber se você tem par para ir ao baile de amanhã? – O que? Baile? É claro que eu aceito senhor delícia.
- Mas e a Gio? – perguntei, tentando dar uma de difícil.
- Quem? A Giorgia? Ah! A gente terminou, somos só amigos agora. Então, você aceita? – sem que eu tivesse tempo de pensar, ele me puxou pela cintura e encostou o seu nariz no meu.
- Ok, passe lá em casa às 9 horas e não se atrase! – soltei-me dele, mandando-lhe um beijinho no ar, e saí andando pela festa conversando com as pessoas. Ai, isso é bom de mais pra ser verdade!
Capítulo 4.
Ah, hoje o meu sonho vai se realizar! Vou para o baile com o garoto, vou dar meu primeiro beijo e vai ser tudo perfeito! Nada e nem ninguém pode estragar o meu dia, NADA! Nem essa merda de celular que fica tocando sem parar.
– JÁ VAI CACETE! – gritei, procurando meu celular - Quem perturba o meu sono de beleza matinal?
- ? – disse rindo do outro lado da linha.
- Não, aqui é a Vanessa Hudgens baby! – rimos juntos.
- Então... A que horas eu passo aí hoje?
- Hein?! – Que merda essa? Ir onde, quando e por quê? Hã?!
- Você anda muito desligada mocinha, nem tem falado com a gente direito esses dias, sumiu... Mas enfim, o baile do colégio hoje à noite, lembra?
Mas é claro que eu lembro, como poderia esquecer a noite da minha vida? Eu, no meio dos populares com o Ryan. É, realmente não tem como esquecer.
- É claro que eu lembro pô!
- Então cabeçuda, que horas eu passo aí pra nós irmos juntos?
Péra... A gente? Juntos? Ai cacete, o ! Que merda, tinha me esquecido disso! Ah, mas ele nem vai se importar mesmo...
- Então , preciso te contar uma coisa... Você sempre soube que eu tive uma queda pelo Ryan né? Uma queda não, um barranco inteiro. Eu tava na casa da Gio fazendo o trabalho ontem e ele também tava lá, e me chamou pra ir ao baile hoje com ele, você não se importa né? – fiquei aguardando uma resposta, mas ele não disse nada, ficou em silêncio. Comecei a ficar irritada. - ?!
- Não, não me importo, bom baile pra vocês – foi tudo o que ele disse antes de desligar o telefone na minha cara. Mas que putaria é essa? Quem ele pensa que é pra ficar desligando na minha cara? Que se foda, nada pode estragar meu dia, nada!
Passei o dia inteiro sem falar com ninguém, apenas me arrumando pro baile. Fiz as unhas, fui ao salão, enfim, fiz tudo que uma mulher tem direito antes do seu primeiro baile. Fiquei pensando no e tentei ligar pra ele algumas vezes, mas ele não me atendeu. “Desencana , de noite ele vai estar lá, afinal à banda dele vai tocar né.”
O tinha uma banda junto com o , o e o , nunca ouvi nenhuma música deles porque o não deixava, ele dizia que na hora certa eu iria ouvir. Bom, acho que essa hora é hoje à noite.
A hora tão esperada chegou, nove horas em ponto! Estava dando uma última olhada no espelho antes que o Ryan chegasse. Ual, realmente eu me superei, nunca me vi tão bonita! Estava usando um vestido roxo frente única que ia até metade da coxa, com alguns detalhes brilhantes e uma faixa num tom mais claro e também brilhante marcando logo abaixo dos seios. Meu cabelo estava preso em um coque frouxo, com algumas mechas soltas que formavam cachinhos. Minha maquiagem estava mais forte do que costumo usar e estava simplesmente adorando. E finalmente os sapatos! Minhas sandálias eram prata, bem delicadas, com um salto agulha de 10 centímetros. Passei dias treinando para não fazer feio na hora do baile. Olhei no relógio e já eram 9:10. Onde estava o Ryan?
- Calma , relaxa, ele vai chegar! – disse pra mim mesma, tentando me acalmar. Peguei meu iPod e sentei-me na minha cama com cuidado para não amassar a roupa. Tentei não olhar para o relógio, apenas fiquei ali cantando por longos minutos que pareciam não passar. Quando olhei no relógio novamente, já eram 10:30. COMO ASSIM? ONDE ESTAVA O MERDA DO RYAN? Um desespero começou a passar pelo meu corpo e eu senti as lágrimas chegando.
-Burra! Imbecil! Otária! – Eram as únicas coisas que conseguia falar.
Meus murmúrios foram interrompidos pelo toque escandaloso do meu celular. Saí correndo para atendê-lo, talvez fosse o Ryan!
- ? Onde você está? Os meninos já vão começar a tocar! – reconheci como sendo a voz da .
- ! O está aí? Deixa eu falar com ele? – Precisava falar com o , lhe pedir desculpas depois da cagada que eu fiz.
- Ele não está com você? – perguntou, me parecendo preocupada.
- Não, eu estou em casa! – Meu Deus, onde esse menino se meteu?
- Nossa, o disse que ia te procurar e sumiu.
- Ok, tô indo aí, me esperem.
Desci as escadas correndo, e ao abrir a porta dei de cara com machucado.
- Aloka! O que houve contigo? – Olhei assustada pra ele, que estava sangrando muito no nariz.
- O Ryan! – ele disse entre dentes.
- O que tem o Ryan? Você o machucou, ? – Falei irritada me afastando dele. Então era isso? Ele tinha estragado a minha noite? Isso não vai ficar assim!
- O que? Aquele mané te enganou ! – Ele falou indignado.
- Aff, o Ryan nunca faria isso ! Quer saber de uma coisa? Vá embora, eu te odeio! Esse é o pior dia da minha vida! – Tentei bater a porta, mas ele a segurou com o pé. Ao perceber que ele entraria, saí correndo em direção ao lavabo e tranquei-me lá dentro. Sentei-me no chão e abracei minhas pernas, balançando meu corpo sem parar. Logo as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, sem previsão de término. esmurrava a porta do banheiro, tentando abri-la.
- Eu odeio você , odeio a minha vida, odeio tudo e todos! Mas que merda, queria crescer de uma vez, queria ter trinta anos como no filme! Trinta a idade do sucesso, trinta a idade do sucesso...
Capítulo 5.
- Que dor de cabeça! – estava sentindo uma dor horrenda! Tentei abrir os olhos, mas estava tudo muito escuro. Comecei a me levantar e senti uma coisa macia sob meus pés. “Não me lembro do chão do banheiro ser tão fofinho assim”, pensei enquanto caminhava sem rumo.
– CARALHO! – pisei em falso e logo senti meu coro caindo em uma coisa dura, provavelmente o chão. Coloquei a mão em minha testa e tentei esfregar os olhos, mas uma coisa me impediu. – Uma máscara é claro! – disse ironicamente e retirei a mascara que impedia minha visão. – MAS QUE PORRA É ESSA? – me assustei, aquele não era o meu banheiro. De quem ele era aquele quarto? Ai meu Deus, o que eu fiz ontem à noite? Ai meu santo Efron!
Andei pelo quarto estranho apavorada, era tudo tão... roxo! Eu sempre quis um quarto com tudo roxo, mas minha mãe nunca permitiu, ela diz que quartos tem que “ter uma cor neutra”. Falando em...
– MÃÃÃE! – gritei inutilmente. Continuei caminhando, aquele quarto era enorme e bagunçado. Jesus Luz! Avistei uma porta, devia ser o banheiro. Bom, preciso mesmo usá-lo, e acho que a pessoa não vai se importar. Segui até aquela porta e me deparei com várias... roupas? Era um closet! – Que tudo! – sussurrei enquanto caminhava pelas e roupas e...
-AAAAAAAAAAAAAH - Minha Nossa Senhora da Bicicletinha, dai-me equilíbrio, já estou imaginado coisas! Olhei-me novamente naquele enorme espelho que se encontrava na salinha e suspirei. Era eu, de pijama (se é que podemos chamar esse treco que eu estou usando de pijama). E eu estava um pouco, digamos... Diferente. Coloquei as mãos no meu rosto, aquilo não era possível. Fui descendo-as pelo meu pescoço e depois... – MEU DEUS, EU TENHO PEITOS! – gritei com os olhos arregalados ainda fitando a ‘minha’ imagem. Passei as mãos por todo meu corpo e estava tudo maior. Como assim? – MÃE! PAI! SOCORRO! – saí correndo e gritando, percebi que estava numa casa completamente desconhecida, e puxa, como era grande. Era muito bonita e de muito bom gosto, isso eu não posso negar. Deparei-me com um pôster meu na parede e fui me aproximando. Ele era realmente grande, mas não tinha só eu ali. Também havia mais cinco garotas que eu já tinha visto em algum lugar. No pôster eu usava uma roupa preta curta e bem apertada, diga-se de passagem, mas até que eu gostei.
- Oi gostosa, você viu minhas boxers? - WTF? Eu acho que eu perdi alguma coisa. Alguma não, várias coisas!
- O quê? Quem é você e porque tá pelado!? – reparei assustada em um homem, hmm, até que bonito, só de toalha e com um físico mais que bacana vindo em minha direção. Arregalei os olhos – NÃO ENCOSTA EM MIM, PAAAAAAAI! – berrei, estava ficando desesperada.
- Esse joguinho de novo? Ok, não me canso dele mesmo! – O homem fez uma cara de safado nojenta e veio pra cima de mim. Sem pensar duas vezes saí correndo, peguei um sobretudo e um par de scarpan que estavam na porta, uma bolsa (que deveria ser minha) e disparei pra fora daquele apartamento, deixando o homem gritando meu nome.
Entrei no elevador e apertei o térreo. Reparei que estava na cobertura do prédio, o qual possuía vinte e cinco andares. Enquanto esperava o elevador descer, coloquei meu sobretudo e meus sapatos. De repente uma música começou a tocar e minha bolsa vibrou, logo abri-a tentando achar o que deveria ser o meu celular. O elevador parou e uma mulher me cumprimentou, entrando no elevador. Percebi que estávamos no térreo, então sorri amarelo para a mulher e corri em direção à porta de saída do prédio.
Várias pessoas me cumprimentavam, mas eu só balançava a cabeça, não conhecia ninguém! Finalmente saí daquele lugar que era realmente chique, mas que estava me dando um pouco de medo. Olhei em volta e suspirei, ainda estava perdida... Ouvi meu nome e comecei a procurar quem me chamava, olhei para uma mulher... Esperaa, eu já vi essa mulher no... no... NO PÔSTER!
- Vem logo ! A gente vai se atrasar, e dessa vez a culpa será sua! – Ela disse rindo e apontando para a porta de trás de um Audi A8 preto, muito digno.
- Desculpa, mas... Eu te conheço? – perguntei com um pouco de receio, não sabia quem era aquela mulher e qual seria a reação dela.
- Ai ! Bebeu demais de novo não foi? Entra aí no carro que eu te dou um remedinho vai. – ela olhou pra mim com um olhar divertido e me puxou para dentro do automóvel.
- Aonde vamos senhorita Giorgia? – O que o motorista falou? Gio quem?
- Pra gravadora! – Ela respondeu a pergunta do homem dando de ombros. Ai Jesus! Eu já ouvir dizer que ressaca é uma coisa péssima e que deixa as pessoas um pouco atormentadas, mas no meu caso, a situação tá péssima.
- Preciso de um médico! – falei encarando a tal da Giorgia.
- Pára de ser boba mulher! As meninas já estão nos esperando pro ensaio. Não esquece que a letra mudou e a coreografia também hein! Ah, deixamos a Chelsea escolher o figurino pra não fazer aquele escândalo de novo. – Ela disse olhando pela janela. Eu ia responder alguma coisa, mas fui interrompida.
- Chegamos senhoritas, até mais tarde senhorita Smithers, até mais ver senhorita , tenham um bom dia. – O motorista disse enquanto saíamos do carro. Como ele sabe meu nome? Fiquei parada tentando entender a situação, mas fui puxada por Giorgia.
-Venha gata, estamos mesmo atrasadas!
Olhei pra frente e pude ver a entrada da Universal Records. Não consegui andar, piscar, nem pensar. Se não fosse Giorgia me puxar, estaria no mesmo lugar, só observando a entrada do céu.
Capítulo 6.
-Bom dia senhorita Smithers, bom dia senhorita – Uma moça loira e bonitinha nos cumprimentou quando entramos no saguão.
- Oi. – Sorri amarelo para a moça – Quem é essa? – sussurrei pra Giorgia, que andava ao meu lado de cabeça erguida.
- Tanto faz – Ela respondeu com desprezo, ainda andando, sem ao menos me olhar.
Fiquei observando o lugar. Era tudo muito empolgante, eu me sentia extremamente bem, mesmo não sabendo o que estava fazendo ali. Segui Giorgia até entrarmos numa sala.
- Demoraram lindinhas, experimentem suas roupas e vamos ao trabalho, temos muitas coisas para preparar hoje, divas – Um homem (com certeza gay) disse, nos entregando dois cabides com roupas bem interessantes. – As outras meninas já estão trocadas repassando a música no estúdio B, só faltam vocês poderosas – Ele fez uma cara esquisita e soltou um ‘rugido’ enquanto mostrava as ‘garras’. Ri com a atitude da biba louca e segui até o que parecia ser o provador.
Tirei a roupa que usava e vesti a que o Ray (assim que chamavam o gay) pediu. Olhei-me no espelho, admirando a roupa. Usava um vestidinho curto um pouco soltinho, com mangas também curtas. Amei, ele tinha um tom meio verde musgo, um charme! Calcei os sapatos de bico fino amarelos que me entregaram e segui uma moça baixinha até o tal estúdio B. Deparei-me com mais quatro garotas igualmente vestidas como eu, só que com cores diferentes. Todas vieram me cumprimentar com beijinhos e abraços.
- Gostou da escolha ? Achei que ia ficar legal assim! – Uma ruiva de olhos incrivelmente verdes me perguntou sorrindo. Ela que escolheu essas roupas? Ah! Essa deve ser a Chelsea.
- Err, sim, sim, as roupas são lindas Chelsea, eu adorei. – disse um pouco tímida.
- Eu não gostei, e acho que a Giorgia também não vai gostar, onde já se viu? Todo mundo igual? Tem que ser uma coisa mais original. – Uma Loira oxigenada de olhos castanhos claro, quase verdes, disse com um certo nojo na voz.
- Cala a boca Clair, da ultima vez que você escolheu as roupas, parecia que tínhamos acabado de sair do zoológico, se não fosse a , a Katty, e a Lizzie, aquele clipe jamais teria saído! – Uma morena de cabelo bem curto e preto disse com um sorriso vitorioso no rosto.
- Tanto faz Lauren, mas a Giorgia não vai gostar! – Clair (já estou decorando o nome delas) disse, dando de ombros.
Elas começaram a discutir e a se xingar. Meu santo Efron, o que mais pode me acontecer hoje? Afinal, quem eram aquelas loucas e porque estavam brigando mesmo? E pior, o que EU estava fazendo ali no meio? Cansei dessa sensação, não agüento mais ficar perdida, tô pior que os carinhas de Lost dude! Só tem uma pessoa que pode me ajudar, o ! Só espero que não esteja mais bravo comigo. Reparei que a garota baixinha que havia me levado até o estúdio estava lá mexendo em alguns papéis.
- Hey! – Me aproximei dela sorrindo.
Ela se virou para mim, também com um sorriso simpático.
– Deseja alguma coisa senhorita ?
- Por que todos vocês me chamam de ‘senhorita ’? Só já está ótimo – disse com uma voz divertida e percebi certo espanto na menina. – Ok, posso te pedir um favor é... – Eita, eu não sabia o nome dela, que coisa mais indecente , fica pedindo as coisas pra menina e nem sabe o nome dela, ótimo, pontos pra você!
- Ingred! – ela fez uma careta – Mas é claro senho... ! É só pedir, estou aqui pra isso.
- Então Ingred, você pode achar esse cara aqui pra mim, por favor? – peguei um papel e uma caneta que estavam em cima da mesinha e escrevi ‘ ’.
Ela pegou a folha de minhas mãos e me olhou com um sorriso malicioso no rosto – Mas é claro, com licença. – E saiu em direção ao saguão.
Fiquei parada alguns minutos tentando entender o porquê daquele sorriso de Ingrid, mas fui acordada de meus pensamentos ao ouvir um grito. Olhei na direção de onde o som tinha vindo e reparei que Chelsea chorava e Giorgia gritava alguma coisa com as outras quatro meninas. Resolvi ir até lá saber o que estava acontecendo.
- Mas o que é isso? – perguntei já atrás de Giorgia e todas olharam pra mim.
- Olha essas roupas ! Ridículo! Não sei quem é pior aqui nesse grupo, eu já disse que quero fazer carreira solo, aff! Ou melhor, só eu e você, sem essas inúteis! – Giorgia cuspia as palavras com raiva e pude perceber os olhares tristes das outras quatro meninas.
- Por hoje é só meninas, vamos para casa descansar, amanhã damos um jeito em tudo – Disse meio receosa, mas logo sorri quando recebi o sorriso de Chelsea. as outras meninas, inclusive Giorgia, bufaram e se retiraram do estúdio.
- Obrigada – Chelsea sussurrou antes de sair.
Balancei a cabeça tentando organizar meus pensamentos e também me retirei daquela sala. E agora? O que eu ia fazer? Estava completamente perdida, não conhecia nada e nem ninguém que estava a minha volta. aquela sensação de ‘lost’ voltou a me dominar, até que vi Ingred se aproximando.
- Aqui , aqui está o endereço de – Ela disse em um tom vitorioso na voz enquanto me entregava o papel com os dados.
- Muito obrigada – sorri sincera e disparei em direção a saída. Eu precisava encontrar , só ele podia me ajudar.
Capítulo 7.
Lá estava eu no endereço que o papel indicava. Encontrava-me em frente a um prédio simples, mas que aparentava ser aconchegante. Andei até o portão e percebi que havia um painel com vários números. Apertei duas vezes o número 53, que era o número que eu tinha registrado em meu papel como sendo o apartamento de .
- Alô, alô! – Uma voz grossa de homem saiu do interfone e eu fiquei sem reação por alguns segundos.
- ? ? Eu não sei se é o certo, mas se a sua banda favorita for Beatles, se você adora lagartos e o se seu filme favorito for De volta para o Futuro eu preciso falar com você agora! – soltei tudo de uma vez e finalmente parei para respirar.
- Hein? Alô? Olha, eu não entendi nada. Se você for do restaurante chinês, por favor, toque duas vezes, senão eu não quero nada, obrigado!
Sem hesitar apertei rapidamente o botão com o número 53 duas vezes. Em fração de segundos o portão se abriu. Entrei no prédio e chamei o elevador. Ao entrar apertei o botão do quinto andar e comecei a balançar a cabeça freneticamente enquanto aguardava. O elevador parou e eu disparei pelo corredor, dando de cara com uma porta com o número 53 estampado nela. Respirei fundo e dei duas batidas na porta.
A porta se abriu revelando apenas uma pequena visão da casa, já que estava com a trava.
- Você não é chinesa...- Ouvi aquela voz que antes estava no interfone dizer e olhei para o homem na minha frente. Meu Deus! Ele tinha mudado muito e estava extremamente lindo! Apesar de ver apenas um de seus belos olhos , sabia que era ele, aqueles olhos eram inconfundíveis! tinha mudado bastante, estava mais ‘forte’, vamos dizer. Os cabelos estavam mais compridos, mas mesmo assim continuavam em um estilo bagunçado. Sua voz estava muito mais grossa do que eu lembrava e ele tinha uma pequena barbinha em seu rosto. Apertei os olhos, acordando do meu transe.
- ? ? – Não, Zac Efron! É claro que era ele, reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.
- Sim? – ele respondeu com certa insegurança na voz.
- Ai Jesus Luz! Não acredito que é você ! Olha só pra você, tá assim, o seu nariz não está mais sangrando como ontem... É claro que não foi ontem porque eu não tenho mais 15 anos e... – eu disparei a falar novamente enquanto balançava as mãos no ar.
- , . – Aquilo não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, fechou a porta na minha cara e pude ouvir barulho de trava de porta.
Uma angústia tomou conta do meu corpo e senti as lágrimas chegarem. Tudo ficou embaçado e uma forte dor em meu peito surgiu. Fiquei alguns segundos encarando a porta que se abriu por inteiro assim como um sorriso no meu rosto.
- ! – Gritei e o agarrei por longos segundos, estava precisando daquele abraço e daquele cheiro que ainda era o mesmo.
- , por que não entra? – disse em um tom irônico. Olhei pra ele e sorri abertamente, soltando-o. Fui entrando em seu apartamento e percebi que não era muito grande e nem luxuoso quanto o que eu estava antes, mas era um tanto quanto confortável. Reparei em alguns instrumentos jogados na sala e sorri.
- Ah isso... – Ele reparou que eu fitava os instrumentos e coçou a cabeça um pouco envergonhado. – É que eu e os meninos continuamos tocando por aí sabe? Eles vem aqui para ensaiar, já que as esposas não gostam muito que seja na casa delas. – ele continuou rindo. Esposas? Mas e as minhas amigas?
- Esposas? – perguntei, temendo a resposta.
- Sim, o se casou com a , o com a e o com a .
Abri a boca indignada. Como assim casaram e eu não fui convidada?! Mas que diabos está acontecendo aqui? Já chega de perguntas, quero respostas!
- Não faça essa cara , eles te convidaram, mas você não apareceu. – disse cabisbaixo. Como assim eu não apareci? Eu não fui ao casamento dos meus melhores amigos? Por quê? E o também era casado?
- , eu, eu preciso de ajuda! Aconteceu uma coisa muito estranha, eu não me lembro de nada da minha vida e ninguém melhor do que você pra me ajudar a lembrar! – Disse em um tom de voz que pareceu um pouco desesperado.
- Por que eu ? – me perguntou em um tom de deboche.
- Porque você é meu melhor amigo oras! – disse o óbvio e ele riu.
- Não , eu não posso.
- Mas porque não? – Perguntei indignada com aquela resposta. Desde quando me nega ajuda?
- Não posso porque não fiz parte dela. Não somos mais amigos . Não nos falamos desde aquele baile no colégio, nunca mais nos vimos.
- Não! Não! Isso é mentira! Você, você é meu melhor amigo...- aquela angústia voltou e a essa altura não conseguiria mais segurar minhas lágrimas, tudo começou a rodar.
- não chora, por favor! Quer um copo de água? Um calmante? Senta aqui um pouco. – tentava me acalmar e me ajudou a sentar no sofá. Vi ele sumir por uma porta e voltar com um copo de água nas mãos. – Pega, bebe.
Peguei o copo de suas mãos e bebi todo o conteúdo. Fui me acalmando aos poucos e parei de chorar. me olhava com um olhar preocupado, como há muito tempo não via.
- Você precisa me ajudar, por favor! Eu não sei nem quem eu sou... – sussurrei muito baixo, mas ele me ouviu e balançou a cabeça afirmativamente. Agradeci com os olhos e me levantei.
- Vamos, eu te levo até a sua casa. pegou o casaco que estava em cima do sofá e me guiou até a porta. Será que agora tudo se esclareceria?
Capítulo 8.
- Eu não sei , não nos falamos desde o colégio! Depois daquele dia do baile, minha mãe resolveu me mudar de escola, e a mãe do o mudou também. Logo todos da nossa turma mudaram, só você que ficou. – dizia enquanto seguia ao meu lado, com as mãos em seu bolso.
- Mas vocês nem tentaram me procurar? – Belos amigos esses ein!
- Claro que tentamos, mas você estava sempre com a Giorgia e sua turma. – Ele respondeu dando de ombros. – É aqui que você mora agora.
Olhei para cima e pude ver o prédio em que eu me encontrava de manhã. Então eu morava ali mesmo?
- Como você sabe que eu moro aqui? – perguntei fazendo uma careta.
- Por favor ein , todos sabem onde a vocalista principal do The Star Girls mora! – Ele disse em um tom debochado e depois riu da minha cara. The Star Girls? Vocalista? Eu entendi direito?
- Vocaquem? – Perguntei ainda olhando abismada pra ele
- Já vi que isso vai demorar... Vamos subir que eu te explico tudo.
Nossa, que menino autoritário! Subimos para o ‘meu’ apartamento. Peguei as chaves em minha bolsa e abri a porta.
- Bom, seja bem vindo ao meu apartamento, eu acho. – Disse sorrindo de lado. riu do meu comentário e entrou logo depois de mim.
- É tudo muito... Roxo por aqui. – ele disse ainda rindo.
- Quer beber alguma coisa? Acho que tem bebida na geladeira.
- Ok, eu aceito uma bebida sim.
Fui até a cozinha e abri a geladeira. Encontrei várias garrafas de bebidas alcoólicas, fiz uma careta e peguei duas latinhas de Coca que estavam na porta. Voltei à sala e encontrei observando um livro em suas mãos, pensativo.
- O que é isso? – perguntei entregando a latinha de Coca-Cola.
- É o anuário do último que estudamos juntos, piores anos da minha vida! – Ele me respondeu, dando um gole no refrigerante logo em seguida.
Peguei o anuário de suas mãos e me sentei no sofá. sentou-se ao meu lado e comecei a folhear o caderno que estava em meu colo.
- Eu fui rainha do baile com o Ryan! – Gritei abrindo um sorriso enorme enquanto fitava eu e Ryan abraçados em uma foto. apenas assentiu com a cabeça e virou para a próxima página.
- Olha, sou eu aqui! O que eu to fazendo? Cantando? – Aproximei mais a foto de meu rosto e sim, era eu ali.
- Acertou de novo! – Ele respondeu com um pequeno sorriso em seus lábios.
Virei a página e vi mais uma foto minha, agora com algumas meninas.
- Eu aqui de novo! Com a Giorgia... Espera, eu conheço essas meninas.
- É claro que conhece, elas fazem parte da sua banda. – ele disse como se fosse óbvio.
- Mas é claro! Giorgia, Chelsea, Clair, Katty e Lizzie, como não percebi isso antes! Eu era popular no colégio e hoje sou uma cantora famosa, não acredito que isso tá acontecendo! Consegui tudo que eu sempre quis! – Gritei entre pulos e gargalhadas de felicidade.
levantou-se do sofá e foi em direção à porta.
– Bom, parece que você voltou a ser o que era antes. Eu já vou indo, foi bom te ver. – Ele disse sorrindo de canto.
- O que, mas já? Eu não tive tempo nem de... – Meu celular começou a tocar e fui correndo atendê-lo. – Só um minutinho , não vai ainda.
Atendi e era Giorgia. Conversamos alguns minutos até que eu desliguei, parece que ela já estava de bom humor.
- Era a Giorgia, ela disse que tenho que ir para a gravadora agora ensaiar, vamos ter o lançamento de um single hoje à noite. Você quer ir? – perguntei olhando em seus olhos e com um enorme sorriso no rosto.
- Não sei, hoje os meninos vão lá em casa ensaiar... – Ele falou coçando a nuca.
- Chama eles também, tô com saudades, queria ver as meninas! Pedir desculpas pelo casamento e tudo mais...
- Ok, se der aparecemos por lá, tchau. – Ao finalizar ele saiu pela porta, em direção ao elevador.
- !
- O que?
- Obrigada!
- Nada. – Ele sorriu e entrou no elevador.
Fechei a porta e fitei o espelho no hall de entrada do meu apartamento. E se aquilo não fosse um sonho? E se eu tivesse trinta anos mesmo?
- Trinta anos, tudo o que sempre quis... Isso é demais! – Disse para mim mesma. Continuei me olhando no espelho por mais alguns minutos, até que finalmente peguei meu celular e minha bolsa e desci para o hall do prédio novamente. Na calçada várias pessoas vieram pedir autógrafos e fotos. Seguranças surgiram não sei de onde e me ajudaram a entrar no táxi. Segui em direção a gravadora, onde as outras estariam me esperando.
- Oi meninas! – disse já entrando na sala de ensaio.
- Oi , toma aqui o papel e vamos passar a música e a coreografia até todas pegarem o ritmo ok? – Uma mulher de cabelos cacheados disse, me entregando um papel. Ela deveria ser a nossa empresária ou agente, sei lá.
Passamos horas cantando e dançando. Foi muito divertido, parecíamos melhores amigas, bom, acho que agora somos né.
Depois de muitas horas de suor fui pra casa, tinha que me arrumar para estar na festa de lançamento às nove horas.
Capítulo 9.
Saí do banho enrolada em uma toalha e fui em direção ao meu closet, ele era razoavelmente grande e amarrotado de roupas elegantes. Optei por um vestido azul escuro de manga comprida colado ao corpo que ia até um pouco acima do meio da coxa. Coloquei uma sandália de salto estilo gladiador, era prata com alguns brilhos. Passei uma maquiagem forte, destacando bem os meus olhos e, para finalizar, deixei meu cabelo solto e fiz cachos em algumas mechas.
Dei mais uma olhada no espelho, estava magnífica! Peguei minha bolsa e desci, o motorista da limusine já me aguardava.
Cheguei em frente ao pub onde seria a festa, estava lotado! Cheio de fotógrafos, fãs e famosos também. Sorri ao ver que tudo aquilo era pra mim, na verdade, não só pra mim, pras meninas também, mas era a minha banda! Saí da limusine com vários seguranças a minha volta. Tirei algumas fotos e dei alguns autógrafos antes de entrar.
Era tudo muito mágico, era como eu sempre imaginava que fosse um pub. Tudo escuro com apenas luzes coloridas piscando e iluminando, em cima havia a área vip e em um canto mais pra esquerda tinha um grande bar.
Gio vindo em minha direção sorrindo, ela estava incrivelmente linda também. Logo em seguida todas vieram me cumprimentar, estavam nervosas assim como eu.
- , às 11 horas nós temos que ir nos preparar para a apresentação, que será a meia noite em ponto, ok? – Katty disse animada enquanto pegava sua bebida que o garçom havia acabado de colocar em cima do balcão.
- Ok, como estão se sentindo? – perguntei, percebi que todas estavam nervosas, mas não mais do que eu.
- Muito nervosa, nem acredito que finalmente vamos lançar esse single! – Lizzie respondeu, ela parecia a mais animada ali no meio.
- Hey meninas, umas fotos por favor! – Um paparazzo pediu. Juntamos-nos e tiramos algumas fotos em poses diferentes, às vezes sorríamos, fazíamos caretas. – Agora só das líderes, e Giorgia, só vocês duas! – as outras meninas se afastando um pouco cabisbaixas, não gostei do termo ‘líderes’. Tiramos mais algumas fotos e nos dividimos. Cada uma foi para um canto conhecer e reencontrar pessoas.
Estava sentada no balcão tomando meu Martini quando senti uma mão em minhas costas. Virei-me rapidamente e pude ver ) com um sorriso maravilhoso nos lábios, ele estava lindo com aquela blusa escura xadrez que realçava seus olhos.
- Oi. – ele disse ainda sorrindo.
- Oi. – respondi também sorrindo e me levantei para lhe dar um abraço.
- Wow – O garoto (se é que ainda posso chamá-lo de garoto) disse, arregalando os olhos.
- O que foi? Tô tão feia assim? – perguntei insegura, me senti a noiva cadáver.
- Pelo contrário, você está incrível! – Fiquei extremamente vermelha com aquele comentário e senti minhas bochechas queimarem.
- Você também está lindo! – Respondi um pouco envergonhada.
) agradeceu e pegou em minha mão. Senti falta de ar quando ele me tocou, mas logo voltei a respirar. Ele me puxou até um canto do pub onde pude ver uma movimentaçãozinha. Ergui minha cabeça tentando ver onde ele estava me levando e ouvi uma gargalhada escandalosa e gostosa que só poderia ser de uma pessoa, ! Eles estavam ali! Senti algumas lágrimas chegando e congelei. percebeu que eu parei de andar e se virou para me olhar.
- O que houve? – perguntou, ou melhor, gritou, já que a música estava alta.
- E se eles não quiserem falar comigo? – perguntei em seu ouvido e depois me afastei para poder encará-lo novamente.
Ele se aproximou de mim e disse em meu ouvido:
– Larga de ser boba , se eles vieram é porque querem sim falar com você. – Ele então soltou uma risada. Tive que rir junto, ele tinha razão. Se estavam lá, é porque queriam me ver.
Ele me puxou novamente pela mão e continuamos passando pela multidão até chegar à mesa deles. parou e eu fiquei atrás dele, ainda com um pouco de receio. Fechei os olhos e apertei sua mão de leve. Ele acariciou minha mão em resposta e entendi que aquilo era para me acalmar. Respirei fundo e saí de trás de dele, avistando todos eles me olhando sem expressão alguma nos olhos. Senti um aperto no coração e uma vontade imensa de chorar.
- , que saudades, perdida! - foi o primeiro a se pronunciar e veio me abraçar, senti-me extremamente bem com aquilo. Então ele não estava bravo comigo? Abracei-o mais e alguns segundos depois o soltei.
- boy! Você não está bravo comigo? – Perguntei só por perguntar mesmo, depois daquele abraço acho meio difícil ele estar, mas tudo bem.
- É claro que não! Isso foi há tanto tempo, o importante é estarmos todos juntos outra vez. – Ele disse me abraçando de lado e bagunçando meu cabelo. Todos rimos e logo os restantes vieram me abraçar, me senti completamente renovada com aqueles abraços calorosos.
- Ai gente, me perdoem, desculpa mesmo! Eu juro que não sei o que deu em mim, não queria perder amigos como você,s que são a coisa mais importante pra mim! Junto com a minha família e a minha carreira, é claro! – Explodimos em gargalhadas e nos abraçamos mais uma vez.
- Sentimos sua falta , promete que não vai fugir de novo? – me perguntou fazendo uma cara de cachorro pidão.
- É verdade, quem vai fazer aquele bagulho de chocolate que só você sabe fazer ein? Tô morrendo de saudades daquilo, se tivesse grávido, meu filho já tinha nascido com cara de briga...briga... – brincou levando um pedala de .
- Brigadeiro, ! Então faz assim, estão todos convidados pra irem a minha casa amanhã comer brigadeiro, o que acham?
- Essa é a minha garota! – disse empolgado e veio me abraçar.
- Ei, vou ficar com ciúmes! – disse olhando feio para mim e , que demos de ombros e rimos da cara de indignada que ela fez.
- Você sabe que é única pra mim, chuchuzinha! – Ele disse em uma voz melosa e foi beijar a ‘esposa’. Nossa, que estranho falar isso, esposa, haha.
- Ei casal 20, acabou a melação aí! – disse entre risadas.
- Que foi ? Tá assim porque a sua noivinha está em Liverpool é? – disse e logo todos começaram a zoá-lo. Noiva? O tá noivo? Como assim? Me senti completamente estranha naquele momento. Não sei explicar o que era, nunca tinha sentido aquilo antes.
- Noi-noivo? – Perguntei e acho que todos perceberam que eu estava me sentindo “diferente”.
- Sim, ele não te contou? Vai se casar daqui a três semanas! – disse animado.
- Ah sim, que bom! Meus parabéns , que vocês sejam muito felizes! – Forcei o máximo que eu pude um sorriso e acho que funcionou. nem me olhava, acho que estava com vergonha. Mas do que? – Que horas são? – perguntei.
- São 11:10, por que? – respondeu e perguntou. Jesus Luz! Eu tinha que ir me arrumar!
- Gente, vou ter que ir me preparar ok? Divirtam-se, espero que gostem do show! – Sorri e todos vieram me abraçar e desejar boa sorte, menos o , ele apenas forçou um sorriso e me desejou boa sorte com um aceno.
Saí à procura das outras meninas, ainda pensando no casamento de .
- Arrasa lindona! – Pude ouvir gritar ao longe e ri com isso.
Capítulo 10.
- ! Aqui! – Escutei alguém me chamar e levantei a cabeça. Pude ver Lizzie acenando em frente a uma porta. Resolvi ir até lá, aquele deveria ser o camarim.
- Onde você estava? Só falta tu! – Clair falou. Eu já disse que ela tem uma voz extremamente irritante e nojenta? Por que eu sou amiga dela mesmo?
- Estava conversando com uns amigos, desculpa o atraso garotas! – Respondi tentando ser o menos agressiva possível.
- Que não se repita! – Giorgia passou por mim com sua roupa em mãos e nem sequer me olhou. É impressão minha ou ela se acha melhor do que qualquer uma aqui?
- Vai se trocar , sua roupa já está ali dentro, se precisar de ajuda é só chamar. – Chelsea se pronunciou apontando uma portinha.
Agradeci com um sorriso e entrei na portinha estreita, era um provador. Olhei minha roupa pendurada. Sem delongas tirei a roupa que vestia e coloquei a que estava no cabide. Uma calça preta brilhante hiper apertada, uma bata branca com um decote beeeem generoso e uma bota preta de cano alto e salto fino.
Cacete, só roupas de puta? Eu não tinha nada mais decente pra vestir não? Já estava me cansando daquilo! Saí do provador e percebi que todos já estavam prontas. Lizzie usava uma blusa e um shorts da mesma cor que mais pareciam um collan, Chelsea vestia o vestido curtíssimo e soltinho que experimentamos pela manhã, Clair estava com uma calça tão apertada quanto a minha e um top pink extremamente brilhante que chegava a arder os olhos. Katty também estava com um ‘collan’, só que não era um shorts, era uma saia. Por fim, Giorgia usava uma micro-saia e uma bata tão decotada quanto a minha. Ok, eu estava me sentindo uma verdadeira puta! Quem escolhe essas roupas? Acho que vou dar uns conselhos pra ele!
- Dez minutos meninas! – Um homem gritou abrindo a porta e logo depois saiu.
- Ai, que emoção gente, nem acredito que faltam só alguns minutos! - Katty pulava e batia palminhas de animação.
- Se controla guria, senão vai suar! – Clair falou. Nossa, que mina chata, posso espancá-la agora? Não? Que pena!
- Relaxa gente, vai dar tudo certo, já fizemos isso várias vezes, certo? – Perguntei meio insegura, não lembrava de ter feito aquilo nenhuma vez na minha vida!
- Na verdade não! – Chelsea respondeu roendo a unha.
- Mesmo assim, vai dar tudo certo! – Eu tentava me convencer disso. E se eu esquecesse a música? A coreografia? A cada minuto que passava meu medo só aumentava. E os meus amigos? O que vão achar? E o ?
- Cinco minutos! – O homem apareceu de novo.
Ai cacete, agora eu tô apavorada! O vai me ver! Comecei a me movimentar de um lado para o outro sem parar. O que ele vai pensar da minha roupa? Fitei-me no espelho e realmente minha roupa estava bem vulgar. Mas porque diabos eu estou pensando nele agora?
Chacoalhei minha cabeça para afastar aqueles pensamentos e percebi que Lizzie me puxava. Estávamos a caminho do palco! A equipe nos entregou os microfones.
- Isso tá ligado? – perguntei ajeitando o microfone perto de minha boca.
- É claro que não, vocês vão cantar de playback como sempre fazem. – O cara que me entregou o microfone respondeu como se aquilo fosse óbvio. Então a gente cantava de playback? Por quê?
Tudo ficou escuro e fui empurrada até um lugar que me parecia ser o palco, as cortinas estavam fechadas. Todas fizeram uma pose se posicionando ao meu redor, senti um frio na barriga e minhas mãos começaram a suar, imitei a atitude delas e também fiz uma pose.
- ...The Star Girls com seu novo single, First Bad Habit! – Foi o que pude ouvir antes dos aplausos e gritos inundarem a sala.
A introdução da música começou. As cortinas se abriram e uma fumaça invadiu o palco junto com várias luzes coloridas que o percorriam por inteiro.
Turn me off
Turn me on
Like the vibrate on your phone
Call me up
Wanna talk when you freeze me
(Me desliga e liga como a vibração do seu celular
Me liga, quer conversar, e depois me dá um gelo)
Escutei minha voz e comecei a mexer a boca assim que um foco de luz se voltou para mim.
It's the same when you're gone
Keep me guessing what you want
But my heart says it's you who can please me
(É o mesmo quando você se vai, me fazendo pensar no que você quer
Mas meu coração diz que é você quem pode me agradar)
Cantávamos e dançamos conforme tínhamos ensaiado de manhã. Eu fazia a voz principal e elas eram os vocais de fundo. Eu ficava a frente e elas posicionadas atrás de mim. A coreografia era uma mistura de provocação e meiguice, o que exigia muitas caretas, tanto sexys quanto fofas.
I get pushed to extremes and I should know what it means
But I can't bare the game to be over
When your moods never change only got myself to blame
'Cos I fall for it over and over
You're like my first bad habit
I can't live without it
I can't give you up give you up
And even though you're trouble I come back for double
I can't say enough is enough
I'm a part of you
You're a part of me
And I know it's wrong but I can't get free
You're like my first bad habit
How am I gonna give you up
(Chego aos extremos e devia saber o que isso significa
Mas não posso deixar que o jogo acabe.
Quando seu humor nunca muda eu me culpo
Porque eu falho nisso de novo e de novo
Você é como meu primeiro vício, não posso viver sem isso
Não posso desistir de você (desistir de você)
E mesmo quando penso que é problema, pego o dobro
Não posso dizer se o bastante é realmente o bastante
Sou parte de você, você é parte de mim
Eu sei que é errado, mas não posso me livrar
Você é meu primeiro vício, como vou desistir de você?)
Já estava solta e animada, tudo corria perfeitamente, me sentia muito bem fazendo aquilo, como se tivesse nascido especialmente pra isso. Enquanto dançava, pude ver me olhando logo a frente, ele não demonstrava expressão nenhuma e estava com a boca um pouco aberta.
You're the worst
You're the best
Something different from the rest
It's a fact seeing you is never easy
Love my style, hate my friends
No the conflict never ends
How much worse can it get when you tease me
And I know and I know and I know and I know the way we go around
Can't put my first bad habit down
And I know and I know and I know and I know the way we go around
I just can't give you up
(Você é o pior, você é o melhor
Algo diferente dos outros
É fato que ver você nunca é fácil
Ama meu estilo, odeia meus amigos
Não, os conflitos nunca acabam
Quão pior eu posso ficar quando você me provoca?
E eu sei, e eu sei, e eu sei, e eu sei que do jeito que ficamos
Não posso desistir de meu primeiro vício
E eu sei, e eu sei, e eu sei, e eu sei que do jeito que ficamos
Não posso desistir de você)
Fui andando mais a frente do palco para que pudesse ver melhor.
You're like my first bad habit
I can't live without it
I can't give you up (give you up)
And even though you're trouble I come back for double
I can't say enough is enough
I'm a part of you
You're a part of me
And I know it's wrong but I can't get free
You're like my first bad habit
How am I gonna give you up
(Você é como meu primeiro vício, não posso viver sem isso
Não posso desistir de você (desistir de você)
E mesmo quando penso que é problema, pego o dobro
Não posso dizer se o bastante é realmente o bastante
Sou parte de você, você é parte de mim
Eu sei que é errado, mas não posso me livrar
Você é meu primeiro vício, como vou desistir de você?)
Cantei o refrão olhando em seus olhos, sem quebrar nosso contato visual por nada! Algum tempo depois virei-me de costas e recuei, me reaproximando das meninas.
Turn me off
Turn me on
Off off off on
Keep me guessing what you want
Keep me guessing what you want
Turn me off
Turn me on
Off off off on
Keep me guessing what you want
Keep me guessing what you want
You're like my first bad habit
I can't live without it
I can't give you up give you up
And even though you're trouble I come back for double
I can't say enough is enough
I'm a part of you
You're a part of me
And I know it's wrong but I can't get free
You're like my first bad habit
How am I gonna give you up
A música acabou e finalizamos a coreografia com a pose de início. As cortinas se fecharam e pude ouvir gritos e aplausos. Um enorme sorriso surgiu em meu rosto junto com uma grande sensação de trabalho bem feito. Minha respiração estava alterada e eu suava devido o esforço que fiz, mas não estava nem aí, a única coisa que importava é que estava ali, e ele tinha me visto.
Capítulo 11.
Troquei de roupa e saí do camarim sem me importar com os gritos de Giorgia. Precisava falar com meus amigos, saber o que eles tinham achado, aquela curiosidade já estava me matando.
- Eaí gatinhos tropicais, o que acharam? – Cheguei perguntando e pulando nas costas de .
- Foi incrível, você estava fantástica amiga! – gritou vindo me abraçar.
- Realmente você estava maravilhosa ! – disse com um sorriso no rosto.
- É verdade! E aquela roupa? Foste tu que escolheste? – perguntou com um sorriso malicioso nos lábios.
- Er... não, por que? Tava muito ruim? – perguntei envergonhada.
- Não, não, tava ótima! – se pronunciou com um olhar maroto e recebeu um tapa de .
- Tava linda, o até babou! – disse em meio às gargalhadas. Corei instantaneamente e tentei encontrá-lo.
- Cadê o ? – fiquei um pouco desapontada por não vê-lo ali.
- Não vi não, até achei que ele tinha ido te procurar. – , que até agora não havia falado nada, resolveu aparecer.
- É mesmo? Cadê o ? Na hora que a começou a cantar ele sumiu. – disse procurando o amigo.
- Ele foi embora, disse que tava cansado e com um pouco de dor de cabeça. – falou dando de ombros e bebendo longos goles de sua cerveja.
O resto da noite foi tranqüilo, fiquei ali com meus amigos, botamos a fofoca em dia e demos muitas gargalhadas. Era muito bom saber que os tinha de volta e que eles não estavam com raiva pelo que eu fiz no passado. O pub já estava quase vazio e já eram cinco horas da manhã. Fui pegar minha bolsa no camarim e quando voltei encontrei meus amigos e nos despedimos. Puxei uma cadeira e sentei nela, eu estava hiper cansada, mas mesmo assim muito feliz. Olhei em minha volta e abri um enorme sorriso ao ver o palco que há algumas horas atrás estava todo iluminado. A única coisa que me deixava um pouco atordoada era o fato de ter ido embora sem ao menos me dar tchau.
- Pensando pidoquinha? – Olhei pra cima e pude ver sorrindo pra mim.
- Só um pouquinho, é que tudo é tão estranho. – fiz uma careta e ele riu, se sentando ao meu lado.
- O que é estranho? – retrucou.
- Isso! – apontei pra nós, mas continuei quando vi a cara de desentendido dele. – A gente aqui conversando numa boa depois de tudo que eu fiz com vocês, e o pior de tudo é que eu não consigo nem lembrar por que fiz isso!
- Hey relaxa! O que passou, passou! Isso não tem mais importância! – me abraçou de lado.
- Obrigada ! – o abracei com força e algumas lágrimas caíram de meus olhos, eu adorava o , ele era como um irmão pra mim, mas naquele momento queria que fosse ali ao meu lado.
- Não precisa agradecer, sabe que sempre estive aqui!- balancei a cabeça afirmativamente enquanto limpava minhas lágrimas.
- , desculpa perguntar, mas... Você sabe por que o foi embora? – Ele arregalou os olhos e percebi que ele sabia o motivo.
- Err, não sei não ...éé...Vem! A tá esperando no carro. A gente te dá uma carona! – tentou desconversar e me puxou pelo braço, me levando até seu automóvel.
’s P.O.V. on:
Acordei um pouco cedo naquela manhã de sábado. Continuei enrolando na cama por um bom tempo, até que olhei no relógio do criado mudo novamente e ainda eram nove horas - só haviam se passado quinze minutos. Fiquei encarando o teto branco do meu quarto e fazendo desenhos com os dedos no teto até que imagens de ontem à noite surgiram em minha mente. Como ela ficava maravilhosa naquele palco... E aqueles olhares e poses sexys? Estavam me deixando louco! Aquela garotinha gordinha de cabelos curtos e franjinha que gostava de brincar de boneca tinha crescido e se tornado uma mulher extremamente linda! Nunca tinha notado o quanto ela estava diferente, mas mesmo assim continuava com aquele jeito menininha que eu tanto amava, nem parecia àquela garota arrogante que me chutou algumas horas antes do baile mais importante da minha vida e dizia desesperadamente que me odiava. Era incrível como depois de tantos anos eu pude vê-la e voltar a sentir o frio na barriga e aqueles arrepios que sentia quando estava com ela, apenas com ela. Percebi que sorria sozinho olhando pro nada e me levantei rápido pra afastar esses pensamentos do meu cérebro. Tomei um banho rápido e vesti um conjunto de moletom qualquer da Hurley, olhei na janela e até que o dia estava bonito - meio nublado - mas tinham chances do sol dar as caras. Resolvi que seria uma boa dar uma caminhada no parque que ficava em frente ao meu prédio pra esfriar a cabeça. Gostava muito de caminhar naquele parque quando me sentia confuso, o ar puro e as crianças brincando me deixavam confortável naquele lugar. Calcei meus tênis brancos e fui pegar meu celular na sala, verifiquei o horário no visor e o mesmo indicava que tinha uma nova mensagem, era dela.
‘ Tá acordado?’
Abri um sorriso imediato e respondi sem hesitar.
‘ Faz um tempinho haha, por quê?’
‘ Vai fazer alguma coisa hoje?’
‘ Não, não e você?’
‘ Ótimo! Vem pra cá às 2 horas, os meninos e as meninas vem também, vamos fazer uma sessão pipoca com brigadeiro, como nos velhos tempos :D não aceito desculpas! Hehe. Estou te esperando. XOXO’
Respondi um ‘ok’ e fui dar minha caminhada pelo parque. Foi bem relaxante, mas não me ajudou em nada em relação a esquecer ontem à noite. realmente estava magnífica e isso não saía da minha cabeça. Observei as crianças rindo e brincando, andei até um banco que estava vazio e sentei-me sem tirar minha atenção dos pequeninos. Lembrei-me de algumas coisas que gostava de fazer quando era pequeno: eu adorava quando minha mãe me levava ao parque pra jogar bola, sempre encontrava a e a mãe dela lá, passávamos horas jogando, a sempre se machucava e dizia que a culpa era dos duendes. Depois de brincar, nós íamos comer algodão doce e eu sempre acabava comendo o dela porque ela não agüentava comer inteiro. Quando escurecia, íamos embora juntos e a acabava jantando lá em casa ou eu na casa dela. Assustei-me quando uma bola quase atingiu minha cara. Uma menina de no máximo seis anos veio toda envergonhada me pedir desculpas e eu ri da situação. Soltei um ‘não foi nada pequena’ e devolvi a bola à criança, que sorriu abertamente e voltou a brincar. Wla me lembrou muito a ... Levantei e andei mais um pouco, observando a movimentação.
Não estava adiantando, tudo me lembrava ela. Resolvi ir até a locadora pegar um filme pra levar, não podia chegar lá de mãos abanando.
’s P.O.V off.
Capítulo 12.
Tudo pronto! Minha casa estava arrumadinha, tudo em seu devido lugar. O brigadeiro já se encontrava pronto na geladeira, junto com as bebidas. Nem me preocupei com as pipocas, pois sabia que eles trariam. Os filmes estavam por conta deles também. Tomei meu banho relaxante e vesti uma roupa bem confortável, minha camisa bem larga e comprida branca com um desenho da Hello Kitty estampado e um shorts rosa não muito curto que ficava cinco dedos acima do joelho. Nem me preocupei muito com a aparência, já que ia ficar em casa mesmo. Joguei-me no enorme sofá e liguei a minha televisão de plasma de 42 polegadas. Olhei no relógio do DVD e revirei os olhos ao notar que ainda faltavam dez minutos pras duas horas. Estava me sentindo muito ansiosa, eles já deveriam estar para chegar, não costumavam se atrasar. Procurei algum canal interessante, mas não havia nada que prestasse passando. Desliguei a TV com má vontade e me ajeitei melhor no sofá com algumas almofadas. Observei cada pedaço da minha sala imensa e não pude conter um sorriso, não acreditava que aquilo era meu, só meu. Mas logo o sorriso sumiu, uma dor invadiu meu coração, estava me sentindo um pouco sozinha naquela casa imensa. Na verdade, sentia falta dos meus pais, dos abraços calorosos e dos famosos sermões. Peguei o telefone e disquei com a maior rapidez os números que ainda recordava. Esperei pacientemente apertando o aparelho a cada toque, até que caiu na caixa postal.
- Oi, você ligou para a família , no momento estamos no Caribe passando umas férias, nada demais, só voltamos dia 25, até lá você agüenta não é mesmo? Bom, é isso... Er, tchau!
Explodi em gargalhadas com o que meu pai dissera na caixa eletrônica. Olhei no meu celular e hoje ainda era dia 19, teria que esperar alguns dias.
– Oi pai, oi mãe! Estou com saudades, quando voltarem me liguem ok? Beijinhos.
Desliguei o telefone e o coloquei de volta na base. Suspirei alto e demoradamente, quebrando o silêncio que pairava naquela sala roxa. Girei minha cabeça numa tentativa falha de estralar meu pescoço, ao invés disso visualizei um violão apoiado num canto perto do sofá. Peguei-o devagar e com muito cuidado, ele era lindo, rosa claro com alguns riscos brilhantes que o davam um destaque bem fashion, parecia ser novinho. Passei meus dedos pelas cordas que produziram um som doce. Ajeite-o em meu colo e comecei a dedilhar algumas notas.
- When you're down and lost, and you need a helping hand, when you're down and lost along the way… Oh just tell yourself I'll, I'll be ok!
Sorri ao terminar de cantar aquele trecho que acabara de inventar. Uma das coisas que eu mais gosto na música é fato de podermos expressar nossos sentimentos, conseguimos colocar pra fora tudo o pensamos de forma, digamos, interessante... Tentei buscar na memória alguma coisa que pudesse me ajudar nessa nova composição.
Flashback on:
Era agora, eu tinha que contar para a minha mãe. Me sentia hiper nervosa e minhas mãos suavam muito. A cada passo que eu dava em direção à cozinha, o medo entrava mais em meu pequeno corpo que já tremia.
- Mã-mãe!? – Gaguejei em um sussurro, implorando para que ela não tivesse escutado.
- Sim minha filha? – ela se virou para me olhar, merda! – Meu docinho! Porque estas chorando? O que fizeram com você, minha pequenina? – Minha mãe me abraçou de um jeito único, protetor, que só ela sabe fazer, e isso só fez com que eu me sentisse mais culpada ainda! Anta , isso que você é, uma estúpida!
Deixei os xingamentos para mais tarde e me soltei de seus braços, olhando-a nos olhos. Ela tentou enxugar minhas lágrimas, mas eu desviei e segurei suas mãos.
- Mãe, me desculpa, e-eu não queria, mas é que... – tentei falar, mas meu choro só aumentou ao ver a cara de confusa dela. – Sabe aquele seu óculos de sol? Aquele que você trouxe quando, você, o papai e os pais do foram para Paris?
- Sim, o meu favorito, o que a Sam me deu, o que tem ele? – Ela respondeu sorrindo.
- Eu levei hoje pra escola sem pedir pra você e bem... Eu o perdi... Me desculpa! – Sem olhar em seu rosto novamente, saí correndo o mais rápido que consegui. Podia ouvir minha mãe gritando por mim, mas estava com muita vergonha para encará-la. Tapei meus ouvidos e continuei correndo.
Subi na casa da árvore e me escondi ali. Chorei todo o meu estoque de lágrimas do ano e um bom tempo depois adormeci abraçada ao meu sapão de pelúcia, o Zac.
Abri os olhos devagar e senti um carinho gostoso em meus cabelos, notei que algo me abraçava. Olhei para cima, ainda com dificuldade para enxergar, as coisas continuavam um pouco embaçadas. Esfreguei os olhos com cuidado e pude ver me olhando com um sorriso no rosto.
- Que bom que você acordou, estão todos preocupados atrás de ti mocinha! Você não pode sumir assim pequena, vai matar todos do coração. – Ele disse em um tom sério e preocupado, mas logo começou a rir, me fazendo rir também.
- Como me achou?
- , eu te conheço há treza anos, e sou seu melhor amigo desde que nascemos, acho que ninguém te conhece melhor do que eu, pequena! – deu uma piscadinha fazendo com que nós dois gargalhássemos, afinal, era tudo verdade. – Bom, é melhor a gente descer, tá escurecendo e você conhece a sua mãe, já deve ter acionado a Swat atrás de você!
- Eu não quero ir , ela vai me matar! Eu fui muito burra dude! Por que eu tinha que levar aquele óculos? Só pra Giorgia ser minha amiga? Só pra eu me sentir popular? Idiota, cretina, isso que eu sou! – Falei escondendo o rosto no pescoço dele, que me balançava e me apertava numa tentativa de me acalmar.
- So wouldn't you like to come with me? Go surfin the sun as it starts to rise… - Ouvi cantar baixinho, beijando minha cabeça em seguida.
- O que você disse? – Me levantei de seu colo tentando esconder um sorriso. Ele ficou completamente sem graça e começou a bagunçar os cabelos sem parar. Ri da situação, só para me animar mesmo quando só me restam alguns minutos de vida.
- Ah, nada, você não ouviu nada, agora vamos! Já está de noite, tem a sua mãe... – O menino tentou mudar de assunto.
- É mesmo, olha só quantas estrelas no céu, queria ser uma delas... – Disse baixinho olhando a imensidão azul.
- E você é, é a minha Star girl, não lembra?! Desde o primeiro dia que pisamos nessa ‘casa do espaço’, você é a minha Star girl e eu sou um cavaleiro intergaláctico! – terminou de falar com um sorriso enorme e um brilho nos olhos que nunca tinha visto antes. Achei que ele ia quebrar o maxilar de tanto que sorria, gargalhamos horrores depois do ‘cavaleiro intergaláctico’!
Olhei pra ele ainda rindo e me rendi, era impossível dizer não aquele ser tão fofo! Murmurei um ‘ok’ derrotada e o puxei para que descêssemos as escadas.
Flashback off
Acordei do transe ouvindo o interfone tocar ao fundo. Saí correndo para atendê-lo, tropecei no tapete e bati meu joelho com muita força na quina da estante. Berrei um ‘AI!’, mas nem dei importância, ignorar seria uma boa escolha pra esquecer a terrível dor. Tirei o aparelho do gancho e gemi um ‘alô’.
- Alô? Senhorita ? Tem um rapaz aqui embaixo, ele disse que se chama e...
- Pode deixar subir Charles, obrigada! – Nem deixei o coitado do porteiro terminar de fazer seu trabalho, desliguei o interfone fixando-o na parede novamente e corri para a porta, só que dessa vez com mais cautela, meu joelho ainda latejava.
Capítulo 13.
Fiquei esperando ele bater na porta andando - ou melhor, mancando - de um lado para outro e nada da criatura chegar. Espiei pelo olho mágico e pude ver a porta do elevador se abrir, um homem de calças jeans largas e um moletom azul saiu de lá e seguiu em minha direção. Percebi que ele carregava uma sacola branca e pequena na mão direita, e logo em seguida voltei minha atenção ao rosto do rapaz e sorri involuntariamente quando avistei seus olhos . Na hora de tocar a capainha hesitou, ficou alguns segundos parado sem fazer nada. Ergui uma sobrancelha procurando entender o que se passava do lado de fora. Segurei o riso tapando minha boca com as duas mãos enquanto observava ele bagunçar seus cabelos sem parar, como fazia quando estava nervoso. Vi que ele respirou fundo e finalmente apertou a campainha. Abri a porta devagar, ainda tentando disfarçar o riso, mas acho que não deu muito certo, pois antes mesmo de me dar oi foi logo perguntando com um tom de voz divertido:
- Que foi? Por que tá rindo? – Nem eu nem ele agüentamos, começamos a rir desesperadamente, parecíamos duas crianças que acabavam de ganhar uma viagem pra Disney. Desde pequenos, nós fazíamos isso, quando um ria o outro disparava a rir também, é involuntário. A mãe dele sempre dizia: ‘Fazer o que? Por isso que são amigos, dois malucos rindo à toa!’ Fiz sinal com as mãos pra que ele entrasse, e assim que o fez, fechei a porta ainda rindo. Respirei fundo, puxando o ar que me faltava nos pulmões, antes de envolvê-lo em um abraço apertado e cheio de saudade. Senti braços fortes segurarem minha cintura com a mesma intensidade que eu abraçava seu pescoço. Como era boa aquela sensação que ele me proporcionava, o mundo poderia ser invadido por aliens, a lua poderia cair na minha cabeça, poderia vir o maior tsunami de toda história, que eu não estava nem aí.
Levei um susto e me afastei imediatamente quando uma musiquinha irritante começou a tocar. me olhou tímido e pegou o celular, fazendo sinal com as mãos indicando que iria atender. Assenti e voltei para o sofá mancando. Peguei o violão que tinha deixado ali e voltei a dedilhar e cantar qualquer coisa:
- And overhead the skies are clear but it still seems to rain on you.
- Que profundo, de quem é? – surgiu do nada me dando o maior susto da minha vida! Pulei do sofá como um gato pula quando vê água, ele simplesmente riu e sentou-se ao meu lado. Gritei alguns palavrões indignada com a atitude dele, que só riu ainda mais e pegou o violão da minha mão.
- Não respondeu a minha pergunta, de quem é a música? – me perguntou repetindo as notas que eu havia tocado alguns segundos atrás. Além de tudo ainda é exigente esse menino, vê se eu posso com isso...
- Sei lá, acabei de inventar. Tava me sentindo meio sozinha aqui e comecei a cantar frases sem sentido, nada demais... – Respondi sem muita importância. Ele me olhou estranho e colocou as mãos no bolso, parecendo procurar alguma coisa. Tirou de lá um papel amassado e uma caneta, desdobrou o mesmo e havia alguma coisa escrita ali. Aproximei-me mais para ver o que estava escrito, mas logo o puxou, escondendo de mim. gritou um ‘Não é isso!’ tão desesperado que chegou a me assustar. Mais que rápido ele guardou o papel de volta no bolso e me entregou outro com algumas frases escritas.
- O que tinha de tão importante lá que eu não posso ver? – perguntei desafiadora.
- Nada que interesse a você mocinha, pega esse aí, tem algumas frases, talvez ajude na sua música. – Tentou desconversar. Acho que ele esqueceu que sou muito curiosa, não vou desistir, ainda leio aquele papel hoje!
Ia fazer outra pergunta, mas o interfone interrompeu, era o porteiro avisando que os atrasados finalmente chegaram. Manquei até a porta para esperá-los. percebeu a minha dificuldade para andar e veio me ajudar, claro que fez perguntas sobre o que havia acontecido e lhe contei sem entrar em detalhes. Como meu joelho doía demais, me apoiei nele, que me abraçou de lado me segurando. Sorri de canto de boca e olhei em sua direção, ele retribui o sorriso. Como num passe de mágica a dor foi embora, não demorou muito para eu viajar naqueles olhos maravilhosos.
- Se soubesse que o negócio tava bom assim tinha demorado mais um pouco po! Custava avisar? – deu o ar da graça se aproximando com agarrada em seu braço. Muito engraçadinho , troféu joínha pra você.
Logo atrás deles estavam , , e rindo. e eu reviramos os olhos antes de cumprimentar todos. Expliquei minhas condições físicas e recebi um ‘aaah’ em uníssono como resposta. Indiquei a sala pra eles e nem precisei dizer ‘Sintam-se em casa’: e foram logo se jogando no sofá e invadiu a cozinha a procura do brigadeiro. A única coisa que eu e conseguimos fazer foi gargalhar quando voltou da cozinha trazendo (que gritava que nem bebê) pela orelha, as outras meninas também aproveitaram o embalo e brigaram com os maridos, que se encolheram assustados no sofá.
- Desencanem... Deixem os coitados a vontade, a casa é de vocês! O brigadeiro tá na segunda gaveta da geladeira , fiz três potes grandes e um é só seu. – falei me sentando no sofá com ainda ao meu lado me abraçando.
- Valeu ! Dude, tu é demais! Essa é a minha garota! Quer casar comigo? – gritava enquanto me apertava e beijava minhas bochechas sem parar.
- Ei! Eu tô aqui, sabia ? Então é assim? Vai me trocar mesmo? – que estava pasma ralhava com ele, que parou de me bajular e correu para os braços da Senhora , a enchendo de carícias. Ouvimos ela xingá-lo antes de se render e sumirem pela cozinha aos beijos. fez algumas piadinhas sobre o casal, fazendo todos na sala rirem. comentou que estava a fim de assistir algum filme romântico, sorriu e o agarrou ali mesmo.
- , onde tem quarto nessa casa?! – gritou da cozinha.
- Os quartos são lá em cima, aí no fundo tem um quartinho de empregada mas ela não dorme aqui, fiquem a vontade. – Respondi no mesmo tom que ele enquanto todos gargalhavam na sala. Só ouvi um grito de seguido de uma risada escandalosa de , que antes de sumir de vez gritou um ‘Valeu mi amore’.
- Que filmes trouxeram pra mim? – perguntei cortando os beijos de e , que me olharam feio.
- O de sempre amiga, quis porque quis trazer De Volta para o Futuro! – disse irônica, me entregando a caixa do filme que já estávamos carecas de ver. Os meninos tinham uma tara por esse filme! Eu particularmente acho legalzinho, mas depois da vigésima vez que tu assiste, já começa a ficar de saco cheio, acreditem. Toda reunião que fazíamos quando menores, éramos obrigadas a assistir esse filme.
- Poxa meu amor, esse filme é o melhor do mundo, não inventaram nada melhor que ele! Além disso, nunca me canso de ver e sei que os caras concordam comigo. – falou com os olhinhos brilhando e com um bico tão fofo que cedeu sem pestanejar.
- Até concordo contigo dude, esse filme é muito bom, mas o melhor mesmo é o que eu trouxe! – Foi a vez do me entregar uma caixa de filme.
- Desculpa , mas sabe como ele é quando quer algo, não consegui dizer não. – comentou risonha antes de abraçar o marido que sorria como criança. Ri involuntária quando vi que o filme era Star Wars. O ama esse filme desde que me entendo por gente. Quando ia à casa dos s ele sempre estava assistindo isso. pegou o filme da minha mão e também disparou a rir. Vendo as caras de confusos do casal , mostrei-lhes a caixa e não demorou muito para que se juntassem a nós nas gargalhadas.
- Ok ok. – Disse apertando minha barriga que já doía de tanto rir. – Que filme vai ser? Star Wars ou De Volta para o Futuro? – Limpei algumas lágrimas.
- Calma, eu trouxe um também. – se levantou e foi buscar a sacolinha que havia deixado em cima da mesa quando chegara. Voltou a sentar-se ao meu lado e me entregou um embrulho.
- Isso é pra mim? – perguntei meio insegura. Apesar de ser meio óbvio, não tinha realmente certeza se era pra mim. fez um barulho com a boca me encorajando. Rasguei o papel rosa de bolinhas amarelas e soltei um grito de felicidade quando vi o que era. – ! Muito obrigada, nem sei o que dizer! – O abracei fortemente e depois voltei a fitar meu presente. Era o DVD do De Repente 30!
- Passei na locadora hoje e vi que estava a venda, eu sei que você ama esse filme, então... Trouxe pra você. – Sorriu tímido me encarando.
- Eu amei, valeu mesmo! – dei um beijo demorado em sua bochecha, que corou rapidamente. Só lembrei que os outros estavam ali por causa de alguns ruídos e múrmuros que os meninos fizeram. Levantei do sofá rindo e fui colocar o filme no aparelho. Liguei a televisão e o home, deixei a introdução do disco rolando e me dirigi até a porta da cozinha. – Já volto gente, vou fazer a pipoca.
- Vamos com você amiga, as pipocas tão comigo! – levantou do sofá seguida por , e as duas vieram me ajudar.
A cozinha era bem grande, eu nunca lembrava onde era o que ali, só a Nerialba (a empregada) sabia. Depois de muito procurar, peguei uma panela prata e a entreguei para a e lhe indiquei o fogão. Pedi para ir pegando as bebidas na geladeira enquanto eu procurava por copos naqueles armários gigantes.
- Hm, então quer dizer que Amaral e estão se amando? – me perguntou enquanto voltava da geladeira com duas garrafas de coca nas mãos.
- O que? Da onde você tirou isso louca? – Me fiz de desentendida, mas não pude evitar um sorriso que se formou em meus lábios.
- Não se faça de boba pra cima de nós lindinha, vimos a cena quando chegamos e acabamos de presenciar outra, vocês não me enganam com aquele olhar. – Foi à vez de retrucar com uma mão na cintura e a outra segurando a panela.
- Parem de ser doidas, acho que tão passando muito tempo com seus maridos, é o meu melhor amigo, só isso, nada demais. – Respondi sem muita importância enquanto pegava os copos e os colocava na bancada da pia. Hesitei por alguns segundos pensando no que elas haviam dito, não podia ser verdade, eu não estou amando o , quer dizer, eu amo, mas é um amor de irmão, não é? Balancei a cabeça afastando aquele pensamento e voltei minha atenção para os copos.
- Oras , por favor né, te conhecemos o bastante para saber que você está gostando dele, e tá estampado na cara dele que ele sente o mesmo amiga! – disse enquanto jogava as pipocas em vasilhas coloridas.
- Eu concordo, porque vocês não se dão uma chance? – encorajou me ajudando com os copos.
- Isso é coisa da cabeça de vocês, já falei. O não gosta de mim e eu não gosto dele ok? Além disso, ele vai se casar não lembram? – Falei mais pra mim mesma do que pra elas. Peguei uma bandeja grande e ajeitei os copos nela antes de enchê-los com coca. Ouvi as duas bufarem e sorri satisfeita, afinal, eu tinha razão, ele era apenas meu melhor amigo. Enchi o ultimo copo com o líquido preto e peguei a bandeja, fazendo sinal com a cabeça para que elas me acompanhassem de volta pra sala.
Capítulo 14.
Entrei na sala na frente das meninas tomando muito cuidado para não derrubar a bandeja que carregava. A primeira coisa em que bati o olho foi em , ele ria abertamente com os meninos que faziam suas palhaçadas. Parei de andar para observar a cena um tanto quanto cômica. mexia nas orelhas e andava como macaco, mexia os braços como se fosse voar, não entendi muito bem o que ele estava fazendo, mas me parecia que imitava uma galinha. Já estava com os braços colados ao corpo e mostrava a língua sem parar. Fiz uma careta, aquilo parecia ser uma cobra, mas conhecendo o como conheço, aquilo com certeza era um lagarto! Ri sozinha e me encostei com cuidado na parede sorrindo bobamente. Sem dúvida aquela era a cena mais idiota que já vira, porém a achei muito fofa. Lembrei de quando brincávamos na nossa antiga rua. Morávamos todos bem pertinho, então brincávamos juntos todos os dias praticamente. Nossa brincadeira favorita era de imitar animais. Uma vez eu fiz uma imitação muito podre de uma baleia, vendo por esse ponto realmente foi ridículo, todos riram de mim por uma semana, todos menos o , ele foi o único que disse que eu estava ‘fofinha’, só ele mesmo viu.
- Não gosta do ? Sei... – sussurrou em meu ouvido me fazendo despertar de meus pensamentos. Nem preciso comentar que quase enfartei não é? Por pouco que os copos não vão todos ao encontro do chão. Murmurei alguns palavrões enquanto elas passavam a minha frente rindo. Assim que nos viram, eles pararam as imitações, mas continuaram rindo e se empurrando, homens...
Andei até a mesa de centro emburrada e depositei a bandeja em qualquer canto dela, mas ainda com cuidado para não sujar meu tapete novo.
- O que ouve com ela? – Ouvi perguntar para a , enquanto a mesma ia sendo-se ao seu lado com uma vasilha azul grande cheia de pipoca nas mãos.
- Nem pergunta lindinho, é capaz dela espancar a gente. – Lancei um olhar mortal para os dois, mas disparei a rir assim que vi com os olhos arregalados e uma feição de espanto nítida em sua face.
- Não foi nada zinho, só essas chatas que ficam me enchendo o saco. – Fiz uma careta estranha e mostrei a língua pras duas antes de entregar o copo a ele. Distribuí todos os copos para seus respectivos donos, peguei o meu e ia me sentar no espaço restante no sofá, disse bem, IA, antes de ser interrompida pelo :
- Pidoquinha, você pode ir buscar cobertores? Por favor... Pra ficar mais aconchegante. – Ri com a cara de safado que ele fez e que foi correspondida pela . Coloquei meu copo de volta na bandeja e subi as escadas correndo atrás de cobertores. Fui até o armário do quarto de hóspedes e achei três cobertores, peguei todos e voltei para a sala. Dei um laranja para os que estavam deitados no tapete, entreguei o verde para os ’s que dominaram o sofá grande e dei o roxo para o que estava sentado na poltrona.
- Onde você vai? – me perguntou assim que virei as costas e fiz menção de sair da sala.
- Vou buscar um cobertor pra mim. – sorri de canto e voltei a me concentrar em chegar às escadas.
- Não precisa , vem cá, eu divido o meu contigo. Esse cobertor é grande e essa poltrona também, certeza que cabe você aqui. – Ele disse sorrindo e abriu espaço para que me sentasse ao seu lado.
Dei de ombros e fui dividir a poltrona com ele. Realmente ela era grande e muito confortável por sinal. Ajeitei-me embaixo do cobertor e roubei algumas pipocas dele, que fez uma careta digna de uma foto, ri com isso.
- Xiiu! Vou dar play aqui no filme agora, quero silêncio! – ralhou conosco e apertou o botão amarelo do controle que iniciou o filme.
Sorri sozinha quando os primeiros créditos do filme começaram a rolar, parecia que eu não o via a uma eternidade. Ergui a mão esquerda para pegar uma pipoca enquanto olhava concentrada para a televisão e senti uma coisa estranha dentro do pote, comecei a cutucar ‘a coisa’ mas sem prestar atenção no que era, não queria perder um segundo se quer daquele filme!
- É a minha mão ... – sussurrou no meu ouvido rindo.
Imediatamente o encarei completamente sem graça e tirei a mão de dentro do pote. Respondi um ‘desculpa’ baixinho e voltei minha atenção ao filme evitando ao máximo olhar para ele.
Logo os créditos do final apareceram e despertei do meu transe pós-filme. Olhei a minha volta e pude ver uma cena não muito agradável de e quase se engolindo no sofá, passei o olho por onde e estavam levantando e por último vi e comendo um pote de brigadeiro sentados no chão. Mexi-me na poltrona e senti um peso em meu ombro, me virei e vi um todo desajeitado dormindo com a cabeça encostada no meu ombro. Ele ficava tão fofinho dormindo, parecia um bebê, me deu uma vontade louca de mordê-lo. Senti que minha mão esquerda, que estava apoiava na minha coxa, segurava algo, olhei embaixo do cobertor e me toquei que nossas mãos estavam entrelaçadas. Sorri bobamente e estremeci com a proximidade de nossos corpos.
- Nossa , isso é muito bom! – Ju disse com uma colher cheia de brigadeiro na boca. Me assustei com sua voz e dei um pulo na poltrona, soltando a mão de , que conseqüentemente despertou.
- O filme já acabou? – Ele perguntou com uma voz rouca muito sexy enquanto se espreguiçava ao meu lado.
Fiz um barulho com a boca indicando que sim, ele coçou os olhos de leve e me olhou sorrindo. Devolvi o sorriso e antes que começasse a delirar naqueles olhos , me levantei para pegar um pouco de brigadeiro.
- Que horas são povo? – , que estava sentado entre as pernas de , a qual lhe dava brigadeiro, perguntou.
- Sei lá dude, acho que umas sete horas? – questionou .
- São 6 horas e 10 minutos. – respondeu olhando em seu celular.
- Tá ficando tarde né, amanhã todos vamos trabalhar. Acho melhor irmos amor. – levantou em um impulso rápido e ajudou a fazer o mesmo.
- Mas já? Nem vem! Ainda tá cedo poxa... E eu ainda to morrendo de fome, que tal pizza? – Tentei fazer o máximo para que eles continuassem ali, não queria ficar sozinha novamente.
- Opa, pizza? Agora que eu não vou mesmo! Uma inteira de calabresa é só minha ein! – berrou animado fazendo todos rirem. Corri até a cozinha antes que mudassem de ideia, peguei o telefone e um cartãozinho de uma pizzaria que estava pregado na porta da geladeira, fiz o pedido de três pizzas e voltei para a sala saltitando.
- Prontinho meus amores, a pizza já tá cheg... – Quase fui atropelada por um que corria feito um idiota gritando e por um furioso que corria atrás dele dizendo ‘ME DEVOLVE ISSO SEU OTÁRIO, VOU TE MATAR!’. e riam da situação e de vez enquando também participavam da brincadeira gritando para que jogasse algo para eles. As meninas só observavam e riam do coitado do , que estava ficando roxo de raiva.
- MAS QUE DIABOS ESTÁ HAVENDO AQUI?! – praticamente berrei e todos na sala congelaram imediatamente e me olharam, a única coisa que pude ver foi uma bolinha de papel voando na minha direção, abaixei-me para pegar a mesma e abri-a.
- Não ! Não lê isso, é sério! – correu até mim e arrancou o papel de minhas mãos. Me assustei um pouco com aquela atitude, mas fazer o que né? O médico pediu pra não contrariar.
- Para de ser besta , deixa a gente ver isso logo dude! – disse a ele dando tapinhas leves em suas costas. hesitou um pouco, mas jogou a bolinha para mesmo que de má vontade. Todos correram para perto do para ver o que estava escrito ali, também ia me juntar a eles, mas fiquei com pena do garoto cabisbaixo no sofá e fui me sentar ao seu lado. Me joguei ao seu lado e ele deu um pulo de susto, logo começamos a rir.
- Que papel é aquele? – perguntei fazendo um coque em meu cabelo.
- Aah, nada demais, só uma música que eu escrevi. – respondeu sem dar muita importância e limpando o suor que escorria em seu rosto.
- Dude, isso tá muito legal! Por que não mostrou antes? – falou vindo em nossa direção.
- Sei lá mano, vergonha. – respondeu passando as mãos pelos cabelos.
- Vergonha do que? Tá muito irada! , posso pegar aquele violão ali? – perguntou apontado para o violão jogado em um canto da sala. Fiz que sim com a cabeça e ele entregou o violão para , que o olhava sem entender enquanto ajeitava-o em seu colo.
- Vai menino, tá esperando o que? Canta ae! – Ju sempre sutil o ‘incentivou’.
me olhou e fez um sinal com a cabeça pedindo permissão para tocar. Sorri em resposta e ele então começou a música:
Woahhhhhhhh woahhhhhhh
The clock hit 12, she entered the room
But if looks could kill then we all would be doomed
After just one kiss you're not able to move
From her venomous lips and the poison perfume yeah
(O relógio marca meia noite, ela entrou no lugar
Mas se olhar matasse estaríamos todos condenados
Depois de um beijo você não consegue se livrar
Dos lábios peçonhentos e do perfume venenoso)
She started swaying so sexy
And looking at me
And it got me caught in a mind control
This place is prison
I'm chained up
I give up and
I'm at her mercy
She wouldn't let me go
(Ela começou a rebolar muito sexy
E me olhando
Ela conseguiu me controlar pela mente
Este lugar é uma prisão
Eu estou acorrentado
Eu desisto
Estou à sua piedade
Ela não quer me soltar)
She said she likes to dance all by herself cos
She's a party girl
She don't care for nobody else
She's in her own world
I love this little party girl
I love this little party girl
She's such a little party girl
(Ela disse que gosta de dançar sozinha porque
Ela é uma garota baladeira
Ela não liga para mais ninguém
Ela está em seu próprio mundinho
Eu amo essa garotinha baladeira
Eu amo essa garotinha baladeira
Ela é tão garotinha tão baladeira)
I, I gotta leave this room, it's starting to spin
But there's no escape from this mess that I'm in
She can't resist the temptation to sin
So pull your collar up before she sinks her teeth in,
yeah
(Eu... Eu tenho que sair daqui, está começando a girar
Mas não há escapatória dessa confusão em que estou
Ela não consegue resistir à tentação do pecado
Então, puxe a gola pra cima antes que ela crave os
dentes, yeah)
She started swaying so sexy
And looking at me
And it got me caught in a mind control
This place is prison
I'm chained up
I give up and
I'm at her mercy
She wouldn't let me go
(Ela começou a rebolar muito sexy
E me olhando
Ela conseguiu me controlar pela mente
Este lugar é uma prisão
Eu estou acorrentado
Eu desisto
Estou à sua piedade
Ela não quer me soltar)
She said she likes to dance all by herself cos
She's a party girl
She don't care for nobody else
She's in her own world
I love this little party girl
I love this little party girl
She's such a little party girl
I love this little party girl, yeahhhhh
She said she likes to dance all by herself cos
She's a party girl
She don't care for nobody else
She's in her own world
I love this little party girl
She said she likes to dance all by herself cos
She's a party girl
I love this little party girl
She said she likes to dance all by herself cos
She's a party girl
She's such a little party girl
- Uaau! – Foi a única coisa que consegui pronunciar depois daquilo, afinal, quem era aquela “party girl”? Será que era a noivinha dele? Meu sangue começou a ferver e minha vontade era de rasgar aquele papel todinho, mas fiz o máximo para me controlar.
- Nossa, quem é essa party girl? Me apresenta? – brincou fazendo cara de safado, mas logo em seguida ganhou um pedala de uma emburrada.
- Ei, a gente podia tocar nos nossos ‘showzinhos’, só que mais agitadinha. – disse animado fazendo aspas com as mãos na hora de pronunciar ‘showzinho’.
- Vocês já tentaram ir a uma gravadora? – Perguntei erguendo uma sobrancelha e cruzando os braços. Poxa, tantos anos de banda e como não tinham conseguido uma gravadora ainda?
Todos na sala se entreolharam e depois me fitaram. Me senti em um paredão pronta para ser fuzilada. , e suspiraram, apenas respirou fundo, levantou do sofá e colocou uma mão no meu ombro:
- Tentamos mas não deu muito certo, acho que não curtiram muito a nossa música.
- Já tentaram a Universal Records? – Continuei minhas perguntas e ele só mexia a cabeça em afirmação e com certo desânimo. Pensei alguns minutos comigo mesma e resolvi que já estava na hora de mexer meus pauzinhos para ajudá-los, afinal, se não fosse o , eu ainda estava vagando pelas ruas de Londres sem nem saber realmente qual era o meu nome. Eles mereciam uma chance! Sorri com meus pensamentos e notei que todos me olhavam confusos.
- , você pode gravar um demo dessa música agora? Lá no meu estúdio? – Apontei para as escadas indicando para que ele subisse.
- Acho que sim, mas pra que? – Odeio quando me fazem perguntas demais, isso me irrita profundamente.
- Não pergunta, só sobe e grava! – Obriguei o garoto a subir até o meu estúdio. Com a ajuda de todos gravamos o demo rapidinho e fomos comer as pizzas que chegaram enquanto gravávamos. Conversamos mais um pouco sobre coisas aleatórias e eles foram embora quase 11 horas da noite. Dei uma ajeitada na minha casa que estava parecendo uma favela, tomei meu banho e fui deitar, amanhã tinha muito trabalho a fazer.
Capítulo 15.
Acordei cedinho com o despertador, que por sinal não era mais a música do All Time Low. Fiz minha higiene matinal, tomei meu café, coloquei uma calça jeans escura, uma bata branca de manguinha e um All Star xadrez que combinava com uma bolsa e um casaco com a mesma estampa. Fiz um rabo de cavalo de qualquer jeito no meu cabelo, passei uma maquiagem bem leve só pra esconder as olheiras e peguei uns óculos escuros grandes na cor marrom. Dei uma olhadinha no espelho para ver como estava e gostei do resultado: simples, mas bonita! Coloquei as chaves do carro na bolsa junto com meus documentos, o celular e o CD com a música dos meninos. Desci pelo elevador até a garagem e dei de cara com um New Beatle vermelho. Meus olhos se encheram de água quando apertei o botão vermelho do controle que desativou o alarme do carro. Um dos meus sonhos sempre foi ter esse carro, ainda mais na cor vermelha! Entrei no veículo e passei as mãos pelo volante, admirando cada espaço daquele carro que era só meu. Sorri de orelha a orelha, joguei minha bolsa no banco ao lado e coloquei o cinto.
Fitei o retrovisor e percebi que tudo já estava ajustado perfeitamente para me favorecer. Ajeitei as chaves no contato e dei a partida, apertando em seguida o botão azul de um controle que abriu a porta da garagem. Eu estava dirigindo! Aquilo só podia ser um sonho, não lembrava se tinha feito aulas de direção ou não, mas parecia já estar no automático. Com a ajuda do GPS cheguei rapidinho na gravadora, sem ao menos saber o caminho.
Entrei no salão principal e fui muito bem recebida pela minha assistente Ingred, que me mostrou onde era a sala da empresária das The Star Girls. Eu não me lembrava muito bem dela porque a vi muito rápido no dia do lançamento do single, era uma loira alta de olhos castanhos claros e um pouco gordinha, aparentava ser séria, o que me deixava um pouco nervosa. Segui até o final do corredor com Ingred ao meu encalço, até que ela apontou uma porta branca com uma placa gravada com o nome ‘Jéssica Smithers’. Opa, espera aí, Smithers? Então a nossa empresária era parente de Giorgia? Aaaah, isso explica algumas coisas. Agradeci minha assistente, que sorriu e se retirou. Respirei fundo e bati na porta devagar e com calma. Ouvi alguém gritar ‘Entra!’, então fiz o que me pediram. Tirei os óculos e abri a porta com cuidado, e avistei a mesma loira de quem me recordava digitando algo no computador enquanto falava em seu Iphone. Ela fez sinal com as mãos de que eu entrasse e me sentasse em uma das cadeiras a sua frente. Ainda com um pouco de medo, fechei a porta atrás de mim e me sentei em uma poltrona com estampa de oncinha. Enquanto ela terminava o que estava fazendo, aproveitei para dar uma boa olhada na sala. Era grande, bem grande, com as paredes pintadas em um tom de marrom forte, alguns móveis dourados, brancos e laranja, mas no canto havia uns pufes e um sofá em estampa de zebra, fora as cadeiras com estampa de oncinha, assim como a que eu ocupava. Não posso deixar de dar ênfase aos vários quadros das The Star Girls espalhados pela sala, eu estava em todos. Para ser sincera, aquilo não combinava nem um pouco, já estava começando a me sentir mal naquele lugar. Levantei para pegar um copo de água, mas algo me chamou atenção. Uma foto bem grande localizada bem atrás da mulher exibia uma foto minha com a Giorgia. Aparentávamos ter uns 17 anos no máximo, estávamos abraçadas, rindo e vestidas com roupas azuis brilhantes com várias estrelas bordadas. Não posso mentir e dizer que a foto estava feia, porque não era verdade, mas era no mínimo estanha. Meu cabelo estava pintado de vermelho, minha mãe nunca permitiria isso.
- Oi minha querida, chegou cedo ein... O ensaio é só à tarde hoje. – Jéssica me cumprimentou sorrindo, me fazendo desviar o olhar da foto para ela.
- Aah oi, tudo bem? Na verdade, eu não vim pelo ensaio. – tentei ser simpática ao máximo, mas eu estava um pouco nervosa, não conseguia lembrar nem se aquela mulher era a mãe da Giorgia, apesar das semelhanças.
- Veio fazer o que aqui então? Não se acanhe, sabe que é como uma filha pra mim... – Acho que ela percebeu meu nervosismo, parecia que tentava me deixar confortável.
- Me desculpe, estou um pouco envergonhada, não sei como te falar isso.
- Ai meu Deus! Já sei, você está grávida! E agora!? O que vamos fazer?! Aborto! – Ela levantou da cadeira e disparou a falar com as mãos nos longos cabelos oxigenados. Minha vontade foi de rir na hora, mas me levantei e tentei acalmá-la, buscando-lhe um copo com água.
- Calma, não estou grávida! – segurei o riso enquanto ela sentava novamente, se abanando com as mãos.
- Que susto menina! Não faça mais isso comigo, assim você me deixa com rugas! – Não agüentei, tive que rir daquelas palavras. Rugas? Coitadas das rugas, nem teriam como aparecer naquele monte de botox que aquela mulher tinha na cara. Respirei fundo e voltei a me sentar.
- Foi mal, não queria te assustar, só queria te mostrar isso. – Abri minha bolsa e tirei de lá o CD com a música dos meninos e entreguei a ela.
Jéssica observou o CD e o colocou em seu computador, sem mencionar uma palavra se quer. A música começou a rolar, a voz de misturada com o som doce do violão tomaram conta da sala. A mulher ouviu a música toda sem se mexer. Ao final da canção me olhou, erguendo uma sobrancelha, e questionou:
- Quem é?
- Um amigo meu, o ... Bom, ele é amigo de infância e...
- Não, quem é a “party girl”? - Que? Como EU vou saber quem é a party girl? E pra ela quer saber? Oxê.
- Aah, nem sei. – Falei dando de ombros, ela fez um barulho com a boca incompreensível e voltou a digitar no computador. Fiz menção de levantar, mas ela fez sinal para que ficasse.
- Então é o seguinte, fale para seus amigos que eles terão uma chance, mas eles tem que me trazer uma versão dessa música remixada, mais dançante sabe? Aí eu vejo se eles merecem gravar um vídeo ou não, ok? Pode ir minha querida, tenho que terminar umas coisas aqui pro ensaio de hoje à tarde, nos vemos lá lindinha. Amo você, beijinhos minha star girl. – Jéssica disse tudo isso sem ao menos me olhar, apenas ficou digitando algo no computador. Agradeci por ela ter me dado “atenção” e saí da sala, tentando entender uma coisa: ela tinha me chamado de star girl ou era impressão minha? Achei que só o me chamasse assim, tenso.
Voltei ao salão principal da gravadora, ainda tentando absorver aquelas palavras. Vi Ingred caminhando em minha direção, dei tchau para a menina e agradeci por ter me ajudado. Saí de lá e fui de carro para algum parque, precisava respirar um pouco, aquela sala realmente estava me sufocando.
No entanto, acho que não foi uma boa idéia ir ao parque perto de casa, fui “atacada” por vários fãs pedindo autógrafos e fotos. Uma hora se passou só nessa de dar atenção aos fãs. Com muita dificuldade, consegui voltar para minha casa. Olhei no relógio, ainda eram 11 horas da manhã e eu já estava exausta! Joguei meus All Stars em qualquer canto e pulei no sofá. Fiquei esparramada ali por longos minutos pensando na vida, até que vi uma mancha de brigadeiro no meu sofá. “!” Pensei com raiva, ele e a que estavam comendo brigadeiro naquele canto ontem. Ah, mas eles vão limpar, oh se vão! Falando nos meninos, tenho que avisá-los, eles tem três dias para remixar a música. Escrevi uma mensagem rápida e colei para todos. Voltei a me esticar no sofá, queria descansar antes de almoçar e voltar pra gravadora, quem sabe até dormir um pouquinho, afinal, eu merecia.
Capítulo 16.
’s P.O.V on:
Estava em um parque tirando algumas fotos de crianças brincando enquanto esperava meu chefe sair de uma visita que fizemos em uma agência bancária para saber como os novos empregados estavam se saindo. Eu trabalho como gerente de um banco em Londres, mas gosto de tirar algumas fotos de vez enquanto como hobbie. Sempre quis ser fotógrafo ou músico, mas acabei na área financeira, fazer o que? Foi o que deu mais dinheiro. Vi uma menininha com síndrome de down brincando no balanço e isso me chamou a atenção. Ela era tão fofa, tão meiguinha brincando, parecia uma bonequinha que nem tinha doença nenhuma. Preparei minha câmera pra tirar uma foto dela, mas senti meu celular vibrar no bolso. Peguei-o sem pressa e um pouco a contra gosto, li no visor o nome “” e não posso negar que senti uma inquietação em meu interior.
“Heey boys, sei que estão ocupadinhos hoje, mas preciso falar com vocês! Amanhã à noite sem falta na minha casa, ok?
XOXO, .”
Sorri sozinho só de pensar em estar com ela novamente, comecei a digitar uma resposta, mas meu chefe apareceu, fazendo sinal para que fossemos embora. Levantei meio sem jeito, ainda estava sobre o efeito da mensagem da . Peguei meu carro e fui direto para o banco. Arrumei alguns papéis na minha mesa e entre eles achei a música “Party Girl”. Eu não queria que ninguém soubesse, mas a escrevi pensando na , naquele dia da festa, de como ela estava extremamente provocante e sexy. O único que sabia disso era o . Naquela festa eu senti coisas que nunca pensei sentir novamente na minha vida. Toda aquela provocação dela estava me deixando excitado, fiquei com medo de fazer alguma besteira, por isso fui embora mais cedo. Não podia evitar, não podia negar, tudo aquilo que sentia no passado por ela estava voltando e com força total. Cada dia que me reaproximo dela, meu coração acelera mais um pouco e meu corpo necessita mais do seu. As lembranças de quando éramos menores não param de reaparecer na minha mente como se tivessem acontecido ontem. Coisas que havia esquecido como a vontade louca que ela tinha de conhecer o London Eye, ou sua admiração pelo céu, pelo espaço em si, agora martelavam na minha cabeça.
Sentei na minha poltrona e ali permaneci por alguns minutos olhando pro nada, só voltei a Terra quando meu celular tocou, procurei-o desesperadamente para atendê-lo o mais de pressa possível, poderia ser ela. Achei o aparelho debaixo de uma pasta, mas logo desanimei ao ver o nome de no visor.
- Fala dude.
- Nossa, já vi que a coisa tá feia hoje. Já sei, saudades da , né? – O engraçadinho falou do outro lado da linha.
- Haha, morri aqui, diz aí dude, o que foi? – já estava ficando meio sem paciência, ele sabe que eu odeio que enrolem no telefone.
- Ok, ok, calma! Tô te ligando pra perguntar se tu recebeu a mensagem da , seu ingrato!
-
Ah, eu vi aqui. – tentei não dar muita importância, mas era difícil enganar o . Além da e da minha mãe, ele era o único que eu não conseguia esconder nada, no e no a gente até que consegue passar a perna de vez em quando, mas no não, é impossível.
- Ia fazer a inútil pergunta se você vai, mas é claro que tu vai, então eu passo na sua casa pra te pegar às 7 e meia, ok? Vou levar os dudes também. – Não disse? Ele me conhece como a palma de sua própria mão.
- Ok, valeu dude, agora eu preciso trabalhar, falou aí, até amanhã! – respondi rindo.
- Fazer o que? Você não vive sem mim, anão de jardim! Abraço dude, até! – ele riu e antes que eu pudesse mandá-lo tomar no rabo, ele desligou.
Voltei aos meus afazeres, já eram quase duas horas da tarde e eu ainda não tinha almoçado, precisava comer alguma coisa, meu estômago já estava se engolindo por si só.
’s P.O.V. off
Capítulo 17.
Despertei em um pulo com meu celular tocando escandalosamente do meu lado, atendi sem ao menos ver quem era.
- Espero que seja importante! – Berrei com o aparelho no viva voz, acho que era nítida a minha raiva.
- ? Você não vem? Só falta você aqui, como sempre... – Reconheci aquela voz irritantemente fina como sendo de Clair. Passei as mãos pelos cabelos e depois esfreguei os olhos, pois ainda estava tudo meio embaçado, olhei no relógio da sala e já eram quase três horas da tarde, acho que dormi demais!
- Ah, malz, já to chegando, beijos! – Levantei em um pulo e calcei meus tênis, coloquei tudo que tinha que levar na bolsa e saí em disparada ao hall de entrada do prédio, nem cumprimentei ninguém nem nada, apenas fiz sinal para o porteiro de que precisava de um táxi, ele entendeu perfeitamente e assoviou para o primeiro que passou, agradeci com um sorriso colocando meus óculos. Falei o nome da rua para o motorista e tentei dar uma ajeitada no meu cabelo fazendo um coque frouxo, não deu muito certo, mas valeu a tentativa. Alguns minutos depois já estava entrando na gravadora pela segunda vez no dia, segui em passos largos e rápidos até a sala de ensaios que já conhecia, a porta estava entreaberta então nem fiz questão de bater, entrei de uma vez dando de cara com uma Giorgia furiosa.
- Aonde você pensa que estava? Achei que tivesse dito a você que não queria que se atrasasse mais! – Ela disse em um tom irritado vindo em minha direção com os braços cruzados.
- Foi mal, acabei dormindo e perdi a hora, mas agora estou aqui. – procurei dar uma amenizada na situação. Giorgia simplesmente empinou o nariz e saiu rebolando, só me faltava essa agora.
Discutimos algumas músicas para o novo CD, falamos sobre roupas, shows, coreografias e uma possível turnê mundial. Pelo que me pareceu, todas estavam bem animadas com o sucesso que crescia a cada dia, é claro que isso também me deixava bastante excitada, porém me lembrava o ‘fracasso’ dos meninos e isso me deixava meio abatida. Após muitas horas de falações e decisões, finalmente conseguimos entrar em um acordo com relação a tudo; a primeira coisa que faríamos seria dali três dias, quando gravaríamos o clipe de First Bad Habit. A reunião se encerrou quase sete horas da noite, voltei correndo para minha casa na esperança de conseguir tomar pelo menos um banho antes dos meninos chegarem, e acho que deu certo, porque eles só foram chegar lá pelas oito e meia, quase nove horas, deu tempo de tomar banho e preparar uma lasanha. Não sei se eles já comeram na casa deles, mas tenho certeza de que não vão recusar uma lasanha, principalmente o .
Expliquei a eles tudo que havia acontecido de manhã e repeti as mesmas palavras de Jéssica, no início relutaram um pouquinho com o fato da música ser remixada, mas depois de alguns minutos de incentivo e quase uma lasanha inteira, eles toparam em tocar e remixar Party Girl. Sem demoras, subimos ao estúdio e fomos trabalhar, não paramos para absolutamente nada, nem pra beber água ou ir ao banheiro, dividimos as tarefas e todos estavam concentrados naquilo que faziam no momento, eu queria tanto que os meninos conseguissem uma gravadora que me esqueci completamente de tudo à minha volta.
- , falta muito aí? Já são onze horas, preciso ir embora, tenho algumas coisas pra fazer do trabalho pra levar amanhã e tô morrendo de sono. – disse jogado no sofá preto quase dormindo.
- Não, não, boy, já estou acabando, mas pode ir, eu termino aqui, não se preocupem! – respondi animada, faltava tão pouco para acabar, nem estava acreditando.
- Podem ir, eu fico aqui com ela até acabar. – que não saiu do meu lado um minuto se quer naquela noite sugeriu.
- E tu vai embora como, dude? Não foi o que te trouxe? – Um sonolento perguntou enquanto levantava do sofá e se espreguiçava.
- Ai, é mesmo! – Ele passou as mãos no cabelo bagunçando-os. – Eu pego um táxi, sei lá, eu dou um jeito.
- Nem pensar, te levo de carro pra sua casa depois. – Olhei sorrindo para o garoto, que retribuiu.
- Bom, já que estamos sobrando aqui, vamos, acorda aí, ! – levantou do sofá e sacudiu , que já até babava no meu sofá, ele acordou meio mal-humorado e foi andando sendo guiado por , que ria.
- Boa noite, , a gente se vê.
- Até mais zinho, boa noite.
- Essa é a minha garota, trabalhando até tarde, essa menina é um espetáculo, boa noite, linda! Tô de olho em ti, , ela é minha.
– Ai , deixa a te ouvir falando essas coisas, nem dormindo toma jeito. Balancei a cabeça em negação e olhei para perdido em pensamentos.
- , to indo, qualquer coisa me liga, pidoquinha. E você, mocinho, juízo! – me deu um beijo na bochecha e um tapinha nas costas de , que lhe respondeu com um dedo do meio, antes de sumir pela porta do estúdio mandou um beijo no ar, voltei a observar o garoto ao meu lado que estava completamente vermelho, estranhei mas dei de ombros e voltei ao meu trabalho. Passamos mais uma hora fazendo os ajustes necessários para que a música ficasse impecável, apertei o botão de gravar com um sorriso imenso no rosto, meu olhar encontrou o de e pude ver que seus olhos brilhavam. Sempre foi o sonho dele ser músico, e apesar desse não ser o tipo de música que os meninos curtem tocar, já é um grande passo, então estavam realmente entusiasmados. Tirei o CD do computador e guardei em uma caixinha azul com o nome McFLY gravado. Olhei para que sorria de orelha a orelha, acho que nunca o vi tão feliz, me aproximei dele lhe dando um abraço apertado e sussurrei um ‘Parabéns!’ em seu ouvido. Larguei minha casa do jeito que estava e fui levá-lo para sua casa, ele insistiu que pegaria um táxi, metrô, qualquer coisa, mas já passavam da meia noite, não deixaria ele ir sozinho. Descemos de elevador até a garagem e fiz um pequeno showzinho ao lhe mostrar meu New Beatle vermelho, ele apenas riu e disse que era minha cara antes de entrar. A viagem foi tranquila, conversamos e gargalhamos bastante, como não havia muito movimento na rua, chegamos rapidinho em sua casa.
- Boa noite, , valeu pela carona, até amanhã! – Ele disse rindo enquanto abria a porta do carro.
- , espera! Posso te fazer uma pergunta besta? – perguntei parando de rir aos poucos.
- Olha, se for mais uma piadinha eu te mato, não agüento mais rir. – respondeu com um olhar mortal.
- Nem é piada idiota. – dei um leve tapinha no seu ombro. – Queria saber quem é essa ‘party girl’... - Vi sua face ficar sem expressão, ele apenas arregalou os olhos e me olhou se não tivesse resposta para minha pergunta. Ergui uma sobrancelha expressando minha confusão.
- Você é muito curiosa, pirralha. – falou em um tom divertido e logo soltou uma risada nasalada.
- Sou mesmo, agora fala, quero saber! – cruzei os braços e fiz a melhor cara de emburrada que consegui.
- Boa noite, , até amanhã. – respondeu rindo e saiu do carro ignorando meu gemido de indignação.
Não acredito! Assim que ele bateu a porta do carro, fechei o punho direito e dei um forte soco no volante de tão revoltada que estava, percebi a merda que fiz e pedi mil desculpas ao meu precioso carrinho que não tinha culpa de nada, ouvi um trovão e olhei imediatamente para o céu, eu tenho pavor de chuva! Havia algumas nuvens grandes se aproximando, mas ainda conseguia ver a lua cheia e algumas estrelas que iluminavam o céu. A lua estava igualzinha ao dia em que me convidou para ir ao baile, me senti um pouco mal com essa lembrança, abaixei a cabeça a encostando no volante antes de soltar um suspiro alto. Ouvi uma batida no vidro e levantei num pulo, era ele, o que diabos ainda fazia ali? Ele se afastou um pouco para que eu pudesse abrir a porta e assim o fiz saindo do carro.
- O que aconteceu? – perguntei um pouco assustava.
- Relaxa, só me acompanha. – colocou as mãos no bolso do casaco e fez sinal com a cabeça para que eu o seguisse. Apertei meus braços nus contra meu corpo e fui atrás dele me xingando mentalmente por ter esquecido um casaco.
- É muito longe? – meus lábios já estavam ficando roxos e meu corpo inteiro tremia, não sei se agüentaria uma longa caminhada.
- Mas que preguiçosa, até pare... Meu Deus! Coloca isso, por favor. – Ele tirou seu casaco e colocou por cima de meus ombros fazendo fricções em meus braços. Pensei em recusar, mas o frio falou mais alto, ele me abraçou de lado e assim continuamos caminhando. Não consegui prestar atenção onde estávamos indo, toda minha concentração se voltou para o seu perfume, e que perfume! Era impressionante como aquele homem era cheiroso, mesmo depois de tanto tempo sem tomar banho aquele cheiro bom não saía.
- ? Você tá bem? – Ele parou e me virou de frente pra ele ainda me abraçando pela cintura.
- Er, tô sim... hm. – respondi um pouco perdida em seus olhos muito próximos.
- Que bom, então olha! – Ele me virou de costas e de repente o mundo parou. Ele não tinha feito aquilo, eu estava sonhando, não podia ser verdade! Meus olhos se encheram de lágrimas e me virei pra ele com as mãos no rosto.
- Você... Não... Fez... – Mal conseguia falar de tanta emoção que sentia, todo aquele frio se transformou em calor e uma agitação sem fim.
- Vem, vamos subir. – Nem conseguia me mexer, então ele me puxou pela mão e fomos nos aproximando da maior roda gigante do mundo. Sim! Ele tinha me levado ao London Eye! Desde pequena meu sonho era chegar ao ponto mais alto do London Eye, dizem que parece não haver chão, você se sente livre voando na imensidão azul. Entramos em uma cabine, só nós dois, não tinha mais ninguém ali. Também, àquela hora, nem sei porque ainda estava funcionando; segui até a janela, coloquei uma das mãos no vidro e senti uma lágrima molhar meu rosto.
- Não acredito, é o London Eye, eu tô no London Eye! – Sussurrei para mim mesma não acreditando no que acabara de fazer.
- Você merece, pequena – Ouvi-o sussurrar perto do meu ouvido e logo suas mãos encontraram minha cintura e ele me abraçou por trás.
Já no topo, abri meus braços como se fosse voar e ouvi a risada gostosa de soar como musica em meus ouvidos. Ele passou as mãos pelos meu braços e colou mais o seu corpo no meu encaixando seu queixo no meu ombro direito, ficamos alguns minutos imitando a famosa cena do Titanic... Virei meu rosto na direção do seu e depositei um beijo demorado em sua bochecha. me olhou e deu aquele sorriso maravilhoso que me fez tremer as pernas. Aquilo pra mim era um sonho; eu no London Eye juntinho com ...
- Desculpa, senhor, mas vai chover em poucos minutos, e por questão de segurança, tenho que esvaziar as cabines. O senhor e a sua namorada poderiam sair, por favor? – Um rapaz educado que monitorava a roda gigante falou e não pude conter um sorriso ao ouvir a palavra ‘namorada’... Já a reação de foi diferente, ele bagunçou o cabelo envergonhado e pediu desculpas ao garoto antes de sairmos.
- Nem acredito, , eu... eu nem sei o que dizer! – Seguíamos lado a lado em direção ao meu carro e à casa dele.
- Eu é que tenho que agradecer pelo que está fazendo pela banda, pequena, só lamento por não termos ficado por mais tempo... Merda de chuva! – Abaixou a cabeça mostrando seu desânimo, colocou as mãos no bolso e chutou ar com um pouco de raiva.
- Ei, você me levou até o London Eye, cara, o tempo que durou não importa, o que importa é... Ai! – Senti alto pesado molhar minha bochecha e passei a mão pelo local limpando-a, logo outra gota dessas bateu em meu braço, e no meu ombro... Olhei pra cima e não conseguia ver nada além de nuvens pretas e gotas enormes caindo sobre mim; DROGA, DROGA, DROGA! Eu tenho pavor de chuva, e pelo visto, essa não seria uma chuvinha qualquer, e sim uma daquelas belas tempestades.
Logo aquelas gotinhas cresceram e a chuva ganhou uma força assustadora, vi um clarão e de repente um barulho ensurdecedor me assustou, antes que começasse a gritar que nem uma louca pela rua, segurou firme em minha mão e me puxou com rapidez para algum lugar que não conseguia identificar por causa da chuva. Suspirei aliviada quando entramos em uma portinha e o barulho da água caindo ficou longe. Olhei para o menino ao meu lado que estava ensopado e não pude deixar de rir.
- Tá rindo do que, sua louca? Olha o teu estado também... – Ele apontou pra mim e eu só ri ainda mais ao me ver no espelho, como dizia minha vó... Tô parecendo um pinto molhando. abriu uma portinha e fez sinal para que eu o seguisse, ouvi mais um daqueles trovões medonhos, arregalei os olhos e o segui imediatamente. Estava meio escuro então não conseguia ver muita coisa, ele ia me orientando sobre os degraus e em poucos minutos, abriu uma porta revelando sua casa.
- Ah, , eu já vou indo, já tá tarde você precisa descansar... – Falei parada na porta vendo-o entrar e tirar seus sapatos.
- , por favor, né... Eu sei que tu morre de medo de chuva, e até parece que tu vai conseguir enxergar alguma coisa... – Disse com um sorriso sapeca no rosto abrindo uma das cortinas e revelando uma puta chuva, não dava pra ver absolutamente nada! Suspirei derrotada e adentrei no apartamento fechando a porta atrás de mim. Tirei meus sapatos e deixei-os ao lado dos dele.
- Pode ficar a vontade, a casa é sua... A propósito, vem aqui, vamos tirar essas roupas molhadas. Sem soltar um ruído, acompanhei-o até o que parecia ser seu quarto, não era muito grande, mas ainda sim me parecia bem confortável. Uma cama de casal, uma escrivaninha com computador, uma televisão e um guarda-roupa... Tudo que um homem precisa pra sobreviver. As paredes em um azul claro transmitiam bem mais tranqüilidade do que as roxas do meu quarto.
- O banheiro fica ali naquela porta, pode demorar o tempo que for necessário. Tem shampoo, sabonete... Essas coisas! Aqui tem uma toalha e uma roupa pra você! – Me entregou a toalha e as roupas e eu agradeci com um sorriso. Segui até a porta que ele me indicou e adentrei no banheiro acendendo a luz. O banheiro também era pequeno, tinha uma pia, um chuveiro e um vaso sanitário. Deixei as roupas secas em cima da pia e tirei as molhadas, largando-as no chão mesmo. Liguei o chuveiro deixando-o em uma temperatura morna e tomei um banho bem relaxante. Sequei-me com a toalha verde que me dera e enrolei meus cabelos molhados nela. Desdobrei as roupas e vesti uma boxer azul com uma estampa xadrez e coloquei a camisa de botões também na cor azul. Desenrolei meus cabelos da toalha e os baguncei, jogando-os de lado. Peguei a toalha e as roupas molhadas e saí do banheiro atrás de . Senti um cheiro bom vindo da cozinha e vi que a luz estava acesa, então fui até lá.
- Hmm, que cheiro gos-toso... – Comecei a falar assim que passei pela porta mais congelei ao ver um de costas, apenas de boxers preta e com alguns pingos de água naqueles braços extremamente fortes.
- Tô fazendo meu famoso chocolate quente! – Falou animado sem se virar e soltou uma risadinha abafada. Merda! Acho que ele percebeu meu pequeno engasgo ao ver aquelas belas costas nuas.
- Aonde eu deixo a roupa molhada? – Tentei disfarçar ao máximo, mas acho que foi inútil.
- Deixa ali na máquina de lavar, tá com uma roupas minhas já, a gente lava e depois põe na secadora. – Fiz o que ele disse e voltei pra cozinha onde ele despejava o líquido em duas canecas vermelhas. Aproximei-me dele e encostei-me à pia ao seu lado.
- Aqui, o s-seu... Puxa, você ficou muito melhor nessa camisa do que eu. – Disse com um sorriso de canto e me entregou a minha caneca. Agradeci e tomei o chocolate que estava uma delícia, percebi porque é famoso! Lavei as canecas e o agradeci por ter me ‘acolhido’. Tentei convencê-lo de que iria bem embora, mas ele não deixou que eu o fizesse, e quer saber? Não estava nem um pouco a fim de ir embora, ficar em casa sozinha com essa chuva ia ser meio tenso, pelo menos aqui tenho o pra me distrair. Conversamos mais um pouco e fomos nos deitar.
- Não poxa, eu durmo no sofá! – Reclamei pela milésima vez entrando no quarto logo atrás dele.
- Para de doce, , eu já tô acostumado a dormir no sofá, você vai dormir na minha cama, só vim buscar um cobertor. – Abriu o armário e tirou lá de cima um edredom cinza. Derrotada, levantei o edredom da cama e me enfiei embaixo do mesmo, ajeitei melhor o travesseiro antes de apoiar minha cabeça. Vi ele se aproximar de mim e sentar na cama.
- Boa noite, qualquer coisa é só me chamar. – Depositou um beijo na minha testa e se levantou.
- Durma bem, meu star boy! – Sussurrei já com os olhos fechados pelo cansaço, mas não deixei de notar seu olhar sobre mim, ouvi-o desligar a luz e encostar a porta do quarto. Estava quase dormindo em meio aquele cheiro maravilhoso dele que penetrava em minhas narinas quando me assustei com um relâmpago seguido por um trovão forte. Respirei fundo e me encolhi mais na cama, tapando meus ouvidos com um travesseiro em uma tentativa falha de abafar o barulho. A janela com uma frestinha aberta fazia assovios que me causavam calafrios. A chuva ainda pesada batia sem dó nem piedade na janela fazendo um barulho chato. Dessa vez, um raio me pegou de surpresa e eu levantei em um pulo, muito assustada, saí do quarto e fui em direção à sala procurando por , de repente um clarão branqueou a sala e um barulho forte ecoou pelo cômodo. Totalmente apavorada, saí correndo procurando o sofá no escuro, trombei com alguma coisa e desmoronei no chão sentindo um peso em cima de mim. Uma luz fraquinha foi acesa e assustei-me ao ver que o peso em cima de mim era o próprio. estava com os braços apoiados um de cada lado do meu corpo, seu rosto estava a poucos centímetros do meu e seus olhos passeavam pelo meu rosto atentamente. Qualquer barulho ou clarão naquele momento não tinham efeito, só serviam para que pudesse ver melhor a boca que eu tanto desejava ter encostada a minha.
Aos poucos, ele foi abaixando o rosto até nossos narizes se tocaram, fechei os olhos enquanto ele roçava nossos narizes com delicadeza, senti uma corrente elétrica passar por todo meu corpo quando seus lábios macios encontraram os meus. passou a língua no meu lábio inferior pedindo passagem, que logo lhe foi concedida. Seu gosto era tão bom que a cada encontro de nossas línguas, minha vontade de beijá-lo aumentava descontroladamente. Senti um calor crescer dentro de mim e agarrei-me a seus ombros nus, massageando-os devagar. começou a depositar beijos delicados em meu pescoço enquanto passava as mãos e apertava minha cintura provocando um gemido que foi abafado por seus lábios que voltaram a me beijar com mais intensidade. Ele voltou a beijar meu pescoço, só que agora com mais ferocidade. Enquanto isso, eu passava minhas mãos explorando toda e extensão de suas costas e seus peitoral ao mesmo tempo que distribuía beijos por sua orelha e por fim, dei-lhe uma mordidinha de leve no lóbulo da mesma. Suas mãos agora apertavam todo o meu corpo causando-me arrepios; ele parou de me beijar e olhou para suas mãos que se encontravam no primeiro botão da ‘minha’ camisa, voltou seus olhos para os meus como se pedisse permissão para aquilo. Respondi com um largo sorriso e ele sorriu também me dando um selinho demorado logo em seguida. Os beijos pelo pescoço voltaram e eles foram descendo até suas mãos no primeiro botão da camisa, a cada botão que abria, depositava um beijo demorado no local descoberto fazendo minha intimidade latejar a cada vez que se aproximavam mais dela. Depois que abriu o último botão, subiu beijando toda a extensão da minha barriga e por fim tirou minha camisa.
Espalhava beijos por todo meu corpo, que gritava cada vez mais pelo dele, as roupas já estavam todas no chão quando de uma maneira forte e única, me penetrou causando-me a melhor sensação da minha vida. Depois de inúmeros movimentos rápidos de vai e vem e muito suor, nossos músculos finalmente relaxaram e ele desabou sobre mim exausto, assim como eu. encostou a cabeça sobre meus seios enquanto seus braços fortes envolviam meu corpo suado em um abraço apertado, parecia até que me seguravam para que eu não fugisse. Eu fazia carinho em seus cabelos molhados com uma mão e nas suas costas com a outra quando ele levantou a cabeça e me olhou sorrindo, não pude deixar de sorrir também, mas confesso que estava um pouco envergonhada.
- Que foi? – Perguntei com as bochechas visivelmente vermelhas e um pouco nervosa por ele não falar nada.
- Nada, tô só admirando a minha star girl... – AAAAH, alguém aí ouviu isso? Ele me chamou de star girl! Sorri ainda mais por ele ter me chamado assim e o puxei para um beijo.
Ele cantou olhando nos meus olhos, lembrei do dia na casa do árvore, em que falou esse mesmo trecho no meu ouvido e não consegui segurar algumas lágrimas que insistiram em cair. Ele as secou com a ponta dos dedos e me deu um beijo carregado de amor... Amor, ele me ama! E eu também o amo, mais do que qualquer outra coisa nessa vida...
N/A: salve salve minhas party girls, como vocês estão? tava com saudades de vocês sabia? *-* então, é o seguinte... eu tava sem internet algumas semanas atrás e acabei fazendo uma limpa no meu computador, adivinha o que eu achei? pois é... GT30 HSADUIUIASDHHAUDSHDSA como não tinha absolutamente nada pra fazer, resolvi ler tudinho desdo começo e oh my jones, que merda de fic UASHDUIHUSDHIUSAHDIUDSAHUIDSAUSDAUIDHSAUIHDSUAIHUDS olha, eu admiro muuuuuuuuito vocês que ainda leem isso, e admiro mais a Brille que consegue (não sei como) betar isso! sério galera, tá muito ruim, olha como o modo da gente escrever muda em alguns meses não é mesmo? Bom, como eu fiquei uma eternidade sem escrevi, fiz um capítulo meio grandinho pra compensar vocês minhas star girls, me perdoem pela 'cena de sexo' mas é que tava chovendo, nada pra fazer... acabei me empolgando um pouquinho e por mais tentador que fosse (e com a pressão da Brille é claro) procurei não colocar uma coisa não muito selvagem pra não fugir da fic. é isso negas, espero que tenham gostado, quando eu comprar um computador novo, sim, o meu quebro e eu perdi tudo, eu faço um final bem bonitinho pra vocês ok? aceito sugestões, é só mandar um e-mail, ou um recadinho no twittão que a Brille vai coloca ae porque eu não sei UIHSADIUHSADHSDAUHUASDHUIAHDUSIUHIDS BEIJOOOOOONES MCGIRLS S2
N/B: EUAHEUAHEUHAEIUHAUEIHAEUH SEXO! DIZ AÍ, DO JEITO QUE A VICKY É ELA DEVE TER SE CONTROLADO UM MONTE PRA CONSEGUIR DEIXAR LEVE DESSE JEITO.......................................[CORRE
Se você acha a sua fic uma merda, olha a capa que eu fiz, meu deus que vergonha kkkkkkkk
Qualquer erro, @hellobrille