Escrito e Betado por: Bells Westerman
1 Even girls can be different when we love them
- Vamos lá Poynter! Até parece que Ashley Truscott vai se transformar do dia pra noite! - Pude sentir a ironia na voz do Tom quando ele se referiu a Ashley e eu podia perfeitamente entender o porquê, quer dizer, todo mundo sabe que a Ashley sempre foi gostosa, mas nunca teve um rosto bonito, mas eu tinha certeza absoluta que era ela que eu havia visto, a garota que conversava com o barman. Dei de ombros, a verdade era que eu não tinha certeza de nada, principalmente depois das várias garrafas de cerveja.
- Eu não sei se era a Ashley, mas se realmente era, eu vi primeiro. - Harry revirou os olhos e apressou o passo. No fundo eu tava me sentindo como um garoto ganhando a primeira bola de futebol, quer dizer, colocar os pés dentro da Bristol High School depois de tanto tempo me fazia querer pular, dançar, ou pagar uma de idiota. Desde que meus pais se separaram, eu estive morando na Califórnia, e não, não reclamo desse meu tempo lá, as mulheres eram ridiculamente gostosas e sempre que podia, os caras iam me ver, mas não era a mesma coisa, meu lugar sempre foi em Bristol, eu nasci e cresci aqui e por mais que eu fosse sentir falta do meu pai, estar com a minha mãe sempre era mais fácil, isso deve soar estranho, mas a minha mãe nunca pegou no meu pé, sempre me deu forças quando o assunto era mulheres e bebidas, e pra falar a verdade, a minha mãe ainda continuava linda, depois de trinta e oito anos nesse mundo. Eu não deixaria a minha mãe de novo se pudesse voltar e tomar a decisão mais uma vez, não depois de todas as coisas que ela fez pra que eu voltasse pra cá.
- Ei Poynter, acorda. - Danny riu e apontou pra loira vestida com o uniforme das líderes de torcida, sorri maroto. - Ashley Truscott, esperando por você. - Nós quatro rimos e eu revirei os olhos.
- Então tudo continua como antes? - Eles ficaram me olhando sem entender o que eu queria dizer e eu ri. - Nós quatro atraindo líderes de torcida e depois fugindo delas, e do principal...
- Compromissos. - Nós quatro gargalhamos e por um minuto os três se entreolharam. Continuei sem entender o que estava acontecendo. Danny ficou tomado por um vermelho sangue.
- Ok. O que tá rolando? - Tom soltou uma risadinha enquanto olhava pra Danny e antes que alguém se manifestasse, Harry deu um empurrão em Danny.
- Bom... - Danny começou. - É que... Você sabe Dougie... Você ficou fora por um ano e...
- Porra Danny, se você não contar, eu conto. - Tom urrou.
- O Danny tá namorando. - Harry disse tomando um pedala de Danny em resposta. Todos ficaram me encarando, meio atônicos. Eu ri, não, eu não ri, eu caí em gargalhadas.
- Pagando. - Tom, olhando pra Harry.
- Mas que merda. - Harry tirou duas notas de dez do bolso e entregou a Tom.
- Isso é impossível! Danny boy, o meu garoto, namorando? - Danny riu e afirmou. - Vocês só podem estar brincando. - Pude ver o Jones se encolhendo e bom, a culpa não era dele, minha mãe sempre dizia que uma hora nós íamos conhecer alguém bom, ou no caso, boa o suficiente pra fazer largar as noitadas, as mulheres e todo o resto. Sorri fraco. - Pelo menos minha mãe não vai cozinhar sozinha. - Tom e Harry riram e Danny soltou um suspiro aliviado. Nós quatro continuamos conversando por alguns minutos e nos separamos, a primeira aula do ano, separados. Seria um ano realmente difícil.
- Sentados, por favor. - A professora de alguma coisa, que eu não me lembrava muito bem o que era, dizia enquanto eu entrava na sala.
- Desculpe o atraso, professora. - Sorri de lado e ela assentiu. Passei por algumas carteiras e quase ri com as caras que as meninas faziam, sentei na última carteira, como era de costume, e antes que a professora prosseguisse, a porta foi aberta violentamente.
- Desculpa Srta. Jasmine, eu fiquei presa na secretaria. - Ela sorriu.
- Secretaria? - A professora soltou um risinho e ergueu o braço, pedindo pra que ela se sentasse. Ela passou pela Ashley, que colocou um pé pra que ela caísse, ah, droga, ela ia mesmo cair. Eu ia levantar, mas então a garota fez uma coisa que eu não esperava que fizesse.
- Belo truque de segunda série, Ashley. Aprendeu com quem? Aposto que foi uma invenção sua e da sua mentalidade de gênio. - E passou por cima dela. O restante da turma prendeu uma risada e a tal garota sentou na carteira a frente da minha. Fitei por alguns minutos o cabelo dela, comprido e , liso até a altura de sua cintura. A garota virou pra trás e sorriu de lado.
- Bom, agora que todos nós voltamos da secretaria. - A professora disse rindo e arrancando uma risada sapeca da garota. - Vamos começar a aula, está bem? - Revirei os olhos. - Primeiramente gostaria que cada um de vocês escrevesse os nomes num pedaço de papel e me entregasse, com rapidez. - A garota abriu a mochila e retirou um caderno, eu não queria tirar meu caderno da mochila, não agora, então, que se dane, cutuquei a garota.
- Quer um pedaço de papel? - Ela sorriu meigamente.
- Se não for pedir demais, você pode escrever o meu nome? - Ela revirou os olhos ainda sorrindo e apoiou o caderno na minha mesa, ficando de perfil. Eu ainda não tinha reparado nas sardinhas quase invisíveis que cobriam suas bochechas e combinavam perfeitamente com o rosto delicado, parecia uma boneca.
- Qual é o seu nome?
- Dougie Poynter. - Ela ergueu os olhos e sorriu de lado. Prestei atenção enquanto ela escrevia o próprio nome, .
- Vou entregar. - Abriu mais um sorriso, e se levantou. Ela tinha um corpo perfeito. Qual é? Eu sou homem! As pernas eram perfeitas, definidas, e com a blusa social um pouco curta, pude notar o final de sua barriga, estranhamente bronzeada pra uma garota do Reino Unido. Tinha um belo par de peitos e uma bunda ainda mais maravilhosa. Desviei o olhar quando percebi que ela vinha na minha direção. Ela se sentou, continuando de lado.
- Bom, como todos, ou a maioria, já sabe, eu sou a professora de teatro. Esse ano eu pensei em fazer uma dinâmica com cada um de vocês. Vocês vão estar divididos em pares e durante todo o primeiro semestre vão ensaiar uma peça de teatro, ou uma cena que envolva um casal, algo dramático ou hilário, mas algo que envolva emoções, algo que faça as pessoas acordarem pra uma coisa que jamais sentiram antes... - Desviei minha atenção a e na mesma hora, seus enormes olhos encontraram os meus, nós dois devíamos o olhar, meio assustados. - Vamos ao sorteio, certo? Vamos por filas... Ashley, querida, venha até aqui.
Ashley levantou lentamente, provavelmente tentando me provocar, a garota era mesmo gostosa, mas por incrível que pareça, naquele momento ela mostrou o quão menos gostosa era se comparada a . Eu me senti um imbecil por estar comparando, mas esse é o meu dever, certo?
- Thomas O'donell. - Ela disse com a voz fina e ao mesmo tempo calorosa.
- Conforme forem tirando seus pares, saiam pela escola e decidam o que vão fazer, sentem aonde a inspiração melhor lhes atingir.
Aham, até parece que Ashley Truscott e Thomas O'donell vão sentar onde a inspiração lhes atingir, os dois vão se comer atrás de uma árvore qualquer.
- Poynter, é você. - A disse baixinho e eu sorri.
- Dougie. - Ela riu e eu levantei. Pude ver as garotas torcendo os dedos, algumas rezando, era uma cena que eu provavelmente nunca iria esquecer em toda a minha vida.
Coloquei minha mão dentro da caixa de papelão e tirei um papel. Desdobrei e sorri com a ironia do que tinha acabado de acontecer.
- . - A decepção foi quase que total, mas diante às vinte e sete pessoas naquela sala, um único rosto sorriu. O dela.
2 Life is like a little box of surprises
- Dougie... O que é que nós vamos fazer? - Nós nos entreolhamos e logo em seguida caímos em gargalhadas.
- Eu esperava que você fosse uma daquelas nerds bem esforçadas e que fosse fazer o trabalho todo, droga! - Ela fez uma cara de ofendida e me deu uma tapa no ombro. - Outch! - Ela riu ainda mais alto.
- Dougie, é sério, nós precisamos pensar em alguma coisa. - Okay, ela tinha razão. Sorri maroto e a olhei. Ela ficou me olhando sem entender muito bem. - Você tá me assustando com essa cara... - Eu ri e a puxei pela mão.
- Vem comigo.
Nós dois corremos pelo enorme gramado da escola e a ria cada vez mais escandalosamente, nós passamos por algumas duplas que olhavam pra nós como se fossemos malucos e antes que pudéssemos notar, estávamos no bosque lateral a escola. A não disse uma palavra, apenas me seguiu, e isso me deixava ainda mais confiante. Nós dois andamos mais um pouco por dentro do bosque e então, finalmente, estávamos lá.
- Dougie... Esse lugar é lindo. - Ela sorriu abertamente enquanto se jogava no enorme chão da clareira. Os raios de sol passavam pelas aberturas das árvores. Me sentei ao seu lado e antes que nós dois pudéssemos falar alguma coisa, meu celular tocou.
Ashley.
- Posso? Por favor? - Ela fez um biquinho e eu ri.
- Não seja malvada, ela é a de sexta-feira. - abriu a boca e fechou umas três vezes e me deu um tapa, pra variar.
- Alô? - Disse ironicamente. Sussurrei pra ela pôr no viva voz e ela o fez, prendendo uma risada.
- Quem é?
- É a , o que você quer? - Pude sentir a voz da mudando de uma forma impressionante.
- Eu quero falar com o meu Dougie, dá pra ser? - Ela revirou os enormes olhos e continuou.
- O seu Dougie tá um pouco ocupado, aliás, estamos. Entenda como quiser. - Dei um tapa na cabeça dela, que me mandou calar a boca. - Beijinhos Ash. - E desligou, simples assim.
- Posso saber o que foi isso? - Por mais que eu a conhecesse há menos de quarenta minutos, essa garota só me surpreendia cada vez mais. As bochechas dela ficaram vermelhas e ela sorriu de lado.
- Não foi por sua causa, eu realmente odeio essa garota. - Ela bufou. - Essas líderes de torcida acham que mandam na escola, e isso me irrita bruscamente.
- Agora eu vou precisar de uma garota pra sexta-feira. - Disse maroto.
- Nem olhe pra mim desse jeito, Poynter. - Meu sobrenome ficou ainda mais voraz quando ela o pronunciou. Sorri e mesmo longe da escola, nós pudemos escutar o sinal do término da aula.
- É melhor voltarmos. - Ela fez uma careta e concordou, se levantando junto comigo.
Nós dois andamos em silêncio até o campo da escola e por algum motivo, ficamos assim até voltar ao prédio principal. Todo mundo olhava e eu sabia que era por minha causa, mas os olhares estavam sendo um pouco exagerados, quer dizer, era só eu e uma garota saindo do bosque, e bom, vindo de mim, não era uma coisa muito fora do normal.
- Dougie, você já conheceu a ? - Me virei e dei de cara com um Danny ofegante.
- Nós somos parceiros no trabalho de teatro. - Ela disse com a mesma voz meiga de antes e eu sorri de lado.
Tom e Harry apareceram e antes que eu pudesse apresentar a garota, eles mesmo o fizeram.
- Já conheceu a namorada do Danny, né? - Senti minha garganta travar e meu corpo todo adormecer. Como é que é? Namorada do Danny? Impossível. Não, eles só podiam estar brincando comigo.
- Eu preciso ir. - Disse rispidamente e deixei os quatro pra trás. Eu ainda não sabia ao certo por que estava correndo, ou fugindo, ou tanto faz. Passei pela porta principal da escola e entrei no meu carro. Eu não podia me envolver com essa garota, não mesmo. Coloquei a chave na ignição e dirigi estrada a fora.
O restante da tarde tinha sido tranqüilo, se eu tirasse a parte que minha mãe não parava de perguntar o porquê de eu ter deixado a escola quase cinco horas mais cedo naquele dia. Joguei um pouco de vídeo game e tentei distrair minha cabeça do que tinha acontecido mais cedo, já que nem eu havia entendido muito bem, eu nunca me importaria com algo assim, quer dizer, eu a conhecia a quantos minutos? Cinqüenta? Talvez uma hora? E mesmo assim aquilo parecia ter me atingido com mais força do que qualquer outra coisa já havia feito.
Coloquei meu nariz rente a janela e observei o céu começando a ficar mais escuro. Vesti um moletom e desci as escadas.
- Dougie, aonde você vai? - Minha mãe perguntou da cozinha. Sempre querendo dar conta de tudo. Sorri de lado.
- Vou dar uma volta pelo bairro, mãe. - Ela gritou alguma coisa incompreensível de volta e eu saí, fechando a porta atrás de mim.
Tentei por todos os cantos colocar meus pensamentos em ordem, tentar entender o por que dessa garota ter mexido tanto comigo. Quer dizer, ela era só uma garota, certo? Existem milhões no mundo como ela. Continuei caminhando por entre o bosque e antes que eu pudesse dar meia volta, uma pessoa se destacou no meio da escuridão. Ela segurava um livro e cobria metade do rosto com um cachecol, mas seus olhos permaneceram de fora. Não, não haviam milhares de outras como ela.
- ? - Ela ergueu o rosto e baixou o cachecol, sorrindo pra mim.
- Dougie! Ah, droga, eu tenho que ligar pro Danny! - Ela berrou meio estabanada enquanto tirava o celular do bolso. - Todo mundo ficou preocupado com você e-
- ? - Ela respirou e sorriu. - Devagar. - Nós dois gargalhamos e por um segundo, fomos tomados por um silêncio nada bom.
- Erm... Dougie? - Fiz que sim com a cabeça e ela continuou. - O que aconteceu mais cedo? De verdade? - Vamos Dougie, pensa rápido.
- Acho que eu fiquei meio irritado com a história da Ashley. - Isso, boa garoto. - Sabe como é, por mais que você não goste dela, eu sou solteiro, ela é me é útil quando eu preciso dela. - A me fuzilou com o olhar, eu sabia que o que tinha falado havia soado melhor na minha cabeça, mas o que eu poderia fazer? Eu precisava arrumar uma desculpa que a convencesse de que eu estava falando a verdade. E nesse momento, era a melhor coisa que eu tinha.
- Isso foi... Péssimo. - Riu de lado e me olhou. - É melhor eu ir, já tá ficando tarde pra ficar por aqui. - Ela abriu um sorriso, o mais bonito que eu já tinha visto até agora e por um minuto, me senti um completo idiota. Acordei dos meus próprios desvaneios e sorri.
- Eu posso te acompanhar até em casa? Tá tarde, é perigoso ficar andando por aí a uma hora dessas. - Ela me olhou meio receosa e me deu a mão. Nós começamos a andar em direção as ruas desertas de Bristol, sempre trocando comentários idiotas e rindo de alguma imbecilidade.
Tirei os tênis e joguei em qualquer canto do quarto. A calça jeans não demorou muito a ser jogada pro alto, coloquei uma roupa mais confortável e me joguei na cama. Eu não sabia direito o que faria pra tirar essa garota da cabeça, na verdade, não tinha nem idéia do que tinha feito pra ela entrar lá, quer dizer, nunca fui do tipo de pensar em uma só garota, mas de alguma forma, aquela garota tinha me chamado a atenção, tinha algo nela, marcado pra ser meu.
3 Bad boys never been so bad
's POV
Eu não conseguia prestar atenção numa só palavra do que a dizia naquela manhã. Minha cabeça doía fervorosamente, sempre que eu dormia menos de oito horas eu me sentia assim, e ontem, só consegui dormir pelas três horas da manhã. Bocejei e sorri ao ver Danny passando pelo portão principal do colégio. Ele sorriu de volta e começou a caminhar na minha direção, permaneci sentada até que ele chegasse. sorriu enquanto se calava e me cutucou.
- Eu já o vi. - Sorri e ela abriu um sorriso maroto.
- Não tô falando do Danny. - A olhei meio confusa e acompanhei seus olhos até uma pessoa que caminhava pouco mais atrás. Não foi díficil reconhecer Dougie Poynter, não com aquele cabelo loiro bagunçado. Ele tinha o olhar meio distante, parecia perturbado com alguma coisa. Voltei meu olhar a e bufei.
- Você não vai mais me deixar em paz com isso, não é? - Ela prendeu uma risada.
- Não mesmo.
- Oi, . - Danny disse, se sentando ao meu lado. sorriu pra ele, da mesma forma meiga que sorria pra todas as outras pessoas. - Oi, linda. - Sorri pra ele e beijei-lhe levemente os lábios. Nós dois trocamos carinhos e antes que pudéssemos ir pra algum lugar sozinhos, uma pessoa a mais fez questão de aparecer.
- Oi . - Dougie riu enquanto dava dois beijinhos na bochecha da garota e me olhou. - Oi, . - Sorri pra ele, mas não recebi um sorriso de volta. me cutucou disfarçadamente por baixo da minha mochila e eu continuei encarando-o.
- Algum problema, Dougie? - Danny perguntou enquanto o olhava.
- Nenhum. - Sorriu de lado. - Acho que preciso de uma garota nova. - Danny gargalhou enquanto me abraçava meio torto.
- Achei que a Ashley já estivesse no papo, dude. - Dougie me lançou um olhar rápido enquanto ria baixo. Senti minhas bochechas ardendo em chamas e desviei o olhar.
- Tive alguns problemas com ela, mas tudo bem, mulheres são só mulheres. Quanto mais você procura, mais aparecem. - Ele piscou pro Danny e olhou pra de um jeito bem maroto. Ela riu desconcertada e mandou um dedo do meio pra ele. Por mais que eu não o conhecesse, aquelas palavras pareciam ter vindo de um novo Dougie, um diferente daquele que tinha me levado à clareira no dia anterior, e ainda mais diferente do que tinha passado parte da madrugada sentado na minha calçada. O ignorei depois do que ele havia dito e antes que pudéssemos notar, o sinal já havia tocado.
- Alguém em Biologia? - Harry sorriu amarelo, esperando que alguém respondesse, mas ninguém o fez.
- Quando foi que você apareceu, garoto? - Eu disse, um pouco atordoada.
- Estou em todos os lugares, lindinha. - Nós dois gargalhamos enquanto Tom se aproximava com e .
- Alguém me acompanha em... - catou os horários na mochila e bufou. - Arg... Química?
- Eu vou com você, . - Danny disse tão desanimado quanto ela. Me deu um celinho e desapareceu do meu campo de visão.
- Ih, acho que eu também tenho Química. - Ri meio confusa. A grade de horários era pior do que a letra do professor de Literatura. - Alguém restando? - Abri um sorriso maior que meu rosto.
- Eu tenho. - Dougie disse meio seco.
- É, eu também. - riu enquanto Tom a abraçava por trás.
- Vamos nós. - Tom disse e antes que ele pudesse dizer duas vezes, já estávamos andando em direção ao laboratório. Dougie ainda não havia dito uma única palavra, permanecia com os olhos fixos ao chão. Nós quatro andamos lado a lado e quando chegamos há alguns passos da porta, minha visão ficou turva, Ashley Truscott estava caminhando na minha direção. Bufei e revirei os olhos, preparei meu discurso mentalmente, mas quando olhei de novo, notei que ela não estava andando na minha direção, mas na direção de ninguém mais, ninguém menos, que Dougie Poynter.
Ela parou quando chegou rente a ele. Mascando um chiclete com a boca entreaberta e metade da barriga de fora. Todos paramos.
- Dougie, precisamos conversar. - Ela disse tentando permanecer séria. Rolei os olhos.
- É, precisamos. - Dougie disse com a voz marota, pousando uma das mãos na cintura dela e colando a testa dele a dela. Ela sorriu de lado enquanto ele a empurrava no armário e me olhou.
- O que você tem com aquela ali? - Disse apontando o olhar na minha direção. Dougie riu, debochado.
- Com a ? - Disse com desdém. - Nada, ela é a namorada do Danny, só isso. - E logo depois a beijou. Senti meus olhos pulsando de raiva. Continuei a caminhar, e antes que pudesse voltar e xingá-lo, ou mandá-lo a um lugar nada agradável, me abraçou rindo e me acompanhou até a porta. Danny e Jen riram quando nos viram e eu não pude deixar de rir também. Me sentei na carteira detrás a deles.
- Bom dia a todos. - O professor disse enquanto entrava com Dougie a seu encalço. O garoto olhou pro Danny e piscou, rindo. Danny bateu no peito e os dois trocaram olhares cúmplices. Revirei os olhos, baixando a cabeça logo em seguida. - Vamos começar com a escolha dos pares, tudo bem? Vejamos, vou escolher aleatoriamente, já estou com os nomes de vocês, garotos, devidamente colocados nessa sacola, vou chamar menina por menina e por vez, as senhoritas vão sorteando seus pares. - Todos concordamos com alguma espécie de gemido e o professor começou a chamar. - . - Tentei manter minha cabeça distraída, mas quando voltei a olhar pro canto da sala, Dougie me olhava fixamente. Tentou desviar o olhar, mas eu fui rápida demais. - . - Me levantei e caminhei até a mesa do Sr. Schuetz. Coloquei a mão dentro da sacola e tirei um papel, o desdobrei calmamente, quer dizer, eu não podia ficar com o Jason CC de par, eu provavelmente ficaria sufocada, mas também não podia tirar James Rowland, o cara provavelmente me oferecia uma pizza, eu me arrumaria e ele me levaria pra comer em Paris, ok, não seria tão ruim assim. Comecei a ler e antes que eu pudesse reclamar, um leve sorriso debochado se abriu em meu rosto. Bati o papel sobre a mesa e fechei os olhos.
- Dougie Poynter.
- Isso não é possível, . - não parava por um único segundo. - Quer dizer, primeiro o Dougie é seu parceiro em Artes Cênicas, e agora, em Química? Vocês dois se encontraram no único lugar onde ninguém nunca te encontrou, ele te levou pra um lugar onde, segundo ele, ninguém nunca esteve e você ainda nega...? - Ela disse totalmente revoltada com todos os itens que ela mesma acabara de citar. Ri baixinho e a segui até o refeitório. Nós duas avistamos os garotos sentados numa mesa mais isolada e caminhamos até eles. Não pude evitar de notar que Ashley estava na nossa mesa, não nela, mas no colo de um dos membros dela. Bufei e revirei os olhos. Me sentei ao lado do Danny, que me abriu um sorriso maior que o próprio rosto.
- Por que demorou, pequena? - Disse a beirada do meu ouvido. Senti um arrepio percorrer minha nuca e sorri, dando um celinho em Danny logo após.
- Eu estava com a , você pode imaginar...
- Ei, eu tô bem aqui, sabia? - Nós três caímos em gargalhadas e antes que pudéssemos dizer mais alguma coisa, um Harry afoito chegou a mesa.
- Festa no sábado, minha casa. - Ele disse todo cheio de si e eu não pude evitar de sorrir. O Harry era o tipo de garoto que se orgulhava com essas coisas, festas, shows.
- E seus pais? Aposto que a sua mãe não deve estar gostando nem um pouco disso. - Danny disse enquanto me abraçava de lado.
- Bom... Quanto a isso... ESTOU MORANDO SOZINHO! - Harry berrou erguendo as duas mãos e pulando sobre os garotos. Me soltei de Danny antes que algum deles me acertasse e tentei não rir da cena idiota que eu estava presenciando. e gargalharam enquando se sentavam ao meu lado. Senti uma brisa fria bater no meu rosto e antes que eu mesma pudesse me controlar, minha mente já havia se distanciando totalmente daquele lugar. Eu só conseguia manter meus olhos nele, só conseguia imaginar sua respiração próxima ao meu corpo, seus olhos cravados aos meus.
- ? Ei!
- Ah, oi... - Tentei não parecer tão desconcentrada do que estava acontecendo e coloquei os cotovelos sobre a mesa, virando meu rosto na direção das garotas.
- Você acha que ela vai? - disse, apontando o olhar na direção de Ashley.
- Com certeza. O Poynter não perderia uma oportunidade dessas. - disse, convicta.
- Do que você está falando? - Perguntei ainda meio perdida.
- Não é o primeiro ano que estudamos com o Dougie, . - Ela me olhou profundamente. - O Dougie nunca foi de se prender a uma garota só, ele só se mantem fixo a alguém que o dê status.
- Ela pode não ser a melhor pessoa pra isso, mas é uma líder de torcida, e mesmo que os garotos tenham tirado bastante o status delas, elas ainda são as primeira opções de qualquer homem... Tem toda uma história de ego envolvida. - tentou mostrar indiferença, mas não evitou olhar intensamente pra Tom ao final do que acabara de dizer.
- Um ano antes de você entrar na escola, o Poynter deu uma festa na casa dele, pra se despedir das pessoas que ainda faltavam, e nessa festa, os quatro ficaram com todas elas, quer dizer, todas as líderes de uma vez só. - disse com os olhos receosos, exageradamente abertos. - A escola inteira ficou em choque, mas ninguém se manifestou, todos eles passaram a venerar o Dougie depois dessa festa e é por isso que Dougie Poynter é o que é, por que as pessoas o querem, o desejam.
- Posso saber sobre o que vocês estão falando, fofoqueiras de plantão? - Tom disse enquanto abria um sorriso gigante.
- Sobre como o ego de vocês é enorme. - Tom revirou os olhos enquanto sorria, chamando-o com o indicador.
Todos nós voltamos pra mesa, e por mais que eu já estivesse me adaptado a ver Ashley Truscott na mesma mesa que eu, a idéia de vê-la aos amassos com o Dougie ainda me irritava mortalmente. Não que ele importasse pra mim, por que realmente não importava.
Dougie's POV
Eu podia vê-la perfeitamente de onde eu estava, quer dizer, não o rosto dela, por que ela o escondia com os cabelos longos, mas eu podia vê-la e isso me agoniava. Estávamos no quinto período, o último antes de voltarmos pra casa, e pra ser ainda pior, era aula de teatro. Eu não fazia idéia do que a professora estava falando, só conseguia ouvir, mas não conseguia realmente entender. Sabia que era algo relacionado a Romeu e Julieta, mas não fazia muita questão de prestar atenção. Coloquei um fone no ouvido e tentei me distrair ao som dos beatles, a já tinha se entregado e baixado a cabeça, o ar condicionado estava exatamente em cima dela, o que fazia com que o seu cabelo sacudisse com o vento...
- Dougie Poynter. - Tirei o fone do ouvido e ergui meu rosto rapidamente. A professora não parecia me olhar com raiva, o que significava que eu não havia feito nada de errado, pelo menos não por enquanto. - Venha até aqui, você vai defender os Montecchios. Será como o pai de Romeu defendendo o lado de seu filho da história. - Sorri falsamente e levantei. Fui até a frente da sala e fiquei de pé sobre o palanque de debates. - Erm... Deixe-me ver... Senhorita . Por que não vem até aqui? - A pulou da cadeira, o rosto amassado e os cabelos bagunçados. Não consegui conter um sorriso.
- O que é que eu preciso fazer mesmo? - Todos riram baixo e a se segurou pra não fazer o mesmo. A professora revirou os olhos e bufou.
- Venha até aqui, o Sr Poynter será o pai de Romeu e defenderá o lado dos Montecchios do ocorrido, enquanto a senhorita, defenderá os Capuletos, representará a senhora Capuleto e contará a história de uma forma que Julieta saia menos culposa. - fez que sim com a cabeça e se levantou, sacudindo de leve os cabelos para colocá-los no lugar. Tentei não olhá-la nos olhos, mas foi impossível, o contato foi rápido, mas ela o quebrou, enquanto subia do lado direito do palanque. - Vamos começar? - A Senhorita Jasmine perguntou com um sorriso nos lábios. Nós dois concordamos e ficamos em silêncio.
- O que tem a me dizer a senhora, senhora Capuleto, sobre o suicídio de sua filha? Acha que ela se perdeu no amor e na fúria de não ser correspondida? - A professora disse, cheia de caras e bocas.
- Minha filha era perfeitamente correspondida, ela e o filho deste senhor ao meu lado tinham um amor verdadeiro, puro, mas este por sua vez não tinha coragem de assumi-lo, escondia-o de todos e forçava minha filha a aceitar isso...
- E você espera que essas pessoas acreditem nisso? - Balcucei irritado. - A sua filha é que era uma mentirosa. Ela nunca demonstrava seu amor, mesmo sabendo que era completamente apaixonada por meu filho. Ela era falsa, e pior de tudo, ainda fingia que era apaixonada por um amigo dele. - Pude notar a senhorita Jasmine com um olhar meio perdido, mas pouco me importei.
- E você acha que a culpa era dela? - disse, com a voz ficando cada vez mais alterada. - Ela podia sentir algo por você, mas a verdade é que eu estou com o melhor amigo dele! E a culpa não é minha se você apareceu pra estragar tudo! E pelo que me consta, Julieta não era a única que estava apaixonada por ele, ele também é louco por ela, mas quem disse que ele com o seu ego de só ficar com líderes de torcida, assume alguma coisa? - Ela vociferou.
- Ah, qual é! E se ele sentisse alguma coisa? Você acha que ele trocaria o melhor amigo por uma garota que não faz a mínima questão dele? É burrice-
- Já basta! - Nós dois desprendemos o olhar e voltamos a atenção até a professora, que nos observava um tanto quanto boquiaberta. Seu olhar era incompreensível e por um segundo, senti mais de dez pares de olhos nos observando, as expressões atordoadas. - Vocês fugiram completamente do que é Romeu e Julieta! Fugiram da essência do amor misturado a tragédia do que ocorreu aos dois jovens! Já chega, ambos estão com zero no debate e por favor, façam o favor de irem a detenção...
- Mas professora, é que-
- Já chega, . Agora. Peguem suas coisas e saiam da minha aula. - Eu e a descemos do palanque e pegamos nossas coisas. Ela saiu na minha frente e antes de sair, fiz questão de bater a porta. Tentei acompanhar o ritmo dela, mas ela não parava. Bufei e continuei andando. Ela parou por um momento, ainda de costas. Jogou a mochila no chão e virou, me olhando com os olhos carregados de ódio. Andou na minha direção e me empurrou.
- Qual é o seu problema? - Berrou o mais alto que pôde e antes que eu pudesse responder a altura, uma coisa me desarmou completamente. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela esperou por uma resposta, mas eu não consegui pensar em nada, então ela completou. - Eu te esperei durante todo o primeiro verão, depois esperei durante o segundo, durante o terceiro e ainda tinha esperanças quando passava pelo quarto... - Senti meu coração apertar, eu conhecia essa história. - Você não pode mudar isso, não pode aparecer e querer tudo pra você - Ela me deu uma última olhada e sorriu irônica - E você nem sequer se lembra de quem eu sou... - Sorriu e me deu as costas, parei para olhá-la, ainda perdido no que essa garota falava, mas então reparei em seu pescoço, no pingente que ela usava. Segurei seu braço direito e ela me olhou, as lágrimas cortando seu rosto.
- Eu sabia que era você... - Ela rolou os olhos. - Por que você não me disse ? Por que não me disse que tinha vindo pra Bristol? - Ela me empurrou, se soltando de mim.
- Pelo mesmo motivo que você nunca voltou pro Brasil. - Ergui a sobrancelha. - Por falta de amor.
4 We can’t forget memories
Flashback
- , você prometeu que iria! – Anna bronqueou enquanto andava em círculos ao redor da minha cama, indo e vindo. Bufou impaciente e se jogou. – Eu sabia que você faria isso, não é a primeira vez! Todo carnaval é a mesma coisa... – Tentei pensar em alguma coisa, qualquer resposta curta que me deixasse em casa, livre do Sol forte do Rio de Janeiro, mas não consegui pensar em nada. Vendo que eu não tinha saída, rolei os olhos e me sentei.
- Nós voltamos antes das sete, né? – Tirei minhas pernas de dentro do edredom e caminhei em direção ao meu armário. Anna continuou me olhando enquanto os olhos se arregalavam.
- Você vai mesmo? – Ela riu. – Quer dizer, eu sempre venho aqui e digo um monte de coisas, mas sempre sei que você vai acabar não indo. – Não pude conter um sorriso enquanto observava-a falando.
- Não custa nada... E além do mais, acho que preciso me divertir um pouco... – Ela riu irônica e se levantou.
- Um pouco? Você só pode estar brincando... – Rolei os olhos e nós duas rimos. Ficamos por algum tempo escolhendo o que vestir, mas nesse calor absoluto do Rio, as opções não eram tão variáveis assim.
- Hey... – Bufei, era a quarta vez que um bêbado tentava me atacar hoje. Virei meu corpo no intuito de encará-lo nos olhos e provavelmente mandar ele ir a um lugar nada bom, mas então, um par de olhos azuis e cabelos arrepiados fez com que meu corpo estremecesse. – Você fala inglês? – Pude sentir seu hálito batendo rente aos meus lábios, não continha um cheiro forte de álcool como eu pensei que conteria, muito pelo contrário, ele tinha um cheiro forte de hortelã.
- É... Mais ou menos. – Ele riu torto. – Você é britânico, não é?
- É tão óbvio assim? – Senti minhas bochechas corarem e ele abriu mais um sorriso.
- Na verdade, o seu sotaque não nega... – Senti um impulso forte vindo das minhas costas e antes que o garoto tivesse a oportunidade de me responder, senti meu corpo sendo fortemente empurrado. Ele me abraçou, enquanto me empurrava pra um lugar mais distante. Ao longe, pude ver algumas pessoas se embolando, e uma única jogada ao chão. O garoto me olhou ao todo, analisando cada canto do meu corpo.
- Você tá bem? – Afirmei com a cabeça. – Você tá congelando! Vem aqui. – Senti seus braços ao meu redor, o cheiro mais uma vez me deixando tonta.
- Ei, cara, precisamos ir, o Tom não consegue encontrar a Lindsay e a Hilary. – Outro garoto, não muito diferente dele apareceu, dessa vez com a voz atordoada. Ele me olhou nos olhos e eu sorri, como se o estivesse liberando, mas ele não me soltava. Os braços ainda estavam firmes ao meu redor.
- Tá tudo bem, você pode ir. – Ele riu de lado, mas não me soltou. – Eu vou ficar bem, você já me salvou hoje, não vai acontecer mais nada. – Não sei muito bem o que aconteceu depois disso, senti lábios quentes se encostarem aos meus e antes que eles pudessem se descolar, sua mão segurou fortemente em minha cintura.
- Eu volto pra cá no ano que vem, esteja aqui. – Senti minhas bochechas corarem e ri meio afoita. O garoto seguiu o amigo, mas antes de ir, me olhou mais uma vez. – Meu nome é Dougie, Dougie Poynter. – E daquele momento em diante, eu não fazia idéia do que aquele garoto seria pra mim, só sabia que estaria aqui, no próximo ano, exatamente no mesmo lugar.
End of Flashback
Dougie’s POV
Duas semanas. Duas longas e cansativas semanas haviam se passado. Se eu pudesse, diria que eu nunca tive um período tão sobrecarregado como esse. Era escola, ensaio na casa do Danny, estudar pros testes e dormir, durante quatorze dias, sem descanso ou variações. Eu não falava mais com a , nós nos cumprimentávamos frente ao Danny e às vezes trocávamos olhares, mas nada mais que isso. Desde o momento em que a vi pela primeira vez, eu soube que ela era diferente, mas eu não tinha idéia de que ela era a garota do Brasil, como poderia depois de tanto tempo e tantas mulheres diferentes?
Desci as escadas, o dia era chuvoso, na verdade, era um daqueles dias em que você não espera fazer nada que não seja dormir e comer. Sacudi o cabelo molhado e fui andando em direção a cozinha. Ouvi o telefone tocar e bufei. Corri até a sala.
- Alô? – Disse com a voz arrastada.
- Dougie? – Senti meu corpo inteiro travar, eu reconhecia aquela voz, fechei os olhos e pensei em me beliscar, eu só podia estar sonhando.
- ?
- É... O Danny pediu pra te ligar, estamos na casa dele, os pais dele viajaram, acho que vamos ficar por aqui até amanhã... – Engoli a seco.
- Ah, tá...
- Dougie, isso quer dizer que você precisa escovar os dentes, lavar o rosto, trocar de roupa e vir pra cá. – Ela riu baixinho do outro lado da linha, abri um sorriso torto.
- Tem certeza? Tá tudo bem pra você? – Ela resmungou alguma coisa incompreensível e terminou.
- É melhor eu desligar, ou o Harry vai jogar a na piscina, e acho que ela não vai gostar... Até logo Dougie. – E desligou.
Subi as escadas num pulo, coloquei meus jeans e uma blusa qualquer. Escovei os dentes, lavei meu rosto e vesti minha jaqueta. Algo estranho dentro de mim me dizia que hoje seria um dia melhor, e algo ainda mais forte me dava à certeza de que a Claire não me daria às costas de novo, nem se ela quisesse.
’s POV
Senti o vento bater como uma brisa fria no meu rosto. Meu nariz estava frio, sorri meio idiota, ele sempre era a primeira parte do meu corpo a esfriar. Meus braços estavam bem cobertos com um casaco qualquer que eu havia encontrado pela sala, meu corpo todo estava coberto, quente. Continuei sentada na varanda, observando meus amigos destruírem a casa do meu namorado, eu podia vê-los, mesmo que de longe.
O vazio não me deixava em paz, desde que eu o havia perdido eu me sentia dessa forma, e me negava firmemente a admitir. Por mais que eu quisesse lutar contra isso, meu coração era mais forte, sempre o primeiro a se entregar, a se render... O vento aumentou e eu precisei me recolher um pouco mais na enorme poltrona. Senti o espaço ao meu lado se afundando, mas não precisei olhar pra reconhecer a pessoa que se sentava ali, o cheiro foi suficiente, suficiente pra fazer as borboletas começarem a se desprender das paredes do meu corpo e a festejarem dentro de mim, suficiente pra sentir minhas mãos gelarem, pra tirar a essência da minha força. Ele. Meu corpo se inclinou em sua direção e seus braços o envolveram, permitindo que minha cabeça se recostasse sobre seu peito, nenhum de nós precisou dizer nada, só precisávamos sentir um ao outro, mesmo que por pouco tempo.
Nós dois estávamos cientes de aquilo era temporário, de que não poderíamos jamais ter um ao outro, mas a certeza não refletia, não interferia. De repente meus olhos encontraram um outro caminho, eu o vi de longe, sorrindo pra minha melhor amiga, eu não poderia magoá-lo, não poderia deixar que ele ou qualquer outro interferisse no que eu sentia pela pessoa ao longe. O empurrei e levantei. Não podia me permitir, não mais uma vez.
5 My mind doesn’t control my body
- , espera! – Respirei fundo e continuei andando, não iria parar e não queria ouvir. – Espera! – Dougie agarrou firme em meu braço, virando meu corpo bruscamente. Ficamos colocados, nossos rostos há centímetros de distância. Ele respirou fundo, o hálito doce, tal como me lembrava. Ele baixou a cabeça e nós nos afastamos. – Você não pode nem ao menos, me ouvir? – Murmurou.
- Não, não posso. – Seu olhar se encontrou com o meu, com duas gigantes interrogações contidas em suas íris. – Você não entende, não é? – Minhas mãos pousaram em suas bochechas, impulsivamente as repeli.
- Está tudo bem por aqui? – Nós dois interrompemos o que seria mais uma discussão quando um Harry ofegante nos interrompeu. Nós nos olhamos enquanto duas enormes lágrimas escorriam sobre minhas bochechas, passei uma de minhas mãos meio desajeitada sobre meu rosto, esperando que Harry não notasse, mas ele o fez. – , você tá chorando? – Perguntou confuso.
- É, ela se machucou. – Dougie respondeu por mim enquanto me abraçava de lado. Suas mãos frias se recostando a minha pele por debaixo do casaco. Uma hesitação sobressaiu entre meus lábios, como se estivesse contendo o choro. Harry nos olhou, meio confuso, mas nada disse. O provável nível de álcool não o fez perguntar nem duas vezes, ele apenas sorriu enquanto se direcionava até a cozinha, cambaleando e escorregando sobre as próprias poças de água.
- Por que você mentiu? – Perguntei chorosa e Dougie me olhou carinhoso. Pousou uma das mãos sobre minha bochecha enquanto seus olhos continuavam fixos aos meus, turvos devido as lágrimas que se formavam.
- Por que eu sei que você vai fugir de mim de novo. – Mais uma respiração errática escapou por entre meus lábios, me fazendo começar a chorar de novo. Dougie gemeu irritado, enquanto me abraçava carinhosamente. Seu cheiro me extasiou, invadindo meu interior como uma droga, destruindo cada pedaço cicatrizado dentro de mim. Minhas mãos foram envolvendo-o automaticamente enquanto nós continuávamos a sentir o corpo um do outro. Ele ergueu meu rosto com a mão firme em meu queixo. Nossos olhares se encontrando mais uma vez. – Eu não sei se te machuquei, mas, por favor, , nunca mais fuja de mim.
- Só s-se vo-vo-c-cê na-ão sumir d-de n-n-no-vo. – Disse entre soluços, arrancando uma gargalhada divertida dele. Dei-lhe um tapa no peito, o fazendo rir ainda mais. Nós dois nos abraçamos e ouvimos uma voz fina e inconfundível gritar pelo meu nome ao pé da porta.
- Até que enfim te achei, mulher! – disse entre sorrisos. Seus olhos brilhando mais do que o normal, ela já estava completamente bêbada, e mesmo que tentasse evitar, esboçava isso a cada sorriso.
- Ei, temos uma bêbada de primeira viagem por aqui, né? – Eu disse, entrando na brincadeira. fez um biquinho de ofendida e logo depois caiu em gargalhadas. Pegou minha mão e começou a me puxar. – Tá me levando pra onde, sua maluca? – Olhei pra Dougie como se pedisse socorro, mas ele nada fez, apenas riu e deu de ombros, lancei-lhe um olhar assassino, arrancando-lhe outro sorriso. Me senti satisfeita quando vi o Judd carregando Dougie pra fora.
- Vamos achar um biquíni pra você. – disse embolado enquanto bagunçava minha bolsa. Eu ri e lhe dei um leve empurrão, dizendo que poderia resolver isso eu mesma.
- Onde está esse maldito biquíni? – Revirei a bolsa por mais alguns minutos, até que gargalhasse atrás de mim. – O que foi? – Disse me virando e encarando-a, até que então, finalmente encontrasse meu biquíni. Ele estava no corpo dela, vadia.
- Foi... Mal...? – Ela disse, mais perguntando do que realmente afirmando. Sorri e fui até sua bolsa, arrancando o dela e vestindo.
- Ai, que frio! – Envolvi meus ombros com minhas mãos e ela revirou os olhos, tão bêbada que aposto não estar sentindo nada, nem uma fina brisa sequer.
Nós duas andamos até o primeiro andar novamente, descendo as escadas em silêncio, exceto pelas porradas que dava com o corpo conforme descia, esbarrando em tudo e derrubando algumas das roupas recém-passadas distribuídas pelos degraus.
Coloquei a mão sobre a minha boca, tentando prender uma risada. Ela se virou com um dos olhos mais aberto que o outro e fez um “shh” engraçado. Eu não sei como explicar, mas ela me lembrava o Jack Sparrow com o jeito desconcertado de mexer o corpo. Gargalhei novamente e ela me olhou, rindo abertamente.
correu como um tufão porta afora e eu continuei andando até a cozinha. Abri a geladeira, colocando minha toalha sobre o balcão de madeira e tirei uma maçã. Quando fechei a porta, senti um arrepio frio subir por todo o cumprimento de minhas costas, um hálito quente bater sobre meu pescoço.
- Oi, linda. – A voz rouca de Danny fez com que meu corpo respondesse mais do que deveria. Virei meu rosto pra ele, encostando nossos lábios. Sua língua pediu permissão e sem nem pestanejar, nossas línguas começaram a se envolver. As mãos firmes de Danny levantaram meu corpo, me colocando sentada sobre o balcão. Sua mão afundava em meu pescoço enquanto a outra apertava meu corpo ao dele, estávamos prestes a nos fundir. Entrelacei meus dedos em seus cabelos, o beijando com mais intensidade. O beijo foi diminuindo conforme nossas respirações ficavam descompassadas. Terminamos o beijo com alguns selinhos e colamos nossas testas. Seus olhos verdes me observavam intensamente. Ele me beijou na ponta do nariz, fazendo com que o cheiro de vodka me enjoasse automaticamente. Um pigarrear forte vindo da direção da porta nos separou.
- Danny, você quer vir logo? – chamou enquanto tentava se manter de pé. Eu e Danny rimos.
- Você vem? – Ele perguntou carinhosamente. Desci do balcão e o beijei na bochecha.
Nós dois caminhamos em direção a minha melhor amiga bêbada, e sorrimos conforme caía.
Chegamos perto da piscina, onde os outros garotos gritavam e destruíam grande parte da área de lazer. Danny soltou minha mão e correu, abraçando por trás, jogando aos dois na piscina. Fiquei um pouco preocupada, pelo fato de que estava tão bêbada que poderia facilmente se afogar.
- Não se preocupe, o Tom tá três mil vezes mais bêbado que a , e ele ainda tá vivo. – Dougie brincou com a voz ao pé do meu ouvido. Soltei uma risada. – Você não vai mergulhar? – Ele perguntou com malicia na voz.
- Não, tá frio... – O vento frio me arrepiou mais uma vez, me fazendo soltar um gemido engraçado. Dougie riu.
- Acho que a água tá quente, você sabe nadar, não sabe? – Olhei em seus olhos azuis enquanto ele passava as mãos sobre os cabelos, bagunçando-os ainda mais.
- Sei... Mas- Antes que eu pudesse terminar de falar, Dougie colocou as mãos entre as dobras dos meus joelhos e outra em minhas costas, correndo comigo em direção a piscina. Todos os outros riram e eu só senti o choque da água –quente, por sinal- sobre o meu corpo.
- Dougie Poynter! – Berrei assim que saí da água. – Você me paga! – Dougie me mandou língua enquanto corria piscina a fora, nadei até a borda da piscina e me levantei, correndo atrás dele.
- Dez libras na ! – Danny berrou.
- Quarenta no Dougie! – Tom disse visivelmente bêbado.
Dougie correu pra dentro de casa, molhando tudo. Corri atrás dele, escorregando em alguns lugares onde o piso era mais escorregadio. Eu podia ouvir sua risada enquanto ele corria até a sala de TV. O perdi de vista e quanto cheguei à sala, ele não estava lá. Andei lentamente pra mais dentro do cômodo. Dougie pulou em cima de mim, jogando a nós dois sobre o enorme sofá-cama. Nós caímos em gargalhadas, mas por mais engraçado que aquilo tenha sido, Dougie ainda estava com o corpo em cima de mim, e nossas gargalhadas foram diminuindo conforme nossos olhares se prendiam um ao outro. Eu queria desviar meus olhos dos dele, mas a imensidão de azul que o envolvia brincava de me hipnotizar, era impossível quebrar qualquer tipo de contato que estivéssemos tendo naquele momento.
Seus lábios rosados se aproximaram dos meus, meu peito subia e descia, ofegante. Fechei os olhos quando senti o roçar de nossas bocas. Ele pressionou seus lábios contra os meus, e por mais que eu soubesse o quão errado aquilo podia realmente parecer, eu queria, ansiava loucamente pelos lábios dele. Sua língua foi de encontro a minha, enquanto minhas pernas tremiam, nervosas. Ele se distanciou, me olhando mais uma vez.
- Eu sinto muito – Ele disse confuso, atordoado, enquanto eu permanecia estática.
Nós nos olhamos e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, nossas bocas se juntaram mais uma vez, só que dessa vez, nossos toques não eram mais carinhosos, estávamos ansiosos por aquilo, nossos corpos estavam encaixados, nossos lábios se manifestavam freneticamente. As mãos de Dougie desciam por cada parte livre do meu corpo. E mesmo sabendo que Danny estava do outro lado da casa, eu não queria tirá-lo de cima de mim, o queria cada vez mais perto, cada vez mais meu.
6 We love games.
- Você só pode estar brincando comigo! – Revirei os olhos caindo em gargalhadas logo em seguida. me olhou mais uma vez, com o enorme par de olhos verdes. – Ah, qual é, ! Você prometeu que ia trazer o vestido! – Bufei impaciente e agachei frente à minha bolsa. Enviei um olhar significativo pra ela.
- Thãram! – Puxei de dentro da bolsa o vestido vermelho que ela tanto queria e ela me mandou um dedo. – Mal agradecida! – Nós duas rimos e ela suspirou em alívio.
- Você tem noção do quanto eu estaria ferrada se não fosse por esse vestido? – Assenti, enquanto tentava me reconfortar no sofá. – , me ajuda com o zíper? – Quem disse que eu queria ficar sentada?
- O que é que você anda comendo, ? – Ela me deu uma cotovelada e eu ri. – Calma, estou só brincando. – Ela travou a respiração e eu subi o zíper até a altura de seu busto, é claro, nas costas. Ela se olhou no espelho uma última vez, estava realmente linda. O vestido era só um auxílio, e qualquer pessoa podia notar isso. Os enormes olhos verdes de se destacavam de uma forma assustadora, o rosto em forma de coração a fazia extremamente diferente. Ela deu uma última levantada nos seios, perfeitamente valorizados devido à frente única do vestido. Joguei-me em sua cama enquanto ela concertava o que achava ruim.
Deixei minha mente viajar em uma pessoa que, à uma hora dessas, estava totalmente distante de mim. Eu podia ver andando do closet até o espelho algumas dezenas de vezes, mas não conseguia pensar em mais nada que não fosse Dougie. Depois da tarde em que nos beijamos na casa de Danny, ele não tinha mudado comigo, e eu não sabia se isso era uma coisa boa, ou uma coisa a se temer. Quero dizer, na manhã seguinte, ele simplesmente fingia que nada tinha acontecido. Nem mesmo uma única troca de olhares, talvez ele agisse dessa forma por saber o quanto estávamos errados, já que ele era quase como um irmão pra Danny, mas e se fosse realmente isso? E se ele nunca mais quisesse me beijar? Nem por uma única noite? Eu não sabia se beijá-lo naquela tarde tinha sido algo tão bom quanto minha memória me permitia lembrar, mas e se todas as coisas, se todos os sinais e todas as sensações que eu tinha sentido tivessem sido apenas embaladas pelo momento? Será que Dougie achava melhor me deixar de lado a perder a amizade de Danny? Não, não, quem tem que deixar alguém de lado sou eu! Eu não posso pensar nisso como se fosse uma escolha a ser feita por ele, por que realmente não era, desde o começo ele deixou a desejar que a escolha era minha, que eu é quem deveria decidir pelas minhas prioridades, e agora, de repente, eu estava em suas mãos?
- ? Acorda! – Senti minha mente sendo interrompida dos próprios devaneios e a olhei. – Está tudo bem? – murmurou enquanto me analisava. Hesitei em responder, sabia que não tinha como enganá-la, mas não poderia contar, não até que tivesse certeza de alguma coisa.
- Ah, claro. – Seus olhos permaneceram em mim. – É sério, tá tudo bem... É só cansaço.
- E então, o preto ou o cinza? – Fechei os olhos, me colocando sentada e os abri meio confusa. Sobre o que ela estava falando? revirou os olhos e se sentou ao meu lado na cama.
- Eu sei que existem muitas coisas que, às vezes, não podemos compartilhar... – Suas mãos tocaram as minhas e eu sabia o que estava por vir. – Mas você precisa saber que eu estou aqui pra qualquer coisa, e que eu nunca vou te criticar, mesmo sabendo que o que você fez, - Ergui uma sobrancelha e ela gaguejou. – Ou vá fazer, possa ser errado.
- Você sabe de alguma coisa. – Ela colocou uma mão no cabelo, meio desajeitada. Mexeu-se desconfortavelmente ao meu lado e voltou a gaguejar.
- Eu... Eu não sei de nada. Do, do que você está, erm, falando? – Minha expressão era debochada. Eu sabia que sempre que ela gaguejava, era por que estava mentindo, eu só não entendia por que. O porquê de ela não se abrir e me dizer, de fato, o que ela sabia.
- , a gente pode ficar nisso a noite toda. – Ela riu e se levantou, encostando o corpo rente a coluna de madeira.
- Eu vi você com o Dougie. – As palavras saíram como foguetes, e por um instante, senti meu corpo inteiro formigar. Abri a boca tentando revidar, dizer que ela estava completamente maluca, mas por algum motivo, minhas cordas vocais simplesmente não trabalhavam como normalmente. Ela me olhou docemente e abaixou na minha frente. – Ei, eu não vou te julgar por isso. – Assenti e meus olhos começaram a ficar embaçados. – Não, , por favor, não vá chorar por uma coisa dessas!
- Como não? – Murmurei irritada. – Você viu, sabe o que aconteceu, imagina se o Danny é quem me vê com o Dougie, ? – Ela sorriu e por um segundo eu quis socá-la.
- , o Dougie é o garoto do Brasil, não é? – Tentei me lembrar de quando eu a havia contado sobre isso, e então me lembrei da noite que passamos na minha casa, quando meus pais viajaram e bebemos até que não agüentássemos o peso de nossos próprios corpos, depois daquele dia, nem , nem eu, tínhamos segredos uma com a outra. Eu assenti, concordando, e ela me olhou com uma expressão totalmente raivosa. – Você sabe o que está acontecendo aqui? – A olhei sem entender e ela riu irônica. – Vamos lá, ! Ele está aqui, é uma oportunidade de torturá-lo tanto quanto ele fez com você!
- Não seja idiota, ! – Será que ela havia se drogado? Ou havia simplesmente se esquecido de que Danny Jones era meu namorado?
- Eu sei que o Danny está nessa também, mas eu posso cuidar dele. – Talvez fosse à primeira opção.
- Cuidar dele?! – Berrei impaciente.
- Não, não dessa forma, ! – Ela gargalhou enquanto andava de um lado a outro. – Eu posso distrair o Danny, você sabe que ele me adora.
- , você escuta o que diz? – Não pude evitar soltar uma risada depois do que ela acabara de me dizer.
- Não, , você é quem não aceita as oportunidades quando elas aparecem! Quantas vezes o Danny te traiu desde que você chegou? – Senti um nó se formar na minha garganta quando me lembrei de tudo o que já tinha acontecido. – Exatamente! Ele pode ser o namorado perfeito, , mas nem sempre foi assim, ele pode ser atencioso, mas isso não muda o fato de que ele vá a uma boate stripper com os garotos toda sexta-feira.
- Nós já conversamos sobre isso, !
- Não, nós não conversamos, você deixa que ele vá por que você não quer transar com ele, e isso, isso sim é um absurdo! Você deveria ver o quanto isso soa patético! – As lágrimas caíam fervorosamente sobre meu rosto, mas ela não parava, e de uma forma ou de outra, eu não poderia culpá-la, nenhuma das palavras que saía de seus lábios eram mentira. Ela estava completamente certa. – Você chora por isso, quando deveria estar sorrindo por ter uma oportunidade como essa em mãos. – Senti seus braços me puxando num abraço e a abracei com toda a força que podia. – Você é linda, é inteligente, e é gostosa, não precisa se contentar com Danny Jones, ou Dougie Poynter, quando se tem os dois aos seus pés.
- Você está certa. – Ela me soltou e me olhou. Ela poderia falar por horas, mas seu olhar estava totalmente surpreso.
- Estou? – Sua voz saiu duvidosa e eu sorri.
- Sim. – Caminhei até o banheiro, soltando meu cabelo logo em seguida.
- É, estou! – Nós duas rimos e ela me observou enquanto eu começava a tirar a minha roupa. – Ei, o que você vai fazer?
- Você acha mesmo que depois de um discurso como esses, eu vou ficar em casa estudando num sábado à noite? – Ri de lado e ela me olhou ainda mais boquiaberta.
- Mas ... Você disse pro Danny que não ia. – Soltei uma risadinha em deboche.
- É pra isso que existe telefone, gatinha. – Ela me olhou maliciosa e andou em direção contrária, provavelmente indo ligar pro Danny. Tirei toda a minha roupa e agradeci mentalmente quando senti a água cair gelada sobre o meu corpo, me livrando de toda a nostalgia que eu passara por, há alguns minutos. Sorri pra mim mesma enquanto pensava no que usar, na verdade, enquanto pensava no que usar pra ele. Pra Dougie Poynter.
Saí do banheiro com uma toalha enrolada em meu próprio corpo. estava sentada na enorme penteadeira, enquanto secava os cabelos com o secador, provavelmente tinha tomado um banho no banheiro dos pais. Fui até a minha mochila e tirei de lá meu lingerie, preto, tal como me lembrava, ser o preferido de Danny, não é como se nunca tivéssemos nos visto com roupas intimas antes. As vesti e fui até o closet.
- Posso pegar alguma coisa? – gritou um “sim” de volta e eu me sentei no centro de seu closet, pensando exatamente no que usar. Enrolei a toalha no cabelo e continuei encarando os cabides. entrou logo depois, se sentando ao meu lado.
- Pro Dougie, ou pro Danny? – Dei uma tapa em seu ombro e ela soltou uma risada nasalada. Levantei-me notando um vestido que eu nem sequer me lembrava da existência. Fiquei analisando-o por alguns minutos, até que a própria respondesse minha nota mental. – Oitava série, festa do Connor. – Olhei pra ela sorrindo e imediatamente me lembrei do quanto ela estava bonita naquele dia.
- Você acha que eu posso...? – Ela assentiu, como se pouco se importasse e eu o vesti, andando sorrateiramente até onde ela estava. – Fecha pra mim. – Ela reclamou brincalhona e fechou o zíper.
- Dá uma voltinha. – Girei frente à , que me olhou meio pensativa. Voltou a olhar pros cabides e tirou uma jaqueta preta, que parecia couro, mas era incrivelmente bonita. Eu a vesti e depois agachei, abrindo uma das gavetas de sapato. Coloquei um sapato preto, parecia um scarpin, mas era levemente aberto à frente. Coloquei alguns cordões pratas e me olhei no espelho.
- E então, o que acha? – Perguntei voltando ao closet. Ela fez uma cara feia, mas riu logo depois.
- Você está incrivelmente linda... – Murchei minha expressão e ela revirou os olhos. – Tá bem, tá bem, realmente gostosa. – Dei pulinhos animados, o que me arrependi de ter feito, já que quase torci meu pé direito e quebrei o salto do pé esquerdo.
- Acho que vou deixar meu cabelo natural... Não quero ter que alisar. – Ela assentiu.
- Ah, eu posso deixá-lo igual à quando fomos à festa na casa da Hilary. – Tentei me lembrar, mas minha memória estava realmente ruim hoje, a olhei com uma interrogação no rosto e ela bufou. – Você sabe, meio selvagem, com ondas.
- Ah, claro! Você que sabe.
- Você é realmente anti feminismo, hein? – Ela riu e me puxou até a cama, onde ficamos por mais uma hora, até que meu cabelo estivesse, segundo ela, perfeito.
Ligamos o computador e deixamos a música rolar enquanto nos divertíamos um pouco, bebemos algumas coisas com álcool que os pais de guardavam no bar do primeiro andar, algumas doses de Jose Cuervo, e algumas doses de Whisky com energético, nada que realmente fosse nos abalar. Fizemos nossas maquiagens, a maior parte do tempo nós nos borramos, a firmeza no braço já não era tão firme assim, e não era como se conseguíssemos prender as risadas.
insistiu pra que bebêssemos mais um pouco, e minha visão já estava levemente turva, no nível alcoólico que eu mais gostava, aquele onde tudo e qualquer coisa, era realmente engraçado. Esperamos até que o celular de tocasse, e descemos as escadas em meio a gargalhadas, quebrei um dos saltos do meu scarpin e tive que subir pra pegar outro, as bochechas de estavam tão vermelhas, que eu jurava que se ela risse mais, provavelmente explodiria! Paramos atrás da porta e respiramos fundo, tentando prender as risadas, o que só nos deixava ainda mais desconcentradas.
- Calma, eles não podem nos ver assim. – Eu disse, soltando uma gargalhada logo depois.
- Ah, ah! E se a gente tomasse um pouco de água? – Nós nos olhamos em silêncio e concordamos que seria uma boa opção. Fomos até o bar novamente, apoiei meu cotovelo e deixei que procurasse pela água. Ela me entregou um copo com um liquido transparente, dei um longo gole e senti minha garganta queimar.
- , isso é vodka! – Ela me olhou gargalhando.
- Eu jurava que era água! Era transparente, e bonitinha. – A olhei, tirando o copo de suas mãos e os coloquei em algum lugar, acho que em cima do sofá. Tirei um pacote de chicletes de dentro da minha bolsa de mão e entreguei um pra ela.
- Agora me diz, você realmente achou a “água” bonitinha? – Nós duas rimos e voltamos pra frente da porta. Respiramos fundo e saímos. Baguncei um pouco meu cabelo enquanto retocava o gloss, tentamos evitar olharmos uma pra outra, naquele momento, sabíamos que se fizéssemos isso, cairíamos em gargalhadas de novo.
Ergui meu olhar, turvo, mas que me deu uma visão perfeita dos quatro, em pé, parados rente ao carro de Tom. apertou levemente minha mão enquanto Dougie e Danny conversavam animadamente. Harry permanecia com aquele ar engraçado de sempre, enquanto Tom esbanjava perfume. Ambos incrivelmente bem vestidos. Dougie e Danny, no entanto, eram os que mais me chamava à atenção, não por serem, erm... Meus? Mas pelos corpos, perfeitamente realçados, por detrás das camisas.
foi a primeira a cumprimentar Dougie e Danny, eu, no entanto, preferi encará-los depois. Dei um abraço apertado em Harry e logo depois em Tom.
- Achei que tinham morrido nessa casa. – Harry disse, sempre debochado. Revirei os olhos, dando língua pra ele, que riu de lado.
- São mulheres, provavelmente estavam se maquiando. – mandou um dedo pra Tom antes de abraçá-lo, o que fez com que o garoto caísse em gargalhadas.
Passei pra Dougie e Danny, dando um abraço em Dougie, que apertou um pouco mais minha cintura do que Harry e Tom, podia jurar que o havia escutado sussurrar as palavras “senti sua falta” no meu ouvido, provavelmente efeito da bebida. Dei um selinho em Danny, o que fez com que Dougie puxasse a gola da camisa, visivelmente desconfortável. riu enquanto falava com Tom, provavelmente percebendo o que tinha acabado de acontecer.
- Maquiando nada, vocês andaram bebendo. – A voz de Harry me acordou dos olhos azuis de Dougie, enquanto arregalava os dela.
- Ahn? – Os olhos de Danny me censuraram, exatamente como sua voz fizera naquele momento.
- Elas só estavam se divertindo um pouco. – Danny não pareceu se convencer com a voz doce de Dougie; o olhei, como se o estivesse agradecendo, e ele pareceu entender perfeitamente.
- Vamos, são quase meia-noite e meia.
- Como é que vamos todos nós nesse carro? – e eu suspiramos aliviadas quando Tom desviou o assunto da bebida. Danny não era o tipo de cara que se importava com o fato de que bebêssemos, ele simplesmente preferia que eu o fizesse com ele, e não sozinha. Eu nunca tinha entendido muito bem o porquê disso, e nem fazia questão, já que nunca seguia o que ele impunha, pelo menos não a risca.
- Vamos com o meu motorista. – A voz levemente cansada de murmurou. Nós concordamos, mas então Danny colocou as mãos na cabeça, irritado.
- Vocês são idiotas? A questão não é quem vai dirigir, a questão é que não temos um carro que caibamos todos nós. – Eu apertei sua mão, pedindo pra que ele parasse, mas ele não o fez. – Não, , eu não tô errado, mas de qualquer forma, a inteligência não é dada a todos. – Nós o repreendemos com o olhar, enquanto não parecia sequer abatida.
- Nós vamos de limusine. – Todos olharam pra Danny, como se esperassem uma resposta, mas não parecia ter terminado. – Tudo bem, o luxo também não é dado a todos. – Nesse momento, três coisas aconteceram, a primeira, foi que todos nós prendemos uma risada, a segunda, foi que a mão de Danny se desprendeu da minha enquanto ele andava, deixando todos nós pra trás, e a terceira, foi sentir a mão quente de Dougie sobre a minha, enquanto seus lábios beijavam meu pescoço imperceptivelmente. Tudo bem, quatro coisas aconteceram, e a quarta, foi a melhor delas.
- Eu quero você. – Minha nuca se arrepiou e os olhos de piscaram na minha direção, eu faria tudo, exatamente como ela havia me dito pra fazer.
7 I wish we could falling in love.
Abri os olhos lentamente, sentindo as pouquíssimas frestas de luz atingirem meus olhos. Meu corpo se arrepiou conforme o frio me embalava. Onde é que eu estava afinal? Tentei fixar meus olhos em qualquer ponto, mas por mais forte que a luz fosse, não era forte o suficiente pra iluminar a escuridão do cômodo. Por algum motivo, comecei a me sentir desconfortável, como se estivesse sendo sufocada. Onde é que eu estava? Virei meu corpo, rezando pra que eu estivesse num dos quartos da casa de , mas como era de se esperar, Danny Jones estava com o rosto afundado em minha nuca, agradeci mentalmente quando notei que ainda usava a mesma roupa de ontem, então nada tinha realmente acontecido, certo? Apoiei as mãos na mesinha que ficava ao lado da cama de Danny, tentando me desvencilhar do corpo dele sem que ele acordasse. Senti a madeira fria entrar em contato com os meus pés, quentes. Tentei caminhar sem fazer barulho e todas às vezes que a madeira estalava, eu prendia a respiração, implorando pra que ele não se levantasse. Fechei a porta atrás de mim, me deparando com o corredor da casa dos Jones, eu não sabia se os pais dele já haviam voltado de viagem, voltei a andar sorrateiramente pelo corredor, e quando cheguei à porta do quarto de seus pais, respirei fundo e a abri tranquilamente, não estavam lá.
Depois de a tensão passar, o desespero voltou a me invadir, eu não fazia idéia do que tinha me acontecido noite passada, não me lembrava de nada depois que saímos da casa da , é isso, ela saberia o que me dizer, pelo menos, eu esperava que sim. Corri até a sala, sem me preocupar com o barulho que fazia, já que estávamos com a casa só pra nós. Desci as escadas e imediatamente me lembrei da última vez que havia estado aqui, com Dougie. Ouvi algumas vozes vindas da sala de televisão e minha respiração voltou a parar. Eu não sabia o que fazer. Se os pais de Danny estivessem na sala, meus pais imediatamente ficariam sabendo que eu havia passado a noite lá, mas se fossem alguns de nossos amigos, eu poderia perguntar o que tinha realmente acontecido noite passada. Era isso, eu precisava descobrir. Andei pé ante pé e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, a voz doce da minha melhor amiga me afagou.
- ? – Soltei a respiração, totalmente aliviada, e entrei no cômodo, fechando a porta atrás de mim. e me encararam, provavelmente se perguntando o porquê da minha expressão tão aterrorizada.
- Tá. – Joguei meu corpo em cima de uma das poltronas e elas me olharam, ainda instigadas. – O que exatamente aconteceu ontem? – e se olharam e depois me olharam de novo.
- Quer dizer que você não se lembra de nada? – perguntou com um olhar triste.
- Do que exatamente eu deveria me lembrar?
- Bom, por onde começar? – disse ironicamente. – Assim que a gente chegou, nós três fomos dançar, só que nós subimos no bar. – deixou uma risada escapulir e eu não pude deixar de sorrir. – Mas daí, quando a veio atrás de nós, o Danny acabou seguindo-a, e te tirou de cima do balcão, vocês dois começaram a discutir, e ele ameaçou te bater, o Dougie disse que se ele encostasse a mão em você, iria arrumar um problema com ele, - Arregalei os meus olhos, enquanto já não sorria mais, apenas concordava com a cabeça. – pois bem, o Danny disse que não se importava, e o Dougie e ele brigaram, foi horrível, o Dougie provavelmente tá todo machucado à uma hora dessas, mas a questão foi que você acabou dormindo, e mesmo machucado, o Dougie tentou te levar pra sua casa, mas o Danny não deixou e te trouxe pra cá, nós ficamos preocupadas com o que pudesse fazer, ou com o que ele pudesse fazer com você, e viemos pra cá também. – Comecei a sentir as lágrimas se formando no canto dos meus olhos, eu não podia imaginar Dougie daquela forma, machucado. Me levantei meio desnorteada enquanto me encarava.
- Vocês viram a minha jaqueta por aí? – Senti a mão de segurando firmemente em meu braço e a olhei sem entender.
- Se você sair daqui, o Danny não vai te perdoar.
- Como se eu me importasse pro que àquele idiota pensa. – Ela abriu um sorriso lateral, enquanto me entregava meus sapatos, os calcei e voltei pra sala, com as duas em meu encalço. Nós procuramos pela minha jaqueta e quando a encontramos, deixamos a casa dos Jones.
me deixou na porta da casa do Dougie, enquanto levava pra casa e depois voltava pra a própria casa. Ela prometeu que viria me buscar às cinco, querendo eu ou não, e eu assenti, sem muita opção de escolha. Um monte de possíveis impedimentos começaram a surgir na minha mente, o pai de Dougie podia estar em casa, mesmo que pouquíssimo provável, mas podia, e ainda tinha Jazzie, a irmã mais nova dele, ela podia me impedir de entrar. Tomei coragem enquanto passava pelo enorme jardim frontal da casa dele. Tirei meus sapatos, que já incomodavam meus pés de uma maneira incontrolável. Respirei profundamente antes de tocar a campainha, eu sabia que isso me renderia bons problemas com Danny, mas pelo que e haviam me contado enquanto vínhamos pra cá, ele realmente tinha sido um completo idiota.
Toquei a campainha meio exasperada, tentando pensar em duas respectivas desculpas pra aparecer na porta de um garoto, com a roupa de ontem e com a maquiagem borrada, uma pra irmã mais nova de Dougie, e outra para o Sr. Poynter.
A porta se abriu lentamente e eu senti meu estômago revirar quando um homem alto e cabelos grisalhos abriu a porta, a semelhança entre ele e Dougie eram absurdas, completamente idênticos. Minha respiração falhou e eu pensei em virar as costas e sair correndo, mas então um sorriso enorme se instalou no rosto dele, um que me lembrava Dougie.
- Você deve ser a . – Sua voz era doce, desgastada, mas extremamente viril.
- Ah, é... Sim, sou eu. – Sorri pra ele, tentando parecer menos estúpida. – Desculpe-me por perguntar, mas como o senhor sabe? – Ele sorriu novamente, abrindo espaço pra que eu pudesse entrar e assim o fiz.
- O Dougie fala muito de você, na verdade, parece até que eu já a conheço. – Senti minhas bochechas arderem e ele sorriu como se dissesse que não havia problema.
- Se importa se eu subisse para vê-lo?
- Claro que não, é a primeira porta à esquerda, acho que ele ainda está dormindo, mas tenho certeza que vai adorar ser acordado por você. – Ele me enviou outro sorriso idêntico ao de Dougie, me pediu licença, e saiu. Subi as escadas tranquilamente, e apressei o passo quando ouvi algumas vozes femininas vindo do final do corredor.
Abri a porta do quarto de Dougie lentamente e sorri ao vê-lo deitado, sem camisa, os olhos fechados, tranqüilos, mas meu sorriso só durou até que eu visse as marcas vermelhas em seu rosto, eu não podia acreditar que tudo o que tinha acontecido a ele, era culpa minha. Coloquei meus sapatos num canto qualquer e tirei minha jaqueta, colocando-a em cima da cadeira. Andei até mais perto dele e não pude evitar me sentar à beirada da cama. Dougie respirou fundo enquanto minhas mãos acariciavam seus cabelos, ele abriu os olhos lentamente, me olhando e abrindo um sorriso.
- Sonhei que estaria aqui. – Ele disse ainda sonolento, meu sorriso se alargou conforme ele abraçava minhas pernas.
Passei as mãos sobre os cortes espalhados no rosto de Dougie e o senti repelir minha mão. Deveria estar dolorido. Me levantei indo até o banheiro e sorri quando Dougie se colocou sentado, procurando por mim. Umedeci uma toalha e voltei pro quarto. Meus olhos rolaram pelo tronco nu de Dougie, seus braços fortes e seu abdômen trincado, ergui o olhar enquanto ele me admirava, rindo. Minhas bochechas coraram intensamente, me sentei ao seu lado, enquanto ele mantinha o olhar firme em mim. Encostei a toalha em seu rosto e o senti me repelir de novo.
- Você parece uma criança, Dougie. – Sorri levemente e antes que eu pudesse continuar a limpar seus machucados, senti seus lábios sobre os meus, delicadamente, sem malícia, apenas sentindo os meus. Nós nos separamos e ele sorriu, me fazendo corar de novo.
- Você é quem parece uma criança, corando desse jeito. – Tive vontade de socá-lo, mas só a idéia já me deixou enjoada, ele riu de novo, pousando uma das mãos sobre o meu rosto. – Eu adoro quando você faz isso. – Meus olhos se encheram de lágrimas e antes que ele pudesse sequer cogitar a idéia do por que, afundei meu rosto em seu ombro. Senti seus braços envolverem o meu corpo e afagarem os meus cabelos. – Nada disso é culpa sua, . – Continuei a chorar em silêncio, até que seus lábios tocassem minha testa, depositando um leve beijo. Eu me sentia segura com ele, de uma maneira que raramente me sentia com outra pessoa.
Nós escutamos algumas batidas na porta, e ela se abriu logo em seguida. Passei a ponta dos dedos sobre os olhos, tentando secar o choro, e uma garota, também muito parecida com Dougie nos encarou.
- Erm... Desculpa. – Ela sorriu meigamente. – Dougie, o papai tá te chamando pra comer alguma coisa, ah, e a também. – Eu achava engraçado e ao mesmo tempo estranho, que todos eles me conhecessem. Tentei sorrir pra ela, mas o máximo que consegui foi esboçar um sorriso falso. Ela riu e me olhou dos pés à cabeça. – , você quer alguma roupa emprestada? Esse vestido parece estar desconfortável. – Me olhou mais uma vez. – Na verdade, você pode tomar um banho, se quiser, tenho algumas roupas que posso te emprestar. – Olhei pra Dougie, perguntando se realmente deveria, ele me olhou e sorriu, me encorajando.
- Tem certeza que não é problema pra você, Jazzie? – Seus olhos brilharam quando me escutou chamá-la pelo nome.
- Claro que não. Ah, pode me chamar de Jazz. – Ela abriu outro sorriso, depois de certo tempo naquela casa, notei que era uma coisa dos Poynter, sorrir dessa forma. Dougie se levantou comigo e meus olhos percorreram cada parte do corpo dele quando o peguei de boxer. Ele sorriu, piscando, enquanto Jazzie soltava algum gemido desconfortável.
Nós duas andamos pelo corredor até o quarto dela e uma vergonha absoluta tomou conta de mim quando duas outras garotas me encararam sorrindo.
- Ela é a ? – A ruiva perguntou, ainda sorrindo.
- É, o Dougie finalmente trouxe ela pra cá, Emma. – Jazzie disse animada.
- Já tava na hora mesmo, o Sr. Poynter já devia estar achando que ela era fruto da imaginação do Dougie. – Outra morena disse, me fazendo rir.
- Ela é mais bonita que o Dougie dizia que era não é, Lilly? – A tal Emma disse, brincalhona.
- Muito mais! – Lilly respondeu no mesmo tom brincalhão da outra garota. Senti minhas bochechas corarem enquanto elas me olhavam. Jazzie notou e piscou pra mim.
- Vamos parar de puxar o saco da , ela deve estar morrendo de vergonha. – Agradeci com o olhar e ela sorriu de volta. As outras duas saíram do quarto, me dando beijos e implicando mais um pouco.
- Desculpa por isso, , mas é que você é famosa por aqui. – Jazzie dizia enquanto me carregava pro banheiro, apontando pras toalhas e pras outras coisas que eu provavelmente usaria.
- Por quê? – Ela ergueu uma sobrancelha. – Quer dizer, que eu sou famosa?
- O Dougie fala de você o tempo todo. – Um sorriso bobo se formou em meu rosto, imaginar que ele falasse de mim dessa forma era intensamente lindo. Ela me deu licença e fechou a porta, me deixando sozinha no banheiro.
Liguei o chuveiro e deixei que tudo o que aconteceu noite passada, viesse a tona, depois de tudo o que tinha acontecido, eu só conseguia pensar em Dougie.
Sequei meu cabelo e depois meu corpo, enrolei a toalha ao redor do meu corpo, enquanto colocava um pouco de pasta de dente na língua acompanhada por um pouco de água. Fiz um gargarejo e cuspi tudo na pia. Me sentia ridiculamente melhor, talvez pelo fato de que as manchas negras no meu rosto tivessem sumido, e o cheiro de álcool e cigarro já não estivessem mais impregnados no meu corpo. Passei um pouco do desodorante de Jazzie, ela provavelmente não iria se importar. Abri a porta do banheiro e tomei um susto quando dei de cara com Dougie, parado, me encarando. Ele passou a mão no cabelo, desconcertado e eu sorri.
- Dougie...? – Ele riu de lado e caminhou na minha direção, me abraçando pela cintura. Beijou meu pescoço e logo depois minha bochecha. – Dougie, eu preciso me vestir.
- Você não tá usando nada ai embaixo? – Um sorriso maroto se abriu em seus lábios e sua voz soou minuciosamente maliciosa. Dei uma tapa em sua barriga e ele sorriu depois de resmungar de dor. – Eu tava brincando, . – Beijei a ponta de seu nariz e o empurrei, obrigando-o a sentar na cama.
- Agora, fica quietinho aí enquanto eu me troco. – Ele fez um biquinho e quando eu tentei me virar, ele me puxou, me colocando sentada de lado em seu colo.
Seus lábios atingiram os meus rapidamente, e diferente de antes, estávamos nos beijando intensamente. Em nenhum momento, o fato de aquilo ser errado abandonava minha mente, mas era inevitável, pelo menos da minha parte. Antes que Dougie pudesse aprofundar ainda mais o beijo, eu o empurrei, beijando seu nariz e me levantando. Jazzie havia deixado uma calcinha embrulhada num plástico em cima da cômoda, provavelmente nova, agradeci e a vesti enquanto Dougie me observava. Sorri, dando língua pra ele. Vesti um sutiã e abri o armário. Tentei pegar as coisas menos usadas possível. Vesti uma calça jeans e uma regata branca, com algumas listras pretas, bonita, em certo modo, mas nada que chamasse a atenção. Dougie mantinha o olhar fixo em mim enquanto eu andava de um lado a outro. Voltei até o banheiro e suspirei pesadamente quando encarei meu cabelo, totalmente despenteado.
Voltei pro quarto e me sentei ao lado de Dougie, ele me olhou rindo e pegou a escova da minha mão.
- Você é muito preguiçosa, sabia? – Beijou minha bochecha delicadamente e me colocou de lado, começando a pentear.
Nós dois ficamos por alguns longos minutos ali, rindo e brincando enquanto ele penteava meu cabelo.
Almoçamos juntos, todos nós, eu, Dougie, Jazzie, Emma, Lilly e o Sr. Poynter. Já se passavam das três e meia quando decidimos ver alguns filmes e antes que o segundo terminasse, uma buzina inconfundível soou na porta da frente da casa de Dougie, .
- Eu preciso ir. – Me levantei sorrindo, enquanto todos reclamavam.
- Agora? – Jazzie perguntou enquanto agarrava minha perna. Nós duas rimos e ela se levantou, pra me abraçar.
- Vê se aparece mais, , senão o Sr. Poynter vai achar que o Dougie te assustou.
– Dougie mandou o dedo pra Emma, que caiu em gargalhadas exatamente como o Sr. Poynter.
Dougie e eu nos despedimos de todos enquanto ele me levava até a porta. Senti seus lábios em minha nuca e depois encaixados aos meus. Nós nos beijamos afobadamente por alguns minutos, antes que a buzina soasse novamente.
- Eu preciso ir. – Sorri entre o beijo e ele fez um biquinho de desaprovação. Abri a porta, mas antes de sair, Dougie segurou meu braço.
- ... – O olhei sorrindo. – Promete que não vai me deixar? – Eu entendia perfeitamente o que ele queria realmente saber quando me perguntava isso, se eu o deixaria por Danny, de novo, se eu voltaria pra Danny. Dei um selinho em seus lábios e sorri.
- Segunda feira, tudo vai mudar. – Ele sorriu e eu então eu saí porta afora. me olhava sorridente, como se tivesse a certeza de que tudo ficaria bem.
8 My heart, your heart, our love.
Acordei disposta naquela manhã, depois de trinta ligações perdidas do Danny, eu já conseguia me visualizar contando a verdade pra ele, não sabia se ele chegaria a me perdoar, mas naquele momento, tudo o que realmente importava era ser sincera com Dougie, e principalmente, com o meu coração.
Comi alguma coisa no café da manhã, enquanto minha mãe me analisava como se soubesse que algo extremamente preocupante estava se passando pela minha cabeça. Ela deveria saber, mas uma hora ela notaria a ausência das ligações de Danny, não que fosse se importar, já que ela o detestava.
Beberiquei um pouco do suco de laranja sobre a mesa e saí porta afora.
O Sol estava potencialmente fraco, as nuvens cobriam maior parte do céu, e mal se podiam ver os edifícios mais altos, uma grossa camada de neblina cobria o topo de quase todos eles.
Quando cheguei à casa de , eu sabia que seria bombardeada com perguntas e que provavelmente não responderia a oitenta por cento delas. Toquei a campainha com a mesma expressão aturdida e curiosa de dois dias atrás e um choque tanto quanto intenso tomou conta de mim quando encarei as duas bolas negras debaixo aos olhos azuis de .
De repente me lembrei de que ela havia estado presente numa festa noite passada, e ela sorriu pra mim, mas quando abri minha boca, ela ergueu uma das mãos, pedindo pra que eu fizesse silêncio, não pude evitar gargalhar, o problema dela tinha nome e sobrenome: Jose Cuervo.
- Parece que a noite foi boa pra você, hein? – Ela me censurou com o olhar e eu deixei mais uma risada escapar.
- , você é realmente irritante, pedir silêncio não significa nada pra você, não é? – Neguei com a cabeça e a vi bufar impaciente.
- Então, qual é o assunto? – Depois de pularmos com o susto, e eu reviramos os olhos, quando uma totalmente animada pulava as nossas costas. – Ih, parece que tem alguém de ressaca, e alguém de TPM, hum... Quem será?
- Você é tão engraçadinha... – Reclamei entre uma risada e outra, arrancando uma risada aguda de , e logo depois, um resmungo pela provável dor que isso tinha causado em sua cabeça.
- Mas e então... Alguma novidade sobre o Dougie? – Virei o rosto, nervosa pela pergunta de .
- C-como assim? – Suas sobrancelhas semicerraram-se e ela me olhou, estranha.
- Você não foi ver como ele estava depois da briga com o Danny? – Engoli a seco e ri mentalmente com minha confusão. É claro que ela estava se referindo a minha visita e não ao suposto amasso que eu tinha tido com Dougie.
e eu trocamos olhares, meio inebriadas com o que tinha acabado de dizer, e mesmo que nossa intenção não tenha sido excluí-la do que estava acontecendo, foi assim que ela, depois de perceber a presença dos olhares, se sentiu.
- Ah... Tudo bem, o Dougie não ficou assim tão machucado... – Minha voz soou duvidosa, e antes que pudéssemos mudar de assunto, ela se colocou parada a nossa frente, encarando nossas expressões.
- Vocês estão escondendo alguma coisa.
- Não estamos não. – Dissemos em uníssono.
- Ah, vocês estão! E o Dougie sabe disso também! Ah, vamos lá! Eu não sou fofoqueira, e achei que vocês confiassem em mim... – Senti um nó apertar meu coração, e de certa forma, eu não precisava mais esconder nada, no final do dia, todos estariam sabendo, certo? Quer dizer, nossos amigos...
- Nós realmente... – começou a falar, mas eu ergui uma das mãos, pedindo pra que ela não terminasse.
- Eu e o Dougie estamos juntos... Ou quase isso, eu realmente não sei o que estamos fazendo. – Seus olhos verdes se arregalaram, e ela tentou inúmeras vezes dizer alguma coisa, mas no momento em que abria a boca, a fechava segundos depois.
- Não sei o que dizer, ... – Sua voz soou totalmente desconcertada, estávamos andando novamente, em direção a escola, e já podíamos ver a movimentação constante do pátio.
- Eu também não sabia, no começo, eu acho que não gostava muito disso tudo, mas eu não sei mais como evitar... – Ela colocou uma das mãos sobre o meu ombro direito, como se tentasse me confortar. Sorri, agradecendo, e antes que pudesse explicar como tudo tinha acontecido, veio correndo em nossa direção.
- , você precisa ver isso! – Nós três corremos atrás dela, enquanto ela corria até o pátio. Meus olhos foram pegos por uma cena que eu evitava pensar todos os dias desde que beijara Dougie pela segunda vez.
Fiquei sem reação, enquanto Danny me olhava, o rosto totalmente devastado.
- Você! – Ele gritou na minha direção. – Você não pode ter feito isso comigo, ! – Lágrimas escorriam por sua bochecha enquanto ele me olhava.
- Não escute o que ele diz, ! – Dougie berrou enquanto evitava que ele chegasse perto de mim. – Ele só está se fingindo de coitado!
- Talvez por que eu seja! – As pessoas se amontoavam ao redor dos dois, uma roda agora se formara. Senti meu rosto umedecer e logo depois, o gosto salgado se instalou em meus lábios. – O corno! Meu melhor amigo e a garota que eu julgava amar!
Dougie revirou os olhos, e por um momento, senti raiva ao vê-lo fazendo isso.
- , ele só quer te enganar... – Ele travou a voz, como se estivesse deixando de me contar alguma coisa, mas aquilo realmente não chamou minha atenção.
Uma voz fina gargalhou do meu lado, e não me surpreendi ao ver Ashley se entretendo com o que estava acontecendo.
- Danny... Eu posso explicar... – Não havia dor maior do que a que eu sentira quando ele me olhara nos olhos, eu não sabia como tinha tido a coragem pra fazer algo assim com ele, ele podia ter seus defeitos, mas me amava, e mesmo que não tenha sido o melhor dos namorados, nunca mentiu pra mim, como Dougie fizera no Brasil.
Dougie.
Danny se aproximou significativamente de mim, Dougie pousou uma mão firmemente em seu abdômen, que logo foi furiosamente empurrada de volta pro lugar de onde tinha vindo, sem que Danny tivesse chance de se aproximar, Dougie o empurrou e meu coração gelou ao vê-lo erguer a mão e socar o nariz de Danny. Meu corpo finalmente pareceu querer reagir, andei em direção a Dougie, empurrando-o.
- O que você pensa que está fazendo, seu idiota? – Os olhos azuis e levemente feridos de Dougie me olharam, totalmente surpresos com minha atitude. Ele tentou me puxar pra me abraçar, mas eu o repeli.
- , você... Você não pode... Não pode acreditar nele... – Sua voz saiu falha, e mesmo que eu tenha sentido uma súbita vontade de abraçá-lo, eu ainda sentia raiva pelo que ele acabara de fazer com Danny.
Estávamos errados! Será que era tão impossível assim pra Dougie, quero dizer, pra que ele pudesse entender isso? Danny era a vítima!
- Eu... Eu não estou acreditando em ninguém, mas eu preciso cuidar dele. – Minhas mãos foram quase que impulsivamente até suas bochechas, mas as repeli antes que conseguisse tocá-las. Ele se aproximou de mim, tentando me beijar, mas virei o rosto.
- ... – Sua voz saiu apelativa.
- Dougie... Nós conversamos mais tarde, tudo bem?
Não lhe dei uma chance de confirmar, ou de gritar comigo.
Danny estava de pé, com os olhos mareados. Ergui minha mão, e ele a pegou, nós dois caminhamos na direção do estacionamento, e mesmo com Danny em meu encalço, olhei pra trás uma última vez, Dougie continuava parado, uma lágrima refletia como uma estrela em seu rosto. Eu tinha uma decisão a tomar.
- ... – Dessa vez, não era a voz doce de Dougie que me chamava, mas a rouca de Danny, quebrando o silêncio, tão chorosa quanto a minha, minutos atrás.
Levantei-me, pegando a caixa de primeiros socorros que tinha trago pra mim. Agradeci com a cabeça e me ajoelhei frente a Danny, que estava sentado sobre a calçada. Seus olhos, numa imensidão verde, encaravam cada parte do meu rosto. Senti uma vontade enorme de correr, me esconder, precisava tanto pensar.
- ... – Ele chamou mais uma vez, dessa vez, erguendo meu rosto com a mão direita. – Ei, olha pra mim. – Sacudi meu rosto, tentando me desvencilhar de suas mãos, mas uma delas afundou em minha nuca, agarrando meus cabelos carinhosamente.
Senti sua testa encostando-se a minha, enquanto nossas respirações se misturavam, desvencilhei meu rosto pro lado, mas antes que eu pudesse me distanciar suficientemente, os lábios molhados de Danny encostaram-se aos meus.
Sua mão me pressionou pra mais perto de seu corpo, enquanto nossas línguas se embolavam num misto de sentimentos incompreensíveis. Não consegui evitar, e conforme nos beijávamos, mais lágrimas escorriam pelas minhas bochechas. Minhas mãos espalmaram sobre o peito de Danny, e eu o empurrei, fervorosamente.
- Danny, não. – Ele baixou a cabeça e logo depois se levantou, ficando com o dobro do meu tamanho. Levantei-me, encarando-o.
- Você realmente gosta dele, não é? – Sua voz soou aveludada, mas a irritação era visível em seu olhar. Assenti, ainda chorando, e ele chutou o pára-choque de um dos carros. – Vamos lá, ! O que ele tem que eu não tenho?
- Danny, não faz isso...
- Anda, fala! – Sua mão apertou com força meu braço direito, sacudindo meu corpo. Meu choro tornou-se alto e por um segundo, ele me soltou. – Eu devo ser um idiota, mesmo!
- Não, Dan, você não é... – Minha mão parou em suas costas, acariciando-o.
Ele me olhou mais uma vez, tentando conter as lágrimas.
- , vamos tentar mais uma vez... – Ele implorou enquanto eu negava com a cabeça. – Por favor, você sabe que podemos tentar. – Continuei negando, o brilho em seus olhos morrendo, lenta e dolorosamente. – Eu te amo tanto...
Meu olhar se ergueu e antes que eu pudesse responder, um estrondo ecoou dos céus, e uma chuva forte começou a cair.
- Não. – Minha voz falhou, mas antes mesmo que sua mão pudesse tocar em mim de novo, eu me afastei e deixei que meu corpo corresse, pra longe, o mais longe que eu poderia chegar.
Enquanto corria, todos na escola me encaravam, os olhos azuis de Dougie encontraram os mesmos por uma fração de segundos, e mesmo que por pouco tempo, toda sua dor tinha sido transportada pra mim, a amargura, a confusão. Pude vê-lo se levantar num pulo, enquanto eu corria em direção ao bosque que ficava nos arredores da escola, e antes mesmo de tentar prender o choro, as lágrimas já cortavam meu rosto, exatamente como vento frio fazia.
Implorei por um sinal, qualquer possível ajuda que me fizesse tomar uma decisão definitiva, qualquer coisa, qualquer luz, qualquer direção. Fechei meus olhos, encostando numa árvore e deixando que meu corpo escorresse sobre seu tronco. A chuva caía agora, com menos violência, talvez por que os galhos e folhas a mantinha no alto. Quando abri os olhos, foi involuntário não sorrir em meio às lágrimas.
Estava na clareira.
Continua!
N/A/B: Oi, lindinhas! Bom, esse é um capítulo bem polêmico, e depois disso, as coisas vão ficar ainda mais confusas pra nossa principal, espero que gostem desse capítulo, por que, particularmente, não fiquei satisfeita.
Obrigada pelos comentários, amo vocês, de verdade!
Beijos e abraços da Bells!