Falling In Love
escrita por Belle Rangel
revisada por Loma R
Capítulo I
O dia que eu mais esperava do ano todo havia chegado. Eu finalmente ia para o show da minha querida banda favorita. Desde que eu me mudei para Londres esse foi o objetivo da minha vida – exagerada nada –, mas pensando bem, foi um dos grandes objetivos da minha vinda pra cá, além de, claro, fazer minha pós-graduação. Estou morando em Londres há um ano e todo esse tempo não teve show deles aqui... Eles estavam no Brasil, quando voltaram, ficaram de “férias” e depois foram gravar o CD novo. Logo, eu quase morri quando eu vi que ia ter um show e que existia a possibilidade de se comprar ingressos
Vips. Comprei três meses antes do show e foram três meses de preparação para esse dia, que finalmente tinha chegado.
- ! – eu chamei minha best, , que havia se mudado para Londres comigo.
- Para de me chamar assim! – ela gritou de volta – O que você quer? Eu to dormindo, porra!
- Nossa... Quanto amor! Eu quero sua máquina emprestada pra carregar, sabe como é... Hoje é o SHOOOOOOOOOOOOOOOW! – eu disse gritando e dando pulinhos.
- Ai, Deus! – disse - Pega, tá aqui. Cuidado com ela, viu?
- Com certeza! Essa máquina vai ser parte de mim! Imagina só, eu vou entrar no camarim! - eu continuava pulando.
- Ok, ok eu já sei disso... Ai meu Deus – ela disse voltando para o quarto, tapando os ouvidos com as mãos enquanto eu continuava pulando e gritando. Eram seis horas da manhã.
Eu tinha gasto meu salário inteiro, ou parte dele, por um ingresso vip. Ia entrar no camarim, tirar fotos e beijar todos eles. A não gostava da banda. Mas ela também não odiava... Achava eles bonitos e gostava de uma música ou outra... Só não era fã louca (tipo eu) e obviamente não ia gastar o salário dela com um ingresso vip. Na verdade, nem com o ingresso simples. Ela costumava me zoar todos os dias, afinal, - de acordo com ela - eu não tinha idade pra ficar louca assim pela banda da moda, apesar de eles não serem exatamente a banda da moda. O McFLY era a banda do momento por muito tempo, logo não devia mais ser a banda da moda, certo? Mas, sinceramente, eu tenho 20 anos, uma idade perfeita pra amar pessoas que são só um pouco mais velhas que eu, vai que eles dão brecha? Eu caio pra dentro mesmo e eles não vão ser presos por pedofilia. Algo que com certeza aconteceria se o Hugh Grant desse bola pra mim quando eu tinha meus 16 anos e babava por ele. De qualquer forma, não ia ao show comigo. É, eu ia sozinha para o show da minha vida... Tudo bem, eu não ia obrigar ela a ir só me fazer companhia e gastar a grana dela.
Depois de arrumar tudo, eu fui para a fila. Cheguei lá às oito horas da manhã e fiquei até a hora do show. Isso super valeu a pena. Eu consegui ficar bem na frente (muito na frente mesmo), colada na grade com uma vista perfeita do palco todo. E no campo de visão deles também, eu queria ter as melhores fotos, sabe como é, uma pelo menos de algum deles me olhando, se possível. Também fiz umas amigas, elas iam entrar no camarim junto comigo, nós estávamos fazendo as estratégias para tirar as melhores fotos já vistas da banda toda e trocando os e-mails para nos enviarmos as fotos depois. A banda que iria abrir o show se atrasou um pouco, mas foi um bom show. E então começou. As luzes brilhavam para todos os lados e um som de suspense estava no ar. Eu, obviamente, já estava gritando junto com as meninas que estavam comigo desde a fila.
- Ai meu Deus, vou ter um enfarte! - Emma, uma delas, disse.
- Deixa pra morrer depois, porque se você morrer agora vai ser pisoteada – eu falei rindo. Nesse exato momento, os gritos foram ensurdecedores! tinha entrado seguido por todos os outros. estava muito sexy, não mais do que o , mas sexy o suficiente. Eu não sabia se eu gritava, tirava foto, cantava, olhava ou suspirava. Então eu fiz tudo ao mesmo tempo. Coisas que somente as brasileiras são capazes de fazer. Depois do show, eu estava tão suada quanto os meninos no palco. Até fiquei meio com raiva disso, afinal, agora era a hora de ir ao camarim tão esperado. Antes de irmos para a fila vip nós passamos no banheiro pra tentar dar uma arrumada no visual, ou pelo menos secar o suor e passar um perfume.
- Nossa, o show foi perfeito! – Ashley comentou enquanto eu secava o excesso de suor.
- A parte mais esperada vem agora – Emma disse com os olhos brilhando.
- QUINZE MINUTOS NO CAMARIM! – nós três gritamos juntas e saímos rindo do banheiro.
Pegamos nossas credenciais na entrada do backstage e fomos acompanhadas por uns seguranças até a porta de entrada do camarim. Quando entramos lá demos de cara com mais três meninas e ficamos conversando até que Neil apareceu na porta e anunciou que os meninos chegariam em 15 minutos.
- Porra, mais quinze minutos! – eu reclamei entre as meninas.
- É verdade, mas vai valer a pena quando eles passarem por essa porta!
- Olá, pessoas! – entrou de repente – Desculpe a demora, nós estávamos dando banho no .
Todos começaram a rir e soltou um “ei” no meio das risadas.
Quando todos eles estavam lá dentro, eu quase tive um ataque cardíaco. Fiquei petrificada e não sabia o que fazer, eu estava morrendo, minha cara devia mostrar isso visivelmente, afinal, veio falar comigo.
- Você tá bem?
- Muito bem... Omg, eu estou no camarim de vocês! E você está falando comigo. Isso é demais para o meu coraçãozinho – eu disse falando rápido e me abanando, aquele camarim estava ficando quente ou era só eu?
deu uma risada e falou:
- Então para de se abanar e aproveita o tempo que você tem aqui pra tirar fotos – Ele pegou a máquina na minha mão e fez uma pose ao meu lado – Pronto! Sua foto comigo tá ok, agora corre pros outros e depois pede autógrafo.
- Obrigada por me ensinar como me comportar no camarim, – eu disse rindo de como ele estava tentando não me deixar nervosa.
- Não há de quê – ele disse entregando a máquina fotográfica na minha mão e se abaixando um pouco para eu poder beijar sua bochecha. Sou baixinha mesmo, fazer o quê?
foi muito fofo, ficou conversando comigo por muito tempo para eu perder o meu nervosismo. Me apresentou para os meninos e até bateu umas fotos minhas com o .
Eu bati milhões de fotos. Depois fui tirar fotos para as meninas com a máquina delas. O nosso tempo passou rápido e logo tinha acabado. Os meninos foram uns amores e deram autógrafos em todos os papéis que eu tinha perto de mim, assinou até o meu braço no meio da brincadeira.
- Muito obrigada por tudo, meninos! – eu dizia enquanto terminava de tirar mais uma foto com a máquina da Emma – Foi uma noite maravilhosa e o show de vocês foi demais!
- Obrigado! – disse – Vocês são bem legais, espero ver vocês mais vezes nos shows!
- Com certeza! – todas nós dissemos juntas – Tchau, gente!
- Até mais! – eles responderam em coro e caíram na risada.
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'S P.O.V.
- Que fãs mais loucas, né? – disse rindo – Nunca vi tanto nervosismo junto.
- Pô, elas estavam bem nervosas mesmo. Eu até tive que ajudar uma delas a se mover! – eu disse lembrando a menina que estava congelada desde que tinha entrado – Ela é brasileira, acredita? Normalmente elas são tão atiradas, essa ficou tão quietinha que eu até duvidei que ela fosse brasileira mesmo. Super gente fina, a gente conversou muito.
- Eita, heim? tá afim da brasileira?! – falou zoando comigo.
- Não vou dizer que não a achei gata. Porque eu achei, mas nem foi isso, ok?
- , essas chaves aqui são suas? – falou alto, pegando um molho de chaves perto de um celular e uma máquina fotográfica.
- Não, nem esse celular, muito menos essa máquina – disse se aproximando para olhar as coisas.
Nós começamos a mexer nas coisas e descobrimos que eram a máquina, celular e chaves da tal menina brasileira.
- Putz, coitada, todas as coisas dela aqui, como será que ela vai entrar em casa? – eu disse preocupado.
- Menina desligada, como ela esquece as coisas assim? – falou – Tipo assim, a chave da casa dela! Nem o faz isso – apenas ignorou a fala do amigo.
- Vamos entregar isso pro Fletch, ele pode dar um jeito de devolver – disse.
- Não! – eu disse rápido – O Fletch vai acabar dando pra alguém fazer isso e a menina nunca mais vai ver essas coisas.
- O que você pretende então? – perguntou.
- Eu mesmo vou devolver isso – eu falei olhando as fotos, tinham umas bem legais – Mas não agora, amanhã eu faço isso – então eu guardei as chaves, o celular e a máquina no bolso.
- Aposto que você escondeu essas coisas aí... Sabe? Pra ter desculpa para ver ela de novo! – disse só para eu ouvir.
- Eu não faria uma coisa dessas! – eu disse sorrindo.
- Sei, , sei! – me puxou pelo pescoço para
fora do camarim.
END OF 'S P.O.V.
Cheguei em casa e dei graças a Deus que a estava acordada, eu não estava encontrando as minhas chaves na bolsa.
- DO CÉU! FOI O PARAÍSO! – eu entrei gritando.
- Amanhã você me mostra as fotos, eu to indo dormir. E vê se para de me chamar assim!
- Aff... Você tá sempre dormindo, né? – eu fiz piada – Mas eu também estou cansada, vou dormir, amanhã te conto tudo com detalhes.
Subi correndo, me joguei na cama, literalmente, dormi toda suja e bagunçada.
No outro dia pela manhã, levantei, tomei um banho bem demorado e desci para tomar café.
- Bom dia, flor do dia! – estava toda arrumada comendo um pão de queijo.
- Você fez pão de queijo! – eu corri até a mesa para pegar um – Adoro seus pães de queijo, – Eu disse colocando um deles na boca.
- Eu sei – ela disse rindo da minha cara com a boca cheia – Hoje eu acordei afim de um café da manhã brasileiro. Enfim, como foi o show?
- Nossa! Foi perfeito, eles tocaram todas minhas músicas favoritas e tocaram um monte que você gosta também.
- Legal! E no camarim?
- Menina, você acredita que eu fiquei congelada?
deu uma gargalhada.
- Não era você que ia beijar e pular em cima de todos eles? Ficou congeladinha, ficou? – ela fez piada.
- Fiquei – eu disse – Mas aí o sexy foi lá falar comigo e me tirar do transe.
- Huuummm, e aí?
- Ah, a gente conversou muito... Eles são muito legais, – eu disse suspirando - Tenho que te mostrar as fotos, espera – subi correndo para pegar a máquina e o meu computador para mostrar as fotos para a .
Não consegui encontrar a máquina. Entrei em desespero, óbvio, afinal as fotos da minha vida estavam lá e claro, a ia me matar, ela tinha um ciúmes louco por aquela máquina.
- ? Anda menina, to curiosa!
Desci a escada e fui direto para o telefone. Meu celular com certeza estaria perto da máquina, já que eu estava carregando os dois juntos.
- O que você está fazendo? – disse chegando perto do telefone.
- Ligando pro meu celular, não sei aonde eu o botei – eu disse e coloquei o telefone no ouvido.
O telefone começou a tocar. E eu comecei a andar pela casa procurando. Foi então que o inesperado aconteceu. Uma voz atendeu meu celular.
- Hum... Alô? – a voz do outro lado disse.
- QUEM ESTÁ FALANDO? E POR QUE VOCÊ ESTÁ COM O MEU CELULAR? – Sim, eu berrei. Como assim? Eu fui assaltada ontem e não percebi?
- Hum, aqui é o . Quem está falando? – a voz, que dizia se chamar falou.
- ? Que ? Por que você está com o meu celular?
- , eu estou com seu celular porque você o esqueceu junto com as suas chaves e sua máquina fotográfica no nosso camarim. E eu peguei para te devolver!
- Até parece que você é o ! - eu disse irônica – Quero minhas coisas de volta e se tiver uma fotinho a menos você vai ver só! – eu estava louca, fazendo ameaças para um desconhecido.
Obviamente, já estava surtando ao meu lado, como assim EU tinha perdido a máquina DELA? Mas eu tinha outros problemas no momento, eu não queria perder minhas fotos. Estava me sentindo como se um parente importante tivesse sob a custódia de sequestradores. Sim, eu sou mesmo exagerada.
- Então a gente podia marcar algum lugar para eu devolver as suas coisas – ele disse calmo – E você pode ver que eu sou mesmo o .
- Ok, faz de conta que eu acredito que você não é um ladrão barato que quer me sequestrar, aonde eu iria te encontrar para pegar minhas coisas? – estava pulando do meu lado falando alguma coisa de como eu sou louca, que ela nunca vai me deixar ir até o lugar que o ladrão estava falando e que eu devia ter perdido o juízo se estava sequer pensando em ir a qualquer lugar encontrar um estranho.
- Em qualquer lugar. Se você quiser, você pode escolher – ele disse.
- Ok então! Vamos nos encontrar na Starbucks, perto de London Eye – eu sou esperta, estava fazendo um teste com ele, essa Starbucks era bem movimentada e cheia de turistas, queria ver se ele iria a um lugar público.
- Ai! – ele disse – Logo nessa? É muito lotada, muita gente vai me reconhecer.
- Ah é, eu esqueci que você é, supostamente, o – ele tinha absorvido bem o papel – Onde você sugere, então?
- Pode ser na Starbucks na Oxford Street?
Era um lugar público, não era tão movimentado, mas eu poderia ir disfarçada e ver de longe. Qualquer coisa eu chamava um policial.
- Fechado! Estarei lá as três da tarde – eu disse – Esteja lá!
- Certo, estarei – ele disse – Tchau, até mais.
- Tchau – eu desliguei o telefone.
- VOCÊ É LOUCA? - estava vermelha – Você não vai pra lá DE JEITO NENHUM!
- Nós vamos sim! – eu disse confiante .
- NÓS? NÓS? COMO ASSIM? – ela definitivamente tinha perdido a cabeça – Nós porra nenhuma, você não vai me arrastar pra as mãos de um psicopata!
- , a gente vai mais cedo, fica olhando de longe e se não chegar nenhum lá até umas três e meia, nós voltamos – eu fiz minha carinha de pidona.
- Ok, a gente vai, mas se eu morrer, eu faço questão de falar agora que A CULPA É SUA!
Eu dei um abraço nela e nós fomos nos disfarçar.
Capítulo II
Fomos para a Starbucks às duas da tarde. Pedimos uns cafés e nos sentamos numa mesa isolada no cantinho, podíamos ver a porta e não éramos vistas. O tempo passou, e nós ficamos analisando todas as pessoas que entravam no estabelecimento.
- Olha, aquele cara ali é suspeito! – apontou discretamente para um cara realmente estranho. Com um sobretudo preto que ia até o pé e um chapéu estranho.
- Esse cara não parece com a voz que eu ouvi no telefone – eu disse calmamente enquanto tomava meu café.
- Desde quando alguém PARECE com a voz? – ela disse.
- Sei lá... – eu disse tomando mais um gole do meu café – Sei que esse aí não parece.
- Você é louca, ele super tem cara de assassino!
- E quem te disse que eu falei com um assassino?
- Ah sei lá, quem mais roubaria minha máquina, suas chaves e o seu celular?
- Bem, se ele é quem diz ser, eu provavelmente esqueci as coisas, não fui assaltada. Até porque, eu não me lembro de ter sido assaltada – coloquei meu café na mesa e dei uma olhada ao redor. Nada do . Bem no fundo eu estava torcendo para ser realmente ele. Vai dizer que você também não torceria? Sei lá, ele podia se apaixonar por mim, eu sei que amo o , mas não ia desdenhar o nunquinha!
- Isso porque minha máquina ia ser “parte do seu corpo” – disse levantando as mãos, fazendo o sinal de aspas bufando. Ela passou a mão na frente do meu rosto para me acordar, eu estava imaginando o se declarando totalmente aqui para mim com de testemunha.
- Ah , dá um desconto, eu estou tentando recuperá-la – eu disse olhando ao redor mais uma vez.
Faltavam vinte minutos para as três e eu estava muito apertada, precisava seriamente de um banheiro. , claro, ficou meia hora reclamando de que eu tinha planejado isso e tinha contratado o cara ontem de noite para matá-la, para eu ficar com o dinheiro dela. Eu já falei que ela é louca? Eu tive que tentar convencer que somente se eu estivesse casada com ela eu poderia ficar com o dinheiro dela, mas não deu muito certo... Ela continuou dizendo que se ela morresse, eu ficaria com tudo que tem na casa. No fim, eu decidi deixar pra lá, não tinha jeito mesmo, fui ao banheiro e ela ficou sentada na nossa mesa, guardando o lugar e olhando para ver se o suposto cara que dizia ser o , apareceria.
Voltei do banheiro, estava sentada toda sorridente.
- Tá feliz por quê? – eu disse vendo a cara de boba dela – Quem é você e o que você fez com minha amiga paranóica?
- Ai, ai – ela começou – Eu acabei de ver um deus grego entrando, e ele sorriu e deu uma piscadinha pra mim.
- Ui, ui! Mas e aí, nada do ? – eu perguntei.
- Não, nada do – ela completou.
- Me mostra o seu gatinho?
- Ele foi ao banheiro – ela disse procurando por ele – Quando ele voltar eu te mostro.
- Como ele é?
- Ahhhh, cara de Londrino típico. Do jeito que eu gosto – ela disse rindo. Imaginei algum garoto com cara de rockstar ou com roupas do gênero, isso era o londrino típico para a .
Uns minutos depois eu já estava perdendo a esperança de receber minhas fotos de volta. Já eram três e quinze e nada de nenhum.
- Olha lá, meu deus grego, OMG ele tá olhando pra cá, DISFARÇA, não olha agora, não olha agora! – se abanava na minha frente me impedindo de olhar para o cara – PELOAMORDEDEUS! – ela falou alto e em português - ELE TÁ VINDO PRA CÁ – ela começou a ajeitar o cabelo e se olhar no porta-guardanapo.
Então eu finalmente consegui ver o tal rapaz e fiquei louca:
- ! ESSE É O ! – nem precisa dizer que eu quase morri quando ele chegou rindo, claro, ele estava ouvindo nossa movimentação enquanto se aproximava e me ouviu gritando essa “apresentação”.
- Prazer, – ele disse estendendo a mão.
- Prazer – disse ficando vermelha beterraba, afinal quem não ficaria, com uns olhos daqueles te encarando profundamente?
- Meu Deus – foram as únicas palavras que saíram da minha boca.
- Eu disse que eu era eu – ele falou rindo – Posso me sentar com vocês?
Eu e balançamos a cabeça positivamente ao mesmo tempo, provavelmente uma cena hilária, pra não dizer ridícula, porque ele sentou-se à mesa rindo.
- Então, agora que vocês sabem que eu não sou um sequestrador, eu posso conversar amigavelmente com vocês?
- , você espera só um minuto? Eu tenho que matar a minha amiga aqui – eu disse puxando a pelo braço pro banheiro.
- Ok, eu espero – ele disse pedindo ao garçom uns petiscos para acompanhar o café dele – Só não mata ela muito, certo? – ele pediu sorrindo.
- Pode deixar, só vou desfigurar ela um pouco – eu disse saindo agarrada com ela.
Chegamos no banheiro e ela fala:
- Qual o seu problema? Seu ídolo gatinho, que deu super mole pra mim tá ali e você me trás pro banheiro?
- , como você não me disse que o seu “Deus Grego” era o ? Você disse que ele não tinha chegado! – eu comecei.
- Uai, cadê aquela foto que você me mostrou? – ela pegou o celular dela e me mostrou – achei que esse aqui era o .
- ESSE É O ! – eu disse botando a mão na testa – Como você confundiu os dois? Eles são completamente diferentes.
- Ahhhh, sei lá, antes de ver o pessoalmente, e caralho como ele é hot – ela disse rindo – Eu achava eles todos meio iguais.
- Fala sério! Nem parece que você é minha amiga, eu falo deles TODA HORA – eu continuei indignada.
- Ah, deixa disso, você pode brigar comigo depois, vamos voltar pra mesa com o gatinho? – ela disse.
- Tá, vamos – fiz uma outra cara de indignada e nós voltamos para a mesa, onde esperava comendo uns docinhos. Quando ele nos viu andando de volta deu um sorriso. E que sorriso.
- Achei que vocês tinham fugido – ele continuou nos hipnotizando com o sorriso.
- Ah, que? Não, a gente não ia fugir... – eu disse tentando escapar do poder do sorriso dele.
- Hum, você não foi ontem no show, né? – ele disse se dirigindo a . Senti um interesse.
- Han, não, é... Eu não sou uma fã louca, tipo a – ela disse como quem não quer nada e apontou para mim.
- Fã louca? – ele repetiu.
- Eu não sou uma fã louca! – eu disse rapidamente – Ela que simplesmente não é fã.
- Ok, uma fã meio louca – ela disse pra mim – Enfim, só conheço a banda de vocês por culpa da .
- Bom, então – disse dando um sorrisinho – Enfim, aqui estão suas coisas! – ele tirou de dentro do bolso meu celular, minhas chaves e a máquina da – Espero que não se importe, eu apaguei umas fotos que eu estava vesgo. Mas eu tirei umas fotos dos meninos para compensar.
- Obrigada! – eu disse com os olhos brilhando enquanto passava as fotos. Tinham muitas fotos perfeitas, tinha duas do dormindo e uma do pé do . Pois é, eu reconheço o PÉ dele. Tenso.
- Minha máquina tá inteira? – , a materialista, estava de volta. Ela disse pegando a máquina da minha mão rispidamente.
- Tá inteira sim, – eu repeti o gesto dela – Eu to admirando minhas fotos, licença.
- O quase a quebrou ontem de noite, só porque eu estava tirando fotos dele nu – assim que ele terminou de falar isso eu comecei a passar as fotos mais rápido, procurando por fotos deles pelados.
- Relaxa, o apagou todas, você não vai ter uma G-Magazine do McFLY aí – ele disse ao me ver passar as fotos mais rápido.
- Han, ah, haha, que isso... Eu nem queria ver vocês pelados, pareceu é? Eu estou procurando uma foto que eu tirei do , sabe? – eu tentei disfarçar ficando completamente vermelha.
- AHAM, SEI! – , minha “amiga” falou.
Eu simplesmente a ignorei. Eu estava feliz de mais para me importar com isso. O Dougie estava na minha frente! E tinha tirado fotos para mim!
- Se vocês tivessem quebrado, iam ter que pagar uma nova – ela disse falando diretamente para ele.
- Até parece, se tivesse quebrado eu ia fingir que só tinha celular e chaves esquecidos lá – ele disse já se protegendo, imaginando que fosse partir para cima dele.
- Muito engraçadinho o senhor – ela disse com voz de mandona – Nem me conhece e já tá cheio das piadinhas.
- Ou eu poderia simplesmente não devolver nada... – ele disse e deu uma risada – Mas eu te conheço melhor do que você imagina – ele disse levantando uma das sobrancelhas. Eu continuei olhando os dois conversarem, eu não ia interromper a tensão sexual que estava acontecendo.
- Ixi, que nada! Você não tem como conhecer! – ela desafiou.
- Eu sei que você pegou o “CiroLindo demaaaaaais” – ele falou imitando uma voz de gay.
- Você conhece o CiroLin... Quer dizer, o Ciro? – ela ficou confusa.
- Que nada , ele leu MINHAS mensagens! – eu disse o acusando.
- Ahhh li mesmo, o celular tava comigo de bobeira – ele falou levantando as mãos – Mas eu não sabia quem era a – ele disse o apelido dando uma grande ênfase.
- Peguei o Ciro meeeeeesmo, e ele é muito gostoso! – falou rindo – E não me chame assim, nem a tem autorização.
Ele deu uma risada e perguntou:
- Nem você tem autorização, ? – ele olhou para mim e eu apenas levantei meus ombros. Ele se virou para de novo - Continua pegando ele? – Ui, atenção Brasil! dando em cima da minha Best!
- E se continuar? Isso não é da sua conta – disse. Como assim? Ela acabou de cortar o ! Eu tenho que salvar isso. Eu sei que ela deseja ele e tal. Mas se ela começar a pegar o eu tenho chance de ver o McFLY tipo assim, sempre!
- Ela não tá pegando ninguém, – eu disse e ele deu um sorriso. Nem preciso dizer que foi hipnotizador, né?
- Bom saber – ele disse e o telefone dele vibrou em cima de mesa. Ele leu uma sms e então disse:
- Então meninas, eu tenho que ir agora – ele foi levantando da mesa – Mas vocês me devem uma saída.
- Como assim nós devemos uma saída? – eu perguntei.
- Ué, eu salvei a sua máquina – ele disse olhando para – E salvei as suas fotos – ele olhou pra mim – E hoje a gente praticamente nem conversou, eu ligo pra vocês para marcar alguma coisa – ele completou.
- Você não tem nosso número – eu disse quando ele já estava de costas saindo.
- Eu tenho sim – ele se virou e disse rindo – E você também tem o meu – e ele deu uma piscadinha para nós duas e saiu.
Ficamos um pouco congeladas e no minuto seguinte, eu e corremos para olhar o meu celular. O primeiro telefone era “AAAA TELEFONE DO ” ele botou esse monte de A na frente para o numero dele ser o primeiro da agenda. Não pude deixar de rir. Resolvemos voltar para casa para ver as fotos com calma. Quando coloquei o celular no bolso senti ele vibrar. Era uma sms do :
“Você é bem legal, apesar de ser meio louca,
faça o favor de convencer a sua amiga a sair
com a gente. E por favor me responda com o
telefone dela. xx ”
Porque ele me chamou de louca eu não sei, obviamente, a única pessoa que manifestou sinais de loucura na frente dele foi a . Falando nela, eu fiquei pensando no caminho de volta o porquê dela ter ficado toda “acesa” quando ele era o Deus Grego e o porquê dela ter cortado ele quando soube que era o .
- Uai, não posso me fazer de fácil para um artista – ela disse como se isso fosse a verdade suprema do universo – Ele tá acostumado com menininhas caindo de amores por ele, então é bom ele receber uns desafios gostosos, tipo eu – ela apontou para o rosto dela e começou a gargalhar.
- Você não é nem um pouco metida, né? – eu disse rindo junto com ela – Posso passar seu telefone pra ele?
- Você DEVE passar meu telefone para ele – ela disse empolgada ao saber que ele tinha pedido o número dela.
- Ué? Cadê a menina desafio? – eu baguncei com ela. Enquanto escrevia o sms.
- Ela está aqui – ela apontou mais uma vez para o rosto – Mas eu preciso ter contato com ele para ser um desafio, sua bobinha.
- Tá, tá, até parece que você não quer pegar o gostoso do !
- Ei, ele não é seu fave não, né? Você vai me odiar se eu pegar ele?
- Se você me apresentar o , não te odiarei – eu disse enviando o sms com o telefone dela.
- Espera um minuto... Esse , que você ama tanto, não tem namorada? – perguntou curiosa – Eu lembro de você falando alguma coisa assim...
- Tem, mas eu nem sou ciumenta! - nós duas começamos a gargalhar – Falando sério, eu não quero pegar o
, ficarei feliz em ser amiga dele – meus olhos começaram a brilhar – EU, amiga do
McFLY, nem no meu sonho mais louco!
- Deixa disso, minha máquina fez isso acontecer! Ela tem esses dons, por isso que eu não gosto de perder ela!
- Você é completamente louca – eu conclui, liguei o som e nós fomos para casa cantando alto a música que tocava na rádio.
Capítulo III
Já haviam se passado uns três dias e nada do ligar, ou mandar sms. Nós estávamos na sala vendo televisão, comendo pizza e tentando imaginar o que teria acontecido.
- Ele deve estar muito ocupado... – conclui enquanto comia uma fatia de pizza.
- Acho que a gente podia ligar pra ele... – disse mudando os canais da TV sem prestar atenção no que estava passando em cada um deles.
- Eu não tenho essa coragem... – eu disse – Vou falar o quê? “Oi, , é a , porque você não me ligou?” Parece coisa de ex ou de uma ficante qualquer...
- Ah que saco! Ele podia ligar hoje, né? Tá um dia tão entediante! – ela disse arremessando o controle da TV no sofá e se dirigindo para a cozinha com a caixa vazia de pizza.
Terminei minha fatia e fui para o meu quarto ver meus e-mails e ficar de bobeira na internet.
Além da minha pós-graduação, eu era conhecida online, fazendo sites e blogs para uma galera. Eu era bem reconhecida por isso, apesar de não ser uma coisa super oficial, eu já tinha feito sites para várias bandas que estavam começando e não tinham a grana para fazer alguma coisa mais elaborada com designers profissionais. Era um bom dinheiro extra no fim do mês. E sempre rolava uns ingressos para os shows deles. No meu e-mail sempre vinham alguns pedidos de pessoas aleatórias. Semana passada eu recebi um e-mail estranho de um cara chamado Matthew, que disse que viu os sites que eu já havia feito e tinha gostado muito. Ele disse também, que tinha uma ideia revolucionária, que queria que eu o ajudasse nessa “revolução” e que me pagaria bem para eu fazer isso. Pedi para ele me explicar exatamente o que seria essa tal revolução, afinal eu não queria me envolver numa roubada, mas ele disse que ia me explicar tudo quando marcasse para me encontrar. Eu não respondi, achei que fosse algum maníaco louco que queria me sequestrar, na verdade me convenceu disso. Ela realmente tinha argumentos fortes. E então, hoje, eu recebo um novo e-mail dele marcando um encontro e pedindo para eu responder confirmando se eu poderia ou não. Eu estava realmente curiosa com isso. Fui falar com , para ver se ela botava algum juízo na minha cabeça e não me faria agir impulsivamente. Apesar de que, no fundo, eu já estava pensando em maneiras de ir nesse encontro.
- , lembra do Matthew? - eu disse entrando no quarto dela.
- Lembro, aquele louco que disse que tinha uma ideia revolucionária, né? – ela disse olhando para mim.
- Esse mesmo, ele quer me encontrar para falar dessa tal ideia – eu comecei – Mas eu estou meio apreensiva, não sei nem o segundo nome dele.
- Vocês marcaram aonde? - ela foi direto ao ponto.
- Ele disse para eu ir a um restaurante, nunca ouvi falar dele... Será que você quer ir comigo? – eu disse já fazendo minha melhor cara de pidona – A gente podia fazer que nem no dia que fomos recuperar sua máquina... – eu definitivamente não consegui ignorar a proposta, eu realmente estava curiosa.
- Ok, eu vou com você... – ela disse me surpreendendo – Mas dessa vez, se aparecer algum deus grego, eu não vou me fazer de difícil, não deu certo com o ... Lembre-me disso, sim? – ela disse e eu balancei a cabeça positivamente, subindo logo em seguida para responder ao e-mail dele avisando que estaria no dia e horário marcado para a reunião.
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O dia da reunião chegou, eu me vesti super profissionalmente, e a também, fomos para o local que ele tinha marcado. Chegamos lá e era um restaurante SUPER chique. Fiquei até com medo de entrar e ter que pagar se não comesse nada. Entramos em um hall com um espelho gigantesco, eu pude ver toda a minha roupa e achei que deveria ter me produzido melhor.
- Sejam bem-vindas! – um recepcionista bonitinho falou para nós – As senhoritas têm reserva?
- Na verdade nós viemos nos encontrar com o Matthew – eu disse – Eu não sei o sobrenome dele... – lembrei desse detalhe e fiquei nervosa novamente - Ele só disse para falar isso – eu falei nervosa, mas me acalmei quando o recepcionista deu um belo e caloroso sorriso.
- Ah claro, o Fletch! – Pois é, nesse exato momento uma luz acendeu na minha mente e eu dei uma cutucada na que me olhou com cara de “Que foi?” – Me acompanhem. Começamos a andar atrás dele e eu comecei a falar em português, para não ser entendida.
- , Fletch é o empresário do McFLY! – eu disse rapidamente – Será que é só o nome igual ou é realmente ele?
- Uai, como assim? Será que isso é um plano maquiavélico do ? – ela disse – Se for, o fato de me fazer de difícil, funcionou!
- Não faço a mínima ideia, até porque eu falei com o Matthew antes do show, lembra?
- Ahh, é verdade! – ela disse desanimando – Mas ele pode ter comentado e o ter dito algo? – sério, a esperança nunca morre para a .
- Aqui senhoritas, podem se sentar, ele deve estar chegando em alguns minutos – ele disse saindo e nos deixando sozinhas na mesa.
- Relaxa, , vamos descobrir tudo agora! – eu disse ao ver Matthew se aproximando – Não fala nada de . Ok? – eu disse para ela.
- Pode deixar.
- Olá – ele disse vendo que eu e a estávamos sentadas – Meninas... – ele acrescentou – Qual de vocês é a ?
- Olá, Matthew! Eu sou a – eu disse estendendo a mão para cumprimentá-lo – Essa é minha amiga , ela veio me acompanhando.
- Prazer – ele disse apertando minha mão e em seguida a de - Matthew Fletcher, mas todo mundo me chama de Fletch. Pode me chamar assim, se quiser.
- Certo, Fletch! – eu disse dando um sorriso, era engraçado conhecer o Fletch e não surtar.
- Então, tenho que, antes de tudo, agradecer a você por ter vindo. Eu queria contratá-la para botar em prática um site para a banda que eu sou empresário.
Nós continuamos em silêncio e prestando atenção no que ele falava.
- Eu e um dos integrantes da banda, tivemos uma ideia de fazer um site, que mude tudo que as pessoas tem em conceito de site, algo revolucionário, que tivesse muita interação entre fãs e a banda. Com chats fechados para membros do site, webcams dos integrantes para membros. Vídeos exclusivos e blogs.
Eu já comecei a sonhar com essa interatividade, já pensou eu num chat, e de repente o entra pra conversar comigo?
- Eu queria saber se é possível fazer uma coisa assim – ele disse me fazendo parar de sonhar com uma webcam sensual do – Sabe, colocar uma parte do site somente para membros e outra parte liberada para todos – Ele terminou e olhou para mim.
- Bem, impossível não é – eu disse sincera – Só vai dar um pouco de trabalho com a questão da segurança.
- Então, eu sei que você faz layouts e coisas assim, essa questão da segurança é mais complicada, certo? – ele perguntou.
- Isso, você teria que contratar alguma pessoa que possa fazer o processo de encriptação dos dados, eu realmente não me garanto fazendo isso, poderiam quebrar minha criptografia facilmente.
- Você sabe que eu não entendi metade do que você disse agora? – ele disse rindo – Mas realmente teríamos que formar uma equipe completa para fazer isso, eu não pretendia colocar tudo nas suas costas – ele continuou – De qualquer forma, eu vi o seu portfólio, todas as recomendações que você tem pela internet e achei que o seu estilo é realmente o estilo dos meus meninos, eu quero que você faça a arte final.
- Certo, então você quer me chamar para fazer parte dessa equipe? – eu disse.
- Na verdade, eu queria que você liderasse essa equipe, porque eu não saberia contratar esses profissionais que faltam...
- Eu liderar uma equipe? – eu disse surpresa – Nossa, obrigada pela chance, mas você não está apostando muito numa menina que você acabou de conhecer?
- Eu estou apostando em você, sempre que eu aposto as coisas funcionam. Foi assim com a banda dos meninos - eu concordei mentalmente.
que estava calada há muito tempo, divagando durante a conversa esqueceu que nós já sabíamos quem era a banda e falou:
- Qual é a essa banda que você é o empresário? – ela soltou .
- Vocês devem conhecer – ele disse rindo – é o McFLY.
- Ahhhh, nós conhecemos sim! – ela disse – A aqui é muito fã deles – eu a fuzilei com o olhar. Não era pra ela ficar falando isso pro Fletch! Vai que ele desiste de me contratar por isso?
Fletch me olhou e deu um sorriso.
- Que bom, nada melhor do que trabalhar com pessoas que curtem o som deles. Só espero que você não fique com vergonha de trabalhar para eles. Você vai ter que ouvir muito palpite de todos.
- Ahh, que isso, eu posso até ficar meio nervosa, mas com certeza posso me acostumar com isso! – eu respondi ficando meio vermelha.
Começamos a rir e a planejar tudo que teria que ser feito. acabou entrando como responsável pela publicidade, além de que ela poderia me ajudar bastante com as coisas, era bom ter alguém conhecido por perto.
- Então é isso, meninas! – ele disse se levantando e apertando nossas mãos – Amanhã quero vocês duas na Super Records para fazer o contrato e vocês conhecerem o restante do pessoal. E claro, vocês já poderão começar.
- Obrigada, Fletch! Nos vemos amanhã! – eu disse e saí junto com a .
Esperei o carro estar um pouco longe para garantir que não ia ter Fletch nenhum por perto e finalmente gritei:
- , EU VOU TRABALHAR NA SUPER RECORDS, MANO!
Ela deu uma risada e disse:
- Grande coisa, eu também – e me deu uma língua.
Depois ela parou, pensou e gritou:
- O VAI SER MEU CHEFE!
- Não, eu sou sua chefe – eu disse dando língua dessa vez.
- O não vai ser meu chefe, IUHUUUL – ela continuou rindo.
- E agora, vai continuar difícil? – eu disse – Ou vai ficar fácil?
- Eu tenho um super plano – ela disse rindo - Vou simplesmente ignorá-lo.
- Por quê?
- Ele me ignorou também. Vou devolver na mesma moeda.
- Desde quando ele te ignorou? – eu perguntei.
- Desde que ele pegou meu telefone e não ligou – ela disse – Mas ele que me aguarde, eu serei mais sexy do que o normal e ele não vai me ter.
Eu comecei a rir.
- Só não me faça te demitir, ok? – eu disse desligando o carro, havíamos chegado em casa.
- Pode deixar... Eu vou deixar só ele louco, você não, chefinha! – ela disse saindo do carro.
Capítulo IV
Acordamos cedo no dia seguinte. Eu me arrumei como normalmente faço, roupa simples, meu velho e bom all star e a maquiagem básica. Agora a , realmente levou a sério o papo de ser sexy para ignorar o . Estava simples e chique, se é que isso é possível. Ela estava com uma jeans justa que destacava o seu corpo e uma blusinha bem coladinha, com um casaco por cima no estilo “foi-a-primeira-coisa-que-eu-vi” que, com certeza, tinha sido bem planejado. Se você a visse andando na rua acharia que sua roupa não estava boa o suficiente e que ela, nem se quisesse, tinha a intenção de estar linda. Parecia que tudo era por acaso.
- Eu queria ter esse seu dom – eu disse quando ela saiu pronta do quarto.
- Tudo meticulosamente planejado para parecer que eu nem escolhi a roupa – ela disse rindo – Tenho que ficar gatona, mas sem me produzir, afinal no dia que eu tiver que me produzir mesmo, ele vai ficar de boca aberta.
- Você me dá medo! – falei pegando minhas chaves – Vamos, não quero me atrasar no primeiro dia.
Chegamos no prédio e fomos direto na portaria.
- Olá – o recepcionista disse – No que posso ajudar?
- Humm... – eu comecei – Nós temos uma hora marcada com o Fletch.
- Qual o nome de vocês? – ele perguntou.
- e – eu respondi.
Ele olhou uma lista em uma agendinha e finalmente disse:
- O Fletch não está aqui hoje – ele estava achando que nós estávamos lá porque éramos fãs do McFly e queríamos nos infiltrar. Ou algo do gênero.
- Ele marcou isso com a gente ontem – eu tentei argumentar – Disse que deveríamos vir aqui hoje.
- Bem, ele não deixou nada marcado comigo e definitivamente ele não está aqui – ele falou como quem coloca um fim na conversa.
Eu fiquei visivelmente estressada, como assim ele não estava lá? E nem tinha marcado nada?
- , acho que fomos enganadas. O moço ali disse que ele não está aqui e nem marcou nada.
- Eu acho que ele está mentindo! – ela disse – Tenho certeza que ele está ai, ele só deve ter esquecido de avisar que nós viríamos.
- Sim, de qualquer forma, o que faremos agora?
- Vou tentar falar com ele, senta aí e espera – ela disse apontando para uma poltrona.
Me sentei enquanto ela falava com o ele e eu fiquei olhando ao redor. Vendo como era tudo por dentro do prédio. O recepcionista estava quase chamando a segurança para nos colocar para fora do prédio quando entrou o cumprimentando:
- Oi, Edward! – olhou para nós duas e parou – Meninas! Vocês por aqui? – finalmente ter esquecido a máquina lá serviu para alguma coisa! me reconheceu e nos colocaria para dentro. Porque fora isso não serviu para nada. Nesse mesmo instante, o recepcionista nos olhou e fez uma cara de “me-ferrei-barrei-amigas”. E fez uma cara de “viu-só-como-eu-não-estava-mentido?!” só faltou dar língua para ele.
- Você as conhece, Sr. ? – ele perguntou aflito.
- Sim, sim. São umas amigas minhas... – AMIGAS. Oi, tem noção que eu me achei muito nesse momento? Tipo assim, ele só fez um favor pra mim e tal... E tá dizendo por aí que eu sou AMIGA dele – Mas então, o que vocês fazem aqui? – ele disse e se virou para nós duas. O que me fez acordar do momento de loucura total por ele ter me chamado de AMIGA.
- Bem, o Matthew, nos chamou para uma reunião hoje... Mas pelo visto, ele não deixou nada marcado aqui e nem está aqui – eu disse olhando de para o recepcionista.
- Ah, então vocês são a surpresa do Fletch? – ele disse olhando para nós duas e parando mais tempo do que deveria para olhar a . O plano dela tinha dado certo, ele estava babando.
- Não sei, o que seria essa surpresa? – falou e então ele acordou do transe balançando a cabeça. Eu realmente queria ter esse dom da de deixar homens assim.
- Ele disse que o estava tramando umas coisas com ele e que ele tinha arranjando a líder de equipe perfeita na internet. Chamou todos nós para uma reunião hoje para conhecermos as meninas.
- Pois é... Somos nós e já estamos atrasadas porque ele não nos deixou passar – eu disse apontando para o recepcionista. o olhou com cara de "por que você fez isso?"
Edward, o recepcionista, ficou preocupado e tratou de se defender na frente do chefe.
- O senhor tem ideia de quantas meninas aparecem aqui com hora marcada com o Fletch, todos os dias? Como não tinha nada avisado, eu tive que barrar.
- É faz sentido, a culpa é toda do Fletch – ele disse abanando as mãos – Enfim, vamos entrar, meninas? – ele disse abrindo o braço para mostrar o caminho e nos deixou passar na frente. Eu podia jurar que vi ele piscar para o recepcionista, mas pode ter sido só minha impressão mesmo. Eu tinha sérios problemas e podia simplesmente estar imaginando coisas.
Vi a se segurando para não perguntar o motivo de ele não ter ligado para nós. Mas ele foi mais rápido.
- Então, ... – fiquei com as pernas bambas, ele ainda lembrava meu apelido – Por que você nunca respondeu a mensagem que eu mandei?
- Como assim? Eu respondi na mesma hora! – eu disse rapidamente.
- Eu nunca recebi essa mensagem, achei que vocês não queriam papo comigo. Aí eu nem liguei...
continuava calada, ela ouvia atentamente a conversa.
- Pera, deixa eu confirmar aqui o número que eu respondi a mensagem – eu disse pegando o meu celular e olhando o primeiro número da agenda “AAAA TELEFONE DO DOUGIE” e ditei o número.
Depois que eu disse o número, ele bateu na testa.
- Caramba, eu coloquei o telefone do ! Sou um imbecil! – ele disse que OH, MEU DEUS DO CÉU. Eu tinha o telefone do ESSE TEMPO TODO e não sabia. Dei um grito interno, mas continuei com cara de paisagem – Então foi isso, vocês não me odeiam! – ele começou a rir.
- Você acha mesmo que eu ia te odiar? Eu comprei um ingresso VIP pro seu show! – e comecei a rir.
- Mas e aí? Você me deu o seu telefone ou não, ? – ele disse virando para .
- Pergunta pro – ela disse rindo.
- Vou perguntar – ele deu um sorriso malicioso.
Continuei conversando sobre bobagens da minha vida com enquanto andávamos pelo corredor. Chegamos na sala do Fletch e eu travei antes de entrar na porta. e me olharam.
- Qual o problema, ? - perguntou.
Eu continuei muda.
- Ah não, ! – tinha sacado – Você realmente se tocou só AGORA? Que vai trabalhar para os seus ídolos?
- Ué, você tava conversando comigo de boa até agora – disse.
- É, mas é diferente ! Eu já me acostumei com você! – eu disse apontando para o rosto dele, que deu uma risada da minha cara.
- Ok, hora de você se acostumar com os outros agora... – disse segurando meus ombros e me empurrando porta adentro – Relaxa, você é muito legal, eles vão te adorar... Qualquer coisa eu to aqui.
- Obrigada, ! – eu disse parando de andar e dei um abraço nele.
Ele começou a rir e virou para .
- Tá nervosa também? Quer um abraço?
- Estou nervosa, mas não preciso do abraço – disse e entrou na frente. É, ela estava no esquema de ignorar o pobre do . Não sei como ela consegue resistir aos poderes sexys dele. Eu, definitivamente, não resistiria. Fato, se o pedisse um abraço eu nunca mais soltava.
- Relaxa , ela só se faz de difícil, te garanto que ela tá no seu papo – falei só pra ele ouvir. Ele deu um grande sorriso e entrou comigo na sala.
já estava cumprimentando Fletch, e conhecendo os meninos. entrou na frente.
- Desculpa o atraso! – e foi sentando ao lado de , estava o cumprimentando no momento. Depois ela passou direto por falando:
- Já nos conhecemos – e se sentou no lugar reservado pra ela.
Eu entrei logo em seguida e Fletch foi logo falando:
- Esta é a ! – apontou para mim sorrindo – Nossa mente cibernética – todos olharam para ele e fizeram cara de “cala a boca Fletch, essa piada não teve graça”.
- Mente cibernética? – demorou um pouco e então entendeu – Ah, por que ela vai cuidar do site, né?
Todos começaram a rir e eu sentei no meu lugar.
- Você não esteve no nosso camarim? – me reconheceu e perguntou.
- Estive sim – eu falei sorrindo, ainda estava meio nervosa de falar com eles.
- Foi ela que esqueceu a máquina no camarim – começou a falar – E a é a dona da máquina.
- Aquela que eu quase quebrei? – perguntou.
- Essa mesmo! – disse rindo.
Ficamos um tempo jogando conversa fora, até que Fletch finalmente começou a falar das ideias dele e do para o site. No final das contas havíamos bolado um grande e interativo site.
- Então está tudo resolvido. Vocês já podem começar a procurar o resto da equipe e começar a trabalhar no site – Fletch disse por fim – , você é a líder da equipe do Mcfly Super City - este havia sido o nome escolhido após uma pequena disputa entre e e depois com as ideias de e , eles finalmente acharam que Super era a palavra certa - E você tem inteira permissão para contratar, demitir ou banir alguém da equipe, ou mandar eles – apontou para a banda – ficarem quietos enquanto você trabalha.
- Eu posso mandar no McFLY?! Nem no meu sonho mais louco – comentei só para , enquanto os meninos reclamavam de alguma coisa com o Fletch.
- Enfim, meninas, está tudo na mão de vocês. Agora eu tenho outra reunião, os meninos vão mostrar qual é o andar que está reservado para o site – ele disse e todos nós nos levantamos e fomos para o tal andar.
- Um andar inteiro? – eu comecei – Para que tudo isso?
- É porque ele quer manter todos que vão trabalhar nisso num lugar só... – disse – O Fletch tem mania de organização, se dependesse de nós, todo mundo ficaria bagunçado – O telefone dele tocou e ele se afastou para atender. Acabou tendo que ir embora mais cedo, tinha um encontro com sua namorada, Jenny. Fiquei meio triste, afinal eu ainda nem tinha conversado direito com ele... Mas agora que estou trabalhando com eles, terei todo o tempo do mundo para isso; Logo, tratei de me animar.
O andar era bem grande e tinha umas seis salas. Uma dessas salas era a maior de todas e tinha ligação com uma segunda sala. Decidimos que essas iam ser a minha sala e a de . Por serem as maiores e por terem a ligação. Assim nós poderíamos nos falar todo o tempo.
Começamos a fazer uma lista das coisas que precisaríamos e das pessoas que teríamos que contratar.
Enquanto fazíamos as listas, uma das assistentes do Fletch entrou na sala e me entregou um envelope, dentro tinha um cartão de crédito e um bilhete “Para comprar o que for necessário. Use com sabedoria, Fletch.” É, eu tinha acabado de receber um cartão de crédito para torrar o dinheiro do McFLY. Claro, eu não pretendia usá-lo para comprar coisas para mim, e sim para transformar esse andar em um lugar descolado para todos que trabalharem nos ajudarem a fazer o melhor site já inventado.
Depois de um dia grande de trabalho nos despedimos deles e fomos para casa.
Assim que chegamos passamos quase a noite toda falando sobre os meninos... estava tendo um "intensivão" sobre McFLY comigo.
- Ok, foi o – ela respondeu a última pergunta.
- Isso! – eu disse sorrindo – E dessa vez você falou o sobrenome certo também.
Acredita que ela foi CAPAZ de falar ? Pois é... Mas ela estava melhorando.
- Chega, vamos dormir? – ela disse – Amanhã a gente trabalha cedo!
Concordei com ela e corri para meu quarto. Ao deitar na cama fiquei pensando em tudo que aconteceu e imaginei que se eu dormisse poderia acordar do sonho a qualquer momento. Me belisquei. Soltei um gemido de dor e me arrependi de ter me beliscado. Aquilo realmente é a realidade. Dei um sorriso e dormi.
Capítulo V
'S P.O.V.
- Dude, o Fletch achou as meninas perfeitas pra tomar conta do nosso site e publicidade, né? – eu falei.
- Perfeitas? – falou levantando uma das sobrancelhas.
- É, tipo, a , por exemplo, parece muito com a gente. Vocês não acharam? – respondi.
- Na verdade, eu não achei nada, você fez monopólio dela – disse – Desde o camarim você tá nessa monopolização, até foi pra Starbucks com ela.
- Ui, sinto cheiro de ciúmes no ar... Caramba , nem as pessoas que trabalham pra gente vão escapar de você agora? – disse e todos começaram a rir, todos menos , que disse:
- Cara, eu achei ela gatinha mesmo, mas não passou nada pervertido na minha cabeça até agora – ele parou e começou a fazer cara de “to pensando agora”.
- Pelo amor de Deus, você tem namorada! – taquei um travesseiro na cabeça de e continuei – Como eu dizia, eu notei que ela tem bastante coisa parecida com a gente enquanto nós estávamos conversando lá no camarim e depois quando conversamos hoje antes de chegarmos na reunião...
- Tipo o quê?
- Ela tem só uma covinha, só que bem mais sexy do que essa que parece que é um buraco – eu disse apontando e rindo – Ela gosta dos mesmos filmes também, tipo Ghostbusters e De volta para o Futuro.
- Cara, você descobriu a vida da menina em vinte minutos? – disse rindo – Que mais que ela gosta?
- Ela é viciada em Blink-182, toca violão e já teve uma banda só de meninas – ele completou.
- Ela não tem cara de que toca violão – disse.
- Você não parece ter neurônios suficientes pra tocar qualquer instrumento também, mas olha aí, toca até mais ou menos – disse dando uma risada.
- Eu toco muito bem, Sr. – ele disse fingindo estar indignado.
- Ok, chega de conversa fiada! Fora do meu quarto, temos que descansar, a falou que amanhã temos que sair cedo para começarmos o trabalho – me ajudou a empurrar todos para fora e cada um foi para seu respectivo lar.
END OF 'S P.O.V.
Após algumas semanas estava tudo pronto, tínhamos uma bela equipe. Jimmy, meu assistente, era o máximo! Tudo estava funcionando bem e uma versão preview do site entrou no ar. Tivemos tantas reuniões para decidir os detalhes de tudo que todos os meninos já eram como amigos de infância pra mim. Nós saíamos juntos sempre, eu tinha me tornando melhor amiga da namorada do , e até as fãs já conheciam os nomes “ e ” porque os meninos espalharam que estávamos fazendo o novo projeto deles com ajuda de uma equipe muito boa.
e eu tínhamos nos tornado ótimos amigos, estava de olho no marketing da banda e sempre me falava as fofocas quentes e inventadas dos tablóides. Ela estava bem próxima de ultimamente, o que deixava um pouco apreensivo. Afinal, apesar de tudo, ele ainda tinha dúvidas em questão da fidelidade do amigo. E claro, continuava o ignorando, o que só aumentava a aflição do coitado.
- Ai , pelo amor de Deus, né? Ele tem namorada, é seu melhor amigo e ela só é amiga dele! – eu falei enquanto desligava o computador da minha sala.
- Ah , eu confio nele, mas ele já está quase terminando com a Anne... Você tá sabendo, ele te falou que eles estão dando um tempo... – estava sentado na cadeira na frente da minha mesa e ficava rodando. Puro nervosismo.
- Para de rodar, ! Você vai cair! – eu disse quando ele deu uma volta completa e quase caiu - Mas o que te faz pensar que ele vai largar a Anne e pegar a ? Deixa disso, .
- Ah, , conversa com ele vai? – ele parou de rodar, fez carinha de pidão e soltou um olhar 43 – Ele vai te contar, sabe como é... Além da , é só pra você que ele conta coisas da vida amorosa dele...
- Tá, tá, , eu falo com ele – ele sabia do poder que o olhar dele tinha sobre mim e se aproveitava disso – Como você é chato! Agora me leva em casa? – minha vez de fazer cara de pidona – A saiu mais cedo... E eu estou sem carro.
- Levo sim, – ele disse pegando as chaves e saindo comigo da sala.
Ao chegar em casa fui entrando direto e nem percebi que havia um carro na frente da casa. Quando eu abro a porta dou de cara com .
- ? – eu disse me assustando.
- Ah, oi, ! – ele disse me puxando para um abraço. Eu senti borboletas no estômago. Sempre fui apaixonada por , ele é o meu fave, mas ele nunca soube disso e claro, eu tentava ignorar isso por conta de Anne, a namorada. Mas não tive muito sucesso, sempre ficava mais... Como poderia dizer? Sem palavras perto dele, ou rindo de qualquer bobagem que ele falasse. Mesmo assim, ninguém, fora , sabia dessa minha paixão louca por ele. E durante esse tempo em que estivemos todos trabalhando juntos, eu evitava ficar muito perto dele, para não dar bandeira do que eu realmente estava sentindo.
- O que você está fazendo aqui? - eu disse me soltando do abraço. Se dependesse de mim eu ficava abraçada nele para sempre. Mas eu tinha que mostrar que era normal e não uma fã apaixonada.
- Ah, vim aqui conversar com a ... – ele disse passando a mão no cabelo de um jeito fofo. Eu provavelmente deveria estar com os olhos brilhando – Que foi? – ele falou ao perceber que eu estava encarando ele de um jeito diferente.
- Han? – eu acordei do transe – Ah, nada eu tava pensando em uma coisa pro site... Enfim, conseguiu falar com ela?
- Falei... Mas no fim ela ficou puta comigo, como sempre... – ele disse cabisbaixo – Ela tá com raiva de mim por alguma coisa que eu fiz com o ... Não sei exatamente... – ele abanou a mão como quem muda de assunto – Sabe como é né? Ela é louca por ele, mas fica nesse mimimi de falar que não quer... Um dia ele desiste... – eu percebi que ele estava mudando de assunto, pelo visto não era esse o motivo da briga de com ele. Mas mudei de assunto e continuei no papo dele.
- Eu falo pra ela isso todos os dias... – eu já sabia disso, mas claro, como era minha BEST e ela sabia do meu amor pelo sujeito que estava na minha frente nesse exato momento, eu não podia falar para o como ela era boba por ele, e que os ciúmes que ele tinha do não tinham nada a ver. A não ser que eu quisesse que o descobrisse da minha paixão avassaladora – Enfim, se você não se importar, pode falar comigo – eu disse sorrindo.
- Tá tudo bem – ele deu um sorriso, mais uma vez escapando do assunto, o que me deixou bem curiosa – Tá afim de um sorvete?
- Só se for agora! – peguei meu casaco de volta e saímos andando para a sorveteria.
Chegamos na sorveteria e encontramos por um infeliz acaso, Anne. Tecnicamente, eles estavam namorando, apesar de ter pedido um tempo.
- ! – ela berrou/falou no meio da sorveteria.
Eu não gostava dela, não só porque ela era namorada do , mas por todo o contexto; Ela realmente era um saco. Até o estava de saco cheio, eu vi a cara dele murchar assim que encontrou com ela.
- Oi, Anne – ele disse.
– O que vocês fazem aqui?
- Viemos tomar sorvete – eu disse relatando o óbvio.
- Hum - ela disse.
- Nós precisamos conversar... – disse para ela e eu percebi que era alguma coisa séria.
Segui os dois, peguei o meu sorvete e inventei uma desculpa qualquer de que tinha que fazer alguma coisa extra no site e fui embora. Eu ia tentar descobrir o que estava rolando com a , ela devia saber. E talvez isso fosse o motivo da briga deles.
Voltei andando pela calçada com meu sorvete, pensando o que estava conversando com Anne. Ele tinha pedido um tempo para ela, mas pelo visto ela ainda não tinha entendido. E ele não tinha coragem de cortá-la. Talvez hoje ele tenha criado coragem e vá finalmente terminar com ela.
Cheguei em casa e fui direto para o quarto conversar com .
- , qual o problema do ?
- Ah... Nossa, é complicada a situação! – ela fez uma cara engraçada.
- Eu tenho toooodo o tempo do muuuundo – eu disse sentando na cama dela.
- Ok, vamos aos fatos – ela disse com cara de importante e sentou na cama na minha frente - pediu um tempo para a Anne – eu dei meu sorrisinho cínico. Sério, eu realmente não gostava dela, na época que eu soube que ele tinha pedido um tempo eu realmente comemorei – Para de rir, !
- Ah, você sabe que eu adoro um drama. Prossiga – e fiquei calada imaginando que ele provavelmente esta terminando com ela agora, não que eu esperasse que ele terminasse com ela e corresse para os meus braços. Pouco provável.
- Então, ele pediu o tempo, e ela ficou na dela... – ela parou e eu continuei calada – Lembra que o McFLY tocou para uma festa fechada semana passada? Aquela cheia de modelos? – ela esperou eu confirmar com a cabeça – Então, traduzindo: no meio de super modelos.
- Ele traiu a Anne? – eu perguntei – Com uma modelo? – Ok, que ele não estava mais afim da Anne, mesmo assim, ficar com outra mulher sem nem ao menos terminar com a namorada de dois anos... acabou de cair no meu conceito. E claro, isso me fez lembrar que realmente ele não ia correr para os meus braços quando terminasse e sim para os braços da tal modelo. O que me deixou com mais raiva ainda.
- Então, aí é que tá... – disse – Ele diz que só ficou com ela, nada de mais - fez uma cara de ironia.
- Hum – eu disse ainda pensando.
- Mas a imprensa toda, tá espalhando que ele tá apaixonado pela tal modelo – ela disse.
- Ixi! – eu disse quando lembrei que a Anne estava nesse momento conversando com ele.
- Que foi? – ela disse ao ver minha cara.
- Eu deixei o sozinho na sorveteria com a Anne.
- É, provavelmente ele deve estar terminando com ela – disse – Mas ele não tá afim da modelo lá, que a imprensa tá falando... Ele tá afim de OUTRA.
- Pobre – eu disse - Ele não tava afim da Anne, ok. Mas não tava afim da outra e a imprensa toda no pé dele agora...
- Pobre ? – disse – , ele tá terminando com uma e já vai pegar uma outra modelo! Sinceramente, coitada da Anne! Além de tudo, vai ter que ficar vendo a impressa toda falando do novo caso do .
- Eu sei... – eu disse olhando para o teto e deitando na cama – Espera, você disse OUTRA? Tem mais uma modelo na história?
- TEM! – ela disse – Ele ficou com uma, se “apaixonou” por outra, que por acaso é amiga dessa primeira, e diz ficou mal com tudo isso... – ela respirou fundo – Enfim, ele disse que ia conversar com ela e admitir tudo... Mas eu continuo achando que ele devia ter terminado antes de tudo.
- Hum – foi tudo que eu disse – E você tá com raiva dele por isso? – perguntei já sabendo a resposta. Eu também não tinha achado certa a atitude dele, mas talvez a estivesse exagerando um pouco. Ou talvez eu estivesse sem noção. Era o , eu não podia ter raiva dele.
- Ah, na hora que ele me falou que estava apaixonado por uma modelo que ele conheceu na tal festa, eu falei que ele tava de sacanagem e a gente acabou brigando.
- Ele disse que tava apaixonado? – eu tentei imaginar o falando isso.
- Não com essas palavras... – ela disse – Mas ele quis dizer isso, “amor à primeira vista”.
Eu balancei a cabeça negativamente.
- Pois é – ela disse levantando da cama – Foi isso.
- Ai, ai – foi tudo que eu disse enquanto me levantava da cama e saia do quarto.
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- Anne, eu tenho que te falar uma coisa – eu não sabia como começar.
- Vai falar que você realmente ficou com aquela modelo? – ela disse com raiva.
- Como você sabe? – perguntei.
- Pelo amor de Deus, ! – ela disse balançando a cabeça – A imprensa toda está falando disso... – ela parou um segundo – Eu sou vista como uma corna pelo mundo inteiro. Pelo menos admita que ficou mesmo com ela!
- Fiquei – eu admiti – Mas eu me senti muito mal com isso e por isso eu resolvi que iria te contar antes de qualquer coisa. E terminar nosso namoro – soltei tudo de uma vez.
- Antes de qualquer coisa? – ela disse fazendo ironia - Você é um filho da mãe mesmo! – ela começou – O mundo todo soube antes de mim.
- Eu não tenho culpa disso – me defendi.
- Podia, tipo assim, não ter ficado com ela, ou quem sabe, ter terminado comigo ao invés de ter pedido um tempo. Eu sempre soube que cedo ou tarde você ia fazer uma coisa dessas. Você não presta! – ela levantou da mesa e saiu sem olhar para trás.
Fiquei triste, eu estava com ela por dois anos. E agora ela tinha saído da minha vida assim, sem olhar para trás. E sem me deixar terminar de falar tudo que eu tinha para falar. Com certeza, depois quando ela soubesse da Serena, ela perceberia que eu não tive culpa. Eu simplesmente me apaixonei. Ok, talvez não, eu realmente não sei dizer se estou apaixonado ou não... Pelo visto não, o vive falando que a gente sempre sabe quando está apaixonado. É, eu acho que não estou apaixonado... De qualquer forma, eu estou gostando muito da Serena, acho meio injusto isso que eu fiz com a Anne, e o que eu vou fazer com a Sarah, porque ela ainda não sabe da Serena. OMG, a Serena é amiga da Sarah. Acho que ela vai entender melhor que a Anne, pelo menos eu espero isso. Merda! Preciso de uma psicóloga, eu to ficando louco por culpa dessas mulheres loucas.
Parei de pensar e pedi um sundae.
END OF 'S P.O.V.
Capítulo VI
Eu estava dando uma olhada em como o site estava ficando. Era muito bom, eu tinha terminado o layout mais cedo e ele já estava no ar, apesar de ainda não ter todo o conteúdo. Eu tinha postado alguns vídeos exclusivos mais cedo e as fãs já estavam me amando por isso. Outras partes estavam com um “em breve”, mas a parte mais incrível já estava funcionando; Era o chat. Os meninos iam entrar nesse chat para falar com os fãs que estivessem online no momento e fariam webcams quando quisessem, é claro essa parte do site era somente para os registrados, mas por enquanto estava aberta para todos. Resolvi entrar no chat para ver o que o pessoal que estava por lá estava achando do site e o que eles achavam que seriam as surpresas.
Capítulo VII
Entramos na Starbucks mais próxima e sentamos numa das mesas mais afastadas. fez os pedidos e desligou o celular.
- Tá desligando por quê? – perguntei curiosa.
- Não quero ser interrompido – ele disse sério. Ui, agora seria a hora perfeita para ele se declarar e dizer que me ama mais que tudo. Mas, claro, só uma mente doentia como a minha poderia achar MESMO que ele ia pirar do nada. Parei de pensar bobagens quando ele falou:
- Então, não sei nem por onde começar... – e ficou olhando para a mesa.
- Que tal pelo começo?
- Você já deve saber a história, mas... – ele parou e eu continuei calada – Você já sabe, né?
- Não, você não me deu nenhuma pista sobre o que vai falar... Como eu posso saber se eu já sei? – ok, eu já sabia, mas vai que eu falo: É, já sei, você traiu sua namorada de dois anos e ele vira e fala: "não, eu tava falando do aniversário surpresa do ".
- Sobre o que aconteceu naquele show fechado do McFLY...
- Ah, o das super modelos? – eu disse – Sei o que a imprensa disse – menti. Ele não sabia que a me contava tudo.
- Ok – ele disse e tomou um gole do café dele. – Vamos do começo, eu dei um tempo com a Anne, porque as coisas não estavam indo muito bem – eu continuei calada e ele continuou a falar – Sinceramente, eu acho que pedi um tempo porque não tive coragem de terminar.
- Hum... Ok. Prossiga – eu disse e peguei o meu café.
- Então eu fui para o show, como sempre, sabe? Só pra tocar e ir embora, esses shows fechados sempre são um saco. Durante o show eu vi essa garota – ele parou ao olhar para minha cara de “já sei o que você vai falar”.
- Você não vai dizer que se apaixonou pelo olhar dela, vai? – eu disse rindo.
- Não, eu não vou – ele deu um sorriso.
- Ah bom! Já ia procurar o verdadeiro embaixo da mesa se você tivesse dito.
- Deixa de ser boba, – ele disse – De qualquer forma, eu vi essa garota e depois do show ela veio falar comigo. Ela é uma das Angels da Victoria's Secret. Tipo, eu realmente fiquei com ela só para tirar uma onda – eu fiz uma cara de reprovação e ele tentou se justificar - , um dos “Anjos” da Victoria's Secret! Eu não ia deixar isso passar.
Eu continuei calada.
- Então eu fiquei com ela. Mas eu não senti nada e depois eu pensei na merda que eu tinha feito... Pensei em correr para falar para a Anne na hora e terminar tudo... Eu sabia que ela ia me odiar para sempre, mas eu não mudaria isso. Eu sei como ela deve estar se sentindo agora.
- Sabe mesmo, ? – eu perguntei.
- Eu imagino que sim – ele disse.
- Você já foi traído?
- Não que eu saiba...
- Então você não sabe – eu disse botando um fim nessa conversa.
Ele ficou calado por um tempo e finalmente disse:
- Mas na outra noite, uma depois da que eu fiquei com a “Anja” – eu ignorei a palavra inventada – Ela me apresentou uma amiga dela. Serena - ele fez uma pausa – Foi ela que me fez vir aqui terminar com a Anne, eu realmente fiquei muito afim dela, .
- COMO ASSIM? Você ficou com DUAS? – eu estava ficando estressada, ele falava aquilo naturalmente, entendi porquê a estava com raiva. Eu já sabia da história, mas vendo ele contar assim na cara dura, me deixou bem mais irritada.
- Não, eu não fiquei com ela – ele disse – Fiquei só com a primeira. Essa outra eu quase fiquei, mas eu pensei que deveria terminar primeiro, porque eu quero realmente começar tudo certo com ela... E, claro, eu ainda tenho que terminar com a primeira modelo, a Sarah.
Eu estava chocada. O não tinha quebrado só o coração da Anne, mas também quebraria o da outra, que ele vai trocar pela amiga dela. Ele, definitivamente, não presta.
- Caramba, ! - foi tudo que eu disse – Você realmente não tem noção de 1% do que a Anne tá sentindo. E o que ela vai sentir quando souber que você quase ficou com duas no mesmo dia.
- , todo mundo tem o coração quebrado um dia! – ele disse de um jeito frio que eu nunca havia visto ele usar – Eu não ia ficar com ela se eu estou afim de outra.
- É , mas você podia ter terminado com ela desde o início sabia? Teria poupado tudo isso.
- Você tá do lado da Anne por quê? Não estou te contando isso para você tomar um lado... Você, a e provavelmente todas as meninas vão ficar assim contra mim sempre? – ele se fez de vítima.
- , você já me disse que nunca foi traído; Eu e a já fomos. Eu um pouco pior do que ela – eu parei para respirar e me concentrar, eu não podia chorar agora - Posso dizer que sei REALMENTE o que a Anne está sentindo, porque o que você fez com ela alguém já fez comigo.
É, não deu, eu comecei a chorar.
- , não fica assim! – ele levantou da cadeira e foi para o meu lado me dar um abraço.
- Tá tudo bem – eu disse limpando minhas lagrimas – Mas saiba que você podia ter evitado isso. Ok, não dá mais, o que está feito está feito. Você podia pelo menos tentar ser discreto e demorar pelo menos um pouco para “mostrar” essa nova garota? – ele me olhou.
- Que diferença isso faria? – disse.
- Toda, pelo menos a Anne vai achar que foi só por causa de uma que você terminou com ela. E não por conta de duas.
- Ok, acho que você tá certa – ele disse – Agora me diz o que aconteceu com você?
Eu respirei fundo, mas dessa vez eu não senti vontade de chorar. Apesar de tudo, estar ao lado do cafajeste do me fazia ficar bem.
– Nada que valha a pena contar – eu disse e ao invés de começar a chorar, eu dei um sorriso.
- Qual o seu problema? – disse ao me ver gargalhar.
- Acabei de perceber que não tem porquê eu chorar – eu disse sorrindo ainda mais – Agora ele está lá no Brasil, provavelmente sozinho, ou pegando todas... E eu estou aqui, em Londres, ao lado de um Super Star reconhecido mundialmente.
- Viu só, você se deu melhor que ele – ele disse rindo – Até porque você não está do lado de qualquer super star. Você está do lado de – ele deu uma piscadinha sexy e fez uma pose, eu comecei a rir ainda mais.
- , se essa sua nova modelo aí for um saco – eu disse olhando para ele – Eu tenho todo o direito de odiá-la, ok?
- Ok, mas eu vou te mostrar como ela não é um saco – ele deu um sorriso bobo – Ela é o máximo.
Eu dei um sorriso falso, ele provavelmente achou que ainda era por conta da minha tristeza anterior. Mas não, foi porque ele parecia mesmo estar gostando de verdade dessa tal Serena.
- Você tá com raiva de mim? – ele perguntou.
- To não, – eu respondi – Do mesmo jeito que eu acabei de perceber que estou bem, a Anne vai perceber um dia também.
- Viu, coração quebrado alguma vez acontece – ele disse.
- É, eu quero ver quando você quebrar o seu... – ele me olhou sério – Calma, não estou desejando isso – eu comecei a rir.
- Olha, você tá jogando praga, hein? – ele se afastou de mim, brincando.
- Que nada, seu bobo – eu disse bagunçando o cabelo dele – Quando alguém quebrar seu coração eu te ajudo a superar, a gente compra um monte de sorvete e chocolate.
- Obrigado, ! – ele disse – Vamos embora? Você ainda tem que me deixar em casa.
- Ah, é! Eu esqueci que eu estou como sua motorista! – eu disse pegando as chaves – Vamos!
Deixei em casa e fui direto para a minha. Cheguei lá e dei de cara com COMPLETAMENTE produzida. É, super produzida mesmo. Ela estava pronta para a balada Londrina.
- Aonde você vai? – eu disse ao vê-la.
- NÓS – ela disse com ênfase – vamos numa festa, vai se arrumar.
- Que festa?
- Uma festa em que o Sr. vai estar – ela disse se olhando no espelho – Vaaaaaamos, se arruma logo!
- E quem te disse que euzinha aqui vou na festa que você vai desdenhar o meu amigo gostosão?
- , eu preciso ter certeza que eu posso fazer ele ficar caidinho por mim.
- Eu tenho novidades pra você, ele sempre foi caidinho por você, só VOCÊ que acha que não – eu disse subindo as escadas.
- , ... – ela começou – Ele não gosta de mim... Ele me quer só porque ainda não me teve.
Eu parei na escada e comecei a pensar que talvez ela estivesse certa. Se o gostasse mesmo dela, ele já teria dado um jeito de pegar ela. consegue me influenciar fácil.
- Adoro ver sua cara de compreensão – ela disse ao me ver levantar uma das sobrancelhas e parar de andar no meio da escada.
- Ok, você venceu! – eu disse – Vou com você, só porque eu quero tirar isso a limpo. Analisarei cada passo do , aí se o meu veredicto for favorável a ele – eu disse e fez uma careta de “não entendi nada” - Se eu achar que ele está gostando de você – eu traduzi e ela continuou calada – Você vai ter que ficar com ele – eu sorri.
Ela ficou um tempinho calada e disse:
- Ok, vai se arrumar então.
Eu subi as escadas correndo, peguei meu celular e me joguei na cama.
Escrevi e enviei um sms e corri para o banho.
'S P.O.V.
- Deixa de ser gay, vamos pra festa logo, muitas gatinhas vão estar lá e tal...
Eu continuei calado na frente do computador.
VRUMMM VRUUUUM
- Que porra é essa, ? – disse ao sentir o meu travesseiro vibrar.
- Meu celular! – eu disse tentando pegá-lo – Dá aqui, !
- Porra, é um celular mesmo! Eu jurava que tinha descoberto o seu vibrador perdido.
Eu ignorei e peguei o meu celular. Era um sms da :
“Hoje é o seu dia de sorte! Se vc estava
considerando não sair hoje, se arruma e
vai pra Private. – xx ”.
- , você me convenceu, vamos pra Private! – eu disse dando um sorriso.
- Cara, você deve ser bipolar – disse – Mas já que você decidiu, vamos passar lá no e partir pra noite! – ele se levantou da cama e fez uma pose um tanto quanto estranha.
- O não falou que não ia sair com a gente hoje? – perguntei – Alguma coisa com a Serena, sei lá... Você ficou sabendo que ele terminou com a namorada? E já tá quase namorando outra?
- Ele não terminou com ela hoje à tarde? – perguntou.
- Foi... – eu disse – Mas ele terminou por conta dessa nova quase namorada.
- Hum... Ah, é o né? Eu devia estar é acostumado – ele disse rindo.
- As meninas só ficaram sabendo de tudo hoje... – eu comecei – Acho que ele não vai levar a Serena assim de cara.
- Cara, é o – disse – Aposto que ele vai levar ela... Mas espera aí... – ele disse levantando uma das sobrancelhas – As meninas vão? Como o senhor sabe?
- Hum... É... – eu tentei disfarçar, mas o sorrisinho cínico de estava me matando – Ah, foi a que me mandou o sms... Disse pra eu ir pra a festa.
- Isso quer dizer que a vai estar lá, né?
- Não sei – eu disse – Mas não vou perder a chance. Liga aí pro e vê se ele vai ou não. E o ?
- Ela já está lá com a Sally – falou e pegou o celular para ligar para o .
- Bom – eu disse abrindo o meu guarda roupas.
END OF 'S P.O.V.
Capítulo VIII
estava batendo na porta do meu banheiro feito uma louca. Eu gritei umas três vezes de dentro do box que já estava terminando, mas ela não me escutou.
- ! – ela continuava batendo na porta – Eu tenho que te falar uma coisa!
Eu abri a porta enrolada na toalha e pingando.
- Fala, !
- O ! – ela disse e se sentou na minha cama.
- O que é que tem? – eu perguntei.
- Ele vai levar a tal Serena, lá pra Private.
- Sério? Caramba! – eu disse – Como você sabe?
Ela me mostrou o sms no celular dela.
"Já sei que você e a vão pra festa, só vou
avisar que a Serena vai comigo. Sejam legais
com ela. – xx "
- Gente, que dia longo! – eu falei e devolvi o celular para .
- Como assim? – ela perguntou.
- De manhã eu tava no trabalho feliz, aí de tarde você me conta a bomba do , – comecei e ela ficou prestando atenção – depois eu fui na casa do ensinar os meninos a mexer no site e, mais tarde, o terminou com a Anne – continuava calada – E agora ele já vai sair com a super modelo lá – eu disse andando para o meu guarda-roupa.
- É, não tinha parado para pensar no ritmo frenético que as coisas aconteceram hoje – fez cara de pensativa – Ah, quem se importa? Se arruma linda aí, . Que hoje a noite é nossa.
- Será que essa Serena é legal? – eu disse.
- Por quê?
- Porque eu não gosto de odiar gente legal... Era tão mais fácil odiar a Anne...
- Não entendi, por que você tem que odiar a menina?
Eu simplesmente continuei encarando a .
- AAAAAH! SAQUEI! – ela disse de repente – Porque ela é a gatinha da vez do , e você só é apaixonada pelo cafajeste.
- Pois é – eu disse rindo – De qualquer forma, vou terminar de me arrumar, não quero estar feia para a nova “gatinha da vez” do .
Eram onze horas quando eu fiquei pronta e nós saímos para a Private. Chegamos lá e encontramos com e Sally na entrada.
- Oiiii! – Sally disse vindo nos dar beijos na bochecha.
- E aí? Os meninos já chegaram? – eu perguntei.
- Eles já estão vindo, o vai apresentar a nova garota dele – disse.
Sally balançou a cabeça negativamente.
- Esse não presta – ela disse – Se você terminar comigo, por favor arranje outra pelo menos uma semana depois, tá? – ela apontou para o .
- Não estou planejando te trocar não, linda – ele disse e deu um beijo na testa dela.
- Acho bom! – ela começou a rir – Meninas, vocês TEM que me ensinar aquela dança maravilhosa que eu vi outro dia!
- Vamos entrar, quando os meninos chegarem a gente deixa o com eles e vai dançar! – disse.
Sentamos na nossa mesa reservada, afinal, nós estávamos com uma estrela. Algumas meninas reconheceram o e pegaram autógrafos. Super normal, e nem ficaram muito tempo por lá. Depois de um tempo nossos drinks chegaram.
- ! – deu um gritinho quando um acorde da nossa música começou.
– NOSSA MÚSICA! - nós duas gritamos – Vem, Sally! – puxamos ela e, no caminho, vimos os meninos chegando. Demos um tchau e continuamos correndo para a pista de dança. A tal Serena estava lá também. Super bonita, mas alguma coisa nela ainda me lembrava a Anne... Vai ver é o “tipo” do .
Enfim, minha música estava tocando e não tinha quase ninguém dançando. A pista era toda nossa. Era hora de ignorar meus problemas. Se bem que não isso não era realmente um problema. A Sally começou a rir quando eu e começamos a cantar e dançar a música. Nós estávamos dançando como sempre... Mas nessa música nós usávamos todo o nosso poder de sedução, que não é pouco. Fala sério, todas as brasileiras tem um grande poder de sedução comparada com qualquer Londrina dura. Quando estava perto do refrão quase toda a boate estava nos olhando. Outras pessoas teriam vergonha. Mas não eu, não a , não na NOSSA música. Quando o refrão começou nós começamos a cantar alto e continuamos a dançar.
“Because when I arrive I bring the fire
(Porque quando eu chego eu trago o fogo)
Make you come alive I can take you higher
(Faço você se sentir vivo eu posso te levar mais alto)
What this is, forgot? I must now remind you
(O que é isso, esqueceu? Devo lembrá-lo agora)
Let It Rock Let it Rock Let it Rock”
(Deixe balançar, deixe balançar, deixe balançar)
Durante o refrão muitas pessoas vieram se juntar a gente na dança. Sally começou a dançar junto conosco e os meninos estavam olhando da mesa. A cara deles era de completa surpresa. Eles nunca haviam visto nenhuma de nós duas dançando. Sabe como é, nós, brasileiras, temos o gingado. E eles estavam acostumado com as inglesas dançando. Claro que a percebeu a cara de abestalhado que estava fazendo, e continuou provocando o pobre durante a dança.
- Cara, elas dançam muito! – comentou.
- É! – foi tudo o que o falou ainda olhando para a pista.
- Para de babar, ! – fez piada – Olha que linda a Sally – ele disse na hora que ela começou a dançar conosco.
- Você é muito devagar, – disse – Se fosse eu...
- Você já teria pego a , terminado com ela e estaria com outra agora – interrompeu e falou de uma vez sem lembrar da presença da Serena ali. Quando ele percebeu acrescentou rapidamente – Sem ofensas a você.
- Tudo bem – ela disse dando um belo sorriso – Eu sei que ele não presta. Mas relaxa, eu vou manter ele na linha.
deu um sorriso e beijou ela na bochecha.
- Vai sim – ele disse.
- É, vai mesmo – disse irônico e voltou a olhar as meninas dançando.
- Tem muita gente secando minha namorada, com licença. – disse levantando e indo para a pista beijar a namorada na frente de todos os homens que estavam quase pulando em cima das meninas.
Os caras estavam começando a se incomodar, então eu resolvi ir até a mesa e puxei para dançar comigo. O que deixou a extremamente furiosa. Ela queria continuar provocando ele de longe. E claro, os caras dando em cima dela estavam ajudando com isso.
- Todos os homens daqui estão com inveja de mim – ele disse quando eu puxei ele para dançar comigo.
- Relaxa, que todas as mulheres, incluindo minha amiga, estão com raiva de mim por ter te puxado – eu disse rindo.
não sabia dançar direito. Era até engraçado, mas nem eu e nem ele estávamos ligando para o que os outros estavam pensando, e eu comecei a brincar e dançar igual a ele.
Depois fomos sentar e conversar um pouco.
A Serena, nova gatinha da vez, parecia ser até legal. O que me deixou com um pouco de raiva, eu acreditava que ela seria um porre. Ai eu lembrei que eu, definitivamente, não faço o estilo do e tentei superar. Eu, pelo menos, era amiga dele. Pelo menos? O que eu estou falando! Eu sou AMIGA dele, bem melhor do que qualquer coisa, ele vai ter que me aturar para sempre, certo? Isso é bem melhor do que ser a gatinha de vez e ser trocada por uma modelo. É, prefiro ser amiga.
- Então o que vocês fazem além de trabalhar para eles? – Serena perguntou. Eu disse que gostava dela? Pois é, acho que não gosto mais.
- Nós fazemos pós-graduação na Oxford. E você, faz o que além de desfilar? – eu não consegui me segurar, eu vi o olhar do cair sobre mim e também vi segurar uma risada.
- Hum, Oxford! Eu não faço mais nada, não preciso – é, ela respondeu isso.
- Hum, legal – eu disse e peguei minha Piña Colada na mesa.
Ela virou para conversar um pouco com a Sally, e ficou surpresa por ela ser atriz. Depois voltou a falar comigo.
- E aí, ? – ela tava achando que era minha amiga íntima para me chamar assim? Mas eu deixei, o com certeza ia ficar de mimimi se eu falar “oi, me chama de ?” - O que você pretende fazer daqui uns cinco anos? – que diabos de pergunta foi essa? Parece entrevista de emprego... Eu lembro de ter respondido perguntas assim, no RH uma vez...
- Pretendo estar rica atuando na minha área – eu disse a mesma coisa que eu disse para a Psicóloga do Rh que deu uma risadinha durante a entrevista. E claro, eu perguntei a mesma coisa – E você?
- Ah, eu quero estar trabalhando muito e quem sabe ter um daqueles contratos estilo Gisele Bundchen na Victoria's Secrets - doce ilusão.
A Gisele é minha conterrânea, oi Brasil. A Serena é bonita, mais ela não é material Gisele, se é que você me entende. Eu levantei uma de minhas sobrancelhas e vi a cara do de “pode falar, vai em frente, eu quero muito que você fale”.
- É... Hum... A Gisele conseguiu esse contrato com a Victoria's Secrets com uns 23 anos... Você tem quantos? – É, eu perguntei a IDADE de uma modelo. Esperei a resposta.
- Tenho 25... Mas esse é meu plano para 5 anos – ela disse rindo.
- Aí você vai ter 30! – eu disse – É bom começar a pensar em outros planos.
levantou da mesa discretamente e foi rir em um lugar mais distante.
Ela ficou um pouco irritada, e disse:
- Tudo bem, eu ainda tenho o meu plano de fuga... – Ela pegou a mão do – Tipo fisgar um rockstar.
Eu resolvi entrar na dela.
- Ah... Se eu fosse você tentava jogadores de futebol, são mais confiáveis. Sei lá, os rockstars tem essa mania estranha de querer todas as mulheres – e olhei para , que estava levando tudo que eu disse na esportiva. Por isso que eu adoro homens, eles nunca percebem uma luta feminina ocorrendo.
- Dá nada não, ele pode ter todas as mulheres – ela disse e todo mundo olhou surpreso, inclusive – Desde que eu tenha os cartões de crédito – e então, até eu dei uma risada.
Depois de muitas bebidas, essa tensão inicial diminuiu, e eu acabei ficando colega dela. É, colega, não amiga. Muita calma nessa hora, eu não vou ser amiga da pessoa que está pegando o meu objeto de paixão. A estava completamente bêbada. Muito mesmo. Ela ficou conversando com uma cadeira por alguns minutos até perceber que não tinha ninguém lá e cair na risada. estava no mesmo estilo, e os dois começaram a conversar. Contavam piadas sem sentido e ficavam uma hora rindo delas. Até que outra música que nós gostamos começou a tocar.
- ! VAMOS DANÇAAAAAR! – gritou e levantou da cadeira de uma vez – Você também, vamos dançaaaaar, ! – ela puxou o menino pela mão e foi para o meio da pista.
- Vamos dançar, meninas? – eu perguntei para Sally e Serena.
- Aaaaaaaaahhh! – Sally falou – Essa é a música da dança que vocês tem coreografia! Você vai me ensinar agora! – e levantou para dançar – Vamos, Serena?
- Ah, vão lá meninas, eu não sou muito de dançar... – ela disse com vergonha.
- Deixa de frescura, todas as mulheres sabem dançar. Vem, eu ensino a coreografia da música ali e a gente finge que é foda – eu disse rindo e puxei as duas.
já estava tentando ensinar o bêbado a dançar a nossa coreografia. E ele não estava prestando nem um pouco de atenção, então ela desistiu e deixou ele dançar do jeito estranho dele e se juntou a nós.
Quando a Serena disse que não sabia dançar, ela não estava brincando, a menina não sabia rebolar. Como assim? Desculpem o baixo nível, mas ela não devia ser boa de cama. Haha. Tipo assim, tem que pelo menos saber rebolar direito né, moça? Ela desistiu de aprender e foi dançar com o . Sally conseguiu aprender nossa coreografia. E nós três começamos a dançar igual até o fim da música. Depois disso, nós pagamos um “mico”. O Dj da festa disse que ia dedicar uma música para as três gatinhas dançarinas. E todo mundo olhou diretamente para nós. E ele colocou para tocar Sexy Bitch, pois é. Como eu e a gostamos da música, nos relevamos, o ficou com ciúmes e foi dançar com a Sally, o que fez eu e a ficarmos sozinhas no meio da pista dançando.
estava muito bêbada, e eu o suficiente para continuar dançando. Os meninos resolveram descer para a pista para "tomarem conta" de nós duas. Serena continuava “dançando” com o , foi dançar com a . E o sobrou pra mim, não que eu esteja reclamando, mas eu estava meio fora de controle, e era o . Ele chegou na hora que a música começa novamente e começou a cantar, para eu continuar dançando “de acordo com a letra” e claro, foi isso que eu fiz. Eu só percebi que ele estava muito perto quando ele disse no meu ouvido “Damn Girl” junto com o Akon. Eu quase cai no chão e afastei disfarçadamente com a desculpa da dança. Fiquei de frente para ele, para ter certeza de não ter perigo de ficar próximo dele como eu estava antes. O que não ajudou muito, porque ele estava alterando a letra da música e falando “you’re a sexy bitch” em vez de “she’s a sexy bitch” e claro isso saindo da boca do meu objeto de amor, não era uma coisa fácil de aguentar. A música estava acabando e eu não sabia se eu ficava feliz ou triste. Feliz por poder relaxar ou correr para o banheiro para jogar uma água fria no rosto e tentar esquecer a cara de safado dele falando que eu sou sexy. Não, não, ele não falou que eu sou sexy, ele estava cantando a música, , foco. Triste exatamente, porque ele não ia mais me chamar de sexy. Cantar que eu sou sexy. Cantar a MÚSICA. Merda, preciso sair daqui.
A música acabou, ele me deu um abraço e um beijo na minha bochecha.
- Bom dançar com você – deu um sorriso e foi para perto da Serena que estava rindo do , que estava gritando “I’m a sexy bitch”.
- Você devia parar de beber, – , que tinha recuperado um pouco da sobriedade dançando, falou.
- Olha só quem fala! – ele disse – Você só está com inveja porque eu sou uma diva, e o Akon quer me conhecer.
pegou o braço do e levou ele direto para a mesa.
- Chega disso, , vamos sentar.
Eu puxei a e fui para o banheiro lavar o rosto e, sabe como é, me acalmar. Maldito . Por que ele tem que ser tão sexy? Ah, merda, eu não vou conseguir tirar da minha cabeça o momento que ele estava atrás de mim e disse no meu ouvido “Damn girl”. Sério, aquilo foi o máximo. Merda, merda, merda.
- Qual o seu problema? – disse ao me ver lavar o rosto, fechar os olhos e contar até dez.
Eu continuei minha contagem mental. Um, gostoso, não, cafajeste. Dois, olhar sexy. Muito sexy. Cara, isso não está dando certo, nem da minha contagem ele sai.
- Isso tudo foi por culpa da dança? – começou a rir. Eu simplesmente balancei a cabeça positivamente enquanto tentava ignorar a voz dele na minha cabeça durante a contagem.
Ela começou a rir.
- É, eu percebi, ele estava te seduzindo. Pelo menos você não deixou barato, eu vi, com minha visão turva de bêbada, ele babando.
- Isso não ajuda – eu disse ainda de olhos fechados e resolvi jogar mais água no rosto.
- Foi mal... – ela disse – Mas é verdade, sorte sua que o meu lindo tava distraindo a gatinha da vez. Ela ficaria puta.
Eu dei um sorriso e desisti de tentar ignorar. Nesse momento, Sally entra no banheiro.
- Uaaaaau, heeeeim?
Eu e olhamos para ela com cara de “qual o seu problema?”.
- O quase caiu pra trás. Que poder, heim dona ?!
É, eu sou foda, acho que posso conquistar o fácil. Para com isso cérebro indecente, eu não vou conquistar nenhum. Ele é, e sempre vai ser meu amigo.
- Que nada, a gente tava interpretando papéis. Ele era o cara afim da sexy bitch. E eu, a sexy bitch. Só isso.
- Te garanto que se a Serena tivesse visto a cara de desejo que ele fez quando você fez aquela coisa de ir até o chão, ela tinha ou te matado ou matado ele – ela começou a rir e se olhou no espelho – Falando nisso, acho bom vocês me ensinarem isso também.
- Amiga, é só rebolar e dobrar o joelho – disse rindo – Sabe como é, eu praticamente nasci com esse poder no sangue – e caiu na gargalhada.
- Não é tão fácil assim. Mas eu vou aprender – ela disse rindo enquanto eu lavava meu rosto pela quinta vez.
Pegamos a bolsa da , retocamos nossas maquiagens e arrumamos os cabelos. Saímos novas de dentro do banheiro e voltamos para a mesa.
Ficamos mais um tempo jogando conversa fora. ficou bêbada de novo, foi dançar mais um pouco e depois voltou da pista com o , estávamos todos cansados e decidimos pegar um taxi para voltar para casa.
Capítulo IX
Acordei com uma leve dor de cabeça. Nada muito sério. estava com uma garrafa de água e dois tipos diferentes de analgésicos para curar a ressaca dela. O engraçado da é que ela é uma bêbada ao contrário. Em vez de esquecer as coisas, ela inventa memórias que nunca aconteceram.
- , você jura mesmo que eu não fiquei com o ? – ela estava com uma lembrança de ter ficado com ele.
- Só nos seus sonhos, e nos dele – eu fiz piada e ela fechou a cara – Ficou não, .
- Aiiii , e se eu tiver ficado? Ele vai achar que eu sou muito fácil.
- , primeiro: você não ficou; Segundo: ele nunca vai achar que você é fácil. Se fosse eu, eu tinha pegado ele lá na Starbucks, na primeira vez que ele te deu trela. Isso sim seria fácil.
Ela suspirou, tomou mais água e foi para a sala deitar no sofá.
Eu fui para a cozinha procurar alguma coisa para fazer no almoço e o telefone tocou. Fui até o hall atender.
- Alô?
- ? – disse sussurrando.
- Sim, sou eu. Por que você tá sussurrando?
- Porque eu estou com uma dúvida de ontem – ele continuava sussurrando.
- , para de sussurrar, a gente tá no telefone... Qual sua dúvida?
- Eu fiquei com a ?
Opa, como assim?! A memória inventada foi compartilhada? Será que eles ficaram e ninguém viu?
- Olha, eu não vi vocês ficando não – respondi sinceramente – Mas...
- Mas o quê? – ele perguntou rápido.
- É o seguinte, eu não costumo acreditar nas memórias de ressaca da , ela sempre inventa coisas, mas... Ela me perguntou a mesma coisa.
- Merda, será que a gente ficou? Ou será que a gente só falou sobre o assunto? Porra, por que eu fui ficar tão bêbado?
- Não faço a mínima idéia – eu disse – Mas e se vocês tivessem ficado, o que vocês podem fazer? Nenhum do dois lembra de nada... É o mesmo que não ter ficado, certo?
- Não, não é.
- Por que não? – perguntei.
- Porque, se ela ficou comigo, isso quer dizer que ela quer alguma coisa e que eu tenho chance. É diferente.
- .
- Oi?
- Você TEM chance.
Ele ficou calado por uns segundos.
- Tenho que descobrir se eu fiquei mesmo com ela ou não. Obrigado, . Se você descobrir alguma coisa... Me avisa. Beijo.
- Beijo, .
É, agora eu estava com um pé atrás.
Fui para a sala e falei antes que eu me arrependesse.
- , era o no telefone.
- O que ele queria?
- Perguntar se vocês tinham ficado.
ficou branca, depois roxa, então eu vi ela assumir um tom esverdeado e se jogar no sofá.
- do céu, se eu tiver ficado com ele mesmo, eu vou ficar muito estressada.
- Eiii, eu não tenho culpa, vocês dois que ficaram bêbados e se aproveitaram um do outro escondidos.
- Não vou ficar com raiva de você, e sim de mim – ela disse triste.
- Não fica assim, , vocês podem não ter ficado.
- , nós dois temos “lembranças”. A gente deve ter ficado. E eu não lembro de nada direito.
Ela começou a chorar. Merda, TPM e ressaca da , acho que eu vou ter problemas. Dei um abraço nela.
- Por que que você não conversa com ele?
- Eu não tenho coragem... Se eu fiquei com ele naquele estado, ele deve estar achando que eu sou muito fácil.
- , para com isso, ele tá achando que vocês não ficaram. Só conversaram sobre isso.
- Mesmo assim. Ele vai ficar diferente comigo.
- Sabe o que eu acho?
- O quê?
- Que o vai vir almoçar aqui hoje – eu disse e levantei do sofá.
Ela ficou do mesmo jeito no sofá. Eu peguei meu celular e liguei de volta para o .
- ?
- Eu! Fala, .
- Vem almoçar aqui hoje com a . Vocês tem que descobrir isso logo. Eu não quero dois malucos apaixonados se evitando por isso...
- Não sei, .
- , eu não perguntei se você quer almoçar aqui, eu disse “venha almoçar aqui”. É diferente. Você VAI vir, e VAI se acertar com a , ok?
Ele deu uma risada.
- Ok, mas eu quero almoçar sozinho com ela, posso?
- Essa é a ideia, mas você tem que se resolver com ela, ou pega de vez ou desiste logo!
- Vou tentar me resolver – ele disse dando mais uma risada.
- Tá bem, quando você chegar, eu vou almoçar na Sally. Deixa só eu avisar ela.
- Ok, qualquer coisa me avisa que eu mudo meus planos.
Desligamos. Eu falei com a Sally, e tudo ficou certo. Falei para a que ele ia almoçar só com ela, porque a Sally tinha me convidado para almoçar na casa dela.
- COMO ASSIM? – ela berrou, se arrependeu, pois isso piorou a dor de cabeça dela – Eu não vou ficar aqui sozinha com ele... – ela completou sussurrando.
- , vocês tem que resolver isso logo agora que está fresco na memória. E se vocês tiverem ficado... Nada mais justo do que repetir a dose sóbrios, né? – eu disse rindo.
- , eu não tenho coragem – ela disse – Sabe, esse tempo todo que eu estou cortando ele, e provocando... É pura timidez – suspirou.
Eu nunca achei ela tímida. sempre teve iniciativa para essas coisas, eu sempre pedi conselhos dela.
- Como assim, ? – perguntei – Você não é tímida.
- Ai, é que com ele eu fico tímida – ela ficou completamente vermelha.
- Oh meu Deus! – eu disse – Você tá apaixonada, ?
Ela ficou calada por um tempo.
- Não sei – ela disse por fim.
- Você tá! – eu disse sorrindo – Ai que lindo, eu acho super lindo você e o – meus olhos estavam brilhando.
- , para com isso! – ela disse triste – E se ele não gostar de mim?
- , pelo amor de Deus, ele gosta de você sim, e depois desse jogo duro todo, capaz de ele estar muito afim... Você só vai ter que fazer ele se apaixonar.
Ela continuou me olhando.
- Você mesma que me disse uma vez como fazer para um cara se apaixonar. E deu certo, lembra do Bernardo? – eu disse rindo, esse era um dos meus ex, que até hoje me mandava e-mails apaixonados.
Ela deu uma risada.
- Ok, vou me arrumar – ela disse se levantando - Tenho um homem para provocar durante o almoço.
Eu desejei ser uma mosca, ou me transformar em uma para poder ver o que ia acontecer naquele almoço. Me arrumei e sai para a casa de Sally antes da sair do quarto.
'S P.O.V.
Cantar no chuveiro é uma coisa que realmente relaxa.
- TÔ INDO EMBOOOORA - era a gritando do lado de fora.
- Táááááá – respondi, não sei se ela ouviu.
Terminei meu banho e comecei a pensar no que eu fiz na noite anterior. Eu tinha uma lembrança clara de estar num lugar diferente, só com o . Merda. Por que eu bebi tanto?
Comecei a me arrumar e decidi não me produzir tanto, fiquei normal, e fui para a cozinha preparar uma macarronada. Ela estava quase pronta quando a campainha tocou e eu senti um calafrio dos pés até a cabeça. Criei coragem e fui até a porta. Abri e lá estava ele. Lindo, mais lindo que o normal. Tudo nele parecia estar brilhando, ou talvez isso ainda fosse um efeito colateral da minha ressaca.
- Oi, – ele disse, deu um beijo na minha bochecha que me arrepiou, mas eu fiquei firme e forte, afinal, EU deveria provocar e não o contrário. Apesar de eu achar que não teria forças, hoje ele estava mais gato que o normal.
- Oi, – afastei para ele entrar – Sinta-se em casa, a nos abandonou, foi para a casa da Sally...
- Hum, tem problema não, desde que tenha comida eu estou feliz – ele disse sorrindo – Ah, isso é para você – ele me entregou uma rosa branca, que eu não havia visto em suas mãos, provavelmente porque eu fiquei olhando para os olhos lindos antes.
- Nossa, que linda! – eu disse pegando a rosa – Não precisava.
Ele apenas sorriu e foi andando para a cozinha.
- E aí, o que eu posso fazer enquanto espero a macarronada? – ele disse.
- Ué, pode sentar – eu disse rindo.
- Sentar? – ele deu uma risada - Vou fazer alguma sobremesa, pode?
- Se você não destruir minha cozinha, pode.
Eu ri da cara de ofendido dele.
Ficamos cozinhando e falando bobagens por um tempo. E nenhum dos dois tocou no assunto da noite anterior. No fim, tínhamos uma macarronada belíssima, feita por mim, e um Cheesecake suspeito feito por . Ele me ajudou a arrumar a mesa e nos sentamos para comer.
- Deliciosa a sua macarronada, já pode casar – ele falou.
- Obrigada.
Ficamos calados por um tempo enquanto comíamos, ele acabou quebrando a tensão com umas piadinhas no meio. Quando partimos para a sobremesa nem eu e nem ele tivemos coragem de comer, caímos na risada. Aí eu criei coragem e coloquei um pouco na boca, para minha surpresa - apesar da cara - estava muito bom.
- , tá delicioso! Experimenta! – eu peguei um pedaço e estiquei o braço por cima da mesa para ele comer. Ele se esticou por cima da mesa e comeu o pedaço que eu entreguei. Tipo aviãozinho.
- E aí, bom mesmo né? – eu disse.
- Muito, me surpreendi comigo mesmo agora, só tenho que melhorar a apresentação – ele falou, pegou o garfo dele e colocou no meu prato para pegar mais.
- Eiii, pega um pra você, esse é meu! – eu disse tirando o prato do alcance dele.
- Ah, mas aí nem tem graça. – ele sentou de novo e ficou emburrado.
- Deixa de ser um bebezinho, – eu falei e ele se sentiu ofendido.
- Ok , eu deixo de ser um bebezinho – ele falou e pegou uma fatia para ele com bastante chantilly.
- Você pegou todo o chantilly! – reclamei.
- Eu sou legal, vem aqui que eu divido com você o meu – ele disse mostrando o prato, quando eu tentei pegar ele afastou o prato e balançou o dedo indicador fazendo um “não”.
- Nem queria mesmo – eu fiquei emburrada.
Ele deu um sorriso e começou a comer falando que estava delicioso. Me deixando com vontade. Então eu resolvi levantar da mesa e ir para a sala. Deixando ele e o chantilly na cozinha.
- ? – ele levantou com o prato e foi me seguindo.
Eu entrei na sala e fui para o som, liguei na rádio, e estava tocando McFLY.
- Ah, mas que coisa, quando não é a aqui colocando cd deles é a rádio que me persegue! – comecei a rir e desliguei o rádio – Nem gosto dessa banda, sabe?
Ele deu um sorriso, colocou o prato na mesa de centro e ficou me olhando.
- Mas tem uns carinhas bonitinhos e um bem gostoso nela – continuei.
Ele sorriu e arqueou uma das sobrancelhas.
- Qual o nome do bem gostoso?
- – eu respondi e vi ele rindo.
- Resposta errada! – ele veio atrás de mim – O que você acha do ?
- Bonitinho. Nada de mais – ele estava bem perto de mim, muito mesmo, eu podia sentir a respiração dele. Não acredito que ele estava me provocando, era para ser o contrário.
- Você sabia que eu conheço esse ? Ele é um cafajeste, acho que você devia dar bola para o , ele é muito divertido – ele disse.
- Não dou bola para o porque ele é muito estranho – eu me afastei um pouco, mas os braços dele estavam me prendendo num abraço. Então não consegui ir muito longe. Ok, ele tá mesmo me provocando, e eu estou gostando. Por que a boca dele tem que ser tão convidativa?
- Concordo, ele é mesmo estranho – ele disse se aproximando ainda mais, se é que ainda era possível – Mas acho que ele não vai te dar bola...
- Por que não? – é, minhas defesas tinham caído, eu não tinha mais força para me afastar dele. Me beija logo, caramba! Deve estar escrito na minha testa isso.
- Por que ele tá apaixonado por uma menina... – ele começou – O nome dela é , você conhece?
Se ele não estivesse me segurando eu provavelmente teria caído no chão. Acabou, é o meu fim, hoje eu morro, tenho que deixar meu testamento para a . Respirei fundo e falei:
- Conheço, uma boba aí né? Que fica ignorando um cara perfeito, por puro medo. É essa? – ele tinha acabado de se declarar para mim, eu não ia cortar ele e resolvi ser sincera de uma vez.
- Não, a que ele ama não é nenhum pouco boba, você não deve conhecê-la.
Depois dessa eu não aguentei mais, meu coração parecia que ia sair pela boca, e eu conseguia sentir o dele batendo tão rápido quanto o meu, apesar de ele estar bem mais calmo.
- Quando é que você vai parar com essa ladainha e vai me beijar, hein? – eu perguntei rindo.
- Eu disse que ela não era boba! – ele falou e finalmente encostou seus lábios nos meus.
END OF 'S P.O.V.
Capítulo X
Eu estava comendo brigadeiro com a Sally, ela realmente tinha ficado viciada desde a última vez que eu tinha feito brigadeiro para ela, quando recebi uma mensagem da :
“Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh,
o é tão lindo. *-*”
Mostrei para a Sally.
- Ai, que fofo! – ela disse – Festa de pijama com filmes e brigadeiro hoje na casa de vocês?
- Você vai ficar gorda de tanto comer brigadeiro, Sally, mas vamos sim!
Respondi a mensagem falando que a Sally ia comigo para saber de tudo com detalhes.
Chegamos em casa e estava deitada no sofá com o maior sorriso já visto pela humanidade.
- Meninas! – ela disse – Sejam bem vindas!
- Obrigada pela recepção – eu falei rindo – Tá feliz, hein?
- Muito! – ela soltou um suspiro.
- Nossa, quero saber dos detalhes! – Sally disse sentando – , e o brigadeiro?
- Sally sua gorda, vamos ouvir a história primeiro, depois a gente come brigadeiro - falei rindo.
- Eu faço! – disse levantando e indo em direção à cozinha.
Eu fui para o meu quarto tomar um banho e colocar meu pijama, quando eu sai as meninas já estavam de pijama, comendo brigadeiro e comentando dos atores do filme que estava passando na televisão.
- Tava na hora hein? Que demora! – começou.
- Nem me diga, a ficou aqui se fazendo de difícil e não me contou nada porque ela ia ter que repetir para você... – Sally terminou.
- Ok, aqui estou, pode começar.
contou tudo com todos os detalhes possíveis.
- Ai, que lindo, o é um amor! – Sally disse – Vocês estão juntos então? Ou ficaram só hoje?
- Acho que a gente tá junto... – ela disse ficando meio vermelha – Ele disse que viria aqui amanhã me ver...
Ficamos zoando com ela e depois de um tempo foram todas dormir. Quer dizer, elas foram dormir. Eu não consegui. Estava com CIÚMES. Então você me pergunta “ciúmes do que?” Ciúmes dela ter conseguido o e o estar por aí com uma loira aguada. Tá certo, eu não tinha porquê sentir ciúmes deles. Mas ao saber dos detalhes e de como o e ela estavam felizes eu senti muito, muito ciúme. Eu queria ter um amor assim, mas o meu objeto de paixão está no momento apaixonado.
Claro, pensar nisso foi criando uma bola de neve na minha cabeça, comecei a pensar nos dois juntos. Fui para a sala ver alguma coisa na televisão, para tentar aliviar a cabeça, mas só tinha pornografia disfarçada passando. Pessoas se agarrando, e claro fazendo de tudo. E o que veio na minha cabeça doentia? Eles fazem isso. Vão para a cama e fazem coisas. Perdem-se de paixão. Ele a toca. E ela dorme com ele, e sua pele macia e seu delicioso corpo. Ela pode acordar antes e ficar olhando ele dormir. Minha cabeça começou uma série de cenas imaginando os dois na cama. Era isso, eu estava louca de ciúmes, não podia suportar a ideia de que ele a desejasse. E ver a felicidade de e me fez perceber isso, meu ciúme doentio. Antes eles compartilhavam da minha dor. Agora eu sofro sozinha. E o pior de tudo: eu sentia essa dor não porque alguma coisa aconteceu comigo, mas porque não aconteceu nada. Sentia ciúmes por algo que acontecia entre duas pessoas e não me envolvia de maneira nenhuma. A não ser, é claro, o fato de eu amar enlouquecidamente uma dessas pessoas. Preciso de um psicólogo.
Na manhã seguinte, eu acordei antes das duas, apesar de não ter dormido praticamente nada durante a noite. Fui para a cozinha preparar o café quando a campainha tocou. Andei até a porta e olhei pelo olho-mágico e vi um muito sorridente com uma rosa vermelha.
Abri a porta:
- Regra número 1 sobre a – comecei e ele ficou me olhando – ela não acorda antes das dez, a não ser que seja o fim do mundo.
deu uma risada e entrou.
- Tudo bem, meu plano é de fazer café na cama para ela – ciuminho começando a brotar.
- Ai como você é fofo, ! – eu apertei as bochechas dele – Mas não deixa ela mal acostumada.
- Pode deixar – ele disse indo para a cozinha.
Ajudei ele a arrumar as coisas, no meio do preparo Sally apareceu e nos ajudou a terminar tudo. Quando tudo estava pronto subiu para o quarto da e eu e Sally ficamos conversando lá na sala até o celular dela tocar e ela falar que o estava chamando ela para almoçar com ele. Ela me convidou, mas eu recusei prontamente, até parece que eu ia ser vela do casal 20. Sally foi embora e eu me vi sozinha na minha sala, escutando barulhos felizes no andar de cima. Peguei o meu casaco e resolvi sair para caminhar. Ficar ali não ia me fazer bem.
Andei sem rumo e sem prestar atenção de repente esbarrei em uma pessoa.
- Desculpe, eu não estava prestando atenção – falei rapidamente.
- ? – reconheci a voz no mesmo momento.
- ?! – meu coração começou a bater muito rápido, não estava preparada psicologicamente para esbarrar com assim do nada, ainda mais depois do meu ataque de ciúmes doentio da ultima noite.
- Eu! – ele disse sorrindo – O que você faz aqui pela minha rua?
- Sua rua? – parei para olhar ao redor e realmente, eu estava na rua da casa dele, bem perto mesmo. Até meu subconsciente me leva para o , mas que merda! – Eu tava andando e pensando, nem percebi que vim parar aqui.
- Pensando muito, hein? Você tá andando desde a sua casa?
- É... – eu disse.
- Muitos pensamentos mesmo, se quiser compartilhar, sou todo ouvidos – ele se virou e começou a andar do meu lado.
- Não, na verdade eu estava pensando em bobagens... – eu disse.
- Sou o rei das bobagens! Pode falar – ele começou – Mas se você não tiver afim não tem problema, a gente muda de assunto, garanto que eu consigo tirar essas bobagens da sua cabeça!
"Quem sabe se você não fosse a tal bobagem na minha cabeça, você conseguiria, ". Não falei isso alto. Ao invés, eu simplesmente suspirei e resolvi contar a verdade, até certo ponto.
- Só estou meio mal comigo mesma.
Ele continuou calado esperando eu continuar a falar.
- Estou com ciúmes de todos vocês.
- Ciúmes?
- Sim, todos vocês estão felizes e apaixonados no momento. E eu estou triste e sozinha.
- Fala sério, ! – começou – Você não precisa estar com alguém pra ficar feliz.
- O problema é que eu estou afim de um cara... Mas ele definitivamente não gosta de mim.
- Impossível! – ele disse – Ele deve ser um imbecil! Eu conheço?
- Conhece. Ele realmente é um imbecil – eu disse rindo.
- Vou descobrir quem é e dar uma bela surra nele.
- Seria engraçado – eu disse imaginando ele descobrindo mesmo a verdade e se batendo. Não que ele faria isso, mas na minha imaginação tudo é possível.
- Não fica assim, você encontra caras melhores.
- Tenho certeza disso – comecei a rir e me levou até uma sorveteria, passei o resto da manhã com ele.
Gravamos uns vídeos bobos para o site e acabamos almoçando juntos. Voltei para casa e não estava lá, provavelmente tinha saído com . Resolvi ficar na internet, postando alguns vídeos novos no site e conversando com as fãs no chat.
Eu já conhecia algumas pelo nome, elas realmente não tinham nada para fazer, estavam sempre online. Era legal conhecer outras fãs deles e ver que existia gente mais louca do que eu. Todas elas me tinham como um ídolo, sério, elas eram praticamente minhas fãs também, só porque eu postava fotos e vídeos em momentos ótimos dos meninos, mas eu tenho certeza que depois que eu postei do vídeo do dançando só de boxer as coisas melhoraram. Atualmente o papo que estava na alta era “ solteiro”. Elas não sabiam da Serena, ainda, e estavam fazendo planos de casamento com de novo. Elas também não sabiam do com a , afinal, tinha começado ontem. Será que elas iriam odiar a ? Bem, eu sempre poderia fazer chantagem... “Parem de falar dela que eu posto o dançando sexy bitch” ou algo do gênero. Ou então elas poderiam gostar da por associação. A fala antes que tá com o aí depois elas descobrem da Serena, e o ódio vai ser todo transferido para a última, com todo meu apoio. Eu não presto.
Deixei escapar, no meio da conversa, que tinha feito um vídeo de manhã com o , eu não pretendia postar ele agora, mas por livre e espontânea pressão, acabei colocando ele online. No vídeo aparecia eu e o , fazendo mímica e brincando, no meio do Hyde Park. Claro que depois disso ocorreu uma enxurrada de perguntas “OMG, você tá ficando com o ?” e coisas do gênero. Claro que eu disse que não estava com nenhum e que ele era só meu bom amigo, mesmo assim, algumas delas começaram essa teoria da conspiração, de que eu estava com o desde o começo e que eu roubei ele da namorada. Outras estavam achando que ele terminou com ela porque se apaixonou perdidamente por mim e que eu não tinha culpa por ser legal. Eu particularmente gostava mais dessa. Mas todas elas realmente acreditavam que eu estava com ele. Tinham umas me odiando, e outras que estavam “super a favor”. Não adiantou nada eu tentar falar que eu não estava com ele, elas simplesmente não acreditavam no que eu dizia. Resolvi sair antes que as coisas piorassem. Enquanto eu descia as escadas, escutei meu celular tocar.
- Alô?
- ? – era .
- Oi amore, diga!
- Qual foi o motivo de todos os tablóides estarem falando que existe um suposto caso entre você e o ? – eu cai na risada.
Meu Deus, eles são rápidos.
- Eu postei um vídeo que eu gravei com o hoje de manhã... – comecei – Aí as meninas que estavam online começaram a achar que eu estava com o , eu comecei a negar, quanto mais eu negava, mais elas achavam que era verdade.
- Ahhh, por isso que eles dizem que “apesar de negar os fatos”.
- Onde você tá? – eu perguntei.
- Tô no trabalho, esqueceu que eu tomo conta da publicidade, meu amor?
- Ah é... Me digaaaa, como foi o café na cama, hein?
- Muito bom – eu tenho certeza que ela deve ter ficado muito vermelha – querida, você vai ter problemas, eu acho.
- Por quê? – perguntei
- Estou vendo uma Super modelo desfilar aqui para dentro da minha sala com uma cara de raiva, provavelmente ela lê os tablóides – disse começando a falar em português no meio da frase, pelo visto, a Serena estava lá dentro.
- Ela deve ficar procurando o nome dela no Google o dia inteiro... E agora que está com o deve jogar o nome dele também.
Nós duas começamos a rir.
- Amor, a gente se fala depois então – ela disse em inglês, provavelmente para despistar a Serena.
- Amor, é? Tá me achando com cara de ? – falei brincando – Quando você chegar em casa a gente se fala! Beijos.
Desliguei o telefone e fui ver televisão.
Capítulo XI
Depois que eu postei aquele vídeo inocente no super city, minha vida nunca mais foi a mesma. Todas as pessoas do universo estavam achando que eu estava escondendo meu caso com o . Até mesmo depois que o disse que nós não tínhamos nada, a coisa continuou na mesma, se é que não piorou. A única coisa legal disso tudo era ver a cara de irritada que a Serena fazia sempre que ela via alguma coisa online de fãs que apoiavam o casal “ & ”. e aproveitaram o momento de bagunça e deixaram sair na internet que estavam juntos, mas as pessoas estavam tão ligadas na conspiração do momento que nem ficaram com raiva da , ao contrário, muita gente estava bem a favor. Serena estava meio irritada, na verdade, ultimamente ela estava sempre irritada, com o fato do não falar para todos “eu não estou com a , eu estou com a Serena.” A desculpa dele era que estava tudo muito recente com a ex, e ele queria dar mais um tempo para ela. E ela sempre respondia com algo do gênero “ela já está achando que você está com a mesmo, qual a diferença?” e ele sempre respondia falando “ela não vai acreditar em tablóides.”
Mais algumas semanas se passaram e tudo continuava na mesma, faltavam cinco dias para a nova turnê começar e isso estava deixando todas as namoradas estressadas. Afinal, eram dois meses inteiros sem ver os seus respectivos amores. Eu era a única não estressada, eu estava indo na turnê com todos eles, para ficar fazendo webcams do meio dos shows e coisas diferentes para o site. Adoro meu trabalho. resolveu assumir o seu namoro com a Serena nessa mesma semana, pois ela tinha ameaçado terminar com ele se ele fosse para uma turnê como se estivesse solteiro e com todas as pessoas achando que eu era o novo caso dele. Ele falou pela webcam do site no meio do chat que estava realmente namorando e apresentou a Serena. O ódio foi instantâneo. Foi pior do que qualquer pessoa possa imaginar. Claro, eu sabia disso pela , que me mantêm antenada sobre o que era falado nos blogs e coisas assim, esse tipo de informação não chegava aos ouvidos deles, sabe como é, vamos evitar mais estresse. Mas é claro, isso me deixou feliz, não fui a única a odiar ela de cara.
A coisa mais engraçada foi a decepção das meninas que achavam que eu estava com o . Tinha até pessoas torcendo para o largar a Serena e ficar comigo, lindo não? Obviamente, tudo isso não ajudou minha relação com a Serena, não que eu fizesse questão se ser amiga dela, mas eu tinha que fingir tentar pelo menos. Ela tinha um ódio mortal de mim agora por todos os motivos, porque eu conheci o antes, porque tinham achado que eu era namorada dele, porque tinha gente que tinha achado isso “natural”, e acima de tudo porque eu estaria na turnê e ela não.
- , fala sério, são dois meses! – Serena começou – Eu não vou aguentar!
- Você esqueceu da nossa regra? Três meses, um minuto a mais e eu volto ou você vai pra onde eu estiver.
- Ah, eu vou cancelar esse desfile e vou com você!
- Você sabe que eu nunca cancelaria um show para ir com você para um desfile! – ele disse – Então não faça isso também.
- Se você não quer que eu vá é só falar – ela começou a reclamar, virou e saiu.
, claro, foi atrás e eu continuei conversando com a em português. Nossa desculpa era “temos que praticar nosso português para não esquecermos.” Até parece. A gente queria era falar da Serena, que havia sido apelidada carinhosamente de aquela-que-não-deve-ser-nomeada-com-@-no-twitter. Uma fã brasileira tinha inventado isso, depois de ela ter falado mal dela por algum motivo, completamente plausível na minha opinião, em português e ela ter jogado no Google translator e ido reclamar com o . É ela faz essas coisas. Ela tinha que aprender a conviver com isso. Foi o que o falou. Eu ri. Ele era objeto de desejo dessas menininhas e sinceramente, o não ia trocar uma super modelo que vai fazer tudo que ele quiser na cama, por uma menina de 14 anos que não.
Eu estava muito feliz, porque eu estaria em todos os shows da turnê, sem falar que eu ia ficar o tempo todo com eles. Eu já estava acostumada, mas mesmo assim, eu ainda sentia que tinha ganhado uma promoção mundial e me sentia a pessoa mais sortuda do universo. não ia na turnê também, estava resolvendo uns problemas relacionados a pós-graduação dela. Sally estava com uma peça em cartaz, também não ia. Era só eu, o Jimmy, o meu assistente gatinho, os meninos e o mundo. Um dia antes da viagem, nós resolvemos ir a um bar com karaokê para a despedida.
e estavam grudados de um jeito que parecia que ele estava indo para a morte e nunca mais voltaria a vê-la. e Sally estavam mais tranquilos, eles namoravam desde sempre, ela já estava acostumada a ligar para ele todas as noites, mas claro estavam aproveitando bem as últimas horas antes da turnê começar. tinha terminado com a namorada há alguns dias e estava na dele, eu estava conversando com e nós decidimos ir cantar um pouco. No meio do caminho para o palco, foi parado por uma fã, e ficou por lá. Eu subi sozinha e fiquei escolhendo a música que iria cantar.
Falei no microfone para o moço colocar qualquer uma. Eu cantaria qualquer coisa. Quando os primeiros acordes de Mr. Brightside começaram a tocar eu me animei e comecei a esperar a hora de começar a cantar. Eu não sou uma ótima cantora, mas pelo menos eu canto certinho. Eu estava animada e pulando no palco, até que eu vi e Serena, estavam se agarrando. Nada bom para minha sanidade. Resolvi modificar um pouco a música e continuei a cantar:
“But she's touching his chest now
(Mas ela está tocando seu peito, agora)
He takes off her dress now
(Ele tira o vestido dela, agora)
Let me go
(Me deixe ir embora)
And I just can't look it's killing me
(Porque apenas não posso olhar, está me matando)
And taking control
(E tomando controle)
Jealousy, turning saints into the sea
(Ciúmes, tornando santos em mar,)
Swimming through sick lullabies
(Nadando por doentes canções de ninar)
Choking on your alibis
(Sufocando em seus álibis)
But it's just the price I pay
(Mas é apenas o preço que eu pago)
Destiny is calling me
(O Destino está me chamando)
Open up my eager eyes
(Abra meus olhos desconfiados)
'Cause I'm “Ms.” Brightside”
(Porque eu sou “a Sra.”Otimismo)
Quando a música acabou, obviamente, somente a percebeu o motivo de eu ter trocado todo senhor por senhora, e claro era a única que percebeu que eu estava mesmo com ciúmes. Então, eu vi ao longe Anne. Sim, ANNE, a ex-namorada do , aquela que ele trocou pela amiga da Serena, que foi trocada pela Serena. Meu deus, esse não presta. Enfim, ela estava lá. Assistindo tudo. Eu fingi que não tinha visto ela e chamei a para cantar comigo. Ela subiu no palco e disse para todos se prepararem para o nosso show. Escolhemos “Do you want to” do Franz Ferdinand. Fizemos nossas poses e começamos:
“When I woke up tonight I said I'm
(Quando eu acordei esta noite eu disse)
I'm gonna make somebody love me
(Eu vou fazer alguém me amar)
I'm gonna make somebody love me
(Eu vou fazer alguém me amar)
And now I know, now I know, now I know
(Agora eu sei, agora eu sei, agora eu sei)
I know that it's you
(Agora eu sei que é você)
You're lucky, lucky
(Você é sortudo, sortudo)
You're so lucky!”
(Você é tão sortudo))
Serena não estava gostando do nosso showzinho, afinal nós apontávamos para às vezes e ela é muito possessiva. Ok, vai ver eu falar "lucky lucky you’re so lucky" olhando diretamente para o não tenha ajudado, mas eu sempre tinha a desculpa de que ele era sortudo por ter ela. Ha há, eu já disse que não presto, né?
Depois disso, Sally e Serena resolveram cantar conosco e elas escolheram a música. Hot da Avril Lavigne. Fazer o que né? Cada uma de nós cantávamos uma frase da música. Serena não sabia cantar. Tipo, não que eu fosse uma tenor de ópera, mas eu era até afinadinha, a menina era um desastre dançando e cantando. Pelo menos era bonita. Haha, ok não vou repetir que eu não presto aqui. Eu estava achando o máximo cantar só as partes sacanas da música.
A música acabou, já tínhamos chegado na Avril mesmo, cantei Girlfriend, junto com a Serena. Sim, nós duas. Cantando juntas. Foi uma cena engraçada, sempre que ela falava “I could be your girlfriend” eu falava “no way, no way” e isso estava escrito na tela, ela não podia reclamar de nada. Haha. Ok, vocês já sabem, eu não presto. Mas depois dessa pequena disputa no palco, ninguém imaginaria o que aconteceu. Serena achou que tinha tido sucesso ao cantar a música comigo, e foi sentar e eu continuei no palco, para escolher outra música. E QUEM sobe no palco? ANNE. Pois é.
- , canta uma comigo? – ela disse sorrindo docemente.
Como eu estava afim de ver a cara do , eu concordei prontamente.
- Claro! – olhei para que deu uma risada e todos nós olhamos para , que estava em estado de choque.
A música escolhida foi Corrupted. É, a do McFLY mesmo. Ela começou:
Colidindo com as paredes,
Batendo na sua porta,
Então, por que você me deixaria entrar?
Caindo pelo chão,
Mergulhando muito profundamente,
Por debaixo da sua pele.
Então foi minha vez, nós tínhamos combinado que eu só cantaria o refrão.
Tão bom que você abuse disso,
Tão rápido que às vezes você perde o controle,
Isto pesa na sua consciência quando você alimenta,
mas todo mundo precisa comer,
Eu sou demais para você?
Porque você é muito pra mim,
Ainda desejando ser corrompido.
Serena, estava cochichando alguma coisa no ouvido de , provavelmente perguntando qual era o meu problema. Eu também não sei. Mas eu estava gostando de cantar.
Anne começou a cantar mais uma vez.
Vamos nos convencer
de que está tudo sob controle,
Uma pedra que podemos quebrar,
Mas é isto que nós queremos?
Porque podemos ter pulado o ódio,
Eu sei que isso é tão bom,
Cometer o mesmo erro (erro, erro)
Cantei o refrão mais uma vez e continuei analisando toda a cena.
Anne saiu do palco com o microfone e foi para perto de e Serena e começou a parte dela.
Lembra de como isto começou?
O conto de fadas se tornou distorcido e podre
A inocência foi toda violada
Como é que nós nos metemos nisso?
Eu ainda estava no palco. Mas dessa vez quem cantou o refrão não fui eu. tinha pego o microfone se levantou e veio seguindo Anne, que voltava para o palco, cantando o refrão olhando diretamente para ela.
Tão bom que você abuse disso,
Tão rápido que às vezes você perde o controle,
Te pesa na consciência quando você alimenta,
mas todo mundo precisa comer
E lá estava ele, fazendo Anne ficar roxa de raiva com a música que ela havia escolhido. Para quebrar a tensão, eu cantei a segunda parte do refrão e terminei a música.
Anne simplesmente saiu do palco bufando. Serena subiu e perguntou:
- O que foi isso?
- Isso, foi a ex dele – eu disse.
Ela ficou calada enquanto ainda olhava para Anne que estava saindo do Pub.
A tensão era tão grande que poderia ser cortada com uma faca. Decidi sair do palco para relaxar um pouco. Serena e sumiram por um tempo. Eu fiquei bebendo com o pessoal na mesa, pouco tempo depois, eles voltam. Serena estava feliz. Provavelmente o tinha seduzido ela com o corpo. Eu aceitaria ser seduzida por ele também. Eu estou bêbada. Acabei de descobrir, tenho que manter minha boca fechada.
- ! – me chamou – Vamos cantar comigo?
- Ah, eu já cantei muito hoje, – e eu estou bêbada, não respondo pelos meus atos no palco. Pelo menos eu estou só pensando bobagens, ainda não estou agindo.
- Só umazinha! – ele fez uma cara impossível de se resistir se você estiver apaixonada por ele. Em outro caso seria facilmente ignorável.
- Ok, uma só – eu me rendi, sou uma bêbada apaixonada, fazer o que? – Qual vai ser?
Ele se virou para Serena.
- Escolhe uma aí, amor.
Esperei ansiosamente ela escolher alguma música que falasse de como o é gostoso e como eu era uma lésbica louca. Mas graças a Deus ainda não existe música assim, ela ficou sem opção e resolveu que nós devíamos tentar a sorte. Já falei que eu sou muito azarada? Pois é, a pior música possível vai aparecer lá, CERTEZA.
Eu estava torcendo para aparecer alguma coisa como YMCA, ou It's raining men. Sabe como é, músicas inofensivas. Mas qual música aparece? Everything do Michael Buble. Lindo, maravilhoso, era TUDO que eu precisava. cantando comigo, uma música que o cara fica se declarando loucamente para a mulher. E do jeito que ele gosta de fazer interpretações de papel - descobri isso com Sexy Bitch - eu provavelmente seria a mulher desejada. E, obviamente, isso não me faria bem. Pensei tanto que, quando percebi, a música já estava começando.
olhou para mim e eu só pensei “Merda, tenho que ser forte”. Ele deu uma piscadinha totalmente sexy, olhou para mim e começou.
You're a falling star, you're the get away car
(Você é uma estrela cadente, você é o carro da fuga)
You're the line in the sand when I go too far
(Você é a linha na areia quando eu vou longe demais)
You're the swimming pool on an August day
(Você é a piscina num dia de agosto)
And you're the perfect thing to say
(E você é a coisa perfeita para se dizer)
Eu respirei fundo e cantei minha parte, olhando para a frente.
And you play it coy, but it’s kind cute
(E você se faz de tímido, e é meio que engraçadinho)
Ah, when you smile at me you know exactly what you do
(Oh, quando você sorri para mim, você sabe exatamente o que faz)
Baby, don’t pretend that you don’t know it’s true
(Baby, não finja que você não sabe que é verdade)
Cause you can see it when I look at you
(Porque você vê quando eu olho para você)
Eu percebi a Serena me olhando de um jeito maligno, me afastei e continuei olhando para frente.
And in this crazy life, and through these crazy times
(E nessa vida louca, e por esses tempos malucos)
E ele começou a parte dele olhando para mim.
It's you, it's you, you make me sing You're every line, you're every word, you're everything
(É você, é você, você me faz cantar, você é cada frase, você é cada palavra, você é tudo)
Ele deu uma risada e eu mostrei com o olhar o ódio puro que estava jorrando das orelhas da Serena. Ele percebeu e resolveu olhar para ela um pouco. Eu imagino, querido, como deve ser difícil olhar para a Serena quando eu, Sedução total, estou na sua frente. Ok, eu vou parar de beber. Cantei minha parte mais uma vez e continuou perto da Serena e cantou olhando para ela no fundo dos olhos. O que me deixou louca de ciúmes.
And I can't believe, uh that I'm your man
(E eu não posso acreditar que sou seu homem)
And I get to kiss you baby just because I can
(E eu te beijo meu amor só porque eu posso)
Eu interrompi e cantei mais uma vez, eu estava louca de ciúmes, não quero ele se declarando enquanto canta comigo. Sou possessiva.
Whatever comes our way, ah we'll see it through
(O que quer que venha no nosso caminho nós perceberemos)
E ele virou para mim e terminou a estrofe:
And you know that's what our love can do.
(E você sabe que é isso que nosso amor pode fazer)
Cantamos a ultima estrofe juntos, quero dizer, ao mesmo tempo sabe? A única parte que ele falou sozinho foi “you’re every song” e eu respondi “and I sing along” e depois continuamos cantando juntos. Essa parte foi legal, minha mente doentia viajou imaginando um mundo paralelo no qual ele realmente escreve todas as músicas para mim. Recebemos muitos aplausos do pessoal que estava no bar. Decidi que já estava bom e eu não ia mais cantar. subiu junto com para cantar You’re the one that I want. Foi bem engraçado. O papo da mesa era Anne. Mas estávamos todos muito bêbados para poder tirar conclusões plausíveis. Isso seria assunto na viagem amanhã. Um pouco depois, foram todos para suas respectivas casas e me acompanhou até em casa. , obviamente, foi dormir com , sabe como é, iam terminar de se despedir, provavelmente na cama. Eu já disse que eu não presto muitas vezes hoje né? Pelo menos alguém vai se dar bem nessa noite.
Capítulo XII
Eu normalmente não gosto de viagens, mas dessa vez era diferente, era uma TURNÊ MUNDIAL. Pois é, eu estaria em turnê. Junto com o meu objeto de paixão e mais três amigos. E dois assistentes, Jimmy, que era meu assistente e Lucas, que era assistente do Jimmy e meu assistente por tabela. Eu já tinha visto o Lucas umas duas vezes e, enquanto eu estava colocando as malas no ônibus, me dei conta de que não conhecia o Jimmy. Eu sempre chamava ele de meu assistente gatinho, mas eu nunca tinha visto o ser. Ele trabalhava no site também, mas eu só havia falado com ele por telefone e por MSN. Que estranho. Eu não fazia ideia de como ele era. O que é um problema, ele vai com a gente, para fazer as mesmas coisas que eu, e eu não sei como ele é. Devia ser um cara estranho, esse apelido Jimmy sempre é de pessoas estranhas. Se ele fosse um bonitão galã de novela, provavelmente chamariam ele de James, bem mais másculo. Ele devia ser um nerd ou algo do gênero. Nada contra nerds, adoro nerds.
Decidi ignorar isso e esperar o cara chegar, eu tenho isso de ficar super imaginando qualquer pessoa e depois eu fico, “nossa, mas você não parece nenhum pouco com o que eu imaginava”. Como se a pessoa tivesse a obrigação de ser como eu imaginava que ela seria.
Eu estava sentada no meio fio com meu Ipod no ouvido ouvindo música alta enquanto os meninos se despediam de suas namoradas, eu já tinha dado tchau para todas, mas quis ficar lá fora, passaria muito tempo dentro daquele ônibus; já estava lá dentro.
Eu continuava sentada lá fora olhando a cena. Serena estava chorando loucamente, estava prometendo ligar a cada três horas. Obviamente ele não faria isso. Até parece. Conheço bem ele e sei que ele não vai ligar. Para minha surpresa, Serena parece conhecer ele bem também; Ela disse isso que eu acabei de pensar pra ele, e ele começou a rir. Resolvi parar de me torturar me imaginando no lugar de Serena, com um todo apaixonado dizendo que ia me ligar todas as noites, e que dedicaria músicas para mim nos shows.
Decidi que era hora de levantar, fui dar mais um abraço na que estava rindo de alguma piadinha que o havia contado para ela não chorar. Ela me abraçou e começou a chorar. Ops. me olhou com uma cara “porra, eu quase consegui fazer ela não chorar e você estraga tudo”. É eu tirei tudo isso do OLHAR dele.
- Ah não, você também vai, eu tinha esquecido! Como eu vou sobreviver sem você? A gente tá sempre juntas!
- Não sei como você vai viver sem mim – falei rindo – Se você estiver prestes a morrer, pede ajuda para a Sally que ela me liga e eu te salvo.
- Vocês dois - ela disse apontando para o meu nariz e para o de – Tratem de não morrer, ok?
- Vamos tentar! – disse e deu um selinho nela – Para de chorar.
- Acho bom! – ela disse e puxou nós dois para um abraço pelo pescoço.
- Jiiiiiiiiiiiiiimmy! – gritou – Até que enfim, dude. A gente tava quase saindo sem você!
Ao ouvir o nome, eu me virei e a cara de besta que eu fiz só foi percebida por e .
O cara era um deus grego. Sem brincadeira. Sabe aqueles homens que todo mundo para de andar e vira o pescoço? Pois é. Alto, forte, olhos lindos e brilhantes. Eu disse antes que Jimmy era apelido de gente estranha? Acabo de retirar isso, eu aceito um Jimmy desses para mim. Ele lembrava um pouco o . Perfeito, eu posso totalmente me apaixonar por ele e esquecer o de vez. Será que ele tem namorada?
- Ele não tem namorada, parte pra cima, gata! – falou em português lendo minha mente e me acordando do transe.
- Sério? Como você sabe?
- Eu sei de tudo – ela apontou o dedo para a cabeça.
- Sabe, vocês podem até estar falando aí em português e blá blá, mas eu sei que vocês estão falando do Jimmy ali – apontou discretamente para Jimmy.
- Ok, é dele mesmo, e o senhor não vai falar nada sobre isso, certo? – fuzilei ele com o olhar.
- Eu não sei do que vocês estão falando – ele disse rindo e fazendo uma cruz sob o coração como juramento.
Voltando ao deus grego Jimmy. Ele veio falar comigo.
- Então finalmente nos conhecemos!
- Olá, Jimmy! – você definitivamente não tem cara de Jimmy. Viu?! Ai, eu sempre frustro minhas expectativas – Finalmente nos conhecemos – estendi a mão para cumprimentá-lo.
- Ah, esse aqui é o Lucas – ele disse abrindo espaço para Lucas aparecer – Vocês já se conhecem, certo?
- Sim. Tudo bom, Lucas? – não me detive muito nele, eu tinha um Deus grego na minha frente, não ia ficar falando com um semi-Deus qualquer. Só para constar, o Lucas é bonitinho. Mas não é igual ao Jimmy, ou ao . Merda! Olha o voltando pro pensamento.
- Tudo ótimo! – ele disse me cumprimentando e depois saindo junto com Jimmy para falar alguma coisa com .
Eu aproveitei para começar uma discreta vistoria nele. No Jimmy, claro.
O cabelo dele era lindo, parecia ser muito macio, e era muito bem cortado. Ele estava usando uma blusa com mangas enroladas, o que deixava entrever os antebraços musculosos que eu queria tocar. E ele tinha pernas simplesmente fantásticas. Jimmy estava cumprimentando Serena agora, que também tinha ficado abalada com a beleza do deus grego. Mas ela tinha o , que era mais gostoso que o Jimmy, fácil. Merda, olha o aí de novo! Como eu posso tentar me apaixonar pelo Jimmy se o cafajeste do não deixa minha mente em paz?
Não ia ser ótimo, comecei a divagar, se eu e Jimmy nos apaixonássemos? E ele ficasse sempre junto comigo no trabalho, e que Serena traísse o ... E ele descobrisse que no fundo me amava e me implorasse para deixar Jimmy? Se eu dissesse alguma coisa horrível para ele do tipo “Eu sempre te amei , mas isso é passado, no presente eu amo o Jimmy”.
Eu estava chegando na melhor parte da minha divagação, ia tentar bater em Jimmy, que ia agarrar pelo braço e falar cheio de pena, algo assim: “Cara, ela não te ama mais, supera isso.” Quando, de repente, passa a mão na frente do meu rosto.
- Acorda, menina!
- Hum? O quê? – percebi Jimmy entrando no ônibus e que não tinha mais ninguém lá fora.
- Entra logo senão você fica, e trate de me mandar um e-mail dizendo o que você estava pensando.
Dei um beijo na bochecha de e corri para dentro do ônibus.
Sentei em uma das cadeiras, os meninos estavam conversando bobagens, eu botei meu fone no ouvido e disse que ia dormir um pouco. Fechei os olhos e voltei para meus devaneios, dessa vez ao som de John Mayer.
Acordei alguns minutos depois do cochilo, veio conversar comigo e ficou reclamando que estava com saudade da ; Fofo, mas muito chato.
- Ai , não faz nem três horas que a gente saiu de Londres! – comecei a falar – Se ela pegar o carro, ela alcança a gente ainda. Deixa de frescura. Olha ali o e o , super tranquilos – apontei para os dois que estavam numa partida de vídeo game.
- Ah, o só sente saudades da mãe dele – fez bico – E o já tá acostumado, além do mais, a Sally sempre acaba aparecendo nas turnês.
- Nossa, ! Quanta negatividade. Claro que o vai sentir falta da namorada dele.
- Que nada, , você é minha amiga, posso ser franco, não é?
- Claro – falei ficando muito curiosa com o que viria a seguir.
- O não tá apaixonado pela Serena. Isso você deve saber – ele disse como quem não quer nada. MAS PARA TUDO, como assim ele NÃO TÁ APAIXONADO? Ok, respira, faz cara de paisagem e continua balançando a cabeça positivamente pro continuar.
- Então, ele teve muito desejo pela Serena, e eu acho que essa relação dos dois é só baseada em sexo mesmo.
Eu fiz uma cara de besta.
- Como assim, ? Eu sempre achei que os dois se amassem loucamente.
- Talvez ela ame o , mas ele... – parou e deu uma olhada para , que continuava se divertindo no vídeo game – Enfim, eu já vi o apaixonado um vez e posso jurar que ele não está nem um pouco apaixonado. Ele gosta da Serena, mas acho que tudo aquilo que ele falou antes era só obsessão.
Pessoas, a turnê nem começou e eu já estou tendo todas essas revelações!
- Nossa. Ele me enganou bem. Eu sempre achei que ele fosse louco pela Serena.
- Ele tem isso mesmo, mas se você algum dia ver o apaixonado, vai ter certeza que isso que ele faz com a Serena é só encenação.
- Hum.
- Enfim, agora me diz, o que a senhorita estava pensando do Sr. Jimmy ali, hein?
- Ah, a não tá aqui e você quer fazer o papel dela?
- Sempre! Fiquei curioso também.
Eu não ia falar para ele do filme inteiro que eu tinha planejado ser estrelado por mim, a jovem donzela apaixonada renegada, que depois volta triunfante com um Jimmy gostosão a tira colo para desdenhar do prato que não comeu. Falei a verdade até certo ponto.
- Eu achei ele muito gostoso – falei assim mesmo, curta e grossa, se o queria ser a minha , ele teria que aguentar uma dessas.
Ele caiu na risada.
- Para de rir, se não vão querer participar da nossa conversa super interessante.
- Você ficou cinco minutos desligada do mundo imaginando como ele é gostoso?
- Não necessariamente, eu estava imaginando ele caindo aos meus pés e tal... – comecei a rir.
Continuamos nossa conversa com várias piadinhas no meio até que resolveu que queria se juntar a nós. Eu não queria falar para ele que eu tinha achado o Jimmy muito gostoso e coisa e tal, mas eu não tinha desculpa. E ele fez um olhar de cachorro que caiu da mudança. Super fofo, não resisti. Cara, esse homem sabe usar seus atributos a seu favor.
- Tá, mas você não pode falar isso para ninguém. Fica só entre nós três.
Ele concordou mudo.
- Ok, eu achei o Jimmy muito gostoso, e estava aqui fazendo planos com o de como pegar ele – ficou sério – Não que isso vá acontecer agora e tal... Mas quem sabe num futuro próximo.
Porque eu estou me justificando? Só porque ele me olhou sério? Ele tem que parar de ter esse efeito sobre mim.
- Muito próximo se ela seguir os meus conselhos – disse rindo.
continuava sério. Olhou para trás, analisando Jimmy.
- Não acho ele tão gostoso assim.
Isso seria ciúme? Meu estava com ciúmes? Que lindo! Talvez fosse ciúmes de amigos. Merda. De qualquer forma era cute.
- , ele não é tão gostoso quanto você, – eu falei e acrescentei rapidamente – ou quanto o aqui – viram aí a jogada de mestra? Elogiei ele, mas ele não acha que eu estou perdidamente apaixonada, e vou melhorar ainda – Mas ele está disponível e faz muito o meu tipo.
Ele ficou sem argumentos. Pelo menos eu achei que ele ficou, já que não falou nada.
- Ele tem cara de cafajeste – disse.
- Opa, agora eu devo ficar preocupada.
e me olharam curiosos.
- Ué, vocês não sabem que pessoas parecidas se reconhecem mais facilmente?
conseguiu processar a ideia no mesmo momento e caiu na risada. ficou calado por um minuto pensando e então entendeu.
- Ei, eu não sou um cafajeste, sou só um cara incompreendido em busca do amor.
- Aham, pelo menos você achou o amor agora, né? – eu não presto, eu não presto, eu definitivamente não vou pro céu.
- O que você quer dizer com isso? – ele perguntou. estava praticamente rolando no chão de tanto rir.
- Ué, com a Serena – eu disse como quem não quer nada.
- Ah, isso, é, isso mesmo – ele disse rapidamente.
Bobinho, você me enganou bem, agora eu sei que você não ama a modelo. Pobre Serena. Senti uma peninha dela agora, eu tinha raiva dela antes porque achava que ele realmente a amava. Mas pelo visto, estava certo. Decidi parar por aqui a conversa, eu não ia continuar mexendo na ferida. Isso podia ser depois. Eu tinha um Jimmy para seduzir agora. E depois de saber que o meu não amava a Serena, eu fiquei bem mais confiante.
Capítulo XIII
Já estávamos na turnê há mais de duas semanas e eu não tive nenhum progresso no quesito Jimmy. Eu conversava muito com ele, mas nada muito sério, éramos somente bons amigos. Minha sina, isso de ser amiga. Até que deu a ideia perfeita.
- Hoje, depois do show, vai ter festa – ele me disse antes de entrar no palco – Se prepara psicologicamente.
- Me prepararei – eu disse rindo – Hoje eu seduzo ele totalmente – parei de piada e liguei a câmera – Diz “oi” para todo mundo que está te vendo nesse exato momento no Super City.
- Oi, galera! – ele deu um sorriso. Jimmy estava logo atrás de mim no chat e falou alto.
- , a tá online, manda oi para ela.
Antes que o pudesse falar, eu virei a câmera para mim.
- OI, ! – e caí na risada. Ela devia estar me xingando loucamente por ter gritado isso para o mundo todo.
- Ela tá te xingando aqui, .
- Eu imaginei – voltei a câmera para o .
- Oi meu amor, vou te ligar depois do show, ai você pode xingar a de todos os nomes que você quiser para eu passar o recado – ele disse todo engraçadinho, e mandou uma beijo para a câmera. Ai, como eu adoro o e a . Sou muito besta – Então galera, espero que vocês gostem do show, a vai fazer vários flashes e se vocês convencerem ela ou o Jimmy, podem até ver músicas completas.
- Porra, – Jimmy xingou lá de trás, provavelmente uma enxurrada de pessoas estava enchendo o saco dele nesse exato momento.
apareceu correndo e fez uma pose para a câmera esperando que eu tirasse uma foto ou alguma coisa do gênero.
- , isso é uma webcam pro site, eu não to tirando foto.
Ele saiu da pose.
- Ah, me enganou! – disse e colocou o ponto no ouvido – Bom show para vocês ai, espero ver alguns de vocês nos outros shows da turnê! – ele disse olhando para a câmera – Tá na hora de arrasar.
e chegaram, os quatro se abraçaram e gritaram. Antes de entrar todos me deram um beijo na bochecha e um tchauzinho para a câmera.
Deixei a câmera no tri-pé e fui me sentar ao lado do Jimmy. Tínhamos decidido deixar o show rolando inteiro na webcam. Diz aí se a gente não é muito legal? Fiquei sentada ao lado dele assistindo ao show, até que ele desligou o computador e puxou conversa comigo.
- Esse tinha que falar que ia ser culpa nossa se os fãs não pudessem ver todas as músicas?
- Pois é! Ele quer fazer a gente virar vilão – eu disse percebendo que That Girl ia começar a tocar – Adoro essa música.
Jimmy deu um sorriso lindo, e eu lembrei da festa pós show.
- Você vai para a festa que vai rolar depois do show?
- Não sei, o tava me enchendo o saco para ir, diz que vai ter muitas gatinhas e não sei o quê – Se eu não soubesse que o estava do meu lado eu ficaria bem estressadinha, como assim falar de OUTRAS gatinhas, quando euzinha aqui, estava tentando pegar o deus grego?!
Capítulo XIII
'S P.O.V.
Eu estava no bar junto com o assistindo de longe a brincadeira do , e Jimmy. Estava até pensando em me juntar na bagunça quando eu vi o levantando e saindo.
Ele veio até onde nós estávamos e disse que iria pro hotel ligar para a e descansar. Continuei bebendo com o e olhando a festa, tinha muita gente bêbada e mulheres bonitas, mas eu estou comprometido com uma mulher linda e vou ser fiel. Ela tem que acreditar que eu mudei. Fala sério, se eu quisesse ter traído ela eu já teria feito isso. Mas não fiz, ela deveria perceber essas coisas. Continuei meu devaneio enquanto falava alguma coisa sem sentido. Ele sempre foi fraco para bebida, e eu já estava achando que daqui a pouco eu teria que carregar ele, literalmente, para o hotel. Foi então que eu ouvi falando mais alto.
- Agooooora é minha vez de escolher – e colocar um limão na boca. Fiquei curioso, e então eu vi Jimmy virar uma dose de tequila e beijá-la para pegar o limão. Eles continuaram se agarrando por um tempo, não sei por que eu fiquei com ciúmes. Ok, não ciúmes, ciúúúmes... Sei lá, eu estava acostumado a ver a sempre por aí com a gente, mas eu nunca tinha visto ela ficando com ninguém, não que ela fosse gay ou eu achasse isso, ela sempre pegava alguém nas festas, eu só não via. Então eu imaginei que devia ser o mesmo que eu senti com , que sempre foi mais minha amiga do que a , quando ela falou que estava com eu senti um ciuminho, mas como era com o , tudo certo. Agora, a , tá com o Jimmy e eu não sei nada dele. Meu Deus, eu to parecendo o meu pai falando da minha irmã! É, eu estou com ciúmes como se ela fosse minha irmã. Viu aí consciência?! Nada de mais. É eu sei que eu não tenho que provar nada para mim mesmo. De qualquer forma, eles estão se agarrando muito, não estou gostando disso.
Andei até onde eles estavam e nenhum dos dois percebeu que eu estava por perto. Não gosto de não ser notado. Momento estrela, haha.
- Arrumem um quarto – eu falei e a acordou do transe e me olhou ficando completamente vermelha, que bonitinha. Han? O que foi isso, porra. Ela só tá vermelha.
- Deixa de ser chato – ela me deu língua e segurou na mão do Jimmy. Será que ela estava gostando dele? Que porra é essa, ? Deixa a menina se divertir e para de ser inconveniente, ela nunca veio me encher enquanto eu me agarro com a Serena.
Jimmy sussurrou alguma coisa no ouvido dela, que deu um sorriso levantou e beijou minha bochecha.
- Tchau, – ela disse e se virou de mão dada com ele. Não sei porquê, eu fiquei tão retardado, dei um sorriso forçado e olhei os dois saírem. Tem alguma coisa errada comigo. Olhei para o bar e vi entediando uma pobre menina bonita.
- Então, minha namorada é maravilhosa, ela é uma atriz sabe? Faz peças de teatro e coisas assim – continuava a falar completamente bêbado, para a menina que estava visivelmente, não interessada.
- Desculpa, ele está te entediando? – eu disse dando meu sorriso de galã.
- boy! – gritou – Eu estou com saudades da Sally, dude.
- Eu sei, dude, você me falou isso, por que você não liga para ela?
- Meu celular tá no hotel – ele disse com uma cara de fracassado como se o hotel estivesse em outro universo, ou ele não pudesse usar o meu.
- Pega, usa o meu – tirei meu iphone do bolso e joguei para ele – Seja feliz.
- Obrigado, eu te amo, dude! – ele disse me abraçando e pegando o telefone. Pobre Sally, o fica muito sentimental bêbado.
- Então, agora que eu te livrei dele, podemos conversar, qual seu nome? – perguntei para a menina.
- Olivia – ela disse sorrindo – Ele é sempre assim? – apontou com a cabeça para , que estava no telefone falando para Sally como ele não podia viver sem ela e que ele não ia aguentar até o fim sem ela.
Eu dei um sorriso.
- Só quando ele está bêbado, a Sally conhece ele bem demais para se importar com esses momentos, ele vai aguentar até o fim sem ela sim. Eventualmente ela vem acompanhar a gente.
- Desculpa, acompanhar vocês aonde?
- Ah, estamos em turnê.
- Ah sim, achei que tivesse vindo fazer só esse show mesmo – ela sorriu mais uma vez e pediu uma piña colada. Comecei a rir quando ela pediu e ela me perguntou o motivo da risada.
- Ah, nada de mais, é que eu tenho uma amiga que só toma isso, e ela sempre pede com um sotaque mexicano/caribenho tipo, “hey Hermano, me gusta una piña colada, si?” – falei lembrando da fazendo essa piada sempre.
- Hum... – ela disse e tomou um gole da bebida dela. , que ainda estava falando com Sally, de repente ele aparece do meu lado dizendo que ela quer falar comigo e que isso o deixa louco de ciúmes. Ele está muito bêbado.
- Fala, Sally.
- , não deixa ele beber tanto, hoje ele tá pior do que tudo. Até de casamento ele tá falando.
Eu comecei a gargalhar.
- Mas não é isso que eu ia te falar. A Serena, pediu para você ligar para ela antes de qualquer coisa.
- Como assim antes de qualquer coisa?
- Hum, liga para ela agora – ela disse me escondendo alguma coisa – Mas antes deixa eu dar tchau pro imbecil do meu namorado, porque senão ele “se mata de saudade” – ela começou a rir e eu passei o telefone.
Olivia ainda estava lá e eu fiquei conversando com ela para passar o tempo do tchau do . Depois que ele terminou, voltou a falar com a Olivia e eu fui ligar para a Serena.
END OF 'S P.O.V.
Oh My Fucking God! Que dor de cabeça. Não vou abrir os olhos, deve estar muito claro.
- ? – escutei uma voz no meu ouvido e me dei conta que estava sem roupas enrolada num lençol. Fuck, o que eu fiz ontem de noite? Vou fingir que estou dormindo. Comecei a relembrar dos acontecimentos da noite anterior, Jimmy estava acordado ao meu lado fazendo carinho na minha cabeça. Continuei fingindo que estava dormindo até que ele levantou e entrou no banheiro. Assim que ele fechou a porta eu corri atrás das minhas roupas e as coloquei o mais rápido que pude. Sentei novamente na cama e liguei meu celular. Tinha dez chamadas não atendidas. Duas do , seis da , uma do e uma do . Que diabos tinha acontecido? Eu tinha duas mensagens de voz e três mensagens de texto.
“Atende o telefone!
- ”
“ ,
ATENDA ESSE TELEFONE!
- ”
“Ok, quando acordar me liga, o mais rápido
possível.- ”
Definitivamente havia alguma coisa errada.
Eu estava ligando para a quando o Jimmy saiu todo molhado do banheiro só com a toalha na cintura. Totalmente sexy.
- Já falou com a ? – perguntou ele procurando uma boxer na sua mala.
- Ela ainda não me atendeu – falei cabisbaixa – Você já sabe o que aconteceu?
- Entra na internet. Em qualquer site de fofoca britânico – ele apontou para o computador.
Desisti de falar com a , e fiz o que ele mandou, entrei direto no The Sun e dei de cara com a seguinte reportagem:
“Serena Hilston é flagrada com Tony Sparks.
- por Effy Stonem
A modelo Serena Hilston (23), foi flagrada aos beijos com o super executivo Tony Sparks (32), na última noite de terça. Depois do desfile da Prada, no qual a modelo desfilou, o casal esticou a noite na boate Taj Lounge. Eles não se desgrudaram durante a noite toda e trocaram muitos beijos. Pelo visto a fila andou para a modelo, que havia declarado estar namorando com o Popstar, (23) na ultima semana.”
Tinha uma foto enorme da Serena sendo engolida pelo tal Tony. Olhei para o Jimmy, que falou:
- Isso ai é só o começo, lê a próxima – apontou para o computador.
Abaixei a página e comecei a ler a notícia seguinte.
“Serena Hilston e , namoro relâmpago?
- por Effy Stonem
Na ultima semana, muita coisa aconteceu entre o casal Hilston e . Eles estavam declarando amor eterno pelo site oficial de , SuperCity, e nessa terça o casal foi flagrado, mas não juntos. Serena estava com o super executivo Tony Sparks e foi flagrado com uma desconhecida em um bar ao sul da Inglaterra. Pelo menos podemos comemorar que o está de volta no mercado. Mas o contexto desse fim de namoro ainda está por vir. Teria traído Serena, ou o contrário? Não sabemos responder essa pergunta. Mas, apesar do histórico do rapaz, eu ainda aposto que a Hilston agiu primeiro.”
Eu estava sem palavras. Fiquei olhando para o computador com cara de idiota enquanto lia todas as notícias. Eu PRECISAVA falar com a , para saber o que era verdade, o que era especulação e acima de tudo, porque todos estavam atrás de mim loucamente.
- Você já sabe o que aconteceu? – perguntei para Jimmy.
- Na verdade não, eu estava postando umas fotos do show e vi uma conversa sobre esse assunto no chat...
- Hum, então o e a Serena terminaram do nada? - perguntei para mim mesma.
- Pelo visto alguém traiu alguém, e o outro deu o troco – ele disse respondendo.
Resolvi ligar para o , ele era minha do momento, e já devia saber de tudo.
Graças ao bom Deus ele atendeu o telefone.
- Acordou finalmente, hum? – ele disse – A noite foi boa?
- Maravilhosa – eu disse rindo – Mas me conta o que aconteceu, pelo amor de Deus.
- Você quer a versão completa com comentários do autor ou a versão resumida e adaptada?
- Quero a versão adaptada agora, e mais tarde no meu quarto, a completa com comentários do autor – respondi rindo.
- Ui, não tá no seu quarto! – ele começou a rir e parou quando eu reclamei - Ok, adaptada agora então, lá vai – ele pigarreou fez uma voz imponente e continuou – Serena pegou o empresário velho. ligou para ela, quem atendeu foi a Anne, ele ficou “emputecido” e pegou a Olivia, uma menina que ele conheceu no bar. Fim.
- Fuck, como assim ANNE? – eu meio que gritei. Jimmy estava muito curioso ao meu lado esperando a ligação terminar.
- Você pediu versão resumida, é essa, eu explico melhor na completa mais tarde no seu quarto.
- Ok, ok, tudo bem, Tchau, amore – desliguei o telefone e continuei pensando até que Jimmy me acordou.
- E aí? O que aconteceu?
Eu fiz uma versão resumida do resumo para ele.
- Serena traiu o primeiro. E ele não ficou com dor de cotovelo.
- E onde a Anne entra na história?
- Não faço a menor ideia. Ele disse que a Anne atendeu ao telefone – parei para pensar um pouco – Enfim, mais tarde o vai me contar os detalhes.
- Chega de , então – ele disse sentando ao meu lado – Que tal um pouco de James Wilbert?
Eu tinha esquecido que estava com um dos caras mais lindos do universo do meu lado só de toalha por alguns minutos. Dei uma risada e ele se virou para me beijar, até esqueci da minha curiosidade momentânea. Eu tava preocupada com o que mesmo? Eu tenho um deus grego só de toalha para mim, depois eu vejo isso de Serena, Anne, e pessoas desconhecidas.
Capítulo XV
'S P.O.V.
[flashback]
- Serena?
- Olá, ! – uma voz diferente atendeu ao telefone.
- Anne?
- Isso mesmo, pelo menos você ainda reconhece o doce som da minha voz.
- O que você está fazendo com a Serena? – perguntei preocupado.
- Nada, absolutamente nada, ela está muito ocupada beijando o Tony – ela disse - Ops! Falei sem querer – e deu uma risada retardada.
- Garota, supera isso, eu estou com outra e não vou voltar para você mesmo que você fique inventando coisas.
- Meu queridinho, você não sacou ainda? Você me traiu e deixou o mundo saber disso,
, antes de mim – ela fez uma pausa – Mas
agora você é o corno.
- O que diabos você tá falando, sua louca? – eu já estava ficando transtornado, como assim a Serena estava me traindo?
- Vou te explicar tudo, meu bem – ela começou a contar e cada vez que ela falava uma nova palavra, eu tinha mais vontade de matá-la – É isso, Au revoir, aproveite sua fossa.
Ela desligou o telefone e eu fiquei completamente enfurecido, como essas duas se atreveram a mexer comigo? Eu sou fucking . Se ela acha que eu vou ficar abalado, tá muito enganada. Cadê aquela loirinha que tava me dando mole? Olivia? Ahá, achei, é essa mesmo. Andei direto para ela e nem falei nada, só dei um super beijo que trouxe todas as atenções para mim. Convenci a garota a sair comigo, nada muito difícil, eu falo tudo que as mulheres gostam de escutar. Tomei todo o cuidado para ser fotografado “sem querer” na saída do pub. Prontinho, quem é o corno agora, Anne?
Puta que pariu. Eu não to no hotel? Que merda de horas são? Caralho, nove horas, eu tenho que correr! Comecei a catar minhas roupas pelo chão o mais rápido que eu pude. A menina que estava comigo acordou quando eu derrubei acidentalmente um abajur.
- Bom dia – ela disse enrolada no lençol – Que pressa é essa?
- Eu tenho uma entrevista às 10 horas e meus amigos vão me matar se eu não chegar lá no meu hotel agora – falei fechando os botões da minha blusa – A noite foi muito boa, mas eu tenho que ir – corri até a cama dei um beijo na bochecha dela e sai correndo. Ela provavelmente ficou com uma cara de bunda lá imaginando porque eu fiz isso com ela. Sabe por que eu fiz isso? Simplesmente porque vocês mulheres não prestam. Maldita Anne, maldita Serena. Ok, chega desse negócio de namorado, agora eu vou ser o cafajeste que todo mundo sempre achou que eu fosse. Farei jus ao meu título. Mulheres do mundo, o tá na área para pegar todas vocês. Entrei num táxi e fui direto para o hotel.
END OF 'S P.O.V.
Depois de passar a manhã toda com o Jimmy fui, finalmente, para o meu quarto e me joguei na cama. Muita coisa aconteceu de uma vez. Eu peguei o Deus grego. Estava extremamente feliz, mas também estava frustrada, afinal agora eu estou com o Jimmy, aparentemente o tá ai solteirão no mercado. Maldita lei de Murphy. Falando nisso, eu tenho que entender isso direito. É só eu dar um beijo num cara gostoso que o meu amor fica solteiro? Se eu soubesse disso tinha beijado outro cara muito sexy antes. Ok, minha professora falou isso um dia desses na aula, sobre reforçamento supersticioso, ou algo do gênero. Quando a gente faz uma coisa completamente nada a ver e isso se emparelha com o resultado. Ou seja, coisas idiotas, tipo usar uma certa cueca ou blusa e seu time ganhar ou você achar dinheiro. Isso faz a gente achar que usar isso vai trazer a sorte. Quando eu estou nervosa eu começo a divagar nos assuntos que eu estudo, desculpe. Falando nisso, eu tinha que ver com a se ela tinha pedido para a Katheleen anotar as coisas da pós para mim. Viu aí, estou divagando novamente. Vamos voltar ao foco, quem se importa com meu futuro profissional quando eu tenho um Deus grego ao meu dispor e um objeto de paixão solteiro por causas - ainda - indeterminadas? Pois é, ninguém.
Ouvi alguém batendo na porta do meu quarto.
- Quem é? – gritei ainda deitada na cama.
- Um cara muito gostoso que adora fofocar e fazer o papel da melhor amiga distante.
- ! – pulei da cama, minha curiosidade estava no topo de tudo nesse momento – Entra, entra, entra – falei puxando o menino e jogando ele sentado na minha cama – Pode começar, sou tooooooooda ouvidos – fiquei calada e fiz cara de paisagem esperando ele começar a falar.
- Calma menina, pelo amor de Deus! – ele disse rindo – Antes disso eu quero saber o que aconteceu ontem quando eu saí.
- – falei séria.
- Presente! – ele levantou uma das mãos.
- Se você não desembuchar agora eu JURO que não falo para a quais foram as suas últimas palavras antes de morrer.
- Ai, que escândalo, amiga! – ele disse fazendo uma voz de bicha afetada e rindo do meu olhar fuzilador – Ok, ok, vou começar.
Continuei calada e ele começou.
- Ontem de noite a Serena teve um desfile e pegou um empresário.
- Isso eu já sei. Quero saber da Anne! – eu interrompi.
- Não me interrompe.
- Desculpe, prossiga.
- Então como eu dizia, ela pegou um empresário e isso vazou para a imprensa – ele fez uma pausa e eu continuei calada – Até aí tudo bem, o não era louco de amores por ela mesmo... – ele parou de falar com a minha cara fechada - De qualquer forma, ela fez o mesmo que o fez com a Anne e “quis contar para ele antes que ele visse os jornais.” Pelo menos foi isso que ela falou para a e para a Sally.
- E onde a Anne entra, ? - perguntei interrompendo mais uma vez.
- Espera eu terminar, , caramba! Como eu prefiro falar com homens.
- E eu prefiro falar com mulheres, porque a gente não enrola! Anda logo – ele virou os olhos e continuou.
- Enfim, a Sally falou para o que a Serena tinha pedido para ele ligar e que isso deveria ser o mais rápido o possível.
- Que horas foi isso?
- Um pouco depois que eu voltei para o hotel.
- Hum, continue.
- ligou para a Serena e a Anne atendeu.
- POR QUÊ? – não aguentei. Ele só me censurou com o olhar e eu prometi silenciosamente que não ia mais falar nada.
- Então, isso eu descobri ainda agora só, depois da entrevista o contou para todos nós. E você NÃO sabe disso, ok?
- Não sei de nada mesmo, mas depois que você me contar eu continuarei não sabendo – falei rindo – Continua, .
- Te acalma, Deus do céu, mas que coisa! – ele se levantou e depois sentou novamente, dessa vez no sofá que ficava de frente para minha cama.
- Então... - falei para fazer ele continuar a contar.
- Ela falou que tudo isso tinha sido um plano dela para se vingar do .
- Para tudo, TUDO ISSO o quê?
- Pois é, o não deu detalhes, ele só disse isso, é por isso que nós temos que descobrir o que é o “tudo isso” juntos.
- Como assim? Ah, pelo amor de Deus, ! Vocês não servem para nada, não perguntaram?
- , ele tá abalado.
- Fala sério, abalado com o quê? – eu peguei meu celular e disquei o telefone do .
- O que você está fazendo? – ele me perguntou preocupado.
Ignorei e ouvi aquela voz linda falando no telefone, até esqueci de respirar, e então lembrei que tinha que falar com ele.
- ?
- Ah, Oi – ele disse provavelmente sorrindo, adoro imaginar ele sorrindo ao falar meu nome. E pelo visto, ele não está nem um pouco abalado, ao meu ver.
- Pode abrir o jogo, o que aconteceu ontem à noite? Por que você e a Serena estão pegando outras pessoas na internet?
Ele deu uma gargalhada gostosa. Que bom humor para quem acabou de ser traído. Se bem que pela cara da menina que ele saiu do bar ontem, ele realmente deve ter se dado bem ontem de noite.
- Eu conto tudo se você me falar o que aconteceu com você ontem de noite, sabe, entre você e o Jimmy.
Seu safado, pensei.
- Ok, mas você vai ter que aturar o aqui também, porque eu só falarei detalhes sórdidos uma vez – ele gargalhou mais uma vez.
- Você quer conversar que horas?
- Que tal agora?
- Ok, tá onde?
- No meu quarto, pode vir que o tá aqui já.
- Ok, ok, estou indo.
Virei para o :
- Pronto, ele vem para explicar tudo, e ele tá com um bom humor que eu nunca vi – comentei.
- Bem, ele se livrou da namorada que ele não amava, logo, por que ele haveria de estar triste? Não é como se eu tivesse perdido a ou o perdesse a Sally. Nesses casos, você veria dois suicidas – eu comecei a rir – Mas o já tava tentando arranjar maneiras de terminar com a Serena, só não tinha desculpa.
- Você que disse que ele tava abalado... Sério que só eu não via isso? Eu sempre vi os dois como um casal super apaixonado – falei alto sem querer.
- Você é apaixonada pelo Jimmy? – ele me perguntou do nada.
- Não – respondi prontamente, sou apaixonada pelo . Claro essa segunda parte só na minha mente.
- Viu? Para mim parece que é. Mas é só desejo, certo? – ele falou.
- É... – hum, acho que estou começando a entender a mente masculina.
- E você, ? Ama a ou é só desejo? – pergunta do século, liguei minha câmera mental para transcrever essa resposta para minha best.
- O que você acha? – ele disse levantando só uma das sobrancelhas.
Eu continuei calada. Eu acho que você está perdidamente apaixonado. Novamente, só na minha cabeça.
- , eu ligo para ela todo dia, mando mensagens de texto, reclamo que ela não está comigo na turnê, sinto saudade em menos de três horas de viagem, e fico aqui te enchendo toda hora porque você me lembra como é conversar com ela. Sem falar que eu saí cedo de uma festa para ligar para ela e dormir.
- Hum – eu disse e continuei calada, eu queria ouvir da boca dele.
- É, eu amo a , não posso fazer nada quanto a isso, só esperar que ela me ame também.
- Ouuuuuuuuuuuun! - é, eu fiz esse barulho e pulei em cima dele – Que coisa mais liiiiinda, ! – ele ficou muito vermelho e bateu na porta.
- Ainda bem que ele chegou, você conseguiu me fazer dizer muita coisa nesse tempo – comecei a rir – Vamos tirar coisas do agora, e não do – ele disse e abriu a porta – Bem vindo ao inferno.
olhou para ele com cara de confuso.
- Dude, ela me fez admitir que eu amo a aqui, boa sorte para você – falou rindo enquanto deixava passar.
- Grande merda. Todo mundo já sabia disso – ele disse levantando os ombros.
Eu comecei a rir e falei:
- Eu achava que você amava a Serena, que com ela era diferente, mas você não tá triste nem nada – perguntei de cara.
- Eu gostava da Serena, nunca cheguei a amar ela, e sim, com ela era diferente, mas agora eu sei que era porque ela estava me enganando e bem, ela fazia tudo que eu gostava, porque ela sabia do que eu gostava.
- Ok, não entendi nada, pode começar do começo, meu bem? – eu disse batendo a mão ao meu lado na cama para ele se sentar.
- Tá, vamos lá – ele disse sentando e respirando fundo.
Capítulo XVI
- Então, vou começar desde o início.
- Sou toda ouvidos! – eu disse e continuou calado.
- Eu fui com os meninos tocar na festa das modelos lá.
- Espera, desde esse começo? Precisa mesmo? – eu interrompi.
- Não interrompe ele, claro que precisa! Se não precisasse ele não ia falar... – disse olhando cúmplice para e suspirando um “garotas”.
Eu virei os olhos:
- Tá! Vai, continua.
- Continuando... – disse balançado uma das mãos – Fui lá com os meninos tocar e depois eu peguei uma das Angels da Vitoria Secrets – ele fez uma pausa e eu continuei calada – Pouco tempo depois, a Serena apareceu e a Angel lá me apresentou ela. Ela era super espontânea e totalmente o meu tipo, sabe? – ele disse, concordou afirmamente e eu negativamente – Enfim, a partir daquele momento ela já estava me manipulando.
- Han? – eu falei – Quem estava te manipulando? A Serena?
- A Anne, através da Serena – ele disse.
- Como isso é possível? – perguntou.
- Acreditem se quiser, Serena é amiga de longa data da Anne, e ela estava “me vigiando” nessa festa, já que a Anne não pode ir. Ela viu que eu fiquei com a modelo e ligou para a Anne, que a convenceu de me conquistar.
- E como a Anne sabia que a Serena ia conseguir?
- Ela estava ajudando a Serena a ser o tipo de menina que eu pegaria – ele disse – Sem falar que a Serena é incrivelmente sexy – ele disse como que não quer nada.
Ciúmes ligados. Porra, ela te traiu e você ainda acha ela sexy? Ok, ela não deixou de ser bonita, mas ELA TE TRAIU! Ignorando minha batalha mental, ele continuou a falar.
- O plano das duas era me fazer ficar apaixonado pela Serena e depois, quando ela tivesse certeza que eu estava apaixonado, me largar.
- Nossa, que imbecil! – eu disse, sendo que na verdade eu achei uma boa maneira de se vingar. Apesar de, é claro, achar que não funcionaria.
ignorou meu comentário e continuou falando.
- Mas aí, ontem elas decidiram devolver na mesma moeda. Fazer a Serena me trair na cara dura, na frente do mundo todo.
- Tuuuuuuuuuuuuudo faz sentido agora – disse – Então você pegou a primeira mulher que viu pela frente para sair nos sites também e ninguém saber quem traiu quem, ou se vocês tinham terminado!
- Isso – disse.
- Genial – respondeu.
- Eu, definitivamente, não entendo a mente masculina, a última coisa que eu faria ia ser isso – comecei a falar – Mas diz aí, você não ficou nem um pouco triste?
- Eu fiquei puto, não fiquei triste – ele olhou para o chão – Eu nunca gostei muito dela mesmo... Mas eu não sabia o porquê... Agora eu sei que é por que ela não estava sendo ela mesma, estava fazendo tudo que eu gostava para eu me apaixonar.
- Hum, e isso não fez você se apaixonar por ela? – perguntei esperando a resposta ansiosamente para anotar na minha lista mental "como conquistar ".
- Eu gosto de desafios – ele disse dando uma risada – Então foi isso, agora eu sou, oficialmente, o pegador do McFLY. Farei jus ao meu título não merecido de cafajeste.
- Não merecido? – eu comecei a rir.
- Sim, senhorita, não merecido até ontem. A partir de hoje eu mereço – ele disse sorrindo – De qualquer forma, eu matei sua curiosidade?
- Sim – eu respondi ainda pensando na resposta dele ‘eu gosto de desafios’. Será que eu poderia ser um desafio? Continuei viajando na maionese até que meu celular vibrou e o visor mostrou o nome do Jimmy. Porra, eu esqueci do meu Deus grego! Desculpa , não serei o seu desafio porque eu estou com outro, beijos, me ligue.
- É o Jimmy, vou ali atender – eu disse me afastando dos dois. ficou calado.
- Não fuja e não marque nada, você ainda tem que me contar o que aconteceu ontem à noite! – gritou do meio do quarto.
Eu fiz um joinha e continuei andando para a varanda.
Jimmy não me ligou para falar que estava morrendo de saudades e que não conseguia ficar sem mim, na verdade ele me ligou para avisar que íamos deixar a cidade às quatro da tarde, e que eu deveria avisar os meninos. Andei de volta para onde eles estavam e não falei nada.
- Uhhhh, o gatinho não aguentou de saudades? – fez piada.
Quem me dera.
- Há-há. Ele me avisou que nós vamos embora às quatro da tarde, vocês já arrumaram as coisas?
- Tudo arrumado – disse.
- Eu nem desarrumei nada – foi a vez de falar.
- , falta muito tempo até a hora, você pode contar logo o que aconteceu ontem à noite?
- Ai, meu deus, que coisa! Não aconteceu nada de mais... – eu disse ficando completamente vermelha.
- Ah, claro que não aconteceu nada! Aconteceu tudo pelo jeito que vocês dois saíram ontem – disse me provocando.
- Ok, talvez eu estivesse um pouco alterada, mas ah, ele é tão lindo – eu disse sorrindo feito uma boba.
- Olha que fofinho – começou a rir e apertou minhas bochechas - Eu disse que você pegava ele!
ficou calado, só olhando.
- E, como eu também disse, você nem precisou das minhas dicas, te falei que você era super capaz de fazer qualquer cara ficar afim de você – completou.
Eu dei um sorrisinho, qualquer cara não, eu não consigo fazer o ficar afim de mim. Olhei para o , que continuava calado.
- Qual seu problema, ? – perguntei.
- Hum? – ele acordou do transe – Ah, eu tava pensando.
- Ah, por isso você ficou calado todo esse tempo, você estava pensando! – começou a rir – Cuidado, da última vez que você fez isso ficou com dor de cabeça pelo resto do dia.
Eu cai na gargalhada e tacou travesseiros na minha cabeça e na de .
- Mas então, no que a donzela estava pensando? – ele perguntou.
- , não se apaixone pelo Jimmy, ok? – ele disse sério.
Troquei um olhar com e disse:
- Por quê?
- Porque ele não merece. Sério.
Fiquei séria por um momento. Será que o sabia alguma coisa que eu não sabia sobre o Jimmy?
- , se você me der um bom motivo para isso eu posso até tentar – eu disse.
- Não tenho um bom motivo – ele disse.
- Então cala a boca. E deixa de ciúmes, seu idiota – disse – , se o Jimmy fizer alguma coisa ou for mesmo um cafajeste, eu dou um jeito nele.
Eu nem prestei atenção ao que o disse depois de “deixa de ciúmes”. Só dei um abraço nele e disse obrigada.
- Não estou com ciúmes, a é minha amiga, não quero que ela sofra – falou.
Eu ainda estava abraçando o quando ele falou isso, e senti uma vontade louca de chorar. Não sei porquê, de felicidade porque ele se importa comigo ou de tristeza pela ênfase “amiga”. Comecei a chorar. É, fazer o que eu sou uma fraca mesmo!? Eu disse que estava chorando de saudade das meninas e porque eles eram os melhores amigos que eu poderia ter. Eles deram um sorriso e me abraçaram em conjunto até que começaram a falar bobagens até eu me animar. Às quatro horas estávamos todos no ônibus a caminho da próxima cidade. Sentei ao lado do Jimmy e nós conversamos e brincamos a viagem toda.
Os dias foram passando, o site estava cada vez mais legal, muitas fãs haviam descoberto o meu casinho com o Jimmy. Umas acharam legal, outras reclamavam, achavam que eu combinava mais com um Mcguy ou outro. estava fazendo jus ao seu título de pegador, em cada cidade que ele passava pegava uma tonelada de mulheres. Isso me deixaria louca se eu não tivesse o meu Deus grego. disse que tinha uma novidade bombástica e que só me contaria quando eu ligasse para ela, o que me fez ficar louca de curiosidade. Tentei ligar, mas não consegui. Para passar o tempo, resolvi entrar no chat para conversar um pouco com os fãs que estavam online.
Capítulo XVII
Meu computador quase pifou. Por quê? Simples, eu estava feliz e contente no meu quartinho de hotel conversando pela web com o pessoal no chat do Super city, quando todos os quatro, , , e aparecem quase nus. Repito, QUASE. Estavam todos de roupão. O por que disso? Um photoshoot para uma revista qualquer. E eles estariam pelados. Primeiramente, teve meu estado de choque inicial provocado por um só de roupão incrivelmente sexy, depois teve o choque “oh-meu-deus-a-web-tá-ligada”. Sério, se tivesse uma maneira de ouvir tudo que era falado naquele chat, seria tudo traduzido a gritos nenhum pouco inteligíveis. E claro, eu não estava esperando por isso, meu computador estava cheio de coisas acontecendo e travou loucamente, de um modo que só se eu desligasse voltaria ao normal. E foi o que eu fiz, não li nenhum protesto, afinal, ele estava travado. Mas quando eu voltei, um pouco mais tarde as meninas estavam furiosas, como assim eu não tinha deixado elas curtirem mais o McFLY de roupão? E, obviamente, elas não engoliram que o meu computador tinha travado. Para elas era como se eu tivesse travado a web de propósito e logo depois saído. Só para causar um bafafá. Para recuperar meu local no altar sagrado como a melhor pessoa do Super city mais uma vez, eu fui até o local do photoshoot e filmei o making of. Claro, eu me esbaldei, não vi nenhum deles pelados, porque eles estavam usando uma sunguinha cor de pele ridícula, mas foi uma ótima experiência. Deus, que corpos. Depois que eu postei o vídeo, tive meu posto na hierarquia retomado, eu era novamente a rainha das fãs.
Capítulo XVIII
'S P.O.V.
- Ah, PARIS! Como eu adoro as francesas! – falei alto fazendo todos rirem.
- , tira o cavalinho da chuva, as francesas são mais criteriosas, não vão sair com qualquer um – disse piscando para uma loirinha com um vestidinho curtíssimo, mas ela estava olhando para o Jimmy.
Jimmy. Ela estava olhando para o Jimmy, enquanto eu, o gostosão famoso, estou aqui e o , pura sedução, está piscando para ela? Ok, isso soou meio gay, mas o é pura sedução mesmo. Que diabos esse cara tem? Até a se derrete de amores por ele!
- Ih, ela tá de olho é no Jimmy, fica de olho hein, ?! - falou – Ignorou o e o até.
- Tem nada não, eu confio no meu taco – disse rindo enquanto o Jimmy começava a rir e puxava ela para um beijo.
Chegamos ao hotel e teríamos o resto da tarde e noite de folga. O show seria somente no outro dia pela tarde, resolvi chamar o pessoal para passear pela cidade, estava com a Sally, não quis sair. nem atendeu a porta do quarto. O tinha saído mais cedo e ainda não tinha voltado. Resolvi sair sozinho, peguei a máquina fotográfica cheia de frescura do e fui passear no parque que havia na frente do hotel. Enquanto eu andava, fui reconhecido apenas duas vezes. E as duas últimas meninas que vi, acharam que eu era muito parecido com o , mas tinham certeza de que eu não era ele. Ele era mais alto. No meio dos meus devaneios e fotografias bestas de árvores e coisas estranhas, eu já estava me sentindo um fotógrafo profissional. Quando resolvi sentar para descansar, vi uma menina muito bonita de costas, pedindo um sorvete. Apesar de não saber uma vírgula em francês, fiz minha cara de sedutor e caminhei em direção a menina. Quando estava mais perto percebi que ela estava tentando explicar o sorvete que ela queria em inglês. O que me deu mais confiança, eu poderia me comunicar com ela pelo menos, notei uma bolsa da máquina dela pendurada, teria assunto também.
- Pode desistir, eles fingem que não falam inglês, sabe como é... Coisa de perdedores de guerras mesmo – fiz a piadinha e ela se virou.
- ! – era a .
- ?! – como assim? Era a e eu não percebi! – O que você tá fazendo aqui?
- Resolvi sair para fotografar Paris. Ao contrário de todos vocês, essa é a primeira vez que eu venho aqui.
- E o Jimmy?
- Ficou no hotel, tava com sono ou alguma coisa assim, azar o dele, Paris é linda e eu estou me divertindo – ela disse sorrindo e virou novamente para o moço do sorvete – Ele podia tanto me vender sorvete, né?
Eu dei uma risada da cara dela tentando explicar para ele que queria um sorvete, que nem inglesa ela era, e achava muita prepotência os ingleses acharem que ganharam todas as guerras e ela já estava falando como achava o Napoleão bem mais legal do que a rainha porque, se não fosse ele, o rei de Portugal nunca ia ter fugido para o Brasil, transformando o Brasil eu um Reino Unido e não mais numa colônia e ela nunca nasceria, quando a filha do cara que fingia que não nos entendia saiu de dentro do bistrô e arregalou os olhos de um jeito doentio para mim. Fiquei com medo. Ela falou alguma coisa em francês, muito rápido, e o pai dela olhou para mim também. Eu fiquei com mais medo. viu toda a movimentação e sacou antes de mim o que estava acontecendo. Pegou a minha mão e falou:
- Tá, vamos embora então , a gente pode comer em outro lugar – eu estava me virando e sendo arrastado para fora da calçada quando a menina falou num inglês carregado de sotaque:
- Eu não acredito! Então você é mesmo o ! Eu vou morrer! – ah então era isso, eu achando que os dois iam me matar. Estava me preparando para ser um ídolo legal, dar autógrafos e tirar fotos quando me interrompeu.
- É, ele mesmo, e como ninguém quis me vender sorvete, você não vai tirar foto com ele – é, ela falou isso para minha fã. Eu comecei a rir.
- Deixa de bobagem, – soltei a mão dela e virei para a menina novamente – Eu te dou autógrafo e tiro fotos, se você trouxer nossos sorvetes – ela se virou para o cara, e eu descobri que ele na verdade era só um garçom e o pai dela na verdade era o dono do lugar e não estava lá. ganhou o sorvete dela e a menina ganhou o autógrafo e fotos. Todo mundo saiu feliz.
me agradeceu por ter aparecido do nada e salvo o bebê dela de ter cara de sorvete. Achei que ela estava grávida mesmo, tendo desejos, mas depois vi que ela estava brincando. Eu sou lerdo às vezes. Passeamos pelo parque e ela quis ir até a Torre Eiffel, expliquei que não era lá grande coisa, mas ela quis ir de qualquer forma. Fomos andando e tirando muitas fotos no caminho. Fotografei em centenas de ocasiões. Ela estava se divertindo e eu tinha virado o fotógrafo oficial dela em Paris. Tirei centenas de fotos, de todos os ângulos possíveis. Minha foto favorita dela foi a mais espontânea e foi também um close. Ela estava mexendo nos cabelos e no exato momento que seu rosto ficou meio encoberto, no espaço entre duas mechas, capturei um brilho nos seus olhos. Foi a melhor foto que eu tirei na minha vida. Acho que eu poderia ganhar prêmios com ela se fosse um fotógrafo profissional. Mostrei-a para ela.
- Nossa, não sabia que você tirava fotos tão bem, .
- Nem eu, na verdade – disse rindo – Essa eu quero pra mim.
- Vai fazer o que com ela? – ela me perguntou ainda olhando para a câmera.
- Não sei, guardar uma cópia original num cofre de um banco, ela pode valer milhões como a minha primeira foto premiada. E colocar uma outra no meu mural.
- Eu também quero uma foto sua! – ela disse pegando a máquina dela e começando a tirar fotos minhas, enquanto eu fazia caretas.
- É só colocar meu nome no Google – fiz piada.
- Quero uma foto exclusiva – ela disse ainda tirando fotos de mim – Para de fazer careta!
Eu ri, fiz minha cara de sedução total e fiquei olhando pra o centro da câmera.
- Ui, que olhar sedutor – ela disse e eu comecei a rir mais uma vez – Posso ficar rica com essas fotos a qualquer momento.
Continuei rindo e ela continuou me fotografando. Chegamos a Torre e ela concordou comigo, não era lá grande coisa. Ela disse também que o Cristo é bem mais legal. Estávamos pensado no que fazer quando descemos da torre e o telefone dela tocou. As meninas queriam sair, uma noite só com as meninas, sem namorados e "peguetes".
Voltamos para o Hotel, fui para o meu quarto baixar as fotos no meu computador e enviar todas as fotos que eu tinha tirado da para o e-mail dela.
Cheguei no meu quarto e me dei conta de que não tinha o cabo para a transferência das fotos. Eu estava meio preguiçoso depois de andar Paris inteira com a , liguei para o , que estava no quarto ao lado.
- Cara, você podia trazer o cabo USB da máquina? – perguntei.
- Onde você tá?
- No meu quarto... Quero baixar as fotos que eu tirei hoje à tarde.
- Tá, eu levo aí, as meninas já saíram e eu não tenho o que fazer mesmo. Já tô indo.
Alguns minutos depois entrou no quarto seguido de .
- Também não tenho o que fazer – disse, ao me ver olhando ele entrar no meu quarto.
- Cadê o ? – perguntei, já faziam horas que eu não o via.
- Ah, ele arranjou uma francesinha e tá no mundo com ela em alguma festa – falou - O que você fez a tarde toda? Só tirou fotos?
- Sim, passei a tarde tirando fotos e passeando com a .
ligou o USB no computador e começou a copiar as fotos. Ele foi olhando e dando a sua análise fotográfica de cada uma das fotos. Até que ele chegou nas fotos da .
- Nossa, quanta foto da ! – falou.
- Ela queria que eu tirasse fotos dela em Paris – eu disse levantando os ombros.
- Tem umas muito boas aqui – comentou – Essa aqui é ótima – ele apontou para a minha favorita.
- É, também gostei dessa, a ficou linda.
- Ela é linda, – disse.
- Nunca disse o contrário – falei rindo – Mas ela é uma menina comprometida, e é minha amiga, não posso simplesmente usar todo meu charme com ela.
- Não se atreva a tentar usar a – disse – Se bem que eu acho mais fácil você sofrer do que ela, tendo em vista que eu sei que eu sou o fave dela, e ela nunca ia querer nada com você.
estava só rindo da nossa conversa. Continuamos falando bobagens e vendo as fotos até que o chegou muito bêbado e se jogou na minha cama. Tivemos o trabalho de carregar o brutamontes até o quarto dele, trocar a roupa e colocar ele na cama. Diz aí se não somos ótimos amigos. Depois de tudo isso não tive mais pique para sair e voltei para o meu quarto, enviei as fotos da para o e-mail dela e fiz uma nota mental de revelar a minha foto favorita depois.
END OF 'S P.O.V.
Eu cheguei no meu quarto extasiada. Que tarde havia sido aquela? Eu e ! Sério, eu ainda estava tentando imaginar como não morri do coração quando Jimmy entrou no quarto e eu me assustei.
- Desculpa! Te assustei, né? – ele disse fechando a porta.
- Um pouco, mas tá tudo bem... – falei deixando a máquina em cima da cama e torcendo para que ele não pedisse para ver todas as minhas fotos em Paris, que se resumiam basicamente em vários ângulos de em Paris. Ainda bem que ele tinha tirado fotos minhas, se não teria sido uma tarde perdida. Perdida para minhas fotos, porque passar uma tarde toda sozinha com o em Paris nunca é tempo perdido.
- As meninas me avisaram que vocês vão sair hoje e que eu não estou convidado.
- Pois é, elas me falaram isso também. Vocês poderiam sair né? – sugeri – Quer dizer, uma noite só de meninos, só não saia sozinho com o .
Ele começou a rir.
- Ele e o provavelmente serão os únicos afim de sair, mas depois eu vejo o que eu faço. Divirta-se com as meninas – ele se virou para sair do meu quarto – E tenha juízo, mocinha – ele voltou e deu um beijo na minha testa, saindo do quarto de vez.
Liguei o meu computador e comecei a babar com as fotos que eu tinha tirado. A melhor de todas foi uma das primeiras que eu tirei, na hora que ele fez o olhar sedutor. Eu fiquei petrificada babando pela foto, até que entrou no meu quarto e me acordou do transe.
- ACORDA, PARA DE BABAR!
- PORRA! – berrei - Quer me matar do coração?
- Quero não fofa, mas eu acho que você tem que tomar mais cuidado... Se quiser ficar babando no por aí... Se eu fosse o Jimmy você teria problemas.
- Que problemas? Eu to só olhando as fotos que eu tirei hoje... – eu voltei a olhar para o computador e passar as fotos mais rápido.
- Não tem problema ver fotos, o problema é babar nelas – ela continuou enchendo o saco.
- Ah, tá – eu bufei – O que eu posso fazer se esse cafajeste do é um gostoso fotogênico?
Ela caiu na gargalhada, trancou a porta do meu quarto e veio analisar as fotos comigo, falamos em português para não ter nenhum perigo, caso alguém ouvisse nossa conversa.
Mais tarde nos arrumamos e Sally bateu na porta, saímos para um bistrô para provarmos as delícias francesas. E, dessa vez, eu acompanhada por alguém que falava francês, a Sally, não teríamos problemas com a comida.
Capítulo XIX
Acordei com uma ressaca braba e sem nenhuma lembrança da noite anterior. Em fatos, eu não sabia nem como tinha chegado em casa, a única certeza que eu tenho é que eu fui a última a ficar bêbada. Logo, eu tinha que descobrir se as meninas estavam vivas.
Me arrastei até o banheiro, lavei o rosto que estava todo borrado de maquiagem, amarrei o cabelo e troquei de roupa, o banho ficaria para depois. Antes eu tinha que ver as meninas.
Fui primeiro no quarto do , ver como a Sally estava, ela foi a primeira a ficar bêbada, pelo que eu me lembro. Bati na porta e aguardei resposta.
- Quem é? – ouvi a voz do .
- Sou eu, – disse e minha voz saiu rouca, muito rouca. Que estranho.
- Nossa senhora, o que vocês fizeram ontem? A Sally tá caída na cama até agora – ele disse afastando para eu passar e ver a Sally.
- , eu não faço ideia! – falei novamente sem voz – Eu não sei nem como eu cheguei em casa.
- Ah, isso eu posso tentar esclarecer – ele disse sério.
Fiquei calada e esperei ele falar.
- Vocês, no meio da festa, encontraram com o , a garota que ele estava pegando e o Jimmy.
- Então a gente voltou com eles? – perguntei.
- Não, vocês pegaram um táxi sozinhas e saíram de onde eles estavam.
- Por quê? – merda, eu não conseguia me lembrar de nada.
- Não sei, o só lembra disso... – ele disse mudando de assunto.
- Hum, ok, vou ver se o Jimmy se lembra de alguma coisa.
ficou calado e eu sai do quarto.
Ele estava estranho, vai ver era só preocupação com a Sally. No caminho do quarto da eu passei por .
- Como você tá, ? – ele parou preocupado, me olhando profundamente.
- Eu to bem, com um pouco de ressaca, mas bem.
levantou uma das sobrancelhas e continuou me encarando.
- Tá bem mesmo?
- Sim, aconteceu alguma coisa com a ? – eu fiquei preocupada, a cara do não era de coisa boa.
- Com a ? – ele perguntou confuso – Não! Eu quero saber de você!
- Comigo tá tudo bem, deixa de ser louco, – eu disse rindo – Essa hora da manhã e você já tá bêbado? – balancei a cabeça negativamente e continuei o caminho para o quarto da .
continuou parado no corredor me olhando com cara de confuso. Apressei o passo para o quarto, talvez ela me ajudasse a lembrar o que aconteceu ontem, e talvez o pudesse me explicar o que diabos o anda usando pra ficar louco.
Cheguei ao quarto e bati na porta, atendeu. Por incrível que pareça, ela estava bem vestida e com cara de saudável, ao contrário de mim. sempre foi mais forte com ressacas, eu sempre fico de ressaca eternamente. Ela me abraçou.
- Como você tá, amiga? – ah, essa de novo?
- Cara, o que diabos eu fiz ontem à noite? Todo mundo tá me perguntando como eu estou!
- Você não lembra? – colocou a mão na boca – Ai, meu Deus! Senta aqui!
- Cadê o ?
- Foi conversar com o , pra ele se acalmar.
- Han? Volta a fita, eu fiz alguma coisa pro ?
- Não, do céu! Como que você ficou com essa amnésia toda? - ela balançou a cabeça e bateu a mão no colchão ao lado dela para eu me sentar – Vamos lá...
Fiquei calada e começou a falar:
- Nós fomos para um restaurante comer as especiarias da França. Depois eu dei a belíssima idéia de irmos para um club qualquer ver como era a balada francesa. Chegando lá, nós começamos a beber e a dançar. Sally ficou bêbada rápido e eu estava acompanhando ela, você ainda estava tranquila, começamos uma disputa para ver quem conseguia seduzir mais homens dançando... Eu e você – ela disse quando eu perguntei quem – Sally iria avaliar quantos homens olhavam para nós. Mas antes disso, você resolveu que deveria ficar bêbada também. Bebemos até não aguentarmos mais e fomos para o meio da pista.
- Acho que estou começando a me lembrar... – falei.
[flashback]
- Iuuuuuuuuuuuuuhul! Agora a gente vai dançar aqui e deixar esses caras todos babando! – disse cambaleando para o meio da pista.
- Já tem um monte de gente olhando só a gente andando.
- EU CONTEI 15 JÁ! - Sally gritou da mesa e começou a rir sozinha.
Começamos a dançar e grande parte das pessoas estavam com os olhos vidrados em nosso show. Menos as pessoas que estavam se pegando no escuro.
- Amiga, aquele ali é o ? – apontou para um cara indo ao bar com uma loira a tira colo.
- Parece, vamos estragar a noite dele? – olhei para que riu maleficamente.
- Vai só você, eu quero assistir.
Fiz minha cara de namorada afetada e fui atrás do .
- ! – falei quando cheguei perto dele.
- Han? – ele se virou – !
- O que o senhor está fazendo com essa mulher? – falei com minha voz de bêbada e segurei a risada, a cara dele de confuso estava ótima.
- Você me disse que era solteiro! – a menina deu um tapa nele e saiu. Assim que ela saiu eu cai na gargalhada.
- O que foi isso? – ele perguntou.
- Ah, eu queria zuar... E ela nem é bonita o suficiente para você, .
Ele virou os olhos e disse:
- Você bebeu demais, não tá na hora de voltar pra casa?
- Aiiii, como você é chato! – eu disse e virei de volta para que estava caindo de rir no meio da pista – Vou dançar mais, tchau.
Comecei a andar em direção a quando de repente ela ficou séria.
Olhei para ela com cara de confusão e ela apontou para o outro lado da festa.
Jimmy estava lá, engolindo uma loira. Eu fiquei completamente puta e me virei em direção a ele. Chegando mais perto eu consegui ver quem era a loira. Ninguém mais, ninguém menos que Serena. É, a SERENA! O ser que eu mais odeio no universo, a partir de agora mais intensamente, porque primeiro: namorou com o , segundo: tentou magoar o e terceiro: estava sendo engolida pelo MEU Deus grego.
Comecei a chorar, virei de costas e sai. Sally correu atrás de mim e foi até o Jimmy, deu um tapa na cara dele e saiu. Entramos no táxi e eu decidi que não queria falar no assunto.
Chegamos no hotel e fomos para nossos quartos. Fechei minha porta, peguei um whisky que havia em cima do frigobar. E virei a garrafa. Em algum momento entre o choro e a bebida, eu dormi.
parou de falar. Ela tinha percebido que eu havia lembrado de tudo. E me abraçou.
- Me diz, - eu falei ainda enquanto ela estava me abraçando – Por que eu sempre tenho que ficar com cafajestes? Sempre? – comecei a chorar.
entrou no quarto nesse exato momento.
- , não fica assim, você não tem culpa de nada – ele disse me abraçando.
- , uma vez a culpa é da pessoa. Duas vezes a culpa é minha! – falei soltando o abraço e passando a mão no rosto para secar as lágrimas.
- O que você quer dizer com isso?
- Eu quero dizer, fui traída uma vez, a culpa é de quem me traiu. Duas vezes, a culpa é minha que continuo sendo burra.
- Ele te traiu outra vez? – perguntou.
- Não... Outro cara... Ai, esquece! Eu quero ficar sozinha – levantei e sai do quarto correndo, não queria a simpatia de ninguém, eu queria simplesmente chorar sozinha no banheiro.
- O que foi isso? – perguntou para quando eu bati a porta ao sair do quarto.
- Uma longa história – disse – Senta, vou te contar.
- De qualquer forma a matemática dela tá errada, a pessoa traída nunca tá errada... – ele disse sentando para ouvir o que ia começar a falar.
Capítulo XX
Eu estava chegando na porta do meu quarto feliz por não ter passado por ninguém no corredor quando eu vejo a única pessoa no universo que poderia me fazer sentir muito melhor ou muito pior naquele momento. . Ele estava parado ao lado da minha porta. Mas eu não queria nem ele naquele momento. Vejam só o meu estado crítico. Nem a minha paixão eu quero.
- Quero ficar sozinha, – eu disse chegando na minha porta.
- Por favor – me olhou com uma cara muito triste – Eu quero muito conversar com você.
Ver a cara de triste dele me deu vontade de abraçar e nunca mais largar ele. Eu até esqueci que eu tinha muitos problemas. Abri a porta e deixei ele entrar.
- Vai dizer que você está triste porque o Jimmy me traiu?
- Não, na verdade... Eu tô assim por culpa da Serena.
- Como assim?
- Apesar de tudo o que eu falei e fiz... – ele parou de falar e eu continuei calada – Eu acho que eu realmente amava a Serena.
Para tudo! Que porra é essa? Você deveria ter superado isso pegando todas as mulheres que você pegou. Até esqueci que estava triste.
- Como assim? Você me disse que não amava ela.
- Eu nunca consegui aceitar que ela estava junto com a Anne para me “magoar”. E eu meio que fingi que não estava nem aí. Mas no fundo, eu sempre estive. E depois do que aconteceu ontem eu fiquei ainda mais estressado, porque além de me machucar, ela machucou você.
Lembrei que estava triste depois dessa.
- Ah é... – bufei – Eu sempre tenho que ficar com os cafajestes, mas quer saber? A partir de hoje eu vou pegar todos também.
olhou para minha cara e conseguiu soltar um risinho.
- Até parece, não é fácil assim não...
- Ok, eu sei que não sou uma rockstar, mas eu posso pegar muitos caras, ok?
- Não digo por isso, ... – ele respirou fundo – Pelo menos comigo, não funcionou, eu estou pegando todas essas mulheres ultimamente e isso só me fazia pensar cada vez mais nela. E como nenhuma mulher que eu conheço podia chegar aos pés dela, eu ficava cada vez mais infeliz.
- Hum... – era tudo que eu precisava para entrar em depressão de vez, meu Deus Grego é um fiasco, meu amor ama outra e eu tenho que aguentar ele reclamar o quanto a ama e não queria ter perdido o amor dele. Faça-me um favor!
- ... – eu comecei – Sabe, eu não to muito afim de ouvir daquela retardada, desculpa se você ama ela, ou sei lá o que, mas ela não presta, e a última coisa que eu quero ouvir é como você sente saudade dela – soltei tudo de uma vez.
- Desculpa... – ele sentou no chão do quarto e eu estava sentada na cama – Mas o Jimmy não é lá essas coisas também.
Eu me joguei de costas na cama.
- Você também não é lá essas coisas e eu não sei porque diabos eu deixei você entrar no meu quarto - isso tudo estava me estressando.
- Desculpa de novo – ele virou e sentou encostado na cama, próximo a minha perna, eu continuava fitando o teto, jogada na cama – É que hoje, depois de tudo, eu percebi uma coisa.
- O quê? – eu falei sem me mover.
- Apesar de eu gostar muito dela, eu não quero ela mexendo com os sentimentos das minhas amigas.
PUTAQUEPARIU! AMIGA? Valeu , por conseguir arruinar qualquer expectativa mínima que minha esperança ainda deixava existir que em algum dia, de uma forma improvável, você viesse, talvez, se interessar por mim. Eu fico prolixa sempre que estou nervosa, desculpe.
Continuei calada.
- Eu estou acostumado a ser magoado por ela todos os dias, vendo coisas na internet, mas ontem, quando eu descobri o que aconteceu, primeiro eu quis matar o Jimmy... Como ele podia te trair? – ele fez uma pausa – Você é a garota mais incrível que eu conheço, . Ninguém pode te trair.
Eu dei uma risada de desdém.
- Você fala isso porque é meu amigo.
- Não, eu falo sério... Enfim, quando eu descobri que foi com a Serena, e simplesmente porque ela queria te machucar de alguma maneira, eu perdi a cabeça e quis matá-la, e eu realmente gostava dela...
- Como é? Ela queria ME machucar?
- Ah, merda, verdade, não tem como você saber disso – ele levantou e deitou ao meu lado olhando para o teto – Eu me encontrei com ela hoje de manhã, depois que eu mandei o Jimmy embora. Junto com o que estava lá para evitar que eu batesse nele.
- Hum... – continuei fitando o teto e percebi meu coração começar a bater acelerado, talvez pela presença de deitado ao meu lado em uma cama, ou talvez de curiosidade pelo que ele estava para dizer.
- Enfim, ela estava lá linda e sorridente, enquanto eu estava infeliz olhando para ela com cara de arrasado. E ela me disse “eu sei, desculpa, minha intenção agora era só deixar a infeliz...”. Eu perguntei por que e ela me disse “ela não pode ter tudo... Ter a sua amizade, ter o amor do Jimmy...”
- Essa menina é louca? Psicopata? Ela me odeia por quê? – eu olhei para ele.
- Nesse momento, qualquer resquício de amor que eu tinha por ela sumiu.
- Sumiu porra nenhuma, ! – é, eu estava estressada – Há menos de dois segundos você estava reclamando que ama a filha da puta. O que diabos eu fiz pra merecer isso?
- Posso continuar?
Eu simplesmente voltei a olhar o teto e comecei a chorar silenciosamente. Ele estava olhando para cima, e não podia ver.
- Ela tem inveja de você.
- INVEJA DE MIM? – eu sentei na cama, com lágrimas descendo por minhas bochechas e soltei tudo em cima do – Por que ela teria inveja de mim? Eu sou uma brasileira sem dinheiro, que trabalha para bancar os estudos e tem que manter as notas numa média fixa para não perder o visto e ser deportada, enquanto ela viaja pelo mundo desfilando, pega o cara que eu mais amo no mundo e é podre de rica? Faça-me o favor! – essa parte do cara que eu mais amo no mundo escapou sem querer, mas foda-se quem se importa mesmo?
sentou, ficou me olhando chorar por uns segundos e me deu um abraço.
- Ela tem inveja de tudo em você, , não se desmereça. Você é mais inteligente, mais interessante. , você consegue conversar com uma criança e com a Rainha sem deixar de ser você mesma. E sem parecer idiota, ou fazer uma das suas idiotisses. Isso é um dom de poucas pessoas. Eu falei para ela que ela nunca ia chegar aos seus pés, e isso é verdade. Você é única.
Larguei o abraço dele e respirei fundo.
- Se eu sou tão boa assim, por que não sou tratada desse jeito?
Ele fez uma cara de confuso.
- Todos os caras que eu me dei o trabalho de entrar num relacionamento sério me traíram, . Eu devo ter cara de trouxa ou algo assim.
- Você não é trouxa, ... Eles que são por perderem uma menina assim – passou a mão na minha bochecha e limpou uma lágrima.
Fiquei calada por um tempo e fechei o olho enquanto ele passava a mão no meu rosto, isso me acalmava. finalmente fez a pergunta que eu esperava não ouvir.
- O Jimmy é o cara que você mais ama nesse mundo? Sério?
- Não – eu respondi – É você.
Capítulo XXI
- Eu? – me olhou profundamente.
- Sim, você, mas tudo bem, eu sei que você é meu amigo e eu já estou feliz com isso.
continuou calado.
Eu também não falei nada por uns segundos até que alguém bateu na porta.
- Tá aberta! – eu gritei. Jimmy entrou com uma cara de triste.
- Posso falar com você?
olhou para mim e eu balancei a cabeça positivamente. Ele se levantou da cama.
- Qualquer coisa, me liga – disse antes de fechar a porta ao sair.
Eu respirei fundo, me virei para o Jimmy e falei:
- Ok, não foi culpa sua, é isso que você vai falar?
- Não, eu assumo que eu tive muita culpa – ele disse inesperadamente – E a bebida ajudou um pouco...
Eu continuei calada, tinha outra coisa passando na minha cabeça agora. E essa outra coisa estava berrando “VOCÊ ACABOU DE SE DECLARAR PARA . E ELE NÃO DISSE NADA.”
- De qualquer forma, eu só queria te pedir desculpas, eu não tinha essa intenção. Eu realmente queria algo sério com você, mas...
Eu interrompi.
- Queria algo sério, mas caiu de boca na loira aguada, né? Eu entendo... Ela é gostosa – eu falei fazendo uma cara de desdém.
- Não – ele balançou a cabeça negativamente – Eu sempre te achei distante, ...
- Ah, ok, por isso você pegou a ex do ? – minha raiva estava a mil – Sinceramente, eu não fui distante, ontem à tarde estava tudo maravilhoso e hoje eu estou distante?
- , você nunca gostou realmente de mim – ele soltou isso na lata – Eu realmente gosto de você, mas eu não sentia reciprocidade. Você alguma vez me olhou de outro jeito? Além do jeito “aquele é cara que eu estou pegando”?
Qual é a desse cara? Já não basta ter me transformado em lixo, me feito fazer uma declaração desnecessária para o , ainda vem me cobrar?
- Sim, eu sempre quis algo sério com você, Jimmy – virei de costas. Eu não podia olhar para ele. Aquilo era verdade e mentira ao mesmo tempo. Eu queria ficar com ele, mas só porque eu não podia ter o .
- Olha pra mim e diz que você realmente me amava – eu não virei - , eu sei que você nunca me amou, acho que não foi a melhor maneira, mas pelo menos é bom que isso tenha um fim. Você pode tentar ficar com quem você ama, te garanto que você pode e esse cara vai ser o homem mais sortudo do mundo – ele fez uma pausa e eu continuei de costas, chorando silenciosamente – Eu só quero que você me perdoe, e apesar de tudo, eu posso ser seu amigo. Ou posso nunca mais aparecer na sua vida. Você decide.
- Eu te perdôo, mas eu não quero te ver nunca mais. Pelo menos por enquanto – eu disse ainda virada de costas.
Ele me abraçou por trás, agradeceu e saiu. Eu fiquei parada no mesmo lugar até que, mais uma vez, bateram na porta. Meu coração disparou. Podia ser o .
- , a gente viu o Jimmy saindo daqui, o que aconteceu? – eram e entrando no quarto.
- , eu falei pro . Eu falei pro . EU FALEI PRO ! – eu disse me jogando na cama.
arregalou os olhos.
- Falou AQUILO? – ela quis tentar despistar , que tentava decifrar a conversa.
- Sim, eu falei para ele que eu AMO aquele desgraçado – eu disse enfiando a cabeça no travesseiro. Quem se importa do saber? O já sabe... Foda-se o resto.
- Você ama o Jimmy? – perguntou de repente.
olhou para o e balançou a cabeça negativamente.
- Deixa de ser lerdo, , ela ama o .
- Ué, como eu ia saber? Ela acabou de chamar ele de desgraçado e... – ele arregalou os olhos – OH MY GOD, você ama QUEM?
Eu simplesmente ignorei. por outro lado repetiu “” e ficou calado por um tempo.
- Sério? O ? Por quê?
- Dá pra você calar a boca, ? – brigou com ele.
Eu me sentei na cama e respirei fundo.
- , por que você ama a ?
- Ah, porque ela é perfeita – ele disse.
- Pois é, eu amo o por isso também. Ok?
- E por que você nunca quis nada com ele? Cara, ele é o mais fácil de todos nós.
- , primeiro, ele tinha namorada... Depois, ele traiu essa namorada e começou a namorar com uma das amigas do objeto de traição, depois disso, ele começou a pegar todas.
- Ah, é, esqueci da parte “não fiel”.
- Pois é – eu disse.
Continuamos conversando e o descobriu todas as coisas mais sórdidas sobre minha vida ligadas a amar . No fim da noite, eu decidi que deveria voltar para Londres, não ia aguentar ficar na turnê depois do que eu disse para o . É, eu sou uma fraca.
e , que não sabiam dos verdadeiros motivos, acharam a ideia toda horrível, mas no fim aceitaram com a desculpa que eu havia inventado: “Tenho que fazer umas pesquisas para a minha tese na pós.” E a ajuda de falando que eu tinha minha carreira, e não podia abandoná-la para ficar viajando e acompanhando a deles foi muito boa. era o maior suporte que eu tinha, ele tinha me ajudado com tudo e sempre estava comigo para evitar que acontecessem momentos de sozinho comigo.
Eu não tinha falando nada sobre o assunto com , na verdade, eu fingia que nada tinha acontecido. E ele também não tocava no assunto. Mas às vezes eu podia notar ele me olhando mais profundamente e até desviando o olhar quando eu percebia que ele me olhava. Alguns dias depois, eu estava de volta à Londres. Exatamente como no início. Fazendo minhas pesquisas, indo para a universidade. E claro, de olho no meu único atual projeto online, o Super city. Os meninos terminaram a turnê e entraram de férias... Depois começariam a pensar em novas músicas para o seu novo cd. Eu me encontrava com eles sempre... Ignorei totalmente o assunto “amo você, ” da mesma maneira que ele estava ignorando. Continuamos todos sendo bons amigos. O site ficou pronto, fizemos um lançamento oficial, pequenos problemas aconteceram mas nada muito sério, o site em geral era um sucesso. Minha tese na pós estava indo muito bem. Em fatos, eu poderia me formar com muito louvor e provavelmente com um A+. O dia da minha defesa estava quase chegando, então resolveu que eu tinha que treinar minha apresentação para não ficar nervosa e falar bobagem na hora. Ele juntou todo mundo. , Sally, e . não tinha chegado ainda, o que me deixou mais calma, eu não queria ele me encarando o tempo todo enquanto eu tentava pensar na minha tese.
- O vai se atrasar – entrou na sala desligando o telefone – Começa aí , a gente te interrompe pra fazer perguntas ou deixa pro fim?
- Pode interromper, certeza que eles vão me interromper sempre.
- Ok, pode começar – ele disse sentando e prestando atenção. Comecei a falar e me surpreendi com o fato de todas as perguntas que eles faziam serem pertinentes, eles estavam mesmo prestando atenção.
- Eu não entendi essa parte da teoria de Dehaene, você pode me explicar de novo? – , estava se interessando pelo tema da minha tese.
- Sim, para ele a maior parte do processamento das informações ocorre sem percepção consciente – eu disse com cara de intelectual, estava certo, esse “ensaio” ia me deixar mais calma para o dia da apresentação.
- Mas por que ele diz isso? De onde ele tirou isso? – perguntou interessado – Se a pessoa não estiver consciente como vai perceber coisas?
- Ele fez pesquisas com pacientes com lesões cerebrais, e claro, ele não estava avaliando a parte de julgamentos ou planejamento. E sim, a percepção mais simples. O simples fato de perceber coisas ao seu redor, por exemplo.
Eu estava com tudo na ponta da língua, até que entrou.
- Desculpa, estou atrasado – ele se sentou e eu continuei calada – Pode continuar, eu fico quietinho.
Meu coração estava disparado e eu virei para o slide, para tentar me concentrar de novo. E voltei a falar.
- Espera – falou – Eu ainda não engoli esse negócio de grande parte das coisas ocorrerem sem percepção consciente – ele soltou indignado, o que me fez sorrir.
- Eu posso te mostrar um exemplo prático no próximo slide – eu disse e passei adiante – mensagens subliminares – falei e comecei a explicar o conceito e mostrar muitas imagens para eles. Continuei falando, meu coração estava muito disparado, mas eu consegui me controlar. com certeza percebeu como eu estava nervosa, por conta da presença dele, mas no fim eu acho até que deveria agradecer por ele ter aparecido assim, afinal, eu vou estar muito nervosa na hora da apresentação. Meu ensaio foi completo, inclusive com palpitação real do coração. E no fim, todo mundo ficou interessado nas tais mensagens subliminares, eu mostrei várias para eles na internet e comecei a explicar o que elas mostrariam. ficou preocupado com a possível manipulação das pessoas, e eu o acalmei falando que ninguém pode ser manipulado, a não ser que esteja de acordo. Dei o exemplo da hipnose e acabou que a noite toda foi de assuntos psicológicos. Sai de lá deixando todo mundo querendo ler textos de psicologia, bem mais confiante para minha apresentação e com certeza com a vida um pouco menor depois de tantas batidas de coração.
Capítulo XXII
Faltavam exatas 24 horas para a minha apresentação. Eu estava com insônia, sem fome e indo no banheiro a cada dois minutos de tão nervosa. estava tentando me tranquilizar, mas eu estava fora de controle. Eu tinha cinco pen-drivers com os meus slides, sem falar que eu ia levar o meu computador, caso todos eles falhassem. Eu já tinha trocado de roupa dez mil vezes para achar a mais intelectual e profissional, mas eu sempre achava alguma coisa de errado nelas.
- , EU NÃO VOU MAIS! – eu gritei me jogando na cama.
- , se você não parar de ficar louca, comer e descansar, amanhã você vai estar um lixo. Deixa de frescura, TODAS as roupas estão ótimas, mas isso não interessa, não é uma defesa de MODA é uma defesa de PSICOLOGIA COGNITIVA! – depois de dar essa bronca ela me jogou dentro do banheiro, murmurou um “toma seu banho logo” e saiu batendo a porta.
Depois do banho eu estava mais relaxada, coloquei meu pijama e olhei o relógio, eram nove horas. Desci para pedir desculpas e agradecer a por ser minha mãe hoje. Quando eu estava chegando na sala ouvi vozes conversando. Meu coração disparou. Era o . Eu tinha esquecido que ele sempre foi melhor amiguinho da . Merda, ele tinha que vir aqui logo hoje? Eu já não estava nervosa o suficiente? Resolvi subir as escadas de novo, bem devagar para não fazer barulho. Escutei uma movimentação na sala e tentei apressar o passo. Mas eles saíram da sala, só tive tempo de virar para frente e fingir que estava descendo.
- Oi, , ansiosa para amanhã? – disse me olhando, minhas pernas ficaram meio bambas e eu me apoiei na escada.
- Aham – foi tudo que eu consegui dizer.
continuou me olhando. E eu continuei parada na escada.
- Vai ficar parada aí pra sempre? , você está com muitos problemas hoje. Vai comer logo e dormir, mocinha! – viu aí? , sendo minha mãe.
- Nem to com fome, , vim só pra te dar boa noite mesmo – eu continuava parada na escada feito uma louca.
- , você não comeu NADA hoje!
- Mentira, eu tomei chocolate quente quando acordei.
- Nossa e todo esse chocolate vai te manter bem viva amanhã durante sua apresentação. Ok, se você quer parecer uma morta cheia de olheira, tuuuuudo bem. EU DESISTO! – ela disse e saiu pra sala. Pude ouvir o som da TV ligando.
- Ixi, ela deve ter ficado brava.
- Brava? Que nada, ela só tá cansada de cuidar de uma bebezinha – falou subindo até onde eu estava parada na escada – Vem, vou fazer minha especialidade na cozinha pra você.
- Não to com fome, .
- Eu não perguntei se você tá com fome – ele deu um sorrisinho meio torto, lindo. E eu novamente senti minhas pernas fraquejarem – Você vem, por bem ou por mal.
Fiquei calada tentando absorver as palavras dele. Ele percebeu que eu não ia me mexer.
- Ok, já que você não disse nada, vai por mal – me pegou pela cintura e me pendurou em cima dos ombros. Passou na sala.
- Ela está indo comer minha especialidade, quer também, ?
riu da minha cara e disse que não.
Chegamos na cozinha, ele me botou sentada em cima da bancada.
- Bem, vamos lá – ele disse virando pra geladeira – Nossa, vocês tem bastante comida aqui.
- É, nós fazemos compras – eu disse descendo da bancada.
- Volta pra cima, bebezinhos não podem ficar fora da cadeirinha – ele fez piada. Eu me sentei na mesa e peguei uma revista que estava por ali para folhear.
- Qual a sua especialidade, ? – perguntei ainda olhando para a revista.
- Coisas flambadas – ele disse com cara de maníaco.
- , não vá botar fogo na minha cozinha!
- Relaxa, tá tudo sob controle – ele disse pegando uma frigideira e começando a misturar ingredientes.
Por incrível que pareça, ele não botou fogo na cozinha enquanto flambava as coisas, e o cheiro da comida estava realmente bom. Ele terminou e colocou tudo em dois pratos. Pegou um molho na geladeira e jogou por cima e disse:
- Voilá, mademoiselle.
- O fraco da é o francês, não vou me apaixonar por você falando assim.
- É, eu sei, seu fraco é sotaque inglês britânico. O que para o seu azar é a minha especialidade – ele deu uma piscadela.
Dei um sorriso. Enquanto via ele se preparar e carregar todo o sotaque lindo dele para dizer:
- Aqui está, senhorita, desculpe qualquer bagunça na sua belíssima cozinha, mas agora você terá o prazer da minha encantadora participação para o jantar – colocou um dos pratos na minha frente e tomou a revista da minha mão. Em seguida se sentou na minha frente com o seu prato.
- Bom apetite! E aproveite, são poucos que experimentam a minha especialidade e tem o prazer da minha companhia.
- Deixa de ser metido – falei pegando meus talheres e experimentando a comida, que estava realmente deliciosa.
- E aí, já posso casar ou não? – ele perguntou fazendo piada, sem saber que minha imaginação já estava a mil. Eu respondendo “sim, , você já pode casar.” E ele se ajoelhando, me pedindo em casamento naquele exato momento. “Ok, então você casa comigo?” eu dizendo “sim” e então nós dois sorrindo, chorando e vivendo felizes para sempre....
- ? Você tá ai?
- Han?
- Você tava viajando aí... Gostou da comida?
- Ah, sim, gostei bastante! Você é um ótimo cozinheiro, .
- Obrigado! – ele disse sorrindo.
Depois do jantar, eu subi para tentar dormir. foi para a sala, aparentemente a conversa dele com ainda não tinha acabado. Me deitei e continuei pensando no meu sonho interrompido no jantar.
'S P.O.V.
- Ela foi dormir? – me perguntou, ainda olhando para a televisão.
- Foi sim, isso parece papo de marido e mulher, né? Nossa filha já está na cama? Mimimi.
- Hahahaha! A fica assim mesmo, sempre que está muito nervosa... Parece uma criança.
- Ela vai se sair muito bem amanhã – eu disse sorrindo.
- Vai sim, tenho certeza. E se ela não se sair bem, vai ficar feliz do mesmo jeito, já que você vai conversar com ela finalmente – colocou tanta ênfase no finalmente que eu dei uma risada.
- É, vou mesmo falar com ela, mas não sei se ela vai ficar tão feliz assim, ...
- , cala a boca, isso é tudo que ela mais quer ouvir no universo.
- Mesmo eu tendo demorado quase um mês para falar? – comecei a olhar para o chão.
suspirou fundo.
- , ela te ama desde antes de te conhecer e continuou amando, não sei porquê, mesmo depois de tudo que você fez enquanto ela te conhecia.
- É exatamente esse o problema, no dia que ela me falou aquilo, foi o calor do momento, . Ela pode não sentir mais a mesma coisa agora. Eu posso estar botando nossa amizade em risco.
virou os olhos, respirou fundo mais uma vez e disse:
- Ok, então faz o que você achar melhor, não quer falar, não fale. Eu não vou dizer nada, te garanto. É com você. Agora se o senhor me der licença, eu vou subir pra dormir.
- Dormir? Você vai me deixar aqui sozinho com um dilema desses? – falei enquanto ela se levantava e jogava o controle da TV no meu colo.
- Boa noite, , desliga tudo e fecha a porta quando sair – ela disse ignorando totalmente minha fala anterior.
Comecei a mudar os canais sem prestar atenção, até que em certo momento adormeci no sofá.
Acordei com um barulho gigante no andar de cima. Parecia que um dos cômodos estava desmoronando.
- PELO AMOR DE DEUS, , EU PERDI MEU COMPUTADOR! – apareceu completamente arrumada e com cara de desespero.
- Seu computador não estava separado ali, para você não esquecer? – apontei para a mesa próxima a porta.
- SIM! OMG, EU TE AMO, OBRIGADA! – ela disse, pulando em cima de mim e depois subindo correndo.
Levantei do sofá e fui em direção à cozinha. estava sentada tomando café.
- Dormiu bem no sofá, dear?
- Na verdade não, mas tudo bem...
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – gritou do andar de cima – EU NÃO ACHO MINHAS CHAVES!
- Então, vai falar com ela hoje à noite? – continuou conversando comigo, ignorando totalmente todos os berros que dava a cada dois segundos perdendo e achando suas coisas.
- Não sei, se tudo correr bem nessa apresentação hoje, acho que nós todos podemos sair para comemorar, aí eu penso se falo com ela hoje.
- Pensa ou cria coragem, ? – ela falou me olhando.
- Penso, depois crio coragem.
- OK, EU ACHEI TUDO, MENOS MINHA CHAVE! ALGUÉM VAI ME DAR CARONA? – surgiu na cozinha, ainda gritando.
- Primeiro de tudo: BOM DIA – começou – Segundo: PARE DE GRITAR, CRIATURA! Terceiro: seu carro está na revisão lembra? Eu vou te levar.
- Ok, desculpa. Bom dia! Ai, meu Deus, você vai me levar e AINDA ESTÁ DE PIJAMA? EU TENHO QUE SAIR AGORA! – começou a surtar de novo.
- Eu posso te levar se você quiser, eu estou pronto – apontei para mim mesmo.
- Então vamos, agora! – ela disse e sumiu em direção a sala para pegar tudo.
Eu peguei uma banana, ouvi instruções da de como manter ela calma e finalmente fomos embora.
END OF 'S P.O.V.
Capítulo XVIII
Eu estava tão nervosa, mas tão nervosa com a apresentação que nem conseguia aproveitar o momento "eu e , sozinhos no carro". Minhas pernas não paravam quietas, eu estava lendo minhas anotações de um jeito louco. estava quieto do meu lado. Até que ele colocou a mão no meu joelho e começou a bater os dedos no ritmo da música. Oh, música! Tinha música tocando e eu nem sequer tinha notado. Eu me acalmei por um segundo, depois fiquei nervosa de novo. está me levando para minha defesa da pós. está dedilhando a música que está tocando no meu joelho. ESTÁ DO MEU LADO. Naquele instante eu me lembrei que ele sabia que eu era loucamente apaixonada por ele. E aí fodeu tudo, meu coração começou a querer sair pela boca, eu não conseguia fazer contato visual com ele e, nessa altura, eu nem lembrava mais o título da minha tese.
- Chegamos! – disse – Boa apresentação e se acalme, tudo vai dar certo!
- Ai, meu Deus – suspirei – Ok, obrigada pela carona – dei um beijo na bochecha dele e abri a porta do carro.
- Ah, eu venho te buscar para comemorarmos o final da sua pós.
- Ok - eu estava tremendo, abracei meu laptop, meus cinco pen drivers, minha bolsa e todas as minhas anotações e fui em direção ao bloco onde eu faria a apresentação.
Cheguei na sala e não havia ninguém ainda, faltavam apenas 20 minutos para o início e ninguém havia chegado. Sentei em uma cadeira próxima a uma tomada e liguei meu computador, resolvi dar uma última olhada em tudo antes da apresentação, provavelmente eu seria a primeira a apresentar, tendo em vista que ninguém tinha chegado e eu era uma das pessoas que vai se apresentar. Meu plano inicial era ser a segunda a se apresentar, mas pensando bem, acho que pode ser uma boa ideia ser a primeira e me livrar logo disso.
Acabou que fui a penúltima a se apresentar, eu estava nervosa, mas levantei e fui confiante.
Durante a apresentação, consegui me acalmar e as pessoas que estavam assistindo ficaram realmente interessadas e fizeram muitas perguntas. Os professores da banca disseram que eu havia sido muito bem objetiva e que não tinham perguntas. Sai sob aplausos e me sentei feliz. Depois que o último aluno se apresentou, um dos professores que estava na banca avaliadora veio até mim.
- Olá, senhorita ! – ele disse estendendo a mão para mim.
Repeti seu gesto e disse:
- Olá!
- Eu realmente me interessei pelo seu projeto e gostaria de saber se você gostaria de colocá-lo em prática no meu instituto de pesquisa na Califórnia.
Fiquei sem palavras. Disse que pensaria bem no assunto e retornaria com a resposta.
Sai da sala e fui andando sem rumo pelo campus pensando no assunto. Ir para Califórnia, colocar meu projeto em prática. Isso é uma oportunidade única. Mas, eu teria que deixar para trás tudo em Londres. Não foi fácil deixar pra trás minha família no Brasil quando eu sai, mas eu vim com minha melhor amiga e minha família é família, nunca vão me esquecer. E o McFLY? E o meu emprego? E o meu amor pelo ? Bem, eu amo o , ele não me ama. Ok, talvez eu deva dar um tempo na minha vida de Londres. Eu posso ir para a Califórnia por um tempo para tentar superar o e quando eu voltar posso ficar tranquila novamente. É, isso. Está decidido. Liguei para o professor e perguntei o tempo necessário para colocar em prática e ele me respondeu que em dois meses poderíamos fazer e aplicar tudo. Eu aceitei e ele me disse que, se eu quisesse, poderia viajar por conta do instituto e ficar hospedada em um hotel por conta dele se eu fosse na semana que vem. Obviamente, eu aceitei, agradeci a oportunidade e desliguei. Uma semana, eu tenho uma semana para me preparar para uma viagem de dois meses longe dos meus novos melhores amigos, e da . Ela ia me matar. Eu ainda estava divagando e andando sem prestar atenção quando aparece na minha frente.
- Olá, ! – ele me abraçou, meu coração disparou e eu me assustei – Como foi a apresentação?
- Muito boa, eu recebi muitos aplausos – não falei da viagem, ia contar antes para e depois falaria para os meninos.
- Que bom, eu sabia que você ia arrasar! – ele me soltou do abraço – Vamos comemorar? O pessoal quer encontrar a gente na casa do , a Sally fez um almoço especial pra você.
- Ok, vamos pra lá então!
parou por um segundo como se fosse falar alguma coisa, eu perguntei se ele ia falar algo.
- Depois eu te falo, vamos para a casa deles agora.
- Ok.
No carro eu estava muito pensativa e fiquei o caminho todo calada, também estava quieto, fiquei tentando imaginar o porquê disso, mas no fim voltei ao meu dilema da viagem.
Chegamos na casa do e da Sally, todos já estavam lá e vieram me cumprimentar e parabenizar. O almoço estava uma delícia, depois que comemos fomos todos para a sala conversar e eu chamei no canto.
- Tenho que te falar uma coisa muito importante que aconteceu hoje.
- AI MEU DEUS, ME CONTA! – ela se empolgou de um jeito estranho, como se estivesse esperando que eu contasse algo que ela já sabia.
- Hoje, depois da minha apresentação...
- Sim, sim, ele foi te pegar, né? – ela me interrompeu.
- O que? Quem foi me pegar? – perguntei confusa.
- O , ué! – ela respondeu.
- Sim, ele foi me pegar, mas o que tem isso? – continuei confusa e fez uma cara estranha.
- Oh my god, o que você tava contando?
- , você tá bêbada? Eu não estou te entendendo...
- Me ignora, conta sua história...
Olhei pra cara dela, que estava séria e prestando atenção de um jeito diferente agora, e voltei a falar.
- Como eu dizia, depois da minha apresentação, um dos professores da banca me convidou para botar meu projeto em prática!
- Nossa! Mas isso é maravilhoso! – ela disse e me deu um abraço – Eu sabia que você ia abalar! E quando você começa a trabalhar com o projeto?
- Semana que vem...
- Isso é muito legal, ! Trabalhar na sua área de pesquisa, e com um projeto seu, isso é uma oportunidade única--
Ela ainda estava falando quando eu a interrompi.
- É na Califórnia – parou de falar imediatamente e arregalou os olhos.
- CALIFÓRNIA? Qual Califórnia?
- A Pizza... Óbvio que é o estado americano, sua jumenta!
- COMO ASSIM? Você vai para a Califórnia NA SEMANA QUE VEM? – ela estava se alterando e começou a falar em português para que ninguém entendesse.
- Vou – eu respondi também em português.
- Mas... Mas... – estava olhando ao redor – Quanto tempo você vai ficar?
- O professor disse que em dois meses eu devo terminar tudo e posso voltar, mas isso é teoricamente, eu tenho que ficar até o fim – nesse momento todo mundo já tinha percebido que estávamos conversando em português e todos estavam nos encarando.
- Você vai me deixar sozinha em Londres – disse começando a chorar.
- Não chora, . Eu volto em dois meses... E você pode me visitar também.
me abraçou e continuou chorando. Todos estavam realmente curiosos nesse momento.
Ela soltou meu abraço e disse em inglês:
- Essa vadia vai nos abandonar!
Todos me olharam com cara de curiosos e sem entender nada. Eu permaneci calada e voltou a falar.
- Hoje depois da apresentação dela, um dos professores convidou ela para ir morar na Califórnia e colocar o projeto dela em prática – ela disse desdenhando.
- , você sabe que eu só vou porque é uma oportunidade única – tentei me defender.
- Você vai embora para a Califórnia? – perguntou.
- Vou, mas não vou ficar para sempre lá, isso é drama da , eu vou ficar só o tempo necessário para finalizar meu projeto.
- E quanto tempo isso demora? – foi a vez de perguntar.
- No mínimo uns dois meses – respondi sinceramente.
sentou no sofá e ficou quieto. estava do meu lado argumentando que realmente era uma oportunidade única e que dois meses passavam rápido.
Depois de mais alguns minutos todos estavam convencidos de que eu não deveria ir, mas que entendiam que eu ia. Todos mais ou menos, estava calado sentado no mesmo lugar desde o início e estava chorando e me xingando em português.
- Deixa de drama, , eu vou te encher o saco todos os dias.
- , eu sei que você vai, até você ficar muito ocupada e depois não ter como me responder e finalmente você não fazer mais nada, e o projeto vai se estender por um ano e você nunca mais voltar.
- Nossa, você é mais dramática que eu. , eu já estou me sentindo ruim, não me deixa pior.
- E como fica você e o ?
- Eu e o ? Amiga, deixa eu te atualizar, eu me declarei pra ele e ele me ignorou para sempre. Eu sei perceber quando uma batalha está perdida.
- , ele te ama – ela disse no meio da conversa.
Eu fiquei em estado de choque.
- Como assim? Você tá louca? Ele não me ama, nunca me disse nada e não quer saber de mim.
- Te ama, ele não teve coragem de se declarar ainda, mas ele vai todo dia lá em casa e me diz que amanhã vai falar para você. Ele ia te falar hoje, eu até pensei que fosse isso que você ia me falar. Agora você vai embora, ele não vai falar nada e vai ser como se nada tivesse acontecido.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Todos estavam nos olhando, afinal a conversa estava em português.
- Por que você me disse isso agora? Você quer que eu desista? Tente escolher entre meu amor e meu sonho? – eu disse começando a chorar.
- Não! – ela me abraçou e também estava chorando – Eu simplesmente não achei justo nem com você, nem com ele. Você ainda tem uma semana aqui, pode escolher o que fazer com essa informação, ou você conversa com ele, ou ignora. Mas pelo menos agora você sabe.
Eu estava petrificada, não sabia o que fazer. Vi sentado no sofá quieto, provavelmente desistindo de falar comigo. Eu não conseguia mais ficar ali olhando para ele sem fazer nada e resolvi ir para a casa. Todos reclamaram, falaram que tinham só uma semana comigo e que eu não podia ficar com frescura de ir embora cedo. levantou do sofá e finalmente falou de novo.
- Gente, dá um tempo pra ela, hoje ela teve uma manhã tensa e agora ela tem que relaxar. Eu te deixo em casa, .
Todos ficaram calados, inclusive eu. Agradeci Sally pelo convite para o almoço e prometi que ela ia dormir na minha casa e de a semana inteira. Sai junto com e não trocamos uma palavra sequer até chegarmos no carro. Eu estava tão avoada que entrei do lado errado e sentei no banco do motorista.
- Hum, , você quer dirigir? – perguntou.
- Não... – comecei a falar e então percebi que estava sentada no lugar errado –
Nossa, eu não estou pensando, entrei pelo meu lado de costume no Brasil. Desculpa, eu perdi minha cabeça.
- Tudo bem – ele disse sorrindo – Eu sei como é...
Sentei no banco certo, ele entrou e deu a partida no carro.
Capítulo XVIV
'S P.O.V.
Ela vai embora para a Califórnia. E eu nem tive a chance de falar como eu me sinto. Isso aí, , boa campeão, agora você vai perder a garota que você tá apaixonado por conta do seu medinho. Seu imbecil!
- ? – parei de me xingar mentalmente e olhei para .
- Oi?
- Você está bem? Faz uns dez minutos que você não fala nada, isso não é normal... – ela disse, dando um sorriso.
- Ah, é que eu estou pensando, e sabe como é, não consigo fazer tantas coisas assim ao mesmo tempo. Pensar, dirigir e falar é demais – fiz uma piada e ela começou a rir.
- Seu besta! – ela me deu um tapinha no braço – Você também vai ficar com raiva de mim?
- Raiva por quê?
- Porque eu estou indo para a Califórnia.
- Não tenho motivos para ficar com raiva, você está realizando seus sonhos, isso é muito legal - Ela deu um sorriso e olhou pela janela do carro.
- Eu vou sentir saudade de Londres. E de todas as pessoas...
- Vai sentir saudades de mim?
- Um pouco, vou sentir mais saudades da London Eye. Sabia que eu nunca fui lá? Passei várias vezes e sempre disse "amanhã eu venho", mas nunca fui...
Estávamos no centro de Londres e ela estava olhando para London Eye naquele exato momento. A roda-gigante estava completamente iluminada. Entrei mais no centro da cidade e estávamos quase chegando na Piccadilly.
- Se você for lá qualquer dia desses, vai sentir mais saudades dela do que de mim, né?
- Com certeza, todo mundo fala que é lindo. Você pode até ser bonitinho, – Eu dei um sorriso bobo quando ela disse isso, e ela nem percebeu – Mas você não é nada comparado à Londres inteira.
Dei uma risadinha e ela continuou olhando ao redor.
- Essa esquina é tão movimentada, mas eu adoro passear aqui... – ela continuou falando sobre alguma coisa acerca da praça quando eu tive uma brilhante ideia. Parei o carro no meio da estrada e fiz o caminho de volta.
- O que você está fazendo?
- Estou resolvendo um problema... – falei enquanto estacionava o carro numa vaga livre, acreditem se quiser, na Piccadilly. Achei uma vaga na Piccadilly Circus! Alguém lá em cima gosta de mim. Assim que terminei de estacionar o carro eu vi um grande outdoor com uma foto gigantesca do McFLY anunciando nosso show em Wembley. Era uma coisa monstruosamente gigante, sem brincadeira, eu estava lá brilhando no anúncio e, para melhorar, eu estava usando a mesma roupa naquele exato momento. Merda, eu queria andar no meio da multidão tranquilo, mas pelo visto, quem se der o trabalho de olhar para minha cara ou blusa vai me achar muito parecido com o cara do letreiro. Eu ainda estava olhando para o outdoor e pensando quando ela me interrompeu:
- Parou só pra se achar o gostosão do letreiro é? Jesus, , você só tem essa roupa? – fez piada ao perceber que eu estava com a mesma blusa.
- Haha, não, eu sei que sou o gostosão do letreiro... E que você concorda com isso – dei uma piscadela – Mas eu estava tentando criar coragem de sair no meio desse povo que vai me reconhecer de qualquer maneira...
- Quem te enganou dizendo que você é o gostosão na minha opinião? – ela disse levantando uma de suas sobrancelhas – Posso até gostar de você, senhor , mas o gostosão do letreiro se chama .
Dei língua pra ela e criei coragem de sair do carro finalmente.
- Para de me encher o saco e vem comigo – saímos do carro e eu dei a volta, puxei ela pro meio da multidão e nós saímos andando rápido.
- Por que você tá correndo? – ela disse tentando acompanhar meus passos.
- Não quero que ninguém me veja – eu disse – Vem anda, a gente tem que sair daqui logo.
- Ui, ui, ui, senhor famosidade! Te acalma, aqui só tem turista velho. Ninguém vai querer te importunar... – ela disse tentando me fazer andar mais calmamente.
- Eu não estou preocupado com as pessoas comuns, o que me preocupa são os fotógrafos chatos...
- Mas nem tem nenhum fotógrafo aqui...
- Eles aparecem do nada, te garanto – eu disse tentando me camuflar no meio da multidão. Menos de dois segundos depois três paparazzi me avistaram e começaram a tirar fotos.
- Olha, me acharam! – eu disse fazendo meu sorriso, de ‘viu-como-eu-estava-certo’ para ela – Vem, vamos pegar um táxi.
- E o seu carro?
- Depois a gente volta pra pegar – eu disse estendendo a mão para o primeiro táxi vago que eu vi. Entramos no carro ainda sob flashes e o taxista perguntou quem de nós dois era o famoso. Fiquei quieto. apontou para o letreiro e ele descobriu por conta própria.
- McFLY, hã? – o taxista murmurou – Minha filha adora o , fala dele todo dia, você não é o não, é?
- Não senhor, ele é o – respondeu.
- Hum, ela vai ficar feliz de saber que um dos integrantes do McFLY sentou no carro que ela anda todo dia.
pegou a bolsa dela e pediu para eu fazer um autógrafo para a filha do taxista. Eu obedeci e fiz, o cara ficou todo feliz.
- Então, vamos para onde? – ele perguntou logo após guardar em sua carteira o autógrafo.
- London Eye, por favor – eu disse e arregalou os olhos, mas não disse nada.
Chegamos, desceu e ficou encarando a roda-gigante afastada do táxi, eu fui pagar e agradecer o taxista.
- Muito obrigado pelo autógrafo – ele me disse – Se precisarem de táxi novamente, aqui está o meu cartão.
- Obrigado! Provavelmente eu precisarei mais tarde, qualquer coisa ligarei para o senhor – respondi.
Guardei o cartão no bolso e virei para onde ela estava. continuava admirando todos os detalhes.
- Mais bonita de perto? – eu disse chegando por trás dela.
- Sim – ela disse – Você não vai ser nem um pouco lembrado assim – ela continuou sem olhar para mim. Peguei a mão dela e caminhei para a entrada de um dos vagões.
- Você não precisa ter entradas?
- Eu já tenho – disse tirando duas entradas da minha carteira. Eu as havia comprado para o , ele pretendia pedir a Sally em casamento aqui, na próxima semana. E com certeza eu poderia comprar outras depois... Por que não usa-las agora?
Ela ficou calada, me esperou entregar para o senhor do guichê as entradas. Era noite de uma segunda-feira, havia pouquíssima gente por lá. Ficamos praticamente sozinhos no vagão.
Entramos e foi direto para uma das extremidades olhar tudo.
- Nossa! – ela disse voltando para onde eu estava e puxando minha mão – Olha isso!
Fiquei calado esperando ela cansar de olhar tudo. Ela viu caminhos que fazia todo dia, conseguiu ver o condomínio onde e moravam. Viu a sede da Super Records. E ficou contando janelas para tentar encontrar a sala dela. Quando estávamos na parte mais alta, ela virou para mim.
- Obrigada! Eu vou sentir muita saudade de Londres – virou novamente para a vista da cidade.
- Você também tem que sentir saudades da pessoa que te mostrou Londres de cima – eu disse abraçando ela por trás. Meu coração disparou, mas eu não a larguei.
- Eu não vou sentir saudades suas lá, – ela disse olhando para o Big Ben.
Eu continuei calado e a soltei do abraço. Ela se virou para mim e me abraçou de frente.
- Eu sempre sinto saudades suas, então não tem como eu sentir saudades lá se eu já sinto aqui. Lá eu vou morrer aos poucos toda vez que lembrar de você.
- Eu te amo, – eu disse, sem querer.
Ela ficou calada e não fez nada. E eu, nervoso com o silêncio, me afastei. Ela segurou minha mão. Quando olhei para seu rosto, ela sorriu e eu também. Puxei-a para mais perto e nos beijamos. Eu podia sentir todo meu corpo ficando eletrizado, e me arrepiei quando ela passou a mão na minha nuca. Realmente, eu estava apaixonado.
END OF 'S P.O.V.
Capítulo XXV
Abri os olhos, meu relógio marcava 01:04 AM, eu estava no meu quarto, sozinha e ainda em estado de choque, que dia havia sido aquele? Primeiro, consigo apoio para minha pesquisa, aí descubro que tem que ser na Califórnia, decido que tá tudo bem porque eu estava meio parada aqui e meu amor não era correspondido. De noite, ele diz que me ama e eu entro em conflito. Porra, não sei se eu fico feliz ou triste. me ama. E eu vou pra fucking Califórnia. Merda, merda, merda, merda. Por que ele não me disse isso antes? Se bem que, mesmo se ele tivesse dito antes, eu recusaria uma oportunidade única na minha carreira por conta dele? E se ele decidisse que não gostava mais de mim e fosse pegar as modelos da Victoria's Secrets? Isso é um fato, faz essas coisas. E como eu posso ter certeza que ele realmente me ama? Ok, ele me disse que ama, mas será que não foi só da boca pra fora? Fuck! Eu não vou dormir hoje.
De alguma forma desconhecida adormeci no meio dos meus devaneios e tive um sonho/pesadelo. Eu não ia para a Califórnia, ficava aqui e nós começávamos a namorar, mas ele não gostava de mim realmente, e me explicava que aquela declaração havia sido no calor do momento. Que ele tentou, mas não daria certo. E, no final do sonho, ele estava de novo pegando a Serena. Eu tinha perdido o prazo da pesquisa e não poderia mais ser financiada e, para completar, o McFLY decidia que o Super City não era lá grande coisa e acabavam com ele. Eu ficava sem trabalho, namorado e carreira e acabava voltando para a casa dos meus pais no Brasil. Acordei e comecei a pensar nisso tudo, tudo bem que meu sonho foi extremo. Mas e se isso tudo realmente acontecer? Eu não podia ficar dependente assim de tudo. Me acomodei muito em Londres e se eu perdesse tudo de uma vez? Decidi que iria para Califórnia. Com ou sem me amando. Eu preciso ter uma coisa fixa e certa na minha vida. Nada melhor do que a minha carreira.
entrou no meu quarto às oito da manhã com um café completo na cama, percebeu que eu estava diferente e quieta.
- Você tá triste por conta da viagem?
- O disse que me amava ontem, – arregalou os olhos.
- E o que você disse?
- Eu não disse nada, a gente se beijou na London Eye e depois ele me deixou em casa.
- COMO ASSIM VOCÊ NÃO DISSE NADA?
- , eu ia dizer o quê? "Ah, você me ama, que ótimo, posso desistir da minha vida para ficar com você agora"?
- Não... Mas você podia, pelo menos, ter conversado com ele sobre o assunto...
- Eu não tenho nada para conversar com ele, não vou deixar de ir para a Califórnia pelo . É a minha carreira. Eu não pediria para ele deixar o McFLY por minha causa.
- Eu sei... , você tá sendo muito extrema. Deixa de ser louca, conversa com ele, se põe no lugar dele. Ele se declarou e você não disse nada...
- Ok, ele se declarou, eu me balancei e beijei ele, não resisti, mas , eu não quero me enganar. Se eu ficar mais uma vez com ele, vai ser pior, é melhor fingir que nada aconteceu. Quando eu voltar, se ele ainda quiser, podemos tentar alguma coisa...
- , para de ser dramática, como pode ser pior ficar de novo com o cara que você ama?
- Eu vou alimentar mais ainda um amor que pode não ser verdadeiro. Ele pode ter dito tudo isso no calor do momento, .
- Para de se deixar levar por suposições. Ele disse que te ama criatura, se ele disse é verdade.
- Nem sempre. Ele vivia dizendo que amava a Serena.
- Isso é completamente diferente, .
- É diferente porque é comigo? Ah senta lá, .
- , a Serena não é metade do que você é, só pra começar. Mas e agora, você não vai mais falar com ele, vai embora para a Califórnia e vai deixar o coitado sofrendo, e se você se apaixonar por outra pessoa lá? E ele continuar te amando?
- Aí ele vai sentir na pele o que é ser eu, né? Porque eu comi o pão que o diabo amassou 3 vezes com as peguetes e namoradinhas dele... Cansei – eu disse colocando um grande pedaço de bolo na boca para encerrar a conversa.
ficou sentada ao meu lado por um tempo enquanto eu comia, esperando uma brecha para falar, mas eu não queria mais papo. Ela desistiu e saiu. Depois que terminei o café, fui tomar um banho, sentei no chão e comecei a chorar enquanto a água caía nos meus cabelos pensando se ele realmente sofreria por mim, e se eu realmente gostaria de fazer ele sofrer. Durante o banho eu considerei umas 5 vezes ficar em Londres.
Eu não ficaria em Londres. Estava decidido. Fui almoçar com todo mundo na casa do . estava lá, e eu fiquei na minha, mas todo segundo que o meu olhar se encontrava com o dele, eu me arrepiava e pensava em não ir mais uma vez. Então eu lembrava do sonho e voltava a ter certeza de que deveria ir.
- , você tá muito quieta – veio conversar comigo depois do almoço.
- É, eu sei, to meio triste por que vou ficar longe de vocês – ele se sentou ao meu lado e me abraçou.
- Fica assim não, se você ficar muito entediada na Califórnia, eu vou lá te visitar.
- Vai mesmo? Vou cobrar!
- Claro que vou! Tô de férias agora, vamos compor músicas para o cd novo depois desse último show em Wembley e, cá entre nós, as melhores músicas não são as minhas...
- Oh my God, para de falsa modéstia, se você tá querendo elogio, perdeu playboy – deu um sorrisinho e me deu a língua.
- Falando em show, que dia vai ser? Eu vou viajar no domingo de manhã! Tenho que estar presente, se for depois, pode tratar de adiantar.
- É no sábado, você não vai dormir. Tenho o plano completo já traçado: vamos pro show, passaremos a madrugada toda acordados, e depois você dorme no avião, feito?
Eu só dei uma risada e concordei.
- Acho bom concordar mesmo porque se você não concordar, eu vou ter que te sequestrar e arranjar alguma droga que te faça me obedecer.
- Deixa de bobagem, claro que eu vou ficar acordada! Seu besta.
Eu ainda estava rindo com quando passou na nossa frente sério e deu só uma olhada pra gente. Dava para cortar a tensão do ar com uma faca não afiada. Eu parei de rir e me olhou completamente curioso.
- O que aconteceu?
- Nada, acho que o não está nem um pouco feliz com a minha viagem.
- Ah, isso é óbvio... Mas porque ele tá te olhando assim? Ele falou com você?
- Falou... – fez uma cara de surpresa e continuou esperando que eu continuasse a falar.
- Ele disse que me amava e tal... – falei como se fosse uma coisa típica e sem importância que acontecia todo dia.
- E você falou o quê pra ele?
- Nada.
- Nada?
- Nada.
- Como assim nada? Ele disse “eu te amo” e você não disse nada? E o que ele fez?
- Ele me levou para casa.
- E você não disse nada?
- Eu disse obrigada pela carona quando chegamos em casa.
- Você não ama o ?
- Amo. Mas, agora já é tarde, .
- Como assim é tarde? Pelo amor de Deus, . Ele disse que te ama. O não diz isso com frequência, sabe?
- Ele dizia para a Serena... Mas isso não vem ao caso. É tarde, . Eu vou pra Califórnia no domingo.
- E pretende nunca mais voltar? Pelo amor de Deus, , vocês podiam ficar juntos agora e, quando você voltar, continuarem...
- , relacionamentos a distância já são complicados se você não está com um famoso. Imagine com um famoso como o , que está sempre nas capas de revistas de fofoca?
- Dá um crédito pra ele. A última vez que ele esteve em capa de revista de fofoca foi na época da Serena quando nós estávamos em turnê e tal.
- Isso faz uns dois ou três meses só, .
- Mesmo assim, , ele disse que te ama. Você não pode deixar isso escapar. Ele pode ter dito da boca pra fora, mas ele tem sentimentos fortes por você, e pode se apaixonar.
- Não acho que ele vá se apaixonar por mim. Eu acho que ele está afim, e como descobriu que eu vou para a Califórnia, preferiu falar isso para tentar me fazer ficar aqui com ele.
- Claro que ele falou isso para você ficar aqui com ele. Mas isso não quer dizer que ele não goste de você. Pelo contrário, isso quer dizer que ele te quer.
- , não vou desistir da minha carreira por uma coisa que pode ou não ser verdadeira.
não falou mais nada, apenas me olhou profundamente fez um gesto negativo com a cabeça e me abraçou.
- Não entendo, tudo para dar certo e você fica complicando – ele soltou como um suspiro e eu não falei mais nada.
Fomos para o centro da sala, , , e estavam arrasando no RockBand dos Beatles. me desafiou e quando ele finalmente percebeu que nunca iria ganhar de mim em While My Guitar Gently Weeps decidiu que era a hora de colocar Just Dance 2 para as meninas dançarem para eles. A primeira menina a se manifestar para dançar foi o junto com a , logo depois resolveu fazer um solo super sexy com a música Toxic da Britney. Enquanto todo mundo ria da performance da wannabe loira sexy, também conhecida como , eu percebi quieto, me olhando. Ignorei o seu olhar e fui dançar com as meninas. Seduzimos muito dançando, haha. Quando estávamos bem cansadas resolvemos assistir um filme e, no meio da bagunça toda, já era o início da madrugada e resolvemos contar histórias de terror. Tinhamos o nosso Sr. Medroso de plantão que resolveu não participar, e ficou “escondido” debaixo das almofadas enquanto contávamos nossas histórias aterrorizantes. Não sei quando exatamente, mas todos dormiram, ali na sala mesmo.
Acordei com meu telefone berrando uma música da Katy Perry na voz do .
“Soft skin, red lips, so kissable hard to resist, so touchable
“Pele macia, lábios vermelhos, tão bom de beijar, difícil de resistir, tão gostosos de tocar
Too good to deny it ain't no big deal, it's innocent”
Bom demais para ser negado, não é grande coisa, é inocente”
Eu tinha gravado isso um dia numa conversa, como todos já estão cansados de saber, eu amo o e eu coloquei a música como meu toque porque a voz dele me derrete aos poucos e coloquei exatamente essa parte como meu toque porque ela me fazia ficar louca, eu ficava horas, sim, eu ficava horas fingindo que ele falava aquilo pra mim. E agora que ele disse que me ama, teoricamente, eu ainda não levei isso tão a sério, ainda acho que foi o calor do momento. Enfim, agora que ele disse que tá afim de mim, eu não sei o que fazer... Odeio conflitos. Demorei para criar coragem para abrir os olhos, quando eu finalmente abri, percebi que meu celular não estava mais tocando, na verdade eu não saberia dizer quando ele parou de tocar. estava ali, cantando com meu celular na mão sem perceber que eu estava olhando para ele.
“It felt so wrong, it felt so right. Don't mean I'm in love tonight. I kissed a girl and I liked it.
“Pareceu tão errado , pareceu tão certo. Não significa que estou apaixonado essa noite. Eu beijei uma garota e gostei disso.
Yeah, I liked it.”
Sim, eu gostei disso.”
Eu fechei os olhos o mais rápido o possível para que ele não percebesse o meu olhar. E deu certo, ele estava muito concentrado perdido nos pensamentos dele, parou de falar e continuou cantarolando a música baixinho. E, é obvio que a minha mente doentia começou a trabalhar. Ali estava a minha “prova”. Ele acabou de cantar só ESSA parte da música. “Eu beijei a garota, gostei e não significa que eu estou apaixonado”. Viu aí, ele admitiu que não me ama. Posso ir para a Califórnia tranquila agora. O foda é, agora estou com um sentimento de coração quebrado, eu sabia que ele não me amava teoricamente, mas ouvir dele isso, sem ele saber que eu ouvi, é triste. Lá estava eu, divagando novamente sobre como nosso romance poderia ter dado certo quando eu sinto uma mão na minha testa e uma cabeça se aproximando da minha orelha. Fiz minha melhor atuação de “estou dormindo” e fiquei completamente imóvel.
- ? – sussurou na minha orelha, me fazendo sentir coisas estranhas e boas, além de arrepios e o esperado. Eu quase abri os olhos, agarrei ele e disse “sou toda sua, foda-se minha vida, você me quer aqui e agora?” Mas claro, sou uma moça contida e segui com minha interpretação de “estou acordando aos poucos”.
se afastou e eu abri só um pouquinho dos olhos e depois me fiz de preguiçosa e voltei a fechar. Na verdade, eu fechei para poder resistir a toda aquela sedução despenteada que estava tentando me “acordar”.
- , desculpa te acordar assim, mas é que seu telefone tava tocando, e era o Fletch. Mandei um sms pra ele dizendo que você tava dormindo ainda e ele pediu para eu te avisar que é uma coisa urgente acerca do site.
- Ahhhhh – dei a minha melhor espreguiçada e cocei os olhos – O site? O que aconteceu?
- Ele não me disse, só disse que era urgente, sobre os projetos do Super City.
- Oh, fuck – eu disse dando um tapa forte na minha testa e depois me arrependendo disso – Ai.
- Você não devia se bater antes de acordar totalmente, linda – ai pelo amor de Deus, para de me seduzir, . Ele colocou a mão na minha testa – Olha aí, ficou vermelho – ele deu uma risada e eu dei língua pra ele – Sei como curar isso em dois segundos.
Continuei calada e ele deu um beijo na minha testa e depois falou sussurando no meu ouvido:
- Pronto, agora o rosto todo tá vermelho e ninguém vai notar – depois que ele falou isso, certeza que até meu pé tava vermelho de vergonha. Continuei uns dois segundo em transe e lembrei do Fletch.
- Ai meu Deus, a entrevista! – levantei rapidamente, fiquei tonta e cai sentada onde eu estava antes.
- Te acalma, – disse – E fala baixo, a galera tá dormindo ainda – me diga qual o problema?
Eu me levantei novamente e fui para frente de um espelho ver meu estado. Peguei minha bolsa e comecei me arrumar, para ficar pelo menos apresentável, enquanto explicava para o o que estava acontecendo.
- Lembra que eu vou para a Califórnia?
- Só quando eu respiro... – ele disse me olhando profundamente. Ignorei o olhar sedutor dele e continuei falando.
- Então, eu preciso de um substituto para a minha função.
- Mas você fica pouco tempo fora, não precisa ser substituída.
- O site não pode ficar sem direção, . E se por acaso eu tiver que ficar mais tempo? Tudo tem que estar arrumado.
- Você acha que vai ter que ficar mais tempo? – ele disse fazendo uma cara linda e lamentável.
- Não sei dizer, . Mas eu ficarei se for necessário.
Terminei de me “arrumar” e peguei minhas chaves.
- Obrigada por me acordar! – falei e sai correndo para o carro.
Quando eu cheguei no carro, apareceu atrás de mim.
- Você pode tentar ignorar tudo sobre aquela noite, mas isso não vai fazer com que ela deixe de existir. E sim, você me deve uma conversa.
Eu apenas olhei para ele e entrei no carro. Naquele momento eu tinha como fugir e tinha desculpa. Mas, eventualmente, eu teria que conversar com ele.
Capítulo XXVI
Fui para a entrevista com Fletch e aprovamos um cara incrível, o Dave. Ele seria o novo responsável geral enquanto eu estivesse fora, e quando eu voltasse dividiríamos o cargo. Eu continuaria trabalhando online, e ele faria a parte presencial aqui em Londres.
- Muito obrigado por tudo, ! – Dave disse apertando minha mão – Vai ser incrível!
- Eu sei que vai, Dave! A propósito, pode me chamar de . Ah, falando nisso, mais tarde eu vou te enviar um email com todos os protocolos e senhas ok? E se você puder, hoje à noite eu pretendo te apresentar para os meninos.
- Certo! Posso sim, só me avisar a hora e o local.
- Eu te ligo avisando tudo certinho!
Fui para minha sala buscar os protocolos que teria que enviar para Dave mais tarde. E encontro um envelope em cima da minha mesa. Estava escrito “Não abra”. Claramente, isso foi um convite para que eu o abrisse o mais rápido o possível. O que não foi uma boa idéia.
“, você abriu, mesmo depois de eu falar que você não deveria fazer isso, agora você DEVE me encontrar para um almoço no endereço abaixo. E sim eu saberei que você leu, pois se você olhar agora a ponta do seu dedo está manchada de tinta e somente eu tenho o removedor. Vá em frente, tente usar sabão, só vai piorar. Te espero no restaurante.
.”
A ponta do meu dedo realmente estava manchada, e claro, eu achei que fosse uma piadinha o negocio de “não use sabão”. Mas era verdade. Meu dedo TODO estava vermelho e eu não tinha idéia de como me livrar daquilo. Resolvi que iria enfrentar o almoço. Ia ser pior passar a tarde toda tentando tirar isso do dedo e depois ter que falar com ele de qualquer maneira. Me preparei psicologicamente para a conversa e fui para o restaurante. Chegando lá, fui falar com o recepcionista.
- Olá, hum, acho que meu amigo está me esperando...
- Qual o nome dele? – o senhor me perguntou gentilmente.
- – eu disse e ele sorriu.
- Quer dizer que eu perdi a aposta? – fiz uma cara de confusão e ele deu uma pequena gargalhada – Eu apostei que você não viria.
- Eu não ia mesmo, mas ele jogou sujo – mostrei meu dedo manchado e expliquei o acontecido.
- Bem, você abriu o envelope...
- É eu sei, minha curiosidade foi maior... Mas enfim, ele já está aqui?
- Não, ele não vem.
- Como assim?
- Apesar de ele ter plena convicção de que você viria, ele não tinha certeza absoluta – ele fez uma pausa – Isso foi o que ele me disse...
- Tá e eu faço o que para me livrar dessa mancha?
- Isso deve estar aqui... – ele disse me entregando dois envelopes – Boa sorte.
Peguei os dois envelopes e sai do restaurante em direção ao meu carro. Quando entrei e me sentei, olhei para eles. Um deles tinha “Pode me abrir” e o outro “Não abra!”. Como o primeiro dizia que eu podia abrir, eu abri.
“Ok, se você está lendo isso você foi até o restaurante. Uau! Achei que você não se rendia a curiosidade, pelo visto estou enganado. Quanto a mancha no seu dedo, pode abrir seu porta-luvas, lá dentro tem o removedor. Até mais.
.”
Eu não acreditei quando abri o porta-luvas e vi que realmente havia um removedor lá. Se eu tivesse aberto isso antes tudo, teria se resolvido e eu não estaria aqui e agora. Se bem que eu vou limpar e ele nunca vai saber que eu li tudo. Ah, mas o cara do restaurante sabe e vai contar pra ele. Merda. Terminei de limpar o meu dedo e olhei para o envelope “Não abra!” em cima do banco do carona. Não vou abrir. Não vou abrir. Não vou abrir. Não vou abrir. É, eu abri. Vai dizer que você também não estaria curiosa?
“Oh ho ho, mas então a senhorita é mais curiosa do que eu imaginava. Dessa vez não tem truque, eu já sei que você chegou até aqui de qualquer maneira. Vá para o seu quarto quando quiser. Só isso. ”
Meu quarto? Ele estava no meu quarto? Merda, e agora vou pra lá agora ou enrolo um pouco? O que ele quis dizer com "já sei que você chegou aqui"? Enfim, eu estava louca de curiosidade e fui para casa naquele exato momento. Cheguei correndo. Esbarrei na no meio da correria. Que me parou e começou a falar sozinha.
- Oi, tudo bom, ? Ah tudo ótimo, . Como foi seu dia? Ah normal, acordei na casa do no chão e não vi minha amiga , nem meu amigo . E o seu dia, ? Ah normal , pegando muito o e tal.
- Aham, até parece, ! – eu disse – Na verdade eu fui fazer uma entrevista, e depois eu encontrei um envelope no meu trabalho e como eu sou curiosa me ferrei e agora estou seguindo instruções malucas desses envelopes, e a essa altura o já sabe que eu abri o envelope.
- Envelope? Calma, repete aí por favor?
- Eu te explico depois, tenho que correr pro meu quarto.
- Deixa de ser louca, me explica eu to curiosa – ficou me enchendo o saco até eu explicar tudo, só depois ela finalmente me deixou ir correndo para meu quarto, e claro, foi junto.
Chegamos no meu quarto e em cima da cama tinha um iPhone com um número digitado. E um post-it com “aperte chamar” colado. Apertei chamar e coloquei o telefone no viva-voz. O telefone chamou duas vezes e a voz de começou a falar:
“Olá, . Hum, por favor guarde esse telefone. Agora, isso é uma mensagem gravada ok? Não adianta falar comigo. Se bem que você deve ter percebido isso. Enfim, você precisa descobrir a senha. E depois você liga nesse número. Só faz se você quiser, Tchau. Hum, é o ... Mas acho que você sabe, né?!” e terminou com uma risada.
- Ai que coisa emocionante! – falou – Onde essa senha tá?
- Sei lá... – eu disse – Deixa pra lá, cansei disso.
- Cansou nada! Você só quer que eu te deixe em paz para brincar sozinha. Ok, mensagem recebida, divirta-se. Mas me conta depois – ela disse e saiu do meu quarto.
Eu fiquei pensando por um tempo onde poderia achar essa tal senha. Não achei nada, aí resolvi ligar direto, se ele atendesse eu daria um jeito, se fosse alguma secretária eletrônica eu tentaria achar a senha mais um pouco. Liguei no número. Depois de dois toques, atendeu. E dessa vez não era uma gravação.
- Oi, .
- Hum, oi, não achei a senha – falei sincera.
- Não tem senha.
- Não tem senha?
- Não, eu só queria saber se você ia desistir, ou se você ia me ligar.
- Eu te liguei porque sou muito curiosa.
- Eu prefiro pensar que é porque você me ama.
- Isso não vem ao caso.
- Claro que não, né? – ele deu uma risadinha – Então, podemos conversar sobre isso?
- Não quero conversar sobre isso.
- Temos que conversar sobre isso, senão eu vou ficar louco quando você for embora.
- Tá, vamos conversar.
- Não por telefone. Desce, eu estou aqui na frente.
- Como assim aqui na frente? E se eu não tivesse feito nada dos envelopes?
- Aí eu estaria aqui para visitar vocês e não para te levar para almoçar.
- Ok, eu vou descer, e só pra você saber, estou morrendo de fome, toda essa andança atrás de envelopes me deixou faminta.
Desci as escadas, estava na sala.
- Vai sair? Achou a senha?
- Não tinha senha, o tá aqui na frente, vou almoçar com ele.
- OMG ME CONTA TUDO DEPOIS – ela gritou e foi olhar a janela – Ele tá aqui mesmo! Ai que lindo.
Ignorei e sai.
Entrei no carro dele.
- Boa tarde.
- Boa! – ele deu um sorriso e colocou seus óculos escuros – Vamos comer!
Ele ligou som e deu a partida no carro.
Fomos para o mesmo restaurante do início da “corrida de envelopes”, chegamos lá e o recepcionista disse:
- É, eu realmente perdi a aposta.
- Eu disse que perderia! – disse sorrindo – Onde é a nossa mesa, John?
- Vou te mostrar, por aqui, .
Eu continuava calada desde que entrei no carro.
Sentamos e fizemos os pedidos, quando o garçom saiu, me olhou e disse:
- Ok, vamos conversar.
Ia ser uma grande conversa. Respirei fundo, ignorei toda a beleza dele e finalmente falei.
Capítulo XXVII
- Ok, sobre o que vamos conversar exatamente? – perguntei tentando ganhar mais um tempo. Eu já sabia qual era a conversa. Mas eu ainda estava muito nervosa.
- Você quer comer o quê? – disse me passando o menu.
Fiquei calada enquanto olhava as opções sem prestar atenção.
- Não sei o que eu quero. Você vai pedir o quê?
- Eu estava com vontade de comer fondue de queijo – Ele disse me encarando com os olhos mais lindos e brilhantes do universo. Merda, por que eu não posso ser uma pessoa racional nunca?
- Vamos comer isso então! Eu to com fome, mas sou indecisa. Pode pedir!
O garçom se aproximou e perguntou qual era o tipo de queijo que queríamos.
- Eu não entendo nem um pouco de queijos, você entende? – Perguntei para ainda olhando para todas as opções do menu.
- Nem um pouco. Eu sei escolher vinho! – Ele falou rindo e pedindo ao garçom o ano e a safra do vinho que ele havia escolhido.
- Ok, vamos tentar queijo mussarela? É o único conhecido na lista.
- Pode ser! – se virou para o garçom e pediu o queijo mussarela.
- Infelizmente, estamos sem mussarela hoje – disse o garçom.
Nos olhamos sem saber o que fazer.
- Alguma recomendação? – perguntou ao garçom.
- Temos o queijo stephan e o queijo alpino, ambos são muito bons.
olhou pra mim. E nós falamos ao mesmo tempo:
- Alpino – e obviamente começamos a rir. O garçom se retirou e eu olhei para ele:
- Escolheu esse pelo nome do chocolate também?
- Claro! Você acha que eu ia escolher um queijo que tem nome de gente? “Stephan”. Isso lá é nome de queijo?
- Também acho que não - continuamos rindo um pouco disso, até que voltou ao assunto.
- Então... Estamos aqui para conversar sério. E até agora só demos risadas.
- Prefiro continuar rindo. Acho essa conversa desnecessária. Não há o que fazer, .
- Claro que há! Sempre tem algo a se fazer! Você me ama?
Eu não falei nada. Como eu poderia sair de uma situação dessas? Ele simplesmente ligou o charme dele, fez-me rir, e aí depois virou e perguntou se eu o amo? Não se faz isso com as pessoas! Percebendo o meu silêncio, ele voltou a falar.
- , eu quero muito que você fique aqui.
Eu continuei calada olhando para ele. Mil coisas se passando na minha cabeça, meu pesadelo, meus desejos loucos de amor por ele. Tudo.
- , eu quero que você fique aqui comigo. Eu gosto muito de você. Não vou aguentar ter você longe de mim.
Ah, é isso? Ele GOSTA muito de mim? GOSTA? Porra. Você tá pedido para eu largar a minha carreira para ficar aqui com você, porque você GOSTA de mim? Estou lisonjeada! Óbvio que eu só pensei isso. Eu tava com uma cara de bosta, com certeza. E eu disse só isso:
- Isso não é o suficiente para eu desistir da minha carreira, .
Ele respirou fundo. O garçom chegou com a nossa comida. Serviu a mesa rapidamente e foi embora. Eu comecei a comer e continuou me encarando.
- Eu não estou pedindo para você desistir da sua carreira. Eu só quero que você fique comigo.
- Você está sendo egoísta, . Vou tentar te explicar de outra maneira – Eu disse colocando uma fatia de pão com muito queijo na boca.
começou a comer, mas não parou de me encarar nem um segundo.
- Imagine você e os meninos, no começo do McFly. E vocês conseguem esgotar os ingressos para um show no Wembley – Fiz uma pausa e ele concordou com a cabeça, para dizer que estava acompanhando – Aí eu apareço, você gosta de mim. Nenhum problema até aí. Eu resolvo que gosto de você também, mas eu não quero que você vá nesse show, pois nesse dia alguma coisa aconteceu e eu quero que você fique comigo porque eu gosto de você.
- , isso não faz sentido. Não se aplica de nenhuma maneira ao nosso caso. Um show não é o mesmo do que mudar de país por sei-lá-quantos meses!
- Não é qualquer show, . Wembley esgotado. Uma oportunidade única. Você deixaria de fazer esse show?
- Claro que não!
- Pois é. Essa pesquisa é meu estádio do Wembley lotado, . Eu posso nunca mais conseguir algo assim.
- Você pode conseguir coisas melhores aqui! – ele continuou teimoso.
- Você acha que existe um show melhor do que o estádio do Wembley lotado só para vocês?
- Você tem que parar de tentar comparar isso com o McFly.
- , se você não consegue entender que “isso” é a minha carreira, assim como o McFly é a sua, eu realmente acho que estou fazendo a coisa certa indo. Por alguns minutos, eu realmente pensei em largar tudo e ficar aqui com você. Mas eu vejo que isso não ia dar certo. Eventualmente, você vai cansar ou perceber que não gosta de mim do mesmo jeito que achava que gostava. E aí você termina comigo e eu fico sem carreira e sem você. Prefiro ter um dos dois a não ter nenhum – Desabafei de uma vez.
- Você poderia me escolher – ele disse e me olhou como se pudesse ver através dos meus olhos – Eu não sou a pior das opções.
- , sim, eu te amo. Mas você não é a escolha mais segura. Eu sinto muito em dizer isso, mas eu vou para a Califórnia. E não há nada que você possa fazer para mudar isso.
E então, o descarado me beijou. Pois é. Ele meio que subiu na mesa e me beijou. Assim, do nada, no meio da minha fúria com ele. Claro, foi um golpe baixo, mas eu não ia me deixar levar por isso.
- Me desculpe por isso – Ele disse voltando para a cadeira – Eu precisava fazer isso mais uma vez.
- Ok, sem problemas – Eu disse e peguei minha bolsa – Tchau, . A gente se vê quando eu voltar da Califórnia – Eu levantei da mesa e saí. Já na rua, peguei o primeiro táxi que vi. Não olhei para trás. Recebi um sms dele:
“O que você quis dizer com nos vemos quando eu voltar da Califórnia? Nós vamos nos ver amanhã no show! Você pode não querer me ver, mas os meninos vão te sequestrar para poderem passar com você o seu último fim de semana em Londres.”
Não respondi o sms. Eu sabia que ia ser difícil me despedir de todos. Por isso eu tive um plano maquiavélico. Eu iria embora sem me despedir de ninguém. Minha despedida, na verdade, foi a festa do . Achei que seria melhor assim. Eu não teria forças para ir embora se estivesse com todos eles. não sabia disso também. Minhas malas já estavam prontas. Cheguei em casa e pedi para o motorista do taxi aguardar. Eu iria embora naquele momento para o aeroporto. Ninguém iria me procurar lá. Por sorte, não estava em casa. Peguei tudo que eu precisava e voltei para o taxi. Em menos de 15 minutos, eu estava no aeroporto.
Desliguei meu celular e fiquei lá, por duas horas esperando meu vôo. Entrei na sala de embarque e mandei um sms para o Fletch, explicando que tive que ir mais cedo e pedi para que ele avisasse a todos. Mandei um sms para Ju, pedindo desculpas e dizendo que ligaria para ela assim que chegasse na Califórnia. Mandei um para o também. Pedi dez mil desculpas. Depois, eu desliguei o celular e entrei na minha aeronave.
'S P.O.V.
Eu estava comendo um muffin enquanto caminhava na rua quando recebi um sms. Era da . Dizendo que estava embarcando agora, dizendo que teve que adiantar a viagem e que me ligaria quando chegasse lá. Que diabos aconteceu? E por que ela não me LIGOU ao invés de mandar um sms para avisar uma coisa dessas? Dois minutos depois, me liga.
- Como assim ela JÁ embarcou?
- Não sei, eu também não sabia de nada, ela me mandou um sms agora.
- Pra mim também. Por que ela foi embora sem se despedir?
- Não faço idéia. Hoje ela tava toda estranha mais cedo, depois seguiu os bilhetes do e foi almoçar com ele... Achei que ela ia me esperar em casa depois desse almoço pra me contar o que aconteceu e para eu ajudar com a mala e essas coisas.
- Será que o fez alguma coisa? Irritou ela, sei lá, e ela resolveu ir antes?
- Vamos ter que falar com ele.
END OF 'S P.O.V.
Dormi mal durante todo o vôo, quando finalmente cheguei na Califórnia, senti a brisa fresquinha e vi o sol quente, nada comparado ao Brasil, mas perto de Londres, era o Rio de Janeiro. Peguei meus contatos da Universidade da Califórnia, achei um taxi e fui me instalar na cidade.
Continua...
n/a:
Olá, lindas.
É eu sei. DEZ ANOS SE PASSARAM. Desculpem, minha vida ficou bem atribulada nesses últimos meses. Eu vou desabafar aqui haha. Leiam se quiser... Eu comecei a sair com um diplomata lindo e fiquei com ele por uns quatro meses, BUT, não deu certo e tal, sem ressentimentos, o problema agora é um cara que trabalha comigo. OMG eu to meio que apaixonando por ele... Eu já era gamadinha nele quando comecei a sair com o tal diplomata, ai ele se aproximou muito de mim nessa época, ficamos bem amigos, e agora q não tem mais diplomata na jogada eu percebi que eu sempre gostei dele. Eo foda é que ele também gosta de mim. Tudo lindo para vivermos felizes para sempre? NOT ele tem namorada. FUUUUUUUU. Pois é, minha vida tá virando um livro aqui, por isso q eu tava sem escrever a fic que vcs tanto amam. O pior de tudo é que todo mundo percebe toda a tensão sexual que rola quando a gente conversa e tudo mais. Mas ele continua tendo uma namorada e nós continuamos só amigos. E claro, ele não ajuda conversando comigo todas as noites, e saindo com a gente sempre, lanchando no intervalo do trabalho sempre comigo, me abraçando sem motivos... AIAIAI.
Ai, eu fiquei aqui vivendo meu drama e não escrevi nada. Sem falar q estão chegando cada vez mais livros pra eu guardar no meu trabalho e minha faculdade só me deixou entrar de férias essa semana...
Não me matem demais. Escrevi esse capitulo agora, 3 de dezembro de 2011, são exatamente 01:53 da manhã, e eu não sei dizer se amanhã eu vou escrever de novo... Mas, vou tentar atualizar e terminar a fic até o fim do ano, ou inicio de 2012. Mas ela termina antes de fim do mundo, eu juro! Hahahaha!
Beijos.
Belle.