
Final Destination
Por: Lorena
Beta-Reader: Loma R.
Prólogo:
[...] Eu corria desesperadamente, as pessoas a meu lado não passavam de borrões, às vezes eu batia em alguém que logo me xingava, mas eu
corria contra o relógio nada mais importava [...]
Capítulo 1 – First Dream
(N/A: coloque para carregar)
Os motivos de intermináveis noites em claro começaram a exatamente dois anos atrás.
Onde eu era infinitamente feliz e nem percebia.
['s memories]
Dia 18 de Janeiro de 2008; 7:30 AM
Era um dia típico de Londres, nublado e frio. Vesti meu casaco, tomei o último gole de suco do meu copo e dei tchau à minha mãe que estava
sentada no sofá assistindo ao jornal da manhã.
Ao sair pela porta pude observar que uma garoa fina caía sobre mim. Eu teria que me apressar para chegar à escola, antes que a chuva
aumentasse.
Passei pela porta do colégio e fui em direção a meu armário, logo avistei minha melhor amiga, que
tinha o armário a meu lado.
- Oi, . Como foram suas férias? – perguntei.
- Nada de mais, voltei da França há alguns dias, e você nem me ligou para saber como foi. Isso magoou – ela disse fazendo bico – se você
fosse uma amiga boa eu te traria presentes – presentes? Meus olhos brilharam.
- Presente? Erm... Eu só não liguei porque meu telefone quebrou – é. Isso era verdade, eu e sempre
fomos muito amigas, às vezes confundidas até como irmãs – Eu só não liguei do meu celular porque minha mãe o sequestrou já que o telefone
quebrou. Isso é verdade, eu juro.
- Tudo bem, você está desculpada desta vez. Mas lembre-se: só desta vez! – ela disse se virando para o armário, pegando algo que devia
ser uma sacola – Aqui está – Ela me entregou, sorrindo, uma linda caixinha branca.
- AAAAAAH! Amiga, eu já disse que te amo? Eu não acredito que você comprou um perfume pra mim. Você é demais. Por isso é minha melhor
amiga - a sabia que eu tenho uma paixão por perfumes e eu não era fresca pra presentes, qualquer
coisinha de 1 libra já estava bom para mim.
- Convencida. Então se eu não te desse esse perfume você não seria minha amiga?
- Eu só estava brincando, você sabe que é a melhor, sempre!
Assim que o sinal tocou, fui andando calma pelo corredor, acenando para as pessoas que passavam a meu lado – claro que acenava apenas para
as pessoas que eu conhecia – eu estou no último ano, graças a Deus. Não vejo a hora de sair deste colégio, e provavelmente ir morar com
meu pai nos Estados Unidos. Não sei por que eu gosto tanto de lá, quando era menor, eu passava as férias inteiras em Nova
Iorque com meu pai.
O segundo sinal tocou, forçando-me a apressar meus passos em direção à sala de aula. Mas uma coisa me impediu, na verdade alguém, alguém
muito... Muito... Diferente? Novo. Essa era essa a palavra certa, nunca o vi por aqui. Não sei se já mencionei, mas minha escola não é
aquelas mais badaladas, e não havia muitos meninos bonitos, claro que haviam as exceções mas eles sempre tinham namoradas.
O garoto andava com as mãos no bolso da calça que quase caía, olhando para todos os lados até encontrar meu olhar. Assim que ele me lançou
aquele olhar penetrante, senti um arrepio na espinha. Suspirei nervosa e me dirigi à sala de aula o mais rápido que pude. Sentei-me na
última carteira no fundo da sala, e olhei minhas mãos trêmulas. Nunca me senti assim antes, não sei explicar direito o que se passou no
corredor, era estranho, aquele arrepio não foi normal, como quando você vê alguém lindo e maravilhoso na rua e pronto. Bom, eu não sei o
que aconteceu na verdade, mas eu tenho a impressão de que muita coisa vai acontecer, envolvendo eu e ele.
[end of memories]
E o pior, é que eu estava realmente certa. Irão acontecer muitas coisas sobre eu e ele. Como eu iria saber que aquele
garoto com rosto de anjo me traria uma mistura de sentimentos?
Eu ainda sinto medo de que tudo se repita. Lembro de antes, o quanto eu sentia medo, e quantas noites passei em claro apavorada, pedindo
para que o pesadelo não se repetisse nunca mais.
Tudo começou um dia depois que o beijei pela primeira vez.
(N/A: ligue a música)
['s memories]
22 de Outubro de 2008; 00:45 AM
- Hey, - me chamou e eu assenti com a cabeça
indo em sua direção, era incrível como eu ainda sentia aquele arrepio em minha espinha. O mesmo da primeira vez que eu o vi na escola.
- Oi , cadê os guys? – perguntei.
- Eles estão se divertindo por aí, com certeza com alguma garota - ele disse rindo.
- Típico - eu ri – Com certeza o Danny deve estar correndo atrás da , como sempre, e ela pra variar
pisando em cima dele. Parece que aquele garoto gosta de sofrer – Ele riu. Mas era verdade, fazia do
garoto um escravo e ele parece que ficava mais apaixonado ainda.
- É verdade, eu e os guys tentamos fazer ele parar de ser assim, mas parece impossível – eu assenti com a cabeça e ficamos um longo minuto
em silêncio - Eu estava pensando, já que todos foram embora da festa e ninguém mais está olhando, bem que nós podíamos dançar não é? - Eu
fiquei estática, odeio dançar. Razões: 1º eu sou atrapalhada, 2º não danço bem e 3º eu morro de vergonha. Mesmo que todos já tivessem ido
embora da festa que o Danny deu em sua casa, eu não queria dançar - Vamos, você prometeu que ia dançar!
- Eu falei que talvez fosse, é diferente. E essa música não dá pra dançar! - fiz cara de desentendida.
- Vamos, é só uma dança e ninguém está vendo. Vamos, a música é o de menos, e eu sei que você gosta dela.
- Ai, está bem! - Tonta, tonta. Faz tudo o que ele quer! Bom, agora você vai se ferrar, vai pisar no pé dele.
me conduziu até o meio da sala, bagunçada e coberta por copos. Posicionou as mãos em minha cintura
e eu coloquei as minhas em seu pescoço. Acompanhávamos a música, dançando calmamente. Apenas aproveitando o momento.
Ele levantou a mão até meu rosto e acariciou minhas bochechas com a ponta dos dedos, eu fechei os olhos.
- - ele me chamou.
- O que, ? - disse docemente.
- Eu acho que te amo - ele disse sem graça e eu fiquei paralisada, eu não sabia quanto tempo esperei por isso, eu sempre fui covarde
demais para assumir minha paixão por ele. Depois de dois meses que ele entrou em meu colégio, se tornou meu novo melhor amigo, fazíamos
tudo juntos. Eu ia sempre a todos os ensaios, shows, etc. Era inevitável que eu me apaixonasse por ele. Principalmente por ele, essa pessoa
maravilhosa, ele não mede esforços para ajudar quem quer que seja. Isso é o que mais admiro nele.
- Eu também te amo - saiu simplesmente. E eu corei.
aproximou-se de meu rosto e deu um pequeno sorriso, e eu fiz o mesmo. Ele encostou os lábios sobre
os meus apenas, acariciando-os, deu um último sorriso e finalmente me beijou, eu podia sentir o amor em nosso beijo. Ele acariciava meus
cabelos e eu segurava sua nuca. O beijo se intensificou até o final da música, até ele nos separar com os olhos brilhando.
[end of memories]
Me lembro muito bem deste dia, pra uma adolescente não tem nada melhor do que o primeiro beijo, principalmente se ele
for com a pessoa de quem ela goste.
Essa é uma das minhas lembranças boas, a festa foi perfeita, o beijo, a música. Tudo saiu como se fosse um sonho.
Mas logo se tornou pesadelo na mesma noite.
['s memories]
22 de outubro de 2008; 3:54 AM
Sirenes, policiais, bombeiros, pessoas assustadas e outras chorando descontroladamente. Era o que se via naquele
cruzamento, aonde parecia ter acabado de acontecer um acidente sério entre um carro preto e um caminhão vermelho.
Em uma maca havia um senhor de meia idade, provavelmente o motorista do caminhão, ele estava acordado, mas parecia um pouco tonto com a
situação. Com vários cortes no rosto e a camisa toda ensanguentada, o homem choramingava algo sobre sua perna.
Minha atenção se voltou à uma senhora que passou correndo a meu lado, me virei para ver o que estava acontecendo, e vi um outro homem,
provavelmente o motorista do carro, estirado no chão, recebendo ajuda médica. O médico estava com o desfibrilador em mãos, preparando para
usar no homem desacordado.
A reação do motorista ao ser tocado pelo aparelho, fazia com que seu corpo levantasse do chão, fazendo a mulher a seu lado chorar ainda
mais. Me aproximei. O médico tocou o aparelho novamente sobre o peito nu do homem.
Pude ver seu rosto cortado, ele parecia muito novo, devia ter a minha idade.
A mulher murmurava algo como "meu filho, não me deixe".
O médico lançou um olhar de pena para a mulher que ainda chorava, e ela perdeu o sentido, caindo ali mesmo, fazendo com que enfermeiros
viessem socorrê-la. Me aproximei ainda mais do garoto e pude ver em seu pescoço uma corrente de ouro. A peguei na mão e li as palavras que
lá havia: "Juntos até o final dos tempos".
Minha atenção foi chamada pela voz de um homem comentando: "Foi uma fatalidade, não tem mais nada a fazer. Ele faleceu".
Achei tudo muito estranho, caminhei depressa para fora da confusão, pude ver que policiais isolaram a área, como eu consegui entrar?
Estranho. Mas o mais estranho, é que eu não consigo identificar nenhuma das pessoas envolvidas.
[end of memories]
Esse mesmo sonho me perturbava durante semanas, era como um déjà-vu. Eu vivia o acidente toda noite.
Eu estava ficando assustada. Porque geralmente, quando sonhamos, esquecemos a maioria dos detalhes... Já eu lembrava absolutamente de todos
eles. Era como se eu estivesse acordada. Como se eu estivesse presente em meu sonho.
Duas semanas depois, eu já estava cansada. Eu já não aguentava aquela perturbação. Todas as madrugadas, eu acordava e não voltava mais a
dormir. Isso estava me matando. Eu parecia uma morta viva.
['s memories]
07 de Novembro de 2008; 3:45 PM
- Hey... Hey... ... , acorde agora! –
Alguém me cutucou e eu abri os olhos com calma.
- O quê? – disse irritada. – O que você quer, ?
- Nada! Eu só queria te avisar uma coisa – revirei os olhos – Da próxima vez que você ficar dormindo depois que a aula acabar, eu não vou
mais te avisar – levantei minha cabeça e olhei o relógio. Eu tinha perdido a noção do tempo – Você dormiu a aula inteira de física e ficou
mais uns vinte minutos aí, jogada na sua carteira, sabia?
- Nossa. Me desculpe. Eu perdi totalmente a noção do tempo – disse arrumando meu material dentro da bolsa – é que eu ando muito cansada.
É só isso.
- Acho bom você dormir mais na sua casa, porque os professores estão passando coisas importantes, sabia?
- Ok. Eu não vou mais dormir na aula. Agora vamos que eu preciso dormir mais um pouco – ela riu.
- Na sua casa não é?
- Aonde mais seria, ?
- Talvez você escolhesse o refeitório, ou sei lá! – ela riu, e eu não pude deixar de rir.
Cheguei em casa, quase morrendo. Larguei meu material no meio da sala mesmo, e deitei no sofá. Fechei os olhos desejando que nada me
atrapalhasse agora. Eu precisava de um descanso.
Sirenes, policiais, bombeiros, pessoas assustadas e outras chorando descontroladamente.
Era o que se via naquele cruzamento, aonde parecia ter acabado de acontecer um acidente sério entre um carro preto e um caminhão
vermelho...
[end of memories]
Não adiantava. Todas as vezes que eu dormia, tinha pesadelos.
Mas existia um jeito de fazê-los desaparecer.
Capítulo 2 – But there are good things
Andava reparando em meu apartamento. Me mudei há uns 6 meses.
veio morar comigo, mas logo se mudou novamente.
Os móveis ainda cheiravam a novo, a sala espaçosa, ocupada apenas pelo sofá, pela TV e pelo rádio, estava completamente desarrumada.
Fui em direção à cozinha, me sentei sobre o balcão de mármore e encostei a cabeça na parede olhando para um quadro que havia na cozinha.
Era uma fotografia. Eu mesma a fotografei em dezembro, há dois anos atrás, era um lindo pôr-do-sol, quando
e eu fomos passar o natal em Brighton.
['s memories]
24 de dezembro de 2008; 18:03 PM
- Cala boca , eu preciso de concentração – Eu tentava arrumar a câmera em cima
do tripé, mas estava tirando minha concentração.
- O que eu posso fazer se você parece mesmo um pato com essa bota – ele se matava de rir e eu o olhei brava.
- Não sei o que você tanto gosta de falar, bem que você gosta dessa pata aqui né? – ele estava tirando sarro das minhas botas novas, e eu
tinha culpa de estar um frio do cão? Eu precisava de botas – E você que parece um urso com essa roupa! – minha vez de rir.
- E eu tenho culpa de estar frio deste jeito?
- Olha, vamos combinar, se você parar de me encher o saco por causa da minha bota, eu paro de te encher por causa da sua roupa! Fechado? –
ele ficou pensativo.
- Hmmm, nada feito – ele pulou em cima de mim e nós dois caímos na areia, ele em cima de mim. Ficamos um longo minuto em silêncio – Eu já
disse que gosto dos seus olhos?
- E eu já te disse que te amo mais que tudo no mundo?
- Algumas vezes – convencido – Eu também te amo. Não sei o que eu faria sem você.
- Eu provavelmente não viveria. Promete que nunca vai me deixar?
- Eu prometo - ele me deu um selinho e se sentou do meu lado – Acho melhor você se apressar, o pôr do sol já está quase começando.
- Putz, é verdade – me levantei correndo, batendo em minha roupa para que a areia caísse.
- Pronto – disse depois que arrumei a câmera uma última vez em cima do tripé.
- Que rápida, achei que iríamos perder o pôr-do-sol de manhã – ele falou irônico.
- Idiota. Me ajuda aqui! – ele se levantou e veio a meu lado – Quando eu falar, nós apertamos o botão juntos, ok?
- Ok.
- Agora – nós apertamos o botão, mas com a força que fez, a câmera caiu, registrando um pôr-do-sol
todo borrado – Eita! Só podia ser você mesmo, não? Trocou de lugar comigo hoje? A atrapalhada sou eu, ok?
- Acho que troquei – ele disse rindo – Venha aqui, vai – ele disse me abraçando e nós caímo snovamente na areia.
[end of memories]
Eu ri olhando para a fotografia, como ela me trazia boas memórias. Eu gostava muito dela, por isso ficava em um lugar
especial. Bom, para mim era um lugar especial. A cozinha, o lugar favorito de . Era aonde eu e ele
sempre fazíamos cagadas... Quero dizer, coisas MUITO gostosas de comer. E o lugar aonde mais saíam risadas, e sempre foi o lugar mais sujo
de todos. Isso porque ele sempre insistia em me fazer de alvo de comida.
Dias assim eram especiais...
['s memories]
Dia 18 de Janeiro de 2009; 9:30 PM
Toc toc.
Ao ouvir o barulho. Fui atender a porta.
- Surpresa, ! – disse com um buquê de rosas enorme na mão.
- Ai , que lindo! – disse pegando o buquê e indo em direção a sala – Qual é o motivo desta humilde
visita? – Coloquei o buquê dentro de um vaso.
- Não sei, talvez você poderia me contar – ele disse se aproximando de mim, me abraçando.
- Eu juro que não sei – disse cinicamente, eu sabia muito bem que dia era hoje. Há um ano foi quando nos vimos pela primeira vez. Eu nunca
me esqueceria disso, jamais.
- Hmm, então eu vou ter que refrescar sua memória – ele disse me beijando – Espera ai. – ele interrompeu – Os seus pais não estão aqui?
Estão?
- Não, eles foram viajar por algumas semanas pra França.
- Ok. Onde eu estava mesmo? – Ele beijou meu pescoço, fazendo uma trilha até minha boca, voltando a me beijar intensamente. Fomos andando
sem quebrar o beijo até o sofá, onde tropeçamos e caímos. Nós rimos, mas logo voltamos ao beijo.
[end of memories]
Nos dias em que eu passava com – como esses - não me traziam pesadelos. afastava todas as coisas ruins que eu sentia. Ele era minha proteção. Por isso me apeguei completamente a ele.
['s memories]
Dia 29 de Janeiro de 2009; 8:37 PM
- , é sério. Você não pode ir hoje! – disse apertando suas mãos – Eu só te vi 5
minutos hoje!
- Mas amanhã eu preciso trabalhar, ! – ele disse como se fosse óbvio. Ele não entendia – Eu só vim te
desejar boa noite.
- Eu preciso de você para ter uma boa noite! Por favor, não vá! – uma lágrima correu por meu rosto. Era difícil explicar que só com a
presença dele eu não tinha sonhos ruins, ele não acreditaria, falaria que era só uma desculpa - Hoje vai ser uma noite ruim!
- Hey! - Ele disse secando a lágrima com a ponta dos dedos – Não fica assim, eu prometo que amanhã cedo eu venho te ver! Eu venho antes
de ir para o trabalho, tá?
- Não. Não! Você TEM que ficar aqui. Você tem que me proteger – eu tive que tentar falar.
- O quê? Proteger? – ele ficou confuso - Ok, deixa pra lá. Olha, faz assim. Se você se sentir mal de noite, você me liga tudo bem? – ele
disse olhando normalmente de novo para mim – Pode ser a hora que for. Eu vou te atender, . Fica
tranquila.
- Fazer o quê? Acho bom você ficar com o celular ligado mesmo! – disse abrindo um pequeno sorriso, e ele logo se alegrou – Hey! Promete
que passa aqui amanhã?
- Prometo, . Agora eu preciso mesmo ir – ele me deu um selinho e foi em direção a porta – Ah! Eu te
amo, ouviu?
- Eu também te amo, – disse cabisbaixa. Pelo que eu pressentia a noite ia ser muito longa...
[end of memories]
Capítulo 3 – Boulevard of broken dreams
(N/A: coloque para carregar)
Peguei uma maçã, fui em direção a pia e a lavei, logo em seguida segui até a sala novamente dando uma pequena mordida na maçã.
Sentei-me na poltrona que ficava virada para o rádio e o liguei com o controle remoto.
Logo uma música invadiu meus ouvidos.
(N/A: ligue a música)
['s memories]
30 de Janeiro de 2009; 4:15 AM
A única coisa que conseguia enxergar era um breu profundo. Naquela avenida deserta não havia sinal de vida.
Eu estava parada ao meio de um cruzamento. Olhei para todos os lados, e nenhum carro estava vindo. Estranho. Mesmo assim decidi ir até a
calçada. Eu não queria ser atropelada.
Caminhei devagar, olhando para meus pés.
Fiquei parada por vários minutos, apenas olhando o cruzamento vazio. Eu não ia ficar parada feito uma tonta olhando uma rua totalmente
vazia. Era inútil. Virei-me para um lado qualquer e caminhei...
5 longos minutos caminhando e nada até agora. Nem uma alma viva na porra dessa cidade.
Afinal, isso aqui é Londres mesmo?
Desisti e me sentei na guia da calçada, colocando a cabeça nos joelhos. O que eu estava procurando afinal?
Um clarão fez com que eu levantasse minha cabeça. A luz forçou-me a colocar as mãos a frente de meu rosto.
Era um caminhão. Ele passou ao meu lado, devia estar a uns 90 Km/h e andava irregular na pista.
O observei atravessar da pista da esquerda para a direita. Com certeza o motorista estava bêbado. Bom, isso não era problema meu.
Levantei e caminhei novamente, dando as costas para o caminhão, até ouvir um barulho horrível de pneus cantando no asfalto e em seguida
uma batida. Virei bruscamente, e olhei incrédula para a cena. O caminhão havia passado no sinal fechado e batido em um carro preto.
Corri desesperada pela rua, mas a cada passo que dava, mais eu me afastava. A rua ficava mais longa e eu menor. O breu da noite foi se
tornando maior, até tudo ficar completamente preto.
Abri os olhos e olhei confusa a minha volta. Eu estava deitada. Novamente no meio do cruzamento. Levantei ofegante com as mãos na cabeça.
Olhei a minha volta novamente e avistei um pedaço de papel um pouco à minha esquerda. Corri até o local e abaixei rapidamente, pegando o
papel nas mãos.
Era um jornal. Havia a imagem de um acidente e uma matéria. Um acidente que eu conhecia bem.
A manchete principal dizia:
Jovem de 22 anos é morto por imprudência de motorista de caminhão de 54 anos.
O jovem ~~~~~~~~ voltava da casa de sua ex namorada ~~~~~~~~, por volta das ~~~~~~~,
quando foi surpreendido pelo motorista Jorge Hutrenson
de 54 anos, que dormiu ao volante na
noite de ontem, no cruzamento que leva a avenida principal à estrada para o litoral, em Londres.
Hutrenson sofreu apenas leves arranhões e quebrou uma perna, já o jovem faleceu no local.
Familiares estão desolados. Ex namorada confessa que sente culpa pelo que aconteceu.
Matéria inteira na página 7.
Meu Deus! Eu devo estar ficando cega!
- Por que eu não consigo ver os nomes? Eles estão embaçados! - Tentei ler uma última vez, mas foi em vão. Os nomes não passavam de
borrões - Eu estou ficando cega, só pode ser! Ok. Desisto.
Procurei a página 7 desesperada. Mas ao abrir o jornal, percebi que ele estava em branco.
Como assim em branco? Um jornal em branco? Que piada.
- Eu preciso de alguma pista, merda!
Procurei saber o nome e a data do jornal, mas tudo o que mostrava era: Jornal The Morning. E a data não constava no papel.
Levantei confusa, eu já não segurava mais as lágrimas. Que ódio!
- Que porra está acontecendo comigo? Em? O que é isso, cara? Eu não to mais entendendo nada! Que merda de jornal é esse?
Olhei novamente o jornal tentando ler o nome. Mas eu não conseguia. E isso estava me deixando louca!
Enxuguei uma lágrima que escorreu pelo meu rosto e joguei o jornal no chão. Caminhei devagar olhando o chão. Tentando achar alguma
resposta para o que teria acontecido.
Eu mal enxergava por causa do meu choro, minha vista estava embaçada.
Parei assim que escutei um barulho de vidro se amassando em baixo de meus pés.
Olhei para baixo e avistei cacos de vidro no chão. Abaixei-me e com a ponta dos dedos mexi nos cacos, com muita calma, tirando os maiores
do asfalto. Havia sangue misturado com o vidro, mas não parei de mexer até encontrar um pequeno colar, com um pingente quadrado.
O coloquei entre meus dedos, limpando o sangue que havia nele. A sua frente havia uma imagem de um desenho qualquer. E atrás uma mensagem
gravada: "Juntos até o final dos tempos". A mesma mensagem que havia visto milhões de vezes. No sonho que se repetia todas as noites.
Um sonho que parecia nunca ter fim.
[end of memories]
Decidi não contar nada sobre os pesadelos para ninguém. Pois eles me chamariam de louca. Mas com o tempo era inevitável.
['s memories]
03 de março de 2009; 4:30 PM
- , como andam as coisas com o ? – perguntei
tomando mais um gole do meu milk shake.
- Ah, ainda está tudo na mesma. Ele diz que me ama e tudo mais. Mas nunca me pede em namoro.
- Ele deve estar com medo ou sei lá. Ele parece ser muito crianção – disse rindo, e riu junto.
- É verdade. Mas toda vez que eu falo sobre alguma coisa mais séria, ele me diz que está muito atarefado com a banda e que não ia ter
tempo de ficar comigo – dava pra ver que ela estava triste.
- Que bobo. Eu e namoramos já faz quase seis meses e nunca meu namoro atrapalhou a banda.
- Eu sempre digo isso pra ele, mas eu sei lá. Ele sempre foi muito galinha, acho que é por isso. Ele não quer mudar ou sei lá. Talvez se
amarrar com uma pessoa só, deve ser difícil pra ele – ela brincava com o canudo do milk shake.
- Olha, ... É bom que você tome alguma decisão, já passaram 3 meses e vocês estão na mesma. Você precisa
decidir.
- Eu gosto muito dele. Eu não quero acabar com tudo – ela me olhou com cara de choro – O que eu posso fazer? Eu amo ele – ela disse tímida.
- Hey! Não chora. Você não precisa acabar com tudo, quem te disse isso?
- Então... – ela fez sinal para que eu continuasse.
- Então assuma o controle. Fale para ele que é agora ou nunca. Se ele quiser realmente ficar com você, vai ter que ser alguma coisa mais
séria, no seu caso, namoro.
- É. Eu gostei! Não custa tentar.
- Não esquece de me avisar, hein?! Eu adoro o amor de vocês, são tantas emoções – eu ri e ela também.
- Bom, falando em amor, como anda o seu e o do ?
- Bom, eu acho. Normal – disse tomando mais um gole.
- Como assim?
- Ah, eu não sei explicar. Tipo, eu sinto que ele está começando a se irritar comigo e com as minhas manias sabe? – ela parecia confusa –
As coisas sobre os sonhos, lembra?
- Que sonhos, menina? – ela me olhou surpresa. Putz, eu não tinha contado pra ela. Na verdade eu não tinha contado a história toda nem
para .
Apenas falei que estava tendo muitos pesadelos, mas nunca cheguei a comentar sobre eles.
– Fala , eu sou curiosa - Parabéns , agora vai ter que
contar.
- Eu não tinha te contado né? – fiz uma careta.
- Que traíra! Você não contou pra sua melhor amiga? – ela fingiu se sentir ofendida.
- Me desculpe. Eu vou contar tá? – ela assentiu com a cabeça para que eu proceguisse – Só que hoje não. Haha – ela fez cara de bunda pra
mim – É sério , nós estamos atrasadas. Lembra?
- Como você é chata.
- Você quer perder o ensaio dos nossos garotos?
- Claro que não!
- Então vamos – nos levantamos da praça de alimentação do shopping e fomos em direção ao estacionamento.
- É algo muito legal?
- O que é legal, ?
- O seu sonho – ela parecia animada.
- Não, na verdade é muito ruim! É péssimo – ela me olhava confusa. Mas era muito longo para explicar agora – é complicado, depois e... –
Fiquei estática, continuou em frente mais logo parou.
- O que aconteceu agora? – ela veio até mim.
- Espera só um pouco – disse indo em direção à uma banca de jornal.
- O deu em você agora? Não era você que estava com pressa? Ai, vamos perder o ensaio dos nossos garotos – Ela disse tentando me
imitar.
- É só um minuto! – fui a seção de jornais, olhei atentamente para o nome deles até encontrar o que eu estava procurando – Achei. Jornal
The morning.
- Agora deu pra ler jornal, é ? Que eu saiba, você não lê nem revista – ela foi me seguindo até o
caixa, onde eu paguei o jornal e sai com ele nas mãos.
- Eu precisava desse.
- Você está ficando estranha utimamente. Depois que nós acabamos a escola, você mudou muito, .
- Não mudei nada, . Pára de falar merda – dei um tapa em sua cabeça.
- É. Não mudou muito mesmo – fomos em direção ao carro de . Entrei e sentei no banco da frente,
abrindo o jornal. Era incrível. O jornal existia. Eu nunca tinha ouvido falar dele.
- Você já ouviu falar desse jornal, ?
- Que jornal?
- Esse, né animal?! The Morning – disse apontando para o jornal em minha mão.
- Não. Nunca vi.
- Eu também nunca o vi não.
- Agora deixa pra lá. Vamos ligar uma música e relaxar um pouco, porque não faz nada bem ficar lendo dentro do carro – ela disse tentando
tirar o jornal da minha mão.
- Você está parecendo minha mãe! – disse fazendo uma careta, e ela tirou o jornal da minha mão. Eu precisa de mais tempo para investigar
a origem do jornal mesmo, eu não ia descobrir nada agora.
- Então me respeite – ela disse, arrancando com o carro do estacionamento.
- Ok, mamãe – nós rimos.
[end of memories]
Capítulo 4 – Things are looking up. Finally.
Os garotos estavam se saindo muito bem. Eles estavam quase fechando com uma gravadora. Iria ser ótimo.
estava tão animado, sempre foi o sonho dele. E eu queria muito que aquilo se tornasse realidade.
['s memories]
03 de março de 2009; 7:26 PM
- Uau! Como vocês progrediram! – disse indo em direção a
lhe dando um rápido beijo em sua boca.
- Sério? – ele disse – Você acha mesmo?
- É claro. E aposto que ele também – cochichou e apontou para um senhor de aproximadamente quarenta
anos que estava sentado no sofá do estúdio – Ele vai fechar com vocês, eu tenho certeza.
- Tomara.
- Bom, – O senhor disse – o que tenho a dizer, é que vocês realmente melhoraram. E muito. A música está entrando no eixo que eu imaginava.
Faltam apenas pequenos reparos – enquanto ele dizia, me abraçava mais forte. Ele estava muito
ansioso – E ao que tudo indica. A gravadora está interessada em vocês.
soltou um suspiro de alívio e foi abraçar os outros.
- Isso é sério mesmo? – Disse quase desmaiando.
- Sim , e nós vamos começar as gravações logo semana que vem, então temos que nos encontrar o resto
da semana para ensaiar e terminar os ajustes finais – ele disse sorrindo e colocou a mão na cabeça,
como se não estivesse acreditando que fosse verdade – Quero essa música nas rádios, no máximo, mês que vem!
- Meu Deus, que maravilha! – disse correndo em minha direção me levantando do chão com um abraço. – ,
você acredita nisso? Nós vamos gravar uma música! – ele disse com os olhinhos brilhando.
- Não só uma, mas como muitas outras – lhe disse - Eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde, .
Vocês merecem, são muito talentosos – lhe dei um selinho demorado.
- Eu nem acredito ainda!
- Pois devia acreditar. A partir de agora, tudo o que você sonhou vai acontecer – eu disse olhando em seus olhos.
[end of memories]
Levantei do sofá, e fui até a sacada. O vento bateu em meu rosto, fazendo-me arrepiar.
Apoiei-me na parede e observei a paisagem. Não era das mais belas. Aliás, só havia prédios a minha frente. Mas mesmo assim me deixei levar
por pensamentos.
['s memories]
03 de março de 2009; 10:42 PM
- Tchau – disse a – Nos vemos amanhã.
- Tchau, – e disseram
juntos e os dois se entreolharam.
- Ok! – disse fazendo uma careta para os dois que ainda estavam confusos. Virei-me em direção ao carro de . – Ah! Espere.
, posso pegar o jornal que eu esqueci no seu carro?
- Claro, . Venha aqui – Ela apertou o botão de alarme do carro e eu abri a porta de trás dele. Procurei
no banco e nada. Olhei em direção ao chão do carro, ela havia jogado, o jornal só podia estar lá – Achei – Disse pegando o jornal – Tchau
, e me conta tudo amanhã – disse acenando, deixando uma certa com
uma cara envergonhada e um com cara de tonto tentando entender o que eu disse.
Entrei no carro de .
- Deu pra ler jornal agora, ? – disse.
- Ué, agora você e a deram de fiscais pra cima de mim?
- É que você nunca lê nada – Ele disse como se fosse óbvio – é tão preguiçosa.
- Ei! Eu leio sim. E não sou preguiçosa nada!
- Está bem! Não quero brigar. O meu dia foi bom demais pra isso.
- Quer entrar? - perguntei - Provavelmente minha mãe deve ter saído com meu pai. Eles disseram que iam visitar uns amigos em Bristol. Não
devem voltar hoje - na verdade Richard não era meu pai. Ele era meu padrasto, mas já que meu pai se separou da minha mãe quando eu ainda
era uma criança, me acostumei a chamá-lo de pai. Então eu sempre tive dois pais. Mas meu pai biológico eu não via há mais de três anos,
que foi a última vez que eu fui aos Estados Unidos visitá-lo.
- Sendo assim, eu aceito entrar - ele disse rindo.
Tranquei a porta e fui para a sala onde já estava todo esparramado no sofá. Sentei-me ao seu lado.
- Já que você está com o jornal, - ele disse apontando para minha mão – Por que não abre na parte de imobiliárias para nós vermos?
- Pra que uma imobiliária? – disse me fazendo de tonta, mas se fosse o que eu estava pensando...
- Ué. Já está na hora de nós morarmos juntos, você não acha? – ele disse me olhando alegre. Eu fiquei paralisada!
- Você está falando sério, ? – disse com a voz trêmula.
- Claro! Nós já namoramos há quase um ano. Eu quis fazer surpresa e comprar um apartamento sem você saber, mas você sabe como eu sou
ansioso.
- É, eu sei bem! – nós rimos.
- Agora que eu vou ganhar melhor, vai dar pra comprar um apartamento legalzinho no centro. O que você acha? – ele estava todo animado. Os
olhinhos brilhando, com um sorriso bobo nos lábios. Irresistível.
- O que eu acho? Eu acho que é a melhor idéia que você já teve. Sério – disse abraçando ele com força – Eu te amo, sabia?
- Eu sei, e é por isso que quero passar o resto da minha vida com você - Aí eu não me controlei mais. Ele falando essas coisas fofas, com
essa carinha de criancinha que acabou de ganhar um sorvete gigante, eu não me controlei, pulei – literalmente – em cima dele lhe dando
muito beijinhos em todo o seu rosto e em seu pescoço.
- E eu acho que já estamos bem grandinhos para dar esse passo, nós não temos privacidade morando com nossos pais – ele disse.
- O que você quer dizer com isso?
- Que com nossos pais sempre por perto, nós não podemos fazer isso – ele deu uma mordida em minha orelha e eu me arrepiei – Nem isso –
Ele se levantou me carregando, enrosquei minha perna em sua cintura e ele me segurou encostando-me na parede. Ele me olhou profundamente
e nossos rostos foram se aproximando como se fossem ímãs. Senti nossos lábios se encostarem, logo sua língua invadiu minha boca e o beijo
tomou intensidade. A cada segundo, ele me apertava mais forte contra a parede, e eu arranhava suas costas com mais força. Minutos depois
já estávamos ofegantes, ele nos tirou da parede e começou à caminhar em direção ao quarto. Ele me deitou delicadamente na cama e arrancou
sua camisa, logo voltou a me beijar, sua mão deslizava sobre meu corpo, e as minhas pelo dele. Não tínhamos que nos preocupar com nada e
nem com ninguém. Era um momento apenas nosso. Único. Gostaria que durasse para sempre.
Olhei carinhosamente para que parecia quase adormecer, apoiei meu queixo sobre seu peito e fiquei
observando-o.
- Sou tão feio assim? – ele me disse e eu ri.
- Bobo – disse lhe dado um tapinha.
- No que estava pensando? – ele disse.
- Em como tudo está ficando perfeito novamente.
- Então antes não era perfeito? – ele fez uma cara confusa.
- Você sabe... Eu passei por uma fase muito ruim. T-toda aquela hist-tória dos sonhos e tudo mais – Gaguejei ao escolher as palavras.
- Eu sei. Você não sabe como sofri por você. Achei que você pudesse estar começando a ficar louca – Ele riu, e eu fiquei séria – Eu só
estava brincando, – ele disse ao perceber minha reação.
- Talvez você tenha razão, talvez eu esteja mesmo louca – desse me sentando na cama, segurando a coberta sobre meu corpo.
- Hey, você acabou de me dizer que as coisas estão melhorando. Então os sonhos acabaram não acabaram?
- Tecnicamente... – hesitei a falar.
- Tecnicamente... – ele disse para que eu continuasse.
- Eu só não tenho os sonhos quando encontro você – olhei para ele, que estava confuso.
- Então... Você – ele dizia devagar tentando entender – não tem pesadelos quando me encontra? É isso?
- Tecnicamente. É.
- Uau, tenho mais poder sobre você do que eu imaginava – ele riu. Pelo menos a reação dele não foi ruim, como eu imaginava que fosse
ser. Talvez ele achasse que estava louca.
- Agora ainda acha que estou ficando louca?
- Ficando? – ele disse surpreso – Você sempre foi! - ele riu.
- Tonto – disse lhe dando um tapinha.
- Bom, agora tenho mais uma desculpa para te ver todos os dias.
- Vendo por esse lado, ter pesadelos não é tão ruim assim – ele me olhou carinhosamente, me dando um pequeno beijo na bochecha - Obrigada
por tudo, meu amor – disse sussurrando, beijando-lhe – Você não sabe o quanto tudo isso significa para mim.
- Você vai ver. A partir de hoje nossa vida vai ser perfeita. Como você sempre sonhou – ele me deu um selinho demorado – Você é a melhor
coisa que aconteceu na minha vida.
- Você é a minha vida – disse olhando em seus olhos – Eu te amo.
- Eu te amo para sempre – deitamos novamente na cama. acariciava meus cabelos.
[end of memories]
O que eu sentia naquele dia era algo inexplicável. O olhar que ele lançava sobre mim me trazia mais do que paixão.
Trazia-me conforto, proteção. Eram olhares de amor. Algo que eu nunca tinha presenciado antes. Algo que eu nunca tinha sentido.
Eu sentia que o nosso amor era maior que tudo. E que nada poderia nos separar.
Aquela noite eu passei totalmente acordada, não por ter pesadelos, mas sim, imaginando como seria minha vida à partir de então.
['s memories]
04 de março de 2009; 11:58 AM
Eu estava meio tonta ainda. Procurei ao meu lado, mas ninguém estava ali. Ele
disse que ia sair cedo, mas não tão cedo! Olhei no relógio, o que me fez levantar bruscamente e sair correndo em direção ao banheiro.
- Meio dia! Já é meio dia! Eu vou me atrasar! O vai passar daqui à uma meia hora, e eu nem tomei
banho ainda – dizia para mim mesma, entrando em baixo do chuveiro. A água fervendo estava fazendo com que eu acordasse mais rápido.
disse que iria embora por volta das oito para poder se arrumar melhor em sua casa e arrumar os
instrumentos. Disse que me buscaria meio dia e meia. Isso se eu estivesse pronta até lá.
Vesti qualquer blusinha mesmo, e coloquei uma jaqueta por cima, coloquei uma calça jeans e calcei meu all star. Passei apenas uma leve
maquiagem e fui à sala esperar por .
Olhei no relógio e... Uau, meu recorde, meio dia e quinze. Quinze minutos! Eu sempre demorei uma eternidade para me arrumar. Isso é um
grande avanço.
Olhei para a mesinha de centro da sala e vi o tal jornal. Eu não tinha feito mais nada com ele. Ontem nem pesquisamos as casas! Só ficamos
namorando.
Decidi pesquisar algo sobre ele na internet. Liguei o notebook. Abri o Google e coloquei: Jornal The Morning.
Haviam muitos resultados, abri o primeiro, que parecia ser o site do próprio jornal.
Haviam manchetes e notícias na página. Tentei achar algo que mostrasse alguma informação sobre o jornal ou coisa do tipo. Cliquei em um
ícone no canto da página em que estava escrito apenas: Mais sobre The Morning.
Havia um telefone para contato, o endereço, fax, etc.
Fui até o final da página e li uma mensagem em letras miúdas: Desde abril de 2009.
Era um link, cliquei nele, e logo uma nova página se abriu.
Jornal The Morning.
O Jornal online mais completo da atualidade toma a forma dos papéis e agora está ao alcance de todos, na grande cidade de Londres.
O Jornal estava no ar na internet desde 2004 e em 03 de abril de 2009 tornou-se um jornal comum, com mais de 200.000 exemplares vendidos
só no primeiro dia.
- Espera. Abril? Eu li isso mesmo? – perguntei para mim mesma. Li novamente o artigo, e sim, era abril mesmo – Não. Como? C-como p-pode
ser? – disse gaguejando. Levantei e fui à meu quarto, peguei um pequeno caderno, onde fazia anotações, e procurei apressada um dia
específico.
Desde pequena minha mãe me dizia para escrever os sonhos que eu tinha em um caderno, para que eu nunca se esquecesse de nada. Era uma
tradição. Ela fazia, minha avó fazia e ela queria que eu fizesse também. Ela dizia que estimulava a memória. Eu nunca a entendi. Mas
sempre escrevi todos, principalmente aqueles sonhos que me intrigavam.
- Aqui! – disse apontando para o texto.
30 de Janeiro de 2009
Ontem meu sonho mudou. Não é o mesmo acidente. Eu não vejo apenas os corpos
sendo socorridos. Eu vejo como realmente foi o acidente. Eu
vejo o motorista do
caminhão ultrapassando o sinal vermelho. E eu o vejo batendo em um carro.
Depois eu vejo um jornal com o nome de The Morning – que eu nunca ouvi falar,
por sinal – com a manchete do acidente. Só que a
data e os nomes não apareciam
lá. Ou apareciam e eu não conseguia enxergar - ou lembrar. Tudo o que eu sei é que
mudou, e pra pior.
[end of memories]
No começo foi difícil de entender, mas depois eu percebi que passei por tudo isso para um bem maior. Todos iriam entender. E eu acho que entendi.
Capítulo 5 – Wake me up when... the dreams never come back anymore
(N/A: coloque para carregar)
['s memories]
04 de março de 2009; 4:00 PM
Os garotos estavam tocando umas duas horas seguidas, o produtor dava dicas sobre o que deveriam fazer ou melhorar. Eles
pareciam estar muito animados. Porém, eu e estávamos quase morrendo de agonia de ter que ouvir a
mesma música pela centésima vez no dia.
- - eu a chamei - Vamos dar um passeio pelo parque? - eu sei que deveria ficar e ver o ensaio, mas
a curiosidade estava me matando.
- Claro! Eu estou mesmo precisando de um descanso - ela disse se levantando e eu fiz o mesmo a seguindo até a porta. Os garotos nem
perceberam a nossa movimentação, estavam tão concentrados que eu achei melhor não atrapalhar. Passamos pela porta e
soltou algo parecido com um suspiro de alívio - Eu amo muito a banda deles, mas escutar Five Colours in Her Hair
umas trezentas vezes seguidas, cansa! - eu ri - Isso porque estou de TPM e não dormi praticamente a noite inteira!
- Eu sei, eu também já estava cansada - disse - Mas e ai... Como foi a sua noite? Você disse que ia conversar com o
, como foi?
- Por que você acha que eu disse que não dormi a noite inteira? - Andávamos em direção ao parque logo em frente do estúdio em que os
garotos estavam ensaiando.
- Uau, então vocês se acertaram rapidinho em? - disse lhe dando um tapinha nas costas.
- Ai , pára com isso! - ela disse envergonhada - Não foi nada disso que você está pensando! Foi muito
pior do que eu imaginava! - ela fez uma cara triste, como se o assunto estivesse voltando a sua memória.
- Mas se foi ruim do jeito que você fala, por que você está aqui hoje? - fiquei confusa. Ela se sentou em um banco eu fiz o mesmo.
- É uma longa história.
- Eu estou pronta para ouvir - disse animada, virando-me para ela.
- Bom... Tudo começou logo depois que vocês nos deixaram sozinhos ontem à noite. ficou me olhando
por um longo tempo sem falar nada e eu achei estranhíssimo! Ele nunca faz isso! - ela fazia gestos com as mãos - Então eu perguntei pra
ele o que estava olhando, ele disse que estava reparando em como eu era bonita e em como ele tinha sorte de ter uma pessoa assim ao lado
dele.
- Mas como isso pode ser ruim? - disse indignada.
- Calma, senhora apressadinha! Ainda não cheguei na parte ruim - ela parou, respirou com calma antes de recomeçar - Foi ai que eu entrei
com o assunto. Eu disse a ele " você me confunde, você sempre diz coisas lindas para mim e sempre
acaba na mesma coisa, quero dizer, não acaba em nada", ai ele ficou parado me olhando com cara de "eu já não te expliquei um milhão de
vezes por que faço isso?" e eu fiquei paralisada, juro, eu estava muito nervosa, dava pra ver que ele estava irritado comigo, e eu não
queria que isso acontecesse! - ela olhou para mim e pude ver seus olhos lagrimejarem. Era triste ver o quanto
gostava de e ele se quer tinha noção do tamanho do amor dela
por ele - O pior ainda não veio - ela disse passando as mãos nervosas sobre uma lágrima que escorriam por seu rosto - Você acredita que
ele teve a coragem de me dizer a mesma historinha de sempre, só de um jeito muito pior e cruel? - ela me olhou séria - Ele disse assim
", você tem que entender que o meu relacionamento com você não é uma coisa séria. Na verdade não é
uma coisa que pode ser levado a sério. Não do jeito sério que você pensa. Agora com a banda e com esses novos compromissos que vão
surgir, eu não vou ter tempo de cuidar de uma namorada". Nisso eu comecei a chorar e ele ficou irritado, dai eu disse
", você não me ama do jeito que eu te amo". Aí ele deu uma risadinha sem graça e disse
", eu nunca disse que te amava" - quando disse isso ela
desatou a chorar descontroladamente, as pessoas do parque passavam a nossa volta nos olhando estranhamente. Eu a abracei e ela chorou
ainda mais.
- Calma , é ele que não sabe o que está perdendo! Você é muito para ele. Muito mesmo - dizia passando
a mão em sua cabeça enquanto ela soluçava.
- É o pior - ela dizia em pausas por causa dos soluços que seu choro provocava - É que eu sempre faço tudo o que ele quer, tudo o que ele
pede! Ontem, depois dessa briga eu falei que ia de metrô para minha casa, mas ele me obrigou a ir de carro com ele. Eu achava que ele ia
me levar para casa...
- Mas ele não te levou? - disse.
- Não. Quando ele estacionou o carro na garagem do apartamento dele e me disse "Você está nervosa demais, é melhor não preocupar ninguém
da sua casa, você vai dormir no meu apartamento hoje". Eu já sabia o que ia acontecer, ! Eu sabia que
eu ia me sentir pior ainda, mas eu não fiz nada! Nada! - seus olhos vermelhos e inchados me fitavam com desespero e arrependimento - Eu
não fiz nada por medo dele desistir de vez de mim, entende?
- Mas , se você sabia que ia se arrepender, por que aceitou? - disse como se fosse óbvio.
- Pra você é fácil dizer , o é perdidamente apaixonado por
você, ele faz tudo por você. Já o ...
- Mesmo assim , você tem que ver o que é melhor para você! Sempre! Eu nunca faria uma coisa dessas!
Sinceramente, o passou dos limites desta vez.
- Eu sei disso, só que é difícil negar alguma coisa para ele, é difícil para eu dizer não para ele, você me conhece há tanto tempo,
sabe o jeito que eu sou, eu não nego nada a ninguém muito menos para alguém que eu amo. E você não tem noção de quanto isso me machuca -
ela disse colocando a mão sobre o peito.
- , eu ainda não acredito que você cedeu esse capricho para ele, depois de tudo o que ele te fez! -
estava indignada, às vezes ela conseguia ser tão... Tão burrinha!
- Eu sei! Você não sabe o quanto estou me sentindo mal hoje, eu não devia ter ido a casa dele. E depois de madrugada quando estávamos
quase dormindo ele me disse "Eu não quero que você vá embora, você me dá sorte". Juro eu queria morrer, ele me confunde tanto. Até que
depois que ele me disse isso, eu achava que ele tinha mudado de idéia ou sei lá, se arrependeu, mas ele logo soltou uma outra merda junto
"por isso você vai amanhã comigo no ensaio".
- E você o que disse?
- O que você acha, ?
- Não precisa responder - coloquei a mão na cabeça pensando em alguma solução - , sinto muito em
falar isso na cara dura para você, mas ele está te fazendo de idiota!
- Eu sei! - ela gritou e eu recuei - Eu já não aguento mais gostar desse garoto! Eu só me ferro de todos os jeitos! Eu sou um capacho,
ele só sabe me usar e me descartar feito um brinquedinho. E sabe o pior de tudo? EU AMO ELE, PORRA! - as pessoas do parque passaram suas
expressões de assustadas para apavoradas em um milésimo de segundos, juro, elas até saíram de perto.
- , calma! Não é se revoltando desse jeito que você vai resolver as coisas. Eu vou te ajudar com o
, eu prometo!
- Ok. Eu vou precisar de ajuda mesmo - ela disse secando as lágrimas que corriam soltas por seu rosto manchado - Se não, é capaz de um dia
você me encontrar morta, jogada pelos cantos - eu ri, e ela em seguida.
- Mas olha, você vai fazer tudo o que eu falar. E quando eu digo tudo eu quero dizer tudo mesmo! Fechado? - estendi a mão para
selar o trato.
- Fechado! - ela passou a mão no nariz e foi ao encontro da minha, eu fiz uma cara de nojo, mas peguei em sua mão, só para não dizer que
era desfeita com a coitada.
- Então acho bom parar de chororô. Com todo esse drama, eu não consegui contar a notícia ótima que eu recebi ontem.
- O quê? - ela disse retomando um sorriso bonito - e não forçado - no rosto.
- Eu vou morar com o ! - disse abrindo um sorriso de orelha a orelha.
- Jura? Que demais, ! - ela me abraçou - Estou vendo que logo isso vai dar casório.
- Que nada, - disse recuando. Casamento? Totalmente fora de cogitação, não que eu não queria me casar,
é que eu acho que ainda é cedo demais. Realmente MUITO cedo. Nós não namoramos nem há um ano. E morar junto não quer dizer porcaria nenhuma,
nós só queremos um tempo a mais juntos - Nem pensar em casamento numa hora destas, e eu somos
muito novos. Muito.
[end of memories]
Tempos difíceis para e , me lembro muito
bem disso. A coitada chorava todos os dias e quem tinha que aturar o mesmo chororô era eu. Mas amigos são para isso.
Passaram-se três meses desde este dia. e eu fizemos planos para o amor complicado dos dois pombinhos
que não se entendiam de jeito nenhum. Mas nenhuma mudança drástica aconteceu. parecia se fazer de
tonto quando dizia suas frases ensaiadas sobre deixá-lo. Tirando essa parte de novela mexicana, o
terceiro single do McFLY iria para as rádios em três dias. A fama dos garotos crescia tão rapidamente como os pedidos de suas músicas nas
rádios. Eles já eram reconhecidos nas ruas, já participaram de vários programas e já existiam aquelas fãs histéricas atrás deles. Porém
eu e nunca estivemos tão bem, iríamos nos mudar para o novo apartamento em duas semanas. Meus
sonhos não apareciam mais como antigamente, pois eu encontrava quase todos os dias, mas apenas
isso não era suficiente para acabar com esse mal que me perseguia.
['s memories]
04 de junho de 2009; 5:00 PM
- É, eu gosto desta cor - disse apontando
para um azul clarinho no catálogo de cores de tinta - Você gosta?
- Eu gostei sim - disse lhe dando um selinho - Então vai ser este mesmo, moço - disse para o balconista da loja de construções.
- Tudo certo então, senhores. A entrega será feita em dois dias, no máximo - O balconista disse - Para onde mesmo?
- Para este apartamento - disse lhe entregando um papel com o endereço do novo apartamento.
- Então está tudo certo, até mais - ele disse já se virando para atender outro cliente.
- Até mais - disse, me segurando pela cintura e conduzindo-me para a saída do estabelecimento -
Eu estou tão ansioso - ele me virou, forçando-me a ficar de frente para ele.
- Nosso apartamento vai ficar lindo - disse me aproximando de seu rosto.
- É claro que vai ficar, você vai estar lá - ele disse e eu pude sentir seu hálito bater em meu rosto e eu sorri involuntariamente.
- Vai ficar lindo porque o nosso amor vai estar lá - ele me puxou para cima tirando meus pés do chão e beijando-me calmamente.
[end of memories]
Era incrível como tudo estava perfeito... Até a noite chegar.
['s memories]
05 de Junho de 2009; 2:30 AM
O breu desaparecia conforme eu abria os olhos e lentamente uma luz muito fraca tomava conta da minha visão. Eu estava
deitada. Virei-me apoiando minha mão no chão escuro e irregular forçando-me a levantar mais rápido, eu estava novamente naquele
lugar. No lugar que eu mais odiava estar todas as noites. Eu sabia exatamente o que ia acontecer em alguns instantes.
Olhei em volta procurando algo, mas nada encontrei, nada além de um maldito cruzamento vazio. Olhei para cima e vi a luz do poste piscar
várias vezes seguidas. Fiquei parada apenas pensando.
Por que eu sentia um dever súbito de salvar aquele estranho homem que estava no carro? Sendo que eu não faço a mínima idéia de quem ele
seja! Por que eu teria que salvá-lo? Por que eu fui a premiada?
Essas malditas perguntas me perseguiam em todos os "sonhos", se é que eu ainda posso chamar isso de sonhos, eu já não os considerava mais
assim. Eles eram como lembranças não vividas. Eles já faziam parte de mim e eu comecei a me acostumar com eles. Já não me assustava mais
com eles, já não gritava mais, já não tinha medo do que podia acontecer nos sonhos. Bom... Até que ele mude. Que pelo que eu imagino seja
hoje, já que estou parada novamente nesse inferno de cruzamento esperando o tal acidente.
(N/A: ligue a música)
Olhei para os lados e fiquei impaciente, nada acontecia já fazia cinco minutos. Sentei-me exatamente no meio do cruzamento e fiquei
brincando com meus dedos no asfalto. Senti a luz do poste falhar novamente e juntamente com a luz ouvi um barulho de carros, me levantei
e procurei por eles, olhei para frente e vi lá no fim da rua um carro vindo a uma velocidade razoavelmente rápida, olhei para a rua acima
e em seu final vi um caminhão andando irregularmente trocando de pistas a cada segundo. Eram eles. Eram eles! O que eu faria agora?
Levantei e fiquei a observar os dois automóveis se aproximarem a cara milésimo, meus pensamentos pareciam fugir da minha cabeça deixando
apenas uma mensagem: Salve ele. E só havia um jeito de impedir este acidente em meu sonho.
Caminhei contra minha vontade e contra a razão para minha frente em direção ao carro. Com a cabeça baixa andava sem olhar para trás
porque sabia que me arrependeria. Mas eu sabia o que estava fazendo. Seria o maior erro da minha vida, mas algo mais forte que eu
obrigava meus pés a andarem em direção ao carro. Eu precisava fazer isso!
Fixei os pés no chão com firmeza tendo certeza do que eu estava prestes a fazer. Decidi ignorar meus pensamentos que agora voltaram com
gritos desesperados contradizendo tudo o que meus sentidos mandavam. Olhei para o carro que em instantes estará onde eu estou neste exato
momento e ele estava mais perto do que imaginava, minha respiração ficou ofegante e meus olhos se arregalaram, encheram de lágrimas. Uma
onda fortíssima de desespero subiu a minha cabeça. O farol do carro me impedia de ver quem estava dirigindo mas isso pouco importava agora.
Meu olhar era fixo ao carro que em pouquíssimos segundos me atropelaria. Eu ao menos piscava, minhas mãos trêmulas passaram sobre meus
cabelos, tentando acalmar o nervosismo, mas tudo era em vão. A cada segundo o carro ficava mais próximo e juntamente com ele minha
respiração aumentava descontroladamente. Se até esse ponto o homem que está dirigindo esse maldito carro não me viu, ele não me verá mais.
O desespero fazia com que meus sentidos não me obedecessem e com que as lágrimas que a um segundo atrás ainda estavam em meus olhos
caíssem por meu rosto.
O carro já deveria estar há uns cinco segundo de me atingir. Senti meu corpo ficar mole e meus olhos tremerem, meus joelhos vacilavam
constantemente. Uma onda de desespero voltou a me tomar, e desta vez meus joelhos não aguentaram e eu cai desajeitadamente no chão.
Senti minhas pernas e meu rosto arderem ao bater contra o asfalto. Com a cabeça encostada no chão, comecei a contar involuntariamente,
fechando meus olhos com força.
Um... Dois... Três... Quatro... Cinco... Seis?... Sete?... Oito?
Abri os olhos e nada mais havia a minha frente, um barulho terrível tomou conta do lugar e levantei desajeitadamente vendo um terrível
acidente envolvendo um caminhão e um carro, que nesse momento deveria ter que atropelado. Coloquei a mão sobre a cabeça e caminhei
tropeçando em meus próprios pés até chegar ao lado do carro deformado. Não pude me conter, olhei para o motorista e ele estava todo
ensanguentado. Morto. Não me contive, gritei com todas as forças que ainda tinha.
- AJUDA! - gritava passando as mãos pela cabeça - AJUDA. PELO AMOR DE DEUS! O HOMEM VAI MORRER! - o desespero voltou a me tomar, não
havia ninguém naquele maldito lugar.
Ninguém para salvar o pobre homem.
- SOCORRO! - continuei gritando - Pelo amor de Deus - sussurrei caindo de joelhos no asfalto. Apoiei minhas mãos no chão e chorei mais
ainda.
Fechei os olhos com força e pude sentir a dor em meu coração. Eu falhei. Eu tinha que ter salvado ele. Coloquei as mãos sobre o peito e
apertei como se no lugar houvesse um ferimento. Abri os olhos calmamente e tirei as mãos de meu peito e vi que elas estavam manchadas de
um líquido vermelho. Recuei assim que vi uma poça enorme do mesmo líquido vermelho no asfalto. Olhei novamente para minhas mãos cobertas
por esse líquido. Sangue, deduzi. Não podia ser meu, eu estava machucada, mas não tanto assim. Engoli o choro e fiquei estática olhando
para o chão novamente encontrando um certo objeto. Um pequeno colar, com um pingente quadrado. O coloquei ente meus dedos, limpando o
sangue que havia nele. A sua frente havia uma imagem de um desenho qualquer. E atrás uma mensagem gravada: "Juntos até o final dos
tempo". A mesma mensagem que havia visto milhões de vezes. Em um sonho que aconteceu há alguns meses atrás.
- AAAAAAAAAAAAAAAAH - acordei, sentando rapidamente em minha cama, meus olhos estavam molhados, e minhas mãos estavam trêmulas. Eu não
conseguia me conter, há tanto tempo isso não acontecia!
- Filha, o que aconteceu? - minha mãe entrou no quarto, desesperada, acendendo a luz.
- Ele voltou.
- Quem, filha? Quem? - minha mãe ficou mais desesperada ainda.
- O pesadelo.
- O quê?
- O pesadelo mudou - A olhei, ela estava assustada.
- Há tanto tempo isso não acontecia - ela segurou minha mão - Quer ligar para o ? - eu neguei com
a cabeça. Minha mãe já estava acostumado com esses "ataques noturnos", e todas às vezes eu ligava para .
Ele me acalmava todas às vezes - Então quer me contar como foi este sonho? - Neguei novamente - Então acho que meu trabalho aqui acabou,
não é mesmo? Vou dormir - ela disse se levantando - Vê se volta a dormir, hein? - ela me deu um beijo e saiu do quarto.
Levantei-me e sentei ao lado da cama em frente à cômoda que estava meu "diário dos sonhos" eu precisava escrever isso.
5 de junho de 2009
Hoje o sonho mudou e ele sem a mínima dúvida foi o pior de
todos. Nesse momento estou me sentindo muito mal, minha
respiração ainda não voltou ao normal. Eu realmente achei
que ia morrer. Eu sei que parece tolo, mas foi tão real que eu
ainda posso sentir minha pele arder ao encontrar o asfalto...
[end of memories]
Apesar de eu só ter tido um único pesadelo igual a este, uma única vez já serviu para trazer mais dúvidas.
['s memories]
5 de junho de 2009; 12:30
- E foi isso - disse enxugando as lágrimas.
- Nossa, . Que horror - tentava me acalmar, eu havia acabado de
contar à ela sobre meu pesadelo - Mas esqueça isso, . Pesadelos só acontecem uma vez - Coitada, mal
sabia ela o que eu passo.
- Tudo bem, eu vou esquecer! - respirei fundo.
- , eu preciso te dizer uma coisa - Ela estava tensa.
- O que é, ?
- Eu acho que o está me traindo.
- O quê? - olhei para ela, e a expressão triste voltou em seu rosto - Por que você acha isso?
- Porque ha uns dias atrás eu estava mexendo no celular dele e achei coisas do tipo: "Adorei a sua apresentação ontem, me liga se voltar
à Bristol. Jenny xx". O que você acha que isso significa?
- É , tem coisa ai.
- O que eu devo fazer, ? Eu estava começando a achar que ele podia estar gostando de mim! - ela mexia
as mãos impacientes e aqui estava começando a me irritar.
- Primeiro: Calma. Segundo: Pára de mexer esta mão porque está me irritando. Terceiro: Eu tenho um plano...
[end of memories]
Capítulo 6 – I'm not a decoy!
(N/A: coloque para carregar)
Eu e esperávamos nossos amigos para o primeiro jantar em nosso apartamento novo. Fazia três dias
que nós tínhamos nos mudado.
['s memories]
23 de junho de 2009; 07:27 PM
- Hey , pare de mexer - dizia ele tirando minhas mãos de cima da mesa de jantar -
Está perfeito. Se continuar mexendo vai acabar estragando.
- Hm, é verdade - Me aproximei, passei minhas mãos em volta de sua nuca e cheguei mais perto para lhe dar um beijo... Mas a campainha
tocou, só lhe dei um selinho rápido e sai saltitante atender a porta. fez uma cara de derrotado -
Nossas primeiras visitas.
- Tecnicamente não são, ou você se esqueceu do cara que veio arrumar os móveis, o cara da água, o síndico... - soltando uma risadinha sem
graça pela própria piada.
- Ai , você entendeu - disse abrindo a porta e encontrando muita gente. Bom, estou
exagerando. , e - sim, o
mesmo, com essa cara de pau toda - estavam com garotas - Olá pessoas, sejam bem vindos à nossa
toca.
- Hey, - todos disseram, um de cada vez o que fez parecer mais um ruído.
- Vão ficar fazendo cerimônia aí fora ou vão entrar logo de uma vez? - disse dando-lhes espaço para entrar. E assim aconteceu, todos
entraram.
- Oi , parabéns pela casa - surgiu em meio à multidão me dando
um abraço e sussurrando em meu ouvido - , eu não vou aguentar!
- Lembra do plano. Ainda não chegou a hora, não estraga! - sussurrei.
- Bom, me deixe apresentar as novas integrantes dessa família: Jay - apontou para a garota do
- Ashley - apontou para a garota do - e Shonney - apontou
para a garota que estava ao seu lado. Todas eram novas, não tinha uma opinião formada sobre elas, mas a garota do
me parecia legal demais para ele. Assim como a .
- , a casa está incrível - disse.
- Está mesmo, não está? Diz que eu sou um bom designer de interiores - apareceu a meu lado
apoiando o braço no meu ombro.
- Convencido - disse - Eu é que arrumei as coisas no lugar.
- Ingrata! - ele fez cara de ofendido - E quem trouxe as coisas até aqui em cima?
- O elevador - sorri marota. E pude ouvir a gargalhada dos nossos amigos e a cara de tacho do .
- Ingrata - abaixou a cabeça e foi saindo. Todos fizeram um “onw” em coral e eu fui atrás dele de pulei em suas costas.
- Te amo, viu? - ele se virou e fez bico - Tá bom, você me ajudou... - ele abriu um sorriso - Mas só um pouquinho - fechou a cara
novamente e todos nós caímos na gargalhada.
- Briga de casal não é super legal, gente? - disse.
- Ainda por cima se forem dois lezadões que nem esses dois - disse e levou uma almofada na cara.
- Pensa rápido, neguinho! - disse. Todos riram.
Jantamos todos, abrimos algumas - digo muitas - garrafas de vinho e digamos, estávamos um pouco alegres, principalmente
, também para aguentar e essa loirona com ele, ela tinha que
ficar um pouco fora de si.
- Que tal a gente jogar algum jogo? - disse.
- Tá. Mas que jogo? - disse.
- Hm, que tal verdade ou desafio? - disse.
- Pode ser - disse.
Olhei para que estava olhando desesperada para mim, e sussurrei para que ela pudesse ler meus
lábios:
- Fica calma, vai dar tudo certo - acho que ela entendeu, pois respirou fundo e olhou para a garrafa de vinho que estava no centro da
roda.
A garrafa rodou, rodou, rodou e...
- Shonney pergunta pro - alguém disse.
- Verdade ou desafio? - Ela perguntou.
- Verdade - disse.
- Erm... - ela formulava a pergunta na cabeça - Com quantas pessoas você já teve um relacionamento
ao mesmo tempo?
- Cinco - ele disse normalmente e todos o olharam incrédulos. Jay pegou a garrafa com força e a girou. A garrafa mal girou e Jay parou
ela e apontou para .
- E quantos relacionamentos você tem no momento? - Ela estava borbulhando.
- S-só você e-eu, juro! - ele gaguejou com medo da garota, que logo voltou à expressão normal.
E todos que a um momento estavam pasmos, riram.
- Ok - disse - Continuando... - girei a garrafa.
- pergunta pro - Disse.
- Verdade ou desafio?
- Verdade - ele disse.
- , se você tivesse que escolher entre: ficar com a para
sempre, ter uma família e etc; E ficar rico, famoso e tocar com o McFLY até no fim do mundo, qual você escolheria? NÃO VALE OLHAR PRO
LADO, HEIN?! - fez uma cara de psicopata.
- Desculpem guys, mas eu ficaria com a - ele me olhou e eu corei e muito, como ele podia ser tão
fofo. Lhe dei um beijo e eu pude ouvir as reclamações.
- Nos trocaria por essa aí? - disse com cara de ofendido.
só ergueu a mão mostrando o dedo sem cortar nosso beijo.
- Próximo.
Muitas rodadas foram passando, os desafios eram as coisas mais sem graça que eu já vi na minha vida, rolar no chão, dar volta no
quarteirão, resumindo: coisa de criança. Claro, que às vezes apareciam umas coisas a mais, sempre tem algo a mais. Acho que tudo isso
apareceu por causa das outras garrafas que abrimos mais tarde, o que deixou o pessoal mais solto e rindo de tudo que não tinha a mínima
graça.
- Vai , você pergunta pra -
disse.
- , um dia você me disse que precisava de mim. Por que você precisa de mim?
- Ei, você não perguntou se eu queria desafio! - todos vaiaram e eu me dei por vencida - Por quê? - pensei - Porque você me faz bem, e
não me deixa ter pesadelos - disse e todos ficaram me olhado estranho, mas já que todos estavam super bem e eu também caímos na gargalhada.
- Vai, próximo.
- Eu pergunto pra - Disse.
- Cansei de verdade, quero desafi. - ela disse se levantando, e perdendo o equilíbrio, mas logo retomando a posição certa.
- Ok, um desafio... - eu não devia mais vou - Diga algo a alguém que você está com raiva - que
estava bebendo um gole de vodca cuspiu e se engasgou, Ashley bateu em suas costas.
(N/A: ligue a música)
- Ok. Eu direi - ela começou a caminhar pela sala pensando - Tem alguém nesse apartamento que acha que eu sou tonta, acha que eu sou um
boneco, acha que pode fazer o que bem entender comigo. E o pior de tudo é que não sou só eu que estou sendo usada. Essa pessoa é ridícula
ao ponto de me chamar pra casa dela enquanto a outra vai trabalhar, ridícula ao ponto de me chamar de amuleto da sorte, ridícula ao ponto
de fingir que me leva pra casa e na verdade me leva ao apartamento dela! - engolia o vinho mais
rápido ainda - Se diverte as minhas custas, só porque eu amo ela, mas me digam, quem é covarde ao bastante para fazer isso com uma mulher?
Ou melhor, uma amiga há 12 ANOS? - todos olhavam abismados e eu comecei a me arrepender de ter feito aquilo - Agora me diga, pessoa
misteriosa, o que você tem na cabeça? O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA QUANDO VOCÊ ME DIZ QUE NÃO PODE ME AMAR POR QUE TEM UMA BANDA? Você é
ridículo, nojento, asqueroso, mesquinho, ciumento, retardado, doentio, um traste, um verme, não vale o chão que pisa. E sabe o pior? Eu
te amo. E faço tudo o que você pede. Mas se você acha que isso vai continuar, que você vai me ter a hora que bem entender? D-E-S-I-S-T-A!
Cansei de ser seu brinquedinho - Ela se ajoelhou no chão em frente à Ashley - Pobre garota, não acham? - Disse passando a mão pelo rosto
da garota que estava assustada olhando para nós - Tão bonita, aposto que muito legal também. Mas enganada por esse canalha! - ela desviou
os olhos para que parecia estar a ponto de ter um ataque cardíaco.
levantou novamente e ficou de costa. Começou a cantar:
You've never been so used as I'm using you, abusing you
(Você nunca foi tão usado quanto eu estou usando você, abusando de você)
My little decoy
(Meu pequeno passatempo)
Don't look so blue
(Não fique tão triste)
You should have seen right through
(Você deveria ter visto isso de cara)
I'm using you
(Eu estou te usando)
My little decoy
(Meu pequeno passatempo)
Ficou de frente para que não levantou a cabeça. Ela abaixou a mão e levantou
seu queixo.
- I'm not a Decoy - disse por fim, já chorando. Caminhou novamente em direção a Ashley abaixou e disse - Não perca seu tempo com
esse tipo de gente, eu tenho certeza que tem um milhão de homens bons nesse mundo. Mas não dê trela pra esse tipo de gentinha - ela olhou
com desgosto e se levantou - Ah, mas antes que eu me esqueça: você não é tudo isso que todos acham. Não beija bem - foi contando nos
dedos - tá meio fora de forma, principalmente à noite - fez uma careta - tem um ego enorme e sem contar que seu erm... - deu uma pausa e
fez um gesto usando dois dedos com mais ou menos dois centímetros de diferença. ficou boquiaberto
e Ashley caiu na risada - Agora que eu já disse tudo o que queria então, vamos dar uma salva de palmas para esse grande lezado que é
! - ela aplaudia - Parabéns, você conseguiu ser a pior
lembrança que eu já tive - foi caminhando em direção à porta,
levantou correndo e antes que abrisse a porta ele a prensou na parede.
- Quem você pensa que é, hein? Acha que vai falar tudo o que quiser e sair assim?
- Acho não, já tô saindo - ela o empurrou, mas não causou efeito.
- E sabe o que eu mais tenho raiva? - ela fez cara de desgosto - é que mesmo irritante desse jeito você continua gostosa - Ele lhe deu um
beijo, ela parecia não retribuir, passava a mão pelas coxas da garota que criou força e o empurrou
para longe. Ele a olhava com um sorriso safado achando que ela iria retribuir, mas na verdade ganhou um tapa na cara.
- Eu já disse que não sou mais seu brinquedo! Me deixe em paz, ok? Vá arrumar outra trouxa - Ele ia se aproximar novamente, mas ela lhe
deu um chute entre as pernas. O deixando caído no chão, se retorcendo de dor. mandou um beijo para
nós, que estávamos sentados ainda na roda e saiu. saiu correndo para acudir
.
Ele se levantou com dificuldades e eu fui ajudá-los, os outros garotos estavam arrumando um pouco a bagunça que o apartamento ficou e as
três outras garotas estavam conversando. Ashley parecia brava.
Colocamos no sofá, ele gemia de dor.
- Foi bem merecido não acha, ? - disse dando uma risada
abafada.
- Cala boca, - ele disse entre dentes.
A situação ficou um pouco pesada depois daquele show. com um saco de batatas congelados na virilha,
Ashey o olhando com os olhos que pareciam explodir, e eu sentados olhando em silêncio e os outros
dois casais conversavam. Ashley se levantou.
- Acho que já vou indo, já está um pouco tarde - eu me levantei para conduzi-la até a porta - Adorei conhecer vocês - ela disse passando
o olhar por todos no apartamento, parando em - Agora você, - disse caminhado em direção a ele -
acho bom nunca mais olhar na minha cara, e não ouse ligar para mim. Nunca mais! Eu já sofri muito com homens, e foi ótimo essa garota ter
me avisado de você. Odeio esse tipo de pessoa, você é nojento. E enquanto eu ia trabalhar? Na nossa cama? Vai cagar ,
você é um canalha mesmo - Lhe deu um tapa na cara e ele se levantou com dificuldade - Só não dou um chute aí porque se não você perderia
esse trequinho pra sempre - disse apontando parar o saco de batatas - Adeus pessoal, adorei mesmo conhecer vocês - Já na porta ela parou
e disse - E , tudo o que a garota disse sobre você está certo, por que você não experimenta ir à
uma academia? Diminuir seu ego? Parar de ser galinha? Isso ajuda! Tá, já está na minha hora. Beijinhos. Tchau! - ela saiu e todos pudemos
ouvir a risada dela no elevador.
- Uhul, duas em uma noite. Uau - disse.
- Cala boca, - disse se sentando.
- Uma só não está bom? - disse gargalhando.
- Cala boca, .
- Só espero que você tenha aprendido. E que peça desculpas à - Disse.
- Se eu aparecer por lá, ela me mata! - disse abismado.
- Espere ela se acalmar.
- É o que eu vou fazer.
Ficamos conversando com até umas seis horas da manhã, quando ele adormeceu no sofá mesmo. Ele não
parecia nem um pouco arrependido do que tinha feito. Mas eu tenho certeza de que ele vai mudar de ideia.
[end of memories]
É, esse dia foi realmente muito bom, foi melhor que meu plano. Na verdade, eu tinha certeza de que não ia dar certo,
mas não queria desesperar a . O plano de "faça inveja com um homem bem gostoso perto dele" não
funcionaria antes. Mas talvez agora.
Sentei-me no sofá e peguei o controle do rádio, o liguei. A música logo invadiu meus ouvidos, ela estava no fim, era uma música do Green
Day, eu adorava essa banda e também.
Adorava escutar essa rádio. Ele sempre ouvia comigo. Era nossa rádio favorita.
Ao fim da música, uma nova começou fazendo-me tampar meus ouvidos urgentemente.
- Pára! - disse apertando todos os botões que existiam no controle, mas nada acontecia - Desliga essa porra!
Automaticamente levantei desajeitadamente do sofá, correndo em direção à tomada do rádio, arrancando-a bruscamente.
Coloquei a mão sobre a cabeça.
- Como eu odeio essa música! - disse fazendo sinal de negação com a cabeça.
Eu realmente tenho motivos para odiá-la.
Capítulo 7 – He took my heart, I think he took my soul
(N/A: coloque para carregar)
Mais dias se passaram, em exato dez. estava muito bem, é que estava se arruinando aos poucos. Acho que agora ele se tocou da
grande burrada que fez. Eu e vivíamos uma vida de casal em lua de mel.
Estava tudo perfeito, nada nos atrapalhava.
['s memories]
02 de Julho de 2009; 03:27 PM
- E agora eu estou bem melhor - me contava sobre ter jogado todas as coisas que
lhe deu fora. Não concordei, pois ainda achava que os dois voltariam, mas é ela que decide o que
faz.
- Tudo bem então - disse por fim, pegando nossos copos do balcão da Starbucks do shopping.
- Ah, você não sabe - ela deu um grande sorriso e ficou pulando na minha frente.
- O quê?
- Eu arrumei um encontro - ela disse batendo palmas e soltando um gritinho histérico, porém abafado pois ninguém a nossa volta ficou nos
olhando, ainda bem - E ele é tão lindo, você não faz ideia, é médico, gosta de cachorros e o melhor de tudo... - ela fez uma pausa - não
é músico.
- É? - Ri do ultimo comentário - Quem é esse homem tão magnífico que você diz?
- Você não o conhece.
- Mas como é o nome dele? - disse entusiasmada.
- É Joshua, mas todos os chamam de Josh - começamos a caminhar novamente pelo shopping.
- Uau, mas como vocês se conheceram?
- Bom... Você não vai gostar de saber - ela disse e eu fiquei a observá-la.
- Diga de uma vez - disse depois do longo tempo que ela deixou sem ao menos uma palavra.
- Olha lá em, você não vai brigar né?
- Prometo, agora vai! - disse aflita! Eu sou muito curiosa, ok?
- Lembra na sexta, quando eu sai com uns amigos antigos para uma balada? - assenti com a cabeça - Então... - ela enrolava.
- Fala logo, !
- Eu bebi um pouco mais da conta e fui parar no hospital - ela tapou a boca com as mãos. Eu estava ficando vermelha de raiva.
- O quê? Você está louca, garota? Chegou a esse ponto? Eu não devia ter deixado você ir sozinha!
- Hey, e já sou bem grandinha não acha, mamãe? - ela disse irônica.
- Não é o que parece, isso é coisa de adolescente rebelde . Aposto que passou a maior vergonha, você
deve ter feito muita cagada - Disse com as mãos na cabeça, eu tinha esse instinto maternal por , nós
sempre fomos tão unidas que acabávamos cuidando uma da outra - E foi lá que você conheceu o tal médico? Então ele não deve ser tão bom
assim como você diz, se ele viu teu estado...
- Eu não disse que foi ele quem me atendeu - ela disse bebendo um pouco do café.
- E então como se conheceram?
- Quando eu estava saindo do hospital, no outro dia, eu o encontrei no elevador e papo vai, papo vem, pronto! - ela disse feliz, rindo e
voltando a dar pulinhos.
- Passou uma noite no hospital? - disse abismada - Da próxima vez que você sair, to achando que vou ter que ir junto pra tomar conta de
você.
- Ok mamãe, assim você se diverte um pouco, está precisando - ela disse me abraçando. Essa não
tinha jeito mesmo.
[end of memories]
não tomava jeito, mas eu ria tanto das palhaçadas dela que até esquecia os meus problemas.
['s memories]
02 De Julho de 2009; 4:46 AM
Coloquei as mãos sobre o peito e apertei como se no lugar houvesse um ferimento. Abri os olhos calmamente e tirei as
mãos de meu peito e vi que elas estavam manchadas de um liquido vermelho. Recuei assim que vi uma poça enorme do mesmo liquido no
asfalto. Olhei novamente para minhas mãos cobertas por esse líquido. Sangue, deduzi. Não podia ser meu, eu estava machucada mas não tanto
assim. Engoli o choro e fiquei estática olhando para o chão novamente encontrando um certo objeto. Um pequeno colar, com um pingente
quadrado. O coloquei entre meus dedos, limpando o sangue que havia nele. A sua frente havia uma imagem de um desenho qualquer. E atrás
uma mensagem gravada: "Juntos até o final dos tempos". A mesma mensagem que havia visto milhões de vezes. Em um sonho que
aconteceu a alguns meses atrás.
Acordei rápido com a respiração falha, levantei correndo ainda gélida e fui a cozinha tomar um copo de água.
- Não aguento mais - disse baixo para mim mesma, deixando uma lágrima queimar em meu rosto. Olhei para minhas mãos e ela tremiam
freneticamente.
Quanto tempo iria durar tudo isso? De uns tempos para cá, nem podia me tirar desses pesadelos. Eu já estava farta de tudo, fazia
quase um mês que eu estava tendo o mesmo sonho todas as noites.
Voltei para o quarto e cobri com o cobertor, lhe dei um leve beijo em seus lábios, talvez eu passasse a noite o observando já que
tinha certeza que não voltaria a dormir, deitei a seu lado e acariciei seu rosto com as pontas dos dedos.
- Eu te amo - sussurrei.
[end of memories]
Eu já estava farta de, todos os dias, acordar com meus gritos desesperados, era doloroso para mim ver que eu o fazia sofrer quando estava nervosa, ele ficava tão vulnerável quando me via chorar, podia jurar que via lágrimas em seus olhos todas as vezes.
['s memories]
03 de Julho de 2009; 02:30 PM
- Hey, - disse.
- Oi , tudo bem? - disse lhe dando um abraço.
- Sim e você?
- Também. Vim ver o ensaio de vocês hoje - disse sorrindo.
- Que legal, você ouvirá nossas novas músicas - ele disse animado, adorava tanto a banda, acho que
gostava mais da banda do que dos amigos, ele ficava puto quando diziam isso - Ah, te contou?
Estamos programando uma tour pela Europa.
- Ele não me disse nada - disse confusa.
- Idiota - chegou dando socos em - Eu ia contar a ela essa
noite, seu estraga prazeres!
- Desculpa aí! - ele disse se protegendo.
- Desculpa , ele estragou tudo - disse lançando um olhar
medonho para que saiu correndo. Eu ri.
- Tudo bem, - disse lhe dando um selinho - Você sabe que eu sempre vou te apoiar - sorri, e ele
também.
- Tudo bem então, olha, a noite você terá uma surpresa. Muito boa por sinal, só peço que você cheguei depois das 20h30 em casa. E se
arrume - ele disse fazendo mistério.
- Ta. Agora me diga: como eu irei me arrumar sendo que não posso entrar em casa? - disse obviamente.
- Pra que serve a casa da ? - ele riu - E eu já a avisei! Está tudo certo, agora vá! - ele fez um
gesto para que eu sentasse no sofá. Dei-lhe um último beijo e fui.
- , você tem certeza de que está bom? - disse pela milésima vez na frente do espelho. E ela ficou com
cara de cú.
- Se eu tiver que responder mais uma vez, eu te mato! Sim, você está linda - ela disse irritada. Me
olhei novamente, eu estava com um vestido azul de um ombro só, a sandália preta dava um toque a mais no look. O cabelo solto como
habitualmente, mas com uma tiara da mesma cor do vestido.
- Te amo, amiga! Você sabe que amigas servem pra isso, não sabe?
- Pra quê? Encher o saco?
- Não... - disse obviamente - Servem pra ajudar uma a outra!
- , eu acho que você esta atrasada - ela disse olhando pro pulso que ao menos tinha um relógio.
- Hey, você está me expulsando? - disse.
- Imagina, - ela fez uma cara de cínica - Eu expulsar você?
- É.
- Não estou não , é brincadeira, é que me fez prometer que
faria você chegar na hora, você sabe o jeito que teu homem é, se atrasar um pouco é capaz de ter um ataque de coração!
- É, eu sei disso - disse pegando minha bolsa e indo para a porta - Tchau , até amanhã.
- Até, . Beijos.
- Uau - Foi a única coisa que os dois conseguiram falar. estava com uma camisa xadrez preta e
banca, um all star branco e calça jeans, os cabelos molhados e bagunçados.
- , meu Deus, você está... - ele deu uma pausa me puxando pra perto - um espetáculo.
- É, você não está tão ruim assim também - disse rindo à custa dele. Dando-lhe um beijo demorado, ali na porta mesmo. O tempo passava,
mas eu não queria partir o beijo, a cada toque eu sentia uma sensação diferente, era um beijo diferente dos outros e isso estava me
viciando.
- Acho melhor entrarmos ou ficaremos aqui para sempre - ele partiu o beijo me conduzindo para dentro.
- Que cheiro maravilhoso - disse entrando no apartamento e vendo a mesa da sala de jantar toda arrumada com velas e um vinho sobre a mesa,
os pratos postos e as taças também.
- Fui eu quem fez - ele disse orgulhoso batendo no peito - Tudo!
- Duvido! - disse.
- O quê? Duvida? - ele disse bravinho e isso o deixava tão... lindo - venha aqui e você vai ver uma coisa - soltei um gritinho e sai
correndo pelo apartamento com ele atrás de mim. O salto em uma situação dessas não ajudava nem um pouco. Ele me alcançou me abraçando e
nos derrubando no sofá. Nos observamos por um longo tempo e então eu lhe dei um selinho demorado.
Começamos a nos beijar, nossas bocas faziam movimentos lentos, eu não queria intensificar o beijo só estávamos curtindo o momento, nada
mais que isso.
- Ta. Eu preciso confessar - disse - Eu nunca comi um espaguete tão bom assim antes - ele me olhou estranho.
- Uau, então deve estar muito bom mesmo pra você assumir isso.
- Por quê?
- Você é tão orgulhosa que não assume nada! Nunca.
- , você está fazendo eu me sentir uma megera! - fiz sinal de ofendida. Ele riu freneticamente.
- Isso não importa, o que importa é que eu vou torturar você eternamente por causa disso!
- Seu mala! - disse-lhe. Ouve uma pausa na conversa e eu resolvi interromper - E aí, vai me contar sobre a tour ou não?
- Claro que vou.
- Então fale – disse gesticulando.
- Olha que desespero! Calma , eu vou contar – ele disse rindo e eu fiz sinal para que continuasse –
Bom, nós conversamos muito, vimos as vantagens e desvantagens, vimos também que já temos um público um pouco grande não apenas na
Inglaterra, mas em outros países também, e decidimos que uma tour pela Europa era o melhor jeito de nos aproximar dos nossos fãs e
conquistar novos também, sem contar que conhecer outros países sempre foi meu sonho e você sabe muito bem disso.
- Eu sei – Abri um grande sorriso – Pra quando está previsto?
- Ainda não tem previsão, são apenas planos. Mas eu já estou tão entusiasmado que parece que vou sair em tour na semana que vem! – ele
sorria tão convicto – Eu posso sentir que vai ser demais, !
- Vai mesmo, amor – segurei sua mão e a beijei – Promete duas coisas pra mim?
- Qualquer coisa.
- A primeira é: quando você passar pela frança traz um perfume bem gostoso pra mim. E a segunda é: não fique com nenhuma fã assanhadinha
que você achar por ai, ok?
- Bom, a primeira eu posso fazer sem problemas, mas a segunda... – ele fez uma careta e eu dei um chute por baixo da mesa - Ai! - ele
reclamou e eu lhe dei outro chute - Ai, ta doida menina? - lhe dei outro - Pára , é brincadeira! Eu não
vou te trair - ele disse rindo e indo pro lado a cada chute até ele segurar minha perna quando eu fui lhe dar um chute e eu cair
desajeitadamente da cadeira com a bunda no chão, fazendo-o cair no chão mas não por desequilíbrio, por rir mesmo.
- Seu chato! - disse agora lhe dando soquinhos no ombro. Ele ainda ria histericamente - Pára seu tonto, gosta de rir as minhas custas -
Ele ainda ria, seus olhos estavam molhados.
- Se você não parar eu vou ter que fazer você parar - Não adiantou, ele continuava rindo então eu o beijei, já em um beijo quente,
ele logo entrou no ritmo e em pouco tempo já estávamos em nosso quarto com as roupas jogadas pelo chão.
[end of memories]
Adoram rir das minhas custas! Bom, eu nem ligava, era... engraçado mesmo.
Eu só fazia cagadas mesmo. A noite foi perfeita, o jantar, o romance, as piadas sobre mim...
['s memories]
03 de Julho de 2009; 3:22 AM
Eu não estava no cruzamento. Estranho. Era apenas uma sala. Na verdade, a sala do meu apartamento. Nada diferente do
normal. Será que estou sonhando mesmo?
(N/A: ligue a música)
Analisei detalhadamente o lugar tentando achar algo de anormal. Olhei para a mesinha de centro e encontrei o jornal. O mesmo jornal do
outro sonho. O atirei longe. Não queria me preocupar com isso agora. Olhei para o sofá, havia uma blusa feminina. Minha, deduzi. Sapatos
jogados pelo corredor. Cheguei ao quarto e vi ele todo revirado. Roupas jogadas, a mesinha do pé da cama tombada, os retratos... quebrados.
Comecei colocando tudo o que via em cima da cama, eu precisava arrumar essa bagunça.
Eu já podia ver uma parte do chão então fui pegar as coisas menores, me ajoelhei ao lado do retrato tomando cuidado para não machucar
minha mão com os cacos.
No retrato havia uma foto minha e de , mas eu mal pude reconhecê-lo, estava coberto por sangue. O retrato caiu involuntariamente da
minha mão.
Levantei com as mãos na cabeça, sai do quarto em direção à cozinha. Lá nada havia, bom, nada de anormal. Estava como deveria estar. Sentei-me
na mesa e apoiei minha cabeça na mão.
- – ouvi alguém gritar de fora do apartamento. Fui até a porta – , ,
não vai adiantar você ficar presa aí para sempre – Eu podia reconhecer essa voz, era –
, nós estamos preocupados, já faz três dias que você não dá sinal de vida – ela bateu na porta com força –
Abra essa porta , já chega! Nós já demos tempo demais para você. Eu prometi a seus pais que resolveria
isso, e vou resolver.
- , o que aconteceu? – perguntei.
- , abre a porta.
- Me diga o que aconteceu antes.
- , já faz duas semanas desde o acidente, você já está melhor, saia daí agora.
- Duas semanas? O quê? Me responda!
- Já chega o chaveiro está chegando.
- Caramba , me diga o que está acontecendo... Você está me assustando! – bati na porta brutamente, mas
nenhum barulho soou – , você está me ouvindo? – Nada – , me
responda! Eu vou abrir a porta se você me responder! – Nada, de novo. Ela não podia me ouvir era isso mesmo? –
, responde caralho! – é, era isso mesmo.
Eu já estava sentada fazia uns dez minutos, quando ouvi barulhos vindos da porta. O chaveiro devia ter chego, não demorou muito para que a
porta fosse aberta e entrasse furiosa à minha procura, levantei do sofá, ela olhou em minha direção e
foi para o quarto.
- , que bagunça é essa? – ela disse chegando ao quarto e eu a segui.
- Eu não fiz isso – disse.
- , cadê você? – ela disse passando por mim como se eu não existisse.
- Hey, eu estou bem do seu lado.
- me responda agora, eu não estou de brincadeira! – ah ta legal, agora ela não me ouve e nem me vê?
Que maravilha!
Ela corria entre os cômodos, passando pela sala, pela cozinha, pelo quarto novamente, até entrar no banheiro e gritar. Corri até lá.
- ! – ela estava ajoelhada com... espera. Essa aí sou eu? – , o que
aconteceu? – ela dizia chorando e eu ajoelhei a seu lado ainda em estado de choque – Meu Deus – Ela pegou um frasco de remédio que estava
em minhas mãos pálidas e imóveis e soltou um gemido baixo, deixando cair uma lágrima em minha testa que estava apoiada em seu
peito – , eu não acredito que você fez isso – Olhei em volta e vi mais daqueles frascos espalhados pelo
banheiro – Você ia sobreviver, não precisava ter feito isso – ela chorava desesperada, o chaveiro devia ter escutado os gritos dela e acabou
entrando no banheiro, se abaixando ao lado de .
- Meu Senhor – ele disse com as mãos sobre a boca – Ela se matou?
apenas o olhou chorando mais ainda.
Deus, eu estava morta. Como? C-como e-eu estava me vendo morta no chão do meu apartamento? Não era possível. Não era real!
- Vou chamar uma ambulância – o homem disse saindo do cômodo.
- Meu Deus , pra quê isso? – dizia aos prantos me abraçando
forte – Eu não devia ter deixado você sozinha tanto tempo – suas lágrimas caiam sobre meu rosto pálido.
Não contive meu choro, eu estava totalmente confusa, ver eu mesma morta foi realmente assustador.
Os minutos se passaram, havia ligado para meus pais dizendo o ocorrido e, logo em seguida, ligou para
os garotos.
- Meu Deus do céu – entrou no banheiro já com uma lágrima escorrendo pelo rosto. O mesmo aconteceu
com e .
- Minha filha – minha mãe e meu pai caíram sobre meu corpo chorando desesperados e nessa hora não aguentei mais, saí daquele lugar. Era
demais para mim. Eu não podia aceitar isso. Eu não podia aceitar que havia me matado.
Fui aos prantos novamente para a sala, caí ajoelhada no tapete e gritei com todas as forças que ainda restavam em mim. Era realmente possível
eu ter feito isso?
O choro das pessoas que eu amava ardia em meu ouvido fazendo-me gritar mais ainda.
Abri os olhos com calma, levantando rapidamente ao ver um novo movimento em meu apartamento. Os paramédicos haviam chegado.
Minutos depois ouvi novamente o choro desesperado deles e logo deduzi o pior.
- , acorda - Uma voz familiar soava em meus ouvidos juntamente com uma mão me empurrando delicadamente -
Acabou, acabou - levantei ainda chorando e abracei com força - Acabou ,
não precisa ficar assim. É só um sonho - Eu soluçava.
- E-eu sei - disse por fim - Mas foi tão real. Eu não quero que se repita, . Diga que não vai se repetir
pelo amor de Deus - disse abraçando-lhe mais forte que podia.
- Nada mais vai acontecer amor, eu estou aqui. Não vou deixar nada de ruim te acontecer, ok? - disse me afastando fazendo-me olhar para
seus olhos - Se for preciso, eu fico acordado com você todas as noites, tudo bem?
- Não precisa , eu já estou acostumada, é que esse foi...
- Shh - ele colocou o dedo em minha boca para que eu não falasse. Me deitou em seu colo e ficou acariciando meu rosto - Eu nunca vou deixar
nada te acontecer, - Mal sabe ele que o problema nem é comigo. Apenas balancei a cabeça afirmando e
fechei os olhos tentando afastar a imagem do sonho da minha mente. Porém, mais perguntas se formaram em minha cabeça. E talvez a resposta
que eu mais precisava também.
Capítulo 8 – I'm Going To Wales
['s memories]
06 de Julho de 2009; 15:31 PM
- E ai , como foi o seu encontro com o tal doutor fantástico? - disse animada.
- Nada de mais - ela disse simplesmente.
- Como assim? Você não disse que ele era perfeito?
- Ah, mas ele tem uns defeitos - ela disse.
- Quais? - ela hesitou a falar.
- Ele é todo controlador, pegajoso, eca! - ela disse fazendo caretas - E não é tão bonito assim - bati na testa e comecei a rir.
- Ai , só você mesmo viu?! Está botando defeito no pobre homem!
- Não estou não! Ele é assim mesmo!
- Então por que sai com ele?
- Ah... Porque... - ela hesitou.
- Sabia! Só esta saindo com ele pra botar ciúmes no .
- Isso não é verdade - ela fez cara de ofendida.
- Assuma! Vá, assuma se for mulher!
- Não estou, - era óbvio que estava mentindo, não sabia mentir, ela ficava com um sorriso no canto da boca.
- Está, ! Você quer mentir pra mim que sou sua melhor amiga? Eu conheço quando está mentindo, e nesse momento você está!
- Ok, eu assumo, é pra fazer ciúmes! O que há de errado nisso?
- Nada, não disse que era errado. É bom jogar como nos velhos tempos, não é? - maltratava tanto quando éramos “menores”, eu assumo que já fiquei com dó, mas quando se apaixonou realmente por ele, a situação se inverteu de um jeito terrível. Muitas vezes pior.
- É ótimo! E pretendo fazer isso e não me rebaixar nunca mais. Eu ainda não entendo como pude ficar tonta desse jeito por uma paixão. Virei um cachorrinho - ela riu - Você se lembra de como eu era? - ela riu provavelmente lembrando de algo que tinha feito - Eu fazia de TUDO para provocar o e a melhor parte era ver o rosto dele quando dava certo.
- É, mas um dia o feitiço vira contra o feiticeiro não é mesmo?! Aposto que ele sentia a mesma coisa vendo o seu rosto!
- Ai, . Eu virei o brinquedinho dele. Bom, mas eu já acordei desse pesadelo e voltei a minha forma normal.
- E você vai continuar fazendo o sofrer? - disse abismada. Mas bem que ele merecia.
- Não como antes... - ela sorriu - Eu senti na pele como é ser usada. Acho que aprendi a lição.
- Acho bom ter aprendido, coisas assim só atraem tristeza.
[end of memories]
Ainda bem que aprendeu a lição, era terrível ver o rosto dos dois quando o outro fazia algo que o magoava, sério.
['s memories]
06 de Julho de 2009; 2:29 PM
Ainda tremia, meus olhos ainda estavam molhados e meu coração batia freneticamente. Respirei fundo uma última vez e fechei os olhos. Esse sonho me machucava cada vez mais. Ver meus pais e meus amigos chorando era como um veneno que me matava lentamente. O grito do meu sonho expressava cada vez mais minha dor, como se alguém estivesse realmente me matando. Muitas perguntas surgiram depois dele, eu estava quase certa da resposta de uma, mas eu precisava ter certeza. E eu sabia que só com um novo sonho eu conseguiria saber a verdade. E eu faria de tudo para descobrir esse enigma.
[end of memories]
Talvez ter ido atrás desse novo sonho tenha sido um grande erro, mas a curiosidade era tanta que deixava o medo para trás.
['s memories]
09 de Julho de 2009; 13:09 PM
- , então em uma semana eu estou de volta ok? - disse lhe dando um último beijo - Vê se não vai aprontar, qualquer coisa eu estou no celular - Eu e alugamos uma casa no País de Gales para passar uma semana. Eu praticamente implorei para ir comigo, e eu prometi que sairíamos a noite, para , disse que iria visitar uma tia distante. Menti, eu sei, não devia ter feito isso, mas na verdade eu precisava de um tempo e eu sabia que quanto mais longe de mais rápido os pesadelos viriam. Isso acontecia constantemente antes de morarmos juntos. Mesmo que, ultimamente, com ele do meu lado eu ainda os tinha.
- Tudo bem . E quem tem que se comportar é você. Eu vou estar muito ocupado com a música não vou ter tempo para aprontar, já você...
- Seu bobo, você acha mesmo que eu faria alguma coisa de errado? - sinceramente, eu só estava indo para descobrir de uma vez esse enigma, não iria aprontar nada, eu também não teria tempo. Mas também não passaria noite e dia dormindo. Quem sabe pegar uma praia? Afinal, estamos no verão!
- Talvez - ele disse e me beijou. Peguei minhas coisas e coloquei dentro do carro e fui buscar em sua casa, seria uma longa viagem até lá.
[end of memories]
Era o que me restava fazer.
['s memories]
09 de Julho de 2009; 19:35 PM
A casa era bem simples, uma casa típica de Gales, branca com janelas e portas de madeira bem antiga. Abri a porta e pude sentir o cheiro - nada agradável - de mofo. Com certeza a casa não era usada há muito tempo. Da última vez que vim para cá eu era criança e pelo jeito nada havia mudado, os móveis ainda eram o mesmos, até os tapetes, só que antes a casa não cheirava tão mal.
- É bem ... rústica - disse.
- E está ótimo, não está? - a cutuquei e ela concordou com uma cara feia - Vamos lá. ! Animação, férias! Você não gosta?
- Férias só se forem pra mim! Você não faz nada, vive a custa do seu pai! - ela adora jogar isso na minha cara, mas o que eu posso fazer se ele faz questão de me mandar uma big mesada achando que está poupando meu sofrimento pela sua ausência? Eu sei que é errado, eu já tentei fazê-lo parar, mas ele insiste. Porém, eu deixei de implorar, pois ajudará muito nos custos da faculdade que começarei ano que vem - Bem que ele podia ter pago um hotel 5 estrelas pra nós, não?
- Já está querendo demais, não acha? - disse - E não é melhor guardar o dinheiro para gastar a noite, tipo em pubs?
- Ai, eu concordo com você - ela deu pulinhos - Mas bem que o tio poderia ter liberado - ela disse me empurrando escada acima abrindo todas as portas, eu ainda estava com a mala nas mãos - Agora vá tomar um banho para sairmos! - ela disse-me empurrando para o banheiro que ela achou em uma das portas.
- Hey, você está louca? Eu estou exausta! Não foi você de dirigiu duzentas e poucas horas até aqui, sem contar que você dormiu quase o caminho inteiro! - ela fez careta - Vamos descansar hoje e amanhã sairemos, ok?
- Ok - ela se deu por vencida e saiu.
- Vá ver se o DVD daqui pega, eu trouxe uns filmes.
- Se aqui existir um DVD, o que não é provável, já que estamos em um museu.
Tomei o banho calmamente aproveitando a água quente em minhas costas, era revigorante. Depois desse tempo todo de viagem só podia desejar uma coisa: cama!
Eu e assistimos uns dois filmes até pegarmos no sono ali mesmo.
Capítulo 9 – The Driver
(n/a: carregue
essa música)
['s memories]
10 de Julho de 2009; 4:12 AM
(n/a: ligue a música)
Eu estava em um bar, não parecia ser daqueles bem frequentados, na verdade, era bem sombrio. Parecia muito aqueles bares de estradas que aparecem em filmes de terror. Era bem sujo e rústico, mesas de sinuca espalhadas pelo local, a bancada cheia de homens tomando suas cervejas em copos aparentemente imundos. Até mesmo a garçonete me trazia a ideia de sujeira, bem, mas isso não importa muito. Meu olhar se lançou sobre um homem de idade meio gordinho com uma camisa xadrez azul e um boné da mesma cor que estava sentado em uma mesa reservada, longe dos demais homens do bar, ele tomava um copo de chope. Parecia tranquilo e cansado. Seus olhos piscavam constantemente, como se ele quisesse acordar. Ele chamou a garçonete que resmungou alguma coisa e foi diretamente para a mesa com um caderninho em mãos. Ele devia ter pedido a conta, pois ela apenas guardou o caderninho e retirou o copo da mesa. O homem retirou uma nota do bolso e colocou sobre a mesa. Ele levantou e veio em minha direção, então percebi que estava exatamente na porta de entrada do bar, dei espaço para que ele passasse.
Quanto mais ele se aproximava, mais eu me lembrava de seu rosto, ele não me era nada estranho. Eu conhecia ele. Mas por que diabos eu iria conhecer uma pessoa que frequenta lugares como esse? Eu nem ao menos sabia onde estava, talvez em algum lugar longe da cidade, era o mais provável. Ele me lembrava um caminhoneiro, talvez pelo jeito que se vestia ou caminhava e também pelo lugar em que estávamos.
Era isso! Ele era o caminhoneiro do acidente! Como? Eu não fazia ideia, mas eu precisava falar com ele, descobrir como aconteceu e se ele sabia quem era o homem que ele havia... Matado. Isso se o acidente já houvesse acontecido.
Eu precisava realmente falar com ele, descobrir alguma coisa, alguma pista. Mas se fosse como em meus outros sonhos, ele não me veria e nem me ouviria. Mas não custa tentar, não é mesmo?
- Hey, você! - disse. Ele nem ao menos olhou para o lado - Ótimo - disse. Então, o segui para fora do bar. Ninguém perceberia nada, ninguém me veria mesmo, e nem me ouviria. O homem entrou dentro do caminhão vermelho. Sim, o mesmo caminhão do acidente! Agora eu tinha certeza, era esse o assassino. Eu iria impedi-lo, se o pior ainda não houvesse acontecido.
O telefone do homem tocou e ele rapidamente atendeu. Fiquei a seu lado, porém fora do caminhão.
- Alô. Hutrenson falando - ele disse - Sim, eu já estou a caminho - Ele bocejou - Eu estou a 15 minutos de Londres, parei em um bar na estrada oeste que liga a Londres para conversar com John sobre a mercadoria de amanhã – ele parou de falar – Eu sei que era mais fácil se encontrar no Jeff’s Bar, mas John disse que estaria aqui, como ele sempre faz. Eu chegarei ao porto daqui, mais ou menos, 2 horas, está bem? Mas eu terei que entrar em Londres, acabei de ver no noticiário que houve um acidente na estrada e eu terei que pegar o caminho mais longo - ele pausou para escutar - Ok. Tchau - desligou, bocejou novamente e ligou as chaves.
Eu já tinha certeza de que esse era o tal cara que eu procurava! Entrei no caminhão vermelho que estava a minha frente sem pensar duas vezes, ele não me veria mesmo! Eu precisava descobrir coisas sobre ele, qualquer pista poderia me levar a encontrá-lo e acabar logo com isso. Abri o guarda volumes do caminhão ansiosa, minhas mãos tremiam, eu não sabia nem ao menos porque, eu não podia ser pega mesmo! Eu só via cartas e mais cartas em nome de Jorge Hutrenson, isso só confirmou o que eu já sabia. Menos mal. Eu não conseguia ler o endereço, estava embaçado como nos outros sonhos, mas uma coisa eu pude identificar. Londres, pelo menos ele morava em minha cidade, mas eu tenho certeza que ele não é o tipo de pessoa que frequenta os mesmos lugares que eu.
Percebi o movimento do caminhão, ele já estava na estrada. Olhei para trás e vi uma grande placa do bar em que estávamos parados há alguns minutos atrás. Estava escrito em letreiros brilhantes "Patch’s Bar".
Procurei uma caneta no guarda volumes, anotar as pistas, isso ajudaria. Escrevi Jorge Hutreson. Londres. Patch’s Bar, estrada Oeste para Londres. Jeff’s Bar. John (mercadorias) Acidente na estrada. em minha mão.
O resto das coisas que encontrei eram telefones de mulheres, folhetos, canetas, resumindo, inútil.
Parei por um segundo, apenas sentindo o movimento do carro, levantei a cabeça e percebi que já estávamos em Londres, olhei para Jorge, ele piscava constantemente. Fiquei observando-o, ele fechou os olhos e sua mão deslizou pelo volante puxando o caminhão para o lado direito, ele acordou em um pulo. Olhei para frente, estremeci percebendo onde estávamos. Sim, já estávamos na longa rua que nos levaria ao acidente. Jorge fechou os olhos, agora podia perceber que ele dormia pesadamente, sua mão sob o volante, fazia com que o caminhão andasse em linha reta. Parei por um segundo analisando a velocidade do caminhão. Ela parecia... Estar aumentando! Deitei sobre Jorge tentando observar seu pé sobre o acelerador, que por mais suave que o toque estava sendo estava aumentando a velocidade constantemente. Puxei sua perna, que nem ao menos se mexeu, puxei mais forte, chutei sua perna com força, mas nada acontecia. Chutei várias vezes, com toda a força que tinha até desistir por completo.
Não importa o que eu faça, nos sonhos eu não passo de poeira, pensei. Olhei para frente, o cruzamento se aproximava e a velocidade do caminhão estava cada vez maior.
Comecei a gritar mesmo sabendo que não surtiria nenhum efeito.
– JORGE, ACORDE! – gritei. Batendo em seu rosto – NÓS VAMOS BATER! ACORDE, SEU GRANDE IDIOTA! – chutei sua perna novamente – ACORDE, RETARDADO! VOCÊ NÃO PODE DORMIR, VAI MATAR TODOS NÓS! – olhei para frente de novo, eu já podia ver o motorista do carro preto vindo do outro lado do cruzamento. Entrei em desespero, comecei a bater nos vidros, gritar por socorro, tudo o que podia. Bati em seu rosto com toda a força que tinha, ele nem ao menos se mexeu.
Comecei a chorar de desespero, as lágrimas só atrapalhavam minha visão. Tentei abrir a porta desesperadamente, porra, ela estava trancada! Pulei para o banco do motorista ignorando a figura imóvel de George e puxei o pino que trancava as portas, ele subiu, abrindo as portas. Pulei novamente para meu banco abrindo a porta agressivamente. Ela não abria. Parecia que algo queria que eu ficasse lá, algo queria que eu participasse desse momento. Parei por um segundo, olhei para frente, faltavam apenas segundos para a colisão. Já não havia mais nada a fazer para salvar ao motorista do carro, a Jorge e a mim.
Uma lágrima escorreu por meu rosto. Será que eu iria falhar mais uma vez? Eu já não aguentava mais ter que ver esse pobre homem morrer, eu me sentia culpada, pois eu era a única que podia salvá-lo. Bati minha cabeça com força no vidro da porta a meu lado. Parei uns instantes. Em um reflexo, deitei sobre o banco empurrando Jorge - que mais parecia um cadáver – levantei meus pés e me concentrei, chutei a janela a fim de quebrá-la. Chutei várias vezes, até o vidro de rachar. Chutei uma última vez vendo o vidro se quebrar e alguns cacos entrarem em minha perna, a forte emoção que eu senti fazia a dor ser tão pequena que eu ao menos a sentia. Se sou como poeira nada me acontecerá, pensei. Sem pensar duas vezes, pulei pela janela do caminhão em movimento. Sentia como se minha pele estava sendo arrancada ao entrar em contato com o asfalto. Rolei sobre o solo negro e irregular.
A última coisa que me lembro, é de estar deitada e ver o caminhão em que eu estava há poucos segundos colidir com o carro em que estava o homem que eu deveria salvar, a dor em meu peito nascer bruscamente e lágrimas caírem por meu rosto.
Uma grande poça de sangue se formou a meu lado, mais precisamente abaixo de minhas mãos, havia algo ali, eu podia ver, meu corpo dolorido pedia por descanso, mas eu precisava ver o que era aquilo. Com dificuldade, mexi na poça sem movimentar nenhum músculo além das minhas mãos e encontrar o colar. Depois disso minha visão ficou turva até tudo se apagou.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – acordei depressa, passando minha mão por todo meu corpo para me certificar se estava machucada. Eu estava inteira. Coloquei minha mão sobre a cabeça e respirei fundo tentando me acalmar. Meus olhos estavam queimando, mas eu segurava o choro. Eu não ia chorar, eu mesma procurei por isso, então não havia motivos para me lamentar.
Dobrei os joelhos e apoiei minha cabeça neles deixando minhas mãos ao lado da cama, fechei os olhos. "Ainda bem que não acordou, eu só teria que explicar toda a história e isso não seria fácil", pensei.
Já mais calma, levantei e fui para a cozinha, peguei um copo na prateleira e abri a geladeira para pegar a água, assim que minha mão alcançou a jarra, pude ver rabiscos nela, larguei a jarra e o copo em cima da bancada e olhei melhor para minha mão, onde estava escrito algo de vermelho. Concentrei-me melhor para ler pois estava ligeiramente apagado, mas mesmo assim, eu podia entender bem. Jorge Hutreson. Londres. Patch’s Bar, estrada Oeste para Londres. Jeff’s Bar. John (mercadorias) Acidente na estrada. Eu não havia me esquecido do que aconteceu no sonho, a única coisa inexplicável é como isso ainda podia estar gravado em minhas mãos.
[end of memories]
Eu não tinha do que reclamar, eu mesma procurei por isso quando decidi ir a Gales, então eu sofreria as consequências. Porém, eu estava à procura de respostas e não de mais incógnitas.
['s memories]
10 de Julho de 2009; 3:22 PM
Eu e passeávamos pela cidade, fazendo compras já faziam umas 2 horas, paramos para comer algo e planejar melhor a nossa agenda.
- Ah , mas eu quero tanto sair hoje! – ela fazia cara de cachorro pidão.
- Eu sei, é que eu não dormi muito bem hoje, eu só acho que você deveria ir sozinha desta vez – Bom, eu dormi bem, mas a curiosidade e a ansiedade para que outro sonho apareça era tão grande, que eu já tinha até comprado uns remédios na farmácia enquanto estava na loja ao lado comprando mil bolsas.
- Eu não acredito que você me arrastou até aqui para você ficar em casa e só eu sair para me divertir! Eu não vou deixar você em casa por vários motivos.
- Fale quais.
- Primeiro: você me arrastou para esse lugar, mas isso eu já disse – ela contava nos dedos – Segundo: Você nunca se diverte comigo – mentira! – Terceiro: Eu não conheço Gales como você conhece. Quarto: você está com o carro - eu ri do último comentário.
- Agora virei motorista é? – disse entre risos, ela me acompanhou.
- Ah , vamos vai! Aposto que você não vai se arrepender e amanhã vai querer repetir a dose!
- Tudo bem, sua mala! Mas eu digo já que não vou beber, não vou voltar tarde, não vou trair o e não vou virar babá de babado, então, para tudo isso não acontecer, você não vai beber! Haha – ri sarcasticamente e ela ficou emburrada.
- Nem um pouquinho? - disse fazendo cara de pidona.
- Ta, só um pouquinho.
- Nossa , você está com mente de gente velha! Nem se divertir você quer! – ela disse me dando um tapa na cabeça.
- Ei! – disse passando a mão no local – Eu não sou velha, é que você sabe muito bem que eu sou superfraca pra bebida e você adora me embebedar quando está bebendo!
- É que você fica tão engraçada, e realmente você é muito fraca. Eu to no meu primeiro copo e você já fica falando coisas sem nexo!
- Não tem graça nenhuma! E é por isso que eu não vou ficar bêbada, imagine duas bêbadas soltas em Gales, nem pensar! – Nós rimos.
estava gritando na sala fazia uns 5 minutos, mas eu ainda estava terminando minha maquiagem. Também, ninguém mandou ela demorar 20 anos no chuveiro e terminar de se arrumar em 2 minutos. Eu demoro 20 anos no banho e 20 para se arrumar! Fazer o quê?!
- , se o lugar estiver cheio e nós não conseguirmos entrar, eu vou bater em você! – ela estava praticamente espumando.
- Estou pronta, linguaruda. E aí, está bom? – disse dando uma volta.
- Ta linda , adorei o vestido – Eu estava usando um vestido cinza com umas manchas pretas tomara que caia, meia calça preta fina e uma uncle boot preta – E eu?
- Está demais!- vestia um vestido azul também tomara que caia e uma sandália preta, os cabelos estavam presos em um coque frouxo – Não falo nada se hoje você trocar seu doutor fantástico por outro – Nós rimos já entrando no carro e indo em direção ao pub.
Já estávamos no pub a mais ou menos uma hora, não me obedeceu e comprou bebidas para nós duas. Bebi apenas um pouco e dei o resto para . Preferível uma bêbada do que duas, eu sabia que havia ignorado completamente tudo o que disse para ela então eu teria que estar sóbria para ajudá-la.
[end of memories]
era um caso perdido quando bebia, dava vexames monstruosos, como aquele na minha casa. Mas para sua salvação eu sempre estava por perto. O difícil era fazê-la dormir!
['s memories]
11 de Julho de 2009; 4:55 AM
- , você precisa entrar nesse chuveiro – disse puxando-a a força para dentro do box com o chuveiro já ligado. Não é que o bicho fica forte quando bebe?
- ? , você viu o cara que eu beijei? – ela disse já embaixo do chuveiro com a cara toda manchada pela maquiagem.
- Qual deles? – Acho melhor nem comentar o que ela fez hoje. Coitado do dono no pub, vai ter que comprar um balcão novo, graças à essa infeliz que despertou o ciúme do cara que estava pegando. Agora me diga porque a anta foi beijar outro cara? E ainda por cima na frente do outro?
- Mas eu só beijei um! – ela me olhou incrédula.
- Não, senhora! Não se lembra do barraco que você causou? – ela me olhou confusa.
- Barraco? – ela ficou pensativa – Ah sim, me lembrei.
- Viu, por que você o beijou sendo que o cara que você estava pegando estava bem atrás de você?
- Eu não sei, achei que o cara fosse ele – Ela começou a rir freneticamente e eu também.
- Ai, ai , você não tem jeito mesmo! – Disse em meio a risos – Vai precisar de ajuda para tomar banho?
- Não, eu consigo me virar sozinha.
- Ok então. Só não vai cair, em? – disse saindo do banheiro.
Depois de alguns minutos apareceu lá, ela já estava com uma cara melhor.
- Eu não estou bem do estômago – Ela disse.
- Vai vomitar?
- Acho que não. Você tem um remédio?
- Tenho sim, vou pegar – Abri minha mala e peguei um tubinho daqueles remédios para o fígado/estômago/barriga, sei lá! Um daqueles que aliviam qualquer coisa – Toma – lhe entreguei e ela o tomou – E ai? Vai dormir ou não vai?
- Não! Antes eu preciso te contar o que eu fiz hoje – Ai, lá vem história! Eu fiquei escutando ela contar a história da noite, pelo menos, duas vezes, eu estava praticamente dormindo sentada e ela também.
- Já chega, ! Vai pra cama, está muito tarde – disse levantando e arrumando o travesseiro para que ela deitasse nele.
- Ok, . Valeu por hoje à noite, foi demais - ela disse virando pro lado e fechando os olhos. Ufa, finalmente!
Fui praticamente me arrastando pra cama, o dia foi cansativo e meus planos foram por água abaixo. Já era muito tarde e eu não poderia ficar dormindo o dia inteiro. Então apenas me deitei e fechei os olhos.
Capítulo 10 – Bigger Than All Of Us
(n/a: coloque essa música para tocar)
['s memories]
11 de Julho de 2009; 07:36 AM
entrou perturbado pela porta. Ele estava muito descontrolado. Seu rosto estava vermelho e as mãos fechadas em punhos. Aproximou-se de mim com os olhos molhados, mas passou como se eu não existisse. Ele apenas pegou um quadro com nossa foto e o socou até que o vidro virasse poeira. Tirou bruscamente a foto da moldura rasgando-a e colocou um pedaço no bolso o outro deixou no chão, o pedaço com sua imagem. Lágrimas agora escorriam por seu rosto. Caminhou até a mesa de vidro da sala de estar e a virou completamente transformando todo o vidro em um leve tapete sobre o chão de madeira. Voltou à sala, passou os braços sobre a mesa de centro arrastando tudo o que tinha por lá. Eu, assustada, corri para o quarto abaixei-me e abracei meus joelhos apenas desejando que esse pesadelo acabasse. Eu nunca o vi daquele jeito, ele nunca foi agressivo.
entrou pelo quarto furioso, abriu o armário com agressividade e tirando todas as caixas e as jogando no chão, encontrou uma pequena caixinha atrás de todas, na última prateleira. Ele a pegou e colocou no bolso, saindo do quarto, eu o segui e ele saiu pela porta da frente, entrando no elevador, desarrumando seu cabelo e bufando desesperado, encostou sua cabeça no espelho do elevador e a segurou, chorando descontroladamente. Entrou no carro e eu logo em seguida, ele enxugou as lágrimas e arrancou com o carro do estacionamento do apartamento. Ligou o rádio, logo uma música invadiu nossos ouvidos. Pegou o celular e discou os números desesperado.
- Alô - ele disse - Eu estou indo para sua casa , eu não estou bem - ele ficou em silêncio apenas ouvindo o que dizia, mas eu não conseguia ouvir - Como isso aconteceu? Como ela pôde fazer isso comigo? - espera aí. Ela? Eu? - Eu chego aí em um minuto - parou por uns instantes apenas pensando - Não. Eu não vou mais, . Eu preciso resolver isso agora mesmo - desligou o telefone antes mesmo de responder e, em seguida, parou o carro bruscamente, manobrou e o virou para a outra mão, voltando pelo caminho que fizemos.
- fala comigo - disse com uma ponta de esperança. Ele levantou a cabeça, um sorriso brotou em meu rosto - , você pode me ouvir? - Ele apenas pegou a caixinha do bolso e a segurou com força, em seguida pegou a foto e passou o dedo pelo meu rosto. Ele se distraiu em pensamentos por alguns segundos.
olhava a caixinha profundamente soltando uma última lágrima.
Vi um clarão se aproximando, olhei para frente confusa.
- , cuidado! - gritei. levantou a cabeça, logo virou o volante em um reflexo, porém não a tempo de evitar o carro colidir com um automóvel vermelho.
Um barulho horrível e assustador surgiu e então os vidros se quebraram batendo em nosso rosto, os cortando, o veículo em que batemos, por sua vez, colidiu do lado de o jogando contra mim, mas o cinto o segurou. O carro rodopiou uma vez e parou. Nossos corpos foram jogados mais uma vez de lado.
Tirando forças de onde restavam, gritei.
- NÃO! DOUGIE, POR FAVOR - gritei chorando, estava coberto de sangue, seu rosto estava desfigurado pela batida, seu braço estava detonado, eu mal podia ver aquilo. Estava me matando - DOUGIE, PELO AMOR DE DEUS, FALA COMIGO. NÃO FAÇA ISSO, DIGA ALGUMA COISA! - eu chorava desesperada. Soltei meu cinto. Pulei por cima de seu corpo mesmo com toda a dor que sentia. Eu precisava tocá-lo, ainda o podia sentir ali, ele ainda estava ali – , meu amor, diga alguma coisa - Meu choro descia como agulhas, e isso doía mais que meus machucados.
- Eu. Te. Amo - ele disse pausadamente e com dificuldade. Soltou um sorriso e deu um último suspiro, relaxando seu corpo e fechando os olhos, morto. Fiquei paralisada. Isso não podia estar acontecendo. Gritei com todas as minhas forças e o abracei.
- ALGUÉM PEDE AJUDA PELO AMOR DE DEUS! DOUGIE, NÃO FAÇA ISSO! - sai do carro me arrastando, minha perna doía e sangrava, eu a tinha quebrado, me arrastei até o meio da rua, ao lado de alguns médicos. Tentei chamá-los, inútil. Eu me sentia cada vez mais fraca, meus olhos estavam ficando cansados, meu corpo doía, eu podia sentir que ia desmaiar. Logo em seguida, os paramédicos colocaram o corpo de ao meu lado. Virei a cabeça com dificuldade e o olhei imóvel sobre a maca.
- O desfibrilador agora! - ouvi um médico dizendo isso.
Eles rasgaram a blusa de e o tocaram com aquele aparelho. Seu corpo pulou do chão e eu senti uma enorme dor em meu peito, no lugar aonde recebeu a descarga. Gritei. Mais uma vez se repetiu e nossos corpos subiram em sincronia.
- ! - falei virando meu rosto - Eu te am... - mais uma descarga - Amo.
Minha vista embaçou e tudo ficou negro, surgindo um barulho infernal e contínuo
de um aparelho. Eu conhecia aquele barulho, denunciava a morte.
Nossa morte.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – acordei gritando, pulei da cama e cai no chão de joelhos chorando – Bosta. Eu sabia. Eu tinha certeza. Por que, meu Deus? Por que o ? Por que o meu ? – Senti uma falta de ar horrível, coloquei a mão em meu peito e ele estava fervendo e muito vermelho. Cai de lado deitada. Eu mal podia respirar, puxava o ar aflita. Isso começou a me assustar, tentei levantar e ir até a porta, mas cai desajeitada ainda tentando respirar, tudo começou a ficar preto novamente, segurei meu pescoço. Vi apenas um vulto ajoelhando do meu lado e novamente tudo se apagou, como no sonho.
[end of memories]
Me subiu um arrepio só de lembrar desse sonho. Foi o pior de todos, sem contar que me trouxe outros grandes problemas...
['s memories]
11 de Julho de 2009; 01:07 PM
- ? ? – Ouvi uma voz familiar me chamando. Fui abrindo os olhos vagarosamente – , por favor, diz que você está bem. É a aqui.
- Eu to bem – disse com dificuldade. Eu estava em um quarto azul, em uma maca. Passei a mão pela cabeça. Senti um aparelho em meu rosto.
- Graças a Deus – Ela veio me abraçando. Com os olhos molhados e o rosto inchado – Você não sabe o susto que me deu, menina. Você me deu mais dor de cabeça que a ressaca. Na verdade você fez com que minha ressaca passasse.
- O... O que aconteceu? – perguntei confusa – Aonde eu estou?
- Eu também queria saber o que aconteceu. O que você fez ontem à noite? Você quase me matou de susto.
- Eu não sei do que você está falando. Eu te coloquei na cama e fui dormir!
- Então você comeu alguma coisa estranha? Sei lá. É que tudo isso não tem explicação. Nem os médicos conseguem entender.
- O que aconteceu, ? - eu estava começando a ficar assustada.
- Você teve uma parada respiratória. Se eu não a tivesse encontrado no quarto, você estaria morta. Então eu entrei em desespero e chamei uma ambulância. Vim com você para o hospital e ele fizeram todos os procedimentos. Por Deus você está bem. Isso foi um susto e tanto. Chorei por quase 2 horas aqui. Os médicos não me davam notícias, depois você veio para o quarto com esse tubo grudado no seu nariz e isso me assustou mais ainda. Você me assustou tanto, amiga.
- O quê? Parada respiratória? Como assim? – perguntei indignada.
- Isso mesmo, e o pior, ninguém sabe o motivo. Isso está sendo um mistério – bufei pensando "sempre é um mistério".
- E o ? Ele está bem? Você não ligou para ele né?! DIGA QUE NÃO LIGOU! – disse apontando o dedo.
- Eu bem que tentei, mas ele não atendeu e eu sabia que você ficaria uma fera.
- O quê? Por que ele não atendeu?
- Ta com crise de ciúmes agora, ? – disse com voz sapeca e eu só podia pensar no pior, que algo havia acontecido com ele.
- Eu preciso falar com ele agora!
- Calma , você ta muito fraca agora.
- Eu preciso, ! Entenda isso. Me passa seu telefone - Disse tentando me levantar e ela deu um passo para trás.
- Você precisa descansar, entendeu? Pode deixar isso comigo, eu falo com ele, ok?
- Por favor, ligue! Eu preciso saber dele – disse com lágrimas nos olhos – Mas não conte sobre o acontecido, ok?
- Ok, mandona. Agora durma um pouco. Nem sei como você acordou, eles te deram tantos remédios.
- Realmente. Eu estou morta – olhou para mim e nós rimos, logo em seguida, saiu do quarto com o celular já na orelha, isso me tranquilizou um pouco, mas ainda estava aflita pensando que o mesmo podia ter acontecido com .
Eu não queria dormir. Eu sabia que voltaria a sonhar, mas meus olhos fechavam involuntariamente por causa dos sedativos.
[end of memories]
Um sonho que podia ter me matado. Eles estavam cada vez mais perigosos, mas eu estava viciada neles.
['s memories]
11 de Julho de 2009; 11:55 PM
Sem pensar duas vezes, pulei pela janela do caminhão em movimento. Sentia como se minha pele estava sendo arrancada ao entrar em contato com o asfalto. Rolei sobre o solo negro e irregular.
A última coisa que me lembro, é de estar deitada e ver o caminhão em que eu estava há poucos segundos colidir com o carro em que estava o homem que eu deveria salvar, a dor em meu peito nascer bruscamente e lágrimas caírem por meu rosto.
Uma grande poça de sangue se formou a meu lado, mais precisamente abaixo de minhas mãos, havia algo ali, eu podia ver, meu corpo dolorido pedia por descanso, mas eu precisava ver o que era aquilo. Com dificuldade mexi na poça sem movimentar nenhum músculo além das minhas mãos e encontrar o colar. Depois disso, minha visão ficou turva até que tudo se apagou...
- Não, Não. NÃO! – acordei suando, levantei com força, levantando o braço batendo na bandeja de comida que estava sobre mim e derrubando tudo que estava sobre ela.
- Aconteceu alguma coisa? – uma enfermeira bem velhinha apareceu no quarto perguntando.
- Não, eu só tive um pesadelo – Disse limpando as lágrimas.
- Isso é ruim. Devem ser os remédios, querida. Geralmente eles fazem isso. Mas não se preocupe logo, logo isso passa. Você precisa descansar e parar de pensar nas coisas. Preocupação só atrapalha o tratamento – ela disse retirando as coisas de cima de mim e me cobrindo novamente – Eu sei que tem alguém lá fora que quer te quer ver bem, então se cuide.
- Tu... Tudo bem. É que esses sonhos me assustam, eles parecem tão reais.
- Esqueça isso querida, e guarde isso na sua cabecinha "apenas se lembre de sonhos bons, eles podem acontecer" – Ela disse indo em direção a porta.
- Você acha que sonhos ruins podem acontecer também?
- Eu não sei, querida. Agora descanse – Ela apagou a luz e saiu.
Olhei a lua pela janela e senti um calafrio ao me lembrar do acidente.
Continua...
n/a: I’m baaaaaaaaaaack bitchs. Finalmente férias, tenho várias ideias e tals. E ai, gostaram do capítulo? Da nova capa? Daqui a pouquinho vai ter propaganda rolando lá na página inicial do site. Me digam se gostaram da música também, ok? Desculpem pela demora, vou fazer de tudo para não demorar mais como dessa última vez. Beijos <3
n/b: que tenso esse capítulo >:O se encontrarem erros, por favor, me avisem :}
xx, Loma